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JOHN WESLEY

SERMÕES

Volume 5

A MATURIDADE CRISTÃ
(Sermões 13, 14, 17, 40 e 41)
SUMÁRIO

SOBRE O PECADO NOS CRENTES

(Sermão 13)

O ARREPENDIMENTO DOS CRENTES

(Sermão 14)

A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO

(Sermão 17)

A PERFEIÇÃO CRISTÃ

(Sermão 40)

OS PENSAMENTOS ERRANTES

(Sermão 41)
SOBRE O PECADO NOS CRENTES
(Sermão 13)

'Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis
que tudo se fez novo'. (II Coríntios 5:17)

I. O pecado permanece em alguém que crê em Cristo?

II. Qual as diferenças entre o pecado interior e o pecado exterior?

III. A carne - a natureza má – opõe-se ao Espírito, até mesmo nos crentes.

IV. Um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, ao mesmo tempo em que
é impuro, não consagrado e não santo.

V. Existe em cada pessoa dois princípios contraries: natureza e graça.

1. Existe, então, pecado naquele que está em Cristo? O pecado permanece


naqueles que crêem Nele? Existe algum pecado naqueles que são nascidos de Deus, ou
eles estão totalmente livres dele? Que ninguém imagine que esta seja uma questão de
mera curiosidade; ou que seja de pequena importância, se for determinado um caminho
ou o outro. Antes, é um ponto de extrema relevância para todos os cristãos sérios;
decidirem o que mais proximamente concerne à sua felicidade presente e eterna.

2. E, ainda assim, eu não sei se isto foi, alguma vez, discutido na igreja
primitiva. Decerto, não existiu espaço para disputas concernentes a ela, já que todos os
cristãos estavam de acordo. E, até onde eu tenho observado, todo o corpo de cristãos do
passado, que nos deixaram algo escrito, declararam a uma só voz, que, mesmo os
crentes em Cristo, até que eles estejam 'fortalecidos no Senhor, e no poder de sua
força', têm necessidade de 'lutar com a carne e sangue', com uma natureza pecaminosa,
assim como, 'com principados e potestades'.

3. E neste contexto, nossa Igreja (como realmente na maioria dos termos) copia
exatamente segundo a igreja primitiva; declarando em seu Nono Artigo: 'O pecado
original é a corrupção da natureza de todo homem, de forma que ele está inclinado ao
mal, pela sua própria natureza; assim sendo, a carne cobiça, contrariamente ao
Espírito. E esta influência da natureza permanece; sim, naqueles que estão
regenerados; de maneira que, a luxúria da carne não é objeto da lei de Deus. E,
embora não exista condenação para aqueles que crêem, ainda assim, esta luxúria tem
em si mesma a natureza do pecado'.

4. O mesmo testemunho é dado, através de todas as outras igrejas; não apenas,


através da igreja grega e romana, mas através de toda igreja reformada na Europa, de
qualquer que seja a denominação. De fato, alguns desses parecem levar a coisa muito
longe; descrevendo a corrupção do coração do crente, como que dificilmente admitindo
que ele tem domínio sobre ela, mas que, antes, é seu escravo; e, por esses meios, eles
fazem uma pequena distinção entre um crente e um descrente.

5. Para evitarem este extremo, os muitos homens bem intencionados,


particularmente esses, debaixo da direção do recente Conde Zinzendorf [líder Morávio
(denominação Protestante, surgida no século XVIII, pela renovação do antigo
movimento dos Irmãos Boêmios, que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à
fraternidade dos homens. Mais comumente conhecida como Irmãos Morávios)], foram
para o outro lado, afirmando que 'todos os crentes verdadeiros não são apenas salvos
do domínio do pecado, mas da existência do pecado interior, assim como exterior; de
maneira que ele não mais permanece neles':E desses, por volta de vinte anos atrás,
muitos de nossos compatriotas absorveram a mesma opinião de que, até mesmo a
corrupção da natureza, não está mais, naqueles que crêem em Cristo.

6. É verdade que, quando os alemães foram pressionados, eles logo admitiram


(muitos deles, pelo menos) que 'o pecado ainda permanece na carne, mas não no
coração de um crente'; e, depois de um tempo, quando o absurdo disto foi mostrado,
eles razoavelmente desistiram do ponto; admitindo que o pecado ainda permanecia,
embora não reinasse, naquele que é nascido de Deus.

7. Mas o inglês que recebeu isto deles (alguns diretamente, alguns de segunda e
terceira mão) não foi tão facilmente convencido a se desfazer de uma opinião favorita.
E, até mesmo quando a generalidade deles se convenceu de que ela era extremamente
indefensável, alguns poucos não puderam ser persuadidos a desistir, mas mantiveram-na
até hoje.

II

1. Por causa desses que realmente temem a Deus, e desejam conhecer 'a verdade
que está em Jesus'; não pode ser impróprio considerar o ponto com calma e
imparcialidade. Ao fazer isto, eu uso indiferentemente as palavras, regenerado,
justificado, ou crentes; desde que, embora eles não tenham precisamente o mesmo
significado (o Primeiro, implicando uma mudança interior, verdadeira; o Segundo, uma
mudança relativa; e o Terceiro, os meios pelos quais, tanto uma quanto a outra é
forjada); ainda assim, elas convergem para a mesma coisa; já que todos os que crêem
são ambos, justificados e nascidos de Deus.

2. Por pecado, eu entendo aqui pecado interior; qualquer temperamento


pecaminoso, paixão ou afeição, como orgulho, vontade própria, amor ao mundo, de
algum tipo, ou em algum grau; tal como cobiça, ira, impertinência; qualquer disposição
contrária à mente que estava em Cristo.

3. A questão não é concernente ao pecado exterior; quer um filho de Deus


cometa pecado ou não. Nós todos concordamos e sinceramente mantemos 'que ele que
comete pecado é do diabo'. Nós concordamos, 'que quem é nascido de Deus não comete
pecado'. Nem agora inquirimos, se o pecado interior irá permanecer sempre nos filhos
de Deus; se ele irá continuar na alma, por quanto tempo ela continue no corpo: Nem,
ainda assim, inquirimos, se uma pessoa justificada possa reincidir em um pecado
interior ou exterior; mas, simplesmente isto: um homem justificado ou regenerado está
liberto de todo pecado, tão logo ele seja justificado? Não existe, então, pecado algum
em seu coração? – nem mesmo depois, a não ser, se ele cair da graça?

4. Nós admitimos que o estado de uma pessoa justificada é inexprimivelmente


grande e glorioso. Ele é nascido novamente, 'não do sangue; nem da carne; nem da
vontade do homem, mas de Deus'. Ele é filho de Deus, um membro de Cristo, um
herdeiro do trono dos céus. 'A paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, mantém
seu coração e mente em Jesus Cristo'. Mesmo seu corpo é um 'templo do Espírito
Santo', e uma 'morada de Deus, através do Espírito'. Ele é 'feito novo em Jesus Cristo':
Ele é lavado; ele é santificado. Seu coração é purificado pela fé; ele é limpo 'de toda
corrupção que está no mundo'; 'o amor de Deus espalha-se em seu coração, pelo
Espírito Santo que é dado a ele'. E, por quanto tempo ele 'caminha no amor' (o que ele
pode sempre fazer), ele adora a Deus em espírito e em verdade. Ele mantém Seus
mandamentos, e faz todos as coisas que são agradáveis aos olhos de Deus; assim,
exercitando a si mesmo, como para 'ter a consciência que evita a ofensa, em direção a
Deus, e em direção ao homem': E ele tem poder, tanto sobre o pecado exterior quanto
interior, até mesmo, do momento em que ele é justificado.

III

1. 'Mas ele não está, então, liberto de todo pecado, de modo que não exista
pecado em seu coração?'.Eu não posso dizer isto; eu não posso acreditar nisso; porque
Paulo diz o contrário. Ele está falando para crentes e descrevendo o estados dos crentes
em geral, quando ele diz: (Gálatas 5:17) 'Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o
Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que
quereis'. Nada pode ser mais explícito. O Apóstolo afirma aqui diretamente que a carne
- a natureza pecaminosa, se opõe ao Espírito, mesmos nos crentes; que, mesmo no
regenerado, existem dois princípios, 'contrários um ao outro'.

2. Novamente: Quando ele escreve para os crentes em Corinto; para aqueles que
foram santificados em Jesus Cristo, (I Corintios 1:2) 'À igreja de Deus que está em
Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo
o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso', ele diz: (I
Corintios 3:1) 'E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a
carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda
não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois,
havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não
andais segundo os homens?'. Agora aqui o Apóstolo fala junto àqueles que eram
inquestionavelmente crentes; a quem, no mesmo fôlego, ele denominou seus irmãos
em Cristo, -- como sendo ainda, em uma medida - carnais. Ele afirma que existia inveja
(um temperamento pecaminoso), ocasionando contenda entre eles, e ainda assim, ele
não fez a menor insinuação de que eles tivessem perdido sua fé. Mais do que isto, ele
manifestadamente declara que eles não haviam perdido; porque, então, eles não seriam
bebês em Cristo. E (o que é mais notável de tudo), ele fala de serem carnais, e bebês em
Cristo, como uma e a mesma coisa; mostrando plenamente que todo crente que todo
crente é (em um grau) carnal, enquanto ele é apenas um bebê em Cristo.

3. De fato, este grande ponto, o de que existem dois princípios contrários nos
crentes, -- natureza e graça; a carne e o Espírito, mencionados, através de todas as
Epistolas de Paulo; sim, através de todas as Escrituras; quase todas as direções e
exortações, neste contexto, estão alicerçadas nesta suposição; apontando para os
temperamentos e práticas errôneos naqueles que eram, não obstante, reconhecidos pelos
escritores inspirados, serem crentes. E eles eram continuamente exortados a combater e
conquistar estes, pelo poder da fé que estava neles.

4. E quem pode duvidar, a não ser que existia fé no anjo da igreja de Efésios,
quando nosso Senhor disse a ele: (Apocalipse 2:2-4) 'Conheço as tuas obras, e o teu
trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que
dizem ser apóstolos, e eles não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens
paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste'. Mas existia, nesse meio
tempo, nenhum pecado em seu coração? Existia, ou Cristo não teria acrescentado: 'Não
obstante, tenho contra ti que deixaste o teu primeiro amor'. Este foi um pecado real que
Deus viu em seu coração; do qual, adequadamente, ele é exortado a se arrepender. E
ainda assim, nós não temos autoridade para dizer, que, mesmo então, ele não tem fé.

5. Mais do que isso, o anjo da igreja de Pérgamo, também é exortado a se


arrepender, o que sugere pecado, embora nosso Senhor expressamente diga:
(Apocalipse 2:13, 16) 'Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono
de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas,
minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. (...) Arrepende-
te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da
minha boca'. E ao anjo na igreja de Sardes, ele diz: (Apocalipse 3:2) 'Sê vigilante, e
confirma os restantes, que estavam para morrer; porque eu não achei tuas obras
perfeitas diante de Deus'. O bem que ainda restava estava pronto para morrer; mas
estava verdadeiramente morto. De modo que ainda havia uma faísca de fé, mesmo nele;
o que está de acordo ordenando para segurar firme: (Apocalipse 3:3) 'Lembra-te, pois,
do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei
sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei'.

6. Uma vez mais: Quando o Apóstolo exorta os crentes em (2 Coríntios 7:1)


'Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da
carne e do espírito; aperfeiçoando a santificação no temor de Deus', ele plenamente
ensina que esses crentes não estavam ainda limpos disso.

Você irá perguntar: 'Mas ele que se abstêm de toda a aparência do mal, ipso
facto, limpa a si mesmo de toda imundícia?'. Não, de maneira alguma. Por exemplo: um
homem me insulta: eu sinto ressentimento, o que é imundícia do espírito; ainda assim,
eu não digo uma palavra. Aqui, eu 'me abstenho de toda a aparência do mal'; mas isto
não me limpa da imundícia do espírito, como eu experimento para minha tristeza.

7. E, como esta posição: 'Não existe pecado em um crente; nenhuma mente


carnal; nenhuma inclinação à apostasia', é, então, contrária à palavra de Deus, assim, é
para a experiência de seus filhos. Esses continuamente sentem um coração inclinado à
apostasia; uma tendência natural para o mal; uma predisposição a separar-se de Deus, e
se aderirem às coisas da terra. Eles estão diariamente conscientes do pecado
permanecendo em seus corações, -- orgulho, vontade própria, descrença; e do pecado,
aderindo a tudo o que eles falam ou fazem, até mesmo, às suas melhores ações, e as
mais santas obrigações. Ainda assim, ao mesmo tempo em que eles 'sabem que são de
Deus'; eles não duvidam disto, por um momento. Eles sentem seu Espírito, claramente,
'testemunhando com o espírito deles, que eles são filhos de Deus'. Eles 'se regozijam em
Deus, através de Jesus Cristo, por meio de quem, eles têm agora recebido a redenção'.
De modo que eles igualmente garantiram que o pecado está neles, e que 'Cristo é neles,
a esperança da glória'.

8. 'Mas Cristo pode estar no mesmo coração, em que o pecado está?'. Sem
dúvida que pode; do contrário ele nunca poderia ser salvo disto. Onde está a doença, lá
está o médico, exercendo seu trabalho; lutando, até que lance fora o pecado. Decerto
que Cristo não pode reinar, onde o pecado reina; nem Ele irá habitar onde algum pecado
é permitido. Mas Jesus está e habita no coração de todo crente que esteja lutando contra
todo o pecado; embora não seja ainda purificado, de acordo com a purificação do
santuário.

9. Foi observado antes, que a doutrina oposta, -- a de que não existe pecado nos
crentes, -- é completamente nova na igreja de Cristo; já que nunca foi ouvida, durante
cento e dezessete anos; nunca, até que foi descoberta pelo conde Zinzendorf. Eu não me
lembro de ter visto a menor insinuação dela, tanto nos escritores antigos, quanto
modernos; exceto, talvez, em alguns dos selvagens e entusiastas antinomianos [os que
acreditavam que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são
libertados, não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de
qualquer cultura]. E esses, igualmente, dizem e desdizem, admitindo que existe pecado
na sua carne, embora nenhum pecado em seus corações. Mas, apesar da doutrina ser
nova, ela está errada; porque a religião antiga é a única verdadeira; e nenhuma doutrina
pode ser correta, a menos que seja exatamente a mesma 'que fora desde o início'.

10. Um argumento a mais contra essa doutrina nova e não bíblica, pode ser
esboçada das conseqüências terríveis dela. Se alguém diz: 'Eu sinto ira hoje'. Eu devo
replicar: 'Então, você não tem fé?'. Um outro diz: 'Eu sei que o que você aconselha é
bom, mas minha vontade é completamente contrária a isto'. Eu devo dizer a ele: 'Então,
você é um descrente, debaixo da ira e maldição de Deus?'. Qual será a conseqüência
natural disto? Porque, se ele acredita no que eu digo, sua alma não apenas será afligida e
magoada, mas, talvez, seja totalmente destruída, visto que, como ele 'irá lançar fora'
aquela 'confiança que tem na grande recompensa de galardão': E, tendo lançado fora
sua proteção, como ele irá 'extinguir os dados certeiros do iníquo?'. Como ele irá
superar o mundo? – vendo que 'essa é a vitória que domina o mundo, até mesmo nossa
fé?'.

Ele se encontra desarmado, em meio aos seus inimigos; exposto a todos os


assaltos deles. Qual a surpresa então, se ele for totalmente dominado; se eles o tornarem
escravos da vontade deles; sim, se ele cair, de uma maldade para outra, e nunca mais ver
o bem? Por conseguinte, eu não posso, por nenhum meio, receber essa afirmação, de
que não existe pecado no crente, do momento em que ele é justificado.

Em Primeiro Lugar, porque é contrário a todo o teor das Escrituras; -- Em


Segundo Lugar, porque é contrário à experiência dos filhos de Deus, -- Em terceiro
lugar, porque é absolutamente novo, nunca ouvido no mundo, até ontem; -- e, em
Último Lugar, porque é naturalmente atendido com as mais fatais conseqüências; não
apenas afligindo aqueles a quem Deus não tem afligido, mas, talvez, arrastando-os para
a perdição eterna.
IV

1. Contudo, permita-nos ouvir atentamente aos principais argumentos desses que


se esforçam para sustentar isto. Primeiro, é das Escrituras que eles tentam provar que
não existe pecado no crente. Eles argumentam assim: 'As Escrituras dizem que todo
crente é nascido de Deus, é limpo, santo e consagrado; é puro no coração; tem um
novo coração; e é um templo do Espírito Santo. Agora, como 'aquele que é nascido da
carne, é carne', é completamente mal, assim, 'aquele que é nascido do Espírito é
espiritual', e completamente bom. Novamente: Um homem não pode ser limpo,
consagrado, santo, e, ao mesmo tempo, impuro, não consagrado, não santo. Ele não
pode ser puro e impuro; ou ter um coração novo e velho, juntos. Nem pode sua alma ser
não santa, enquanto ele é o templo do Espírito Santo.

Eu tenho colocado essa objeção, tão fortemente quanto possível, para que todo
seu peso possa aparecer. Permita-nos examiná-la, parte por parte.

(1) 'Que aquele que é nascido do Espírito é espiritual, é completamente bom'.


Eu admito o texto, mas não a observação. Porque o texto afirma isto, e não mais, -- que
todo homem que 'é nascido do Espírito', é um homem espiritual. Ele o é: Mas embora
ele seja, ainda assim, não será completamente espiritual. Os cristãos de Corinto eram
homens espirituais; ou eles não teriam sido cristãos, afinal; e, ainda assim, eles não
eram completamente espirituais: eles eram, em parte, ainda carnais. -- 'Mas eles eram
caídos da graça'. Paulo diz que não. Eles eram até mesmo, bebês em Cristo.

(2) 'Mas um homem não pode ser limpo, consagrado, santo, e ao mesmo tempo,
impuro, não consagrado, não santo'. Decerto que ele pode. Assim eram os Coríntios:
'Vocês estão lavados', diz o Apóstolo, 'vocês estão consagrados'; ou seja, limpos da
'fornicação, idolatria, bebedeira', e todos os outros pecados exteriores.

(I Corintios 6:9) 'Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de
Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os
efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem
os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm
sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido consagrados, mas haveis sido
justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus'; e, ainda assim,
ao mesmo tempo, em outro sentido da palavra, eles eram não consagrados; eles não
estavam lavados; não interiormente limpos de toda inveja, conjecturas diabólicas,
parcialidade, -- 'Mas certo, eles não tinham um novo coração e um velho coração,
juntos'. Na verdade, eles tinham, porque, naquele mesmo momento, seus corações eram
verdadeiramente, embora que não inteiramente, renovados. A mente carnal deles foi
pregada na cruz; ainda assim, não estava totalmente destruída. -- (I Corintios 6:19) 'Ou
não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós,
proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?'; e é igualmente certo, que eles
eram, em algum grau, carnais, ou seja, não santos.

2. 'Entretanto, existe uma Escritura a mais que irá colocar esse assunto fora de
questão': (II Corintios 5:17) 'Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as
coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo'. 'Agora certamente um homem não
pode ser uma nova criatura, e uma velha criatura de uma só vez'. Sim, ele pode: Ele
pode ser parcialmente renovado, o que foi o mesmo caso com aqueles em Corinto. Eles
foram, inegavelmente, 'renovados no espírito de suas mentes', ou eles não poderiam ter
sido 'bebês em Cristo'. Ainda assim, eles não tinham a mente total que estava em Cristo,
porque eles invejavam um ao outro. "Mas é dito expressamente: 'as velhas coisas se
passaram: todas as coisas se fizeram novas'". Mas nós não devemos interpretar as
palavras do Apóstolo, de maneira a que ele contradiga a si mesmo. E se nós o
tornarmos consistente consigo mesmo, o significado claro das palavras é este: Seu velho
julgamento, concernente à justificação, santidade, felicidade, de fato, concernentes a
todas as coisas de Deus, em geral, são agora passadas; assim como seus velhos desejos,
objetivos, afeições, temperamentos e conversa. Todos esses se tornaram inegavelmente
novos; grandemente mudados do que eles eram; e, ainda assim, embora eles sejam
novos, eles não estão totalmente novos. Ainda, ele sente, para sua tristeza e vergonha,
restos do velho homem, também a decadência manifesta de seus temperamentos e
afeições, anteriores, posto que eles não podem obter vantagem alguma sobre ele, por
quanto tempo ele vigia junto à oração.

3. Todo este argumento: 'Se ele está limpo, ele é limpo'; 'Se ele está, ele é santo';
(e vinte expressões mais desse mesmo tipo podem ser facilmente empilhadas). É
realmente nada melhor, do que brincar com palavras. É uma falácia argumentar do
particular para o geral; inferir uma conclusão geral, de premissas particulares. Proponha
a sentença inteira, e ela ficará assim: 'Se ele é santo, afinal, ele é santo completamente'.
Isto não procede: todo bebê em Cristo é santo, e ainda assim, não completamente. Ele
está salvo do pecado; ainda assim, não inteiramente: O pecado permanece, embora não
reine. Se você pensar que ele não reina (nos bebês, pelo menos, quer seja este o caso
com homens jovens ou adultos), você certamente não tem considerado a altura, a
profundidade, a largura, e comprimento da lei de Deus; (mesmo a lei do amor, escrita
por Paulo, no décimo-terceiro capítulo de Corintios); e que toda anomia,
desconformidade, ou desvio, para com esta lei, é pecado. Agora, não existe
desconformidade a ela, no coração ou vida de um crente? O que pode ser em um cristão
adulto, é outra questão; mas que estranho deve ser para a natureza humana, aquele que
pode possivelmente imaginar que este é o caso com todo bebê em Cristo!

4. 'Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus,


que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito'. (Romanos 8:1).

[O que se segue, por algumas páginas, é uma resposta a um documento,


publicado na Cristian Magazine, p. 577-592. Eu estou surpreso que o Sr. Dodd tenha
dado a tal documento um lugar em sua revista, o que é diretamente contrário ao Nono
Artigo – Editor]

[Esta é a carta escrita por John Wesley ao Sr. Dodd – acréscimo da tradutora]

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05 de Março, 1767

Ao Editor de Lloyd´s Evening Post

"Senhor",
"Muitas vezes, o redator da Christian Magazine tem me atacado sem medo ou
finura; e, por este meio, ele tem convencido seus leitores imparciais de uma coisa, pelo
menos — que (como, vulgarmente, se diz) seus dedos comicham, para estar diante de
mim; que ele tem o desejo passional de medir espadas comigo. Mas eu tenho um outro
trabalho em minhas mãos: eu posso aplicar o pouco que resta da minha vida em
propósitos melhores!"

"Os fatos de seu último ataque são esses: Trinta e cinco, ou, trinta e seis anos
atrás, eu admirava muito o caráter do cristão perfeito desenhado por Clemens
Alexandrinus. Há vinte e cinco, ou, vinte e seis anos, um pensamento me veio à mente:
esboçar tal caráter, por mim mesmo; apenas, que de uma maneira mais bíblica e,
principalmente, nas próprias palavras da Escrituras: isto eu intitulei: ‘O Caráter de
um Metodista’, acreditando que, curiosamente, poderia incitar mais pessoas a ler isso,
e, também, que alguns preconceitos pudessem, desse modo, ser removidos do homem
sincero".

"Mas, para que ninguém imaginasse que eu pretendia um elogio a mim, ou aos
meus amigos, eu me resguardei contra isso, no próprio título da página, dizendo tanto
em meu nome como no deles:'Não como se eu já tivesse atingindo, tampouco como se já
fosse perfeito'".

