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CURSO BÁSICO DE PROTEÇÃO DE SISTEMAS

ELÉTRICOS DE POTÊNCIA PARA EQUIPES DOS


CENTROS DE OPERAÇÃO

Outubro/2011

Palestrante:Marco Paulo Delboni


Contato: mdelboni@gmail.com
Tel.:(31) 3291-3820
Palestrante: Ricardo Lamounier França
Contato: ricardolfranca@uol.com.br
Tel.:(31) 3291-3820
CONTEÚDO

1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 3
2 FILOSOFIA......................................................................................................... 7
3 RELÉS DE PROTEÇÃO ....................................................................................... 11
4 PROTEÇÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ....................................................... 20
5 PROTEÇÃO DE TRANSFORMADORES ................................................................ 38
6 PROTEÇÃO DE REATORES EM DERIVAÇÃO ....................................................... 44
7 PROTEÇÃO DE BARRAMENTO ........................................................................... 47
8 PROTEÇÃO DE GERADORES.............................................................................. 53
9 PROTEÇÃO DE BANCOS DE CAPACITORES DERIVAÇÃO .................................... 74
10 PROTEÇÃO DE BANCOS CAPACITORES SÉRIE .................................................. 82
11 PROTEÇÃO PARA FALHA DE DISJUNTOR .......................................................... 85
12 SISTEMAS ESPECIAIS DE PROTEÇÃO ............................................................... 87

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1 INTRODUÇÃO

Este trabalho mostra os conceitos básicos de proteção de sistemas elétricos de potência. É


direcionado às equipes dos Centros de Operação do ONS e tem como objetivo principal
fornecer a essas equipes um melhor entendimento do comportamento operacional dos
sistemas de proteção envolvidos em perturbações.

Um sistema elétrico de potência consiste de três componentes principais: as estações de


geração, as linhas de transmissão e o sistema de distribuição. Enquanto esses são os
elementos básicos, há alguns outros componentes essenciais para o funcionamento confiável
e econômico do processo. O sistema de proteção é um deles como responsável pelos
objetivos de:

 Prevenção de falhas.

 Mitigação dos efeitos das falhas.

 Redução dos tempos de interrupção a consumidores.

O sistema de proteção atua através de equipamentos especialmente desenvolvidos, os


dispositivos de proteção.

Os dispositivos de proteção mais comuns são os relés de proteção, equipamentos


alimentados pelos valores instantâneos de tensão e corrente através de transformadores de
tensão (TP) e de corrente (TC) e outras informações da instalação e que detectam
anormalidades e comandam as devidas intervenções pelos disjuntores.

Figura 1-1 - Relés de Proteção


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1.1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS

O curso não necessita do conhecimento das teorias e técnicas inerentes a engenharia de


proteção, tais como, teoria das componentes simétricas, estudo de curto-circuito, filosofia de
ajuste, etc. No entanto, alguns conceitos fundamentais são necessários.

1.1.1 Valores “Por Unidade”(pu)

 Definição: valor em pu = valor dado / valor base

 Exemplo: valor em pu de uma tensão 293 kV em um sistema 345 kV

o Tensão em pu = 293 kV / 345 kV = 0,85 pu, ou 85 %

 Observa-se que valor em porcentagem (%) = valor em pu x 100

As grandezas elétricas fundamentais do sistema de potência, tensão, potência aparente,


corrente e impedância, se relacionam de tal forma que a escolha de valores base para duas
delas, define os valores base para as outras duas.

A prática comum em sistemas elétricos de potência é usar a tensão nominal entre fases do
sistema como tensão base em kV e o valor 100 MVA como potência base.

1.1.2 Representação de impedância

A razão entre tensão (V) e corrente (I) em um dado circuito ou componente é denominada
impedância (Z), de acordo com a lei de Ohm:

A impedância é uma característica constante de uma LT ou outros componentes como


gerador, transformador, etc. No caso de uma linha de transmissão, se o comprimento
considerado varia, a impedância também varia proporcionalmente. O valor da impedância é
determinado por 2 componentes distintos, resistência e reatância. A resistência (R) se refere
às características intrínsecas do material que é usado no componente. Por exemplo, um cabo
de cobre tem resistência menor que um cabo de alumínio com as mesmas características
(bitola e comprimento).

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A reatância (X) é a parcela da impedância devida à corrente alternada. Ela é criada pelo fluxo
eletromagnético variável produzido pela corrente oscilatória. Em um circuito alimentado com
tensão contínua ocorre a circulação apenas de corrente contínua e não existe reatância,
somente resistência.

A impedância pode ser expressa por seu módulo Z e ângulo Ѳ(teta), sendo que

√ e ⁄

A impedância Z pode ser representada em um sistema de eixos perpendiculares (plano R-X).


O diagrama R-X foi criado para representar o comportamento de relés de distância e outros
relés que operam por medição de impedância. No eixo das abscissas é registrado o valor da
resistência e no eixo das ordenadas, a reatância, resultando na impedância de uma LT, como
se vê na Figura 1-2.

Quando o sistema está são, sem faltas, alimentando certa carga, o valor composto pela
impedância da LT mais a impedância que representa o sistema além da LT e a carga
constitui-se na impedância de carga vista a partir do ponto onde se localiza o relé. Esta
impedância Zcarga também pode ser representada no diagrama R-X. Estão mostradas também
as impedâncias de um reator e de um banco de capacitores.

Figura 1-2 – Diagrama R-X

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1.1.3 Curto-circuito

O curto-circuito é definido como a diminuição brusca da impedância de um circuito,


caracterizada pelo abaixamento da tensão e o aumento da corrente. Fisicamente, os curtos
acontecem quando há uma falha do isolamento entre fases ou entre fase(s) e terra.

As correntes de curto apresentam componentes especiais, apresentadas conforme a seguir,


para a finalidade deste curso:

 Corrente de Desequilíbrio – Esta componente está presente em qualquer condição


de desequilíbrio, em especial, em todos os tipos de curto-circuito exceto o curto
trifásico equilibrado. Na teoria das componentes simétricas é denominada
componente de sequência negativa (I2).

 Corrente Residual (Ir) – A circulação da corrente residual pode ocorrer nas faltas
envolvendo terra e vai depender, principalmente, do fato do sistema ser ou não
aterrado e do tipo de ligação dos transformadores envolvidos (a ligação delta, por
exemplo, bloqueia a circulação desta corrente). A circulação da corrente residual
depende, em última análise, da existência de caminho de retorno pela terra. Neste
trabalho é definida como a soma vetorial das correntes de fase, ou seja,

Ir=Ia+Ib+Ic.

Na teoria das componentes simétricas é associada à componente de sequência zero


(I0).

 Componentes de Sequência Positiva – Em qualquer situação (inclusive na


condição normal de operação) haverá a circulação de componente de sequência
positiva de corrente. Este fato é fácil de ser percebido levando-se em conta que as
fontes de tensão (geradores, compensadores síncronos, etc.) geram apenas tensão de
sequência positiva (componentes simétricas V1 e I1).

As correntes de fase, em qualquer condição, são o resultado da associação de uma ou mais


destas componentes.

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2 FILOSOFIA

2.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO

2.1.1 Seletividade

Somente os componentes defeituosos devem ser desconectados

2.1.2 Sensibilidade

Os sistemas de proteção devem ser sensíveis para detectar todas as falhas internas nos
componentes.

2.1.3 Velocidade

Os sistemas de proteção devem ser rápidos para minimizar os danos nos componentes.

2.1.4 Confiabilidade

Devem operar para todas as falhas internas (dependabilidade) e não operar para falhas
externas ou na ausência de falhas (segurança).

2.2 FILOSOFIA GERAL DE APLICAÇÃO DE PROTEÇÕES

A filosofia geral de aplicação de proteções é dividir o sistema elétrico em zonas que podem
ser convenientemente protegidas por relés de proteção adequados e que vão provocar a
interrupção da menor parte possível da rede, na ocorrência de defeitos, como ilustra o
diagrama abaixo da Figura 2-1, onde as caixas pontilhadas indicam zonas de proteção

Figura 2-1 – Zonas de Proteção


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2.3 CONCEITOS SOBRE APLICAÇÃO DE PROTEÇÕES

Estão relacionados abaixo alguns conceitos importantes sobre a aplicação de proteções no


sistema elétrico:

2.3.1 Proteção Restrita ou Unitária

Conjunto de proteção destinado a detectar e eliminar falhas que ocorram apenas no


equipamento protegido.

É responsável pela proteção integral do equipamento sem retardo de tempo intencional.

2.3.2 Proteção Irrestrita ou Gradativa

Conjunto de proteção destinado a detectar e eliminar falhas que ocorram no equipamento


protegido e fornecer proteção adicional para os equipamentos adjacentes.

2.3.3 Proteção Principal

Esquema composto por um conjunto de proteção unitária e um conjunto de proteção


gradativa.

2.3.4 Proteção Alternada

Funcionalmente idêntica ao conjunto de proteção principal e completamente independente


deste, sendo usada quando se deseja redundância de proteção.

2.3.5 Proteção de Retaguarda Local

Conjunto de proteção instalado no mesmo local do sistema de proteção a que se destina


fornecer proteção adicional.

2.3.6 Proteção de Retaguarda Remota

Conjunto de proteção instalado em local diferente daquele onde está o sistema de proteção a
que se destina fornecer proteção adicional. O diagrama unifilar a seguir na Figura 2-2 ilustra
a diferença entre proteção local e proteção remota.

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Figura 2-2 – Conceito de Proteção de Retaguarda Remota

 Retaguarda Local: na falha do disjuntor E devem ser abertos os disjuntores C e D.

 Retaguarda Remota: na falha do disjuntor E devem ser abertos os disjuntores A e


B.

A retaguarda local é mais conveniente que a remota porque a perturbação fica limitada a
uma única subestação.

2.4 FALHAS DE PROTEÇÃO

Naturalmente, as proteções estão sujeitas a falhas, isto é, deixam de cumprir sua atribuição
de operar para faltas na sua zona de proteção, não operar para faltas externas à sua zona de
proteção e não atuar intempestivamente na ausência de faltas. Estas falhas estão associadas
a pelo menos uma das seguintes causas:

 Defeito no relé ou ajustes incorretos;

 Falha do serviço auxiliar, especialmente do sistema de corrente contínua que alimenta


o circuito de trip dos disjuntores;

 Falha de TP ou TC, incluindo sua fiação;

 Falha do disjuntor, incluindo falha do circuito de trip ou do próprio mecanismo de


abertura dos contatos principais;

 Falha de projeto ou de montagem.

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Para minimizar estas causas de falhas, são adotadas algumas diretrizes na fase de projeto
cuja aplicação varia de acordo com o nível de tensão e a importância do equipamento a ser
protegido:

 Dois sistemas de proteção independentes;

 Utilização de secundários distintos de TP e TC para as proteções principal e alternada;

 Circuitos de corrente contínua independentes para as proteções principal e alternada;

 Bobinas de trip duplicadas nos disjuntores;

 Proteção para falha de disjuntores.

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3 RELÉS DE PROTEÇÃO
Os relés de proteção atuais são equipamentos digitais fazendo uso de microprocessadores.
Em um mesmo equipamento podem existir inúmeras funções de proteção, que se
diferenciam conforme seu princípio de operação e sua aplicação nos esquemas. Os termos
relés e funções de proteção são usados indistintamente. Na primeira metade do século
passado foram criados números de identificação das funções de proteção por entidades de
padronização americanas, são os números ANSI. As funções mais importantes estão
relacionadas na Tabela 3-1.

Tabela 3-1 – Números de identificação e suas Funções

Nº ANSI Função

Função 2 Relé de Tempo

Função 20 Válvula de Segurança

Função 21 Relé de Distância

Função 24 Relé de Sobrexcitação ou V/Hz

Função 25 Relé de Sincronismo

Função 26 Dispositivo Térmico de Equipamento

Função 27 Relé de Subtensão

Função 30 Relé Anunciador

Função 32 Relé Direcional de Potência

Função 40 Relé de Perda de Excitação

Função 43 Dispositivo de Transferência Manual

Função 46 Relé de Desbalanço de Correntes de Fase

Função 47 Relé de Sequência Negativa

Função 49 Relé de Temperatura

Função 50 Relé de Sobrecorrente Instantâneo

Função 51 Relé de Sobrecorrente Temporizado

Função 52 Disjuntor

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Nº ANSI Função

Função 59 Relé de Sobretensão

Função 60 Relé de Equilíbrio de Tensão

Função 61 Relé de Equilíbrio de Corrente

Função 62 Relé de Tempo

Função 63 Relé de Gás (Buchholz)

Função 64 Relé de Proteção de Terra

Função 67 Relé Direcional de Sobrecorrente

Função 68 Relé de Bloqueio de Oscilação de Potência

Função 71 Dispositivo de Detecção de Nível

Função 78 Relé de Perda de Sincronismo

Função 79 Relé de Religamento

Função 81 Relé de Frequência

Função 85 Relé Receptor

Função 86 Relé Auxiliar de Bloqueio

Função 87 Relé Diferencial

Função 94 Relé Auxiliar de Disparo

Algumas funções de proteção são utilizadas em vários esquemas de proteção. Serão


descritas as características básicas das funções de sobrecorrente, distância e diferencial.

