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REVISÃO/REVIEWS(1)

Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador


René Mendes*, Elizabeth Costa Dias**

MENDES, R. & DIAS, E.C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Rev Saúde públ., S.Paulo, 25:
341-9, 1991. Ensaio de revisão sobre a evolução dos conceitos e práticas da medicina do trabalho à
saúde do trabalhador, passando pela saúde ocupacional. Busca-se responder às seguintes questões: quais
as características básicas da medicina do trabalho (na sua origem e na sua evolução); como e por que
evoluiu a medicina do trabalho para a saúde ocupacional; por que o modelo da saúde ocupacional se
mostrou insuficiente; em que contexto surge a saúde do trabalhador; quais as principais características da
saúde do trabalhador.

Descritores: Saúde ocupacional. Medicina ocupacional, história.

Introdução - Quais as principais características da saúde do


trabalhador?
O presente artigo constitui um ensaio de revisão Muitas outras perguntas não menos importantes,
sobre a evolução dos conceitos e práticas da medici- tanto de natureza epistemológica quanto prospectiva,
na do trabalho à saúde do trabalhador, passando pela poderiam ser formuladas. Contudo, no presente tra-
saúde ocupacional. O caráter de ensaio decorre da balho, a análise se restringirá a estas.
natureza preliminar deste exercício, pois que tal ca-
minhada encontra-se em processo, e seu estudo está Principais características da medicina do
limitado pela falta do distanciamento histórico e de trabalho
metodologias mais adequadas à sua abordagem.
Como artigo de revisão, tem sua base principal A medicina do trabalho, enquanto especialidade
em documentos disponíveis, porém não se limita à médica, surge na Inglaterra, na primeira metade do
literatura "cientifica", incipiente em estudos e traba- século XIX, com a Revolução Industrial 56 .
lhos que abordem o tema proposto. Incorpora as Naquele momento, o consumo da força de traba-
discussões recentes deste processo que vêm se dan- lho, resultante da submissão dos trabalhadores a um
do, no âmbito da academia e no conjunto da socie- processo acelerado e desumano de produção, exigiu
dade. uma intervenção, sob pena de tornar inviável a so-
O presente trabalha busca responder a algumas brevivência e reprodução do próprio processo.
questões básicas, tais como: Quando Robert Dernham, proprietário de uma fá-
- Quais as principais características da medicina brica têxtil, preocupado com o fato de que seus ope-
do trabalho (na sua origem e na sua evolução)? rários não dispunham de nenhum cuidado médico a
- Como e por que evoluiu a medicina do trabalho não ser aquele propiciado por instituições filantrópi-
para a saúde ocupacional? cas, procurou o Dr. Robert Baker, seu médico, pe-
- Por que o modelo da saúde ocupacional se mos- dindo que indicasse qual a maneira pela qual ele,
trou insuficiente? como empresário, poderia resolver tal situação,
- Em que contexto surge a saúde do trabalhador? Baker respondeu-lhe:
"Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio
médico, que servirá de intermediário entre você, os
* Departamento de Medicina Preventiva e Social da seus trabalhadores e o público. Deixe-o visitar a fábri-
Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP ca, sala por sala, sempre que existam pessoas traba-
Campinas, SP; Departamento de Medicina Preventi- lhando, de maneira que ele possa verificar o efeito do
va e Social da Faculdade de Medicina da Universi- trabalho sobre as pessoas. E se ele verificar que qual-
dade Federal de Minas Gerais (UFMG) quer dos trabalhadores está sofrendo a influência de
** Departamento de Medicina Preventiva e Social da causas que possam ser prevenidas, a ele competirá fazer
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de
tal prevenção. Dessa forma você poderá dizer: meu
Minas Gerais (UFMG) - Belo Horizonte, MG - Bra-
sil. médico é a minha defesa, pois a ele dei toda a minha
Separatas/Reprints: R.Mendes - Av. Alfredo Belena, 190 autoridade no que diz respeito à proteção da saúde e
- 10o andar - 30130 - Belo Horizonte, MG - Brasil. das condições físicas dos meus operários; se algum
Publicação finaciada pela FAPESP. Processo Medicina deles vier a sofrer qualquer alteração da saúde, o mé-
90/4602-1 dico unicamente é que deve ser responsabilizado".

