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23 a 27 de novembro de 2020

UMA PROPOSTA DE INSTRUMENTO DE ANÁLISE DA


ACESSIBILIDADE EM EDIFÍCIOS ESCOLARES

Emmanuel Sá Resende Pedroso


Prof. Dr. da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF,
emmanuel.pedroso@arquitetura.ufjf.br

Priscila Castro de Oliveira


Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF,
priscila.oliveira@arquitetura.ufjf.br

Ana Carolina Resende Vasconcelos


Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF,
ana.vasconcelos@arquitetura.ufjf.br

Marianne Rodrigues Vieira


Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF,
marianne.vieira@arquitetura.ufjf.br

Letícia Altomare Carvalho Nunes Ferreira


Graduanda do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF,
leticia.altomare@arquitetura.ufjf.br

Resumo

A promoção da acessibilidade junto ao ambiente construído é algo imprescindível. Ao


contemplar as demandas e expectativas de todos, o espaço acaba por permitir ao
usuário realizar escolhas, o que contribui de maneira direta para a sua independência e
autonomia. O ambiente escolar corrobora esse entendimento, visto que o espaço de
caráter educacional acessível favorece o processo ensino-aprendizagem, bem como a
inclusão do discente, docente e/ou funcionário com deficiência ou mobilidade reduzida. O
objetivo geral deste estudo consiste em apresentar, em síntese, uma ferramenta de
análise da acessibilidade em edifícios escolares, direcionada ao contexto brasileiro. Para
tanto, a metodologia empregada abrangeu a técnica de documentação indireta, que
possibilitou a realização de uma revisão bibliográfica acerca dos temas acessibilidade,
apropriação e ambiente escolar; além de técnicas de avaliação pós-ocupação como
checklist, grupo focal, observação e matriz de descobertas, acompanhadas pelo
levantamento em foto, áudio e/ou vídeo dos espaços. Assim, foram apresentadas a
estrutura do instrumento de análise proposto e as considerações e reflexões sobre suas
etapas.

Palavras chave: Acessibilidade. Apropriação. Ambiente escolar.

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, os edifícios públicos apresentam uma série de barreiras e dificuldades ao


acesso e usufruto da população. Tais obstáculos acabam por prejudicar a inclusão e
Uma Proposta de Instrumento de Análise da Acessibilidade em Edifícios Escolares
Pedroso, Emmanuel Sá Resende.; Oliveira, Priscila Castro de.; Vasconcelos, Ana Carolina Resende.; Vieira, Marianne Rodrigues.;
Ferreira, Letícia Altomare Carvalho Nunes

participação social das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. No ambiente


escolar, isso não acontece de forma diferente. Do ponto de vista da arquitetura, segundo
Kowaltowski (2011), um bom espaço escolar é aquele reconhecido pela
representatividade. A escola possui participação na vida coletiva ensinando direitos,
deveres e respeito ao próximo. Dessa forma, é imprescindível que o ambiente escolar se
adeque às múltiplas demandas dos indivíduos que o utilizam, a fim de proporcionar uma
educação inclusiva.
Este estudo tem por objetivo apresentar, em síntese, uma ferramenta de análise da
acessibilidade em ambientes escolares. Tal instrumento foi elaborado no Projeto de
Treinamento Profissional “Acessibilidade em edifícios e espaços públicos de Juiz de
Fora”, com as participações das acadêmicas Priscila Castro de Oliveira, Ana Carolina
Resende Vasconcelos, Marianne Rodrigues Vieira e Letícia Altomare Carvalho Nunes
Ferreira, orientadas pelo professor Emmanuel Sá Resende Pedroso e será futuramente
aplicado em escolas públicas municipais da cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil.
Além desta introdução, o presente trabalho comporta em sua estrutura a metodologia
utilizada; os resultados alcançados com o referencial teórico e a ferramenta de análise
proposta; conclusões; os agradecimentos e, por fim, referências bibliográficas.

