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EDIÇÃO DO PROFESSOR

E D I Ç Õ E S

ASA

Ensino Secundário
11.º Ano

BIOLOGIA e GEOLOGIA (vol. 1)


João Carlos Silva
Elsa Ribeiro
Óscar Oliveira

ENSINO REGULAR
ENSINO RECORRENTE
Curso Científico-Humanístico de
CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS
Ensino Secundário
11.º Ano

BIOLOGIA e GEOLOGIA (vol. 1)


João Carlos Silva
Elsa Ribeiro
Óscar Oliveira
Introdução O projeto DESAFIOS pretende auxiliar os alunos na construção de conhecimento e no
desenvolvimento de competências nas áreas científicas da Biologia e Geologia.
Encaramos este projeto de uma forma dinâmica, como a própria ciência, sendo os
assuntos apresentados na sua última versão, mas não definitiva. Procuramos elaborar
um manual cientificamente rigoroso, claro e objetivo, que contempla todos os con-
teúdos essenciais do programa, permitindo a abordagem de outras temáticas que se
relacionam e contextualizam com as realidades próprias de cada escola.
Concebemos um manual que vai de encontro aos princípios psicopedagógicos e
científicos que integram o Programa da disciplina. Partimos de questões problemáti-
cas motivadoras que suscitam a curiosidade dos alunos, estimulando uma atitude
empenhada na aquisição do conhecimento e possibilitando o querer saber mais.
O aluno surge como o centro nevrálgico do processo ensino-aprendizagem. É impor-
tante a consciencialização e a reflexão crítica dos cidadãos sobre as questões que
comprometem o futuro do planeta e a qualidade de vida das populações humanas. O
manual valoriza os alunos, enquanto membros participativos de uma sociedade,
conscientes da necessidade de minimizar os impactes negativos da atividade huma-
na nos diferentes subsistemas terrestres. Ambiciona a promoção de cidadãos deten-
tores de literacia científica, capazes de compreender o mundo em que vivemos, ante-
cipando problemas e perspetivando soluções.
Do manual consta um glossário, na dupla página introdutória de cada capítulo, que
acompanha as diversas unidades, onde se esclarecem as palavras-chave do programa.
Nesta secção também se encontram as competências definidas no programa, para
que os alunos possam organizar e elaborar o seu plano de estudo relativo a cada uma
das temáticas.
Perspetivando a avaliação intermédia e final nos exames nacionais, incluímos um vas-
to leque de exercícios de exames nacionais, criteriosamente escolhidos, de forma a
avaliarem as competências previstas no Programa oficial de Biologia e Geologia. Estes
exercícios encontram-se distribuídos pelo manual e caderno de atividades. Neste últi-
mo elemento encontra ainda uma prova-modelo que permite uma preparação efeti-
va para os momentos de avaliação nacionais.
– Tornar os nossos alunos membros ativos da sociedade é, para nós, Professores, um
dos maiores… DESAFIOS!
Votos de bom trabalho.
Os autores
Como usar este manual
Índice detalhado do manual Índice
Unidade 5 Crescimento e renovação celular Unidade 7 Evolução biológica

1 Crescimento e renovação celular 12 1 Uniceluridade e multiceluridade 118


1.1 O DNA e a síntese proteica são responsáveis pelo crescimento 1.1 Da unicelularidade à multicelularidade: um caminho evolutivo 120
e renovação celular 14 1.1.1 Os organismos eucariontes formaram-se a partir dos procariontes 121
1.1.1 O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento 1.1.2 As colónias podem estar na base da multicelularidade 125
da informação genética 15
1.1.2 A expressão da informação contida no DNA está relacionada
com a síntese proteica 24 V. 1 2 Mecanismos da evolução
2.1 Fixismo vs evolucionismo
2.2 Selecção natural, artificial e variabilidade, como mecanismos
128
130 V. 1
1.1.3 As mutações no DNA podem modificar a síntese proteica
1.2 A mitose assegura a manutenção das características hereditárias
36
39 Biologia de evolução 133 Biologia
1.2.1 O DNA está organizado em cromossomas 39 2.2.1 O Lamarckismo foi a teoria pioneira na explicação do
1.2.2 O ciclo celular permite a obtenção de novas células 41 evolucionismo 134
1.2.3 O ambiente e o Homem interferem no ciclo celular 48 2.2.2 Darwinismo, uma teoria explicativa do evolucionismo 135
2.2.3 Lamarckismo vs Darwinismo 139
2.2.4 Argumentos a favor do evolucionismo 139
2 Crescimento e regeneração dos tecidos vs diferenciação celular 50 2.2.5 Neodarwinismo ou teoria sintética da evolução 147
2.1 O crescimento e a regeneração de tecidos tem por base divisões 2.2.6 As populações funcionam como unidades evolutivas 148
mitóticas 52
2.2 As diferenças estruturais e funcionais das células resultam da Em síntese… 152
diferenciação 52 Auto-Avaliação 154
Desafios 160
Em síntese… 58
Auto-Avaliação 60
Desafios 64
Unidade 8 Sistemática dos seres vivos

Unidade 6 Reprodução
1 Sistemas de classificação 164
1.1 Existe uma grande diversidade de critérios de classificação de seres
1 Reprodução assexuada 68 vivos 166
1.1 Os organismos apresentam estratégias de reprodução muito variadas 70 1.1.1 Os sistemas de classificação desenvolveram-se ao longo dos
1.1.1 A multiplicação vegetativa tem por base a grande capacidade tempos 166
das plantas em regenerar tecidos
1.1.2 A micropropagação vegetativa permite a obtenção de um
73 1.1.2 Na classificação dos seres vivos podem ser usados diversos
critérios 172 V. 1
elevado número de clones
1.1.3 A reprodução assexuada apresenta vantagens e desvantagens
75
77 V. 1 1.2 A taxonomia e a nomenclatura permitem conhecer e compreender
a diversidade dos seres vivos 174 Biologia
2 Reprodução sexuada 78 Biologia 1.2.1 Regras básicas de nomenclatura científica 177
2.1 A meiose e a fecundação asseguram a manutenção do número 2 Sistema de classificação de Whittaker modificado 180
de cromossomas da espécie 80 2.1 Os organismos, de acordo com as suas características, são
2.2 A meiose e a fecundação promovem a variabilidade genética 88 classificados em reinos 182
2.2.1 Vantagens e desvantagens da reprodução sexuada 92 2.1.1 Classificação em domínios 189
2.2.2 O Homem manipula a reprodução humana e de outros seres vivos 92 2.1.2 Principais características de cada reino 190
3 Ciclos de vida 94 Em síntese… 197
3.1 Unidade vs diversidade dos ciclos de vida 96 Auto-Avaliação 198
3.1.1 Ciclo de vida de um ser haplonte 98 Desafios 204
3.1.2 Ciclo de vida de um ser haplodiplonte 100
3.1.3 Ciclo de vida de um ser diplonte 102
3.2 As intervenções humanas podem interferir na conservação/evolução
da espécie 103

V. 2 Índice resumido do 2.° volume


Em síntese… 106 Unidade 3 – Geologia, problemas e materiais do quotidiano
Auto-Avaliação 108 Capítulo 1 – Ocupação antrópica e problemas de ordenamento
Desafios 114 Capítulo 2 – Processos e materiais geológicos importantes em ambientes
terrestres Geologia
Capítulo 3 – Exploração sustentada de recursos geológicos

6 7

Tendo presente a necessidade de manter


a obra actual, científica e pedagogica-
mente, os autores agradecem, antecipa-
damente, todos os comentários e suges- UNIDADE 5 UNIDADE 3
tões que os Professores considerem Crescimento e Geologia, problemas e
essenciais. Para tal, disponibilizamos um renovação celular materiais do quotidiano
e-mail que permite o contacto directo

Apresentação de todas as
com os autores:
biodesafios@googlemail.com
Pretendemos fomentar o contacto com
as escolas, de forma a enriquecer o pro-
jecto e contribuir na delineação de estra-
tégias que visam melhorar o ensino da

unidades que integram o


Biologia e Geologia.

UNIDADE 6
Reprodução

Programa de Biologia e CAPÍTULO 1


Ocupação antrópica
e problemas de Inter-relação Biologia/Geologia
Geologia do 11.° ano
ordenamento
Biologia Quais os desa
afios da Terra? Geologia
No Guia do Professor encontra a apresen-
tação genérica do Programa de Biologia
e Geologia, bem como as finalidades
gerais presentes no programa oficial.

PROGRAMA
Guia do
Professor
Questão central de todo o
programa: “Quais os desafios da
UNIDADE 7
Evolução biológica

CAPÍTULO 2
Processos e
materiais geológicos
importantes em
ambientes terrestres
Terra?”
UNIDADE 8 CAPÍTULO 3
Sistemática dos Exploração sustentada de
seres vivos recursos geológicos

8 9

Que processos são responsáveis pela unidade e Sugestão metodológica


Estão previstos 10 blocos de aulas para
variabilidade celular? leccionar esta temática.

Sugestão metodológica
Unidade 5

Apresentação da Unidade,
A partir da situação-problema: ”Como
explicar a grande diversidade de seres
vivos na natureza?”, dever-se-ão promo-
ver actividades de discussão que permi- Crescimento e renovação celular
tam ao aluno revisitar e enriquecer o
conceito de célula estudado no ano ante-
rior, compreendendo que apesar das

com referência à questão diferenças existentes entre os seres vivos


há uma unidade celular e molecular.

problemática central
Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 1 Manual
INTRODUÇÃO Interactivo –
Versão do
Professor 1 Que processos são responsáveis pelo 2 Como se processa o crescimento dos seres
crescimento e renovação celular dos seres vivos?
vivos?
Crescimento e renovação celular
Crescimento e regeneração de tecidos vs
diferenciação celular Apresentação dos temas dos
capítulos, com destaque para a
questão orientadora de cada
10 11
um deles

Apresentação das
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Texto introdutório, 1. Crescimento e renovação celular

As células possuem processos de síntese que asseguram


Competências conceptuais
● Conhecer as características estruturais que
diferenciam o DNA do RNA.
● Compreender a importância da replicação do
Competências procedimentais
● Discutir a necessidade constante de
renovação de alguns dos constituintes
celulares (ex.: proteínas).
Competências atitudinais
● Reflectir e desenvolver atitudes críticas,
conducentes a tomadas de decisão
fundamentadas, sobre situações ambientais
causadas pelo homem que podem interferir
Aprofundando…
Os termos organelo e organito são simi-
lares, tendo os autores, de acordo com o
programa, usado preferencialmente o
termo organito. competências essenciais,
DNA para a manutenção da informação ● Explicar como a expressão da informação

que funciona como sumário


genética. contida no DNA se relaciona com o processo no ciclo celular e conduzir a conjunturas Embora o termo impacto seja usual na
o seu crescimento e renovação. Os processos de divisão da síntese proteica. indesejáveis como, por exemplo, o comunicação social como sinónimo de
● Reconhecer a síntese proteica como um aparecimento de doenças.
● Analisar e interpretar dados de natureza consequência, o termo mais correcto é

para que possa participar


são os responsáveis pelo crescimento e renovação mecanismo importante para a manutenção
da vida e da estrutura celular. diversa relativos aos mecanismos de impacte,devendo o termo impacto ape-
celular nos organismos multicelulares e pela reprodução ● Compreender a mitose como um processo de replicação, tradução e transcrição. nas ser usado como sinónimo de choque
divisão celular que assegura a manutenção ● Interpretar procedimentos laboratoriais e mecânico.
nos seres unicelulares. A divisão celular envolve a das características hereditárias. experimentais relacionados com o estudo da

da unidade passagem de informação genética presente no DNA da


célula-mãe para as células-filhas.
● Conhecer a sequência de acontecimentos que
caracterizam o ciclo celular.
síntese proteica e o ciclo celular.
● Formular e avaliar hipóteses relacionadas
com a influência de factores ambientais sobre
o ciclo celular.
● Conceber, executar e interpretar
procedimentos laboratoriais simples, de ativamente no seu percurso
Manual cultura biológica e técnicas microscópicas,
APRESENTAÇÃO Interactivo – conducentes ao estudo da mitose.
EM POWERPOINT Versão do
Professor

Pesquisa – Segredo da vida escolar


Desenvolvimento dos No dia 28 de Fevereiro de 1953, um cientista britânico exclamou para os amigos que tinha
"descoberto o segredo da vida". Tratava-se de Francis Crick que, juntamente com um
jovem bioquímico americano, James Watson, havia desvendado a estrutura do DNA.

conteúdos de cada subunidade Atividade de pesquisa


Em anos anteriores… Palavras-chave No dia 25 de Abril de 1953, dois cientistas mudaram a história da ciência
No 9.o ano de escolaridade, na disciplina Núcleo e membrana nuclear ao publicar um trabalho numa importante revista científica. Os dois cien-
de Ciências Naturais, no tema VIVER Retículo endoplasmático
MELHOR NA TERRA, os alunos abordam
tistas eram James Watson e Francis Crick, que tinham feito uma incrível
rugoso (R.E.R.)
as noções básicas de hereditariedade. descoberta sobre a molécula de DNA.Nesta época,já se sabia que a molé- Sugestão metodológica
Ribossoma
No 10. ano de escolaridade, na discipli-
o
Cariótipo, cromossoma, cula de DNA transportava as informações genéticas e conhecia-se a sua Realizar a actividade de pesquisa sobre o

referente aos conteúdos mais


na de Biologia e Geologia, no Módulo cromatídio e centrómero composição, porém nunca ninguém tinha sido capaz de desvendar a sua DNA vai motivar os alunos para toda a
Inicial da Biologia,é estudada a célula e DNA e RNA estrutura. E esse desafio foi vencido por Watson e Crick. Na verdade temática a abordar nesta unidade pro-
os seus constituintes básicos, com des- gramática. Os trabalhos de pesquisa
Nucleótido tinham recolhido informações de estudos realizados por outros cientis-
taque para a unidade dos organismos a poderão ser apresentados e discutidos

Listagem das palavras-chave nível celular e molecular. Bases azotadas tas,como Maurice Wilkins e Rosalind Franklin.Para muitos,Watson e Crick na turma.
Ribose e desoxirribose 1 Do DNA ao organismo.
não tinham o direito de reivindicar para si aquela descoberta, já que usa-
Replicação, transcrição e
tradução ram informações de estudos de outros cientistas. A comissão do Prémio
Codão, anticodão e codogene
Código genético
Nobel levou isto em consideração e, em 1962, conferiu o Prémio Nobel de
Medicina a Watson, Crick e Wilkins, pela descoberta da estrutura do DNA.
Apesar da grande diversidade de seres vivos que existe na natureza, há uma unidade
estrutural e funcional a nível molecular e celular. Efectue uma pesquisa que lhe permi-
relevantes da unidade
que constam do programa Aprofundando…
Gene e genoma Rosalind Franklin já tinha morrido. ta encontrar resposta para as seguintes questões:
Mutação génica O facto é que a partir desta • O que é o DNA?
Os livros científicos de referência da
Ciclo celular descoberta, a Biologia nunca • Qual o papel do DNA na transmissão das características hereditárias ao longo das
Biologia optam por referir o conceito de
invólucro nuclear em detrimento de Interfase gerações?
mais foi a mesma.Desde então ini-
membrana nuclear, em função da sua Mitose: profase, metafase, • Como é que a informação contida no DNA se expressa?
anafase, telofase ciou-se uma ciência inteiramente
organização e estrutura particular. No

oficial
10.o ano de escolaridade optamos pelo Citocinese nova, que possibilitou avanços e ino-
Comente a afirmação:“O conhecimento da estrutura do DNA correspondeu à descober-
termo invólucro nuclear.No entanto, no vações nunca antes pensados. ta do segredo da vida”.
11.o ano, usamos, por vezes, o termo
membrana nuclear visto que corres- in http://www.cienciaviva.org.br/
ponde a uma palavra-chave. arquivo/cdebate/004dna/index.html

12 13

1. Crescimento e renovação celular Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Atividades diversificadas, ACT. 2

5’
G
Qual a estrutura do DNA?

C
3’
Sugestão metodológica
Poderá ser solicitado aos alunos que,
com materiais diversos (ex.:arame,esfe-
rovite, plasticina, etc.), construam o

Genoma
• os polinucleótidos de cada cadeia possuem um grupo fosfato livre
numa das extremidades, denominada extremidade 5´, e um grupo
hidroxilo (OH–) livre na outra extremidade, a 3´. A extremidade 5´de
uma das cadeias está emparelhada com a extremidade 3’ da outra
Desenvolvimento dos
5’ modelo estrutural de DNA. Conjunto de todos os genes de um

com a apresentação de dados


O
A T OH Ligação de hidrogénio cadeia. Assim, as duas cadeias que constituem a molécula de DNA
-O P indivíduo.

conteúdos
3’
T A O OH desenvolvem-se em sentidos opostos, sendo antiparalelas.
H2C O
T A Competência conceptual
1 nm O O CH2 Gene Embora o DNA seja formado apenas por 4 nucleótidos diferentes, o
G C O Compreender a importância da replica-
-O P O
O-
ção do DNA para a manutenção da in- Unidade fundamental física e número e a sequência dos nucleótidos definem a informação nele ar-
C G 3.4 nm O P
H2C O
G C
O
O formação genética. funcional da hereditariedade, mazenada. A informação genética presente no DNA varia com as espé-
A T
cies e entre indivíduos da mesma espécie.

em formatos diversificados, cuja


C G O
O
O CH2
O
responsável pela transmissão de
-O P O-
O P Competência procedimental informação de uma geração à O património genético de um indivíduo, o genoma, é constituído por
H2C O O
O
T A
C G Analisar e interpretar dados de nature- seguinte.É composto por um genes,fragmentos funcionais de DNA,que divergem uns dos outros no
O O CH2 za diversa relativos aos mecanismos de
T A
O
O segmento de DNA.Deriva do vocábulo número e sequência de nucleótidos.
-O P Resolvendo…

Questões orientadoras
O- replicação, tradução e transcrição.
A T
O
H2C O O
P
O 1. O DNA é constituído por duas cadeias
grego Gen que significa gene.
A T

análise é realizada com base


A T polinucleotídicas, que se enrolam,
O CH2 O DNA duplica-se por replicação semiconservativa
3’ OH O
O- formando uma dupla hélice. Replicação
P
G C HO
O 2. Ao longo de cada cadeia os nucleóti- Duplicação da molécula de DNA, em Em 1956, Arthur Kornberg demonstrou que era possível replicar o DNA
0.34 nm 5’
A T dos estão ligados por ligações cova- que as moléculas replicadas são iguais in vitro (no laboratório, fora de um organismo vivo), sem a presença de
5’ 3’ lentes, do tipo fosfodiéster, que se
à molécula original. células, recorrendo a: DNA, DNA polimerase (uma enzima que obteve a

para abordagem dos


estabelecem entre o grupo fosfato de
11 Modelo de dupla hélice de DNA proposto por Watson e Crick. partir de uma bactéria) e a nucleótidos. Contudo, faltava dar resposta
um nucleótido e a desoxirribose do

num questionário orientador


nucleótido seguinte. As duas cadeias à questão: como é que a molécula de DNA se replicava?
1. O DNA é formado por duas cadeias enroladas em hélice. Justifique este facto com dados da
que constituem o DNA estão unidas
figura. através de pontes de hidrogénio que
Existem três modelos teóricos possíveis para a replicação do DNA (fig.12).
2. Quais os tipos de ligações entre os nucleótidos de uma cadeia. E entre as duas cadeias? se estabelecem entre as bases azota-
das A-T e C-G.
3. Com base nos dados da figura, explique os resultados de Chargaff (Tab. I).
4. Explique, com base na figura, o significado da afirmação: “O DNA é uma molécula formada
por duas cadeias complementares antiparalelas”.
5. Refira a importância dos trabalhos de Watson e Crick.
3. Como a adenina se liga sempre à
timina e a citosina à guanina as
quantidades de adenina são iguais à
de timina e as de citosina à de guani-
na. Na replicação semiconservativa uma das duas
DNA original Após um ciclo
de replicação
conteúdos (algumas presentes
Ligações a outras secções
4. A molécula de DNA é formada por cadeias da molécula de DNA que se forma deriva
da molécula original, e a outra é sintetizada de

nos programas)
duas cadeias complementares, dado
novo.
que a união entre as cadeias é efec-
tuada sempre entre as bases comple-
mentares ,e são antiparalelas porque
se desenvolvem em sentidos opos-
tos, uma de 3´para 5´e a outra de 5´
A estrutura tridimensional da molécula de DNA (fig. 11) apresenta os

do Manual, do Caderno de
para 3´.
seguintes aspectos: 5. Os trabalhos de Watson e Crick per-
• é formada por duas cadeias polinucleotídicas enroladas em hélice; mitiram a compreensão estrutural e
funcional da molécula de DNA. A replicação conservativa poderia preservar as
duas cadeias da molécula original e gerar uma
• as duas cadeias estão unidas por pontes de hidrogénio que se esta- molécula de DNA composta por duas cadeias
belecem entre as bases azotadas; inteiramente novas.

Atividades, do Guia do Professor, • as pontes de hidrogénio estabelecem-se de forma específica, em que


a adenina se liga à timina (através de duas pontes de hidrogénio) e a
citosina à guanina (através de três pontes de hidrogénio), de acordo
com as regras de Chargaff. O emparelhamento das bases comple-
mentares, adenina e timina (A-T) e citosina e guanina (C-G), forma os
TRANSPARÊNCIA N.° 2
ÁCIDOS NUCLEICOS E
REPLICAÇÃO
SEMICONSERVATIVA DO
DNA
Guia do
Professor e
Manual
Interactivo –
Versão do
Professor
A replicação dispersiva poderia produzir duas
moléculas com DNA em que ambas as cadeias
“degraus” da molécula de DNA, possuindo o mesmo comprimento,

do Manual Interativo e a outras


eram formadas por fragmentos originários da
encaixando uniformemente na dupla hélice; molécula inicial alternados por fragmentos
sintetizados de novo.
• ao longo de cada cadeia os nucleótidos estão ligados por ligações
covalentes, do tipo fosfodiéster, que se estabelecem entre o grupo
fosfato de um nucleótido e a desoxirribose do nucleótido seguinte; 12 Esquemas representativos dos modelos teóricos de replicação da molécula de DNA.

fontes
19 20

4
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR 1. Reprodução assexuada

Glossário na barra lateral


Competência atitudinal Juntamente com o citoplasma ocorre a divisão dos organitos e de As potencialidades económicas, que podem advir de algumas estraté- Competências conceptuais
Reflectir e desenvolver atitudes críticas, outras estruturas celulares, mas que não necessitam de serem unifor- gias de reprodução assexuada como, por exemplo, a clonagem feita a ✔ Compreender que a reprodução assexua-
conducentes a tomadas de posição de memente distribuídos, pois a célula tem a capacidade de sintetizar partir da multiplicação vegetativa e da micropropagação, são muito da origina organismos geneticamente
decisão fundamentadas, sobre situa- Clonagem iguais aos progenitores.
novos compostos e organitos. atractivas para o Homem, nomeadamente, ao nível da vitivinicultura e
ções ambientais causadas pelo homem
hortofloricultura, motivo pelo qual tem havido uma crescente altera- Processo através do qual se obtêm
que podem interferir no ciclo celular e indivíduos geneticamente idênticos
conduzir a conjunturas indesejáveis ção das práticas agrícolas mais tradicionais.
1.2.3 O ambiente e o Homem interferem no ciclo celular (clones).
como, por exemplo, o aparecimento de Competência procedimental
doenças.
1.1.3 A reprodução assexuada apresenta vantagens e Avaliar as implicações da reprodução
O tempo que uma célula de um dado tecido de um animal ou planta assexuada ao nível da variabilidade e

Citações enquadradas no
demora a dividir-se condiciona o crescimento, desenvolvimento e desvantagens sobrevivência das populações.
manutenção do organismo ao qual pertence. Diversas questões Na reprodução assexuada há formação de descendentes a partir de um
podem ser colocadas: único progenitor, através de mitoses sucessivas.Desta forma os descen-
47 Citocinese. Como é regulado o ciclo celular? dentes são geneticamente iguais ao progenitor, ou seja, são clones. Competência atitudinal
As principais vantagens da reprodução assexuada são: Desenvolver atitudes críticas e funda-
Em que medida poderá o ambiente e o homem interferir no ciclo

assunto em estudo
mentadas acerca da exploração dos pro-
celular? • obtenção de um maior número de descendentes; cessos de reprodução assexuada dos
seres vivos com fins económicos.
Competência procedimental • rapidez na obtenção de descendentes (ex.: através da micropropaga-
Formular e avaliar hipóteses relaciona- ção vegetativa);
CTS&A 2 Como ocorre o controlo do ciclo celular?
das com a influência de factores am- • selecção de variedades de plantas, de modo a obter a descendência

Ciência , Tecnologia, bientais sobre o ciclo celular.

• A frequência da divisão celular varia consoante o tipo de célula (ex.: as células da pele do
homem estão continuamente a dividir-se, ao contrário dos neurónios) e tem por base uma
regulação ao nível molecular, que é condicionada por estímulos internos e ambientais.
pretendida.
Pelo facto de a variabilidade intraespecífica ser muito reduzida entre os
seres que se reproduzem assexuadamente, tal pode ser problemático
se ocorrerem alterações nefastas do meio ambiente, o que pode levar
Recordar e/ou enfatizar…
As potencialidades e limitações biológi-
cas dos processos de reprodução asse-
xuada.

à extinção das espécies menos adaptadas às novas características

Sociedade e Ambiente…
• Ao longo do ciclo celular existem pontos de controlo onde é efectuada a regulação. A célu- ambientais. O Homem, ao seleccionar artificialmente as espécies, está a
la permanece num dos pontos até completar todos os processos dessa fase e receber um Aprofundando…
contribuir para a diminuição da biodiversidade.
estímulo para avançar (fig. 47).
Resolvendo... Os seres que se reproduzem assexuada-
1. Regulam a divisão da célula. • Nos mamíferos o ponto de controlo G1 é de extrema importância. Se a célula não receber mente podem apresentar diferenças em

Abordagem de temáticas
2. Se a célula pára na fase G1, ela não
se vai dividir e pode ficar definitiva-
mente indivisa. Caso páre em G2 – a
célula já tem DNA replicado mas co-
mo não se divide não o transmite às
células-filhas.

nenhum estímulo, permanecerá nesta fase sem se dividir, ficando num estado G0.
Muitas células do organismo humano adulto
estão na fase G0 (ex.: neurónios e fibras muscu-
lares), não se dividindo activamente. Algumas
células, como as do fígado, têm a capacidade
G0
Ponto de
controlo G1
Resumindo

A reprodução é um processo vital para as espécies.


Existem dois tipos de reprodução: assexuada e sexuada.
relação aos progenitores devido à ocor-
rência de mutações.

Sugestão metodológica
Sínteses parciais
Na reprodução assexuada originam-se descendentes, geneticamente

ao longo da subunidade
3. G0 corresponde a uma fase em que de reverter esta situação e retomar o seu ciclo Sistema Os alunos poderão apresentar a infor-
as células poderão ficar por tempo celular se forem estimuladas por factores de controlo iguais ao progenitor (clones), através de divisões mitóticas. mação resumida de forma esquemáti-
G1 S
ambientais (ex.: factores de crescimento que ca, recorrendo, para tal, a um mapa de

atuais, que permitem a


variável, durante o qual não prosse- Os organismos que se reproduzem assexuadamente têm estraté-
guem o ciclo celular. são produzidos quando o órgão é lesionado). conceitos.
M G2 gias reprodutoras diferentes, tais como: bipartição, gemulação, frag-
4. Os alunos deverão referir que a • Se durante a replicação do DNA ocorrerem erros mentação, divisão múltipla, partenogénese e esporulação.
exposição a determinados factores significativos por exposição da célula a com-
(ex.:radiações) poderão interferir no postos tóxicos ou radiações perigosas, o ciclo A multiplicação vegetativa tem um amplo sucesso nas plantas pelo
ciclo celular e ter impactes na saúde
celular poderá ser parado no ponto de contro- Ponto de facto destas apresentarem grande capacidade de regeneração de
Ponto de controlo G2
dos indivíduos. tecidos e algumas das células reverterem a diferenciação.

compreensão das diferentes


lo G3, evitando a sua divisão e transmissão de controlo M
erros às células-filhas. 48 Pontos de controlo do ciclo celular. A micropropagação vegetativa é uma técnica de multiplicação, que recorre a técnicas laboratoriais,
tendo como resultado final um elevado número de clones.
1. Qual a importância dos pontos de controlo na regulação do ciclo celular.
A reprodução assexuada apresenta como principal potencialidade a obtenção de um elevado núme-
2. Quais as consequências para a célula de uma paragem do ciclo em G1? E em G2? ro de descendentes num curto espaço de tempo, tendo impactes económicos e sociais, tais como
3. Em que consiste a fase G0. uma maior disponibilidade de alimentos para uma população humana em crescimento.

interligações entre a Ciência, a 4. Discuta com os seus colegas em que medida poderão o ambiente e o Homem interferirem
no ciclo celular e quais os impactes, nomeadamente, ao nível da saúde do indivíduo.
O facto de os organismos que se reproduzem assexuadamente apresentarem uma reduzida variabi-
lidade, pode conduzir à extinção em caso de alterações ambientais, por exemplo.

48 77

Tecnologia, a Sociedade e o
Ambiente
1. Crescimento e renovação celular 1. Crescimento e renovação celular
Inclusão de factos e
Atividades laboratoriais LAB. 1

Material
• Bananas*
Como extrair e observar o DNA?

• Liquidificador
Sugestões metodológicas
Para complementar a realização desta
actividade laboratorial poderão ser con-
sultados os seguintes sites: http://biotec-
nologia-na-escola.up.pt/extraccao.htm
Profase
• É a etapa mais longa da mitose, em que a cromatina sofre com-
pactação e enrolamento, tornando os cromossomas mais curtos
curiosidades que motivam
e densos.
e http://www.dbio.uevora.pt/LBM/

para o estudo da Biologia e


• Água • Gobelés • Cada cromossoma é formado por dois cromatídios unidos pelo
Foco/Extraccao/Extraccao_DNA.html
• Sal de cozinha • Bisturi centrómero.
• Detergente de lavar louça • Funil A construção do V de Gowin possibilitará
uma visão integradora das dimensões • Nas células animais, os centríolos começam a movimentar-se no
• Álcool etílico a 95% (colocado no congelador a –20 °C) • Papel de filtro sentido dos pólos da célula, com início da formação do fuso
conceptual e metodológica desenvolvi-
• Fucsina • Palitos das na construção dos conceitos aborda- mitótico (microtúbulos proteicos que se agregam a partir dos cen-
*Poderá ser usado como material biológico: kiwi, cebola, fígado, etc. dos. tríolos que funcionam como centro mitótico).

Geologia
O V de Gowin poderá ser substituído por • No final da profase, o nucléolo desaparece, a membrana nuclear
Procedimento um poster,devendo,para tal,solicitar aos desintegra-se e os cromatídios ligam-se ao fuso acromático.
1. Descasque duas bananas, corte-as em fragmentos e coloque-as no liquidificador**. alunos que tirem fotografias enquanto
realizam a actividade, que servirão para
2. Coloque 200 ml de água morna num gobelé, adicione-lhe uma colher de chá de sal e misture. o ilustrar.
3. Coloque esta solução no liquidificador**. Metafase
4. Ligue o liquidificador, na velocidade máxima, durante 10 segundos. • Os cromossomas atingem o máximo de compactação.
5. Usando o papel de filtro e o funil, filtre a mistura resultante para um gobelé. • Os centríolos encontram-se nos pólos da célula.

Apresentação de esquemas
6. Misture, ao filtrado, lentamente para não fazer bolhas, três colheres de chá de detergente. • Os cromossomas, unidos ao fuso acromático, deslocam-se
para o centro da célula, formando uma placa equatorial.
7. Adicione 150 ml de álcool etílico, lentamente, fazendo-o escorrer pelas paredes do gobelé. • Os centrómeros ocupam a região mais central e os cromatí-
Não misture o álcool com a solução, de modo a que este permaneça como uma camada iso- dios ficam voltados para os pólos.
lada no topo da solução.
8. Aguarde 5 minutos.
9. Observe e verificará que filamentos de cor branca – DNA e proteínas – se precipitam no limi-
te da camada de álcool (pode, com um palito, retirar estes filamentos de DNA, colocá-los
num meio com alcoól, a –20 °C, durante longos períodos de tempo).
10. Coloque 3 gotas de fucsina*** e observe o sucedido.
Anafase
• Ocorre ruptura do centrómero, os cromatídios de cada cro-
mossoma separam--se, originando cromossomas com apenas
integradores
** Poderá ser substituído por uma varinha mágica ou por um almofariz. um cromatídio.
*** A fucsina é um indicador da presença de DNA, adquirindo este a tonalidade vermelha na sua presença. • Cada cromossoma, ligado ao fuso acromático, inicia a ascen-
Resolvendo…
são polar.
1. Sal – contribui com iões positivos • No final da anafase, cada pólo da célula contém um conjunto de
que neutralizam a carga negativa do cromossomas iguais, cada um constituído por um cromatídio.
DNA, estabilizando-o; detergente –
promove a ruptura das membranas
nucleares que são constituídas por
lípidos, possibilitando que as proteí-
nas e o DNA fiquem dispersos na Telofase
solução; álcool etílico – cria um meio
apolar menos denso do que a água,
• O fuso acromático degenera.
no qual o DNA não se dissolve e pode • Os cromossomas começam a desenrolar-se até se tornarem
ser observado; liquidificador – pro- num emaranhado de cromatina com aspecto semelhante ao
move a ruptura mecânica das pare- da interfase.
des e membranas celulares, fazendo • A membrana nuclear volta a formar-se à volta da cromatina
16 Extracção de DNA.
com que o DNA e as proteínas se mis- existente em cada pólo, individualizando os núcleos.
turem na solução.
1. Construa um V de Gowin como relatório à actividade laboratorial realizada, no qual explique o • No final desta etapa a célula apresenta dois núcleos idênti-
2. Os alunos conseguem observar fila-
objectivo da utilização dos seguintes materiais: sal, detergente, álcool etílico e liquidificador. cos entre si e ao núcleo que os originou, ao nível da consti-
mentos de cor branca que correspon-
tuição cromossómica e, como tal, da constituição genética,
2. Comente a afirmação: “O DNA é visível a olho nu”. dem a proteínas e DNA, embora a
assegurando-se a manutenção das características hereditá-
estrutura molecular não seja obser-
rias ao longo das gerações.
vável a olho nu.

23 45

Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Em síntese…
Sínteses finais,
Que processos são responsáveis pela unidade e Como explicar o crescimento dos seres vivos?
variabilidade celular?

Crescimento e renovação celular Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular


Sugestão metodológica

que associam o texto a


Os alunos poderão apresentar a infor-
Sugestão metodológica • O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação genética. Nos organis- • O ovo é uma célula indiferenciada (totipotente) com potencialidade para originar todas as célu- mação resumida de forma esquemáti-
Os alunos poderão apresentar a infor- mos eucariontes encontra-se, maioritariamente, no núcleo da célula. las de um organismo. Para tal, sofre várias divisões celulares sucessivas, originando células-filhas ca, recorrendo, para tal, a um mapa de
mação resumida de forma esquemáti- que crescem e se diferenciam. conceitos. Deverão usar todas as pala-
ca, recorrendo, para tal, a um mapa de • A molécula de DNA possui nucleótidos formados por: um grupo fosfato, um açúcar (desoxirri-
vras-chave definidas no programa, in-
conceitos. Deverão usar todas as pala- bose) e uma base azotada (adenina, timina, citosina ou guanina). • O desenvolvimento do organismo resulta de processos de aumento do tamanho e número de terligando os conceitos.
vras-chave definidas no programa, in- • A estrutura do DNA consiste em duas cadeias polinucleotídicas complementares e antiparale- células. Os mapas de conceitos apresentados

esquemas e imagens
terligando os conceitos. las, enroladas sob a forma de uma dupla hélice. • As células de todos os tecidos têm, no geral, um tempo de vida limitado, pelo que é necessário pelos alunos podem ser comparados
Os mapas de conceitos apresentados que as células se dividam e originem novas células, de modo a regenerar os tecidos mortos ou com os presentes no Guia do Professor e
pelos alunos podem ser comparados
• O DNA replica-se semiconservativamente, o que permite a manutenção da informação genéti-
danificados. no Manual Interactivo – Versão do Pro-
com os presentes no Guia do Professor e ca nos descendentes.
fessor.
no Manual Interactivo – Versão do Pro- • O RNA é constituído por nucleótidos, cada um contendo: um grupo fosfato, um açúcar (ribose) • A clonagem (produção de clones) com interesse agrícola e farmacológico tornou-se num objec-
fessor. e uma base azotada (adenina, uracilo, citosina ou guanina), organizados numa cadeia simples. tivo para muitos investigadores e laboratórios, contudo apresenta impactes éticos.

criteriosamente selecionadas,
• Na síntese proteica ocorre a expressão da informação contida no DNA, culminando com a for- • Apesar de se originarem a partir de uma só célula, que se divide, formando células-filhas cujos
mação de proteínas que determinam as características e o metabolismo do indivíduo. núcleos contêm a mesma informação genética da célula-mãe, os organismos multicelulares
apresentam na sua constituição células estruturais e funcionalmente diferentes.
• A síntese proteica compreende as etapas da transcrição, processamento, migração e tradução
dos genes. • As células indiferenciadas, forma- Totipotente Manual
Bastócito
das a partir do ovo, transformam- Mórula Interactivo –
• A transcrição corresponde à formação de RNA (RNA mensageiro, RNA transferência e RNA ribos- Oócito II FICHA DE AVALIAÇÃO
Versão do
-se, através de um processo de
somal), por complementaridade com a cadeia molde (ou parental) de DNA. Feto Humano Professor

de acordo com o programa de


diferenciação celular, em células
• Nos organismos eucariontes, o pré-mRNA pode sofrer processamento que corresponde à remo- especializadas numa determina- Espermatozóide
ção dos intrões, ficando a molécula mais pequena e apta a migrar para o citoplasma onde será da função (ex.: os neurónios são Pluripotente
traduzida. especialistas na transmissão do Células embrionárias
• Aos codões do mRNA (formados por sequências de três nucleótidos) ligam-se, por complemen- impulso nervoso).
taridade, os anticodões do tRNA que transportam um aminoácido específico, formando-se nos • A diferenciação consiste na aqui-

Biologia
ribossomas uma proteína cujo número e sequência de aminoácidos é determinada pela Exemplos
sição de especializações celulares
sequência nucleotídica do mRNA. que definem a estrutura e a fun-
• Durante a replicação do DNA e a síntese proteica podem ocorrer alterações do material gené- ção de uma célula. Sistema
tico (mutações) com impacte ao nível social (ex.: albinismo). imunitário
• Algumas células das plantas apre- Sistema
• Para que ocorra crescimento e a renovação celular nos seres multicelulares e a reprodução nos sentam uma diferenciação que é circulatório
Sistema
organismos unicelulares, as células necessitam de se dividir e originar novas células. reversível e, em condições apro- nervoso
• O ciclo celular inclui a interfase e a fase mitótica, culminando com a obtenção de novas células priadas, podem dividir-se e origi-
que contribuem para o crescimento e a regeneração dos tecidos. nar uma nova planta.
• Durante a interfase (G1, S e G2) há replicação semiconservativa do DNA, biossíntese de molécu- • A capacidade que uma célula tem em originar outros tipos de células especializadas é tanto
las e crescimento da célula. maior quanto menor for o seu grau de diferenciação.
• A fase mitótica engloba a mitose (divisão nuclear) e a citocinese (distribuição do citoplasma • As células, independentemente do grau de especialização, conservam o seu genoma.
pelas células-filhas). • A diferenciação resulta da expressão diferenciada dos genes, cuja regulação pode ocorrer duran-
• A mitose é o processo que assegura a manutenção das características hereditárias ao longo das te a transcrição, processamento ou tradução dos genes.
gerações celulares. • Dependendo da estrutura e função de cada célula, uns genes encontram-se activos e os restan-
• A mitose desenrola-se ao longo de 4 fases: profase, metafase, anafase e telofase, ocorrendo a tes inactivos.
condensação e a separação do material genético em dois núcleos geneticamente iguais e loca- • Nos organismos, existem genes que regulam o funcionamento de outros genes.
lizados nas duas células-filhas. • Quando uma célula normal apresenta deficiências no seu mecanismo de regulação divide-se
• A citocinese corresponde à divisão do citoplasma com a formação de duas células-filhas indivi- descontroladamente e pode originar um tumor.
dualizadas. Nas células animais a citocinese ocorre por estrangulamento citoplasmático,
enquanto que nas células vegetais se forma uma placa equatorial com produtos transportados
pelas vesículas derivadas do complexo de Golgi.

58 59

Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Exercícios para avaliação Auto-Avaliação

Resolvendo… 1. O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação genética. Com 9. Classifique as seguintes afirmações em verdadeiras (V) ou falsas (F). 9. a. – V; b. – F; c. – F; d. – V; e. – F;

formativa e sumativa no final 1.


1.1. O aluno tem que assinalar um
nucleótido formado por um grupo
fosfato, um açúcar e uma base.
1.2. A molécula de DNA é formada por
duas cadeias polinucleotídicas com-
1.1.

1.2.
base na figura responda às seguintes questões.
Identifique na figura a unidade funda-
mental constituinte do DNA.

Caracterize a estrutura do DNA.


