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ANÁLISE EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO NO BRASIL – ALGUMA HISTÓRIA E

ALGUMAS POSSÍVEIS PERSPECTIVAS


Silvio Paulo Botomé1

(Este texto foi escrito para criar uma base de referência a um debate a respeito do que está considerado neste título e na direção
das perguntas formuladas em relação a ele ao final como foco de uma reunião para debate entre pessoas, majoritariamente estudantes,
com interesse em estudar e trabalhar de acordo com o conhecimento e os princípios relacionados à Análise Experimental do
Comportamento, no sentido da tradição das contribuições do Behaviorismo Radical, desde B. F. Skinner. As possibilidades e condições
do Brasil, nos sessenta anos de existência da Análise do Comportamento produziram uma grande quantidade de entendimentos,
atividades e recursos em relação a essa contribuição na Psicologia e isso necessita pelo menos de um debate que possa ajudar na
orientação para os que querem iniciar-se nesse tipo de trabalho. Não está autorizada a publicação ou reprodução deste texto a não ser
no âmbito do evento para o qual foi destinado em Florianópolis, Santa Catarina, sob a designação de “Pizza Behaviorista”, um conjunto
de profissionais e estudantes de Psicologia que se reúnem para orientar-se em estudos e modalidades de trabalho em relação ao
behaviorismo. Quaisquer lacunas ou falhas na lembrança, localização ou importância de eventos apresentados devem ser imputados ao
redator que construiu esse texto basicamente de memória, com consultas apenas ao que lhe era mais próximo ou viável dado o tempo
de uma semana para dar conta deste texto).

A expressão “Análise Experimental do Comportamento no Brasil – história e perspectivas” já


foi usada muitas vezes em diferentes circunstâncias, épocas e abrangências e serviu como título para
exposições, palestras, debates, artigos e outras atividades no país, desde a década de 1970. Os focos
ou orientações de seu exame, porém, variaram. Como também variaram o grau de microscopia do
exame realizado em diferentes eventos e a amplitude que foi considerada em relação ao tempo de
duração ou de exame e extensão geográfica da história e das perspectivas. Também há vários focos
de exame conforme os objetivos ou conforme a história de envolvimento dos autores com os vários
trabalhos, atividades, autores e locais de trabalho realizados sob essa designação ou outras similares
e até, em alguns casos, equivalentes apesar de serem diferentes. A cada década, porém, aparecem
aspectos novos e maior volume e diversidade de dados a considerar para quaisquer possíveis
avaliação e delineamento de perspectivas. E isso é algo precioso na medida em que a cada década,
também é possível aumentar os critérios de avaliação e de exame realizados. Ainda mais com uma
história rica de acontecimentos, mudanças, descobertas, criações e uma ampliação exponencial em
umas poucas décadas. A Análise Experimental do Comportamento, mesmo que realizada em
diferentes formas e aproximações de seus aspectos essenciais, ampliou-se como perspectiva de
trabalho em Psicologia, mesmo com os vários afastamentos de suas concepções básicas e de origem.
A própria terminologia para referir-se a esse tipo de trabalho (Análise Experimental do
Comportamento) perdeu uma parte de seu nome na comunicação estabelecida entre os que trabalham
com essa perspectiva de trabalho e com o fenômeno do comportamento, passando a ser utilizada,
predominantemente, a expressão “análise do comportamento”. Os que trabalham com ela,
coerentemente, também passaram a designar-se, de forma mais sucinta ou econômica, por “analistas
do comportamento”. Isso pode significar que houve um abandono do termo “experimental” ou que
ele deixou de ter sentido no trabalho que realizam os profissionais e, talvez também, os cientistas em
relação ao fenômeno do “comportamento”? Em algum momento essa pergunta precisará ser
respondida com um exame do que aconteceu e das perspectivas que têm os que adotam tal designação.

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Sílvio Paulo Botomé. Professor Titular aposentado dos Departamentos de Psicologia das Universidades Federal de
São Carlos e Federal de Santa Catarina. Texto escrito em outubro de 2020. Para uso exclusivo no evento promovido
pelo grupo “Pizza Behaviorista”, em Florianópolis no ano de 2020.
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A perspectiva e contribuição para o trabalho da Psicologia reunido sob o nome que está no
título deste texto surge, no Brasil, em alguns anos conturbados que iriam preceder o regime militar e
ditatorial instalado no País desde o final da primeira metade da década de 1960 até o final da década
de 1980, quando começou a haver alguma alteração no regime de governo existente. Mesmo assim,
ficaram sequelas variadas para os processos de desenvolvimento do país em múltiplas áreas. A
mudança de regime, não ocorreu de maneira homogênea nessas áreas, deixando heranças
configuradas por estruturas, definições, conceitos e procedimentos burocráticos, junto com leis e
normas que mantiveram muitos aspectos instalados ou apoiados pelo regime existente. Especialmente
as novas gerações, nascidas após o começo dos anos de 1960, foram atingidas por encontrarem um
país e um sistema social, político, econômico e educacional configurado de acordo com governos
variados que marcaram a administração e a burocracia do país, ao longo de quase três décadas, sem
considerar as decorrências que permaneceram por muito mais tempo. O ensino superior e a Ciência,
apesar de sua resistência, quase generalizada, a aspectos do regime não ficaram incólumes e, durante
décadas, elas lidaram com estruturas, condições, limites e conceituações mantidos e até consagrados
pelo regime ditatorial instalado no Brasil. Mesmo pelos regimes que antecederam o que aconteceu a
partir do começo de 1964, algumas estruturas foram mantidas e resistiram a avaliações e alterações
necessárias, pelo menos a partir das novas descobertas e conceitos elaborados no âmbito do
conhecimento científico e filosófico produzido no País e no mundo. Conceitos, critérios,
desenvolvimentos científicos, sociais e tecnológicos foram ignorados pelo país e por suas estruturas
e gestores durante muitos anos.
Isso pode ser um motivo para avaliar – mais uma vez – alguns aspectos da história e do
desenvolvimento do que aconteceu no país, particularmente no que foi conhecido como Análise
Experimental do Comportamento, depois divulgada e renomeada, talvez por economia ou
simplificação, como Análise do Comportamento. Isso já é parte do que aconteceu historicamente no
país e que pode ter sido influenciado por diferentes circunstâncias que talvez não tenham sido
suficientemente examinadas ou entendidas pelos próprios agentes – profissionais e estudantes –
relacionados a esse tipo de contribuição para o desenvolvimento da Psicologia. No final da segunda
década do Século XXI, ultrapassando os setenta anos de idade brasileiros, a Análise Experimental do
Comportamento que iniciou seu trabalho no Brasil na década de 1960, pode ser vista de muitos pontos
de vista. Está em aberto uma ampla gama de possibilidades de avaliação com os mais variados
critérios que possam ser adotados. Este texto não pretende ser um texto de avaliação, apenas
descritivos de parte – talvez significativa – de eventos que constituíram a existência da Análise
Experimental do Comportamento no País.
Alguns “behavioristas” (outra designação para os que trabalham nessa perspectiva) do sul do
Brasil, uma região marcadamente sem cursos que se referissem a esse tipo de contribuição da
Psicologia, acentuadamente em Santa Catarina, promoveram, nas décadas iniciais deste século,
encontros anuais de informação e debate a respeito dessa contribuição para a Psicologia durante o
tempo em que durou essa área de pesquisa e estudos no Programa de Pós-graduação em Psicologia
da Universidade Federal de Santa Catarina, desde o início da década de 2000 até o ano de 2014,
aproximadamente. Nesses encontros surgiram algumas questões que parecem importantes para o
desenvolvimento desses profissionais, atingindo principalmente os estudantes que estão nos cursos
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de Psicologia da região. Os encontros variaram suas atividades entre informações a respeito da área,
exame de contribuições recentes e avaliação de conceitos fundamentais para o trabalho da Psicologia,
com alguns debates com profissionais veteranos que trabalham com essa perspectiva na Psicologia.
Profissionais e estudantes, participantes desses encontros, destacaram alguns aspectos com os
quais se defrontaram nos últimos anos das duas décadas de 2020, e que dizem respeito ao trabalho
com o comportamento humano, um objeto de trabalho específico desse tipo de contribuição para o
desenvolvimento da Psicologia, tanto como área de conhecimento (inserida na área da Psicologia),
quanto como campo de atuação profissional que ficou, bem ou mal, difundido por vários estados do
País. Por exemplo:
- o ensino de Análise, às vezes também Experimental, do Comportamento, tanto em cursos de
graduação como em programas de pós-graduação está fragmentado. Não há – ou há muito pouca –
articulação entre o que diferentes professores ensinam sem sequer uma sequência planejada e
articulada de desenvolvimento de disciplinas ao longo dos cursos de graduação. Não há um projeto
de formação de um profissional para trabalhar com o comportamento de acordo com as contribuições
existentes no âmbito do conhecimento científico e filosófico a esse respeito. O ensino de pós-
graduação de diferentes lugares mantém a mesma estrutura da graduação, com disciplinas de interesse
de cada professor, sem um projeto articulado de desenvolvimento da formação de um cientista e
professor de nível superior em relação ao comportamento. Mais do que um projeto de formação há
contribuições e trabalhos individuais de professores em torno de seus interesses específicos de estudo
e de estudo ou intervenção. A própria distinção entre curso de graduação e programas de pós-
graduação é mínima, mantendo na pós-graduação objetivos, organização e estrutura similar ao que
acontece na graduação. Ressaltando que a Pós-graduação com tais características aparece mais
significativamente e se multiplica nos tempos do regime militar e anos seguintes, até de acordo com
as estruturas já existentes no sistema de governo instalado no País. A própria coordenação das
universidades ficou acentuadamente voltada para o ensino. A produção de conhecimento ficou ora
concebida sob coordenação do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), incluindo os Institutos de
Pesquisa do governo e órgãos como a CAPES (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal do
Ensino Superior) que, à semelhança da SESu (Secretaria de Ensino Superior do MEC) com relação
ao ensino de graduação, passou a coordenar e administrar os Programas de Pós-graduação.
- os próprios eventos científicos (Congressos, Encontros, Reuniões, Jornadas...) realizados na
área tem mudado de uma ênfase em avaliar ou debater contribuições para o desenvolvimento da área
para outra em difundir informações, técnicas e conceitos mais de acordo com entendimentos
particulares do que como resultado de debates e avaliação das controvérsias e problemas existentes
com o conhecimento. Parece que de congressos científicos passamos para feiras de informação e
técnicas de trabalho profissional, mais voltadas para a promoção de instituições, tipos ou técnicas de
trabalho, ficando para as pesquisas, mais oportunidades de exposição do que de debate e avaliação
entre os cientistas e os que se preparavam para tal tipo de trabalho nos programas de pós-graduação
e na formação de iniciação científica realizada nos cursos de graduação. A necessária ênfase em
debates e avaliações do conhecimento produzido ou em produção, mesmo o que se refere a
experiências profissionais, passou para uma ênfase em exposições e exibições de informações, várias

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delas sem uma avaliação cuidadosa ou demonstrações inequívocas a respeito do que foi apresentado.
Talvez um grande aumento na participação de estudantes tenha orientado para uma diminuição dos
debates e acentuado uma preocupação com a divulgação da área. É o melhor? Ou isso foi acontecendo
e produziu uma adaptação e uma acomodação progressiva? Ou isso tudo não está acontecendo dessa
forma pelo país? A densidade de eventos, tanto no tempo quanto nos espaços para suas atividades,
parece enfatizar a exibição de trabalhos, ideias, entendimentos ou técnicas em relação a conceitos e
processos e reduzir a identificação de controvérsias, debates, questionamentos, avaliação de
princípios, procedimentos, experiências profissionais... Quando não sendo assim, talvez estejamos
reduzindo a ênfase de eventos, reuniões e congressos a promoção de pessoas ou instituições, de forma
sutil ou até ostensiva. Quanto isso já foi séria e coletivamente avaliado? Talvez estejamos em débitos
em relação a esse possível aspecto de avaliação.
- também parece haver quase um movimento de “modismo” em torno da “análise do
comportamento” (sem o termo “experimental”), criando em rápido aumento de quantidade, grupos
que pouco se comunicam com outros, aumentando a probabilidade de dogmatismos ou seitas de
diferentes pessoas que falam quase que exclusivamente apenas com os semelhantes e descartam o
que parece “diferente” ou com potencial de questionamento (e, talvez, de risco de desprestígio). Os
próprios encontros são cada vez mais pulverizados com a maximização de encontros e congressos
(ou eventos equivalentes) de âmbito institucional, diminuindo a regionalidade ou a amplitude de
reunião com pessoas diferentes de vários pontos de vista a respeito do trabalho com o comportamento.
Multiplicamos associações e eventos e nos contentamos em encontrar os mais próximos, destacados
ou semelhantes, ou os que constituem uma possível “clientela”, diminuindo as oportunidades de
evidenciar controvérsias e discordâncias ou questionamentos a respeito das próprias informações,
entendimentos ou procedimentos de trabalho dos profissionais que trabalham com o comportamento,
particularmente após a evidência das relações operantes como parte importante do entendimento e
conceituação do que seja “comportamento”. Talvez falte um sistema nacional coletivo de encontros
e congressos distribuídos de comum acordo por tipos, abrangências, regiões ou instituições. Ou não
é possível avaliar uma proposta disso?
- parece haver uma crescente preocupação em estudos para “validar” protocolos de
procedimentos e técnicas de trabalho, enfatizando uma dimensão do trabalho de intervenção como se
essa atuação devesse “seguir protocolos” que simplifiquem o entendimento dos procedimentos de
intervenção que possam ser denominados por “Análise do Comportamento”. Sem considerar,
novamente, o termo “Experimental” na origem do nome ou as razões para desconsiderá-lo ou
descartá-lo ou, pelo menos, evitando debater em profundidade o que ele representou e representa para
a área ou, pelo menos, os múltiplos entendimentos do que ele significa. Protocolos, tanto no que diz
respeito a procedimentos de trabalho, quanto a modelos de pesquisa, regras e princípios (em lugar de
processos comportamentais) e categorias de classificação do que ficou designado por “distúrbios de
conduta”, “doença ou patologia mental”, “disfunções comportamentais”. Como se “diagnosticar”
fosse a mera inclusão de sintomas e sinais em uma categoria, deixando de lado uma cuidadosa
caracterização do problema (processos comportamentais e circunstâncias de reforçamento existentes
ou a serem criadas) que possa ser alvo de intervenção ou de investigação ou dos dois processos em
um trabalho profissional de qualquer tipo. Parece haver um descompasso entre o conhecimento
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produzido pela Análise Experimental do Comportamento e a experiência profissional de muitos em
relação a esse conhecimento, criando retrocessos históricos em muitos trabalhos relativos ao
comportamento.
- o próprio ensino, tanto nos cursos de graduação, como de pós-graduação, tem sido cópia ou
adaptações simplistas do que, tradicionalmente, tem sido feito nos cursos existentes desde antes do
surgimento da Análise do Comportamento no Brasil. Currículo por temas, por projetos, resolução de
problemas ou similares foram mantidos apesar do ensino poder ser planejado, particularmente nos
cursos superiores, por comportamentos relevantes para caracterizar a atuação em diferentes campos
de atuação. O que com variações pequenas também se refere aos programas de pós-graduação que
deveriam habilitar pessoas a produzir (mais do que adotar, repetir, copiar ou selecionar) conhecimento
necessário e que, efetivamente seja desenvolvimento do conhecimento existente. Já foi salientado
anteriormente que a própria estrutura de currículo e de organização da pós-graduação é uma quase
repetição do que é feito na graduação com critérios semelhantes de seleção, distribuição de créditos,
tipos de aulas e orientações etc. Ainda parece obscuro que a organização por temas, assuntos ou
informações (mesmo científicas e filosóficas) não é o mais adequado para a formação em nível
superior, além de ser, também, obsoleta até para os cursos anteriores aos cursos de graduação. O
ensino por competências, até regulamentado por legislação, que se aproximou do ensino por
comportamentos, ou por comportamentos-objetivo, foi pouco entendido (até em relação à distinção
entre comportamento e competência) e implementado, principalmente em relação a suas decorrências
para procedimentos de ensino, estruturas dos cursos, conceitos utilizados no trabalho de educação
etc. Nem sequer ficou claro o que significou a proposta de centralizar a ênfase no desenvolvimento
de competências para orientar o ensino em qualquer nível de estudo. A Análise do Comportamento
ou a Análise Experimental do Comportamento, ficou na mesma condição das demais contribuições
de conhecimento para a educação, implementando o ensino em relação ao comportamento nas
mesmas estruturas e com os mesmos conceitos já existentes ou com algumas contribuições de seus
próprios pesquisadores e professores elaboradas na década de 1960.
E tal enumeração de aspectos poderia continuar... Aprofundar, conferir e avaliar essas
considerações – talvez pessimistas, ingênuas e parciais – pode ser, mesmo com limitações, uma
oportunidade de um “balanço orientador” tanto para profissionais e professores relacionados ao
comportamento, quanto para os estudantes em busca de uma orientação e formação para seu
desenvolvimento e profissionalização, em qualquer tipo ou âmbito de trabalho com o comportamento.
Todos são atores e vítimas do que acontece com o conhecimento que desenvolvemos, enfatizamos,
divulgamos ou repetimos e adotamos ao longo do tempo e nos diferentes locais em que atuamos,
desde os primórdios de Análise Experimental do Comportamento no Brasil até os nossos tempos de
“analistas do comportamento”, inclusive acreditados ou credenciados como tais por agências oficiais.
Algumas perguntas podem ser consideradas como orientadoras em um debate a respeito da
história e das perspectivas (e talvez necessidades!?) da Análise Experimental do Comportamento no
Brasil:
- O que aconteceu no desenvolvimento de instituições que se relacionam com o ensino de
Análise Experimental do Comportamento?
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- O que aconteceu com o ensino de Análise Experimental do Comportamento em cursos de
graduação das universidades e faculdades do país?
- O que aconteceu com o ensino de pós-graduação nos mestrados e doutorados do país?
- E com a produção de pesquisas pelos participantes desses programas? Houve uma produção
de conhecimento significativa? Em quantidade? E em inovação ou descobertas? Já organizamos ou
avaliamos isso?
- O que aconteceu com cursos de outra natureza fora desses dois tipos de desenvolvimento de
profissionais para o país? Por exemplo em trabalhos de especialização, atualização, aperfeiçoamento
profissionais ou mesmo em cursos de ampliação cultural relacionados ao desenvolvimento da AEC
no país? Como está nossa avaliação dessas condições?
- O que aconteceu com o próprio entendimento do que é a contribuição específica da AEC
para o desenvolvimento da Psicologia? E dos conceitos fundamentais desse tipo de contribuição?
- Que experiências de estudo, investigação ou trabalho são marcantes na demonstração do
desenvolvimento, utilização ou conhecimento dessa contribuição no Brasil e de sua relevância para a
sociedade?
- O que aconteceu com as pesquisas fundamentais no âmbito da Análise Experimental do
Comportamento?
- O que aconteceu com os campos de atuação profissional em que foi utilizado direta ou
fundamentalmente o conhecimento produzido no âmbito da Análise Experimental do
Comportamento?
As perguntas poderiam continuar, mas vale a pena resumi-las em uma só: quais as efetivas
contribuições, transformações, descobertas, experiências e aperfeiçoamentos que o trabalho e o que
fizeram os analistas experimentais do comportamento no Brasil, ou os que se consideram próximos
a esse tipo de contribuição para o conhecimento psicológico, que possa ser considerado uma parte do
desenvolvimento e da história da AEC no País? E um detalhe para as possíveis respostas a essa
pergunta: como isso tudo se articulou ou se desarticulou ao longo dos sessenta anos que decorreram
desde a década de 1960 até a de 2020?
Uma retrospectiva genérica e ainda superficial a respeito dos cerca de sessenta anos (ou mais,
dependendo de quando consideramos o “começo”) de Análise Experimental do Comportamento no
País, podem ajudar na organização do debate e entendimento que possam orientar para a construção
de perspectivas e atuações no desenvolvimento das pessoas e de seus trabalhos em relação a uma
atuação pessoal, profissional e científica a respeito do comportamento humano. Apenas para localizar
o que precisaremos preencher com complementações, qualificações, aperfeiçoamentos, correções e
avaliações... Segregando um pouco o que aconteceu em torno dos que trabalhavam com Análise
Experimental do Comportamento ou dos que se agrupavam sob a designação de “behavioristas”. Isso
já aconteceria com quase um século de início das contribuições do conhecimento a respeito do
comportamento operante, indo além do conceito tradicional de comportamento e de comportamento

