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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ITAJUBÁ – FEPI

Curso de Engenharia Mecânica

Marcelo Machado Martins

ENSAIO EXPERIMENTAL E PROJETO DO ROTOR DE UMA BOMBA


CENTRÍFUGA RADIAL

ITAJUBÁ
2018
Marcelo Machado Martins

ENSAIO EXPERIMENTAL E PROJETO DO ROTOR DE UMA BOMBA


CENTRÍFUGA RADIAL

Trabalho de conclusão de curso


apresentado ao Curso de Engenharia
Mecânica do Centro Universitário de Itajubá
– FEPI como requisito parcial para obtenção
do título de Bacharel em Engenharia
Mecânica.

Orientador: Prof. Msc. Roberto Meira


Júnior.

ITAJUBÁ
2018
MARTINS, Marcelo M.
ENSAIO EXPERIMENTAL E PROJETO DO ROTOR DE UMA BOMBA CENTRÍFUGA RADIAL; Marcelo
Machado Martins. Itajubá,2018. 79 p.

Orientador: Prof. Msc. Roberto Meira Júnior.

Trabalho de Conclusão de Curso. Engenharia Mecânica. Centro Universitário de Itajubá – FEPI.

1. Bombas Centrífugas. 2. Rotor. 3. Projeto. 4. Máquinas de Fluxo.


I. MEIRA Jr. Roberto. II. FEPI – Centro Universitário de Itajubá. III. Título. Monografia.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus pela oportunidade e força para atingir mais uma etapa
na vida profissional.
À minha família pelo apoio dado durante todo o curso.
Ao comprometimento de todos os professores do Centro Universitário de
Itajubá FEPI, principalmente a disponibilidade do Professor Msc. Roberto Meira Jr.
que sempre se mostrou solidário e acessível a todos os alunos, e ao Professor Dr.
Waldir de Oliveira pela disponibilidade em colaborar com o desenvolvimento deste
projeto.
E por fim, a todas as pessoas que participaram direta ou indiretamente da
minha formação.
RESUMO

As bombas são classificadas como Máquinas de Fluxo Geradoras (MFG) que


convertem o trabalho mecânico no seu eixo em energia cinética e posteriormente em
energia hidráulica do líquido operado na forma de pressão e vazão. O rotor é um
elemento hidromecânico fundamental para essas máquinas pois transfere e
transforma a energia mecânica proveniente do eixo em energia hidráulica do líquido
operado. O rotor é constituído por um determinado número de pás, de curvatura
adequada, fixadas ao cubo e à capa. Sua geometria afeta de forma significativa o
processo de conversão de energia. E isso, por consequência, afeta as características
de desempenho da bomba, já que ela deve ser projetada para atender às
necessidades do sistema em termos de vazão volumétrica e altura total de elevação.
Neste trabalho, foi projetado um rotor de uma bomba centrífuga radial, elaborando um
roteiro de cálculo para determinar todas as suas grandezas geométricas. Também, foi
realizado um ensaio laboratorial para determinação e validação do rendimento total
calculado para a bomba. O rotor projetado foi construído em uma impressora 3D
visando a possibilidade de realizar ensaios futuros com esse elemento. A proposta
deste estudo é apresentar um memorial de cálculos para o projeto de um rotor desse
tipo de bomba, amplamente utilizada em instalações industriais, e um roteiro de ensaio
necessário para validar as características de desempenho da bomba.

Palavras-chave: Bomba centrífuga, projeto de rotor radial, Características de


desempenho, Ensaio.
ABSTRACT

The pumps are classified as Generating Flow Machines (MFG) which convert the
mechanical torque on its shaft in kinetic energy and later in to hydraulic energy of the
fluid operating in the form of flow and pressure. The rotor is a fundamental
hydromechanical element for these machines because transfer and transforms the
mechanical energy from the shaft in hydraulic energy from the fluid. The rotor consists
of a number of blades, with adequate curvature, fixed to the hub and to the cover. Its
geometry significantly affects the process of energy conversion. As a result, it affects
pump performance characteristics since it must be designed to meet the needs of the
system in terms of volumetric flow and effective head. In this study, a rotor of a radial
centrifugal pump was designed, elaborating a calculation route to determine all the
geometric quantities. A laboratory test was also performed to determine and validate
the pumps total calculated yield. The rotor designed was built on a 3D printer aiming
at the possibility of future trials with this element. The purpose of this study is to present
the calculations memo for the design of a rotor of this type of pump, widely used in
industrial installations, and the test script required to validate its performance
characteristics.

Keywords: Centrifugal Pumps, Performance Characteristics, Test, Design of Radial


Rotor
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Componentes Principais de uma Bomba Centrífuga................................ 22


Figura 2 - Rotor fechado; Rotor semiaberto; Rotor aberto ........................................ 23
Figura 3 - Bomba Centrífuga de um Estágio ............................................................. 24
Figura 4 - Bomba Centrífuga de Múltiplos Estágios .................................................. 24
Figura 5 - Difusor e Voluta......................................................................................... 25
Figura 6 - Convenção de Betz. .................................................................................. 27
Figura 7: Triângulos de Velocidades na Entrada e Saída do Rotor ........................... 27
Figura 8 - Triângulos de Velocidades na Saída e Entrada ........................................ 28
Figura 9 - Curvas Características Ideais ................................................................... 29
Figura 10 - Curva de Catálogo H x Q - Família RL - THEBE .................................... 30
Figura 11 - Curva de Catálogo Pe x Q - Família RL - THEBE ................................... 30
Figura 12 - Curva de Catálogo NPSH x Q ................................................................. 31
Figura 13 – Grandezas Geométricas Principais do Rotor ......................................... 32
Figura 14: - Croqui Bancada de Ensaios LEB/UNIFEI .............................................. 37
Figura 15 - Rotações específicas , nqA, de bombas centrífugas. ............................... 38
Figura 16 - Diagrama de Cordier ............................................................................... 46
Figura 17 - Traçado de uma Pá em Formato de Arco de Círculo .............................. 56
Figura 18 - Laboratório de Etiquetagem de Bombas – LEB/UNIFEI ......................... 57
Figura 19 - Instalação da Bomba na Bancada de Ensaios ........................................ 58
Figura 20 – Bomba Centrífuga Instalada ................................................................... 58
Figura 21 - Transdutores de Pressão ........................................................................ 58
Figura 22 - Medidores Eletromagnéticos de Vazão ................................................... 59
Figura 23 - Analisadores de Grandezas Elétricas ..................................................... 59
Figura 24 - Software LabView® - Aquisição de dados durante o ensaio ................... 60
Figura 25 - Curva H x Q ............................................................................................ 61
Figura 26 - Curva Pe x Q ........................................................................................... 61
Figura 27 - Curva NPSH x Q ..................................................................................... 62
Figura 28: Gráfico Rendimento Total da Bomba X Vazão ......................................... 62
Figura 29 - Desenho do Rotor em CAD .................................................................... 67
Figura 30 - Desenho Rotor em Corte Parcial ............................................................ 67
Figura 31 - Protótipo do Rotor Construído em Impressora 3D .................................. 68
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Ponto de Maior Eficiência da Bomba RL20 ............................................... 60


Tabela 2 - Ponto de Projeto Determinado em Ensaio ............................................... 63
Tabela 3 - Rotação NqA ............................................................................................ 63
Tabela 4 - Diâmetros ................................................................................................. 64
Tabela 5 - Grandezas Calculadas e Grandezas Adotadas. ...................................... 64
Tabela 6 - Velocidades Calculadas ........................................................................... 65
Tabela 7 – Ângulos Construtivos do Rotor e do Escoamento ................................... 66
Tabela 8 – Largura das pás na entrada e saída do rotor .......................................... 66
Tabela 9 - Npá........................................................................................................... 66
SÍMBOLOGIA

LETRAS LATINAS

𝑏 Largura das pás

𝐶⃗ Velocidade absoluta

⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝐶𝑢 Velocidade absoluta na direção tangencial

⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝐶𝑚 Velocidade absoluta na direção meridional

cm3m Velocidade meridional real na entrada das pás

cm4m Velocidade meridional ideal na entrada das pás

cs Velocidade média na boca de entrada do rotor

D1 Diâmetro interno da tomada de pressão na entrada da bomba

D2 Diâmetro interno da tomada de pressão na saída da bomba

𝐷4 Diâmetro de entrada do rotor

𝐷5 Diâmetro de saída do rotor

𝐷𝑒 Diâmetro da ponta de eixo de fixação do rotor

𝐷𝑛 Diâmetro do núcleo/cubo

𝐷𝑠 Diâmetro da boca de entrada do rotor

fe Fator de estrangulamento

𝑔 Aceleração da gravidade

H Altura total de elevação

𝐾𝑛𝑠 Fator de estreitamento de seção


n Rotação da bomba

Npá Número de pás do rotor

P1 Pressão no transdutor de entrada da bomba

P2 Pressão no transdutor de saída da bomba

𝑄 Vazão total da bomba


𝑄𝑅 Vazão do rotor

⃗⃗
𝑈 Velocidade tangencial

u4m Velocidade circunferencial

V1 Velocidades médias na seção de entrada da bomba

V2 Velocidades médias na seção de saída da bomba

𝑃𝑒 Potência de eixo

Ph Potência hidráulica

⃗⃗⃗⃗
𝑊 Velocidade relativa

LETRAS GREGAS

π 3,14159265...

