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Professor Antônio Neto

COMO
PREGAR À
PARTIR DO
ANTIGO
TESTAMENTO
UM GUIA PARA INTERPRETAR E
PREPARAR SERMÕES NO
ANTIGO TESTAMENTO
Pregando o Antigo Testamento
Como pregar a partir do AT

Professor: Pr. Antônio Neto

Proibida a distribuição sem a autorização do professor.

Bibliografia Básica:
Walter Kaiser, Pregando e Ensinando a Partir do Antigo Testamento
– Um Guia para a Igreja. Cpad

Terry G. Carter, Preaching God’s Word. Parte 3 do Livro

Scott M. Gibson, Preaching the Old Testament.

Greidanus, Sidney, Pregando Cristo A Partir Do Antigo Testamento,


Cultura Cristã
AULA 1 – OS DESAFIOS E A NECESSIDADE DE PREGAR A PARTIR
DO AT

Introdução

Vamos começar agora uma jornada que pode causar uma profunda
transformação no seu ministério de pregação e ensino da Palavra de
Deus. Iremos estudar sobre Como Pregar à partir do Antigo Testamento.

A razão porque aprender sobre isto pode transformar o seu


ministério é porque, embora seja a maior porção da Bíblia, o Antigo
Testamento é a parte mais desprezada nos púlpitos, mas também a mais
mal interpretada. Com isto, não estou afirmando que você despreza ou
interpreta erroneamente o AT, mas que eu e você precisamos nos
preparar bem para não cometermos estes equívocos.

Por isso, nesta primeira aula, eu gostaria de responder duas


perguntas: 1) Quais os desafios de pregar à partir do Antigo Testamento?
2) Por que é necessário pregar à partir do Antigo Testamento?
I. OS DESAFIOS DE PREGAR À PARTIR DO ANTIGO TESTAMENTO.

A. Os Desafios Hermenêuticos.

1. Os principais desafios de pregar no Antigo Testamento são


hermenêuticos.

2. Hermeneutica – arte e ciência da interpretação bíblica.

3. Hermeneutica x Exegese – a hermenêutica estabelece as regras


da interpretação. A exegese interpreta a Bíblia à luz destas regras.

4. Uma hermenêutica errada conduz a uma exegese errada.

5. Tipos de hermenêutica ruins que atrapalham a interpretação do


AT.

a) Hermenêutica Alegórica – As histórias contadas no AT


devem apontar para realidades celestiais/espirituais. Ex: Davi
representa a igreja e Golias o pecado. Portanto, a história de Davi
e Golias é a luta da igreja contra o pecado.

b) Hermenêutica Tipológica

(1) Tipologia refere-se à relação de algo do AT com o


NT. Assim, quando algo do AT aponta para algo do NT,
temos uma tipologia. Ex: Moisés e Cristo.

(2) Existe tipologia na Bíblia. Mas tipologia não é


método hermenêutico. Isto significa que não podemos
encontrar uma relação do AT com o NT em tudo o que
lemos.

(3) Exemplos de má tipologia: 1) Abel morreu


injustamente representando a morte injusta de Jesus; 2)
Assim como Davi foi traído pelo seu filho, Jesus foi traído
por Judas.
c) Hermenêutica Liberal

(1) O liberalismo foi um movimento que interpretava a


Bíblia à luz da razão apenas. Por isso, negava todos os
milagres e profecias.

(2) A Bíblia passou a ser um livro apenas de


moralidade.

(3) Exemplo: Não importa se a história de Davi e


Golias realmente ocorreu, o importante é aprender a lição
de garra e superação de Davi.

d) Hermenêutica subjetiva/pós-moderna.

(1) O pós-modernismo enfatiza que o mais importante


na interpretação é o que o leitor entende ou, mais
especialmente, como ele se sente.

(2) O AT passa a ser lido de maneira meramente


subjetiva, na maioria das vezes para expressar um
sentimento religioso.

(3) Exemplo: o uso dos elementos do tabernáculo,


como a arca e os sacrifícios, como elemento de culto
pessoal.

6. A Hermenêutica Bíblica

a) Método histórico-gramatical-literário-teológico.

b) Histórico – considera o contexto histórico em que foi


escrito. O texto faz parte da história e de uma história. Por isso,
ele contém elementos históricos e pode referir-se à situações
históricas.

c) Gramatical – considera o texto em si e seus elementos


gramaticais. A comunicação escrita utiliza os símbolos e regras
gramaticais para transmitir uma ideia.
d) Literário – o gênero literário forma as regras da
interpretação. Assim, poesia deve ser lida como poesia. Prosa
como prosa. Profecia como profecia.

e) Teológico – sendo parte de uma grande história bíblica, os


textos do AT participam desta história. Assim, é preciso encontrar
como aquilo que está sendo lido contribui com a grande história
da Bíblia.