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reflexo ou comportamento condicional, como foi proposto e entendido antes das contribuições de
Skinner.

Década de 1960: O conturbado e fértil início de uma longa trajetória de trabalhos, problemas,
envolvimento de pessoas e de crescimento.
O Brasil, no começo desta década, estava agitado com as possibilidades de transformação social
em curso no País, particularmente no âmbito do que se denominou por Análise Experimental do
Comportamento. Alguns pesquisadores voltaram de cursos no exterior e promoveram algumas
atividades de ensino e de organização de cursos com o que descobriram em seus cursos em outros
países. Houve experiências de ensino com laboratórios nos quais se estudavam e manejavam
variáveis que afetam os comportamentos de animais com caracterizações de processos e
procedimentos de intervenção comportamentais. Especificamente no âmbito da Análise Experimental
do Comportamento, alguns professores começaram o ensino desse tipo de contribuição para o
desenvolvimento da Psicologia em Rio Claro (SP), com aulas em cursos de graduação, nos anos de
1962 e 1963. Em Brasília, a Universidade Federal da capital, sob a reitoria de Darcy Ribeiro,
promoveu uma nova compreensão do ensino superior e, com o convite para alguns pesquisadores,
viabilizou o ensino de Psicologia com ênfase em uma compreensão e intervenção científicas com os
fenômenos psicológicos. O convite viabilizou uma experiência com auxílio de professores
estrangeiros que ajudaram e contribuíram no trabalho de nossos professores e pesquisadores
universitários desenvolvendo experiências de ensino de Psicologia com uma modalidade de ensino
programado que ficou conhecido como Ensino Personalizado Individualizado ou “Modelo Keller de
Ensino”.
Algumas contribuições desse grupo foram fundamentais para o estudo e a intervenção com o
comportamento: trabalhos fundamentados em verificações e demonstrações inequívocas a respeito
de processos comportamentais e os determinantes de suas características. Isso aconteceu como parte
de uma movimentação vigorosa e concatenada no desenvolvimento de experiências e contribuições
para o desenvolvimento de uma psicologia científica no país, uma divulgação de conceitos até então
ignorados ou pouco ou mal considerados nos cursos e pesquisas em Psicologia. Isso viabilizou a
formação de um primeiro grupo de pesquisadores e professores universitários em relação ao trabalho
com o comportamento operante.
São os primeiros trabalhos de preparação de analistas experimentais do comportamento no
âmbito do ensino de graduação e os primeiros passos em preparar professores e cientistas (já em um
nível mais avançado, aproximando de uma pós-graduação) com a formação dos próprios professores
que realizaram a experiência para o desenvolvimento do ensino superior e de pesquisadores em
Análise Experimental do Comportamento. Os pioneiros da Análise Experimental do Comportamento
no Brasil foram essas pessoas, fortemente atingidos, porém, pelas circunstâncias políticas do país que
prejudicaram também a universidade e o ensino superior. As sequelas dessas circunstâncias durariam
várias décadas, com dispersão de esforços e contribuições, com dificuldades para inovações e para o
desenvolvimento de trabalhos feitos por pessoas que discordavam ou questionavam o regime de

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governo instalado no País. A Análise Experimental do Comportamento precisaria reagir e compensar
as lesões que sofrera para poder desenvolver-se em circunstâncias adversas.
Com as transformações do regime político, em 1964, a experiência na Universidade de Brasília
foi interrompida e os professores, desligados da Universidade, tiveram que localizar-se em diferentes
possibilidades de trabalho pelo país. Uma parte deles reuniu-se em São Paulo, na Universidade de
São Paulo, em diferentes unidades no Estado. Mesmo assim, mantiveram experiências de pesquisa e
de ensino e desenvolveram vários recursos para o trabalho com o comportamento, prolongando em
diversos aspectos o trabalho iniciado na Universidade de Brasília interrompido pelo regime militar.
Surgem, no Brasil, ao final dessa época as “caixas de Skinner” (nome que ele abominava), com
as contribuições dos pesquisadores e professores e o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo). Isso viabilizou o ensino de “Análise Experimental do
Comportamento” nos cursos de graduação e de pós-graduação. O “manual de laboratório” (elaborado
por Mario A. A. Guidi e Herma B. Bauermeister) foi, para muitos, a primeira aproximação em manejo
de variáveis que afetava e produzia “comportamentos operantes”. A simulação dos trabalhos
pioneiros nos laboratórios que trabalharam com o comportamento operante, graças as Câmaras de
Experimentação (caixas de Skinner) difundidas e ao “Exercícios de Laboratório em Psicologia”, foi
uma excelente escola para entender como as variáveis ambientais se relacionavam com as atividades
de organismos animais. Tais simulações, realizadas por centenas de estudantes em cursos de
graduação e de pós-graduação, desenvolveram um repertório sensível às variáveis relacionadas e
constituintes dos comportamentos nos que faziam tais atividades com dedicação e profundidade. Tais
exercícios foram gradativamente ampliados em anos posteriores para pesquisas variadas com o
comportamento utilizando as “caixas de Skinner” e aperfeiçoamentos ou extensões nas caixas iniciais.
Uma compreensão do papel da experimentação, porém, ficou “embutido” em muitos que
passaram por essas “experiências”. O trabalho de laboratório ficou entendido como sendo
“experimental”. No entanto, poderia ter havido o destaque de que o que estava sendo feito, simulando
os processos de pesquisa básica iniciais em relação ao comportamento, era um método de separar os
integrantes de um comportamento que se relacionavam e mudavam os controles relativos à atividade
de um organismo junto com procedimentos de controle de variáveis que poderiam interferir no
entendimento ou compreensão do fenômeno designado pelo termo “comportamento”. O fenômeno
em exame, os processos de sua análise e a verificação inequívoca das relações que se estabeleciam
entre elas ficou em segundo plano e até em “plano nenhum”. Os conceitos, as técnicas, o ambiente e
o aparato utilizados nas simulações e pesquisas ficaram mais evidentes e isso acarretaria muitas
distorções a respeito do entendimento da contribuição específica das descobertas feitas em relação ao
comportamento. A principal talvez tenha sido entre os conceitos de “pesquisa básica” e “pesquisas
de laboratório”.
Junto a tudo isso, em 1968, um ano de grandes movimentações pelo mundo questionando os
referenciais da sociedade ocidental no planeta, houve várias transformações no ambiente
universitário. O questionamento da cátedra como forma de organização do ensino superior trazia
várias dúvidas: o conhecimento podia ser considerado de propriedade ou gestão individual como o
faziam os catedráticos com seus auxiliares: professores adjuntos, assistentes e auxiliares? O ensino
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de graduação seria, dessa forma, gerenciado ou coordenado por indivíduos com formação em uma
área de conhecimento em detrimento das concepções mais complexas e abrangentes dos campos de
atuação profissional na sociedade do que apenas o âmbito de uma área de conhecimento? Tais
questionamentos, já existentes no início dos anos sessenta, tomaram forma e vulto no ano de 1968,
junto com vários movimentos sociais.
O Departamento que surgia como um coletivo para agrupar os pesquisadores de uma área do
conhecimento, em substituição ao regime da cátedra, foi ignorado ou pouco considerado até do ponto
de vista dos que questionavam a cátedra e seu papel na organização do trabalho com produção de
conhecimento e com o ensino superior (uma modalidade importante de difusão do conhecimento que
a universidade deveria abranger e produzir). O governo, desde a gênese do departamento propôs uma
definição que anulou o papel do que deveria ser um departamento acadêmico: um núcleo de
pesquisadores que deveria reunir-se em torno de um objeto de conhecimento e produzir o
conhecimento (em uma área) e disseminá-lo para estudantes de diferentes campos de atuação
profissional (que constituíam a orientação do trabalho dos cursos de graduação). A orientação do
governo fez com que os departamentos passassem a ser considerados apenas como “a menor unidade
administrativa da organização universitária”. Um entendimento que permanece até os anos da década
de 2020, com as antigas categorias de professores que faziam parte do que era “propriedade do
catedrático”: seus adjuntos, assistentes e auxiliares.
Tais categorias continuam existindo, mesmo sem funções coerentes com os nomes que
recebem na organização da Universidade. Houve apenas um esvaziamento da liderança que os
catedráticos exerciam e sua pulverização ficou marcando a multiplicidade de trabalhos desconexos
entre si nos departamentos do País, envolvendo mais concorrência entre pessoas do que um trabalho
de equipe em torno do conhecimento de um objeto de estudo coletivo. Até a década de 2020 ainda
existirão pessoas querendo ser “donas de sua área de pesquisa”. A multiplicidade de objetos de
estudo, ou até mesmo aspectos ou dimensões deles, virou também múltiplos entendimentos estanques
do objeto de estudo, no caso, da Psicologia, constituindo “teorias”, “escolas” ou “abordagens”
estanques, sem relações entre si a não ser de oposição ou diferenciação. Aumentou a pulverização e
dicotomias, ou categorizações rígidas entre as várias contribuições para o conhecimento de um objeto
de estudo e ficaram ainda mais “sacralizadas” expressões como “abordagem”, “teoria”, “escola” ou
outros termos equivalentes que mantinham as diferentes contribuições como competições entre si
para o entendimento de um objeto de conhecimento ou de intervenção na sociedade. Facilmente
qualquer contribuição era entendida como concorrente com outras, aumentando as influências da
rigidez e separações moralistas ou ideológicas que o regime dominante disseminava no país. A
herança dos critérios e percepções dos tempos da cátedra acadêmica permaneceriam muitos anos pela
sua impregnação até nas estruturas de organização das universidades e do ensino superior.
Os estudantes, por sua vez, exigiam aumento de vagas nas universidades para diminuir a
quantidade de pessoas que sobravam na seleção dos vestibulares sem poder realizar um curso
superior. Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, as vagas para o curso de Psicologia foram
triplicadas, como uma resposta ao problema dos estudantes excedentes que, tendo sido aprovados em
vestibular, permaneciam fora das vagas existentes nas universidades. Isso criou uma exigência de

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adaptação dos professores e das instalações do curso para dar conta dos novos alunos, além de uma
resposta aos problemas dos excedentes que os governos do regime sequer pareciam cogitar. Para
acolher os novos alunos, foi necessário re-elaborar o projeto do curso. Isso facilitou, nos dois últimos
anos da década, a inclusão de vários professores de Análise Experimental do Comportamento no
quadro docente e o planejamento de uma integração de disciplinas que formariam um analista
experimental do comportamento em condições melhores do que disciplinas isoladas ou não
articuladas.
Na Universidade de São Paulo, ocorria um desenvolvimento semelhante em torno de um
Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental, com ênfase em um necessário e rigoroso
procedimento de verificação e demonstração inequívocas quanto ao que era descoberto em relação
ao fenômeno designado por “comportamento”. Na época entendido muito mais como atividade de
um organismo do que de acordo com o conceito mais recente de “comportamento operante” ainda
algo muito novo e quase desconhecido no país a não ser pelas experiências, formação e estudos de
uns ainda poucos professores universitários, principalmente no Estado de São Paulo. Vários dos
professores alijados das experiências de ensino da Universidade de Brasília reuniram-se e
prosseguiram uma parte do projeto de UnB em diferentes instituições, destacando-se as duas aqui
consideradas e incluindo extensões (campi) da Universidade de São Paulo, principalmente em
Ribeirão Preto.
No final da década (1968) foi criado o Journal of Applied Behavior Analysis que, voltado
para atender a demandas relacionadas às intervenções profissionais com o comportamento e em
função do que consideravam que os trabalhos (mais voltados para a pesquisa básica?) publicados no
Journal of Experimental Analysis of Behavior (criado em 1957) não refletiam uma nova preocupação
(com as intervenções feitas pelos analistas do comportamento nos trabalhos que realizavam na
sociedade). No Brasil, esses dois periódicos iriam influenciar de forma semelhante ao que ocorreu
nos EE.UU.: algum isolamento das contribuições relacionadas com o comportamento em relação a
outras contribuições no âmbito da Psicologia. E, no entendimento de muitos, uma rígida separação
entre pesquisa básica (por alguns permanentemente entendida como pesquisa experimental ou de
laboratório) e intervenções (que ficava entendida, também por muitos, como “aplicação” ou “pesquisa
aplicada” em problemas existentes na sociedade). Isso criaria dificuldades e preconceitos ao longo
dos anos prejudicando o entendimento dos diferentes significados desses termos ao referir-se ao
trabalho dos profissionais do comportamento. Também os conceitos de Psicologia Experimental e do
Comportamento ficavam muitas vezes no mesmo entendimento do que eram antes da Análise
Experimental do Comportamento divulgar suas primeiras descobertas e questionamentos a respeito
do objeto de trabalho da Psicologia e do método de conhecer, examinar, intervir e de avaliar as
observações em relação a esse tipo de fenômeno.
Ainda no final da década (em 1969, provavelmente), junto com as primeiras experiências de
ensino em cursos de graduação fora de Brasilia e, depois, na Universidade de São Paulo, houve um
trabalho em ensino de ensino de AEC em um curso de graduação. Com o desenvolvimento desse
curso e de seus alunos, um professor da Universidade Católica de Campinas, junto com um aluno
recém formado, e alguns colaboradores, criaram a Clínica do Comportamento de Campinas que, mais

