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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA GOIANO

CAMPUS MORRINHOS
LICENCIATURA EM QUÍMICA
FÍSICO-QUÍMICA EXPERIMENTAL III – 6º PERÍODO
PROF.ª. DRA.ª. BRUNA LUANA MARCIAL
DISCENTES: BRUNO, DOANNE, LEONARDO E YASMIN

PILHA DE DANIELL

MORRINHOS – GO
28/08/2018
1. INTRODUÇÃO
A eletroquímica é o estudo das relações entre a eletricidade e as reações químicas.
(BROWN, 205). De uma outra forma mais específica, a eletroquímica é a área da química
voltada para o estudo das propriedades de eletrólitos e dos processos que ocorrem em
eletrodos.
As reações de oxirredução estão entre as reações químicas mais comuns e
importantes. Elas estão envolvidas em uma grande variedade de processos importantes
incluindo a ferrugem do ferro, a fabricação e ação de alvejantes e a respiração dos
animais. (BROWN, 2005).
A matéria é composta de partículas eletricamente carregadas, portanto não é
surpresa que seja possível converter energia química em energia elétrica e vice-versa. O
estudo destes processos de interconversão é uma parte importante da eletroquímica, cujo
objetivo é o estudo da relação entre energia elétrica e transformação química. (RUSSEL,
1994). Os dispositivos que permitem a interconversão de energia química e elétrica são
denominados de células eletroquímicas.
Existem dois tipos de células eletroquímicas:
I. Células voltaicas ou galvânicas: é uma célula eletroquímica que produz
eletricidade como resultado de uma reação espontânea que ocorre dentro dela.
(ATKINS, 1940).
II. Células eletrolíticas: é uma célula eletroquímica na qual uma reação não-
espontânea é induzida por uma fonte de corrente elétrica. (ATKINS, 1940).
Uma pilha que pode ser construída facilmente e que permite a observação dos
fenômenos descritos acima é a Pilha de Daniell. Uma pilha de Daniell consiste de dois
sistemas de eletrodos, Cu e Zn, e quando estes materiais são postos em contato elétrico
as reações que processam são a redução do cobre e a oxidação do zinco. Os eletrodos são
ligados por meio de um fio elétrico a um voltímetro. As soluções se mantêm separadas e
ao mesmo tempo unidas eletricamente por uma ponte salina, a qual evita a mistura das
duas soluções, mas permite que a corrente flua apenas íons de uma solução para a outra,
e vice-versa. Cada eletrodo consiste de um metal imerso em uma solução de um sal
altamente solúvel, ou seja, em cada meia célula haverá um eletrodo (de Zn(s) ou Cu(s))
mergulhado em um eletrólito (de ZnSO4(aq) ou CuSO4(aq)). (CASTELLAN, 1984).
Segundo Castellan (1984), se ambos os eletrodos estiverem em seus estados
padrões ou quando a concentração dos mesmos se encontram a 1 mol/L a 25ºC, o
potencial da pilha, E, será o potencial padrão da pilha, Eº. Modificações de concentrações
dos íons Cu2+ e Zn2+ interferem no potencial da pilha, e esta mudança pode ser calculada
através da Equação de Nernst.
𝐑𝐓 𝐚𝐙𝐧𝟐+
𝐄 = 𝐄° − 𝐥𝐧
𝐧𝐅 𝐚𝐂𝐮𝟐+
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟐 𝐚 𝟐+
𝐄 = 𝐄° − 𝐥𝐨𝐠 𝐙𝐧 (1)
𝐧 𝐚𝐂𝐮𝟐+

Onde E ó potencial da pilha em qualquer concentração, n é o número de elétrons trocados


e [Zn2+/Cu2+] são as concentrações molares de zinco e cobre, respectivamente.
A equação de Nernst relaciona o potencial da pilha com um valor padrão e o
próprio quociente das atividades das substâncias na reação da pilha.

