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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

APOSTILA

CURSO DE:

Prof. Marcílio Augusto Neves

PROMOVIDO PELA:

SETEMBRO – 2002

Engenheiro Consultor Marcílio Augusto Neves


CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

SUMÁRIO

SUMÁRIO

OBJETIVOS
1. CONCEITUAÇÃO
1.1. VEÍCULOS - Caracterização - Unidades
1.2. EIXOS - Definições e Tipos
1.3. PNEUMÁTICOS - Tipos, dimensões e lonas
2. ESTUDO DOS FLUXOS DE TRÁFEGO
2.1. VMD - Volume Médio Diário
2.2. Composição da Frota
2.3. Série Histórica de Tráfego
2.4. Pesquisas de Tráfego:
• Pesquisas Volumétricas e Classificatórias
• Processos - Manuais e Automáticos
• Postos de Contagens - Permanentes, Sazonais e de Cobertura
• Duração das contagens - Semanal e Diária / Horários
• Pesquisas de Origem e Destino (O/D)
2.5. Ajuste Sazonal dos Fluxos
• Expansão Horária
• Ajuste Sazonal Semanal, Mensal/Trimestral
2.6. Projeções dos Fluxos de Tráfego:
• Taxas de Crescimento - progressões aritméticas e geométricas
• Tráfego Gerado, Tráfego Desviado e Fugas
3. CARGAS DO TRÁFEGO
3.1. Configuração das Cargas
3.2. Lei de Balança-Carga Máxima Legal e Tolerâncias
3.3. Pesagens de eixos dos veículos

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4. CARGAS EQUIVALENTES
4.1. Conceito de Eixo Padrão Rodoviário
4.2. Conceito de Número “N”
4.3. Solicitações, Repetições. Operação e Cobertura
4.4. Conceituação de Fatores de Equivalência de Cargas
• Fundamento Teórico
• Fatores do USACE (Corpo de Engenheiros)
• Fatores da AASHTO
• Comparações USACE x AASHTO
• Fatores específicos por pavimento
5. CÁLCULO DO NÚMERO “N”
5.1. Fórmula Geral
5.2. Fator Climático Regional
5.3. Fatores de Carga, Fatores de Eixos e Fatores de Veículos
5.4.Fator Direcional -Faixas mais carregadas (pistas simples e duplas)
5.5. Números “N”: NP1, NS (Suportado) e NP (de Projeto)
BIBLIOGRAFIA

APÊNDICE 1 – PESQUISA DE FATORES DE VEÍCULOS


APÊNDICE 2 – EXEMPLOS DE CÁLCULOS
APÊNDICE 3 – EXERCÏCIOS PROPOSTOS
APÊNDICE 4 – ANÁLISE DOS EFEITOS DO EXCESSO DE CARGA NA DURABILIDADE
E NOS CUSTOS DE PAVIMENTAÇÃO
APÊNDICE 5 – FATORES DE TRÁFEGO PARA PAVIMENTOS RÍGIDOS

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

OBJETIVOS

OBJETIVOS

O presente Curso tem por objetivo conceituar os aspectos ligados ao tráfego rodoviário e
apresentar a metodologia para o cálculo do Número “N”, empregado no dimensionamento dos
pavimentos flexíveis de rodovias e vias urbanas. São apresentados exemplos de cálculos e
exercícios para fixação da aprendizagem.

A presente apostila tem também por objetivo a apresentação de um banco de dados de pesquisa
de fatores de veículos,`com base em várias fontes de pesagens de caminhões.

Apresentamos a seguir uma conceituação do Pavimento como um SISTEMA, em que as cargas


do tráfego, objeto do presente curso, são os agentes que causam a sua degradação.

PAVIMENTO = SISTEMA

CARGAS DO INTEMPÉRIES
TRÁFEGO

INFILTRAÇÃO DE
REVESTIMENTO ÁGUAS

BASE ESTRUTURA
EM CAMADAS
SUB-BASE de espessuras finitas
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SUBLEITO (solo de fundação)

PAVIMENTO É A SUPERESTRUTURA DE RODOVIAS,


VIAS URBANAS, AEROPORTOS E PÁTIOS

• CONSTITUÍDA POR UMA ESTRUTURA EM CAMADAS


de espessuras finitas
• ASSENTES SOBRE O SUBLEITO (semi-espaço infinito),
COM AS FUNÇÕES DE:
1- RESISTIR AOS ESFORÇOS DAS CARGAS DO TRÁFEGO ;
2- TRANSMITIR AO SUBLEITO TENSÕES COMPATÍVEIS COM SUA
CAPACIDADE DE SUPORTE;
3- PERMITIR O TRÁFEGO SEGURO, CONFORTÁVEL E ECONÔMICO
DE VEÍCULOS (no transporte de passageiros e de bens de produção).

AGENTES responsáveis pela DEGRADAÇÃO do pavimento:


• EXTERNOS = CARGAS DO TRÁFEGO + INTEMPÉRIES
• INTERNOS = Concepção/projeto inadequado + má execução +
+ materiais inadequados + falta de conservação

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1. CONCEITUAÇÃO DO TRÁFEGO

1. CONCEITUAÇÃO DO TRÁFEGO
1.1. PNEUMÁTICOS - Tipos, dimensões e lonas

Dimensões dos Principais Tipos (para Caminhões)


A x B = LARGURA NOMINAL DO PNEU x DIÂMETRO DO ARO
em polegadas

DIMENSÕES (“) LONAS


6,50 x 16 6
7,00 x 16 6
7,50 x 16 6
8,25 x 20 10
9,00 x 20 10
10,00 x 20 12/14
11,00 x 20 12/14
11,00 x 22 14

1.2. EIXOS - Definições e Tipos

a EIXOS SIMPLES:

Conjunto de duas ou mais rodas, cujos centros estão em um plano transversal


vertical ou podem ser incluídos entre dois planos transversais distantes de 100 cm,
que se estendem por toda a largura do veículo.

Podem ser de dois tipos:

EIXOS SIMPLES DE RODAS SIMPLES: com duas rodas, uma em cada


extremidade (2 pneus);

EIXOS SIMPLES DE RODAS DUPLAS: com quatro rodas, sendo duas


em cada extremidade (4 pneus).

b EIXOS TANDEM (RODAS DUPLAS):

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Dois ou mais eixos consecutivos, cujos centros estão distantes de mais de 100 cm e
menos de 200 cm, e ligados a um dispositivo de suspensão que distribui a carga
igualmente entre os eixos (balancim). O conjunto desses eixos constitui um eixo
tandem.

Podem ser:

EIXO TANDEM DUPLO: com dois eixos, espaçados entre 1,00 m e 2,00
m, com duas rodas em cada extremidade de cada eixo (8 pneus), sendo nos
fabricantes nacionais o espaçamento médio de 1,36 m;

EIXO TANDEM TRIPLO: com três eixos, espaçados entre 1,00 m e 2,00
m, com duas rodas em cada extremidade de cada eixo (12 pneus).

C) OUTROS EIXOS:

EIXO DUPLO NÃO EM TANDEM: com dois eixos, rodas duplas (8


pneus), mas com espaçamento entre eixos superior a 2,00 m;

EIXO DUPLO ESPECIAL: Típico dos TRIBUS, compreendendo


conjunto de 2 eixos, sendo um com rodas duplas e outro com rodas simples
(6 pneus).

1.3. VEÍCULOS - Caracterização - Unidades


a Veículos / Unidades
DE UMA ÚNICA UNIDADE
UNIDADE TRATORA (Cavalo Mecânico) + REBOQUE

b) Caracterização dos Veículos

- VEÍCULOS LEVES:

1 - CARRO DE PASSEIO, automóveis e utilitários leves (Kombi, Pick-up),


todos com dois eixos e apenas rodas simples com dois pneumáticos por eixo
(total de 4 pneus). Dividem-se em duas subclasses:
Automóveis;
Utilitário: furgões, Kombi e Pick-up.