2. METODOLOGIA

A metodologia utilizada neste estudo englobou a técnica de documentação indireta e


técnicas de avaliação pós-ocupação (APO), como checklist, grupo focal, observação e
matriz de descobertas, além do levantamento em foto, áudio e/ou vídeo. A técnica da
documentação indireta, segundo Marconi e Lakatos (2009, p. 176) “é a fase da pesquisa
realizada com intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse”. Ela
pode ser realizada por meio de pesquisas documentais e/ou bibliográficas, sendo aqui
empregada para uma revisão bibliográfica acerca dos temas acessibilidade, apropriação e
ambiente escolar.
As demais técnicas configuraram a ferramenta de análise no ambiente construído. O
checklist, segundo Downey e Banerjee (2010) apud Santo, et al., (2016, p. 3):
O checklist pode ser construído, de forma geral (descrição de etapas de processos
para que não sejam esquecidas) ou de forma específica (lista de itens detalhados
que precisam ser abordados). É importante considerar que o checklist não se trata
de um conjunto de etapas que precisam ser escolhidas, mas que precisam ser
levadas à discussão e à análise de resultados.

Neste trabalho, o checklist foi direcionado ao levantamento da acessibilidade espacial


na escola, sendo sua estrutura baseada na planilha proposta por Dischinger, et al., (2012)
na obra “Promovendo acessibilidade espacial nos edifícios públicos: Programa de
acessibilidade às Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida nas Edificações de
Uso Público”.
O grupo focal, terceira técnica componente deste instrumento, consiste em uma
pesquisa qualitativa junto à um grupo de indivíduos. Segundo Iervolino e Pelicione (2001,
p. 116):
O grupo focal pode ser utilizado no entendimento das diferentes percepções e
atitudes acerca de um fato, prática, produto ou serviço. [...] A essência do grupo
focal consiste justamente na interação entre os participantes e o pesquisador, que
objetiva colher dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e
diretivos.
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O grupo focal foi escolhido por permitir uma coleta de dados a partir da interação e
discussão entre um grupo de alunos, professores e demais funcionários sobre as
condições de acessibilidade no ambiente escolar.
A observação, de acordo com Marconi e Lakatos (2009, p. 190):
[...] é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os
sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste
apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se
desejam estudar.

A observação aqui prevista é sistemática. Nela:


o observador sabe o que procura e o que carece de importância em determinada
situação; deve ser objetivo, reconhecer possíveis erros e eliminar sua influência
sobre o que vê ou recolhe” (MARCONI e LAKATOS, 2009, p. 193).

Junto ao instrumento de análise, a observação permitirá a identificação de possíveis


barreiras por meio do comportamento dos usuários no ambiente escolar, bem como a
verificação de questões apontadas em outras técnicas.
A quinta técnica é a matriz de descobertas, utilizada para o tratamento dos dados
obtidos com as demais técnicas empregadas no trabalho de campo. Segundo Rheingantz,
et al., (2009, p.91) a matriz de descobertas é utilizada “[...] para registro gráfico dos
resultados e descobertas de uma Avaliação Pós-Ocupação, de modo a facilitar a leitura e
a compreensão dos resultados e descobertas [...]”.
Por fim, tem-se o levantamento em foto, áudio e/ou vídeo das ações realizadas. A partir
da aplicação da ferramenta de análise em cada escola, será produzido um relatório
acerca da acessibilidade, composto pelas avaliações empreendidas e por diretrizes para
futuras intervenções e reformas.
Em tempo, este instrumento, aqui apresentado em síntese, foi submetido ao Comitê de
Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Juiz de Fora
(CEP/UFJF) e aprovado pelo mesmo (Parecer nº 3.356.312).

3. REFERENCIAL TEÓRICO

A análise objetivada neste trabalho requer a compreensão de alguns conceitos


essenciais à pesquisa sobre a relação entre o indivíduo e o meio, como acessibilidade e
apropriação; e ao ambiente estudado - a escola.
A acessibilidade é um dos principais fatores a serem considerados quando se trata da
qualidade de vida da população, sendo fundamental para a inclusão da pessoa com
deficiência ou mobilidade reduzida. A acessibilidade pode ser compreendida como a:
[...] possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para
utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos
urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus
sistemas e tecnologias, bem como outros serviços e instalações abertos ao
público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na
rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida (ABNT, 2015, p. 2).