2. OBJETIVO GERAL
 Entender o funcionamento e a elaboração de uma pilha eletroquímica e
conhecer diversos exemplos de processos eletrolíticos, empregando-se, para
isso, substratos inorgânicos em meio aquoso.

3. MATERIAIS UTILIZADOS
 Solução de sulfato de cobre 0,1 mol/L;
 Solução de sulfato de zinco 0,1 mol/L;
 Lâminas de zinco metálico;
 Lâminas de cobre metálico;
 Pisseta com água destilada;
 Cloreto de sódio sólido;
 Espátula;
 Bastão de vidro;
 03 béqueres de 100 mL;
 03 provetas de 100 mL;
 Mangueira de silicone (Tubo em U);
 Pedaços de algodão;
 Palha de aço;
 01 Multímetro digital com conjunto de fios.
4. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS
4.1 Com o uso de uma palha de aço foi feito limpeza de ambos os eletrodos, lâminas
de cobre e zinco metálicos, seguido de lavagem dos mesmos com água destilada.
4.2 Com uso de duas provetas foi transferido cerca de 40 mL das duas soluções,
soluções de CuSO4 e ZnSO4, para dois béqueres de 100 mL.
4.3 Em um terceiro béquer de 100 mL foi preparado uma solução saturada de NaCl.
4.4 Foi preenchido o interior do tubo em U com a solução saturada de cloreto de sódio,
e com pedaços de algodão as entradas do tubo foram tapadas, certificando que os
pedaços de algodão estariam bem firmes e que não houvesse entrada de ar para
dentro do tubo em U.
4.5 O tubo em U foi mergulhado nas soluções como ilustra a Figura 01.
4.6 Ambos os eletrodos foram presos com uma conexão do tipo de “jacaré”, seguido
da introdução dos mesmos em suas respectivas soluções.
4.7 O eletrodo de zinco foi conectado ao polo negativo (fio preto) do voltímetro e o
eletrodo de cobre ao polo positivo (fio vermelho) do voltímetro, como mostra a
Figura 01.
4.8 O multímetro foi ligado em 20 V indicando assim, após certo instante, o potencial
da pilha.
4.9 Foi invertido ambos os fios de ligação do multímetro e observado o que ocorreu.
Em adição, estando ainda o multímetro ligado à pilha, a ponte salina foi removida,
observando novamente o que ocorreu.

Figura 01 – Pilha de Daniell.


5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A tendência de perder ou até mesmo de doar elétrons, que visa assim o equilíbrio,
gerou um tema de estudo na química, que é conhecido como Eletroquímica. As reações
de oxirredução tanto podem gerar corrente elétrica, como serem iniciadas por uma
corrente elétrica. Esta última recebe o nome especial de eletrólise, e a primeira é
responsável pelos dispositivos conhecidos como pilhas, baterias e acumuladores. Em
outras palavras, quando um processo químico ocorre espontaneamente e produz
transferências de elétrons é o da pilha ou bateria, mas quando o processo químico é
provocado por uma corrente elétrica, sendo assim não espontâneo, de uma fonte externa
é utilizada para produzir reações químicas é denominado eletrólise.
John Frederic Daniell, em 1836, criou um tipo de pilha usando zinco e cobre
metálicos e soluções de sulfato de cobre e de zinco. Em prática, reproduzimos este modelo
afim da interpretação dos fenômenos ocorridos nos eletrodos. A Pilha de Daniell, como
é conhecida, é um experimento clássico e fácil de se realizar, e que ilustra com
propriedade os fenômenos elétricos de uma reação de oxirredução com formação de íons.
A pilha de Daniell construída em prática usando-se um eletrodo de zinco metálico
(Zn(s)), que foi introduzido em uma solução de sulfato de zinco (ZnSO4(aq)), e um eletrodo
de cobre metálico (Cu(s)), que foi então introduzido em uma solução de sulfato de cobre
(CuSO4(aq)), onde ambas as soluções foram postas em contato através de uma superfície
porosa, de modo que não se misturassem, mas permitindo que íons pudessem atravessá-
la. Alternativamente, foi usado uma ponte salina, um tubo em formato de U contendo em
seu interior uma solução saturada, do tipo NaCl(aq), fechado por um material poroso
(chumaços de algodão), que teve por finalidade interligar as soluções de sulfato de cobre
e de zinco.
Como feito em prática, os dois eletrodos, zinco e cobre metálicos, foram ligados
através de fios, eletrodo de zinco ao polo negativo (fio preto) e o eletrodo de cobre ao
polo positivo (fio vermelho), a um voltímetro, que por sua vez fez a detecção ou uso da
corrente elétrica gerada pela pilha.
As reações envolvidas na pilha em estudo podem ser ilustradas pelas seguintes
equações:
Zn(s) + CuSO4(aq) → ZnSO4(aq) + Cu(s) (I)
Reação de oxidação (ânodo): Zn(s) → Zn2+(aq) + 2e– (II)
Reação de redução (cátodo): Cu2+(aq) + 2e– → Cu(s) (III)
Reação global da pilha: Zn(s) + Cu2+(aq) → Zn2+(aq) + Cu(s) (IV)
A pilha de Daniell pode ser representada da seguinte forma:
𝐙𝐧(𝐒) /𝐙𝐧𝟐+ 𝟐+
(𝐚𝐪) //𝐂𝐮(𝐚𝐪) /𝐂𝐮(𝐒) → 𝐃𝐢𝐚𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 𝐝𝐚 𝐏𝐢𝐥𝐡𝐚

