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Continuação Intervenção de Terceiros - Data 23/04/10

3. Oposição
A oposição é o ato pelo qual um terceiro (opoente) pretende para si a
coisa/direito/bem que está sendo disputado em juízo. Daí se dizer que a
oposição é a apresentação de uma pretensão incompatível com os interesses
conflitantes das partes opostas.

A oposição gera uma ampliação objetiva do processo, porque há a introdução


da demanda nova. Ao lado da demanda originária, entre autor e réu, aparece a
demanda nova.

A oposição é uma faculdade do terceiro, porque nada impede que ele, ao invés
de apresentar uma oposição no bojo daquele processo já pendente, proponha
uma ação nova.

De acordo com a doutrina, a oposição sempre é uma demanda prejudicial em


relação à demanda originária, porque primeiro o juiz deve analisar se o bem é
do terceiro opoente e se não for ele analisa a qual das partes o bem pertence.
Ex: ação de reintegração de posse, direito de propriedade sobre um imóvel.

A oposição também gera uma ampliação subjetiva da causa, porque temos


esse sujeito novo, que é o terceiro opoente, que apresenta a nova demanda
em face dos opostos.
De acordo com a lei, os opostos serão citados na oposição na pessoa dos seus
advogados. Estes têm poder especial para receber essa citação, por força de
lei.
Os opostos, uma vez citados, terão um prazo comum de quinze dias para se
defender. Na oposição, os opostos fazem um litisconsórcio passivo, ulterior,
simples e necessário. Vale ressaltar que, de acordo com o art. 191, CPC, os
litisconsortes passivos com advogados diferentes, têm prazo em dobro para
contestar. Mas essa regra NÃO se aplica à oposição.

A oposição só pode ocorrer até o momento da prolação da sentença. Porque se


não fosse assim haveria uma supressão da primeira instância. A oposição não
pode ser apresentada diante da segunda instância. A primeira instância tem
competência originária para julgar a oposição.

# Tipos (definidos de acordo com o momento em que a oposição é


apresentada) –
- Se a oposição é apresentada antes do início da audiência de instrução e
julgamento, só vai gerar um mero incidente processual dentro do processo já
pendente e será, portanto, uma autêntica modalidade de intervenção de
terceiro, que é chamada de oposição interventiva. Como ela foi apresentada
cedo, será fácil para o juiz conduzir a ação originária e a oposição juntas.

- Se a oposição for apresentada depois do início da audiência, a demanda


originária já está mais avançada. Para não atrapalhá-la, gera um processo novo
incidente, que corre pelo rito ordinário (incidente porque está de alguma forma
relacionada com a originária). Não é uma autêntica modalidade de intervenção
de terceiro. É chamada de oposição autônoma. Há relação de
prejudicialidade, o legislador prevê o poder do juiz de suspender o andamento
da ação originária pelo período necessário para que ele possa adiantar o
andamento da oposição, para que ambos possam ser julgados na mesma
sentença (primeiro a oposição, depois a demanda originária). O juiz deve
ponderar os interesses das partes do processo originário, a segurança
jurídica...

