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Rabeca David Muhate

O Papel dos Pais e Encarregados de Educação na Gestão Participativa da Escola: Caso da


Escola Primária do 1º e 2º Grau 24 de Julho (2013-2015).

Licenciatura em Administração e Gestão Escolar

Monografia Científica apresentada à Faculdade


de Ciências de Educação para a obtenção do grau
académico de Licenciatura em Administração e
Gestão Escolar.
O Supervisor: MSC. Alberto Marcos Halar

Universidade Pedagógica
Gaza
2016
Índice
II

Lista de Siglas e Abreviaturas................................................................................................................V


Declaração de Honra.............................................................................................................................VI
Dedicatória...........................................................................................................................................VII
Agradecimentos..................................................................................................................................VIII
Resumo..................................................................................................................................................IX
CAPÍTULO I.........................................................................................................................................10
1. Introdução......................................................................................................................................10
1.1. Delimitação do Tema.................................................................................................................11
1.2. Problematização.........................................................................................................................12
1.3. Formulação de Hipóteses...........................................................................................................13
1.4. Definição dos Objectivos...........................................................................................................14
1.4.1. Objectivo Geral.......................................................................................................................14
1.4.2. Objectivos Específicos................................................................................................................14
1.5. Justificativa.................................................................................................................................14
1.6. Metodologia................................................................................................................................15
1.6.1. Tipo de pesquisa.....................................................................................................................15
1.6.2. Método de Abordagem...........................................................................................................15
1.6.3. Técnicas e instrumentos de recolha de dados.........................................................................16
1.6.3.1. Instrumentos de recolha de dados.......................................................................................16
1.6.3.1.1. Questionários......................................................................................................................16
1.6.3.2.1. Análise documental...............................................................................................................17
1.6.4. Técnica de análise de dados....................................................................................................17
1.6.5. Questões de ética de investigação...........................................................................................18
1.6.6. Validade e Fiabilidade dos Instrumentos................................................................................18
1.6.7. População e Amostra..............................................................................................................18
0.6.7.1. Caracterização da amostra........................................................................................................19
0.6.7.2. Por Sexo...................................................................................................................................19
1.6.7.3. Por Níveis Académicos............................................................................................................19
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...............................................................................21
2.1.2. Escola......................................................................................................................................21
2.1.2. Gestão Escolar.............................................................................................................................21
2.1.3. Conselho da Escola.....................................................................................................................22
2.1.4. Modalidades de Participação dos encarregados de educação......................................................23
III

2.1.5. Articulação Entre a Direcção e os Pais e/Encarregados de Educação.........................................24


2.1.6. A Participação dos Pais e/Encarregados de Educação no Conselho da Escola...........................26
2.1.7. Responsabilidades do Funcionamento do Conselho de Escola..............................................27
2.1.8. Capacitação do Pais e/Encarregados de Educação na Melhoria de gestão Democrática.......28
CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA 30
3.1. Participação dos Pais e/Encarregados de Educação na Escola.......................................................30
3.2. Procedimentos da Participação dos pais e encarregados de educação...........................................33
3.3. O Impacto das Acções da Participação dos Pais e/Encarregados de Educação na Escola.............36
3.4. Problemas Debatidos Pelos Membros do Conselho da Escola......................................................40
CAPÍTULO IV: CONCLUSÃO E SUGESTÕES................................................................................44
4.1. Conclusão.......................................................................................................................................44
4.2. Sugestões........................................................................................................................................45
Referências Bibliográficas....................................................................................................................46
Apêndices..............................................................................................................................................48
IV

Lista de gráficos

Gráfico 1: Descrição dos informantes por sexo.................................................................................... 19


Gráfico 2: Descrição dos informantes por níveis académicos.............................................................. 20
Gráfico nº3: Participação dos encarregados de educação na gestão da escola......................................30
Gráfico nº 4: Frequência da participação dos pais e/encarregados de educação...................................35
Gráfico 5: Actividades dos pais e encarregados de educação...............................................................38
Gráfico 6: Problemas debatidos no conselho da escola........................................................................ 42
V

Lista de Siglas e Abreviaturas

EC1- Entrevistado Pai e Encarregados de Educação


EC2- Entrevistado Director da Escola
EC3- Entrevistado Professores
MINEDH- Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano, sendo uma sigla que varia em função
dos programas de quinquenais do governo, passando até pelo Ministério de Educação e Cultura.
MEC - Ministério de Educação e Cultura
REGEB - Regulamento das Escolas do Ensino Básico
VI

Declaração de Honra

Eu, Rabeca David Muhate, declaro, por minha honra, que esta monografia é resultado da minha
investigação pessoal e das orientações do meu supervisor. O seu conteúdo é original e todas as fontes
consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e nas referências bibliográficas.
Declaro ainda que esta monografia nunca foi apresentada em nenhuma outra instituição para obtenção
de qualquer grau académico para além daquele a que diz respeito.

Xai-Xai, Junho de 2016

(__________________________________)
VII

Dedicatória

Dedico este trabalho aos meus filhos Dany Muhate, Jaime Vanessa, Luís Rafael Júnior, Vandoly
Baptista e Rosita Dora.
VIII

Agradecimentos

Em primeiro plano, agradeço a Deus, Todo-Poderoso, pelos cuidados e carinho prestados ao longo do
curso, pois a sua mão me guiou e me protegeu durante o percurso académico.

Os agradecimentos são extensivos:

Ao meu supervisor, MSC. Alberto Marcos Halar, pela paciência e pela vontade demonstrada durante a
produção deste trabalho científico. Agradeço-lhe, principalmente, pelas orientações técnicas da
redacção do texto, mesmo quando a minha capacidade individual se mostrava limitada, ele sempre
esteve disposto a ajudar-me.

À Universidade Pedagógica-Delegação de Gaza, pela oportunidade que me foi concedida para a


frequência deste curso na companhia e na orientação científica dos docentes do curso de
Administração e Gestão Escolar. A todos os docentes das cadeiras gerais e específicas, agradeço-lhes
pela dedicação que me concederam durante a formação.

De forma distintiva aos meus colegas do curso: Cristina Manusse, Celeste Matsinhe, Redimira
Maculuve, Oldónio Macamo e Firda Muthemba pelo companheirismo e ajuda académica que me
prestaram, mesmo nos momentos mais difíceis da caminhada.

Ao meu esposo, Luís Rafael pelo apoio e compreensão que me dedicou durante os anos do curso e
durante a minha ausência do convívio familiar.

À minha família, nomeadamente: aos meus irmãos Jaime Muhate, Isaías Muhate, Zilpa Muhate e
Calisto Muhate pelo apoio moral durante a minha caminhada; aos meus filhos pela compreensão
durante as horas da minha ausência do convívio familiar.
A todos que directa ou indirectamente contribuíram para o sucesso desta monografia.
IX

Resumo

O presente trabalho apresenta as práticas da gestão participativa implementadas mediante a


cooperação entre os professores, encarregados de educação e a direcção da escola. O objectivo central
desta pesquisa é de desenvolver uma análise crítico - avaliativa do papel dos pais e/encarregados de
educação na gestão participativa da escola, indicando os procedimentos aplicados pelos encarregados
da educação na gestão da escola; as modalidades aplicadas pela escola para envolver os encarregados
de educação na gestão da escola; o impacto das acções dos pais e encarregados de educação na
melhoria do ambiente da gestão escolar, bem como as propostas que podem impulsionar a
participação activa e consciente dos encarregados da escola. Para o efeito, aplicou-se uma pesquisa
qualitativa auxiliada por questionários, envolvendo uma amostra de 23 informantes, sendo que os
dados recolhidos foram submetidos à análise estatística e análise do conteúdo. Desta pesquisa
concluiu-se que os procedimentos de participação dos pais e encarregados de educação caracterizam-
se pela participação das reuniões trimestrais para a recepção das informações do processo pedagógico,
notando-se um afastamento dos encarregados da gestão da aprendizagem dos educandos e da própria
escola; concluiu-se, ainda, que as acções dos encarregados de educação tem menor impacto na
melhoria da qualidade da gestão escolar porque não são fundadas nas práticas da gestão democrática
propostas nos diplomas e regulamentos ministeriais sobre o papel do encarregado de educação na
escola. Diante destas constatações, no presente trabalho, apresenta-se como sugestão, a revitalização
dos órgãos escolares para o envolvimento dos pais e encarregados de educação.

Palavras-Chave: gestão escolar; democracia; qualidade de ensino.


10

CAPÍTULO I
1. Introdução

Na estrutura legislativa sobre a Educação em Moçambique, o Diploma Ministerial nº 54/2003 de


28 de Maio, regulamenta as estratégias de gestão democrática da escola e impulsiona “a gestão
participativa e transparente” dos Pais e Encarregados de Educação para a melhoria da qualidade
do ensino e a busca de soluções para os problemas que afectam a escola.

O papel dos Pais e/Encarregados de Educação é visto como uma forma de partilha de poder e de
autoridade, no seio da organização escolar e como pressão para influenciar as decisões para um
funcionamento transparente da gestão escolar.

Ainda nesta linha de análise do papel dos Pais e Encarregados de Educação na gestão escolar,
REGEB (2003), postula que a democratização da escola e da respectiva gestão, tem-se
concentrado em três vectores, nomeadamente:
(i) a participação da comunidade escolar na selecção do gestor escolar;
(ii) a criação do Conselho de Escola;
(iii) a atribuição de recursos financeiros às escolas.

O presente trabalho de pesquisa aborda o Papel dos Pais e Encarregados de Educação na Gestão
Escolar, tomando como base a sua proactividade no acompanhamento e resolução dos problemas
da escola.

Estruturalmente, a presente monografia divide-se em quatro capítulos: o capítulo I compreende


apela introdução que apresenta os pressupostos teóricos e metodológicos da pesquisa referentes a
problema da pesquisa, objectivos, hipóteses, justificativa e a metodologia; (ii) o capítulo II da
fundamentação teórica que apresenta os estudos realizados no campo da participação dos pais e
encarregados de educação na gestão da escola; (iii) o capítulo III da descrição e análise dos dados
que apresenta os indicadores da participação dos pais e encarregados de educação na resolução
dos problemas de aprendizagem dos alunos e dos problemas administrativos internos; e o capítulo
IV que contempla a conclusão e sugestões sobre o nível de participação dos pais e encarregados
de educação na vida da escola para a resolução dos problemas de aprendizagem dos alunos e da
administração interna.
11

1.1. Delimitação do Tema

A participação em educação assenta-se num conjunto de actores que necessitam de interagir para
atingirem um patamar de uma educação cada vez mais melhorada que responda aos desafios da
sociedade contemporânea e satisfaça as expectativas dos pais e encarregados de educação que
tanto investem para a garantia do futuro dos seus filhos.