2 - CAMINHÃO LEVE (2C-Leve): inclui caminhonetes e caminhões leves com


dois eixos, sendo o dianteiro de rodas simples e o traseiro de rodas duplas, 6
pneus, (tipo 608, F 4000, etc.), além de veículos de camping leves;

- VEÍCULOS DE CARGA, OU COMERCIAIS:

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3 - ÔNIBUS, para transporte de passageiros, compreendendo:
Ônibus Urbano e Ônibus de Viagem (similar ao Caminhão 2C), com dois
eixos: o dianteiro de rodas simples e o traseiro de rodas duplas (6 pneus);
Tribus, ônibus com três eixos (similar ao Caminhão 3C), com eixo dianteiro
de rodas simples e traseiro especial, compreendendo conjunto de um eixo de
rodas duplas e outro de rodas simples (8 pneus).
4 - CAMINHÃO DE DOIS EIXOS, EM UMA SÓ UNIDADE (2C-Pesado): esta
categoria inclui os caminhões basculantes, de carroceria, baú e tanque,
veículos de camping e de recreação, veículos moradia, etc, tendo dois eixos
com rodas simples no dianteiro e rodas duplas na traseira (6 pneus);
5 - CAMINHÃO DE TRÊS EIXOS, EM UMA SÓ UNIDADE (3C): todos os
veículos que, em um mesmo chassi, tenham três eixos. Esta categoria inclui
caminhões betoneira, caminhões basculantes pesados, caminhões de
carroceria e baús longos, etc, tendo três eixos: dianteiro de rodas simples e
traseiros (tandem duplo ou não) de rodas duplas (10 pneus);
6 - CAMINHÃO DE QUATRO EIXOS, EM UMA SÓ UNIDADE (4C): todos
os veículos que, em um mesmo chassi, tenham quatro eixos (geralmente
basculantes de minérios): eixo dianteiro de rodas simples e traseiro (tandem)
de rodas duplas (14 pneus). Raro.

- CAMINHÕES COM SEMI-REBOQUES (Carretas)

7 - CAMINHÃO COM SEMI-REBOQUE COM TRÊS EIXOS (2S1): veículos


com três eixos, formados por duas unidades, sendo que uma das quais é um
cavalo motor (com dois eixos) e o reboque com eixo (10 pneus).
8 - CAMINHÃO COM SEMI-REBOQUE, COM QUATRO EIXOS (2S2):
veículos com quatro eixos, consistindo de duas unidades, uma das quais é um
cavalo motor (com dois eixos) e o reboque com 2 eixos (tandem duplo), com
14 pneus;
9 - CAMINHÃO COM SEMI-REBOQUE, COM CINCO EIXOS (2S3):
veículos com cinco eixos, constituídos por duas unidades, uma das quais é um
cavalo motor (com dois eixos), e o reboque com 3 eixos (tandem triplo), com
18 pneus;
10 - CAMINHÃO COM SEMI-REBOQUE, COM CINCO EIXOS (3S2):
veículos com cinco eixos, constituídos por duas unidades, uma das quais é um
cavalo motor (com três eixos, sendo o traseiro duplo), e o reboque com 2
eixos (tandem duplo), com 18 pneus;
11 - CAMINHÃO COM SEMI-REBOQUE, COM SEIS EIXOS (3S3): veículos
com seis eixos, constituídos de duas unidades, uma das quais é um cavalo
motor (com três eixos, sendo o traseiro tandem duplo), e o reboque com 3
eixos (tandem triplo), com 22 pneus;

- CAMINHÕES COM REBOQUES (“Romeu e Julieta” ou


“TREMINHÃO”) - REBOQUES COM 7 OU MAIS EIXOS - transporte de
Cana da plantação para Usina (Tráfego Local):

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12 - CAMINHÃO TRACIONANDO UNIDADES MÚLTIPLAS, COM CINCO


EIXOS OU MENOS (2C2/2C3/3C2): veículos com cinco eixos ou menos,
constituídos por duas unidades, uma das quais é a unidade motora, com várias
configurações;
13 - CAMINHÃO TRACIONANDO UNIDADES MÚLTIPLAS, COM SEIS
EIXOS (3C3): veículos de seis eixos, constituídos por duas unidades, uma
das quais é a motora, em várias configurações;
14 - CAMINHÃO TRACIONANDO UNIDADES MÚLTIPLAS, COM SETE
EIXOS OU MAIS (3C4): veículos com sete ou mais eixos, constituídos por
duas unidades ou mais, uma das quais é a motora;

- CAMINHÕES ESPECIAIS:

- BITREM (3S2S2): unidade tratora e 2 semi-reboques, com 4 conjuntos de


eixos (7 eixos individuais);
- TRITREM (3S2S2S2): unidade tratora e 3 semi-reboques, com 5 conjuntos de
eixos (9 eixos individuais);
- RODO-TREM (3S2C4): unidade tratora e 1 semi-reboque, e um reboque, com
total de 5 conjuntos de eixos (9 eixos individuais).
- CAMINHÕES COM SEMI-REBOQUE DE VÁRIOS EIXOS - para grandes
cargas;
- SEMI-REBOQUE 3 S 1 - Raro.

OUTROS : MOTOCICLETAS, TRICICLOS, BICICLETAS, CARROÇAS,


ETC.

c CONFIGURAÇÕES DE CAMINHÕES POR TIPO DE PNEU

Caminhão 2C (16)
Caminhão 2C (20)
Caminhão 2C (22)
Caminhão 3C (20)
Caminhão 3C (22)

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2. ESTUDO DOS FLUXOS DE TRÁFEGO

2. ESTUDO DOS FLUXOS DE TRÁFEGO


2.1. VMD - Volume Médio Diário

a) Estudos de Tráfego

Os ESTUDOS DE TRÁFEGO têm por objetivo obter dados relativos a:

Séries históricas dos tráfegos nos trechos;


Volume Médio Diário Anual (VMDA);
Percentagens de caminhões pesados;
Distribuição do tráfego por classes de veículos;
Distribuição das cargas por eixos simples, duplos e triplos;
Levantamento da magnitude das cargas (através de pesagens);
Cálculo do Número "N";
Estudos de Capacidade e de Níveis de Serviço (não tratado aqui);
Estudo de Acidentes nos Pontos Críticos (não tratado aqui).

b) VMD – Volume Médio Diário:

Número de Veículos que trafegam num ponto da Via, em Média, por Dia:

• Pistas Simples: nos dois sentidos


• Pista Dupla: total ou cada pista separada

VMDA / TMDA (Média Anual)

c) Classificação Funcional das Rodovias

• Rodovias Vicinais ou Locais


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• Rodovias Coletoras
• Rodovias Troncais ou Arteriais

d) Classificação Funcional das Vias Urbanas

• Vias Secundárias (Ruas)


• Vias Coletoras
• Vias Troncais ou Arteriais (Avenidas)

2.2. Composição da Frota

DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS FLUXOS DE TRÁFEGO POR CLASSES


DE VEÍCULOS

FORMA SIMPLES

VMD Carros de Passeio Ônibus Caminhões


Volumes Total x y z
Percentagem 100 % % % %

FORMA MAIS COMUM (DER-MG)

VMD Passeio Coletivo Carga Carga Carga Outros


Leve Médio Pesado
Volumes Total a b c d e f
Percentagem 100 % % % % % % %

OUTRA FORMA COMUM

VMD Passeio Coletivo Caminhão Caminhão Semi- Outros


Simples Duplo Reboque
Volumes Total a b c d e f
Percentagem 100 % % % % % % %

POR NÚMERO DE EIXOS (DNER / CIM)

VMD Passeio 2 Eixos 3 Eixos 4 Eixos 5 Eixos > 6 Eixos


Volumes Total a b c d e f
Percentagem 100 % % % % % % %

DESEJÁVEL (para Pavimentação)