B. Questões hermenêuticas desafiadoras:

1. Como interpretar o Antigo Testamento dentro do seu contexto


histórico, gramatical e literário?

2. Como relacionar o Antigo Testamento com Jesus e o Evangelho?

3. Como relacionar o Antigo Testamento conosco à luz das


novidades trazidas pelo Novo Testamento?

C. O que fazer diante destes desafios?

1. A compreensão de uma hermenêutica bíblica e apostólica.

2. A compreensão de como cada literatura do AT deve ser


interpretada e relacionada com o Novo Testamento e nossos dias.

3. A compreensão de como transmitir o ensino do Antigo


Testamento, corretamente interpretado, para as gerações atuais de
maneira bíblica e relevante. Faremos isto nesta matéria.

II. POR QUE PREGAR À PARTIR DO ANTIGO TESTAMENTO?

D. O Antigo Testamento é Palavra de Deus.


1. 2 Pedro 1:19-21 “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra
profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em
lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso
coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da
Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais
qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens
santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.”

2. Salmo 19

E. O Antigo Testamento é útil para a nossa santidade

1. Salmo 119:11 “Guardo no coração as tuas palavras, para não


pecar contra ti.”

2. 2 Timóteo 3:16,17 – “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil


para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na
justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
habilitado para toda boa obra.”

F. O Antigo Testamento fala de Jesus

1. João 5:39 – Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a


vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.

2. Atos 17:11,12 – “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os


de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez,
examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de
fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta
posição e não poucos homens.”

G. O Antigo Testamento é a base para entender o Novo Testamento.

1. Há três formas em que o Novo Testamento se refere ao Antigo


Testamento: com citações, com alusões e com ecos.

2. A razão principal porque temos dificuldades de interpretar o NT é


pelo pouco conhecimento que temos do AT.
3. Quanto mais você conhece o AT, mais saberá quando o NT está
o utilizando. Sabendo disso, você entenderá bem melhor.

4. Exemplo: Quando Jesus disse que o “reino de Deus” havia


chegado, de onde vem estas ideias?
Aula 2: PREGANDO NAS NARRATIVAS DO ANTIGO
TESTAMENTO

Introdução

- Metade da Bíblia é composto de histórias.

- É o gênero textual preferido do Antigo Testamento.

- Somos seres históricos. Por isso, a história também é o nosso gênero predileto.

- Para pregar em narrativas, precisamos entender:

1) Os elementos literários de uma narrativa.

2) Os princípios chaves de uma exposição em narrativa.

I. DIRETRIZES PARA INTERPRETAR UMA NARRATIVA.

A. Sempre atente para o ensino geral do livro, antes de atentar para


uma narrativa específica.
1. Toda narrativa bíblica é parte de uma história maior.
2. Compreender o tema geral do livro garante que você não atribua
um sentido aleatório à história específica.
3. Exemplo:
a) O assunto geral de Gênesis é As Origens e
desenvolvimento do povo da aliança.
b) Como cada narrativa contribui para este assunto geral?
B. Identifique o enredo da narrativa
1. Enredo é o assunto central.
2. Leia a história e pergunte “Esta história está falando a respeito de
que?”
3. Geralmente, os títulos das Bíblias em português ajudam.
4. O assunto da narrativa vai se tornar o assunto do sermão.
5. Exemplo:
a) O assunto de Genesis 22 é o teste da fé de Abraão. Assim,
o assunto do sermão será sobre uma fé que é testada por Deus.

C. Identifique as cenas da narrativa.


1. Cenas são marcadas por mudanças de tempo ou lugar.
2. Exemplo: Genesis 22:1-8
a) Cena 1: 22:1,2
b) Cena 2: 22:3
c) Cena 3:4-8
3. As cenas irão marcar os pontos principais da sua mensagem.

D. Identifique os elementos da narrativa


1. Quais são os personagens?
2. Qual a situação está ocorrendo?
3. Há algum diálogo?
4. Há alguma ênfase?
5. Há elementos da história que são desconhecidos para o público
de hoje?
6. Exemplo
a) Quais os personagens em Genesis 22?
(1) Deus, Abraão, Isaque e os servos.
b) Como descrever a situação dentro do contexto?
(1) A aliança de Deus.
(2) A promessa do descendente vindo de Sara.
(3) A promessa de Isaque.
(4) A prova de fé.

c) Quais os diálogos que ocorrem e qual a importância deles?


