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CURSO AUXILIAR VETERINÁRIO

SUMÁRIO:

Aula 01 - Auxiliar Veterinária 03

Aula 02 - O Cão e o Gato 10

Aula 03 - Introdução Anatomia e Fisiologia 19

Aula 04 - As Articulações e Músculos 22

Aula 05 - A Pele 27

Aula 06 – Afecções mais comuns da pele 29

Aula 07 - Sistema Nervoso 32

Aula 08 - Sistema Circulatório 35

Aula 09 – As Artérias e Veias 37

Aula 10 – Sistema Respiratório 41

Aula 11 - Sistema Digestivo 44

Aula 12 - Patologia do Sistema Digestivo 48

Aula 13 – Gastroenterites 51

Aula 14 – O Sistema Urinário 56

Aula 15 – Insuficiência Renal Canina 60

Aula 16 – Sistema Reprodutivo 63

Aula 17 - Momento certo para o cruzamento 70

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Aula 18 - Gestação 76

Aula 19 - Parto 80

Aula 20 - Intervenções cirúrgicas 85

Aula 21 - Distúrbios neonatais 89

Aula 22 - Patologia Reprodutiva 92

Aula 23 - Etapas da Vida do Cão e do Gato 96

Aula 24 – Amamentação 99

Aula 25 - Etapas do desenvolvimento do cachorro 105

Aula 26 – Desenvolvimento comportamental do Cão 108

Aula 27 - Crescimento do Cachorro 111

Aula 28 - Gato do nascimento à fase adulta 115

Aula 29 - Nutrição dos Animais 120

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CURSO AUXILIAR VETERINÁRIO

AULA 01:

Auxiliar Veterinária

Com o constante crescimento da demanda por serviços prestados pelos Médicos


Veterinários (tanto na produção animal quanto na clínica Médica Veterinária propriamente
dita), cresce também a necessidade de mão de obra qualificada para os mais variados
trabalhos nos estabelecimentos veterinários. É nesse mercado em contínua expansão
que o auxiliar veterinário irá se encaixar, ajudando em todas as seções e repartições dos
pet shops, consultórios, clínicas ou hospitais veterinários, além de zoológicos e
fazendas. Vale lembrar que por mais treinado que seja um auxiliar veterinário também
conhecido como enfermeiro veterinário, seu ações devem ser sempre coordenadas e
acompanhadas por um veterinário, e diversas funções, tais como diagnósticos,
tratamentos e cirurgias não estão na alçada de atuação desses profissionais.
Quando numa clínica veterinária ele cuidará da assepsia; do local, pode
eventualmente ajudar a cuidar dos animais convalescentes mediante instruções do
veterinário/a (aplicação de medicamentos/vacinas na dosagem recomendada nas mais
diversas vias de aplicação, que aprenderá no decorrer do curso). Também cabe ao auxiliar
cuidar da instrumentação cirúrgica (assepsia e estufa), auxiliar nas cirurgias quando
requisitado e acalmar os cães ou gatos.
Pode tratar das maternidades, mantendo o local sempre muito limpo e aquecido,
verificando se as instalações estão corretas, observando o comportamento das mães e
crias, cuidando de sua higiene e nutrição.
Quando no pet shop, banho e tosa, administrar corretamente as mercadorias e
sempre manter o controle para reposição das mesmas, cuidar da higiene e realizar as tosas
das raças com as
ferramentas corretas,
adequadas a cada
tipo de pelo/pelagem.

No caso de
exposições além da
tosa da raça,
preparar os animais
para entrada na
pista incluindo seu
adestramento
(comportamento).
Abaixo
seguem outras
atividades que
podem ser realizadas
pelo auxiliar
veterinário dentro da
rotina de uma clínica
veterinária:

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1. Exercitar os animais quando os mesmos estão muito tempo confinados em gaiolas ou


quando são submetidos a cirurgias em que caminhadas fazem parte da recuperação
do animal, como em casos de cirurgias de eqüinos;

2. Higienizar o local de estadia dos animais, com a adequada desinfecção realizada


com produtos específicos, como será visto mais adiante, para evitar a disseminação
de doenças para os próximos animais que vierem a ocupar o mesmo espaço;
3. Grosar e arrancar dentes de cavalos, quando o crescimento irregular dos mesmos
prejudica a alimentação e saúde do animal;
4. Prestar primeiros socorros, que podem ser essenciais para a sobrevivência do
animal quando feitos corretamente por pessoa bem treinada. Este tópico será abordado
com mais detalhe no decorrer das aulas;
5. Pesar o animal, o que é essencial para a prescrição de doses medicamento (isto deve
ser realizado apenas pelo profissional Médico Veterinário, cabendo ao auxiliar apenas
passar para ele o peso correto do animal a ser medicado);
6. Conter o animal para que procedimentos tais como curativos e administração de
medicamentos possam ser feitos pelo Médico Veterinário;
7. Auxiliar nos procedimentos de acesso intravenoso (apenas o Médico Veterinário poderá
administrar medicamentos por vias parenterais, cabendo ao auxiliar apenas a
contenção);
8. Fazer a tricotomia de animais antes da cirurgia o que garante um maior controle de
higiene durante a mesma. Vale lembrar que qualquer intervenção cirúrgica, por mais
simples que seja só poderá ser feita pelo profissional Médico Veterinário;
9. Selecionar as caixas cirúrgicas, sendo que cada uma deve ser específica para cada tipo
de intervenção cirúrgica;

10. Aferir temperatura, com controle da mesma em intervalos regulares de tempo;


11. Observar condições físicas e neurológicas dos animais, que podem ser indicativos
de pioras em quadros clínicos, sendo que isto deve ser avaliado pelo Médico
Veterinário;

12. Informar as condições de saúde dos animais ao veterinário;


13. Auxiliar na coleta de materiais para a realização de exames. A prescrição de exames
para cada quadro clínico deve ser feita de acordo com critérios do Médico
Veterinário;
14. Controlar sinais vitais do animal, como temperatura, pulso, informando ao Médico
Veterinário quaisquer alterações nos mesmos, cabendo apenas a ele uma avaliação do
quadro clínico geral do animal e a tomada de decisões;

15. Ministrar medicamentos sob a supervisão do médico veterinário (os medicamentos e


respectivas doses devem ser estipulados apenas pelo Médico Veterinário);
16. Aplicar injeções, atentando-se para a assepsia adequada do local onde será aplicada
(com doses previamente estipuladas pelo Médico Veterinário);

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17. Fazer curativos de acordo com procedimento e treinamento previamente estipulados


pelo Médico Veterinário;
18. Alimentar os animais de acordo com suas necessidades específicas. Além disso,
deve-se observar o consumo de alimentos por parte dos mesmos, e alterações
devem ser passadas ao Médico Veterinário para que ele tome as medidas necessárias;
19. Preparar o material cirúrgico e a sala cirúrgica;
20. Auxiliar no procedimento de intubação do animal (apenas o Médico Veterinário
anestesiologista poderá ministrar os anestésicos necessários nas doses corretas, sendo
que doses ou anestésicos incorretos poderão colocar em risco a vida do animal. O
anestésico deve ser escolhido de acordo com critérios tais como quadro clínico,
doenças pré existentes e idade);
21. Posicionar o animal na mesa de cirurgia, com adequada contenção para que não
ocorram interrupções durante a cirurgia para reforços na contenção;
22. Fazer a assepsia do animal com produtos específicos, como será estudado mais
adiante;

23. Transportar o animal dentro do estabelecimento, de acordo com suas necessidades


de alojamento;

24. Recolher o material utilizado (instrumentos) para limpeza e preparo para as próximas
cirurgias;
25. Separar materiais descartáveis, tais como seringas, agulhas, escalpes, dentre outros,
dando o destino adequado para cada um;

26. Separar o lixo hospitalar e embalá-lo para descarte;


27. Lavar os instrumentos cirúrgicos e montar a caixa de cirurgia, para que nas próximas
cirurgias o material já esteja em mãos pronto para uso;
28. Esterilizar materiais, instrumentos e o ambiente (este tópico será estudado com mais
detalhes adiante);

A veterinária se divide em dois ramos: a produção animal e a medicina veterinária


propriamente dita.
Na produção animal, também chamada de zootecnia, são estudados assuntos tais como
criação de animais (bovinocultura, equicultura, piscicultura, caprina-ovinocultura,
melhoramento animal, reprodução, produção de pastagem, dentre outros assuntos.
Na medicina veterinária propriamente dita, estuda-se a medicina preventiva dos
animais, a sanidade, a patologia, a cirurgia e a clínica médica.
Além disso, existem profissionais que lidam com animais silvestres, atuando em
clínica e cirurgia, nutrição e reprodução desses animais.

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Síntese da História da Medicina Veterinária


O exercício da "ars veterinária" confunde-se com os primórdios da civilização
humana e sua antiguidade pode ser referenciada a partir do próprio processo de
domesticação dos animais.
O "Papiro de Kahoun", encontrado no Egito em 1890,
descreve fatos relacionados a arte de curar animais
ocorridos há 4000 anos a.C., indicando procedimentos de
diagnóstico, prognóstico, sintomas e tratamento de doenças
de diversas espécies animais. A memória histórica também
permite inferir que a Medicina animal era praticada 2000
anos a.C. em certas regiões da Ásia e da África, do Egito à
Índia Oriental.Especial menção merecem os códigos de
ESHN UNNA (1900 AC) e de HAMMURABI(1700 AC),
originários da Babilônia, capital da antiga Mesopotâmia,
onde são registrados referências à remuneração e às
responsabilidades atribuídas aos "Médicos dos Animais".
Na Europa, os primeiros registros sobre a prática da Medicina animal originam-se
da Grécia, no século VI a.C., onde em algumas cidades eram reservados cargos públicos
para os que praticavam a cura dos animais e que eram chamados de hipiatras.
No mundo romano, autores como CATO e COLUMELLA produziram interessantes
observações sobre a história natural das doenças animais.
Na era cristã, em meados do século VI, em Bizâncio (atualmente Istambul), foi
identificado um verdadeiro tratado enciclopédico chamado HIPPIATRIKA, compilado por
diversos autores e que tratava da criação dos animais e suas doenças, contendo 420
artigos, dos quais 121 escrito por APSIRTOS, considerado no mundo ocidental, a partir
dos helenos, o pai da Medicina Veterinária. APSIRTOS nasceu no ano 300 da nossa era,
em Clazômenas, cidade litorânea do mar Egeu, na costa ocidental da Ásia Menor.
Estudou Medicina em Alexandria, tornando-se, posteriormente, Veterinário chefe do
exército de Constantino, o Grande, durante a guerra contra os povos Sarmatas do
Danúbio, entre 332 e 334. Após a guerra, exerceu a sua arte de curar animais em Peruza
e Nicomédia, cidades da Ásia Menor, criando uma verdadeira escola de hipiatras. Entre
os assuntos descritos por APSIRTOS, merecem referência o mormo, enfisema pulmonar,
tétano, cólicas, fraturas, a sangria com suas indicações e modalidades, as beberagens,
os ungüentos. Sua obra revela, enfim, domínio sobre o conhecimento prevalecente na
prática hipiátrica da época. Na Espanha, durante o reinado de Afonso V de Aragão, foram
estabelecidos os princípios fundamentais de uma Medicina animal racional, culminado
com a criação de um "Tribunal de Proto-albeiterado", pelos reis católicos Fernando e
Isabel, no qual eram examinados os candidatos ao cargo de "albeitar". Esta denominação
deriva do mais famoso Médico de animais espanhol, cujo nome de origem árabe era "EB-
EBB-BEITHAR".
Em língua portuguesa, o termo foi traduzido para "alveitar", sendo usado em 1810
para designar os Veterinários práticos da cavalaria militar do Brasil Colônia.
Na Europa, antes da criação das primeiras escolas de Medicina Veterinária,
aqueles que exerciam a empírica medicina animal eram denominados de MARECHAIS-
FERRADORES em países de língua latina, de "ROSSARTZ" na Alemanha e de
"FERRIES" na Inglaterra.

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A Medicina Veterinária moderna, organizada a partir de critérios científicos,


começou a desenvolver-se com o surgimento da primeira escola de Medicina Veterinária
do mundo, em Lyon-França, criada pelo hipologista e advogado francês CLAUDE
BOUGERLAT, a partir do Édito Real assinado pelo Rei Luiz XV, em 04 de agosto de
1761.
Este primeiro centro mundial de formação de Médicos Veterinários iniciou o seu
funcionamento com 8 alunos, em 19 de fevereiro de 1762.
Em 1766, também na França, foi criada a segunda escola de veterinária do
mundo, a Escola de Alfort, em Paris. A partir daí, com a compreensão crescente da
relevância social, econômica e política da nova profissão, outras escolas foram criadas
em diversos países, a exemplo da Áustria, em Viena, (1768), Itália, em Turim, (1769),
Dinamarca, em Copenhagen, (1773), Suécia, em Skara, (1775), Alemanha, em Hannover,
(1778), Hungria, em Budapeste, (1781), Inglaterra, em Londres, (1791), Espanha, em
Madri, (1792), alcançando, no final do século XVIII 19 escolas, das quais 17 em
funcionamento.

NO BRASIL
Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, nossa cultura científica e
literária recebeu novo alento, pois até então não havia bibliotecas, imprensa e ensino
superior no Brasil Colônia.
São fundadas, inicialmente, as Faculdades de Medicina (1815), Direito (1827) e a
de Engenharia Politécnica (1874).
Quanto ao ensino das Ciências Agrárias, seu interesse só foi despertado quando o
Imperador D. Pedro II, ao viajar para França, em 1875, visitou a Escola Veterinária de
Alfort, impressionou-se com uma Conferência ministrada pelo Veterinário e Fisiologista
Collin. Ao regressar ao Brasil, tentou propiciar condições para a criação de entidade
semelhante no País.
Entretanto, somente no início deste século, já sob regime republicano, nossas
autoridades decretaram a criação das duas primeiras instituições de ensino de Veterinária
no Brasil, a Escola de Veterinária do Exército, pelo Dec. nº 2.232, de 06 de janeiro de
1910 (aberta em 17/07/1914), e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária,
através do Dec. nº 8.919 de 20/10/1910 (aberta em 04/07/1913), ambas na cidade do Rio
de Janeiro.
Em 1911, em Olinda, Pernambuco, a Congregação Beneditina Brasileira do
Mosteiro de São Bento, através do Abade D. Pedro Roeser, sugere a criação de uma
instituição destinada ao ensino das ciências agrárias, ou seja, Agronomia e Veterinária.
As escolas teriam como padrão de ensino as clássicas escolas agrícolas da Alemanha, as
"Landwirschaf Hochschule".
No dia 1º de julho de 1914, eram inaugurados, oficialmente, os curso de
Agronomia e Veterinária. Todavia, por ocasião da realização da terceira sessão da
Congregação, em 15/12/1913, ou seja antes da abertura oficial do curso de Medicina
Veterinária, um Farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia
solicitava matrícula no curso de Veterinária, na condição de "portador de outro diploma do
curso superior". A Congregação, acatando a solicitação do postulante, além de aceitar

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dispensa das matérias já cursadas indica um professor particular, para lhe transmitir os
conhecimentos necessários para a obtenção do diploma antes dos (quatro) anos
regimentares. Assim, no dia 13/11/1915, durante a 24ª sessão da Congregação, recebia o
grau de Médico Veterinário o senhor DIONYSIO MEILLI, primeiro Médico Veterinário
formado e diplomado no Brasil.
Desde o início de suas atividades até o ano de 1925, foram diplomados 24
Veterinários. Em 29 de janeiro, após 13 anos de funcionamento, a Escola foi fechada por
ordem do Abade D. Pedro Roeser.
A primeira mulher diplomada em Medicina Veterinária no Brasil foi a DRA. NAIR
EUGENIA LOBO, na turma de 1929 pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária,
hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
No Brasil, os primeiros trabalhos científicos abrangendo a patologia comparada
(animal e humana) foram realizados pelo Capitão-Médico JOÃO MONIZ BARRETO DE
ARAGÃO, fundador da Escola de Veterinária do Exército, em 1917, no Rio de Janeiro, e
cognominado PATRONO DA VETERINÁRIA MILITAR BRASILEIRA, cuja comemoração
se dá no dia 17 de junho, data oficial de inauguração da Escola de Veterinária do Exército
(17/06/1914).
(Informações extraídas de artigos do Médico Veterinário e Historiador Percy
Infante Hatschbach)

SIMBOLO DA MEDICINA VETERINÁRIA

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ANOTAÇÕES
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AULA 2:

O Cão:

Classificação zoológica:
Classe: Mamíferos
Ordem: Carnívoros
Família: Canídeos
Gênero: Canis
Espécie: Canis familiaris - cão
doméstico

Origem:
A origem do cão doméstico baseia-se em suposições, por se tratar de ocorrências
de milhares de anos, cujos crescentes estudos mudam em ambiente e datação dos fósseis.
Uma das teorias aponta para um início anterior ao processo de domesticação,
apresentando a separação de lobo e cão há cerca de 135 000 anos, sob a luz dos
encontrados restos de canídeos com uma morfologia próxima à do lobo cinzento,
misturados com ossadas humanas. Outras, cujas cronologias são mais recentes, sugerem
que a domesticação em si começou há cerca de 30 000 anos, os primeiros trabalhos
caninos e o início de uma acentuada evolução entre 15000 e 12 000, e por volta de
20% das raças encontradas atualmente, entre 10 000 e 8000 anos no Oriente Médio. Além
das imprecisões do período, há também discordâncias sobre a origem. Enquanto especula-
se que os cães sejam descendentes de outra variação canídea, as mais aceitáveis são a
descendência direta do lobo cinzento ou dos cruzamentos entre lobos e chacais.
As evidências baseiam-se também em achados arqueológicos, já que foram
encontrados cães enterrados com humanos em posições que sugerem afetividade.
Segundo estes trabalhos de pesquisa, o surgimento das variações teria ocorrido por
seleção artificial de filhotes de lobos-cinzentos e chacais que viviam em volta dos
acampamentos pré-históricos, alimentando-se de restos de comida ou carcaças deixadas
como resíduos pelo caçador-coletor. Os seres humanos perceberam a existência de certos
lobos que se aproximavam mais do que outros e reconheceram certa utilidade nisso, pois
eles alertavam para a presença de animais selvagens, como outros lobos ou grandes
felinos. Mais sedentários devido ao desenvolvimento da agricultura, os seres humanos
então deram um novo passo na relação com os caninos. Eventualmente, alguns
filhotes foram capturados e levados para os acampamentos na tentativa de serem
utilizados. Com o passar dos anos, os animais que, ao atingirem a fase adulta, mostravam-
se ferozes, não aceitando a presença humana, eram descartados ou impedidos de se
acasalar. Deste modo, ao longo do tempo, houve uma seleção de animais dóceis,
tolerantes e obedientes aos seres humanos, aos quais era permitido o acasalamento e
que, quando adultos, eram de grande utilidade, auxiliando na caça e na guarda. Esse
gradual processo, baseado em tentativas e erros, levou eventualmente à criação dos cães
domésticos.

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Foi ainda durante a Pré-História que surgiram os primeiros trabalhos caninos e,


com isso, começaram a fortalecer os laços com o ser humano. Cães de caça e de
guarda ajudavam as tribos em troca de alimento e abrigo. Com o tempo,
aperfeiçoaram o rastreio e dividiram o abate das presas com os humanos. Por
possuírem alta capacidade de adaptação, espalharam-se ao redor do mundo, levados
durante as migrações humanas e aparecendo em antigas culturas romanas, egípcias,
assírias, gaulesas e pré-colombianas, tendo então sua história contada ao lado da do
homem.

Classificação:
Os cães podem ser classificados em categorias com base no peso e altura, da
seguinte maneira:
 Pequeno porte: peso abaixo de 10 kg e altura de 15-40 cm;
 Médio porte: peso situado entre 10-20 kg e altura de 25-70 cm;
 Grande porte: peso situado entre 30-40 kg e altura de 40-80 cm;
 Gigantes: peso acima de 40 kg e altura entre 50-90 cm.

Morfologia:
Basicamente, o corpo do cão é composto pelas seguintes partes:

Esquema das partes do corpo do cão.

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Raças:
Afghan Hound: Cão de aparência nobre, elegante, forte, de
expressão "oriental" e imponente. Como o próprio nome da
raça sugere, o afghan hound é um galgo de origem afegã,
descoberto pelo mundo ocidental no século XIX. Seu passado
mais remoto, entretanto, é pouco conhecido. A raça possui
cabeça alongada, um stop leve ou inexistente, e a mordedura em
tesoura ou torquês.

Basset Hound: Trata-se de uma raça recente. O basset hound


foi trazido da Inglaterra no século XVII. O bassethound é, sem
dúvida, um excelente cão farejador, de temperamento calmo e
amável, extremamente manso, apegado ao dono e
carinhoso. Muito resistente no trabalho de campo, o
bassethound é capaz de fazer grandes caminhadas.

Beagle: O temperamento do beagle é bastante equilibrado, não


apresenta agressividade, nem timidez. O beagle é alegre, ativo,
corajoso e inteligente. Originalmente, sua função principal é a
caça à lebre. A pelagem da raça beagle é lisa, densa, nem muito
curta, nem muito fina. Qualquer cor é admitida, à exceção da
cor fígado. A altura do beagle fica entre os 33 cm e os 40 cm,
medidos sempre a altura da cernelha.

Bulldog:O bulldog é um cão inteligente e muito doce com s sua


família. Gosta de companhia, é afetuoso e brincalhão. O bulldog é
um cão valente, leal, corajoso, mas não é agressivo, a menos que
seja agredido abertamente. Forte e resistente, o bulldog é excelente
companheiro, calmo e de fácil trato.

Chow Chow: esta esplêndida raça, conhecida


como spitz chinês em alguns países, está sendo
muito difundida em todo o mundo.O porte nobre e
vistoso do chow chow, sua beleza indiscutível e
sua pelagem exuberante, de cor singular provocam
inevitavelmente a admiração de todos, O
chowchow é muito versátil, sendo" utilizado em
muitas funções com sucesso. É um valente
guardião e defensor da casa, é ótimo guarda de
barcos, é ótimo caçador de presas selvagens,
além de um incansável cão de tração.O chow chow
é um cão equilibrado, de aspecto leonino, de
porte orgulhoso e digno, leal mas reservado. É
um cachorro ágil, compacto, curto e harmonioso
em seu conjunto. A pelagem do chow chow é abundante, espessa, lisa reta, um pouco
dura ao tato, com sub-pêlo suave e lanoso. Segundo o padrão da raça, a variedade de
pêlo curto, com exceção da pelagem, é idêntica.

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Dogue alemão: este maravilhoso gigante é um cão de origem alemã, que hoje em dia é
criado em canis especializados por 'muitos países do
mundo, com grande mérito. O dogue alemão reúne a sua
nobre aparência de constituição robusta e bem delineada,
ferocidade, força e elegância. O dogue alemão destaca-se
por sua cabeça expressiva e não revela nervosismo algum,
nem sequer nas grandes manifestações afetivas. O caráter
do dogue alemão é essencialmente amistoso, afetuoso com
os familiares, em particular com as crianças, esquivo e
desconfiado com estranhos. A pelagem do dogue alemão é
muito curta e espessa, aderente e reluzente. A cauda do
dogue alemão é de comprimento médio e os olhos são
bem enquadrados, de tamanho médio, redondos, o mais
escuros possível, com expressão vivaz e inteligente. O
tamanho mínimo para os exemplares machos da raça dogue alemão é de 80 cm,
medidos sempre a altura da cernelha. As fêmeas devem medir pelo menos 72 cm. É
desejável, entretanto, que esse limite seja superado.

Fila Brasileiro: O fila brasileiro é um cão de grande porte,


acostumado à grandes espaços, e ideal para sítios e fazendas.
Um típico molosso, o fila é desconfiado na presença de
estranhos e não admite a menor familiaridade. A altura do fila
brasileiro varia de 65 cm à 75 cm para os machos, e de 60 cm a
70 cm para as fêmeas, medidos sempre a altura da cernelha. O
peso mínimo para a raça é de 40 kg, para as fêmeas, e de 50 kg,
para os machos.

Golden Retriever: alegre, ágil, forte, de movimentos


leves, expressão mansa e caráter dócil. Essas
características resumem os principais traços do golden
retriever, este belíssimo cão de caça, que adora
aprender e está sempre pronto para o trabalho. O
golden retriever é um cachorro muito inteligente,
obediente e está apto a realizar as mais diversas funções.
As cores aceitas são qualquer tonalidade de ouro ou
creme, mas nunca vermelho. Alguma presença de pelos
brancos “fio peito é permitida.
Labrador: a raça Labrador
p o s s u i um excelente temperamento, é um
amável companheiro, fiel e está sempre
procurando agradar ao seu dono. O aspecto geral
da raça Labrador é o de um cão de constituição
robusta, curto e sólido, muito ativo, de lombo e
traseira largos e robustos, de pelo curto, aderente e
sem franjas, com presença de um espesso sub
pelo. A pelagem é uma característica importante da
raça Labrador. É uma pelagem curta, espessa, sem ondulação, muito dura ao tato, e
apresenta um subpelo resistente à água.

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Pastor Alemão: os cachorros de pastoreio demonstram coragem, inteligência e


combatividade. Além disso, costuma ser forte, ágio, veloz
e particularmente resistente às grandes caminhadas e as
intempéries. O Pastor Alemão é sem dúvida um cachorro
muito inteligente. Gosta do trabalho, e aprende com
muita facilidade. Um ótimo companheiro, o Pastor
Alemão deve também demonstrar coragem e dureza na
defesa do dono e de seus bens. A estrutura da raça é
levemente alongada, robusta e musculosa; sólida, porém
de ossatura fina. O Pastor Alemão é um cão vigilante,
fiel e manso com as crianças e outros animais da casa.
Diante de estranhos demonstra desembaraço e segurança

Pinscher: O pinscher miniatura é um cão de grande mobilidade,


aspecto muito elegante e muito sóbrio. É de tamanho médio e sua
constituição quadrada, possuindo uma musculatura robusta e
forte.O pinscher é muito desconfiado com estranhos, e está
sempre alerta. Apesar do caráter dócil, é ótimo cão de guarda. A
pelagem curta e limpa do pinscher, contribui para ser um bom
cachorro de apartamento

Poodle: Um dos mais famosos cães franceses. É um cão, considerado por especialistas,
dos mais inteligentes. É capaz de aprender com extrema
facilidade, o que o tornou muito difundido em todo o
mundo. Além dessas qualidades, deve-se levar em conta
sua beleza e originalidade. Trata-se na realidade, de um
cão anatomicamente bem constituído e muito gracioso, que
se distingue também, pela sua característica tosa, que o
diferencia de, qualquer outra raça. É um excelente
companheiro. De linhas harmoniosas, o poodle possui
aspecto inteligente, constantemente alerta e ativo. O
poodle é famoso pela fidelidade, aptidão para o
adestramento, obediência, o que faz dele um cão de companhia muito agradável. Seus
olhos têm coloração marrom, âmbar escuro, ou preto.

Rotweiller. É um cão acima do tamanho médio a grande, nem


pesado nem leve. Não é alto, seu corpo é curto, compacto e
robusto. O rottweiler é um cachorro de inteligência notável, sua
devoção e dedicação ao trabalho são extraordinárias, assim como
sua obediência, incorruptibilidade, força e tenacidade. O
aspecto geral da raça rottweiler demonstra, à primeira vista,
espontaneidade e coragem.

Schnauzer: Cão de estatura média, constituição quadrada, e os


machos parecem um pouco mais curtos que as fêmeas. Seu
caráter bonachão demonstra-se na vontade de brincar e na
disposição amável que tem para com as crianças. É afetuoso com
a família, mas desconfiado com estranhos e não faz amizade com
facilidade. Na ausência do dono é incorruptível.

