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DEPARTAMENTO DE CONTABILIDADE E GESTÃO

ANÁLISE DAS FUNCIONALIDADES DO SOFTWARE SAC4 NA


ELABORAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA: ESTUDO APLICADO
ÀS MICRO PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS DA CIDADE DO LUBANGO

Estefânio Dombele Baku

Lubango/2019
DEPARTAMENTO DE CONTABILIDADE E GESTÃO

ANÁLISE DAS FUNCIONALIDADES DO SOFTWARE SAC4 NA


ELABORAÇÃO DA INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA: ESTUDO APLICADO
ÀS MICRO PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS DA CIDADE DO LUBANGO

Monografia apresentada a Faculdade de Economia da Universidade


Mandume Ya Ndemufayo para obtenção do grau de Licenciado no
curso de Economia, na Especialidade de Contabilidade e Fiscalidade.

Estefânio Dombele Baku

Orientadora: Julieta Lídia Madureira André, Msc.

Lubango/2019
DEDICATÓRIA

Dedico o presente trabalho vítima de alguns tiros de sapiência, a aqueles que depositaram o seu suor,
sangue até lágrimas para que o produto final, irrigado de conhecimento académico-científico,
chegasse às mãos do consumidor, após esta longa época de cultivo.

I
AGRADECIMENTOS

Uma monografia, apesar de ser reconhecida, actualmente, como um processo solitário a que qualquer
estudante desta faculdade e não só está destinado, acaba por reunir contributos de várias pessoas. E
esta não foi excepção, pelo que aproveito, neste ponto, para agradecer.

Em primeiro lugar, teço os meus agradecimentos a Deus, Todo-Poderoso, por permitir que este
momento se tornasse uma realidade, após essa odisseia académica, cheia de altos e baixos, fruto de
algum trabalho e dedicação.

Em segundo lugar, agradeço a minha família, em especial aos meus irmãos e minhas mães, pela
paciência e suporte durante a minha vida académica, por vocês serem meus companheiros de luta,
transmitindo sempre o seu apoio moral e espiritual, que serviu de combustível nesta viagem que é a
vida. Neste grupo aproveito também para agradecer aos meus amigos que constituem a família que
Deus me deu a oportunidade de escolher e construir ao longo da minha trajectória académica e da
vida em si.

Em terceiro lugar, agradeço aos meus professores por semearem em mim um conjunto de
conhecimentos académicos e não só, cuja a colheita em sido satisfatória, permitindo tornar-me no
técnico superior em contabilidade e fiscalidade que apresenta este trabalho de final de curso. Por
outro lado, em especial, a minha orientadora, Msc. Julieta Lídia Madureira André, pela sua sublime
paciência e dedicação e ao Msc. Anastor Celestino que ao desempenhar o papel de co-orientador foi
fundamental para o presente trabalho atingisse o seu clímax. Agradeço também, fortemente, aos meus
colegas que presenciaram e participaram significativamente na minha vida académica.

Por último, não menos importante, agradeço a direcção das 30 (trinta) empresas por permitirem a
realização da recolha de dados e a todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram para a
realização deste trabalho.

Enfim, só tenho a agradecer, muito e fundamentalmente pelas vossas injecções titânicas de cargas
motivacionais, pese embora um “obrigado” não chegue. Porém, de certeza que O Altíssimo Deus,
Todo Poderoso, debitará vossas vidas com Activos de bênçãos.

II
RESUMO

A contabilidade preocupa-se essencialmente com o fornecimento de informações acerca da posição


patrimonial e desempenho económico das empresas, de modo a auxiliar aos utentes na tomada de
decisões ligadas à empresa. Essas informações contabilísticas para além de que devem ser credíveis
e oportunas, devem cumprir uma série de requisitos estabelecidos pelos normativos contabilísticos
vigentes, e para tal as empresas têm recorrido às ferramentas informáticas. Fruto disso a presente de
monografia, com tema “Análise das Funcionalidades do Software SAC4 na Elaboração da
Informação Contabilística: Estudo aplicado às Micro Pequenas Empresas da Cidade do Lubango”,
tem como objectivo conhecer e perceber o modo de utilizar com eficiência as funcionalidades do
SAC4 na elaboração da informação contabilística em conformidade com as orientações do PGC.

Para a concretização dos objectivos propostos, a nível da metodologia, aplicou-se o método indutivo
as pesquisas exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa e quantitativa. E para a recolha de
dados foi utilizada a observação para abordagem qualitativa e o inquérito para a abordagem
quantitativa para complementar a observação, visto que por si só ela não seria suficiente para a
generalização dos resultados conclusivos.

O estudo realizado numa amostra constituída por 30 (trinta) micro pequeno e médias empresas
permitiu identificar as funcionalidades do software SAC4 na elaboração da informação contabilística
e perceber o seu modo de utilização dentro dos procedimentos contabilísticos a realizar pelas micro
pequenas e médias empresas. Permitiu também constatar que para que a informação contabilística
elaborada no SAC4 esteja em conformidade com as orientações do PGC, é necessário utilizar um
outro aplicativo como é o caso do Microsoft Excel para auxiliar na elaboração das Demonstrações
Financeiras e suas respectivas Notas às Contas, visto que o software estudado apresenta limitações
neste quesito.

Palavras-chave: Informação Contabilística, Plano Geral de Contabilidade e Software SAC4.

III
ABSTRACT

Accounting is primarily concerned with providing information about the financial position and
economic performance of companies in order to assist users in making decisions related to the
company. These accounting information, in addition to being credible and timely, must comply with
a series of requirements established by the current accounting regulations, and for this the companies
have turned to computer tools. As a result, the present monograph entitled "Analysis of the
Functionalities of SAC4 Software in the Development of Accounting Information: A Study Applied
to Micro Small Companies in the City of Lubango", aims to know and understand how to efficiently
use the functionalities of SAC4 in the preparation of the accounting information in accordance with
the PGC guidelines.

To achieve the proposed objectives, at the methodology level, the inductive method was applied to
exploratory and descriptive research, with a qualitative and quantitative approach. And for the data
collection, the observation for the qualitative approach and the survey for the quantitative approach
were used to complement the observation, since in itself it would not be sufficient for the
generalization of the conclusive results.

The study carried out on a sample of thirty (30) micro small and medium-sized companies allowed
us to identify the functionalities of the SAC4 software in the preparation of accounting information
and to understand its use within the accounting procedures to be carried out by micro small and
medium enterprises. It was also noted that in order for the accounting information prepared in SAC4
to comply with the guidelines of the PGC, it is necessary to use another application such as Microsoft
Excel to assist in the preparation of the Financial Statements and their respective Notes to the
Accounts, since the software studied has limitations in this regard.

Keywords: Accounting Information, General Plan Accounting and Software SAC4.

IV
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ARSEG – Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros;

BNA – Banco Nacional de Angola;

BODIVA – Bolsa de Valores e Derivativos de Angola;

CMC – Comissão de Mercados de Capitais;

CMC – Custo das Matérias Consumidas;

CMV – Custo das Mercadorias Vendidas;

Cont. – Contabilidade;

CONTIF – Plano de Contas para as Instituições Financeiras;

CR – Crédito;

DB – Débito;

DF – Demonstração Financeira;

DFC – Demonstrações de Fluxo de Caixa;

DR – Demonstração de Resultado;

ERP – Enterprise Resource Plannign;

Gest. – Gestão;

IAS – International Accouting Standards;

IASB – International Accouting Standards Boards;

IC – Informação Contabilística;

IFAC – International Federation of Accountants;

IFRS – International Financial Reporting Standards;

Km2 – Quilómetros Quadrados;

MinFin – Ministério das Finanças;

NCRF – Normas de Contabilidade e de Relato Financeiro;

NIC – Normas Internacionais de Contabilidade;


V
PCGA – Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites;

PDF – Portable Document Format;

PGC – Plano Geral de Contas;

PSEF – Programa de Saneamento Económico e Financeiro;

SAC4 – Sistema de Aplicações Comerciais;

SILAC – Sistema Integrado do Licenciamento de Actividades Comerciais.

VI
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1- Género .............................................................................................................................. 32

Gráfico 2- Idade ................................................................................................................................. 33

Gráfico 3- Habilitações Literárias ...................................................................................................... 34

Gráfico 4- Área de Formação............................................................................................................. 34

Gráfico 5- Experiência Profissional em Contabilidade...................................................................... 35

Gráfico 6- Experiência Profissional com o SAC4 ............................................................................. 35

Gráfico 7- Demonstrações Financeiras Elaboradas pelo SAC4......................................................... 38

Gráfico 8- Demonstrações Financeiras Elaboradas pelo SAC4......................................................... 38

Gráfico 9- Está Satisfeito com as Funcionalidades que o SAC4 lhe Permite Desempenhar? ........... 39

Gráfico 10- Principais Erros Cometidos no SAC4 ............................................................................ 40

VII
LISTA DE FIGURAS

Figura 1- Classificação dos Utentes e a Utilidade da Informação para Cada Utente .......................... 6

Figura 2- Estrutura do Plano Geral de Contabilidade ........................................................................ 11

Figura 3- Estrutura do SAC4 ............................................................................................................. 23

Figura 4 - Etapas do Procedimento de Escrituração .......................................................................... 28

Figura 5 - Etapas do Procedimento de Demonstrações Contabilísticas ............................................. 30

Figura 6- Balanço, segundo modelo do PGC ..................................................................................... 50

Figura 7- Demonstração de Resultados, segundo modelo do PGC ................................................... 51

Figura 8- Demonstração de Resultados, modelo do SAC4 ................................................................ 52

Figura 9- Demonstração de Fluxo de Caixa, modelo do SAC4 ......................................................... 53

Figura 10- Interface do SAC4 ............................................................................................................ 58

Figura 11- Diário de Lançamentos..................................................................................................... 58

Figura 12- Lista do Plano de Contas Geral ........................................................................................ 59

Figura 13- Relatório do Diário de Lançamento: Diário de Abertura da Empresa Observada ........... 59

Figura 14- Classe 1: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 60

Figura 15- Classe 3: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 60

Figura 16- Classe 4: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 61

Figura 17- Classe 5: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 61

Figura 18- Classe 6: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 61

Figura 19- Classe 7: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 62

Figura 20- Classe 8: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada ........................................... 63

Figura 21- Balancete do Razão da Empresa Observada .................................................................... 63

VIII
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Síntese das Informações Contabilísticas Proporcionadas pelas DF´s e suas Respectivas
DF´s ...................................................................................................................................................... 6

Tabela 2 – Agrupamento por Características dos Sistemas Contabilísticos ........................................ 8

Tabela 3 – Distribuição das MPME´s Segundo a Dimensão e Actividade ........................................ 21

Tabela 4 – Distribuição das MPME´s Inqueridas Segundo a Dimensão e Actividade ...................... 32

Tabela 5 – Aspectos que Levaram a Escolha do SAC4 para Uso no Processo Contabilístico .......... 36

Tabela 6 – As funcionalidades do SAC4 Permitem:.......................................................................... 37

Tabela 7 – Grau de Concordância das Afirmações ............................................................................ 40

Tabela 8 - Género ............................................................................................................................... 65

Tabela 9 - Idade.................................................................................................................................. 65

Tabela 10 – Habilitações Literárias ................................................................................................... 65

Tabela 11 – Área de Formação .......................................................................................................... 65

Tabela 12 – Período de Experiência em Contabilidade ..................................................................... 65

Tabela 13 – Período de Experiência com SAC4 ................................................................................ 65

Tabela 14 – Aspectos que Levaram a Escolha do SAC4 para Uso no Processo Contabilístico ........ 66

Tabela 15 - As Funcionalidades do SAC4 Permitem ........................................................................ 66

Tabela 16 - Modelos de Demonstrações Financeiras que os Inqueridos Elaboram no SAC4 ........... 67

Tabela 17 – Aplicativos que Utilizam para Auxiliar o SAC4 na Elaboração das DF´s .................... 67

Tabela 18 – Satisfação com as Funcionalidade que o SAC Permite Desempenhar .......................... 67

Tabela 19 - Principais erros Cometidos no SAC4 ............................................................................. 68

Tabela 20 – Grau de Concordância Com as Afirmações ................................................................... 68

IX
ÍNDICE GERAL

DEDICATÓRIA ............................................................................................................................... I

AGRADECIMENTOS.................................................................................................................... II

RESUMO ....................................................................................................................................... III

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ..................................................................................... V

LISTA DE GRÁFICOS ............................................................................................................... VII

LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................. VIII

LISTA DE TABELAS ................................................................................................................... IX

INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 1

CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................................... 3

1.1 Noções e Considerações Gerais ............................................................................................. 3

1.2 Informação Contabilística e Suas Características .................................................................. 4

1.2.1 Componentes das DF´s e tipos de Informação Contabilística proporcionada nas DF´s . 4

1.2.1.1 Componentes das Demonstrações Financeiras ........................................................ 4

1.2.1.2 Posição financeira .................................................................................................... 5

1.2.1.3 Desempenho ............................................................................................................ 5

1.2.1.4 Alterações na posição financeira ............................................................................. 5

1.2.2 Utentes das informações contabilísticas ......................................................................... 6

1.2.3 Pressupostos subjacentes e características qualitativas da informação contabilística .... 7

1.3 Normativo Contabilístico Angolano (PGC) .......................................................................... 8

1.3.1 O Sistema contabilístico ................................................................................................. 8

1.3.1.1. Caracterização do sistema contabilístico angolano ................................................. 9

1.3.2 A evolução do normativo contabilístico em Angola ...................................................... 9

1.3.3 Breve apresentação da estrutura do normativo contabilístico angolano (PGC) ........... 11

1.3.3.1 Demonstrações Financeiras ................................................................................... 12

1.3.3.2 Políticas contabilísticas.......................................................................................... 12


X
1.3.3.2.1 Características qualitativas da informação financeira .................................. 12

1.3.3.2.2 Bases de apresentação das demonstrações financeiras e Princípios


contabilísticos................................................................................................................. 13

1.3.3.2.3 Critérios para reconhecimento das classes das DF´s e valorimetria ............ 13

1.3.3.3 Quadro de lista de contas e notas explicativas....................................................... 14

1.4 Procedimentos Contabilísticos ............................................................................................. 14

1.5 Contabilidade Informatizada................................................................................................ 16

1.6 Considerações Finais da Fundamentação Teórica ............................................................... 18

CAPÍTULO II – ESTUDO APLICADO ....................................................................................... 19

2.1 Metodologia ......................................................................................................................... 19

2.1.1 População ...................................................................................................................... 19

2.1.2 Amostra......................................................................................................................... 19

2.1.3 Métodos e instrumentos de recolha de dados ............................................................... 20

2.2 Apresentação e Análise dos Dados ...................................................................................... 20

2.2.1 Caracterização do Sector .............................................................................................. 20

2.2.2 Observação ................................................................................................................... 21

2.2.2.1 Apresentação da empresa observada ..................................................................... 22

2.2.2.2 Breve apresentação do software observado ........................................................... 22

2.2.2.3 Funcionalidades do software para Contabilidade .................................................. 23

2.2.2.4 Procedimentos contabilísticos utilizando o software observado ........................... 25

2.2.2.4.1 Escrituração .................................................................................................. 26

2.2.2.4.2 Demonstrações Contabilísticas .................................................................... 29

2.2.2.4.3 Auditoria e Análise....................................................................................... 30

2.2.2.5 Considerações sobre a observação realizada (Pontos fortes e fracos do Software)


30

2.2.3 Inquérito ........................................................................................................................ 31

XI
2.2.3.1 Características dos inqueridos ............................................................................... 32

2.2.3.2 Uso do SAC4 na produção da informação contabilística ...................................... 35

2.2.3.3 Considerações sobre o inquérito ............................................................................ 42

2.2.4 Considerações Sobre o Estudo...................................................................................... 43

CONCLUSÃO ............................................................................................................................... 45

LIMITAÇÕES E SUGESTÕES .................................................................................................... 46

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................... 47

ANEXOS ....................................................................................................................................... 50

Anexo 1 – Modelo de Demonstrações Financeiras .................................................................... 50

Anexo 2 – Modelo de Inquérito ................................................................................................. 54

Anexo 3 – Screenshots (Imagens de Captura de Captura de Ecrã) do Software na Empresa


Observada................................................................................................................................... 58

Anexo 4 – Lista das Empresas Constituintes da Amostra e sua Respectiva Classificação ....... 64

Anexo 5 – Dados do Inquérito ................................................................................................... 65

XII
INTRODUÇÃO

Os incentivos e apoios proporcionados pelo Estado ao sector empresarial de forma a dinamizar a


economia e mudar o actual contexto macroeconómico, tem tornado cada vez mais imperativo apostar-
se em informações contabilísticas credíveis no sentido de proporcionar aos utilizadores das
demonstrações financeiras a evidência da real situação patrimonial, desempenho económico e
alterações na posição financeira das empresas.

Para a elaboração destas informações as empresas devem munir-se de ferramentas de trabalho que
garantem a agilidade e segurança no lançamento e processamento de dados. Estas ferramentas são
conhecidas por softwares contabilísticos.

