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MÉTODOS E TÉCNICAS DE

UFCD
0619 ANÁLISE ECONÓMICA E
FINANCEIRA
ufcd 0619– Métodos e técnicas de análise económica e financeira

Índice

Introdução..............................................................................................................3

Âmbito do manual.......................................................................................................3

Objetivos....................................................................................................................3

Conteúdos Programáticos............................................................................................3

Carga horária:............................................................................................................4

1.Estrutura financeira da empresa............................................................................5

1.1.Definição e estrutura da empresa...........................................................................6

1.2. Função financeira, gestão financeira e análise financeira........................................9

1.3. Principais interessados na informação económica e financeira...............................12

2. Análise financeira com recurso a balanços...........................................................16

2.1. Balanço de gestão - Conceito e representação gráfica...........................................17

2.2. Balanço, preparação para análise........................................................................20

2.3. Balanço social....................................................................................................25

3.Métodos e técnicas de análise..............................................................................29

3.1. Comparação de balanços sucessivos....................................................................30

3.1.1.Valores absolutos..........................................................................................30

3.1.2. Percentagens...............................................................................................31

3.1.3. Gráficos.......................................................................................................38

3.1.4. Números......................................................................................................40

3.1.5. Índices........................................................................................................40

3.2. Método dos indicadores ou rácios........................................................................46

3.2.1. Fundo de maneio líquido...............................................................................46

3.2.2.Equilíbrio financeiro a curto prazo...................................................................49

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3.2.3.Equilíbrio financeiro a médio e longo prazo.....................................................50

4. Análise financeira com demonstração de resultados.............................................52

4.1. Saldos intermédios de gestão..............................................................................53

4.2. Cash-flow e autofinanciamento............................................................................55

4.3. Margem bruta....................................................................................................59

4.4. Custos operacionais variáveis..............................................................................61

2.5. Custos fixos.......................................................................................................64

5.Análise económica...............................................................................................67

5.1. Análise da rendibilidade da empresa....................................................................68

5.2. Árvore da rendibilidade do capital próprio............................................................72

Bibliografia............................................................................................................74

Termos e condições de utilização............................................................................75

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 0619 – Métodos e técnicas de análise económica e financeira, de
acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

Aplicar métodos e técnicas de análise financeira e de gestão orçamental como ferramentas


para a gestão das empresas.
Elaborar orçamentos e analisar desvios orçamentais.

Conteúdos Programáticos

 Estrutura financeira da empresa


o Definição e estrutura da empresa
o Função financeira, gestão financeira e análise financeira
o Principais interessados na informação económica e financeira
 Análise financeira com recurso a balanços
o Balanço de gestão - conceito e representação gráfica
o Balanço, preparação para análise
o Balanço social
 Métodos e técnicas de análise
o Comparação de balanços sucessivos

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 - Valores absolutos
 - Percentagens
 - Gráficos
 - Números
 - Índices
 Método dos indicadores ou rácios
o - Fundo de maneio líquido
o - Equilíbrio financeiro a curto prazo
o - Equilíbrio financeiro a médio e longo prazo
 Análise financeira com demonstração de resultados
o Saldos intermédios de gestão
o Cash-flow e autofinanciamento
o Margem bruta
o Custos operacionais variáveis
o Custos fixos
 Análise económica
o Análise da rendibilidade da empresa
o Árvore da rendibilidade do capital próprio
 Elaboração de orçamentos
o Sequência orçamental Análise de desvios
o Análise de desvios

Carga horária:

 50 horas

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1.Estrutura financeira da empresa

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1.1.Definição e estrutura da empresa

Conceito de empresa

A empresa é o resultado de um conjunto de recursos organizados que, atuando no mercado,


fornece produtos e/ ou serviços em troca duma retribuição monetária.

Pode-se entender por empresa qualquer entidade que possua um conjunto organizado de
meios, com vista a exercer uma atividade económica. Esta atividade pode traduzir-se na
transação e/ou na produção de bens e/ou serviços, com o objetivo de atender a alguma
necessidade humana.

São unidades institucionais cuja principal função económica é a produção de bens e


serviços comercializáveis, isto é, bens ou serviços que podem ser transacionados nos
mercados visando a criação de riqueza.

A Empresa é ainda uma Entidade com enquadramento Jurídico, Económico e Social.


 O enquadramento jurídico define a forma de constituição e funcionamento do
ponto de vista legal. Corresponde a forma legal pela qual os promotores optaram
por desenvolver a sua atividade, que pode ser exercida individualmente ou
associando diversos indivíduos, pessoas físicas ou jurídicas - sociedades ou outras
entidades coletivas:

o Individualmente: os empresários podem trabalhar a título individual, como


comerciantes, prestadores de serviços ou industriais ou constituir uma
"sociedade" sob a forma de Sociedade por Quotas Unipessoal ou como
Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada.
o Coletivamente: diversos indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas) podem ser
promotores de uma atividade económica e organizar-se sob uma das formas
previstas quer pelo Código das Sociedades Comerciais, quer do Código

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Cooperativo, quer por outra legislação própria. As formas mais comuns de


associação são as Sociedades par Quotas (que exigem no mínimo duas pessoas)
ou as Sociedades Anónimas, que exigem cinco ou mais pessoas, havendo no
entanto exceções a essa regra.

 O enquadramento económico garante que a Empresa cumpre os seus objetivos de


criação de riqueza.
 O enquadramento social garante que a Empresa cumpre com os objetivos de
desenvolvimento da Sociedade em que se insere.

Compra de recursos Conjunto de recursos Venda do produto ou serviço


€A organizados €. B

B – A = Criação de riqueza

O objetivo é que o capital "B" que entra na Empresa como resultado da venda dos seus
produtos ou serviços, seja superior ao capital "A" que a Empresa despende na obtenção
dos recursos necessários à sua laboração.

A Empresa, sendo uma entidade dinâmica, desenvolve relações INTERNAS entre os seus
membros e EXTERNAS, com o meio envolvente.

A fim de garantir a eficácia da organização da Empresa, as relações terão de ter um


enquadramento formal, sendo porém certo que, nas organizações modernas, em que
prevalece a definição de objetivos coletivos, o trabalho em grupo, a polivalência e a
flexibilidade, há um peso cada vez maior das relações informais.

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Como em tudo na gestão, as empresas deverão conseguir o equilíbrio adequado entre a


rigidez formal e a flexibilidade informal.

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1.2. Função financeira, gestão financeira e análise financeira

A função financeira de uma empresa prende-se com a obtenção, utilização e controle


dos recursos financeiros, de forma a maximizar o valor da empresa, desenvolvendo
atividades que visem:
o A determinação das necessidades de recursos financeiros (através do planeamento
das necessidades, inventariação dos recursos disponíveis, previsão dos recursos a
libertar pela exploração e cálculo dos recursos a obter fora da empresa),
o A obtenção de recursos da forma mais vantajosa (em termos de custos e prazos,
condições fiscais, equilíbrio entre a composição dos capitais próprios e alheios).
o A aplicação criteriosa e racional dos recursos (a fim de obter uma estrutura
financeira adequada e bons níveis de eficiência e rendibilidade),
o O controlo das aplicações de fundos (através da comparação entre previsões e
realizações e pela análise dos desvios)
o A avaliação da rendibilidade dos investimentos (quer da empresa como um todo,
quer por tipo de capitais utilizados).

A função financeira engloba a gestão financeira e a análise financeira.

A gestão financeira abrange o conjunto de técnicas que visam:


 A obtenção regular e oportuna dos recursos financeiros necessários ao
funcionamento e desenvolvimento da empresa, ao menor custo possível e sem
alienação da sua independência,
 O estudo e controlo da rendibilidade,

Podendo ser aplicada numa perspetiva:


 De médio longo prazo (quanto a políticas de investimento e de financiamento,
distribuição de resultados ou estrutura e nível dos capitais permanentes),

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 De curto prazo (relativamente à gestão dos ativos e passivos circulantes, tais como,
disponibilidades, gestão dos créditos de/a terceiros, desconto de títulos, gestão de
stocks e tesouraria).

Desta forma, são objetivos da gestão financeira:


 Fazer o planeamento financeiro de médio longo prazo (Planos Financeiros) e de
curto prazo (Orçamentos de Tesouraria),
 Assegurar a gestão da tesouraria,
 Estudar as decisões de investimento e selecionar as fontes de financiamento,
negociar financiamentos,
 Estudar políticas de amortização do imobilizado, constituição de provisões e
distribuição de resultados,
 Assegurar a estrutura financeira mais adequada,
 Manter a integridade do capital e promover o seu reforço,
 Permitir a constante solvibilidade da empresa,
 Assegurar a rendibilidade dos capitais investidos
 Controlar origens e aplicações de fundos.

Compete à análise financeira a recolha de dados e o seu estudo, a fim de fornecer


informações relevantes ao gestor financeiro, através de um conjunto de técnicas que visam
o estudo passado e presente da situação económico-financeira da empresa, com vista a
determinar a sua provável evolução futura.

A análise financeira pretende obter resposta às seguintes questões:


 A empresa é lucrativa?
 Como é obtido o lucro?
 O que aconteceu no ano anterior?
 Qual nível de faturação da empresa?
 Está muito endividada?
 Que investimentos foram realizados?

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O seu objeto consiste em caracterizar a situação económica e financeira da empresa e a


sua evolução ao longo de certo período de tempo (normalmente de 3 a 5 anos), com base
no estudo das demonstrações financeiras e respetivos anexos.

É importante verificar se:


 A empresa dispõe dos meios financeiros adequados às necessidades operacionais,
ou pode vir a dispor deles sem criar relações de dependência perante terceiros –
EQUILÍBRIO FINANCEIRO.
 A empresa tem capacidade de gerar valor ou rendimento que permita satisfazer
todos os agentes com interesses na organização e garantir a sua sobrevivência e
expansão a longo prazo – RENDIBILIDADE/ PRODUTIVIDADE.

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1.3. Principais interessados na informação económica e


financeira

A legislação, plasmada fundamentalmente no Código das Sociedades Comerciais, obriga as


empresas a divulgar as suas contas. As contas são divulgadas num conjunto de
documentos denominados de Relatório e Contas onde se incluem as demonstrações
financeiras.