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tarde, também teria uma continuidade e ampliação desse mesmo tipo de trabalho no Instituto de
Análise do Comportamento e, posteriormente, propiciaria a criação do Instituto de Terapia por
Contingências de Reforçamento. No primeiro caso, o nome enfatizava o objeto de trabalho (o
comportamento), no segundo caso acrescentava uma parte do método de trabalho (análise). No
terceiro, mais de quarenta anos depois (em 2012), a designação enfatizaria a designação das variáveis
que seriam manejadas (as que fortaleciam o comportamento) e uma referência indireta ao conceito
de comportamento: o de comportamento operante (pela referência às circunstâncias de reforçamento
desse fenômeno). Tal variação de nomenclatura reflete o próprio desenvolvimento de uma
compreensão do objeto de trabalho e das características fundamentais da AEC, ao longo de uma
história de trabalho com esse fenômeno genericamente designado por “comportamento”.
No último ano da década de 1960, há um início de ensino de AEC no trabalho Clínico no
Instituto Sedes Sapientiae com o trabalho de uma professora que havia participado da experiência de
ensino em Brasília, com a participação de professores vinculados à PUCSP e à USP, além de
terapeutas profissionais de orientação de Análise Experimental do Comportamento. No mesmo ano,
começa a estruturar-se o ensino de Análise Experimental do Comportamento na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, impulsionando a articulação de professores para organizar esse
ensino no curso de Psicologia da Instituição.

Década de 1970: a criação de algumas bases para o desenvolvimento do trabalho com o


comportamento operante iniciam uma ampliação do ensino de Análise Experimental do
Comportamento em universidades do país.
Na Universidade de São Paulo aprofunda-se e consolida-se o ensino de Análise Experimental
do Comportamento no curso de graduação em Psicologia por meio de disciplinas isoladas, com
alguma articulação entre os professores que as lecionavam. No primeiro ano desta década, começou
a existir um primeiro centro de formação brasileiro em Análise Experimental do Comportamento,
sediado na Universidade de São Paulo, no Departamento de Psicologia Experimental. Também neste
começo de década, inicia o Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental (Mestrado inicia
em 1970 e Doutorado em 1974), com uma formação acentuadamente destacada no método de
investigação que maximizava a verificação e a demonstração inequívocas das descobertas do
conhecimento e da avaliação dos processos de intervenção com o comportamento (ainda entendido,
no âmbito do programa, como sinônimo de atividade dos organismos, permanecendo de forma
distinta do conceito de comportamento operante, de matriz “skinneriana”).
Com isso agrupavam-se, no mesmo programa de pós-graduação, contribuições de diferentes
tipos a respeito do comportamento. Psicologia Experimental, Etologia, Comportamento Operante,
Terapia comportamental e outras variações em relação ao estudo do comportamento. Nem sempre a
integração ou as relações iam além da nomenclatura, dos nomes dos conceitos ou da terminologia
utilizada. Mas, graças à orientação pela verificação, as várias linhas de pesquisa conviveram com
alguma articulação, potencializando reciprocamente os trabalhos e estudos realizados no âmbito de
cada uma. Foi neste Programa que ficaram reunidos professores em trabalhos com Análise

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Experimental do Comportamento, vários deles egressos da experiência de ensino de AEC em Brasília,
na década de 1960, trabalhando e colaborando com outros professores que trabalhavam com
diferentes ênfases e até entendimento do fenômeno “comportamento”. Vários desses professores,
junto com alguns vinculados ao campus da USP em Ribeirão Preto, também desenvolveram com
outros professores, ensino de Análise do Comportamento em cursos de graduação (por exemplo, em
alguns campi da UNESP) em algumas cidades do Estado de São Paulo.
Em diferentes campi da USP (acentuadamente em Ribeirão Preto – SP, mas também em campi
da UNESP, por exemplo Bauru, Rio Claro...), também foram desenvolvidas experiências de ensino
de graduação com Psicologia Experimental com a contribuição de pessoas com variadas
aproximações ao conhecimento do comportamento, particularmente às contribuições de Skinner.
Pesquisas básicas com estudos de múltiplas variáveis e estudos filosóficos examinando a história e
os conceitos da Psicologia já se realizavam com entusiasmo por diferentes professores e alunos que
pesquisavam ou eram iniciados na pesquisa com o comportamento, qualquer que fosse o
entendimento do conceito utilizado por muitos de forma um pouco genérica. Como sinônimo de
resposta ou de atividade dos organismos, por exemplo.
Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo o curso de graduação em Psicologia tinha
vários professores que trabalhavam articuladamente sob a liderança de um deles, na realização de um
núcleo de disciplinas ao longo do curso, desenvolvendo uma formação de estudantes em relação ao
processo comportamental com foco acentuado nas contribuições do que ficou conhecido como
“Análise Experimental do Comportamento”, já de acordo com os conceitos em torno do que foi
designado por “comportamento operante”. A ênfase entre os trabalhos, de uma forma ou de outra, era
colocada frequentemente no método e não nos produtos do trabalho dos pesquisadores da Análise
Experimental do Comportamento. Muitos destaques foram dados à experimentação como se ela fosse
“o método”, deixando de lado os processos de análise. Para alguns, “análise” era quase um sinônimo
de exame ou avaliação, com quase nada de entendimento do sentido de “separar e identificar as partes
componentes de um fenômeno”, o comportamento, no caso. Na época, o próprio nome
(comportamento operante) aparecia como uma distinção (e até oposição) de “comportamento reflexo”
para distinguir as contribuições de Skinner que avançavam muito em relação aos trabalhos originais
de Pavlov e Watson. Isso acarretava debates e provocava confusões semânticas e controvérsias nem
sempre resolvidas com facilidade no âmbito dos estudantes que se envolviam com esses estudos. E,
em vários casos, entre professores que enfatizavam ou acolhiam qualquer uma dessas formas de
entendimento possíveis.
No começo dessa década foi marcante um texto de Sílvia Leser de Mello avaliando a inserção
profissional dos psicólogos na sociedade após formados. Sílvia Leser evidenciou dados que
mostraram uma alta concentração de estudantes que se voltavam exclusivamente para o trabalho
clínico, minimizando qualquer outra contribuição fora desse campo de trabalho para a sociedade. Os
dados preocuparam em função, inclusive, de ser o trabalho predominante entre os psicólogos, um
serviço (“clínico”) caro que limitava o acesso da população às contribuições da Psicologia. Mas isso
ficaria, em pouco tempo, amortecido como questionamento e redução das possibilidades de trabalho

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dos psicólogos, mantendo-se a predominância de que os psicólogos trabalham com os “problemas”
das pessoas (ou do “comportamento delas”).
A experiência da PUCSP, no âmbito do curso de Psicologia foi mais longe e ampliou o debate
e as preocupações reveladas pela pesquisa de Sílvia Leser de Mello. No âmbito do ensino de Análise
Experimental do Comportamento a PUCSP também fez algo importante: um cuidadoso planejamento
do ensino de AEC nas disciplinas do curso de Psicologia e uma gestão da articulação entre as várias
disciplinas e os trabalhos dos professores de cada turma ao longo dos quatro anos de curso de
graduação. Isso foi fundamental para um marcante desenvolvimento no ensino do trabalho com o
comportamento, sem necessariamente oposição a outras concepções, embora houvesse muitas
controvérsias entre os entendimentos dos múltiplos conceitos que brotavam das várias concepções de
estudo e trabalho com diferentes objetos considerados como sendo o “núcleo do fenômeno
psicológico”. No âmbito do ensino de AEC, no entanto, destacou-se a distinção das concepções de
tradição aristotélica e galilêica na Psicologia e o modelo médico tradicional e o psicológico emergente
no tratamento e no trabalho com o comportamento. Isso foi crucial para ampliar o entendimento das
possibilidades de trabalho profissional em Psicologia, particularmente nos tempos históricos de
questionamento dos conceitos e estruturas predominantes na sociedade ocidental, pelo menos.
Também foi marcante nessa década uma experiência de curso de graduação que foi
enfaticamente orientada para o desenvolvimento de analistas experimentais do comportamento. A
segunda parte do curso de graduação da turma que havia ingressado em 1969 no vestibular da PUCSP
para a Psicologia, que correspondia ao curso de Psicólogo, na época, após a conclusão dos quatro
anos de bacharelado e licenciatura, foi inteiramente orientada para uma formação em Análise
Experimental do Comportamento, com ênfase em Psicologia Clínica. Durante o quinto e o sexto ano
do curso (em 1973 e 1974), cerca de trinta alunos dos 120 do curso da PUCSP, graças à iniciativa de
alguns professores da PUCSP, concluíram sua formação com orientação para Análise Experimental
do Comportamento em uma turma especial sob a coordenação de uma professora do Programa de
Pós-graduação em Psicologia Experimental da USP, no Sedes Sapientiae, um divisão da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo. Surgiu ainda mais fortemente uma separação entre o que foi
entendido na época por “método experimental” e “método clínico”, que criou mais uma poderosa
dicotomia no entendimento do trabalho com o comportamento. Isso permaneceria décadas no meio
dos profissionais desse campo de atuação. Uma minimização do método experimental como sendo
apenas uma técnica de pesquisa ou de “laboratório”, ficou fortalecida na formação de vários alunos,
embora isso não fosse tão claro na literatura examinada e estudada apelos alunos.
Ainda nesta década, alguns psicólogos desenvolveram modalidades de trabalho profissional
em “Terapia Comportamental”, considerado na época como “modificação de comportamento” para
abranger mais do que apenas “patologias” já instaladas. Em São Paulo e em Campinas, com alguma
relação com a Universidade Católica de Campinas, já havia atuações em clínicas particulares com
psicólogos de formação “behaviorista” ou, como predominava na época, “formação
comportamental”. Alguns desses terapeutas, auxiliaram no ensino dos estudantes dos dois últimos
anos do curso da graduação em Psicologia da PUCSP, iniciado em 1969.

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Na Universidade de São Paulo também prosseguia o ensino de AEC na graduação e no
Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental, abrangendo a Análise Experimental do
Comportamento. Até o final dessa década, vários alunos de diferentes gerações de pós-graduandos
da Universidade de São Paulo, passaram a dar aulas para cursos de graduação em vários cursos de
Psicologia do País, ampliando o ensino de Análise Experimental do Comportamento para cursos em
diversos estados. Marcadamente, aumentaram as pessoas com interesse e dedicação de estudos e de
ensino em relação a Análise Experimental do Comportamento.
Em Ribeirão Preto já havia um grupo de professores voltados para esse ensino que
aumentavam sua produção e, em 1971, criavam a Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto (SPRP).
Essa sociedade aproximou os analistas experimentais do comportamento em torno de reuniões
científicas anuais com muitos debates coletivos a respeito dos trabalhos que foram apresentados
nessas reuniões, envolvendo tanto pesquisadores veteranos, como iniciantes e estudantes de
Psicologia, ainda em cursos de graduação ou recém-formados. Os objetivos da Sociedade abrangiam
mais do que apenas os de uma Sociedade Científica, embora essa fosse a característica predominante.
A Sociedade, até em função das limitações do sistema educacional à época, também tinha a
preocupação de valorizar uma formação continuada e a fiscalização do exercício profissional, ao lado
do partilhamento e debate das descobertas, estudos, pesquisas e experiências realizadas pelos
associados. Lembrando que ainda não existiam os Conselhos Federais e Regionais de Psicologia,
criados no mesmo ano em que a SPRP era criada em Ribeirão Preto. Para muitos ainda hoje não há
clareza nos diferentes papéis dessas instituições científicas ou profissionais na sociedade e isso
acarreta dificuldades na gerência e na orientação dos profissionais da Psicologia. Sindicatos,
Conselhos, Sociedades Científicas e Agrupamentos outros de vários tipos ficaram com papéis
diversos, diluídos em alguns casos ou confusos em outros. Não há uma organização sistêmica das
instituições que se relacionam com o trabalho com ou da Psicologia, pelo menos de comum acordo
entre elas e em relação ao exercício da profissão, à formação de profissionais e à produção de
conhecimento em relação ao seu objeto de trabalho.
Em Londrina, no Paraná, com o curso de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina
(UEL) concentrou contribuições de muitos estudantes e egressos do Programa de Pós-graduação em
Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo o que possibilitou acesso a esse tipo de
conhecimento a várias gerações de estudantes desse Curso de Psicologia que se transformaram, em
pouco tempo, em novos professores do curso de Psicologia da Universidade nos anos seguintes.
No Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo,
continuou a formação de novas gerações de pós-graduandos, destacando-se um progressivo aumento
de pessoas dedicadas a aprofundar os estudos relacionados à Clínica, à pesquisa básica e ao
desenvolvimento do que ficou conhecido durante um tempo como Programação de Condições de
Ensino, com experiências de ensino que se estenderam, inclusive, para fora do Brasil.
Em Campinas, dois psicólogos (um veterano da experiência de ensino de Psicologia na UnB
e um aluno recém formado e alguns colaboradores, todos do Curso de Psicologia da PUC de
Campinas) iniciaram um trabalho com Terapia do Comportamento, no final da década de 1960 (em
1969 mais precisamente), começando o que já se consolidava no âmbito do ensino na PUC de
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Campinas. Em São Paulo, também já começava um trabalho clínico, em grande parte ligado à
Universidade de São Paulo, à Pontifícia Universidade Católica e a alguns profissionais que
trabalhavam com serviços clínicos.
Começou por essa época uma preocupação com a distinção do método experimental,
erroneamente confundido ou reduzido à pesquisa básica, em relação ao que foi denominado “método
clínico”. Foi o início de uma controvérsia que talvez seja uma confusão semântica ou uma confusão
entre recursos de investigação e de intervenção. A pesquisa básica, no entanto, foi designada – e até
entendida – mais acentuadamente como “pesquisa experimental” e o trabalho de intervenção afastou-
se do que foi considerado “experimental”. Embora tenha havido um estudo e conhecimento do
método experimental com suas variações que iam além do tipo de “reversão para uma linha de base”
(o que ficou conhecido como método “A-B-A-B”). O conceito e procedimentos relacionados ao que
ficou conhecido como “linha de base múltipla”, com vários referenciais e possibilidades de
combinação entre seus aspectos definidores com o objetivo de avaliar e demonstrar as variáveis
responsáveis pelas modificações produzidas por algum procedimento, foi muito além daquilo que
podia ser feito em laboratório ou com pesquisas básicas e complementou de maneira extraordinária
o que, inicialmente, tinha sido possível com o método de reversão para uma linha de base. As
modalidades de comparação entre o que acontecia antes e depois das intervenções, tanto na pesquisa
quanto nos procedimentos de atuação profissional na sociedade, ficaram múltiplas e possibilitaram
avaliações precisas e inequívocas em múltiplas modalidades de trabalho com o comportamento.
No âmbito da realização do trabalho profissional e dos debates, a diferenciação por objetivos
(conhecer predominantemente ou intervir predominantemente) foi atenuada e foi colocada uma
ênfase no método, com uma dicotomia simplificadora: o experimental era o que se fazia no
laboratório ou na pesquisa básica. Nas intervenções profissionais, havia procedimentos de avaliação
que se aproximavam de procedimentos já usuais em psicoterapia (entrevistas, avaliações de
depoimentos e com medidas precárias dos processos comportamentais). E isso passou a ser
considerado pelo termo, mesmo inadequado, “aplicação” ou até “pesquisa aplicada". Havia exceções
e alguns profissionais tinham e realizavam procedimentos elaborados de investigação dos próprios
processos de intervenção com avaliações cuidadosas do que era feito e do que resultava do que era
feito, utilizando procedimentos de controle de variáveis e comparações com uma linha de base
incluindo, os procedimentos considerados como de “linha-de-base-múltipla”.
Mas a controvérsia e a confusão entre pesquisa básica com procedimentos experimentais e a
intervenção com outros procedimentos ficou diluída. Os trabalhos de intervenção ficaram designados
como “pesquisa aplicada” ou “aplicação”. E, quando havia alguma preocupação com pesquisa no que
era feito, ficava sendo “experimental” e, no outro caso, no que ficou sendo um uso corrente dos
conceitos e técnicas ditos “comportamentais”, ficaram os trabalhos de intervenção. Muitos deles
considerados como se fossem um procedimento (“método clínico”?) muito diverso do método
experimental que foi consagrado na produção de conhecimento como a melhor forma de produzir
verificações e demonstrações inequívocas como avaliação dos resultados dos “manejos de variáveis”
realizados. Na época essas distinções ficaram obscurecidas e diluíram-se nos múltiplos esforços de
organizar e fortalecer os trabalhos com o comportamento, incluindo o ensino nos cursos de graduação.