Assim, é possível compreender a importância da promoção de acessibilidade em


edifícios e espaços públicos. Segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei n°
13.146 de 6 de julho de 2015) para a existência de ambientes acessíveis, é imprescindível
a eliminação de seis barreiras existentes: (1) atitudinais, que são comportamentos que
interferem na participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições;
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(2) urbanísticas, sendo as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados - estes
abertos ao público ou de uso coletivo; (3) arquitetônicas, referentes às existentes nos
edifícios públicos e privados; (4) nos transportes, configurando-se como as existentes nos
sistemas e meios de transportes; (5) comunicacionais e na informação, manifestado em
qualquer bloqueio que dificulte o ato de se expressar ou receber informações por meio de
sistemas de comunicação e da tecnologia da informação; e (6) tecnológica, que torna o
acesso da pessoa com deficiência à tecnologia um desafio (BRASIL, 2015, s/p.).
Relacionado diretamente à acessibilidade, encontra-se o conceito de acessibilidade
espacial. Este, de acordo com Dischinger, et al., (2012), está relacionado à forma como o
indivíduo se desloca, utiliza, se orienta e se comunica com as demais pessoas e os
diversos elementos presentes em um determinado espaço. Assim, a acessibilidade
espacial compreende quatro componentes, sendo eles o deslocamento; o uso; a
orientação; e a comunicação (DISCHINGER, et al., 2012).
Um conceito essencial a ser apresentado é a apropriação espacial. Esse termo se
refere com a relação entre indivíduo e ambiente e se relaciona com a topofilia. Segundo
Tuan (1980, p. 107):
A palavra "topofilia" é um neologismo, útil quando pode ser definida em sentido
amplo, incluindo todos os laços afetivos dos seres humanos com o meio ambiente
material. [...]. Mais permanentes e mais difíceis de expressar, são os sentimentos
que temos para com um lugar, por ser o lar, o locus de reminiscências e o meio de
se ganhar a vida.

Sendo assim, o indivíduo é passível de associar o ambiente escolar utilizado a uma


ligação sentimental. Esse sentimento de pertença produz reverberações na vida dos
usuários, sejam discentes, docentes e/ou funcionários. Logo, é de extrema importância
que o espaço físico propicie um estar satisfatório e confortável a todos os integrantes do
edifício escolar.
O ambiente escolar é um espaço destinado a abrigar uma gama de atividades,
elementos, símbolos e marcas de cunho educativo. Segundo Kowaltowski (2011, p. 11):
[...] o ambiente físico escolar é, por essência, o local do desenvolvimento do
processo de ensino e aprendizagem. O edifício escolar deve ser analisado como
resultado da expressão cultural de uma comunidade, por refletir e expressar
aspectos que vão além da sua materialidade.

O direito a educação é garantido a todos os cidadãos brasileiros pela Constituição de


1988 (BRASIL, 1988). Portanto, os espaços escolares devem ser projetados para atender
às diferentes necessidades e demandas de todos os usuários sem distinção. Permitindo
assim, o livre acesso e participação das atividades de forma segura e autônoma. Assim, o
ambiente escolar deve configurar-se enquanto espaço inclusivo:
[...] isto é, ambientes planejados para assegurar a acessibilidade universal, na qual
autonomia e segurança são garantidas às pessoas com necessidade especiais,
sejam elas crianças, professores, funcionários ou membros da comunidade
(BRASIL, 2006, p. 9).
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A eliminação das barreiras arquitetônicas e a garantia da atuação dos quatro


componentes da acessibilidade espacial são essenciais para a concretização das
diretrizes nacionais que visam a educação inclusiva. Logo, revela-se urgente a adequação
dos edifícios escolares a essa demanda. A partir dos desdobramentos aqui apresentados,
fica explícita a importância da promoção da acessibilidade no processo de ensino
aprendizagem e a eliminação de barreiras, assim como a boa atuação dos quatro
componentes da acessibilidade espacial - uso, deslocamento, comunicação e orientação.
O ambiente escolar acessível é direito de todos e sua efetivação é imprescindível, haja
vista que o mesmo propicia a todos a realização de escolhas e a possibilidade de
apropriação.