3.1 RELÉS DE SOBRECORRENTE NÃO DIRECIONAL

É a função de proteção básica. Alimentada somente por corrente através dos


transformadores de corrente, é aplicada em vários esquemas de proteção. Seu ajuste
principal é o tape ou pickup, que é o valor de corrente a partir do qual a unidade começa a
operar, também conhecido como corrente de partida. Outro ajuste importante é o de
temporização, que define o tempo que a unidade gasta para operar após sua partida.

Há dois tipos de relé de sobrecorrente quanto à temporização, instantâneo e temporizado. No


instantâneo, nº 50, não existe um retardo de tempo intencional para operar após o pick up.
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O temporizado, nº 51, se divide em duas classificações principais, tempo definido, para o
qual sempre que a corrente supera o valor de pick up o relé opera com temporização pré-
definida e tempo inverso, cuja temporização é variável.

O relé de tempo inverso tem uma característica de operação tal que o retardo de trip varia
inversamente com a corrente fluindo pelo relé, ou seja, quanto maior a corrente menor o
tempo de operação. São definidos três tipos principais de curvas inversas: normalmente
inversa, muito inversa e extremamente inversa, que são escolhidas de forma a atender a
coordenação com outras proteções. O diagrama da Figura 3-1 ilustra as três curvas inversas
e as características instantânea e de tempo definido.

Figura 3-1 - Características de Funções de Sobrecorrente

Os relés de sobrecorrente aplicados na proteção de linhas, transformadores e outros


componentes são ligados aos secundários dos TCs no arranjo mostrado no diagrama abaixo,
onde há duas funções 50 e 51 para cada fase, atuando para curtos-circuitos ou sobrecorrente
nas respectivas fases. As 2 unidades 50R e 51R estão conectadas no neutro do circuito dos
secundários dos TCs. Neste circuito só circulam as correntes residuais, que são devidas a
curtos à terra e desequilíbrios entre as correntes de fase.

A corrente residual é igual à soma vetorial das correntes das fases. Em condições normais a
soma vetorial das correntes de fase é igual a zero e assim, não há circulação de corrente
residual.

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Figura 3-2 - Ligações de Relés de Sobrecorrente

A corrente residual também pode ser obtida através de um TC no neutro de um trafo ligado
em estrela aterrada, conforme ilustrado no diagrama unifilar abaixo da Figura 3-3.

Figura 3-3 - Forma Alternativa de Ligação das Funções 50N e 51N

3.2 RELÉS DE SOBRECORRENTE DIRECIONAL

Esta função de proteção é baseada nos relés de sobrecorrente com o acréscimo de uma
característica direcional. O relé passa a ser capaz de discernir a direção do fluxo de corrente.
Para isso, além da alimentação de corrente, ele é suprido também com informação de
tensão, através de transformadores de potencial (TP) de linha ou de barra.

Os relés direcionais, nº 67 para as funções de fase e 67N para a função de neutro, são
imprescindíveis em circuitos não radiais para se conseguir coordenação adequada com outras
proteções. O diagrama unifilar da Figura 3-4 mostra as conexões dos relés direcionais.

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Figura 3-4 - Ligação das Funções 67 e 67N

Circuitos malhados, com mais de uma fonte, requerem relés direcionais, como no exemplo
abaixo.

Figura 3-5 - Aplicação de Relés Direcionais de Sobrecorrente

3.3 RELÉ DE DISTÂNCIA

O relé de distância individualmente é um sistema de proteção irrestrito (nº 21). Tem larga
aplicação na proteção de linhas de transmissão devido a sua característica de independer do
valor da corrente de curto-circuito, que pode variar amplamente com o número de geradores
em serviço, linhas desligadas e etc. É aplicado também em proteção de geradores.

O princípio de operação dessa função é a medição de impedância vista a partir do ponto de


localização do relé. A impedância é medida através da relação tensão/corrente. Pela lei de
Ohm

Como a impedância é uma grandeza que varia proporcionalmente com o comprimento de


linha considerado, a função distância pode ser ajustada para atuar até determinada
porcentagem da linha. Faltas cuja impedância medida seja menor que a impedância de
ajuste resultam em trip e faltas com impedância maior não geram trip.
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O diagrama R-X, mostrado na Figura 1-2, é muito usado para visualizar o comportamento de
relés de distância. Cada relé de distância tem uma curva característica de operação no
diagrama R-X, que é escolhida de acordo com modelo do relé, opções de projeto e dados da
linha, inclusive carregamento, e integração a esquema de teleproteção. Nos diagramas R-X
da Figura abaixo são apresentadas as características mais aplicadas.

Figura 3-6 – Características de Funções de Distância

Se a impedância medida pela função de distância cair dentro da característica de operação,


ocorrerá o trip.

3.4 RELÉ DIFERENCIAL

3.4.1 Princípio de operação

O princípio básico de operação dos relés diferenciais é a 1ª lei de Kirchhoff (lei dos nós): “A
soma das correntes que entram em um nó é igual à soma das correntes que dele saem".
Dessa forma, o relé recebe informação de todas as correntes que entram e saem do
componente protegido através dos respectivos TCs e determina a diferença entre as
mesmas.

As Figuras 3-7 e 3-8 ilustram o funcionamento de uma proteção diferencial, em sua


concepção mais simples (diferencial amperimétrico). O esquema é composto por uma

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unidade de sobrecorrente não direcional instantânea, conectada de modo a detectar a
diferença das correntes secundárias dos transformadores de corrente (TCs).

A corrente no relé (corrente diferencial) é dada por: I d = │IS1 + IS2 │(valor absoluto da soma
aritmética das correntes secundárias dos TCs)

Figura 3-7 - Relé Diferencial Amperimétrico - Falta Externa

Figura 3-8 - Relé Diferencial Amperimétrico - Falta Interna

Para uma falta externa à zona de proteção (região delimitada pelos 2 conjuntos de TCs),
Figura 3-7, considerando que os TCs tem relações tais que as correntes secundárias tem o
mesmo valor, a corrente diferencial Id será nula: I d = I1S - I2S = 0

Para uma falta interna à zona de proteção, Figura 3-8, Id = I1S + I2S e o relé opera.

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3.4.2 Relé diferencial percentual

Deve ser observado que sempre vai existir uma corrente diferencial em condições normais de
operação, devido a erro dos TCs, imperfeito casamento das relações dos TCs, variação da
corrente primária como no caso de transformadores com mudança automática de tap, etc.
Esta corrente diferencial pode aumentar consideravelmente para faltas externas à zona
protegida, exigindo uma dessensibilização do relé. Para minimizar este problema foi
desenvolvido o relé diferencial percentual cujo funcionamento é mostrado na Figura 3-9.

Figura 3-9 – Relé Diferencial Percentual

Neste tipo de relé, além do circuito diferencial (similar ao amperimétrico), foi acrescentado
um circuito de restrição, de modo que a operação do relé não mais depende exclusivamente
da corrente diferencial, mas também da relação

Ks = Id / Ir (slope)
onde :
Id é a corrente diferencial ou de operação = │IS1 + IS2│, já definida
anteriormente.
Ir é a corrente de restrição = │IS1│+ │IS2│(soma dos valores absolutos
das correntes secundárias dos TCs)

O relé opera para Id ≥ Ks Ir + Imin, onde Ks é o valor de slope (inclinação da curva) e Imin
é o valor de pickup (corrente mínima de operação) ajustados.

A Figura 3-10 mostra a característica típica de operação desta proteção.

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Figura 3-10 – Característica de Operação da Função Diferencial Percentual

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4 PROTEÇÃO DE LINHAS DE TRANSMISSÃO

4.1 FALHAS EM LINHAS DE TRANSMISSÃO

A linha de transmissão (LT) é o componente que mais sofre curtos-circuitos devido ao seu
comprimento e exposição a descargas atmosféricas, queimadas, ventos e outros efeitos.
Cerca de 70 % das ocorrências no sistema elétrico brasileiro se originam em linhas, como se
vê no gráfico abaixo, Figura 4-1.

Figura 4-1 - Incidência de Faltas em Linhas de Transmissão

Por outro lado, as LTs apresentam a vantagem de se auto-regenerarem na maioria das


vezes, não necessitando de manutenção. Ocorrências originadas em geradores,
transformadores, barramentos e etc sempre exigem inspeção antes do religamento. Dessa
forma, na maioria das LTs, pode ser feita tentativa de religamento imediato.

Próximo de 80 % dos desligamentos de linhas é causado por descargas atmosféricas. O cabo


para-raios neutraliza a maioria dos raios que atingem a linha, mas um raio de grande
intensidade atingindo o cabo para-raios ou uma torre diretamente pode provocar, por
indução, o aparecimento de surtos de tensão nos cabos condutores, resultando na formação
de um curto-circuito.

O Processo de formação do curto é o seguinte. Inicialmente, o surto de tensão deslocando-se


a velocidade próxima à da luz provoca o aparecimento de arco elétrico entre o cabo condutor
e a ferragem da torre através da cadeia de isoladores, fluindo daí para terra através do
aterramento da torre (contra-peso).

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Este centelhamento inicial, por sua vez, rompe o isolamento mantido pela cadeia de
isoladores e cria condições para sustentação do arco elétrico, agora gerado pela tensão do
sistema de potência, dando início à corrente de curto-circuito. A Figura 4-2 abaixo ilustra o
processo de formação do curto-circuito.

Figura 4-2 – Mecanismo de Formação de Curto-circuito por Descarga Atmosférica

Por outro lado, as queimadas de vegetação na faixa de passagem de linhas de transmissão


frequentemente provocam faltas. Em geral, o curto-circuito acontece quando as chamas
atingem os cabos condutores da LT. Normalmente é um tipo de curto com resistência de arco
muito elevada, devido ao grande comprimento do arco elétrico entre cabo condutor e solo,
gerando correntes de baixa intensidade, o que costuma dificultar a atuação das proteções.

4.2 PRINCIPAIS TIPOS DE PROTEÇÃO APLICADOS A LTS

As linhas de transmissão são protegidas basicamente por funções de sobrecorrente, de


distância ou diferenciais, associadas ou não a sistemas de teleproteção.

4.2.1 Principais métodos aplicados

Com relés de sobrecorrente

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 Relés de sobrecorrente de fase e residuais;

 Relés direcionais de sobrecorrente de fase e residuais.

Com relés de distância

 Relés de distância para faltas entre fases e fase-terra.

Utilizando esquemas de teleproteção

 Esquemas de comparação direcional;

 Esquemas de comparação de fase.

4.3 PROTEÇÃO DE LTS COM RELÉS DE SOBRECORRENTE E DIRECIONAIS

As funções de sobrecorrente são mais aplicadas em circuitos radiais e de menor importância.


São sempre empregadas funções de fase e residuais. Circuitos não radiais são protegidos por
relés de sobrecorrente direcionais.

A Figura 4-3 ilustra o comportamento de relés de sobrecorrente com funções de


sobrecorrente instantâneas (nº 50) e de tempo inverso (51). É importante que as funções
instantâneas sejam ajustadas para não alcançar o terminal remoto a fim de se evitar
descoordenação com proteções nesta subestação.

Quanto às unidades de sobrecorrente de tempo inverso, o intervalo de coordenação entre as


proteções a montante e a jusante deve ser observado também para evitar atuações
descoordenadas.

Uma desvantagem dos relés de sobrecorrente aplicados a LTs decorre de sua dependência ao
valor da corrente de falta. A variação das correntes de curto em função de mudanças na
topologia, como aumento do número de geradores em operação, desligamento de linhas e
etc, altera o comportamento do relé, podendo levar à necessidade de alterar os ajustes.

4.3.1 Proteção por relé de sobrecorrente não direcional

Aplicação: linhas de transmissão radiais, como proteção própria e como retaguarda remota
para falhas em linhas adjacentes. O intervalo de coordenação entre funções 51 deve ficar
entre 250 e 300 ms para relés digitais, ver Figura 4-3 abaixo.

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Figura 4-3 – Coordenograma com Relés de Sobrecorrente

4.3.2 Proteção com relés de sobrecorrente direcionais

Sistemas não radiais requerem a adoção de relés de sobrecorrente direcionais (nº 67) para
permitir a atuação somente para faltas em uma direção e assim assegurar a coordenação
com outras proteções. A filosofia de aplicação é semelhante à das funções não direcionais. O
diagrama da Figura 4-4 abaixo ilustra a aplicação de relés direcionais numa seção de rede
elétrica de transmissão. O processo de coordenação é semelhante ao dos relés não
direcionais.

Figura 4-4 – Relés Direcionais

O relé direcional de sobrecorrente de terra (67N) é muito utilizado para proteção de curtos à
terra, mesmo em sistemas de EAT, devido a sua maior sensibilidade para correntes residuais.
Nos procedimentos de rede do ONS ele é recomendado como complementação aos esquemas
com relés de distância.

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4.4 PROTEÇÃO DE LINHAS COM RELÉS DE DISTÂNCIA

As funções de distância são as mais utilizadas na proteção de LTs devido às suas vantagens
sobre as de sobrecorrente, principalmente por seu princípio de medição se basear na
impedância do circuito e não na corrente de falta.

As linhas de maior importância são sempre providas de sistema de teleproteção através de


canais de telecomunicação. Os esquemas de teleproteção associam as funções de proteção
com o sistema de telecomunicação entre as subestações para dar mais confiabilidade e
acelerar a atuação da proteção.

