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PLANEJAMENTO FAMILIAR – GERAR A

VIDA COM RESPONSABILIDADE

É um direito assegurado pela Constituição Federal e consiste num


conjunto de cuidados de saúde que visa ajudar as mulheres e os homens a
planejarem o nascimento de seus filhos e a viverem a sua sexualidade de uma
forma saudável e responsável, sem o receio que uma gravidez não desejada.

NO QUE CONSISTE UMA CONSULTA DE PLANEJAMENTO FAMILIAR?

• Informar sobre a gravidez;


• Informar sobre anatomia e fisiologia da sexualidade e reprodução;
• Facultar informação completa, isenta e com fundamento científico sobre
todos os métodos contraceptivos;
• Fazer acompanhamento clínico;
• Elucidar sobre as consequências de uma gravidez não desejada;
• Ajudar a prevenir, a diagnosticar e a tratar as infecções de transmissão
sexual;
• Efetuar o rastreio do cancro de mama e do colo do útero;
• Acompanhar a gravidez e preparar para o parto.

ONDE REALIZAR AS CONSULTAS DE PLANEJAMENTO FAMILIAR?

• Hospitais;
• Centros de Saúde;
• Centros de atendimento de adolescentes e jovens;
• O médico de confiança da família.

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
São processos que permitem evitar uma gravidez não desejada. Alguns
desses métodos servem ainda para evitar doenças sexualmente
transmissíveis.
Deverão ser seguros, eficazes e adaptados à idade fértil da mulher.
Os contraceptivos ideais devem ser baratos, confiáveis, confortáveis e
de fácil utilização. Infelizmente não existe nenhum método assim!

TIPOS DE MÉTODOS:

NATURAIS – ABSTINÊNCIA PERIÓDICA: consistem em calcular o período


fértil e, desta forma, evitar que ocorra fecundação. Assim, durante este período,
devem evitar-se as relações sexuais. São muito falíveis. São eles:
• Método de Ogino / Knauss ou do calendário (tabela): consiste em anotar
mais ou menos durante um ano a duração dos ciclos menstruais da mulher.
A contagem inicia-se no primeiro dia da menstruação até ao primeiro dia da
menstruação seguinte. Uma vez feita esta contagem, subtrai-se ao ciclo
mais curto uma constante de 18 dias e ao ciclo mais longo uma constante
de 11 dias. A partir do momento em que estes resultados estão
encontrados, o intervalo entre ambos indica o espaço de tempo no qual a
mulher se encontra no período mais fértil. Se a mulher não deseja
engravidar não deverá ter relações durante esse período. Exemplo: ciclo
mais curto é de 26 dias e o mais longo de 35 dias. Então: 26-18=8 e 35-11=
24 – Entre o 8º e o 24º dia do seu ciclo, a mulher não deve ter relações
sexuais.
Vantagens: não apresenta efeito físico e não é definitivo.
Desvantagens: muito falho, pois qualquer desequilíbrio biológico pode
conduzir à alteração do dia da ovulação.
• Método da temperatura: permite calcular o período fértil, através da
avaliação da temperatura do corpo da mulher. Esta temperatura sofre, após
uma descida acentuada, uma subida desde a ovulação até ao início da
próxima menstruação.
Vantagens: não apresenta efeitos físicos e não é definitivo.
Desvantagens: exige uma verificação sistemática, pois existem diversos
fatores, internos e externos, que podem influenciar a temperatura corporal.
• Método de Billings ou do muco cervical: permite calcular o período fértil com
base na análise das propriedades do muco produzido pelo útero, que
escorre pela vagina. Durante o período fértil verificam-se alterações neste
muco (fica transparente, elástico e escorregadio), que atinge o máximo de
elasticidade quando disdentido entre dois dedos.

NÃO NATURAIS: impedem a gravidez através de dispositivos locais, de


medicamentos com hormônios sintéticos (criados em laboratório) ou por
intervenção cirúrgica. Podem classificar-se em:

• Métodos mecânicos / barreira: são aqueles que evitam a gravidez


impedindo a chegada dos espermatozóides ao útero / óvulo por obstáculo
mecânico. São eles:
a) Preservativo masculino: invólucro de látex muito fino, descartável, que é
desenrolado sobre o pênis ereto, antes da relação sexual. Geralmente já
vem lubrificado, existindo em várias cores e aromas.
Vantagens: é de fácil aquisição e é o método ideal para as relações
ocasionais ou imprevistas; pode ser usado sem contraindicações e
protege de doenças sexualmente transmissíveis; se for utilizado
corretamente tem uma taxa de eficácia de 96%.
Desvantagem: se for mal aplicado ou utilizado mais de uma vez pode
romper.

b) Preservativo feminino: invólucro de látex que se coloca no interior da


vagina.
Vantagens: dá a mulher mais controle e liberdade de contracepção e
prevenção; tem uma boa prevenção contra doenças sexualmente
transmissíveis; não tem efeitos médicos secundários; pode ser colocado
a qualquer altura (mesmo horas antes da relação sexual); é mais
resistente que o preservativo masculino; pode ser usado com
lubrificante; raramente provoca alergias.

c) Diafragma: cúpula de borracha fina, com um arco de metal flexível. É


introduzido na vagina, sobre o colo do útero, pela mulher, antes da
relação sexual. Para aumentar sua eficácia deve ser usado sempre com
espermicidas. Tem 94% de taxa de sucesso.
Vantagens: não tem efeitos secundários hormonais; não interfere no ato
sexual.
Desvantagens: a escolha do modelo do diafragma deve ser feita com a
ajuda do médico; deve retirar-se 6 a 8horas depois da relação sexual;
mal aplicado pode causar feridas vaginais.

d) Dispositivo Intrauterino (DIU): dispositivo metálico ou plástico, revestido


com produto hormonal, colocado no interior do útero por um médico
especialista.
Vantagens: não tem efeitos médicos secundários; não interfere no ato
sexual, pode permanecer por anos no útero; tem uma taxa de sucesso
de 96% a 99%.
Desvantagens: pode provocar dores durante a inserção; não protege de
doenças sexualmente transmissíveis; tem que ser inserido por um
médico.