(1) Série comemorativa do 25o aniversário da Revista de Saúde Pública


A resposta do empregador foi a de contratar Baker leira). Aborda aspectos que incluem a sua definição,
para trabalhar na sua fábrica, surgindo assim, em os métodos de aplicação da Recomendação, a orga-
1830, o primeiro serviço de medicina do trabalho40. nização dos Serviços, suas funções, pessoal e insta-
Na verdade, despontam na resposta do fundador lações, e meios de ação45.
do primeiro serviço médico de empresa, os elemen- Segundo a Recomendação 11245, "a expressão
tos básicos da expectativa do capital quanto às fina- 'serviço de medicina do trabalho' designa um servi-
lidades de tais serviços: ço organizado nos locais de trabalho ou em suas
- deveriam ser serviços dirigidos por pessoas de imediações, destinado a:
inteira confiança do empresário e que se dispuses- - assegurar a proteção dos trabalhadores contra
sem a defendê-lo; todo o risco que prejudique a sua saúde e que possa
- deveriam ser serviços centrados na figura do resultar de seu trabalho ou das condições em que
médico; este se efetue;
- a prevenção dos danos à saúde resultantes dos - contribuir à adaptação física e mental dos traba-
riscos do trabalho deveria ser tarefa eminentemente lhadores, em particular pela adequação do trabalho
médica; e pela sua colocação em lugares de trabalho corres-
- a responsabilidade pela ocorrência dos proble- pondentes às suas aptidões;
mas de saúde ficava transferida ao médico. - contribuir ao estabelecimento e manutenção do
A implantação de serviços baseados neste mode- nível mais elevado possível do bem-estar físico e
lo rapidamente expandiu-se por outros países, para- mental dos trabalhadores"45.
lelamente ao processo de industrialização e, poste- Desta conceituação podem ser extraídas mais al-
riormente, aos países periféricos, com a transna- gumas características da medicina do trabalho (além
cionalização da economia. A inexistência ou fragili- das anteriormente identificadas, a propósito de sua
dade dos sistemas de assistência à saúde, quer como origem), assim como alguns questionamentos que
expressão do seguro social, quer diretamente provi- têm a ver com suas limitações, a saber:
dos pelo Estado, via serviços de saúde pública, fez - A medicina do trabalho constitui fundamental-
com que os serviços médicos de empresa passassem mente uma atividade médica, e o "locus" de sua
a exercer um papel vicariante, consolidando, ao prática dá-se tipicamente nos locais de trabalho.
mesmo tempo, sua vocação enquanto instrumento - Faz parte de sua razão de ser a tarefa de cuidar
de criar e manter a dependência do trabalhador (e da "adaptação física e mental dos trabalhadores",
freqüentemente também de seus familiares), ao lado supostamente contribuindo na colocação destes em
do exercício direto do controle da força de trabalho. lugares ou tarefas correspondentes às aptidões. A
A preocupação por prover serviços médicos aos "adequação do trabalho ao trabalhador", limitada à
trabalhadores começa a se refletir no cenário inter- intervenção médica, restringe-se à seleção de candi-
nacional também na agenda da Organização Inter- datos a emprego e à tentativa de adaptar os trabalha-
nacional do Trabalho (OIT), criada em 1919. Assim, dores às suas condições de trabalho, através de ati-
em 1953, através da Recomendação 97 sobre a vidades educativas.
"Proteção da Saúde dos Trabalhadores", a Confe- - Atribui-se à medicina do trabalho a tarefa de
rência Internacional do Trabalho instava aos Esta- "contribuir ao estabelecimento e manutenção do
dos Membros da OIT que fomentassem a formação nivel mais elevado possível do bem-estar físico e
de médicos do trabalho qualificados e o estudo da mental dos trabalhadores", conferindo-lhe um cará-
organização de "Serviços de Medicina do Traba- ter de onipotência, próprio da concepção positivista
lho". Em 1954, a OIT convocou um grupo de espe- da prática médica.
cialistas para estudar as diretrizes gerais da organi- Esta visão de onipotência da medicina fica
zação de "Serviços Médicos do Trabalho". Dois anos exemplificada no discurso de Selby57, em 1939,
mais tarde, o Conselho de Administração da OIT, quando ao tratar da finalidade e da organização dos
ao inscrever o tema na ordem-do-dia da Conferência serviços médicos de empresa, afirmava:
Internacional do Trabalho de 1958, substituiu a de-
nominação "Serviços Médicos do Trabalho" por "It is the plant physician's privilege and duty to
"Serviços de Medicina do Trabalho". cooperate (...) to conserve human values..."57.