Denunciação da Lide
É uma demanda oferecida por uma das partes em face do terceiro. É o ato pelo
qual uma das partes chamada de denunciante pede ao juiz que condene o
terceiro denunciado a ressarcir eventuais prejuízos que ela venha a sofrer com
a derrota da causa, ou seja, é como se a parte denunciante dissesse ao juiz o
seguinte: excelência, se eu perder é aquele terceiro denunciado que vai ter
que pagar por isso. É ele que vai ter que me indenizar me ressarcir dos
prejuízos que eu sofri com essa derrota. Um dos casos mais comuns da prática
forense é o das causas de seguro. A vítima do dano ajuíza uma ação em face
do causador do dano, que por sua vez tem um seguro, ele é assegurado, então
o que faz ele? Ele promove a denunciação da lide para a seguradora. Para que
a seguradora venha arcar com o prejuízo que ele venha a sofrer com a derrota
daquele processo. Se ele perder é a seguradora que vai pagar por isso. Nas
ações de acidente de veículos, por exemplo, isso é muito comum. A
denunciação da lide gera uma ampliação objetiva e subjetiva da causa. De um
lado há ampliação objetiva porque ao lado da demanda originária, nós temos
uma nova demanda, a demanda da parte denunciante em face do terceiro
denunciado que se caracteriza por ser uma demanda incidental já que
formulada incidentemente dentro de um processo já pendente por ser uma
demanda de regresso, porque através dela se exerce um direito de regresso,
de ressarcimento de prejuízos sofridos com a derrota. É ainda uma demanda
eventual porque ela é ajuizada pela parte denunciante para a eventualidade
dela ser derrotada e sofrer prejuízos com isso e por fim, ela também é
considerada uma demanda antecipada porque a parte denunciante se antecipa
aos seus prejuízos. Ela antes mesmo de ser derrotada, de sofrer prejuízos e de
ser titular do direito de regresso, ela se antecipa e já ajuíza a sua denunciação
da lide para se resguardar. O réu pode denunciar no prazo que ele tem para a
defesa. Há quem diga que é por petição autônoma, há quem diga que é na
própria contestação, tanto faz. E o autor denuncia na própria petição inicial.
Pro autor é como se fosse um pedido a mais, o autor diz: olha, se o réu não for
condenado, que o terceiro venha me ressarcir, é como se fosse um pedido a
mais. Tanto é que há quem diga que a denunciação da lide pelo autor não é
nem intervenção de terceiro, é na verdade uma cumulação de demandas.
A demanda originária é considerada em doutrina como preliminar em relação a
demanda de regresso. Em outras palavras, a ação é preliminar a denunciação
porque se o denunciante for derrotado o sinal fica verde e o juiz aprecia a
denunciação. Agora, se o denunciante for vitorioso, o sinal fica vermelho. Não
há porque o juiz apreciar a denunciação. É o que se costuma dizer em doutrina,
seria inclusive um exemplo de demanda preliminar. Além disso, a denunciação
da lide gera uma ampliação subjetiva da causa, porque nós temos esse sujeito
novo que é o terceiro denunciado. E uma pergunta que se costuma fazer é:
qual a posição assumida pelo terceiro denunciado dentro da causa? E Freddie
até brinca que ele assume uma posição esquizofrênica, que ele é dois em um.
Porque ele assumiria duas posições ao mesmo tempo. Paula acredita que seria
mais uma dupla personalidade. Porque de um lado ele é réu da denunciação,
agora de outro, a pergunta é: qual é a posição assumida por ele na demanda
originária? E costuma-se dizer que na demanda originária o denunciado é
assistente da parte denunciante, afinal ele tem interesse jurídico na vitória do
denunciante. Se o denunciante perder quem sobra é ele. Mas aí vem a
discussão: que tipo de assistência é essa? É simples? Ou é litisconsorcial?
Vocês vão encontrar doutrinadores dizendo de uma forma razoável que é
assistência simples, sob o argumento de que o denunciado é titular de uma
relação jurídica com o denunciante que é conexa. E que se o denunciante
perder ele vai ser prejudicado com isso. E, portanto, o denunciado seria um
assistente simples com poderes típicos de um assistente simples. Agora, há
uma outra visão de que ele é assistente litisconsorcial e que teria poderes
típicos de assistente litisconsorcial. O que é bem razoável, porque se o
denunciante perder o denunciado, na mesma sentença, na mesma hora, pode
ser condenado. Então, o risco dele não é de sofrer prejuízo indireto, reflexo
num processo posterior, o risco dele é de sofrer prejuízos nesse mesmo
processo, de ser condenado regressivamente na mesma sentença, na hora. Na
verdade, a derrota do denunciante é potencialmente a derrota do denunciado.
Então, por isso se diz que o denunciado tem que ter poderes típicos de um
assistente litisconsorcial. Até porque se o denunciante fizer corpo mole para se
defender o denunciado poderia ir de encontro com a vontade dele para evitar a
sua própria derrota. E se eu defendo que o denunciado é assistente
litisconsorcial do denunciante eu estou dizendo que eles são litisconsortes co-
legitimados. O denunciante co-legitimado ordinário porque é titular do direito e
o denunciado é co-legitimado extraordinário, é um posicionamento, de que
haveria assistência litisconsorcial, co-legitimação e, portanto litisconsórcio
unitário. E se vocês pararem para dar uma lida na lei, a lei dá sinais nesse
sentido e a jurisprudência do STJ também, sobretudo nas causas de seguro.
Paula disse que nas causas de seguro tem-se uma vítima do dano indo atrás do
causador do dano, que por sua vez é segurado e denuncia a seguradora. O STJ
tem defendido que o segurado e a seguradora formam litisconsórcio unitário
com o objetivo de justificar a possibilidade da vítima do dano obter a
condenação direta de ambos, do segurado e da seguradora. E exigir o valor da
indenização diretamente da seguradora, mesmo não tendo direito de regresso
em face dela, mesmo não tendo direito material em face dela. Ora, seguradora
tem muito mais liquidez do que o segurado. É muito mais fácil obter uma
indenização dela. Então isso seria uma forma de garantir uma tutela mais
efetiva à vítima do dano. Nessas ações de acidente de veículo, o causador do
dano, o advogado do causador do dano que é assegurado, ele já coloca como
preliminar de contestação, chamando atenção de cara essa jurisprudência do
STJ. Dizendo ao juiz: oh Excelência é caso de condenação direta da seguradora,
porque ele sabe que ele não vai responder por nada. E a vítima do dano vai
direto atrás da seguradora e os juizes têm acolhido.

