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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

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Copyright © 2020

Todos os direitos reservados pelo autor. Este livro ou parte dele não
pode ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via
cópia xerográfica, sem autorização prévia do autor.

Texto:
André Ferrari

Capa:
Matheus Serôa

Projeto gráfico, diagramação e ilustrações do miolo:


Carol D’Alessandro
ANDRÉ FERRARI

Psiu!
Coloque seu coração em modo avião, observe a viagem, deixe essa
ansiedade quietinha dentro da mala e desembarque suas expectati-
vas na próxima parada. Prepare o coração e alinhe a pista de decola-
gem. Flutue ao som de Anavitória e voe pela sua imaginação. Descu-
bra internamente mais sobre você, reveja suas metas e mentalize um
panorama novo pra sua vida. O mundo se faz agora, não perca seu
tempo com quem te atrasa e te diminui.

É hora de voltar a poltrona pro lugar, com a mente renovada para


enfrentar o que há de vir. Fique calminha na hora de descer. Faça
essa experiência valer a pena. No momento que pousar, observe a
paisagem de outra maneira. Enxergue cada sorriso como uma opor-
tunidade para se contagiar também. Reencontre a melhor versão de
si mesma na área de desembarque.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Apresentação
Diferentemente da maioria dos meus outros conteúdos, este é um
manual que busca de maneira prática e objetiva elucidar algumas
orientações básicas para facilitar o processo de desenvolvimento de
vínculos afetivos e saudáveis a longo prazo.

A partir dos capítulos abaixo, você terá uma visão panorâmica de


alguns temas cruciais para estabelecer um romance que atenda as
suas demandas sentimentais e principalmente que evite as ciladas
em que o outro queira somente te usar e depois descartar.

Grande parte do que você vai ler é um retrato de dois longos anos
de intensas consultorias de relacionamento através de uma percep-
ção simples, objetiva e direta que visa facilitar a execução de com-
portamentos manipuladores do outro, para que assim consiga evitar
decepções que possam se arrastar ao longo do tempo dentro desse
campo sentimental.

Evidentemente que em alguns aspectos não haverá uma concordân-


cia total do que será relatado, entretanto esse é um panorama oriun-
do inteiramente da minha percepção individual e principalmente de
quem já me conhece das redes sociais e da minha visão sobre rela-
cionamentos.

Sendo assim, eu peço que nesse instante você coloque o seu cora-
ção em modo avião e se permita a fazer uma leitura tranquila, com
a mente aberta e que no final de tudo isso, tenha a capacidade de
colocar a grande maioria dessas orientações em prática e melhore
ainda mais o seu jeito de se relacionar com próximo.
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ANDRÉ FERRARI

Agradecimentos
Novamente agradeço ao meu pai pela oportunidade de me tornar
o homem sensível que sou, agradeço também às inúmeras pessoas
que me acompanham diariamente nessa jornada de sempre trazer
um conteúdo de alto valor que modifique a maneira de ver o mundo,
sempre consolidando o viés do amor-próprio.

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SUMÁRIO
Apresentação .............................................................................................................................................5

Agradecimentos ........................................................................................................................................6

Prefácio ...................................................................................................................................................... 10

Capítulo I - Amor-próprio: A chave ideal pra nunca cair em uma cilada


emocional ..................................................................................................................................................12

O antídoto contra qualquer sofrimento.


O que é amor-próprio?
Como desenvolver amor-próprio.
Passos para aumentar a autoestima!
Aceitação de si mesmo
Autocuidado.
Valorize seu tempo de solteira
Dependência Emocional
Insegurança: um panorama
O medo da solidão, abandone esse barco.
Enterre a carência afetiva e construa ciclos sociais de alto valor.
Reciprocidade, a base de qualquer vínculo sincero.
– Sociedade Pós-moderna e relacionamentos.
A Educação de homens e mulheres
Machismo e masculinidade tóxica
Afinal, minha relação é saudável?

Capítulo II - Relacionamentos – uma explanação geral ................................................. 53

Tipos de relacionamento: Vale a pena investir?


Introdução. Relações Afetivas.
Joguinhos no Relacionamento.
Jogos mais comuns.
Quem joga, sempre perde!
Tipos de relacionamento:
Relacionamento emocionalmente estável
Quais valores de uma relação saudável?
A importância da família e dos valores para um vínculo afetivo positivo.
Relacionamento Desgastado, é possível recuperar?
Quando vale a pena recomeçar?
Como manter uma relação saudável e douradora?
5 coisas que podem estar faltando na sua relação.
Atitudes que podem deteriorar sua relação.
A ciência explica: Nunca durma brigado com seu parceiro.
Sinais fatais que seu companheiro não te ama mais.

Capítulo III – Homem Abusivo X Homem de Alto Valor ................................................105

Identificando um homem de alto valor


Sinais de um parceiro abusivo

Capítulo IV - Romantização ............................................................................................................117

O conceito da romantização.
O péssimo hábito de romantizar tudo
Romantização dentro dos relacionamentos amorosos.
Expectativa X Realidade.
Paixão não é amor
Demonstrações de Afeto podem esconder relacionamentos abusivos
Aceitação de realidade, o começo da cura.
Rompimento necessário, sem olhar para trás.

Capítulo V - Traição, o capítulo mais doloroso .................................................................. 135

A presença da traição nas histórias das relações humanas.


O que leva a traição?
Quando a relação apresenta sinais de traição, é hora de rever alguns
pontos.
Sinais da Traição.
Descobri o adultério, e agora?
Perdoe, mas não dê uma segunda chance.
Exceções da regra, quando vale a pena tentar de novo?
Amantes, o perigo da sedução
Capítulo VI - Ciúmes, o mal que corrói por dentro ......................................................... 153

O que é ciúmes?
Sinais de ciúmes obsessivo
Ciúme saudável X Obsessivo
Como controlar e tratar a insegurança?

Capítulo VII - Aplicativos de Relacionamento: Uma cilada emocional ................164

Aplicativos, uma nova modalidade de paquera.


Mentorias, as questões mais frequentes.
Se eu sair dessa relação abusiva, ninguém mais vai me querer
No começo ele era apaixonado e depois foi esfriando. O que aconteceu?
Terminamos, mas quando ele viu que estava com outro, ele surgiu apai-
xonado. É amor?
Ele diz que tem medo de assumir um compromisso sério.
Me envolvi com um homem casado que promete o mundo, mas enrola
para terminar o casamento.
Ele sempre me pede dinheiro e acabo dando com medo de perdê-lo
Sempre diz que quer me ver, mas nunca marca pra sair.
Terminei uma relação de anos e um amor do passado reapareceu.
Depois de uma relação longa, não consigo compromisso nenhum. Por
que isso acontece?
Minha família implica com meu namorado, devo insistir?
Traí meu companheiro e não sei o que fazer.
Ele pediu um tempo e me deixou de lado.

Mentorias, as questões mais frequentes................................................................................171


ANDRÉ FERRARI

Prefácio
O mundo está tão doido, que se torna difícil a gente conseguir se va-
lorizar o bastante e se amar sem ressalvas. Há muita violência pelas
ruas e muito ódio disseminado, principalmente pelas redes sociais.
Nesse contexto, a gente acaba ficando triste e desanimado, tanto fí-
sica quanto emocionalmente.

Está cada vez mais complicado achar verdade nas pessoas, nas pos-
tagens, nas atitudes, nas mensagens. A competitividade por um lugar
de destaque, onde curtidas e glamour se acumulam, acaba nos tor-
nando meio que desconfiados de tudo e de todos. Muita coisa cheira
a encenação, a oportunismo, a jogo de interesses. Afeto se generaliza
como moeda de troca, enquanto nós, os sentimentais, ficamos des-
locados.

Olhamos ao nosso redor e os apelos midiáticos pelo consumo estão


por todo lugar. Navegamos pelas redes sociais e nos deparamos com
corpos sarados, dentes brancos e viagens de luxo. Cada vez mais, es-
tamos nos sentindo alheios àquilo tudo, o que, fatalmente, desanima
e entristece. Chegamos até mesmo a questionar onde nos encaixa-
mos, ou o porquê de não conseguirmos ser e ter aquilo que ostentam
como meta de vida.

E, com nossos sentimentos em frangalhos e nossa autoestima aba-


lada, infelizmente, acabamos por achar que merecemos bem menos
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

do que temos direito de verdade. Acabamos engolindo as desculpas


esfarrapadas que nos chegam, aceitando uma amizade meia boca
que nos oferecem, empurrando com a barriga relacionamentos fra-
cassados, sempre nos contentando com bem menos do que deverí-
amos querer.

É por isso que, hoje, mais do que nunca, é preciso estar alerta em
relação a si próprio, para que você não se perca de si mesmo, de sua
essência, de tudo o que você merece, em meio a toda essa balbúrdia
que fazem com os sentimentos por aí. Mantenha-se em seu caminho,
tenha a meta de se amar e de se respeitar o bastante, para recusar
qualquer porcaria que lhe ofertarem, em termos de amor, de amiza-
de, de relacionamento, de sentimento enfim.

Ainda que pareça surreal viver na contramão da ostentação e da sen-


timentalidade rasa que ocupa os vários setores da vida, você nunca
perderá sendo verdadeiro, sendo inteiro, intenso e autêntico. Perde
quem te ignora, quem te usa, te menospreza. Na hora certa, sua ver-
dade dará as mãos para uma verdade que te transbordará. Porque
você merece. E vai ser lindo.

Respeite-se o bastante para recusar as migalhas que te oferecem.

Prof. Marcel Camargo

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Capítulo I

Amor-próprio:
A chave ideal pra nunca cair
em uma cilada emocional.
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O antídoto contra qualquer sofrimento

Certamente você já deve ter ouvido falar que ter amor-próprio é,


sem dúvidas, uma das formas mais coerentes de cuidarmos de nos-
sa saúde mental.

Além disso, é este autocuidado e apreço por nós mesmos que fará
com que evitemos situações degradantes, impedindo que outras pes-
soas nos encaminhem à contextos de sofrimento.

Entretanto, é preciso se aprofundar um pouco mais neste conceito.


Isso porque nos dias atuais muita gente confunde amor-próprio com
amor à imagem de si. Não que a autoestima e gostar do que vemos
no espelho não seja importante - e na realidade faz sim parte do
amor-próprio. Mas sim, que este conceito é mais profundo e amplo, e
precisa urgentemente ser visto como tal.

Para isso, veja todos os tópicos a seguir e comece a exercitar a doce


arte de amar a si mesma!

O que é amor-próprio?

Como mencionamos anteriormente, o amor-próprio não pode ser


resumido exclusivamente ao amor que temos pelo o que vemos
diante do espelho. Mas sim, trata-se de algo muito mais amplo e
profundo que isso.

O amor-próprio se relaciona com diversos âmbitos de nossas vidas,


como por exemplo:
Intelectual;
Físico;
Mental;
Social; entre outros.
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ANDRÉ FERRARI

Intelectual no sentido de que nos sentimos importantes, inteligen-


tes e referentes em alguma área do conhecimento; físico se remete
ao nosso bem estar diante do espelho, se gostamos dos nossos tra-
ços, altura, roupas que vestimos, etc; mental no sentido de amarmos
quem somos, nossos gostos, prazeres e desprazeres e nos entender-
mos como seres únicos; social com relação ao fato de nos sentirmos
pertencentes a um grupo que nos faça bem e feliz.

Além destes pontos, poderíamos elencar muitos outros. Porém, ficarí-


amos o resto do tempo falando só sobre o conceito, sem pensarmos
na prática.

Desse modo, você pode entender o amor-próprio como aquele apre-


ço inabalável que temos sobre nós. Aquele sentimento de que somos
capazes de superar situações difíceis, e que somos fortes o suficiente
para seguirmos em frente e nos desenvolvermos da melhor maneira.

É reconhecer que não precisamos aceitar tudo dos outros, e tampou-


co sermos coniventes com aquilo que nos desagrada e que faz mal.

Afinal, ninguém é obrigado a aceitar erros alheios apenas para se


sentir amado, por exemplo. E infelizmente é isso que acontece em
muitos tipos de relacionamentos (amorosos e de amizade).

O amor-próprio é uma das essências da felicidade, da plenitude e do


bem-estar. É olhar para si e enxergar defeitos e qualidades, e perce-
ber a sua própria perfeição, em meio às suas imperfeições!

Podemos ainda compreender o amor próprio como uma forma de


enxergarmos a nossa dignidade diante do mundo e das coisas em
nossa volta. Ele é capaz de trazer otimismo, motivação e nos impul-
siona à encarar desafios.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Isso porque quando amamos a nós mesmos, percebemos que somos


capazes de nos tornarmos melhor a cada dia. E esta sensação é cru-
cial para que possamos crescer, evoluir e jamais permitir que outra
pessoa nos diminua.

Por que é importante ter amor-próprio?

O amor-próprio é importante em nossa vida por diversos motivos. Ele


impacta a nossa vida privada, nosso convívio com outras pessoas e as
decisões mais importantes de nossa vida. Tudo isso porque é a partir
da perspectiva que temos de nós mesmos que poderemos seguir e
trilhar caminhos promissores em nossas vidas.

Dessa maneira, você pode encontrar a importância do amor-próprio


nos seguintes aspectos:

Amor-próprio auxilia na escolha de bons parceiros: Quando estamos


felizes com quem somos, acabamos escolhendo pessoas que nos
merecem verdadeiramente. Assim, há menos chances de nos envol-
vermos com alguém que nos faça mal e não nos trate com a devida
atenção que merecemos.

Permite que tomemos melhores decisões: Todas as decisões de nos-


sas vidas partem do pressuposto de que temos uma imagem sobre
nós mesmos em nossa mente. Assim, quando decidimos aceitar um
salário, um parceiro ou simplesmente um convite para sair, estamos
partindo de um pressuposto mais consistente: o de não aceitar me-
nos. Percebemos que podemos dizer “não” e que somos fortes os su-
ficiente para lidarmos sozinho com situações difíceis. Tudo isso sem
perder o nosso brilho.

Nos protege de sofrimentos: Quando nos sujeitamos à situações do-


lorosas, como: reatar um namoro com alguém que nos trai; aceitar
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ANDRÉ FERRARI

um trabalho que não pague o que você merece; praticamos algum ato
que não é de nossa vontade; estamos na verdade nos mergulhando
em sofrimentos que poderiam ser evitados. Porém, a falta de amor-
-próprio pode gerar uma insegurança muito grande, criando uma ver-
dadeira “nuvem” diante dos nossos olhos, que não nos deixa sermos
capazes de decidirmos por conta própria e partindo da ideia de que
não merecemos coisas completas. Desse modo, o amor-próprio pode
nos proteger de sofrimentos simplesmente a partir do momento que
dizemos não à alguém que quer reatar depois de trair; não ao não
sermos valorizados profissionalmente; e assim por diante.

Faz com que enxerguemos as situações com mais clareza: Quando


não temos amor-próprio, muitas vezes olhamos para as situações
partindo dos sentimentos e sensações que elas nos causam. Assim,
acabamos cedendo para as pessoas que amamos, mesmo que isso
nos custe o nosso bem-estar, por exemplo. Em contrapartida, quando
estamos confiante do que queremos, enxergamos com mais clareza
e não nos sujeitamos à situações indesejadas, mesmo que envolva
sentimentos e outras pessoas que amamos e/ou admiramos.

Nos impede de aceitar migalhas afetivas: As migalhas afetivas são


uma verdadeira armadilha em nosso dia a dia. Saber dizer não à elas
é garantir a nossa dignidade e nossa felicidade. Não aceite menos!
Para isso, aposte no fortalecimento do seu amor-próprio, pois é ele
quem lhe dará forças para compreender que não merece migalhas,
mas sim, que merece atenção, amor e carinho em medidas expressi-
vas e que valham a pena.

Nos desvia do caminho da romantização: A romantização de atitudes


mesquinhas e abusivas é um dos maiores erros do século XXI. Com o
amor-próprio, no entanto, podemos fugir deste tipo de caso. Afinal,
você conseguirá analisar que não serão poucas as coisas que fazem
para você que garantirão a sua entrega. Isto é, se você está em um re-
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

lacionamento amoroso, não irá romantizar pequenas demonstrações


de amor, e tampouco entendê-las como suficiente. Mas sim, saberá
que merece mais e que ao amar a si mesma terá chances de simples-
mente deixar para trás quem apenas vive de meras romantizações,
mas nada faz de verdade.

Em resumo, podemos dizer que o amor-próprio se relaciona com


toda e qualquer decisão importante que tomamos. Assim, partimos
da ideia de que quando nos amamos, aceitamos contextos mais sau-
dáveis e, caso contrário, estaremos nos jogando em abismos afetivos
em troca de um resultado abaixo do que merecemos.

Amor-próprio: A chave ideal para nunca cair em uma cilada emocional

Quantas vezes você já se sentiu injustiçada? Ou ainda, quantas vezes


recebeu uma mínima atenção de alguém, contando que era o melhor
que você poderia receber, mas, na prática, sabe que merecia mais?
Reflita um pouco sobre isso…

Sabe por que esse tipo de coisa acontece? Porque quando estamos
com o nosso amor-próprio fraco, automaticamente acabamos caindo
em ciladas emocionais.

Por exemplo: Você conhece alguém que está nitidamente em um re-


lacionamento abusivo. A pessoa sofre, é negligenciada e deixada de
lado com facilidade. Entretanto, volta e meia o abusador demons-
tra carinho de alguma forma, seja comprando presente ou levando a
parceira para um jantar romântico.

Neste cenário que pintamos acima, a vítima do relacionamento abu-


sivo percebe que merece apenas um jantar, de vez em nunca, ou um
mísero presente. Isso ocorre porque o amor-próprio desta pessoa
está em falta, e ela acaba aceitando o que mencionamos ser a “mi-
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ANDRÉ FERRARI

galha afetiva”. Automaticamente a vítima acaba se deixando levar em


um relacionamento nada saudável e que não entrega o que ela ver-
dadeiramente merece. Conclusão: Ela cai em uma cilada emocional,
de se contentar com pouco, por achar que, de um jeito ou de outro,
ela mesma vale pouco!

Percebe o quanto a falta de amor-próprio pode impactar a nossa vida


de diversas maneiras? Quando aceitamos menos, estamos automati-
camente dizendo para o universo que só valemos aquele pouco que
nos dão. E quanto menos nos valorizamos, menos nos valorizam!

Sabe aquela ideia de se dar ao valor? Pois bem! Isso nada tem
a ver com a forma que você se veste ou cuida da aparência. Mas
sim, tem a ver com a forma como você se apresenta para as outras
pessoas. Sim, parece confuso, mas vamos lhe ajudar a entender da
melhor maneira.

Quando você aceita grosserias de alguém, calada e demonstrando a


cabeça baixa, você não está se dando ao valor. Assim, a pessoa que é
grosseira com você percebe essa sua falta de amor-próprio.

A consequência? Os períodos de grosseria podem se repetir com maior


frequência, todos os dias. E quando você se dá conta, acaba entrando
em um abismo de falta de amor-próprio. Isso pois quanto mais você dá
abertura para grosserias, mais elas entram. E quanto mais elas entram,
mais elas fazem você se sentir menos… E assim por diante.

Com isso, é evidente o quanto a falta de amor-próprio pode ser algo


que, pouco a pouco, vai nos engolindo e nos fadando à situações de-
gradantes e difíceis! Quando o amor-próprio começa a faltar, vamos
caindo em ciladas emocionais que nos garantem que não merece-
mos mais, e nos levam ao terrível caminho do comodismo.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Assim, acostumamo-nos com relacionamentos mornos. Aceitamos


traições, mentiras e grosserias. Acreditamos que está tudo bem as
coisas não serem perfeitas, porque é o que você pode conquistar. E
quando nos damos conta de tudo isso, muitas vezes já é um pouco
tarde para salvar um relacionamento, e nos sentimos ainda mais per-
didos diante de um término!

Curioso, não é mesmo?

E quer ver outra cilada emocional que a falta de amor-próprio pode


nos colocar? Esta falta pode nos encaminhar para relacionamentos
eternos e, ao mesmo tempo, vazios. Vamos alimentando dentro de
nós a ideia de que é impossível uma pessoa melhor nos querer e,
por temer ficar só, acabamos cedendo à situações que apenas nos
prejudicam e nos empurram para o “buraco”.

Porém, quando paramos para analisar o relacionamento e percebe-


mos pontos em defasagem, acreditamos cegamente de não tem mais
jeito, e que a vida é assim mesmo. Como se só tivéssemos a capaci-
dade de construir uma relação fraca. O que está super longe de ser
a verdade.

Todos os seres humanos possuem a capacidade de crescer, desen-


volver-se e tornar-se uma pessoa melhor. Por conta disso, todos nós
merecemos alguém que nos trate a altura! Ninguém merece receber
migalhas emocionais e acreditar que a vida a dois ou as amizades
são assim mesmo. É preciso quebrarmos essa romantização de que
essas superficialidades bastam. E assim, buscar formas de nos re-
lacionarmos de uma maneira mais saudável, que coloque a pessoa
mais importante de nossas vidas em primeiro lugar: nós mesmos!

Não se deixe enganar por meias palavras bonitas que saem da boca
de pessoas rasas. Você merece muito mais do que uma palavra da
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ANDRÉ FERRARI

boca pra fora! Você merece atitudes, demonstração de amor, cuidado,


carinho e, dentro disso tudo, a valorização que você, mulher forte e
incrível, deve sempre receber.

Como o amor-próprio impacta relacionamentos afetivos?

Até aqui você já deve ter compreendido o quanto o amor-próprio


pode afetar tudo em nossa volta: relacionamento com familiares e
amigos; relações no trabalho; dia a dia em qualquer contexto da so-
ciedade; etc. Mas, não podemos deixar de mencionar um dos pontos
que mais sofre com a falta de amor-próprio: o relacionamento a dois.

Certamente você já deve ter ouvido falar naquele ditado que nos dá
a entender que é impossível alguém nos amar verdadeiramente, se
nós não nos amamos. Sim, essa frase pode soar um pouco pesada e
até grosseira, mas ela é a mais pura verdade.

Quando nós aprendemos a nos amar e vamos entendendo os nossos


pontos fortes, automaticamente nos apresentamos de forma mais
segura diante dos outros. Essa segurança, no entanto, é uma das cha-
ves para conquistarmos amizades e relacionamentos que sejam ver-
dadeiramente valiosos para nós. Isso pois sabemos direitinho o que
merecemos, e não aceitamos menos que isso.

Por conta disso, o amor-próprio pode impactar e muito um relacio-


namento amoroso. Ninguém gosta de ficar ao lado de uma pessoa
dependente emocionalmente, e que não consegue tomar decisões
por si só. Ninguém gosta da companhia de alguém inseguro e que
não tem nenhum assunto relevante para falar. Ninguém gosta de ne-
gativismo exagerado!

Mas, calma… Não estamos querendo dizer que você simplesmente


deve deixar de lado todos os seus anseios e dúvidas apenas para pôr
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

em prática um “propósito” de apenas “parecer” confiante e assim


conquistar as pessoas. Longe disso!

O amor-próprio não é essa historinha de parecer ser uma pessoa


melhor para os outros… Mas sim, é antes de qualquer coisa entender
que você precisa ser melhor para si mesma! E tudo bem se não agra-
dar a todo mundo.

Já dizia a psicanalista Ana Suy… Agradar a todos é impossível. E abso-


lutamente desnecessário.

Temos que parar de ter em mente que precisamos agradar aos ou-
tros, simplesmente abrindo mão de tudo que queremos e acredita-
mos para isso. Pois este tipo de atitude apenas nos impulsiona para
relacionamentos amorosos fracassados. Estaremos assim o tempo
todo buscando a aprovação do parceiro, sem nem dar margem para
os nossos pensamentos e opiniões. E isso apenas leva as pessoas
para o um término doloroso e desastroso.

O amor-próprio precisa existir em ambos os lados de um relaciona-


mento. Não tem como você sustentar uma relação se você acha que
não a merece! E, pare e pense: Se nem você amar a si mesma, quem
amará? Pois é!

Primeiramente, é preciso parar de pensar que para ter um bom rela-


cionamento é preciso abrir mão de tudo e até mesmo de quem você
é. Segundo, ninguém é perfeito e você precisa compreender isso tam-
bém. Terceiro, se a pessoa não aceitar a sua forma de ser, é porque
ela simplesmente não merece viver com você. Quarto, ninguém gosta
de se relacionar com pessoas sem opinião.

Quer um exemplo claro do quanto relacionamentos onde um dos


dois não tem amor-próprio está fadado ao fracasso? Basta você ana-
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ANDRÉ FERRARI

lisar a seguinte frase de Freud que diz mais ou menos assim: Se duas
pessoas estão sempre de acordo em tudo, só uma está pensando.

O que você pensa sobre esta frase? Bem, ela pode nos dar a entender
que, quem não tem amor-próprio, vive de modo dependente do par-
ceiro(a). Consequentemente, aceita tudo que a outra pessoa diz, sem
emitir nenhuma opinião contrária nunca. Por fim, é plausível dizer que
esta pessoa que tudo aceita, sequer está pensando em suas atitudes.

E agora uma pergunta importante para você: Você quer ser apenas
mais uma pessoa no mundo, que aceita qualquer migalha, ou quer
ser uma mulher incrível que receba apenas coisas boas nas quais
você tem direito e merece? Possivelmente você escolherá o segundo
caminho, que é muito mais promissor e certamente lhe abrirá maio-
res portas para a felicidade.

Por isso que estamos aqui apertando na tecla de quanto o amor-pró-


prio é importante. E em um relacionamento a dois, esta importância
pode estar ainda mais evidente.

Em resumo, lembre-se que para ser amada como você merece,


é preciso se amar primeiro! Ninguém ama quem não se valori-
za. Ninguém valoriza quem não se ama! Cuide-se e não permita
ser uma pessoa sem opinião e valor dentro de um relaciona-
mento. Você merece ser plenamente feliz.

Amor-próprio versus narcisismo

Além de pensarmos em tudo que já foi explanado até aqui, vamos


agora fazer uma diferenciação muito importante sobre amor-próprio:
Este tipo de amor não é a mesma coisa que narcisismo.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

É claro que todas as pessoas possuem um pouco de narcisismo e


egoísmo. Afinal, somos seres humanos, passíveis de erros e estes
dois traços, quando colocados sobre nós na medida certa, garante a
nossa saúde mental e a nossa sobrevivência.

O problema se instaura quando pensamos que amar a si mesmo é


simplesmente ser um extremo narcisista, o que não é verdade. Uma
coisa pode sim estar relacionada com a outra, mas, quando o narcisis-
mo é exagerado, ele poderá repelir pessoas importantes de sua vida.

O narcisismo pode ser entendido com aquele pensamento de que


somos melhores que os outros, enquanto o amor-próprio nos im-
pulsiona para sermos cada vez melhores com relação a nós mesmos.

Isto é, quando você ama quem você é, você está valorizando o seu cor-
po, a sua alma e o seu intelecto. Entende que merece cuidado, atenção
amor e lealdade, e não aceita qualquer migalha emocional. E isso é
extraordinário e abre caminhos para relações amorosas e de amizade
que tragam efeitos incríveis e nos façam crescer cada vez mais.

Em contrapartida, o narcisismo exagerado faz com que você se valori-


ze de um modo que se sinta superior aos outros. E amor-próprio não
tem nada a ver com ser melhor que outra pessoa. Amar a si mesmo
é reconhecer o seu valor e perceber o quão incrível você é. O narci-
sismo, por sua vez, é o erro de achar que você pode pisar em outras
pessoas, por ser “incrível demais”. Acredite: atitudes narcisistas po-
dem lhe tornar uma pessoa que os outros não querem por perto!

Quem ama a si mesmo sabe reconhecer seus defeitos e sempre


trabalha para melhorá-los de uma maneira inteligente, saudável
e eficiente. Um narcisista entende (de modo errôneo) que nada
lhe falta, e assim, torna-se arrogante e não aceita nenhum tipo de
crítica construtiva.
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ANDRÉ FERRARI

E cá entre nós: Quem é que gosta de se relacionar com uma pessoa


arrogante e que se acha mais especial que os outros?

Nunca se esqueça que neste mundo nós só estamos de passagem, e


que todos começam e terminam no mesmo lugar. Por isso, podemos
e devemos valorizar quem somos, mas não precisamos desvalorizar
os outros por conta disso!

Já ouviu falar sobre produtos de qualidade não se queixarem de seus


concorrentes? De uma forma grosseira, podemos fazer uma compara-
ção com o amor-próprio versus narcisismo. Se somos pessoas que se
valorizam, não temos que temer os outros, e muito menos diminuí-
-los. Conhecemos nosso valor e não precisamos diminuir o valor dos
outros para nos mantermos seguros.

O narcisismo é natural de todos nós, pois faz parte da natureza hu-


mana. Mas, em excesso, é prejudicial e faz com que pessoas impor-
tantes se afastem de você. Cuidado para não confundir!

Amor-próprio está além dos cuidados físicos

Outro ponto que é imprescindível ter em mente é que o amor-próprio


vem sendo erroneamente associado apenas com os cuidados físicos.
Especialmente nesta era de redes sociais, muita gente acredita que
amar a si mesmo é simplesmente tentar ter o cabelo mais “perfeito”
ou a pele mais saudável do mundo. Porém, não é bem assim que
funciona.

É claro que quando nós estamos felizes com o que vemos diante do
espelho, nos sentimos mais confiantes e vamos adiante em desafios
de uma forma muito mais resistente e determinada. Mas não é so-
mente isso que fará com que amemos quem somos.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Já mencionamos, inclusive, no decorrer do ebook, informações sobre o


quanto o amor-próprio está envolvido com diversos pontos de nossas
vidas. Sejam pontos intelectuais, profissionais, sociais, pessoais, etc.

Assim, é preciso quebrar a ideia de que o amor-próprio só será eleva-


do se você passar um dia no salão de beleza ou se gastar toda a sua
renda extra com roupas novas. Longe disso!

O amor-próprio, na realidade, não pode ser comprado. Felizmente


não pode! Já pensou se pudéssemos comprar um punhado de qua-
lidades, para nos montarmos feito robôs? Certamente o efeito seria,
antes de qualquer coisa, muito chato. Pois viveríamos em um mundo
onde todos possuem os mesmos traços e qualidades. E como as re-
lações ficariam diante deste tipo de cenário? Pois é.

O amor-próprio não pode ser comprado, mas pode muito bem ser
desenvolvido. Mas, para que isso aconteça, é necessário ter paciência
e determinação. Sabemos que não será da noite para o dia que você
se sentirá uma pessoa plenamente feliz com quem é, e tudo bem.
Ninguém aqui está dizendo que você simplesmente deverá acordar
amanhã completamente apaixonada por si.

Porém, assim como não precisa despertar esse amor da noite para o
dia, é preciso começar. E um bom passo para começar é compreen-
dendo de que o amor-próprio se envolve sim com a autoestima e com
a paixão pela aparência, mas também que ele está muito além disso.

Se você gosta de trabalhar com o que trabalha, e sente-se satisfeita


nesse sentido, já é uma prova de amor-próprio! Você valoriza o que
faz e entende que faz bem, e isso já é um traço de amar a si mesma.
O mesmo vale para a situação que você não se acha uma profissional
tão boa. Começar a se desenvolver intelectualmente poderá impactar
no seu amor-próprio no âmbito profissional.
25
ANDRÉ FERRARI

É claro que este é apenas um exemplo, mas nos próximos tópicos lhe
daremos dicas importantes de como você pode simplesmente elevar
o seu amor-próprio em muitos âmbitos de sua vida. Âmbitos estes
que vão além de um mero reflexo no espelho do seu quarto.

Passos para aumentar a autoestima!

Como já mencionamos, a autoestima está diretamente relacionada


com o amor-próprio, embora não possamos confundi-la como única
e exclusivamente uma forma de melhorar a aparência.

Mas sim, a autoestima e o amor-próprio caminham juntos, e ambos


se relacionam com diversos pontos de nossas vidas. Não se trata
apenas de um agrado diante do espelho, mas sim, de um estudo
aprofundado de quem somos, o que merecemos e como crescemos.
Por isso é importante desenvolver a autoestima para, consequente-
mente, cultivar o amor próprio.

Para isso, podemos apontar 3 fatores que estão intimamente relacio-


nados entre si e são responsáveis por elevar a autoestima e desper-
tar o amor-próprio dentro de você:
1. Autoconhecimento;
2. Aceitação pessoal;
3. Autocuidado.

Seguindo esses três pressupostos, você poderá começar a se enxer-


gar de uma maneira muito mais aprofundada e coerente com a re-
alidade. A seguir vamos explicar cada um deles com mais detalhes:

26
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

1 - A importância do autoconhecimento

Antes de qualquer coisa, responda uma pergunta super simples: Você


realmente sabe o que é “autoconhecimento”, ou só acha que sabe?

