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AGENTES DE INSTITUTO

RISCO
ZAYN
E EPI
CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA

Curso: PÓS-
GRADUAÇÃO EM SEGURANÇA DO TRABALHO CO
M ÊNFASE EM MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Disciplina: Agentes de risco e EPI Carga Horária: 60 horas

EMENTA: Considerações sobre os agentes de risco em: áreas comuns e


administrativas, agentes químicos e biológicos. Sobre outros agentes de
risco e equipamentos de proteção individual – EPI.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1 AGENTES DE RISCO

2 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI

Objetivo Geral

• Proporcionar aos estudantes de Segurança do trabalho com ênfase em


meio ambiente e sustentabilidade conhecimentos sobre Agentes de risco
e EPI.

Objetivos Específicos

• Na perspectiva dos agentes de risco e EPI conhecer noções sobre:


agentes de risco em áreas comuns e administrativas, agentes químicos e
biológicos e sobre outros agentes de risco.

• Entender como funciona os equipamentos de proteção individual em


seus aspectos gerais.

Bibliografia

ARAÚJO, J. S. Almoxarifados: administração e


organização. São Paulo: Atlas, 1987.
BRASIL. Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978
Aprova as normas regulamentadoras que consolidam
as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do
trabalho. NR - 6. Equipamento de Proteção Individual
- EPI. In: SEGURANÇA E MEDICINA DO
TRABALHO. 29. ed. São Paulo: Atlas, 1995.

489 p. (Manuais de legislação, 16).

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Nota


Técnica COREG 09/2002. BRASIL. Ministério do
Trabalho e Emprego. Segurança e Saúde no Trabalho.

Certificado de Aprovação de Equipamentos. Dispon


ível em:

http://www.mte.gov.br Acessado em: 21 dez. 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência,


Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de
Ciência e Tecnologia. Classificação de risco dos
agentes biológicos / Ministério da Saúde, Secretaria
de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos,
Departamento de Ciência e Tecnologia. Brasília:
Editora do Ministério da Saúde, 2006.

COSTA, M. A. F. Biossegurança: segurança química


básica para ambientes hospitalares e biotecnológicos.
São Paulo: Santos, 1996.
COSTA, M. A. F. ET al. Qualidade em Biossegurança. Rio
de Janeiro: Qualitymarc, 2000.

GRIST, N. R. Manual de Biossegurança para o


laboratório. São Paulo: Santos, 1995.

POLLAR, O. Organizando seu local de trabalho. Rio de


Janeiro: Qualitymark, 1998.

TORREIRA, R. P. Segurança Industrial e saúde. São


Paulo: Palas Athenas, 1997.

UFRRJ. WWW.ufrrj/instituitos/it/de/acidentes/eletr
ic.htm. Acesso em: 23 dez. 2010.
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................... Erro!

Indicador não definido.

1. AGENTES DE
RISCO............................................................................................ 7

mmmmm. áreas comuns e


administrativas............................................................. 7

1.
i. por agentes
químicos............................................................................. 13
ii. por agentes
biológicos........................................................................... 17

1.
o. agentes de
risco....................................................................................... 22
2. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO
INDIVIDUAL.................................................. 9

xv. de
EPI..................................................................................................
...... 30

REFERÊNCIAS CONSULTADAS E
UTILIZADAS.......................................................... 37

ANEXO – QUADRO DE INCOMPATIBILIDADE


QUÍMICA......................................... 38

AVALIAÇÃO......................................................................................................... Erro!

Indicador não definido.

GABARITO........................................................................................................... Erro !

Indicador não definido.


1. AGENTES DE RISCO

Na primeira apostila quando introduzimos a disciplina


gestão de segurança no trabalho definimos e discorremos
sobre os riscos. Pois bem, agora falaremos dos ambientes
distribuídos nas áreas comuns de uma organização, os quais
podemos chamar de agentes físicos e dos agentes químicos
e biológicos.

1.

mmmmm. áreas comuns e administrativas

As áreas comuns e administrativas devem merecer atenção


por parte dos empresários, no que se refere às ações de SST,
já que os agentes de risco também estão presentes nesses
locais.

Em Estacionamentos

1.
1. * Não estacionar em frente a hidrantes;

1.
1. * Não estacionar em frente às saídas de emergência;

* Não estacionar próximo a depósito de inflamáveis;


1.
1. * Não estacionar em locais de carga e descarga de materiais;

1.
1. * Estacionar o veículo em condições favoráveis a possível escoamento
de emergência.

Nos Escritórios

1.
1. * Não deixe gavetas de mesa ou de arquivos abertas;

1.
1. * Não deixe fios estendidos pelo chão;

1.
1. * Não jogue pontas de cigarro acesas dentro de cestas de papel ou no
chão;
2.
3.
4. 5. Ao carregar grande volume de papel ou pastas, faça-o com calma e
com bom ângulo de visão;

* Não corra nos recintos do trabalho.

Em Setores de Fotocópia

As fotocopiadoras emitem durante sua operação


hidrocarbonetos, particulados respiráveis, compostos
orgânicos voláteis e ozônio. Estas emissões permanecem no
ambiente, expondo não só o homem como, também, livros,
pastas etc., mesmo quando esses equipamentos não estão
operando.
As tintas em pó (toner) utilizadas nessas máquinas contêm
partículas compreendidas entre 10 e 20 micras e são
irritantes. A manipulação de toner deve ser feita com o uso
de máscaras específicas e luvas de neoprene, PVA ou
nitrílicas, que oferecem ótima proteção.
O toner substituído deve ser tratado como resíduo
devidamente rotulado, colocado em saco plástico, lacrado,
estocado em caixa de papelão devidamente rotulada e
encaminhado para empresas de reciclagem.
É recomendável que ambientes onde existam máquinas
fotocopiadoras sejam adequadamente ventilados, e que haja
rodízio de funcionários, principalmente quando existe uma
grande atividade no ambiente.