5’
O
-O P
O
OH

H2C O
Ponte de hidrogénio

T A
3’
OH
a. O crescimento e a regeneração dos tecidos tem por base divisões mitóticas.
b. Quanto maior o grau de diferenciação de uma célula, maior é a potencialidade
para originar outros tipos de células especializadas.
c. No Homem, a regeneração de tecidos termina na idade adulta.
f.– V; g.– F; h.– V.
9.1. b.– quanto menor o grau de
diferenciação de uma célula,
maior é a potencialidade
para originar outros tipos de
células especializadas.

de cada subunidade,
plementares e antiparalelas,enro- O O CH2
c.– no Homem, a regeneração
O
ladas sob a forma de uma dupla -O P O d. Os organismos, animais ou vegetais, apresentam na sua constituição células dos tecidos ocorre durante
1.3. Das seguintes afirmações relativas à O
O-
hélice. H2C O
P
estrutural e funcionalmente diferentes originadas a partir de uma única célula toda a vida.
O
molécula de DNA classifique-as em G C
O
e.– as células estaminais po-
1.3. a. – F; b. – V; c. – F; d.– F; e. – V; totipotente.
f. – V; g. – F. verdadeiras (V) ou falsas (F): O
O
O CH2 dem-se diferenciar em qual-
-O P O
1.4. a.– o DNA é constituído por nu- O P
O-
e. Nos tecidos dos organismos adultos existem células estaminais que se podem quer tipo de célula apenas do
O
cleótidos. a. O DNA é constituído por aminoá- H2C O
C G O
diferenciar em qualquer tipo de célula de qualquer tipo de tecido. seu tecido.

abrangendo os principais
c. – as duas cadeias de DNA estão cidos. O O CH2 g.– na clonagem produzem-se
O
unidas por pontes de hidrogé- -O P
O
O- f. A diferenciação não inclui a mudança irreversível do genoma. organismos geneticamente
nio que se estabelecem entre
b. O DNA está organizado numa O
H2C O
P
iguais ao do progenitor.
O O
A T g. Na clonagem produzem-se organismos geneticamente diferentes do progenitor.
as bases complementares. dupla cadeia, enrolada em hélice.
O CH2
d.– as cadeias de DNA são com- c. As duas cadeias de DNA estão uni- OH O
3’ O- h. A fusão nuclear é uma técnica usada na clonagem de seres vivos.
plementares e antiparalelas. HO
P

g.– a guanina é a base comple-


das por ligações fosfodiéster que se O
9.1 Corrija as afirmações falsas sem recorrer à forma negativa.

assuntos
5’
mentar da citosina. estabelecem entre as bases comple-
mentares.
10. Observe atentamente a figura respeitante a uma técnica usada na obtenção de orga- 10.
d. As cadeias de DNA são complementares e paralelas. nismos. 10.1. Clonagem.
10.2. Efectua-se uma fusão nuclear
e. O açúcar constituinte da molécula de DNA é a desoxirribose.
10.1. Identifique a técnica usada. Núcleo
entre um óvulo ao qual foi reti-
f. As bases constituintes do DNA são a adenina, a timina, a citosina e a guanina. rado o núcleo e o núcleo de
10.2. Explique, sucintamente, em que uma célula madura. Desta
g. A guanina é a base complementar da timina. Descarga eléctrica
consiste este método de obtenção fusão resulta uma célula que se
de organismos. Célula
comporta como um ovo e que
1.4. Corrija as afirmações falsas sem recorrer à forma negativa. Óvulo não-

Exercícios de
-fecundado intestinal por divisões sucessivas origina-
10.3. Nesta técnica o embrião é… adulta rá um embrião.
Núcleo da 10.3. a.
2. A – 5; B – 2; C – 8; D – 1; E – 4. 2. Nas plantas, as giberelinas estimulam o alongamento celular, regulando a expres- célula adulta
a. idêntico geneticamente ao proge- Óvulo anucleado 10.4. O núcleo da célula contém a
são dos genes que codificam a síntese de determinadas proteínas. nitor dador da célula intestinal. informação genética. Uma vez
Faça corresponder a cada uma das letras (de A a E), que identificam afirmações Formação que o núcleo usado na obten-
b. idêntico geneticamente ao proge- de embrião ção do embrião pertencia à

preparação para exame


relativas à síntese e à maturação de proteínas, um dos números (de 1 a 8) da cha- nitor dador do óvulo. célula intestinal,o embrião será
ve relativa a alguns intervenientes nesses processos. geneticamente idêntico ao
c. geneticamente diferente de ambos os progenitores. progenitor dador da célula
Afirmações: intestinal.
A) Unidade de informação hereditária, constituída por uma sequência de nucleótidos. d. apresenta uma combinação de características genéticas de ambos os progeni-
tores.
B) Sequência de ribonucleótidos que especifica a estrutura primária das proteínas.
C) Local onde ocorre a síntese de proteínas. (Seleccione a opção correcta.)
D) Monómero constituinte das proteínas.
10.4. Justifique a sua opção.
E) Origem das vesículas responsáveis pelo transporte de proteínas para exocitose.
Chave: 11. Comente a afirmação: “O Homem pode interferir nos processos de diferenciação 11. A diferenciação celular pode ser
celular”. afectada por agentes ambien-
1. Aminoácido 5. Gene tais (ex.:raios-X,drogas e infec-
2. RNA mensageiro 6. Nucleótido ções virais) que podem ser
3. RNA ribossómico 7. DNA potenciados pelo Homem, que
assim interfere nesse mesmo
4. Complexo de Golgi 8. Ribossoma processo.
Adaptado do Exame Nacional de Biologia e Geologia, 2006, 2.a fase

60 63

Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Página de enriquecimento Desafios

no final da unidade
Marshall Niremberg e H. J. Matthaei Alfred Hershey e Martha Chase James Watson e Francis Crick Ian Wilmut Sobrinho Simões
(séc. XX) (séc. XX) (Séc. XX) (1944 - …) (1947 - …)
Investigadores que sintetizaram no laboratório uma Em 1952, baseados nas experiências realizadas concluíram que Propuseram em 1953, combinando Embriologista inglês, liderou uma Cientista português, Director do

Friso cronológico dos principais molécula de mRNA, em 1961, sendo os autores do


primeiro grande avanço na descodificação do código
genético.
o DNA era a molécula responsável pela transmissão da
informação genética de geração em geração.
todos os conhecimentos que existiam,
o modelo estrutural de Dupla Hélice de
DNA. Foram prémio Nobel da Medicina
em 1962.
equipa que conseguiu obter, em 1996,
pela primeira vez um clone viável de
um mamífero (a ovelha Dolly).
Instituto de Patologia e Imunologia
Molecular da Universidade do Porto, é
um dos maiores especialistas mundiais
em cancro da tiróide.

cientistas, com resumida


Clonagem humana… os riscos

O objectivo da investigação da clonagem humana nunca foi clonar


pessoas ou criar bebés para no futuro serem dadores de partes ou pro-
dutos humanos.
Em rede

http://www.cientic.com/ – sítio onde encontra vários documentos e links para páginas que abordam
várias temáticas.
Sugestão de sites na Internet
A investigação tem como objectivo obter células estaminais para curar http://ipatimup.pt – sítio do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto,

descrição do seu trabalho e doenças. onde poderá aceder a informação sobre actividades deste instituto.
Era inevitável que um dia este conhecimento fosse mal utilizado. http://www.dnaftb.org/dnaftb/ – sítio em inglês onde encontra informação e animações sobre o
Agora, várias pessoas em todo o mundo anunciaram a sua intenção de DNA e o controlo da informação genética.
clonar um bebé. http://www.odnavaiaescola.com/ – sítio onde encontra várias experiências e artigos sobre DNA.
Estes indivíduos não trabalham para nenhuma universidade, hospital http://www.cellsalive.com/mitosis – sítio com imagens de etapas da mitose.

contributo para a Ciência


ou outra instituição governamental. No geral, a comunidade científica
mundial opôs-se fortemente a quaisquer hipóteses de clonar um bebé.
Segundo John Kilner, presidente do Centre for Bioethics and Human
Dignity nos Estados Unidos, "a maior parte da investigação publicada
demonstra que a morte ou a mutilação do clone são os resultados
mais prováveis da clonagem de mamíferos”.
"Submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco des-
conhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente", afirma Kilner.

Artigo publicado em jornal A maior parte dos cientistas é da mesma opinião.A grande maioria das
tentativas de clonagem de um animal resultou em embriões deforma-
dos ou em abortos após a implantação. Muitos cientistas defendem
que os poucos animais clonados nascidos apresentam malformações
que não são detectáveis através de exames ou de testes no útero como,
Saber mais

Caderno de Actividades Indicação de leituras e filmes


por exemplo, deformações ao nível do revestimento dos pulmões.

ou revista, que aprofunda as


• “Fenilcetonúria, uma doença causada por uma mutação génica”
http://www.bionetonline.org/portugues/Content/sc_cont5.htm
• “Células, embriões e clonagem”

Leituras adicionais/filmes
• A clonagem em questão, de Fabrice Papillon e Axel Kahn, Edições Piaget relacionados com a unidade
temáticas atuais abordadas
• Clonagem humana, de Henri Atlan, Quarteto Editora
• Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones, filme realizado por George Lucas

64
• O Clone (À ton image), filme editado por Olivier Gajan e Joëlle Hache

65
e listagem de recursos
do Caderno de Atividades

5
Índice
Unidade 5 Crescimento e renovação celular

1 Crescimento e renovação celular 12


1.1 O DNA e a síntese proteica são responsáveis pelo crescimento
e renovação celular 14
1.1.1 O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento
da informação genética 15
1.1.2 A expressão da informação contida no DNA está relacionada
com a síntese proteica 24 V. 1
1.1.3 As mutações no DNA podem modificar a síntese proteica
1.2 A mitose assegura a manutenção das características hereditárias
36
39 Biologia
1.2.1 O DNA está organizado em cromossomas 39
1.2.2 O ciclo celular permite a obtenção de novas células 41
1.2.3 O ambiente e o Homem interferem no ciclo celular 48

2 Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular 50


2.1 O crescimento e a regeneração de tecidos tem por base divisões
mitóticas 52
2.2 As diferenças estruturais e funcionais das células resultam da
diferenciação 52

Em síntese… 58
Autoavaliação 60
Desafios 64

Unidade 6 Reprodução

1 Reprodução assexuada 68
1.1 Os organismos apresentam estratégias de reprodução muito variadas 70
1.1.1 A multiplicação vegetativa tem por base a grande capacidade
das plantas em regenerar tecidos 73
1.1.2 A micropropagação vegetativa permite a obtenção de um
elevado número de clones
1.1.3 A reprodução assexuada apresenta vantagens e desvantagens
75
77 V. 1
2 Reprodução sexuada 78 Biologia
2.1 A meiose e a fecundação asseguram a manutenção do número
de cromossomas da espécie 80
2.2 A meiose e a fecundação promovem a variabilidade genética 88
2.2.1 Vantagens e desvantagens da reprodução sexuada 92
2.2.2 O Homem manipula a reprodução humana e de outros seres vivos 92

3 Ciclos de vida 94
3.1 Unidade vs diversidade dos ciclos de vida 96
3.1.1 Ciclo de vida de um ser haplonte 98
3.1.2 Ciclo de vida de um ser haplodiplonte 100
3.1.3 Ciclo de vida de um ser diplonte 102
3.2 As intervenções humanas podem interferir na conservação/evolução
da espécie 103

Em síntese… 106
Autoavaliação 108
Desafios 114

6
Unidade 7 Evolução biológica

1 Unicelularidade e multicelularidade 118


1.1 Da unicelularidade à multicelularidade: um caminho evolutivo 120
1.1.1 Os organismos eucariontes formaram-se a partir dos procariontes 121
1.1.2 As colónias podem estar na base da multicelularidade 125

2 Mecanismos da evolução
2.1 Fixismo vs evolucionismo
2.2 Seleção natural, artificial e variabilidade como mecanismos
128
130 V. 1
de evolução 133 Biologia
2.2.1 O Lamarckismo foi a teoria pioneira na explicação do
evolucionismo 134
2.2.2 Darwinismo, uma teoria explicativa do evolucionismo 135
2.2.3 Lamarckismo vs Darwinismo 139
2.2.4 Argumentos a favor do evolucionismo 139
2.2.5 Neodarwinismo ou teoria sintética da evolução 147
2.2.6 As populações funcionam como unidades evolutivas 148

Em síntese… 152
Autoavaliação 154
Desafios 160

Unidade 8 Sistemática dos seres vivos

1 Sistemas de classificação 164


1.1 Existe uma grande diversidade de critérios de classificação de seres
vivos 166
1.1.1 Os sistemas de classificação desenvolveram-se ao longo dos
tempos 166
1.1.2 Na classificação dos seres vivos podem ser usados diversos
critérios 172 V. 1
1.2 A taxonomia e a nomenclatura permitem conhecer e compreender
a diversidade dos seres vivos 174 Biologia
1.2.1 Regras básicas de nomenclatura científica 177

2 Sistema de classificação de Whittaker modificado 180


2.1 Os organismos são classificados em reinos de acordo com as
suas características 182
2.1.1 Classificação em domínios 189
2.1.2 Principais características de cada reino 190

Em síntese… 197
Autoavaliação 198
Desafios 204

V. 2
Unidade 3 – Geologia, problemas e materiais do quotidiano
Capítulo 1 – Ocupação antrópica e problemas de ordenamento
Capítulo 2 – Processos e materiais geológicos importantes em ambientes
terrestres Geologia
Capítulo 3 – Exploração sustentada de recursos geológicos

7
Tendo presente a necessidade de manter
a obra atual, científica e pedagogica-
mente, os autores agradecem, antecipa-
damente, todos os comentários e suges- UNIDADE 5
tões que os Professores considerem Crescimento e
essenciais. Para tal, disponibilizamos um renovação celular
e-mail que permite o contacto direto
com os autores:
biodesafios@googlemail.com
Pretendemos fomentar o contacto com as
escolas, de forma a enriquecer o projeto e
contribuir na delineação de estratégias
que visam melhorar o ensino da Biologia
e Geologia.

UNIDADE 6
Reprodução

Biologia Quais os desa


No Guia do Professor encontra a apresen-
tação genérica do Programa de Biologia
e Geologia, bem como as finalidades
gerais presentes no programa oficial.

Guia do
PROGRAMA
Professor
UNIDADE 7
Evolução biológica

UNIDADE 8
Sistemática dos
seres vivos

8
UNIDADE 3
Geologia, problemas e
materiais do quotidiano

CAPÍTULO 1
Ocupação antrópica
e problemas de
ordenamento
fios da Terra? Geologia

CAPÍTULO 2
Processos e
materiais geológicos
importantes em
ambientes terrestres

CAPÍTULO 3
Exploração sustentada de
recursos geológicos

9
Que processos são responsáveis pela unidade e
variabilidade celular?

Sugestão metodológica
A partir da situação-problema: ”Como Unidade 5
explicar a grande diversidade de seres
vivos na natureza?”, dever-se-ão promo-
ver atividades de discussão que permi- Crescimento e renovação celular
tam ao aluno revisitar e enriquecer o
conceito de célula estudado no ano ante-
rior, compreendendo que apesar das
diferenças existentes entre os seres vivos
há uma unidade celular e molecular.

• PLANIFICAÇÃO A
MÉDIO PRAZO Guia do
• PLANIFICAÇÃO A Professor
CURTO PRAZO

Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 1 Manual
INTRODUÇÃO Interativo –
Versão do
Professor 1 Que processos são responsáveis pelo
crescimento e renovação celular dos seres
vivos?
Crescimento e renovação celular

10
Sugestão metodológica
Estão previstos 10 blocos de aulas para
lecionar esta temática.

2 Como se processa o crescimento dos seres


vivos?
Crescimento e regeneração de tecidos vs
diferenciação celular

11
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

1. Crescimento e renovação celular

As células possuem processos de síntese que asseguram


o seu crescimento e renovação. Os processos de divisão
são os responsáveis pelo crescimento e renovação
celular nos organismos multicelulares e pela reprodução
nos seres unicelulares. A divisão celular envolve a
passagem de informação genética presente no DNA da
célula-mãe para as células-filhas.

Manual
APRESENTAÇÃO Interativo –
EM POWERPOINT Versão do
Professor

Em anos anteriores… Palavras-chave No dia 25 de abril de 1953, dois cientistas mudaram a história da ciência
No 9.o ano de escolaridade, na disciplina Núcleo e membrana nuclear ao publicar um trabalho numa importante revista científica. Os dois cien-
de Ciências Naturais, no tema VIVER Retículo endoplasmático
MELHOR NA TERRA, os alunos abordam
tistas eram James Watson e Francis Crick, que tinham feito uma incrível
rugoso (R.E.R.)
as noções básicas de hereditariedade. descoberta sobre a molécula de DNA. Nesta época, já se sabia que a molé-
Ribossoma
No 10.o ano de escolaridade, na discipli- Cariótipo, cromossoma, cula de DNA transportava as informações genéticas e conhecia-se a sua
na de Biologia e Geologia, no Módulo cromatídio e centrómero composição, porém nunca ninguém tinha sido capaz de desvendar a sua
Inicial da Biologia, é estudada a célula e DNA e RNA estrutura. E esse desafio foi vencido por Watson e Crick. Na verdade
os seus constituintes básicos, com des-
Nucleótido tinham recolhido informações de estudos realizados por outros cientis-
taque para a unidade dos organismos a
nível celular e molecular. Bases azotadas tas, como Maurice Wilkins e Rosalind Franklin. Para muitos, Watson e Crick
Ribose e desoxirribose
não tinham o direito de reivindicar para si aquela descoberta, já que usa-
Replicação, transcrição e
tradução ram informações de estudos de outros cientistas. A comissão do Prémio
Codão, anticodão e codogene Nobel levou isto em consideração e, em 1962, conferiu o Prémio Nobel de
Código genético Medicina a Watson, Crick e Wilkins, pela descoberta da estrutura do DNA.
Aprofundando…
Gene e genoma Rosalind Franklin já tinha morrido.
Mutação génica O facto é que, a partir desta
Os livros científicos de referência da
Ciclo celular descoberta, a Biologia nunca
Biologia optam por referir o conceito de
invólucro nuclear em detrimento de Interfase
mais foi a mesma. Desde então,
membrana nuclear, em função da sua Mitose: prófase, metáfase,
anáfase, telófase iniciou-se uma ciência inteiramen-
organização e estrutura particular. No
10.o ano de escolaridade optamos pelo Citocinese te nova, que possibilitou avanços e
termo invólucro nuclear. No entanto, no inovações nunca antes pensados.
11.o ano, usamos, por vezes, o termo
membrana nuclear visto que corres- in http://www.cienciaviva.org.br/
ponde a uma palavra-chave. arquivo/cdebate/004dna/index.html

12
Competências conceptuais Competências procedimentais Competências atitudinais Aprofundando…
Os termos organelo e organito são simi-
G Conhecer as características estruturais que G Discutir a necessidade constante de G Refletir e desenvolver atitudes críticas,
diferenciam o DNA do RNA. renovação de alguns dos constituintes conducentes a tomadas de decisão lares, tendo os autores, de acordo com o
celulares (ex.: proteínas). fundamentadas, sobre situações ambientais programa, usado preferencialmente o
G Compreender a importância da replicação do
causadas pelo Homem que podem interferir termo organito.
DNA para a manutenção da informação G Explicar como a expressão da informação
genética. contida no DNA se relaciona com o processo no ciclo celular e conduzir a conjunturas Embora o termo impacto seja usual na
da síntese proteica. indesejáveis como, por exemplo, o comunicação social como sinónimo de
G Reconhecer a síntese proteica como um aparecimento de doenças.
mecanismo importante para a manutenção G Analisar e interpretar dados de natureza consequência, o termo mais correto é
da vida e da estrutura celular. diversa relativos aos mecanismos de impacte, devendo o termo impacto ape-
G Compreender a mitose como um processo de replicação, tradução e transcrição. nas ser usado como sinónimo de choque
divisão celular que assegura a manutenção G Interpretar procedimentos laboratoriais e mecânico.
das características hereditárias. experimentais relacionados com o estudo da
G Conhecer a sequência de acontecimentos que síntese proteica e o ciclo celular.
caracterizam o ciclo celular. G Formular e avaliar hipóteses relacionadas
com a influência de fatores ambientais sobre
o ciclo celular.
G Conceber, executar e interpretar
procedimentos laboratoriais simples, de
cultura biológica e técnicas microscópicas,
conducentes ao estudo da mitose.

Pesquisa – Segredo da vida

No dia 28 de fevereiro de 1953, um cientista britânico exclamou para os amigos que tinha
"descoberto o segredo da vida". Tratava-se de Francis Crick, que, juntamente com um
jovem bioquímico americano, James Watson, havia desvendado a estrutura do DNA.

Sugestão metodológica
Realizar a atividade de pesquisa sobre o
DNA deverá motivar os alunos para toda
a temática a abordar nesta unidade pro-
gramática. Os trabalhos de pesquisa po-
derão ser apresentados e discutidos na
turma.
1 Do DNA ao organismo.

Apesar da grande diversidade de seres vivos que existe na natureza, há uma unidade
estrutural e funcional a nível molecular e celular. Efetue uma pesquisa que lhe permita
encontrar resposta para as seguintes questões:
• O que é o DNA?
• Qual o papel do DNA na transmissão das características hereditárias ao longo das
gerações?
• Como é que a informação contida no DNA se expressa?

Comente a afirmação: “O conhecimento da estrutura do DNA correspondeu à descober-


ta do segredo da vida”.

13
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Sugestão metodológica
1.1 O DNA e a síntese proteica são
A partir da situação-problema: ”Como
explicar a grande diversidade de seres responsáveis pelo crescimento e renovação
vivos na natureza?” complementada
com a questão: “Onde é armazenada, e
celular
como é transmitida a informação gené-
tica à descendência?”, poder-se-á pro- O nosso planeta apresenta uma grande diversidade de seres vivos dis-
mover a discussão do tema e detetar tribuídos pelos ambientes mais diversos (fig. 2). A biodiversidade é uma
conceções, por vezes alternativas, que riqueza inquestionável, sendo fonte de alimento e de medicamentos,
os alunos possuem. proteção dos lençóis de água, combate à erosão dos solos e agente de
mitigação da poluição.

2 Diversidade de organismos que habitam a Terra: biodiversidade.

Apesar das diferenças existentes entre os seres vivos, há uma unidade


estrutural e funcional comum a todos – a célula. A célula é considerada a
unidade básica da vida. Esta semelhança também se revela a nível molecu-
lar, pois os organismos apresentam os mesmos constituintes bioquímicos.
Como será possível explicar a grande diversidade de seres vivos que
existem na natureza? Por mais diferentes que os organismos sejam entre
si, é a partir de uma única célula e das informações contidas no seu geno-
ma que se origina um indivíduo (fig. 3). Podemos levantar várias questões:
• Onde está armazenada toda a informação genética e como é
transmitida à descendência?
• Que processos são responsáveis pela unidade e variabilidade
celular?
• De que depende o crescimento celular, o desenvolvimento e a
regeneração de tecidos?
• Como explicar o facto de as células de um indivíduo não serem
todas iguais?
14
1. Crescimento e renovação celular

Competência procedimental
Interpretar procedimentos laboratoriais
e experimentais relacionados com o
estudo da síntese proteica e o ciclo celu-
lar.

Sugestão metodológica
A partir da figura 3 poderão ser coloca-
das as seguintes questões: “Como é que
3 Da célula ao organismo. a partir de uma única célula se origina
um novo organismo?” “Como é que célu-
las com tamanhos idênticos originam
seres vivos muito diferentes em tama-
nho e características?”

1.1.1 O DNA é a molécula responsável pelo


armazenamento da informação genética

Determinar o constituinte celular responsável pelo armazenamento e


transmissão da informação genética foi objeto de estudo de vários
cientistas.
Em 1928, o médico inglês Frederick Griffith estava a estudar uma bacté-
ria patogénica. Para tal, utilizou duas linhagens de Diplococcus pneumo- !
niae (agente causador da pneumonia humana e letal para os ratinhos).
As linhagens foram denominadas de S e R, porque enquanto cresciam A terminologia linhagem S advém do
em laboratório, umas produziam colónias lisas e outras rugosas, respeti- inglês smooth, que significa liso,
vamente. Griffith realizou a experiência ilustrada na figura 4, tendo con- enquanto R provém de rough, que
cluído que apenas as bactérias S causavam a morte dos ratinhos. significa rugoso.

Pneumococos R
A B

Pneumococos S O ratinho morre O ratinho sobrevive

Pneumococos S C D
Pneumococos R
mortos pelo calor

Aprofundando…
A cápsula polissacarídica das bactérias S
protege-as do sistema imunitário dos
O ratinho sobrevive O ratinho morre ratinhos.
Pneumococos S
mortos pelo calor

4 Dispositivo experimental efetuado por Frederick Griffith (1928).

15
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência procedimental As bactérias S, quando mortas pela ação do calor, perdiam o caráter viru-
Interpretar procedimentos laboratoriais ? lento. No entanto, a mistura destas bactérias, mortas pelo calor, com bac-
e experimentais relacionados com o térias R tornava-as virulentas, pois os ratinhos injetados morriam. Griffith
estudo da síntese proteica e o ciclo Onde se encontra armazenado o DNA?
concluiu que compostos presentes nas bactérias S, mortas pelo calor,
celular. eram responsáveis pela “transformação” das bactérias R em S.

O DNA é o princípio transformante



DNA Em 1944, Oswald Avery e MacLeod realizaram uma experiência para
Ácido desoxirribonucleico constituído determinar a natureza química do princípio transformante (fig. 5). Para
por nucleótidos. É a molécula tal, extraíram os diferentes compostos químicos das bactérias S mortas
responsável pelo armazenamento da pelo calor e testaram-nos separadamente em bactérias R. Apenas nas
informação genética. células testadas com DNA ocorreu a transformação das bactérias R.
Estes investigadores deduziram que o DNA corresponde ao princípio
transformante, que contém a informação genética (fig. 5).

S Células S mortas
pelo calor

Polissacarídeos Lípidos RNA Proteína DNA

CÉLULAS R VIVAS
5 Demonstração de que o DNA
é o princípio transformante,
pois é o único composto que
origina células S quando R R R R R S
adicionado às células R.

Os trabalhos de Avery e seus colaboradores foram importantes para


comprovar que o DNA era o material genético das células. Contudo, tal
não foi amplamente aceite pela comunidade científica de então porque:
• o DNA, quando comparado com as proteínas, era quimicamente
menos complexo, pelo que os cientistas consideravam que eram as
proteínas que continham a informação genética;
• a genética bacteriana ainda não estava desenvolvida, não sendo
óbvio, na altura, que as bactérias possuíam genes.

Em 1952, Alfred Hershey e Martha Chase publicaram um trabalho efe-


Bacteriófago T2
tuado com um vírus que infeta as bactérias (bacteriófago). Esse vírus,
DNA
denominado T2, apresenta DNA dentro de uma cápsula proteica e
depende da bactéria para se reproduzir (fig. 6).

A Muitos bacteriófagos podem-se B


ligar a uma única bactéria.

As partículas do vírus são 6 Constituição (A) e microfotografia


agregadas dentro da bactéria.
do bacteriófago T2 (B).

16
1. Crescimento e renovação celular

Competência procedimental
Qual dos componentes virais (DNA ou proteína)
ATV. 1 Interpretar procedimentos laboratoriais
armazena a informação genética?
e experimentais relacionados com o
estudo da síntese proteica e o ciclo celu-
• Todas as proteínas possuem enxofre (S), que não existe no DNA. lar.

• Os nucleótidos de DNA possuem fósforo (P) na sua constituição, um elemento ausente nos ami-
noácidos que constituem as proteínas.
32P
• Hershey e Chase cultivaram o bacteriófago T2 em duas culturas de bactérias: uma com (B)
e outra com 35S, dois isótopos radioativos. Resolvendo…

A 1. Qual o objetivo destas experiên- 1. Testar qual é o constituinte viral –


Cápsula cias? DNA ou proteína – responsável pela
Bacteriófago T2 radioativa (35S) Sobrenadante
radioativo (35S)
transmissão da informação genética.
(cápsulas virais) 2. Explique a importância do recurso 2. Os radioisótopos permitem marcar
Bactéria aos dois isótopos radioativos, 32P e um dado material e seguir o seu tra-
35S. jeto no decorrer da experiência.
DNA
Neste caso foram marcados com isó-
3. Refira as semelhanças e as diferen- topos diferentes as proteínas e o
ças entre os dispositivos A e B. DNA dos vírus.
4. Quais os resultados obtidos? 3. Hershey e Chase fizeram duas expe-
Os bacteriófagos Homogeneização e Sedimentação de riências combinando vírus, conten-
são misturados com
batérias, infetando-as.
centrifugação, de acordo com a den-
sidade.
5. Comente a afirmação: “Torna-se do isótopos radioativos (A – usaram
modo a separar os
bacteriófagos das agora evidente que o DNA é o res- 35
S, que entra na constituição das
bactérias.
ponsável pela transmissão da infor- proteínas; B – usaram 32P, que entra
B mação genética”. na constituição do DNA) com bacté-
Bacteriófago T2 DNA
radioativo (32P) rias. Deixaram que os vírus entras-
sem nas bactérias e se multiplicas-
Bactéria sem. De seguida centrifugaram a
mistura de modo a separar os vírus
das bactérias (mas sem que as bac-
térias se rompessem). Deixaram
sedimentar e obtiveram duas fra-
DNA
7 Dispositivo experimental de ções: a menos densa (sobrenadan-
radioativo (32P) Hershey e Chase. te), correspondendo aos vírus, e a
mais densa às bactérias.
4. Quando se marcou o vírus com 35S (A),
o isótopo foi detetado na camada
Hershey e Chase infetaram bactérias com vírus, contendo os isótopos menos densa, correspondente aos
radioativos 32P e 35S, separadamente. Observaram que o 35S no final vírus. Pelo contrário, quando foi usa-
do o 32P (B), este foi detetado na
não se encontrava presente nas bactérias, enquanto que o 32P tinha
camada mais densa, correspondente
passado dos vírus para as bactérias (fig. 7). às bactérias. Após constatarem que
Posteriormente, realizaram uma experiência idêntica, usando os vírus o DNA dos vírus tinha entrado para
as bactérias, ao contrário das proteí-
obtidos nesta experiência (descendentes dos vírus originais e que se
nas, Hershey e Chase concluíram que
tinham multiplicado no interior das bactérias). Verificaram que não a molécula de DNA era responsável
continham 35S original, mas apresentavam 32P. Ou seja, continham pelo armazenamento da informação
algum DNA original que tinha sido transmitido à descendência. genética, essencial para permitir a
multiplicação viral no interior das
Baseados nas experiências realizadas, Hershey e Chase verificaram que
bactérias.
o vírus introduzia o DNA nas bactérias e que estas passavam a reprodu- 5. Sendo o DNA dos vírus o material
zir os vírus. Concluíram que o DNA contém a informação genética que que entrou nas bactérias, usou-as
é transmitida de geração em geração. para a sua multiplicação, originando
vírus idênticos aos iniciais, poder-se-á
Estes resultados permitiram contrariar as ideias vigentes de que eram concluir que o DNA é a molécula res-
as proteínas as responsáveis pela transmissão da informação genética. ponsável pela transmissão da infor-
Apesar destes avanços, nada se sabia acerca da estrutura do DNA e do mação genética e não as proteínas,
modo como se processava a transmissão da informação genética. como se supunha.

17
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Os raios-X permitiram decifrar a estrutura do DNA

Em 1950, estudos realizados por Rosalind Franklin permitiram obter os


primeiros dados sobre a dimensão e estrutura do DNA. Esta investiga-
dora recorreu à difração de raios-X, bombardeando amostras de DNA
cristalizado (fig. 8). Esta técnica permite obter a estrutura molecular de
compostos cristalizados, indicando que o DNA possuía uma estrutura
em hélice.

 Amostra de DNA

Nucleótido
Unidade constituinte dos ácidos
nucleicos. É constituído por um grupo
Feixe de raios-X
fosfato, que confere à molécula Placa de chumbo Placa fotográfica Pontos resultantes
características ácidas, um açúcar Origem dos raios-X dos raios gama
Competência conceptual
Conhecer as características estruturais (pentose) e uma base azotada. 8 A cristalografia de raios-X permitiu determinar com exatidão a estrutura do DNA.
que diferenciam o DNA do RNA.
Desoxirribose
Grupo fosfato A determinação da composição
Açúcar constituído por 5 átomos de química do DNA também con-
carbono (C5H10O4). É um dos tribuiu para compreender a sua
constituintes dos nucleótidos de DNA. estrutura. O DNA é um polímero
Base
azotada de unidades que se repetem, os
Base azotada nucleótidos (fig. 9), sendo cada
Base constituinte do nucleótido dos Desoxirribose um constituído por um açúcar (a
ácidos nucleicos. Pode ser de anel 9 Nucleótido de DNA. desoxirribose), um grupo fos-
simples, e denomina-se pirimídica fato e uma base azotada. O que
(citosina, timina e uracilo), ou de anel diferencia os quatro nucleótidos de DNA é a base, que pode ser: adeni-
duplo, chamada purina (adenina e na, timina, citosina e guanina.
guanina).
Entre 1944 e 1952, Erwin Chargaff e os seus colaboradores analisaram
amostras de DNA de diferentes espécies, tendo verificado que existem
diferenças entre as espécies, mas que a quantidade de adenina era
Aprofundando…
! semelhante à de timina e a quantidade de citosina próxima à da guani-
A/T e C/G não é exatamente igual a 1 Segundo a regra de Chargaff: na – regra de Chargaff (Tab. I).
por razões experimentais. A = T e C = G, pelo que:
A+C ⯝ 1 Tabela I – Percentagem de bases azotadas no DNA das espécies (%)
T+G
Bases
Adenina Timina Citosina Guanina
Origem do DNA

Homem (Homo sapiens) 31.0 31.5 19.1 18.4

Mosca da fruta (Drosophila


27.4 27.6 22.5 22.5
melanogaster)

Milho (Zea mays) 25.6 25.3 24.5 24.6

Bactéria (Escherichia coli) 26.1 23.9 24.9 25.1

Em 1953, Watson e Crick (fig. 10), combinando todos os conhecimentos


que existiam sobre a estrutura do DNA e a sua composição, construíram
10 Watson e Crick. um modelo que estabeleceu a estrutura geral do DNA – uma dupla hélice.

18
1. Crescimento e renovação celular

Sugestão metodológica
ATV. 2 Qual a estrutura do DNA?
Poderá ser solicitado aos alunos que,
com materiais diversos (ex.: arame, esfe-
5’ 3’
rovite, plasticina, etc.), construam o
G C 5’
O modelo estrutural de DNA.
A T OH Ligação de hidrogénio
-O P 3’
T A O OH
H2C O
T A
1 nm O O CH2
G C O
O
-O P O-
C G 3.4 nm O P
H2C O O
O
A T G C
O O CH2
C G O
-O P O
O-
O P
H2C O O
O
C G
T A O O CH2
O
T A -O P
O
O- Resolvendo…
O P
A T H2C O O
O 1. O DNA é constituído por duas cadeias
A T
A T O polinucleotídicas, que se enrolam,
CH2
3’ OH O formando uma dupla hélice.
O-
P
G C HO
O 2. Ao longo de cada cadeia os nucleóti-
0.34 nm 5’
A T dos estão ligados por ligações cova-
5’ 3’ lentes, do tipo fosfodiéster, que se
estabelecem entre o grupo fosfato de
11 Modelo de dupla hélice de DNA proposto por Watson e Crick.
um nucleótido e a desoxirribose do
nucleótido seguinte. As duas cadeias
1. O DNA é formado por duas cadeias enroladas em hélice. Justifique este facto com dados da
que constituem o DNA estão unidas
figura. através de pontes de hidrogénio que
2. Quais os tipos de ligações entre os nucleótidos de uma cadeia? E entre as duas cadeias? se estabelecem entre as bases azota-
das A-T e C-G.
3. Com base nos dados da figura, explique os resultados de Chargaff (Tab. I). 3. Como a adenina se liga sempre à
timina e a citosina à guanina as
4. Explique, com base na figura, o significado da afirmação: “O DNA é uma molécula formada
quantidades de adenina são iguais à
por duas cadeias complementares antiparalelas”. de timina e as de citosina à de guani-
5. Refira a importância dos trabalhos de Watson e Crick. na.
4. A molécula de DNA é formada por
duas cadeias complementares, dado
que a união entre as cadeias é efe-
tuada sempre entre as bases comple-
mentares , e são antiparalelas porque
se desenvolvem em sentidos opos-
tos, uma de 3 para 5 e a outra de 5
A estrutura tridimensional da molécula de DNA (fig. 11) apresenta os
para 3 .
seguintes aspetos: 5. Os trabalhos de Watson e Crick per-
• é formada por duas cadeias polinucleotídicas enroladas em hélice; mitiram a compreensão estrutural e
funcional da molécula de DNA.
• as duas cadeias estão unidas por pontes de hidrogénio que se esta-
belecem entre as bases azotadas;
• as pontes de hidrogénio estabelecem-se de forma específica, em que TRANSPARÊNCIA N.° 2 Guia do
a adenina se liga à timina (através de duas pontes de hidrogénio) e a ÁCIDOS NUCLEICOS E Professor e
Manual
citosina à guanina (através de três pontes de hidrogénio), de acordo REPLICAÇÃO Interativo –
SEMICONSERVATIVA DO Versão do
com as regras de Chargaff. O emparelhamento das bases comple- DNA Professor
mentares, adenina e timina (A-T) e citosina e guanina (C-G), forma os
“degraus” da molécula de DNA, possuindo o mesmo comprimento,
encaixando uniformemente na dupla hélice;
• ao longo de cada cadeia os nucleótidos estão ligados por ligações
covalentes, do tipo fosfodiéster, que se estabelecem entre o grupo
fosfato de um nucleótido e a desoxirribose do nucleótido seguinte;

19
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

• os polinucleótidos de cada cadeia possuem um grupo fosfato livre


 numa das extremidades, denominada extremidade 5 , e um grupo
hidroxilo (OH–) livre na outra extremidade, a 3 . A extremidade 5 de
Genoma
uma das cadeias está emparelhada com a extremidade 3’ da outra
Conjunto de todos os genes de um cadeia. Assim, as duas cadeias que constituem a molécula de DNA
indivíduo. desenvolvem-se em sentidos opostos, sendo antiparalelas.
Competência conceptual
Gene Embora o DNA seja formado apenas por 4 nucleótidos diferentes, o
Compreender a importância da replica-
ção do DNA para a manutenção da in- Unidade fundamental física e número e a sequência dos nucleótidos definem a informação nele ar-
formação genética. funcional da hereditariedade, mazenada. A informação genética presente no DNA varia com as espé-
responsável pela transmissão de cies e entre indivíduos da mesma espécie.
Competência procedimental informação de uma geração à O património genético de um indivíduo, o genoma, é constituído por
Analisar e interpretar dados de nature- seguinte. Corresponde a um segmento genes, fragmentos funcionais de DNA, que divergem uns dos outros no
za diversa relativos aos mecanismos de de DNA. Deriva do vocábulo grego número e sequência de nucleótidos.
replicação, tradução e transcrição.
Gen, que significa gene.
O DNA duplica-se por replicação semiconservativa
Replicação
Duplicação da molécula de DNA, em Em 1956, Arthur Kornberg demonstrou que era possível replicar o DNA
que as moléculas replicadas são iguais in vitro (no laboratório, fora de um organismo vivo), sem a presença de
à molécula original. células, recorrendo a: DNA, DNA polimerase (uma enzima que obteve a
partir de uma bactéria) e nucleótidos. Contudo, faltava dar resposta
à questão: como é que a molécula de DNA se replicava?
Existem três modelos teóricos possíveis para a replicação do DNA (fig. 12).

DNA original Após um ciclo


de replicação

Na replicação semiconservativa uma das duas


cadeias da molécula de DNA que se forma deriva
da molécula original, e a outra é sintetizada de
novo.

A replicação conservativa poderia preservar as


duas cadeias da molécula original e gerar uma
molécula de DNA composta por duas cadeias
inteiramente novas.

A replicação dispersiva poderia produzir duas


moléculas com DNA em que ambas as cadeias
eram formadas por fragmentos originários da
molécula inicial alternados por fragmentos
sintetizados de novo.

12 Esquemas representativos dos modelos teóricos de replicação da molécula de DNA.

20
1. Crescimento e renovação celular

Quando conceberam o modelo estrutural do DNA, Watson e Crick Competência conceptual


sugeriram que a replicação seria semiconservativa. Contudo, só poste- Compreender a importância da replica-
riormente, em 1957, Matthew Meselson e Franklin Stahl demonstraram ção do DNA para a manutenção da infor-
experimentalmente o modelo de replicação do DNA. mação genética.

Competência procedimental
ATV. 3 Como é que o DNA se replica? Analisar e interpretar dados de natureza
diversa relativos aos mecanismos de
replicação, tradução e transcrição.
• O azoto entra na constituição das bases existentes nos nucleótidos que se encontram no DNA.
• O 15N é um isótopo raro, não radioativo, que torna as moléculas mais densas do que as molé-
culas que o integram. O isótopo 14N é mais comum e menos denso.
• As bactérias usadas na experiência dividem-se, em média, a cada 20 minutos.
As bactérias são
transferidas para um
Bactérias a crescer em meio com 14N, onde
meio com 15N. continuam o seu cres-
cimento. Resolvendo…
1. O uso de diferentes isótopos (14N e
15
N), que conferem diferentes densi-
Amostras no Amostras depois Amostras depois dades às moléculas de DNA que os
tempo 0 minutos de 20 minutos de 40 minutos
contêm, permite seguir as suas taxas
de incorporação ao longo da expe-
riência.
Resultados 2. O DNA da geração parental apresenta
14
N / 14 N (leve) DNA uma densidade elevada, o da primeira
14
N / 15 N (intermédio) DNA
geração uma densidade intermédia e
o da segunda geração apresentava
15
N / 15 N (pesado) DNA uma densidade ainda mais reduzida.
3. Modelo de replicação semiconserva-
tiva, uma vez que cada molécula de
DNA formada contém uma cadeia
Geração Primeira Segunda
parental geração geração da molécula que lhe deu origem
(pesada) e uma cadeia nova forma-
13 Dispositivo experimental simplificado de Meselson e Stahl.
da por complementaridade (leve).
1. Indique a importância do uso de diferentes isótopos de azoto nesta experiência. 4. O facto de as moléculas de DNA
filhas serem idênticas à molécula
2. Quais foram os resultados obtidos? original significa que têm o mesmo
3. Baseado nos resultados, selecione um possível modelo de replicação do DNA presente na material genético, pelo que o podem
figura 13. Justifique. transmitir à descendência, assegu-
rando, deste modo, as características
4. Comente a afirmação: “A formação de moléculas de DNA filhas, idênticas à molécula mãe, per- hereditárias ao longo das gerações.
mite a transmissão das características hereditárias ao longo das gerações”. 5. As previsões de Watson e Crick foram
comprovadas experientalmente por
5. Compare as conclusões de Meselson e Stahl com o modelo sugerido por Watson e Crick. Meselson e Stahl.

Meselson e Stahl cultivaram bactérias Escherichia coli ao longo de 17


gerações, num meio rico em 15N, tendo observado que todo o DNA das
bactérias era denso. Realizaram o mesmo procedimento, mas com um
meio contendo 14N. Verificaram que o DNA de todas as bactérias des-
cendentes era pouco denso. Posteriormente, cultivaram bactérias num
meio contendo 15N, transferindo-as de seguida para um meio com 14N,
onde as bactérias replicavam o seu DNA a cada ciclo de 20 minutos. Em
cada geração foram recolhidas e analisadas as densidades das amos-
tras de DNA.

21
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual Aqueles investigadores observaram que o DNA da geração parental (P)
Compreender a importância da replica- era mais denso do que o DNA da primeira geração (F1). Por sua vez, o
ção do DNA para a manutenção da in- DNA da segunda geração (F2) era menos denso do que o DNA das gera-
formação genética. ções anteriores. Estes resultados são explicados com base no modelo
semiconservativo da replicação do DNA (fig. 14).

O DNA da geração F2 her-


Competências procedimentais dou uma cadeia pesada e
Analisar e interpretar dados de nature- outra leve da geração F1,
za diversa relativos aos mecanismos de Geração Primeira Segunda formando-se novas ca-
parental geração geração deias leves por comple-
replicação, tradução e transcrição.
mentaridade.
Interpretar procedimentos laboratoriais
Metade do DNA apresen-
e experimentais relacionados com o As duas cadeias da tará uma densidade inter-
estudo da síntese proteica e o ciclo ce- geração parental con-
têm o isótopo 15 N, média e o restante uma
lular. sendo, por isso, mais densidade baixa.
densas.
Cadeia Cadeia
parental nova
15 14
N N

As moléculas do DNA da geração F1 possuem uma cadeia da geração parental e outra formada por
complementaridade contendo 14 N (apresentam uma densidade intermédia).

TRANSPARÊNCIA N.° 2 Guia do 14 Modelos de replicação do DNA (as cadeias azuis correspondem ao DNA original e as vermelhas ao
ÁCIDOS NUCLEICOS E Professor e DNA replicado).
Manual
REPLICAÇÃO Interativo – Os outros dois modelos de replicação do DNA foram refutados, pois a
SEMICONSERVATIVA DO Versão do
DNA Professor densidade intermédia não era explicada pelo modelo conservativo, e
no modelo de replicação dispersiva a densidade do DNA oscilaria entre
a densidade máxima e mínima mas não atingiria valores intermédios
exatos.
Na síntese semiconservativa, o DNA é localmente desnaturado, as liga-
ções por pontes de hidrogénio são quebradas, de modo a separar as
duas cadeias polinucleotídicas. A abertura da dupla cadeia torna-as
acessíveis à DNA polimerase que sintetiza uma nova cadeia de DNA,
15 Replicação semiconservativa obedecendo à complementaridade das bases (fig. 15).
do DNA. A DNA polimerase é Posteriormente, vários cientistas, recorrendo à utilização de isótopos
uma das enzimas essenciais na
marcados radioativamente, demonstraram que a replicação semicon-
síntese de uma nova cadeia de
DNA por complementaridade. servativa do DNA ocorria em células eucarióticas animais e vegetais.