“Para o mesmo efeito, eu falo na conclusão: ‘Esses são os mesmos princípios e


práticas de nossa religião; sãos as marcas de um verdadeiro Metodista’; que é, um
verdadeiro cristão; como eu, imediatamente, depois, expliquei: ‘por esses princípios
apenas fazer com que aqueles que estão no ridículo, assim chamados, desejem ser
distinguidos de outros homens’. ‘Por essas marcas fazer com que nós trabalhemos,
para distinguir a nós mesmos daqueles, cujas mente e vida, não estão de acordo com o
Evangelho de Cristo’”.

“Este inferior, ou Dr. Dodd, diz, ‘Um metodista é, de acordo com o Sr. Wesley,
um que é perfeito, e não peca em pensamento, palavra, ou ação’. Senhor, queira me
desculpar! Isso não é ‘de acordo com o Sr. Wesley’. Eu tenho dito com todas as
palavras que eu não sou perfeito; e, ainda você me permite ser um Metodista! Eu disse
a você, categoricamente, que eu não consegui o caráter que eu esbocei. Você irá fixar
isso em mim, apesar dos meus dentes? ‘Mas o Sr. Wesley diz que outros Metodistas
têm’, Eu não digo tal coisa! O que eu digo, depois de ter dado um relato bíblico de um
perfeito cristão, é isso: ‘Por essas marcas o Metodista deseja ser distinguido de outros
homens; por essas marcas nós trabalhamos para distinguir a nós mesmos’. E você não
deseja e trabalha para o mesmo propósito?”.

"Mas você insiste: 'O Sr. Wesley afirma que o Metodista (isto é, todos os
Metodistas) é, perfeitamente, santo e íntegro'. Onde eu afirmei isso? Não, em alguma
propaganda religiosa! Diante disso, eu afirmo justo o contrário; e que eu afirmo isso,
seja lá onde for, é mais do que eu sei. Fique à vontade, senhor, de assinalar o local:
até que isso seja feito, tudo o que você acrescentou (amargo, o suficiente) é mera
'trovoada'; e os Metodistas (assim chamados) podem ainda declarar (sem qualquer
punição de sua sinceridade) que eles não vêm à mesa santa 'confiando em sua própria
retidão, mas nas múltiplas e grandiosas misericórdias de Deus'".
Eu sou, senhor,
Seu,
John Wesley
--------------

→ Esses são reunidos, como se eles fossem a mesma coisa. Mas eles
não o são. A culpa é uma coisa, o poder outra, e a existência outra,
ainda. Que os crentes estão livres da culpa e poder do pecado nós
admitimos; que eles estão livres da existência dele, nós negamos.
Nem isto, de alguma maneira, se conclui desses textos. Um homem
pode ter o Espírito de Deus habitando nele, e pode 'caminhar,
segundo o Espírito', embora ele sinta ainda 'a carne entregando-se à
luxúria, contra o Espírito'.

5. "Mas a 'igreja é o corpo de Cristo' - (Colossenses 1:24) 'Regozijo-me agora


no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo
seu corpo, que é a igreja'; isto implica que seus membros são lavados de todas as suas
sujidades; do contrário irá se seguir que Cristo e Belial estão incorporados um com o
outro".

→ Não. Pelo fato de 'aqueles que são o corpo místico de Cristo, ainda sentirem
a carne cobiçando contra o Espírito', isto não quer dizer que Cristo tem
alguma camaradagem com o diabo; ou com aquele pecado que ele os
capacita a resistir e dominar!

6. "Mas os cristãos 'chegaram ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à


Jerusalém celestial', onde 'nada corrompido entra?".' (Hebreus 12:22): Ou seja, céu e
terra, todos concordam, todos são uma grande família.

→ E são igualmente santos e corrompidos, enquanto eles 'caminham segundo o


Espírito'; embora conscientes que existe um outro princípio neles, e que
'estes são contrários um ao outro'.

7. 'Mas os cristãos estão reconciliados para Deus. Agora isto não poderia ser,
se alguma mente carnal restasse; porque esta é inimiga contra Deus:
Conseqüentemente, nenhuma reconciliação pode ser efetiva, a não ser através de sua
total destruição'.

→ Nós estamos 'reconciliados para Deus, através do sangue na cruz': E,


naquele momento, a corrupção da natureza, que é inimiga de Deus, foi
colocada debaixo de nossos pés; a carne não teve mais domínio sobre nós.
Mas ela ainda existe; e ela ainda é, em sua natureza, inimiga com Deus,
cobiçando contra seu Espírito.

8. "Mas em (Gálatas 5:24) 'E os que são de Cristo crucificaram a carne com as
suas paixões e concupiscências'". "Mais do que isto', (Colossenses 3:9) 'eles já
despiram o velho homem com seus feitos'".

→ Eles o fizeram; e, no sentido acima descrito, 'as coisas velhas são passadas,
e todas as coisas se tornaram novas'. Existe ema centena de textos, e eles
podem ser citados, para o mesmo efeito; e todos irão admitir a mesma
resposta – "Mas, para dizer tudo em uma só palavra': (Efésios 5:25) 'Cristo
amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar,
purificando-a com a lavagem da água, pela palavra; para a apresentar a si
mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas
santa e irrepreensível'". E, assim, será no final: Mas não foi, ainda, desde o
começo.

9. 'Mas que a experiência fala: Todos os que são justificados encontram,


naquele momento, uma liberdade absoluta de todos os pecados'.

→ Isto eu duvido; mas se eles encontram, isto acontece, mesmo depois?


Caso não alcancem coisa alguma. – 'Se eles não encontram, é culpa
deles'. Isto necessita ser provado.

10. 'Mas, na própria natureza das coisas, um homem pode ter orgulho nele, e
não ser orgulhoso; ter ira, e ainda assim, não estar irado?'

→ Um homem pode ter orgulho nele; pode pensar, em algumas


particularidades, acima do que deveria pensar, (e, assim, ser
orgulhoso, naquele particular), mas, no entanto, não ser um homem
orgulhoso, em seu caráter geral. Ele pode ter raiva nele; sim, e uma
forte inclinação para uma raiva furiosa, sem dar oportunidade a ela. –
'Mas a ira e o orgulho podem estar naquele coração, onde apenas a
mansidão e humildade são sentidos?'. Não. Mas algum orgulho e ira
podem estar no coração, onde existe humildade e mansidão.

'É não é proveitoso dizer que esses temperamentos estão lá, mas que eles não
reinam:porque o pecado não pode, em alguma espécie ou grau, existir onde ele não
reina; porque a culpa e o poder são propriedades essenciais do pecado. Portanto, onde
um deles está, todos deverão estar'.

→ De fato, estranho! 'O pecado não pode, em alguma espécie ou grau,


existir, onde ele não reina?'. Absolutamente contrário, a toda
experiência, a todas as Escrituras, a todo bom-senso. Ressentimento
de uma afronta é pecado; é anomia, desconformidade para com a lei
do amor. Isto tem existido em mim milhares de vezes. Ainda assim,
ele não reinou, e não reina. --

'Mas a culpa e poder são propriedades essenciais do pecado; portanto, onde um


está, todos deverão estar'.

→ Não. No exemplo, diante de nós, se o ressentimento que eu sinto não


prolifera, mesmo por um momento, não existe culpa, afinal;
nenhuma condenação de Deus sobre esse assunto. E, neste caso, ele
não tem poder: embora ele 'cobice contra o Espírito', ele não pode
prevalecer. Aqui, portanto, como, em milhares de exemplos, existe
pecado, sem tanto culpa ou poder.

11. 'Mas a suposição de haver pecado em um crente, é significativo com todas


as ciosas assustadoras e desanimadoras. Isto sugere a contenda com o poder que tem a
possessão de nossa força; mantêm usurpação dele de nossos corações; e lá promove a
guerra contra nosso Redentor'.

→ Não assim: A supondo-se que o pecado esteja em nós, isto não


implica que ele tem a possessão de nossas forças; não mais do que
um homem crucificado tem a posse daqueles que o crucificaram.
Como implica pouco que 'o pecado mantenha sua usurpação de
nossos corações'. O usurpador é destronado. Ele permanece, de fato,
onde ele uma vez reinou; mas permanece algemado. De maneira que
se, em algum sentido, ele 'efetua a guerra', ainda assim, ele vai se
tornando mais e mais fraco, enquanto o crente segue de força e
força, em vitória, em vitória.

12. 'Eu ainda não estou satisfeito: Ele que tem pecado nele, é um escravo do
pecado. Portanto, você supõe que um homem seja santificado, enquanto ele é escravo
do pecado. Agora, se você admite que os homens possam ser justificados, enquanto eles
têm orgulho, ira, ou descrença neles; mais ainda, se você afirma que esses estão (pelo
menos por um tempo), em todo aquele que é justificado; qual a surpresa de termos
tantos crentes orgulhosos, irados, descrentes?!

→ Eu não suponho que algum homem que seja justificado, seja um


escravo do pecado. Ainda assim, eu suponho que o pecado
permaneça (pelo menos por um tempo), em todo aquele que está
justificado.

'Mas, se o pecado permanece em um crente, ele é um homem pecador: Se o


orgulho, por exemplo, ele é orgulhoso; se obstinação, então, ele é obstinado; se
descrença, então, ele é um descrente; conseqüentemente, não é um crente, afinal.
Como, então, ele se difere dos descrentes, dos homens degenerados?'.

→ Isto ainda é brincar com as palavras. Significa não mais do que, se


existe pecado, orgulho, obstinação nele, então – existe pecado,
orgulho, obstinação. E isto, ninguém pode negar. Neste sentido,
então, ele é orgulho, ou obstinado. Mas ele não é orgulhoso ou
obstinado, no mesmo sentido que os descrentes são; ou seja,
governados pelo orgulho e vontade própria. Neste contexto, ele
difere dos homens degenerados. Estes obedecem ao pecado. Ele
não. A carne está em ambos. Mas eles caminham 'segundo a carne';
e ele 'caminha segundo o Espírito'.

'Mas como um descrente pode ser um crente?'.

→ Estas ´palavras têm dois significados. Elas significam tanto nenhuma


fé, quanto pouca fé; tanto a ausência da fé, ou a fraqueza dela. No
primeiro sentido, o descrente não é um crente; no segundo, eles são
todos bebês. A fé deles está comumente misturada com dúvida e
temor; ou seja, no segundo sentido, com descrença. 'Por que temeis',
diz o Senhor, 'ó homens de pouca fé?' (Mateus 8:26). Novamente:
'Ó tu, homem de pouca fé, porque motivo duvidais?'. Vocês vêem
aqui, que havia descrença nos crentes; pouca fé e muita fé.
13. 'Mas esta doutrina de que o pecado permanece no crente; de que um homem
pode estar no favor de Deus, enquanto ele tem pecado em seu coração; certamente,
tende a encorajar os homens ao pecado'.

→ Entenda a proposição corretamente, e tal conseqüência não irá se


seguir. Um homem pode estar no favor de Deus, embora ele sinta
pecado; mas não se ele se entrega a ele. Ter pecado não significa
perder o favor de Deus; mas dar oportunidade a ele, sim. Embora a
carne em vocês 'cobicem contra o Espírito', vocês podem ainda ser
filhos de Deus; mas, se vocês 'caminham segundo a carne', vocês
são filhos do diabo. Agora, esta doutrina não encoraja a obedecer ao
pecado, mas a resistir a ele, com todas as nossas forças.

1. A somatória de tudo é esta: Existem, em cada pessoa, mesmo depois que ela é
justificada, dois princípios contrários: natureza e graça, denominada por Paulo, de carne
e Espírito. Por isso, embora os bebês em Cristo estejam santificados, ainda assim, será
apenas em parte. Em um grau, de acordo com a medida da sua fé, eles são espirituais;
mas, em outro, são carnais. Desta forma, os crentes são continuamente exortados a
vigiar contra a carne, tanto quanto contra o mundo e o diabo. E isto concorda com a
experiência constante dos filhos de Deus. Enquanto eles sentem esse testemunho, em si
mesmos, eles sentem sua vontade, não totalmente resignada à vontade de Deus. Eles
sabem que eles estão Nele; mas ainda, encontram um coração pronto para se separar de
Dele; uma propensão para o mal, em muitas instâncias, e uma relutância para o que é
bom. A doutrina contrária é totalmente nova; nunca ouvida na Igreja de Cristo, desde o
tempo de sua vinda para o mundo, até o tempo do Conde Zinzendorf; e ela é atendida
com as mais fatais conseqüências. Ela remove a vigilância contra nossa natureza
pecaminosa; contra a Dalila que nos disseram que tinha ido, embora ela ainda esteja em
nosso seio. Ela faz em pedaços a proteção dos crentes fracos, despojados de sua fé, e,
assim, deixando-os expostos a todos os assaltos do mundo, da carne e do diabo.

2. Que possamos, portanto, segurar firme a doutrina perfeita, 'uma vez entregue
para os santos', e concedida aos oráculos de Deus na terra, para todas as gerações que
se seguiram: A de que, embora estejamos renovados, limpos, purificados, santificados, e
verdadeiramente crermos em Cristo, no momento; ainda assim, nós não estamos
renovados, limpos, purificados, completamente; já que a carne; a natureza pecaminosa,
ainda permanece (embora dominada), e guerreia contra o Espírito. Quanto mais usamos
de toda diligência para 'lutar a boa luta da fé'. Quanto mais sinceramente 'vigiamos e
oramos' contra o inimigo nela. Quanto mais cuidadosamente permitimos nos 'colocar no
amor total de Deus'; embora, 'contendamos com a carne, e sangue e principados, e com
poderes, e espíritos pecaminosos, nos altos lugares', mais seremos capazes de resistir,
no dia de tentação; e, tendo feito tudo, permanecermos.

[Editado por Angel Miller, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
O ARREPENDIMENTO DOS CRENTES
(Sermão 14)

Londonderry, 24 de Abril 1767

'O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo.


Arrependei-vos e crede no Evangelho'. (Marcos 1:15)

I. Em que sentido nós devemos nos arrepender?

II. Supondo que nos arrependamos, então, seremos chamados a 'crer no


Evangelho?'

III. Nós somos totalmente santificados, quando somos justificados, e nossos


corações são limpos de todo o pecado?

1. Supõe-se geralmente, que o arrependimento e fé são apenas o portal da


religião; que eles são necessários, apenas no começo de nossa trajetória cristã, quando
nós estamos de fora do caminho para o reino. E isto pode ser confirmado pelo grande
Apóstolo, quando, exortando aos cristãos hebreus a 'buscarem a perfeição', ele os
ensina a deixar esses primeiros 'princípios da doutrina de Cristo; não colocando
novamente o fundamento do arrependimento das obras mortas, e da fé, em direção a
Deus'; o que pode significar, por fim, que eles deveriam deixar, comparativamente,
esses, que, a principio, tomaram todos os seus pensamentos, com o objetivo de seguir
adiante, em direção à recompensa do grande chamado de Deus em Jesus Cristo.

2. E é indubitavelmente verdade que existe um arrependimento e uma fé que são,


mais especialmente, necessárias, no início: o arrependimento que é a convicção de nossa
mais extrema pecaminosidade, culpabilidade, e impotência; e que precede nosso
recebimento do reino de Deus que, nosso Senhor, observa, está 'dentro de nós'; e uma
fé, por meio da qual recebemos aquele reino; até mesmo, retidão, paz e alegria no
Espírito Santo.

3. Não obstante isso, existe também um arrependimento e uma fé (tomando as


palavras em outro sentido; um sentido não completamente o mesmo; nem ainda,
inteiramente, diferente) que são requisitados depois de termos 'acreditado no
Evangelho'; e, em cada estágio subseqüente de nossa trajetória cristã, ou nós não
poderemos 'correr a corrida que se coloca diante de nós'. E esse arrependimento e fé
são tão necessários, com o objetivo de nossa continuidade e crescimento na graça, como
a fé e o arrependimento anteriores foram, com o objetivo de nossa entrada no Reino de
Deus.

Mas, em que sentido nós devemos nos arrepender e acreditar, depois de sermos
justificados? Esta é uma importante questão. E vale a pena ser considerada com a mais
extrema atenção.

I
E, primeiro, em que sentidos nós devemos nos arrepender?

(1) Arrependimento freqüentemente significa uma mudança interior de mente,


do pecado, para a santidade. Mas nós agora falamos em um sentido completamente
diferente, como se fosse uma espécie de autoconhecimento: o conhecer a nós mesmos
pecadores; pecadores culpados, e impotentes, ainda que saibamos que somos filhos de
Deus.

(2) De fato, quando nós, primeiro, sabemos disso; quando nós primeiro
encontramos redenção no sangue de Cristo; quando o amor de Deus é primeiro
derramado em nossos corações, e seu reino colocado neles; é natural supor que nós não
seremos mais pecadores, que todos os nossos pecados, não apenas foram cobertos, mas
foram destruídos. Como se nós, então, não sentíssemos qualquer mal em nossos
corações; nós rapidamente imaginamos que não existe coisa alguma neles. Mais ainda;
alguns homens bem-intencionados têm imaginado que isto não é apenas, naquele
momento, mas o será para sempre; tendo persuadido a si mesmos, que, quando eles
foram justificados, eles foram inteiramente santificados: sim; que eles tinham colocado
como uma regra geral, a despeito das Escrituras, razão e experiência. Esses
sinceramente acreditam; e, honestamente, afirmam que todo o pecado foi destruído,
quando nós fomos justificados; e que não existe pecado, no coração do crente; mas que
ele está completamente limpo, dali em diante. Mas, embora, nós rapidamente
reconheçamos 'que aquele que crê é nascido de Deus' , e 'que aquele que é nascido de
Deus não comete pecado'; ainda assim, nós não podemos permitir que ele não o sinta
dentro de si: ele pode não reinar, mas ainda permanece. E a convicção do pecado que
permanece em nosso coração, é o grande motivo do arrependimento do qual nós
estamos falando a respeito.

(3) Já que, dificilmente, muito tempo antes que ele imaginasse que todo pecado
tinha desaparecido, ele sentiu que ainda havia orgulho em seu coração. Ele está tão
convencido, que, em muitos aspectos, pensa, sobre si mesmo, mais altamente do que
deveria, e tem dado, a si mesmo, mérito por alguma coisa que tenha recebido, e se
gloriado, naquilo que ainda não recebeu; e ainda assim, ele sabe que está no favor de
Deus. Ele não pode, e não deve 'atirar fora sua confiança'. 'O Espírito' ainda
'testemunha com' seu 'espírito, que ele é um filho de Deus'.

(4) Nem foi muito tempo antes que ele sentisse vontade própria, em seu coração;
mesmo uma vontade contrária à vontade de Deus. Uma vontade que todo homem deve
inevitavelmente ter, por tanto tempo quanto ele tiver entendimento. Esta é uma parte
essencial da natureza humana; realmente, da natureza de toda existência inteligente.
Nosso abençoado Senhor, por si mesmo, tinha vontade própria como qualquer homem;
do contrário ele não teria sido um homem. Mas sua vontade humana estava
invariavelmente sujeita à vontade de seu Pai. Em todos os momentos, e em todas as
ocasiões, mesmo na mais profunda aflição, ele pode dizer: 'Não como eu quero, mas
como Tu queres'. Mas este não é o caso, todo o momento, mesmo com respeito ao
crente verdadeiro em Cristo. Ele freqüentemente certifica-se que sua vontade, mais ou
menos, exalta a si mesmo contra a vontade de Deus. Ele deseja alguma coisa, porque
isto é agradável à sua natureza, mas que não é agradável a Deus, e ele é avesso a
alguma, que seja dolorosa à sua natureza, mas que é da vontade de Deus com respeito a
ele. De fato, supondo-se que ele continue na fé, ele luta contra ela com toda sua força;
mas essa mesma coisa implica que ela realmente existe, e que ele está consciente dela.

(5) Agora, a vontade própria, assim como o orgulho, é uma espécie de idolatria,
e ambos estão diretamente contrários ao amor de Deus. A mesma observação pode ser
feita com respeito ao amor do mundo. Mas isso, igualmente, mesmo os verdadeiros
crentes são capazes de sentir em si mesmos; e cada um deles sente isso, mais ou menos,
cedo ou tarde, de um modo ou de outro. É verdade que, quando ele primeiro 'passa da
morte para a vida', ele deseja nada mais do que Deus. Ele pode verdadeiramente dizer:
'Todo meu desejo está junto a Ti, e junto à memória de Teu nome: quem eu tenho nos
céus, a não ser a Ti? E não existe nenhum nome sobre a terra, que eu deseje, além de
Ti'. Mas isto não acontece sempre assim. No decurso do tempo, ele irá sentir
novamente, embora, talvez apenas por alguns poucos momentos, tanto 'o desejo da
carne', ou 'o desejo dos olhos', ou 'o orgulho da vida'. Mais ainda. Se ele não vigiar e
orar continuamente, ele poderá encontrar a luxúria reavivando-se; sim, e levando-lhe
aflição, para que ele possa cair, até que escassamente tenha alguma força restante em si.
Ele pode sentir os assaltos da afeição desordenada; uma forte propensão a 'amar a
criatura mais do que o Criador'. Ele pode sentir, de milhares de maneiras diferentes,
um desejo das coisas mundanas ou prazerosas. Na mesma proporção, ele irá esquecer-se
de Deus; não buscando sua felicidade nele, e, conseqüentemente sendo um 'amante do
prazer, mais do que de Deus'.

(6) Se ele não se resguardar, a todo o momento, ele irá sentir novamente o desejo
dos olhos; o desejo de gratificar sua imaginação, com alguma coisa grande, bonita, ou
incomum. E em quantas maneiras esse desejo assalta a sua alma! Talvez, com respeito a
poucas ninharias, tais como vestuário, mobílias; coisas nunca designadas a satisfazer o
apetite de um espírito imortal. Ainda assim, quão natural é para nós, mesmo depois de
termos 'testado os poderes do mundo a vir', mergulhamos novamente nessas tolices;
desejo vil de coisas que perecem ao uso! Quão difícil é, mesmo para aqueles que sabem
em quem eles têm crido, vencer um ramo do desejo do olho, a curiosidade;
constantemente, para esmagá-la debaixo de seus pés; para desejar nada, meramente
porque é novo!

(7) E quão difícil é, mesmo para os filhos de Deus, dominar totalmente o


orgulho da vida! João parece querer dizer, através disso, aproximadamente o mesmo
que a palavra denomina 'o senso de honra'. Este não é outro que um desejo, e deleita-se
'na honra que vem dos homens'; um desejo e amor da exaltação; e, que vem sempre
junto com ela; o temor proporcional da repreensão. Quase aliada a isso é a vergonha
diabólica; o estar envergonhado daquilo da qual deveríamos nos gloriar. E isto é
raramente separado do medo do homem que traz milhares de armadilhas à alma. Agora,
onde está aquele que, mesmo em meio aos que parecem fortes na fé, não encontra, em si
mesmo, um grau de todos esses temperamentos diabólicos? Assim sendo, mesmo esses
não estão — a não ser em parte —'crucificados para o mundo'; já que as raízes do mal
permanecem em seus corações.