Em Setores de Informática

Com o intuito de prevenir agravos gerados com o uso de


computadores, que podem influir de forma acentuada para
o aparecimento de sinais e sintomas atribuídos a DORT
(Distúrbios Osteoarticulares Relacionados ao Trabalho) e
LER (Lesões por Esforço Repetitivo), deve-se procurar:
v. Evitar inclinar-se para alcançar o mouse;

v. Não colocar o teclado acima da altura do cotovelo;

v. Não usar o telefone apoiado nos ombros;

v. Evitar colocar o monitor muito alto;

v. Utilizar cadeira adequada, de modo que os pés sejam apoiados no chão;


v. Evitar trabalhar por horas seguidas. É recomendável fazer pausas regulares -
para cada hora trabalhada, faça um intervalo de 5 minutos;

v. Conservar o ambiente de trabalho sempre confortável;

v. Evitar a incidência do ar de ventiladores ou de ar-condicionado diretamente


no rosto;
v. Limpar frequentemente a tela do computador;

v. Usar filtro antirreflexo na tela do computador.

Além dessas, observar recomendações sobre toner no item “Em Setores de


Fotocópias”.

Em Locais de Refeição

v. Manter a higiene adequada;

v. Não utilizar benjamim para ligar vários equipamentos simultaneamente;

v. Manter os equipamentos, como geladeiras, fogões, micro-ondas etc., em


condições adequadas.

Nos Vestiários

v. Manter armários em número adequado;


v. Manter chuveiros em bom estado de conservação e em número suficiente. Se
elétricos, seguir as recomendações do fabricante para instalação;

v. Manter ventilação adequada;

v. Usar piso adequado;

v. Manter higienização adequada.

Nos Banheiros

v. Manter os vasos sanitários em condições adequadas;

v. Manter ventilação adequada;

v. Manter as pias higiênicas e com material de limpeza e secagem das mãos;

v. Usar piso adequado.

Nos Almoxarifados

Toda empresa, micro, pequena, média ou grande, possui um


almoxarifado, ou, pelo menos, um pequeno local
onde são armazenados materiais. Esses locais merecem
especial atenção no que se refere à segurança e à saúde no
trabalho, em função dos possíveis agravos que podem
gerar.
Almoxarifado é o local onde se estocam insumos, que são
os materiais necessários à sustentação do processo e do
próprio sistema produtivo, seja ele de bens ou de serviços.
Não vai longe a época em que almoxarifado sugeria uma
espécie de velho armazém, de ambiente escuro e ar poluído,
onde se estocavam, nem sempre de forma organizada,
coisas velhas e coisas novas.
Com a Revolução Industrial e principalmente com a
Revolução Tecnológica, esses locais passaram a ser vistos
como elos importantes nos processos de trabalho de todas
as atividades humanas, pois deles depende, em muito, a
eficiência desses processos, já que são as fases
intermediárias entre os abastecedores de insumos e os
usuários.
Esses ambientes, onde encontramos milhares de substâncias
químicas, orgânicas e inorgânicas, equipamentos, papéis,
plásticos, etc., estão sujeitos aos chamados “fenômenos da
estocagem”, ou seja, a ocorrência de oxidações,
volatilizações, decomposições, etc., decorrentes, em grande
parte, da umidade local, abafamento, ventilação deficiente,
arrumação inadequada etc. (ARAÚJO, 1987).
Condições inseguras, presentes em almoxarifados, podem
interferir, de forma acentuada, na saúde dos seus ocupantes.

Cuidados com Almoxarifados

Ao armazenar qualquer reagente, verificar sempre o quadro de i


ncompatibilidades químicas (em anexo).

• É preciso respeitar as regras básicas de estocagem: substâncias líquidas de


grande volume nas partes baixas, inflamáveis em áreas separadas e isoladas,
produtos de apoio, como copos, papéis, insumos alimentícios etc., em outros
locais.
• Todo almoxarifado deve ter uma área de quarentena, destinada à estocagem
de produtos que estão em processo de controle de qualidade e ainda não
liberados para uso. Além disso, é importante, também, uma área destinada a
produtos reprovados, isto é, rejeitados pelo controle de qualidade ou que
tenham seus prazos de validade vencidos. Mesmo em micro e pequenas
empresas, não deixe de demarcar um espaço, devidamente identificado (uma
pintura no piso, por exemplo), para esta área.
• Os almoxarifados devem ser devidamente sinalizados, indicando, inclusive,
rotas de evacuação e telefones de emergência.
• Todos os almoxarifados devem possuir Equipamentos de Proteção Individual
(EPIs) - luvas, máscaras, protetores faciais, óculos de segurança, etc. - e
Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) - extintores de incêndio,
sprinklers, lavadores de olhos, sistemas de exaustão etc.
• A instituição é obrigada a fornecer e os trabalhadores são obrigados a utilizar
EPIs.
• Todo almoxarifado deve possuir um sistema de controle do prazo de validade.
Um produto com prazo de validade vencido, seja ele qual for, pode acarretar
danos graves e prejuízos econômicos à empresa.
• Em empresas que estocam grandes quantidades de caixas de papelão, papel e
similares, é aconselhável que os funcionários do almoxarifado trabalhem com
máscaras de proteção contra partículas.

Em locais de Arquivos

Toda empresa possui um local onde são guardados documentos de todas as


espécies (POLLAR, 1998). Esses locais devem seguir as seguintes
recomendações:

v. Possuir ventilação adequada;

v. Possuir armários próprios;

v. Não deixar gavetas abertas;

v. Evitar manusear documentos com mãos suadas ou sujas.


Em Escadas

v. Habituar-se a verificar as condições de segurança da escada;

v. Não armazenar material de qualquer espécie nos degraus ou no local de


acesso à escada;
v. Não colocar tapetes ou panos próximos às escadas.

Em Corredores

v. Não instalar equipamentos em corredores, a não ser que a rede elétrica seja
compatível e isto seja realmente necessário;
v. Deixar as passagens livres para os locais onde existam extintores de
incêndio.

Em Elevadores

v. Ao transportar nos elevadores inflamáveis e gases, faze-lo


de forma extremamente segura. O correto é não utilizar essa prática;

v. Obedecer à capacidade máxima dos elevadores;

v. Não fumar no interior dos elevadores;

v. Em caso de incêndio, não utilizar elevadores.


Em Locais de Coleta de Lixo

v. Manter a higiene adequada;

v. Conservar os Latões de coleta sempre fechados;

v. O local deve ser protegido de chuva e sol.

Em Locais de Descarte de Materiais

v. Frascos vazios de solventes devem ser estocados em local adequado,


ventilado e com a tampa um pouco aberta;

v. Verificar sempre o que está jogando fora, em relação


a incompatibilidades;
v. O local deve ser protegido de chuva e sol.

