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TURMA REGULAR

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Prof. JULIO COUTO & Prof. MARCELO SILVA
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MATERIAL INTERNO DE USO EXCLUSIVO DOS ALUNOS


Proibida a reprodução total ou parcial

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SUMÁRIO

I. SEMÂNTICA ......................................................................................................................................................................... 3
II. FONEMAS X LETRAS ........................................................................................................................................................... 9
III. REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA ............................................................................................................................... 13
IV. USO DO HÍFEN - TABELA ESQUEMÁTICA – SÍNTESE DAS REGRAS .................................................................................. 16
V. ORTOGRAFIA – USO CORRETO DAS LETRAS .................................................................................................................... 18
VI. USO CORRETO DAS PALAVRAS ....................................................................................................................................... 21
VII. OS ELEMENTOS DA MORFOLOGIA................................................................................................................................. 27
VIII. SUBSTANTIVO ............................................................................................................................................................... 31
IX. ADJETIVO......................................................................................................................................................................... 37
X. ARTIGO ............................................................................................................................................................................. 40
XI. NUMERAL ........................................................................................................................................................................ 41
XII. CONCEITOS DE PRONOMES ........................................................................................................................................... 44
XIII. VERBOS ......................................................................................................................................................................... 57
XIV. ADVÉRBIOS ................................................................................................................................................................... 64
XV. CONECTIVOS – PREPOSIÇÕES E CONJUNÇÕES .............................................................................................................. 69
PARTE II – ANÁLISE SINTÁTICA - XVI. PERÍODO SIMPLES ................................................................................................... 77
XVII. PERÍODO COMPOSTO .................................................................................................................................................. 86
XVIII. CONCORDÂNCIA VERBAL ............................................................................................................................................ 91
XIX. CONCORDÂNCIA NOMINAL .......................................................................................................................................... 94
XX. REGÊNCIA NOMINAL ...................................................................................................................................................... 99
XXI. REGÊNCIA VERBAL ...................................................................................................................................................... 100
XXII. CRASE ......................................................................................................................................................................... 104
XXIII. PONTUAÇÃO ............................................................................................................................................................. 110
XXIV. COLOCAÇÃO PRONOMINAL...................................................................................................................................... 116
PARTE III - COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ............................................................................................... 122

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I. SEMÂNTICA
1. Conceito de Semântica

A semântica é o ramo da linguística que estuda os significados e/ou sentido dos vocábulos da língua.

De acordo com duas vertentes, “sincrônica” e “diacrônica”, a semântica é dividida em:

- Semântica Descritiva: denominada de semântica sincrônica, essa classificação indica o estudo da significação das palavras
na atualidade.

- Semântica Histórica: denominada de semântica diacrônica, se encarrega de estudar o significado das palavras em
determinado espaço de tempo.

Basicamente trata de sinônimos, antônimos, parônimos e homônimos, hiperônimos e hipônimos.

2. Sinônimos e Antônimos

Os sinônimos e os antônimos designam palavras (substantivos, adjetivos, verbos, complementos, etc.), que segundo seu
significado, ora se assemelham (sinônimos) e ora são opostas (antônimos).

2.1 Sinônimos
Do grego, o termo sinônimo (synonymós) é formado pelas palavras “syn” (com); e “onymia” (nome), ou seja, no modo literal
significa aquele que está com o nome ou mesmo semelhante a ele. Não obstante, a sinonímia é o ramo da semântica que
estuda as palavras sinônimas, ou aquelas que possuem significado ou sentido semelhante, sendo muito utilizadas nas
produções dos textos, uma vez que a repetição das palavras empobrece o conteúdo.

Sinônimos Perfeitos: são as palavras que compartilham significados idênticos, por exemplo: léxico e vocabulário; morrer e
falecer; após e depois.
Sinônimos Imperfeitos: são as palavras que compartilham significados semelhantes e não idênticos, por exemplo: feliz e
alegre; cidade e município; córrego e riacho.

Segue abaixo alguns exemplos de palavras sinônimas:


Adversário e antagonista Adversidade e problema
Alegria e felicidade Alfabeto e abecedário
Ancião e idoso Apresentar e expor
Belo e bonito Brado e grito
Bruxa e feiticeira Calmo e tranquilo
Carinho e afeto Carro e automóvel
Cão e cachorro Casa e lar
Contraveneno e antídoto Diálogo e colóquio
Encontrar e achar Enxergar e ver
Extinguir e abolir Gostar e estimar
Importante e relevante Longe e distante
Moral e ética Oposição e antítese
Percurso e trajeto Perguntar e questionar
Saboroso e delicioso Transformação e metamorfose
Translúcido e diáfano

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2.2 Antônimos
Do grego, o termo antônimo corresponde a união das palavras “anti” (algo contrário ou oposto) e “onymia” (nome). A
antonímia é o ramo da semântica que se debruça nos estudos sobre as palavras antônimas. Do mesmo modo que os
sinônimos, os antônimos são utilizados como recursos estilísticos na produção dos textos.

Segue abaixo alguns exemplos de palavras antônimas:


Aberto e fechado Alto e baixo
Amor e ódio Ativo e inativo
Bendizer e maldizer Bem e mal
Bom e mau Bonito e feio
Certo e errado Doce e salgado
Duro e mole Escuro e claro
Forte e fraco Gordo e magro
Grosso e fino Grande e pequeno
Inadequada e adequada Ordem e anarquia
Pesado e leve Presente e ausente
Progredir e regredir Quente e frio
Rápido e lento Rico e pobre
Rir e chorar Sair e entrar
Seco e molhado Simpático e antipático
Soberba e humildade Sozinho e acompanhado

3. Homônimos e Parônimos

Os Homônimos e os Parônimos são termos que fazem parte do estudo da semântica (significado das palavras). As palavras
homônimas possuem a mesma pronúncia (às vezes, a mesma escrita) e significados distintos; as palavras parônimas são
muito parecidas na pronúncia e na escrita, entretanto, possuem significados diferentes.

3.1 Homônimos
As palavras homônimas são classificadas em:

Homógrafas: são palavras iguais na grafia e diferentes na pronúncia, por exemplo: colher (verbo) e colher (substantivo);
jogo (substantivo) e jogo (verbo); denúncia (substantivo) e denuncia (verbo).
Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e diferentes na grafia, por exemplo: concertar (harmonizar) e consertar
(reparar); censo (recenseamento) e senso (juízo); acender (atear) e ascender (subir).
Perfeitas: são palavras iguais na grafia e iguais na pronúncia, por exemplo: caminho (substantivo) e caminho (verbo); cedo
(verbo) e cedo (advérbio de tempo); livre (adjetivo) e livre (verbo).

3.2 Parônimos
Os parônimos são as palavras que se assemelham na grafia e na pronúncia, entretanto, diferem no sentido. Por isso, é muito
importante tomar conhecimento desses termos para que não haja confusão.

A seguir, alguns exemplos de palavras parônimas:


Absolver (perdoar) e absorver (aspirar)
Apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico)
Aprender (tomar conhecimento) e apreender (capturar)
Cavaleiro (que cavalga) e cavalheiro (homem gentil)
Comprimento (extensão) e cumprimento (saudação)
Coro (música) e couro (pele animal)
Delatar (denunciar) e Dilatar (alargar)
Descrição (ato de descrever) e discrição (prudência)
Despensa (local onde se guardam alimentos) e dispensa (ato de dispensar)
Docente (relativo a professores) e discente (relativo a alunos)
Emigrar (deixar um país) e imigrar (entrar num país)

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Eminente (elevado) e iminente (prestes a ocorrer)
Flagrante (evidente) e fragrante (perfumado)
Fluir (transcorrer, decorrer) e fruir (desfrutar)
Imergir (afundar) e emergir (vir à tona)
Inflação (alta dos preços) e infração (violação)
Infligir (aplicar pena) e infringir (violar)
Mandado (ordem judicial) e mandato (procuração)
Osso (parte do corpo) e ouço (verbo ouvir)
Peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos) e pião (brinquedo)
Precedente (que vem antes) e procedente (proveniente de; que possui fundamento)
Ratificar (confirmar) e retificar (corrigir)
Recrear (divertir) e recriar (criar novamente)
Tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal)
Soar (produzir som) e suar (transpirar)

4. Polissemia

A Polissemia representa a multiplicidade de significados de uma palavra. Do grego polis, significa "muitos", enquanto sema
refere-se ao "significado".

Portanto, um termo polissêmico é aquele que pode apresentar significados distintos de acordo com o contexto. Apesar
disso, eles têm a mesma etimologia e se relacionam em termos de ideia.
Vejamos alguns exemplos no qual as mesmas palavras são utilizadas em diferentes contextos:

Exemplo 1
a) A letra da música do Chico Buarque é incrível.
b) A letra daquele aluno é inteligível
c) Meu nome começa com a letra D.

Logo, constatamos que a palavra "letra" é um termo polissêmico, visto que abarca significados distintos dependendo de sua
utilização. Assim, na frase 1, a palavra é utilizada como "música, canção". Na 2 significa "caligrafia". Já na oração 3 indica a
"letra do alfabeto". Apesar dos muitos significados, todos se relacionam com a ideia de escrita.

Exemplo 2
a) A boca da garrafa de cerveja está com ferrugem.
b) O seu João continua mandando bocas para a vizinha do 1.º D.
c) E que tal se você fechasse a boca?

Na oração 1 a boca da garrafa é a abertura do recipiente, enquanto na 2, tem o sentido de provocação. Apenas na oração 3
é feita referência à parte do corpo. Todos, nos entanto, se relacionam com a função da boca: abertura, fala.

4.1 Polissemia e Ambiguidade


Ambiguidade é variedade de interpretação que um discurso pode conter.
Exemplo: Ninguém conseguia se aproximar do porco do tio, tão bravo ele era.
Essa oração possui um duplo sentido no sentido de que pode ser entendida com ironia, na medida em que pode ser
interpretada como uma ofensa ao tio, ou, ao mesmo tempo, o tio pode realmente ter um suíno que é bravo.

4.2 Polissemia e Homonímia


Há outros termos que apesar das semelhanças gráficas e na pronúncia, apresentam significados diferentes. Trata-se dos
homônimos perfeitos.
A diferença entre os termos polissêmicos e os homônimos perfeitos é que a sua origem etimológica, além da ideia que
expressam, são diferentes.

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Exemplo 1 – Temos Polissêmicos
a) A praia parecia um formigueiro no sábado.
b) O paciente queixou-se ao médico do formigueiro nas mãos.
c) Foi todo picado logo depois de pisar num formigueiro.
Na oração 1, formigueiro tem o sentido de multidão, na oração 2, tem o sentido de coceira. E, finalmente, na oração 3, o
formigueiro refere-se à toca das formigas. Todos se relacionam com a ideia de multidão, muitas formigas passando dão a
sensação de comichão, por exemplo.

Exemplo 2 – Termos Homófonos Perfeitos


Estava uma fila enorme no banco por causa do dia do pagamento dos trabalhadores.
Joana sentou no banco da praça para terminar de ler seu livro.
Se você não tiver dinheiro, eu banco nossa viagem ao exterior.
No exemplo acima, podemos constatar que o termo "banco" é homônimo. A mesma palavra significa: instituição financeira
(oração 1); assento (oração 2) e arcar com as despesas, pagar (oração 3).

5. Hiperônimos e Hipônimos
Hiperônimos são palavras de sentido genérico que têm mai abrangência que os vocábulos mais específicos (no caso, os
hipônimos)
Legume é hiperônimo de batata e cenoura.
Comprou flores e deu as rosas para a mulher.
Hipônimos são, hierarquicamente, mais específicos que os hiperônimos.
Maçã e morango são hipônimos de frutas.
Vinha um ônibus , mas o pedestre não vou o veículo.

6. Conotação e Denotação

A Conotação e a Denotação são as variações de significados que ocorrem no signo linguístico. O signo linguístico é composto
de um significante (letras e sons) e um significado (conceito, ideia).

Sentido conotativo é a linguagem em que a palavra é utilizada em sentido figurado, subjetivo ou expressivo. Ele depende
do contexto em que é empregado, sendo muito utilizado na literatura. Isso porque, no meio literário, muitas palavras tem
forte carga de sensações e sentimentos.
Sentido denotativo é a linguagem em que a palavra é utilizada em seu sentido próprio, literal, original, real, objetivo.

Exemplos
Aquele homem é um cachorro. (linguagem conotativa, sentido figurado)
O cachorro da vizinha fugiu essa manhã. (linguagem denotativa, sentido próprio)
Nesse exemplo, podemos notar que a palavra cachorro é utilizada em dois sentidos diferentes: conotativo e denotativo.
Na primeira frase o termo refere-se ao caráter do homem "cachorro", numa linguagem conotativa que indica que o homem
é mulherengo ou infiel. Na segunda frase o termo está empregado de forma denotativa, ou seja, no sentido real e original
da palavra cachorro: animal doméstico.

O sentido denotativo é, muitas vezes, caracterizado como o sentido do dicionário, ou seja, o primeira acepção da palavra.
Contudo, depois da acepção denotativa há uma abreviação, normalmente entre parênteses (fig), que indica o sentido
figurado da palavra, ou seja, o sentido conotativo.

Segundo o dicionário online de português (dicio.com.br), a palavra cachorro significa: “s.m. Cão novo. (...) Fig. Pop. Homem
desaforado, de mau caráter ou mau gênio; indivíduo desprezível, canalha."

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6. Ortoépia

Ortoépia ou Ortoepia trata da pronúncia correta das palavras. Cotidianamente, e de forma natural, pronunciamos palavras
de forma incorreta, que fogem à norma culta, de modo que essa parte da fonologia trata da pronúncia de acordo com a
gramática normativa.

Assim, são inúmeros os exemplos de cacoépia (erros de pronúncia), como se segue.

7. Curiosidades
Essa é a maior palavra da língua portuguesa: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Não precisa contar. Ela tem
46 letras! Segundo o Dicionário Online de Português, ela significa algo relacionado com a doença que ataca os pulmões,
causada pela inalação ou inspiração de cinzas vulcânicas, das cinzas provenientes de vulcões. Refere-se à
pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose (doença).

Além dessa, há várias palavras difíceis de falar especialmente em virtude de sua extensão. Muitas delas estão ligadas às
áreas de Biologia e Química: Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol e Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona, com
43 e 37 letras, respectivamente, são nomes de substâncias químicas; Hipopotomonstrosesquipedaliofobia também é o
nome de uma doença e tem 33 letras.
Anticonstitucionalissimamente é o maior de todos os advérbios. Tem 29 letras.

Exercícios

01. (2011 - EsFCEx)

Ao considerarmos a palavra “academia” na leitura da tirinha acima, verificamos a recorrência do fenômeno semântico da:
(A) polissemia (C) metonímia
(B) sinonímia (D) antonímia

02. (2015 - CFN)

Considerando as palavras “acento” e “assento” podemos afirmar que são


(A) homônimas. (D) parônimas.
(B) antônimas. (E) homogêneas.
(C) sinônimas.

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03. (2016 - EAM) Assinale a opção em que o parônimo destacado foi corretamente empregado no contexto.
(A) A empresa divulgou um produto com o preço equivocado e precisou retificar a informação imediatamente.
(B) Foi emitido um mandato de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos de usuários acusados de difundir racismo
na rede.
(C) Em comprimento de decisão judicial, os comentários pagos por partidos políticos foram retirados das redes sociais.
(D) Apesar de as redes sociais possibilitarem comunicação em tempo real, muitas informações não são absolvidas
instantaneamente.
(E) Depois de meses de investigação, a polícia prendeu em fragrante um usuário que postava conteúdo proibido na rede.

04. (2016 - Colégio Naval) Assinale a opção na qual o vocábulo destacado foi corretamente empregado.
(A) Segundo o técnico, o atleta apresentou uma despensa médica pouco detalhada.
(B) Imergindo nas questões do texto, o bom leitor absorve melhor as ideias explanadas.
(C) Quem infligir as normas internas será desligado do time escalado para o campeonato.
(D) Diante da eminência do final do concurso, os candidatos estavam bastante nervosos.
(E) Muitos foram os fragrantes mostrados durante as gravações apresentadas naquela reportagem.

05. (2010 - EsFCEx) Assinale a alternativa que contém homônimos perfeitos.


(A) casa (verbo) – casa (substantivo).
(B) espeto (substantivo) – espeto (verbo).
(C) sede (substantivo) – cede (verbo).
(D) ascender (verbo) – acender (verbo).
(E) cassar (verbo) – caçar (verbo).

06. (2013 - EEAR) Quanto ao uso dos homônimos conserto/concerto, assinale a alternativa incorreta.
(A) O rapaz tentou reparar-se por suas palavras. Os sentimentos que elas geraram, no entanto, ficaram sem conserto.
(B) Das Dores era daquelas costureiras mais perfeccionistas que oficiosas. Por mais simples que fosse um concerto seu, a
roupa ganhava ares de nova.
(C) Naquele momento histórico, as nações discordavam quanto aos acordos de paz, mas os olhos do mundo pediam um
urgente e justo concerto entre elas.
(D) Queria muito desfrutar do concerto magnífico a que assistia, mas a reforma no apartamento vizinho dolorosamente se
sobrepunha aos sublimes acordes.

07. (2015 - EsPCEx) Assinale a alternativa em que a grafia de todas as palavras está correta.
(A) Mulçumano é todo indivíduo que adere ao islamismo.
(B) Gostaria de saber como se entitula esse poema em francês.
(C) Esses irmãos vivem se degladiando, mas no fundo se amam.
(D) Não entendi o porquê da inclusão desses asterísticos.
(E) Essa prova não será empecilho para mim.

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II. FONEMAS X LETRAS
1. Conceito

1. Um fonema é a menor unidade sonora (fonológica) de uma língua que estabelece contraste de significado para diferenciar
palavras. Por exemplo, a diferença entre as palavras TATO e PATO, quando faladas, está apenas no primeiro fonema: /t/ na
primeira e /p/ na segunda. Já nas palavras PATA e TAPA, houve uma inversão de fonemas de modo a formar uma nova
palavra: /p/ /t/ na primeira e /t/ /p/ na segunda.

O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua escrita, representamos os fonemas por meio de sinais chamados
letras. Portanto, letra é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por exemplo, a letra s representa o fonema /s/
(lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê).

Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser
representado pelas letras z, s, x: zebra, casamento, exílio.
Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra x, por exemplo, pode representar /s/ (texto),
/z/ (exibir), /chê/ (enxame), /ks/ (táxi), /c/ (auxílio), /Ø/ (excelente).

1.1 Palavras com o mesmo número de letras e fonemas:


Isso acontece nos casos em que cada letra representa um fonema diferente. Veja estes exemplos.
BONECA (Seis Letras e Seis Fonemas) BICICLETA (Nove Letras e Nove Fonemas)
FLÁCIDO (Sete Letras e Sete Fonemas) FELICITAÇÃO (Onze Letras e Onze Fonemas)

1.2 Palavras com mais letras do que fonemas.


Isso acontece pois, em alguns casos, as letras grafadas não representam nenhum som (fonema zero) ou apenas nasalisam
vogais.
HORA (4 Letras e 3 Fonemas: H = fonema zero) AMBIENTE (8 Letras e 6 Fonemas: M e N = nasalizadores)
EXCETO (6 Letras e 5 Fonemas: X = fonema zero) PENTE (5 Letras e 4 Fonemas: N = nasalizador)
QUERO (5 Letras e 4 Fonemas: U = fonema zero)

1.3 Palavras com mais fonemas do que letras.


Isso acontece quando a letra X representa som de KS. É o caso de palavras como Taxi, Sexo, Boxe, Crucifixo, dentre outras.
TAXI (Quatro Letras e Cinco Fonemas)
CRUCIFIXO (Nove Letras e Dez Fonemas)

2. Vogais, Semivogais e Consoantes


As cinco vogais são representadas pelas letras A, E, I, O, U.
As duas semivogais são representadas sobretudo pelas letras I e U. As vogais E e O ocasionalmente farão papéis de
semivogais; já a vogal A nunca fará papel de semivogal.
As vinte e uma consoantes são representadas pelas letras B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z. As consoantes
K, W e Y foram inseridas em nosso alfabeto no Decreto 6583, que promulgou o Novo Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa.

3. Regras de Separação Silábica

3.1) Nenhuma vogal terá mais de duas vogais.


Bo-Ne-Ca, Plan-Ta-Do, Ads-Trin-Gen-Te; Sa-Í-Da

3.2) Consoantes e Semivogais nunca ficam desacompanhadas.


Ad-Vo-Ga-Do; Psi-Co-Lo-Gi-A; Á-Gua; Es-Pé-Cie; Tungs-Tê-Nio; Pa-ra-guai

3.3) Letras iguais nunca ficam juntas na mesma sílaba.


Car-Ro, Ca-A-Tin-Ga, Ál-co-ol, Pas-sa-ro.

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3.4) Dígrafos formados com a letra H não se separam.
A-cha-do; Mi-nha, Fi-lho

3.5) Divisão feita pela pronúncia.


Bi-sa-vô, tran-sa-tlan-ti-co, in-te-res-ta-du-al.

4. Encontros Vocálicos

4.1) Ditongo
Quando um conjunto composto por uma vogal e uma semivogal (ou vice-versa) é pronunciado numa mesma sílaba, o
encontro vocálico é classificado como ditongo.

4.1.1) Ditongo crescente


Quando a semivogal aparece antes da vogal. Ex.: início, promíscuo, supérfluo.

4.1.2) Ditongo decrescente


Quando a vogal aparece antes da semivogal. Ex.: saudade, pai, primeiro.

4.1.3) Ditongo oral


Quando a pronúncia ocorre com passagem de ar apenas pela boca. Ex.: naipe, cuidado, flauta.

4.1.4) Ditongo nasal


Quando a pronúncia ocorre com passagem de ar pelas fossas nasais. Ex.: mão, pães, quantidade, sequência

ATENÇÃO
Palavras como AMAM, ARMAZÉM e CUPOM também possuem ditongo! Você não vê a semivogal, mas as pronuncia: em
AMAM, AM sai com som de /ãu/; em ARMAZÉM, EM sai com som de /~ei/; em CUPOM, OM sai com som de /õu/

4.2.) Hiato
É o encontro de duas vogais fortes, por esse motivo não pertencentes à mesma sílaba.
saúde = sa – ú – de burocracia = bu – ro – cra – ci – a
maresia = ma – re – si – a seriado = se – ri – a – do

ATENÇÃO
A diferença entre ditongo e hiato está essencialmente na separação silábica decorrente da força da(s) vogal(is). Enquanto
naquele vogal e semivogal permanecem juntas na sílaba, neste as duas vogais se separam. Observe os pares "sai" / "sa-í",
"sa-bi-a" / "sá-bia".

4.3) Tritongo
É a junção de um grupo composto por uma vogal e duas semivogais numa única sílaba; sempre na ordem SV + V + SV;
nenhuma outra forma de tritongo será possível.

4.3.1) Tritongo oral


Quando a pronúncia ocorre com passagem de ar apenas pela boca. Ex.: Uruguai, iguais.

4.3.2) Tritongo nasal


Quando a pronúncia ocorre com passagem de ar pelas fossas nasais. Ex.: quão, saguões.

ATENÇÃO
Palavras como IGUAL e DESÁGUAM/DESÁGUEM também possuem tritongo! Você não vê as semivogais, mas as pronuncia:
em IGUAL, o L sai com som de /u/; em DESÁGUAM, AM sai com som de /ão/.

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5. Encontros Consonantais
É o agrupamento de duas ou mais consoantes, desde que sem vogal intermediária e representando dois ou mais sons
distintos.

5.1) Encontros Consonantais Perfeito, Puros ou Próprios


Ocorrem numa mesma sílaba, como em: pe-dra, pla-no, a-tle-ta, cri-se, pneu, gno-mo, psi-có-lo-go.

5.2) Encontros Consonantais Imperfeitos, Disjuntos ou Impróprios:


Pertencentes a sílabas diferentes: por-ta, rit-mo, lis-ta, es-tra-da, ads-trin-gen-te.

5.3) Encontros Consonantais Fonéticos ou Dífonos:


Acontecem unicamente quando a palavra possui uma letra X representando os fonemas /ks/. Exemplos: fi-xo, se-xo, tá-xi.

6. Dígrafos
O dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema (di = dois + grafo = letra). Em Português,
temos vinte dígrafos catalogados – dez consonantais e dez vocálicos.

6.1) Dígrafos Consonantais


Quando o dígrafo tem som de consoante, como nos casos abaixo
lh (telhado) nh (marinha) ch (chave)
rr (carro) ss (passo) qu (queijo, quiabo)
gu (guerra, guia) sc (crescer) sç (desço)
xc (exceção)

ATENÇÃO
Na palavra "aquífero", a letra U é pronunciada, assim como em "quase". Atente que, nos grupos em que a letra U é
normalmente pronunciada, não teremos dígrafo. Outros casos: linguística, seriguela, cinquenta.
Nos casos em que as letras S e X representarem o fonema /s/, não teremos dígrafo, e sim encontro consonantal. Exemplo:
cas-ca; ex-cur-são.

6.2) Dígrafos Vocálicos


Registram-se na representação das vogais nasais, como nos casos abaixo.
am (tampa) an (canto) em (templo)
en (lenda) im (limpo) in (lindo)
om (tombo) on (tonto) um (chumbo)
un (corcunda)

ATENÇÃO
Os grupos AM, EM e OM, quando aparecem no final de uma palavra, formam ditongos nasais, e não dígrafos.

As palavras AMNÉSIA, AMNIÓTICO, GIMNOFILIA, LIMNOGRAFIA, LIMNOLOGIA e MNEMÔNICO formam encontros


consonantais MN, e não dígrafos.

7. Classificação quanto ao número de sílabas

7.1) Monossílabo
Palavras compostas por uma única sílaba. Exemplos: pá, mel, fé, sol.
7.2) Dissílabo
Palavras compostas por duas sílabas. Exemplos: ca-sa, me-sa, lá-pis.
7.3) Trissílabo
Palavras compostas por três sílabas. Exemplos: ci-da-de, a-tle-ta.
7.4) Polissílabo
Palavras compostas por mais de três sílabas. Exemplos: es-co-la-ri-da-de, ha-bi-li-da-de.
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8. Classificação quanto à tonicidade das sílabas

8.1) Monossílabo átono


Palavras de uma sílaba fraca, ou seja, pronunciada sem ênfase. Estes podem ser Artigos (o, a, um), Pronomes Pessoais
Oblíquos (se, te, ti, lhe, o, a), Pronome relativo (que, qual), Conjunção (e, ou, ma) ou Preposição (dos, de, a, na).

8.2) Monossílabo tônico


Palavras de uma sílaba tônica, ou seja, pronunciadas com ênfase, que podem ser verbos (li, vi, ter, ser, dê), substantivos
(sol, mar, flor, mel), adjetivos (mau, bom, má), Pronomes (eu, tu, nós), Advérbios (lá, cá, bem).

8.3) Oxítonas
A sílaba tônica é a última. Exemplos: Picolé; Ruim; Cateter; Alguém; Parabéns; Feijão; Nobel; Mister; Sutil.

8.4) Paroxítonas
A sílaba tônica é a penúltima. Exemplos: Safári; Sabonete; Álbum; Colégio; Vírus; Órgão; Imã; Móveis; Tórax; Varinha.

8.5) Proparoxítonas
A sílaba tônica é a antepenúltima e sempre será acentuada. Exemplos: Lâmpada; Árvore; Exército; Quilômetro; Médico;
Mágico; Pássaro; Péssimo; Xícara; Óculos;

9. Acentos Gráficos

9.1) Acento agudo


O acento agudo (´) é usado na maioria dos idiomas para assinalar geralmente uma vogal aberta ou longa. Exemplos: tráfego,
café, moído, sólido, úmido.

9.2) Acento grave


O acento grave (`) é usado para marcar o fenômeno da crase, ou seja, a junção de um A preposição e um A artigo ou pronome
demonstrativo. Exemplos: Vou à festa; Dirijo-me àquela aluna.

9.3) Acento circunflexo


O acento circunflexo (^) é usado em português e tem função de marcar a posição da sílaba tônica. No caso específico do
português, aparece sobre as vogais a, e, o quando são tônicas na última ou antepenúltima sílaba e têm timbre fechado.
Exemplos: lâmpada, pêssego, supôs.

9.4) Til
O til (~) não é um acento gráfico. Serve para indicar a nasalização das vogais - atualmente somente nos ditongos ão, ãe, õe
e isoladamente na vogal ã, mas no passado podia aparecer também sobre a vogal e. Também aparece, em vocábulos
oriundos do espanhol, sobre a letra n para indicar /nh/, como em "Saenz Peña". Exemplo: limão, mãe, põe.

9.5) Trema
O trema (¨) é um sinal gráfico usado em português até o acordo ortográfico de 1990 sobre a letra u nos grupos que, qui, gue
e gui quando fossem pronunciados, como em freqüência e ungüento. Hoje só é utilizado em palavras estrangeiras ou seus
derivados - Müller ou Mülleriano.

9.6) Cedilha
A cedilha (,) é usada geralmente para indicar que uma consoante deve ser pronunciada de forma sibilante. Em português,
aparece sob a letra c (ç) apenas antes das vogais A, O e U. Exemplos: pirraça, cansaço, açúcar.

12
III. REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA
1) Regra das Proparoxítonas
Todas as proparoxítonas são acentuadas, sem exceção.
Exemplos: Sábado; Maiúscula; Ínterim; Período;

As palavras derivadas do Latim também são acentuadas: álibi, déficit, hábitat, ínterim e máxime, portanto, devem ter
acento.
Cuidado com os vocábulos cuja presença/ausência do acento forma palavras diferentes: pratica / prática; medico / médico;
trânsito, transito

2) Regra das Oxítonas


Todas as Oxítonas terminadas em A, E, O e EM serão acentuadas, seguidas ou não de S. Exemplos: Sofá/Sofás; Café/Cafés;
Cipó/Cipós; Armazém/Armazéns
Essa regra também vale para os verbos acrescentados de pronomes oblíquos átonos: transformá-lo, vendê-lo, transpô-lo;
contudo, observe que as formas verbais pedi-lo e transpu-lo não devem ser acentuadas.

3) Regra das Paroxítonas


Todas as Paroxítonas terminadas em RÃNULIXÃO-PSUM. Na verdade, você tem de notar que as paroxítonas terminadas em
R, Ã, N, U, L, I, X, ÃO, PS, UM, seguidas ou não de S. Exemplos: Revólver; Ímã; Pólen; Bônus; Móvel; Júri; Tórax; Irmão; Bíceps;
Álbum.

Atenção!
Palavras como Revólver e Tórax continuam sendo acentuadas quando passadas para o plural, mas a regra de acentuação
muda: se, no singular, elas são paroxítonas terminadas, respectivamente, em R e X, no plural elas passam a ser
proparoxítonas (Revólveres e Tóraxes).
Palavras como Pólen e Hífen, quando grafadas no plural, perderão o acento gráfico visto que palavras paroxítonas
terminadas em ENS não são acentuadas. Exemplo: Polens, Hifens, Itens

4) Regra das Proparoxítonas Terminadas em Ditongo


Todas as Paroxítonas terminadas em ditongos crescentes ou decrescentes são acentuadas, seguidas ou não de S. Exemplos:
Água; Aéreo; Variáveis
Boa parte das questões de concursos cobra justamente essa regra de acentuação.

5) Regra dos Hiatos


Acentuam-se as letras I e U que apareçam como segunda vogal de um hiato, desde que estejam sozinhas ou seguidas de S
e não antecedam o dígrafo NH. Exemplo: Saída; Egoísta; Baú; Balaústre
As palavras saiu, cair, ruim, Raul, ruindade, raiz e rainha não são acentuadas pois a segunda vogal do Hiato não está sozinha
ou está antes de NH.
Cabuçu e Jaú são oxítonas terminadas em U. Contudo, apenas Jaú é acentuada por se encontrar dentro das regras das vogais
I e U em posição de hiato. O mesmo acontece com Bati e Saí, sendo apenas esta última acentuada.

6) Regra dos Monossílabos


Acentuam-se os monossílabos tônicos terminados em A, E e O, seguidas ou não de S. Exemplos: má(s), pé(s), só(s).
Palavras terminadas em consoantes ou vogais I e U nunca serão acentuadas: mel, sol, vi, tu. Os acentos presentes nas formas
verbais "têm" e "vêm" serão justificadas abaixo.
Essa regra também vale para os verbos acrescentados de pronomes oblíquos átonos dá-lo, vê-lo, pô-lo; contudo, as formas
verbais fi-lo e pu-lo não devem ser acentuadas.

7) Regra dos Ditongos Abertos


Acentuam-se os ditongos abertos EI, OI, EU nas palavras oxítonas, seguidos ou não de S. Exemplos: Anéis; Herói; Chapéu
De acordo com o Decreto nº 6.583 (Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa), os ditongos abertos EI e OI perdem
seus acentos nas paroxítonas. Sendo assim, algumas palavras mudaram sua grafia, tais como assembleia, joia, heroico,
proteico - sem, contudo, mudar sua pronúncia.
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8) Regra das vogais após ditongo
Acentuam-se as letras I e U após ditongos nas palavras oxítonas. Exemplo: Tuiuiú; Piauí
De acordo com o Decreto nº 6.583 (Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa), as vogais paroxítonas I e U após ditongo
perdem seus respectivos acentos. Sendo assim, passamos a escrever feiura e maoista sem acento.

9) Regra dos verbos TER, VIR e VER


Acentuam-se os verbos TER, VIR e VER (e seus derivados) conforme quadro abaixo:

Ter Vir Ver


Ele Tem Vem Vê
Eles Têm Vêm Veem

Reter Advir Antever


Ele Retém Advém Antevê
Eles Retêm Advêm Anteveem

Observe que os verbos derivados de TER e VIR levarão acento também no singular. Isso acontece devido à regra da
acentuação das oxítonas terminadas em EM.

De acordo com o Decreto nº 6.583 (Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa), os hiatos EE e OO perdem seus
respectivos acentos. Sendo assim, passamos a escrever voo, enjoo, magoo, leem, deem, veem e creem sem acento.

10) Regra dos Acentos Diferenciais


Usa-se o acento diferencial apenas para se diferenciar:
- Pode (Presente) x Pôde (Pretérito Perfeito).
- Por (preposição) x Pôr (Verbo)
_ fôrma (substantivo), para se distinguir de forma (substantivo; 3a pessoa do singular do presente do indicativo ou 2a pessoa
do singular do imperativo do verbo formar). Nesse caso, é facultativo.

EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa cujos nomes apresentam acentuação gráfica incorreta. (Obs.: a sílaba tônica está
em destaque.)
(A) Capitú / Macabéa (C) Hércules / Petrúquio
(B) Marília / Desdêmona (D) Crusoé / Macunaíma

02. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa em que a palavra destacada deveria ter sido acentuada.
(A) Colmeia é o nome dado à habitação das abelhas.
(B) Halux é o nome dado ao primeiro dedo das patas traseiras dos animais.
(C) Androide é o autômato que tem figura de homem e imita os movimentos humanos.
(D) Hifens são pequenos traços horizontais usados para unir os elementos de palavras compostas, separar sílabas em final
de linha e marcar ligações enclíticas e mesoclíticas.