(8) E nós não sentimos outros temperamentos que são tão contrários ao amor de
nosso próximo,assim como são para o amor de Deus? O amor de nosso próximo 'não
pensa o mal'. Nós não encontramos coisa alguma desse tipo? Nós nunca encontramos
algum ciúme; alguma conjectura diabólica; alguma suspeita infundada ou irracional?
Ele que é claro nesses aspectos, que atire a primeira pedra, em seu próximo. Quem,
algumas vezes, não sente outros temperamentos ou movimentos interiores, que ele sabe
são contrários ao amor fraterno? Se nada de malícia, ódio, ou amargura; se não existe
toque algum de maldade; particularmente, em direção àqueles que desfrutam de um bem
real ou suposto, que nós desejamos, mas não podemos obter? Nós nunca encontramos
algum grau de ressentimento, quando nós estamos injuriados ou somos afrontados;
especialmente por aqueles a quem, particularmente, amamos, e a quem nós temos mais
trabalhado para ajudar ou obsequiado? A injustiça ou ingratidão nunca despertou em
nós algum desejo de vingança?Algum desejo de pagar o mal com o mal; em vez de
'dominar o mal com bem?' Isto também mostra o quanto há de tranqüilidade em nossos
corações, o que é ao contrário ao amor de nosso próximo.

(9) A cobiça, em qualquer grau, é certamente tão contrária a isto, quanto é para
o amor de Deus; se o amor ao dinheiro, que é tão freqüentemente 'a raiz de todo o mal';
ou redundância, literalmente, o desejo de ter mais, ou aumentar em substância. E quão
poucos, mesmo os reais filhos de Deus, estão inteiramente livres de ambos! De fato, um
grande homem, Martinho Lutero, costumava dizer, que ele 'nunca teve qualquer cobiça
nele' (não apenas em seu estado de convertido, mas) 'desde que ele nasceu'. Mas, se for
assim, eu não tenho escrúpulos em dizer que ele era apenas um homem nascido de uma
mulher (exceto aquele que era Deus, tanto quanto homem), que não tinha, que nasceu
sem isto. Mais ainda, eu acredito, que nunca houve alguém nascido de Deis, que viveu
algum tempo consideravelmente depôs, que não sentiu, mais ou menos, disso, muitas
vezes; especialmente, no último sentido. Nós podemos, por conseguinte, colocar, como
uma verdade indiscutível, que a cobiça, junto com o orgulho, e vontade-própria, ou ira,
permanecem nos corações, mesmo daqueles que estão justificados.

(10) Está em experimentar isto, que tantas pessoas sérias têm se inclinado
entender a última parte do sétimo capítulo para os Romanos; não aqueles que estão
'debaixo da lei', e que foram convencidos do pecado, que é indubitavelmente o
significado do Apóstolo, mas aqueles que estão 'debaixo da graça'; daqueles que são
'justificados livremente, através da redenção que está em Cristo'. E é mais certo, que
eles estão assim agindo corretamente, — que ainda resta, mesmo nestes que estão
justificados, a mente que é, em alguma medida, carnal (assim diz o Apóstolo; até
mesmo, aos crentes em Corinto: 'vocês são carnais'); um coração propenso à apostasia;
ainda sempre pronto a 'se afastar do Deus vivo'; uma propensão ao orgulho, vontade
própria, ira, vingança, amor do mundo; sim, e todo o mal: a raiz da amargura, que, se o
impedimento fosse tirado fora, por um momento, iria instantaneamente brotar; sim, tal a
profundidade da corrupção; o que, sem a luz clara de Deus, nós não podemos
possivelmente conceber. E uma convicção de todo esse pecado, permanecendo em seus
corações, é o arrependimento que pertence a eles que estão justificados.

(11) Mas nós podemos igualmente ser convencidos, que como o pecado
permanece, em nossos corações, então ele se adere a todas as nossas palavras e ações.
De fato, deve ser temido que muitas de nossas palavras estejam mais do que misturadas
com o pecado; que elas sejam um pecado completamente; já que tal é indubitavelmente
toda conversa não generosa; toda aquela que não brota do amor fraternal; toda que não
concorda com a regra dourada: 'o que você gostaria que os outros fizessem a você. O
mesmo, então, faça aos outros'. Desse tipo são todas as apostasias; todo o mexerico;
todo boato; toda maledicência; ou seja, repetindo as faltas de pessoas ausentes; já que
ninguém teria ouros repetindo suas faltas, quando ele está ausente. Agora, quão poucos
existem, mesmo entre os crentes, que não são, em algum grau, culpados disso; que
prontamente observam a boa e velha regra: 'do morto, e do ausente, nada, a não ser o
bem!'. E suponham que eles façam; eles igualmente se abstêm da conversa improdutiva?
Isto ainda é um pecado inquestionável, e 'aflige o Espírito Santos de Deus': Sim, e
'para cada palavra inútil que os homens possam falar, eles deverão fazer um relato no
dia do julgamento'.

(12) Mas, vamos supor, que eles continuamente 'vigiam e oram', e então, 'não
caem' nessa 'tentação'; que eles constantemente colocam um vigia, diante de suas
bocas, e mantêm a porta de seus lábios, fechada; suponha que eles exercitam, em si
mesmos, que toda 'conversa deve ser na graça, temperada com sal, e contentando-se
em ministrar graça aos ouvintes'; ainda assim, eles não escorregam diariamente no
discurso inútil; não obstante toda sua precaução? E mesmo quando eles se esforçam
para falar por Deus, as suas palavras são puras; livres de misturas profanas? Eles não
encontram nada errado em suas intenções? Eles falam meramente para agradar a Deus, e
não parcialmente para satisfazer a si mesmos? Eles fazem totalmente a vontade de Deus,
e não suas próprias vontades também? Ou, se eles começam com o olho único, eles
continuam, em frente, 'olhando junto a Jesus', e falando com ele, todo o tempo, que eles
estão falando com seu próximo? Quando eles estão reprovando o pecado, eles não
sentem ira, ou temperamento indelicado para com o pecador? Quando eles estão
instruindo o ignorante, eles não encontram algum orgulho; não priorizam a si mesmos?
Quando eles estão confortando o aflito, ou induzindo um outro a amar e fazer as boas
obras, eles nunca percebem qualquer auto-aprovação interior: 'Agora, você falou bem?'.
Ou alguma vaidade — um desejo que outros possam pensar assim, e estimá-los, por este
motivo? Em alguns desses, ou em todos esses aspectos, quantos pecados se aderem às
melhores conversas. Até mesmo dos crentes! A convicção disso é outro motivo do
arrependimento que pertence àqueles que estão justificados.

(13) E quanto pecado, se a consciência deles está totalmente desperta, eles


podem encontrar, aderido às suas ações também! Mais ainda; não existem muitas
dessas, que, embora sejam tais, que o mundo não poderia condenar, ainda assim não
podem ser confiadas; não, nem desculpadas, se nós julgamos pela Palavra de Deus? Não
existem muitas dessas ações que, eles mesmos sabem, não são para a glória de Deus?
Muitas, nas quais, mesmo eles não tendo intenção disso; não foram empreendidas com
um olho para Deus? E dessas que foram, não existem muitas, nas quais o olho único
deles não está somente fixado em Deus — na qual eles estão fazendo a sua própria
vontade; pelo menos, tanto quanto a do Senhor; e buscando agradar a si mesmos, tanto
quanto, se não, mais do que agradam a Deus? — E, enquanto eles estão se esforçando
para fazer o bem a seu próximo, eles não sentem esses temperamentos errados de várias
espécies? Assim sendo, suas boas ações, assim chamadas, estão longe de serem
estritamente tais; estando poluídas com tal mistura de mal: tais são as obras da
misericórdia. E não existe a mesma mistura nelas? Enquanto eles estão ouvindo a
palavra que é capaz de salvar suas almas, eles não encontram freqüentemente tais
pensamentos que os tornam temerosos, com receio de que elas os conduzam à
condenação, em vez de sua salvação? Este não é sempre o mesmo caso; enquanto eles
estão se esforçando para oferecer suas orações a Deus, se em público ou privado? Mais
ainda, enquanto eles estão engajados no serviço mais solene; mesmo enquanto eles
estão na mesa do Senhor, quantas maneiras de pensamentos surgem neles! Não estão
seus corações, algumas vezes, vagueando nas extremidades da terra; algumas vezes,
cheios de tais imaginações, que os tornam receosos de que todo o sacrifício deles seja
uma abominação para o Senhor? Assim sendo, eles estão agora mais envergonhados de
suas melhores obrigações. Do que eles estiveram, uma vez, de seus piores pecados.

(14) Novamente: de quantos pecados de omissão estão eles encarregados! Nós


conhecemos as palavras do Apóstolo: 'Para aquele que conhece o bem, e não o pratica,
isto se constitui em pecado'. Mas eles conhecem os milhares de exemplos, em que eles
poderiam ter feito o bem aos inimigos, aos estranhos, para seus irmãos, tanto com
respeito aos seus corpos, ou almas, e eles não o fizeram? De quantas omissões eles têm
sido culpados, em suas obrigações em direção a Deus! Quantas oportunidades de
comunicação, de ouvir Sua palavra, de orar em público ou privativamente, eles têm
negligenciado! Tão grande motivo teve, mesmo aquele homem santo, Arcebispo Usher,
depois de todo seu trabalho para Deus, clamar em alta voz, em seu último suspiro:
'Senhor, perdoe meus pecados de omissão!'.

(15) Mas, além dessas omissões exteriores, eles não podem encontrar, em si
mesmos, um sem número de defeitos interiores? De todos os tipos? Eles não têm o
amor, o medo, a confiança que eles deveriam ter, em direção a Deus. Eles não têm amor
para com seu próximo; eles não amam o filho do homem; não, nem mesmo têm o amor
que é devido aos seus irmãos; não amam cada filho de Deus: os que estão distantes
deles, ou com os quais estão imediatamente conectados. Eles não têm temperamento
santo, no grau que deveriam. Eles são defeituosos em tudo — em uma consciência
profunda de que eles estão prontos a gritar, com M. De Renty: 'eu sou uma terra
coberta com espinhos'; ou, com Jó, clamar: 'Eu sou vil; eu abomino a mim mesmo, e
me arrependo, e me reduzo a cinzas'.

(16) A convicção de suas culpas é um outro ramo daquele arrependimento que


pertence aos filhos de Deus. Mas isto deve ser cuidadosamente entendido, e em um
sentido peculiar. Já que é certo que 'não existe condenação para aqueles que estão em
Jesus Cristo'; que acreditam nele, e no poder daquela fé que 'caminha não segundo a
carne, mas segundo o Espírito'. Contudo, eles não podem mais suportar a estrita justiça
de Deus agora, do que suportavam, antes de acreditarem. Isto declara que eles ainda são
merecedores da morte, sobre todos os relatos precedentes. E isto absolutamente os
condenaria por isso, não fosse pelo sangue redentor. Por conseguinte, eles são
totalmente convencidos que eles ainda merecem punição, embora ela seja colocada, por
isso, aparte deles. Mas aqui existem extremos, de um lado e de outro, e poucos se
desviam claramente deles. A maioria dos homens lança-se para um, ou para o outro
extremo; tanto pensando que estão condenados, quando eles não estão; quanto pensando
que eles merecem ser inocentados. Mais do que isto. A verdade fica no meio termo: eles
ainda merecerem, estritamente falando apenas na condenação do inferno. Mas o que
eles merecerem não cai sobre eles, porque eles 'têm um advogado com o Pai'. Sua vida,
morte e intercessão ainda se interpõem entre eles e a condenação.

(17) A convicção da mais extrema impotência é ainda outro ramo desse


arrependimento. Eu quero dizer, com isso, duas coisas: primeiro, que eles não estão
mais capazes de pensarem alguma coisa boa, de formar um bom desejo, de falar alguma
boa palavra, ou de realizar uma boa obra, do que antes de terem sido justificados; de que
eles não têm ainda espécie ou grau algum de força, em si mesmos; ou poder algum,
tanto para fazer o bem, quanto para resistir ao mal; habilidade alguma para conquistar,
ou mesmo opor-se ao mundo, ao mal, e à sua própria natureza diabólica. Eles podem, é
certo, fazer essas coisas; mas não pelas suas próprias forças. Eles têm poder de dominar
todos esses inimigos; uma vez que 'o pecado não mais domina sobre ele'; mas isto não
é da sua natureza, tanto no todo, quanto na parte; este é meramente o dom de Deus; nem
é dado todo, imediatamente, como se eles tivessem um suprimento disposto, durante
muitos anos; mas a cada momento.

(18) Mas, por esta impotência, eu quero dizer, em segundo lugar, uma
inabilidade absoluta para livrar a nós mesmos da culpa ou do deserto da punição, da
qual nós ainda estamos conscientes; uma inabilidade para remover, através de toda a
graça que temos (para não dizer coisa alguma de nossos poderes naturais), tanto o
orgulho, a vontade-própria, o amor do mundo, a ira, e a predisposição geral a se separar
de Deus, o que nós experimentalmente sabemos permanece, em nossos corações;
mesmo daqueles do qual estamos regenerados; ou do mal que, a despeito de todos os
nossos esforços, adere-se a todas as nossas palavras e ações. Acrescente a isto, uma
inabilidade extrema e total, para evitar a não generosidade, e, muito mais, a conversa
inútil; uma inabilidade para evitar os pecados de omissão, ou suprir os inúmeros
defeitos dos quais estamos convencidos; especialmente, da necessidade de amor, e
outros temperamentos certos, ambos para Deus e homem.

(19) Se algum homem não está satisfeito com isso; se alguém acredita que quem
quer que esteja justificado é capaz de remover esses pecados para fora de seu coração e
vida, deixe-o fazer o experimento. Deixe-o tentar se, pela graça que ele já tem recebido,
ele pode expulsar o orgulho, a vontade-própria, ou o pecado inato, em geral. Deixe-o
tentar, se ele pode limpar suas palavras e ações, de toda mistura do mal; se ele pode
evitar toda falta de generosidade e conversa sem proveito, com todos os pecados de
omissão; e, por fim, se ele pode substituir os inúmeros defeitos que ele encontra em si
mesmo. Deixe-o não ser desencorajado, por um ou dois experimentos, mas repita a
tentativa novamente e novamente; e, quanto tempo mais ele tentar, mais profundamente
ele será convencido de sua total impotência em todos esses aspectos.

(20) De fato, isto é uma verdade tão evidente, que quase todo filho de Deus,
espalhado, por todos os cantos, embora difiram em outros pontos, ainda assim, eles
geralmente concordam nesse: — que, embora nós possamos, 'pelo Espírito, mortificar
as ações do corpo'; resistir e dominar sobre o pecado exterior e interior; embora
possamos enfraquecer nossos inimigos dia a dia; — ainda assim, não podemos extirpá-
los. Mesmo que vigiemos e oremos sempre muito, não podemos limpar totalmente,
tanto nossos corações, quanto nossas mãos. Mais certo de que não podemos, até que
agrade nosso Senhor falar para nossos corações novamente; falar pela segunda vez:
'Sejam limpos': e, então, nossa sujidade será limpa. Somente assim, a raiz má, a mente
carnal, será destruída; e o pecado inato não subsistirá mais. Mas, se não houver uma
segunda chance; se não houver um livramento instantâneo, depois da justificação; se
não houver, a não ser uma obra gradual de Deus (já que existe um trabalho gradual que
ninguém pode negar), então, nós devemos ficar satisfeitos, tanto quanto for possível, de
permanecermos cheios do pecado, até a morte; e, assim sendo, devemos permanecer
culpados, até a morte, e continuamente merecendo punição. Já que é impossível que a
culpa ou o deserto da punição sejam removidos de nós, por quanto tempo todos esses
pecados permanecerem em nossos corações, e se aderirem às nossas palavras e ações.
Mais do que isto, na justiça rigorosa, todos nós pensamos, falamos, e agimos,
aumentando todos eles continuamente .
II

(1) Neste sentido, nós devemos nos arrepender, depois de sermos justificados. E
até que façamos isto, nós não poderemos seguir adiante. Já que, até que estejamos
sensíveis de nossa enfermidade, não poderá haver cura. Mas, supondo-se que nos
arrependamos; então, nós seremos chamados 'a crer no Evangelho'.

(2) E isto também deve ser entendido, em um sentido peculiar, diferentemente


daquilo, no qual nós acreditamos, com o objetivo da justificação. Acreditar nas boas
novas da grande salvação, a qual Deus tem preparado para todas as pessoas. Acreditar
que ele que é 'a luz da glória de seu Pai, e expressa a imagem de sua pessoa', é 'capaz
de salvar, ao extremo, todos que vêm junto a Deus, através dele'. Ele é capaz de salvar
você de todo o pecado que ainda permanece em seu coração. Ele é capaz de salvar você
de todo o pecado que adere a todas as suas palavras e ações. Ele é capaz de salvar você
de todo o pecado de omissão, e substituir o que quer que seja necessário em você. É
verdade que isto é impossível com o homem; mas com o grande Deus, todas as coisas
são possíveis. O que pode ser mais difícil para ele que tem 'todo o poder dos céus e
terra?'.

De fato, o mero poder do homem para fazer isto não é um poder suficiente, a
menos que Ele tivesse prometido isto. Mas ele não o fez: ele tem prometido isto, sempre
e sempre, em condições mais fortes. Ele nos tem dado essas 'promessas excedentes,
grandes e preciosas', tanto no Velho, quanto no Novo Testamento. De modo que lemos
na lei, na parte mais antiga da Palavra de Deus: 'E o Senhor, seu Deus, circuncidará o
teu coração, e o coração de tua semente, para amares ao Senhor teu Deus, com todo
teu coração, e com toda a tua alma, para que vivas'. (Deut. 30:6). Assim como nos
Salmos: 'Ele irá redimir Israel', a Israel de Deus, 'de todo pecado'. Como nas palavras
do profeta: 'Então, espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas
vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E vos darei um coração
novo, e porei dentro de vós, um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa
carne, e vos darei um coração de carne. Porei dentro de vós o me Espírito, e fareis
com que andeis em meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis... E vos
livrarei de todas as suas imundícias'. (Ezequiel 36:25-29). Assim, igualmente, o Novo
Testamento, em (Lucas 1:68-75) 'Bendito o Senhor Deus de Israel; porque ele tem
redimido seu povo, e tem erguido uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo,
para nos livrar dos nossos inimigos, e das mãos de todos aqueles que nos aborrecem; e
para manifestar misericórdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo concerto, e
do juramento que jurou a nosso pai Abraão, de que ele iria garantir a nós que seríamos
libertos das mãos de nossos inimigos, se o servíssemos, sem temor, na santidade e
retidão, diante dele, todos os dias de nossas vidas'.

(3) Você tem, entretanto, bons motivos para acreditar que ele não apenas é
capaz, mas, de boa-vontade, fará isto; para limpar você de toda sujidade da carne e
espírito; para 'salvar você de toda imundícia'. Está é a coisa que você agora espera; esta
é a fé que, particularmente, precisa, ou seja, que o Grande Médico, o grande Amor de
sua alma, esteja disposto a tornar você, limpo. Mas ele de bom-grado fará isto, amanhã,
ou hoje? Deixe que ele mesmo responda: 'Hoje, se você ouvir' minha 'voz, não endureça
seu coração'. Se você deixar isto de fora, até amanhã, você endurecerá seu coração;
você se recusará a ouvir sua voz. Acredite, entretanto, que ele quer salvar você, hoje.
Ele de boa vontade quer salvá-lo agora. 'Observe, agora, que o tempo chegou'. Ele diz:
'Seja limpo!'. Apenas acredite, e você irá se certificar também 'que todas as coisas são
possíveis para aquele que crê'.

(4) Continue a acreditar nele que o amou, e deu a si mesmo por você; que
carregou todos seus pecados, em seu próprio corpo, no madeiro; salvou você de toda
condenação, através de seu sangue continuamente consagrado. Assim é que nós
continuamos em um estado justificado. E, quando nós seguimos 'de fé em fé', quando
nós temos fé para sermos limpos do pecado que habita em nós; para sermos salvos de
toda nossa imundícia, nós estamos igualmente salvos daquela culpa; daquele deserto de
punição, que sentimos antes. De modo que, então, podemos dizer, não apenas: 'Todo o
momento, Senhor, eu quero o mérito de tua morte; mas igualmente, na certeza plena da
fé, todo o momento, Senhor, eu tenho o mérito de sua morte!

Porque, através dessa fé, na vida, morte e intercessão Dele por nós, renovadas a
todo o momento, nós estamos limpos, e, não apenas, não existe condenação alguma para
nós, mas também, o tal deserto de punição, como havia antes, já que o Senhor limpou
nossos corações e nossas vidas.

(5) Através da mesma fé nós sentimos o poder de Cristo, a todo o momento,


descansando sobre nós; pelo que, sozinhos, somos o que nós somos; pelo que somos
capacitados a continuar na vida espiritual, e sem o que, não obstante toda nossa
santidade presente, nós devemos ser demônios, no momento seguinte. Mas, por quanto
tempo retemos nossa fé nele, nós'estamos puxando água para fora dos poços da
salvação'. Inclinando-nos sobre nosso Amado; igualmente Cristo, em nós, a esperança
da glória; que habita em nossos corações pela fé; que, do mesmo modo, está sempre
intercedendo por nós, do lado direito de Deus; nós recebemos sua ajuda para pensar,
falar e agir; o que é aceitável a seus olhos. Assim, ele 'impede' aqueles que crêem, em
todos os seus 'feitos e os favorece com sua ajuda contínua'; de maneira que todos os
seus desígnios, conversas, e ações são 'começadas, continuadas e terminadas nele'.
Assim sendo, ele 'limpa os pensamentos de seus corações, através da inspiração do seu
Santo Espírito, para que eles podem amá-lo perfeitamente, e merecidamente magnificar
seu santo nome'.

(6) É assim que, nos filhos de Deus, arrependimento e fé respondem exatamente


um ao outro. Pelo arrependimento, nós sentimos o pecado, permanecendo, em nossos
corações, e aderido às nossas palavras e ações; pela fé, nós recebemos o poder de Deus
em Cristo, purificando nossos corações, e limpando nossas mãos. Pelo arrependimento,
nós ainda estamos sensíveis de que nós merecemos punição, por todos os nossos
temperamentos, palavras e ações; pela fé, nós estamos cônscios que nosso Advogado
está pleiteando, junto ao Pai, continuamente por nós, e, dali em diante, continuamente,
colocando de lado toda condenação e punição sobre nós. Pelo arrependimento, nós
temos uma convicção permanente de que não existe socorro em nós; pela fé, nós
recebemos, não apenas, misericórdia, 'mas a graça para ajudar', em todo o tempo de
necessidade. O arrependimento desaprova a mesma possibilidade alguma outra ajuda; a
fé aceita toda a ajuda que necessitamos dele, que tem todo o poder nos céus e terra. O
arrependimento diz: 'Sem ele, eu não posso fazer coisa alguma': A fé diz: 'Eu posso
todas as coisas, através de Cristo que me fortalece'. Através dele, eu posso não apenas
dominar, mas eliminar todos os inimigos de minha alma. Através dele, eu posso 'amar o
Senhor meu Deus, com todo meu coração, mente, alma e forças'; sim, e 'caminhar na
santidade e retidão, diante dele, todos os dias de minha vida'.
III

(1) Do que tem sido dito, nós podemos facilmente conhecer a maldade daquela
opinião: a de que nós estamos totalmente santificados, quando somos justificados; de
que nossos corações estão limpos, então, de todo o pecado. É verdade que nós somos,
assim, libertos, como foi observado antes, do domínio do pecado exterior; e, ao mesmo
tempo, o poder do pecado interior é tão afligido, que nós não precisamos mais seguir,
ou sermos conduzidos por ele: mas não é, de maneira alguma, verdade, que o pecado
interior foi, então, totalmente destruído; que as raízes do orgulho; da vontade própria, da
ira, e do amor do mundo foram, assim, arrancadas do coração; ou que a mente carnal e o
coração, inclinado à apostasia, foram inteiramente extirpados. E, supor o contrário, não
é, como alguns podem pensar, um erro inocente e inofensivo. Não: ele causa muito
dano: ele bloqueia inteiramente o caminho para alguma mudança posterior; já que
manifesta que, 'nem todos precisam de um médico, a não ser os que estão doentes'. Se,
entretanto, nós pensamos que estamos completamente saudáveis, não existe espaço para
buscar alguma cura posterior. Sobre essa suposição é absurdo esperar algum livramento
do pecado, mais tarde, se gradual ou instantâneo.