Nos relés de distância são definidas zonas de operação que correspondem a alcances em
termos de impedâncias e são associadas a temporizações distintas, como se vê no diagrama
abaixo, Figura 4.5, que mostra uma aplicação clássica com três zonas de operação e suas
respectivas temporizações. Geralmente a 1ª zona não tem retardo de tempo intencional e
para 2ª e 3ª zonas as temporizações visam permitir coordenação com outras proteções na
subestação remota.

A primeira zona é ajustada entre 80 % e 90 % da impedância da LT para que não alcance o


terminal remoto com segurança. Se alcançasse o terminal remoto poderiam ocorrer atuações
indevidas (descoordenações) para faltas nas demais LTs conectadas à subestação remota.

A 2ª zona é ajustada de forma a alcançar com segurança o terminal remoto. O ajuste típico é
120 % a 130 % da LT com temporização entre 0,3 s e 0,4 s.

A 3ª zona é utilizada como retaguarda da 2ª zona e retaguarda remota das proteções das
demais linhas que partem da subestação remota. Deve ter temporização mais elevada para
garantir coordenação.

Um cuidado importante ao ajustar a 3ª zona é evitar que a impedância de carga máxima


penetre na curva característica do relé O unifilar abaixo ilustra o esquema de relé de
distância com três zonas.

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Figura 4-5 - Coordenograma com Relés de Distância

Como exemplo, a Figura 4-6 mostra o diagrama R-X para um relé de característica
quadrilateral, onde se observa que a primeira zona não alcança a barra da subestação
remota (SE 2), a segunda zona supera a barra da SE 2 e a terceira zona cobre as demais
linhas que partem da SE remota.

Figura 4-6 – Característica Quadrilateral

O diagrama seguinte, Figura 4-7, apresenta um exemplo de aplicação de relés de distância a


uma seção de rede elétrica de transmissão. Estão mostradas apenas as proteções que
respondem à alimentação dos curtos-circuitos pela usina A.

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Figura 4-7 – Relés de Distância

4.5 PROTEÇÃO PARA OSCILAÇÃO DE POTÊNCIA

Perda de estabilidade no sistema elétrico de potência pode ocorrer devido a variações na


carga, desligamento de componentes ou faltas, especialmente se o sistema estiver muito
carregado, resultando em oscilação de potência entre usinas. Se o sistema de potência tiver
meios de controle disponíveis, a oscilação pode se estabilizar, extinguindo-se depois de
algum tempo.

Instabilidades muito intensas provocam perda de sincronismo entre máquinas, levando ao


seu desligamento. O oscilograma abaixo, Figura 4-8, mostra o comportamento típico de
tensões e correntes em uma linha de transmissão durante oscilações.

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Figura 4-8 – Oscilograma com Oscilações de Potência

Oscilações como essa podem levar à operação de funções de distância porque como as
tensões e correntes variam, a impedância vista pela função de distância também varia e
pode cair dentro da característica de operação da função.

Estudos de estabilidade descrevem as oscilações que podem ocorrer em determinado


sistema, revelando se as oscilações podem ceder rapidamente, assim que o sistema de
controle de máquinas nas usinas corrija as causas da instabilidade. Para esses casos é usada
a proteção para oscilação de potência, que é uma função de distância (nºs 68 e 78) que
opera em associação com a função distância de proteção (21P), como se vê no diagrama da
Figura 4-9 abaixo.

A impedância vista pela função 21 no caso de uma oscilação moderada, mostrada pela curva
A – B, se move mais lentamente que durante uma falta. A lógica do esquema mede o tempo
entre a passagem da curva de impedância entre os círculos 21P e 68. Se a variação da
impedância for instantânea, é uma falta e o trip é liberado, se há um certo retardo de tempo,
é uma oscilação e o trip pela função 21P é bloqueado.

A curva C – D corresponde a uma oscilação severa, na qual dificilmente o sistema se


recupera, significando uma situação de perda de sincronismo. A proteção de oscilação nesse
caso (função 78) não bloqueia o trip pelo relé de distância, mas pode apenas atrasar o sinal
de trip até que a impedância vista pelo relé se desloque para fora da curva característica,
quando as condições para desarme são mais favoráveis para o disjuntor.

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Estudos de estabilidade definem quais linhas de transmissão de um sistema devem abrir
durante oscilações de modo a manter equilíbrio geração x carga nas ilhas remanescentes.

Figura 4-9 - Relé de Oscilação de Potência

4.6 PROTEÇÃO DE LINHAS COM TELEPROTEÇÃO

Os esquemas de teleproteção conferem mais confiabilidade à proteção e menores tempos de


isolamento do circuito sob falta. O tempo de eliminação de curtos-circuitos costuma ser
crucial em sistemas de EAT no sentido de prevenir oscilações de potência. Utilizam canais de
telecomunicação para transmitir informações entre os terminais da linha.

No esquema mais simples, transferência direta de disparo (transfer trip) por comando
manual de abertura local, o sinal é transmitido diretamente de um terminal ao outro nas
linhas que não devem ser mantidas abertas por uma das extremidades.

Quanto a atuações de proteção, o transfer trip direto é geralmente usado nas seguintes
situações:

 Atuação de proteção de reator de linha ou de banco de capacitores série;

 Atuação de proteção de sobretensão;

 Atuação de proteção diferencial de barramento;

 Atuação de proteção de falha de disjuntor.

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4.6.1 Princípio de detecção das faltas

Além da transferência direta de disparo, existem lógicas empregando dois princípios básicos
de detecção e eliminação de faltas com auxílio de telecomunicação: comparação direcional e
comparação de fase.

Os esquemas de comparação direcional comparam com ajuda de relés a direção do fluxo da


corrente de falta nos dois terminais da LT para determinar se a falha é interna ou externa.

Os esquemas de comparação de fase comparam os ângulos de fase das correntes nos dois
terminais. Se estiverem em fase, a falha é interna. Se estiverem defasadas próximo de 180º,
a falha é externa, como será visto.

4.6.2 Utilização dos canais de telecomunicação

Para os esquemas de comparação direcional há duas lógicas para utilizar os canais de


telecomunicação,

 Lógica de bloqueio, na qual o sinal enviado de um extremo ao outro da LT é usado


para bloquear o trip nos casos de faltas externas. Nas falhas internas não é enviado
sinal.

 Lógica de disparo, na qual o sinal só é emitido por um terminal quando sua proteção
identifica falta interna. Nas faltas externas não é enviado sinal.

4.6.3 Comparação direcional

O diagrama da Figura 4-10 sintetiza os esquemas de teleproteção por comparação direcional


usados em LTs com o emprego de relés de distância ou de sobrecorrente direcional.
Basicamente, as funções de proteção em ambos os terminais da linha determinam a direção
das faltas, identificando se estão localizadas no lado da linha ou fora dela, na direção do
barramento, e trocam essa informação entre si, cabendo a lógicas nos dois extremos decidir
se a falta é interna, e portanto acionando o disparo do disjuntor, ou externa, neste caso não
liberando o disparo.

Os esquemas mais simples requerem dois canais de transmissão, um em cada sentido. O


canal de comunicação pode utilizar microondas, fibra ótica (OPGW), onda portadora (Carrier)
ou fio-piloto para enviar a informação para a outra extremidade da linha.

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Figura 4-10 – Esquemas de Comparação Direcional

Os esquemas de comparação direcional mais utilizados são os seguintes.

TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DISPARO POR SUBALCANCE (DUTT) – As funções de


proteção que integram este esquema não alcançam o terminal remoto, exemplo, 1ª zona de
relé de distância. O trip local ocorre tanto por atuação da 1ª zona quanto por recepção de
sinal. O diagrama abaixo ilustra a atuação do esquema. As funções de proteção em
subalcance que operam no esquema são designadas por RU.

Através dessa lógica é garantido trip instantâneo em toda a LT. Se não existisse a
teleproteção, para curtos nos 20 % da LT próximos às subestações o trip ocorreria em tempo
de 2ª zona no terminal remoto.

Os canais de comunicação podem falhar durante uma falta ou mesmo em condições normais.
Se nessa lógica o receptor for sensibilizado por sinal falso causado por ruído ou interferência,
a linha pode ser aberta sem necessidade. Para evitar isso em linhas mais importantes, é
comum o uso de dois canais em cada sentido ligados numa lógica And no receptor, dando
mais segurança ao esquema. O diagrama da Figura 4-11 retrata essa lógica DUTT com um
canal em cada sentido.

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Figura 4-11 – Transferência Direta de Disparo por Subalcance

TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DISPARO PERMISSIVO POR SUBALCANCE (PUTT) –


Este esquema é parecido com o anterior. A diferença principal é o acréscimo de funções
ajustadas em sobrealcance (RO) que dão trip em lógica And com a recepção de sinal do
terminal remoto. O envio de sinal é iniciado pela unidade de subalcance. Portanto, enquanto
no esquema anterior (DUTT) a recepção de sinal dava trip direto, sem restrições, neste
esquema o trip por recepção de sinal depende da função RO local, dando mais segurança ao
esquema.

Figura 4-12 – Transferência Direta de Disparo Permissivo por Subalcance

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TRANSFERÊNCIA DIRETA DE DISPARO PERMISSIVO POR SOBREALCANCE (POTT) –
Neste esquema de teleproteção existe somente uma unidade de proteção em cada terminal
ajustada para alcançar além do terminal remoto, (RO). O trip sempre depende da recepção
do sinal transmitido pelo terminal remoto. Portanto, há grande dependência dos canais de
comunicação porque o trip será impedido na falta de recepção.

Figura 4-13 - Transferência Direta de Disparo Permissivo por Sobrealcance

COMPARAÇÃO DIRECIONAL POR BLOQUEIO – Este esquema de teleproteção dispõe de


duas funções direcionais de proteção (RO) que alcançam além do terminal remoto, uma em
cada terminal da LT, como acontece no esquema POTT. Há também 2 unidades de proteção
com direcionalidade invertida, isto é, no sentido do barramento (B). Às unidades B cabe a
função de acionar o canal de transmissão quando a falta é externa à linha. A recepção de
sinal nesse caso bloqueia o trip na porta lógica And, como se vê no diagrama abaixo.

A vantagem deste esquema é privilegiar a abertura da LT. Se acontecer alguma falha no


canal de transmissão de sorte que a recepção de sinal não ocorra, a teleproteção ainda se
comporta corretamente. Este esquema é especialmente interessante quando o meio de
transmissão do sinal é a própria LT, (onda portadora, carrier), caso o defeito na linha
bloqueie a transmissão de sinal.

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Figura 4-14 – Comparação Direcional por Bloqueio

COMPARAÇÃO DIRECIONAL – ESQUEMA HÍBRIDO - Esta modalidade de esquema


guarda semelhança com o esquema POTT, já analisado, apresentando 2 unidade de
sobrealcance RO que operam na mesma filosofia que o POTT.

Há, porém, dois recursos adicionais que são de grande valia em algumas situações. O
primeiro recurso é a lógica de Eco que é importante sempre que um terminal não responde
com atuação de proteção. Tal situação pode ocorrer, por exemplo, se no momento da falta
interna à LT o disjuntor desse terminal estiver aberto e a LT já energizada pelo terminal
remoto, assim não pode enviar o sinal de permissão para o outro terminal. A lógica usa uma
unidade direcional B no sentido reverso, que não atuando, permite a devolução de sinal para
o terminal remoto.

A lógica Eco também é útil se a LT estiver sob falta ao ser restabelecida.

O segundo recurso é a lógica de Terminal Fraco (weak infeed), útil em terminais que
contribuem com baixas correntes de falta, por exemplo, terminais radiais ou com pouca
geração, em situações que a função RO local não opera. O sinal de teleproteção recebido é
retransmitido de volta ao terminal emissor desde que a função de subtensão (27) opere.

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Figura 4-15 – Esquema Híbrido

4.6.4 Comparação de fase

O esquema de comparação de fase compara as senóides de corrente de ambos os terminais


da linha. Se as correntes estiverem em fase, a falta é interna à LT. Se estiverem com
defasamento próximo de 180º, a falta é externa. Portanto, neste esquema são transmitidas
grandezas analógicas digitalizadas (correntes) entre os terminais da LT enquanto que nos
esquemas de comparação direcional são transmitidos sinais digitais lógicos. Ver as Figuras 4-
16 e 4-17.

Figura 4-16 – Comparação de Fase

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Figura 4-17 – Comparação de Fase – Lógica de Disparo

4.7 PROTEÇÃO DE SOBRETENSÃO

As linhas de transmissão de maior importância são providas com proteção de sobretensão


através de funções temporizadas e instantâneas. Os elementos temporizados operam para
sobretensões sustentadas, com níveis mais baixos e os elementos instantâneos atuam para
sobretensões mais elevadas, quando o risco de danificação de equipamentos é maior.

4.8 LÓGICAS ADICIONAIS DAS PROTEÇÕES DE LINHAS

Existem algumas lógicas muito utilizadas em proteção de linhas de transmissão de 230 kV e


acima, como registrado a seguir.

4.8.1 Stub Bus

È uma lógica criada com a finalidade de assegurar proteção para o trecho de linha na
subestação entre os disjuntores e a seccionadora de linha quando esta estiver aberta, devido
à impossibilidade do relé de distância atuar em função da falta de potencial, como esclarece
o diagrama abaixo. Esse esquema é aplicado em configurações de barramento disjuntor e
meio e anel.

