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OAB 139º - 1ª Fase – Regular Modulo II

Disciplina: Direito Tributário


Professor Eduardo Sabbag
Data: 23/07/2009

TEMAS ABORDADOS EM AULA

5ª e 6ª Aula: Empréstimos Compulsórios, Confronto dos pressupostos com o Princípio da


Anterioridade Tributária, Contribuições, Contribuições profissionais, Contribuições
Contribuições Interventivas ou CIDEs, Contribuições Sociais, CTN, Crédito Tributário, Suspensão
do Crédito Tributário.

1. Empréstimos Compulsórios

- tributo federal (União)


- lei complementar (MP, aqui não) - artigo 62, parágrafo 1°, inciso III.
- traço distintivo do empréstimo compulsório perante as demais espécies tributárias: restituibilidade.
- artigo 148, I e II CF - pressupostos fáticos do empréstimo compulsório:
I - calamidade pública e guerra externa
II - investimento público de caráter urgente e relevante interesse nacional.
Observação: não são fatos geradores, são pressupostos fáticos.

2. Confronto dos pressupostos com o Princípio da Anterioridade Tributária


Inciso I - exceções a anterioridade tributária (anual e nonagesimal), caráter urgente e exigência imediata
- artigo 150, parágrafo 1° CF.
Inciso II - regra a anterioridade tributária (anual e nonagesimal).

Importante: O artigo 15, inciso III CTN não foi recepcionado pela CF.
**Ali se prevê um tipo de empréstimo compulsório a ser criado diante de uma conjuntura econômica que
exija a absorção temporário de poder aquisitivo da moeda.
**Após a CF/88 não se pôde admitir tal empréstimo compulsório.
Note que se proíbe o desvio de finalidade (tredestinação).

3. Contribuições
As contribuições e o empréstimo compulsório são os 2 tributos finalísticos, ou seja, atrelados
constitucionalmente a determinadas finalidades.
**Vale dizer que o fato gerador aqui é irrelevante, o que não ocorre com os impostos, taxas e
contribuições de melhoria.

3.1 - Particularidades:
As contribuições em regra, são tributos federais, estando previstas no caput do artigo 149 da CF.
Todavia, há 2 tipos de contribuições não federais.
- artigo 149, parágrafo 1° - aqui estão as contribuições previdenciárias dos servidores públicos
estaduais ou municipais. Este tributo é de competência dos Estados, DF e Municípios.
- artigo 149 A - aqui está a contribuição para o serviço de iluminação pública (COSIP) este é um tributo
municipal, de competência dos Municípios e DF.
As contribuições dependem em regra, de lei ordinária. Entretanto um tipo de contribuição depende de lei
complementar: contribuição social-previdenciária residual (artigo 195, parágrafo 4° CF).

3.2 Análise do “caput” do artigo 149 da CF


- 3 tipos de contribuições:
1 - contribuição profissional ou corporativa (de interesse das categorias profissionais ou econômicas)
2 - Contribuições interventivas ou CIDEs (contribuição de intervenção no domínio econômico)
3 - Contribuições sociais (previdenciárias ou não)

4. Contribuições profissionais
- só existem contribuições profissionais federais
- há 2 bons exemplos:

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a) Contribuição anuidade - trata-se das anuidades pagas pelos profissionais aos Conselhos de
Fiscalização a que se filiam.
Ex. CREA, CRM, CRV
b) Contribuição sindical - este tributo federal está previsto na CLT (artigo 578 e 580), representando uma
prestação pecuniária compulsória ao empregador que mantém um vínculo laboral com empregado
celetistas (equivalente a 1 dia de trabalho por ano).
**Ler também o artigo 8°, IV, parte inicial - aqui está a contribuição confederativa. ESTA NÃO É
TRIBUTO.

5. Contribuições Interventivas ou CIDEs


Exemplos:
1 - AFRMM: Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante.
- é tributo federal que depende de lei ordinária
- trata-se de uma CIDE
- dinheiro destinado a fomentar a marinha mercante
2 - ATP: Adicional de Tarifa Portuária
- é tributo federal que depende de lei ordinária
- CIDE
3 - CIDE Royalties
- é um tributo federal destinado a fomentar as atividades relacionadas com a transferência de tecnologia.
4 - CIDE Combustível
5 - etc.