As demonstrações financeiras refletem a posição financeira das empresas (os seus recursos
e as suas dívidas) e o resultado das suas operações apresentando-as e divulgando-as de
forma agregada.

Para que este objetivo seja atingido e necessária determinados procedimentos


contabilísticos, que passam por:

o Identificar - distinguir as operações que devem ser tratadas pela contabilidade,


como por exemplo as compras, vendas ou aquisições de equipamentos;
o Reconhecer- significa contabilizar, ou seja incorporar essa informação na
contabilidade;
o Mensurar - significa atribuir uma quantia monetária ao facto que se vai
contabilizar;
o Apresentar ou elaborar as demonstrações financeiras;
o Divulgar - complementar no Anexo a informação quantitativa que consta nas
outras demonstrações financeiras.

Podemos identificar um conjunto de entidades que, por diversas motivações, têm interesse
no conhecimento das informações de carácter económico e financeiro de uma empresa,
nomeadamente:

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o Investidores, Consultores e Analistas Financeiros - correspondem aos


proprietários das empresas (sócios ou acionistas) que fornecem o capital de risco.
Precisam de informação para saber se compram ou vendem os títulos de uma
determinada empresa e qual o retorno esperado do seu investimento. Os
consultores também estão interessados nesta informação pois muitos dos
investidores recorrem aos seus serviços e são eles que os aconselham a comprar,
deter ou vender ações/quotas de uma determinada empresa.

Pretendem analisar a evolução dos seus investimentos, o grau de distribuição ou


afetação de resultados, as formas de aumento de capital social, as estratégias de
crescimento das suas quotas de mercado e/ou avaliar o potencial de determinada
empresa em que desejam investir.

Este é um dos principais grupos recetores da informação financeira de uma


empresa, que necessita de informação para a tomada de decisão quanto à compra,
posse ou venda das ações e o respetivo timing para a realização destas operações.

As análises elaboradas para servirem de base à tomada de decisão poderão ser


efetuadas pelos próprios acionistas e potenciais investidores, ou por intermediários,
tais como, consultores ou analistas financeiros, que constituem um importante
grupo de pressão junto da gestão quanto à publicação da informação financeira,
quer em termos de prazos, quer em termos de natureza e conteúdo.

o Gestores - Pretendem avaliar a sua performance, compreender e controlar as


operações e ter uma base para o planeamento e para a tomada de diversas
decisões de gestão, tais como, decisões de investimento, de financiamento, de
distribuição de resultados, de políticas comerciais ou operacionais. Também os
contratos ou planos de incentivo aos gestores assentam essencialmente em
elementos financeiros.

Muitas empresas estabelecem o recebimento de incentivos (sob forma de bónus


pecuniários, viagens ou outros prémios) por parte dos gestores, quando estes

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atingem os objetivos predefinidos (ou uma percentagem destes), por exemplo, em


termos de Resultados, Rendibilidade dos Capitais Próprios, Vendas ou Rendibilidade
Económica. É importante que o gestor possua conhecimento acerca das
informações financeiras da sua empresa em tempo oportuno, a fim de corrigir
possíveis desvios na prossecução dos objetivos a atingir.

o Pessoal e Sindicatos- Pretendem negociar melhores condições de trabalho e


maiores benefícios salariais, necessitando de informações financeiras da empresa,
dado que estas constituem uma boa fonte de informação acerca da sua situação
atual e potencial rendibilidade e solvabilidade.

Dado que a empresa possui uma importante envolvente social, promovendo o


emprego e constituindo uma das principais fontes de rendimento das famílias, o seu
pessoal necessita ter conhecimento das suas informações financeiras a fim de
avaliar a viabilidade futura dos seus planos de reforma.

Além disso, tal como para os gestores, algumas empresas estabelecem planos de
incentivo aos trabalhadores com base em elementos financeiros, como por
exemplo, comissões ou bónus sobre o valor dos Proveitos ou Resultados Líquidos ou
com base em indicadores de rendibilidade, tendo eles, deste modo, grande
interesse em aceder à informação necessária.

o Publico - as entidades afetam o público de diversos modos. Por exemplo, podem


dar uma contribuição substancial a economia local de muitas maneiras incluindo o
número de pessoas que empregam e patrocinar comércio dos fornecedores locais.
As demonstrações financeiras podem ajudar o público ao proporcionar informação
acerca das tendências e desenvolvimentos recentes na prosperidade da entidade e
o leque das suas atividades.

o Estado e Outros Entes Públicos- Pretendem calcular o montante de impostos e


taxas devido numa perspetiva fiscal, ou que pretendem, de alguma forma, obter
acesso aos elementos sobre a sua atividade, tais como, as entidades que

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acompanham determinados sectores económicos (construção e da habitação por


exemplo) a fim de compatibilizar medidas e políticas.
O Governo e os seus departamentos estão interessados na alocação de recursos e
por consequência na atividade das entidades. Também exigem informação a fim de
regular as atividades, determinar as políticas de tributação e como informação para
estatísticas do rendimento nacional e outras semelhantes.

o Fornecedores e outros credores comerciais - estão interessados em


informação que permita determinar se as quantias que lhes são devidas serão
pagas nas datas de vencimento. Os credores comerciais estão provavelmente
interessados numa entidade durante um período mais curta que os mutuantes, a
menos que estejam dependentes da continuação da entidade como um cliente
importante.

o Outros- Tais como, concorrentes que pretendem avaliar a performance relativa,


estudantes ou docentes que pretendem realizar trabalhos de investigação
académica, ou outras instituições de interesse específico.

Uma análise financeira inclui o estudo comparativo das informações financeiras de uma ou
várias empresas num determinado momento no tempo (Análise Cross-Seccional) e/ou
evolução e tendências dessas informações ao longo do tempo (Análise Time-Serie).

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2. Análise financeira com recurso a balanços

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2.1. Balanço de gestão - Conceito e representação gráfica

O Balanço, atendendo à sua natureza formal, é um documento estático, um quadro


resumido do inventário geral da empresa, comparativo de elementos expressos em
unidades de valor, em determinada data. É o mapa que nos dá a posição financeira da
empresa, ou seja permite identificar os elementos do ativo liquido, passivo e do capital
próprio agrupados em rubricas pré-definidas.

O balanço avalia a riqueza, isto é, o valor da empresa mas não demonstra o seu resultado,
apenas o apresenta em valor total.

O Balanço procura fazer a comparação entre o Ativo e o Passivo, estabelecendo a sua


diferença o Capital Próprio.

Capital próprio: é o valor líquido do património de


uma empresa. O capital próprio é a diferença entre
os ativos e passivos, ou seja, a diferença entre tudo
aquilo que a empresa possui e deve a terceiros.

Em toda a atividade, há o interesse em, ao proceder-se à comparação entre aqueles dois


grupos de valores, obter uma diferença (CP) cada vez maior, de modo que o Ativo supere o
Passivo.

Porém, nem sempre assim acontece. Por motivos vários, pode suceder que, no fim de
determinado exercício económico, os valores que a empresa dispõe (Ativo) sejam inferiores
às obrigações que a empresa tem para com terceiros (Passivo). Nesse caso, a comparação
entre o Ativo e o Passivo traduzirá um prejuízo e o Capital Próprio da empresa será
negativo.

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Quando o seu passivo seja manifestamente superior ao ativo, e com dificuldade em


cumprir com as suas obrigações vencidas, a empresa estará numa situação de insolvência.

O balanço traduz sempre um equilíbrio entre três grandezas: Ativo, Passivo e Capital
Próprio.
Na sua forma mais simples, é passível de representação através de duas colunas verticais:
na primeira representa-se o Ativo e na segunda figuram o Passivo e o Capital Próprio.

O equilíbrio patrimonial pode ser representado algebricamente na igualdade, conhecida por


equação geral do balanço:

A = P + CP

O balanço é um documento contabilístico que reflete a situação financeira da empresa num


determinado momento listando os bens e os direitos (o ativo), e as obrigações da empresa
perante terceiros (o passivo).

Doutro ponto de vista, o ativo reflete os investimentos efetuadas na empresa, e o passivo é


de onde saíram os fundos que financiaram esses investimentos.

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Segue-se o exemplo de um balanço (figura A):

Neste exemplo, podem-se observar as principais características do balanço:


• Está sempre mencionada uma determinada data
• Expressa-se em unidades monetárias
• O total do ativo é sempre igual ao total do passivo.

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2.2. Balanço, preparação para análise

O balanco é a demonstração financeira que nos dá a posição financeira da entidade.

O seu formato é de aplicação obrigatória apresentando diferenças para as entidades


integradas nos diversos regimes. Essas diferenças estão espelhadas no número de rubricas
incluídas nessa demonstração, para além dos diferentes critérios de mensuração a elas
associados assim como as diferentes exigências em termos de divulgação no anexo.

O formato do balanço corresponde as divulgações mínimas que as entidades são obrigadas


a indicar:

- Incluir a identificação (nome da entidade),


- A data a que se reportam as contas (normalmente 31/12/N),
- A unidade monetária em que relata (normalmente em €).

O balanço deve evidenciar os comparativos relativos ao período anterior, normalmente 31/12/N-1.

O modelo de balanço aprovado para as diferentes entidades pode-se sintetizar da seguinte


forma:

Itens Valor €.
Ativo
Mobiliário 2.400
Equipamento 3.000
Estado (IVA dedutível) 23
Depósitos à ordem 5.500
Caixa 419
Total do ativo líquido 11.342
Passivo
Fornecedores (Fatura do fornecedor) 1.123
Estado 69
Total do passivo 1.192
Capital próprio
Capital próprio no início do periodo 10.050
Gastos (perda em mobiliário - 100
3
Gastos (energia) - 100
Rendimentos + 300
Total do capital próprio 10.150
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Os ativos e passivos não devem ser compensados, ou seja, não se deve deduzir ao ativo
valores de um passivo associado e vice-versa.

Por exemplo, se a empresa X vende ao cliente Y 5.000€ de mercadorias a crédito, e em


simultâneo essa empresa realiza um serviço à X no montante de 200 €, também a crédito,
estas duas operações devem ser evidenciadas na empresa X separadamente:

- A dívida de Y (1.000 €) constara numa rubrica do ativo


- A dívida a X constara no passivo, no montante de 200 €.