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Alguns professores e pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
criaram, em 1974) uma Associação de Modificação de Comportamento (AMC) e uma publicação
(Cadernos de Análise do Comportamento), que tiveram duração de alguns anos. A AMC, em 1985,
tornou-se a Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ABAC), com a perspectiva de
desenvolver um trabalho em âmbito nacional, ampliando o trabalho que era feito pela AMC em
âmbito estadual (São Paulo) para um âmbito Nacional. A Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto
e o clima de entusiasmo e atividade intensa haviam produzido um filhote na Capital do Estado de São
Paulo, com uma declaração direta de preferência pelo trabalho com o comportamento, embora usasse
um nome que apaziguava algumas críticas ao trabalho com o comportamento, pelo receio do termo
“controle” e o que seria feito atrás da expressão “controle de variáveis que interferiam ou interferem
com a ocorrência do comportamento) O termo “Modificação do Comportamento” parecia atenuar as
críticas por apontar para a mudança de comportamento. Isso não ficou assim muito tempo sem que
as controvérsias, com mais algumas mudassem, o que estava sendo feito. A ABAC, como continuação
da AMC, tinha objetivos de desenvolver o mesmo trabalho com uma definição mais precisa com os
nomes que caracterizavam a contribuição específica da Análise Experimental do Comportamento,
enfatizando uma concepção relativa ao método de trabalho. Isso, porém, criaria novas, muitas e fortes
controvérsias e problemas para a integração dos que trabalhavam com esse tipo de contribuição para
o desenvolvimento da Psicologia. Mas, isso aconteceria somente em meados da década seguinte a de
1970.
A Associação de Modificação de Comportamento, em seus primeiros anos, publicou a revista
“Modificação de comportamento” (de 1976 a 1980), que foi substituída por outra publicação
(Cadernos de Análise do Comportamento) que duraram apenas durante a existência da Associação
Brasileira de Análise do Comportamento (ABAC).
Em 1973 começou um trabalho de desenvolvimento de programação de ensino para a
formação profissional em segundo grau pelo CENAFOR (Centro Nacional de Aperfeiçoamento de
Pessoal para a Formação Profissional), utilizando os procedimentos desenvolvidos no âmbito da
Análise Experimental do Comportamento que ficou conhecido durante alguns anos como “ensino
programado”. O trabalho durou desde esse ano até a extinção do CENAFOR pelo governo Federal,
criando uma espécie de “fim para o ensino profissionalizante no segundo grau”. O CENAFOR tinha
uma central em São Paulo e, sob a liderança da professora Carolina M. Bori que, durante vários anos
coordenou um trabalho com muitos analistas de comportamento, estudantes de pós-graduação e
egressos de cursos de graduação com formação em Análise Experimental do Comportamento. Houve
uma contribuição significativa com publicações de textos didáticos programados que auxiliaram a
aperfeiçoar esse tipo de ensino no País. Os vários profissionais de Análise Experimental do
Comportamento que participaram com construção de material didático e treinamento de professores
nesta instituição, dispersaram-se também após a extinção do CENAFOR e, praticamente, o fim do
ensino profissionalizante de segundo grau durante o governo Sarney, em 1986. As contribuições com
o ensino programado e a programação de material didático para o ensino de segundo grau com as
contribuições da Análise Experimental do Comportamento, interrompidas nunca mais foram
retomadas no País, que praticamente, várias décadas depois ainda desconhece essas possibilidades de
tecnologia e de aperfeiçoamento do ensino, particularmente, como contribuição para o ensino de
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segundo grau. Nenhuma outra instituição assumiu o papel de produção e aperfeiçoamento do ensino
profissionalizante no segundo grau com as contribuições da Análise Experimental do
Comportamento.
Em 1975, alguns professores e pesquisadores da Universidade de São Paulo, criaram a revista
Psicologia, com o objetivo de aumentarem o registro da produção de conhecimento científico e
filosófico já existente e em produção no País, principalmente com o trabalho dos programas iniciais
de pós-graduação criados e em desenvolvimento na década. A revista publicava trabalhos com relação
a diversas concepções de comportamento, não apenas o operante, desde que estivessem de acordo
com uma rigorosa metodologia de verificação e demonstração dos processos realizados e resultados
obtidos pelos autores. Um grupo de professores, ligados à AEC, na Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, em 1977 e 1978 publicaram dois números da revista “Modificação do Comportamento:
Pesquisa e Aplicação”. Não houve continuidade dessa publicação.
Desde esse mesmo ano, vários pesquisadores da Análise Experimental do Comportamento
passaram a publicar artigos na revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência (SBPC). A Sociedade ainda abrigou a apresentação de múltiplos trabalhos em suas Reuniões
Anuais, ao longo das décadas seguintes, além desta mesma década.
No final da década de 1970 ainda, aumentaram as experiências de ensino de Análise do
Comportamento pelo Brasil e configurou-se um novo impulso no ensino de Psicologia e de Análise
do Comportamento em outras universidades do país, marcadamente em Brasília, Campinas e Ribeirão
Preto e algumas experiências de ensino em outros estados, com contribuições principalmente da
primeira geração de profissionais da Análise Experimental do Comportamento, estendendo seus
trabalhos com participação de seus alunos egressos do Programa de Pós-graduação das Universidades
em São Paulo.
Na Universidade Federal de São Carlos (SP) um grupo de psicólogos com formação em
Psicologia Experimental e em Análise do Comportamento, egressos da Pós-graduação da
Universidade de São Paulo integraram um Departamento de Tecnologia Educacional em torno dos
trabalhos já desenvolvidos na Universidade de São Paulo, especialmente com Programação de
Condições ou Contingências de Ensino, algo já desenvolvido pela Professora Dra. Carolina M. Bori
na USP. O trabalho inicial deu origem a mais um núcleo de trabalho com o comportamento: a criação
de um programa de Mestrado em Educação Especial (PMEE) com uma área de concentração em
Deficiência Mental (criado em 1978). Além disso, os professores auxiliaram na criação e
desenvolvimento dos Curso de Enfermagem, Fisioterapia e Terapia Ocupacional que estavam sendo
criados naquela Universidade.
Nesse ano também foi oferecido para professores da Universidade Federal de São Carlos, um
Curso de Especialização em Programação de Condições de Ensino, com o objetivo de desenvolver e
divulgar o conhecimento e a tecnologia de trabalho com comportamentos no contexto do ensino e da
aprendizagem. O curso existiria durante mais de 12 anos na Universidade Federal de São Carlos
envolvendo professores de múltiplos cursos da Universidade e alguns de outras universidades.

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Em geral, na passagem da década de 1970 para a de 1980, a Análise Experimental do
Comportamento havia se desenvolvido e se firmado em várias instâncias com pessoal estudando,
investigando e trabalhando com o conhecimento e a tecnologia derivados dos trabalhos das primeiras
gerações de estudiosos da Análise Experimental do Comportamento. A participação de pesquisadores
e profissionais do comportamento em reuniões científicas aumentaram muito. Tanto nas reuniões da
Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto, como nas reuniões anuais da Sociedade Brasileira Para o
Progresso da Ciência. Havia uma crescente animação com o desenvolvimento do conhecimento e do
trabalho com o comportamento, ainda muitas vezes, confundido com o conceito tradicional de
comportamento, sem a ênfase dada ao conceito de comportamento operante como uma distinção
importante para o que era considerado como fenômeno a ser identificado por esse nome. Isso duraria
vários anos, sem um esclarecimento amplo e suficientemente aprofundado ou fundamentado no
âmbito das comunicações, trabalhos e investigações nesse agrupamento de contribuições da
Psicologia.
As experiências com o ensino de Análise Experimental do Comportamento tanto nos cursos
de graduação como em programas de pós-graduação ampliaram-se por várias universidades do país.
Núcleos de trabalho (ensino, pesquisa...) começaram a se fortalecer em Brasília, Belém do Pará,
Londrina, Curitiba e outros lugares propiciando uma multiplicação de estudantes tomarem contato
com o conhecimento desenvolvido em relação ao comportamento e em mistura com diferentes
concepções a respeito do objeto e dos procedimentos de investigação, de estudo e de intervenção com
o fenômeno psicológico também com diferentes concepções. A década de 1970 foi, sem dúvida, uma
época de notável ampliação do ensino de Análise Experimental do Comportamento e em trabalhos
de intervenção como as várias clínicas que começaram a realizar seus trabalhos nessa década e a
experiência de ensino realizada na PUCSP, com influências no Ciclo Básico da Universidade e no
Curso de Psicologia, além da programação de um trabalho em hospital psiquiátrico, com a tecnologia
da Análise Experimental do Comportamento (particularmente o que ficou conhecido como Token
Economy) realizada por Luiz Otávio Seixas de Queiroz em Campinas, com vários alunos
participantes.
Na mesma época ficou difundido, no âmbito da Psiquiatria, o que ficou conhecido como
“Ambiento-terapia”, enfatizando o ambiente, principalmente social, como fonte de distúrbios
psicológicos, integrando estudos e conceitos relacionados com o que foi difundido como “anti-
psiquiatria”, antepondo-se à internação em hospitais (categorizados como psiquiátricos) para
tratamento de “doenças mentais”. O modelo médico tradicional (determinantes biológicos
predominantes na interferência com o comportamento), porém, misturava-se com conceitos das
contribuições consideradas “ambientalistas” para o desenvolvimento ou alteração do comportamento
e, no caso, com as “doenças mentais”. Também aqui, o conceito de comportamento operante ficou
como animação, mas insuficientemente entendido no valor e conjunto de suas contribuições para o
entendimento. O Role Playing e o Psicodrama ficam muito populares e difundidos por ampliarem o
entendimento da Psiquiatria tradicional alicerçada em tratamento medicamentoso e isolamento ou
institucionalização dos chamados “doentes mentais”. O conceito de mental ainda parecia pouco
questionado ou entendido além de uma concepção já tradicional no trabalho com o comportamento
compreendido em um sentido amplo. Já havia um movimento no Brasil, para firmar a dependência
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de profissionais da Saúde (psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais) à Medicina como
campos de atuação “auxiliares” da Medicina. A difusão desse movimento ficaria conhecida como
“Ato Médico” no questionamento feito a essa proposta de dependência e que provocou o
arrefecimento desse movimento de subordinação de vários campos de atuação profissional ao campo
da Medicina. O movimento, no entanto, voltaria a se manifestar, várias décadas depois, já em outra
configuração política do País e de maneira mais sutil e refinada, insinuando nas estruturas das
instituições relacionadas à Saúde.
Entre 1974 e 1977 também foi desenvolvido em São Paulo um extenso trabalho de Análise
Experimental do Comportamento com especificamente, os processos comportamentais envolvidos
nas organizações, na estruturação do trabalho e na administração dos postos de saúde do município
de São Paulo. Quase uma centena de postos de saúde e alguns milhares de profissionais que
trabalhavam neles, reunidos sob a direção do Departamento de Saúde da Comunidade, da Secretaria
de Saúde de São Paulo foram movimentados por um trabalho de profissionais e estagiários de
Psicologia com a orientação das contribuições da Análise Experimental do Comportamento. A
População beneficiária desse trabalho foi estimada em algumas centenas de milhares de pessoas ao
longo de cada ano desse trabalho. O trabalho foi interrompido pela mudança de governo no Município
de São Paulo e a interdição desse tipo de trabalho.
Como já foi examinado, no último ano desta década (1979), foi fundado o Instituto de Análise
do Comportamento de Campinas.

Década de 1980: Começa a haver tentativas de alguma estruturação do trabalho de ensino de


Análise Experimental do Comportamento e aumentam alguns programas de pós-graduação
relacionados a esse tipo de contribuição para o desenvolvimento da Psicologia.
No começo dos anos de 1980 havia alguns polos de trabalho mais intenso com Análise
Experimental do Comportamento. São Paulo, Ribeirão Preto, Brasília, Londrina, São Carlos e grupos
ou pessoas interessadas e começando a trabalhar em outros lugares do Brasil. Não há uma localização
de alguns acontecimentos – pelo menos em seu início e fim bem delimitados – que ocorreram no final
da década de 1970 e começo de 1980. Mas, o aumento de trabalhos, estudos, profissionais atuando,
investigações e pesquisas, apresentadas e debatidas em congressos e reuniões, também acarretaram
alguma dispersão e diversidade de modalidades de reuniões e de repertórios relacionados ao
entendimento e caracterização da Análise Experimental do Comportamento, pelo menos na versão
nacional que estava sendo desenvolvida por múltiplos agentes.
A Sociedade de Psicologia de Ribeirão Preto manteve suas reuniões anuais e isso ajudou muito
a haver um desenvolvimento do trabalho com o comportamento, mesmo envolvendo pessoas que
combinavam esse tipo de conhecimento com outras contribuições da Psicologia (Psicanálise,
Cognitivismo, Psicopedagogia e diferentes aplicações da Psicologia em outros campos de atuação).
Tais reuniões congregavam pessoas de vários lugares do país, ampliando a divulgação e
aprendizagem da Análise Experimental do Comportamento. Aos poucos foram aumentando as
tentativas de organização e de realização de encontros e pequenos “congressos”, especificamente
19
debatendo e avaliando contribuições relacionadas com o comportamento. Especialmente em São
Paulo. Em outros Estados do país, havia alguma preocupação com o uso desse tipo de conhecimento
em relação às intervenções de psicólogos na sociedade, embora não se traduzissem ainda em esforços
de organização e encontros sistemáticos para debate e avaliação das contribuições para o
desenvolvimento do conhecimento e das intervenções com o comportamento.
Muitos dos trabalhos de pesquisa básica e de intervenção com o comportamento foram
sistematicamente apresentados no fórum das Reuniões Anuais da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência (SBPC), contribuindo para divulgar e fortalecer núcleos de trabalho com o
comportamento em outros lugares nos quais a SBPC realizava suas reuniões anuais.
Divulga-se, nos encontros e atividades dos congressos científicos em geral, um entendimento
da Análise Experimental do Comportamento como uma “sub-área” da Psicologia. Em outros casos,
foi considerada “uma (ou outra) teoria psicológica”, ou mais uma “abordagem” do fenômeno
psicológico. Ou, aproximando até de uma concepção ideológica, a Análise Experimental foi
considerada uma “escola” (uma concepção que enfatizava esse tipo de trabalho como “doutrinação”
e “criação de adeptos, discípulos ou seguidores”). Não havia, e não ficou avaliado ou debatido, que
o principal aspecto do trabalho com Análise Experimental do Comportamento era uma concepção
(ou definição) do “comportamento” como fenômeno psicológico e uma maneira específica de
trabalhar com o fenômeno considerado nessa concepção: análise do fenômeno (separação e
identificação de seus constituintes) e experimental (verificação e demonstração inequívocas do que
foi manejado em relação a ele) não apenas como uma exigência científica no trabalho de produção
de conhecimento, mas também como uma avaliação (e validação) dos trabalhos de intervenção. Essas
designações apareciam de maneira confusa e com interpretações variadas a respeito do que
significava cada uma das expressões reunidas na designação “Análise Experimental do
Comportamento”. De qualquer forma, as antigas distinções e formas de entender diferentes
contribuições para o conhecimento e o trabalho com Psicologia também foram “adotadas” ou
utilizadas para localizar os trabalhos de “Análise Experimental do Comportamento” como se fosse
outra área, ou teoria, ou escola, ou abordagem diferente de várias outras, em Psicologia. A
nomenclatura não era feita com o critério de diferentes contribuições para o conhecimento do mesmo
objeto de estudo ou de intervenção, quase como um processo de competição entre profissionais pela
hegemonia do entendimento do objeto de estudo da área.
No Brasil, começa a haver uma forte configuração e organização de cursos de Pós-graduação,
com o desenvolvimento específico de mestrados e doutorados em várias áreas e superando o
entendimento amplo de pós-graduação como cursos de especialização ou aperfeiçoamento
profissional realizados depois de um curso de graduação (os cursos feitos após a graduação eram
considerados “pós-graduação”, o que acarretou a nomenclatura “pós-graduação latu sensu” e “pós-
graduação stricto sensu”, talvez aumentando a confusão e um baixo entendimento dos papéis
específicos de formação dessas diferentes modalidades de cursos ou de programas de estudo. Talvez
até pelo início da formação de pesquisadores em muitas áreas, antes de haver mestrados e doutorados
no país, ter sido feito por meio de “especializações” em pesquisa. Isso foi realizado dessa forma para
criar ou preparar pessoas que pudessem começar programas de estudo de pós-graduação (agora como

