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ENZIMAS

As enzimas são proteínas globulares quaternárias com alto poder


catalítico atuando como catalisadores nas reações químicas ocorridas
dentro do nosso organismo, de maneira que as reações as quais
participam, não geram produtos colaterais, sendo mais eficientes no
papel de catalisador em relação, por exemplo, aos ácidos.

O funcionamento das enzimas como catalisadoras está relacionada


com a maneira com que elas interagem com seu substrato sendo
altamente específica para cada um. Essa interação pode ser
explicada pelo modelo “chave-fechadura” onde a molécula do
substrato reage com uma região da enzima chamada sítio ativo, onde
há presença de radicais que atraem a molécula do substrato para tal
região. Com isso, forma-se um complexo “enzima-substrato”
resultando em um produto final e a enzima livre.

Por serem proteínas, as enzimas, em suas reações sofrem influência


de algumas variáveis importantes como temperatura, pH, tempo e a
quantidade de substrato.À determinado aumento de temperatura,
acaba ocorrendo uma mudança morfológica da molécula de enzima
perdendo-se a afinidade e inativando o sítio ativo.Em determinado
pH, o meio em que a enzima está, com o fornecimento de cargas ao
sistema, há uma mudança conformacional tornando indisponível o
sítio ativo.O tempo é uma variável em relação à determinado tipo de
substrato no momento da ligação existente no complexo “enzima-
substrato”.Com elevadas concentrações de substrato a velocidade da
reação aumenta e em baixas concentrações a velocidade diminui.

As enzimas podem também sofrer um fenômeno chamado inibição


onde elas são inibidas por agentes chamados inibidores. A inibição
pode ocorrer de maneira competitiva ou não-competitiva. Na
competitiva o inibidor bloqueia o sítio ativo e não-competitiva o
inibidor se liga a outra região da molécula de enzima chamada sítio
alostérico, ocorrendo nas duas, a inativação do sítio ativo impedindo
a formação do complexo “enzima-substrato”. De maneira que a
inibição pode ser reversível e irreversível, tendo como diferença que
na irreversível a molécula de enzima se torna indisponível após ação
do agente inibidor.

Existe também a retro inibição, que consiste num sistema enzimático


onde o produto da primeira enzima torna-se o substrato de outra
enzima na vizinhança e assim sucessivamente até que a primeira
enzima é inibida pelo produto final da seqüência enzimática.
As enzimas são as unidades funcionais do metabolismo. Este
processo funciona através de grupos enzimáticos trabalhando em
cadeias ou seqüências para a execução de determinado processo
metabólico. Como exemplo, podemos citar a retro inibição que regula
o metabolismo.

METABOLISMO

O metabolismo pode ser entendido como reações químicas que


ocorrem dentro do nosso organismo a partir de substratos definidos
com utilização de enzimas na presença de água, através de
mecanismos chamados vias metabólicas.

Ao falar de metabolismo é digno de nota que ele se divide em


anabolismo e catabolismo, tendo esses dois processos como ponto de
partidas os produtos finais da digestão sendo estes de interesse
maior bioquimicamente falando em relação aos fenômenos ocorridos
durante a digestão, de maneira que quando os produtos finais da
digestão são utilizados para a construção de compostos maiores
ocorrendo a liberação de energia, esse processo denomina-se
anabolismo. Já no catabolismo, os produtos finais são quebrados em
porções menores para obtenção de energia. Para exemplificar,
quando se junta várias glicoses resultando em um glicogênio é um
exemplo de anabolismo, já quando a glicose é quebrada para obter
energia ocorre um catabolismo.

Como já mencionado, o mecanismo pelo qual ocorre o metabolismo é


chamado de vias metabólicas, e estas podem ocorrer de duas formas:
lineares e cíclicas. Nas lineares, podemos dizer que ela tem um
começo e um final e com atuação de enzimas há produto inicial e
final distintos. Já nas cíclicas o produto presente se liga a outra
molécula formando um composto mais complexo de maneira que
durante esse processo a molécula a qual o produto se ligou no início
acaba sendo liberado de uma forma diferente, tendo como produto
final a mesma molécula que “começou” o processo.

Dentro das vias metabólicas, as mais importantes são: Catabolismo


da glicose, Ciclo de Krebs (e Fermentação), B-oxidação e
Cadeia respiratória.
CATABOLISMO DA GLICOSE

A glicose através da insulina, uma proteína hormonal, é levada para


dentro da corrente sanguínea devido à ativação da enzima permease,
de maneira que ocorre o catabolismo da glicose dentro do citoplasma
através de um mecanismo chamado via glicolítica onde a glicose será
quebrada em porções menores para obtenção de energia,
compreendendo duas fases, sendo que na primeira há perca de
energia e na segunda ocorre um ganho de energia.