Baseando-se nestes pressupostos e outros inerentes à importância da contabilidade no nosso contexto,


a presente monografia surge com a pretensão de conhecer e perceber o modo de utilizar com eficiência
as funcionalidades do SAC4 na elaboração da informação contabilística em conformidade com as
orientações do PGC (Plano Geral de Contabilidade), contribuindo assim no uso do software para a
elaboração da informação credível sobre a posição financeira, o desempenho económico e a alteração
da posição financeira para os utentes auxiliando-os na tomada das decisões económicas. Para atingir
o objectivo acima referido seleccionou-se 30 (trinta) MPME´s (Micro Pequenas e Médias Empresas),
como instrumentos de recolha de dados, aplicou-se a observação a partir de estágio e o inquérito.

Justificativa

Face a intenção de mudar-se o actual cenário de recessão económica, apostando cada vez mais no
sector empresarial de forma a dinamizar e potencializar a economia nacional, surge a necessidade de
as empresas fornecerem informações contabilísticas compreensíveis, comparáveis, relevantes e
fidedignas sobre a real situação patrimonial, desempenho económico e alteração da posição financeira
a partir das demonstrações financeiras.

Estas informações fornecidas através das demonstrações financeiras só poderão ser compreensíveis,
comparáveis, relevantes e fidedignas se precederem de práticas ou procedimentos contabilísticos
correctos e forem produzidos por softwares que não só permitam a aplicabilidade na totalidade dos
PCGA, como também garantem a agilidade e segurança na preparação da informação contabilística.

Tendo em conta o acima exposto, como também o gosto pela área adquirido durante a formação
académica e o facto de o estudo envolver um software de origem (fabrico) nacional, justifica-se a
elaboração da presente monografia, visando analisar as funcionalidades do SAC4 na elaboração da

1
informação contabilística em conformidade com as orientações do PGC e desta forma contribuir no
debate acerca do uso de softwares no processo contabilístico.

Problema de Investigação

Aparentemente as informações constantes nos Relatórios e Contas da maioria das MPME’s têm sido
produzidas através de um software de contabilidade. Conduzindo a seguinte questão: como utilizar
com eficiência as funcionalidades do software SAC4, na elaboração da informação contabilística em
conformidade com as orientações do PGC?

Objectivo geral

Conhecer e perceber o modo de utilizar com eficiência as funcionalidades do SAC4 na elaboração da


informação contabilística em conformidade com as orientações do PGC.

Objectivos específicos

Os objectivos específicos definidos para presente pesquisa são:

• Identificar as funcionalidades do SAC4 na elaboração da informação contabilística das


MPME´s;
• Verificar se os modelos de apresentação da informação contabilística produzidos pelo SAC4
estão em conformidade com os orientados pelo PGC;
• Identificar os procedimentos contabilísticos realizados utilizando o SAC4 na elaboração da
informação contabilística;
• Identificar os pontos fortes e fracos do SAC4 na elaboração da informação contabilística em
conformidade com as orientações do PGCA.

Estrutura do Trabalho

De forma a atingir os objectivos a que se propôs, o trabalho foi assim estruturado: Introdução,
Capítulo I – Fundamentação Teórica, Capítulo II – Estudo Aplicado, Conclusão, Limitações e
Sugestões. Iniciou-se com uma apresentação do trabalho na Introdução. No primeiro capítulo fez-se
uma abordagem teórica sobre assuntos relevantes ao tema estudado: a informação contabilística, o
normativo contabilístico angolano (PGC), os procedimentos contabilísticos e a contabilidade
informatizada. Já no segundo capítulo apresentou-se a metodologia utilizada bem como os dados
recolhidos, seu tratamento e os resultados obtidos a partir do estudo aplicado às MPME´s da cidade
do Lubango. Por último apresentou-se conclusões, bem como as limitações e sugestões do estudo.

2
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A fundamentação teórica consiste em embasar por meio das ideias de outros autores aspectos teóricos
de sua pesquisa (Rosso, 2016, p. 13).

É neste sentido que este capítulo apresenta a base teórica dos temas abordados na monografia, bem
como, os principais conceitos e elementos utilizados para subsidiar este estudo.

1.1 Noções e Considerações Gerais

A história da contabilidade é tão antiga quanto a própria história da civilização. Desde muito cedo
que as manifestações humanas da necessidade social de controlo do património são uma realidade.

Ela surgiu em função da necessidade que o ser humano tem de controlar suas posses e riquezas, ou
seja, o seu património. É tão antiga quanto à própria humanidade, há inclusive hipóteses de que a
contabilidade tenha surgido antes mesmo da escrita e até que tenha sido base para o surgimento desta
(Ávila, 2012).

Foi graças a esta necessidade e à evolução natural da sociedade que a contabilidade cresceu, se
desenvolveu e tentou ir ao encontro das necessidades mais profundas do meio empresarial,
conduzindo ao seguinte conceito:
A Contabilidade é uma ciência social que através da execução de serviços técnicos,
controla, organiza, estuda e avalia o património de uma entidade (física ou jurídica)
permanentemente [...]. Compete à Contabilidade registar os actos e fatos
administrativos e produzir informações que possibilitem ao administrador planejar
e controlar suas acções, para traçar os objectivos da entidade.
(Bächtold, 2011, p. 162).

É de referir que existem muitos conceitos da contabilidade e defini-la é sem dúvida uma tarefa difícil,
pois apresentar uma definição clara e ao mesmo tempo capaz de encerrar em si as diversas vertentes
que esta abrange pode conduzir a inexactidões ou abordagens demasiado redutoras (Almeida , et al.,
2017). Para o presente trabalho procurou-se apresentar um que evidenciasse as diversas vertentes que
a contabilidade abrange e comumente aceite como explicativa daquilo que deve ser entendido por
contabilidade.

Tendo em conta o conceito acima exposto, pode-se dizer que o objectivo da contabilidade é de
“proporcionar informação acerca da posição financeira, do desempenho dos fluxos de caixa de uma
empresa que seja útil a uma larga faixa de utentes na sua tomada de decisões económicas” (IAS 1 -
Regulamento (CE) n.º 1126/2008, 2013, § 9).

3
A informação proporcionada pela contabilidade é conhecida por informação contabilística ou ainda
informação financeira, que segundo Rocha apud Barros (2011) a mesma é definida e regulada pela
normalização contabilística vigente. Sendo através dela que, como refere Alves apud Landu (2014,
p. 5), “os diversos agentes económicos interessados na empresa podem avaliar a situação passada,
actual e projectar o futuro, e assim, tomar decisões quanto às relações que podem ou poderão ter com
ela”.

1.2 Informação Contabilística e Suas Características

Sabe-se de antemão que a informação contabilística é divulgada em documentos técnicos específicos


para esse fim, conhecidos por Demonstrações Financeiras, que segundo o ponto 2 da Demonstração
Financeira do PGC (2001) “são uma representação financeira esquematizada da posição financeira
de uma entidade. São, por essa razão, úteis como forma de proporcionar informação acerca da posição
financeira, desempenho e alterações na posição financeira de uma entidade a um vasto leque de
utentes na tomada de decisões económicas”.

Deste conceito extraem-se os seguintes elementos chaves ou tipos de informação contabilísticas


proporcionada nas DF´s: posição financeira, desempenho e alterações na posição financeira.

1.2.1 Componentes das DF´s e tipos de Informação Contabilística proporcionada nas DF´s

1.2.1.1 Componentes das Demonstrações Financeiras

Antes de abordar-se sobre o tipo de informação proporcionada nas Demonstrações Financeiras, é


necessário, conhecer-se suas componentes. Assim, segundo o PGC (2001, p. 5), são elas as seguintes:

• Balanço, “é a demonstração contabilística destinada a evidenciar, quantitativamente e


qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira de uma entidade;
• Demonstração de Resultados, é uma demonstração contabilística destinada a evidenciar a
composição do resultado formulado num determinado período de operações de uma entidade;
• Demonstração de Alterações no Capital próprio reflectem as alterações ocorridas no capital
próprio de uma entidade durante o exercício económico;
• Demonstração de Fluxo de Caixa é uma demonstração contabilística destinada a evidenciar
como foi gerado e utilizado o dinheiro no período em análise;
• Notas às Contas são um conjunto de divulgações (descrições narrativas e detalhes de quantias)
destinadas a fornecer informação adicional, que seja relevante às necessidades dos utentes.

4
Estas componentes inter-relacionam-se porque, como se verificou acima, reflectem diversos aspectos
dos mesmos factos, motivo pelo qual é difícil que, uma componente por si só, de forma isolada,
responda a cada uma das necessidades de informação por parte dos utentes (Ponto 5.1 do PGC, 2001).

1.2.1.2 Posição financeira


A posição financeira encontramos representada no Balanço. Segundo o PGC (2001) ela é útil para
predizer:

• A capacidade da entidade em gerar caixa e equivalentes de caixa no futuro, evidenciada a


partir dos recursos económicos e capacidade de modificar estes recursos;
• As futuras necessidades de empréstimos, evidenciadas na estrutura financeira;
• Como os lucros futuros e fluxos de caixa serão distribuídos entre os que têm interesses na
entidade, evidenciado na estrutura financeira;
• O sucesso que a entidade terá como obtenção de fundos adicionais, evidenciado também na
estrutura financeira;
• A capacidade da entidade satisfazer os seus compromissos financeiros à medida que se
vencem, evidenciada na liquidez e solvência.

É de salientar que os recursos económicos e capacidade de modificar estes recursos, estrutura


financeira, liquidez e solvência são elementos que afectam a posição financeira de uma entidade e
são uteis para predizer os aspectos acima citados.

1.2.1.3 Desempenho

O desempenho e a variabilidade do desempenho de uma entidade são representados


esquematicamente na Demonstração de Resultados. Segundo o PGC (2001), o desempenho e sua
variabilidade são uteis para predizer:

• A capacidade da entidade em gerar fluxos de caixa a partir dos recursos básicos existentes;
• As alterações potenciais nos recursos económicos que seja provável que que ela controle no
futuro.

1.2.1.4 Alterações na posição financeira

As alterações na posição financeira de uma entidade são representadas na Demonstração de Fluxo de


Caixa. Segundo o PGC (2001) elas são uteis para:

• Avaliar as suas capacidades de investimento, financiamento e operacionais durante um


período;

5
• Determinar a capacidade de uma entidade gerar dinheiro e equivalentes e as necessidades de
utilização desses fluxos, no futuro.

Tabela 1 – Síntese das Informações Contabilísticas Proporcionadas pelas DF´s e suas Respectivas
DF´s

Informações proporcionadas pelas DF´s Componentes das Demonstrações Financeiras


Posição financeira Balanço
Desempenho Demonstração de Resultados e Demonstração de
Alteração nos Capitais Próprios
Alterações na posição financeira Demonstração de Fluxos de Caixa
Divulgação de informação adicional relevante Notas às Contas
Fonte: Elaboração Própria

1.2.2 Utentes das informações contabilísticas


Sendo o objectivo das demonstrações financeiras fornecer informações sobre a posição, o
desempenho financeiro e os fluxos de caixa de uma entidade, que sejam úteis para um grande número
de utentes na tomada de decisões económicas, pode-se dizer que, utente da informação contabilística
é “todo e qualquer individuo (pessoa física ou colectiva) que utilize, para fim específico, as
informações geradas pela contabilidade” (Ávila, 2012, p. 29).

Existem várias classificações para definir a divisão de grupos de utentes, mas para o presente trabalho
utilizou-se a classificação dada por Ávila (2012):

• Gestores ou Internos, compreendem todas as pessoas ligadas directamente ao quadro


societário empresarial ou contratadas para gerir a empresa profissionalmente;
• Terceiros ou Externos, são todas as pessoas que não fazem parte do quadro societário da
empresa, porém utilizam as informações para tentarem trazer algum benefício para si mesmas
nas transacções ou relações com a empresa.

Figura 1- Classificação dos Utentes e a Utilidade da Informação para Cada Utente

6
Avaliar o retorno do ivestimento, Auxiliar na tomada
Investidores de decisão e Determinar a capacidade da empresa de
Legenda: pagar dividendos.
Subdivisão dos Utentes
Subdivisão dos Utentes Externos Avaliar a capacidade da entidade de
Utilidade da Informação Empregados proporcionaremprego, remueração e nenefícios de
reforma.

Determinar a capacidade da entidade em solver, os


Financiadores comprimissos com eles assumidos(Juros e
Empréstimos), dentro do prazo.

Determinar se as quantias que lhes são devidas serão


Terceiros ou Fornecedores e pagas a prazo e Avaliar a capacidade da entidade
Externos outros credores operar de foma continuda, caso estejam dependentes
deles.

Avaliar a capacidade da entidade em operar de forma


continuada, caso hajam assumido comprimissos de
Clientes longo prazo com a entidade ou dela estejam
dependentes.

Avaliar a capaciade de alocação de Rescursos,


Utentes Estado e outros Regulamentar a actividade das entidades, Estabelecer
entes públicos políticas de tributação, Servir de base ao apuramento
do Rendimento Nacional e estatísiticas semelhantes,

Ajudar a avaliar a utilidade da entidade em diversos


Público nívis como por exemplo a capacidade de emprego e
de desenvolvimento de negócios como cliente.

Gesotres ou Auxiliar o cumprimento das suas responsabilidade de


Internos planeamento, tomada de decisões e controlo.

Fonte: Elaboração Própria (2018)

1.2.3 Pressupostos subjacentes e características qualitativas da informação contabilística

Com o intuito de garantir que as DF´s possam transmitir a imagem real e apropriada da posição
financeira, desempenho e alterações na posição financeira de uma entidade, de forma a serem uteis
aos utentes na tomada de suas decisões, segundo o ponto 4 da Politicas Contabilísticas do PGC
(2001), as DF´s devem ser preparadas tendo em conta os seguintes pressupostos:

• Da continuidade, ou seja, que uma entidade continuará a operar no futuro previsível sem a
intenção nem a necessidade de liquidar ou cessar a sua actividade, a menos que não tenha
outra alternativa realista se não fazê-lo;
• Do acréscimo, ou seja, no pressuposto de que os efeitos das operações e outros acontecimentos
são reconhecidos quando ocorrem (independentemente da data em que ocorra o respectivo
recebimento ou pagamento) sendo registadas e relatadas no período a que se referem.

Para além das DF´s terem de cumprir com esses pressupostos para a sua apresentação apropriada, as
informações contantes nelas também têm de cumprir com certos atributos, conhecidos como
7
características qualitativas da informação contabilística, que segundo o PGC (2001), “são atributos
que tornam a informação, prestada pelas DF´s, útil aos utentes”. A mesmas, na presente monografia,
são apresentadas conforme estabelecido no normativo angolano, PGC, que se enquadra dentro
daquilo que são os objectivos da mesma.

1.3 Normativo Contabilístico Angolano (PGC)

1.3.1 O Sistema contabilístico

O sistema contabilístico pode ser entendido como “o conjunto de princípios, normas e práticas que
orientam o fornecimento de informação financeira, num âmbito especial e temporal dado” (Benau,
1995, p. 55). A nível internacional pode-se verificar a existência de diferentes conjuntos de princípios,
normas e práticas, ou seja, diferentes sistemas contabilísticos.

Em síntese, Nobes apud Amaral (2001, p. 38) apresentou um quadro resumo no qual agrupa os países
em dois blocos distintos: o Anglo-saxónico e o Continental:

Tabela 2 – Agrupamento por Características dos Sistemas Contabilísticos

Bloco Anglo-Saxónico Bloco Continental


1 – Antecedentes
1. Direito inglês; 1. Direito romano;
2. Profissão antiga, de grande dimensão e 2. Profissão ainda recente, de pequena
forte; dimensão e fraca;
3. Grandes mercados de capitais. 3. Pequenos mercados de capitais.
2 – Características Contabilísticas Genéricas
1. Orientada para a imagem verdadeira e 1. Orientada para a forma legal;
apropriada; 2. Orientada para o credor;
2. Orientada para o investidor; 3. Pouca divulgação;
3. Muita divulgação; 4. A fiscalidade domina as regras
4. Separação entre as regras contabilísticas;
contabilísticas e as fiscais; 5. Predominam as disposições
5. Predominam os standards profissionais governamentais e a forma sobre a
e a substância sobre a forma. substância.
3 – Alguns Exemplos de Países
1. Austrália; 5. Holanda; 1. Alemanha; 5. Itália;
2. Canadá; 6. Nova 2. Bélgica; 6. Japão;
3. Dinamarca; Zelândia; 3. França; 7. Portugal.
4. Estados Unidos 7. Reino Unido. 4. Grécia;
da América;
Fonte: Adaptado de Nobes apud Amaral (2001, p. 38)

8
1.3.1.1. Caracterização do sistema contabilístico angolano

O sistema contabilístico angolano tem como sistema modelo, o sistema português, isto deve-se
fundamentalmente a influência colonial, tanto que em termos linguísticos, práticas, termos, modos de
aplicação da contabilidade. Portanto, tendo em conta este aspecto e segundo (Lapi, 2015), “o sistema
contabilístico angolano também é enquadrado a esta classificação, ou seja, as normas e práticas
contabilísticas são baseadas em leis”.