𝜌 Massa específica da água

𝜂𝑒𝑙 Rendimento do motor elétrico

ηt Rendimento total da bomba

δr Fator de giro do escoamento absoluto na entrada do rotor

β3 Ângulo do escoamento relativo à entrada do rotor

β4m Ângulo das pás na entrada do rotor

β5m Ângulo das pás na saída do rotor

𝑌 Trabalho específico da bomba

𝑌𝑝á Trabalho específico real do rotor

𝑌𝑝á∞ Trabalho específico ideal do rotor

η Rendimento total da bomba

𝜂ℎ Rendimento hidráulico

η f, Rendimento de fuga
ηal Rendimento de atrito lateral

ηm Rendimento mecânico

ψ Coeficiente de pressão

𝜎 Coeficiente de ligeireza

𝛿 Coeficiente de diâmetro,

𝑣 Relação de diâmetros
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 16

1.1. Justificativas ................................................................................................. 17

1.2. Objetivos ...................................................................................................... 17

1.2.1. Objetivo Geral ...................................................................................... 17

1.2.2. Objetivo Especifico ............................................................................. 17

1.3. Estrutura do Trabalho................................................................................... 18

1.4. Metodologia de Pesquisa ............................................................................. 19

2. REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................... 20

2.1. Contexto Histórico ........................................................................................ 20

2.2. Definição e Classificação de Bombas Hidráulicas ....................................... 21

2.3. Componentes das Bombas Centrífugas....................................................... 22

2.3.1. Rotor ..................................................................................................... 22

2.3.2. Carcaça ................................................................................................. 24

2.4. Princípio de Funcionamento e Teoria do Rotor ............................................ 25

2.6. Grandezas Geométricas Básicas do Rotor .................................................. 31

3. ENSAIOS DE BOMBA ................................................................................. 32

3.1. Metodologia do Ensaio ................................................................................. 33

3.2. Roteiro para Obtenção das Grandezas ........................................................ 34

4. MEMORIAL DE CÁLCULO .......................................................................... 38

4.1. Dados principais para projeto preliminar de rotor numa dada rotação
fornecida: Q, H e n ................................................................................................. 38

4.2. Rotação específica da bomba, nqA ............................................................... 39

4.3. Cálculo do diâmetro da ponta de eixo onde o rotor é fixado, de ................... 39

4.4. Cálculo do diâmetro do núcleo (cubo) na ponta de eixo do rotor, dn ............ 40

4.5. Cálculo do diâmetro da boca de entrada do rotor, Ds................................... 40

4.6. Cálculo do trabalho específico da bomba, Y ................................................ 41

4.7. Cálculo da vazão do rotor, QR ...................................................................... 42


4.8. Estimativa de Rendimentos.......................................................................... 42

4.8.1. Rendimento total da bomba, η ........................................................... 42

4.8.2. Cálculo do rendimento hidráulico, ηh ................................................ 43

4.8.3. Cálculo do rendimento de fuga, ηf ..................................................... 43

4.8.4. Rendimento de atrito lateral, ηal ........................................................ 44

4.8.5. Rendimento mecânico, ηm .................................................................. 44

4.9. Cálculo da potência de eixo, Pe.................................................................... 44

4.10. Potência de eixo do motor elétrico acionador da bomba, PeME ................. 45

4.11. Cálculo do diâmetro externo do rotor, D5 .................................................. 45

4.12. Cálculo da relação de diâmetros, 𝒗 .......................................................... 47

4.13. Cálculo do diâmetro médio na entrada do rotor, D4m ................................ 48

4.14. Cálculo da velocidade média na boca de entrada do rotor, cs .................. 48

4.15. Fator de estrangulamento na entrada e saída do rotor, fe4m e fe5m ............ 48

4.16. Velocidade meridional ideal na entrada das pás, cm4m.............................. 49

4.17. Velocidade meridional real na entrada das pás, cm3m ............................... 49

4.18. Velocidade circunferencial (tangencial) na entrada das pás, u4m .............. 49

4.19. Ângulo do escoamento relativo na entrada das pás, β3m .......................... 50

4.20. Cálculo do ângulo das pás entrada, β4m ................................................... 50

4.21. Velocidade meridional na saída das pás, cm5m ......................................... 50

4.22. Largura das pás na entrada, b4 e saída, b5............................................... 51

4.23. Velocidade circunferencial (tangencial) na saída das pás, u5m ................. 51

4.24. Trabalho específico real do rotor, Ypá ....................................................... 52

4.25. Trabalho específico ideal do rotor, Ypá∞ ...................................................... 52

4.26. Velocidade absoluta na direção circunferencial na saída das pás, cu5m ... 52

4.27. Velocidade relativa na direção circunferencial na saída das pás, wu5....... 53

4.28. Ângulo das pás na saída do rotor, β5m ...................................................... 53

4.29. Cálculo do número de pás, Npá................................................................ 53


4.30. Traçado das pás do rotor .......................................................................... 54

5. ESTUDO DE CASO ..................................................................................... 57

6. RESULTADOS ............................................................................................. 63

6.1. Ponto de Projeto .......................................................................................... 63

6.2. Rotação Específica ...................................................................................... 63

6.3. Parâmetros Mantidos Constante .................................................................. 63

6.4. Grandezas Calculadas e Grandezas Adotadas ........................................... 64

6.5. Velocidades Calculadas ............................................................................... 65

6.6. Ângulos construtivos do rotor e do escoamento .......................................... 66

6.7. Largura das pás ........................................................................................... 66

6.8. Número de pás ............................................................................................. 66

7. CONCLUSÃO .............................................................................................. 69

8. SUGESTÕES PARA TRBALHOS FUTUROS .............................................. 70

REFERÊNCIAS...................................................................................................... 71

APÊNDICE A - Relatório de ensaio de bomba LEB/UNIFEI. ................................. 73


16

1. INTRODUÇÃO

Segundo (Macintyre,1987) “A solução dos problemas ligados ao


deslocamento dos líquidos tem sido uma das preocupações da humanidade e
um permanente desafio desde a antiguidade”. A necessidade de bombear ou
transferir um fluído de um lugar a outro, se faz presente em diversas etapas dos
processos industriais. Nos mais variados setores industriais a utilização de
bombas hidráulicas é comum e, na grande maioria dos casos é indispensável
para o processo. Segundo (Santos, et al., 2007) o uso de bombas e ventiladores
para movimentação de fluidos na indústria é em torno de 63%, fazendo com que
estes juntamente com os motores elétricos sejam os equipamentos mais
utilizados na indústria.
Segundo (Monachesi & Monteiro, 2005) as bombas possuem perdas entre
10% e 40%, e quando consideramos os motores elétricos utilizados para o
acionamento das bombas e todo o sistema de distribuição do fluido bombeado,
o rendimento final é em torno de 20% a 30%, ou seja, mais de 70% da energia
elétrica consumida é dispersada em forma de alguma perda no processo.
Em decorrência do cenário energético que o Brasil vem enfrentando, é
indispensável a busca pela utilização de equipamentos mais eficientes para
aplicação nos processos de produção, sendo assim, esse trabalho tem como
proposta a análise laboratorial de um rotor de uma bomba centrífuga radial
convencional, que subsidiará uma análise da geometria desse rotor visando
melhorias no seu rendimento global.
A ideia é a partir dos dados obtidos em laboratório revisar o projeto do
rotor buscando oportunidades de melhoria da dinâmica do escoamento e
consequentemente da eficiência da bomba. Por conta disso, foi feito um
memorial de cálculo completo de projeto de rotor de bomba radial e a sua
prototipagem em impressora 3D para possíveis ensaios no futuro. A metodologia
de projeto de rotor apresentado agregou conhecimento em projetos de máquinas
e permitiu aos autores um embasamento teórico mais robusto a respeito de
máquinas de fluxo, particularmente de bombas radiais.
A metodologia de projeto foi baseada na teoria acerca do pré-
dimensionamento de rotores radiais pelo método clássico ou método geométrico,
17

tratando dos principais parâmetros e grandezas que têm influência direta na


eficiência das mesmas.

1.1. Justificativas

A eficientização ou melhoria de qualquer sistema mecânico por si só já


justifica um estudo uma vez que reduz a demanda energética da planta industrial.
As bombas são um dos principais equipamentos utilizados que são influenciados
por parâmetros operacionais como pressão e vazão, que são impostos pelo
sistema que faz parte da instalação de bombeamento. Por este fato, muitas
vezes as bombas podem trabalhar fora do seu ponto de operação ótimo o que
implica em redução de performance, desgaste prematuro dos componentes,
vibração mecânica excessiva dos componentes, entre outros.
Muitas vezes ocorre a impossibilidade de substituir a máquina por outra
que atenderia as condições de vazão e pressão com melhor performance, em
função do custo benefício. Daí vem o trabalho de engenharia de avaliar a
geometria do rotor e otimizá-la sem necessariamente substituir a máquina. Ou
seja, melhora-se a potência hidráulica mantendo-se a potência de eixo exigida
constante.

1.2. Objetivos

1.2.1. Objetivo Geral

Projetar um rotor de uma bomba centrífuga radial, elaborando uma


metodologia de cálculo para determinar todas as grandezas geométricas, e
estabelecer um roteiro de ensaio para determinação e validação do rendimento
total calculado.

1.2.2. Objetivo Especifico

1. Detalhar o ensaio eficiência de máquina de fluxo geradora, no caso uma


bomba radial;
18

2. Apresentar o passo a passo dos cálculos da geometria do rotor de uma


bomba centrífuga radial;
3. Elaborar um modelo em 3D do rotor projetado.
Cumpre destacar que nesse estudo não foi considerado o escoamento
térmico, apenas as condições de escoamento hidráulico em regime permanente
isso certamente é relevante dependendo do tipo e aplicação da bomba.

1.3. Estrutura do Trabalho

O trabalho será composto e apresentado da seguinte forma:


No capítulo 1 é apresentada uma breve introdução ao tema, bem como
sua justificativa, definição dos objetivos e metodologia aplicada.
O segundo capítulo trata de uma breve revisão bibliográfica de tópicos
pertinentes ao trabalho, apresenta a descrição de bombas, conceitos e teorias
que são necessários para o decorrer deste.
O capítulo 3 descreve o roteiro de ensaio para a determinação da
eficiência da bomba.
O capítulo 4 aborda o memorial de cálculo utilizado para
desenvolvimento do projeto do rotor.
O capítulo 5 apresenta o estudo de caso que foi avaliado nesse trabalho.
Trata-se de uma bomba da fabricante THEBE BOMBAS HIDRÁULICAS, que
atualmente faz parte do grupo EBARA CORPORATION. A bomba utilizada
conforme catálogo possui aplicações nos segmentos de agricultura, combate à
incêndios e industrial onde pode ser utilizada para circulação de fluidos, torres
de resfriamento, sistemas de filtragens entre outros.
Os resultados obtidos pelos cálculos no projeto são descritos no capítulo
6.
As considerações finais do trabalho, bem como sugestões para
trabalhos futuros, estão descritas nos capítulos 7 e 8.
19

1.4. Metodologia de Pesquisa

A metodologia aplicada nesta monografia se baseia no experimento e


projeto do rotor de uma bomba centrífuga. A partir de um ensaio experimental
realizado foram levantadas as curvas características da bomba, bem como seu
ponto de maior eficiência, com base nesse ponto foi realizado o projeto de um
novo rotor para a mesma.
O rotor foi projetado respeitando algumas dimensões do modelo original
devido as limitações da voluta da bomba, porém algumas grandezas
relacionadas à geometria das pás sofreram alterações. Durante o projeto foi
elaborado um roteiro de cálculos com um passo a passo para se realizar o
projeto da geometria do rotor. Após os cálculos a geometria foi desenhada em
3D no software PTC Creo Parametric ® e um protótipo do rotor foi impresso em
impressora 3D.
20

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Este capítulo trata da fundamentação teórica necessária para o


desenvolvimento do trabalho, nele serão abordados itens cujo entendimento se
faz necessário para a compreensão do restante deste trabalho.

