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OMS coloca o estresse ocupacional como um fator social


Autoria de Fundacentro
03 /07 / 2007

Estudos da OMS chamam a atenção dos países emergentes para o estresse no local de trabalho e a influência dos
fatores sociais na vida dos trabalhadores

Estudos da Organização Mundial da Saúde referentes aos anos de 2005 e 2003 revelam que os problemas relacionados
ao estresse ocupacional estão associados às constantes mudanças sociais, como, por exemplo, a globalização, o aumento
da economia informal e as mudanças que ocorrem no ambiente de trabalho.

O estresse ocupacional é definido como a soma de respostas físicas e mentais, ou ainda, reações fisiológicas, que, quando
intensificadas, transformam-se em reações emocionais negativas. Ele aumenta consideravelmente o número de
trabalhadores afastados e reflete na vida das organizações, seja em perda de produtividade, seja na diminuição da
qualidade dos produtos e serviços prestados.

A globalização, como parte de um processo de mudanças sociais, traz consigo novas reformas econômicas e sociais, as
quais exigem dos trabalhadores e das organizações, adaptações e reorientações quanto ao sistema de saúde ocupacional.

De acordo com o estudo, os principais problemas relacionados à globalização incluem o desemprego, as condições de
trabalho precárias devido às novas relações industriais e a crescente ausência de prioridade de aspectos sociais em
várias partes do mundo.

O estudo, ao citar o aumento na economia informal dos países em desenvolvimento, ressalta a importância da realização
de pesquisas detalhadas com o objetivo de analisar as diferenças culturais e comportamentais, que variam de país para
país.

Uma outra observação apontada pela OMS refere-se ao foco das iniciativas organizacionais. Estas, normalmente,
consideram somente aspectos preventivos em saúde e segurança, como a exposição a agentes químicos, físicos e
biológicos, e não levam em conta os riscos psicossociais. Este tipo de risco é negligenciado e insuficientemente
compreendido por pertencer ao contexto dos países em desenvolvimento.

Outro aspecto apontado no estudo está voltado para a divisão entre as condições de trabalho e o ambiente de trabalho,
que faz com que os riscos psicossociais sejam difíceis de serem identificados pelos profissionais da área de SST. Além
disso, a ausência de políticas de desenvolvimento que considerem este tipo de risco no ambiente de trabalho torna
mais difícil a implementação de práticas efetivas de controle e a elaboração de estratégias para tal questão, por parte das
empresas.

Outros fatores que limitam as empresas de detectarem as causas que levam trabalhadores ao estresse ocupacional são
relacionados ao ambiente externo de trabalho e incluem as desigualdades entre homens e mulheres, baixa participação e
envolvimento de cidadãos nas questões sociais, além da gestão precária de saneamento básico.

Tais aspectos sociais influenciam na percepção individual e, com isso, modificam a maneira das pessoas reagirem ao que
pode ser considerada “boa” ou “má” condição de trabalho. Um exemplo pode ser observado quando o trabalhador se
submete a comportamentos autoritários de empregadores e gestores e a condições precárias de trabalho para garantir
seu emprego.

O estudo conclui, ainda, que, nos países emergentes, a maior parte da força de trabalho é terceirizada e concentra-se
nas empresas pequenas e familiares, que, por sua vez, estão na economia informal.

Além disso, a ausência de infra-estrutura, de recursos, de disponibilização de informações, a precariedade na cobertura


dos serviços em saúde e saúde ocupacional, são fatores que acometem e levam milhões de trabalhadores ao chamado
estresse ocupacional.

Números que estressam

A OMS estima que, no mundo, de 5 a 10 por cento dos trabalhadores dos países em desenvolvimento, têm acesso aos
serviços de saúde ocupacional, enquanto nos países de primeiro mundo, de 20 a 50 por cento dos trabalhadores
possuem esse acesso.

De acordo com a organização, dois milhões e quatrocentas mil pessoas vivem e trabalham em países subdesenvolvidos, o
que representa 75 por cento da força mundial de trabalho. A taxa de exposição de trabalhadores submetidos à exposição de
risco no local de trabalho em países em desenvolvimento atinge de 20 a 50 por cento.

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Enquanto isto, nos países industrializados, mais de 80 por cento da força de trabalho estão nas médias e pequenas
empresas e 50 por cento dos trabalhadores, segundo a OMS, julgam o trabalho como algo “mentalmente estressante”.

Com base em tudo isto, a cada ano existem 120 milhões de acidentes ocupacionais com 200 mil fatalidades, e de 68 a
157 milhões de doenças existentes no local de trabalho. Condições precárias de saúde ocupacional e capacidade
reduzida de trabalhadores causam perda econômica de 10 a 20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de um país em
desenvolvimento.