Figura 4-18 – Lógica Stub Bus

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4.8.2 Energização de Linha sob falta (Line pickup ou SOTF – switch onto fault)

Em linhas protegidas por relés de distância cuja alimentação de potencial é proveniente dos
TPs de linha, os relés ficam inoperantes durante energizações com falhas próximas à
subestação, devido à ausência de tensão motivada pelo curto na linha.

A lógica line pickup ou SOTF consiste em permitir que durante energizações da linha seja
ativada uma unidade de sobrecorrente para permitir o disparo independentemente da função
distância. O acionamento da lógica é feito através da detecção do fechamento da linha e
subsiste por tempo inferior a 1 segundo.

Uma função para identificação de tensão normal na LT (nº 27) pode ser acrescentada ao
esquema para desativá-lo sem retardo de tempo, ao indicar que a LT está normal.

Este esquema é muito útil no retorno da linha de transmissão após manutenção devido ao
risco de permanecer inadvertidamente algum aterramento da mesma.

4.8.3 Bloqueio de trip por perda de potencial

Relés dependentes de tensão, como relé de distância, podem operar erroneamente em caso
de perda de potencial, por exemplo, no desarme do micro disjuntor do secundário dos TPs.
Uma lógica de identificação desse tipo de ocorrência bloqueia o trip do relé e aciona o alarme
na instalação.

4.9 RELIGAMENTO AUTOMÁTICO

Como a maioria das faltas em LTs é extinta rapidamente após o desligamento, conforme item
4.1, não implicando em manutenção, é recomendável a implantação de esquemas de
religamento automático (nº 79).

O esquema de religamento tripolar é o mais comum e com maior chance de sucesso. A


implantação do religamento monopolar exige que a proteção identifique com segurança a
fase faltosa e comande a abertura do polo do disjuntor dessa fase apenas.

A abertura monopolar da linha permite a manutenção do sincronismo entre as duas


subestações através das 2 fases que permanecem fechadas. Entretanto, uma das
dificuldades deste tipo de religamento é a indução de corrente das duas fases que
permanecem em carga sobre a fase isolada pela abertura monopolar, o que pode prolongar o
arco elétrico no ponto sob falta na LT e inviabilizar o religamento automático.

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Existem eventos que causam abertura de linhas por proteção, mas devem bloquear o
religamento automático por razões de segurança. Os principais estão relacionados abaixo:

 Atuações de proteções temporizadas;

 Falhas em barras;

 Atuações de proteções de falha de disjuntor;

 Atuações de proteções de sobretensão;

 Atuações de proteções de transformadores, reatores e capacitores série;

 Atuações de proteções de perda de sincronismo;

 Recepção de sinal de transfer trip mantido, que é uma lógica iniciada quando no
terminal remoto operam proteções como sobretensão, falha de disjuntor, proteção de
reator de linha, para as quais não deve haver religamento.

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5 PROTEÇÃO DE TRANSFORMADORES

5.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os enrolamentos e o núcleo do transformador estão submetidos a diferentes esforços


durante a operação.

 Expansão e contração devido ao ciclo térmico;

 Vibração;

 Aquecimento excessivo por sobrecarga, falha de resfriamento e sobrefluxo;

 Impactos eletrodinâmicos devido a correntes de curtos-circuitos externos (passantes);

 Estes esforços podem causar deterioração e falha do isolamento dos enrolamentos.

A Figura 5.1 mostra o diagrama unifilar típico de um transformador de grande porte, com as
funções de proteção em conformidade com os requisitos mínimos definidos nos
procedimentos de rede do ONS.

Figura 5-1 – Diagrama Unifilar Típico de Proteção de Transformadores

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5.2 PROTEÇÃO DIFERENCIAL (87P E 87A)

A principal proteção para faltas internas aos transformadores é realizada através da função
diferencial percentual, cujo princípio básico foi mostrado no item 3.4 deste trabalho. A Figura
5-1 mostra o uso de duas proteções diferenciais, 87P (proteção principal) e 87A (proteção
alternativa), recomendado para transformadores de tensão igual ou superior a 345 kV.

Os relés diferenciais percentuais, quando aplicados a transformadores, são sujeitos a outras


fontes de correntes diferenciais, além do erro próprio dos TCs e das faltas internas. Estas
fontes são:

 Corrente de magnetização inicial ("inrush") – A corrente de magnetização inicial


é bastante rica em harmônicos, entre eles o 2º harmônico (120 Hz), que comparece
em proporção significativa. Por outro lado, este harmônico praticamente não existe
nas correntes de falta. Assim, o 2º harmônico propicia um meio seguro para distinguir
entre corrente de magnetização e de falta e é utilizado para inibir a atuação da
proteção diferencial durante a energização de transformadores.

 Diferença angular – Entre as correntes do primário e do secundário nos


transformadores delta-estrela. Neste caso a compensação pode ser feita através da
adequada conexão dos TCs ou por software (relés numéricos).

 Imperfeito casamento das relações de transformação – Entre os TCs, de forma


a compensar a diferença em módulo das correntes do primário e do secundário
(também do terciário quando existir). A compensação é feita com o uso de TCs
auxiliares ou derivações (taps) nos relés eletromecânicos e de estado sólido. Nos
atuais relés microprocessados é feita por software.

 Circulação de componente residual de corrente apenas do lado estrela –


Quando de faltas envolvendo terra nos transformadores delta-estrela aterrada. A
compensação é feita utilizando-se conexão delta para os TCs do lado do enrolamento
em estrela, que, conforme mencionado, bloqueia esta componente. Nos relés atuais a
compensação é feita por software.

 Variação de tap do trafo protegido (manual ou automática) – Geralmente a


compensação é feita no ajuste do slope. Alguns relés numéricos permitem a
supervisão da posição do tap, efetuando a correção da corrente automaticamente.

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5.3 PROTEÇÕES DE SOBRECORRENTE

5.3.1 Proteções instantâneas de sobrecorrente (50 e 50R)

Estas proteções estão localizadas no lado de AT na Figura 5.1 e atuam como proteção de
retaguarda para faltas internas ao transformador. As unidades de sobrecorrente de fase são
dessensibilizadas de modo a não operar para faltas externas. No caso de transformador com
conexão delta-estrela, como na Figura 5.1, a proteção residual (50R) do lado delta não
detecta faltas no lado estrela, devido ao bloqueio da corrente residual pelo enrolamento
delta, conforme já visto, podendo operar com alta sensibilidade para faltas internas
envolvendo terra. Para outras conexões, como estrela-estrela aterrada e autotransformador,
esta proteção deve ser dessensibilizada para não atuar para faltas externas envolvendo
terra.

5.3.2 Proteções de sobrecorrente temporizadas (51 e 51R)

Atuam basicamente como retaguarda para faltas externas, de modo coordenado com as
proteções dos componentes adjacentes e obedecendo a curva de suportabilidade do
transformador à corrente passante, definida em norma (IEEE-C57.109-1993), conforme
exemplo mostrado na Figura 5-2. Deve ser observado que, do mesmo modo que a proteção
50R, para os transformadores com conexão delta-estrela, como na Figura 5-2, a proteção
residual (51R) do lado delta também não detecta faltas no lado estrela. Cumpre ressaltar que
esta proteção não tem a função de detectar sobrecarga por não acompanhar a curva de
capabilidade térmica do transformador, podendo causar desligamentos durante condições
transitórias admissíveis de sobrecarga.

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Figura 5-2 – Característica de Operação de Unidades Temporizadas de
Sobrecorrente

5.4 PROTEÇÕES INTRÍNSECAS

São denominadas "proteções intrínsecas" os dispositivos de proteção incorporados aos


equipamentos pelo fabricante. As principais proteções intrínsecas utilizadas em
transformadores são apresentadas a seguir.

5.4.1 Relés de gás (nº 63)

O relé de gás é capaz de detectar falhas internas que não são detectadas pela proteção
diferencial ou pela proteção de sobrecorrente, como curto entre espiras ou falha de
isolamento entre as chapas do núcleo magnético, por exemplo. Tem princípio de operação
mecânico e funciona a partir do gás que é gerado no óleo isolante do tanque do
transformador durante arco elétrico interno ou aquecimento localizado. Um dos tipos mais
utilizados é conhecido como relé Buchholz e é aplicado somente nos transformadores
equipados com tanque conservador, localizando-se na tubulação que une o tanque principal
ao tanque conservador. É composto de 2 mecanismos independentes de atuação:

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 O primeiro é constituído por um flutuador (boia) que fecha um contato quando ocorre
alguma acumulação de gás no corpo do relé. Detecta aquecimentos internos e arcos
elétricos de pequena intensidade e geralmente aciona apenas alarme;

 O segundo detecta uma grande geração de gás que produz um fluxo intenso de óleo
no sentido do conservador de óleo do trafo, fechando um outro contato situado no
tubo de interligação entre o tanque conservador e o tanque principal. Detecta falhas
de maior intensidade e sempre causa o desligamento do transformador.

5.4.2 Relé de pressão (nº 20)

São dispositivos que respondem às ondas de pressão no óleo isolante, causadas pelos gases
associados aos arcos internos. São instalados no tanque principal e independem da
existência do conservador. Provocam o desligamento do transformador, quando operam.

5.4.3 Sensores de temperatura do enrolamento (nº 49) e óleo (nº 26)

Várias situações podem levar um transformador ao sobreaquecimento. Entre as mais comuns


estão falha no sistema de refrigeração, faltas externas não eliminadas em tempo hábil e,
principalmente, sobrecarga.

As proteções usualmente utilizadas são:

 Sensores de temperatura do enrolamento (nº 49) – Normalmente constituído


por um elemento térmico alimentado por uma amostra da corrente do enrolamento,
que simula a característica de capabilidade térmica do transformador (imagem
térmica). Protege o transformador principalmente contra sobrecarga Permite a
atuação em vários estágios de temperatura, executando em geral a seguinte
sequência de operações:

1. Acionamento dos diversos estágios do sistema de arrefecimento

2. Alarme em nível de advertência e urgência

3. Desligamento do transformador ou de parte da carga.

 Sensores de temperatura do óleo (nº 26) – Termômetro instalado em ponto


estratégico do tanque definido pelo fabricante, monitorando a temperatura do ponto

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mais quente do óleo isolante do transformador. Atua de maneira similar ao sensor de
temperatura do enrolamento.

5.5 FILOSOFIA DE ATUAÇÃO DAS PROTEÇÕES DE TRANSFORMADOR

De acordo com os procedimentos de rede do ONS, a seguinte filosofia de atuação é adotada


para as proteções dos transformadores de potência:

 As funções para detecção de faltas internas ao transformador, incluindo as funções da


proteção intrínseca, devem comandar a abertura e bloqueio (relé 86) de todos os
disjuntores do transformador;

 A proteção gradativa ou irrestrita deve comandar a abertura apenas do(s)


disjuntor(es) do respectivo enrolamento;

 Os níveis de advertência e de urgência das funções de sobretemperatura, integrantes


da proteção intrínseca, devem ser utilizados para indicação e alarme, sendo que os
níveis de urgência podem ser utilizados para comandar a abertura e bloqueio de todos
os disjuntores do transformador ou autotransformador, por meio de temporizadores
independentes.

5.6 RESTABELECIMENTO APÓS ATUAÇÃO DO RELÉ DE BLOQUEIO

O relé de bloqueio de fechamento (nº 86) quando atua, indica ao operador que o
restabelecimento do componente ao qual está associado (não somente transformador) não
deve ser executado antes de se realizar pelo menos uma análise sumária no sentido de se
determinar a causa da atuação da proteção do componente. No caso de transformadores é
altamente recomendável que se faça uma inspeção visual na zona de proteção da função
atuada (87, 50, 50R, etc.), cobrindo buchas, conexões, nível de óleo no tanque, etc, bem
como uma análise de amostra de óleo ou de gás acumulado no relé Buchholz para verificação
de presença de gases indicativos de falha interna (principalmente acetileno), antes do
restabelecimento.

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6 PROTEÇÃO DE REATORES EM DERIVAÇÃO
O sistema de proteção dos reatores derivação ("shunt") imersos em óleo isolante, utiliza
basicamente as mesmas funções de proteção usadas nos transformadores de potência.

A Figura 6-1 mostra o diagrama unifilar típico de um reator, com as funções de proteção em
conformidade com os requisitos mínimos definidos nos procedimentos de rede do ONS.

Figura 6-1 - Diagrama Unifilar Típico de Proteção de Reatores em Derivação

6.1 PROTEÇÃO DIFERENCIAL PERCENTUAL (87R)

A exemplo dos transformadores, a principal proteção para faltas internas aos reatores é
realizada pela função diferencial percentual (87R-Figura 6-1).

Os reatores, da mesma forma que os transformadores, estão também sujeitos a corrente de


magnetização ("inrush") quando de sua energização. Esta corrente nos reatores apresenta
algumas diferenças, sendo a principal delas a presença de componente de corrente contínua
pouco amortecida, o que pode levar os transformadores de corrente a saturação causando o
aparecimento de correntes diferenciais. A restrição por segundo harmônico é utilizada para
bloquear a proteção nesta situação.