Bem, possivelmente você pode caracterizar o autoconhecimento como


o fato de conhecermos quem somos e pronto. Não que este tipo de
afirmação esteja errada, mas, o autoconhecimento vai além disso.

Não se deixe levar pela ideia de que o autoconhecimento que você


tem de si, hoje, será eterno. Nós somos seres mutáveis e, como tais,
estaremos em constante evolução e crescimento. Logo, cuidado com
frases do tipo “eu sou assim mesmo”, ou “eu sempre fui assim”. Além
de ser um tipo de expressão enunciada por pessoas cômodas e que
não desejam se desenvolver, você ainda estará criando um rótulo
infeliz sobre si mesma.

Partindo disso, você deve ter em mente que autoconhecer-se não se


relaciona apenas com quem você é e pronto. Mas sim, entender que
a vida muda e que seus gostos e opiniões podem se transformar ao
longo do tempo.

Por conta disso, é importante compreender que você pode mudar de


ideia, e pode sim deixar de gostar de algo. E quando deixa de gostar,
não tem porque se forçar naquilo.

Quer um exemplo mais prático?

Você está trabalhando no mesmo emprego há mais de 5 anos. No


começo, sentia-se feliz, útil, completa e realizada com o que fazia.
Porém, nos dias atuais tem sido diferente. A sua autoestima caiu…
Você tem cometido equívocos no trabalho, tais quais não cometia no
passado. As broncas do chefe estão mais recorrentes, e tudo isso tem
27
ANDRÉ FERRARI

feito você duvidar da sua capacidade. Mas, você percebe o que pode
estar de fato lhe atrapalhando? Sim… O medo de mudar de ideia.

Nunca é tarde para começar uma nova carreira. Nunca é tarde para
ter uma “DR” e assim dar novos rumos para o relacionamento que
estava esfriando. E tudo isso significa autoconhecimento!

Você começa a ouvir a si mesma com mais atenção, e percebe os si-


nais do seu coração e do seu corpo. Entende que algo até poderia ser
bom antes, mas que agora não é o que você precisa e quer. Abre mão,
apesar dos comentários negativos que pode ouvir. Tudo isso porque
você está cultivando o seu amor-próprio, partindo do pressuposto
do autoconhecimento.

É por isso que o primeiro passo para elevar a autoestima é fazer uma
análise aprofundada de si. É preciso escutar seus medos, anseios, dú-
vidas, e a partir disso tudo traçar novos caminhos promissores para a
sua vida. Com o autoconhecimento você se conhece, se desconhece
e se reconhece em novos rumos! E quando se dá a oportunidade de
viver algo que realmente tenha sentido para você, a sua segurança
diante da vida se eleva.

Consequentemente o seu amor-próprio brota de uma maneira mais


feroz e intensa no seu coração. Afinal, se você está num emprego sem
sentido para você, e deseja abrir o seu próprio negócio, pode ser que
dar o primeiro passo e criar a sua empresa fará com que você se sinta
conectada com quem realmente é. E quando nos conhecemos e nos
conectamos com o nosso interior, automaticamente vamos enxer-
gando nossas qualidades, elevamos nossa autoestima, entendemos
a nossa importância no mundo e crescemos.

Permita-se se conhecer! Mas jamais se permita se rotular, combi-


nado? Amar a si mesma é entender as suas vontades, e também
28
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

entender que elas mudam, e tudo bem mudar. Pratique o autoco-


nhecimento todos os dias, e não se acanhe quando perceber que o
seu auto conhecer-se despertou um novo lado. Você é uma pessoa
e poderá mudar sempre que for necessário, sempre buscando sua
realização e felicidade.

2 - Aceitação de si mesmo

O segundo fator que pode impactar diretamente na sua autoestima


é a aceitação de si mesma. Este é um dos passos mais importantes,
e tende a ser um dos mais difíceis. Afinal, quando há algo em nós
que não nos agrada, é difícil simplesmente “aceitar” a situação, não
é mesmo? Mas bem, precisamos pensar neste conceito de aceitar de
uma forma mais detalhada, para não gerar confusão.

O que estamos querendo dizer é que, sim, você pode sempre desen-
volver algum “defeito” seu em busca de uma melhoria em sua vida.
Você pode sim aprender algo novo, estudar mais, cortar o cabelo,
emagrecer ou fazer algum procedimento de cuidado com a pele. Po-
rém, quando falamos de aceitar quem você é, não estamos falando
de estacionar no tempo.

Sabemos que isso pode estar um pouco confuso agora, mas vamos
explicar. Quando você está ciente de uma mudança que quer em sua
vida, é porque você se autoconhece e entende a real razão para aque-
la mudança. Porém, quando você apenas quer mudar por conta de
imposições alheias, é preciso ficar alerta.

Querer emagrecer para se sentir mais saudável, disposta e feliz é uma


coisa. Agora, querer emagrecer porque as outras pessoas estão di-
zendo que você deveria parar de comer, é outra bem diferente!

29
ANDRÉ FERRARI

Percebe o abismo que existe entre “aceitar quem você é” e “aceitar a


demanda do outro”? Quando você não se aceita, porque outra pessoa
está lhe diminuindo, você está permitindo que um terceiro fique
minando a sua autoestima e o seu amor-próprio. Em contrapartida,
quando você não aceita ficar “estacionada” e quer crescer na vida, esta
é uma decisão exclusivamente sua e que não diz respeito a ninguém.

Logo, quando falamos em aceitar a si mesma, estamos falando do po-


der que você tem de simplesmente ignorar padrões e línguas maldo-
sas que dirigem palavras vazias a você. Aceite quem você é, e jamais
se compare ao que as pessoas esperam de você!

Ninguém nasceu para ser “boneco” de ninguém. Então por que tentar
ficar dentro de padrões que outros julgam certos, mas que não fazem
parte dos seus planos e vontades? Pois é!

Para aceitar a si mesma, no entanto, é preciso voltar ao passo ante-


rior e fazer o exercício do autoconhecimento. Entenda as suas limita-
ções, e trabalhe nelas de uma maneira saudável, sempre visando o
seu crescimento, e não o elogio alheio.

Pois outro ponto que devemos ter em mente é com relação às falas
negativas que temos sobre nós mesmos. Um exemplo: Você tem se
sentido feia? Diminuída? Então comece a refletir sobre o que este tipo
de sentimento pode estar tentando falar para você. Inclusive algumas
perguntas podem ajudar você a pensar de maneira mais crítica e co-
erente, por exemplo:

1. Você se sente feia com relação a quem?


2. Por que esta outra pessoa é um exemplo de beleza?
3. Por que você acredita que essa pessoa é melhor que você?
4. Quem disse que você é feia?

30
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

5. Por que você está se comparando?


6. Por que você precisa ser igual outra pessoa para ser bonita?
7. Que crédito a outra pessoa (que lhe chamou de feia) tem sobre
a sua vida?
8. Por que o comentário de outra pessoa vale mais do que o seu?
9. Por que a verdade da outra precisa ser a sua verdade?
10. Quem disse que existe uma verdade nessa história?

Não permita que comentários vazios sejam pilares em sua vida. Afi-
nal, se você usá-los como fundamento, a sua estrutura pode desabar!
Pois se tratam de pilares vazios, e que não merecem a sua atenção.
Ninguém tem o direito de ditar o que é bom e ruim em você, muito
menos de maneira pejorativa.

As únicas críticas que você deve aceitar são as construtivas. E uma


crítica do tipo “você é feia”, não agrega em nada. Então por que acei-
tar como uma verdade? Ignore pessoas superficiais que precisam
apenas ofender a outra. Este tipo de pessoa normalmente ofende
para se sentir melhor consigo mesma, o que só prova que ela não se
ama e não possui nada de interessante para oferecer.

Além disso, aceite que você é diferente! E, mais do que isso, avalie as
pessoas que lhe julgam: Lembre-se que quando alguém aponta uma
falha nossa, essa pessoa fala mais dela do que de nós! Pois costuma-
mos projetar nossas frustrações nos outros.

Como diria Freud: Quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro do
que de Paulo. Portanto, não se deixe abalar pelos comentários nega-
tivos. Se você não está recebendo críticas construtivas, mas apenas
destrutivas, jogue-as no lixo. Aceite suas limitações e aceite que você
(assim como ninguém) não é perfeita. E mais do que isso: ninguém
precisa ser perfeito para ter valor!

31
ANDRÉ FERRARI

Somos todos seres imperfeitos e valiosos, que crescem, tropeçam,


desenvolvem-se e aprendem todos os dias, a todo momento. Aceite
quem você é e apenas mude aspectos que lhe tragam crescimento.
Jamais mude para agradar outra pessoa. A única pessoa que você
deve agradar, principalmente neste sentido, é você mesma.

3 - Autocuidado

Ter hábitos saudáveis com o nosso corpo e a nossa mente é impres-


cindível para que possamos desenvolver o amor-próprio e elevar a
autoestima com maestria. Para isso, é preciso se atentar para muitos
pontos de nossas vidas, e abaixo listamos algumas dicas de autocui-
dado muito importantes:

Saiba seus limites

Conhecer os seus limites é de extrema importância para que você


não se coloque diante de situações exaustivas e prejudiciais. Entenda
este ponto para diversos âmbitos de sua vida, como por exemplo:

1. Saiba seus limites no treino da academia, e não fique ultrapas-


sando-os em demasia, numa tentativa de acelerar os resultados;
2. Saiba quanto tempo você precisa trabalhar por dia, e não deixe a
sua saúde mental para depois. É preciso reconhecer a necessida-
de de descanso e pausas para restaurar as energias;
3. Não precisa fazer sala para a sua família todos os dias. Se você
está precisando ficar sozinha, fique! Nem que seja apenas no
seu quarto. Não ultrapasse os limites de privacidade e conforto
apenas para agradar outrem.

É claro que estes são apenas alguns exemplos. Analise a sua rotina
e a sua vida para entender os seus limites. Cabe aqui a importância,
mais uma vez, do autoconhecimento.
32
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Descanse

Você sabia que muitas pessoas se esquecem deste fator de autocui-


dado? É aquela história de romantizar vidas corridas e cansativas.
Como se apenas pessoas que estão ativas e trabalhando de segunda
a segunda fossem bem sucedidas. Tire isso da sua mente!

Descansar faz parte da rotina de qualquer pessoa, e quando você não


descansa o suficiente, não pode se dedicar com coesão às suas tarefas.

Logo, os resultados podem ser abaixo das expectativas, e as chances


de retrabalho são ainda maiores.

Portanto, saiba descansar, durma o suficiente e pratique a higiene


do sono (que nada mais é do que se preparar para a noite de sono,
desligando-se do celular uma hora antes, mantendo o quarto
arrumado, etc).

Cuide da sua beleza

Cuidar da sua beleza faz parte do pacote de como aumentar a auto-


estima e o amor-próprio. Afinal, aceitar a si mesma não é simples-
mente deixar de cuidar da pele e dos cabelos. Mas sim, é saber que
estes cuidados se relacionam mais com a saúde do que com o desejo
de atingir padrões.

Quando você começar a cuidar de você a partir desse viés, perceberá


que a sua beleza será realçada automaticamente.

Mantenha relações saudáveis

Este é um dos pontos mais importantes do autocuidado. Sabe por


quê? Porque quando mantemos relações com pessoas que amamos
33
ANDRÉ FERRARI

e que verdadeiramente querem o nosso bem, sentimos a vida mais


leve, tranquila e gostosa de viver.

Porém, quando permitimos que pessoas negativas e que sugam as


nossas energias se mantenham em nossa rotina, elas acabam tirando o
que há de positivo dentro de nós, plantando sentimentos de angústias.

Por isso, corte relações que sejam abusivas, ciumentas e que não
respeitem o seu espaço e quem você é. Você merece pessoas que
agreguem em sua vida, e não que diminuam quem você se tornou ou
está se tornando.

Alimente-se bem

Uma das maiores provas de amor que podemos dar para nós mes-
mos é o cuidado que temos com a alimentação. Afinal, quando cui-
damos do nosso cardápio, ingerindo alimentos saudáveis, estamos
dando um sinal para o nosso corpo.

Este sinal nada mais é do que uma prova de amor, que diz que esta-
mos preocupados com o nosso organismo e que estamos dando a ele
o suporte que necessita para uma vida longa e feliz.

Hidrate-se

Assim como alimentar-se bem, a hidratação também é uma prova


de amor. Estamos depositando em nosso corpo todos os nutrientes
essenciais para a nossa saúde. E assim, temos a saúde física como
aliada para o mantimento do nosso amor-próprio, nossa disposição
e autoestima.

Pois pare e pense: quando adoecemos, sentimo-nos incapazes em al-


guns aspectos, não é mesmo? Mas quando cuidamos de nossa saúde
34
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

e a recuperamos, percebemos a sua importância e a importância de


um organismo saudável e bem cuidado.

Promova dias só para você

Você certamente já deve ter ouvido falar em dias de SPA em casa,


não é mesmo? Pois bem, acostume-se em criar isso no seu dia a dia.
Lembre-se que você é a pessoa mais importante de sua vida e, como
tal, merece total atenção e cuidados no dia a dia.

Além disso, eventualmente poderá receber um dia especial, repleto


de cuidados e mimos. Não se sinta egoísta por isso… Mas sim, pense:
Se você não cuidar de si e não lhe presentear com um dia de SPA,
quem fará?

Cuidado com os excessos

É bom sempre partir do pressuposto de que todo excesso pode


estar denunciando algum tipo de falta. Ou ainda: que “tudo que é
demais, é veneno”. Portanto, comece a analisar a sua rotina partin-
do dessa premissa. Assim, se estiver trabalhando demais, será que
não é a hora de descansar um pouquinho? Se estiver se alimen-
tando de maneira errada, durante muitas semanas, será que não
é hora de começar a cuidar da alimentação? Se você está seden-
tária, será que não é o melhor momento de começar a caminhar?
Lembre-se de que tudo na vida precisa de equilíbrio para não ser
prejudicial. E cuidar de si, neste sentido, eleva o nosso bem estar,
amor-próprio, energia, autoestima, etc. Nada como uma rotina orga-
nizada e saudável!

35
ANDRÉ FERRARI

Relaxe e tenha um hobby

Praticar alguma atividade prazerosa é muito importante para man-


ter as energias renovadas e o desejo de sempre seguir em frente.
Para isso, procure por um hobby que preencha as suas horas vagas
com algo interessante e gostoso de se fazer.

Você perceberá que terá muito mais disposição, sensação de felici-


dade e prazer a partir do momento em que cuidar de si dessa forma.
Consequentemente irá brilhar ainda mais, e notará um up expressi-
vo em sua autoestima.

Afinal, quando praticamos atividades prazerosas, nos sentimos mais


completos e, por conta disso, até mesmo o nosso amor-próprio se
eleva, assim como a autoestima.

Leia e se informe

Manter a mente ativa é uma das formas mais preciosas de auto-


cuidado. Até mesmo este ebook que você está lendo já faz parte
da arte de cuidar de você mesma. Afinal, quando lemos e con-
sumimos novas informações, abrimos a mente e desbravamos
novos horizontes.

Consequentemente vamos criando novos rumos e caminhos


para a nossa vida. Aprendemos lições importantes, cuidamos
do nosso intelecto, desenvolvemos nossa carreira profissional
e acadêmica, etc.

Manter-se intelectualmente ativo, seja fazendo um curso ou as-


sistindo alguns vídeos interessantes, é uma ótima forma de auto-
cuidado que traz resultados de curto, médio e longo prazo.

36
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Afinal, você elevará a sua autoestima e amor-próprio por simples-


mente se sentir uma pessoa mais interessante e com mais assun-
tos para conversar.

Faça psicoterapia

Por fim, lembre-se do poder da psicoterapia. A terapia é uma das


formas de autocuidado que mais traz efeitos que vão para além do
mental, atravessando o campo físico também.

É na psicoterapia que você consegue ter um aprofundamento no seu


autoconhecimento, e automaticamente na sua auto aceitação. Tudo
isso criando um ciclo de autocuidado que gera mais qualidade de vida.

Você passa a fortalecer o vínculo que tem consigo mesma e passa a


enxergar a vida a partir de perspectivas mais coerentes e saudáveis.

Cuidados com os danos infringidos a si mesma

Além de praticar o autocuidado, seguindo todas as dicas dadas aci-


ma, é preciso ter o cuidado de não cometer o contrário. Ou seja, é
preciso estar atenta para não se sujeitar à situações que possam pôr
em risco não só a sua saúde física, como a mental.

Muitas vezes, por receio ou até mesmo ignorância, aceitamos algu-


mas coisas em prol dos outros, sem nos darmos conta do quanto
aquela atitude pode ser maléfica para nós. E assim, somos respon-
sáveis por infringir danos sobre nós mesmos, provocando uma carga
muito negativa em cima de nós.

Dessa maneira, a dica que podemos lhe dar, neste sentido, é que você
sempre avalie as situações, por mais simples que sejam. Analise o

37
ANDRÉ FERRARI

quanto você quer e está disposta a praticar algo porque deseja cres-
cer, ou porque outro impôs a você.

Lembre-se: Você não é obrigada a nada! Se alguém faz chanta-


gem com você para conseguir algo, pule fora. Ninguém precisa
se sacrificar pelo bem de outra pessoa. É preciso sempre pensar
no seu autocuidado e bem estar. Não atire em sua direção!

Como desenvolver amor-próprio

Seguindo o tópico anterior, podemos trabalhar o amor-próprio e a


autoestima a partir de vertentes semelhantes. Porém, a autoestima
está mais relacionada com os cuidados pessoais, e o amor-próprio
envolve as relações que temos com as pessoas e com o mundo, de
uma maneira mais ampla.

De qualquer forma, ambos os termos podem ser comumente confun-


didos, e tudo bem. O importante é garantirmos a nossa integridade
e bem-estar partindo do pressuposto de que somos seres de valor e
que merecemos as melhores coisas.

A partir disso, não devemos aceitar migalhas da vida, mas sim, deve-
mos sempre buscar os nossos sonhos e nos desenvolver como que-
remos e quando queremos. Colocar nossos ideais em primeiro lugar
não é ser uma pessoa egoísta, mas sim, é amar a si mesmo!

Sendo assim, para que você possa elevar o seu amor-próprio, acom-
panhe algumas dicas importantíssimas:

Corte relações negativas

Já mencionamos isso nas etapas de autocuidado, no tópico so-


bre autoestima. Porém, aqui precisamos trazer este assunto à tona
38
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

mais uma vez, pois ele é um dos mais importantes com relação ao
amor-próprio.

Isso porque muitas vezes permitimos que pessoas mal intencionadas


quebrem com o desejo e o amor que temos sobre nós mesmos, mi-
nando assim as nossa vidas e autoestima. Por conta disso, é preciso
que tenhamos um olhar crítico e aprofundado acerca de quem está
ao nosso lado.

Além disso, é preciso saber cortar as relações negativas sem ter


aquele sentimento de culpa. Muita gente acredita, por exemplo, que
somos obrigados a manter uma proximidade com a família, “porque
é família”, mas não é bem assim que funciona.

Se você tem uma pessoa tóxica na família, que só lhe traz momen-
tos ruins e males, para quê você irá mantê-la em sua vida?

É preciso sempre pensar na sua saúde mental e no seu autocui-


dado. E não se importe com os comentários alheios, quando você
simplesmente cortar a relação com alguém que você tinha muito
contato.

Sabemos que no começo pode ser um pouco complicado, e até mes-


mo a saudade pode surgir. Porém, lembre-se de fazer um exercício
de pensar acerca do quanto aquela pessoa sugava as suas energias
e criava empecilhos nos seus sonhos. Assim você perceberá porque
se afastou da mesma, e entenderá que está tudo bem.

Guarde apenas o que foi bom, e deixe as relações ruins para trás. Co-
loque uma pedra sobre elas e siga em frente! Você não é obrigado a
ter contato com pessoas que lhe fizeram mal.

39
ANDRÉ FERRARI

Outro ponto importante neste sentido é que você não precisa perdo-
ar e dar segundas chances. Se você não se sente à vontade, para quê
forçar este desgaste?

Por conta disso, você pode sim perdoar, mas, deixar a pessoa no seu
passado e assim seguir com a sua vida. Não permita que erros se re-
pitam, e não permita que as pessoas tirem a sua paz.

Não tenha medo de cortar relações… Tenha medo que relações cor-
tem você e o seu coração!

E assim, parta desse pressuposto para, dessa forma, cultivar relações


saudáveis e que verdadeiramente lhe façam bem.

Analise as situações de forma mais racional

Pode ser que você tenha dificuldades no início, mas a verdade é que
a melhor forma de trabalhar o amor-próprio é, antes de qualquer
coisa, pensar nas situações de uma maneira mais racional.

Por exemplo: Quando estamos muito emocionados, aceitamos


qualquer tipo de suporte, mesmo que fraco, de uma pessoa. Logo,
acabamos deixando o amor-próprio de lado e aceitando menos do
que merecemos.

Por isso, sempre que você estiver diante de uma crise emocional,
pare e reflita. Não haja por impulso e tenha o cuidado de dar um tem-
po para as coisas se ajeitarem dentro de você. Apenas depois desse
equilíbrio interno é que você poderá avançar para a possibilidade de
analisar as situações de um modo mais coerente.

Cuidado para não pôr tudo a perder apenas por um sentimento insis-
tente que tenta lhe impulsionar a favor da decisão mais fácil, ok? Faça
40
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

o que lhe faz bem, mas sempre parta de uma análise mais racional e
menos emotiva, pois a emoção pode nos cegar, romantizar situações
ruins e nos encaminhar para escolhas menos efetivas.

Ao mesmo tempo, isso não quer dizer que você deve deixar as emo-
ções de lado. Longe disso! Mas sim, quer dizer que você deve escutar
as suas emoções com mais atenção e comandá-las de certo modo
que elas não lhe comandem.

Atitudes para desenvolver o amor-próprio

Saiba dizer não: Um dos maiores erros que podemos cometer é


o de não saber dizer não. Isso porque acabamos abrindo mão de
momentos nossos, a fim de aceitar uma demanda de outra pessoa.
Logo, acabamos prejudicando a nossa saúde mental e bem-estar,
gerando conflitos internos e desgastes. Sendo assim, desenvolva o
amor próprio aprendendo a dizer não. Você não precisa aceitar tudo
e tampouco estar sempre disponível. Lembre-se ainda que dizer não
é respeitar o próximo, pois se você não está disposta a dizer sim, o
“não” é a resposta mais coerente perante o pedido de alguém. Assim
você não corre o risco de quebrar expectativas e tornar alguma ativi-
dade mais desgastante.

Saiba parar: Aqui podemos pensar nos limites, que já mencionamos


no decorrer deste ebook. Saber o momento de parar é importante
para você não se frustrar e ficar “dando murro em ponta de faca”.
Entenda suas limitações, e assim se auto conheça, respeitando seus
limites.

Faça por você: Comece a deixar de lado a ideia de pôr em práticas


atividades que beneficiem apenas as pessoas em sua volta, deixan-
do de fazer o que lhe faz bem. Comece a fazer por você! Pense no
seu bem-estar, na sua saúde e nos seus desejos. E apenas depois
41
ANDRÉ FERRARI

disso comece a refletir sobre como poderá ceder em algumas situa-


ções, desde que a outra pessoa também ceda.

Não se disponha apenas aos outros: Seguindo o raciocínio acima, lem-


bre-se que você não precisa estar o tempo todo disponível para os ou-
tros. Você pode dizer não e, mais do que isso, mostrar-se indisponível.
Quer um exemplo? Responder desesperadamente rápido quem lhe
procura nas redes sociais. Se não se trata de um assunto importante
e urgente, por que simplesmente largar tudo que está fazendo para
atender outra pessoa? Lembre-se sempre disso.

Cuide-se: Pratique sempre o autocuidado. No tópico anterior trou-


xemos diversas dicas e alternativas de cuidar de si mesma. Pratique
este tipo de atividade e comece a notar o quanto o amor-próprio
passará a crescer. Afinal, cuidar de si já é um ato de amor, e as conse-
quências dos cuidados geram bem-estar, completude, etc.

Evite pessoas negativas: Sabemos que essa tecla foi repetida diver-
sas vezes ao longo deste capítulo, mas é que você precisa internali-
zar esse fato o quanto antes. Pratique o amor-próprio simplesmente
excluindo de sua vida aquelas pessoas que não lhe fazem bem. Você
não precisa manter contato com quem você não quer!

Não sustente relações sozinha: Pare de sustentar relações unilate-


rais. Comece a pensar e a agir em relações que lhe fazem bem. Se a
pessoa não demonstra tanto interesse e vive fugindo de você, parta
para outra. Quem verdadeiramente lhe quer e lhe merece jamais dei-
xará você de lado.

Não haja por impulso: Cuidado com os excessos! Já mencionamos


isso no tópico sobre autocuidado, e aqui vale frisarmos o exces-
so de agir por impulso. Quando agimos por impulso, munimos as
nossas atitudes de sentimentos frágeis que, quando se “assen-
42
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

tam” em nosso coração, deixam os resultados negativos da atitude.


Portanto, sempre que a emoção estiver gritando acima da razão,
dê um tempo para você pensar e tranquilizar os ânimos. E apenas
depois disso aja de acordo com a situação.

Valorize seu tempo de solteira

Para que possamos fechar com chave de ouro este capítulo sobre
amor-próprio, vamos pensar um pouquinho em uma situação muito
delicada: Muitas mulheres temem ficar solteiras.

Temem, porque acreditam que estar solteira é sinônimo de não ser


bonita, interessante, inteligente, etc. O que não passa de uma mentira
imposta pela sociedade!

Precisamos tirar de nossas mentes a ideia de que para sermos feli-


zes precisamos de outra pessoa. A nossa felicidade depende única
e exclusivamente de nós. E, por conta disso, é importante que você
valorize o seu tempo de solteira.

Se você terminou um relacionamento recentemente, não precisa sim-


plesmente sair em busca de um(a) novo(a) parceiro(a) o quanto antes.
Além de ser uma atitude desesperada, você ainda se expõe a possibili-
dade de ficar com qualquer pessoa, apenas por carência afetiva.

Sendo assim, tenha o cuidado de analisar bem as situações. Siga a


nossa dica de analisar de maneira mais racional, e não emocional.
Isto é, deixe de lado a ideia de que as suas amigas namoram e você
não. Não há nada de errado em ser uma mulher solteira!

Na realidade, se for para pensar em algo errado, podemos citar o fato


de simplesmente estar em um relacionamento forçado, sem se sentir
feliz. Se tem algo que é errado, é isso.
43
ANDRÉ FERRARI

Portanto, comece a aproveitar a liberdade e o bem-estar de estar


apenas na sua companhia. Cuide de si, tire momentos para refletir,
conheça pessoas, saia com quem você gosta, enfim.

Preencha a sua rotina com coisas saudáveis e interessantes, e quan-


do você menos esperar, conhecerá a pessoa certa para você.

E enquanto essa pessoa não chegar, lembre-se de que tudo bem es-
tar apenas na sua companhia. Afinal, você é a pessoa mais importan-
te da sua vida, não é mesmo? Lembre-se sempre disso!

O impacto da sociedade pós-moderna nos relacionamentos.


O Machismo entre nós.

A pós-modernidade é um conceito que abrange ruptura em muitas


áreas culturais e sociais. Por exemplo, é notável o poder das mídias
eletrônicas, a colonização dos mercados, liberdade de expressão pes-
soal, pluralidade cultural, polarização social. Todas as formas de re-
lacionamento são modificadas com essa ruptura. Especialmente ao
tratarmos o afetivo entre homens e mulheres. Ainda com resquícios e
traços de outros momentos, como o machismo.

Entenda qual o impacto da sociedade pós-moderna nos relaciona-


mentos. Como o homem e a mulher são vistos pela sociedade, os
impactos do machismo e principalmente como se libertar da mascu-
linidade tóxica.

Compreender os conceitos permite realizar mudanças na sua vida


para que tenha relacionamentos mais saudáveis. Assim entendendo
seu papel de mulher e a força que possui e que não deve ser apagada
em nenhuma circunstância.

44
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

A criação do homem e da mulher

De modo geral, a forma como lidamos com o mundo a nossa volta e


com as outras pessoas é um reflexo da nossa criação e vivência. Por
exemplo, tudo aquilo que aprendemos quando criança sobre certo e
errado reflete na atualidade.

Mesmo com novos tempos, ainda há diferenças significativas na cria-


ção dos homens e mulheres. De escolhas para atividades, brinquedos
e até afazeres, os sexos se diferem em suas obrigações.

Não são apenas escolhas, mas sim a construção do caráter e o molde


de ser humano que essa criança possivelmente será. Entender essa
criação poderá ajudar a quebrar paradigmas e estigmas. Mas tam-
bém, a perceber erros que precisam ser corrigidos.

Vale lembrar que a forma de criação citada neste livro não se aplica
a todos os lares. Mas é o reflexo majoritário que acontece nos lares
brasileiros. Dos quais, mulheres são responsáveis pela casa e os ho-
mens por atividades distintas.

Ao falar sobre o homem, sua criação é para que seja independente,


forte e que não precise ajudar no lar. Desde criança o menino ganha
carros, animais, bola. O que incentiva a ter bens e ser livre. Raramen-
te alguém do sexo masculino ganhará algo relacionado a artes ou a
afazeres domésticos.

O menino geralmente é mais aventureiro e é permitido a explorar


mais o mundo a sua volta. Geralmente sua rotina envolve estudos e
brincadeiras. Raramente é colocado para ajudar nas tarefas da casa.
Já as meninas ganham bonecas, casinhas e brinquedos que refletem
o cuidado com a aparência ou o lar. Desde criança são ensinadas a
serem mães e a ser as responsáveis pela casa em que moram.
45
ANDRÉ FERRARI

Ainda quanto criança a menina é submetida a pequenas atividades


domésticas. Por exemplo, varrer o chão, retirar o lixo, lavar a louça.
Consciente ou inconscientemente ela já entende que são obrigações
a serem cumpridas. Em geral, a visão da mulher mãe e dona de casa
e do homem sustento do lar ainda não impregnadas nas crianças.
Logo, quando adultos, ao se depararem com uma situação diferente
podem ficar chocados.

Na atualidade as mulheres muitas vezes são o sustento do lar e não


apenas responsáveis pelos lares. Inclusive, o desejo materno já não
está presente em todas elas, que preferem não constituir família. Re-
capitulando, a criação proposta desde a infância influencia direta-
mente no que o adulto entenderá como certo ou errado posterior-
mente. Além disso, também será o norte de suas escolhas. Permitir
que a criança vivencia experiências de igualdade ou que possa fazer
suas próprias escolhas é uma forma saudável de deixar que ela evo-
lua seus conhecimentos e vontades.

Seja homem ou mulher, é importante que os pais façam uma divisão


igualitária dos afazeres domésticos. Também é interessante que pro-
porcione aos dois as mesmas possibilidades e diversão.

Desta forma é possível que desde criança eles incorporem o sentido


de igualdade e consigam compreender facilmente as diversidades da
vida. Ou seja, se o homem quiser cuidar da casa enquanto a mulher
trabalha não sofrerá tanto com a pressão da sociedade.

46
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O machismo

A forma de criação citada acima está muito baseada no machismo.


Em resumo, é um preconceito que se opõe à igualdade de direito
entre os gêneros. Ou seja, acreditam veemente que os homens são
melhores que as mulheres.

Ele se caracteriza pela opressão, expressa em opiniões e atitudes,


das mulheres pelos homens. Afinal, os machistas entendem que são
superiores e que por isso detém toda a razão e poder e podem sim
julgar qualquer outra pessoa.

O machismo está enraizado na cultura brasileira e não é apenas visto


nos homens. Muitas mulheres foram criadas por famílias das quais
tinham esse preconceito e se sentem inferiorizadas.

Vivemos em uma sociedade patriarcal. Ou seja, a mulher sempre em


segundo plano e o homem como o poderoso e provedor do lar. Logo,
as opiniões e decisões devem ser totalmente deles. Exemplo disso
é que em todo o país a maioria dos cargos de liderança, especial-
mente políticos, são ocupados por homens. Porque as pessoas não
conseguem enxergar nas mulheres a capacidade necessária para tal
demanda.

Reflexos do machismo também podem ser vistos nos ambientes de


trabalho. Do qual, homens e mulheres ocupando o mesmo cargo e
desempenhando a mesma função não são remunerados igualmente.

Ou ainda, em casos de favorecimento do homem para promoções e


vagas de liderança. E a justificava mais usual é que a mulher poderá
se ausentar caso engravide. Eximindo o homem totalmente de suas
responsabilidades neste período.

