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INTRODUÇÃO
Fa = f .N (1)
W Fa=f.W
W : Peso
F
Fa
festático > fdinâmico
2.1 ADERÊNCIA
Quando as forças de atração das camadas adjacentes de moléculas de duas
superfícies diferentes são mais fortes do que as forças internas de coesão molecular, as
partículas tendem a se separar de um corpo e aderir à superfície do outro. Este fenômeno é
denominado ADERÊNCIA (“Seizure”). Elevação da temperatura e a fusão parcial das
superfícies em contato devido ao calor produzido pelo atrito estimula a aderência.
Aderência causa a deterioração das superfícies e aumenta significativamente sua
rugosidade. Ao mesmo tempo, asperezas locais (picos da distribuição de rugosidade)
tornam-se “pontos quentes”, aumentando o grau de aderência. A consequência deste
processo é o desgaste acelerado das superfícies, que causa a deterioração das partes
envolvidas.
Durante a lubrificação líquida entre duas superfícies sólidas, um fenômeno similar,
mas bem menos pronunciado, pode ser observado na interação entre as superfícies
(paredes) metálicas e a camada de óleo. Teoricamente, considera-se que a velocidade das
partículas de óleo que deslizam sobre a superfície metálica é zero. Na verdade, alguns
gradientes de velocidade aparecem entre as primeiras moléculas da camada de óleo e o
metal. Estes gradientes são responsáveis pelo desgaste lento dos mancais apesar da
lubrificação contínua. Entretanto, o fato de que este desgaste é muito pequeno indica que as
velocidades relativas “próximas às paredes” são quase nulas, que é a hipótese simplificativa
geralmente empregada na teoria da lubrificação. Em suma, o fenômeno de aderência entre a
parede metálica e a camada de óleo geralmente não possui conseqüência prática.
2.2 ATRITO DE ROLAMENTO
Este tipo de atrito ocorre quando há movimento de rolamento entre duas superfícies
em contato. A origem desta força difere muito pouco daquela do atrito de deslizamento.
Seleciona-se o exemplo de um disco rolando sobre um plano. Atrito de rolamento ocorre
principalmente devido a deformações e à histerese associada com a penetração recíproca
entre os dois corpos em contato, como mostrado na Figura 3(a). Sob essas condições,
deslizamento localizado ocorre entre as duas superfícies na porção AB, causada pelas
diferenças de deformação entre as superfícies. O deslizamento assimétrico ou localizado em
conjunto com o atrito interno inerente a todos os materiais produz uma força tangencial, a
qual gera um momento resistivo sobre o eixo do disco. Este é o momento de atrito de
rolamento.
A força de atrito e o correspondente coeficiente de atrito de rolamento são dados
pela seguinte expressão (ver Figura 3(b)):
W
Fr = f r (2)
r
ω fr
W
r
-W
W
A B
C D
Fr
A descrição das interações entre as superfícies de dois corpos sólidos que são forçadas
ao contato depende fortemente da geometria do problema. O contato entre duas superfícies
pode ser dividido em dois grupos: conforme e não conforme. Se o contato é conforme, as
superfícies dos dois corpos ajustam-se uma à outra quase que perfeitamente sem
deformação. Superfícies conformes possuem alto grau de conformidade geométrica e o
contato entre elas ocorre através de grande área. No caso de contato lubrificado, a
conformidade geométrica permite que o carregamento seja distribuído sobre uma grande
área de lubrificação. Mancais radiais cilíndricos e mancais de deslizamento planos são
exemplos de superfícies conformes. Figura 4(a) mostra um exemplo de superfícies
conformes.
Corpos que possuem superfícies com diferentes perfis são exemplos de superfícies não
conformes. Neste caso, quando as superfícies são levadas ao contato sem deformação, elas
se tocarão em um ponto (contato em um ponto) ou sobre uma linha (contato em uma linha).