VMD Passeio Ônibu Tribus 2C (16) 2C (20) 2C (22) 3C (20) 3C (22)
s
Volumes Total a b c d e f G h
Percent. 100% % % % % % % % %

2S1 2S2 2S3 3S2 3S3 Bitrem Tritrem Rodotrem Reboque Outros
s
Volumes i j l m n o p q r s
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Percent. % % % % % % % % % %

2.3. Série Histórica de Tráfego

Pesquisa de Dados Existentes de Contagens Anteriores

Em Banco de Dados de Tráfego dos Órgãos

IDEAL: DESDE A ABERTURA DO PAVIMENTO AO TRÁFEGO


OU DESDE A ÚLTIMA OBRA DE RESTAURAÇÃO

GERALMENTE: SÓ VMD Anual

PREFERENCIALMENTE: VMD e COMPOSIÇÕES DA FROTA


ANUAIS

ANO VMD Passeio Coletivo Caminhão Caminhão Semi- Outros


Anual Simples Duplo Reboque
a1 v1 p1 c1 s1 d1 r1 o1
a2 v2
a3 v3 p3 c3 s3 d3 r3 o3
a4 Sem Dados
a5 v5
a6 Sem Dados
a7 v6 p6 c6 s6 d6 r6 o6
ATUAL v7 p7 c7 s7 d7 r7 o7

OBS: “Preencher” lacunas por interpolação (para cálculo de NS)

Às vezes há quedas nos volumes ao longo do período

TRAÇAR GRÁFICOS:

VMD

ANOS

2.4. Pesquisas de Tráfego

a) Contagem do Tráfego - Definições

• Contagens Volumétricas

⇒ SÓ VMD
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Constituem registros do fluxo total de veículos, por hora ou por dia, separadamente para cada
sentido de tráfego, mas sem separar os dados por tipos de veículos.

• Contagens Volumétricas e Classificatórias

⇒ VMD + COMPOSIÇÃO DA FROTA

Compreendem registros dos fluxos individualmente para cada tipo de veículo, para
cada sentido de tráfego, por hora ou por dia, permitindo obter os fluxos
volumétricos totais e a composição percentual da frota.

b) PROCESSOS - Tipos de Registros

• Registros Manuais
Compreendem contagens em que os volumes dos fluxos de tráfego são observados
visualmente e registrados em formulário apropriado manualmente, por operadores
treinados.
• Registros Automáticos
Compreendem contagens em que os volumes dos fluxos são registrados automaticamente por
sensores de equipamentos apropriados, denominados contadores automáticos de tráfego (para
pistas simples e duplas).
Exemplo: Contadores da Diamonds Traffics Products (EUA):

• Traffic Tally 500 (duas faixas de tráfego) e Trafic 2001 (pista dupla);
• Com sensores de tempo = obtém-se VMD e Composição da Frota.

OBS: Fazer pesquisa Manual algumas horas por dia, para separar:
Caminhão 2C Leve / Caminhão 2C / Ônibus

ANEXO: Modelo de Formulário


Relatório de Saída do Contador Diamonds Traffics
c) Tipos de Postos de Contagem - Definições

• Postos de Cobertura

FUNÇÃO: Determinar o VMD/Composição de UMA RODOVIA ESPECÍFICA


ÉPOCAS : UMA VEZ POR ANO
DURAÇÃO: 3 a 7 Dias por Ano
14, 16 ou 24 Horas por Dia
6 às 20 horas ou 5 às 21 horas
Têm a função exclusiva de determinar o tráfego de uma rodovia específica, que
terá tantos postos de cobertura quanto o número de segmentos, entendendo como
tal, o segmento da rodovia compreendido entre 2 pontos consecutivos de
incorporação ou fuga de fluxos de tráfego.

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• Postos Sazonais

FUNÇÃO: Criar Banco de Dados das VARIAÇÕES SAZONAIS do Tráfego


(Para ajuste sazonal dos Dados de Tráfego)
ÉPOCAS : TRIMESTRAIS ou MENSAIS
(Definir fluxos em épocas de Safras, Verão, etc)
DURAÇÃO: Uma Semana (7 Dias) por Trimestre ou Mês (24 Horas por Dia)
São postos de contagens mais intensivas, de forma a criar banco de dados das
variações sazonais dos fluxos de tráfego ao longo do tempo (horas do dia, dias da
semana, meses do ano, trimestres do ano), possibilitando a obtenção de parâmetros
para ajuste (correção) sazonal dos dados dos postos de cobertura. Estes postos
definem:
Padrões de tráfego;
Suas variações horárias, diárias, mensais, trimestrais (épocas de safra, verão,
etc).

• Postos Permanentes

FUNÇÃO: Estudo Especial de Rodovias Específicas (Curva 30ª ou 100ª hora)


(Para ajuste sazonal e Estudos de Capacidade)
DURAÇÃO: Todos os Dias do Ano (24 Horas por Dia)
PROCESSO: Somente Automático
São postos de contagens intensivas, de longa duração, geralmente cobrindo todo o
ano. Face ao custo elevado de sua operação, tais postos só são viáveis quando o
órgão dispõe de contadores automáticos de tráfego.

VARIAÇÕES SAZONAIS PRINCIPAIS

d) Processamento dos Dados

Para cada posto devem ser calculadas as médias aritméticas dos volumes dos
fluxos dentre os diversos dias de contagens, definindo os parâmetros médios anuais
por classe de veículos e para a frota total (VMD total).

e) Planejamento das Pesquisas

IMPORTANTE COBRIR AS VARIAÇÕES SAZONAIS DO TRÁFEGO

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Definir Duração das Pesquisas

f) Outras Pesquisas

• Pesquisas de ORIGEM / DESTINO (O/D)

Para estudos de: Tráfego Desviado e Rotas de Fuga (e Planejamento)

Entrevistas para Automóveis e Caminhões (formulário)

Processamento: Matrizes de Origens e Destinos

• Pesquisas de Fluxos em Interseções

Volumétricas e Classificatórias (todos os giros possíveis)

Para: Estudo de Capacidade / Dimensionamento geométrico

2.5. Ajuste Sazonal dos Fluxos

a) Expansão Horária
Quando as contagens forem feitas para períodos de 14 horas/dia (6 às 20 horas), ou
16 horas/dias (5 às 21 horas), os dados precisam ser extrapolados para 24 horas
(VMD) em função de fatores obtidos nos POSTOS SAZONAIS:
1 - Para cada Posto Sazonal calcular, para cada tipo de veículo, e para cada dia da
semana:
O Volume Médio Diário (VMD) do dia (0 a 24 horas), denominado:
VMDi (0 - 24);
O Volume do fluxo para o período de 14 horas (6 às 20 horas), denominado:
Vi (6 - 20);
Calcular os Fatores de Expansão (FE), pela expressão:

VMD i (0 − 24)
FE =
Vi (6 − 20)

Exemplo: Para Carro de Passeio, segunda-feira:

VMDi (0 - 24) = 2.593; Vi (6 - 20) = 2.375;

VMD i (0 − 24) 2.593


FE = = = 1,09
Vi (6 − 20) 2.375

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2 - Para cada Posto de Cobertura (14 horas), calcular, para cada tipo de veículo:
O volume do fluxo para o período pesquisado de 14 horas = Vj (6 - 20);
Calcular o Volume Médio Diário (VMDj), pelo produto do volume de fluxo
pelo Fator de Expansão (FE) do Posto Sazonal representativo da região:
VMDj (0 - 24) = Vj (6 - 20) x FE.
Exemplo: Para Carro de Passeio, segunda-feira:
Vj (6 - 20) = 573; VMDj (0 - 24) = 573 x 1,09 = 625.
b) Ajuste Sazonal dos Dados (VMD) - SEMANAL
1 - Para cada Posto Sazonal calcular, para cada tipo de veículo e para cada dia:
Tomar o Volume Médio Diário de cada dia: VMDi (0 - 24);
Calcular o Volume Médio Diário Semanal, para os 7 dias (VMDs):