20
mestrados e doutorados) com outra finalidade diferente da formação de profissionais para atuarem
em diferentes campos de atuação na sociedade, por meio de cursos de graduação. O papel
multiplicador da divulgação do conhecimento feito pelo ensino de profissionais que transformariam
esse conhecimento em prestações de serviços precisava de uma instância potencializadora da
divulgação do conhecimento: uma instância que formasse pessoas para a produção constante de
conhecimento científico e filosófico para alimentar a formação de profissionais a serem preparados
nos cursos de graduação. A Criação da ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação
em Psicologia) em 1983 também ocorre com várias áreas de conhecimento e isso se transforma em
poucos anos em uma outra quantidade de instituições pelo país, com congressos e reuniões anuais
similares as de sociedades científicas. Um dos objetivos dessas associações, centralizadas na CAPES,
deveria ser o de aperfeiçoar o sistema de Programas de Pós-graduação do País, mas parece que isso
exigiria definições e atividades que se diferenciariam em relação à administração eminentemente
burocrática feita pela CAPES em relação aos programas do País. Surge mais uma instituição que terá
atividades até concorrentes com outras (por exemplo, Instituições Científicas) e com uma delimitação
de seu papel ou função que não fica claro nem em si mesmo, nem na relação com as demais
instituições do país. No caso, no âmbito dos ministérios da Educação ou da Ciência e Tecnologia, por
exemplo.
Na Universidade de São Paulo, aumentaram as turmas de egressos da Pós-graduação em
Psicologia Experimental que, com uma formação básica em Análise Experimental do
Comportamento, começaram a atuar em diferentes universidades do país. A maioria deles com uma
orientação para o ensino de Análise Experimental do Comportamento, muitas vezes com exclusão do
termo “experimental” da designação. Permaneceu, em muitos casos, a confusão entre pesquisa básica,
experimentação e intervenção profissional, esta última excluindo também o termo “experimental”.
As intervenções ficaram conhecidas por mais uma designação “Análise Aplicada do
Comportamento” ou, conforme o que estivesse sendo feito, “Pesquisa Aplicada”.
De certa forma, essa nomenclatura era, como anteriormente indicado que viria a ocorrer, um
reflexo das duas principais publicações americanas criadas pelos pioneiros do trabalho com o
comportamento operante: Journal of Experimental Behavior Analysis (criado em 1957) e Journal of
Applied Behavior Analysis (criado em 1968). Para muitos isso representava uma referência à pesquisa
básica (identificada pelo termo “experimental”) e ao trabalho de intervenção com o comportamento
(identificado pelo termo “aplicada”). Esse entendimento ficou difundido e duraria várias décadas sem
haver exames e debates que elucidassem o mais claramente possível esses entendimentos. As
designações das revistas, porém, não foram acompanhadas de esclarecimentos que a análise (no
sentido de identificar os componentes ou constituintes de uma unidade comportamental) e a
experimentação (um procedimento de avaliação e demonstração das relações entre os constituintes
de uma unidade comportamental) constituíam parte inerente do método de trabalho com o conceito
de comportamento operante. Tais entendimentos ficariam muito tempo sem uma efetiva avaliação e
sem debates ou exames das controvérsias na adoção e utilização dos termos envolvidos com essas
designações por uma grande amplitude de profissionais de Análise Experimental do Comportamento
e, conforme a nova designação, de Análise Aplicada do Comportamento. A diferenciação por
objetivos predominantes de “produzir conhecimento a respeito do comportamento operante” e de
21
“utilizar conhecimento produzido para intervir com o comportamento operante” não ficaram
suficientemente claros nem completos, principalmente no que diz respeito a suas interações com o
método básico de trabalho com o comportamento operante nos dois tipos de objetivos predominantes
no trabalho com esse fenômeno.
Em 1984 é criada, no Brasil, a revista “Revista Psicologia e Pesquisa” por professores da UnB,
vários deles relacionados à Psicologia Experimental. Nessa revista são publicados vários artigos de
analistas experimentais do comportamento durante vários anos, incluindo os que tinham, em seus
trabalhos, o objetivo predominante de intervir com o comportamento operante.
Em 1985, com a colaboração da USP, foi criado no Rio Grande do Norte (Natal) um programa
de pós-graduação voltado para “Estudo do Comportamento” (designação do Programa) mas com uma
perspectiva mais voltada para trabalhos de Neurociências em relação ao comportamento mais
entendido como atividade e movimento dos organismos do que com relação ao conceito de
comportamento operante, maximizando o estudo das relações entre aspectos ambientais (incluindo
tanto os existentes quanto os resultantes) e atividade do organismo.
Em 1987, um grupo de profissionais psicólogos trabalhando com o comportamento na
Universidade Federal do Pará, criaram um mestrado em um Programa de Pós-graduação em Teoria e
Pesquisa do comportamento. Doze anos depois, já no final da década de 1990, ampliariam o Programa
com a criação de um Doutorado (que iniciou em 2000). Os professores desses programas já
constituíam uma nova geração de profissionais do comportamento operante no Brasil, egressos dos
programas de Pós-graduação já existentes no País (predominantemente na Universidade de São
Paulo) e em outros países.
Ainda nesta década há um fortalecimento de vários cursos de graduação com disciplinas e
orientadores de trabalhos com formação em Análise Experimental do Comportamento, difundindo
ainda mais o conhecimento e a tecnologia relacionada ao Comportamento Operante. Mesmo assim,
para muitos há uma sinonímia entre os termos “comportamento” e “comportamento operante”. Essa
distinção, embora seja importante não parece ter sido enfatizada o suficiente, produzindo uma
utilização confusa do termo “comportamento” ora como sinônimo de atividade ou de “resposta” dos
organismos, ora sendo explicitamente considerado como um tipo de interação entre atividade do
organismo e o ambiente, característica já do comportamento operante, indo além das relações desse
tipo inicialmente enfatizadas por Pavlov e Watson.
No campus da USP em Ribeirão Preto, a partir de 1984, começou um trabalho de
desenvolvimento de Pós-graduação com pesquisadores com formação em Análise Experimental do
Comportamento, vários deles, tinham participado da experiência de ensino de Psicologia na
Universidade de Brasília, nos anos sessenta. Em 1984, começou um mestrado em Psicobiologia e, em
1989, começou um doutorado na mesma área de conhecimento. Os egressos desse programa também
se espalhariam por várias instituições desenvolvendo pesquisa e ensino com uma formação que se
aproximava de Análise do Comportamento no rigor da investigação experimental e no exame de
variáveis relacionadas ao comportamento, embora nem sempre fosse privilegiado o conceito de
operante como algo definidor do comportamento para a Psicologia. As interações com outras áreas

22
(Biologia, Fisiologia, por exemplo) foi uma contribuição marcante para o desenvolvimento da própria
Análise Experimental do Comportamento.
A Associação de Modificação de Comportamento (AMC) foi substituída pela Associação
Brasileira de Análise do Comportamento (ABAC), que tinha um objetivo mais amplo em relação à
amplitude de trabalho e cobertura da produção relacionada ao comportamento Operante.
Infelizmente, as duas, apesar da continuidade de uma pela outra, tiveram uma duração curta. Mesmo
assim tiveram divulgação com alguns números de duas publicações “Cadernos de Análise do
Comportamento” e “Revista de Análise do Comportamento” que tiveram muitas dificuldades para
firmar-se pelo custo de edição, pelas dificuldades de comunicação na época (não havia internet e
computadores com impressoras à disposição como acontece, quase quarenta anos depois). A ABAC
chegou a realizar um congresso nacional dentro das atividades da Reunião Anual da SBPC (na cidade
de Curitiba-PR) em 1986. Os objetivos da Associação Brasileira de Análise do Comportamento era
de fortalecer as entidades científicas com a participação da Psicologia acompanhando o esforço da
SBPC de fazer as Reuniões Anuais em diferentes lugares do país e integradamente com outras áreas
de conhecimento científico. Tal preocupação, inclusive, em 1986 foi o mote da Reunião Anual da
SBPC: Ciência e Tecnologia: uma necessidade nacional”. Nada melhor, naquele ano em que a ABAC
realizava seu congresso vinculado à reunião anual da SBPC, para haver uma integração das reuniões
anuais dos que trabalhavam com o comportamento com os cientistas e profissionais de outras áreas
de conhecimento. Esse objetivo, porém, ficaria amortecido entre os que se dedicaram a Associações
Científicas, preferindo a separação de outras áreas de conhecimento e não uma integração que sempre
pareceu, no entendimento de vários, não favorecer o desenvolvimento da Análise Experimental do
Comportamento.
A ABAC, mesmo realizando encontros de pequena amplitude e fazendo um esforço de
publicações não durou mais do que alguns anos. Inclusive pela ênfase que dava para o entendimento
do papel e importância do método científico tanto na produção de conhecimento quanto nas
intervenções com o comportamento parecia estar em oposição ou desprestigiando as intervenções
com o comportamento que “não usassem o método científico”. Os conflitos e as dificuldades da
época, inclusive na gestão da Associação, contribuíram para que a duração da Associação Brasileira
de Análise do Comportamento fosse curta, encerrando suas atividades ao final da década de 1980.
Juntas, a Associação de Modificação de Comportamento e sua sucessora, a Associação
Brasileira de Análise do Comportamento, mantiveram suas atividades e publicações entre 1974 e
1988. Depois delas, já em décadas posteriores, foram criadas outras instituições com finalidades
semelhantes e apareceram, progressivamente, várias publicações mantidas durante muitos anos.
No final desta década o Programa de Mestrado em Educação Especial, na Universidade
Federal de São Carlos, realizou um encontro de pesquisadores e professores relacionados a Educação
Especial e iniciou um conjunto de publicações denominado “Temas em Educação Especial” com as
contribuições dos participantes desses encontros, na sua maioria analistas experimentais do
comportamento, trabalhando em Educação Especial. O primeiro exemplar desse conjunto foi
publicado no primeiro ano da década seguinte. E o programa também se tornou um referencial de
formação de Analistas do Comportamento, no campo de atuação com Educação Especial, que se
23
espalharam com o ensino de Análise do Comportamento por vários cursos, principalmente no Estado
de São Paulo.

Década de 1990: há um grande aumento na quantidade de profissionais relacionados à Análise


Experimental do Comportamento em muitas vertentes de aproximação ou afastamento das
bases conceituais e metodológicas específicas dessa contribuição para o desenvolvimento da
Psicologia.
A Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamentais (ABPMC, fundada em
1991), com sede em São Paulo, foi uma associação de âmbito nacional que foi criada nessa época
com participação de pessoas que já tentavam organizar a integração dos trabalhos de Análise
Experimental no Brasil com diferentes enfoques ou destaques. Antes da criação oficial já havia muitas
atividades de pessoas em torno dessas organizações viabilizando uma rápida aglutinação de pessoas
realizando trabalhos em psicoterapia que se ampliou e se consolidou em pouco tempo. De qualquer
forma, a variedade de esforços para desenvolver e organizar o trabalho relacionado ao comportamento
tem sido uma constante desde as décadas finais do século XX, no Brasil e foi marcante vários
trabalhos que se consolidaram nesta década, um deles foi essa Associação. Em seu início procurando
integrar os trabalhos de terapia psicológica e o que ficou conhecido como “Medicina
Comportamental”.
Vários cursos de Psicologia consolidaram seus cursos com contribuições da Análise
Experimental do Comportamento nesta década firmando esforços de grupos de professores que já
ocorriam em anos anteriores. Esses esforços, em diferentes graus de organização e formalização
existiram no Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na Universidade Federal de São
Carlos, na Universidade Federal do Paraná, na Universidade Estadual de Londrina, na Universidade
Federal do Pará e na Universidade Federal de Santa Catarina e, com menos divulgação ou quantidade
de professores começaram a haver esforços em outros cursos de Psicologia. O ensino de Psicologia
como Ciência (mais do que apenas Filosofia) foi ampliado com o trabalho de observação. A
preocupação com observação direta, com manejo e controle de variáveis ambientais em relação ao
comportamento, incluindo atividades de simulações em estudos de laboratório foram marcantes na
formação de novas gerações de profissionais ligados, de alguma forma, à Análise Experimental do
Comportamento.
Também no começo da década (em 1991), na Universidade de Brasília, foi criado o Programa
de Pós-graduação em Processos comportamentais (junto ao Programa de Pós-graduação em Ciências
do Comportamento). Nele alguns pesquisadores tinham um trabalho especificamente voltado para o
desenvolvimento de conhecimento em relação ao comportamento na perspectiva da Análise
Experimental do Comportamento e isso garantia, em mais uma universidade, formação de
pesquisadores e professores de nível superior com essa perspectiva de contribuição para o
desenvolvimento da Psicologia no País.
Nesta década consolidam-se mais esforços de trabalho com análise do comportamento,
amplia-se muito o ensino e o trabalho com Análise do Comportamento no país. Em vários cursos são
24
ensinadas disciplinas relacionadas a essa contribuição para o desenvolvimento da Psicologia. Em
alguns casos, inclusive, por pessoas sem formação apropriada para isso e em outros tantos casos com
equívocos de entendimento ou interpretação de conceitos e procedimentos. A difusão do
conhecimento fica muito variada com lacunas e equívocos que tenderão a criar problemas no futuro
dessa contribuição no País. Lacunas no entendimento do próprio conceito de comportamento
operante, reduzido ao entendimento anterior ao surgimento do qualificativo operante, ou do conceito
do entendimento de análise considerado muitas vezes como sinônimo de exame ou de avaliação. Ou
ainda do conceito de experimental como sinônimo de pesquisa básica ou de laboratório, e não como
um meio de avaliação e demonstração inequívoca, inclusive dos procedimentos de intervenção. Sem
os esclarecimentos conceituais básicos bem estabelecidos, os demais conceitos ficarão
comprometidos. As exigências metodológicas nem sempre tiveram a devida atenção ou
desenvolvimento de formação como a observação, tanto direta quanto indireta, o manejo de variáveis
que interferem com a ocorrência do comportamento, fazer análise funcional do comportamento e
avaliação inequívoca dos manejos e interferências com a ocorrência do comportamento, interpretar
conceitos e adequar a linguagem com clareza para comunicar-se com leigos, fazer análise funcional
de conceitos etc. Além de exigências diretamente relacionadas aos produtos do trabalho de
investigação com o comportamento: conceitos básicos e tecnologia fundamental para lidar com
processos comportamentais, acrescidos dos conceitos técnicos para atuação em diferentes objetos de
trabalho dos campos profissionais em que os analistas do comportamento possam atuar. E isso
também com a exigência de integração ao uso dos conceitos básicos de AEC e da metodologia
fundamental no trabalho com o comportamento como, por exemplo, observação indireta de
problemas clínicos (entrevista clínica) ou de processos institucionais (entrevistas ou questionários
para identificar variáveis relacionadas a comportamento em organizações), A quantidade e variedade
de exigências criaram uma variação muito grande nas ênfases dadas em diferentes cursos e por
diferentes agentes envolvidos com o ensino de AEC, ou de aproximações dela.
Nesta década amplia-se e aprofunda-se o trabalho de ensino com a inclusão de supervisões
de terapia do comportamento em vários cursos e instituições. A supervisão fica, em pouco tempo,
sendo uma instância de aprendizagem importante começando a consolidar-se em vários cursos a partir
desta década. Já não bastavam as aulas e cursos comuns e a supervisão de trabalhos se impunha,
criando, inclusive, uma exigência de TCC’s (Trabalhos de Conclusão de Curso) em várias unidades
de ensino de graduação pelo país.
No período de 1991 a 1997 foi realizada uma experiência de um Programa de Pós-graduação
“fora de sede” com os professores da Universidade de São Carlos vinculados ao Programa de Pós-
graduação em Educação dessa instituição atendendo à uma necessidade de uma Universidade
Comunitária do Rio Grande do Sul que solicitava auxílio para dar a seus professores uma formação
pós-graduada. A universidade naquele Estado tinha dificuldades em afastar seus professores por
diversas razões: vínculos familiares e de trabalho, condições econômicas dos interessados, custos
muito altos para a universidade, abandono da instituição pelos professores após concluírem seus
programas de mestrado ou doutorado em grandes centros por oportunidades de trabalho em
universidades maiores, paralisia da universidade no desenvolvimento de pesquisas e na melhoria do
ensino de graduação por não haver professores egressos de programas de pós-graduação que
25
mantivessem vínculo com a instituição etc. A solicitação foi atendida com um programa estruturado
com uma orientação para desenvolver os processos comportamentais importantes para o
desenvolvimento de pesquisa científica e ensino superior e foi acompanhado pela CAPES com
avaliações semestrais da experiência. A área de concentração do Programa de Pós Graduação em
Educação da Universidade Federal de São Carlos foi a de Metodologia do Ensino, com o foco
específico na metodologia do Ensino Superior. O foco específico que orientou a programação das
atividades no âmbito desse trabalho de formação de mestrandos e doutorandos “fora da sede” do
Programa, foi o de um currículo comportamental que enfocava os comportamentos fundamentais que
caracterizariam o trabalho de um pesquisador e de um professor de ensino superior. Com isso foi
fortalecida a contribuição da análise do comportamento para o ensino de pós-graduação em uma
região que praticamente desconhecia o que era AEC (Rio Grande do Sul). Infelizmente não houve,
nesse programa, alunos de Psicologia (houve apenas um), limitando-se o programa a área de
concentração designada pela expressão “Metodologia do Ensino Superior”, o objeto de estudo dos
alunos. O foco nos processos comportamentais relacionados a isso foi dado pela concretização dos
trabalhos por um grupo de professores com formação em AEC. A CAPES transformou a proposta
dessa experiência, na época sob a coordenação de um professor gaúcho, em um programa de mestrado
e depois também de doutorado interinstitucional que, algum tempo depois, passaram a existir como
parte dos programas oficiais da agência.
Em 1995, a Universidade Federal de Santa Catarina, na qual já havia professores lecionando
disciplinas relacionadas a comportamento, alguns com a perspectiva da Análise Experimental do
Comportamento, nos cursos de graduação em Psicologia, deu início a um mestrado em Psicologia no
qual também participaram alguns professores que ensinavam disciplinas relacionadas a
comportamento. Não havia no Programa, porém, qualquer disciplina que se referisse direta e
explicitamente a Análise Experimental do Comportamento a não ser as contribuições de pesquisa
para entender processos psicológicos realizadas pelos professores que participavam ou contribuíam
para o Programa. A ênfase no ensino em Etologia já existia em disciplinas consideradas
“comportamentais” e foram uma constante ao lado de outras disciplinas eventuais ou isoladas em
relação ao comportamento.
Em 1997, começa a ser publicada a coleção “Comportamento e Cognição” pela Associação
Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental”, que permaneceu sendo publicada com os
trabalhos apresentados em seus congressos durante os anos seguintes.
Até 1998, na Universidade do Rio Grande do Norte, em Natal, consolidou-se o Programa de
Pós-graduação em “Estudos do Comportamento”, sem a especificidade das contribuições da Análise
Experimental do Comportamento, com ênfase em estudos das relações entre comportamento e
neurociências. Isso aumentaria a quantidade de referências a “comportamento”, embora não fosse o
mesmo conceito de comportamento no núcleo das contribuições da AEC, o conceito de
comportamento operante como um entendimento específico do processo comportamental. A
definição funcional do comportamento, pelo resultado de sua ocorrência, como parte das relações
entre atividades (ou respostas) do organismo e aspectos do ambiente, particularmente, o ambiente
subsequente a suas atividades não parece ser algo familiar ou, no mínimo, entendido, mesmo que

