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A VONTADE DE DEUS

Liberdade e Radicalidade

A
VONTADE
DE DEUS
Aula 1

PREFÁCIO
Esta disciplina é uma abordagem sobre a vontade de Deus, e tem
como objetivo esclarecer o que é essa vontade, quais seus diferen-
tes aspectos, e como devemos nos relacionar, de forma saudável,
com cada um desses aspectos.

LIBERDADE E RADICALIDADE

“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,


que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, san-
to e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E
não vos conformeis com este mundo, mas transfor-
mai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.” (Rm 12.1,2 – ARA).

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A VONTADE DE DEUS
Liberdade e Radicalidade

1. INTRODUÇÃO
Quando você ouve a expressão “A vontade de Deus”, qual a primei-
ra impressão que vem à sua mente a respeito da pessoa de Deus?
Muitas pessoas, inclusive cristãs, veem Deus como alguém que está
sempre querendo tomar algo de nós, exigindo essa e aquela de-
cisão, e ordenando coisas muito difíceis de serem executadas, ou
seja, alguém que esta sempre nos querendo “sabotar”. Quando esta
se torna a visão que temos de Deus passamos a nos relacionar com
ele numa base de desconfiança e medo, ou até mesmo, de barga-
nha e troca.
Sendo assim, acabamos reduzindo o cristianismo a uma lista de coi-
sas que precisamos fazer, de passos que precisamos dar, para estar
no centro da vontade de Deus. Na verdade, passamos a nos rela-
cionar não com Deus, mas com um ídolo que criamos em nossa
mente. Isso é resultado da nossa condição pecaminosa, que afeta
a forma como enxergamos as coisas. Tal condição danificou a lente
com a qual enxergamos Deus, a nós mesmos, a tudo ao nosso re-
dor, e trouxe confusão à nossa percepção da realidade.

2. O FUNDAMENTO DA VONTADE DE DEUS


A primeira coisa que precisamos saber sobre a vontade de Deus é
que ela está intrinsicamente ligada a quem Deus é. Não é possível
separar a vontade de Deus da sua pessoa, pois ela esta fundamen-
tada em seu próprio ser, natureza e essência. Logo, a percepção
que temos de Deus influencia a nossa relação com a sua vontade.
Por exemplo, é impossível crer que Deus é bom e, ao mesmo tem-
po, considerar que na sua vontade possam existir más intenções.
No Sinai, quando está transformando os descendentes de Abraão
em uma nação – fazendo com eles uma aliança de ser o seu povo
peculiar, e ele o seu Deus pessoal – Deus inicia seu discurso se
apresentando e dizendo quem ele é. O que Deus revela a respeito
de si mesmo?

3. ELE É O DEUS LIBERTADOR

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do


Egito, da casa da servidão.” (Ex 20:2 – ARA).

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A primeira revelação específica de Deus para seu povo é que ele é


um Deus LIBERTADOR. É assim que deseja ser conhecido – o liber-
tador que tira de nós as cadeias da escravidão. Infelizmente, muitas
vezes, não é esta a imagem que temos dele.
A escravidão do pecado deixou-nos muito ariscos e desconfiados.
O pecado nos promete satisfação, porém, o máximo que conse-
gue é nos ferir ainda mais; promete prazer, mas apenas nos de-
frauda (desfalca) e a nossa alma nunca é satisfeita. Buscamos onde
não tem, cavamos para nós mesmos cisternas rotas que não retêm
água. Um autor desconhecido define a luxúria como sendo o cla-
mor por sal vindo de alguém que está morrendo de sede. Não é em
vão que a Bíblia afirma que o salário do pecado é a morte. Percebe
a tragédia que é a nossa relação com o pecado?
O resultado dessa relação tão maléfica é que desconfiamos de tudo
que nos promete algo bom. Passamos, então, a desconfiar de Deus,
e até o aproximar-se dele nos deixa tensos e cheios de dúvida: “O
que será que ele quer de mim? Será que ele é mais um a me violar?”
O fato é que, apesar de tudo que Deus fez por nós, não o enxerga-
mos como o nosso libertador. Nossa visão dele é deturpada, pensa-
mos ser ele alguém muito exigente, que tem um padrão que nunca
iremos satisfazer e, por isso, provavelmente, está continuamente
decepcionado conosco.
Levando em consideração tudo o que o pecado provocou em sua
alma, abra mão da imagem que fez de Deus e permita que a Bíblia
renove sua mente e apresente a você quem Deus é.
A vontade de Deus não é nos prender nem oprimir, mas nos liber-
tar. Segure esta verdade como uma âncora para a sua vida: Deus
o chamou para a LIBERDADE! O próprio Deus encarnado disse: “Se,
pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36 –
ARA). O que é ser verdadeiramente livre? Em que consiste essa
liberdade proporcionada pelo Filho de Deus?