Com efeito, em 1959, a experiência dos países
industrializados transformou-se na Recomendação ou nas palavras de Townsend59, em 1943:
11245, sobre "Serviços de Medicina do Trabalho",
aprovada pela Conferência Internacional do Traba- "[Occupational Medicine] is concerned with every
lho. Este primeiro instrumento normativo de âmbito phase of the health of the man behind the machine,
internacional passou a servir como referencial e wheter it is the industrial dust in the air he breathes
paradigma para o estabelecimento de diplomas le- or the food his wife has packed in his dinner pail. In
gais nacionais (onde aliás, baseia-se a norma brasi- short, it is the problem of keeping the worker on the
job, and in good health, so that he can work at the A tecnologia industrial evoluira de forma acele-
top efficiency." rada, traduzida pelo desenvolvimento de novos pro-
Aliás, tanto a expectativa de promover a "adapta- cessos industriais, novos equipamentos, e pela sín-
ção" do trabalhador ao trabalho, quanto a da "manu- tese de novos produtos químicos, simultaneamente
tenção de sua saúde", refletem a influência do pen- ao rearranjo de uma nova divisão internacional do
samento mecanicista na medicina científica e na fi- trabalho.
siologia. No campo das ciências da administração, o Entre muitos outros desdobramentos deste pro-
mecanicismo vai sustentar o desenvolvimento da cesso, desvela-se a relativa impotência da medicina
"Administração Científica do Trabalho", onde os do trabalho para intervir sobre os problemas de saú-
princípios de Taylor, ampliados por Ford, encon- de causados pelos processos de produção. Crescem
tram na medicina do trabalho uma aliada para a a insatisfação e o questionamento dos trabalhadores
perseguição do seu "telos" último: a produtividade 17 . - ainda que apenas 'objeto' das ações - e dos empre-
Não é ao acaso que a Henry Ford tenha sido gadores, onerados pelos custos diretos e indiretos
atribuída a declaração de que "o corpo médico é a dos agravos à saúde de seus empregados.
seção de minha fábrica que me dá mais lucro" (cita- A resposta, racional, "científica" e aparentemen-
da por Oliveira e Teixeira44). te inquestionável traduz-se na ampliação da atuação
A explicação é dada por Oliveira e Teixeira44 com médica direcionada ao trabalhador, pela intervenção
as seguintes palavras: sobre o ambiente, com o instrumental oferecido por
"Em primeiro lugar, a seleção de pessoal, possi- outras disciplinas e outras profissões.
bilitando a escolha de uma mão-de-obra provavel- A "Saúde Ocupacional" surge, sobretudo, dentro
mente menos geradora de problemas futuros como das grandes empresas, com o traço da multi e
o absentismo e suas conseqüências (interrupção da interdisciplinaridade, com a organização de equipes
produção, gastos com obrigações sociais, etc.). Em progressivamente multi-profissionais, e a ênfase na
segundo lugar, o controle deste absentismo na força higiene "industrial", refletindo a origem histórica
de trabalho já empregada, analisando os casos de dos serviços médicos e o lugar de destaque da in-
doenças, faltas, licenças, obviamente com mais cui- dústria nos países "industrializados"..
dado e maior controle por parte da empresa do que Nada mais oportuno que citar, textualmente, esta
quando esta função é desempenhada por serviços característica inovadora da saúde ocupacional, nas
médicos externos a ela, por exemplo, da Previdência palavras de Hussey 26 quando, em 1947, discutia um
Social. Outro aspecto é a possibilidade de obter um artigo sobre o lugar da engenharia na saúde
retorno mais rápido da força de trabalho à produção, ocupacional:
na medida em que um serviço próprio tem a possi-
bilidade de um funcionamento mais eficaz nesse "This whole subject of Occupational Health is
sentido, do que habitualmente 'morosas' e 'defici- analogous to a three-legged stool, one leg represent-
entes' redes previdenciárias e estatais, ou mesmo a ing medical science, one representing engineering
prática liberal sem articulação com a empresa." and chemical science and one representing social
sciences...Up to the present we have been trying to
Como e por que evoluiu a medicina do balance ourselves on two legs and in some instances
trabalho para a saúde ocupacional? on one leg. It is a very uncomfortable position and
one that cannot get us very far and certainly will
O preço pago pelos trabalhadores em permanecer lead, as it has, to fatigue."
nas indústrias durante os anos da II Guerra Mundial,
em condições extremamente adversas e em intensi- A racionalidade "científica" da atuação
dade de trabalho extenuante, foi - em algumas cate- multiprofissional e a estratégia de intervir nos locais
gorias - tão pesado e doloroso quanto o da própria de trabalho, com a finalidade de controlar os riscos
guerra. Sobretudo porque, terminado o conflito béli- ambientais, refletem a influência das escolas de saú-
co, o gigantesco esforço industrial do pós-guerra de pública, onde as questões de saúde e trabalho já
estava recém iniciando. vinham sendo estudadas há algum tempo. Na meta-
Num contexto econômico e político como o da de deste século intensificam-se o ensino e a pesqui-
guerra e o do pós-guerra, o custo provocado pela sa dos problemas de saúde ocupacional nas escolas
perda de vidas - abruptamente por acidentes do tra- de saúde pública - principalmente nos Estados Uni-
balho, ou mais insidiosamente por doenças do tra- dos (Harvard, Johns Hopkins, Michigan, e
balho - começou a ser também sentido tanto pelos Pittsburgh) - com forte matiz ambiental.