2.1. Contexto Histórico

Historicamente o homem sempre buscou mecanismos para transferir seu


esforço muscular para a máquina. Há 3000 anos antes de Cristo (a.C.) os
egípcios já tinham a necessidade de transportar água do rio Nilo através de potes
para irrigação de suas plantações, o primeiro dispositivo conhecido para
distribuição de água foi a picota que surgiu em torno do ano de 1500 a.C.. A
picota era um sistema simples, constituída por uma alavanca que tinha um pote
que capitava a água em uma de suas extremidades e na outra extremidade um
contrapeso. O próprio homem exercia força para mover a alavanca e a água
extraída era distribuída para seu destino por gravidade através de uma série de
calhas (Lima, 2003).
Mais tarde surgiu uma série de outros dispositivos como o sarilho, e a roda
persa que também eram utilizados para a captação e distribuição de água. O
avanço nesse aspecto permitiu que os homens pudessem viver em locais mais
distantes dos rios, pois, já conseguiam extrair água do subsolo para seu
abastecimento e manutenção das plantações. Em torno de 250 anos a.C. a
primeira bomba de pistão foi desenvolvida, no entanto, só a partir do século XV
estudiosos passaram a concentrar estudos voltados aos fenômenos hidráulicos.
A partir daí nos séculos seguintes o início de uma industrialização emergente
forçou o homem a abandonar o uso em larga escala das antigas bombas de
pistão e desenvolver novos tipos de bombas mais eficazes (Carvalho, 1977);
(Lima, 2003).
A primeira bomba centrífuga com a concepção teórica semelhante às
bombas que são utilizadas atualmente foi desenvolvida em 1818 pelo
engenheiro americano Andrews. A partir daí o avanço tecnológico e a criação de
motores de acionamento de altas rotações permitiram a construção de bombas
21

mais eficientes atendendo o consumo humano e contribuindo para o


desenvolvimento dos grandes parques industriais. Atualmente, os sistemas de
bombeamento estão presentes nas mais variadas funções, possuem aplicações
residenciais, agrícolas, industriais, entre outros. Na indústria em geral, em
relação à importância nos processos, as bombas só perdem em quantidade para
os motores elétricos (Carvalho, 1977); (Lima, 2003).

2.2. Definição e Classificação de Bombas Hidráulicas

Bombas hidráulicas são máquinas responsáveis por adicionar energia a


um fluido. Essa energia adicionada possibilita através do escoamento o
deslocamento desse fluido de um ponto a outro. São classificadas como
máquinas geratrizes ou geradoras, pois recebem como entrada o trabalho
mecânico cedido pelo motor acionador da bomba e esse trabalho é convertido
ao líquido nas formas de energias cinética e de pressão. Devido a esta
conversão de trabalho mecânico para energia hidráulica, existem também
autores que denominam as bombas como máquinas operatrizes hidráulicas
(Macintyre, 1987); (Neto, 2004).
De modo geral, as bombas possuem duas grandes classificações que
estão relacionadas ao método/mecanismo utilizado para inserir energia ao fluido.
São elas: bombas de deslocamento positivo que utilizam diretamente
componentes mecânicos para movimentar o fluido e as turbo-bombas que são
compostas principalmente de dois componentes, o rotor e a carcaça. O
movimento giratório do rotor dentro da carcaça é responsável pela transferência
de energia ao fluido. Dentre essas duas classificações existem algumas
subdivisões. Conforme (Neto, 2004), as turbo-bombas são divididas em:
centrífugas, hélico-centrífugas (bombas diagonais) e axiais, já as bombas de
deslocamento positivo são divididas em: bombas volumétricas alternativas e
bombas volumétricas rotativas. No entanto, apesar dos diferentes tipos de
bombas, neste trabalho, os estudos serão voltados para as bombas centrífugas
radiais, pois na grande maioria das instalações de bombeamento na indústria,
utiliza-se este tipo de máquina.
22

2.3. Componentes das Bombas Centrífugas

As bombas centrífugas possuem, do ponto de vista hidráulico, dois


componentes principais: a carcaça e o rotor. Além desses dois componentes,
são compostas por outros itens complementares básicos, sendo eles: um
componente para vedação (selo mecânico ou caixa de gaxetas), anéis de
desgaste, acoplamento, mancais, eixo e a luva de eixo conforme a Figura 1.

Figura 1 – Componentes Principais de uma Bomba Centrífuga

Fonte: Foto do Autor

2.3.1. Rotor

O rotor é o componente da bomba responsável em energizar o líquido


operado, é acionado por uma fonte externa de energia e a combinação de sua
rotação com o formato e número de suas pás proporciona uma depressão em
sua região central que aspira o líquido para seu interior. Durante sua passagem
pelo rotor o líquido recebe energia, sendo assim, o rotor é considerado o
23

componente principal de uma bomba exigindo dos fabricantes uma atenção


especial em seu projeto e fabricação visto que o rendimento final da máquina
está diretamente ligado as características do mesmo (Neto, 2004).
O rotor pode ser fechado, semiaberto ou aberto, conforme Figura 2. Esta
configuração varia de acordo com aplicação do mesmo. Os rotores fechados são
utilizados para bombeamento de líquidos sem substâncias sólidas em
suspensão, já os rotores semiabertos e abertos são empregados para
bombeamento de líquidos que contém substâncias como pastas, areia, lamas ou
esgotos sanitários em sua composição (Ueta, 2018).

Figura 2 - Rotor fechado; Rotor semiaberto; Rotor aberto

Fonte: (Máquinas de Fluxo - Notas de Aula, 2009)

Além da classificação dos rotores quanto ao seu formato, a quantidade de


rotores presentes numa bomba também é utilizada para classificação de bombas
como sendo de simples estágio (monoestágio) quando a bomba é composta por
apenas um rotor e classificada como bomba de múltiplos estágios quando se faz
uso de dois ou mais rotores. Nas bombas multiestágios os vários estágios em
série proporcionam o aumento da pressão fornecida pela bomba, já que a
pressão total acaba sendo o somatório das pressões parciais que seriam
alcançadas por cada um dos rotores individualmente se as perdas não forem
consideradas.
24

Figura 3 - Bomba Centrífuga de um Estágio

Fonte: Foto do Autor.

Figura 4 - Bomba Centrífuga de Múltiplos Estágios

Fonte: Foto do Autor.

2.3.2. Carcaça

Quando o líquido bombeado passa pelo rotor, adquire energia e sai em


altas velocidades e pressões, sendo assim, se esse líquido fosse injetado
diretamente na tubulação a perda de carga seria bastante elevada. A carcaça da
bomba é responsável em transformar essa alta energia cinética do fluido em
energia de pressão. Para exercer essa função de transformar energia, a carcaça
pode conter um difusor ou ser em formato de voluta conforme Figura 5.
25

O difusor é um componente provido de pás fixas (ou palhetas) que fica


posicionado ao redor da periferia externa do rotor da bomba. Os canais entre
essas pás fixas possuem seções gradativamente crescentes, ao passar por
esses canais, o líquido, diminui a sua velocidade enquanto ocorre um aumento
da pressão (Neto, 2004).
As carcaças em formato de voluta possuem um canal em volta do rotor,
esse canal tem sua seção variável sendo crescente no sentido do escoamento
do líquido. A voluta é o tipo de carcaça mais utilizado em bombas monoestágio,
pois, tem a vantagem de conseguir operar em variáveis faixas de vazões sem
grandes prejuízos se comparada aos difusores que possuem os ângulos de suas
pás fixas projetados para um ponto de vazão específico, assim quando a bomba
trabalha fora do ponto apresenta perdas significativas. Nas bombas monoestágio
com carcaça em voluta é permitido e bastante usual a redução de até 20% do
diâmetro máximo do rotor sem grandes perdas em eficiência hidráulica (Lima,
2003) (Macintyre, 1987).

Figura 5 - Difusor e Voluta

Fonte: (Lima, 2003)

2.4. Princípio de Funcionamento e Teoria do Rotor

O princípio de funcionamento da bomba consiste basicamente na criação


zonas com diferenças de pressão. Na entrada do rotor, uma zona de baixa
pressão se forma devido a força centrífuga imposta pela rotação. Essa baixa
26

pressão gera um “vazio” na tubulação que é preenchido com líquido proveniente


da tubulação de sucção gerando um fluxo contínuo. Na saída da bomba uma
zona de alta pressão é formada devido a conversão de energia cinética para
energia de pressão que ocorre entre o rotor e a carcaça (Neto, 2004).
O estudo teórico do fluxo de líquido que passa pelo rotor é realizado pela
teoria do rotor através da utilização de vetores de velocidade. Esses vetores são
analisados em diagramas triangulares, dessa configuração dos diagramas sai a
denominação triângulo de velocidades. O entendimento das velocidades no
interior do rotor é de extrema importância para determinar os ângulos de entrada
e saída das pás do rotor, grandezas que estão diretamente ligadas a quantidade
de energia que o rotor fornece ao fluido, além de interferirem diretamente na
condição do escoamento podendo aumentar ou diminuir as perdas presentes no
rotor.
Para o estudo do triângulo de velocidades, conforme (Neto, 2004) os
conceitos de velocidade absoluta do fluido e velocidade relativa do fluido devem
ser estabelecidos. A velocidade absoluta (𝐶⃗) é em relação a carcaça da bomba,
⃗⃗⃗⃗ ) toma como referência o rotor
que é uma referência fixa, a velocidade relativa (𝑊
da bomba, referência móvel. A terceira referência utilizada para completar o
⃗⃗) ou de velocidade
triângulo é chamada de velocidade tangencial (𝑈
circunferencial que é obtida pela Equação 1:

U= π.D.n (1)

Para o entendimento dos triângulos de velocidades, foi utilizada a


convenção de Betz para padronização e identificação dos pontos de estudo,
conforme Figura 6.
27

Figura 6 - Convenção de Betz.

Fonte: (Campos, 1996)

A Figura 7 trata de um corte radial no rotor de uma bomba indicando os


triângulos na entrada e saída da pá.