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Yorkshire: YorkshireTerrier é considerado por muitos um verdadeiro fenômeno. A raça foi


obtida através de cruzamentos entre outros terriers e chamou
a atenção de criadores que, através de uma rigorosa
seleção, obtiveram exemplares espetaculares.Hoje em dia,
seus admiradores estão em todo o mundo e o Yorkshire é
um dos cachorros preferidos como companhia. O Yorkshire
tem o aspecto de um toyterrierde pelagem longa, é muito
enxuto, delicado, de porte erguido, pequeno e ar imponente.

O Gato:

Classificação Zoológica:
Classe: Mamíferos

Ordem: Carnívoro

Família: Felidae

Gênero: Felis

Espécie: Felissivestriscatus

Origem:
Os gatos domésticos atuais são uma adaptação evolutiva dos gatos selvagens.
Cruzamentos entre diferentes espécimes os tornaram menores e menos agressivos aos
humanos. Os gatos foram domesticados primeiramente no Oriente Médio nas primeiras
vilas agriculturais do Crescente Fértil. Os sinais mais antigos de associação entre homens
e gatos datam de 9 500 anos atrás e foram encontrados na ilha de Chipre.

Quando as populações humanas deixaram de ser nômades, a vida das pessoas passou a
depender substancialmente da agricultura. A produção e
armazenamento de cereais, porém, acabou por atrair
roedores. Foi nesse momento que os gatos vieram a fazer
parte do cotidiano do ser humano. Por possuírem um forte
instinto caçador, esses animais espontaneamente
passaram a viver nas cidades e exerciam uma importante
função na sociedade: eliminar os ratos e camundongos,
que invadiam os silos de cereais e outros lugares onde
eram armazenados os alimentos.

Registros encontrados no Egito, como gravuras, pinturas e estátuas de gatos, indicam que
a relação desse animal com os egípcios data de pelo menos 5 000 anos. Elementos
encontrados em escavações indicam que, nessa época, os gatos eram venerados e
considerados animais sagrados. Bastet (Bast ou Fastet), a deusa da fertilidade e da
felicidade, considerada benfeitora e protetora do homem, era representada na forma de

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uma mulher com a cabeça de um gato e freqüentemente figurava acompanhada de vários


outros gatos em seu entorno.

Na verdade, o amor dos egípcios por esse animal era tão intenso que havia leis proibindo
que os gatos fossem "exportados". Qualquer viajante que fosse encontrado traficando um
gato era punido com a pena de morte. Quem matasse um gato era punido da mesma
forma e, em caso de morte natural do animal, seus donos deveriam usar trajes de luto.
Não tardou para que alguns animais fossem clandestinamente transportados para outros
territórios, fazendo com que' a popularidade dos gatos aumentasse. Ao chegarem à Pérsia
antiga, também passaram a ser venerados e havia a crença de que, quando maltratados,
corria-se o risco de estar maltratando um espírito amigo, criado especialmente para fazer
companhia ao homem durante sua passagem na Terra. Desse modo, ao prejudicar um
gato, o homem estaria atingindo a si próprio.

Raças:
Abissínio:de origem indiana, o abissínio é um gato ativo, ágil,
independente, tímido e inteligente. O abissínio aprende com
facilidade, é muito curioso e sociável com pessoas e também com
outros animais.A marcação da pelagem do abissínio, denominada
ticking, apresenta faixas mais escuras ao longo dos pelos, dando a
impressão de urna pelagem "rajada".

Angorá: trata-se de um gato dócil, brincalhão e amistoso. Gosta de


companhia e costuma ser muito apegado ao dono. É um animal
inteligente e carinhoso.
Os exemplares da raça Angorá têm tamanho médio, são muito
elegantes, e apresentam uma linda pelagem semi longa. As cores
aceitas além do branco são o preto, azul, tricolor e escama de
tartaruga.As únicas cores não aceitas para a raça são as que
demonstram um eventual cruzamento com gatos siameses.

Himalaio: O himalaio é uma raça que foi criada à partir do


cruzamento entre o persa e o siamês. É um gato de tamanho médio,
pelagem longa, com tipo físico idêntico ao persa, com exceção dos
olhos azuis e da coloração da pelagem. Muito inteligente, o himalaio
possui temperamento doce e afetuoso. Em geral rnuito sociável, o
himalaio é considerado um excelente companheiro para ambientes
internos. É uma raça gentil, calma, e assim como o siamês, adora
brincar. Devido ao cruzamento com esta raça, o himalaio costuma ser
mais ativo do que o persa.

Persa: o persa ideal deve aparentar um gato bem balanceado, com


expressão doce e suave, estrutura óssea pesada, e pêlo muito cheio
e denso, o que acentua a sua aparência arredondada. A pelagem do
persa é longa em todo o corpo, e muito cheia. De textura fina, lisa e
cheia de vida. O persa é um gato elegante, compacto, bem
balanceado, forte, que prefere estar no chão. Não tem entre suas

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especialidades a velocidade, ou a agilidade.


Exótico: é um charmoso gato de tamanho grande, muito parecido com o persa, mas de
pêlo curto. O Exótico ideal deve aparentar um gato bem
balanceado, com expressão doce e suave, estrutura óssea
pesada, e pelo muito cheio e denso, o que acentua a sua
aparência arredondada. O exótico tem boa musculatura, sem
evidência de obesidade.
Os olhos do gato Exótico são grandes, redondos, de cor
brilhante, e cheios. São nivelados e distantes entre si, tornando
sua expressão muito doce.
O Exótico é um excelente gato de companhia. É muito amigável,
brincalhão, carinhoso, e gosta de estar sempre por perto.
Mesmo depois de adulto o exótico vai continuar brincalhão e cheio de vida

Sagrado da Birmânia: é um gato gentil, ativo,


brincalhão, tranqüilo. Não pede atenção
insistentemente, mas é carinhoso e gosta de
companhia. E um gato para ficar dentro de casa, pois
precisa muito estar junto com a família, e tem um
temperamento dócil e amistoso. Adora ganhar colo e
carinho, e sempre vai fazer o possível para
acompanhar os donos por onde eles estiverem.
Siamês: Uma característica marcante na raça siamês é
a sua cor branca. Talvez o mais antigo dos gatos, o
siamês tem tamanho médio, é esbelto, refinado,
elegante, magro, mas musculoso. Os exemplares
machos da raça siamesa são proporcionalmente
maiores do que as fêmeas. O siamês é um gato
gracioso, uma distinta combinação de ossos finos e
músculos. O siamês é, sem dúvida, um gato muito inteligente, curioso e de natureza
amável.

Sphynx: Esta é uma raça de gato que tem uma aparência bem diferente do que as
pessoas estão acostumadas a ver. Com um visual "sem pelos", o Sphynx também se
destaca pelo temperamento amável. Conhecida ainda
como Pelado Canadense, a raça Sphynx é reconhecida
internacionalmente desde 1998. O gato Sphynx se
destaca por ser muito afetuoso, gostar de ser mimado e
por preferir permanecer sempre na presença do dono. O
Sphynx é um gato que desperta curiosidade por onde quer
que passe. A aparência esguia e as rugas ao longo do
corpo, são características marcantes da raça Sphynx,
assim como os olhos e orelhas grandes.
O Sphynx é um gato ativo, afetuoso, bastante apegado ao
dono.
É uma raça leal e, sem dúvida muito inteligente. Os gatos
da raça Sphynx são sociáveis, dóceis, capazes de brincar
sem demonstrarem nenhum traço de agressividade.

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AULA 3:

Introdução à anatomia e fisiologia do cão e do gato:

A seguir, estudaremos os seguintes sistemas do cão e do gato:


 Sistema locomotor;
 Pele do cão e do gato;
 Sistema nervoso;
 Sistema circulatório;
 Sistema respiratório;
 Sistema digestivo;
 Sistema locomotor:

Sistema Locomotor
O Sistema locomotor é composto pelos ossos articulações e músculos do cão e do
gato. As considerações sobre essas três classes de órgãos estão agrupadas de acordo
com as principais divisões do corpo, tronco, cabeça, membro torácico e membro pélvico.
O esqueleto é o conjunto de ossos do corpo do animal, conectados entre si por
meio das articulações, que podem permitir movimentos em até três dimensões, tal como
a articulação entre o crânio e a coluna vertebral, ou articulações que são totalmente fixas,
como acontece com os ossos do crânio. A mobilidade do esqueleto é assegurada pela
contração dos músculos estriados, que por meio de tendões são inseridos nos ossos.
As contrações musculares são comandadas pelos nervos através do sistema
nervoso central, sendo que o cérebro e o cerebelo atuam nos movimentos voluntários e a
medula espinhal comanda os movimentos involuntários, também conhecidos como
reflexos. Os neurônios que tomam parte no comando dos movimentos são designados
por neurônios motores, e os neurônios que conduzem as informações do ambiente até o
sistema nervoso central são designados como sensitivos.
Os ossos possuem diversas funções, tais como:
 Proteção de órgãos internos tais como o cérebro e o coração;
 Apoio para músculos e sustentação do corpo;
 Reserva de minerais, principalmente cálcio e fósforo.

O esqueleto do cão:
A coluna vertebral é formada por diferentes tipos de vértebras e estende-se do crânio até a
ponta da cauda. Consiste em uma grande quantidade de ossos separados, as vértebras,
unidos de forma estável, porém não rígida. Desempenha o papel de eixo axial, na qual se inserem
13 costelas, 10 das quais ligadas ao esterno, formando a caixa torácica. O crânio articula-se com a
primeira vértebra cervical em forma de receptáculo, denominada atlas.

Os membros posteriores formam o sistema de propulsão do cão e engrenam-se na bacia


ao nível da articulação da anca, sendo que a bacia, por sua vez se une á coluna por meio de vários
ligamentos. Os membros anteriores possuem papel menos ativo na propulsão, e se ligam à coluna

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vertebral através da escapula e dos músculos adjacentes.

O esqueleto do gato:
O gato tem o corpo esbelto e- uma série de capacidades que o tornam fascinante.

Essa ágil criatura tem esqueleto formado por 244 ossos, sendo 27 localizados no rabo que o
ajudam a se equilibrar e a se movimentar. São ossos alongados, esguios e finos, porém com alta
resistência. O gato consegue entrar e sair de espaços apertados graças ao seu rabo e à sua
clavícula que lhe permite movimentar seus ombros para frente e para trás no mesmo ritmo de suas
pernas.

Seu tórax é composto pelo esterno e por 13 pares de costelas, 9 das quais externais. Seu
crânio possui o osso frontal muito curto e é volumoso e globular. As fossas temporais e as órbitas
são muito extensas. Suas mandíbulas são fortes e curtas.

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AULA 4:

As articulações e músculos do cão:


As articulações se diferenciam de acordo com os movimentos da região, podendo
ser uma simples aposição de osso que impede qualquer movimento, como ocorre no
crânio, a sínfise cartilaginosa que permite pouco movimento entre dois ossos, como
ocorre nos ossos púbicos e a verdadeira articulação em que as superfícies em causa se
encontram cobertas por uma cartilagem, denominada hialina, e por uma cápsula que
recobre toda essa estrutura. Essa cápsula recobre uma cavidade repleta por um líquido
viscoso, o líquido sinovial, que nutre e lubrifica a cartilagem.

A cartilagem é um tecido muito frágil e não renovável caso seja destruído, razão que
explica essa dupla proteção sinovial. Em alguns locais essa cápsula articular está coberta
por um revestimento fibroso e vários ligamentos que reforçam a contenção articular.

No caso do joelho, duas extremidades ósseas não são estritamente


complementares, e com isso um disco ou menisco cartilaginoso completa as duas
superfícies articulares.

Os músculos são compostos por células contrateis ligadas entre si por


membranas que formam feixes musculares. Esses feixes reúnem-se formando
tendões fibrosos que se ligam às zonas de inserção óssea. As células contrateis
possuem constituintes específicos que as permitem encurtar, produzindo a contração.

Esta contração requer energia transportada pelo fluxo sangüíneo, armazenada


e metabolizada no nível de células. A determinação dessa contração é nervosa.
Sendo assim, o sistema muscular é estreitamente interligado ao sistema circulatório e
nervoso, e qualquer alteração que ocorra em um dos dois implica em repercussões
ao aparelho locomotor.

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As articulações e os músculos do gato:

Nos gatos, as articulações são flexíveis e móveis, e seus membro são capazes
de efetuar uma rotação completa sem riscos de luxação. O esqueleto é muito flexível
e a cauda pode assumir diversas posições.
Os músculos da cabeça são bem desenvolvidos, complexos e sofrem grande
interligação com os músculos subcutâneos. Os músculos envolvidos com a
mastigação também são muito desenvolvidos.

A região cervical é composta por uma grande massa muscular, que se


encontra subdividida em 4 camadas. Os músculos do abdômen são muito
desenvolvidos, e com isso a parede abdominal é muito espessa e possui textura
carnuda. Os músculos da anca e das coxas são muito fortes. As características
específicas dos músculos dos membros são baseadas no número dos dígitos das
mãos e dos pés. Os membros posteriores, mais fortes do que os anteriores, estão
sempre preparados para relaxamento ou propulsão do animal. No caso do gato, a
corrida é composta por uma série de saltos longos e rasantes. Os seus músculos e
garras permitem-lhe facilidade nas suas escaladas. Conseguem saltar muito alto e,
quando a altura é suficiente, conseguem se equilibrar sobre as quatro patas.

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Afecções do aparelho locomotor:

1. Artrose:

A artrose é uma afecção das articulações


caracterizada por destruição progressiva da cartilagem
articular, sendo uma lesão "auto-perpetuante". Provoca
muita dor nos animais acometidos, que é agravada pela
umidade e pelo frio, porém melhora com exercício
moderado. Essas características são típicas do estágio 1,
sendo que o estágio 2 é caracterizado por episódios
agudos de dor, com ganidos e supressão dos apoios. A
doença evolui para o bloqueio total da articulação
acompanhado por diminuição da dor (estágio 3).

2. Artrite:
É um processo
inflamatório da articulação que
pode ocorrer associada a
diversas patologias articulares.
Podem ter diferentes origens:
sépticas, devido à presença de
um microorganismo no interior
da articulação (a introdução
desse microorganismo pode
ocorrer em situações como
dentadas, por exemplo) ou
estéreis, podendo ser
imunológicas (poliartrites, /por
exemplo) ou não.
A artrite séptica é caracterizada por vermelhidão, calor, tumefação da região e
dor, sinais característicos de um processo inflamatório. Pode ocorrer supressão de
apoios.

Displasia coxo-femoral:
A displasia coxofemoral é a doença ortopédica hereditária mais comum nos
cães. Ela' pode surgir em qualquer raça, mas é mais comum nas raças grandes ou
gigantes, como Rottweillers, Pastores e Filas, e principalmente em animais que tem
um crescimento muito rápido. É caracterizada por desenvolvimento anormal da
articulação coxo-femoral, que tem como conseqüência uma má imbricação do fêmur
na cavidade articular do quadril.
A primeira fase, em que o animal sente muita dor, é observada nos cães no
fim do crescimento. Seus sintomas são: marcha anormal, supressão do apoio do

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membro, dorso arqueado, musculatura torácica mais forte, arrastamento de unhas no


chão, dificuldade para deitar, levantar e subir escadas e andar galopante. A segunda
fase ocorre por volta dos três anos de idade, em que ocorrem os mesmos sintomas
exacerbados pelo aparecimento de artrose.
Um cachorro que tem displasia coxofemoral pode viver uma vida normal, mas
não deve ser utilizado para reprodução. Mesmo se um filhote é normal, mas seus
pais são doentes, não se deve utilizá-lo para reprodução, pois seus filhos podem ter
problemas.

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AULA 5:

A pele do cão e do gato:


A pele recobre o organismo e o protege de lesão; desempenha um papel
importante no controle da temperatura e torna o animal apto a responder a diversos
estímulos externos em virtude de suas muitas terminações nervosas. A espessura e
flexibilidade da pele variam muito entre as espécies e de acordo com o local.

Estrutura da pele
Pode-se distinguir 3 camadas na pele:
1. Epiderme composta por células queratinizadas, cuja espessura varia de
acordo com o tratamento que recebe. Ela responde rapidamente ao
desgaste grosseiro, "como ocorre nos coxins das patas de cães e gatos.
A epiderme não possui vasos sangüíneos, porque se nela houvesse
vasos ficaria mais sujeita a ser "penetrada" por microorganismos. Os
nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos
sangüíneos da derme. A epiderme apresenta várias camadas. A origem
da multiplicação celular é a camada basal. Todas as outras são
constituídas de células cada vez mais diferenciadas que, com o
crescimento basal, vão ficando cada vez mais periféricas, acabando por
descarnar e cair (uma origem importante do pó que se acumula nos
locais onde vivem pessoas ou outros seres vivos).
2. Derme; a derme é um tecido conjuntivo que sustenta a epiderme.
3. Hipoderme é a camada mais profunda, rica em células repletas de
gordura (adipócitos), e faz conexão entre a derme e a fáscia muscular.
Além disso, tem a função de: reservatório energético; isolante térmico;
modelagem da superfície corporal; absorção de choque e fixação dos
órgãos.

Apenas a derme e a hipoderme são vascularizadas e inervadas, atuando como


receptoras das informações provenientes do exterior e interior.

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Os anexos da pele:

São modificações da epiderme. São esses anexos:


 Glândulas sudoríparas: importantes na perda de calor por evaporação
superficial mas também exerce papel na excreção de resíduos;
 Glândulas sebáceas: produzem secreção oleosa que tem função de proteção e
de tornar a pele e os pêlos à prova d'água, prevenindo-os de se tornarem
secos, ou quebradiços. Ele também pode inibir o crescimento de
microrganismos na pele;
 As outras glândulas compreendem as glândulas anais, que servem para
marcação territorial, e as glândulas supra-caudais, situadas sobre a base da
cauda.
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AULA 06

Afecções mais comuns de pele:


1- Alergias cutâneas:
São fenômenos de hipersensibilidade que ocorrem em pele de cães
sensíveis. O alérgeno pode penetrar no organismo do animal através de
quatros vias: inalação (pode provocar uma atopia urticária), ingestão
(provoca alergia alimentar ou medicamentosa, com ou sem urticária),
através da pele (alergia de contato) ou por via parenteral (em caso de
dermatites provocadas por picadas de pulgas, injeções de medicamentos
ou urticária).
2- Dermatite atópica:
É uma dermatite pruriginosa alérgica, de predisposição hereditária. Por
trás dela, podem existir os mais diversos
agentes: pólen, perfume (usado depois do
banho em pet shops ou até mesmo o do dono),
ácaro, mofo, fumaça de cigarro, produtos de
limpeza, lã, remédios, plástico, e por aí vai. É
comum no cachorro e bem rara no felino.
Manifesta-se em animais comi a 3 anos de
idade nas raças Terrier, Dálmata, Setter
Irlandês e Pequinês, e tem caráter sazonal.
3- Dermatite de contato:
É uma reação inflamatória da pele causada pelo contato direto com
substância irritante, tais como sabão, detergentes, inseticidas, ácidos,
gasolina, dentre outros, ou contato com substância alergênica (depois de
contatos repetidos ocorre aparecimento local de uma dermatite nas regiões
de contato).

4- Dermatite de Iambedura:
É causada por lambedura repetida das patas, ocorrendo principalmente
em cães de grande porte muito ativos que ficam a sós durante o dia em
casa

5- Dermatite por picada de pulgas (DAPP):


A picada da pulga num animal tem como o resultado
irritação, dor e comichão. Quando além disso, o animal é
alérgico aos componentes da saliva da pulga, surge a
Dermatite Alérgica pela Picada da Pulga (D.A.P.P.), cujos
sintomas são:

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 Auto Lesões causadas por Dermatite Alérgica


 Perda de Pêlo

Perda de pelo no Torso Pele Mais escura grossa e sem


Posterior elasticidade

Ardor Generalizado

6- Sarnas:
A sarna do cão é uma doença de pele causada por um pequeno ácaro
microscópico chamado Sarcoptesscabiei. O parasita 'cava' túneis nas
camadas mais l profundas da pele causando intensa coceira, o sintoma
mais j conhecido da sarna tanto em humanos como em animais. Mas é í
claro que nem todo prurido (coceira) significa sarna.
Além da coceira, que pode ter tão intensa que faça
com l que o animal pare de comer pelo estresse, a
sarna causa perda i de pelos, descamações e crostas
na cabeça, orelhas e patas, * podendo alastrar-se para
todo o corpo do animal, se não for tratada.
No gato, a sarna é causada por um outro ácaro, o
Notroediscati. Os sintomas são praticamente os
mesmos que nos cães, porém, encontramos lesões
principalmente na cabeça© orelhas.
Ácaro Causador da escabiose

Os animais podem pegar sarna no contato direto com outros cães ou gatos
doentes, ou pelo contato indireto através de cobertores, roupinhas, toalhas, escovas,
etc., contaminados. Por isso, no tratamento
da doença, é importante não apenas tratar o
animal, mas também os objetos usados por
ele, lavando-os com água quente e, se
possível, passando a ferro em temperatura
alta.

A escabiose não deve ser confundida


com demodicose ou "sarna negra". Essa
última é causada por outro agente, não é
transmissível de um animal para outro, mas
sim da mãe para o filhote. Enquanto a
escabiose pode ser tratada, a sarna negra não tem cura,
Cão mas controle.
acometido pela sarna sarcóptica

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Uma dúvida freqüente é sobre a possibilidade dos animais passarem a sarna


para o homem. Embora exista um tipo de ácaro da escabiose para cada espécie
(cães, gatos, homem, etc.), a sarna dós animais pode, eventualmente, contaminar as
pessoas também. As lesões de sarna no ser humano se manifestam como pontos
avermelhados nos braços e tórax, justamente as áreas onde as pessoas têm contato
direto com os animais quando os carregam. A coceira é o sintoma característico e
esse tipo de sarna no homem tem tratamento fácil, na maioria das vezes.

Micoses:
Alguns tipos de fungos são os causadores de micoses, tanto no homem
quanto nos animais. Esses fungos podem viver no solo, nas plantas ou na pele.
Mesmo sendo tão facilmente encontrados, os fungos só irão causar micoses na
presença de condições especial como baixa resistência do organismo. Assim, numa
mesma casa com vários animais, um deles pode apresentar micose em vários locais
do corpo e os outros não.

A rnicose mais conhecida e comum nos animais é causada por um fungo


denominado Microsporum. Popularmente, essa micose é conhecida por "tinha". Ela é
transmissível ao homem, porém, da mesma
maneira que nos animais, a pessoa só será
afetada se estiver numa condição de baixa
resistência
Cães e gatos podem apresentar micose
em qualquer local da pele. Ela se inicia com
uma crosta que, ao ser retirada, revela uma
lesão arredondada, sem pelos, em formato
moeda (pode ser irregular também).
As micoses de pele geralmente não
causam coceira, porém, alguns animais
desenvolvem alergia ao fungo e passam a
cocar e morder o local afetado.
Lesões micóticas na pata

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AULA 7:

Sistema nervoso:

Todo organismo vivo deve ser capaz de reagir de


forma apropriada a modificações no seu ambiente para
sobreviver. A regulação dessas reações é a
responsabilidade do sistema nervoso,
incomparavelmente o mais complexo dos sistemas
corpóreos.
O sistema nervoso é composto por células
exclusivamente nervosas, os neurônios e células de
suporte que as envolvem e que formam a neuroglia. Os
neurônios podem funcionar como receptores, quando
recebem um estímulo, ou emissores quando enviam
impulsos nervosos, ou ainda atuar em associação
quando estabelece uma relação entre dois neurônios
diferentes. Os reflexos consistem numa transformação
direta, através do sistema nervoso geral, de uma
1 – Cérebro informação sensitiva externa ao sistema nervoso para o
interior, numa informação motora, secretora ou
2 – Cérebro e Medula
inibidora, que parte do sistema nervoso até ao órgão
3 – Medula Espinhal implicado no reflexo em causa; tudo isto se processa
num espaço de tempo relativamente curto.

O sistema nervoso central:

É composto pelo cérebro, cerebelo, bulbo (na cavidade craniana) e medula


espinhal. Para além da proteção óssea que o envolve, o sistema nervoso central
está recoberto por três membranas: a dura-máter, em contato com o osso, o
aracnóide e a pia-máter em contato direto com o tecido nervoso. Esta proteção que
funciona tanto em relação a choques como a agressões internas (existe uma
"barreira” entre o sangue e as meninges designada por barreira hematoencefálica
resistente a diversas substâncias) é justificada pelo (3 fato dos neurônios serem
células não 'renováveis. Qualquer lesão é assim irreparável.

Funções de cada parte do Sistema Nervoso Central

 No cérebro estão sediados diferentes centros: motor, sensitivo, visual, auditivo,


olfativo egustativo. É o centro da memória e da associação.
 O cerebelo é a sede do equilíbrio e da coordenação de movimentos.
 A medula espinhal constitui um importante centro de reflexos, tal como o bulbo,
que é também o centro do automatismo respiratório, cardíaco e
dilatador/constritor dos vasos sangüíneos.
Sistema nervoso periférico:
O sistema nervoso periférico, chamado simplesmente de SNP, é a parte do

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sistema nervoso que se encontra fora do sistema nervoso central (SNC). É


constituído por fibras (nervos), gânglios nervosos e órgãos terminais, Os nervos se
dividem em três tipos:

 Nervos Sensitivos: são os nervos que tem o papel de transmitir os impulsos


nervosos do órgão receptor até ao SNC;
 Nervos Motores: conduzem o impulso codificado no encéfalo (SNC), até ao órgão
efetor;
 Nervos Mistos: tem o mesmo papel que os nervos sensitivos e motores ao mesmo
tempo.
Os órgãos receptores são os órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e
corpúsculos táteis) com conexões nervosas adaptada à transdução dos diferentes tipos
de estímulos captados no mundo exterior (ver relação de receptores abaixo
discriminados). Já os órgãos efetores são basicamente as glândulas e os
músculos lisos e estriados.
É graças a este sistema que o cérebro e a medula espinhal recebem e enviam as
informações permitindo-nos reagir às diferentes situações que têm origem no meio externo
ou interno.

O sistema nervoso vegetativo:


O sistema nervoso autônomo, ou vegetativo é a parte do sistema nervoso que está
relacionada ao controle da vida vegetativa, ou seja, controla funções como a
respiração, circulação do sangue, controle de temperatura e digestão.
No entanto, ele não se restringe a isso. É também o principal responsável pelo
controle automático do corpo frente às modificações do ambiente. Por exemplo, quando
o indivíduo entra em uma sala com um ar-condicionado que lhe dá frio, o sistema
nervoso autônomo começa a agir, tentando impedir uma queda de temperatura
corporal. Dessa maneira, seus pelos se arrepiam (devido a contração do músculo
pilo eretor) e ele começa a tremer para gerar calor. Ao mesmo tempo ocorre vaso
constrição nas extremidades para impedir a dissipação do calor para o meio. Essas
medidas, aliadas à sensação desagradável de frio, foram as principais responsáveis pela
sobrevivência de espécies em condições que deveriam impedir o funcionamento de um
organismo. Dessa maneira, pode-se perceber que o organismo possui um mecanismo que
permite ajustes corporais, mantendo assim o equilíbrio do corpo: a homeostasia.

As convulsões:
O termo convulsão refere-se ao distúrbio paroxístico
(ataque súbito) involuntário do cérebro, geralmente
manifestando-se como uma atividade muscular
descontrolada.

