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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Jerafino Benjamim Firmino

RESOLUCAO DE QUESTIONÁRIO

(Licenciatura em Administração Publica)

Nampula, Novembro de 2021

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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Jerafino Benjamim Firmino

RESOLUÇÃO DO QUESTIONÁRIO

(Licenciatura em Administração Publica)

Trabalho de campo com carácter avaliativo da


cadeira de Sociologia Geral, curso de Licenciatura
em Administração Pública, 1º Ano, leccionada por
Msc. Cláudio Alexandre Nhapinbe

Nampula, Novembro de 2021

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1. a) Distinção de Senso Comum e Conhecimento Científico

SENSO COMUM

O Senso Comum é uma forma de conhecimento popular, que se refere a um conjunto vasto
de opiniões, conselhos, práticas e normas relativas a vida social, ou seja, ele diz respeito aos
princípios populares normativos que se baseia na tradição e costumes quotidianos.

É um conhecimento que existe desde a época dos homens das cavernas. É um conhecimento
passado de geração em geração, e que, de certa forma, deu origem a todos os outros tipos de
conhecimento. A grande maioria dos factos do nosso quotidiano actual teve origem no senso
comum, e muitas vezes, por mero acaso. A descoberta do fogo, por exemplo, foi um dos
maiores saltos tecnológicos experimentados pelos homens daquela época [ CITATION Car11 \l
2070 ]. O senso comum trabalha com o juízo de valor, com o subjectivo. Assim, não há como
determinar se uma opinião é boa ou má, verdadeira ou falsa.

O conhecimento popular ou do senso comum de acordo com Trujillo (1974 apud Marconi e
Lakatos, 2008) é: valorativo, reflexivo, assistemático, verificável, falível e inexacto.

Portanto, a partir dessa perspectiva Marconi e Lakatos acrescentam justificando que o


conhecimento popular ou do senso comum é[ CITATION Mar08 \l 2070 ]:

 Valorativo porque é influenciado pelos estados de ânimo e emoções do observador,


que impedem uma isenção de opinião sobre o objecto estudado;

 Reflexivo porque a familiaridade com o objecto estudado não instiga à formulação de


padrões, não permitindo uma formulação geral;

 Assistemático porque baseia-se em uma organização particular (subjectiva), que


depende do sujeito;

 Verificável porém apenas em relação ao que pode ser observado, no dia-a-dia, dentro
do âmbito do observador, ou seja, a verificabilidade é subjectiva;

 Falível porque se conforma apenas com o que se vê ou se ouviu falar, não se


preocupando em buscar a verdade; e

 Inexacto, porque a falibilidade não permite a formulação de hipóteses verificáveis sob


o ponto de vista filosófico ou científico.

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CONHECIMENTO CIENTÍFICO

É uma forma de construção de saberes sobre a realidade social a partir do processo de


investigação, obedecendo a certos princípios metodológicos.

Segundo[ CITATION Wil061 \l 2070 ] , o saber científico é racional e é produzido mediante a


investigação da realidade, seja por meio de experimentos seja por meio da busca do
entendimento lógico de fatos, fenómenos, relações, coisas, seres e acontecimentos que
ocorrem na realidade cósmica, humana e natural

Trata-se de um conhecimento que é sistemático, metódico e que não é realizado de maneira


espontânea, intuitiva, baseada na fé ou simplesmente na lógica racional. Ele prevê, ainda,
experimentação, validação e comprovação daquilo a que chega a título de representação do
real. Mediante as leis a que chega, o conhecimento científico possibilita ao ser humano
elaborar instrumentos os quais são utilizados para intervir na realidade e transformá-la para
melhor ou para pior[ CITATION Wil061 \l 2070 ].

