Você está na página 1de 12

PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

O Direito administrativo possui um conjunto sistematizado de


princípios e normas que o diferenciam dos demais ramos do direito. Este
conjunto é reconhecido como regime jurídico administrativo, sistema
indispensável para que se possa compreender o direito administrativo e seus
institutos.

O regime jurídico administrativo é caracterizado por prerrogativas e


sujeições impostas à Administração Pública, e fundamentado na supremacia
do interesse público sobre o privado e na indisponibilidade do interesse
público.

Os princípios podem ser “expressos” ou “implícitos” (também


chamados de reconhecidos).

A Constituição Federal apresenta atualmente cinco princípios


expressos no caput do art. 37. Assim, a atuação da Administração Pública só

será legítima se estiver escudada nos princípios da Legalidade,


Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.

Para não esquecer! L – I – M – P - E

Ressalte-se que o princípio da eficiência não deriva do texto


originário da CF/88, tendo sido acrescentado pela EC 19/98.
Anote-se que o art. 2º da Lei 9.784/99 (Processo Administrativo)
apresenta outros princípios do direito administrativo, bem como, as Leis
8.666/93 (Licitação) e 8.987/95 (Concessões e Permissões de Serviço Público)
também apresentam princípios específicos acerca de licitação e contratos da
administração pública.

LEGALIDADE

Denota a diretriz básica dos agentes da Administração. Significa


que toda a atividade administrativa deve ser autorizada por lei. Se a atividade
não tiver respaldo na lei, o atuar será ilícito (ou ilegítimo). Vide o art. 5º, II da
CF/88.

Este princípio deriva do Estado de Direito, já que o Estado edita as


leis e deve submeter-se a estas.

Hely Lopes Meirelles assevera que no campo de atuação privado,


os indivíduos podem fazer o que a lei não veda; já na atuação administrativa
(pública), o agente só pode realizar o que a lei autoriza.

Art. 2o  A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos


princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório,
segurança jurídica, interesse público e eficiência.
        Parágrafo único. Nos processos administrativos serão
observados, entre outros, os critérios de:
        I - atuação conforme a lei e o Direito;

Em outras palavras... a ausência de lei para Administração significa


uma proibição, diferentemente no caso do particular que, na falta de lei, tem
uma permissão.

Frise-se que este princípio denota a subordinação de todos os


agentes aos impérios da lei, qualquer que seja o grau do agente público
(presidente, ministros, porteiro do auditório do congresso, etc.).

Vale ressaltar ainda o efeito deste princípio: a LEGALIDADE


caracteriza que a atuação do agente público fora dos limites legais vai
resultar em ilicitude, a ser corrigida pelo Judiciário (quando provocado) ou
pela própria Administração.

Atenção! No final das contas.... A ideia aqui no Direito


Administrativo é da subordinação total a lei!!!! Diferente da concepção
mais genérica do princípio da legalidade que traz a idea da não contradição
a lei.

IMPESSOALIDADE

É o princípio que impõe tratamento igualitário (isonômico) aos


administrados, bem como remete à idéia de que os agentes públicos devem
ter uma atuação neutra.
Vejam que este princípio pode ser examinado sob dois enfoques
distintos:

Igualdade de tratamento aos administrados - Isonomia » a


Administração Pública deve dispensar tratamento idêntico aos
administrados que estiverem em situação similar. Neste pórtico,
veda-se o favorecimento de algum administrado em detrimento
dos demais. A idéia aqui também é proporcionar oportunidades
iguais a todos. Ex: concursos públicos.

Questão bastante discutida é a legalidade ou não do limite de idade em


concursos públicos, sobre o assunto temos a súmula 683 do STF que diz que
“o limite de idade só se legitima em face do Art. 7º, XXX, da Constituição,
quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo.

Neutralidade do agente em sua atuação » vedação de qualquer


atuação pautada na promoção pessoal (Art. 37,§1º, da CF).

Art 37, § 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços


e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social, dela não podendo constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos.
OBS* - O princípio da impessoalidade, para alguns autores, também diz
respeito ao princípio da finalidade, que exige os atos administrativos sejam
praticados tão somente com o objetivo de atingir o fim almejado pela lei.

Note-se que existe uma relação de causalidade entre a legalidade e


a impessoalidade. Isso porque a lei não deve prever situações discriminatórias
(art. 5º, caput, e inciso I da CF/88). Ora, se o agente público só deve atuar nos
limites que a lei permite, a atuação pública já seria impessoal, pois o seu
pressuposto (que é a lei) denota ato legislativo impessoal. (Posição de CIRNE
LIMA)

Outrossim, se o ato administrativo se afastar desta impessoalidade


o ato conterá desvio de finalidade, passível de correção pelo Judiciário e pela
Administração.