47
ANDRÉ FERRARI

Também é possível notar o machismo em relacionamentos, especial-


mente entre homens e mulheres. Por sentir-se superior, o homem
acredita que é o único responsável pelas escolhas do casal. Ou seja,
decide para onde vão ou não e, por vezes, impede a mulher de ir
onde deseja.

Esses impedimentos também acontecem em relação a outras pesso-


as. Em resumo, o homem proíbe a mulher de ter contato com quem
ele não acredita ser uma boa companhia, sendo uma má influência
para ela. Isso independente se seja amigo ou até mesmo familiar.

Machistas conseguem opinar e decidir relativamente sobre tudo que


sua parceira fará. Então comentários sobre roupas, maquiagens, ca-
belos e forma física são muito comuns. Na maioria dos casos elas só
podem sair após sua aprovação.

O machismo no relacionamento começa a impedir que a mulher te-


nha voz ativa na relação e que faça suas escolhas. Ela começa a ser
totalmente direcionada a uma vida escolhida pelo seu parceiro, da
qual ela é apenas uma marionete.

É importante que a mulher entende seu papel no relacionamento


e não permite a submissão. Afinal, uma vez submissa é muito mais
difícil conseguir se livrar do parceiro tóxico.

Ao primeiro sinal de machismo em uma relação o ideal é que procure


ajuda de amigos e familiares de confiança para que coloque um ponto
final. Assim poderá evitar marcas psicológicas mais graves no futuro.

Masculinidade tóxica

Um dos frutos do machismo é a masculinidade tóxica. Em resumo, ela


se refere as características que a sociedade atribui esteriopadamente
48
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

ao sexo masculino. Elas são totalmente nocivas e visam transmitir o


que seria ideal para um homem de verdade.

Alguns exemplos de masculinidade tóxica são:

• Os homens jamais podem demonstrar tristeza ou chorar;


• Fazer sexo é algo indispensável ao homem e deve ser feito sempre
que houver oportunidade;
• Ser competitivo e agressivo é necessário para viver nos dias atuais;
• Cerveja, sexo e futebol devem ser os amores principais dos ho-
mens;
• Jamais seja delicado ou compassivo, se não a sua masculinidade
estará em jogo;
• Homens são fortes, poderosos e podem conquistar tudo o que
desejam, seja para eles ou para quem estiver por perto;
• Meninos e homens são autossuficientes e não precisam de ajuda
para nada;
• Sempre os homens devem exercer domínio sobre as mulheres e
sobre outros homens mais frágeis;
• É de responsabilidade do homem sustentar a casa.
Esses pensamentos por muitos anos foram colocados como verdades
absolutas para homens e mulheres. Ou seja, aqueles que pensam
diferente costumam ser julgados pela maioria, além de serem iden-
tificados como fracos.

A figura do homem poderoso e indestrutível alimente a superiori-


dade deles em relação as mulheres. Independente de qual seja o
relacionamento entre eles. Por exemplo, namorados, amigos, irmãos,
mãe e filho.

Para que esses pensamentos possam ser desmistificados é preci-


so muito diálogo e exemplo. O homem deve enxergar suas atitudes
como nocivas e ter a vontade de mudar.
49
ANDRÉ FERRARI

Mulheres ao se relacionarem com homens de masculinidade tóxica


tendem a ter experiências de submissão. Em geral elas só podem
fazer o que são permitidas por eles, perdendo o total controle de sua
vida.

Assim como o machismo, é preciso que ao primeiro sinal você procu-


re amigos e familiares de confiança. Quanto mais tempo se permitir
viver um relacionamento assim, mais difícil será terminá-lo.

Infelizmente muitos homens que se enquadram neste padrão são


agressivos e não poupam mulheres de agressões físicas. Inclusive,
o Brasil é um dos países líderes em violência contra as mulheres.
Portanto é preciso tomar muito cuidado com os relacionamentos que
cultivar.

Como perceber se meu relacionamento é saudável?

Depois de tudo que foi apresentado até aqui, é mais fácil perceber se
você está vivendo um relacionamento saudável ou não. Afinal. Conse-
guirá identificar com facilidades algumas situações e comportamen-
tos de machistas e opressores.

O primeiro passo é realmente conhecer seu parceiro. Saber mais


sobre sua vida, gostos, crenças, sobre seu trabalho. Descobrir suas
opiniões de vida e vivências poderá norteá-la sobre seu caráter e
personalidade.

Geralmente machistas e homens com masculinidade tóxica costu-


mam ser muito incisivos em seus comentários. Além disso, expres-
sam suas opiniões sem nenhum medo de ofender ou magoar.

Comentários opressores ou preconceituosos é um claro sinal de que


pode estar lidando com uma pessoa não muito boa. Também é inte-
50
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

ressante ver como é a relação dele com outras mulheres, como ami-
gas, irmãs, mãe.

Na relação, perceba quantas vezes ele te proibiu de algo ou tentou


mudar sua vontade apenas para o bem próprio. Perceba se ele te in-
centiva a buscar seus sonhos ou se sempre tenta colocar empecilhos
e te menosprezar.

É muito comum que homens como os citados não queiram que suas
companheiras trabalhem. Ou ainda, que tenham compromissos dos
quais ele não está incluído. Por exemplo, uma tarde com as amigas
ou com as famílias.

Ele é machista?

Você deve sempre analisar os comportamentos e ter o discernimento


de perceber se os comentários são para ajudar ou proibir. Em um
relacionamento saudável seu companheiro deve ser um parceiro e te
apoiar no crescimento pessoal e profissional. Ciúmes excessivo tam-
bém é um grande alerta. Afinal, as proibições chegam fantasiadas de
medo de perder a pessoa amada. Mas nesse momento é importante
que diga seu lado e demonstre que nada acontecerá. Se ainda assim
houver uma negativa, fique atenta.

Um grande sinal é a forma da qual seu companheiro fala sobre e


com você. Estar em um relacionamento não significa que pertence a
alguém. Muitos homens falam de suas companheiras como se fossem
suas posses, meras conquistas. O respeito e senso de igualdade deve
acontecer dentro de casa. Veja se ele está disposto a te ajudar, a com-
partilhar afazeres contigo ou se reclama dizendo que isso é apenas
coisa de mulher. Pequenos sinais como esses são grandes alertas
para relacionamentos tóxicos.

51
ANDRÉ FERRARI

Na sociedade pós-moderna a mulher está conquistando a liberdade


que merece. Para tanto é importante que continue na luta e que dia-
riamente alcance o espaço almejado. Mesmo que o medo da solidão
ou de não encontrar o parceiro ideal aparecer, evite se acomodar em
relacionamentos assim. Ninguém merece viver uma submissão ape-
nas por preconceitos arcaicos.

Aproveite a liberdade conquistada e procure um relacionamento sau-


dável. Encontre um parceiro que te apoia e te valoriza. Que está sem-
pre ao seu lado apoiando seu crescimento e sendo seu apoio em to-
dos os momentos. Também é possível que escolha não viver nenhum
relacionamento e tudo certo.

Afinal, o importante é estar feliz e seguindo a sua vida, sonhos e


planos como sempre quis. Conquistando o mundo que merece sem
ninguém dizendo o que é certo ou errado.

52
Capítulo II

Relacionamentos
uma explanação geral
ANDRÉ FERRARI

Tipos de relacionamentos – vale a pena investir?

Você já se perguntou o que é preciso para ter um relacionamento


saudável, feliz e duradouro? Muitos acreditam que sua felicidade de-
pende de seu parceiro ou parceira, porém não devemos “deixar que
ela só aconteça por causa de outra pessoa”.

O que precisamos fazer é simplesmente sermos felizes para que con-


sigamos compartilhar esse sentimento com quem nos relacionamos.
E isso não se trata de egoísmo!

O egoísmo está em acharmos que é responsabilidade dos outros fazer


com que fiquemos felizes. O que devemos fazer é pensar em nós mes-
mos para que seja possível oferecer o nosso melhor a quem amamos
e compartilhar tudo o que temos de bom com essas pessoas.

Esse é um dos maiores segredos que fazem uma relação ser saudável,
próspera, feliz e duradoura.

Outra pergunta bastante comum é: vale a pena investir em um rela-


cionamento? Se considerarmos que as pessoas não conseguem ser
plenamente felizes estando solitárias, a resposta é sim.

Agora, ao entrar em um relacionamento, desentendimentos podem


ocorrer, o que faz com que muitos acreditem que isso não é bom ou
que só vai trazer infelicidade, o que pode não ser verdade.

Portanto, é importante que o casal busque um equilíbrio entre estas


duas situações, dando espaço para que o outro possa ter momentos
para si, além de estabelecer situações que sejam capazes de os unir
mais ainda, fazendo com que valha a pena.

54
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Acompanhe os próximos capítulos para conhecer outras dicas que


separei especialmente para que você consiga investir em uma vida a
dois com mais harmonia.

Introdução – relações afetivas

Diversos podem ser os fatores capazes de influenciar nossas relações


afetivas, tanto de maneira positiva quanto negativa. No entanto, o
grande segredo para um relacionamento saudável nesse sentido, é
não deixar que estes fatores cresçam a ponto de sufocar seu parceiro
ou parceira.

Ao contrário disso, devemos enxergar nossos companheiros como um


espelho para que possamos nos desenvolver. E isso acontece pelo fato
de que nossas relações afetivas nos mostram exatamente onde preci-
samos melhorar para que continuemos vivendo em harmonia, inde-
pendente se o relacionamento é amoroso, familiar ou de amizade.

Além disso, um outro grande segredo é sabermos que precisamos


enxergar também a pessoa com quem nos relacionamos, a qual é
um ser por inteiro, e não uma metade completada somente com a
nossa presença. E o mesmo pensamento deve servir para seu próprio
comportamento.

Em geral, muitos têm a tendência de acreditar que seu companheiro


é sua metade. Na verdade, você é um indivíduo completo e seu com-
panheiro também. Quando se começa a pensar nessa direção, você
compreende que o segredo para um relacionamento de qualidade
está em você mesmo.

Desta forma, se você deixa de acreditar que não será feliz se não tiver
o próximo do lado ou que ele tem que se satisfazer com a sua felici-
dade, não tendo uma vida própria.
55
ANDRÉ FERRARI

Pense nisso e mude seu comportamento para que suas rela-


ções afetivas perdurem por muitos e muitos anos.

No próximo tópico você verá quais são os principais joguinhos que


muitos costumam praticar, além de descobrir se isso é bom ou ruim
para um relacionamento saudável. Confira!

Joguinhos no relacionamento

Bem, como já mencionei anteriormente, existem diversos sentimen-


tos e comportamentos que podem ser bastante destrutivos em um
relacionamento. Um deles são os joguinhos.

Não existe nenhuma possibilidade de construir uma relação afetiva


e ter um relacionamento duradouro e harmonioso quando se toma
esse tipo de atitude.

O ponto chave é ter autenticidade e não agir com esse tipo de


comportamento, afinal, isso demonstra apenas falta de maturida-
de e de confiança.

Veja a seguir quais são os joguinhos que as pessoas mais fazem em


sua convivência a dois.

Jogos mais comuns

Os joguinhos podem acontecer em um relacionamento quando uma


das pessoas demonstram menos interesse do que realmente sente,
de modo a evitar uma possível impressão de desespero.

Outra situação é quando alguém decide não falar ou agir de maneira


direta. Ao invés disso, fica dando voltas, fazendo rodeios para dizer o

56
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

que é preciso ou para tomar determinadas atitudes, por mais simples


que sejam.

Um exemplo desse segundo caso é quando acontece um desentendi-


mento e nenhum dos dois dá o braço a torcer por um pedido de des-
culpas, aguardando ansiosamente uma ligação ou atitude do outro,
mas sem tomar a coragem de fazê-la, mesmo estando certo.

Outro jogo bastante comum, feito tanto por homens quanto por mu-
lheres, é evitar dizer que ama ou elogiar para que a pessoa não passe
a se sentir convencida.

Demonstrar seu amor e o quanto você admira seu companheiro(a)


não é algo prejudicial. Pelo contrário, isso é uma das coisas que faz
com que o relacionamento prospere, afinal, todo mundo gosta de se
sentir valorizado, amado e acolhido.

Na lista a seguir você confere alguns dos principais joguinhos feitos


tanto por homens quanto por mulheres, de maneira mais resumida,
para que verifique se é o seu caso:

• não procuro se não me procurar: demonstrar que gostou da com-


panhia e da conversa não é proibido;
• procurei da última vez, agora ele(a) tem que ter a iniciativa: se
somente você correr atrás pode ser um sinal de desinteresse por
parte do próximo, mas abrir exceções, desde que de maneira
equilibrada, pode fazer bem ao relacionamento;
• se fazer de difícil: este é um grande passo para o sofrimento. En-
tão, troque esse comportamento por momentos de boa conversa
e companhia agradável e seja feliz;
• quero avançar no relacionamento, mas não sei o que ele(a) irá
pensar: se sentir vontade de algo, mas estiver com medo, deixe
esse sentimento de lado e faça o que lhe agrada;
57
ANDRÉ FERRARI

• se não disser que me ama, eu também não digo: demonstrar o


amor que sente não é algo proibido, portanto, se é esse o caso,
vá em frente;
• demorar a responder para não transparecer disponibilidade:
deixar de responder é sinal de que se está ocupado ou que não
tem interesse em conversar. Deixar alguém esperando é falta de
maturidade, portanto, evite.
O importante é buscar um equilíbrio entre usar algumas estratégias
para a conquista e demonstrar sua sinceridade, porém sem que che-
gue ao ponto de se tornar arrogante ou prepotente.

Quem joga sempre perde

Muitas pessoas têm a tendência de acreditar que relacionamento é


um sinônimo de sofrimento, que transformar o amor em adrenalina
por meio dos jogos é algo bom, mas, na verdade, a pessoa acaba por
sair perdendo.

Em uma geração onde o que predomina é o desapego, demonstrar


suas emoções não é uma questão de fraqueza.

É comum que as pessoas se escondam atrás de barreiras que supos-


tamente as protegem, mas que na verdade as deixam mais solitárias
do outro lado do muro.

Se você é o tipo de pessoa que costuma ter esse comportamento,


pense: o amor não é um campo de batalha.

O relacionamento fica muito cansativo e desgastado quando se pre-


cisam medir as palavras. Tome cuidado com o que diz ou como age.

Com o passar do tempo, o encanto e o frio na barriga acabam e o que


sobrevive é apenas a impaciência, ou seja, uma sensação de perda,
58
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

de que fracassou com o relacionamento.

Portanto, a chave é ser feliz e não ter medo de fazer o que se deseja
quando se deseja, principalmente, quando sua atitude for benéfica
para seu companheiro.

Então procure traçar elogios, dizer o quanto o ama, quanto ele ou ela
é especial em sua vida e que está com saudades, ou que está pen-
sando nele.

Pense nisso! Deixar de tomar essas atitudes só fará com que


você perca e sofra.

Portanto se você age dessa forma, comece a mudar seu comporta-


mento e veja como seu relacionamento passará a ser mais feliz, leve,
próspero e harmonioso.

Tipos de relacionamento

Encontrar alguém com quem se aprecie viver os bons e maus mo-


mentos da vida é algo buscado por diversas pessoas, afinal ,ninguém
consegue ser plenamente feliz quando está em estado de solidão,
como já mencionado.

No entanto, diferentes tipos de relacionamentos existem, alguns com


características boas e outros nem tanto. Nos próximos tópicos você
verá quais são eles e conseguirá descobrir em qual se encaixa.

Relacionamento a Distância

Os relacionamentos à distância têm se tornado cada vez mais comum


nos últimos tempos e podem funcionar muito bem para algumas
pessoas, apesar de outras acreditarem que é algo que não tem futuro.
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ANDRÉ FERRARI

Se por um lado ficar dias ou semanas sem se encontrar pessoal-


mente pode fazer com que o reencontro seja mais caloroso e afe-
tuoso, outros sentem verdadeira dor de não estarem próximos de
seus companheiros.

Porém, essa separação pode ser necessária por determinado motivo,


mas existem alguns fatores capazes de tornar a convivência um pou-
co mais fácil, como é o caso da tecnologia que disponibiliza diversos
aplicativos para troca de mensagens instantâneas, permitindo que
você se conecte com seu amor ao longo do dia, seja por mensagem
de texto, voz ou vídeo.

Além disso, as videochamadas estão em alta e podem representar


um encurtamento da distância, dando uma sensação de presença
ao casal.

Diversos especialistas afirmam ainda que o fato de estarem longe


um do outro pode fazer com que menos brigas aconteçam, visto
que o pouco tempo disponível para uma conversa não vai ser des-
perdiçado com coisas que pouco importam. Além disso, o vínculo
pode se tornar mais forte, pois existe a necessidade de mais con-
fiança entre ambos.

Portanto, no caso de um relacionamento à distância, a chave para


que haja uma boa convivência é saber se comunicar e aproveitar o
tempo disponível com coisas que vão trazer felicidade, em vez de
sentimentos negativos.

Procure sempre organizar e programar seus encontros, definindo ho-


rários e criando uma rotina. Aceite que essa situação provoca mu-
danças, mas que estas podem vir para o bem e busque tempo para
cuidar de você!

60
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Faça coisas que você aprecia, mas lembre-se sempre de que o res-
peito deve ser primordial, ou seja, você nunca deve agir de modo a
quebrar a confiança conquistada.

Relacionamento Tóxico

Um relacionamento tóxico é aquele em que basicamente um deseja


ter controle sobre o outro, o querendo apenas para si, sendo um tipo
de comportamento que pode começar de maneira sutil e ir aumen-
tando gradativamente até que comece a causar dor e sofrimento.

Existem alguns sinais que podem ser observados e que ajudam a


perceber se existe essa condição. Veja na lista a seguir:

• deixar que os aborrecimentos se acumulem e fiquem guardados


até que seja despejado em uma discussão qualquer, fato que não
resolve o problema;
• fazer críticas sem limite, de modo a deixar o outro se sentindo
diminuído;
• dispor de energia negativa, que causa a sensação de desconforto,
de que não se está fazendo nada da forma correta;
• ter de medir o que vai dizer ou fazer para evitar brigas e explo-
sões, causando angústia e ansiedade;
• mudar para uma direção que não se quer, deixando de ser você
mesmo, para que seu parceiro se sinta satisfeito;
• quando você começa a demonstrar suas piores qualidades, as
quais não eram expostas anteriormente e que fazem com que
pessoas próximas se afastem;
• passar por crises constantes de ciúmes, as quais demonstram
desconfiança e uma relação que não é saudável;
• quando simplesmente não se sente feliz, afinal, em um relacio-
namento é preciso ter mais momentos de felicidade do que de

61
ANDRÉ FERRARI

sentimentos negativos. O excesso deles pode fazer com que a


relação perca o sentido.

Relacionamento Aberto

Nos dias de hoje, os relacionamentos abertos estão sendo mais co-


muns do que se imagina e acontecem quando o casal, em comum
acordo, decide se envolver com outras pessoas fora da relação.

Porém, tudo deve ser muito bem esclarecido e de total conhecimento


do cônjuge, caso contrário caracterizará traição em vez de abertura.

O casal deve estar ciente de o que, quando e onde será feito para
que a situação se torne confortável para ambos, e passe a funcionar
adequadamente.

Os motivos que levam às pessoas a praticarem este tipo de relacio-


namento podem ser os mais variados, dentre eles:

• para atender as necessidades sexuais um do outro;


• desejo de ter experiências novas;
• viver em locais distantes, o que leva a vontade de ter relações;
• ter uma válvula de escape para problemas pessoais;
• quando um casamento é feito por motivos diferentes dos afetivos;
• quando se deseja mais liberdade, aventura, diversão e com-
panheirismo.

No entanto, assim como uma relação monogâmica pode ter suas di-
ficuldades, a poligâmica também tem e não é para qualquer pessoa.

Você deve ter consciência de que não só você irá se relacionar fora do
casamento, mas que seu cônjuge também o fará, e você precisa estar
preparado para isso, caso se depare com os dois em um encontro.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Relacionamento de Idas e Vindas

Todos que já passaram por algum tipo de relacionamento amoroso


que chegou ao fim, sabem o quanto ele pode ser difícil. Causa dor e
faz com que sinta a sensação de perda, abandono, etc.

E quando isso se repete com o mesmo companheiro, a situação pode


ser ainda mais complicada.

No entanto, isso não significa que não se deve dar uma ou mais
chances, porém é imprescindível que, ao se separar por um período,
ambos procurem formas de tornar a relação mais estável.

Normalmente esse tempo que acontece, serve para que o casal possa
pensar o que realmente deseja e espera do relacionamento e consiga
chegar a um acordo, de modo a deixar ambos satisfeitos e felizes.

Além disso, é preciso avaliar se a relação está sendo saudável.


Caso contrário, pesquisas já explicaram que idas e vindas recor-
rentes podem aumentar as chances de problemas psicológicos,
como a depressão, então essa montanha-russa emocional pode
ser altamente destrutiva.

Muitas pessoas vivem esse ciclo até que chegam a um estágio de rai-
va. Só então conseguem se libertar. Porém o grande segredo é avaliar
o que realmente se sente e quais são os comportamentos que levam
a pessoa a esse tipo de atitude.

Veja se vale mesmo a pena insistir ou se aquilo não está sendo bom
e se liberte, antes que a situação fique insustentável, se for da sua
vontade, claro!

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ANDRÉ FERRARI

Relacionamento Competitivo

A falta de empatia em um relacionamento pode fazer com que o amor


acabe, e é justamente isso que acontece quando o casal vive em uma
competição constante, fazendo com que a relação se desgaste.

Estabelecer uma parceria, em vez de realizar tentativas de superar


seu companheiro o tempo todo, é fundamental para que se consiga
mais harmonia. No entanto, isso pode ser algo mais difícil de ser al-
cançado pelos homens, por diversas questões.

Veja na lista a seguir algumas dicas que será possível pôr em prática,
caso você se encontre nessa situação:

• lembre-se dos motivos que levaram você a se apaixonar por seu


companheiro e faça coisas que tragam à tona esse sentimento,
como jantares românticos, cinema, etc.;
• saiba ouvir de maneira ativa, ao invés de sempre querer tomar a
palavra e veja como seu parceiro se sente, procure compreendê-lo
e evite situações que levarão à raiva e ainda mais competitividade;
• procure buscar por objetivos em comum e não coisas que esti-
mulem ainda mais a competição. É fato que você deve em primei-
ro lugar, pensar em seus anseios, mas é importante delimitar um
equilíbrio para isso, de modo a ter empatia e não egoísmo;
• ignore a necessidade que tem de estar sempre certo e procure
estabelecer um diálogo e manter uma parceria ao invés de que-
rer argumentar apenas pelo prazer de sentir que se tem de ser
bem-sucedido.

Relacionamento “Enrolado”

Um relacionamento enrolado acontece quando o casal não se as-


sume de vez, por um motivo qualquer. Para algumas pessoas, isso
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

pode não ser um problema, mas para muitas isso pode causar um
grande sofrimento.

Preferir a incerteza ao fato de ser solitário pode ser uma saída para
quem não gosta de ficar sozinho e por isso topa qualquer parada,
mas para que não aconteça nenhum tipo de cobrança, todos devem
estar cientes das intenções do outro, evitando expectativas que po-
derão não ser cumpridas.

Em geral, você pode identificar os sinais de que seu relacionamen-


to está sendo uma enrolação quando seu parceiro não tem inte-
resse em participar ativamente de sua vida ou decisões, quando
não quer ser apresentado ou te apresentar para a família, quando
tem longos períodos de ausência e ao se encontrarem joga uma
lista enorme de desculpas.

Para evitar esse tipo de relacionamento é preciso ter força emocional


e pulso para que suas vontades também sejam expostas e que, caso
seu parceiro não esteja de acordo, possa optar pelo término.

Relacionamento Acomodado

Em geral existem vários fatores que podem levar as pessoas a entra-


rem em um relacionamento, como o maior deles: o amor.

Porém, pode acontecer deste sentimento esfriar ou simplesmente


chegar ao fim e o casal continuar junto por alguma razão. Isso se trata
de um relacionamento acomodado.

Uma delas é o fato de o ser humano ter uma enorme capacidade de


se acostumar com qualquer situação, inclusive com aquelas que não
o fazem se sentir bem. E o hábito, convivência, rotina ou medo podem
fazer com que algo que não esteja bom se arraste por muitos anos.
65
ANDRÉ FERRARI

No entanto, será que o medo de estar sozinho ou a falta de opções


são razões suficientes para que se esteja junto com alguém?

Veja na lista a seguir algumas dicas que podem ajudar a perceber se


sua relação está indo por esse caminho:

• veja se você sente vontade de estar com a pessoa, tem saudade


ao estar longe, pensa nela no decorrer do dia ou se está com ela
por ser boa para você, te ajudar ou por medo de ficar sozinho;
• veja se você ainda se surpreende com as coisas boas que seu
parceiro faz para você ou se sua capacidade de se surpreender
acabou;
• ao terminar uma briga, o casal deve ter vontade de ficar junto, e
não tentar esquecer, deixar para lá;
• perceba se sua resposta, quando alguém pergunta sobre seu re-
lacionamento é se tudo está bem, na mesma, o que é sinal de
comodismo, ou se você procura estender o assunto, significando
que o sentimento ainda existe;
• quando pensa em se envolver com outras pessoas ou em dar
preferência para passeios com amigos e outras atividades ao in-
vés de estar com seu companheiro;
• quando começa a fazer a prática do tanto faz, ou seja, pouco im-
porta que decisão será tomada, desde que não precise ter uma
atitude drástica;
• quer terminar, mas não é capaz, ou seja, não está feliz dentro,
mas não consegue sair dele.

Relacionamento emocionalmente estável

Um relacionamento pode ser considerado emocionalmente estável,


quando possui uma base sólida, segura, quando se tem equilíbrio, ou
seja, é uma das relações mais maduras que se pode conseguir.

66
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Nele, o casal não se deixa levar por sentimentos exacerbados, procu-


rando resolver seus problemas ou dificuldades de maneira harmo-
niosa, sem brigas, joguinhos, crises de ciúme ou qualquer outro tipo
de comportamento negativo.

No entanto, conseguir controlar as emoções para que o relaciona-


mento seja saudável, é algo que tem de ser feito individualmente,
ou seja, tanto você quanto seu companheiro precisam trabalhar os
sentimentos de modo a exercer maior controle sobre eles, evitando
uma grande turbulência nesse sentido e sabendo como administrá-
-los para que consigam ser mais felizes.

Na lista a seguir, separei algumas dicas importantes que você pode


seguir para que consiga ter maior domínio, fazendo com que sua re-
lação prospere. Confira:

• procure conhecer melhor sua relação e também a você mesmo,


podendo assim refletir melhor sobre seu comportamento e quais
atitudes tomar;
• todo ser humano possui emoções e formas de se comunicar
diversificadas. Portanto, é preciso compreender o que você e o
outro sentem, vendo quais são suas necessidades, procurando
sempre separar o racional do emocional. É isso que gera o equi-
líbrio nas relações;
• saber respeitar as diferenças, afinal, todos temos particularida-
des e, demonstrar respeito por aquelas de quem amamos, signi-
fica ter maior amadurecimento emocional.

Pense nisso: você pôde conhecer os mais diversos tipos de re-


lacionamentos existentes. Veja em qual deles você se enquadra
e busque melhorar, caso ele não esteja fazendo bem para você
ou seu cônjuge.

67
ANDRÉ FERRARI

Para que uma relação seja saudável, é preciso haver empatia, maturi-
dade e respeito de maneira recíproca. Se não houver, provavelmente,
não vale a pena continuar investindo. Se valorize!

Quais valores de uma relação saudável?

Manter uma relação saudável, como já mencionei diversas vezes nes-


te e-book, não é algo fácil.

Investir em relacionamentos pode culminar em estresse, conflitos


e desarmonia. Porém, existem alguns valores ou pilares capazes de
promover o bem-estar e a felicidade do casal.

Estes valores podem permitir que se consiga viver melhor a dois e ter
sabedoria e argumentos para lidar um com o outro.

Por sermos seres socialmente dependentes, precisamos sentir que


somos amados e queridos, ao mesmo tempo em que demonstramos
essas duas características com o acréscimo de nossa habilidade em
criar e estabelecer convívios.

E tudo isso faz com que nossas relações tenham mais qualidade.

Veja então nos próximos tópicos, quais são esses valores, além de
outros pontos que farão com que você seja capaz de perceber como
está sua convivência com os outros e consigo mesmo.

Afeto

Uma das grandes chaves para que se compreenda como conseguir


uma relação saudável, é descobrir o motivo pelo qual você possui
carências afetivas.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Além disso, é preciso entender ainda o que se pode fazer para me-
lhorar e atingir um elevado nível de autossatisfação, afinal, para que
consigamos nos dar bem com outras pessoas, primeiro precisamos
estar bem conosco.

E existem duas formas diferentes de afeto, uma externa, ou seja, que


os outros nos proporcionam através de atitudes como valorização,
aceitação e acolhimento ou a interna.

Neste último caso, agir como nossos melhores amigos, ter uma boa
autoestima, focar no que é positivo e na solução, evitando as críticas
a nós mesmos, é o que fará com que nos amemos mais.

Todos estes fatores podem contribuir de maneira extremamente po-


sitiva para nosso bem-estar e, por consequência, contribuir para que
nosso relacionamento se torne melhor.

Ter empatia

A empatia pode ser definida como a arte de se colocar no lugar do


próximo, se ligando a ele de maneira verdadeira e profunda, demons-
trando todo o nosso carinho e afeto.

Quando estabelecemos um relacionamento onde a empatia não está


presente, ele acaba por se tornar frio e sem propósito, o que pode
acarretar em comportamentos tóxicos.

Portanto, se você deseja resultados positivos em seu relaciona-


mento, procure por em prática esse valor com total sinceridade,
afinal, você provavelmente deseja que seu parceiro aja da mesma
maneira com você.

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ANDRÉ FERRARI

Estabelecer uma boa comunicação

É um fato mais do que comprovado que, em uma relação onde as


pessoas não sabem se comunicar, o desgaste é um resultado prati-
camente certo.

Portanto, conhecer formas de estabelecer uma boa comunicação com


quem está conosco é fundamental para que consiga ser compreendi-
do e possa evitar grandes transtornos.

Porém, tão importante quanto saber se comunicar, é também saber


ouvir. Receber bem a mensagem que nosso parceiro está querendo
transmitir é fundamental para que não aconteçam desentendimen-
tos.

Além disso, esse simples comportamento é capaz de fazer com que a


empatia seja colocada em prática, evitando ainda problemas, brigas,
falta de compreensão, e tudo o mais que um diálogo não estabeleci-
do pode gerar.

Respeitar

O respeito é o principal fator que faz com que deixemos de ter com-
portamentos desprezíveis em relação às pessoas, independente se
forem ou não do nosso convívio.

Ter uma relação saudável não significa que você precise concordar
com tudo o que seu parceiro diz, pensa ou deseja, mas sim saber
respeitar suas vontades, espaço e opiniões.

E isso é algo fundamental para que se consiga procurar um cresci-


mento mútuo e não individual.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Além disso, o respeito faz com que conflitos sejam evitados, permi-
tindo que o amor flua e que as agressões, a dependência emocional
e as expectativas diminuam.

Mas para que consigamos chegar nesse estágio, é preciso que saiba-
mos, em primeiro lugar, respeitar a nós mesmos.

Saber confiar

A confiança é, sem dúvida, uma das bases dos relacionamentos e não


há como ter uma convivência saudável sem que ela esteja presente.

A falta de confiança pode fazer com que a relação passe a se tornar


tóxica, proporcionando mais mal do que bem, desgastando os senti-
mentos e enfraquecendo os vínculos que estavam sendo construídos
com o passar do tempo.

Portanto, trabalhar a confiança é imprescindível para que se consiga


uma relação mais leve, feliz e plena.

Paixão

A paixão, constantemente vivida no começo dos relacionamentos, faz


com que hormônios sejam liberados a fim de que consigamos vi-
ver esse sentimento com mais intensidade, nos deixando felizes na
maioria das vezes.

Um dos maiores valores que se pode ter em uma relação, é fazer com
que a paixão não acabe, seja qual for a quantidade de tempo em que
se está com a pessoa.

É importante tomar atitudes capazes de fazer com que o outro ainda


sinta aquele frio na barriga sempre que se encontrar com você.
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ANDRÉ FERRARI

Porém, o importante neste momento não é investir em coisas que


possuam um valor monetário elevado, mas sim em situações ou ati-
tudes que proporcionarão mais felicidade para ambos.

Harmonia

Por fim, sendo uma das principais bases do relacionamento, este


valor tem total ligação com o equilíbrio, afinal, precisamos muito
destes dois quesitos para que consigamos ter mais amadureci-
mento emocional.