A principal fonte de financiamento das empresas angolanas são as instituições financeiras, mais
concretamente os Bancos, logo não existe a cultura de financiamento nos mercados de capitais. E a
divulgação da informação contabilística é mais restrita e limitada, a preparação desta informação
serve basicamente para o apuramento do imposto a pagar (ou a receber) tendo em consideração a
forte relação existente neste sistema entre a contabilidade e a fiscalidade (Lapi, 2015). Conduzindo a
um sistema contabilístico virado mais para o credor e para fins fiscais (apuramento de impostos).

1.3.2 A evolução do normativo contabilístico em Angola

Com o nascimento da nova Angola (Angola independente), sentiu-se a necessidade de uma


restruturação nacional em diversos aspectos e sectores no qual se destacam as evoluções verificadas
nas vertentes contabilístico-empresarial. Neste sentido, em Março de 1976 os Serviços de Fazenda
Nacional que se encarregavam do funcionamento da contabilidade e tributação na Angola colonial
passou a designar-se Ministério das Finanças, o qual tem sido responsável pela reforma fiscal (Lapi,
2015).

Em 1978, deu-se a elaboração do Plano de Contas criado pelo Ministério do Comércio interno, com
o propósito de uniformizar o controlo económico das suas unidades económicas estatais (Landu,
2014). Destaca-se ainda a publicação do Decreto-lei nº 49381 que permitiu determinar o resultado
líquido de cada exercício. Outro grande desenvolvimento verificado foi a aprovação do Decreto nº
250/79 de 19 de Outubro do Conselho de Ministros, que aprovou o Plano de Contas Nacional que era
aplicado às empresas públicas, mistas e privadas (Lapi, 2015).

Este plano durou cerca de uma década e foi substituído no âmbito do Programa de Saneamento
Económico e Financeiro (PSEF) pelo Plano de Contas Empresarial criado pelo Decreto nº 70/89 de
23 de Dezembro, do Conselho de Ministros (Lapi, 2015). Visto que o anterior não se ajustava ao
PSEF, conforme escrito no próprio programa: “ É óbvio que o actual Plano de Contas Empresarial
(PCE), anteriormente designado Plano de Contas Nacional concebido e adaptado para uma fase
diferente da nossa economia, não se encontra, actualmente ajustado aos grandes objectivos

9
preconizado no âmbito do PSEF e daí que se tenha de proceder ao seu reajustamento” (Caliatu &
Soares, 2015).

O desenvolvimento económico e social que Angola tem registado, após o término da guerra civil
(2002) e a inexistência de um órgão de normalização contabilística nacional, fez com que o Ministério
das Finanças, chamasse a si a responsabilidade de órgão regulador da contabilidade nacional e
novamente ajustou as bases da normalização contabilística de Angola, criando assim, por via do
decreto nº 82/01 de 16 de Novembro, o PGC, que vigora até à presente data, aplicável às sociedades
comerciais e empresas públicas, que exerçam actividade em Angola ou noutros países, mas que
tenham a sua sede em território nacional. Dessa vez, este Plano de Contas foi adaptado à realidade
internacional, com base nas normas do International Federation of Accountants (IFAC), que tem o
objectivo primordial, segundo o ponto 1 da Introdução do PGC (2001), “harmonização contabilística
a nível mundial”.

Em Angola existem quatro grandes entidades que regulam a normalização contabilística (Lapi, 2015):

• Ministério das Finanças (MinFin): para empresas comerciais, industriais e públicas;


• Banco Nacional de Angola (BNA): para instituições financeiras bancárias e não bancárias;
• Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG): para empresas de
seguro, resseguro e de fundo de pensões;
• Comissão de Mercados de Capitais (CMC): para a regulação do mercado de valores
mobiliários.

Com a crescente internacionalização da economia, o desenvolvimento de mercado de capitais que


deu origem a criação da Bolsa de Valores e Derivativos de Angola (BODIVA), e a necessidade de
atrair cada vez mais investimento estrageiro no país, torna-se indispensável que o país reestruture o
seu quadro contabilístico procedendo a harmonização da contabilidade com as normas
internacionalmente concebidas pelo IASB e organismos afins, de forma a que o país não careça de
oportunidade e competitividade (Lapi, 2015).

Foi atendendo a essa necessidade, que no sector financeiro foi aprovado recentemente um novo Plano
de Contas para as Instituições Financeiras (CONTIF) pelo Instrutivo nº 09/07 de 19 de Setembro, do
Banco Nacional de Angola (BNA) que entrou em vigor a partir do exercício 2010, que já apresentava
vários requisitos em parcial convergência com as actuais IAS/IFRS e em 2016 entrou-se no processo
de adopção plena das IAS/IFRS (Lapi, 2015). Exemplo que devia ser seguido por outras entidades
reguladoras.

10
1.3.3 Breve apresentação da estrutura do normativo contabilístico angolano (PGC)

Segundo Magro e Magro (2008, p. 48),


“o plano de contas é um conjunto de normas e procedimentos contabilísticos,
destinados a servir de guia e modelos para os trabalhos de registos e demonstração
de factos patrimoniais, constituídos por: princípios e políticas contabilísticas;
elenco de contas; forma (balanço, demonstração de resultados e demonstração de
fluxo de caixa) e âmbito das contas; reconhecimentos das massas patrimoniais e
valorimetria; notas.”
(Magro & Magro, 2008, p. 48).

Logo, o PGC estabelece os critérios para preparação apresentação das demonstrações financeiras para
os utentes externos tendo como propósitos fundamentais (Ponto 1 da Introdução do PGC):

• Ajudar os preparadores das DF´s na aplicação de normas idênticas às internacionais;


• Ajudar os utentes das DF´s na interpretação da informação contida nas demonstrações
financeiras;
• Ajudar os auditores na formação de opinião quanto as DF´s se encontram ou não em
conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceites;
• Ajudar a identificar assuntos que devam constituir alvo de interpretação detalhada e
aprofundamento em fases seguintes, para melhor se conformarem com as necessidades do
país sem ferirem os princípios básicos internacionais.

Figura 2- Estrutura do Plano Geral de Contabilidade

PGC

Demonstraçõe Politícas Quadro e Lista Notas


s Financeiras Contabilísticas de Contas Explicativas

Características
Balanço qualitativas da
informação financeira Classe 0: Contas a Ordem
Classe 1: Meios Fixos e Investimentos
Classe 2: Existências
DR (por natureza ou por Base de apresentação Classe 3: Terceiros
funções) das DF´s Classe 4: Meios Monetários
Classe 5: Capital e Reservas
Classe 6: Proveitos e Ganhos por Natureza
DFC (método directo ou Classe 7: Custos e Perdas Natureza
indirecto)
Princípios contabilísticos
Classe 8: Resultados
Classe 9: Contabilidade Analítica
Critérios para
Notas às contas reconhecimento das
classes das DF´s

Valorimetria

Fonte: Almeida et al. (2014)


11
Relativamente à estrutura do PGC, apresentada na figura 2, de acordo com Almeia, et al. (2014, p.
43), ela é composta por quatro aspectos basilares que são: Demonstrações Financeiras, Politicas
Contabilísticas, Quadro e Lista de Contas, e Notas Explicativas.

1.3.3.1 Demonstrações Financeiras

As entidades sujeitas ao actual PGC (as sociedades comerciais e empresas públicas que exerçam
actividades em Angola ou exerçam actividades em outros países, mas que tenham a respectiva sede
em Angola) são obrigadas a apresentar as seguintes demonstrações financeiras: Balanço,
Demonstração de Resultados, Demonstração de Fluxos de Caixa e Notas às Contas. Sendo que, a
elaboração da DFC se encontra temporariamente suspensa e ficam excluídas deste PGC os seguintes
assuntos:

• Contabilização de locações;
• Determinação, registo e divulgação de impostos diferidos;
• Contabilização e relato dos Planos de Benefícios de reforma;
• Concentrações de actividades empresariais (conhecida também como consolidação de
contas);
• Efeitos das alterações das taxas de câmbio em DF´s de operações estrangeiras.

No que se refere do período do relato, por regra e segundo o PGC, as demonstrações abrangem um
período de 12 meses (de 1 de Janeiro à 31 de Dezembro) e que estas devem ser avaliadas em kwanzas,
moeda oficial de Angola, sem que sejam permitidas quaisquer alterações nos modelos das
componentes das DF´s. E a estrutura das componentes das DF´s, de acordo com o normativo em
causa, deve obedecer rigorosamente aos modelos constantes no mesmo (vide em anexo).

1.3.3.2 Políticas contabilísticas

“Políticas contabilísticas são os princípios, bases, convenções, regras e práticas adoptadas por uma
entidade na preparação e apresentação das demonstrações financeiras” (Ponto 1 das Políticas
Contabilísticas do PGC). E as políticas estabelecidas no PGC têm como objectivo principal “garantir
que as demonstrações financeiras foram preparadas em obediência a bases que melhor se aduam às
necessidades dos utentes”, conforme referido no ponto 1 da Politicas Contabilísticas do PGC (2001).

1.3.3.2.1 Características qualitativas da informação financeira

O PGC (2001, pp. 24, 25) considera apenas duas características da informação contabilística:

12
• Relevância: a informação é relevante quando se torna necessária para a tomada de decisões
por partes dos utentes; e
• Fiabilidade: A informação é fiável na medida que não contém erros materiais e de
preconceitos, devendo para tal:
o Representar fidedignamente os resultados e a posição financeira da entidade
(Representação fidedigna);
o Ser neutra, isto é, não influenciar uma tomada de decisão ou exercício de um juízo a
fim de atingir um resultado ou efeito pré-determinado (Neutralidade);
o Ser prudente, isto é resultar do uso de um determinado grau de precaução no exercício
dos juízos necessários para fazer estimativas em condições de incerteza e os activos e
proveitos não serem sobreavaliados e os passivos e os custos não serem subavaliados
(Prudência);
o Ser completa em todos os aspectos matérias (Plenitude).

1.3.3.2.2 Bases de apresentação das demonstrações financeiras e Princípios contabilísticos

Em relação às bases de apresentação das Demonstrações financeiras, o PGC prevê que estas sejam
preparadas no pressuposto da continuidade das actividades e do acréscimo, conforme anteriormente
referidos.

Já em relação aos princípios, ele apresenta os seguintes:

• Consistência: a apresentação e classificação de itens nas demonstrações financeiras devem ser


mantidas de um período para outro;
• Materialidade: a informação é considerada material se a sua omissão puder influenciar a
decisão económica dos utentes, baseada nas demonstrações financeiras;
• Não compensação de saldos: Não devem ser efectuadas compensações de saldos entre activos
e passivos;
• Comparabilidade: a informação deve ficar habilitada a efectuar, análises comparativas para
identificar tendências na posição financeira da entidade e no resultado das suas operações e a
efectuar comparações entre entidades.

1.3.3.2.3 Critérios para reconhecimento das classes das DF´s e valorimetria

De acordo com o ponto 6.1 da Politicas Contabilísticas do PGC (2001), reconhecimento “é o processo
de incorporar no Balanço e na Demonstração de Resultados um elemento que satisfaça a definição de

13
uma classe e as condições para o seu reconhecimento”. E ainda segundo o mesmo, essas condições
que também são conhecidas como critério geral, são:

• For provável que qualquer benefício económico futuro, associado com elemento, flua para,
ou da, empresa;
• Seu custo ou valor poder ser quantificado com fiabilidade.

“Entende-se por valorimetria, o processo de determinar a quantia pela qual as operações e outros
acontecimentos devem ser reconhecidos e inscritos no balanço e na demonstração de resultados”
(Ponto 7 da Politicas Contabilísticas do PGC, 2001). O PGC agrupa a valorimetria em duas bases de
valorimetria: as bases de valorimetria globais e as bases de valorimetria específicas. As bases de
valorimetria globais apresentadas pelo PGC são constituídas de custo histórico, custo corrente, valor
realizável e valor presente (actual).

Mas apesar de apresentar estes critérios de bases de valorimetria globais, nele é genericamente
adoptado como base de valorimetria global, o custo histórico que corresponde ao valor original de
entrada no património de uma operação ou acontecimento. O custo histórico não tem atenção nem as
variações a nível geral de preços nem as variações nos preços específicos dos activos detidos
conforme apresentado no ponto 7.1 da Politicas Contabilísticas do PGC (2001). Portanto o uso de
outras bases de valorimetria é permitido, mas só em situações em circunstâncias particulares, como:
o custo corrente, para as imobilizações corpóreas e o valor realizável, para os inventários.

1.3.3.3 Quadro de lista de contas e notas explicativas

De acordo com o PGC, a sistematização e codificação das rubricas a usar na elaboração dos registos
contabilísticos foi optado com a finalidade de orientar o processo de reconhecimento das operações
e outros acontecimentos, simplificar o controlo dos registos efectuados e facilitar a consulta de saldos
e quantias para efeitos de preparação das componentes das DF´s.

No que concerne às notas explicativas, segundo o ponto 1 das Notas Explicativas do PGC (2001),
elas são explicações dos conceitos que se destinam apenas a auxiliar na interpretação e aplicação das
disposições do referido plano não incluindo, portanto, na generalidade dos casos, quaisquer regras de
movimentação de contas e outras de natureza similar.

1.4 Procedimentos Contabilísticos

No que respeita aos procedimentos ou práticas contabilísticas, Carvalho (2014) verificou que a grande
parte dos estudos divulgados se centram nas normalizações e regulamentações contabilísticas, como

14
também que a definição de procedimentos contabilísticos na perspectiva da prática contabilística,
quando executada por pessoas de outros sectores da empresa e que têm implicações nos dados que
posteriormente são utilizados pela contabilidade, é um tema pouco aprofundado.

Entretanto, segundo Severo (2009), a contabilidade é um processo de recolha, análise, registo


cronológico e interpretação das transacções efectivamente realizadas e outros factos patrimoniais que
não correspondem a transacções efectivas, mas que afectam a situação financeira ou os resultados das
entidades. Deste modo, a base do processo contabilístico são os documentos, que devem ser
classificados e registados em suportes próprios, repercutindo-se em contas, de acordo com os planos
de contas normalizados e a partir das últimas, elabora-se um conjunto de relatórios com o intuito de
prestar informação aos diversos stakeholders.

E ainda segundo Ávila (2012), a contabilidade envolve procedimentos que são classificados em
quatro técnicas distintas:

• Escrituração: consiste em efectuar, de forma sistematizada, os registos das ocorrências que


influenciam a evolução patrimonial. A escrituração, portanto, é realizada levando em
consideração a ordem cronológica de todos os acontecimentos. A técnica contabilística da
escrituração é baseada em documentos comprobatórios, ou seja, todos os acontecimentos a
serem escriturados devem corresponder a um documento legalizado que comprove a sua
veracidade.
• Demonstrações contabilísticas: consiste em apresentar todos os registos efectuados em uma
forma condensada, que apresente os resultados atingidos pela empresa em um determinado
período. Os factos registados devem constar em demonstrações financeiras.
• Auditoria: consiste na técnica que busca ratificar a exactidão dos registos já efectuados e
apresentados nas demonstrações contabilísticas. Constitui-se em um exame pormenorizado de
todos os dados escriturados pela contabilidade, que tem por função verificar se todos foram
efectuados seguindo os princípios fundamentais de contabilidade. Essa técnica pode ser
aplicada de duas formas distintas, auditoria interna e auditoria externa.
• Análise: levando em consideração que as demonstrações contabilísticas representam dados
sistematizados, que apresentam de forma sintética os resultados da empresa, nem sempre os
usuários têm condições de interpretá-los. Assim, cabe à própria contabilidade decompor,
comparar e interpretar as demonstrações contabilísticas, com a finalidade de fornecer
informações mais ágeis para usuários.

15
Tendo em conta o acima exposto pode-se verificar que as técnicas contabilísticas seguem uma lógica,
pois primeiramente regista-se todos os acontecimentos para, em seguida, demonstra-se esses
acontecimentos por meio de relatórios padronizados e, na sequência, fazer uma verificação da
veracidade dos registos para somente então analisamos e interpretarmos os relatórios com o objectivo
de fornecer informações para os seus possíveis usuários.

1.5 Contabilidade Informatizada

Segundo Oliveira (1997, p. 15) com o advento da informática no sector contabilístico, as empresas
vêm se tornado cada vez mais dependentes do uso da tecnologia da informação na execução da
actividade contabilística.