(1) O diálogo de Abraão com Deus.
(2) O diálogo de Abraão com os servos
(3) O diálogo de Abraão com Isaque.
d) Quais a ênfases?
(1) “teu único filho”
(2) “a quem amas”
(3) “voltaremos”

II. PRINCÍPIOS CHAVES DE EXPOSIÇÃO EM NARRATIVA

A. Prepare-se para grandes porções de texto.


1. Narrativas geralmente compõem grandes porções. Por isso, você
não pode expor verso a verso, mas cena por cena.
2. Faça a leitura de toda a narrativa e depois vá recontando a
história. Porém, não fique lendo novamente.

B. Quanto aos elementos éticos, analise a narrativa à luz de textos


normativos.
1. Nem tudo o que uma narrativa diz que aconteceu, significa que é
o que deve acontecer.
2. A Bíblia narra diversos erros de seus “heróis”.
3. Como identificar o certo e errado em narrativa? Observando-a à
luz de outros textos normativos.
4. Exemplo:
a) Quando Abraão disse que iria adorar e voltar com Isaque,
ele estava mentindo?
b) Quando Jacó enganou Isaque com as peles de animais, ele
estava errado?

C. Conecte a sua audiência ao ambiente histórico da narrativa.


1. Muitos pregadores cometem o erro de ler a narrativa e logo saltar
para alegorizações ou aplicações.
2. As narrativas devem ser pregadas como elas são, histórias.
3. Por isso, procure conectar as pessoas à história, mostrando a
situação que estava ocorrendo e relacionando-a à situação dos dias de
hoje.
D. Procure entender a teologia que está sendo ensinada no texto.
1. À luz deste texto, o que Deus demanda de nós? (toda Escritura é
útil...)
2. À luz deste texto, o que aprendemos sobre o plano redentor de
Deus?
3. O que podemos aprender de Deus e sobre nós mesmos neste
texto?

E. Relacione o ensino da narrativa à realidade que estamos em Cristo


na Nova Aliança.
1. Procure entender elementos que eram realidade naquela época,
mas mudaram com a vinda de Jesus.
2. Exemplo:
a) A providencia do “cordeiro como holocausto”.
b) As festas, orações, costumes e etc.

F. Escolha uma abordagem homilética para o sermão.


1. Abordagem 1: Separa o texto em cenas, identifica o ensino de um
bloco, elabora um ponto e faz aplicações.
2. Abordagem 2: Reconta toda a história identificando os ensinos em
cada cena e, ao final, faz aplicações.
Aula 3: Pregando nos Livros de Sabedoria

Introdução

- Livros de Sabedoria (sapienciais) são aqueles escritos com o objetivo de


ensinar uma forma de viver temente a Deus (Provérbios 1:7).

- São eles Provérbios, Jó, Eclesiastes e Cantares. Alguns salmos são


considerados de sabedoria.

- Estes livros são extremamente práticos, e lidam com as principais questões


morais da vida.

- Apresentam um equilíbrio entre conhecimento e caráter. Num mundo onde


todos possuem muito conhecimento, mas pouco caráter, se fazem livros essenciais
para a pregação.

I. Questões Interpretativas

A. Livros de Sabedoria
1. Cada livro contribui de forma específica quanto a sabedoria de
vida.
2. O propósito de todos eles é desenvolver o caráter do povo de
Deus.
3. Eles não são livros proféticos, nem de promessas e nem
figurados. São obras de ética.
4. O NT utiliza bastante os livros de sabedoria para ensinar
sabedoria (vj o livro de Tiago).
5. Portanto, o uso dos livros de sabedoria é semelhante ao das
cartas paulinas. Eles ensinam a forma de viver do povo de Cristo.
B. Provérbios
1. Possuem 3 elementos essenciais
a) Sua imagem, que é aquilo que é dito literalmente.
b) Sua mensagem, que é o seu significado/lição
c) Sua fórmula, que é como a mensagem é transmitida.
2. Seu propósito é compreender a mensagem transmitida por meio
das imagens usadas e das fórmulas.
3. Exemplos
a) 16:19 Melhor é ser humilde de espírito com os humildes
do que repartir o despojo com os soberbos.
(1) Imagem: humilde de espírito, despojo, soberbos.
(2) Mensagem: é melhor ser humilde do que soberbo.
(3) Fórmula: superior/inferior
b) 15:13 O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a
tristeza do coração o espírito se abate.
(1) Imagem: coração alegre, tristeza de coração
(2) Mensagem: o impacto da alegria e tristeza.
(3) Fórmula: contraste.
C. Jó
1. A lição central de Jó
a) Sabedoria diante do sofrimento.
b) Sabedoria não é ter informações corretas e respostas às
questões.
c) Sabedoria é interpretar a vida à luz do sofrimento.
2. Contem narrativa, por isso é importante analisar seu ambiente
histórico.
3. Contém diálogo, por isso deve-se analisar os pontos de vista.
4. Contém muita poesia.
D. Eclesiastes
1. Eclesiastes constitui-se numa busca intelectual (debaixo do sol)
pelo sentido da vida e da alegria. A resposta é dada apenas no final.
2. Deve-se ler as partes do livro à luz da resposta no final.
3. Embora a sabedoria nos ajude nas questões diárias, ela, em si,
não provê o sentido da felicidade plena.