Hipóteses de cabimento da denunciação da lide


O artigo 70 do CPC prevê as hipóteses de cabimento da denunciação da lide. A
primeira delas é a chamada denunciação por evicção. Se o adquirente se vê
como parte de uma causa correndo o risco de perder a coisa adquirida em
juízo, de sofrer a chamada evicção. Ele adquirente pode promover a
denunciação da lide em face do alienante, para que responda pelos prejuízos
decorrentes daquela derrota, da evicção.
O CC de 2002 lá no seu artigo 456 traz uma regra diferente para denunciação
por evicção, ele diz que o adquirente pode promover a denunciação da lide do
alienante ou de qualquer dos alienantes anteriores que compõe a cadeia
sucessória de propriedade. O que significa isso? A interpretação desse
dispositivo é controvertida e existem algumas correntes nesse sentido visando
interpreta-la. Há uma primeira corrente defendendo que esse dispositivo seria
consagrado na chamada denunciação “persal” como um salto, como um pulo,
ou seja, de acordo com esse dispositivo seria possível o adquirente pular o
alienante imediato e denunciar diretamente o alienante mediato, mesmo sem
ter direito de regresso em face dele, mesmo sem ter direito de garantia. O que
é complicado dogmaticamente porque não existe vinculo jurídico material
entre eles. Em vez de denunciar quem lhe vendeu a coisa, você denuncia
quem vendeu a coisa a quem lhe vendeu a coisa. Ex: imagine que Luciano
vendeu um imóvel para Inês que, por sua vez, vendeu esse mesmo imóvel para
Isadora. Só que Isadora se vê como ré de um processo ajuizado por Paula
pleiteando a propriedade desse imóvel. Aí Isadora de acordo com esse
dispositivo ao invés de denunciar Inês, que foi quem lhe vendeu a coisa,
poderia denunciar diretamente Luciano, porque foi quem vendeu a coisa a
quem lhe vendeu a coisa, o alienante mediato, se perceber que na verdade é
Luciano o verdadeiro responsável por todo esse problema gerado na cadeia de
sucessão de propriedade, foi ele o primeiro, o cara que conseguir falsificar o
documento ou algo desse tipo, seria a idéia de ir atrás diretamente de quem
causou o problema.
Há ainda uma segunda interpretação, essa segunda corrente parte de um
dispositivo do CPC, o nosso CPC lá no artigo 73 prevê a possibilidade de
denunciações sucessivas, ora um primeiro denunciado, poderia denunciar um
segundo denunciado que poderia denunciar um terceiro denunciado e assim
sucessivamente. O que é muito demorado, porque cada denunciação que é
realizada gera uma incidente processual que suspende o processo, e o grande
prejudicado com essa demora é o adversário do denunciante que não precisa
ser necessariamente autor. Então Muniz de Aragão constatando as dificuldades
geradas por essas denunciações sucessivas, já defendia há muitos anos a
possibilidade de se fazer uma denunciação coletiva, ou seja, no caso de
evicção, por exemplo, seria a possibilidade do adquirente denunciar
coletivamente todos os alienantes da cadeia sucessória de propriedade, ao
invés de um ficar denunciando o outro. Mas isso não estava previsto em lei, era
uma proposta da legeferenda de Muniz de Aragão e há quem entenda que o
456 do CC/02 teria positivado a possibilidade de denunciação coletiva, que já
vinha sendo sugerida pelo Muniz de Aragão. Essa tem agradado mais por ser
mais econômico, mais prático.
Mas há ainda uma terceira opção. Houve quem dissesse que o legislador com
esse dispositivo teria consagrado uma solidariedade legal entre todos os
alienantes da cadeia sucessória de propriedade e que por isso o adquirente
poderia denunciar qualquer um. Agora, isso é complicado porque a lei não diz
que há solidariedade e nós sabemos que solidariedade não se presume, só
pode decorrer de lei ou de contrato.
Existe ainda uma quarta visão, existe doutrina que percebe que o 456 do cc/02
diz que essa denunciação deve ocorrer nas formas de lei de processo. E vejam
vocês as leis de processo só admitem denunciações sucessivas. Então, para
essa quarta visão, não haveria nenhuma inovação. O legislador só teria
ratificado a possibilidade de denunciações sucessivas previstos nas leis de
processo.