Ar-Condicionado

Aparelhos de ar-condicionado propiciam o


desenvolvimento de fungos e bactérias. A Legionella é uma
das mais graves. Esses equipamentos devem ser
periodicamente verificados em relação a filtros, existência
de água residual no seu interior etc.

1. Riscos por agentes químicos

O uso de substâncias químicas atualmente está generalizado


em todas as atividades econômicas, inclusive na vida
doméstica.
No início do século XX, no nosso organismo não havia
praticamente substâncias tóxicas produzidas
pelo homem, ao passo que, hoje, podemos encontrar várias
delas. São muitos os ramos de atividade
onde são manuseados agentes químicos, como, por
exemplo:
• Postos de combustíveis;

• Oficinas mecânicas;

• Serviços de limpeza;

• Metalurgia;

• Laboratórios de análises clínicas;

• Clínicas médicas e odontológicas;

• Clínicas veterinárias;
• Salões de beleza;

• Fábricas de tintas, colas, ceras, detergentes, etc.;

• Marmorarias;

• Manutenção de piscinas;

• Serviços de fotocópias;

• Outros.

O agente químico (Anexo 13 da NR15) ou composto


químico, em contato com o indivíduo, pode gerar agravos à
saúde, de forma imediata, a curto ou a longo prazos. Estes
agentes podem entrar em contato com o indivíduo através
da inalação, absorção dérmica ou ingestão.
Inalação

Maior grau de risco devido à rapidez com que as substâncias


químicas são absorvidas pelos pulmões.
A inalação é a principal via de intoxicação no ambiente de
trabalho, daí a importância que deve ser dada aos sistemas
de ventilação.
A superfície dos alvéolos pulmonares representa no homem
adulto uma área de 80 a 90m2. Esta grande superfície facilita
a absorção de gases e vapores, os quais podem passar ao
sangue para serem distribuídos a outras regiões do
organismo. Sendo o consumo de ar de um homem adulto
normal de 10kg a 20kg/dia, dependendo do esforço físico
realizado, é fácil chegar à conclusão de que a inalação é
responsável por 90% dos casos de absorção de substâncias
químicas no organismo (COSTA, 1996).

Absorção Dérmica

Contato das substâncias químicas com a pele. A absorção


dérmica é extremamente crítica quando se lida com
produtos lipossolúveis, que são absorvidos pela pele. A
acrilamida, por exemplo, pode ser absorvida através da pele,
mesmo em soluções aquosas. Quando uma substância
química entra em contato com a pele, podem acontecer as
seguintes situações:

• a pele e a gordura protetora podem atuar como uma barreira protetora


efetiva.
• o agente pode agir na superfície da pele, provocando uma irritação primária;
• a substância pode combinar com as proteínas da pele e
provocar uma sensibilização;
• a substância pode penetrar através da pele produzindo uma ação
generalizada.

Ingestão

Quase sempre acontece por descumprimento de


normas de higiene e segurança.
Representa uma via secundária de ingresso de substâncias
químicas no organismo. Isto pode acontecer de forma
acidental.
De acordo com Costa (1996) e Costa et al., (2000), a ação de
algumas substâncias químicas sobre o organismo é em função:
➢da concentração, sem que o tempo de exposição seja
importante;

• do caráter cumulativo (o efeito tóxico aparece depois que uma certa


quantidade do produto, ou dos produtos, seja absorvida);
➢tanto da concentração como do tempo de exposição.

Em alguns casos os efeitos são reversíveis, isto é,


desaparecem ao cessar a exposição (às vezes, com
afastamento prolongado e/ou tratamento médico). Outras
vezes os efeitos são irreversíveis.
Os efeitos que podem ser gerados são:

Efeitos Mutagênicos - Efeitos que determinadas moléculas


provocam diretamente sobre o genoma. Estima-se que 80% das
substâncias mutagênicas são também carcinogênicas. Como
exemplos de produtos mutagênicos podemos

citar: azida sódica, hidroxilamina e o brometo de ethidium


(BET).
Efeitos Carcinogênicos - Efeitos que favorecem o aparec
imento de câncer.

Para se conhecer a potencialidade carcinogênica de u


ma substância é
necessária a experimentação in vivo. Exemplos
de substâncias reconhecidamente cancerígenas para o
homem: aflatoxinas, asbesto, benzeno,

cloreto de vinila, entre outras. Exemplos de


substâncias provavelmente cancerígenas: acrilonitrila,
formaldeído, sílica
cristalina, brometo de vinila, entre outras.
Efeitos Teratogênicos - Efeitos causados diretamente sobre o
feto por via transplacentária. A teratogênese ocorre geralmente
na fase inicial do desenvolvimento embrionário (7 a 14 dias).
As mulheres grávidas não devem manipular produtos
genotóxicos ou teratogênicos durante os primeiros meses de
gravidez. Exemplos de substâncias teratogênicas:
dimetilmercúrio, cloreto de

vinila, sais de lítio, entre outras.


Efeitos Organotóxicos - São efeitos que algumas substâncias
causam

diretamente a determinados órgãos, gerando efe


itos neurotóxicos, hematotóxicos, hepatotóxicos,
nefrotóxicos e sobre o aparelho reprodutor.
Efeitos Imunotóxicos - São efeitos que algumas
substâncias causam

diretamente ao sistema imunológico, gerando


hipersensibilidade, imunodepressão e processos
autoimunes.

Em resumo, os efeitos tóxicos dependem:

• da dose (da concentração);

• da via de penetração;

• da relação dose-efeito (relação entre a dose de uma substância tóxica e o


efeito gerado no indivíduo);
• da biotransformação (processo que converte através do metabolismo as
substâncias tóxicas presentes no organismo);
✓do estado de saúde;

• das condições do momento, como, por exemplo, fadiga e estresse;

• de outros produtos (o efeito tóxico de uma substância pode ser, por exemplo,
aumentado quando na presença de um outro específico).

Formas de Apresentação das Substâncias Químicas no Ambiente de Trabalho


Em qualquer tipo de empresa, as substâncias quí
micas podem ser encontradas nas seguintes formas:

Poeiras - Partículas sólidas em suspensão no ar, produzidas por


ruptura mecânica de

sólidos, com mais de 0,5 micra de diâmetro.