A Eq. (I) representa de maneira geral o que está acontecendo com as soluções e
metais, onde o zinco metálico reage com o sulfato de cobre, produzindo sulfato de zinco
e cobre metálico.
Já a Eq. (II) mostra que isso decorre da oxidação do zinco, onde o mesmo perde 2
elétrons e transforma-se num íon, Zn2+. Estes elétrons, por sua vez, são transferidos pelo
fio do voltímetro por atração até o eletrodo de cobre, que está apto a receber estes elétrons.
Na Eq. (III) os íons livres de Cu2+ na solução são atraídos para o eletrodo de cobre
carregado, onde estes íons são reduzidos, transformando-se em Cu0 e depositando-se
sobre a superfície do eletrodo, equilibrando assim as cargas.
Em outras palavras podemos dizer que, os íons positivos Zn2+ criados pelo
eletrodo de zinco passam para a solução de sulfato de zinco e para cada átomo de cobre
que se deposita sobre o eletrodo de cobre, um átomo de zinco passa para a solução, doando
dois elétrons para o eletrodo de zinco.
Quanto à Eq. (IV), a mesma representa o resultado da reação global da pilha, ou
seja, a dissolução de átomos de zinco para sua forma iônica, o que corresponde ao
depósito de íons de cobre em sua forma metálica.
Podemos dizer que dos fenômenos “observáveis” microscopicamente nos
eletrodos são que; dos elétrons fornecidos pelos átomos de zinco passam-se pelo fio de
interligação, fornecendo corrente para o dispositivo a ele ligado, multímetro. Caso não
houvesse contato entre os eletrólitos, através da ponte salina, os elétrons passariam
rapidamente para o cobre (que tende a receber elétrons do zinco) e, ao se concentrarem
na placa de cobre, as forças de repulsão interromperia o fluxo de elétrons. O fluxo dessa
maneira se interromperia muito rapidamente e não haveria como aproveitar a geração de
energia elétrica. Assim introduzindo os eletrodos em eletrólitos, que são soluções
condutoras geralmente salinas ou ácidas, permitirá que essas duas soluções troquem íons,
havendo o fluxo de cargas em ambas direções, permitindo que o efeito de geração da
corrente elétrica perdure até que o eletrodo de zinco se consuma (pois o eletrodo de zinco
corrói-se no processo), ou que o eletrodo de cobre sofra grande acúmulo de Cu0 que
impeça o contato com a solução. Com o tempo, íons Zn2+ vindos do eletrodo de zinco,
combinados com cargas que passam através da ponte salina, aumentarão a concentração
de sulfato de zinco enquanto que paralelamente haverá redução de concentração na
solução de sulfato de cobre, por perda de íons Cu2+. Isso provocará uma diminuição
gradual da corrente elétrica, até que a reação cesse e a pilha esgote. Os íons Zn2+ acabarão
por finalmente alcançar o eletrodo de cobre, envolvendo e bloqueando qualquer
movimento de íons Cu2+, polarizando este eletrodo.
Destas observações é correto afirmar que uma pilha é um dispositivo que
transformará energia química em energia elétrica, e que uma reação de oxirredução só é
estabelecida, estando os agentes oxidante e redutor separados em compartimentos
diferentes, de modo que o agente redutor seja obrigado a ceder seus elétrons através de
um fio ou circuito externo ao agente oxidante. Da pilha de Daniell utilizada em prática, o
eletrodo de cobre metálico, o qual recebeu elétrons é chamado de cátodo(reduzindo-se)
ou terminal positivo e a lâmina de zinco, que cedeu elétrons é chamado de
ânodo(oxidando-se) ou terminal negativo.
Do procedimento experimental 4.8 executado, o multímetro indicou +1,076 V,
sendo este o valor experimental do potencial da pilha. Neste caso a reação da pilha foi
espontânea, pois houve transformação de energia química em energia elétrica por meio
de transferências de elétrons.
Outra forma de prever se o processo é ou não espontâneo é julgando a
espontaneidade de uma reação pelo correspondente potencial da pilha. A Tabela 01
demostra este comportamento, onde E é o potencial da pilha.