4. EM QUE CONSISTE A LIBERDADE HUMANA?


Quando perguntado sobre o segredo da vida cristã, Agostinho res-
pondeu: “Ame a Deus, e faze o que quiseres”. Resposta esta que nos
provoca um frio na barriga só de pensar.
Precisamos entender que assim como o pecado deturpou a nossa
visão a respeito de Deus, ele, além de sutilmente nos aprisionar,
também contaminou o nosso conceito de liberdade. Portanto, da

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mesma forma que precisamos abrir mão da visão negativa que te-
mos de Deus, precisamos também abandonar o nosso velho con-
ceito em relação do que seja a liberdade.
Anthony Hoekema, em seu livro “Criados à Imagem de Deus”, aju-
da-nos a compreender melhor essa liberdade essencial, dada por
Deus ao criar a humanidade:

Uma das pressuposições básicas da concepção cris-


tã do homem é a fé em Deus como Criador, que
conduz à compreensão de que a pessoa humana
não existe autônoma ou independentemente, mas
como uma criatura de Deus. ’No princípio, criou
Deus os céus e a terra... Criou Deus, pois o homem’
(Gn 1.1,27). Uma dedução óbvia do fato da criação
é que toda a realidade criada é completamente de-
pendente de Deus. Werner Foerster, expressa isso do
seguinte modo: ‘Portanto, em vir a ser, existir e pere-
cer, toda a criação é inteiramente dependente da
vontade do Criador’.

As Escrituras dizem claramente que todas as coisas


criadas e todos os seres criados são totalmente de-
pendentes de Deus. ‘Só tu és o SENHOR. Fizeste os
céus, e os mais altos céus, e tudo que neles há, a ter-
ra e tudo o que nela existe, os mares e tudo o que
neles existe. E Tu os preservas a todos com vida, e
os exércitos dos céus te adoram’ (Ne 9:6). Na afir-
mação de que Deus preserva todas as suas criaturas,
incluindo os seres humanos, está implícito que eles são
dependentes dele para a continuação da sua exis-
tência. Em seu discurso aos atenienses, Paulo afirma
que Deus ‘é quem a todos dá vida, respiração e tudo
mais’ e que ‘nele vivemos, nos movemos e existimos’
(At 17.25,28). Paulo está dizendo que devemos nossa
respiração a Deus; que existimos somente nele; em
cada movimento que fazemos estamos na depen-
dência dele. Não podemos levantar um dedo à parte
da vontade de Deus.

O homem, contudo, não é somente criatura; também


é uma pessoa. Ser pessoa significa ter alguma forma
de independência – não absoluta, mas relativa. Ser
uma pessoa significa ser capaz de tomar decisões,

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de estabelecer objetivos e ser capaz de perseguir esses


objetivos. Significa possuir liberdade – ao menos no
sentido de ser capaz de fazer suas próprias escolhas. O
ser humano não é um robô cuja conduta é totalmente
determinada por forças exteriores a ele; ele tem o
poder de autodeterminação e de autodireção. Ser
uma pessoa significa, para usar a expressão pitoresca
de Leonard Verduin, ser uma ‘criatura de opção’.