De acordo com Matallo (1989) apud [ CITATION Car11 \l 2070 ], o conhecimento científico
começa a partir do momento em que as explicações saem do campo da opinião (eu acho que)
e entram no mundo do método da ciência (eu sei que).O Conhecimento científico é real
(factual), contingente, sistemático, verificável, falível, Aproximadamente exacto[ CITATION
Mar08 \l 2070 ]. Justifica-se que o conhecimento científico:

 É factual porque lida com ocorrências e fatos;

 É contingente porque as hipóteses podem ser validadas ou descartadas por base na


experimentação, e não apenas pela razão;

 É sistemático porque busca a formulação de ideias correlacionadas que abrangem o


todo do objecto delimitado para estudo;

 É verificável a tal ponto que as hipóteses que não forem comprovadas deixam de
pertencer ao âmbito da ciência;

 É falível porque nenhuma verdade é definitiva e absoluta; e

 É aproximadamente exacto, porque novas proposições e novas tecnologias podem


reformular o conhecimento científico existente.

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1. b) Obstáculo da construção de conhecimento científico e os caminhos para a
ruptura com o senso comum nas instituições.

OBSTÁCULOS DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO

O conhecimento representa uma necessidade histórica do homem no processo de domínio e


transformação da natureza. Por tamanho poder, o conhecimento é um dos objectos de estudo
dos filósofos ao longo da história, sedo portanto desta feita problemas relacionados ao
processo do conhecer são estudados pela Teoria do Conhecimento[ CITATION Luc10 \l 2070 ].

A formação do conhecimento científico passa, segundo Bachelard (1996), por três estados: no
estado concreto, o espírito apropria-se das primeiras imagens e gera suas concepções
iniciais; no estado concreto-abstracto o espírito, mesmo apegado a suas experiências, inicia
um processo de generalização ao acrescentar esquemas científicos; e o estado abstracto,
onde o espírito já consegue problematizar suas experiências e gerar conhecimentos a partir de
seus questionamentos. Portanto, os actos impeditivos a formação do conhecimento científico
ocorrem em termos de obstáculos, ou seja, actos que provocam a estagnação e regressão no
processo de evolução da ciência e de apropriação do próprio conhecimento.

Vários são os obstáculos que impedem as rupturas e evoluções na ciência., a opinião constitui
o primeiro obstáculo a ser superado, pois segundo varios autores a ciência é contra a opinião,
pois “a opinião pensa mal; não pensa: traduz necessidades em conhecimento”. Não podemos
opinar sobre aquilo que não sabemos. Devemos sim, buscar conhecimentos para superar essa
deficiência. Desta forma, o verdadeiro espírito científico é aquele que se opõe, questiona e
pergunta[ CITATION Bac96 \l 2070 ].

Para Bachelard (1996), a experiência primeira e a generalização apressada são dois


obstáculos, entre outros, a serem superados tanto nos processos estritamente científicos,
quanto naqueles que envolvam ensino-aprendizagem.

 Experiência primeira

Expõe a experiência colocada antes e acima da crítica-crítica esta que é, necessariamente,


elemento integrante do espírito científico. Pelo seu carácter acrítico, a experiência primeira
não pode se constituir uma base segura para o conhecimento, pois está carregada de realismo
e impulso natural.

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Nesta primeira experiência, o ser humano vai de encontro com a realidade com elevado
desejo de conhecer e tenta absorver o máximo possível do que acontece ao seu redor. Por
essa “fome” de conhecimento, o homem absorve tudo o que lhe é possível, de maneira
acrítica, tornando o primeiro conhecimento objectivo como o primeiro erro.

 Generalização Apressada

Isto é, a generalização prematura e fácil é o outro lado da moeda das dificuldades encontradas
pelo espírito científico no seu intento de objectivação. É o segundo grande obstáculo
epistemológico. Bachelard entende que é contra todo e qualquer tipo de sedução que a
psicanálise do conhecimento objectivo deve impor um exame cuidadoso.

Bachelard visa denunciar a busca prematura do geral, certa tendência a generalizações


precipitadas que intentam englobar os fenómenos mais diversos sob o mesmo conceito. De
acordo com o autor, nada é mais “anticientífico do que afirmar sem prova, ou sob a capa de
observações gerais e imprecisas, causalidades entre ordens de fenómenos diferentes”.
Conforme o autor o conhecimento comum carregado de generalizações é mais um obstáculo
a ser derrubado[ CITATION Bac96 \l 2070 ].