5.1 Análise da CIDE Combustível


- EC 33/01
- artigo 149, parágrafo 2° CF
- lei ordinária n. 10.336/01
- a receita da CIDE combustível deverá ser aplicada em projetos ambientais e de infraestrutura de
rodovias federais.

Importante: O artigo 155, parágrafo 3° da CF indica que apenas 3 impostos incidirão sobre
combustíveis:
- ICMS
- II
- IE
Após a EC 33/2001 passamos a ter 4 tributos sobre combustíveis:
- ICMS
- II
- IE
- CIDE combustíveis

**Cuidado: o STF também admite a incidência de certas contribuições social-previdenciárias


(PIS/COFINS) - Súmula 659 STF.

6. Contribuições Sociais
- artigo 195 CF
- 4 incisos = 4 fontes de custeio da seguridade social
- para cada fonte haverá uma ou mais contribuição social-previdenciárias
- fontes:
Inciso I: empregador/empresa (empregador: sobre folha de salários, faturamento, lucro)
Ex. PIS e CONFINS incidem sobre o faturamento; CSLL incide sobre lucro líquido.
Inciso II: empregado
Inciso III: receita de loterias

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Inciso IV: importador (EC 42/03) (PIS importação e COFINS importação)

Dica extra: 5 tributos sobre importação:


- II
- ICMS
- IPI
- PIS Importação
- CONFINS importação
IMPORTANTE: A união poderá criar contribuição social-previdenciária residual (artigo 195, parágrafo 4°
CF), utilizando a lei complementar. Aqui não pode haver MP, mas nas outras contribuições sim.

7. Código Tributário Nacional

 Projeto para estudar em casa:


- www.professorsabbag.com.br
- imprimir - MEGA SIMULADO
- imprimir - LINHA DO TEMPO
- ler os principais artigos que constam, sobretudo, a segunda centena do CTN:
- fato gerador: 113, 114, 115, 116, 117 e 118
- obrigação tributária;
Sujeito ativo:119
Sujeito passivo: 121 e 123
- obrigação principal acessória: 113
- causa: 114 e 115
- lançamento: 142, 147, 149 e 150
- crédito tributário:
Suspensão: 151
Extinção: 156
Exclusão: 175
- dívida ativa: 201, 202, 203 e 204
- execução fiscal: Lei de Execução Fiscal 6830/80 artigos 1°, 2°, 3°, 8°, 9°, 16 e 40.
- artigos extras:
Decadência: 173
Prescrição: 174
Denúncia espontânea: 138
Arbitramento: 148
Normas complementares: 100
Interpretação literal: 111

Hipótese de incidência ------ obrigação tributária -----(lançamento)---- crédito tributário ----


(inscrição)---- dívida ativa ---(certidão da dívida ativa)--- execução fiscal.

Detalhando
O FG representa a materialização da hipótese de incidência, ou seja, o plano concreto em plena
conformação com o plano hipotético que o antecede. Trata-se de subsunção tributária.

Após o FG surgirá a obrigação tributária. Vale dizer que o momento da obrigação tributária demarca o
liame que liga devedor a credor (e vice-versa) do tributo.

A obrigação tributária é composta por 4 elementos:


- sujeito ativo
- sujeito passivo

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- objeto
- causa

7.1 Sujeito Ativo


- é o ente credor do tributo/multa
- temos 2 tipos:
1- União, Estados, Municípios e DF - eles criam o tributo, competência tributária, poder indelegável.
2- Entes Parafiscais - eles arrecadam e fiscalizam o tributo, capacidade tributária ativa, poder delegável.
Ex. CRE, CRC, CRM

7.2 Sujeito Passivo


- é o ente devedor do tributo
- contribuinte - artigo 121, parágrafo único, I, relação pessoal e direta com FG
- responsável - artigo 121, parágrafo único, II, 3ª pessoa (prevista na lei) que deverá pagar o tributo sem
ter realizado o FG.
Responsabilidade Tributária

- ler artigos 128 a 135 - um deles cairá na prova

- situações:
I - artigo 134, I CTN
Contribuinte - filho menor
Responsável: pais
II - artigo 130, CTN
Contribuinte: alienante
Responsável: adquirente
Sempre? Não, ressalva: certidão negativa de tributos

7.3 Objeto da Obrigação Tributária


- é a prestação a que se submete o sujeito passivo, pode ser ela:
Ato de pagar (obrigação principal, artigo 113, parágrafo 1°)
Ato diverso do pagamento (obrigação acessória, artigo 113, parágrafo 2°). Ex. emitir nota

7.4 Causa da Obrigação Tributária


A causa da obrigação poderá ser:
- lei tributária: para obrigação tributária principal - artigo 114.
- legislação tributária: para obrigação acessória - artigo 115. Ex. portaria, circular, instrução normativa.