(2) Do contrário, uma convicção profunda de que não estamos ainda inteiros; de
que nossos corações não estão completamente purificados; de que existe ainda em nós
uma 'mente carnal', que é ainda, em sua natureza, 'inimiga contra Deus'; de que todo o
corpo do pecado permanece em nossos corações; enfraquecido, de fato, mas não
destruído; mostra, além de qualquer possibilidade de dúvida, que, no momento exato da
justificação, nós nascemos novamente: naquele momento, nós experimentamos aquela
mudança interior da 'escuridão, para a luz maravilhosa'; da imagem do bruto e
diabólico, para a imagem de Deus; da mente mundana, sensual e diabólica, para a mente
que estava em Jesus Cristo. Mas nós estamos, então, inteiramente mudados? Nós
estamos totalmente transformados na imagem daquele que nos criou? Longe disso: nós
ainda retemos a profundidade do pecado; e é a consciência disso que nos constrange a
murmurar por um completo livramento, a ele que é poderoso para salvar.

Assim é que todos aqueles crentes que não estão convencidos da profunda
corrupção de seus corações, a não ser, levemente, e, dessa forma, imaginariamente
convencidos, têm algum entendimento com respeito à santificação completa. Eles
podem possivelmente ter a opinião de que tal santificação deve acontecer, tanto no
momento da morte, ou algum tempo, em que eles não sabem quando, antes dela. Mas
eles não têm grande preocupação quanto à necessidade disso; e não estão famintos e
sedentos em busca dela. Eles nem poderiam, até que conhecessem a si mesmos melhor;
até que se arrependessem, no sentido acima descrito; até que Deus desvendasse a face
do monstro inato, e mostrasse a eles o estado real de suas almas. Então, apenas quando
eles sentissem o peso, eles iriam murmurar por livramento dele.

Então naquele momento, e não antes, eles clamaram, na agonia de suas almas:
'Interrompe o jugo do pecado inato, e liberta meu espírito completamente! Eu não
posso descansar até que me sinta puro; até que eu esteja completamente perdido em Ti'.

(3) Nós podemos aprender disso, em segundo lugar, que uma profunda
convicção de nosso demérito, depois de nós termos sido aceitos (o que, em um sentido,
pode ser denominada culpa), é absolutamente necessária, com o objetivo de buscarmos
o verdadeiro valor do sangue redentor; com o objetivo de sentirmos que precisamos
disso — tanto, antes de sermos justificados, quanto depois disso. Sem essa convicção,
nós podemos considerar o sangue da aliança, a não ser como uma coisa comum; alguma
coisa da qual nós não temos agora a mínima necessidade; vendo que todos os nossos
pecados passados foram apagados. Sim; mas se tanto nossos corações, quanto nossas
vidas, estão assim impuros, existe uma espécie de culpa que nós estamos contraindo a
todo o momento; e, em conseqüência disso, estamos a todo o momento nos expondo à
condenação; mas 'aquele que vive nas alturas, interce por nós. E, através de seu amor
redentor; seu sangue precioso advoga por nós'.

Este é o arrependimento, a e fé que estão intimamente conectados, e que podem


ser expressos nessas fortes linhas: 'Eu peco, a cada fôlego que tomo; não faço Tua
vontade; nem mantenho Tua lei, na terra, assim como os anjos o fazem nos céus: Mas,
a fonte ainda permanece aberta, lavando meus pés, meu coração e minhas mãos, até
que eu seja perfeito no amor'.

(4) Nós podemos observar, em terceiro lugar, que uma profunda convicção de
nossa extrema impotência, de nossa total inabilidade de reter alguma coisa que temos
recebido; muito mais para nos livrar do mundo da iniqüidade, permanecendo tanto em
nossos corações, quanto em nossas vidas, nos ensina verdadeiramente a viver em Cristo,
pela fé; não apenas, como nosso Sacerdote, mas como nosso Rei. Por meio disto, nós
somos trazidos para 'gloriarmos a Ele', de fato: para 'darmos a Ele toda a glória de sua
graça'; para 'o tornarmos nosso Salvador, por completo; e verdadeiramente colocarmos
a coroa sobre Sua cabeça'.

Como essas palavras excelentes têm sido freqüentemente usadas, elas têm tido
um pequeno, ou nenhum significado; mas, preenchidas do forte e profundo senso;
quando nós, assim como antes, abandonamos a nós mesmos, a fim de sermos tragados
Nele; quando nós mergulhamos no nada, para que Ele pudesse ser tudo em tudo; com
Sua graça poderosa, abolindo 'toda grande coisa que exaltava a si mesma contra Ele';
todo temperamento, pensamento, palavra e obra são 'trazidos para a obediência de
Cristo'.
A CIRCUNCISÃO DO CORAÇÃO
(Sermão 17)

Pregado na Igreja de St. Mary, Oxford, diante da Universidade.


1o. Janeiro de 1733.

"Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não


na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus" (Romanos 2:29)

1. A melancólica observação de um homem excelente, é que ele, que agora


prega os deveres mais essenciais do Cristianismo, corre o risco de ser considerado, por
uma grande parte dos que o ouvem, "o anunciador da nova doutrina". A maioria dos
homens viveu tão despreocupada, da essência daquela religião; o exercício da qual
ainda retém, que, tão logo, algumas dessas verdades foram propostas, mostrando a
diferença do Espírito de Cristo, do espírito do mundo, ela clamou alto: "Tu trouxestes
coisas estranhas aos nossos ouvidos; nós não sabemos o que essas coisas significam":
Mesmo que ele estivesse apenas pregando "Jesus e a ressurreição", com a conseqüência
necessária disso; ou seja, assim como Cristo ressuscitou, eles deveriam, então, morrer
para o mundo, e viver, completamente, para Deus!

2. É uma declaração dura para o homem natural, que está vivo para o mundo, e
morto para Deus; alguém que não será, prontamente, persuadido a receber isto, como
uma verdade de Deus, a menos que ele seja assim qualificado, na interpretação, a
respeito da qual, nem o uso, nem o discernimento restaram. Ele "não recebeu" a palavra
"do Espírito de Deus", tomada em seu significado claro e óbvio: "ela é insensatez", para
ele: nem ele pode conhecê-la, porque "ela é diferenciada espiritualmente". Ela é
distinguida, apenas por aquele senso espiritual, que ainda não foi acordado nele; assim,
ele rejeita como fantasias inúteis de homens, aquilo que é a sabedoria e o poder de
Deus.

3. Essa "circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra", -- que é a


marca distinta do verdadeiro seguidor de Cristo, de alguém que esteja, num estado de
aceitação com Deus; não é circuncisão externa, nem batismo, nem qualquer outra forma
exterior, mas o estado certo da alma, a mente e o espírito renovados, em busca da
imagem Dele, que o criou. É uma dessas importantes verdades que pode apenas ser,
espiritualmente, discernida. E isso o próprio Apóstolo intima nas palavras seguintes, –
"Cujo louvor não é dos homens, mas de Deus". Como se ele tivesse dito: "Não espere,
quem quer que tu sejas, que assim seguiu teu grande Mestre, que o mundo, que não o
seguiu, possa dizer: 'Muito bem, servo bom e fiel!' Saiba que a circuncisão do coração,
o lacre de teu chamado, é insensatez para o mundo. Estejas contente por esperar por teu
aplauso, até o dia da chegada de teu Senhor. Nesse dia, tu terás o louvor de Deus, na
grande assembléia de homens e anjos".

Eu desejo:

I. Primeiro, particularmente, inquirir, no que essa circuncisão do coração


consiste; e,
II. Segundo, mencionar algumas reflexões que, naturalmente, se levantam
de tal questionamento.

I.

1. Eu quero, Primeiro, inquirir, no que consiste esta circuncisão que irá receber
o louvor de Deus? Em geral, nós podemos observar, que é a disposição natural da alma,
que, nos escritos sagrados, é denominada santidade; e que diretamente implica em se
estar limpo do pecado, "de toda a imundície da carne e espírito"; e, em conseqüência,
ser investido com aquelas virtudes, as quais estavam também em Jesus Cristo; sendo tão
"renovado no espírito de nossa mente", quanto para ser "perfeito, como nosso Pai, nos
céus, é perfeito".

2. Para ser mais específico: Circuncisão do coração implica humildade, fé,


esperança, e misericórdia. Humildade: um reto julgamento de nós mesmos, limpando
nossa mente daqueles conceitos elevados da nossa própria perfeição; da opinião
inadequada de nossas próprias habilidades e talentos, os quais são frutos genuínos da
natureza corrompida. Ela extirpa, completamente, todo pensamento vão: "Eu sou rico e
sábio, e não tenho necessidade de coisa alguma"; e nos convence que, na melhor das
hipóteses, nós somos, todo pecado e vaidade; que a confusão, ignorância e erro reinam,
sobre nosso entendimento; que as paixões desarrazoadas, terrenas, sensuais e diabólicas
usurpam autoridade sobre nossa vontade; em uma palavra: não há parte alguma inteira,
em nossa alma, em que todos esses alicerces da nossa natureza estejam naturalmente
fora.

3. Ao mesmo tempo, nós somos convencidos de que não somos auto-suficientes,


para ajudarmos a nós mesmos; que, sem o Espírito de Deus, nós não podemos fazer
coisa alguma, a não ser acrescentar pecado ao pecado; que é Ele sozinho quem opera em
nós, pelo seu onipotente poder, tanto a vontade e o fazer o que é bom; sendo impossível
a nós, até mesmo, ter bons pensamentos, sem a assistência sobrenatural de seu Espírito,
tanto para nos criar, como para renovar toda nossa alma, na santidade justa e verdadeira.

4. O efeito certo, de nós termos formado esse julgamento correto da


pecaminosidade e impotência de nossa natureza, é a desconsideração daquela
"reputação que vem do homem", que é, usualmente, em retribuição a algumas
excelências supostas em nós. Ele que conhece a si mesmo, não deseja, nem valoriza o
aplauso que ele sabe que não merece. É, entretanto, "uma pequena coisa para ele, ser
avaliado pelo julgamento do homem". Ele tem toda a razão para pensar, comparando o
que é dito, a favor ou contra ele, com o que ele sente, em seu próprio peito, que o
mundo e o deus desse mundo foram "mentirosos, do princípio". Até como para aqueles
que não são do mundo. Ainda que ele escolhesse, se isso fosse da vontade de Deus, que
eles o tivessem em conta de alguém desejoso de ser encontrado, como um servo fiel dos
bens de seu Senhor. Se, por acaso, esse pudesse ser um meio de capacitá-lo a ser mais
útil para seus camaradas, contudo como essa é a única finalidade de suas vontades, para
a aprovação deles, então, ele, afinal, não se motiva: Já que ele está convicto de que, o
que quer que Deus deseje, Ele nunca pode querer meios para executar; já que Ele é
capaz, mesmos dessas pedras, erguer servos para seu prazer.
5. Essa é aquela humildade da mente, a qual eles têm aprendido de Cristo,
aqueles que seguem o exemplo dele, e trilham os seus passos. E esse conhecimento de
suas enfermidades, por meio do qual, eles são mais e mais limpos de uma parte delas,
orgulho e vaidade, os inclina a seguir, com uma mente propensa, a segunda coisa
implícita na circuncisão do coração, aquela fé que, sozinha, é capaz de fazê-los
completos, e que é o único medicamento dado, debaixo do céu, para curar suas
enfermidades.

6. O melhor guia de cego, a mais correta luz, daqueles que estão na escuridão, o
instrutor mais perfeito do insensato, é a fé. Mas deve ser tal fé como é a "força de Deus
para demolir fortalezas", para derrubar todos os preconceitos da razão corrupta; todos os
axiomas falsos acatados, entre os homens; todos os costumes e hábitos diabólicos; toda
aquela "sabedoria do mundo, que é insensatez para Deus", como "por abaixo
imaginação", raciocínio, "e toda coisa extrema que enalteça a si mesma, contra o
conhecimento de Deus, e traga, para o cativeiro, todo o pensamento para a obediência
de Cristo".

7. "Todas as coisas são possíveis a ele que", assim, "acredita". "Com os olhos de
seu entendimento, sendo iluminados", ele vê qual é o seu chamado: sempre glorificar a
Deus, que o comprou, com tão alto preço, em seu corpo, e em seu espírito, que agora
são de Deus, pela redenção e criação. Ele sente qual é a "grandeza excelente desse
poder", que ressuscitou Cristo da morte, de modo que é capaz de vivificar a nós, mortos
no pecado, "pelo seu Espírito que habita em nós". "Essa é a vitória, que supera o
mundo, mesmo nossa fé"; aquela fé, que não é apenas uma aquiescência inabalável,
para todos aqueles a quem Deus tem revelado nas Escrituras, -- e, em particular, para
aquelas verdades importantes: "Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores";
"Ele suportou nossos pecados, em seu próprio corpo, sobre a árvore"; "Ele é a expiação
para nossos pecados, e não apenas para os nossos, mas também, para os pecados de todo
o mundo"; [A parte seguinte desse parágrafo é agora acrescida ao sermão,
anteriormente, pregado] – mas, igualmente, a revelação de Cristo, em nossos corações; a
evidência ou convicção divina de seu amor; que eu, que sou um pecador não mereço; a
confiança certa, em sua misericórdia clemente, forjada em nós, pelo Espírito Santo; a
confiança, por meio da qual, todo crente verdadeiro é capacitado a dar testemunho: "Eu
sei que meu Redentor vive"; que eu tenho um "advogado com o Pai"; que "Jesus Cristo,
o justo", é o meu Senhor, e a "expiação de meus pecados". Eu sei que ele tem "me
amado, e dado a si mesmo por mim". Ele tem me reconciliado - mesmo a mim - para
com Deus; e eu "tenho redenção, através de seu sangue, até mesmo o perdão dos
pecados".

8. Tal fé, como essa, não pode falhar ao mostrar, evidentemente, o poder Dele
que a inspira, livrando seus filhos do jugo do pecado, e "purificando a consciência deles
das obras mortas"; fortalecendo-os assim, para que eles sejam, não muito longe,
constrangidos a serem obedientes ao pecado, aos desejos dele; mas, ao invés de
permitirem seus membros, como instrumentos de iniqüidade, "permitirem a si mesmos",
inteiramente, "para Deus, como aqueles que ressurgiram da morte".

9. Aqueles que são assim, pela fé, nascidos de Deus, têm também forte consolo
através da esperança. Essa é a próxima coisa com a qual a circuncisão do coração
implica; mesmo o testemunho do próprio espírito deles, com o Espírito o qual
testemunha em seus corações que [O parágrafo seguinte foi agora acrescido ao sermão,
anteriormente, pregado] eles são filhos de Deus. De fato, é o mesmo Espírito que opera
neles essa confiança clara e agradável, que o coração deles está aprumado, em direção a
Deus; aquela confiança boa, de que eles agora fazem, através da sua graça, as coisas que
são aceitáveis aos seus olhos; que eles estão agora, no caminho que os conduz à vida, e
devem, pela misericórdia de Deus, permanecer até o fim. É Ele que dá a eles a
expectativa vivaz de receber todas as coisas boas das mãos de Deus; um prospecto
jubiloso daquela coroa de glória, que lhes está reservada nos céus. Por essa âncora, o
cristão é mantido firme, no meio das ondas desse mundo problemático, e preservado de
arrebentar-se, em qualquer uma dessas rochas fatais, presunção e desespero. Ele não é
desencorajado, por não entender a severidade de seu Senhor; nem Ele menospreza as
riquezas de sua benevolência. Ele não teme que as dificuldades do curso da vida,
colocadas diante dele, sejam maiores do que ele tem forças para conquistar; nem espera
que elas sejam, tão pequenas, como para se submeterem na conquista, até que ele tenha
aplicado toda a sua força. A experiência que ele tem na arte de guerra cristã, como essa,
assegura a ele que seu "trabalho não é em vão", se "o que quer que ele tenha de fazer,
ele o fizer com todo seu poder". Isso o proíbe de cogitar qualquer pensamento inútil,
como o de obter alguma vantagem, quando nenhuma virtude pode ser mostrada;
qualquer elogio obtido, por corações lânguidos e mãos fracas; ou, de fato, por qualquer
um, a não ser aqueles que procuram a mesma direção com o grande Apóstolo dos
gentios — "Eu", diz ele, "então, sigo, não de maneira incerta; luto, não como alguém
que dá socos no ar: mas eu reprimo meu corpo, e o trago em sujeição; a fim de que, por
algum meio, quando eu pregar a outros, eu mesmo possa ser um réprobo".

10. Pela mesma disciplina, é todo bom soldado de Cristo, habituando-se a


suportar privação. Confirmado e fortalecido por isso, ele será capaz, não apenas, de
renunciar às obras da escuridão, mas a todo apetite também, e toda afeição, que não
estejam sujeitos à lei de Deus. Porque "cada um", diz, João, "que tem essa esperança,
purificada em si mesmo, assim como Ele é puro", deverá ter o cuidado, diário, pela
graça de Deus, em Cristo, e através do sangue da aliança, de purgar, os recessos mais
íntimos de sua alma, da luxúria, que antes a possuiu e a corrompeu; da impureza, inveja,
malícia, e ira; de toda paixão e temperamento que está atrás da carne, que brote, ou
nutra sua corrupção inerente: Sabendo que seu corpo é o templo de Deus, não deverá
admitir coisa alguma, vulgar ou impura, nele; e a santidade fará morada para sempre,
onde o Espírito da santidade autoriza morada.

11. Ainda assim, quem quer que tu sejas, tu necessitas de uma coisa: que se junte
a esperança vívida, à humildade profunda, e à fé firme, e, por meio disso, numa boa
medida, limpe teu coração da poluição inata. Se tu fores perfeito, acrescenta a todos
esses, misericórdia; acrescente amor, e tu terás a circuncisão do coração. "O amor é o
que cumpre a lei, é a finalidade do mandamento". Muitas coisas excelentes são faladas
sobre o amor; ele é a essência, o espírito, a vida e toda a virtude. Ele não é apenas o
primeiro e grande mandamento, mas é todos os mandamentos em um. "Por mais que as
coisas sejam justas; por mais que as coisas sejam puras; por mais que as coisas sejam
agradáveis, ou honradas"; se há alguma virtude, se há algum louvor, "eles estão todos
comprimidos nessa única palavra, — amor". Nisso há perfeição, glória, e felicidade. A
lei excelente dos céus e terra é essa: "Tu deves amar o Senhor teu Deus, com todo o teu
coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, e com toda as tuas forças".

12. Não que isso nos proíba de amar alguma coisa, além de Deus: Ele implica
que nós amemos nosso irmão também. Nem ainda, ele nos proíbe (como alguns têm
estranhamente imaginado) de ter prazer em coisa alguma, a não ser em Deus. Supor isso
é supor que a Fonte da santidade seja diretamente o autor do pecado; já que ele tem,
inseparavelmente, juntado prazer, para o uso daquelas criaturas, as quais são necessárias
para sustentar a vida que ele nos tem dado. Isso, entretanto, nunca pode ser o significado
de seu mandamento. Qual o sentido real dele, ambos, nosso amado Senhor e seus
Apóstolos nos dizem, muito freqüentemente, e muito plenamente, para ser mal
interpretado. Eles todos testemunham, com uma só boca, que o significado verdadeiro
dessas declarações diversas é: "O Senhor teu Deus é o único Senhor"; "Tu tens amado o
Senhor teu Deus com todas as tuas forças"; "Tu deves ser fiel a ele"; "O desejo de tua
alma deve ser o nome Dele"; -- não existe outra do que essa: O único Deus perfeito deve
ser a finalidade última de vocês. Uma coisa vocês devem desejar, por causa dele, -- o
proveito Dele, que é Tudo em Todos. Uma felicidade, nós podemos propor, para as
almas de vocês, sempre uma união com ele que as fez; tendo "camaradagem com o Pai e
o Filho"; sendo unidos ao Senhor, em um só Espírito. Um objetivo vocês devem
perseguir, até o fim dos tempos, — a alegria de Deus, no tempo e na eternidade. Desejar
outras coisas, tanto quanto elas puderem conduzir a isso. Amar as criaturas, já que elas
procedem do Criador. Mas, em cada passo que vocês derem, seja esse o ponto glorioso
que divise o objetivo de vocês. Deixem todas as afeições, pensamentos, palavras, e
obras estarem subordinados a isso. O que quer que vocês desejem ou temam; o que quer
que vocês busquem ou evitem; o que quer que vocês pensem ou façam, seja com o
objetivo de sua felicidade em Deus, a única finalidade, e a única fonte de sua existência.

13. Não existe fim, para o fim extremo, do que Deus. Como diz nosso Senhor:
"Uma coisa é necessária": E se teus olhos estiverem unicamente fixados nessa única
coisa, "todo teu corpo será cheio de luz". Como diz Paulo: "Uma única coisa eu faço: eu
me pressiono, em direção à marca, para o prêmio do chamado ilustre, em Cristo Jesus".
Assim diz Tiago: "Limpem suas mãos, vocês, pecadores; e purifiquem seus corações,
vocês irresolutos". Assim diz João: "não ame o mundo, nem as coisas que existem no
mundo. Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a lascívia do olho, e
o orgulho da vida, não são de Deus, mas do mundo". A felicidade buscada que gratifica
o desejo e a carne, por, agradavelmente, incidir sobre os sentidos externos; o desejo do
olho, da imaginação, por sua inovação, magnificência, ou beleza; ou o orgulho da vida,
se pela pompa, grandeza, poder, ou, a conseqüência usual deles, aplauso e admiração; --
"não são do Pai", não vêm, e, muito menos, são aprovados, pelo Pai dos espíritos; "mas
do mundo": Essa é a marca que distingue aqueles que não terão a Ele para reinar sobre
si mesmos.

II.

1. Assim, eu tenho, particularmente, inquirido do que se trata a circuncisão que


irá obter o louvor de Deus. Eu vou mencionar, em Segundo lugar, algumas reflexões
que, naturalmente, se erguem de tal questionamento, como uma regra clara, por meio da
qual, todo homem pode julgar, por si mesmo, se ele é de Deus ou do mundo. Primeiro:
Fica claro, pelo que foi dito, que nenhum homem tem o mérito do louvor de Deus, a
menos que seu coração seja circuncidado pela humildade; a menos que ele seja
pequeno, vulgar, e vil, aos seus próprios olhos; a menos que ele esteja convencido,
profundamente, dessa inata "corrupção de sua natureza", "por meio da qual, ele está
muito longe da retidão original", estando inclinado a todo o mal, avesso a todo o bem,
corrupto e abominável; tendo uma "mente carnal, em inimizade para com Deus, não se
submetendo à Sua lei; nem ele, de fato, conseguirá isso"; a menos que sinta,
continuamente, no mais íntimo de sua alma, que, sem o Espírito de Deus, latente sobre
ele, ele nunca poderá pensar, falar, ou fazer alguma coisa boa, ou agradável, aos olhos
Dele. Nenhum homem, eu afirmo, tem o mérito do louvor de Deus, até que ele sinta sua
necessidade de Deus; nem, realmente, até que ele busque aquela "honra que vem de
Deus apenas"; nem deseje ou vá atrás daquilo que vem do homem, a menos que tenda,
tão somente, a isso.