Fumos - Partículas provenientes da volatilização de metais
fundidos, com menos de 0,5
micra de diâmetro.
Fumaças - Partículas de carvão e fuligem.
Névoa - Gotículas resultantes da dispersão de líquidos - ação
mecânica, com mais de 0,5

micra de diâmetro.
Neblina - Gotículas resultantes da condensação de vapores, com
menos de 0,5 micra de

diâmetro.
Vapor - Forma gasosa das substâncias químicas, que
normalmente se encontram no estado

sólido ou líquido, em condições ambientes de temperatura e pressão


(25°C e 1 atm).
Gás - Substância que, em condições ambientes de temperatura e
pressão (25°C e 1 atm), se

encontra no estado gasoso.


Aerossóis - Partículas sólidas ou líquidas dispersas por um longo
período de tempo no ar.

1.
i. por agentes biológicos 1

A exposição ocupacional a micro-organismos pode ocorrer


em vários tipos de atividade, como hospitais, laboratórios
de saúde pública, de microbiologia, hemocentros, clínicas
odontológicas, clínicas veterinárias, laboratórios de análises
clínicas, indústrias farmacêuticas, de cosméticos, alimentos,
agricultura, trabalhos com animais, entre outras.
Além dos ambientes citados anteriormente, muitas vezes
nos esquecemos de que outras atividades também merecem
atenção, como:
• Varredores de rua (garis);

• Limpadores de fossas e sistemas de esgoto em geral;

• Pessoal de manutenção de ar-condicionado;

• Serviços fúnebres (cemitérios, funerárias, etc.);

1 DEFINIÇÕES IMPORTANTES PARA COMPREENDER OS AGENTES


BIOLÓGICOS:

Agentes biológicos: micro-organismos, incluindo os geneticamente


modificados, culturas celulares, entre outros, capazes de gerar
qualquer tipo de infecção, alergia ou toxicidade.
• Micro-organismo: qualquer entidade microbiológica, celular ou não, capaz de
reproduzir-se ou de transferir material genético.
• Cultivo celular: o resultado do crescimento in vitro de células obtidas de
organismos multicelulares.
• Desinfecção: eliminação de agentes infecciosos que estão fora do organismo, por
meio de exposição direta a agentes químicos ou físicos.
Contaminação: presença de um agente infeccioso na superfície de um
organismo, em vestimentas, roupas de cama, instrumentos em geral,
alimentos etc.
• Esterilização: destruição de todas as formas de vida por calor, radiação, gás ou
tratamento químico. • Limpeza: eliminação, mediante processos manuais ou
mecânicos, com uso de água, sabão ou detergente adequado, ou por emprego de
aspirador, de agentes infecciosos e substâncias orgânicas de superfícies nas quais
estes podem encontrar condições adequadas para sobreviver ou se multiplicar.
• Entre outros.

Nessas atividades, o agente biológico não é manipulado,


mas pode ser encontrado no local. Por ser o agente
biológico, na maioria das vezes, nessas atividades,
desconhecido, os trabalhadores dessas áreas devem utilizar
EPIs adequados, como botas, luvas, protetores faciais e
outros, dependendo dos processos de trabalho.
Os riscos por agentes biológicos podem ser causados por
vírus, bactérias, micoplasmas, protozoários, zoonoses,
fungos, parasitas microscópicos, nematóides, príons, entre
outros. E por alguns derivados biológicos, como toxinas
extraídas de micro-organismos, plantas e animais, onde
muitas são mais tóxicas do que muitos produtos químicos.
Os agentes biológicos de riscos encontrados em ambientes
ocupacionais podem ser: não infectantes ou infectantes.
Como exemplo de agente não infectante, incluímos os
ácaros, uma das grandes causas de alergia ocupacional,
principalmente em ambientes de escritórios ou
administrativos em geral, incluindo almoxarifados.
Os ácaros são pequenos animais de oito patas que
proliferam em ambientes úmidos e frescos (carpetes,
tapetes, colchões, travesseiros, cortinas, móveis estofados).
São invisíveis a olho nu. Os ácaros através de sua carcaça e
de suas fezes podem causar fortes reações alérgicas1.

Classificação dos Agentes Biológicos por Grupos de Risco

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os


agentes biológicos em quatro grupos em função do risco de
infecção (GRIST, 1995):
• Grupo1: pouca probabilidade de causar enfermidade
no homem.

• Grupo 2: pode causar enfermidade no homem e pode ser um perigo para os


trabalhadores, sendo pouco provável que se propague para a coletividade.
Geralmente há profilaxia e tratamento eficazes.
• Grupo 3: pode causar enfermidade grave no homem e apresenta um sério
perigo para os trabalhadores, com risco de que se propague à coletividade.
Geralmente há profilaxia e tratamento eficazes.
• Grupo 4: causa enfermidade grave no homem e é um sério perigo para os
trabalhadores, com muita probabilidade de que se propague à coletividade,
não havendo, geralmente, profilaxia e tratamento eficazes.
Segurança Biológica

A. Segurança biológica está fundamentada em três elementos:

• Técnicas de laboratório: é o elemento que identifica os agentes de risco e


propõe medidas de combate e controle.
• Equipamentos de segurança (barreiras primárias): são dispositivos ou
equipamentos que garantem a segurança do indivíduo, como cabines de
segurança biológica, EPIs (luvas, máscaras etc.).
• Desenho e construção das instalações (barreiras secundárias).

B. Magnitude dessas barreiras (separação de áreas, sistemas de


descontaminação, filtragem de ar etc.) depende do agente biológico que se
manipule.