Assim, as generalizações produzidas pela experiência primeira que resultam no conhecimento


do senso comum, são obstáculos a serem superados em uma actividade educativa que vise
formar nos seus educandos um espírito científico.

2. a) Distinção de Facto Social e Fenómeno Social

FACTO SOCIAL

Segundo Sociólogo Émile Durkheim, é fato social toda maneira de agir, fixa ou não,
susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, ou ainda, que é geral ao
conjunto de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui existência própria, independente
das manifestações individuais que possa ter [ CITATION Émi72 \l 2070 ].

Durkheim afirma que os fatos sociais são justamente essas regras e normas colectivas que
orientam a vida dos indivíduos em sociedade. Esses fatos sociais têm duas características
básicas que permitirão sua identificação na realidade: são exteriores e coercitivos [CITATION
Car \l 2070 ]. Diante das características impostas por Durkheim, segue justificando que elas
são:

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 Exteriores, porque consistem em ideias, normas ou regras de conduta que não são
criadas isoladamente pelos indivíduos, mas foram criadas pela colectividade e já
existem fora dos indivíduos quando eles nascem.

 Coercitivos, porque essas ideias, normas e regras devem ser seguidas pelos membros
da sociedade. Se isso não acontece, alguém desobedece a elas, é punido, de alguma
maneira, pelo resto do grupo. As gerações adultas transmitem às crianças e aos
adolescentes, aquilo que aprenderam ao longo de sua vida em sociedade. Com isso, o
grupo social é perpetuado, apesar da morte dos indivíduos.

Quando Durkheim define fato social como: “toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de
exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou, ainda, que é geral na extensão de uma
sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações
individuais que possa ter”, dentro dessa definição, Durkheim ainda apresenta algumas
diferenciações do fato social, que podem ser normais ou patológicos[ CITATION Est20 \l 2070 ].

 Fatos sociais normais: seguindo o pensamento sociológico de Durkheim, devemos


observar a sociedade no sentido biológico. Assim como nas ciências biológicas, a
ideia de normal é relativa à espécie e seus tipos, no campo sociológico, o que é
considerado normal deve estar de acordo com cada sociedade. Desde as primitivas às
civilizadas. Assim sendo, o fato social normal ocorre dentro de um padrão comum e
almeja a manutenção da ordem institucional. 

 Fatos sociais patológicos: corresponde a tudo o que é considerado imoral, criminoso


ou que deve ser reprimido. Ele se desenvolve forma da normalidade, como uma
doença e na maioria das vezes afeta toda a sociedade, como a violência, homicídio,
roubo. Quando a sociedade é caracterizada por esses aspectos negativos, que saem do
status de normalidade estabelecido, pode-se dizer que isso é resultado de um fato
social patológico. 

De acordo com a perspectiva do sociólogo, ao analisarmos a sociedade, podemos encontrar


estados de saúde e de doença social, sendo a primeira considerada boa e a segunda como algo
que deva ser evitado porque é ruim.

FENÔMENO SOCIAL

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Fenómeno Social define os fenómenos que acontecem na vida social e estão relacionados
ao comportamento de um grupo ou sociedade. São exemplos de fenómenos sociais o
desemprego, a inflação, o aumento na produção de riquezas, as taxas de mortalidade e o
crescimento económico[ CITATION Nat19 \l 2070 ].

o antropólogo e sociólogo francês Marcel Mauss desenvolveu o conceito de fenómeno social


total, no qual estabelece dois princípios essenciais: O primeiro estabelece que qualquer fato
que ocorra, tanto em sociedades arcaicas quanto em sociedades modernas, é
sempre complexo e apresenta várias dimensões. Além disso, podem ser visualizados e
entendidos a partir de diferentes ângulos, que por sua vez, têm a finalidade de acentuar uma
ou várias das dimensões existentes; O segundo princípio determinado por Mauss é que todo
comportamento volta-se para a sociedade ou grupo, e só pode ser, em primeiro lugar,
considerado fenómeno social nesse contexto. Assim, esse comportamento só pode ser
entendido e estudado a partir das relações que estabelece com a sociedade. Casos individuais
não são o foco de estudo da Sociologia e nem são denominados fenómenos sociais.