VMD s =
∑ VMDi (0 − 24)
7
Calcular os Fatores de Ajustes Semanais (FAS), para cada dia:

VMDs
FAS =
VMDi (0 − 24) do dia
Exemplo: Para Carro de Passeio:

Dia VMDi (0 - 24)


SEGUNDA 2.593
TERÇA 2.681
QUARTA 2.809
QUINTA 2.909
SEXTA 3.022
SÁBADO 2.837
DOMINGO 2.530
Média Semanal, VMDs = 2.769
Fator para segunda-feira;
2.769
FAS = = 1,07
2.593

2 - Para cada Posto pesquisado processar o cálculo da Média Ajustada, fazendo:


Tomar o Volume Médio Diário (para 24 horas): VMDj (0 - 24), para cada dia;
Calcular o VMD ajustado, pelo produto (para cada dia):
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VMD ajustado = VMDj (0 - 24) x FAS
Exemplo: Para Carro de Passeio, segunda-feira:
VMDj (0 - 24) = 625; VMD ajustado = 625 x 1,07 = 669.
3. Calcular a Média Semanal, em função dos VMD ajustados para cada dia.

c) Ajuste Sazonal dos Dados (VMD) - TRIMESTRAL (ou Mensal)


1 - Para cada Posto Sazonal calcular, para cada tipo de veículo e para trimestre:
Tomar o Volume Médio Diário de cada Trimestre: VMDt (0 - 24);
Calcular o Volume Médio Diário Anual, para os 4 Trimestres (VMDa):

VMDa =
∑ VMDt (0 − 24)
4
Calcular os Fatores de Ajustes Trimestrais (FAT), para trimestre:

VMDa
FAT =
VMDt (0 − 24) do trimestre
Exemplo: Para Carro de Passeio:

Trimestre VMDt (0 - 24)


1º (Jan a Mar) 2.002
2º (Abr a Jun) 2.660
3º (Jul a Set) 2.450
4º (Out a Nov) 2.160
Total Anual 9.272
Média Anual, VMDa = 2.318
Fator para o 1º Trimestre:
2.318
FAT = = 1,16
2.002

2 - Para cada Posto pesquisado processar o cálculo da Média Ajustada, fazendo:


Tomar o Volume Médio Diário Ajustado para a Semana: VMDs (0 - 24);
Calcular o VMD Anual ajustado, pelo produto pelo Fator relativo ao Trimestre
em que foi feita a pesquisa:
VMD Anual = VMDs (0 - 24) x FAT
Exemplo: Para Carro de Passeio, pesquisa no 1º Trimestre:
VMDs (0 - 24) = 669; VMD Anual = 669 x 1,16 = 776.

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2.6. Projeções dos Fluxos de Tráfego

Conceito: PREVER COMO O TRÁFEGO VAI SE COMPORTAR (CRESCER)


AO LONGO DO PERÍODO DE VIDA ÚTIL DO PAVIMENTO
ASSUNTO COMPLEXO = Consultar Especialista em Tráfego.

a) Taxas de Crescimento - Progressão Aritmética


Crescimento Linear : y = a x + b VMD Vp
Taxa: t % todo ano
Vp = Vo (1 + P.t) Vo
Vt = P x (V1 + Vp/2) ANO

Ano VMD Aumento t=5%


0 2.500 Taxa única para
1 2.625 125 todos os tipos de
2 2.750 125 veículos
3 2.875 125 P = 3 anos

a) Taxas de Crescimento - Progressão Geométrica


Crescimento Exponencial : y = a. bx VMD Vp
Taxa: t % ao ano
p
 t  
365V1 1 +  − 1 Vo
 100  
Vt =
 t  ANO
 
 100 

Ano VMD Aumento t = 5 % ao ano


0 2.500 Taxa única para
1 2.625 125 todos os tipos de
2 2.756 131 veículos
3 2.894 138 P = 3 anos

• Crescimento do Tráfego com Taxas diferenciadas por veículos

CARROS DE PASSEIO: ta %
ÔNIBUS : to %
CAMINHÕES : tc %

Ano Carros de Passeio Ônibus Caminhões Total Taxas


t% 4% 2% 3% variáveis

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
0 1.100 70 600 1.770 por tipo
1 1.144 71 618 1.833 de veículo
2 1.190 73 637 1.900
3 1.237 74 656 1.967

• Geralmente, no Brasil, são adotadas Taxas de Crescimento em Progressão


Geométrica

• Como obter as Taxas de Crescimento ?

• EM ESTUDOS MACRO-ECONÔMICOS (Como no PMT/MG - Plano


Multimodal de Transportes de 1995)
• ATRAVÉS DE ANÁLISES ECONÔMICAS ESPECÍFICAS PARA O
TRECHO EM PROJETO (Especialistas)
• POR ANÁLISE DA SÉRIE HISTÓRICA DE TRÁFEGO NO TRECHO (para
Projetos de Restauração / Duplicação), para cada tipo de veículo

VMD

ANOS
AJUSTAR CURVAS POR REGRESSÃO ESTATÍSTICA:

y = a . bx
c Tráfego Gerado
Que surge pelo estímulo da pavimentação / restauração / duplicação da Rodovia
Gerado por: Empreendimentos novos atraídos pelas boas condições de transporte
(Indústrias, Minerações, etc)

d Tráfego Desviado
Tráfego ATRAÍDO de outras Rodovias Existentes, face à pavimentação / restauração /
duplicação da Rodovia

ANTES DEPOIS

A A
C
C

Rodovia B - RUIM Rodovia B - DUPLICADA /Rest.


Parte do VMD da Rodovia A será
desviado para a Rodovia B
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

e) Fugas de Tráfego

Tráfego ATRAÍDO de outras Rodovias Existentes, face à pavimentação / restauração /


duplicação da Rodovia

ANTES DEPOIS

A A
C
C

Rodovia B Rodovia B PEDÁGIO


Parte do VMD da Rodovia B será
desviado para a Rodovia A

f) Projeção Total

TRÁFEGO PROJETADO =

ATUAL + CRESCIMENTO + GERADO + DESVIADO - FUGAS

3. CARGAS DO TRÁFEGO

3. CARGAS DO TRÁFEGO
3.1. Configuração das Cargas
As Cargas dos Veículos são transmitidas ao Pavimento pelos Pneus.
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
PARÂMETROS FÍSICOS envolvidos:
• CARGA POR RODA Simples: P (t)
• CARGA POR RODA Dupla: 2.P (t)
• Pressão de Enchimento dos Pneus: q (Kgf/cm2)
q = f (Carga P, Tipo de Pneu)
• Pressão de Contato Pneu - Pavimento: p (Kgf/cm2)
p = f (Pressão q, Área de Contato A, Temperatura)
Considera-se p = q
• Área do Contato Pneu - Pavimento: A (cm2)
Verdadeira = Elíptica variável Simplificação = Circular com:
A = P / 2p
• Raio da Área de Contato Circular: r (cm)
r = ( P / 2π p)1/2
• Afastamento entre pneus: s (cm) - Variável, mas s = 30 a 35 cm
• Tempo de Aplicação da Carga: tw (s)
tw = f (Carga P, Pressão p, Área A, Velocidade do Caminhão)
Para V = 60 Km/h, tw = 0,01 s
• Freqüência da Aplicação de Carga: f (Hz) f = 1 / tw

PNEU ÁREA DE ÁREA CIRCULAR


CONTATO EQUIVALENTE
P

PAVIMENTO

3.2. Cargas Máximas Legais

a) Lei da Balança - Cargas Máximas Legais

São as cargas máximas permitidas para trânsito de veículos comerciais


(caminhões), definidas pela Lei da Balança (original de nº 5-105 de 21/09/66 do
CNT - Código Nacional de Trânsito), depois alteradas por:

Decreto Nº 62.127 de 16/10/68;


Com modificações introduzidas pelo Decreto Nº 98.933 de 07/02/90;
Lei Nº 7.408 de 25/01/85, que fixava uma tolerância máxima de 5%.
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

A carga máxima legal no Brasil foi agora regulamentada pelo Código de Trânsito
Brasileiro na Lei No 9.043 de 23/09/97 e pela Resolução No 12 de 6/12/98 do
CONTRAN:

Eixo Carga Máxima Legal Com Tolerância de 7,5 %


Dianteiro simples de roda 6t 6.45 t
simples
Simples de roda simples 10 t 10,75 t
Tandem duplo 17 t 18,28 t
Tandem Triplo 25,5 t 27,43 t
Duplo de Tribus 13,5 t

VER FIGURAS ANEXAS:

Cargas Máximas por Eixos / Cargas Por Tipos de Veículos

b) Efeito do Excesso de Carga

Os pavimentos são dimensionados para Cargas Máximas Legais


Cargas acima das máximas legais (excesso de cargas por eixo ou sobrecarga por
eixo) causam degradação prematura dos pavimentos, conforme definido no
Apêndice 4.