Para se entender o balanço e necessário perceber o que significam os itens a relatar, o seu
conteúdo e a sua disposição nesse mapa contabilístico. Os itens correspondem a um
conjunto homogéneo de elementos patrimoniais, agrupados sob uma conta.

A primeira distinção que aparece no balanco, quer para os ativos quer para os passivos, é:
o Corrente.
o Não corrente.

A distinção de corrente e não corrente consta nas normas contabilísticas.

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Um ativo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer dos seguintes
critérios:

a. Espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido, no


decurso normal do ciclo operacional da entidade;
b. Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
c. Espera-se que seja realizado num período até doze meses após a data do balanço;
ou
d. É caixa ou equivalente de caixa, a menos que lhe seja limitada a troca ou uso para
liquidar um passive durante pelo menos doze meses após a data do balanço.

Todos os outros ativos devem ser classificados como não correntes.

Como se infere, as normas definem o conceito de ativo corrente, e por exclusão de partes
temos o conceito de ativos não correntes. Para que seja um ativo corrente basta cumprir
apenas um dos critérios apresentados.

Exemplo

Uma empresa que presta serviços de consultadoria de viagens, no final do mês de


setembro apresentava os seguintes elementos patrimoniais ativos líquidos:

o Depósitos a ordem: 5.500 €


o Mobiliário diverso: 25.000 €
o Clientes: 5.000 € (que de acordo com os contratos estabelecidos, 50% será
recebido dentro de 3 meses e o restante dentro de 18 meses)
o Dinheiro na caixa: 50 €
o Equipamento informático: 3.000 €
o Ações detidas para negociação: 1.000 €
o Inventários (stocks): 3.800 €

Atendendo aos critérios acima expostos

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Ativo corrente:
o Inventários (stocks): 3.800 €
o Clientes: 5.000 €- Nota: Os créditos comerciais são sempre correntes
o Ações detidas para negociação: 1.000 €
o Depósitos a ordem = 5.500 €
o Dinheiro na caixa: 50 €

Ativo não Corrente:


o Equipamento informático: 3.000 €
o Mobiliário diverso: 25.000 €

Relativamente aos passivos, referem as normas que:

Um passivo deve ser classificado como corrente quando satisfizer qualquer um dos
seguintes critérios:
o Se espere que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da
entidade;
o Esteja detido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
o Deva ser liquidado num período até doze meses após a data do balanco;
ou
o A entidade não tenha um direito incondicional de diferir a liquidação do
passive durante pelo menos doze meses ap6s a data do balanco.

Todos os outros passivos devem ser classificados como não correntes.

Como se infere, as normas definem o conceito de passive corrente, e par exclusão de


partes temos o conceito de passive não corrente. Para que seja considerado um passive
corrente basta cumprir um dos critérios apresentados.

Exemplo

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Uma empresa no final do mês de setembro apresentava os seguintes elementos


patrimoniais passivos:
o Fornecedores: 5.500 € (a pagar nos próximos 2 meses e 15 meses)
o Sócios: 3.000 € (suprimentos 26 a sociedade a recuperar em 24 meses)
o Estado: 200 € (IVA a pagar)
o Empréstimo obtido no banco NOTAS: 25.000 € (que de acordo como
contrato estabelecido, 40% será liquidado dentro 6 meses e o restante
dentro 18 meses).

Atendendo aos critérios acima expostos:

Passivo corrente:
o Fornecedores: 5.500€ Nota: As dívidas comerciais são sempre correntes
o 40% do empréstimo bancário (10.000 €)
o Estado: 200 € (IVA a pagar)

Passivo não Corrente:


o 60% do empréstimo bancário (15.000 €)
o Sócios: 3.000 € (a pagar a 24 meses)

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2.3. Balanço social

O balanço social fornece um conjunto de informações essenciais sobre a situação social da


empresa, pondo em evidência pontos fortes e pontos fracos da gestão social dos recursos
humanos, o grau de eficiência dos investimentos sociais e os programas de ação que visem a
realização pessoal dos trabalhadores, a sua identificação com a empresa e a melhoria da sua
própria vida.

Desde 1985 que a sua elaboração é obrigatória em todas as empresas com, pelo menos,
100 trabalhadores ao serviço.

O balanço social nas empresas privadas é, simultaneamente um meio de informação, um


utensílio de negociação ou de concertação e um instrumento de planeamento e gestão nas
áreas sociais e de recursos humanos.

Para tanto o balanço social deve conter as seguintes informações, relativas à:

Identificação da empresa

O Emprego

Os custos com o pessoal

Higiene e segurança

A formação profissional

A proteção social complementar

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1. IDENTIFICAÇÂO DA EMPRESA

A empresa deve identificar a sua atividade principal, aquela de que aufere maior volume
de vendas ou de serviços prestados se nela se exercer mais de que uma atividade, o
estabelecimento, ou seja, a unidade económica que, sob um único regime de
propriedade ou de controlo, produz exclusiva ou principalmente um grupo homogéneo de
bens ou serviços num único local, incluindo sempre a sede da empresa.

Deve determinar a natureza jurídica da empresa: pública; em nome individual,


Sociedade anónima, Sociedade por quotas, etc.

Ainda, as pessoas ao serviço ligadas a empresa por um contrato de trabalho, que


participaram na atividade da empresa, o número médio de pessoas durante o ano

O Valor do VAB, conforme o Plano Oficial de Contas:


 Custo com pessoal
 Amortizações do exercício
 Provisões do exercício
 Custos e perdas financeiros
 Imposto sobre o rendimento
 Resultados líquidos do exercício

2. EMPREGO

Neste âmbito e empresa deve indicar elementos como o número de pessoas ligadas à
empresa por um contrato de trabalho a termo e sem termo, o número médio de pessoas
empregues durante o ano, a respetiva estrutura etária, qualidade e estrutura de níveis de
habilitação.

Ainda neste capítulo, o número médio anual de contratados a termo e aqueles que
passaram ao quadro permanente, as promoções: por antiguidade, mérito ou outras, o

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potencial máximo anual (número total de horas que teoricamente a empresa laborará
durante o conjunto de dias úteis do ano), o total de horas efetivamente trabalhadas e as
ausências ao trabalho

3. CUSTOS COM PESSOAL

Custos com o pessoal pertencente aos órgãos sociais (por ex.: corpos gerentes, conselho
fiscal, etc.) e os que respeitem aos restantes trabalhadores.

O salário direto e os subsídios e prémios regulares: montante ilíquido anual pago às


pessoas ao serviço no ano, com carácter regular, em cada período de pagamento e
referente a prémios de produtividade ou rendimento, subsídios de antiguidade ou
assiduidade, subsídios de turno, por trabalho noturno, por trabalhos penosos ou sujos, de
função ou responsabilidade, pagamento das horas suplementares, trabalho noturno
extraordinário e trabalho em dias de descanso.

4. HIGIENE E SEGURANÇA

Aqui deve também indicar o número de acidentes de trabalho e eventuais doenças


profissionais

5. FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Entende-se por “ações de formação profissional” cursos organizados que visam a aquisição
de conhecimentos e aptidões exigidos para o exercício de funções próprias de uma
profissão ou grupo de profissões em qualquer atividade económica.

Considera as ações de formação profissional promovidas pela empresa, ou a que de


qualquer forma a empresa aderiu, na própria empresa, noutras empresas, centros de
formação profissional estatais, etc., no país ou no estrangeiro.
o Número total de ações
o Número de participantes

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o Duração das ações


o Custos totais de formação

6. PROTECCAO SOCIAL COMPLEMENTAR

Aqui entende-se por encargos (prestações) os montantes de prestações pecuniárias a


cargo da empresa complementares das garantidas pelo regime geral da segurança social,
diretamente suportadas e garantidas pela própria empresa.

Ainda os encargos (prémios ou contribuições) ou montantes a cargo da empresa


destinados a custear esquemas completares de segurança social, que podem ter a natureza
de regimes profissionais complementares, fundos de pensões, fundos de poupança-reforma
(feitos pela empresa a favor dos seus trabalhadores), seguros de grupo, etc.

O Balanço Social não se confunde com a política de recursos humanos interna que
analisa a relação da empresa com seus funcionários. Enquanto que aquele preocupa-se
também com os feitos da empresa em relação à sociedade externa, ou seja, desde
investidores e fornecedores até ao meio ambiente e Estado.

O Balanço Social, como estratégia de mudança, de impacto eminentemente social e


cultural, tem por objeto demonstrar ao universo de usuários, de forma confiável, uma
prestação de contas, para que possam conhecer e avaliar a qualidade dos investimentos,
aplicação de recursos e o cumprimento das destinações orçamentárias.

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3.Métodos e técnicas de análise

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3.1. Comparação de balanços sucessivos

Enquadra-se no estudo dinâmico dos documentos e da sua estrutura económica e


financeira em diferentes períodos para analisar a sua evolução. A comparação pode ser
feita em valores absolutos, em percentagens, em gráficos e em números índices.

3.1.1.Valores absolutos

O estudo de um Balanço apresenta carácter estático, enquanto que o estudo de Balanços


Sucessivos (o período utilizado varia normalmente entre 3 a 5 anos) apresenta um carácter
dinâmico e facilita a visualização dos dados necessários à análise.

A comparação do último balanço da empresa com os anteriores, em termos absolutos,


permite obter facilmente uma visão direta e rápida da evolução da sua situação financeira,
através das mutações havidas nas diferentes massas patrimoniais.

O quadro elaborado para este efeito costuma designa-se por mapa ou quadro de mutações
de valores, o qual serve de base para apreciação das origens e aplicações de liquidez,
através do Mapa de origens e aplicações de fundos (MOAF)

O estudo de balanços sucessivos deve ser completado com análise crítica do MOAF que vai
permitir o estudo da interdependência das variações das diversas rubricas de balanço. O
MOAF é elaborado na base do Mapa de Mutação de Valores.

A simples constatação dos acréscimos e decréscimo das diversas rubricas do balanço, em


anos seguidos, permite a obtenção de certas informações, e sobretudo interrogações, com
interesse sobre a situação da empresa, que foram aprofundadas e esclarecidas através de
outros métodos de análise.

Mapa de Origem e Aplicação de Fundos (MOAF)

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Quando observamos e analisamos um Balanço e uma Demonstração de Resultados nada


nos é dito sobre algumas vivências da empresa, nomeadamente:

o Que investimentos foram efetuados?

o Como foram financiados esses investimentos?

o Como foi financiada a atividade corrente?

o Se foram distribuídos lucros, etc.