“A informática proporciona à contabilidade inúmeras facilidades, que vão desde o


lançamento e processamento das informações, até a geração dos relatórios que
podem ser produzidos pelo sistema. Além dessas facilidades, podem-se associar
outros factores, como segurança, confiabilidade e rapidez nas informações
prestadas.”
(Oliveira, 1997, p. 15)

O autor ainda apresenta alguns aspectos positivos relacionados ao uso da informática na


contabilidade, como:

• Aumento da produtividade: a velocidade de processamento das informações, quando se faz


uso do computador para trabalhar, gera aumento substancial da produtividade. O tempo gasto
por uma pessoa ou uma equipe, para se reproduzir um balancete ou outro relatório da
contabilidade nos sistemas convencionais, é muito superior ao tempo gasto quando se
utilizam os sistemas informatizados;
• Melhoria da qualidade dos serviços: a impressão electrónica apresenta como resultado um
trabalho de melhor aspecto, quando comparado com a forma manuscrita e mecanizada. As
informações geradas pelos sistemas são geralmente consistentes, seguras e exactas. A
probabilidade de erros nos programas é muito pequena, e isto aumenta a confiança nos
trabalhos realizados;
• Mais estímulo para os profissionais da área: em função das facilidades que a informática
proporciona no cumprimento das diversas tarefas de seu dia-a-dia, os profissionais da área de
contabilidade sentem-se mais à vontade para trabalhar e, consequentemente, produzem mais.
O trabalho torna-se menos estafante e em função disso mais estimulante;
• Facilidade para a leitura prévia dos relatórios: os relatórios gerados pelos sistemas podem ser
lidos previamente, na tela, mesmo antes de serem impressos. Quando são impressos tornam-
se de fácil manuseio e leitura, porque são emitidos em ordem, indicando a numeração, a data
16
e à hora em que foram processados e gerados, além da quantidade de páginas e outras
informações relacionadas com o controle produtivo;
• Facilidade de acesso às informações da empresa: o acesso às informações é feito de maneira
rápida por meio do sistema, localizando um lançamento, informando o saldo ou a posição de
qualquer das contas cadastradas;
• Maior segurança das informações: devido aos recursos de protecção dos arquivos de dados,
por meio de cópias de segurança ou backup, existe pouca chance de perda total das
informações processadas, as quais podem ser reproduzidas em qualquer lugar que exista um
equipamento de informática apropriado e que nele esteja instalado um sistema igual ao que
gerou as informações;
• Menos espaço físico nos ambientes de trabalho: os arquivos de disco flexíveis facilitam a
guarda e o manuseio das informações já processadas e são bem mais práticos e fáceis de ser
organizados e guardados, em comparação aos arquivos de papéis.

Segundo Bairro (2008), a informática passou a ser relevante no processamento electrónico de dados
contabilísticos, devido ao grande número de transacções, informações e complexidade de cálculos.
Ela é de suma importância para que os profissionais da área possam desempenhar seu trabalho em
melhores condições, desenvolvendo suas actividades de maneira mais qualitativa e tirando o máximo
de benefícios que a informática lhes proporciona em prol do bom desenvolvimento da actividade
contabilística.

Nobais e Nobais (2013) ainda acrescentam que:

A tendência actual da Contabilidade está na informatização dos processos de


registo e no tratamento dos dados, deixando as formas tradicionais de revelação
sistemática e digráfica das operações. A informática está de certo modo relacionada
com a contabilidade, que necessita da informação para fazer lançamento de uma
empresa. Assim, pode dizer-se que a informática e a contabilidade são áreas que,
apesar de distintas, se interligam, pois ambas trabalham com o objectivo de facilitar
o trabalho contabilístico e a recolha de informações.
(Nobais & Noabis, 2013, p.70).

A informática trouxe para a contabilidade variadas facilidades que vão desde lançamentos, elaboração
de mapas contabilísticos até a criação dos relatórios que podem ser feitos por sistemas. Desses
sistemas importa destacar os ERP´s (Enterprise Resource Plannign), sistemas integrados de gestão.
Trata-se de um programa informático ou software que integra, automatiza e armazena todos os dados
e processos dos vários departamentos de uma organização, em apenas um programa informático
(Veiga, 2006).

17
Devido ao tema em questão, não havia como falar do SAC4 e não apresentar o conceito de ERP pois,
o SAC4 é um sistema informático do tipo ERP. Segundo a NCR (2008, p. 1), o mesmo, comporta os
seguintes departamentos:

• De Gestão Administrativa: com módulos de Contabilidade, Controlo de Tesouraria, Gestão


do Imobilizado, Controlo de Contas Correntes;
• Comercial: com módulos de Encomenda, Gestão de Stock, Facturação e Controlo de Contas
Correntes;
• De Recursos Humanos: com módulos de Gestão Pessoal e Processamento de Salários.

1.6 Considerações Finais da Fundamentação Teórica

A Contabilidade surgiu a muito tempo atrás e em função da necessidade que o ser humano tem de
controlar suas posses e riquezas, ou seja, o seu património. Actualmente o objectivo da contabilidade
é de proporcionar informação acerca da posição financeira, do desempenho dos fluxos de caixa de
uma empresa que seja útil aos utentes na sua tomada de decisões.

Esta informação deve conter algumas características e seguir determinados padrões, cujas directrizes
são encontradas nos normativos contabilísticos vigentes num determinado território. No caso
particular de Angola, sobre as MPME´s, encontramos essas directrizes no PGC instituído por via do
Decreto Lei 82/01 de 16 de Novembro de 2001.

Para elaborar a informação contabilística há necessidade de seguir-se alguns procedimentos


(escrituração, demonstrações financeiras, auditoria e análise) abordados por Severo (2009) e Ávila
(2012), que procurar-se-ão verificar no estudo aplicado.

Na prossecução dos procedimentos contabilísticos acima referidos, as empresas vêm se tornado cada
vez mais dependentes do uso da tecnologia da informação, conforme afirmou Oliveira (1997), visto
que, segundo ainda o autor, o seu uso têm permitido: o aumento da produtividade, melhoria da
qualidade dos serviços, mais estímulo para os profissionais da área, facilidade para a leitura prévia
dos relatórios, facilidade de acesso às informações da empresa, maior segurança das informações,
menos espaço físico nos ambientes de trabalho. E estes aspectos também procurar-se-ão verificar no
estudo aplicado, especificamente no uso das funcionalidades do software SAC4 na elaboração da
informação contabilística, como também verificar os pontos fracos e fortes que o uso do SAC4
proporciona.

18
CAPÍTULO II – ESTUDO APLICADO

Este capítulo centraliza-se na apresentação do conjunto de dados extraídos através da realização da


observação e inquérito caracterizados na metodologia deste estudo aplicado às MPME´s e a análise
dos resultados obtidos. Inicialmente foram examinados os dados da etapa da observação, realizada
no estágio solicitado à empresa Luzocontas, Lda. Na sequência foram também analisados os dados
da etapa do inquérito, aplicado à 30 (trinta) MPME´s.

A nível estrutural, primeiramente, o capítulo em referência, apresenta e caracteriza o caminho


utilizado (metodologia) para alcançar os objectivos predeterminados e a posterior realiza a
apresentação e discussão de dados dentro dos parâmetros definidos na metodologia.

2.1 Metodologia

Nesse ponto foram balizados aspectos fulcrais da investigação, tendo em conta que a metodologia,
como parte fundamental da investigação, visa responder ao problema formulado e atingir os
objectivos do estudo de forma eficaz, com o mínimo possível de interferência da subjectividade do
pesquisador (Selltiz, Wrightsman, & Cook, 1965).

2.1.1 População

Tendo em conta que a “população (ou universo da pesquisa) é a totalidade de indivíduos que possuem
as mesmas características definidas para um determinado estudo” (Prodanov & Freitas, 2013, p. 98).
Como população para o presente estudo definiu-se o grupo de MPME´s que usam o aplicativo de
contabilidade SAC4 na cidade do Lubango.

2.1.2 Amostra

A amostra é o “subconjunto do universo ou da população, por meio do qual estabelecemos ou


estimamos as características desse universo ou dessa população” (Prodanov & Freitas, 2013, p. 98).

Segundo Ferreira, et al. (2009), a amostra pode ser seleccionada de forma aleatória ou não aleatória.
“A amostra aleatória caracteriza-se por qualquer elemento da população ter a probabilidade de ser
seleccionado para a amostra. Na amostra não aleatória a escolha é feita por critérios de conveniência
ou subjectivos”. (Ferreira, et al., 2009, p. 191). Para o presente estudo seleccionou-se a amostra não
aleatória por conveniência, constituída por grupo de 30 (trinta) MPME´s (vide em anexo 4) situadas
na cidade do Lubango, que utilizam o aplicativo de contabilidade SAC4 para a elaboração da

19
informação contabilística, seleccionadas de forma intencional. Ou seja, o tipo de amostra utilizado é
a não aleatória por conveniência, segundo Ferreira, et al. (2009).

2.1.3 Métodos e instrumentos de recolha de dados

Segundo Gil (2008, p. 8) método é o “caminho para se chegar a determinado fim. E método científico
é o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adoptados para se atingir o conhecimento”.

Métodos de pesquisa tanto exploratórios, quanto indutivos (conclusivos), sejam eles descritivos ou
causais (explicativos), podem combinar ou integrar o uso de dados e métodos qualitativos e
quantitativos (Flick, 2009). Segundo Hunt (1991), os resultados obtidos na pesquisa qualitativa não
devem ser considerados como conclusivos, assim, os referidos autores indicam a utilização de
pesquisas quantitativas como complemento à pesquisa qualitativa, buscando a generalização dos
resultados (indução). Além disso, a opção pela realização dessas duas pesquisas de forma subsequente
é valorizada pela capacidade de reunir informações produzidas por mais de um meio de geração de
dados (Barbour, 2009).

Baseando-se nas considerações acima expostas, o problema e o objectivo do estudo, foram realizados
dois tipos de pesquisa sequencial. Iniciou-se com a pesquisa exploratória qualitativa, realizada através
da observação, sucedida por uma abordagem quantitativa implementada por meio de uma pesquisa
indutiva descritiva, através da aplicação do inquérito. De acordo Flick (2009) e com o período anterior
do presente paragrafo, a combinação entre pesquisa qualitativa e quantitativa atendeu a investigação
dos objectivos específicos, culminando na resposta ao objectivo geral do estudo.

As informações obtidas na pesquisa exploratória, foram necessárias para contextualizar os aspectos


investigados neste estudo, para identificar as funcionalidades do software SAC4, bem como perceber
o modo de utilizar com eficiência tais funcionalidades na elaboração da informação contabilista em
conformidade com as orientações do PGC. Além disso essa pesquisa permitiu identificar os
procedimentos contabilísticos gerais, os realizados no SAC4, bem como alguns pontos fortes e
algumas limitações do software, fornecendo evidências úteis para a elaboração do inquérito e a
posterior seu tratamento, de modo a dar sustentabilidade à observação.

2.2 Apresentação e Análise dos Dados

2.2.1 Caracterização do Sector

A província da Huíla situa-se a sudoeste de Angola, com uma área aproximada de 79.023 Km2 e uma
população estimada em cerca de 3.334.456 milhões de habitantes. A Huíla tem 14 municípios, sendo

20
que a sua cidade capital é o município do Lubango, corresponde a uma área aproximadamente 3.140
Km2 e uma população estimada em cerca de 1.414.115 milhões de habitantes (Governo Provincial da
Huíla, 2019).

Segundo dados oficiais obtidos do SILAC (Sistema Integrado do Licenciamento das Actividades
Comercias) da Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo da Huíla, a cidade do Lubango
possui 793 (Setecentas e Noventa e Três) médias empresas e 1.508 (Mil Quinhentas e Oito) pequenas
e microempresas, perfazendo um total de 2.301 (Duas Mil Trezentos e Uma) MPME´s que coabitam
na cidade.

Tabela 3 – Distribuição das MPME´s Segundo a Dimensão e Actividade

Dimensão
Actividade
Micro e Pequena Média Total
Grossistas 629 629
Retalhista 852 102 954
Prestação de serviço 656 62 718
Total 1.508 793 2.031
Fonte: Elaboração a partir dos dados obtidos do SILAC da Direcção Provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo da
Huíla (2019).

Relativamente aos dados de número de MPME´s que utilizam o software SAC4 na cidade do
Lubango, é de referir que durante o estudo não foi possível obter essa informação por não existir
entidade que controla essa estatística, mas segundo a NCR (2018) esse software já foi distribuído a
mais de 3.000 (três mil) empresas em Angola.

2.2.2 Observação

“A observação é o uso dos sentidos com vista a adquirir os conhecimentos necessários para o
cotidiano” (Gil, 2008, p. 100). Essa técnica “é muito útil para a obtenção de informações, mais do
que perguntar, podemos constatar um comportamento” (Prodanov & Freitas, 2013, p. 103).

Neste sentido e no intuito de constatar as funcionalidades do software SAC4 para a elaboração da


informação contabilística e outros aspectos ligados a estes, como o de verificar se os modelos das
DF´s produzidos pelo SAC4 estão em conformidade com os orientados pelo PGC, de identificar os
procedimentos contabilísticos realizados utilizando o SAC4 e os pontos fortes e fracos deste software
na elaboração da informação contabilística em conformidade com as orientações do PGC, que no
período de 08 de Fevereiro de 2017 à 31 de Julho de 2017, aplicou-se a técnica de observação na
empresa Luzocontas, Lda após solicitação de um estágio como auxiliar de contabilidade. Facto este,
que fez com que se tratasse de uma observação participante, ou observação activa, pois ela “consiste
21
na participação real do conhecimento na vida da comunidade, do grupo ou de uma situação
determinada” (Gil, 2008, p. 103).

A recolha de dados por meio da observação foi realizada mediante anotações e screenshots (imagens
de capturas de ecrã), conforme mostra o anexo 3, e o uso dessa técnica permitiu: a facilidade de acesso
aos dados, possibilidade de acesso a dados que com uso de outras técnicas seria difícil ou mesmo
impossível, possibilidade de captação de palavras de esclarecimento que acompanham o
comportamento do software observado.

2.2.2.1 Apresentação da empresa observada

No período de 08 de Fevereiro de 2017 à 31 de Julho de 2017, realizou-se um estágio como auxiliar


de contabilidade na empresa Luzocontas, Lda que permitiu aplicar a técnica de observação.

A referida empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, constituída a luz da
legislação angolana, tem como actividade principal a prestação de serviços de contabilidade e para
tal faz o uso do software de contabilidade SAC4.

A sua sede está situada na rua Comandante Hoji Ya Henda, no bairro Arco-íris, no município do
Lubango, província da Huíla e foi constituída em 2015 (Luzocontas, 2018, p. 4). Na altura de
realização da observação, a mesma, possuía 3 (três) funcionários e 2 (dois) estagiários (comigo
incluído), trata-se de uma microempresa, de acordo com do número 2 do artigo 5º da Lei nº 30/11
consultada na Legislação Fiscal (2015, p. 877).

Para o desenvolvimento das suas actividades, a empresa, durante o período de realização da


observação estava dívida em três áreas (departamentos): técnica, de gestão de clientes e de supervisão.
Sendo que o departamento no qual fui enquadrado e onde é realizado a actividade contabilística é o
técnico.

2.2.2.2 Breve apresentação do software observado

O SAC - Sistema de Aplicações Comerciais, é um software de gestão empresarial “made in Angola”,


que desde 1990 apoia as mais de 3000 (três mil) empresas angolanas, seja qual for o seu sector de
actividade, a responder com garantias às necessidades das empresas e do mercado (NCR, 2018).

O software SAC integra soluções a nível operacional, fiscal, administrativo, financeiro, recursos
humanos e gestão de clientes capazes de dar resposta às necessidades das Micro, Pequenas e Médias
Empresas. Ele está subdivido em 3 (três) aplicativos principais com vários módulos conforme
anteriormente mencionados e apresentado na figura 4, sendo que para o presente estudo apenas o
modulo de contabilidade da Gestão Administrativa nos interessa.
22
Figura 3- Estrutura do SAC4

SAC

Gestão Administrativa Gestão Comercial Gestão Recursos Humanos

Contabilidade Encomendas Gestão Pessoal

Tesouraria Stocks Processamento de Salários

Facturação Legenda:
Imobilizado
Sistema
Aplicações
Controlo de Contas Correntes Controlo de Contas Correntes Módulos

Fonte: Elaboração Própria (2018)

2.2.2.3 Funcionalidades do software para Contabilidade

Com base na observação efectuada, pode-se verificar que o processo contabilístico no SAC4 é
realizado no modulo de contabilidade que se encontra localizado na Gestão Administrava conforme
demonstrado na figura 4.

Neste modulo encontrou-se as seguintes funcionalidades para a contabilidade: Documentos


Contabilísticos, Relatórios Contabilísticos, Tabelas, Procedimentos e Utilitários.