E justamente esse amadurecimento é que irá fazer com que os rela-


cionamentos fluam com mais naturalidade e leveza.

Pense nisso: buscar por estes valores é fundamental para


todos aqueles que desejam estabelecer um relacionamento
mais equilibrado, independente se for uma questão de ami-
zade, familiar ou amorosa.

A importância da família e dos valores para um vínculo afetivo


positivo.

A família em nossa vida se trata de figura significativa capaz de dizer


coisas que podem vir a se tornar verdades absolutas, influenciando
nosso comportamento até mesmo durante a fase adulta.

Por esse motivo é comum que tenhamos constante necessidade de


aprovação destes, encarando seus comentários como orientações,
deixando que estes influenciem em nossas decisões, seja em qual
for a área.

No entanto, a influência da família em alguns casos pode se tor-


nar tóxica, pois a pessoa deixa de tomar atitudes sobre coisas que
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

gostaria de ter realizado e que abriu mão por opinião de pais e


mães, o que faz com que sintam arrependimento de não terem
feito o que queriam.

Porém, ouvir a opinião da família ou de outras pessoas não é proi-


bido, mas deve-se saber que elas não se tratam de uma regra a ser
seguida ou então que, caso você não as faça, passará por reprovação
por parte de quem preza.

Com relação ao que diz respeito a uma vida a dois, as decisões devem
ser tomadas entre o casal. É possível pedir conselhos, mas é o casal
que deverá pesar o que vai funcionar ou não, afinal, os dois vivem
uma vida em comunhão.

E lembre-se de que para ter uma vida saudável, você precisa tomar as
rédeas dela, fazendo suas próprias escolhas e sabendo arcar com as
consequências que elas causam.

Verifique se vale ou não a pena desistir de suas decisões ou re-


pensá-las apenas pela sensação de que poderá magoar quem lhe
aconselhou.

Pense nisso: não permitir que a família tome conta de sua vida
é fundamental para que haja sucesso em seu relacionamento.

Caso você não consiga se libertar de uma vez dessa situação e perce-
ba que isso está prejudicando seu casamento, uma boa saída pode
ser procurar por um psicoterapeuta para lhe aconselhar e mostrar os
caminhos que pode seguir.

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ANDRÉ FERRARI

Recaídas: idas e vindas de um relacionamento

Já ouviu falar sobre casal ioiô? Aquelas que terminam, mas sempre
acabam voltando. Pois bem, as famosas recaídas não acontecem ape-
nas com eles. Na verdade, são bem mais comuns do que imaginamos.

São inúmeros motivos que levam um casal ao término, bem como a


reconciliação. Muitas vezes, o medo da solidão e de conhecer novas
pessoas é o maior combustível para essas voltas.

Dar uma segunda, terceira, quarta ou quinta chance para um relacio-


namento não é tão saudável. Afinal, vocês estarão carregando os me-
dos, brigas e inseguranças de todas as vezes passadas. Já que acabou
antes, será que acabará novamente?

Neste artigo vamos falar mais sobre as recaídas, como evitar e o que
pode acontecer durante essas novas chances. Assim você pode pon-
derar o quanto vale a pena tentar mais uma vez.

Por que terminei?

O primeiro passo ao tratar de uma recaída ou reconciliação é enten-


der o motivo do término. Afinal, são inúmeras possibilidades e ape-
nas ponderando o fim é possível saber se o recomeço é viável.

Por exemplo, você terminou por causa de distância ou de planos di-


ferentes em sua vida, um reencontro pode ser saudável. Ainda mais
porque o impeditivo do relacionamento de vocês não era algo que
ambos faziam.

Já se o relacionamento acabou por brigas e desentendimentos é im-


portante saber se tudo se resolveu. Afinal, não é saudável para nenhum
dos dois reviver todos os erros ou tentar esquecer o que se passou.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

A reconciliação deve acontecer apenas quando tiver a segurança de


que vale a pena. Que erros, brigas e desentendimentos não vão acon-
tecer novamente. Que todo o desgaste da vida em casal acabou.

É preciso que o casal esteja em sintonia e que todas as situações


tenham sido resolvidas para os dois. A vontade de reatar deve ser em
comum e ambos necessitam estar dispostos a fazer dar certo.

A carência me venceu?

Términos nunca são fáceis, ainda mais quando você tem uma longa
vivência de casal. Acostumar a viver sozinho novamente não é tare-
fa simples, especialmente quando dividiam todas as atividades, do
lazer até a própria casa. Antes de aceitar uma recaída é importante
saber se não está apenas deixando a carência falar mais alto. Afinal,
é bem mais simples se relacionar com alguém que já conhece do que
com uma pessoa nova.

Pense se não está apenas com saudade de uma companhia. Tente


encontrar amigos, familiares, até novos amores. Caso ainda perceba
que a ausência é real, pode ser que não seja apenas a carência.

Não esqueça também de trabalhar seu consciente para que ele en-
tenda que tudo bem estar sozinho. E que você não precisa de com-
panhia para ser feliz e principalmente, lembre-se que existem muitas
pessoas bacanas que pode conhecer nesse mundo.

Geralmente a carência é um dos principais gatilhos de recaídas. Então


não se deixe levar pela saudade, porque muitas vezes você pode es-
tar se colocando em uma situação desagradável novamente.

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ANDRÉ FERRARI

Aposte em um recomeço

Para não cair na tentação de uma recaída é preciso encarrar o tér-


mino como um remeço para sua vida. Então a dica é evitar o contato
com o passado e com tudo que te lembre o ex.

Comece evitando contato nas redes sociais, porque se não sempre


vai querer espiar onde ele está e o que está fazendo. Bloqueie ou
deixe de seguir em todas elas, assim não terá um contato direito.

Em seguida apague as fotos e vídeos guardados. Ficar revivendo es-


ses momentos só deixarão você mais insegura se fez a melhor esco-
lha. Também pode ser o gatilho para procurar novamente a pessoa.

Nem precisamos falar que as mensagens e cartas devem ser apagadas,


né? Ter esse contato e lembranças tão vivas podem despertar uma von-
tade de reatar o relacionamento antigo e isso não é uma boa escolha.

Por fim, tente se desfazer ou tirar do seu campo de vista tudo que
possa lembrar o antigo parceiro. Desta forma diminui as chances de
despertar essa vontade de viver novamente algo que já deu errado.

Términos podem ser bons recomeços e te impulsionar a viver expe-


riências diferentes. A conhecer novas pessoas, lugares e até mesmo
a descobrir novas habilidades. É sempre bom se aventurar nesses
períodos.

Devo ser amiga do meu ex?

Como evitar uma recaída? Mantendo a distância do ex! Parece sim-


ples, mas não são todas as mulheres que conseguem colocar isso em
prática. Afinal, quem nunca pensou em dar uma segunda chance para
alguém que já foi especial.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

É normal tentar seguir um padrão de “maturidade” e manter amizade


com o ex. Porém, muitas vezes essa amizade se transforma em como-
dismo e vira e mexe acontece uma recaída.

Para suas amigas você diz que não foi nada, que foi só um beijo, um
dia de carência. Mas a verdade é que novamente está com medo de
ficar sozinha e apostando em algo que não deu certo.

O mais correto, pelo menos no começo, é manter distância e não


tentar nenhum tipo de relação com seu ex. Afinal, decidiram seguir
caminhos diferentes e não faz sentido permanecerem um na vida do
outro.

Segundas chances devem ser levadas a sério

Caso queira dar uma segunda chance é preciso que leve realmente a
sério. Não pense que é só uma ficada ou algo para ver no que dá. É
preciso ter maturidade e ponderar toda a história que já viveu.

Uma segunda chance é a tentativa de melhorar algo conhecido. Ou


seja, vocês já conhecem os erros, o que incomoda um ao outro, o que
não deu certo. Então devem corrigir cada detalhe para que a relação
seja duradoura e agradável.

Levar a segunda chance só como um remember sem nenhum com-


promisso não é saudável. Afinal, em algum momento um dos dois
pode vivenciar um novo relacionamento e alguém sair ainda mais
machucados.

Resumidamente, se for para acontecer uma recaída que seja séria e


que ambos estejam afim. Confira se as expectativas estão alinhadas
antes de ceder a um novo relacionamento para que não tenha novos
rompimentos.
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ANDRÉ FERRARI

É possível dar certo novamente?

Falamos muito sobre o problema das recaídas, mas nada impede


também que o resultado seja positivo. Para isso é preciso, como já
falamos, que as expectativas estejam alinhadas e que o casal esteja
disposto a corrigir o passado.

Neste caso é muito mais que uma recaída e sim uma segunda chance,
um recomeço. Mas é importante analisar tudo o que já comentamos,
por exemplo, se não passa da sua carência ou se é realmente amor.

Há experiências em que a segunda chance resultou em um relacio-


namento duradouro. Que ambos perceberam durante a ausência que
havia amor e aproveitaram a nova tentativa para reconstruir sua his-
tória.

Se está disposta a viver isso, coloque na balança tudo o que viveram


e veja se há mais pontos positivos. Caso a resposta seja positiva, viva
o novo momento como se fosse pela primeira vez.

Esquecer os erros, medos e inseguranças e reescrever uma nova his-


tória é fundamental. Porque viver na sombra do passado pode fazer
com que o fim seja novamente o mesmo.

Tire um tempo para você e analise tudo o que viveu. Essa decisão só
pode ser tomada pelo casal. Afinal, apenas os dois sabem tudo que
realmente aconteceu e o que sentem um pelo outro.

Como não ter recaídas?

Mas se você analisou toda a história e já sabe que não quer viver uma
recaída é preciso mudar. Dizer adeus a velhos hábitos e situações que
podem apenas machucá-la mais uma vez.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Para não ter recaídas há algumas atitudes que podem ser adotadas.
Inclusive já citamos anteriormente. Mas vamos fazer um resumão
para que coloque em prática e diga oi para uma nova vida.

Após o término é importante você entender que realmente acabou. O


primeiro passo é dizer adeus para tudo que te lembra aquela pessoa.
Aliás, se vocês dividiam a mesma casa, mudar alguns móveis e deco-
rações pode ajudar muito.

Nas redes sociais diga adeus a ele ou a amigos muito próximos dele.
Não ver mais nada é uma forma de não despertar aquele interesse
de: será que ele está melhor sem mim? O que está fazendo?

Descubra coisas novas e mostre a você mesma que há outras pessoas


no mundo. Por exemplo, teste outros lugares para passear, faça aven-
turas diferentes, tente até mesmo viajar e respirar novos ares.

Evite viver uma fossa sem fim. É preciso sentir a dor do término, mas
ela não pode te mover por muito tempo. Então, adicione afazeres na
sua agenda e ocupe seu tempo. Como diziam os antigos, mente vazia
é oficina do diabo.

Feito tudo isso, se ainda assim a vontade de mandar mensagem, de


tentar novamente bater, procure suas amigas, faça algo novo. Lem-
bre-se sempre do que te motivou a terminar e tenha expectativas
diferentes.

Trace planos para sua vida e que te motivem a todo o dia buscar algo
novo. Seja no trabalho, na vida amorosa ou pessoal. Esteja disposta
a agarrar as oportunidades que surgirem e não deixe o medo te aco-
modar jamais.

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ANDRÉ FERRARI

Quando vale a pena recomeçar?

Quando um relacionamento chega ao fim, é comum que as pesso-


as tenham aquela sensação de perda. É nesse momento que muitos
costumam se aproximar novamente para uma nova tentativa.

No entanto, o final feliz não depende exclusivamente da boa vontade


que o casal tem e do amor que sentem um pelo outro, uma vez que
isso não se trata de um filme e sim da vida real.

Existem diversos fatores que precisam ser levados em conta para que
o relacionamento passe a funcionar, e um dos principais é descobrir
qual seria a causa da separação.

São inúmeros os problemas que podem fazer com que um relaciona-


mento chegue ao fim, e para que se descubra se vale a pena reatar, é
preciso fazer uma análise minuciosa de cada um deles.

Sem isso, o relacionamento vai voltar a ser como era antes, indepen-
dente da quantidade de tentativas que se faça, gerando frustração,
raiva e diversos outros sentimentos negativos.

Veja quais são as razões na lista a seguir:

• incompatibilidade de gênios;
• valores diferentes;
• comunicação com falhas;
• dificuldades financeiras;
• expectativas diferentes.
É importante que ambos aproveitem o tempo de separação para re-
fletir sobre todos estes pontos e conversar sobre sua disponibilidade
de mudança para que possam fazer uma nova tentativa de recomeço.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Como o fim de uma relação é algo que depende dos dois, a reconci-
liação também deve ser um comum acordo, ou seja, o casal como um
todo deve buscar um equilíbrio.

Portanto, voltar apenas pela empolgação, saudade ou desespero


não funciona. É fundamental que as atitudes sejam repensadas, des-
cobrindo o que cada um pode dar de melhor para a convivência.

Agora, alguns pontos podem ser sinais de que um recomeço traga


novamente o desgaste no relacionamento e por consequência, um
novo término.

Um desses passos é a mágoa ou o ressentimento. Se esses sentimen-


tos ainda existem, se estão mal resolvidos, o amor e a vontade de
tentar novamente não irão bastar.

Neste caso, é preciso pensar bastante sobre a decisão que deverá


tomar para que o incômodo não surja novamente, de modo a es-
tragar a relação.

Outro motivo que pode levar a um recomeço frustrado é o fato de fa-


miliares e amigos fazerem pressão para que o casal volte. No entanto,
você deve ter em mente que quem irá viver a relação é você. Portanto,
somente você tem capacidade para entender o que a união significa
verdadeiramente.

Por fim, viver com a pessoa somente pelo fato de não ter encontrado
substituto melhor, com medo de estar sozinho, é um grave erro, pois
a felicidade não depende de outra pessoa.

É preciso que você consiga ser feliz sozinho para compartilhar com quem
ama, e não usar seu companheiro como uma espécie de muleta. E acre-
dite, esse é o motivo que mais desgasta diversos relacionamentos.
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ANDRÉ FERRARI

Uma boa maneira de começar a ter uma percepção de seus senti-


mentos é notar se a saudade que vem é da pessoa em si ou dos
momentos de companhia que ela proporcionava, como passeios ao
cinema, em festas, restaurantes, etc.

Pense nisso: analisar o que se sente é fundamental para des-


cobrir se existe mesmo o amor e se um recomeço pode ser
benéfico para o casal.

O próximo passo é refletir sobre os problemas que aconteciam e que


causaram o término, para que se entenda se é possível mudar e se é
desejo seu fazer isso.

Lembre-se de que não vale a pena investir em algo que poderá trazer
ainda mais dor e sofrimento para ambos.

Relacionamento desgastado, é possível recuperar?

É muito comum vermos casais de namorados ou de pessoas que re-


alizaram o sacramento do matrimônio sofrerem com o desgaste do
relacionamento com o passar do tempo.

Quando se chega nessa situação, é comum que ambos se perguntem


de quem é a culpa pelo fracasso. A grande verdade é que os dois
foram responsáveis por permitir que o relacionamento atingisse tal
patamar.

Mas a boa notícia é que é possível reverter essa situação, caso isso
seja de comum acordo entre o casal, colocando alguns passos em
prática e tendo o ingrediente principal: compromisso.

Existem cinco diferentes sinais, os quais são os mais recorrentes, que


você pode observar em seu convívio com o parceiro para descobrir
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

se é possível tentar investir em uma recuperação. Veja quais são eles


na lista a seguir:

• quando você muda para agradar seu companheiro: esse não é


um sinal de amor, mas sim de insegurança e de que a relação po-
derá se desgastar. Ceder às vezes não é errado, desde que a outra
pessoa faça o mesmo por você, ou seja, que você não se anule
por causa dela. Seja autêntico;
• se incomoda com brincadeiras: ter brincadeiras em uma relação
é normal e pode até ser saudável, quando ambos se divertem
com elas. No entanto, quando começam a ser ofensivas ou que
pessoas de fora passem a percebê-las, é o momento de repensar
a situação;
• quando sua opinião deixa de ser importante: chega um momento
na relação em que suas opiniões começam a não valer mais, ou
seja, você só frequenta os lugares que seu parceiro gosta, come
ou bebe o que ele quer, etc. Este é um sinal clássico de anulação
e de relacionamento desgastado;
• quando falta intimidade: se a relação está em um ponto onde
vocês não têm mais momentos íntimos, pois acreditam que isso
é para pessoas jovens, é hora de avaliar o que pode ser melho-
rado, afinal, um casal que não passa por esse tipo de momento
se torna apenas amigo. Mas tenha ciência de que o excesso de
intimidade também pode ser prejudicial e fazer com que vocês
anulem suas vidas em prol deste comportamento;
• quando se tem dúvidas: às vezes não saber o que se quer é nor-
mal, mas quando isso persiste entre você e seu companheiro,
pode ser um sinal de desgaste da relação.

Estes são apenas alguns dos muitos sinais capazes de se fazer per-
ceber que algo na relação precisa ser modificado para que ela possa
continuar fluindo e volte a ser feliz, leve e plena.

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ANDRÉ FERRARI

Mas em relacionamentos prósperos, é possível encontrar compor-


tamentos padrões, que fazem com que se consiga ter uma convi-
vência bem-sucedida, ou seja, em relações que perduram por toda
a vida, praticamente.

Um deles é saber o que se quer dentro do relacionamento ou tam-


bém na vida de cada um, em seu particular.

Não olhar para a mesma direção, não chegar a um acordo sobre o


que ambos querem ou não é algo que pode terminar em traição ou
até mesmo com o fim do relacionamento.

Outros dois pontos que já falei para vocês aqui neste e-Book é sobre
o respeito, em primeiro lugar a você mesmo e depois sobre seu com-
panheiro e também estabelecer uma boa comunicação, ouvindo sem
julgamentos por completo.

Estes são fatores-chave para que se consiga chegar a um acordo e


obter a tão sonhada plenitude no seu relacionamento.

Revertendo seu relacionamento desgastado

Agora que você já viu os principais sinais de desgaste e também quais


os comportamentos mais comuns, adotados por pessoas que conse-
guem uma relação próspera e longa, é o momento de saber o que se
pode fazer para que ele seja recuperado.

Veja algumas dicas na lista a seguir:

• mudar para ser melhor: querer se abrir para novas experiências


pode ser algo positivo, porém a diferença está no fato de que isso
deve partir da sua vontade de crescer, evoluir e não do desejo de
ser aceito por alguém, ou seja, deve ser algo que parte de dentro
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

para fora e saiba que, quando você procura essas mudanças, o


relacionamento também se modifica;
• procure dar espaço: quando isso acontece, você e seu cônjuge
começam a fazer coisas que gostem sem necessariamente esta-
rem grudados um no outro. Isso faz com que ele sinta sua falta, te
procure e o mesmo possa acontecer contigo, você sentir saudade
dele e querer procurá-lo. Essa pode ser uma oportunidade para
resgatar o relacionamento;
• respeite para ser respeitado: o primeiro passo, como já disse, é
respeitar a você, depois o seu companheiro e por fim, quaisquer
outras pessoas. Portanto, para que tenha respeito, é preciso agir
da mesma forma. E isso vale para tudo na vida;
• saia da rotina: é fundamental para que a relação ganhe um novo
fôlego, que o casal procure fazer coisas diferentes, seja a prática
de um esporte juntos, assistir a um filme com temática diferen-
te, ter intimidade de maneira nunca experimentada antes, desde
que não seja nada combinado e sim algo espontâneo;
• saber o que quer de fato: não adianta nada seguir as dicas ante-
riores se você não tiver total certeza sobre o que quer para sua
relação. Portanto, é fundamental que você saiba bem sobre isso.

Pense nisso: é importante analisar com total cautela todos es-


ses comportamentos para entender se seu relacionamento está
desgastado e precisa de mudanças.

Porém, estas dicas de recuperação não são exclusivas para relações


que passam por dificuldades.

Elas podem ser bastante úteis para prevenir que a convivência che-
gue a este estágio. Portanto, você pode usá-las em sua vida para que
seu relacionamento melhore ainda mais.

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ANDRÉ FERRARI

Como manter uma relação saudável e duradoura?

Ter uma relação saudável, que seja capaz de perdurar por muitos anos
e traga momentos de muita felicidade pode não ser uma tarefa fácil.

Porém, diversos pontos existem, os quais sempre que seguidos de


maneira adequada podem fazer com que o casal atinja esse objetivo
com total eficiência.

Nos próximos tópicos você confere quais são eles, e como podem fa-
zer com que o relacionamento progrida ou desabe de uma vez. Con-
fira e descubra como poderá melhorar ainda mais a sua convivência
com seu parceiro.

Procure alguém com interesses semelhantes aos seus

Ter interesses ou valores semelhantes é algo fundamental para que


o relacionamento funcione e seja duradouro. Um exemplo é quando
um dos dois deseja estruturar uma relação monogâmica, mas o outro
quer algo aberto e não pretende se entregar por inteiro.

Essa é uma situação em que não existem chances de o relaciona-


mento funcionar a longo prazo, afinal cada um deseja algo diferente,
causando conflitos na maioria das vezes.

Em questões que envolvem dinheiro, criação dos filhos ou saúde é


fundamental que o casal tenha pontos de vista em comum ou então
que, quando houver contradição, um saiba aceitar a opinião do outro
e consiga ceder em determinados momentos.

Essa é uma das melhores formas de evitar que ressentimentos possam


se converter em brigas, fato que pode acabar desgastando a relação.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Não permita que o romance acabe

Muitos sabem que o amor e os relacionamentos tendem a passar por


momentos diferentes com o passar do tempo e, caso o romance não
seja estimulado, a tendência de permitir que se caia em uma rotina e
que o sentimento esfrie se torna muito grande.

Para que a companhia um do outro não comece a se tornar um tédio,


é importante fazer atividades que demonstrem o interesse em man-
ter o romance vivo. E não precisam ser jantares em restaurantes caros
ou qualquer outra coisa nesse sentido.

Basta um simples momento juntos, assistindo ao pôr-do-sol acon-


chegados um ao outro, saborear um vinho enquanto têm uma con-
versa agradável, aproveitar um filme que os dois apreciem, passear
ao ar livre de mãos dadas, enfim, quaisquer coisas que sejam agradá-
veis aos dois podem valer a pena nesse caso.

Outro ponto extremamente importante e que contribui muito para


que se tenha uma relação a longo prazo, é ter momentos de diver-
são, onde o casal possa rir junto, compartilhando o mesmo senso de
humor.

Lembre-se que a descontração deve fazer parte da convivência, de


modo a evitar que ela se torne pesada e tensa.

Fazer com que seu parceiro se sinta importante

Quando uma das pessoas no relacionamento começa a sentir que


está ficando em segundo plano em relação à família, amigos e traba-
lho tem a tendência de acreditar que está sendo menos amado do
que gostaria.

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ANDRÉ FERRARI

Portanto, um grande segredo que faz com que o relacionamento


seja feliz e saudável, é ser quente ao invés de frio e distante. Procu-
re demonstrar seu afeto com amor verdadeiro e aproveite para dizer
que o ama com espontaneidade e procure sempre estar disponível
quando ele precisar.

Saiba que coisas pequenas podem fazer a diferença

Existem muitas coisas que fazemos em nosso dia a dia, que julgamos
serem pequenas, mas que para nosso companheiro pode ser algo
grande, como deixar toalhas molhadas sobre a cama, não guardar os
sapatos ao descalçá-los, etc.

Se essas coisas são capazes de irritar quem está conosco, devemos


parar de praticá-las para que o outro não se sinta incomodado. No
entanto, é preciso ter um equilíbrio, afinal, o excesso de agrado po-
derá transformar um em capacho do outro.

Além disso, algumas coisas simples podem fazer toda a diferença em


um relacionamento, como abraçar, dizer que o ama, demonstrar seu
carinho, dizer que sente muito após uma discussão ou quando existe
algum problema ou dificuldade.

Essas simples atitudes podem evitar ressentimentos e fazer com que


o relacionamento conquiste uma base sólida e consiga a felicidade.

Tenham interesses em comum

É fato que os casais precisam ter ao menos um interesse em comum


para que consigam fazer atividades agradáveis juntos, pois quando
não se tem absolutamente nada para compartilhar, a relação pode se
tornar insustentável.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

É claro que você e seu parceiro não precisam abrir mão de seus há-
bitos pessoais. Ter momentos individuais também é algo importante,
pois não devemos depender exclusivamente de nosso companheiro
para que sejamos felizes.

Na verdade, é fundamental sermos felizes para então comparti-


lharmos esse sentimento com quem amamos. Por esse motivo, ter
interesses fora do relacionamento, mantendo sempre o respeito é
muito importante.

Faça agrados ao seu parceiro

Você se lembra das pequenas coisas mencionadas anteriormente?


Então, dar pequenos presentes também faz parte disso e ajuda a for-
talecer o relacionamento.

Você pode enviar flores, cartas, bombons, bilhetes românticos, coisas


simples que vão demonstrar seu amor. Porém, lembre-se de que a
sinceridade deve prevalecer durante toda a relação.

Além disso, você deve tomar cuidado para que isso não sufoque a
pessoa com os agrados em exagero.

Faça as pazes rapidamente e não dê golpes baixos

Se há algo capaz de minar o relacionamento são as discussões longas


e desagradáveis, seguidas por demorados períodos onde não se dá o
braço a torcer, pedindo perdão e procurando fazer as pazes.

Não brigue se for para ferir seu parceiro, tanto de maneira física
quanto emocional e procure sempre pedir desculpas imediatamente
quando estiver errado ou simplesmente sentir a necessidade.

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ANDRÉ FERRARI

Tenha respeito

Existem diversos critérios que são indispensáveis para que se consiga


um relacionamento feliz e duradouro, dentre eles estão o respeito, a
bondade, a dignidade e a consideração, visto que ninguém gosta de ser
vítima de comentários maliciosos, críticas ou palavras desagradáveis,
as quais são capazes de fazer com que o amor acabe rapidamente.

Procurar maneiras de dizer o que lhe incomoda sem que magoe os


sentimentos e a autoestima de seu companheiro é um grande sinal
de amadurecimento emocional e faz com que a relação se fortaleça.

Saiba apoiar

Dar apoio, seja ele espiritual, físico ou emocional, é muito importante para
que você demonstre que se preocupa com a vida e bem-estar de quem
ama. Além disso, procure incentivar por meio de atitudes ou palavras. Se
ele participa de algum esporte ou atividade, vá assistir aos jogos ou apre-
sentações, dê atenção quando ele precisar desabafar, cuide quando ele
estiver doente. Faça isso e você verá o quanto os laços serão fortalecidos.

Valorize quem você ama

Uma das principais razões que levam muitos casamentos ao fim é o


fato de que pelo menos um dos parceiros não se sente mais valori-
zado pelo outro. Se este é o seu caso, procure mudar. Faça com que
seu companheiro volte a se sentir a pessoa mais especial do mundo!

Pense nisso: todos estes pontos são importantes para que o re-
lacionamento consiga se tornar duradouro e saudável. Portanto,
se você não tiver o hábito de praticar todos eles em seu dia a dia,
procure incorporá-los e perceba como sua relação irá se tornar
mais agradável e feliz!
90
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

5 coisas que podem estar faltando na sua relação

Fazer com que uma relação prospere, seja leve, feliz e atinja a ple-
nitude pode não ser algo fácil de conseguir. Existem algumas coisas
que, quando faltam durante a convivência do casal, podem prejudicar
ainda mais o sentimento conquistado com tanto cuidado.

Nos próximos tópicos você encontrará cinco destas coisas, de modo


a repensar seu comportamento e verificar se elas estão fazendo
parte de sua vida.

Atenção

Dar atenção ao seu companheiro é fundamental para que ele se sinta


parte importante dentro do relacionamento. Quando isso não acon-
tece, é como se a outra pessoa deixasse de existir.

Além disso, a falta de atenção pode ainda fazer com que o outro pas-
se a se sentir sozinho, e isso é algo extremamente prejudicial para o
relacionamento e mais ainda para o emocional de quem se ama.

Admitir os erros

Errar é algo que está diretamente ligado com o ser humano, princi-
palmente com aquele que tenta, pois quem arrisca está suscetível a
cometer enganos. Mas o problema está em não admitir que errou.

Estar sempre certo dentro do relacionamento, ou seja, nunca dar o


braço a torcer e pedir desculpas, pode ser algo que vai minando a
convivência gradativamente, até que ela comece a se tornar insus-
tentável e chegue ao fim.

91
ANDRÉ FERRARI

Para evitar esse resultado, deixe o egoísmo de lado e procure ser


maduro o suficiente para admitir os seus erros. Tenho certeza que, ao
fazer isso, você vai sentir o quanto sua relação irá melhorar.

Dar carinho

Dar carinho não significa apenas fazer gestos físicos, mas sim de-
monstrar por meio de suas atitudes que ama quem está com você.
Isso é uma excelente maneira de alimentar a relação e tornar vivo o
sentimento mais puro que existe: o amor.

Um bom exemplo de carinho não físico é a dedicação. Mostrar que


você se importa e que a pessoa e o relacionamento são especiais
para você é fundamental para que ambos continuem satisfeitos e
que a convivência seja mais significativa.

Portanto, se você nutre esse sentimento por seu companheiro, passe


a demonstrar. Você só tende a ganhar com esse grande gesto.

Ter paciência

Uma das chaves para um relacionamento saudável é ter paciência.


Sem ela, as coisas pequenas que acontecem com a convivência po-
dem acabar se tornando gigantescas e isso também tem o poder de
gerar o fim de algo que poderia ser duradouro.

No entanto, coisas capazes de fazer com que o companheiro perca a


paciência, como promover reclamações constantes devem ser evita-
das. Afinal, não adianta exigir que o cônjuge seja nutrido desta gran-
de virtude, mas continuarmos agindo de modo a provocar a irritação
de quem está conosco.

92
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Se algo está causando incômodo, é fundamental que se converse a


respeito para que os problemas referentes ao relacionamento sejam
expostos de maneira limpa, e não jogados de qualquer forma, com a
entonação de reclamação.

Ser leal

A lealdade em um relacionamento é nada mais nada menos que uma


obrigação de ambos. Praticar flertes com outras pessoas mesmo se
isso aconteça à distância, é uma total falta de respeito com seu com-
panheiro, sendo uma forte razão para gerar mágoas.

Agir dessa maneira é a mesma coisa que deixar transparecer para


quem é de fora, que seu relacionamento não existe.

A traição de fato, é algo capaz de fazer com que o amor acabe no


mesmo momento, gerando ainda mais dor, sofrimento, raiva e mágoa.
Portanto, se for entrar em uma relação, procure pensar que isso não
deve estar em sua mente em hipótese alguma.

Se alguma dessas coisas está faltando em sua relação, é fundamental


que você corra atrás de colocá-las em prática.

Afinal, estar em comunhão com outra pessoa significa que devemos


nos dedicar a ela, agindo de modo a fazer com que ela se sinta bem,
confortável e possa estar feliz.

Qualquer outra coisa que represente o contrário disso deve ser evita-
da imediatamente para que haja prosperidade.

93
ANDRÉ FERRARI

Atitudes que podem deteriorar sua relação.

Manter uma relação de longa data sem muitas brigas, pacífica e re-
cheada de amor é o sonho de muitos casais, mas pode ser também o
maior desafio que costumam enfrentar.

E após muitos anos de análise, pesquisadores norte-americanos con-


seguiram encontrar quatro possíveis motivos que fazem com que as
relações se deteriorem e outros tantos que podem fazer com que ela
evolua e se fortaleça.

Ser capaz de detectar esses problemas e mudar a dinâmica do casal


pode fazer com que o relacionamento dure por muito mais tempo,
por que não dizer para a vida toda? Confira!

Atitudes destrutivas

Segundo a pesquisa realizada, as atitudes chamadas “venenosas”,


que podem deteriorar a relação são a crítica, o desprezo, a autopro-
teção e o silêncio.

Quando se faz críticas desmedidas, ou seja, de forma excessiva, a ví-


tima acaba por acreditar que sua personalidade, comportamento ou
natureza são atacadas. E esse é o primeiro sinal de que a relação está
indo por água abaixo.

O segundo motivo que leva à ruína de muitos casais é o desprezo,


o mais forte dentre estes venenos, isso ocorre uma vez que se trata
de uma atitude alimentada por pensamentos negativos nutridos em
relação ao companheiro, que ficaram guardados por muito tempo.

Já a autoproteção é a mesma coisa que estar sempre na defensiva. E


esta atitude leva muitas pessoas a buscarem jogar a culpa no outro,
94
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

afinal é mais fácil seguir pelo caminho da autodefesa do que admitir


suas próprias falhas.

