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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) JUIZ (ÍZA) DO TRABALHO DA 2ª VARA DO

TRABALHO DE GOIÂNIA – GO PROCESSO N.º 1146-63.2020.5.18.0002

RECLAMANTE: Jussara Péclis RECLAMADA: Clínica das Amendoeiras CLÍNICA


DASAMENDOEIRAS, qualificaçã o completa, vem respeitosamente à presença de
Vossa Excelência, por seu procurador que esta subscreve, endereço completo,
conforme procuraçã o que segue anexa, com fulcro no art. 847 da CLT e art. 300 e
seguintes do CPC, oferecer CONTESTAÇÃO à reclamaçã o trabalhista movida por
JUSSARA PÉCLIS já qualificada nos autos em epígrafe, pelas razõ es de fato e de
direito a seguir expostas:
1. DOS FATOS
A Reclamante ajuizou a presente reclamató ria alegando haver descumprimento
quanto no ato da homologaçã o de sua demissã o, pois superou 30 dias. Em razã o
disto, pleiteia o pagamento do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço,
cumulada com multa do Art. 477 da CLT, condenaçã o em obrigaçã o de fazer
fundada na entrega de um reló gio folheado a ouro; hora extra pela ausência de
pausa alimentar; integraçã o da PL nas verbas salariais, FGTS e demais verbas
devidas em razã o da ruptura do contrato com a reclamada.
2. DA PRESCRIÇÃO PARCIAL
A reclamató ria nã o deve ser conhecida haja vista o desrespeito a prescriçã o
quinquenal. Nas alegaçõ es da Reclamante, sã o suscitados direitos anteriores a
12.12.2007, sendo que é sabido, ou pelo menos acredita-se saber, o trabalhador
tem seus direitos garantidos se respeitado o período de prescriçã o bienal para
ajuizamento de açõ es com contratos de trabalho já findados, bem como a
prescriçã o quinquenal para pedidos de créditos resultantes de contrato de
trabalho, conforme dispõ e o art. 7º, XXIX da CF, abaixo transcrito.
Art. 7º Sã o direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem
à melhoria de sua condiçã o social:
XXIX - açã o, quanto aos créditos resultantes das relaçõ es de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de
dois anos apó s a extinçã o do contrato de trabalho;
3. AVISO PRÉVIO PROPORCIONAL AO TEMPO DE SERVIÇO
A reclamante roga pelo pagamento do aviso proporcional ao tempo de serviço
baseando-se na lei 12.506/2011. Entretanto, cabe ressaltar que sua dispensa
antecede o advento da lei supra citada, sendo assim o seu contrato de trabalho nã o
se sujeita a proporcionalidade do tempo de serviço em razã o da homologaçã o,
conforme o disposto na Sú mula 441 do TST.
SÚM-441. AVISO PRÉVIO. PROPORCIONALIDADE - Res. 185/2012, DEJT
divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
O direito ao aviso prévio proporcional ao tempo de serviço somente é assegurado
nas rescisõ es de contrato de trabalho ocorridas a partir da publicaçã o da Lei nº
12.506, em 13 de outubro de 2011.
Assim sendo, descabida sua pretensã o ao recebimento dos direitos anteriores ao
ano de 2007, em respeito a prescriçã o quinquenal parcial.
4. MULTAS DO ART. 477, CLT.
Mais uma vez a Reclamante se utiliza de meios ardilosos para atingir seus
objetivos, haja vista que pleiteia verbas resilitó rias. Porém, conforme demonstram
os comprovantes de depó sito, tais verbas foram devidamente pagas, no prazo legal,
afastando assim qualquer hipó tese de pagamento de verbas fundado no art. 477, §
8º da CLT.
5. DA OBRIGAÇÃO DE FAZER – ENTREGA DO RELÓGIO FOLHEADO A OURO
A ex-funcioná ria alega na exordial e até mesmo traz aos autos có pia do
regulamento da empresa Reclamada que ficaria garantido aos funcioná rios com
mais de 10 anos de trabalho o direito de receber um reló gio folheado. Baseada
nesse regulamento pede a entrega do referido reló gio.
Entretanto, se observarmos a prova documental trazida aos autos veremos que o
mesmo teve vigência até fevereiro do ano 2000, onde foi substituído por novo
regulamento onde nã o havia referida previsã o. A Reclamante foi admitida somente
em 18 de novembro do mesmo ano. Ou seja, quando passou a integrar o quadro de
funcioná rios da empresa, nã o mais se sujeitava ao regulamento que previa a
concessã o do referido reló gio.
6. INTERVALO INTRAJORNADA
Na petiçã o inicial a Reclamante relata seu horá rio de trabalho, sendo de 2ª a 6ª
feira por 4 horas diá rias, 20 horas semanais. Mas pleiteia o pagamento referente ao
intervalo intrajornada do qual nã o desfrutava.
Porém Excelência, devemos observar, conforme o disposto no art. 71, § 1º da CLT,
que o intervalo intrajornada se faz obrigató rio somente nas jornadas acima de
6horas, pelo período mínimo de 01 hora, bem como nas jornadas que excedam 4
horas e nã o ultrapassem 06, pelo período de 15 minutos.
Ou seja, a Reclamante nã o faz jus ao pagamento das verbas concernentes ao
intervalo intrajornada por nã o enquadrar as hipó teses na qual fica obrigada a
desfrutar desse período.
7. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
A Reclamante pede que a PL seja integrada nas demais verbas rescisó rias.
Contudo, em observâ ncia à Lei 10.101/00, em seu art. 3º consta que a verba
referente à participaçã o nos lucros nã o deve incidir sobre nenhuma outra, caindo
assim por terra o pleito inicial.
Caso ocorra uma condenaçã o da Reclamada que sejam compensados os valores já
pagos ao Reclamante, inclusive os ficais e previdenciá rios conforme recibos em
anexo. Requer a improcedência da açã o condenando o Reclamante ao pagamento
das custas.
Nestes termos, pede deferimento.

Sarah Aquino
OAB/UF

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