4. A FERRAMENTA DE ANÁLISE DA ACESSIBILIDADE EM AMBIENTES


ESCOLARES

Essa ferramenta foi desenvolvida com a finalidade de alcançar um diagnóstico das


condições de acessibilidade espaciais e, consequentemente, ações mitigadoras, visando
a orientação para intervenções e reformas futuras, voltadas à construção de espaços
escolares inclusivos e democráticos. A partir do diagnóstico, é possível desenvolver
diretrizes, pautando-se nos conceitos apresentados e na busca pelo verdadeiro
significado de “acessibilidade”, abandonando uma visão cartesiana, unilateral e
específica, passando a pensar nas atribuições do espaço que favorecem os processos de
identificação com um determinado lugar (DUARTE, et al., 2013, p. 21) e, nesse caso, a
identificação dos usuários com o ambiente escolar.
O instrumento de análise desenvolvido é composto por seis etapas, sendo elas: ficha
técnica, checklist, grupo focal, observação, matriz de descobertas e relatório (Fig. 1).

Figura. 1: Estrutura da ferramenta de análise da acessibilidade em edifícios escolares.


Fonte: Arquivo próprio.

A primeira etapa da aplicação da ferramenta consiste no preenchimento da ficha


técnica, com dados gerais referentes à escola estudada. Nela, constam o nível de
escolaridade, a quantidade de estudantes por turno, bem como o número de alunos com
deficiência ou mobilidade reduzida, a disponibilidade de intérpretes de libras, a
conservação do imóvel e demais observações. Além disso, nessa etapa é feita a
verificação do projeto arquitetônico, de modo que pode haver uma etapa adicional,
referente à realização de um levantamento da edificação ou de áreas da mesma, caso
necessário. Durante o preenchimento da ficha técnica, também são verificadas questões
referentes ao horário de funcionamento e rotinas da instituição, de maneira a orientar a
aplicação das fases seguintes.
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A segunda etapa desenvolvida compreende o checklist. Por meio de uma planilha, são
verificadas questões relacionadas à acessibilidade em diversos pontos e áreas da escola
– entorno imediato e acessos, ambientes, mobiliário, circulação e estacionamento. Nesse
processo, além das condições dos componentes da acessibilidade espacial –
deslocamento, uso, comunicação e orientação – são listadas as barreiras encontradas. A
partir da aplicação do checklist no edifício escolar, são obtidos dados parciais, a serem
adicionados aos resultados alcançados nas etapas seguintes. Paralelamente, o
levantamento em foto, áudio e/ou vídeo permite a ilustração das questões verificadas.
Terceira etapa da avaliação, o grupo focal deve ser realizado com os membros da
comunidade escolar – alunos, professores e demais funcionários. Neste estudo, tem-se
um roteiro composto por sete questões que abordam os quatro componentes da
acessibilidade espacial. A aplicação dessa técnica torna possível a apreensão das
percepções dos participantes sobre o convívio no ambiente escolar e a utilização do
mesmo. O registro em foto, áudio e/ou vídeo também acompanha essa etapa. Os dados
obtidos com o grupo focal permitem a verificação tanto dos componentes da
acessibilidade espacial, quanto dos tipos de barreiras existentes na escola. Assim cria-se
possibilidade para analisar potencialidades e fragilidades do equipamento urbano em
questão.
A observação, quarta etapa da ferramenta de análise, visa proporcionar um
aprofundamento das análises referentes ao comportamento e relações estabelecidas
entre os indivíduos e o ambiente escolar. Dessa forma, são realizados croquis e demais
registros gráficos referentes ao deslocamento, uso, comunicação e orientação de alunos,
professores e outros funcionários nos ambientes de convívio da escola e à existência de
barreiras nos mesmos, por meio de planilhas baseadas nas plantas baixas das áreas
analisadas. Assim como nas duas etapas anteriores, aqui também é prevista a realização
de um levantamento em foto, áudio e/ou vídeo das ações empreendidas.
Concluído o trabalho de campo, os dados obtidos junto às quatro primeiras fases do
instrumento de análise são reunidos em um diagrama e na matriz de descobertas, ambos
pertencentes à quinta etapa da ferramenta. Para o tratamento de dados, é utilizado um
diagrama que, além de auxiliar na organização das informações, permite verificar as
relações entre os componentes da acessibilidade espacial e as barreiras existentes. Além
dessa estrutura, há a matriz de descobertas, que apresenta um campo destinado a
análises da planta baixa do edifício escolar, assim como a verificação das barreiras,
sempre pautadas nos componentes da acessibilidade espacial. Tanto o diagrama quanto
a matriz de descobertas possuem critérios de avaliação que facilitam a detecção e
hierarquização dos problemas, assim como a verificação de problemáticas que se
repetem e a identificação das necessidades mais urgentes.
A última etapa diz respeito à produção de um relatório sobre a acessibilidade no
edifício escolar analisado, a ser disponibilizado à direção da escola e à Secretaria de
Educação do município, de maneira a embasar possíveis alterações e reformas futuras
focalizadas na promoção da acessibilidade.
Com a aplicação dessa ferramenta, além do estabelecimento de diretrizes de possíveis
alterações e reformas futuras, espera-se o envolvimento e consequente engajamento da
comunidade escolar junto ao tema acessibilidade, visando a consolidação de um espaço
escolar inclusivo e democrático. Em tempo, cabe ressaltar a importância: (1) da revisão
contínua da ferramenta, com vistas ao seu aprimoramento constante – sobretudo diante
do lançamento da última versão da NBR 9050, em agosto de 2020 e de prováveis
impactos decorrentes da pandemia de Covid-19 – e (2) da possível necessidade de
adequação de conteúdos presentes em algumas de suas etapas – como, por exemplo, no
checklist – devido a leis municipais e estaduais, sendo o instrumento aplicado a outras
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cidades e estados brasileiros. A partir, pois, da aplicação futura do instrumento aqui