O Mapa de Origens e Aplicação de Fundos vem responder a estas perguntas.

O Mapa de Origem e Aplicação de Fundos é um dos mapas financeiros mais importantes e


utilizados na contabilidade e na análise financeira de empresas. Representa um conjunto de
fluxos de carácter monetário verificado numa determinada empresa e num determinado
período.

O principal objetivo do MOAF é a compreensão das razões dos aumentos e diminuições do


fundo de maneio (relação entre o ativo circulante e o passivo circulante) num determinado
período.

3.1.2. Percentagens

O cálculo de percentagens consiste em dividir cada elemento do balanço pelo total do


ativo. Assim, pode-se apreciar a importância de cada elemento com respeito ao total do
ativo ou passivo.

De seguida, proceder-se-á ao cálculo das percentagens do seguinte balanço:


As percentagens calculam-se dividindo cada grupo de contas pelo total do ativo e
multiplica-se por 100.

Por exemplo, para o imobilizado achar-se-á:

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495 x 100 = 44%


1125

Para as existências:
360 x 100 = 32%
1125

Para o não elegível:


460 x 100 = 36%
1125

O balanço em percentagens será como se pode observar na figura seguinte:

Observe-se que as percentagens do ativo e do passivo somam 100. Uma vez calculadas as
percentagens, já se podem obter algumas conclusões:

1. Tem de se comprovar que os componentes do ativo circulante (ou seja, existências,


realizável e disponível) superam o exigível a curto prazo. Caso contrário, a empresa
poderá ter problemas de liquidez, uma vez que o ativo circulante representa todos

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os ativos que hão-de converter-se em dinheiro antes de um ano e elegível a curto


prazo reflita todas as dívidas a pagar até um ano.

Para que não haja problemas de liquidez, o que se recebe antes de um ano há-de
ser maior do que aquilo que se irá pagar durante o mesmo espaço de tempo.

No balanço anterior, o ativo circulante (existências, realizável e disponível) ascende


a 630 (56%), e portanto supera o exigível a curto prazo que ascende a 450 (49%).
Pode-se afirmar que, em princípio esta empresa não há-de ter problemas de
liquidez antes de um ano.

2. Em segundo lugar, deve-se analisar o peso das dívidas; o exigível não deverá ser
superior a 60% do passivo.

No exemplo em estudo as dívidas representam 64% (soma do exigível a médio


prazo e do exigível a curto prazo) do passivo. Para isso, esta empresa tem um
excesso de dívidas, isto é o está descapitalizada. Quando uma empresa tem um
excesso de dívidas significa que está nas mãos dos seus credores.

3. De seguida pode analisar-se a composição do ativo e do passivo do balanço. Assim,


no balanço que estamos a estudar o ativo compõe-se principalmente por
imobilizado e existências. O passivo é formado por exigíveis a curto prazo e não
exigíveis.

Em resumo, calculadas as percentagens podem-se fazer as seguintes comparações:


comparar o ativo circulante com o exigível a curto prazo; analisar o peso da dívida e
estudar a composição do ativo e do passivo:

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Comparação de Balanços sucessivos em valores absolutos e percentagens


e variações

Rubricas Datas
2013 % 2014 % Aum/Dim Variações
ACTIVO
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis 181.146€ 57,04% 163.338€ 49,58% -17.808€ -9,83%
Propriedades investimento 27.459€ 8,65% 26.399 8,01% .1.060€ -3,86%
Ativos tangíveis 66.494€ 20,94% 88.560 26,88% 22.066€ 33,18%
Total Ativo não corrente 275.099€ 86,63% 278.297 84,48% 3.198€ 1,16%
Ativo corrente
Inventários 7.042€ 2,22% 7.512 2,28% 470€ 6,67%
Clientes 25.558€ 8,05% 35.099 10,65% 9.541€ 37,33%
Outras contas a receber 2.974€ 0,94% 1.592 0,48% -1.382€ -46,47%
Caixa 1.888€ 0,59% 800 0,24% -1.088€ -57,63%
Depósitos bancários 5.000€ 1,57% 6.130 1,86% 1.130€ 22,60%
Total do ativo corrente 42.462€ 13,37% 51.133 15,52% 8.671€ 20,42%
Total do ATIVO 317.561€ 329.430 11.869€ 3,74%
CAPITAL PRÓPRIO
PASSIVO
Capital próprio
Capital realizado 75.000€ 23,62% 75.000 22,77% - 0,00%
Reservas legais 5.000€ 1,57% 7.000 2,12% 2.000€ 40,00%
Resultado líquido do 11.600€ 3,65% 18.523 5,62% 6,923€ 59,68%
período
Total do capital próprio 91.600€ 28,84% 100.523 30,51% 8.923€ 9,74%
Passivo
Passivo não corrente
Financiamentos obtidos 112.128€ 35,31% 91.455 27,76% -20.673€ -18,44%
Total passivo não 112.128€ 35,31% 91.455 27,76% -20.673€ -18,44%
corrente
Passivo corrente
Fornecedores 15.561€ 4,90% 34.005 10,32% 18.444€ 118,53
%
Estado e outros entes 7.285€ 2,29% 12.789 3,88% 5.504€ 75,55%
públicos
Financiamentos obtidos 53.975€ 17,00% 70.920 21,53% 16.945€ 31,39%
Outras contas a pagar 37.012€ 11,66% 19.738 5,99% -17.274€ -46,67%
Total do passivo corrente 113.833€ 50,38% 137,452 60,05% 23.619€ 20,75%
Total do passivo 225.961€ 71,16% 228.907 69,49% 2.946€ 1,30%
Total Capital Próprio e 317.561€ 29.430 11.869€ 3,74%
Passivo

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Ao analisarmos este Balanço e depois de efetuarmos os cálculos necessários para uma


correta análise verificamos que:

Ativo não corrente

o O peso do Ativo não Corrente do Balanço Total diminui de 86.63% em 2013 para

84.48% em 2014.

o Apesar dos Ativos Intangíveis terem aumentado de 20.94% em 2013 para 26.88%

em 2014 não foi o suficiente para que o Ativo não Corrente aumentasse.

o Alem disso houve uma grande diminuição da rubrica Ativos Fixos Tangíveis que

diminuíram de 57.04% em 2013 para 49.58% em 2014.

o Contudo o Ativo Não Corrente apresenta uma variação de 1.16% em 2014 face a

2013.

Ativo Corrente

o O peso do Ativo Corrente aumentou no Balanço Total de 13.37% em 2013 para

15.52% em 2014.

o A rubrica que mais contribui para este aumento foi Clientes que aumentam o seu

peso Total no Balanço de 8.05% em 2013 para 10.65% em 2014.

o o Total do Ativo Corrente apresenta também uma variação de 20.42% em 2014

face a 2014.

Capital Próprio

o O Capital Próprio aumentou o seu peso no Balanço Total de 28.84% em 2013 para

30.51% em 2014.

o A rubrica que mais contribui para este aumento foi o Resultado Liquido do Período

que aumentou o seu peso no Balanço Total de 3.65% em 2013 para 5.62% em
2014.

o Apesar de ter diminuído o peso no Balanço Total de 23.62% em 2013 para 22.77%

em 2014 o Capital Realizado não alterou em nada o peso Total do Capital Próprio
pois este apresenta uma variação de 9.74% em 2014 face a 2013.

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Passivo

o O Passivo diminui o seu peso no Balanço Total de 71.16% em 2013 para 69.49%

em 2014.

o O Passivo não Corrente teve uma diminuição no peso total do Balanço devido a sua

única rubrica (Financiamentos Obtidos) que diminui de 35.31% em 2013 para


27.76% em 2014.

o Apesar de varias rubricas do Passivo Corrente terem aumentado o seu peso no

Balanço Total como por exemplo os Fornecedores que tiveram um aumento de


4.90% em 2013 para 10.32% e os Financiamentos Obtidos que passaram de 17%
em 2013 para 21.52% em 2014 não foi suficiente para cobrir a diminuição existente
no Passivo.

o Contudo o Passivo apresenta uma variação de 1.30% em 2013 face a 2014.

3.1.3. Gráficos

Os dados podem ser analisados em termos absolutos ou relativos e o analista recorre


normalmente a gráficos, a fim de visualizar mais facilmente as rubricas com maior peso nas
Aplicações e nas Origens e suas respetivas variações.

Exemplos de gráficos da evolução da estrutura das aplicações (%) e das origens


(%)

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3.1.4. Números

Os Resultados Líquidos de um exercício, quando superiores a zero, podem ser distribuídos


por Reservas e por Dividendos para os sócios, transitando o remanescente para o
acumulado da conta de Resultados Transitados.

As Reservas representam um “capital” de reserva que em tudo se assemelha ao Capital,


excerto pelo facto de o seu valor não ser registado notarialmente.

Há Reservas legais (percentagem dos resultados do exercício anterior que tem, por lei, que
transitar para a conta de Reservas, caso haja Resultados Líquidos positivos), estatutárias
(percentagem de transferência que os sócios fundadores definiram nos estatutos da
sociedade) e livres, percentagem que pode ser votada em Assembleia Geral, desde que não
fira nenhuma das anteriores.

Assim, a conta de Resultados Líquidos do Exercício (RLE) é uma conta que ao longo de um
exercício vai contabilizando proveitos e custos, só se tornando RLE no fim do período e,
depois, logo “morre” (fazendo-se um reset), dando origem a uma transferência para as
contas de Resultados Transitados e eventualmente de Reservas em termos de exercício
seguinte.

3.1.5. Índices

Os índices normalmente utilizados para complementar as análises associadas à Política de


Financiamento, pretendem essencialmente avaliar a capacidade da empresa para fazer face
aos seus compromissos a médio longo prazo (solvabilidade), determinar a sua dependência
face a terceiros (autonomia) e avaliar o (des)equilíbrio das fontes de financiamento face
aos investimentos efetuados.

Os índices são os seguintes:

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Solvabilidade (Solv)

Determina a capacidade da empresa para fazer face aos seus compromissos a médio longo
prazo, e reflete o risco que os seus credores correm, através da comparação dos níveis de
Capitais Próprios investidos pelos sócios ou acionistas, com os níveis de Capitais Alheios
aplicados pelos credores.