E. Cantares
1. É um livro com personagens. Exibe o drama de um
relacionamento.
2. Procure entender as partes deste drama pelo livro, como o Cortejo
(1-3), o Casamento (3-4) e o desenvolvimento do Casamento (5-8).

II. PRINCÍPIOS CHAVES DA EXPOSIÇÃO DA SABEDORIA

A. Em Provérbios 1-9, você pode pregar seções completas. A partir do


capítulo 10, pregue tematicamente.
1. Temas como diligencia, honestidade, encorajamento, amizade,
cuidado com os pobres, dinheiro e sabedoria são temas recorrentes dos
provérbios.
2. Provérbios particulares servem como reforço para sermões éticos
em outras partes da Bíblia.

B. Jó
1. Sempre deixe claro a trama geral do livro, e onde a parte pregada
se localiza nesta trama.
2. Enfatize o princípio ensinado pela porção, à luz da trama total.
3. Lide com porções maiores no sermão, enfatizando os textos mais
centrais e as lições da porção.

C. Eclesiastes
1. Procure apresentar a parte à luz do todo do livro antes.
2. Relacione a situação apresentada pelo livro com as situações
típicas e equivalentes nos dias de hoje.

D. Cantares
1. Ideal para sermões sobre casamento.
Aula 4: Pregando nos Textos dos Profetas

Introdução

- Os livros proféticos compreendem uma parte significante do Antigo Testamento, de


Isaías até Malaquias, com exceção de Lamentações.

- São geralmente divididos em dois grupos: profetas maiores e menores.

- Parte dos livros proféticos contem diferentes literaturas, como algumas narrativas
(Daniel) e literatura apocalíptica (Ezequiel).

- Pregar nos profetas é desafiador, mas também bastante compensador, pois são os
textos que mais se relacionam com a realidade de Cristo no Novo Testamento.

I. CHAVES INTERPRETATIVAS DO GÊNERO PROFÉTICO.

A. Características Gerais dos Textos Proféticos


1. Os profetas eram anunciadores da Palavra de Deus. Algumas
partes, apenas, são dedicadas a predição do futuro.
2. Livros proféticos são coletâneas de profecias diversas e de
diferentes naturezas. Por isso, é fundamental entender a mensagem do
livro como um todo e, então, como uma parte específica se encaixa no
todo.
B. Os Três Temas Gerais dos Profetas
1. Tema 1: Arrependimento – chamado ao retorno à obediência.
a) Os profetas exortam a nação sobre suas violações da
aliança e da Lei.
b) Pecados comumente exortados
(1) Idolatria – Em Ezequiel, ela é ilustrada como uma
esposa infiel.
(2) Injustiça Social – Em Isaías 2 e Habacuque 1 nota-
se o forte problema social, de falta de amor especial por
órfãos, viúvas e pobres.
(3) Religiosidade Vazia – Isaías 29 fala do povo que
honrava a Deus com lábios, mas tinha o coração estava
distante de Deus. O livro de Jonas exemplifica o profeta
que não tinha misericórdia.
2. Tema 2: Julgamento
a) Parte significante das profecias é de anúncios do
julgamento de Deus que recairia sobre Israel pela sua obstinação
no pecado.
b) As mais significantes são as profecias do juízo de Deus
pelos Assírios e Babilônios.
c) O livro de Habacuque gira em torno do juízo divino.
d) Jeremias 44:7-30
3. Tema 3: Salvação
a) Os profetas apresentam esperança para Israel no meio do
juízo.
b) Neste tipo de profecia, encontramos as predições sobre o
Messias (Servo Sofredor), sobre a nova aliança (Exequiel e
Jeremias), sobre uma nova e permanente habitação do Senhor
(Joel) e sobre novos céus e nova terra.
4. Os textos proféticos normalmente são encaixados em um destes
temas. Alguns livros apresentam os três temas. Alguns deles, enfatiza
mais um do que outro.