Figura 7: Triângulos de Velocidades na Entrada e Saída do Rotor

Fonte: (Campos, 1996)

Na Figura 8, os valores com índice 4 e 5, respeitando a convenção de Betz


citada anteriormente, representam os triângulos de velocidade na entrada e
saída da pá respectivamente, o vetor ⃗⃗⃗⃗⃗⃗ ⃗⃗ é tangente
𝑊 tangencia o perfil da pá, 𝑈
às circunferências de entrada e saída do rotor e os ângulos α (ângulo do
escoamento absoluto) representam os ângulos entre 𝐶⃗ e 𝑈
⃗⃗, enquanto β (ângulo
⃗⃗⃗⃗ e -𝑈
construtivo da pá) representa os ângulos entre 𝑊 ⃗⃗ (Carvalho, 1977).
28

Dos triângulos de velocidade ainda se obtêm as componentes de


⃗⃗⃗⃗⃗⃗ ) e na direção meridional (𝐶𝑚
velocidade absoluta na direção tangencial (𝐶𝑢 ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗)
conforme figura 8.

Figura 8 - Triângulos de Velocidades na Saída e Entrada

Fonte: (Campos, 1996)

Por meio da Equação da quantidade de movimento angular, é possível


obter a Equação de Euler das máquinas de fluxo, no caso de bombas radiais,
representada pela Equação 2. Tal Equação expressa a quantidade de energia
por unidade de peso de líquido operado pelo rotor em condições ideais.
U5 𝐶𝑢5 - 𝑈4 .Cu4
𝐻𝑝á∞ =
g
(2)

2.5. Curvas Características

Na fase de projeto, é determinado um ponto de projeto da máquina, a


vazão, altura efetiva de elevação, e rotação são prefixados e espera-se que a
bomba irá trabalhar consumindo uma potência de eixo (𝑃𝑒 ) operando em seu
ponto ótimo, com a melhor eficiência possível. Em operação as bombas podem
operar em faixas fora do especificado, no entanto ocorrerá queda no rendimento
que deverá ser verificado se é economicamente aceitável (Lima, 2003).
O comportamento da bomba em operação é descrito em representações
gráficas denominadas curvas características de bombas. A Figura 9 abaixo
mostra dois gráficos com curvas características teóricas de bombas centrífugas,
em cada um dos gráficos estão representadas curvas para rotores com ângulos
β diferentes na saída das pás. O gráfico (a) indica a representação de curvas de
altura total de elevação por vazão e o gráfico (b) representa a potência por vazão.
29

Figura 9 - Curvas Características Ideais

Fonte: (Alé, 2010) – Adaptado pelo autor.

Na prática as curvas características de bombas apresentam


configurações bem diferentes, pois são afetadas por perdas de energia
presentes na bomba.
Durante a operação a bomba apresenta perdas internas que como nas
outras máquinas de fluxo são provenientes principalmente de três fontes: atrito
com as superfícies, fugas de fluido e atrito em labirintos. O atrito com superfícies
engloba todas as perdas de carga gerados por contato do fluído com paredes
dentro da máquina e choques contra obstáculos no caminho hidráulico do fluido.
As perdas por fuga ocorrem nos espaços entre a parte rotativa da máquina e a
parte estática, a massa que escoa nesses espaços acaba não participando da
troca de energia que ocorre na bomba, por fim as fugas de fluido se relacionam
a uma massa de fluido que constantemente fica preso entre as partes móveis e
fixas da máquina, durante o funcionamento da máquina gera perda pela força de
resistência de atrito do fluido (Carvalho, 1977).
Além de perdas internas, existem perdas externas que também afetam as
curvas características, são perdas mecânicas que ocorrem devido ao atrito do
eixo nos mancais e ao atrito gerado pelos elementos de vedação.
As curvas reais que são disponíveis nos catálogos dos fabricantes
possibilitando que os clientes selecionem a melhor bomba para seu sistema
30

durante um processo de compra, o que geralmente são levantados por meio de


ensaios realizados em bancadas do próprio fabricante ou em laboratórios
especializados. As curvas mais comuns disponibilizadas nos catálogos são de
altura total de elevação, potência, rendimento e NPSHreq. Essas curvas são
expressas em função da vazão.
A Figura 10 abaixo representa um exemplo de curva de “altura
manométrica total” por vazão e os rendimentos da família de bombas RL da
fabricante THEBE BOMBAS HIDRÁULICAS, no gráfico estão expressas as
curvas de 7 bombas semelhantes com diferenças apenas no diâmetro externo
dos rotores.

Figura 10 - Curva de Catálogo H x Q - Família RL - THEBE

Fonte: (Thebe, 2018)

O gráfico da Figura 11 abaixo trata de curvas de potência de eixo pela


vazão, cada curva também é referente a uma das bombas da família com seu
respectivo diâmetro externo do rotor.

Figura 11 - Curva de Catálogo Pe x Q - Família RL - THEBE

Fonte: (Thebe, 2018)


31

Outra curva característica também muito comum nos catálogos de


fabricantes de bombas se diz respeito à curva de NPSHreq. Pela vazão. Figura
12

Figura 12 - Curva de Catálogo NPSH x Q

Fonte: (Thebe, 2018)

O termo NPSH vem de “Net Positive Suction Head” e está relacionado ao


fenômeno de cavitação. Durante o bombeamento de um líquido a pressão na
tubulação de sucção não deve atingir o valor de pressão de vapor do líquido,
caso atinja essa pressão, ocorrerá a vaporização de parte do líquido na região
de entrada do rotor (região de baixa pressão) e, ao atingirem a zona de alta
pressão na saída do rotor ocorrerá a implosão das partículas que retornam
instantaneamente para fase líquida. Esta implosão de partículas, fenômeno
denominado de cavitação traz diversos problemas à bomba, o choque brusco
contra a parede do impelidor pode gerar desprendimento de material, excesso
de vibração e ruídos e quedas bruscas no rendimento da máquina. Com o
conhecimento da curva é possível comparar com a curva do sistema de
instalação e selecionar uma bomba apropriada evitando futuros problemas.

2.6. Grandezas Geométricas Básicas do Rotor

O dimensionamento correto das grandezas geométricas principais do


rotor são fundamentais para determinar um bom desempenho final do mesmo.
Entre essas grandezas estão o número de pás (Npá), largura na entrada e saída
das pás (𝑏4 e 𝑏5 ), diâmetro do núcleo/cubo (𝐷𝑛 ), diâmetro da ponta de eixo de
32

fixação do rotor (𝐷𝑒 ) diâmetro da boca de entrada do rotor (𝐷𝑠 ), diâmetro de


entrada das pás do rotor (𝐷4 ) e diâmetro de saída do rotor (𝐷5 ) conforme
ilustrado na figura 13.

Figura 13 – Grandezas Geométricas Principais do Rotor

Fonte: (Valentim, 2008 – Adaptado pelo autor).

3. ENSAIOS DE BOMBA

Para a realização do projeto do rotor de uma bomba centrífuga que é o


objetivo do trabalho, primeiramente foi necessário determinar as grandezas de
funcionamento da bomba, são elas: vazão, altura total de elevação e rotação.
Esses valores se referem ao ponto de projeto da máquina que é definido como
ponto de máxima eficiência.
Com o objetivo de determinar essas grandezas foi realizado um ensaio
experimental na bancada de ensaios do Laboratório de Etiquetagem de Bombas
33

da Universidade Federal de Itajubá – LEB/UNIFEI, onde foi possível determinar


as curvas características da bomba como: vazão X altura total de elevação;
vazão X rendimento total; vazão X potência de eixo e vazão X NPSH.

3.1. Metodologia do Ensaio

O roteiro para obtenção das grandezas medidas foram baseadas na


portaria INMETRO nº 455, de 01 de dezembro de 2010, e na norma ISO 9906 –
Rotodynamics pumps – Hydraulic performance acceptance tests – Grades 1 and
2.
O ensaio consiste no levantamento de diferentes pontos de operação da
bomba. Cada ponto foi definido pela variação da vazão desde o ponto de shut-
off (vazão zero) até a máxima vazão, mantendo a rotação constante. Para cada
ponto foram realizadas medições das principais grandezas de entrada e saída
da bomba. A potência elétrica consumida pelo motor, as pressões na aspiração
e recalque da bomba, a vazão, temperatura da água e rotação do motor são as
grandezas que se são necessárias conhecer para o levantamento das curvas
características da bomba. Segundo a norma, o ensaio é realizado utilizando
como fluido de trabalho a água.
O circuito de ensaio é constituído basicamente por um reservatório, uma
bancada para instalação da bomba, e tubulações de aspiração e recalque. Após
ser instalada na bancada, a bomba tem sua entrada conectada ao reservatório
através da tubulação de aspiração e, a saída da bomba é conectada a uma
tubulação de recalque que retorna o fluido utilizado para o reservatório, formando
assim um circuito fechado.
No circuito de ensaio são acoplados os instrumentos de medição
utilizados para levantamento dos dados. Na entrada e saída da bomba são
conectados anéis piezométricos que equalizam as pressões antes de serem
medidas por transdutores de pressão. Na tubulação de recalque estão instalados
uma válvula de controle, um medidor de temperatura necessário para a correção
da massa específica da água, e os medidores de vazão eletromagnéticos. Ainda
são utilizados durante o ensaio um medidor de grandezas elétricas responsável
por monitorar o consumo do motor, e um tacômetro óptico utilizado manualmente
34

para medição da rotação do motor, que será corrigida para rotação nominal
posteriormente.
Para realização do ensaio inicialmente o operador dá partida na bomba e
abre toda a válvula de controle com intuito de conhecer a máxima vazão da
bomba. Conhecendo toda a faixa de vazão da bomba, esta faixa é dividida em
vários pontos que serão aquisitados no ensaio. Com os pontos já pré-
estipulados, o operador novamente fecha a válvula de controle e inicia a
aquisição de dados de ensaio, o ponto inicial parte da vazão zero e através da
abertura parcial da válvula de controle os outros pontos são fixados. Para cada
ponto de vazão espera-se o escoamento de água através da bomba se
estabilizar. As grandezas mostradas nos displays dos instrumentos são
anotadas em uma planilha chamada “formulário de anotações de ensaio”, ao
mesmo tempo em que os dados são anotados manualmente os instrumentos
emitem sinais de corrente que são aquisitados no software LabView®.
Repetindo o mesmo procedimento para todos os pontos pré-
estabelecidos, ao final do ensaio o software LabView® emite os dados em uma
planilha do Excel. Com a planilha em mãos os dados são tratados. Esse
tratamento de dados consiste na correção dos erros dos instrumentos, já que
todos equipamentos utilizados durante os ensaios são periodicamente
calibrados garantindo assim bons resultados obtidos pelo laboratório.