empregadores (ávidos de mão-de-obra produtiva), Assim, de um lado a saúde ocupacional passa a
quanto pelas companhias de seguro, às voltas com o ser considerada como um ramo da saúde ambiental
pagamento de pesadas indenizações por incapacida- (como, aliás aconteceu também na Faculdade de
de provocada pelo trabalho. Saúde Pública da Universidade de São Paulo); de
outro, desenvolvem-se fortes unidades de higiene mudanças estabelecidas na legislação trabalhista,
"'industrial", através de "grants" e contratos de ser- foram mantidas na legislação previdenciária/
viços com grandes empresas. No estabelecimento acidentária as características básicas de uma prática
da higiene ocupacional nestes centros acadêmicos e medicalizada, de cunho individual, e voltada exclu-
em instituições governamentais de projeção, os no- sivamente para os trabalhadores engajados no setor
mes de Theodore Hatch, Phillip Drinker, Herbert formal de trabalho.
Stokinger e John Bloomfield, entre outros, passam a Caberia, ao encerrar esta parte, saber porque o
constituir referência obrigatória3,56. modelo da saúde ocupacional - desenvolvido para
Contudo, o desenvolvimento da saúde ambiental/ atender a uma necessidade da produção - não conse-
saúde ocupacional nas escolas de saúde pública dos guiu atingir os objetivos propostos. Dentre os fato-
Estados Unidos, centrado na higiene ocupacional, res que poderiam ser listados para explicar sua insu-
deu-se, não de forma complementar, mas acompa- ficiência, estão:
nhado de uma relativa desqualificação do enfoque - o modelo mantém o referencial da medicina do
médico e epidemiológico da relação trabalho-saúde. trabalho firmado no mecanicismo;
Vale lembrar que havia sido Alice Hamilton - - não concretiza o apelo à interdisciplinaridade:
médica pioneira nos estudos das doenças profissio- as atividades apenas se justapõem de maneira desar-
nais - quem dera, de 1919 a 1935, projeção à Uni- ticulada e são dificultadas pelas lutas corporativas;
versidade Harvard, ao enfocar os problemas de saú- - a capacitação de recursos humanos, a produção
de do trabalhador sob o ângulo médico- de conhecimento e de tecnologia de intervenção não
epidemiológico. Assim fez Anna Baetjer, que por acompanham o ritmo da transformação dos proces-
mais de 60 anos dedicou-se aos estudos da patolo- sos de trabalho;
gia do trabalho na Escola de Saúde Pública da Uni- - o modelo, apesar de enfocar a questão no cole-
versidade Johns Hopkins. E assim foi com muitos tivo de trabalhadores, continua a abordá-los como
outros centros3,24,25,56. "objeto" das ações de saúde;
No Brasil, a adoção e o desenvolvimento da saú- - a manutenção da saúde ocupacional no âmbito
de ocupacional deram-se tardiamente, estendendo- do trabalho, em detrimento do setor saúde.
se em várias direções. Reproduzem, aliás, o processo
ocorrido nos países do Primeiro Mundo. A insuficiência da saúde ocupacional e o
Na vertente acadêmica, destaca-se a Faculdade de surgimento da saúde do trabalhador.
Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que
dentro do Departamento de Saúde Ambiental, cria A insuficiência do modelo da saúde ocupacional
uma "área de Saúde Ocupacional", e estende de for- não constitui fenômeno pontual e isolado. Antes, foi
ma especial sua influência como centro irradiador e continua sendo um processo que, embora guarde
do conhecimento, via cursos de especialização e, uma certa especificidade do campo das relações en-
principalmente, via pós-graduação (mestrado e dou- tre trabalho e saúde, tem sua origem e desenvolvi-
torado). Com efeito, este modelo foi reproduzido mento determinados por cenários políticos e sociais
em outras instituições de ensino e pesquisa, em es- mais amplos e complexos.
pecial em nível de alguns departamentos de medici- Além disto, ainda que este processo tenha traços
na preventiva e social de escolas médicas. comuns que lhe conferem uma certa universalidade,
Nas instituições, a marca mais característica ex- ele ocorre em ritmo e natureza próprios, refletindo a
pressa-se na criação da Fundação Jorge Duprat diversidade dos mundos políticos e sociais, e as dis-
Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho tintas maneiras de os setores trabalho e saúde se
(FUNDACENTRO), versão nacional dos modelos organizarem.
de "Institutos" de Saúde Ocupacional desenvolvi- Em que cenário a insuficiência deste modelo se
dos no exterior, a partir da década de 50, entre eles, evidencia?