2. Uma outra verdade que se segue, naturalmente, ao que já foi dito, é, que
ninguém deverá obter a honra que vem de Deus; a menos que seu coração seja
circuncidado pela fé; mesmo a "fé da operação de Deus": A menos que, recusando-se a,
não mais, ser conduzido pelos seus sentidos, apetites, ou paixões, ou por aquele guia de
cego, tão idolatrado pelo mundo, o raciocínio natural, ele viva e caminhe pela fé;
dirigindo cada passo, como que "buscando a Ele que é invisível"; "olhe, não para as
coisas que são vistas, as quais são temporais, mas para as coisas que não são vistas, e
que são eternas"; e governe todos os seus desejos, desígnios, e pensamentos, todas as
suas ações e conversas; como alguém que é incorporado dentro do véu, onde Jesus está
sentado à direita de Deus.

3. Seria desejado que, aqueles que empregam muito do seu tempo e dores, em
estabelecer outras fundações; fundamentando religião, na aptidão eterna das coisas, na
excelência intrínseca da virtude, na beleza das ações fluindo disso; nas razões, como
eles as denominam, de bem e mal, e as relações da existência de um para com o outro,
fossem familiarizados com essa fé. Mesmo se, esses relatos das fundamentações do
dever cristão, coincidem com as Escrituras, ou não. Se for assim, por que os homens,
bem intencionados, estão perplexos, extraindo dos assuntos, de maior peso, da lei,
através de uma nuvem de termos, por meio da qual, as verdades mais fáceis são
explicadas na obscuridade? Se não for assim, então, seria melhor a eles considerarem
quem é o autor dessa nova doutrina; se ele é, igualmente, um anjo dos céus, que prega
um outro evangelho do que o de Jesus Cristo; Embora que, se ele fosse, Deus, e não nós
que teria pronunciado essa sentença: "Deixe-no ser amaldiçoado!".

4. Nosso evangelho, como ele não conhece algum outro alicerce das boas obras,
do que a fé, ou da fé, do que Cristo, então, ele, claramente, nos informa que nós não
seremos seus discípulos, enquanto negarmos que ele é o Autor, ou seu Espírito é o
Inspirador e Aperfeiçoador de ambas, nossa fé e obras. "Se algum homem não tem o
espírito de Cristo, ele não é nada dele". Ele sozinho pode vivificar aqueles que estão
mortos para Deus; pode soprar neles o sopro da vida cristã, e assim, prevenir,
acompanhar, e os seguir com a sua graça, para trazer os desejos bons deles, para os
efeitos bons. E, assim, como muitos são, dessa forma, conduzidos pelo Espírito de
Deus, eles são filhos de Deus. Esse é o relato breve e claro de Deus da religião e virtude
verdadeiras; e "outro alicerce, nenhum homem poderá estabelecer".

(5) Daquilo que foi dito, nós podemos, em Terceiro lugar, concluir que ninguém
é verdadeiramente "conduzido pelo Espírito", a menos que "o Espírito dê testemunho
com seu espírito, que ele é filho de Deus"; a menos que ele veja o prêmio e a coroa,
diante dele, e "regozije-se na esperança da glória de Deus". De maneira que, erraram,
grandemente, todos os que ensinaram que, servindo a Deus, nós não devemos ter uma
visão, para nossa própria felicidade. Não; mas nós somos, freqüentemente e
expressamente, ensinados, por Deus, a ter "apreço pela recompensa do galardão";
equilibrando a luta, com a "alegria, colocada diante de nós"; essas "aflições claras", com
aqueles "pesos excessivos da glória". Sim, nós somos "estranhos à aliança da
promessa", nós estamos "sem Deus no mundo", até que Deus, "da sua misericórdia
abundante, tenha nos recriado, na esperança viva da herança, incorruptível, inviolada, e
que não esmorece".

(6) Mas, se essas coisas são assim, é muito tempo, para essas pessoas lidarem,
fielmente, com suas próprias almas, que estão, tão longe, de encontrarem, em si
mesmas, essa garantia alegre de que, cumprindo os termos, obterão as promessas,
daquela aliança, a respeito da disputa com a própria aliança, e blasfemam das condições
dela; para reclamarem que elas são muito severas; e que nenhum homem viveu ou
deverá viver para cumpri-las. O que é isso, senão reprovar a Deus, como se ele fosse um
Mestre severo, requerendo de seus servos, mais do que eles são capazes de realizar? –
Como se ele tivesse escarnecido das obras impotentes de suas mãos, vinculando-os às
impossibilidades; ordenando-os a superar, onde, nem suas próprias forças, nem a graça
foram suficientes para eles?

(7) Esses blasfemadores poderiam quase persuadir (ao imaginarem a si mesmos,


inocentes) aqueles que, no extremo oposto, esperam cumprir os mandamentos de Deus,
sem carregarem qualquer dor, afinal.Tola esperança! Esse filho de Adão esperar,
alguma vez, ver o reino de Cristo e Deus, sem se esforçar; sem agonizar, primeiro,
"para entrar no portão estreito". Que ele, que "foi concebido e nascido no pecado", e
cujas "partes interiores são muito perversas", pudesse, alguma vez, hospedar um
pensamento de ser "puro como seu Senhor", a menos que "cortasse fora sua mão direta",
"arrancasse o olho direito, e o atirasse longe dele". Que ele pudesse, alguma vez, sonhar
em abalar suas velhas opiniões, paixões, temperamentos, de ser "santificado, no espirilo,
alma e corpo, completamente", sem um curso de abnegação geral, constante e
continuada.

(8) O que, menos do que isso, nós podemos, possivelmente, deduzir das palavras
acima citadas de Paulo, que vivendo "enfermidades terríveis, nas reprimendas, nas
necessidades, nas perseguições, nas angústias", pela causa de Cristo; que, estando cheio
de "sinais, e maravilhas e prodígios"; que, tendo sido "pego no terceiro céu"; ainda
assim, (como um recente autor, fortemente, expressou), não tivesse ele essa constante
abnegação, todas as suas virtudes seriam consideradas incertas, e mesmo sua salvação
considerada em perigo? "Assim, corro eu", diz ele, "não, de modo incerto"; então, "luto
eu, não, como alguém que dá socos no ar". O que ele, plenamente, nos ensina, é que ele
que assim não corre, e que assim não nega a si mesmo, todos os dias, corre, de modo
incerto, e luta, para tão pequeno propósito, como aquele que "dá socos no ar".

(9) Para quão pequeno propósito ele fala de "lutar a luta da fé"; quão,
vaidosamente, espera obter a coroa da idoneidade, (como nós podemos, por fim, inferir
das observações precedentes) aquele cujo coração não é circuncidado pelo amor? Amor,
removendo a luxúria da carne, a lascívia do olho, e o orgulho da vida, --
comprometendo o homem, completamente, corpo, alma e espírito, na busca ardorosa
desse objetivo único, -- é tão essencial para um filho de Deus, que, sem ele, quem quer
que viva é tido como morto diante dele. "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e
anjos e não tivesse amor; seria como metal que soa, ou como o sino que tine. Ainda que
eu tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; e ainda
que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor,
nada seria". Não, "ainda que eu desse toda a minha fortuna, para o sustento dos pobres,
e ainda que entregasse o meu corpo, para ser queimado; e não tivesse caridade, nada
disso me aproveitaria".

(10) Aqui, então, está a soma da lei perfeita; essa é a verdadeira circuncisão do
coração. Deixe o espírito retornar para Deus que o deu, com toda a série de afeições.
Deixe os rios fluírem novamente, para o lugar de onde todos vieram. Outros sacrifícios
de nós ele não iria querer; mas o sacrifício vivo do coração que ele tem escolhido.
Deixe-no ser, continuamente, oferecido a Deus, através de Cristo, em flamas de amor
santo. E não permita que alguma criatura compartilhe com ele. Porque ele é um Deus
zeloso. Seu trono ele não irá dividir com algum outro: Ele irá reinar, sem rival. Que
nenhum desígnio, nenhum desejo seja admitido lá, mas o que ele tem por seu objetivo
último. Esse é o caminho, onde, aqueles filhos de Deus caminharam, aqueles que,
estando mortos, ainda falam a nós: "Deseje não viver, mas louvar seu nome: Deixe
todos os seus pensamentos palavras, e obras, tenderem para sua glória. Coloque seu
coração firme nele, e, em outras coisas, apenas, se elas estão Nele, ou são Dele. Deixe
seu coração ser preenchido, inteiramente, com o amor Dele, que você não amará coisa
alguma, a não ser por causa Dele. Tenha uma pura intenção de coração, uma
consideração firme para com sua glória, em todas as suas ações. Fixe seus olhos, na
esperança abençoada do seu chamado, e faça todas as coisas do mundo servirem a ele".
Para que, então, e não até que, então, "seja aquela mente em nós, a qual também estava
em Jesus Cristo"; quando, "em todo mover do nosso coração, em toda palavra de nossa
língua, em toda obra de nossas mãos", nós "não possuamos nada, a não ser, em relação a
ele, e em subordinação ao seu prazer"; quando nós, também, não pensamos, falamos ou
agimos para cumprir nossa "própria vontade, mas a vontade dele que nos enviou",
quando, o que quer que comamos ou bebamos, o que quer que façamos, for tudo feito
para a glória de Deus".

[Originalmente editado por Dave Giles (estudante), com correções por George Lyons do
Northwest Nazarene College (Nampa, Idaho) para o Wesley Center for Applied
Theology.]

Esse documento é do servidor Christian Classics Ethereal Library. Versão para a


Wesley homepages - General Board of Global Ministries, The United Methodist
Church Web Server at http://gbgm-umc.org/
A PERFEIÇÃO CRISTÃ
(Sermão 40)

"Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar
aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus". Filipenses 3:12

1. Escassamente existe alguma expressão nos Santos Escritos que tenha causado
mais ofensa do que esta. A palavra, perfeito, é a que muitos não podem suportar. O
mesmo som dela é abominação para eles. E quem quer que pregue a perfeição (como a
frase está), ou seja, afirme que ela é alcançada nesta vida, corre grande risco de ser
considerado por eles, pior do que um ateu ou um publicano.

2. E, disto, alguns têm aconselhado totalmente a colocar de lado o uso daquelas


expressões, "porque elas têm causado tão grandes ofensas". Mas elas não são
encontradas nos oráculos de Deus? Se forem, através de que autoridade pode algum
Mensageiro de Deus colocá-las de lado, até mesmo, se todos os homens ficarem
ofendidos? Nós não temos aprendido assim de Cristo; nem podemos assim dar lugar ao
diabo. O que quer que Deus tenha falado, isto falaremos, quer os homens ouçam, ou
quer eles proíbam; sabendo que, então, somente algum Ministro de Cristo pode estar
"puro do sangue de todos os homens", quando ele "não evitar declarar junto a eles
todos os conselhos de Deus". [Atos 20:26-27].

3. Nós não podemos, portanto, colocar essas expressões de lado, vendo que elas
são as palavras de Deus, e não de homem. Mas nós podemos e devemos explicar o
significado delas, e que aqueles que são sinceros de coração podem não errar, para o
lado direito ou esquerdo, da marca do prêmio de seu chamado. E isto é mais necessário
ser feito, porque no verso já repetido, o Apóstolo fala de si mesmo, como não perfeito:
"Não", ele diz, "como se eu já fosse perfeito". E ainda assim, imediatamente depois, no
décimo-quinto verso, ele fala de si mesmo; sim, e de muitos outros, como perfeitos.
"Que nós", diz ele, "pelo quanto somos perfeitos, estejamos assim propensos".
[Filipenses 3:15].

4. Com o objetivo, portanto, de remover a dificuldade surgida desta contradição


aparente, assim como dar esclarecimento àqueles que estão pressionando para a marca,
e aqueles que são fracos, de modo a não se desviarem do caminho, eu devo me esforçar
para mostrar:

I. Em que sentido, os cristãos não são perfeitos;


II. Em que sentido, eles são perfeitos.
I

1. Em Primeiro Lugar, eu devo me esforçar para mostrar em que sentido os


cristãos não são perfeitos. E ambos pela experiência e Escrituras, parece (1) que eles
não são perfeitos no conhecimento: eles não são tão perfeitos nesta vida, de maneira a se
livrarem da ignorância. Eles sabem, em comum com outros homens, muitas coisas
relativas ao mundo presente; com respeito ao mundo vindouro, eles sabem as verdades
gerais que Deus tem revelado. Eles sabem, igualmente, (o que o homem natural não
recebeu, porque essas coisas são discernidas espiritualmente) "que maneira de amor",
por meio do qual, "o Pai" tem amado a eles "de maneira que eles possam ser chamados
de filhos de Deus". [I João 3:1]. Eles sabem a obra poderosa de seu Espírito em seus
corações; [Efésios 3:16], e a sabedoria de sua providência, dirigindo todos os seus
passos [Provérbio 3:6], e fazendo com que todas as coisas cooperem juntas para o bem
deles. [Romanos 8:28]. Sim, eles sabem, em cada circunstância da vida, o que o Senhor
requer deles, e como manter a consciência nula de ofensa, tanto em direção a Deus,
quanto ao homem. [Atos 24:16].

2. Mas inumeráveis são as coisas que eles não sabem. No tocante ao próprio
Altíssimo, eles não podem buscá-lo, fora da perfeição. "Reparem que essas são partes
do seu caminho. Mas o trovão de seu poder pode ser entendido?". [Jó 26:14]. Que eles
não podem entender, eu não direi como "existem Três que testificam nos céus, o Pai,
Filho, e o Espírito Santo, e esses três são um"; [I João 5:7], ou como o Filho do Deus
eterno "tomem sobre si mesmo a forma de um servo"; [Filipenses 2:7] – mas não
qualquer um atributo; não alguma circunstância da natureza divina. [II Pedro 1:4]. Nem
é isto para que eles conheçam os tempos e épocas [Atos 1:7], quando Deus realizará
suas grandes obras na terra; não, nem mesmo aquelas que, em parte, foram reveladas
pelos seus servos e profetas, desde que o mundo começou. [veja Amós 3:7 "Certamente
o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos,
os profetas"]. Muito menos eles sabem quando Deus, tendo "concluído o número de
seus eleitos, irá apressá-los para seu reino"; quando "os céus passarão, com grande
barulho, e os elementos se derreterão com calor fervente". [II Pedro 3:10].

3. Eles não sabem as razões, até mesmo, de muitas das suas presentes
dispensações com os filhos dos homens; mas estão constrangidos a descansar aqui, --
embora "nuvens e escuridão estejam à volta dele, a retidão e julgamento são a
habitação de seu trono". [Salmos 97:2]. Sim, freqüentemente, com respeito aos feitos
dele, para com eles, seu Senhor lhes diz junto: "O que eu faço, vós não sabeis agora;
mas sabereis daqui para frente". [João 13:7]. E quão pouco eles sabem do que está
sempre diante deles, mesmo das obras visíveis da mão Dele! – Como "Ele estende o
norte sobre o lugar vazio, e suspende a terra sobre o nada?" [Jó 26:7]. Como ele une
todas as partes desta vasta máquina, através de uma corrente secreta que não pode ser
quebrada? Tão grande é a ignorância; tão pequeno o conhecimento, até mesmo do
melhor dos homens!
4. Nenhum deles, é tão perfeito nesta vida, de maneira a estar livre da
ignorância. Nem, (2) "conhecer, a não ser em parte", [I Cor. 13:12] está, alguma vez,
sujeito ao erro, no tocante às coisas essenciais à salvação: Eles não "trocam a escuridão
pela luz; ou a luz pela escuridão" [Isaias 5:20]; nem "buscam morte no erro de suas
vidas". [Sabedoria de Salomão 1:12 (Apócrifa)]. Porque eles são "ensinados de
Deus", e a maneira que eles os ensinam, o caminho da santidade, é tão claro, que "o
homem viandante, embora um tolo, não necessita errar nele". [Isaias 35:8]. Mas em
todas as coisas essenciais à salvação, eles erram, e isto, freqüentemente. Os melhores e
mais sábios dos homens estão freqüentemente errando, até mesmo, com respeito aos
fatos; acreditando que essas coisas não foram, o que elas realmente foram; ou aquelas
que deveriam ter sido feitas, e não foram. Ou suponham que eles não estão errados,
quanto ao fato em si mesmo, eles podem, com respeito a estas circunstâncias,
acreditando nelas, ou muitas delas, de terem sido completamente diferentes do que, na
verdade, elas foram. E, disto, não podemos deixar de levantar muitos equívocos mais
além. Disto, eles podem acreditar, tanto nas ações passadas, quanto presentes, que
foram ou são más, como sendo boas; e tais que foram boas, como sendo más. Disto,
também, eles podem julgar, não de acordo com a verdade, no que diz respeito aos
caracteres dos homens; e isto, não apenas supondo que os homens bons sejam melhores;
ou os homens maus sejam piores, do que eles são, mas por acreditarem que têm sido, ou
que deverão ser homens melhores quem foi ou é muito mau; ou talvez, aqueles que têm
sido ou deverão ser maus, quem foi ou é santo e irrepreensível.

5. Mais ainda, com respeito às próprias Escrituras Santas, por mais cuidadoso
que ele seja para evitar isto, o melhor dos homens está sujeito ao erro; e erra, dia a dia;
especialmente, com respeito àquelas partes, que menos imediatamente se referem a
prática. Disto, até mesmo os filhos de Deus não estão de acordo quanto à interpretação
de muitos lugares nos escritos santos. Nem a diferença de opinião deles é alguma prova
de que eles não são filhos de Deus, de ambos os lados; mas é prova de que não devemos
esperar que algum homem vivente seja mais infalível do que o Onisciente.

6. Se for objetado o que tem sido observado, debaixo deste e do assunto


precedente, que João, falando aos seus irmãos na fé diz: "Vocês têm uma unção do
Espírito Único, e vocês conhecem todas as coisas" (I João 2:20): A resposta é clara:
"Vocês sabem todas as coisas que são necessárias para a saúde de suas almas". [cf. III
João 1:2 "Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim
como bem vai a tua alma".]. Que o Apóstolo nunca pretendeu estender isto mais além;
que ele não poderia falar disto, em um sentido absoluto, está claro, (1) por isto: --
porque, do contrário, ele descreveria os discípulos, como "acima de seu Mestre"; vendo
que o próprio Cristo, como homem, não sabia todas as coisas: "Daquela hora", disse
Ele, "nenhum homem conhece; não, nem o Filho, mas o Pai apenas". [Marcos 13:32].
Fica claro, (2) das próprias palavras do Apóstolo que se seguem: "Essas coisas eu tenho
escrito a vocês, concernente àqueles que enganam a vocês"; [cf. I João 3:7], assim
como, de suas precauções freqüentemente repetidas: "Que nenhum homem os engane";
[veja Marcos 13:5; Efésios 5:6; II Tessalonicenses 2:3], que tem sido completamente
desnecessário, não tivessem essas mesmas pessoas que tiveram aquela unção do
Espírito Santo [I João 2:20] sujeitas, não pela ignorância apenas, mas também pelo
erro.

7. Até mesmo os cristãos, portanto, não são tão perfeitos, de maneira a estarem
livres da ignorância ou do erro. Eles podem, (3), acrescentar não das enfermidades. –
Apenas cuidemos de entender esta palavra corretamente: Não vamos tão somente dar
este título delicado aos pecados conhecidos, como é a maneira de alguns. Assim, um
homem nos diz: "Todo homem tem sua enfermidade, e a minha é a bebedeira". Outros
têm a enfermidade da impureza; outro em tomar o santo nome de Deus em vão; e, ainda
assim, outro tem a enfermidade de chamar ao seu irmão: "Tu, tolo". [Mateus 5:22],
retornando "injuria por injuria". [I Pedro 3:9]. É claro que todos vocês que assim
falam, se não se arrependerem, deverão, com suas enfermidades, irem rapidamente para
o inferno! Mas eu quero dizer, por meio disto, não apenas aquelas que são denominadas
enfermidades corpóreas, mas todas aquelas imperfeições interiores e exteriores, que não
são de uma natureza moral. Tal é a fraqueza ou morosidade de entendimento;
embotamento ou confusão de apreensão; incoerência de pensamento; atividade ou
opressão irregular da imaginação. Tal é a necessidade (para não mencionar mais deste
tipo) de uma memória pronta ou retentiva. Tais, em outro tipo, são aquelas que são
comumente, em alguma medida, conseqüentes à estas; ou seja, lentidão de discurso;
impropriedade da linguagem; falta de elegância na pronunciação; aos quais, alguém
acrescentaria milhares de imperfeições desconhecidas, quer na conversação ou
comportamento. Essas são as enfermidades que são encontradas nos melhores homens;
em uma proporção maior ou menor. E dessas ninguém pode esperar estar perfeitamente
livres, até que o espírito retorne para Deus que o deu. [Eclesiastes 12:7].

8. Nem podemos esperar, até então, estarmos totalmente livres da tentação. Tal
perfeição não pertence a esta vida. É verdade, que existem aqueles que entregaram à
obra toda impureza, com avidez [Efésios 4:19], e dificilmente percebem as tentações
que eles não resistiram, e, assim, parecem estar sem tentações. Existem muitos também
aos quais o sábio inimigo das almas, parecendo adormecido na forma morta da
santidade, não colocará à prova o pecado grosseiro, a fim de que eles não possam
despertar, antes que tenham caído no fogo eterno. Eu sei que existem também filhos de
Deus que estando agora livremente justificados, [Romanos 5:1] encontraram redenção
no sangue de Cristo [Efésios 1:7], para o momento, não sentem tentação. Deus tem dito
para seus inimigos: "Não toquem em meus ungidos, e não causem dano em meus
filhos". [veja I Crônicas 16:22]. E, por agora, pode ser, por semanas ou meses, ele fez
com que eles "cavalgassem nos lugares altos" [Deuteronômio 32:15]; ele os levasse
como asas de águia [Êxodo 19:4], acima de todos os dardos afiados do maligno
[Efésios 6:16]. Mas este estado não durará para sempre; como aprendemos daquela
simples declaração, - que o próprio Filho de Deus, nos dias de sua carne, foi tentado, até
mesmo, no fim de sua vida. [Hebreus 2:18 "Porque naquilo que ele mesmo, sendo
tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados. 4:15 "Porque não temos um
sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que,
como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado"; 6:7 "Porque a terra que embebe a
chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem
é lavrada, recebe a bênção de Deus"]. Portanto, que seu servo espere ser; porque "é
suficiente que ele seja como seu Mestre". [Lucas 6:49].

9. A perfeição cristã, portanto, não implica (como alguns homens parecem ter
imaginado), uma exceção, quer da ignorância ou erro; ou enfermidades ou tentações. Na
verdade, é apenas um outro termo para a santidade. Existem dois nomes para a mesma
coisa. Assim, cada um que é perfeito é santo, e todos que são santos são, no sentido
bíblico, perfeitos. Ainda assim, podemos, por fim, observar que nem neste aspecto
existe alguma perfeição absoluta na terra. Não existe perfeição de graus, como isto é
denominado; nenhuma que admita um crescimento contínuo. De modo que, quanto mais
algum homem a obteve, ou em que altura ou grau ele seja perfeito, mais ainda ele
precisa "crescer na graça". [II Pedro 3:18]; e, diariamente avançar no conhecimento e
amor a Deus seu Salvador. [veja Filipenses 1:9].