3.3. Pesagens dos Eixos dos Veículos

Compreendem operações para determinação dos pesos transmitidos por cada eixo,
ou conjunto de eixos, de cada veículo, ao pavimento da rodovia.

a) Pesagens

As pesagens devem ser realizadas a cada trimestre, para estudo da sazonabilidade


das cargas atuantes. O procedimento de pesagem é simples, devendo-se pesar
separadamente cada eixo dos caminhões circulantes.

Face às dimensões da balança portátil, para os conjuntos de eixos duplos e triplos,


precisam ser pesados separadamente cada eixo que os compõem.

Os valores das cargas obtidos no mostrador da balança devem ser anotados em


formulário, anotando-se:

O tipo do caminhão;
O tipo de cada eixo;

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
A carga total de cada eixo (somando-se as cargas individuais no caso de
conjuntos de eixos duplos e triplos).

b) Processamento dos Dados das Pesagens

Com o processamento dos dados obtidos nas pesagens, podem ser efetuados:

Avaliação da magnitude e freqüência dos veículos que transitam com excesso


de cargas por eixo;
O cálculo dos Fatores de Veículos;
O cálculo do Número "N" de solicitações equivalentes às do eixo padrão
rodoviário de 8.2 tf, com base no Fator de Veículos e nos dados das pesquisas
de tráfego, para emprego no SGP e em projetos rodoviários.

O processamento deve ser iniciado com o cálculo das freqüências absolutas e


acumuladas de ocorrências de cargas por classes de 1.000 kg (1 t), para cada tipo
de eixo, separadamente para cada tipo de veículo componente da frota.

• O processamento deve ser feito por posto de pesagem.


• Este agrupamento de freqüências, muito simples, é ilustrado no exemplo
seguinte:

EXEMPLO PARA: CAMINHÃO 2S3


Rodovia BR-116/MG
EIXO CARGA (t) FREQÜÊNCIA FREQÜÊNCIA % %
ABSOLUTA ACUMULADA ABSOLUTA ACUMULADA
1º DIANTEIRO 2a3 0 0 0 0
EIXO SIMPLES 3a4 1 1 0,758 0,758
DE 4a5 26 27 19,697 20,455
RODAS SIMPLES 5a6 81 108 61,364 81.819
6a7 23 131 17,424 99,243
7a8 1 132 0,758 100,000
4a5 0 0 0 0
5a6 2 2 1,515 1,515
6a7 2 4 1,515 3,030
2º 7a8 1 5 0,758 3,788
8a9 4 9 3,030 6,818
EIXO SIMPLES 9 a 10 12 21 9,091 15,909
10 a 11 31 52 23,485 39,394
DE 11 a 12 28 80 21,212 60,606
12 a 13 18 98 13,636 74,242
RODAS DUPLAS 13 a 14 18 116 13,636 87,878
14 a 15 10 126 7,576 95,454
15 a 16 2 128 1,515 96,969
16 a 17 4 132 3,030 100,000

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
14 a 15 0 0 0 0
15 a 16 0 0 0 0
16 a 17 0 0 0 0
17 a 18 0 0 0 0
18 a 19 0 0 0 0
3º 19 a 20 2 2 1,515 1,515
20 a 21 1 3 0,758 2,273
EIXO TANDEM 21 a 22 3 6 2,273 4,546
22 a 23 3 9 2,273 6,819
TRIPLO 23 a 24 5 14 3,788 10,607
24 a 25 7 21 5,303 15,910
25 a 26 5 26 3,788 19,698
26 a 27 10 36 7,576 27,274
27 a 28 13 49 9,848 37,122
28 a 29 10 59 7,576 44,693
29 a 30 12 71 9,091 53,789
30 a 31 15 86 11,364 65,153
31 a 32 16 102 12,121 77,274
32 a 33 12 114 9,091 86,365
33 a 34 5 119 3,788 90.153
34 a 35 7 126 5,303 95,456
35 a 36 3 129 2,273 97,729
36 a 37 2 131 1,515 99,244
37 a 38 0 131 0 99,244
38 a 39 0 131 0 99.244
39 a 40 1 132 0,758 100,000

A freqüência absoluta corresponde ao número de eixos que apresentam peso


enquadrado em cada intervalo de 1 t, ou seja, por exemplo:

- 3 a 4 t = 1 (1 carga entre 3.000 e 3.999 kg).

A freqüência acumulada é o somatório das cargas inferiores até um certo intervalo.

A percentagem, ou freqüência relativa, é a participação no total de eixos, tomado


como 100:

freqüência relativa (%) = freqüência absoluta x 100


total de eixos pesados

No exemplo, teríamos:

freqüência relativa
= 1 = 0,758 %
132

O mesmo procedimento é feito, em computador, para todos os tipos de veículos da


frota.

Com isto, pode-se resumir os dados das freqüências para cada tipo de caminhão, e
traçar gráficos da freqüência relativa acumulada, para cada eixo, conforme
exemplos apresentados a seguir.

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
• Avaliação do Excesso de Carga

A avaliação da magnitude e da freqüência de veículos com excesso de cargas por


eixo podem ser feitas por análise dos gráficos exemplificados anteriormente.

Por exemplo, para o caminhão 2S3 teríamos (ver quadro anterior):

CARGAS ACIMA DA MÁXIMA


LEGAL
EIXO CARGA FREQÜÊNCIA FREQÜÊNCIA MAGNITUDE
MÁXIMA ABSOLUTA RELATIVA DO EXCESSO
LEGAL DE CARGA
1º (dianteiro) 132 - 108 =
Simples de 5t = 24 caminhões 24 7-5=2t
= 18%
Rodas Simples 132

Simples de 10 t 132 - 52 = 16 - 10 = 6 t
Rodas Duplas 80 caminhões 80
= 61%
132

Tandem 25,5 t 132 - 36 = 39-25,5 = 13,5 t
Triplo 96 caminhões 96
= 73%
132

Vê-se pelo exemplo (real da BR-116/MG), que tem-se elevada freqüência de eixos
com sobrecarga.

Repetindo-se o procedimento para todos os tipos de caminhões, para todos os


postos de pesagem, pode-se formar banco de dados e mapear os pontos a terem
sistema de controle de cargas implantado.

Em pesquisas efetuadas foram registrados os seguintes índices médios de excesso


de carga por eixo:

BR-381/MG, em Nepomuceno: 39 %
Rodovias da Bahia (DERBA): 18 %;
Tocantins – antes de multar: 41 %;
Tocantins – após de multar: 6 %;
BR-452/GO: 85 % (só pesou caminhões carregados).