Em resumo, o ser humano é igualmente uma criatu-


ra e uma pessoa; é uma pessoa criada. Este é, pois,
o mistério fundamenta do homem: como pode o ser
humano ser igualmente uma criatura e uma pessoa?
Ser uma criatura, como já vimos, significa dependên-
cia absoluta de Deus; ser uma pessoa significa inde-
pendência relativa. Ser uma criatura significa que não
posso mover um dedo ou proporcionar uma palavra
à parte de Deus, ser uma pessoa significa que quando
meus dedos são movidos, eu os movo, e que, quan-
do as palavras são pronunciadas por meus lábios, eu
as pronuncio. Sermos criaturas significa que Deus é o
oleiro e nós, o barro (Rm 9.21). Sermos pessoas signifi-
ca que nós mesmos é que moldamos nossa vida pelas
nossas próprias decisões (Gl 6.7,8).

Este é, como eu chamei, o mistério fundamental do


homem porque, para nós, é insondavelmente miste-
rioso que o homem seja igualmente criatura e uma
pessoa. Dependência e liberdade são conceitos apa-
rentemente incompatíveis para nós. Não duvidamos
que uma criança seja completamente dependente de
seus pais na infância, mas observamos que, à medida
que essa criança cresce, vai adquirindo maior liber-
dade e maturidade e se torna menos dependente de
seus pais. Compreendemos esse processo. Mas, como
havemos de conceber um relacionamento em que
coexistam dependência completa de Deus e liber-
dade pessoal para tomar nossas próprias decisões?
Embora não possamos compreender racionalmente
como é possível que o ser humano seja igualmente
uma criatura e uma pessoa, não podemos pensar de
outro modo. Negar qualquer lado desse paradoxo sig-
nifica não fazer justiça à descrição bíblica.

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(...)

Nossa compreensão teológica do homem deve, por-


tanto, manter em foco essas duas verdades de ma-
neira muito clara. Todas as antropologias seculares fa-
lham em não considerar o ser humano como criatura,
apresentando, em função disso, uma visão distorcida
do homem. Qualquer concepção do homem incapaz
de vê-lo como fundamentalmente relacionado com
Deus, totalmente dependente Dele e primariamente
responsável perante Ele, carece de verdade. Por outro
lado, todas as antropologias deterministas, que des-
crevem os seres humanos como se fossem marionetes
ou robôs, talvez tendo Deus puxando as cordinhas ou
apertando os botões, deixam de fazer justiça à indi-
vidualidade pessoal do homem. Apresentando, tam-
bém, uma visão distorcida do homem.

Robert D. Brinsmead expôs este ponto muito bem: ‘


Ser criatura e ser pessoa são aspectos do ser humano
que devem ser mantidos juntos e em tensão. Quan-
do a teologia acentua o aspecto criatura e subordina
aspecto da pessoalidade, vem à tona um determinis-
mo inflexível e o homem é desumanizado... Quando
o ser pessoa é enfatizado à exclusão do ser criatura,
o homem é deificado e a soberania de Deus é com-
prometida. O Senhor é abandonado nos bastidores,
como se o homem tivesse poder de vetar os planos e
os propósitos de Deus’”.1

5. COMO LIDAR COM O PARADOXO DE SER PESSOA CRIADA?


Anthony Hoekema mostra esse maravilhoso paradoxo do que é o
ser humano em sua natureza essencial: “pessoa criada”. Por ser pes-
soa somos possuidores de liberdade, autonomia, poder de decisão;
e por ser criatura dependemos completamente de nosso Criador.
Liberdade e dependência são dois conceitos difíceis de segurar
ou associar. Como ser, ao mesmo tempo, verdadeiramente livre e
completamente dependente?

1
Criados à Imagem de Deus, Anthony Hoekema, (Págs.16-18)

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Diante desse paradoxo, toda vez que lidarmos a respeito da vonta-


de de Deus, duas verdades precisam sempre estar diante de nós:
LIBERDADE e RADICALIDADE. Precisamos ser muito sérios com esse
tema, pois, a vontade de Deus é a chave para achar o sentido de
nossas vidas.
Quando Jesus esteve aqui na terra ensinou aos seus discípulos a
seguinte oração:

“Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade assim na


terra como no céu.” (Mt 6: 10 – ARA).