• Métodos hormonais / químicos: fazem com que o cérebro deixe de mandar


produzir e expulsar os óvulos, ou seja, impedem a ovulação. Também
impedem a fertilização através de inativação dos espermatozóides por
substâncias químicas. São eles:
a) Pílula: comprimidos que contém hormônios femininos (estrogenio e
progesterona) que alteram o ciclo sexual normal.
Vantagens: elevada eficácia; não interfere na relação sexual; regulariza
os ciclos menstruais; diminui as dores associadas à menstruação;
diminui a probabilidade de algumas doenças pélvicas, fibrocásticas e
câncer do ovário, entre outras.
Desvantagens: não protege de doenças sexualmente transmissíveis;
tem de ser tomada diariamente; nos primeiros tempos podem causar
náuseas e/ou pequenas perdas de sangue; a menstruação pode diminuir
ou mesmo ser nula; pode causar dores de cabeça e/ou depressão; pode
provocar mais apetite e um aumento de peso.

b) Contraceptivos injetáveis: injeções de elevada dosagem de hormônios


sexuais sintéticos.

c) Adesivos: adesivo fino, quadrado e de fácil aplicação, aplicado


semanalmente sobre a pele (nádegas, costas, braços ou abdome),
liberta, lentamente, hormônios sexuais sintéticos. A cada três semanas
faz-se uma de intervalo, quando ocorre a menstruação. Além de impedir
a ovulação torna mais espesso o muco do colo do útero, tornando a
entrada dos espermatozóides mais difícil.
Vantagem: eficácia superior a 99%.
d) Implante subcutâneo: pequeno dispositivo introduzido na parte superior
do braço, sob a pele, serve como um depósito de hormônios, que liberta
diariamente doses de hormônios sexuais sintéticos.
Vantagens: sua colocação é indolor; muito eficaz durante três anos.

e) Anel Vaginal: anel de borracha, suave e flexível, com cerca de 5cm de


diâmetro, é inserido na vagina durante três semanas. Na semana em
que é retirado ocorre a menstruação. Uma semana depois coloca-se
outro anel. Durante esse tempo é libertada, de forma regular e
controlada, uma baixa dose de hormônios, que é absorvido diariamente
pelo organismo, não permitindo que a mulher ovule.

f) Espermicidas: são cremes, espumas ou comprimidos que matam os


espermatozóides antes que entrem no útero.
Vantagens: dão à mulher o controle da concepção; são de fácil acesso;
podem ser colocados pouco tempo antes da relação sexual; servem de
lubrificante; sua eficácia é de 80% a 94%.
Desvantagens: pode irritar a vagina; não protege contra doenças
sexualmente transmissíveis; devem ser usados com outros métodos
contraceptivos (preservativo e diafragma).

• Métodos cirúrgicos (esterilização): consiste na interrupção do conduto dos


canais deferentes ou das trompas, através de uma via cirúrgica, impedindo
definitivamente o contato do espermatozóide com o óvulo.
a) Esterilização feminina (Laqueação): consiste na aplicação de anéis de
aperto ou clips, ou na queima dos canais (Trompas de Falópio) que
levam o óvulo do ovário para o útero (onde se dá a fecundação).
Vantagens: muito eficaz a longo prazo e também econômico; cirurgia
simples e com pouco risco; não é necessária a utilização de outros
métodos; a taxa de sucesso é de 98% a 99,6%.
Desvantagens: a cirurgia pode provocar dores nos dias seguintes à
intervenção; é irreversível; não protege contra doenças sexualmente
transmissíveis.

b) Esterilização masculina (Vasectomia): pequena cirurgia, feita no homem,


no qual são cortados ou bloqueados os vasos deferentes. Desta forma,
os espermatozóides não são expelidos durante a ejaculação.
Vantagens: operação simples (20 minutos sob anestesia local); não afeta
a produção de hormônios sexuais; é quase 100% eficaz.
Desvantagens: não é reversível em 50% dos casos; nos primeiros três
meses deve-se usar outro método contraceptivo (medida de segurança).

• Contracepção de emergência (Pílula do dia seguinte): deve ser usada


depois de ter relações desprotegidas ou quando o método usado falhar
(quando o preservativo se rompe, quando houve esquecimento da pílula, ou
depois de uma situação complicada como é uma violação ou uma relação
sexual não desejada) por forma a evitar uma gravidez. São comprimidos
com doses elevadas de estrogenio e progesterona sintéticas e atua de
várias formas:
- impede ou atrasa a ovulação;
- impede a fecundação / fertilização; ou
- impede a implantação de um ovo na parede do útero.
A primeira dose deve ser administrada durante as 72 horas a partir da
relação sexual e a segunda 12 horas depois da primeira dose.
Desvantagens: não é um método prá ser usado com frequência;
corresponde a uma descarga hormonal intensa, pode provocar náuseas,
vômitos e outros efeitos secundários.