Na primeira fase acontecem as seguintes etapas: primeiramente a


Glicose sofre a ação de uma enzima do tipo quinase denominada
glicoquinase que com a utilização de uma molécula de ATP ocorre a
sua respectiva quebra onde um dos fosfatos se liga à Glicose que por
sua vez perde um hidrogênio que vai se ligar à molécula que acaba
sendo liberada em forma de ADP(h); feito isto dá-se origem à Glicose-
6-fosfato.

Devido à maior facilidade de colocar fosfato nas extremidades, a


Glicose-6-fosfato sofre a ação da enzima fosofoglicoisomerase que a
transforma em uma molécula de função química diferente, de aldeído
para cetona, originando então a Frutose-6-fosfato, de maneira que
esta sofre a mesma ação enzimática ocorrida na primeira reação do
processo onde entra ATP e sai ADP(h) e a enzima responsável agora é
fosfofrutoquinase que acaba originando a frutose-1,6-difosfato.

Como é preciso extremidades livres será necessária a quebra dessa


última molécula e para isso a enzima aldolase é ativada e acaba
gerando dois compostos de funções químicas diferentes, um aldeído e
uma cetona, denominados Dihidroxicetona-P e Gliceraldeído-3-P que
devido à ação da enzima isomerase podem se convertem uma em
outra ou vice-versa, gerando então como produto final dessa primeira
fase duas moléculas de Gliceraldeído-3-P que servirá de base para
segunda fase da via glicolítica.

Até então já houve a perca de 2 ATPs, ou seja, houve uma perca


energética.

ESQUEMA DA PRIMEIRA FASE.


A segunda fase da via glicolítica dá-se da seguinte forma: tomando
como ponto de partida as duas moléculas de Gliceraldeído-3-P
formadas na primeira fase, estas se ligam ao fosfato inorgânico (Pi)
onde ambas perdem um átomo de hidrogênio devido à ação da
enzima desidrogenase e sua coenzima NAD originando um ácido
chamado 1,3-difosfatoglicerato ocorrendo a liberação de NAD(H + H),
este ácido sofre a ação do ADP(h) e perde o fosfato do carbono um,
trocando com um átomo de hidrogênio do ADP(h) que sai em forma
de ATP através da enzima fosfogliceratoquinase, originando o 3-
fosfatoglicerato.

Agora ocorre uma mudança onde o fosfato troca de posição com o


hiforgênio do carbono dois através da enzima mutase originando o
composto 2-fosfoglicerato, este com a ação da enzima enolase,
libera-se água e vira fosfoenolpiruvato. O fosfoenolpiruvato sofre a
ação da enzima piruvatoquinase ocorrendo mais uma vez a
transformação de ADP(h) em ATP, de maneira que o hidrogênio do
ADP(h) se liga à molécula ocorrendo assim a formação do grupo
funcional cetona originando o piruvato.

O balanço energético do catabolismo da glicose tem como produtos


finais: Duas moléculas de NAD, duas moléculas de ATP e Duas
moléculas de Piruvato.

ESQUEMA DA SEGUNDA FASE.


FERMENTAÇÃO (do Piruvato)

O piruvato produzido na glicólise em condições anaeróbicas vai sofrer


a fermentação e terá NADH+H+ em excesso, com isso ele receberá
elétrons ocorrendo a produção de lactato ou etanol.

Para produção de lactato, a molécula do piruvato vai sofrer a ação da


enzima desidrogenase láctica onde se entra NADH+H+ e sai NAD
formando um grupo hidroxila no segundo carbono do piruvato, dando
a origem ao lactato ou ácido láctico.

Para produção de etanol, primeiramente o piruvato perde carbono em


forma de CO2 através da enzima descarboxilase originando o
ACETALDEÍDO que com a ação da enzima desidrogenase alcoólica
acaba originando o etanol, de maneira que entra NADH+H+ e sai
NAD e há formação então da função álcool(etanol).
RESPIRAÇÃO

O piruvato em condições aeróbicas vai sofrer respiração tendo na sua


disposição NAD oxidado em excesso.Este processo ocorre no ciotosol,
de maneira que a molécula do piruvato, através da ação
multienzimática do complexo piruvato desidrogenase, vai perder
carbono na forma de CO2, vai ter a entrada de NAD que vai sair na
forma de NADH+H+ e terá também a entrada da CoASH, originando o
Acetil CoA. Com isso a molécula do piruvato foi transportada para
dentro da mitocôndria devido à sua conversão em Acetil CoA em com
isso dará início o Ciclo de Krebs.
CICLO DE KREBS

O ciclo de Krebs acontece dentro da mitocôndria tendo como ponto


de partida o Acetil CoA produzido pelo piruvato.