Solv = Capitais Próprios / Passivo

Análise:
 Solv < 1: o valor dos Capitais Próprios é inferior ao Passivo. Esta situação reflete
elevado risco para os credores da empresa, dado que os Capitais Próprios não são
suficientes para fazer face às Dívidas a Terceiros;
 Solv = 1: o valor dos Capitais Próprios é igual ao valor do Passivo, ou seja, a
empresa detém capital próprio suficiente para cobrir todos os créditos obtidos;
 Solv > 1: o valor dos Capitais Próprios é superior ao Passivo. Esta situação reflete
baixo risco para os credores da empresa, dado que os Capitais Próprios são
suficientes para fazer face às Dívidas a Terceiros e a empresa ainda detém alguma
margem de segurança.

Recomendação
Por uma questão de prudência, os analistas defendem que os Capitais Próprios devem ser,
no mínimo, iguais aos Capitais Alheios, ou seja, Solv ≥ 1.

Autonomia Financeira (AF)

Determina a (in)dependência da empresa face a Capitais Alheios, dando apoio na análise


do risco sobre a estrutura financeira de uma empresa.

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AF = Capitais Próprios / Ativo Líquido

Análise:
A Autonomia Financeira varia entre zero e um, dado que os Capitais Próprios não podem
ser superiores ao valor do próprio Ativo Líquido. Quanto mais elevado for o nível dos
Capitais Próprios, maior o nível de autonomia da empresa face a terceiros.

Deste modo, quando:


 AF apresenta um valor baixo: indica grande dependência em relação aos credores,
situação que para além dos riscos inerentes, é desvantajosa na negociação de
novos financiamentos;
 AF apresenta valores tanto mais próximos de 1: a empresa é menos dependente de
Capitais Alheios, apresentando valores mais baixos de Encargos Financeiros e
beneficiando a sua rendibilidade.
 O valor máximo de 1 representa a situação em que o Ativo Líquido é financiado a
100% por Capitais Próprios, ou seja, a empresa tem 0% de Dívidas a Terceiros.

Recomendação:
Embora não haja um valor de referência universal, em termos gerais, a maioria dos
analistas considera aceitável situações em que a AF ≥ 0,35, ou seja, que o Ativo Líquido
seja financiado, pelo menos, por 35% de Capitais Próprios.

Por outro lado, valores demasiado elevados (quanto mais perto de 1) podem representar
excesso de Capitais Próprios, situação que prejudica o rácio da Rendibilidade Financeira.

Cobertura do Imobilizado por Capitais Permanentes (CICP)

Determina se a empresa está a financiar o Imobilizado Líquido (capitais permanentes das


Aplicações de Fundos) recorrendo a Capitais Permanentes (das Origens de Fundos).

CICP = Capitais Permanentes / Imobilizado Líquido

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Note-se que este índice é calculado com base nas mesmas rubricas do Fundo de Maneio.
Sendo o Fundo de Maneio = Capitais Permanentes – Imobilizado Líquido, podemos
estabelecer uma relação entre este e o rácio CICP.

Análise:
 CICP < 1 e FM < 0: o valor dos Capitais Permanentes é inferior ao Imobilizado
Líquido, ou seja, parte do Imobilizado Líquido está a ser financiado por Passivo de
Curto Prazo. A empresa não respeita a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo. No
entanto, poderão não existir dificuldades financeiras se os Recursos Financeiros
forem superiores às Necessidades Financeiras;
 CICP = 1 e FM = 0: o valor dos Capitais Permanentes é igual ao Imobilizado
Líquido, ou seja, empresa respeita a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo, em que
todo o Imobilizado Líquido é financiado por Capitais Permanentes, contudo a
Margem de Segurança (ou Fundo de Maneio) é nula;
 CICP > 1 e FM > 0: o nível dos Capitais Permanentes permite fazer face ao valor
do Imobilizado Líquido, dando ainda lugar a um excedente (Fundo Maneio).

Recomendação:
Regra geral e a fim de cumprir a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo, CICP ≥ 1. Contudo,
é necessário avaliar as características específicas da atividade da empresa a fim de
estabelecer as necessidades de investimento em Fundo de Maneio.

Financiamento do Investimento (FI)

Determina até que ponto as variações do Imobilizado estão a ser financiadas pelo recurso a
capitais com grau de exigibilidade superior a um ano. É um índice complementar ao
anterior, pelo que podemos estabelecer algumas analogias em relação à análise dos
mesmos.

FI20 = Variações dos Capitais Permanentes / Variações do Imobilizado


Bruto

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Análise:
 FI < 1: as variações dos Capitais Permanentes são inferiores às variações do
Imobilizado Bruto. Esta situação envolve, normalmente, riscos para a empresa, na
medida em que indicia que ela está a recorrer ao Crédito de Curto Prazo para
financiar Investimento (situação contrária à Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo);
 FI = 1: as variações dos Capitais Permanentes são iguais às variações do
Imobilizado Bruto, ou seja, se as variações forem positivas, por exemplo, podemos
afirmar que todas as aquisições de Imobilizados estão a ser financiadas por Capitais
Permanentes;
 FI > 1: as variações dos Capitais Permanentes são superiores às variações do
Imobilizado Bruto, pelo que, se as variações forem positivas, por exemplo, podemos
afirmar que os aumentos de Capitais Permanentes estão a financiar toda a
aquisição de Imobilizado e parte dos Ativos Circulantes.

Recomendação:
Regra geral e a fim de cumprir a Regra do Equilíbrio Financeiro Mínimo, FI ≥ 1. Contudo, é
necessário ter em conta o que foi referido no rácio anterior.

Capacidade de Endividamento (CE)

Determina até que ponto a empresa ainda pode recorrer a aumentos de Capitais Alheios,
sem comprometer a sua solvabilidade e autonomia financeira.

O índice da Capacidade de Endividamento analisa e estabelece as relações entre os vários


tipos de financiamento do lado das Origens de Fundos.

CE = Capitais Próprios / Capitais Permanentes

Análise:
A Capacidade de Endividamento, calculada com base neste rácio, varia entre zero e um,
dado que os Capitais Próprios não podem ser superiores ao valor dos Capitais
Permanentes.

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Quanto mais elevado for o nível dos Capitais Próprios, maior a capacidade de
endividamento da empresa face a terceiros.

O valor máximo de 1 representa a situação em que os Capitais Próprios são iguais aos
Capitais Permanentes por ausência de Dívidas a Terceiros a Médio Longo Prazo.

Recomendação:
Embora não haja um valor de referência universal, em termos gerais, a maioria dos
analistas recomenda que os Capitais Próprios devem representar pelo menos 50% dos
Capitais Permanentes, ou seja, que CE ≥ 0,5.

O mesmo será dizer que:

CE= Capitais Próprios / Dívidas a Terceiros a Médio Longo Prazo ≥ 1

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3.2. Método dos indicadores ou rácios

Um dos métodos de análise financeira mais utilizados e divulgados é a análise de rácios ou


indicadores.

Esta análise, ainda que envolva riscos e deficiências que obrigam a algum cuidado no seu
uso e interpretação, baseia-se no cálculo de determinadas relações entre as principais
contas e valores das Demonstrações Financeiras de uma empresa.

Obtêm-se assim valores facilmente utilizáveis e comparáveis e que são, por esse motivo,
um dos métodos preferidos de análise financeira.

Vantagens:
 Entre os métodos de análise, é o mais prático, mais fácil de construir e mais rico em
conclusões.

Desvantagens:
 São apenas um simples instrumento que não substitui a apreciação do analista.
 Um rácio isolado pouca informação fornece.
 Quantificam, indiciam, mas não explicam.

3.2.1. Fundo de maneio líquido

O Fundo de Maneio (FM) é um indicador do equilíbrio financeiro da empresa. Está


associado ao grau de liquidez das aplicações de fundos e ao grau de exigibilidade das
origens de fundos.

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ufcd 0619– Métodos e técnicas de análise económica e financeira

Através da sua criação a empresa assegura a todos os momentos a normalidade da sua


atividade a curto prazo evitando ruturas de tesouraria.

Considera-se assim, que o fundo de maneio é uma margem de segurança da empresa.

O equilíbrio financeiro na estrutura de capitais de uma empresa existe se for observada a


regra do equilíbrio financeiro mínimo: os capitais utilizados para financiar qualquer
elemento do ativo – stocks, imobilizações ou outros – devem ficar à disposição da empresa,
pelo menos, enquanto permanecerem os itens adquiridos com esses capitais.

Apesar disso, o equilíbrio financeiro não pode ser estudado de uma forma tão simplista,
pois uma empresa está em constante mutação. Deve ser analisado numa perspetiva de
financiamento global, e não item a item.

Nessa ótica, entende-se que haverá equilíbrio numa estrutura financeira quando há um
ajustamento entre os graus de liquidez e de exigibilidade das dívidas. Isto é, se os
compromissos assumidos perante terceiros estiverem cobertos pela capacidade de
transformação dos ativos em meios líquidos.

Considerando que podem ocorrer desvios na previsão das datas de recebimento e/ou
pagamento ou alterações na duração do ciclo de exploração, o equilíbrio de uma estrutura
financeira deve ter em conta uma margem de segurança.

Esta é constituída por capitais permanentes destinados a financiar uma parte dos capitais
circulantes. A essa margem de segurança dá-se o nome de Fundo de Maneio Líquido, e
a empresa estará equilibrada em termos financeiros quando este for suficiente.

Assim, o conceito de Fundo de Maneio Líquido pode ser visto segundo duas perspetivas:
a do financiamento e a do investimento.

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ufcd 0619– Métodos e técnicas de análise económica e financeira

 Sob a ótica do financiamento será o excedente dos capitais permanentes sobre as


imobilizações líquidas, calculado pela diferença entre os capitais permanentes e as
imobilizações líquidas;
 Sob a ótica do investimento será a diferença entre os capitais circulantes e as
dívidas de curto prazo que não são imediatamente exigidas pelos credores e que
aparecem associadas ao ciclo de exploração.

A determinação do Fundo de Maneio Líquido (FML) suficiente ao equilíbrio da estrutura


financeira depende de vários fatores. Estes são diferenciados consoante as características
de atividade e de mercado em que a nova empresa se insere.