Epilepsia refere-se à recorrência ou repetição


das convulsões, particularmente se a causa fundamental não pode ser identificada
(epilepsia idiopática). As convulsões caracteristicamente não são precipitadas,
estereotipadas e cessam espontaneamente. Portanto, a epilepsia é uma enfermidade

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funciona do cérebro caracterizado por convulsões tônico-clônicas, periódicas, recorrentes


geralmente de breve duração e aparentemente similar à epilepsia do homem. A epilepsia
idiopática foi descrita em muitas espécies, mas com grande freqüência nos cães,
principalmente nas raças Cocker Spaniel .Beagle, Pastor Alemão, Setter lrlandês.etc.
Animais com epilepsia freqüentemente tem uma história de nervosismo e
desorientação antes da convulsão. Esta fase pré-ataque é seguida pelas próprias
convulsões, que normalmente duram de 1 a 2 minutos e se caracterizam pela perda ou
perturbação da consciência, pelo olhar fixo, pela alteração do tono muscular, movimentos
dos membros (Tônico-clônico) e alguns animais também apresentam micção, evacuação
e salivação. As convulsões podem começar no primeiro ano de vida do cão, mas com
maior freqüência no segundo ano. O local de origem das convulsões no cérebro é
chamado de foco das convulsões sendo que elas podem ser amplamente divididas em
dois grupos: na forma generalizada e focal (parcial).

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AULA 8:
Sistema circulatório:

Sistema Circulatório

O sistema circulatório é o sistema pelo qual são transportados nutrientes (como


aminoácidos, eletrólitos e linfa), gases, hormônios, hemácias etc. para as células do
organismo e também a partir delas, a fim de defender o corpo contra doenças, regular a
temperatura corporal, estabilizar o PH e manter a homeostase. Faz a comunicação entre
os diversos tecidos do corpo.Este sistema pode ser visto, estritamente, como uma rede
de distribuição do sangue, mas alguns consideram que o sistema circulatório é composto
pelo sistema cardiovascular, que transporta o sangue, e pelo sistema linfático, que
distribui a linfa.
Dois tipos de fluidos se movem através do sistema cardiovascular: sangue e linfa.
O sangue, o coração e os vasos sangüíneos formam o sistema cardiovascular. A linfa, os
linfonodos e os vasos linfáticos formam o sistema linfático. O sistema cardiovascular e o
sistema linfático, coletivamente, dão origem ao sistema circulatório.
Na sequência de um desenvolvimento normal, o eixo do coração do cão deve
apresentar-se oblíquo em relação ao eixo do corpo, situando-se o coração mais à
esquerda do que à direita. O coração é achatado transversalmente, o lado direito em
posição cranial (em direção à dianteira do cão) e o lado esquerdo em posição caudal (em
direção à traseira). Assim, a base do coração onde estão situados os vasos é
simultaneamente cranial e dorsal, enquanto que o ápice é caudal e ventral. A sua área de
inserção situa-se entre a 3° e a 6° costela e o peso varia consideravelmente em função
da raça do cão.

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O coração:
Divide-se em quatro grandes compartimentos: o átrio direito que recebe o sangue
pobre em oxigênio e envia-o para o ventrículo direito, que o expele em direção aos
pulmões; o átrio esquerdo que recebe o sangue dos pulmões rico em oxigênio envia-o
para o ventrículo esquerdo que por sua vez o expele para as diferentes
zonas do corpo. No adulto o coração é totalmente compartimentado, não
se verificando a mistura entre os sangues rico e pobre em oxigênio, a
passagem pelos diferentes compartimentos processa-se graças a
válvulas que formam um sistema de "portas".

Esquema da Circulação do sangue pelo corpo que ocorre devido ao bombeamento realizado pelo coração

ANOTAÇÕES
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AULA 9:

As artérias e veias:

Artérias são vasos sangüíneos que carregam sangue a partir dos ventrículos do
coração para todas as partes do nosso corpo. Elas se contrastam com as veias, que
carregam sangue em direção aos átrios do coração. A aorta, grande artéria cujo sangue
se apresenta enriquecido em oxigênio, parte da zona esquerda do coração em direção à
zona anterior do animal.
Uma vez chegado ao músculo ou ao órgão, a artéria divide-se num feixe de
arteríolas, artérias que permitem a distribuição do oxigênio e que em troca retiram o
dióxido de carbono. O sangue volta a sair por
vênulas que confluem numa veia de pequeno
calibre. Todas estas pequenas veias partem
então em direção à veia cava cranial na zona
anterior do corpo ou à veia cava caudal na
zona posterior. Estas duas veias trazem o
sangue de volta ao lado direito do coração
que o propulsiona seguidamente, através do
tronco pulmonar, em direção aos pulmões
onde o sangue se liberta do gás carbônico.
Regressa ao coração pelas veias pulmonares
para retomar a aorta: e o círculo encerra-se.

A circulação linfática do cão e do


gato:

O sistema linfático é uma rede complexa de vasos e pequenas estruturas


chamadas de nódulos linfáticos que transportam o fluido linfático (linfa) dos tecidos de
volta para o sistema circulatório. Possui a função de drenar o excesso de líquido
intersticial (líquido onde as células ficam mergulhadas e de onde elas retiram seus
nutrientes e eliminam substâncias residuais de seu metabolismo) afim de devolvê-lo ao
sangue e assim manter o equilíbrio dos fluidos no corpo, Ele também transporta as
vitaminas e os lipídeos, absorvidos durante o processo de digestão, até o sangue, para
que este, leve os nutrientes para todo o corpo. Uma outra função do tecido linfático é a
realização de respostas imunes, impedindo que a linfa lance microorganismos na
corrente sangüínea através da retenção e destruição destes dentro de seus linfonodos.
Para entendermos o que são os linfonodos, uma forma bem simples é pensarmos neles
como filtros, uma vez que a linfa passa por vários deles antes de chegar à corrente
sangüínea, e, como já vimos acima, neles ficam retidos os agentes causadores de
doenças até sua eliminação. Aparecem no organismo em grande número, alguns são
superficiais e palpáveis, outros profundos (nas grandes cavidades) e apenas podem
detectados por via"da radiologia ou ecografia. Na maioria dos casos a sua hipertrofia
reflete uma inflamação ao nível da região de drenagem, razão que justifica a importância

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da palpação durante o exame clínico. Trata-se também de um local de passagem


privilegiado das células cancerígenas ao transitar de um órgão para outro, explicando-se
assim que se proceda a extirpação dos gânglios quando se faz a ablação de um tumor
para limitar a extensão da doença.

Linfonodos Palpáveis no cão


 Abaixo do pescoço
 Ombros
 Axilas
 Virilhas
 Parte traseira das pernas.

Afecções cardíacas de cães e gatos:

1- Cardiomiopatia dilatada:
A cardiomiopatia dilatada é caracterizada como uma dilatação
ventricular progressiva, com redução de função ventricular esquerda
ou de ambos os lados. Ela não tem causa aparente, sendo definida
por enfermidade hereditária, na maioria das vezes, podendo surgir
também pelo desgaste do coração ao ser sobrecarregado devido a
problemas secundários.

2- Insuficiência mitral:
A insuficiência da válvula mitral é uma
alteração cardíaca grave, causada por um
funcionamento anormal da válvula mitral, que
separa o compartimento superior esquerdo (átrio
esquerdo) do compartimento inferior esquerdo
(ventrículo esquerdo). Cães que sofrem de
insuficiência da válvula mitral mostram dificuldades
ao se exercitar, apresentando uma tosse que
aumenta em freqüência à medida que a doença
progride que poderá chegar a um quadro de
insuficiência cardíaca congestiva e edema
pulmonar. Este problema raramente ocorre em gatos. A degeneração mixomatosa da
válvula mitral ocorre normalmente em animais de porte pequeno e médio, adultos e
idosos. Algumas raças sofrem maior incidência da doença tais como Cocker Spaniel,
Chihuaua, Poodie Miniatura, Pinscher, Fox Terriers, Boston Terriers e Schnauzers
Miniatura. Machos são 50% mais suscetíveis à doença do que fêmeas.

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A insuficiência da válvula mitral é causada por uma formação de placas na própria


válvula. A causa da formação, das placas é desconhecida. A formação e acúmulo da
placa sobre a válvula levam a uma deformação das paredes da válvula, impedindo que
ela se feche corretamente. Este não fechamento permite que ocorra um retorno
sangüíneo do ventrículo para o átrio, o que também gera uma diminuição do volume
sangüíneo que parte do coração. Quando a válvula não se fecha totalmente, o sangue
que retorna para o átrio causa o som que chamamos de sopro.Na tentativa de
compensar essa deficiência, o coração se hipertrofia e dilata, aumentando o volume de
sangue bombeado. Este sistema de compensação permite que o cão não apresente
sintomas por algum tempo, mas ao mesmo tempo, agrava o processo que
eventualmente pode levar a uma insuficiência cardíaca congestiva.

O sangue:
O sangue é um
tecido conjuntivo líquido,
produzido na medula
óssea vermelha, que flui
pelas veias, artérias e
capilares sangüíneos
dos animais vertebrados
e invertebrados. O
sangue é um dos três
componentes do sistema
circulatório, os outros
dois, são o coração e os
vasos sangüíneos. Nele
encontramos o plasma
sangüíneo, responsável
por 66% de seu volume,
além das hemácias, dos
leucócitos e das plaquetas, responsáveis por aproximadamente 33% de sua
composição. A maior parte do plasma sangüíneo é composta por água (93%). Nos 7%
restantes encontramos: oxigênio, glicose, proteínas, hormônios, vitaminas, gás
carbônico, sais minerais, aminoácidos, lipídios, uréia, etc.
Os glóbulos vermelhos, também conhecidos como hemácias ou eritrócitos,
transportam o oxigênio e o gás carbônico por todo o corpo. Essas células duram
aproximadamente 120 dias, após isso, são repostas pela medula óssea.
Os glóbulos brancos, também chamados de leucócitos, são responsáveis pela
defesa de nosso corpo. Eles protegem o organismo contra a invasão de
microorganismos indesejados (vírus, bactérias e fungos). De forma bastante simples,
podemos dizer que eles são "soldadinhos de defesa".
As plaquetas são fragmentos de células, presentes no sangue, que realizam a
coagulação, evitando assim sua perda excessiva de sangue (hemorragia). Elas
geralmente agem quando os vasos sangüíneos sofrem danos. Um exemplo simples é o
caso de uma picada de agulha, onde se observa uma pequena e ligeira perda de sangue
que logo é estancada, isto ocorre graças ao tampão plaquetário.

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AULA 10:

O Sistema Respiratório

O sistema respiratório é o conjunto de


órgãos responsáveis pelas trocas gasosas do
organismo dos animais com o meio ambiente,
ou seja, a hematose pulmonar, possibilitando
a respiração celular.
O sistema respiratório divide-se em
duas partes: trato respiratório superior e trato
respiratório inferior. O trato respiratório
superior é constituído pelas cavidades
nasais, nasofaringe, laringe e traquéia.
As cavidades nasais estão situadas no chanfro
e na fronte do cão e abre-se para o exterior
através das narinas. Com uma estrutura
cartilaginosa, proporcionam
uma boa abertura e permitem CÃO
a entrada de ar. São duas
cavidades paralelas que vão
das narinas até a faringe e
estão separadas uma da
outra por uma parede
cartilaginosa, terminando na
faringe. Em seu interior
existem dobras chamadas
conchas nasais, que forçam
o ar a turbilhonar. No teto das
fossas nasais existem células
sensoriais, responsáveis pelo
sentido do olfato.

A traquéia é um tubo composto pró aproximadamente 40 anéis, que bifurca no seu


interior, ligando a laringe aos
brônquios, para levar o ar aos
pulmões durante a respiração.
Veia Pulmonar O trato
respiratório inferior é composto
pelos brônquios e pulmões
situados no interior da cavidade
torácica da qual se encontram
separados pela pleura. Os
brônquios dividem e garantem a
condução do ar até os alvéolos
pulmonares. O numero de
brônquios é idêntico ao de
lóbulos pulmonares. Seguidamente, dividem-se em bronquíolos de calibre
progressivamente menores

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Os pulmões são responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue
(hematose), e para isso são amplamente vascularizados e possuem uma extensa
superfície para essas trocas.

Afecções respiratórias:

O sistema respiratório de cães e gatos sadios possui inúmeras bactérias que, em


situações normais, não causam problemas aos animais, mas podem dificultar a
interpretação de exames de suas secreções. Esses exames podem, eventualmente, ser
necessários para que os veterinários possam fazer o diagnóstico e tratamento adequado
das doenças. A dificuldade de interpretação dos exames ocorre porque, em geral, os
microrganismos que vivem normalmente nas vias respiratórias são os mesmos que
causam as doenças nos animais debilitados e com baixa imunidade.

1- Broncopneumonia:
A broncopneumonia é, sem dúvida, o tipo mais
comum de pneumonia vista nos animais domésticos,
ocorrendo na porção mais dianteira dos pulmões devida á
deposição mais acentuada de partículas infecciosas nessa
região.
Os principais sintomas são: dificuldade respiratória,
como aumento da freqüência respiratória, sopro labial (o
lábio levanta quando o cão
expira), tosse curta, dolorosa e
violenta, febre com aumento
irregulares da temperatura,
animal fica abatido e pode
ocorrer comprometimento
cardíaco.
Deve-se evitar deixar o animal em locais secos e
com mudanças bruscas de temperatura, pois tudo isso
acentua a dificuldade respiratória. Caso o cão fique muito
tempo deitado, deve-se procurar vira-lo de vez em quando
para evitar a estagnação de líquidos do mesmo lado dos
pulmões.

2- Paralisia da laringe:
É uma diminuição do orifício da laringe, que provoca dificuldades respiratórias e
respiração ruidosa. A intensidade dos sintomas varia caso a paralisia atinja um lado da
laringe (cão de guarda preso, cirurgia) ou os dois (Buli Terriers, animais braquicefálicos,
idosos ou em caso de origem neurológica. Em alguns casos obtém-se sucesso com
intervenção cirúrgica.

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AULA 11:

O sistema digestivo
O sistema digestivo ou
gastrointestinal inclui o tubo
digestivo (que é constituído por:
boca, faringe, esôfago,
estômago, intestino delgado,
intestino grosso e reto), e órgãos
glandulares (glândulas salivares,
glândulas estomacais, fígado e
pâncreas) que segregam
substâncias que lançam no
interior desse tubo. A função
deste aparelho é transferir as
moléculas orgânicas, água e
sais minerais que constituem a
alimentação para o meio interno
do organismo, de modo a que os
átomos e moléculas que os
constituem possam ser
distribuídos pelas células através do sistema circulatório.

O tubo digestivo de um cão de raça pequena representa 7% do seu peso corporal,


este valor é aproximadamente 3% no caso de um cão de raça grande, o que o torna mais
"frágil" do ponto de vista digestivo.

1. A boca:
O cão abocanha os alimentos e engole sem ter de efetuar uma pré mastigação
mecânica. Na boca, os alimentos são umedecidos pela saliva, que facilita seu trânsito
pelo esôfago. No momento da deglutição a língua empurra os alimentos em direção á
orofaringe, a epiglote fecha-se (evitando a entrada para a traquéia) e então ocorre sua
condução para o esôfago.

2. O esôfago:
O esôfago é um canal que conduz o alimento até o estômago.

3. O estômago:
Situa-se na zona esquerda da cavidade abdominal, por
detrás das costelas, ultrapassando ligeiramente o esterno. O seu
volume é comparativamente ao do intestino, devido ao regime
alimentar carnívoro do cão. Terminada a alimentação, ele se dilata,
podendo ocupar a metade da cavidade abdominal. É no interior do
estômago que se encontram as glândulas gástricas que produzem
o suco gástrico. No estômago, o suco gástrico é envolvido nos
alimentos em digestão, e o bolo alimentar é transformado em
quimo. Inicia-se aí a digestão das proteínas, pois esse suco contém
muitas enzimas.

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4. Intestino delgado:
O quimo (alimentos parcialmente digeridos) é propulsionado pelo piloro em direção
ao duodeno, a primeira parte do intestino delgado. O esvaziamento gástrico ocorre
lentamente, controlado, simultaneamente, pelo piloro e pela zona inicial do duodeno.

5. Glândulas digestivas:
No intestino delgado, o alimento é submetido á digestão química por intermédio
das secreções pancreáticas e hepáticas liberadas no duodeno pelos canais secretores.

6. O Pâncreas:
É um órgão alongado em formato de "v" em carnívoros. Esta
glândula é constituída por um conjunto de células que produzem e
libertam as enzimas digestivas no canal pancreático: o suco
pancreático. Esta secreção ocorre apenas durante as refeições. As
enzimas são libertadas sob uma forma inativa (caso contrário
destruiriam os órgãos que atravessassem!) sendo ativadas
posteriormente através de processos químicos que ocorrem no
intestino. O suco pancreático é, também, constituído por
bicarbonatos que permitem neutralizar o conteúdo do intestino
acidificado pelo estômago.

7. O Fígado:
O fígado é um órgão com múltiplas funções, entre as quais a digestiva. Situa-se
por trás do diafragma, do lado direito. Quando o quimo atinge o duodeno, a vesícula
contrai-se e provoca a descarga biliar. A bílis entra, assim, em contacto com os
alimentos pré-digeridos no duodeno. Os sais biliares possuem um papel fundamental na
digestão dos lipídios.

8. Intestino delgado:
São produzidas em sua parede as enzimas que digerem os alimentos ingeridos. A
superfície interna, ou mucosa, dessa região, apresenta, além de inúmeros dobramentos
maiores, milhões de pequenas dobras, chamada vilosidades (aumenta a superfície de
absorção intestinal). O intestino delgado também absorve a água ingerida, os íons e as
vitaminas. Ele se divide em duodeno, jejuno e íleo.

9. Intestino grosso:
Dividido em três partes: Ceco Cólon e o Reto| É o local de absorção de água,
tanto a ingerida quanto a das secreções digestivas. Glândulas da mucosa do intestino
grosso secretam muco, que lubrifica as fezes, facilitando seu trânsito e eliminação pelo
ânus.
O ceco e o cólon, além de absorverem os nutrientes não absorvidos no intestino
delgado e a água, digerem o restante do quimo graças à flora bacteriana intestinal (ação
acessória em cães), participa na formação, armazenamento e evacuação das fezes. O
reto e o ânus, localizados na cavidade pélvica, armazenam o material fecal.

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A digestão:
As substâncias simples da nossa
dieta, como a água, os sais minerais e as
vitaminas (exceto a vitamina B12), podem
ser absorvidos ao longo do tubo digestivo
sem sofrerem transformações. Contudo,
as macromoléculas, como proteínas,
gorduras e hidratos de carbono, têm de
ser transformadas em moléculas
pequenas e menos complexas para serem
absorvidas. As proteínas são desdobradas
em polipeptídios, peptídeos e
aminoácidos. No estômago, a acidez e as
proteases (enzimas específicas que
quebram as proteínas) do suco gástrico
Sistema digestivo
dão início á digestão das proteínas, que
prossegue no intestino por ação das proteases pancreáticas. Os hidratos de carbono são
transformados em açúcares simples (monossacarídeos) como a glicose, a frutose e a
galactose, entre outros através de amilases presentes na saliva e produzidas também
pelo pâncreas; As gorduras são quebradas em triglicérides pelas lípases pancreáticas e
pelos sais biliares do fígado. A transformação dos alimentos ocorre ao longo do tubo
digestivo por ação de fenômenos mecânicos e químicos que, no seu conjunto,
constituem a digestão.
Para executar estas transformações, o aparelho digestivo realiza três tipos
distintos de atividades, que tornam máximo o aproveitamento dos nutrientes: secreção,
movimento e absorção. A digestão é uma função que se desenrola de forma seqüencial,
isto é, trata-se de um conjunto de fenômenos que acontecem sucessivamente, de acordo
com uma determinada ordem.
A esta ação de ataque químico também se associam, ao longo do trajeto do tubo
digestivo, vários outros efeitos mecânicos que resultam da contração das paredes de
alguns órgãos que o constituem. Por exemplo, o estômago, ao contrair-se de forma
própria, mistura o seu conteúdo com grande eficiência, e o esôfago e o intestino delgado
contribuem, com as suas contrações, para o avanço dos materiais ao longo do percurso
(movimento).
As moléculas resultantes do processo digestivos são capazes de atravessar as
paredes do intestino delgado, através de uma camada de células epiteliais, para se
integrarem no sangue ou na linfa (absorção). No intestino delgado ocorre a maior parte
da digestão e absorção dos nutrientes. Mede seis vezes o comprimento do corpo do cão
e apresenta-se dobrado no abdômen. Residualmente, ficam no intestino materiais que o
aparelho digestivo não transformou em substâncias
assimiláveis e que elimina sob a forma de fezes.

A evacuação das fezes:


A expulsão das fezes ocorre em três fases distintas.
Primeiro ocorre a procura do local adequado para o
animal, que tem a tendência a ser distante do local de

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convivência do animal. Após isso, ocorre a fase de preparação mecânica, com a
contração mecânica de vários músculos, levando o animal a assumir uma posição
específica. Na última fase, ocorre a evacuação propriamente dita, com contração intensa
do intestino grosso.

ANOTAÇÕES

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AULA 12:

As patologias do sistema digestivo


Cada um dos elementos constituintes do sistema digestivo está sujeito a
perturbações ou lesões, cujas repercussões podem ser locais ou gerais.

Cavidade bucal:
O cachorro possui 32 dentes quando nasce, que são substituídos por uma
dentição definitiva de 42 dentes por volta dos quatro meses de idade. Os dentes do
adulto gastam-se mais ou menos depressa conforme os hábitos alimentares do cão, mas
também conforme as suas brincadeiras. Por este motivo é de evitar dar-lhe pedras ou
brinquedos de materiais duros. Durante o seu crescimento, os dentes do cão podem ser
afetados por diferentes anomalias. Em primeiro lugar, é freqüente que 05 primeiros
dentes não caiam, especialmente nas raças pequenas. Estes dentes supranumerários
deverão ser extraídos se o cão manifestar dor durante a alimentação. Inversamente,
alguns dentes podem faltar, sem que isto cause problemas para o comportamento
alimentar do cão. Observam-se também anomalias de posicionamento que perturbam,
entre outros, o bom fechamento da boca. Alguns dentes podem apresentar anomalias de
constituição como, por exemplo, um defeito na qualidade do esmalte.
O cão também sofre com freqüência de abscessos ou fístulas. Embora
excepcionalmente, também pode haver a formação de cáries, como nos seres humanos.
Em todos os casos, somente o Médico Veterinário poderá avaliar a necessidade de uma
extração ou de um tratamento dentário. Porém, a afecção mais comum encontrada no
cão ainda é o aparecimento de tártaro. A boca do animal emite um odor nauseabundo
característico, denominado halitose. Além disso, o tártaro provoca lesões graves nos
dentes e nas gengivas que podem levar à perda dos dentes. O animal sofre bastante e
não consegue alimentar-se. Nesta fase, só a extração de alguns dentes, ou até de todos
eles, irá aliviar o cão. Por este motivo, é necessário verificar o estado dos dentes e
remover o tártaro regularmente.
Do conjunto das lesões mais freqüentes encontram-se as rânulas. Trata-se da
formação de uma bolsa de saliva entre o maxilar e o lábio, em resposta a uma obstrução
dos canais das glândulas salivares. De acordo com a natureza da obstrução e o
tamanho da retenção de líquido, o Médico Veterinário decidirá ou não praticar a exérese
das glândulas salivares. Por vezes, estas lesões podem ser observadas ao nível do
pescoço e, neste caso, são sinais de uma obstrução alta no trajeto salivar.

O esôfago:

Há três categorias de perturbações que podem afetar este tecido mole. Em


primeiro lugar, uma dilatação do esôfago, que pode ser generalizada e, neste caso,
corresponde a um megaesôfago, ou localizada em divertículo, constituindo um papo
esofágico. O megaesôfago pode ser congênito ou adquirido. A sua origem precisa ainda
é pouco conhecida. O papo esofágico indica a existência de um obstáculo no trajeto do
esôfago. Conforme a idade do animal, poderá estar relacionado com uma má formação
congênita, um corpo estranho ou um tumor. Os sintomas observados são dificuldades de
deglutição e regurgitação do bolo alimentar. O cão emagrece e enfraquece

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progressivamente. O segundo tipo de afecção do esôfago corresponde aos estados
inflamatórios. As esofagites têm duas origens principais: a ingestão de produtos
cáusticos e o refluxo de sucos gástricos. Alguns corpos estranhos contundentes também
podem ser responsáveis por este problema. Finalmente, o esôfago pode ser perfurado
por um corpo estranho, especialmente ossos de frango. Conforme a sua localização, as
conseqüências são variáveis, desde simples ferida à perfuração de um pulmão. Em
geral, o cão manifesta incomodo e dor. Tenta vomitar e tossir de maneira contínua.

Esôfago Normal

Esôfago Dilatado

Estômago:

O sintoma característico de uma afecção gástrica é o vômito que ocorre nos


minutos ou horas depois da refeição. Entre as afecções mais clássica estão as lesões da
mucosa gástrica, as anomalias de funcionamento e os tumores do estômago. A primeira
categoria agrupa as gastrites agudas ou crônicas
e as úlceras. As gastrites agudas têm origens
variadas. Alimentos não adaptados, substâncias
tóxicas, corpos estranhos, afecções parasitárias
ou infecciosas ou ainda anomalias hormonais
são causas possíveis. As gastrites crônicas, que
se caracterizam por uma persistência dos
vômitos refratários aos tratamentos clássicos,
fazem parte de uma síndrome complexa,
causada por fenômenos inflamatórios, alérgicos
ou ainda metabólicos. O estado geral do cão é
afetado de forma mais ou menos rápida. Quanto
às úlceras gástricas, caracterizam-se por vômitos sanguinolentos, um mau estado geral e
dores abdominais. Às vezes é a conseqüência de uma gastrite aguda. Mas, na maioria
dos casos, os agentes responsáveis são medicamentosos como a aspirina, tóxicos e,
mais raramente, infecciosos ou parasitários. Não se conhecem úlceras de origem
psíquica no cão.
As anomalias de funcionamento do estômago levam a refluxos do bolo alimentar
no esôfago ou a retenções alimentares que se traduzem por vômitos de alimentos pouco
digeridos, várias horas após a refeição. O cão emagrece muito depressa. A sua origem
reside numa estenose do piloro ou numa anomalia nervosa da motricidade gástrica.
Finalmente, não é possível falar de patologia gástrica sem evocar a síndrome de
dilatação-torção do estômago, uma afecção particular que atinge os cães de raças
grandes. Caracterizam-se pelo inchaço do abdômen, episódios de vômitos mais ou
menos violentos, mas improdutivos, e um declínio rápido do estado geral. O cão entra

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em fase de choque e morre se não houver uma intervenção cirúrgica rápida. Para evitar
a ocorrência desta síndrome fatal, algumas regras elementares devem ser respeitadas:
não incentivar o cão a brincar depois da refeição, fornecer alimentos digeríveis, de
preferência em duas refeições diárias, alimentar o cão isoladamente e calmamente,
reidratar parcialmente o alimento antes de oferecê-lo ao animai, respeitar um período de
descanso após as refeições.

Seqüência de eventos envolvidos na torção gástrica em cães

Intestinos:

As patologias intestinais são denominadas enterites. Estas inflamações severas e


mais ou menos agudas da mucosa intestinal têm diferentes origens: agente infeccioso
alimento não adaptado, parasitas ou corpos estranhos, entre outros. Conforme a sua
duração podem ser enterites crônicas ou agudas. Os sintomas podem variar indo da
constipação à diarréia, da hipertermia ao
abatimento. Quando associadas a uma
doença gástrica fala-se, então, de
gastroenterite. Pelas perturbações
metabólicas que geram, as enterites podem
levar a um grave estado de desidratação que
pode ser fatal para os animais mais fracos.
As oclusões e as obstruções
intestinais fazem parte das causas de
intervenção cirúrgica mais freqüente.
Geralmente são conseqüência da ingestão de
corpos estranhos, como brinquedos de
plástico ou ossos.
Deve ser atribuída uma atenção especial ao parasitismo intestinal. O cão pode
estar infestado por vermes redondos (áscaris, tricurideos, ancilóstomos) e/ou achatados
(tênia dipilydium, equinococos). São ingeridos quando o cão escava o solo ou por
intermédio de vetores, como as pulgas. Estes parasitas provocam emagrecimento,
vômitos e diarréias. O cão manifesta o seu incômodo arrastando o ânus pelo chão. Os
animais podem ser afetados em qualquer idade, principalmente cachorros. Deve ser
adotado um esquema de vermifugação que pode variar de acordo com os hábitos do
animal (semestral em cães que vivem preso e quadrimestral em animais que vão à rua com
freqüência).