O Acetil CoA, estando dentro da mitocôndria, primeiramente é


adicionado ao composto que será o produto final do ciclo denominado
oxalacetato, de maneira que vale lembrar que o ciclo de Krebs é um
exemplo de retro inibição.O oxalacetato sofre uma ação enzimática
onde a molécula de CoASH sairá e uma molécula de água entrará,
dando origem ao citrato ou ácido cítrico. Através da enzima
aconitase, o citrato é desidratado, originando o cis-aconitato, e
hidratado sofrendo uma isomerização originando o isocitrato.

Agora o isocitrato será descarboxilado(perderá CO2) e o NAD irá atuar


saindo em forma de NADH+H+, dando origem ao α− cetoglutarato
que sofrerá a mesma ação enzimática ocorrido com o piruvato na
produção do Acetil CoA, onde ele sofrerá descaboxilação, atuará o
NAD saindo na forma de NADH+H+ e haverá uma ligação com a
CoASH, originando o succinil CoA que através de mais uma ação
enzimática sairá CoASH e terá a ação do GDP adicionado a um fosfato
inorgânico(Pi) saindo em forma de GTP, de maneira que para a
formação do succinato que será o próximo composto originado será
necessária a utilização de uma molécula de H2O que vem da reação
de GDP em GTP onde depois um hidrogênio sai junto com a CoASH e
a hidroxila restante se junta a molécula do succinato.

O succinato formado sofrerá a ação da coenzima FAD na forma


oxidada, onde será retirada dois hidrogênios da molécula, saindo na
forma de FADH2 originando o fumarato.Este através de uma ação
enzimática será hidratado originando um composto denominado L-
malato que é muito semelhante ao produto final- o oxalacetato.

Para finalizar o ciclo, o L-malato sofre atuação do NAD que retira dois
hidrogênios de posições estratégicas e sai na forma de NADH+H+,
dando origem ao oxalacetato, encerrando o ciclo de Krebs.
O objetivo do ciclo de Krebs é a produção de energia, de maneira que
durante o ciclo são gerados: 3 NADH+H+(3 ATPs cada), 1 FADH2(2
ATPs) e 1 GTP(1 ATP), totalizando a geração de 12 ATPs por ciclo.

Levando-se em conta que uma glicose gera duas molécula de


piruvato gerando dois ciclos de Krebs e até antes do ciclo gerou 14
ATPs (2 ATPs, 4 NAD+H+) e sendo que um ciclo gera 12 ATPs,
portanto o balanço energético total é que uma glicose pode gerar 38
ATPs.

*OBS: A primeira fase do catabolismo da glicose pode gerar além de


duas moléculas de gliceraldeído 3-P, duas moléculas de
dihidroxicetona-P que sofrendo ação do NADH+H+ que sai no forma
de NAD, origina o glicerol fosfato e este através de uma enzima sofre
atuação de uma ADP que retira o fosfato e doa um hidrogênio
originando o glicerol.

É digno de nota que além do açúcar e ácidos graxos, o glicerol


também gera o Acetil CoA que vai dar origem ao ciclo de Krebs.

ESQUEMA DO CICLO DE KREBS.


CICLO DA β − OXIDAÇÃO

Este ciclo consiste na utilização de ácidos graxos para obtenção de


energia, de maneira que primeiramente é necessária a sua
disponibilidade, sendo o glucagon o responsável por isso, onde essa
proteína quebra os triglicerídeos e disponibiliza ácidos graxos.Esse
ciclo ocorre dentro da mitocôndria porém, antes é preciso levar o
ácido graxo para dentro da célula.

Para a realização do transporte do ácido graxo para dentro da


mitocôndria é necessária uma molécula transportadora; a
responsável por isso é a L-carnitina que com a ação da enzima acil
carnitina transferase é adicionada à molécula do ácido graxo com
gasto de um ATP, originando um composto denominado acil carnitina
e esta consegue entrar na mitocôndria dando origem ao ciclo.

Dentro da mitocôndria a molécula do ácido graxo se desliga da L-


carnitina e com uma ação enzimática entra-se CoASH e libera-se uma
molécula de água originando uma molécula denominada acil CoA que
com uma ação enzimática sofre uma oxidação através da utilização
do FAD.Após isso, a molécula é hidratada e um oxigênio é colocado
em uma posição estratégica, depois é feita mais uma oxidação
através de outra ação enzimática com a utilização do NAD.
Essa molécula originada é clivada(quebrada) devido à entrada de
uma CoASH através de uma ação enzimática originando como
produto final, o Acetil CoA e o Acil CoA.