6.2 PROTEÇÕES DE SOBRECORRENTE (50/51, 50/51N E 51G)

Estas proteções atuam como retaguarda para faltas internas ao reator. As proteções que
detectam faltas a terra (50/51N e 51G) utilizam também a lógica de restrição por segundo
harmônico para evitar desligamentos indevidos durante a energização do reator.
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6.3 PROTEÇÃO DIFERENCIAL DE TERRA RESTRITA (87N)

Como opção às proteções 50/51N e/ou 51G pode ser empregada a proteção diferencial de
terra restrita. Esta proteção consiste em um relé diferencial percentual que monitora a
diferença entre as correntes residuais do neutro e das buchas de saída do reator, conforme
mostra a Figura 6-2.

Para uma falta externa (Figura 6-2 A) as correntes circulam em sentido oposto no relé. Para
faltas internas (Figura 6-2 B) as correntes residuais se somam no relé.

Esta proteção também utiliza a lógica de restrição por segundo harmônico e é empregada
também na proteção de transformadores, nos enrolamentos ligados em estrela aterrada.

Figura 6-2 – Proteção Diferencial de Terra Restrita

6.4 PROTEÇÕES INTRÍNSECAS

As proteções intrínsecas dos reatores são as mesmas utilizadas nos transformadores e


explanadas no item 5.4

6.5 FILOSOFIA DE ATUAÇÃO DAS PROTEÇÕES DE REATORES EM DERIVAÇÃO

A seguinte filosofia de atuação é adotada para as proteções dos reatores em derivação,


conforme os procedimentos de rede do ONS:
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 No caso de reatores manobráveis por disjuntor(es) próprio(s), as proteções, incluindo
as funções de disparo das proteções intrínsecas, devem comandar a abertura e o
bloqueio do(s) disjuntor(es) do reator;

 No caso de reatores diretamente conectados a LT, as proteções, incluindo as funções


de disparo das proteções intrínsecas, devem comandar a abertura e o bloqueio do(s)
disjuntor(es) local(is) e enviar comando para a abertura dos disjuntores remotos,
bloqueio do fechamento desses disjuntores e para o bloqueio dos esquemas de
religamento automático dos disjuntores dos terminais da linha (transferência de
disparo); e

 Os níveis de advertência e urgência das funções de sobretemperatura, integrantes da


proteção intrínseca, devem ser utilizados para indicação e alarme.

46/88
7 PROTEÇÃO DE BARRAMENTO

7.1 PRINCIPAIS TIPOS DE PROTEÇÕES PARA BARRAMENTOS

Os curtos-circuitos em barramentos são geralmente associados a correntes de grande


intensidade, daí a importância de serem extintos no menor prazo possível. A proteção
diferencial (87B), como proteção restrita que é, é a mais eficaz para lograr tal objetivo. Por
outro lado, a atuação indevida desta proteção para faltas externas à zona diferencial ou a
atuação acidental, sem a ocorrência de faltas, traz sérias consequências por desligar grande
número de componentes em uma instalação.

No relé 87B todos os secundários dos TCs são ligados entre si em uma ligação diferencial.
Existem três métodos principais de medição.

 Corrente diferencial percentual – muito semelhante à mesma proteção em trafos.

Figura 7-1 – Proteção diferencial Percentual

 Diferencial de alta impedância – a conexão dos secundários dos TCs é similar ao


método de corrente diferencial amperimétrico, mas o elemento de operação do relé,
indicado como Vr no diagrama da Figura 7-2, é uma função de sobretensão (nº 59) e
apresenta alta impedância; faltas internas à zona diferencial provocam tensão elevada
na função 59, garantindo sua atuação, e faltas externas, mesmo com saturação de
TCs, provocam tensões mais baixas, insuficientes para sensibilizar a proteção.

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Figura 7-2 – Proteção Diferencial de Alta Impedância

 Comparação direcional – Neste princípio de operação compara-se a direção das


correntes obtida por meio de relés direcionais instalados nos bays da barra; se a
corrente está no sentido do barramento, permanece ativada a respectiva entrada
lógica em uma porta And com tantas entradas quanto são os bays; dessa forma, na
ausência de falta na barra, pelo menos um bay terá corrente saindo da barra e
bloqueia a porta And; quando de falta na barra todas as entradas lógicas ficarão
ativadas e a porta And libera o trip; existem proteções direcionais mais antigas que
usam contatos ao invés de circuito lógico. Uma desvantagem dessa proteção se refere
à existência de bays exclusivamente alimentadores, que não contribuem para o curto
na barra, e portanto uma função direcional nesses bays não atua para curto na barra,
sendo necessário implementar alguma lógica adicional, ver diagrama da Figura 7-3.

Figura 7-3 – Proteção Diferencial de Barra por Comparação Direcional

48/88
Um dos maiores problemas da proteção diferencial de barra é a possibilidade de saturação de
TCs devido aos elevados valores de corrente que costumam ocorrer, especialmente no caso
de faltas externas próximas à zona diferencial. O TC do circuito sob falta fica submetido ao
somatório de correntes que chegam à barra, como se observa nos diagramas da Figura 7-4
abaixo, e pode saturar. A saturação pode levar a proteção a operar indevidamente.

Figura 7-4 – Circulação de Correntes Durante Faltas

A saturação ocorre efetivamente no núcleo magnético dos TCs e se traduz na incapacidade


de reproduzir no lado secundário a corrente passante no primário, como mostra a Figura 7-5.

Figura 7-5 – Saturação de TCs

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As modernas proteções de barra com relés digitais multi-função, conseguem superar quase
que inteiramente o efeito da saturação através de lógicas especiais incorporadas aos relés.

As proteções 87B digitais (e algumas eletromecânicas mais antigas) criam internamente


imagens da configuração operativa do barramento através da informação da posição real de
disjuntores e secionadoras de forma a permitir a interrupção da menor porção do barramento
sempre que ocorra uma falta, como é ilustrado pelo diagrama simplificado abaixo da Figura
7-6 para um arranjo de barramento com duas barras e quatro secionadoras por bay. São
chamadas de proteções adaptativas.

Figura 7-6 - Barramento com Proteção Diferencial Adaptativa

7.2 APLICAÇÃO DA PROTEÇÃO 87B A VÁRIOS TIPOS DE BARRAMENTOS

São apresentados a seguir alguns tipos de barramentos mais usados no SIN.

 Arranjo barra principal e barra de transferência – É o arranjo mostrado no


diagrama da Figura 7-6 acima se a barra II operar como barra de transferência.
Empregado em instalações de nível de tensão mais baixo. Precisa de uma única
proteção diferencial.

 Arranjo duas barras e quatro secionadoras – É a configuração apresentada no


unifilar acima quando a barra II é a 2ª barra principal, não sendo utilizada como barra
de transferência. Basta uma proteção diferencial adaptativa para proteção adequada
das duas barras.

 Arranjo disjuntor e meio – Esse tipo de configuração tem dois barramentos


independentes. O nome disjuntor e meio se deve à utilização de três disjuntores para
dois bays. Deve ser prevista uma proteção 87B separada para cada uma das barras,

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de acordo com os Procedimentos de Rede. O diagrama da Figura 7-7 ilustra esse
arranjo e ressalta a existência de pontos cegos, isto é, pontos não cobertos nem pela
atuação da proteção dos bays ligados aos barramentos e nem pelos 87B devido aos
pontos de localização dos TCs. È baixa a probabilidade de ocorrerem faltas nesses
pontos. A solução mais adotada para esse problema é ajustar as proteções de
retaguarda remota para cobrirem os pontos cegos com temporização entre 0,4 e
0,6 s.

Pontos Cegos
Barra A Barra B

87 A 87 B

PL2
PL1
L1 L2

Figura 7-7 – Barramento Disjuntor e Meio

 Arranjo dois disjuntores – Nesse arranjo são necessários dois disjuntores para
cada bay, ele só é previsto para instalações onde se requer grande confiabilidade. A
proteção 87B é aplicada da mesma forma que na configuração disjuntor e meio, com
um relé por barra.

Figura 7-8 – Barramento Dois Disjuntores por Bay


51/88
 Arranjo de barra em anel – A proteção 87B não se aplica a essa configuração.
Todos os trechos de barra ficam protegidos pelas próprias proteções dos bays, como
se nota na Figura 7-9 – Barramento em Anel.

Figura 7-9 – Barramento em Anel

52/88
8 PROTEÇÃO DE GERADORES

8.1 INTRODUÇÃO

O gerador síncrono é, de todos os componentes de um sistema elétrico de potência, o mais


exigente em termos de proteção. Esta exigência decorre, principalmente, dos seguintes
fatores:

 A importância deste componente para o sistema elétrico;

 Complexidade construtiva dos geradores, com partes em movimento mecânico;

 A suscetibilidade dos geradores síncronos a uma variada gama de condições anormais


de operação.

Além de curtos-circuitos nos enrolamentos do estator e no enrolamento de campo, a unidade


geradora está sujeito a várias outras condições anormais de operação, tais como: perda de
sincronismo, desequilíbrio de corrente, sobrexcitação, perda de excitação, etc.

De modo geral, os geradores de médio e grande porte são conectados de forma unitária
(gerador/transformador elevador), sendo o neutro do gerador aterrado através de alta
impedância. A forma mais comum de aterramento através de alta impedância utiliza um
resistor no secundário de um transformador de distribuição.

A Figura 8-1 mostra, a título de ilustração, o diagrama unifilar típico de uma unidade
geradora, o que dá uma idéia da gama de funções de proteção requeridas. A identificação
dessas funções é mostrada na Tabela 3-1 – . Nas seções a seguir, as principais funções
utilizadas na proteção de unidades geradoras são analisadas com um maior grau de
detalhamento.

53/88
Figura 8-1 - Unifilar Típico de Unidade Geradora e Proteções Associadas

Tabela 8-1 – Identificação das Funções Mostradas na Figura 8.1

Função Descrição

21 Proteção de distância. Retaguarda para faltas entre fases.

24 Proteção Volts/hertz para sobrexcitação

32 Proteção para potência inversa (motorização)

54/88
Função Descrição

40 Perda de excitação

46 Proteção para correntes de seqüência negativa

50 Unidade de sobrecorrente não direcional instantânea

50BF e Sensor de corrente de fase e de terra, respectivamente, para o esquema de


BFN falha de disjuntor

51GN Proteção temporizada de sobrecorrente de terra para faltas no estator

Proteção temporizada de sobrecorrente de terra. Retaguarda para faltas no


51TN
sistema

Unidade de sobrecorrente temporizada com restrição ou controlada por tensão.


51V
Retaguarda para faltas entre fases

59 Proteção para sobretensão

59GN Unidade de sobretensão. Proteção para faltas à terra.

60 Unidade de desequilíbrio de tensão. Detecção de queima de fusível de TP

64F Proteção para falta à terra no rotor

81 O/U Proteção para sobre e / ou subfrequência

Proteção diferencial do gerador, do trafo elevador e da unidade ("overall"),


87G/T/U
respectivamente

8.2 PROTEÇÃO PARA FALHAS NO ESTATOR

8.2.1 Considerações gerais

Faltas internas ao estator são, de modo geral, consideradas como uma situação bastante
severa, podendo causar significativos danos aos enrolamentos e ao núcleo. O quadro é
agravado pelo fato de que a corrente de falta não cessa imediatamente após a
desinterligação do gerador e a abertura de seu campo. Isto acontece devido à energia
armazenada no campo. A extensão do dano dependerá da magnitude e duração da corrente
de falta. Deste modo, proteção de alta velocidade é requerida.

O modo mais provável de falta é monofásica. O uso de impedância de aterramento limita a


corrente de curto-circuito a terra e o dano ao estator. Uma falta a terra envolvendo o núcleo

55/88
do estator resulta em queima do ferro no ponto de defeito e nos pontos de solda das
laminações.

Faltas entre fases são menos comuns. Elas podem ocorrer na parte final da bobina do estator
ou em máquinas com duas bobinas na mesma ranhura.

8.2.2 Proteção do estator para faltas entre fases

O tipo de proteção mais utilizada é a proteção diferencial percentual, já apresentada no item


3. A Figura 8-1 mostra 3 proteções diferenciais aplicadas ao conjunto gerador/trafo elevador:

 Proteção diferencial específica do gerador (87G), cujo diagrama trifilar básico é


mostrado na Figura 8-2 – Proteção 87G;

 Proteção diferencial específica do transformador elevador (87T), mostrada na seção 5.

 Proteção diferencial do conjunto gerador/trafo elevador (87U), também chamada de


proteção diferencial total, que atua como proteção suplementar às outras duas.

As faltas entre fases no estator são detectadas por ambas as proteções 87G e 87U.

56/88
Idiff – corrente diferencial

IBias – corrente de restrição

K2 – Slope

IS2 – corrente mínima de operação

Figura 8-2 – Proteção 87G

8.2.3 Proteção do estator para faltas envolvendo terra

Sistemas de proteção projetados para detecção de faltas entre fases no estator, de um modo
geral, não são plenamente adequados para proteção contra faltas fase-terra. O grau de
proteção para faltas fase-terra está diretamente relacionado ao método de aterramento do
neutro do gerador. Deve ser também levado em consideração que a magnitude da corrente
de falta fase-terra no estator decresce, quase que de forma linear, à medida que o ponto de
falta se desloca dos terminais para o neutro do gerador. Para uma falta próxima ao neutro de
um gerador conectado em estrela, a corrente é muito baixa, independente do método de
aterramento empregado.