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Aula 13
Gastroenterites

Esquema de Vermifugação

Filhotes de mães não vermifugadas:

1a dose de vermífugo de amplo espectro aos 21 dias de idade;

2 a dose aos 36 dias;

3a dose aos 57 dias.

Em seguida, repete 1 ou 2 vezes antes do término das vacinas, que é com 150 dias.

Após 60 dias faz coproparasitológico (exame de fezes).

Filhotes de mães vermifugadas:

1a dose de vermífugo de amplo espectro com 30 à 35 dias de vida e após 15 dias repete

Repete 1 ou 2 vezes durante a vacinação.

Após 60 dias faz coproparasitológico (exame de fezes).

Cães e gatos adultos:

Vermifugação e 2 à 3 vezes ao ano.

A colite crônica é uma inflamação crônica que ocorre no intestino grosso ou cólon.
A sua origem é, mais uma vez, muito diversa: de ordem alimentar ou alérgica, parasitária
ou metabólica, inflamatória ou simplesmente desconhecida. Manifesta-se por fezes
viscosas.com muito muco, dor na defecação e episódios mais ou menos severos de
diarréia.

Fígado:

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As hepatites são causadas por doenças infecciosas, como a hepatite infecciosa no
cachorro, ou intoxicações. Nesses casos, o fígado fica congesto e com volume
aumentado. Podem surgir cirroses irreversíveis e fatais. Os sintomas são episódios de
diarréias com fezes claras, em alternância com constipações. O abdômen fica doloroso e
o cão abatido.
A insuficiência hepática aguda manifesta-se por perturbações digestivas e
nervosas. A etiologia é variada: infecciosa, tóxica, medicamentosa, metabólica,
traumática. O tratamento deve ser feito com urgência, pois podem existir repercussões
algumas vezes fatais. A insuficiência hepática crônica evolui mais lentamente, mas
também é perigosa. Ela causa um emagrecimento e abatimento 'do cão, acompanhados
por alterações digestivas.

Hérnias:

As hérnias umbilicais congênitas são muito


freqüentes no cachorro. Correspondem a um não
fechamento do anel umbilical após o nascimento. Observa-
se a formação de um pequeno volume, que é reabsorvido
quando se exerce uma pressão. Sem representar um
verdadeiro perigo para o animal, as hérnias geralmente
são corrigidas por meio de uma intervenção Cirúrgica. A
hérnia diafragmática deve-se a um traumatismo do
diafragma, que deixa então passar uma parte das vísceras
abdominais para a cavidade torácica. Causam
perturbações respiratórias e digestivas, sendo necessária
uma intervenção cirúrgica.

Vômitos:

O vômito pode ocorrer após


uma refeição muito abundante, o
que não é um caso alarmante, mas
também pode ser um dos primeiros
sinais de uma patologia subjacente.
O vômito ocorre em etapas.
Este episódio é precedido por um
estado de náuseas em que o cão
manifesta um incômodo,
movimenta-se em círculos e, por
vezes, tenta ingerir grama. O vômito, propriamente dito, surge depois deste estado.
Observam-se, então, contrações violentas do flanco e do tórax. O cão abaixa a cabeça e
parece sorrir. Depois de um último esforço, o conteúdo estomacal é exteriorizado.
No caso de uma regurgitação apenas do conteúdo esofágico, não se observa
esforço prolongado, pois os alimentos são facilmente expelidos para o exterior por
simples reflexo.
Como todo o ato reflexo, o vômito envolve mecanismos nervosos. A sua origem

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pode ser central, o que significa que são oriundos do cérebro (uma perturbação do
funcionamento normal do sistema nervoso central, a chegada de substâncias especiais
pelo sangue ou até um estímulo olfativo, fazem reagir o centro do vômito), ou periférica,
envolvendo receptores situados nos órgãos abdominais ou torácicos. As informações são
coletadas por um sistema de ligações nervosas e levadas até ao centro do vômito no
cérebro. Nos dois casos, este centro provoca, em resposta, a ativação das ações
musculares que irão levar ao vômito.
Na maioria dos casos, o vômito é a expressão de uma inflamação ou de uma
distensão excessiva dos órgãos, incluindo os do tubo digestivo (esôfago, estômago,
intestino e fígado). As causas destas afecções são numerosas. As mais clássicas
incluem: envenenamentos, gastrites, úlceras, gastroenterites, corpos estranhos,
obstruções intestinais, dilatações-torções do estômago ou ainda uma alimentação
incorreta. O vômito pode também fazer parte dos sintomas de uma doença infecciosa ou
viral (cinomose, parvo virose, leptospirose, as mais conhecidas, mas também infecção
uterina, peritonite...).
A ingestão de alimentos em quantidade excessiva, de corpos estranhos ou de
substâncias que impedem o esvaziamento do estômago no intestino delgado provoca a
distensão gástrica e, portanto, o vômito. Finalmente, o vômito pode ser sinal de doenças
que afetam outros órgãos, especialmente as insuficiências renais e hepáticas ou, até
mesmo, o sistema nervoso, como no caso de enjôo de viagens.
O vômito deve ser rapidamente tratado e sua causa diagnosticada e eliminada,
pois ele leva a uma desidratação e a uma desnutrição mais ou menos severas, assim
como a perturbações do equilíbrio sangüíneo, que, mais cedo ou mais tarde, irão
repercutir no estado geral do cão.

Diarréias:
A diarréia consiste no aumento do número de evacuações e/ou a presença de
fezes amolecidas com consistência pastosa e/ou até
mesmo líquidas nas evacuações. O estado das fezes
varia mito conforme a qualidade e a quantidade da
alimentação. Portanto, o erros alimentares são causas
predisponentes para o aparecimento da diarréia.

Diarréias agudas
Surgem rapidamente e de forma brutal. Em
geral, têm repercussões significativas no estado geral
do cão e a sua origem é múltipla. Evidentemente, o
erro alimentar é a causa mais freqüente (modificações
do alimento sem respeitar um período de transição,
responsável pela destruição da microflora intestinal
muito frágil do cão - ver nota abaixo sobre flora intestinal do cão).
Em seguida, a diarréia pode ser o sinal de uma infecção viral como a cinomose e a
parvo virose (ocorrências mais comuns em filhotes não vacinados), de uma infecção
bacteriana, na qual os germes se multiplicam sobre e dentro da mucosa intestinal. Os
parasitas intestinais, nomeadamente os vermes e os fungos, também causam
freqüentemente sintomas de diarréia, bem como as substâncias tóxicas ou alergênicas.
Finalmente, certo número de afecções patológico metabólica completo este quadro.

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O mecanismo de aparecimento da diarréia aguda gera uma perturbação nas
trocas hídricas que ocorrem nos intestinos. Assim, uma alimentação não adaptada
provoca uma perda de água, tornando, evidentemente, as fezes mais líquidas. Mas a
perda de água pode também ser causada por uma destruição mais ou menos
significativa das células da mucosa intestinal, encarregadas de garantir a absorção das
substâncias nutritivas para o sangue. Os agentes citados anteriormente são
responsáveis por este tipo de lesões. Finalmente, e de forma rara, a diarréia pode
resultar de uma modificação do trânsito digestivo como é o caso da diarréia de stress. As
diarréias agudas são acompanhadas por diferentes sinais que podem ser observados
pelo dono. Inicialmente o animal está abatido, poderá apresentar febre, recusa alimentar-
se, emagrece e pode ser acompanhada por vômitos. Após um tempo de persistência do
quadro, as perdas de água ocasionadas durante a emissão de fezes provocam
desidratação. É necessária rápida intervenção para evitar que se instale um estado de
choque, especialmente nos animais jovens e nos idosos.
A flora digestiva: o intestino do cão, tal como o de qualquer espécie animal, possui
uma microflora importante constituída por microorganismos essencialmente bacterianos
que participam ativamente nos fenômenos da digestão. Esta - flora intestinal é
extremamente sensível a variações em termos da qualidade alimentar (o cão é um
carnívoro) o que explica que, contrariamente ao homem (que é onívoro), a alimentação
do cão não deva ser alterada a cada refeição sob pena de provocar a destruição da flora
intestinal e a ocorrência de diarréias.

As diarréias crônicas
Nesse caso, o animal se mantém no quadro
diarréico por mais de um mês e pode ser
recorrente. As causas do aparecimento são um
pouco diferentes da forma aguda. Encontram-se
inflamações da mucosa intestinal de origem
parasitária ou alérgica e auto-imune, às quais se
somam perturbações na secreção de enzimas
digestivas ou nos mecanismos de assimilação das
substâncias nutritivas pelas células intestinais.
Assim, a diarréia aguda, que levou a uma
destruição significativa da mucosa digestiva, pode
evoluir para um estado crônico. A diarréia pode aparecer de forma intermitente por
ocasião de um stress especial e repetitivo. Na diarréia crônica, o estado geral do animal
degrada-se lentamente. O cão emagrece progressivamente e em proporção mais
significativa do que numa diarréia aguda. Por outro lado, a desidratação ocorre mais
tardiamente e a dor abdominal é menos intensa. A saúde do cão pode deteriorar-se
rapidamente, principalmente nos indivíduos jovens ou idosos.

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ANOTAÇÕES

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AULA 14:

O sistema urinário:
O sistema urinário é um conjunto de órgãos envolvidos com a formação, depósito
e eliminação da urina. O aparelho é formado por dois rins, dois ureteres uma bexiga e
uma uretra. Os materiais inúteis ou prejudiciais ao funcionamento do organismo, não são
assimilados, sendo assim eliminados.

Sistema Urinário e Reprodutivo dos


Gatos
Todos estes elementos estão situados em posição abdominal. Os rins, em forma de
feijão, situam-se sob o arco lombar, virados para as primeiras vértebras lombares. Os
dois ureteres desembocam-na face dorsal da bexiga, que por sua vez se situa na parte
dianteira da bacia.
A uretra segue um trajeto diferente nos machos e nas fêmeas. Nas cadelas, é
mais curta e geralmente mais ampla. Desemboca no vestíbulo da vagina através de uma
pequena papila. Nos machos a uretra é mais comprida, menos larga e composta por três
partes, ou seja, as zonas prostática, membranosa e peniana.

Patologias do sistema urinário:

Os rins se localizam na cavidade abdominal, possuem cápsula, córtex e medular,


sendo a proporção córtex-medular em torno de uma parte de córtex para duas ou três de
medular. Na medula renal encontram-se as pirâmides de Malpighi, que convergem na
região central do rim, formando o bacinete, de onde partem os ureteres. No córtex renal
ficam os néfrons, constituídos pela cápsula de Bowman que, por sua vez, é constituída
por vários capilares sanguíneos, de onde sai o túbulo renal (proximal, alça de Henle e
distal) que chega ao ducto coletor.

Os rins são responsáveis por filtrar o sangue que lhes chega através da artéria
aorta e que, após a filtração é, novamente jogado na corrente sanguínea pela veia cava

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inferior. Os resíduos dessa filtragem formam a urina, que será armazenada na bexiga e
eliminada pela uretra.

Os rins dos cães e gatos são uni piramidais, sendo que em gatos adultos a córtex
é amarelada e a medula cinza pálida, com a vascularização bem evidente.

Sistema Urinário e Reprodutivo dos


Cães

Principais doenças renais em Gato:


Inflamação, insuficiência renal,
aparecimento de cálculos (pedras) e
tumores estão entre as doenças renais
mais comuns em felinos
Atualmente, as doenças renais em gatos
são extremamente comuns. Acredita-se
que cerca de 10% dos bichanos com mais
de 10 anos possuem alguma dessas
enfermidades. As principais são listadas a
seguir.

1. Nefrite
Caracterizada por alterações inflamatórias renais, podendo ser crônica ou aguda,
a nefrite surge subitamente e diminui ou elimina a capacidade de filtração dos rins.
Falta de apetite, vômito, excesso ou falta de urina e apatia são os principais sinais
clínicos.

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A nefrite é diagnosticada através de exames de sangue e urina e o tratamento é
realizado através de medicamentos que visam eliminar a inflamação.

2. Tumores renais

O linfoma é o tipo de tumor renal mais comum em gatos e costuma apresentar


uma rápida evolução.
Os principais sinais clínicos relatados incluem inapetência, vômito, letargia e perda
de peso.
Os exames feitos para diagnosticar podem ser ultrassonografia, radiografia,
hemograma, exame de urina e biópsia da massa tumoral. Nos casos de linfoma, o
tratamento mais utilizado é a quimioterapia.

3. Doença obstrutiva do trato urinário

Também chamada de Urolitíase, essa doença é caracterizada pelo aparecimento


de cálculos no trato urinário. Essas pedras frequentemente obstruem a uretra dos
machos e causam inflamações nas fêmeas.
Os principais sinais clínicos incluem
sangue na urina (hematúria); eliminação
de urina muitas vezes, em pequenas
quantidades (polaquiúria); dificuldade para
urinar (disúria); e/ou ausência da
produção de urina por determinados
períodos (anúria).
O diagnóstico é baseado em
exames clínicos, laboratoriais e
radiográficos e o tratamento emergencial
costuma ser realizado através do uso de
cateteres ou de intervenção cirúrgica, com a função de desobstruir o trato urinário. Em
casos menos sérios, as pedras podem ser destruídas através de dietas e medicamentos
específicos.
Ainda que as doenças renais acometam com maior frequência gatos idosos,
também podem se desenvolver em felinos mais jovens. Então, a grande dica é ficar
sempre de olho e observar sinais como:

 Diminuição do apetite;

 Aparecimento de aftas;

 Abdômen sensível;

 Queda de pelo;

 Vômitos ou engasgos frequentes;

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 Aumento, diminuição da quantidade de urina e/ou do número de vezes;

 Urina esbranquiçada ou alaranjada;

 Sonolência constante;

 Diarréia;

 Presença de sangue na urina;

 Mau hálito;

 Depressão, letargia e apatia.

Principais causas das doenças renais

Idade e alimentação podem predispor a desenvolver uma doença renal


Os grandes fatores de risco que podem aumentar as chances de desenvolver alguma
doença renal incluem:
1. Idade – gatos mais velhos estão mais propensos a desenvolver doenças que afetam os
rins;
2. Raça – algumas raças felinas, como o Burmês, o Siamês Abissínio e o Maine Coon,
possuem maior tendência para desenvolver enfermidades renais;
3. Alimentação – dietas que possuem muita proteína ou uma grande quantidade de
fósforo também colaboram para a evolução de doenças nos rins;
4. Lesões – até mesmo medicamentos e outras substâncias químicas podem causar
lesões nos rins.

Como prevenir as doenças renais


 Sempre deixe água limpa, filtrada e fresca para seu gatinho;

 Não dê restos de comida;

 Evite dar guloseimas;

 Fique atento às mudanças de comportamento;

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Aula 15

Insuficiência renal canina:


A insuficiência renal ocorre devido a algum problema nos rins ou algo que
comprometa a sua função. Desde problemas de má-formação congênita de órgãos.
Doenças do sistema urinário, como ascistites, e até a presença de cálculos (ou
pedras) que obstruam o fluxo normal da urina podem ser motivos para ocorrência
desse quadro. Cães idosos ou que sofram de problemas do coração como
a insuficiência cardíaca é mais propenso terem insuficiência renal.
A insuficiência renal é uma situação em que os rins não funcionam
adequadamente e tem diversas causas. Pode ocorrer com qualquer cão e com
os gatos. No entanto, algumas raças parecem ter maior predisposição a esse
problema, como os cães da raça Pastor Alemão, Beagle, Cocker Spaniel, Shi
tzu, Lhasa apso e Rottweiler, principalmente aqueles que tenham idade mais
avançada.

Sintomas de insuficiência renal canina


Os sintomas são muitos e podem variar conforme o caso, possivelmente
apresentando-se bem inespecíficos e comuns a outras doenças

 Perda de apetite.

 Perda de peso.

 Vômitos

 Constipação ou diarréia.

 Cegueira repentina.

 Depressão.

 Febre.

 Mau-hálito e presença de feridas na boca.

 Convulsões (principalmente nos casos crônicos).

Cães com insuficiência renal podem sofrer graves anemias. A produção de um


hormônio chamado eritropoetina fica comprometida. Esse hormônio é fundamental para o
organismo, responsável diretamente pela produção das células vermelhas, as hemácias
do sangue.

As insuficiências renais podem ser consideradas de certa forma como "doenças


traiçoeiras", pois os sintomas muitas vezes não são óbvios e podem ficar "escondidos"
por muito tempo sem perceba qualquer alteração no hábito e no comportamento padrão
do animal.

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Saiba tudo sobre as causas da insuficiência renal nos cães

Insuficiência renal pode ocorrer de dois tipos: aguda e crônica

Insuficiência renal aguda:


Quando ocorre IRA, o animal entra rapidamente em anorexia, tem vômitos e diarréia,
muitas vezes hemorrágicos. Na origem dessa forma de insuficiência renal, podem estar
problemas isquêmicos (alterações na circulação sangüínea), infecciosas (leptospirose) e
tóxicos.

Uma das razões para os casos agudos de insuficiência renal ocorrem em função da
ingestão de produtos tóxicos, inclusive produtos usados para matar lesmas em jardins,
que, mesmo quando ingeridos em pequenas doses, podem levar à morte por
insuficiência renal aguda.

Outro motivo relevante para que ocorra a insuficiência renal aguda é a ocorrência
da Leptospirose, uma doença que é transmitida por ratos e pode contaminar os cães e os
humanos.

Insuficiência renal crônica:


A IRC é uma desordem relativamente comum em animais mais velhos, tratando-se de
uma condição progressiva (meses e anos) e irreversível. O diagnóstico geralmente é
feito quando o animal está nos estágios finais da doença, pois o rim tem uma grande
reserva funcional, o que retarda o aparecimento dos sinais clínicos. A insuficiência renal
acontece quando os rins estão tão lesionados, a ponto de não conseguirem
desempenharem suas funções normais, e a manifestação clínica da doença geralmente
acontece quando cerca de 70% do tecido renal já foi destruído

Nas situações de insuficiência renal crônica, a doença desenvolve-se


lentamente. Doenças como pielonefrite, má-formação dos órgãos e obstruções do trato
urinário, além da leishmaniose e de hemoparasitoses, levam a quadros de insuficiência
renal.
Urolitíase:
A urolitíase é uma conseqüência da intensa saturação da urina, e caso os cristais
se agreguem e não haja uma excreção adequada dos mesmos, os urólitos podem ser
formados. Vários estudos demonstram que os urólitos mais comumente encontrados são
os de estruvita (fosfato de amônio magnesiano), seguidos pelos urólitos de oxalato de
cálcio, urato, silicato, cistina, e tipos mistos.

Infecções no trato urinário:


Na maior parte das vezes, a infecção urinaria em cães e gatos é oriunda de
infecções em órgão vizinha (próstata, útero, vagina, ou, mais raramente, infecções
sistêmica). Podem ser causadas também por bactérias provenientes das vezes, através
da contaminação de sondas uretrais, por exemplo.

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Incontinência urinaria:
É uma micção involuntária, que pode ser causada por diversos fatores, tais como:
lesões no sistema nervoso, malformações congênitas, lesões na bexiga ou nos
esfíncteres ou desequilíbrios hormonais. Com isso, não existe um tratamento único para
incontinência urinaria, mas sim tratamento específico para cada causa.

Diagnóstico e tratamento
Para definir se um cão sofre com esse tipo de problema renal, além do exame
clínico, o veterinário necessita de métodos diagnósticos complementares, como exames
laboratoriais, dosagens dos níveis de uréia e creatinina, raios X e ultrassom abdominal.

Durante uma crise, um cão como insuficiência renal pode precisar de


internamento, com suporte de fluido terapia (soro de forma intravenosa) e uso de
medicamentos específicos para o caso, que podem incluir analgésicos, antibióticos, e
ainda o uso de medicamentos diuréticos de acordo com a avaliação do veterinário.

Alguns cães ainda podem fazer uso da hemodiálise.

Descobrir a causa é fundamental para saber qual o procedimento a ser tomado.


As chances de recuperação dependem do estágio em que a doença foi detectada. A
insuficiência renal, quando não tratada, seja na forma aguda ou crônica, causa muita dor
e inevitavelmente leva à morte do cão.

Esse problema de saúde pode ser prevenido através de uma dieta adequada ao
cão, além de sempre estar de olho em qualquer sintoma ou comportamento anormal e
jamais deixar ter acesso a produtos tóxicos.

ANOTAÇÕES
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Aula 16:

Sistema Reprodutivo:

A Reprodução:

É um assunto muito importante


para criadores e donos de cães. O
proprietário de um cão de companhia
ou de utilidade deixará seus animais
reproduzirem entre si com a finalidade de
obter uma prole com características
comparáveis ás dos pais. Algumas vezes
donos de animais de companhia
procuram uma maneira de
interromperem a capacidade
reprodutiva dos seus animais em
clínicas veterinárias através da
castração. O criador, por sua vez,
procura selecionar machos e fêmeas em função da sua origem, da sua
descendência e das suas qualidades genéticas. Para isso, lança mão de diversos
recursos, e quando a monta natural não é possível, recorre à inseminação para
atingir seus objetivos.

Testículo:

Os testículos são as gônadas masculinas e produzem tanto os gametas


masculinos como hormônios. Possuem uma extremidade captata e uma
extremidade caudata, estão inseridos dentro de uma bolsa de pele e fáscias
subjacentes denominada escroto, e são suspensos dentro desse escroto pelo
funículo espermático.

Além disso, o testículo possui uma cápsula externa denominada albugínea


testicular, que, ao emitir septos para o interior divide o parênquima em lóbulos, e
pode formar um espessamento – mediastino testicular. Em seu interior, o testículo
possui um parênquima macio, amarelado ou acastanhado que consiste de túbulos
seminíferos e tecido intersticial. No tecido intersticial, estão as células de Leydig,
produtoras de hormônios androgênicos esteroides. A maior parte do parênquima é
formada pelos túbulos, nos quais ocorre o processo de espermatogênese ocorre

Os túbulos seminíferos são contorcidos e se abrem na rede testicular (dentro


do mediastino). No interior desses túbulos são encontradas as células de Sertoli,
que sustentam e nutrem as células germinativas por meio da produção de
hormônios e fatores de crescimento, e o epitélio seminífero.

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Diferença entre espécies:

No cão e no gato, o testículo migra para o escroto após uma semana de vida.

Cão
 Testículo: orientação horizontal,
posição perineal baixa.
 Epidídimo: cabeça canial, corpo dorsal
e cauda posicionada caudalmente ao
testículo.
 Pênis: tipo músculo membranoso
(membranoso), possui osso peniano.
 Possui bulbo da glande, que quando
ereto, impede que saia da vagina.
 A próstata envolve a uretra, é
relativamente grande e de estrutura
densa.
Órgão Genital do Cão  Possui ampola do ducto deferente
(glândula ampular).

Gato
 Testículo: orientação oblíqua, posição
perineal alta.
 Pênis: tipo musculomembranoso
(membranoso) possui osso peniano e
é voltado caudalmente. Possui
espículas que estimulam a ovulação.
 Possui glândula bulbouretral que está
caudalmente à próstata.
 Próstata: tem forma bulbar e cobre a
uretra dorsalmente, mas não a
Órgão Genital do Gato
envolve completamente.

Orientação escrotal e testicular nas diferentes espécies

Como foi dito acima, o escroto é uma bolsa de pele na qual os testículos
estão inseridos. Esse escroto possui externamente um sulco mediano, denominado
septo escrotal, que marca a divisão entre os compartimentos direito e esquerdo.
Com a migração do testículo da cavidade abdominal para o interior do

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escroto (exceto em alguns mamíferos nos quais isso não ocorre), o testículo
assume um posicionamento nas diferentes espécies.
Carnívoros possuem o escroto na região perineal baixa e um posicionamento
do testículo idêntico ao do equino
Gatos, o escroto localiza-se na região perineal alta. O testículo está oblíquo,
com a extremidade captata crânio-ventral e a caudata caudo-dorsal.

O Sistema reprodutivo das fêmeas

Constitui-se de
ovários, ovidutos, cornos e
corpo uterino, cerviz,
vagina, vestíbulo c vulva.
As estruturas internas são
sustentadas pelo ligamento
largo: mesovário que
sustenta o ovário;
mesossalpinge que ancora
o oviduto e o mesométrio
que mantém o útero.
Nervos autônomos inervam
o ovário, o oviduto e o
útero, enquanto as fibras
sensitivas e
parassimpáticas do nervo pudendo atendem a vagina, vulva e clitóris.
Embriologicamente, os duetos de Múller fundem-se na porção caudal para originar
o útero, cerviz e a porção anterior do canal vaginal. O oviduto torna-se sinuoso,
adquirindo epitélio diferenciado e fímbrias pouco antes do nascimento.

As medidas dos ovários variam com a idade, raça, número de partos, estado
nutricional e fase do ciclo reprodutivo. Nas gatas, os ovários têm o tamanho e a
forma lembrando um grão de arroz, parcialmente cobertos por uma bursa c, nas
cadelas, o tamanho varia na dependência do ciclo estral, localizando-se próximo
aos rins, sendo recobertos pela gordura periovárica. Desempenham dupla função,
liberando o oócito e promovendo a estcroidogênese.

As tubas ou ovidutos podem ser divididas em quatro segmentos funcionais:


as fímbrias, o infundíbulo, a ampola e o istmo, vascularizados por ramos das
artérias uterinas e ovarianas. Apresentam funções singulares de conduzir o óvulo e
os espermatozoides em direções opostas e, simultaneamente, permitir a
fertilização e as primeiras clivagens e conduzir os embriões ao útero.

O útero é composto por dois cornos, um corpo curto e uma cerviz, também
denominada de colo, com forma, comprimento e diâmetro variáveis de espécie
para espécie. As paredes são constituídas por uma mucosa interna, uma camada
muscular lisa intermediária e uma serosa externa (peritôneo), inervados por ramos
simpáticos dos plexos uterinos e pélvicos. Os vasos sanguíneos são numerosos,

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espessos e sinuosos, representados
principalmente pela artéria uterina média, um
ramo da artéria ilíaca interna ou externa que
supre o órgão e aumenta muito de diâmetro
durante a gestação, permitindo-se palpar e
sentir o frémito nos grandes animais gestantes
mediante manipulação por via retal.

A Puberdade no macho:

A puberdade no macho pode ser definida


como a idade em que o anima passa a produzir
os primeiros espermatozoides fecundantes. Esta idade depende essencialmente do
tamanho da raça na idade adulta (aos 6 meses nas raças miniaturas e aos 18
meses nas raças gigantes).
Devido ao fato da fertilidade diminuir com a idade e de forma ainda mais
precoce nas raças grandes (fenômeno provavelmente ligado ao envelhecimento da
glândula tiroide), o período fértil dos cães de raças grandes é mais reduzido.
Nesses animais de grande porte, a capacidade de fecundação do espermatozoide
por vezes pode começar a diminuir a partir dos 7 anos de idade.

A Puberdade na fêmea:

Na cadela deve ser feita a distinção entre puberdade (capacidade de ovular)


e nubilidade (capacidade de levar a termo uma gestação e um parto), o que explica
porque é desaconselhável acasalar uma cadela no primeiro cio, quando a sua
estrutura pélvica ainda não está completamente desenvolvida. Tal como acontece
no macho, a puberdade na fêmea é atingida mais tardiamente nas raças grandes
(entre os 6 e 18 meses, dependendo do porte da raça). Os primeiros cios
geralmente são discretos e podem passar despercebidos.
A partir da puberdade, o funcionamento do aparelho genital feminino adota
um ritmo cíclico que se exterioriza geralmente por dois períodos de cio por ano.