3.2. Roteiro para Obtenção das Grandezas

Seguindo este roteiro de cálculo, as medidas utilizadas para determinar


as curvas características de bombas devem estar no sistema internacional de
medidas.
Os valores de vazão são obtidos diretamente pela aquisição dos dados
do medidor de vazão eletromagnético.
Para o cálculo da altura total de elevação (H) é utilizada a Equação da
energia que resulta na Equação 3.
35

𝑃2 𝑃1 2 𝑣2
𝑣2− 1
H=( − )+( ) + 𝑍2 − 𝑍1
𝜌𝑔 𝜌𝑔 2𝑔

(3)

Onde:
𝑃1
[m] - Pressão no transdutor de entrada da bomba;
𝜌𝑔
𝑃2
[m] - Pressão no transdutor de saída da bomba;
𝜌𝑔

𝑣1 e 𝑣2 [m/s]- são as velocidades médias nas seções de entrada e saída da


bomba respectivamente, expressas pelas equações:

4𝑄 4𝑄
𝑣1 = ; 𝑣2 = (4)
𝜋𝐷12 𝜋𝐷22

𝐷1 [m] - Diâmetro interno da tomada de pressão 1;


𝐷2 [m] - Diâmetro interno da tomada de pressão 2.
A diferença de cotas de posição 𝑍1 e 𝑍2 , no ensaio realizado é nula devido
aos transdutores estarem nivelados entre si.
A potência hidráulica da bomba pode ser expressa pela Equação 5:

𝑃ℎ = 𝜌𝑔𝑄𝐻10−3 (5)

𝑃ℎ [kW] – Potência hidráulica;


𝜌 [kg/m³] – Massa específica da água;
𝑔 [m/s²] – Aceleração da gravidade;
𝑄 [m³/s] – Vazão;
𝐻 [m] – Altura total de elevação.
A Equação 6 abaixo é utilizada para determinar a massa específica da
água.

𝜌 = 1000,14 + 0,0094. 𝑡 − 0,0053. 𝑡² (6)

t [ºC] - Temperatura da água.


36

A potência de eixo da bomba, considerada igual a potência de eixo do


motor elétrico, é determinada com base na Equação 7.

𝑃𝑒 = 𝑃𝑒𝑙 . 𝜂𝑒𝑙 (7)

𝑃𝑒 [kW] – Potência de eixo da bomba;


𝑃𝑒𝑙 [kW] – Potência elétrica, (dado obtido por um medidor de grandezas
elétricas);
𝜂𝑒𝑙 [1] – Rendimento do motor elétrico.

O rendimento total da bomba é obtido através da Equação 8.

Ph
ηt = (8)
Pe

ηt [-] – Rendimento total da bomba.

Durante o ensaio a rotação do motor elétrico sofre variação devido ao


escorregamento de carga do motor, assim as leis de semelhança para máquinas
de fluxo são aplicadas corrigindo os valores obtidos para rotação nominal com
valor constante.

𝑛1 𝑛1 2 𝑛1 3 𝑛1 3
𝑄1 = 𝑄. ( ) ; 𝐻1 = 𝐻. ( ) ; 𝑃𝑒1 = 𝑃𝑒 . ( ) ; 𝑃𝑒𝑙1 = 𝑃𝑒𝑙 . ( )
𝑛 𝑛 𝑛 𝑛
(9)

n [rpm] – Rotação da bomba.


Obs: As grandezas com índice 1 são corrigidas para rotação constante.
A Figura 14, trata de um croqui de um circuito de ensaios devidamente
adaptado às normas citadas anteriormente e que regem este procedimento de
ensaio.
37

Figura 14: - Croqui Bancada de Ensaios LEB/UNIFEI

Fonte: Foto do Autor.


38

4. MEMORIAL DE CÁLCULO

4.1. Dados principais para projeto preliminar de rotor numa dada


rotação fornecida: Q, H e n

No projeto preliminar de qualquer rotor, a rotação do rotor, n, é


estabelecida com base no estudo de cavitação. O valor de n estabelece também
a máxima altura geométrica de sucção, hs, onde a bomba deverá ser posicionada
em relação ao nível superior de líquido contido no reservatório de aspiração,
portanto, n depende da instalação de bombeamento onde a bomba será inserida.
O valor de n define também o valor da rotação específica, nqA, um importante
parâmetro para o projeto preliminar de qualquer rotor de máquina de fluxo, que,
por sua vez, define o tipo de bomba quanto à configuração do escoamento no
rotor, ou seja, se a bomba é radial, diagonal (mista) ou axial, conforme ilustrado
na Figura 15.

Figura 15 - Rotações específicas , nqA, de bombas centrífugas.

Fonte: (Campos, 1996)

Para realização deste trabalho, os dados de projeto preliminares, foram


baseados em uma bomba já existente onde a rotação do rotor n é fornecida e os
valores de Q, H foram determinados através de ensaio experimental onde Q é a
vazão volumétrica da bomba e H a altura total (efetiva) de elevação. Além da
vazão volumétrica e a altura total (efetiva) de elevação, foram determinados
também, os valores de potência de eixo, Pe, e rendimento (eficiência) total
39

máximo da bomba, ηt, onde, todos os valores são referentes ao ponto de maior
eficiência B.E.P (Best Efficiency Point).

4.2. Rotação específica da bomba, nqA

Através do cálculo da velocidade de rotação específica , nqA, determina-


se qual o tipo de rotor que é caracterizado pela sua geometria no plano
meridional.
A rotação específica da bomba, nqA segundo Addison que é uma grandeza
adimensional, é determinada pela Equação 10.

𝑄1/2
𝑛𝑞𝐴 = 𝑛 (𝑔 10³ (10)
𝐻)3/4

onde n é a rotação do rotor em rps, Q a vazão da bomba em m³/s, g a aceleração


da gravidade em m/s² e H a altura total de elevação da bomba em m. Os valores
de n, Q e H são aqueles referentes ao ponto de projeto da bomba determinados
experimentalmente neste trabalho.

4.3. Cálculo do diâmetro da ponta de eixo onde o rotor é fixado, de

Conforme (Pfleiderer e Petermann, 1979), a fórmula semi-empírica dada


em (11) pode ser utilizada para a determinação do valor do diâmetro da ponta
de eixo, 𝑑𝑒 , ou seja,

3 𝑃𝑒
𝑑𝑒 = 10𝑘 √ (11)
𝑛

onde o valor de, de, é obtido em mm, k é uma constante (depende se a bomba
centrífuga é de um estágio ou de múltiplos estágios), Pe é a potência de eixo, em
kW, e n a rotação do rotor, em rpm. Tanto Pe como n se referem ao respectivo
valor no ponto de projeto.
(Pfleiderer e Petermann 1979) recomendam para bomba de 1 estágio 11≤ k≤ 14.
40

O valor final do diâmetro da ponta de eixo, de, que deve ser obtido após a
definição da geometria completa da bomba, deve ser feito considerando-se
todas as solicitações resultantes (torção e flexão) no eixo, verificando-se também
a sua rotação crítica.
Neste trabalho, após ter sido calculado o valor do diâmetro da ponta de
eixo pela Equação 11, tal valor foi devidamente arredondado para o diâmetro da
ponta do eixo do motor elétrico acionador da bomba que foi utilizado no cálculo
do novo rotor projetado.

4.4. Cálculo do diâmetro do núcleo (cubo) na ponta de eixo do rotor,


dn

Conforme (Pfleiderer e Petermann 1979), a fórmula dada em (12) pode


ser utilizada para o cálculo do diâmetro do núcleo (cubo) na ponta de eixo do
rotor, dn. Se a potência da bomba é relativamente alta, deve-se calcular dn com
base na “resistência dos materiais”.

𝑑𝑛 = 𝑑𝑒 + [2 × (5 𝑎 15 𝑚𝑚)] (12)

4.5. Cálculo do diâmetro da boca de entrada do rotor, Ds

Conforme (Pfleiderer 1960) e (Pfleiderer e Petermann 1979), a fórmula


dada em (13) pode ser utilizada para o cálculo do diâmetro da boca de entrada
do rotor, Ds.

3 4𝑄
𝐷𝑠 = √ 2 (13)
𝜋 𝑘 𝑛𝑠 𝛿𝑟 𝑛 𝑡𝑔𝛽3

Onde Ds é obtido em m, Q a vazão da bomba, em m³/s, kns (Equação (14)) é um


fator de estreitamento de seção devido à extremidade do núcleo (cubo), δr
(Equação (15)) é um fator de giro do escoamento absoluto na entrada do rotor,
41

n a rotação do rotor, em rps, e β3 o ângulo do escoamento relativo à entrada do


rotor, em graus.

O fator de estreitamento de seção, kns, e o fator de giro do escoamento


absoluto na entrada do rotor, δr, são dados, respectivamente pelas equações 14
e 15.

2
𝑑𝑛
𝐾𝑛𝑠 = 1 −
𝐷𝑠2

(14)

𝐶𝑢3𝑒
𝛿𝑟 = 1 − (15)
𝑈4𝑒

Para satisfazer a Equação (13), o valor do ângulo do escoamento relativo


à entrada do rotor, β3, deve ser adotado, pois, até este passo não se conhece o
seu valor numérico. Para valores baixos de ângulos β3, respeitando certos
limites, são mais adequados quando se deseja evitar cavitação e valores altos
de ângulos β3, respeitando também certos limites, melhoram o rendimento
(eficiência) do rotor.

4.6. Cálculo do trabalho específico da bomba, Y

O trabalho específico da bomba, Y, é determinado de acordo com a


Equação (16).

𝑌 = 𝑔𝐻 (16)

onde H é a altura total de elevação da bomba, em m, e g a aceleração da


gravidade, em m/s².
42

4.7. Cálculo da vazão do rotor, QR

Para calcular a vazão do rotor, QR, adota-se um valor apropriado entre


1,01 e 1,05 que corresponde às perdas por fuga na bomba. Após a geometria da
bomba ser definida, pode-se manter ou mesmo alterar o valor adotado neste
item. A vazão do rotor, QR, é determinada de acordo com a Equação (17).

𝑄𝑅 = (1,01 𝑎 1,05)𝑄 (17)

onde Q é a vazão da bomba, em m³/s.

4.8. Estimativa de Rendimentos

O rendimento (eficiência) total da bomba é dado pela Equação 18, ou seja,


𝜂 = 𝜂ℎ 𝜂𝑓 𝜂𝑎𝑙 𝜂𝑚 (18)

O valor de cada um destes rendimentos varia de acordo com as


dimensões da máquina, do tipo de construção adotado da folga radial entre o
rotor e a voluta e de outros diversos fatores. Neste trabalho são adotados certos
valores como orientação inicial para a realização dos cálculos.