Exemplos de fenómenos sociais são a violência, o desemprego ou a falta de alimentos são


considerados que sob perspectiva de Durkheim são considerados fenómenos sociais
patológicos, e provocam a anomia social, bem como o suicídio que é também encarado como
um fenómeno social.

1. b)Comparação de contributos de Émile Durkheim e August Comte na


consagração da Sociologia como ciência autónoma

AUGUST COMTE

Comte foi o principal representante da positividade e é considerado o fundador da Sociologia


como ciência. Portanto, os positivistas apresentaram um esforço concreto de análise científica
da sociedade. A teoria de positividade propõe a infalibilidade, a objectividade e a exactidão
da ciência. O positivismo estabeleceu critérios rígidos para a ciência e ele propõe que toda
afirmação e toda lei científica deve apoiar-se na observação dos fatos, nas provas recolhidas
pelos pesquisadores. Quando o pensamento sociológico se organizou, adoptou o positivismo
para definir o objecto e para estabelecer conceitos e uma metodologia de investigação para a
Sociologia[ CITATION Bas131 \l 2070 ].

Comte via a Sociologia como uma ciência positiva e acreditava que a Sociologia devia
aplicar ao estudo da sociedade os mesmos métodos científicos e rigorosos que a Física ou a

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Química usam para estudar o mundo físico[ CITATION Gid081 \l 2070 ]. Embora o caminho de
Comte para a reconstrução da sociedade nunca se tivesse concretizado, a sua contribuição
para a sistematização e unificação da ciência da sociedade foi importante para a posterior
profissionalização da Sociologia enquanto disciplina académica.

ÉMILE DURKHEIM

O pensamento de Durkheim marcou decisivamente a Sociologia contemporânea. Em


1893 publicou sua tese de doutoramento, intitulada De la Division du Travail Social, estudo
em que aborda a interacção social entre os indivíduos que integram uma colectividade maior:
a sociedade.

Durkheim pensava que muitas das ideias do seu predecessor eram demasiado especulativas e
vagas, e que Comte não realizara com sucesso o seu programa que era de dar à Sociologia um
carácter científico. Para o autor, a principal preocupação intelectual da Sociologia reside no
estudo dos factos sociais. Em vez de aplicar métodos sociológicos ao estudo de indivíduos, os
sociólogos deviam antes analisar factos sociais e aspectos da vida social que determinam a
nossa acção enquanto indivíduos, tais como o estado da economia ou a influência da religião.
Durkheim acreditava que as sociedades tinham uma realidade própria ou seja, a sociedade
não se resume às simples acções e interesses dos seus membros individuais [ CITATION
Gid081 \l 2070 ].

Entretanto, Durkheim via a Sociologia como uma nova ciência que podia ser usada para
elucidar questões filosóficas tradicionais, examinando-as de modo empírico. Durkheim, como
anteriormente Comte, acreditava que devemos estudar a vida social com a mesma
objectividade com que cientistas estudam o mundo natural. O seu famoso princípio básico da
Sociologia era “estudar os factos sociais como coisas”. Portanto, o contributo de Durkheim a
área de sociologia foi o estudo relacionada a vida social que podia ser analisada diante suas
perspectivas teóricas com o mesmo rigor com que se analisam objectos ou fenómenos da
natureza.

A partir de suas obras e estudos realizados por Durkheim, desafiou os sociólogos a estudar as
coisas tal como elas são e a construir novos conceitos que reflectissem a verdadeira natureza
das coisas sociais. Os principais destaques/contributos de Durkheim foram, a solidariedade
social, grupos sociais, educação e instituição social e anomia que constituem os principais
conceitos da actualidade no campo de sociologia. A Sociologia como ciência, caberia, então,

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ocupar-se daqueles fatos que apresentassem as características específicas para serem
considerados fatos sociais.