Portanto, a autoproteção acaba sendo um dos venenos mais comuns


quando se trata de deterioração da convivência entre pessoas.

Por fim, quando o parceiro se dá conta de que não consegue lidar


com os três venenos citados anteriormente, começa a colocar em
prática o silêncio.

Essa característica se dá através de ações, como fingir que está


ocupado ou virar as costas para o outro, para que conflitos possam
ser evitados.

Porém, essa atitude pode apenas parecer que significa indiferença.


No entanto, quem costuma tomá-la mantém seus canais de comuni-
cação fechados.

E esse descontrole é completamente prejudicial, pois faz com que o


organismo passe por uma sobrecarga.

Evitando esses venenos

Durante a pesquisa, foram encontradas diversas formas de fazer com


que esses venenos fossem evitados, o que significa que os relaciona-
mentos podem deixar de ser tóxicos para se tornarem mais confortá-
veis e leves, fazendo ainda com que os casais consigam melhorar sua
intimidade e superar estes e outros problemas.

A primeira forma encontrada para que haja uma melhora significa-


tiva é demonstrar que se está insatisfeito, sem que jogue a culpa
no outro.

95
ANDRÉ FERRARI

Muitas pessoas costumam dizer o seguinte: “você só quer falar so-


bre si!” Porém, outra abordagem, seguindo os métodos utilizados
durante o estudo e que podem tornar esse momento menos agres-
sivo é: “agora eu gostaria de falar um pouco sobre o meu dia”, ou
“sinto-me ignorado”.

Essa simples mudança de abordagem já pode surtir um efeito gigan-


tesco para que o diálogo seja mais agradável.

Outro ponto muito importante, o qual já foi mencionado neste livro é


deixar transparecer seu carinho e afeto pela pessoa. Procure sempre
enfatizar as características positivas que seu amor possui.

Além disso, assumir a responsabilidade, mesmo que não esteja de


acordo ou que você esteja certo, pode fazer com que o relacionamen-
to funcione, afinal, você está dando o braço a torcer e evitando que a
discussão se prolongue, o que muitas vezes é feito sem necessidade.

E por falar em discussões desnecessárias ou cheias de agressividade,


uma última dica é esperar um tempo (cerca de 20 minutos), respirar,
acalmar seus batimentos cardíacos, para que então inicie o diálogo.

Isso possibilita que os ânimos se abaixem, permitindo que se tenha


maior controle sobre atitudes que em geral seriam tomadas de ma-
neira impulsiva e que poderiam gerar mágoas.

Amar alguém significa querer que a pessoa esteja bem e feliz ao nos-
so lado, para que possa compartilhar nossos momentos de alegria.

Quando deixamos que os venenos tomem conta da relação, esta-


mos permitindo que se estabeleça um distanciamento entre nós e
quem está conosco, ao invés de criar laços e aumentar a proximi-
dade e intimidade.
96
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

A ciência explica: Nunca durma brigado com seu parceiro.

Você já deve ter ouvido pessoas mais experientes falarem que não
se deve ir dormir sem que antes tenha feito as pazes com seu par-
ceiro, certo?

Pois saiba que isso se tornou fonte de pesquisa científica, a qual for-
nece uma explicação concreta. Veja!

Brigas e discussões costumam fazer com que sequelas futuras sejam


mantidas, mesmo que haja o perdão e aceitação, pois nossa mente
cuida de guardar informações ou lembranças que causaram dor.

É comum ter a crença de que, deixar passar uma noite de sono, para
que se consiga refletir sobre o motivo da briga e no dia seguinte ter
ideias mais claras sobre como resolver o que foi discutido pode ser a
melhor alternativa.

Porém, tentar solucionar os conflitos a fim de evitar que eles se pro-


longuem, ou seja, não os deixar inacabados, pode ser também muito
importante para que se crie uma boa convivência.

A boa notícia é que a ciência explica que tipo de comportamento,


pode ser mais eficiente para que se consiga uma reconciliação e por
consequência uma relação muito mais duradoura.

O que acontece é que as ameaças vivenciadas podem causar traumas


emocionais em nossas vidas, gerando um tipo de ansiedade conheci-
do como transtorno de estresse pós-traumático.

E isso é o que faz com que memórias dolorosas não sejam suprimi-
das pelo cérebro durante o sono, afinal ele ajuda no processamento
das informações do dia, deixando tudo armazenado na memória.
97
ANDRÉ FERRARI

As informações que julgamos negativas são as mais difíceis de


esquecer e podem deixar sentimentos de inquietação como medo,
dor, tristeza, etc.

Por esse motivo, resolver os conflitos antes de dormir, evitando que


se acumule sentimento de raiva ou outras emoções em nossa mente
é fundamental para o bem-estar do casal e de você mesmo.

Afinal, não é de nossa vontade que tenhamos nossas memórias


relacionadas ao ser amado, alteradas por sentimentos ruins ou
destrutivos.

Mediante o resultado deste estudo, pode-se concluir que aguardar


uma noite de sono para que decisões sejam tomadas em relação aos
conflitos que o casal vivencia pode não ser a melhor opção.

Portanto, evite o acúmulo de sentimentos como raiva e tristeza,


buscando solucionar o que é preciso, no momento em que os con-
frontos acontecem.

Essa é a melhor saída para que o casal tenha seus laços fortalecidos.

Sinais fatais que seu companheiro não te ama mais.

Qualquer pessoa, seja homem ou mulher, precisa sentir amor por seu
companheiro, para que o relacionamento funcione, seja feliz e prós-
pero. Mas algumas mulheres conseguem enxergar o amor em lugares
onde ele não está presente.

No entanto, há dez sinais bastante claros que demonstram que


seu companheiro deixou de te amar. Veja quais são eles nos pró-
ximos tópicos.

98
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Demonstrar carinho e dizer palavras ternas

Deixar transparecer que amamos alguém compreende dizermos pa-


lavras ternas e darmos carinho, abraços, etc. E tratar por apelidos
como chuchuzino, benzinho, amor, entre outros, faz com que se crie
uma atmosfera extremamente especial, íntima, compartilhada ape-
nas entre o casal.

Em geral, a escolha destes nomes carinhosos acontece de maneira


inconsciente e demonstra o quão equilibrado o relacionamento está
sendo e também como é o tratamento entre os dois.

Devido ao fato de que os homens têm tanta necessidade de carinho


quanto as mulheres, podem ser três vezes mais felizes quando abra-
çam e beijam suas companheiras.

Quando essa demonstração de afeto não acontece, ou seja, se ele se fe-


cha toda vez que você procura esse tipo de contato, pode não ser apenas
sinais de uma pessoa durona, mas sim de que os sentimentos esfriaram.

Crítica à aparência

Quando se ama verdadeiramente uma pessoa, pouco importa a apa-


rência que se tenha, quanto pesa ou que roupas usa, ela continuará
sempre te achando linda.

No entanto, quando seu companheiro vive insinuando que você pre-


cisa frequentar academia ou realizar cirurgias plásticas, pode ser um
sinal claro de que ele não lhe ama verdadeiramente.

Portanto, não se preocupe tanto em agradá-lo. Pense em fazer isso a


você mesma. Afinal, caso vocês continuem juntos, sempre haverá algo
que cause insatisfação e seja motivo de crítica.
99
ANDRÉ FERRARI

Conversar sobre seus defeitos com amigos

Uma tendência que as mulheres podem ter é de conversar sobre o


relacionamento com as amigas, enquanto os homens preferem não
ter esse tipo de interação.

Porém, quando seu parceiro começa a fazer comentários maliciosos


sobre seus defeitos, ao invés de salientar suas qualidades, é sinal de
que o amor acabou.

Afinal, uma pessoa que ama se preocupa em manter o foco nas virtu-
des que a outra possui.

As críticas feitas publicamente são simplesmente uma demonstração


de falta de respeito e de que se quer mostrar aos outros e a si mesmo
que é sua culpa, o fato de ele não te amar mais.

A forma de encarar seus hábitos

Homens e mulheres costumam ter hábitos diferentes, os quais po-


dem ser encarados como características estranhas, como deixar rou-
pas espalhadas pela casa, se dedicar muito tempo ao banho ou a
uma conversa ao telefone, etc.

Porém, quando o amor existe, todo isso é visto com naturalidade,


sendo fácil de suportar em silêncio ou agindo com bom humor.

No entanto, quando se começa a promover comentários constantes,


devido ao incômodo com coisas pequenas, o que está prevalecendo
é a irritação.

100
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

A atenção dispensada em conversas

Em geral, um homem consegue dispor de apenas seis minutos de


atenção antes que comece a se dispersar. Portanto, tudo o que for
sério, que tenha relação com seu dia, dificuldades ou insatisfações
quanto à relação deve ser dito de forma breve e direta.

O homem poderá fazer um esforço para que continue prestando aten-


ção. Porém, o sinal de falta de amor se dá quando ele não dispensa
sequer um minuto para te ouvir, mudando de assunto ou virando as
costas para fazer outras coisas.

Isso significa que ele não tem interesse em suas preocupações nem
em tentar resolver possíveis problemas.

Reações com relação aos sentimentos femininos

As lágrimas que as mulheres liberam possuem uma substância capaz


de reduzir o nível de testosterona e do desejo sexual nos homens, o
que faz com que eles tenham dificuldade em suportá-las.

Isso gera neles uma grande vontade de fugir ao ver uma mulher cho-
rando. Porém, com amor de verdade, eles irão suportar tudo, fazendo
com que você se sinta consolada, mesmo que não acredite que o
motivo de suas lágrimas seja sério.

No entanto, se ele não nutrir esse sentimento por você, o fato de


chorar só fará com que ele sinta ainda mais raiva.

101
ANDRÉ FERRARI

Flertar e trocar mensagens amorosas

Flertar em um relacionamento pode ser uma excelente estratégia


para fazer com que a chama continue acesa, mesmo após muitos
anos de convivência.

Você pode enviar fotos lúdicas, sensuais, mensagens carinhosas


ou quaisquer outras coisas que possam despertar novamente o
interesse de seu parceiro. Porém, é fundamental que ambos res-
pondam ao flerte.

Mas se você já enviou diversas coisas diferentes e não obteve uma


resposta satisfatória por parte de seu parceiro, esqueça essa estraté-
gia e procure manter uma conversa franca, pois isso pode ser sinal de
que o sentimento esfriou.

Como ele reage aos pedidos

Um homem apaixonado sempre vai colocar os pedidos de quem ama


em primeiro plano, deixando aqueles feitos por amigos e parentes
não muito presentes para depois. E isso acontece pelo fato de que
eles gostam de ajudar as mulheres, o que dá a chance de demonstrar
sua força e responsabilidade.

Porém, o fato é que ele não deve permitir que você cuide sozinha
da tarefa que solicitou, como por exemplo, trocar uma torneira que
goteja ou uma lâmpada queimada, enfim, é possível que você precise
chamar um especialista, mas o amor de seu companheiro fará com
que ele se disponibilize ao menos a tentar.

Qualquer coisa contrária a isso, pode significar falta de amor.

102
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Ciúme

O ciúme é algo natural aos seres humanos, pois queremos sempre


defender quem amamos contra possíveis ameaças de outras pesso-
as. No entanto, o excesso desse sentimento pode ser bastante pre-
judicial.

Acontece que a falta dele também é!

Homens que não demonstram nem um pouco de ciúme de sua com-


panheira estão afirmando que se sentem indiferentes quanto ao fato
de outros se interessarem por ela, o que significa que não fará falta
se ela for embora.

Portanto, ciúme igualado a zero pode ser um sinal claro de falta


de amor.

Proteção

Outro comportamento muito natural ao homem é querer proteger


quem ama. E como no mundo de hoje diversos perigos ainda exis-
tem, é natural que o companheiro se sinta preocupado com você em
determinadas situações causadoras de riscos.

Essa proteção pode se dar por uma simples ligação, caso ele não
consiga estar próximo no momento. Isso faz com que eles se sintam
como super-heróis, mesmo que queiram protegê-la de um perigo
imaginário.

Mas quando seu companheiro não fornece proteção neste tipo de


situação, pode significar que ele não se importa com você ou que se
trata de um covarde, o que não é bom para o relacionamento como
um todo.
103
ANDRÉ FERRARI

Pense nisso: se o amor é o principal sentimento capaz de sus-


tentar uma relação, insistir em uma convivência onde ele não
está presente vale a pena?

Às vezes é melhor dar um tempo, repensar sobre o que se sente e


analisar se ambos têm interesse e disponibilidade de promover mu-
danças em prol de uma relação mais saudável e duradoura.

Se este é o seu caso, aproveite para analisar que tipo de convivência


tem com seu parceiro, verifique se é da vontade de ambos lutarem
para que o amor prevaleça e a união perdure com felicidade, leveza e
plenitude e faça tudo que beneficie ambos enquanto um casal.

Esqueçam os joguinhos, as crises de ciúme, a agressividade e tudo o


mais que prejudique esse sentimento puro.

Lembre-se de que você é responsável pelas mudanças que deseja


promover em uma relação, independente se for amorosa, familiar, de
amizade, etc.

E assuma o controle dos seus sentimentos hoje. Você pode muito mais!

104
Capítulo III

Homem Abusivo
X
Homem de Alto Valor
ANDRÉ FERRARI

Como Reconhecer um Homem de alto valor.

Se você está cansado de se relacionar com homens que parecem


crianças, preste atenção nas dicas deste nosso artigo especial. É ver-
dade que pode ser frustrante amar alguém que é imaturo e infantil,
portanto, vamos mostrar elementos para evitar esse tipo de pessoa e
manter um relacionamento saudável com a pessoa certa.

Relacionamento Saudável: como reconhecer um homem maduro

Procure alguém que compartilhe seus interesses, objetivos e valores


semelhantes para construir o futuro com que você sempre sonhou,
para isso, considere os seguintes pontos:

1º Sem medo de Compromissos

A primeira chave para mostrar imaturidade em um homem é o medo


do compromisso e isso fica ainda mais evidente se o homem em
questão já tiver uma idade avançada.

Engajar-se é “ decidir ” significa “mudar” e os meios de tomada de de-


cisão evoluem e muitos homens têm medo de modificar sua rotina,
seu dia a dia e seus hábitos. Se você perceber que seu homem quer
ficar livre e não se apegar a nada, é provável que você esteja com
uma pessoa imatura.

A falta de compromisso é comum entre pessoas que estão acos-


tumadas a relacionamentos casuais e curtos. Eles provavelmente
nunca tiveram um relacionamento grande e significativo devido à
sua incapacidade emocional. Um homem maduro sabe como cons-
truir relacionamentos próximos e sérios com outras pessoas, seja
amizade ou amor.

106
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

2º Incapacidade de expressar suas emoções

Homens imaturos são incapazes de expressar seus sentimentos, o


que torna difícil ouvi-los dizer algo simples como “Eu te amo” ou
“Você é importante para mim”. Um homem emocionalmente maduro
é capaz de reconhecer seus sentimentos e, portanto, expressá-los
no momento certo.

3º Homens maduros geralmente têm objetivos e interesses claros.

Homens experientes dedicam um pouco de tempo para prosperar


e estão determinados a trabalhar dobrado para alcançar todos os
seus objetivos.

Por outro lado, falta de ambição ou conformismo são dois dos si-
nais que indicam que um homem é imaturo. Em outras palavras,
eles vivem a vida sem uma orientação precisa, sem finalidade ou
objetivo. Tudo lhes convém.

4º Homens maduros são sutis

Por outro lado, a sutileza é um sinal de maturidade, pois é uma for-


ma de mostrar inteligência. Homens imaturos geralmente se com-
portam como crianças, o que significa que não têm senso de equi-
líbrio. Eles podem ser atrevidos, arrogantes, se exibir e ser rudes.

Em vez disso, um homem maduro manifesta um toque de humor,


raiva ou repulsa, na medida certa, sempre com base no respeito
pelos outros.

107
ANDRÉ FERRARI

5º Um Homem maduro tem hábitos sadios

Se você olhar para o estilo de vida de um homem, também permite


detectar se ele é maduro ou não. Seus hobbies podem mostrar o
quão maduro é um homem.

Por exemplo, se ele passa o dia todo jogando videogame sem prestar
atenção em mais nada, isso pode indicar algum grau de imaturidade.
Mas se ele passa seu tempo livre praticando um esporte ou se cui-
dando, isso pode denotar grande inteligência.

6º Homens maduros gostam de conversar

Por outro lado, os homens maduros são mediadores perfeitos e sem-


pre favorecem o diálogo para resolver uma situação delicada. Os ima-
turos, por outro lado, recusam-se a falar e esperam que a tempestade
passe, como se não lhes pertencesse.

Com um homem maduro, você sempre poderá ter uma conversa, inde-
pendentemente do assunto da discussão. Além disso, sua excelente
maneira de se expressar os torna pessoas interessantes e educadas.

7º Homens maduros traçam metas para o futuro

Você saberá que o homem é maduro se tiver uma ideia clara do que
deseja da vida e de como o deseja. Eles não acompanham o fluxo,
mas tomam as rédeas para atingir os objetivos definidos, indepen-
dentemente do custo.

Por isso, procuram parceiros que os acompanhem nos seus sonhos


e com quem possam juntos definir novos desafios. São homens com
experiência e vontade de seguir em frente; que são bem-sucedidos e
brilhantes, embora permaneçam humildes.
108
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

8º Homens maduros possuem Personalidade

Falta de personalidade, comprometimento, fingimento ou vitimização,


estão entre as características mais comuns dos homens imaturos. Se
você não quer se ver arrastada para um relacionamento tóxico que
não avança, observe com atenção como se comporta o homem com
quem você planeja compartilhar seu futuro.

9º Um homem maduro encara os problemas de frente

Quando um menino cresce e amadurece, ele chega a conclusão que


ficar horas trancado em seu quarto ou esquecer o mundo lá fora não
ajudará com seus problemas. Um homem maduro tem a firme con-
vicção que o melhor modo de resolver um problema é encará-lo de
frente, focar na solução. Homens maduros resolvem seus problemas;
nunca fogem deles.

10º Um homem maduro jamais critica sua parceira

Um homem de verdade, que de fato ama você, jamais irá criticá-la


pelas suas decisões, personalidade, aparência, forma física, profis-
são, seus sonhos ou metas.

Um homem maduro sempre vai apoiar você de maneira positiva, ami-


ga. Ele nunca vai rebaixá-la ou envergonhá-la, pelo contrário, ele de-
seja sempre que você esteja feliz.

11º Um homem maduro mostra seus sentimentos

Um homem maduro sabe que ao se emocionar não estará mostrando


fraqueza ou falta de masculinidade. Ele sabe que mostrar suas emo-
ções o torna mais humano e dizer a mulher amada que a ama e com-
partilhar com ela bons e maus momentos, jamais o enfraquecerá.
109
ANDRÉ FERRARI

12º Um homem maduro inclui você na vida dele

Um homem maduro sempre buscará formas de incluí-la em sua vida,


a tornará parte dele e tentará aproximá-la de seus amigos e parentes.

Homens experientes são bem chegados e amigos, geralmente vivem


rodeados de boas companhias e certamente tentará encaixar você no
seu ciclo de amizades.

13º Um homem maduro sempre respeita suas companheiras

Um homem maduro sabe que o respeito é o pilar de qualquer rela-


cionamento saudável, diante disso, ele sempre respeitará você, sem-
pre a tratará com afeto, companheirismo e dedicação.

Ele sempre respeitará seu espaço, suas decisões e opiniões, embora


muitas vezes possa ter uma ideia contrária.

14º Homens maduros sempre cuidam de suas mães

Embora cuidar dos pais seja um princípio bíblico, ele anda meio fora
de moda para alguns homens. Um homem maduro reserva sempre
um tempo para seus pais, em especial para sua mãe.

Ele cuida, trata bem, é carinhoso e atencioso, um bom sinal que fará
o mesmo em relação a você.

O corre-corre diário e os maus hábitos está tornando a maioria dos


homens imaturos e inconsequentes, isto é um problema, pois afeta
diretamente nos relacionamentos afetivos e profissionais. Como mu-
lher, você deve dar prioridade a homens mais maduros, não neces-
sariamente de mais idade, mas, aqueles que gostam de utilizar suas
experiências e sabedoria em prol de um relacionamento saudável.
110
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Identificando um Homem Abusivo:

Estatísticas recentes mostram que no Brasil, a cada 4 minutos, uma


mulher é agredida fisicamente por seu cônjuge. E uma em cada três
mulheres já sofreram alguma forma de violência física de um par-
ceiro. Mas, é possível identificar uma relação abusiva e evitar mais
consequências.

Reunimos alguns sinais que demonstram que você pode está em um


relacionamento abusivo, veja se estes se encaixam a sua vida e tome
os cuidados necessários.

Possessividade extrema

Há algo de encantador na ideia de que seu parceiro pertence a você


e que você a ele, mas levada ao extremo, carrega consigo a semente
da dúvida: Posso confiar no outro?

Segundo o Dr Friedemann Schaub, PhD em desenvolvimento pessoal


e Relacionamentos e autor do livro “A Solução para o medo e a An-
siedade”, a mensagem que o ciúme transmite é:

‘Não confio em você e não quero que fale com alguém que não aprovo’.

Em outras palavras, podemos dizer que a possessividade ultrapassa


a norma quando o seu companheiro a isola daqueles que você ama,
daqueles que podem te convencer a deixá-lo, por exemplo.

Ele não respeita seus limites

É importante estabelecer limites em um relacionamento saudável.


Eles não apenas nos mantêm seguros quando vivemos a dois, mas
também oferece a cada pessoa uma maneira de proteger sua indi-
111
ANDRÉ FERRARI

vidualidade. “Limites são demarcações naturais e necessárias des-


tinadas a proteger a zona de conforto de uma pessoa”, explica o Dr.
Schaub.

Quando seu parceiro ignora seus limites - por exemplo, invadindo


seu escritório em casa enquanto você responde a e-mails, vasculhan-
do seu celular sem permissão ou abrindo a porta do banheiro sem
bater - ele está lhe dizendo que suas necessidades e preferências
não são tão importantes quanto as dele, o que acaba prejudicando a
sua autoestima.

Desejo de controlar tudo

O desejo de controle pode invadir todas as facetas do seu relacio-


namento - financeiro, físico, emocional e mental. Cada uma de suas
manifestações indica que seu parceiro não está respeitando sua ca-
pacidade de cuidar de si mesmo.

Por exemplo, seu parceiro pode exercer controle financeiro restrin-


gindo o acesso ao seu dinheiro ou cartões de crédito, na tentativa
de controlar seus gastos ou impedi-la de conseguir ou manter um
emprego.

O controle físico, por outro lado, pode ser exercido quando seu par-
ceiro limita seu acesso a um ambiente, diz a você onde pode ir ou não
e verifica o seu telefone ou GPS do carro para ver onde você esteve.

Agressões físicas

Em uma relação abusiva as agressões não envolve necessariamen-


te contato físico, mas também, abrange qualquer comportamento
agressivo que use o olhar, gestos ou palavras. Também podemos con-
siderar como uma agressão física, quando seu parceiro atirar objetos
112
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

ou os quebrar no momento de raiva, mesmo que neste momento não


os jogue em sua direção, se você não impuser limites, no futuro você
será o alvo.

Às vezes, o agressor percebe seu comportamento violento como um


‹‘confronto lúdico’›, mas este joguinho tem o objetivo de impor seu
poder e força. É um alerta para outro sinal importante a se observar
e que tende a se manifestar precocemente em um relacionamento
abusivo: a violência sexual. Não é normal que um parceiro a force a
fazer sexo quando você não quer, apenas para se satisfazer moral-
mente.

Muitos segredos

Algumas coisas são pessoais e não precisam ser compartilhadas,


mesmo com seu companheiro. Mentir e omitir informações impor-
tantes, por outro lado, pode ser um grande golpe para um relacio-
namento. Se você quer transparência no seu relacionamento e ele
se nega a responder coisas simples como quem são certos amigos, é
hora de ter uma conversa séria.

Ignorar você em tempos de angústia

Outra forma comum de manipulação em uma relação abusiva é


quando seu parceiro a ignora quando você precisa de ajuda.

Um relacionamento é abusivo quando você sofre ou precisa do seu


parceiro e ele permanece surdo aos seus pedidos, como se eles não
importassem. Conclusão: se seu parceiro agir como se seus senti-
mentos e ideias não importassem, não importa qual seja o problema,
isso pode ser visto como um sinal de abuso.

113
ANDRÉ FERRARI

Ele faz você duvidar de sua sanidade

Enlouquecer o outro é uma das principais formas de violência psi-


cológica. Quando seu parceiro torra sua paciência, subestima a sua
inteligência, a ponto de você mesma se questionar se o problema da
relação é com você. A casos em que a mulher duvida da sua própria
saúde mental ou a realidade do mundo ao seu redor.

Você já ouviu esta frase: “Você está ficando é louca, está vendo coisas!”.

Não se engane, este é uma tática particular de enganar a outra pes-


soa, mentir para ela e negar a verdade a ponto de fazê-la duvidar de
suas percepções, memória e sanidade. Se o seu parceiro usa esse
tipo de estratégia para sempre se sair bem dos problemas ou das dis-
cussões, isso é um forte sinal que ele já conhece seus pontos fracos
e sabe onde atingi-la.

Mudanças de humor e erupções de raiva

É normal que os casais discutam e um dos parceiros fique mais zan-


gado do que o outro - mas explosões de agressão não são normais.

Às vezes, parceiros violentos tentam culpar sua ‹paixão› por essas


explosões, mas pode ser o prenúncio de algo mais sério.

Sem razão, o parceiro se retrai, afunda na tristeza ou na raiva e culpa


o outro pelas emoções negativas. Se essa raiva intensa for acompa-
nhada por xingamentos ou linguagem depreciativa, então você tem
ainda mais motivos para se preocupar.

114
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Obcecados pela sua segurança

Seu parceiro provavelmente se preocupa muito com você e, ao mes-


mo tempo, com sua saúde e segurança. Mas, se essa preocupação
for constante e seu parceiro estiver obcecado pela hora que você sai
do trabalho, reclama se demorou alguns minutos para chegar, opina
sobre a roupa que está vestindo, nunca gosta da cor do seu batom ou
do seu perfume e se incomoda até com o toque do seu celular, pode
ser o prenúncio de um relacionamento abusivo.

Você perde sua liberdade e a capacidade de fazer suas próprias


escolhas quando começa a se curvar ao desejo dele de ficar de
olho em você.

Não se desculpa

Só porque seu parceiro se recusa a se desculpar ou pensa que só ele


está certo sempre que vocês tem uma discussão, não significa que
você esteja errada.

Na verdade, esse tipo de comportamento beira o abuso, dizem os es-


pecialistas. É uma atitude unilateral e nada mudará enquanto o par-
ceiro abusivo se recusar a consertar ou ver no que ele pode melhorar.

Se na sua relação, você está sempre errado e o outro está sempre


certo, isso significa que ele vai querer ditar as regras e você deve
obedecer, quer concordando ou não. Lembre-se, a sua opinião vale
tanto quanto a dele, portanto, estando certa, não se desculpe a toa,
posicione-se.

Uma relação abusiva não começa da noite para o dia, ninguém muda
tão rapidamente, aos poucos seu parceiro vai mostrando sinais que

115
ANDRÉ FERRARI

podem resultar em um relacionamento doentio e muito perigoso, ao


perceber os primeiros sinais, dê um basta na relação, quem manda
na sua vida é somente você.

Antes de se envolver com alguém, informe-se sobre seu passado,


como ele lida com as outras pessoas, como foi seus últimos relacio-
namentos, como ele trata a mãe dele é uma boa maneira de refletir
seu caráter.

Ao primeiro sinal de agressão, não hesite. Procure seus familiares e


ligue para as autoridades.

116
Capítulo IV

Romantização
ANDRÉ FERRARI

Romantização, o abismo afetivo

Certamente você já deve ter ouvido falar sobre “romantização”, em


diferentes contextos de sua vida. Mas você compreende o que essa
colocação pode verdadeiramente assumir? Afinal, muitas relações
que temos, no cotidiano, são fundamentadas em sentimentos puros,
e isso pode dificultar a nossa forma de enxergar algo saudável e dis-
cernir de algo abusivo.

Por isso, compreender o conceito e pontos importantes da romanti-


zação é um dos primeiros passos para construir laços mais saudáveis
e construtivos para a nossa vida. Abaixo você terá uma melhor defi-
nição deste assunto.

O que é romantização?

Podemos compreender a romantização como o ato de fazer “descri-


ções fantasiosas” de uma situação ou contexto.

Mas, o que isso quer dizer? Para compreender o conceito de romantiza-


ção, precisamos ter em mente situações de nosso cotidiano.

Pare e reflita: Quantas vezes você já viu alguém próximo, ou ouviu


a história de alguém, sobre uma crise intensa de ciúmes? Onde o
parceiro, ou a parceira, impede o outro de se vestir de determinada
forma, ou frequentar um local específico?

A romantização pode aparecer neste tipo de episódio. Ao mesmo


tempo em que ouvimos falar sobre crises de ciúme nos relaciona-
mentos, também ouvimos frases como “Se sente ciúme desse jeito, é
porque ama”, ou ainda “Se eu ‘surto’, é porque eu te amo muito. O dia
que eu não ‘surtar’ mais, pode acreditar que deixei de te amar”.

118
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O que estas duas colocações nos sugerem? Sugerem que apenas em


um relacionamento regado com ciúmes e brigas é que o amor de fato
existe, o que não é verdade.

Impedir o parceiro ou a parceira de frequentar um local ou conversa


com um amigo é, antes de qualquer coisa, uma atitude abusiva, e
não romântica. Não estamos falando de demonstração de amor, nes-
te tipo de cenário. Mas sim, fica evidente a necessidade de se sentir
dono do outro, o que é completamente inaceitável.

Entretanto, a dificuldade de diferenciar a romantização do abuso de


uma situação verdadeiramente romântica é gritante. Um exemplo
são os próprios livros e filmes românticos que costumamos consumir
seus respectivos conteúdos. Um bom exercício para compreender a
romantização de situações nem tão românticas é começarmos a re-
fletir sobre filmes que assistimos, no decorrer de nossas vidas.

Quantas tramas do cinema retratam um relacionamento abusivo,


regado de cobranças e prisões? Mas, ao mesmo tempo, é tentado
transparecer o fato de que determinada situação é apenas a expo-
sição de um amor?

Repare em filmes como 50 tons de cinza. Na trama, Grey é visto como


um homem excêntrico e que sabe o que quer, enquanto Anastasia
apresenta uma personalidade mais retraída, baseada em sua história
de ser virgem, recatada, e sem experiência sexual.

No decorrer do filme é tentado transparecer um romance, um amor


puro e leve, o que não é verdade. Ao analisarmos as atitudes de
Grey, fica evidente o quanto o mesmo passa a ser um parceiro abu-
sivo para Anastasia. Sua obsessão pela moça, logo no começo do
filme, já nos dá a entender esse lado.

119
ANDRÉ FERRARI

Além disso, a manipulação, por parte de Grey, fica escancarada em


diversas vertentes: psicologicamente, agredindo Anastasia e estu-
prando-a, enquanto todo o enredo é entendido como um amor, uma
paixão, uma entrega verdadeira de Anastasia.

Entretanto, um ponto alto da história é o contrato assinado por ela.


Com cláusulas e informações que reforçam o quanto Grey pode en-
xergá-la como um objeto que ele “compra”, dentro de perspectivas
que preencham as vontades dele. Em quais partes é discutido o
quanto Anastasia quer verdadeiramente uma das práticas sexuais, ou
está apenas querendo “agradar” o ser amado?

Este é um dos maiores exemplos do cinema atual quando pensamos


em romantização de situações degradantes. Porém, vale destacarmos
que a romantização atravessa muitas outras vertentes, e não apenas
a de relacionamentos amorosos.

Para que você possa refletir, repare no quanto as pessoas, em seus


cotidianos, enaltecem suas rotinas corridas, seu cansaço excessivo
e a sensação de nunca findarem seus afazeres. Entende-se que este
tipo de rotina é interessante, refletindo pessoas ocupadas, bem suce-
didas, etc. Ao mesmo tempo, essa visão romântica mascara o quanto
uma pessoa pode estar sofrendo de ansiedade, estresse, síndrome
de Burnout, dentre outros efeitos nocivos.

A compreensão de romantização é ampla, mas podemos entendê-la


de maneira resumida como o ato de descrever de maneira “boni-
ta”, uma situação que deveria ser vista com outros olhos. Afinal, um
abuso nunca será amor. Assim como o esgotamento mental e físico
nunca será sinônimo de dedicação.

120
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O péssimo hábito de romantizar tudo

“Estude enquanto eles dormem, trabalhe enquanto eles descansam”.