4.8.1. Rendimento total da bomba, η

O rendimento (eficiência) total da bomba, η, deve ser adotado com certo


critério. Por exemplo, bombas de baixas potências têm rendimentos muito
menores que os de bombas de altas potências. Bombas radiais de mesma
potência têm rendimentos menores se tais bombas possuem valores de rotações
específicas muito baixas em relação àquelas bombas radiais de rotações
específicas mais altas. Bom acabamento das superfícies da bomba em contato
direto com o líquido operado também influencia o rendimento total da bomba. A
escolha do número correto de pás também afeta o rendimento total, etc. Neste
43

projeto, o valor adotado para o rendimento total máximo da bomba foi aquele
obtido no ensaio experimental.

4.8.2. Cálculo do rendimento hidráulico, ηh

Conforme (Silva, 2000), para bombas, os valores de rendimento hidráulico


variam desde 0,70 para bombas pequenas, sem grandes cuidados de
fabricação, até 0,96 para bombas de dimensões grandes, bem projetadas e com
muito bom acabamento. Contribuem fundamentalmente para a melhoria deste
rendimento um aumento na qualidade de projeto e dos processos de fabricação.
O rendimento hidráulico, ηh, é obtido para qualquer modalidade de
máquinas de fluxo (bombas, ventiladores e turbinas hidráulicas) conforme a
Equação (19), com base na Equação (18).

𝜂
𝜂ℎ = (19)
𝜂𝑓 𝜂𝑎𝑙 𝜂𝑚

4.8.3. Cálculo do rendimento de fuga, ηf

O rendimento de fuga (denominado também de rendimento volumétrico),


ηf, é obtido para máquinas de fluxo geradoras (bombas e ventiladores) conforme
a Equação (20).

𝑄
𝜂𝑓 = 𝑄 (20)
𝑅

Ainda, segundo (Silva, 2000), o rendimento volumétrico varia entre 0,83


até 0,98 para bombas comuns, devendo-se adotar valores mais baixos para
bombas de alta pressão e valores mais altos para as de baixa pressão. O
processo de fabricação tem grande importância sobre este rendimento, pois
quanto maior a folga radial entre o rotor e a carcaça menor será o seu valor.
44

4.8.4. Rendimento de atrito lateral, ηal

Para o rendimento de atrito lateral, ηal, será adotado um valor apropriado,


levando em consideração que quanto menor for a rotação específica da bomba
radial, o valor adotado deve se afastar do valor 1 (100 %). Segundo (Silva, 2000),
para nqA ≅ 60 o rendimento é de 0,93, para nqA ≅ 180, 0,98, e chegando a 0,99
para nqA ≅ 350. Para rotores abertos sem o disco frontal (ou capa), este
rendimento atinge valores ainda maiores.

4.8.5. Rendimento mecânico, ηm

O rendimento mecânico, ηm, deve ser adotado e seu valor depende se o


acionamento é “direto” ou indireto para bombas centrífugas. Esses valores
podem ser de 0,96 a 0,99 dependendo de vários fatores. No caso de
acionamento “direto”, a rotação do rotor é igual a do motor acionador da bomba
(geralmente, um motor elétrico de indução) e o valor de ηm depende do sistema
de vedação, podendo ser por “anéis de gaxeta” ou por “selo mecânico”. No caso
de acionamento indireto, a rotação da bomba, em geral, é diferente da rotação
do motor acionador. Além do sistema de vedação da bomba, o valor de ηm
depende também do sistema de transmissão entre o motor acionador e a bomba,
podendo ser por correia(s) e polias. As perdas de potência transmitidas neste
tipo de acionamento variam de 5% a 10%.

4.9. Cálculo da potência de eixo, Pe

A potência de eixo, Pe ou potência de acionamento, é obtida para


máquinas de fluxo geradoras (bombas e ventiladores) conforme a Equação (22),
com base na Equação (21) que representa o rendimento total da bomba, ηt.

𝑃ℎ 𝜌𝑄𝑌 𝜌𝑔𝑄𝐻
𝜂= = = (21)
𝑃𝑒 𝑃𝑒 𝑃𝑒

𝜌𝑔𝑄𝐻
𝑃𝑒 = (22)
𝜂
45

Onde 𝑃ℎ é a potência hidráulica e 𝜌 a massa específica do líquido operado


pela bomba.

4.10. Potência de eixo do motor elétrico acionador da bomba, PeME

A potência de eixo do motor elétrico, PeME, é obtida em catálogo de


motores elétricos, basicamente, em função da potência de eixo da bomba, tendo
por base a rotação do rotor da bomba (acionamento direto). A rotação do motor
elétrico (indicada em catálogo e na placa de dados do motor elétrico) depende
de várias características do motor elétrico (potência, número de pólos, etc.) e da
frequência da rede elétrica. Ao variar a vazão de uma bomba centrífuga para
uma vazão maior que aquela referente ao ponto de rendimento total máximo, a
sua potência aumenta para uma determinada faixa de operação da bomba.
Portanto, torna-se necessário especificar a potência a potência de eixo do motor
elétrico, PeME, maior que a potência de eixo da bomba, Pe, referente ao ponto de
rendimento total máximo. Geralmente, a potência de eixo do motor elétrico, PeME,
é estabelecida de acordo com a Equação (23). Valores próximos a 1,10 são
apropriados para bombas de potências maiores, enquanto que valores próximos
a 1,35 são mais apropriados para bombas de potências menores. Deve-se
especificar a potência de eixo do motor elétrico, PeME, imediatamente acima do
valor calculado pela Equação (23).

𝑃𝑒𝑀𝐸 = (1,10 𝑎 1,35)𝑃𝑒 (23)

4.11. Cálculo do diâmetro externo do rotor, D5

Para o cálculo do diâmetro externo do rotor, D5, são apresentados dois


procedimentos:
1º) Cálculo de D5 por meio do coeficiente de pressão, ψ;
2º) Cálculo de D5 por meio do diagrama de Cordier.

1º) Cálculo de D5 por meio do coeficiente de pressão, ψ


46

Com base no gráfico “coeficiente de pressão, ψ, em função da rotação


específica, nqA,” fornecido por (Bran e Souza (1979)) é possível obter uma
expressão de ψ versus nqA para certas faixas de rotações específicas. Por
exemplo, para a faixa 30 ≤ nqA ≤ 125 tem-se a seguinte expressão dada em (24):
2 3
Ψ = 0,186 + 0,0283𝑛𝑞𝐴 − 2,7975 × 10−4 𝑛𝑞𝐴 + 8,0225 × 10−7 𝑛𝑞𝐴
(24)

Então,
2𝑔𝐻
𝐷5 = √ (25)
𝜓𝜋²𝑛²

2º) Cálculo de D5 por meio do diagrama de Cordier


O diagrama de Cordier clássico representa o coeficiente de ligeireza, 𝜎,

em função do coeficiente de diâmetro, 𝛿, ambos adimensionais e está


representado na figura 16.
Figura 16 - Diagrama de Cordier

Fonte: (Dietzel, 1980)


47

O coeficiente de ligeireza, σ, é dado pela Equação (26).

𝑛𝑞𝐴
𝜎 = 2,108 𝑛𝑞 = 2,108 (26)
10³

Com o valor calculado do coeficiente de ligeireza, pelo diagrama de Cordier,


Dietzel (1980), obtém-se o coeficiente de diâmetro, δ, dado pela Equação (27).

𝑌 1/4
𝛿 = 1,054 𝐷 (27)
𝑄1/2

Sendo D o maior diâmetro do rotor, ou seja, no caso de bombas radiais D = D5.


Portanto, o diâmetro D5 é dado pela Equação (28).

𝛿𝑄1/2
𝐷 = 𝐷5 = (28)
1,054×𝑌 1/4

4.12. Cálculo da relação de diâmetros, 𝒗

A relação de diâmetros, 𝑣 , que relaciona os diâmetros médios de entrada,

D4m e D5m, é dada pela Equação (29). Os valores de 𝑣 são fornecidos num gráfico
por (Bran e Souza 1979).

𝐷4𝑚
𝑣= (29)
𝐷5𝑚

É possível obter uma expressão de ν versus nqA para máquinas de fluxo


geradoras radiais (bombas e ventiladores), conforme a Equação (30)

𝑣 = 0,129375 + 0,299 × 10−2 𝑛𝑞𝐴 − 0,235 × 10−5 𝑛𝑞𝐴 ²


(30)
48

4.13. Cálculo do diâmetro médio na entrada do rotor, D4m

O diâmetro médio na entrada do rotor, D4m, é obtido pela Equação (29),


ou seja,

𝐷4𝑚 = 𝑣 𝐷5𝑚 (31)

Observação: O valor calculado de D4m é aproximado. Deve-se tomar por


base o valor obtido das equações (30) e (31) e fazer, caso necessário, a devida
modificação no valor, com base nos Itens listados abaixo.

4.14. Cálculo da velocidade média na boca de entrada do rotor, cs

A velocidade média na boca de entrada do rotor, cs, é obtida de acordo


com a Equação (33). Como a vazão no rotor é, pela Equação da
continuidade,
𝜋
𝑄𝑅 = 𝑐𝑠 𝐴𝑠 = 𝑐𝑠 (𝐷𝑠2 − 𝑑𝑛2 ) (32)
4

Então,

4𝑄𝑅
𝑐𝑠 = (33)
𝜋(𝐷𝑠2 −𝑑𝑛
2)

4.15. Fator de estrangulamento na entrada e saída do rotor, fe4m e fe5m

Um valor apropriado para o fator de estrangulamento na entrada e saída


do rotor, fe4m e fe5m, respectivamente, deve ser adotado e depois verificado. O
fator estrangulamento tanto na entrada como na saída do rotor, depende da
espessura da pá na entrada e saída e4 e e5, do ângulo da pá na entrada e saída,
β4 e β5, e do número de pás do rotor, Npá. Até o presente passo (Item 4.15), não
se determinou o valor de nenhuma dessas grandezas. Desta forma, os valores
adotados devem ser devidamente verificados posteriormente.
49

4.16. Velocidade meridional ideal na entrada das pás, cm4m

A velocidade meridional ideal na entrada das pás, cm4, que tem valor
numérico igual a wm4 será considerada inicialmente igual a velocidade média na
boca de entrada do rotor, cs. As velocidades cm4 e wm4 são denominadas de
componente da velocidade absoluta ideal na entrada das pás e componente da
velocidade relativa ideal na entrada das pás, respectivamente. Se for necessário,
o valor de cm4 pode ser modificado atendendo a critérios que serão expostos nos
Itens abaixo. Então, por enquanto, Velocidade meridional ideal na entrada das
pás:

𝑐𝑚4 = 𝑐𝑠 (34)

4.17. Velocidade meridional real na entrada das pás, cm3m

A velocidade meridional real na entrada das pás, cm3, que tem valor
numérico igual a wm3, é obtida pela Equação (35). As velocidades cm3 e wm3 são
denominadas de componente da velocidade absoluta real na entrada das pás e
componente da velocidade relativa real na entrada das pás, respectivamente.