Devido ao alto valor da corrente de falta para terra resultante, o aterramento direto do
neutro de geradores raramente é utilizado. Por outro lado, a operação com neutro isolado
resulta em corrente de falta fase-terra de valor desprezível, mas pode levar à sobretensões
muito elevadas nas fases sãs. Deste modo, quase que invariavelmente, o estator das
máquinas de médio porte e acima é aterrado de modo a reduzir a corrente resultante de
faltas fase-terra, bem como a sobretensão nas fases sãs.

57/88
O aterramento através de alta impedância é o mais empregado, principalmente em se
tratando de gerador de médio porte e acima. Normalmente utiliza-se um resistor diretamente
no neutro ou no secundário de um transformador de distribuição, Figura 8-3.

Figura 8-3 – Aterramento do Neutro de Geradores

Apesar de sua pequena intensidade, uma falta à terra na região do estator em um gerador
aterrado por alta impedância, pode causar danos localizados no núcleo.

Durante uma falta para terra nos terminais do gerador a tensão no primário do trafo de
aterramento (ou no resistor, no caso de aterramento direto) é praticamente igual à tensão
fase-terra nominal do gerador. Esta tensão diminui proporcionalmente à medida que o ponto
de falta se move em direção ao neutro.

A proteção mais comum para faltas fase-terra no estator é composta por um relé de
sobretensão no secundário do trafo de aterramento (59GN), conforme mostrado na fig. 8-3.
O relé deve ser sintonizado em 60 Hz, de forma a não ser sensibilizado pela tensão de 3º
harmônico (180 Hz), sempre presente no neutro do gerador em condições normais. Devido à
margem de segurança de cerca de 5%, adotada para evitar atuações indevidas, esta
proteção normalmente protege aproximadamente 95% do enrolamento. Alternativamente
pode ser utilizado também um relé de sobrecorrente (51GN), conectado através de TC ao
secundário ou ao neutro do transformador de aterramento, conforme mostra a Figura 8-1.
58/88
A necessidade de detecção de uma falta à terra, próxima do ponto neutro de gerador
aterrado através de alta resistência, e o seu consequente desligamento, não é função do
valor da corrente de falta, que é baixo e, geralmente, não causa dano imediato. A
importância desta proteção decorre do fato de que a ocorrência de uma 2ª falta à terra
apresenta um grande potencial de risco de severos danos, já que a corrente de falta não
mais será limitada pela resistência de aterramento e, dependendo do ponto em que as faltas
se estabelecerem, nenhuma das demais proteções da unidade será capaz de detectar ou
atuar em tempo adequado para o defeito. A Figura 8.4 apresenta um esquema utilizado para
cobertura da parte final do estator (próxima ao neutro). Este esquema utiliza-se do fato de
que, para uma falta próxima ao neutro a tensão de 3º harmônico diminui sensivelmente,
causando a operação do relé de subtensão (27) conectado ao secundário do transformador
de aterramento e sintonizado em 180 Hz. À medida que o ponto de falta se move na direção
dos terminais de saída, a partir de um certo ponto, a tensão de 3º harmônico tende a
aumentar ao invés de diminuir. Passa então a prevalecer a proteção convencional (59GN). A
atuação da proteção 27 é supervisionada por um relé de sobretensão (59C), que inibe a sua
atuação quando da partida ou parada da máquina.

Figura 8-4 – Esquema de Proteção de100 % do Estator para Faltas à Terra

59/88
8.3 PROTEÇÃO PARA CORRENTES DESEQUILIBRADAS (FUNÇÃO 46)

8.3.1 Considerações gerais

Correntes desequilibradas causam circulação de componente de desequilíbrio no estator


(componente de sequência negativa). Esta componente induz no rotor corrente de frequência
dupla (120 Hz) que causa o rápido aquecimento do ferro do rotor, além de vibração.

Várias situações podem levar à circulação de correntes desequilibradas. As mais comuns são:

 Assimetrias no sistema, como linhas não transpostas, por exemplo;

 Cargas desequilibradas;

 Abertura de uma fase ou fechamento/abertura defeituoso de um ou mais pólos de


disjuntor;

 Faltas desequilibradas no sistema.

Para os principais tipos de geradores em uso no Brasil os valores suportáveis de componente


de desequilíbrio em regime contínuo, em relação à corrente nominal, são:

 Máquina de pólo saliente

o Com enrolamento amortecedor: 10%

o Sem enrolamento amortecedor: 5%

 Máquina de pólo liso

o Refrigeração convencional: 10%

o Refrigeração direta (até 960 MVA): 8%

A capacidade de curta duração é determinada pela expressão

K = Id2t
Onde
Id é a componente de desequilíbrio em pu da nominal do gerador,
t é o tempo em segundos e
K é uma constante definida por norma em função do tipo de máquina:

60/88
Gerador de pólo saliente: K = 40
Compensador síncrono: K = 30
Gerador de pólo liso com refrigeração convencional (indireta): K = 20
Gerador de pólo liso com refrigeração direta até 800 MVA: K = 10

8.3.2 Proteção utilizada

Deve ser observado que em muitas situações a componente de desequilíbrio é de valor


relativamente baixo, mesmo assim danosa para a máquina. Deste modo, é prática comum
prover os geradores de proteção específica para correntes desequilibradas.

A proteção universalmente empregada é composta por uma unidade de sobrecorrente que


responde à componente de desequilíbrio (ANSI 46). Esta proteção pode utilizar uma elevada
gama de curvas característica, sendo a mais comum a que segue a característica de curta
duração dos geradores (K = Id2t).

Figura 8-5 – Proteção para Correntes Desequilibradas

8.4 PROTEÇÃO PARA PERDA DE EXCITAÇÃO (FUNÇÃO 40)

8.4.1 Perda de excitação em geradores

A perda de excitação em geradores síncronos, ou perda de campo como costuma ser


também denominada esta anormalidade, pode ocorrer em virtude de várias causas, como
por exemplo:

 Curto-circuito no enrolamento de campo;

 Abertura acidental do disjuntor de campo;

 Mau contato nas escovas;

61/88
 Defeito no sistema de excitação.

Quando um gerador síncrono perde a excitação, tende a operar como um gerador de


indução. Nesta condição, para suprir a falta de excitação, absorve potência reativa (MVAr) do
sistema. Este dreno de reativo imposto pela máquina ao sistema é, sem dúvida, a principal
característica da perda de excitação, podendo atingir valores elevados, na faixa de 2 a 4
vezes a potência aparente nominal da máquina.

Sob o ponto de vista do gerador, a operação na condição de perda de excitação pode vir a
causar sérios danos, devido a:

 Sobreaquecimento dos enrolamentos do estator, causado pelo alto valor de corrente


produzido pela absorção de potência reativa, associada ao baixo valor da tensão
terminal da máquina;

 Elevado aquecimento do corpo do rotor e anéis de retenção, devido às correntes


induzidas pelo estator;

 Elevado aquecimento das extremidades do núcleo do estator, causado pelo aumento


do enlace de fluxo devido à condição de baixa excitação, podendo rapidamente
ultrapassar ao limite estabelecido pelo fabricante e incorporado à curva de
capabilidade da máquina.

Quanto ao sistema elétrico de potência, o grande dreno de reativo imposto pela máquina
operando sem excitação, pode ter como consequências:

 Colapso de tensão e instabilidade;

 Sobrexcitação das máquinas vizinhas, para suprir a demanda de reativo requerida


pelo gerador sob condição de perda de excitação.

A Figura 8-6 mostra o resultado de uma simulação de perda de excitação em um gerador


real:

62/88
Figura 8-6 – Simulação de Perda de Excitação

No caso simulado, a máquina já se encontrava operando subexcitada quando da perda do


campo, passando então a aumentar significativamente esta absorção. Caso a máquina
estivesse inicialmente operando sobreexcitada, o fornecimento de reativo para o sistema iria
diminuir progressivamente, passando a máquina a absorver reativo em um determinado
instante.

O dreno de reativo, por sua vez, força uma significativa diminuição da tensão terminal da
máquina. O comportamento do gerador se aproxima do comportamento de um gerador de
indução. Esta situação perdura até que o ângulo do rotor atinge o valor limite de estabilidade
e o gerador perde o sincronismo com o restante do sistema. Neste instante, ocorre uma
diminuição brusca da potência ativa fornecida pelo gerador que, juntamente com a potência
reativa e a tensão terminal, se tornam oscilantes, em torno de um valor médio, a uma
frequência dupla do escorregamento. Este ponto é claramente identificado na figura 8.6,
ocorrendo, para o caso simulado, cerca de 4,5 segundos após a perda da excitação. A
máquina passa então a operar de modo assíncrono, fornecendo uma potência ativa reduzida,
absorvendo um valor alto de potência reativa e operando com a tensão terminal
significativamente reduzida.

63/88
No caso em análise, os valores médios são:

 Potência ativa (P) = 0,5 pu

 Potência reativa (Q) = - 1,8 pu

 Tensão terminal (V) = 0,75 pu

Para estes valores a corrente no estator é da ordem de 2,5 pu, o que certamente poderia
provocar o sobreaquecimento dos enrolamentos.

8.4.2 Proteção utilizada

Baseado na variação característica da potência ativa, potência reativa e tensão terminal do


gerador operando sem excitação, C. R. Mason propôs a aplicação de um relé de distância
monofásico, de característica de admitância deslocada ("offset mho") monitorando a
impedância aparente de sequência positiva do gerador, vista de seus terminais (relé 40, fig.
8-1). Pode ser demonstrado que a impedância aparente, vista dos terminais do gerador
imediatamente antes da perda de sincronismo, atinge valores que variam de
aproximadamente -X'd (reatância transitória de eixo direto) a aproximadamente -Xd
(reatância síncrona de eixo direto). A Figura 8-7 apresenta a característica de um relé de
perda de excitação, conforme proposto, juntamente com a impedância aparente relativa ao
caso mostrado na Figura 8.5. Verifica-se que o relé detecta com facilidade a condição
simulada.

64/88
Figura 8-7 – Característica Típica de Relé de Perda de Excitação

8.5 PROTEÇÃO PARA SOBREXCITAÇÃO E SOBRETENSÃO

8.5.1 Considerações gerais

Geradores e transformadores não podem ser submetidos à condição de sobrexcitação, a não


ser por um curto período de tempo. Se o núcleo de um gerador ou transformador for
excitado acima de um determinado grau de saturação, parte do fluxo magnético percorrerá
um caminho não projetado para conduzi-lo (tanque, partes estruturais, etc.). Peças metálicas
não laminadas podem vir a ser aquecidas ao rubro e levadas ao ponto de fusão, com danos
irreparáveis.

O fluxo magnético em um gerador ou transformador pode ser expresso por

= k E / f
Onde
65/88
fluxo magnético,
E = tensão terminal,
f = freqüência e
k=constante

A expressão estabelece então uma relação direta de proporcionalidade do fluxo magnético


com a tensão e uma relação inversa com a frequência. Deste modo a sobrexcitação de um
gerador ou de transformador elevador de unidade geradora ocorre sempre que a relação
entre a tensão e a freqüência, expressa em Volts/Hertz, aplicada a seu terminal, atinja a
determinado limite estabelecido em norma ou pelo projeto.

De acordo com as normas ANSI/IEEE C50.13-1989, C50.12-1982 e C57.12-1987, os


seguintes limites da relação V/Hz são definidos:

 Geradores - 1,05 p.u. (base do gerador)

 Transformadores - 1,05 p.u. (base do trafo) à potência nominal e fp≥0,8

- 1,10 p.u. (base do trafo) à vazio

As normas também definem curvas de suportabilidade à sobrexcitação para geradores e


transformadores.

Causas mais comuns para a sobrexcitação:

 Operação da máquina em frequência reduzida durante o processo de partida da


unidade, em controle manual;

 Durante rejeições de carga, que deixam linhas de transmissão conectadas a geradores


em vazio.

 Falha do regulador de tensão quando a máquina está na condição isolada (em vazio).

8.5.2 Proteções utilizadas

Independente da existência ou não de um limitador V/Hz no sistema de excitação, é prática


comum se prover a unidade geradora de uma proteção para sobrexcitação, para o caso do
sistema de excitação ser colocado fora de serviço.

66/88
A proteção mais utilizada consta de um relé que responde à relação V/Hz (função 24 – Figura
8-1). Várias formas deste tipo de proteção são utilizadas, sendo que a mais comum é
composta por uma ou duas unidades V/Hz que operam com tempo definido, Figura 8-8.

Figura 8-8 – Característica Operacional de Relé para Sobrexcitação

Um outro tipo de proteção utilizado é baseado na proporção de 5º harmônico presente na


onda de corrente. Em condições normais a proporção de 5º harmônico presente, em relação
à fundamental é muito pequeno, mesmo durante a energização ("inrush"). Quando da
ocorrência de sobrexcitação, o nível de 5º harmônico aumenta significativamente. Este fato é
utilizado na proteção contra sobrexcitação (esta lógica é, geralmente, incorporada as funções
diferenciais e de sobrecorrente atuais).

A proteção V/Hz não é adequada para detectar certas condições de sobretensão,


potencialmente perigosas. Se a tensão aumenta proporcionalmente com a frequência, como
é o caso durante perda de carga, a proteção baseada em V/Hz não será capaz de atuar.
Deste modo é usual se utilizar proteção específica para sobretensão (função 59 – Figura 8-
1).