03. (2016 - EEAR) Assinale a alternativa que apresenta a mesma regra de acentuação gráfica da palavra espontâneo.
(A) Pátria (C) Bênção
(B) Cônsul (D) Esplêndido

04. (2016 - EEAR) Quantas palavras do texto abaixo apresentam erro no que diz respeito ao emprego ou não do acento
gráfico?
Bons argumentos têm aquele rapaz! O conteudo de sua fala revela bem a pessoa observadora que sempre demonstrou ser.
Da importância a detalhes que muitos nem notam. É sempre bom ouví-lo.
(A) 1 (B) 2 (C) 3 (D) 4

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05. (2015 - EEAR) Assinale a alternativa cuja palavra em destaque é classificada como paroxítona.
(A) O Diretor chegou atrasado à formatura, de maneira sutil, e sentou-se na última fileira de cadeiras.
(B) Em um aeroporto de uma cidadezinha do interior, o empresário guardava seu avião no hangar.
(C) A situação dele não era a melhor após o acidente, toda posição na cama era ruim.
(D) Todos foram avisados que a rubrica deveria ser feita no canto inferior direito do documento.

06. (2015 - EEAR) Marque a alternativa correta quanto à separação silábica.


(A) ca-u-le/ quais-quer/ so-cie-da-de/ sa- ú- de
(B) gai-o-la/ a-ve- ri- guou/ du-e-lo/ e-nig-ma
(C) ân-sia/ des- mai-a-do/ ma-li-gno/ im-bui-a
(D) gno-mo/ e-cli-pse/ sos-se-go/ sub-ma-ri-no

07. (2014 - EEAR) O Sol era a referência de direção para deixar aquele inferno e caminhar, meu Deus, mas em direção a
quê?
Em relação aos vocábulos em destaque no texto acima, é correto afirmar que
(A) todos são tônicos.
(B) apenas para é átono.
(C) para e mas são átonos.
(D) para e quê são tônicos.

08. (2014 - EEAR) Assinale a alternativa em que todas as palavras recebem acento gráfico devido ao mesmo princípio.
(A) vídeo, freguês, exótico
(B) planície, anzóis, papéis
(C) sábio, nódoa, espontâneo
(D) pêssego, possível, privilégio

09. (2013 - EEAR) Assinale a alternativa que contém o par de palavras cujas sílabas tônicas estão corretamente destacadas.
Obs.: O acento gráfico de algumas palavras foi tirado propositadamente.
(A) gratuito – crisantemo
(B) fluido – interim
(C) latex – rubrica
(D) Nobel – condor

10. (2011 - EEAR)


I. As palavras nuvens e melancia devem receber acento agudo, porque são paroxítona terminada em -ens e paroxítona
terminada em ditongo.
II. Deve receber acento agudo o i tônico das palavras raizes e faisca.
III. É necessário o uso do acento agudo na antepenúltima sílaba de sozinho e chapeuzinho.
IV. As formas verbais vende-lo e encontra-la-ei devem ser acentuadas.
Está correta a afirmação contida apenas em
(A) II e IV.
(B) I e III.
(C) II e III.
(D) I, II e IV.

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IV. USO DO HÍFEN - Tabela esquemática – Síntese das regras

JUNTA-SE COM JUNTA-SE SEM


HÍFEN HÍFEN

LETRA INICIAL DO SEGUNDO VOCÁBULO


Vogal
PREFIXOS igual à EXEMPLOS
vogal h r s b m n outros
final do
prefixo
aero, agro, alvi, ante, anti-inflamatório, antissocial, arqui-inimigo,
anti, arqui, auto, autoestima, autorretrato, autossuficiente,
contra, des, extra, contrarregra, contra-ataque, extrasseco,
foto, geo, hidro, in, infraestrutura, infravermelho, maxidesvalorização,
infra, intra, macro, mega-amiga, micro-organismo, microssistema, mini-
maxi, mega, micro, instrumento, minissaia, motosserra, multirracial,
mini, moto, multi, neoneonatal, proto-história, pseudociência,
neo, pluri, poli, proto, semiárido, semi-integral, semirrígido, sobre-erguer,
pseudo, retro, semi, sobre-humano, sobressaia, socioeconômico,
sobre, socio, supra, suprassumo, tele-homenagem, ultra-apressado,
tele, tri, ultra ultrainterino, ultrassom,
circum, pan circum-ambiente, circum-navegar, panceleste
ciber, hiper, inter, cibercafé, ciberespaço, interdisciplinar, super-
super homem, superamigo
sob, sub subalugar, sub-reitor, sub-humano
2
mal malsucedido, mal-estar, mal-humorado, malnascido
coautor, cooperar, corresponsável, reavaliar,
co, re
reescrever
além, aquém,
além-mar, bem-educado, pré-natal, pró-reitor,
bem2,ex, pós3, pré3,
recém-nascido, sem-terra, vice-campeão
pró3, recém, sem, vice
1
Não se usa hífen quando o segundo vocábulo perde o H original: desumano, inábil etc.
2
Usa-se o hífen quando ocorrer formação de um adjetivo (ex.: mal-amado) ou substantivo (ex.: bem-me-quer).
3
Quando a pronúncia for fechada (pos, pre, pro), liga-se sem hífen ao outro vocábulo: preencher, posposto (exceções:
preaquecer, predeterminar, preestabelecer, preexistir).
ATENÇÃO: quando a pronúncia exigir, dobra-se o R ou S do segundo vocábulo.

Palavras compostas ou formadas por justaposição: O hífen é mantido nas palavras compostas nas quais os termos mantêm
significado próprio, mantendo inclusive o acento: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, médico-cirurgião,
tenente-coronel, tio-avô, alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte-americano, porto-
alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, euro-africano, primeiro-
ministro, primeiro-sargento, segunda-feira; conta-gotas, guarda-chuva.

Nos topônimos: O hífen é utilizado nos topônimos começados por Grã e Grão, cujo primeiro termo seja uma
flexão verbal ou cujos termos estejam ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passa-Quatro, Quebra-
Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-
Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes.

 Observação: Outros topônimos compostos escrevem-se com os elementos separados, sem hífen: A dos
Francos, América do Sul, Belo Horizonte, Cabo Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc.

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 Exceção: Guiné-Bissau e Timor-Leste mantêm o hífen, mesmo não estando no caso acima por configurarem exceções
consagradas pelo uso.

Nas palavras compostas que designam espécies animais ou vegetais:


Palavras que designam espécies estudadas pela zoologia ou pela botânica mantêm o hífen, tendo ou não ligação por artigo
ou começo por forma verbal: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-
de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me-quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer);
andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, cobra-d'água, lesma-de-conchinha; bem-te-vi.

Nas locuções: Nas locuções em geral não se usa o hífen. O Acordo fornece vários exemplos:
 a) substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar;
 b) adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho;
 c) pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja;
 d) adverbiais: à parte, à vontade, de mais, depois de amanhã, em cima, por isso;
 e) prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à parte de, apesar de, aquando de, debaixo de,
enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto a;
 f) conjuncionais: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, por conseguinte, visto que.

 Exceção: nos casos consagrados pelo uso o hífen é mantido - água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-
perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

 Nas colocações pronominais: O hífen continua a ser usado nas colocações enclíticas e mesoclíticas: amá-lo, dá-
se, deixa-o, partir-lhe; amá-lo-ei, enviar-lhe-emos, dar-se-vos-á

EXERCÍCIOS SOBRE O USO DO HÍFEN

01. Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o novo Acordo, foi usado corretamente:
(A) auto-escola (D) super-interessante.
(B) bem‐educado. (E) infra‐vermelhos
(C) ponta‐pé.

02. Assinale a alternativa errada quanto ao hífen:


(A) bem‐humorado / superalimentação. (D) antepassados / anteprojetos.
(B) circunvizinhanças / malassombrada. (E) autodidata / autoanálise.
(C) sobrecoxa / antiácido.

03. Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego do hífen, respeitando‐se o novo Acordo.
(A) semi‐analfabeto / semicírculo. (D) recém‐chegado / além‐mar.
(B) sem‐pulo / semifinal. (E) vice‐reitor / pós‐operatório.
(C) sem‐vergonha / seminu.

04. Fez um esforço ______ para vencer o campeonato _______. Qual a alternativa completa as lacunas?
(A) sobreumano ‐ interregional (D) sobre‐humano ‐ inter‐regional
(B) sobrehumano ‐ inter‐regional (E) sobrehumano ‐ interregional
(C) sobre‐humano ‐ interegional

05. Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.


(A) infraestrutura ‐ super‐homem ‐ autoeducação (D) neoescolástico ‐ ultrassom ‐ pseudo‐herói
(B) bem‐vindo ‐ antessala ‐ contra‐regra (E) extraoficial ‐ infra‐hepático ‐ semirreta
(C) contramestre ‐ infravermelho ‐ autoescola

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V. ORTOGRAFIA – USO CORRETO DAS LETRAS
 Emprego de X e CH

Casos X CH Exemplos Exceções

01. Após ditongo caixa, frouxo recauchutar


02. Após “en” enxaqueca, enxada, enxame
03. Após “en” (prefixos de palavras encher, enchimento, enchente, preencher, enchiqueirar,
iniciadas por ch) encharcado
04. Após a sílaba “me” mexerica, mexilhão,mexicano mecha
05. Vocábulos de origem indígena ou abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu
africana
06. Nas seguintes palavras bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, puxar, rixa,
oxalá, praxe, roxo,
vexame, xadrez,xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, etc.
07. Nas seguintes palavras bochecha, bucha,
cachimbo, chalé, charque, chimarrão, chuchu, chute, cochilo,
debochar, fachada, fantoche, ficha, flecha, mochila, pechincha,
salsicha

 Emprego de G ou J

Casos J G Exemplos Exceções


01. Substantivos terminados em - Exs: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem pajem,viajem
agem, -igem, -ugem vertigem, origem, penugem enferrujem
02. Palavras terminadas em -ágio,- estágio,privilégio, prestígio, relógio, refúgio
égio, -ígio, -ógio, -úgio
03. Nas formas dos verbos arranjar: arranjo, arranje, arranjem
terminados em -jar ou -jear despejar: despejo, despeje, despejem
gorjear: gorjeie, gorjeiam, gorjeando
enferrujar: enferruje, enferrujem
viajar: viajo, viaje, viajem (3ª p. pl. pres. subjuntivo)
04. Nas palavras derivadas de outras Exs: engessar (de gesso), massagista (de massagem), vertiginoso
que se grafam com g (de vertigem)
05. Nas palavras derivadas de outras laranja – laranjeira loja – lojista
que já apresentam j nojo – nojeira jeito - ajeitar
cereja – cerejeira varejo – varejista
rijo – enrijecer lisonja - lisonjeador
06. Palavras de origem tupi, africana, biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji
árabe ou exótica
07. Nos seguintes vocábulos: algema, auge, bege, geada, gengiva, gibi, gilete, hegemonia,
herege, megera, monge, rabugento, vagem.
08. Nos seguintes vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade, jeito, jejum, laje

 Emprego das Letras S, Z ou X (som de z)

Casos S Z X Exemplos Exceções


01. ISAR: Nas palavras derivadas de Exemplos: análise – analisar ; aviso – avisar catequizar
outras que já apresentam “s” no catálise – catalisador ; pesquisa – pesquisar batizar
radical
02. Nas palavras derivadas de outras deslize – deslizar; razão – razoável;
que já apresentam z no radical vazio – esvaziar ; raiz – enraizar;
cruz – cruzeiro;
03. Nos sufixos -izar, -ização ao real- realizar ; civilizar – civilização;
formar verbos e substantivos colonizar - colonização
04. Nos sufixos -ês e -esa, ao burguês – burguesa ; inglês – inglesa; chinês – chinesa ;
indicarem nacionalidade ou título milanês – milanesa; pequinês ; cortês etc

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05. Sufixos -ez, -eza, formando inválido – invalidez ; limpo – limpeza;
substantivos abstratos a partir de macio – maciez ; rígido – rigidez;
adjetivos surdo – surdez ; frio - frieza
06. Nos sufixos formadores de catarinense – palmeirense - gostoso – gostosa ; teimoso –
adjetivos -ense, -oso e -osa teimosa - amoroso – amorosa.
08. Nas formas dos pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, puséssemos,
verbos pôr e querer, bem como em quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, quiséssemos, repus,
seus derivados: repusera, repusesse.
09. Palavras iniciadas com A azedo, azeite, azia, azeitona asa, Ásia e
asilo
10. Palavras iniciadas com E exame, exército, exemplo, exumar. exílio, esotérico
esôfago,
Ezequiel,
Ezequias
11. Palavras iniciadas com I, O, U Isaura, Osíris e usucapião ozônio
12. Nos derivados em -zal,
-zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: cafezal – cafezinho – cafezeiro, cãezito.
13. Nos seguintes vocábulos: abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa, cortesia,
decisão,despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena,
mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio,
querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo,
visita, etc.
14. Nos seguintes vocábulos: azar, azeite, azedo, amizade, buzina, bazar, catequizar,
chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, proeza, vizinho, xadrez,
verniz

 Emprego de S, Ç, SS, SC e X
Existem diversas formas para a representação do fonema /S/. Observe:
Casos S Ç SS SC X Exemplos

01. Nos substantivos derivados de expandir- expansão; estender- extensão


verbos terminados em "andir", pretender- pretensão; verter- versão
"ender", "verter" e "pelir" suspender- suspensão; converter – conversão
expelir – expulsão ; repelir - repulsão
02. Nos substantivos derivados dos ater – atenção ; torcer – torção; contorcer – contorção ; deter –
verbos "ter" e "torcer" detenção; manter – manutenção
03. Em alguns casos, a letra “X” soa auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta, texto, trouxe
como “ss”
04. Nos termos eruditos acréscimo, ascensorista,consciência, descender, discente,
fascículo, fascínio, imprescindível, miscigenação, plebiscito,
rescisão, transcender
05. Na conjugação de alguns verbos nascer- nasço, nasça crescer- cresço, cresça
descer- desço, desça
06. Nos substantivos derivados de agredir – demitir – ceder – discutir
verbos terminados em "gredir", agressão demissão cessão discussão
"mitir", "ceder" e "cutir" transmitir – exceder – repercutir;
transmissão – excesso - repercussão

 Emprego das letras E e I


Casos E I Exemplos
01. Em sílabas finais dos verbos terminados em - magoar – magoe, magoes
oar, -uar continuar – continue, continues
02. Em palavras formadas com o antebraço, antecipar
prefixo ante (anterior)
03. Nos seguintes vocábulos: cadeado, confete, disenteria, empecilho, irrequieto, mexerico,
orquídea
04. Em sílabas finais dos verbos terminados em - cair- cai doer- dói influir - influi
air, -oer, -uir
05. Em palavras formadas com o anticristo – antitetânico
prefixo anti- (contra)
06. Nos seguintes vocábulos: aborígine, artimanha, chefiar, digladiar, penicilina, privilégio

19
 Emprego das letras O e U
Casos O U Exemplos
01. A oposição o/u é responsável pela diferença de comprimento (extensão) e cumprimento (saudação,
significado de algumas palavras. realização) ; soar (emitir som) e suar (transpirar)
02. Nos seguintes vocábulos: bolacha, bússola, costume, moleque.
03. Nos seguintes vocábulos: camundongo, jabuti, Manuel, tábua

1. O item abaixo que apresenta uma palavra erradamente grafada é:


(A) alteza - duquesa - baroneza; (D) freguesa - beleza - dureza;
(B) riqueza - dureza – fineza; (E) certeza - camponesa - japonesa.
(C) princesa - baixeza - burguesa;

2. Assinale a alternativa que contém o período cujas palavras estão grafadas corretamente:
(A) Ele quiz analisar a pesquisa que eu realizei. (D) Ele quis analizar a pesquiza que eu realisei.
(B) Ele quiz analizar a pesquisa que eu realizei. (E) Ele quis analisar a pesquiza que eu realizei.
(C) Ele quis analisar a pesquisa que eu realizei.

3. Indique a única sequência em que todas as palavras estão grafadas corretamente:


(A) fanatizar - analizar - frizar. (D) realisar - analisar - paralizar.
(B) fanatisar - paralizar - frisar. (E) utilizar - canalisar - vasamento.
(C) banalizar - analisar - paralisar.

4. Marque a opção com que todas as palavras estão grafadas corretamente:


(A) enxotar – trouxa – chícara. (D) certeza – empresa – defeza.
(B) berinjela – jiló – gipe. (E) nervoso – desafio – atravez.
(C) passos – discussão – arremesso.

5. Dos pares de palavras abaixo, aquele em que a segunda não se escreve com a mesma letra sublinhada na primeira é:
(A) vez / reve___ar. (D) cafezinho/ blu __ inha.
(B) propôs / pu__ eram. (E) esvaziar / e___ tender.
(C) atrás / retra __ ado.

6. A alternativa que apresenta palavra grafada incorretamente é:


(A) fixação - rendição - paralisação. (D) presunção - compreensão - submissão.
(B) exceção - discussão - concessão. (E) cessão - cassação - excurção.
(C) seção - admissão - distensão.

7. A única palavra que se escreve sem “h” é:


(A) omeopatia. (D) erdeiro.
(B) umidade. (E) iena.
(C) umor.

20
VI. USO CORRETO DAS PALAVRAS
01. Há, A ou À?

"Há" só pode ser usado caso se refira a um tempo já transcorrido:


"A" é usado quando a ideia for de “tempo futuro”, caso em que devemos usar a preposição, ou de distância.
"À" só aparecerá no sentido de hora exata no relógio, podendo, nesse caso, aparecer antes da palavra "uma".

Exemplos
a) Só nos veremos daqui a um mês.
b) Estamos a dez quilômetros do estádio.
c) Não nos vemos há dez dias.
d) Há muito tempo, ocorreu aqui uma tragédia.
e) Encontrarei vocês à meia noite.

02. Abaixo / A Baixo

"Abaixo" tem o mesmo valor que "embaixo", "sob". Ou ainda representar uma crítica
"A baixo" significa "para baixo", "até embaixo":

Exemplos
a) Sua classificação foi abaixo da minha. d) O prédio foi a baixo em poucos minutos.
b) O livro está abaixo da mesa. e) Abaixo os altos preços !
c) Ela me olhava de alto a baixo.

03. Ao invés de / Em vez de

“Em vez de” é usado como substituição.


“Ao invés de” é usado como oposição.

Exemplos
a) Vou a São Paulo em vez de BH. c) Estudei química em vez de matemática.
b) Ele era grande ao invés de pequeno. d) Subiu a escada ao invés de descer.

04. De encontro a / Ao encontro de

“Ao encontro de” expressa harmonia.


“De encontro a” expressa embate.

Exemplos
a) Obrigada! Sua ajuda veio ao encontro do que eu c) Discutimos, pois suas ideias vão de encontro às minhas.
precisava. d) Estamos satisfeitos porque sua decisão vem ao
b) Brigaram porque a opinião dele ia de encontro ao que encontro das nossas reivindicações.
ela acreditava.

05. Através de / Por meio de

“Por meio de” é o mesmo que “por intermédio”.


“Através de” expressa a ideia de atravessar.

Exemplos
a) Conseguimos por meio de muito trabalho.
b) Olhava através de janelas bem pequenas.

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06. Em princípio / A princípio

“A princípio” equivale a “no início”.


“Em princípio” equivale a “em tese”.

Exemplos
a) A princípio, pensei como você, mas logo mudei de ideia.
b) Em princípio, todo homem é igual perante a lei.

07. Se não / Senão

“Senão” significa “caso contrário” ou “a não ser”.


“Se não” é usado para expressar uma condição.

Exemplos
a) Me avise, senão vou esquecer. c) Se não puder, nos avise antes.
b) Não fez senão o prometido. d) Não houve um senão no evento,

08. À medida que / Na medida em que

“Na medida em que” equivale a “porque”.


“À medida que” mostra relação de proporção.

Exemplos
a) Cancelamos a reunião na medida em que a negociação havia sido adiada.
b) A produtividade aumenta à medida que a equipe usa a ferramenta.

09. Trás / Traz

“Trás” só existe na expressão “Para trás”.


Se você está se referindo ao verbo “trazer”, lembre-se da letra z nele e use sempre “traz”.

Exemplos
a) Ela trouxe os objetos para trás da parede de vidro.
b) Ela sempre nos traz esperanças de um dia melhor.

10. Afim / A fim de

“A fim de” indica ideia de finalidade, desejo.


“Afim” é um adjetivo, o mesmo que “semelhante”.

Exemplos
a) Irei ao evento a fim de praticar o networking. c) Temos uma grande ideia afim.
b) Estou a fim de sair com aquela menina. d) As duas amigas têm pensamentos afins.

11. Tão pouco / Tampouco

Tampouco corresponde a “também não”, “nem sequer”.


Tão pouco corresponde a “muito pouco”.

Exemplos
a) Ele não fez o que pedi, tampouco o que você pediu.
b) O fim de semana foi delicioso, mas durou tão pouco.

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12. Mau / Mal

Mal opõe-se a bem e faz papel de advérbio ou substantivo.


Mau opõe-se a bom e faz papel de adjetivo.

Exemplos
a) Acordo mal humorada. c) Hoje é um mau dia para conversarmos.
b) Mal cheguei, tinha trabalho na mesa. d) João é um mau menino que pratica o mal.

13. Obrigado / Obrigada

Homens dizem “obrigado”. Mulheres dizem “obrigada”.


Atenção: "obrigado" e "obrigada" são adjetivos, portanto, variáveis!

Exemplos
a) Muito obrigado, disse o rapaz na cerimônia. c) Muito obrigados, disseram eles na cerimônia.
b) Muito obrigada disse a moça na cerimônia. d) Muito obrigadas, disseram as moças.

14. Mas / Mais / Más

"Mas" é conjunção adversativa, com valor de oposição, e significa “porém”.


"Mais" é advérbio de intensidade ou pronome indefinido (o oposto de "menos").
“Más” é o contrário de “boas” e sinônimo de “ruins”.

Exemplos
a) Gostaria de ter viajado, mas tive um imprevisto. d) Ninguém gosta mais de mim.
b) Adicione mais açúcar se quiser. e) Ela é bonitinha, mas antipática.
c) Joana está mais linda hoje. f) Não são pessoas más, apenas desatentas.

15. Acerca de / A cerca de / Há cerca de / Cerca de / A cerca

“Acerca de” é o mesmo que “a respeito de”.


Já “a cerca de” indica aproximação (futuro ou distância).
“Há cerca de” indica “existe aproximadamente” ; “aproximadamente no passado”
“cerca de” indica “durante”, “aproximadamente”.
“A cerca” indica algo que demarca um espaço.

Exemplos
a) Deveríamos discutir mais acerca de política. d) A cerca de arame farpado foi cortada.
b) Moro a cerca de 3Km daqui. e) Estamos a cerca de dez quilômetros do estádio.
c) Eu me formei há cerca de 15 anos. f) Há cerca de dez pessoas na sala de espera.

16. Por hora / Por ora

"Por hora" significa "a cada hora".


"Por ora" significa "nesse momento", "agora".

Exemplos
a) João ganha em seu trabalho 83 reais por hora.
b) Por ora, terminemos a aula por aqui.

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17. Quiz / Quis

"Quiz" existe e se refere a um jogo feito com perguntas e respostas. "Quis" é uma conjugação do verbo "querer", e, assim
como todas as outras conjugações, é escrita com S.

Exemplos
a) Joana não quis participar do quiz em seu colégio.
b) Se você quiser vir, será muito bem recebido.
c) Não pensei que ele quisesse chegar tão cedo à aula.

18. Onde / De onde / Aonde

“Onde” se refere a um lugar em que alguém ou alguma coisa se encontra naquele momento. “Aonde” é formado pela
preposição “a”, porque indica movimento de destino - quem vai vai a algum lugar. “De onde” indica movimento de origem,
por isso é grafado com a preposição "de".

Exemplos
a) Onde estou? Estou em casa!
b) Aonde vou? Vou ao curso!
c) De onde saí? Da escola.

19. Uso dos Porquês

a) Por que (Separado e sem acento)


Utilizado nas perguntas diretas ou indiretas, equivalente a "por que motivo" ou "por que causa".
Exemplo: Por que ele não voltou mais?
Exemplo: Quero saber por que vocês estão aqui.

Também pode ser utilizado quando assume o valor de "pelo qual" e suas variantes.
Exemplo: O caminho por que passei era de pedra.
A aluna por que estou apaixonado é muito simpática.

b) Por quê (Separado e com acento circunflexo)


É usado no fim das frases interrogativas diretas ou de maneira isolada. Antes de um sinal de pontuação ainda assim mantém
o sentido interrogativo ou exclamativo. O “por quê” mantém o sentido de “por qual motivo”.
Exemplos: O almoço não foi servido por quê?
Andar a pé, por quê, João?
Andar a pé, por quê, se eu não estou bem?

c) Porquê (Junto e com acento circunflexo)


É utilizado com o mesmo sentido da palavra “motivo”, "causa" ou “razão”. Aparece normalmente precedido de artigo,
pronome, adjetivo ou numeral, visto que é um substantivo.
Exemplos:
Não foi explicado o porquê de tanto barulho na noite de ontem.
São vários porquês que me fizeram desistir da carreira.
Esse porquê não possui nenhum fundamento para mim.

d) Porque (Grafado junto e sem acento)


Conjunção subordinativa causal ou coordenativa explicativa que pode ser substituído por “pois”, "visto que" ou “uma vez
que”. Aparece também nas respostas, bem como no sentido de "para que".

Exemplo: Não fui à escola ontem porque fiquei doente.


Por que você está aqui? Porque fui convidado.
Nós torcemos todos os dias porque a violência acabe.

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EXERCÍCIOS

01. (2017 - PM-MG) Complete as frases com mau ou mal:


I - Os guardas responsáveis pela segurança do condomínio atuaram muito _____ na execução dos serviços.
II - Um __________ terrível abateu-se sobre o condomínio.
III - O __________ tempo acabou com a temporada de sol, consequentemente, as piscinas ficaram vazias.
(A) Mau – mau – mal.
(B) Mal – mal – mau.
(C) Mal – mau – mal.
(D) Mal – mal – mal.

02. (2012 - EEAR) Houve erro no emprego de ACERCA DE / A CERCA DE / HÁ CERCA DE na alternativa:
(A) Nós retornamos à EEAR há cerca de um ano.
(B) Há cerca de cinquenta mil militares na EEAR.
(C) Não falávamos acerca de concurso na EEAR.
(D) Estou acerca de cem metros de um quartel da EEAR.

03. (2016 - EEAR) A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas das frases abaixo é:
I- Era previsível que a aluna se comportaria ________ durante o teste.
II- A ponte ________ deveríamos passar foi interditada.
III- ________ você pensa que vai?
(A) mau – porque – onde
(B) mal – por que – aonde
(C) mal – por que – onde
(D) mau – porque – aonde

04. (2016 - CIAAR) De acordo com o significado e o uso dos “porquês”, é correto afirmar que dentre os exemplos a seguir,
apenas um apresenta a mesma equivalência quanto ao significado e constituição do visto em “Por que não me arriscava a
tentar a leitura sozinho?”, indique-o.
(A) “Lutamos por que nossa situação melhore um dia.”
(B) “O túnel por que deveríamos passar desabou ontem.”
(C) “Estas são as reivindicações por que estamos lutando.”
(D) “Não é fácil saber por que a situação persiste em não melhorar.”

05. (2016 - 1º Distrito Naval) Em que opção o termo destacado foi empregado adequadamente?
(A) Não entendo porque os livros não estão nas prateleiras.
(B) Por que você não lhe enviou uma resposta?
(C) A estrada estava escura porquê já era noite.
(D) Porque você não compareceu ao evento sábado passado?
(E) Todos choraram por que a situação se revelou trágica.

06. (2016 - 5º Distrito Naval) Tendo em vista a norma padrão, assinale a opção em que palavra "onde " completa
corretamente a lacuna .
(A) A cidade_________ voltou é longe daqui.
(B) O terreno __________ comprou foi invadido.
(C) A casa __________ morava está à venda.
(D) O país ___________ veio está em guerra.
(E) A empresa ___________ ele sempre vai está fechada.

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07. (2016 - 5º Distrito Naval) Em que opção a frase está de acordo com a norma padrão?
(A) Minha casa fica há cerca de uma hora daqui.
(B) Falou a cerca do projeto iniciado pela Marinha.
(C) Ele foi conversar com o chefe a cerca de dez minutos.
(D) Elas se encontraram pela primeira vez acerca de vinte anos
(E) Estávamos conversando acerca de educação quando entrou.

08. (2014 - EAM) Em que opção o termo destacado foi corretamente empregado, no contexto?
(A) Porquê precisamos conhecer os mecanismos da linguagem numa situação comunicativa?
(B) Os candidatos precisam apresentar alguns conhecimentos há cerca de gramática.
(C) Depois de estudar bastante, os alunos do curso preparatório assistiram a uma sessão de cinema nacional.
(D) Os pais não desejam que seus filhos se comportem mau na escola.
(E) Após uma pesquisa cuidadosa, sabemos de aonde procedem os alunos candidatos no concurso.

09. (2013 - COLÉGIO NAVAL) Assinale a opção em que o termo destacado está grafado corretamente.
(A) Você talvez mau tenha notícia de que o nosso lixo faria a fartura de um Haiti.
(B) Outra modalidade de desperdício porque passamos é a do transporte de grãos
(C) O Brasil poderia construir mas estádios se não fosse o desperdício.
(D) Há pesquisas e cálculos acerca do desperdício de talentos no país.
(E) Como já ouviram falar, a um longo debate sobre sermos um país pobre com mania de rico.

10. (2012 - IME) A opção que exige o uso e grafia da expressão "se não" é
(A) Este exemplo esclarecerá tudo, qualquer __________.
(B) Tudo teria terminado bem, _____ fosse notada a sua ausência.
(C) Não víamos, na época, outra opção, __________ utilizar ruas estreitas.
(D) Percebo um _____________ : o orçamento alto.
(E) Há um ___________ a suas considerações.

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VII. OS ELEMENTOS DA MORFOLOGIA
O radical é a forma mínima que indica o sentido básico de uma palavra. Alguns vocábulos são constituídos apenas por
radical (lápis, mar, hoje). Os radicais permitem a formação de famílias de palavras: menin-o, menin-a; menin-ada, menin-
inho, menin-ona.

A vogal temática é a vogal que, em alguns casos, une-se ao radical, preparando-o para receber as desinências: com-e-r.

O tema é o acréscimo da vogal temática ao radical, pois na língua portuguesa é impossível a ligação do radical com, com
a desinência r, por isso é necessário o uso do tema e.

As desinências estão apoiadas ao radical para marcar as flexões gramaticais. Podem ser nominais ou verbais:
As nominais indicam flexões de gênero e número dos nomes (gat-a e gato-s).
Já as verbais indicam tempo e modo (modo-temporais / fal-á-sse-mos) ou pessoa e número (número-pessoais / fal-á-sse-
mos) dos verbos.

Os afixos são morfemas derivacionais (gramaticais) agregados ao radical para formar palavras novas. Os afixos da língua
portuguesa são o prefixo, colocado antes do radical (infeliz) e o sufixo, colocado depois do radical (felizmente)

A vogal e consoante de ligação são elementos mórficos insignificativos que surgem para facilitar ou até possibilitar a
pronúncia de determinadas construções (silv-í-cola, pe-z-inho, pobre-t-ão, rat-i-cida, rod-o-via)

Já os alomorfes são as variações que os morfemas sofrem (amaria - amaríeis; feliz - felicidade).

1.1 Morfemas
São unidades mínimas de significação, integrantes da palavra, que não admitem subdivisão em unidades significativas
menores. Quanto à significação, podem ser:

 morfemas lexicais (lexemas ou semantemas) de significação externa, ou seja, cujo significado está ligado ao mundo
objetivo, indicando o significado da palavra.
 morfemas gramaticais (gramemas ou formantes) de significação interna, relacionados ao universo linguístico, isto é, tem
significado ligado somente ao sistema gramatical da língua.

2. Processos de Formação de Palavras

As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a língua um fenômeno vivo que acompanha o homem.
Por isso alguns vocábulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neologismos) e outros mudam de
significado com o passar do tempo.
Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das palavras encontramos a seguinte divisão:
 palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor)
 palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha)
 palavras simples - só possuem um radical (couve, flor)
 palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor, aguardente)

Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conhecimento dos seguintes processos de formação:

2.1 Composição
Processo em que ocorre a junção de dois ou mais radicais. São dois tipos de composição.
 justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol, sexta-feira);
 aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de elementos (pernalta, de perna + alta).

2.2 Derivação
Processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o acréscimo de afixos. São cinco tipos de derivação.

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 prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil);
 sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente);
 prefixal e sufixal: acréscimo de prefixo e sufixo à palavra primitiva (des+leal+dade, in+feliz+mente).
 parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse
processo é responsável pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva;
 regressiva, regressão ou deverbal: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma-se substantivos abstratos por
derivação regressiva de formas verbais (ajuda / de ajudar);
 imprópria ou conversão: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva ("o jantar" - de verbo para substantivo;
"é um judas" - de substantivo próprio a comum).

2.3 Outros Processos


Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros processos para formação de palavras, como:
 Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas por elementos originários de línguas diferentes
(automóvel e monóculo, grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide, alcoômetro, árabe e grego
/ caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e latino / sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego);
 Onomatopéia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zunzum, miau);
 Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.)
 Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma sequência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL).
A partir de siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista)
 Acrônimos: a formação de siglas utilizando sílabas iniciais de uma sequência de palavras (Empresa Brasileira de Pecuária
e Agricultura - Embrapa). A partir de acrônimos, formam-se outras palavras também (embrapismo). Via de regra, apenas
a primeira letra do acrônimo é grafada maiúscula.
 Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas palavras, ou para palavras que adquirem um novo significado.

3. Flexão Verbal
 Número: singular ou plural;
 Pessoa gramatical: 1ª, 2ª ou 3ª;
 Tempo: referência ao momento em que se fala;
 Voz: ativa, passiva, reflexiva e reflexiva reciproca;
 modo: indicativo (certeza de um fato ou estado), subjuntivo (possibilidade ou desejo de realização de um fato ou
incerteza do estado) e imperativo (expressa ordem, advertência ou pedido).

3.1 Morfologia dos Verbos


3.1.1 Conjugação Verbal
Há três conjugações para os verbos da língua portuguesa:
1ª conjugação: -ar •• 2ª conjugação: -er •• 3ª conjugação: -ir.

Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à 2ª conjugação, por se originarem do antigo verbo poer.

Importante: os neologismos serão sempre formados na primeira conjugação com o sufixo AR (“deletar”, “startear”,
“cervejar”, “sapucar”, “butar”, “internetear” e tantos outros)

3.2 Estrutura Dos Verbos


Verbo Radical VT Tema DMT DNP
Estudar estud a estuda r ----
Amássemos am a ama sse mos
Vingou ving o vingo ---- u
partiríamos part i parti ria mos

Formação do verbo, então, será na ordem: Radical + VT + DMT + DNP.