II

1. Em que sentido, então, os cristãos são perfeitos? Isto é o que eu devo me


esforçar, Em Segundo Lugar, para mostrar. Mas seria mencionado de antemão, que
existem diversos estágios na vida cristã, como na vida natural: alguns dos filhos de
Deus sendo apenas bebês recém-nascidos; outros tendo obtido mais maturidade. E,
assim sendo, João, em sua Primeira Epístola, (I João 1:12 em diante) refere-se
severamente a esses termos criancinhas, àqueles que ele denomina jovens, e àqueles que
ele intitula pais. "Eu escrevo junto a vocês, criancinhas", diz o Apóstolo, "porque seus
pecados estão perdoados": Porque, até ai, vocês alcançaram – estando "livremente
justificados", vocês têm "paz com Deus, através de Jesus Cristo". [Romanos 5:1]. "Eu
escrito a vocês, jovens, porque vocês dominaram o diabo"; ou (como ele, mais tarde,
acrescenta) "porque vocês são fortes, e a palavra de Deus habita em vocês". [I João
2:13-14]. Vocês suprimiram os dardos afiados do maligno [Efésios 6:16]: as dúvidas e
temores com os quais ele perturbou vocês a princípio; e o testemunho de Deus, de que
seus pecados são esquecidos, agora habita em seus corações. "Eu escrevo a vocês, pais,
porque vocês o conheceram, desde o princípio". [I João 2:13]. Ainda assim, têm
conhecido a ambos o Pai e o Filho, e o Espírito de Cristo, na profundeza de suas almas.
Vocês são "homens perfeitos, adultos na medida da estatura da plenitude de Cristo".
[Efésios 4:13].

2. É desses principalmente que falo, na última parte deste discurso: Porque esses
apenas são propriamente cristãos. Mas, mesmo bebês em Cristo, em tal sentido, são
perfeitos, ou nascidos de Deus (expressão tomada também em sentidos diversos), como
a (1) não cometerem pecado. Se existir alguma dúvida deste privilégio dos filhos de
Deus, a questão não deve ser decidida pelos raciocínios abstratos que podem ser
esboçados na extensão infinita, mas deixar o ponto exatamente como estava
anteriormente. Nem dever ser determinado pela experiência desta ou daquela pessoa em
específico. Muitos podem supor que eles não cometem pecados, quando eles o fazem;
mas isto prova nada, de qualquer forma. Nós apelamos para a lei e para o testemunho.
"Que Deus seja verdadeiro, e todo homem um mentiroso". [Romanos 3:4]. Mas sua
Palavra permencerá, e esta somente. Por meio da qual, seremos julgados.

3. Agora a Palavra de Deus declara plenamente que, mesmo aqueles que estão
justificados, que são nascidos novamente, no sentido mais simples, "não continuam no
pecado"; não podem "viver mais tempo nele"; (Romanos 6:1-2); são "estabelecidos
juntamente na igualdade da morte" de Cristo; (Romanos 6:5); "o velho homem,
crucificado com ele", e o corpo de pecado, destruído, de maneira, a dali por diante, não
servirem ao pecado; e mortos com Cristo, serem libertos do pecado; (Romanos 6:6-7),
"mortos para o pecado, e vivos para Deus"; (Romanos 6-11) "o pecado não mais tem
domínio sobre eles", que estão, "não debaixo da lei, mas debaixo da graça"; mas que
esses "estando livres do pecado, se tornaram os servos da retidão". (Romanos 6:14-
18).

4. No mínimo, o que pode ser deduzido destas palavras, é que as pessoas das
quais se fala nela, ou seja, todos os cristãos verdadeiros, os crentes em Cristo, são feitos
livres do pecado exterior. E o mesmo livramento que Paulo expressa aqui em tais
variedades de frases, Pedro expressa nesta única: (I Pedro 4:1-2) "Aquele que sofreu na
carne cessou do pecado – para que ele não viva mais para os desejos dos homens, mas
para a vontade de Deus". Porque este cessar do pecado, se for interpretado no sentido
menor, com respeito apenas ao comportamento exterior, deve denotar o cessar do ato
exterior, de alguma transgressão exterior da lei.

5. Mas mais expressa são as palavras bem conhecidas de João, no terceiro


capítulo de sua Primeira Epístola, verso 8 em diante: "Ele que comete pecado é do
diabo; porque o diabo peca, desde o início. Para este propósito, o Filho de Deus foi
manifestado, para que possa destruir as obras do diabo. Quem quer que seja nascido
de Deus não comete pecado; porque sua semente permanece nele: e ele não pode
pecar, porque ele é nascido de Deus". [I João 3:8-9]. E esses, no quinto: (I João 5:18)
"Nós sabemos que, quem quer que seja nascido de Deus não peca; mas ele que é criado
de Deus mantém-se, e o diabo não o toca".

6. De fato, é dito que isto significa apenas que ele não pecou obstinadamente; ou
não cometeu pecado habitualmente; ou, não, como outros homens o fazem; ou como ele
fez antes. Mas, através de que é isto dito? Através de João? Não. Não existe tal palavra
no texto; nem em todo o capítulo; nem em todas as suas Epístolas; nem em alguma
parte de seus escritos, quaisquer que fossem. Porque, então, o melhor meio de responder
a uma afirmação evidente é simplesmente negá-la. E, se algum homem pode prová-la da
Palavra de Deus, que ele produza suas fortes razões.

7. E uma espécie de razão existe, que tem sido freqüentemente trazida para o
suporte dessas estranhas afirmações, esboçadas dos exemplos registrados na Palavra de
Deus: "O que!", dizem eles, "o próprio Abraão não cometeu pecado – prevaricando, e
negando sua esposa? Moisés não cometeu pecado, quando ele provocou Deus, nas
águas da disputa? Mais ainda, para produzir uma por todas, mesmo Davi, 'o homem,
segundo o coração do próprio Deus', não cometeu pecado, na questão de Urias de
Hittite; até mesmo assassinato e adultério?". É mais certo que sim. E isto é verdade.
Mas o que você infere disto? Pode ser afirmado: (1) Que Davi, no curso geral de sua
vida, foi um dos mais santos homens em meio aos judeus; e, (2) que o mais santo dos
homens em meio aos judeus cometeu, algumas vezes, pecado. Mas se você inferior
disto que todos os cristãos cometem e devem cometer pecados, por quanto tempo
vivam; esta conseqüência nós negamos extremamente: isto nunca se seguirá destas
premissas.

8. Esses que argumentam assim, parecem nunca ter considerado aquela


declaração de nosso Senhor: (Mateus 11:11) "Verdadeiramente eu digo a vocês que,
em meio a eles que são nascidos de mulheres, não se levantou um maior do que João
Batista: Não obstante, ele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". Eu
temo, na verdade, que existem alguns que imaginaram que "o reino dos céus" aqui quer
dizer o reino da glória; como se o Filho de Deus tivesse exatamente revelado a nós que
o menor santo glorificado no céu é maior do que algum homem sobre a terra!
Mencionar isto é suficientemente refutar isto. Pode, portanto, sem dúvida ser feito, mas
"o reino do céu", aqui, (como nos versos seguintes, onde ele é dito ser tomado pela
força), [Mateus 11:12], ou, "o reino de Deus", como Lucas expressa isto, -- é aquele
reino de Deus na terra, para o qual todos os verdadeiros crentes em Cristo; todos os
cristãos reais pertencem. Nestas palavras, então, nosso Senhor declara duas coisas: (1)
que antes de sua vinda na carne, em meio aos filhos dos homens, não tinha havido um
maior do que João Batista; disto evidentemente se segue que nem Abraão, Davi, nem
algum judeu maior do que João. Nosso Senhor (2) declara que ele que é menor no reino
de Deus (naquele reino que ele veio estabelecer na terra, e que o violento agora começa
a tomar pela força) é maior do que ele: -- Nem um profeta maior, como alguns têm
interpretado a palavra; porque isto é palpavelmente falso, de fato; mas maior na graça
de Deus, e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, nós não podemos
medir os privilégios dos cristãos verdadeiros, por aqueles formalmente dados para os
judeus. A "ministração" deles (ou dispensação) nós admitimos "foi gloriosa", mas as
nossas "excedem em glória". [II Cor. 3:7-9]. De maneira que, quem quer que traga a
dispensação cristã para o padrão judaico; quem quer que junte aos poucos os exemplos
dos fracos, registrados na Lei e os Profetas, e disto conclua que aqueles que "colocados
sobre Cristo" [Gálatas 3:27] são devidos com nenhuma força maior, erram
grandemente, nem "conhecem as Escrituras, nem o poder de Deus". [Mateus 22:29].

9. "Mas não existem afirmações nas Escrituras que provem a mesma coisa, se
ela não pode ser inferida daqueles exemplos? As Escrituras expressamente não dizem:
'Mesmo um homem justo peca sete vezes ao dia?'". Eu respondo: Não. As Escrituras
dizem nada sobre tal coisa. Não existe tal texto em toda a B´bilia. Isto que parece ser
pretendido é o sexto verso do vigésimo-quarto capítulo de Provérbios, cujas palavras
são: "Um homem justo cai, sete vezes, e se ergue novamente". [Provérbios 24:16]. Mas
isto é uma coisa completamente diferente. Porque, (1) as palavras "por dia", não estão
no texto. Assim sendo, se um homem cai sete vezes, em sua vida, é tanto quanto é
afirmado aqui. (2) Aqui, não menciona a queda no peacado, afinal; o que aqui é
mencionado é cair nas aflições temporais. Isto plenamente aparece do verso anterior nas
palavras que são estas: "Não arme cilada, Ó homem mau, contra a habitação do justo, ó
ímpio, nem assole o seu lugar de repouso". [Provérbios 24:15]. Segue-se: "Porque um
homem justo cai sete vezes, e se levanta novamente; mas o homem mau cai em sua
maldade". Como se ele tivesse dito: "Deus te livrará de teus problemas, mas quando tu
caíres, não terás alguém para livrar a ti".

10. "Mas, como quer que seja, em outros lugares", continuam os opositores:
"Salomão afirma plenamente: 'Não existe homem algum que não peque'"; (I Reis 8:46;
II Crônicas 6:36); sim, 'Não existe um homem justo sobre a terra, que seja bom, e não
peque'. (Eclesiastes 7:20)". Eu respondo: Sem dúvida; assim foi nos dias de Salomão.
Sim, assim foi de Adão a Moisés; de Moisés a Salomão; e de Salomão a Cristo. Não
havia, então, homem que não pecasse. Mesmo desde que o pecado entrou no mundo,
não houve um homem justo sobre a terra que fez o bem e não pecou, até que o Filho de
Deus foi manifesto, para tirar nossos pecados. É inquestionavelmente verdadeiro que "o
herdeiro, por quanto tempo ele foi uma criança, diferiu nada de um servo". [Gálatas
4:1]. E que, mesmo assim, eles (todos os homens santos do passado, que estiveram sob
a dispensação judaica) estavam, durante aquele estado infantil da Igreja, "na escravidão,
debaixo dos elementos do mundo". [Gálatas 4:3]. "Mas, quando a plenitude dos tempo
chegou, Deus enviou seu Filho, feito sob a lei, para redimir a eles que estavam debaixo
da lei; para que eles recebessem a adoção de filhos". [Gálatas 4:4] – para que eles
recebessem aquela "graça que é agora manifesta, pela aparição de nosso Salvador,
Jesus Cristo, que aboliu a morte, e trouxe a vida e imortalidade do conhecimento,
através do Evangelho". (II Timóteo 1:10). Agora, portanto, eles "não são mais servos,
mas filhos". [veja Gálatas 4:7]. De maneira que, qualquer que fosse o caso daqueles
debaixo da lei, nós podemos seguramente afirmar com João que, desde que o Evangelho
foi dado, "aquele que é nascido de Deus não peca". [I João 5:18].

11. De grande importância é observar, e isto mais cuidadosamente do que


comumente é feito, a diferença ampla que existe, entre a dispensação judaica e a cristã;
e este alicerce dela, a que o mesmo Apóstolo se refere no sétimo capítulo de seu
Evangelho. (João 7:38, em diante). E depois de referir-se àquelas palavras de nosso
abençoado Senhor: "Ele que crer em mim, como as Escrituras têm dito, de sua barriga
fluirão rios de água viva", ele imediatamente acrescenta: "Isto fala ele do Espírito", ou
emellon lambanein hoi pisteuontes eis auton, -- que aqueles que crerem Nele, deveriam
em seguida receber. Uma vez que o Espírito Santo não foi dado, porque Jesus não
estava ainda glorificado". [João 7:39]. Agora o Apóstolo não pode significar aqui
(como alguns têm ensinado), que o poder do milagre operado pelo Espírito Santo não
fora ainda dado. Porque isto foi dado; nosso Senhor o deu a todos os Apóstolos, quando
Ele primeiro os enviou para pregar o Evangelho. Ele, então, deu poder sobre os espíritos
imundos, para expulsá-los; poder para curar o doente; sim, para ressuscitar os mortos.
[Marcos 10:8]. Mas o Espírito Santo não for a ainda dado em suas graças
santificadoras, como ele foi depois que Jesus foi glorificado. Foi, então, quando "ele
ascendeu aos céus, que o Senhor Deus habitaria neles". [Salmos 68:18 " Tu subiste ao
alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes,
para que o Senhor Deus habitasse entre eles"; Efésios 4:8 " Por isso diz: Subindo ao
alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens"], quando o dia de Pentecostes
veio plenamente, [Atos 2:1 "E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos
concordantemente, no mesmo lugar"], então, primeiro que eles que "esperaram pela
promessa do pai [Atos 1:4] foram feitos mais do que vencedores [Romanos 8:37],
sobre o pecado, através do Espírito Santo dado junto a eles.

12. Que esta grande salvação do pecado não foi dada, até que Jesus foi
glorificado, Pedro também testifica plenamente; onde, falando aos seus irmãos na carne,
como agora "recebendo o fim da fé deles, da salvação de suas almas", ele acrescenta, (I
Pedro 1:9, em diante): "De cuja salvação os profetas têm inquirido e buscado
diligentemente, os quais profetizaram da graça"; ou seja, a graciosa dispensação, "que
viria junto a vocês: buscando o que, ou qual maneira do tempo, o Espírito de Cristo,
que estava neles, não significou, quando testificou anteriormente os sofrimentos de
Cristo. E a glória", a salvação gloriosa "que se seguiria. Junto aos quais ela foi
revelada, para que não junto eles, mas a nós eles ministrassem as coisas que são agora
reportadas a vocês, através daqueles que têm pregado o Evangelho, com o Espírito
Santo enviado dos céus". [I Pedro 1:12]; a saber, no dia de Pentecostes, e, assim, a
todas as gerações, nos corações de todos os crentes verdadeiros. Pela razão, até mesmo,
"da graça trazida a eles, pela revelação de Jesus Cristo" - (I Pedro 1:13] - o Apóstolo
bem deveria construir aquela forte exortação: "Portanto, cingindo os lombos do vosso
entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na
revelação de Jesus Cristo; - como Ele que chamou a vocês é santo, em todo o modo de
vida". [I Pedro 1:13]

13. Aqueles que devidamente têm considerado essas coisas devem admitir que
os privilégios dos cristãos, de modo algum, devem ser medidos pelo que o Velho
Testamento registra, concernente àqueles que estiveram sob a dispensação judaica;
vendo-se que a plenitude dos tempos agora é chegada; o Espírito Santo é agora dado; a
grande salvação de Deus é trazida, junto aos homens, pela revelação de Jesus Cristo. O
reino dos céus está agora estabelecido sobre a terra; concernente ao que o Espírito de
Deus declarou do passado (tanto quanto Davi seja o padrão ou o modelo da perfeição
cristã), "aquele que é fraco em meio a eles, naquele dia, deverá ser como Davi; e a casa
de Davi deverá ser como Deus, como o anjo do Senhor diante deles". (Zacarias 12:8).

14. Se, portanto, você provasse que as palavras do Apóstolo: "Aquele que é
nascido de Deus não peca" [I João 5:18], não deveriam ser entendidas, de acordo com
o significado claro, natural, e óbvio, você deveria trazer suas provas do Novo
Testamento; do contrário, você lutaria, como alguém que bate no ar. [I Cor. 9:26]. E, a
primeira dessas que é usualmente trazida é tomada dos exemplos registrados no Novo
Testamento: "Os próprios Apóstolos", é dito, "cometeram pecado; mais ainda, os
maiores deles, Pedro e Paulo: Paulo, através de sua contenda com Barnabé [Atos
15:39]; e Pedro, através de sua dissimulação em Antioquia". [Gálatas 2:11] "E,
chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível". Bem:
Supondo-se que ambos, Pedro e Paulo, cometeram, então, pecado; o que você deduziria
disto? Que todos os outros Apóstolos cometeram pecados algumas vezes? Não existe
sombra de prova nisto. Ou você inferiria disto que todos os outros cristãos da era
apostólica cometeram pecado? Pior e pior: Isto é tal inferência que, alguém imaginaria,
um homem em seus sentidos nunca teria pensado a respeito. Ou você argumentaria
assim: "Se dois dos Apóstolos uma vez cometeram pecado, então, todos os outros
cristãos, em todas as épocas, cometem e cometerão pecados, por quanto tempo eles
viverem?". Ai de mim, meu irmão! Um filho do entendimento comum ficaria
envergonhado de tal raciocínio como este. Menos do que tudo, você pode, com alguma
nuance de argumento, inferir que algum homem deve cometer pecado, afinal. Não:
Deus proíbe que possamos falar assim! Nenhuma necessidade de pecado foi colocada
sobre eles. A graça de Deus foi certamente suficiente para eles. E é suficiente para nós
até hoje. Com a tentação que caiu sobre eles, existiu um caminho para escapar; como
há, para toda a alma do homem, em toda tentação. De modo que, quem quer que seja
tentado em algum pecado, não precisa aquiescer; porque nenhum homem é tentado
acima do que seja capaz de suportar [I Cor. 10:13].

15. "Mas Paulo implorou ao Senhor três vezes, e, ainda assim, ele não pode
escapar da sua tentação". Vamos considerar suas próprias palavras literalmente
traduzidas: "Foi dada a mim uma aflição para a carne; um anjo" (ou mensageiro) "de
satanás, esbofeteou-me. No tocante a isto, eu implorei ao Senhor, três vezes, para que
isto" (ou ele) "pudesse sair de mim. E ele me disse: Minha graça é suficiente para ti:
Porque minha força é feita perfeita na fraqueza. Mais alegremente, portanto, eu antes
me gloriarei" nesta "minha fraqueza, para que a força de Cristo possa descansar sobre
mim. Portanto, eu tenho prazer na fraqueza; -- porque, quando eu sou fraco, então, eu
sou forte". [II Cro. 12:7-10].

16. Como esta escritura é uma das fortalezas dos patronos do pecado, pode ser
apropriado pesá-la totalmente. Vamos observar, então, (1) que, de modo algum, parece
que esta aflição, qualquer que fosse, ocasionou que Paulo cometesse pecado; muito
menos, o colocou, sob alguma necessidade de assim fazer. Portanto, disto nunca poderá
ser provado que algum cristão deva cometer pecado. (2) Os antepassados nos informam,
isto foi completamente óbvio: "uma violenta dor de cabeça", disse Tertuliano; (De
Pudic) para a qual ambos Crisóstomo e Jerônimo concordam. Cipriano [De Mortalitate]
expressa isto, um pouco mais geralmente, nestes termos: "Muitos e graves tormentos da
carne e o corpo". [Carnis et corporis multa ac gravia tormenta]. (3) A isto, concordam
exatamente as próprias palavras do Apóstolo: "Uma aflição para a carne me golpear,
bater, ou esbofetear". "Minha força é feita perfeita na fraqueza": -- A mesma palavra
que ocorre, não menos do que quatro vezes, nestes dois versos apenas. Mas (4), o que
quer que ela fosse, não poderia ser nem pecado interior, nem exterior. Não poderia ser
agitações interiores, mais do que expressões exteriores, de orgulho, ira, ou luxúria. Isto
é manifesto, além de toda exceção possível das palavras que imediatamente se seguem:
"Muito alegremente, eu me gloriarei" nessas "minhas fraquezas, para que a força de
Cristo possa descansar sobre mim". [II Cor. 12:9]. O que! Ele se glorifica no orgulho,
na ira, e luxúria? Foi através dessas fraquezas que a força de Cristo descansou sobre
ele? Ele prossegue: "Portanto, eu tenho prazer na fraqueza; porque quando eu sou
fraco, então, eu sou forte"; [II Cor. 12:10]; ou seja, quando eu sou fraco no corpo,
então, eu sou forte no espírito. Mas algum homem se atreverá a dizer: "Quando eu estou
fraco, pelo orgulhou ou luxúria, então, eu sou forte no espírito?". Eu chamo todos
vocês para registrar esse dia: quem encontra a força de Cristo descansando sobre si,
pode gloriar-se na ira, ou orgulho, ou luxúria? Vocês têm prazer nessas enfermidades?
Essas fraquezas os tornam fortes? Vocês se arremessariam para o inferno, se fosse
possível, para escapar delas? Até mesmo, através de vocês mesmos, então, julguem se o
Apóstolo poderia gloriar-se e ter prazer nelas! Que seja observado (5) que esta aflição
foi dada a Paulo, por mais de quatorze anos antes que ele escreveu esta Epístola; [II
Cor. 12:2] "Conheço um homem em Cristo que há quatorze anos (se no corpo, não sei,
se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu"; que ela própria
foi escrita diversos anos antes que ele terminasse seu curso. [Veja Atos 20:24 "Mas em
nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha
carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho
da graça de Deus"; II Timóteo 4:7 "Combati o bom combate, acabei a carreira,
guardei a fé"]. De modo que ele teve, depois disto, um longo curso a seguir; muitas
batalhas para lutar; muitas vitórias para obter; e um grande aumento no receber todos os
dons de Deus; e o conhecimento de Jesus Cristo. Portanto, de alguma fraqueza espiritual
(se tal tivesse sido) que ele naquele tempo sentiu, nós não podemos, de modo algum,
inferir que ele nunca se fez forte; que Paulo, o idoso, o pai em Cristo, ainda trabalhou,
sob a mesma fraqueza; em que ele esteve, no mais alto estado, até o dia de sua morte.
De tudo que este exemplo de Paulo pareça ser completamente estranha à questão, de
modo algum, colide com a afirmação de João: "Ele que é nascido de Deus não peca".
[I João 5:18].

