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Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Nome: Fabrícia Barnart Magalhães

Curso: Direito – Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais

Turma: 6219

Disciplina: Introdução ao Estudo do Direito

Profº Wilson Engelmann

Data: 25 de março de 2011

Atividade, resumo: DIMOULIS, Dimitri. Manual de Introdução ao Estudo do


Direito. 3ª edição. Editora Revista dos Tribunais. Pg. 23-47.

O texto apresenta dezoito definições do Direito conforme o


pensamento de principais autores, filósofos e juristas de diferentes épocas.
Nada mais justo do que começar essas definições por Platão, defensor da
ideia da busca pela justiça “cada um tem o que merece.”, de acordo com
sua função na sociedade e a sua natureza. Platão menciona o Estado como
responsável por aplicar este principio. Já para Aristóteles, o Direito se
torna justo somente quando defende os interesses coletivos da sociedade e
trata dos interesses individuais de forma igual. O Direito na concepção dele
se confunde com justiça, porém deve ser aplicado de maneira diferente em
cada caso específico. O mesmo cita a justiça comutativa, onde o individuo
deve cumprir suas promessas e indenizar por dano causado, e a justiça
distributiva, que traz o objetivo de ser aplicada pela posição social do
individuo, trazendo consequentemente a desigualdade social.
Diferentemente desses dois filósofos, os Estóicos defendiam a tese de que
o Direito não ligava-se ao Estado, e sim a natureza humana. Pois as leis da
mesma eram iguais perante todos, e por elas se deduzia as regras do
Direito, mesmo os indivíduos não as respeitando. Seguindo nesta linha,
Ulpiano também conceitua o direito natural que é o mesmo para todos,
porém o diferencia do “direito das gentes” que trata os grupos de forma
distinguida conforme sua origem e contexto social. Seu conterrâneo Celso
acredita na “arte do direito do bem e do justo”, ou seja, o Direito para ele
tende sempre a buscar justiça pelo bem da organização social, utilizando-se
da arte que o Direito permite de dar diversas soluções e desfechos para
cada situação. Tomás de Aquino, filósofo católico toma outro rumo em
relação ao Direito. Defende as leis como normas da boa razão impostas pelo
Monarca, devendo este respeitar os mandamentos da lei eterna, pensando
no bem comum.

Thomas Hobbes,fundamenta-se na concepção de leis impostas pelo


Estado. Observa que o povo ao criar sociedades organizadas abdicam do
seu direito natural individual, passando a entregar o poder absoluto ao
Estado, para assim garantir uma organização social. Diferentemente de
Jean-Jacques Rousseau, que pensa no Direito como algo que deve ser
imposto e criado pelo povo, a fim do mesmo defender seus interesses e
garantir igualdade, sem submeterem-se as autoridades. Aproveitando esses
diferentes pontos de vista, menciono Immanuel Kant, pensador da “regra
de ouro”, ou seja, aja do jeito que você quer que os outros ajam com você.
Que julgava o Direito como conjunto de regras também estabelecidas e
impostas pelo Estado, porém que se preocupa mais com o certo, do que
com as ações humanas. Jurista e político alemão, Samuel Pufendorf
concentrava seu pensamento na tese de que as leis naturais deviam ser
submetidas às leis do Estado. Pois os direitos naturais de liberdade dos
indivíduos misturavam se uns com os dos outros, devendo esses por
conseqüências ser regulamentados para não causar piores conflitos. Para
Baruch Spinoza a ideia do Direito depender do Estado ou da justiça era
inaceitável e absurda. Na concepção dele o Direito nada mais era que uma
relação de forças. Pois, os indivíduos preservavam seus direitos naturais e
os governantes ao imporem regras contrárias a isso podiam causar
rebeldias entre os seres.

Partindo para uma definição diferente do Direito, Georg Wilhelm


Friedrich Hegel, acreditava na ligação entre a perfeição do “espírito do
mundo” e o Estado. Afirmava que essa perfeição, essa liberdade era feita
por intermédio do Estado, traduzindo assim o direito moderno. O jurista
alemão, Friedrich Carl Von Savigny, crítico da codificação, devido
acreditar que o Direito não podia ser baseado em normas universais, pois
sempre estava em constante mudança, detinha-se na ideia de que o Direito
era produto histórico decorrente do pensamento coletivo baseado nos
costumes e tradições de cada povo.

Adiante temos o positivista Karl Magnus Bergbohm. Sem fazer


análises sociais, determina o Direito como aquilo que é imposto pelo Estado
sob a forma jurídica, devendo a sociedade obedecer. Fora disso, por
exemplo, como normas criadas na igreja, família, comunidade não
conectam o individuo juridicamente. A visão de Eugen Ehrlich já é feita
sociologicamente, fundamentada na questão de que o Direito nasce na
sociedade. Cita o “direito vivo” encontrado nos costumes das pessoas nas
suas relações com o próximo. E menciona o fato do ordenamento jurídico
ser encontrado em cada individuo que reconhece as normas, com receio da
pressão da comunidade. Este conceito de Ehrlich gera certo conflito com a
concepção do também austríaco, Hans Kelsen. Hans tinha a concepção do
“direito puro”, que seria regido e aplicado pelo jurista somente pelas
normas jurídicas, sem intervenções de outras áreas. Devendo essas normas
ser obrigatórias, caso contrário haveria a presença de força física. Robert
Alexy acreditava em uma definição mais complexa do que a de Bergbohm
e Kelsen. Considerava que o Direito estava vinculado aos princípios morais
vigorantes em determinada sociedade, ou seja, o legislador deveria
respeitar os mandamentos da justiça e o ordenamento jurídico compreender
os princípios morais aceitos pela sociedade.
A teoria do jurista Yevgeniy Bronislavovich Pachukanis,
diferentemente de todos sustentava que o Direito deveria ser abolido, pois o
mesmo era fonte da sociedade burguesa e não existiu antes do capitalismo
nem permaneceria após sua abolição. Acreditava que a revolução socialista
acabaria com o Direito e com o capitalismo, para que todos sejam livres e
iguais.

Por fim, o ponto de vista de Eros Roberto Grau, professor da USP e


Ministro do Supremo Tribunal Federal. Que define o Direito como solução de
conflitos entre interesses de indivíduo e sociedade, aplicando normas
jurídicas eficazes baseadas num sistema. Ele cita o “direito pressuposto” e o
“direito posto”. O primeiro serve de base para o outro e é criado pela
própria sociedade por meio da correlação das forças políticas, assim o
segundo é elaborado e aplicado pelo Estado.