Os pais e encarregados de educação devem participar na escola de forma activa, construindo um


compromisso entre o indivíduo e a instituição escolar, tomando parte de todas as decisões e
projectos implementados para o desenvolvimento da escola na prestação de uma educação de
qualidade à sociedade.

A participação é defendida por (Luck, 2006:97), ao afirmar que “ a democratização da escola


promove a participação da comunidade escolar nos processos de administração e gestão da
escola, visando assegurar a qualidade do trabalho escolar em termos administrativos,
financeiros e pedagógicos”.

No âmbito de abordagem desta pesquisa, situa-se a gestão democrática da escola que está sempre
ligada à partilha de visões diferentes na tomada de decisões, a construção da liberdade e a garantia
de direitos para todos os membros da comunidade escolar, revestindo-se, desta forma, como um
canal de participação da comunidade escolar na vida da escola e no percurso do processo de
ensino-aprendizagem.

A presente pesquisa realizou-se na Escola Primária do 1º e 2º Grau 24 de Julho, compreendendo o


intervalo temporal de 2013 a 2015. A recolha de dados efectivou-se em 2015, no intervalo de 15
dias e para os efeitos da pesquisa.

Num contexto em que a escola e os Pais e ou encarregados de educação se acusam mutuamente


na busca de culpado pelo fracasso do sistema escolar e como é obvio, também pelos fraco
rendimento dos alunos nos últimos anos, delimita-se como tema: o papel dos pais
e/encarregados de educação na gestão democrática da escola: caso da EPC 24 de Julho
(2013-2015)
12

1.2. Problematização1

Durante muitos anos, a responsabilidade da educação não era partilhada entre a família e a escola,
sendo que cada parte assumia, unilateralmente, o seu papel, num total alheamento uma da outra e
raramente, encontravam-se para o debate aceso sobre o funcionamento da escola e sobre a gestão
da aprendizagem dos alunos.

A escola, por sua vez, limitava-se a transmitir conhecimentos, a informar a família sobre os
resultados obtidos e sobre o comportamento dos alunos. Lentamente, esta situação tem vindo a
modificar-se e assiste-se a uma maior aproximação entre família e escola, apesar de muito longe
do nível desejado, uma vez que ainda hoje se culpabilizam mutuamente pela fraca participação da
família na vida da escola.

Na perspectiva de (Martins, 2007:23), na análise da relação família – escola nota-se “uma


crescente insatisfação dos pais e/ou encarregados de educação na melhoria da qualidade de
ensino que constitui um tema, meramente, polémico e controverso no campo de educação em
Moçambique”.

Martins (op.cit) aprofunda esta discussão da relação família – escola, explicando que inquietação
dos pais e encarregados de educação tem que ver com uma elevada taxa de insucesso na
aprendizagem dos alunos que se revela pela crescente incapacidade na demonstração das
habilidades básicas adquiridas durante a aprendizagem, os pais e encarregados, sempre atribuíram
a culpa à escola e ao conselho da escola pela falta de pesquisa negociada das diversas visões da
comunidade.

No teor da insatisfação dos pais e/encarregados de educação, o MINED (2003), reforçou os


mecanismos democráticos de participação dos pais e/encarregados de educação na gestão da
escola.

1
Toda a investigação tem por base um problema inicial, que, crescente e ciclicamente, se vai complexando, em
interligações constantes com novos dados, até à procura de uma interpretação válida, coerente e solucionadora
(Pacheco, 1995:67). Considerando-se que a formulação e selecção de um problema de investigação não são das
tarefas mais fáceis (Gil, 1999; Tuckman, 2000), o importante é que este contenha na sua enunciação, as
características da clareza, exequibilidade e pertinência (Quivy, R & Campenhoudt, L., 1992). Deste modo, pretende-
se que a pergunta seja precisa, clara e unívoca, mas também realista, ou seja, adequada aos recursos pessoais,
materiais e técnicos da investigação, e pertinente para o contexto do estudo em que se insere.
13

Os princípios da democraticidade na participação dos pais e/encarregados de educação são


fundamentados no RGEB, (2008:15) que enaltece “a gestão democrática, solidária e co-
responsável na planificação da dinâmica da aprendizagem na escola”. Ainda na mesma linha da
construção do espaço da participação democrática, o MINED (2003), cria o Manual de Apoio ao
Conselho de Escola MINED (2005:10) que consagra a “a oportunidade para estabelecer as
relações escola-família- escola comunidade para a melhoria da qualidade de ensino”.

Portanto, analisando os dispositivos legais do MINED que reforçam a gestão democrática da


escola, nota-se que existe uma preocupação enorme de envolver os pais e/encarregados de
educação na gestão democrática e participativa da escola para a melhoria das condições
infraestruturais e do processo de ensino-aprendizagem.

É dentro desta maior preocupação do engajamento dos pais e encarregados de educação na gestão
participativa da escola que se coloca a seguinte questão científica: Até que ponto os Pais e/
Encarregados de Educação participam na gestão democrática da Escola 24 de Julho?

1.3. Formulação de Hipóteses2

Provavelmente, os Pais e/Encarregados de Educação participam na gestão democrática através da


criação da associação dos pais, dos conselhos de turma e do conselho de escola para a gestão dos
problemas de aprendizagem e da administração da escola;

Presume-se que os Pais e/Encarregados da Educação participam da gestão democrática pelo


acompanhamento da aprendizagem dos seus educandos.

2
Segundo MARCONI & LAKATOS (2009:136), “a hipótese é uma proposição antecipadora à comprovação de uma
realidade existencial. É uma espécie de pressuposição que antecede a constatação de factos. Por isso se diz também
que as hipóteses de trabalho são formulações provisórias do que se procura conhecer e, por consequência, são
supostas respostas para o problema ou assunto de pesquisa”.

Para KERLINGER (1980: 38) apud MARCONI e LAKATOS (2009: 137), “uma hipótese é uma proposição,
condição ou princípio, que é aceite-provisoriamente-para obter consequências lógicas e, por intermediário de um
método, comprovar o seu acordo com os factos conhecidos ou com aqueles que podem ser determinados”.
14

1.4. Definição dos Objectivos


1.4.1. Objectivo Geral

Desenvolver uma análise crítico - avaliativa do papel dos pais e/encarregados de educação na
gestão participativa da escola da EPC-24 de Julho;

1.4.2. Objectivos Específicos


-Identificar os procedimentos de participação dos pais e encarregados de educação na resolução
dos processos da escola;
-Monitorar o impacto das acções da participação dos pais e/encarregados de educação na melhoria
da gestão escolar da EPC-24 de Julho;
-Propor medidas de envolvimento dos pais e encarregados de educação para a gestão participativa
e transparente da escola.

1.5. Justificativa

A escolha deste tema surge pela constatação da fraca participação dos pais e/encarregados de
educação na gestão da escola durante o percurso profissional da pesquisadora naquela instituição
de ensino, aliada à insatisfação da comunidade em geral, de acordo com os estudos do MINED
(2003) e de Januário (2009) sobre os elevados níveis de desperdício escolar no ensino básico,
devido à baixa qualidade da demonstração de capacidade e competências de aprendizagem
plasmadas e definidas no plano curricular do ensino básico.

Nesta pesquisa, move-nos o interesse de compreender o papel dos pais e encarregados de


educação na gestão dos problemas de ensino-aprendizagem e da administração escolar, para
satisfazer os interesses da aprendizagem dos alunos para o seu enquadramento na sociedade
contemporânea.

Esta pesquisa constitui um contributo para a caracterização do papel multidimensional dos pais
e/encarregados da educação na gestão da dinâmica do processo educativo, promovendo a sua
participação activa na busca de solução para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Ainda nesta linha, esta pesquisa desperta os pais e/encarregados de educação para o
envolvimento activo na gestão da vida interna da instituição escolar, promovendo, deste modo,
uma interligação de esforço entre a escola e a comunidade na resolução dos problemas da escola.
15

Esta pesquisa é relevante porque articula os diferentes aspectos da vida escolar através da
participação dos pais e/encarregados de educação e, portanto, esta pesquisa pode:
(i) Servir de referência para outros trabalhos de investigação na área da gestão
participativa da escola;
(ii) Dar ao MINEDH subsídios para o fortalecimento da relação pais e/encarregados de
educação na gestão da escola;
(iii) Revelar as dificuldades e limitações dos pais e/encarregados de educação para a sua
actuação activa na resolução dos problemas da escola.

1.6. Metodologia
1.6.1. Tipo de pesquisa

Para a realização desta pesquisa, realizou-se uma pesquisa qualitativa 3 que postula que uma
investigação educacional deve pautar pela sistematização, rigor científico e adequação ao objecto
de estudo.
Na perspectiva deste estudo, procurou-se investigar as acções, as estratégias e os mecanismos de
participação dos pais e/encarregados de educação na gestão participativa da escola, no caso da
Escola 24 de Julho para a melhoria da qualidade institucional e da aprendizagem.

No percurso deste estudo, faz-se uma análise reflexiva de uma realidade concreta gestão da
escola: a articulação entre os pais e/encarregados de educação e a escola para a troca de
experiências na busca de soluções dos problemas que a escola enfrenta.

1.6.2. Método de Abordagem

3
Para Neves (2002:145), “a expressão pesquisa qualitativa é um conjunto de diferentes técnicas interpretativas que
visam descrever e descodificar os componentes de um sistema complexo de significados”.
De acordo com Richardson (1999:80), enfatiza que, “os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem
descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interacção de certas variáveis, compreender e
classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais, (…)”.
16

No contexto desta pesquisa, empregou-se método de abordagem indutiva 4 ou estudo de caso único
que se centra numa única unidade dentro do espaço e variáveis controláveis. Neste contexto, faz-
se uma análise aprofundada e contextualizada da gestão democrática participativa da Escola 24 de
Julho, para evidenciar as diversas situações das fragilidades dos pais e/encarregados de educação
e da direcção da escola na abertura do espaço para o debate conjunto dos problemas da escola.

Esta pesquisa aglutina as percepções dos professores, encarregados de educação e a direcção da


escola para a construção das conclusões gerais sobre o papel dos pais/encarregados de educação
na gestão democrática da escola.

1.6.3. Técnicas e instrumentos de recolha de dados5

Para o presente trabalho aplicou-se a técnica de observação indirecta 6 auxiliada por questionários
dirigidos aos pais e/encarregados de educação, professores e à direcção da escola. Faz parte, das
técnicas a análise documental (os documentos legislativos sobre a participação dos pais na gestão
democrática da escola).