26
questionado. A definição funcional ainda parece desconhecida em detrimento da ampla divulgação e
aceitação das definições estruturais.
Em 1999, abre um programa de mestrado em Psicologia Experimental com área de
concentração em Análise do Comportamento, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. No
mesmo ano, a Universidade Católica de Goiás, abre um programa de Mestrado em Psicologia, com
uma linha de pesquisa em Análise Experimental do Comportamento, ampliando o ensino que havia
apenas em algumas disciplinas do Curso de Graduação em Psicologia da Universidade.
No mesmo ano, em Brasília, começa a existir o Instituto Brasiliense de Análise do
Comportamento (IBAC). Uma de suas primeiras atividades foi um curso de formação em Terapia
Analítico Comportamental. Nos anos seguintes, com um progressivo aumento de atividades, o
Instituto passou a oferecer vários cursos relacionados à Análise Experimental do Comportamento.
Ainda em 1999, começa a ser editada a Revista Brasileira de Terapia Comportamental e
Cognitiva da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamentais.
No mesmo ano, em Belém do Pará, o Programa que começou o mestrado em Psicologia com
Teoria e Pesquisa do Comportamento, com área de concentração em “Ecoetologia e Psicologia
Experimental”, ampliou com a criação de um doutorado nessas áreas, ampliando a contribuição na
formação de Analistas do Comportamento com formação científica para a atuação em pesquisa e
ensino de nível superior. O doutorado teve início no ano seguinte (2000).
A década de 1990 terminou com uma significativa ampliação do ensino de Análise (nem
sempre Experimental) do Comportamento ou outras áreas específicas próximas a ela, no âmbito da
Psicologia e da Neurociências. No âmbito da pós-graduação, o único programa existente no País na
década de 1970 (ou dois se considerarmos mestrado e doutorado independentemente), foi ampliado
com a criação de mais três programas de mestrado (um deles não especificando a formação com o
conceito de comportamento operante) nos anos de 1980 e mais cinco programas (dois deles
ampliando para doutorado) no final da década de 1990. A década terminaria com, pelo menos sete
mestrados e três doutorados em Psicologia com aproximação ou orientação específica de Análise
Experimental do Comportamento. De dois programas de pós-graduação na década de 1970, aumentou
para três na década seguinte e para cinco na década de 1990.
A quantidade de unidades de ensino de pós-graduação também foi acompanhada de uma
ampliação na quantidade de trabalhos realizados como ensino de graduação em múltiplas
universidades do país. As publicações relacionadas com trabalhos de Análise Experimental do
Comportamento aumentaram e se diversificaram pelo País, nesta década.
Um aparente paradoxo surge ao aproximar-se o final desta década de 1990 no
desenvolvimento da Análise Experimental do Comportamento: aumentaram as publicações,
principalmente de teses e dissertações ou trabalhos derivados delas, mas, por outra vertente,
começaram a diminuir, nos currículos de cursos de Psicologia, o ensino de Análise Experimental do
Comportamento com os exercícios de laboratório que ensinavam os experimentos básicos que
originaram os estudos e conceitos desta contribuição para o desenvolvimento da Psicologia sendo
diminuídos e até extintos. Em alguns casos permaneceu o entendimento amplo (e antigo) de
27
“Psicologia Experimental” como se fosse um correspondente ou substituto do Ensino de Análise
Experimental do Comportamento.
Surgiu nesta década, com força e disseminação, a expressão “behaviorismo radical”, para
referir-se especificamente ao “behaviorismo skinneriano”, referindo a ser um behaviorismo “de raiz”
(radical) por fazer referência à definição de “operant behavior”, aspecto acrescentado por Skinner
para referir-se ao comportamento com todas as decorrências e exigências desse conceito tanto para o
método de exame e investigação desse fenômeno como de intervenção com o mesmo. As
controvérsias e dificuldades com o entendimento de suas contribuições e com o trabalho em relação
a elas ficaram maiores e mais diversificadas. Em 1998, Kester Carrara publica o livro “Behaviorismo
Radical – Crítica e Metacrítica” com uma sistematização de muitos dos problemas e esclarecimentos
necessários a entender a respeito desse conceito.

Década de 2000: Consolidam-se em muitos lugares do País, núcleos e instituições de trabalho e


de estudo com variados entendimentos ou aproximações da Análise Experimental do
Comportamento em senso estrito, de acordo com princípios, conceitos, objeto de estudo e
metodologia de trabalho.
Nos anos de 2000 a 2010, acentuou-se a diminuição de disciplinas ensinando os
procedimentos básicos produzidos pelos experimentos com análise do comportamento nos cursos de
graduação pelo país. Os métodos de análise e de experimentação, integrados, que deram origem ao
conhecimento específico dessa contribuição ao conhecimento da Psicologia, parecem ser
progressivamente desvalorizados (ou pelo menos retirado dos currículos dos cursos de graduação) e
desconsiderados como exercícios e aprendizagens fundamentais em programas de graduação e de
pós-graduação, embora ainda permanecesse uma amplitude maior de ensino de AEC (ou aspectos
dela) em muito mais cursos do que existia na década de 1970. Ao mesmo tempo, aumenta a ênfase
em técnicas de intervenção em Psicoterapia de processos comportamentais sem, paradoxalmente, a
ênfase em análise no sentido de identificação dos três constituintes de um comportamento operante e
a respectiva avaliação de como se dá a relação entre os três. As técnicas de terapia vão substituir a
análise (no sentido específico de identificação rigorosa e verificada dos três componentes envolvidos
em qualquer unidade de comportamento operante) e a experimentação (no sentido de verificação e
demonstração inequívocas da relação existente, necessária ou construída entre esses três
componentes), seja ela a existente a ser alterada, seja a relação que resulta da intervenção de um
profissional do comportamento ou, no âmbito do estudo e da investigação, as relações existentes em
um processo comportamental. Em outras palavras, o que passa a ser deixado de lado é o mesmo
raciocínio e procedimento básicos de quem investiga se uma relação existe e como se configura nas
interações que podem existir entre os vários aspectos do ambiente e as variações de cada um tanto
como precedente, como subsequente às variações das atividades de um organismo.
Vários laboratórios de ensino de AEC deixam de existir, alguns substituindo os exercícios de
laboratório por programas virtuais em computador com o “ratinho virtual” (um programa de
computador que era oferecido como substituto dos exercícios com organismos reais realizados em

28
laboratório) que, aos poucos mostrou-se pouco útil para desenvolver, efetivamente, o repertório
importante de manejo de variáveis importantes para o desenvolvimento de comportamentos. O
exercício virtual enfatizava mais a visualização dos processos do que o desenvolvimento de uma
sensibilidade ao manejo de variáveis que interferem com processos comportamentais. Também esse
“laboratório virtual” aos poucos desapareceu com um progressivo descrédito como recurso de ensino
coerente com o desenvolvimento de repertório básico de Análise Experimental do Comportamento
para os que iniciavam o contato com essa contribuição para o desenvolvimento da Psicologia como
Ciência Natural.
O impacto que os exercícios de laboratório provocavam na aprendizagem dos alunos ao
verificar, com o próprio procedimento, como ocorria a construção ou a eliminação de
comportamentos reais de um organismo vivo, foi muito atenuado nos exercícios de simulação virtual.
Este ficou sendo apenas um jogo de vídeo-game, como tantos já familiares para os alunos. Os
laboratórios com organismos vivos foram aos poucos desativados influenciados pelo movimento de
eliminação de experimentos com animais, como se os laboratórios do comportamento também
martirizassem, ferissem ou maltratassem os animais usados nos exercícios de laboratório, algumas
vezes até como mera justificativa para reduzir os custos do ensino em algumas instituições, um
provável e poderoso argumento para não utilizar laboratórios de ensino, particularmente nos cursos
de graduação. Aparentemente faltou um exame mais cuidadoso do papel dos laboratórios de
psicologia na formação de alunos e o planejamento de melhores procedimentos alternativos ao
trabalho usual com ratos brancos como era a tradição. Talvez até com custos mais baixos. Alguns
experimentos isolados (como ensinar ratos a jogar basquete e outros) foram tentados, mas não
constituíram um programa de ensino que substituísse o tradicional desenvolvimento de
comportamentos exemplificados pelo manual de laboratório de Mario Guidi e Erma Bauermeister,
do começo da década de 1970. Embora tenha havido pelo menos outros dois “manuais de laboratório”
para o ensino de graduação com Análise Experimental do Comportamento. Tais manuais, porém, não
foram difundidos no meio dos cursos de graduação e foram construídos em uma época que já havia
uma evasão de disciplinas de Análise Experimental do Comportamento dos cursos de graduação e
uma diminuição de laboratórios de exercícios de Análise Experimental do Comportamento. Um
desses manuais, inclusive, utilizou exercícios com organismos humanos para implementar a
aprendizagem dos conceitos fundamentais da AEC.
Paradoxalmente, aumenta o ensino, de maneira diversificada e não articulada, de conceitos e
procedimentos ou técnicas de origem na Análise Experimental do Comportamento em disciplinas
isoladas ou por professores interessados ou com alguma aprendizagem com conceitos ou técnicas de
Análise Experimental do Comportamento. Acentua-se a ocorrência de trabalhos vinculados a
trabalhos terapêuticos com a utilização de conceitos e técnicas derivados do trabalho da Análise
Experimental do Comportamento como um recurso para desenvolvimento e treinamento do trabalho
com AEC na formação de psicólogos.
Em 2004, na Universidade Federal de Santa Catarina, o Programa de Pós-graduação em
Florianópolis, fez uma reestruturação de suas disciplinas e atividades de forma a dar início ao
Doutorado (o Programa só desenvolvia programas de Mestrado). Com isso, houve um grupo de