Caso concreto:

STJ mantém condenação por improbidade de prefeito que pintou


cidade de amarelo. O ex-prefeito Osvaldo Ferrari, de Boa Esperança
do Sul (SP), terá de devolver aos cofres públicos os valores gastos
com a pintura de prédios municipais de amarelo. Apelidado de
“Marelo”, ele ainda pagará multa equivalente a duas remunerações
que recebia, ficará impedido de contratar com o governo e terá
direitos políticos suspensos por três anos. A Segunda Turma do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a condenação.
Marelo usava a cor amarela na campanha eleitoral, em camisetas e
material de divulgação, como sua cartilha com o plano de governo.
Depois da posse, passou a adotar a cor em bens públicos e de uso
público, em uniformes escolares, embalagens de leite e prédios
municipais. O logotipo do governo também seria similar ao da
campanha, tendo inclusive a letra “M” ladeada de slogans e da
inscrição 2001-2004, anos de seu mandato.
No recurso, o ex-prefeito afirmou que a Lei de Improbidade
Administrativa (Lei 8.429/92) não seria aplicável aos agentes
políticos, que deveriam ser regidos apenas pelo Decreto-Lei 201/67,
que trata dos crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores.
Afirmou também não ter havido dano ao erário nem intenção
ímproba nos atos.
A ministra Eliana Calmon rejeitou as alegações. Ela esclareceu que a
jurisprudência do STJ já está absolutamente pacificada quanto à
aplicação da Lei de Improbidade a prefeitos, por ser plenamente
compatível com o decreto sobre crimes de responsabilidade.
No caso de Marelo, o tribunal local afirmou “categoricamente” que o
ex-prefeito agiu de forma consciente contra os princípios
administrativos, lesando os cofres públicos ao fazer promoção
pessoal às custas do erário.
A ministra Eliana citou a sentença para esclarecer a conclusão da
corte local sobre os fatos. “Assim, nítida a intenção do requerido de
que a população identificasse a cor dos prédios públicos com a pessoa
do administrador, tendo sido ferido o PRINCÍPIO DA
IMPESSOALIDADE, uma vez que ficou flagrantemente
caracterizada a promoção pessoal da autoridade”, afirma a decisão.
“Uma vez caracterizada a promoção pessoal, com a utilização de
dinheiro público, configurada restou também a afronta aos
princípios da moralidade, legalidade e probidade administrativas,
pois o requerido agiu em desacordo com o que se espera de um
gestor da coisa pública, com desvio de finalidade e abuso de poder”,
completou o magistrado na origem.
O recurso de Marelo foi rejeitado por unanimidade pela Turma.

MORALIDADE

Este princípio impõe que a Administração atue dentro dos preceitos


éticos da conduta pública, consoante o art. 2º, parágrafo único, IV da Lei
9.784/99. Além do Art. 37, caput, a CF/88 faz menção ao princípio em apreço
no art. 5º, LXXIII, que trata da ação popular que visa anulação dos atos lesivos
à moralidade administrativa.

Art. 2o  A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos


princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica, interesse público e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados,
entre outros, os critérios de: (...)
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;

Importante ressaltar que a moralidade a ser observada aqui é a


administrativa (respeito ao interesse coletivo; obediência à ética; atuação
honesta), e não a moralidade comum (distinção entre o bem e o mal).

Atento à imoralidade que assola a Administração Pública o STF


viu-se obrigado a editar a súmula vinculante nº 13 “A nomeação de cônjuge,
companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica,
investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de
cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na
Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante
designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”

O avanço consagrado na súmula reforçou o caráter imoral e


ilegítimo da nomeação de parentes para cargos em comissão, inclusive na
modalidade cruzada, mas esse impacto imensamente positivo acabou sendo
fragilizado em função do entendimento do STF no sentido que a vedação não
é extensiva a “agentes políticos” como ministros de estado e secretários
estaduais, distritais e municipais (Reclamação 6.650/PR).

Epaaaaa!!!!! Máxima atenção!!!!! Por mais que pareça estar


havendo uma violação do princípio da moralidade quando um prefeito
nomeia sua esposa ou um irmão para uma secretaria de governo... Segundo
entendimento do STJ e STF, nesses casos, por se tratar de “agente
político”a este não se aplica a súmula vinculante nº13!!!!!

Agora é bom saber quem seriam estes agentes políticos???