1.6.3.1. Instrumentos de recolha de dados


1.6.3.1.1. Questionários

Nesta pesquisa, os dados foram recolhidos na seguinte ordem: (i) a administração do questionário;
(ii) Pesquisa documental. Antes de administração dos questionários, o pesquisador apresentou-se
à direcção da escola e aos outros informantes integrantes da pesquisa. Os mesmos informantes

4
De acordo com Yin (2009), “é um método mais apropriado para temas sobre os quais o pesquisador tem pouco
controlo e com enfoque em algum fenómeno contemporâneo”. Assim, este autor define estudo de caso como “uma
investigação empírica que estuda um fenómeno contemporâneo dentro do seu contexto real, principalmente, quando
os limites do fenómeno e do seu contexto não estão claramente evidentes”.
Na perspectiva de Marconi e Lakatos (2009), a abordagem indutiva permite descrever a) pertinência teórica (em
relação aos objectivos propostos na pesquisa), b) pertinência prática que se traduz na possibilidade de aprender-se
com as informações e as experiências do caso bem como, a sua acessibilidade para a investigação; c) o interesse do
pesquisador na realização de uma pesquisa voltada para a compreensão das novas práticas que solucionam o
problema.
5
Fundamentam De ketele e Roegiers (1999:17) consideram que a recolha de dados é “o processo organizado posto
em prática para obter informações junto de múltiplas fontes, com o fim de passar de um nível de conhecimento para
outro nível de conhecimento ou de representação de uma dada situação, no quadro de uma acção deliberada, cujos
objectivos foram claramente definidos e que dá garantia de validades suficientes”.

6
“Significa determinar com antecedência o quê e o como observar (…) definindo-se claramente o foco da
investigação e a sua configuração espácio-temporal. Os instrumentos da investigação a que o observador pode
recorrer no processo de compreensão e interpretação do fenómeno estudado são: a entrevista, o questionário, o
inquérito”. Ludke & André (1986:25),
17

visados receberam uma explicação sobre os objectivos, as etapas de recolha de dados e a


finalidade dos resultados pretendidos.

Na base disso, foram solicitados a colaborar com a pesquisadora em conformidade com a sua
disponibilidade. É de salientar que as informações recolhidas nestas observações foram
completadas e interpretadas na base dos dados obtidos na análise documental que consistiu na
revisão da literatura e na consulta dos documentos oficiais e regulamentares dos sistemas
educativos do ensino primário.

1.6.3.2.1. Análise documental7

Neste estudo, fez-se a abordagem interpretativa e analítica do tema, os documentos servem para
fazer a análise de dados e analisou-se os seguintes documentos: o diploma ministerial sobre o
conselho de escola, o manual de apoio à gestão das escolas, o regulamento das escolas do ensino
básico, as orientações de tarefas escolares obrigatórias.

1.6.4. Técnica de análise de dados


Para a presente pesquisa, aplicou-se a técnica de análise do conteúdo que sustenta nos conceitos,
indicadores e dimensões que permitem descrever os dados recolhidos no campo da pesquisa,
segundo mostra a tabela abaixo.
Tabela 1: Modelo de análise de dados
Conceito Dimensões Indicadores
Conhecimento das matérias disciplinares
Gestão de fundos da escola
Vida da escola Agenda de actividades trimestrais
Análise dos resultados da escola
Participação e Aproveitamento pedagógico do aluno
gestão democrática Vida do educando Percurso da aprendizagem
Análise dos problemas de aprendizagem.
Estratégias de resolução dos problemas de

7
Bardin (2008:47) salienta que “a análise documental, tem por objectivo a consulta e armazenamento na forma
variável e a facilitação de acesso ao observador de modo que este obtenha o máximo de informação, com o máximo
de pertinência”, e “pode-se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja
complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou
problema”.
18

aprendizagem

1.6.5. Questões de ética de investigação

O uso das abordagens qualitativas na pesquisa suscita uma série de questões éticas decorrentes da
interacção do pesquisador com os sujeitos pesquisados (Quivy & Campenhoudt, 2008). Em
relação ao anonimato, há dados relativos à identidade dos inquiridos que foram pertinentes para a
análise e compreensão dos dados recolhidos, pelo que não foi possível preservar totalmente a
identidade dos participantes na investigação, mas sempre na medida do possível garantir o
anonimato do entrevistado, bem como da instituição.

Para o efeito, usou-se a nomenclatura codificada para referir aos informantes: EC1, EC2 e EC3
ocultando na medida do possível a identidade socioprofissional.

1.6.6. Validade e Fiabilidade dos Instrumentos

Sempre que realiza uma pesquisa com base em instrumentos de recolha de dados, é importante
uma definição dos critérios da sua validade e viabilidade. De acordo com Collado e Lucio (1991)
apud Yin (2009:98), “um instrumento de pesquisa deve ser compatível com a problemática e a
finalidade da pesquisa”. Assim, os instrumentos que foram utilizados neste estudo foram
elaborados na base das perguntas de pesquisa e dos objectivos definidos; para garantir a validade
e a objectividade na construção das perguntas.

Neste pressuposto, a pesquisadora explorou a literatura que aborda as questões da participação


dos pais e/encarregado de educação na gestão democrática da escola. Ainda, neste contexto, fez-
se a triangulação que consiste numa análise comparativa de dados resultados de diferentes fontes,
isto é, cruzando as informações obtidas de análise documental, da revisão da literatura e dos
questionários para tirar conclusões.

1.6.7. População e Amostra


19

De acordo com Guerra (2006:39) “as metodologias qualitativas são caracterizadas pela sua falta
de representatividade estatística. De facto não tem muito sentido falar de amostragem, pois não
se procura uma representatividade estatística, mas sim uma “ representatividade social”.

Do ponto de vista metodológico, permite generalizar os resultados ao universo de trabalho


(população), a que o grupo de estudo pertence. Neste contexto da amostra qualitativa,
seleccionaram-se dos 6 professores, 2 membros da direcção e 15 pais e/encarregados de educação.

0.6.7.1. Caracterização da amostra


0.6.7.2. Por Sexo

O universo da amostra, na instituição analisada, é constituído por um universo populacional de 23


membros dos quais 64% são do sexo feminino e 36% do sexo feminino. A partir dos dados
constitutivos da amostra, compreende-se que existe uma maior concentração dos membros do
sexo feminino.

Gráfico 1: Descrição dos informantes por sexo

1.6.7.3. Por Níveis Académicos

Para a compreensão das dificuldades de participação dos encarregados de educação na gestão


democrática da escola, descreve-se a qualificação académica dos pais e encarregados de educação
para a compreensão dos desafios da escola. A capacidade da participação dos encarregados de
educação no diagnóstico dos problemas de aprendizagem dos alunos e da gestão administrativa da
escola está intimamente ligada ao grau de instrução e de capacitação (informação) que os
encarregados possuem.
20

Gráfico 2: Descrição dos informantes por níveis académicos

Segundo o gráfico 2, a baixa qualificação académica dos pais e encarregados de educação


constitui um indicador que condiciona o diagnóstico e estudo das dificuldades de aprendizagem
dos alunos e a tomada de decisões sobre a gestão da escola. É importante sublinhar que a
compreensão dos problemas dos alunos requer o domínio das áreas disciplinares e das atribuições
da escola e do próprio encarregado de educação de modo que se exerçam suas actividades de
consulta e de deliberação das medidas apropriadas à cada tipo de problema que evolui na escola.
21

CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


2.1. Definição dos termos
2.1.2. Escola

Para Libânio (1986) apud Ferreira e Aguiar (2004:132), “escola é uma instituição orientada para
a preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe instrumentos
por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e
activa na democratização da sociedade”

Num outro posicionamento, Gramsci (2000) apud Rumble (2003:65) “a escola é um instrumento
utilizado para formar intelectuais de diversos níveis (…) todas as pessoas que exercem funções
de organização em diferentes frentes, nomeadamente: na produção, na cultura ou na
administração pública”.

Nesse sentido, conciliando as duas posições, a escola, enquanto instituição detentora do saber,
precisa de compreender sua importância de formação dos cidadãos, que exerce na sociedade e
deve contribuir positivamente para que esse saber seja trabalhado de forma democrática, isto é, a
escola deve introduzir, no futuro gestor da escola, o espírito democrático.

2.1.2. Gestão Escolar

Na perspectiva de Rumble (2003:12), “a gestão escolar é o processo que deve permitir o


desenvolvimento de actividades com eficiência e eficácia, a tomada de decisões com respeito às
acções que se fizerem necessárias, a escolha e verificação da melhor forma de executá-las”.

Segundo Libânio (2008:35), “as concepções da organização e de gestão escolar podem assumir
diferentes formas em função da orientação que se tenha das finalidades sociais e políticas da
educação em relação à formação dos alunos. E nesse contexto destaca duas concepções: a
técnico-científica e a sociocrática”.

Na mesma direcção Gadotti et al. (2000) apud Oliveira (2000:34), afirma que “a gestão escolar
democrática como processo que rege o funcionamento da escola deve compreender a tomada de
decisões conjuntas, baseadas nos direitos e deveres de todos os envolvidos na escola”.
22

Nesta perspectiva de organização e gestão escolar, os diferentes segmentos da comunidade


escolar, nomeadamente: directores, professores, pais, alunos, etc., são considerados sujeitos
activos do processo, de forma que sua participação no processo deve acontecer de forma clara e
com responsabilidade. Portanto, os mesmos autores enfatizam a participação e autonomia como
dois processos básicos da gestão democrática.

Assim, na perspectiva dos autores, os diferentes segmentos da comunidade escolar devem possuir
conhecimento e clareza do sentido do termo, da responsabilidade que o mesmo encerra e das
formas possíveis de participação no interior de uma gestão democrática para que, assim, eles
possam vivenciar o processo. Em relação a autonomia da escola e do processo de gestão, a
literatura é quase unânime ao afirmar que ela é sempre relativa pois está condicionada pelos
regulamentos dos Conselhos de Escola existentes.

Portanto, pode-se afirmar que o conceito de gestão está associado ao fortalecimento da


democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos os intervenientes
nas decisões e na sua implementação.

2.1.3. Conselho da Escola

Na óptica de Paro (2001) apud Drabach (2010:92), “é um órgão consultivo e deliberativo que
deve tratar de problemas financeiros, administrativos e pedagógicos da escola, contribuindo com
propostas e planos de desenvolvimento da escola com vista a uma educação de qualidade”.
Na opinião do autor, a eleição democrática dos corpos directivos da escola é um pressuposto
rumo à uma escola de boa qualidade, pois garante a participação activa de representantes da
comunidade no processo educativo através do Conselho de Escola.