Em termos teóricos, o FML deverá ser suficiente para:

 Financiar os capitais circulantes com características mais fixas, como os stocks


mínimos indispensáveis, saldos de clientes e disponibilidades com características de
permanência. Este financiamento deve ser no montante que excede a obtenção de
créditos de funcionamento com carácter regular e permanente. Os créditos de
funcionamento dependem muito das condições conseguidas junto dos principais
fornecedores.
 Minimizar riscos que possam alterar desfavoravelmente o ativo circulante, como os
créditos de cobrança duvidosa, stocks de difícil alienação e outros.

Alguns fatores que implicam um aumento do FML suficiente:


 O acréscimo da duração do ciclo de exploração – tempo médio que decorre entre a
entrada e a saída do stock em armazém;
 O aumento do período de tempo necessário ao fabrico;
 A expansão da atividade instalada;
 A diversificação dos negócios ou penetração noutros mercados;
 O aumento do preço dos fatores de produção;
 O aumento de prazos no crédito concedido a clientes;
 A redução dos prazos na obtenção de crédito de fornecedores.

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ufcd 0619– Métodos e técnicas de análise económica e financeira

Fundo Maneio líquido ou Permanente, deve ser o suficiente para cobrir a margem de
segurança, determinada pela diferença entre os capitais circulantes e as dívidas de curto
prazo.

FML= Capitais Permanentes – Ativo Imobilizado Líquido = Ativo


Circulante – Débitos de Curto Prazo

Quanto maior o valor, maior a confiança de que a empresa será capaz de realizar dinheiro
para cumprir os seus compromissos.

3.2.2.Equilíbrio financeiro a curto prazo

Equilíbrio financeiro consiste na capacidade da empresa de gerar valor ou rendimento que


permita satisfazer todos os agentes com interesses na organização e garantir a sua
sobrevivência e expansão a longo prazo.

Para que haja equilíbrio financeiro, tem que se garantir que a tesouraria líquida seja igual à
diferença entre o Fundo de Maneio e as Necessidades de Fundo de Maneio.

O Fundo de Maneio resulta da igualdade

Fundo de maneio = Ativo Corrente – Passivo Corrente


ou
Fundo de maneio = Capitais Permanentes - Ativo Fixo

INDICADORES DE LIQUIDEZ E TESOURARIA


Grau Liquidez Geral = Ativo circulante / Passivo Curto Prazo
Grau Liquidez Reduz. = Ativo Maneável / Passivo Curto Prazo
Grau Liquidez Imediata = (Dispon + Aplicações Financeiras curto prazo / Passivo Curto

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ufcd 0619– Métodos e técnicas de análise económica e financeira

Prazo
Tesouraria Líquida = Disponibilidades – Empréstimos Obtidos Curto Prazo
Tesouraria Líquida / Proveitos Operacionais

Os indicadores de liquidez medem o equilíbrio financeiro de curto prazo da empresa,


relacionando diferentes medidas de ativos de curto prazo com as responsabilidades
assumidas de curto prazo.

Naturalmente, valores superiores a 1 configuram situações favoráveis na medida em que


evidenciam uma situação em que a empresa é capaz de cumprir as suas obrigações
recorrendo aos ativos de curto prazo de que dispõe.

Apesar disso, são indicadores que devem sempre ser analisados com muito cuidado. Assim,
o valor destes indicadores sofre muitas vezes alterações que, indiciando melhorias, podem
ser negativas para a tesouraria da empresa.

Por exemplo, uma subida do Grau de Liquidez Geral pode resultar de uma subida
demasiado elevada e indesejada dos saldos de Clientes a Receber, o que pode significar
atrasos nas cobranças das Vendas realizadas.

3.2.3.Equilíbrio financeiro a médio e longo prazo

Ao nível dos indicadores de atividade, temos uma análise do ciclo de exploração da


empresa que nos dá uma ideia da eficiência com que a empresa está a gerir os seus ativos.

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Desde logo, a rotação do ativo diz-nos de que modo a empresa utiliza os seus ativos na
sua atividade. Um alto volume de Vendas relativamente à dimensão do ativo significa que a
empresa aproveita muito os investimentos que realizou.

Obviamente que esse volume de negócios pode ser mais ou menos rentável, mas é de
qualquer modo, positivo que este rácio tenha um valor que seja o mais alto possível.

Quanto aos Prazos Médios, demonstram de que modo a empresa é capaz de gerir a sua
atividade em termos financeiros.

Altos valores de Existências e Dívidas a Receber são passíveis de dois tipos de


interpretações:
 Por um lado, significam ativos que corresponderão a receitas futuras, no curto
prazo, o que contribui para a saúde financeira da empresa.
 Por outro lado, são ativos que necessitam de financiamento, pelo que um aumento
desses valores representa um investimento que deve ser financiado.

Por esse motivo os Prazos Médios devem ser seguidos atentamente de maneira a otimizar
a gestão financeira de curto prazo da empresa.

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4. Análise financeira com demonstração de resultados

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4.1. Saldos intermédios de gestão

O mapa de tesouraria é obrigatório na análise financeira da empresa. É o mapa de


tesouraria que nos mostra os fluxos monetários, isto é a relação entre os pagamentos e os
recebimentos e por consequência a situação de excedentes ou défice de tesouraria.  

A empresa deve também fazer um orçamento anual de tesouraria, com detalhe mensal, a
fim de atempadamente prevenir os défices de tesouraria, tomando as medidas adequadas,
nomeadamente pelo recurso ao crédito de curto prazo, atrasando pagamentos a
fornecedores ou tentando encurtar os prazos de recebimento dos clientes.

Esse orçamento deve ser comparado mensalmente com a situação real, a fim de se
identificarem os desvios e a sua origem.

Nas operações ativas de tesouraria incluir-se-ão, além dos valores em Caixa e Bancos, os
saldos de valores a receber (Clientes, EOEP (IVA), Outros Devedores, etc.) ou (numa
perspetiva previsional) os ativos que excedam as políticas definidas.

Nas operações passivas de tesouraria incluir-se-ão os valores a pagar, ou (numa perspetiva


previsional) os saldos passivos (EOEP, Outros Credores, etc.) não comportados pelas
políticas contratadas.

O saldo funcional das operações de tesouraria é o indicador Tesouraria Líquida.

Tesouraria Líquida = Tesouraria ativa – Tesouraria Passiva

Ou

Tesouraria Líquida = Fundo de Maneio – Fundo de maneio Necessário

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A Tesouraria não pode apresentar saldo negativo (isto é, valores ativos inferiores aos
passivos).

Um déficit de Tesouraria significa também que o Fundo de Maneio não é suficiente para
cobrir as Necessidades de Fundo de Maneio. Tal situação, quando não controlada, pode
obrigar à paragem de qualquer atividade a muito curto prazo.

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4.2. Cash-flow e autofinanciamento

O balanço e a demonstração dos resultados tem funções específicas no que concerne a


apresentação da situação financeira e económica, respetivamente.

O termo Cash-Flow (em português, fluxos de caixa), designa o saldo entre as entradas e
saídas de capital de uma empresa durante um determinado período de tempo, podendo ser
calculado mediante a construção de um mapa de fluxos de tesouraria.

A demonstração dos fluxos de caixa tem como objetivo apresentar as alterações verificadas
de caixa e seus equivalentes, atendendo aos fluxos monetários, agrupados pelas atividades
operacionais, de investimento e de financiamento.

A realização ou não de um projeto de investimento depende essencialmente da sua


rentabilidade futura, ou por outras palavras da capacidade de gerar fluxos financeiros
(receitas) num futuro mais ou menos próximo, de modo a cobrir as despesas efetuadas
com a sua realização e funcionamento.

Neste sentido há que apurar quais os fluxos anuais gerados pela exploração do projeto que
devem ser comparados com as despesas realizadas (cash-flow) e que se obtém
anualmente através do somatório dos resultados líquidos, reintegrações e/ou amortizações
técnicas, provisões não utilizadas e encargos financeiros.

Geralmente, e por uma questão de utilidade prática, os fluxos medidos não são
rigorosamente de caixa, mas antes as transações de exploração que se traduzam em
movimentos monetários no curto prazo.

Desta forma, o conceito de cash-flow passa a incluir as vendas e os custos (excluindo


obviamente os custos que não representam movimentos monetários como por exemplo as
amortizações de instalações e equipamentos) e não os recebimentos e os pagamentos.

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Medir o cash-flow pode ser usado para:

 Avaliar o estado ou performance de um projeto;


 Determinar problemas de liquidez. Ser lucrativo não significa necessariamente ser
líquido. Uma empresa pode falhar por falta de liquidez mesmo sendo lucrativa;
 Para determinar a taxa de rendibilidade de um projeto. Os timings das entradas e
saídas de dinheiro (cash) num projeto são usados como inputs para modelos
financeiros tais como a taxa interna de rendibilidade ou o valor atual.
 Para examinar os lucros ou crescimento de um negócio quando se acredita que a
contabilidade patrimonial não representa a realidade económica. Alternativamente,
o cash-flow pode ser usado para validar o lucro apurado pela contabilidade
patrimonial.

Fórmula de Cálculo do Cash-Flow:

Cash Flow = RL + AA - REx

em que RL são os resultados líquidos, AA as amortizações e outros ajustamentos de valor


efetuados aos ativos e REx os resultados extraordinários.

Cash-flow de exploração

Quando no cálculo do cash-flow são utilizados apenas os custos de exploração e os


proveitos de exploração, o resultado é o cash-flow de exploração. Este mede a
capacidade da empresa em gerar disponibilidades através da sua atividade normal, isto é,
expurgada de acontecimentos extraordinários e dos resultados das políticas de aplicações
financeiras e de financiamento.

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Pelo facto de proporcionar uma medida da capacidade da empresa em libertar meios


monetários, o cash-flow torna-se um excelente indicador da capacidade de
autofinanciamento da empresa, isto é, da sua capacidade para efetuar novos
investimentos sem necessidade de recorrer a fontes de financiamento externas.

O autofinanciamento, como o próprio nome indica, corresponde a uma fonte de


financiamento gerada dentro de uma entidade, com a particularidade de derivar
diretamente da atividade normal de exploração dessa mesma entidade.

