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Narrativa Reflexiva 1 – Violência Simbólica

Max C. Pais

Nesta narrativa reflexiva vou buscar abordar dentro das situações e de algumas das
experiências vividas no ambiente observado em sala de aula em estágios anteriores associando
alguns dos conceitos de autores que tive acesso durante a graduação.
Em uma das experiências e interações com a sala de aula, me lembro de uma sala de 5.º ano,
onde me chamou atenção um menino que contrariava o conceito tradicional da sala de aula, de
todos sentados, enfileirados e a imposição corporal e a perspectiva de visão somente da nuca do
aluno da frente e a figura central à lousa e a professora.
O tema escolhido pela professora em uma das aulas que acompanhei foi sobre Sócrates,
onde nasceu suas principais ideias, até quando foi conhecido, a célebre frase “Sei que nada sei”, a
partir dali, todas às vezes que esse aluno era oprimido, citava a frase “Sei que nada sei”, era
interessante o comportamento desse aluno, pois houve várias vezes que ele escrevia as lições em pé,
como ato de resistência, se recusando ao comportamento da maioria dos outros alunos sentados
como cordeirinhos obedecendo a sua Pastora (Professora).
Ouvia dos próprios alunos com o comportamento considerado “ideal” pela escola
tradicional, das alunas que copiavam o conteúdo que a professora ia passar, apontando, para o aluno
que relato aqui, como “o aluno problema, o bagunceiro, tinha que ser ele,” e até de subestimar a
sua inteligência. Pensei comigo, a inocência, e como não percebiam que esse aluno que tinha
atitudes radicais em relação aos outros, com seus gestos também apontava a atmosfera opressiva e
fabril que a escola ainda é, que dociliza os corpos, e pelo menos para mim, trouxe indagações como,
a escola é para quem, e serve para quem?
Portanto a experiência que acabo de descrever, e também levando em consideração os dias
de hoje tanto no âmbito escolar, como político, me remete um dos fundamentos o da teoria da
violência simbólica, esse conceito social elaborado por Bourdieu, vai revelando os meios usados do
poder hegemônico como de cultura e crenças dominantes, usam a coação e a imposição do que é
valorizado ou reconhecido, pelos meios, econômico, social, cultural, institucional ou simbólico, que
impõe valores, comportamentos as classes sociais que não possuem o mesmo "status quo", minorias
que são marginalizadas e que não há o mesmo reconhecimento social e imaterial, são submetidos a
aderir o que o poder ou classes dominantes impõem, o que não é diferente na escola como também
um espaço de relações sociais e de poder, também acaba reproduzindo os mesmos comportamentos
impostos pelo poder ou classes dominantes, “Toda ação pedagógica (AP) é objetivamente uma
violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de um arbitrário cultural.”
(BOURDIEU E PASSERON 1982, p. 20).

1.1 A AP é objetivamente uma violência simbólica, num primeiro sentido, enquanto que as
relações de força, entre os grupos ou as classes constitutivas de uma formação social estão
na base do poder arbitrário que é a condição da instauração de uma relação de comunicação
pedagógica, isto é, da imposição e da inculcação de um arbitrário cultural segundo um
modo arbitrário de imposição e de inculcação (educação). (BOURDIEU E PASSERON,
1982, p. 21).

Esta fundamentação teórica dentro da experiência de observação em sala de aula, será com
certeza um dos repertórios para refletir e pensar e organizar uma teoria pedagógica, e desta forma
fazer uso da teoria como um instrumento para guiar a minha atuação e mediação como educador.

Bibliografia: BOURDIEU, P. e PASSERON, J-C. Fundamentos De Uma Teoria Da Violência


Simbólica - In: A Reprodução. Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de
Janeiro: edições Francisco Alves, 1982, pág. 15-25. 2ª Edição.

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