Oliveira (2000) concorda que o conselho de escola tem as seguintes atribuições: (i) o poder e a
tomada de decisões compartilhadas por alguns ou por todos os membros da organização; (ii)
existe um conjunto de valores e de objectivos comuns que são compartilhados por todos os
integrantes; (iii) todos os membros da organização têm uma representação formal nos órgãos de
decisão; e (iv) a organização deve determinar políticas e tomar decisões através de processos de
discussão guiados pelo consenso.
23

Nessa lógica, afirma Pereira (2011), o Conselho de Escola passaria a ser um fórum pertinente para
discussões e deliberações, onde pais e alunos, educadores e funcionários participariam no
processo de tomada de decisões relacionadas à construção da autonomia, a elaboração e execução
da política da sua escola.

Por isso, a implementação da gestão democrática na escola, pode constituir uma ocasião de
encontro entre Estado, famílias, alunos e profissionais da educação para definir o que se quer e o
como fazer educação para a cidadania. Contudo, para o autor, ainda é notória a ausência de
participação da comunidade escolar nas decisões de carácter administrativo-pedagógicas,
restringindo-se ao atendimento de eventuais convocatórias para solucionar problemas individuais
de alunos, ou problemas financeiros da escola.

2.1.4. Modalidades de Participação dos encarregados de educação

A participação é, como afirma Francisco (2010:34), “um processo social de exercício


democrático que existe ao nível das comunidades e, apesar dos vários dirigentes das nossas
instituições escolares criarem barreiras ao exercício da plena actividade dos membros da
comunidade escolar, (…)”.

Por sua vez, Lima (2008), no contexto da participação democrática, distingue (i) a participação
consagrada (ii) da participação instituída. A participação formal ou decretada constitui aquela que
é instituída e regulamentada formalmente através de documentos legais e formais como as leis e
decretos-leis produzidos fora da organização e que permitem aos professores, pais, alunos intervir
na gestão e organização da escola.

Nestes termos, pela legislação sobre a participação na escola, atribui-se competências e tarefas
aos encarregados de educação para envolverem-se na busca de soluções administrativas e
pedagógicas que concorrem para a melhoria da qualidade de ensino. E concordando com esta
posição do teorizador, é importante sublinhar que a legislação sobre a participação dos
encarregados deve, para o efeito, ser acessível e divulgada para o domínio de todos os
encarregados e os restantes membros da comunidade escolar, como uma estratégia para fiscalizar
as actividades e o alcance dos objectivos planificados.
24

Quanto à segunda forma de participação dos pais e encarregados de educação na gestão escolar a
é produzida por actores verificando-se uma transição do plano das orientações externas (formal)
para os planos das orientações internas. Nesta participação, os procedimentos são de níveis
menores de estruturação e de formalização e incorpora as regras informais e até consensos entre a
escola e a comunidade.

Na participação consagrada, existe uma abrangência de todos os membros da comunidade na


busca incessante dos esforços que contribuem para o fortalecimento da capacidade de resposta da
escola, em termos de infraestruturas escolares, recursos financeiros e o acompanhamento da
qualidade de ensino que se oferece aos alunos.

Neste âmbito, os membros da comunidade são sensibilizados em reuniões sistemáticas, a


participarem dos desafios e dos problemas que a escola enfrenta, sem contudo, recair sobre estes,
obrigações legais formalmente estabelecidas. Os membros da comunidade envolvem-se na
construção de salas, casas de professores, vedações da escola entre outros aspectos importantes,
bem como a comparticipação financeira para o pagamento de guarda e outras despesas internas.

E para o sucesso desta participação, a escola como órgão que gere a relação entre a escola e a
comunidade deve pautar por critérios claros no envolvimento dos membros. Segundo Lima
(2008) existem quatro critérios a observar, nomeadamente: (i) a democraticidade pela
participação directa e indirecta no processo de decisão; (ii) regulamentação, que é a base da
legitimação e reivindicação da intervenção dos actores e pode ser pela participação formal, não-
formal e informal; (iii) envolvimento pela participação activa e passiva; (iv) orientação pela
participação convergente divergente com os objectivos formalmente definidos.

2.1.5. Articulação Entre a Direcção e os Pais e/Encarregados de Educação

O relacionamento entre os encarregados e a direcção da escola deve ser descrito a partir da


modalidade do funcionamento, da especificidade da organização e do desempenho das tarefas
para o alcance dos objectivos.

De acordo com Costa (2009), as perspectivas teóricas que orientam as formas de relacionamento
entre a escola e o conselho de escola são: (i) A perspectiva da burocracia que sublinha a
25

organização formal, a racionalidade técnica, o cumprimento das normas escritas, a rapidez nas
decisões, a uniformidade e a padronização.

Esta perspectiva coloca a organização escolar como uma estrutura técnica que apresenta
hierarquias do desempenho de funções em que o conselho de pais é uma parte integrante que
permite o debate técnico dos procedimentos administrativos e dos processos pedagógicos da
escola. (ii) A perspectiva política que considera a escola como uma micro sociedade, composta
por uma pluralidade e heterogeneidade de indivíduos e de grupos que dispõem de objectivos
próprios, poderes e influências diversas e posicionamentos hierárquicos diferenciados e que, por
isso, as decisões escolares desenrolam-se e obtêm-se, basicamente, a partir de processos de
negociação.

Neste sentido, os encarregados de educação inserem-se na comunidade escolar como uma sub-
estrutura que garante a subsistência normal da micro sociedade escolar, garantindo a criação de
recursos financeiros e materiais que suportam o funcionamento da escola, bem como a boa gestão
das infraestruturas e dos fundos alocados às escolas. (iii) a perspectiva da escola como anarquia
realça a menor clareza de objectivos e intenções, a fluidez da participação, a tomada de decisões
aparentemente ilógica e estruturas fragmentadas e debilmente articuladas.

Neste âmbito, existe uma desarticulação do funcionamento normal entre a direcção da escola e os
encarregados de educação, facto que compromete o alcance dos objectivos traçados. (iv) a
perspectiva da escola como hipocrisia (Brunsson, 2006) realça a inconsistência, a descoordenação
e a incoerência entre o discurso, a decisão e a acção resultantes da necessidade de, por um lado,
acolher positivamente as exigências contextuais, conformando-se aparentemente com elas, e, por
outro, manterem procedimentos por vezes desalinhados da mensagem que é difundida.

Sendo a escola uma organização complexa, a compreensão crítica da participação na gestão da


escola beneficia com o recurso a diversos modelos teóricos de análise das organizações em que o
processo de escolha dos encarregados de educação pode ser associado à distinção estabelecida por
Machado (1982: 121-122), no que se refere à participação dentro das organizações, quando diz
que ela envolve os conceitos, contíguos mas opostos, de “ser parte” e “participante”. Enquanto
parte, o actor afirma a sua autonomia pessoal contra outros particulares, mas, enquanto
participante, “ele representa e afirma o interesse de um grupo” e “aparece como portador de uma
função no todo colectivo.
26

O processo de constituição da relação encarregados de educação com a escola com base na


representação aproxima-se de uma democracia elitista (Estanque, 2006) baseada na
representatividade do poder onde os eleitores através do voto escolhem os seus representantes,
isto é, as elites que irão exercer o poder ou, no caso do conselho de escola, vão, pelo menos, estar
mais próximos das estruturas de poder formal.

(Estanque 2006:87) afirma que a “democracia elitista assenta em dois princípios: por um lado,
pretendeu retirar o papel da mobilização das massas e a acção colectiva na construção
democrática; e, por outro lado, pretendeu sobrevalorizar os mecanismos de representação numa
espécie de solução elitista para a democracia moderna”.

2.1.6. A Participação dos Pais e/Encarregados de Educação no Conselho da Escola

O Conselho de Escola, sendo um órgão máximo da escola, o Ministério da Educação atribui ao


Director da Escola a responsabilidade da criação de condições para a sua constituição e
funcionamento.

Nesse contexto, o Diploma Ministerial nº 46/2008 estabelece que a criação ou revitalização do


Conselho de Escola deve ocorrer até 30 dias após o início do ano lectivo e a duração do mandato
dos membros foi fixado em dois anos consecutivos, renovável uma vez.

Segundo o artigo 8 do Diploma Ministerial acima referido, o Conselho de Escola juntamente com
a direcção da escola e colectivo da direcção constituem órgãos executivos da escola. No entanto,
o primeiro é o órgão máximo da escola” com funções de: (i) ajustar as directrizes e metas
estabelecidas, a nível central e local, à realidade da escola; e (ii) garantir a gestão democrática,
solidária e co-responsável.

Nos termos do mesmo Diploma, o Conselho de Escola é constituído por vários membros da
comunidade escolar, nomeadamente: (i) Director da Escola, (ii) representantes dos professores,
(iii) representantes do pessoal administrativo; (iv) representantes dos pais/encarregados de
educação; (v) representantes da comunidade e representantes dos alunos.
27

A composição do Conselho de Escola diferencia-se conforme o tipo de escola, a qual é definido


de acordo com o número de alunos matriculados na escola. Assim, o nº 2 do artigo 10 do Diploma
Ministerial nº 46/2008 estabelece que, para escolas com mais de 1500 alunos, o Conselho de
Escola deve ser constituído por 19 membros, de 500 até 1500 alunos por 16 e até 500 alunos por
13 membros.

Contudo, o mesmo diploma abre espaço para o Conselho de Escola funcionar abaixo do nº
estipulado, desde que seja respeitada a proporcionalidade dos membros, que devem ser eleitos por
voto secreto. Dos membros do Conselho de Escola, o director e o representante dos alunos não
podem ser eleitos presidente do conselho de escola.

2.1.7. Responsabilidades do Funcionamento do Conselho de Escola

O Conselho de Escola é órgão máximo e é constituído por pessoas de diferentes segmentos,


nomeadamente: director da escola, representantes dos professores, alunos, pais e comunidade
local. Segundo MEC (2005), a participação dos diferentes segmentos no Conselho de Escola
prende-se com a necessidade de assegurar: (i) uma boa gestão escolar; (ii) um bom
aproveitamento escolar; (iii) um bom desempenho dos professores e (iv) uma gestão transparente
dos recursos.
Portanto, a gestão transparente supõe a existência de um ambiente de abertura democrática
principalmente, por parte do director da escola, que é também membro do Conselho de Escola.

De acordo com MEC (2005:91), o Conselho de Escola deve estruturar-se por um mínimo de
quatro comissões, nomeadamente: “comissão de HIV/SIDA, saneamento e saúde escolar;
comissão de finanças, construção e produção escolar; comissão de género, alunos órfãos e
vulneráveis e comissão de cultura e desporto escolar”. Essas comissões ocupam-se da análise e
acompanhamento do decurso das actividades específicas que lhes são atribuídas, mobilizar
recursos para apoiar o desenvolvimento da escola na sua área específica e prestar informações
regulares ao Conselho de Escola sobre os avanços e aspectos a melhorar na sua área específica.