8.6 PROTEÇÃO DE RETAGUARDA

8.6.1 Proteção de retaguarda para faltas entre fases

Dois tipos de proteção são normalmente empregados:

 Proteção de distância (função 21)

67/88
 Proteção de sobrecorrente temporizada, controlada ou com restrição por tensão (51V)

No caso de proteção de distância é utilizado um relé monofásico de admitância ("mho"), com


ou sem deslocamento ("offset"). O alcance ajustado deve garantir suficiente sensibilidade
para faltas externas.

Devido ao relativamente alto tempo de atuação, por se tratar de proteção de retaguarda


para faltas no sistema, a proteção de sobrecorrente temporizada convencional (51)
raramente é aplicada para esta função. Neste tempo (tipicamente entre 0,7 a 1,2 segundos)
a contribuição do gerador para a falta já é regida por uma impedância de valor próximo ou
igual ao de sua reatância síncrona de eixo direto (Xd), resultando em uma corrente próxima
da corrente nominal à plena carga, como mostra a Figura 8-9.

Figura 8-9 – Característica da Corrente de Curto-Circuito em Geradores Síncronos

Para contornar este problema as proteções de sobrecorrente de fase, utilizadas para esta
finalidade, são controladas ou têm restrição por tensão.

Na proteção controlada por tensão, o trip é supervisionado por uma unidade de subtensão,
que não permite o desligamento se a tensão estiver acima de um determinado valor. Deste
modo, o pickup pode ser ajustado em um valor de 30 a 40% da corrente nominal do
gerador, sem risco de desligamento indevido.

Na proteção com restrição por tensão o valor do pickup é variável, em função da tensão. A
característica típica de operação para esta proteção é mostrada na Figura 8-10.

68/88
Figura 8-10 – Curva de Relé de Sobrecorrente com Restrição por Tensão

8.6.2 Proteção de retaguarda para faltas à terra no sistema

A proteção comumente utilizada para esta função consta de uma unidade de sobrecorrente
não direcional temporizada, conectada ao neutro do transformador elevador, monitorando a
corrente residual (51TN, na Figura 8-1).

8.7 PROTEÇÃO PARA SOBREFREQUÊNCIA E SUBFREQUÊNCIA

Sobrefrequência e subfrequência ocorrem em um sistema elétrico de potência em resposta a


um desequilíbrio carga - geração. A condição mais danosa é a condição de subfrequência, já
que as ações corretivas são geralmente de nível sistêmico (corte automático de carga, por
exemplo) e estão fora do alcance do operador da instalação. A sobrefrequência geralmente é
resolvida através de comando corretivo automático ou manual (local ou remoto).

De modo geral o equipamento mais restritivo é a turbina, em particular as térmicas, devido à


possibilidade de ressonância, com o consequente dano por fadigamento das lâminas. As
turbinas hidráulicas são bem menos suscetíveis a problemas devido a desvios de freqüência
e, normalmente, não possuem proteção específica para esta anormalidade.

A proteção normalmente utilizada consta de várias unidades de sobre e subfrequência, cada


uma monitorando uma faixa de frequência, com temporização independente (ANSI 81 O/U).

69/88
Os requisitos estabelecidos no Submódulo 3.6 dos Procedimentos de Rede (Requisitos
Técnicos Mínimos para a Conexão às Instalações de Transmissão) são mostrados no quadro a
seguir:

Tabela 8-2 – Faixas de Atuação das Proteções de Sub e Sobrefrequência

Descrição Requisito técnico mínimo Benefício

1. Operação em regime de a) A unidade geradora hidroelétrica Minimizar o desligamento do


frequência não nominal deve atender os requisitos gerador por subfrequência e
para unidades geradoras estabelecidos nas normas técnicas sobrefrequência quando o
hidroelétricas vigentes e os ajustes de suas sistema pode se recuperar
proteções de sub e sobrefrequência sem o desligamento dele.
devem ser submetidos à aprovação
do ONS.

2. Operação em regime de a) Operação entre 57 e 63 Hz sem Evitar o desligamento do


frequência não nominal atuação dos relés de subfrequência gerador quando de déficit de
para unidades geradoras e sobrefrequência instantâneos. geração, antes que o
termoelétricas esquema de alívio de carga
b) Operação abaixo de 57,5 Hz por até
atue completamente ou em
5 segundos.
condições de sobrefrequência
c) Operação abaixo de 58,5 Hz por até controláveis
10 segundos;
d) Operação entre 58,5 e 61,5 Hz sem
atuação dos relés de subfrequência
e sobrefrequência temporizados.
e) (e) Operação acima de 61,5 Hz por
até 10 segundos (1).
(1) A temporização da proteção de desligamento por sobrefrequência é definida com base em
avaliação do desempenho dinâmico, para garantir a segurança operativa do SIN.

8.8 OUTRAS PROTEÇÕES

8.8.1 Proteção para potência inversa ou anti-motorização

A motorização de um gerador ocorre quando a energia mecânica para turbina é cortada,


estando o gerador conectado ao sistema, passando o gerador então a atuar como um motor
síncrono, tendo a turbina como carga. Esta condição, embora sem grandes problemas para o
gerador, pode ser danosa para a turbina.

Para turbinas a vapor, o corte súbito do fluxo de vapor causa aquecimento da turbina, já que
o fluxo de vapor, além de fornecer a energia para movimentar a turbina, também é
responsável por manter a turbina a uma temperatura adequada. No caso de turbinas
hidráulicas, a motorização pode causar cavitação nas pás da turbina. Em turbinas a gás, a

70/88
motorização impõe uma carga significativa ao sistema elétrico, além de trazer problemas
para as partes mecânicas de transmissão de força. No caso de turbinas diesel, o problema é
a explosão do combustível não queimado.

A proteção mais usual é composta de uma unidade direcional de potência (função 32), que
detecta o fluxo de potência ativa do sistema para o gerador.

A potência mínima requerida para motorização e o tempo permitido nesta condição são
função do tipo de turbina e devem ser fornecidos pelo fabricante da mesma, para permitir o
adequado ajuste da proteção.

8.8.2 Proteção para faltas à terra no rotor

O enrolamento de campo de um gerador síncrono é isolado da terra. Desta forma, uma única
falta à terra não afeta a operação do gerador. No entanto, se outro ponto do enrolamento
perder seu isolamento para a terra, uma parte do campo será curto-circuitada, gerando
vibração e subexcitação. Deve ser ressaltado também que, após uma primeira falta à terra, a
probabilidade da ocorrência de uma segunda falta aumente consideravelmente.

Uma proteção usual para sistemas de excitação dotados de escovas é a detecção através de
um divisor de tensão, similar ao utilizado nos sistemas de baterias das instalações. Vários
outros métodos podem ser utilizados, inclusive para sistemas de excitação sem escovas
("brushless").

8.8.3 Proteção para queima de fusível do secundário de TP

Muitas funções importantes de controle, além de várias funções de proteção, são


dependentes da alimentação de potencial para uma correta atuação. É bastante comum se
dotar as unidades geradoras de dispositivo de proteção para detecção de falta de potencial.

Um destes dispositivos é o relé de desequilíbrio de potencial (função 60), que é conectado


entre os secundários da mesma fase dos dois TPs normalmente utilizados em unidades
geradoras, Figura 8-1. Em condições normais a tensão no relé é nula. Na falta de uma das
fases, o relé opera.

Esta proteção usualmente bloqueia a atuação das funções de proteção que dependem da
tensão e transfere o regulador de tensão para manual.

71/88
8.9 FILOSOFIA DE DESLIGAMENTO DE UNIDADES GERADORAS

Os desligamentos decorrentes da atuação do sistema de proteção das unidades geradoras


são função do tipo de anormalidade detectada pela proteção atuada.

Os tipos de desligamentos básicos recomendados são:

 Parada Total – Nesta modalidade a unidade é desinterligada do sistema elétrico, e o


disjuntor de campo do gerador e a turbina são desligados. Os freios são então
aplicados e a unidade para completamente.

 Giro Mecânico – A unidade é desinterligada e o gerador é desexcitado pela abertura


do disjuntor de campo, permanecendo girando à velocidade nominal, pronta para ser
excitada e novamente sincronizada.

 Marcha a Vazio (“speed no load”) – A unidade é apenas desinterligada do sistema,


permanecendo girando a vazio, pronta para ser novamente sincronizada.

Em qualquer das modalidades a unidade pode ser desinterligada com ou sem rejeição de
carga.

A Tabela 8-3 apresenta, em caráter apenas orientativo, a lógica de desligamento típica para
uma unidade geradora no arranjo mostrado na Figura 8-1, englobando também alguns
alarmes.

Tabela 8-3 – Lógica de Desligamento de Geradores

Parada Marcha a Giro


Função Alarme Notas
Total Vazio Mecânico
21 X
24 X
32 X Nota 1
40 X
46 X
51TN X
51GN X
51V X
59 X Nota 2
59GN X
72/88
Parada Marcha a Giro
Função Alarme Notas
Total Vazio Mecânico
60 X Nota 3
64F X Nota 4
81 X Nota 5
87G,T e U X
Nota 1: Pode ser conectada apenas para alarme em unidades hidráulicas, a
critério do fabricante da turbina.
Nota 2: Conectadas apenas para alarme em unidades térmica a vapor.
Nota 3: Bloqueia proteções que dependem de tensão e transferem o regulador
de tensão para manual
Nota 4: Algumas empresas conectam para alarme, com instruções para o
operador parar a máquina após preparar o sistema.
Nota 5: Deve atender aos requisitos da tabela 8-2.

73/88
9 PROTEÇÃO DE BANCOS DE CAPACITORES DERIVAÇÃO
Os bancos de capacitores são formados por conjuntos de unidades capacitivas (latas)
convenientemente arranjadas para fornecer da forma mais econômica possível a potência
reativa requerida. As unidades capacitivas são encontradas nas tensões nominais de 240 V a
24.940 V e com potências nominais entre 2,5 kVAr a 1.000 kVAr. Cada unidade é composta
internamente por um certo número de capacitores individuais ou elementos capacitivos
ligados em série e paralelo. As latas são montadas em estruturas de aço denominadas racks.
Os racks podem ser isolados ou aterrados diretamente. A Figura 9-1 mostra uma unidade
capacitiva com 2 buchas. Há unidades capacitivas em que o segundo terminal é a própria
lata de contenção.

9.1 PROTEÇÃO DAS UNIDADES CAPACITIVAS

Por norma, a unidade capacitiva deve suportar até 110 % da tensão nominal e 135 % da
corrente nominal continuamente. Entretanto, a vida útil dos capacitores é muito afetada pela
tensão de operação. Um capacitor operando continuamente a 110 % da tensão nominal tem
sua vida útil reduzida a cerca de 40 % da vida útil nominal.

Uma preocupação com capacitores é o risco de explosão da lata por razões de segurança das
equipes de manutenção e de propagação do dano a outras latas.

A unidade capacitiva tem sua própria proteção, provida através de fusíveis internos ou
externos à lata. Posteriormente, foi criada a unidade capacitiva sem proteção própria, em
decorrência do desenvolvimento de materiais isolantes de melhor qualidade dielétrica, como
o filme de polipropileno. Esse tipo de lata apresenta uma probabilidade muito menor de
explosão. Atualmente o mercado oferece os três tipos de capacitores, sem proteção própria,
com fusíveis externos e com fusíveis internos.

9.1.1 Fusível externo

O fusível externo visa proteger a unidade capacitiva contra curtos-circuitos internos mais
intensos ou sobrecarga causada por queima consecutiva de elementos capacitivos. Uma
vantagem do uso de fusível externo é a maior facilidade de identificação visual da lata
defeituosa, simplificando sua troca. O rompimento do elo fusível indica que a unidade deve
ser substituída.

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9.1.2 Fusível interno

Em muitas aplicações há preferência por latas com fusíveis internos por motivos econômicos.
Uma das justificativas é a utilização de unidades capacitivas de maior kVAr. Cada capacitor
individual dentro da unidade capacitiva tem seu elemento fusível. Quando um capacitor
individual se danifica, o seu respectivo fusível interno rompe e a unidade ainda pode
continuar operando, apesar de que alguns elementos capacitivos da lata ficarão sujeitos a
pequena elevação da tensão com consequente redução da vida útil.

Outra vantagem das unidades capacitivas com fusível interno é a menor possibilidade de
explosão da lata porque cada elemento danificado tem seu fusível rompido e assim fica
isolado dos elementos ativos.

Figura 9-1 – Unidade Capacitiva com Duas Buchas

9.2 TIPOS DE ARRANJOS DOS BANCOS DE CAPACITORES

Os bancos de capacitores são constituídos por uma associação série/paralelo das unidades
capacitivas. Um grupo-série é um conjunto de unidades capacitivas ligadas em paralelo.
Cada fase do banco é formada por uma sequência de grupos-série, como se vê no diagrama
abaixo para um banco em estrela aterrada. É feito um estudo técnico-econômico para definir
a potência, tensão, especificação das unidades capacitivas e configuração do banco

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Figura 9-2 – Arranjo de Banco de Capacitor Derivação

Em geral os bancos que utilizam unidades capacitivas com fusíveis internos são projetados
com menos unidades capacitivas em paralelo e mais grupos em série do que os bancos que
empregam unidades capacitivas com fusíveis externos. Os arranjos mais comuns são:

9.2.1 Ligação em estrela com neutro aterrado

Pode ser estrela simples, Figura 9-3, ou estrela dupla, Figura 9-4. Suas principais
características são:

 Devido à baixa impedância para altas frequências fornecem proteção inerente para
descargas atmosféricas e surtos de manobra;

 Podem ser utilizados como filtros de harmônicos, devido à baixa impedância para
altas frequências.