Tabela 01 – Correspondente potencial da pilha.


E Reação da pilha
+ espontânea
- não espontânea
0 equilíbrio

Já do procedimento experimental 4.9 executado, o multímetro indicou –1,076 V,


sendo este também o valor experimental do potencial da pilha. Porém, neste caso a reação
da pilha foi não espontânea, pois houve a troca dos fios de ligação do multímetro com os
eletrodos, ou seja, invertendo-se os fios de ligação da pilha, o terminal negativo que antes
estava ligado ao ânodo da pilha passou-se a ser ligado ao cátodo da pilha, e o terminal
positivo que antes estava ligado ao cátodo da pilha passou-se a ser ligado ao ânodo da
pilha, e com esta inversão do sentido da corrente a pilha passou a funcionar-se ao
contrário, ou seja, o zinco que antes era o ânodo passou-se a ser o cátodo(reduzindo-se)
e o cobre que antes era o cátodo passou-se a ser o ânodo(oxidando-se). Em outas palavras,
a inversão do sentido da corrente não permitiu que houvesse trabalho na reação da pilha,
já que trabalho sempre será positivo.
Com a remoção do tubo em forma de U, contendo a solução saturada de NaCl(aq)
que atuava como ponte salina e/ou conduto iônico, não foi possível obter pelo multímetro
o valor do potencial da pilha, pois a ponte salina permite a passagem dos íons de uma
solução para outra, equilibrando as cargas de um eletrólito para outro. Em outras palavras,
a ponte salina é uma peça fundamental, uma peça final, para a pilha funcionar e que possa
ocorrer a reação de oxirredução de forma espontânea.
Consultando uma tabela dos potenciais de eletrodos padrões de redução a 25 ºC
para os eletrodos em questão, podemos obter o potencial padrão da pilha:
Zn2+(aq) + 2e– → Zn(s) Eº = -0,763 V
Cu2+(aq) + 2e– → Cu(s) Eº = +0,337 V

Sabendo que o cobre é quem reduz e o zinco é quem oxida, podemos determinar
o potencial padrão da pilha pela diferença entre ambos, respectivamente, a partir da Eq.
(2):
𝐄° = 𝐄°𝐂 − 𝐄°𝐀 (2)
𝐄° = +𝟎, 𝟑𝟑𝟕 𝐕 − (−𝟎, 𝟕𝟔𝟑 𝐕)
𝐄° = +𝟏, 𝟏𝟎 𝐕