Verbos regulares, radical sempre o mesmo. Presente e Pretérito Perfeito do Indicativo não tem DMT (DNP própria). Primeira
e Terceira pessoa do singular não tem DNP.

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EXERCÍCIOS

01. (2017 - Escola Naval) Leia o fragmento: “[...] a relação entre o Eu e o Universo [...]’’ (2°§) Assinale a opção em que a
palavra sublinhada foi formada pelo mesmo processo que a palavra destacada acima.
(A) O beija-flor voou feliz até o ninho.
(B) Infeliz aquele que não ama o próximo.
(C) - Silêncio! Pediu o professor à turma.
(D) O resgate dos feridos aconteceu normalmente.
(E) A falta cometida pelo jogador foi desleal.

02. (2017 - EFOMM) Quanto ao processo de formação de palavras, o de conversão NÃO está presente na palavra sublinhada
na alternativa
(A) Disse certo o poeta: ‘Navegar é preciso ’, a ciência da navegação é saber preciso (...)
(B) O ritmo das remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar.
(C) (...) multiplicam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez
mais rápidas (...)
(D) Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia.
(E) A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença (...)

03. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa incorreta quanto à formação da palavra em destaque.
(A) A vida só é possível / reinventada. (Cecília Meireles) – derivação parassintética
(B) O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. (Pe. Antônio Vieira) – derivação prefixal
(C) O senhor tolere, isto é o sertão (...) Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos. (Guimarães Rosa) –
derivação imprópria
(D) Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo (...) (Machado de
Assis) – derivação sufixal

04. (2015 - EFOMM) Assinale a opção em que o processo de formação da palavra sublinhada é diferente dos demais.
(A) livraria. (D) ferocidade.
(B) tortura. (E) casualmente.
(C) crueldade.

05. (2016 - CMRJ) Na palavra indeterminado (“está suspenso... por tempo indeterminado”), o elemento destacado - in - tem
o mesmo sentido do elemento que aparece sublinhado na palavra
(A) alojados (D) improvisa
(B) ressentir (E) analfabetismo
(C) afazeres

06. (2016 - EsSA) Marque a única alternativa em que as palavras não se formam pelo processo de composição.
(A) beija-flor; pernalta (D) pé-de-meia; aguardente
(B) amanhecer; desalmado (E) tira-teima; madrepérola
(C) embora; segunda-feira

07. (2006 - CFN) Em qual das palavras abaixo o antônimo NÃO se forma apenas pela retirada da partícula “des” ?
(A) Desinteressado. (D) Desocupado.
(B) Desconhecido. (E) Desolado
(C) Desorientado.

08. (2016 - EFOMM) No que tange ao processo de formação de palavras, o termo destacado que se enquadra como
formação regressiva aparece na opção
(A) As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar.
(B) Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.
(C) É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação (...)
(D) O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária (...)
(E) O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer (...)
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09. (2016 - Escola Naval) Em que opção encontra-se uma palavra, cujo processo de formação é o mesmo do termo destacado
em "[...] o tão sonhado embarque [...]." (11°§)
(A) "[...] circundam minha terra [...]." (2°§)
(B) "[...] não seriam certamente em vão." (4 °§)
(C) "E o sentimento de perda [...]." (6ª§)
(D) "Seis anos entremeados de aulas, [...]." (7°§)
(E) "[...] o notável escritor-marinheiro [...]." (13°§)

10. (2015 - EsSA) Assinale a palavra abaixo cujo prefixo apresente o mesmo valor semântico do prefixo componente de
desatentos.
(A) Antibiótico.
(B) Importação.
(C) Insatisfeito.
(D) Adjacência.
(E) Antebraço

11. (2012 - CIAAR) A formação da expressão destacada no segmento “...eu era de tal modo sedenta que um quase nada já
me tornava uma menina feliz." (2º§) é
(A) derivação sufixal.
(B) derivação imprópria.
(C) derivação regressiva.
(D) composição por justaposição.

12. (2012 - EEAR) As palavras contrapor, ajoelhar, busca são formadas, respectivamente, pelo processo de derivação
(A) imprópria, parassintética e regressiva.
(B) prefixal, parassintética e regressiva.
(C) imprópria, sufixal e imprópria.
(D) prefixal, sufixal e imprópria.

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VIII. SUBSTANTIVO
É a palavra que nomeia seres, objetos, qualidades, ações, estados, sentimentos e idéias. É flexionado em gênero e número;
já o grau do substantivo se dá por derivação sufixal.

1.1 Classificação do substantivo


Quanto a sua classificação, ele pode ser:
a) próprio: Marcelo chegou. – MACETE: geralmente escrito com letra MAIÚSCULA.
b) comum: é aquele que designa todos os seres da mesma espécie. O martelo enferrujou.
c) concreto: é aquele que designa os seres que têm subsistência própria: folha, Deus, fada, gnomo.
d) abstrato: é aquele que designa sensações, estados, ações ou qualidades dos seres: paciência, paz, justiça.

Já quanto a sua formação, o substantivo pode ser:


a) simples: é aquele que apresenta UM só elemento formador, ou seja, UM só radical. Não gosto de goiaba.
b) composto: é aquele que é formado por MAIS DE UM radical. Não gosto de fruta-pão.
c) primitivo: é aquele que pode dar origem a outras palavras. Não gosto de goiaba.
d) derivado: é aquele que se origina (DERIVA) de outras palavras. Não gosto de goiabada.

1.2 Substantivos Coletivos


São palavras que indicam o agrupamento de pessoas, seres, coisas, objetos ou animais da mesma espécie. Seguem alguns
exemplos de substantivos coletivos de pessoas, animais, plantas e objetos.

1.3 Gênero dos substantivos


As Flexões de Gênero do Substantivo referem-se ao masculino e feminino de seres, objetos e entidades. Pertencem ao
gênero masculino todos os substantivos em que é possível antepor o artigo o ou um. Exemplos: o quarto, um médico.
Pertencem ao gênero feminino todos os substantivos em que é possível antepor o artigo a ou uma. Exemplos: a sala, uma
médica.

- Biforme: é aquele que possui duas formas para indicar o gênero, uma para o masculino e outra para o feminino:
menino/menina; burguês/burguesa; professor/professora; homem/mulher.

Atenção 1. Há alguns substantivos que possuem os dois gêneros, mas que guardam, entre si, apenas um sentido aproximado:
chinelo/chinela; banheiro/banheira; cinto/cinta; cerco/cerca; jarro/jarra; casco/casca.
Atenção 2. Há, ainda, outros substantivos que apenas aparentemente apresentam os dois gêneros, mas que, na verdade,
são oriundos de radicais distintos e, por isso, a significação é diferente: prato/prata; caso/casa; mico/mica; colo/cola;
bolo/bola; tesouro/tesoura.

- Comum de dois: é aquele que apresenta uma só forma para o masculino e o feminino, porém, com artigos: o (a) imigrante,
o(a) indígena, o(a) paciente, o(a) artista.

- Sobrecomum: é aquele que apresenta um só gênero para indicar tanto os seres do sexo masculino como os do feminino: a
criança, a testemunha, o algoz, o indivíduo, a presa.
- Epiceno: é aquele invariável em gênero que designam nomes de certos animais: a formiga, a onça, a cobra, o gavião - macho
e fêmea: onça macho/fêmea, crocodilo macho/fêmea.

Formação do feminino dos substantivos biformes


1) Substantivos terminados em –o átono formam o feminino ao substituir a desinência por –a. Exemplos: gato - gata, lobo -
loba, menino - menina.
2) Substantivos terminados em consoantes formam o feminino com o acréscimo do –a. Exemplos: freguês - freguesa, deus
- deusa, contador - contadora.
3) Substantivos terminados em –ão podem formar o feminino de três formas:
3.1) Mudando o final –ão para –oa. Exemplos: ermitão - ermitoa, leitão - leitoa, patrão - patroa;
3.2) Mudando o final –ão para –ã. Exemplos: anão - anã, campeão - campeã, cidadão - cidadã;

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3.3) Mudando o final –ão para –ona. Exemplos: espertalhão - espertalhona, folião - foliona, pobretão – pobretona.

4) Substantivos terminados em –or formam normalmente o feminino com o acréscimo da desinência –a, –eira ou –triz.
Exemplos: leitor - leitora, arrumador - arrumadeira, imperador - imperatriz.
5) Substantivos que referem-se a títulos de nobreza formam o feminino com as terminações–esa, –essa e –isa. Exemplos:
barão - baronesa, abade - abadessa, sacerdote - sacerdotisa.
6) Substantivos terminados em–e são uniformes, mas há exceções em que é acrescentado o –a ao fim da palavra. Exemplos:
elefante - elefanta, governante - governanta, gigante - giganta.
7) Outros Casos: Avô - avó; Cônego - canonisa; Cônsul - consulesa; Czar - czarina; Frade - freira; Herói - heroína; Maestro -
maestrina; Poeta - poetisa; Profeta - profetisa; Rapaz - rapariga ou moça; Rei - rainha; Réu - ré.

1.3.1 Substantivos de gênero vacilante


Substantivos de gênero vacilante são substantivos que, apresentando oscilação de gênero, são usados pelos falantes tanto
no feminino como no masculino. Em alguns casos, é correto apenas o uso de um dos gêneros. Em outros casos, o uso dos
dois gêneros é aceitável - havendo ou não mudanças de sentido.

Substantivos utilizados no gênero masculino: o açúcar; o afã; o ágape; o alvará; o anátema; o aneurisma; o antílope; o
apêndice; o apetite; o algoz; o bóia-fria; o caudal; o cataclismo; o cônjuge; o champanha; o clã; o cola-tudo; o cós; o coma;
o guaraná; o gengibre; o herpes; o lança-perfume; o haras; o lotação; o derma; o diagrama; o dó; o diadema; o decalque; o
epigrama; o eclipse; o estigma; o estratagema; o eczema; o formicida; o magma; o matiz; o magazine; o milhar; o nó-cego;
o pijama; o pé-frio; o plasma; o pão-duro; o sósia; o talismã; o toalete; o telefonema; o tira-teimas; o xérox; o quilograma;
o plasma; o apostema; o epigrama; o telefonema; o estratagema; o dilema; o teorema; o apotegma; o trema; o eczema; o
edema; o magma; o anátema; o estigma; o axioma; o tracoma; o hematoma.

Substantivos utilizados no gênero feminino: a abusão; a acne; a bacanal; a benesse; a bólide; a couve; a couve-flor; a cal; a
cataplasma; a comichão; a derme; a aguarrás; a dinamite; a debênture; a ênfase; a echarpe; a entorse; a enzima; a faringe;
a ferrugem; a fênix; a alface; a apendicite; a gênese; a grafite; a ioga; a libido; a matinê; a marmitex; a mascote; a mídia; a
nuança; a omoplata; a aguardente; a alcunha; a ordenança; a omelete; a própolis; a patinete; a quitinete; a sentinela; a soja;
a vernissagem

Substantivos falsos biformes, sem relação de oposição entre masculino e feminino: barco/barca (= barco grande);
jarro/jarra (um tipo especial de jarro); cerco/cerca (= objeto construído para estabelecer o cerco); grito/grita (= grande
quantidade de gritos); lenho/lenha (= pedaços de lenhos utilizados para produzir fogo); linho/linha (= fio de linho ou, por
extensão, de outro material); manto/manta (= grande manto); mato/ mata (= grande quantidade de árvores frondosas);
ribeiro/ribeira (= terreno às margens do ribeiro).

Substantivos utilizados no gênero masculino ou no feminino sem mudança de sentido


o/a ágape: refeição que celebra o rito eucarístico
o/a agravante: que agrava sobrecarrega
o/a aluvião: sedimento deixado pelas águas, inundação
o/a amálgama: liga metálica que contém mercúrio
o/a avestruz: ave
o/a caudal: que jorra ou escorre em abundância.
o/a dengue: doença causada pelo mosquito aedes aegypt
o/a diabetes ou diabete: doença
o/a ilhós: aro circular de metal ou plástico
o/a íris: espectro luminoso produzido pela difração da luz branca
o/a laringe: cavidade que contém as cordas vocais
o/a preá: pequeno roedor
o/a sabiá: ave
o/a soprano: voz feminina mais aguda
o/a suéter: agasalho de lã
o/a tapa: pancada dada com a mão
o/a usucapião: aquisição de algo que se dá pela posse prolongada

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Substantivos utilizados no gênero masculino ou no femininos com mudança de sentido
a) o capital = dinheiro investido / a capital = cidade onde está centralizado o governo do país/estado.
b) o vogal = pessoa com poder de voto em uma assembleia; a vogal = a, e, i, o, u.
c) o caixa = operador do local onde se realizam pagamentos; a caixa = recipiente que guarda coisas.
d) o cisma = separação; a cisma = obsessão, teimosia.
e) o guarda = profissional responsável pela segurança de pessoas; a guarda = ato de guardar, proteger.
f) o guia = conduzir pessoas; a guia = informativo responsável por auxiliar pessoas.
g) o lente = professor; a lente = instrumento óptico responsável por manipular a luz.
h) o moral = disposição; a moral = princípios, dogmas e costumes.
i) o praça = soldado ou cabo militar; a praça = espaço público.
j) o trama = conjunto de fios; a trama = sucessão de acontecimentos.
k) o lama = guia espiritual budista; a lama = mistura de terra e água.
l) o crisma = óleo de oliveira; a crisma = confirmação do batismo.
m) o grama = unidade de medida; a grama = formação vegetal rasteira.
n) o rádio = eletrônico telecomunicativo; a rádio = emissora veiculada pelo rádio por meio de uma estação.
o) o coral = grupo de pessoas que cantam ou animal cnidário aquático; a coral = cobra específica.
p) o cura = padre, sacerdote; a cura = recuperação de um corpo tomado por determinada doença.
q) o nascente = local onde nasce o sol; a nascente = local onde começa um rio.
r) o águia = pessoa sagaz; a águia = ave de rapina.
s) o língua = intérprete; a língua = idioma.
t) o coma = estado de inconsciência; a coma = cabelos longos.
u) o cabra = homem; a cabra = animal caprino.
v) o foca - repórter no inicio de carreira; a foca - animal marinho
w) o nascente - dia ao amanhecer; a nascente - local onde nasce um curso d’agua
x) a banana - fruta da bananeira; o banana - pessoa fraca, molenga, frouxa
y) a cabeça - parte do corpo humano; o cabeça - líder ou chefe de um grupo

1.4 Número dos substantivos:


– Flexão de número: singular e plural (-s).
 Particularidades de número:
 terminados em -r, -s ou -z: açúcar, mês, vez (-es)...
 terminados em -m: garagem, armazém (-ns)...
 terminados em -l: papel, jornal (-is)...
 terminados em -il: barril (-s), fóssil (-eis)...
 terminados em -x ficam invariáveis: as xérox, os tórax...
 terminados em -n: hífen, abdômen (-s, -es)...
 terminados em -zinho ou -zito: fogãozinho (fogõe(s)+zinho+s = fogõezinhos), papeizitos...
 terminados apenas em plural: os óculos, as fezes, o/ os lápis, o/ os ônibus...
 muda significado quando flexionado: costa (-s) (litoral/ dorso), féria (-s) (dinheiro/ lazer)...
 metafônicos (-oso/posto): amistosos, dispostos, cornos, fornos, mornos, poços, trocos, socorros...

1.4.1 Plural de Substantivos Em -Ão


As palavras terminadas em –ão podem formar plural de três modos: -ões, -ãos ou –ães. Não há uma regra específica a ser
seguida para se fazer este plural, pois pode variar entre os três e dependerá unicamente da origem da palavra, ou seja, de
sua etimologia.

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A maioria dos substantivos e adjetivos que terminam em –ão faz o plural em –ões. Vejamos:

Balão – balões Eleição - eleições


Botão - botões Fracção - fracções
Cordão – cordões Gavião - gaviões
Estação - estações Leão - leões
Limão – limões Nação - nações
Paixão - paixões Operação - operações
Visão – visões Opinião - opiniões
Razão – razões Questão - questões
Canção - canções Tubarão - tubarões
Confissão - confissões Vulcão - vulcões
Coração - corações

Neste grupo se incluem todos os aumentativos:

Amigalhão - amigalhões Moleirão - moleirões


Bobalhão - bobalhões Narigão - narigões
Casarão - casarões Paredão - paredões
Chapelão - chapelões Pobretão - pobretões
Dramalhão - dramalhões Rapagão - rapagões
Espertalhão - espertalhões Sabichão - sabichões
Facão - facões Vagalhão - vagalhões
Figurão - figurões Vozeirão - vozeirões

Todos os paroxítonos e um número pequeno de oxítonos acrescentam simplesmente um -s à forma singular:

Cidadão - cidadãos Irmão - irmãos Gólfão - gólfãos


Cortesão - cortesãos Pagão - pagãos Órfão - órfãos
Cristão - cristãos Acórdão - acórdãos Órgão - órgãos
Desvão - desvãos Bênção - bênçãos Sótão - sótãos

Observações:
1.ª Neste grupo se incluem os monossílabos tónicos chão, grão, mão e vão, que fazem no plural chãos, grãos, mãos e vãos.
2.ª Artesão, quando significa «artífice», faz no plural artesãos; no sentido de «adorno arquitectónico», o seu plural pode ser
artesãos ou artesões.

Poucos vocábulos tem seu plural em –ães:

Alemão- alemães Capitão – capitães Guardião – guardiães


cão – cães Catalão – catalães Pão – pães
Bastião - bastiães Charlatão – charlatães Sacristão – sacristães
Capelão - capelães Escrivão – escrivães Tabelião – tabeliães

Outras palavras aceitam mais de uma forma de se fazer o plural, como os seguintes casos:

alão - alãos, alões, alães corrimão – corrimãos e corrimões rufião – rufiões e rufiães
alazão - alazães e alazões deão - deães e deões sacristão -sacristães e sacristãos
aldeão – aldeões, aldeãos e aldeães ermitão – ermitãos, ermitães e sultão – sultões, sultãos e sultães
anão – anões e anãos ermitões truão - truães, truões
ancião – anciãos, anciães e anciões faisão – faisães e faisões Verão – verões e verãos
artesão – artesães e artesãos guardião - guardiães e guardiões vilão – vilãos e vilões
castelão – castelãos e castelões hortelão – hortelãos e hortelões zangão – zangões e zangãos
cirurgião – cirurgiões e cirurgiães refrão – refrães e refrãos

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Há substantivo que só se usam no plural: alvíssaras, anais, arredores, bodas, cócegas, condolências, esponsais, exéquias,
férias, fezes, lápis, núpcias, pêsames, primícias, olheiras, víveres e todos os naipes do baralho: copas, espadas, ouros e paus.

Há substantivos que mudam de sentido quando usados no plural, especialmente os nomes de metais e os substantivos
abstratos, que se tornam concretos no plural;

amor: sentimento / amores: relações amorosas


bem: virtude / bens: propriedade
cobre: metal / cobres: dinheiro
copa: ramagem/ copas: naipe de baralho
féria: lucro, dinheiro / férias: período de descanso
liberdade: livre escolha / liberdades: regalias
ouro: metal / ouros: naipe de baralho
vencimento: fim de um contrato / vencimentos: salários

1.4.2 Plural dos Substantivos Compostos

Na formação do plural dos substantivos compostos pode ocorrer:


- a flexão dos dois elementos que formam a palavra;
- apenas a flexão do primeiro elemento que forma a palavra;
- apenas a flexão do segundo elemento que forma a palavra;
- a não flexão dos elementos, que se mantêm invariáveis.

FLEXÃO DOS DOIS ELEMENTOS


Nos substantivos compostos formados por palavras variáveis, especialmente substantivos e adjetivos:
segunda-feira - segundas-feiras; guarda-noturno - guardas-noturnos;
matéria-prima - matérias-primas; primeira-dama - primeiras-damas.
couve-flor - couves-flores;

Nos substantivos compostos formados por temas verbais repetidos:


corre-corre - corres-corres; pula-pula - pulas-pulas.
pisca-pisca - piscas-piscas;

Nota: Nestes substantivos também é possível a flexão apenas do segundo elemento: corre-corres, pisca-piscas, pula-pulas.

FLEXÃO APENAS DO PRIMEIRO ELEMENTO


Nos substantivos compostos formados por substantivo + substantivo em que o segundo termo limita o sentido do
primeiro termo:
decreto-lei - decretos-lei; público-alvo - públicos-alvo;
cidade-satélite - cidades-satélite; elemento-chave - elementos-chave.

Nota: Nestes substantivos também é possível a flexão dos dois elementos: decretos-leis, cidades-satélites, públicos-alvos,
elementos-chaves.

Nos substantivos compostos preposicionados:


cana-de-açúcar - canas-de-açúcar; pé de moleque - pés de moleque.
pôr do sol - pores do sol; Flexão apenas do segundo elemento
fim de semana - fins de semana;

Nos substantivos compostos formados por tema verbal ou palavra invariável + substantivo ou adjetivo:
bate-papo - bate-papos; ex-namorado - ex-namorados;
quebra-cabeça - quebra-cabeças; vice-presidente - vice-presidentes.
arranha-céu - arranha-céus;

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Nos substantivos compostos em que há repetição do primeiro elemento:
zum-zum - zum-zuns; lufa-lufa - lufa-lufas;
tico-tico - tico-ticos; reco-reco - reco-recos.

Nos substantivos compostos grafados ligadamente, sem hífen:


girassol - girassóis; mandachuva - mandachuvas;
pontapé - pontapés; fidalgo - fidalgos;

Nos substantivos compostos formados com grão, grã e bel:


grão-duque - grão-duques; bel-prazer - bel-prazeres.
grã-fino - grã-finos;

Não flexão dos elementos


Em alguns casos, não ocorre a flexão dos elementos formadores, que se mantêm invariáveis. Isso ocorre em frases
substantivadas e em substantivos compostos por um tema verbal e uma palavra invariável ou outro tema verbal oposto:
o disse me disse - os disse me disse; o cola-tudo - os cola-tudo.
o leva e traz - os leva e traz;

1.5 Grau do substantivo


As flexões de grau do substantivo expressam aumento (grau aumentativo) e diminuição (grau diminutivo). O grau
aumentativo também pode indicar exagero, depreciação ou afeto, enquanto o grau diminutivo também pode indicar
moderação, afetividade ou desdém.

Formação do grau
Analítico: Na forma analítica, acrescenta-se ao substantivo um adjetivo que dê a indicação de aumento (ex. enorme, grande,
imenso) ou diminuição (ex. insignificante, minúsculo, pequeno).
Exemplos:
Copo grande – copo pequeno Trabalho enorme - trabalho insignificante
Pedra colossal - pedra minúscula Vaso enorme – vaso fino

Sintético: na forma sintética, há também um acréscimo ao substantivo. Desta vez, é um sufixo que dá a indicação de
aumento ou diminuição.

Sufixos aumentativos Sufixos diminutivos


-ão: paredão -acho: riacho
-aço: ricaço -ejo: lugarejo
-alhão: dramalhão -ela: ruela
-arra: bocarra -ico: namorico
-arrão: gatarrão -icho: barbicha
-zarrão: homenzarrão -inho: caderninho
-ázio: copázio -ito: casita
-eirão: vozeirão -ucho: gorducho
-ona: mulherona -zinho: colherzinha
-orra: beiçorra -zito: pezito

Há os irregulares sintéticos: o copo (o copázio), a faca (o facalhão), o beijo (a beijoca)... [aumentativos] / a pele (a película),
o homem (o homúnculo), a rua (a ruela), o rio ( o riacho)... [diminutivos]...

Há substantivos que com o tempo adquiriram significado próprio e que não são mais considerados com grau aumentativo
ou diminutivo: célula, glóbulo, gotícula, opúsculo, óvulo, película, retículo, versículo, cartão, cartaz, caixão, portão, pastilha,
folhinha...

Grau exprimindo depreciação: gentalha/gentinha; beiçorra; chorão; jornaleco. Grau exprimindo afetividade: paizinho;
paizão; filhinho; amigão.

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IX. ADJETIVO
É a palavra variável que modifica a compreensão do substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, um estado, um modo
de ser, um aspecto ou uma aparência exterior. É, portanto, a palavra que trabalha em função do substantivo.

2.1 Classificação do adjetivo


a) Primitivo: é aquele que dá origem a ouras palavras: bom-bondoso; rico-enriquecido; belo-embelezado.
b) Derivado: é formado a partir de um outro adjetivo, de um substantivo ou de um verbo: enriquecido (vem de rico);
sonorizado; barulhento; falante.
c) Simples: é formado por um só elemento: claro; surdo; grande; esperto.
d) Composto: é formado por um dois ou mais elementos: surdo-mudo; alviverde; azul-marinho.
e) Pátrio: indica a nacionalidade, a pátria, o lugar, a procedência de seres em geral. Continentes: África – africano; Europa
– europeu; Ásia – asiático. Paises: Arábia – árabe; Romênia – romeno; Estados Unidos – estadunidense, norte-americano.
Alguns gramáticos distinguiam os adjetivos pátrios dos gentílicos: enquanto aqueles somente se referiam a cidades, estados,
países e continentes, estes referiam-se a raças e povos. Como exemplo dessa diferença, poderíamos citar o adjetivo
“Israelense”, que é um adjetivo pátrio referente a Israel, enquanto “Israelita” é um adjetivo gentílico, referente ao povo de
Israel.

Hoje em dia, o nome Pátrio (ou Gentílico) define ambos os adjetivos, independente de indicar povo, raça, etnia,
nacionalidade, origem e lugar de nascimento.

Os adjetivos pátrios têm várias terminações e formam-se diferentemente. São, geralmente, compostos das iniciais do nome
do lugar mais a terminação ou sufixo, de que se destacam os seguintes:
ês – português, inglês, francês, camaronês, norueguês, finlandês, holandês
ano – americano, africano, angolano, moçambicano, cabo-verdiano, mexicano, boliviano,
canadiano, peruano, colombiano, venezuelano, cubano, romano, napolitano, iraquiano
ense – estadunidense, fluminense, timorense, amazonense, catarinense, paranaense, matogrossense, parisiense,
nicaraguense, canadense, brasiliense
ão – afegão, alemão, catalão, letão, parmesão
eiro – brasileiro, mineiro, penicheiro
ol – espanhol, mongol
ita ou -eta – israelita, lisboeta, moscovita, vietnamita
ino – londrino, argelino
eu – europeu, judeu
ático -– asiático
enho – panamenho, costa-riquenho, porto-riquenho,

Alguns adjetivos pátrios são nomeados independentemente do nome da região:

Lisboa: alfacinha;
Porto: tripeiro;
Rio de Janeiro: carioca;
Rio Grande do Sul: gaúcho.

Outros, apesar de derivarem do nome do local não seguem, no entanto, uma regra predeterminada de sufixação: russo
(Rússia), sueco (Suécia), grego (Grécia).

2.2 Locução adjetiva


Pode-se usar, no lugar de um adjetivo, uma expressão formada por mais de uma palavra para caracterizar o substantivo:
amor de mãe = amor materno; dever de pai = dever paterno; obediência de filho = filial; união de irmão = fraterna.
- preposicão + substantivo (este é o caso mais comum): rosto de anjo (angelical); homem sem cabelo (calvo).
- preposição + advérbio: jornal da tarde (vespertino): porta da frente (frontal).
OBS.: Nem sempre a locução adjetiva possui um adjetivo correspondente: a janela de cima; meninos de rua; artigo de
primeira; respostas sem-pés-nem-cabeça.

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Locuções Adjetivas

Locução (do latim locutione) – elocução, maneira de falar, expressão, dicção, linguagem. Denomina-se locução à reunião
de algumas palavras com valor de apenas uma.
Locução adjetiva é, portanto, o agrupamento de duas ou mais palavras equivalentes a um único adjetivo.

Em geral, tais locuções se compõem de uma preposição e um substantivo:

dente de cão – canino


carne de boi – bovina

2.3 Grau comparativo e superlativo


Comparativo: como o nome já diz, estabelece comparação entre seres distintos ou entre as características de um mesmo
ser. É subdividido em três tipos: superioridade, inferioridade e igualdade.
Esta montanha é mais alta (do) que aquela. Superioridade – mais...que, mais... do que.
Esta montanha é menos alta (do) que aquela. Inferioridade – menos...que, menos... do que.
Esta montanha é tão alta como/quanto aquela. Igualdade – tão...como, tão... quanto.

Superlativo: dá sempre idéia de INTENSIDADE. Divide-se em dois tipos:


- superlativo relativo: é aquele que admite uma variação; por essa razão, subdivide-se em dois tipos:
a) relativo de superioridade: sempre acompanhado da palavra “mais”: Esta montanha é a mais alta da região.
b) relativo de inferioridade: sempre acompanhada da palavra “menos”: Esta montanha é a menos alta da região.
ATENÇÃO: ambas as palavras (mais, menos) são antecedidas do artigo A ou do artigo O.

- superlativo absoluto: considera a característica sem compará-la à de outro ser. Também se divide em dois tipos:
a) absoluto sintético: é aquele em que o adjetivo acaba sempre na terminação “ÍSSIMO(A)”, “ÍLIMO(A)” ou
“ÉRRIMO(A)”. Esta montanha é altíssima. Estou paupérrimo. A prova foi dificílima.
b) absoluto analítico: é aquele em que o adjetivo é modificado por um advérbio de intensidade. SÃO SEMPRE DUAS
PALAVRAS. Maria está muito triste. Esta montanha é muito alta. Ele é forte demais. Ele é bastante forte.

ATENÇÃO: 1 – para se fazer a distinção entre comparativo e superlativo relativo, tenha em mente o seguinte: o comparativo
tem QUE, mas não tem ARTIGO; o superlativo (relativo) tem ARTIGO, mas não tem QUE.

2. Os adjetivos terminados em “OR” apresentam uma característica pessoal: maior = mais grande; menor = mais pequeno;
melhor = mais bom; pior = mais ruim. SÓ POSSO usar MAIS e MENOS quando estiver comparando qualidades:
Paulo é mais bom que você = ERRADO; Paulo é mais bom que mau = CERTO.
Minha casa é mais grande que a sua = ERRADO; Minha casa é mais grande que pequena = CERTO

3. A repetição do próprio adjetivo pode funcionar como um intensificador, substituindo um advérbio de intensidade: O gol
foi lindo, lindo = o gol foi muito lindo. Os olhos eram verdes, verdes = os olhos eram muito verdes. O mesmo ocorre com
construções do seguinte tipo: Era linda de morrer =muito linda. Era feio como o diabo = muito feio.

4. Grau exprimindo afetividade, desprezo, ironia, e não tamanho: O gato era feiozinho. O vestido estava apertadinho. Você
está gordinho. Não me venha com esse dinheirinho.

5. A posição do adjetivo pode causar diferença de sentido da frase: grande homem (caráter) – homem grande (estatura);
mulher boa (gentil, fisicamente) – boa mulher (caráter); um simples homem (mero) – um homem simples (não complexo).

Algumas regras para formação do grau superlativo absoluto sintético:

1. Adjetivos terminados em -a, -e, -o perdem essas vogais:


cuidadosa – cuidadosíssima
doce – dulcíssimo ou docíssimo
sério – seriíssimo

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2. Adjetivos terminados em -vel mudam esse final para -bil:
agradável – agradabilíssimo / horrível – horribilíssimo / amável - amabilíssimo

3. Adjetivos terminados em -m e -ão passam respectivamente a -n e -an:


comum – comuníssimo / vão – vaníssimo /

4. Adjetivos terminados em -z passam essa consoante a -c:


feliz – felicíssimo / atroz – atrocíssimo / capaz – capacíssimo

Há ainda os adjetivos que não têm sua forma alterada, como é o caso daqueles terminados em -u, -l (com exceção da
terminação -vel) e -r:
cru – cruíssimo / difícil – dificílimo / regular - regularíssimo

Além desses casos, existem ainda os adjetivos que se prendem às formas latinas, também conhecidas como formas eruditas.
Veja os exemplos:
livre – libérrimo sábio – sapientíssimo
inimigo – inimicíssimo soberbo – superbíssimo
humilde – humílimo pessoal – personalíssimo
cristão – cristianíssimo mísero – misérrimo
amargo – amaríssimo pobre – paupérrimo
fiel – fidelíssimo célebre - celebérrimo

Atenção: As palavras terminadas em -io apresentam, na forma sintética, dois is, e essa regra, embora nem sempre seja
respeitada na modalidade escrita, deve ser preservada:
cheio – cheiíssimo vário – variíssimo
feio – feiíssimo sério - seriíssimo

Exemplos de superlativos absolutos sintéticos:

acre - acérrimo geral – generalíssimo pequeno – mínimo ou pequeníssimo


ágil – agilíssimo ou agílimo grande – máximo ou grandíssimo pessoal – personalíssimo ou
agradável – agradabilíssimo honorífico – honorificentíssimo pessoalíssimo
agudo – acutíssimo ou agudíssimo horrível - horribilíssimo popular – popularíssimo
alto – altíssimo, supremo ou sumo inconstitucional – precário – precaríssimo ou
amável – amabilíssimo inconstitucionalíssimo precariíssimo
amigo – amicíssimo incrível – incredibilíssimo pródigo – prodigalíssimo
antigo – antiquíssimo infiel – infidelíssimo próspero – prospérrimo
baixo – baixíssimo ou ínfimo íntegro – integérrimo provável – probabilíssimo
belo – belíssimo jovem – juveníssimo são – saníssimo
benéfico – beneficentíssimo magnífico – magnificentíssimo sagrado – sacratíssimo
benévolo – benevolentíssimo magro – macérrimo, magríssimo ou salubre – salubérrimo
bom – boníssimo ou ótimo magérrimo senil – senilíssimo
capaz – capacíssimo mal –malíssimo sensível - sensibilíssimo
cheio – cheiíssimo maléfico – maleficentíssimo simpático – simpaticíssimo
comum – comuníssimo malévolo – malevolentíssimo simples – simplíssimo ou
cruel – crudelíssimo manso – mansuetíssimo simplicíssimo
difícil – dificílimo mau – péssimo singular – singularíssimo
doce – dulcíssimo ou docíssimo miserável – miserabilíssimo tenaz – tenacíssimo
dócil – docílimo ou docilíssimo necessário – necessariíssimo ou terrível – terribilíssimo
estranho – estranhíssimo necessaríssimo triste – tristíssimo
fácil – facílimo negro – nigérrimo ou negríssimo vão – vaníssimo
feliz – felicíssimo nobre – nobilíssimo veloz – velocíssimo
feroz – ferocíssimo normal – normalíssimo visível – visibilíssimo
forte – fortíssimo notável - notabilíssimo vulgar – vulgaríssimo
frágil – fragílimo ou fragilíssimo original – originalíssimo vulnerável – vulnerabilíssimo
frio – friíssimo ou frigidíssimo pagão – paganíssimo
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X. ARTIGO
Precede o substantivo para determiná-lo, mantendo com ele relação de concordância. Assim, qualquer expressão ou
frase fica substantivada se for determinada por artigo (O 'conhece-te a ti mesmo' é conselho sábio). Em certos casos,
serve para assinalar gênero e número (o/a colega, o/os ônibus).

