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Exercícios de Dicção 1/3

Cada texto deve ser lido calmamente. Primeiro é preciso dizer correctamente
aquilo que se lê. Num segundo momento, depois de já se ler o texto com alguma
segurança, dar a entoação e o ritmo que parecerem mais adequados para cada
texto.

B D G
Á boca de um beco Um doido destes de pedras, Eugénio Gomes da Gama
na bica do Belo por nome Andrónico André, e Gil Gonçalves Bugio
Um bravo cadelo Casado com dona Aldonça, brigaram num desafio
berrava: bau, bau. Que em vez de dois, tinha um pé. pela grulha de uma dama.

Um bêbado, um botas Dia de corpo de Deus, Grande desgraça e muito digna


de bolsa e rabicho, disse à esposa: "Aldonça, andai de lágrimas bem gerais!
embirrava com o bicho, adornai com as gualdrapas, Seus golpes foram mortais,
bateu-lhe com um pau. que herdei de Adão meu padrasto". e aquela magana indigna
mangou nos seus funerais.
Foi grande a balbúrdia, "Dai-me a capa de bedel,
a turba se ria, o casaco de mandil,
o bruto bramia, o meu chapéu de dedal, J
e o broma a bater. e a bengala d´aguazil."
Um janízaro em jejum
Com o pau sobre o pobre, "Gravata dura (que é duplex), viu num jardim um jarreta,
e bumba e mais bumba, meu relógio de cadeia. que estava a jantar peru,
parece um zambumba. O meio-dia oiço dar! gergelim e ginja preta.
Bendito beber. Põe-me já depressa a ceia."
De júbilo encheu-se todo,
"Venha o pudim de bedum, e pregou-lhe uma peta
C que a dona Dulce nos deu, que tirou o pé do lodo
e o presunto quadrilongo, e gamou tudo ao jarreta.
Na toca de uma coruja do quadrúpede sandeu."
numa casa escangalhada
corria de canto a canto E assim ceado a asseado. L
certa cobrinha cintada. O tal Andrónico André,
saracoteando os quadris, Pondo loja de capela,
Encontra um pinto calçudo Que em vez de dois, Pantaleão do Cardeal,
que por ali andava à caça tinha um pé. alardeia o que tem nela,
das moscas e sevandijas pregando-lhe um edital:
e que ao ver a cobra embaça.
F "linhas, lonas, alfinetes,
"Comadre", diz o coitado lamparinas, chalés, luvas,
lá no seu queriquiqui, Florência, Francisca, Eufrásia, lenços, lâmpadas, colchetes,
"vem caçar? Eu já cacei. todas de fraldas de folhos, leques, luto de viúvas.
Entre que eu saio daqui". foram fazer uma festa
de filhós, bifes, repolhos. Lustres, lacre, lã, palitos,
Torna a cabeça escancarando ferrolhos, lápis, lanternas,
a boca: "caçaste? E eu não. Três tafuis, três franchinotes, papel, galões, passarinhos,
Mas ambos temos faxina, deitaram-lhes fel nos molhos, ligas de enlaçar as pernas!"
compadre do coração..." por tal feito que as três,
fartas de fome e de zanga, Com esta longa parlanda,
só comeram dessa vez, o feliz Pantaleão
fígados fritos de franga. já tem pilhado um milhão
e vai comprar a outra banda.
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M Qu Um rato roendo roía
o rabo do rodovalho
e a Rosa Rita Ramalho
Amaro Simão de Sousa Quem há que queira comprar de o ver roer se ria.
tem mendiga muito fatal: em Queluz um bom quintal?
semeando qualquer coisa, No Verão é muito quente; O rato roeu a rolha da real
jamais lhe nasce outra igual. no Inverno tal e qual. garrafa
do rei da Rússia.
Suponhamos que semeia Tem quinze árvores de quina,
mostarda ou manjericão: quarenta cardos de coalho, O Borges relojoeiro ruminara
vem-lhe malvas, vem-lhe aveia, quatro flores de quaresma roendo raspas de raiz de
ou melancia ou melão. que não requerem trabalho. romãzeira.