Quantas vezes você já ouviu colocações semelhantes à esta, com o
intuito de servir de motivador e impulsionador para que você não
pare nunca de trabalhar, estudar ou se dedicar a um projeto que você
quer para ontem? Pois é!

Repare que o hábito de romantizar situações desgastantes e abu-


sivas é mais comum do que pensamos. É claro que trabalhar e es-
tudar são atitudes importantes. Mas, da mesma forma, é preciso
equilibrar toda a sua rotina. Afinal, estudar sem descansar a mente
é equivocado, já que nosso cérebro depende desse “restart” todos
os dias. Assim, a ideia de que enquanto você sofre, você realiza, é
muito perigosa. Ela dá margem para que pessoas que se sintam
cansadas, associem o cansaço sempre ao fracasso. E uma coisa não
tem nada a ver com a outra.

Freud dizia “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôs-
semos de ferro”, e é exatamente este tipo de pensamento que a ro-
mantização exagerada nos supõe.

Entretanto, outro ponto importante que você precisa compreender é


que você não precisa desistir de algo logo quando se sentir cansado,
nem que você não deverá nunca mais estudar ferozmente mesmo
sentindo sono. O que estamos querendo dizer é que é preciso criar
caminhos que sejam mais saudáveis, tanto física, como mentalmente.

Você pode, sim, se dedicar o dia inteiro ao seu trabalho. Porém,


lembre-se que se dedicar a si mesmo também é igualmente im-
portante. E quando o seu corpo estiver cansado e esgotado, é me-
lhor parar sim.

121
ANDRÉ FERRARI

Quando você aceita que não precisa de sacrifícios estratosféricos


para atingir seus resultados, você começa a compreender o quanto
as pessoas pintam traços de beleza em situações de dor e desespero
para muita gente.

Ao mesmo tempo, esse pensamento não deve ser entendido como


compreender toda e qualquer situação difícil como algo extrema-
mente ruim, longe disso. É preciso, antes de qualquer coisa, com-
preender que tudo em nossa vida se baseia em harmonia. E assim,
atentarmo-nos para qualquer tipo de excesso. Afinal, todo excesso
pode estar denunciando uma falta em sua vida.

O excesso de trabalho pode denunciar uma necessidade de sentir-se


bem sucedido, a qualquer custo, revelando uma baixa autoestima. O
problema é que este custo pode ser a própria saúde mental, escor-
rendo ainda para a saúde do corpo. Afinal, quem é que nunca sentiu
dor no estômago, cefaléia ou dor em outra parte do corpo, sem ne-
cessariamente ter uma doença causadora? Reflita sobre isso.

Romantização dentro dos relacionamentos amorosos

Sem dúvidas, os relacionamentos amorosos são um dos maiores


alvos da romantização. A pessoa pode se sentir encurralada den-
tro do próprio relacionamento, porém, por conta de enxergar as
coisas através de uma lente romântica, pode não compreender a
dimensão da situação.

Acreditar que seu parceiro lhe impede de sair de casa por “amor e
necessidade de proteger” pode ser muito perigoso. Entender que a
pessoa que nos ama quer nos proteger é super compreensível, mas,
quando essa proteção se torna uma obsessividade e até mesmo uma
imposição, precisamos nos atentar com mais cuidado.

122
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O abuso e o amor podem atravessar e seguir um mesmo caminho, de


mãos dadas, e dependendo de quem os vê, pode interpretá-los de
forma errada. Lembre-se que o amor é livre, é leve e deve lhe fazer
bem. Quando você se sente presa, sufocada, ou mais intenso do que
isso, sente medo do seu parceiro(a), algo pode estar muito errado.

Os relacionamentos amorosos são feitos de trocas. Há a reciproci-


dade, o cuidado, o carinho, a preocupação, e sim, o ciúme. Tudo isso
pode aparecer de maneira leve, com pinceladas que vão “pintando a
vida do casal”. Porém, quando um dos lados tem se mostrado mais
“dono do pincel” do que o outro, precisamos parar para analisar.

Impedir que uma pessoa vista determinada roupa é diferente de de-


monstrar ciúmes de maneira sutil. O abuso precisa ser diferenciado
do amor, e não romantizado como costumamos ver na vida cotidiana.

Uma forma de refletir sobre a situação é, justamente, percebermos o


quanto uma pessoa pode demorar para sair de um relacionamento
abusivo. Muitas vezes amigos e familiares tentam alertar, a todo cus-
to, mas sem sucesso. A pessoa abusada pode enxergar o abusador
como alguém que a ama, cuida, protege e quer saber tudo por ela
por conta disso.

Assim, abre suas redes sociais para o parceiro(a); muda seus horários
sempre pensando - e apenas pensando - no bem do outro, e nun-
ca de si; sofre ameaças psicológicas e chantagens, do tipo “se você
sair assim, vamos terminar”; as manipulações acontecem de maneira
constante, enaltecendo traços que fazem com que o parceiro(a) sinta-
se dono da outra pessoa; entre tantos outros fatores.

Apesar de todas estas explanações, podemos nos ver diante de um


abismo que precisa ser superado por todos nós: o que a mídia vende.

123
ANDRÉ FERRARI

Já mencionamos no tópico “o que é romantização” o quanto filmes,


séries e livros podem transformar um relacionamento amoroso abu-
sivo em um verdadeiro “conto de fadas”. E é este tipo de mídia consu-
mida por pessoas sedentas por amor verdadeiro que faz com que a
romantização se instaure em diversos relacionamentos.

Nestas produções cinematográficas e artísticas, muitas vezes, en-


tende-se que atitudes abusivas são sinônimo de demonstração
do amor, indo contra a privacidade, liberdade, limites e desejos de
quem está sofrendo o abuso. E é justamente por isso que o hábito
de romantizar tudo, como esclarecemos no tópico anterior, pode ser
extremamente perigoso.

Ao romantizarmos atitudes abusivas em relacionamentos amorosos,


estamos selando as algemas nas mãos de muitas pessoas, inclusive
nas nossas, se não conseguirmos nos libertar de situações de obses-
sividade e possessividade.

Paixão não é amor

É imprescindível destacarmos também a diferença existente entre


paixão e amor. Embora ambos possam caminhar lado a lado, um pos-
sui um fim mais acelerado e, o outro, pode perdurar por toda a vida.

Isso não significa que a paixão seja algo ruim na vida das pessoas,
mas sim, que ela pode acabar e servir de porta de entrada para um
amor verdadeiro.

124
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O que é paixão?

A paixão é aquele sentimento avassalador que costumamos sentir


quando, de fato, nos apaixonamos por alguém. É aquele desejo in-
saciável de permanecer perto, acompanhar a pessoa o tempo todo,
beijar, abraçar, tocar, etc.

É na paixão que vamos idealizando a outra pessoa de uma maneira


mais exagerada que o normal. Aqui, não conseguimos enxergar defei-
tos, e a pessoa acaba sendo perfeita aos nossos olhos.

O período em que a paixão costuma se manter ativa em um re-


lacionamento pode variar bastante. Há quem se sinta apaixonado
nas primeiras 3 semanas do relacionamento, como também nos 2
primeiros anos inteiros.

Tudo dependerá do contexto, da história de vida do casal, entre


outros fatores. Podemos entender a paixão ainda como aquela “quí-
mica carnal” que acende os desejos físicos dos dois, com uma fre-
quência maior do que estamos acostumados dentro de um relacio-
namento de longa data.

Há ainda a expressão que diz que a paixão é a fase de lua de mel do


relacionamento. É um período de entregas físicas, de aconchego, de
cuidado contínuo, idealização de estar ao lado de uma pessoa per-
feita, entre outros fatores.

Aqui, na paixão, podemos notar uma grande chance de romantizar-


mos algumas atitudes, por ainda estarmos diante de um sentimento
que, de maneira precisa, pode tirar a razão de nossas conclusões. E
assim, podemos aceitar atos não tão condizentes com o que sempre
sonhamos receber.

125
ANDRÉ FERRARI

O que é amor?

O amor, por sua vez, é o que perdura depois que a chama (antes in-
cessante) começa a se desmanchar um pouquinho. Aqui, passamos a
enxergar a pessoa que está ao nosso lado de outra forma.

Algumas atitudes que antes nem tinham tanta importância, podem


se tornar um pouco mais irritantes agora. Além disso, o desejo arden-
te e carnal tende a diminuir um pouco.

Ao mesmo tempo, a preocupação com o futuro, a necessidade de


cuidar e o planejamento de sonhos a dois pode aparecer com
mais força.

Apesar de na paixão estarmos lidando com uma idealização que te-


mos da pessoa, no amor isso pode mudar um pouco, mas não com-
pletamente. Isso pois passamos a enxergar de uma maneira mais
“ampla” quem está ao nosso lado. Os defeitos ficam mais evidentes,
mas, do mesmo modo, queremos manter a pessoa por perto, embora
haja momentos de tentativa de afastamento.

Entretanto, a idealização ainda se mantém, mesmo que de um


modo mais brando. Afinal, amar é enxergar o outro a partir dos
nossos próprios “óculos”. E isso faz com que enxerguemos a pes-
soa de uma maneira diferente que ela mesma se vê. O que não é
ruim… Faz parte da vida!

De todo modo, quando a romantização se faz presente nesta etapa,


o assunto ficará um pouco mais sério. Isso porque se ainda roman-
tizamos atitudes abusivas e descabidas, e ainda estamos amando a
pessoa ao nosso lado, a saída do relacionamento abusivo pode ser
mais difícil, embora não impossível.

126
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Demonstrações de Afeto podem esconder relacionamentos abusivos

Uma das formas mais corriqueiras de tentar abafar situações abusi-


vas são as demonstrações de Afeto por parte do abusador.

Quantas histórias ouvimos, de maneira recorrente, acerca de homens


que agridem fisicamente suas mulheres, em explosões de raiva, e,
seguidamente, compram flores como pedido de perdão? E o looping
de agressividade e demonstração de Afeto se repete, sem fim?

É justamente este tipo de demonstração que nos referimos. Uma pes-


soa, dentro de um relacionamento abusivo pode se sentir confusa,
perdida e sem direção certa quanto às intenções do parceiro. Acredita
que se trata apenas de alguém “explosivo”, com uma “personalidade
forte”, tal qual ela precisa aprender a se adaptar.

Com isso, vai se aninhando em uma teia que faz com que a pessoa
abusada mude suas atitudes, troque de amigos, deixe de frequentar
lugares e, em troca, receba mimos, presentes, carinho, atenção, etc.

A pessoa se priva de coisas que gosta, com o intuito de sanar o seu


desejo por amor. E assim, o abusador vai manipulando, abusando
e forçando a pessoa a seguir a linha que ele julga como certa. Caso
a parceira saia da linha, o abusador a oprime, reprime, pune… Mais
tarde, diz estar arrependido dos excessos, e novamente demonstra
o Afeto, trazendo a parceira para perto e diminuindo suas atitudes
monstruosas.

A romantização pode dificultar a detecção de abusos

Assim como as demonstrações de Afeto, o ato de romantizarmos


situações abusivas faz com que a dificuldade para detectá-las seja
ainda maior.
127
ANDRÉ FERRARI

Isto é, ao pensarmos na relação trazida no filme 50 tons de cinza,


notamos que grande parcela das pessoas entende o filme como
um romance, uma história de amor. Com isso, acabam absorvendo
uma concepção equivocada do que pode ser Amor e cuidado com
o outro.

Logo, de uma maneira praticamente automática, tudo isso irá respin-


gar em nosso cotidiano, na vida real. Assim, uma mulher que hoje so-
fre de abusos psicológicos, físicos e até mesmo morais, pode enten-
der que “está tudo bem”, e que casamento/namoro pode ser assim
mesmo. Consequentemente, prende-se nessa trama de infelicidade,
entendendo que é dever dela aceitar “por amor”.

Afinal, nossas avós já traziam este tipo de tabu para a vida de suas
netas: O tabu que diz que a mulher é responsável pela harmonia da
casa, e é dever dela suportar e arcar com as injustiças, apenas para
manter o matrimônio.

Além de ser completamente descabida esse tipo de informação, che-


ga a ser ofensivo para todas as mulheres. A romantização de que “a
mulher muda o homem” é extremamente doloroso para todas.

Isso porque este tipo de concepção e imposição pode mascarar o


maior culpado de tudo isso: o abusador. A culpa nunca é da vítima.
Uma mulher jamais merece apanhar ou ser encurralada por seu par-
ceiro(a) por ter cometido “um erro”. Por mais que a mulher esteja
errada, ninguém tem o direito de agredi-la.

Em paralelo a isso, é importante frisar que nada, absolutamente nada,


dá direito a outra pessoa de lhe agredir, diminuir, oprimir, etc. É pre-
ciso quebrar essa ideia romântica de que é preciso sofrer e deixar os
sofrimentos de lado, apenas para manter um relacionamento “vivo”.

128
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Até porque essa romantização pode até mascarar, com maestria, si-
tuações extremamente descabidas, como agressões, repressões e até
proibições severas. O abuso fica escondido, nas entrelinhas, mas o
sofrimento do abusado é escancarado, embora poucas vezes é dada
a devida atenção.

Tudo isso porque além de esconder o abuso, a romantização tem o


poder de calar aquele que sofre. É a mesma coisa que usar o termo
“reclamando de barriga cheia”. Este termo chega a ser grosseiro, pois
nos dá a entender que uma dor é mais importante que a outra.

Enquanto que, na realidade, não existe nenhuma grandeza ou medi-


ção adequada para a dor. Cada um sente como sente, e isso deve ser
respeitado. Não engula situações desrespeitosas e que lhe tragam
sofrimento psíquico apenas por “ter algo em troca” (como o Afeto que
mencionamos no tópico anterior).

Todo mundo tem direito à liberdade, felicidade, bem estar, amor, ca-
rinho e cuidado. E quanto qualquer um desses direitos é infringido,
é preciso ficar atenta. Especialmente em casos onde há carinho, ao
mesmo tempo em que há agressão, por exemplo; ou então, há de-
monstração de Afeto (e não verdadeiramente amor), mas também há
muita manipulação, proibição e chantagem emocional.

É preciso sempre pôr em uma balança o que as dores estão queren-


do nos dizer. Ignorar uma situação por alguém dizer que você está
“reclamando de barriga cheia”, é dar margem para a romantização
de abusos. E, como consequência, é permitir que o sofrimento faça
parte da sua vida como se fosse natural, e como se você não tivesse
escolha.

Por isso, cuidado com a romantização dentro de um relacionamento!


Atitudes agressivas e abusivas, em hipótese alguma, devem ser vis-
129
ANDRÉ FERRARI

tas como amor! Amor não sufoca, não prende. Amor cuida, protege e
deseja o bem da outra pessoa. Jamais punirá de forma fria e doentia,
como acontece nos casos de abusos.

Dependência emocional

A dependência emocional trata-se de uma necessidade excessiva de


receber cuidados alheios, levando o sujeito ao comportamento de
submissão e apego.

Trata-se de um transtorno psicológico que pode ser muito recorrente


dentro de um relacionamento abusivo, especialmente quando há a
romantização afetiva.

Aqui, o dependente se sente incapaz de seguir sua vida sozinho, caso


o parceiro queira terminar. E o parceiro abusador “aproveita” dessa fra-
queza para manipular e obrigar a vítima a tomar atitudes contra a sua
vontade. E essa atitudes podem aparecer no sexo, nas finanças, nos
cuidados pessoais, no uso ou não de contraceptivos, entre outros.

O dependente poderá se sentir completamente submisso e entregue


ao abusador, e assim, busca sua aprovação em tudo que deseja fazer.
Não toma atitudes por si só, e sempre que precisa tomar uma deci-
são, questiona o parceiro em prol de um “aval”.

Sente-se incapaz de viver sozinho, e o abusador pode utilizar este


argumento sempre que a vítima enuncia que deseja ir embora. Con-
sequentemente, o dependente emocional cria, dentro de si, um medo
irreal de abandono, se sujeitando às situações mais degradantes
dentro do seu relacionamento.

Neste tipo de situação, torna-se ainda mais difícil para a vítima re-
conhecer que está dentro de um relacionamento abusivo. Ela possui
130
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

uma grande dificuldade de se ver como alguém independente e se-


parado do parceiro. Por isso, aceita proibições e retaliações exacerba-
das, enquanto não se manifesta por medo de ficar sozinha.

A vítima acredita que ao “obedecer” o seu abusador, ela receberá


todo o carinho e atenção que necessita. E aqui, podemos novamente
pincelar o quanto a demonstração de Afeto pode simplesmente mas-
carar uma situação abusiva.

Entretanto, vale ainda destacarmos que nem todo caso de depen-


dência emocional acontece dentro de um relacionamento abusivo.
Isso pois estamos falando de um transtorno mental que pode surgir,
inclusive, em relacionamentos de amizade.

Porém, um relacionamento abusivo pode servir como “porta de en-


trada” para situações de abuso emocional, físico, sexual e financeiro,
dentro de uma relação conturbada.

Perceba que o dependente é capaz de cometer extremismos, que po-


nham em risco sua dignidade e seu bem estar, com o objetivo de
receber carinho, apoio e atenção do parceiro.

Este tipo de situação pode ser extremamente desgastante para


quem sofre de dependência emocional. E em casos onde não há
abuso, o parceiro também pode sofrer, sentindo-se sufocado, preso
e sem perspectivas ao ter uma pessoa completamente dependente
ao seu lado.

Nestes casos, um dos melhores caminhos é a busca por psicote-


rapia, para que o dependente conheça as suas atribuições, eleve
a autoestima, entenda as suas responsabilidades, entre outros fa-
tores importantes.

131
ANDRÉ FERRARI

A psicoeducação é muito importante, para que a pessoa seja de fato


educada diante de tudo que vive. Seja para compreender sua relação
dependente, ou então para conseguir analisar se há ou não resquí-
cios de relacionamento abusivo.

Tipos de abuso no relacionamento

É importante termos em mente que não existe uma única forma


de abuso em um relacionamento. Apesar de muita gente acreditar
que a violência física seja a única manifestação de um relacio-
namento abusivo, é preciso compreender que, às vezes, os sinais
podem ser mais sutis.

Para isso, é preciso ter claro em nossas mentes quais são os princi-
pais tipos de abuso no relacionamento amoroso:

Abuso emocional e psicológico

Agressões verbais, opressão, chantagens emocionais, entre outros tipos


de atitudes, podem ser entendidas como abuso emocional e psicológico.

E ainda: Você não precisa se deparar com o abusador “alterado” para


caracterizar a situação um verdadeiro abuso. Isso porque situações
de chantagens, como “se você sair assim, não falo mais com você” são
sutis, porém, criam um efeito na vítima, impedindo-o de seguir a sua
vida a partir dos seus conceitos e vontades.

Além disso, se você tem se sentido culpada por situações no qual


não é responsável, de fato, pode ser outro sinal. O abuso emocional
vem com o intuito de mascarar o real culpado pelos episódios tensos
no relacionamento, jogando a culpa na vítima e fazendo com que ela
entenda que está errada e, necessariamente, precisa acatar com o
que o abusador propõe.
132
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Outro exemplo recorrente deste tipo de abuso é com relação à frases


como: “Você nunca encontrará outra pessoa se me deixar”, “Você não
é boa o bastante para viver sem mim”, entre outras. Repare no quanto
o abuso pode estar velado neste tipo de situação.

Abuso físico

O abuso físico é evidentemente um sinal de relacionamento abusivo.


Porém, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, ele pode vir
velado, tornando-se quase imperceptível.

Este tipo de abuso pode aparecer em situações quando o parceiro


dá um soco na parede ou em um móvel; belisca; segura com força,
impedindo que a parceira se mexa, dizendo que quer “acalmá-la”;
usa a força corpórea para tirar vantagem em alguma situação con-
flituosa; empurra ou imobiliza; dentre outras situações.

Tudo isso, pois, embora a pessoa não “desconte na parceira” a sua


ira, ao estar simplesmente socando um móvel, poderá estar amea-
çando nas entrelinhas.

Além disso, é claro que a violência, com tapas, puxões de cabelo,


mordidas, socos e chutes é um tipo de abuso gravíssimo, que
pode acarretar em sérios efeitos físicos e psicológicos na saúde
da vítima.

Abuso sexual

No caso do abuso sexual, ele pode aparecer de diversas formas so-


bre a parceira. Se ela não se sente à vontade para alguma prática
sexual específica, e o parceiro utiliza chantagens emocionais para
fazer a parceira ceder, podemos detectar a presença do abuso.

133
ANDRÉ FERRARI

Por exemplo, se você ouvir frases como “Se você me amasse, aceita-
ria” ou “Todas as mulheres fazem”, desconfie!

Qualquer tipo de tentativa de manipulação para que você pratique


alguma atividade sexual contra a sua vontade, é abuso sim!

O abuso, neste sentido, não aparece apenas em um estupro. Além


disso, ele pode ser mais recorrente em relacionamentos afetivos do
que imaginamos. Tudo isso porque a partir do momento que você
faz algo apenas com o intuito de agradar ao parceiro, mesmo que
você não queira e seja desconfortável para si, podemos entender a
presença de algo que está sendo “forçado”. E se é o outro que está
forçando você a tais atitudes, é porque estamos diante de um abuso
sexual.

Abuso financeiro

Este é um dos tipos de abuso no relacionamento mais difíceis de


serem detectados. Isso porque o parceiro pode manipular a mulher
que depende financeiramente dele, humilhando-a ou obrigando-a à
práticas sexuais, por exemplo, utilizando o argumento de que ele a
sustenta e a mantém.

O mesmo vale para mulheres que trabalham e deixam todo o dinhei-


ro nas mãos do parceiro. Não que o fato de ter um único responsável
pela organização das contas seja um problema, longe disso, mas a
partir do momento em que a mulher é proibida de participar das
decisões financeiras, o abuso financeiro se instaura.

134
Capítulo V

Traição
o capítulo
mais doloroso
ANDRÉ FERRARI

Traição, o capítulo mais doloroso

A traição é sem dúvidas uma das fases mais dolorosas que uma pes-
soa pode viver em um relacionamento amoroso. Quando acontece,
quem sofre a traição pode se sentir perdido, diminuído e a autoesti-
ma escorre por entre os dedos.

Entretanto, é preciso entender este tipo de atitude de uma forma


mais aprofundada, para não permitir que este ato do parceiro que-
bre com a sua autoconfiança. Afinal, quem trai sabe que está train-
do, e não o faz apenas por “faltar em casa”. Este tipo de argumento
é absolutamente absurdo e sem fundamento preciso, ainda mais se
pensarmos que sempre pode faltar algo em nossas vidas (que nos
faz seguir adiante).

Se o parceiro alega a traição como consequência de uma falta, ques-


tione-o. Pois, se havia uma falta, por que não comunicou antes de co-
meter a traição? Este é um ponto a se pensar, antes de qualquer coisa.

Mas para além disso, vamos acompanhar abaixo alguma informações


importantes sobre este tema tão complexo e intenso.

A presença da traição nas histórias das relações humanas

Não é de hoje que a traição tem feito parte das relações humanas.
Basta uma pesquisa rápida e já percebemos a traição aparecendo
desde os primórdios, e inclusive na própria bíblia. Há quem diga que
a Eva traiu Adão com a Serpente, no Paraíso, abrindo margem para o
quanto devemos pensar nas proibições a partir de questões psico-
lógicas.

No cinema e no teatro, não é muito diferente. Filmes como Infideli-


dade retratam este tipo de cenário. Nesta trama, a protagonista leva
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

uma vida feliz, ao lado do marido, por mais de 11 anos. Mas, ao se es-
barrar com francês charmoso e sedutor (e a relação proibida), acaba
se envolvendo e assim caindo em um laço de traição.

Nestas tramas podemos perceber o quanto a sedução está eviden-


te. Às vezes, não há uma falta aparente no relacionamento, mas, o
ser humano em sua essência adora experimentar algo diferenciado e
ainda: “o proibido é mais gostoso” - muita gente relata.

Mas por que este proibido desperta esse desejo, em tantos contex-
tos e situações? Na realidade, isso ocorre pois desde crianças somos
compelidos a seguir regras e obrigações. Somos bombardeados com
“nãos”, e muitas vezes sem explicações coerentes. É por isso que ape-
nas proibir uma criança de algo, sem explicar à ela as consequências,
talvez não seja o melhor caminho.

Afinal, na medida em que crescemos, vamos buscando novas formas


de sentir e se portar no mundo. Somos bombardeados com novos
ares e caminhos, e a curiosidade é sem dúvida um dos fragmentos
que nos faz seguir em frente.

Consequentemente podemos nos deparar com seduções na vida co-


tidiana, e não somente no âmbito amoroso. Porém, vamos nos ater às
traições neste sentido, como um alicerce deste “proibido e atraente”.

Por conta disso, podemos entender que a traição está mais envolvida
com o ato de descobertas e experimentações, do que outros vieses.
Mas, ainda assim a atitude não é justificável e nem aceitável, pois
como aprendemos o que podemos ou não podemos, temos também
a capacidade de lutar contra seduções do “proibido”.

O proibido gera diversos sentimentos e atitudes, que podem levar


uma pessoa a seguir pelo caminho contrário. Especialmente na vida
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ANDRÉ FERRARI

adulta, quando nos tornamos independentes e “donos do próprio


nariz”. De qualquer forma, é preciso analisar as proibições e antes de
simplesmente se jogar em um contexto, avaliando assim as consequ-
ências do mesmo.

Amantes, o perigo da sedução

A sedução está intimamente relacionada com a relação de um aman-


te com o traidor. Afinal, muitas vezes ouvimos a agressiva expressão
de que a pessoa “procurará na rua o que não tem em casa”, e utiliza
desta justificativa para garantir que a sua atitude não é negativa. Po-
rém, é claro que isso é um grande erro!

Antes de qualquer coisa, quem trai tem a possibilidade de conversar


com a parceira para esclarecer quais pontos do relacionamento não es-
tão fluindo. Assim, é possível, através do diálogo, pensar em formas e
estratégias de como lidar com a situação sem agredir a ninguém, e muito
menos quebrar a confiança.

Porém, sabemos que não é bem assim que funciona. Muitas vezes
quem trai nem se dá ao trabalho de conversar sobre o que sente falta
no relacionamento. Pelo contrário: acaba conversando com uma pes-
soa de fora da relação.

Com isso, lamenta as faltas que sente (sejam sentimentais ou físicas),


e quem a escuta passa a acolhê-la. O perigo nasce quando essa ter-
ceira pessoa, interessada em saber mais sobre a pessoa que lamenta,
utiliza das fraquezas para seduzi-la.

Por exemplo: Você está sentindo falta de carinho e atenção em seu


relacionamento com seu marido ou mulher, e acaba lamentando para
uma pessoa. Porém, essa pessoa tem interesse em engatar uma rela-
ção com você, mesmo que você não saiba disso. O que pode aconte-
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

cer? Esta pessoa pode utilizar as suas dores ao favor dela! Começan-
do a ser carinhosa e atenciosa… Entrega-lhe presentes e mimos, se
aproxima, mostra ser um ombro amigo, e assim por diante.

Assim, pouco a pouco você começa a idealizar esta terceira pessoa


como a ideal para a sua vida, e quando se dá conta, já se deixou en-
volver pela sedução.

Logo, o coração fica dividido… E como agir diante disso? Pois é!

É bom refletirmos sobre o quanto a sedução do proibido pode enca-


minhar uma pessoa para o caminho errôneo. Afinal, somos rechea-
dos de sentimentos, e desejamos ter as nossas necessidades supri-
das. Assim que uma pessoa aparece como a “ideal” e a que “supre
tudo”, automaticamente podemos despertar algum interesse por ela.

Mas o que estamos querendo dizer com isso? Que precisamos sem-
pre trabalhar em prol do nosso relacionamento, desde que a outra
pessoa demonstre este desejo de seguir junta conosco, é claro.

Para isso, o diálogo sempre será uma das melhores vias para se se-
guir. Assim você compreende os desejos do seu parceiro e ele com-
preende os seus. Logo, é possível criar uma atmosfera mais saudável,
onde um supre a vontade do outro, dentro de limites de querer ou
não alguma coisa, é claro.

É justamente por isso que pensar em exceção da regra é importante.


Às vezes a traição simboliza uma falta, de ambos os lados… Inclusive,
você pode estar se sentindo convidada a trair, e isso é um alerta que
deve ser escutado e posto em pauta dentro do relacionamento: o
que está afastando vocês? Por que outra pessoa tem parecido mais
interessante? Como agir diante disso?

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Cuidado com a sedução do proibido! Ela costuma aparecer de manei-


ra idealizada, fazendo com que enxerguemos o nosso amante como
uma pessoa perfeita, o que não é verdade. Afinal, é de interesse do
amante agradar o traidor, para tê-lo ao seu lado por mais tempo. Para
refletir, basta lembrar do início do seu namoro: tudo parecia perfeito,
até porque estava repleto de paixão! E claro que, no período de pai-
xão, idealizamos ainda mais a pessoa amada. E é esta fase de paixão
que um amante vive com o parceiro que trai… E isso nos traz muitas
pistas do quanto a sedução é evidente e perigosa.

O que leva a traição?

São muitas as causas que podem levar uma pessoa a trair o seu par-
ceiro(a). Não existe um único motivo, pois não podemos simplesmen-
te tratar como uma situação de causa e efeito.

Mas sim, é preciso compreender que cada traição precisa ser anali-
sada de maneira aprofundada, e não comparando com outros episó-
dios vividos por outros casais.

Entretanto, é claro que podemos notar alguns elos envolvidos com


praticamente qualquer situação em que um dos dois trai. Estes elos
podem aparecer agrupados, ou apenas alguns deles, mas nos dá a
entender muito sobre a situação.

De todo modo, podemos assim dizer que os motivos mais comuns e


recorrentes que levam alguém a trair são:

Necessidade de experimentar o proibido: Como mencionamos an-


teriormente, o proibido pode despertar um lado a mais nos seres
humanos. Somos dotados de curiosidade inata, e a proibição sem
demonstração das consequências reais pode fazer com que tome-
mos atitudes impensadas, focando apenas no prazer de experienciar.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Relacionamento desgastado: Muitas vezes a pessoa que trai pode


usar o argumento de que o relacionamento estava desgastado e o
comodismo a fez despertar interesse por outra pessoa. Entretanto,
é importante frisar que isso não se trata de uma justificativa válida,
tendo em vista que o parceiro poderia conversar com a parceira sobre
o relacionamento “morno”, na tentativa de resgatar a chama, antes de
simplesmente se aventurar em uma traição.

Falta de diálogo: Seguindo o pressuposto acima, a falta de diálogo


também pode ser uma porta de entrada para episódios de traição.
O casamento ou o namoro vai sendo deixado de lado, e então, surge
outra pessoa “disposta” a conversar.

Transtornos pessoais não resolvidos: A pessoa que trai pode, inclusive,


trair por ter muitas questões pessoais não resolvidas. Aqui, podemos
listar questões como: autoestima baixa; dificuldade de criar vínculos
duradouros; carência e dependência emocional, o que faz com que ela,
ao receber atenção de outro, se entregue à uma relação extraconjugal;
medo do comprometimento; repetições de erros do passado, por não
compreender qual a melhor forma de “consertá-los”.

Vingança: Às vezes a traição pode surgir como um meio de “se vingar”


de algum erro do companheiro ou da companheira, com o intuito de
castigá-lo emocionalmente.

Prazer/fetiche: Muitas pessoas podem ter a traição e o sexo fora


do casamento como uma atitude de “fetiche”. Isto é, trata-se de um
relacionamento extraconjugal que vem como um escape para um
desejo carnal.

Alimentar autoestima: Pessoas mais velhas, especialmente homens,


traem a parceira por conta de sua autoestima, trocando-as por mu-
lheres mais jovens. Isso pode “inflar o ego” masculino.
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Pretexto para terminar: Há quem queira finalizar o relacionamento,


mas ainda não encontrou um motivo que seja cabível para o pedi-
do de separação. Desse modo, trai com o intuito de que a parceira
descubra e coloque um ponto final em toda a situação, sem que ele
tenha que arcar com o peso de acabar com tudo.

Sinais da Traição

Encontrar os sinais da traição pode ser mais simples do que pensa-


mos. Porém, lembre-se que atitudes exageradas de confiscar celular
ou bisbilhotar as redes sociais pode não ser uma boa ideia. Isso por-
que sabemos que quando a pessoa sente o desejo de trair, ela “dará
um jeito”.