Observa-se um valor teórico próximo ao valor experimental para o potencial


padrão da pilha, que tem valor experimental de +1,076 V. Mediante a esta diferença de
valores pode-se determinar a porcentagem de erros experimentais cometidos na execução
da prática através da Eq. (3), e relatar os possíveis erros cometidos:
𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐞𝐱𝐩𝐞𝐫𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐥 − 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐭𝐞ó𝐫𝐢𝐜𝐨
% 𝐄𝐫𝐫𝐨 = | | × 𝟏𝟎𝟎 (3)
𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫 𝐭𝐞ó𝐫𝐢𝐜𝐨
+𝟏, 𝟎𝟕𝟔 − 𝟏, 𝟏𝟎
% 𝐄𝐫𝐫𝐨 = | | × 𝟏𝟎𝟎
𝟏, 𝟏𝟎
% 𝐄𝐫𝐫𝐨 ≅ 𝟐, 𝟐%

Essa variação pode ser explicada por erros experimentais, como:


 Concentração dos eletrólitos;
 Limpeza inadequada dos eletrodos;
 Impurezas nos reagentes.

Como bônus, podemos obter a variação de potencial da pilha em questão fazendo


uso da Eq. (1) que é a Equação de Nernst, onde a mesma relaciona o potencial da pilha
com um valor padrão Eº e as atividades das espécies que tomam parte na reação da pilha.
Assim, como foi determinado o valor experimental de Eº , e estando no estado padrão as
atividades correspondentes são: aZn2+ = 1 e aCu2+ = 1, podemos calcular a variação do
potencial da pilha.
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟐 𝐚 𝟐+
𝚫𝐄 = 𝚫𝐄° − 𝐥𝐨𝐠 𝐙𝐧
𝐧 𝐚𝐂𝐮𝟐+
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟐 𝟏
𝚫𝐄 = +𝟏, 𝟎𝟕𝟔 𝐕 − 𝐥𝐨𝐠
𝟐 𝟏
𝚫𝐄 = +𝟏, 𝟎𝟕𝟔 𝐕

Disto temos que a variação de potencial é igual a variação do potencial padrão da


pilha, ou seja:
𝚫𝐄 = 𝚫𝐄°

Podemos também determinar a constante de equilíbrio para a reação em estudo,


sabendo que a condição de equilíbrio para qualquer reação química é:
𝚫𝐆° = −𝐑𝐓 × 𝐥𝐧𝐊 (4)

Sabendo que:
𝚫𝐆° = −𝐧𝐅𝐄° (5)

Substituindo a Eq. (5) em (4), e ao isolarmos lnK, obtemos:


𝐧𝐅𝐄°
𝐥𝐧𝐊 = (6)
𝐑𝐓
Ou
𝐧𝐄°
𝐥𝐨𝐠 𝟏𝟎 𝐊 = (7)
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟏𝟔 𝐕

Com a Eq. (7) pode-se calcular a constante de equilíbrio para qualquer reação a
partir do potencial padrão da pilha, o qual foi obtido através dos valores tabelados dos
potenciais padrões de redução a 25 ºC, +1,076 V.
𝟐 × (+𝟏, 𝟎𝟕𝟔 𝐕)
𝐥𝐨𝐠 𝟏𝟎 𝐊 =
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟏𝟔 𝐕
𝟐, 𝟏𝟓𝟐 𝐕
𝐥𝐨𝐠 𝟏𝟎 𝐊 =
𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟏𝟔 𝐕
𝐥𝐨𝐠 𝟏𝟎 𝐊 = 𝟑𝟔, 𝟑𝟕𝟓𝟗𝟐𝟗
𝐊 = 𝟐, 𝟑𝟕𝐱𝟏𝟎𝟑𝟔

Ao consultar a tabela de potencial padrão de redução, pode-se encontrar vários


outros elementos que podem ser utilizados juntamente com zinco para montar uma pilha
eletroquímica, considerando que o zinco continue sendo o agente redutor.