Os artigos podem ser classificado em:


 definido - o, a, os, as - um ser claramente determinado entre outros da mesma espécie;
 indefinido - um, uma, uns, umas - um ser qualquer entre outros de mesma espécie;

Podem aparecer combinados com preposições (numa, do, à, entre outros).

3.1 Particularidades de Uso dos Artigos


Quanto ao emprego do artigo:
 não é obrigatório seu uso diante da maioria dos substantivos, podendo ser substituído por outra palavra determinante
ou nem usado (o rapaz ≠ este rapaz / Lera numa revista que mulher fica mais gripada que homem). Nesse sentido,
convém omitir o uso do artigo em provérbios e máximas para manter o sentido generalizante (Tempo é dinheiro /
Dedico esse poema a homem ou a mulher?);
 não se deve usar artigo depois de cujo e suas flexões;
 outro, em sentido determinado, é precedido de artigo; caso contrário, dispensa-o (Fiquem dois aqui; os outros podem
ir ≠ Uns estavam atentos; outros conversavam);
 não se usa artigo diante de expressões de tratamento iniciadas por possessivos, além das formas abreviadas frei, dom,
são, expressões de origem estrangeira (Lord, Sir, Madame) e sóror ou sóror;
 é obrigatório o uso do artigo definido entre o numeral ambos (ambos os dois) e o substantivo a que se refere (ambos
os cônjuges);
 diante do possessivo (função de adjetivo) o uso é facultativo; mas se o pronome for substantivo, torna-se obrigatório
(os [seus] planos foram descobertos, mas os meus ainda estão em segredo);
 omite-se o artigo definido antes de nomes de parentesco precedidos de possessivo (A moça deixou a casa a sua tia);
 antes de nomes próprios personativos, não se deve utilizar artigo. O seu uso denota familiaridade, por isso é
geralmente usado antes de apelidos. Os antropônimos são determinados pelo artigo se usados no plural (os Maias, Os
Homeros);
 geralmente dispensado depois de cheirar a, saber a (= ter gosto a) e similares (cheirar a jasmim / isto sabe a vinho);
 não se usa artigo diante das palavras casa (= lar, moradia), terra (= chão firme) e palácio a menos que essas palavras
sejam especificadas (venho de casa / venho da casa paterna);
 na expressão uma hora, significando a primeira hora, o emprego é facultativo (era perto de / da uma hora). Se for
indicar hora exata, à uma hora (como qualquer expressão adverbial feminina);
 diante de alguns nomes de cidade não se usa artigo, a não ser que venham modificados por adjetivo, locução adjetiva
ou oração adjetiva (Aracaju, Sergipe, Curitiba, Roma, Atenas);
 usa-se artigo definido antes dos nomes de estados brasileiros. Como não se usa artigo nas denominações geográficas
formadas por nomes ou adjetivos, excetuam-se AL, GO, MT, MG, PE, SC, SP e SE;
 expressões com palavras repetidas repelem artigo (gota a gota / face a face);
 não se combina com preposição o artigo que faz parte de nomes de jornais, revistas e obras literárias, bem como se o
artigo introduzir sujeito (li em Os Lusíadas / Está na hora de a onça beber água);
 depois de todo, emprega-se o artigo para conferir idéia de totalidade (Toda a sociedade poderá participar / toda a
cidade ≠ toda cidade). "Todos" exige artigo a não ser que seja substituído por outro determinante (todos os familiares /
todos estes familiares);
 repete-se artigo: a) nas oposições entre pessoas e coisas (o rico e o pobre) / b) na qualificação antonímica do mesmo
substantivo (o bom e o mau ladrão) / c) na distinção de gênero e número (o patrão e os operários / o genro e a nora);
 não se repete artigo: a) quando há sinonímia indicada pela explicativa ou (a botânica ou fitologia) / b) quando adjetivos
qualificam o mesmo substantivo (a clara, persuasiva e discreta exposição dos fatos nos abalou).

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XI. NUMERAL
Numeral é a palavra que indica quantidade, número de ordem, múltiplo ou fração. Classifica-se como cardinal (1,
2, 3), ordinal (primeiro, segundo, terceiro), multiplicativo (dobro, duplo, triplo), fracionário (meio, metade, terço). Além
desses, ainda há os numerais coletivos (dúzia, par).

Quanto ao valor, os numerais podem apresentar valor adjetivo ou substantivo. Se estiverem acompanhando e
modificando um substantivo, terão valor adjetivo. Já se estiverem substituindo um substantivo e designando seres, terão
valor substantivo. [Ele foi o primeiro jogador a chegar. (valor adjetivo) / Ele será o primeiro desta vez. (valor substantivo)].

4.1 Particularidades de Uso dos Numerais


Quanto ao emprego dos numerais:
 os ordinais como último, penúltimo, antepenúltimo, respectivos... não possuem cardinais correspondentes.
 os fracionários têm como forma própria meio, metade e terço, todas as outras representações de divisão
correspondem aos ordinais ou aos cardinais seguidos da palavra avos (quarto, décimo, milésimo, quinze avos);
 designando séculos, reis, papas e capítulos, utiliza-se na leitura ordinal até décimo; a partir daí usam-se os cardinais.
(Luís XIV - quatorze, Papa Paulo II - segundo);
Se o numeral vier antes do substantivo, será obrigatório o ordinal (XX Bienal - vigésima, IV Semana de Cultura - quarta);
 zero e ambos(as) também são numerais cardinais. 14 apresenta duas formas por extenso catorze e quatorze;
 a forma milhar é masculina, portanto não existe "algumas milhares de pessoas" e sim alguns milhares de pessoas;
 alguns numerais coletivos: grosa (doze dúzias), lustro (período de cinco anos), sesquicentenário (150 anos);
 um: numeral ou artigo? Nestes casos, a distinção é feita pelo contexto;
 numeral indicando quantidade e artigo quando se opõe ao substantivo indicando-o de forma indefinida.

Quanto à flexão, varia em gênero e número:


 variam em gênero: os cardinais um, dois e os duzentos a novecentos; todos os ordinais; os multiplicativos e
fracionários, quando expressam uma idéia adjetiva em relação ao substantivo.
 variam em número: os cardinais terminados em -ão; todos os ordinais; os multiplicativos, quando têm função adjetiva;
os fracionários, dependendo do cardinal que os antecede.
variam em número em casos especiais: os cardinais, quando substantivos, vão para o plural se terminarem por som vocálico
(Tirei dois dez e três quatros).

EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) Chamas de louco ou tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua amada dizer que na véspera
de tarde o céu estava uma coisa lindíssima, com mil pequenas nuvens de leve púrpura sobre um azul de sonho. (Rubem
Braga)
Assinale a alternativa correta referente ao adjetivo destacado no texto.
(A) Caracteriza o substantivo tarde e está no grau superlativo absoluto sintético.
(B) Caracteriza o substantivo amada e está no grau superlativo absoluto analítico.
(C) Caracteriza o substantivo coisa e está no grau superlativo absoluto sintético.
(D) Caracteriza o substantivo véspera e está no grau superlativo absoluto analítico.

02. (2017 - EEAR) Das alternativas abaixo, assinale aquela em que o gênero dos substantivos não está corretamente
empregado.
(A) o trema (B) a eclipse (C) a omoplata (D) o grama (peso)

03. (2017 - EAGS) Assinale a alternativa que apresenta o adjetivo negros no grau comparativo.
(A) Iracema tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna.
(B) Aqueles são os cabelos mais negros de toda a tribo.
(C) Iracema tinha os cabelos muito negros!
(D) Que lindos e negríssimos cabelos!

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04. (2017 - EEAR) Marque a alternativa em que o substantivo em destaque forma o plural com a terminação -ãos.
(A) A peça era um dramalhão. (Machado de Assis)
(B) O capitão Vitorino Carneiro da Cunha tinha cinco mil réis no bolso. (José Lins do Rego)
(C) Eu preparo uma canção / Que faça acordar os homens / E adormecer as crianças. (Carlos D. de Andrade)
(D) ... ele, monge ou ermitão, (...) ia acordando da memória as fabulosas campanhas do dia. (Cruz e Sousa)

05. (2017 - EEAR) Em relação ao gênero do substantivo, assinale a alternativa incorreta.


(A) O champanha que compramos para a ceia de Natal não era francês. Fomos enganados!
(B) Todos ficaram com muito dó das vítimas do último ataque terrorista.
(C) O eclipse da Lua até hoje inspira os poetas.
(D) A maracajá é uma espécie de jaguatirica.

06. (2017 - EEAR) “Naquele tempo, as janelas da escola eram muito grandes e as ruas eram um teatro - não como são hoje
as ruas de São Paulo, tomadas pelos carros, sem calçadas. Tinha o sujeito que vinha com a matraca, vendendo biju, tinha o
padeiro que trazia o cheiro do pão e a beleza de seus arranjos na perua. " Em qual alternativa há duas locuções adjetivas
retiradas do texto acima?
(A) do pão / na perua
(B) da escola / de São Paulo
(C) pelos carros / sem calçadas
(D) com a matraca / muito grandes

07. (2016 - EEAR) Em qual alternativa a forma plural dos adjetivos compostos está incorreta?
(A) competição infanto-juvenil /competições infanto-juvenis
(B) olho castanho-escuro / olhos castanhos-escuros
(C) aluno surdo-mudo / alunos surdos-mudos
(D) blusa azul-turquesa / blusas azul-turquesa

08. (2015 - EEAR) Assinale a alternativa em que o substantivo destacado é comum de dois gêneros.
(A) O cônjuge celebrava o amor todos os dias, para manter acesa a chama da paixão.
(B) O problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam a personagem.
(C) A criança mamava no colo materno quando uma bala perdida a atingiu.
(D) Diante de poucas provas materiais, o juiz não dispensou a testemunha.

09. (2014 - EEAR) Assinale a alternativa em que há erro na flexão de gênero do substantivo em destaque.
(A) O comichão é uma sensação cutânea desconfortável que leva o indivíduo a coçar ou friccionar a pele.
(B) O anátema é uma sentença de maldição usada pela Igreja para excomungar alguém.
(C) O apêndice é uma parte acessória de um órgão, ou que lhe é contínua.
(D) O edema é o acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo.

10. (2013 - EAGS) Leia as alternativas abaixo, observe os substantivos destacados e marque a sentença que apresenta a
classificação correta do substantivo em destaque.
(A) “Pacientes idosos, cuidados especiais.” (abstrato)
(B) “Chamada para embarque rumo ao futuro.” (concreto)
(C) “O fundo bancário XX combina rentabilidade com tradição.” (próprio)
(D) “Empresa séria cuida primeiro dos interesses de sua clientela.” (comum)

11. (2012 - EAGS) Em qual alternativa não é possível identificar se o ser ao qual o substantivo em destaque se refere é
masculino ou feminino?
(A) A agente de turismo me garantiu que o hotel é excelente.
(B) A cliente reclamou do péssimo atendimento ao gerente do banco.
(C) O público aplaudiu muito a intérprete quando o espetáculo terminou.
(D) Depois de várias ameaças anônimas, a testemunha passou a receber proteção policial.

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12. (2011 - EEAR) Qual afirmativa está incorreta?
(A) Baleia é um substantivo epiceno.
(B) Omoplata é um substantivo masculino.
(C) Cônjuge é um substantivo sobrecomum.
(D) Gerente é um substantivo comum-de-dois.

13. (2011 - EEAR) Marque a alternativa em que todos os adjetivos flexionam-se em grau.
(A) vulgar – volúvel – comum
(B) inteligente – paterno – mau
(C) original – capaz – mensal
(D) estudantil – pequeno – terrível

14. (2011-EAGS) A alternativa em que o adjetivo interessante está no superlativo absoluto analítico é:
(A) O filme é muito interessante.
(B) Este é o livro mais interessante que eu já li.
(C) A banca fez considerações interessantíssimas sobre o trabalho apresentado.
(D) A viagem que fiz ano passado para a Europa foi mais interessante que cansativa.

15. (2010 - EEAR) Faça piadas velhas para pessoas novas e piadas novas para pessoas velhas. (Jô Soares). Considerando o
texto acima, assinale a alternativa incorreta.
(A) Se o termo novas fosse colocado antes de pessoas, o sentido do texto poderia ser alterado: Faça piadas velhas para
novas pessoas.
(B) Como o autor repete as palavras novas e velhas, elas deixaram de ser adjetivos e passaram a ter valor de substantivo.
(C) Nas duas situações, as palavras novas e velhas são adjetivos, pois caracterizam os substantivos piadas e pessoas.
(D) O autor faz um jogo com os adjetivos novas e velhas e com os substantivos piadas e pessoas. Isso torna o texto criativo.

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XII. CONCEITOS DE PRONOMES
Pronomes são palavras que substituem ou determinam os substantivos. Existem vários tipos de pronomes: pronomes
pessoais, pronomes possessivos, pronomes demonstrativos, pronomes interrogativos, pronomes relativos e pronomes
indefinidos. Além desta classificação principal, os pronomes também podem ser classificados em pronomes adjetivos e
pronomes substantivos.

1.1 Pronome adjetivo


Pronomes adjetivos acompanham, determinam e modificam os substantivos, ou seja, atribuem particularidades e
características ao substantivo, como se fossem adjetivos. Tal como os substantivos que determinam, variam em gênero
(masculino e feminino), número (plural e singular) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª pessoa do discurso).

Exemplos de pronomes adjetivos


- Minha prima chega hoje da Europa. (O pronome adjetivo minha determina o substantivo comum prima.)
- Suas dúvidas serão respondidas pela professora. (O pronome adjetivo suas determina o substantivo comum dúvidas.)
- Aqueles estudantes passaram no exame com distinção.
(O pronome adjetivo aqueles determina o substantivo comum estudantes.)
- Este livro é muitíssimo bom.
(O pronome adjetivo este determina o substantivo comum livro.)

1.1.1 Classificação de pronomes adjetivos


A classificação em pronome adjetivo não invalida outras classificações como possessivo, demonstrativo,…
Aquela caneta é azul. (pronome demonstrativo adjetivo)
Meu filho é indisciplinado. (pronome possessivo adjetivo)

1.2 Pronome substantivo


Pronomes substantivos substituem o substantivo numa frase. São utilizados de forma a tornar o discurso menos repetitivo,
mais rico e variado. Tal como os substantivos que substituem, variam em gênero (masculino e feminino), número (plural e
singular) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso). Podem assumir a função de sujeito da oração.

Exemplos de pronomes substantivos


- Pedro sabe tocar piano. Ele sabe tocar piano. (O pronome substantivo ele substitui o substantivo próprio Pedro.)
- Helena e Paulo foram ao cinema. Eles foram ao cinema. (O pronome substantivo eles substitui os substantivos próprios
Helena e Paulo.)
- Alguns trabalhadores saíram mais cedo que outros trabalhadores. Alguns trabalhadores saíram mais cedo que outros. (O
pronome substantivo outros substitui o substantivo comum trabalhadores.)
- Minha mãe está quase chegando. E a sua mãe? Minha mãe está quase chegando. E a sua? (O pronome substantivo sua
substitui o substantivo comum mãe.)
- Este livro é muito bom. Levei o livro para a escola. Este livro é muito bom. Levei-o para a escola. (O pronome substantivo
o substitui o substantivo comum livro.)

1.2.1 Classificação de pronomes substantivos


A classificação em pronome substantivo não invalida outras classificações como pessoal, possessivo, demonstrativo,…
Nós vamos embora agora. (pronome pessoal substantivo)
Aquela caneta é a minha. (pronome possessivo substantivo)
O meu filho é aquele. (pronome demonstrativo substantivo)
1.3 Pronomes substantivos X Pronomes adjetivos
Os pronomes adjetivos distinguem-se dos pronomes substantivos. Enquanto os pronomes adjetivos acompanham o
substantivo numa frase, os pronomes substantivos substituem o substantivo.
- Luana fala francês. Ela fala francês. (O pronome substantivo ela substitui o substantivo próprio Luana.)
- Minha irmã viajou para Paris. (O pronome adjetivo minha determina o substantivo comum irmã.)

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2. Classificação dos Pronomes

Os pronomes são classificados em:


- Pronomes Pessoais do Caso Reto - Pronomes Demonstrativos
- Pronomes Pessoais do Caso Oblíquo - Pronomes Relativos
- Pronomes de Tratamento - Pronomes Interrogativos
- Pronomes Possessivos - Pronomes Indefinidos

Antes de classificarmos, vamos ver aqui quais são as pessoas do discurso que irão compor boa parte deste capítulo. Elas se
definem pelo seu posicionamento frente ao ato comunicativo, ou seja:
- primeira pessoa, representando aquela que fala (eu/nós);
- segunda pessoa, representando aquela com quem se fala (tu/vós);
- terceira pessoa, demarcada por aquela de quem se fala (ele/eles/ela/elas).

Apesar de os pronomes de tratamento se referirem, em boa parte, à pessoa com quem se fala, a conjugação referente a
esses pronomes virá sempre em terceira pessoa.

2.1 Pronomes pessoais do caso reto


Pronomes pessoais retos são aqueles que substituem os substantivos, assumindo majoritariamente a função de sujeito da
oração, podendo, também, assumir a função de predicativo do sujeito em casos mais específicos.
Os pronomes pessoais do caso reto indicam ainda as pessoas do discurso, ou seja, quem fala (eu e nós), com quem se fala
(tu e vós) e de quem se fala (ele, ela, eles, elas).

Pronomes pessoais retos


- 1.ª pessoa do singular - eu - 1.ª pessoa do plural - nós
- 2.ª pessoa do singular - tu - 2.ª pessoa do plural - vós
- 3.ª pessoa do singular - ele, ela - 3.ª pessoa do plural - eles, elas

Exemplos de uso dos pronomes pessoais retos

- Eu escrevi o texto. - Nós escrevemos o texto.


- Tu escreveste o texto. - Vós escrevestes o texto.
- Ele escreveu o texto. - Eles escreveram o texto.

2.1.1 Omissão dos pronomes pessoais retos


Para que se evitem repetições desnecessárias, pode ocorrer a omissão do pronome pessoal do caso reto nos enunciados,
uma vez que a pessoa do discurso é marcada pela desinência verbal indicada pelos pronomes pessoais do caso reto.
- Cursei veterinária, mas nunca segui a profissão. (eu)
- Passeamos muito no domingo passado. (nós)
- Gostaste do jogo? (tu)

2.1.2 Pronomes pessoais retos enquanto predicativo do sujeito


Os pronomes pessoais retos podem assumir a função de predicativo do sujeito nos predicados nominais, havendo a
existência de um verbo de ligação. Este verbo deverá concordar com o pronome pessoal reto que desempenha a função de
predicativo do sujeito.

Exemplos com função de predicativo do sujeito:


- A responsável sou eu.
- A responsável é ela.

2.1.3 Dúvidas na utilização dos pronomes pessoais do caso reto


Em alguns casos, é fácil confundir se deve ser usado um pronome pessoal reto ou um pronome pessoal oblíquo.

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Para eu, para tu, para mim e para ti
As expressões para eu e para tu deverão ser usadas quando assumem a função de sujeito, sendo seguidas de uma ação, ou
seja, de um verbo no infinitivo.
- Façam silêncio para eu telefonar para este cliente.
- Para eu fazer isso, vou precisar da sua ajuda.
- Vê se tem algum erro para tu corrigires.

É errado dizer “Ela comprou este caderno para eu.” ou “Ela comprou este caderno para tu.”. Não se pode usar preposição
com os pronomes retos eu e tu. Com preposições têm que ser usados os pronomes oblíquos correspondentes: mim e ti.
- Ela comprou este caderno para mim.
- Ela comprou este caderno para ti.

Vi ele, ajudei ele, encontrei ele ou vi-o, ajudei-o, encontrei-o


É comum ouvirmos, na linguagem oral, as seguintes construções frásicas: “Ajudei ele na arrumação do armário.” e
“Encontrei ela na praia.”. Contudo, estas construções estão erradas! Nestas frases, os pronomes ele e ela não se referem
ao sujeito da ação, por isso não podem ser utilizados pronomes pessoais do caso reto. Têm que ser usados os pronomes
oblíquos correspondentes: o e a.
- Ajudei-o na arrumação do armário.
- Encontrei-a na praia.

2.2 Pronomes pessoais oblíquos


Os pronomes pessoais do caso oblíquo assumem, majoritariamente, a função de objeto direto ou objeto indireto, podendo
ser tônicos ou átonos.

2.2.1 Pronomes pessoais oblíquos tônicos


Os pronomes pessoais oblíquos tônicos são sempre precedidos de uma preposição, como: para, a, de e com. Devem ser
usados quando, na frase, o substantivo que substituem tem função de objeto indireto. As formas contraídas comigo,
contigo, conosco,… podem ainda assumir a função de adjunto adverbial de companhia.

Pronomes pessoais oblíquos tônicos


1.ª pessoa do singular - mim, comigo 1.ª pessoa do plural - nós, conosco
2.ª pessoa do singular - ti, contigo 2.ª pessoa do plural - vós, convosco
3.ª pessoa do singular - ele, ela, si, consigo 3.ª pessoa do plural - eles, elas, si, consigo

Exemplos de uso dos pronomes oblíquos tônicos


- Você comprou esta blusa para mim? (objeto indireto)
- Você sabe que eu gosto de ti. (objeto indireto)
- Amanhã vou ao cinema contigo. (adjunto adverbial)

2.2.2 Pronomes pessoais oblíquos átonos


Os pronomes pessoais oblíquos átonos não são precedidos de uma preposição. Podem ser usados quando, na frase, o
substantivo que substituem tem função de objeto direto (o, a, os, as, se) ou de objeto indireto (lhe, lhes).

Pronomes pessoais oblíquos átonos


1.ª pessoa do singular - me 1.ª pessoa do plural - nos
2.ª pessoa do singular - te 2.ª pessoa do plural - vos
3.ª pessoa do singular - o, a, se, lhe 3.ª pessoa do plural - os, as, se, lhes

Exemplos de uso dos pronomes oblíquos átonos


- Eu comprei-o numa loja no centro da cidade. (objeto direto)
- Meu pai não a viu em lugar nenhum. (objeto direto)
- O diretor ligou-lhe, mas ele não atendeu o telefone. (objeto indireto)
- A professora não lhes deu mais nenhuma oportunidade. (objeto indireto)

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2.2.3 Colocação dos pronomes oblíquos átonos
A ligação dos pronomes pessoais oblíquos átonos aos verbos pode ser feita através de:
- próclise (antes do verbo): não me ofereceram.
- mesóclise (intercalado no meio do verbo): oferecer-nos-ão.
- ênclise (depois do verbo): ofereceram-me.

2.2.4 Alterações nos pronomes oblíquos átonos

Conforme o verbo a que estão ligados, os pronomes pessoais oblíquos átonos podem sofrer alterações.

Quando a forma verbal termina em -r, -s ou -z, os pronomes oblíquos átonos assumem as formas lo, la, los, las:
- Ela vai seduzi-lo rapidamente.
- E o bolo? Tu fazê-lo bem?
- Os papéis? Ele trá-los amanhã de manhã.

Quando a forma verbal termina em -m ou noutro som nasal, os pronomes oblíquos átonos assumem as formas no, na, nos,
nas:
- Fizeram-nos esperar muito!
- Eles esperam-na apenas amanhã.

2.3 Pronomes de tratamento


Pronomes de tratamento (ou axiônimos) estão incluídos no grupo dos pronomes pessoais e são formas mais corteses e
reverentes de nos dirigirmos à pessoa com quem estamos falando ou de quem estamos falando. São, majoritariamente,
utilizados em tratamentos formais, quando o interlocutor ocupa cargos ou posições sociais elevadas e prestigiadas.

Exemplos e uso dos pronomes de tratamento


V. - você - Usado em tratamentos informais, íntimos e familiares. Este pronome, em algumas regiões do Brasil, é substituído
pelo pronome tu.
Sr., Sr.ª, Srta. - senhor, senhora, senhorita - Usados em tratamentos formais e respeitosos, quando existe um distanciamento
entre os locutores. Senhor é utilizado quando o tratamento se dirige a homens, senhora é utilizado quando o tratamento
se dirige a mulheres casadas e senhorita é utilizado quando o tratamento se dirige a mulheres solteiras.
V. S.ª - Vossa Senhoria - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a pessoas com grande prestígio, como
vereadores, chefes, secretários e diretores de autarquias. Este pronome é também utilizado em textos escritos oficiais,
como correspondência comercial, ofícios e requerimentos.
V. Ex.ª - Vossa Excelência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a pessoas com alta autoridade, como o
Presidente da República, ministros, senadores, deputados, embaixadores, etc. No caso do Presidente da República, não
deverá ser utilizada a forma abreviada do pronome de tratamento.
V. Em.ª - Vossa Eminência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a cardeais, que são eclesiásticos do Sacro
Colégio pontifício e participam no conclave para a eleição de um novo Papa.
V. S. - Vossa Santidade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos ao Papa. Este pronome de tratamento é também
utilizado por ocidentais em tratamentos cerimoniosos e respeitosos ao Dalai Lama, embora não seja utilizado pelos
tibetanos.
V. Rev.mª - Vossa Reverendíssima - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a sacerdotes, bispos e religiosos em
geral.
V. A. - Vossa Alteza - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a príncipes, princesas, duques e duquesas.
V. M. - Vossa Majestade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a reis e rainhas.
V. Mag.ª - Vossa Magnificência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a reitores de Universidades.
V.P. - Vossa Paternidade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a superiores de ordens religiosas.
V. M. I. - Vossa Majestade Imperial - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a imperadores.
Vossa Onipotência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a Deus. Não se utiliza a forma abreviada.

Exemplos com pronomes de tratamento


- Vossa Excelência estará presente na cerimônia de encerramento?
- Vossa Eminência estará presente no conclave?

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Estou ansioso pela missa que Vossa Santidade rezará no Rio de Janeiro.
- Vossa Majestade cumpriu, na perfeição, o protocolo na missa de entronização do novo Papa.
- Vossa Reverendíssima irá ministrar algum sacramento da igreja hoje?
- Vossa Magnificência presidirá a cerimônia de encerramento do ano letivo?
- Senhorita, queira fazer o favor de me desculpar, suas vontades serão realizadas imediatamente.

2.3.1 Concordância com os pronomes de tratamento


Embora os pronomes de tratamento se dirijam à 2ª pessoa do singular ou do plural, a concordância verbal deverá ser feita
sempre com a 3ª pessoa do singular ou do plural e com o gênero da pessoa que é tratada.
- Todos os fiéis da sua paróquia acreditam em si e seguem seus ensinamentos, Vossa Reverendíssima.
- Vossa Magnificência, sua opinião e suas decisões são muito importantes para os estudantes desta universidade.

Além do uso de Vossa Senhoria, Vossa Alteza, Vossa Majestade,…, também é possível o uso de Sua Senhoria, Sua Alteza,
Sua Majestade,… A diferença no uso dessas duas formas é muito simples: usamos o pronome vossa quando estamos falando
diretamente com a pessoa e usamos o pronome sua quando estamos falando sobre a pessoa
- Vossa Senhoria quer que eu lhe entregue os ofícios agora?
- Lamento informar que Sua Senhoria, o diretor da autarquia, não pode estar presente hoje neste evento.

2.4. Pronomes Possessivos


Pronomes possessivos indicam, principalmente, uma relação de posse, ou seja, indicam que alguma coisa pertence a uma
das pessoas do discurso. A forma que o pronome possessivo assume concorda com a pessoa gramatical a que se refere (1.ª,
2.ª ou 3.ª pessoa do discurso) e varia em gênero (masculino e feminino) e número (plural e singular) de acordo com aquilo
que é possuído.

Lista de Pronomes Possessivos


1.ª pessoa do singular (eu) - meu, minha, meus, minhas
2.ª pessoa do singular (tu) - teu, tua, teus, tuas
3.ª pessoa do singular (ele/ela) - seu, sua, seus, suas, dele, dela, deles, delas
1.ª pessoa do plural (nós) - nosso, nossa, nossos, nossas
2.ª pessoa do plural (vós) - vosso, vossa, vossos, vossas
3.ª pessoa do plural (eles/elas) - seu, sua, seus, suas, dele, dela, deles, delas

Exemplos de concordância dos pronomes possessivos:


- Eu não dormi na minha cama. - Nós não dormimos no nosso quarto.
- Tu não dormiste no teu quarto. - Vós não dormistes na vossa cama.
- Você não dormiu na sua cama. - Eles não dormiram nos seus quartos.

No caso do pronome possessivo determinar vários substantivos, deverá concordar em gênero e número com o substantivo
que estiver mais próximo: Nós trouxemos nossas roupas, sapatos e equipamento.

É facultativa a utilização de um artigo definido antes dos pronomes possessivos adjetivos, sem que isso altere o sentido
original da frase:
Meu irmão é muito bonito. O diretor não ouviu minha intervenção.
O meu irmão é muito bonito. O diretor não ouviu a minha intervenção.

Contudo, é obrigatória a utilização de um artigo definido antes dos pronomes possessivos substantivos.
Meu irmão é muito bonito; o seu não.
O diretor não ouviu sua intervenção, mas ouviu a nossa.

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Outros Valores do Pronome Possessivo

Os pronomes possessivos, além da noção de posse, podem transmitir uma ideia de respeito, afeto, ofensa ou cálculo
aproximado:
- Não se preocupe, minha senhora, nós resolveremos o assunto. (respeito)
- Meu filho, por favor, tenha cuidado! (afeto)
- Seu irresponsável, você podia ter morrido! (ofensa)
- Aquela estátua já deve ter seus 15 anos. (cálculo aproximado)

Em algumas situações, os pronomes pessoais oblíquos podem assumir valores equivalentes aos pronomes possessivos:
- A chuva molhou-te o cabelo. (Molhou o teu cabelo).

- Agarrei-lhe a mão. (Agarrei a sua mão).

A utilização dos pronomes possessivos na 3.ª pessoa do singular ou do plural (seu, sua, seus, suas) pode originar dúvidas
quando ao elemento possuidor. Para evitar ambiguidades, utilizam-se as formas contraídas dele, dela, deles, delas.
- A professora proibiu que o aluno utilizasse seu dicionário. (O dicionário é da professora ou do aluno?)
- A professora proibiu que o aluno utilizasse o dicionário dele. (O dicionário é do aluno)
- A professora proibiu que o aluno utilizasse o dicionário dela. (O dicionário é da professora)

Pronomes possessivos adjetivos e substantivos


Os pronomes possessivos podem ser classificados ainda em pronome possessivo adjetivo, quando acompanha, determina
e modifica os substantivos, e em pronome possessivo substantivo, quando substitui o substantivo numa frase.
- Meu filho é indisciplinado. (pronome possessivo adjetivo)
- Aquela caneta é a minha. (pronome possessivo substantivo)
Atenção!
Na frase “Seu Antônio, o senhor chegará hoje ou manhã?”, a palavra seu não é um pronome possessivo, é uma alteração
fonética da palavra senhor.

2.5 Pronomes demonstrativos


Pronomes demonstrativos situam alguém ou alguma coisa no tempo, no espaço e no discurso, em relação às próprias
pessoas do discurso: quem fala, com quem se fala, de quem se fala. Podem ser invariáveis ou variáveis em gênero (masculino
e feminino) e número (plural e singular). Possuem ainda uma finalidade expressiva, reforçando algum termo anteriormente
mencionado.

Listagem de Pronomes demonstrativos


1.ª pessoa: este, esta, estes, estas, isto
2.ª pessoa: esse, essa, esses, essas, isso
3.ª pessoa: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo

Pronomes demonstrativos contraídos com preposições:


Preposição a – àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo.
Preposição em – neste, nesta, nestes, nestas, nisto, nesse, nessa, nesses, nessas, nisso, naquele, naquela, naqueles,
naquelas, naquilo.
Preposição de – deste, desta, destes, destas, disto, desse, dessa, desses, dessas, disso, daquele, daquela, daqueles, daquelas,
daquilo.

Exemplos:
- Eu moro nesta casa.
- Não gosto dessa sua maneira de ser.
- Entregue seu teste àquele professor.

Regras de utilização dos pronomes demonstrativos


Este, esta, estes, estas, isto (e suas respectivas contrações)

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Serão usados quando o que está sendo demonstrado está perto da pessoa que fala ou no tempo presente em relação à
pessoa que fala. Usa-se ainda para referir o que vai ser mencionado no discurso.
- Esta caneta aqui é minha.
- Este é o ano do meu casamento.
- Isto que está acontecendo é horrível!
- Isto será explicado mais à frente.
- Neste momento não tenho para nada para fazer.
- Venha aqui e coloque tudo dentro deste recipiente.

- Temos os números 8 e 9, e temos também que aquele é menor que este.

Esse, essa, esses, essas, isso (e suas respectivas contrações)


Usados quando o que está sendo demonstrado está longe da pessoa que fala e perto da pessoa a quem se fala ou num
tempo passado recente em relação à pessoa que fala. Usa-se ainda para referir o que foi mencionado no discurso.
- Essa caneta aí é sua.
- Esse foi ser o ano em que fui mãe.
- Isso que aconteceu foi horrível!
- Isso foi explicado na aula passada.
- Nesse dia eu estava nervosa porque tinha visto um acidente.
- Antes de se ir embora, coloque tudo dentro desse recipiente que está perto de você.

Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo (e suas respectivas contrações)


Usados quando o que está sendo demonstrado está longe da pessoa que fala e da pessoa a quem se fala. Também se usa
para referir a um passado distante, para referir algo que foi mencionado com uma grande distância no discurso ou, em
conjunto com o “este”, referir-se ao último elemento informado.
- Aquela caneta ali é dele.
- Aquele foi o melhor ano da minha infância.
- Aquilo foi o melhor de tudo.
- Ela partiu a perna naquele fim de semana que fomos passear ao campo.
- Este livro é daquele menino da 6ª série. Você sabe quem ele é?
- Temos os números 8 e 9, e temos também que aquele é menor que este.

Outros pronomes demonstrativos


Outras palavras atuam como pronomes demonstrativos. São variáveis em gênero (masculino e feminino) e número (plural
e singular), mas não se relacionam diretamente com nenhuma das três pessoas discursivas.

O, a, os, as: Quando acompanharem os pronomes que e qual, podendo ser substituídos por aquele, aquela, aqueles, aquelas,
aquilo.
- Não entendi o que foi dito pelo apresentador. (aquilo que foi dito).
- Essa mochila não é a que eu comprei. (aquela que eu comprei).

Mesmo, mesma, mesmos, mesmas, próprio, própria, próprios, próprias: reforçam pronomes pessoais e se referem alguma
coisa citada anteriormente.
- Ela mesma resolveu o assunto.
- Foram os próprios responsáveis que fizeram a confusão.