A OMS disponibiliza, em inglês, o documento para leitura intitulado “Global Strategy on Occupational Health for All”, em
www.who.int/occupational_health/en/oehstrategy.pdf.

Nele, estão informações voltadas a compreender como as novas tendências da economia global, os problemas sociais e
ocupacionais emergentes e o empoderamento da sociedade, contribuem para ações efetivas no ambiente de trabalho.

A urgência em mudanças

Na América Latina, por exemplo, o estresse ocupacional é presente e reconhecido como sendo uma das maiores
epidemias da vida moderna. Ao mesmo tempo, muitos profissionais de SST acreditam que o estresse ocupacional está
associado às condições ergonômicas de trabalho e ao conforto.

Com esta idéia, o foco dos regulamentos continua sendo trabalhado nas questões físicas, químicas e de exposição, ao
estabelecerem condições que julgam ser seguras quanto aos riscos de acidentes. Outros aspectos que dificultam a
implementação de regulamentos mais efetivos estão nos longos turnos e na insegurança no trabalho.

Isto significa que, a maior parte dos regulamentos elaborados aos trabalhadores representam a adoção de limites de
exposição no modelo tradicional de saúde ocupacional, sem levar em consideração os aspectos psicossociais.

Conseqüências para os trabalhadores

Se as causas apontadas no estudo mostram que o estresse ocupacional resulta da interação entre trabalhadores e as
condições de trabalho, por outro lado, o estudo aponta que devem ser levadas em consideração os aspectos individuais,
tais como, a personalidade, idade, educação, experiência e estilo de vida.

Considerar os aspectos e as diferenças individuais demandam estratégias complementares de prevenção que foquem o
indivíduo e promovam formas de prevenção.

Algumas respostas individuais, tais como as fisiológicas, estão normalmente associadas a fatores externos, podendo
resultar em aumento da pressão arterial, infarto do miocárdio, aumento da tensão muscular, suor excessivo, entre
outros.

Entretanto, de acordo com o estudo, as reações emocionais e os aspectos cognitivos devem ser também levados em
consideração ao analisar a reação de indivíduos. As reações emocionais são aquelas que desencadeiam o medo, a irritação, a
alteração no humor, ansiedade e falta de motivação, enquanto os aspectos cognitivos estão associados à diminuição da
atenção, mudança de percepção, esquecimento, diminuição na capacidade de aprendizado, entre outros.

Ao considerar de grande importância todos estes aspectos individuais, o estudo da OMS ainda observa que os fatores
comportamentais (aqueles associados à diminuição da produtividade, aumento excessivo no consumo de cigarros, erros
freqüentes e ausência no trabalho por motivos de doença) contribuem para o aumento do estresse.

O estresse feminino

O estudo da OMS revela ainda que, tanto em países emergentes como nos países desenvolvidos, as mulheres no
ambiente de trabalho geralmente apresentam maior estresse se comparadas aos homens.

As razões que explicam esta mudança de comportamento são a dupla jornada de trabalho que exige das mulheres a
responsabilidade no lar e no local de trabalho, o assédio sexual, seguido de discriminação quanto às diferenças de renda e
pressões exercidas no ambiente profissional.

Ainda de acordo com o estudo, os países emergentes, em particular a América Latina e a Ásia, empregam mulheres em
escritórios e fábricas, ambos caracterizados como fonte de estresse.

Em uma estimativa global, a OMS aponta a mulher, como contribuinte indispensável nas economias nacionais,
representando, ao redor do mundo, 42 por cento da força de trabalho.

A violência doméstica também expõe a mulher como um fator condicionante ao estresse ocupacional, conforme mostra
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o estudo.

Gestão do estresse

Outro estudo voltado para a gestão de riscos no ambiente de trabalho que leva em conta os aspectos psicossociais foi
realizado pelo órgão regulador Britânico, Health and Safety Executive (HSE), em maio de 2007.

O documento, com 126 páginas, analisa desde a atuação de gestores no local de trabalho e sua contribuição no cotidiano
dos trabalhadores, até o mapeamento da prevenção de riscos para a redução do estresse ocupacional.

Outros aspectos como a detecção dos sinais do problema, medidas de ação, análise dos fatores de risco, plano de ação,
implementação do plano de ação e avaliação da intervenção, surgem como indicadores para a gestão do estresse ocupacional
e auxílio aos especialistas da área de SST.

O estudo (todo em inglês), está disponível para download em www.hse.gov.uk/research/rrhtm/rr553.htm.

Alexandra Rinaldi

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