29
professores que se reuniu em uma das áreas (Aprendizagem, Processos Organizacionais e de
Trabalho) do Programa de Pós-graduação em Psicologia da instituição. Nessa área havia três doutores
egressos do Programa de Pós-graduação em Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo,
todos com doutorado concluídos na década de 1980 e com ampla experiência no ensino de Análise
Experimental do Comportamento, um deles com formação pós-graduada em Psicobiologia, um em
pesquisa básica e outro com experiência em Programação de Condições para Ensino e Aprendizagem,
incluindo planejamento de condições organizacionais para aprendizagem de comportamentos
institucionais. Nessa área de concentração dos estudos Pós-graduados do Programa, ficaram
delineadas duas linhas de pesquisa, uma das quais ficou sendo Aprendizagem e Processos
Organizacionais. Internamente, na área de concentração, os três professores trabalharam junto com
outros professores mais voltados para processos organizacionais e de trabalho, com integração de
algumas atividades de ensino dos alunos. Vale destacar, até por estar na contramão das tendências
dos cursos de graduação, foi o estabelecimento dos exercícios de laboratório (parte dos exercícios de
Manual de Laboratório de 1970) com vários dos experimentos básicos de desenvolvimento do
conhecimento da Análise Experimental do Comportamento entre as várias unidades de ensino da
linha de pesquisa na qual trabalhavam os três professores vinculados à Análise Experimental do
Comportamento. Novamente foi constatado vários aspectos importantes do impacto desses exercícios
no comportamento dos alunos, mesmo os que já haviam conhecido esses exercícios em seus cursos
de graduação. O planejamento (algo que poderia ser chamado de “currículo”) do ensino realizado
pelos três professores foi organizado em torno dos processos comportamentais da “maneira de
trabalhar” – o método – com o comportamento operante, enfatizando a análise das variáveis
constituintes do comportamento, a decomposição de classes amplas em classes mais específicas, O
planejamento de condições para realizar investigações ou intervenções e a demonstração por meio de
arranjos das variáveis de interesse que propiciassem avaliação inequívoca dos manejos realizados e
dos resultados obtidos.
Tal organização propiciou o desenvolvimento de um Programa com unidades de trabalho
planejadas para desenvolver circunstâncias de aprendizagem (incluindo orientação de trabalhos e
estudos) estritamente organizadas como processos comportamentais típicos do trabalho de produção
de conhecimento científico e de ensino de nível superior: uma espécie de “currículo” comportamental
próprio para o que era considerado um “Programa de estudos pós-graduados”, afastando-se do que
era típico de um currículo tradicional de graduação (e, talvez, de pós-graduação) no país. As
circunstâncias de aprendizagem (ou contingências de aprendizagem) variaram de focos ou de tipos
de problemas em função dos interesses e projetos dos alunos, indo de projetos específicos de ensino
formal, passando por problemas de análise e decomposição de comportamentos complexos até
processos terapêuticos ou organizacionais. A ênfase no método de pesquisa e no método de
construção de contingências para produção de conhecimento ou para intervenção ficou fortemente
apoiado no conceito de comportamento operante, com análise dos três constituintes de cada unidade
comportamental, e a verificação inequívoca, o mais experimental possível, das relações identificadas
ou da eficácia das variáveis manipuladas.
Em 2004, em Campinas (SP) é criado o Instituto de Terapia por Contingências de
Reforçamento em continuidade e desenvolvimento do Instituto de Terapia do Comportamento de
30
Campinas. Oito anos depois (em 2012) o Instituto daria início a um Congresso Anual de Terapia por
Contingências de Reforçamento. O foco de trabalho neste Instituto foi manter uma coerência com os
princípios do que ficou conhecido como Behaviorismo Radical em relação ao trabalho com o conceito
de comportamento operante. Uma definição funcional do comportamento. Mais do que uma técnica
de intervenção, o trabalho era orientado por um princípio e um conceito básico: o de reforçamento do
comportamento operante, ou seja, pelo menos em tese, o fortalecimento de relações recíprocas entre
os três constituintes de uma unidade comportamental: aspectos do ambiente antecedente, as atividades
de um organismo nesse ambiente e os aspectos subsequentes e decorrentes dessas atividades, no
ambiente.
Em 2005, em São Paulo, é criado o Núcleo Paradigma, criado por um grupo de Analistas do
Comportamento com formação em Análise Experimental do Comportamento, não todos em pesquisa
básica, mas com experiências diversificadas em vários tipos de estudos e trabalhos com o
comportamento humano. O núcleo organiza serviços de atendimento e de formação em Análise do
Comportamento por meio dos profissionais a ele associados e cria uma organização e incentivos para
o desenvolvimento de serviços de atendimento ao público, estudantes de análise do comportamento,
interessados e profissionais nesse tipo de contribuição para o desenvolvimento da Psicologia. O
Núcleo potencializou aproximações entre múltiplas experiências e variados profissionais em relação
ao trabalho com o comportamento na cidade de São Paulo com extensões em várias cidades e regiões
do país.
Em 2005, iniciou o Programa de Mestrado em Desenvolvimento e Aprendizagem na
Universidade Estadual de Londrina, com professores já atuantes na formação de Analistas
Experimentais do Comportamento, coerentemente, com as linhas de pesquisa já existentes no
Departamento de Psicologia da UEL, que abrigava muitos professores desse tipo de contribuição para
o desenvolvimento da Psicologia.
No mesmo ano é criada a “Revista Brasileira de Análise do Comportamento” (REBAC),
voltada para publicações de artigos e trabalhos de estudo relacionados ao comportamento operante,
em Brasília.
Também no mesmo ano de 2005, em Bauru (SP), iniciou um Programa de Mestrado com
estudos em Desenvolvimento e Aprendizagem, também reunindo um grupo de professores com
experiência de ensino em Análise Experimental do Comportamento. Alguns com larga experiência
de ensino com Análise Experimental do Comportamento, embora fossem realizadas em diferentes
tempos e diferentes instituições do País.
Em 2006 é criado o Boletim Paradigma (em São Paulo – SP) do Instituto Paradigma, com
uma tiragem extraordinária de 2000 exemplares nos anos de 2006 a 2008, 3000 de 2009 a 2010 e de
5000 de 2011 a 2014, continuando com grande quantidade de exemplares nas edições seguintes.
Dois anos depois, em 2007, o Mestrado em Psicologia da Universidade Católica de Goiás,
ampliou o Programa de Pós-graduação com um Doutorado em Comportamento e Cognição e passa
também a formar, em pelo menos uma linha de pesquisa, novos analistas experimentais do

31
comportamento com formação em doutorado para o trabalho com pesquisa e ensino em nível superior
em relação a processos comportamentais.
No ano seguinte, em 2008, a Universidade Federal de São Carlos, também criou um mestrado
e um doutorado em Psicologia, ambos com uma área de concentração em Comportamento e
Cognição. Nele, porém, havia professores com formação variada em Análise Experimental do
Comportamento, desde diferentes cursos de formação pós-graduada até trabalhos predominantemente
realizados no decorrer da vida profissional. O programa, ampliando a formação de psicólogos com
alguma formação em Análise Experimental do Comportamento no curso de graduação, passou a
formar cientistas e professores de ensino superior em análise experimental do comportamento em
relação a dois processos: comportamento e cognição.
Em 2008 começa a ser editado o Boletim “Comporte-se – Psicologia e Análise do
Comportamento”.
Em 2009, é criado o Mestrado em Psicologia na Universidade Federal do Paraná, no qual
existiu, durante vários anos, uma linha de pesquisa voltada para Análise Experimental do
Comportamento com alguns pesquisadores integrados em um trabalho de formação de mestrandos
nesse tipo de trabalho, com variações entre pesquisa em intervenções, em objetos de investigação
com processos comportamentais mais básicos ou objetos de intervenção e com estudos de filosofia
em relação a processos de pesquisa (algumas científicas, outras filosóficas) com o comportamento ou
com conceitos e trabalhos de análise experimental do comportamento.
Com tais desenvolvimentos na pós-graduação, aumentou a quantidade dos dois, três e cinco
programas iniciados durante as três primeiras décadas com esse tipo de formação no país, para mais
oito programas na primeira década do século XXI. Já existia no país uma quantidade de 18 programas
de pós-graduação com formação, de alguma forma ou em algum grau, de analistas experimentais do
comportamento, se não fosse assim por objeto e procedimento específico de trabalho com o
comportamento operante, pelo menos por aproximação de procedimentos técnicas e conceitos
utilizados com o comportamento.
Paradoxalmente, o ensino de Análise do Comportamento nas unidades de ensino de graduação
diminuiu, principalmente no que se refere à ênfase no ensino e na capacitação de comportamentos
relacionados ao trabalho com o comportamento, pelo menos no universo de entendimento da tradição
do que foi inaugurado pela Análise Experimental do Comportamento iniciada por Skinner e
colaboradores nas década de 1930 e 1940, prosseguindo pelas décadas seguintes. Paradoxalmente
aumenta o ensino de técnicas de terapia e de técnicas consideradas “comportamentais”, abrangendo
mais do que apenas as relacionadas ao comportamento operante. O movimento dos estudantes de
Psicologia na promoção de Jornadas (em alguns lugares, ficaram designadas como “Encontros” ou
Reuniões”) de Análise do Comportamento em várias universidades do País é outro aspecto paradoxal.
Nesta década há uma expansão dessas “jornadas”, uma espécie de “mini-congressos”, realizadas por
estudantes que, pelo menos inicialmente, enfatizaram palestras e exposições de professores e
especialistas em vários tipos de trabalhos e conceitos relacionados ao comportamento. Em alguns
lugares isso se aproximou mais de um congresso profissional ou científico, acrescentando exposições

32
de trabalhos dos alunos e, eventualmente, algum debate, mesmo que apenas voltado a esclarecer
dúvidas, a respeito de algum tema, conceito, problema ou trabalho realizado por analistas de
comportamento. Progressivamente esses encontros foram ampliados para mais unidades
universitárias no País, desenvolvendo ainda mais eventos desse tipo em uma maior quantidade de
universidades ao longo da década seguinte. Em poucos anos ocorreria mais de uma centena desses
eventos pelo país. Um contraste, pelo menos numérico, com o ensino de análise experimental do
comportamento nos cursos de graduação.

Década de 2010: ocorre uma ampliação extraordinária de tipos de experiência com Análise
Experimental do Comportamento ou com conceitos dela derivados e se evidenciam mais
controvérsias e problemas no âmbito desse tipo de conhecimento e nos campos de atuação
profissional a ele relacionados.
Na segunda década do Século XXI, com apoio em uma expansão e fortalecimento do ensino
de pós-graduação, com mestrados e doutorados pelo país, expandiu-se significativamente a
quantidade de pessoas e organizações (institutos, clínicas, grupos, publicações em livros e periódicos)
além de eventos reunindo profissionais dos campos de atuação relacionados com o trabalho de
analistas (experimentais?) do comportamento. A expansão e fortalecimento na quantidade de
programas de mestrados e doutorados ainda prosseguiu. Em 2013, houve mais um acréscimo com um
Doutorado em uma área específica da Análise Experimental do Comportamento na Faculdade
Medicina da USP de Ribeirão Preto, com vários professores com essa formação, aumentando ainda
mais a produção científica de novos analistas do comportamento que se acrescentou à já existente
produção de trabalhos científicos na instituição.
No primeiro ano desta década (em 2010) foram criadas duas publicações: Comportamento em
foco e Perspectivas em Análise do Comportamento. Além destas publicações, o país, ao longo dos
anos, registrou uma grande quantidade de publicações de todos os tipos, sem considerar a quantidade
enorme de livros e dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação. Com isso, há um
crescimento exponencial de publicações ao longo das seis décadas de existência da Análise
Experimental do Comportamento no País, com os vários entendimentos ou variações de trabalho em
relação a essa contribuição específica para o desenvolvimento do conhecimento e do trabalho em
Psicologia, ampliando, e também variando, o entendimento existente até o fim da metade do século
XX a respeito dessa área de conhecimento, de seu objeto de estudo e das possibilidades de trabalho
em relação a ele.
Em 2013, o Paradigma, Centro de Ciências e Tecnologia do Comportamento inicia um
Mestrado Profissionalizante, uma categoria de Pós-graduação criada pela Capes para aumentar o
trabalho de pesquisa e formação profissional diretamente relacionados aos trabalhos de intervenção
profissional, para compensar a falta de trabalhos voltados para a investigação e o estudo dos processos
de intervenção profissional nos múltiplos campos de trabalho profissional do País. O Paradigma
oferece o primeiro dos Programas de Mestrado desse tipo no âmbito da Psicologia no País. Além
desse curso, o Paradigma mantém vários tipos de cursos para profissionais e estudantes interessados

33
na Análise Experimental do Comportamento, particularmente em seu uso em processos de
intervenção profissional.
Também em 2013 a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, cria o mestrado em
Comportamento e Saúde, com uma ênfase nessa relação, embora o conceito de comportamento possa
ser enfatizado de uma maneira diferente daquela do comportamento operante, de acordo com as
descobertas da Análise Experimental do Comportamento.
Ainda em 2013, a Universidade Federal da Paraíba, cria o mestrado em Neurociência
Cognitiva e Comportamento, talvez com ênfase em um conceito genérico e anterior ao
desenvolvimento do conceito de Comportamento Operante. Em 2017, o programa fica ampliado com
um doutorado na mesma área de estudos.
Em 2016, na Universidade Estadual Paulista em Bauru o mestrado, criado em 2005, amplia
seu trabalho com a inclusão de um doutorado no Programa de Pós-graduação em Psicologia do
Desenvolvimento e Aprendizagem com uma linha de pesquisa em Análise do Comportamento.
Neste mesmo ano, na Universidade Federal de Minas Gerais, o já antigo Programa de Pós-
graduação em Psicologia, tem sua área de concentração em Desenvolvimento Humano desmembrada
do Programa criando um Programa de Pós-graduação em Psicologia: Cognição e Comportamento.
Com isso, a Universidade tem um mestrado e doutorado em Psicologia também com essa área de
concentração.
No Paraná, em 2019, a Universidade Estadual de Londrina começa, em ampliação ao
Mestrado existente, um Programa de Pós-graduação em Análise do Comportamento, agora incluindo
um doutorado. No ano seguinte em 2020, a Universidade Federal do Paraná que já desenvolvia um
Mestrado com uma linha de pesquisa em seu Programa de Pós-graduação em Psicologia, amplia seu
mestrado em um Programa de Doutorado com também uma linha de Pesquisa em Análise do
Comportamento com um grupo de professores dedicando-se à pesquisa e formação de mestres e
doutores nessa orientação.
Ainda há vários outros cursos de pós-graduação em Psicologia, principalmente de
Universidades confessionais ou Particulares com a existência de Programas de Pós-graduação que
fazem referência a processos comportamentais com diferentes ênfases no entendimento do conceito
de comportamento.
Parece que os anos iniciais do século XX viram uma evasão do ensino de Psicologia do
Comportamento dos cursos de graduação para reunir-se e acentuar o ensino do estudo e da
intervenção com o comportamento em Programas de Pós-graduação, vários deles ainda com a
denominação de “Cursos de Pós-graduação”, sem esclarecer o que significa essa diferença de
nomenclatura, conforme o significado dos dois termos. Cursos de graduação em um campo de atuação
profissional não parece ser igual a Programas de Estudo em uma área do conhecimento, com as
devidas implicações dessa diferenciação para os processos de definir o objeto de estudo, os objetivos
dos cursos ou dos programas, estabelecer o currículo de aprendizagem profissional ou dos estudos
avançados em uma área, além dos procedimentos de trabalho com os alunos e tecnologia de
desenvolvimento das aprendizagens em um ou outro tipo de formação. Isso, porém, levaria a um
34
exame mais amplo da pós-graduação existente no País, que influenciou a definição e o
desenvolvimento de programas ou cursos de pós-graduação em Psicologia no País, de acordo com os
conceitos e gerência governamental utilizados e realizados pela CAPES e pelo Ministério da
Educação, também separado do Ministério da Ciência e Tecnologia que teria mais a ver com a Pós-
graduação no País.
Várias outras universidades do País, ainda na década de 2010, aumentaram a oferta de estudos
em Análise do Comportamento em cursos fora da graduação, alguns com cursos de especialização
(designados como pós-graduação lato sensu) ou outros de variadas categorias (extensão,
aperfeiçoamento, atualização profissional etc.). Também foi ampliado de maneira muito grande a
oferta de cursos variados e fora do ensino de graduação ou das universidades. Várias instituições pelo
país, começaram a oferecer cursos de análise do comportamento por conta do interesse de clínicas ou
de pessoas para informar ou capacitar pessoas no entendimento ou preparação para o trabalho com o
comportamento. Talvez até como uma compensação pela redução de disciplinas nos cursos de
graduação ou como um novo mercado de trabalho criado pela inexistência ou redução de um ensino
equivalente nos cursos de graduação das universidades, particularmente as públicas, em várias regiões
do país.
A década comemora o surgimento de muitos cursos de formação, aprimoramento,
especialização, atualização ou aperfeiçoamento ou outras modalidades de qualificação para o
entendimento ou trabalho com variedades de abrangência ou especificidade em Análise Experimental
do Comportamento: Brasília (DF), Campinas (SP), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Londrina
(PR), Curitiba (PR) além de outras com várias unidades e diferentes ofertas desse ensino profissional.
Em outras cidades há ofertas desses tipos de cursos por instituições públicas e privadas combinando-
se de diferentes formas como Goiânia (GO), Araçatuba (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Jundiaí
(SP), Maringá (PR), São José dos Campos (SP), Porto Velho (RO) e outros. Várias dessas cidades já
oferecem serviços variados com múltiplas clínicas e institutos com atividades de ensino ou de
divulgação de seu trabalho.
Muitas unidades de trabalho com Análise do Comportamento contemplam a junção entre
comportamento e cognição. Outras consideram a cognição uma modalidade de comportamento
(conhecer) com seus processos comportamentais considerando as implicações fisiológicas, tanto no
âmbito dos determinantes, quanto no das decorrências desses processos para o organismo. Perceber,
nomear, recordar, representar, descrever, sistematizar ou outras operações relacionadas aos processos
de conhecer ainda são pouco estudadas como partes desses processos comportamentais. Isso, também
na década de 2010, ainda é algo a desenvolver no País. Talvez os esforços para o trabalho na próxima
década possam contemplar esses conceitos e os entendimentos a respeito deles.
A diminuição generalizada do ensino de Análise Experimental do Comportamento nos cursos
de graduação das universidades teve essa contrapartida: uma proliferação de cursos fora do contexto
do ensino de graduação a respeito desse tipo de contribuição para o desenvolvimento da Psicologia.
Tais cursos e sua dispersão pelo país também tiveram uma contrapartida: muito entendimento
impreciso, confuso ou divergente a respeito de conceitos, princípios e procedimentos da Análise
Experimental do Comportamento. Alguns deles fixos em determinada época de contribuição ou
35
gênese do conceito. As controvérsias, novas contribuições, desenvolvimento e avaliação de alguns
conceitos tiveram suas realizações ou exames diminuídos com implicações para uma ampliação
segura e confiável (para os usuários da Análise Experimental do Comportamento) e fidedigna e
precisa (do ponto de vista científico).
Os próprios congressos científicos diminuíram os debates e as avaliações de trabalhos
apresentados nos congressos em função da quantidade de trabalhos e da precariedade de tempo e de
espaço para atividades de avaliação e de debate profundo dos trabalhos apresentados. A década que
contempla um grande aumento em cursos de pós-graduação também apresenta um aumento
exponencial em pessoas participantes de congressos desse tipo de contribuição para o conhecimento
e para o trabalho de intervenção dos psicólogos (como as Reuniões Anuais da ABPMC, por exemplo).
Além disso, aumenta muito a quantidade de Semanas de Estudos, Jornadas, Minicongressos e outras
atividades envolvendo professores, profissionais e estudantes interessados em Análise, nem sempre
Experimental, do Comportamento. O hiper crescimento de atividades fora dos cursos de graduação e
a multiplicação de cursos de pós-graduação, podem ser tanto um sinal de crescimento da área quanto
um perigoso contraponto para a diminuição do ensino sistemático de Análise Experimental do
Comportamento nos cursos de graduação, responsáveis, até legalmente, pela formação de
profissionais do campo de trabalho da Psicologia no país.
Desde a década de 1960, já havia em vários cursos de Psicologia do Brasil, o que era
denominado de “Semana de Psicologia’, na qual os estudantes protagonizavam a organização de uma
semana de estudos e debates integrados com participação de todos os estudantes em todas as
atividades realizadas, participando dos diferentes tipos de contribuições da Psicologia em exame
durante a semana. Isso ocorreu durante várias décadas. Em 1997, começaram a ser realizadas, no
País, o que ficou designado por diferentes expressões como “Encontros” ou “Jornadas” de Análise
do Comportamento. Essa separação das contribuições de Análise Experimental do Comportamento
das demais contribuições para o desenvolvimento da Psicologia, ficou disseminado pelo país e passou
a ocorrer anualmente, envolvendo uma quantidade cada vez maior de instituições brasileiras.
Algumas já tem mais de duas dezenas de encontros desse tipo organizados pelos Analistas
Experimentais do Comportamento, ainda como estudantes ou com estudantes desse tipo e
contribuição para o desenvolvimento da Psicologia.
A separação da apresentação e debate das contribuições das Análise Experimental do
Comportamento para a Psicologia em geral, passando a ocorrer em congressos e encontros
específicos, levou a uma apresentação e debate das contribuições da Análise Experimental do
Comportamento para a própria Análise Experimental do Comportamento, à semelhança do que
aconteceu com a participação dos Analistas de Comportamento nos congressos científicos da
Psicologia e da Ciência no País. O impacto no desenvolvimento, na divulgação e na difusão da
Análise Experimental do Comportamento na Psicologia e no País, ainda não foi avaliado com clareza
pelos próprios participantes desses eventos e dos que trabalham com esse tipo de contribuição para o
desenvolvimento da Psicologia. Em alguns casos, até os encontros de Análise do Comportamento
realizados ficam desconhecidos pelos demais desses eventos, em geral, com uma ênfase em