Níveis de Contenção

A Palavra “contenção” é empregada para descrever os


métodos que garantem a segurança durante o manuseio de
agentes biológicos.
O propósito da contenção é reduzir ao mínimo a exposição
dos trabalhadores e de outras pessoas não diretamente
envolvidas nos processos, mas que, de alguma forma, têm
relações, além do meio ambiente ocupacional e periférico,
com agentes biológicos potencialmente perigosos.
Existem quatro níveis de contenção, que, na realidade, são
uma combinação dos três elementos de segurança biológica.
Cada combinação está especificamente dirigida ao tipo de
operação que se realiza e às vias de transmissão dos agentes
infecciosos.
• Nível de Contenção 1 (NC1): requerido para os agentes biológicos do Grupo
1, ou seja, aqueles que não produzem enfermidade no ser humano.
Geralmente se utiliza esse nível em laboratórios básicos de
universidades, indústrias de alimentação (produção de
queijos, cerveja, embutidos, etc.).
• Nível de Contenção 2 (NC2): obrigatório para agentes do Grupo 2, como
aqueles que pertencem à própria flora humana e que são capazes de originar
patologia infecciosa humana de gravidade moderada ou limitada. Devem ser
manipulados por pessoal especializado. São utilizados com frequência em
laboratórios de microbiologia clínica: estafilococos, Salmonella, etc.
• Nível de Contenção 3 (NC3): utilizado quando se manipulam agentes
biológicos do Grupo 3, ou seja, micro-organismos que causam patologia
grave, de difícil e longo tratamento, que pode causar sequelas e até a morte.
O maior e mais frequente perigo é a infecção gerada através de aerossóis e por
fluidos biológicos.
Micro-organismos típicos são: M. tuberculosis, Brucella,
Coxiella Burneti, etc. Somente pessoal especializado e em
áreas específicas dotadas de toda a estrutura para NC3 pode
trabalhar com esses micro-organismos. O sistema de
arcondicionado deve ser independente, com gradiente de
pressão, cabines de segurança, EPls adequados, etc.
• Nível de Contenção 4 (NC4): requerido quando existe a suspeita ou a certeza
de se tratar de um agente especialmente patogênico e infectocontagioso,
exótico ou não, que produz alta mortalidade e para o qual não existe
tratamento ou este é pouco confiável. Normalmente são micro-organismos de
dose infectante baixa e de alta contagiosidade. Animais infectados com
agentes do Grupo 4 também devem ser tratados em NC4.
Exemplos desse nível são os arenavírus, como o que produz
a febre de Lassa e os vírus Machupo, Ebola, etc.

Acidente com Agentes Biológicos

A Periculosidade de um agente está diretamente


relacionada com o tipo de manipulação a que está
submetido. Por isso, é básico:
v. Conhecer os agentes e substâncias perigosas existentes no local de trabalho;
❖Estar devidamente treinado para execução das
tarefas;

❖Conhecer as medidas a tomar em caso de


emergências.
Para que se produza um acidente por agente biológico devem
concorrer basicamente quatro elementos:
1. Um hospedeiro;

2. Um agente infeccioso;

3. Uma concentração suficiente de agente infeccioso;

4. E uma rota de transmissão apropriada (aérea, inoculação direta, oral,


percutânea e o contato direto com a pele ou mucosas).

Medidas Gerais de Precaução

Em ambientes onde são manipulados micro-organismos,


algumas medidas básicas são importantes:

→ Restringir o acesso à área de trabalho;

→ Toda a área de trabalho deve ser devidamente


sinalizada, inclusive explicitando o nível de
contenção;
→ Os manuais de segurança devem estar disponíveis;

→ Portas e janelas devem permanecer fechadas para manter a


adequada contenção biológica;

→ A limpeza e a desinfecção das áreas de trabalho


devem ser feitas diariamente ou quando ocorre um
derramamento;
→ Manter permanentemente a ordem e a limpeza;

→ O transporte de amostras deve-se dar de forma


adequada;
→ Deve haver EPIs adequados e em número suficiente;

→ Qualquer incidente ou acidente deve ser


imediatamente notificado à chefia do local;
→ A pipetagem com a boca está terminantemente
proibida;

→ Na área de trabalho não deve haver material de


escritório e nem livros;

→ Materiais perfuro-cortantes devem ser manuseados de


forma adequada, assim como o seu descarte;
→ O uso de lentes de contato não é aconselhável;

→ Pessoas com cabelos compridos devem prendê-los;

→ Não é aconselhável o uso de barba;

→ Comer, beber, fumar e uso de cosméticos também devem


ser evitados, assim como a estocagem de comida e bebida
em geladeiras e Freezers localizados na área de trabalho;
→ A lavagem das mãos deve ser um hábito frequente;

→ Pessoas com ferimentos, mesmo que devidamente


tratados (com curativos), devem ser submetidas a uma
avaliação antes de iniciar seus trabalhos. Isto também é
válido para resfriados, etc (COSTA E COSTA, 2004).

1.
o. agentes de risco
Eletricidade é o fluxo de elétrons de um átomo, através de
um condutor, que vem a ser qualquer material que deixe a
corrente elétrica passar facilmente (cobre, alumínio, água,
etc.). Por outro lado, isolante é o material que não permite
que a eletricidade passe através dele: vidro, plástico,
borracha, etc.
Os acidentes com eletricidade ocorrem de várias maneiras.
Os riscos resultam de danos causados aos isolantes dos fios
elétricos devido a roedores, envelhecimento, fiação
imprópria, diâmetro ou material do fio inadequado, corrosão
dos contatos, rompimento da linha por queda de galhos,
falta de aterramento do equipamento elétrico, etc.
A grande maioria dos incêndios tem como causa básica
problemas com as instalações elétricas. O fato de não
podermos percebê-la pelos olhos e pelos ouvidos faz com
que ela seja uma importante fonte de acidentes. O choque
elétrico, por exemplo, é a reação do organismo à passagem
da corrente elétrica.
Matematicamente, a corrente elétrica (I), medida em
ampêres (a milésima parte do ampere é o miliampêre ou
mA), ou simplesmente A, é representada pela razão entre a
Tensão ou Voltagem (V), medida em volts e a Resistência à
passagem da corrente ou resistor (R), medido em ohms.
Assim, uma corrente com tensão de

1.

v. que passa num condutor com resistência de 500 ohms, vale: I


= VIR = 1.000/500 = 2 A

Os efeitos estimados da corrente elétrica contínua de 60


Hertz no organismo humano podem ser resumidos na tabela
que se segue (UFRRJ, 2003):
Eletrocussão: é a morte provocada pela exposição do corpo
a uma dose letal de energia elétrica.
Tetanização: é a paralisia muscular provocada pela
circulação de corrente através dos nervos que controlam os
músculos.
A pele humana (UFRRJ, 2003) é um bom isolante e
apresenta, quando seca, uma resistência à passagem da
corrente elétrica de 100.000 ohms. Quando molhada,
porém, essa resistência cai para apenas 1.000 ohm.
Cuidados

Ar-condicionado


o
▪ O circuito deve ser independente;


o
▪ A fiação deve ser compatível;


o
▪ A localização deve ser adequada.

Quadros e Chaves

o
▪ A instalação deve ser feita em locais secos;


o
▪ Evitar depósito de material ao redor.

Cuidados Gerais


o
▪ Evitar benjamim;


o
▪ Evitar tomadas e interruptores em mau estado;


o
▪ Evitar fusíveis superdimensionados;


o
▪ Evitar “gambiarras”;


o
▪ Usar aterramento.