8. Lançamento
O lançamento é ato documental de exigência do tributo/multa.
Trata-se de ato vinculado à lei - não é discricionário, artigo 142.
É ato privativo do fisco, podendo o contribuinte auxiliá-lo em maior ou menor escala. De acordo com o
auxílio haverá tipos de lançamento:
1 - direto - não tem auxílio de contribuinte
2 - por declaração ou misto - contribuinte e fisco
3 - por homologação ou auto lançamento - contribuinte faz tudo e o fisco só homologa.

9. Confronto com os Tributos


1- direto: IPTU, IPVA, Taxa, contribuição de melhoria
2- por declaração: II, IE, ITBI
3- por homologação: quase todos - ICMS, IPI, PIS, CONFINS, IR etc.

10. Crédito Tributário

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O crédito tributário será suspenso, extinto ou excluído.


- suspensão: artigo 151, CTN - 6 incisos
- extinção: artigo 156, CTB - 11 incisos
- exclusão: artigo 175 CTN - 2 incisos (isenção e anistia)

11. Suspensão do Crédito Tributário

MO DE RE CO PA
moratória Depósito do Reclamações e Concessão de Parcelamento
montante recursos liminar em MS/
integral administrativos Cautelar e tutela
antecipada

QUESTÕES SOBRE O TEMA

1. (OAB/CESPE – 2007.3. SP) Os princípios constitucionais que informam a cobrança do IPI são
a) a não-cumulatividade e a seletividade.
b) a não-cumulatividade e a progressividade.
c) a seletividade e a generalidade.
d) a progressividade e a generalidade.

2. (OAB/CESPE – 2007.1) Carlos, administrador do supermercado Boas Compras, deixou de


recolher vários tributos da referida pessoa jurídica, que passa por severas privações financeiras.
Tendo como referência inicial a situação hipotética acima, assinale a opção correta acerca da
obrigação tributária.
a) A capacidade tributária passiva do referido supermercado Boas Compras não depende de sua regular
constituição.
b) Carlos e o supermercado Boas Compras são solidariamente responsáveis pelo pagamento dos
tributos devidos.
c) O dever de recolher os tributos devidos pelo supermercado Boas Compras constitui uma obrigação
tributária acessória.
d) Carlos, na condição de administrador do supermercado Boas Compras, é pessoalmente responsável
pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias decorrentes de quaisquer de seus atos.

3. (OAB/CESPE – 2007.1) Assinale a opção correta acerca da legislação tributária.


a) Os empréstimos compulsórios somente serão instituídos mediante lei complementar.
b) A discriminação dos serviços a serem tributados pelo imposto sobre serviços de qualquer natureza
(ISS) será veiculada por lei ordinária.
c) Apenas emendas constitucionais estabelecerão as alíquotas do ICMS aplicáveis às operações de
exportação.
d) É lícito que a matéria atinente à fixação das alíquotas mínimas para o IPVA seja disciplinada por
decreto.

4. (OAB/CESPE – 2007.1) O poder de tributar não é absoluto, pois a Constituição Federal impõe
às entidades detentoras de capacidade tributária algumas limitações. Acerca das limitações à
competência tributária, assinale a opção correta.
a) A norma constitucional impõe que os impostos sejam criados por lei complementar.
b) É lícito ao presidente da República reduzir a alíquota do imposto sobre produtos industrializados por
decreto presidencial.
c) As anuidades devidas aos conselhos de fiscalização profissional são fixadas e majoradas por
resoluções dos respectivos conselhos.
d) Pelo princípio da anualidade tributária, é vedado à União, aos estados, ao DF e aos municípios cobrar
tributos no mesmo exercício financeiro em que a lei que os instituiu ou majorou tenha sido publicada.

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Gabarito: 1. A; 2. A; 3. A; 4. B.

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