Tal, tais, semelhante, semelhantes: referem-se a um nome anteriormente citado e transmitem um sentido completo (tal)
ou incompleto (semelhante), podendo ser substituídos por aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, esse, essa, esses, essas,
isso, este, esta, estes, estas, isto. Estes dois pronomes podem ser utilizados ironicamente.
- Não tenha semelhante atitude. (aquela atitude)
- Em tais momentos, não devemos reagir de cabeça quente. (nesses momentos)

Pronomes demonstrativos adjetivos e substantivos


Os pronomes demonstrativos podem ser classificados ainda em pronome demonstrativo adjetivo, quando acompanha,

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determina e modifica os substantivos, e em pronome demonstrativo substantivo, quando substitui o substantivo numa
frase.
- Aquela caneta é azul. (pronome demonstrativo adjetivo)
- O meu filho é aquele. (pronome demonstrativo substantivo)

2.6 Pronomes interrogativos


Pronomes interrogativos são utilizados para interrogar, ou seja, para formular perguntas de modo direto ou indireto.
Referem-se sempre à 3.ª pessoa gramatical e possuem uma significação indeterminada e imprecisa, que apenas é
esclarecida pela resposta dada à interrogação.
Quem ganhou a competição? (Interrogação Direta)
Qual o motivo desta confusão? (Interrogação Direta)
Gostaria de saber quem ganhou a competição. (Interrogação Indireta)
Diga-me, por favor, qual o motivo desta confusão. (Interrogação Indireta)

Os pronomes interrogativos existentes são: que, quem, qual e quanto, sendo que os pronomes que e quem são invariáveis,
o pronome qual pode variar em número para quais e o pronome quanto pode variar em gênero e número para quanta,
quantos e quantas.
Uso e valores dos pronomes interrogativos

O pronome interrogativo que se refere principalmente a coisas, podendo perguntar: que coisa? ou que espécie de coisa ou
pessoa? Pode vir acompanhado da expressão é que, reforçando a interrogação, bem como ser utilizado para conferir maior
ênfase à interrogação.
- Que comeremos agora?
- Que comunicado ele pretende fazer?
- Que é que você fez?
- O que terá acontecido?

O pronome interrogativo quem se refere principalmente a pessoas ou coisas personificadas.


- Quem quer ir comigo ao cinema?
- Gostaria de saber quem é o responsável da empresa.

O pronome interrogativo qual se refere a coisas ou a pessoas. Pode transmitir uma ideia de seleção, ou seja, de identificação
de um ou vários elementos dentro de um grupo.
- Qual é o departamento certo?
- Qual de vocês me ajudará nesta tarefa?

O pronome interrogativo quanto se refere a coisas ou a pessoas. Transmite uma ideia de quantificação.
- Quanto mais terei que aturar?
- Quantas inscrições são precisas para que a atividade se realize?

Os pronomes interrogativos podem ainda ser usados em exclamações que simbolizem uma interrogação com admiração e
espanto.
- Que confusão!
- Quem diria!
- Quanta barbaridade!

Os vocábulos onde, aonde, quando e como, nas perguntas, são advérbios interrogativos com os respectivos valores de lugar,
lugar, tempo e modo. Não confunda com os pronomes relativos.
- Onde está você agora?
- Aonde iremos com tantos projetos?
- Gostaria de saber quando será a nossa próxima partida de futebol.
- Precisava apenas saber como ele chegou até aqui sem dinheiro.

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2.7 Pronomes relativos
Pronomes relativos são pronomes que se relacionam sempre com o termo da oração que está antecedente, servindo ao
mesmo tempo de elo de subordinação das orações que iniciam. Exercem, assim, uma função sintática na frase.
Normalmente, introduzem as orações subordinadas adjetivas. Através da utilização de pronomes relativos, evitamos a
repetição dos termos nas orações, sendo fácil relacioná-los e sintetizá-los.
Este é o museu. Eu visitei o museu. Este é o museu que eu visite.
Eu comprei a blusa. A blusa é amarela. Eu comprei a blusa que é amarela.

Exemplos de pronomes relativos


Formas invariáveis: que, quem, onde.
Formas variáveis: o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas.

Os pronomes relativos podem vir precedidos de preposição de acordo com a regência verbal dos verbos da oração.
2.7.1 Uso dos pronomes relativos
Que: É o pronome relativo mais utilizado, sendo considerado um pronome relativo universal. Refere-se a coisas ou a pessoas
e pode ser substituído por: o qual, a qual, os quais e as quais. Além disso, pode aparecer precedido pelos pronomes
demonstrativos o, a, os, as.
Acabei de lavar o vestido que estava sujo de tinta.
Já nem sei o que faço.

Quem: Refere-se somente a pessoas, nunca a coisas. Vem sempre antecedido de preposição quando tem um antecedente
explícito.
Este é o garoto a quem sempre amei.
É esta a professora de quem você falou?

Onde: É utilizado para indicar um lugar, podendo ser substituído por: em que, no qual, na qual, nos quais e nas quais. Pode
ser utilizado juntamente com preposições, formando as palavras aonde e donde para transmitir noções de movimento.
Este é o apartamento onde vivi quando pequena.
O hotel onde ficamos era cinco estrelas.

Qual e suas flexões: Vem sempre precedido de um artigo. Emprega-se depois de preposições com duas sílabas ou mais e de
locuções prepositivas.
Pensei nisso naquela noite de tempestade, durante a qual não consegui dormir.
Li um livro sobre o qual nunca tinha ouvido falar nada.

Quanto e suas flexões: Aparece depois dos pronomes indefinidos nada, tudo, tanto, todos, bem como suas flexões.
Compre tanto quanto for preciso.
Ele não fez tudo quanto havia prometido.

Cujo e suas flexões: Aparece entre dois substantivos e transmite uma ideia de posse, sendo equivalente a: do qual, da qual,
dos quais, das quais, de que e de quem. Deve concordar em gênero e número com a coisa possuída.
Escolheram os alunos cujas notas foram exemplares.
Preferem atletas cujo condicionamento físico está excelente.

Os antecedentes com os quais os pronomes relativos se relacionam podem ser um substantivo, um pronome, um adjetivo,
um advérbio ou uma oração. Contudo, com os pronomes quem e onde, é possível que sejam utilizados na frase sem o
antecedente, chamando-se então de pronomes relativos indefinidos.
- Quem copiou na prova, foi reprovado.
- Onde não morava ninguém, eu fiz a minha lojinha.

2.8 Pronomes indefinidos


Pronomes indefinidos indicam que algo ou alguém é considerado de forma indeterminada e imprecisa. Referem-se sempre
à 3.ª pessoa gramatical.
Alguém pode me ajudar?

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Tem algo para comer?
Muitos faltaram à prova de português
Certos comentários serão ignorados.
Qualquer informação será considerada importante.

Existem pronomes indefinidos invariáveis, pronomes indefinidos variáveis em gênero e número e pronomes indefinidos
variáveis apenas em número.
Pronomes indefinidos invariáveis: alguém; ninguém; outrem; tudo; nada; cada; algo.
Pronomes indefinidos variáveis em gênero e número: algum, alguns, alguma, algumas; nenhum, nenhuns, nenhuma,
nenhumas; todo, todos, toda, todas; outro, outros, outra, outras; muito, muitos, muita, muitas; pouco, poucos, pouca,
poucas; certo, certos, certa, certas; vário, vários, vária, várias; tanto, tantos, tanta, tantas; quanto, quantos, quanta, quantas.
Pronomes indefinidos variáveis em número: qualquer, quaisquer; bastante, bastantes.

2.8.1 Pronomes indefinidos adjetivos e substantivos


Alguns pronomes indefinidos são utilizados majoritariamente como pronomes indefinidos adjetivos, acompanhando o
substantivo. Podem, contudo, ser utilizados também como pronomes indefinidos substantivos. É o caso dos pronomes
algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, vário, tanto e quanto.
- Nenhum homem teve coragem de se pronunciar contra aquela tirania.
- Nenhum teve coragem de se pronunciar contra aquela tirania.
- Poucos alunos passaram para a oitava série.
- Poucos passaram para a oitava série.

Pronomes indefinidos substantivos


Alguns pronomes indefinidos são utilizados apenas como pronomes indefinidos substantivos, substituindo o substantivo
numa frase. É o caso dos pronomes alguém, ninguém, outrem, algo, nada e tudo.
Este livro é de alguém?
Tudo é importante, nada deverá ser esquecido!

Pronomes indefinidos adjetivos


Outros pronomes indefinidos são utilizados apenas como pronomes indefinidos adjetivos, acompanhando o substantivo na
oração. É o caso dos pronomes certo, cada e qualquer.
- Certas atitudes são incompreensíveis.
- Qualquer escolha será longamente ponderada.
- Cada pessoa deverá seguir o seu próprio caminho.

O pronome cada, na ausência de um substantivo, poderá vir acompanhado de um numeral pronome, como um e qual: cada
um ou cada qual.
- Cada um deverá seguir o seu próprio caminho.
- Cada qual deverá seguir o seu próprio caminho.

2.8.2 Valores dos pronomes indefinidos


Os pronomes indefinidos apresentam diferentes valores, conforme o contexto frásico em que ocorrem.
Nenhum e algum: o pronome indefinido nenhum assume sempre um sentido negativo. Já o pronome indefinido algum
assume um sentido afirmativo quando anteposto ao substantivo e um sentido negativo quando posposto ao substantivo.
Nenhum motivo foi apresentado para a desistência da candidatura. (sentido negativo)
Algum motivo foi apresentado para a desistência da candidatura? (sentido afirmativo)
Motivo algum foi apresentado para a desistência da candidatura. (sentido negativo)

Ninguém e alguém: o pronome indefinido ninguém assume sempre um sentido negativo, enquanto o pronome indefinido
alguém assume um sentido afirmativo. Ambos se referem a pessoas.
Com certeza, ninguém seguiu este caminho. (sentido negativo)
Com certeza, alguém seguiu este caminho. (sentido afirmativo)

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Nada e algo: o pronome indefinido nada assume sempre um sentido negativo, enquanto o pronome indefinido algo assume
um sentido afirmativo. Ambos se referem a coisas.
Não pretendia nada, além de uma vida descansada. (sentido negativo)
Queria sempre algo novo. (sentido afirmativo)
Nada: o pronome indefinido nada significa principalmente coisa nenhuma, mas pode significar alguma coisa em frases
interrogativas negativas. Pode ainda assumir a função de advérbio quando acompanhado de um substantivo.
Não quero nada, obrigado! (coisa nenhuma)
Você não viu nada de estranho ontem? (alguma coisa)
Não fiquei nada feliz com meu resultado na prova. (advérbio)

Certo: o pronome certo apenas atua como pronome indefinido quando anteposto ao substantivo, particularizando alguma
coisa. Quando posposto ao substantivo assume a função de um adjetivo, sinônimo de correto, certeiro, garantido,
combinado, apropriado, entre outros.
Certos alunos ficam para sempre na memória dos professores. (pronome indefinido)
O diretor tomou decisões certas. (adjetivo)

Qualquer: o pronome indefinido qualquer tem como principal função generalizar uma situação. Contudo, assume um valor
depreciativo quando posposto a um artigo indefinido ou a um substantivo próprio.
Qualquer ajuda será bem-vinda. (sentido generalizador)
Ele é apenas um qualquer. Nem me vou preocupar com suas opiniões. (sentido depreciativo)

Todo e tudo: os pronomes indefinidos todo e tudo indicam totalidades afirmativas. O pronome todo, no singular, indica a
totalidade das partes. No plural, indica uma totalidade numérica. O pronome tudo representa, normalmente, um termo
absoluto.
Ele comeu o bolo todo. (totalidade das partes)
Todos os alunos realizaram a prova. (totalidade numérica)
Já fizemos tudo. (termo absoluto)

Outro: o pronome indefinido outro pode indicar um momento passado ou um momento futuro, como nas expressões outro
dia (passado) e no outro dia (futuro).
Outro dia fui ver a exposição de pintura de minha tia.
No outro dia, depois de regressar de viagem, irei ver a exposição de pintura de minha tia.

2.8.3 Locuções pronominais indefinidas


Além dos pronomes indefinidos, existem conjuntos de palavras que atuam como pronomes indefinidos, sendo chamadas
de locuções pronominais indefinidas: cada qual; cada um; qualquer um; todo aquele que; quem quer que; o que quer que;
seja quem for; seja qual for; o mais.

EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) O homem julga que é superior à natureza, por isso o homem danifica a natureza, sem pensar que a natureza
é essencial para a vida do homem.Assinale a alternativa em que os pronomes substituem, respectivamente, os substantivos
destacados no texto acima.
(A) ele - a - ela – sua
(B) ele - ela - a - sua
(C) este - sua - ela – daquele
(D) este - ela - sua - daquele

02. (2017 - EsPCEx) Assinale a opção que contém um pronome relativo:


(A) O que esperar de um sistema desses?
(B) O sistema nada oferece para que tal situação realmente aconteça.
(C) Uma cultura sinistra, mas que diverte muitas pessoas.
(D) A pena será prorrogada até que a reintegração dos presos seja comprovada.
(E) Dessa forma, o detento deve provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade.

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03. (2017 - EEAR) Ernesto não estava bem. Um sentimento de profunda angústia torturava-lhe naquele turbilhão de
pensamentos incessantes. Um adeus definitivo não o tornaria menos sofredor, mas ele precisava resolver o seu drama
intenso, que o consumia no cotidiano e lhe deixava o sabor amargo do desprezo.Um dos pronomes oblíquos destacados no
texto está incorretamente empregado. Qual?
(A) O primeiro.
(B) O segundo.
(C) O terceiro.
(D) O quarto.

04. (2017 - EAGS) “Muita gente ainda se ofende com a insistência dos cientistas em nos chamarem de macacos evoluídos.
Mas devíamos nos orgulhar de nossos antepassados, que encontraram meios de sobreviver em um ambiente austero e
cheio de predadores.”
A correta e respectiva classificação dos pronomes destacados no texto acima é
(A) indefinido / reto / oblíquo átono / possessivo/ interrogativo.
(B) demonstrativo / reto / oblíquo tônico / demonstrativo / relativo.
(C) possessivo / oblíquo átono / oblíquo tônico / demonstrativo / interrogativo.
(D) indefinido / oblíquo átono / oblíquo átono / possessivo / relativo.

06. (2017 - EEAR) Una as frases abaixo por meio de um pronome relativo e assinale a alternativa correta.
Na Finlândia, a Aurora Boreal encanta os turistas.
A magia da Aurora Boreal afaga a alma.
(A) Na Finlândia, a Aurora Boreal, cuja magia afaga a alma, encanta os turistas.
(B) Na Finlândia, a Aurora Boreal, que a magia afaga a alma, encanta os turistas.
(C) Na Finlândia, a Aurora Boreal, cuja a magia afaga a alma, encanta os turistas.
(D) Na Finlândia, a Aurora Boreal, aonde a magia afaga a alma, encanta os turistas.

09. (2016 - EsPCEx) Assinale a alternativa correta quanto ao emprego do pronome relativo.
(A) Aquele era o homem do qual Miguel devia favores.
(B) Eis um homem de quem o caráter é excepcional.
(C) Refiro-me ao livro que está sobre a mesa.
(D) Aquele foi um momento onde eu tive grande alegria.
(E) As pessoas que falei são muito ricas.

10. (2015 - EEAR) Assinale a opção que completa correta e respectivamente as lacunas da frase seguinte. Os artistas
populares e o fã formam uma relação de amor não correspondido: ______ representam a pessoa mais amada da relação,
por outro lado, ______ representa a parte que ama e se anula em relação ao outro.
(A) estes - este
(B) aqueles - este
(C) estes - aquele
(D) aqueles – esse

11. (2015 - EAGS) Assinale a alternativa em que os pronomes oblíquos substituem, correta e respectivamente, os termos
em destaque nas orações abaixo.
I. Devolva os livros na biblioteca.
II. Apresentei a eles uma nova proposta pedagógica.
III. Peça desculpas aos seus pais.
IV. Emprestou o carro para o amigo.
(A) os, lhes, as, lhe
(B) os, a, lhes, lhe
(C) lhes, o, as, os
(D) as, os, lhes, a

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12. (2013 - EAM) Em qual opção está correta a correspondência entre o pronome destacado e o termo a que se refere?
(A) [ ...] no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem [ ...] (águas)
(B) Certamente o homem não suspeita que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando em uma praia
deserta. (desconhecido)
(C) Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros, isto me parece importante. (sessenta metros)
(D) [ ...] Vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi, ele já estava nadando [ . . . ] (no mar)
(E) [ ...] mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril. (coisa bela)

13. (2013 - EEAR) “Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que
chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não
soubesse amar.” (Machado de Assis, Missa do galo)
Qual das classificações abaixo não se refere a nenhum dos pronomes destacados no texto?
(A) Relativo
(B) Indefinido
(C) Possessivo
(D) Demonstrativo

14. (2012 - EEAR) Marque a alternativa em que o pronome em destaque está corretamente empregado na frase.
(A) Entre eu e ele nunca mais existirá confiança.
(B) Durante toda minha vida, eu sempre se virei sozinho.
(C) Meu desejo é este: garantir com honestidade o sustento de nossa família.
(D) – Sua Excelência, posso opinar sobre o assunto? – perguntou o funcionário.

15. (2012 - EEAR) Assinale a alternativa em que a colocação do pronome oblíquo átono está correta, segundo a norma culta
da língua.
(A) Nada tirá-lo-ia daquela depressão.
(B) Deus o livre de tamanha desgraça!
(C) Nos perdemos dos guias devido à escuridão da mata.
(D) Tanta insistência talvez leve-nos a um resultado positivo.

16. (2012 - EEAR) “Colecionamos relógios de marca e pequenas invejas sem etiquetas, mas aprendemos a olhar os relógios
de marca como peças de museu e a utilizar as pequenas invejas sem etiquetas no dia a dia.” Os pronomes que substituem,
pela ordem, os termos destacados, sem que haja alteração de sentido, são
(A) aqueles, essas.
(B) aqueles, estas.
(C) estes, aquelas.
(D) esses, aquelas.

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XIII. VERBOS
Definição: Verbo é a palavra que indica ação, praticada ou sofrida pelo sujeito, fato de que o sujeito participa
ativamente, estado ou qualidade do sujeito, fenômeno da natureza.

1.1 Conjugação verbal


Há três conjugações para os verbos da língua portuguesa:
1ª conjugação: verbos terminados em -ar .
2ª conjugação: verbos terminados em -er .
3ª conjugação: verbos terminados em -ir .

Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à 2ª conjugação, por se originarem do antigo verbo poer.

1.2 Pessoas verbais


1ª pes. do sing.: eu 1ª pes. do pl.: nós
2ª pes. do sing.: tu 2ª pes. do pl.: vós
3ª pes. do sing.: ele/ela 3ª pes. do pl.:eles/elas

1.3 Modos verbais


Indicativo, que expresa atitudes de certeza,
Subjuntivo, que expressa atitudes de dúvida, hipótese, desejo, e
Imperativo, que expressa atitude de ordem, pedido, conselho.

2. O modo indicativo

2.1 Presente
Indica fato que ocorre no dia-a-dia, corriqueiramente.
Ex. Todos os dias, caminho no Calçadão. Estudo no Dedicação. Confio em meus amigos.

2.2 Pretérito
Indica fatos que já ocorreram.

A) Pretérito Perfeito
Indica fato que ocorreu no passado em determinado momento, observado depois de concluído.
Ex. Ontem caminhei no Calçadão.
Estudei no Dedicação no ano passado.
Confiei em pseudo-amigos.

B) Pretérito Imperfeito
Indica fato que ocorria com frequência no passado, ou fato que não havia chegado ao final no momento em que estava
sendo observado.
Ex. Naquela época, todos os dias, eu caminhava no Calçadão.
Eu estudava no Dedicação, quando conheci Magali.
Eu confiava naqueles amigos.

C) Pretérito Mais-que-perfeito
Indica fato ocorrido antes de outro no Pretérito Perfeito ou Imperfeito do Indicativo.
Ex. Ontem, quando você foi ao Calçadão, eu já caminhara 6 Km.
Eu já estudara no Dedicação, quando conheci Magali.
Eu confiara naquele amigo que mentia a mim.

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2.3 Futuro
Indica fatos que vão ou não ocorrer depois do momento da fala.

A) Futuro do Presente
Indica fato que, com certeza, ocorrerá.
Ex. Amanhã caminharei no Calçadão pela manhã.
Estudarei no Dedicação, no ano que vem.
Eu confiarei mais uma vez naquele amigo que mentiu a mim.

B) Futuro do Pretérito:
Indica uma hipótese futura, dependente de outro anterior a ele. Sozinho, indica uma cortesia ou desejo.
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.
Estudaria no Dedicação, se morasse em Londrina.
Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não mais me trair.
Você gostaria de tomar um café? Eu preferiria suco!

3. O modo subjuntivo

3.1 Presente
Indica desejo atual, dúvida que ocorre no momento da fala.
Ex. Espero que eu caminhe bastante no ano que vem.
O meu desejo é que eu estude no Dedicação ainda.
Duvido de que eu confie nele novamente.

3.2 Pretérito Imperfeito


Indica condição, hipótese; normalmente é usado com o Futuro do Pretérito do Indicativo.
Ex. Eu caminharia todos os dias, se não trabalhasse tanto.
Estudaria no Dedicação, se morasse em Londrina.
Eu confiaria mais uma vez naquele amigo, se ele me prometesse não me trair.

3.3 Futuro
Indica hipótese futura.
Ex. Quando eu começar a caminhar todos os dias, sentir-me-ei melhor.
Quando eu estudar no Dedicação, aprenderei mais coisas.
Quando ele me prometer que não me trairá mais, voltarei a confiar nele.

3.4 Conjugação dos Verbos Regulares

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


Cantar Vender Partir

4. O modo Imperativo

O modo Imperativo expressa ordem, pedido ou conselho


Ex. Caminhe todos os dias, para a saúde melhorar.
Estude no Dedicação! Confie em mim!
Não saia tarde de casa. Não se atrasem para a prova.

4.1 Conjugação dos Verbos Regulares

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


Cantar Vender Partir

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IMPERATIVO AFIRMATIVO
tu canta vende parte
você cante venda parta
nós cantemos vendamos partamos
vós cantai vendei parti
vocês cantem vendam partam

IMPERATIVO NEGATIVO
tu não cantes não vendas não partas
você não cante não venda não parta
nós não cantemos não vendamos não partamos
vós não canteis não vendais não partais
vocês não cantem não vendam não partam

5. As formas nominais
Não exprimem com exatidão o tempo em que se dá o fato expresso – completam o esquema dos tempos simples. São três:

5.1 Infinitivo
São as formas terminadas em ar, er ou ir. Infinitivo Impessoal (falar), Infinitivo Pessoal (falar eu, falares tu, etc.).

5.2 Gerúndio
São as formas terminadas em ndo (falando).

5.3 Particípio
São as formas terminadas em ado ou ido (falado, partido).

7. Classificação dos verbos


Os verbos classificam-se em:

7.1 Verbos Regulares


Verbos regulares são aqueles que não sofrem alterações no radical.
Ex. cantar, vender, partir.

7.2 Verbos Irregulares


Verbos irregulares são aqueles que sofrem pequenas alterações no radical.
Ex. fazer = faço; fazes; fizeste; fez; feito

7.3 Verbos Anômalos


Verbos anômalos são aqueles que sofrem grandes alterações no radical.
Ex. ser = sou, é, fui, era, serei; ir = vou, foi, ia, irei, iria

7.4 Verbos Impessoais


Verbos impessoais são aqueles que só podem ser conjugados na terceira pessoa do singular por não ter um agente explícito
que o conjugue.
Ex. fenômenos da natureza (chover), tempo decorrido (fazer), haver (no valor de existir), dentre outros.

7.5 Verbos Defectivos


Verbos defectivos são aqueles que não possuem conjugação completa.
Ex. falir, reaver, precaver = não possuem as 1ª, 2ª e 3ª pes. do presente do indicativo e o presente do subjuntivo inteiro.

7.6 Verbos Abundantes


Verbos abundantes são aqueles que apresentam duas formas de mesmo valor. Geralmente ocorrem no particípio, que
chamaremos de particípio regular, terminado em -ado, -ido, usado na voz ativa, com o auxiliar ter ou haver, e particípio
irregular, com outra terminação diferente, usado na voz passiva, com o auxiliar ser ou estar.
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Exemplos de verbos abundantes:
Infinitivo Part.Regular Part.Irregular
Aceitar aceitado aceito
Acender acendido aceso
Contundir contundido contuso
Eleger elegido eleito
Entregar entregado entregue
Enxugar enxugado enxuto
Expulsar expulsado expulso
Imprimir imprimido impresso
Limpar limpado limpo
Murchar murchado murcho
Suspender suspendido suspenso
Tingir tingido tinto

Obs.: Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, pôr, ver e vir só possuem o particípio irregular aberto, coberto, dito,
escrito, feito, posto, visto e vindo. Os particípios regulares gastado, ganhado e pagado estão corretos, mas estão caindo
ao desuso - sendo substituídos frequentemente pelos irregulares gasto, ganho e pago.

Formas Rizotônicas: São as estruturas verbais com a sílaba tônica dentro do radical. São elas: eu, tu, ele e eles do presente
do indicativo, eu, tu, ele e eles do presente do subjuntivo, tu, você e vocês do imperativo afirmativo e tu, você e vocês do
imperativo negativo.
Formas Arrizotônicas: São as estruturas verbais com a sílaba tônica fora do radical. São todas as outras estruturas verbais,
com exceção das rizotônicas.

8. Verbos defectivos

a) Verbo defectivo, da 3ª conjugação. Faltam-lhe a 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo e as formas derivadas
dela. Colorir, abolir, aturdir (atordoar), brandir (acenar, agitar a mão), banir, carpir, delir (apagar), demolir, exaurir
(esgotar, ressecar), explodir, fremir (gemer), haurir (beber, sorver), delinquir, extorquir, puir (desgastar, polir), ruir,
retorquir (replicar, contrapor), latir, urgir (ser urgente), tinir (soar), pascer (pastar).
b) Verbo defectivo, da 3ª conjugação; Falir. Faltam-lhe as formas rizotônicas do Presente do Indicativo e as formas delas
derivadas. Como ele, conjugam-se aguerrir (tornar valoroso), adequar, combalir (tornar debilitado), embair (enganar),
empedernir (petrificar, endurecer), esbaforir-se, espavorir, foragir-se, remir (adquirir de novo, salvar, reparar, indenizar,
precaver, recuperar-se de uma falha), renhir (disputar), transir (trespassar, penetrar).

Nota: o verbo adequar, diferentemente de todos os outros defectivos nas formas rizotônicas, é conjugado no Presente do
Subjuntivo nas duas primeiras pessoas do plural, ou seja: que nós adequemos, que vós adequeis, consequentemente o
Imperativo Afirmativo também é conjugado de modo diferente: adequemos nós, adequai vós.

9. Vozes Verbais
Voz verbal é a flexão do verbo que indica se o sujeito pratica, ou recebe, ou pratica e recebe a ação verbal.

9.1 Voz Ativa


Quando o sujeito é agente, ou seja, pratica a ação verbal ou participa ativamente de um fato. Ex. As meninas exigiram a
presença da diretora. A torcida aplaudiu os jogadores. O médico cometeu um erro terrível.

9.2 Voz Passiva


A voz passiva sintética é formada por verbo transitivo direto, pronome se (partícula apassivadora) e sujeito paciente. Ex.
Entregam-se encomendas. Alugam-se casas. Compram-se roupas usadas.
A voz passiva analítica é formada por sujeito paciente, verbo auxiliar ser ou estar, verbo principal indicador de ação no
particípio - ambos formam locução verbal passiva - e agente da passiva. Ex. As encomendas foram entregues pelo próprio
diretor. As casas foram alugadas pela imobiliária. As roupas foram compradas por uma elegante senhora.

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9.3 Voz Reflexiva
Será chamada simplesmente de reflexiva, quando o sujeito praticar a ação sobre si mesmo. Ex. Carla machucou-se.
Osbirvânio cortou-se com a faca. Roberto matou-se.

9.4 Voz Reflexiva recíproca (ou Voz Recíproca)


Será chamada de reflexiva recíproca, quando houver dois elementos como sujeito: um pratica a ação sobre o outro, que
pratica a ação sobre o primeiro.
Ex. Paula e Renato amam-se.
Os jovens agrediram-se durante a festa.
Os ônibus chocaram-se violentamente.

Passagem da ativa para a passiva e vice-versa


Para efetivar a transformação da ativa para a passiva e vice-versa, procede-se da seguinte maneira:
O sujeito da voz ativa passará a ser o agente da passiva.
O objeto direto da voz ativa passará a ser o sujeito da voz passiva.
Na passiva, o verbo ser estará no mesmo tempo e modo do verbo transitivo direto da ativa.
Na voz passiva, o verbo transitivo direto ficará no particípio.
Atenção: apenas os verbos transitivos diretos ou bitransitivos possuem voz passiva. Os verbos transitivos indiretos,
intransitivos e de ligação não podem ser transformados para a voz passiva, com exceção do verbo “obedecer” e seu derivado
“desobedecer”.

Voz ativa
A torcida aplaudiu os jogadores. Sujeito = a torcida.
Verbo transitivo direto = aplaudiu. Objeto direto = os jogadores.

Voz passiva
Os jogadores foram aplaudidos pela torcida. Sujeito = os jogadores.
Locução verbal passiva = foram aplaudidos. Agente da passiva = pela torcida.

10. LOCUÇÕES VERBAIS

Outro tipo de conjugação composta - também chamada conjugação perifrástica - são as locuções verbais, constituídas de
verbos auxiliares mais gerúndio ou infinitivo. São conjuntos de verbos que, numa frase, desempenham papel equivalente
ao de um verbo único. Nessas locuções, o último verbo, chamado principal, surge sempre numa de suas formas nominais;
as flexões de tempo, modo, número e pessoa ocorrem nos verbos auxiliares. Observe os exemplos: Estou lendo o jornal.
Marta veio correndo: o noivo acabara de chegar. Ninguém poderá sair antes do término da sessão.

A língua portuguesa apresenta uma grande variedade dessas locuções, conseguindo exprimir por meio delas os mais
variados matizes de significado. Ser (estar, em algumas construções) é usado nas locuções verbais que exprimem a voz
passiva analítica do verbo. Poder e dever são auxiliares que exprimem a potencialidade ou a necessidade de que
determinado processo se realize ou não. Veja: Pode ocorrer algo inesperado durante a festa. Deve ocorrer algo inesperado
durante a festa.

Outro auxiliar importante é querer, que exprime vontade, desejo. Veja: Quero ver você hoje. Também são largamente
usados como auxiliares: começar a, deixar de, voltar a, continuar a, pôr-se a, ir, vire estar, todos ligados à noção
de aspecto verbal.

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EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) Na sentença “As luzes se apagaram, e, paulatinamente, aquele mar de gente silenciou e aguardou... De
repente, ouve-se um forte brado vindo do fundo do palco, que explode em luzes e vida junto com a multidão.”, há mudança
de tempo verbal: do pretérito perfeito do indicativo os verbos ouvir e explodir passam para o presente do indicativo,
possibilidade que se justifica pelo seguinte motivo:
(A) há a indicação de uma ação permanente, constante, que não sofre alteração.
(B) há a indicação de um fato futuro, mas próximo, conforme se percebe pela sequência temporal dos fatos.
(C) há a indicação de um fato habitual, ainda que este não esteja sendo exercido no momento em que se fala.
(D) há a indicação de um fato já vivenciado que se atualiza no momento da narração como forma de se garantir vivacidade
ao texto.

02. (2017 - EEAR) As alternativas contêm uma sequência de períodos de um dos capítulos do romance São Bernardo, de
Graciliano Ramos. Assinale a que apresenta em destaque um verbo irregular.
(A) Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez.
(B) Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente.
(C) A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.
(D) E, falando assim, compreendo que perco o tempo.

03. (2017 - EAM) Marque a opção em que a forma verbal destacada expressa uma ação totalmente concluída.
(A) "[...] pessoas que amam o que fazem e se engrandecem [...] .”
(B) "[...] trabalho que você ame e não terá que trabalhar [...] ."
(C) “[...] um construtor com o qual eu conversava [...] ."
(D) "[...] senti um pesar por aquele homem [...] ."
(E) “[...] e não terá que trabalhar um único dia [...] .”

06. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa em que o verbo ver encontra-se na voz passiva
(A) De madrugada, viram vultos brancos saindo da escuridão
(B) Creio que seu coração bondoso verá minhas dores e súplicas com ternura.
(C) Já não se veem locomotivas nas estações das pequenas e grandes cidades. É a modernidade!
(D) A estranha criatura, na sombra projetada no lago, via-se imensa, monstruosa, assustadora.

04. (2016 - EEAR) Em “Dize logo tudo.” há presença de verbo conjugado em


(A) segunda pessoa do plural do modo Infinitivo.
(B) primeira pessoa do singular do modo Subjuntivo.
(C) segunda pessoa do singular do modo Imperativo Afirmativo.
(D) terceira pessoa do singular do modo Imperativo Negativo.

05. (2016 - EsSA) “São exemplos de verbos impessoais:


(A) alvorecer, chover, anoitecer e trovejar.
(B) amar, morrer, crescer e ser.
(C) haver, fazer, parecer e ser.
(D) correr, jogar, cantar e partir.
(E) anoitecer, chuviscar, nevar e falar.

06. (2016 - EsSA) São exemplos de verbos da 2ª conjugação:


(A) cantar, ficar, remar e amar
(B) compor, depor, dever e temer
(C) sorrir, partir, dormir
(D) remar, receber, dever e dormir
(E) fugir, ir, dormir e sorrir.

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07. (2016 - EAM) Assinale a opção que apresenta o único período em que a forma verbal destacada foi empregada de acordo
com a norma culta da língua.
(A) Se alguma empresa propor restrições quanto ao uso das redes sociais no ambiente de trabalho, haverá funcionários
descontentes.
(B) Foi preciso que eu intervisse na discussão sobre o chamado "vício eletrônico’’.
(C) Muitos usuários não se contiveram e postaram opiniões sobre um comentário feito na rede.
(D) Se vocês verem adultos usando celulares em cerimônias formais, saibam que estão diante de viciados da rede.
(E) Depois de muita briga judicial, o correntista reaveu o dinheiro transferido de sua conta irregularmente.

08. (2016 - EEAR) Quanto à voz dos verbos, relacione as colunas e, a seguir, assinale a alternativa correta.
1 – voz ativa 2 – voz passiva
( ) A cidade de Mariana foi isolada pela lama.
( ) Encontraram muitos corpos no meio da lama.
( ) Encontraram-se muitos corpos no meio da lama.
( ) A lama destruiu a cidade de Mariana.
(A) 2 - 2 - 1 - 1
(B) 1 - 1 - 2 - 2
(C) 2 - 1 - 2 - 2
(D) 2 - 1 - 2 - 1

09. (2016 - EEAR) - Se ninguém ______ nesse caso, sabe lá Deus que fim terá.
- No mesmo dia, ele _______ os documentos que perdera.
- Foram designados alguns advogados para que ______ a banca examinadora.
(A) intervir – reaveu – compossem
(B) intervier – reaveu – compossem
(C) intervir – reouve – compusessem
(D) intervier – reouve – compusessem

10. (2015 - Quadro Técnico) Assinale a opção em que a forma verbal destacada é usada como forma de polidez.
(A) "- Na 14 - ele respondeu, distraído. Respirei [. . . ] . " {15 °§)
(B) "Que você mandasse ao Padre-Diretor, um bilhete" (18 °§)
(C) "Chegada era a hora de levá-lo ao médico [...] ." {13°§)
(D) “ - Fico satisfeito de saber - comentei apenas." (16°§)
(E) " - Então eu queria te pedir um favor [...] ." (18°§)

11. (2015 - EEAR) Assinale a alternativa em que há presença de verbo na voz passiva.
(A) O atirador novato acertou a ave.
(B) Organizou-se nova atividade para os alunos.
(C) Os animais comeram toda a ração disponível.
(D) Os professores de gramática ensinam jovens sedentos de conhecimento.