Os membros do conselho de escola, segundo (MEC, 2005), no seu exercício, guiam-se pelos
princípios universais, nomeadamente: (i) Respeito pela constituição; (ii) Promoção dos direitos da
criança e da cidadania; (iii) Promoção do acesso universal a um ensino básico relevante e de
qualidade; (iv) Promoção da Educação da rapariga; e (v) Gestão participativa e transparente.
28

O conselho de escola, na sua condição de órgão máximo, reúne-se pelo menos três vezes por ano
para entre vários assuntos: aprovar o plano estratégico da escola e garantir a sua implementação;
aprovar o plano anual da escola e garantir a sua implementação; aprovar o regulamento interno da
escola e garantir a sua aplicação; pronunciar-se sobre a proposta do orçamento da escola; aprovar
e garantir a execução de projectos de atendimento psicopedagógico e material aos alunos, quando
seja iniciativa da escola; elaborar e garantir a execução de programas especiais visando a
integração da Família-escola-comunidade; pronunciar-se sobre o aproveitamento pedagógico da
escola.

2.1.8. Capacitação do Pais e/Encarregados de Educação na Melhoria de gestão


Democrática

Segundo (Medeiros e Oliveira, 2008:16), “um Conselho de encarregados de educação que tenha
em seu quadro profissionais e representantes da comunidade sem preparação, do ponto de vista
teórico não possui conhecimentos, incluindo também pedagógicos para discutir seus problemas e
encaminhar soluções para suas dificuldades”.

Conforme o autor, a falta de preparação por parte dos pais e encarregados de educação, reflecte-se
na qualidade das actividades desenvolvidas com destaque para os assuntos que são discutidos
durante as reuniões que normalmente são de carácter geral, por exemplo, aspectos físicos da
escola.

Neste sentido, os reais problemas da escola como a baixa qualidade do ensino, a deficiência na
avaliação, a baixa qualificação de professores, a falta de envolvimento da comunidade etc., nunca
são discutidos.

Neste debate, (Gohn, 2001:76), observa que “a inoperância dos Conselhos de encarregados de
educação, no geral e daqueles que são criados por directrizes governamentais, em particular, dá-
se devido à falta de tradição participativa da sociedade civil, em canais de gestão pública; a
curta trajectória dos conselhos (…)”.
29

Desse modo, pode considerar-se que as limitações dos encarregados de educação podem ser fruto
da fraca preparação dos seus membros, o que mostra o longo caminho que ainda há por percorrer
no sentido de incitar os cidadãos ao exercício da cidadania na sua forma plena.

Assim, a questão da capacitação dos encarregados de educação pode ser vista como crucial na
medida em que vai permitir qualificá-los, por exemplo na elaboração dos planos de actividades,
na monitoria e avaliação dos mesmos.

De realçar que a capacitação, por si, poderá não mudar a actuação dos encarregados de educação,
se os seus membros não tiverem acesso as informações inerentes ao seu funcionamento, pois
experiências existentes mostram que os representantes mais preparados e informados
desempenham melhor o seu papel na escola.

Na capacitação dos encarregados de educação deve tomar-se em consideração as suas


competências que segundo Ciseki (1998) apud Luce e Medeiros (2008:36) podem ser
deliberativas, consultivas e fiscalizadoras. A capacitação deve abranger dentre vários aspectos os
seguintes: (i) o significado e papel do Conselho de Escola; (ii) o papel de membro do Conselho de
Escola e o significado da representação; (iii) a legislação educacional básica; (iv) o sistema de
ensino, seus princípios e normas; e (v) o significado da participação.

Portanto, a ideia de implantação da parceria entre encarregados e a escola está ligada a dois
princípios: (i) a participação da sociedade na definição dos destinos da escola, justamente para
fazer face a reivindicação dos movimentos sociais pelo ensino de qualidade em particular e
reforma da escola em geral e (ii) como estratégia de governo dentro das políticas da democracia
participativa.
30

CAPÍTULO III: APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA


PESQUISA

Primeiramente, realizou-se uma breve descrição dos informantes da pesquisa, com maior destaque
para os pais e/encarregados de educação para determinarmos as possíveis motivações intrínsecas
(individuais) que possam determinar a regularidade da participação nas actividades da gestão
escolar. Em seguida, descreveu-se os indicadores de participação dos pais e/encarregados de
educação na gestão participativa da Escola 24 de Julho e determinou-se um juízo de valor sobre o
impacto das acções dos encarregados na melhoria do desempenho da instituição escolar, em
termos da sua (in)eficácia operativa para responder às atribuições patentes do diploma ministerial
que institucionaliza o conselho de escola.

3.1. Participação dos Pais e/Encarregados de Educação na Escola

De acordo com os dados da pesquisa, a participação dos pais e/encarregados de educação na


escola revela não satisfatório durante o percurso dos anos 2013-2015, porque os pais e
encarregados de educação deslocam-se na escola apenas para obter informações sobre o estado de
aprendizagem dos seus educandos.

Segundo consta das respostas da pergunta 1, uma percentagem de 73% dos encarregados de
educação revela um fraco conhecimento da informação sobre as suas atribuições (participação) na
gestão da escola. Este resultado foi extraído das entrevistas aplicados aos pais e encarregados de
educação em relação a questão P:Tem informação ou conhecimento sobre os seus direitos de
participação na vida da escola?)
A seguir faz-se uma apresentação diagrámica deste resultado dos pais e encarregados de educação

Gráfico nº3: Participação dos encarregados de educação na gestão da escola


31

Neste contexto, compreende-se que fraco conhecimento das atribuições de cada uma das partes
envolvidas na gestão da escola reduz a negociação e a compartilha da responsabilidade pela
materialização dos objectivos da escola.

Conciliando as respostas dos pais e encarregados de educação sobre o fraco conhecimento das
suas responsabilidades na gestão escola com a análise do director da escola sobre o papel da
escola na mobilização dos pais e encarregados de educação, compreende-se que existe também
uma fraca disponibilização da informação para a partilha de acções de gestão entre a escola e os
pais.

Na análise da questão dirigida ao director da escola, P (a direcção da escola envolve os


encarregados na gestão da escola?), nota-se que a escola tem incentivado os encarregados para
estarem presentes nas reuniões e para contribuir na resolução dos problemas de aprendizagem dos
alunos e na gestão democrática da escola.

Portanto, devido à fraca disponibilização da informação aos encarregados de educação, a sua


participação a não é activa, limitando-se, exclusivamente, a responderem, passivamente, às
solicitações burocráticas da escola. Esta prática reduz, evidentemente a gestão participativa do
processo pedagógico para a tomada de decisões e para a procura de soluções, conforme defende
Ferreira (2008: 12), “o conceito de gestão participativa está associado ao fortalecimento da
democratização do processo pedagógico, à participação responsável de todos os intervenientes
nas decisões e na sua implementação”.

No que diz respeito à percepção dos pais e encarregados de educação sobre os objectivos da sua
participação na gestão da escola, os encarregados, numa distribuição estatística prestaram
algumas informações básicas como se passa a mostrar a seguir:

EC1: Sensibilizar os meus filhos para envolverem-se activamente na vida da escola. (62%)
EC1: Apoiar a direcção da escola na resolução dos problemas da escola. (17%)
EC1: Fazer parte da vida escola na condução do processo de ensino-aprendizagem. (21%)
EC1:Ajudar a direcção da escola na gestão dos fundos alocados.
32

Das respostas apresentadas, constata-se uma preocupação pela aprendizagem dos seus educandos
e relegam para o segundo plano a gestão participativa da escola, mediante a apresentação das suas
ideias, opiniões e soluções para a melhoria da prestação dos serviços educativos.

Os principais objectivos dos pais e encarregados de educação assentam na procura de informações


sobre os problemas de aprendizagem analisados pelos professores, sem uma cooperação directa
com os pais e encarregados na resolução destes obstáculos da aprendizagem nos alunos.

Não se verifica uma perseguição dos objectivos de aprendizagem de forma consciente e


responsável, de modo a influenciar a mudança das práticas dos professores para a melhoria da
qualidade de ensino. Esta redução da acção dos pais e encarregados de educação, segundo
Monteiro (2006:32) “os que detêm o poder de decisão utilizam as várias técnicas para
convencerem os actores participantes deste processo a aceitarem as decisões que já foram
previamente tomadas”.

A gestão democrática da EPC 24 de Julho ainda não se tornou uma realidade porque as
preocupações, as decisões e os projectos da escola não são tomadas a partir de uma consulta
activa aos encarregados de educação. Consequentemente, os problemas de aprendizagem dos
alunos e de gestão escolar não são analisados e compreendidos com profundidade, em parceria
com os encarregados de educação, o que permite a acumulação dos problemas de aprendizagem,
ao longo do ano lectivo. Praticamente, os encarregados de educação não constituem elementos
principais na tomada de decisões dentro da escola.

No que diz respeito às formas ou procedimentos de participação na gestão da escola, os


encarregados de educação da escola em análise têm o espaço para apresentarem as suas ideias e
opiniões, mas, se considerar o critério do envolvimento, a participação praticada pode ser
identificada, ainda como, como predominantemente passiva, na medida em que a sua intervenção
nas actividades da escola limita-se à frequência das reuniões, notando-se ainda falta de
informação sobre os seus deveres e desconhecimento da regulamentação relativa aos princípios de
gestão democrática da escola e do processo de ensino-aprendizagem.

Numa análise comparativa dos três anos de estudo, constata-se que a participação dos pais
e/encarregados de educação tende a ser monótona e passiva, segundo os dados recolhidos na
escola e sistematizados no quadro comparativo abaixo.
33

Tabela 1: Quadro comparativo da participação dos pais e/encarregados de educação

Participação dos pais e/encarregados de educação


2013 2014 2015
Reuniões 67% 82% 92%
Projectos da escola 21% 18% 26%
Gestão de fundos da escola 16% 10% 9%
Resolução dos problemas de 46% 62% 68%
aprendizagem dos alunos
Resolução dos problemas da escola 24% 32% 41%

Fonte: Dados do arquivo da escola referentes aos anos 2013, 2014 e 2015

Analisando as frequências projectadas pela escola, verifica-se que a participação dos pais e
encarregados de educação tem uma tendência crescente nos temas inerentes às informações sobre
o aproveitamento dos seus educandos, principalmente, nas reuniões trimestrais e nas solicitações
dirigidas para o acompanhamento da aprendizagem dos alunos.

3.2. Procedimentos da Participação dos pais e encarregados de educação

Uma das premissas da democracia é o cumprimento das normas e, neste caso, a gestão
democrática da escola assente no REGEB e no artigo 11 do Diploma Ministerial nº 46/2008, fixa
critérios da relação encarregado de educação e a escola.