17. "Mas Tiago diretamente não contradiz isto? Suas palavras são: 'Em muitas
coisas nós ofendemos a todos. (Tiago 3:2). E não é ofender o mesmo que cometer
pecado?". Neste lugar, eu admito que é: Eu admito que as pessoas das quais se fala aqui
não cometeram pecados; sim, que eles todos cometeram muitos pecados. Mas quem são
as pessoas de que se fala aqui? Porque, esses muitos mestres ou professores, aos quais
Deus não enviou; (provavelmente, os mesmos homens inúteis que ensinaram aquela fé,
sem as obras, que é tão duramente reprovada no capítulo precedente); (Tiago 2] não o
próprio Apóstolo, nem algum cristão verdadeiro. Que na palavra "nós" (usada, através
de uma figura de linguagem comum em todo os outros, assim como nos escritos
inspirados), o Apóstolo não poderia possivelmente incluir a si mesmo, ou algum outro
crente verdadeiro, aparece, evidentemente, (1) da mesma palavra no nono verso: --
"Com isto", ele diz, "abençoado seja Deus, e maldito sejamos nós homens. Da mesma
boca procede bênção, e maldição". [Tiago 3:9]. Verdade; mas não da boca do
Apóstolo, nem de alguém que em Cristo é uma nova criatura. [II Cor. 5:17]. (2) Do
mesmo verso imediatamente precedente ao texto, e manifestadamente ligado a ele:
"Meus irmãos, não muitos mestres", (ou professores) "sabendo que nós devemos
receber uma condenação maior". "Porque, em muitas coisas, nós ofendemos todos".
[Tiago 3:1]. Nós! Quem? Não os Apóstolos. Nem os crentes verdadeiros; mas aqueles
que os conhecem poderiam receber a maior condenação, por causa daquelas muitas
ofensas. Mas isto não poderia ser falado do próprio Apóstolo, ou de alguém que
caminha nos passos Dele, vendo que "não existe condenação para aqueles que não
caminham, segundo a carne, mas segundo o Espírito". [Romanos 8:2]. Mais do que
isto, (3) o próprio verso prova que "ofendemos a todos", não pode ser falado, quer de
todos os homens, ou de todos os cristãos. Porque nele imediatamente se segue a menção
de um homem que não ofende, como o "nós" primeiro mencionou; do qual, portanto, ele
é declaradamente distinguido, e pronunciado um homem perfeito.

18. Tão claramente, Tiago se explica, e fixa o significado de suas próprias


palavras. Ainda assim, a fim de que alguém não possa ainda permanecer em dúvida,
João, escrevendo, muitos anos depois de Tiago, coloca o assunto inteiramente fora de
disputa, através das declarações expressas acima citadas. Mas aqui uma dificuldade
nova pode surgir: Como podemos conciliar João consigo mesmo: Em um lugar, ele
declara: "Quem quer que seja nascido de Deus não comete pecado"; [I João 3:9], e
novamente, -- "Nós sabemos que aquele que é nascido de Deus não peca": [I João
5:18]. E, ainda assim, em outro, ele diz: "Se nós dizemos que não temos pecado, nós
enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós"; [I João 1:8], e novamente –
"Se dizemos quer não temos pecado, nós fazemos Dele um mentiroso, e sua palavra não
está em nós". [I João 1:10].

19. Assim como a princípio, uma grande dificuldade como esta pode aparecer,
ela desaparece, se observarmos: (1) que o décimo verso fixa o sentido do oitavo: "Se
nós dizemos que não temos pecado"; sendo explicado por: "Se dissermos que não
pecamos", no último verso. [I João 1:10-18]; (2) que o ponto, a se considerar, no
momento, não é se tivemos ou não pecado antes; nem esses versos afirmam que
pecamos, ou cometemos pecado agora. (3) Que o nono verso explica tanto o oitavo
quanto o décimo: "Se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar,
e nos limpar de toda iniqüidade". Como se ele tivesse dito: "Eu afirmei antes que 'o
sangue de Jesus Cristo nos limpou de todo pecado'; mas que nenhum homem diga, eu
não preciso; eu não tenho pecado para ser limpo. Se nós dissermos que não temos
pecado, que não pecamos, enganamos a nós mesmos, e fazemos de Deus um mentiroso:
Mas, se confessarmos nossos pecados, Ele é fiel e justo, não apenas para 'perdoar
nossos pecados', mas também para 'nos limpar de toda iniqüidade': [I João 1:8-10]
para que possamos 'seguir e não pecarmos mais'" [João 8:11].

20. João, portanto, é bem consistente consigo mesmo, assim como com os outros
escritores santos; como mais evidentemente aparecerá, se colocarmos todas as suas
afirmações no tocante a este assunto em uma visão: Ele declara (1) que o sangue de
Jesus Cristo nos limpou de todos os pecados; (2) que nenhum homem pode dizer, eu
não pequei; eu não tenho pecado para ser limpo (3), mas Deus está pronto para perdoar
tanto nossos pecados passados, quanto para nos salvar deles para o tempo vindouro. [I
João 1:7-10]. (4) "Essas coisas eu escrevo a vocês", diz o Apóstolo, "para que vocês
não possam pecar. Mas se algum homem" puder "pecar", ou tiver pecado (como a
palavra deveria ser atribuída), ele não necessita continuar no pecado; vendo que "temos
um advogado com o Pai Jesus Cristo, o reto". [I João 2:1-2]. Até aí, tudo está claro.
Mas, a fim de que nenhuma dúvida possa permanecer, em um ponto de tão vasta
importância, o Apóstolo resume este assunto em três capítulos, e largamente explica seu
próprio significado: "Crianças", diz ele "que nenhum homem engane vocês" (como se
eu tivesse dado algum encorajamento àqueles que continuam no pecado:) "Ele que
pratica a retidão é reto, assim como Ele é reto. Ele que comete pecado é do diabo;
porque o diabo peca, desde o início. Para este propósito, o Filho de Deus foi
manifestado, para que pudesse destruir as obras do diabo. Quem quer que seja nascido
de Deus não comete pecado: Porque sua semente permanece nele; e ele não pode
pecar, porque ele é nascido de Deus. Nisto, os filhos de Deus são manifestos, e os filhos
do diabo". (I João 3:7-10). Aqui o ponto que até então possivelmente teria admitido
alguma dúvida nas mentes fracas, é propositadamente colocado, pelo último dos
escritores inspirados, e decidido da maneira mais clara. Em conformidade, portanto,
com a doutrina de João, assim como com todo o teor do Novo Testamento, nós fixamos
esta conclusão: -- Um cristão é tão perfeito, de maneira não cometer pecado.

21. Este é o privilégio glorioso de todo cristão; sim, embora ele seja, a não ser
um bebê em Cristo. Em Segundo Lugar, apenas desses que estão fortes no Senhor, e
"têm dominado o diabo", ou antes, daqueles que "o conhecem desde o início" [I João
2:13-14], é que se pode afirmar que eles são, de tal forma, perfeitos, de maneira a
estarem libertos dos pensamentos e temperamentos pecaminosos. Primeiro, dos
pensamentos maus e pecaminosos; uma vez que os pensamentos, concernentes ao
pecado, e um pensamento pecaminoso, são amplamente diferentes. Um homem, por
exemplo, pode pensar a respeito do assassinato que outro tenha cometido; e, ainda
assim, este não ser um pensamento mau ou pecaminoso. Assim, o próprio nosso Senhor
abençoado, sem dúvida, pensou a respeito, ou entendeu a coisa falada pelo diabo,
quando ele disse: "Todas as coisas darei a ti, se tu te prostrares para adorar-me".
[Mateus 4:9]. Ainda assim, Ele não tinha pensamento mau ou pecaminoso; nem de
fato, era capaz de ter algum. E, mesmo disto, segue-se que nem os cristãos verdadeiros:
porque "cada um que é perfeito é como seu Mestre". (Lucas 6:40). Portanto, se Ele
estava livre dos pensamentos maus ou pecaminosos, assim, eles estão igualmente.

22. Na verdade, de onde os pensamentos pecaminosos procederiam, no servo


que é como seu Mestre? "Do coração do homem" (Se afinal) "procedem os
pensamentos pecaminosos". (Marcos 7:21). Se, portanto, seu coração não for
pecaminoso, por mais tempo, então, os pensamentos maus não poderão proceder dele,
por mais tempo. Se a árvore for corrupta, assim será o fruto: Mas se a árvore for boa: o
fruto, portanto, será também bom. (Mateus 22:33). O próprio nosso Senhor testemunha:
"Toda árvore boa produz bons frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos maus";
assim como "uma árvore corrupta não pode produzir bons frutos". (Mateus 7:17-18).

23. O mesmo privilégio feliz dos cristãos verdadeiros, Paulo afirma de sua
própria experiência: "As armas da nossa luta", diz ele, "não são carnais, mas sim
poderosas em Deus para a destruição das fortalezas; e colocar abaixo imaginações"
(ou raciocínios, preferivelmente, porque assim a palavra logimous significa; todos os
raciocínios do orgulho e descrença contra as declarações, promessas ou dons de Deus)
"e toda coisa sublime que se exalta contra o conhecimento de Deus, e traz cativo todo
pensamento de obediência a Cristo" (II Cor. 10:4 em diante).

24. E como os cristãos, de fato, estão livres dos pensamentos diabólicos, assim
estão aqueles, Em Segundo Lugar, dos temperamentos maus. Isto é evidente da
declaração supracitada do próprio nosso Senhor: "O discípulo não está acima de seu
Mestre; mas cada um que é perfeito deve ser como seu Mestre". [Lucas 6:40]. Ele
havia entregado, exatamente antes, algumas das mais sublimes doutrinas do
Cristianismo, e algumas das mais graves para a carne e sangue. "Eu lhes digo, amem
seus inimigos, e façam o bem àqueles que os odeiam; -- e a ele que lhe golpeia de um
lado da face, ofereçam também a outra". [Lucas 6:29]. Agora essas, Ele bem sabia que
o mundo não receberia; e, portanto, imediatamente acrescenta: "Pode um cego conduzir
o cego? Ambos não cairão dentro do fosso?". [Lucas 6:39]. Como se ele tivesse dito:
"Não conferencie com a carne e sangue no tocante a essas coisas, -- com homens nulos
de discernimento espiritual, os olhos de cujo entendimento, Deus não abriu, -- a fim de
que eles e você não pereçam juntos". No verso seguinte, ele remove as duas grandes
objeções com as quais esses tolos sábios se encontram, a cada turno: "Essas coisas são
muito graves para serem suportadas", ou, "Elas estão muito altas para serem
alcançadas" [Marcos 23:4], dizendo: "'O discípulo não está acima de seu Mestre',
portanto, se eu tenho sofrido, estejam satisfeitos de trilharem meus passos. E não
duvidem, vocês, delas, a não ser que eu cumprirei minha palavra: 'porque cada um que
é perfeito deverá ser como seu Mestre'". [Lucas 6:40]. Mas seu Mestre estava livre de
todos os temperamentos pecaminosos. Assim, portanto, seus discípulos, até mesmos os
cristãos verdadeiros.

25. Cada um desses pode dizer com Paulo: "Eu estou crucificado com Cristo:
Não obstante, eu viva, ainda assim, não sou eu, mas Cristo vive em mim" [Gálatas
2:20] – Palavras que manifestadamente descrevem um livramento do pecado interior,
assim como do exterior. Isto é expresso ambos negativamente, eu não vivo; (minha
natureza má, o corpo do pecado, é destruída); e, positivamente, Cristo vive em mim; e,
portanto, tudo que é santo, e justo, e bom. Na verdade, ambos esses, Cristo vive em
mim, e eu não vivo, estão inseparavelmente unidos; porque "que comunhão tem a luz
com as trevas; ou Cristo com Belial?". [II Cor. 6:15].

26. Aquele, portanto, que vive como verdadeiros crentes "purificaram seus
corações pela fé"; [Atos 15:9]; de tal maneira, que todo aquele que tem Cristo nele, a
esperança da glória [Col. 1:27], "purifica a si mesmo, assim como ele é puro" (I João
3:3). Ele é purificado da vontade própria ou desejo; porque Cristo desejou apenas fazer
a vontade de seu Pai, e terminar sua obra. [João 4:34; 5:30]. E ele é puro da ira, no
sentido comum da palavra; porque Cristo foi humilde e gentil; paciente e longânime. Eu
digo, no sentido comum da palavra; porque nem toda ira é má. Nós lemos que o próprio
nosso Senhor, (Marcos 3:5), uma vez, "olhou ao redor com ira". Mas com que tipo de
ira? A palavra seguinte mostra, syllypoumenos, sendo, ao mesmo tempo, "Afligido pela
dureza de seus corações" [Marcos 3:6]. Assim sendo, ele estava irado com o pecado e,
ao mesmo tempo, afligido por causa dos pecadores; irado ou desconte com a ofenda,
mas triste, por causa dos ofensores. Com ira, sim, ódio, Ele olhou para a coisa; com
aflição e amor às pessoas. Vá, tu que és perfeito, e faze igualmente. Irai-vos, e não
pequeis [Efésios 4:26]; sentindo um desprazer em cada ofensa contra Deus, mas apenas
amor e terna compaixão para com o ofensor.

27. Assim, Jesus "salva seu povo de seus pecados": [Mateus 1:21]. E não
apenas dos pecados exteriores, mas também dos pecados de seus corações; de
pensamentos maus e de temperamentos maus. – "Verdade", dizem alguns, "nós
podemos assim ser salvos de nossos pecados; mas não até a morte; não neste mundo".
Mas como devemos reconciliar isto com as palavras expressas de João? – "Nisto, nosso
amor se torna perfeito, para que possamos ter ousadia no dia do julgamento. Porque
como Ele é, assim somos neste mundo". O Apóstolo aqui, além de toda contradição,
fala de si mesmo e de outros cristãos vivos, de quem (como também ele previu esta
mesma evasão, e colocou-se aniquilá-la em seu alicerce), ele claramente afirma que não
apenas na morte ou depois da morte, mas neste mundo, eles são como o Mestre deles (I
João 4:17).

28. Exatamente de acordo com isto, estão suas palavras, no primeiro capítulo
desta Epístola, (I João 1:5 &c). "Deus é luz, e Nele não existe escuridão, afinal. Se nós
caminharmos na luz, - teremos camaradagem um com o outro, e o sangue de Jesus
Cristo, seu Filho, nos limpará do pecado". E novamente: "Se confessarmos nossos
pecados, Ele é justo para nos perdoar deles, e nos limpar de toda iniqüidade". [I João
1:9]. Agora, é evidente que o Apóstolo aqui também fala de um livramento forjado
neste mundo. Porque ele não diz, o sangue de Cristo limpará na hora da morte, ou no
dia do julgamento, mas "limpará", no momento presente, "a nós", cristãos vivos, "de
todo o pecado". E fica igualmente evidente, que se algum pecado permanece, nós não
somos limpos de todo o pecado: Se alguma iniqüidade permanece na alma, ela não está
limpa de toda iniqüidade. Nem permita que algum pecador diga, contra sua própria
alma, que isto se relaciona à justificação apenas, ou a nos limpar da culpa do pecado.
Em Primeiro Lugar, porque isto é misturar o que o Apóstolo claramente distingue;
quem menciona, primeiro, perdoar nossos pecados, e, então, nos limpa de toda
iniqüidade. Em Segundo Lugar, "porque isto é afirmar justificação pela obras, no
sentido mais forte possível; é tornar toda santidade interior e exterior, necessariamente
prévia à justificação. Porque, se a limpeza falada a respeito aqui é nenhuma outra do
que o nos limpar da culpa do pecado, então, nós não estamos limpos do pecado; ou
seja, não somos justificados, a menos na condição de 'caminhar na luz, como Ele está
na luz'.[I João 1:7]. Resta, então, que os cristãos estão salvos neste mundo de todo o
pecado, de toda iniqüidade; que eles estão agora em tal sentido perfeito, como não a
cometer pecado, e estarem livres de pensamentos e temperamentos pecaminosos".

29. Assim, o Senhor cumpriu as coisas que ele falou, através de seus santos
profetas, que têm existido, desde o começo do mundo; - através de Moisés, em
particular, dizendo (Deuteronômio 30:6) Eu "circuncidarei teu coração, e o coração
de tua semente, para amar o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, e com toda a tua
alma"; através de Davi, clamando: "Cria em mim um coração limpo, e renova um
espírito correto dentro de mim". [salmos 51:10] – e mais notavelmente em Ezequiel,
nestas palavras: "Então, eu borrifarei água limpa sobre você, e você será limpo; de toda
sua sujidade, e de todos os seus ídolos, eu limparei você. Um novo coração, também lhe
darei, e um novo espírito colocarei em você; - e farei com que você caminhe em meus
estatutos, e você mantenha meus julgamentos, e, os cumpra. – Você será meu povo, e eu
serei teu Deus. Eu salvarei você de toda sua impureza. – Assim diz o Senhor seu Deus,
no dia em que deverei limpar você de todas as suas iniqüidades, - o pagão saberá que
eu, o Senhor, reconstruo os lugares destruídos; - eu o Senhor falo e farei isto".
(Ezequiel 36:25-36).

30. "Tendo, portanto, essas promessas, meu amado", tanto na Lei quanto nos
Profetas, e a palavra profética confirmada junto a nós no Evangelho, por nosso
abençoado Senhor e seus Apóstolos; "vamos nos limpar de toda sujidade da carne e
espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus". [II Cor. 7:1]. "Temamos, a fim
de que" as tantas "promessas, feitas a nós de entrarmos em seu descanso", que aquele
que entrou nele, não cesse suas próprias obras, "e qualquer um de nós não possa
alcançá-la". [Hebreus 4:1]. "Isto vamos fazer, que prossigamos em direção ao alvo,
para o prêmio do alto chamado de Deus em Jesus Cristo". [Filipenses 3:13-14],
clamando junto a ele, dia e noite, até que nós também sejamos "libertos da escravidão
da corrupção, na liberdade gloriosa dos filhos de Deus!". [Romanos 8:21].
AS PROMESSAS DA SANTIFICAÇÃO

(Ezequiel 36:25-36.)

Pelo Rev. Charles Wesley

1. Deus de todo poder, e verdade, e graça,


Que deve, de eras em eras, resistir;

Cuja palavra, quando céu e terra passarem.

Permanecerá e ficará para sempre certa:

2. Calmamente a ti minha alma procura,

E espera tuas promessas para provar;

O objeto de minha esperança constante,

O selo de teu amor eterno.

3. Que eu, tua misericórdia, possa proclamar.

Que toda a humanidade, tua verdade, possa ver,

Santifique teu grande e glorioso nome,

E perfeita santidade em mim.

4. Escolhido do mundo, se agora eu permaneço,

Adornado na retidão divina;

Se trazido para a terra prometida,

Eu justamente chamo o Salvador meu;

5. Cumpre a obra que tu começaste,

Minha alma mais interior a ti convertida:

Ama-me, para sempre ama o que é teu,

E borrifa com teu sangue meu coração.

6. Teu Espírito santificado derrama,

Para extinguir minha sede, e me deixar limpo;

Agora, Pai, que a chuva graciosa,

Desça, e torne-me puro do pecado.


7. Purga-me de toda mancha pecaminosa

Meus ídolos todos sejam colocados de lado:

Limpa-me de todo pensamento mau.

De toda imundície do ego e orgulho.

8. Dá-me um novo, perfeito coração,

Da dúvida, e medo, e tristeza, livra-me;

A mente que estava em Cristo concede-me,

E permite que meu espírito adira-se a ti,

9. Arranca este coração de pedra,

(O teu governá-lo, não pode possuí-lo;)

Em mim, não o deixa mais ficar:

Ó, arranca este coração de pedra.

10. O ódio de minha mente carnal

Da minha carne, imediatamente, remove;

Dá-me um coração terno, resignado,

E puro, repleto da fé e amor.

11. Dentro de mim, teu bom Espírito coloque,

Espírito de saúde, de amor e poder;

Planta em mim, tua vitoriosa graça,

E o pecado não deverá mais entrar.

12. Faze-me caminhar em Cristo, meu Caminho,

E eu, teus estatutos cumprirei;

E cada ponto de tua lei, obedecerei.

E perfeitamente executarei tua vontade.

13. Tu não disseste, quem não podes mentir,

Que eu tua lei devo manter e fazer?

Senhor, eu acredito, embora os homens neguem;


Eles todos são falsos, mas tu és verdadeiro.

14. Ó, que eu agora, do pecado liberto,

Tua palavra poderosa, ao extremo, prove!

Entre no descanso prometido,

A Canaã de teu amor perfeito!

15. Lá, permita-me sempre, sempre habitar;

Através de ti meu Deus, e eu serei

Teu servo: Ó, sela-me com teu selo!

Dá-me a vida eterna em Ti.

16. De toda sujeira dentro restante

Permita-me, em Ti, salvação ter:

Do presente, e do pecado inato

Minha alma remida persiste salvar.

17. Lava minha velha mancha original:

Não me dize mais, isto não pode ser,

Demônios ou homens! Teu Cordeiro foi morto

Seu sangue foi todo derramado por mim!

18. Respinga ela, Jesus, em meu coração:

Uma gota de teu sangue todo limpo

Faze minha pecabilidade partir,

E preenche-me com a vida de Deus.

19. Pai, supre toda minha necessidade:

Mantém a vida que ti mesmo tens dado;

Pede pelo milho, o pão vivo,

O maná que desce dos céus.

20. Os frutos graciosos da retidão,

Teus armazéns de bênçãos inesgotáveis,


Em mim abundantemente aumente;

Nem me permite, alguma vez mais, ter fome.

21. Que eu não mais, em queixa profunda:

"Minhas pobrezas, Ó, minhas pobrezas!", grite;

Sozinho, consumido com necessidade mínima,

De todos os filhos de meu Pai, eu!

22. A sede dolorosa, o desejo afetuoso,

Tua presença jubilosa possa remover;

Enquanto minha alma cheia ainda requeira

Toda tua eternidade de amor.

23. Santo, e verdadeiro, e justo Senhor,

Eu espero para provar teu desejo perfeito;

Sê cuidadoso com tua palavra graciosa.

E sela-me com o selo do teu Espírito!

24. Tuas misericórdias fiéis, deixa-me encontrar,

Nas quais, tu me fazes confiar;

Dá-me uma mente humilde e mansa,

E humilha meu espírito ao pó.

25. Mostra-me quão tolo meu coração tem sido,

Quando todo renovado pela graça eu sou:

Quando tu tens me esvaziado do pecado,

Mostra-me a plenitude de minha vergonha.

26. Abra meus olhos interiores da fé,

Mostra tua glória do alto;

E tudo que eu sou deve sucumbir e morrer,

Perdido na perplexidade e amor.

27. Confunde-me e subjuga-me com tua graça:


Eu abominaria a mim mesmo;

(todo poder, toda majestade, todo louvor,

Toda glória seja para Cristo, meu Senhor!)

28. Agora, permite-me ganhar o apogeu da perfeição!

Agora, permite-me, no nada, cair!

Ser menos que nada, aos teus olhos,

E sentir que Cristo é tudo em todos!

[Editado por Dave Sparks (Pastor) na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
OS PENSAMENTOS ERRANTES
(Sermão 41)

'Destruindo os conselhos e toda altivez, que se levantam contra o conhecimento de


Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo' (II Cor. 10:5)

1. Mas irá Deus, então, levar 'cativo todo entendimento para a obediência de
Cristo', para que nenhum pensamento errante encontre lugar na mente, mesmo enquanto
permanecemos no corpo? Então, alguns têm veementemente mantido; sim, têm
afirmado que ninguém é perfeito no amor, a menos que seja assim perfeito no
entendimento; que todos os pensamentos errantes sejam postos de lado; a menos que
não apenas cada afeição e temperamento sejam santos, justos e bons, mas cada
pensamento individual, que surja na mente seja sábio e equilibrado.

2. Está não é uma questão de pequena importância. Tanto quanto aqueles que
temem a Deus; sim, e o ama, talvez, com todo seu coração, têm estado grandemente
aflito por este assunto! Quantos, por não entenderem corretamente, não têm estado
apenas angustiados, mas grandemente machucados em suas almas; — lançados, em
compreensões sem proveito e danosas, tais que retardam seus movimentos em direção a
Deus, e os enfraquecem diante da corrida que se colocou diante deles!além do que,
muitos, através de entendimentos equivocados dessa mesma coisa, têm jogado o dom
precioso de Deus. Eles têm sido induzidos, primeiro, a duvidar, e, então, a negar a obra
de Deus, forjada em suas almas; e, por esta razão têm afligido o Espírito de Deus, até
que ele se retirou e os deixou na mais extrema escuridão.