Alguns Conselhos
• Somente pessoas autorizadas devem fazer reparos nas instalações elétricas;
• • Nunca improvise instalações elétricas;
• Ao retirar um plug da tomada, puxe pelo plug, nunca pelo fio;
• Nunca coloque aparelhos elétricos em superfícies molhadas ou úmidas;
• Nunca encoste aparelhos elétricos a canos metálicos (água, por exemplo);
• A limpeza de aparelhos elétricos deve ser feita com eles desligados e
desconectados da tomada;
• Aparelhos e máquinas com defeito e fora de uso devem ser adequadamente
etiquetados.
As cargas eletrostáticas se desenvolvem pela fricção de
substâncias não condutoras. Dependendo das características
do material, podem ser obtidas cargas suficientes para a
produção de faíscas. Isso acontece nas seguintes operações:
• Transferência de pós;

• Transferência de líquidos quando se utilizam funis de material sintético


sobre vidro, ou vice-versa;
• Trabalho em bancadas isoladas com borracha;

• Manuseio de vidro ou material sintético;

• Em locais de atmosfera explosiva ou inflamável, como depósitos de


inflamáveis, cabinas de pintura, galvanoplastia etc.

Iluminação

Aproximadamente 80% das informações que percebemos


pelos sentidos chegam através da vista, o que a converte
em um fator de grande importância para a segurança e a
saúde no trabalho. A iluminação deve assegurar níveis
visuais adequados ao trabalhador, para que a sua percepção
não favoreça a ocorrência de acidentes.
A unidade que mede a quantidade de luz que se recebe por
unidade de superfície é o lux.
Cuidados

→ Adequar o ambiente com quantidade


suficiente de lâmpadas, de acordo com as
características das tarefas;
→ Evitar pinturas que gerem reflexos;

→ Evitar cores escuras no ambiente.

Temperatura

Quando falamos sobre temperatura, na realidade estamos


nos referindo a calor e frio, dois fatores extremamente
importantes em relação à segurança e à saúde no trabalho.
Trabalhos em câmaras-frias devem ser realizados com
extremo cuidado, verificando constantemente o sistema de
fechamento das portas, as condições da lâmpada de aviso.
O tempo de permanência nesses locais deve ser o mínimo
necessário.
A sensação de calor que sentimos é o produto da interação
entre a temperatura do ambiente e o esforço físico
empregado na execução do trabalho, e depende da umidade
relativa do ar, velocidade e temperatura do ar e calor gerado
por fontes do ambiente, como fornos, maçaricos, etc.

Ruído

Em geral, o ruído é definido como um som desagradável. A


exposição constante a ruídos pode, além da perda auditiva,
levar a complicações respiratórias, cardiovasculares,
digestivas e visuais. Irritabilidade, cansaço e insônia
também são sintomas característicos dos efeitos de ruídos.
O ruído diminui o nível de atenção e aumenta o tempo de
reação do indivíduo frente a estímulos diversos, o que
favorece o crescimento de erros cometidos e,
consequentemente, o acidente.
Os sistemas de prevenção possibilitam isolamento das
fontes de ruído, colocação de barreiras acústicas ou
diminuição do tempo de exposição. Quando estas medidas
são insuficientes, recorre-se aos EPls - protetores
auriculares.
A adoção de medidas de controle do ruído no trabalho deve
iniciar-se com análise dos processos de trabalho, das causas
que originam, dos níveis de exposição, das vias de
transmissão, EPls, etc.
É importante saber que o ruído é um problema do conjunto
formado por:

1. Origem;

2. Meio;

3. Receptor.

A unidade de medida do ruído é o decibel (db). Postos de


trabalho que superam 80 db devem ser periodicamente
avaliados, já que o risco de perda auditiva começa a ser
significativo a partir desse nível, supondo-se um longo
tempo de exposição.
O Anexo 1 da NR-15 apresenta os limites de tolerância para
ruído contínuo ou intermitente.
Ruído contínuo ou intermitente é aquele que não é
caracterizado como de impacto, ou seja, aquele que
apresenta picos de energia acústica de duração inferior a 1
segundo a intervalos superiores a 1 segundo.
Vibrações

A exposição a vibrações ocorre quando se transmite a


alguma parte do corpo o movimento oscilante
de uma estrutura, que pode ser uma máquina, uma cadeira,
um piso, etc. Dependendo da intensidade e da frequência
desse movimento, seus efeitos sobre a saúde podem ser
graves, como vasculares, osteomusculares e neurológicos.
Outros efeitos, como dores abdominais, problemas de
equilíbrio, dor de cabeça, insônia, entre outros, também são
relatados (TORREIRA, 1997).
Cuidados

• Limitar a exposição, através de intervalos regulares de trabalho;


• Implementar medidas com o objetivo de diminuir a intensidade de vibração
que se transmite ao corpo, assim como diminuir a vibração na sua origem,
evitando sua transmissão até o corpo ou utilizando EPIs adequados
(botas, luvas, etc.);

• Utilizar dispositivos de isolamento de vibrações em máquinas;

• Analisar os ambientes onde esse agente está presente, de preferência com


acompanhamento médico.
Ventilação e Climatização

A renovação do ar de qualquer espaço de trabalho ou


doméstico é necessária para repor oxigênio e retirar
subprodutos da atividade humana, ou de processos
produtivos, como CO2, excesso de vapor d'água, odores
desagradáveis, entre outros.
A ventilação pode ser natural ou forçada. A ventilação
natural, através de janelas, portas, etc., é suficiente quando
no local não existem fontes de contaminação. A ventilação
forçada, através de ventiladores e exaustores, é indicada
quando essas fontes existem.

1. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Quando não é possível eliminar os riscos, ou isolá-los, e


medidas coletivas de proteção à saúde e à segurança
ocupacional são insuficientes para garantir a integridade dos
trabalhadores, ou quando a tarefa a ser executada apresenta
um potencial de risco, torna-se necessária a utilização de
Equipamento de Proteção Individual (EPIs).
Conforme Norma Regulamentadora NR6, Equipamento
de Proteção Individual
– EPI é todo dispositivo de uso individual utilizado pelo
empregado, destinado à proteção de riscos suscetíveis de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.
A empresa é obrigada a fornecer ao empregado,
gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de
conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
Sempre que as medidas de
ordem geral não ofereçam completa proteção
contra os riscos de acidentes do trabalho ou de
doenças ocupacionais; Enquanto as medidas de
proteção coletiva estiverem sendo implantadas;

Para atender situações de emergência.