Distingue-se, assim, de outras fontes de financiamento ao dispor das empresas e outras


entidades, como sejam o recurso a financiamentos externos (nomeadamente bancários) ou
as entradas adicionais de capital efetuadas pelos respetivos detentores de capital, seja sob
a forma de suprimentos ou prestações suplementares.

Em termos empresariais, o autofinanciamento é de facto uma das principais fontes de


financiamento utilizadas.

São exemplos de fluxos de caixa provenientes de atividades de financiamento:


a. Recebimentos de caixa provenientes da emissão de ações ou de outros
instrumentos de capital próprio;
b. Recebimentos provenientes da emissão de certificados de divida, empréstimos,
livranças, obrigações, hipotecas e outros empréstimos obtidos a curto ou longo
prazo;
c. Pagamentos de caixa por aquisição de ações (quotas) próprias, redução do capital
ou amortização de ações (quotas);
d. Desembolsos de caixa de quantias de empréstimos obtidos; e
e. Pagamentos de caixa por um locatário para a redução de uma divida em aberto
relacionada com uma locação financeira.

Ao nível da contabilidade empresarial, e partindo do mapa demonstração de


resultados, o autofinanciamento num determinado período (coincidente com aquele ao
qual o referido mapa se reporta) corresponde aos meios libertos líquidos gerados, ou seja,

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à soma das rubricas de resultado líquido do exercício, amortizações do exercício e


provisões do exercício.

A referida forma de cálculo parte do resultado líquido do exercício como aproximação aos
meios líquidos criados pela empresa e acrescenta-lhe as amortizações e provisões do
exercício na medida em que, tendo sido consideradas no cálculo daquele, estas rubricas
não têm tradução em termos financeiros (são um custo mas não uma despesa), devendo,
portanto, o seu efeito ser retirado através da sua adição.

Apesar de o autofinanciamento corresponder a meios líquidos, a sua representação em


termos de balanço não aparece necessariamente na rubrica de disponibilidades.

De facto, o grau de liquidez do autofinanciamento gerado por uma empresa num


determinado período depende de vários fatores: política de concessão de crédito a clientes;
política de obtenção de crédito dos fornecedores; política de gestão das existências; política
de investimentos em capital fixo e respetiva política de financiamento; política de
distribuição de lucros.

Em suma, o autofinanciamento na perspetiva da gestão financeira empresarial


representa um conjunto de elementos (amortizações, provisões e resultados líquidos) que
se traduzem num maior ou menor grau de liquidez e de contributo positivo para a
tesouraria de uma empresa.

De referir ainda que o cálculo do volume de autofinanciamento acumulado numa empresa


deve incluir os resultados transitados e lucros não distribuídos de anos anteriores.

A nível da contabilidade nacional, a taxa de autofinanciamento é normalmente assumida


como o rácio entre a soma das rubricas de poupança das sociedades e parte da poupança
dos empresários associada a investimento e a soma da formação bruta de capital fixo e a
variação de existências.

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4.3. Margem bruta

No decurso da sua atividade as empresas obtêm um determinado volume de proveitos,


derivados das operações de venda de produtos e prestação de serviços.

Para a obtenção desses proveitos as empresas incorrem em vários tipos de custos (custo
das mercadorias vendidas, custo das matérias consumidas, custos com pessoal, custos com
fornecimentos e serviços diversos, custos com as amortizações dos bens do ativo
imobilizado, etc.).

A descrição da performance de uma empresa em termos de proveitos e custos para um


determinado período (normalmente 1 ano) é apresentada no mapa contabilístico de
demonstração de resultados, que permite o cálculo, através da diferença entre esses
proveitos e custos, do resultado líquido por ela obtido nesse período.

No entanto, é possível obter resultados intermédios a partir da demonstração de resultados


que permitem avaliar a performance da empresa não em termos globais mas relativamente
a uma área ou item específico. Nesse contexto, as empresas avaliam frequentemente qual
o valor da sua margem bruta:

A margem bruta e a diferença entre o valor das vendas e o custo das


mercadorias vendidas (empresas comerciais) ou custo dos produtos vendidos
(empresas industriais). Reflete o que a empresa ganha diretamente da sua
atividade.

Ou seja, o valor da margem bruta relativo a um determinado período corresponde à


diferença entre o valor das vendas e o valor dos custos das mercadorias vendidas e
matérias consumidas.

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Esta margem deve permitir cobrir todos os outros gastos e gerar um excedente que
garanta o auto financiamento da empresa e a remuneração dos capitais próprios (através
dos dividendos) e alheios (pagamento dos juros).

A margem bruta pode ser calculada em termos percentuais com base em duas referenciais
- o custo dos bens vendidos ou sobre o valor de venda.

Como qualquer indicador ele deve ser lido no contexto de uma atividade concreta.

As empresas industriais possuem necessariamente margens brutas mais elevadas na


medida em que possuem estruturas de gastos mais pesadas - pessoal, depreciações, etc.
enquanto as empresas comerciais poderão ter margens inferiores, sem que os resultados
finais apresentem diferenças muito significativas.

A empresa pode melhorar a sua margem bruta, por adquirir os produtos mais baratos ou
praticar um preço de venda mais elevado.

A margem bruta é assim um indicador de primeira linha da performance da empresa ao


nível da sua atividade operacional, até porque, normalmente, o CMVMC é o custo mais
relevante em termos de valor para a maioria das empresas.

Habitualmente, a margem bruta é avaliada em termos percentuais, correspondendo ao


diferencial do peso do CMVMC nas vendas. Assim, se por exemplo o peso do CMVMC nas
vendas é de 60%, a margem bruta será de 40%.

As empresas podem proceder ao cálculo da sua margem bruta global ou, no caso de
transacionarem mais de um produto, mercadoria ou serviço, da margem bruta de cada um
destes.

Ao nível das empresas industriais, o conceito de margem bruta é por vezes identificado
como a diferença entre o valor das vendas e a parte variável dos custos de produção.

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4.4. Custos operacionais variáveis

Genericamente, os custos suportados por uma empresa podem ser classificados como
fixos (no caso de o seu valor não depender do volume de vendas ou produção) ou
variáveis (quando o valor do custo em causa está diretamente associado ao volume de
vendas e/ou produção).

Assim, custos operacionais variáveis representam a parte das despesas que variam
com a produção, ou seja, que aumentam quando o nível de produção aumenta e vice-
versa.

A existência de custos é uma consequência direta da existência de produção, uma vez que
a produção utiliza, entre outros, fatores produtivos tais como:

 Matérias-primas.
 Equipamentos.
 Energia.
 Instalações.
 Trabalho.

Dado que estes fatores produtivos são escassos, as empresas para os poderem utilizar têm
que pagar um preço, ou seja, têm que incorrer em custos. Constitui tarefa das empresas
procurarem métodos de produção eficientes, ou seja, que permitam o máximo de produção
ao mínimo custo.

Uma empresa com atividade nula não suportará quaisquer custos variáveis; verificando-se
uma evolução dessa atividade, os custos variáveis evoluem no mesmo sentido.

A forma que assume a relação entre os custos variáveis e a produção/venda que lhes dá
origem, varia de empresa para empresa e de acordo com vários fatores. Desde logo, e no

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âmbito da regra dos rendimentos marginais decrescentes (segundo a qual a variação nas
quantidades produzidas decresce, sob determinadas condições, à medida que aumenta a
utilização de um determinado fator produtivo variável), o peso dos custos variáveis
depende do nível a que se situe a produção.

Para além disso, a relação entre produção e custos variáveis depende também da evolução
das técnicas utilizadas e do ritmo das várias operações que participam na produção.

Relativamente aos custos com a mão-de-obra, é importante referir que a sua consideração
como custos variáveis ou custos fixos não é unânime. De facto, os custos com os salários
deverão ser considerados como variáveis quando se verifica um elevado grau de
flexibilidade ao nível da gestão do pessoal.

Concretamente, só nas situações em que se verifica a existência de uma legislação laboral


que facilite a mobilidade dos trabalhadores, conjuntamente com um ativo e flexível
mercado de trabalho, é que se pode considerar os custos com pessoal como puramente
variáveis.

Nos outros casos, nomeadamente quando a contratação de pessoal se baseia em contratos


de longo prazo, estes custos são normalmente considerados fixos.

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Numa fábrica a despesa com matéria-prima é um custo variável pois está diretamente
relacionada com a quantidade produzida.

Os custos variáveis modificam-se em função das quantidades produzidas (nível de


atividade). Quanto mais se produz, maiores são os custos variáveis.

Exemplos de custos variáveis:


 Custos das mercadorias vendidas;
 Custo das matérias consumidas;
 Fornecimentos e serviços externos;
 Impostos diretos.

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2.5. Custos fixos

De entre o conjunto dos custos suportados por uma determinada empresa (custos totais),
há uma divisão fundamental que pode ser efetuada entre custos fixos (ou custos de
estrutura) e custos variáveis (ou custos proporcionais).

Genericamente, enquanto os primeiros se caracterizam pela independência face ao volume


de atividade (produção) da empresa, o mesmo não acontece relativamente aos segundos,
que são de facto, por definição, função da produção dessa mesma empresa.

Os custos fixos das empresas relativamente a um determinado período representam assim


o volume de custos suportados mesmo que a produção nesse mesmo período seja nula.

É fundamental que cada empresa conheça o volume de custos fixos e variáveis que suporta
num determinado período, embora nem sempre essa valoração seja de fácil execução.

Podem dar-se como exemplo desta parcela dos custos totais de uma empresa os seguintes:
amortizações dos bens do ativo imobilizado, prémios de seguro, rendas de edifícios,
alugueres de equipamentos, juros de empréstimos contraídos, etc.

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Relativamente aos salários pagos aos trabalhadores existem interpretações diversas


relativamente à sua (não) consideração como custo fixo.

Facto que tem a ver com a disponibilidade de trabalhadores no mercado de trabalho e com
a maior ou menor flexibilidade das legislações laborais das sociedades, havendo a
tendência para se considerarem os custos salariais como fixos quanto mais rígidas forem
essas legislações, nomeadamente em termos de despedimento de trabalhadores.

Em geral, pelo menos quando com base em contratos de trabalho de longo prazo, os
custos com pessoal são considerados custos fixos.

O custo fixo unitário (Cfu) é um custo inversamente proporcional às quantidades


produzidas.