2.c) Distinção do objecto da Sociologia por Marx Weber do objecto de Karl Max

MARX WEBER

Weber foi considerado um grande renovador das ciências sociais especificamente na questão
metodológica, estabelecendo os fundamentos da Sociologia moderna. Para Max Weber, a
sociedade pode ser compreendida a partir de um conjunto de acções individuais recíprocas.
Por esse motivo, ele definiu a acção social como objecto de estudo da Sociologia [ CITATION
Bas131 \l 2070 ].

Weber define a acção social como objecto de estudo da Sociologia sendo toda acção que o
indivíduo faz ao se orientar pela acção de outros indivíduos. Existe uma acção social quando
o indivíduo estabelece algum tipo de comunicação com os demais indivíduos a partir de suas
próprias acções. Assim, o ponto de partida da teoria sociológica weberiana é a investigação
da acção social, conduta humana dotada de sentido, conduta dotada de uma justificativa
elaborada subjectivamente.

KARL MARX

Trata-se de um dos pensamentos sociais mais difíceis de ser explicado ou sintetizado, pois
Marx escreveu muito e suas ideias desdobram-se em várias correntes de pensamento.

Segundo Marx, para viver, os seres humanos precisam transformar a natureza: comer,
construir abrigos, produzir utensílios. Por essa razão, o estudo de qualquer sociedade deveria
partir das relações sociais que se estabelecem para utilizar os meios de produção e
transformar a natureza, chamado por Marx de relações sociais de produção.

O pensamento de Karl Marx é fundamentado em uma crítica à sociedade capitalista, ficando


em oposição ao Positivismo, que procura a preservação e a manutenção do sistema
capitalista. Para ele, são as relações sociais de produção que condicionam todo o resto da
sociedade e a dividem em proprietários e não proprietários dos meios de produção, sendo esta
a base da formação das classes sociais.

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2. a) Bases sociológicas da Teoria Voluntarista da acção social

Esta teoria foi exposta por Talcott Parsons em forma de comentários as obras de pensadores
economistas e sociólogos tais como: Marshall, Durkheim, Pareto e Weber. Parsons, analisou
criticamente os pensamentos destes autores e a partir daqui formulou a sua teoria voluntarista
da acção, considerando que toda acção humana não se resume a uma resposta a um
determinado estímulo (tal como defendiam os behavioristas) mais pelo contrário como uma
acção dotada de sentido para o próprio indivíduo, e que este sentido pode ser diferente
daquele atribuído por quem observa[ CITATION MAR12 \l 2070 ].

A teoria sistémica desenvolvida por Parsons e alguns de seus discípulos acabou configurando
o estrutural-funcionalismo, que juntamente com o positivismo e o funcionalismo clássico
compõem um conjunto de teorias sociais enfatizadoras da ordem e da estabilidade social. O
ponto de ruptura fundamental promovido por Parsons é a inclusão de um elemento
voluntarista no funcionalismo, entendendo a acção humana como uma variável importante
para o complexo de interacções que forma o sistema social.

Em sua formulação, os homens agiriam de maneira que essas acções não seriam totalmente
pré-definidas e os atores sociais em suas interacções diárias desempenhariam um papel activo
na formação dos valores comuns que os unificam e torna possível a organização social.

Diferentemente do que afirmavam os funcionalistas clássico o estrutural-funcionalismo norte-


americano as normas morais ou sociais aparecem apenas como um dos elementos básicos de
uma estrutura complexa que compõem o sistema de acção social[ CITATION Edn06 \l 2070 ].

Em uma tentativa de consolidar a sociologia como uma ciência rigorosa, Parsons estabelece
como base de seu modelo teórico o conceito de sistema, muito empregado pelas chamadas
ciências naturais. Para ele, “a interacção de actores individuais, isto é, ocorre sob tais
condições que é possível tratar esse processo de interacção como um sistema em sentido
científico [...]”, e essa natureza peculiar possibilitaria a identificação de padrões de
comportamento que seriam os responsáveis por formar as sociedades [ CITATION Edn06 \l
2070 ].

A base sociológica de Parsons tinha como objectivo não é analisar a manifestação externa das
acções dos indivíduos em sociedade, mas “ analisar sua padronização, seus produtos
padronizados e significativos (físicos, culturais e outros), desde instrumentos até obras de
arte, bem como nos mecanismos e processos que controlam essa padronização”.