Ciclo reprodutivo da cadela:


O ciclo reprodutivo da cadela é considerado monoéstrico (uma única
ovulação por cada ciclo) com ovulação espontânea (ou seja, a ovulação não é
desencadeada pelo acasalamento como acontece na gata). Divide-se em quatro
fases sucessivas:

 Proestro: fase que prepara a ovulação. Durante proestro a hipófise (glândula


pituitária induz a secreção de hormônios pelos folículos ovarianos em
crescimento. Estes hormônios são conhecidos como estrogênios e são
responsáveis pelas modificações físicas e comportamentais da cadela
(atração de machos, ato de lamber a vulva, etc.). A vulva torna-se congesta e
libera um corrimento sanguinolento que atrai os machos (esse sangue
observado é resultante do rompimento de vasos sanguíneos localizados na

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vulva ingurgitada, não estando relacionado com descamação da parede
uterina como ocorre nas mulheres, ou seja, a cadela não "menstrua"). No
entanto, durante esta fase a fêmea ainda não está receptiva e não permite a
monta;

 Estro: fase de ovulação propriamente dita. É neste período que ocorre a


aceitação do macho. É frequentemente acompanhado por um reflexo de
postura, caracterizado por um desvio lateral da posição da cauda após uma
estimulação vulvar. Contudo, este sinal deve ser interpretado com prudência
em determinadas fêmeas que aceitam o macho fora do seu período de
ovulação. Durante o estro as secreções vaginais tornam-se mais claras e
transformam-se em muco que irá facilitar o acasalamento. Nesta fase os
óvulos são libertados ainda imaturos e geralmente, são necessárias 48 horas
para que se tornem fecundáveis. Ao contrário do que acontece na maioria das
outras espécies, os ovários da cadela começam a secretar progesterona
alguns dias antes da ovulação. O nível sanguíneo deste hormônio aumenta
então progressivamente, quer os oocistos da cadela sejam fecundados ou
não. Assim, a dosagem de progesterona na cadela e um indicador da
ovulação, mas não da gestação;

 Metaestro: fase correspondente à duração de uma gestação e de uma


lactação Os níveis de progesterona atingem um nível que persiste durante
todo o metaestro devido à secreção deste hormônio pelos corpos lúteos do
ovário que libertou os óvulos. A progesterona prepara o útero para a nidação
do embrião e para uma eventual gestação. A sua produção decresce
brutalmente dois meses depois da ovulação, permitindo o início da lactação
e a involução uterina até que o aparelho genital feminino possa entrar em
repouso completo (anestro);

 Anestro: fase de repouso sexual que dura cerca de quatro meses, onde a
fêmea não possui nenhuma alteração comportamental.

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Ciclo reprodutivo da gata:


Em felinos, a puberdade começa entre 4 e 12 meses. As raças de pelo curto
são mais precoces (Abissínio Birmánês e Siamês: 4 a 6 meses). Os Persas
atingem a maturidade sexual com 1
ano de idade. Na maioria dos casos,
os primeiros cios ocorrem por volta
do 7° mês, e a vida reprodutiva
termina tardiamente (15 anos ou
mais). O sistema genital feminino
apresenta, durante todo o período de
atividade reprodutiva, modificações
estruturais que se produzem sempre
na mesma ordem e se repetem com
intervalos periódicos, de acordo com
um ritmo bem definido para cada
espécie. Estes ciclos são apenas
interrompidos pela gestação.

A gata é uma espécie sazonal: os ciclos ocorrem apenas num determinado


período do ano (principalmente de Janeiro a Outubro).

Mas um grande número de gatas (de pelo curto, vivendo no interior, tipo
siamês) praticamente permanece apenas em descanso sexual (anestro).
Aumentando o período de exposição à luz, é possível pôr fim ao anestro.

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O ciclo sexual da gata dura aproximadamente entre 15 e 28 dias. Pode ser
dividido em 4 períodos que correspondem as diferentes fases de atividade ovárica.

 Pró-estro: período de maturação folicular (o folículo ovárico contém o futuro


óvulo). Esta fase dura entre 1 a 4 dias;

 Estro (cio): período durante o qual a gata procura o acasalamento que


desencadeia a ovulação. Na maioria dos casos, a gata é uma espécie
considerada de ovulação induzida, ou seja, sem cópula não existe ovulação.
O número de óvulos libertados (2 a 11) depende do número e, principalmente,
da frequência dos cruzamentos (3 vezes no intervalo de 3 a 4 horas). A
ovulação ocorre 24 a 30 h após o acasalamento. No decorrer do estro, a gata
executa um comportamento característico (mia, roça-se contra objetos e
evidencia uma locomoção arrítmica dos membros posteriores e lordose). O
estro dura entre 4 a 10 dias;
 Metaestro: esta fase só existe se a gata tiver sido fecundada, dando início à
gestação. Caso não tenha sido coberta, ou se o macho for estéril, desenvolve-
se uma pseudo gestação com uma duração de 30 a 40 dias;
 Anestro: período de repouso reprodutivo. Esta fase tem uma duração
variável, dependendo das raças e das condições ambientais (iluminação,
isolamento sem macho, etc.).

ANOTAÇÕES
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Aula 17:

Momento certo para o cruzamento:

Tendo em consideração o elevado tempo de sobrevivência dos


espermatozoides no trato genital feminino (aproximadamente 48 horas), é possível
otimizar as oportunidades de fecundação sincronizando o encontro dos gametas
para uma fertilidade ótima. O ideal é que
ocorra o cruzamento ou a inseminação nas 48
horas que se seguem à libertação dos oócitos
para que os óvulos fecundáveis e os
espermatozoides fecundantes sejam na sua
maioria capazes de chegar ao oviduto, onde
se encontrarão.
Os óvulos permanecem fecundáveis
durante um período de dois dias após a sua
maturação (em algumas raças os óvulos
parecem-ficar fecundáveis durante mais de
quatro dias), explicando assim as
possibilidades de super fecundação por dois
pais diferentes na espécie canina. A maior
dificuldade consiste em observar, o mais precisamente possível, os sinais
biológicos da ovulação.

Para detectar o período de ovulação numa cadela em cio, o criador dispõe e


várias ferramentas de precisão variável e complementares:

 O cruzamento praticado doze dias após as primeiras perdas sanguíneas e


repetido dois dias mais tarde, é um cálculo prático, desde que estas perdas
sejam observadas muito atentamente. Contudo, esta estimativa permanece
imprecisa, porque algumas cadelas (aproximadamente 20%) ovulam fora deste
período e, portanto não ficarão gestantes ou irão parir apenas alguns cachorros;

 A aceitação do macho e a observação do reflexo de desvio lateral da cauda


não são indicadores da ovulação. Por exemplo, já se observou cadelas
permitirem o acasalamento a partir do começo do proestro, quando, na verdade,
nos casos extremos, só ovulam trinta dias mais tarde. Muitas cadelas também
permitem a cópula durante os falsos cios antes do parto, em situações de
infecção urinaria, ou quando há secreções de estrógenos por cistos foliculares e
que se traduzem por ninfomania;

 O clareamento das descargas vulvares assinala geralmente o fim do


proestro, apesar de também não ser um indicador confiável da ovulação:

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algumas cadelas como as da raça Chow Chow podem apresentar corrimento
sanguinolento até ao final do estro;
 Os esfregaços vaginais permitem visualizar diretamente uma mudança na
morfologia das células vaginais, o que pode ser correlacionado com as variações
hormonais (principalmente de estrogênios). Esta técnica, simples e econômica, é
atualmente usada pelos Médicos Veterinários e pelos criadores como método de
rotina para realizar uma primeira estimativa da fase do ciclo sexual da cadela.

A cópula:
Após da seleção dos progenitores e da determinação do momento exato da
ovulação, a fêmea é apresentada ao macho para um cruzamento, É prudente
verificar previamente a ausência de lesões genitais nos parceiros para limitar os
riscos de doenças sexualmente transmissíveis, como é o caso do herpes vírus
canino. Nas raças de pelo comprido, os cuidados para com a fêmea através do
alisamento, afastamento ou corte dos pelos da região perivulvar facilitam o
acasalamento.

A cópula começa por um cortejo do


macho e de farejamento que faz crescer a
excitação dos parceiros. A ereção permitida
pela rigidez do osso peniano e pelo fluxo
de sangue no tecido erétil permite então a
introdução do pênis. Esta desencadeia
contrações vaginais na fêmea que
favorecem a ascensão dos
espermatozoides, a manutenção da ereção
e o aprisionamento do macho durante a
ejaculação.

Esta fase deve durar no mínimo cinco minutos, mas pode durar mais de meia
hora se os movimentos da fêmea mantiverem a constrição dos bulbos eretores. Na
maioria dos casos, se o momento for oportuno, os dois parceiros escolhidos
comportam-se muito bem sozinhos e não é necessário perturbá-los com qualquer
presença.

Uma observação discreta à distância geralmente é suficiente para verificar a


aceitação mútua e que a cópula de fato ocorreu. Apesar dos progressos realizados
no diagnóstico da ovulação, é mais prudente garantir sistematicamente a repetição
do cruzamento 48 horas depois. No entanto, não é necessário garantir mais do que
dois cruzamentos quando o acompanhamento da ovulação da cadela foi
corretamente realizado.

Embora os riscos de super fecundação (fecundação por vários machos


diferentes) sejam menores na cadela do que na gata, é aconselhável isolar os
outros machos até ao desaparecimento total dos sinais de estro. Não se observa
cruzamento fecundante durante a gestação na espécie canina.

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Inseminação artificial:

A inseminação artificial é uma ferramenta


do melhoramento reprodutivo que aumenta até
90% da taxa de sucesso da fertilização.
Animais previamente avaliados são
encaminhados para a determinação da data da
inseminação. Machos são avaliados através do
espermograma, analisando qualidade,
mobilidade, concentração e volume do sêmen
para ser realizada a inseminação artificial com
maior garantia de sucesso. Fêmeas devem fazer
a citologia vaginal e dosagem hormonal, verificando o seu período fértil.
Obtendo os resultados do espermograma e o período fértil da cadela estando
propício é feita a inseminação.
Deve-se respeitar sempre o padrão da raça e exclui-se da reprodução
animais com doenças hereditárias, como a Displasia Coxofemoral.
Para a inseminação artificial em cachorros pode-se utilizar sêmen fresco,
resfriado ou até mesmo congelado.
A técnica varia de acordo com o armazenamento deste sêmen. Em caso de
sêmen refrigerado, o Médico Veterinário que realiza a colheita do sêmen, faz a sua
análise laboratorial e posteriormente, coloca-o num líquido protetor e nutritivo à
temperatura de 4o C.
A amostra é depois transportada numa embalagem térmica até ao Médico
Veterinário destinatário. Antes de realizar a inseminação artificial, este veterinário'
deverá avaliar o estado de conservação do sêmen e a disponibilidade da fêmea.
O conjunto destas operações deve ser realizado 48 horas que se seguem à
colheita e necessita de uma perfeita sincronização de todos os envolvidos
(disponibilidade do macho, equipamento e formação específica dos Veterinários,
acompanhamento rigoroso dos cios da reprodutora e transporte rápido).
Os resultados são comparáveis àqueles observados nos cruzamentos
naturais, embora as sucessivas manipulações do sêmen aumentem o risco da
diminuição da vitalidade dos espermatozoides. Já para sêmen congelado, o sêmen
é recolhido usando uma técnica idêntica às anteriores.
A qualidade e o número de espermatozoides são em seguida rigorosamente
analisados para assegurar que o sêmen congelado tenha mais de 150 milhões de
espermatozoides móveis e menos de 30 % de formas anormais.
O sêmen é posteriormente diluído num crio protetor e acondicionado em
palhetas identificadas e conservadas em recipientes mergulhados em azoto líquido
a 196° C por um período de tempo ilimitado.

1. Depois de confirmado que a fêmea se encontra de fato receptiva, o Médico


Veterinário procede à coleta do sêmen do reprodutor em presença de uma fêmea
no cio (não é obrigatório que seja a cadela que vai ser inseminada). Esta recolha é
efetuada da seguinte forma:

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2. Os bulbos eréteis devem ser exteriorizados para fora do prepúcio antes de
se iniciar o processo de recolha do sêmen, para evitar que o seu inchaço impeça
a sua exteriorização total.

3. É realizada uma massagem nos bulbos até que o cão inicie os movimentos
pélvicos.

4. Uma constrição localizada atrás dos bulbos permite manter a ereção


durante as três fases da ejaculação. Geralmente, não é necessário colher todo o
ejaculado da última fase da ejaculação (fase prostática), exceto no caso dos cães
de grande porte nos quais é necessário um maior volume de fluído para compensar
o comprimento das vias genitais femininas.

Uma vez feita a colheita, é necessário


realizar uma análise laboratorial do sêmen.
Com a ajuda dum microscópio de platina
aquecida podemos determinar o número,
aspecto e mobilidade dos espermatozoides.
Se a qualidade for satisfatória, o
inseminador introduz o sêmen no trato
genital feminino com a ajuda de uma sonda
vaginal ou uterina. Após a inseminação, a
fêmea deve ser mantida com os membros
posteriores levantados durante cerca de dez
minutos para favorecer a progressão dos
espermatozoides e limitar o refluxo. Pela mesma razão, é aconselhável evitar que
a fêmea urine nos minutos que se seguem à inseminação.

O conjunto destas etapas deve ser realizado com precauções múltiplas para
evitar qualquer choque térmico, mecânico ou químico aos espermatozoides. Se
estas precauções forem respeitadas, as taxas de concepção resultantes da
utilização da técnica de inseminação artificial com sêmen fresco são semelhantes
às obtidas pela cópula (a probabilidade da fêmea ficar gestante é
aproximadamente 80%).

A inseminação artificial em cães evita doenças sexualmente transmissíveis


como a brucelose, TVT (tumor venéreo transmissível), acidentes e traumas para os
animais.

Esta técnica é utilizada quando os dois progenitores não conseguem copular


por razões variadas, tais como:
 Incompatibilidade de temperamentos,
 Inexperiência de um ou de ambos os parceiros,
 Constrição do trato genital (atresia vulvar, mal formações da vagina ou da
vulva, prolapso vaginal associado ao aumento de estrogênios durante o cio),
 Dor durante a cópula (devido a problemas na coluna vertebral, nos membros
posteriores, no pênis, na vagina, etc.),

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 Falta de libido.

Vagisnocopia:
A vaginoscopia ou a colposcopia estão indicadas em casos de alterações
vaginais, hemorragias, aumento de volume, trauma, suspeita de corpo estranho,
estrangúria e também nas questões de reprodução, como por exemplo, em caso de
inseminação artificial nas cadelas.
A “ótica de uso universal” com 2,7 mm de diâmetro é um instrumento ideal
para muitas áreas. Para a inseminação artificial, e no caso de se tratar de cadelas
de grande porte, convém utilizar uma ótica de 3,5 mm juntamente com um
mecanismo defletor do cateter.
Ótica 2,7 mm 30º com camisa de exame e pinça de biopsia

Ótica 30º, 3,5 mm com camisa de cistoscopia-uretroscopia

Fecundação:

É o início de um novo ser através da fusão de 2 gametas que ocorre na parte


superior do oviduto. Podemos observar dois fenômenos particulares:

 Superfecundação: fecundação de
diferentes óvulos, durante a mesma
ovulação, por espermatozoides de pais
diferentes. O que significa que os
filhotinhos da ninhada são provenientes
de pais diferentes.

 Superfetação: 10% das gatas


gestantes apresentam cio e aceitam o
macho (entre o 21° e o 24° dia da
gestação). Esta particularidade leva ao
desenvolvimento de fetos com
"diferentes idades gestacionais na mesma ninhada. Durante o parto, a gata
poderá dar à luz fetos vivos, nados mortos e gatinhos prematuros.

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ANOTAÇÕES
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Aula 18:

A Gestação:

A duração da gestação em gatas varia de 63 a 68 dias, enquanto em cadelas


esse período varia de 58 a 64 dias.

Diagnóstico da gestação para cadelas:

A fecundação de um óvulo por um espermatozoide resulta na formação de


um ovo que deve migrar e sofrer algumas divisões antes de ser implantado na
mucosa uterina. Na cadela esta nidação só ocorre em média 17 dias após a
fecundação, e resulta na formação de vesículas embrionárias que apenas podem
ser detectadas por ultrassom a partir da terceira semana (no mínimo, ao 18° dia).

A partir da terceira semana, uma cuidadosa palpação abdominal pode por


vezes detectar um útero em rosário, desde que a cadela não seja muito gorda e
que a parede abdominal não esteja tensa. Entre a quinta e a sexta semana de
gestação, o diâmetro do útero atinge um tamanho de uma alça intestinal. Portanto,
durante este período torna-se difícil distinguir através deste método um útero
grávido de uma alça intestinal contendo fezes endurecidas.

A radiografia só se torna útil no final da gestação, quando os esqueletos dos


fetos estão calcificados e se apresentam radiopacos ao raio X (a partir do 45° dia).

Outras técnicas de diagnóstico de gestação compreendem: mudanças de


comportamento, auscultação dos batimentos cardíacos dos fetos (audíveis em
algumas cadelas nas duas últimas semanas), modificações sanguíneas (velocidade
de sedimentação, hematócrito), ou ainda o desenvolvimento mamário da cadela
gestante. Estas técnicas são, ou muito tardias ou muito aleatórias para serem
utilizadas de forma fiável.

Atualmente, o diagnóstico de gestação mais precoce é realizado através da


ecografia (ultrassom).

Diagnóstico da gestação em gatas:

Como os testes hormonais não funcionam na gata, o diagnóstico é


estabelecido pelos dados obtidos no exame clínico, radiológico e mais
recentemente ecográfico. No exame clínico constata-se aumento bilateral do
abdômen, detectável por volta do 30° dia. A palpação do abdômen permite,
geralmente, sentir os fetos por volta da 3° semana. Os fetos são reconhecidos pela
sua disposição em rosário e pelo seu aspecto irregular.
A radiografia permite detectar a gestação a partir do 21° dia. O esqueleto

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dos gatinhos é detectado por volta do 36° dia, tornando-se bem nítido a partir do
40° dia. Na ecografia, o diagnóstico pode ser feito a partir do 20° dia. Os
movimentos dos fetos surgem por volta do 28° dia. A partir da 6° semana, as
várias partes do feto tornam-se perceptíveis.

Fases da gestação:

A gestação nas cadelas dura em torno de 58 a 63 dias. Esse tempo é


influenciado por diversos fatores como, por exemplo, número e tamanho dos
filhotes. A gestação pode ser confirmada por ultra sonografia, que também
mostrará o número de fetos e sua posição no útero. Também importante para o
acompanhamento do desenvolvimento dos fetos.

DESENHO ESQUEMÁTICO DO DESENVOLVIMENTO GESTACIONAL DO CÃO

Após a fecundação, os ovos transformam-se em embriões que migram dos


ovidutos em direção ao útero, espalham-se uniformemente nos dois cornos
uterinos. A nidação, ou seja, a implantação do embrião na mucosa uterina, só se
efetua entre o 17° e o 19° dia após a fecundação, sendo impossível um diagnóstico
de gestação através do ultrassom antes dessa data.

A transformação do embrião no feto e o seu posterior crescimento são


possíveis através do fornecimento de nutrientes pela placenta e a existência de

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anexos embrionários (âmnios e alantóide) que envolvem e protegem o feto. O
crescimento dos fetos se torna externamente visível durante a segunda metade da
gestação.

Infertilidade em cadelas:

Alguns dos sintomas comuns que aparecem nas cadelas que são incapazes
de se reproduzir são anormais de ciclismo, incapacidade de conceber,
incapacidade de copular e perda da gravidez. A fertilidade normal em um cão
requer um ciclo normal estral, com um trato reprodutivo saudável, óvulos normais
(adicional), níveis normais e estáveis de hormônios reprodutivos, fertilização por
espermatozoides normais, implantação de um embrião no revestimento do útero
(endométrio), colocação de placenta normal, e níveis estáveis de concentração de
progesterona. Essas condições devem ser mantidas para a totalidade do período
de dois meses de gestação, ou o processo de reprodução serão alteradas, com
infertilidade resultante.

Infertilidade pode afetar cães de todas as idades, mas tende a ser mais
comum entre os cães mais velhos. Uma hiperplasia endometrial cística subjacente
cistos uterinos é mais comum entre cães últimos seis anos de idade. Os cães que
anteriormente tiveram infecções uterinas também podem ter dificuldades
posteriores com implante. Contudo, uma das causas de infertilidade aparente é a
inseminação durante o tempo inadequado do ciclo estral.

Raças de cães que estão predispostos à insuficiência da tireoide têm uma


maior prevalência de problemas de fertilidade. Raças que estão particularmente
em risco do hipotireoidismo são boxers, Doberman, Pínschers, dachshunds,
Golden Retrievers, grande Danes, Setters irlandeses, Schnauzer miniatura, e
poodles.

Alimentação das fêmeas gestantes:

Quando se pensa em acasalar uma


cadela, um fator muito importante deve
ser levado em consideração: a
alimentação, já que das boas condições
físicas da mãe dependerá o nascimento
de uma ninhada forte e saudável. Os
cuidados alimentares devem ter início
antes mesmo do acasalamento e
prosseguirem, pelo menos, até o
desmame dos filhotes, pois a cadela
precisará de muita energia durante a
amamentação.

A fêmea não deve estar gorda *


quando cruzar e não pode receber ü gorduras na alimentação. A obesidade em
uma cadela grávida pode ter consequências sérias. Por exemplo, no caso de haver
necessidade de um parto por cesariana, a gordura atrapalha muito.

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A cadela em gestação tem necessidade de muitas proteínas e uma
complementação alimentar de cálcio e sais minerais. As proteínas podem ser
encontradas nos próprios alimentos como a carne, o leite, verduras ou ração. No
entanto, o cálcio e os sais minerais como ferro, cobre, flúor, manganês e outros, só
devem ser ministrados com orientação do veterinário. O proprietário deve estar
sempre atento para que a cadela tenha água limpa e fresca à vontade.

Com o passar do tempo, os filhotes começam a crescer no útero da mãe.


Este se distende e passa a ocupar um espaço maior. Isso faz com que o útero
acabe por deslocar outros órgãos como a bexiga, o intestino e o estômago,
provocando uma diminuição do movimento intestinal. Nesse período da gestação é
importante evitar que a cadela receba alimentos que possam aumentar a
fermentação em seu organismo. Assim, os farináceos devem ser totalmente
evitados, pois propiciam a formação de gases e, como consequência, aparecem as
eólicas intestinais.

Um cuidado para evitar problemas digestivos é oferecer à cadela um maior


número de refeições por dia, com quantidades menores de alimento de cada vez.
Exercícios moderados até a época do parto também ajudam a manter a forma e a
disposição da futura mamãe.

A alimentação indicada, rica


em proteínas, deve inclusive ser
mantida depois do nascimento dos
filhotes já que, durante a
amamentação, as exigências
alimentares da cadela continuarão.

Se dermos condições ideais


de alimentação à cadela, desde o
cruzamento até o desmame,
teremos filhotes bem formados,
fortes e saudáveis e,
principalmente, uma mãe sem
deficiências, que não terá corrido riscos desnecessários e trará, ainda, muitas
alegrias a seus donos.
ANOTAÇÕES
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CURSO AUXILIAR VETERINÁRIO

Aula 19:

O Parto:

O parto para qualquer animal é um


ato natural, representando o término de
uma gestação. Se esta teve seu transcurso
normal, o parto também deverá transcorrer
normal, a não ser que os fetos sejam
excessivamente grandes, ou por outro lado:
Excessivamente pequena a própria cadela
mãe, havendo, portanto desproporção entre
os tamanhos dos fetos e essas vias
uterinas utilizadas para a saída dos filhotes.
O tamanho da bacia da cadela, formada
pelos ossos íleo, ísquio e púbis, é o
principal fator a ser considerado para essa saída normal dos fetos no momento do
parto e determinantes de seu transcurso. Uma bacia pequena em relação ao
tamanho dos fetos, denominada angústia pélvica, com fetos maiores que essa via
natural da fêmea, quase sempre determina um parto anormal denominado de
distócico obrigando o veterinário parteiro a realização de interferência cirúrgica.

Estas constatações anatômicas devem ser avaliadas criteriosamente pelo


veterinário por ocasião do pré-natal. Devemos nós, tanto profissionais veterinários
quanto os próprios criadores e proprietários de animais, interpretarmos esses
fenômenos naturais, como o são a própria concepção, gestação e parto, como uma
sucessão de acontecimentos interligados a própria vida, que na natureza
acontecem muitas vezes sequer sem nosso conhecimento e participação. Já os
animais criados no ambiente doméstico, e por isso sujeitos à nossa nociva
influência sob o ponto de vista natural, muitas vezes é a causa dos problemas que
podem ocorrer em seu transcurso, embora nossa intenção seja a melhor possível.

Por isso, a recomendação que deve-se fazer aos proprietários de cães ou


criadores, é que não alterem a rotina que vinham mantendo com seus animais
agora gestantes unicamente pelo fato de encontrarem-se agora nesse estado.
Deixe-as continuar sua rotina diária, inclusive com exercícios (andar, correr e
mesmo pular). Caso as vacinas contra: Cinomose-Hepatite-Leptospirose-
Parvovirose e Coronavirose tenham sido ministradas há mais de um ano, faz-se
necessária sua repetição pelo menos até 30 dias antes da data prevista para o
parto.

Sinais que antecedem o parto:

Quando o momento para o parto estiver próximo, e será facilmente visível


pelo próprio aumento de volume da fêmea gestante, além de concomitante
desenvolvimento das mamas e mesmo estado geral de engorda do próprio animal,
será notado que seu andar fica diferente: mais lento e cuidadoso além dela mesma
se tornar mais sonolenta e preguiçosa. Agora chegado o momento realmente do

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 81 MÓDULO I


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parto, a fêmea demonstrará inquietação, micções frequentes, procurando lugares
mais calmos e mesmo escuros, muitas vezes carregando para onde estiver roupas
que tenha a seu alcance como se estivesse fazendo o próprio ninho paia suas
crias.
Nos três dias que antecedem o parto, a
vulva apresenta-se inchada e relaxada sob o
efeito do aumento de estrogênios, provocando
por vezes manifestações de falso cio. A
temperatura retal decresce 1° C nas 24 horas
antes do parto. Este indicador pode ser usado
para prever o momento do parto. Assim, deve-
se registrar a temperatura da cadela de
manhã e à noite durante os quatro dias que
precedem a possível data do parto. Uma
queda de 1° C em relação à média dos quatro
dias precedentes assinala então a iminência
do parto. Esta hipotermia temporária é concomitante com a queda de
progesterona. Estes dois exames são sinais de maturidade dos fetos e indicam
que o nascimento dos cachorros pode ocorrer naturalmente ou por cesariana sem
riscos maiores para os recém-nascidos. A indução do parto na espécie canina é
perigosa.
Finalmente, o aparecimento de corrimento mucoso (que corresponde ao
"tampão" mucoso que mantinha a cérvix fechada) é um sinal de alerta para o início
do parto que ocorre em algumas horas (24 a
36 no máximo) antes das primeiras
contrações.
A gata começa a evidenciar
nervosismo e recolhe-se com frequência no
ninho preparado. O parto tem uma duração
aproximada de 6 horas, com intervalos de
10 a 60 minutos entre duas expulsões. A
ninhada, em média, é composta por 3 a 5
crias. O peso dos gatinhos à nascença situa-
se entre 100 e 125 g. No espaço de 2 anos,
a fêmea pode ter 5 ninhadas.

O parto normal:
No próprio dia do parto, em geral a
gestante rejeita a alimentação, não chegando
sequer a cheirar o próprio alimento que lhe seja
servido. Já água a mesma procurará
insistentemente. Chegada a hora, serão notados
movimentos abdominais semelhantes aqueles
que a própria fêmea executa para evacuar,
movimentos esses com pouca frequência e
distanciados uns dos outros, que a medida que o
tempo passa, vão se repetindo com menor
intervalo de tempo, até a sucederem-se quase que em seguida uns dos outros.