Denunciação promovida pelo possuidor direto


É uma hipótese que não é das mais comuns. Quando o proprietário cede para
outrem o uso da coisa, ocorre o desdobramento da posse sobre a coisa. Sendo
que o proprietário conserva consigo uma posse indireta sobre a coisa e cede
para o terceiro a chamada posse direta, que é o poder de fato sobre a coisa,
que é a chamada apreensão cívica da coisa, é o que ocorre, por exemplo, com
o contrato de locação. Com locação temos o locador, normalmente o
proprietário que cede o uso da coisa pro locatário. Sendo que o locador
conserva consigo uma posse indireta, e é o locatário que vai titularizar a posse
direta do imóvel, que vai estar lá com o poder de fato, apreendendo
civicamente a coisa. Diz-se que o proprietário quando transfere a posse direta
da coisa, está nesse ato prestando uma garantia de livre fruição da coisa pelo
possuidor direto. E se o possuidor direto for de alguma forma molestado em
juízo, no seu poder, no seu assenhoramento sobre a coisa, ele poderia
promover a denunciação da lide do proprietário, do possuidor indireto para que
responda por isso. A ideia é que, se o possuidor direto se vê molestado no seu
assenhoramento da coisa em juízo, ele poderia denunciar a lide ao possuidor
indireto, para que ele responda pelos prejuízos advindo de uma derrota. Mas
não é muito comum não.