DNA polimerase

DNA parental

DNA polimerase

22
1. Crescimento e renovação celular

Sugestões metodológicas
LAB. 1 Como extrair e observar o DNA?
Para complementar a realização desta
atividade laboratorial poderão ser con-
Material sultados os seguintes sites: http://biotec-
• Bananas* • Liquidificador nologia-na-escola.up.pt/extraccao.htm
• Água • Gobelés e http://www.dbio.uevora.pt/LBM/
Foco/Extraccao/Extraccao_DNA.html
• Sal de cozinha • Bisturi
• Detergente de lavar louça • Funil A construção do V de Gowin possibilitará
uma visão integradora das dimensões
• Álcool etílico a 95% (colocado no congelador a –20 °C) • Papel de filtro
conceptual e metodológica desenvolvi-
• Fucsina • Palitos das na construção dos conceitos aborda-
*Poderá ser usado como material biológico: kiwi, cebola, fígado, etc. dos.
O V de Gowin poderá ser substituído
Procedimento por um poster, devendo, para tal, soli-
1. Descasque duas bananas, corte-as em fragmentos e coloque-as no liquidificador**. citar aos alunos que tirem fotografias
enquanto realizam a atividade, as quais
2. Coloque 200 ml de água morna num gobelé, adicione-lhe uma colher de chá de sal e misture. servirão para o ilustrar.
3. Coloque esta solução no liquidificador**.
4. Ligue o liquidificador, na velocidade máxima, durante 10 segundos.
5. Usando o papel de filtro e o funil, filtre a mistura resultante para um gobelé.
6. Misture, ao filtrado, lentamente para não fazer bolhas, três colheres de chá de detergente.
7. Adicione 150 ml de álcool etílico, lentamente, fazendo-o escorrer pelas paredes do gobelé.
Não misture o álcool com a solução, de modo a que este permaneça como uma camada iso-
lada no topo da solução.
8. Aguarde 5 minutos.
9. Observe e verificará que filamentos de cor branca – DNA e proteínas – se precipitam no limi-
te da camada de álcool (pode, com um palito, retirar estes filamentos de DNA, colocá-los
num meio com álcool, a –20 °C, durante longos períodos de tempo).
10. Coloque 3 gotas de fucsina*** e observe o sucedido.
** Poderá ser substituído por uma varinha mágica ou por um almofariz.
*** A fucsina é um indicador da presença de DNA, adquirindo este a tonalidade vermelha na sua presença.

Resolvendo…
1. Sal – contribui com iões positivos
que neutralizam a carga negativa do
DNA, estabilizando-o; detergente –
promove a rutura das membranas
nucleares que são constituídas por
lípidos, possibilitando que as proteí-
nas e o DNA fiquem dispersos na
solução; álcool etílico – cria um meio
apolar menos denso do que a água,
no qual o DNA não se dissolve e pode
ser observado; liquidificador – pro-
move a rutura mecânica das paredes
e membranas celulares, fazendo com
16 Extração de DNA.
que o DNA e as proteínas se mistu-
rem na solução.
1. Construa um V de Gowin como relatório à atividade laboratorial realizada, no qual explique o 2. Os alunos conseguem observar fila-
objetivo da utilização dos seguintes materiais: sal, detergente, álcool etílico e liquidificador. mentos de cor branca que correspon-
2. Comente a afirmação: “O DNA é visível a olho nu”. dem a proteínas e DNA, embora a
estrutura molecular não seja obser-
vável a olho nu.

23
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual 1.1.2 A expressão da informação contida no DNA está


Compreender a importância da replica- ? relacionada com a síntese proteica
ção do DNA para a manutenção da in-
formação genética. Como se transmite a informação
contida no DNA? Como se traduz a A sequência nucleotídica do DNA corresponde aos genes que definem
informação que se encontra num as características biológicas dos seres vivos (fig. 17), tornando o DNA o
Competência procedimental gene? Como se passa de um gene suporte da informação genética. Contudo, os genes não produzem
Discutir a necessidade constante de para uma característica? diretamente as características (fenótipo).
renovação de alguns dos constituintes
celulares (ex.: proteínas).

Aprofundando…
Certos organismos (ex.: vírus) conse-
guem sintetizar moléculas de DNA a
partir de RNA, com o auxílio de enzimas 17 Do DNA às características biológicas.
especializadas nestes mecanismos –
transcriptases reversas. Embora o DNA permita o armazenamento da informação genética, são
Estes vírus são, por isso, designados de as proteínas, com as suas variadas funções e diversidade, as responsá-
retrovírus.
 veis pelas diferentes características (fenótipos) dos organismos. É ao
nível das proteínas e da sua atividade que se registam as maiores dife-
RNA renças entre os seres vivos. Compreender como a informação presente
Ácido ribonucleico constituído por no DNA passa para as proteínas, originando dessa maneira um deter-
nucleótidos cuja pentose é uma minado fenótipo, continua a ser alvo de intensa investigação.
ribose. É a molécula responsável pela
Em 1940, G. Beadle e E. Tatum demonstraram que, se houvesse altera-
transmissão da informação genética ção de um gene, formar-se-ia uma proteína diferente, originando um
do DNA até serem produzidas as fenótipo distinto do original.
proteínas.
Para explicar como se processava a expressão da informação genética,
Francis Crick propôs o que denominou de dogma central da Biologia
18 Do DNA às proteínas – Molecular, segundo o qual:
dogma central da Biologia
Molecular (A), esquema síntese, • a informação presente no DNA é transcrita para o RNA;
simplificado, da síntese proteica • o RNA é posteriormente traduzido (descodificado) para formar proteí-
numa célula procariótica (B) e nas (fig. 18). Esta via é unidirecional, uma vez que as proteínas não
numa célula eucariótica (C). podem codificar para RNA nem para DNA.

A B C Invólucro nuclear

Replicação do DNA

Transcrição DNA Transcrição DNA

DNA RNA Proteína mRNA Pré-mRNA


Processamento
Tradução do RNA
mRNA

Ribossoma
Polipéptido Ribossoma Tradução

Polipéptido

24
1. Crescimento e renovação celular

A síntese proteica ocorre permanentemente nas células, de modo a


garantir a existência de proteínas para as atividades metabólicas. Assim, 
a transferência de informação do DNA para o RNA também tem que ser
constante, pois, como vimos, o RNA estabelece a “ponte” entre o DNA e Ribose
as proteínas, tanto nos organismos procariontes como nos eucariontes. Açúcar constituído por 5 átomos de
carbono (C5H10O5) – pentose. É um
constituinte dos nucleótidos de RNA.
O RNA contém informação genética
Além do DNA, existe outra molécula responsável pela transferência da A
informação genética – o ácido ribonucleico (RNA). Em alguns vírus, a infor-
mação genética pode encontrar-se armazenada sob a forma de RNA. Competência conceptual
Conhecer as características estruturais
A molécula de RNA também é formada por nucleótidos compostos por que diferenciam o DNA do RNA.
uma base azotada, uma pentose (açúcar com 5 carbonos) e um grupo
fosfato. No entanto, o açúcar é a ribose, enquanto que o DNA possui
desoxirribose. O RNA possui uracilo em vez de timina. Os nucleótidos de
RNA podem ser denominados ribonucleótidos. Competência procedimental
Explicar como a expressão da informa-
O RNA é constituído por uma cadeia polinucleotídica simples (fig. 19),
B ção contida no DNA se relaciona com o
em que os nucleótidos estão ligados covalentemente (por ligações do processo da síntese proteica.
tipo fosfodiéster) (Tab. II).
Existem diversos tipos de RNA (cuja função iremos posteriormente
estudar em detalhe), produzidos por um processo que transcreve Aprofundando…
(copia) a sequência nucleotídica do DNA: A desoxirribose deriva da ribose, haven-
• RNA mensageiro (mRNA); do substituição do grupo hidroxilo (OH)
no carbono 2 por hidrogénio, resultando
• RNA transferência (tRNA); na perda de um átomo de oxigénio.
• RNA ribossomal (rRNA).
Tabela II – Aspetos comparativos entre o DNA e o RNA
TRANSPARÊNCIA N.° 2 Guia do
ÁCIDOS NUCLEICOS E Professor e
Características DNA RNA Manual
REPLICAÇÃO Interativo –
Dupla cadeia SEMICONSERVATIVA DO Versão do
Organização polinucleotídica Cadeia polinucleotídica DNA Professor
estrutural enrolada sob a forma simples.
de hélice.
• Grupo fosfato • Grupo fosfato
• Açúcar – desoxirribose • Açúcar – ribose 19 O RNA é composto por
• Bases azotadas: • Bases azotadas: nucleótidos (A) que formam
Constituição – Adenina – Adenina uma cadeia simples (B).
– Timina – Uracilo
– Citosina – Citosina
– Guanina – Guanina

Geralmente, no núcleo
Forma-se no núcleo por
transcrição a partir do

das células, e em alguns
Localização DNA, depois migra para Núcleo
organitos (mitocôndrias
o citoplasma das
e cloroplastos). Organito existente nas células
células.
eucarióticas que contém o DNA e
controla a atividade celular.
Na transcrição forma-se RNA a partir de DNA
A maioria do DNA de uma célula eucariótica está no núcleo e, devido Membrana nuclear (invólucro
às suas dimensões, não passa através dos poros da membrana nuclear)
nuclear. Se a síntese proteica ocorre no citoplasma, como é que a Invólucro membranar que delimita e
informação genética chega ao citoplasma? individualiza o núcleo.

25
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competências procedimentais
ATV. 4 RNA e síntese proteica
Explicar como a expressão da informa-
ção contida no DNA se relaciona com o
processo da síntese proteica.
Analisar e interpretar dados de nature- Invólucro nuclear Membrana plasmática
za diversa relativos aos mecanismos de
replicação, tradução e transcrição.
Nucléolo

Competência conceptual Replicação


Reconhecer a síntese proteica como um DNA
mecanismo importante para a manu- Transcrição
tenção da vida e da estrutura celular.
Nucleótidos
A
mRN
Resolvendo… Pré-
A
1. Os nucleótidos são as unidades bási- Processamento AA
Citoplasma AA
cas a partir das quais se forma o do RNA
RNA, por complementaridade a par- mRNA Migração Proteína
Subunidades
tir do DNA. ribossomais do mRNA
Aminoácidos A
2. A replicação do DNA. AA
AA
3. Nos organismos eucariontes a síntese
de RNA ocorre no núcleo da célula. tRNA
4. O RNA sofre processamento, ou seja,
Tradução
partes do pré-RNA são removidas,
antes do mRNA migrar para o cito-
plasma.
5. O RNA mensageiro vai ser o respon- 20 Síntese proteica numa célula eucariótica.
sável por levar a informação genéti-
ca do DNA que existe no núcleo até
ao citoplasma; o RNA ribossomal
entra na constituição dos ribosso- 1. Para ocorrer a síntese de RNA a célula necessita de nucleótidos. Explique este facto.
mas e o RNA de transferência trans- 2. Para além da transcrição, que outro processo necessita de nucleótidos?
porta os aminoácidos até aos ribos-
somas onde são sintetizadas as 3. Onde ocorre a síntese do RNA?
proteínas.
4. Quais as modificações sofridas pelo RNA mensageiro?
6. Na síntese proteica produzem-se
proteínas que são responsáveis pelas 5. Compare a função do RNA mensageiro, RNA ribossomal e RNA transferência.
nossas características (fenótipo) e
desempenham diversas funções no 6. Qual a importância da síntese proteica?
organismo (ex.: enzimática, trans- 7. Um RNA mensageiro é lido sequencialmente por vários ribossomas. Qual a importância deste
porte de gases, etc.).
facto?
7. A partir de uma única molécula de
mRNA podem ser produzidas várias 8. Explique a atribuição da designação de tradução.
proteínas iguais.
8. A informação genética contida no
mRNA está em código e necessita de
ser decifrada para “linguagem de
proteínas”, daí a denominação tradu-
ção.
A transcrição corresponde à transferência da informação presente no
 DNA para uma molécula de RNA, ou seja, à passagem de informação de
Transcrição um ácido nucleico para outro. O RNA que leva a informação genética
Síntese de uma molécula de RNA do DNA é o RNA mensageiro (mRNA). Para além deste, dois outros tipos
de RNA são sintetizados, o RNA de transferência (tRNA) e o RNA ribos-
tendo por modelo uma das cadeias de
sómico (rRNA).
DNA.
Na síntese do RNA, a partir de um dado segmento de DNA, é necessá-
ria a enzima RNA polimerase, nucleótidos e energia (ATP).

26
1. Crescimento e renovação celular

A transcrição de um gene inicia-se numa sequência específica de DNA


à qual a RNA polimerase se liga e que é denominada por promotor. Os
promotores funcionam como marcas de pontuação, indicando o local
de ligação da RNA polimerase e qual a cadeia de DNA que vai servir
como molde. Uma vez ligada ao promotor, a RNA polimerase desenro-
la a dupla hélice de DNA e lê a cadeia molde na direção 3’ para 5’ pro- Competências procedimentais
duzindo, por complementaridade de bases, uma cadeia de mRNA na Explicar como a expressão da informa-
direção 5’ para 3’. O mRNA transcrito é complementar e antiparalelo ção contida no DNA se relaciona com o
relativamente à cadeia molde de DNA (fig. 21). processo da síntese proteica.
Analisar e interpretar dados de natureza
diversa relativos aos mecanismos de
replicação, tradução e transcrição.
mRNA
RNA
polimerase Nucleótidos
Transcrição DNA de RNA
T CCA AT
A T U Cadeia de
Processamento Pré-mRNA C
DNA parental
T

Competência conceptual

GG
do RNA U
mRNA CAUCCA A G
G
G A Reconhecer a síntese proteica como um
Ribossoma T AGGT T A
Tradução mecanismo importante para a manu-
Polipéptido Direção
de transcrição tenção da vida e da estrutura celular.
Unidade de
Promotor transcrição
Gene
5’ 3’ 5’ 3’
3’ 5’ 3’ 3’ 5’
Sequência Sequência 5’
de iniciação de finalização
RNA polimerase 2
1 Iniciação 3 Finalização
Alongamento

5’ 3’ 5’ 3’
3’ 5’ 3’ 5’
Cadeia de 5’ 3’
RNA DNA molde RNA transcrito

21 Transcrição do DNA.

A RNA polimerase finaliza a transcrição quando atinge sequências de


DNA muito específicas e que indicam o fim de um gene. A molécula de
RNA formada separa-se da cadeia molde do DNA, a partir da qual se ori-
ginou por complementaridade de bases. As duas cadeias de DNA vol-
tam a emparelhar por restabelecimento das pontes de hidrogénio
entre bases complementares, readquirindo a estrutura inicial de dupla Aprofundando…
hélice.
A RNA polimerase sintetiza o RNA no
Nos organismos eucariontes, e no caso do mRNA, a molécula resultan- sentido 5’–3’, lendo a cadeia molde de
te do processo de transcrição denomina-se pré-mRNA, uma vez que DNA no sentido complementar e antipa-
ralelo 3’–5’. Contudo, é frequente repre-
ainda vai sofrer um processamento (ou maturação) até se transformar
sentar-se a sequência da cadeia de DNA
em mRNA (fig. 22). no sentido 5’–3’.
Transcrição DNA
Pré-mRNA Polipép
5’ Exão Intrão Exão Intrão Exão 3’ Processamento Pré-mRNA
do RNA
mRNA
1 30 31 104 105 146
Ribossoma
Excisão dos intrões Tradução
e união dos exões
Polipéptido
5’ 3’
mRNA 22 Processamento do pré-mRNA.
1 146
27
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual Durante o processamento, os segmentos da molécula de pré-mRNA,


Reconhecer a síntese proteica como um denominados intrões, são removidos, restando apenas os exões. A
mecanismo importante para a manu- molécula de mRNA formada por uma sequência de exões migra para o
tenção da vida e da estrutura celular. citoplasma, atravessando os poros do invólucro nuclear.

A molécula de mRNA migra para o citoplasma onde será traduzida


A mensagem contida no DNA que foi transcrita para mRNA será tradu-
Competências procedimentais
zida no citoplasma, tendo como produto final as proteínas. Diversas
Interpretar procedimentos laboratoriais
e experimentais relacionados com o
questões foram levantadas pelos cientistas que estudavam a síntese
estudo da síntese proteica e o ciclo proteica, nomeadamente:
celular. • Como decifrar uma mensagem constituída por uma sequência de
Explicar como a expressão da informa- letras que correspondem aos nucleótidos?
ção contida no DNA se relaciona com o
• Como é que com apenas quatro nucleótidos se originam vinte ami-
processo da síntese proteica.
noácidos diferentes e uma elevada diversidade de proteínas?
Analisar e interpretar dados de nature-
za diversa relativos aos mecanismos de Os investigadores consideraram diversas hipóteses. Se cada nucleótido
replicação, tradução e transcrição. codificasse para um determinado aminoácido, as proteínas seriam ape-
nas compostas por 4 aminoácidos diferentes. Se um aminoácido fosse
codificado pela leitura de dois nucleótidos, apenas 16 aminoácidos
podiam ser codificados (42 = 16 – número de combinações possíveis
para a leitura de dois nucleótidos). Assim, os investigadores partiram do
pressuposto de que os aminoácidos resultavam da leitura de três
Resolvendo… nucleótidos, pois estes podem combinar-se de 64 formas diferentes
1. mRNA Poli U – 3 aminoácidos de
(43), sendo suficientes para codificarem os 20 aminoácidos existentes.
fenilalanina, mRNA Poli A – 3 ami- Para obterem o código genético, diversos investigadores produziram
noácidos de lisina, mRNA Poli C – 3
fragmentos de mRNA com sequências conhecidas e determinaram as
aminoácidos de prolina.
2. Porque o extrato bacteriano conti-
proteínas sintetizadas na presença do mRNA artificial (fig. 23).
nha todos os componentes necessá-
rios à síntese proteica, exceto mRNA,e ATV. 5 Como se traduz a informação genética?
a sua adição vai permitir iniciar a sín-
tese proteica. Método Resultados
3. A cada sequência de 3 nucleótidos de
1 2 3
mRNA corresponde um aminoácido Extrato bacteriano con- Adição de um mRNA Proteína produzida.
específico. tendo todos os compo- artificial contendo uma
nentes necessários à base repetida.
4. Permitiu decifrar parte do código síntese proteica, exceto
genético, ou seja, saber para uma o mRNA.
determinada sequência de mRNA
constituída por 3 nucleótidos, qual o
+ Fen Fen Fen
aminoácido específico que lhe cor- U U U U U U U U U

responde. + Lis Lis Lis


A A A A A A A A A
23 Dispositivo experimental
+ Pro Pro Pro realizado por Nirenberg e Matthaei
C C C C C C C C C
para decifrar o código genético.

1. Qual é a diferença entre as proteínas sintetizadas a partir dos três tipos de mRNA produzidos
no laboratório?
2. Refira a importância de adicionar ao mRNA extrato bacteriano.
3. Que conclusão retira deste dispositivo experimental?
4. Qual a importância desta experiência efetuada por M. Nirenberg e J. Matthaei na elaboração
do código genético?
5. Efetue uma pesquisa acerca da importância da ciência e da tecnologia no conhecimento do
Homem sobre a informação contida nos seus genes.

28
1. Crescimento e renovação celular

Marshall Nirenberg e J. Matthaei, em 1961, foram os autores do primeiro Competência conceptual


grande avanço na descodificação do código genético. Estes investiga- 
4 Reconhecer a síntese proteica como um
dores sintetizaram no laboratório uma molécula de mRNA na qual todas mecanismo importante para a manu-
Código genético tenção da vida e da estrutura celular.
as bases eram uracilo (poli-U). Adicionaram esta molécula de mRNA
num tubo contendo todos os elementos necessários para a síntese pro- Linguagem utilizada pelas células na
teica (obtidos por extração de bactérias). Constataram a síntese de um transferência de informação genética
polipéptido com apenas um tipo de aminoácido – a fenilalanina. Este do DNA para proteínas.
resultado permitiu concluir que a sequência UUU do mRNA codificava o Codão
aminoácido fenilalanina. Também verificaram que a sequência AAA Sequência de três nucleótidos de Competências procedimentais
codificava o aminoácido lisina e a sequência CCC codificava a prolina. mRNA que codifica um aminoácido Explicar como a expressão da informa-
O uso de outras combinações de nucleótidos permitiu verificar que a específico. ção contida no DNA se relaciona com o
processo da síntese proteica.
cada codão (sequência de três nucleótidos) de mRNA corresponde um
Analisar e interpretar dados de natureza
aminoácido específico. Este avanço nas décadas de 50 e 60, do século XX,
diversa relativos aos mecanismos de re-
permitiu decifrar o código genético (fig. 24) e constitui uma das mais plicação, tradução e transcrição.
importantes descobertas da Biologia.

U C A G
UUU Fenilalanina UCU UAU Tirosina (Tir) UGU Cisteina (Cis) U
!
UUC (Fen) UCC Serina UAC UGC C
U UCA (Ser) Codões de UGA
Codão de O código genético funciona como o
UUA Leucina UAA finalização finalização (stop) A
UUG (Leu) UCG UAG (stop) “dicionário” da síntese proteica,
UGG Triptofano (Trp) G

CAU Histidina (His) U permitindo decifrar a informação


CUU CCU CGU
Leucina
C CUC (Leu) CCC Prolina CAC CGC Arginina (Arg) C contida nos genes.
CUA CCA (Pro) CAA Glutamina (Gln) CGA A
CUG CCG CAG CGG G
AUU Isoleucina AAU Asparagina AGU Serina (Ser) U
ACU
AUC ACC Treonina AAC (Asn) AGC C
A AUA (ile)
ACA (Tre) AAA Lisina (Lis) AGA Arginina (Arg) A
Metionina (Met) ACG
AUG Codão de iniciação AAG AGG G

GUU GCU GAU Ácido aspártico GGU U 24 Código genético, constituído


Valina GAC (Asp) C
G GUC (Val) GCC Alanina GGC Glicina (Gli) pelos codões de mRNA e
GUA GCA (Ala) GAA Ácido glutâmico GGA A respetivo aminoácido
GUG GCG GAG (Glu) GGG G traduzido.

Como o mRNA se forma a partir de uma cadeia molde de DNA, cada


codão é complementar a uma sequência de três nucleótidos de DNA, 
4
designada codogene, e que está presente na cadeia de DNA transcrita. Codogene
O código genético apresenta as seguintes características: Sequência de três bases consecutivas
de DNA que serão transcritas para
• Todos os aminoácidos são codificados por codões – todos os ami- mRNA.
noácidos são codificados pela leitura de três nucleótidos de mRNA.
• Universalidade – aplica-se a quase todas as espécies de seres vivos
existentes na Terra, devendo ter-se mantido intacto ao longo da evo-
lução dos seres vivos. Existem raras exceções, como é o caso de deter-
minadas bactérias e certos organismos unicelulares. Esta universalida-
de implica uma linguagem comum para a evolução dos seres vivos,
podendo ser um argumento a favor de uma origem comum. A univer-
salidade também tem permitido aplicações na Engenharia Genética.
• Redundância – vários codões podem codificar o mesmo aminoácido
(por exemplo: GUU, GUC, GUA e GUG codificam para a valina).

29
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual • Não ambiguidade – a um codão corresponde apenas um aminoáci-


Reconhecer a síntese proteica como um  do, ou seja, não há aminoácidos diferentes codificados pelo mesmo
mecanismo importante para a manu- codão.
tenção da vida e da estrutura celular. Tradução
Conversão da informação presente no • O codão AUG, que codifica o aminoácido metionina, é também o res-
mRNA, numa sequência específica de ponsável pelo início da tradução, sendo denominado por codão de
aminoácidos (cadeia polipeptídica). iniciação.
Competências procedimentais
Requer a presença de ribossomas e de • Os codões UAA, UAG e UGA são de finalização (ou stop), pois, quan-
Explicar como a expressão da informa- tRNA. do o complexo de tradução alcança estes codões, a tradução é inter-
ção contida no DNA se relaciona com o
rompida e a proteína formada é libertada. Estes codões não codificam
processo da síntese proteica.
para nenhum aminoácido.
Analisar e interpretar dados de nature-
za diversa relativos aos mecanismos de • O terceiro nucleótido de cada codão é menos específico que os dois
replicação, tradução e transcrição. primeiros.
Depois de se decifrar o código e conhecer as suas características, era
necessário responder à seguinte questão:
Como é que a informação contida nos mRNA é traduzida em pro-
teínas?
Aprofundando…
O facto de o código genético ser univer- Os ribossomas são responsáveis pela tradução
sal significa que um gene humano pos-
sui a mesma linguagem que um gene Para que ocorresse tradução, Crick propôs a existência de um “adapta-
bacteriano, pelo que a maquinaria pro- dor” ligado a um aminoácido específico e que reconheceria a informa-
teica de transcrição e de tradução de ção contida no codão de mRNA. Esse “adaptador” é o RNA de transfe-
uma bactéria pode utilizar genes huma-
rência (tRNA) (fig. 25).
nos da mesma forma que utiliza os seus
próprios genes. A produção de substân-
cias como a insulina, através da técnica
do DNA recombinante, é uma das possí-
veis aplicações biotecnológicas.

!
Uma molécula de tRNA
possui, aproximadamente,
75 a 80 nucleótidos.

25 RNA de transferência,
evidenciando a sua
estrutura tridimensional.

O codão do mRNA e o respetivo aminoácido que vai constituir a proteí-


na estão relacionados através do tRNA específico. Na extremidade 3’ de
cada molécula de tRNA liga-se covalentemente um aminoácido específi-
co (região aminoacil). O tRNA apresenta também um grupo de três bases,
denominado anticodão, que é complementar ao codão do mRNA, per-
 mitindo o reconhecimento e emparelhamento entre o tRNA e o mRNA.
Cada tipo de tRNA possui apenas um aminoácido e o correspondente
Anticodão anticodão, que é complementar ao codão do mRNA. Embora a estrutura
Sequência de três nucleótidos do primária do tRNA corresponda a uma cadeia simples, o estabelecimento
tRNA complementar ao codão. de pontes de hidrogénio entre alguns nucleótidos complementares é

30
1. Crescimento e renovação celular

responsável pela estrutura tridimensional com a forma de L invertido Competência conceptual


(fig. 25). As ligeiras diferenças na sequência nucleotídica de cada tipo ! Reconhecer a síntese proteica como um
de tRNA são responsáveis por variações na estrutura tridimensional, mecanismo importante para a manu-
Os ribossomas dos organismos tenção da vida e da estrutura celular.
facilmente reconhecidas pelos ribossomas.
procariontes são menores do que os
Os ribossomas são formados por RNA ribossómico (rRNA) e proteínas dos eucariontes. As mitocôndrias e os
associadas, sendo constituídos por duas subunidades: a subunidade cloroplastos também possuem Competências procedimentais
maior e a subunidade menor. É possível distinguir na subunidade ribossomas. Explicar como a expressão da informa-
maior as seguintes regiões (fig. 26):
ção contida no DNA se relaciona com o
• A – onde o anticodão do tRNA se liga ao codão do mRNA, alinhando processo da síntese proteica.
o aminoácido específico a ser adicionado à cadeia peptídica em cres- Analisar e interpretar dados de natureza
cimento;  diversa relativos aos mecanismos de
replicação, tradução e transcrição.
• P – permite a adição do aminoácido transportado pelo tRNA à cadeia
polipeptídica em crescimento; Ribossomas
Organitos formados por RNA e
• E – local de saída do tRNA após ter ocorrido a transferência do ami- proteínas envolvidos na etapa da Aprofundando…
noácido que transportava. tradução da síntese proteica. Regiões da subunidade maior do ribos-
soma:
• A – Aminoacil;
• B – Peptidil;
• E – Exit.

Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 3 Manual
SÍNTESE PROTEICA Interativo –
Versão do
Professor

26 Constituição dos ribossomas.

Os ribossomas não são específicos, podendo combinar-se com qual-


quer tRNA e mRNA e sintetizar todas as proteínas. Esta tradução do
mRNA ocorre em três etapas: iniciação (fig. 27), alongamento e finali-
zação.

27 Iniciação da tradução.

31
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual Após a formação do complexo de iniciação ocorre a fase de alonga-


Reconhecer a síntese proteica como um mento.
mecanismo importante para a manu-
tenção da vida e da estrutura celular. ATV. 6 Quais os fenómenos que ocorrem no alongamento?

Competências procedimentais
Explicar como a expressão da informa-
ção contida no DNA se relaciona com o
processo da síntese proteica. mRNA E 3´
Analisar e interpretar dados de nature- 5´ Local P Local A
za diversa relativos aos mecanismos de
replicação, tradução e transcrição.

E E
P A PA

Resolvendo…
1. Depois de um tRNA se ligar ao local Estabelecimento de
Deslocação do complexo
P, liga-se um outro tRNA especifica- ribossómico ao longo do E ligações peptídicas que
mente ao codão seguinte e no local mRNA até que todo o PA
unem os aminoácidos.
A. A proximidade dos dois aminoáci- mRNA seja traduzido para
dos permite o estabelecimento de uma cadeia peptídica.
uma ligação peptídica entre o grupo
carboxilo do aminoácido do local P e 28 Alongamento.
o grupo amina do aminoácido che-
gado ao local A. Forma-se um pépti- 1. Identifique a sequência de fenómenos que ocorrem durante esta etapa da síntese proteica.
do com dois aminoácidos, que vai
sendo sintetizado sucessivamente 2. Explique, sucintamente, a forma como ocorre a tradução de cada codão.
ao longo de ciclos que permitem a 3. Comente a afirmação: “A tradução do mRNA é um processo cíclico”.
adição sucessiva de aminoácidos em
função da informação contida na
sequência de mRNA.
2. O codão é traduzido, no ribossoma,
por complementaridade com um Depois do primeiro tRNA se ligar ao local P, liga-se um segundo tRNA
anticodão que transporta um ami- que reconhece especificamente o codão seguinte no local A. A proximi-
noácido específico. dade dos dois aminoácidos possibilita o estabelecimento de uma liga-
3. O complexo ribossómico desloca-se ção peptídica entre o grupo carboxilo (COOH) do aminoácido do local
ao longo da cadeia de mRNA no sen- P e o grupo amina (NH2) do aminoácido chegado ao local A. Forma-se
tido 5’ – 3’. Assim, o tRNA ligado ao
péptido passa do local A para o P.
um péptido com dois aminoácidos.
Isto permite que um novo tRNA se Todo o complexo desloca-se ao longo da cadeia de mRNA no sentido
ligue especificamente ao local A 5’ – 3’. Assim, o tRNA ligado ao péptido passa do local A para o P. Isto
livre. Novamente, ocorre o estabele-
cimento de uma ligação peptídica
permite que um novo tRNA se ligue especificamente ao local A livre.
com transferência da cadeia peptí- Novamente, ocorre o estabelecimento de uma ligação peptídica com
dica em formação para o local A. transferência da cadeia peptídica em formação para o local A. Este fe-
Este fenómeno ocorre em ciclos nómeno ocorre em ciclos sucessivos até que toda a molécula de
sucessivos até que toda a molécula mRNA tenha sido “lida” e traduzida para uma cadeia peptídica em for-
de mRNA tenha sido lida e traduzi- mação.
da para uma cadeia peptídica em
formação. O tRNA, após transferir o aminoácido, passa para o local E, sendo liber-
tado para o citoplasma onde irá ligar-se especificamente a outro ami-
noácido.

32
1. Crescimento e renovação celular

A última etapa da tradução é a finalização (fig. 29). Competência conceptual


Reconhecer a síntese proteica como um
mecanismo importante para a manu-
Proteína tenção da vida e da estrutura celular.
Fator de libertação
da cadeia formada

C UG 3´ 3´ 3´
G A C UAG
5´ Competências procedimentais
5´ 5´ Explicar como a expressão da informa-
Codão de finalização ção contida no DNA se relaciona com o
(UAG, UAA ou UGA) processo da síntese proteica.
A tradução é interrompida quando Libertação da cadeia polipeptídica Separação das duas subunidades Analisar e interpretar dados de nature-
o ribossoma chega a um codão de formada. ribossomais que ficam aptas para za diversa relativos aos mecanismos de
finalização. Estes codões não iniciar um novo processo de tradução. replicação, tradução e transcrição.
codificam aminoácidos nem são
reconhecidos por nenhum tRNA.
Ocorre a ligação de fatores de
libertação.

29 Finalização da tradução.

A formação de polirribossomas aumenta a taxa de síntese proteica

Uma mesma molécula de mRNA pode ser traduzida simultaneamente


por vários ribossomas, produzindo no final muitas cópias da mesma
proteína (fig. 30).
A Proteína
Péptido em formação

Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 3 Manual
SÍNTESE PROTEICA Interativo –
Versão do
5´ 3´ Professor

Ribossomas

30 Polirribossomas constituídos
mRNA
pela ligação de vários
ribossomas a uma mesma
molécula de mRNA (A) e
observação de um
polirribossoma ao microscópio
eletrónico (B).
0,1 μm

Quando o primeiro ribossoma se desloca durante o alongamento, um


segundo complexo de iniciação pode formar-se, e assim sucessivamente.
O conjunto formado pela molécula de mRNA, pelos vários ribossomas e
pelas cadeias de péptidos em crescimento denomina-se polirribossoma

33
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

ou polissoma. Os polirribossomas são mais abundantes nas células que


necessitam de sintetizar elevadas quantidades de proteínas, pois repre-
sentam uma economia de recursos e energia para a célula, dado que
uma molécula de mRNA pode ser usada para formar um número eleva-
do de proteínas iguais.
As moléculas de mRNA têm um tempo de vida curto, sendo rapida-
mente degradadas, libertando os nucleótidos que serão usados na sín-
tese de novas moléculas de mRNA por transcrição do DNA.

Transcrição
DNA
O RNA é transcrito a
partir de uma cadeia
de DNA parental.

5´ RNA polimerase
Transcrição de mRNA

Processamento de RNA
Exão
Nos eucariontes, o RNA Pré-mRNA
transcrito (pré-mRNA) é
processado (todos os
intrões são removidos)
em mRNA. Intrão

Núcleo Enzima

Citoplasma Aminoácido

Migração
Ativação do aminoácido
O mRNA migra do núcleo tRNA
para o citoplasma. Cada aminoácido liga-se a
um tRNA específico, com
mRNA a ajuda de uma enzima
específica e de energia (ATP).

Tradução

Tradução sequencial do
mRNA formando-se uma
A proteína.
P
E Quando termina a tradução
a proteína formada
abandona o ribossoma.
C
Subunidades C
A U
ribossomais A
C
Anticodão

E A
A A A

U G G U U U A U G

Codão

Ribossoma

31 Esquema global da síntese proteica em organismos eucariontes.

34
1. Crescimento e renovação celular

Nos organismos procariontes, a transcrição e a tradução são Sugestão metodológica


processos simultâneos Enfatizar as vantagens da simultaneida-
de da transcrição e tradução nos organis-
Nos organismos procariontes, como não há um núcleo, o DNA encontra- mos procariontes e produção coincidente
de um grande número de proteínas a
-se no citoplasma. Ao contrário dos seres eucariontes, nos seres proca- partir de uma molécula de mRNA.
riontes não ocorre o processamento da molécula de mRNA que se forma
na transcrição, uma vez que o DNA dos procariontes não possui intrões.
Como a transcrição ocorre no citoplasma, e não ocorre processamento
e transporte do mRNA, este pode ser imediatamente traduzido pelos
ribossomas para sintetizar proteínas. A transcrição e a tradução nos
seres procariontes são processos quase simultâneos, pois os ribosso-
mas ligam-se ao mRNA que se está a formar a partir do DNA (fig. 32).

A DNA Direção da transcrição B RNA polimerase

RNA polimerase mRNA


DNA

polirribossoma
Polirribossoma
0,25 μm
32 Nos organismos
procariontes, a transcrição e a
tradução são simultâneas (A),
Ribossoma
como pode ser observado ao
mRNA
Péptido microscópio eletrónico (B).

As proteínas podem sofrer alterações após a tradução

Após dissociar-se do ribossoma, a proteína resultante do processo de tra-


dução pode ter que ser transportada para outros locais da célula (organi-
tos, por exemplo) ou ser secretada para o meio extracelular (fig. 33). A tra-
dução pode ocorrer no citoplasma ou no retículo endoplasmático
rugoso (RER). Neste caso, as proteínas podem ser posteriormente enca-
minhadas para o complexo de Golgi. As proteínas podem sofrer altera-
ções após a sua síntese (ex.: adição de grupos químicos), que alteram a
sua funcionalidade.

Núcleo
Síntese de proteínas no citoplasma Membrana
plasmática

Para os Lisossomas Retículo endoplasmático rugoso
organitos
Exocitose Estruturas endomembranares ricas
Exocitose
em ribossomas onde são sintetizadas
Meio proteínas.
Peroxissomas extracelular

Mitocôndria Complexo de Golgi 33 Possíveis destinos das


proteínas sintetizadas em
Plastídeos (ex.: cloroplastos) Retículo endoplasmático células eucarióticas.

As proteínas sintetizadas podem desempenhar diversas funções como,


por exemplo, a enzimática (catalisadoras de reações metabólicas que
ocorrem no organismo), o transporte de substâncias (ex.: a hemoglobi-
na existente nos glóbulos vermelhos transporta o oxigénio), função
hormonal e função estrutural.

35
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

1.1.3 As mutações no DNA podem modificar a síntese


 proteica
Mutação génica
Alteração que afeta o número ou a O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação
sequência de nucleótidos de um gene, genética e pela manutenção dessa informação, de uma geração de
podendo provocar modificações no células para a geração seguinte, através da replicação semiconservati-
fenótipo e/ou no metabolismo do va. A replicação, tal como a transcrição e a tradução, depende do empa-
indivíduo. relhamento de bases complementares. No entanto, podem ocorrer
modificações na sequência do DNA, que introduzem “erros”, designados
por mutações. Estas modificações podem ser geradas e mantidas na
replicação e serem transmitidas à descendência.
As mutações que afetam um único gene, devido a alterações na ordem
ou na sequência de nucleótidos, designam-se por mutações génicas.
Alguns agentes causadores de mutações (agentes mutagénicos)
podem ser ambientais (ex.: raios-X, substâncias químicas presentes no
tabaco, alguns aditivos alimentares, etc.).
Resolvendo…
1. 1 – transcrição; 2 – tradução. CTS&A 1 Quais os impactes das mutações?
2. Em B houve uma mutação na cadeia
de DNA que em vez de ter um codo-
gene com a sequência CTT tem um • A hemoglobina é uma proteína que existe nas hemácias e que tem a função de transportar
com a sequência CAT, pelo que o oxigénio.
mRNA apresentava a sequência GUA
que codificou o aminoácido valina • É constituída por quatro cadeias polipeptídicas, duas designadas por cadeias α globina e
em vez do ácido glutâmico. as outras duas por cadeias β globina.
3. Trata-se de uma mutação génica
porque houve alteração na sequên- • Mutações na formação da β globina
A B
cia de nucleótidos de um gene. (fig. 34) provocam a anemia falcifor-
DNA de hemoglobina normal DNA de hemoglobina mutante
4. Um número ou uma sequência dife- me, ficando os glóbulos vermelhos
rente de aminoácidos pode levar à com a forma de foice, tornando-se C T T C A T
síntese de uma proteína estrutural e menos eficientes no transporte de
funcionalmente diferente que pode- 1 1
gases, principalmente O2.
rá alterar o fenótipo e o metabolis- mRNA mRNA
mo do organismo. • Investigações têm vindo a ser efetua- G A A G U A
5. Os tratamentos visam atenuar a das no sentido de minimizar os
redução da eficiência do transporte impactes da anemia falciforme. Os tra- 2 2
de gases, aumentando o teor de O2 tamentos podem incluir: inalações de Hemoglobina normal Hemoglobina mutante
no sangue. Em situações extremas, oxigénio e transfusões. Glu Val
pode implicar transfusões de san-
gue, para repor o nível de hemácias 34 Produção da β globina humana.
normais.
1. Identifique os fenómenos assinalados na figura com os números 1 e 2.
2. Explique sucintamente as diferenças entre a situação A e a situação B.
3. Justifique porque é que o exemplo B corresponde a uma mutação génica.
4. Neste caso as proteínas produzidas são diferentes, dado que uma proteína é caracterizada
pelo número de aminoácidos que contém e pela sua sequência. Quais as possíveis conse-
quências de tal facto?
Sugestão metodológica 5. Qual a importância dos tratamentos referidos, anteriormente, contra a anemia falciforme?
Poderá ser solicitado aos alunos que
para realizarem esta atividade consul- 6. Pesquise e discuta com os seus colegas a importância da ciência e da tecnologia no conheci-
tem o código genético (pág. 29). mento da transmissão da informação contida nos genes e na ação dos agentes mutagénicos.

36
1. Crescimento e renovação celular

Nem todas as mutações provocam alteração nos aminoácidos codifica- Sugestão metodológica
dos, pois o código genético é redundante. Realizar uma atividade de pesquisa
sobre as mutações génicas e os impactes
No entanto, a alteração de um nucleótido pode ser suficiente para a sociais das mesmas.
síntese de um aminoácido diferente. No caso do aminoácido formado
ser semelhante ao correto, a proteína pode apresentar a mesma estru-
tura e função. Pelo contrário, há casos em que o aminoácido formado ori-
gina uma proteína com estrutura diferente, que pode desempenhar uma
função totalmente distinta da original ou deixar de ser funcional. A
No exemplo ilustrado na figura 34, a hemoglobina formada tem o mes-
mo número de aminoácidos, mas em vez de ácido glutâmico tem vali-
na. As hemácias que normalmente têm a forma de um disco bicôncavo
adquirem a forma de foice quando possuem a hemoglobina modifica-
da. São menos eficientes a fixar o oxigénio e deslocam-se com maior
dificuldade pelos capilares sanguíneos, originando uma doença desig-
nada por anemia falciforme (fig. 35). Esta doença tende a ser mais gra-
ve em ambientes com reduzidas quantidades de oxigénio ou quando
o doente é sujeito a um esforço físico intenso, em que as necessidades
de oxigénio são muito elevadas.
Existem diversos exemplos de outras doenças causadas por mutações:
B
• Albinismo – deriva do latim albus, que significa branco. Estes indiví-
duos não sintetizam melanina, substância responsável pela pigmen- 35 Hemácias normais (A) e
hemácias mutantes (anemia
tação (da pele, do cabelo, dos olhos), pelo que são extremamente sen-
falciforme) (B).
síveis às radiações solares (fig. 36).