Documentos Contabilísticos

Nesta funcionalidade é onde são realizados os lançamentos contabilísticos e ao aceder-se a esta


funcionalidade, abrir-se-á uma janela (tabela) com os seguintes elementos:

• Diário de lançamentos: os gerados pêlos lançamentos contabilísticos realizados, encontram-


se agrupados por diário, com numeração sequencial anual e obrigatoriedade de se encontrarem
saldados, ou seja, o saldo a débito deve ser igual ao saldo a crédito;
• Número, Data, Moeda e Câmbios: o número corresponde ao número de documento e é sempre
gerado automaticamente com base no último número atribuído e registado em cada Diário ao
longo do ano. A data é inserida pelo utilizador em função do facto contabilístico a se registar.
Cada Documento pode ter vários lançamentos a débito e a crédito até um máximo de 200
linhas. A moeda é o Kwanza que encontra-se já predefinida, podendo ser alterada na
parametrização. E no câmbio pode-se inserir o valor do câmbio a data de fecho em relação da
moeda alternativa que também é definida na parametrização;

23
• Conta, entidade, descritivo e valores: na conta é onde se insere os códigos das contas para
registar os factos patrimoniais, existe nela a obrigatoriedade de indicação de uma conta de
lançamento ou subconta do plano de contas geral, que no SAC4 é definido como conta do
Tipo L, já as contas principais são do “Tipo A”, ou seja, contas agrupadoras. Na entidade
existe a obrigatoriedade de indicação de um código de entidade, para as contas de lançamento
da classe 4 – Meios Monetários, e estas entidades a indicar por um código já se encontram
definidas no programa. No descritivo é onde é realizado o famoso histórico do facto
contabilístico e esses históricos podem ser compostos com um texto livre com até 30
caracteres. E nos valores é inserido a quantia monetária das operações contabilísticas a se
registar, e o SAC4 assume valores com no máximo 16 dígitos;

Relatórios Contabilísticos

Nos relatórios contabilísticos encontra-se:

• Diários de lançamentos: permite a selecção sequencial de um ou mais diários num


determinado período;
• Balancetes: apresentam os movimentos acumulados acorridos nas contas e seus respectivos
saldos num determinado mês. Existem dois tipos de balancetes, o Geral Analítico (onde
constam as contas principais e as suas respectivas subcontas) e o do Razão (onde constam
apenas as contas principais;
• Demonstrações: Demonstrações de Resultados, Fluxo de Caixa, Balanço Anual. Sendo que
ainda só é possível emitir a Demonstração de Resultados e de Fluxo de Caixa e quanto as
outras, as suas funcionalidades ainda não disponíveis.

Tabelas

Na Tabelas encontra-se o Plano de Contas Geral, que já vem predefinido no sistema em


conformidade com o código de contas do PGC e pode ser ajustado às necessidades da empresa.
E ao aceder-se a ele é aberto uma janela com os seguintes elementos:

• Conta: permite a consulta da lista de todas as contas do Plano de Conas Geral, bem como
a edição ou criação de contas de lançamentos, adaptando assim o Plano de Contas às
características da empresa, tendo em conta a estrutura do PGC;
• Grau: indica o nível hierárquico ou o grau da conta na estrutura do Plano de Contas Geral
e é determinado automaticamente;

24
• Tipo: indica o tipo de conta, sendo que pode ser editado em função das necessidades da
empresa, como referido anteriormente: existem dois tipos de contas, Tipo A para contas
agrupadoras ou contas principais e Tipo L para contas de lançamentos ou subcontas,
salienta-se ainda que o lançamento contabilístico só pode ser realizado nas contas do tipo
L.

Procedimentos

Nos procedimentos encontra-se os seguintes elementos:

• Fecho - Apuramento de Resultados: permite apurar os resultados de forma automática, ou


seja, este procedimento possibilita realizar a transferências dos saldos das contas de
Proveitos e Custos para as contas de Resultados de forma automática;
• Fecho – Transferência para Resultados Líquidos: permite realizar a transferência dos
saldos Resultados para a conta de Resultado Líquido do Exercício, bem como o cálculo
do Imposto Industrial e o seu devido registo, isto tudo de forma automática;
• Reabertura do Ano: permite realizar automaticamente a abertura de novo exercício
económico.

Utilitários

Nesta funcionalidade, encontramos os seguintes elementos:

• Segurança GADM – G. Administrativa: permite a realização de cópias de segurança da


Gestão Administrativa;
• Reposição ficheiros GADM – G. Administrativa: permite a reiniciar o sistema da Gestão
Administrativa;
• Teste de Coerência: permite realizar testes de modo a procurar falhas no sistema que
podem surgir a partir da má inserção de dados;
• Reposição 1ª, 2ª e 3ª Fase: permite realizar as correcções das falhas no sistema.

2.2.2.4 Procedimentos contabilísticos utilizando o software observado

É o objecto central deste ponto é a apresentação dos procedimentos contabilísticos realizados pela
empresa observada utilizando o software SAC4 e enquadrados dentro da classificação dos
procedimentos contabilísticos apresentados na fundamentação teórica. A partir desta apresentação,
poder-se-á verificar também o modo de utilização das funcionalidades do software SAC4 na
elaboração das DF´s da empresa observada.

25
Ao longo das semanas de experiência adquirida na empresa de acolhimento, Luzocontas, foram
realizadas diversas tarefas coerentemente definidas no plano de estágio. Neste ponto do Estudo
Aplicado é descrito, de forma sucinta, estas tarefas realizadas, que foram enquadrados no âmbito da
classificação dos procedimentos contabilísticos apresentados na fundamentação teórica.

Para a realização dos procedimentos contabilísticos, tanto da empresa como de seus clientes, a mesma
contava com os seguintes recursos:

• Legislações, planos de contas e respectivos códigos: para a realização de consultas referente


à aspectos fiscais e contabilísticos;
• Computadores e impressora: para a produção, reprodução e impressão da informação
contabilística;
• A internet: é outro recurso bastante utilizado, quer para pesquisas frequentes, dúvidas pontuais
e ainda, para contacto com terceiros (clientes, parceiros e outras entidades);
• Aplicativos informáticos: o Word, para redigir cartas, solicitações, e outros documentos, o
Excel, para emissão de tabelas e mapas relevantes para a contabilidade como para efeitos
fiscais, e o software em estudo, SAC4, para a realização de alguns procedimentos
contabilísticos.

2.2.2.4.1 Escrituração

Partindo do conceito de escrituração apresentado na fundamentação teórica e da observação realizada,


pode-se dizer que este procedimento na área técnica da empresa observada, obedece as seguintes
etapas:

1. Reabertura ou Abertura do ano: se trata da inserção dos dados iniciais da empresa no software
que é feita tendo em conta dois casos:

a) Reabertura do ano, quando se trata de uma empresa que dará continuidade aos
exercícios anteriores. Ela pode ser feita de forma automática acedendo à
funcionalidade procedimentos e depois seleccionar a opção Reabertura do Ano e o
programa fará a reabertura do novo exercício económico (conforme referido no ponto
anterior), que é o lançamento dos saldos iniciais no Diário de Abertura, com base
saldos finais das contas de balanço constantes no Balancete Geral Analítico Final do
exercício anterior e ainda esta reabertura pode ser feita de forma manual acedendo a
funcionalidade Documentos Contabilísticos, seleccionando a opção Lançamentos
Contabilísticos, preenchendo os itens que aparecem na janela que se abre em

26
conformidade com os elementos referidos nas funcionalidades do software para
Contabilidade e realizando os lançamentos de abertura em conformidade com as
orientações contabilísticas aprendidas nas aulas de Contabilidade Financeira sobre
reabertura de exercícios económicos.

b) Abertura do ano, quando se trata de uma nova empresa. É necessário primeiramente


criar a empresa, padronizar e criar no Plano de Contas (que já se encontra padronizado
à realidade do PGC) contas de lançamentos (contas do tipo L), ou seja, as subcontas e
só a posterior realizar os lançamentos de abertura no Diário de Abertura, que são
realizados em função em função da constituição da sociedade conforme aprendido nas
aulas de Contabilidade Financeira.

2. Recepção, Organização e Arquivo: procede-se nessa etapa à recepção de documentos que é


efectuada pelo funcionário responsável da área técnica e a posterior sua organização e arquivo.
A organização e arquivo destes documentos obedece a um conjunto de requisitos como a data
e o tipo de documentação (compras, vendas, despesas, depósito) que serão divididos por
pastas de arquivos cronologicamente crescente, podendo cada pasta representar um diário de
lançamento no programa. Exemplo: o diário de caixa (contempla toda a documentação cujo
pagamento e recebimento tenha movimentado dinheiro em caixa); o diário de bancos (inclui
os lançamentos que implicam a movimentação da conta bancária).

3. Classificação de documentos: procede-se à classificação de acordo com os PCGA´s em


conformidade com as orientações do PGC, não esquecendo que é imprescindível verificar
atentamente se os documentos preenchem os requisitos legalmente exigidos e dispostos nos
artigos 5º, 6º e 7º do Decreto Presidencial nº149/13 do Regime Jurídico das Facturas e
Documentos Equivalentes, como por exemplo: a utilização de programas informáticos que
garantam a numeração sequencial e cronológica dos documentos; os nomes e números de
identificação fiscal obrigatórios, do fornecedor do bem ou serviço e cliente; quantidade e
denominação dos bens transaccionados ou dos serviços prestados; o preço final em moeda
nacional, com todos elementos que concorrem para a sua formação; as taxas de imposto
aplicáveis e o montante de imposto, quando devido; estar escrito obrigatoriamente em língua
nacional; entre outros requisitos. Sem esquecer a escrituração é baseada em documentos
comprobatórios, ou seja, todos os acontecimentos a serem escriturados devem corresponder a
um documento legalizado que comprove a sua veracidade. Porém durante a observação pode-
se notar face a nossa realidade empresarial, é extremamente difícil as empresas cumprir com

27
os requisitos estabelecidos no Decreto Presidencial acima referido, facto que levou a
Administração Geral Tributária a intervir por meio da comunicação social, palestras e debates,
estabelecendo requisitos mínimos que as facturas e documentos equivalentes devem conter,
como: os nomes e números de identificação fiscal obrigatórios, do fornecedor do bem ou
serviço e cliente; o número de factura por ordem sequencial e cronológica, quantidade e
denominação dos bens transaccionados ou dos serviços prestados; o preço final em moeda
nacional; estar escrito obrigatoriamente em língua nacional; entre outros requisitos.

4. Lançamento: lançar documentos no software, nesse caso particular no SAC4, foi outra das
tarefas realizadas e que representa o passo seguinte deste procedimento. A introdução dos
dados no software é feita de acordo com a ordem cronológica estabelecida nas etapas
anteriores acima referidas. Assim sendo, escolhe-se o diário respeitante, introduz-se a data, o
câmbio, os códigos das contas de lançamento, a entidade (para o caso das contas de
lançamento da classe de Disponibilidades, classe 4) e os valores, a posterior procede-se à
gravação do documento e durante este processo o software gera automaticamente o número
de documento que deve ser anotado no documento físico.

5. Reconciliação de Contas: concluído os lançamentos, procede-se à reconciliação de contas,


verificando se os lançamentos foram correctamente realizados a partir da solicitação dos
extractos de conta corrente, bem como procede-se à verificação e ao controlo dos valores de
cada diário, verificando se os totais de débito constantes em cada diário são iguais aos de
crédito. No caso de se verificar que o total dos débitos não é igual ao total de crédito, recorre-
se a opção de “GADM – Gestão Administrativa”, de seguida a opção Outras Listagens e
depois Documentos, que conduz a abertura de uma janela com a opção de verificar os
Documentos Errados e ao seleccionar-se essa opção, o software remete a uma lista de todos
documentos que foram lançados de forma errada, onde o débito não igual ao crédito. E a
posterior procede-se a correcção desses documentos.

De forma sucinta, conforme demonstrado na figura 5 foram estas as operações realizadas no


procedimento de escrituração que conseguiu-se observar.

Figura 4 - Etapas do Procedimento de Escrituração

Fonte: Elaboração Própria (2019).

28
2.2.2.4.2 Demonstrações Contabilísticas

Após a escrituração, seguem-se as Demonstrações Contabilísticas, mas para elaboração das DF´s é
necessário, primeiro passar por algumas etapas:

1. Emissão do Balancete Antes do Fecho: designado também de Balancete de Verificação ou


Balancete Inicial, ele é elaborado após a realização de todos os lançamentos do ano e sua
subsequente reconciliação de contas, acedendo à funcionalidade de Relatórios, de seguida
clicar em Balancete Geral Analítico, selecciona-se o mês de Dezembro e no descritivo
opcional escreve-se Antes do Fecho, a posterior clica-se em imprimir, e por fim imprime-se
clicando na opção print e seleccionando a devida impressora, ou ainda pode-se guardar em
forma de ficheiro PDF clicando nessa mesma opção e seleccionando a opção Microsoft Print
to PDF. Para a emissão do Balancete do Razão Antes do Fecho segue-se os mesmos
procedimentos e estes 2 (dois) balancetes (Geral Analítico e do Razão) no facto do primeiro
constar todas as contas e no segundo, apenas as contas principais;

2. Lançamento de Regularização ou Rectificação: nesta etapa são realizadas regularizações de


algumas operações, cujos lançamentos foram realizados no Diário de Operações Diversas e
estas operações foram:

a) A actualização ou emissão do mapa de amortização do exercício e subsequentemente


o lançamento da amortização do exercício, sendo que no programa só é ainda possível
realizar o lançamento contabilístico;

b) Determinação do Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas e


subsequentemente seu lançamento, sendo que no programa também só é ainda
possível realizar o lançamento contabilístico;

3. Emissão do Balancete de Rectificado: após os lançamentos de regularização, são emitidos o


Balancete Geral Analítico Rectificado e o Balancete do Razão Rectificado nos mesmos
moldes que que os Balancetes da emitidos na primeira etapa;

4. Lançamentos de Fecho ou de Apuramento de Resultados: nesta etapa são realizadas operações


que conduzem a determinação do Imposto Industrial e do Resultado Líquido do Exercício e
estas operações no software podem ser realizadas de forma automática ou mesmo pelo próprio
utilizador no Diário de Apuramento de Resultados;

5. Emissão do Balancete Final: designado também de Balancete Depois do Fecho, são emitidos
nos mesmos moles que os balancetes anteriores;

29
6. Elaboração das Demonstrações Financeiras: só após a realização das etapas atrás descritas é
que é possível a elaboração das Demonstrações financeiras, conforme aprendido na academia
e verificado na observação realizada. Face as limitações do software em não elaborar o
Balanço e as Notas às Contas, a empresa observada utiliza o aplicativo Excel para elaboração
das DF´s e Notas às Contas em conformidade com as orientações do PGC.

Figura 5 - Etapas do Procedimento de Demonstrações Contabilísticas

Fonte: Elaboração Própria (2019).

2.2.2.4.3 Auditoria e Análise

Relativamente a estes procedimentos Auditoria e Análise não foram realizados pela empresa
observada, pressupondo assim, não se tratarem de um procedimento contabilístico regular para a
empresa, por se tratar de uma MPME. Tal afirmação foi verificada na aplicação do inquérito.

2.2.2.5 Considerações sobre a observação realizada (Pontos fortes e fracos do Software)

A observação realizada na empresa Luzocontas durante o período de estágio de 6 (seis) meses, foi
positiva visto que conseguiu-se alcançar os objectivos pretendidos pela observação.

Com ela foi possível identificar as diversas funcionalidades do software, verificar se de verificar se
os modelos das DF´s produzidos pelo SAC4 estão em conformidade com os orientados pelo PGC, de
identificar os procedimentos contabilísticos realizados utilizando o SAC4 e com isso tirar elações
sobre pontos fortes e fracos deste software na elaboração da informação contabilística em
conformidade com as orientações do PGC.

Relativamente aos pontos fortes observados desse software pode-se dizer que:

• Apresenta um baixo custo de utilização, pelo facto da despesa de manutenção de


funcionamento praticamente não existir;
• A abertura ou reabertura da empresa por exercício económico, a inserção de dados
contabilísticos (registo das operações ou factos contabilísticos) e a correcção de erros
(documentos mal lançados) são de fácil realização;
• Apresenta bom desempenho na utilização de suas funcionalidades e consequentemente na
execução das tarefas;
30
• Apresentam um Plano de Contas adaptado ao PGC e as suas funcionalidades permitem moldá-
lo em conformidade com as necessidades da empresa;
• As funcionalidades do software permitem a impressão e guardar mapas e relatórios em
formato PDF ou similar. Permitem também realizar as operações de fecho e reabertura de
forma automática, bem como a detecção de documentos errados, com o acumulado de débito
diferente do acumulado a crédito;

E no que concerne aos pontos fracos observados desse software pode-se dizer que:

• Não elabora o Balanço e as Notas às Contas;


• Relativamente as DF´s, apesar de elaborar a Demonstração de Resultados e a de Fluxo de
Caixa, seus modelos não estão taxativamente em conformidade com os orientados pelo PGC,
sendo a principal diferença a não apresentação das notas nos modelos emitidos no software;
• Não permite a elaboração de mapa de amortização, amortização automática do imobilizado,
cálculo e lançamento automático do Custo das Mercadorias Vendidas ou Matérias
Consumidas;
• Não leva em consideração a parte fiscal, ou seja, não tem funcionalidades viradas para a
fiscalidade, como o caso de mapas fiscais entre outros;
• Não permite ainda a exportação ou importação de dados para outro aplicativo;
• Relativamente ao apuramento de resultados, não possui uma funcionalidade de correcção para
efeitos fiscais da matéria colectável do Imposto Industrial que conduz a determinação do
Resultado Fiscal (que é o Resultado Contabilístico após correcções para efeitos fiscais).