Agentes políticos » obviamente são os detentores de mandato eletivos, bem
como, são aqueles que exercem atividades de alta relevância para o Estado,
inclusive parcela de soberania. São eles: Presidente da República, Ministros de
Estado, Governador, Secretários estaduais, Prefeitos, Secretários municipais,
Senadores, Deputados, Vereadores, membros do MP, membros da
Magistratura.

Percebam que este princípio caminha muito próximo dos


princípios da legalidade e da impessoalidade, de modo que, se um agente
atua de modo imoral, forçosamente estará ofendendo a própria lei, que não
admite hipóteses de atuação afastadas da ética.

Nosso ordenamento prevê alguns instrumentos de proteção da moralidade


administrativa, dentre os quais merecem destaque os seguintes:
a) Ação Popular » a ser proposta por qualquer cidadão
contra ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, `moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio
histórico e cultural (art. 5º, LVIII, da CF/88 e Lei 4.717/65);

b) Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa »


de legitimidade do Ministério Público e demais pessoas jurídicas interessadas,
pode ser intentada contra ato de improbidade praticado por qualquer agente
público, servidor ou não (Lei 8.429/92);
c) Controle Externo exercido pelos Tribunais de Contas
(art. 70 da CF/88);

d) Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs (art. 58 §3º


da Cf/88).

PUBLICIDADE

Os atos administrativos devem ser públicos, isto é, a


Administração deve divulgar a sua atuação, de modo a propiciar o controle
da legalidade e da legitimidade dos atos praticados.

Este princípio está relacionado com a transparência, que deve


nortear a conduta pública.

A publicidade pode ser reclamada por meio de dois instrumentos


jurídicos:

Direito de Petição – os indivíduos podem requerer junto à


Administração qualquer tipo de postulação (art. 5º, XXXIV, ‘a’,
CF/88);

Direito de Certidão – os indivíduos podem requerer à


Administração a publicidade acerca de situação jurídica de
conhecimento da Administração Pública (art. 5º, XXXIV, ‘b’,
CF/88).
O direito de certidão está disciplinado na Lei 9.051/95.

Se a Administração não cumpre os direitos previstos no art. 5º,


XXXIV, ‘a’ e ‘b’ da CF/88, cabe Mandado de Segurança ou Habeas
Data, ressalvadas as situações resguardadas pelo sigilo (art. 5º, XXXIII c/c LX,
CF/88).

O Habeas Data está disciplinado na lei 9.507/97 e o Mandado de


Segurança está regulado na lei 12.016/2009.

Atenção! Em alguns casos, quando o interesse público ou a


segurança o justificarem, o princípio da publicidade deve ser relativizado, de
modo que, estas exceções estão previstas na CF/88.

Atenção! Em novembro de 2011, visando regulamentar o direito


constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas foi
promulgada a Lei de Acesso à Informação. Seu objetivo principal consiste em
estabelecer requisitos mínimos para a divulgação de informações públicas e
procedimentos para o acesso por qualquer pessoa, a fim de favorecer o
controle social e a melhoria na gestão pública.

EFICIÊNCIA

Este princípio foi acrescentado pela EC 19/98, e tem como


escopo melhorar a qualidade dos serviços prestados aos indivíduos, impondo
à Administração Pública a melhor atuação possível diante dos recursos
disponíveis.

Previsto no art. 2º, caput, da Lei 9784/99, também aparece na Lei


8987/95 que trata da concessão e permissão de serviços públicos (art. 6º,
§1º).

Hely Lopes Meirelles afirma que este princípio sinaliza que a


atividade administrativa deve ser pautada na presteza, perfeição e
rendimento funcional. Alexandre Mazza fala em economicidade, redução de
desperdícios, qualidade, rapidez, produtividade e rendimento funcional são
valores atrelados à eficiência.

Este princípio também denota que a atuação do Estado seja


efetuada com a utilização racional e moderna dos mecanismos que dêem
melhor resultado nas obras e nos serviços públicos.

Isto nos remete para o “aspecto econômico”, no sentido de que


o Estado deve pautar as suas decisões levando-se em conta sempre a relação
custo-benefício. Ex: construir uma rede de esgoto em área desabitada pode
até ser legal, mas não será um investimento eficiente para a sociedade.

Hely Lopes Meirelles cita os arts. 13; 25, V e VII; 26, III; e 100 do
Dec.Lei 200/67 como reflexos deste princípio.

Outro reflexo mencionado por Di Pietro é a criação de Agências


Reguladoras e a existência de contratos de gestão.
Concluindo, outro exemplo da aplicação do princípio da eficiência
seria a avaliação especial de desempenho necessária para aquisição da
estabilidade (Art. 41,§4º, da CF/88).

Você também pode gostar