36
exposições de trabalhos e palestras e diminuindo os debates de eventuais trabalhos apresentados
nessas reuniões.
Outra característica desses encontros e dos congressos científicos que precisa de uma
avaliação de suas consequências para o desenvolvimento e divulgação do conhecimento em relação
ao comportamento operante no País: a natureza ou os objetivos desses encontros ou jornadas de
estudantes pode ser o de conhecer mais a Análise Experimental do Comportamento ou a de divulgar
a Análise Experimental do Comportamento no âmbito de suas instituições. Mesmo assim, promover
debates bem organizados de trabalhos apresentados ou de problemas com relação à Análise
Experimental do Comportamento poderia ser uma forma de divulgação pertinente a respeito dessa
contribuição para o desenvolvimento da Psicologia em geral. Mesmo com dificuldades, limitações e,
várias delas ainda experiências iniciais, as semanas, jornadas ou encontros de Análise do
Comportamento no Brasil em menos de vinte anos superaram duas centenas de eventos, mobilizando,
no mínimo, alguns milhares de pessoas para aproximar-se do que ficou conhecido ou difundido como
“análise do comportamento”, no país. Isso não é pouco e merece ser estudado com maior
profundidade do que meras constatações de ocorrência como é feito neste texto. Uma experiência de
aproximar o conhecimento dos estudantes talvez até muito importante para compensar o isolamento
dos conhecimentos da Análise Experimental do Comportamento em Reuniões, Congressos ou
Encontros exclusivos para analistas do comportamento.
Mesmo com a separação de outras contribuições da Psicologia, tais encontros favoreceram a
divulgação e a adesão de muitas pessoas ao trabalho com o comportamento, mesmo sem uma
formação específica, prolongada ou profunda como talvez seja necessário dado a diferença muito
grande na concepção do objeto de trabalho com o comportamento operante. Várias contribuições que
se consideram “comportamentais” ainda utilizam até termos antigos para referir-se ao
comportamento, a graus ou tipos de comportamentos ou a conjuntos de comportamentos. Por
exemplo, atitudes, condutas, desempenho, comportamento organizacional, habilidades, cognição,
sentimentos, subjetividade, condicionamento, reflexo e outros que existiram ou foram criados antes
das contribuições a respeito do comportamento operante. Tais contribuições não foram anuladas pelas
últimas, mas estas possibilitaram aperfeiçoamentos conceituais e procedimentais, tanto de
conhecimento quanto de intervenção, que alteraram vários aspectos de muitos dos conceitos já
existentes no âmbito da Psicologia. Vários deles já foram evidenciados e examinados desde as
primeiras contribuições de Skinner a respeito das implicações do conceito de comportamento
operante e de contingência de reforçamento.
Outra modalidade de encontros, jornadas e congressos que se realizam no País, ainda com
organização similar a congressos científicos, são uma separação dentro da própria Análise
Experimental do Comportamento. Alguns institutos e clínicas têm promovido tais encontros voltados
exclusivamente para o trabalho terapêutico, minimizando ou até deixando de lado as contribuições
básicas e de outros tipos para o desenvolvimento do conhecimento para o próprio comportamento.
Em outros casos, instituições tem realizado cursos com formação aparentemente superficial em
Análise Experimental do Comportamento, maximizando apenas os conceitos e técnicas derivados
para trabalhos em campos profissionais diversos como clínica, intervenções organizacionais ou

37
outros. Isso amplia o escopo de usos do conhecimento relacionado ao comportamento, mas, em boa
parte, não consideram (ou até ignoram) o conceito de comportamento operante e as transformações
no conceito e na tecnologia de trabalho com o comportamento tanto no conhecimento (mesmo em
intervenções, como o trabalho de caracterizar um problema de intervenção) quanto na intervenção, o
manejo de variáveis para produzir alterações no sistema de relações entre atividade do organismo e
características do ambiente no qual tal atividade ocorre.
Tais procedimentos de “separação” e “especificidade”, (quando não de variação de
entendimento) podem ser lesivos e levar a trocas apenas entre os que falam a mesma linguagem, com
equívocos levados pelos variados significados que os mesmos termos podem ter nos diferentes
contextos em que são usados. Assim como podem levar até a uma intolerância com os
questionamentos que põem em dúvida algum aspecto do trabalho apresentado nos encontros ou
congressos. Alguns chegam a afastar-se de outros congressos a respeito do comportamento que não
sejam os que trabalham com os mesmos tipos de atividade profissional. Isso tende a falsificar a
cientificidade dos congressos e encontros, tornando-os apenas congressos de profissionais com
acentuada ênfase nos problemas de intervenção com que trabalham e não nas contribuições que
ocorrem fora de seu contexto específico de trabalho, além de possíveis distorções até nos conceitos
básicos da área, facilmente substituídos por técnicas de trabalhos de intervenção. No final da década
de 2010 chegamos a ver no Brasil uma espécie de “movimento dos protocolos” (ênfase na importância
do uso de técnicas específicas e convencionadas nas intervenções profissionais, particularmente as
clínicas) e isso levou a, pelo menos, o surgimento de questões: a que exatamente se referem essas
técnicas em relação aos processos comportamentais no âmbito do conhecimento derivado da Análise
Experimental do Comportamento? O que elas representam como delimitação do entendimento e do
trabalho de intervenção de acordo com esse tipo de contribuição ao conhecimento do comportamento
operante? Como está o desenvolvimento do conhecimento e da formação de profissionais em relação
ao trabalho com “técnicas” e sua avaliação e validação como instrumentos de trabalho? A que
exatamente servem as técnicas que estão em evidência? Qual exatamente sua função em relação ao
trabalho dos profissionais? As técnicas substituíram a preocupação com análise e controle das
variáveis que afetam a ocorrência e as características dos processos comportamentais? A maioria
dessas perguntas sequer estão presentes nos atuais debates em congressos e reuniões. Seu debate
ainda precisa ser qualificado e profundo, além de referir-se não apenas aos controles sociais que os
governos e instituições estão exercendo, mas a respeito também de seu papel no trabalho profissional
e no serviço a que tais trabalhos se referem.
Já temos também alguns exemplos de eventos de congressos amplos concorrentes com outros
de mesma natureza na mesma época ou ano, entre associações que tem o mesmo escopo de
organização em relação ao comportamento. Nos últimos anos, parece que além do isolamento das
demais contribuições em Psicologia, inauguramos concorrências de eventos de mesma natureza no
âmbito das mesmas contribuições para o desenvolvimento do conhecimento ou da ampliação do
campo profissional e sua divulgação. Ainda falta avaliar e estudar o que leva a tais acontecimentos
potencialmente de risco para o desenvolvimento de uma contribuição para o desenvolvimento da
Psicologia e, como decorrência da própria sociedade em seu aspecto mais crucial: aquilo que constrói
a sociedade, o comportamento das pessoas que a constituem. O isolamento em grupos (como se
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fossem partidos ou religiões) cria uma distorção no desenvolvimento desse mesmo conhecimento e
do campo de atuação no país, criando o que se poderia chamar de “seitas” que tendem a relacionar-
se apenas com populações de interesse ou no âmbito de uma região. O trabalho fica com
características de grupos que se comunicam pouco ou até nada e organizam suas próprias atividades
sem contato com outras instituições similares que também tendem a fazer o mesmo. As reuniões de
âmbito nacional, tendem a ficar uma feira de buscas de “novidades” sem debates efetivamente
capazes de avaliar e orientar o trabalho coletivo. Como isso está acontecendo no país? A interrogação
ainda não tem suporte de investigação e estudo para responder tal pergunta com uma profundidade
maior do que quantificação de eventos, ou nomes dos tipos de atividades (técnicas?) que estão sendo
realizadas para a consecução dos trabalhos que produzem conhecimento ou resultados de
intervenções.
Ao aproximar-se o final da década de 2010, ainda são criados programas de pós-graduação
com designações diversas que se aproximam do nome “ comportamento”, particularmente em cursos
de especialização, designados pela expressão “pós-graduação lato sensu”, mais favorável à
divulgação e adesão de interessados em tempos de valorização de títulos acadêmicos. Uma
designação criada pela CAPES para designar as primeiras experiências de Pós-graduação no País,
quando não tinha doutores para desenvolver programas de pós-graduação e aproveitava os
profissionais veteranos e experientes para desenvolver programas de formação mais avançados de
pessoal já graduado. Isso acontecia, no Brasil, há mais de sessenta anos. No início do Século XXI,
porém, o nome é mais conveniente promocionalmente (talvez para desavisados do significado desses
termos) do que elucidativo de qual é exatamente a formação que ele oferece. Mestrados, doutorados
e especializações profissionais são mais apropriados para designar esses programas (para os
primeiros) e cursos (para o último tipo). A denominação geral de “pós-graduação” não deve significar
apenas “após a graduação”, uma vez que o que importa é a natureza do curso e não a época ou a
qualificação de para quem ele é oferecido. Mas isso também é outro dos problemas existentes com o
desenvolvimento do ensino de Análise do Comportamento no Brasil. Ainda permanecem
desvalorizados cursos de atualização, aperfeiçoamento ou aperfeiçoamento cultural. Cursos que são,
muitas vezes, também reunidos sob a alcunha de “cursos de extensão”, uma designação que também
não elucida ou indica a contribuição específica do curso em foco, desvalorizando o papel específico
de cada curso por uma referência a ser um prolongamento de outros cursos em lugar de ser uma
contribuição específica, e de valor, para a formação profissional e pessoal de alguém.

Para além da década de 2010, quando inicia uma nova década para os behavioristas do país:
quais os problemas, exigências e trabalhos a resolver e realizar para o desenvolvimento e a
integração dos que trabalham com o comportamento operante?
As perguntas apresentadas no início deste texto, surgiram como emergentes nos trabalhos de
um grupo de profissionais com a perspectiva de trabalharem com o comportamento operante e de
acordo com as descobertas científicas em relação a esse fenômeno. Elas, porém, se multiplicaram
diante da variedade de experiências realizadas e existentes no País em relação a esse conceito e
fenômeno estudado no âmbito da Análise Experimental do Comportamento. Os próprios termos dessa
39
expressão, porém, precisam ser elucidados, tanto o que se refere ao objeto de trabalho (o
comportamento), como aos outros que se referem a uma maneira de trabalhar com ele (análise e
experimental). Não é pequena a variação e amplitude de entendimentos a respeito desses termos, com
a multiplicidade de conceitos e de decorrências que uma variedade de compreensões representa
também como exigência de exame.
------ xxx------
Considerando o texto acima como uma aproximação, embora incompleta e resumida, da
experiência de desenvolvimento da Análise Experimental do Comportamento no Brasil, e a história
e a complexidade desse desenvolvimento com seus cursos, programas de pós-graduação, instituições
de serviços, agentes com entendimentos e “práticas” variados em relação ao que constitui ou é básico
em relação à Análise Experimental do Comportamento, o que podemos debater em relação a:
1) quais os principais entendimentos e equívocos a respeito do que representa o trinômio Análise
Experimental do Comportamento que podem auxiliar ou atrapalhar a orientação de profissionais e
estudantes no país, na escolha e realização de seus trabalhos e estudos?
2) quais algumas ou as principais orientações para o desenvolvimento da Análise Experimental do
Comportamento no País tanto para quem quer trabalhar nessa concepção de objeto e de método de
trabalho em Psicologia quanto para quem quer preparar-se para trabalhar nessa mesma perspectiva?
3) que contribuições as novas gerações de interessados podem oferecer e realizar para o melhor
desenvolvimento dessa concepção de objeto e de método de trabalho em Psicologia?
4) que orientações específicas podem ser oferecidas para pessoas dos estados do Sul do Brasil em
relação a essas questões?
5) que questionamentos parecem importantes para quem quer trabalhar (ou pelo menos conhecer) o
que caracteriza o tipo de contribuição da Análise Experimental do Comportamento para o
desenvolvimento da Psicologia?
6) quais os principais conflitos, questionamentos, dúvidas que ainda se apresentam para quem está
trabalhando ou quer trabalhar com Análise Experimental do Comportamento em relação ao que pode
significar essa contribuição para o desenvolvimento de um trabalho com a Psicologia que possa ser
significativo para o País e para o próprio interessado nesse tipo de trabalho?
Que possamos debater um pouco de nossa própria história como orientação para nossos
próximos dias e etapas de atuação... Esses são os votos dos que organizaram esse debate em torno do
que esse texto, mesmo parcial, pouco profundo e, talvez, com equívocos, provoca... Que o passado
não seja deslumbramento ou lástima, mas história a considerar; que o presente não seja um
atordoamento pelos problemas ou envolvimento com sucessos circunstanciais e que o futuro não seja
apenas uma esperança ou expectativa, mas alternativas e oportunidades a construir, testar, explorar,
desenvolver e aperfeiçoar.

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