2.2.3 Inquérito

O inquérito é a técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas as
pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores,
interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado (Gil, 2008, p. 121).
Para a recolha de dados a partir deste instrumento, foi necessário primeiramente solicitar uma
permissão à direcção das empresas onde foram aplicados os inquéritos, e a referida solicitação foi
realizada por apresentação da credencial cedida pelo Departamento de Investigação Científica, via
telefónica e por e-mail.

O inquérito, como mostra o anexo 2, aplicado durante a segunda quinzena do mês de Janeiro e a
primeira do mês de Fevereiro de 2019, constituído por duas partes, a primeira parte conteve 6 (seis)
questões ligadas às características dos inqueridos e na segunda, as questões estão voltadas ao uso do

31
software na produção da informação contabilística e estas foram 10 (dez), perfazendo um total de 16
(dezasseis) questões.

O mesmo foi dirigido aos responsáveis pela elaboração da informação contabilística, ou seja, os
contabilistas. Foi aplicado de forma presencial e não presencial, sendo a forma não presencial
correspondente a maioria. Existiram alguns inquéritos que foram aplicados por intermédio de e-mails.

Os inquéritos foram respondidos pelas 30 (trinta) MPME´s constituintes da amostra, das quais 15
(quinze) foram microempresas correspondente a 50% (cinquenta por cento), 14 (catorze) foram
pequenas empresas correspondente a 46,47% (quarenta e seis, quarenta e sete por cento) e 1 (uma)
médias empresas correspondendo à 3,33%, isto quanto a dimensão. Já quanto a actividade 14
(catorze) foram do sector de prestação de serviço correspondo a 46,67% (quarenta e seis, sessenta e
sete por cento) e 16 (dezasseis) do sector de comércio correspondendo a 53,33% (cinquenta e três,
trinta e três por cento).

Tabela 4 – Distribuição das MPME´s Inqueridas Segundo a Dimensão e Actividade

Dimensão
Actividade Micro (50%) Pequena (46,67%) Média (3,33%) Total (100%)
Frequência % Frequência % Frequência % Frequência %
Comércio 9 60 7 50 0 0 16 53,33
Prestação de serviço 6 40 7 50 1 100 14 46,67
Total 15 100 14 100 1 100 30 100
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Para o tratamento dos dados recolhidos no inquérito foi utilizado o aplicativo Micrsoft Excel que
permitiu determinar as frequências, suas respectivas percentagens, bem como elaborar tabelas e
gráficos para apresentá-los. Contudo nos pontos a seguir fez-se a apresentação e tratamento dos dados
obtidos do inquérito aplicado.

2.2.3.1 Características dos inqueridos

As seis primeiras perguntas do inquérito tinham como objectivo caracterizar a amostra, inquirindo os
responsáveis pela contabilidade das empresas, sobre o género, idade, área de formação, habilitações
literárias, período de experiência profissional em contabilidade e de experiência profissional com
software SAC4. Assim foram formuladas as seguintes questões:

Questão 1 – Género dos Inquiridos

Gráfico 1- Género

32
28,13%

Masculino
Feminino

71,88%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Procurou-se incluir todos os géneros com inquéritos aplicados, dai que 71,88% (setenta e um, oitenta
e oito por cento) dos inquiridos são do género masculino e os restantes 28,13% (vinte e oito, treze
por cento) são do género feminino.

Questão 2 – Idade dos Inquiridos

Na distribuição dos inquéritos procurou-se alcançar, em função das empresas inqueridas, as mais
variadas faixas etárias, de modo a obter respostas verdadeiras, completas e universais, impedindo
assim que determinada faixa etária influenciasse nos resultados.

Gráfico 2- Idade

6,25%

9,38% 21,88% Entre 18 e 23


Entre 24 e 29
9,38%
Entre 30 e 35
Entre 36 e 41
Mais de 42
53,13%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Observa-se, portanto, que as respostas obtidas provêm das mais variadas faixas etárias, no entanto, é
de destacar as faixas etárias entre os 18 e 23 e entre os 24 e 29 anos que contém a maior parte dos
inquiridos deste estudo e que juntas correspondem a 75,01% (setenta e cinco, zero um por cento) dos
inquiridos.

Questão 3 – Habilitações Literárias

33
Gráfico 3- Habilitações Literárias

6,25%
6,25%
18,75%

Ensino Médio
Bacharel
Lincenciado
21,88%
Mestrado
46,88%
Outro

Fonte: Elaboração Própria (2019).

A grande maioria, 46,88% (quarenta e seis, oitenta e oito por cento) dos inquiridos possuem
licenciatura, verifica-se igualmente que uma parte significativa dos inquiridos, 21,88% (vinte e um,
oitenta e oito poe cento), possui o bacharelato e outra parte significativa, 18,75% (dezoito, setenta e
cinco por cento), possui apenas o ensino médio. Constata-se ainda o reduzido número de inquiridos
com mestrado, correspondendo a 6,25% (seis, vinte e cinco por cento), como também os mesmos
6,25% (seis, vinte e cinco por cento), seleccionaram a opção outro dizendo que não terminaram o
ensino médio.

Questão 4 – Área de Formação

Gráfico 4- Área de Formação

0,00%0,00%
3,13% 3,13%
3,13% Economia, Gestão ou Contabilidade
Direito
C. Educação
C. Saúde
Engenharias
90,63% Outra

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Verificou-se que 90,63% (noventa, sessenta e três) dos inquiridos têm formação na área de economia,
gestão ou contabilidade, significando que os inqueridos para além da experiência profissional, eles
possuem na sua maioria conhecimentos académico-científicos no sector em estudo.

Questão 5 - Período de experiência profissional em Contabilidade

34
Gráfico 5- Experiência Profissional em Contabilidade

3,13%
6,25%
28,13% Menos de 1 ano
18,75% Entre 1 à 3 anos
Entre 4 à 6 anos
Entre 7 à 9 anos
Mais 10 anos

43,75%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Como já se verificou através da idade dos inquiridos da amostra, esta é uma amostra abrangente que
engloba inqueridos de todas as idades, portanto seria de esperar que a experiência profissional dos
mesmos fosse variada e abrangente, tendo mais inqueridos situados no intervalo de 1 à 3 anos de
experiência, correspondendo à 43,75% (quarenta e três, setenta e cinco por cento).

Questão 6 - Período de experiência profissional com o SAC4

Gráfico 6- Experiência Profissional com o SAC4

3,13%

18,75%
37,50% Menos de 1 ano
Entre 1 e 3 anos
Entre 4 e 6 anos
Mais de 6 anos

40,63%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Verificou-se que o período de experiência utilizando o software, de modo geral, é abrangente e o


mais significativo, 40,63% (quarenta, sessenta e três por cento), é o do intervalo entre 1 e 3 anos.

2.2.3.2 Uso do SAC4 na produção da informação contabilística

Neste estudo pretende-se conhecer e perceber o modo de uso com eficiência das funcionalidades do
software SAC4 na elaboração da informação contabilística em conformidade com as orientações do
SAC4, e optou-se por se identificar as funcionalidades do SAC4, perceber a operacionalização de tais
35
funcionalidades dentro dos procedimentos contabilísticos identificados na fundamentação teórica,
bem como identificar os pontos fracos e fortes do software na elaboração da informação
contabilística. Portanto, neste ponto do inquérito fazem parte as dez últimas questões do inquérito e
estão relacionadas com o uso do SAC4 na produção da informação contabilística, tal como se segue:

Questão 7 – Os aspectos que levaram à escolha do SAC4 para uso no processo contabilístico
são:

Sabendo que os aspectos que conduzem os utilizadores a optarem por determinadas coisas, nesse caso
particular pelo software SAC4, são as vantagens ou qualidades que eles apresentam. Portanto para
esta questão colocou-se como aspectos opcionais que levaram a escolha do SAC4, alguns que foram
mencionados como vantagens na fundamentação teórica e outros que durante a observação
mostraram-se ser significativos, e em função disso após aplicação dos inquéritos aos responsáveis das
empresas anteriormente referidas, obteve-se o seguinte:

Tabela 5 – Aspectos que Levaram a Escolha do SAC4 para Uso no Processo Contabilístico

Níveis de Concordância
Aspectos
1 2 3 4 5
Atractividade/Interface 9,38% 25,00% 62,50% 3,13% 0,00%
Baixo Custo 50,00% 12,50% 31,25% 0,00% 6,25%
Desempenho 25,00% 37,50% 37,50% 0,00% 0,00%
Facilidade no estorno/correcção de movimentos 43,75% 21,88% 31,25% 3,13% 0,00%
Facilidade no uso 59,38% 21,88% 15,63% 3,13% 0,00%
Possibilidade de elaboração da IC sem recorrer a
12,50% 34,38% 43,75% 3,13% 6,25%
outros aplicativos
Predominância no mercado 25,00% 21,88% 40,63% 12,50% 0,00%
Segurança na conservação de dados 25,00% 34,38% 34,38% 6,25% 0,00%
Tem todas DF´s necessárias para divulgação da IC 15,63% 25,00% 37,50% 18,75% 3,13%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Legenda: 1-Concordo Plenamente, 2-Concordo Parcialmente, 3-Neutro, 4-Discordo Parcialmente,


5-Discordo Plenamente; IC-Informação Contabilística, DF´s-Demonstrações Financeiras.

De modo geral, verificou-se níveis significativos de neutralidade, que representa desconhecimento.


No entanto, o baixo custo, facilidade no estorno/correcção de movimentos e a facilidade de uso
apresentaram significativos níveis de concordância, levando a afirmar que a amostra utiliza o SAC4
no processo contabilístico devido ao seu baixo custo, desempenho, facilidade na correcção de
movimentos, facilidade de uso e segurança na conservação de dados.

Questão 8 – As funcionalidades do SAC4 permitem:


36
Constatou-se níveis de desconhecimentos significativos por parte dos inqueridos a respeito de
algumas tarefas que as funcionalidades do software permitem ou não executar. Porém, a partir das
percentagens em alguns desses aspectos, pode-se verificar o que as funcionalidades do SAC4 que
permitem desempenhar aos inqueridos responsáveis pela contabilidade das empresas da amostra.

Tabela 6 – As funcionalidades do SAC4 Permitem:

Aceitação
As funcionalidades do SAC4 permitem:
1 2 3
Amortização automática do imobilizado 18,75% 43,75% 37,50%
Apuramento automático do CMV (ou CMC) 9,38% 50,00% 40,63%
Apuramento do Resultado Fiscal 37,50% 34,38% 28,13%
Consultar rapidamente os documentos lançados 87,50% 12,50% 0,00%
Corrigir facilmente os dados quando estes são mal lançados 81,25% 9,38% 9,38%
Criação de diários de lançamento 71,88% 28,13% 0,00%
Criação de mapas fiscais 15,63% 59,38% 25,00%
Detecção de documentos com o acumulado de DB diferente de CR 50,00% 31,25% 18,75%
Detecção de documentos duplicados 40,63% 37,50% 21,88%
Elaboração das tabelas das Notas às Contas 31,25% 37,50% 31,25%
Elaboração de Balancetes 84,38% 15,63% 0,00%
Elaboração do Mapa de Amortização 25,00% 43,75% 31,25%
Exportação de dados para outro aplicativo 15,63% 59,38% 25,00%
Fecho automático 68,75% 25,00% 6,25%
Fecho não automático 62,50% 31,25% 6,25%
Guardar mapas e outros documentos em formato PDF ou similar 46,88% 43,75% 9,38%
Importação de documentos 18,75% 71,88% 9,38%
Moldar o Plano de Contas em conformidade com PGC e as
78,13% 21,88% 0,00%
necessidades da empresa (Criação de subcontas)
Reabertura de escrita automática 75,00% 18,75% 6,25%
Realização de lançamentos de reabertura não automática 65,63% 31,25% 3,13%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Legenda: 1-Sim, 2-Não Sei, 3-Não; CMV- Custo das Mercadorias Vendidas, CMC- Custo das
Matérias Consumidas, DB-Débito, CR-Crédito, PGC-Plano Geral de Contas.

Tendo em conta os dados recolhidos e tratados, pode-se dizer que as funcionalidades do SAC4
permitem aos utilizadores consultar rapidamente os documentos lançados, corrigir facilmente os
lançamentos quando estes são mal lançados, criação de diários de lançamentos, detecção de
documentos com o acumulado débito diferente do de crédito, elaboração de balancetes, fecho
automático, fecho não automático, guardar mapas e outros documentos em formato PDF ou similar,
moldar o plano de contas em conformidade com o PGC e as necessidades da empresa (criação de
37
subcontas, reabertura de escrita automática e a realização de lançamentos de reabertura não
automática).

Questão 9 – Quais modelos de Demonstrações Financeiras elabora no SAC4?

Gráfico 7- Demonstrações Financeiras Elaboradas pelo SAC4

3,13%

18,75% 25,00%
Balanço
DR (Demonstração de Resultado)
Nenhum dos Dois

18,75% Os Dois
Abstenções
34,38%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Ao procurar-se saber quais modelos de demonstrações financeiras os inqueridos elaboram no SAC4,


num total de 32 inquiridos, 34,38% (trinta e quatro, trinta e oito por cento) afirmam que só elaboram
a Demonstração de Resultados, 25% (vinte e cinco por cento) afirmam que só elaboram o Balanço,
18,75% (dezoito, setenta e cinco por cento) afirmam que elaboram o Balanço e a Demonstração de
Resultados, 18,75% (dezoito, setenta e cinco por cento) afirmam que não elaboram nenhuma DF´s
no SAC4, e ainda uma parte não significativa, 3,13% (três, treze por cento) absteve-se a esta questão.

Questão 10 – Qual aplicativo utiliza para auxiliar o SAC4 na elaboração das demonstrações
financeiras?

Nesta questão procurou-se saber o aplicativo que se utiliza como auxiliar do SAC4 para elaboração
das DF´s, isto no caso dos inqueridos que não elaboram as DF´s na sua totalidade no SAC4, 78,12%
(setenta e oito, doze por cento).

Gráfico 8- Demonstrações Financeiras Elaboradas pelo SAC4

38
0,00%
7,69%
0,00%
7,69%
Excel
Acess
Word
Outro
Abstenções
84,62%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Constatou-se que 84,62% (oitenta e quatro, sessenta e dois por cento) dos 78,12 (setenta e oito, doze
por cento) utiliza o aplicativo Excel como auxiliar na elaboração das DF´s, 7,69% (sete, sessenta e
nove por cento) utiliza o Word e já os restantes 7,69% (sete, sessenta e nove por cento) absteve-se.

Questão 11 – Está satisfeito com as funcionalidades que o SAC4 lhe permite desempenhar?

Gráfico 9- Está Satisfeito com as Funcionalidades que o SAC4 lhe Permite Desempenhar?

21,88%

Sim
Não

78,13%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Verificou-se que 78,13% (setenta e oito, treze por cento) dos inquiridos estão satisfeitos com as
funcionalidades que o SAC4 lhe permite desempenhar e os restantes 22,88% (vinte e dois, oitenta e
oito por cento) não estão satisfeito e acresceram o que gostariam que o software pudesse realizar:

• Apuramento automático do Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas;


• Elaboração das Notas às Contas em conformidade com as orientações do PGC;
• Elaboração de Mapas Fiscais e apuramento automático do Resultado Fiscal e seu respectivo
imposto;
• Elaboração do Balanço em conformidade com as orientações do PGC;
• Elaboração do Mapa de Amortização;

39
• Exportação de dados para outros aplicativos.

Questão 12 – Do seu ponto de vista, quais são os principais erros cometidos no SAC4 (que
podem provocar distorções materialmente relevantes)? – Indique apenas 4 (quatro) opções que
julgar mais relevantes.

A partir desta questão, procurou-se saber os principais erros cometidos no software SAC4 que
afectam as características qualitativas da informação contabilística, referenciadas na fundamentação
teórica, tais como (segundo o nosso normativo, PGC): relevância e fiabilidade, sendo que dentro da
última ainda encontramos a representação fidedigna, a neutralidade, a prudência e a plenitude.

Gráfico 10- Principais Erros Cometidos no SAC4

1,12% 1,12% 2,25%


Debitar quando devia creditar e vice-versa

11,24% 16,85% Lançar valor errado


Colocar data errada
O acumulado de DB deferir do de CR
Lançamentos errado fruto de más classificações
21,35%
26,97% Mal preenchimento dos campos de introdução
Outro
Outro
13,48% Abstenções
5,62%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Portanto, do ponto de vista dos inquiridos, entre os principais erros cometidos no software SAC4 (que
podem afectar a qualidade da informação contabilística) destacam-se os seguintes: lançamentos
errados fruto de más classificações, lançar valor errado e debitar quando devia creditar e vice-versa,
sendo que no seu conjunto constituem 65% das respostas dos inquiridos.