Com o advento do novo texto da Norma Regulamentadora


nº10 a vestimenta passa a ser também considerada um
dispositivo de proteção complementar para os empregados,
incluindo a proibição de adornos mesmo estes não sendo
metálicos.
Como Selecionar EPls

A utilização de um EPI, para que produza os efeitos


desejáveis, envolve cuidados em relação à sua escolha.
Deve-se observar, principalmente:

• O Certificado de Aprovação do EPI - CA;

• O nível de segurança necessário;

• A comodidade do indivíduo;

• A duração da exposição ao risco;

• A frequência de exposição;

• Os possíveis agravos gerados;


• A adaptabilidade do EPI à constituição física do indivíduo.

Quanto ao uso de EPls:

Os trabalhadores devem ser informados sobre o uso dos


EPls mais adequados em função dos agentes de risco
presentes, assim como as atividades e ocasiões em que se
deve utilizá-los. O manual de instrução dos EPls também
deve ficar à disposição dos usuários.
Possíveis problemas ocasionados pelos EPls devem ser
informados à chefia imediata.
É aconselhável que as empresas tenham pessoas
responsáveis pelos EPls, principalmente equipamentos que
são reutilizáveis e intercambiáveis, e que controlem também
os prazos de validade de seus componentes.
Higienização dos EPls

A higienização dos EPls deve ser realizada de acordo com


as instruções do fabricante.

1. Tipos de EPI Proteção para a Cabeça

A cabeça deve ser devidamente protegida contra agentes meteorológicos (trabalho a


céu aberto), impactos e também contra possíveis respingos de produtos perigosos.
Dependendo da atividade, os EPls recomendados são: capacetes, bonés, capuzes

Proteção para os Olhos e a Face


Os protetores raciais são destinados à proteção dos olhos e
da face contra lesões ocasionadas por partículas, respingos,
vapores de produtos químicos e radiações luminosas e
intensas; os óculos de segurança, para trabalhos que possam
causar ferimentos nos olhos, provenientes do impacto de
partículas líquidas ou sólidas, poeiras ou radiações
perigosas, e máscaras de soldador, utilizadas em trabalhos
de soldagem e corte com arco elétrico, para proteção dos
raios ultravioleta e infravermelhos emitidos por esses
processos.
Trabalhadores que usam lente de contato devem se proteger
adequadamente com óculos de proteção.

Lentes de contato não são EPls. Aqueles que utilizam óculos de


grau também devem fazer uso dessa alternativa.

Proteção Auditiva

Trabalhadores que executam trabalhos em ambientes com


elevado nível de ruído, acima do estabelecido pela NR15,
devem usar regularmente protetores auriculares, que podem
ser do tipo abafador ou plug (tampão). O uso simultâneo dos
dois tipos é uma alternativa bastante praticada em ambientes
ruidosos.

Proteção para as Mãos e os Braços

Luvas e/ou mangas de proteção deverão ser usadas em


trabalhos em que haja perigo de lesões provocadas por:
materiais ou objetos escoriantes, abrasivos, cortantes ou
perfurantes, produtos químicos corrosivos, cáusticos,
tóxicos, alergênicos, solventes orgânicos e derivados de
petróleo, materiais ou objetos aquecidos, equipamentos
energizados, radiações perigosas.
Quando manusear solventes orgânicos, o trabalhador deve
usar luvas do tipo nitrílica.
As luvas de látex ou PVC podem ser usadas para produtos
sólidos ou que não contenham solventes orgânicos.
Trabalhos que envolvam alta temperatura, ou outros agentes
de risco, devem ser avaliados para se verificar o tipo
adequado de luva. O contato com fornecedores de EPls é
fundamental para esta definição.
O uso de cremes de proteção é adequado para trabalhadores
que manipulam substâncias químicas e que não podem usar
luvas em função de problemas alérgicos.

Proteção para o Tronco

Em atividades onde existe a possibilidade de contato de


algum agente de risco com o corpo é recomendável o uso de
roupas leves, como macacão, aventais (estes, por serem
utilizados por cima de outra roupa, podem ser de PVC,
borracha ou polietileno), jalecos, calça, camisa de manga
longa, feitos de tecido não-sintético, de preferência de
algodão.
Proteção para os Pés e as Pernas

Todos os funcionários devem trabalhar calçados, proibindo-


se o uso de tamancos e sandálias. São os seguintes os
equipamentos:
• Botas impermeáveis de PVC, para trabalhos de concretagem e para
eliminação de riscos de trabalhos realizados em lugares demasiadamente
úmidos, lamacentos ou encharcados;
• Sapatos ou botas de segurança, para trabalhos em que haja perigo de queda
de material e objetos pesados sobre o peito do pé ou artelhos;
• Botas de couro com cano longo, para trabalhos de campo;
• Perneiras de raspa, para trabalhos de soldagem e corte a quente e fundição;
• Calçados de couro, para os demais tipos de trabalho.

O uso de tênis deve ser proibido em locais onde se


manuseiam produtos corrosivos. Antes de utilizar qualquer
calçado ou bota, é conveniente colocar no seu interior talco
anti-séptico, para evitar a liberação de odores
desagradáveis. O uso de meias grossas também é uma boa
prática.

Para se evitar micoses, frieiras ou outros machucados,


mantenha sempre bem secos os espaços entre os dedos.

Proteção Respiratória

Respiradores contra poeiras, para trabalhos que impliquem


produção dessas substâncias; máscaras para jato de areia,
para trabalhos de limpeza por abrasão, através de jato de
areia; respiradores e máscaras de filtro químico, para
trabalhos que ofereçam riscos provenientes de poluentes
atmosféricos em concentrações prejudiciais à saúde (o filtro
a ser utilizado deve ser estudado caso a caso, e para isso é
importante o contato com fornecedores desses EPIs).

A vida útil de um filtro químico depende normalmente dos seguintes fatores:

Fonte: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/epiprotecaoquedas.ht
ml

qualidade, uniformidade do agente químico, condições


variáveis de exposição, concentração do contaminante,
ritmo respiratório, umidade e temperatura do ar ambiente,
entre outros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, J. S. Almoxarifados: administração e


organização. São Paulo: Atlas, 1987.