Caderno de
DOC. ”ALBINISMO”
Atividades

36 Organismos albinos (Homem, coelho, pavão e crocodilo).

DOC. ”FENILCETONÚRIA,
UMA DOENÇA Caderno de
• Fenilcetonúria – devido à carência de uma enzima, o organismo não PROVOCADA POR UMA Atividades
ALTERAÇÃO GÉNICA”
consegue metabolizar o aminoácido fenilalanina. Este aminoácido
quando se encontra no sangue em excesso é tóxico, afetando o cére-
bro (pode causar deficiência mental).
• Fibrose quística – doença causada por um defeito no transporte de
iões e de água pela membrana plasmática. Este transporte é essencial !
na produção de secreções (ex.: suor, saliva, lágrima e suco digestivo).
Nos indivíduos onde o gene que codifica para o transportador está Nos organismos que se reproduzem
mutado, as secreções são muito viscosas, obstruindo os ductos das sexuadamente, nem todas as
glândulas e das vias respiratórias, principalmente dos brônquios. Esta mutações são transmitidas à
obstrução dificulta a passagem das secreções, aumentando as infe- descendência, apenas se transmitem
ções locais e fibroses. São sintomas desta doença: a tosse, expetoração as que ocorrem ao nível dos gâmetas
excessiva e dificuldades respiratórias. (linha germinativa).

37
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

As mutações podem estar na origem de modificações que podem levar


ao aparecimento de doenças com elevados impactes sociais. Diversos
estudos têm sido efetuados para combater os efeitos destas doenças e
desenvolver terapias que evitem o desenvolvimento das patologias.
As mutações podem ser fator de evolução, se a proteína formada con-
ferir vantagens ao organismo mutante.

Resumindo

O
O
O DNA é a molécula responsável pelo armaze-
-O P
Ponte de hidrogénio
O namento da informação genética, nos organis-
OH
H 2C O
T A mos eucariontes encontra-se no núcleo da cé-
O
O
O CH2 lula.
-O P O
O-
O P
H 2C O O
O
G C A unidade básica do DNA é o nucleótido.
O CH2
OH O
O-
P
O
O A molécula de DNA é formada por duas
cadeias polinucleotídicas complementares e
Sugestão metodológica antiparalelas, enroladas sob a forma de uma
Os alunos poderão apresentar a infor- dupla hélice.
mação resumida de uma forma esque-
mática, recorrendo, para tal, a um mapa O DNA replica-se semiconservativamente, o
de conceitos.
que permite a manutenção da informação
genética.

Na síntese proteica ocorre a expressão da informação contida no DNA. É um processo complexo que
TRANSPARÊNCIA N.° 2 Guia do envolve as etapas da transcrição, processamento,
ÁCIDOS NUCLEICOS E Professor e migração e tradução.
Manual
REPLICAÇÃO Interativo –
SEMICONSERVATIVA DO Versão do
DNA Professor A transcrição corresponde à passagem de informação
do DNA para RNA.

O RNA é constituído por uma cadeia simples de nucleó-


tidos.
Manual
Interativo –
FICHA DE AVALIAÇÃO
Versão do
Nos ribossomas os codões do mRNA ligam-se por com-
Professor plementaridade aos anticodões do tRNA que transpor-
tam um aminoácido específico. Forma-se uma proteína
cujo número e sequência de aminoácidos é determina-
da pela sequência nucleotídica do mRNA.

As proteínas determinam as características e o metabo-


lismo do indivíduo.

Durante a replicação do DNA e a síntese proteica podem ocorrer alterações do material genético
(mutações) com impacte ao nível social (ex.: albinismo e anemia falciforme).

38
1. Crescimento e renovação celular

1.2 A mitose assegura a manutenção das A Competência conceptual


Compreender a mitose como um pro-
características hereditárias cesso de divisão celular que assegura a
manutenção das características heredi-
Como já vimos, a célula caracteriza-se por ser a unidade funcional dos tárias.
seres vivos. A atividade normal de uma célula interrompe-se quando se
divide, morre ou funde com outra célula (no caso das células sexuais,
estas fundem-se numa única célula para iniciar a formação de um novo
B
organismo). Assim, ao longo do seu ciclo de vida, as células sofrem pro- Sugestão metodológica
fundas modificações, que ainda são alvo de intensa investigação pelos Poderão ser colocadas questões orienta-
cientistas, já que a compreensão destes processos permitirá combater doras, como motivação para a temática
de modo mais eficaz as patologias como o cancro, que é originado por em estudo e criar no aluno a necessida-
células com divisões descontroladas, resultantes de alterações do seu de de encontrar respostas. Exemplos de
ciclo celular normal. questões:
– Como é que as células se dividem?
Todos os seres vivos necessitam da divisão celular para formar novas 37 A divisão celular é essencial – Como está organizado o material
células (fig. 37A) ou originar um novo organismo, mantendo as caracte- para formar novas células. genético?
rísticas hereditárias (fig. 37B). O leucócito está a dividir-se e irá
formar duas células, permitindo
a renovação celular (A).
A levedura Saccharomyces
1.2.1 O DNA está organizado em cromossomas cerevisiae é um organismo
unicelular e a sua divisão origina
O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação dois novos organismos (B).
genética. Nas células eucarióticas, ao nível do núcleo, o DNA combina-se
com proteínas (histonas), formando nucleossomas. Estes permitem o
enrolamento da longa molécula de DNA, tornando-a mais estável e coe- Evitar…
sa. A molécula de DNA e as proteínas compõem a cromatina (fig. 38). Os
A descrição dos processos de “empacota-
filamentos longos e finos da cromatina originam os cromossomas. mento” de DNA no cromossoma.

DNA em cadeia dupla
Cromossoma
Estrutura composta por DNA ligado a
proteínas. Contém a informação
2 nm
Molécula de DNA ligada
genética da célula.
a proteínas (histonas).

DNA

Nucleossoma

Histona H1

Fibras de cromatina
30 nm
enroladas e condensadas.

Cromossomas
300 nm
em metáfase.

700 nm

1.400 nm

38 Organização do DNA nos organismos eucariontes.

39
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Recordar e/ou enfatizar… A cromatina apresenta vários graus de condensação durante o ciclo de
A compreensão global dos aconte-  vida da célula. Na maior parte do ciclo celular, cada cromossoma é for-
cimentos importantes para a célula, no- mado apenas por um filamento de cromatina que constitui um croma-
meadamente, o encurtamento de cro- Cromatídio
tídio (fig. 39). Antes de ocorrer a divisão celular, ocorre a replicação do
mossomas, a divisão do centrómero, a Componente do cromossoma DNA, passando cada cromossoma a ser composto por dois filamentos
separação de cromatídios, a formação de constituído por uma molécula de
dois núcleos e a divisão do citoplasma. de cromatina, ou seja, dois cromatídios.
DNA.
Na altura da divisão, a cromatina atinge o máximo de condensação,
Centrómero permitindo facilmente visualizar os cromossomas. Os cromatídios de um
Local de união de dois cromatídios mesmo cromossoma encontram-se unidos pelo centrómero (fig. 39B).
que constituem o mesmo Esta região possui uma função importante na divisão, como iremos
cromossoma. verificar posteriormente.
A parte terminal dos cromossomas designa-se por telómero e previne
Cariótipo o encurtamento causado por enzimas que degradam o DNA a partir
Conjunto de todos os cromossomas de das extremidades da molécula. Os telómeros são, assim, importantes na
Evitar… uma célula, ordenados por tamanho e manutenção e estabilidade dos cromossomas. Muitos processos de
forma. envelhecimento celular têm sido atribuídos à redução dos telómeros
A classificação dos cromossomas com
base na localização do centrómero.
que se verifica em cada divisão celular.

A B
DNA

Braço curto

Centrómero

Braço longo

Um cromatídio Dois cromatídios

39 Estrutura de um cromossoma de um organismo eucarionte ao longo das diferentes fases de vida da célula (A).
Fotografia de um cromossoma durante a divisão celular, visto ao microscópio (B).

A maioria do material genético das células eucarióti-


cas encontra-se no núcleo (as mitocôndrias e os cloro-
plastos também possuem material genético). O núme-
ro e a dimensão dos cromossomas são iguais para
todos os organismos da mesma espécie (salvo os
organismos que sofreram mutações) e constituem o
cariótipo (fig. 40).
O cariótipo do Homem é formado por 46 cromosso-
mas, agrupados em 22 pares de cromossomas somáti-
cos e 1 par de cromossomas sexuais. Os cromossomas
de um mesmo par somático são iguais, mas os cro-
mossomas sexuais podem ser distintos (na mulher, os
dois cromossomas constituem um par igual e no ho-
mem são diferentes).

40 Cariótipo de um indivíduo do sexo feminino da espécie


Homo sapiens.

40
1. Crescimento e renovação celular

Ao contrário dos organismos eucariontes, os organismos procariontes Competência conceptual


possuem uma molécula circular de DNA no citoplasma. Antes da divi- ! Conhecer a sequência de acontecimen-
são ocorre a replicação do material genético que é posteriormente tos que caracterizam o ciclo celular.
dividido para as duas células-filhas (fig. 41). Na bactéria Escherichia coli, o DNA é
uma molécula circular com 1.6 milhões
Cromossoma de nanómetros de circunferência. A
bacteriano bactéria tem apenas 1000 nanómetros
Membrana plasmática
Parede celular de diâmetro e cerca de 4 micrómetros
de comprimento, pelo que o DNA tem
que estar compactado num espaço
Crescimento celular muito pequeno, sendo visível ao
Duplicação de cromossomas Divisão em duas células-filhas
microscópio eletrónico como um
41 Organização do material genético e divisão celular em bactérias. emaranhado de fibras.


1.2.2 O ciclo celular permite a obtenção de novas células
Ciclo celular
Conjunto de transformações que
O ciclo celular inclui todos os processos que ocorrem ao nível da célu-
la, incluindo a divisão do material genético e de todos os constituintes
ocorrem desde a formação de uma
celulares. célula até que esta, por divisão,
origine duas células-filhas.

ATV. 7 Quais as principais características do ciclo celular?

Resolvendo…
A B
Início do 1. A etapa G2.
Divisão nuclear ciclo celular Quantidade de DNA 2. Crescimento das células.
(mitose) por lote de cromossomas 3. No final da fase S a célula tem o
M Crescimento
Célula apta da célula
4Q
dobro do DNA relativamente ao final
para se dividir G2 4 da fase G1.
G1
4. Replicação semiconservativa do DNA.
2Q 5. Durante a interfase há replicação e
1 2 3 5 1 síntese de biomoléculas para que a
célula se possa dividir e originar duas
S 0 14 28 horas/Tempo células-filhas idênticas à célula-mãe.
Replicação do DNA 6. O material genético, após ter sido
replicado durante a interfase, vai ser
42 Fases do ciclo celular (A) e gráfico da variação da quantidade de DNA ao longo do ciclo celular (B). dividido de igual forma por dois
núcleos-filhos durante a mitose.
7. 1 – Fase G1 – não há alteração da
1. Qual a fase que antecede a mitose?
quantidade de material genético; 2 –
2. Qual é o principal processo que ocorre na fase G1? Período S – há duplicação (replica-
ção) do material genético; 3 – Fase
3. Quais são as diferenças ao nível do DNA entre a fase G1 e o fim da fase S? G2 – a célula mantém o dobro do
4. Com base na resposta anterior, identifique o processo que caracteriza a fase S. material genético relativamente ao
início da interfase; 4 e 5 – mitose,
5. Em síntese, explique a importância da interfase na divisão celular. uma vez que há divisão do material
genético por dois núcleos-filhos,
6. Tendo em conta a figura A, como se processa a divisão do material genético na mitose?
ficando cada um com a mesma quan-
7. Atribua, a cada um dos números do gráfico, uma das fases ou períodos do ciclo celular. Jus- tidade de DNA do núcleo da célula-
tifique. -mãe.
8. A quantidade de DNA das células-
8. Relacione a quantidade de DNA da célula-mãe e de cada uma das células-filhas. -filhas é igual à da célula-mãe.

41
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competências conceptuais As células apresentam um ciclo celular (fig. 42A) que tem início quando
Compreender a mitose como um pro- ! a célula se forma a partir de uma célula-mãe e que se prolonga até que
cesso de divisão celular que assegura a se divide, originando duas células-filhas idênticas a si, assegurando a
manutenção das características heredi- Alguns tipos de células, como as manutenção das características hereditárias ao longo das gerações.
tárias. hemácias, os neurónios e as células
Conhecer a sequência de acontecimen- musculares, à medida que ficam mais Quando uma célula se divide, o material genético, organizado em cro-
tos que caracterizam o ciclo celular. maduras perdem a capacidade de se mossomas, tem de ser previamente replicado. Este processo permite
dividir. Pelo contrário, as células que o material genético de cada célula duplique de 2Q (Q corresponde
tumorais apresentam uma taxa de à quantidade de DNA, por lote de cromossomas) para 4Q (fig. 42B). O
material genético é posteriormente dividido de forma igual entre as cé-
divisão muito elevada.
lulas-filhas de modo a que herdem a informação genética da célula-mãe
e seja assegurada a manutenção das características hereditárias. Durante
todo este processo o número de cromossomas mantém-se igual.
 Todos estes fenómenos ocorrem ao longo do ciclo celular, que está
Interfase organizado em duas fases: a interfase e a fase mitótica.
Guia do Etapa do ciclo celular durante a qual
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 4 Manual ocorre replicação do DNA e intensa
CICLO CELULAR – MITOSE Interativo – Interfase
Versão do síntese de biomoléculas
Professor (ex.:proteínas). As células eucarióticas passam a maioria do seu tempo de vida em
interfase, que inclui três fases principais, segundo a sequência: G1; S e
G2 (Tab. III). A divisão mitótica ocorre entre a fase G2 e a G1.
?
Como é que as células se dividem? Tabela III – Períodos da interfase
Que processos asseguram a
manutenção das características Período Caracterização
hereditárias ao longo das gerações?
Tem início com a formação da célula e termina quando o
DNA se começa a replicar. Durante este intervalo há intensa
atividade de biossíntese, sendo produzidas moléculas de
G1 (ou
RNA, proteínas, lípidos e glícidos. Ocorre a formação de
intervalo 1)
organitos celulares, acompanhada de um crescimento
celular. Nesta etapa, os cromossomas apenas apresentam um
cromatídio.
!
Ocorre replicação semiconservativa do DNA, formando uma
As iniciais utilizadas para as cópia de cada molécula de DNA. No final da fase S os
designações dos períodos da S (ou síntese
cromossomas encontram-se constituídos por dois
de DNA)
interfase – G1, G2 e S – têm origem cromatídios iguais unidos pelo centrómero. Nas células
nos vocábulos ingleses: Gap, que animais inicia-se a duplicação dos centríolos.
significa intervalo e Synthesis, que
Intervalo de tempo compreendido entre a etapa S e o início
significa síntese. da fase mitótica, durante a qual a célula se prepara para a
divisão, com a síntese de biomoléculas (maioritariamente
G2 (ou
proteínas) e a formação de novos organitos celulares. Nesta
intervalo 2)
fase, os cromossomas ainda possuem os dois cromatídios
unidos pelo centrómero. Nas células animais os centríolos
completam a sua duplicação.

Resumindo, a interfase corresponde a um período de grande atividade


de síntese e crescimento celular, que inclui uma fase de duplicação do
material genético e outros constituintes celulares. Assim, no final da
interfase a célula tem todo o material duplicado de que necessita e está
apta para entrar em divisão.

42
1. Crescimento e renovação celular

Fase mitótica Competências conceptuais


Compreender a mitose como um proces-
A fase mitótica é constituída pela mitose e pela citocinese, onde ocor- so de divisão celular que assegura a
rem divisões nucleares e citoplasmáticas, respetivamente, dando ori- manutenção das características heredi-
tárias.
gem a duas células-filhas iguais à célula-mãe.
Conhecer a sequência de acontecimen-
tos que caracterizam o ciclo celular.

ATV. 8 Que fenómenos ocorrem durante a mitose?

1. A figura ilustra a mitose em células Recordar e/ou enfatizar…


Interfase animais ou vegetais? Justifique. A compreensão global dos acontecimen-
tos importantes para a célula, nomeada-
2. Identifique as etapas que consti-
mente, o encurtamento de cromossomas,
Centríolo Fuso acromático tuem a mitose. a divisão do centrómero, a separação de
3. Quais os fenómenos que ocorrem cromatídios, a formação de dois núcleos e
na prófase? a divisão do citoplasma.
Prófase
Replicação do DNA

4. Na metáfase os cromossomas ali-


nham-se na placa equatorial. Com
base na figura, indique a impor-
Metáfase tância deste facto para a divisão
do material genético.
Mitose

5. Como ocorre a divisão do material


na anáfase? Resolvendo…
Fase mitótica
Interfase

Anáfase 1. Em células animais, uma vez que as


6. Caracterize sinteticamente a teló-
células não apresentam parede
fase. celular.
7. Comente a afirmação: “A mitose 2. A mitose é constituída pelas seguin-
apenas diz respeito à divisão tes etapas: prófase, metáfase, anáfa-
se e telófase.
nuclear”.
3. Início da migração dos centríolos
Telófase
para os polos da célula, início da for-
mação do fuso mitótico e início da
condensação dos cromossomas.
4. O alinhamento da zona equatorial
Citocinese

vai permitir que ocorra uma divisão


precisa do material genético, de for-
ma a que os cromatídios de um mes-
mo cromossoma sejam divididos
entre as duas células-filhas.
5. Há rutura do centrómero e migração
43 Divisão celular durante a mitose de um cromatídio de cada cromos-
(apenas estão representados alguns soma para cada um dos polos da
cromossomas). célula.
6. Os cromatídios já estão nos polos da
célula, o fuso mitótico desintegra-se
e a membrana plasmática começa a
contrair-se na zona equatorial.
 7. A mitose é uma das fases do ciclo ce-
lular durante a qual apenas ocorre a
A mitose processa-se ao longo de quatro fases: prófase, metáfase, aná- Mitose divisão nuclear. A replicação do DNA
fase e telófase, durante as quais ocorre condensação e separação do Processo de divisão nuclear através do e a biossíntese ocorrem na interfase
material genético por dois núcleos. qual, a partir de um núcleo, se e a divisão citoplasmática ocorre na
citocinese.
formam dois núcleos-filhos
geneticamente iguais ao original.

43
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Telómeros Telómeros

Origem da Centríolos
Origem da
replicação replicação

Centrómero Centrómero

Interfase-S Interfase-G2
Replicação do DNA, com formação de Crescimento celular, com preparação para a
cromossomas compostos por dois cromatídios. mitose que se segue.

G2
M

G1
ito
se

P rófa
se
Me
táf
as
e
An Fuso
áf
ica
as mitótico
Te
Cit

mi e

e
tót
s
lóf

Fa Mito
oc

as
ine

se
se

Pares em diferentes células


Interfase-G1
As células crescem e apresentam a sua
atividade metabólica normal, com
duplicação de organitos.
Cada célula recebe um conjunto composto
de cromossomas formados cada um por
um cromatídio.

44 Esquema global do ciclo celular.

44
1. Crescimento e renovação celular

Prófase
• É a etapa mais longa da mitose, em que a cromatina sofre com-
pactação e enrolamento, tornando os cromossomas mais curtos
e densos.
• Cada cromossoma é formado por dois cromatídios unidos pelo
centrómero.
• Nas células animais, os centríolos começam a movimentar-se no
sentido dos polos da célula, com início da formação do fuso
mitótico (microtúbulos proteicos que se agregam a partir dos cen-
tríolos que funcionam como centro mitótico).
• No final da prófase, o nucléolo desaparece, a membrana nuclear
desintegra-se e os cromatídios ligam-se ao fuso acromático.

Metáfase

• Os cromossomas atingem o máximo de compactação.


• Os centríolos encontram-se nos polos da célula.
• Os cromossomas, unidos ao fuso acromático, deslocam-se
para o centro da célula, formando uma placa equatorial.
• Os centrómeros ocupam a região mais central e os cromatí-
dios ficam voltados para os polos.

Anáfase
• Ocorre a rutura do centrómero, os cromatídios de cada cro-
mossoma separam-se, originando cromossomas com apenas
um cromatídio.
• Cada cromossoma, ligado ao fuso acromático, inicia a ascen-
são polar.
• No final da anáfase, cada polo da célula contém um conjunto de
cromossomas iguais, cada um constituído por um cromatídio.

Telófase
• O fuso acromático degenera.
• Os cromossomas começam a desenrolar-se até se tornarem
num emaranhado de cromatina com aspeto semelhante ao
da interfase.
• O invólucro nuclear volta a formar-se à volta da cromatina
existente em cada polo, individualizando os núcleos.
• No final desta etapa a célula apresenta dois núcleos idênti-
cos entre si e ao núcleo que os originou, ao nível da consti-
tuição cromossómica e, como tal, da constituição genética,
assegurando-se a manutenção das características hereditá-
rias ao longo das gerações.

45
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competências procedimentais A mitose é um processo contínuo, que sucede à interfase, que inclui as
Conceber, executar e interpretar proce-  etapas: prófase, metáfase, anáfase e telófase (fig. 44). Os novos
dimentos laboratoriais simples, de cul- núcleos que se formam possuem a mesma informação genética da
tura biológica e técnicas microscópicas, Prófase, metáfase, anáfase e célula inicial. É possível observar figuras de mitose ao microscópio óti-
conducentes ao estudo da mitose. telófase co composto (M.O.C.).
Interpretar, esquematizar e/ou descre- São as etapas sequenciais da mitose.
ver imagens da mitose em células ani-
mais e vegetais, identificando elemen-
tos celulares e reconstituindo a sua LAB. 2 Observação de células em divisão
sequencialidade.
Material
• Ápices de raízes jovens de cebola* • Gobelé
• Água • Bisturi
• Ácido clorídrico (solução a 5%)** • Agulha de dissecação
Sugestões metodológicas • Orceína acética*** • Papel de filtro
Recomenda-se que os alunos tomem • Microscópio ótico composto (M.O.C.) • Vidro de relógio
parte ativa nas diversas etapas de deci- • Lâminas • Lamparina
são e execução, pelo que deverão parti- • Lamelas
cipar na identificação de tecidos onde,
supostamente, ocorrem mitoses, na * Antes de realizar esta atividade, deverá ser colocada uma cebola sobre um gobelé contendo água, de modo a que se
avaliação de dificuldades inerentes à desenvolvam raízes ao fim de três a quatro dias.
sua obtenção e cultura, bem como na ** O ácido clorídrico dissolve as lamelas médias que unem as paredes das células vegetais.
*** A orceína acética é um corante de cromatina.
pesquisa bibliográfica que lhes permiti-
rá selecionar protocolos e apoiar a
Procedimento
interpretação das imagens microscópi-
cas que venham a ser obtidas. 1. Corte 3 ápices de raízes de cebola com 2 mm de comprimento.
A escola deverá dispor de preparações 2. Coloque os ápices num vidro de relógio e adicione 6
definitivas nas quais se observem está- gotas de ácido clorídrico.
dios de mitose em células animais e
vegetais. Se dispuser de um sistema de 3. Aguarde 30 minutos.
projeção adequado, recomenda-se a
discussão alargada à turma das ima- 4. Retire as raízes que estavam em contacto com o áci-
gens microscópicas observadas. do clorídrico e coloque-as numa lâmina.
A construção do V de Gowin possibilita- 5. Deite duas gotas de orceína acética sobre as raízes e
rá uma visão integradora das dimen- coloque uma lamela.
sões conceptual e metodológica desen-
volvidas na construção dos conceitos 6. Comprima a preparação, com a ajuda de uma agulha
abordados. Poderá ser substituído por de dissecação, de modo a esmagar os tecidos.
um relatório ou por um poster. Caso o
professor considere mais adequado um 7. Passe a lâmina sobre a chama da lamparina, com
poster pode solicitar aos alunos que movimentos cuidados de modo a não carbonizar o
tirem fotografias enquanto realizam a material biológico.
atividade, que servirão para o ilustrar.
8. Limpe, com papel de filtro, o excesso de corante.
45 Dispositivo experimental e
9. Observe ao microscópio. microfotografia de uma preparação de
10. Desenhe as suas observações, não se esquecendo de ápice de cebola.
Resolvendo… as legendar (poderá recorrer à figura 43) e indicando
1. Nos ápices (meristemas). a ampliação.
2. No mesmo tecido podemos observar
1. Quais os tecidos em que detetou células em divisão?
vários estádios da mitose, pelo que
podemos concluir que a mitose é um 2. Comente a afirmação: “A mitose é um processo contínuo ao longo dos tecidos”.
processo contínuo.
3. Ao contrário das células animais, nas 3. É possível observar citocinese em células vegetais? Justifique a resposta.
vegetais não há contração citoplas- 4. Elabore um V de Gowin relativo a esta atividade laboratorial, onde constem os desenhos rela-
mática na zona equatorial, mas é
tivos às preparações que visualizou, com as fases de mitose devidamente identificadas.
possível ver a formação de uma pla-
ca intermédia que originará a pare-
de celular.

46
1. Crescimento e renovação celular

Nas células animais, os centríolos são as estruturas onde se inicia a for-



Guia do
mação dos microtúbulos que irão organizar o movimento dos cromos- Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 4 Manual
somas. As células vegetais não possuem centríolos mas apresentam CICLO CELULAR – MITOSE Interativo –
regiões organizadoras de microtúbulos, nas extremidades das células, Citocinese Versão do
que desempenham a mesma função. Distribuição do citoplasma pelas Professor
células-filhas durante o processo de
Para além da divisão do núcleo, ocorre uma divisão do citoplasma e dos divisão celular. Vocábulo que deriva
organitos para as células que se formam. A divisão do citoplasma da Competências conceptuais
das palavras gregas Kitos, que Compreender a mitose como um processo
célula que permite a individualização das células-filhas denomina-se significa reservatório, e Kinein, que de divisão celular que assegura a manu-
citocinese e origina duas células-filhas independentes. A citocinese significa mover. tenção das características hereditárias.
ocorre no final da mitose. Contudo, por vezes começa a ocorrer nas
Conhecer a sequência de acontecimen-
fases finais da mitose, principalmente na telófase e na anáfase.
tos que caracterizam o ciclo celular.

ATV. 9 Como se processa a citocinese?


A B
Recordar e/ou enfatizar…
A compreensão global dos acontecimen-
tos importantes para a célula, nomeada-
mente, o encurtamento de cromossomas,
a divisão do centrómero, a separação de
cromatídios, a formação de dois núcleos e
a divisão do citoplasma.

100 μm 1 μm
Local de clivagem Parede celular Nova parede celular
Anel contrátil

Resolvendo…
1. Nas células animais a citocinese ocor-
Vesículas derivadas do complexo de re por estrangulamento do citoplas-
Células-filhas Placa celular Células-filhas
Golgi contendo material constituinte ma na região equatorial da célula,
da parede celular enquanto que na célula vegetal ocor-
46 Citocinese em células animais (A) e em células vegetais (B). re por formação de uma parede celu-
lar equatorial que individualiza as
1. Compare os processos de divisão do citoplasma e organitos nas células animais e vegetais. novas células. Esta parede resulta da
formação de uma placa por deposi-
2. A que se devem as diferenças apontadas na questão anterior? ção de material que é libertado pelas
3. Explique como se forma a placa celular nas células vegetais. vesículas que derivam do complexo
de Golgi.
4. Comente a afirmação: “As células vegetais não necessitam de centríolos”. 2. As diferenças devem-se ao facto de
a parede celular vegetal impedir o
estrangulamento citoplasmático.
3. As vesículas derivadas do complexo
de Golgi concentram-se na região
Nas células animais a citocinese ocorre, geralmente, por estrangula- equatorial, contendo todos os consti-
tuintes para formar uma nova parede
mento do citoplasma na zona equatorial, formado por um anel contrá-
celular, bem como as membranas das
til de filamentos proteicos (fig. 46A). vesículas que originarão a nova mem-
Nas células vegetais não ocorre estrangulamento, pois estas células apre- brana plasmática.
4. Mesmo com a ausência dos centrío-
sentam uma parede celular rígida. A divisão do citoplasma está associada
los nas células vegetais, nestas ocor-
à formação de uma placa equatorial. Após a mitose, surgem vesículas re a mitose, pelo que estas células
membranares derivadas do complexo de Golgi entre os dois novos não necessitam destas estruturas.
núcleos formados. Estas vesículas golgianas fundem-se, gerando uma nova Possuem regiões organizadoras de
membrana plasmática, e contribuem com os seus produtos para a placa microtúbulos.
equatorial, que corresponde ao início da nova parede celular (fig. 46B).

47
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência atitudinal Juntamente com o citoplasma ocorre a divisão dos organitos e de


Refletir e desenvolver atitudes críticas, outras estruturas celulares, mas que não necessitam de ser uniforme-
conducentes a tomadas de decisão fun- mente distribuídos, pois a célula tem a capacidade de sintetizar novos
damentadas, sobre situações ambien- compostos e organitos.
tais causadas pelo Homem que podem
interferir no ciclo celular e conduzir a
conjunturas indesejáveis como, por
exemplo, o aparecimento de doenças. 1.2.3 O ambiente e o Homem interferem no ciclo celular

O tempo que uma célula de um dado tecido de um animal ou planta


demora a dividir-se condiciona o crescimento, desenvolvimento e
manutenção do organismo ao qual pertence. Diversas questões
podem ser colocadas:
47 Citocinese. Como é regulado o ciclo celular?
Em que medida poderão o ambiente e o Homem interferir no ciclo
celular?
Competência procedimental
Formular e avaliar hipóteses relaciona-
CTS&A 2 Como ocorre o controlo do ciclo celular?
das com a influência de fatores am-
bientais sobre o ciclo celular.

• A frequência da divisão celular varia consoante o tipo de célula (ex.: as células da pele do
Homem estão continuamente a dividir-se, ao contrário dos neurónios) e tem por base uma
regulação ao nível molecular, que é condicionada por estímulos internos e ambientais.
• Ao longo do ciclo celular existem pontos de controlo onde é efetuada a regulação. A célu-
la permanece num dos pontos até completar todos os processos dessa fase e receber um
estímulo para avançar (fig. 47).
Resolvendo...
1. Regulam a divisão da célula. • Nos mamíferos, o ponto de controlo G1 é de extrema importância. Se a célula não receber
2. Se a célula para na fase G1, ela não nenhum estímulo, permanecerá nesta fase sem se dividir, ficando num estado G0.
se vai dividir e pode ficar definitiva-
• Muitas células do organismo humano adulto Ponto de
mente indivisa. Caso pare em G2 – a controlo G1
estão na fase G0 (ex.: neurónios e fibras muscu- G0
célula já tem DNA replicado mas co-
lares), não se dividindo ativamente. Algumas
mo não se divide não o transmite às
células-filhas.
células, como as do fígado, têm a capacidade
3. G0 corresponde a uma fase em que de reverter esta situação e retomar o seu ciclo Sistema
as células poderão ficar por tempo celular se forem estimuladas por fatores am- G1
de controlo
S
variável, durante o qual não prosse- bientais (ex.: fatores de crescimento que são
guem o ciclo celular. produzidos quando o órgão é lesionado).
M G2
4. Os alunos deverão referir que a • Se durante a replicação do DNA ocorrerem erros
exposição a determinados fatores significativos por exposição da célula a com-
(ex.: radiações) poderão interferir postos tóxicos ou radiações perigosas, o ciclo
no ciclo celular e ter impactes na Ponto de
celular poderá ser parado no ponto de contro- Ponto de
saúde dos indivíduos. controlo G2
lo G2, evitando a sua divisão e transmissão de controlo M
erros às células-filhas. 48 Pontos de controlo do ciclo celular.

1. Qual a importância dos pontos de controlo na regulação do ciclo celular?


2. Quais as consequências para a célula de uma paragem do ciclo em G1? E em G2?
3. Em que consiste a fase G0?
4. Discuta com os seus colegas em que medida poderão o ambiente e o Homem interferir
no ciclo celular e quais os impactes, nomeadamente, ao nível da saúde do indivíduo.

48
1. Crescimento e renovação celular

O ciclo celular é regulado por fatores internos e ambientais. Apresenta Competência atitudinal
pontos de controlo, onde a célula permanece até completar todos os Refletir e desenvolver atitudes críticas,
processos dessa fase e receber um estímulo para avançar (fig. 47). Estes conducentes a tomadas de decisão fun-
controlos encontram-se altamente integrados e dependem de uma damentadas, sobre situações ambientais
causadas pelo Homem que podem
avaliação contínua do estado da célula e da comunicação com as célu-
interferir no ciclo celular e conduzir a
las adjacentes e diferentes tecidos. As células possuem muitos meca- conjunturas indesejáveis como, por
nismos para detetar as variações ambientais e controlar o seu ciclo exemplo, o aparecimento de doenças.
celular. Se as células forem severamente afetadas por fatores ambien-
tais (ex.: exposição a radiações e compostos químicos perigosos), o
organismo pode induzir a sua destruição e impedir que se dividam e
afetem as restantes células. Competência procedimental
As células cancerosas, devido a mutações que podem ser causadas por Formular e avaliar hipóteses relaciona-
fatores ambientais ou a terem origem genética, apresentam um ciclo das com a influência de fatores ambien-
celular que mantém as células em permanente divisão sem controlo e tais sobre o ciclo celular.
coordenação com as células vizinhas.

Resumindo

As células necessitam de se dividir e originar novas célu-


las que permitam o crescimento e a renovação celular
nos seres multicelulares e a reprodução nos organismos
unicelulares.
Sugestão metodológica
O DNA, juntamente com as histonas, forma a cromatina
Os alunos poderão apresentar a infor-
que constitui os cromossomas. Os cromossomas podem
mação resumida numa forma esquemá-
apresentar um ou dois cromatídios.
tica, recorrendo, para tal, a um mapa de
O ciclo celular corresponde ao conjunto de fenómenos conceitos.
que ocorrem após uma divisão celular e início da se-
guinte.
O ciclo celular inclui a interfase e a fase mitótica (divide-se
em mitose e citocinese).
Guia do
Professor e
Invólucro nuclear Fuso mitótico TRANSPARÊNCIA N.° 4 Manual
CICLO CELULAR – MITOSE Interativo –
Versão do
Professor
Replicação Mitose Divisão
cromossómica celular
Cromossoma e expressão génica Cromossoma em metáfase
em interfase
Interfase Fase mitótica Interfase
Manual
A mitose processa-se ao longo de quatro fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase, ocorrendo a con- Interativo –
MAPA DE CONCEITOS
densação e separação do material genético em dois núcleos geneticamente iguais e localizados nas Versão do
Professor
duas células-filhas.
A mitose é o processo que assegura a manutenção das características hereditárias ao longo das gera-
ções de células e permite a obtenção de novas células.
Nas células animais a mitose finaliza-se por estrangulamento citoplasmático, enquanto nas células ve-
getais se forma uma placa com produtos secretados pelas vesículas derivadas do complexo de Golgi. Manual
APRESENTAÇÃO Interativo –
EM POWERPOINT Versão do
Professor

49
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

2. Crescimento e regeneração de tecidos vs


diferenciação celular

Após a fecundação, o ovo constituído por uma única


célula começa o seu processo de divisão celular,
crescimento e diferenciação, que lhe permitirá formar
todos os tecidos e órgãos de um indivíduo. As células
necessitam constantemente de ser substituídas,
permitindo a regeneração de tecidos e de órgãos.

Em anos anteriores… Palavras-chave As células diferenciadas são produzidas a partir de uma população de célu-
A temática noções básicas de heredi- Célula indiferenciada las imaturas, não diferenciadas, as células estaminais, através de um proces-
tariedade foi abordada no final do Célula especializada
3.o Ciclo, na disciplina de Ciências Natu-
so designado por diferenciação celular. As células estaminais definem-se
Clone
rais, aquando do estudo do tema VIVER pela sua capacidade de divisão ilimitada e também pela capacidade de, na
Clonagem
MELHOR NA TERRA. presença de sinais apropriados, diferenciarem-se numa variedade de células
especializadas, acompanhado pela cessação das divisões. O exemplo clássi-
co ocorre nos embriões, onde todas as células embrionárias se diferenciam
em todos os tipos celulares que fazem um organismo. As células estaminais
também residem nos tecidos adultos, onde repõem as células diferenciadas
Manual
APRESENTAÇÃO Interativo – que necessitam de substituição. Por exemplo, as células estaminais presen-
EM POWERPOINT Versão do tes na medula dos ossos diferenciam todos os tipos celulares do sangue.
Professor
Alguns estudos sugerem que células estaminais em adultos são capazes de
se diferenciarem noutros tipos celulares, mas isto não está ainda firme-
mente estabelecido.
A capacidade de isolar e produzir em laboratório células esta-
minais levanta a possibilidade de se vir a pro-
duzir células saudáveis para substituir célu-
las danificadas em doentes com diversos
tipos de enfermidades como, por exemplo, pro-
duzir células nervosas para doentes que tiveram um AVC, ou
doentes com Parkinson ou com Alzheimer, e também a pro-
dução de células de pâncreas para doentes com diabetes ou
a produção de células musculares para indivíduos com
50 distrofias musculares, entre outros exemplos.
Adaptado de The world of the cell
Competências conceptuais Competências procedimentais Competências atitudinais
G Compreender que as diferenças estruturais e G Avaliar o papel da mitose nos processos de G Desenvolver atitudes, cientificamente
funcionais que existem entre as células de crescimento, renovação e reparação de sustentadas, sobre situações ambientais
um indivíduo resultam de processos de tecidos e órgãos em seres multicelulares. causadas pelo Homem que podem interferir
diferenciação. G Explicar que o crescimento de seres no processo de diferenciação celular.
G Entender a diferenciação celular como um multicelulares implica processos de
processo que envolve regulação da diferenciação celular.
transcrição e tradução dos genes. G Discutir a possibilidade dos processos de
G Perceber a necessidade que uma célula tem diferenciação celular poderem ser afetados
em originar outros tipos de células por agentes ambientais (ex.: raios-X, drogas e
especializadas e que, em geral, esta infeções virais).
capacidade é tanto maior quanto menor for a
sua diferenciação.

Pesquisa – Segredo da vida


A produção de organismos geneticamente iguais (clonagem) é um tema comum nas con-
versas académicas e nos meios de comunicação social.
O nascimento da ovelha Dolly, em 1997, foi um acontecimento científico importante que
relançou toda a polémica sobre a clonagem.

Sugestão metodológica
Sugerimos a análise de informação
recente sobre a clonagem, utilizando-se,
para o efeito, recursos da Internet e da
imprensa. Como ponto de partida pode-
rá ser solicitado aos alunos que elabo-
rem um trabalho a partir da atividade de
pesquisa.
A realização desta atividade de pesquisa
1 Do DNA ao clone. e posterior discussão em aula permitirá
ao docente detetar as conceções que os
alunos têm sobre clone e clonagem.

Efectue uma pesquisa que lhe permita encontrar uma resposta para as seguintes questões:
• O que é um clone?
• Como foi clonada a ovelha Dolly?
• Como é que a partir de uma célula se forma um indivíduo?

Comente a afirmação: “A obtenção de clones permitirá ao Homem selecionar as


espécies com interesse agrícola e pecuário”.

51
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competências procedimentais
2.1 O crescimento e a regeneração de tecidos
Avaliar o papel da mitose nos processos
de crescimento, renovação e reparação tem por base divisões mitóticas
de tecidos e órgãos em seres multicelu-
lares. A partir de uma única célula, o ovo ou zigoto, formam-se, ao longo de
Explicar que o crescimento de seres mul- ciclos celulares sucessivos, células que irão constituir todos os tecidos e
ticelulares implica processos de diferen- órgãos dos organismos multicelulares (fig. 2).
ciação celular.

Zigoto
(ovo)

Planta adulta

2 A partir de uma única célula, o ovo, forma-se um indivíduo constituído por vários órgãos.

O desenvolvimento dos organismos resulta de processos de divisão e


! crescimento celular. Em algumas espécies o crescimento ocorre duran-
te toda a vida, enquanto que noutras (ex.: no Homem) estabiliza numa
Durante as Descobertas (séc. XV),os
determinada etapa da vida do indivíduo.
marinheiros tentaram destruir as
estrelas-do-mar que degradavam os Os organismos necessitam permanentemente de regeneração de teci-
cascos dos navios. Para tal, dos, pois as células possuem um tempo de vida limitado. Assim, é
fragmentavam-nas e atiravam-nas ao necessário que uma célula se divida e origine novas células.
mar. Qual não foi o seu espanto Para além da regeneração de tecidos (ex.: em casos de queimadura e
quando constataram que as estrelas- cicatrização), alguns organismos também apresentam capacidade de
-do-mar conseguiam regenerar as regeneração de membros, como acontece na estrela-do-mar (fig. 3):
partes do corpo que lhes tinham sido
amputadas. Deste modo, em vez da
extinção, os marinheiros tinham
contribuído para a proliferação da
espécie.

3 Regeneração de membros nas estrelas-do-mar.

2.2 As diferenças estruturais e funcionais das


células resultam da diferenciação
Durante a fase mitótica produzem-se células-filhas cujos núcleos são
geneticamente iguais aos da célula-mãe, a partir do qual se originaram.
Os organismos multicelulares são formados por células estruturais e
funcionalmente diferentes (fig. 4).
52
2. Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular

Como é que células geneticamente iguais, originárias da mesma célu- Competência conceptual
la, apresentam estrutura e função diferentes? ! Compreender que as diferenças estrutu-
Dia 1 rais e funcionais que existem entre as
O corpo humano é constituído por,
células de um indivíduo resultam de
aproximadamente, 1014 células processos de diferenciação.
Dia 2
divididas por cerca de 200 tipos de
Dia 3-4 estruturas e funções diferentes
(ex.:células nervosas, musculares, Competências procedimentais
Ovo (zigoto) Mórula
sanguíneas, etc.). Avaliar o papel da mitose nos processos
Ovulação Dia 4 de crescimento, renovação e reparação
Blastocélio de tecidos e órgãos em seres multicelu-
Dia 5 lares.
Massa das células Explicar que o crescimento de seres mul-
Dia 6-7 ticelulares implica processos de diferen-
Dia 0
Fecundação Blastócito ciação celular.

Oócito II Dia 8-9


Implantação
do blastócito

Gástrula

Ectoderme Mesoderme Endoderme Células sexuais


(camada externa) (camada intermédia) (camada interna) (gâmetas)

Células Neurónio Célula Músculo Músculo Células Hemácias Músculo Células Células Células Espermatozoide Oócito II Sugestão metodológica
da produtora cardíaco esquelético do tubo liso do da dos
epiderme de urinífero pâncreas tiroide alvéolos Sugerimos que os alunos façam uma pes-
pigmento pulmonares
quisa na Internet sobre a aplicação das
4 Do ovo às células diferenciadas que constituem o organismo humano (as dimensões das células representadas não células estaminais, devendo ser explora-
estão à escala). da a vertente da clonagem terapêutica.

O ovo (ou zigoto) é uma célula indiferenciada que apresenta poten-


cialidade para originar todo o tipo de células que constituem o organis-
mo, sendo denominada célula totipotente. Da divisão do ovo, por mito-
ses e citocineses sucessivas, formam-se células indiferenciadas que

sofrem um processo de diferenciação celular originando células espe- Célula indiferenciada
cializadas numa determinada função (ex.: os neurónios são especialis- Célula que não sofreu o processo de
tas na transmissão do impulso nervoso). A diferenciação consiste na diferenciação.
especialização celular ao nível da estrutura e função de uma célula.
As células diferenciadas distinguem-se umas das outras com base em Célula especializada
diferenças microscópicas e nos produtos que fabricam. Por exemplo: os Célula que sofreu um processo de
glóbulos vermelhos do sangue produzem hemoglobina, as células ner- diferenciação, durante o qual adquiriu
vosas produzem neurotransmissores, os linfócitos fabricam anticorpos. especializações celulares responsáveis
Estas diferenças indicam que o controlo seletivo dos genes que são pela definição da sua estrutura e
expressos é responsável pela diferenciação. função.