Gerald Bray, em seu livro “Teu é o Reino”, comenta o fato de Jesus


nos dizer para orar ao Pai a respeito da sua vontade ser feita na
terra como é feita no céu.

“Como pode ser, se o Pai é o Senhor soberano do uni-


verso, o único que sustém todas as coisas mediante
o poder da sua palavra, e sem cuja permissão nada
ocorre? Como pode o seu reino vir se ele já se encon-
tra presente em todo lugar? A fim de entender essa
expressão, é necessário considerar o contexto espiri-
tual abordado, no qual ainda vivemos. Por mais difícil
que seja entender, o Senhor soberano de tudo criou
seres capazes de se rebelarem contra Ele, e, em certo
ponto de nós desconhecido, trata-se precisamente do
que ocorreu”.2

a. O contexto no qual vivemos


Para entender essa oração de Jesus precisamos compreender o
contexto espiritual no qual ele a fez, e no qual ainda vivemos. Para
isso, é necessário olharmos para as Escrituras.
A Bíblia diz que quando Deus concluiu a sua criação tudo era “mui-
to bom” (Gn 1.31), mas em determinado momento uma criatura
celestial se voltou contra o seu Criador. Era Satanás, que apesar de
sua rebelião não foi destruído de imediato, mas confinado a uma
esfera restrita de atuação chamada de forma geral nas Escrituras de
“mundo”.

2
Teu é o Reino, Gerald Bray, pág. 61.

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• Satanás é a origem de toda mentira.


“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis
satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde
o princípio e jamais se firmou na verdade, porque
nele não há verdade. Quando ele profere
mentira, fala do que lhe é próprio, porque é
mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8.44 – ARA). 

• A sua missão é enganar, fazendo com que todos


também se voltem contra o seu Criador.
“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente,
que se chama diabo e Satanás, o sedutor de
todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e,
com ele, os seus anjos.” (Ap 12:9 – ARA).

Como bem sabemos nossos primeiros pais, Adão e Eva, caíram no


engano de Satanás decidindo crer em suas palavras a confiar nas
palavras de Deus. Isso trouxe graves consequências.

• O pecado e a morte passaram a reinar sobre


toda a humanidade.
“Portanto, assim como por um só homem
entrou o pecado no mundo, e pelo pecado,
a morte, assim também a morte passou a
todos os homens, porque todos pecaram.”
(Rm 5.12 – ARA).

• Toda criação foi submetida a uma existência fú-


til, escravizada pela corrupção.
“Pois a criação está sujeita à vaidade, não
voluntariamente, mas por causa daquele que
a sujeitou,  na esperança de que a própria
criação será redimida do cativeiro da corrupção,
para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” 
(Rm 8.20,21 – ARA).

Mas, Deus, o soberano de toda Terra e Senhor sobre toda a história,


a fim de revelar as riquezas da sua gloriosa graça, enviou seu Filho
ao mundo.

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• A missão do Filho consistia em destruir o poder


do diabo e libertar aqueles que estavam sob seu
domínio.
“Visto, portanto, que os filhos são seres humanos,
feitos de carne e sangue, o Filho também se
tornou carne e sangue, pois somente assim ele
poderia morrer e, somente ao morrer, destruiria
o diabo, que tinha o poder da morte. Só dessa
maneira ele libertaria aqueles que durante toda
a vida estiveram escravizados pelo medo da
morte.” (Hb 2.14,15 – NVT).

• Uma vez libertos do domínio do diabo, ele nos


inseriu em um reino bem diferente.
“Ele nos tirou do domínio das trevas e nos
transportou para o reino do seu Filho amado”.
(Cl 1.13 – A21).

Essa transição, do domínio do império das trevas para o governo


de Cristo, é a realidade espiritual de todo aquele que é nascido de
novo. Ela é extremamente radical e vem acompanhada de inúme-
ros desafios.

• O mundo passou a ser um território hostil a nós.


“Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que
era seu. Mas o mundo vos odeia porque não
sois do mundo; pelo contrário, eu vos escolhi do
mundo.” (Jo 15.19 – A21). 

• Vamos permanecer aqui até o fim dessa presen-


te era má.
“Eu lhes dei a tua palavra; o mundo os odiou, pois
não são do mundo, assim como eu também não
sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que
os guardes do Maligno”. (Jo 17.14,15 – A21).

• E o resultado disso é que passamos a viver em


constante guerra contra o reino deste mundo.

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“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para


que possais permanecer firmes contra as ciladas
do Diabo; pois não é contra pessoas de carne
e sangue que temos de lutar, mas sim contra
principados e poderios, contra os príncipes
deste mundo de trevas, contra os exércitos
espirituais da maldade nas regiões celestiais.”
(Ef 6.11,12 – A21).

Não estamos em nossa casa, e este não é um território favorável


a nós. Estamos em território hostil, e isso exige de nós radicalida-
de, foco, disposição de guerra. Qualquer concessão nos coloca em
conformidade com o pensamento deste século, moldados com a
sabedoria natural, que é animal e demoníaca.
Somos embaixadores de um reino contrário ao reino vigente. Por
isso, nossa disposição interior precisa ser de quem está em guerra,
radicalidade de quem anseia pelo fim desta era má, e pelo estabe-
lecimento do Reino vindouro do Messias de Deus. Isso exige um
envolver de todo o nosso coração, força, entendimento e alma.
Existe uma música cristã, que diz o seguinte:

“...e ele não será derrotado, pelo inimigo, toda obra contra a igre-
ja irá perecer, no último dia o Senhor virá… Virá pra reinar com
aqueles que viveram em guerra, que gastaram seus dias servindo a
Deus, fazendo em tudo a vontade do Pai”.

b. A radicalidade do Filho de Deus


Existe um mistério e uma profundidade na forma como Deus age.
Primeiro, o fato de o Pai enviar o seu Filho ao mundo caído e hostil a
ele. E, segundo, a submissão absoluta do Filho em relação à vontade
do Pai. A encarnação do Filho de Deus é o maior mistério de toda
a humanidade. O Deus eterno, criador e sustentador de todas as
coisas, introduziu-se na sua criação como um simples ser humano,
uma autêntica “pessoa criada”.
Jesus viveu a verdadeira humanidade. Ele foi o único homem re-
almente livre após a queda de Adão e, como homem realmente
livre, foi completamente dependente de Deus, o Pai. Jesus viveu o
máximo do potencial do que é ser, de fato, um ser humano.

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• Jesus viveu radicalmente em relação à vontade


de Deus.
“Pai, se queres, afasta de mim este cálice;
contudo, não seja feita a minha vontade, mas
a tua”. (Lc 22.42 – NVI)

“Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a


vontade daquele que me enviou, e completar a
sua obra”. (Jo 4.34 – A21)

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa


alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é
justo, porque não procuro a minha vontade, mas
a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5.30 –
ACF)

“Porque eu desci do céu, não para fazer a minha


vontade, mas a vontade daquele que me
enviou”. (Jo 6.38 – ACF)

Ao afirmar a seus discípulos que sua verdadeira comida e bebida


era fazer a vontade do Pai, Jesus estava mostrando que o mais fun-
damental para ele, mais do que suas necessidades mais básicas de
alimentação, era fazer a vontade de Deus. Isso mostra que a von-
tade de Deus não é qualquer assunto, mas é de vital importância.
Existe algo mais vital do que comer e beber? Sim, a vontade de
Deus. Isso é muito radical!
É aqui que entra o paradoxo, pois a liberdade para a qual fomos
criados encontra-se nesta dependência que o próprio Deus em carne
experimentou do Pai. É a liberdade que se encontra em obedecer
aos mandamentos daquele que nos criou. Seus mandamentos e
suas leis são o ambiente perfeito no qual a “máquina”, chamada ser
humano, pode funcionar em plenitude. É na radicalidade em obe-
decer à vontade de Deus que encontramos a liberdade.

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