II. PRINCÍPIOS CHAVES DA PREGAÇÃO NOS PROFETAS

A. Entenda a organização do livro, bem como o seu assunto central.


Assim, você poderá entender melhor as partes. (Utilize introduções
bíblicas aqui)
B. Identifique o tema chave do texto profético a ser pregado
1. Naum 1 – Tema do Juízo
2. Isaías 52 – Tema da Salvação
3. Jeremias 10 – Tema do Arrependimento
C. Faça do tema central da profecia o tema central do sermão.
D. Considere sempre o contexto histórico. Todas as profecias são
situacionais. Procure entender os elementos históricos no texto, bem
como a situação histórica em que a profecia foi dada. (Utilize comentários
históricos e exegéticos aqui).
E. Contextualize a mensagem da profecia de acordo com o tema
expresso nela.
1. Se o tema for arrependimento, veja o pecado cometido e como
ele ainda é praticado hoje.
2. Se o tema for juízo, veja o pecado que levou ao juízo, como ele é
cometido hoje, e como Cristo é fonte de libertação.
3. Se o tema for salvação, veja a relação com o Novo Testamento e
como nós participamos nestas promessas.
Aula 5 – Pregando nos Salmos

Introdução

- Os Salmos são, certamente, o livro predileto do AT para a maioria das


pessoas.

- Historicamente, há grandes tesouros da igreja em pregações nos salmos,


como as de Calvino e Charles Spurgeon.

- Por isso, pregar nos Salmos é algo que nenhum pregador conseguirá evitar.

I. CHAVES INTERPRETATIVAS DOS SALMOS

A. O Que são os Salmos


1. Enquanto as profecias são Deus falando com os homens, os
salmos são os homens falando com Deus.
2. Eles são oração e louvor ao mesmo tempo.
3. Por isso, os salmos devem ser vistos como atos de louvor que
descrevem quem Deus é ou declaram o que Ele fez.

B. Os Salmos são escritos em gênero poético


1. É importante saber interpretar as poesias bíblicas. Indico o livro
Entendes o que Lês, de Gordon Fee.
2. A poesia hebraica é composta de dois elementos principais:
a) ‘Paralelismo – podem ser de sequência, de oposição, de
sinônimo.
b) Figura de Linguagem – o autor comunica através de
figuras, o que faz importante entender o sentido de uma figura
(geralmente pelo estudo do contexto histórico)

C. Os salmos podem ser individuais ou corporativos.


D. Há diferentes formas de salmos
1. Salmos de Louvor – salmos que trazem elogios diretos a Deus ou
que chamam outros a elogiar o Senhor.
a) Salmo 100 - Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as
terras.
b) Salmo 9 - Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração;
contarei todas as tuas maravilhas.
2. Salmos de Lamento – salmos que trazem algum pedido de
socorro a Deus diante de um sofrimento.
a) Salmo 3 - Levanta-te, SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois
feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras
os dentes.
b) Salmo 137 - Às margens dos rios da Babilônia, nós nos
assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
3. Salmos de Gratidão – salmos que expressam alegria por uma
vitória vinda do Senhor.
a) Salmo 107 - Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom,
e a sua misericórdia dura para sempre. Digam-no os remidos do
SENHOR, os que ele resgatou da mão do inimigo
b) Salmo 116 - Amo o SENHOR, porque ele ouve a minha voz
e as minhas súplicas. Porque inclinou para mim os seus ouvidos,
invocá-lo-ei enquanto eu viver.
4. Outros tipos de salmos
a) Salmos reais/messiânicos – falam a respeito do rei de
Israel e sobre o Messias, como o Salmo 2 e o Salmo 110.
b) Salmos de Sabedoria – ensinam sabedoria para a vida,
como o Salmo 1 e o Salmo 119.