53
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual A diferenciação não implica a mudança irreversível do genoma


Compreender que as diferenças estru- !
turais e funcionais que existem entre as Será a diferenciação um processo irreversível? Nas células que perdem
células de um indivíduo resultam de O termo célula estaminal é usado o núcleo durante o processo de diferenciação (ex.: hemácias) parece
processos de diferenciação. vulgarmente na comunidade evidente que jamais poderão reverter a sua especialização. Mas será
científica e na comunicação social. As possível uma célula diferenciada, que mantém o núcleo, transformar-se
Competência procedimental células estaminais são células novamente numa célula indiferenciada? No sentido de verificar se a
Avaliar o papel da mitose nos processos indiferenciadas que, ao diferenciarem- diferenciação era um processo irreversível, foram efetuadas várias ex-
de crescimento, renovação e reparação -se, originam células especializadas. periências envolvendo células com diferentes graus de diferenciação
de tecidos e órgãos em seres multicelu- (figs. 5, 6 e 7).
lares.

É possível obter um organismo a partir de uma célula diferenciada


Guia do ATV. 1
Professor e de um órgão de uma planta madura?
TRANSPARÊNCIA N.° 5 Manual
DIFERENCIAÇÃO CELULAR Interativo –
Versão do
Professor Cultura de células da raiz
num meio nutritivo.
Planta adulta
Resolvendo…
Formação de raízes e
1. Verificar a possibilidade de obter um continuação do
organismo a partir de uma célula crescimento num meio As células são
diferenciada de um órgão de uma contendo hormonas separadas e crescem
específicas. num meio nutritivo.
planta madura.
2. Foram retiradas células da raiz de
uma cenoura adulta, que foi cultiva-
da num meio que continha nutrien- As células em cultura dividem-se
tes e hormonas específicas. As célu- formando embriões.
las dividiram-se e originaram um 5 Dispositivo experimental desenvolvido por Steward e os seus colaboradores.
embrião que foi colocado num tubo
de ensaio contendo um meio de cul-
tivo. Posteriormente a plântula foi 1. Qual o objetivo desta experiência?
transferida para o solo onde comple-
2. Explique, sucintamente, a experiência esquematizada na figura.
tou o seu processo de crescimento.
3. Os nutrientes servirão de alimento 3. Refira a importância do uso de um meio contendo nutrientes e hormonas específicas.
às células em divisão e crescimento,
as hormonas irão promover a dife- 4. Face aos objetivos da experiência, apresente os resultados obtidos.
renciação dos tecidos da planta. 5. Comente a afirmação: “As células da cenoura madura são totipotentes”.
4. A partir de uma célula diferenciada
de um órgão de uma planta madura
foi possível obter uma nova planta.
5. As células usadas nesta experiência,
apesar de serem diferenciadas, reve-
laram potencialidades para forma-
rem todos os tecidos da planta, pelo 
que podem ser designadas de toti- Steward e os seus colaboradores, em 1950, isolaram células diferencia-
potentes, ou seja, as células diferen- Clone das da raiz da cenoura e colocaram-nas num meio adequado, que con-
ciadas reverteram a diferenciação e Conjunto de células idênticas formadas tinha todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento daquelas
readquiriram totipotência (desdife- a partir da mesma célula-mãe. células e hormonas específicas. Estas células reverteram a diferencia-
renciaram-se).
ção e dividiram-se originando embriões normais de cenoura que evo-
luíram para indivíduos adultos (fig. 5). A nova planta é geneticamente
Sugestão metodológica ! idêntica à célula que a originou, pelo que é denominada clone.
O docente poderá revisitar o conceito de A capacidade de as plantas
hormona, bem como relembrar a impor- A capacidade que algumas células diferenciadas da raiz de cenoura
tância das hormonas no crescimento e originarem uma planta completa a revelaram para originarem uma planta comprova que estas células,
diferenciação de tecidos, matérias lecio- partir de uma única célula tem sido embora sejam especializadas, contêm todo o genoma do organismo e
nadas no 10.o ano na Unidade 4 “Regu- muito importante na Biotecnologia que podem expressar os genes essenciais ao desenvolvimento embrio-
lação nos seres vivos”. Agrícola. nário.

54
2. Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular

Em experiências semelhantes efetuadas com outros tipos de plantas Competências conceptuais


obtiveram-se resultados idênticos, comprovando-se que nestes orga- Compreender que as diferenças estrutu-
nismos a diferenciação celular é um processo que pode ser reversível e rais e funcionais que existem entre as
que a partir de uma célula diferenciada de um órgão de uma planta células de um indivíduo resultam de
madura é possível obter um organismo. E nos animais, também será ? processos de diferenciação.
possível obter um organismo a partir de uma célula diferenciada? Perceber a necessidade que uma célula
As células animais diferenciadas tem em originar outros tipos de células
Robert Briggs e Thomas King efetuaram experiências com rãs para tes- mantêm todo o genoma do especializadas é, em geral, tanto maior
tar se o núcleo de um embrião precoce desse animal mantinha a toti- indivíduo? quanto menor for a sua diferenciação.
potência do ovo. Para tal, removeram o núcleo de um óvulo, transfor-
mando-o numa célula anucleada. Posteriormente, injetaram-lhe o
núcleo de uma célula de um embrião de rã (fig. 6A), efetuando, deste
modo, um transplante nuclear.
DOC. ”CÉLULAS, Caderno de
Óvulo Blástula EMBRIÕES E CLONAGEM” Atividades
A

Irradiação com raios UV


que destroem o núcleo Remoção
Injeção do 50% Adultos férteis ou girinos
Blástula do núcleo
núcleo no óvulo Competências procedimentais
B Células Injeção do Avaliar o papel da mitose nos processos
Girino intestinais de crescimento, renovação e reparação
Irradiação com raios UV núcleo no óvulo
que destroem o núcleo de tecidos e órgãos em seres multicelu-
Óvulo Remoção Blástula lares.
do núcleo
Explicar que o crescimento de seres mul-
ticelulares implica processos de diferen-
1-2% Adultos férteis ou girinos ciação celular.
6 Dispositivo experimental para demonstrar a influência do grau de especialização
na reversão da diferenciação.

Como resultado final das suas experiências, R. Briggs e T. King obtive- Aprofundando…
ram 50% de girinos normais que evoluíram para rãs adultas normais. Experiências idênticas às de Briggs e
Com esta experiência ficou comprovado que nenhuma informação é T. King têm sido executadas em macacos
perdida quando as células passam pelos primeiros estádios de desen- Rhesus, nos quais uma célula de em-
volvimento embrionário e que o ambiente citoplasmático em redor do brião, num estádio de desenvolvimento
precoce, é fundida com um óvulo anu-
núcleo pode modificar o seu destino. Em experiências idênticas foram cleado, resultando uma célula que atua
usados núcleos de células de intestino de embrião de rã em estádios como zigoto, formando um embrião que
mais tardios de desenvolvimento (fig. 6B), tendo-se verificado que os poderá ser implantado numa mãe ado-
núcleos dadores, em algumas ocasiões, são capazes de originar girinos tiva e completar o seu desenvolvimento.
normais, revelando novamente totipotência. Mas este fenómeno ocor-
re a uma taxa muito inferior (2%) quando comparada com a taxa rela-
tiva ao uso de células embrionárias em estádios precoces de desenvol-
vimento embrionário. Sugestão metodológica
O docente deverá diagnosticar as noções
Destas experiências foi possível concluir que a capacidade que uma
que os alunos têm sobre os termos clone
célula tem em originar outros tipos de células especializadas é tanto e clonagem. Nesta unidade é importan-
maior quanto menor for o seu grau de diferenciação. te clarificar o significado desses concei-
tos no que respeita à obtenção de teci-
Todas estas experiências despoletaram a produção de clones – clona-
gem –, que se tornou num objetivo para muitos investigadores e labo-  dos, estabelecendo relações com os
mecanismos de crescimento e diferen-
ratórios, que queriam ver clonados organismos com interesse agrícola ciação celular estudados. As questões
Clonagem
e farmacológico, bem como organismos geneticamente modificados que relacionam clone e clonagem com a
que poderiam produzir substâncias de interesse para o Homem (ex.: leite Processo que está na base de reprodução serão abordadas na próxima
contendo proteínas que atuam como fatores de coagulação). obtenção de um clone. unidade.

55
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Competência conceptual A clonagem de animais revelou-se um processo muito difícil, tendo atin-
Perceber a necessidade que uma célula gido um marco histórico em 1997, quando nasceu a ovelha Dolly, resul-
tem em originar outros tipos de células tante das experiências de Ian Wilmut e seus colaboradores (fig. 7).
especializadas e que, em geral, esta capa-
cidade é tanto maior quanto menor for a
sua diferenciação. ATV. 2 É possível a clonagem animal?
Competências procedimentais
• Em 1997, Ian Wilmut, os seus
Remoção de células da Remoção de um óvulo da ovelha 2. colaboradores e uma companhia
Avaliar o papel da mitose nos processos glândula mamária da ovelha 1.
escocesa de Biotecnologia usa-
de crescimento, renovação e reparação de
tecidos e órgãos em seres multicelulares. ram o procedimento de transfe-
rência nuclear para clonar ove-
Explicar que o crescimento de seres mul-
lhas.
ticelulares implica processos de diferen-
ciação celular. • Ian Wilmut extraiu células dife-
Ovelha 1 Ovelha 2 renciadas da glândula mamária
Resolvendo… de uma ovelha, privando-as de
Núcleo Micropipeta
1. Obter um organismo a partir de um nutrientes durante uma semana,
ovo resultante da fusão nuclear de de modo a permanecerem na
uma célula da glândula mamária de fase G1.
uma ovelha com um óvulo de outra Remoção do núcleo do óvulo.
As células das glândulas
ovelha. mamárias são privadas Desenvolvimento do embrião
2. Neste caso foi retirado o núcleo do de nutrientes. e nascimento da Dolly.
óvulo e introduzido o núcleo da célu-
la da glândula mamária. Fusão da célula da glândula
3. Para que não ocorresse replicação do mamária com o óvulo anucleado.

DNA antes da fusão nuclear, manten-


do a quantidade de DNA da célula.
4. À ovelha dadora da célula da glându- Estimulação da mitose que
induz a divisão celular. Ovelha 3 Ovelha geneticamente igual
la mamária, uma vez que é esta que à ovelha 1.
vai contribuir com o núcleo que con- Desenvolvimento de um embrião
tém informação genética. que é transferido para o útero da
5. Dolly é geneticamente igual à proge- ovelha 3.

nitora dadora da célula da glândula 7 Dispositivo experimental de Ian Wilmut e seus colaboradores.
mamária, pelo que pode ser designa-
da por clone No entanto, tendo em 1. Qual o objetivo desta experiência?
conta a origem do material genético
das mitocôndrias a Dolly poderá não
2. Explique sucintamente como ocorreu a transferência de núcleos nesta experiência.
ser considerada um verdadeiro clone. 3. Refira a importância de manter as células das glândulas mamárias na fase G1 do ciclo celular.
6. Os alunos deverão referir que esta
experiência permitiu equacionar a 4. A qual das ovelhas será Dolly geneticamente idêntica? Justifique.
possibilidade da clonagem humana, 5. Tendo em conta a distribuição do material genético na célula e a organização celular, comente,
recorrendo às mesmas técnicas, o que
criticamente, a afirmação: “Dolly é um clone”.
levanta questões éticas que devem ser
discutidas. 6. Discuta com os seus colegas as possíveis implicações desta experiência na clonagem humana.

Aprofundando…
As análises ao DNA da Dolly confirma-
ram que era geneticamente igual à ove-
lha dadora da célula da glândula
mamária. Contudo, o DNA mitocondrial ! Ian Wilmut extraiu células diferenciadas da glândula mamária de uma
era diferente. Tal poderá ser explicado
ovelha. Posteriormente, fundiu uma dessas células com um óvulo de
pela replicação do DNA mitocondrial
Como apenas ocorreu a transferência uma ovelha de raça diferente ao qual lhe havia extraído o núcleo,
nas mitocôndrias herdadas da célula do de material genético do núcleo da obtendo um ovo, que ao fim de várias divisões celulares produziu um
óvulo. glândula mamária, a Dolly não é embrião precoce, que foi transplantado para o útero de uma ovelha.
considerada, por alguns cientistas, um Das 277 tentativas de fusão nuclear de células adultas com óvulos anu-
Sugestão metodológica
clone verdadeiro, pois o seu material cleados nasceu uma ovelha, a que se chamou Dolly. As análises efetua-
Abordar sucintamente a existência de genético extranuclear presente nas das ao DNA confirmaram que era geneticamente muito idêntica à ove-
DNA mitocondrial (10.o ano).
mitocôndrias foi herdado do óvulo. lha dadora da célula da glândula mamária.

56
2. Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular

Durante a diferenciação celular os genes são expressos de forma Competência conceptual


diferente Entender a diferenciação celular como
um processo que envolve regulação da
As experiências de clonagem em células vegetais, bem como em rãs e transcrição e tradução dos genes.
ovelhas, comprovaram que as células de um organismo mantêm o seu
genoma independentemente do grau de especialização. Mas, se todas
as células têm no seu núcleo a mesma informação genética, que meca- Competências procedimentais
nismo é responsável pela sua diferenciação? Explicar que o crescimento de seres mul-
ticelulares implica processos de diferen-
A diferenciação resulta da expressão diferenciada dos genes, cuja regu- ciação celular.
lação pode ocorrer durante a transcrição, processamento ou tradução
dos genes. Discutir a possibilidade de os processos
de diferenciação celular poderem ser
No genoma existem genes que regulam o funcionamento de outros afetados por agentes ambientais (ex.:
genes, fazendo com que numas células sejam ativados determinados raios-X, drogas e infeções virais).
genes e inibidos os restantes (fig. 8).

Expresso nas células dos tecidos A, B, e C Competência atitudinal


Gene 1
Desenvolver atitudes, cientificamente
Gene 2
sustentadas, sobre situações ambientais
Gene 3 causadas pelo Homem que podem in-
Gene 4 8 Exemplos da expressão de terferir no processo de diferenciação ce-
Gene 5 alguns genes do mesmo lular.
Gene 6 cromossoma em diferentes
Expressos nas Expresso nas Expressos nas
células do tecido A células do tecido B células do tecido C Gene 7 células.

Evitar…
Quando a regulação do ciclo celular é afetada, a célula pode dividir-se Descrever os processos de regulação gé-
indefinidamente, consumindo elevadas quantidades de nutrientes, ori- nica envolvidos na diferenciação celular.
ginando uma massa de células cancerosas que não são funcionais
(tumor). Uma das características das células cancerosas é o facto de
poderem invadir tecidos vizinhos e propagar-se a outras partes do cor-
po (por metástases). Tal provoca a formação de novos tumores que
podem causar a morte do organismo, uma vez que os órgãos metasti-
zados deixam de ter um funcionamento normal (fig. 9).
TRANSPARÊNCIA N.° 6 Guia do
Vasos linfáticos AS CÉLULAS Professor e
Manual
EMBRIONÁRIAS PODEM Interativo –
Tumor TER DIFERENTES Versão do
POTENCIALIDADES Professor

Tecido
glandular
DOC.“CICLO CELULAR E Guia do
Metástases TUMORES, QUE RELAÇÃO?” Professor

A partir de uma única célula As células tumorais invadem os As células cancerosas


cancerosa desenvolve-se um tecidos vizinhos. dispersam-se através dos vasos
tumor. sanguíneos e linfáticos atingindo
outras partes do corpo
(metastização).

Fatores ambientais como substâncias tóxicas (ex.: poluentes atmosféri- 9 Evolução de um tumor com
cos, fumo dos cigarros, drogas, corantes), radiações e vírus podem metástases.
influenciar a regulação da expressão dos genes e conduzir à formação
de células cancerosas e dos consequentes tumores.

57
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Em síntese… Que processos são responsáveis pela unidade e


variabilidade celular?

Crescimento e renovação celular

Sugestão metodológica • O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação genética. Nos organis-
Os alunos poderão apresentar a infor- mos eucariontes encontra-se, maioritariamente, no núcleo da célula.
mação resumida de forma esquemáti-
ca, recorrendo, para tal, a um mapa de • A molécula de DNA possui nucleótidos formados por: um grupo fosfato, um açúcar (desoxirri-
conceitos. Deverão usar todas as pala- bose) e uma base azotada (adenina, timina, citosina ou guanina).
vras-chave definidas no programa, in- • A estrutura do DNA consiste em duas cadeias polinucleotídicas complementares e antiparale-
terligando os conceitos. las, enroladas sob a forma de uma dupla hélice.
Os mapas de conceitos apresentados
pelos alunos podem ser comparados
• O DNA replica-se semiconservativamente, o que permite a manutenção da informação genéti-
com os presentes no Guia do Professor e ca nos descendentes.
no Manual Interativo – Versão do Pro- • O RNA é constituído por nucleótidos, cada um contendo: um grupo fosfato, um açúcar (ribose)
fessor. e uma base azotada (adenina, uracilo, citosina ou guanina), organizados numa cadeia simples.
• Na síntese proteica ocorre a expressão da informação contida no DNA, culminando com a for-
mação de proteínas que determinam as características e o metabolismo do indivíduo.
• A síntese proteica compreende as etapas da transcrição, processamento, migração e tradução
dos genes.
• A transcrição corresponde à formação de RNA (RNA mensageiro, RNA transferência e RNA ribos-
somal), por complementaridade com a cadeia molde (ou parental) de DNA.
• Nos organismos eucariontes, o pré-mRNA pode sofrer processamento que corresponde à remo-
ção dos intrões, ficando a molécula mais pequena e apta a migrar para o citoplasma onde será
traduzida.
• Aos codões do mRNA (formados por sequências de três nucleótidos) ligam-se, por complemen-
taridade, os anticodões do tRNA que transportam um aminoácido específico, formando-se nos
ribossomas uma proteína cujo número e sequência de aminoácidos é determinada pela
sequência nucleotídica do mRNA.
• Durante a replicação do DNA e a transmissão da informação genética podem ocorrer alterações
do material genético (mutações) com impacte ao nível social (ex.: albinismo).
• Para que ocorra crescimento e a renovação celular nos seres multicelulares e a reprodução nos
organismos unicelulares, as células necessitam de se dividir e originar novas células.
• O ciclo celular inclui a interfase e a fase mitótica, culminando com a obtenção de novas células
que contribuem para o crescimento e a regeneração dos tecidos.
• Durante a interfase (G1, S e G2) há replicação semiconservativa do DNA, biossíntese de molécu-
las e crescimento da célula.
• A fase mitótica engloba a mitose (divisão nuclear) e a citocinese (distribuição do citoplasma
pelas células-filhas).
• A mitose é o processo que assegura a manutenção das características hereditárias ao longo das
gerações celulares.
• A mitose desenrola-se ao longo de 4 fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase, ocorrendo a
condensação e a separação do material genético em dois núcleos geneticamente iguais e loca-
lizados nas duas células-filhas.
• A citocinese corresponde à divisão do citoplasma com a formação de duas células-filhas indivi-
dualizadas. Nas células animais a citocinese ocorre por estrangulamento citoplasmático,
enquanto que nas células vegetais se forma uma placa equatorial com produtos transportados
pelas vesículas derivadas do complexo de Golgi.

58
Como explicar o crescimento dos seres vivos?

Crescimento e regeneração de tecidos vs diferenciação celular


Sugestão metodológica
Os alunos poderão apresentar a infor-
• O ovo é uma célula indiferenciada (totipotente) com potencialidade para originar todas as célu- mação resumida de forma esquemáti-
las de um organismo. Para tal, sofre várias divisões celulares sucessivas, originando células-filhas ca, recorrendo, para tal, a um mapa de
que crescem e se diferenciam. conceitos. Deverão usar todas as pala-
vras-chave definidas no programa, in-
• O desenvolvimento do organismo resulta de processos de aumento do tamanho e número de terligando os conceitos.
células. Os mapas de conceitos apresentados
• As células de todos os tecidos têm, no geral, um tempo de vida limitado, pelo que é necessário pelos alunos podem ser comparados
que as células se dividam e originem novas células, de modo a regenerar os tecidos mortos ou com os presentes no Guia do Professor e
danificados. no Manual Interativo – Versão do Pro-
fessor.
• A clonagem (produção de clones) com interesse agrícola e farmacológico tornou-se num objeti-
vo para muitos investigadores e laboratórios. Contudo, apresenta impactes éticos.
• Apesar de se originarem a partir de uma só célula, que se divide, formando células-filhas cujos
núcleos contêm a mesma informação genética da célula-mãe, os organismos multicelulares
apresentam na sua constituição células estruturais e funcionalmente diferentes.
• As células indiferenciadas, forma- Totipotente Manual
Blastócito
das a partir do ovo, transformam- Mórula Interativo –
Oócito II FICHA DE AVALIAÇÃO
Versão do
-se, através de um processo de
Feto Humano Professor
diferenciação celular, em células
especializadas numa determina-
Espermatozoide
da função (ex.: os neurónios são
Pluripotente
especialistas na transmissão do Células embrionárias
Manual
impulso nervoso). MAPA DE Interativo –
CONCEITOS Versão do
• A diferenciação consiste na aqui- Professor
sição de especializações celulares
que definem a estrutura e a fun- Exemplos
ção de uma célula.
Manual
• Algumas células das plantas apre- Sistema APRESENTAÇÃO Interativo –
sentam uma diferenciação que é imunitário EM POWERPOINT Versão do
Sistema Professor
reversível e, em condições apro- circulatório
priadas, podem dividir-se e origi- Sistema
nar uma nova planta. nervoso

• A capacidade que uma célula tem


em originar outros tipos de célu-
las especializadas é tanto maior quanto menor for o seu grau de diferenciação.
• As células, independentemente do grau de especialização, conservam o seu genoma, com exce-
ção dos glóbulos vermelhos dos mamíferos.
• A diferenciação resulta da expressão diferenciada dos genes, cuja regulação pode ocorrer duran-
te a transcrição, processamento ou tradução dos genes.
• Dependendo da estrutura e função de cada célula, uns genes encontram-se ativos e os restantes
inativos.
• Nos organismos, existem genes que regulam o funcionamento de outros genes.
• Quando uma célula normal apresenta deficiências no seu mecanismo de regulação divide-se
descontroladamente e pode originar um tumor.

59
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Autoavaliação

Resolvendo… 1. O DNA é a molécula responsável pelo armazenamento da informação genética. Com


1. base na figura, responda às seguintes questões.
1.1. O aluno tem que assinalar um
nucleótido formado por um grupo 1.1. Identifique na figura a unidade funda- 5’
O
fosfato, um açúcar e uma base. mental constituinte do DNA. OH
Ponte de hidrogénio 3’
-O P
1.2. A molécula de DNA é formada por O OH
H2C O
duas cadeias polinucleotídicas com- 1.2. Caracterize a estrutura do DNA. T A
plementares e antiparalelas, enro- O
O
O CH2
-O P O
ladas sob a forma de uma dupla 1.3. Classifique as seguintes afirmações O
O-
P
hélice. H2C O O
O
relativas à molécula de DNA em ver- G C
1.3. a. – F; b. – V; c. – F; d. – F; e. – V; O O
f. – V; g. – F. dadeiras (V) ou falsas (F): O
CH2
O
-O P O-
1.4. a. – o DNA é constituído por nu- O
O
P
H2C
cleótidos. a. O DNA é constituído por aminoá- O
C G O

c. – as duas cadeias de DNA estão cidos. O


O
O CH2
O
unidas por pontes de hidrogé- -O P O-

nio que se estabelecem entre


b. O DNA está organizado numa O
H2C O O
P
O
A T
as bases complementares. dupla cadeia, enrolada em hélice.
O CH2
d. – as cadeias de DNA são com- c. As duas cadeias de DNA estão uni- OH O
O-
3’
plementares e antiparalelas. HO
P

g. – a guanina é a base comple- das por ligações fosfodiéster que se O


5’
mentar da citosina. estabelecem entre as bases comple-
mentares.
d. As cadeias de DNA são complementares e paralelas.
e. O açúcar constituinte da molécula de DNA é a desoxirribose.
f. As bases constituintes do DNA são a adenina, a timina, a citosina e a guanina.
g. A guanina é a base complementar da timina.

1.4. Corrija as afirmações falsas sem recorrer à forma negativa.

2. A – 5; B – 2; C – 8; D – 1; E – 4. 2. Nas plantas, as giberelinas estimulam o alongamento celular, regulando a expres-


são dos genes que codificam a síntese de determinadas proteínas.
Faça corresponder a cada uma das letras (de A a E), que identificam afirmações
relativas à síntese e à maturação de proteínas, um dos números (de 1 a 8) da cha-
ve relativa a alguns intervenientes nesses processos.
Afirmações:
A) Unidade de informação hereditária, constituída por uma sequência de nucleótidos.
B) Sequência de ribonucleótidos que especifica a estrutura primária das proteínas.
C) Local onde ocorre a síntese de proteínas.
D) Monómero constituinte das proteínas.
E) Origem das vesículas responsáveis pelo transporte de proteínas para exocitose.
Chave:
1. Aminoácido 5. Gene
2. RNA mensageiro 6. Nucleótido
3. RNA ribossómico 7. DNA
4. Complexo de Golgi 8. Ribossoma
Adaptado do Exame Nacional de Biologia e Geologia, 2006, 2.a fase

60
3. Selecione a alternativa que permite preencher os espaços, de modo a obter uma 3. d.
afirmação correta.
Alguns medicamentos administrados a pessoas infetadas atuam ao nível da trans-
crição ou da tradução em Plasmodium. Durante a _____ ocorre a _____.
a. transcrição […] ligação do RNA mensageiro aos ribossomas
b. transcrição […] duplicação da molécula de DNA
c. tradução […] migração do RNA mensageiro do núcleo para o citoplasma
d. tradução […] polimerização de uma cadeia peptídica
Adaptado do Exame Nacional de Biologia e Geologia, 2006, 2.a fase

4. Observe as seguintes figuras: 4.


4.1. Síntese proteica.
4.2. D – C – B – F – A – E.
4.3. Fase D – formação do pré-mRNA
por complementaridade a partir do
DNA. Fase F – aos codões do mRNA
ligam-se por complementaridade
os anticodões do tRNA. Estes trans-
portam os aminoácidos específicos
para que ocorra, ao nível do ribos-
soma, a tradução.
4.4. c.

4.1. Identifique o processo representado acima.

4.2. Coloque as figuras por ordem de acontecimento.

4.3. Caracterize as fases assinaladas pelas letras D e F.

4.4. Relativamente à fase assinalada com a letra C pode referir que:


a. ocorre em organismos procariontes e eucariontes;
b. forma-se uma molécula de tRNA;
c. ocorre processamento do pré-mRNA;
d. há remoção dos exões da molécula de pré-mRNA.
(Selecione a opção correta.)

5. Coloque as seguintes etapas por ordem sequencial, de modo a caracterizar o ciclo 5. B – F – A – E – C – G – D – H.


celular.
A) A cromatina sofre compactação e enrolamento, tornando os cromossomas mais
curtos e densos e os centríolos começam a movimentar-se no sentido dos polos
da célula, com início da formação do fuso mitótico.

B) A molécula de DNA sofre replicação semiconservativa.

61
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Autoavaliação

C) Os cromossomas, unidos ao fuso acromático, deslocam-se em direção ao cen-


tro da célula para a placa equatorial.

D) Cada cromossoma, ligado ao fuso acromático, inicia a ascensão polar.

E) O nucléolo desaparece, a membrana nuclear desintegra-se e os cromossomas


ligam-se ao fuso acromático.

F) A célula prepara-se para a divisão, com a síntese de biomoléculas (maioritaria-


mente proteínas) e a formação de novos organitos celulares.

G) Ocorre rutura do centrómero, os cromatídios de cada cromossoma separam-se


e os cromossomas ficam com apenas um cromatídio.

H) A membrana nuclear volta a formar-se à volta da cromatina existente em cada


polo, individualizando os núcleos-filhos.
6.
6.1. A – Telófase; B – Anáfase; C – 6. As figuras ilustram as etapas do ciclo celular de uma célula.
Metáfase; D – Metáfase; E –
Interfase; F – Prófase.
Cromatídios
6.2. E – F – D – C – B – A.
6.3. Prófase – nas células animais os
centríolos começam a movimen-
tar-se no sentido dos polos da
célula, com início da formação do A B C
fuso mitótico. A cromatina sofre
compactação e enrolamento, tor- Invólucro nuclear Centríolo
Centríolo
nando os cromossomas mais cur-
tos e densos. Cada cromossoma é Núcleo Nucléolo
formado por dois cromatídios uni- Invólucro nuclear
dos pelo centrómero. No final da D E F
prófase o nucléolo desaparece, o
invólucro nuclear desintegra-se e
6.1. Identifique cada uma das etapas ilustradas.
os cromatídios ligam-se ao fuso
acromático. 6.2. Coloque-as por ordem cronológica.
6.4. Trata-se de uma célula animal
uma vez que a citocinese ocorre 6.3. Caracterize a fase F.
por constrição do citoplasma e
existem centríolos. 6.4. Indique, justificando, se a célula ilustrada é uma célula animal ou vegetal.
7. Em células vegetais, a citocinese
ocorre por fusão de vesículas pro-
venientes do complexo de Golgi.
7. A mutação de um gene codificador de uma proteína afeta o desenvolvimento
No plano equatorial da célula, devi-
do à mutação no gene codificador embrionário de uma determinada planta, provocando, por exemplo, a formação de
da proteína, a citocinese não se células com dois núcleos. Essa proteína é fundamental para que ocorra a fusão de
processa normalmente. Não sendo vesículas derivadas do complexo de Golgi.
comprometida a mitose, algumas Explique de que modo a mutação referida pode ter como consequência o apareci-
células passam a apresentar mais mento de células binucleadas.
do que um núcleo.
8. A mitose é um processo de divisão Adaptado do Exame Nacional de Biologia e Geologia, 2007, 2.a fase
nuclear através do qual se formam
dois núcleos-filhos geneticamen-
te iguais ao núcleo progenitor, 8. Comente a afirmação: “No final da telófase a célula apresenta dois núcleos idênti-
pelo que é assegurada a transmis-
cos entre si e ao núcleo que os originou, ao nível da constituição genética, assegu-
são das características hereditá-
rias ao longo das gerações.
rando-se a manutenção das características hereditárias ao longo das gerações”.

62
9. Classifique as seguintes afirmações em verdadeiras (V) ou falsas (F). 9. a. – V; b. – F; c. – F; d. – V; e. – F;
f. – V; g. – F; h. – V.
a. O crescimento e a regeneração dos tecidos tem por base divisões mitóticas. 9.1. b. – quanto menor o grau de
diferenciação de uma célula,
b. Quanto maior o grau de diferenciação de uma célula, maior é a potencialidade maior é a potencialidade
para originar outros tipos de células especializadas. para originar outros tipos de
células especializadas.
c. No Homem, a regeneração de tecidos termina na idade adulta.
c. – no Homem, a regeneração
d. Os organismos, animais ou vegetais, apresentam na sua constituição células dos tecidos ocorre durante
estrutural e funcionalmente diferentes originadas a partir de uma única célula toda a vida.
e. – as células estaminais po-
totipotente.
dem-se diferenciar em qual-
e. Nos tecidos dos organismos adultos existem células estaminais que se podem quer tipo de célula apenas do
diferenciar em qualquer tipo de célula de qualquer tipo de tecido. seu tecido.
g. – na clonagem produzem-se
f. A diferenciação não inclui a perda irreversível do genoma. organismos geneticamente
iguais ao do progenitor.
g. Na clonagem produzem-se organismos geneticamente diferentes do progenitor.
h. A fusão nuclear é uma técnica usada na clonagem de seres vivos.
9.1. Corrija as afirmações falsas sem recorrer à forma negativa.

10. Observe atentamente a figura respeitante a uma técnica usada na obtenção de orga- 10.
nismos. 10.1. Clonagem.
10.2. Efetua-se uma fusão nuclear
10.1. Identifique a técnica usada. entre um óvulo ao qual foi reti-
Núcleo
rado o núcleo e o núcleo de
10.2. Explique, sucintamente, em que uma célula madura. Desta
consiste este método de obtenção Descarga elétrica fusão resulta uma célula que se
de organismos. Célula
comporta como um ovo e que
Óvulo não
fecundado intestinal por divisões sucessivas origina-
10.3. Nesta técnica o embrião… adulta rá um embrião.
Núcleo da 10.3. a.
a. é idêntico geneticamente ao pro- célula adulta 10.4. O núcleo da célula contém a
Óvulo anucleado
genitor dador da célula intestinal. informação genética. Uma vez
Formação que o núcleo usado na obten-
b. é idêntico geneticamente ao pro- de um embrião ção do embrião pertencia à
genitor dador do óvulo. célula intestinal, o embrião será
geneticamente idêntico ao
c. é geneticamente diferente de ambos os progenitores. progenitor dador da célula
intestinal.
d. apresenta uma combinação de características genéticas de ambos os progeni-
tores.

(Selecione a opção correta.)

10.4. Justifique a sua opção.

11. Comente a afirmação: “O Homem pode interferir nos processos de diferenciação 11. A diferenciação celular pode ser
celular”. afetada por agentes ambien-
tais (ex.: raios-X, drogas e infe-
ções virais) que podem ser
potenciados pelo Homem, que
assim interfere nesse mesmo
processo.

63
Biologia UNIDADE 5 CRESCIMENTO E RENOVAÇÃO CELULAR

Desafios

Marshall Niremberg e H. J. Matthaei Alfred Hershey e Martha Chase


(séc. XX) (séc. XX)
Investigadores que sintetizaram no laboratório uma Em 1952, baseados nas experiências realizadas, concluíram que
molécula de mRNA, em 1961, sendo os autores do o DNA era a molécula responsável pela transmissão da
primeiro grande avanço na descodificação do código informação genética de geração em geração.
genético.

Clonagem humana… os riscos

O objetivo da investigação da clonagem humana nunca foi clonar pes-


soas ou criar bebés para no futuro serem dadores de partes ou produ-
tos humanos.
A investigação tem como objetivo obter células estaminais para curar
doenças.
Era inevitável que um dia este conhecimento fosse mal utilizado.
Agora, várias pessoas em todo o mundo anunciaram a sua intenção de
clonar um bebé.
Estes indivíduos não trabalham para nenhuma universidade, hospital
ou outra instituição governamental. No geral, a comunidade científica
mundial opôs-se fortemente a quaisquer hipóteses de clonar um bebé.
Segundo John Kilner, presidente do Centre for Bioethics and Human
Dignity nos Estados Unidos, "a maior parte da investigação publicada
demonstra que a morte ou a mutilação do clone são os resultados
mais prováveis da clonagem de mamíferos”.
"Submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco des-
conhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente", afirma Kilner.
A maior parte dos cientistas é da mesma opinião. A grande maioria das
tentativas de clonagem de um animal resultou em embriões deforma-
dos ou em abortos após a implantação. Muitos cientistas defendem
que os poucos animais clonados nascidos apresentam malformações
que não são detetáveis através de exames ou de testes no útero como,
por exemplo, deformações ao nível do revestimento dos pulmões.
http://www.bionetonline.org/portugues/Content/sc_cont5.htm

64
James Watson e Francis Crick Ian Wilmut Sobrinho Simões
(Séc. XX) (1944 - …) (1947 - …)
Propuseram, em 1953, combinando Embriologista inglês, liderou uma Cientista português, Diretor do
todos os conhecimentos que existiam, equipa que conseguiu obter, em 1996, Instituto de Patologia e Imunologia
o modelo estrutural de Dupla Hélice de pela primeira vez um clone viável de Molecular da Universidade do Porto, é
DNA. Foram prémio Nobel da Medicina um mamífero (a ovelha Dolly). um dos maiores especialistas mundiais
em 1962. em cancro da tiroide.

Em rede

http://www.cientic.com/ – sítio onde encontra vários documentos e links para páginas que abordam
várias temáticas.
http://www.ipatimup.pt – sítio do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do
Porto, onde poderá aceder a informação sobre atividades deste instituto.
http://www.dnaftb.org/dnaftb/ – sítio em inglês onde encontra informação e animações sobre o
DNA e o controlo da informação genética.
http://www.odnavaiaescola.com/ – sítio onde encontra várias experiências e artigos sobre DNA.
http://www.cellsalive.com/mitosis.htm – sítio com imagens de etapas da mitose.

Saber mais

Caderno de Atividades
• “Fenilcetonúria, uma doença causada por uma mutação génica”
• “Células, embriões e clonagem”

Leituras adicionais/filmes
• A clonagem em questão, de Fabrice Papillon e Axel Kahn, Edições Piaget
• Clonagem humana, de Henri Atlan, Quarteto Editora
• Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones, filme realizado por George Lucas
• O Clone (À ton image), filme editado por Olivier Gajan e Joëlle Hache

65
Que processos são responsáveis pela unidade
e variabilidade celular? Reprodução e variabilidade,
que relação?
Sugestão metodológica
A partir da situação-problema: “Que pro- Unidade 6
cessos são responsáveis pela unidade e
variabilidade celular?”, dever-se-ão pro-
mover atividades de discussão que per- Reprodução
mitam ao aluno expressar as suas conce-
ções sobre o assunto.

• PLANIFICAÇÃO A
MÉDIO PRAZO Guia do
• PLANIFICAÇÃO A Professor
CURTO PRAZO

1 Que processos são responsáveis pela


unidade celular?
Reprodução assexuada

Qual a relação entre variabilidade e 2


reprodução?
Reprodução sexuada

66
Sugestão metodológica
Estão previstos 13 blocos de aulas para
lecionar esta temática.

3 Quais as alterações a que um indivíduo está


sujeito ao longo do seu ciclo de vida?
Ciclos de vida

67
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Guia do
Professor e
1. Reprodução assexuada
TRANSPARÊNCIA N.° 7 Manual
INTRODUÇÃO Interativo –
Versão do
Professor A capacidade de produzir novos organismos é uma
característica fundamental dos seres vivos.
A reprodução assexuada não promove a variabilidade
genética das populações, porém, assegura o seu rápido
crescimento e a colonização de ambientes favoráveis.

Em anos anteriores… Palavras-chave A clonagem corresponde à produção de indivíduos geneticamente iguais. É


No 9.º ano de escolaridade na disciplina Bipartição um processo de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias
de Ciências Naturais, no tema VIVER
MELHOR NA TERRA, os alunos abordam
Fragmentação geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo – microrganismo, vegetal ou
Gemulação
as noções básicas de hereditariedade. animal. A reprodução assexuada é uma estratégia característica dos orga-
Partenogénese
nismos constituídos por uma única ou por um escasso número de células.
Multiplicação vegetativa
Esporulação A clonagem pode ser natural ou induzida artificialmente. Ela é natural em
Esporo todos os seres originados a partir da reprodução assexuada (ou seja, na
Clone qual não há participação de células sexuais), como é o caso das bactérias,
Clonagem dos seres unicelulares e mesmo da relva de jardim. A clonagem natural tam-
bém pode ocorrer em mamíferos, como no tatu e, mais raramente, nos
gémeos univitelinos. Nos dois casos, embora haja reprodução sexuada na
formação do ovo, os descendentes idênticos têm origem a partir de um pro-
cesso assexuado de divisão celular.
Os indivíduos resultantes da clonagem têm, geralmente, o mesmo genótipo,
isto é, o mesmo património genético.
Manual A clonagem também pode ser introduzida artificialmente, quer para a
APRESENTAÇÃO EM Interativo –
POWERPOINT Versão do obtenção de indivíduos quer de órgãos (clonagem terapêutica).
Professor Adaptado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Clonagem

68
Competências conceptuais Competências procedimentais Competências atitudinais
G Identificar estratégias reprodutoras. G Recolher, organizar e interpretar dados de G Desenvolver atitudes críticas e
G Conhecer as semelhanças e as diferenças natureza diversa, relativamente a processos fundamentadas acerca da exploração dos
entre os vários casos de reprodução de reprodução assexuada em diferentes tipos processos de reprodução assexuada dos seres
assexuada. de organismos. vivos com fins económicos.
G Compreender que a reprodução assexuada G Relacionar a mitose com os processos de
origina organismos geneticamente iguais aos reprodução assexuada.
progenitores. G Planificar e executar atividades laboratoriais
e experimentais.
G Avaliar as implicações da reprodução
assexuada ao nível da variabilidade e
sobrevivência das populações.

Pesquisa – Estratégias reprodutoras

As estratégias reprodutoras dos organismos diferem de acordo com vários fatores,


nomeadamente, o número de células que os constituem e o seu habitat. O Homem inter-
vém no processo reprodutivo dos organismos, em especial das plantas, desde os tempos
mais remotos até à atualidade.

Sugestão metodológica
Os alunos poderão realizar esta ativida-
de de pesquisa sobre as estratégias re-
produtoras, o que, possivelmente, os mo-
tivará para toda a temática a abordar
nesta unidade programática.
Os trabalhos de pesquisa poderão ser
apresentados e discutidos na turma.

1 Os fatores ambientais e o Homem intervêm no processo reprodutivo das plantas.

Efetue uma pesquisa que lhe permita encontrar resposta para as seguintes questões:
• Em que difere a reprodução sexuada da reprodução assexuada?
• Que estratégias de reprodução assexuada existem?
• De que forma o Homem intervém na reprodução dos organismos?

Comente a afirmação: ”A estratégia reprodutiva é um marco evolutivo dos seres vivos”.

69
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais
1.1 Os organismos apresentam estratégias de
Identificar estratégias reprodutoras.
Conhecer as semelhanças e as diferenças
reprodução muito variadas
entre os vários casos de reprodução
assexuada. Reproduzir e assegurar a sua descendência parece algo intrínseco aos
Compreender que a reprodução asse- seres vivos. Perante a diversidade de organismos e de ambientes, foi
xuada origina organismos geneticamen- necessário o desenvolvimento de estratégias reprodutoras variáveis que
te iguais aos progenitores. asseguram a transmissão das características hereditárias à descendência.
As estratégias de reprodução podem ser agrupadas em:
• Reprodução assexuada – os descendentes são originados a partir de
Competências procedimentais um único progenitor. Na maioria das situações, os descendentes são clo-
Recolher, organizar e interpretar dados  nes do progenitor, uma vez que são geneticamente iguais a ele, pois tem
de natureza diversa, relativamente a por base o processo de mitose. É característico dos organismos unicelu-
processos de reprodução assexuada em Clones
lares, embora também ocorra em alguns organismos multicelulares.
diferentes tipos de organismos. Células ou organismos geneticamente
Relacionar a mitose com os processos iguais entre si. • Reprodução sexuada – os descendentes são formados a partir de célu-
de reprodução assexuada. las sexuais (gâmetas) que se unem, dando origem a um ovo. As células
sexuais podem ser produzidas por um progenitor apenas ou por dois
progenitores.
Recordar e/ou enfatizar…
ATV. 1 Qual a estratégia reprodutora?
A reprodução assexuada origina orga-
nismos geneticamente iguais aos pro- A Macronúcleo B
genitores. Micronúcleo Larva em desenvolvimento

Resolvendo…
Citofaringe
1. Reprodução assexuada, porque ape-
nas há intervenção de um progeni- Deposição Saída
tor e os descendentes são iguais ao de óvulos do adulto
Vacúolo
progenitor. contrátil
2. A – divisão do organismo progeni- Adulto
Citoplasma Cílios
tor em dois organismos-filhos gene-
ticamente iguais entre si e ao proge- C Ocelos D
nitor. Poro genital
Face dorsal
3. Os descendentes formam-se a partir
de óvulos não fecundados, enquan-
Face ventral
to que nas restantes estratégias Região
reprodutoras não há formação de anterior Boca
óvulos. Faringe ou probóscide
4. Em C há a divisão do organismo pro- 2 Estratégias reprodutoras. Bipartição (A);
genitor em dois fragmentos e inde- Partenogénese (B); Fragmentação (C);
pendentemente da sua constituição Gemulação (D).
interna, cada um dos fragmentos
consegue regenerar todos os tecidos
e órgãos em falta, de modo a consti- 1. Na figura estão representados processos de reprodução assexuada ou sexuada? Justifique.
tuir um organismo, enquanto que
em D o progenitor emite de uma ge- 2. Descreva a estratégia reprodutora ilustrada no esquema A.
ma (ou gomo), contendo material
genético, que cresce até atingir o ta- 3. Distinga a estratégia reprodutora B das restantes.
manho característico da espécie. 4. Refira as principais diferenças entre C e D.
5. Na reprodução assexuada através de
divisões mitóticas e citocineses su- 5. Comente a afirmação: “As diversas estratégias de reprodução assexuada têm por base divi-
cessivas há a formação de novos in- sões mitóticas e por objetivo a produção de clones”.
divíduos geneticamente iguais aos
progenitores, motivo pelo qual são
denominados clones.