os de Helsinque, Estocolmo, Praga, Budapeste, Um movimento social renovado, revigorado e
Zagreb, Madrid, o NIOSH em Cincinnati, Lima e redirecionado surge nos países industrializados do
de Santiago do Chile. mundo ocidental - notadamente Alemanha, França,
Na legislação, expressou-se na regulamentação do Inglaterra, Estados Unidos e Itália - mas que se es-
Capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho praia mundo afora. São os anos da segunda metade
(CLT), reformada na década de 70, principalmente da década de 60, (maio de 1968 tipifica a
nas normas relativas à obrigatoriedade de equipes exteriorização deste fenômeno) marcados pelo
técnicas multidisciplinares nos locais de trabalho questionamento do sentido da vida, o valor da liber-
(atual Norma Regulamentadora 4 da Portaria 3214/ dade, o significado do trabalho na vida, o uso do
78); na avaliação quantitativa de riscos ambientais e corpo, e a denúncia do obsoletismo de valores já
adoção de "limites de tolerância" (Normas sem significado para a nova geração. Estes
Regulamentadoras 7 e 15), entre outras. Apesar das questionamentos abalaram a confiança no Estado e
puseram em xeque o lado "sagrado" e "místico" do Ocorre um processo de transferência de indús-
trabalho - cultivado no pensamento cristão e neces- trias para o Terceiro Mundo, - uma verdadeira
sário na sociedade capitalista. transnacionalização da economia - principalmente
Este processo leva, em alguns países, à exigência daquelas que provocam poluição ambiental ou risco
da participação dos trabalhadores nas questões de para a saúde (ex.: asbesto, chumbo, agrotóxicos, e
saúde e segurança. Elas, mais que quaisquer outras, tipi- outros), e das que requerem muita mão-de-obra, com
ficavam situações concretas do cotidiano dos traba- baixa tecnologia, como é o caso típico das
lhadores, expressas em sofrimento, doença e morte5, 53. "maquiladoras", que rapidamente se instalam nas
Como resposta ao movimento social e dos traba- "zonas livres" ou "francas", mundo afora. Os países
lhadores, novas políticas sociais tomam a roupagem do Terceiro Mundo, afligidos pela elevação dos pre-
de lei, introduzindo significativas mudanças na le- ços do petróleo e pressionados pela recessão que se
gislação do trabalho e, em especial, nos aspectos de instala universalmente, buscam o desenvolvimento
saúde e segurança do trabalhador. Assim, por exem- econômico a qualquer custo, aceitando e estimulan-
plo, na Itália, a Lei 300, de 20 de maio de 1970 do esta transferência, supostamente capaz de ameni-
("Norme per la libertá e la dignitá dei lavoratori, zar o desemprego e gerar divisas8, 31, 37.
delia liberta sindicale e dell'attivitá sindícale nei Num nível mais "micro", observa-se a rápida im-
luoghi di lavoro"), mais conhecida como "Estatuto plantação de novas tecnologias, entre as quais po-
dos Trabalhadores", incorpora princípios fundamen- dem ser destacadas duas vertentes que se comple-
tais da agenda do movimento de trabalhadores, tais tam: a automação (máquinas de controle numérico,
como a não delegação da vigilância da saúde ao robots, e outros) e a informatização50, 60.
Estado, a não monetização do risco, a validação do Apesar de a automação e a informatização virem
saber dos trabalhadores e a realização de estudos e cercadas de uma certa aura mítica de se constituirem
investigações independentes, o acompanhamento da na "última palavra da ciência a serviço do homem",
fiscalização, e o melhoramento das condições e dos elas introduziram, na verdade, profundas modifica-
ambientes de trabalho1,4,36,46,51. ções na organização do trabalho. Por exemplo, per-
Conquistas básicas de natureza semelhante, com mitiram ao capital diminuir sua dependência dos
algumas peculiaridades próprias de contextos políti- trabalhadores, ao mesmo tempo em que aumenta-
co-sociais distintos, foram também sendo alcança- ram a possibilidade de controle. Ressurge, com vi-
dos pelos trabalhadores norte-americanos (a partir gor redobrado, o taylorismo, através de dois de seus
da nova lei de 1970), ingleses (a partir de 1974), princípios básicos: o da primazia da gerência (via
suecos (a partir de 1974), franceses (a partir de apropriação do conhecimento operário e pela inter-
1976), noruegueses (1977), canadenses (1978), en- ferência direta nos métodos e processos), e o da
tre outros36,46,55. importância do planejamento e controle do traba-
Toda esta nova legislação tem como pilares co- lho17,60.