A terceira hipótese de denunciação da lide é uma hipótese aberta. O art. 70, III
traz uma hipótese bem abrangente de denunciação da lide. De acordo com
esse dispositivo é possível a denunciação da lide toda vez que a parte
denunciante for titular de um direito de regresso decorrente de lei ou contrato.
É uma cláusula geral de regresso. É com base nesse inciso que se admite a
denunciação do segurado em face da seguradora. É com base nesse inciso que
é possível admitir que o Estado demandado numa ação de responsabilidade
civil denuncie o servidor, o agente estatal responsável pelo ato danoso. Agora,
vejam, o Estado responde objetivamente, já o servidor responde
subjetivamente. É necessário investigar ainda se houve culpabilidade por parte
dele. A interpretação desse terceiro inciso é controvertida porque há uma
preocupação grande da doutrina e dos tribunais de uma denunciação assim tão
abrangente acabar prejudicando o adversário do denunciante, atrasando o
processo para o adversário do denunciante, sobretudo quando ele é vitima de
um dando que precisa ser indenizado e diante disso nós temos duas grandes
interpretações dadas a esse inciso. De um lado, nós temos uma doutrina que
dá uma interpretação restritiva a ele. Para dizer que a denunciação com base
nesse inciso só é possível, se ela não introduzir nenhum fundamento novo ao
processo e não implicar a produção de nenhuma prova nova. Porque caso
contrário quem sairá prejudicado com isso é o adversário do denunciante que
vai ter que esperar toda essa investigação inovadora dentro do processo para
obter uma tutela. É por isso, por exemplo, que os adeptos dessa corrente
restritiva não admitem a denunciação feita pelo Estado em face do servidor,
porque há um fundamento novo, que é a culpa, que vai exigir provas novas e
quem se prejudica é a coitada da vítima do dano que só queria uma
indenização do Estado. Caberia ao Estado ajuizar uma ação autônoma de
regresso, mas por outro lado, nós temos também uma doutrina que dá uma
interpretação ampliativa a esse inciso. Defendendo que é possível denunciação
fundada em qualquer tipo de direito de regresso ou de garantia com base
nesse inciso, independentemente de trazer fundamento novo ou prova nova
para o processo. Primeiro porque não há nada em lei que impeça isso, não há
nada na lei que restrinja essa hipótese de denunciação. O texto da lei é
propositadamente abrangente. Ele diz que é qualquer direito de regresso
previsto em lei ou contrato. E isso tem uma razão de ser. Na verdade o
legislador consagrou essa hipótese tão abrangente de denunciação da lide
exatamente para atender a um clamor antigo da doutrina e da jurisprudência
por uma hipótese de denunciação mais ampla, que abrangesse outros casos
que não fosse o da evicção. Porque antigamente só era possível em caso de
evicção. E agora que a gente consegue uma denunciação mais ampla você vai
lá e dá uma interpretação restritiva a ela? Não é condizente com uma visão
histórica e teleológica do texto da lei, dizem eles.
Agora, Freddie adota uma visão intermediária. O principio da proporcionalidade
e justiça no caso concreto. Freddie defende que a polemica é grande, a
doutrina se divide, o STJ se divide. A bola é totalmente dividida. Agora, ele
constata que de um lado não há nada na lei proibindo denunciação que traga
fundamento novo ou exija prova nova. Não há nada na lei que aponte nesse
sentido, muito pelo contrário, seu texto é muito abrangente. Mas de outro lado,
ele não consegue fechar os olhos para o fato de que há casos que a
denunciação traz fundamento novo e exige prova nova que atrasa muito o
processo, que prejudicam muito o adversário do denunciante e ele defende
que admitir ou não a denunciação nesses casos, é algo que o juiz tem que
ponderar a luz do caso concreto, considerando os interesses do denunciante e
do seu adversário, ponderando os interesses, os valores que estão em jogo
para o denunciante e para seu adversário. Ele tem essa visão eclética, digamos
assim. De que tudo se resolve pelo juiz a luz do caso concreto.
O artigo 70 do CPC estabelece em seu caput que a denunciação da lide é
obrigatória. Aí Paula pergunta: é razoável dizer isso? Será que a denunciação
da lide é uma obrigação da parte denunciante? Difícil, né? Porque a
denunciação já é uma ação, uma ação de regresso e no nosso sistema não há
obrigação de ação. Mas o que se fala em doutrina, é que na verdade, a
denunciação seria um ônus da parte. E um ônus que se não for atendido, pode
trazer conseqüências negativas para a parte. E quais seriam essas
conseqüências negativas? Não há dúvida que a parte perde a oportunidade de
exercer o direito de regresso dentro daquele mesmo processo. Agora, a grande
dúvida é: será que a parte que não denuncia perderia o próprio direito material
de regresso? Não podendo exercê-lo sequer por ação autônoma? Isso é
irrazóavel. Vejam, no que diz respeito a denunciação fundada nos incisos II e III
não há dúvidas de que não denunciar não implica a perda do direito de
regresso, porque não há nada na lei material ou processual que aponte nesse
sentido. Já no que diz respeito a denunciação por evicção há uma certa
discussão, porque o art. 456 do CC/02, lei material, diz que se o adquirente não
denuncia ele perderia o próprio direito material de regresso, só que mesmo
sendo este o texto de lei, fiquem atentos porque a doutrina e a jurisprudência
discordam dele e não dão aplicabilidade a ele. A doutrina e a jurisprudência
não aceitam a ideia de que a não denunciação pelo adquirente implica a perda
do seu direito de regresso. Então a própria doutrina e o próprio STJ não tem
dado aplicabilidade a essa regra. Não tem aceitado a ideia de que não
denunciar implica a perda do direito de regresso pelo adquirente. Porque,
vejam, se você disser que não denunciar implica a perda do direito de regresso
pelo adquirente, o que você está impondo no final das contas é uma obrigação
de denunciar, o que acabaria numa obrigação de ação. Que é algo que não é
condizente com o nosso ordenamento jurídico. Agora, há ainda uma
justificativa histórica pra isso. Na verdade, essa regra, de que o adquirente tem
que denunciar para resguardar seu direito de regresso, é uma regra que fazia
sentido a luz do CPC de 39, porque no CPC de 39 não havia denunciação da
lide, o que havia era outra modalidade de intervenção de terceiros para os
casos de evicção, que era o chamamento a autoria. E o chamamento à autoria
não era uma ação, ele não era o exercício do próprio direito de regresso. O
chamamento a autoria era uma simples notificação, era a exigência de que o
adquirente notificasse o alienante do litígio, para que ele pudesse depois por
ação autônoma, exercer o seu direito de regresso. Então vejam, que essa
notificação era um requisito de admissibilidade de uma futura ação autônoma
de regresso. E não era o exercício da própria ação. Então, antes fazia algum
sentido. Então, o que a gente percebe é que o legislador material não
percebeu, não atentou para as mudanças da lei de processo e reproduziu uma
regra que hoje é totalmente ultrapassada, que hoje já não faz o menor sentido.
Daí se dizer que hoje jamais a denunciação não realizada vai poder implicar
perda do próprio direito material de regresso. E já há um projeto de lei visando
alterar o texto desse dispositivo.
No que diz respeito ao procedimento da denunciação da lide vocês vão ler os
artigos, 72, 74 e 75 do CPC, que falam do procedimento da denunciação, feita
pelo autor ou pelo réu.

