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DIREITO CONSTITUCIONAL

Teoria Geral dos Direitos Fundamentais


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TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS


TÍTULO II
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (ARTIGOS 5º A 17)

TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Características
Relatividade
Marcada pela máxima de que “não existe direito absoluto”. No entanto, há vozes na
doutrina que aceitam a existência de direitos absolutos. Uma dessas vozes é de Norberto
Bobbio, que reconhece dois direitos como sendo absolutos, são eles:
• O de não ser escravizado; e
• O de não ser torturado.

No âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, não existem direitos absolutos.


O direito à vida, por exemplo, apesar de ser um direito fundamental de grande importân-
cia, não é absoluto, pois a própria Constituição Federal de 1988 prevê a pena de morte por
fuzilamento em caso de guerra declarada.
A liberdade, por sua vez, também é um direito fundamental importante, contudo pode ser
cerceada pela prisão cautelar.

Concorrência
A regra é a inexistência de hierarquia entre as normas constitucionais. Assim, no caso de
colisão entre normas constitucionais, é preciso se valer da máxima da ponderação de inte-
resses no caso concreto.
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Nessa ideia de inexistência de hierarquia, é preciso ter cuidado, pois o Supremo entende
que no caso de colisão entre a liberdade de expressão e outro direito fundamental, a liber-
dade de expressão “larga na frente”.

Imprescritibilidade
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Os direitos fundamentais, em regra, não se perdem pela falta de uso. Entretanto, há direi-
tos fundamentais que podem ser perdidos se deixarem de ser exercidos, como é o caso da
propriedade, que pode ser perdida via usucapião.

Inalienabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser comercializados, salvo os casos de direitos
que podem ser explorados como sendo atividade econômica como, por exemplo, o direito
de imagem.

Irrenunciabilidade
Em regra, os direitos fundamentais são irrenunciáveis. No entanto, há casos em que
uma pessoa pode abrir mão de algum direito. Um exemplo é o que aconteceu com o cantor
Roberto Carlos, que renunciou o recebimento de valores a título de direito autoral sobre as
suas músicas.

Historicidade
10m Os novos direitos fundamentais são introduzidos no ordenamento jurídico ao longo da
história. Um exemplo é o que aconteceu com a questão da informação e do uso de dados
pessoais, fato que levou à elaboração de uma lei geral de proteção dos dados.

Obs.: vale lembrar que já ocorreram diversas situações em que o Poder Judiciário mandou
suspender as operações do aplicativo de mensagens WhatsApp no Brasil, contudo,
já há algum tempo que não ocorrem esses bloqueios, pois o STF entendeu, por meio
de uma ADPF, que o direito à internet é um direito fundamental, logo o bloqueio
do aplicativo era considerado uma restrição desse direito. Vale lembrar que o direito
à internet não é previsto em nenhum lugar da CF/1988, contudo o Supremo o enten-
de como sendo um direito fundamental.

Extensão a pessoas jurídicas?

Os direitos fundamentais podem ser estendidos às pessoas jurídicas naquilo que couber.
A honra subjetiva, por exemplo, é algo que não se estende às pessoas jurídicas.
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Além disso, o direito de locomoção também não é extensível e, por esse motivo, a pessoa
jurídica não pode ser paciente de habeas corpus, ainda que se trate de um caso de respon-
sabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais.
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Extensão a estrangeiros?

Os estrangeiros possuem menos direitos que os brasileiros natos e naturalizados, con-


tudo, o art. 5º, caput (CF/1988), garante a inviolabilidade dos direitos à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país.
Nesse sentido, o Supremo ampliou essa ideia, pois entendeu que a extensão dos direitos
é válida aos estrangeiros que estejam no país.

Obs.: o Supremo decidiu pela extensão dos benefícios da execução penal para os estran-
geiros que foram presos, mas estavam em situação irregular no Brasil. Além disso,
há julgados no sentido de aplicar essa regra mesmo que contra o estrangeiro esteja
pendente processo de expulsão.

EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Essa evolução está bastante associada à Revolução Francesa. Vale lembrar que o pri-
meiro ponto dessa revolução era calcado na liberdade, porém é importante lembrar que essa
revolução foi promovida pela burguesia naquela época, pois estavam cansados do fato de
que eles e os plebeus é quem tinham que trabalhar para que a riqueza ficasse nas mãos da
nobreza e do clero.
Além disso, soma-se o fato de que os franceses não confiavam no seu Poder Judiciário.
Essa é, inclusive, a origem do controle político de constitucionalidade realizado na França.
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Tanto é que o chamado Código de Napoleão apontava o juiz como sendo um mero apli-
cador da lei (“a boca da lei”). Nesse sentido, todas as situações da vida eram reguladas pelo
legislador, isso porque o Judiciário era ligado à monarquia naquela época.
1ª Geração / Dimensão: “LIBERDADE” – absenteísmo ou abstencionismo estatal (liber-
dades clássicas).
Em busca da liberdade, a burguesia francesa defendia um Estado ausente. É por isso
que se fala em absenteísmo estatal.
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Como exemplos de liberdades clássicas estão os direitos do art. 5º da CF/1988, além dos
direitos políticos.
2ª Geração / Dimensão: “IGUALDADE” – welfare state ou estado do bem-estar social
(direitos sociais, culturais e econômicos).
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os países se encontram destruídos, sendo neces-
sária a intervenção do Estado. É nesse sentido que tem início o ideal da igualdade, iniciado
com o chamado estado de bem-estar social (welfare state), associando direitos sociais, cul-
turais e econômicos.
Vale lembrar que essa igualdade é material, ou seja, são prestações positivas do Estado.

Obs.: a doutrina mais moderna chama de “dimensões” as chamadas gerações de direitos.


Isso leva em consideração o fato de que uma geração substitui a outra, mas as dimen-
sões são acumuladas. Em uma prova oral, é importante citar esses dois institutos.
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3ª Geração / Dimensão: “FRATERNIDADE” – direitos trans/meta individuais, difusos ou


coletivos (meio ambiente, consumidor, aposentadoria). O surgimento foi em 1970.

Há outras gerações/dimensões?

Sim, contudo não há consenso sobre o tema.


A chamada quarta geração trata de questões ligadas à bioética do direito, clonagem
humana e globalização. Já a chamada quinta dimensão trata da paz universal, que é consi-
derada uma verdadeira utopia.

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Aragonê Nunes Fernandes.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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