II. PRINCÍPIOS CHAVES PARA A EXPOSIÇÃO DOS SALMOS

A. Reproduza em seu sermão a forma do salmo em que está pregando.


1. Se tiver pregando em salmo de louvor, procure identificar os
elogios que o salmista faz ao Senhor e procure mostrar às pessoas como
elas podem elogiar a Deus por aquilo também.
a) Exemplo: No Salmo 100 pode-se enfatizar como expressar
louvor a Deus “com júbilo”, “com alegria”, “todas as terras”, “com
ações de graça”. Também, enfatizar as razões, como “o Senhor
é Deus e foi ele quem nos fez, e dele somos”.
2. Se tiver pregando em um salmo de lamento, há dois conselhos:
a) Use estes salmos para ensinar a congregação a como
expressar lamento diante de Deus, com honestidade.
b) Procure relacionar o motivo do lamento do salmista com
motivos equivalentes nos dias de hoje.
c) Exemplo:
(1) No Salmo 3, pode-se enfatizar: Como o salmista
expressa lamento pelo aumento dos adversários,
clamando ao Senhor, sem temer, com muita confiança em
Deus.

3. Se tiver pregando em um salmo de gratidão, ensine as pessoas a


como e porque expressar gratidão ao Senhor.
a) Exemplo:
(1) No Salmo 116, pode-se mostras como o salmista
expressa a sua gratidão relatando os feitos do Senhor;
também, pode-se enfatizar os compromissos que o
salmista faz em gratidão ao Senhor.
B. Procure definir a mensagem principal do Salmo. Ela será a
mensagem principal do Sermão.
1. Qual a mensagem principal do Salmo 1? Salmo de sabedoria, que
compara o caminho do justo e do ímpio. Então, seu sermão será sobre
o caminho do justo e do ímpio.
2. Qual a mensagem do Salmo 127? Salmo de lamento, que
expressa a confiança no socorro sempre presente de Deus.
C. Procure organizar os temas repetidos nos diversos versos (partes
da poesia). Estes podem ser os pontos do sermão, caso queira pregar por
pontos.
D. Tenha cuidado na associação de um Salmo com Cristo ou com a
realidade do Novo Testamento.
1. Exemplo: Templo não é o prédio da igreja.
2. Tenha como regra só associar um salmo a Cristo se o Novo
Testamento assim o fizer.
a) Exemplo: Salmo 16 há relação, mas o Salmo 3 não há.
Aula 6 – Pregando a partir da Torá (LEI)

Introdução

- Há muita confusão popular a respeito de como devemos cumprir a Lei do


Antigo Testamento.

- Por um lado, há aqueles que desprezam a Lei como sendo algo obsoleta.

- Por outro, há aqueles que trazem elementos da Lei para os dias de hoje, como
os levitas, tabernáculo, arca da aliança e etc.

- Por Lei, neste estudo, estamos nos referindo à Lei Mosaica, contida
especialmente nos 10 mandamentos e nas regulações encontradas no
Pentateuco.

I. CHAVES INTERPRETATIVAS DA LEI

A. O Significado da Lei
1. A palavra “Torah” significa “apontar uma direção onde se deve ir”.
2. Embora o NT utilize o termo para os livros de Moisés e até todo o
Antigo Testamento, seu sentido específico refere-se às regulações
escritas no Pentateuco.
3. A Lei tinha diversas funções.
a) Sua função principal era ser o meio de vida no povo da
aliança, Israel
(1) Exo 19:5 Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a
minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a
minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque
toda a terra é minha
b) Também, a Lei servia para conduzir o povo enquanto o
Messias não chegava. Ela apontava para o Messias.
4. Jesus ensina que não devemos desprezar a Lei, mas reconhecer
a sua autoridade sobre nós à luz dele mesmo.
a) Mat 5:17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os
Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.

B. O Uso da Lei
1. Embora seja possível fazer distinções na lei (moral, civil,
cerimonial), toda a Lei pode ser utilizada de forma útil para o crente de
hoje. (Vj 2 Tm 3:16).
2. A Lei está ligada diretamente à aliança mosaica, e isso tem
implicações diretas em como devemos usá-la hoje.
a) Ela possui promessas de bênçãos condicionais, que se
tornaram incondicionais na Nova Aliança.
b) Ela é o meio para viver na aliança com Deus, que agora,
na nova aliança, é através de Jesus (Hebreus 8 e 9).
c) Ela é diretamente ligada a Israel e à vida na terra de Canaã.
Por isso, ela possui diversos aspectos contextuais.
3. Precisamos interpretar a Lei à luz do contexto do Antigo
Testamento, e aplica-la à luz do contexto do Novo Testamento.
a) Interprete a Lei à luz de seu contexto histórico e gramatical.
b) Quando for aplicar, relacione com o ensino do Novo
Testamento, bem como com as novidades que Cristo trouxe.
c) Exemplo: o quarto mandamento.
4. O caminho seguro para interpretar e aplicar a Lei hoje é:
a) Passo 1: Interprete o texto da lei em seu próprio contexto,
à luz dos elementos históricos.
b) Passo 2: Veja como esta lei se relaciona com a realidade
da nova aliança e com o ensino de Jesus.
c) Passo 3: Veja como esta lei se encontra com um problema
nos dias de hoje.
d) Passo 4: Aplique a lei à realidade de hoje.
5. Exemplo:
a) Lev 19:27 Não cortareis o cabelo em redondo, nem
danificareis as extremidades da barba.
b) O que é cortar o cabelo em redondo? O que é danificar as
extremidades da barba?
c) Por que isto estava sendo proibido naquele contexto?
d) Qual é o principio teológico desta ordem?
e) Como o Novo Testamento aplica este princípio?
f) Como ele pode ser aplicado hoje?