Deverá aparecer pela abertura da vagina, que estará simultaneamente

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 82 MÓDULO I


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aumentada de volume e congesta, um corrimento seroso resultante da ruptura da
chamada bolsa das águas, ou mesmo o aparecimento dessa bolsa pela abertura
natural.

Nesse caso, com


uma tesoura, deverá tal
bolsa ser rompida com um
ligeiro talho, escorrendo
então essa secreção
natural. Logo em seguida
deverá aparecer o primeiro
feto, tanto faz que sua
apresentação seja anterior
(com a cabeça em primeiro
lugar), ou posterior (com
as pernas traseiras em primeiro lugar, e logo em seguida sua expulsão com uma
contração mais forte executa a cadela.

Em seguida ao feto sairá a placenta correspondente, tendo o cordão


umbilical ligado ao umbigo do feto. Em geral a própria cadela, com os dentes,
rompe esse cordão umbilical, e caso isso não for feito pela parturiente, deverá
quem estiver assistindo ao parto, assim proceder com uma tesoura previamente
desinfetada, conservando apenas cerca de 2 a 3 cm desse cordão umbilical.

Em seguida, também proceder a ligadura desse cordão, com um fio de linha


grossa, distante cerca de um centímetro do ventre do filhote. Desinfecção do
chamado coto (ou seja o pedaço de cordão umbilical) conservado, com tintura de
lodo ou Mertiolate também é recomendável. Todos esses procedimentos podem
ser realizados na clínica pelo auxiliar veterinário.

Entre o início das contrações


abdominais até o término do parto, com a
expulsão de todos os filhotes gerados,
muitas vezes transcorrem até uma ou mais
horas, o que não deve ser motivo de
aflição de quem estiver assistindo ao parto.

Desde que o estado da cadela


parturiente seja normal, não há
necessidade de maior cuidado: apenas
vigilância para auxílio, caso necessário.
Apenas na hipótese de serem infrutíferas
as contrações, sem o aparecimento de
nenhum feto pela abertura natural da cadela, será razão para procura do
profissional competente para as medidas que se fizerem necessárias, porém, isso
seria exceção a regra.

Nesse caso então, o tocólogo: como é chamado o veterinário parteiro, é


quem deve decidir o que deve ser feito.

As placentas que acompanham os respectivos fetos recém nascidos, muitas


vezes são comidas pela própria fêmea parturiente. Tal fato, embora à muitas

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pessoas possa causar nojo, é um fato perfeitamente natural, não devendo ser por
nós evitado, pois irá auxiliar a chamada descida do leite da parturiente, necessário
a alimentação de sua ninhada.

Causas de perda da ninhada:

 Demora na saída de algum filhote por falta de dilatação ou devido a fetos


muito grandes;
 Falta de contrações para a expulsão dos filhotes;
 Eclampsia: falta cálcio, o útero não se contrai; *emergência veterinária.
 Tempo de gestação prolongado (acima de 62 dias);
 Torções do útero que impeçam a expulsão dos filhotes.

Intervenções médicas:
A ocitocina é um hormônio liberado
naturalmente pela hipófise posterior e tem
como função a estimulação das contrações
uterinas, porém seu uso é desaconselhado
ara indução de parto em cadelas, pois na
ausência de um diagnóstico preciso pode:

 Provocar rupturas uterinas se a


inércia for secundária a um obstáculo,
 Favorecer a asfixia de todos os
cachorros intrauterinos por constrição
prematura dos vasos aferentes do cordão umbilical;
 Ser completamente ineficaz num útero que apresenta um período refratário
natural à ocitocina durante os períodos de repouso uterino (aproximadamente
meia hora depois de cada expulsão), causando unicamente efeitos secundários

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(particularmente diarreia);
 Provocar o bloqueio da sua secreção pela hipófise posterior, perturbando
assim a produção de leite;
 Originar eclampsia secundária.

Algumas raças são predispostas para a ocorrência de inércia uterina


primária (ausência de obstáculos anatômicos) tais como cadelas de raças
pequenas (Yorkshires, Poodles anões, Galgos pequenos) ou, pelo contrário,
cadelas de raças gigantes (Bullmastiff, Dogue de Bordeaux), fêmeas que estão
muito calmas (Basset Hound) ou, pelo contrário, muito nervosas (Cocker) durante
o trabalho de parto, assim como cadelas obesas ou idosas e mães de ninhadas
numerosas.

Nestes casos, o fornecimento de gluconato de cálcio sob controle do ritmo


cardíaco, geralmente é suficiente para restabelecer as contrações uterinas. A
massagem da glândula mamaria provoca como reflexo uma descarga de ocitocina
endógena, a qual preferível à administração exógena.

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CURSO AUXILIAR VETERINÁRIO

Aula 20:

As intervenções cirúrgicas:
As manipulações obstétricas na espécie canina e
felina são muito limitadas. Quando os tratamentos
médicos não são eficazes, ou existe uma obstrução
evidente na passagem natural do feto pelas ias
maternas, recorre-se a episiotomia (incisão na
comissura vulvar superior) ou a cesariana.

A principal razão para a realização duma


cesariana é a desproporção existente entre o feto e a
mãe. Estas desproporções fetos-maternais são
frequentemente encontradas nas raças braquicefálicas
(as cabeças largas e achatadas têm dificuldade em
atravessar a bacia e são frequentemente causa de uma
apresentação lateral com a cabeça dobrada sobre o
pescoço), quando a gravidez ultrapassa o tempo
previsto, quando a ninhada contém apenas um ou dois
fetos (o tamanho destes fetos torna-se excessivo em
relação ao diâmetro do canal pélvico), nas raças
"miniaturas" ou quando a fêmea foi cruzada com um macho de tamanho muito
superior.

A viabilidade dos cachorros depende da sua maturidade (que pode ser


verificada pela dosagem de progesterona), da duração das contrações
improdutivas (levando a um sofrimento e uma anóxia tanto do cachorro em
progressão como dos intrauterinos), da rapidez da intervenção e do tipo de
anestesia utilizada. A decisão pela intervenção cirúrgica deve ser tomada pelo
veterinário, e os procedimentos devem ser realizados apenas por ele.

Cuidados após o nascimento:


Em cães, neonato é considerado um filhote desde o
período do nascimento até completar 15 dias de idade.

Todos os cuidados após o nascimento descritos


abaixo devem ser realizados pelo auxiliar veterinário, para
a garantia de uma ninhada saudável. Imediatamente após o
nascimento os filhotes devem ser massageados na região
torácica para estimular a respiração e circulação, o que
pode ser feito friccionando esta região, em sentido
contrário ao pelo,.com o auxílio de toalhas secas. Esta
manobra também secará o neonato dos líquidos dos
anexos placentários ainda existentes.

Deve-se verificar a presença de líquido nas cavidades oral e nasal e aspirar.


Caso exista um neonato com dificuldade em respirar pode-se aplicar

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 86 MÓDULO I


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oxigenioterapia. Após este procedimento, deve-se observar caso algum deles
tenha defeitos ou alterações anatômicas visíveis. Agora eles estão prontos para o
início do contato com a mãe e a primeira mamada.

O neonato deve ser colocado ao lado


da mãe e conduzido ao teto para mamar.
Observar sempre o comportamento da mãe
em aceitar e cuidar dos neonatos ou não.
Caso a mãe não possa alimentar o filhote,
seja por rejeição, agalactia (falta de leite)
ou infecção no leite, eles devem ser
aleitados artificialmente. Eles devem ser
mantidos em temperatura ideal. Para tal, a
utilização de ambientes aquecidos e
colchões térmicos são recomendáveis.

Filhotes que choram e se isolam dos outros devem ser observados. Nesses
casos, ou estão hipoglicêmicos (falta de alimentação adequada), com hipotermia
ou com a presença de alteração sistêmica. A tríade hipoglicemia (diminuição nos
níveis de glicose), hipotermia (temperatura abaixo do normal) e desidratação é a
maior causa de mortalidade neonatal em cãezinhos. Cada um desses fatores é
relacionado ao outro,

É importante verificar se a mãe promove, com lambeduras na região perianal


e genital, após a mamada, a estimulação para que o neonato urine e defeque.
Caso isto não ocorra, deve-se estimulá-los passando nesta região um algodão
umedecido com água morna.

A presença de sintomas de diarreia, secreção ocular e/ou nasal e


desidratação devem ser imediatamente observadas, pois os neonatos são muito
susceptíveis a infecções virais, como herpevírus, bacterianas, na maioria dos
casos por E co//e parasitoses.

Alguns produtos fitoterápicos feitos à base de ervas favorecem o


esvaziamento e a involução uterina. As regras
básicas de higiene permitem prevenir as
infecções ascendentes do útero durante a
expulsão da lóquia (perdas esverdeadas durante
os três dias após o parto). A utilização
sistemática de antibióticos está desaconselhada
nos planos econômicos, médico e sanitário.
Apresentam não só o risco de passarem para o
leite e intoxicarem os cachorros (podem originar
malformações no esmalte dentário), mas
também de selecionarem os micro-organismos
resistentes, contra os quais o antibiótico não poderá agir futuramente.
O gatinho recém-nascido é lambido pela mãe sendo assim libertado da
membrana que o envolve. Este comportamento de lamber tem a função de
estimular e despertar a cria e prolonga-se muito para além do nascimento. A
primeira atividade da cria consiste em encontrar as mamas da mãe.
Ao nascimento, o gatinho é incapaz de regular a sua temperatura corporal, é

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muito frágil e extremamente dependente da mãe que mantém o "ninho" quente. A
temperatura retal dos gatinhos muito jovens é aproximadamente de 37° C e vai
aumentando progressivamente para atingir os 38° C a 38,5 C por volta das 7
semanas. Assim, será preferível aquecer a maternidade a 33° C durante a primeira
semana, 30° C nas semanas seguintes, 28° C por volta da 4° ou 5° semana e 26°
C nas semanas seguintes.

Controle da reprodução:
1 - Interrupção da reprodução:

 Ovariohisterectomia (remoção dos ovários e do útero) antes da


puberdade (6 a 7 meses) ou durante o período de repouso sexual;
 Laqueação e secção dos oviductos;
 Castração dos machos (ablação dos testículos) entre o 6° e o 10°
mês de idade.
 Vasectomia dos machos

Esterilização temporária:

 Prevenção dos cios pela administração de medicamentos


progestagénicos (acetato de medroxiprogesterona ou acetato de
megestrol). A utilização repetitiva destes produtos tem alguns riscos
(piómetra, diabetes, obesidade, patologias mamárias);
 Interrupção do estro com progestagénos;
 Interrupção da gestação (aborto provocado) através da utilização de
estrogênios sintéticos, a realizar antes do 13° dia a seguir ao
acasalamento (antes da implantação), ou com prostaglandina (PGF2 alfa)
antes do 40° dia.

2 - Induções do estro

 Coabitação com fêmeas regularmente em estro.


 Luminosidade com duração superior a 12 h.
 Tratamento hormonal:
- PMSG (durante 8 dias): ovulação 6-7 dias após o início do tratamento.
- FSH (durante 5 dias): ovulação 4-6 dias após o início do tratamento.
- HCG (1-3 injeções): ovulação 24 h após o tratamento.
- GnRH (2 injeções): estro ao 2° e 3° dias.
- Anti-prolactina (1 injeção): estro 24 h após o tratamento.

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AULA 21:

Distúrbios neonatais:
Os filhotes de cães
nascem com uma grande
imaturidade com relação á
regulação térmica, imunidade,
hidratação e metabolismo, além de
ausência de reservas hepáticas e
de gordura.

Além disso, nascem cegos e


surdos, o que os fazem ainda mais
dependentes da mãe e de cuidados
humanos. Todas estas
insuficiências predispõem-nos
as várias afecções de origens tão
diversas como os traumatismos,
infecções, hipoglicemia ou frio.

O auxiliar veterinário deve sempre estar atento a qualquer alteração


comportamental que possa indicar comprometimento da saúde da ninhada, assim
como proporcionar condições ideais para a mãe e os filhotes.

Alguns fatores relacionados á mãe podem comprometer a saúde dos


filhotes, tais como:

 Idade da mãe: a mortalidade e a morbidez neonatais aumentam com o


número das ninhadas das reprodutoras;

 Consanguinidade: o aumento da incidência de malformações (fenda


palatina, megaesôfago, malformações cardíacas) em um grupo conduz a que se
pesquise entre os ascendentes um excesso de consanguinidade;

 Distocias: a distocia é um fator que favorece a mortalidade neonatal, como


se pode facilmente supor; entretanto, é preferível deixar de utilizar como
reprodutoras cadelas que tenham apresentado uma distocia, a menos que está
tenha sido devida a uma causa excepcional evidente (obesidade transitória,
imaturidade do canal do parto, etc.);

 Medicamentos administrados durante a gestação: o período mais sensível à


ação teratogênica (levando a malformações) de certos medicamentos é
naturalmente a fase de embriogênese, que corresponde à diferenciação dos
tecidos (17 a 21 dias). Contudo, o feto também pode ser exposto mais tarde aos
riscos de malformações de alguns órgãos de diferenciação tardia, tais como o
palato, o cerebelo ou ainda o aparelho urinário;

 Perturbações da lactação: embora a gestação e o parto representem a


etapa mais difícil a ser ultrapassada para as raças pequenas, por outro lado, é a

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lactação que pode enfraquecer as reprodutoras de raças grandes e,
consequentemente, prejudicar o crescimento rápido da ninhada. Na espécie
canina, as mamites são causadas com frequência por um traumatismo associado
às unhas dos cachorros ou a uma, infecção ascendente, transmitida pelo ato de
lamber, pela cama ou após uma infecção cutânea (piodermite). Embora a
capacidade para a produção de leite seja um caráter julgado como "fortemente
hereditário", a hipogalactia (falta de leite), a agalactia (ausência de leite) ou o
atraso do aparecimento do leite geralmente são difíceis de prever e, portanto, de
prevenir, especialmente nas primíparas. Estas situações são frequentemente
acompanhadas por perturbações do comportamento, associadas a uma má
socialização ou a um desconforto.

Por outro lado, alguns fatores de risco estão associados diretamente ao


filhote, tais como:

 Hipóxia: o parto e os primeiros movimentos respiratórios do cachorro


constituem incontestavelmente o período mais crítico para o recém-nascido;
 Hipoglicemia: tal como o leitão, o cachorro não nasce com o tecido adiposo
castanho que permite a termogênese sem arrepios. As suas reservas
glicogênicas musculares e hepáticas são muito limitadas (autonomia de algumas
horas depois do nascimento) e dificilmente utilizáveis, o que o predispõe,
classicamente, para a hipoglicemia durante os primeiros 15 dias. O aparecimento
de crises de hipoglicemia (convulsões seguidas de apatia) depende
essencialmente da rapidez de fornecimento de colostro e da temperatura
ambiente;

 Hipotermia: durante o nascimento, a evaporação do líquido amniótico leva a


um arrefecimento proporcional ã superfície corporal do cachorro. Este fenômeno
explica a razão pelo qual os cachorros de raças pequenas estão mais expostos à
hipotermia do que os de raças grandes da mesma idade. Assim, como no caso
de glicemia, a temperatura do cachorro está intimamente ligada à precocidade da
primeira mamada e à
quantidade de colostro
ingerida;
 Desidratação: nos
cachorros, os fatores de risco
de desidratação durante os 15
primeiros dias dependem da
relação peso/superfície (mais
baixa nos cachorros de raça
pequena), da imaturidade da
filtração renal, da temperatura
e da higrometria ambiente, do
bom aleitamento e de
eventuais diarreias que ainda
passam despercebidas, devido às lambidelas maternas. (é frequente
observar as "caudas molhadas").

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Aula 22:

Patologias reprodutivas:

Pseudogestação ou pseudociese canina:

A pseudogestação, conhecida também pelo nome de pseudociese ou falsa


gestação, pode ser considerada uma síndrome que ocorre em animais não
gestantes. É muito comum sua ocorrência em cadelas, geralmente entre 6 a 14
semanas após a cadela entrar no estro (cio).

Existem algumas teorias que explicam o aparecimento desta síndrome. Uma


delas é que o aumento "da concentração
plasmática de prolactina após o metaestro
(período de ovulação), irá levar a uma
produção de leite pelas glândulas
mamárias e também à manutenção do
corpo lúteo. Este, por sua vez, secreta
progesterona, hormônio responsável por
manter a gestação, cerca de 60 dias após
a ovulação. Como não há a presença de
nenhum hormônio que lise (destrua) o
corpo lúteo no caso de ausência de
fertilização, o nível hormonal em animais
gestante e não gestante é o mesmo.
Acredita-se que todas as cadelas apresentem falsa gestação, entretanto, somente
algumas manifestam os sinais clínicos desta alteração.

Além do período pós-ovulação, existem outras situações onde o animal pode


desenvolver a pseudociese:

 Durante e após o término de um tratamento com progestágenos (hormônios


similares à progesterona);

 Após um tratamento com prostaglandina (estrógeno e progesterona);

 Cerca de 3 a 4 dias após a castração total da fêmea (ovário salpingo


histerectomia) durante o período de diestro.

Em todos esses casos, há uma exposição à progesterona e, um posterior


decréscimo no nível desse hormônio.

Os sinais observados nesta alteração são: aumento das glândulas mamárias


com ou sem produção de leite; adoção de objetos inanimados ou de filhotes de
outras fêmeas; preparação do "ninho" para o local do parto; lambedura do
abdômen; agressividade, ganho de peso e/ou anorexia... Existem outros sinais que
são pouco comuns, como: êmese (vômito), diarreia, distensão e contração da

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CURSO AUXILIAR VETERINÁRIO
parede abdominal, poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sensação de
sede), polifagia (fome excessiva e ingestão exagerada de alimentos sólidos).

Quando o comportamento materno é exagerado, deve-se desviar a atenção


do animal estimulando-o a realizar atividades físicas. Já em casos de
agressividade, pode ser feito o uso de tranquilizantes nos animais.

Há especulações que relacionam a pseudociese com tumor de mama, devido


ao estímulo das glândulas mamárias em fêmeas que apresentam a alteração em
vários ciclos estrais, por isso é recomendado o tratamento desta alteração.

Piometra:

É uma infecção uterina que acomete cadelas a partir dos 5 anos de idade,
mas que pode aparecer em fêmeas mais jovens. A frequência da doença é maior
em cadelas que nunca tiveram cria, daí o equivocado dito popular, "cadela que
nunca cruzou terá câncer no útero". Na verdade, a piometra (e não o câncer) pode
aparecer mais facilmente em cadelas que nunca criaram, porém, temos visto que
também cadelas que já tiveram cria podem ter piometra. Assim, acasalar uma
fêmea no intuito de prevenir a infecção uterina (piometra), certamente não é um
método 100% eficaz.

Os sinais da doença aparecem, geralmente, um mês após o último cio. A


cadela para de comer, parece triste, tem febre, aumenta a ingestão de água e,
consequentemente, a produção de urina. Apresenta vômitos. Um corrimento
vaginal abundante, espesso, de odor desagradável e cor parda ou acastanhado, é
um sinal bastante característico da piometra. Os locais onde a fêmea senta ficam
manchados pela secreção. Muitas cadelas lambem insistentemente a região
genital e o proprietário não percebe o corrimento. Em alguns casos que
denominamos "piometra fechada", esse corrimento não aparece, o que dificulta o
diagnóstico.

O útero com piometra apresenta-se repleto de secreção, aumenta muito de


tamanho e o organismo começa a absorver o conteúdo purulento (pus), levando o
animal a uma intoxicação pelas toxinas bacterianas. Se diagnosticada a tempo, a
piometra tem tratamento cirúrgico que consiste na remoção do útero (castração),
associada a uma terapia com antibióticos. O diagnóstico é feito pelos sinais
clínicos, exames laboratoriais (hemograma) e ultrassonografia do útero para
confirmação do diagnóstico. Encaminhar o animal para a cirurgia imediatamente.

A recuperação é rápida após a cirurgia, pois o foco da infecção é


retirado.

Como o sinal clínico mais evidente é o corrimento, o proprietário de fêmeas


com mais de cinco anos deve ficar atento e comunicar o veterinário se notar essa
alteração. É bom ressaltar, mais uma vez, que fêmeas que já acasalaram NÃO
estão livres da piometra. O melhor método preventivo é a castração das cadelas
logo após o 1o cio.

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Criptorquidismo:

Crisptorquidismo é descida incompleta de um ou ambos os testículos para


o escroto (bolsa escrotal). O testículo (ou ambos) pode se localizar no abdômen
ou no anel inguinal (canal de passagem do testículo, do abdome para a bolsa
escrotal).
Normalmente é uma doença de origem genética ou fatores não
hereditários, como por exemplo, desequilíbrio hormonal. Somente os machos
possuem os sintomas, porém as fêmeas podem ser portadoras do gene alterado
e transmitir para seus filhotes.
Em condições normais, os testículos dos filhotes descem para o escroto
entre o 10° e 42° dia de idade. Nunca deve ultrapassar 6 meses de idade.
O tratamento pode ser feito a base de hormônios, orquiopexia (fixação do
testículo retido no escroto, feita através de cirurgia) e orquiectomia (castração).
O melhor tratamento é a orquiectomia (castração) do cão. Isto devido a duas
razões principais: existe um alto risco de incidência de tumores no testículo
retido e por outro lado, se ele cruzar (mesmo com um testículo só isto é
possível) o problema será, com grandes possibilidades, transmitido para as
gerações futuras (filhos, netos, etc.). O cão cujo testículo retido desenvolver
uma neoplasia pode apresentar modificações de comportamento como:
hipersexualidade, excitabilidade, irritabilidade e tendência a agressividade.
Fertilidade modificada ou diminuída e alto risco de torção do cordão
espermático, além de todas as complicações clínicas e cirúrgicas pela presença
do tumor. Como a maioria das neoplasias testiculares, no caso de
criptorquidismo, não são malignas, e a castração poderá reverter os sinais
clínicos.

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ANOTAÇÕES
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Aula 23:

As etapas da vida do cão:

• Período neonatal: do nascimento até 12 dias de vida

É a fase em que o cachorrinho depende


exclusivamente de sua mãe. Com esta idade ele
não consegue controlar sozinho a temperatura de
seu corpo, precisa de estimulação física para
fazer xixi e defecar, e não vê ou ouve, mas já
sente o cheiro da mãe.

• Período de Transição: de 13 a 20
dias de vida

Nesta fase o filhote passa por diversas mudanças físicas. Os olhinhos


abrem, ele começa a "engatinhar", eleja pode ouvir, e, por volta do 20° dia já
aparece o primeiro dentinho.

• Período de Reconhecimento: de 21 a 28 dias de vida

Só agora ele começa a usar os seus sentidos de audição e visão. Ele pode
reconhecer movimentos, e objetos. Ele precisa muito de sua mãe e irmãozinhos
para se sentir seguro e, porque estas percepções sensoriais ocorrem de forma
excepcionalmente abrupta é muito importante que o ambiente em que ele vive seja
calmo e estável.

• Período de Socialização Canina: de 21 a 49 dias de vida

É quando o filhotinho aprende os comportamentos específicos que fazem


dele um cachorro. Por isso é tão importante não tirar o filhote da ninhada antes de
7 semanas de vida. É durante este período que ele aprende noções de higiene,
respeito à hierarquia, e a ser disciplinado. Com os irmãozinhos “ele aprende o jogo
dominante x dominado"

• Período de Socialização com Humanos: de 7 a 12 semanas de vida

Este é o melhor período para o filhote se juntar à sua nova família. Esta
também é a melhor época para introduzi-lo às coisas que farão parte da sua vida.
Por exemplo, automóveis, outros animais, crianças, idosos, sons, etc. Tudo
aprendido nesta fase é permanente.

• Primeiro Período do Medo: de 8 a 11 semanas de vida

Neste período qualquer experiência traumática, dolorosa ou assustadora vai


ter um impacto mais duradouro do que em qualquer outra fase da vida do animal.

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• Período do "rebelde sem causa": de 13 a 16 semanas de vida

É quando o pequeno meliante resolve testar toda a paciência dos seus


donos. Ele vai tentar te morder, mesmo que pareça de brincadeira, dominar, e
testar para ver quem será o líder da matilha.

• Período das "Escapadas": de 4 a 8 meses de vida

Se você ainda não ensinou ao seu filhote a vir quando chamado, este é o
momento. Nesta idade ele desenvolve uma "surdez seletiva" que pode durar de
poucos dias a várias semanas. É muito importante que os donos saibam como
reagir nesta fase para evitar que seu cachorro se torne um eterno fujão.

• Segundo Período do Medo: de 6 a 14 meses

É quando o cachorro começa a ficar relutante em se aproximar de coisas ou


pessoas novas ou até mesmo já conhecidas. O mais importante é que os donos
não forcem o cão nestas situações, e nem tentem consolá-los, deixando que ele
resolva sozinho que não há motivo para ter medo. O treinamento de obediência
nesta época ajuda a construir a autoconfiança do cachorro.

• Maturidade: de 1 a 4 anos de vida (varia entre as raças)

Para a maioria das raças a maturidade (inclusive a sexual) ocorre entre 1,5 e
3 anos de idade, sendo que raças pequenas tendem a amadurecer mais cedo do
que os cães gigantes.Este período é normalmente marcado com um aumento na
agressividade e um novo teste da autoridade do líder. O aumento da agressividade
não é necessariamente uma coisa negativa. Muitos cães que eram excessivamente
amistosos com estranhos passam a ser ótimos cães de guarda.

• Velhice: a partir de 7 anos

Vários cuidados especiais são necessários nessa fase da vida. É bom estar
sempre preparado para dedicar atenção especial ao seu amigo.

As etapas da vida do Gato:


O crescimento de seu
filhote vai durar 12 meses e
acontece em duas fases bem
distintas. A alimentação deve
levar em conta a evolução da
fisiologia digestiva própria da
espécie felina e responder
especificamente às
necessidades dessas duas fases
de desenvolvimento.

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• Fase de crescimento intenso. do nascimento a 04 meses.

Nesta fase, o filhote é muito frágil e imaturo: suas únicas defesas


imunológicas foram trazidas pelo colostro (o primeiro leite da mãe). Se o leite
materno é insuficiente, um substituto (leite artificial específico) para filhotes deve
ser dado como complemento.
O gatinho multiplica seu peso ao nascer em oito vezes em oito semanas. Ele
desenvolve seu esqueleto, seus músculos e seus órgãos. Suas necessidades
energéticas são muito altas (200 a 250 kcal/kg de peso).

• Fase de consolidação. de 4 a 12 meses.

Após o nascimento dos dentes definitivos, o filhote reforça seu


desenvolvimento ósseo e muscular, e termina a evolução do sistema digestivo. O
equilíbrio dos diferentes nutrientes indispensáveis ao crescimento do filhote
permanece idêntico até os 12 meses. Somente as quantidades diárias de alimento
são diferentes e aumentam até a idade adulta (70 kcal/kg de peso com um ano).

• Jovem (De 1 a 3 anos)

O gato jovem geralmente é uma criatura muito brincalhona e também cheia


de disposição. É nesta etapa de vida que as fêmeas terão o seu primeiro cio,
geralmente por volta dos 12 meses de vida. A média é de 3 cios por ano que uma
gata costuma a ter a partir desta idade.
É importante que os gatos nesta idade encontrem um ambiente realmente
interessante e atrativo. É importante que eles tenham alguns brinquedos deles
mesmo, e principalmente brinquedos que permitem que eles gastem energia.
É neste período que o gato vai começar a se arriscar na rua atrás de
companheiros. Para evitar este problema, a melhor solução ainda é a castração.

• Adulto (De 3 a 8 anos)

Neste momento os gatos se tornam mais independentes e menos


brincalhões, mas mesmo assim continuam excelentes companheiros. Eles atingem
o ápice de sua inteligência, mas muito do seu comportamento neste estágio vai
estar diretamente ligado a forma como ele foi criado durante o seu período de
juventude.
Neste período é importante também que o dono cuide bem da alimentação
do gato para que ele não fique obeso. É importante uma alimentação equilibrada e
própria para a idade dele.