Exemplos de superfícies não conformes são os mancais de rolamento e engrenagens, onde o
carregamento é transmitido através de uma pequena área de contato. A área de lubrificação
de superfícies não conformes é tipicamente três ordens de grandeza menor do que a área de
lubrificação de superfícies conformes. Geralmente, a área de lubrificação de superfícies não
conformes aumenta expressivamente com o aumento do carregamento devido à
deformação, mas mesmo assim continua sendo bem menor do que a área de superfícies
conformes. Figura 4(b) mostra um caso de contato não conforme.
Linha de referência
zi
z
l
Figura 5. Perfil da superfície de uma amostra de mancal.
1
1 N
2
Rq =
N
∑
i =1
z
2
i
(3)
hmin
Λ= (4)
2
R qa + R qb
2
onde Rqa e Rqb são os valores rms de rugosidade das superfícies a e b. Se Λ é muito maior
do que um (Λ>5), tal que o filme lubrificante seja bastante espesso, a força de atrito viscoso
será função apenas das propriedades reológicas do lubrificante e a influência da rugosidade
superficial é desprezível. Quando a espessura do lubrificante é comparável aos valores de
rugosidade superficial, 1<Λ<5, o atrito dependerá tanto das propriedades do lubrificante
quanto das interações entre os picos de rugosidade geradas pelo contato. Este regime de
lubrificação é denominado de Lubrificação Parcial ou Lubrificação Micro-elasto-
hidrodinâmica. Neste regime, qualquer análise do contato lubrificado deve considerar tanto
a natureza estatística da rugosidade quanto as propriedades físicas do lubrificante. Para
valores de Λ menores do que um (Λ<1), as propriedades mecânicas das superfícies sólidas
são fundamentais para a análise do regime de lubrificação, enquanto que a densidade e a
viscosidade do lubrificante têm papel irrelevante. Neste caso, o regime de lubrificação é
conhecido como Lubrificação Limite. A transição das condições de lubrificação com filme
fluido para lubrificação limite é um fenômeno bastante complexo que tem sido objeto de
muitas pesquisas dentro da área de Tribologia.
Lubrificação Limite
Lubrificação Mista
Lubrificação Hidrodinâmica
B
C
f
A
Lei de Petrov
µω
P
Figura 6. Diagrama de Stribeck para mancais radiais.
Na Teoria da Lubrificação com filme fluido, a maneira usual de representação
gráfica dos regimes de lubrificação é através do diagrama de Stribeck. Este diagrama
relaciona o coeficiente de atrito em um mancal radial cilíndrico lubrificado com o
parâmetro adimensional µ ω P , onde µ representa a viscosidade do lubrificante, ω é a
velocidade de rotação e P é a carga específica dada pela força radial dividida pela área
projetada do mancal ( P = W LD ). Este diagrama tem sido apresentado na literatura técnica
em diferentes formas. Por simplicidade, apenas três regimes de lubrificação são
apresentados no diagrama de Stribeck, que são o regime de Lubrificação Hidrodinâmica, o
regime de Lubrificação Mista e o regime de Lubrificação Limite. O regime de Lubrificação
Mista, neste texto, compreende todos os regimes de transição entre a Lubrificação
Hidrodinâmica e a Lubrificação Limite. A Figura 6 mostra esquematicamente este
diagrama.
L
Fluido
Viscoso
D eixo
c W
N
2πr eixo
u
u
Caixa do
Mancal
onde ω = 2.π.N, que é a velocidade angular em radianos por segundo. Equação (6) é
chamada a EQUAÇÃO DE PETROV. A equação de Petrov provê uma boa estimativa para
o coeficiente de atrito em mancais radiais levemente carregados em regime de lubrificação
hidrodinâmica, fato que está mostrado na Figura 6 (Diagrama de Stribeck).
As perdas de energia por atrito podem ser obtidas multiplicando-se o torque de
atrito pela velocidade. A dissipação de energia Hp para um mancal radial levemente
carregado pode ser expressa em hp (“horsepower”) como
5. SELEÇÃO DE MANCAIS
6. REFERÊNCIAS
CONCEITOS INTRODUTÓRIOS DA
TEORIA DA LUBRIFICAÇÃO
(EMA867 – Tópicos Especiais: Teoria da Lubrificação Hidrodinâmica)