II. PRINCÍPIOS CHAVES DA EXPOSIÇÃO NA LEI

A. Pregações temáticas são mais adequadas à Lei, embora seja


possível exposições de texto.
1. Você pode pregar sobre o ensino da Lei sobre um assunto, e
então selecionar os textos da Lei que falam sobre este assunto.
2. Há textos, porém, que possuem uma unidade, como
Deuteronomio 6:1-25.

B. Atente para os grandes temas teológicos da Lei. Eles são ótimos


motivos para estudos e sermões.
1. Estudos sobre a construção, significado e aplicação do
Tabernáculo de Deus.
2. Estudos sobre a prática, variedade e aplicações dos sacrifícios.
3. Estudos sobre as leis de cuidado com os mais pobres e os
princípios ensinados.
4. Estudos sobre as Festas judaicas e seu significado no NT e na
escatologia.

C. Cuidado com os extremos no uso da lei.


1. Extremo 1: Rejeição total da Lei. A Lei tem um valor para nós hoje.
2. Extremo 2: Aplicação alegórica da Lei.
3. Você evita isso seguindo os passos dados nesta aula.
Aula 7 – Pregando nos textos Apocalípticos

Introdução

- Escatologia é um dos assuntos prediletos das pessoas para palestras,


pregações e estudos.

- Porém, existe uma ênfase na escatologia do Novo Testamento e esquece-se


que esta é edificada sobre a escatologia do Antigo Testamento.

- Os textos escatológicos do AT são chamados de Apocalípticos. São aqueles


textos que se referem ao futuro do povo de Deus, especialmente relacionados
com a vinda do Messias e do reino.

- Há literatura apocalíptica em diversos livros, como Ezequiel, Daniel, Joel,


dentre outros.

I. CHAVES INTERPRETATIVAS DOS TEXTOS APOCALÍPTICOS

A. O Significado de Apocalíptico
1. O gênero apocalíptico é uma subcategoria do gênero profético.
2. Reflete uma descrição de um futuro glorioso ou catastrófico para
uma mensagem de ameaça e julgamento.
3. Ocorre quando o profeta tenta transportar o povo para o futuro,
um futuro distante, quando Deus lidará com o mal no fim.
4. Dualismo presente-futuro, esta era/era por vir.
5. Exemplo: Joel 2:18-32

B. Elementos do Gênero Apocalíptico


1. Anúncios sobre os últimos dias
a) Joe 3:1 Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que
mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém,
b) Joe 3:2 congregarei todas as nações e as farei descer ao
vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do
meu povo e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam
por entre os povos, repartindo a minha terra entre si.
2. Ameaças contra os pecados das nações e de Israel, e suas
consequências
a) Joel 3:5-13
3. Descrição dos horrores dos juízos futuros de Deus
a) Joe 3:14 Multidões, multidões no vale da Decisão! Porque
o Dia do SENHOR está perto, no vale da Decisão.
b) Joe 3:15 O sol e a lua se escurecem, e as estrelas retiram
o seu resplendor.
c) Joe 3:16 O SENHOR brama de Sião e se fará ouvir de
Jerusalém, e os céus e a terra tremerão; mas o SENHOR será o
refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel.
4. Descrição das glórias da restauração ou condenação futuras
a) Joe 3:17 Sabereis, assim, que eu sou o SENHOR, vosso
Deus, que habito em Sião, meu santo monte; e Jerusalém será
santa; estranhos não passarão mais por ela.
b) Joe 3:18 E há de ser que, naquele dia, os montes
destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de
Judá estarão cheios de águas; sairá uma fonte da Casa do
SENHOR e regará o vale de Sitim.
c) Joe 3:19 O Egito se tornará uma desolação, e Edom se
fará um deserto abandonado, por causa da violência que fizeram
aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente.
d) Joe 3:20 Judá, porém, será habitada para sempre, e
Jerusalém, de geração em geração.
e) Joe 3:21 Eu expiarei o sangue dos que não foram
expiados, porque o SENHOR habitará em Sião.