12. (2015 - EEAR) Assinale a alternativa em que a classificação do verbo grifado na frase está correta.
(A) Regular: “Deus semeou d’alma o universo todo.”
(B) Regular: “O ânimo moral não deve adequar-se à natureza do apoucado.”
(C) Abundante: “Chegou-se a ele e bateu-lhe brandamente no ombro.”
(D) Irregular: “Nenhum dos recrutas abraçou amigos e familiares; os adeuses trocaram-se com os olhos e com a mão, de
longe.”

13. (2014 - CFN) Qual a forma verbal obtida na frase “Intelectual explora o lado lúdico!” na voz passiva?
(A) O lado lúdico é explorado por intelectual.
(B) O lado lúdico foi explorado por intelectual.
(C) Intelectual explorava o lado lúdico.
(D) Intelectual havia explorado o lado lúdico.
(E) O lado lúdico era explorado por intelectual.

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14. (2014 - EEAR) Assinale a alternativa incorreta em relação à flexão do verbo em destaque.
(A) Você creu em tudo o que ouviu?
(B) Quando vocês virem o presidente, deem o recado a ele.
(C) O juiz interveio na discussão a fim de acalmar o advogado e o promotor.
(D) Em Conservatória, a cidade de onde eles proveem, são feitas até hoje serestas e serenatas.

15. (2014 - EEAR) Em qual alternativa o verbo não possui mais de uma forma para o particípio?
(A) tingir
(B) chegar
(C) matar
(D) suspender

XIV. ADVÉRBIOS
1. Conceito de Advérbios
Os advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou outro advérbio. São flexionados em grau (comparativo
e superlativo) e divididos em: advérbios de modo, intensidade, lugar, tempo, negação, afirmação, dúvida.

2. Classificação dos Advérbios


Os advérbios são classificados de acordo com as circunstâncias ou ideias que expressam: negação, modo, afirmação, tempo,
intensidade, lugar e dúvida.

2.1 Advérbio de Negação


Os advérbios mais utilizados são: não, nem, tampouco, nunca, jamais.

Exemplos:
De maneira alguma vamos te deixar sozinha. Jamais reatarei meu namoro com ele.
Não vou e ponto. Não saiu de casa naquela tarde.
Os alunos tampouco escutam os professores.

2.2 Advérbio de modo


Os advérbios mais utilizados são: assim, bem, debalde, depressa, devagar, melhor, pior, mal, adrede, acinte e grande parte
das palavras que terminam em "-mente": cuidadosamente, calmamente, tristemente, alegremente, bondosamente,
discretamente, elegantemente, dentre outros.

Exemplos:
Faço assim. Estava andando depressa por causa da chuva.
É melhor conversar com ele. Fala pouco.
Fui bem na prova. Sua voz é quase inaudível.

2.3 Advérbio de Afirmação


Os advérbios mais utilizados são: sim, deveras, indubitavelmente, decididamente, certamente, realmente, decerto, certo,
efetivamente, seguramente.

Exemplos:
Sim, vou sair. Certamente passearemos nesse domingo.
Realmente ela precisava de ajuda. Ele seguramente gostou do presente de aniversário.
Deveras é o melhor orador.

2.4 Advérbio de tempo


Os advérbios mais utilizados são: hoje, já, afinal, logo, agora, amanhã, amiúde, antes, ontem, anteontem, tarde, breve, cedo,
depois, enfim, entrementes, ainda, jamais, nunca, sempre, doravante, outrora, ora, outrora, atualmente, primeiramente,
imediatamente, antigamente, provisoriamente, sucessivamente, constantemente.
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Exemplos:
Falamos amanhã. Ontem estivemos numa reunião de trabalho.
Nunca digas isso. Sempre estamos juntos.
É tarde.

2.5 Advérbio de Intensidade


Os advérbios mais utilizados são: muito, demais, pouco, tão, quão, demasiado, bastante, imenso, demais, mais, menos,
quanto, quase, tanto, assaz, tudo, nada, todo, apenas, bem, mal, deveras, quanto.

Exemplos:
Comeu demasiado naquele almoço. Escreve bem.
Ela gosta bastante dele.

2.6 Advérbio de lugar


Os advérbios mais utilizados são: aí, aqui, acolá, cá, lá, ali, adiante, abaixo, embaixo, acima, adentro, dentro, afora, fora,
defronte, atrás, detrás, atrás, além, aquém, antes, algures, nenhures, alhures, aonde, longe, perto, através.

Exemplos:
Estou aqui. Minha casa é ali.
Pendure o quadro acima. O livro está embaixo da mesa.
O carro vinha detrás.

2.7 Advérbio de Dúvida


Os advérbios mais utilizados são: possivelmente, provavelmente, eventualmente, acaso, porventura, quiçá, será, talvez,
casualmente.

Exemplos:
Provavelmente irei ao banco. Provavelmente os adversários ganharão o jogo.
Quiçá chova hoje. Eles disseram que talvez viriam.
Acaso eu disse que você podia sair?

2.8 Informações Relevantes


A Gramática Portuguesa, por sua vez, admite ainda mais três advérbios:
- Advérbio de ordem: depois, primeiramente, ultimamente
- Advérbio de exclusão: apenas, salvo, senão, só, somente.
- Advérbio de designação: eis.

Há também os advérbios, também chamados, em algumas gramáticas brasileiras, como palavras denotativas que exprimem
exclusão (só, somente, salvo, exclusivamente, apenas), inclusão (também, inclusivamente, ainda, mesmo, até) e ordem
(ultimamente, depois, primeiramente).

Fazendo referência a uma oração, na qual dois ou mais advérbios terminados em “-mente” modificam a mesma palavra,
podemos contar com o recurso de tornar o discurso mais conciso, mais elegante – representado pelo procedimento de
juntar tal sufixo ao último deles, somente.

Exemplos:
Elegante e simpaticamente cumprimentava a todos que por ali passavam.
Ela agiu calma(mente) e reservadamente.

Porém, no caso de o emissor se prestar ao serviço de realçar as circunstâncias expressas pelos advérbios, o ideal é omitir a
conjunção e acrescentar o referido sufixo a cada um deles.

Exemplos:
Carinhosamente, respeitosamente ele chegou para animar a plateia.
Ferozmente, enfurecidamente o cão latia para as crianças que o rodeavam

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Os Advérbios Interrogativos são utilizados nas interrogações diretas e indiretas relacionados com as circunstâncias de
modo, tempo, lugar e causa. São eles: como, onde, aonde, donde (de onde), por que, quando.

Exemplos:
Como faço isto? / Quero saber como devo fazer isto.
Onde você está? / Gostaria de saber onde você está.
Aonde vamos? / Queria saber onde vamos.
Donde vem esta carta? / Gostaria de saber donde vem esta carta.
Por que chegou agora? / Quero que explique por que chegou agora.
Quando podemos nos encontrar? / Queria saber quando podemos nos encontrar.

3. Flexão dos Advérbios


Os advérbios são consideradas palavras invariáveis pois, à exceção da palavra “todo”, não sofrem flexão de número (singular
e plural) e gênero (masculino, feminino); porém, são flexionadas nos graus comparativo e superlativo.

3.1 Grau Comparativo


No Grau Comparativo, o advérbio pode caracterizar relações de igualdade, inferioridade ou superioridade.

Igualdade: formado por "tão + advérbio + quanto" (como).


Exemplos: Ele iniciou tão tarde quanto o pai.
Cantava tão bem como a colega.

Inferioridade: formado por "menos + advérbio + que" (do que).


Exemplos: Joana fala menos alto que Sílvia.

Superioridade analítico: formado por "mais + advérbio + que" (do que).


Exemplos: Ele iniciou mais tarde que (do que) o pai.
Cantava melhor que (do que) a colega.

Superioridade sintético: formado por "melhor que” ou “pior que" (do que).
Exemplos: Na prova, Carla saiu melhor que (do que) Cristina.
De saúde, Talita está pior que (do que) eu.

Importante: antes de particípios não se devem usar as formas irregulares do comparativo de superioridade (melhor, pior)
não se devem usar as formas irregulares do comparativo de superioridade (melhor, pior), e sim as formas analíticas (mais
bem, mais mal).
Exemplos: Ele está mais bem informado do que eu (e não “melhor informado).
Ele está mais bem informado do que eu (e não “melhor informado).

3.2 Grau Superlativo


Analítico: quando acompanhado de outro advérbio.
Exemplo: Isabel fala muito baixo.

Sintético, quando é formado por sufixos ou por meio de uma repetição do advérbio.
Exemplo:
Isabel fala baixíssimo. João saiu agorinha.
Estou muitíssimo feliz. Parto logo, logo.
Isabel fala baixinho João chegou cedo, cedo.

4. Locução Adverbial

Locução adverbial é uma expressão formada por uma ou mais palavras que, juntas, têm a função de advérbio. É dessa forma
que alteram o sentido de um verbo, de um adjetivo ou mesmo de um advérbio.

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As preposições iniciam a maior parte das locuções adverbiais, que são formadas pela união com um substantivo, adjetivo
ou advérbio.

Exemplos:
Preposição + substantivo: O incentivo chegará com certeza
Preposição + adjetivo: Choverá em breve
Preposição + advérbio: O caminho é por ali

4.1 Classificação
As locuções adverbiais são muito numerosas e, entre outras, podem ser classificadas como:
- lugar: a distância, à distância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta, por aqui.
- tempo: às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, às vezes, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer
momento, de tempos em tempos, hoje em dia.
- modo: de cor, em vão, em geral, de soslaio, frente a frente, de viva voz.
- quantidade: em excesso, de todo, de muito, por completo.
- afirmação: sem dúvida, de fato, por certo, com certeza.
- negação: de modo algum, de forma alguma, de jeito nenhum, de forma nenhuma.
- intensidade: de muito, de pouco, de todo, em excesso.
- dúvida: com certeza, quem sabe, por certo.
- inclusão: além disso.

Além destas classificações, dentro dos contextos, outras possibilidades também podem ser verificadas:
- finalidade: eu me esforcei para vencer. - meio: viajamos de avião.
- companhia: fomos com os amigos. - concessão: saímos, apesar da chuva.
- causa: o animalzinho morreu de sede. - preço: compramos o presente por cem reais.
- assunto: ele falava sobre você. - condição: não saia sem dinheiro.
- matéria: os artesanatos são feitos de barro. - conformidade: agiremos conforme o regulamento.
- instrumento: ele se feriu com a faca.

EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) “Abandonado à escrivaninha em São Paulo/ Na minha casa (...)/ De sopetão senti um friúme por dentro/
Fiquei trêmulo, muito comovido/ Com o livro palerma olhando para mim.” (Mário de Andrade). Assinale a alternativa que
corresponde ao exato número de advérbios e locuções adverbiais presentes ao texto acima.
(A) 5
(B) 6
(C) 7
(D) 8

02. (2017 - CFN) Em “Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala (...)” - o valor
semântico de mal estabelece entre as orações que liga uma relação de
(A) causa.
(B) modo.
(C) finalidade.
(D) tempo.
(E) Contrariedade.

03. (2017 - EEAR) Marque a alternativa incorreta quanto à classificação do termo em destaque.
(A) A porta do escritório abre-se de manso, os passos de seu Ribeiro afastam-se. (Graciliano Ramos) – locução adverbial
de modo
(B) – Mas casaco de pele não se precisa no calor do Rio... (Clarice Lispector) – advérbio de tempo
(C) Todas as coisas de que falo estão na cidade / entre o céu e a terra. (Ferreira Gullar) – advérbio de lugar
(D) Talvez fosse possível substituir na cabeça uma língua pela outra, paulatinamente, descartando uma palavra a cada
palavra adquirida. (Chico Buarque) – advérbio de intensidade

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04. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa em que o termo destacado é advérbio.
(A) O bravo chefe falou com o empregado.
(B) Rodolfo foi o melhor aluno que eu já tive.
(C) Aquele candidato ao cargo de vereador discursa mal
(D) Meu irmão fez um mau negócio ao comprar aquele sítio

05. (2016 - CMRJ)

Advérbios são palavras que se ligam a verbos (a adjetivos ou a outros advérbios) e informam circunstâncias de: tempo,
lugar, afirmação, negação... Na tirinha, tem valor de advérbio a expressão
(A) “regiões Sul e Nordeste”.
(B) “na página 45”.
(C) “de minha terra”.
(D) “essas bobagens”.
(E) “um monti de história”.

06. (2016 - EFOMM) As expressões sublinhadas estabelecem uma noção de tempo, EXCETO a que aparece na opção
(A) De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar
(B) Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca.
(C) Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé.
(D) Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum!
(E) Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira.

07. (2016 - EEAR) Em qual das alternativas abaixo o advérbio em destaque é classificado como advérbio de tempo?
(A) Não gosto de salada excessivamente temperada.
(B) Ele calmamente se trocou, estava com o uniforme errado.
(C) Aquela vaga na garagem do condomínio finalmente será minha.
(D) Provavelmente trocariam os móveis da casa após a mudança.

08. (2012 - AFA) “Cada qual se achava mais inteligente do que o outro, mas Steve em geral tratava Bill como alguém
levemente inferior, sobretudo em questões de gosto e estilo”, diz Andy Hertzfeld”. Analisando morfologicamente as
palavras destacadas acima, pode-se afirmar que a expressão
(A) cada qual corresponde a um artigo definido.
(B) mais...do que é uma construção própria do grau superlativo absoluto.
(C) como introduz uma comparação, sendo, portanto, uma preposição de ligação.
(D) sobretudo é um advérbio que equivale à palavra principalmente.

09. (2015 - EEAR) Assinale a alternativa em que o advérbio destacado não se classifica como advérbio de modo.
(A) “O canto do galo solou cheio, melodiosamente, dentro da noite clara."
(B) “Lânguida, flutua como os caminhos troçados pelos amantes. / (...) olha docemente pelo sono da humanidade."
(C) “... a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e
o vaqueiro precisava chegar (...)"
(D) “A mãe cantarolava e fitava o filho. Estava cansada... Cantava e esperava que delicadamente os sonhos invadissem os
olhos inocentes e os doridos."

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10. (2013 - EFOMM) Assinale a opção em que a circunstância expressa pela palavra sublinhada é ERRONEAMENTE indicada
ao lado.
(A) Tentei ansiosamente fixar-me nessa esperança frágil. – modo.
(B) (...) nunca ninguém se esgoelou de semelhante maneira. – negação.
(C) Só queria que minha mãe, sinhá Leopoldina, Amaro e José Baía surgissem de repente (...). – modo.
(D) (...) não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. – tempo.
(E) (...) e arrancou-me dali violentamente, reclamando um cinturão. – modo.

XV. CONECTIVOS – PREPOSIÇÕES E CONJUNÇÕES


1. Conceito de Conectivos
Conectivos são palavras ou expressões que interligam termos, frases, períodos, orações ou parágrafos, permitindo a
sequência de ideias.
Esse papel é desempenhado, sobretudo, pelas preposições e pelas conjunções, palavras invariáveis usadas para ligar os
termos e orações em um período. Além disso, alguns advérbios e pronomes também podem exercer essa função.
Os conectivos são elementos essenciais no desenvolvimento dos textos, uma vez que estão relacionados com a coesão
textual.
Assim, se forem mal empregados, reduzem a capacidade de compreensão da mensagem e comprometem o texto.

2. Preposição
Preposição é a palavra invariável que liga dois termos da oração numa relação de subordinação donde, geralmente, o
segundo termo subordina o primeiro.
Exemplos:
O navio veio de São Paulo.
A cinco quilômetros daqui passa uma estrada.

2.1 Classificação das Preposições


As preposições podem ser divididas em dois grupos:
- Preposições Essenciais – são as palavras que só funcionam como preposição, a saber: a, ante, após, até, com, contra, de,
desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
- Preposições Acidentais – são as palavras de outras classes gramaticais que, em certas frases funcionam como preposição,
a saber: afora, como, conforme, consoante, durante, exceto, mediante, menos, salvo, segundo, visto etc.

2.2 Locuções Prepositivas


A locução prepositiva é formada por duas ou mais palavras com o valor de preposição, sempre terminando por uma
preposição, por exemplo: abaixo de, acima de, a fim de, além de, antes de, até a, depois de, ao invés de, ao lado de, em que
pese a, à custa de, em via de, à volta com, defronte de, a par de, perto de, por causa de, através de, etc.

2.3 Combinação, Contração e Crase


Importante notar que algumas preposições podem aparecer combinadas com outras palavras. Assim, quando na junção dos
termos não houver perda de elementos fonéticos, teremos uma combinação, por exemplo: ao (a + o); aos (a + os) aonde (a
+ onde).
Por conseguinte, quando da junção da preposição com outra palavra houver perda fonética, teremos a chamada contração,
por exemplo: do (de + o); dum (de + um); desta (de + esta); no (em + o); neste (em + este); nisso (em + isso)
Por fim, toda fusão de vogais idênticas forma uma crase: à = contração da preposição a + o artigo a; àquilo = contração da
preposição a + a primeira vogal do pronome aquilo.
Apenas na linguagem coloquial ou cotidiana, seja ela falada ou escrita, aparecem as reduções pra (para a) e pro (para o).
Importante relembrar que essas palavras não pedem acento, já que se trata de palavras átonas. por exemplo: Este é um
país que vai pra frente.

2.4 Preposições e seus Valores Semânticos


No caso das preposições, a mesma palavra também pode assumir valores diferentes. É por isso que, embora algumas delas
sejam mais frequentes em determinado tipo, o seu valor semântico somente pode ser verificado mediante a relação
estabelecida em determinado contexto, como se vê a seguir.
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Assunto: O livro trata de culinária. Matéria: Fiz bolo de chocolate.
Causa: Com a barba feita, conseguiu emprego. Meio: Falei com ela por telefone.
Companhia: Se for para ir com você eu vou. Modo: Faz tudo com disposição.
Conformidade: Entreguei tudo como ele pediu. Oposição: Agiu contra a minha vontade.
Distância: A poucos metros está a padaria. Origem: De onde você é?
Finalidade: Vim cedo para não perder o ônibus. Posse: Este livro é da biblioteca?
Instrumento: Com o que você se machucou? Tempo: Vou me aposentar por tempo de contribuição.
Lugar: Mudou-se para a Alemanha.

3. Conjunção
Conjunção é um termo que liga duas orações ou duas palavras de mesmo valor gramatical, estabelecendo uma relação
entre eles.

Exemplos:
Ele joga futebol e basquete. (dois termos semelhantes)
Eu iria ao jogo, mas estou sem companhia. (duas orações)

3.1 Conjunções Coordenativas


As conjunções coordenativas são aquelas que ligam duas orações independentes. São divididas em 5 tipos:

3.1.1 Conjunções Aditivas


Essas conjunções exprimem soma, adição de pensamentos: e, nem, não só...mas também, não só...como também, mas
ainda, como, assim.
Exemplo: Ana não fala nem ouve.

3.1.2 Conjunções Adversativas


Exprimem oposição, contraste, compensação de pensamentos: mas, porém, contudo, entretanto, no entanto, todavia,
senão, não obstante, ainda assim, apesar disso, mesmo assim, de outra sorte, ao passo que.
Exemplo: Não fomos campeões, todavia exibimos o melhor futebol.

3.1.3 Conjunções Alternativas


Exprimem escolha de pensamentos: ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, seja...seja.
Exemplo: Ou você vem conosco ou você não vai.

3.1.4 Conjunções Conclusivas


Exprimem conclusão de pensamento: logo, por isso, pois (quando vem depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim,
por fim, então, consequentemente.
Exemplo: Chove bastante, portanto a colheita está garantida.

3.1.5 Conjunções Explicativas


Exprimem razão, motivo: que, porque, pois (quando vem antes do verbo), porquanto.
Exemplo: Não choveu, porque nada está molhado.

3.1.6 Conjunções com mais de uma classificação


A conjunção E pode exprimir os seguintes valores semânticos:
Soma: Estudo e trabalho. (conjunção aditiva)
Adversidade: Estudo e não aprendo. (conjunção adversativa, equivalente a “mas”)
Conclusão: Dê mais uma palavra e verá o que acontece. (conjunção conclusiva equivalente a “logo”)

A conjunção MAS pode exprimir os seguintes valores semânticos:


Adversidade: Estudo, mas não aprendo. (conjunção adversativa).
Soma: Estudo, mas também trabalho. (conjunção aditiva com valor de “e”).

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A conjunção POIS pode exprimir os seguintes valores semânticos:
Conclusão: Choveu muito; a rua está, pois, alagada. (conjunção conclusiva, após o verbo).
Explicação: Choveu muito, pois a rua está alagada. (conjunção explicativa, antes do verbo).

A conjunção OU pode exprimir os seguintes valores semânticos:


Adição: Circos fazem a alegria de crianças, jovens ou adultos. (conjunção aditiva, com valor de inclusão).
Alternância: Ela passou as férias na Europa ou na Ásia. (conjunção alternativa, com valor de exclusão).
3.2 Conjunções Subordinativas
As conjunções subordinativas servem para ligar orações dependentes uma da outra e são divididas em 10 tipos:

3.2.1 Conjunções Integrantes


Introduzem orações subordinadas com função substantiva: que, se.
Exemplo: Quero que você volte já. Não sei se devo voltar lá.

3.2.2 Conjunções Causais


Introduzem orações subordinadas que dão ideia de causa: que, porque, como, pois, visto que, já que, uma vez que.
Exemplo: Não fui à aula porque choveu. Como fiquei doente não pude ir à aula.

3.2.3 Conjunções Comparativas


Introduzem orações subordinadas que dão ideia de comparação: que, do que, como.
Exemplo: Meu professor é mais inteligente do que o seu.

3.2.4 Conjunções Concessivas


Iniciam orações subordinadas que exprimem um fato contrário ao da oração principal: embora, ainda que, mesmo que, se
bem que, posto que, apesar de que, por mais que, por melhor que.
Exemplo: Vou à praia, embora esteja chovendo.

3.2.5 Conjunções Condicionais


Iniciam orações subordinadas que exprimem hipótese ou condição para que o fato da oração principal se realize ou não:
caso, contanto que, salvo se, desde que, a não ser que.
Exemplo: Se não chover, irei à praia.

3.2.6 Conjunções Conformativas


Iniciam orações subordinadas que exprimem acordo, concordância de um fato com outro: segundo, como, conforme,
consoante.
Exemplo: Cada um colhe conforme semeia.

3.2.7 Conjunções Consecutivas


Iniciam orações subordinadas que exprimem a consequência ou o efeito do que se declara na oração principal: que, de
forma que, de modo que, de maneira que.
Exemplo: Foi tamanho o susto que ela desmaiou.

3.2.8 Conjunções Temporais


Iniciam orações subordinadas que dão ideia de tempo: logo que, antes que, quando, assim que, sempre que.
Exemplo: Quando as férias chegarem, viajaremos.

3.2.9 Conjunções Finais


Iniciam orações subordinadas que exprimem uma finalidade: a fim de que, para que.
Exemplo: Estamos aqui para que ele fique tranquilo.

3.2.10 Conjunções Proporcionais


Iniciam orações subordinadas que exprimem concomitância, simultaneidade: à medida que, à proporção que, ao passo que,
quanto mais, quanto menos, quanto menor, quanto melhor.

Exemplo: Quanto mais trabalho, menos recebo.

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4. Valores Semânticos dos Conectivos

Valor semântico é o sentido atribuído às palavras mediante o seu contexto. Muitas vezes, as mesmas palavras têm
significados distintos.

Vejamos os exemplos:
Tinha uma vizinha que era uma cobra!
O caseiro encontrou uma cobra no sítio.

A palavra cobra usada nos dois exemplos diferem no seu significado. No primeiro deles, a pessoa não está contente com a
vizinha, que segundo ela é uma pessoa má, cuja convivência é difícil. No segundo, a palavra tem o sentido literal, ou seja,
de um réptil.
Os conectivos são essenciais para ligar as ideias no texto colaborando com a coesão textual. A aplicação da conjunção ou
mesmo da locução conjuntiva como elementos conectores, depende do tipo de relação que é estabelecida entre as duas
orações.
Confira abaixo os tipos de conectivos, acompanhados de exemplos:

4.1. Prioridade e relevância


Esses conectores são muito usados no início das frases para apresentar uma ideia. Eles também podem oferecer relevância
ao que está sendo apresentado. Principais conectivos: Em primeiro lugar; antes de mais nada; antes de tudo; em princípio;
primeiramente; acima de tudo; principalmente; primordialmente; sobretudo; a priori; a posteriori; precipuamente.
Exemplo: Primeiramente devemos atentar ao conceito de pluralidade cultural.

4.2. Tempo, frequência, duração, ordem ou sucessão


Esses conectivos situam o leitor na sucessão dos acontecimentos ou das ideias. Por esse motivo, são muito explorados em
textos narrativos. Principais conectivos: Então; enfim; logo; logo depois; imediatamente; logo após; a princípio; no momento
em que; pouco antes; pouco depois; anteriormente; posteriormente; em seguida; afinal; por fim; finalmente; agora;
atualmente; hoje; frequentemente; constantemente; às vezes; eventualmente; por vezes; ocasionalmente; sempre;
raramente; não raro; ao mesmo tempo; simultaneamente; nesse ínterim; nesse meio tempo; nesse hiato; enquanto, quando;
antes que; depois que; logo que; sempre que; assim que; desde que; todas as vezes que; cada vez que; apenas; já; mal; nem
bem.
Exemplo: Logo após sair da aula, Bianca teve um encontro com Arthur.

4.3. Semelhança, comparação ou conformidade


Para estabelecer uma relação com uma ideia ou um conceito que já foi apresentado anteriormente no texto, utilizamos
esse tipo de conectivos. Além disso, podem ser utilizados para apontar ideias de outro texto (intertextualidade). Principais
conectivos: Igualmente; da mesma forma; assim também; do mesmo modo; similarmente; semelhantemente;
analogamente; por analogia; de maneira idêntica; de conformidade com; de acordo com; segundo; conforme; sob o mesmo
ponto de vista; tal qual; tanto quanto; como; assim como; como se; bem como.
Exemplo: De acordo com as ideias de Darcy Ribeiro, o povo brasileiro é muito diverso.

4.4. Condição ou hipótese


Esses termos são utilizados em situações circunstanciais que podem oferecer hipóteses para uma situação futura. Principais
conectivos: Se; caso; contanto que, desde que, eventualmente.
Exemplo: Caso chova essa tarde, não iremos na academia.

4.5. Continuação ou adição


Para acrescentar algo ao texto, e que esteja relacionado com o que anteriormente foi apresentado, usamos os conectivos
de continuação ou adição. Principais conectivos: Além disso; demais; ademais; outrossim; ainda mais; por outro lado;
também; e; nem; não só; como também; não apenas; bem como.
Exemplo: Suzana foi professora na Universidade de Minas Gerais no período da Ditadura Militar. Além disso, foi
coordenadora do Departamento de Artes vinculado à Secretaria de Cultura do município de Belo Horizonte.

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4.6. Dúvida
Para inserir no texto uma dúvida ou probabilidade utilizamos esses conectivos. Principais conectivos: Talvez; provavelmente;
possivelmente; quiçá; quem sabe; é provável; não certo; se é que.
Exemplo: É provável que Tomás não venha trabalhar hoje.

4.7. Certeza ou ênfase


Quando queremos ressaltar algo que temos certeza ou mesmo para enfatizar uma ideia no texto, utilizamos esses
elementos de coesão. Principais conectivos: Por certo; certamente; indubitavelmente; inquestionavelmente; sem dúvida;
inegavelmente; com certeza.
Exemplo: Certamente Cecília esteve envolvida no caso de roubo.

4.8. Surpresa ou imprevistos


Esses elementos enfatizam uma surpresa ou mesmo algo que não estava previsto acontecer. São muito utilizados em textos
descritivos e narrativos. Principais conectivos: Inesperadamente; de súbito; subitamente; de repente; imprevistamente;
surpreendentemente.
Exemplo: De repente vimos o dono da empresa nas galerias de arte.

4.9. Ilustração, retificação ou esclarecimento


Como forma de esclarecer ou corrigir algum conceito ou ideia apresentados no texto, utilizamos esses conectivos. Principais
conectivos: Por exemplo; isto é; ou seja; aliás.
Exemplo: Os estudantes poderão utilizar diversos locais da faculdade durante o evento, ou seja, o anfiteatro, a biblioteca,
o refeitório e o pátio.

4.10. Propósito, intenção ou finalidade


Nesse caso, o produtor do texto tem um propósito ou uma finalidade definida. Ou seja, ele quer apresentar o objetivo
relacionado com o que almeja alcançar. Principais conectivos: Com o fim de; a fim de; como propósito de; com a finalidade
de; com o intuito de; para que; a fim de que; para; ao propósito.
Exemplo: Com o intuito de ganhar mais votos para as eleições, Joaquim divulgou muito seu trabalho.

4.11. Lugar, proximidade ou distância


Advérbios de lugar e pronomes demostrativos são algumas classes gramaticais que envolvem esses conectivos. Eles são
utilizados para indicarem a distância entre algo. Principais conectivos: Perto de; próximo a ou de; justo a ou de; dentro; fora;
mais adiante; aqui; além; acolá; lá; ali; este; esta; isto; esse; essa; isso; aquele; aquela; aquilo; ante, a.
Exemplo: Eles viveram muitos anos próximos da Catedral, no centro da cidade.

4.12. Conclusão ou resumo


Muito comum serem utilizados na conclusão de um parágrafo ou mesmo de uma redação, para resumir as ideias que foram
apontadas no texto. Principais conectivos: Em suma; em síntese; enfim; em resumo; portanto; assim; dessa forma; dessa
maneira; desse modo; logo; pois; assim sendo; nesse sentido.
Exemplo: Em resumo, podemos notar o aumento das taxas alfandegárias durante o período apresentado.

4.13. Causa, consequência e explicação


Esses elementos conectivos servem para explicar as causas e consequências de uma ação, um fenômeno, etc. Principais
conectivos: Por consequência; por conseguinte; como resultado; por isso; por causa de; em virtude de; assim; de fato; com
efeito; tão; tanto; tamanho; que; porque; porquanto; pois; já que; uma vez que; visto que; como (no sentido de porquê);
portanto; que; de tal forma que; haja vista.
Exemplo: O aquecimento global tem afetado diretamente o ser humano e os animais. Como resultado, temos a extinção de
muitas espécies.

4.14. Contraste, oposição, restrição, ressalva


Os conectivos de oposição, como o próprio nome indica, servem para opor ideias ou conceitos num período. Principais
conectivos: Pelo contrário; em contraste com; salvo; exceto; menos; mas; contudo; todavia; entretanto; no entanto; embora;
apesar de; ainda que; mesmo que; posto que; ao passo que; em contrapartida.
Exemplo: Embora o Brasil seja um país diverso, podemos encontrar singularidades em muitas regiões do país.

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4.15. Ideias alternativas
Nesse caso, usamos os conectivos quando queremos citar mais de uma opção. Principais conectivos: Ou...ou; quer...quer;
ora...ora.

Exemplo: Ou enfrentamos o problema, ou não poderemos mais trabalhar juntos.

4.16 Preposições, Conjunções e Valores Semânticos


No caso das conjunções, a mesma palavra também pode assumir valores diferentes. É por isso que, embora algumas delas
sejam mais frequentes em determinado tipo, o seu valor semântico somente pode ser verificado mediante a relação
estabelecida em determinado contexto.

Valor semântico das conjunções


Adição: Passeei e descansei. Condição: Se resolver ir, chame.
Adversidade: Faço tudo e não vejo nada pronto. Conformidade: Faço tudo como ele quer.
Alternativa: Ora estudava, ora fingia que estudava. Consequência: Você mexe-se, e eu atiro.
Causa: Como estou doente, não vou à festa. Explicação: Fica, pois ela vai precisar de ajuda.
Comparação: Anda como a mãe. Proporção: Tanto mais faz, tanto menos é reconhecido.
Concessão: Vou à praia, e está chovendo. Tempo: Quando o professor chegar, eu guardo o telefone.
Conclusão: Não dormiu em casa porque a cama está
arrumada.

EXERCÍCIOS

01. (2018 - EPCAR) As conjunções e preposições, além de ligarem palavras ou orações de um texto, estabelecem entre eles
relações de sentido. Assinale a alternativa em que a relação de sentido apontada está INCORRETA.
(A) “O público não só entende como compartilha o sonho...” => Adição
(B) “...os meninos com correntes douradas...” => Companhia
(C) “Por quarenta minutos, ele intercala canções de seu repertório...” => Duração
(D) ”Festas e shows assim se repetem por outras cidades e clubes.” => Extensão

02. (2018 - EPCAR) Assinale a alternativa que aponta o sentido INCORRETO das expressões conectoras destacadas abaixo.
(A) “...além da música e da dança, propagava-se pelos guetos, ainda, o hábito de desenhar e escrever em muros e paredes.”
- Adição
(B) “Por essa época ou um pouco antes, jovens negros já dançavam nas ruas ao som do soul e do funk de uma forma
inovadora...” - Proporcionalidade
(C) “...afinal suas artes estavam relacionadas a uma experiência comum, a cultura de rua.” - Explicação
(D) “E outra, ainda, talvez hegemônica, já assimilada pelo mercado, que reproduz o modelo de comportamento...” -
Inclusão

03. (2018 - EEAR) Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, os sentidos expressos pelas palavras ou
expressões em destaque no fragmento de texto a seguir:
“Ao passo que os aparatos tecnológicos se tornam mais presentes na nossa vida, mais se aprende a viver em rede. Embora
saibamos o quanto é importante firmar nossos valores individuais, acabamos sendo arrastados, como gados ao matadouro,
rumo à neutralização das diferenças culturais dos povos.”
(A) causa, comparação e temporalidade.
(B) consequência, concessão e comparação.
(C) proporcionalidade, concessão e comparação.
(D) condição, conformidade e proporcionalidade.

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04. (2018 - AFA) A conjunção ou liga duas palavras ou orações estabelecendo diferentes relações semânticas, como
exclusão, alternância ou, até mesmo, inclusão. Assinale a alternativa em que a relação de sentido estabelecida é DIFERENTE
das demais.
(A) “...é fortemente acompanhada pelo localismo e o particularismo religioso, étnico ou cultural...”
(B) “Na Bósnia ou em Kosovo, na Faixa de Gaza ou na Irlanda do Norte, a capacidade de entendimento...”
(C) “...chegou a seu mais baixo nível de tolerância, e transpor uma linha, imaginária ou não, entre bairros...”
(D) “...seja entre Estado e cidadãos, entre livres e escravos, entre homens e mulheres, ou entre diferentes religiões.”