O Acetil CoA dá origem à um ciclo de Krebs, já o Acil CoA retornará ao


início do ciclo só que com dois carbonos à menos. Isso se dá mais
vezes até todos os carbonos da molécula de ácidos graxos serem
utilizados.

Vale ressaltar ainda que como uma molécula de ácido graxo contém
números pares de carbonos então a quantidade de Aceti CoA
produzido será a metade desse número de carbonos e o número de
voltas do ciclo será um a menos que a quantidade de Acetil CoA
gerada.

Pela grande cadeia que uma molécula de ácido graxo possui,


podemos concluir que os lipídios são grandes fontes energéticas.

ESQUEMA DO CICLO DA β -OXIDAÇÃO.

CADEIA RESPIRATÓRIA

A cadeia respiratória, ou cadeia de transporte de elétrons, ocorre


dentro da mitocôndria, disponibilizando NAD e FAD na forma
oxidada.Tem grande importância pois com sua ausência não é
possível a ocorrência do ciclo de Krebs.

Dentro da mitocôndria o NADH+H+ sofre a ação da enzima


desidrogenase que tira os hidrogênios e acaba saindo na forma de
NAD, ocorre também nessa primeira etapa a liberação de 2 elétrons e
2H+ separados e uma transferência de elétrons para um composto
denominado citocromo 1 gerando energia capaz de lançar um H+ na
intermembrana da mitocôndria.

Este H+, estando num meio concentrado acaba retornando através


de uma proteína globular chamada porina passando pelo meio dela
causando uma instabilidade entre os radicais ali presente fazendo
com que ela “gire” gerando energia suficiente para pegar um fosfato
inorgânico(Pi) e se ligar á um ADP, culminando na formação de ATP.
Até então os elétrons do NAD são transferidos para o primeiro
transportador de elétrons(citocromo 1), agora o FAD começará a
atuar e seus elétrons serão transferidos para o segundo transportador
que será o citocromo 2 ocorrendo a liberação de 2 elétrons gerando
energia suficiente para ocorrer os mesmos processos anteriores que
culminarão na síntese de mais um ATP.

E pela terceira vez haverá mais uma liberação de elétrons, onde a


energia gerada será convertida na síntese de mais uma molécula de
ATP, a terceira formada no processo.

De maneira que, para finalizar a cadeia os hidrogênios retirados das


moléculas de NADH+H+ e FADH2 serão neutralizados através de seu
respectivo transporte até o oxigênio formando água, isso se dá
através da reação: (2H+) + ½ O2 -> H2O.

Na cadeia respiratória o NAD entrega os elétrons no primeiro passo,


produzindo 3 ATPs (um em cada passo). O FAD só consegue entregar
no 2º passo, produzindo 2 ATPs.

. ATP - adenosina trifosfato – uma molécula universal condutora de


alta energia, fabricada em todas as células vivas como um modo de
capturar e armazenar energia. Consiste de base púrica adenina e do
açúcar de cinco carbonos ribose, aos quais são adicionados, em
arranjo linear, três moléculas de fosfato. ATP->ADP ( perca de
energia);ADP->ATP(ganho de energia).

. NAD – É uma coenzima com a capacidade de retirar ou doar dois


hidrogênios de maneira que pode gerar 3 ATPs.Apresenta a sua forma
oxidada NAD e a sua forma reduzida NADH+H+ onde nesse caso ela
pega dois elétrons e um próton de dois H.

. FAD – É uma coenzima com a mesma capacidade do NAD, porém


por ter menos energia gera 2 ATPs apresentando a sua forma oxidada
FAD e reduzida FADH2 porque ela pega dois elétrons e dois próton de
dois H.
. GTP - molécula de "transporte de energia", na forma de potencial
de transferência de grupos fosfato, assim como o ATP.No ciclo de
krebs é utilizado para retirar água na reação de GDP+Pi ->GTP
originando o succinato.

. 1° e 2° FASE DA VIA GLICOLÍTICA – Na primeira fase ocorre uma


preparação da glicose havendo perca de energia tanto que são
perdidos 2 moléculas de ATP e culmina na formação de gliceraldeído
3-P e dihidroxicetona-P, sendo que elas podem se converter entre si
de modo que só o gliceraldeído 3-P é tomado como ponto de partida
para a segunda fase.Na segunda fase ocorre a produção de
energia(ganho) com a formação de 4 ATPs e culmina na formação de
duas moléculas de piruvato.

.PIRUVATO – Em condições respiratória aeróbicas tem na sua


disposição livre NAD oxidado , sendo induzido a produzir Acetil CoA
gerando o ciclo de Krebs.Se não ocorrer respiração terá NADH+H+
em excesso e irá receber elétrons e produzirá lactato ou etanol.