 Reduzem as tensões de restabelecimento transitório de disjuntores.

 Aumentam interferência em circuitos telefônicos devido à circulação de harmônicos.

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Figura 9-3 – Estrela Simples Figura 9-4 – Estrela Dupla Aterrado
Aterrado

9.2.2 Ligação em estrela com neutro não aterrado

Igualmente, são projetados em estrela simples e dupla estrela. Principais características:

 Risco de sobretensões na manobra do banco podendo encarecer o disjuntor ou


secionador;

 Não provocam interferências em circuitos de comunicação;

 O neutro da estrela deve ter isolamento para tensão de fase (dispendioso).

Figura 9-5 – Estrela Simples Não Figura 9-6 – Estrela Dupla Não Aterrado
Aterrado

9.3 PROTEÇÃO DE BANCOS DE CAPACITORES

Há dois tipos de proteção em um banco de capacitores além das proteções das latas por elos
fusíveis internos e externos. O primeiro visa proteger o banco para desbalanços nas fases

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provocados por perda de unidades capacitivas que resultam em sobretensões em unidades
capacitivas sãs e reduzem sua vida útil. O ideal é que os bancos que utilizam unidades
capacitivas com fusíveis externos sejam desligados até a troca da unidade defeituosa. Isso
nem sempre é possível porque a presença do banco no sistema pode ser imprescindível e,
além disso, em bancos grandes, a proteção nem sempre consegue identificar a perda de um
ou dois capacitores, sendo necessária a inspeção visual.

Banco com várias unidades capacitivas defeituosas pode sofrer falha em cascata, que é a
queima simultânea de muitas unidades com a presença de arco elétrico entre capacitores e
racks, exigindo manutenção dispendiosa.

O segundo tipo de proteção é de caráter mais geral, protegendo o banco para sobretensões e
falhas com curtos-circuitos em sua estrutura, incluindo falhas com arco elétrico nos racks.

O diagrama da Figura 9-7 a seguir apresenta as proteções mínimas que devem ser previstas
nos bancos para capacitores com elos fusíveis internos ou externos, conforme os
procedimentos de rede. Bancos de 345 kV e acima devem ter proteções de sobrecorrente
duplicadas.

Figura 9-7 - Proteção de Bancos de Capacitores

9.3.1 Proteção de sobrecorrente de fase e de neutro

São as funções de sobrecorrente instantânea e temporizada de fase (50 e 51) e de neutro


(50N e 51N), devem proteger o banco para todos os tipos de faltas no circuito entre o
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barramento e o banco de capacitores propriamente dito, incluindo defeitos oriundos do
estabelecimento de arco elétrico envolvendo as estruturas que suportam as latas (racks).

9.3.2 Proteção de sobretensão

Protege o banco contra sobretensões (função 59), ajuste na faixa de 110 % a 160 % da
tensão nominal em dois níveis de atuação, advertência e trip, com temporização
independente.

9.3.3 Proteção para desbalanços

Os desbalanços nos bancos são indicativos da existência de capacitores danificados. Essa


condição provoca sobretensão em capacitores ainda sãos, podendo resultar em perda de vida
útil acelerada e falhas dos mesmos. Por esses motivos é necessária a existência de
esquemas de proteção adequados para detectar desbalanços.

Bancos em estrela simples não aterrada podem usar um esquema como o mostrado a seguir.

Figura 9-8 – Proteção para Desbalanços

Em bancos em estrela dupla não aterrada pode ser usado um relé de sobrecorrente na
função balanço de corrente. Só há circulação de corrente pela interligação entre os dois
neutros do banco quando há desbalanço, que pode ser medido no secundário de um TC.
Outra solução é aplicar um TP entre os dois neutros. Só haverá tensão apreciável no TP
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quando houver desbalanço entre as duas estrelas. Uma função de sobretensão (59) pode ser
utilizada. Os dois esquemas são mostrados abaixo:

Figura 9-9 - Com Relés de Sobrecorrente


Figura 9-10 – Com Relés de Sobretensão

Os dois esquemas a seguir são para bancos arranjados em estrela simples aterrada e estrela
dupla aterrada.

Figura 9-11 - Aplicação de Função de Figura 9-12 – Aplicação de Função


Sobretensão Diferencial

No primeiro, Figura 9-11, é aplicada uma função de sobretensão (59) no secundário do TC


inserido no cabo de aterramento. A circulação de corrente para terra só ocorre quando há

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faltas à terra no banco ou para desbalanços causados por assimetrias nas unidades
capacitivas das três fases.

O segundo esquema, Figura 9-12, emprega uma função diferencial (87) ligada da seguinte
maneira. Circulação de corrente entre as duas estrelas significa desbalanço nos bancos e a
corrente circula pela função 87, causando sua operação. Circulação de corrente para terra
originada nas duas estrelas resulta em neutralização das correntes no circuito secundário dos
TCs e a função 87 não é ativada. Essa condição significa falta à terra no barramento principal
e cabe às proteções 51 operar.

9.3.4 Proteção de grandes bancos para desbalanço

Grandes bancos de capacitores em instalações de 230 kV e acima, normalmente arranjados


em estrela aterrada, costumam utilizar o esquema abaixo, com uma função de desbalanço de
tensão (60V) por fase. Dois TPs por fase alimentam a função 60V. Um dos TPs é conectado
entre determinado ponto na cadeia de grupos–série da fase e terra e o outro mede a tensão
do barramento principal. Os TPs são especificados de forma que as respectivas tensões no
lado secundário sejam iguais.

A fase estando balanceada, as tensões aplicadas à função 60V são iguais e ela não opera. Na
perda de unidades capacitivas haverá um desbalanço entre as tensões e a função 60V opera.

Esse esquema é imune a variações da tensão do sistema (tensão da barra) porque as


tensões que chegam ao relé 60V variam proporcionalmente.

Figura 9-13 - Proteção de Grandes Bancos para Desbalanço

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10 PROTEÇÃO DE BANCOS CAPACITORES SÉRIE
A compensação série é utilizada nas linhas de transmissão com a finalidade básica de
aumentar a capacidade de transporte da linha, através da compensação parcial de sua
reatância indutiva.

10.1 COMPORTAMENTO ESPERADO PARA FALTAS

A Figura 10-1 mostra o diagrama unifilar típico de um banco de capacitores série.

Figura 10-1 – Diagrama Unifilar Típico de um Banco de Capacitores Série

Para uma falta externa (ou falta de baixa intensidade) a corrente provoca um aumento da
tensão no MOV que diminui drasticamente sua resistência protegendo o banco com o desvio
da corrente de falta. Ao ser eliminada a falta, o MOV deixa de conduzir e reinsere o banco de
capacitores.

Para uma falta interna a LT, principalmente faltas próximas ao banco de capacitores, ocorre o
disparo do centelhador que passa a conduzir a corrente de falta, protegendo assim o banco e
o MOV e, ao mesmo tempo, comanda o fechamento do disjuntor baipasse.

10.2 SISTEMA DE PROTEÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DO BANCO SÉRIE

Normalmente o fabricante do banco fornece um conjunto de proteção contendo as funções


de proteção e controle necessárias ao banco. Um esquema típico é mostrado na Figura 10-2.

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Figura 10-2- Sistema de Proteção e Controle de Bancos Série.

Na figura 10-2 temos:

1. Proteção de sobrecorrente no gap – Relé temporizado de sobrecorrente (51) que


detecta a corrente no GAP, comandando o fechamento do disjuntor de baipasse em
caso de sobrecorrentes sustentadas.

2. Proteção de descarga para a plataforma – Relé de sobrecorrente que atua para


falhas de isolamento entre os equipamentos instalados na plataforma e a estrutura da
mesma. Esta proteção comanda o fechamento tripolar do disjuntor de baipasse

3. Proteção para ressonância subsíncrona – Relé de sobrecorrente temporizado,


sintonizado para detectar correntes sub-harmônica capazes de provocar torques
torcionais nos geradores, principalmente geradores de usinas térmicas. Comanda o
fechamento tripolar do disjuntor de baipasse.

4. Proteção de desbalanço – Geralmente é composta por relé de desequilíbrio de


corrente (61) e detecta o desequilíbrio causado pela queima de capacitores no banco,
conforme já mencionado na seção 9. Comanda o fechamento do disjuntor de
baipasse.

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5. Controle do disjuntor – Dispositivos de comando e controle do disjuntor de
baipasse.

6. Proteção de falha do disjuntor – Apresentado na seção a seguir.

7. Proteção de energia dissipada no MOV - Sistema de controle associado a proteção


que aciona o disparo do centelhador quando o limite de absorção de energia do MOV é
superado.

1. Plataforma, isolada de terra – Parte metálica estrutural de suporte do banco. A


comunicação entre a plataforma e os relés é efetuada por fibra ótica (coluna de
comunicação). Os sinais elétricos são convertidos em pulsos de luz na plataforma e
enviados por fibra ótica aos painéis de proteção no solo.

As unidades individuais de capacitores (latas) são protegidas por fusíveis internos ou


externos, conforme já visto na seção anterior.

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11 PROTEÇÃO PARA FALHA DE DISJUNTOR

11.1 ESQUEMA BÁSICO DE PROTEÇÃO PARA FALHA DE DISJUNTOR

O disjuntor é um elemento fundamental na cadeia de desligamento de qualquer componente.


A falha na abertura de um disjuntor pode trazer conseqüências catastróficas para o sistema
elétrico. Desse modo, todo disjuntor das instalações pertencentes à Rede Básica deve ser
dotado de proteção para falha de disjuntor.

A Figura 11-1 mostra o esquema básico utilizado para a proteção de falha de disjuntor.

Figura 11-1 – Esquema Básico de Proteção para Falha de Disjuntor

O esquema mostra uma porta E (And) com 2 entradas:

 Uma entrada que é ativada pelo comando de abertura (trip) de qualquer das
proteções associadas ao disjuntor

 Uma entrada que é ativada se o disjuntor está fechado. Esta entrada é composta por
um contato auxiliar, imagem do contato principal do disjuntor (52/a), em paralelo
(lógica Or) com um detector de corrente (50BF). Estes dois tipos de sinal são
utilizados porque nem sempre a anormalidade detectada pela proteção que comanda
a abertura é caracterizada por elevação de corrente, o que poderia não causar
atuação do detector de corrente CD (uma sobretensão, por exemplo)

Se as duas entradas da porta E forem ativadas, o relé de tempo 62BF1 começa a contar
tempo para desligamento e bloqueio. Geralmente antes do relé de disparo e bloqueio (86BF)
atuar, um novo sinal de desligamento (retrip) é enviado ao disjuntor através do temporizador
62BF2, como mostra o caminho tracejado na Figura 11-1.

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11.2 FILOSOFIA DE ATUAÇÃO

A seguinte filosofia de atuação é definida nos Procedimentos de Rede:

 O esquema deve ser acionado por todas as proteções do disjuntor protegido;

 Promover novo comando de abertura no disjuntor protegido (retrip), antes da atuação


do bloqueio;

 Comandar, para a eliminação da falha, a abertura e o bloqueio do fechamento do


número mínimo de disjuntores adjacentes ao disjuntor defeituoso, e comandar, se
necessário, a transferência de disparo para o(s) disjuntor(es) remoto(s).

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12 SISTEMAS ESPECIAIS DE PROTEÇÃO
Os Sistemas Especiais de Proteção (SEP) incluem os Esquemas de Controle de Emergências
(ECE) e os Esquemas de Controle de Segurança (ECS). São sistemas automáticos de controle
e proteção implantados nas estações de geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica. O ECS é acionado a partir de ocorrências múltiplas e atua em várias instalações
procurando evitar o agravamento do distúrbio para determinada região eletro-geográfica. O
ECE tem caráter mais local e visa minimizar as consequências dos distúrbios. Os objetivos
principais dos SEPs são:

 Permitir a utilização adequada dos sistemas de geração, transmissão e distribuição;

 Aumentar a confiabilidade da operação do Sistema Interligado Nacional;

 Evitar que perturbações possam levar o sistema a perda de estabilidade ou a colapso de tensão;

 Melhorar a segurança do sistema, evitando tanto a propagação de desligamentos em


cascata quanto de distúrbios de grande porte.

Os SEPs são concebidos por meio dos estudos de planejamento da operação elétrica e
estudos especiais. O Esquema Regional de Alívio de Carga – ERAC é um SEP específico de
corte de carga por subfrequência e/ou taxa de variação de frequência. Sempre que possível,
utilizam os próprios relés de proteção da estação na criação das lógicas. Em outros casos,
são aplicados relés especialmente para implantar os esquemas.

Os SEPs atuam executando basicamente as seguintes ações.

 Desligamento ou religamento de linhas de transmissão, geradores, transformadores,


reatores, bancos de capacitores e etc;

 Redução ou elevação de potência de geradores;

 Corte ou recomposição de cargas;

 Redução do carregamento de componentes;

 Abertura sequencial de componentes

 Conversão de gerador para operar como síncrono ou vice-versa;

 Ilhamento;
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 Outras ações.

Elaborado por:

Marco Paulo Delboni – Engenheiro eletricista - MEE

CREA-MG 11.405/D

Ricardo Lamounier França – Engenheiro eletricista

CREA-MG 9.084/D

Outubro de 2011

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