• CARGAS MÁXIMAS LEGAIS INTERNACIONAIS

EUA: AASHTO

• EIXOS SIMPLES = 9,1 t


• EIXOS DUPLOS TANDEM = 14,5 t

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
FRANÇA:

• EIXOS SIMPLES = 13 t

4. CARGAS EQUIVALENTES

4. CARGAS EQUIVALENTES
4.1. Conceito de Eixo Padrão Rodoviário

NUMA RODOVIA TRAFEGAM:


• VÁRIOS TIPOS DE VEÍCULOS DIFERENTES
• COM CARGAS VARIADAS EM CADA EIXO (2 t, 4 t, 6 t .......... 35 t)

NOSD PRIMEIROS MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO (IG e CBR):


Espessura do Pavimento = f ( CBR Subleito, CARGA )

MAS COMO AS CARGAS SÃO Extremamente VARIÁVEIS, foi preciso:

INTRODUZIR O: EIXO PADRÃO RODOVIÁRIO de 8,2 tf

O USACE (US Army Corps of Engineers), a AASHTO (American Association of Standard


Highway and Transportation Officials) e o “The Asphalt Institute” adotaram o eixo de:

P/4
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

p
PAVIMENTO
s

EIXO SIMPLES DE RODAS DUPLAS:


CARGA p/ EIXO: P = 18 Kips = 18.000 lb = 8.165 Kgf = 8,2 tf = 80 KN

CARGA POR RODA: P / 4 = 4,5 Kips = 4.500 lb = 2.041 Kgf = 2,04 tf

Pressão de Enchimento dos Pneus: p = 4,92 Kgf/cm2

Pressão de Contato Pneu - Pavimento: q = p = 4,92 Kgf/cm2

Raio da Área de Contato Pneu - Pavimento: r = 11,5 cm

Afastamento entre Pneus por Roda: s = 34,3 cm

4.2. Conceito de Número “N”

Conforme já dito, os PRIMEIROS MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO (IG e


CBR) considerava-se:
Espessura do Pavimento = f (CBR Subleito, CARGA)

DESCOBRIU-SE DEPOIS A “FADIGA” DO PAVIMENTO

“FADIGA = PERDA DE RESISTÊNCIA POR ESFORÇO REPETIDO”

ASSIM, OS MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO PASSARAM A CONSIDERAR A:

REPETIÇÃO DAS SOLICITAÇÕES DAS CARGAS POR EIXO


ao longo do período de Vida Útil do Pavimento:

Espessura do Pavimento = f (CBR Subleito, Número “N”)

Número "N" :
• número de repetições (ou operações) dos eixos dos veículos
• equivalentes às solicitações do eixo padrão rodoviário de 8,2 tf
• durante o período considerado de vida útil do pavimento

Ou seja:

• NÃO É UMA CARGA DE “P” toneladas QUE ACARRETA DEGRADAÇÃO


DO PAVIMENTO
• MAS A REPETIÇÃO DAS CARGAS AO LONGO DO TEMPO

Mas o que é:
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

SOLICITAÇÃO
REPETIÇÃO
OPERAÇÃO
COBERTURA ?

4.3. Solicitações/Repetições/Operação/Cobertura

a SOLICITAÇÕES / REPETIÇÕES / OPERAÇÃO


CADA EIXO QUE TRAFEGA SOBRE UMA SEÇÃO TRANSVERSAL DO
PAVIMENTO CAUSA UMA “SOLICITAÇÃO” NO PAVIMENTO (tensões e
deformações em cada camada)
À MEDIDA QUE OS EIXOS VÃO PASSANDO SOBRE O PAVIMENTO,
NUMA SEÇÃO TRANSVERSÃO, OCORREM REPETIÇÕES DAS
SOLICITAÇÕES.
UM EIXO REALIZA UMA “OPERAÇÃO” TODA VEZ QUE PASSA
ATRAVÉS DE UMA SEÇÃO TRANSVERSAL TOMADA COMO
REFERÊNCIA NA FAIXA DE ROLAMENTO
b) COBERTURA ou Recobrimento
HÁ UMA “COBERTURA” (ou Recobrimento) DAS TRILHAS QUANDO
OCORRER UM NÚMERO DE OPERAÇÕES (ou repetições de solicitações) DE
CARGA DE MODO QUE TODOS OS PONTOS DA TRILHA TENHAM SIDO
SOLICITADOS
NA VERDADE O QUE DEGRADA O PAVIMENTO SÃO AS “COBERTURAS
DE CARGA”, tendo-se:
• NAS RODOVIAS, COMO O TRÁFEGO É CANALIZADO pela largura
de 3,50 m de cada faixa de tráfego, GERALMENTE TEM-SE:

COBRIMENTO = OPERAÇÃO (ou repetição de solicitações)

Limites
FAIXA DE
Trilhas
COBERTURA
de Roda
BORDO
ACOSTAMENTO PISTA

• JÁ NAS PISTAS DE AEROPORTOS, FACE À GRANDE LARGURA,


É PRECISO CONSIDERAR, ESTATÍSTICAMENTE, AS COBERTURAS.

4.4. Conceito de Fatores de Equivalência de Cargas

a Fundamento Teórico
“ADMITE-SE QUE
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
um NÚMERO Ni de Solicitações de uma CARGA por EIXO Pi
É EQUIVALENTE A
um NÚMERO Np de Solicitações da CARGA do EIXO PADRÃO Pp
QUANDO
as Ni Solicitações da CARGA Pi
PROVOCAM A MESMA DETERIORAÇÃO
QUE as Np Solicitações da CARGA PADRÃO Pp ,
NA MESMA ESTRUTURA DE PAVIMENTO”

( Np / Ni ) = ( Pp / Pi )n = Feq

Sendo, Feq = Fator de Equivalência de Cargas


No Caso, Pp = 8.165 Kgf (8,2 tf) ou 18 Kips ou 80 KN

Np Ni Pi
Pp
solicitações solicitações

MESMA
DEGRADAÇÃO

MESMA
ESTRUTURA
PAVIMENTO

Há vários Organismos Rodoviários que desenvolveram estudos e determinaram Fatores de


Equivalência de Cargas. Estudaremos os dois mais usuais.

b Fatores de Equivalência de Cargas do


USACE - U.S. Army Corps of Engineers
Conhecido como CE - Corpo de Engenheiros.
Foram reproduzidos no Método de Projeto de Pavimentos Flexíveis do DNER, do
Eng. Murillo Lopes de Souza, de 1966 (e versões de 1979)

Define o “ESWL” - “Equivalent Single Wheel Load”


(Carga equivalente de Roda Simples)
CRITÉRIO DE DEGRADAÇÃO PARA EQUIVALÊNCIA:
• DEFORMAÇÃO VERTICAL no topo DO SUBLEITO (Deflexão)
• CALCULADA EM MODELO TEÓRICO DE PAVIMENTO
• EMPREGA MODELO CLÁSSICO DE BOUSSINESQ, ou seja:

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
- Pavimento constituído por uma única camada com material perfeitamente
elástico, homogêneo e isótropo, com espessura de 50 cm, sobre o Subleito;
- Coeficiente de Poisson fixo = 0,5;
- Considera 5.000 coberturas da carga do eixo simples
( Np / Ni ) = ( Pp / Pi )n = Feq

log Feq = 1/0,23 ( Pi / Pp )1/2 - [ ( 0,15 / 0,23 ) + log 5.000 ]


No Caso, Pp = 8.165 Kgf (8,2 tf) ou 18 Kips ou 80 KN

Np Ni Pi
Pp
solicitações solicitações

MESMA
DEFLEXÃO “D”

MESMA
D ESTRUTURA D
PAVIMENTO
SUBLEITO SUBLEITO

FALHA = CONSIDERA PAVIMENTO COM ESPESSURA FIXA

Os FATORES são apresentados nos Ábacos e Tabelas anexos

c) Fatores de Equivalência de Cargas do


AASHTO - American Association Standard Highway and
Transportation Officials
Foram reproduzidos no Procedimento DNER-PRO 159-85 e HDM

Define o “ESAL” - “Equivalent Single Axle Load”