apresentado, em um número crescente de escolas de Juiz de Fora – além das
possibilidades já mencionadas junto a outras cidades – espera-se estender a sua
contribuição junto à população.

5. CONCLUSÕES

É imprescindível que o acesso aos edifícios públicos seja assegurado a todos. Neste
sentido, os edifícios escolares desempenham uma importante função no processo de
educação, construção social e garantia da cidadania. É necessário que a escola
proporcione condições plenas de utilização do espaço por todos os seus usuários.
A ferramenta de análise da acessibilidade em edifícios escolares, aqui apresentada em
síntese, busca contribuir neste sentido. Em primeira instância, foi necessário a apreensão
dos principais aspectos dos ambientes de análise - fragilidades e potencialidades - a fim
de que estes fundamentem diretrizes a serem alcançadas. Para tal, as principais técnicas
componentes da ferramenta compreendem a ficha técnica, como instrumento de
levantamento de informações sobre a instituição de análise; o checklist, onde são
agrupados pré-requisitos a serem considerados na avaliação da acessibilidade; o grupo
focal, que possibilita o contato com os membros da comunidade escolar e suas
percepções sobre o espaço. Após a fase de levantamento, os dados obtidos são
sistematizados através do tratamento de dados, matriz de descobertas e, por fim, o
relatório reúne as reflexões e resultados alcançados relativos ao edifício escolar
analisado.
Por fim, a expectativa é de que a ferramenta desenvolvida, uma vez aplicada, possa
auxiliar na averiguação da acessibilidade em diversas escolas da cidade de Juiz de Fora,
a fim de embasar ações e modificações futuras voltadas à promoção da acessibilidade.

6. AGRADECIMENTOS

É importante agradecer à Pró-Reitoria de Graduação da Universidade Federal de Juiz


de Fora (PROGRAD/UFJF), pelo apoio dado ao Projeto de Treinamento Profissional
Acessibilidade em Edifícios e Espaços Públicos de Juiz de Fora, no qual foi desenvolvido
este estudo.

7. TERMO DE RESPONSABILIDADE

Os autores são os únicos responsáveis pelas informações incluídas neste trabalho e


autorizam a publicação deste trabalho nos canais de divulgação científica do ABERGO
2020. Os Anais do XX ABERGO serão licenciados sob uma Licença Creative Commons.

8. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2020. NBR 9050: Acessibilidade


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