Questão 13 – Indique o grau de concordância das afirmações que se seguem:

Tabela 7 – Grau de Concordância das Afirmações

Grau de Concordância
Opções
1 2 3 4 5

40
A aplicação rigorosa dos PCGA´s conduz a
uma utilização eficiente das funcionalidades do 59,38% 18,75% 21,88% 0,00% 0,00%
SAC4 na produção da IC
Aprender o utilizar o SAC4 no processo
contabilístico é simples, principalmente quando 62,50% 12,50% 25,00% 0,00% 0,00%
se conhece os PCGA´s
As avarias ou erros que ocorrem no SAC4
0,00% 12,50% 40,63% 28,13% 18,75%
fazem com que se tenha medo de utilizar
Na produção da IC não adianta conhecer as
funcionalidades do SAC4 sem conhecer os 43,75% 6,25% 28,13% 9,38% 12,50%
PCGA´s e as orientações do PGC
O SAC4 apresenta elevados custos de
3,13% 3,13% 40,63% 18,75% 34,38%
manutenção
Os modelos de apresentação das DF´s do SAC4
não estão taxativamente em conformidade com 0,00% 9,38% 34,38% 15,63% 40,63%
os orientados pelo PGC
Quando se conhece e se aplica rigorosamente os
PCGA´s fica-se menos propenso aos erros na 50,00% 21,88% 15,63% 3,13% 9,38%
produção da IC através do SAC4
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Legenda: 1-Concordo Plenamente, 2-Concordo Parcialmente, 3-Neutro, 4-Discordo Parcialmente,


5-Discordo Plenamente; PCGA´s – Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites, DF´s –
Demonstrações Financeiras, PGC – Plano Geral de Contas, IC – Informação Contabilística.

Em função dos dados obtidos dos inqueridos pode-se dizer que na sua maioria concordaram em
afirmar o seguinte:

• A aplicação rigorosa dos PCGA´s conduz a uma utilização eficiente das funcionalidades do
SAC4 na produção da informação contabilística;
• Aprender o utilizar o SAC4 no processo contabilístico é simples, principalmente quando se
conhece os PCGA´s;
• Na produção da informação contabilística não adianta conhecer as funcionalidades do SAC4
sem conhecer os PCGA´s e as orientações do PGC;
• Quando se conhece e se aplica rigorosamente os PCGA´s fica-se menos propenso aos erros
na produção da informação contabilística através do SAC4.

Quanto as restantes afirmações, não houve uma boa aceitação por parte dos inqueridos.

Questão 14 – Quais são os procedimentos contabilísticos realizados pela sua empresa?

41
Segundo Ávila (2012, pp. 28, 29), a contabilidade envolve procedimentos que são classificados em
quatro técnicas distintas: escrituração, demonstrações contabilísticas, auditoria e análise.

Já os inqueridos descreveram, nesta questão aberta, fundamentalmente as seguintes etapas


sequenciais: organização e análise documental, classificação, lançamentos, operações de fecho e

elaboração do relatório e contas. Verificou-se que essas etapas podem ser enquadradas nos
procedimentos enunciados por Ávila (2012), conforme realizado na observação e os mesmos estão
em conformidade com as etapas identificadas na observação.

Questão 15 – Quais são os pontos fortes do SAC4?

Os inqueridos apontaram significativamente os seguintes pontos fortes ao utilizarem o software em


estudo: bom desempenho; é eficiente, simples e prático; fácil de corrigir os documentos errados; fácil
de usar; possibilita realizar o fecho automático; possibilita a fácil leitura prévia dos relatórios gerados
pelo software (balancetes, extractos e diários); possibilita guardar informações em PDF; possibilita
moldar o PGC às necessidades da empresa.

Questão 16 – Quais são os pontos fracos do SAC4?

Os inqueridos apontaram significativamente os seguintes pontos fracos ao utilizarem o software em


estudo: não elabora o Balanço; não elabora as Notas às Contas; apresenta limitações na elaboração
de rácios financeiros e mapas fiscais; permite gravar lançamentos errados, onde o débito é diferente
do crédito; não elabora os mapas de amortização; não realiza apuramento do CMV ou CMC; não cria
ligação com Excel ou outro aplicativo similar.

2.2.3.3 Considerações sobre o inquérito

De modo geral pode-se constatar que a amostra utilizada é abrangente, contendo micro, pequenas e
médias empresas, sendo que existe um equilíbrio entre as micro e pequenas empresas. Embora
também as médias empresas fazem parte do universo do estudo, para a amostra conseguiu-se apenas
uma devido à dificuldade de encontrar-se mais médias empresas disponíveis para a recolha de dados.
E para além do equilíbrio a nível da dimensão das empresas acima referidas, houve também um
equilíbrio a nível da actividade conforme evidenciado na tabela 4.

De acordo com as características sociodemográficas dos inqueridos constatou-se também que houve
uma abrangência a nível do género, idade, habilitações literárias, período de experiência profissional
em contabilidade e de experiência profissional com software SAC4, significando que o inquérito
aplicado atingiu todos os géneros, faixas etárias, idades, habilitações literárias, intervalos de períodos
de experiência profissional em contabilidade e com SAC4 estabelecidos no inquérito. Impedindo que
42
assim que determinado género, faixa etária, idade, habilitação literária, intervalo de período de
experiência profissional influenciasse nos resultados. É de referir que a única característica
demográfica não abrangente é a idade dos inqueridos, o que é positivo foi positivo para o estudo,
visto que, segundo os dados obtidos neste quesito a grande maioria, 90,63% (noventa, sessenta e três
por cento) possui conhecimento académico-científico em contabilidade.

Já relativamente a parte do uso do SAC4 na produção da informação contabilística constatou-se que


que as MPME´s utilizam SAC4, maioritariamente, devido ao seu baixo custo, desempenho, facilidade
na correcção de movimentos, facilidade de uso e devido a sua segurança na conservação de dados.
As funcionalidades do mesmo permitem realizar variadas tarefas evidenciadas na questão 8 e na
questão 15, levando a maior parte dos utilizadores inqueridos,78,13% (setenta e oito, treze por cento),
a sentirem-se satisfeitos com o software. Porém, apesar das variadas tarefaras que as funcionalidades
do SAC4 permitem executar, segundo os dados recolhidos, ele apresenta algumas limitações referidas
na questão dos pontos fracos do SAC4, questão 16, merecendo maior destaque as limitações
relacionadas com elaboração das DF´s, visto que o software só elabora a Demonstração de Resultados
e a de Fluxo de Caixa e as mesmas não estão taxativamente em conformidade com os modelos de
DF´s orientados pelo PGC.

Mas para colmatar esta limitação, alguns inqueridos, 84,62% (oitenta e quatro, sessenta e dois) utiliza
o aplicativo Microsoft Excel para a elaboração das Demonstrações Financeiras em conformidade com
as orientações do PGC, auxiliando assim o SAC4 na elaboração da informação contabilística em
conformidade com as orientações do PGC.

2.2.4 Considerações Sobre o Estudo

Na análise dos dados recolhidos a partir dos 2 (dois) instrumentos de recolha de dados, observação e
o inquérito, pode-se averiguar que os dados obtidos no inquérito não fogem muito dos dados
observados, levando os resultados do inquérito a confirmar os resultados da observação.

Mediante os resultados do estudo, pode-se verificar que o SAC4 é um aplicativo fácil de utilizar, com
um bom desempenho e possuí níveis de segurança na conservação de dados positivos. Estes são os
aspectos positivos que levam as MPME´s a utilizarem o SAC4 na elaboração da informação
contabilística, incluindo também o baixo custo e facilidade de corrigir os movimentos errados.

A nível das funcionalidades identificadas, constatou-se que elas são limitadas por não poderem
realizar o apuramento automático do Custo das Mercadorias Vendidas e Matérias Consumidas, a
elaboração das Notas às Contas em conformidade com as orientações do PGC, a elaboração de Mapas

43
Fiscais e Apuramento do Resultado Fiscal e seu respectivo imposto, a elaboração das Demonstrações
Financeiras na sua totalidade em conformidade com as orientações do PGC, a elaboração do Mapa
de Amortização e a exportação de dados para outros aplicativos. Pese embora o software apresenta
essas limitações, verificou-se também que as MPME´s mostram-se satisfeitas de um modo geral com
as funcionalidades que o SAC4 lhes permite desempenhar, que neste estudo traduziu-se em 78,13%
(setenta e oito, treze por cento) de inquiridos satisfeitos.

De forma conclusiva, a respeito do estudo e em função dos resultados obtidos, verificou-se que para
se utilizar com eficiência as funcionalidades do SAC4 de modo a obter-se a informação contabilística
em conformidade com as orientações do PGC, é necessário seguir com as etapas dos procedimentos
contabilísticos aplicando rigorosamente os PCGA´s e auxiliar o SAC4 com Microsoft Excel na altura
de elaboração das Demonstrações Financeiras e suas respectivas Notas às Contas.

44
CONCLUSÃO

Feita a abordem minuciosa sobre o tema em causa, remete-se o presente trabalho a concluir que, de
acordo com o objectivo da contabilidade de proporcionar informação acerca da posição financeira e
do desempenho económico para auxiliar os utentes na tomada de decisões económicas, as empresas,
particularmente as MPME´s, têm sido cada vez mais dependentes do uso da informática para a
produção dessa informação.

A informação contabilística que as MPME´s têm elaborado cada vez mais com recurso aos softwares
contabilísticos, deve ser constituída por um conjunto de características e obedecer regras
estabelecidas em normativos contabilísticos, sendo o nosso conhecido como PGC. A informação
contabilística para ser elaborada, para além das regras a obedecer, deve seguir algumas etapas
(identificadas na observação e verificadas no inquérito) dos procedimentos contabilísticos. O
primeiro procedimento é a escrituração constituído com as seguintes etapas: reabertura do ano;
recepção, organização e lançamento de documentos; classificação; lançamento e reconciliação de
contas/lançamentos. O segundo procedimento é a demonstração contabilística, cujas etapas são as
seguintes: emissão do balancete inicial, lançamentos de regularização, emissão do balancete de
regularização, lançamento de fecho e apuramento de resultado, balancete final e emissão das
demonstrações financeiras. O terceiro e quarto procedimento, auditoria e análise, não foram
constatados durante a realização da observação e na aplicação do inquérito, conduzindo a conclusão
que as MPME´s não se preocupam em realizar estes dois últimos procedimentos contabilísticos.

A nível do software SAC4, de acordo com o estudo realizado, conclui-se que o software é fácil de
usar, possui bom desempenho e segurança na conservação de dados satisfatória. Estes são os motivos
que levam a amostra a utilizar o SAC4 para a elaboração da informação contabilística, incluindo
também o baixo custo e a facilidade na correcção de movimentos. Constatou-se ainda que apesar das
funcionalidades do software apresentarem algumas limitações na elaboração da informação
contabilística, é possível elaborar a informação contabilística em conformidade com as orientações
do PGC, desde que na altura de elaboração das Demonstrações Financeiras se recorra ao aplicativo
Microsoft Excel para devidos efeitos, auxiliando assim o SAC4 na elaboração da informação
contabilística em conformidade com as orientações do PGC.

Diante do exposto, pode-se inferir que os objectivos propostos para esse estudo foram cumpridos e o
problema de pesquisa respondido. Analisando a fundamentação teórica, os resultados e a metodologia
que conduziram a estes, faz-se necessário apontar algumas limitações e sugestões relacionadas a este
estudo.
45
LIMITAÇÕES E SUGESTÕES

Limitações

A elaboração do presente estudo foi limitada pelo surgimento de alguns problemas. A prior na
fundamentação teórica existe a escassez de estudos desta natureza e tema, em particular com
incidência sobre Angola.

Já nível do estudo aplicado às MPME´s, o desconhecimento do número de empresas que utilizam o


SAC4 na cidade do Lubango por não existir nenhuma entidade que controla essa estatística limitou a
determinação do número de elementos constituintes da amostra, no entanto, considera-se que o
número de empresas determinadas para a mostra foi suficiente para efectuar uma análise credível em
voltas das questões levantadas durante este estudo. A este nível faz-se também menção a dificuldade
de acesso a mais empresas para recolha de dados, em particular, das médias empresas que chegou a
limitar e representatividade desde grupo de empresas na amostra determinada.

Sugestões

Em função das conclusões realizadas e as limitações do estudo, tece-se as seguintes sugestões:

• Que as MPME´s que não utilizam um software contabilístico para elaboração da sua
informação contabilística, adiram ao uso do SAC4, visto que apresenta um baixo custo e
outras vantagens significativas evidenciadas no presente trabalho;
• Que MPME´s passam a preocupar-se mais com os procedimentos de auditoria e análise, visto
que também servem de ferramentas fulcrais para o processo de tomada de decisões;
• Que durante a elaboração da informação contabilística, se apliquem rigorosamente os PCGA,
pois, segundo o que os inqueridos concordaram em afirmar, “quando se conhece e se aplica
rigorosamente os PCGA´s fica-se menos propenso aos erros na produção da informação
contabilística através do SAC4”. E durante a utilização do SAC4 no processo de elaboração
da informação contabilística, tenha-se em atenção as suas limitações e faça-se o uso do
Microsoft Excel para auxiliar neste processo, colmatando as limitações que o software
apresenta;
• Que a NCR, entidade fabricante do software continue a desenvolver o mesmo, pois é uma
mais-valia para o país;

E relativamente a futuras pesquisas, sugere-se que se investigue mais sobre as outras componentes
do SAC4, para além da contabilística, bem como sugere-se se explore sobre funcionalidades de outros
softwares contabilísticos na elaboração da informação contabilística.
46
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49
ANEXOS

Anexo 1 – Modelo de Demonstrações Financeiras

Demonstrações Financeiras de Acordo as Orientações do PGC


Figura 6- Balanço, segundo modelo do PGC
EMPRESA:
BALANÇO EM:
Valores expressos em kwanzas

Exercícios
Designação Notas
20XX 20XX-1
ACTIVO
Activos não correntes:
Imobilizações corpóreas 4
Imobilizações incorpóreas 5
Investimentos em subsidiárias e associadas 6
Outros activos financeiros 7
Outros activos não correntes 9

Activos correntes:
Existências 8
Contas a receber 9
Disponibilidades 10
Outros activos correntes 11

Total do activo
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital próprio:
Capital 12
Reservas 13
Resultados transitados 14
Resultados do exercício

Passivo não corrente:


Empréstimos de médio e longo prazo 15
Impostos deferidos 16
Provisões para pensões 17
Provisões para outros riscos e encargos 18
Outros passivos não correntes 19

Passivo corrente:
Contas a pagar 19
Empréstimos de curto prazo 20
Parte corrente dos empréstimos a médio e longo prazo 15
Outros passivos correntes 21

TOTAL DO CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO


Fonte: Adaptado do Plano Geral de Contabilidade (2001).

50
Figura 7- Demonstração de Resultados, segundo modelo do PGC
EMPRESA:
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS EM:
Valores expressos em
kwanzas

Exercícios
DESIGNAÇÃO Notas
20XX 20XX-1
Vendas 22
Prestações de Serviço 23
Outros proveitos operacionais 24

Variações nos produtos acabados e produtos em vias de fabrico 25


Trabalhos para a própria empresa 26
Custo das mercadorias vendidas e das matérias-primas e subsidiarias
27
consumidas
Custo com pessoal 28
Amortizações 29
Outros custos e perdas operacionais 30

Resultados Operacionais
Resultados financeiros 31
Resultados de filias e associadas 32
Resultados não operacionais 33

Resultados antes de impostos


Impostos sobre o rendimento 35
Resultados líquidos das actividades correntes
Resultados extraordinários 34
Imposto sobre o rendimento (30%) 35

Resultados líquidos do exercício


Fonte: Adaptado do Plano Geral de Contabilidade (2001).

51
Modelo das Demonstrações Financeiras do SAC4
Figura 8- Demonstração de Resultados, modelo do SAC4

Fonte: Screenshot no SAC4 (2019).

52
Figura 9- Demonstração de Fluxo de Caixa, modelo do SAC4

Fonte: Screenshot no SAC4 (2019).

53
Anexo 2 – Modelo de Inquérito

DEPARTAMENTO DE CONTABILIDADE E GESTÃO

Inquérito

O presente Inquérito visa recolher dados relativos à monografia de licenciatura em Economia na


especialidade de Contabilidade e Fiscalidade, cujo tema é: “Análise das Funcionalidades do
Software SAC4 na Elaboração da Informação Contabilística: Estudo aplicado às Micro Pequenas
Empresas da Cidade do Lubango”

Portanto, ao responder as questões que se seguem esperemos que o (a) caríssimo(a) sr.(a) seja
o mais honesto possível, sabendo sempre que não existem respostas certas nem erradas,
somente a sua opinião é que nos interessa.

Instruções de Preenchimento

Preencha, para questões fechadas, com um X e siga devidamente com as instruções das
questões. O inquérito é composto por duas partes, sendo a primeira relativa à caracterização do
inquerido e a última relativa ao uso do SAC4 na produção da informação contabilística.

Obs: O Inquérito é anónimo, não deve colocar o nome do inquerido muito menos a sua
assinatura e os dados solicitados são de uso na presente investigação.