(Carga equivalente de Eixo Simples)
CRITÉRIO DE DEGRADAÇÃO PARA EQUIVALÊNCIA:
• PSI - “Present Serviceabilit Index” (ISA - Índice de Serventia Atual)
• Ou seja: degradação do pavimento após as “N” aplicações de carga

PSI 0a1 1a2 2a3 3a4 4a5


Pavimento PÉSSIMO MAU REGULAR BOM Excelente
• BASE: PISTA EXPERIMENTAL DO “AASHTO ROAD TEST”
• Com Pavimentos com Espessuras Variadas (SN)
• Na Pista Experimental foram aplicadas “N” cargas diferentes
Pp= 8,2 tf Np solicitações do Eixo Padrão até PSI = 2,5 e 2,0

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

SN = 2 SN = 3 SN = 4 SN = 5 SN = 6

Pi= 2,3,4,..., n t Ni solicitações das Cargas Pi até PSI = 2,5 e 2,0

SN = 2 SN = 3 SN = 4 SN = 5 SN = 6

• SN = “Estructural Number” (Número Estrutural do Pavimento)


SN =  hi x ai h1 a1
hi = Espessura de cada camada h2 a2
ai = Coeficiente de Equivalência da AASHTO
h3 a3

• CRITÉRIOS DE DEGRADAÇÃO CONSIDERADOS:


PSI antes = 4,5 PSI final = 2,0 ou 2,5
• Coeficiente de Equivalência:
( Np / Ni ) = ( Pp / Pi )n = Feq

Np Ni Pi
Pp = 8,2 tf
solicitações solicitações

Degradação
PSI = 2,0 ou 2,5
MESMA
ESTRUTURA
PAVIMENTO
SN

Feq = Número de Solicitações Np do Eixo Padrão que causam PSI final


Número Solicitações Ni de Eixo com Carga Pi que causam PSI final

Exemplo: Obteve-se PSI = 2,0, para:


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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
• 100.000 repetições do Eixo Padrão (8,2 tf)
• 14.347 repetições de Eixo Simples de 30 Kips (14 t)
Feq = 100.000 / 14.347 = 6,97
Ou seja: São necessárias 6,97 vezes mais repetições da Carga do Eixo padrão de
8,2 tf para se ter o mesmo “efeito destrutivo” da carga de 14 t , sobre o mesmo
pavimento.

OS FATORES DE EQUIVALÊNCIA DA AASHTO SÃO:


EIXOS SIMPLES DE RODAS SIMPLES
4,32
 P 
FE =  
 7,77 

EIXOS SIMPLES DE RODAS DUPLAS


4,32
 P 
FE =  
 8,17 

EIXOS TANDEM DUPLO


4,14
 P 
FE =  
 15,08 

EIXOS TANDEM TRIPLO


4,22
 P 
FE =  
 22,95 

Onde: FE = fator de equivalência para a carga "P" em relação ao eixo padrão


rodoviário de 8,2 tf.
Isto significa que, por exemplo, um eixo simples de rodas duplas com carga P = 13
tf, equivale a 7,44 solicitações do eixo padrão de 8,2 tf, ou seja:

4,32
 13 
FE =   = 7,44
 8,17 

d) Comparações entre Fatores do USACE e AASHTO


São apresentados nos Quadros Anexos

e Outros Fatores de Equivalência


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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
• California Design Highway (CDH) = (ESWL) Eixo Simples de 5 Kips ( 2,3 tf)
Obs: É empregado no Método do CDH, que foi no Brasil adaptado como o
Procedimento DNER-PRO 10-79. Usa o parâmetro TI - “Traffic Index”.
O Prof. Armando Martins Pereira correlacionou o IT ao Número “N” calculado
com Fatores de Equivalência do USACE.
• Maryland Test Track, WASHO (Quênia), Kentucky, The Asphalt Institute (MS-
1 e Deacon), Painter, Shook and Fred Finn, etc.

f) Fatores Específicos por Pavimento


Pode-se calcular Fatores de Equivalência para um pavimento específico, como no
exemplo anexo, para critério de deformações específicas de tração (fadiga).

5. CÁLCULO DO NÚMERO “N”

5. CÁLCULO DE NÚMEROS “N”


5.1. Fórmula Geral

Já definimos anteriormente:

Número "N" :
• número de repetições (ou operações) dos eixos dos veículos
• equivalentes às solicitações do eixo padrão rodoviário de 8,2 tf
• durante o período considerado de vida útil do pavimento
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

Os Números "N" de solicitações equivalentes às do eixo padrão rodoviário de 8,2


tf, para um Ano qualquer, são calculados pela expressão:

N = 365 x VMD x FV x FR x FD,

Onde:

VMD = Volume Médio Diário de tráfego na rodovia, considerando os veículos


comerciais (ônibus e caminhões)
FV = Fator de Veículos da frota comercial;
• FR = Fator Climático Regional;
• FD = Fator Direcional (dependente do número de pistas e de faixas)

○. FATOR CLIMÁTICO REGIONAL

O Método de Projeto de Pavimentos Flexíveis do DNER, de 1966, e revisão de 1971,


recomendavam empregar:
Pluviometria Anual < 800 mm 800 a 1500 mm > 1500
Fator FR 1,0 1,4 1,8
Ou seja: para regiões com chuvas intensas, aumenta-se o Número “N” em 80 %,
obtém-se maior espessura para o pavimento, e está resolvido o problema !

Como espessura maior não dá ao pavimento resistência ao efeito das águas (e sim concepção
adequada das camadas e DRENAGEM eficiente), e como no dimensionamento adota-se ISC
para ensaios após imersão em água por 4 dias:

ADOTA-SE FR = 1,0 (ver SISTEMA)

5.3. Fatores de Carga, de Eixo e dos Veículos

a FATOR DE EIXOS (FE):

É o coeficiente que, multiplicado pelo número de veículos que circulam, dá o


número de eixos correspondentes durante o período de projeto (de qualquer carga).
n = Vt x FE

n = número de eixos solicitantes durante o período de projeto (de qualquer carga)


Vt = volume total de tráfego durante o período de projeto

b FATOR DE CARGA (FC):

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
É o coeficiente que, multiplicado pelo número de eixos que circulam, dá o número
equivalente de eixos padrões (sob o ponto de vista destrutivo do pavimento).
N = n x FC N = (Vt x FE) x FC

n= número de eixos solicitantes durante o período de projeto (de qualquer carga)


N = número de repetições de cargas equivalentes à de um eixo tomado como
padrão que, quando solicita o pavimento, causa um efeito destrutivo unitário

c FATOR DE VEÍCULOS (FV):

É um coeficiente que, multiplicado pelo número de veículos que circulam na


rodovia, dá o número equivalente de eixos padrões rodoviários.
N = Vt x FV , N = Vt x (FE x FC) , FV = FE x FC

Os Fatores de Cargas e/ou de Veículos são calculados individualmente para cada


tipo de caminhão, com base nos dados de pesagem, ou em fatores médios
considerando as Cargas Máximas Legais (Quadros Anexos), por média ponderada,
pelos critérios da AASHTO e USACE:

EQUIVALÊNCIA = FREQÜÊNCIA RELATIVA (%) X FATOR DE


EQUIVALÊNCIA;

∑ EQUIVALÊNCIA
FATOR DE CARGA (FC) = ∑ FREQÜÊNCIAS RELATIVAS(100%)

Para cálculo dos Fatores de Carga criam-se quadros por tipo de veículos, com os
dados de pesagem, para facilitar o cálculo da média ponderada:

EIXOS Freqüências Percentagem Fator de Equivalência Equivalência


CARGAS nj pj Feq pj x Feq
1t
2t
3t
4t
...
nt
Soma

O cálculo é feito para Fatores de Equivalência da AASHTO e USACE

Depois calcula-se:

FATOR DE EIXOS (FE) = Nº de eixos (conjuntos) do caminhão

FATOR DE VEÍCULO (FV) = FC X FE

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

OS FATORES DE VEÍCULOS (FV) PODEM SER CALCULADOS POR:


• DADOS DE PESAGENS ESPECÍFICAS DO TRECHO (IDEAL);
• DADOS DE PESAGEM REGIONAIS DISPONÍVEIS;
• ADOTANDO-SE FATORES CALCULADOS PELO DNER EM
PESAGENS;
• ADOTANDO-SE FATORES CALCULADOS COM CARGA MÁXIMA
LEGAL da Lei de Balança;
• ADOTANDO-SE FATORES CALCULADOS COM CARGA MÁXIMA
COM A TOLERÂNCIA da Lei de Balança (quando há Transbordo);
• ADOTANDO-SE Porcentagem de CAMINHÕES VAZIOS.