Para a descrição da participação dos pais e encarregados de educação, colocou-se a seguinte


questão: P-tem se deslocado à escola para o acompanhamento da aprendizagem dos seus filhos?)

Da questão colocada, obteve-se as frequências relativas percentuais seguintes: sim (52%), não
(17%) às vezes (31%) e constrói-se uma percepção de que a participação na gestão dos problemas
de aprendizagem dos educandos, situa-se acima dos 70%.

Todavia, das respostas formuladas, constatou-se que a dificuldade de envolver os encarregados de


educação na gestão activa, democrática e participativa do processo de ensino-aprendizagem, ainda
constitui um grande desafio.
34

Agrava ainda o problema da fraca participação, o facto de a direcção da escola não desenvolver
acções estratégicas que potenciem a participação activa dos encarregados para a busca conjunta
das soluções, conforme se depreende das respostas à questão P: (Quais são as estratégias que a
direcção usa para envolver os encarregados na gestão da escola?)8.
EC2: Formação de um conselho de escola que negocia com os encarregados.

A direcção da escola adopta como estratégia de negociação com os pais e encarregados de


educação, as reuniões com o conselho da escola como um órgão de gestão máxima da escola que
envolve os pais, professores, funcionários da escola e os alunos. Neste fórum, discute-se as
medidas que se podem adoptar para impulsionar a participação dos pais e/encarregados de
educação nos projectos da escola.

Aliado à resposta da direcção da escola, colocou-se uma questão aos professores para a
compreensão da natureza das acções desenvolvidas em prol do envolvimento dos encarregados de
educação na gestão da aprendizagem dos seus educandos: Em relação a este ponto colocou se a
seguinte questão P- (o professor tem desenvolvido uma comunicação directa com os pais
e/encarregados dos seus alunos?), cuja análise nos conduziu aos resultados abaixo indicados.

As respostas dos professores foram processadas estatisticamente e em função disso obteve-se o


resultado de 66% no indicador (sim), e 34% no indicador (as vezes). Neste sentido, os professores
mostram que estabelecem uma comunicação directa com os encarregados para explicar
pormenorizadamente a evolução da aprendizagem dos seus educandos.

Todavia, esta acção dos professores é reduzida pela fraca participação dos encarregados que não
se dedicam, regularmente, à busca das soluções para as aprendizagens dos alunos numa
cooperação com os professores, conforme sistematiza o gráfico número 4, referente à questão 4,
que procura saber se os pais e encarregados de educação têm se deslocado à escola para o
acompanhamento da aprendizagem dos seus filhos?).

8
b) Divulgação de informações sobre os direitos e deveres dos pais e encarregados de educação na escola.
c) Campanhas de sensibilização levadas a cabo pelo conselho e pela direcção da escola.
d) Solicitação directa e individualizada dos pais e encarregados de educação.
35

Gráfico nº 4: Frequência da participação dos pais e/encarregados de educação

Segundo, as declarações dos encarregados, devido aos desafios de busca da sobrevivência, a


maioria dos pais e/encarregados de educação, no lugar de envolver-se nas actividades da escola,
mostra-se mais preocupada a realização de pequenos negócios e angariação de recursos para as
famílias e, como consequência, relega para o segundo plano a sua participação nos processos
democráticos da gestão da escola.

Ainda no desafio da participação dos pais e/ou encarregados de educação, questionou-se à


direcção da escola na P- como é que a direcção distribui tarefas e responsabilidades aos
encarregados para a gestão da escola?

Em resposta a esta questão, a direcção da escola refere que d) 9 O conselho de escola programa as
actividades rotativas por pais e encarregados.

Fazendo se uma analise assimptotica desta questão, cuja resposta também se nos concedeu,
verifica-se que a estratégia do uso do conselho de escola revela-se inconsistente pois este órgão de
periodicidade de reuniões, facto que não permite um controlo proficiente das tarefas que atribui
aos encarregados de educação.

Reforçando este ponto de vista, de acordo com o artigo 11 do Diploma Ministerial nº 46/2008 de
14 de Maio, o Conselho de Escola e os encarregados de educação devem reunir-se, pelo menos,
três vezes por ano, devendo, no início de cada ano lectivo e do trimestre, apresentarem os planos e
relatórios de gestão da escola e do processo de ensino-aprendizagem.

9
Em cada turma forma-se o conselho de pais e encarregados____
b) Dividem-se as actividades de acordo com o numero de educandos que o encarregado possui___
c) A cada encarregado atribui-se um valor específico por contribuir e uma actividade por exercer____
36

Agrava ainda a fragilidade no controlo das tarefas dos encarregados, através do conselho de
escola, o facto de na EPC de 24 de Julho, verificar-se o incumprimento dos encontros colectivos
com os encarregados de educação que em média das reuniões por ano é de um encontro, isto é,
em 2013, realizou-se uma reunião, em 2014 foram duas que estão abaixo do prescrito no diploma
ministerial, conforme consta dos planos das reuniões em anexo.

Em função do exposto, compreende-se que existe uma fragilidade na gestão democrática da


escola para uma parceria na busca de soluções que promovam a sustentabilidade interna e a
melhoria da qualidade de ensino.

3.3. O Impacto das Acções da Participação dos Pais e/Encarregados de Educação na Escola

Quando questionados os encarregados de educação sobre as reais motivações da sua participação,


neste órgão, encontrou-se uma disparidade de motivos que orientam a sua acção na escola,
todavia, há uma certa tendência uniforme de eleição do motivo do acompanhamento da
aprendizagem dos seus educandos.

No tocante à questão P- quais são as áreas da gestão da escola em que participam os encarregados
de educação?10), obteve-se as seguintes respostas: a) Desenham estratégias de angariação de
fundos; b) Organizam estratégias de apoio à aprendizagem dos alunos.

A partir desta questão foi possível constatar que a direcção da escola privilegia a participação dos
pais e/encarregados de educação para a gestão administrativa da escola para a busca das soluções
dos problemas que afectam a comunidade escolar.

Para o efeito, lembra Pereira (2011:48) que “ao nível da escola todos são chamados a contribuir
na resolução dos problemas (…) como um órgão que integra não apenas os actores internos,
como também a comunidade (…) deve ser um espaço onde todos têm a possibilidade de poder
expressar os seus posicionamentos”.

10
c) Os encarregados participam na reabilitação dos mobiliários e imóveis da escola; d) Desenvolvem jornadas
de limpeza.
37

Ainda em relação à questão P: que problemas têm debatido com os professores/direcção da


escola?), os encarregados de educação, responderam nos seguintes termos: a) O problema dos
horários de aprendizagem na escola; (39%); b) Os problemas de professores que faltam muito às
aulas. (17%) d) A negociação de medidas ou estratégias de recuperação dos alunos com
dificuldades (37%); c) A identificação de alunos com baixo rendimento escolar; (6
Portanto, depreende-se que, a maioria dos encarregados de educação, relega a gestão dos fundos,
projectos e planos internos para o conselho e para a direcção de escola. Por isso, a reflexão sobre
as dificuldades financeiras da escola não domina as acções dos pais e encarregados, deixando a
responsabilidade de gestão das insuficiências de fundos à direcção da escola.

No mesmo plano de análise do impacto das acções dos pais e encarregados de educação, quanto
ao processo de ensino-aprendizagem, conforme as respostas da pergunta P: Como professor quais
são as dificuldades que enfrenta para envolver os encarregados na educação dos seus filhos?11).
EC3:
a) Os encarregados não comparecem regularmente às solicitações dos professores (72%)
b) Os encarregados atiram as responsabilidades de aprendizagem dos alunos apenas para os
professores. (28%)

Assim, de acordo as estatísticas, os professores referem que os encarregados de educação apenas


aparecem na escola, quando são solicitados em função da irregularidade cometido pelos
educandos.

Todavia, para uma gestão efectiva dos problemas de aprendizagem a nível da escola, é necessária
uma distribuição equitativa das responsabilidades entre encarregados educação e os professores
na procura de soluções eficazes que satisfazem o desperdício pedagógico.

Estas actividades de co-partilha são prescritas em todos os documentos e diplomas ministeriais


referentes ao funcionamento deste do conselho da escola e da relação professor-encarregado. A
partir das actividades plasmadas nestes documentos normativos, em cada escola, o conselho da
escola e a direcção elabora o plano de actividades, operacionalizando as suas atribuições para a
gestão da escola de forma participativa.

11
c) Os encarregados têm baixo nível de literacia para acompanhar a aprendizagem dos filhos____
d) Os encarregados tem muitas ocupações socioeconómicas e não implementam as estratégias aprovadas para o apoio
das crianças.__________________
38

Porém, na Escola 24 de Julho, partindo dos dados fornecidos, não existe um plano anual de
actividades de gestão participativas onde são organizados os trabalhos que todos os membros
devem realizar na escola.

Por outro lado, os trabalhos para os encarregados são organizados mediante uma agenda que é
elaborada para orientar os encarregados de educação com base em situações problemáticas
identificadas quer na área de aprendizagem, quer na área administrativa.

Assim, “a inexistência dum plano de actividades e a ambiguidade do funcionamento do conselho


de escola que, sem um plano, acaba por organizar as suas actividades de forma desarticulada e
inconsistente, acentua uma perspectiva de funcionamento anárquico da escola”. Drabach
(2010:65).

Apesar de muitos inqueridos apresentarem o conjunto de actividades que realiza, compreende-se


que uma vez não existindo o plano de actividades devidamente estruturado, as actividades são
realizadas assistematicamente, facto que reforça a desarticulação entre os professores, conselho da
escola e os encarregados de educação.

Gráfico 5: Actividades dos pais e encarregados de educação

Para a maioria dos encarregados de educação, as suas acções residem na participação às reuniões
e no levantamento dos problemas que afligem os seus educandos. Não consta das declarações dos
pais e encarregados de educação a procura de soluções e de iniciativas que permitem o
desenvolvimento da comunidade escolar.
39

A partir das respostas dos pais e/encarregados de educação, compreende-se que estes apresentam
muitas dificuldades para interpretar as suas atribuições e seus papeis dentro da plataforma de
gestão dos problemas da escola. P: Quais são as áreas da gestão da escola em que participam os
encarregados de educação?

Segundo as respostas dos pais e encarregados de educação sistematizadas no gráfico numero 5,


depreende-se que os pais e/encarregados de educação não apresentam uma capacidade
interpretativa dos seus papéis, isto é, a discussão e soluções dos problemas, através de uma
sequência de identificação do problema, definição, selecção da solução, implementação e
avaliação, não se encontram aptos para participar da gestão democrática da escola.

É importante que a direcção e o conselho da escola permita a utilização de novas formas de gestão
democrática, através de um modelo de administração colectiva em que todos podem e devem
participar nas actividades, discutindo aspectos administrativos, pedagógicos e financeiros da
escola.