70
1. Reprodução assexuada

As estratégias de reprodução assexuada mais comuns são: bipartição, Competências conceptuais


fragmentação, partenogénese, divisão múltipla e gemulação. Todos  Identificar estratégias reprodutoras.
estes processos têm sempre um fim comum: a transmissão da informa- Conhecer as semelhanças e as diferenças
Bipartição, fragmentação,
ção genética e a perpetuação da espécie. entre os vários casos de reprodução
partenogénese, divisão múltipla assexuada.
Bipartição e gemulação Compreender que a reprodução asse-
São estratégias de reprodução xuada origina organismos genetica-
Estratégia reprodutora característica de organismos unicelulares assexuada. mente iguais aos progenitores.
(ex.: paramécia).
Consiste na divisão do organismo progenitor em dois organis-
mos-filhos geneticamente iguais entre si e ao progenitor.
Recordar e/ou enfatizar…
Os organismos formados crescem até atingirem o tamanho ca-
As semelhanças e as diferenças entre os
racterístico da espécie. O organismo progenitor deixa de existir.
vários casos de reprodução assexuada.

Fragmentação

Estratégia reprodutora característica de organismos muito dife- 3 Paramécias.


rentes (ex.: estrela-do-mar, planária e a espirogira).
Consiste na divisão do organismo progenitor em diversos frag-
mentos. Independentemente da sua constituição interna, cada
um dos fragmentos consegue regenerar todos os tecidos e
órgãos em falta, de modo a constituir um organismo.
Guia do
TRANSPARÊNCIA N.° 8 Professor e
REPRODUÇÃO Manual
Partenogénese ASSEXUADA
Interativo –
Versão do
4 Estrela-do-mar. Professor
Estratégia reprodutora característica de organismos como as
abelhas.
Os descendentes formam-se a partir de óvulos não fecundados.
É uma estratégia reprodutora alternativa para alguns seres que Aprofundando…
se reproduzem sexuadamente, quando na população não exis- A fragmentação pode ter causas antrópi-
tem machos da espécie (ex.: dragões de Komodo). cas, como no caso das estrelas-do-mar
que o homem fragmentou pensando que
Os organismos que recorrem a esta estratégia estão, no geral, assim provocaria o declínio da espécie.
associados a ambientes isolados (ex.: ilhas).

Divisão múltipla Evitar…


5 Abelhas.
A descrição exaustiva de um elevado nú-
Estratégia reprodutora característica de organismos que vivem mero de exemplos de reprodução asse-
xuada.
longos períodos em condições adversas e organismos patogé-
nicos (ex.: Plasmodium – agente causador da malária e
Tripanossoma – provoca a doença do sono).
Ocorre uma divisão múltipla do núcleo do progenitor originando-
-se vários núcleos. Posteriormente, cada um deles é envolvido
por um citoplasma e individualizado por uma membrana celular.
Quando a membrana celular do progenitor se rompe os des-
cendentes libertam-se.
6 Tripanossomas.

71
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais
LAB. 1 Reprodução em leveduras
Identificar estratégias reprodutoras.
Compreender que a reprodução asse-
xuada origina organismos genetica-
mente iguais aos progenitores. Princípios
. As leveduras são seres Como se processa Conclusões:
unicelulares. a reprodução nas
. O fermento de padeiro contém leveduras?
Competências procedimentais leveduras.
Relacionar a mitose com os processos
. As leveduras necessitam de
de reprodução assexuada.
glicose para produzir energia.
Recolher, organizar e interpretar dados
de natureza diversa, relativamente a . Na reprodução, os organismos
processos de reprodução assexuada em dispendem energia.
diferentes tipos de organismos.
Planificar e executar atividades labora- Conceitos
toriais e experimentais. . Levedura
Registo das observações:
. Gemulação
. Reprodução assexuada
Aprofundando… Procedimento
Durante a atividade laboratorial ocorre a
gemulação de leveduras, que consomem 1. Em 100 ml de solução de glicose (20%), dissolva 10 g de fermento de padeiro.
energia (glicose presente no meio). 2. Leve à estufa a 30 °C e agite regularmente.
3. Passados 90 minutos faça preparações temporárias dessa solução e observe-as ao micros-
cópio.

Sugestões metodológicas 4. Esquematize as suas observações.


Poderá ser solicitado aos alunos que pla- 5. Complete o V de Gowin.
nifiquem e executem atividades labo-
ratoriais e experimentais onde obser-
vem processos de reprodução assexuada
(ex.: observação de bolores do pão).
Poderá ser solicitado aos alunos que efe-
tuem uma pesquisa sobre as técnicas
naturais e artificiais de multiplicação Gemulação
vegetativa.
Visitar uma estação agrícola ou labo- Estratégia reprodutora característica de organismos como as
ratório onde se utilizem/desenvolvam leveduras e a hidra.
técnicas de propagação vegetativa, con-
frontando essas práticas com as utiliza- O progenitor emite uma gema (ou gomo), contendo material
das pela agricultura tradicional. genético, que cresce até atingir o tamanho característico da
espécie.
A gema pode-se individualizar do progenitor, formando um
organismo autónomo, ou pode permanecer unido ao progeni-
tor, formando uma colónia. 7 Leveduras.

Em todas as estratégias de reprodução assexuada anteriormente refe-


ridas, os descendentes formam-se diretamente a partir do progenitor
sem que este desenvolva estruturas reprodutoras.

72
1. Reprodução assexuada

Uma outra estratégia de reprodução assexuada é a esporulação. Esta Competências procedimentais


estratégia reprodutiva é caracterizada pela existência de estruturas  Relacionar a mitose com os processos de
especializadas na reprodução, os esporângios, que produzem células reprodução assexuada.
Esporulação
muito resistentes e leves denominadas esporos (fig. 8). Recolher, organizar e interpretar dados
É uma estratégia de reprodução de natureza diversa, relativamente a pro-
A B assexuada, na qual há formação de cessos de reprodução assexuada em di-
esporos. ferentes tipos de organismos.

Esporo
Célula reprodutora especializada,
muito resistente, produzida no
esporângio. Aprofundando…
Muitos organismos multicelulares for-
mam esporos durante o seu ciclo de
vida. Através da meiose, plantas e algas
8 Esporulação: Feto (A) e Fungo Rhizopus (B). produzem esporos haploides que são
diferentes dos gâmetas. Estes esporos
crescem originando indivíduos multice-
Quando ocorre o amadurecimento e a rutura do esporângio, os espo- lulares, sem que ocorra fecundação. Estes
ros são libertados, podendo ser disseminados pelo ar, pela água ou até indivíduos podem originar gâmetas por
por organismos. Os esporos podem conservar-se durante muito tempo um processo de mitose. A produção de
e germinarem apenas quando as condições de humidade forem favo- esporos, nestes casos, é considerada uma
forma assexuada de reprodução, embora
ráveis, originando novos indivíduos. A esporulação é uma estratégia resultante de um processo de meiose.
reprodutora característica de algumas plantas e fungos. Contudo, a esporulação (resultante da
meiose) e a fecundação são imprescindí-
veis para completar o ciclo de reprodu-
1.1.1 A multiplicação vegetativa tem por base a grande ção sexuada de algumas plantas (ex.:
fetos). A esporulação nos fungos e em
capacidade das plantas em regenerar tecidos algumas algas corresponde a um pro-
cesso de reprodução assexuada, em que
As plantas têm a capacidade natural de crescer e regenerar os tecidos os esporos são formados por mitose (os
durante toda a sua vida. Nos ápices das plantas existem tecidos indife- mitosporos), que por germinação origi-
renciados, os meristemas, a partir dos quais se formam células conti- nam novos indivíduos.
nuamente.
Algumas plantas apresentam estruturas especializadas a partir das
quais se originam os descendentes (fig. 9).

Estruturas especializadas na multiplicação vegetativa

Folhas Estolhos Tubérculos Rizomas Bolbos


Desenvolvimento nas Caules finos e longos de Caules subterrâneos Caules subterrâneos Caules subterrâneos de
margens da folha das crescimento aéreo e ricos em substâncias de de crescimento crescimento vertical.
plantas de plântulas que horizontal que quando reserva, como por horizontal, podendo Folhas externas
quando caem no solo e tocam no solo enraízam exemplo o amido que apresentar porções escamosas e carnudas.
enraízam originam uma (ex.: morangueiro). se acumula nas batatas. aéreas. Guia do
nova planta Professor e
(ex.: Bryophilium).
TRANSPARÊNCIA N.° 8
REPRODUÇÃO Manual
Interativo –
ASSEXUADA Versão do
Professor

9 Estruturas especializadas na multiplicação vegetativa.

73
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais Através da multiplicação vegetativa, as plantas conseguem produzir


Identificar estratégias reprodutoras. descendentes em elevado número. O Homem, na tentativa de
Compreender que a reprodução potenciar a multiplicação vegetativa, introduziu algumas técnicas, tais
assexuada origina organismos como a estacaria, a mergulhia, a alporquia e a enxertia (fig.10).
geneticamente iguais aos progenitores.
ATV. 2 Que técnicas de multiplicação vegetativa usa o Homem?
Competências procedimentais A B
Recolher, organizar e interpretar dados
de natureza diversa, relativamente a
processos de reprodução assexuada em
diferentes tipos de organismos.
Avaliar as implicações da reprodução
assexuada ao nível da variabilidade e
sobrevivência das populações.

Competência atitudinal C D
Desenvolver atitudes críticas e
fundamentadas acerca da exploração
dos processos de reprodução assexuada
dos seres vivos com fins económicos.

Sugestão metodológica
Poderá ser solicitado aos alunos que
efetuem uma pesquisa sobre o uso das 10 Técnicas de multiplicação vegetativa usadas pelo Homem. Estacaria (A); Mergulhia (B); Alporquia (C); Enxertia (D).
técnicas de multiplicação vegetativa na
agricultura, floricultura e silvicultura. 1. Qual o objetivo do Homem no uso das técnicas ilustradas?
2. Caracterize cada uma das técnicas A e B.
Resolvendo… 3. A filoxera é uma das pragas mais devastadoras da vitivinicultura mundial. Reproduz-se por
1. Obter um elevado número de partenogénese. Uma das espécies, a que atacou as vinhas portuguesas da região do Douro no
descendentes, selecionar a descen- século XIX (1865), vive nas raízes das videiras. Aquando do ataque da filoxera na vinhas do
dência e aumentar a rentabilidade
Douro apenas algumas espécies de videiras sobreviveram, mas não seriam as melhores castas.
económica.
2. Estacaria – são retirados de um Imagine-se vitivinicultor, cuja vinha tinha sido atacada por filoxera, e que pretendia continuar
indivíduo porções de caule e/ou com a sua casta de vinhos. Qual das técnicas de multiplicação ilustradas na figura por C e D
ramos que são enterrados no solo, escolheria para resolver o problema? Justifique.
onde vão enraizar e originar uma
nova planta. Mergulhia – encurvar 4. Explique a importância para a multiplicação vegetativa de as células vegetais conseguirem
um ramo, de modo a enterrar parte reverter a diferenciação.
no solo. Este, passado algum tempo, 5. Comente a afirmação: “O desenvolvimento da agricultura e o aumento da produção vegetal
ganhará raízes, após o que pode ser
cortada a ligação com a planta.
têm por base técnicas de multiplicação vegetativa naturais e artificiais”.
3. Selecionaria enxertia, pois só esta
permite continuar a ter a espécie de
videira pretendida e modificar a
parte inferior, substituindo-a por
uma espécie resistente. Na
alporquia, o resultado final é um
descendente igual ao progenitor. A técnica de estacaria é de fácil execução. Inicialmente, são retirados
4. A capacidade das células em ao indivíduo porções de caule e/ou ramos que são enterrados no solo,
reverter a diferenciação onde vão enraizar e originar uma nova planta (fig. 10A). Por vezes são
readquirindo totipotência permite o usadas como estacas folhas e raízes do progenitor.
crescimento e a regeneração de
células e tecidos. A mergulhia consiste em selecionar um ramo da planta, retirar todas as
5. As técnicas de multiplicação folhas e encurvá-lo, de modo a enterrar parte do ramo no solo; a
vegetativa são usadas na agricultura extremidade é atada a uma estaca. Passado algum tempo, o ramo
para melhorar a qualidade e
quantidade da produção vegetal. ganhará raízes, após o que pode ser cortada a ligação com a planta
progenitora, formando-se um indivíduo autónomo (fig. 10B).
74
1. Reprodução assexuada

Na alporquia remove-se um anel de um dos ramos da planta, colocando- Competências conceptuais


-se num solo húmido, envolve-se com um plástico e ata-se com ráfia. Identificar estratégias reprodutoras.
Depois de formadas as raízes, corta-se a ligação com a planta-mãe e Compreender que a reprodução asse-
transfere-se para o solo, onde completará o seu crescimento (fig. 10C). xuada origina organismos genetica-
É uma técnica usada nas macieiras e noutras plantas. mente iguais aos progenitores.

A enxertia é uma técnica muito comum (ex.: em videiras), que consiste


em colocar em contacto superfícies (ex.: caules) de duas plantas dife- Competências procedimentais
rentes, podendo ser ou não da mesma espécie. Faz-se uma incisão na Recolher, organizar e interpretar dados
planta recetora, onde será colocado ou posto em contacto o fragmen- de natureza diversa, relativamente a
to da planta que se pretende enxertar. Posteriormente, no local do processos de reprodução assexuada em
enxerto haverá cicatrização e integração do enxerto na planta recetora diferentes tipos de organismos.
(fig. 10D). Avaliar as implicações da reprodução
assexuada ao nível da variabilidade e
sobrevivência das populações.

1.1.2 A micropropagação vegetativa permite a obtenção


de um elevado número de clones Competência atitudinal
Desenvolver atitudes críticas e funda-
mentadas acerca da exploração dos pro-
Com uma população em crescimento torna-se necessária uma produ- cessos de reprodução assexuada dos
ção cada vez maior de alimentos, motivo pelo qual estão a ser imple- seres vivos com fins económicos.
mentadas novas técnicas de multiplicação vegetativa (fig. 11).

Sugestão metodológica
CTS&A 1 Micropropagação vegetativa Organizar dados, em pequenos grupos
de alunos, de modo a enumerar, caracte-
rizar e comparar algumas formas de re-
• Aumentar a produção de alimentos produção assexuada, bem como conhe-
é um dos objetivos do Homem. cer e analisar criticamente a exploração
que o homem faz de alguns desses pro-
• O uso de técnicas de multiplicação
cessos com fins económicos.
vegetativa artificiais (ex.: a estaca)
permite ao Homem a obtenção de
um maior número de plantas e, Resolvendo…
consequentemente, uma maior 1. Micropropagação, porque é necessária
produtividade. apenas uma pequena parte da plan-
ta-mãe como explante, para além de
• Atualmente, é possível obter em que em todos os procedimentos estão
laboratório, através de técnicas de envolvidas pequenas porções de ma-
cultura in vitro, como é exemplo a terial biológico, obtendo-se, no final,
micropropagação vegetativa, um plântulas.
elevado número de descendentes 2. A obtenção, em laboratório, de um
de uma só planta, usando apenas grande número de clones, de uma for-
só uma pequena parte do progeni- ma muito rápida e controlada pelo
11 Micropropagação vegetativa. Homem.
tor, denominada explante.
3. A ciência e a tecnologia têm permitido
ao homem introduzir novas técnicas
1. Com base na figura, justifique a denominação micropropagação. de multiplicação vegetativa, através
2. Quais as vantagens deste processo relativamente aos anteriores? das quais consegue produzir maior
quantidade de descendentes, bem
3. Explique de que forma a ciência e a tecnologia têm interferido na multiplicação vegetativa como selecioná-los, situações que
e qual o seu impacte em termos sociais. podem causar impactes económicos e
sociais.
4. Na micropropagação vegetativa, bem como em todas as estratégias de reprodução assexua- 4. Com a reprodução assexuada produ-
da, obtêm-se clones. Avalie as implicações de tal facto ao nível da variabilidade e sobrevi- zem-se clones. A variabilidade dentro
vência das populações. da espécie é muito reduzida, o que
poderá pôr em risco as populações no
caso de alterações ambientais.

75
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais
LAB. 2 Como obter clones de violeta africana?
Identificar estratégias reprodutoras.
Compreender que a reprodução asse- Para efetuar micropropagação vegetativa é necessário
xuada origina organismos genetica- recorrer a técnicas e materiais laboratoriais, selecionar o
mente iguais aos progenitores.
fragmento da planta que se pretende clonar (explante).
Devemos preparar os meios de cultura com os nutrientes
e hormonas necessários para que ocorra a multiplicação,
o crescimento e a diferenciação dos tecidos. Obtêm-se, no
final, várias plântulas geneticamente iguais entre si e
iguais ao indivíduo do qual foi removido o explante.
Competências procedimentais 12 Violeta africana.
Relacionar a mitose com os processos Material
de reprodução assexuada. • Folha de violeta africana • Hormonas vegetais (citoci- • Gaze
Recolher, organizar e interpretar dados (Saintpaulia ionantha) ninas e auxinas) • Parafilme
de natureza diversa, relativamente a • Agar • Água destilada • Papel de alumínio
processos de reprodução assexuada em • Solução de Knop • Lamparina • Estufa
diferentes tipos de organismos. • Lixívia a 20% • Algodão hidrófilo • Balões de Erlenmeyer
Planificar e executar atividades labora- • Álcool etílico a 70% • Material de dissecação
toriais e experimentais. • Sacarose • Vidro de relógio

Procedimento
1. Identifique os balões de Erlenmeyer com as letras A, B, C e D.
2. Em cada um dos balões prepare um meio de cultura com 100 cm3 de solução de Knop, saca-
rose (1,5%) e agar (1,5%).
Sugestões metodológicas 3. Tape os quatro balões com uma rolha de gaze.
Planificar e executar atividades labora- 4. Autoclave os quatro balões contendo o meio de cultura e todo o material de dissecação
toriais de natureza experimental que (embrulhado em papel de alumínio).
permitam pôr em prática procedimen- 5. Deixe arrefecer os balões até aos 65 °C e remova a gaze de cada um dos balões próximo
tos de propagação vegetativa. Reco- da lamparina.
menda-se a valorização de processos
de manipulação e controlo de variáveis
6. Adicione, em condições estéreis, ao balão B auxina (1 g/dm3) e citocinina (2 g/dm3), ao balão
simples, como temperatura, humidade, C auxina (1 g/dm3) e ao balão D citocinina (2 g/dm3).
etc., bem como a discussão da impor- 7. Selecione uma das folhas da violeta que esteja em bom estado e corte-a junto ao pecíolo.
tância das réplicas nos trabalhos expe- 8. Mergulhe a folha durante 10 minutos em álcool a 70%.
rimentais. A utilização de sensores 9. Lave-a em água destilada e coloque-a em lixívia a 20% durante dez minutos.
pode ser uma mais-valia na monitori-
zação das variáveis em estudo. 10. Coloque a folha em água destilada durante cinco minutos.
Os procedimentos de 1 a 6 poderão ser 11. Corte o limbo da folha em pequenos quadrados, eliminando as margens e as nervuras prin-
feitos numa aula, ficando os meios no cipais, e os pecíolos em pequenas porções, divididos longitudinalmente.
frigorífico a 4 °C até à aula seguinte, em 12. Em cada um dos balões, faça uma pequena incisão no meio e coloque um explante no seu
que se realizará o restante procedimen- interior, de modo que haja contacto entre o meio e o explante.
to laboratorial. 13. Tape os recipientes com algodão embebido em gaze e isole-os com parafilme.
A solução de Knop poderá ser substituí-
da por meio MS.
14. Coloque os balões numa estufa* à temperatura de 25 °C, em condições de luz controladas,
durante 15 dias.
15. Observe as culturas de 2 em 2 dias e registe os aspetos dos tecidos, tendo especial aten-
ção à formação de gomos caulinares e/ou raízes.
Atenção: A experiência deverá ser realizada perto da chama da lamparina e com o material autoclavado para manter as
condições de assepsia.
* Na ausência de uma estufa com luz, os balões poderão ser colocados junto a uma janela, num local bem iluminado.
Resolvendo…
2. Todas as plantas que se obtêm por 1. Construa um V de Gowin como relatório à atividade laboratorial realizada.
micropropagação vegetativa são ge-
neticamente iguais ao progenitor a 2. Comente a afirmação: “Na micropropagação vegetativa obtêm-se clones”.
partir do qual foram originadas,
logo são clones.

76
1. Reprodução assexuada

As potencialidades económicas que podem advir de algumas estraté- Competências conceptuais


gias de reprodução assexuada como, por exemplo, a clonagem feita a  Compreender que a reprodução assexua-
partir da multiplicação vegetativa e da micropropagação, são muito da origina organismos geneticamente
Clonagem iguais aos progenitores.
atrativas para o Homem, nomeadamente, ao nível da vitivinicultura e
hortofloricultura. Por este motivo tem havido uma crescente alteração Processo através do qual se obtêm
das práticas agrícolas mais tradicionais. indivíduos geneticamente idênticos
(clones).
Competência procedimental
1.1.3 A reprodução assexuada apresenta vantagens e Avaliar as implicações da reprodução
assexuada ao nível da variabilidade e
desvantagens sobrevivência das populações.
Na reprodução assexuada há formação de descendentes a partir de um
único progenitor, através de mitoses sucessivas. Desta forma, os des-
cendentes são geneticamente iguais ao progenitor, ou seja, são clones. Competência atitudinal
As principais vantagens da reprodução assexuada são: Desenvolver atitudes críticas e funda-
mentadas acerca da exploração dos pro-
• obtenção de um maior número de descendentes; cessos de reprodução assexuada dos
seres vivos com fins económicos.
• rapidez na obtenção de descendentes (ex.: através da micropropaga-
ção vegetativa);
• seleção de variedades de plantas, de modo a obter a descendência
pretendida. Recordar e/ou enfatizar…
As potencialidades e limitações biológi-
A variabilidade intraespecífica pode ser muito reduzida entre os seres cas dos processos de reprodução asse-
que se reproduzem assexuadamente, podendo ser problemático se xuada.
ocorrerem alterações nefastas do meio ambiente. Estas podem levar à
extinção das espécies menos adaptadas às novas características
ambientais. O Homem, ao selecionar artificialmente as espécies, está a
contribuir para a diminuição da biodiversidade. Aprofundando…
Os seres que se reproduzem assexuada-
mente podem apresentar diferenças em
Resumindo relação aos progenitores devido à ocor-
rência de mutações.
A reprodução é um processo vital para as espécies.
Existem dois tipos de reprodução: assexuada e sexuada.
Sugestão metodológica
Na reprodução assexuada originam-se descendentes, a partir de um Os alunos poderão apresentar a infor-
único progenitor (clones), na maioria das vezes por divisões mitóticas. mação resumida de forma esquemá-
tica, recorrendo, para tal, a um mapa de
Os organismos que se reproduzem assexuadamente têm estraté-
conceitos.
gias reprodutoras diferentes, tais como: bipartição, gemulação, frag-
mentação, divisão múltipla, partenogénese e esporulação.
A multiplicação vegetativa tem um amplo sucesso nas plantas pelo
facto destas apresentarem grande capacidade de regeneração de
tecidos e algumas das células reverterem a diferenciação.
Manual
A micropropagação vegetativa é uma técnica de multiplicação, que recorre a técnicas laboratoriais, MAPA DE Interativo –
tendo como resultado final um elevado número de clones. CONCEITOS Versão do
Professor
A reprodução assexuada apresenta como principal potencialidade a obtenção de um elevado núme-
ro de descendentes num curto espaço de tempo, tendo impactes económicos e sociais, tais como
uma maior disponibilidade de alimentos para uma população humana em crescimento.
O facto de os organismos que se reproduzem assexuadamente apresentarem uma reduzida variabi- Manual
lidade pode conduzir à extinção em caso de alterações ambientais, por exemplo. APRESENTAÇÃO EM Interativo –
POWERPOINT Versão do
Professor

77
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

2. Reprodução sexuada

Os processos de formação de gâmetas e a fecundação


que ocorrem na reprodução sexuada promovem a
variabilidade genética das populações.

Guia do
A meiose, conjugada com a fecundação, permite a
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 7 Manual manutenção do número de cromossomas característico
INTRODUÇÃO Interativo –
Versão do de cada espécie.
Professor

Em anos anteriores… Palavras-chave Uma das mais fascinantes questões da Biologia evolutiva envolve as razões
No 9.º ano de escolaridade, na disciplina Cromossomas homólogos da manutenção da reprodução sexuada entre os seres vivos. Esse processo
de Ciências Naturais, os alunos abor- Haploide/diploide
dam as noções básicas de hereditarieda-
está associado a um elevado dispêndio energético (disputas territoriais e
Gónada
de, no tema VIVER MELHOR NA TERRA. acasalamentos) e expõe os indivíduos a uma série de riscos, como predação,
Gametângio
parasitismo e ferimentos causados em disputas por fêmeas.
Hermafrodita
Meiose A reprodução é o mecanismo que garante a transmissão das características
Aprofundando… genéticas de um indivíduo para a sua prole. Os organismos mais adaptados
Divisão reducional/equacional
Algumas espécies são capazes de se ao ambiente têm maior sucesso reprodutivo e, com o passar do tempo, os ge-
Mutação cromossómica
reproduzir assexuadamente se as con-
dições ambientais não forem propícias, Crossing-over nes que conferem essa vantagem evolutiva aos seus portadores tornam-se
ou em ocasiões em que haja um dese- Fecundação mais representados na população.
quilíbrio da razão sexual (número de As fêmeas fazem uma “seleção sexual” dos machos mais aptos para se repro-
machos em relação ao total de fêmeas)
ou quando fêmeas migram para locais
duzirem. Como não é possível avaliar diretamente os genes desses indivíduos,
onde não existam machos disponíveis. a seleção baseia-se em características como plumagem, coloração e uma série
A partenogénese ocorre naturalmente de comportamentos exibidos pelos machos durante o período de acasala-
em muitas espécies, incluindo plantas, in-
mento. Essas características, contudo, tornam esses indivíduos mais vulnerá-
vertebrados e alguns vertebrados como
peixes, anfíbios, répteis e, raramente, veis a predadores. Esse risco também é elevado durante o período em que as
aves. fêmeas ou o casal têm de cuidar da sua prole. Portanto, se existem tantos ris-
cos e gastos energéticos envolvidos com a reprodução sexuada, por que moti-
vo os seres vivos não passam a reproduzir-se assexuadamente como as bac-
Manual térias e outros organismos primitivos?
APRESENTAÇÃO EM Interativo – Adaptado de Ceticismo, Ciência e Tecnologia.htm
POWERPOINT Versão do
Professor

78
Competências conceptuais Competências procedimentais Competências atitudinais

G Conhecer os fenómenos que ocorrem em G Prever em que tecidos de um ser vivo se G Apreciar criticamente as implicações éticas e
cada uma das etapas da meiose. poderão observar imagens de meiose. morais que envolvem a utilização de
G Compreender as divisões reducional e G Interpretar, esquematizar e legendar imagens processos científico-tecnológicos na
equacional da meiose. relativas aos principais acontecimentos da manipulação da reprodução humana e/ou de
meiose. outros seres vivos.
G Conhecer os aspetos que distinguem a
meiose da mitose. G Discutir de que modo a meiose e a
G Identificar os acontecimentos da meiose que fecundação contribuem para a variabilidade.
contribuem para a variabilidade dos seres G Recolher e organizar dados de natureza
vivos. diversa, relativamente às estratégias de
G Identificar os gametângios como locais onde reprodução utilizadas por seres
ocorre a produção de gâmetas. hermafroditas.
G Compreender o hermafroditismo como uma
condição que não implica a autofecundação.

Pesquisa – Vantagens e desvantagens da reprodução sexuada

A reprodução é uma das fases mais exigentes do ciclo de vida dos seres vivos. Os organis-
mos que se reproduzem sexuadamente despendem muita energia para acasalar, poden-
do colocar a sua vida em risco durante a reprodução. Contudo, a reprodução sexuada é o
Sugestão metodológica
mecanismo de reprodução adotado por 95% das espécies multicelulares.
Os alunos poderão realizar esta ativida-
de de pesquisa sobre as vantagens e
desvantagens da reprodução sexuada, o
que, possivelmente, os motivará para
toda a temática a abordar nesta unidade
programática.
Os trabalhos de pesquisa poderão ser
apresentados e discutidos na turma.

Aprofundando…
A razão da opção da reprodução sexuada
é o aumento da variabilidade genética
associado à formação de gâmetas por
meiose. A presença de populações gene-
1 Reprodução sexuada. ticamente heterogéneas é um fator chave
para a sobrevivência a longo prazo das
espécies no nosso planeta. Quanto mais
Efetue uma pesquisa que lhe permita responder às seguintes questões: cópias diferentes dos seus genes uma
• Quais as vantagens e as desvantagens da reprodução sexuada? espécie possuir, mais apta estará para
• Como é que a reprodução sexuada contribui para a variabilidade genética? enfrentar mudanças ambientais e novas
• Porque é que alguns seres vivos, que se reproduzem sexuadamente, em determinadas pressões seletivas, evitando, por mais
condições se reproduzem assexuadamente? tempo, a sua extinção.

Comente a afirmação: ”A reprodução sexuada é uma estratégia de sobrevivência”.

79
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Sugestões metodológicas
2.1 A meiose e a fecundação asseguram a
Rever o conceito de cromossoma apren- 
dido na unidade anterior. manutenção do número de cromossomas da
Cromossomas homólogos
Relembrar que os organismos resultan-
Cromossomas provenientes um de
espécie
tes da reprodução assexuada são clones
dos progenitores, pelo que ao longo das cada progenitor, formando um par.
gerações o número de cromossomas é Como já foi referido anteriormente, cada espécie de seres vivos é carac-
Apresentam forma, estrutura e
constante. terizada pelo seu número de cromossomas. No caso do Homem, todos
sequência de genes idênticas.
os indivíduos deverão apresentar 46 cromossomas, idênticos dois a
Diploide dois, cada par apresentando uma forma, estrutura e sequência de
Célula que tem cromossomas genes semelhante, denominando-se por cromossomas homólogos.
homólogos. A sua constituição Todas as células que apresentam cromossomas homólogos são desig-
cromossómica é representada por 2n. nadas por diploides, sendo a sua constituição cromossómica represen-
tada por 2n (fig. 2A).
Haploide
Célula que não apresenta Nos organismos diplontes as células que originam os gâmetas sofrem
cromossomas homólogos. A sua divisão nuclear, de modo a que haja redução para metade do número
constituição cromossómica é de cromossomas. Os gâmetas, como não apresentam cromossomas
representada por n. homólogos, denominam-se haploides e a sua constituição cromossó-
mica é representada por n (fig. 2B). O ovo, célula diploide, resultante da
fusão dos gâmetas, apresenta um conjunto de cromossomas prove-
nientes de cada um dos progenitores.
! A B

Nem todos os seres são diplontes. A


espirogira é um exemplo de um ser
haplonte, na qual a única estrutura
diploide é o ovo.
Na nossa espécie, o homem possui no
par 23 um cromossoma X e um
cromossoma Y que são 2 Célula diploide (A) e célula haploide (B).
estruturalmente diferentes.
Na reprodução sexuada os descendentes são formados a partir da
fusão de duas células (gâmetas), oriundas de cada um dos progenito-
res, pelo que o descendente não é um clone dos ascendentes, apresen-
tando características de ambos os progenitores (fig. 3).

3 Duas gerações em que os


descendentes apresentam
diferenças entre si e em relação
aos progenitores.

80
2. Reprodução sexuada

Como é que na reprodução sexuada o número de cromossomas se Competências conceptuais


ATV. 1 Identificar os gametângios como locais
mantém constante ao longo das gerações?
onde ocorre a produção de gâmetas.
B Interfase I da meiose
A Compreender o hermafroditismo como
Par de cromossomas homólogos uma condição que não implica a autofe-
Haploide (n) Gâmetas haploides (n)
cundação.
Diploide (2n) Óvulo

Replicação dos
cromossomas Competências procedimentais
Par de cromossomas homólogos replicados Prever em que tecidos de um ser vivo se
poderão observar imagens da meiose.
Meiose Fecundação
Espermatozoide (n)
Cromatídios

Testículo
Resolvendo…
Ovário Meiose I
Zigoto 1. Células haploides – gâmetas (esper-
diploide (2n) Separação dos matozoide e óvulo). Células diploides
cromossomas
homólogos – todas as restantes com exceção dos
gâmetas.
Meiose II
2. Formação de células haploides –
Mitose e
diferenciação Separação dos meiose; reposição da diploidia –
cromatídios fecundação.
3. A meiose pode ser observada nos
testículos e nos ovários.
4 Ciclo de vida do Homem (A) e esquema da meiose (B). 4. Na meiose produzem-se quatro célu-
las-filhas a partir da célula progeni-
1. Identifique na figura A as células haploides e as diploides. tora.
5. A meiose reduz para metade o nú-
2. Indique no ciclo de vida do Homem os processos responsáveis pela formação de células haploi- mero de cromossomas da espécie e
des e pela reposição da diploidia. na fecundação repõe-se a diploidia,
pelo que são fenómenos que no seu
3. Preveja no Homem os tecidos onde poderão ser observadas imagens de meiose. conjunto vão permitir a manutenção
4. Quantas células-filhas se produzem a partir de uma célula progenitora através da meiose? do número de cromossomas caracte-
rístico da espécie.
5. Apresente uma explicação para o facto de o número de cromossomas das espécies que se 6. Apenas sofrem meiose as células que
reproduzem sexuadamente se manter constante ao longo das gerações. vão originar os gâmetas.
7. Os erros podem originar a formação
6. Comente a afirmação: “Nem todas as células sofrem meiose”. de gâmetas com um número ou
composição cromossómica errada e
7. Caso ocorram erros na meiose, aquando da formação dos gâmetas, quais poderão ser as con-
que, caso participem na fecundação,
sequências?
podem formar um indivíduo com
anomalias cromossómicas.

O ciclo de vida dos organismos que se reproduzem sexuadamente é


marcado por dois processos: a meiose e a fecundação, que em conjun-
to permitem a manutenção do número de cromossomas característico
de cada espécie. 
Gónada
Os seres que se reproduzem sexuadamente apresentam Órgão onde, nos animais, se formam
estruturas próprias onde se produzem gâmetas os gâmetas.

A produção de gâmetas ocorre em estruturas especializadas denomi- Gametângio


nadas nos animais por gónadas e nas plantas por gametângios. Órgão onde, nas plantas, se formam os
gâmetas.

81
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competência conceptual Nos animais, as gónadas masculinas denominam-se testículos, sendo


Identificar os gametângios como locais os locais onde se produzem os espermatozoides, que correspondem
onde ocorre a produção de gâmetas. aos gâmetas masculinos (fig. 5A). Os ovários são as gónadas femininas,
onde são produzidos os gâmetas femininos, designados por óvulos
(fig. 5B).
A B
Aprofundando… Vaso deferente Degeneração do corpo lúteo
Na realidade, os ovários na espécie Veias testiculares
Corpo lúteo
Artéria testicular Oócito I
humana libertam os oócitos II, que ape- (amarelo)
nas concluem a divisão II da meiose Epidídimos
Túbulos
caso sejam fecundados por um esper-
seminíferos
matozoide, originando nesse momento
o óvulo (com 23 cromossomas). Após a
entrada do espermatozoide e a finaliza-
ção da divisão (nas Trompas de Faló- Oócito II
pio), o núcleo do óvulo e do espermato- Ovulação
zoide fundem-se, originando o ovo Testículo
Ovário
(zigoto) formado por 23 pares de cro-
mossomas (2n = 46 cromossomas).

Recordar e/ou enfatizar…


A diversidade de gónadas/gametângios 5 Gónadas masculinas (A) e Nas plantas existem os gametângios masculinos – os anterídios –,
como locais onde ocorre produção de femininas (B). onde são produzidos os gâmetas masculinos (quando são flagelados
gâmetas. são denominados por anterozoides), e os gametângios femininos –
arquegónios –, onde se produzem as oosferas (gâmetas femininos)
(fig. 6). Existe uma grande diversidade de gametângios nas plantas.

Evitar… A Cone ovulífero B


A utilização de um elevado número de
termos científicos para nomear góna-
das e/ou gametângios nos exemplos es-
Estigma Antera
tudados. (micros-
Estilete porângio)
Ovário
Óvulo Filamento
Cone polínico

Sépala
Sugestão metodológica
As estruturas especializadas na produ-
Recetáculo
ção de gâmetas serão estudadas com
maior profundidade no próximo capí-
tulo, aquando do estudo dos ciclos de
vida, pelo que neste capítulo devem ser
referidas apenas como exemplo.

“AS ANGIOSPÉRMICAS 6 Gametângios


NA CONQUISTA DO MEIO Guia do
Professor femininos e masculinos
TERRESTRE”
do pinheiro (A) e de
uma planta com flor (B).

82
2. Reprodução sexuada

O aparecimento de plantas com flor foi um importante aspeto evoluti- Competências conceptuais
vo, estando esta estrutura relacionada com a reprodução, pois é o local Identificar os gametângios como locais
onde são formados os gâmetas e onde ocorrerá a fecundação. Existem onde ocorre a produção de gâmetas.
flores que produzem apenas um tipo de gâmetas, enquanto outras Compreender o hermafroditismo como
produzem os dois tipos de gâmetas. uma condição que não implica a autofe-
cundação.
Nos estames, ao nível das anteras, encontram-se os sacos polínicos,
onde se formam os grãos de pólen (contendo gâmetas masculinos),
que necessitam de alcançar o gâmeta feminino para que a fecundação
ocorra. Para tal, podem usar como veículo de dispersão os animais ou o
vento como agentes de polinização (fig. 7).
Competência procedimental
Recolher e organizar dados de natureza
diversa, relativamente às estratégias de
reprodução utilizadas por seres herma-
froditas.

Recordar e/ou enfatizar…


As divisões reducional e equacional da
meiose e sua importância biológica.

Aprofundando…
7 Polinização através dos Algumas das plantas que se autofecun-
Os organismos que produzem simultaneamente gâmetas masculinos e animais. dam não dependem de nenhum fator de
femininos denominam-se hermafroditas. São vários os exemplos de dispersão do pólen, pois este pode ser
produzido nas anteras e transferido por
organismos nessas condições (fig. 8), sendo que a maioria das plantas gravidade para os arquegónios adjacen-
com flor é hermafrodita. No entanto, o hermafroditismo é uma condi- tes.
ção que não implica a autofecundação. 
Hermafrodita
Organismo que produz gâmetas
femininos e masculinos.

8 Organismos hermafroditas.
Caracol (A); Minhoca (B);
Orquídea (C).


Na meiose ocorrem duas divisões consecutivas: reducional e Meiose
equacional Processo de divisão nuclear através do
qual se formam quatro núcleos
A meiose é um mecanismo constituído por duas divisões nucleares –
divisão I e divisão II –, durante o qual há a redução do número de cro-
haploides a partir de um núcleo
mossomas para metade. diploide.

83
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais
ATV. 2 Em que tecidos é possível observar fenómenos da meiose?
Conhecer os fenómenos que ocorrem
em cada uma das etapas da meiose. Espermatogénese Oogénese Quantidade de DNA
Compreender as divisões reducional e A B por lote cromossómico C
equacional da meiose. 1 4Q
Competências procedimentais
Interpretar, esquematizar e legendar
imagens relativas aos principais aconte-
cimentos da meiose. 2 3 Oócito I 2Q

Discutir de que modo a meiose e a fecun- Divisão I Q


Divisão I
dação contribuem para a variabilidade. da meiose da meiose Interfase Meiose
Resolvendo… Oócito II +
Divisão II Divisão II Glóbulo polar Tempo
1. Para que ocorra a replicação do mate- da meiose da meiose
rial genético, síntese de compostos e Óvulo + Glóbulo polar
produção de mais organitos celulares. Diferenciação celular
4 Crescimento celular
2. As células assinaladas por 1, 2 e 3 são
diploides tendo 46 cromossomas, en- Espermatozoides
quanto que as células 4 e 5 são haploi- 5 Óvulo maduro
des apresentando 23 cromossomas.
3. Divisão I – reducional; Divisão II –
equacional. Divisão reducional por-
que o número de cromossomas é 9 Processo de formação dos gâmetas. Espermatogénese (A); Oogénese (B); Variação da quantidade de DNA durante um
reduzido para metade. Divisões equa- ciclo celular com meiose (C).
cionais porque o número de cromos-
somas não sofre alteração. Contudo, 1. Qual a importância da meiose ocorrer após a interfase?
as células-filhas passam a ter apenas
um cromatídio por cromossoma. 2. Indique o número de cromossomas das células assinaladas por 1, 2, 3, 4 e 5.
4. Na interfase a quantidade de DNA pas-
sa de 2Q para 4Q; na divisão I da meio- 3. Tendo em conta os termos reducional e equacional, classifique as divisões I e II. Justifique.
se retoma-se os 2Q, que diminuem
4. Como varia a quantidade de DNA ao longo da meiose?
para Q ao fim da divisão II da meiose.
5. Não é necessário que ocorra uma inter- 5. Entre a divisão I e a divisão II da meiose não ocorre replicação do DNA. Qual a justificação
fase, pois cada cromossoma já é consti-
para tal facto?
tuído por dois cromatídios, pelo que
não vai ocorrer replicação do material 6. No Homem, em que tecidos é possível observar fenómenos de meiose?
genético.
6. Nos tecidos onde se formam os gâme- 7. Qual a importância da meiose no processo de formação de gâmetas?
tas, ou seja, nos testículos e nos ová-
rios. 8. Refira três aspetos que diferenciem a meiose da mitose.
7. Permite reduzir para metade o núme-
ro de cromossomas de modo a que,
9. Comente a afirmação: “Os gâmetas produzidos apresentam diferentes combinações genéticas”.
quando ocorra fecundação, seja resta-
belecido o número de cromossomas
típico da espécie.
8. Na meiose, por cada célula-mãe, for-
mam-se quatro células-filhas com
metade dos cromossomas da célula- Tal como na mitose, antes da meiose ocorre um período de interfase,
-mãe, enquanto que na mitose se for- durante o qual há replicação do material genético e síntese de biomo-
mam duas células-filhas com o mes- léculas (fig. 9).
mo número de cromossomas da célu-
la-mãe. Na meiose ocorrem duas A divisão I da meiose é constituída pelas seguintes etapas: prófase I,
divisões, enquanto que na mitose cor-
metáfase I, anáfase I e telófase I. Nesta divisão há redução para metade
responde apenas a uma divisão, idên-
tica à divisão II da meiose. Na meiose
 do número de cromossomas, uma vez que uma célula diploide, com 2n
ocorre recombinação do material ge-
Divisão reducional cromossomas, por divisão, origina duas células-filhas haploides, com n
nético devido ao crossing-over, en- cromossomas. Por haver redução de 2n para n cromossomas, a divisão I
quanto que na mitose o conteúdo ge- Corresponde a todos os fenómenos
da meiose é denominada por divisão reducional (fig. 9).
nético mantém-se inalterado ao longo que ocorrem durante a divisão I da
das gerações. meiose e que têm como resultado À divisão I da meiose segue-se, em geral, a citocinese, que no caso das
9. Os gâmetas formados são genetica-
mente diferentes entre si porque ocor- final a formação de duas células-filhas células animais é visível com o aparecimento de um anel contrátil na
re disjunção aleatória e crossing-over com metade do número de zona equatorial, ainda durante a telófase l. Permite a individualização
(durante a gametogénese), que são cromossomas da célula-mãe. de cada uma das células-filhas.
fatores que introduzem variabilidade
genética. 84
2. Reprodução sexuada

Entre a divisão I e a divisão II da meiose não vai ocorrer replicação do Competências conceptuais
DNA, porque cada cromossoma já é constituído por dois cromatídios.  Conhecer os fenómenos que ocorrem
em cada uma das etapas da meiose.
A partir de cada uma das células haploides formadas na divisão I vão-se Divisão equacional
Compreender as divisões reducional e
formar duas células-filhas na divisão II da meiose. Esta inclui as seguin- Corresponde a todos os fenómenos equacional da meiose.
tes fases: prófase II, metáfase II, anáfase II e telófase II. As células-filhas que ocorrem durante a divisão II da
são haploides, divergindo das que lhe deram origem, pelo facto de meiose e que têm como resultado
apresentarem cromossomas com apenas um cromatídio. Como não há final a manutenção do número de
redução no número de cromossomas mas apenas a separação dos cro- cromossomas (n). Ocorre a separação
matídios de um mesmo cromossoma, a divisão II da meiose é denomi- dos cromatídios, pelo que cada célula- Competências procedimentais
nada de divisão equacional. -filha apenas terá cromossomas Interpretar, esquematizar e legendar
imagens relativas aos principais aconte-
A citocinese vai ocorrer novamente, permitindo a individualização das constituídos por um cromatídio. cimentos da meiose.
quatro células-filhas recém-formadas. Prever em que tecidos de um ser vivo se
Na meiose existem estádios idênticos aos da mitose, principalmente ao poderão observar imagens da meiose.
nível da divisão II. Interpretar, esquematizar e legendar
imagens relativas aos principais aconte-
cimentos de meiose.