05. (2017 - CIAAR) Na frase “Por mais que demore, alguém gostará de nós do jeito nosso”, o termo em destaque estabelece
uma relação lógico-semântica de
(A) condição.
(B) concessão.
(C) conclusão.
(D) comparação.

06. (2017 - EEAR) “Quixote não desanimava em suas investidas. Ele acumulava sucessivas derrotas.” Una as duas orações
acima, fazendo as adaptações necessárias, e depois assinale a alternativa que contém a conjunção/locução conjuntiva que
estabelece a correta relação entre elas.
(A) a fim de que
(B) uma vez que
(C) mesmo que
(D) caso

07. (2016 - ITA)

Os dois primeiros quadros da tirinha criam no leitor uma expectativa de desfecho que não se concretiza, gerando daí o
efeito de humor. Nesse contexto, a conjunção e estabelece a relação de
(A) conclusão.
(B) explicação.
(C) oposição.
(D) consequência.
(E) alternância.

08. (2016 - COLÉGIO NAVAL) Assinale a opção na qual o uso da conjunção mantém o sentido original do período "A primeira
gosta dos livros, a segunda os detesta. "
(A) A primeira gosta dos livros, e a segunda os detesta.
(B) A primeira gosta dos livros, logo a segunda os detesta.
(C) A primeira gosta dos livros, porque a segunda os detesta.
(D) A primeira gosta dos livros, quando a segunda os detesta.
(E) A primeira gosta dos livros, portanto a segunda os detesta.

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09. (2015 - EsPCEx) Assinale a alternativa que apresenta ideia equivalente à da oração grifada a seguir: “O professor não
proíbe, antes estimula as perguntas em aula."
(A) As abelhas não apenas produzem mel e cera, mas ainda polinizam as flores.
(B) Os livros ensinam e divertem.
(C) Vestia-se bem, embora fosse pobre.
(D) Não aprovo nem permitirei essas coisas.
(E) Quis dizer mais alguma coisa e não pôde.
10. (2015 - CFN) Em “Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um quarto de primeira classe, com
banho e tudo”, o vocábulo destacado é um advérbio de
(A) tempo.
(B) lugar.
(C) modo.
(D) intensidade.
(E) afirmação.
11. (2014 - ITA) Assinale a opção em que o termo grifado é conjunção integrante.
(A) José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam.
(B) As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz de ser útil.
(C) Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas fotografias que ilustram a
reportagem.
(D) [...] e quem nos garante que uma legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio,
[...]
(E) [...] o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste momento está saltando
assustado na praça Mauá, [...]
12. (2014 - COLÉGIO NAVAL) Assinale a opção em que está expressa a ideia de consequência.
(A) a)"E quando elas não conseguem, reclamamos, levamos ao médico, arriscamos hipóteses de que sejam portadoras de
síndrornes [...]."
(B) b)"Sofremos de uma tentação permanente de pular palavras e frases, apenas para irmos direto ao ponto."
(C) c) "Mas, nos estudos, queremos que elas prestem atenção no que é preciso, e não no que gostam."
(D) "O que pode ajudar, por exemplo, é analisarmos o contexto [ .. .] e organizá-lo para que seja favorável a tal exigência."
(E) e)"São tantos os estímulos e tanta a pressão [ . . . ] que aprendemos a ver e/ou fazer várias coisas ao mesmo tempo
[...]."
13. (2013 - ESCOLA NAVAL) Na epígrafe, "Homenagem aos marinheiros / de sempre... e para sempre.", qual o valor
semântico estabelecido pelas preposições destacadas?
(A) Tempo e finalidade.
(B) Restrição e direção.
(C) Consequência e temporalidade.
(D) Propriedade e destinação.
(E) Especificação e instrumento.
14. (2013-EPCAR) Assinale a alternativa em que se pode depreender uma relação de causa-consequência.
(A) “Sendo ele o escritor que era, surgiram maravilhas literárias.” {£. 48 e 49)
(B) “Recebendo a carta, você sabia que era só para você.” (£. 13 e 14)
(C) “Para além do puramente literário, o que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo...” (f.55 e 56)
(D) “Sem serem famosas, as cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de aprofundar o conhecimento desse
grande romancista alemão.” (£. 63 a 66)
15. (2012 - EAM) Em que opção o valor semântico da palavra destacada foi indicado corretamente?
(A) "... o diminutivo é usado com o mesmo carinho." - companhia
(B) "... é muita explicação para tão pouco." - intensidade
(C) "Não sei se a grafia é essa mesma..." - contrariedade
(D) " , . . usamos para desarmar certas palavras . . . " - direção
(E) ". . . é também uma forma de disfarçar . . ." - condição

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PARTE II – ANÁLISE SINTÁTICA
XVI. PERÍODO SIMPLES
1. Frase, Período e Oração
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer comunicação. Expressa juízo, indica ação, estado ou
fenômeno, transmite um apelo, ordem ou exterioriza emoções.

Normalmente a frase é composta por dois termos - o sujeito e o predicado - mas não obrigatoriamente, pois, em
Português há orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo que não chove.

Enquanto na língua falada a frase é caracterizada pela entoação, na língua escrita, a entoação é reduzida a sinais de
pontuação.

Quanto aos tipos de frases, além da classificação em verbais e nominais, feita a partir de seus elementos constituintes,
elas podem ser classificadas a partir de seu sentido global:
 frases interrogativas: o emissor da mensagem formula uma pergunta. / Que queres fazer?
 frases imperativas: o emissor da mensagem dá uma ordem ou faz um pedido. / Dê-me uma mãozinha! - Faça-o sair!
 frases exclamativas: o emissor exterioriza um estado afetivo. / Que dia difícil!
 frases declarativas: o emissor constata um fato. / Ele já chegou.

Quanto à estrutura da frase, as frases que possuem verbo são estruturadas, em sua maioria, por dois elementos
essenciais: sujeito e predicado.

O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em número e pessoa. É o "ser de quem se declara algo", "o tema
do que se vai comunicar".
O predicado é a parte da frase que contém "a informação nova para o ouvinte". Ele se refere ao tema, constituindo a
declaração do que se atribui ao sujeito.

Quando o núcleo da declaração está no verbo, temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver num nome, teremos
um predicado nominal.
Exemplos: Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de opinião. (Verbal)
A existência é frágil. (Nominal)

A oração, às vezes, é sinônimo de frase ou período (simples) quando encerra um pensamento completo e vem limitada
por ponto-final, ponto-de-interrogação, ponto-de-exclamação e por reticências.
Um vulto cresce na escuridão. Clarissa se encolhe. É Vasco.
Acima temos três orações correspondentes a três períodos simples ou a três frases. Mas nem sempre oração é
frase: "convém que te apresses" apresenta duas orações mas uma só frase, pois somente o conjunto das duas é que traduz
um pensamento completo.

Outra definição para oração é a frase ou membro de frase que se organiza ao redor de um verbo. A oração possui sempre
um verbo (ou locução verbal), que implica, na existência de um predicado, ao qual pode ou não estar ligado um sujeito.
Assim, a oração é caracterizada pela presença de um verbo. Dessa forma, Rua! é uma frase, não é uma oração.
Já em "Quero a rosa mais linda que houver, para enfeitar a noite do meu bem", temos uma frase e três orações: As duas
últimas orações não são frases, pois em si mesmas não satisfazem um propósito comunicativo; são, portanto, membros de
frase.

Quanto ao período, ele denomina a frase constituída por uma ou mais orações, formando um todo, com sentido
completo. O período pode ser simples ou composto.
Período simples é aquele constituído por apenas uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
Chove.
A existência é frágil.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de opinião.
Quero uma linda rosa.

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Período composto é aquele constituído por duas ou mais orações:
"Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver."
Cantei, dancei e depois dormi.

2. Termos Essenciais da Oração


O sujeito e o predicado são considerados termos essenciais da oração, ou seja, sujeito e predicado são termos
indispensáveis para a formação das orações. No entanto, existem orações formadas exclusivamente pelo predicado. O que
define, pois, a oração, é a presença do verbo.

2.1 Sujeito
O sujeito é o termo que estabelece concordância com o verbo.
a) "Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.";
b) "Minhas primeiras lágrimas caíram dos teus olhos".
Na primeira frase, o sujeito é minha primeira lágrima. Minha e primeira referem-se ao conceito básico expresso em
lágrima. Lágrima é, pois, a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, denominada núcleo do sujeito. O núcleo do sujeito
se relaciona com o verbo, estabelecendo a concordância.

A função do sujeito é basicamente desempenhada por substantivos, o que a torna uma função substantiva da oração.
Pronomes substantivos, numerais e quaisquer outras palavras substantivadas (derivação imprópria) também podem
exercer a função de sujeito.
a) Ele já partiu;
b) Os dois sumiram;
c) Um sim é suave e sugestivo.

Um sujeito é expresso quando é visto na frase e facilmente identificável pela concordância verbal. Esse sujeito que
aparece na frase é chamado de determinado pode ser simples ou composto.

O sujeito simples é o sujeito determinado que possui um único núcleo. Esse vocábulo pode estar no singular ou no plural;
pode também ser um pronome indefinido.
a) Nós nos respeitamos mutuamente;
b) A existência é frágil;
c) Ninguém se move;
d) O amar faz bem.

O sujeito composto é o sujeito determinado que possui mais de um núcleo.


a) Alimentos e roupas andam caríssimos;
b) Ela e eu nos respeitamos mutuamente;
c) O amar e o odiar são tidos como duas faces da mesma moeda.

Além desses dois sujeitos determinados, é comum a referência ao sujeito oculto, elíptico ou desinencial, isto é, ao núcleo
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela desinência verbal ou pelo contexto.
Abolimos todas as regras.

O sujeito indeterminado surge quando não se quer ou não se pode identificar claramente a que o predicado da oração
se refere. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso contrário teríamos uma oração sem sujeito.

Na língua portuguesa o sujeito pode ser indeterminado de duas maneiras:

a) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o sujeito não tenha sido identificado anteriormente:
a.1) Bateram à porta;
a.2) Andam espalhando boatos a respeito da queda do ministro.

b) com o verbo na terceira pessoa do singular, acrescido do pronome se. Esta é uma construção típica dos verbos que não
apresentam complemento direto:

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b.1) Precisa-se de mentes criativas;
b.2) Vivia-se bem naqueles tempos;
b.3) Trata-se de casos delicados;
b.4) Sempre se está sujeito a erros.
O pronome se, nesses casos, funciona como índice de indeterminação do sujeito.

As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predicado, articulam-se a partir de m verbo impessoal. A mensagem está
centrada no processo verbal. Os principais casos de orações sem sujeito com:

a) os verbos que indicam fenômenos da natureza:


a.1) Amanheceu repentinamente;
a.2) Está chuviscando.

b) os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tempo em geral:
b.1) Está tarde.
b.2) Ainda é cedo.
b.3) Já são três horas, preciso ir;
b.4) Faz frio nesta época do ano;
b.5) Há muitos anos aguardamos mudanças significativas;
b.6) Faz anos que esperamos melhores condições de vida;
b.7) Deve fazer meses que ele partiu.

c) o verbo haver, na indicação de existência ou acontecimento:


c.1) Havia bons motivos para nossa apreensão;
c.2) Deve haver muitos interessados no seu trabalho;
c.3) Houve alguns problemas durante o trabalho.

2.2 Predicado
O predicado é o conjunto de enunciados que numa dada oração contém a informação nova para o ouvinte.
Nas orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia um fato qualquer:
a) Chove muito nesta época do ano;
b) Houve problemas na reunião.

Nas orações que surge o sujeito, o predicado é aquilo que se declara a respeito desse sujeito.
Com exceção do vocativo, que é um termo à parte, tudo o que difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
a) Os homens (sujeito) pedem amor às mulheres (predicado);
b) Passou-me (predicado) uma idéia estranha (sujeito) pelo pensamento (predicado).

Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu núcleo está num nome ou num verbo. Deve-se considerar
também se as palavras que formam o predicado referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Os homens sensíveis (sujeito) pedem amor sincero às mulheres de opinião.
O predicado acima apresenta apenas uma palavra que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras ligam-se direta
ou indiretamente ao verbo.
A existência (sujeito) é frágil (predicado).
O nome frágil, por intermédio do verbo, refere-se ao sujeito da oração. O verbo atua como elemento de ligação entre o
sujeito e a palavra a ele relacionada.

O predicado verbal é aquele que tem como núcleo significativo um verbo:


a) Chove muito nesta época do ano;
b) Senti seu toque suave;
c) O velho prédio foi demolido.
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam processos.

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O predicado nominal é aquele que tem como núcleo significativo um nome; esse nome atribui uma qualidade ou estado
ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da oração por
meio de um verbo.

Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, isto é, não indica um processo. O verbo une o sujeito ao predicativo,
indicando circunstâncias referentes ao estado do sujeito.
"Ele é senhor das suas mãos e das ferramentas."
Na frase acima o verbo ser poderia ser substituído por estar, andar, ficar, parecer, permanecer ou continuar, atuando
como elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas.

A função de predicativo é exercida normalmente por um adjetivo ou substantivo.

O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No predicado
verbo-nominal, o predicativo pode referir-se ao sujeito ou ao complemento verbal.
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre significativo, indicando processos. É também sempre por intermédio do
verbo que o predicativo se relaciona com o termo a que se refere.
a) O dia amanheceu ensolarado;
b) As mulheres julgam os homens inconstantes
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de ligação. Esse
predicado poderia ser desdobrado em dois, um verbal e outro nominal: “O dia amanheceu” e “O dia estava ensolarado”.
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o complemento homens como o predicativo inconstantes.

3. Termos Integrantes da Oração


Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o complemento nominal são os chamados termos integrantes.
Os complementos verbais integram o sentido dos verbos transitivos, com eles formando unidades significativas. Esses
verbos podem se relacionar com seus complementos diretamente, sem a presença de preposição ou indiretamente, por
intermédio de preposição.
O objeto direto é o complemento que se liga diretamente ao verbo.
a) Os homens pedem amor às mulheres de opinião;
b) Os homens pedem-no às mulheres de opinião;
c) Dou-lhes três.
d) Buscamos incessantemente o Belo;
e) Houve muita confusão na partida final.

O objeto direto preposicionado ocorre principalmente:


a) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns referentes a pessoas:
a.1) Amar a Deus;
a.2) Adorar a Xangô;
a.3) Estimar aos pais.

b) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de tratamento:


b.1) Não excluo a ninguém;
b.2) Não quero cansar a Vossa Senhoria.

c) para evitar ambiguidade, distinguindo sujeito e objeto:


c.1) A raposa ao lobo ameaçava. (sem a preposição, a situação seria outra)

d) com pronomes oblíquos tônicos (preposição obrigatória):


d.1) Nem ele entende a nós, nem nós a ele.

O objeto direto cognato ocorre quando o objeto direto possui um núcleo cujo radical é o mesmo do verbo regido por
ele.
a) João morreu uma morte dolorosa e sofrida.
b) Esses alunos vivem uma vida de reis.

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O objeto direto pleonástico ocorre quando o objeto é antecipado na frase e retomado posteriormente por meio de um
pronome oblíquo átono que o repete.
a) Amigos, não os tenho.
b) Meus alunos, eu os ajudo em tudo que precisarem.

O objeto indireto é o complemento que se liga indiretamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
a) Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres;
b) Os homens pedem-lhes amor sincero;
c) Gosto de música popular brasileira.

O objeto direto pleonástico ocorre quando o objeto é antecipado na frase e retomado posteriormente por meio de um
pronome oblíquo átono que o repete.
a) Amigos, não os tenho.
b) Meus alunos, eu os ajudo em tudo que precisarem.

O termo que integra o sentido de um nome chama-se complemento nominal. O complemento nominal liga-se ao nome
que completa por intermédio de preposição e possui valor sempre passivo:
a) Desenvolvemos profundo respeito à arte;
b) A arte é necessária à vida;
c) Moramos longe de todos.
d) A entrega dos prêmios ocorrerá mês que vem.

Os nomes que se fazem acompanhar de complemento nominal pertencem a dois grupos:


a) substantivos em que tenham valor de passividade (se for ativo, será adjunto adnominal);
b) adjetivos ou advérbios, em qualquer situação.

O termo que complementa uma locução verbal na voz passiva chama-se agente da passiva. O agente da passiva se liga
a essa locução verbal para atribuir um autor à ação e vem acompanhado de "por" (mais comum), "de" ou "com".
a) O ladrão foi preso por dois policiais.
b) O presidente é respeitado pelo povo.
c) O jardim está cercado de flores.
d) As ruas ficaram cobertas com lama.

4. Termos Acessórios da Oração e Vocativo


Os termos acessórios recebem esse nome por serem acidentais, explicativos ou circunstanciais. São termos acessórios o
adjunto adverbial, adjunto adnominal e o aposto.

O adjunto adverbial é o termo da oração que indica uma circunstância do processo verbal, ou intensifica o sentido de
um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais exercer o papel de
adjunto adverbial.
Amanhã voltarei de bicicleta àquela velha praça.

As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto adverbial são:


 acréscimo: Além de tristeza, sentia profundo cansaço.
 afirmação: Sim, realmente irei partir.
 assunto: Falavam sobre futebol.
 causa: Morrer ou matar de fome, de raiva e de sede... são tantas vezes gestos naturais.
 companhia: Sempre contigo bailando sob as estrelas.
 concessão: Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.
 conformidade: Fez tudo conforme o combinado.
 dúvida: Talvez nos deixem entrar.
 fim: Estudou para o exame.
 frequência: Sempre aparecia por lá.
 instrumento: Fez o corte com a faca.

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 intensidade: Corria bastante.
 limite: Andava atabalhoado do quarto à sala.
 lugar: Vou à cidade.
 matéria: Compunha-se de substâncias estranhas.
 meio: Viajarei de trem.
 modo: Foram recrutados a dedo.
 negação: Não há ninguém que mereça.
 preço: As casas são vendidas a preços exorbitantes.
 substituição ou troca: Abandonou suas convicções por privilégios econômicos.
 tempo: Ontem à tarde encontrou o velho amigo.

O adjunto adnominal é o termo acessório que determina, especifica ou explica um substantivo. É uma função adjetiva,
pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Também atuam como
adjuntos adnominais os artigos, os numerais e os pronomes adjetivos.
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância.

O adjunto adnominal se liga diretamente ao substantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predicativo do
objeto se liga ao objeto por meio de um verbo.
O poeta português deixou uma obra originalíssima.
O poeta deixou-a.
O poeta português deixou uma obra inacabada.
O poeta deixou-a inacabada.

Enquanto o complemento nominal relaciona-se a um substantivo, adjetivo ou advérbio; o adjunto nominal relaciona-se
apenas ao substantivo.

O aposto é um termo acessório que permite ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a idéia contida num termo que
exerça qualquer função sintática.
Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado.
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem. Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao
termo que se relaciona porque poderia substituí-lo:
Segunda-feira passei o dia mal-humorado.

O aposto pode ser classificado, de acordo com seu valor na oração, em:
a) explicativo: A lingüística, ciência das línguas, permite-nos interpretar nossa relação com o mundo.
b) enumerativo: A vida humana se compõe de muitas coisas: amor, arte, ação.
c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho, tudo isso forma o carnaval.
d) especificativo: A rua Augusta está muito longe do rio São Francisco.

O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substantivos, pronomes substantivos, numerais e palavras substantivadas
esse papel na linguagem.

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EXERCÍCIOS

01. (2018 - EEAR) Marque a alternativa correta quanto à classificação sintática dos pronomes destacados.
(A) Preciso de ti na execução do projeto. (objeto indireto)
(B) O mau exemplo incomoda a mim. (objeto indireto)
(C) Encontrei-o em decúbito, ao chão. (sujeito)
(D) Contei-lhes toda a verdade. (objeto direto)

02. (2018 - EEAR)


Salve, lindo pendão¹ da esperança,
Salve, símbolo augusto² da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da pátria nos traz.
(trecho do Hino à Bandeira - Olavo Bilac)

No fragmento do texto “Tua nobre presença à lembrança / A grandeza da pátria nos traz”, o trecho “Tua nobre presença”,
no contexto em que se insere, do ponto de vista sintático, se classifica como
(A) predicativo do sujeito.
(B) sujeito simples.
(C) objeto indireto.
(D) aposto.

03. (2018 - EEAR) Marque a alternativa que apresenta correta classificação do sujeito.
(A) Aniquilaram as fontes de resistência na zona de conflito do país. (Sujeito Oculto)
(B) O conflito armado é movido pela ideia de paz futura. (Sujeito Paciente)
(C) Faria tudo de novo, na tentativa de mais um acerto. (Sujeito expresso)
(D) Choveu elogio na noite da premiação. (Sujeito Inexistente)

04. (2018 - EEAR) Marque a alternativa que apresenta classificação correta em relação ao tipo de sujeito.
(A) O chefe trovejava de raiva. (Sujeito indeterminado)
(B) Uma chuva de pétalas tomou conta do céu da cidade. (Oração sem sujeito)
(C) Amamos a benignidade de nosso Mestre. (Sujeito indeterminado)
(D) Não podia haver formas mais simplificadas de respostas. (Oração sem sujeito)

05. (2018 - EEAR) Marque a alternativa que apresenta, em destaque, complemento nominal.
(A) O conflito contra o ódio é o início da paz.
(B) Os preceitos contra os quais luto são muitos.
(C) Brigue pelas boas causas sem desistir do amor.
(D) Aludia aos problemas corriqueiros da relação.

06. (2018 - EEAR) Com relação aos tipos de predicado, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta quanto à
classificação dos predicados das orações abaixo.
1 – Os alunos foram informados da situação.
2 – Os candidatos saíram da sala confiantes.
3 – O professor parece despreocupado.

(A) Predicado Nominal – Predicado Verbo-Nominal – Predicado Verbal


(B) Predicado Verbal – Predicado Nominal – Predicado Verbo-Nominal
(C) Predicado Verbal – Predicado Verbo-Nominal – Predicado Nominal
(D) Predicado Verbo-Nominal – Predicado Verbal – Predicado Nominal

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07. (2018 - EEAR) O pronome relativo “que” pode desempenhar várias funções sintáticas. Quanto à análise desse pronome
nas frases abaixo, assinale a alternativa incorreta.
(A) A paixão por que foi seduzido é puro delírio. (Objeto Direto)
(B) A cidade em que nasci fica no Estado de São Paulo. (Adjunto adverbial)
(C) As promessas a que me mantenho fiel são polêmicas. (Complemento Nominal)
(D) “Pais e filhos” é uma das músicas de que mais gosto. (Objeto Indireto)

08. (2018 - EEAR) Os investimentos da iniciativa privada em saúde deveriam ser proporcionais aos lucros de cada empresa.
Os termos destacados classificam-se, respectivamente, em:
(A) complemento nominal - adjunto adnominal
(B) adjunto adnominal - complemento nominal
(C) adjunto adnominal - predicativo
(D) predicativo - adjunto adnominal

09. (2017 - EEAR) Identifique a função sintática dos termos destacados nas sentenças abaixo e, em seguida, assinale a
alternativa que contém a sequência correta da classificação desses termos.
1 - A aldeia era povoada de caiçaras. 3 - As plantas ficaram ávidas de água revigorante.
2 - O artista estava cercado de fãs adolescentes. 4 - Todos foram tomados de sentimentos apaziguadores.

(A) complemento nominal, complemento nominal, agente da passiva, complemento nominal.


(B) objeto indireto, objeto indireto, adjunto adnominal, complemento nominal.
(C) agente da passiva, agente da passiva, complemento nominal, agente da passiva.
(D) complemento nominal, adjunto adnominal, agente da passiva, objeto indireto.

10. (2017 - EEAR) Leia as frases:


I. Gostava de doces caramelizados da doçaria de Dona Dalva.
II. No shopping, vigiava-a com a discrição de um investigador profissional.
III. Entre livros e cadernos velhos, na estante, encontrou um bilhete da antiga namorada.
IV. Lembrava-se ainda do período de sua infância vivida naquela cidadezinha do interior do Brasil.

Há objeto direto nas sentenças


(A) I e IV
(B) II e III
(C) I e III
(D) II e IV

11. (2017 - EsPCEx) Assinale o período que contém agente da passiva:


(A) O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo.
(B) Há pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos.
(C) A comida é oferecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos.
(D) Situação contrária é encontrada na Noruega.
(E) A reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram.

12. (2017 - COLÉGIO NAVAL) Em qual opção o termo destacado exerce mesmo papel sintático que "No grupo maior, há de
tudo: o louco, o filósofo, o depressivo, o conquistador de garganta, o saudosista... ?
(A) "Um amigo me lembra: nos whatsApps se trocam mensagens por escrito.”
(B) "No telefone, não há essa copresença física [...].”
(C) “[...] faz-nos sentir, fortemente, a nossa natureza humana, a maior valia da vida.”
(D) "O whatsApp é de graça, proclamam.”
(E) "[...] proporciona a abrangência do outro,[...]."

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13. (2017 - COLÉGIO NAVAL) Assinale a opção na qual o termo oracional em destaque foi corretamente classificado.
(A) "Ou se trocam algumas palavras?" - objeto direto
(B) "[...] assinalada por um marcador." - complemento nominal
(C) "[...] me oferece, é a ausência de conversa." - objeto indireto
(D) "[...] um amigo de tantas afinidades [...]" - adjunto adverbial
(E) "[...] temor que lhe está roubando o sossego [...]." - adjunto adnominal

14. (2017 - ESCOLA NAVAL) Marque a opção em que a função sintática do termo sublinhado é idêntica à da expressão
destacada neste trecho: "[...] aplicação dos conceitos às coisas extralinguísticas. [...].” (3°§)
(A) Deu-lhe muitos presentes de aniversário. (D) Deixou o paciente à espera por horas.
(B) Levou a irmã ao médico hoje pela manhã. (E) Marta tem certeza de sua amizade.
(C) Aludi à carta que você me enviou,

15. (2017 - CFN) Na frase: “Saiu agora mesmo com uma trouxinha”, o sujeito é classificado como oculto. Assinale abaixo a
frase em que o mesmo ocorre.
(A) Encontramos belas obras de arte. (D) Entraram o prefeito e seus assessores.
(B) Durante a noite, picharam a parede. (E) Haviam sido realizadas todas as tarefas.
(C) Existem motivos para inocentá-lo.

16. (2017 - CFN) No trecho “Viu um menino saindo desta casa?”, o complemento do verbo e termo acessório são,
respectivamente,
(A) objeto direto e objeto indireto. (D) objeto direto e adjunto adverbial.
(B) adjunto adverbial e complemento nominal. (E) objeto indireto e pronome demonstrativo.
(C) objeto direto e complemento nominal.

17. (2017 - CFN) No segmento “Será que eles não ficam querendo sair desse vidro, mãe?” a palavra destacada pode ser
classificada como
(A) aposto. (D) agente da passiva.
(B) sujeito. (E) vocativo.
(C) predicado.

18. (2017 - EEAR) Assinale a frase em que o termo destacado não é objeto indireto.
(A) Comparo o trabalho do professor com o mais precioso dos tesouros.
(B) A veiculação de informações implica responsabilidade, e muitos não atentam para isso.
(C) Não compete a vocês emitir opinião no que não lhes diz nenhum respeito.
(D) Aos astros prometeu ele uma recompensa pela graça almejada.

19. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa em que o termo em destaque classifica-se como aposto.
(A) Roma e Cartago tiveram origem pouco menos que simultânea e evolução quase paralela.
(B) A história apresenta Roma e Cartago como duas repúblicas bem semelhantes na origem e na evolução.
(C) A origem e a evolução de Roma e de Cartago foram quase que simultâneas e paralelas.
(D) As duas repúblicas, Roma e Cartago, tinham origem pouco menos que simultânea e evolução quase paralela.

20. Finalmente, o professor considerou a justificativa do aluno.


(A) nominal, verbo-nominal, verbal
(B) verbo-nominal, nominal, verbal
(C) verbal, nominal, nominal
(D) nominal, verbal, nomina

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XVII. Período Composto

1. Períodos Compostos por Coordenação


Período Composto por Coordenação é aquele cujas orações não dependem sintaticamente umas das outras porque
possuem estruturas gramaticais independentes.
Exemplos: Gritou com o irmão/ e correu para o quarto.
Descansei,/ fui à praia/ e visitei lugares maravilhosos.

As orações coordenadas podem ser Sindéticas ou Assindéticas. Nas sindéticas é utilizada conjunção coordenativa, enquanto
nas assindéticas, não.
Exemplos: Não coma bolo quente;/ ficará com dores de barriga. (Temos duas orações coordenadas assindéticas)
Vou sair/ e já volto! (Temos uma Oração Coordenada Assindética e uma Oração Coordenada Sindética)

A classificação das orações coordenadas sindéticas é feita de acordo com a conjunção coordenativa que inicia o período, a
saber:

Aditivas: Chegamos à praia e nadamos.


Adversativas: Eles queriam sair, porém estava chovendo.
Alternativas: Ora gosta de vestidos, ora gosta de sapatos.
Conclusivas: São adolescentes, logo irão namorar.
Explicativas: Não saia de casa agora, porque o trânsito estava parado.

2. Períodos Compostos por Subordinação

Período Composto por Subordinação é aquele cujas orações dependem sintaticamente uma da outra para que façam
sentido. É o contrário do que acontece com o período composto por coordenação, em que as orações independem em
termos sintáticos.
Exemplos:
Não saímos porque estava chovendo. (Período Composto por Subordinação Adverbial)
Quero que ele volte! (Período Composto por Subordinação Substantiva)
O aluno que faltou ficou sem grupo. (Período Composto por Subordinação Adjetiva)

O período composto por subordinação é formado pela oração principal (sem conectivo) e pela oração subordinada (com
conectivo). A oração subordinada tem uma função sintática em relação à oração principal e, justamente por esse motivo, é
chamada de subordinada.

Existem 3 tipos de orações subordinadas, as quais são classificadas de acordo com a função que exercem:

Substantivas: função de substantivo.


Adjetivas: função de adjetivo.
Adverbiais: função de advérbio.

2.1 - Orações Subordinadas Adverbiais


As orações subordinadas adverbiais são aquelas que exercem função de advérbio em relação à principal. A classificação
das orações subordinadas adverbiais é feita de acordo com a conjunção coordenativa que inicia o período, a saber:

Causal: Já que está nevando ficaremos em casa.


Comparativa: Maria era mais estudiosa que sua irmã.
Concessiva: Alguns se retiraram da reunião apesar de não terem terminado a exposição.
Condicional: Você fará uma boa prova desde que se esforce.
Conformativa: Realizamos nosso projeto conforme as especificações da biblioteca.
Consecutiva: Gritei tanto, que fiquei sem voz.
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Final: Todos trabalham para que possam vencer.
Temporal: Fico feliz sempre que vou visitar minha mãe.
Proporcional: À medida que o tempo passa, a chuva aumenta.

2.2 - Orações Subordinadas Substantivas


As orações subordinadas substantivas são aquelas que exercem função de substantivo. São introduzidas sempre por uma
conjunção subordinativa integrante e classificadas de acordo com a função sintática exercida na oração principal:
Subjetiva (sujeito): É provável que ela venha jantar.
Predicativa (predicativo do sujeito): Meu desejo era que me dessem um presente.
Completiva Nominal (complemento nominal): Temos necessidade de que nos apoiem.
Objetiva Direta (objeto direto): Nós desejamos que sua vida seja boa.
Objetiva Indireta (objeto indireto): Recordo-me de que tu me amavas.
Apositiva (aposto): Desejo-te uma coisa: que tenhas muita sorte.

2.3. Orações Subordinadas Adjetivas

As orações subordinadas adjetivas exercem a função sintática dos pronomes relativos. Exerce a função sintática de
adjunto adnominal de um termo da oração principal, sendo introduzida por pronome relativo (que, qual/s, como,
quanto/a/s, cujo/a/s, onde). Estes pronomes relativos podem ser precedidos de preposição.
As subordinadas adjetivas dividem-se em restritivas e explicativas.

As restritivas restringem o sentido da oração principal, sendo indispensáveis. Apresentam sentido particularizante do
antecedente.
O professor castigava os alunos que se comportavam mal.

As explicativas tem a função de explicar o sentido da oração principal, sendo dispensável. Apresentam sentido
universalizante do antecedente.
Grande Sertão: Veredas, que foi publicado em 1956, causou muito impacto.

Geralmente, as orações explicativas vêm separadas da oração principal por vírgulas ou travessões.

Os pronomes relativos que introduzem as orações subordinadas adjetivas desempenham funções sintáticas. Para esse
tipo de análise, deve-se substituir o pronome relativo por seu antecedente e proceder a análise como se fosse um período
simples.
O homem, que é um ser racional, aprende com seus erros - sujeito
Os trabalhos que faço me dão prazer - objeto direto
Os filmes a que nos referimos são italianos - objeto indireto
O homem rico que ele era hoje passa por mazelas - predicativo do sujeito
O filme a que fizeram referência foi premiado - complemento nominal

Cujo sempre funciona como adjunto adnominal; onde como adjunto adverbial de lugar; quem sempre se referirá a seres
vivos e como será adjunto adverbial de modo.
O filme cujo artista foi premiado não fez sucesso – adjunto adnominal
O bandido por quem fomos atacados fugiu – agente da passiva
A escola onde estudamos foi demolida – adjunto adverbial
O modo como foi feita a casa denunciava a tragédia – adjunto adverbial de modo

3. Período Composto por Coordenação e Subordinação

Há períodos que são formados por orações coordenadas e por orações subordinadas. Assim, esse período apresenta oração
independente ao mesmo tempo que apresenta oração dependente em termos sintáticos.
Exemplo: Eu estudava e trabalhava enquanto meu pai se divertia.
Eu estudava - oração coordenada assindética
e trabalhava - oração coordenada sindética aditiva

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enquanto meu pai se divertia - oração subordinada adverbial

Logo, estamos diante de um período composto por coordenação e subordinação.

4. Conjunções Aparentemente Equivalentes

4.1 Coordenativa Adversativa ou Subordinativa Concessiva?


As conjunções coordenativas adversativas introduzem um resultado inesperado ligado a uma oração assindética; já as
conjunções subordinativas concessivas introduzem uma ação que, embora se oponha, não impede a execução de uma
outra ação expressa na principal.

Vejamos na prática.
- O homem seguiu seu caminho, embora chovesse muito. Temos uma conjunção subordinativa concessiva. Percebemos que
a ação de chover ocorreu antes de o homem seguir o seu caminho e deveria ser um impeditivo a tal ação, mas não foi.
- Chovia muito, mas o homem seguiu seu caminho. Temos uma conjunção coordenativa adversativa. Percebemos que a ação
de o homem seguir seu caminho ocorreu após a ação de chover, ou seja, o resultado final foi inesperado.