Um deles é o ferro:
Reação de oxidação (ânodo): Zn(s) → Zn2+(aq) + 2e–
Reação de redução (cátodo): Fe2++ 2e– →Fe(s)

Reação global: Zn(s) + Fe2+(aq) → Zn2+(aq) + Fe(s)


𝐙𝐧(𝐒) /𝐙𝐧𝟐+ 𝟐+
(𝐚𝐪) //𝐅𝐞(𝐚𝐪) /𝐅𝐞(𝐒)

Temos também a prata:


Reação de oxidação (ânodo): Zn(s) → Zn2+(aq) + 2e–
Reação de redução (cátodo): 2Ag++ 2e– → 2Ag(s)

Reação global: Zn(s) + 2Ag+(aq) → Zn2+(aq) + 2Ag(s)


𝐙𝐧(𝐒) /𝐙𝐧𝟐+ +
(𝐚𝐪) //𝟐𝐀𝐠 (𝐚𝐪) /𝟐𝐀𝐠 (𝐒)

E o chumbo:
Reação de oxidação (ânodo): Zn(s) → Zn2+(aq) + 2e–
Reação de redução (cátodo): Pb2++ 2e– →Pb

Reação global: Zn(s) + Pb2+(aq) → Zn2+(aq) + Pb


𝐙𝐧(𝐒) /𝐙𝐧𝟐+ 𝟐+
(𝐚𝐪) //𝐏𝐛(𝐚𝐪) /𝐏𝐛(𝐒)

Se o potencial de redução de outros elementos forem maior que o de zinco há


possibilidade de montar a pilha eletroquímica, considerando o Zn como agente redutor.
6. CONCLUSÕES
O experimento clássico com a Pilha de Daniell permitiu a perfeita compreensão
do mecanismo que gera eletricidade neste tipo de pilha, representando com excito a célula
galvânica, pois o dispositivo foi capaz de produzir energia elétrica através de uma reação
química. Os resultados foram satisfatórios, pois o potencial padrão da pilha marcado no
multímetro foi positivo, Eº = +1,076V, e ao ser comparado com o valor experimental (Eº
= +1,1V) obtivemos uma pequena diferença devido ao percentual de erros experimentais
serem aproximadamente de 2,2%. Ao efetuar os cálculos da variação de potencial da pilha
obtivemos o mesmo valor da variação de potencial padrão devido às atividades serem
consideradas a = 1 devido aos eletrodos liberarem íons correspondentes em solução,
considerado este um processo espontâneo quando o potencial é positivo E = +1,076V e
ao inverter os fios do multímetro o processo da pilha passa a ser não espontâneo devido
ao potencial da pilha ser negativo E = -1,076V. A ponte salina tem a função de liberar
íons positivos, Na+, para a solução eletrolítica de Zn que doa elétrons, e libera íons
negativos, Cl-, para o Cu que recebe elétrons, não deixando assim que as duas soluções
eletrolíticas tenham contato e o fluxo de elétrons seja no sentido do ânodo para o cátodo.
Se considerarmos o zinco como agente redutor podemos utilizar os elementos que tenham
o potencial padrão de redução maior que o do zinco para montar uma pilha.

REFERÊNCIAS
Atkins, P. W. (Peter William), 1940- Físico-química: volume 1 / Peter Atkins, Júlio de
Paula – 9. ed.

Castellan, Gilbert W. Físico-química; tradução /de/ Luiz Carlos Guimarães, Rio de


Janeiro, LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 1984.

Química, a ciência central I Theodore L. Brown, H. Eugene LeMay, Jr., Bruce E. Bursten;
tradutor Robson Matos; consultores técnicos André Fernando de Olíveira e Astréa F. de
Souza Silva. - São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

Química Geral, volume 2, 2ª edição. Russel. J. B. Editora PEARSON, São Paulo, 1994.

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