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PERICULOSIDADE ENERGIA ELÉTRICA ATUAL – ALGO À PENSAR

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.740, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2012.

Altera o art. 193 da Consolidação das Leis do Trabalho -


CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio
de 1943, a fim de redefinir os critérios para
caracterização das atividades ou operações perigosas, e
revoga a Lei nº 7.369, de 20 de setembro de 1985.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O art. 193 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº
5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar com as seguintes alterações:

"Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação


aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de
trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a:

I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica;

II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança


pessoal ou patrimonial.

.........................................................................................................

§ 3º Serão descontados ou compensados do adicional outros da mesma natureza eventualmente


já concedidos ao vigilante por meio de acordo coletivo." (NR)

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º Fica revogada a Lei nº 7.369, de 20 de setembro de 1985.

Brasília, 8 de dezembro de 2012; 191º da Independência e 124º da República.

DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Carlos Daudt Brizola

Este texto não substitui o publicado no DOU de 10.12.2012


O texto acima é a redação da nova Lei 12.740 decretada pela Presidenta Dilma em 08 de
dezembro de 2012.

Bom o que era complicado na área elétrica permaneceu complicado... A tal periculosidade.

O texto que foi modificado em favor da classe dos vigias, segurança e afins em face de
violência atual da nossa sociedade, levou de carona os profissionais que lidam com o risco
da eletricidade (energia elétrica na forma textual).

A nova redação do artigo 193 nos diz: “São consideradas atividades ou operações
perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego,
aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em
virtude de exposição permanente do trabalhador a: I - inflamáveis, explosivos ou energia
elétrica;”

Esmiuçando a frase no âmbito das atividades com energia elétrica: Atividades ou


operações perigosas que por sua natureza ou método de trabalho implique risco acentuado
em virtude de exposição permanente do trabalhador, temos uma definição no glossário da
nossa NR10, definindo-se como:

“18. Perigo: situação ou condição de risco com probabilidade de causar lesão física ou dano à saúde
das pessoas por ausência de medidas de controle.”

Atividades com energia elétrica são perigosas com probabilidade de causar lesão
física ou dano permanente isso é fato, mas a continuação “por ausência de medidas de
controle” em minha opinião é o fator determinante do adicional de periculosidade.

Em face de uma situação plausível de um ambiente de trabalho com atendimento


completo da nossa NR-10, isto é, a existência de medidas de controle eficazes traz o risco
(a ver com probabilidade) ao mesmo nível de outras atividades que o trabalhador está
exposto perigos diversos (riscos adicionais) e não ao adjetivo “acentuado” do risco.

Outra questão, a se pensar, é a seqüência do artigo: “... virtude de exposição


permanente do trabalhador.”, neste sentido temos que ver a definição do que é
permanente. No âmbito de leis trabalhista, esta definição entre permanente e intermitente
este é um “vácuo legal” levado ao bem querer de quem defende o processo.

Permanente (Do latim permanente-, «idem», particípio presente de permanēre, «que permanece;

duradouro») sig.: que permanece, duradouro, ininterrupto,constante, imutável, definitivo, vitalício.

A PORTARIA N.º 3.311, DE 29 DE NOVEMBRO DE 1989 do Ministério do Trabalho estabelecia para uma
análise quantitativa para a questão de insalubridade, que:

“4.4 - do tempo de exposição ao risco - a análise do tempo de exposição traduz a quantidade de exposições em
tempo (horas, minutos, segundos) a determinado risco operacional sem proteção, multiplicado pelo número de
vezes que esta exposição ocorre ao longo da jornada de trabalho. Assim, se o trabalhador ficar exposto durante
5 minutos, por exemplo, a vapores de amônia, e esta exposição se repete por 5 ou 6 vezes durante a jornada de
trabalho, então seu tempo de exposição é de 25 a 30 min/dia, o que traduz a eventualidade do fenômeno. Se,
entretanto, ele se expõe ao mesmo agente durante 20 minutos e o ciclo se repete por 15 a 20 vezes, passa a
exposição total a contar com 300 a 400 min/dia de trabalho, o que caracteriza uma situação de intermitência. Se,
ainda, a exposição se processa durante quase todo ou todo o dia de trabalho, sem interrupção, diz-se que a
exposição é de natureza continua.”

Ela foi revogada sem deixar um descendente para acepção.


Muitos causídicos tem inserido em seus processos a citação da súmula 47 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST):

“O trabalho executado, em caráter intermitente, em condições insalubres, não afasta, só por essa
circunstância, o direito à percepção do respectivo adicional.”

Os juízes não vêm seguindo a NR15, e entendem que a intermitência não afasta o direito da
insalubridade, então arrastam pelo mesmo raciocínio comparando com a periculosidade na
área elétrica.

Vem uma súmula a n° 364, que diz:

“EMENTA: RECURSO DE REVISTA. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. SÚMULA 364, I/TST. A


jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Súmula 364, I/TST, é no sentido de que tanto o contato
permanente como o intermitente geram o direito ao adicional de periculosidade, Incidência da Súmula
364, I/TST. Recurso de revista provido.” (RR 22 22/1999-721-04-40.4)

Conclui então, que os nossos meritíssimos permanecerão com a percepção que intermitente ou
permanente não irá afastar o direito da periculosidade.

Então temos que nos concentrar nas medidas de controle a serem adotadas nas intervenções com
energia elétrica.

Em minha opinião, é possível reduzir o risco de choques e arcos elétricos durante as intervenções
nas instalações elétricas. Sejam em conceitos de projeto de equipamentos e instalações, em
obrigatoriedade de trabalho desenergizado, procedimentos e treinamentos, analises de risco e
aplicação de medidas contentoras, etc.

A vida não tem preço! Investimento em prevenção da segurança será sempre realizado com ou

sem periculosidade, então minha concepção é fazer sempre certo!

Eng Glauber Ap. Maurin

eng segurança do trabalho e eletricista

maurin@eletroalta.com.br

eletroAlta serviços elétricos Ltda


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