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Segundo a formulação Parsoniana, a partir de uma orientação prévia diante das situações
específicas. Tais orientações seriam sempre dirigidas a objectos, que o autor divide em três
diferentes classes:

 A primeira seria a dos objectos sociais, composta pelos atores, que poderiam ser
qualquer outro actor individual (alter), o actor em si mesmo, quando o seu ponto de
referência é ele mesmo (ego), ou a colectividade, que é tratada como uma unidade
para a análise da orientação.

 A segunda classe seria composta pelos objectos físicos, que não interagem, são
incapazes de responder ao ego, entretanto, são alvo s de suas orientações. Em sentido
estrito, esses objectos seriam os meios e condições necessárias à acção.

 Por fim, existiriam os objectos culturais, ou seja, elementos simbólicos, ideias e


crenças tratadas como objectos pelo ego e não internalizados como elemento
constitutivo de sua personalidade.

Sendo assim, podemos identificar que a unidade elementar dos sistemas sociais são as acções
orientadas dos indivíduos em relação a objectos específicos em uma dada situação. A partir
da noção de estrutura, Parsons propõe que as motivações para as acções dos atores possuem
diferentes causas ou referências básicas. Neste sentido, é radicalmente afastada a noção de
que as acções seriam motivadas exclusivamente por um sistema de necessidades -disposições,
pois nos seres humanos as motivações extrapolariam esse limite biológico.

As motivações e as acções seriam resultados do acumulado de experiências históricas dos


atores com um tipo de situação específica. Por meio destas experiências cada actor
desenvolveria um sistema de expectativas que poderia orientar suas acções futuras em
situações semelhantes, sempre visando a maximização do rendimento dos recursos
disponíveis.

b) Análise crítica Teoria Sociológica Funcionalista

Bronislaw Malinowski e Radcliffe-Brown foram os legítimos mentores e criadores do


moderno funcionalismo ou abordagem holística. Mas, a abordagem de totalidade (holismo)
da sociedade não é recente, ela pode ser encontrada na antiga Grécia, na Idade Média e entre
os pensadores e filósofos sociais a partir do século XV. Da mesma forma, como ficou
registado, é inegável a contribuição de Comte, Spencer e, principalmente Durkheim para a

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construção do funcionalismo e do estrutural funcionalismo. Entretanto, a teoria do
funcionalismo é muito bem argumentada e defendida pelos seguintes pensadores: Bronislaw
Malinowski, Radcliffe-Brown, Roberto K. Merton e Talcott Parsons[ CITATION Fer14 \l 2070 ].

Hipótese inicialmente inspirada no organicismo o funcionalismo postula, na sua forma


radical, que os elementos de uma sociedade constituem um todo indissociável, desempenham
um papel vital na manutenção do equilíbrio de conjunto e são, portanto, indispensáveis de
acordo com Malinowski & Radcliffe-Brown.

Este funcionalismo pressupõe, portanto, a estabilidade e a integração dos sistemas sociais, e


tende a reduzir a explicação dos factos sociais ao esclarecimento das suas funções uma vez
que eles só existem em função daquilo para que servem.

A relativização destas concepções por parte de R. K. Merton deu à análise funcional um


paradigma forma que convida a interpretar, em certos casos, os factos sociais como
consequências objectivas da satisfação de necessidades próprias de certos segmentos
previamente definidos da estrutura social. O funcionalismo estrutural ou de Parsons é, por seu
turno, uma teoria geral que mostra como os imperativos funcionais mais importantes de todo
o sistema social são satisfeitos pelos “elementos estruturais” deste último. Além disso, o
funcionalismo comporta uma abordagem original da questão dos conflitos [ CITATION Fer14 \l
2070 ].

