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EDNALDO BAESSE

Advocacia e Assessoria
Dr. Ednaldo Mendes Baesse
Advogado OAB-MG. 78.753
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EXMO(A). SR(A). DR(A). 2º JUIZ(A) DE DIREITO DA 1ª UNIDADE JUDICIÁRIA
DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE UBERLÂNDIA - MINAS
GERAIS .

NUMERAÇÃO ÚNICA: 0228035-26.2013.8.13.0702


1ª UJ - 2º JD CÍVEL ATIVO
Assunto: CIVIL > Responsabilidade Civil > Indenização por Dano Moral > Direito de
Autor: SILVANIA LEMES DO PRADO
Réu : SUPERMERCADO LEAL LTDA

SILVANIA LEMES DO PRADO, já qualificada, via de seu


procurador e advogado, vem, mui respeitosamente, a digna presença de V.Exa., nos autos da
Ação Indenizatória por Danos Morais, proposta em desfavor de SUPERMERCADO LEAL
LTDA, também qualificada, em trâmite por este respeitável juízo, apresentar
IMPUGNAÇÃO à contestação, expondo e requerendo o que se segue:

1. SÍNTESE DA CONTESTAÇÃO

Insurge o requerido em síntese apertada alegando, que de fato a


Autora compareceu ao estabelecimento e efetuou compras, porém, o fato ocorrido em relação
a revista não se deu como a Autora relatou.

O réu confirma que a fiscal abordou a autora e indagou se ela


havia adquirido uma revista e se havia passado no caixa, vez que COLOCARA algum objeto
na sacola no momento em que passara pelo caixa.

E quando tiveram certeza de que não havia nenhum produto sem


ser registrado no cupom, se desculparam e a Autora deixou o local sem qualquer
constrangimento ou alarde.

Alega a Requerida que esse procedimento foi comum de uma


fiscal em seu trabalho, e que isso, causa a vítima apenas MERO ABORRECIMENTO.

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R. Cruzeiro dos Peixotos, 499 - Sl. 804 - Ed. Walmaq – Centro – Uberlândia-MG – CEP. 38.400-608 – Fonefax – (034) 3236-2032.
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2. DO ATAQUE AO MÉRITO

2.1. Dos Fatos

Em sede de fatos, o Réu reconhece que a autora sofreu


abordagem dentro de seu estabelecimento e diante das pessoas ali presentes, vejamos os
trechos na contestação de fl. 32/36:

“... a fiscal apenas indagou com a Autora se ela havia adquirido uma revista e se ela havia
passado no caixa, uma vez que colocara algum objeto na sacola no momento em que passava
pelo caixa....”

Em Boletim de Ocorrência ás fl.21/24, a fiscal confirmou a


acusação de furto e a abordagem e vistorias de pertences da Autora no meio do
supermercado. Portanto, comprovada e reconhecida está que a Autora sofreu
constrangimentos, humilhações e passou vergonha,sendo reconhecida como LADRA EM
FRENTE A INÚMERAS PESSOAS dentro do estabelecimento do Réu.

Ora, o requerido, apesar de reconhecer sua falha, alega


ABUSIVAMENTE, que o ocorrido não passou de MERO ABORRECIMENTO. Até
poderia ser mero aborrecimento como quer o Réu, se a fiscal em seu dever de fiscalizar as
ações dos clientes dentro do estabelecimento, tivesse conduzido a Requerida em local
reservado e lá tivesse procedido a uma conversa e se necessário, na presença DE
AUTORIDADE POLICIAL, realizasse a vistoria de seus pertences. Não se deve admitir esse
tipo de atitude, como in casu, no escopo de ser elas consideradas atos de meros
aborrecimentos.

2.2. Do Dano Moral

Alega o Requerido que não há que se falar em dano moral no caso


em tela, pois, o ocorrido não passou de mero aborrecimento, porém, não é assim que tem
entendido a Jurisprudência quanto a humilhação desta natureza, senão vejamos:

“250200003142 JNCCB.186 – RESPONSABILIDADE CIVIL – A empresa de


supermercado que utiliza seguranças inábeis para controle de perda de mercadorias
deve indenizar cliente setuagenária que sofre, em abordagem violenta e desnecessária
realizada em público, humilhações e constrangimentos; o quantum pecuniário que é
pago se arbitra com a missão de converter o consumo do dinheiro em prazeres
existenciais que seriam os redutores da dor moral imposta pelo menosprezo (arts. 186 do
CC e 5º, V e X, da CF). Provimento parcial para reduzir o quantum de 500 salários
para 300 salários mínimos, seguindo diretriz do STJ em casos semelhantes. (2TACSP –
Ap 1.316.779-4 – 10ª C.Cív. – Rel. Juiz Ênio Santarelli Zuliani – J.
14.09.2004)RDC+32+2004+NOV – DEZ+136v89
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132169476 – CIVIL – RESPONSABILIDADE – SUPERMERCADO – ABORDAGEM
DE CLIENTE PARA BUSCA PESSOAL NÃO iALDADA NA FUNDADA SUSPEITA –
IMPUTAÇÃO DA PRÁTICA DE CRIMES – DANO MORAL CARACTERIZADO –
REPARAÇÃO CIVIL – VALOR ARBITRADO – CRITÉRIOS – 1- Embora os
empregados encarregados da vigilância possam abordar os suspeitos de furto em
estabelecimento comercial, no exercício regular do direito de defesa do patrimônio,
evidentemente que a abordagem deve fundar-se em dados razoáveis para a
desconfiança, não deve exceder ao necessário para a apuração e, sobretudo, requer
não exponha o suspeito ao público porque, mesmo culpado, o suposto autor de ato
ilícito não deve ser levado à execração pública, nem sofrer vexame que vai além da
pena cominada na lei. 2- Fica a cargo do juiz o arbitramento do valor para
compensação de dano moral, o que, no caso, para atender as circunstâncias da causa,
bem como os critérios da jurisprudência, merece majoração. 3- Recursos conhecidos,
provendo apenas a apelação da parte autora. (TJDFT – APC 20070110192499 – 2ª
T.Cív. – Rel. Fábio Eduardo Marques – DJU 03.11.2008)

Estes equívocos geram danos irreparáveis ao íntimo da pessoa


ofendida. Traumas que talvez não mais possam ser esquecidos. NÃO SE DEVE
ESQUECER QUE A AUTORA ENCONTRA-SE COM UMA GRAVIDEZ DE ALTO
RISCO, conforme relatórios médicos de fl. 26/28.

Para a ocorrência do dano moral, principalmente em relação de


consumo, como in casu, não se faz necessária prova de efetivo dano patrimonial, basta
que se coloque a pessoa diante de uma situação vexatória. Na hipótese dos autos, a
abordagem, EM PÚBLICO, realizada pela funcionária do supermercado na autora, sob a
alegação de FURTO de mercadoria no interior da loja e ausência de pagamento do suposto
produto, após a mesma ter efetuado o pagamento das compras no caixa do estabelecimento
comercial, causou situação constrangedora a suplicante, acarretando o dano moral e,
conseqüentemente, o dever de indenizar por parte do SUPERMERCADO RÉU.

Está devidamente comprovado nos autos, via B.O. fl. 21/24, que
a autora foi inadequadamente abordada pelos prepostos da demandada. A condição vexatória,
EM PÚBLICO, pela qual passou a autora foi reconhecida no BO anexo, bem como a
situação de abatimento moral na qual se encontrava a demandante, Daí temos caracterizado o
Dano moral puro (IN RE IPSA).

2.3. Da Indenização

De imediato, percebe-se que a Requerida deliberadamente


atingiu e molestou a integridade moral da Requerente, no momento que fez a abordagem de
forma ríspida e sem qualquer fundamento, constrangendo-a ilegalmente, fazendo com que

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a Requerente passasse por LADRA ou coisa parecida perante pessoas estranhas que
pararam para assistir ao “espetáculo” produzido pela ré, na pessoa de sua funcionária.
O dano moral reside na VERGONHA, HUMILHAÇÃO e no
CONSTRANGIMENTO ILEGAL a que a Requerente foi submetida pelo fato de ter contra si
uma ACUSAÇÃO de FURTO, quando não havia subtraído nenhum produto. A indenização
mede-se pela extensão do dano. Não é o dinheiro que apaga a dor, mas é o dinheiro que,
além de propiciar certo conforto material para o ofendido, contém carga inibitória de
punir o ofensor e prevenir novas infrações. Portanto, devida é a indenização no importe de
40 (quarenta) salários mínimos, como pleiteado na inicial.

3. DO FECHO

Pelos fatos apresentados, serve a presente para impugnar a


contestação apresentada.

Uma vez que a defesa do Réu resume-se no caráter meramente


procrastinatório e estando largamente demonstrada e CONFESSADA a culpabilidade do
mesmo, necessário se faz a procedência dos pedidos da vestibular, conforme exposto alhures.

Termos em que,
p. e espera deferimento.

Uberlândia, 13 de junho de 2013.

Ednaldo Mendes Baesse p.p. Marli Rocha de Souza


OAB/MG - 78.753 OAB/MG – 123.596

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