C. O Uso do Gênero apocalíptico


1. O Novo Testamento utiliza consideravelmente os textos
apocalípticos do AT.
2. Em todos estes usos, há uma aplicação de acordo com o sentido
original da profecia.
3. Há também uma percepção dos símbolos e figuras de linguagem.
a) Abominação Desoladora – de acordo com o sentido dado
em Daniel 9.
b) O sol se tornará em trevas – figura utilizada de acordo com
o sentido original.
4. Erro comum: interpretar a escatologia do AT à luz do NT. O
correto é entender a escatologia do AT e, então, ver como ela é
desenvolvida no NT.

II. PRINCÍPIOS CHAVES PARA EXPOSIÇÃO DOS TEXTOS APOCALÍPTICOS.

A. Se aplicam os mesmos dos textos proféticos.

B. Sermões escatológicos não são para suprir curiosidade, mas para


gerar constrangimento pelo pecado e esperança para o futuro.

C. Cuidados na Contextualização da mensagem


1. Muitas profecias apocalípticas lidam com o futuro de Israel. Veja
como o Novo Testamento mostra a participação da igreja.
2. Veja como os pecados que estão sendo acusados são cometidos
hoje também.
Aula 8 – Pregando Cristo à partir do Antigo Testamento

Baseado em Scott M. Gibson, Preaching the Old Testament, capítulo 11

I. FAZER UMA CORRETA RELAÇÃO DO AT COM JESUS.

1. Jesus fala que o Antigo Testamento testemunha a


respeito dele
a) João 5:39 - Examinais as Escrituras, porque julgais
ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que
testificam de mim.
b) Lucas 24:27 E, começando por Moisés,
discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que
a seu respeito constava em todas as Escrituras.
2. Porém, nem todo o Antigo Testamento testemunha de
Jesus DA MESMA FORMA.
a) O perigo de estabelecer uma forma exclusiva de
relacionar o AT a Jesus, como a tipológica ou alegórica.
(1) Ex: Abel representa Jesus e Caim
representa aqueles que mataram Jesus por inveja.
b) É preciso entender a forma em que um
determinado texto pode ser relacionado com Jesus.
c) Sete formas baseadas em Sidney Greidanus
Preaching Christ from the Old Testament.
(1) Progresso histórico – como aquela
passagem contribui para o avanço do plano que
leva ao Messias. Ex: o chamado de Abraão em
Gen 12.
(2) Tipologia – como o Novo Testamento
associa um elemento do AT a Cristo no NT. Ex: o
maná é um tipo do pão do céu que é Jesus.
(3) Analogia – um texto do AT é análogo a uma
fala ou ação de Jesus no NT. Ex: assim como os
israelitas saíram do Egito, Jesus também saiu.
(4) Tema – em texto do AT apresenta um tema
que se aplica a Jesus no NT, como os sacrifícios,
o Templo, o Servo de Deus.
(5) Profecia Direta – o texto do AT profetiza
diretamente sobre Jesus. Como Genesis 3:15,
Salmo 110, Salmo 16.
(6) Contraste – o texto do AT apresenta algo que
foi modificado por Jesus, como algumas leis ou a
nova aliança.
(7) Citação – um texto do AT é diretamente
citado no NT ou por Jesus.
3. Quando for relacionar um texto a Jesus, veja qual destas
é a relação que está sendo feita.

II. TENHA EM MENTE O PLANO DA PROMESSA DE DEUS


1. Leitura sugerida: O Plano da Promessa de Deus, de
Walter Kaiser.
2. Entenda a unidade e a diversidade de temas do AT.
3. A unidade do AT se dá pela promessa de Deus de
redimir um povo para si e habitar no meio dele eternamente.
4. Esta unidade contém diversos temas, como a criação, a
queda, o plano redentor das alianças, a consumação futura.
5. Veja como cada texto participa deste plano da promessa
e qual tema do plano ele está refletindo.
III. CONSIDERE A VERDADE UNIVERSAL DA NECESSIDADE DO
REDENTOR
1. O exemplo de Pedro em Atos 2
a) Começa com um problema
b) Mostra a resposta do AT ao problema
c) Apresenta a solução trazida em Cristo.
2. Paulo diz que a Lei nos convence do pecado.
3. Mostre como o AT exibe a necessidade do perdão vindo
de Cristo.

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