Portanto, que caracteriza as teorias funcionalistas na análise da sociedade, é o facto de


considerarem que quer conscientemente ou não as instituições e fenómenos sociais
desempenham uma determinada função na própria sociedade ou contexto do qual provém, e
que só podem ser devidamente entendidos se tivermos em conta este contexto de emergência.
Para alguns autores, este conceito de função elaborado por esta teoria é considerado
problemático em dois sentidos, visto que por um lado quando se fala de função tem-se a ideia
que todo e qualquer elemento e instituição neste meio é útil, necessário e indispensável a
sobrevivência ou manutenção da sociedade como um todo.

c) Bases Sociológicas da Teoria do Interaccionismo Simbólico de Georg Mead

o Interaccionismo simbólico, uma corrente de pensamento que se tomou particularmente


importante nos Estados Unidos da América. O interaccionismo simbólico foi apenas
influenciado de forma indirecta por Weber. As suas origens mais directas residem na obra do
filósofo americano G. H. Mead (1863-1931)[ CITATION Gid081 \l 2070 ].

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O interaccionismo simbólico nasce de uma preocupação com a linguagem e o sentido. Mead
defendia que a linguagem permite tornarmo-nos seres auto-conscientes e cientes da nossa
própria individualidade e capazes de nos vermos a partir de fora, como os outros nos
vêem[ CITATION Gid081 \l 2070 ].

Neste processo o elemento-chave reside no símbolo. Um símbolo é algo que representa algo.
Por exemplo, as palavras que usamos para aludir a determinados objectos são, na verdade,
símbolos que representam o que queremos transmitir. A palavra “colher” é o símbolo que
usamos para descrever o utensílio a que recorremos para comer sopa. Gestos não-verbais ou
outras formas de comunicação são também exemplos de símbolos. Acenar a alguém ou fazer
um gesto grosseiro tem um valor simbólico.

Mead defendia que os seres humanos dependem de símbolos partilhados e entendimentos


comuns nas suas interacções uns com os outros. Dados os seres humanos viverem num
universo altamente simbólico, praticamente todas as interacções entre os indivíduos implicam
um fluxo de símbolos.

O interaccionismo simbólico dirige a nossa atenção para os detalhes da interacção


interpessoal, e para a forma como esses detalhes são usados para conferir sentido ao que os
outros dizem e fazem. Os sociólogos influenciados por esta corrente teórica centram muitas
vezes a sua atenção na interacção face-a-face e nos contextos da vida quotidiana, realçando a
importância do papel dessas interacções na criação da sociedade e das suas instituições.

Muito embora a perspectiva interaccionista simbólica possa incluir muitas reflexões em torno
da natureza das nossas acções na vida social quotidiana, já foi criticada por ignorar questões
mais amplas relacionadas com o poder e a estrutura na sociedade e a forma como ambos
servem para constranger a acção individual.

3. a) Tipos e função de desigualdade na mobilidade social

A desigualdade social está presente no mundo inteiro, porém, só se torna um problema


quando a diferença económica entre a renda daqueles que estão na base social é muito
distante da percebida pelos mais ricos da estratificação social. Ou seja, desigualdade social é
a diferença que privilegia ou limita determinado grupo social[ CITATION Ell20 \l 2070 ].

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Este é um dos temas amplamente estudados pela Sociologia, que não pretende apenas
entender o que é desigualdade social, mas também descobrir soluções para minimizar esse
quadro independentemente do sistema económico, se capitalista ou socialista.

Apesar de essa diferença se apresentar principalmente em relação às condições econômicas,


existem muitos outros tipos de desigualdade:

 Desigualdade de gênero

É comum que mulheres recebam um salário menor exercendo uma mesma função, pelo
simples fato de serem mulheres. Esse dado não fica sozinho e é percebido em outros âmbitos
ligados à ocupação de cargos superiores e de confiança e até mesmo na liberdade e direitos
equivalentes aos dos homens.

Outro exemplo da desigualdade de gênero são os homossexuais, que muitas vezes não
conseguem ocupar determinado cargo somente por causa dessa orientação. Ainda nesse
sentido, poderíamos inclusive apresentar questões como a homofobia e o não reconhecimento
desse tipo de união, que, mesmo sendo legalmente aceito, não é bem visto dentro de diversos
grupos religiosos.