Cfu = CFT / Q

Já os custos totais (CT) são o somatório de todos os custos fixos (CF) com o somatório
dos custos variáveis: (CV):

CT = CF + CV

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Neste âmbito é também habitual definir-se o conceito de custo fixo médio, que
representa o valor dos custos fixos por unidade produzida pela empresa e é calculado
através do quociente entre o valor dos custos fixos totais e a quantidade produzida
relativamente a um determinado período.

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5.Análise económica

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5.1. Análise da rendibilidade da empresa

A rendibilidade (ou rentabilidade) é uma das variáveis analisadas pelas análises económicas
e financeiras e representa a taxa de retorno (ou rendimento) de determinada grandeza:
por exemplo, a rendibilidade de uma máquina pode ser entendida como a comparação
entre o ganho líquido proporcionado pela máquina comparado com o valor dessa mesma
máquina.

No caso de uma empresa, a sua rendibilidade pode ser entendida como os ganhos
proporcionados por essa mesma empresa comparados com o seu próprio valor.

Tendo em conta que os ganhos proporcionados pela empresa são os seus resultados
líquidos (RL) e que o seu valor corresponde ao valor dos seus capitais próprios médios
(CP), temos que a rendibilidade da empresa (comummente designada por rendibilidade dos
capitais próprios ou RCP; é o equivalente ao inglês ROE - Return On Equity), temos que:

RCP = RL / CP

Além da rendibilidade dos capitais próprios são ainda utilizados outros indicadores de
rendibilidade como sejam a rendibilidade das vendas e a rendibilidade do ativo.

No caso da rendibilidade das vendas, esta é calculada pela divisão dos resultados líquidos
pelo valor das vendas; quanto à rendibilidade do ativo, esta é calculada pela divisão dos
resultados líquidos pelo valor líquido dos ativos (por vezes, para efeitos de tomada de
decisões quanto a financiamentos, a rendibilidade do ativo é calculada considerando não os
resultados líquidos mas antes os resultados líquidos antes dos custos financeiros de
financiamento, obtendo assim a designada rendibilidade do investimento).

Conceito de Rendibilidade do Capital Próprio

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A Rendibilidade do Capital Próprio (RCP), em inglês Return on Equity (ROE), é um indicador


económico que mede a capacidade dos capitais próprios da empresa em gerar retorno
financeiro.

Assumindo que os capitais próprios da empresa representam a sua situação patrimonial


líquida, isto é, o seu valor contabilístico, pode-se considerar a rendibilidade do capital
próprio como sendo a rendibilidade da empresa.

O cálculo da Rendibilidade dos Capitais Próprios é efetuado pela divisão dos resultados
líquidos pelo valor dos capitais próprios da empresa da empresa.

ROE = RL / CP

em que ROE é a Rendibilidade dos Capitais Próprios, RL os Resultados Líquidos e CP os


Capitais Próprios médios no período considerado.

Muitos analistas decompõem o rácio de rendibilidade dos capitais próprios num rácio de
rendibilidade do ativo e num multiplicador do endividamento permitindo aprofundar e
compreender melhor as implicações de determinadas medidas sobre a rendibilidade.

De facto, ROE = RL / CP = (RL / A) . (A / CP), em que A é o Ativo. Tendo em conta que RL


/ A representa a rendibilidade do ativo e A / CP representa o nível de endividamento, torna-
se assim fácil perceber que o ROE depende em simultâneo do grau de retorno gerado pelo
conjunto de todos os ativos e do efeito multiplicador do endividamento (o chamado efeito
de alavancagem financeira).

A atualização ao nível da análise de projetos de investimento consiste basicamente na


aplicação de uma taxa de atualização aos valores previstos para os cash-flows totais
líquidos do projeto para os vários anos de análise.

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Os cash-flows correspondem genericamente à diferença entre as receitas (fluxos


financeiros de entrada) e as despesas (fluxos financeiros de saída) e são entendidos como
a melhor medida da rendibilidade do projeto em causa.

O cash-flow líquido total de cada ano corresponde à soma de duas parcelas: cash-flow
de investimento, que leva em conta os fluxos monetários líquidos previsivelmente
associados aos investimentos a realizar, e o cash-flow de exploração, que representa os
fluxos monetários associados à exploração (atividades de compra, venda, etc., diretamente
ligadas ao objeto da empresa) previstos para a empresa para cada um dos anos.

Mais concretamente, o cash-flow de investimento engloba os investimentos em capital fixo


(bens do ativo imobilizado) e em capital circulante (aquisição de existências e concessão de
crédito a clientes, deduzidos da concessão de crédito por parte dos fornecedores), bem
como a sua recuperação teórica no último ano de análise.

O cash-flow de exploração corresponde à soma dos resultados líquidos, amortizações,


provisões e encargos financeiros de financiamento relativamente a cada um dos anos
considerados.

É calculado com base nos resultados líquidos previsionais (aproximação aos fluxos
monetários líquidos), aos quais é retirado o efeito das amortizações e provisões (que não
têm tradução em fluxos monetários), e dos encargos financeiros de financiamento, pois
cada projeto deve ser analisado independentemente das fontes de financiamento que
utiliza.

A Taxa interna de rendibilidade (TIR) corresponde em termos práticos à taxa de


atualização que torna nula a soma atualizada no momento de início do projeto dos cash-
flows totais líquidos do projeto.

Teoricamente, é um indicador do retorno esperado do projeto, devendo ser comparada


com outras taxas de referência para a empresa promotora, como sejam a sua taxa de

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rendibilidade dos capitais próprios e a taxa de remuneração de aplicações alternativas,


num contexto de análise do custo de oportunidade do projeto.

Quanto maior for a TIR, maior a valia do projeto de investimento.

A empresa tem um potencial de geração de vendas e de resultados que, por seu turno, são
função da potencialidade de crescimento do mercado e da posição concorrencial da própria
empresa. Na prática, tudo depende da estratégia da empresa e da criação e utilização das
suas vantagens competitivas.

Tudo isto se traduz na capacidade de rendibilizar o investimento e os capitais investidos e


de crescer de modo equilibrado e com os recursos financeiros adequados.

A rendibilidade do investimento é um indicador crucial, na medida em que mede o


desempenho de todos os capitais investidos na empresa, qualquer que seja a sua forma de
financiamento. Esta rendibilidade indica a sobrevivência financeira a longo prazo e a
capacidade de atrair capitais.

Podemos dizer que a rendibilidade nos dá informação sobre a eficiência da gestão, a


capacidade da empresa gerar resultados e o nível de planeamento e controlo de gestão.
Calcula-se da seguinte forma:

Resultado (%)
Investimento

Como investimento podemos utilizar o ativo total. Apresentando alguns inconvenientes,


que não se detalham no âmbito deste manual, pode utilizar-se o denominado ativo
económico total que corresponde ao investimento em ativo fixo e às necessidades em
fundo de maneio. Ou ainda o ativo de exploração, expurgando do total ativos não afetos à
exploração, como sejam, terrenos, algumas naturezas de equipamentos, etc.

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Seja qual for o denominador (ajustado à análise pontual que se pretenda) devemos sempre
adequar-lhe o numerador para que a comparação seja válida. Por exemplo se o
denominador for o ativo total ou o ativo total económico, deve ser utilizado o resultado
operacional.

5.2. Árvore da rendibilidade do capital próprio

A rendibilidade dos capitais próprios aplica-se apenas à parte de financiamento do


investimento exclusivamente feita por capitais próprios. Resumidamente, mede-se pela
seguinte relação:

Resultado Líquido
Capitais próprios

Se quisermos uma informação mais apurada acerca da qualidade da aplicação do capital na


empresa, face a outras alternativas, calculamos o chamado índice de alavanca financeira.

Este, nada mais é que a medição do peso da rendibilidade dos capitais próprios sobre os
capitais totais investidos (próprios e alheios). Para isso retenha-se o modo de cálculo da
rendibilidade do capital total que é:
Resultado operacional
Capitais próprios + dívidas financeiras

Obtemos, então o índice:

Índice de alavanca financeiro = Rendibilidade dos capitais próprios


Rendibilidade do capital total

Sendo o resultado maior que a unidade, então o financiamento é favorável à criação de


valor para o detentor do capital.

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Quando se fala em crescimento, na abordagem tradicional e mais comum, fala-se de


aumentos quantitativos, em absoluto ou por comparação com empresas concorrentes ou
médias de sector ou simples evolução histórica da própria empresa.

Devemos, numa perspetiva estratégica, ir mais além e enquadrar a análise na perspetiva


de base que assistiu à elaboração do respetivo plano estratégico.

Ou seja, a empresa efetua um diagnóstico da envolvente e uma análise interna das suas
capacidades e constrangimentos, apurando fatores críticos, competências distintivas e
vantagens competitivas.

A estratégia vai atender à necessidade de otimização de recursos, operacionalizando-se nas


suas áreas vitais (produção, marketing, sistema de informação, etc.), promovendo
reestruturações e salvaguardando o permanente equilíbrio.

Em moldes financeiros, este equilíbrio pressupõe uma atuação estratégica coerente de


modo a garantir que os fluxos de exploração globais sejam bastantes para retribuir os
capitais investidos, quer próprios quer alheios.

A empresa vai sustentar crescimentos com recurso a:


o Aumento do capital
o Aumento dos empréstimos
o Redução da distribuição de dividendos
o Combinações destas formas

Há que promover o crescimento sustentado, garantindo que ele é feito com base em
aumentos de rendibilidade ou com recurso a capitais, que não comprometam o futuro da
empresa, isto é, que não desequilibrem a sua estrutura financeira.

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Claro está que este é o grande desafio, pois, a complexidade dos ciclos económicos, aliada
à incerteza e volatilidade do ambiente, tornam mais difícil o caminho do crescimento
sustentado.

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Bibliografia

AA VV. A empresa: noções de gestão, Guia do formando, ISQ/ IEFP, 1998

AA VV. Gestão Financeira – Manual PME, Associação Empresarial de Portugal, s/d

Menezes, H., Princípios de gestão financeira, Ed. Presença, 2001

Gonçalves, C. et al, Relato Financeiro-Interpretação e análise 2ª edição, Vida Económica


2013.

Webgrafia

IAPMEI
http://www.iapmei.pt

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