3. Como é, então, que, no meio de uma abundância de livros, que têm sido
ultimamente publicados sobre todos os assuntos, nós não devemos ter algum sobre
pensamentos errantes? Pelo menos, nenhum que vá satisfazer uma mente calma e seria?
Com o objetivo de colocar isto em alguns degraus, eu proponho inquirir:

I. Quais são as diversas formas de pensamentos errantes?


II. Quais são as ocasiões gerais para eles?
III. Quais deles são pecaminosos, e quais, não?
IV. Quais deles nós podemos orar para que sejamos libertos?

(1) Eu proponho inquirir, primeiro, quais são as diferentes formas de


pensamentos errantes? As espécies particulares são inumeráveis; mas, no geral, são de
duas formas: pensamentos que falam incoerentemente de Deus; e pensamentos que
falam de um ponto pessoal que nós temos em mão.

(2) Com respeito ao primeiro, todos os nossos pensamentos são naturalmente


desse tipo: porque eles estão continuamente se desviando de Deus: nós pensamos nada
com respeito a ele: Deus não está em todos os nossos pensamentos. Nós somos, um e
todos, como o Apóstolo observa: 'sem Deus no mundo'. Nós pensamos a respeito do que
nós amamos; mas nós não amamos Deus; por conseguinte, nós não pensamos nele. Ou,
se nós somos constrangidos a pensar nele, por um tempo, ainda que não tenhamos
prazer nisso, mais ainda, como esses pensamentos não apenas são insípidos, mas,
também, desagradáveis e aborrecidos para nós, nós os conduzidos para fora, tão logo
podemos, e retornamos ao que amamos pensar a respeito. Assim, o mundo, as coisas do
mundo, — o que devemos comer, o que devemos ganhar, — como podemos agradar
nossos sentidos ou nossa imaginação, — dedicarmo-nos todo nosso tempo, e
apoderando-nos de todos os nossos pensamentos. Assim sendo, como amamos o
mundo; ou seja, tanto quanto estamos em nosso estado natural; todos os nossos
pensamentos, de manhã ao anoitecer, e do anoitecer até a manhã seguinte, não são outra
coisa que pensamentos errantes.

(3) Mas, muitas vezes, nós não estamos apenas 'sem Deus no mundo', mas
também, lutando contra ele; já que há, em cada homem, através da natureza, uma mente
'carnal que tem inimizade contra Deus'. Não me admira, por conseguinte, que os
homens abundem com pensamentos incrédulos; tanto dizendo aos seus corações, 'que
não existe Deus', ou questionando; se não, negando, seu poder e sabedoria; sua
misericórdia, ou justiça, ou santidade. Não me admira que eles, tão freqüentemente,
duvidem de sua providência, pelo menos, de estender-se a todos os eventos; ou que,
mesmo embora eles aceitem isto, eles ainda hospedem pensamentos murmurantes e
queixosos. Proximamente relatados a esses, e freqüentemente conectados com eles,
estão o orgulho e as imaginações vãs. Novamente: Algumas vezes, eles são tomados
com raiva, malícia, ou pensamentos de vingança; em outras vezes, com graciosos
cenários de prazer, se de sentido ou imaginação; por meio do qual, a mente mundana e
sensual torna-se mais mundana, e sensual ainda. Através de todos esses eles guerreiam
claramente com Deus: Esses são os pensamentos errantes do mais alto nível.

(4) Largamente, as diferenças, entre esses, são de outra sorte de pensamentos


errantes; no qual o coração não se desvia de Deus, mas o entendimento se desvia de um
ponto particular, que ele teve, então, em vista. Por exemplo: Eu considero as palavras,
no verso, antecedente ao texto: 'as defesas de nossa luta não são carnais, mas
poderosamente são de Deus'. Eu penso que isto deveria ser o caso de todos os que são
chamados cristãos. Mas é exatamente o contrário. Olhe, em redor, em quase toda parte
do que é conhecido como mundo cristão. De que maneira são essas defesas usadas? Em
que tipo de luta elas são engajadas; enquanto homens, assim como demônios, dilaceram
uns aos outros, em todo tipo de disputa infernal? Veja como esses cristãos amam uns
aos outros! Em que eles são preferíveis aos ateus e os pagãos? Que abominação pode
ser encontrada entre os maometanos ou ateus, que não seja encontrada também entre os
cristãos? E, assim, antes que eu tenha consciência, minha mente foge de uma
circunstância a outra. Tudo isto é, de alguma forma, pensamentos errantes: já que,
embora eles não se desviam de Deus, muito menos, lutam contra ele, ainda assim, eles
se desviam de algum ponto particular, que eu tive em vista.

II

Tal é a natureza; tais são as formas (falando mais especificamente do que


filosoficamente) dos pensamentos errantes Mas quais são as ocasiões gerais deles? Isto,
nós vamos, em segundo lugar, considerar:

(1) E é fácil observar, que a ocasião das primeiras formas de pensamentos, que
se opõem e se desviam de Deus, é, em geral, dos temperamentos pecaminosos. Por
exemplo: por que Deus não está em todos os pensamentos; em qualquer pensamento do
homem natural? Por uma razão clara: seja ele rico ou pobre, culto ou não, ele é um ateu;
(embora não seja vulgarmente assim chamado); ele nem conhece e nem ama a Deus.
Por que esses pensamentos estão continuamente vagueando, em busca do mundo?
Porque ele é um idólatra. Ele até não adora uma imagem, ou se curva ao tronco de uma
árvore; ainda assim, ele está mergulhado, em igualmente execrável idolatria: ele ama o
que ele adora, o mundo.Ele busca felicidade nas coisas que são vistas, nos prazeres que
perecem ao uso. Por que é que seus pensamentos estão perpetuamente se opondo a
finalidade de sua existência, o conhecimento de Deus, em Cristo? Porque ele é um
descrente; porque ele não tem fé; ou, pelo menos, não mais do que o diabo. Então, todos
esses pensamentos errantes facilmente e naturalmente brotam dessa raiz diabólica da
descrença.

(2) O caso é o mesmo em outros exemplos: orgulho, ira, vingança, vaidade,


luxúria, cobiça; cada um deles ocasiona pensamentos adequados à sua própria natureza.
Assim como cada temperamento pecaminoso que a mente humana seja capaz. Não é
necessário entrar em detalhes. É suficiente observar que assim como muitos
temperamentos maus encontram um lugar em qualquer alma, então, por muitos meios
essa alma irá se apartar de Deus, através da pior forma de pensamentos errantes.

(3) As oportunidades do ultimo tipo de pensamentos errantes, os que lutam


contra Deus, são diversas. Abundância deles é ocasionada pela união natural entre a
alma e o corpo. Quão imediatamente e quão profundamente é o entendimento afetado
por um corpo doente! O sangue move-se irregularmente no cérebro, e todo pensamento
regular está no fim. Segue-se a loucura feroz; e, então, adeus a toda uniformidade de
pensamento. Sim, deixe apenas que espírito esteja apressado e seja agitado, até um certo
grau, e a loucura temporária, o delírio, impede todo pensamento equilibrado. E não é a
mesma irregularidade de entendimento, em certa medida, ocasionada pela enfermidade
nervosa? Então, o 'corpo corruptível deprime a alma, e ela cisma a respeito de muitas
coisas'.

(4) Mas isto só é causado, quando de uma doença ou enfermidade anormal? Não
exatamente. Mesmo em um estado de saúde perfeita, pode acontecer. Um homem que
seja sempre sadio, pode, nas vinte e quatro horas, ter seus momentos de delírio.
Enquanto dorme, esse homem não está sujeito a sonhar? E quem, então, é o mestre de
seus próprios pensamentos, ou capaz de preservar a ordem e consistência deles? Quem
pode manter os pensamentos fixos, em algum ponto; ou impedi-los de vaguearem de um
pólo a outro?

(5) Mas suponha que estejamos acordados. Nós estamos sempre tão acordados,
para sermos capazes de firmemente governar nossos pensamentos? Nós não estamos
inevitavelmente expostos, aos extremos contrários, pela mesma natureza dessa máquina,
o corpo? Algumas vezes, nós estamos tão abatidos; tão entorpecidos e desanimados,
para buscar alguma série de pensamentos. Algumas vezes, por outro lado, nós estamos
muito ativos. A imaginação, sem permissão, vai, de um lado para outro, e nos conduz de
cá para lá, queiramos ou não; e tudo isto meramente pelo movimento natural do espírito,
ou vibração dos nervos.

(6) Mais além: Quantos pensamentos errantes podem surgir dessas várias
associações de nossas idéias, e que são feitas inteiramente, sem nosso conhecimento, e
independes de nossa escolha? Quantas dessas conexões são formadas, nós não sabemos;
a não ser que elas são formadas de milhares de maneiras diferentes. Nem é do poder dos
homens mais sábios e santos interromperem essas associações, ou impedirem as
conseqüências necessárias deles, e motivo de observação diária.

(7) Uma vez mais: Vamos fixar nossa atenção, tão cuidadosamente quanto nós
sejamos capazes em algum assunto; ainda que algum prazer ou dor surjam,
especialmente, se for intenso, e isto exigirá nossa atenção imediata, e fixará nosso
pensamento em si mesmo. Isto irá interromper a contemplação mais firme, e distrair a
mente de seu assunto favorito.

(8) As ocasiões dos pensamentos errantes encontram-se nisto; são forjados


dentro da nossa própria natureza. Mas eles irão, do mesmo modo, naturalmente e
necessariamente, se erguerem dos vários impulsos dos objetos exteriores. O que quer
que atinja os órgãos dos sentidos, os olhos ou ouvidos, irá fazer surgir uma percepção
na mente. E, concordantemente, o que quer que vejamos ou ouvimos irá interromper
nossa primeira série de pensamentos. Cada homem, por conseguinte, que faz alguma
coisa a nossa vista, ou fale alguma coisa em nossos ouvidos, faz com que nossa mente
vagueie, mais ou menos, de um ponto que ele estava pensando anteriormente.

(9) E não existe dúvida, a não ser que esses espíritos diabólicos que estão
continuamente buscando a quem eles possam devorar, façam uso de toda ocasião
precedente para agitar e distrair nossas mentes. Algumas vezes, por um; algumas vezes,
através de outros desses meios, eles irão atormentar e nos desorientar, e, assim sendo,
até onde Deus permitir, interromper nossos pensamentos, particularmente, quando eles
estão engajados em nossos melhores objetivos. Nem isto é, afinal, estranho: Eles irão
entender as próprias fontes de pensamento; e conhecer de quais órgãos corpóreos, a
imaginação, o entendimento, e cada outra faculdade da mente, mais imediatamente
dependem. Acrescente a isto, que eles possam injetar milhares de pensamentos, sem
qualquer dos meios precedentes; sendo tão natural ao espírito agir sobre o espírito,
quanto a matéria agir sobre a matéria. Come essas coisas sendo consideradas, nós não
podemos nos admirar que nossos pensamentos tão freqüentemente vagueiam de um
ponto que temos em vista.

III

(1) Quais tipos de pensamentos errantes são pecaminosos, e quais não são, é a
terceira coisa a ser inquirida. Primeiro, todos esses pensamentos que se desviam de
Deus, que não deixam a ele lugar em nossas mentes, são indubitavelmente pecaminosos.
Já que todos eles implicam ateísmo prático; e, através desses, nós estamos sem Deus no
mundo. E muito mais estão todos aqueles que são contrários a Deus, que implicam
oposição ou inimizade para com ele. Tais estão todos os pensamentos murmurantes e
descontentes, que dizem, em efeito: 'Nós não queremos teu controle sobre nós'; —
todos os pensamentos descrentes, se com respeito à existência de Deus; aos seus
atributos, ou à sua providência. Quero dizer, sua providência particular sobre todas as
coisas, assim como sobre todas as pessoas, no universo; sem a qual 'nem um pardal cai
ao chão'; pela qual 'os cabelos de nossas cabeças são numerados'; assim como a
providência geral (vulgarmente assim chamada), distinguindo-se de uma particular, é
apenas uma palavra decente e profunda, que significa justamente nada.
(2) Novamente: Todos os pensamentos que brotam dos temperamentos
pecaminosos são, sem dúvida, pecaminosos. Tais, por exemplo, aqueles que brotam do
temperamento vingativo, do orgulho, da luxúria, ou vaidade. 'uma árvore má não pode
dar bons frutos': Assim sendo, se uma árvore é má, o fruto deverá ser igualmente mau.

(3) E assim devem ser aqueles que tanto produzem, como alimentam qualquer
temperamento pecaminoso; que tanto originam o orgulho ou vaidade, a ira ou amor do
mundo; assim como confirmam e aumentam estes; ou qualquer outro temperamento
maldoso, paixão ou afeição ímpia. Já que não apenas o que flui do mal é pecaminoso;
mas também o que conduz a ele; o que quer que tenda a alienar a alma de Deus, e fazer
com que permaneça mundana, sensual e diabólica.

(4) Por isso, mesmo aqueles pensamentos que são ocasionados pela fraqueza ou
enfermidade, por um mecanismo natural do corpo, ou por leis da união vital, por mais
inocentes que eles possam ser, em si mesmos, eles podem, todavia, se tornar
pecaminosos, quando, tanto produzem, apreciam, ou estimulam, em nós, tais
temperamentos pecaminosos; presumindo-se os desejos da carne, os desejos dos olhos,
ou o orgulho da vida. De igual modo, os pensamentos errantes que são ocasionados
pelas palavras ou ações de outros homens, se eles causam ou alimentam qualquer
disposição errada, então, eles principiam o pecado. E o mesmo nós podemos observar
daqueles que são sugeridos ou injetados pelo diabo. Quando eles contribuem para
qualquer temperamento mundano ou diabólico, (o que eles fazem, quando se dá lugar a
eles; e, por esse meio, os tornam seus); então, eles são igualmente pecaminosos com os
temperamentos para os quais eles colaboram.

(5) Mas, desviando-se destes casos, pensamentos errantes, num sentido posterior
da palavra, ou seja, pensamentos nos quais nosso entendimento vagueia de um ponto
que têm em vista, não são mais pecaminosos do que o movimento do sangue em nossas
veias, ou o espírito em nosso cérebro. Se eles surgem de uma constituição frágil, ou de
alguma fraqueza acidental, ou indisposição, eles são tão inocentes, como se eles
tivessem uma constituição fraca, ou um corpo desordenado. E, certamente, ninguém irá
duvidar que um estado de nervos debilitados, uma febre de alguma espécie, e mesmo
um delírio, transitório ou duradouro, podem consistir com uma perfeita inocência. E se
eles podem surgir, na alma que está unida a um corpo saudável, mesmo de uma união
natural entre o corpo e alma, ou de algumas das dez mil mudanças que podem ocorrer
naqueles órgãos do corpo que servem ao pensamento; — em alguns desses casos, eles
são perfeitamente inocentes, assim como as causas, que os ocasionaram. O mesmo
acontecendo, quando eles brotam de associações casuais e involuntárias de nossas
idéias.

(6) Se nossos pensamentos vagueiam de um ponto que tivemos em vista, e


diferentemente afetam nossos sentidos, através de outros homens, eles são ainda
igualmente inocentes: Já que não mais constitui um pecado o entendimento do que vejo
e ouço. Ter olhos e ouvidos não pode ajudar muito na compreensão do que se vê e ouve.
'Mas, se o diabo injeta pensamentos errantes, não são esses pensamentos diabólicos?'.
Eles são problemáticos, e naquele sentido, maus; mas não são pecaminosos. Eu não sei
o que ele falou para nosso Senhor com uma voz audível; talvez ele tenha falado apenas
para seu coração, quando ele disse: 'Todas essas coisas eu darei a ti, se tu te humilhares
e adorares a mim'. Mas, quer ele tenha falado, interiormente ou exteriormente, nosso
Senhor, sem dúvida, entendeu o que ele disse. Ele tinha entretanto um pensamento
correspondente para aquelas palavras. Mas este foi um pensamento pecaminoso? Nós
sabemos que não foi. Nele não havia pecado, tanto de ação, palavra ou pensamento.
Nem havia qualquer pecado, em milhares de pensamentos da mesma espécie, com que
Satanás possa ter injetado em qualquer um dos seguidores de nosso Senhor.

(7) Segue-se que nenhum desses pensamentos errantes (o que quer que seja o que as
pessoas imprudentes tenham afirmado, e, por meio disto, afligindo a quem o Senhor não
tinha afligido) é inconsistente com o amor perfeito. De fato, se eles fossem, então, não
apenas uma dor aguda, mas o próprio sono seria inconsistente com ele: — a dor aguda;
no que quer que ela intervenha, naquilo que pensávamos anteriormente, irá interromper
nosso pensamento, e, é evidente, arrastá-lo para uma outra condição: — o próprio sono,
como se trata de um estado de insensibilidade e estupidez; e como tal, geralmente
misturado com pensamentos errantes sobre a terra, é incorreto, desarranjado, e
incoerente. Contudo, certamente, esses são consistentes com o amor perfeito: assim
como todos os pensamentos errantes dessa espécie.

IV

(1) Do que tem sido observado, é fácil dar uma resposta clara para a última
questão: Que tipo de pensamentos errantes nós podemos esperar e orar para que nos
livremos.

Da primeira sorte de pensamentos errantes: aqueles nos quais o coração desvia-


se de Deus; de todos que são contrários à sua vontade, ou que nos deixam sem Deus no
mundo; cada um que é perfeito no amor está inquestionavelmente liberto. Esse
livramento, no entanto, nós podemos esperar; nós podemos, e nós devemos orar por ele.
Os pensamentos errantes dessa espécie implicam descrença, se não inimizade contra
Deus; mas ambos, ele irá destruir; irá trazer completamente ao fim. De certo, de todos
os pensamentos errantes pecaminosos nós seremos absolutamente libertos. Todo aquele
que é perfeito no amor serão libertos desses; mesmo que eles não tenham sido salvos do
pecado. Homens e demônios irão tentá-los, de todas as maneiras; mas eles não
prevalecerão sobre eles.

(2) Com respeito à última sorte de pensamentos errantes, o caso é amplamente


diferente. Até que a causa seja removida, nós não podemos, de modo algum, esperar que
cesse o efeito. Mas as causas e ocasiões desses irão permanecer, por quanto tempo
permanecermos vivos. Assim sendo, nós temos todos os motivos para acreditar que eles
irão permanecer também.

(3) Para ser mais especifico: suponha a alma, mesmo que santa. Habitando em
um corpo desajustado; suponha que o cérebro seja tão totalmente desordenado, como os
que se seguem à loucura; os pensamentos não serão desajustados e desconexos, por
quanto tempo persistir a enfermidade? Suponha que a febre ocasione essa loucura
temporária, o que nós denominamos de delírio. Pode existir alguma conexão justa de
pensamento, até que o delírio seja removido? Suponha o que seja chamado de desordem
nervosa, surgindo em tão alto grau que ocasione, pelo menos, uma loucura parcial; não
existirão ali milhares de pensamentos errantes? E esses pensamentos irregulares não
irão continuar, por quanto tempo a enfermidade que os ocasiona persistir?

(4) Não será o mesmo caso, com respeito àqueles pensamentos que
necessariamente surgem de uma dor violenta? Eles não irão, mais ou menos, continuar,
enquanto a dor continuar, através da ordem inviolável da natureza? Essa ordem,
igualmente, irá acontecer, quando os pensamentos são perturbados, quebrados,
interrompidos, por alguma deficiência de apreensão, julgamento ou imaginação, fluindo
da constituição natural do corpo. E quantas interrupções podem surgir das associações
incontáveis e involuntárias de nossas idéias! Agora, todos esses são direta e
indiretamente causados pelo corpo corruptível, deprimindo a mente. Nem, entretanto,
podemos esperar que eles sejam removidos, até que 'essa corrupção possa ser trocada
por idoneidade'.

(5) E, então, apenas quando nós nos reduzimos a pó, podemos ser libertos desses
pensamentos errantes que são ocasionados pelo que vemos e ouvimos; em meio a esses,
pelos quais estamos agora cercados. Para evitá-los, nós devemos sair do mundo: porque,
por quanto tempo permanecermos nele; por quanto tempo existam homens e mulheres à
nossa volta, e nós tivermos olhos para ver, e ouvidos para ouvir, as coisas que
diariamente vemos e ouvimos, certamente, irão afetar nossa mente, e irão, mais ou
menos, perturbar, e interromper nossos pensamentos anteriores.

(6) E, tanto tempo quanto os espíritos diabólicos perambulem, de um lado para


outro, num mundo miserável e desordenado; por quanto tempo eles irão assaltar
(possam ser impedidos ou não), cada habitante de carne e sangue. Eles irão perturbar,
mesmo aqueles a quem eles não podem destruir. Eles irão atacar, mesmo que não
possam dominar. E desses ataques de nossos inimigos indóceis e incansáveis, nós não
podemos buscar um livramento completo, até que nós habitemos 'onde o perverso cesse
de perturbar, e onde o cansado esteja livre de aborrecimentos.

(7) Para concluir: Esperar livramento desses pensamentos errantes que são
causados por espíritos diabólicos, é esperar que o diabo possa morrer ou cair no sono,
ou, pelo menos, não possa ir, de lá para cá, como um leão rugindo. Esperar livramento
desses que são ocasionados por outros homens, é esperar que tanto esses homens não
mais existam na terra; que nós possamos estar completamente isolados deles, e termos
nenhum intercurso com eles; quanto, tendo olhos, nós não possamos ver; e tendo
ouvidos, não possamos ouvir, mas sermos insensíveis como objetos ou pedras. E orar
para nos livrarmos desses que são ocasionados pelo corpo é, em efeito, orar para que
nós possamos deixar o corpo: Do contrário, é orar por impossibilidades e absurdos;
orando para que Deus possa reconciliar contradições, através da continuidade de nossa
união com o corpo corruptível, sem as conseqüências naturais e necessárias dessa união.
É como se nós pudéssemos orar para sermos anjos e homens, mortais e imortais, ao
mesmo tempo. Mais ainda: quando aquele que é imortal vier, a mortalidade irá
desaparecer.

(8) Melhor que nós oremos, tanto com o espírito, quanto com o entendimento,
para que todas essas coisas possam operar juntas para o nosso bem; para que possamos
sofrer todas as enfermidades de nossa natureza, todas as interrupções de homens, todos
os assaltos e sugestões de espíritos diabólicos, e, em tudo. sermos 'mais que
vencedores'. Que nós oremos para nos livrarmos de todos os pecados; que tanto aqueles
da raiz quanto dos ramos possam ser destruídos; que nós possamos ser 'limpos de toda
poluição da carne e espírito', de cada temperamento mau, palavra e obra; para que
possamos 'amar o Senhor, nosso Deus, com todo nosso coração; com toda nossa mente;
com toda nossa alma; e com todas as nossas forças'; para que todos os frutos do
Espírito sejam encontrados em nós: não apenas amor, alegria e paz, mas também,
'longanimidade, gentileza, bondade, fidelidade, mansidão, temperança'. Orar para que
todas essas coisas possam florescer e abundar; possam aumentar em você mais e mais,
até que lhe seja dada uma larga permissão para entrar no reino eterno de nosso Senhor
Jesus Cristo!

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