• 3ª Idade (mais de 8 anos)

Na terceira idade, a forma como o gato foi cuidado durante o seu período
adulto será crucial para definir como será a qualidade de vida do felino quando ele
for mais velho. Durante este período o gato vai ficar mais tempo dormindo,
principalmente em lugares ensolarados e quentes.

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Aula 24
A amamentação:
O final do metaestro
(período correspondente à
gestação ou à
pseudogestação) é
caracterizado por um
declínio dos níveis de
progesterona no sangue e
por uma elevação temporária
dos estrógenos, permitindo a
dilatação do colo do útero e
um aumento da prolactina,
hormônio que permite a
produção do colostro e
depois do leite.
Estas variações hormonais são idênticas numa cadela gestante e numa
cadela não gestante, o que explica a frequência de "lactação nervosa" ou "lactação
de pseudogestação", fenômeno que foi explicado no módulo anterior, Isto é
observado em matilhas de cães selvagens atinge essencialmente as cadelas de
posição hierárquica inferior que podem então servir de "amas de leite" em caso de
perturbações na lactação de cadelas dominantes. Assim, como em muitas outras
espécies de mamíferos, a pseudogestação ressalta de forma evidente a
importância do fator psicológico no desencadeamento da lactação.

Uma cadela que não se sente à vontade com a sua maternidade, contrariada
pela escolha do seu ninho ou até anestesiada por uma cesariana, apresenta um
atraso no aparecimento do leite. Este problema pode ser contornado, modificando
as condições ambientais, utilizando produtos fito-homeopáticos ou ainda
administrando medicamentos antieméticos que estimulam a secreção de prolactina
pelo sistema nervoso central.

Uma vez expulsos os primeiros cachorros, a excreção do leite é mantida por


um reflexo neuro-hormonal. O ato de mamar ou a massagem dos mamilos
estimulam a secreção de outro hormônio, a ocitocina, que por sua vez lança o leite
nos canais galactóforos. Este mecanismo é proporcional ao número de cachorros
amamentados e permite que a produção de leite seja adaptada ao seu apetite. Os
cachorros tornam-se de certa forma, prioritários em relação à saúde da mãe.

A produção de leite:

O primeiro leite secretado pela cadela, chamado colostro, com sua proteção

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 100 MÓDULO I


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de anticorpos flui somente nas primeiras 36 a 48 horas após a fêmea prenha dar à
luz, de modo que os filhotes só adquirem imunidade deste primeiro leite se forem
amamentados durante este espaço "de tempo, e, se tiverem menos de dois dias de
vida. Depois disso, não faz nenhuma diferença quanto ou como se alimentam, a
verdade é que não receberão mais nenhum anticorpo, pois estes anticorpos seriam
destruídos pelo estômago antes da sua absorção e perderiam assim toda a sua
eficácia. Nesse caso, os cachorros estariam protegidos apenas pelos anticorpos
que atravessaram a barreira placentária durante a gestação (não mais de 5 %).

O colostro não tem nem o aspecto nem a composição do leite clássico. Na


verdade, ele é amarelado e translúcido a ponto de se poder confundir com pus.

A quantidade de imunoglobinas (anticorpos) que se acham presentes no


primeiro leite (colostro) é diretamente proporcional aos níveis de anticorpos
presentes na mãe. Como consequência, filhotes que tomam este leite com
quantidades maiores de anticorpos são propensos a absorver mais anticorpos, e
então, ter concentrações mais altas no sangue. Recém-nascidos que iniciam com
níveis mais altos destas moléculas no colostro, carregam consigo proteção por
períodos mais longos de tempo. Isto explica por que se deseja assegurar que
cadelas tenham uma alta concentração de anticorpos antes acasalar: poderão
assim passar mais proteção para a sua prole. Sua descendência possuirá níveis
mais altos de ,, proteção por períodos mais longos de tempo contra doenças que
comumente vacinamos, tais como Cinomose (CVD), Parvovirose e Coronavirose.

Em poucos dias o colostro é substituído por leite, cuja composição depende


do tamanho da raça da cadela (raças grandes têm um leite mais rico em
proteínas), das aptidões genéticas individuais e da mama em questão (as mamas
posteriores são mais produtivas).

A lactação tem uma duração


média de seis semanas após o parto,
com o pico de produção máxima às
três semanas. Nas semanas
seguintes, o decréscimo da produção
de leite incita a mãe a regurgitar
alimentos para complementar a
alimentação dos cachorros. Estes
começam a ficar interessados no
alimento que a mãe consome. Este
período assinala o início de um
desmame progressivo, que terminará
por volta da sexta semana com a passagem para a alimentação de crescimento.

Aleitamento artificial dos filhotes:

A amamentação natural é a mais indicada e completa alimentação para os


filhotes durante o primeiro mês de vida, pois contém todos os elementos
necessários ao seu desenvolvimento e imuniza-o de várias doenças infecciosas,
através do colostro, pois este contém grande quantidade de anticorpos. Algumas

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vezes, a cadela não tem leite suficiente para toda a ninhada, ou algum dos filhotes
não conseguem mamar tanto quanto devem e apresentam um crescimento
deficiente em relação aos outros. Podemos desconfiar de falta de leite materno
quando os filhotes choram com frequência. Nesses casos podemos complementar
a alimentação com alimentos preparados:

Leite artificial (industrializado): encontramos algumas marcas no mercado


brasileiro onde o ingrediente
principal é soja e que devem ser
preparados conforme indicação dos
fabricantes.

Leite artificial (caseiro): no


liquidificador pode-se bater 1 copo
de leite de vaca integral (A ou B),
uma gema de ovo, uma grama de
suplemento vitamínico em pó e uma
pitada de sal.

O desmame:
A partir de 30 dias, devemos começar o desmame, ou seja, introduzir algum
tipo de alimentação para que o filhote deixe de mamar na mãe. Nessa idade, os
filhotes já estão andando e os dentinhos já estão começando a nascer. A mãe
sente desconforto ao amamentar os
filhotes e, naturalmente, passa a
ficar mais distante deles.

O desmame pode ser feito


introduzindo-se uma papinha de
desmame industrializada ou mesmo
uma "ação para filhotes amolecida
com leite morno, 1 vez ao dia. As
exigências nutricionais dos cachorros
no período de desmame são
comparáveis qualitativamente às
exigências da mãe no final da
lactação (período de reposição das
suas reservas), o que facilita
consideravelmente a tarefa do
proprietário. No início, os filhotes
entrarão no prato de comida e farão
uma bagunça. Para ajudá-los a compreender que "aquilo" não é para se lambuzar
e sim para comer, molhe o dedo na papa e deixe que o filhote cheire e lamba.
Inicialmente ele pode rejeitar completamente, mas aos poucos irá se acostumar
com o novo sabor. Aumente a frequência da papinha para duas, três e depois 4
vezes ao dia, até que a ninhada complete 45 dias de vida. Nos intervalos entre as
papinhas, os filhotes deverão mamar na mãe, com uma frequência cada vez
menor.

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A utilização de uma alimentação caseira requer sempre uma adição de
minerais ao alimento base, sob a forma de suplementos comerciais: casca de ovo
esmagada ou farinha de osso, para que a mineralização do esqueleto se processe
de forma adequada. O reajuste diário que é necessário realizar com esta
suplementação torna esta prática rara nos dias de hoje. Por outro lado, o
acréscimo de um suplemento mineral a um alimento já equilibrado (comercial)
apresenta o risco, mesmo nas grandes raças, de calcificações precoces e
irreversíveis comprometendo gravemente o futuro dos cachorros.

As necessidades em cálcio são avaliadas em função do peso dos cachorros:


cerca de 400 mg/kg"no início do crescimento, atingindo no final do crescimento as
necessidades de adulto, estimadas em 200 mg/kg. Por exemplo, um cachorro em
crescimento com 30 kg terá necessidades de cálcio seis vezes superiores às de
cachorro com 5 kg no mesmo estágio de desenvolvimento. Em compensação, as
suas necessidades energéticas serão apenas quatro vezes superiores. É por este
motivo que é de extrema importância alimentar o cachorro com um alimento cuja
relação cálcio/energia esteja adaptada ao seu potencial de crescimento.

Quanto a cadela ou gata estiverem amamentando e na fase de desmame,


jamais retire todos os filhotes de uma vez. Não tendo a cria para mamar, o leite
acumulado "empedrará" causando inflamação, febre, perda de apetite e muita dor
(mastite ou mamite). Na fase de desmame, quando os filhotes já estiverem com 40
dias, e se alimentando com a papinha, podemos ajudar a secar o leite da fêmea
diminuindo a comida e a água por 3 a 4 dias. Isso só deve ser feito sob a
supervisão de um veterinário. Da mesma forma, medicamentos para secar o leite
só devem ser administrados se o veterinário achar necessário.

Aos 45 dias de idade, nunca antes dos 40 dias, os filhotes podem ser
afastados da mãe. Mas lembre-se, nunca retire todos os filhotes de uma vez. Faça-
o ao longo de 3 ou 4 dias para que a fêmea não fique desesperada procurando a
cria ou corra o risco de desenvolver uma mastite.

A obesidade que surge quando as células de gordura estão a sofrer uma


multiplicação rápida (conhecida como obesidade
hiperplásica), é muito mais difícil de tratar do que
um excesso de gordura adquirida na idade adulta
(conhecida como obesidade hipertrófica). Durante o
período de crescimento, qualquer desequilíbrio
nutricional vai afetar os tecidos em formação. Como
os cachorros de raças pequenas são desmamados
em pleno período de constituição do tecido adiposo,
estão predispostos à obesidade se consumirem
alimentos em excesso. Uma ligeira subalimentação
é por isso menos prejudicial do que uma sobre alimentação. Além disso, enquanto
que um pequeno atraso ponderal pode ser compensado posteriormente, a
obesidade, quando ocorre durante o período de crescimento será dificilmente
reversível na idade adulta. Nos cachorros de raças grandes, pelo contrário, o
desmame ocorre durante a fase de crescimento esquelético. Uma insuficiência
alimentar em proteínas ou em cálcio vai afetar a formação dos ossos
(osteofibrose). Inversamente, um consumo de energia em excesso acelera o
crescimento, o que torna o cachorro vulnerável a várias perturbações, como por
exemplo, displasias articulares ou osteodistrofia hipertrófica.

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Nos gatos, com a diminuição da lactação materna e com o aparecimento dos


primeiros dentes de leite, inicia-se um período de transição alimentar entre a 3a e
a 4a semana de idade. Tal evento provoca uma pausa na curva de crescimento. A
alimentação láctea passa então a ser insuficiente para satisfazer as exigências da
ninhada. Paralelamente, o gatinho desenvolve-se, as suas capacidades digestivas
evoluem e o seu organismo prepara-se para uma alimentação sólida. A dieta
proposta, que gradualmente substituirá a dieta láctea, deve satisfazer todos os
requisitos nutricionais do filhote para não causar nenhum déficit de energia e não
piorar sua frágil imunidade.

A partir das 4 a 5 semanas de


vida, o gatinho pode demonstrar
interesse pela alimentação da mãe,
começando por lamber o alimento que
está perto da boca desta. Para que os
filhotes tenham acesso ao comedouro,
este deve ser largo e com rebordos
bastante baixos. Para, além disso, se a
apresentação do alimento for sob a
forma de croquetes, estes devem ser de pequenas dimensões para facilitar a
preensão dos gatinhes. Desde que se trate de um alimento adaptado, é
aconselhável administrar à mãe, durante a lactação, um alimento idêntico ao que
os gatinhos irão receber no pós-desmame. Evitar-se-á assim adicionar outro fator
de stress (a mudança de alimentação) ao período de desmame.

Evolução da capacidade digestiva do cachorro:

À medida que o cachorro


cresce, ocorrem várias
mudanças graduais que são
responsáveis pela evolução da
sua capacidade digestiva. Por
exemplo, a quantidade de
enzimas digestivas capazes de
digerir a lactose diminui
progressivamente, enquanto
que a aptidão para digerir o
amido cozido é desenvolvida
muito mais lentamente.

Estas variações explicam o fato de alguns cachorros não tolerarem o leite de


vaca (que é três vezes mais rico em lactose do que o leite de cadela), bastando
diminuir a quantidade fornecida para controlar a diarreia, causada por uma
saturação da capacidade enzimática. Estas alterações são essencialmente
determinadas geneticamente e dependem pouco dos hábitos alimentares impostos
aos cachorros.

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ANOTAÇÕES
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Aula 25:

As etapas do desenvolvimento do cachorro:

Desenvolvimento físico:

Os cachorros crescem devido à construção e maturação de


vários tecidos. Estes tecidos, de natureza diferente, não se formam
todos ao mesmo tempo nem à mesma velocidade, o que explica a
variação das necessidades alimentares dos cachorros, tanto no
plano qualitativo quanto quantitativo.

Poderíamos comparar o desenvolvimento físico à construção


de uma fábrica. Esta começa por um projeto (o sistema nervoso) e
prossegue pela instalação de máquinas (o esqueleto). Para fazer
funcionar estas "máquinas", serão então necessários operários
(os músculos) que irão reivindicar em seguida uma proteção
social (a gordura).

Esta imagem, apesar de ser demasiado simplista, visto que estas fases são
naturalmente progressivas e simultâneas, apresenta interesse de sublinhar os riscos
inerentes a cada estágio de desenvolvimento do cachorro e ilustra:

 A razão pela qual existe uma insuficiente reserva energética no cachorro ao


nascimento. A gordura só é depositada numa fase mais tardia do desenvolvimento do
cachorro, apesar de ser a principal fonte de armazenamento de energia. A única fonte de
energia que o recém-nascido contém é constituída pelas pequenas reservas de glicogênio
(fígado e músculos), as quais cobrem apenas as necessidades referentes às doze horas
após o parto. O cachorro, fica deste modo dependente das condições térmicas exteriores,
até ao aparecimento do reflexo do calafrio (depois do 6% dia), desenvolvimento do tecido
adiposo (final da terceira semana) e aparecimento dos mecanismos de regulação térmica.a
variação existente entre as necessidades alimentares das várias raças e, para um mesmo
indivíduo, durante as diferentes fases do seu desenvolvimento. A composição do corpo
evolui durante o crescimento no sentido de uma diminuição do seu teor em água e em
proteínas, para favorecer um aumento das gorduras e dos minerais.

 A obesidade, que ameaça as raças pequenas de forma muito mais


precoce que as raças grandes.

A maioria dos clubes de raças dispõe de gráficos de crescimento médios


dos machos e das fêmeas. Estes gráficos permitem controlar o
desenvolvimento ponderai rum cachorro desde o seu nascimento até à idade
adulta. O peso de um cachorro ao nascimento pode variar de 70 a 700
gramas (dependendo da raça e do sexo). Depois de uma perda de peso
fisiológica no primeiro dia, que não deve exceder 10 %, o peso dos cachorros
aumenta muito rapidamente durante as primeiras semanas (este acento é em
média de 5 a 10 % por dia).

A pesagem diária dos cachorros, sistematicamente à mesma hora, permite controlar

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 106 MÓDULO I


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o seu crescimento. Os cachorros de raças grandes, que multiplicam o seu peso por 100 até
atingir a idade adulta, merecem uma atenção e uma vigilância especial.

De uma forma geral, um cachorro que não ganhe peso durante dois dias
consecutivos deve ser cuidadosamente vigiado. A causa responsável pelo atraso de
crescimento deve ser rapidamente pesquisada. Esta causa pode estar relacionada com a
mãe se toda a ninhada apresentar o mesmo problema (leite insuficiente ou tóxico), ou a
fatores individuais se apenas alguns cachorros apresentam este atraso (fenda palatina,
competição alimentar).

Sinais de obesidade em cães:

Como em humanos, a obesidade não é bom para os cães. Em caso de caninos,


também, a obesidade pode tanto indicar uma condição médica subjacente, como
hipotireoidismo ou pode levar a problemas de saúde, como diabetes e doenças cardíacas.
Então, se você é proprietário de um cão, você deve prestar atenção aos sinais de obesidade
em seu cão, para que você possa tomar medidas imediatas para combater o mesmo.

Os sintomas da obesidade canina:

Se você perguntar a alguém sobre os


sinais de obesidade em cães, muito
provavelmente, você vai estar diante de uma
questão balcão, “Pode haver qualquer sinal de
obesidade que não seja um gordo, corpo,
gordo?” É natural que as pessoas pensam
dessa maneira. Mas, cuidado, sinais de
obesidade pode não ser perceptível que no
início muito. Na maioria dos casos, a obesidade
é diagnosticada somente quando o cão é levado
ao veterinário, por alguma razão médica. Então,
você tem que manter uma vigilância sobre você
pet cães para identificar a condição no início. A
seguir estão algumas dicas para identificar
sinais e sintomas de obesidade de cães.

Como mencionado acima, o sintoma mais


comum é o tamanho crescente corpo do animal. Em outras palavras, o ganho de peso
anormal do cão.

Vindo para o ganho de peso, a obesidade pode ser definida simplesmente como um
peso corporal que é de 30% mais do que o peso corporal ideal. Peso do corpo, tais ideal
pode variar com a raça e idade.

Adotar diferentes técnicas para determinar a taxa de obesidade em cães. Tal


diagnóstico é feito com base em gráficos de peso, assim como o corpo de pontuação.

Se você deseja detectar obesidade cão no início muito em si, então, você deve
conhecer os parâmetros para um cão com peso corporal ideal e acima do peso. Se olhar do
lado do cão, o animal (com o peso corporal ideal) deve ter uma dobra abdominal e uma
cintura adequada. As costelas podem ser sentidas com quase metade cobertura de uma

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 107 MÓDULO I


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polegada de gordura.

No caso de cães obesos, você pode achar que é difícil sentir as costelas como as
camadas de gordura vão ser grossas. Tais cães acima do peso faltarão dobra abdominal,
bem como cintura adequada. Em cães obesos graves, você pode encontrar um abdômen
flacidez, devido a grandes depósitos de gordura. Mesmo a parte de trás do animal será
muito maior.

Em cães obesos, pode não ser capaz de sentir os ossos, perto da base da cauda.
Isto aplica-se para os ossos da coluna vertebral, ombros e até mesmo os quadris. Certifique-
se de levar em consideração a anatomia da raça do cão especial, ao olhar para estes
parâmetros.

Para além do acima referido, os cães com excesso de peso vão ser menos ativos e
abster-se de exercícios e jogar. Eles também podem evitar subir escadas ou saltar em
carros. Eles vão ser preguiçosos e cansados e pode também calça constantemente.

Obesidade cão – Causas e Efeitos:

Assim, como mencionado acima, a obesidade canina pode ser causada por várias
razões. Algumas das causas mais comuns de obesidade nos cães são o consumo
excessivo de alimentos, especialmente os gordurosos, falta de exercício, e certas condições
médicas. Também foi notado que algumas raças de cães são geneticamente predispostas
para a obesidade e que incluem Beagles, Pugs, Dachshunds, Bulldog Inglês e cocker
spaniels.

Se não for gerida de forma adequada, a obesidade cão pode levar a vários
problemas de saúde como diabetes mellitus, osteoartrite, pressão arterial alta, lesões ósseas
e ligamentos, problemas respiratórios, doenças cardíacas, certas formas de câncer e
doenças do fígado. Então, você deve tomar medidas rápidas para conter a doença e evitar
complicações posteriores.

O dito acima é um breve resumo sobre os sinais de obesidade em cães, suas causas
e efeitos. O tratamento para esta condição inclui a redução na ingestão de calorias, o
aumento do exercício, o tratamento da condição médica subjacente, se houver, e o aumento
da ingestão de fibra e água. Você pode evitar que o seu cão de ficar acima do peso,
fornecendo-lhe alimentação adequada, que é rica em fibras. Outro fator importante é o
exercício regular. Acima de tudo, as avaliações do corpo regulares durante a sua visita ao
veterinário também será útil na prevenção da doença.

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ANOTAÇÕES
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Aula 26

Desenvolvimento comportamental do cão:

Antes do desmame, a mãe assume, muito mais do que o pai, uma parte ativa no
desenvolvimento físico e comportamental dos cachorros, parte que se mostrará
determinante para o equilíbrio e integração posterior destes no seu novo meio social.

O desenvolvimento do comportamento em cãezinhos frequentemente é dividido em


quatro grandes períodos, sendo o terceiro altamente significativo:

1- Período neonatal
As duas primeiras semanas de vida consiste
basicamente em turnos de amamentação intercalados com
turnos de sono. O período neonatal tem início no nascimento e
termina com a abertura das pálpebras. Foi frequentemente
chamada "fase vegetativa", visto que a vida do cachorro parece
estar dominada pelo sono e por algumas atividades reflexas.
Durante esta fase, o cachorro apenas reage aos estímulos
tácteis e move-se em direção às fontes de calor, rastejando.

2- Período transicional

Restringe-se ao período entre 14 e 21 dias de


idade, e a resposta à dor passa a ser mais
reconhecida. Este período termina assim que o
cachorro começa a ouvir, ou seja, a reagir aos
ruídos (perto da quarta semana). Mesmo que a
visão ainda não esteja perfeita nesta fase, a
persistência de comportamentos tais como o escavar ou as explorações táteis, permite
suspeitar de perturbações na visão.

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 109 MÓDULO I


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3- Período de socialização

É um período de máxima importância na


vida de um cão. Como o seu nome indica, o
período de socialização representa para os
cachorros uma fase de aprendizagem da vida
social. Começa por um período de atração (não
têm medo de nada) e prossegue geralmente por
um período de aversão (medo de tudo o que é
novo).
Os cachorros tornam-se
progressivamente capazes de comunicar, e
adquire o sentido da hierarquia interpretando as
represálias maternas, os sinais olfativos e de
postura. Se, por falta de tempo ou de observação, não se aproveita o período de atração do
cachorro (geralmente 3 a 9 semanas) para o acostumar ao seu futuro ambiente, será muito
mais difícil retificar os maus hábitos adquiridos. Este período, extremamente sensível e
maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou criador para:

 Favorecer os contatos com os futuros proprietários (em especial com as


crianças) caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com
os quais deverá;

 Conviver em paz (carteiros, gatos, ovelhas);

 Habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura


(barulhos, odores de roupa, tiros se tratar de um cão de caça como o Setter
ou o Perdigueiro, carros, helicópteros, etc.);

 Reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se necessário,


posturas de submissão (segurando-o pelo dorso ou pela pele do pescoço).
Pelo mesmo método, é possível reforçar os comportamentos desejados e reprimir as
atividades indesejadas;

 Motivar os contatos entre cachorros, sancionando aqueles que ainda


não controlam bem a intensidade da sua mordida;

 Observar o comportamento dos cachorros para poder orientar a escolha


dos futuros proprietários, em função do caráter de cada um. As tendências
para a dominância podem ser percebidas a partir desta época, através de
jogos, de imitações sexuais e dos comportamentos alimentares. Em algumas
raças (Cocker, Golden), a agressividade tornou-se mesmo um motivo de não
confirmação;

 Muitas atitudes ditas "naturais" podem ser adquiridas durante este


período, principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e de
evidenciar uma postura calma junto da sua ninhada durante o período de
aversão.

Sendo assim, aconselham-se classicamente dois períodos propícios para a


venda dos cachorros:

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 A partir da 7° semana, se o proprietário
entende de educação canina e deseja adquirir um
cachorro "maleável";

 No final do período de aversão (pela 12°


semana), se o cliente procura um cachorro
"pronto", que já tenha sido socializado e ensinado
por um profissional.

Em todos os casos, será sempre útil orientar a escolha


do futuro proprietário, de modo a obter um cachorro adaptado às suas exigências. Também
devem ser dados conselhos de socialização que deverão ser posteriormente reforçados pelo
apoio do Médico Veterinário durante a consulta pós-compra.

Para evitar uma ligação demasiado forte do cão ao seu dono (que frequentemente se
traduz em danos ambientais quando o cão é deixado sozinho), será bom lembrar do
fenômeno natural de "desligamento" que ocorre antes da puberdade quando o cachorro é
deixado com a mãe.

4- Período Juvenil

Aqui eles entram na fase mais ativa de exploração do ambiente. É necessário que o
treinamento doméstico continue nesta fase a fim
de evitar que as lições sejam esquecidas. Vale
lembrar que uma experiência ruim também pode
ser traumática.

É muito importante acompanhar o


desenvolvimento de um cãozinho, estar atento à
mudanças de comportamento e levá-lo ao
veterinário periodicamente e/ou sempre que
perceber que algo está errado.

ANOTAÇÕES
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AULA 27:

O crescimento do cachorro
Os cachorros têm todas as
velocidades de crescimento
diferentes O crescimento de um
cachorro não é linear com o tempo:
ou seja, o seu ganho de peso diário
evolui com o decorrer do tempo.
Assim, o ganho de peso diário
aumenta após o nascimento para
alcançar um patamar de duração
variável, diminuindo depois, à
medida que o animal se aproxima
da sua maturidade (idade e peso
adulto).

No plano estritamente matemático, a evolução desta velocidade de crescimento (fala-


se em GMD, ou ganho médio diário) corresponde a uma derivada da função sigmoide
representada pela curva de crescimento (evolução no peso em função do tempo).

O estudo das curvas de referência para as várias raças, mostra que os cachorros de
raças pequenas, apresentam uma reduzida velocidade de crescimento atingindo
rapidamente a idade adulta.

Estes cachorros são já relativamente pesados, quer no nascimento quer no


desmame, relativamente ao seu peso adulto. Na realidade, os cachorros de raças pequenas
quando nascem estão "mais desenvolvidos" que os de raças médias ou grandes. Os
cachorros de raças grandes têm um peso à nascença relativamente baixo e apresentam um
extenso período de crescimento.

É importante compreender estas diferenças de desenvolvimento e de comportamento


"Biológico, visto que explicam o interesse em adaptar a alimentação do cão não apenas à
sua idade, mas também ao seu tamanho.

As diferenças entre as raças de cães são observáveis desde o nascimento: uma


cadela Caniche, por exemplo, dá à luz três cachorros pesando cada um 150 a 200 gramas,
enquanto que o peso à nascença de cachorros Terra Nova (oito a dez cachorros) oscila
entre 600 e 700 gramas.

Mesmo que um cão adulto de raça gigante pese 25 vezes mais que um cão de raça
pequena, a relação dos seus pesos à nascença não ultrapassa um fator de 1 para 6. Isto
significa que as diferentes raças: tem diferentes padrões de crescimento, sendo a amplitude
e a duração do crescimento, proporcional ao peso final do cão: - metade do peso adulto é
atingida aos 3 meses de idade num cachorro de raça pequena e apenas aos 5 a 6 meses
num cachorro de raça grande.

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 112 MÓDULO I


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Filhote Adolescente Adulto 3ª Idade


Até1 ano de 1 a 3 anos de 3.a 8 anos mais de 8 anos

A maturidade:
A maturidade é um período de realização do*dãò, durante a qual se instalam modificações
celulares. Apesar destas modificações não serem ainda observáveis a olho nu, são uma
indicação de idade avançada.

O envelhecimento:
O envelhecimento canino é um
processo natural ainda não totalmente
entendido, embora sabido que ocorra de
modo variado, dependendo das raças e de
seu porte.

Enquanto um cão de médio porte vive


em torno de doze anos, um gigante tem
expectativa de vida mais curta. Antes,
acreditava-se que estes animais
envelheciam sete anos para cada ano de
vida de um ser humano.

No entanto, essa teoria foi revista, e mais recentemente, tenta-se comparar o estágio
de desenvolvimento inicial da vida do cão com aquele dos seres humanos. De acordo com
alguns resultados obtidos, raças pequenas alcançam seus tamanhos finais entre os oito e os
doze meses; raças de porte médio entre doze e dezesseis meses; de porte grande entre
dezesseis e dezoito meses; e as gigantes, por volta dos dois anos.