LAB. 1 Observação de imagens da meiose.

Sugestões metodológicas
Nas flores, os gâmetas masculinos são produzidos nas anteras.
Os alunos poderão observar imagens da
meiose obtidas ao microscópio ótico, em
Material fotografias, transparências ou vídeo e,
sempre que possível, em preparações
• Flores de açucena (Lilium • Microscópio ótico composto definitivas (anteras, testículos de mamí-
sp.) ou de Aloe (Aloe sp.) (M.O.C.) feros).
• Carmim acético* • Lâminas O relatório a apresentar relativo à ativida-
• Bisturi • Lamelas de laboratorial deverá ser, preferencial-
mente, sob a forma de um V de Gowin.
• Pinça • Papel de filtro
• Tesoura • Lamparina
• Agulha de dissecação • Conta-gotas 10 Açucena.
* O carmim acético é um corante que cora os cromossomas de um tom vermelho,
em alternativa pode-se utilizar orceína acética.
Recordar e/ou enfatizar…
Procedimento As divisões reducional e equacional da
meiose e sua importância biológica.
1. Corte com uma tesoura as anteras de uma flor e coloque-as no centro de uma lâmina.
2. Adicione duas gotas de carmim acético.
3. Pressione com uma agulha de dissecação, de modo a dissociar as anteras.
4. Retire os fragmentos maiores pertencentes às paredes das anteras.
5. Coloque uma lamela sobre a preparação.
6. Passe a preparação pela chama da lamparina, sem que aqueça demasiado evitando a des-
truição do material biológico.
7. Absorva o excedente de carmim acético com a ajuda de papel de filtro.
8. Observe ao M.O.C. e registe as suas observações, indicando as diferentes fases, recorrendo
à figura 11.

1. Elabore um relatório da atividade laboratorial realizada.

85
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais Interfase I Centríolos


Conhecer os fenómenos que ocorrem
em cada uma das etapas da meiose. Replicação do DNA (durante
Compreender as divisões reducional e Meiose Espermatozoide (n)
Testículo a fase S), donde resultam cro-
equacional da meiose. mossomas constituídos por
Haploide dois cromatídios iguais.
Meiose
Cromatina
Óvulo (n) Invólucro nuclear
Ovário
Fecundação

Diploide Prófase I

Mitose e
diferenciação É a etapa mais longa da meiose, em que
ocorre a maior condensação dos cromosso-
Zigoto (2n)
Guia do Feto (2n) mas, que ficam mais curtos e enrolados.
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 9 Manual
MEIOSE Interativo –
Início da formação do fuso acromático, desa-
Versão do gregação do invólucro nuclear e do nucléolo.
Professor
União dos cromossomas homólogos poden-
do ocorrer sinapses. O local de união deno-
mina-se quiasma e existe pelo menos um
Quiasma por cada par de cromossomas homólogos.
Evitar… Fuso Os cromossomas homólogos emparelhados
acromático
O estudo de todos os acontecimentos designam-se por bivalentes (díadas cromos-
nucleares da prófase I e sua nomeação. sómicas ou tétradas cromatídicas), entre as
quais ocorrem trocas de segmentos entre
cromossomas homólogos (crossing-over).
Tétrada
Cromatídios cromatídica

Metáfase I
Microtúbulo
Os cromossomas unem-se através dos centrómeros ao
fuso acromático.
Placa
Alinhamento dos cromossomas homólogos na zona equatorial
equatorial, estando os pontos de quiasma na região
mais central.
Centrómero

Anáfase I
Migração dos
cromossomas
Rotura dos pontos do quiasma e separação aleatória
dos cromossomas homólogos.
Após a separação, um cromossoma (constituído por
dois cromatídios) de cada par de homólogos migra
para um dos polos da célula.

86
2. Reprodução sexuada

Competências conceptuais
Telófase I e Citocinese
Conhecer os fenómenos que ocorrem
em cada uma das etapas da meiose.
Descondensação dos cromossomas. Anel contrátil Compreender as divisões reducional e
Em cada polo existe um cromossoma de cada um dos equacional da meiose.
pares de homólogos, pelo que os núcleos são haploi-
des.
Desaparecimento do fuso acromático e formação de um Início da formação
invólucro nuclear à volta de cada um dos núcleos. do invólucro nuclear Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 9 Manual
Nas células animais há constrição do citoplasma na zo- Interativo –
MEIOSE
na equatorial. Versão do
Professor

Prófase II

Condensação dos cromossomas.


Evitar…
Início da formação do fuso acromático.
O estudo de todos os acontecimentos
Desaparecimento do invólucro nuclear. nucleares da prófase I e sua nomeação.

Metáfase II

Alinhamento dos cromossomas, cada um constituído por


dois cromatídios, na zona equatorial (placa equatorial).
Os centrómeros dispõem-se na zona mais equatorial da
célula.

Anáfase II Separação dos cromatídios

Separação dos cromatídios constituintes de cada cro-


mossoma e migração para polos opostos.

Telófase II

Em cada polo existe um conjunto de cromossomas for-


mados por um cromatídio.
Desaparecimento do fuso acromático.
Formação, em volta de cada núcleo, de um invólucro
nuclear.
Constrição na zona equatorial do citoplasma e indivi- Início da formação
dualização das células-filhas. do invólucro nuclear

11 Caracterização das etapas da meiose numa célula animal.

87
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competência conceptual Na meiose podem ocorrer mutações


Identificar os acontecimentos da meiose
que contribuem para a variabilidade dos Durante a meiose podem ocorrer alterações do material genético deno-
seres vivos. minadas por mutações, tanto ao nível dos genes (mutação génica) como
da estrutura e número de cromossomas – mutação cromossómica.

ATV. 3 Quais as consequências de erros na meiose?


Competência procedimental
Discutir de que modo a meiose e a fecun-
Não disjunção na Divisão II
n+1
1. Qual o processo de divisão nuclear ilus-
dação contribuem para a variabilidade. divisão I
trado?
n+1 2. Refira as diferenças entre a situação A e
a situação B.
A
n-1 3. Pode-se afirmar que em ambas as situa-
ções houve alteração do material genéti-
n-1 co? Justifique.
Resolvendo…
1. Meiose. 4. Quais as consequências se as células for-
2. Na situação A não ocorreu separação Divisão I Não disjunção na madas participarem na fecundação?
dos cromossomas homólogos duran- divisão II
n+1 5. Faça uma pesquisa sobre as possíveis con-
te a divisão I da meiose, enquanto que
na situação B não ocorreu a separação sequências das mutações cromossómicas.
dos cromatídios numa das células n-1
durante a divisão II da meiose.
3. Em ambos os casos houve a forma- B n
ção de gâmetas cujo material gené-
tico é diferente do habitual (n cro-
n
mossomas).
4. Nos casos em que a célula formada
tem n + 1 surge um indivíduo com 12 Erros possíveis na disjunção dos cromossomas.
um cromossoma a mais no seu carió-
tipo. Nos casos n – 1, o indivíduo re-
sultante terá um cromossoma a me-
nos. Caso a célula formada tenha n
cromossomas, da fecundação resul-
 A não disjunção dos cromossomas homólogos ou dos cromatídios
durante a meiose é responsável, por exemplo, pela síndrome de Down,
tará um novo zigoto com um número Mutação cromossómica na qual os indivíduos apresentam em todas as suas células, à exceção
normal de cromossomas. dos gâmetas, três cromossomas no par 21.
Alteração no número ou na estrutura
do cromossoma. Pode ser causada por Em algumas espécies vegetais (ex.: milho) podem ocorrer, naturalmen-
fatores naturais (ex.: erro na meiose), te ou provocadas pelo Homem, mutações cromossómicas que levam à
ou provocada pelo Homem, de modo obtenção de espécies diferentes, muitas vezes mais rentáveis do ponto
a obter espécies mais produtivas. de vista agrícola.
Quiasma
Deriva do grego chiasma, que significa
cruz, e corresponde aos locais onde
2.2 A meiose e a fecundação promovem a
DOC. pode ocorrer troca de material variabilidade genética
“TRISSOMIAS: MUTAÇÕES Caderno de genético entre cromossomas
CROMOSSÓMICAS – Atividades Na etapa de prófase I os cromossomas homólogos estão próximos, uni-
ERROS NA MEIOSE” homólogos. O plural é quiasmata. dos por pontos de quiasma, podendo ocorrer nestas zonas trocas de
material genético (fig. 13).

Cromossomas Cromatídios
Quiasma
homólogos recombinantes

13 Processo de crossing-over.

88
2. Reprodução sexuada

A troca de material genético entre cromossomas homólogos denomi- Competência conceptual


na-se por crossing-over e promove a formação de cromossomas ! Identificar os acontecimentos da meiose
recombinantes. Este fenómeno é essencial para criar novas combina- que contribuem para a variabilidade dos
ções de informação genética. Todavia, o aumento da variabilidade No Homem, com 23 pares de seres vivos.
genética prolonga-se para além do crossing-over. A disposição aleatória cromossomas, podem existir 223
dos cromossomas homólogos na divisão I (afeta a migração para os combinações diferentes nos gâmetas,
polos) e a orientação ao acaso dos cromatídios do mesmo cromosso- o que pode ser ampliado com o
ma, na placa equatorial durante a divisão II, aumentam exponencial- crossing-over. Competência procedimental
mente o número de combinações possíveis do material genético nos Discutir de que modo a meiose e a fecun-
gâmetas (fig. 14). dação contribuem para a variabilidade.

Crossing-over
Duas hipóteses prováveis
para o arranjo dos Combinação de material genético
cromossomas na metáfase I entre cromossomas homólogos. Recordar e/ou enfatizar…
Fecundação Os acontecimentos da meiose que con-
Fusão do gâmeta masculino com o tribuem para a variabilidade dos seres
vivos.
gâmeta feminino originando uma
Metáfase II célula diploide - o ovo ou zigoto.

Gâmetas
14 Combinações
cromossómicas possíveis
Combinação 1 Combinação 2 Combinação 3 Combinação 4 durante a meiose.

Após os gâmetas se terem formado pode ocorrer a fecundação, que


consiste na fusão de um gâmeta feminino com um masculino e na
reposição da diploidia (fig. 15).
Fecundação/finalização
da divisão II da meiose
Trompa de Falópio
Oócito II (n)

Ovulação Útero
Ovário
Óvulo(n)

Espermatozoide(n)

Núcleo do espermatozoide(n)
Entrada dos espermatozoides

Fusão dos núcleos


Zigoto (2n)

15 Fecundação na espécie humana. Como resultado da oogénese que


ocorre nos ovários formam-se oócitos II que só se transformam em
óvulos quando, na fecundação, um espermatozoide penetra o oócito II
89
e este completa a sua divisão meiótica.
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências procedimentais Dos milhões de espermatozoides, com diferentes combinações de


Discutir de que modo a meiose e a fe- informação genética, que tentam fecundar o gâmeta feminino, apenas
cundação contribuem para a variabili- um o conseguirá fazer. A aleatoriedade deste fenómeno também é res-
dade. ponsável pela variabilidade genética em seres que se reproduzem
Recolher e organizar dados de natureza sexuadamente.
diversa, relativamente às estratégias de
reprodução utilizadas por seres herma- A fecundação finaliza-se com a cariogamia, ou seja, fusão dos núcleos
froditas. dos dois gâmetas. Desta fusão resulta o zigoto, que, por mitoses suces-
sivas, originará outras células que permitirão o crescimento, a diferen-
ciação e a regeneração do organismo multicelular.
Para que a fecundação ocorra é necessário que os gâmetas feminino e
masculino se encontrem. Consoante as espécies, a fecundação pode
ser interna ou externa:
• Fecundação externa – a fecundação ocorre no exterior do corpo do
ser vivo. Por exemplo, nas rãs os óvulos são depositados em meio
Competência conceptual aquático pela fêmea e o macho lança espermatozoides para os fecun-
Compreender o hermafroditismo como dar. Este processo exige águas calmas e uma sincronia entre a expul-
uma condição que não implica a auto- são em grande número dos gâmetas femininos e masculinos. É um
fecundação. processo típico de organismos aquáticos (ex.: peixes) que usam este
meio para se reproduzirem (fig. 16A).
• Fecundação interna – os gâmetas masculinos são colocados no inte-
rior do organismo feminino, evitando a dessecação. É uma estratégia
que não depende da água para ocorrer, pelo que permite que ocorra
em ambiente terrestre. Além do Homem, são exemplos de organis-
mos com fecundação interna as plantas, os mamíferos, as aves e os
répteis (fig.16B e C).

Sugestão metodológica A B C
Como complemento ao lecionado em
aula, os alunos poderão recolher e orga-
nizar dados relativos às estratégias de
reprodução usadas pelos seres herma-
froditas.

16 A fecundação pode ser externa, como por exemplo nas rãs (A), ou interna, presente nos mamíferos (B) e répteis (C).

Apesar de produzirem os dois tipos de gâmetas, a maioria dos organis-


! mos hermafroditas não tem a capacidade de se autofecundar, acasa-
lando com outros indivíduos da sua espécie, por fecundação cruzada.
Os óvulos dos organismos que
Nestes casos pode haver fecundação dupla, sendo fecundados os gâ-
realizam fecundação externa possuem
metas de cada um dos indivíduos.
na sua membrana moléculas que
Recordar e/ou enfatizar… apenas permitem a penetração de A ténia, vulgamente chamada por “bicha solitária”, é uma exceção ao
O hermafroditismo como condição que espermatozoides de indivíduos da que foi referido, uma vez que se consegue autofecundar, o que se reve-
não implica a autofecundação. mesma espécie. la uma estratégia vantajosa, dado que muitas vezes se encontra isolada
dos demais organismos da sua espécie, o que impederia o acasalamen-
to. Contudo, por este facto, os descendentes apresentam uma variabili-
dade genética muito reduzida.

90
2. Reprodução sexuada

A mitose e a meiose apresentam aspetos que as distinguem Competências conceptuais


Identificar os acontecimentos da meiose
A mitose e a meiose são processos de divisão nuclear que ocorrem ao que contribuem para a variabilidade dos
longo do ciclo de vida dos organismos (fig. 17). seres vivos.
Conhecer os aspetos que distinguem a
meiose da mitose.

Meiose e Mitose
Antes de ocorrer a mitose ou a meiose, a informação
genética contida em cada um dos 46 cromossomas é replicada.
Como resultado desta replicação, são formadas
duas díadas de cromatídios geneticamente idênticas. Competência procedimental
Estas díadas cromatídicas são unidas uma à outra através do centrómero.
Discutir de que modo a meiose e a fecun-
dação contribuem para a variabilidade.
Centrómeros

Meiose Díadas cromatídicas


Divisão I Mitose
Durante a divisão I da meiose, os 46 Ao contrário da meiose, não há
cromossomas recentemente emparelhamento dos
Recordar e/ou enfatizar…
replicados dispõem-se em 23 pares cromossomas e não ocorre Os aspetos que distinguem mitose e
de cromossomas homólogos, crossing-over. meiose.
podendo ocorrer sinapses.

Enquanto os cromossomas Durante a metáfase, os


estão em prófase I pode ocorrer cromossomas, cada um
troca de material genético formado por dois cromatídios
(crossing-over) entre unidos pelo centrómero,
cromossomas homólogos. Células dispõem-se na placa equatorial.
Os 23 pares de somáticas
cromossomas homólogos Ocorre rotura dos
dispõem-se aleatoriamente centrómeros e
na linha equatorial. separação dos
cromatídios.
Células Um cromatídio de cada
germinativas um dos cromossomas
Os pares de cromossomas
homólogos separam-se e migra para um dos polos
cada cromossoma migra da célula, formando-se
para um dos polos da célula, em cada polo um núcleo
de modo que em cada polo contendo 23 pares de
vão ficar 23 cromossomas. cromossomas
(46 cromossomas, cada
um formado por um
cromatídio).
Divisão II
A célula-mãe divide-se em duas células-filhas,
cada uma contendo 23 cromossomas, formados
por dois cromatídios (díadas cromatídicas). A célula-mãe divide-se em
Durante a metáfase II os cromossomas alinham- duas células-filhas, cada uma
-se na placa equatorial. contendo 46 cromossomas,
que são geneticamente iguais
Os 2 cromatídios que constituem cada cromossoma
à célula-mãe.
separam-se, migrando cada cromatídio para um
dos polos da célula. Em cada polo da célula forma-
-se um núcleo contendo 23 cromossomas, cada um
constituído por um cromatídio.

No fim da divisão II da meiose cada uma das


células divide-se, formando duas células-filhas.
Cada célula-filha contém 23 cromossomas.
Nenhuma das 4 células-filhas formadas é
geneticamente igual à célula-mãe inicial. 17 Mitose e meiose: aspetos
comparativos.

91
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Resolvendo… 2.2.1 Vantagens e desvantagens da reprodução sexuada


1. Devido a condições ambientais des-
favoráveis e à falta de indivíduos de
sexo diferente para acasalarem.
A maioria dos organismos, apesar de poder apresentar estratégias
2. Vantagens – maior variabilidade ge- reprodutoras muito diferentes, apenas se pode reproduzir de uma das
nética e por consequência melhor formas: assexuada ou sexuada.
adaptação a ambientes em mudan-
ça. Desvantagens – energeticamente ATV. 4 Reprodução assexuada ou sexuada, qual a opção?
mais dispendiosa, necessidade de en-
contrar indivíduo de sexo diferente.
3. Nos organismos que se reproduzem Algumas espécies (ex.: dragão de Komodo) são capazes
sexuadamente a variabilidade ge- de se reproduzirem assexuadamente, por partenogénese.
nética é maior, pelo que a probabili- Este processo ocorre caso as condições ambientais não
dade de sobreviverem a alterações sejam propícias, em ocasiões em que haja um desequi-
ambientais é superior à dos seres líbrio entre o número de machos e de fêmeas ou quando
que se reproduzem sexuadamente.
fêmeas migram para locais onde não existam machos dis-
4. O ambiente pode ditar as regras no
caso dos indivíduos que se podem poníveis.
reproduzir assexuadamente ou se- Isto ocorre naturalmente em diversas espécies, incluindo
xuadamente, pois os fatores ambien- plantas, invertebrados e alguns vertebrados como pei-
tais podem fazer com que seja xes, anfíbios, répteis e, mais raramente, aves.
impossível ao organismo encontrar 18 Dragão de Komodo.
outro indivíduo da sua espécie para
acasalar.
1. Enumere as razões pelas quais alguns organismos que se reproduzem sexuadamente, como o
dragão de Komodo, optam pela reprodução assexuada.
2. Quais as vantagens e desvantagens da reprodução sexuada em relação à reprodução assexuada?
3. De que modo as estratégias reprodutivas podem condicionar a sobrevivência das populações
de seres vivos?
4. Comente a afirmação: “As diversas estratégias de reprodução são influenciadas por fatores
ambientais”.

Algumas espécies podem optar pelas duas estratégias de reprodução.


Esta opção é feita em função, por exemplo, das condições ambientais
ou do número reduzido de indivíduos do sexo oposto para acasala-
mento. A reprodução assexuada permite um rápido crescimento e
colonização de ambientes favoráveis mas, face a alterações ambientais,
as espécies poderão ser extintas, uma vez que a sua variabilidade gené-
tica é muito reduzida e não permite a sua adaptação. Na reprodução
sexuada a variabilidade genética é elevada devido aos processos de
meiose e fecundação, tornando as espécies mais aptas a sobreviverem
em situações de alteração ambiental. Contudo, há um dispêndio maior
de energia e a necessidade de haver pelo menos dois exemplares da
mesma espécie e de sexos diferentes.

2.2.2 O Homem manipula a reprodução humana e de


outros seres vivos

O Homem desenvolveu técnicas que lhe permitem manipular a repro-


dução humana e a de outros seres vivos.

92
2. Reprodução sexuada

Competência atitudinal
CTS&A 1 Manipulação da reprodução Apreciar criticamente as implicações éti-
cas e morais que envolvem a utilização
de processos científico-tecnológicos na
Manipular a reprodução de modo a possibilitar que alguns casais manipulação da reprodução humana
possam ter descendentes é um dos objetivos da Medicina. Para tal, e/ou de outros seres vivos.
foram desenvolvidas técnicas de inseminação artificial, de fecunda-
ção in vitro e de microinjeção intracitoplasmática (fig. 19).
Nas explorações agropecuárias é frequente o recurso à inseminação
Resolvendo…
artificial, selecionando o progenitor em função das características
1. Através da ciência e da tecnologia o
pretendidas para a descendência.
19 Microinjeção Homem tem desenvolvido técnicas
A produção de clones vegetais de espécies que naturalmente se intracitoplasmática. que lhe permitem manipular a repro-
produzem sexuadamente é também uma prática comum. dução humana e a de outros seres
vivos.

1. Qual a importância da ciência e da tecnologia na manipulação da reprodução?


2. Discuta com os seus colegas as possíveis implicações éticas e morais que envolvem a uti-
lização de processos científico-tecnológicos na manipulação da reprodução humana e de
outros seres vivos.
Sugestão metodológica
Os alunos poderão apresentar a infor-
mação resumida de forma esquemática,
recorrendo, para tal, a um mapa de con-
ceitos.

Resumindo

A reprodução sexuada é adotada pela maioria das espécies multicelulares.


O Homem é um ser diplonte, uma vez que todas as suas células apresentam 2n cromossomas, com Manual
exceção dos gâmetas. Interativo –
FICHA DE AVALIAÇÃO
Versão do
O número de cromossomas caracteriza uma espécie, pelo que na reprodução sexuada é necessário Professor
conjugar os mecanismos de meiose e de fecundação, para que haja manutenção no número de cro-
mossomas.
A meiose corresponde a um conjunto sequencial de etapas, organizadas por duas divisões: divisão I
e divisão II. Manual
Interativo –
Divisão I MAPA DE CONCEITOS
Versão do
Professor

Manual
APRESENTAÇÃO Interativo –
EM POWERPOINT Versão do
A reprodução sexuada promove a variabilidade genética das populações, pelo que os organismos Professor
que se reproduzem sexuadamente deverão estar mais aptos para sobreviverem em situações de alte-
rações ambientais.

93
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Guia do
Professor e
3. Ciclos de vida
TRANSPARÊNCIA N.° 7 Manual
INTRODUÇÃO Interativo –
Versão do
Professor Os diferentes ciclos de vida dos organismos traduzem
a diversidade de estratégias encontradas para assegurar
a reprodução, face aos desafios do meio e à intervenção
do Homem.

Em anos anteriores… Palavras-chave Lagartagis, assim foi batizada a primeira estufa ibérica de borboletas exis-
No 9.º ano de escolaridade na disciplina Ciclo de vida tentes na Europa, que está a ser concluída no Jardim Botânico de Lisboa. O
de Ciências Naturais, no tema VIVER Alternância de fases nucleares espaço será habitado por dez espécies de borboletas que darão a conhecer
MELHOR NA TERRA, os alunos abordam
a morfofisiologia do sistema reprodu- aos visitantes o seu ciclo de vida, que varia de espécie para espécie.
tor humano. A estufa tem como função a educação ambiental. A ideia-base é explicar ao
público a interação que existe entre as plantas e as borboletas e o ciclo de
vida destas.
Vai ser possível ver “a borboleta a pôr o ovo num determinado tipo de plan-
ta (naquela de que se alimenta), o nascimento da lagarta que irá alimentar-
-se dessa planta e mais tarde transformar-se em crisálida que, numa meta-
morfose incrível, dará origem ao adulto. Ou seja, a uma borboleta colorida
que depois põe ovos e morre". E o ciclo repete-se.
Sendo a fase adulta a mais conhecida das pessoas – apesar de ser a mais
curta do ciclo de vida da borboleta – na estufa, o visitante vai ficar a conhe-
Manual
APRESENTAÇÃO EM Interativo – cer ainda as lagartas – com espinhos, com pelos, das mais diversas cores –
POWERPOINT Versão do que dão origem àqueles seres "coloridos e esvoaçantes”.
Professor
Adaptado de dn.sapo.pt/2006/08/14/cidades/primeira_estufa_borboletas

94
Competências concetuais Competências procedimentais Competências atitudinais

G Compreender que o conceito de ciclo de vida G Aplicar conceitos básicos para interpretar os G Consciencializar de que as intervenções
é aplicável a qualquer tipo de organismo. diferentes tipos de ciclos de vida. humanas em qualquer uma das fases de um
G Identificar a alternância de fases nucleares G Localizar e identificar os processos de ciclo de vida de um organismo podem
pela localização da meiose e da fecundação reprodução presentes num ciclo de vida, interferir na conservação/ evolução da
num ciclo de vida. prevendo a existência ou não da alternância espécie.
G Compreender o papel dos esporos e dos de fases nucleares.
gâmetas enquanto células reprodutoras.

Pesquisa – À descoberta do ciclo de vida

Na escola e sua área envolven-


te encontram-se muitos orga-
nismos, alguns dos quais já
foram alvo de estudo aquan-
do da abordagem da Biosfera.

Os organismos apresentam
características que os diferen-
ciam, mas apresentam uma
unidade em alguns dos seus
processos, inclusive na repro-
dução.

1 Os caracóis são organismos abundantes, que podem ser seguidos


durante o seu ciclo de vida. Sugestão metodológica
Os alunos poderão realizar esta ativida-
de de pesquisa e posteriormente apre-
Selecione um organismo e efetue uma pesquisa que lhe permita encontrar resposta sentar e discutir os resultados obtidos na
para as seguintes questões: turma.
• Que tipo de reprodução apresenta?
• Quais as características do seu ciclo de vida?

Construa um diagrama simples que represente o ciclo de vida do organismo que sele-
cionou.
Comente a afirmação: “As atividades humanas podem ter impacte no ciclo de vida de
um organismo”.

95
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais
 3.1 Unidade vs diversidade dos ciclos de vida
Compreender que o conceito de ciclo de
vida é aplicável a qualquer tipo de or-
ganismo. Ciclo de vida Os seres vivos apresentam diferenças no número de células que os
Compreender o papel dos esporos e dos Sequência de acontecimentos da vida constituem, nas características que os evidenciam, bem como nas
gâmetas enquanto células reproduto- de um organismo desde que é zigoto estratégias reprodutoras que adotam.
ras. até conseguir produzir a sua própria O ciclo de vida é aplicável a todos os organismos e corresponde à
descendência. sequência dos acontecimentos desde a conceção do indivíduo até à
sua própria reprodução (fig. 2).

Sugestão metodológica
Relembrar os conceitos de célula ha-
ploide e diploide.
A partir da questão: “Que variabilidade e
unidade existe nos ciclos de vida dos dife-
rentes organismos?” promover um pe-
queno debate para a deteção de conce-
ções que os alunos têm sobre o assunto.

Como vimos no capítulo anterior, nos seres que se reproduzem sexua-


2 Etapas do ciclo de vida de um damente o ciclo de vida é marcado por dois acontecimentos: a meiose
cão.
e a fecundação. Estes dois fenómenos promovem a alternância de
fases nucleares:
• haplófase – tem início na meiose, para formação das células reprodu-
 toras, que são células haploides, com n cromossomas. Termina imedia-
Alternância de fases nucleares tamente antes da fecundação;
Recordar e/ou enfatizar…
O conceito de ciclo de vida aplicável a
Sucessão, durante o ciclo de vida de • diplófase – inicia-se com a fecundação, formando células diploides,
qualquer tipo de organismo. um organismo, de fases haploides e com 2n cromossomas, e termina com a meiose.
diploides.
O grau de desenvolvimento de cada fase vai caracterizar o ciclo de vida
e está dependente do momento em que ocorre a meiose. No geral,
associa-se o conceito de célula reprodutora a gâmetas. Contudo, exis-
tem algumas espécies em que os esporos desempenham a função de
célula reprodutora. Ao estudar o ciclo de vida de diversos organismos
(fig. 3) encontraremos resposta para a questão:
• Que variabilidade e unidade existem nos ciclos de vida dos dife-
rentes organismos?

3 Em função dos desafios que o meio lhes impõe (ex.: teor de humidade, disponibilidade em alimento, número de
exemplares da espécie numa população), os diferentes tipos de ciclos de vida dos organismos traduzem a diversidade
de estratégias encontradas para assegurar a reprodução.

96
3. Ciclos de vida

Sugestão metodológica
ATV. 1 Diversidade de ciclos de vida
Poder-se-ão realizar atividades de tra-
balho cooperativo, em pequenos grupos
A B C de alunos, para análise, interpretação,
comparação e sistematização sobre ci-
clos de vida.

Competências conceptuais
Compreender que o conceito de ciclo de
vida é aplicável a qualquer tipo de orga-
nismo.
Identificar a alternância de fases nuclea-
res pela localização da meiose e da fe-
A Organismo B C cundação num ciclo de vida.
Gâmetas
adulto (n) Gametófito (n) Masculino (n) Feminino (n) Compreender o papel dos esporos e dos
gâmetas enquanto células reprodutoras.
HAPLOIDE (n)
Esporo (n) Gâmetas
I II
Esporo (n) Gâmetas Masculino (n) Feminino Competências procedimentais
Masculino (n) Feminino (n) DIPLOIDE (2n)
(n) Aplicar conceitos básicos para interpre-
HAPLOIDE (n)
I II tar os diferentes tipos de ciclos de vida.
DIPLOIDE (2n)
Localizar e identificar os processos de re-
HAPLOIDE (n) produção presentes num ciclo de vida,
I II Esporângio (2n) Zigoto (2n) Zigoto (2n) prevendo a existência ou não da alter-
DIPLOIDE (2n) nância de fases nucleares.

Zigoto (2n) Esporófito Organismo


(2n) adulto Resolvendo…
(2n)
4 Ciclos de vida de diversos organismos. Cogumelo (A); feto (B) e canguru (C). 1. I – meiose; II – fecundação.
2. A – meiose pós-zigótica; B – meiose
pré-espórica; C – meiose pré-gamética.
1. Legende os números I e II. 3. A – todas as estruturas são haploi-
2. Atribua, tendo em conta a sua localização, a designação meiose pré-gamética, pré-espórica ou des com exceção do zigoto; B – os
esporos, gametófito e gâmetas são
pós-zigótica a cada um dos ciclos representados.
haploides, enquanto o zigoto, o or-
3. Identifique em cada um dos ciclos as estruturas haploides e as diploides. ganismo adulto e o esporângio são
diploides; C – todas as estruturas
4. Compare o desenvolvimento relativo de cada uma das fases – haploide e diploide – em cada são diploides, excepto os gâmetas.
um dos ciclos. 4. A – a fase haploide é a mais desenvol-
vida; a fase diploide resume-se ao
5. Estabeleça a correspondência entre os termos haplonte (haplófase mais desenvolvida), diplon-
zigoto; B – há alternância de fases nu-
te (diplófase mais desenvolvida) e haplodiplonte (haplófase e diplófase igualmente desenvol- cleares, encontrando-se ambas desen-
vidas) e os ciclos A, B e C. Justifique. volvidas, existindo várias estruturas
6. Comente a afirmação: “ Os ciclos de vida dos diferentes organismos apresentam uma unidade e haploides e diploides; C – a fase
diploide domina todo o ciclo, estando
diversidade”.
a fase haploide resumida aos gâmetas.
5. A – haplonte – todas as estruturas
são haplontes, exceto o zigoto; B –
haplodiplonte – existência de várias
estruturas haploides e diploides; C –
diplonte – todas as estruturas são di-
ploides, com exceção dos gâmetas.
Nos ciclos de vida apresentados podemos verificar uma unidade, uma
6. Apesar da grande diversidade que
vez que em todos ocorrem os fenómenos de meiose (para formar evidenciam (células com função
gâmetas ou esporos) e de fecundação (formação do zigoto) e, poste- reprodutora, desenvolvimento das
riormente, o desenvolvimento de novos indivíduos. Contudo, diferem fases nucleares, local de meiose), há
no momento em que ocorre a meiose: pré-gamética, pré-espórica ou uma unidade em todos os ciclos de
pós-zigótica, o que vai influenciar diretamente o grau de desenvolvi- vida, uma vez que a meiose e a fe-
mento de cada uma das fases nucleares (fig. 4). cundação ocorrem em todos os ciclos.

97
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais 3.1.1 Ciclo de vida de um ser haplonte


Compreender que o conceito de ciclo de
vida é aplicável a qualquer tipo de or-
ganismo.
A espirogira (Spirogyra sp.) é uma alga verde, filamentosa, que habita
em ambientes de água doce (charcos, por exemplo). Pode-se reprodu-
Identificar a alternância de fases nuclea-
res pela localização da meiose e da fe- zir assexuadamente ou sexuadamente, dependendo das condições do
cundação num ciclo de vida. meio. Quando as condições ambientais são adversas, como, por exem-
Compreender o papel dos gâmetas en- plo, no verão, quando os charcos secam, reproduz-se sexuadamente
quanto células reprodutoras. (fig. 5). Filamento C
A masculino
Gâmeta dador
! Membrana
plasmática
O nome espirogira advém do facto Parede celular
Cloroplasto Gâmeta
Competências procedimentais dos cloroplastos estarem dispostos em Núcleo recetor
Vacúolo Filamento feminino
Aplicar conceitos básicos para interpre- espiral. Citoplasma
Haplófase (n) Fecundação
tar os diferentes tipos de ciclos de vida.
Localizar e identificar processos de re- Diplófase (2n)
produção presentes num ciclo de vida,
prevendo a existência ou não da alter-
B
nância de fases nucleares.
Germinação
5 Os filamentos da espirogira
são formados por diversas Zigósporo
células ricas em cloroplastos Meiose
Esporo que pode
(A e B) com um ciclo de vida permanecer
haplonte (C). no estado dormente
Guia do Para se reproduzirem sexuadamente, é necessário que dois filamentos da
TRANSPARÊNCIA N.° 11 Professor e
Manual espirogira se disponham lado a lado e permitam o contacto entre as
CICLO DE VIDA –
Interativo – células dos diferentes filamentos. Cada uma das células desenvolve uma
ESPIROGIRA Versão do
Professor protuberância denominada papila, que cresce na direção do filamento
oposto (fig. 5). Quando as duas papilas se encontram, a parede e a mem-
brana celular de ambas as células desintegram-se, formando um tubo de
conjugação, que permite a comunicação entre as duas células. O con-
Evitar… teúdo da célula dadora (neste caso pode designar-se por gâmeta dador)
O estudo de mais do que três ciclos de é transferido para a célula recetora (também designada por gâmeta rece-
vida. tor). Posteriormente, ocorre a fecundação com a fusão dos citoplasmas e
A utilização de um elevado número de dos núcleos haploides, formando-se um zigoto diploide (fig. 5).
termos específicos para descrever as
estruturas biológicas dos ciclos selecio- Após a fecundação, os filamentos desagregam-se, o ovo segrega uma
nados. parede espessa e impermeável que lhe permitirá sobreviver em condi-
ções adversas, num estado de latência, até conseguir germinar (fig. 5).
Quando germina sofre meiose e origina quatro células haploides, das
Sugestão metodológica quais três degeneram, sobrevivendo apenas uma que originará, por
Poderá ser sugerido aos alunos que 6 Esquema-síntese de um ciclo mitoses sucessivas, um novo filamento da espirogira. O indivíduo adul-
construam um diagrama simples que de vida haplonte. to é, assim, haplonte (fig. 6).
traduza o ciclo de vida da espirogira.
Fecundação Meiose

Espirogira (n) Gâmeta dador (n)


Zigoto (2n) Células
haploides (n)
Espirogira (n) Gâmeta recetor (n)

Duplicação Redução
cromossómica cromossómica

98
3. Ciclos de vida

Nos organismos haplontes, a meiose é pós-zigótica e a única estrutu- Competências conceptuais


ra diploide é o zigoto. A haplófase domina todo o ciclo de vida, estan- Compreender que o conceito de ciclo de
do a diplófase restrita ao zigoto, típico dos seres haplontes. vida é aplicável a qualquer tipo de orga-
nismo.
Identificar a alternância de fases nuclea-
res pela localização da meiose e da fe-
LAB. 1 Como se reproduz a espirogira? cundação num ciclo de vida.

Material
• Filamentos de espirogira* • Microscópio ótico composto (M.O.C.)
• Preparações definitivas da espirogira • Pinças
durante a reprodução sexuada • Lâminas
• Água • Lamelas
* Os filamentos deverão ser mantidos em água doce. • Conta-gotas

Procedimento
1. Com uma pinça retire três filamentos da espirogira.
Competências procedimentais
2. Faça várias preparações extemporâneas, colocando em cada lâmina uma gota de água e um Aplicar conceitos básicos para interpre-
filamento da espirogira, e de seguida uma lamela. tar os diferentes tipos de ciclos de vida.
3. Coloque as preparações no microscópio ótico, observe-as e esquematize-as. Localizar e identificar os processos de re-
produção presentes num ciclo de vida,
4. Observe as preparações definitivas e registe as observações realizadas. prevendo a existência ou não da alter-
nância de fases nucleares.
5. Compare as suas observações com a figura.

7 Reprodução sexuada da
espirogira (fotografias
obtidas com um microscópio
ótico composto).

1. Elabore um relatório da atividade laboratorial realizada, preferencialmente sob a forma de um


poster, devendo para o efeito tirar fotografias ao longo da atividade laboratorial.
2. Proponha um procedimento experimental para testar a influência da temperatura e da lumi-
nosidade no ciclo de vida da espirogira.
3. Pesquise outros organismos que tenham um ciclo de vida do mesmo tipo da espirogira.

99
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais 3.1.2 Ciclo de vida de um ser haplodiplonte


Compreender que o conceito de ciclo de
vida é aplicável a qualquer tipo de or-
ganismo.
O polipódio (Polypodium sp.), conhecido vulgarmente como feto, é
uma planta que habita preferencialmente locais húmidos e escuros.
Identificar a alternância de fases nuclea-
res pela localização da meiose e da fe- Possui tecidos condutores que formam um sistema vascular. A planta
cundação num ciclo de vida. adulta é constituída por raízes, um caule subterrâneo (rizoma) e folhas.
Compreender o papel dos esporos e dos Pode reproduzir-se assexuadamente, por fragmentação vegetativa do
gâmetas enquanto células reproduto- rizoma, ou sexuadamente (fig. 8).
ras.

ATV. 2 Ciclo de vida do Polypodium sp.


Competências procedimentais
Gametófito maduro (5 cm)
Aplicar conceitos básicos para interpre-
tar os diferentes tipos de ciclos de vida. Protalo

Localizar e identificar os processos de re-


produção presentes num ciclo de vida,
prevendo a existência ou não, da alter- Oosfera
nância de fases nucleares.
Rizoides Arquegónio

Guia do Germinação do esporo


Anterídio
TRANSPARÊNCIA N.° 12 Professor e Anterozoides
CICLO DE VIDA – Manual
Interativo – Esporos
POLIPÓDIO Versão do
Professor
Haploide (n)
Meiose Fecundação
Diploide (2n)

Embrião
Esporófito (altura de 30 cm a 1 m)
Resolvendo…
Esporófito (2n)
1. Meiose pré-espórica.
2. Esporos.
3. Haploides – esporos, protalo, game- Esporângio
tângios e gâmetas. Diploides – ovo,
embrião, esporófito, polipódio e os Soros (conjunto
esporângios. de esporângios)
4. Os gâmetas formam-se nos game- Raízes
tângios (arquegónio e anterídio) e 8 Ciclo de vida do polipódio.
os esporos nos esporângios.
5. Os esporos e os gâmetas são células 1. Classifique o tipo de meiose que ocorre no ciclo de vida do polipódio.
reprodutoras. 2. Que estruturas resultam da meiose?
6. O protalo vai ser o local onde se vão
localizar os gametângios que produ- 3. Identifique as estruturas haploides e as diploides presentes neste ciclo de vida.
zirão os gâmetas.
7. Idêntico ao da figura 10.
4. Refira o local onde se formam os gâmetas e os esporos, respetivamente.
8. Neste ciclo de vida a fase haploide e a 5. Qual a função dos esporos e dos gâmetas?
fase diploide, ambas representadas
por diversas estruturas, alternam 6. O protalo é a estrutura resultante da germinação dos esporos. Explique a sua importância nes-
entre si. te ciclo de vida.
7. Elabore um esquema que resuma de uma forma simplificada este ciclo de vida.
8. Comente a veracidade da afirmação: “Neste ciclo de vida há uma alternância de fases nuclea-
res (haploide e diploide)”.

100
3. Ciclos de vida

Para que ocorra a reprodução sexuada é necessário a formação de Competências conceptuais


esporos, uma vez que os fetos caracterizam-se por não produzirem Compreender que o conceito de ciclo de
sementes. Na época da reprodução, na página inferior das folhas vida é aplicável a qualquer tipo de orga-
encontram-se os esporângios, agrupados em soros, e que são estrutu- nismo.
ras de cor amarela (fig. 9A). Identificar a alternância de fases nuclea-
res pela localização da meiose e da fe-
Os esporângios são estruturas multicelulares que, quando jovens, con- cundação num ciclo de vida.
têm as células-mãe dos esporos. Estas sofrem meiose e originam os Compreender o papel dos esporos e dos
esporos haploides (fig. 9B). Como a meiose ocorre antes da formação dos gâmetas enquanto células reprodutoras.
esporos classifica-se como pré-espórica. Quando maduros, os esporos
9 Polipódio com soros na
são disseminados (pelo vento e por animais), dispersando-se por gran-
página inferior da folha (A e B) e
des áreas. Ao encontrar condições favoráveis, cada esporo germina e for- protalo formado pela
ma um protalo, que é uma estrutura multicelular verde (fig. 9C). germinação dos esporos (C).
A B C Competências procedimentais
Aplicar conceitos básicos para interpre-
tar os diferentes tipos de ciclos de vida.
Localizar e identificar os processos de re-
produção presentes num ciclo de vida,
prevendo a existência ou não da alter-
nância de fases nucleares.

