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EST057 2o Semestre 2020

EST057: Introdução a Estatı́stica, 2o semestre 2020


05 Março, 2021

Capı́tulo 10 - Teste de Hipótese Região Crı́tica A partir da amostra, temos que dertermi-
Para entender os testes de hipótese precisamos formalizar nar o que é uma região razoável e região não razoável
algumas definições para a hipótese. Essa região não razoável é chamada de
região crı́tica. Ou seja, é aquela região na qual os da-
1. hipótese: é uma afirmação feita sobre um ou mais dos amostrado estão inconsistentes a afirmação feita na
parâmetro(s) do estudo. hipótese.
2. teste de hipótese: é a tomada de decisão do anal- Tipos de Erros A tabela a seguir mostra os tipos de erro
ista, a partir dos dados observados, sobre a hipótese. que podem ser cometidos num teste de hipótese
3. Nota: Existe uma relação direta entre teste
de hipótese e intervalos de confiança. Realidade
Decisão H0 verdadeira H0 falsa
Para realizar um téste de hipótese precisamos definir: Não rejeitar H0 ok Erro Tipo II (β)
Rejeitar H0 Erro Tipo I (α) ok
• Problema: Pergunta que desejamos responder, por
exemplo, Na região em estudo, a propensão de fu- Table 1: Tipos de erro num teste de hipótese.
mar nos homens é diferente do que das mulheres
• Hipótese nula, H0 : Afirmação a qual acreditamos • Erro Tipo I: Rejeita H0 quando ela é VER-
ser verdadeira, por exemplo, a proporção de homens DADEIRA. Denotamos por α
fumantes é igual à proporção de mulheres fumantes, • Erro Tipo II: Não rejeita H0 quando ela é FALSA.
na população em estudo. (essa afirmação sempre irá Denotamos por β
incluir a igualadade na formualão matemática)
• Hipótese alternativa, Ha ou H1 : Afirmação O Erro Tipo I (α) também é chamado de nı́vel de sig-
“contrária” a feita na hipótese nula, por exemplo, nificância do teste ou tamanho do teste.
a proporção de homens fumantes é diferente da pro-
• Podemos e queremos controlar o tamanho de α, nor-
porção de mulheres fumantes, na população em es-
malmente α = 0.05 porém essa escolha é arbitrária.
tudo.
Essa escolha deve ser a proporção máxima de vezes
Observações importante • Hipóteses são afirmações que o pesquisador aceita Rejeitar H0 quando ela de
sobre a população e não afirmações sobre a amostra. fato é verdade.
• O valor do parâmetro especificado em H0 pode ser • Logo, porquê não colocar α = 0? Os Erros Tipo
especificado de três formas: I (α) e Tipo II (β) são “amarrados”, assim, ao
diminuir (aumentar) α aumenta-se (diminui-se) β.
– de experimentos passados ⇒ verificar se houve Logo é necessário um compromisso entre essas quan-
alteração. tidades.
– a partir de uma teoria ou modelo ⇒ verificar a
• Aumentando o tamanho da amostra é possı́vel
teoria ou modelo.
diminuir ambos os erros simultâneamente.
– considerações externar ⇒ verificar se o produto
obedece algumas especificações. O pesquisador controla o α quando seleciona o tamanho
do teste, pois Rejeitar H0 é uma conclusão forte (uma
Usamos a informação amostral para testar a hipótese vez que a hipótese é o que acreditamos ser a verdade).
Desejamos verificar se a informação disponı́vel na
Observação Apesar do nosso livro dizer: Aceitar H0 .
amostra é consistente ou não com a hipótese a ser
Essa afirmação é um abuso da conclusão que pode ser
validada.
obtida pelo teste. O testé em baseado em um conhec-
imento advindo de uma amostra e não de total a pop-
ulação, então o correto é Não rejeitar H0 pois
• O teste não nos permite saber se a hipótese é falsa
ou não, isso só seria possı́vel se tivéssemos acesso a • não encontramos evidências suficiente para rejeitar
toda população. H0 .
• Portanto, temos apenas a probabilidade de tomar • Porém, não significa que haja alta probabilidade de
uma conclusão errada. que H0 seja verdadeira para ser aceita.

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Valor p O valor p aponta o quão provável foi o resultado • Seja X uma variável aleatória com distribuição nor-
da amostra em relação a afirmação em H0 . Ou seja, um mal e variância σ 2 desconhecida. Queremos testar
valor p baixo indica que os dados observados não estão
em conformidade com a hipótese. H0 : µ = µ0 vs H1 : µ 6= µ0 .