De qualquer modo, há sinais comportamentais que a pessoa pode


apresentar enquanto se envolve com alguém. E isso pode ser obser-
vado nos detalhes mais sutis, que são:

Uso exagerado de redes sociais

O seu parceiro ou a sua parceira tem passado tempo demais nas re-
des sociais? Talvez este possa ser um sinal. Especialmente se a pes-
soa sempre teve aquelas redes sociais, porém, agora investe mais
tempo em cada uma delas. Isso vale tanto pelo fato de publicar mais
conteúdos pessoais (fotos, informações sobre si), como também uti-
lizar chats, como do Facebook e outras redes, por mais tempo do que
costumava fazer.

Compromissos inesperados

Se a sua companhia tem apresentado uma carga excessiva de


compromissos, que surgiram de modo repentino, desconfie. É cla-
ro que trabalhar mais algumas horas por dia, de maneira esporá-
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

dica, tende a ser algo muito comum. Entretanto, se pouco a pouco


a rotina de hora extra ou outros tipos de compromissos só cresce,
fique atenta.

Mudanças repentinas de comportamento

Os comportamentos mudam da noite para o dia. A pessoa deixa de


ser carinhosa, ou se transforma em um verdadeiro grude; todo o dis-
tanciamento deixa de existir, ou a pessoa simplesmente se afasta.
Qualquer mudança repentina no comportamento de alguém pode
representar algum acontecimento marcante na vida daquela pessoa.
Não que isso necessariamente tenha a ver com traição, mas pode
apontar com alguma nova dinâmica na maneira de viver, que reflete
na relação.

Descrição detalhada de tudo que faz

Da noite para o dia o seu parceiro, ou sua parceira, resolve sim-


plesmente lhe contar tudo que ele(a) faz ao longo do dia. É como
se você fosse um diário, bombardeado por especificações de ho-
rários, locais, etc. Se a pessoa não tinha esse costume antes, pode
ser que esteja tentando esconder os “furos” em sua rotina. Assim,
ela cria a falsa ilusão de que ao dizer tudo que faz, conseguirá
esconder aquilo que não é dito, e você não terá margem para des-
confiar de alguma coisa.

Mudanças repentinas na autoestima

Quem está ao teu lado tem apresentado atitudes que demonstram


um aumento explosivo na autoestima? A pessoa está se cuidando
mais, sai mais arrumada e se sente melhor com o que vê diante do
espelho? Pense um pouco sobre isso…

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É claro que ver a pessoa que amamos se sentindo feliz e de bem com
a vida é algo maravilhoso. Porém, as explosões repentinas de amor
próprio podem se associar com elogios… E esses elogios podem estar
sendo ditos por outra pessoa!

Entretanto, neste tipo de situação é preciso cautela. Cuidado para


não acusar antes de saber um pouco mais. Converse com a pessoa
a respeito deste tipo de mudança, às vezes, ela pode estar com a
autoestima elevada por ter concluído algum curso, algo no trabalho,
comprado algum produto novo, etc.

Insegurança e ciúme exagerado

Guarde bem isso daqui: As pessoas costumam apontar nos outros


algo que fala sobre elas mesmas. Isso é uma regra? Quase. Normal-
mente quando julgamos outra pessoa, estamos diante de um tipo de
projeção. Apontamos falhas que incomodam a nós, e que pode ter
relação direta com quem somos e fazemos.

Freud já dizia que: “Quando Pedro fala de Paulo, sei mais sobre Pedro
do que Paulo”. O que isso quer dizer? Quer dizer que quando o seu
parceiro começa a explodir de ciúmes, da noite para o dia, ou teme
que você esteja o traindo, pode significa que ele é quem está come-
tendo este tipo de erro.

Numa tentativa de se defender do tipo de situação que ele mesmo


provoca, a insegurança surge. Afinal, quem trai, teme a dor da traição,
o que é relativamente curioso e nos faz pensar a partir da perspectiva
do egoísmo neste tipo de situação.

Quando a relação apresenta sinais de traição, é hora de rever al-


guns pontos

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Lidar com uma traição, de qualquer tipo, nunca é uma tarefa fácil. A
traição pode aparecer não somente em um relacionamento extracon-
jugal, mas, por ora, vamos nos ater a esta possibilidade.

De qualquer forma, se os sinais começam a aparecer dentro do seu


casamento, é preciso rever alguns pontos. Antes de qualquer coisa,
é válido destacarmos que simplesmente confrontar a outra pessoa
- sem provas - pode ser perigoso. Perigoso no sentido de que isso
pode fragilizar ainda mais a relação, especialmente em casos onde a
traição não ocorre de fato.

Entretanto, ficar apenas “investigando” pode ser muito desconcer-


tante e cansativo. E, de qualquer forma, pode ocasionar um desgaste
intenso para o casal.

Mas, o que fazer diante disso tudo? Especialmente em situações que


os sinais estão evidentes?

Primeiramente, é preciso se acalmar. Tente não perder a razão na


hora de conversar com o seu parceiro ou sua parceira. Sabemos que
agir com frieza neste tipo de caso não é simples, mas pode ser neces-
sário para evitar maiores dores de cabeça.

Segundo, procure sempre conversar. Não chegue acusando, mas sim,


abra espaço para o diálogo. Questione sua companhia, sobre como
estão as perspectivas da mesma perante o relacionamento de vocês
e o futuro. Se você notar que a pessoa está extremamente nervosa,
talvez este possa ser encarado como mais um indício.

As conversas francas podem surgir como uma base importante para


o relacionamento. Você pode falar de suas inseguranças - sem acusar
- e assim ouvir atentamente a outra versão da história.

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Por exemplo: Se você tem notado que a pessoa simplesmente tem


passado muito tempo no celular, que tal conversar com ele sobre
isso? Às vezes você acredita ser uma traição, e quando se dá conta, o
parceiro ou a parceira apenas baixou um novo jogo no celular…

É claro que na maior parte dos casos não é este o motivo do uso exa-
gerado do celular, mas sim, estamos apenas tentando ilustrar que o
diálogo pode desmistificar muita coisa, tornando a vida a dois mais
leve.

Porém, se você se deparar com sinais evidentes de traição, que se-


jam verdadeiras “provas”, o caminho precisa ser diferente. Novamen-
te, não confronte perdendo a razão. Sabemos que a dor, neste tipo
de caso, é imensa, mas você precisará agir com cautela para não se
machucar ainda mais.

Portanto, não tente “jogar verde”, se você já sabe da traição. Fale fran-
camente sobre o que você descobriu, e converse com o seu parceiro
a partir dessa perspectiva. É claro que episódios de discussão serão
consequências da traição… Mas, apenas estamos querendo dizer para
que você mantenha a calma e não se castigue ainda mais. Abaixo
discutiremos mais sobre isso.

Descobri o adultério, e agora?

A sensação de vazio, de perder o chão e de não ser digno de amor lhe


invade. Todo aquele sonho de “conto de fadas” vai por água abaixo e
você tem a sensação de que a sua vida a dois está sendo dissipada
de suas mãos.

Tudo isso é mais comum do que imaginamos ser. Tanto a traição, -


que é recorrente em muitos relacionamentos - quanto todas as sen-
sações provenientes da descoberta.
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Porém, como mencionamos acima, o primeiro passo sempre será co-


locar tudo em panos limpos, mas de maneira civilizada. Converse com
o parceiro sobre a sua descoberta e deixe bem claro as sensações
que você vem sentindo. Não tenha vergonha de assumir a sua dor,
pois muita gente, por conta de orgulho, prefere “fugir” e não se abrir,
e isso pode elevar o efeito doloroso.

Ao mesmo tempo, conversar com o parceiro não quer dizer entender


a traição, em hipótese alguma. Mas sim, é apenas deixar claro os mo-
tivos de tudo que vem acontecendo dentro do casamento.

De todo modo, existem algumas atitudes que você poderá tomar, a


partir do momento que descobre a traição. São eles:

1. Aceite a situação

Aceitar a situação, neste caso, é não negar que o ocorrido de fato


aconteceu. Compreender que você foi traída é difícil e muito doloro-
so, afinal, podemos nos sentir incapazes, incompletos e até mesmo
com menos valor. Isso acontece pois acreditamos que “fomos troca-
dos”, embora a traição não deva ser vista dessa forma.

Entretanto, é preciso estar ciente do grau de gravidade. Não tente


tapar o sol com a peneira, fingindo que não viu nada sobre a traição,
ou acreditando que simplesmente o adultério irá acabar em algum
momento, mesmo que você não faça e não fale nada.

É preciso, sim, confrontar a situação. O seu parceiro ou parceira preci-


sa saber que você descobriu para, a partir disso, estar ciente do que
pode vir mais tarde.

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2. Permita-se viver a dor do luto

Novamente vamos destacar a importância de não tentar “deixar para


lá”. Ou seja, é preciso aceitar e viver o “luto” de perder neste caso.

Mas como assim um luto?

Precisamos entender que sempre que perdemos algo, alguém ou al-


guma coisa (como no caso a confiança e o relacionamento), estamos
vivendo um luto. E como tal, deve ser respeitado e vivido em todas
as suas fases.

Isso significa dizer que não será da noite para o dia que você parará
de sofrer. Assim como simplesmente esconder os sentimentos talvez
não seja a melhor opção. Permita-se chorar e assim viver a dor, até
que ela esvazie.

Para sermos mais claros, existe uma concepção, trazida pelo psicana-
lista Juan David Nasio (em seu livro intitulado como “O Livro da Dor
e do Amor”), que diz que uma das formas de “gastar a dor do luto” é
justamente com palavras e lágrimas. Ou seja, conversar com alguém
importante, desabafar e chorar podem ser medidas que auxiliem na
superação da situação.

Além disso, não tenha pressa. Você não precisa “curar” essa dor da
noite para o dia. Mas sim, precisa respeitar o seu tempo de recu-
peração, e pouco a pouco vai restabelecendo o equilíbrio em sua
vida emocional.

3. Tome uma decisão

Depois que o período de aceitação e vivência do luto passarem, você


terá que tomar uma decisão definitiva perante a situação. Perdoar?
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Aceitar? Dar uma segunda chance? Tudo isso precisa ser pensado.

Mas fique calma! Você não precisa tomar essa decisão da noite para o
dia… Ao mesmo tempo, cuidado para não deixar para “muito depois”.
Afinal, com o passar do tempo você poderá sentir angústias a mais
na hora de pensar em findar o relacionamento (caso queira assim), e
isso poderá ser ainda mais doloroso.

Por isso, reflita sobre a situação, converse com alguém de confiança,


e ainda: aposte em psicoterapia, por exemplo.

Para saber mais sobre como agir diante da traição, a partir do per-
dão e da possibilidade de dar ou não uma segunda chance, acompa-
nhe o tópico seguinte.

Perdoe, mas não dê uma segunda chance

Perdoar uma traição pode parecer algo distante de acontecer, espe-


cialmente quando recém recebemos a notícia. Isso ocorre pois sen-
timos não apenas a dor da confiança quebrada, mas também, temos
outros pontos atingidos: autoestima, autoconfiança, etc.

É por isso e outros fatores que uma traição pode ser tão avassaladora
quando acontece. E assim, a possibilidade de perdoar pode ser difícil.

Em contrapartida, carregar o rancor pode tornar a dor ainda maior. É


claro que você não precisa aceitar o pedido de perdão nos primeiros
15 minutos… Mas sim, é preciso seguir as etapas de aceitação e vivên-
cia do seu luto, como já mencionamos anteriormente.

Ao mesmo tempo, é preciso quebrarmos a ideia errônea de que per-


doar alguém é aceitar o fato de proporcionar uma segunda chance.
Uma coisa não tem relação direta com a outra.
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Aceitar o perdão é colocar uma pedra em cima da situação, deixando-


-a no passado e seguindo em frente a partir disso. Dar uma segunda
chance seria correr o risco de viver um episódio semelhante.

Assim, o que você deveria se perguntar é: Eu aceito confiar mais uma


vez? Viver a angústia de renascer a confiança e, a partir disso, correr
o risco de sofrer mais um impacto doloroso?

Estas perguntas precisam ser respondidas com cautela e com segu-


rança, para que as frustrações não sejam cumulativas no futuro. Cui-
dado com o fator reincidente! Se sofrer uma traição já é dolorido,
imagine passar pela mesma situação duas vezes?

Afinal, pare e analise as situações abaixo, quanto ao fato de dar uma


segunda chance: O traidor pode sentir que a sua própria atitude, ape-
sar de negativa, ainda é “aceitável”, o que pode dar a ele a segurança
de cometer o erro outra vez.

Além disso, ele pode usar a forma que você descobriu a traição ao fa-
vor dele. Se você descobriu lendo uma mensagem, ele poderá apagar
as mensagens a partir de agora… E assim por diante.

Claro que cada caso é um caso, e por isso que realçamos tanto a
importância de você analisar racionalmente. Embora seja difícil, ana-
lisar com os sentimentos pulsando no coração pode ser equivocado.
Isso porque, obviamente, se você ama o seu parceiro ou parceira, po-
derá se entregar ao pedido de perdão e à segunda chance.

Entretanto, isso não quer dizer que você não deva analisar as cir-
cunstâncias. Claro que nunca é culpa de quem sofre a traição, mas
analisar como o casamento ou relacionamento estava caminhando
pode ser um bom exercício até mesmo para envolvimentos futuros.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Exceções da regra, quando vale a pena tentar de novo?

Seguindo o tópico anterior, é preciso pensarmos quando há possibili-


dade de tentar outra vez, seguindo a ideia de exceções da regra.

Pois bem, na realidade, não podemos listar “atitudes que merecem”


e as que “não merecem” ser perdoadas. Tudo dependerá da sua re-
lação com o seu parceiro, além do tipo de traição, frequência, com
quem foi, por que ocorreu, entre outros fatores.

Para isso, será preciso conversar. Sim, por mais doloroso que seja
entrar neste assunto com a outra pessoa, esta será a única forma de
colocar tudo em pratos limpos.

É preciso entender quais foram os estopins da atitude traiçoeira, en-


tender onde tudo começou… Além disso, a recorrência de encontros
também precisa ser analisada. Afinal, foi apenas uma vez? Duas? Vá-
rias? Por meses? Como aconteceu?

Isso porque, antes de qualquer coisa, somos seres humanos. E em


meio a um relacionamento recheado de brigas e desentendimentos,
alguém que possui questões pessoais pode se sentir ainda mais va-
zio que a parceira. Logo, poderá buscar na relação extraconjugal uma
forma de “curar” essas dores.

É claro que isso em hipótese alguma justifica uma traição, mas pode
nos dar pistas sobre a possibilidade de ela vir ou não acontecer no-
vamente no futuro.

Se o seu parceiro envolveu-se de modo carnal com outra pessoa, por


apenas uma noite, e pede perdão, o que você levará em conta para a
sua decisão de aceitar dar uma segunda chance ou não?

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ANDRÉ FERRARI

Leve em consideração não apenas o sentimento. Mas sim, todos os


trâmites envolvidos com o relacionamento. A possibilidade de um
casal renascer depois de um quadro deste tipo, pode ser grande. Mas,
você sabe que levará um bom tempo para restaurar a confiança.

A única pessoa que poderá avaliar se o seu relacionamento é uma ex-


ceção da regra é, justamente, você mesma. Mas cuidado! Essa avalia-
ção precisa ser muito bem feita e dentro de um tempo plausível. Não
será da noite para o dia que você saberá se quer ou não continuar.

Outro ponto importante é que você não deve se deixar levar pela sua
fragilidade e vulnerabilidade. Por exemplo, é possível que o seu parceiro
ou parceira lhe envie flores, cartões, mensagens de amor ou tome outras
atitudes românticas como tentativa de restabelecer a conexão entre vo-
cês. Esta atitude do traidor é bastante comum, e ele pode estar tentando
aproveitar do seu tempo de fragilidade para lhe “fisgar” novamente.

Por isso é imprescindível que você dê um tempo para si mesma. De-


cidir de uma semana para outra, se perdoa ou não, não é o melhor
caminho. Não deixe que a sua decisão de nova chance seja baseada
na dor que você está sentindo, de deixar a outra pessoa partir!

Pense de outra forma. Procure trazer mais para a racionalidade, co-


loque na balança e saiba em detalhes as causas da traição. Quanto
mais conversarem sobre o assunto, maiores serão as chances de você
tomar uma atitude mais coerente para si.

Por fim, não tenha pressa e não siga imposições.

Você precisa compreender o que é melhor para si mesma, mesmo


que isso lhe renda um divórcio que será dolorido no começo, mas,
mais tarde, será verdadeiramente libertador. Pense nestes detalhes.

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Capítulo VI

Ciúmes
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Ciúmes, o mal que corrói por dentro

Quem nunca sentiu ciúmes que atire a primeira pedra! Seja por medo
de ser traído, sofrer ou medo de ficar só, o ciúme pode aparecer em
diversos contextos de nossas vidas.

Ele perpassa não apenas os relacionamentos amorosos, como tam-


bém as amizades.

Porém, apesar de haver toda uma romantização exagerada em cima


dos ciumentos, este tipo de comportamento, quando exagerado,
pode gerar conflitos, desentendimentos e até mesmo agressividade
e descontrole.

Por conta disso, é preciso se atentar para todos os sinais deste mal,
antes que ele comande a sua vida. Continue acompanhando este im-
portante assunto nos próximos tópicos.

O que é ciúmes?

Em linhas gerais, o ciúme é um tipo de defesa psicológica, disparada


em momentos que nos sentimos inseguros e ameaçados por outra
pessoa. Ele aparece como uma tentativa de mantermos um relacio-
namento estável, seja no sentido amoroso, familiar ou de amizade.

Porém, ele pode muito bem servir de efeito rebote ao que propõe. Por
exemplo, o ciúme pode surgir no relacionamento como uma tentativa
de proteger o amor, impedindo que terceiros entrem na relação. Em
contrapartida, o excesso deste sentimento pode gerar o desgaste do
casamento, ocasionando o término.

Justamente por conta destes fatores é que devemos nos atentar para
a diferenciação do ciúme natural e o patológico. Além disso, compre-
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

ender por que sentimos ciúmes, para assim, sabermos controlá-lo de


uma maneira mais efetiva.

Por que sentimos ciúmes?

Uma terceira pessoa surge no relacionamento. Trata-se de alguém


bonito(a), bem sucedido(a) e que é uma ótima companhia. Automa-
ticamente um alerta surge em nossas mentes: Será que sou tão boa
quanto essa pessoa?

Este tipo de questionamento surge para pôr em palavras um sen-


timento: Ciúme. O ciúme é sentido a partir do momento que nos-
sa mente enxerga outra pessoa ou situação como uma ameaça. E
quando mencionamos ameaça, estamos falando de ameaça de per-
dermos alguém.

Logo, nosso organismo, que tenta ser “esperto”, dispara a sensação


de ciúme, que pode, inclusive, nos tirar da “razão” e nos levar para
o irracional.

Desconfianças em demasia surgem e, muitas vezes, nem representam


a realidade em nossa volta. Entretanto, quando estamos sentindo um
pico de ciúmes, torna-se muito difícil controlar, e é aqui que mora o
perigo maior.

Quanto mais somos dominados pelo ciúme e permitimos que ele


entre e se alastre em nosso relacionamento, mais caminhamos para
o caminho da obsessão. E assim que chegamos nesse patamar, todos
sofrem: nós, nosso parceiroo e até mesmo a terceira pessoa que pode
estar envolvida no problema.

Mas o que fazer se ciúmes acontecem com todos e sempre o sen-


tiremos em momentos de insegurança e receio? Bem, não dá para
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ANDRÉ FERRARI

simplesmente engavetar o ciúme. Porém, é possível trabalhar as cir-


cunstâncias para impedir que ele nos domine.

Afinal, lembre-se que podemos controlar nossa mente mais do que


ela nos controla, desde que trabalhemos para isso, é claro. E tudo
isso é questão de tempo, paciência, autoconhecimento, etc.

De qualquer forma, é preciso também estar ciente das causas do ci-


úme, para assim entender porque estamos sentindo.

Causas do ciúme

Entender as causas do ciúme pode ser o primeiro passo no trabalho


de autoconhecimento, para assim trilhar um caminho mais saudável
e equilibrado. Veja a seguir:

1. Baixa autoestima

Sem dúvidas, a baixa autoestima pode ser uma das maiores causas
de ciúme. Isso porque quando não trabalhamos o nosso amor-pró-
prio, acabamos nos sentindo inferiores às outras pessoas.

Logo, quando toda essa insegurança nos inunda, acreditamos que


o outro é melhor que nós, e assim, qualquer pessoa se torna uma
verdadeira ameaça para o nosso relacionamento. Afinal, se o outro
é melhor, ele pode muito bem roubar o que é nosso, não é mesmo?

Mas quem disse que ele é melhor?

2. Mudanças no relacionamento

Mudanças repentinas e expressivas no relacionamento também po-


dem servir de gatilho para o ciúme. Um exemplo seria a troca de
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

emprego, conhecer alguém novo e manter muito contato com essa


pessoa, entre outros.

Neste tipo de situação, o melhor a se fazer é analisar os fatos com


um pensamento mais racional. E se realmente o(a) parceiro(a) estiver
passando dos limites, é melhor investir no diálogo e deixar claro as
atitudes que estão desagradando. Lembre-se apenas de conversar e
não “mandar” no(a) parceiro(a), ok?

3. Ansiedade

A ansiedade é, sem dúvidas, um excesso de futuro que pode nos en-


golir da noite para o dia. Tememos que algo ruim aconteça, sem ao
menos sabermos o que de ruim pode acontecer. Assim, vamos viven-
do no limbo entre o agora e o que pode acontecer de errado depois.

Sendo assim, esse excesso de futuro pode respingar em um relaciona-


mento amoroso. Sentimentos de insegurança surgem como um alerta
que diz “e ‘se’ meu/minha parceiro(a) me trair? Como vou me sentir?”.

Perceba que a situação nem precisa acontecer para o ciúme e o medo


começarem a se instaurar no relacionamento.

4. Comportamento do(a) parceiro(a)

É claro que os comportamentos do(a) parceiro(a) também servem de


gatilho. Um(a) parceiro(a) muito sociável, que conhece muita gente e
costuma ser muito simpático(a) com as pessoas, pode gerar um des-
conforto. Especialmente se você é uma pessoa introvertida.

Neste caso, novamente o diálogo pode ser a solução. E lembre-se: se


o(a) parceiro(a) escolheu você, que é uma pessoa introvertida, por
que ele(a) iria querer uma extrovertida da noite para o dia?
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ANDRÉ FERRARI

5. Comportamento de terceiros

Às vezes, o(a) parceiro(a) não demonstra nenhum tipo de compor-


tamento que possa gerar a insegurança em você. Porém, existe uma
terceira pessoa que tem lhe provocado ciúmes.

Por exemplo, se alguém do trabalho do(a) seu/sua companheiro(a)


está mandando mensagens e sendo pouco profissional com ele(a),
certamente o sentimento de ciúmes poderá surgir.

Neste tipo de situação, solicitar que o(a) parceiro(a) seja mais as-
sertivo(a) e “corte” estes comportamentos da outra pessoa pode ser
uma solução.

6. Infância e contexto de vida

História de vida difícil; crescer em um lar repleto de abandono e


traição; estar dentro de um contexto que normaliza este tipo de
comportamento; dentre outros fatores. Tudo isso pode gerar o ciú-
me exagerado.

Afinal, a pessoa pode ter recebido certa educação que enaltece a ne-
cessidade de demonstrar um controle maior, apenas para não perder
quem ama.

7. Dependência emocional - medo de abandono

A dependência emocional também pode entrar para a nossa lista.


Isso, pois, a mesma trata-se de uma necessidade exagerada de ter a
atenção e o cuidado da outra pessoa. Ao ficar dependente dela, você
pode temer ficar sem a pessoa em sua vida, como se ela fosse a sua
única razão de viver.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

E a partir do momento que você a enxerga como a única razão, pode


acabar se entregando à uma dependência exagerada, que gera o ciú-
me por medo do abandono.

8. Relacionamentos fracassados

Por fim, não podemos deixar de mencionar o quanto os relaciona-


mentos passados podem impactar diretamente nos relacionamentos
que temos hoje.

Ainda mais se partirmos da ideia de que os nossos romances vivem


certa repetição, como se sempre encontrássemos pessoas com traços
semelhantes, mesmo que de maneira remota.

Logo, ao viver uma desilusão amorosa e sofrer uma traição muito


grande no passado, sentimos o receio de que isso vá se repetir com
qualquer pessoa. Automaticamente geramos a angústia do ciúme,
mesmo que nosso(a) parceiro não demonstre nenhum tipo de com-
portamento estranho.

Sinais de ciúme obsessivo

Entender as causas do ciúme é o primeiro passo para aprender a lidar


com a situação. Entretanto, para além disso é preciso compreender
os sinais de que o ciúme pode estar caminhando para uma situação
mais séria, que é quando se torna uma verdadeira obsessão.

Assim, avalie seus comportamentos ou do seu parceiro ou parceira,


considerando os pontos a seguir:

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ANDRÉ FERRARI

1. Controle constante

O ciúme obsessivo começa a dar os primeiros sinais quando o con-


trole se torna constante. As perguntas excessivas, para saber aonde
vai, com quem vai e que horas volta; as insistentes ligações ao longo
do dia, sem motivo aparente, apenas para conversar com a pessoa; a
necessidade de saber tudo o que o outro faz; entre outras atitudes,
podem denunciar um ciúme obsessivo.

É como se a pessoa nunca estivesse satisfeita. Ela quer sempre saber


mais sobre quem está ao seu lado, controlando horários, amizades,
locais que frequenta e até mesmo a roupa que veste.

2. Companhia excessiva

Quando nos apaixonamos, temos a sensação de quem nem todo o


tempo do mundo ao lado da pessoa é suficiente para suprir nossos
desejos de tê-la por perto. Porém, quando o período da paixão passa,
o amor permanece. E nesta nova fase passamos a enxergar as coisas
de uma forma diferente.

Aqui, sabemos que cada pessoa possui uma vida e necessita de pri-
vacidade e espaço. Entretanto, quando o ciúme obsessivo aparece,
este tipo de ideia soa como incoerente. A pessoa controladora passa
a querer estar o máximo de tempo possível por perto, e não por conta
da paixão, mas apenas para observar cada passo do(a) parceiro(a).

O espaço é invadido, e os momentos para ficar sozinho praticamente


desaparecem. E quando o(a) parceiro(a) relata querer ficar sozinho(a),
é acusado(a) de não amar.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

3. Demonstração de propriedade

A demonstração de propriedade é outro alerta que pode represen-


tar um relacionamento abusivo, ao lado de um ciumento obsessi-
vo. Isso porque o obsessivo enuncia frases como “Você é minha/
meu” com uma frequência que ultrapassa o que consideramos de
amor ou paixão.

Por exemplo: O parceiro diz para a namorada “você é minha e não irá
para aquele evento”, é muito diferente do que diz “você é minha e o
amor da minha vida”. Percebe a diferença?

Os sinais da obsessão podem até ser sutis no começo, entretanto,


com o passar do tempo evolui, caso nenhuma medida seja tomada,
tornando a situação cada vez mais desgastante e dolorida.

Ciúme saudável versus obsessivo

Entendido os sinais do ciúme obsessivo, e as causas dos ciúmes, você


deve estar se perguntando: Mas existe ciúme saudável? Como saber
se os sentimentos envolvidos em meu relacionamento são saudáveis
ou estão beirando a obsessão? Para isso, algumas diferenças podem
ser observadas:

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ANDRÉ FERRARI

Uma pessoa com ciúme Uma pessoa com ciúme


saudável obsessivo
Proibição. O(a) parceiro(a) não
Demonstra de ciúme ao ver o(a)
permite que sua companheira
parceiro(a) sair de casa.
saia de casa.
Proibição. O(a) parceiro(a) diz
Demonstra inquietude quando
para você não conversar mais
você conversa constantemente
com a pessoa, caso contrário,
com um amigo.
terminará o relacionamento.
É explosivo(a) e controlador(a),
Não controla e nem machuca. além de provocar feridas
psicológicas intensas.

Invasão constante da privacida-


de, exigindo a senha das redes
Respeita à privacidade.
sociais, confiscando o celular,
etc.

Demonstra o ciúmes através de


Esclarece na base do diálogo
agressões físicas, verbais e até
tranquilo.
mesmo que põe a vida em risco.
Conversa francamente sobre Interfere em relações profissio-
algumas atitudes que possam nais. Como por exemplo, orde-
causar desconforto. nar que peça demissão.
Busca o equilíbrio da relação. Tenta mandar na relação.
Compreende e demonstra res-
Demonstra atitude violenta.
peito.
Sempre demonstra ciúme de
Consegue guardar o ciúme para maneira excessiva e desenca-
si, e quando não, fala de manei- deia conversas desgastantes
ra tranquila e apropriada. esperando uma confissão do(a)
parceiro(a).

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Como controlar e tratar a insegurança

O primeiro passo para controlar a insegurança e o ciúme é, sem dú-


vidas, buscar o autoconhecimento. Entender a causa do ciúme pode
ser uma maneira de saber como lidar com a situação. Afinal, o ciúme
pode ser provocado tanto por fatos, quanto por traumas que pode-
mos ter dentro de nós.

Além disso, tentar manter um pensamento mais racional também


é importante. Pois a emoção pode atrapalhar a forma como en-
xergamos as situações e acontecimentos. Por isso, tirar conclusões
precipitadas, partindo da emoção, antes mesmo de uma conversa
franca, é perigoso.

Não tente invadir a privacidade do outro. Conversar tranquilamen-


te sobre uma situação é muito mais saudável e válido do que “sair
atirando” acusações. Quando você sente que está prestes a explodir
de ciúmes, uma boa pedida é sair para respirar ar fresco, pensar em
outras coisas e, quando os sentimentos de raiva diminuírem, começar
a pensar na situação de uma maneira mais racional.

Tudo isso poderá ajudar a diminuir as situações desgastantes, mas,


é importante lembrar que se tratam de medidas de longo prazo. Isto
é, não é da noite para o dia que você conhece suas limitações e as
trabalha. É preciso tempo, paciência e foco.

163
Capítulo VII

Aplicativos de
Relacionamento:
Uma cilada emocional
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Aplicativos, uma nova modalidade de paquera.

Quem nunca utilizou um aplicativo de relacionamento e teve espe-


ranças de encontrar alguém legal? Entre um like e outro sempre ve-
mos perfis interessantes e que nos chamam a atenção.

Há todo o tipo de pessoas nesses aplicativos. Os que buscam apenas


conhecer novas pessoas, aqueles que querem um relacionamento,
quem deseja apenas se divertir e uma grande maioria que deseja
apenas algo casual.

É claro que tem mulheres que encontraram seus agora maridos nes-
ses apps, mas a grande maioria só consegue uma diversão passagei-
ra. Então, a melhor maneira de não cair em uma cilada emocional é
não criar expectativas.

Os perfis de homens

Se você usa frequentemente aplicativos de relacionamento já


percebeu que sempre há alguns perfis típicos de homem. Carac-
terísticas que apontam rapidamente se você está entrando em
uma fria ou não.

Listamos alguns dos mais típicos para você fugir imediatamente se


encontrar, ok? Não perca seu tempo com eles porque com certeza
estará entrando em uma cilada emocional.

O disponível

Já encontrou em um desses aplicativos aquele cara super disponível?


Te responde a todo momento, pediu suas outras redes sociais, fica
a todo momento falando sobre seu dia e com assuntos aleatórios.
Geralmente ele nem vai propor um encontro ou demonstrar algum
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ANDRÉ FERRARI

interesse afetivo. Em resumo, ele busca muito mais uma amiga do


que uma namorada.

O exibicionista

A primeira foto dele nesses perfis quase não mostra rosto, mas ga-
rante a imagem sem camisa mostrando o peitoral. Ele é totalmente
focado no físico e já tem um padrão ideal de mulher. Na maioria dos
casos ele não quer uma companheira para a vida, mas sim para al-
guns momentos de prazer e nada mais.

O blasé

Não tem muita paciência para as redes sociais e nem se esforça para
ter uma interação bacana. Basicamente ele vai mandar algumas men-
sagens e só do que for de seu interessante. Ele é aquele cara que
fugimos na vida real, e agora também na virtual.

O ex

Atire a primeira pedra quem nunca deu um match com aquele ex.
Sabe aquela história de melhor um conhecido do que um estranho?
Nada disso! Quase sempre esse ex foi um livramento na sua vida.
Uma pessoa que só fez mal ou que não deu certo. Então nada de se-
gundas chances por aqui!

O exigente

Logo no perfil você encontra uma lista de como a mulher deve ser
e agir. Basicamente ele já possui o padrão ideal e acha que é mui-
to bom para merecer qualquer coisa que seja diferente. Mesmo
se você se enquadre nos desejos dele, quem não merece alguém
assim é você.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

O fake

Nem precisa explicar o motivo de fugir de um cara que ao invés de


usar uma foto própria pega a imagem de outra pessoa, né? Se ele já
mente na internet, imagine como deve ser na vida real.