Recordar e/ou enfatizar…


A identificação da alternância de fases
O protalo é capaz de realizar a fotossíntese, obtendo a água e os sais nucleares pela localização de meiose e
minerais através dos pelos absorventes que possui na face inferior. Esta da fecundação num ciclo de vida.
estrutura haploide funciona como gametófito onde estão os anterí- Os esporos e os gâmetas como células
dios (gametângios masculinos) e os arquegónios (gametângios femi- reprodutoras.
ninos). Nos anterídios formam-se, por mitose, os anterozoides (gâme-
tas masculinos), que possuem flagelos (estruturas locomotoras) que
lhes permitem deslocar-se na água e alcançarem a oosfera (gâmeta
feminino). Cada arquegónio possui uma oosfera. A fecundação é, assim, DOC. “DIVERSIDADE E
dependente da água (sob a forma de uma película no solo), que permi- ESTRATÉGIAS
Caderno de
REPRODUTIVAS NAS
te ao anterozoide deslocar-se, explicando a distribuição geográfica dos PLANTAS – CICLO DE
Atividades
fetos em áreas preferencialmente húmidas. O ovo origina um esporó- VIDA DE UM MUSGO”
fito por mitoses sucessivas, a partir do qual se desenvolvem raízes que
10 Esquema-síntese de um
lhe permite ser nutritivamente independente do gametófito. O esporó- ciclo de vida haplodiplonte.
fito evolui para planta adulta. A geração gametófita inicia-se
O polipódio é um ser haplodiplonte (fig. 10), com as fases haploide (na nos esporos, prolonga-se no
protalo e termina nos gâmetas;
geração gametófita) e diploide (na geração esporófita) bem desenvol-
a geração esporófita inicia-se
vidas, em consequência da meiose ser pré-espórica. A geração esporó- no zigoto e conclui-se antes da
fita é mais desenvolvida e integra a planta adulta diplonte. formação dos esporos.

Anterídio Anterozoide
(n) (n)
Meiose Fecundação

Polipódio Esporângio Célula-mãe de Esporos Protalo Zigoto


(2n) (2n) esporos (2n) (n) (n) (2n)

Redução Arquegónio Oosfera


(n) (n) Duplicação
cromossómica cromossómica

101
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Competências conceptuais 3.1.3 Ciclo de vida de um ser diplonte


Identificar a alternância de fases nu-
cleares pela localização da meiose e da
fecundação num ciclo de vida.
O cão (Canis familiaris), tal como praticamente todos os mamíferos,
apenas se reproduz sexuadamente (fig. 11). Apresenta dimorfismo
Compreender o papel dos esporos en-
quanto células reprodutoras. sexual, ou seja, os indivíduos de sexo diferente apresentam caracterís-
ticas diferentes e produzem gâmetas diferentes (óvulos e espermato-
zoides).

ATV. 3 Ciclo de vida do cão


Competências procedimentais
Aplicar conceitos básicos para interpre-
1. Classifique o tipo de meiose que
tar os diferentes tipos de ciclos de vida. Gâmetas haploides (n)
ocorre no ciclo de vida do cão. Justi-
Localizar e identificar os processos de re- Óvulo fique.
produção presentes num ciclo de vida,
prevendo a existência ou não da alter- Haploide (n) 2. Compare o desenvolvimento relati-
nância de fases nucleares. Diploide (2n)
vo de cada uma das fases: haploide
e diploide.

Espermatozoide 3. Explique a razão pela qual o cão


Meiose Fecundação
Guia do (n) tem um ciclo de vida diplonte.
TRANSPARÊNCIA N.° 10 Professor e
CICLO DE VIDA – Manual 4. Elabore um esquema que resuma de
Interativo –
HUMANO Versão do uma forma simplificada este ciclo de
Professor Ovário Testículo vida.
Zigoto
diploide 5. Comente a afirmação: “No ciclo de
(2n) vida do cão não há alternância de
gerações”.
Mitoses e
Resolvendo… diferenciação 11 Ciclo de vida do cão.
1. Meiose pré-gamética, porque ocorre
antes da formação dos gâmetas.
2. A diplófase domina quase todo o
ciclo estando a haplófase restrita
aos gâmetas.
3. Porque todas as estruturas do seu
ciclo de vida são diploides, exceto os
No ciclo de vida do cão, a meiose é pré-gamética, sendo os gâmetas as
gâmetas. únicas estruturas haploides. A meiose ocorre nas gónadas – testículos e
4. Idêntico ao da figura 12. ovários. Ocorre uma dominância quase absoluta da diplófase. Não há al-
5. Como no ciclo de vida do cão os ternância de gerações esporófita e gametófita, uma vez que não há for-
gâmetas são as únicas células repro- mação de esporos. O ciclo de vida é classificado como diploide (fig. 12),
dutoras não se formando esporos, sendo o organismo um ser vivo diplonte.
não há geração esporófita e, como
tal, não há alternância de gerações.

Meiose Fecundação
Cão (2n) Espermatozoide (n)

Evitar… Zigoto (2n)


O estudo de mais do que três ciclos de
vida. Cadela (2n) Óvulo (n)

A utilização de um elevado número de


termos específicos para descrever as
Redução Duplicação
estruturas biológicas dos ciclos selecio- 12 Esquema-síntese de um cromossómica cromossómica
nados. ciclo de vida diplonte.

102
3. Ciclos de vida

3.2 As intervenções humanas podem interferir Competências conceptuais


Identificar a alternância de fases nuclea-
na conservação/evolução da espécie res pela localização da meiose e da
fecundação num ciclo de vida.
As atividades humanas podem ter impactes nos organismos e interfe- Compreender o papel dos esporos en-
rirem no seu ciclo de vida. quanto células reprodutoras.

CTS&A 1 Influência da temperatura na determinação sexual dos crocodilos


Competências procedimentais
Aplicar conceitos básicos para interpre-
O crocodilo-de-água-salgada (Crocodylus porosus) é o maior réptil existente na atualidade e pode tar os diferentes tipos de ciclos de vida.
ser extremamente perigoso para o Homem. Este crocodilo habita rios e estuários, mas também
pode ser encontrado em zonas costeiras de mar aberto. Reproduz-se durante a estação húmida. Localizar e identificar os processos de
As posturas são feitas em ninhos construídos em terra com lama e ramos, onde são enterrados reprodução presentes num ciclo de vida,
40 a 60 ovos, que levam cerca de 90 dias a incubar. prevendo a existência ou não da alter-
nância de fases nucleares.
A determinação do sexo dos pequenos crocodilos é feita através da temperatura dos ovos duran-
te os primeiros dias após a postura: os machos são produzidos se a temperatura estiver em tor-
no dos 31 °C. Se as condições forem mais variáveis, as crias serão fêmeas. A mãe permanece jun-
to do ninho durante todo o período, apesar de não ter parte ativa na incubação. Desenterra os
ovos quando ouve o chamamento das crias e transporta-as para a água. As jovens crias podem
Competência atitudinal
ser caçadas pelos crocodilos adultos
ou serem expulsas do território quan- Consciencializar de que as intervenções
do atingem o estado adulto ou o seu humanas em qualquer uma das fases de
número aumenta excessivamente. um ciclo de vida de um organismo po-
Os machos adolescentes deslocam- dem interferir na conservação/evolução
-se para zonas de água salgada e da espécie.
percorrem as costas até encontrarem
um rio que possam marcar como seu
território. A maturidade sexual é atin-
gida entre os 10 a 12 anos para o Resolvendo…
sexo feminino e aos 16 anos para o
masculino. 1. A temperatura das águas onde estão
os ovos determina o sexo dos croco-
Adaptado da Enciclopédia online dilos. Assim, se a temperatura for de
Wikipédia cerca de 31 °C formam-se machos, se
a temperatura for variável formam-
13 Crocodylus porosus. -se fêmeas.
2. Pode haver populações onde não se
formem indivíduos do sexo masculi-
1. Qual a influência da temperatura na determinação do sexo dos crocodilos? no, o que será vital na reprodução se-
xual da população.
2. O aquecimento global tem aumentado as temperaturas médias atmosféricas. Refira as possí- 3. Evitar ações que contribuam para o
veis implicações deste facto para esta espécie de crocodilos. aquecimento global (ex.: queima ex-
cessiva de combustíveis fósseis), po-
3. Que medidas propunha para solucionar/minimizar este problema? tenciar a utilização de formas de
4. Comente a afirmação com base no texto: “As atividades humanas têm impactes no ciclo de energia renovável e reduzir a polui-
vida dos organismos, podendo interferir na conservação/evolução da espécie”. ção térmica das águas.
4. Neste caso o aquecimento das águas,
resultante de atividade humana,
poderá levar ao declínio da popula-
ção de crocodilos, devido à ausência
A temperatura do nosso planeta tem oscilado ao longo dos tempos, tal de machos.
como pode ser comprovado nos registos fósseis, influenciando a distri- I
buição dos seres vivos, bem como a sua conservação e evolução. O No 10.o ano, na Unidade 4, foi
Homem, ao contribuir para o agravamento do efeito estufa e para o abordada a regulação térmica dos
consequente aquecimento global, pode potenciar impactes negativos organismos e o efeito da atividade
sobre o ciclo de vida dos organismos. humana em diversos organismos.
103
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Resolvendo…
1. A construção de barragens impede CTS&A 2 Impacte do Homem no ciclo de vida dos organismos
os salmões de chegar ao local de de-
sova, interrompendo o seu ciclo de
vida.
2. Diminuição do número de exempla- O salmão atlântico é um peixe migrador aná-
res da espécie ou a extinção local
das populações de salmão.
dromo, o que significa que vive toda a sua
3. Através da construção de estruturas vida no mar mas que se reproduz em água
nas barragens que permitam a pas- doce, deslocando-se para os rios na época
sagem dos peixes migradores. Os alu- de procriação, que se efetua de outubro a
nos poderão explorar o site: julho. A desova efetua-se entre dezembro e
http://www.naturlink.pt janeiro. A grande capacidade natatória desta
4. O Homem pode interferir no ciclo de espécie permite-lhe ultrapassar diversos obs-
vida dos organismos através da pes- táculos (fig. 14) ao longo do percurso migra-
ca, da ingestão de ovas e de animais tório (excluindo-se as grandes barragens e
muito jovens, por exemplo. açudes), procurando atingir as águas calmas
dos cursos superiores dos rios, onde efetua
a postura nos fundos de areia e cascalho. A 14 O salmão, na sua migração, tem que ultrapassar
Aprofundando… fecundação pelos espermatozoides dos ma- diversos obstáculos.
No dimensionamento das PPP devem chos é externa e ocorre em simultâneo à pos-
ser consideradas as condições hidrodi- tura (…).
nâmicas – sobretudo a velocidade da O consequente decréscimo dos efetivos populacionais, ou a extinção local de espécies migra-
água e o regime de escoamento – à en- doras como o salmão (Salmo salar), conduziu à construção e desenvolvimento de diversos sis-
trada e no interior do dispositivo, para temas de transposição piscícola em obras fluviais, genericamente designados de passagens
além de conhecimentos sobre a fisiolo- para peixes (PPP). Estas estruturas pretendem minimizar as consequências do efeito barreira
gia, ecologia e comportamento no pro- na fauna piscícola, permitindo, em menor escala, o restabelecimento da continuidade nos sis-
cesso migratório das espécies-alvo. A temas fluviais.
generalidade dos autores considera As PPP são também usadas por alguns mamíferos, como foi demonstrado em Portugal com a
cinco tipos principais de PPP: passagens
toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus) e a lontra (Lutra lutra).
por bacias sucessivas, passagens ou de- Adaptado de www.naturlink.pt
fletores do tipo Denil, eclusas, ascenso-
res e passagens naturalizadas.
As passagens por bacias sucessivas • A ingestão de ovas pelos predadores naturais e pelo Homem (ex.: ovas de esturjão – caviar)
foram o primeiro tipo de dispositivo de
transposição construído para fazer face tem impactes no ciclo de vida dos organismos, uma vez que, nestes casos, os descenden-
a obstáculos naturais ou artificiais, ten- tes são ingeridos numa fase prematura do seu ciclo de vida.
do sido frequentemente utilizadas em • A pesca indiscriminada, que ignora os ciclos de vida das espécies, o tamanho do pescado
França durante o século XIX. Atual- e o número de exemplares da população têm impactes negativos no ciclo de vida das popu-
mente é o modelo de PPP de utilização
mais comum, sendo sobretudo utiliza- lações atingidas.
das para vencer desníveis pouco pro-
nunciados, como acontece na generali- 1. Qual o impacte da construção das barragens na reprodução do salmão?
dade das mini-hídricas. O princípio
geral do funcionamento consiste em 2. Que consequências para a espécie podem advir dos impactes anteriores?
dividir o desnível a vencer em várias
quedas consecutivas de menor dimen-
3. Explique de que forma a ciência e a tecnologia podem minimizar este problema.
são, através da construção de pequenas 4. Enumere outras formas através das quais o Homem interfere no ciclo de vida dos organis-
bacias que escoam água entre si de
mos.
montante para jusante. São vulgar-
mente denominadas de escada de pei-
xes, dado que a sua configuração ba-
seia-se em bacias escalonadas em
forma de degraus, formando um canal
por onde os indivíduos se movimentam
e transpõem as bacias, nadando na co-
luna de água, ou em algumas situações,
por salto. A adequação das PPP por A construção de barragens e de outras infraestruturas influenciam a
bacias sucessivas às espécies/famílias reprodução dos organismos. No caso do salmão, poderão impedi-los de
mais representativas nos troços onde as chegar aos locais de desova, o que tem como consequência o declínio
estruturas são colocadas realiza-se da espécie. Atualmente, algumas barragens já dispõem de um sistema
através de modificações nos critérios de
dimensionamento hidráulico. que permite a passagem dos peixes migratórios, de modo a minimizar
in www.naturlink.pt os impactes destas estruturas humanas no ciclo de vida dos seres vivos.

104
3. Ciclos de vida

Sugestão metodológica
Resumindo
Os alunos poderão apresentar a infor-
mação resumida de forma esquemática,
De acordo com a localização da meiose nos ciclos de vida – pós-zigótica, pré-espórica ou pré-gamé- recorrendo, para tal, a um mapa de con-
tica – estes podem ser classificados em: haplontes, haplodiplontes ou diplontes, respetivamente. ceitos.

Ciclo de vida haplonte


Organismo
multicelular
haploide
Organismos haploides (ex.: protistas e alguns fungos).
n
O organismo adulto é haploide. Mitose
Mitose
O zigoto, que é a única célula diploide, sofre meiose n n
(pós-zigótica) para produzir células haploides – os es- n Gâmetas n
poros.
Os esporos formam, por mitoses sucessivas, um novo Meiose Fecundação
organismo, que pode ser unicelular ou multicelular.
2n
Zigoto
Os gâmetas são produzidos por mitose. Haploide
Diploide

Ciclo de vida haplodiplonte


Organismo
multicelular haploide
Organismos haplodiplontes (muitas plantas). (gametófito)
Mitose Mitose
Manual
Alternância de fases nucleares – haplófase e diplófase – n Interativo –
n n MAPA DE CONCEITOS
e de gerações – esporófita e gametófita. n Versão do
n Gâmetas Professor
Meiose pré-espórica formando-se esporos haploides.
Meiose Fecundação
Da germinação do esporo e da sua divisão por mitoses
resulta o gametófito, a partir do qual se formam os
gametângios que, por sua vez, originarão os gâmetas. 2n
2n Zigoto
Manual
Mitose APRESENTAÇÃO Interativo –
O organismo adulto é diploide. Organismo
multicelular diploide Haploide EM POWERPOINT Versão do
(esporófito) Professor
Diploide

Ciclo de vida diplonte


n Gâmetas n
Organismos diplontes (animais e algumas plantas). n
Meiose pré-gamética.
Meiose Fecundação
Os gâmetas são as únicas células haploides.
A formação do organismo envolve mitoses sucessivas Zigoto 2n
do zigoto. 2n

Organismo Mitose
multicelular
diploide
O Homem, através das suas atividades (ex.: queima de combustí- Haploide
veis fósseis, construção de barragens), pode influenciar as fases do Diploide
ciclo de vida dos organismos, interferindo na conservação/evolução
das espécies.

105
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Em síntese… Que processos são responsáveis pela unidade e


Sugestão metodológica variabilidade celular?
Os alunos poderão apresentar a infor-
mação resumida de forma esquemáti-
ca, recorrendo, para tal, a um mapa de Reprodução assexuada e sexuada
conceitos. Deverão usar todas as pala-
vras-chave definidas no programa,
interligando os conceitos. • A reprodução sexuada ou assexuada permite aos organismos assegurar a sua descendência.
Os mapas de conceitos apresentados • Na reprodução assexuada um único progenitor origina os seus descendentes, tendo por base a
pelos alunos podem ser comparados mitose. Os descendentes são clones do progenitor, uma vez que são geneticamente iguais a ele.
com os mapas de conceitos presentes
no Guia do Professor e no Manual Inter- • São estratégias de reprodução assexuada:
ativo – Versão do Professor. – Bipartição – o progenitor divide-se em dois organismos-filhos geneticamente iguais. O proge-
nitor deixa de existir.
– Gemulação – o progenitor emite de uma gema (ou gomo), contendo material genético, que
cresce até atingir o tamanho característico da espécie. A gema pode individualizar-se do pro-
genitor.
– Fragmentação – o progenitor divide-se em vários fragmentos. Independentemente da sua
constituição interna, cada um dos fragmentos consegue regenerar todos os tecidos e órgãos
em falta.
– Divisão múltipla – o núcleo do progenitor sofre divisão múltipla, de onde resultam vários
núcleos, que originam organismos autónomos depois de envolvidos por citoplasma e indivi-
dualizados por uma membrana celular.
– Esporulação – o progenitor produz esporos que, após germinarem, originam organismos autó-
nomos.
– Partenogénese – o progenitor produz óvulos que não são fecundados, e que ao eclodirem ori-
ginam descendentes.
• O Homem recorre a técnicas artificiais de multiplicação vegetativa (ex.: enxertia, alporquia, mer-
gulhia e estacaria) na agricultura e hortofloricultura, de modo a selecionar as suas plantas.
• A micropropagação vegetativa é uma técnica em que, recorrendo a equipamentos e técnicas
laboratoriais, se consegue produzir um elevado número de clones de uma determinada planta,
num curto período de tempo.
• As técnicas de multiplicação vegetativa têm um elevado
sucesso devido ao facto das plantas possuírem células
totipotentes indiferenciadas, que lhes permitem o cresci-
mento e a regeneração de tecidos.
• Através da multiplicação vegetativa tem sido possível ao
Homem aumentar a sua produção, o que faz com que
haja uma maior disponibilidade de alimentos.
• Na reprodução sexuada há dois progenitores (exceto nos
hermafroditas autossuficientes, em que há apenas um pro-
genitor) que produzem células sexuais (os gâmetas), que
se unem através da fecundação, originando um zigoto que,
por mitoses sucessivas, originará um novo indivíduo.
• Os gâmetas formam-se através de um processo de game-
togénese em estruturas próprias: gónadas (nos animais) e
gametângios (nas plantas).
• Na reprodução sexuada ocorrem dois fenómenos: a
meiose e a fecundação.

106
Reprodução e variabilidade, que relação?
Sugestão metodológica
Os alunos poderão apresentar a infor-
mação resumida de forma esquemáti-
Reprodução e ciclos de vida ca, recorrendo, para tal, a um mapa de
conceitos. Deverão usar todas as pala-
vras-chave definidas no programa,
• Através da meiose há produção de células-filhas haploides, com metade do número de cromos- interligando os conceitos.
somas da célula-mãe. Pelo contrário, na fecundação há duplicação do número de cromossomas. Os mapas de conceitos apresentados
Estes dois processos ocorrem no ciclo de vida, permitindo a manutenção do número de cromos- pelos alunos podem ser comparados
somas característico da espécie. com os mapas de conceitos presentes
no Guia do Professor e no Manual Inter-
• Os organismos que se reproduzem sexuadamente apresentam uma maior variabilidade genéti- ativo – Versão do Professor.
ca, resultante:
– da segregação aleatória dos cromossomas homólogos, durante a divisão I da meiose;
– da segregação aleatória dos cromatídios, durante a divisão II da meiose;
– de fenómenos de crossing-over;
Manual
– da fecundação. Interativo –
MAPA DE CONCEITOS
• A maior variabilidade genética dos indivíduos que se reproduzem sexuadamente poderá permi- Versão do
Professor
tir a estes organismos uma adaptação mais eficaz face à alteração das condições ambientais.
• A mitose e a meiose são processos de divisão nuclear que apresentam como principais diferenças:

Aspetos que distinguem a mitose da meiose


Acontecimento Mitose Meiose Manual
Interativo –
Na interfase que antecede a Apenas na interfase que antecede a FICHA DE AVALIAÇÃO
Replicação do DNA Versão do
mitose. divisão I da meiose. Professor

Duas divisões constituídas pelas etapas


Uma divisão constituída pelas
de: divisão I – prófase I, metáfase I,
Número de divisões etapas de: prófase, metáfase,
anáfase I e telófase I; divisão II – prófase
anáfase e telófase.
II, metáfase II, anáfase II e telófase II.

Crossing-over Não ocorre. Ocorre junto aos pontos de quiasma.

Quatro células-filhas por cada meiose,


geneticamente diferentes das células
Número de células- Duas células-filhas por cada progenitoras, apresentando
-filhas e constituição divisão mitótica, geneticamente características resultantes de diferentes
genética iguais à célula-mãe. combinações de genes dos progenitores.
Apresentam metade do número de
cromossomas da célula-mãe.

• Os ciclos de vida podem ser classificados em haplontes, haplodiplontes ou diplontes, se a meiose


for pós-zigótica, pré-espórica ou pré-gamética, respetivamente.
• Ciclo de vida haploide: o organismo adulto é haploide, a meiose é pós-zigótica. Apenas o zigoto
é diploide.
• Ciclo de vida haplodiplonte: existe uma alternância de fases nucleares – haplófase e diplófase – e
de gerações – esporófita e gametófita; a meiose é pré-espórica e dela resultam esporos haploides.
• Ciclo de vida diplonte: os gâmetas são as únicas células haploides e formam-se por meiose (pré-
-gamética).
• O Homem, através das suas atividades, pode interferir na conservação/evolução da espécie,
podendo causar impactes em qualquer uma das fases de um ciclo de vida de um organismo.

107
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Auto-Avaliação

Resolvendo… 1. A reprodução é essencial para a preservação das espécies. Observe a figura que se
1. segue onde estão representados alguns mecanismos de reprodução assexuada.
1.1. A – bipartição; B – esporulação;
C – gemulação; D – gemulação. A B
1.2. A – divisão do organismo progeni-
tor em dois organismos-filhos ge-
neticamente iguais entre si e ao
progenitor; D – o progenitor emite
de uma gema (ou gomo), conten-
do material genético que cresce até
atingir o tamanho característico da
espécie.
1.3. Nenhuma; os descendentes são
geneticamente iguais aos proge-
nitores. Amiba Fungo
1.4. Estes organismos formam-se atra-
vés de divisões mitóticas, em que
se formam células-filhas iguais à
C D
célula-mãe.

Levedura Hidra

1.1. Identifique cada um dos processos representados pelas letras.

1.2. Descreva sucintamente os processos A e D.

1.3. Que diferenças genéticas existem entre os descendentes e os progenitores?

1.4. Justifique a resposta à questão anterior.

2.
2. O Homem recorre a técnicas de multiplicação vegetativa nas suas práticas agríco-
2.1. A – estacaria; B e C – micropropa-
gação vegetativa.
las. Observe a figura:
2.2. Obtenção de um elevado número A B C
de descendentes, num reduzido
período de tempo; selecção dos
progenitores.
2.3. A afirmação é falsa, uma vez que
as técnicas de reprodução asse-
xuada têm por base a mitose, pelo
que as células-filhas são clones da
célula-mãe, não se introduzindo
variabilidade.

2.1. Identifique as técnicas ilustradas na figura.

2.2. Enumere três vantagens da técnica B.

2.3. Comente a veracidade da afirmação: “As técnicas de multiplicação vegetativa são


vantajosas para o Homem, uma vez que permitem a obtenção de indivíduos com
uma grande variabilidade genética”.

108
3. Estabeleça as correspondências possíveis entre a coluna I e a coluna II. Resolvendo…
3. 1 – B; 2 – B; 3 – C; 4 – C; 5 – A; 6 – B;
7 – B; 8 – B.
Coluna I Coluna II
1. Um núcleo diploide sofre divisão originando células
haploides.
2. Os cromossomas condensam e os cromossomas
homólogos emparelham.
3. Numa das fases, os cromossomas encontram-se na placa
A. Mitose
equatorial do fuso acromático.
4. Antes de iniciar, ocorre replicação do DNA.
B. Meiose
5. Ocorre em células somáticas.
6. Mecanismo de divisão nuclear associado à formação de
C. Ambos os processos
gâmetas.
7. Mecanismo de divisão que reduz para metade o número
de cromossomas.
8. Numa das fases desta divisão há trocas de segmentos
entre cromatídios (crossing-over).

4. Tenha em atenção os esquemas seguintes, onde se pretende representar células em


anáfase de uma divisão celular. Admita que se trata de um organismo diploide em
que 2n = 6. 4.
4.1. As células 1, 2 e 3 encontram-se, 4.1. b.
4.2. Segregação de cromossomas homó-
respetivamente, em: 1 logos – Meiose I; Divisão reducional
a. Mitose, Meiose I e Meiose II. – Meiose II; Segregação de um cro-
b. Meiose I, Meiose II e Mitose. matídio por cromossoma – Mitose.
c. Meiose II, Mitose e Meiose I.
d. Meiose I, Mitose e Meiose II. 2 3
e. Meiose II, Meiose I e Mitose.
(Selecione a opção correta.)

4.2. Justifique.

5. Selecione a alternativa que preenche corretamente os espaços I e II. 5. a.

“Uma célula em divisão apresenta cromossomas homólogos dispostos na placa


equatorial do fuso acromático. São visíveis os pontos de quiasma. A fase que se
segue é a __________, que se caracteriza pela __________.”

a. Anáfase I (…); separação dos cromossomas homólogos


b. Telófase I (…); divisão do citoplasma
c. Metáfase II (…); duplicação dos centrómeros
d. Prófase II (…); desintegração do invólucro nuclear
e. Prófase I (…); ocorrência de crossing-over.

109
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Auto-Avaliação

Resolvendo… 6. A figura seguinte ilustra o processo de espermatogénese humana, onde está


6. representado apenas um par de cromossomas. Observe-a.
6.1. 1 – Mitose; 2 – Divisão I da
meiose; 3 - Divisão II da meiose. Espermatozóide
3
6.2. Meiose, uma vez que há redução
para metade do número de
cromossomas, pelo que os 2
1
gâmetas são haplóides.
6.3. O crossing-over em que há
recombinação de genes de
cromossomas de proveniência
diferente; separação aleatória de
cromossomas e cromatídios, que
conduz à formação de núcleos
com material genético diferente
do núcleo que esteve na sua
origem.
6.4. Nos seres que se reproduzem se-
xuadamente é a meiose, e
posterior fecundação, que são
responsáveis pela manutenção do
6.1. Legende a figura.
número de cromossomas típicos 6.2. Qual o tipo de divisão que está na origem dos gâmetas humanos? Justifique.
da espécie. O crescimento e a 6.3. Que acontecimentos da figura potenciam a variabilidade na espécie humana.
regeneração celular têm por base Caracterize-os.
a mitose.
6.4. Comente a veracidade da afirmação: “A mitose é a grande responsável pela
reposição do número de cromossomas típicos da espécie em organismos que se
reproduzem sexuadamente”.

7. As letras A a K do gráfico seguinte dizem respeito à variação do teor de DNA num


processo de gametogénese humana. As células diplóides possuem 46 cromos-
somas.
Quantidade
de DNA
7 4Q
7.1. O processo é a meiose, uma vez
que as células-filhas têm 1/2 da
quantidade de DNA da célula-mãe
em G1. A passagem de 2Q para Q 2Q
deve-se à passagem de 2n para n.
Q
7.2. a. – replicação do DNA;
b. – divisão do material genético Tempo
por dois núcleos durante a A B C D E F G H I J K L
anáfase I;
c. – divisão do material genético
por dois núcleos durante a
7.1. A partir da variação do teor em DNA, indique, justificando, o processo de divisão
anáfase II. celular evidenciado pelo gráfico.
7.3.
a. Interfase – A – D;
7.2. Explique a variação da quantidade de DNA:
b. Anáfase I – E; a. no intervalo BC; b. em F. c. em J.
c. Anáfase II – I.
7.3. Utilizando as letras de A a K, indique:

a. o intervalo que diz respeito a interfase.


b. metáfase I.
c. metáfase II.

110
7.4. Indique o número de cromossomas e o número de cromatídios que existem no Resolvendo…
núcleo das células em: 7.4. a. – 46 cromossomas e 92 cromatí-
dios; b. – 23 cromossomas e 46 cro-
a. D; b. G; c. K; d. L. matídios; c. – 23 cromossomas e 23
cromatídios; d. – 46 cromossomas e
7.5. Apresente uma explicação para a variação do teor de DNA em L.
46 cromatídios.
7.5. Em L houve fecundação.
8. Tenha em atenção a figura onde está representado um ciclo de vida.
8.
8.1. Identifique o tipo de ciclo de vida 8.1. Ciclo haplonte.
representado na figura. 8.2. Todas as estruturas têm n cromos-
somas excepto o zigoto; a meiose é
8.2. Enuncie três características deste pós-zigótica; o indivíduo adulto é
ciclo que justifiquem a sua haplonte.
resposta à questão anterior. 8.3. Número 3.
8.4. A espirogira.
8.3. Indique o número da figura que 8.5. Neste ciclo de vida há um domínio
corresponde ao organismo adulto. quase absoluto da fase haplóide e
como não há formação de esporos
8.4. Refira o nome de um organismo não existe alternância de gerações.
que apresente este tipo de ciclo
de vida.

8.5. Comente a afirmação: “Neste ciclo de vida há alternância de fases nucleares e de


gerações”.

Adaptado do Exame Nacional de Biologia, 2001, 2.a fase

9. A espirogira é uma alga de água doce, cujo 9.


ciclo de vida está representado na figura. 9.1. 1 – tubo de conjugação; 2 – zigoto;
3 – espirogira.
9.1. Legende a figura. 9.2. Meiose pós-zigótica.
9.3. Apenas na célula 2 (zigoto).
9.2. Identifique o tipo de meiose presente. 2
1
9.3. Identifique a(s) célula(s) onde é possível encon-
trar cromossomas homólogos no(s) seu(s) nú- 3
cleo(s).

Adaptado do Exame Nacional de Biologia, 2004, 2.a fase

10. Traduza, sob a forma de diagrama, o ciclo de vida do Homem. 10. O aluno deverá efectuar um esque-
ma idêntico à figura 11 da página
102.

11. Um grupo de investigadores descobriu que a planta do milho, quando atacada, emi-
te um pedido de socorro químico. A planta responde ao ataque da lagarta
(Mythimna convecta), libertando uma mistura de químicos voláteis, os quais aca-
bam por atrair uma vespa parasitóide (Apanteles ruficrus), que deposita os seus
ovos no interior do corpo da lagarta. Quando os ovos eclodem, as larvas da vespa
alimentam-se da lagarta até emergirem à superfície, fixando-se em casulos, onde
se metamorfoseiam em pequenas vespas. Esta “bomba-relógio” biológica acaba por
matar a lagarta. Recentemente, descobriu-se que é necessária uma substância
química, presente na saliva da Mythimna convecta, para desencadear o pedido de
socorro químico por parte da planta.

111
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Autoavaliação
Resolvendo… A figura representa esquematica-
11. mente o ciclo de vida de Mythimna
11.1. a.– F; b. – F; c .– V; d. – F; e. – V; conveta. Larva
f. – V; g. – F; h. – V. (Lagarta)
11.2. D – A – E – B – C. 11.1. Classifique como verdadeira (V) ou
11.3. As atividades humanas que têm falsa (F) cada uma das seguintes
como consequência as alterações afirmações, relativas às interações
climáticas podem interferir no entre a planta do milho, a
ciclo de vida de algumas espécies, Mythimna conveta, e a Apanteles Ovo
principalmente aquando da re- Pupa
ruficrus, descritas nos dados apre-
produção, podendo diminuir o
número de efetivos da população.
sentados no texto.
A natureza também pode interfe-
a. Apanteles ruficrus é uma espécie
rir na conservação/evolução das
parasitoide da planta do milho. Forma adulta
espécies, por exemplo, ao nível do (Borboleta)
aumento de predadores de ovos e b. Danificar manualmente as folhas
crias. da planta desencadeará o sinal
de alarme químico.
c. As substâncias libertadas pela planta atraem Apanteles ruficrus.
d. Uma substância química presente na saliva de Mythimna conveta atrai
Apanteles ruficrus.
e. As plantas do milho não parasitadas não atraem quimicamente a vespa
Apanteles ruficrus.
f. A predação da planta, por Mythimna conveta, induz esta a produzir um pedido
de socorro químico.
g. Mythimna conveta só completa o seu ciclo de vida na presença de Apanteles
ruficrus.
h. Apanteles ruficrus e Mythimna conveta são consumidores de diferente ordem.

11.2. Analise as afirmações que se seguem, relativas ao ciclo de vida de Mythimna con-
veta. Reconstitua a sequência temporal dos acontecimentos que culminam na for-
mação de um ovo, colocando por ordem as letras que os identificam.

A – Formação do casulo e desenvolvimento da pupa à custa de reservas alimenta-


res acumuladas.
B – Meiose das células da linha germinativa e formação de células sexuais.
C – União de gâmetas haploides com restabelecimento da diploidia.
D – Mitoses e diferenciação celular originam um organismo pluricelular, que se ali-
menta da planta.
E – Mitoses e expressão diferencial do genoma dão origem à forma com capacida-
de reprodutora.

11.3. Comente a afirmação: “A intervenção natural ou humana em qualquer uma das


fases do ciclo de vida de um organismo podem interferir na sua conservação/evo-
lução”.

Adaptado de Exame Nacional de Biologia e Geologia, 2007, 1.a fase

112
Resolvendo…
12.
12.1. 1 – esporo; 2 – célula-mãe dos es-
12. A figura seguinte representa o ciclo de vida do polipódio.
poros/esporângio; 3 – polipódio/
esporófito; 4 – esporófito; 5 – ga-
metófito; 6 – rizoides; 7 – anterí-
dio; 8 – anterozoide; 9 – oosfera.
2 12.2. a. 1, 5, 6, 7, 8, 9;
b. 2;
c . 5.
1 12.3. a. O esporófito é mais diferenciado
uma vez que possui raiz, caule e
folhas verdadeiras. O gametófito
tem a forma laminar e possui rizoi-
des.
3
b. O gametófito é temporário e o
esporófito é duradouro correspon-
dendo à planta adulta.
12.4. Haplodiplonte, uma vez que a
9
meiose é pré-espórica e há uma
5
alternância de fases nucleares e de
6 gerações.
4 7 12.5. O polipódio é hermafrodita, uma
8
vez que o mesmo indivíduo pro-
duz gâmetas femininos e masculi-
nos.
12.6. d. – meiose pré-espórica; e. – alter-
12.1. Faça a legenda relativa às estruturas a que se referem os seguintes números da nância de fases nucleares.
figura: 1, 2, 3, 4, 5, 7 e 8.

12.2. Indique o(s) número(s) da figura que representa(m):


a. estruturas haploides;
b. a estrutura onde ocorre a meiose;
c. o gametófito.

12.3. Compare o gametófito e o esporófito desta planta no que respeita ao:


a. grau de diferenciação;
b. tempo de duração.

12.4. Como classifica este ciclo? Justifique.

12.5. Comente a seguinte afirmação: “O polipódio é hermafrodita”.

12.6. Das características a seguir referidas, selecione as que estão presentes no ciclo de
vida do polipódio:
a. Fecundação independente da água.
b. Gametófito dependente temporariamente do esporófito.
c. Disseminação feita por sementes.
d. Meiose pré-espórica.
e. Alternância de fases nucleares.
f. Geração gametófita ausente.
(Transcreva as opções corretas.)

Adaptado do Exame Nacional de Biologia, via de ensino, 2001, 1.a fase

113
Biologia UNIDADE 6 REPRODUÇÃO

Desafios

Pierre-J. van Beneden Walther Fleming Oscar Hertwig


(1809-1894) (1843-1905) (1849-1922)
Estudou a gametogénese; descreveu as Citologista alemão pioneiro nos estudos Biólogo alemão que descobriu e
primeiras diferenças de valência nuclear de citogenética, criou os termos descreveu pela primeira vez a meiose
entre um gâmeta e uma célula somática; cromatina e mitose; fez as primeiras (em ouriços-do-mar), em 1883.
descreveu pela primeira vez o ciclo de descrições de estruturas que mais tarde
vida da planária. iriam ser designadas por cromossomas.

Alterações a um ritmo alarmante. Os glaciares regri-


dem, as plataformas glaciárias fragmentam-se, o
nível do mar sobe. Que papel têm os seres humanos?

Fagre e outros dois cientistas norte-americanos estão a fazer aquilo


que fazem há mais de uma década: medir a forma como os lendários
glaciares do Parque Nacional Glacier (no estado de Montana) estão a
derreter. Até agora, os resultados são absolutamente de arrepiar.
Quando o parque foi criado em 1910, calculou-se que tinha cerca de
150 glaciares. Desde então, o número desceu para menos de 30 e a
maioria dos que ainda existem diminuíram em superfície cerca de dois
terços. Fagre prevê que, dentro de 30 anos, a maioria (senão todos) os
glaciares do parque do mesmo nome terão desaparecido.
“Coisas que costumam acontecer numa escala temporal geológica
estão a suceder no espaço de uma vida humana”, diz Fagre. “É como se
estivéssemos a ver a Estátua da Liberdade a derreter.”
Cientistas responsáveis pela avaliação da saúde do planeta têm colhi-
do provas indiscutíveis de que a Terra está a aquecer, em alguns casos
rapidamente. Na sua maioria, mostram-se convencidos de que esta
tendência para o aquecimento é atribuível aos humanos – em especial
a queima de combustíveis fósseis e à resultante acumulação de gases
com efeito de estufa na atmosfera.
A espessura do gelo do oceano Ártico reduziu significativamente ao
longo do último meio século e a sua extensão diminuiu cerca de 10%
nos últimos 30 anos. Leituras consecutivas do altímetro laser da NASA
mostram que as margens da calote glaciária da Gronelândia estão a
retrair-se. Do Ártico ao Peru, da Suíça aos glaciares equatoriais de Irian
Jaya, na Indonésia, enormes campos de gelo, glaciares monstruosos e
gelo marinho estão a desaparecer, velozmente.
http://www.nationalgeographic.pt/articulo.jsp?id=1212438

114
Gottlieb Haberlandt Thomas Hunt Morgan Albert Arnold Gore Jr
(1854-1945) (1866-1945) (1948-…)
Botânico alemão, desenvolveu os Geneticista e embriologista americano, Foi vice-presidente dos EUA. Em 2006,
primeiros estudos de cultura de tecidos foi o primeiro a observar fenómenos de lançou o documentário Uma Verdade
de plantas, em 1936. crossing-over enquanto estudava a Inconveniente, sobre o aquecimento
meiose na Drosophila melanogaster, em global. Prémio Nobel da Paz em 2007.
1911.

Em rede

http://www.home.dbio.uevora.pt – sítio português que disponibiliza informação sobre a meiose e a


mitose.
http://www.en.wikipedia.org/wiki/Meiosis – sítio onde é possível visualizar esquemas comparativos
da mitose e da meiose, conhecer a história da descoberta da divisão nuclear e compreender a evolu-
ção dos ciclos de vida.
http://www.imm.ul.pt – sítio da Universidade de Lisboa, da Unidade de Biologia da reprodução, onde
poderá encontrar estudos sobre meiose.
http://www.ordembiologos.pt – sítio da Ordem dos Biólogos onde se encontram publicados vários
estudos sobre meiose.
http://www.cientic.com – sítio com apresentação sobre os ciclos de vida de diversos organismos.
Em rede

Saber mais

Caderno de Atividades
• Trissomias: mutações cromossómicas numéricas – erros na meiose
• Diversidade de estratégias reprodutivas nas plantas: ciclo de vida de um musgo

Leituras adicionais/filmes
• Uma Verdade Inconveniente – documentário da autoria de Al Gore
• A Marcha dos Pinguins – documentário realizado por Luc Jacquet
• O Sétimo Selo – José Rodrigues dos Santos, Gradiva Publicações

115
Como é que a ciência e a tecnologia têm interpretado a
grande diversidade de seres vivos?

Sugestão metodológica Unidade 7


A partir da situação-problema: “Como é
que a ciência e a tecnologia têm inter-
pretado a grande diversidade de seres
vivos?”,dever-se-ão promover atividades
Evolução biológica
de discussão que permitam ao aluno
expressar as suas conceções sobre o
assunto.

• PLANIFICAÇÃO A
MÉDIO PRAZO Guia do
• PLANIFICAÇÃO A Professor
CURTO PRAZO

Guia do
Professor e
TRANSPARÊNCIA N.° 13 Manual
INTRODUÇÃO Interativo –
Versão do
Professor 1 Qual a origem da multicelularidade?
Unicelularidade e multicelularidade

116
Sugestão metodológica
Estão previstos 6 blocos de aulas para
lecionar esta temática.

2 Como se processa a evolução nos seres


vivos?
Mecanismos de evolução

117
Biologia UNIDADE 7 EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

1. Unicelularidade e multicelularidade

A célula não pode aumentar indefinidamente o seu


tamanho. Para ultrapassar esta limitação as organizações
coloniais e a multicelularidade apresentam-se como
soluções eficazes para permitir o aumento da
complexidade e a evolução das formas de vida.

Em anos anteriores… Palavras-chave Parece verosímil que as células eucarióticas se tenham formado, há cerca de
No 7.º ano de escolaridade, na discipli- Procarionte 1,4 mil milhões de anos, a partir de células procarióticas. Contudo, as pro-
na de Ciências Naturais, no tema TERRA Eucarionte
NO ESPAÇO, os alunos abordam a temá-
fundas diferenças que se reconhecem entre os dois tipos celulares têm difi-
Modelo autogénico
tica da célula. cultado a compreensão do processo evolutivo.
Modelo endossimbiótico
No 10.º ano, no Módulo Inicial, a consti- As células procarióticas, que teriam estado na origem do processo, seriam
tuição celular foi abordada com maior Colónias
heterotróficas anaeróbias, e o seu catabolismo energético compreenderia
detalhe, com distinção dos principais
tipos de organização celular. apenas a glicólise. Contudo, teriam adquirido uma maior capacidade de
permuta com o meio envolvente através da hipertrofia da sua fronteira
natural, a membrana plasmática; uma forma de especialização numa fun-
ção, que lhes pr