Werle (2003) apud Silva e Neto (2007:62), refere que “o conselho de escola é constituído por
pessoas diferentes entre si, mas que se reúnem para solucionar problemas e desenvolver
actividades que contribuam para o desenvolvimento da escola”.

Assim, em relação a questão EC1 (Que medidas toma quando o pai e/encarregado de educação
detecta problemas de aprendizagem nos seus educandos?), os informantes (pais e encarregados de
educação) afirmaram que contactam o professor para apresentarem os problemas de
aprendizagem dos seus educandos e comunicam também a direcção da escola.

Nesse sentido, em relação a participação dos conselhos dos pais, pais das turmas e Conselho de
escola, constata-se que há crise de informação ou conhecimentos que permitem desenvolver
estratégias de acção para a melhoria da qualidade de ensino.

Alguns pesquisadores que se debruçam sobre a gestão escolar, dentre eles, Luck (2006) e Gramsci
(2007), são unânimes em afirmar que sem participação não há democracia e sem conhecimento e
informação não há consistência na participação.
40

Contudo, os entrevistados (pais e encarregados de educação, professores e a direcção da escola)


não se mostram satisfeitos pelos resultados obtidos pelos seus educandos em termos de qualidade
de aprendizagem e da gestão dos problemas da escola.

Nesse contexto, se aceitar-se que a gestão da escola é constituída por vários segmentos, onde os
membros possuem experiências profissionais diferentes, a falta de acções de capacitação e
informação aos pais e encarregados de educação pode contribuir para o enfraquecimento da
participação para a Gestão Democrática.

Segundo Medeiros e Oliveiras (2008:57), “a falta de preparação dos membros da escola, faz com
que os reais problemas da escola, como a baixa qualidade do ensino, a deficiente avaliação, a
baixa qualificação dos professores, a falta de envolvimento da comunidade, etc., nunca sejam
discutidos nas reuniões”.

3.4. Problemas Debatidos Pelos Membros do Conselho da Escola

No contexto da caracterização do impacto das acções dos pais e encarregados de educação na


gestão da escola, descrevemos os problemas principais que constituem o foco de intervenção
nesta fraca participação da escola. Baseando-se na orientação dos documentos normativos da
escola quanto à formação de comissões de trabalho, existem uma necessidade de criação das
comissões dos pais e encarregados de educação, conselhos de turma e conselho de escola para
desenvolverem várias actividades na escola.

Porém, as comissões de trabalho não são do domínio da maioria dos pais e encarregados de
educação e, por consequência, são escassas as oportunidades de debate dos problemas no
conselho de escola como fruto de consulta às comissões de trabalho.

Na questão, P12: quais são as modalidades que usa para comunicar-se com os pais e/encarregados
dentro do conselho da escola).
a) Convocatórias particularizadas para os pais/encarregados de educação (54%)
b) EC3: Reuniões com os pais e/encarregados da turma (46%)

12
Construção de um cronograma de contactos com os encarregados__; Convocatória geral da
escola aos encarregados_____
41

Denota-se, nas respostas dos professores que apesar da retórica normativa considerar o conselho
como um órgão máximo da escola com poderes de controlar a gestão da direcção, os dados
recolhidos no campo da pesquisa revelam que o conselho da escola, apenas funciona como órgão
de suporte das decisões da direcção da escola porque há fraca participação dos membros
escolhidos e principalmente da representatividade dos pais e encarregados de educação.

Por outro lado, foi possível constatar que, no conselho de escola em análise, a pequena
representatividade dos pais e encarregados de educação concentra-se nos assuntos referentes à
área pedagógica relacionada com o comportamento dos alunos e professores em termos de faltas.

Os aspectos inerentes às estratégias de resolução das dificuldades dos alunos não constituem o
pano de fundo nos debates do conselho da escola e, consequentemente, muitos alunos terminam o
ensino primário com elevados problemas do domínio das competências básicas. P: (Qual é o
papel do encarregado na gestão destes problemas de aprendizagem?)

EC1: os pais revelam que participam do conselho da escola para a construção das salas de aulas;
EC1: participam do conselho de escola para a discussão do salário dos funcionários sazonais,
através das contribuições.
Compreende-se dos dados acima expostos que, apesar do conselho de escola, em termos de
legislação, ter poderes de intervenção na escola, na prática não são materializados, primeiro pelo
simples facto de que os membros desconhecem o funcionamento dos regulamentos e porque
existem vários aspectos como a definição do currículo, tipo de aluno, planificação de actividades
curriculares e extracurriculares, realização de actividades extracurriculares, avaliação que vem
definida centralmente pelo ministério da educação.
42

Gráfico 6: Problemas debatidos no conselho da escola

Segundo Gohn (2001), o Conselho de Escola sendo um espaço público, as suas decisões devem
ser tomadas por todos após uma discussão com todos os segmentos. No contexto do presente
estudo, é importante compreender, a partir dos seus membros, a maneira como as decisões são
tomadas a nível do Conselho de Escola.

Diante deste problema, a preocupação desta pesquisa é a compreensão do papel do conselho de


escola na melhoria da qualidade de ensino, segundo a resolução dos problemas de aprendizagem
com que os alunos se debatem porque, segundo MEC (2005:10), o conselho da escola deve
promover “a participação construtiva na tomada de decisões pode melhorar a escola, a
qualidade de ensino e promover o sucesso da escola, pois o envolvimento da comunidade e dos
pais está positivamente, ligado aos resultados dos alunos”.

Pela análise das actas e das agendas da reunião (2013-2015), nos conselhos de escola não são
frequentes os debates sobre os fracassos no aproveitamento dos alunos P-(quais são as
dificuldades que enfrenta para envolver os encarregados na educação dos seus filhos?).
EC3: Os encarregados não comparecem regularmente às solicitações dos professores (57%)
EC3: Os encarregados tem muitas ocupações socioeconómicas e não implementam as estratégias
aprovadas para o apoio das crianças (13%).
EC3: Os encarregados atiram as responsabilidades de aprendizagem dos alunos apenas para os
professores (30%)

O conselho de escola limita-se ao debate de processos administrativos para a gestão de fundos e


para a aprovação dos planos de reabilitação das infraestruturas. Os processos pedagógicos que são
também atribuições do conselho de escola não são priorizados, facto que anula todo o esforço do
conselho de escola na busca de excelência e da qualidade de ensino.
43

CAPÍTULO IV: CONCLUSÃO E SUGESTÕES


4.1. Conclusão

No percurso desta pesquisa, de acordo com os dados recolhidos, alcançou-se as seguintes


conclusões:
(i) o papel dos pais e/encarregados de educação na gestão democrática e participativa na Escola
Primária do 1º e do 2º Grau 24 de Julho, assenta-se no acompanhamento passivo do processo
pedagógico dos seus educandos, mediante a recepção da informação sobre os problemas de
aprendizagem que os professores constatam nos alunos.

(ii) os pais e/encarregados de educação participam apenas em reuniões trimestrais e de abertura


do ano lectivo e, neste contexto, os pais e encarregados recebem informações sobre o percurso da
aprendizagem dos seus educandos, sem contudo, participarem da gestão dos desafios de
aprendizagem em colaboração com os professores.

(iii) Há na escola o desajuste das práticas dos pais e/encarregados com as orientações dos
regulamentos e diplomas ministeriais que prescrevem as boas práticas de gestão democrática e
participativa da escola, incluindo a definição e distribuição das responsabilidades.

(iv) A direcção da escola e os professores apresentam actividades limitadas de envolvimento dos


pais e encarregados de educação na gestão da escola, facto que conduz a uma inoperância das
tarefas e atribuições que são prescritas no REGEB e nos diplomas ministeriais, sendo que as
reuniões são realizadas apenas para a comunicação das deliberações tomadas pela direcção da
escola.

(v) Há uma limitação enorme para operar uma melhoria na gestão da escola porque a direcção e o
conselho da escola não apresentam uma estratégia de gestão democrática para a busca de soluções
para os problemas que a escola enfrenta.

Conclui-se ainda que, devido fraca capacitação dos pais e/encarregados de educação, reduz-se a
capacidade de participação no processo de planificação, monitoria e avaliação dos projectos da
escola e do processo de ensino-aprendizagem.
44

Neste contexto, em termos de procedimentos de participação dos pais e/encarregados de educação


do processo de tomada de decisões sobre a vida interna da escola e do processo de aprendizagem
dos seus filhos, verifica-se que desajuste das suas práticas com as orientações dos regulamentos e
diplomas ministeriais que prescrevem as boas práticas de gestão democrática e participativa da
escola.

4.2. Sugestões

Em função das conclusões alcançadas, sugere-se:


-Que se potencie a capacitação dos conselhos de pais e encarregados de educação, conselhos de
escola e os gestores dos processos educativos, explicitando as suas competências e tarefas na
gestão democrática das instituições de ensino como mecanismo para alcançar uma excelência no
seu desempenho;
-Que a direcção da escola contemple a dimensão da gestão pedagógica da qualidade de ensino nos
seus debates com os encarregados de educação para a procura de soluções que melhorem a
aquisição de competências.
-Que os pais e/encarregados de educação sejam parte integrante da vida da escola, contribuindo
em estratégias e soluções que permitam reforçam a boa gestão administrativa e pedagógica,
estudo as causas do desperdício pedagógico dos alunos.
45

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47

Apêndices
Escola Primária do 1º e 2º Grau 24 de Julho
Questionário aos pais e/encarregados de educação

O presente questionário destina-se à recolha dos dados sobre a participação e o papel dos
pais/encarregados da educação na gestão da escola: estratégias de apoio no processo de ensino-
aprendizagem, na gestão das infraestruturas, na gestão dos fundos da escola e na resolução dos
problemas escolares. Portanto, pede-se aos respondentes que colaborem, apresentando as suas
percepções sobre as dimensões da sua participação na gestão da escola.
Mais informa-se que os resultados desta pesquisa serão usados para o contexto desta pesquisa,
pelo que garante-se o anonimato e a protecção socioprofissional dos respondentes.

Preenche os espaços em branco e marque com x nos espaços convenientes.