muns o reconhecimento do exercício de direitos Contudo, se de um lado o capital busca reeditar
fundamentais dos trabalhadores, entre eles, o direito as bases da "administração científica do trabalho",
à informação (sobre a natureza dos riscos, as medi- agora mais sofisticada, de outro, abre espaço a for-
das de controle que estão sendo adotadas pelo em- mas de "resistência" desenvolvidas pelos trabalha-
pregador, os resultados de exames médicos e de dores. Como conseqüência, são desenvolvidas, nos
avaliações ambientais, e outros; o direito à recusa ao países escandinavos, experiências idos "grupos semi-
trabalho em condições de risco grave para a saúde autônomos", na Volvo e Saab, numa perspectiva de
ou a vida; o direito à consulta prévia aos trabalhado- ampliar a participação dos trabalhadores, diminuin-
res, pelos empregadores, antes de mudanças de tec- do os enfrentamentos.
nologia, métodos, processos e formas de organiza- No campo das idéias sobre saúde, predominava,
ção do trabalho: e o estabelecimento de mecanis- até os anos'70, a concepção positivista de que a
mos de participação, desde a escolha de tecnologias, Medicina teria ampla autonomia e estaria no mesmo
até, em alguns países, a escolha dos profissionais nível que outros subsistemas - como o econômico, o
que1,3,5,43,46,51,55
irão atuar nos serviços de saúde no traba- político, o educacional - e a suposição de que seria
lho . possível transformar a sociedade a partir de qual-
A década de 70 testemunha profundas mudanças quer desses setores20.
nos processos de trabalho. Num sentido mais Esta visão de mundo sustenta a teoria da
"macro", observa-se uma forte tendência de multicausalidade do processo saúde-doença, onde
"terciarização" da economia dos países desenvolvi- os fatores de risco do adoecer e morrer são conside-
dos, isto é, o início de declínio do setor secundário rados com o mesmo valor ou potencial de agressão
(indústria), e o crescimento acentuado do setor ao homem, visto este como "hospedeiro". A prática
terciario (serviços), com óbvia mudança do perfil da da saúde ocupacional assenta-se sobre esta concep-
força de trabalho empregada10, 50. ção.
Entretanto, a partir do final dos anos'60, come- questões de saúde pôs em xeque, em muitos casos,
çam a aparecer críticas a esta concepção e a denúncia conceitos e procedimentos amplamente consagrados
dos efeitos negativos da medicalização e do caráter pela saúde ocupacional, como por exemplo, o valor
ideológico e reprodutor das instituições médicas, e a ética de exames médicos pré-admissionais e pe-
com a proposta de desmedicalização da socieda- riódicos, utilizados, segundo a denúncia dos traba-
de18,20,42. lhadores, para práticas altamente discriminatórias28.
No campo da prática médica, surgem programas - Desmorona o mito dos "limites de tolerância"
alternativos de auto-cuidado de saúde, de assistên- que fundamentou a lógica da saúde ocupacional
cia primária, de extensão de cobertura, de (principalmente higiene e toxicologia) por mais de
revitalização da medicina tradicional, uso de tecno- 50 anos. A fundamentação científica é questionada
logia simplificada, e ênfase na participação comuni- (para não dizer desmoralizada); o conceito de "ex-
tária20. posição segura" é abalado; e os estudos de efeitos
Apesar da "apropriação" pelo Estado de algumas comportamentais provocados pela exposição a bai-
destas alternativas, surgidas da crítica às instituições xas doses de chumbo e de solventes orgânicos, põem
médicas, e do fracasso relativo dessas medidas, elas em xeque os critérios de "proteção de saúde" que
revitalizam a discussão teórica sobre a articulação vigiram nos países industrializados ocidentais até há
da saúde na sociedade20,42. pouco6,9,14,21,29,54.
Nesse intenso processo social de discussões teó- - À medida em que a organização do trabalho
ricas e de práticas alternativas, ganha corpo a teoria amplia sua importância na relação trabalho/saúde,
da determinação social do processo saúde-doença, requerem-se novas estratégias para a modificação
cuja centralidade colocada no trabalho - enquanto de condições de trabalho, que "atropelam" a Saúde
organizador da vida social - contribui para aumentar Ocupacional (até então trabalhando na lógica
os questionamentos à medicina do trabalho e à saú- "ambiental")23.
de ocupacionall5,30,58. - A utilização de novas tecnologias - em especial
As críticas tornam-se mais contundentes, à medi- as que introduzem a automação e a informatização
da que surgem, em nível da rede pública de serviços nos processos de trabalho - embora possa contribuir
de saúde, programas de assistência aos trabalhado- para o melhoramento das condições de trabalho.