BERTULANI, C. A. Ondas sonoras. Disponível em:


www.if.ufrj.br/teaching/is2/ondas2/ondas2.html. Acesso
em: 23 dez. 2010.

BRASIL. Portaria nº 3.214 de 08 de junho de 1978 Aprova


as normas regulamentadoras que consolidam as leis do
trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. NR -
6. Equipamento de Proteção Individual - EPI. In:
SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO. 29. ed.
São Paulo: Atlas, 1995. 489 p. (Manuais de legislação, 16).

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Nota Técnica


COREG 09/2002.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Seguranç


a e Saúde no Trabalho.

Certificado de Aprovação de Equipamentos. Dis


ponível em:

http://www.mte.gov.br Acessado em: 21 dez. 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência,


Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de
Ciência e Tecnologia. Classificação de risco dos agentes
biológicos / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência,
Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de
Ciência e Tecnologia. Brasília: Editora do Ministério da
Saúde, 2006.
COSTA, M. A. F. Biossegurança: segurança química
básica para ambientes hospitalares e biotecnológicos. São
Paulo: Santos, 1996.

COSTA, M. A. F. ET al. Qualidade em Biossegurança. Rio de


Janeiro: Qualitymarc, 2000.

GRIST, N. R. Manual de Biossegurança para o laboratório. São


Paulo: Santos, 1995.

POLLAR, O. Organizando seu local de trabalho. Rio de Janeiro:


Qualitymark, 1998.

TORREIRA, R. P. Segurança Industrial e saúde. São


Paulo: Palas Athenas, 1997. UFRRJ.
www.ufrrj/instituitos/it/de/acidentes/eletric.htm. Acesso
em: 23 dez. 2010.

ANEXO – QUADRO DE INCOMPATIBILIDADE


QUÍMICA

ácido crômico, etileno glicol, ácido nitrico,


Ácido acético compostos hidróxilicos, ácido perclórico,
peróxidos, permanganatos
Ácido cianídrico (HCN) ácido nítrico, álcalis
Ácido acético, naftaleno, glicerina, álcools
Ácido crômico e cromo e líquidos inflamaveis em geral, cânfora,
terebintina.
Ácido fluorídrico (HF) amônia (aquosa ou anidra)
ácido acético, anilina, ácido crômico, ácido
Ácido nítrico (HNO3) cianídrico, sulfeto de hidrogênio, líquidos e
concentrado gases inflamáveis, cobre, bronze e metais
pesados.
Ácido oxálico Prata, mercúrio

Anidrido acético, bismuto e suas ligas, álcool, papel,


Ácido perclórico
madeira, graxas, óleos
Clorato de potássio, perclorato de potássio,
Ácido sulfúrico (H2SO4) permanganato de potássio (e compostos similares de
metais leves, como sódio e lítio)
Ácido sulfúrico concentrado e misturas de ácido
Acetona
nitrico
Acetileno Cloreto, brometo, cobre, floreto, prata e mercúrio.
cloreto de acetila, metais alcalinos e alcalino
terrosos, seus hidritos e óxidos, peróxido de bário,
Água carbetos, ácido crômico, oxicloreto de fósforo,
pentacloreto de fósforo, pentóxido de fósforo, ácido
sulfúrico, tróxido de enxofre.
Alcalin
os
e alcal Água, hidrocarbono clorados, dióxido de carbono,
inos halogênios, álcoois, aldeídos, cetonas, ácidos.

terrosos e metálicos
Hidrocarbonos clorados, halogênios, dióxido
Aluminio (pó)
de carbono, ácidos orgânicos.

Mercúrio, cloreto, hipoclorito de cálcio, iodeto,


Amônia (anidra)
brometo e ácido fluorídrico.
Ácido nitrico e peróxido de hidrogênio (água
Anilina
oxigenada).
Arsenicais Agentes redutores

Azidas Ácidos

Amônia, acetileno, butadieno, hidrocarbonos,


Brometo hidrogênio, sódio, metais finamente divididos,
terebintina e outros hidrocarbonetos.

Carbonato de cálcio Água e álcool.

Carvão ativado Hipoclorito de cálcio e agentes oxidantes.

Cianetos Ácidos
Sais de amônia, ácidos, materiais
combustiveis, metal pó, enxofre,
Cloratos
orgânicos finamente divididos ou
materiais combustíveis.
Clorato de potássio Ácido sulfúrico e outros ácidos
ácidos, sais de amônio, materiais oxidáveis,
Clorato de sódio
enxofre
Amônia, acetileno, butadieno, hidrocarbonos,
hidrogênio, sódio, metais finamente
Cloro
divididos, terebintina e outros
hidrocarbonetos.
Acetileno, peróxido de hidrogênio (água
Cobre
oxigenada).
Amônia, metano, fosfito, sulfito de
Dióxido de cloro
hidrogênio.
Flúor Isole de tudo

Fósforo (branco) ar, oxigênio, álcalis, agentes redutores

Hidrocarbonetos (ex: butano, flúor, cloro, bromo, ácido crômico, peróxido


propano, benzeno) de sódio

Hipocloritos ácidos, carvão ativado

nitrato de amônio, ácido crômico, peróxido


Inflamáveis (líquidos)
de hidrogênio, ácido nítrico, halogênios
acetileno, amônia (aquosa ou anidra),
Iodo
hidrogênio
Mercúrio acetileno, ácido fulmínico, amônia

Nitratos ácido sulfúrico


ácidos, metais finamente divididos, líquidos
inflamáveis, cloratos, nitratos, enxofre,
Nitrato de amônio
materiais orgânicos ou combustíveis
finamente divididos.
Nitritos cianeto de sódio ou de potássio

Nitroparafinas Bases inorgânicas, aminas


óleos, graxas, hidrogênio, gases, sólidos ou
Oxigênio
líquidos inflamáveis
Pentóxido de fósforo água
veja ácido sulfúrico e outros ácidos, e também
Perclorato de potássio
cloratos)
glicerol (glicerina), etilenoglicol,
Permanganato de potássio
benzaldeído, ácido sulfúrico

Ácidos (orgânicos ou inorgânicos), evite


Peróxidos, orgânicos
atrito, estocar em local fresco

acetileno, ácido oxálico, ácido tartárico, compostos de


Prata
amônio, ácido fulmínico
Selenidios Agentes redutores

Sódio água, tetracloreto de carbono, dióxido de carbono

Sulfetos ácidos

Telurídios agentes redutores

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