Desde já, agradece-se pela atenção e colaboração cedida!

Lubango, Outubro de 2018

Empresa: ……………………………………..
54
Parte I – Caracterização do Inquerido
1. Género
Masculino Feminino

2. Idade 3. Habilitações Literárias


Entre 18 e 23 anos Ensino médio
Entre 24 e 29 anos Bacharelato
Entre 30 e 35 anos Licenciatura
Entre 36 e 41 anos Mestrado
Mais de 42 anos Outro _____________

4. Área de Formação 5. Período de experiência profissional


Economia, Gest. ou Cont. em contabilidade
Direito Menos de 1 ano
Ciências da Educação Entre 1 e 3 anos
Ciências da Saúde Entre 4 e 6 anos
Engenharias Entre 7 e 9 anos
Outra Mais de 10 anos

6. Período de experiência profissional com SAC4


Menos de 1 ano Entre 1 e 3 anos s Entre 4 e 6 anos Mais de 6 anos

Parte II – Uso do SAC4 na produção da informação contabilística


7. Os aspectos que levaram a escolha do SAC4 para uso no processo contabilístico são:
1-Concordo Plenamente, 2-Concordo Parcialmente, 3-Neutro, 4-Discordo Parcialmente, 5-Discordo Plenamente
1 2 3 4 5
Atractividade/Interface
Baixo Custo
Desempenho
Facilidade no estorno/correcção movimentos
Facilidade no uso
Possibilidade de elaboração da IC sem recorrer a outros
aplicativos
Predominância no mercado
Segurança na conservação de dados
Tem todas DF´s necessárias para divulgação da IC
IC – Informação Contabilística, DF – Demonstração Financeira.

55
8. As funcionalidades do SAC4 permitem:
1-Sim, 2-Não Sei, 3-Não
1 2 3
Amortização automática do imobilizado
Apuramento automático do CMV (ou CMC)
Apuramento do Resultado Fiscal
Consultar rapidamente os documentos lançados
Corrigir facilmente os dados quando estes são mal lançados
Criação de diários de lançamento
Criação de mapas fiscais
Detecção de documentos com o acumulado de DB diferente de CR
Detecção de documentos duplicados
Elaboração das tabelas das notas às contas
Elaboração de Balancetes
Elaboração do Mapa de Amortização
Exportação de dados para outro aplicativo
Fecho automático
Fecho não automático
Guardar mapas e outros documentos em formato PDF ou similar
Importação de documentos
Moldar o Plano de contas em conformidade com PGC e as necessidades
da empresa (Criação de subcontas)
Reabertura de escrita automática
Realização de lançamentos de (re)abertura não automática
CMV – Custo das Mercadorias Vendidas, CMC – Custo das Matérias Consumidas, PGC – Plano Geral de Contas.
Permite também:
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________

9. Quais Modelos de demonstrações financeiras elabora no SAC4?


Balanço DR Nenhum dos Dois As duas
DR – Demonstração de resultado

10. Qual aplicativo utiliza para auxiliar o SAC4 na elaboração das demonstrações financeiras?
Só pode responder a esta questão caso não tenha seleccionado a última opção da questão anterior.
Excel Access Word Outro ________________________________

11. Está satisfeito com as funcionalidades que o SAC4 lhe permite desempenhar?
Sim Não
Caso não, indique algumas funcionalidades que gostarias que o SAC4 permitisse desempenhar (no máximo 4):
1________________________________________________________________________________
2________________________________________________________________________________
3________________________________________________________________________________
4________________________________________________________________________________

56
12. Do seu ponto de vista, quais são os principais erros cometidos no SAC4 (que podem provocar
distorções materialmente relevantes)?
Indique apenas 4 opções que julgar mais relevantes
Debitar quando devia creditar e vice-versa
Lançar valor errado
Colocar data errada
O acumulado de DB deferir do de CR
Lançamentos errado fruto de más classificações
Mal preenchimento dos campos de introdução de informação
Outro:
Outro:
DB – Débito, CR – Crédito.

13. Indique o grau de concordância das afirmações que se seguem:


1-Concordo Plenamente, 2-Concordo Parcialmente, 3-Neutro, 4-Discordo Parcialmente, 5-Discordo Plenamente
1 2 3 4 5
A aplicação rigorosa dos PCGA´s conduz a uma utilização
eficiente das funcionalidades do SAC4 na produção da IC
Aprender o utilizar o SAC4 no processo contabilístico é simples,
principalmente quando se conhece os PCGA´s
As avarias ou erros que ocorrem no SAC4 fazem com que se
tenha medo de utilizar
Na produção da IC não adianta conhecer as funcionalidades do
SAC4 sem conhecer os PCGA´s e as orientações do PGC
O SAC4 apresenta elevados custos de manutenção
Os modelos de apresentação das DF´s do SAC4 não estão
taxativamente em conformidade com os orientados pelo PGC
Quando se conhece e se aplica rigorosamente os PCGA´s fica-
se menos propenso aos erros na produção da IC através do
SAC4
PCGA – Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites, DF – Demonstrações Financeiras, PGC – Plano Geral de Contas,
Informação Contabilística.

14. Quais são os procedimentos contabilísticos realizados pela sua empresa?


_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________

15. Quais são os pontos fortes do SAC4?


_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________

16. Quais são os pontos fracos e a melhorar do SAC4?


____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
-FIM-
Grato pela sua colaboração!

57
Anexo 3 – Screenshots (Imagens de Captura de Captura de Ecrã) do Software na Empresa
Observada

Figura 10- Interface do SAC4

Fonte: Screenshot no SAC4 (2019).

Figura 11- Diário de Lançamentos

Fonte: Screenshot no SAC4 (2019).

58
Figura 12- Lista do Plano de Contas Geral

Fonte: Screenshot no SAC4 (2019).

Figura 13- Relatório do Diário de Lançamento: Diário de Abertura da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

59
Balancete Final da Empresa Observada
Figura 14- Classe 1: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

Figura 15- Classe 3: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

60
Figura 16- Classe 4: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

Figura 17- Classe 5: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

Figura 18- Classe 6: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

61
Figura 19- Classe 7: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

62
Figura 20- Classe 8: Balancete Geral Analítico da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).

Figura 21- Balancete do Razão da Empresa Observada

Fonte: Screenshot no SAC4 (2017).


63
Anexo 4 – Lista das Empresas Constituintes da Amostra e sua Respectiva Classificação

1. Água Jovem: pequena empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;


2. Anascontas: microempresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
3. Angada Empreendimentos: microempresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
4. Ango Enajah: microempresa empresa cuja a actividade principal é o comércio;
5. Azu Comercial: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
6. Colégio Welwitchia: pequena cuja actividade principal é a prestação de serviço;
7. Econgo Comercial: pequena cuja actividade principal é o comércio;
8. El Mourona: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
9. Escola de Condução Auto-LM: microempresa cuja actividade é a prestação de serviço;
10. Farmacia Lubango: uma microempresa cuja actividade principal é o comércio;
11. Fortuna Hululu: uma pequena empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
12. Golden Choice: pequena cuja actividade principal é o comércio;
13. Grupo Arlindo Pedro: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
14. Holves Tranding: pequena empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
15. Hotel Vip Huíla: pequena empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
16. JuSoluções: pequena empresa cuja actividade principal é o comércio;
17. Luzocontas: microempresa que actua no sector de prestação de serviço;
18. Maurango Comércio & Indústria: pequena empresa cuja actividade é o comércio;
19. Okufetica: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
20. Organizações Chile: pequena cuja actividade principal é a prestação de serviço;
21. Panzo & Filhos: microempresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
22. Pressertour: pequena empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
23. Rumos: média empresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
24. Somav: microempresa cuja actividade principal é a prestação de serviço;
25. Stand Guim: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
26. Tanganet Comércio Geral: pequena empresa cuja a actividade principal é o comércio;
27. Tcheto Comercial: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
28. Teldo: pequena empresa cuja actividade principal é o comércio;
29. Vilissandula: microempresa cuja actividade principal é o comércio;
30. Winner: pequena empresa cuja actividade principal é o comércio.

64
Anexo 5 – Dados do Inquérito

Tabela 8 - Género
Tabela 11 – Área de Formação
Géneros Frequência Percentagem
Masculino 23 71,88% Curso Frequência Percentagem
Feminino 9 28,13% Economia, Gestão
Total 32 100,00% ou Contabilidade 29 90,63%
Fonte: Elaboração Própria (2019). Direito 1 3,13%
C. Educação 0 0,00%
Tabela 9 - Idade C. Saúde 0 0,00%
Engenharias 1 3,13%
Intervalo de
Frequência Percentagem Outra 1 3,13%
Idade
Total 32 100,00%
Entre 18 e 23 7 21,88%
Fonte: Elaboração Própria (2019).
Entre 24 e 29 17 53,13%
Entre 30 e 35 3 9,38%
Tabela 12 – Período de Experiência em
Entre 36 e 41 3 9,38%
Mais de 42 2 6,25% Contabilidade
Total 32 100,00%
Período Frequência Percentagem
Fonte: Elaboração Própria (2019).
Menos de 1 ano 9 28,13%
Entre 1 e 3 anos 14 43,75%
Tabela 10 – Habilitações Literárias
Entre 4 e 6 anos 6 18,75%
Nível Entre 7 e 9 anos 1 3,13%
Frequência Percentagem
Académico Mais 10 anos 2 6,25%
Ensino Médio 6 18,75% Total 32 100,00%
Bacharel 7 21,88% Fonte: Elaboração Própria (2019).
Licenciado 15 46,88%
Mestrado 2 6,25% Tabela 13 – Período de Experiência com SAC4
Outro 2 6,25%
Total 32 100,00% Período Frequência Percentagem
Fonte: Elaboração Própria (2019). Menos de 1 ano 12 37,50%
Entre 1 e 3 anos 13 40,63%
Entre 4 e 6 anos 6 18,75%
Mais de 6 anos 1 3,13%
Total 32 100,00%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

65
Tabela 14 – Aspectos que Levaram a Escolha do SAC4 para Uso no Processo Contabilístico

Niveis de Concordância
Aspecto que levaram a escolha do SAC4 para uso no processo
Contabilistico 1 2 3 4 5
Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem
Atractividade/Interface 3 9,38% 8 25,00% 20 62,50% 1 3,13% 0 0,00%
Baixo Custo 16 50,00% 4 12,50% 10 31,25% 0 0,00% 2 6,25%
Desempenho 8 25,00% 12 37,50% 12 37,50% 0 0,00% 0 0,00%
Facilidade no estorno/correcção movimentos 14 43,75% 7 21,88% 10 31,25% 1 3,13% 0 0,00%
Facilidade no uso 19 59,38% 7 21,88% 5 15,63% 1 3,13% 0 0,00%
Possibilidade de elaboração da IC sem recorrer a outros aplicativos 4 12,50% 11 34,38% 14 43,75% 1 3,13% 2 6,25%
Predominância no mercado 8 25,00% 7 21,88% 13 40,63% 4 12,50% 0 0,00%
Segurança na conservação de dados 8 25,00% 11 34,38% 11 34,38% 2 6,25% 0 0,00%
Tem todas DF´s necessárias para divulgação da IC 5 15,63% 8 25,00% 12 37,50% 6 18,75% 1 3,13%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

Tabela 15 - As Funcionalidades do SAC4 Permitem


Níveis de Concordância
Totais
As Funcionalidades do SAC4 Permitem 1 2 3
Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem
Amortização automática do imobilizado 6 18,75% 14 43,75% 12 37,50% 32 100,00%
Apuramento automático do CMV (ou CMC) 3 9,38% 16 50,00% 13 40,63% 32 100,00%
Apuramento do Res ultado Fis cal 12 37,50% 11 34,38% 9 28,13% 32 100,00%
Cons ultar rapidamente os documentos lançados 28 87,50% 4 12,50% 0 0,00% 32 100,00%
Corrigir facilmente os dados quando es tes s ão mal lançados 26 81,25% 3 9,38% 3 9,38% 32 100,00%
Criação de diários de lançamento 23 71,88% 9 28,13% 0 0,00% 32 100,00%
Criação de mapas fis cais 5 15,63% 19 59,38% 8 25,00% 32 100,00%
Detecção de documentos com o acumulado de DB diferente de CR 16 50,00% 10 31,25% 6 18,75% 32 100,00%
Detecção de documentos duplicados 13 40,63% 12 37,50% 7 21,88% 32 100,00%
Elaboração das tabelas das notas às contas 10 31,25% 12 37,50% 10 31,25% 32 100,00%
Elaboração de Balancetes 27 84,38% 5 15,63% 0 0,00% 32 100,00%
Elaboração do Mapa de Amortização 8 25,00% 14 43,75% 10 31,25% 32 100,00%
Exportação de dados para outro aplicativo 5 15,63% 19 59,38% 8 25,00% 32 100,00%
Fecho automático 22 68,75% 8 25,00% 2 6,25% 32 100,00%
Fecho não automático 20 62,50% 10 31,25% 2 6,25% 32 100,00%
Guardar mapas e outros documentos em formato PDF ou s imilar 15 46,88% 14 43,75% 3 9,38% 32 100,00%
Importação de documentos 6 18,75% 23 71,88% 3 9,38% 32 100,00%
Moldar o Plano de contas em conformidade com PGC e as
25 78,13% 7 21,88% 0 0,00% 32 100,00%
neces s idades da empres a (Criação de s ubcontas )
Reabertura de es crita automática 24 75,00% 6 18,75% 2 6,25% 32 100,00%
Realização de lançamentos de (re)abertura não automática 21 65,63% 10 31,25% 1 3,13% 32 100,00%

Fonte: Elaboração Própria (2019).

66
Tabela 16 - Modelos de Demonstrações Financeiras que os Inqueridos Elaboram no SAC4

Modelos de Demonstrações Financeiras que os Inquiridos Elaboram no SAC4


Opções Frequência Percentagem
Balanço 8 25,00%
DR (Demonstração de Resultado) 11 34,38%
Nenhum dos Dois 6 18,75%
Os Dois 6 18,75%
Abstenções 1 3,13%
Total 32 100,00%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Tabela 17 – Aplicativos que Utilizam para Auxiliar o SAC4 na Elaboração das DF´s

Aplicativo utilizado para auxiliar o SAC4 na elaboração Demonstrações


Financeiras
Tipo de Aplicativo Frequência Percentagem
Excel 22 84,62%
Acess 0 0,00%
Word 2 7,69%
Outro 0 0,00%
Abstenções 2 7,69%
Total 26 100,00%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Tabela 18 – Satisfação com as Funcionalidade que o SAC Permite Desempenhar

Satisfação com as Funcionalidades que o SAC4 Permite Desempenhar


Opções Frequência Percentagem
Sim 25 78,13%
Não 7 21,88%
Total 32 100,00%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

67
Tabela 19 - Principais erros Cometidos no SAC4

Principais Erros Cometidos no SAC4


Opções Frequência Percentagem
Debitar quando devia creditar e vice-versa 15 16,85%
Lançar valor errado 19 21,35%
Colocar data errada 12 13,48%
O acumulado de DB deferir do de CR 5 5,62%
Lançamentos errado fruto de más classificações 24 26,97%
Mal preenchimento dos campos de introdução 10 11,24%
Outro 1 1,12%
Outro 1 1,12%
Abstenções 2 2,25%
Total 89 100,00%
Fonte: Elaboração Própria (2019).

Tabela 20 – Grau de Concordância Com as Afirmações

Grau de Concordância
Total
Opções
1 2 3 4 5
Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem Frequência Percentagem
A aplicação rigorosa dos PCGA´s conduz a uma utilização eficiente das
19 59,38% 6 18,75% 7 21,88% 0 0,00% 0 0,00% 32 100,00%
funcionalidades do SAC4 na produção da IC
Aprender o utilizar o SAC4 no processo contabilístico é simples, principalmente
20 62,50% 4 12,50% 8 25,00% 0 0,00% 0 0,00% 32 100,00%
quando se conhece os PCGA´s
As avarias ou erros que ocorrem no SAC4 fazem com que se tenha medo de
0 0,00% 4 12,50% 13 40,63% 9 28,13% 6 18,75% 32 100,00%
utilizar

Na produção da IC não adianta conhecer as funcionalidades do SAC4 sem


14 43,75% 2 6,25% 9 28,13% 3 9,38% 4 12,50% 32 100,00%
conhecer os PCGA´s e as orientações do PGC

O SAC4 apresenta elevados custos de manutenção 1 3,13% 1 3,13% 13 40,63% 6 18,75% 11 34,38% 32 100,00%
Os modelos de apresentação das DF´s do SAC4 não estão taxativamente em
0 0,00% 3 9,38% 11 34,38% 5 15,63% 13 40,63% 32 100,00%
conformidade com os orientados pelo PGC
Quando se conhece e se aplica rigorosamente os PCGA´s fica-se menos propenso
16 50,00% 7 21,88% 5 15,63% 1 3,13% 3 9,38% 32 100,00%
aos erros na produção da IC através do SAC4

Fonte: Elaboração Própria (2019).


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