res, com ativa participação destes, e das suas orga- acabam introduzindo novos riscos à saúde, quase
nizações. Os programas contribuem para desvelar o sempre decorrentes da organização do trabalho, e
impacto do trabalho sobre a saúde, questionam as portanto, de difícil "medicalização"
práticas dos serviços de medicina do trabalho nas - As modificações dos processos de trabalho em
empresas e instrumentalizam os trabalhadores nas nível "macro" (terciarização da economia), e
suas reivindicações por melhores condições de saú- "micro" (automação e informatização), acrescenta-
de 13,15,19,32,33,41,47,58
dos à eliminação dos riscos nas antigas condições
Neste processo de questionamento da prática mé- de trabalho, provocam um deslocamento do perfil
dica e gestação de uma nova prática, alguns pensa- de morbidade causada pelo trabalho: as doenças
dores tiveram papel de destaque. Entre eles, Polack48 profissionais clássicas tendem a desaparecer, e a
com suas idéias radicais, de que "a medicina no preocupação desloca-se para as outras "doenças re-
modo de produção capitalista é a medicina do capi- lacionadas com o trabalho" (work related diseases).
tal"; Berlinguer5, que trabalhou ativamente a ques- Passam a ser valorizadas as doenças cardiovascula-
tão da saúde do trabalhador no movimento da Re- res (hipertensão arterial e doença coronariana), os
forma Sanitária italiana; e Foucault18,20, ao dissecar distúrbios mentais, o estresse e o câncer, entre ou-
questões nevrálgicas da prática médica, desnudando tras. Desloca-se, assim, a vocação da saúde
o poder e o controle, tão bem representados na me- ocupacional, passando esta a se ocupar da "promo-
dicina do trabalho. ção de saúde", cuja estratégia principal é a de, atra-
Quais as conseqüências deste intenso processo vés de um processo de educação, modificar o com-
social de mudanças sobre a aparente hegemonia do portamento das pessoas e seu "estilo de
"modelo da saúde ocupacional"? vida"10,22,34,35.
E possível identificar, entre outras: - Na verdade, esta nova exigência colocada à
- Os trabalhadores explicitam sua desconfiança saúde ocupacional nos países desenvolvidos e nas
nos procedimentos técnicos e éticos dos profissio- grandes corporações no Terceiro Mundo, se superpõe
nais dos serviços de saúde ocupacional (segurança, àquelas existentes na imensa maioria dos estabeleci-
higiene e medicina do trabalho); estes têm uma mentos de trabalho (pequenos e médios) e na eco-
enorme dificuldade em lidar com o "novo", mor- nomia informal, onde permanecem as condições de
mente naquilo que significou perda de poder e risco para a saúde dos trabalhadores, com os proble-
hegemonia5,16,39,51. mas clássicos e graves, até hoje não solucionados
- O exercício da participação do trabalhador em pelos modelos utilizados.
Características da saúde do trabalhador sões diferentes segundo a época e o país, e diferen-
ciada dentro do próprio país, como pode ser obser-
Do intenso processo social de mudança, ocorrido vado na Itália, na Escandinávia, no Canadá, ou no
no mundo ocidental nos últimos vinte anos, foram Brasil. Porém, apesar das diferenças, mantém os
mencionados, anteriormente, alguns aspectos que, mesmos princípios - trabalhadores buscam ser reco-
no âmbito das relações trabalho x saúde, conforma- nhecidos em seu saber, questionam as alterações nos
ram a saúde do trabalhador. processos de trabalho, particularmente a adoção de
Como característica básica desta nova prática, novas tecnologias, exercitam o direitto à informação
destaca-se a de ser um campo em construção no e a1,4,5,43,46
recusa ao trabalho perigoso ou arriscado à Saú-
espaço da saúde pública. Assim, sua descrição de
constitui, antes, uma tentativa de aproximação de Na implementação deste "novo" modo de lidar
um objeto e de uma prática, com vistas a contribuir com as questões de saúde relacionadas ao trabalho,
para sua consolidação enquanto área19,58. os trabalhadores contam com dois apoios importan-
O objeto da saúde do trabalhador pode ser defini- tes: uma assessoria técnica especializada e o supor-
do como o processo saúde e doença dos grupos hu- te, ainda que limitado, dos serviços públicos estatais
manos, em sua relação com o trabalho. Representa de saúde.
um esforço de compreensão deste processo - como No Brasil surge a assessoria sindical feita por
e porque ocorre - e do desenvolvimento de alternati- profissionais comprometidos com a luta dos traba-
vas de intervenção que levem à transformação em lhadores, que individualmente ou através de organi-
direção à apropriação pelos trabalhadores, da di- zações como o Departamento Intersindical de Estu-
mensão humana do trabalho, numa perspectiva dos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Tra-
teleológica. balho (DIESAT) e o Instituto Nacional de Saúde no
Nessa trajetória, a saúde do trabalhador rompe Trabalho (INST), no caso do Brasil, estudando os
com a concepção hegemônica que estabelece um ambientes e condições de trabalho, levantando riscos
vínculo causai entre a doença e um agente específi- e constatando danos para a saúde; decodificando o
co, ou a um grupo de fatores de risco presentes no saber acumulado, num processo contínuo de sociali-
ambiente de trabalho e tenta superar o enfoque que zação da informação; resgatando e sistematizando o
situa sua determinação no social, reduzido ao pro- saber operário, vivenciando, na essência, a relação
cesso produtivo, desconsiderando a subjetivida- pedagógica educador-educando16,27,52.