• O valor p é calculado com base na distribuição de Aonde µ0 é o valor que consideramos verdadeiro
referência (quando H0 é considerada verdadeira). para µ.
Regra de decisão baseada no valor p Temos que sob H0 (considerando H0 verdadeira), a
estatı́stica de teste é da forma
• valor p ≤ α ⇒ rejeita H0 , ou seja, é muito pouco
provável que os dados observados tenham sido ger- X̄ − µ0
T0 = √ ∼ tn−1 .
ados a partir da hipótese S/ n
• valor p > α ⇒ não rejeita H0 , ou seja, a amostra Fixando o nı́vel de significância α, tomamos a
não possui evidências para se rejeitar a hipótese seguinte decisão
(não estamos afirmando que ela seja verdadeira, mas
também não temos como dizer o contrário). – se t0 ≥ tα/2,n−1 ou t0 ≤ −tα/2,n−1 ⇒ Rejeita-
mos H0 .
Procedimento geral para realizar um Teste de Hipótese – se −tα/2,n−1 < t0 < tα/2,n−1 ⇒ Não rejeitamos
H0 .
• Identifique o parâmetro de interesse a partir do onde P (T < Tα/2,n−1 ) = 1 − α/2.
problema.
Podemos calcular o valor p como: valor p = 2P (T >
• Especifique a hipótese nula H0 . |t0 |) (Dica: use a funcção pt()).
• Escolha um nı́vel de significância (tamanho do teste) • Seja X uma variável aleatória com distribuição qual-
α. quer. Queremos testar
• Determine uma estatı́stica de teste.
H0 : µ = µ0 vs H1 : µ 6= µ0 .
• Calcule o valor p e veja se é menor ou igual que α,
ou, determine a região crı́tica e veja se a estatı́stica Aonde µ0 é o valor que consideramos verdadeiro
de teste cai nessa região. para µ.
• Decida se deve rejeitar ou não H0 e conclua. Se n > 30 pelo TCL, sabemos que X̄ ≈ N (µ, S/n).
Então, sob H0 (considerando H0 verdadeira), temos
Realização de Teste de Hipóteses
que a estatı́stica de teste é da forma
• Seja X uma variável aleatória com distribuição nor-
mal e variância σ 2 conhecida. Queremos testar X̄ − µ0
Z0 = √ ≈ N (0, 1).
S/ n
H0 : µ = µ0 vs H1 : µ 6= µ0 .
Fixando o nı́vel de significância α, tomamos a
Aonde µ0 é o valor que consideramos verdadeiro seguinte decisão
para µ.
– se z0 ≥ z1−α/2 ou z0 ≤ −z1−α/2 ⇒ Rejeitamos
Sabemos que X̄ ∼ N (µ, σ 2 /n). Então, sob H0 (con-
H0 .
siderando H0 verdadeira), temos que a estatı́stica de
teste é da forma – se −z1−α/2 < z0 < z1−α/2 ⇒ Não rejeitamos
H0 .
X̄ − µ0
Z0 = √ ∼ N (0, 1). onde P (Z < Z1−α/2 ) = 1 − α/2.
σ/ n
Podemos calcular o valor p como: valor p = 2P (Z >
Fixando o nı́vel de significância α, tomamos a |z0 |) (Dica: use a table ou a funcção pnorm()).
seguinte decisão • Seja X uma variável aleatória binomial (ou seja o
– se z0 ≥ z1−α/2 ou z0 ≤ −z1−α/2 ⇒ Rejeitamos número de pessoas pertecentes a classe de interesse)
H0 . e estamos interessados em testar a proporção, ou
– se −z1−α/2 < z0 < z1−α/2 ⇒ Não rejeitamos seja, queremos testar
H0 .
H0 : p = p 0 vs H1 : p 6= p0 .
onde P (Z < Z1−α/2 ) = 1 − α/2.
Podemos calcular o valor p como: valor p = 2P (Z > Aonde p0 é o valor que consideramos verdadeiro
|z0 |) (Dica: use a table ou a funcção pnorm()). para p.

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Se X > 5 e n − X > 5 pelo TCL e sob H0 (con-


siderando H0 verdadeira), temos que a estatı́stica
de teste é da forma
X − np0 p̂ − p0
Z0 = p =q ≈ N (0, 1).
np0 (1 − p0 ) p0 (1−p0 )
n

Fixando o nı́vel de significância α, tomamos a


seguinte decisão
– se z0 ≥ z1−α/2 ou z0 ≤ −z1−α/2 ⇒ Rejeitamos
H0 .
– se −z1−α/2 < z0 < z1−α/2 ⇒ Não rejeitamos
H0 .
onde P (Z < Z1−α/2 ) = 1 − α/2.
Podemos calcular o valor p como: valor p = 2P (Z >
|z0 |) (Dica: use a table ou a funcção pnorm()).

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