𝑐𝑚3 = 𝑓𝑒4 𝑐𝑚4 = 𝑤𝑚3 (35)

4.18. Velocidade circunferencial (tangencial) na entrada das pás, u4m

Com base no diâmetro D4m calculado no Item 4.13, pode-se determinar a


velocidade circunferencial u4m pela Equação (36).

𝑢4𝑚 = 𝜋 𝐷4𝑚 𝑛 (36)


50

4.19. Ângulo do escoamento relativo na entrada das pás, β3m

O escoamento absoluto entra no rotor sem giro, ou seja, α3m = α4m = 90º ,
portanto, cu3m = cu4m = 0. Do triângulo de velocidades na entrada das pás, o
ângulo do escoamento relativo na entrada das pás β3m (no caso de número finito
de pás) é calculado pela Equação (37).

𝑤𝑚³𝑚
𝛽3𝑚 = 𝑡𝑔−1 ( ) (37)
𝑤𝑢³𝑚

4.20. Cálculo do ângulo das pás entrada, β4m

Quando o número de pás é infinito (uma idealização que é feita no estudo


de qualquer máquina de fluxo), o ângulo do escoamento relativo coincide com o
ângulo das pás do rotor em toda a sua extensão. Como o escoamento absoluto
entra no rotor sem giro, ou seja, α3m = α4m = 90º, portanto, cu3m = cu4m = 0, o
ângulo das pás na entrada, β4m, pode ser facilmente calculado. Como
aproximação, a velocidade meridional na entrada será considerada um pouco
maior que a velocidade cs (calculada no Item 4.14). Do triângulo de velocidades
na entrada das pás, o ângulo do escoamento relativo na entrada das pás (no
caso de número infinito de pás de espessura desprezível), que é o mesmo
ângulo da pá na entrada β4m, é dado pela Equação (38).

𝑤𝑚4𝑚
𝛽4𝑚 = 𝑡𝑔−1 ( ) (38)
𝑤𝑢4𝑚

4.21. Velocidade meridional na saída das pás, cm5m

A velocidade meridional na saída das pás, cm5m, pode ser calculada


adotando-se o mesmo valor da velocidade meridional na entrada das pás, cm4m,
51

ou adotando-se um fator entre as velocidades meridionais na entrada e saída


(fcm) que vai depender principalmente do valor da rotação específica da bomba,
nqA. Tal fator (igual ou menor que 1) é dado pela Equação (39), respeitando a
Equação da continuidade.

𝑐𝑚5𝑚 𝑤𝑚5𝑚
𝑓𝑐𝑚 = = (39)
𝑐𝑚4𝑚 𝑤𝑚4𝑚

Da Equação (39), obtém-se a velocidade meridional na saída das pás, de


acordo com a Equação (40).

𝑐𝑚5𝑚 = 𝑓𝑐𝑚 𝑐𝑚4𝑚 = 𝑓𝑐𝑚 𝑤𝑚4𝑚 (40)

4.22. Largura das pás na entrada, b4 e saída, b5

Pela Equação da continuidade, pode-se calcular a largura das pás na


entrada e saída do rotor, b4 e b5, respectivamente, de acordo com as equações
(41) e (42).
𝑄𝑅
𝑏4 = (41)
𝜋 𝐷4 𝑐𝑚4 𝑓𝑒4

𝑄𝑅
𝑏5 =
𝜋 𝐷5 𝑐𝑚5 𝑓𝑒5

(42)

4.23. Velocidade circunferencial (tangencial) na saída das pás, u5m

O diâmetro D5m = D5 = 200 mm foi calculado no Item 4.11. Então a


velocidade circunferencial, u5m pela Equação (43).

𝑢5𝑚 = 𝜋 𝐷5𝑚 𝑛 (43)


52

4.24. Trabalho específico real do rotor, Ypá

O trabalho específico real do rotor, Ypá, é calculado pela Equação (44).

𝑌
𝑌𝑝á = (44)
𝜂ℎ

4.25. Trabalho específico ideal do rotor, Ypá∞

O trabalho específico real do rotor, Ypá∞, é calculado pela Equação (45).

𝑌𝑝á
𝑌𝑝á∞ = (45)
𝜀

Onde, será adotado um valor apropriado para o fator de deficiência de


potência ε. O valor adotado para ε deve ser verificado posteriormente.

4.26. Velocidade absoluta na direção circunferencial na saída das pás,


cu5m

O componente da velocidade absoluta na direção circunferencial na saída


das pás, cu5, é calculado segundo a Equação (46) que é a Equação de Euler
para rotores de máquinas de fluxo geradoras radiais (MFGR).

𝛾𝑝á∞=𝑢5𝑐𝑢5−𝑢4𝑐𝑢4 (46)

Como o escoamento absoluto entra no rotor sem giro, o ângulo do


escoamento absoluto na entrada do rotor é 90º e, em consequência, o
componente da velocidade absoluta na direção circunferencial na entrada das
pás, cu4, é igual a zero. Então, neste caso, a Equação (46) torna-se

𝛾𝑝á∞ =𝑢5𝑐𝑢5 (47)


53

e, consequentemente,

𝑌𝑝á∞
𝑐𝑢5𝑚 = (48)
𝑢5𝑚

4.27. Velocidade relativa na direção circunferencial na saída das pás,


wu5

Do triângulo de velocidades na saída das pás, o componente da


velocidade relativa na direção circunferencial na saída das pás, wu5, é calculado
de acordo com a Equação (49).
𝑤𝑢5𝑚 = 𝑢5𝑚 − 𝑐𝑢5𝑚 (49)

4.28. Ângulo das pás na saída do rotor, β5m


Quando o número de pás é infinito (uma idealização que é feita no estudo
de qualquer máquina de fluxo), o ângulo do escoamento relativo coincide com o
ângulo das pás do rotor em toda a sua extensão. Do triângulo de velocidades na
saída das pás, o ângulo do escoamento relativo na saída das pás (no caso de
número infinito de pás de espessura desprezível), que é o mesmo ângulo da pá
na saída, é dado pela Equação (50).

𝑤𝑚5𝑚
𝛽5𝑚 = 𝑡𝑔−1 ( ) (50)
𝑤𝑢5𝑚

4.29. Cálculo do número de pás, Npá

De forma aproximada, o número de pás é calculado de acordo com a


Equação (51). O fator empírico, kpá, para máquinas de fluxo radiais geradoras,
tem valores nos limites 5 ≤ kpá ≤ 8. No caso de bombas radiais, geralmente, o
valor escolhido está mais próximo de 5 do que de 8.
54

𝐷5 +𝐷4 𝛽5 +𝛽4
𝑁𝑝á = 𝑘𝑝á ( ) 𝑠𝑒𝑛 ( ) (51)
𝐷5 −𝐷4 2

4.30. Traçado das pás do rotor

Conforme as equações fundamentais das máquinas de fluxo, podemos


observar que as condições de entrada e saída do rotor influenciam diretamente
na energia que é fornecida pelo rotor ao fluido. Sendo assim, é imprescindível
que o traçado das pás seja bem feito para que o rendimento hidráulico e em
consequência o rendimento total da máquina não seja afetado.
Muitos são os tipos de traçado que buscam uma transição suave entre o
ângulo de entrada e o ângulo de saída das pás do rotor. Dentre estes modelos,
pode-se destacar o traçado por pontos, o traçado por curva em formato de espiral
logarítmica e o traçado por um ou mais arcos de circunferência.
Para o presente trabalho, foi utilizado o método de traçado por um ou mais
arcos de circunferência. Este tipo de traçado se resume em resolver
graficamente o problema de buscar o centro de um arco de circunferência (no
caso de apenas um arco de circunferência), que corte as circunferências de
entrada e saída D4 e D5 respectivamente sob os ângulos β4 e β5 conhecidos. A
seguir, é apresentado um passo a passo para realizar o traçado das pás em
formato de arco de círculo figura 17.
1º- Escolher um ponto qualquer (5) sobre a circunferência de maior
diâmetro (D5).
2º- Unir por meio de um segmento de reta, os pontos OR (centro do rotor)
ao ponto escolhido (5).
̅̅̅̅5 que passa pelo ponto 5 ou
3º- Traçar uma reta perpendicular à reta 𝑂𝑅
traçar uma tangente à circunferência de diâmetro D5 no ponto 5,
4º- Marcar com um transferidor com centro em 5, o ângulo β5, a partir do
ponto 5, por meio de um segmento de reta, conforme figura 17.
5º- Desenhar um segmento de reta perpendicular a reta desenhada no
item 4 (acima) a partir do ponto 5.
55

6º- Para calcular o raio de curvatura da pá em formato de arco de círculo,


utilizar a expressão dada na Equação (52).

𝐷52 −𝐷42
𝑅𝑝á = (52)
4(𝐷5 cos𝛽5 −𝐷4 cos𝛽4 )

7º- Com centro em 5 e raio igual a Rpá, marcar o centro da pá (Opá).


8º- Com centro em Opá e raio Rpá, desenhar o arco de círculo do ponto 5
até a circunferência de diâmetro D4.
9º- Como a pá tem espessura constante, dividir a espessura da pá, e, por
2 e subtrair e somar (e/2) com o raio Rpá, que é o raio médio de curvatura.

e
R p = R pá + ( ) (53)
2

e
R S = R pá − ( ) (54)
2

10º- No mesmo centro Opá, desenhar os arcos de círculo de Rp e Rs.


11º- Arredondar o bordo de ataque da pá com um semicírculo ou uma
semi elipse.
56

Figura 17 - Traçado de uma Pá em Formato de Arco de Círculo

Fonte: Desenho dos Autores


57

5. ESTUDO DE CASO

O estudo de caso deste trabalho consiste na realização de um ensaio


experimental da bomba centrífuga de 1 estágio de eixo horizontal com motor de
25 CV, modelo RL-20, da fabricante THEBE BOMBAS HIDRÁULICAS.
Conforme os dados de catálogo é uma bomba que pode ser utilizada em
diferentes aplicações como irrigação, combate à incêndios, circulação de fluidos
na indústria, torres de resfriamento, sistemas de filtragens, entre outros.
Foi realizado o experimento conforme procedimento descrito
anteriormente no Capítulo 3. As figuras 18, 19, 20, 21, 22, 23 e 24 ilustram o
laboratório, a instalação da bomba na bancada e os instrumentos de medição
utilizados durante o ensaio.