Grupo I: Dados Socioprofissionais


1. Nome da escola: ________________________________________________
2. Sexo: _________
3. Escolaridade: Básico__ Médio___ Superior__

II. Responda às questões que se seguem


1.Tem informação ou conhecimento sobre os seus direitos de participação na vida da escola?
Sim____ Não_____
2. Como pai e/encarregado de educação quais são os seus objectivos quando participa da
educação dos seus filhos na escola? (seleccione uma opção)
a) Fazer parte da vida escola na condução do processo de ensino-aprendizagem___
b) Apoiar a direcção da escola na resolução dos problemas da escola. ___
c) Ajudar a direcção da escola na gestão dos fundos alocados. ___
d) Sensibilizar os meus filhos para envolverem-se activamente na vida da escola._____

3. Quais são as tarefas ou actividades concretas que já realizou na escola onde estudam os seus
filhos? (seleccione uma opção)
a)Participar das reuniões internas da escola para gestão dos problemas___
b)Mobilizar iniciativas para o desenvolvimento local da escola___
48

c) Apoiar a direcção na busca de soluções. ___


d)Indicar os problemas que afectam a escola. ___
e) Apresente outras actividades___________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
4. Tem se deslocado à escola para o acompanhamento da aprendizagem dos seus filhos?
Sim___ Não____às vezes____
5. Que problemas de aprendizagem dos alunos tem debatido com os professores/direcção da
escola?
a) O problema dos horários de aprendizagem na escola___
b) Os problemas de professores que faltam muito às aulas. ___
c) A identificação de alunos com baixo rendimento escolar___
d) A negociação de medidas ou estratégias de recuperação dos alunos com dificuldades ___
e) Apresente outros problemas debatidos______________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
6. Que medidas toma quando o pai e/encarregado de educação detecta problemas de
aprendizagem nos seus educandos?
a)Nunca negociamos estes problemas___
b) Recomendamos a direcção para trabalhar directamente com os professores___
c) Apelamos os professores em reuniões concretas para apoiarem os alunos. ___
d) Elaboramos com a direcção da escola medidas alternativas___
e) Apresente outras______________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
7. Como é que os pais encaminham as suas preocupações à direcção da escola?
a)Na secretária da escola___
b)No presidente do conselho da escola___
c)No gabinete do director___
d)Em qualquer membro do conselho___
49

8. Os encarregados de educação têm apoiado a escola na construção e/reabilitação das salas e


infraestruturas? Sim___Não____
8.1. Como é que os pais e encarregados têm feito para apoiarem a escola nestas actividades
a) Contribuição individual do valor acordado pelo conselho da escola_____
b) criação de uma associação dos pais para apoiar a escola_______
c) participação directa dos pais nas jornadas de limpeza e manutenção das infraestruturas_______
d) apelamos a direcção da escola para pedir apoios ao governo____________
e) Apresente outras_____________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

8.2. Como é que os pais e encarregados de educação participam da gestão dos fundos da escola?
a) Através da representação dos pais no conselho de escola_________
b) Nas reuniões de planificação da aplicação dos fundos da escola______
c) Através do levantamento das prioridades para a vida da escola_________
d) Através da organização da associação dos pais/encarregados de educação___
e) Apresente outras formas______________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
9. Os pais e encarregados têm avaliado a qualidade de aprendizagem oferecida pela escola?
Sim____Não_____
10. Como é que os pais e encarregados de educação avaliam a qualidade dos serviços prestados
pela escola para a educação dos seus filhos?
a) Pelas competências construídas pelos educandos__________
b) Pelos projectos de melhoria de educação desenvolvidos pela escola____
c) Pela inclusão dos encarregados na resolução dos problemas de aprendizagem dos
educandos____
d) Pela transparência e inclusão na gestão dos fundos da escola para a satisfação dos educandos.
e) Apresente outras formas de avaliação______________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
50

Questionário aos Professores

O presente questionário destina-se à recolha dos dados sobre a percepção dos professores da
Escola do 1º e do 2º Grau de 24 de Julho quanto à participação e ao papel dos pais/encarregados
da educação na gestão da escola: estratégias de apoio no processo de ensino-aprendizagem e
acompanhamento dos seus educandos. Portanto, pede-se aos respondentes que colaborem,
apresentando as suas percepções sobre as dimensões da sua participação na gestão da escola.
Mais informa-se que os resultados desta pesquisa serão usados para o contexto desta pesquisa,
pelo que garante-se o anonimato e a protecção socioprofissional dos respondentes.

Preenche os espaços em branco e marque com x nos espaços convenientes.

Grupo I: Dados Socioprofissionais


1. Nome da escola: ________________________________________________
2. Sexo: _________
3. Escolaridade: Básico__ Médio___ Superior__
4. Disciplina/classe que lecciona________________________

Questões aos professores


1. O professor tem desenvolvido uma comunicação directa com os pais e/encarregados dos
seus alunos? Sim___Não___às vezes______sempre_______
2. Quais são as modalidades que usa para comunicar-se com os pais e/encarregados?
c) Reuniões com os pais e/encarregados da turma______
d) Convocatórias particularizadas para os pais/encarregados de educação____
e) Construção de um cronograma de contactos com os encarregados_____
f) Convocatória geral da escola aos encarregados_____
3. Que assuntos são debatidos nessas reuniões referentes à aprendizagem dos alunos?
a) Problemas de atrasos sistemáticos dos alunos___________________
b) Apresentação de pontos positivos e negativos na aprendizagem de cada aluno_______
c) Elaboração de estratégias coordenadas com os encarregados para o apoio dos alunos____
d) Discussão da qualidade das notas dos alunos com classes de exames_______
Apresente outros problemas analisados_________________________________________
51

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
4. Qual é o papel do encarregado na gestão destes problemas de aprendizagem?
a) O encarregado envolve-se activamente no apoio do seu educando em coordenação com os
professores____
b) O encarregado apresenta as suas percepções para a elaboração das estratégias de apoio ao
aluno___________
c) O encarregado recebe recomendações que deve seguir para o sucesso do seu educando__
d) O encarregado fornece dados ao professor para a interpretação das dificuldades dos
alunos___
Apresente outros problemas analisados_________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
5. Como professor quais são as dificuldades que enfrenta para envolver os encarregados na
educação dos seus filhos?
a) Os encarregados não comparecem regularmente às solicitações dos professores________
b) Os encarregados têm baixo nível de literacia para acompanhar a aprendizagem dos
filhos____
c) Os encarregados tem muitas ocupações socioeconómicas e não implementam as
estratégias aprovadas para o apoio das crianças.__________________
d) Os encarregados atiram as responsabilidades de aprendizagem dos alunos apenas para os
professores_______________
Apresente outros obstáculos _________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

Escola Primária do 1º e 2º Grau 24 de Julho


Questionário à direcção da escola

O presente questionário destina-se à recolha dos dados sobre a percepção da direcção da escola
quanto à participação e ao papel dos pais/encarregados da educação na gestão da escola:
52

estratégias de apoio no processo de ensino-aprendizagem, na gestão das infraestruturas, na gestão


dos fundos da escola e na resolução dos problemas escolares. Portanto, pede-se aos respondentes
que colaborem, apresentando as suas percepções sobre as dimensões da sua participação na gestão
da escola.
Mais informa-se que os resultados desta pesquisa serão usados para o contexto desta pesquisa,
pelo que garante-se o anonimato e a protecção socioprofissional dos respondentes.

Preenche os espaços em branco e marque com x nos espaços convenientes.

Grupo I: Dados Socioprofissionais


1. Nome da escola: ________________________________________________
2. Sexo: _________
3. Escolaridade: Básico__ Médio___ Superior__
4. Cargo: Director da Escola_____Director Adjunto Pedagógico______

Questões à Direcção da Escola


1. A direcção da escola envolve os encarregados na gestão da escola?
Sim__Não____ Ás vezes___Sempre____
2. Quais são as estratégias que a direcção usa para envolver os encarregados na gestão da
escola?
a) Divulgação de informações sobre os direitos e deveres dos pais e encarregados de
educação na escola________
b) Formação de um conselho de escola que negocia com os encarregados___
c) Campanhas de sensibilização levadas a cabo pelo conselho e pela direcção da escola___
d) Solicitação directa e individualizada dos pais e encarregados de educação___
Apresente outras estratégias_____________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
3. Como é que a direcção distribui tarefas e responsabilidades aos encarregados para a gestão
da escola?
a) Em cada turma forma-se o conselho de pais e encarregados____
b) Dividem-se as actividades de acordo com o numero de educandos que o encarregado
possui___
53

c) A cada encarregado atribui-se um valor específico por contribuir e uma actividade por
exercer____
d) O conselho de escola programa as actividades rotativas por pais e encarregados___
e) Apresente outras estratégias_______________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
________________________________________________________________
4. Quais são as áreas da gestão da escola em que participam os encarregados de educação?
c) Os encarregados participam na reabilitação dos mobiliários e imóveis da escola___
d) Desenvolvem jornadas de limpeza____
e) Desenham estratégias de angariação de fundos___
f) Organizam estratégias de apoio à aprendizagem dos alunos____

5. Como é que os encarregados de educação reagem às missões que recebem na escola?


a) Os encarregados são participativos e envolvem-se activamente em todas as actividades__
b) Muitos encarregados ausentam-se das actividades de gestão da escola___
c) Os encarregados não aceitam contribuir em valores monetários para a gestão da escola___
d) Os encarregados relegam a responsabilidade à direcção da escola____
e) Apresente outras reacções________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________
6. Em caso de dificuldades no cumprimento das missões como é que a direcção da escola
intervém?
a) A direcção reúne-se com os encarregados para a sensibilização___
b) A direcção suspende das aulas os alunos cujos encarregados não cumprem com as suas
tarefas_____
c) O conselho de escola reúne com os encarregados e negocia modelos de envolvimento___
d) Os Encarregados entre si discutem as modalidades de controlo nas participações ______
7. Como é que a direcção da escola promove a participação dos encarregados na gestão dos
fundos da escola?
a) A direcção divulga os fundos da escola ao conselho para a respectiva planificação__
b) A direcção da escola reúne com os representantes dos pais e encarregados para a análise e
planificação das necessidades da escola___
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c) A direcção apresenta um plano de aplicação de fundos para ser aprovado pelos


encarregados___
d) A direcção planifica e informa aos encarregados____
e) Outras formas___________________________________________
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8. Como é que planifica o envolvimento dos encarregados na construção e/ou reabilitação
das infraestruturas escolar?
a) A escola fixa um valor de contribuição por cada educando____
b) A escola fixa o tipo de material de construção que cada encarregado deve fornecer___
c) A escola solicita encarregados para executarem as obras____
d) A escola reabilita as infraestruturas e fixa a contribuição de apoio por cada
encarregado___
e) Outras formas____________________________________________________
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9. Como é que a direcção da escola promove a participação dos encarregados na gestão do
processo de ensino-aprendizagem?
a) A direcção divulga as modalidades de comunicação pedagógica entre os professores e os
encarregados____
b) A direcção coordena os encontros entre os professores e os encarregados para a análise
dos casos dos educandos___
c) A direcção coordena a elaboração de estratégia de apoio pedagógico com os encarregados
d) Outras estratégis_________________________________________________________
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10. Que estratégias a direcção da escola aplica para envolver os encarregados na avaliação do
processo de ensino-aprendizagem?
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