de15,'30,58. Também pode ser constatada a contribuição ao
Apesar das dificuldades teórico-metodológicas desenvolvimento da área de saúde do trabalhador,
enfrentadas, a saúde do trabalhador busca a explica- trazida pelos técnicos que em nível das instituições
ção sobre o adoecer e o morrer das pessoas, dos públicas - as Universidades e Institutos de Pesquisa,
trabalhadores em particular, através do estudo dos a rede de Serviços de Saúde e fiscalização do traba-
processos de trabalho, de forma articulada com o lho - somam esforços na luta por melhores condi-
conjunto de valores, crenças e idéias, as representa- ções de saúde e trabalho, através da capacitação
profissional, da produção do conhecimento, da pres-
ções sociais, e a possibilidade de consumo de bens e tação de serviços e da fiscalização das exigências
serviços, na "moderna" civilização urbano-indus- legais13,19,47,58.
trial15. Como características desta "nova prática" cabe
Nessa perspectiva, e com as limitações assinala- ainda mencionar o esforço que vem sendo empreen-
das, a saúde do trabalhador considera o trabalho, dido no campo da saúde do trabalhador para inte-
enquanto organizador da vida social, como o espaço grar as dimensões do individual x coletivo, do bio-
de dominação e submissão do trabalhador pelo ca- lógico x social, do técnico x político, do particular x
pital, mas, igualmente, de resistência, de constitui- geral. E um exercício fascinante, ao qual têm se dedi-
ção, e do fazer histórico. Nesta história os trabalha- cado os profissionais de saúde e os trabalhadores, que
dores assumem o papel de atores, de sujeitos capazes parece apontar uma saída para a grave crise da "ciên-
de pensar e de se pensarem, produzindo uma expe- cia médica" ou das "ciências da saúde", neste final de
riência própria, no conjunto das representações da século. Os cânones clássicos colocados a partir de
sociedade15,53. formas fragmentadas de ver e estudar o mundo, se
No âmbito das relações saúde x trabalho, os tra- contribuiram para o aprofundamento do conhecimen-
balhadores buscam o controle sobre as condições e to em níveis inimagináveis, estão a necessitar de uma
os ambientes de trabalho, para torná-los mais "sau- nova abordagem que consiga reuní-los, articulá-los,
dáveis". É um processo lento, contraditório, desi- colocando-os a serviço dos homens.
gual no conjunto da classe trabalhadora, dependente No Brasil, a emergência da saúde do trabalhador
de sua inserção no processo produtivo e do contexto pode ser identificada no início dos anos'80, no con-
sócio-político de uma determinada sociedade43,53. texto da transição democrática, em sintonia com o
Assim, a saúde do trabalhador apresenta expres- que ocorre no mundo ocidental.
Entre suas características básicas, destacam-se: Referências Bibliográficas
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traduzidas em reivindicações de melhores condições serviços correspondentes e dá outras providências. Diário
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e foi decisivo para a mudança de enfoque 12. CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE DOS TRABA-
LHADORES, 1a, Brasília, 1986. Relatório final. Brasília,
estabelecida na nova Constituição Federal de 1988. 1986.
Mais recentemente, a denominação "saúde do traba- 13. COSTA, D.F. et al. Programa de saúde dos trabalhadores; a
lhador" aparece, também, incorporada na nova Lei experiência da zona norte: uma alternativa em saúde públi-
ca. São Paulo, Oboré, 1989.
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e define as competências do Sistema Único de Saú- of solvents Neurotoxicology, 7: 1-95, 1986.
de neste campo7,11,12,38. 15. DIAS, E.C. Fotografando os anos 80. In: Buschinelli, J. et al.,
À guisa de conclusão retoma-se a idéia expressa eds. Isto é trabalho de gente? Vidas. Trabalho e Saúde no
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na Introdução deste ensaio. 16. DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTUDOS E PES-
A caminhada da medicina do trabalho à saúde do QUISAS DE SAÚDE E DOS AMBIENTES DE TRABA-
trabalhador encontra-se em processo. Sua história LHO (DIESAT). Insalubridade: morte lenta no trabalho.
São Paulo, Oboré, 1989.
pode ser contada em diferentes versões, porém com 17. FLEURY, A.C.C. & VARGAS, N., org. Organização do traba-
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