Figura 18 - Laboratório de Etiquetagem de Bombas – LEB/UNIFEI

Fonte: Foto do Autor.


58

Figura 19 - Instalação da Bomba na Bancada de Ensaios

Fonte: Foto do Autor.

Figura 20 – Bomba Centrífuga Instalada

Fonte: Foto do Autor.

Figura 21 - Transdutores de Pressão

Fonte: Foto do Autor.


59

Figura 22 - Medidores Eletromagnéticos de Vazão

Fonte: Foto do Autor.

Figura 23 - Analisadores de Grandezas Elétricas

Fonte: Foto do Autor.


60

Figura 24 - Software LabView® - Aquisição de dados durante o ensaio

Fonte: Foto do Autor.

A partir dos dados obtidos em ensaio, foram elaborados o relatório de


ensaio (Apêndice A), que foi utilizado para determinação do ponto de máxima
eficiência da bomba (tabela 1), e as curvas características da bomba ensaiada,
figuras 25, 26 E 27).

Tabela 1: Ponto de Maior Eficiência da Bomba RL20


Q H Pe Pel ηbomba ηmotor ηconj. T. da água
[m³/h] [m] [cv] [kW] [%] [%] [%] [ºC]
50,57 69,3 22,38 18,131 57,9 90,8 52,6 20,7
Fonte: Dados do Trabalho
61

Figura 25 - Curva H x Q

Fonte: Dados do Trabalho.

Figura 26 - Curva Pe x Q

Fonte: Dados do Trabalho.


62

Figura 27 - Curva NPSH x Q

Fonte: Dados do Trabalho.

Ainda, conforme o relatório de ensaio (Apêndice A), obteve-se o gráfico


de rendimento total da bomba, ηt, pela vazão, Q, medida durante o ensaio.
Conforme o gráfico expresso na figura 28.
Figura 28: Gráfico Rendimento Total da Bomba X Vazão

Fonte: Dados do Trabalho.


63

6. RESULTADOS
De acordo com a metodologia descrita no Capítulo 4, e com base nas
equações apresentadas, foi possível determinar os ângulos construtivos de
entrada e saída da pá do rotor, respectivamente, β4 e β5, sendo, possível realizar
o traçado das pás e o desenho do rotor no software de CAD para a prototipagem.
A seguir são apresentados os resultados.

6.1. Ponto de Projeto


Os dados apresentados na Tabela 2 são referentes ao ponto de projeto.
Esses valores foram determinados através de ensaio experimental, conforme foi
apresentado no Capitulo 5.

Tabela 2 - Ponto de Projeto Determinado em Ensaio


DADOS INICIAIS PARA O PROJETO
Q H n ρ g Pe
(m³/h) (mca) (rpm) (kg/m³) (m/s²) (cv)
50,58 69,3 3500 1.000 9,80665 22,38
Fonte: Dados do Trabalho.

6.2. Rotação Específica


A rotação especifica da bomba, nqA, foi calculador de acordo com a
Equação (10).

Tabela 3 - Rotação NqA


ROTAÇÃO ESPECÍFICA DA BOMBA
nqA: 51,94748465
Fonte: Dados do Trabalho.

6.3. Parâmetros Mantidos Constante


Para a realização do projeto do rotor, algumas grandezas geométricas
essenciais para os cálculos foram mantidas, pois, foi tomado como base as
dimensões do rotor original da bomba.
64

Tabela 4 - Diâmetros
DIÂMETRO DA PONTA DO EIXO de (mm)
de: 22,0
DIÂMETRO DO NÚCLEO (CUBO) dn (mm)
dn: 33,5
DIÂMETRO DA BOCA DE ENTRADA DO ROTOR Ds (mm)
Ds : 66,5
DIÂMETRO EXTERNO DO ROTOR D5 (mm)
D5 : 200
Fonte: Dados do Trabalho.

6.4. Grandezas Calculadas e Grandezas Adotadas


Tabela 5 - Grandezas Calculadas e Grandezas Adotadas.
TRABALHO ESPECIFICO DA BOMBA Υ (J/kg)
Υ: 679,600845
VAZÃO DO ROTOR QR (m³/s)
QR: 0,014331
CALCULOS DOS RENDIMENTOS
RENDIMENTOS
RENDIMENTOS CALCULADOS
ADOTADOS
ղ al: 0,93 ղ f: 0,980392
ղ m: 0,98 ղ h: 0,649111
ղ tb: 0,58
POTÊNCIA DE EIXO DA BOMBA Pe (CV)
Pe: 22,38
POTÊNCIA DE EIXO DO MOTOR ELÉTRICO Peme (CV)
Peme: 25,00
RELAÇÃO DE DIÂMETROS 𝑣
𝑣: 0,278356407
DIÂMETRO MÉDIO NA ENTRADA DO ROTOR D4m (mm)
D4m: 57
FATOR DE ESTRANGULAMENTO NA ENTRADA E SAÍDA
DO ROTOR DO ROTOR ƒe4m e ƒe5m
ƒe4m 0,68
ƒe5m 0,94
65

FATOR DE DEFICIÊNCIA DE POTÊNCIA ε


ε: 0,72
TRABALHO ESPECÍFICO REAL E IDEAL DO ROTOR
Ypá e Ypá∞ (J / kg)
Ypá 895,893
Ypá∞ 1244,29853
Fonte: Dados do Trabalho.

6.5. Velocidades Calculadas

Tabela 6 - Velocidades Calculadas

VELOCIDADE MÉDIA NA BOCA DE ENTRADA DO ROTOR CS (m/S)

C S: 5,529332
VELOCIDADE MERIDIONAL IDEAL NA ENTRADA DAS PÁS Cm4m
(m/s)
Cm4m: 5,8

VELOCIDADE MERIDIONAL REAL NA ENTRADA E SAÍDA DAS PÁS


Cm3m e Cm5m (m/s)

Cm3m: 3,944
Cm5m: 3,248

VELOCIDADE CIRCUNFERENCIAL (TANGENCIAL) REAL NA


ENTRADA E SAÍDA DAS PÁS u4m e u5m (m/s)

u4m: 10,4457955
u5m: 36,6519
VELOCIDADE ABSOLUTA NA DIREÇÃO CIRCUNFERENCIAL NA
SAÍDA DAS PÁS Cu5m (m/s)

Cu5m: 33,94913

VELOCIDADE RELATIVA NA DIREÇÃO CIRCUNFERENCIAL NA


SAÍDA DAS PÁS Wu5 (m/s)

Wu5m: 2,70277
Fonte: Dados do Trabalho.
66

6.6. Ângulos construtivos do rotor e do escoamento

Tabela 7 – Ângulos Construtivos do Rotor e do Escoamento


ÂNGULO DO ESCOAMENTO RELATIVO NA ENTRADA DAS
PÁS β3m
β3m: 20,68494 °
ÂNGULO DE ENTRADA DAS PÁS β4m
β4m: 29
ÂNGULO DE SAÍDA DAS PÁS β5m
β5m: 50
Fonte: Dados do Trabalho.

6.7. Largura das pás

Tabela 8 – Largura das pás na entrada e saída do rotor


LARGURA DAS PÁS NA ENTRADA DO ROTOR (mm)
b4: 20
LARGURA DAS PÁS NA SAÍDA DO ROTOR (mm)
b5: 7,5

Fonte: Dados do Trabalho.

6.8. Número de pás

Tabela 9 - Npá
NÚMERO DE PÁS Npá
Npá: 7

Fonte: Dados do Trabalho.

Como resultado do projeto do rotor da bomba foi possível elaborar um


desenho em 3D no Software PTC CREO Parametric® e realizar a prototipagem
do modelo em uma impressora 3D, conforme ilustrado nas figuras 29, 30 e 31 a
seguir:
67

Figura 29 - Desenho do Rotor em CAD

Fonte: Dados do Trabalho

Figura 30 - Desenho Rotor em Corte Parcial

Fonte: Dados do Trabalho


68

Figura 31 - Protótipo do Rotor Construído em Impressora 3D

Fonte: Dados do Trabalho


69

7. CONCLUSÃO

Este trabalho permitiu um maior embasamento teórico do memorial de


cálculo relacionado ao projeto do rotor de uma bomba centrífuga radial. Seu
dimensionamento envolve várias grandezas geométricas e de operação da
bomba. Geralmente, o projeto hidrodinâmico de máquinas de fluxo hidráulicas,
não é muito explorado nas disciplinas de graduação. Há um valor agregado
significativo neste trabalho pois servirá como um guia para os futuros alunos que
pretendem desenvolver projetos relacionados à máquinas de fluxo, tanto
geradoras, como o caso de bombas e ventiladores, como também motoras, no
caso de turbinas.
O desafio de entender a dinâmica de funcionamento dessa máquina,
partindo de uma máquina pré-existente, parametrizar de forma correta o ensaio
laboratorial e posteriormente desenvolver o memorial de cálculo visando um
novo elemento hidromecânico à bomba, permitiu um trabalho robusto, com forte
viés experimental e orientativo para novos estudos nessa área.
A metodologia de projeto do rotor proposta nesse trabalho certamente
poderá ser melhorada, analisando outros formatos de pás ou até mesmo
avaliando a possibilidade de incluir as denominadas inter-pás ou pás auxiliares
(pás de comprimentos menores com geometria distinta geralmente inseridas
próximas à saída das pás principais que formam os canais no rotor). Outro fator
que também poderá ser avaliado é a interação do fluido com a estrutura do rotor,
otimizando a questão de material, o que pode significar melhorias sobre o ponto
de vista estrutural.
Com base nos objetivos propostos, entende-se que este trabalho atingiu
a proposta, pois destaca o passo a passo para o projeto de um rotor radial, bem
como a rotina de ensaio laboratorial para analisar o rendimento e, a construção
de um protótipo do rotor construído através de uma impressora 3D.
70

8. SUGESTÕES PARA TRBALHOS FUTUROS

Com base no estudo desenvolvido propõe-se as seguintes sugestões:

 Desenvolver uma rotina computacional, por meio do Matlab® ou Scilab®


para o memorial de cálculo proposto;
 Realizar o ensaio no protótipo, e comparar os resultados obtidos com os
dados levantados no experimento do rotor original;
 Realizar simulação numérica computacional do escoamento no rotor e
também em conjunto com a voluta por meio de um software de simulação
fluidodinâmica computacional (ANSYS/Fluent® ou Solidworks®);
 Avaliar com base nos resultados obtidos no ensaio e na simulação, a
possibilidade de otimização da geometria preliminar obtida por meio da
metodologia proposta.
71

REFERÊNCIAS

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73

APÊNDICE A - Relatório de ensaio de bomba LEB/UNIFEI.


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