 Desigualdade racial

Além da relação econômica que separa as raças em muitos países, como em Moçambique,
como herança do período de escravidão, há também uma dificuldade de oportunidades um
fenômeno que acontece tanto nas oportunidades de emprego quanto nas representações
midiáticas, como em filmes e programas de TV, nos quais a representatividade das raças é
diversa da realidade e ainda costuma acentuar esse preconceito.

 Desigualdade económica

Resultado da má distribuição de renda e do privilégio de determinadas classes sociais, ela é


responsável por proporcionar a uma parcela privilegiada uma excelente qualidade de vida,
muitas oportunidades e acesso à culturas diversas.

 Desigualdade regional

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um indicador para medir as condições de


vida das pessoas de uma determinada localidade. Devido aos fatores históricos, é comum

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acontecer que pessoas de uma determinada localidade tenham mais privilégios do que em
outra região.

A desigualdade social, é fundamental fazer um fechamento das ideias, levar o a comunidade


cientifica à reflexão e implementar a proposta de reversao da situacao pois este
constrangimento precisa ser amplamente combatido. Portanto, dessa forma, poderemos
caminhar para a redução da desigualdade social na nossa comunidade, pois não adianta tentar
combater essa causa agindo nas suas consequências como os problemas com a segurança, o
aumento da criminalidade e a miséria. É muito importante sim olhar para essa situação e
tentar minimizar o sofrimento de quem é afetado por ela, mas também trabalhar na causa,
promovendo políticas sociais justas e uma distribuição adequada da verba, além do
investimento na educação de qualidade para todos. Assim, estaremos proporcionando um
Mundo mais humano e com boas condições de vida para todos.

b) Mobilidade social e papel da luta de classes para o desenvolvimento social

MOBILIDADE SOCIAL

A mobilidade social é expressão que designa a circulação dos indivíduos entre as categorias
ou classes sociais[ CITATION Fer14 \l 2070 ]. A mobilidade social é determinada a partir da
posição que os indivíduos ocupam na estrutura social e o seu deslocamento de status. Por
essas razões, a mobilidade social pode ser ascensional, quando se refere a uma mudança
positiva ou hierárquica na estrutura de ocupação, ou descensional, quando representa perda
de status e prestígio. Há dois tipos de mobilidade:

 A mobilidade intrageneracional é a passagem dos indivíduos de uma categoria para


outra durante a mesma geração: compara-se neste caso a classe à qual pertence o
indivíduo em fim de carreira, por exemplo, à classe à qual ele pertencia no início de
carreira.

 A mobilidade intergeneracional é a circulação de um indivíduo do grupo social a


que pertence a sua família (pai e/ou mãe) para um outro grupo: comparamos a classe
social à qual pertence o indivíduo à classe a que pertence a sua família.

CLASSE SOCIAL

O termo é utilizado, num sentido geral, para designar todo o conjunto de indivíduos que
manifestam características e comportamentos idênticos ou comparáveis. Em sentido restrito,

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a classe opõe-se às castas, estados ou ordens, marcados pela transmissão hereditária e uma
fraca ou nula mobilidade social.

Designando as grandes linhas das divisões sociais, o termo “classe” levanta questões
essenciais concernentes à natureza dos grupos assim designados e das suas relações. Entre
estas duas classes essenciais, a classe média seria chamada a regredir em número e em
importância política à medida do desenvolvimento da indústria e da intensificação da luta de
classes. A classe é assim de definida como o conjunto dos agentes colocados nas mesmas
condições no processo de produção. Marx não duvidava de que a luta económica devesse
transformar-se em luta política e numa revolução social que provoque o afundamento do
modo de produção capitalista e o desaparecimento das classes.

Nas nossas sociedades estes dois aspectos Mobilidade e classe social possuem um papel
extremamente importante pois são a partir destes pressupostos que poderemos organizar
diferentes categorias e hierarquia sociais conforme a distribuição comunitária local. Portanto,
neste acto teremos conhecimentos organizados em relação a característica social dos
indivíduos bem como o deslocamento social dos indivíduos.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bachelard, G. (1996). A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise


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