Com isso, foi possível traçar um paralelo que resultou em variação de porte
para porte. As raças pequenas e médias têm os cinco primeiros anos de vida para
o primeiro ano humano. Deste ponto em diante, são quatro para cada ano vivido

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 113 MÓDULO I


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por um ser humano. Já as raças grandes e gigantes, de maturidade mais lenta,
envelhecem sete e doze, respectivamente, em seu primeiro ano de vida, com cinco
e sete anos a partir do segundo ano de vida, para cada tamanho.

Com base nessas afirmações, pode-se dizer que um chiuaua nascido no mesmo dia
e ano que um homem, cinco anos mais tarde, terá 21.

Cães de idade avançada estão mais sujeitos a doenças, dores e alterações


comportamentais. Por isso, é importante dar atenção às mudanças da idade de um
cão doméstico, pois isso permite suprir novas necessidades e proporciona
melhores condições de vida.

Entre os principais males que podem acometer os idosos caninos estão


à artrite, o mal de Alzheimer e a depressão.

Esses problemas e outros, como a queda de dentes, decorrentes da idade,


são diagnosticáveis desde o início pela observação das mudanças
comportamentais e pela realização de constante acompanhamento veterinário.
Problemas de visão e audição, quietude e esbranquiçamento e queda do pelo são
fatores considerados normais, causados pelo avanço da idade.

Além de todos esses problemas, cães idosos possuem tendência a um


aumento dos depósitos adiposos, sendo
o animal mais gordo e com capacidade
de metabolização dos seus lipídios pior,
diminuição na hidratação do organismo,
comparável a uma desidratação crônica,
que é prejudicial ao seu bom
funcionamento, redução da proteção
imunológica, diminuição da resistência
ao frio e das capacidades de luta contra
o calor, redução gradual da função renal,
desmineralização lenta do esqueleto,
destruição das membranas celulares
devido ao "stress oxidativo
membranário", aumento dos casos de
insuficiências hepáticas, aumento
evidente da frequência de tumores,
malignos ou benignos, aumento da
formação de tártaro (o qual deve ser
tratado), podendo causar inflamações e
infecções nas gengivas que podem
conduzir à perda dos dentes, à medida
que o cão engorda, a saliva é produzida
em menor quantidade, pois o tecido
adiposo invade as glândulas salivares, a passagem dos alimentos através do trato
intestinal é mais lenta, devido a um decréscimo do tônus muscular intestinal
(assim, o cão pode evidenciar fases constipação, às quais se seguem
freqüentemente episódios de diarréias), o intestino torna-se progressivamente
menos capaz de se adaptar a uma modificação do alimento (por esta razão, a
alimentação deve permanecer constante).

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Além de todos esses fatores, a absorção dos nutrientes é menos eficiente,


sendo necessário fornecer um alimento hiperdigerível.

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AULA 28:

O gato do nascimento à fase adulta:


Cego e surdo, o filhote felino que acaba de vir ao mundo pesa apenas cerca
de cem gramas. Lambido pela mãe e, assim, liberto de tudo que lhe prende, ele é
aquecido e estimulado, o que o capacita a buscar as mamas mais nutritivas.
Incapaz de regular a temperatura corporal até a 3a semana de vida, ele se
aconchega à barriga da mãe para mamar o colostro que, por sua vez, contém
inúmeros anticorpos. Depois de alguns dias, quando se alimentar, atividade que
lhe tomará um terço de seu tempo durante o primeiro mês de vida, o que receberá
da mãe será o leite. Dentro de 7 a 10 dias, o filhote dobra de peso. Dentro de 5
semanas, ele poderá se movimentar e seus sentidos começam a se desenvolver, à
medida que divide seu tempo entre brincadeiras e sonecas, quando não está
mamando.

Ao nascer, o olfato do filhote é suficientemente desenvolvido para que ele


possa encontrar sua mãe. Além disso, ele também é capaz de diferenciar os três
sabores básicos: o doce, o salgado e o azedo, com pouca apreciação pelos dois
últimos. Por outro lado, ainda é cego e surdo e adquire esses dois sentidos quase
ao mesmo tempo. A audição aparece ao redor do 5° dia de vida, mas não permite
com que ele se oriente através do som antes do 14° dia. Ao redor de um mês, é
que ele adquire as habilidades de um indivíduo adulto e, então, reconhece a voz
da mãe. O filhote abre os olhos entre o 7° e 15° dias depois do nascimento, porém,
ainda necessita de 3 ou 4 dias para ganhar a noção de profundidade do campo
visual. A adaptação à aquisição simultânea dos sentidos da visão e audição leva
alguns dias.

O filhote tem um grande senso de equilíbrio desde os primeiros dias de vida,


apesar de ser ainda um pouco desajeitado e, antes da 2a semana, ainda
coordenar os movimentos com certa dificuldade. O gatinho começa a andar nas
quatro patas ao redor do 17° dia e se torna hábil para arranhar a orelha com a pata
traseira ao redor da 3a semana. Com 35 dias, ele já consegue arranhar e retrair as
garras.

As principais áreas anatômicas não se desenvolvem na mesma velocidade.


O filhote nasce com uma cabeça relativamente grande e, então, seus membros
começam a se alongar (o filhote parece ter pernas longas). Por fim, o resto do
corpo se desenvolve, resultando nas proporções típicas do adulto.

Há um componente inato ao comportamento de limpeza, de defecar, urinar e


alimentação (excluindo o amamentar), mas estes também são ensinados muito
rapidamente pela mãe. Já no 15° dia de vida, o filhote consegue lamber a sua
perna dianteira. Com 30 dias, ele começa a fazer as primeiras visitas à caixa de
areia, arranhando o material. A partir da 3a semana de vida, ele consegue fazer
tudo sozinho na liteira. Já na 4a semana, o filhote já consegue comer sozinho,
imitando o comportamento da mãe e, assim, adquirindo suas preferências
alimentares. O estabelecimento de todos os comportamentos de comunicação
específicos aos felinos começa ao redor da 3a semana e vai até a 7a ou 8a
semana. As brincadeiras começam ao redor da 3a semana e consistem em
contatos e brincadeiras entre os filhotes, além das interações com a mãe, que

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 116 MÓDULO I


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possibilita esta socialização intraespecífica. O filhote aprende, assim, a parar de
arranhar e se interessar por "presas," insetos ou objetos pequenos. O
comportamento predador específico à sua espécie começa a se estabelecer ao
final do primeiro mês. A aquisição da socialização com outras espécies amigáveis
(homem, cão...) também acontece ao redor da 3a semana e acaba por volta do 3°
mês. Q filhote também deve ficar num ambiente rico em estímulos visuais, sonoros
e de relação entre outros seres. Quando acariciado, pego no colo por alguns
minutos ao dia, colocado na presença de crianças ou de outros animais e cercado
por vários barulhos, o filhote fica mais equilibrado. Seu comportamento, quando se
tornar um adulto, vai depender, em grande parte, da diversidade do ambiente ao
qual foi submetido quando filhote,

O crescimento dos gatos:


Um gato recém-nascido tem um crescimento muito acelerado ao nível da
formação de músculos, ossos, pelo e dentes. Uma das suas principais funções
(para além de brincar) é comer. Tem de consumir uma grande quantidade de
energia para aumentar o seu tamanho em 2000 por cento em apenas cinco meses
(considerando um ritmo de crescimento normal). Naturalmente que, quanto melhor
for a qualidade da sua alimentação, maiores serão as probabilidades de atingir
esse objetivo de uma forma saudável e ideal. O leite materno é o indicado para o
seu primeiro alimento e, embora ele só esteja preparado para o desmame entre as
seis e as oito semanas, vai começar a mordiscar alimentos sólidos entre as três e
as quatro semanas.

Filhote Adolescente Adulto 3ª Idade


Até1 ano de 1 a 3 anos de 3.a 8 anos mais de 8 anos

O crescimento normal de um gatinho processa-se em fases:

 Período neonatal: em aproximadamente os 4 primeiros dias de vida, a


velocidade de crescimento pode ser muito variável, principalmente em função
das condições do parto (se este tiver sido difícil, os gatinhes poderão sofrer
com um atraso no crescimento, mas raramente perdem peso). Durante
o período de amamentação (quatro primeiras semanas), o crescimento
é regular, linear e permite para além disso prever o peso em função da idade.
Assim, o peso do 7° ao 10° dia é igual ao dobro do peso à nascença. O peso
à 4° semana é igual a 4 vezes o peso de nascimento.

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 117 MÓDULO I


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 Período pré-desmame : período de transição alimentar que vai da
quarta a sétima semana de idade. Por volta quarta a quinta semana observa-
se uma redução da velocidade de crescimento devido a um decréscimo na
lactação e conseqüente redução do consumo.Por volta da sétima semana
ocorre um novo impulso no crescimento, que assinala o final do período de
desmame: o gatinho consome uma grande quantidade de alimentos sólidos
que permitem a sua evolução.

 Período pós-desmame : ao fim de 8 semanas inicia-se o período de


autonomia do gatinho, que corresponde à expressão das suas potencialidades
genéticas. Ocorre então grande variabilidade individual. O gatinho passa a
alimentar-se por si só e cresce até ao seu tamanho de adulto. Uma vez atingido o
tamanho adulto, por volta dos 10-12 meses, o gato deve normalmente conservar o
peso constante.

Fatores que influenciam o crescimento dos gatos:


Os fatores que determinam crescimento dos gatos podem ser classificados
em fatores intrínsecos, ligados à genética do animal (raça, sexo, genética dos pais,
fatores hormonais) e extrínsecos, relacionados ao ambiente em que o animal está
inserido, que abrange a alimentação que a mãe recebe condições sanitárias e
sociais (condições de criação, tipo de vida e qualidades maternais).

Fatores intrínsecos:
 Raça: quanto mais pesada for a raça, mais rápido é o crescimento;

 Sexo: a diferenciação do tamanho dos gatos de acordo com o sexo


aumenta com a progressão da idade, sendo pouco notada ao nascimento. Os
machos tornam-se significativamente mais pesados do que as fêmeas entre
as 6 e as 12 semanas de vida. O macho evidencia assim um potencial de
crescimento superior ao da fêmea, mas também mais tardio, uma vez que o
seu crescimento se prolonga algumas semanas para além do das fêmeas;

 Herança genética: o gatinho recebe, metade do seu material genético


da mãe e a outra metade do pai e este conjunto vai definir as características
dos filhotes. Essas características podem assim, dentro de uma mesma raça
traduzir-se em indivíduos de corpulência, tamanho ou tipo morfológico
diferente, fator utilizado na seleção;

 Peso da mãe: este parâmetro não é independente da raça e dos


fatores genéticos. Quanto maior for a mãe (simultaneamente de grande porte
e em bom estado físico) mais rápido será o crescimento da ninhada, o que se
explica em parte pelas qualidades do leite materno.

 Fatores genéticos individuais: a mistura dos genótipos materno e


paterno leva à formação de um indivíduo único, criando variações individuais
dentro da mesma ninhada;

 Fatores hormonais: alguns hormônios sintetizados pelo filhote


promovem seu crescimento, porém as alterações hormonais que irão provocar
perturbações no crescimento são raras no gatinho. A diabetes juvenil é mais
caracterizada por dproblemas metabólicos do que por problemas de
crescimento. O hipotiroidismo e o nanismo também são de ocorrência

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 118 MÓDULO I


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esporádica. Anomalias que provocam secreções anormais de hormônios
sexuais parecem prejudicar pouco o desenvolvimento dos gatos, e além disso
uma esterilização do animal muito cedo não parece ter grandes influências
sobre seu crescimento. Por outro lado, o uso terapêutico de hormônios pode
trazer distúrbios ao equilíbrio endócrino, modificando a taxa de crescimento.
Sendo assim, esse uso deve ser acompanhado pelo veterinário.

Fatores extrínsecos:
 Tamanho da ninhada: ninhadas muito numerosas geralmente são
constituídas por animais menores do que ninhadas com número de filhotes
menor. Essa diferença de peso se acentua na primeira semana de vida,
devido ao fato de, em uma ninhada maior, a mesma quantidade de leite ser
compartilhada por um número maior de filhotes. Porém, nesses casos, essa
diferença de peso é atenuada após o desmame, quando o animal passa a
receber a alimentação sólida;

 Higiene e estresse ambiental: durante a amamentação, tanto os


filhotes quanto a mãe são muito exigidos. Com isso, deve-se ter uma
preocupação especial com a higiene do local onde a fêmea paria, seja este
um local escolhido pelo dono ou pela mãe, Além disso, quando a gata é
constantemente perturbada, isso se reflete na sua produção de leite devido
ao estresse sofrido. Com relação ao gatinho, o estresse pode ter
conseqüências no seu período de sono, que é quando seu crescimento
ocorre. Durante os primeiros dias de vida o animal dorme a maior parte do
tempo, acordando apenas para mamar quando é lambido pela mãe. Com o
passar do tempo passa menos tempo dormindo pois passa a brincar mais,
mas o sono ainda assim é um fator muito importante para a saúde e
crescimento do filhote. Além disso, quando o animal é estressado, são
liberados hormônios que prejudicam o equilíbrio hormonal e como
conseqüência, seu crescimento. Sendo assim, o ambiente de crescimento da
ninhada deve ser livre de qualquer fator estressante para a mãe e para os
filhotes, devendo ser preservado de agitação, alterações de temperatura e
objetos ou pessoas estranhas.

 Nutrição: a alimentação da mãe durante a gestação influencia o peso à


nascença e a saúde dos gatinhos. Do nascimento até ao desmame, a alimentação
do filhote resume-se ao leite materno. Com isso, a sua qualidade e quantidade são
fatores determinantes do crescimento e saúde dos gatinhos. Deve-se estar atento
quant6 a alimentação da mãe e dos gatinhos. A gata necessitará de mais alimento
quando tiver filhotes, pois no início do período de aleitamento, as reservas
maternas são utilizadas para a produção de leite. Como o organismo materno está
voltado para a produção de leite, se a gata estiver subalimentada começará a
perder peso. Por esta razão, deve ser fornecida uma quantidade maior de alimento
para o crescimento antes e após o nascimento dos filhotes, para assegurar a
produção do leite. Desde o início da gestação, a gata prenhe necessitará de mais
alimento, cuja quantidade deverá ser aumentada gradativamente. Durante as
últimas 2 ou 3 semanas do período de 9 semanas de gestação, ela estará
comendo aproximadamente o dobro da quantidade normal. Uma gata em período
de lactação poderá necessitar até três vezes mais a quantidade normal de
alimento quando os filhotes atingirem 3 ou 4 semanas e precisará ser alimentada
com mais frequência, variando a dieta para assegurar a nutrição adequada. Caso
ela seja subalimentada, reduzirá a produção de leite e demonstrará irritabilidade
quando os gatinhos forem mamar, e isto tudo irá comprometer a viabilidade da
ninhada. Por outro lado, a subnutrição dos filhotes pode ser provocada por

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 119 MÓDULO I


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diversos fatores, tais como a subnutrição da mãe, ingestão de leite insuficiente
devido à uma ninhada numerosa ou mamadas por tempo insuficiente, pois a mãe
não deixa os filhotes mamarem, muitos filhotes ou por estresse ambiental. Com
isso, os gatinhos sofrerão com desidratação, hipoglicemia, diminuição da
temperatura corporal a que se sucede a morte.

Este enfraquecimento pode ser explicado pelos seguintes motivos:

 O fígado do filhote não atingiu ainda a sua maturidade e depende de


uma fonte de açúcar externa, resultante da digestão da lactose que fornece a
glicose. Em caso de subalimentação há ocorrência de hipoglicemia, que pode
provocar coma;

 Os rins do gatinho são imaturos à nascença. O recém-nascido não


possui ainda a capacidade de regular as trocas de água e minerais, e com
isso deve beber freqüentemente e em pequenas quantidades. Qualquer
fator que restrinja a amamentação vai expô-lo a uma desidratação rápida;

 O gatinho (principalmente o recém-nascido) não possui reservas de


gordura que lhe garantam proteção contra temperaturas baixas e é incapaz
de regular a sua temperatura corporal. A ingestão regular e suficiente de
leite, assim como os cuidados maternos durante a amamentação (lamber) e o
"ninho" (calor da mãe) são fatores indispensáveis para evitar a hipotermia. A
temperatura retal dos gatinhes deve ser vigiada, especialmente se o seu
peso estagnar repentinamente.

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AULA 29:
A nutrição dos animais de companhia:
Existem grandes diferenças no
modo de alimentar um animal
herbívoro (com enzimas orientadas
para uma eficiente digestão de
matérias vegetais, como o coelho, o
cavalo, etc.), um onívoro (com enzimas
orientadas para uma eficiente digestão
de matérias vegetais ou animais, como
o porco o frango, etc.) e um carnívoro
(com enzimas digestivas
predominantes para digestão de matérias de origem animal, com fraca ação
amilolítica, isto é, sem capacidade de digestão de vegetais).

Poucas pessoas têm condições de preparar diariamente uma refeição


caseira balanceada para cães e gatos. Com isso, veterinários e nutricionista
elaboram as fórmulas das rações para que ela prolongue a vida dos bichos de
estimação. Porém cuidados devem ser tomados, pois há muitas rações sendo
vendidas cheias de sal e corantes, que provocam problemas urinários, dificultam a
absorção dos nutrientes e geram mais fezes.

A alimentação caseira:

A alimentação caseira fornecida pelos proprietários para seus animais pode


ser desde um alimento sofisticado, que possui todos os componentes necessários
para um equilíbrio nutricional, até sobras de refeições. Tradicionalmente, essa
alimentação é composta por "uma mistura
"carne, arroz e cenoura", com o acréscimo de
um complemento mineral-vitamínico
adequado. Contanto que o valor nutritivo seja
o mesmo, os ingredientes dessa mistura
podem ser trocados, e para isso necessita-se
de conhecimento nessas substituições para
que o valor nutritivo se mantenha. A dieta
saudável média para um cão deve ser uma
mistura de 75% de carboidratos e 25% de
proteínas da carne.

Antes de formular uma dieta caseira algumas dicas podem ser levadas
em consideração:

1. Olhe antes de se lançar - Verifique com seu veterinário se está bem passar
para comida caseira, e qual o tipo e forma de preparo do alimento cozido é bom
para o seu cão.

CENAIC – Centro Nacional Integrado de Cursos Página 121 MÓDULO I


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2. Ideias para carne - Sempre cozinhe a carne antes de utilizá-la para
alimentar o seu cão, vários órgãos como fígado, rins, etc são extremamente bons
para o seu cão, como são os ovos e cascas de ovos trituradas misturados ao
alimento do cachorro. Carnes como carne bovina, frango, atum ou ovelha devem
ser trituradas e bem cozidas.

3. Refeição simples - Uma refeição simples e nutritiva para seu cão é uma
mistura de arroz, carne moída ou picada, legumes, um pouco de levedura de
cerveja e água adequada, dependendo se você deseja seca ou úmida. Legumes
devem ser sempre cozidos e amassados também, uma vez que os cães não podem
digerir vegetais crus.

4. Fontes de carboidrato - Arroz, branco ou escuro, massas, farinha de trigo


integral, farinha de soja ou milho são boas fontes de carboidratos para cães.
Qualquer uma dessas matérias-primas deve ser um ingrediente necessário para
qualquer refeição que você possa preparar para o cão.

5. Suplementos - Pequenas quantidades de fígado de bacalhau ou óleo de


linhaça, um pouco de alho cozido, leite em pó ou farinha de ossos são bons
complementos para a refeição, para garantir que as necessidades de cálcio do
cachorro sejam atendidas (farinha de osso ou cascas de ovos trituradas), o pelo
seja saudável e brilhante (fígado de bacalhau ou óleo de linhaça) e o cão
desenvolva resistência contra infecções e se livre de vermes e pulgas (alho).

6. Legumes - Cenouras, espinafre e brócolis (em pequenas quantidades),


cozidos e amassados são bons legumes para usar para a comida do seu cachorro.

7. Evite alimentos - como chocolates, chá, café, passas de uva, uva, noz-
moscada, cebolas, ovos crus, frutos de casca dura (nozes, castanha) com exceção
do amendoim estão expressamente proibidos (não os utilize, nunca). Eles podem
causar todos os tipos de complicações, como convulsões, insuficiência renal,
intoxicação por salmonela, problemas de circulação sangüínea, tremores, etc.
Também evite alimentos mofados, caroços de frutas e massa fermentada.

8. Conservação e oferta do alimento ao cão - Sempre sirva a comida do


cachorro em temperatura ambiente normal, não deve ser nem muito quente nem
muito fria. Alimentos cozidos não devem ser mantidos na geladeira por mais de 2-3
dias. Assim, ao preparar uma refeição, certifique-se de preparar apenas o
suficiente para fazer só uma ou duas porções, e o alimento que o cão consome foi
feito bem recentemente.

Enfim, na alimentação tradicional, é evidente que o complemento vitamínico-


mineral incorporado não pode ter em conta as ingestões vitamínicas e minerais
específicas para cada tipo de dieta e a imprecisão da dosagem ponderai pode
perturbar o equilíbrio nutricional global da mistura. Caso seja adotada esta
solução, o dono deverá utilizar um complemento no qual a relação Ca/P (relação
dos conteúdos em cálcio e em fósforo) seja obrigatoriamente igual a dois.

Alimentos industrializados:
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A classificação dos alimentos industrializados leva em conta sua composição


em água, e com isso podem ser classificados em:

 Alimentos úmidos (70% a 85% de umidade): alimentos enlatados,


carnes e legumes frescos, carnes cozidas para conservação no frio.
 Alimentos semi-úmidos (25% a 60% de umidade): alimentos cozidos e
estabilizados graças à presença de conservantes e mantidos sob
refrigeração.
 Alimentos secos (menos de 14% de umidade): croquetes, biscoitos,
flocos de cereais, massas, arroz tufado.

Processos de fabricação

Alimentos enlatados:
Os alimentos que são enlatados passam por
processo de esterilização durante seu enlatamento, sendo
submetidos a temperaturas elevadas durante uma hora e
meia, e desse tempo, 55 minutos ficam a temperaturas de
120 °C. A constituição desses alimentos é basicamente de
carnes e derivados de subprodutos (carnes que não serão
consumidas pelo homem), tratados de forma congelada e
livre de umidade. Esses constituintes são acondicionados
em recipientes isolados de gases, líquidos e micro-
organismos, o que garante sua longa duração.

Alimentos semi-úmidos:

Esses alimentos não passam por processo de esterilização, porém são


estabilizados devido à adição de açúcar, sal ou aditivos químicos, como o
propilenoglicol, ou podem ser conservados
sob refrigeração.

Para o preparo de alimentos para cães,


são misturados a carne as massas
(preparada a partir da sêmola de trigo duro,
triturada a vácuo, comprimida e depois cozida
a vapor), os biscoitos (feitos de farinha
amassada, cozida em forno) e os cereais em
flocos (preparados por cozimento a vapor,
trituração e secagem).

Os croquetes são alimentos que sofrem um processo denominado extrusão,


em que o efeito conjugado da pressão na extrusora e da temperatura (90 a 150° C)
durante um tempo muito curto (20 a 30 segundos), que atua sobre a mistura de
ingredientes, permite a obtenção, após a secagem, de um produto homogêneo, em
seguida envolvido em gordura de acordo com o objetivo fisiológico. Esta última

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categoria de produtos domina totalmente o mercado americano, de longe o mais
evoluído na atualidade (80% de alimentos secos, 66% de croquetes extrudidos), e
impõe-se progressivamente em todos o mundo, devido às suas qualidades
nutricionais reconhecidas em todos os testes efetuados pelas organizações de
consumidores e às suas qualidades de custo e aspectos práticos (alimentos
geralmente utilizados pelos profissionais, ou seja, os criadores, ou preconizadas
por aqueles que prescrevem, ou seja os Médicos Veterinários).

Tipos de ração comercial:

No Brasil, hoje, temos diversos


tipos de ração com qualidades
diferentes. Com isso, devemos
conhecer bem os benefícios de cada
uma para antes escolhermos qual
fornecer para o animal. Para facilita? o
entendimento vamos classificá-los em
três grupos.

 Rações Populares - São produtos mais baratos que existem no comércio.


Normalmente, formuladas com subprodutos de milho, soja, farelo de algodão, etc.
Tais ingredientes na ração de uma vaca, ou de um cavalo, seriam de excelente
digestão, mas devemos lembrar que os animais de companhia são carnívoros e
precisam de proteína de origem animal, pronta a ser assimilada pelo seu
organismo.

OBS.: Os vegetarianos de quatro patas têm a capacidade de transformar proteínas


e carboidratos de baixa qualidade em "produtos mais nobres". Os cães e gatos
precisam dos produtos nobres já prontos.

 Rações "Standard" - São produtos de empresas de renome, na maioria das


vezes, buscam através da mídia uma fatia maior do mercado consumidor. Por
serem produtos de empresas maiores, têm um compromisso maior com a sua
qualidade e são formuladas com ingredientes qualitativamente melhores que as
rações populares. Contém farinha de carne e ossos, glúten de milho, gordura
animal, etc. Porém ainda não são "ideais" quanto à digestibilidade, porque se
alcança o percentual de proteína com ingredientes de menor digestibilidade como
a soja ou o glúten. Quanto ao custo, estão numa faixa intermediária de preços.

 Rações Premium e Super Premium - São produtos de primeira qualidade, em


nutrição canina, por isso mais caros. Têm sua formulação baseada em carne de frango,
ovelha, peru... Porém, realmente carne, ou resíduos de abatedouro, como digestas de
frango por exemplo. Tais ingredientes, de origem animal, têm maior digestibilidade, ou seja,
o trato digestivo canino tem menos "trabalho" para metabolizá-los. Esta é outra característica
das rações Premium, como a digestibilidade é maior, o consumo diário de ração é menor (o
que ameniza o preço da ração). Promovem, ainda, uma vida mais saudável, e reduzem o
volume das fezes do animal.

As Rações Super Premium são assim classificadas a partir de certo


percentual de digestibilidade, o que pode variar de acordo com os interesses dos

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fabricantes, pois não há um "padrão" neste sentido. Como consumidor, para saber
se a ração é de alta digestibilidade, ou não, basta analisar na embalagem os
ingredientes que compõem a ração. As fontes proteicas devem ser de origem
animal (carne de frango, carne de peru, digestas de frango, carne de ovelha, ovos,
etc.). E as fontes de gordura também, ou pelo menos óleos vegetais nobres como,
por exemplo, óleo de linhaça. Fontes proteicas vegetais como soja, glúten, etc.
não têm alta digestibilidade. É bom desconfiar de produtos que têm em sua relação
de componentes coisas como "carne de aves" (urubu também é ave / e de que
parte da ave está falando? Pena e bico são proteína pura e de baixíssima
digestibilidade). O que pode aumentar a digestibilidade da ração é a presença de
fibras de moderada fermentação (p.ex. polpa de beterraba branca), que aumenta a
eficiência absortiva dos enterócitos (células que absorvem os nutrientes ingeridos
no intestino). Outro ingrediente que melhora a digestibilidade são os F.O.S, (fruto
oligo sacarídeos), que alimentam a micro biota intestinal, ou seja, beneficia o
crescimento de "boas bactérias" no intestino, o "que leva a uma melhor
fermentação do bolo alimentar.

Resumindo, quando compramos


uma ração para cão ou gato, devemos
estar atentos aos níveis de garantia
(percentuais de proteína, gordura, etc. )
e a qualidade dos ingredientes. Por
exemplo, uma ração para cachorro deve
ter, no mínimo, 18% de proteína. O que
é relativo porque carne é fonte de
proteína e pena da galinha também.
Carne é bem mais digerível que pena.
Outro detalhe é o equilíbrio entre
percentuais de proteína e gordura. Não
é eficiente urna ração com 30% de
proteína e 8% de gordura, nem outra com 18% de proteína e 20% de gordura.
Um quarto grupo de rações pode ser citado, as rações terapêuticas. Têm
indicação clínica sendo auxiliares no tratamento de diversas enfermidades. Seu
uso deve obedecer aos critérios do Médico Veterinário responsável pelo cão.

ANOTAÇÕES
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