No Apêndice 1 são apresentados Quadros que comparam FV’s obtidos por várias
fontes.
Pesagens na rodovia SP-140 (Concessionária Intervias) em 2000;
Pesagens na rodovia SP-160 (Concessionária Ecovias) em 1998;
Pesagens na BR-277/PR, em Campo Largo/PR;
Pesagens na BR-386/RS em Canoas/RS;
Média de fatores de pesagens do DNER em Minas Gerais, em 1986;
Pesagens na BR-163/.364/MT em Cáceres/MT;
Pesagens na BR-101/SC em Araranguá/SC;
Pesagem na BR-381/MG em Nepomuceno, em 1999;
Pesagem na BR-116/MG (Rio-Bahia) em Leopoldina em 1988.

Os fatores de veículos são calculados também para várias situações de


carregamentos:

Com carga máxima legal mas parte dos caminhões trafegando vazios (em
busca de carga);
Com carga máxima legal com a tolerância de 7,5 % mas parte dos
caminhões trafegando vazios;
Com carga máxima legal com a tolerância de 7,5 % (todos os caminhões);
Considerando parte dos veículos com excesso de carga, parte com carga
máxima legal e outra parte de vazios.

5.4. Fator Direcional

Os Números “N” são calculados PARA A FAIXA DE TRÁFEGO MAIS


SOLICITADA das Vias (onde trafegam os Veículos Comerciais).
Para definir as faixas mais solicitadas usa-se o FATOR DIRECIONAL (FD).
O Fator Direcional pode ser obtido nas Pesquisas de Tráfego (para pista simples).
O DNER recomenda os seguintes fatores:

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
Número de Faixas 2 Faixas 4 Faixas 6 ou mais
Fator Direcional FD 0,5 0,35 a 0,48 0,25 a 0,48

Pode-se adotar, para os Veículos Comerciais (Ônibus e Caminhões):

PISTA SIMPLES
PISTA DUPLA 3 FAIXAS
FD = 0,50
FD = 0,40

PISTA DUPLA
CANTEIRO CENTRAL
FD = 0,45

CANTEIRO CENTRAL
FD = 0,40

FD = 0,45

= Faixa mais carregada

Obs: Há casos Especiais, em que os Fatores divergem (Exemplo: Sistema Anhanguera -


Bandeirantes, em São Paulo).

5.5. Número NP1, NP e NS

a Número NP1
Número “N” de repetições de solicitações equivalentes às do eixo padrão de 8,2 tf
NO ANO DE ANÁLISE DO PAVIMENTO (Ano da pesquisa de tráfego) :
NP1 = 365 x VMD x FD x FV

b Número NP
Número “N” de repetições de solicitações equivalentes às do eixo padrão de 8,2 tf
A SER SUPORTADO PELO PAVIMENTO DURANTE O PERÍODO DE
PROJETO ( P = 5, 10 ou 15 Anos)
Geralmente adota-se:
• Para Projeto de Pavimentos Novos, P = 15 Anos;
• Antigamente se pensava em pavimentação por etapas, com P = 5 Anos;
• Para Projeto de Restauração de Pavimentos, P = 10 Anos;
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
• Em Vias Urbanas, às vezes se adota, P = 5 Anos.

O Número NP é calculado:
ANO VMD Critério da AASHTO Critério da USACE
COMERCIAL NO ANO ACUMULADO NO ANO ACUMULADO
AE NP1 NP1

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10

Quando as Taxas de Crescimento são diferenciadas para cada tipo de Veículo (Carro de Passeio,
Ônibus e Caminhões), é preciso projetar o tráfego ao longo do período, somando anualmente
para se ter o VMD comercial, considerando-se o fato no Cálculo dos Fatores de Veículos.
ANO Ôni- Cami- VMD Critério da AASHTO Critério da USACE
bus nhões comer NO ANO ACUMULADO NO ANO ACUMULADO
AE NP1 NP1

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10

c) Número NS
NO CASO DE RESTAURAÇÃO DE PAVIMENTO
Número “N” de repetições de solicitações equivalentes às do eixo padrão de 8,2 tf
que foi SUPORTADO PELO PAVIMENTO EXISTENTE DURANTE SUA
VIDA ÚTIL:
• DESDE o ANO da ABERTURA DO PAVIMENTO AO TRÁFEGO
• OU ANO DA ÚLTIMA RESTAURAÇÃO DO PAVIMENTO
• ATÉ A PREVISÃO DE CONCLUSÃO DA OBRA DE
RESTAURAÇÃO PROJETADA
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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

N
NP
NS

NP1 NP
NS

ARo ANOS
AE

AE = Ano de Análise / Projeto de Restauração


Aro = Ano de Abertura ao Tráfego sobre o Pavimento Restaurado

O Número NS é calculado:
ANO VMD Critério da AASHTO Critério da USACE
COMERCIAL NO ANO ACUMULADO NO ANO ACUMULADO
1
2
3
4
5
...
...
AE NP1 NP1

Aro

Fonte: Série Histórica de Tráfego (pesquisa de Dados Existente)


Quando não há dados, estima-se os VMD’s com base em taxa média de
crescimento RETROATIVA.

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

BIBLIOGRAFIA

BIBLIOGRAFIA

Consórcio Coplaenge – Planservi (1999) – Memória de cálculo de pavimentação.


Interligação Imigrantes – Anchieta, São Paulo, SP.

DER-MG (1999) - Relatório de Avaliação do Pavimento da BR-381/MG.

DNER (2000) – Estudos de tráfego – Análises referentes ao número N, rodovia BR-


101/RS. Porto Alegre, RS.

DNER (1996) – Manual de Pavimentação. IPR/DNER, Rio de Janeiro, RJ.

Diefra (2002) – Relatório de Pesagem de Veículos de Carga na Rodovia BR-452/GO.

Meeca (2001) – Relatório de Avaliação do Pavimento da BR-381/MG.

Neves, M.A. (2001) – Dimensionamento de pavimentos: para carga máxima legal ou


excesso de carga ? Seminário de Modernas Técnicas de Pavimentação, Florianópolis,
SC.

Neves, M.A. (1999) – Apostila de Tráfego do Curso de pós-graduação em


pavimentação. FUMEC – Belo Horizonte, MG.

Pereira, A.M. (1985) – Análise crítica dos fatores de equivalência adotados pelo DNER
e sua adequação às rodovias de tráfego pesado. Tese de doutorado, UFPR, Curitiba,
PR.

Soares J.B., Motta, L.M.G. (2001) – Considerações sobre a determinação do fator de


veículo no cálculo do número N. COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ.

Souza M.L. (1980) – Pavimentação Rodoviária. IPR/DNER, Rio de Janeiro, RJ.

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO

Apêndice 1 – Pesquisa de Fatores de Veículos

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CÁLCULO DE NÚMERO N PARA DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTO
Apêndice 2 – Exemplos de Cálculos

Apêndice 3 – Exercícios Propostos

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Apêndice 4 – Análise dos Efeitos do Excesso de Carga na


Durabilidade e nos Custos de Pavimentação

Apêndice 5 – Fatores de Tráfego para Pavimentos Rígidos

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