CHAMAMENTO AO PROCESSO
O chamamento ao processo é um ato do réu. É o ato pelo qual o réu, chama
um terceiro a juízo para responder pela dívida que está sendo dele exigida
juntamente com ele. Em outras palavras, é um réu devedor, chamando um co-
responsável para responder pela dívida juntamente com ele. Há essa co-
responsabilidade pela dívida exigida em juízo. E vejam vocês que o
chamamento ao processo gera uma ampliação subjetiva da causa, porque ao
lado do réu chamante teremos o terceiro chamado e Paula pergunta: qual é a
posição assumida pelo terceiro chamado dentro do processo? Ele sempre vai
ser litisconsorte do réu, o chamamento ao processo gera um litisconsórcio
passivo, porque ambos estarão ali como co-responsáveis da dívida, em face do
credor. Esse litisconsórcio passivo é facultativo e ulterior. Agora, é simples ou
unitário? Depende da natureza da obrigação. Se a obrigação for indivisível é
unitário, se a obrigação for divisível é simples. E quais são os casos que o
nosso legislador admite o chamamento ao processo? O chamamento ao
processo é cabível nas hipóteses do art. 77 do CPC. E ali existem três grandes
hipóteses. Primeiro o legislador admite que o fiador chame ao processo o
afiançado, para que responda pelo processo juntamente com ele. Em segundo
lugar, a lei admite que chame a juízo co-fiadores, para que respondam pela
dívida juntamente com ele. E em terceiro lugar, nós temos uma clausula bem
abrangente de cabimento de chamamento ao processo. Porque diz o legislador
que um devedor solidário sempre poderá chamar outro devedor solidário pra
responder a dívida juntamente com ele. Então é uma clausula geral de
solidariedade. Em todos os casos de solidariedade, em que há um réu e um
terceiro, um vinculo de solidariedade passiva o réu pode chamar o terceiro a
juízo. Daí se falar usualmente que o chamamento ao processo se justifica nos
casos de solidariedade. E percebam que o chamamento ao processo é uma
modalidade de intervenção de terceiros que foi criada exclusivamente pro
beneficio do réu, do devedor, não foi o credor, porque o credor já ajuizou ação
dele contra ele queria. Agora, o devedor demandado, por sua vez, tem o
beneficio, a faculdade de chamar co-responsável em juízo, de chamar outros
devedores a juízo. Esse beneficio fica ainda mais claro quando vocês percebem
que a sentença condenatória prolatada nesse processo, condenando o réu
chamante e os terceiros (pode ser mais de um), os terceiros chamados para
responder pela dívida, ela tem uma dupla força executiva, porque de um lado
ela é titulo executivo para o credor que pode exigir o cumprimento da dívida
de qualquer um dos condenados, qual um dos co-responsáveis. Mas de outro
lado, ela também vai valer como titulo executivo para aquele devedor que
cumpriu a obrigação. Porque ele, o devedor que cumpriu a obrigação, com
essa mesma sentença em mãos poderá exigir a cota parte cabível aos demais,
no mesmo processo. E o procedimento do chamamento ao processo de acordo
com a nossa lei é o da denunciação da lide. O legislador aplica, por analogia,
no que for cabível as regras da denunciação da lide. 58:41