Malmequeres dão-lhe amoras, Dá três alqueires e Quarta O tambor rufara rápido:


amoras dão-lhe marmelos: de quássia e doze de milho, três rufos e seis batidas,
marmelos criam-lhe esporas, e do líquido que esquenta: para o remador desamarrar
e estas moncos amarelos. seis quartolas e um quartilho. rente o remo
e remar contra a corrente.
Teima e afirma muita gente Qualquer pessoa querendo ver
de moleirinha machucha este prédio esquisito O doutor receitou remédios
que esta mendiga indecente pode falar com o quinteiro drásticos:
foi manobra de uma bruxa. Quirino Joaquim Cabrito. três colheres de óleo de rícino
e raspas de rosa rara.
Que eco que há aqui!
P Que eco é? O livro raro traz tais trechos
É o eco que há aqui. que rapidamente se o rasga.
Pedro Paulo Pinto Pereira, O quê, há eco aqui?!
pobre pintor português, Há eco, há.
pinta portas paredes e painéis,
por preços populares,
S
para poder partir para Paris, R Nasce-se, cresce-se, desce-se...
pois pode praticar Ping-Pong, os senhores as senhoras...
que é desporto parco, Comprei na feira do Rato, os senadores as senadoras...
mas de prática particularmente no largo das amoreiras,
preversa. arroz de peru num prato Se os seis sábios são
arranjado pelas freiras. susceptíveis,
Comprei um pinto em prata seguramente sereis satisfeito.
(que não há preço mais módico) Sabia a chouriço moiro;
uma pipa uma pata, era comer e gritar! Céus! se Cecília sabe,
um pote, um pente, um periódico. Carne, rins, recheio coiro, seus sentimentos
roí sem resto deixar. serão sempre sinceros.
Depois pus tudo isto à venda,
que parvo negócio fiz! Porém, fiquei muito doente, Os assassinos sobre seus seios
um rapaz moço de tenda tanto que o doutor Cabral sugavam sangue sem cessar.
prometeu-me uma de xis. me receitou para o ventre
raspas de unicórnio e tal. Susana! Se saíres sai só.
Sou o sempre seu
Serafim Sá de Sousa.
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S(z) V X
Um rapaz tendo uma Zebra Vinde ouvir caros ouvintes. Excelente chá da China
metida num casarão, Vale a pena! em caixotes de charão
desancou-lhe um dia a febra Era uma vez Vitorino Vaz Ventura trouxe a charrua xarroco,
que a pôs magra como um cão. dos Arcos de Valdevez. que é xaveco de feição.

A azêmola era cinzenta, Vai ele um dia e vestiu-se Além deste chá de luxo,
e, depois daquela tosa, com a véstia verde-gris, mil coisas muito curiosas
ficou da cor da pimenta luva nova cor de couve trouxe da China. Por exemplo
e a atirar p’ró fanhosa. e verónica de Aviz. Chambres roxos, seda fina.

Adivinhais o motivo Chibatas e chifarotes,


T porque assim se ataviou? lenços para chischisbéus,
É porque ia a Vila Verde Chorinas de franchinotes,
Triste trolha atrapalhado à voda do pai-avô. frascos de óleo de xaréus.
de taipar tanta trapeira,
consertar tanto telhado, - Como vens viçoso e grave! Xargões, enxergas, enchovas,
estragar tanta goteira. Diz o pai-avô. enxofre, enxós, chocolate,
- Trago-vos trovas em verso, enxúdias, enxertos, lixas,
Na festa de Santo Entrudo lhe volve o vivo camelo. lagartixas e um orate.
entra trôpego e zoupeiro,
de tamancos, tosco e rude, E tais trovas e tais versos Xavier consignatário,
no interior do seu palheiro. dum livro lhe vomitou chineiro gordo e convexo,
que virou de uma vez o bucho vendo tanta esquisitice
Sentou-se num tamborete, ao ciso do pai-avô. dizem que ficou perplexo.
sem dizer nem chus nem bus
e pôs-se a entrudar sozinho
com tripas de atum de truz.

Eis trinta cães famintos


(outros dizem trinta e seis)
entram de tropel ladrando.
Que estrago!... Agora o vereis.

Trastes, trancas, tocos, troncos,


estoiram...tudo é tropel.

Bater, latir, tombos, roncos


terminam este aranzel.

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