O tarado

A primeira mensagem dele depois do match é “você manda nudes?”.


Fuja de homens assim, porque eles só estão tentando colecionar fo-
tos de mulheres e nunca querem nada sério. Além disso, muitos deles
podem vazar suas informações e seus interesses não são os mesmos.

Esses são alguns dos perfis mais comuns que podemos encontrar
nesses aplicativos. Mas vale lembrar que também há homens interes-
santes neles e que pode ter a sorte de encontrar um.

Antes de dar like em alguém nesses aplicativos lembre-se da lista e


se perceber que se enquadra aqui desista. Não tem rostinho bonito
que valha a pena futuramente. Conselho de amiga para vocês, ok?

Como identificar um cara legal nos aplicativos?

Não existem apenas homens babacas nesses aplicativos. Também é


possível conhecer pessoas legais e até mesmo ter um romance. En-
tão, veja algumas dicas para não cair em uma cilada emocional.

Analise se o homem usa fotos próprias e se nenhuma delas tem ape-


lo sexual ou até mesmo foto com namorada;

Verifique se no perfil ele conta mais sobre sua vida ou se lista o tipo
de mulher ideal;

167
ANDRÉ FERRARI

Veja se tem gostos em comum com ele e que podem ser assuntos
para as primeiras conversas;

Se possuírem amigos em comum pergunte a eles sobre o homem;

Nas primeiras conversas veja se ele é engraçado e atencioso ou se


busca apenas sexo e fotos suas;

Em resumo, você conseguirá conhecer melhor um paquera quando


começar a conversar com ele. Assim, poderá ver se possuem algo em
comum e se sente bem estando perto dele ou não.

Cuidados que deve ter em aplicativos

Há alguns cuidados que é importante tomar ao estar nesses apli-


cativos. Afinal, algumas pessoas sempre buscam prejudicar outras.
Além disso, você não conhece a maioria das pessoas que vai en-
contrar por lá.

Veja abaixo cuidados básicos que podem tornar a sua experiência


mais segura. Colocá-los em prática pode livrá-las de muitas frias e de
pessoas tóxicas e que podem prejudicá-las.

Jamais passe informações pessoais

Tem pessoas que vão a qualquer custo tentar obter informações pes-
soais de você. Seu nome completo, endereço, onde trabalha. Jamais
passe elas a alguém totalmente desconhecido. É importante que ele
conquiste sua confiança e se sinta segura antes de entrar nesses as-
suntos.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Cuidado ao enviar nudes

Muitos homens estão nesses aplicativos apenas em busca de fotos


de mulheres. Cuidado ao enviar nudes, ainda mais se for possível
identificar seu rosto. Pode ser que alguém vaze suas imagens ou até
mesmo te chantageie por isso futuramente.

Não marque os primeiros encontros sozinhos

Mesmo que esteja muito afim de que o primeiro encontro seja mais
quente, evite ao máximo ficar totalmente sozinha com um desconhe-
cido. O ideal é que seja em algum lugar público, ou então, que esco-
lham um motel. Geralmente as pessoas na internet parecem ser mais
legais do que realmente são, então é bom conhecer pessoalmente
em um lugar mais seguro.

Evite passar todas suas redes sociais

É comum que logo nas primeiras conversas os homens já peçam ou-


tras redes sociais. O Instagram, Whatsapp, telefone. Enfim, espere um
tempo para passar. Conheça o cara e veja se realmente vale a pena.
Porque assim, caso desistir, basta tirar o like e não terá que se preo-
cupar mais. Porém, se ele tiver outros contatos é possível que fique
insistindo sem parar.

Não aceite um relacionamento online

Caso algum homem venha com um papo de relacionamento online e


evite te conhecer é melhor você fugir. Muitos caras namoram e usam
esses apps como uma fuga. Inclusive, é uma forma de trair as namo-
radas sem que elas descubram. Então fuja de papinhos assim, porque
quase sempre pode ser uma fria, ainda mais se ele esconde muito a
vida pessoal.
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ANDRÉ FERRARI

Sem expectativas

Parece simples, mas não é. Geralmente quando encontramos alguém


interessante em aplicativos já começamos a criar expectativas e pen-
sar como seria ter um relacionamento com essa pessoa. Mas se algo
foge do que esperamos a frustração vem. Então, a melhor maneira de
deixar tudo mais leve é não criar expectativa.

Aproveite esses aplicativos para conhecer homens interessantes. Se


sentir confiança marque alguns encontros e talvez terá a sorte de con-
quistar um relacionamento. Caso não consiga, sem problemas tam-
bém, o que vale mesmo é a experiência conquistada. Não se fruste e
nem fique deprimida, são inúmeras possibilidades e pessoas novas
que poderá conhecer todos os dias, é o momento de tentar a sorte.

170
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Mentorias,
as questões mais frequentes.

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ANDRÉ FERRARI

Cada relacionamento possui características únicas. Sonhos únicos. E


também, brigas únicas! Porém, sempre existem aquelas dúvidas que
podem ser mais comuns que imaginamos.

Por isso, separamos as questões mais frequentes para discutirmos a


respeito do que mais deixam as pessoas em dúvidas em um relacio-
namento. Acompanhe os próximos tópicos para saber mais.

Se eu sair dessa relação abusiva, ninguém mais vai me querer

Sem dúvidas, este é um dos questionamentos que mais atormenta


o dia a dia das vítimas de relacionamentos abusivos. Afinal, dentro
de uma relação abusiva, muitas vezes quem sofre também é mani-
pulado a ponto de acreditar que não possui nenhum tipo de quali-
dade e atributo.

Isso porque o abusador, para poder “dominar” a relação, mexe com o


psicológico da vítima. Faz com que ela se sinta culpada por todos os
erros do relacionamento, além de acusá-la de coisas que não fez. E
ainda: aponta apenas os defeitos da vítima, elevando-os ao máximo,
como se fossem verdade.

É claro que ninguém no mundo é perfeito. Porém, é preciso com-


preender que sempre haverá qualidades e defeitos em uma pessoa.
Obviamente, você não foge desta “regra”.

Mas, com toda a situação humilhante, onde o abusador aponta ape-


nas as suas falhas e defeitos, você pode acabar, dia após dia, se en-
xergando de uma maneira cada vez pior. Tudo o que você ouve, do
outro, apontando que você é “péssima” e que ninguém vai querer
você, diz respeito à apenas uma pessoa: o próprio abusador.

172
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Isso mesmo! Pois você sabia que quanto mais apontamos algo de al-
guém, mais estamos apontando para nós mesmos? Por isso, todas as
vezes que o seu parceiro for abusivo e apenas lhe ofender, lembre-se
que a ofensa parte mais do que há dentro do outro, do que de quem
é verdadeiramente ofendido.

Além disso, lembre-se também de que ninguém é perfeito. Somos


seres humanos! E como tais, estamos a todo dia nos desenvolvendo,
aprendendo e crescendo. Isso nos dá a chance de sermos cada vez
melhores, dentro de nossa própria imperfeição.

Mas o que isso quer dizer na prática? Quer dizer que você, em meio aos
defeitos que você enxerga, possui muitas qualidades e oportunidades
de melhorar todos os dias. E sabe o que mais? Essa melhoria deve sem-
pre partir em prol do seu bem-estar, e nunca para agradar outra pessoa.

Logo, pouco a pouco você vai reconstruindo o seu amor-próprio e a


sua autoestima. Quando se dá conta, já estará se deparando com ou-
tras pessoas em sua volta. E ainda: Perceberá que todas elas também
contam com uma lista de qualidades e defeitos.

Por isso, pare de achar que se você ficar solteira, ficará sozinha para
sempre. Isso é uma das maiores mentiras que um abusador pode
dizer para você!

Comece a enxergar o seu potencial, as suas qualidades e trabalhe em


seus defeitos para melhorá-los. E lembre-se sempre de fazer tudo
isso por você mesma, e jamais por outra pessoa, combinado?

Assim, pouco a pouco você se autoconhece, descobre-se e percebe


que o mundo é muito mais vasto e repleto de oportunidades, dife-
rente do universo sombrio que o abusador tenta fazer com que você
acredite que ele existe.
173
ANDRÉ FERRARI

No começo ele era apaixonado e depois foi esfriando.


O que aconteceu?

É sempre importante você ter em mente a diferença entre a paixão


e o amor. Para sermos práticos, vamos falar brevemente sobre estes
dois pontos e depois discutir o que eles têm a ver com um relaciona-
mento que “esfriou”.

A paixão, na realidade, nada mais é do que uma sensação de euforia


que sentimos, principalmente no começo da relação. Aqui, a necessi-
dade de ter o outro sempre perto é gritante, além de a energia sexual
aparecer com certa voracidade.

Além disso, é no período em que estamos apaixonados que enxerga-


mos a outra pessoa de maneira idealizada. Assim, a vemos como per-
feita, e tudo que ela faz parece ser a melhor coisa do mundo. Porém,
é claro que este período não é eterno.

Na medida em que vamos conhecendo melhor quem está ao nosso


lado, esse sentimento explosivo, de querer “mais e mais”, diminui.
Assim, acabamos nos acomodando com algumas coisas que a outra
pessoa nos apresenta, além de passarmos a enxergar os defeitos com
mais clareza.

Tudo isso acontece pois, com o passar do tempo, vamos deixando de


lado aquela “lente” que usávamos para enxergar a pessoa amada,
quando ainda havia paixão. Desse modo, enxergamos quem amamos
de uma forma mais profunda, nesta segunda etapa.

Logo, aquela necessidade urgente, de ficar o tempo todo por perto,


diminui. Pouco a pouco vamos moldando a nossa rotina de uma
maneira que há mais espaço para a outra pessoa respirar e viver a
sua privacidade.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Aqui, podemos dizer que há a instauração do amor. Com isso, é muito


comum haver a sensação de que o relacionamento esfriou. Afinal, a
chama da paixão passou, e o amor é o que permaneceu.

Em contrapartida, não devemos pensar que um relacionamento frio


é um relacionamento adequado. Longe disso! Tudo é uma questão
de equilíbrio.

Apenas estamos expondo que, sim, o calor pode diminuir, mas não
pode acabar! Momentos românticos, que ocorrem eventualmente, as-
sim como a demonstração de desejo, ainda precisam aparecer.

Agora, se tudo isso desapareceu, é preciso reavaliar o relacionamento


e, a partir disso, ter uma conversa franca com o parceiro ou parceira.

Terminamos, mas quando ele viu que estava com outro, ele
surgiu apaixonado. É amor?

Aqui é preciso ter um pouco mais de cautela. Primeiramente, é pre-


ciso avaliar quem foi que terminou o relacionamento, e qual era o
motivo deste término. Se houve uma situação plausível e um término
saudável, vale a pena considerar a possibilidade.

Porém, se o parceiro terminou o relacionamento e não demonstrou


muita conexão com a perda, talvez esteja apenas sentindo a famosa
“dor de cotovelo”.

Afinal, por essência, os seres humanos são seres narcisistas. Mas o


que isso quer dizer? Quer dizer que em boa parte de nossas vidas
nós estaremos trabalhando em prol da nossa imagem. E não estamos
falando apenas da beleza física, é claro.

175
ANDRÉ FERRARI

Assim, é muito mais interessante para alguém ver o seu ex ou a sua ex


“sofrendo” a perda do que iniciando um rolo com outra pessoa. Isso
pois, de maneira inconsciente, podemos acreditar que somos pesso-
as incríveis, se a outra sofrer a nossa perda. Agora, se o nosso ex ou a
nossa ex está engatando um relacionamento com outro, significa que
somos “esquecíveis”. E pasme: de fato somos!

Mas isso não quer dizer que seja tão simples aceitar a situação. Es-
pecialmente se o seu ex terminar com você de uma maneira confusa,
sem ter muita convicção do que ele quer para a vida dele. Afinal, ele
não quer um compromisso, mas pode apenas querer tê-la sempre
por perto, o que não é nada justo.

Quando entramos neste campo do narcisismo, é muito perigoso.


Precisamos sentar e avaliar as situações com cautela e atenção. E
lembre-se: Não se deixe levar por romantização e afetos vazios. Você
sempre merece o todo!

Se o seu ex lhe procurou logo depois que você estava tendo um “rolo”
com outra pessoa, desconfie. E apenas converse a respeito do assun-
to de reatar, caso você se sinta convocada a isso.

Isto é, não se deixe levar pelo comodismo de voltar para alguém que
você já conhece e tem uma convivência. Mas sim, sempre avalie de
maneira racional. Pense, por exemplo, sobre questões acerca de:

• Vale a pena reatar?


• Qual foi o motivo do término?
• Eu ainda o amo?
• Será que uma nova chance trará bons frutos?
• Quais as chances de eu me frustrar?

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Estes e outros questionamentos precisam surgir antes da tomada de


decisão. Afinal, cada caso é um caso.

Ele diz que tem medo de assumir um compromisso sério.

Essa fala pode ser, em suma, uma tentativa de fugir da responsabili-


dade. Afinal, em essência, o medo de compromisso sério é o medo da
responsabilidade.

De qualquer maneira, precisamos avaliar a situação de uma forma


crítica e que considere o seu bem-estar dentro deste tipo de relacio-
namento.

Isso, pois, se não lhe incomoda o fato de não ter um compromisso


sério, ok, então vá em frente! Porém, se você necessita deste tipo de
atitude, talvez seja o momento de repensar o quanto você está dis-
posta a seguir adiante com este tipo de relação.

Afinal, assim como você não pode forçar a outra pessoa a aceitar um
relacionamento sério, você também não pode ser forçada a perma-
necer em uma situação que não seja do seu agrado.

Lembre-se sempre que um relacionamento é uma via de mão dupla


e, por conta desse fator, deve agradar ambos os lados envolvidos.

Jamais se sujeite a um relacionamento aberto, por exemplo, se esta


não for a sua vontade e o seu real desejo.

De qualquer forma, se você sente que ama esta pessoa, converse com
ela. Seja franca! Fale dos seus anseios e desejos e, se ainda assim não
houver uma melhora ou possibilidade de haver um relacionamento
sério, talvez seja melhor você partir para outra.

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ANDRÉ FERRARI

Nunca deixe de lado as suas vontades apenas para ceder ao outro, ok?

Me envolvi com um homem casado que promete o mundo,


mas enrola para terminar o casamento.

Está é, sem dúvidas, uma das situações mais delicadas que podemos
nos deparar. Mas, antes de qualquer coisa, já faça a pergunta para
si mesma: Se ele enrola tanto para terminar o casamento, será que
realmente ele está querendo pôr um fim?

Muitas vezes, ele pode estar satisfeito com vocês duas! E por mais
doloroso que isso possa soar, infelizmente é a realidade. Isso porque
muitas pessoas buscam, constantemente, “tapar buracos” do casa-
mento com as medidas mais desprezíveis possíveis. E uma destas
medidas “ruins” pode ser a de encontrar uma amante.

Porém, o que ele não contava era que a paixão da amante fosse nas-
cer… Consequentemente, se vê em uma difícil situação onde terá que
lidar com a decisão de escolher uma só mulher. Mas, qual é mais fácil
escolher?

Sim, pode ser muito doloroso pensar sobre o assunto. Mas é preciso
ter em mente que assim como o relacionamento de vocês nasceu da
traição, ele poderá também caminhar para este trajeto.

É claro que cada caso é um caso. Mas você sempre deverá avaliar
como você se sente dentro de todo este cenário.

Certamente se você diz que ele está enrolando, é porque não deseja
esperar mais. E se não deseja esperar, para quê se manter nesta gan-
gorra emocional?

178
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Sendo assim, pare de se sujeitar ao lugar de “segunda opção” e co-


mece a se portar como a mulher incrível que você sabe que é! Se o
outro não quer terminar o casamento e assumir você, não fique se
torturando e coloque um fim na sua angústia. Entretanto, se quiser
persistir, tenha em mente os riscos que você está correndo.

Ele sempre me pede dinheiro e eu acabo dando com medo


de perdê-lo

Aqui você deve avaliar a situação partindo de um pressuposto mais


racional. Isso porque quando deixamos as nossas emoções falarem
mais alto, infelizmente agimos de uma forma mais impulsiva.

Não que as nossas emoções não sejam importantes, é claro que


não estamos relatando isso. Entretanto, o que queremos dizer é que
quando não sabemos “ler” bem as nossas emoções, elas podem nos
levar para ciladas afetivas. E é justamente isso que pode estar acon-
tecendo neste caso.

Afinal, pare e reflita: Se o seu parceiro verdadeiramente lhe ama, por-


que ele lhe deixaria caso você simplesmente não pagasse o dinheiro
que ele está solicitando? E ainda: Se ele usa isso como critério, será
que o que ele realmente sente por você é amor?

Sabemos que as respostas para estes questionamentos podem ser


um pouco dolorosas. Entretanto, são necessárias para que você co-
mece a enxergar a situação de uma forma mais clara.

Sendo assim, se você não se sente à vontade para dar dinheiro ao


parceiro, e apenas o faz com medo de perdê-lo, talvez seja o momen-
to de partir para a razão, e não emoção.

179
ANDRÉ FERRARI

Isto é, se você quer negar, mas tem medo, experimente dizer não a
primeira vez! Se o seu parceiro realmente estiver com você por amor,
ele até poderá demonstrar chateação, mas entenderá o seu lado.
Caso contrário, talvez a relação já esteja em uma situação unilateral.
Avalie sempre com cuidado.

Você deve sempre ter em mente que não precisa aceitar todos os pe-
didos do outro, apenas para provar o seu amor. Afinal, se este tipo de
coisa acontece, é porque deixou de ser amor e está entrando em um
caminho de obsessão e abusividade! Portanto, tenha muito cuidado
e sempre analise as situações com muita cautela e atenção.

Sempre diz que quer me ver, mas nunca marca pra sair.

Já ouviu falar naquela expressão de “quem quer, consegue”? Pois é…


Talvez ela seja uma ótima opção para você avaliar este tipo de cenário.

É claro que nem tudo se resume a resposta que você pode dar a este
questionamento que mencionamos. Mas sim, ele deve servir apenas
de alerta para que você comece a se questionar e a pensar na situa-
ção de uma maneira mais interessante e racional.

Entretanto, antes de sair atirando pedras e acusando o parceiro de


que não quer lhe ver, comece a refletir sobre as desculpas que ele
pode estar dando. Se você percebe que não se tratam de justificativas
plausíveis, talvez seja o momento de reavaliar o caso. Em contrapar-
tida, se sempre há um “porque” entendível, talvez você deva exercitar
a sua paciência.

Em paralelo a isso, é preciso ver quem dos dois está se esforçando


mais para marcar encontros e momentos a dois. Por exemplo, se ape-
nas você o convida para sair e a atitude nunca parte dele, o que será
que pode estar acontecendo?
180
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

É sempre aconselhável manter uma relação bem próxima e com um


diálogo fluído. Às vezes, o seu parceiro nem se dá conta que você espe-
ra um convite dele, e o mesmo se acomoda, esperando os seus. Assim,
quando você conversa sobre este tipo de ponto estar lhe incomodan-
do, dá margem para que ele reflita acerca das obrigações dele.

Logo, juntos vocês poderão construir um relacionamento mais sau-


dável e equilibrado.

Porém, se mesmo depois de conversas e mais conversas, ainda assim


a “coisa não sair do lugar”, talvez chegará o momento de você mesma
avaliar se deseja seguir adiante dessa forma, ou se prefere recomeçar.

Lembre-se sempre que na hora de avaliar as situações é preciso ter


cuidado e pensar a partir do ponto de vista da razão, para assim, não
deixar as suas emoções “mandarem” em suas decisões.

Terminei uma relação de anos e um amor do passado reapareceu.

Depois de muitos anos vivendo ao lado de uma pessoa, você pas-


sou a perceber que o caminho do relacionamento já não era mais o
que vocês haviam sonhado até então. O tempo passou, muita coisa
mudou. Os gostos, as prioridades, os desejos e sonhos. Nada mais
normal que isso!

E quando ambos os lados não se sentem mais conectados como an-


tes, nada melhor do que findar de uma maneira saudável e assim
seguir a vida. Sempre guardando o que foi bom e todos os ensina-
mentos do relacionamento.

Porém, quando você ainda está tentando restaurar as perspectivas


(afinal, por mais amigável que seja um término, ainda é um térmi-
no), reaparece um amor do passado. Algo acontece dentro de você, e
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ANDRÉ FERRARI

aquela sensação de dúvida pode surgir com uma força avassaladora.


O que fazer diante deste tipo de caso?

Bem, tudo depende do contexto, como sempre. Afinal, relações hu-


manas são complexas e cada caso sempre será um caso único e di-
ferente, mas também, sempre haverá pontos em comum que podem
ser avaliados.

Desse modo, é preciso que você reflita sobre a sua real situação: Até
que ponto o amor reapareceu ou você ainda está vulnerável pelo tér-
mino e sentindo uma espécie de carência? Será que este é o melhor
momento para já iniciar um novo relacionamento, ou talvez você de-
vesse aproveitar a fase sozinha para refletir, planejar, sonhar e pensar
no seu futuro enquanto mulher?

É preciso que você vá devagar e sempre pense em diversos contextos


que serão afetados. É claro que sentir as “borboletas no estômago”,
especialmente depois de um término, pode ser uma ótima maneira
de se recompor. Ainda mais se estas borboletas forem provocadas
por alguém que você já teve uma história e já aprendeu muito sobre,
no passado.

Mas, cuidado para não transformar a sua vulnerabilidade emocional


em uma cilada. Lembra que volta e meia mencionamos que muitas
vezes nossas emoções tentam mandar em nós? Pois é! Por isso você
sempre deve dar um tempo antes de tomar uma atitude, especial-
mente quando falamos sobre coisas do coração.

Pare, pense e reflita sobre cada ponto que pode ser impactado com o
reaparecimento desse amor. Não decida da noite para o dia, e traba-
lhe o seu autoconhecimento antes de qualquer coisa.

182
CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Afinal, é garantido que você, ao sair de um relacionamento longo,


não deseja simplesmente “se enfiar” em um novo (não tão novo) e
ainda repetir os erros do passado, não é mesmo? Portanto, lembre-se
de ter paciência, atenção e pensar de forma racional, equilibrada e
tranquila.

Depois de uma relação longa, não consigo compromisso nenhum.


Por que isso acontece?

É bom sempre frisarmos que os relacionamentos humanos são muito


complexos e podem envolver diversos fatores e contextos da vida de
uma pessoa. Por isso, estaríamos sendo muito negligentes se sim-
plesmente apontássemos um único “porque” para responder a esta
pergunta. Entretanto, é claro que sempre há alguns parâmetros que
podemos utilizar como métricas para avaliar a situação.

Em primeiro lugar, é preciso que você reflita o que foi que a levou fin-
dar o primeiro relacionamento longo. Quais foram os acontecimentos
e o que se desenrolou neste relacionamento. Em segundo lugar, ava-
lie o quanto estes acontecimentos podem ter se tornado um verda-
deiro trauma em sua vida.

Por exemplo, para que você possa entender o que estamos querendo
dizer, vamos ilustrar com uma situação fictícia, porém, muito corri-
queira:

• Em um caso onde o relacionamento termina depois de uma


traição, a pessoa que foi traída pode sentir uma dor muito in-
tensa. Nas etapas da traição, se sentirá “menos” e até mesmo
insuficiente, embora saibamos que não seja esta a verdade.
• Depois do término, a pessoa traída passa a conhecer outras
pessoas. Sai com as amigas, vai a eventos diferentes, conhece

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ANDRÉ FERRARI

outros ares. Em meio a tudo isso, pode acabar encontrando um


parceiro para se relacionar.
• Conversa vai, conversa vem… Tudo parece estar fluindo, porém,
a primeira crise de ciúmes aparece. O medo de ser traída nova-
mente faz com que a pessoa projete as suas dores do passado
neste novo relacionamento.
• Aqui, cria-se uma atmosfera de enclausuramento e sufoca-
mento. Consequentemente o relacionamento não consegue se
estruturar, desabando e findando antes do esperado. A partir
disso, duas pessoas frustradas partem em busca de um novo
relacionamento.
• Percebe o quanto o que aconteceu no passado pode estar inti-
mamente relacionado com os desgastes que o relacionamento
atual pode estar vivendo? Pois é!

Por isso é muito importante que antes de simplesmente enxergar a


si como alguém ruim ou incompleto, você pare e comece a analisar
de forma mais ampla. Tente enxergar quais são as repetições que
aparecem em cada relacionamento fracassado, especialmente desde
o primeiro término (o do relacionamento longo).

No caso do nosso exemplo, uma medida importante seria você bus-


car o suporte de um profissional que pudesse lhe ajudar a desmisti-
ficar o passado e criar ressignificações para o seu futuro.

Pois lembre-se que todo novo relacionamento será novo, e que trazer
as dores e angústias do passado pode ser um grande erro. Busque
sempre o seu autoconhecimento e, além disso, trabalhe o diálogo
com seus parceiros. Se o mesmo quiser terminar precocemente com
você, peça para que ele seja sincero e lhe demonstre a real razão
para findar este relacionamento. Esta será uma forma de conversar
amigavelmente e ainda conhecer um pouco mais sobre a sua posição
no seu relacionamento.
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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Minha família implica com meu namorado, devo insistir?

Aqui entramos em uma situação muito complicada, que deverá ser


sempre avaliada partindo da razão, e não emoção. Para isso, alguns
questionamentos importantes poderão ser respondidos de uma for-
ma que lhe auxilie, veja:

• Por qual razão minha família implica?


• Há um porque plausível para a implicância?
• Há algo que você ou o seu namorado possam fazer para dimi-
nuir a tensão?
• Você já tentou conversar com a sua família?
• O quanto você está envolvida com a sua família? E com o seu
namorado?
• O quanto a sua vida pode mudar se terminar o namoro?
• O quanto você está disposta a “suportar” a implicância?
• O quanto o seu namorado tem demonstrado desconforto com
a situação?
• O que o seu parceiro fala sobre este tipo de situação?

Pense nas respostas para todos os questionamentos e comece a tra-


çar um caminho que seja interessante para vocês dois. Além disso,
não se esqueça que vocês dois são adultos e, como tais, precisam
arcar com suas próprias decisões, além de possuírem independência
e responsabilidades.

Logo, é preciso se atentar para fatores que possam impactar direta-


mente no seu dia a dia. Por exemplo, se você ainda vive com a sua
família, talvez lidar com a situação seja ainda mais complicado.

Porém, se existe amor e vocês enquanto casal sabem que possuem


muita coisa em comum, além de terem planos para o futuro, talvez
seja sim o caso de insistir. Mas, para isso, tente sempre conversar com
185
ANDRÉ FERRARI

a sua família para entender no que eles estão implicando. Apenas


dessa forma você poderá quebrar paradigmas que eles criaram sobre
o seu namorado, abrindo a mente dos mesmos.

É importante que você tenha muita paciência durante todo o proces-


so, porque não se trata de algo impossível. Mas, requer dedicação.
Além disso, não queira que ambos se aceitem da noite para o dia,
porque esse tipo de coisa não costuma acontecer.

De qualquer forma, se você sente que ama e que a situação vale a


pena, insista! Procure sempre caminhos que possam amenizar a im-
plicância e invista sempre, sempre e mais um pouco, no diálogo. Ele
poderá abrir portas para você e seu namorado.

Traí meu companheiro e não sei o que fazer.

O relacionamento já tinha deixado de ser o que era há muito tempo.


Você estava se sentindo sozinha, desamparada e até a autoestima já
havia baixado. Em meio a isso, você conheceu alguém. Esta pessoa
começou a lhe elogiar e a lhe tratar muito bem.

Com o passar do tempo, um tipo de paixão começou a brotar em seu


coração. Mas você é casada ou namora! Porém, se vê tão envolvida
que, cedo ou tarde, acaba se entregando a tentação. E quando se dá
conta, traiu o seu companheiro.

Logo depois disso, um sentimento de culpa invade o coração, além


de milhares de dúvidas serem dia após dia bombardeadas em sua
mente. O que fazer diante disso tudo?

Primeiramente, você deverá analisar a situação de uma maneira am-


pla. A traição ocorreu por quê? Quando? E com que frequência?

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

Pense se você ainda ama o seu parceiro e se quer salvar o seu rela-
cionamento. Se quiser, é claro que não poderá seguir com o amante,
correto? Mas, mesmo que você decida simplesmente deixar de lado a
traição, para reconstruir o seu relacionamento, não dá para simples-
mente fingir que não aconteceu, não é mesmo?

Aqui, infelizmente (e felizmente) o melhor caminho será contar para


o seu parceiro. E apesar de sabermos que não há como saber previa-
mente qual será a reação do mesmo, a sinceridade e o diálogo são
mais importantes que o medo.

É claro que se você ainda o ama terá o receio de perdê-lo. Mas acredi-
te: A verdade sempre prevalece. E cedo ou tarde ele poderá descobrir
o que aconteceu. Dessa maneira, é muito mais saudável você contar,
do que outra pessoa.

Além disso, quando você conta, você abre o caminho para o diálogo.
Demonstra a sua culpa, o seu arrependimento, o seu ponto de vista…
Enfim. Depois disso, fica muito mais fácil reconstruir o relacionamen-
to, caso este seja o desejo de ambos os lados.

Muito melhor do que dormir todos os dias com a culpa na sua mente,
formigando em seus pensamentos e atrapalhando o convívio a dois.
Sem dúvidas a sinceridade é o melhor caminho.

Em contrapartida, caso você não queira seguir o seu relacionamento,


seja sincera! Ninguém merece ser traído. Portanto, termine o namoro/
casamento e apenas depois disso siga a sua vida. Não cometa aos
outros o que você não gostaria que cometessem com você.

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ANDRÉ FERRARI

Ele pediu um tempo e me deixou de lado.

O doloroso caso de quem pede um tempo e simplesmente esquece a


outra pessoa… Neste tipo de situação, como agir?

Bem, para que você não se sinta em um verdadeiro “limbo”, é preciso


cobrar uma decisão plausível para o parceiro. Ou termina, ou vocês
discutem como reatar a situação.

Costumeiramente as pessoas pedem um tempo porque se sentem


confusas e não sabem que decisão tomar diante do que pode vir
acontecer no futuro. De qualquer forma, você não tem todo o tempo
do mundo, correto?

Portanto, não se sujeite à situação de esperar, dia após dia, uma po-
sição do seu parceiro. Se ele não demonstra que quer voltar, talvez o
melhor caminho seja você findar tudo!

Não se alimente de falsas esperanças. Por mais que você o ame, no-
vamente vamos dizer que a razão deve vir primeiro nessa circunstân-
cia. Assim você se preserva, e pode ainda se recuperar como merece,
partindo para outra quando se sentir preparada.

Ninguém merece aguardar a decisão de uma pessoa indecisa. Se ela


não sabe o que quer da vida, não pode afetar a sua! Simples assim.
O tempo pode sim ser saudável, mas, se a pessoa lhe deixa de lado,
talvez ela não esteja dando um tempo para restaurar as coisas, mas
sim, para findar vagarosamente.

E nada melhor do que simplesmente arrancar o curativo rapidamen-


te, não é mesmo? Pense sobre isso e não se sujeite à uma situação
que lhe deixe de lado e não lhe dê a devida atenção que você merece.

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CORAÇÃO EM MODO AVIÃO

PARA FINALIZAR..

Não se culpe por algo não ter dado certo, nem sempre a gente ven-
ce, mas sempre conquistamos alguma sabedoria em nossas lutas.
Sejam nos tropeços, nos vacilos e até mesmos nas desilusões, rale
seus joelhos e eles levantarão mais fortes do que nunca. É preciso ter
gratidão, a recompensa vem com o tempo.

Eu sei que todas as suas qualidades sequer caberiam nesse livro.


Essa é uma corrente que pode parecer bobinha, mas é um impul-
so pra você ter uma percepção ainda mais positiva a seu respeito.
Talvez algo tenha tirado o seu sono agora, mas não se precipite.
Papai do céu olha sempre pela gente. Eu também estou aqui, partici-
pando indiretamente da sua jornada. É uma honra e eu faço questão
de exaltar isso, faço questão de exaltar você.

Gratidão.

André Ferrari

@andreferrari

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André Ferrari

29 anos, é mineiro de Teófilo Otoni, estudou economia mas acabou


se apaixonando pela comunicação e pelo poder das palavras. Sempre
acreditou que, para não cair em ciladas emocionais, teria que usar a
força do amor-próprio e da inteligência sentimental em qualquer rela-
cionamento. Apesar de não acreditar em signos, dizem as más-línguas
que é todo leonino. Esse é um livro que foge um pouco aos textos co-
muns, aqui você tem um panorama geral para nunca entrar em uma
cilada emocional.

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