Ambas as conjunções ligam apenas ideias contraditórias entre si. Ou seja, partindo-se de duas ideias que se oponham (João
estudou muito e João tirou nota baixa), temos uma conjunção:
- subordinativa concessiva quando a conjunção recai na ação que deveria impedir a principal, ou seja, na primeira ação:
Embora João estudasse muito, tirou nota baixa.
- coordenativa adversativa quando a conjunção recai na ação que não necessariamente é o resultado da ação anterior, ou
seja, na segunda ação: João estudou muito, mas tirou nota baixa.

4.2 Coordenativa Explicativa ou Subordinativa Causal?


As conjunções coordenativas explicativas introduzem orações que explicam a anterior, ou seja, não são a causa da ação
anterior; já as conjunções subordinativas causais introduzem uma oração que causa a ação anterior.

Vejamos na prática.
- Volte cedo, porque a rua é perigosa. Após orações sem conectivos feitas com verbos no imperativo, sempre teremos
conjunção coordenativa explicativa, e não subordinativa causal.
- Choveu muito, porque a rua está alagada. Temos uma conjunção coordenativa explicativa. Percebemos que o fato de a
rua estar alagada não causou a ação de chover muito, ou seja, classificamos
- A rua está alagada, porque choveu muito. Temos uma conjunção subordinativa causal. Percebemos que o fato de a rua
estar alagada foi claramente causado pela ação de chover muito.

Outros exemplos:
- Não almoço, porque não tenho fome. (Causal)
- O Manuel tem dinheiro, porque comprou um carro novo. (Explicativa)
- O Vítor domina o vocabulário, visto que lê muito. (Causal)
- Sobe, que te quero mostrar uns livros. (Explicativa)
- Aplaudiram o orador, pois o discurso foi brilhante. (Causal)
- O discurso foi brilhante, pois aplaudiram o orador. (Explicativa)

5. Orações Subordinadas Reduzidas

As subordinadas reduzidas apresentam duas características básicas:


 Não é introduzida por conectivos, mas equivale a uma oração desenvolvida;
 Apresenta verbo numa das três formas nominais.

Não é a falta de conectivo que determina a existência de uma oração reduzida, e sim a forma nominal do verbo.
Classificam-se em reduzida de particípio, gerúndio ou infinitivo, em função da forma verbal que apresentam.

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As reduzidas de infinitivo podem vir ou não precedidas de preposição e, geralmente, são substantivas ou adverbiais,
raramente adjetivas. As orações adverbiais, em geral, vêm precedidas de preposição. Entretanto, as proporcionais e as
comparativas são sempre desenvolvidas.

Algumas orações reduzidas de infinitivo merecem atenção: vem depois dos verbos deixar, mandar, fazer, ver, ouvir,
olhar, sentir e outros verbos causativos e sensitivos. Deixei-os fugir (= que eles fugissem) - orações subordinada substantiva
objetiva direta. Este é o único caso em que o pronome oblíquo exerce função sintática de sujeito (caso de sujeito de
infinitivo).

As reduzidas de gerúndio são geralmente adverbial, raramente adjetiva e coordenada aditiva. A maioria das reduzidas
adverbiais são temporais. Não há consecutiva, comparativa e final reduzida de gerúndio.

A reduzida de particípio, geralmente adjetiva ou adverbial, também sendo mais comuns as temporais. Eventualmente,
uma oração coordenada pode vir como reduzida de gerúndio.

EXERCÍCIOS

01. (2018 - EEAR) Assinale a alternativa em que a oração em destaque é subordinada substantiva objetiva indireta.
(A) Aqui ninguém se opõe a que se conheça o sistema.
(B) Seu medo era que morresse na data da festa.
(C) Nunca se sabe quem está contra nós.
(D) Perguntei-lhe quando voltaria.

02. (2018 - EEAR) Marque a alternativa incorreta quanto à classificação das orações coordenadas sindéticas destacadas.
(A) Fabiano não só foi o melhor, mas também foi o mais votado. (aditiva)
(B) Apresente seus argumentos ou ficará sem chance de defesa. (conclusiva)
(C) Estude muito, pois a prova de conhecimentos específicos estará bem difícil. (explicativa)
(D) Ela era a mais bem preparada candidata, mas a vaga de emprego foi destinada a sua amiga. (adversativa)

03. (2018 - EEAR) Assinale a alternativa que não apresenta a correta classificação da oração subordinada.
(A) Peço que desistas. (Oração Subordinada Substantiva)
(B) O coração batia forte porque tinha medo. (Oração Subordinada Adverbial)
(C) Era esta a verdade que ninguém contestou. (Oração Subordinada Adverbial)
(D) Pessoa que mente não merece reconhecimento. (Oração Subordinada Adjetiva)

04. (2018 - EEAR) "Pensativo, caminhava pela estrada da vida, que é pedregosa e a cada instante se recria”. Com relação à
oração adjetiva destacada, assinale a alternativa correta.
(A) Esta oração é adjetiva explicativa e, neste caso, apresenta-se coordenada.
(B) Esta oração é adjetiva restritiva e está precedida de pronome relativo [que].
(C) A oração destacada é explicativa, limita a significação do termo antecedente [estrada da vida].
(D) É uma oração adjetiva restritiva, sendo indispensável ao sentido da frase [caminhava pela estrada da vida].

05. (2017 - EsPCEx) Assinale a alternativa em que a oração sublinhada é subordinada substantiva predicativa:
(A) A comida é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno.
(B) Ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade.
(C) Se o indivíduo não comprovar que está totalmente reabilitado, a pena será prorrogada.
(D) A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao brasileiro é que ele é pautado na reabilitação.
(E) Uma sinistra cultura de que bandido bom é bandido morto.

06. (2017 - EEAR) Assinale a alternativa em que há oração coordenada sindética conclusiva.
(A) Não grite, pois estamos em um velório.
(B) Apronte-se logo, pois estamos em cima da hora.
(C) Eles trabalham demais; merecem, pois, descanso.
(D) Façam silêncio, por favor, pois estamos em um velório.

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07. (2017 - EEAR) Segundo uma pesquisa recente da Unicamp, três das principais rodovias que dão acesso à cidade de
Campinas estão com o solo contaminado por materiais potencialmente tóxicos, como cromo e chumbo.
A oração subordinada destacada no texto acima classifica-se como
(A) substantiva completiva nominal.
(B) substantiva apositiva.
(C) adverbial causal.
(D) adjetiva restritiva.
(E) adjetiva explicativa

08. (2017 - EEAR) Quanto à classificação das orações subordinadas substantivas, relacione as colunas. Em seguida, assinale
a alternativa com a sequência correta.
1 - objetiva direta 2 - completiva nominal 3 - subjetiva
( ) Todos sabem onde ocorreu o desastre.
( ) Sabe-se que o preço da cesta básica aumentará em 2017.
( ) Durante a noite, Riobaldo teve a sensação de que alguém o fitava.
( ) Convém que conheçamos o plano de governo do futuro prefeito.
(A) 1 - 3 - 2 - 3
(B) 2 - 2 - 1 - 3
(C) 1 - 3 - 2 - 1
(D) 3 - 2 - 1 - 1

09. (2016 - EEAR) Marque a opção que apresenta explicação correta quanto ao sentido da oração subordinada.
(A) Descrevi os meninos da festa de São João como os observei. (comparação)
(B) Por mais que clamasse por ajuda, ninguém me ajudou. (concessão)
(C) Se soubesse a verdade, não agiria assim. (consequência)
(D) A situação é tal qual você mencionou. (condição)

10. (2016 - EEAR) Assinale a alternativa em que a oração em destaque é subordinada substantiva objetiva direta.
(A) A noiva exigia que todos os convidados estivessem presentes na cerimônia.
(B) Seu receio era que ela desistisse de sonhar.
(C) Lembre-se de que o futuro depende de você.
(D) Só desejo isto: que sejam coerentes nas decisões.

11. (2016 - EsSA) Em todas as alternativas, há Orações Subordinadas Adverbiais, exceto:


(A) Estude bastante, porque amanhã haverá uma prova.
(B) Estudou tanto que teve um ótimo desempenho na prova.
(C) Você terá um excelente desempenho desde que estude.
(D) Os alunos realizaram a prova assim que chegaram na escola.
(E) Não compareceu à aula ontem porque viajou.

12. (2016 - EsPCEx) Em “A velha disse-lhe que descansasse”, do conto Noite de Almirante, de Machado de Assis, a oração
grifada é uma subordinada
(A) substantiva objetiva indireta.
(B) adverbial final.
(C) adverbial conformativa.
(D) adjetiva restritiva.
(E) substantiva objetiva direta.

13. (2015 - EEAR) Marque a alternativa que contenha oração subordinada de mesma classificação da oração subordinada
presente na frase a seguir: A solução é que você desista logo.
(A) Que ele volte é bom.
(B) A única alternativa era que ele voltasse para casa.
(C) Não me esqueço de que fiz muito bem para você.
(D) Não imaginava que isso causaria tanto problema em nossa relação.

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14. (2015 - EsFCEx) Em “Ainda que os preços aumentem exponencialmente durante o ano, a inflação não crescerá no mesmo
ritmo de décadas atrás", temos uma:
(A) oração subordinada consecutiva.
(B) oração subordinada causal.
(C) oração subordinada conformativa.
(D) oração subordinada condicional.
(E) oração subordinada concessiva.

15. (2014 - EsPCEx) “Chovesse ou fizesse sol, o Major não faltava.” Assinale a alternativa que apresenta a oração subordinada
com a mesma ideia das orações grifadas acima.
(A) Você não sairá sem antes me avisar
(B) Aprendeu a ler sem ter frequentado escola.
(C) Retirei-me discretamente, sem ser percebido.
(D) Não podia fitá-lo sem que risse.
(E) Aqui viverás em paz, sem ser incomodado

XVIII. CONCORDÂNCIA VERBAL


Regra geral: O verbo concorda em número e grau com o seu sujeito, venha ele claro ou subentendido.
Ex: André resolveu o caso.
Nada sou, nada posso, nada sigo.

1) Sujeito Composto leva o verbo para o plural.


Ex: Pablo e Thiago foram à festa.
Eu e ele dividimos o mesmo quarto.
Tu e ele dividireis o mesmo quarto.

Obs.: Se o verbo vier antes do sujeito, pode haver a concordância atrativa.


Ex: Seguiam pela estrada o homem e seu filho. (concordância gramatical)
Seguia pela estrada o homem e seu filho. (concordância atrativa)

2) Expressões partitivas como: parte de, uma porção de, o grosso de, o resto
de, metade de e equivalentes, o verbo poder+a ir para o singular ou plural.
Ex: A maioria das pessoas correram. (ou correu)
A maioria correu.

3) Expressões perto de, cerca de, mais de e menos de levam o verbo a concordar com o numeral.
Ex: Perto de cem pessoas o aplaudiram.
Mais de um sujeito correu na salvação do pescoço-pelado.

Obs: Mais de um levará o sujeito para o plural apenas quando houver idéia de reciprocidade, ou aparecer repetida.

Ex: Mais de uma mulher desmaiou


Mais de um orador se criticaram
Mais de um aluno, mais de um professor participaram.

4) Pronome QUE leva o verbo a concordar com o antecedente. (p.514)


Ex: Não fui eu que falei.
És tu que vais acompanhá-lo

5) Um dos que leva o sujeito para 3° do plural ou 3° do singular.


Ex: Era uma das que mais faltava.
Era uma das que mais faltavam.

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6) Pronome relativo QUEM leva o verbo à 3° pessoa do singular ou a concordar com o seu antecedente.
Ex: Fui eu quem errou
Fui eu quem errei

7) Sujeito formado por pronome interrogativo ou indefinido seguidos de (dentre nós ou vós) o verbo pode ficar na 3° do
plural ou concordar com o pronome pessoal.
Ex: Qual de nós receberá o prêmio?

Obs: Se o pronome estiver no plural, a concordância pode ser também com o pronome pessoal.
Ex: Quais de nós voltaremos?
Quais de vós voltarão?

8) Quando o substantivo é um nome próprio usado com artigo plural, a concordância se faz com o artigo.
Ex: Alegrias de Nossa Senhora tem a sua história.
Os Estados Unidos assinaram o tratado.

9) Concordância do verbo SER


- Se o sujeito é representado pelos pronomes interrogativos quem ou que, o verbo ser concorda com o predicativo.
Ex: Quem eram os pretendentes ao cargo?
Que são as tristezas da vida?

10) Sujeito formado por o, tudo, nada, isto, isso, aquilo: o verbo ser concorda com o sujeito ou com o predicativo.
Ex: Tudo são flores
Tudo é flores

11) Verbo Ser indicando horas ou data, concorda com o numeral.


Ex: São duas horas
É uma hora e vinte.
Obs.: com a palavra dia, fica no singular
Hoje é dia vinte.

DICA: Se o sujeito for nome de pessoa ou pronome pessoal, o verbo não concordará com o predicativo. Se o predicativo
for parte do corpo, haverá duas possibilidades.
Ex: Ovídio é muitos poetas ao mesmo tempo, e todos excelentes.
Eu era olhos e coração.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos claros à boca.

12) Dar, Bater Tocar e Soar, em relação a horas, concordam com o numeral. (p. 521)
Ex: Já deram três horas
Bateram doze horas no relógio

Obs.: Quando há o sujeito relógio (ou sino, sineta, etc.), o verbo naturalmente concorda com ele:
Ex: O sino da Matriz bateu seis horas
O relógio de uma das igrejas bateu duas horas.

13) O verbo ser é invariável em expressões numéricas que indiquem a totalidade do tipo é o preço, é muito, é pouco, é
suficiente, é a distância.
Ex: Dez contos?! Não será demais?
Cem reais é pouco.
Trinta quilômetros é a distância.

14) Sujeitos sinônimos ou em gradação levam o verbo para o singular


Ex: A conciliação, a harmonia entre uns e outros é possível
Um olhar, uma carícia, um beijo era suficiente

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A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra provoca ora risadas, ora castigos.

15) Infinitivos sujeito, verbo no singular. (pp. 524 e 525)


Ex.: Olhar e ver era para mim um recurso de defesa.
Fazer e escrever é a mesma coisa.

Mas o verbo pode ir para o plural quando os infinitivos exprimem ideias nitidamente contrárias.
Em sua vida se alternam rir e chorar.

16) Sujeitos representantes da mesma pessoa ou coisa, verbo singular


Ex.: A Ideia, o sumo Bem, o Verbo, a Essência só se revela aos homens e às nações no céu incorruptível da consciência.

17) Sujeito ligados por OU ou por NEM


Para o plural, se o fato expresso pelo verbo pode ser atribuído a todos os sujeitos:
Ex.: O mal ou o bem dali teriam de vir.
Mãe ou pai são os responsáveis pelos filhos.

Para o singular, se o fato expresso pelo verbo só pode ser atribuído a um dos sujeitos, isto é, se há ideia alternativa.
Ex.: Fui devagar, mas o pé ou o espelho traiu-me.
Nem tormenta nem tormento nos poderia parar.

18) Um ou outro e nem um nem outro usados como pronomes substantivos ou pronomes adjetivos pedem o verbo no
singular.
Ex: Só um ou outro menino usava sapatos.
Nem um nem outro havia idealizado previamente este contato.

Obs.: Quando a expressão nem um nem outro se emprega como pronome substantivo não é raro o verbo ir para o plural.
Ex: Nem um nem outro desejavam questionar.

19) Um e outro verbo no plural ou singular.


Ex: Um e outro esportista vencerá
Um e outro esportista vencerão

20) Sujeitos ligados pela conjunção COM.


Verbo no plural quando os sujeitos estão em pé de igualdade praticando juntos a ação verbal. Temos a conjunção com
valor de “E”
Ex: O mestre com o boleeiro fizeram a emenda.

Verbo concorda com o primeiro, quando se pretende realçá-lo em detrimento do segundo (o segundo é reduzido à
condição de adjunto adverbial de companhia).
Ex: A viúva, com o resto da família, mudara-se para Vila Isabel.

21) Sujeitos ligados por conjunção comparativa.


Singular, se quisermos destacar o primeiro – note a separação por vírgula; ou plural, se considerarmos termos que se
adicionam.
Ex: O dólar, como a girafa, não existe.
É inútil acrescentar que tanto ele como eu esperamos que você nos dê sempre notícias.

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XIX. CONCORDÂNCIA NOMINAL
1) Quando o adjetivo se referir a um só nome, o substantivo concorda com ele em gênero e número.
Ex.: Boa árvore não dá maus frutos.

2) Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos do mesmo gênero e no singular e vier posposto, toma o gênero
deles e vai facultativamente, para o singular ou plural.
Ex.: Disciplina, ação e coragem digna ou dignas.
Observação: Adjetivo anteposto ao substantivo concorda com o mais próximo.
Ex.: Sinto eterno amor e gratidão.

3) Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e no singular e vier posposto, poderá ir
para o masculino plural ou concordar com o mais próximo.
Ex.: Escolhestes lugar e hora maus.
Escolheste lugar e hora má.

4) Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e no plural e vier posposto, tomará o
plural masculino ou concordará com o mais próximo.
Ex.: Rapazes e moças estudiosos ou estudiosas.
Primos, primas e irmãos educadíssimos.

5) Pode o adjetivo ainda concordar com o mais próximo quando os substantivos são ou podem ser considerados sinônimos.
Ex.: Gratidão e reconhecimento profundo ou profundos.

6) Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo, ocorrem dois tipos de
concordância.
Ex.: Estudo as línguas inglesa e francesa.
Estudo a língua inglesa e a francesa.

7) As palavras “mesmo”, “próprio” e “só” (quando equivale a sozinho) concordam em gênero e número com a palavra a que
se referem. A palavra “só”, quando equivale a “somente”, é advérbio e invariável.

Ex.: Ela mesma me avisou. Nós não ficamos sós.


Elas mesmas organizaram a festa. Só eles não concordaram.
Vocês próprios me trouxeram a notícia.

Observação: A expressão “a sós” é invariável.


Ex.: Gostaria de ficar a sós por uns momentos.

8) As palavras “anexo”, “incluso”, “junto”, “bastante” e “nenhum” concordam com os substantivos a que se referem.

Ex.: Segue anexa a cópia do documento. Bastantes pessoas ignoram esse plural.
Vão inclusos os requerimentos. Homens nenhuns, nenhumas causas.
Seguem juntas as notas.

Observação: As palavras “alerta”, “menos” e “em anexo” são sempre invariáveis.

Ex.: Estamos alerta.


Há situações menos complicadas.
Há menos pessoas no local.
Seguem, em anexo, as fotografias.

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9) As palavras “meio” e “meia”, como adjetivo, concordam em gênero e número com o substantivo que modificam, mas,
como advérbio, “meio” permanece invariável.

Ex.: Quero meio quilo de café. Ela sentia-se meio cansada.


Só usei meia laranja. Elas pareciam meio tontas.

Observação: Estão nesse caso palavras como pouco, muito, bastante, barato, caro, longe.

10) As palavras “dado” e “visto” e qualquer outro particípio concordam com o substantivo a que se referem.

Ex.: Dados os conhecimentos...


Dadas as condições...
Vistas as dificuldades...

11) As expressões “um e outro” e “nem um nem outro” são seguidas de um substantivo singular.

Ex.: Aprovei um e outro ato.


Uma e outra coisa duraram.

Observação: Quando “um e outro” for seguido de adjetivo, o substantivo fica no singular e o adjetivo vai para o plural.

Ex.: Uma e outra parede sujas.


Um e outro lado escuros.

12) A palavra “possível” em “o mais ... possível”, “o pior ... possível”, “o melhor ... possível”, mantém-se invariável; porém
com o plural “os mais”, “os menos”, “os piores”, “os melhores”, a palavra “possível” vai para o plural.

Ex.: Praias o mais tentadoras possível.


Praias as mais tentadoras possíveis.

13) A palavra “obrigado” concorda com o nome a que se refere.

Ex.: A moça disse muito obrigada e sorriu.


O rapaz disse muito obrigado, mas saiu andando.

14) Verbo SER mais adjetivo


Nos predicados nominais em que ocorre o verbo ser mais um adjetivo, formando expressões do tipo é bom, é claro, é
evidente etc., há duas construções:

a) Se o sujeito não vem precedido de nenhum modificador, o adjetivo fica invariável.


Ex.: Cerveja é bom.
É proibido entrada.

b) Se o sujeito vem precedido de modificador, flexiona-se o adjetivo.


Ex.: A cerveja é boa.
É proibida a entrada.

15) Concordância do Adjetivo com o Predicativo


a) O predicativo do sujeito concorda com o sujeito em número e gênero.
Ex.: As crianças estavam tristonhas.

b) O predicativo do objeto, se o objeto direto for simples, o adjetivo predicativo concorda em gênero e número com o
objeto; se o objeto for composto, o adjetivo predicativo deverá flexionar-se no plural e no gênero do objeto.

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Ex.: Trouxeram-na desmaiada.
A justiça declarou criminosas a atriz e suas amigas.

16) Dois ou mais numerais ordinais precedidos de artigo determinando o substantivo, este ficará no singular ou no plural;
mas se apenas o primeiro vier com artigo, o substantivo irá para o plural.
Ex.: Já estudei a primeira e a segunda série ou séries do 1º. grau.
Já estudei a primeira e segunda séries do 1º. grau.

EXERCÍCIOS

01. (2018 - EEAR) Em relação à concordância nominal, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
lacunas.
I - — ______, diziam as moças, em uníssono, para o professor de português, após a aprovação no certame.
II - São ______ a fome e o desprezo.
III - É _____ paciência com candidatos recursivos.
(A) obrigadas – vergonhosos – necessário
(B) obrigado – vergonhosos – necessária
(C) obrigado – vergonhoso – necessário
(D) obrigada – vergonhosa – necessária

02. (2018 - EEAR) Assinale a frase com erro de concordância verbal:


(A) Que me importavam as questões complexas e extensas?
(B) Nem a mentira nem o dinheiro o aproximaram de seu pai.
(C) Não faltará, para a festa de Ana, pessoas que gostem dela.
(D) Proibiu-se a venda direta e lojas de produtos importados na movimentada avenida.

03. (2017 - EsPCEx) Assinale a alternativa em que o emprego do verbo "haver" está correto.
(A) Haverá nove dias que ela visitou os pais.
(B) Brigavam à toa, sem que houvessem motivos.
(C) Criaturas infalíveis nunca houve nem haverão.
(D) Não ligue, caso hajam desavenças entre vocês.
(E) Morávamos ali há quase cinco anos.

04. (2017 - COLÉGIO NAVAL) A concordância do termo destacado em “Um casal de meia idade se senta à mesa vizinha da
minha.” (1°§) está de acordo com a norma-padrão da língua. Em que opção tal fato também ocorre?
(A) Não é permitida conversa pelo celular neste restaurante.
(B) A mulher ficou meia chateada, pois o marido não parava de usar o celular.
(C) Há bastantes pessoas que usam o WhatsApp no Brasil.
(D) Seguem anexas às mensagens meu perfil no aplicativo.
(E) Só, sem qualquer amigo mais próximo, muitas pessoas se refugiam no mundo virtual.

05. (2017 - COLÉGIO NAVAL) No que se refere à concordância verbal, observe as frases abaixo.
I- Espera-se muitas novidades no campo da informática educacional este ano.
II- Em todos os países, faz-se muitas promessas aos fabricantes de mídias digitais.
III- Choveram reclamações sobre o novo celular disponibilizado nas lojas do ramo.
IV- Houveram-se muito bem os expositores da Feira de Tecnologia no Anhembi.

Assinale a opção correta.


(A) Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
(B) Apenas as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
(C) Apenas as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
(D) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
(E) Apenas as afirmativas III e IV são verdadeiras.

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06. (2017 - ESCOLA NAVAL) Ao discutir a questão sobre “quem é o dono do livro", no texto, o verbo ser fica em evidência.
Assinale a opção em que a concordância da forma verbal destacada está correta, de acordo com a norma-padrão.
(A) Quem seria os donos deste livro?
(B) O que há de bom neste livro é as histórias.
(C) O mais é discussões infundadas sobre o autor.
(D) Tudo é leituras, para quaisquer tipos de textos.
(E) A leitura de três livros, em um dia... não serão demais?!

07. (2017 - CFN) No trecho “Deu com a porta da rua aberta (...)” - linhas 24 e 25 – a concordância nominal foi estabelecida
corretamente. Assinale a única alternativa que também está correta.
(A) É meio dia e meio.
(B) Ela está meia cansada.
(C) Vitamina é boa para a saúde.
(D) Remeto-lhe anexas as certidões.
(E) Juliana comprou duzentas gramas de queijo.

08. (2017 - CIAAR) Qual alternativa justifica o emprego correto da modalidade de concordância nominal?
(A) Os milhares de pessoas sinalizam o êxodo europeu.
(B) Era meio-dia e meio quando o sino tocou tristemente.
(C) Dada as exigências, saíram imediatamente do recinto.
(D) Nem um nem outro merecem ser aprovados no certame.

09. (2017 - EEAR) Todas as alternativas completam a frase seguinte com concordância nominal correta, exceto uma.
Assinale-a.
A casa situava-se numa região cujo clima era bastante saudável. Nessa região, havia
(A) belo bosque e montanha.
(B) belos montanha e bosque.
(C) bela montanha e bosque.
(D) belas montanhas e bosques.

10. (2017 - EAM) Em que opção empregou-se a correta concordância nominal?


(A) Bastantes pessoas dão prioridade ao trabalho, abandonando o lazer.
(B) A dentista, toda dedicada, atendeu, prontamente, a criança choroso.
(C) É proibido aos navais a prática de jogos de azar, sob qualquer motivo.
(D) Todos os Cabos da guarda permanecerão, o tempo inteiro, alertas ao perigo.
(E) Aquela senhora disse um gentil obrigado ao jovem que a socorreu.

11. (2016 - EEAR) Em relação à concordância nominal, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
lacunas.
I- Seguem _____ as faturas do empréstimo imobiliário.
II- Para conquistar os objetivos, é _____ paciência.
III- É _____ a entrada de estranhos no recinto.
(A) inclusas – necessário – proibida
(B) inclusos – necessária – proibido
(C) inclusas – necessária – proibida
(D) inclusos – necessário – proibido

12. (2016 - EsSA) Assinale a alternativa em que a concordância foi efetuada conforme a norma padrão.
(A) Devem haver outras formas de executar a missão.
(B) Queria voltar a estudar, mas faltava-lhe recursos.
(C) Não se admitirá exceções.
(D) Basta-lhe duas ou três oportunidades para vencer.
(E) Fazia dez anos que ele não vinha a São Paulo.

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13. (2016 - 2º DN) Em que opção a frase está de acordo com a norma padrão?
(A) As provas e os processos vão anexo. (D) As provas e os processos vão em anexas.
(B) As provas e os processos vão anexa. (E) As provas e os processos vão em anexa.
(C) As provas e os processos vão em anexo.

14. (2016 - 2º DN) Tendo em vista a norma padrão, assinale a opção em que a concordância verbal está correta.
(A) Existiram uma espécie rara de animal marinho. (D) Existia várias outras formas de punição.
(B) Existiu grandes heróis no passado. (E) Existem bons exemplos de comportamento.
(C) Existe algumas pessoas esperando no cais.

15. (2016 - EEAR) Assinale a alternativa em que a concordância nominal está incorreta.
(A) No jardim encantado de Branca de Neve, havia perfumado lírio e rosa.
(B) No jardim encantado de Branca de Neve, havia rosa e lírio perfumados.
(C) No jardim encantado de Branca de Neve, havia perfumados lírio e rosa.
(D) No jardim encantado de Branca de Neve, havia lírio e rosa perfumada.

16. (2015 - Quadro Técnico) Em "Outra disse que tinha três filhos, faziam provas no mesmo dia, como prepará-los de uma
só vez?" (8°§) , o termo destacado está relacionado ao referente, três filhos, por um processo de
(A) colocação pronominal. (D) concordância verbal.
(B) regência nominal. (E) regência verbo-nominal.
(C) concordância nominal.

17. (2015 - CFN) Considere esta frase: “Depende da hora que você toma." A forma verbal “toma" está no singular, pois
concorda com o sujeito que também está no singular. Assinale a frase em que há um erro de concordância verbal
exatamente por NÃO respeitar essa relação.
(A) Mais de um aluno apresentaram nota baixa no último trimestre.
(B) Os Estados Unidos ficam na América do Norte.
(C) Um ou outro poderá sair de férias.
(D) Há dias em que nada faz sentido.
(E) A maioria concorda com o novo acordo.

18. (2015 - FAB) Em relação à concordância dos verbos em destaque nas frases abaixo, coloque, nos parênteses, C para
certo e E para errado. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Hoje acontece, em nosso planeta, muitos desastres naturais.
( ) Ele chegou quando soou, no relógio da igreja, quatro horas da manhã.
( ) Tu e ele permitireis que isso continue acontecendo?
(A) E, E, C (C) E, C, C
(B) C, C, E (D) C, E, E

19. (2014 - EEAR) Os dias estão ______ quentes.


Jean está ____ com o serviço militar.
Essa pimenta não é ______ para temperar peixe.
Depois de cair da escada, a mulher ficou _____ tonta.
(A) bastante – quite – boa – meio (C) bastantes – quites – boa – meio
(B) bastante – quite – bom – meia (D) bastantes – quites – bom – meia

20. (2013 - EsFCEx) A diretora está preocupada com o prédio da sede da empresa. Ela acha __________ uma reforma, pois
__________ haver problemas com o teto após as tempestades da semana passada. Durante a reforma, será __________ a
circulação de funcionários no prédio.
(A) necessária - devem - proibido. (D) necessária - deve - proibida.
(B) necessário - deve - proibido. (E) necessário - devem - proibida.
(C) necessária - devem - proibida.

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XX. REGÊNCIA NOMINAL
Regência Nominal é o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos
por esse nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar
em conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o dos nomes cognatos. Por exemplo, podemos observar o verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos com a preposição "a". Veja: Obedecer a algo/ a alguém. Obediente
a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem.

Substantivos:
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos:
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios:
Longe de Perto de

Obs.: Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

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XXI. REGÊNCIA VERBAL
Regência Verbal é a relação entre o verbo (termo regente) e o seu complemento (termo regido), orientada pela
transitividade dos verbos, os quais podem ser diretos ou indiretos. Exigindo, portanto, um complemento na forma de objeto
direto ou indireto.

1. ASPIRAR
a) VTD = sorver, respirar  Gosto de aspirar o ar puro do campo.
b) VTI (prep. A) = desejar, almejar  O escriturário aspira ao cargo de gerente.

2. ASSISTIR
a) VTI (A) = ver, presenciar  Vou assistir ao jogo.
b) VTD = socorrer, ajudar  O médico assistiu o enfermo.
c) VTI (A) = caber, ter direito  Não assiste ao professor reclamar tanto.
d) VI (EM) = morar, residir  Ele assiste no Rio de Janeiro.

3. CHAMAR
a) VTD = convocar, solicitar a presença  Chamei o jovem à minha presença.
b) VTI (POR) = invocar, pedir ajuda  Chamei por Deus.
c) VTD ou VTI = qualificar, nomear, apelidar  Chamei-o patriota (de patriota) // Chamei-lhe patriota (de patriota).

4. CUSTAR
a) VTI (sempre na 3ª pessoa) = ser difícil, ser penoso  Custou-me (a) entender este assunto.
b) VTDI = acarretar  A imprudência custou-lhe lágrimas amargas.
c) VI = estabelecer preço  Este rádio custou vinte reais.

5. ESQUECER/LEMBRAR
a) VTD  Esqueceu o livro.
b) VTI (DE) = verbo pronominal  Esqueceu-se do livro.
c) VTI = a coisa esquecida torna-se sujeito, e a pessoa torna-se objeto indireto  Esqueceu-me o livro.

6. IMPLICAR
a) VTD = acarretar, trazer consequência  Teu nervosismo implicou a tua reprovação.
b) VTI (COM) = antipatizar  Ela implica muito com o seu irmão.
c) VTD e VI com a preposição EM, quando significar envolver alguém  Implicou o advogado em negócios ilícitos.

7. INFORMAR/AVISAR/CIENTIFICAR/NOTIFICAR
a) VTDI  Informei a prova ao aluno. // Informei o aluno da prova.

8. IR/CHEGAR (verbos dinâmicos, de movimento)


a) VI (não admitem prep. EM com ADV. LUGAR)  Vou à praia. // Cheguei ao Brasil. (certo)
Vou na praia. // Cheguei no Brasil. (errado)
b) VTI (admitem prep. A como OI)  Vou ao ponto principal da questão. // Cheguei a uma conclusão. (certo)

9. PAGAR/PERDOAR/AGRADECER/OFERECER/DAR/ DOAR/ENTREGAR
VTD = coisa // VTI (A) = pessoa  Paguei a dívida ao credor. // Perdoou a dívida ao devedor

10. PREFERIR
a) VTDI (A)  Prefiro cinema a televisão. (certo) // Prefiro o cinema à televisão. (certo) // Prefiro mais cinema do que
televisão. (errado)

100
11. PROCEDER
a) VTI (A) = dar início, realizar  O chefe procedeu à reunião.
b) VI (DE) = originar-se, provir  O trem procedia de São Lourenço.
c) VI (sem prep.) = comportar-se  Zezinho não procedeu como devia.
d) VI (sem prep.) = ter fundamento  Tal atitude não procede neste recinto.

12. QUERER
a) VTD = querer, desejar  O bebê queria a chupeta.
b) VTI (A) = estimar, gostar  Quero muito a meu irmão.

13. RESPONDER
a) VTDI (A) = coisa e pessoa  Respondi o telegrama ao amigo.
b) VTI (A) = pessoa  Respondi ao meu pai.
c) VTI (A) = com relação à pergunta  Ele respondeu às próprias perguntas.
d) VTD = com relação ao que foi respondido  Ele respondeu que não iria à praia.

14. VISAR
a) VTD = mirar, ver  O caçador visou o tigre.
b) VTD = rubricar, dar visto  O gerente visou o cheque.
c) VTI = almejar, ter como objetivo  Visamos ao bom ensino da linguagem.

15. MORAR/RESIDIR/SITUAR
a) VI (EM)  Ela reside na rua Dr. Nilo Peçanha. (certo).
Ela reside à rua Dr. Nilo Peçanha. (errado)

16. NAMORAR
a) VTD  Namorei a gerente. (certo) // Namorei com a gerente (errado)

17. CRER/ACREDITAR/PENSAR
a) VTI (EM)  Creio em você. // Acredito em você. // Penso em você.
b) VTD = objeto direto oracional  Creio que seremos aprovados. // Acredito que seremos aprovados. // Penso que
seremos aprovados.

18. PISAR
a) VTD  Pisei a grama. (certo) // Pisei na grama. (errado).

19. OBEDECER/DESOBEDECER
a) VTI (A)  Obedeço a meu pai. // Desobedeço a meu pai.

20. VERBOS COM REGÊNCIAS DIFERENTES (PARALELISMO)


a) Li e gostei do livro. (errado) // Li o livro e gostei dele. (certo)
Sentei e caí da cadeira. (errado) // Sentei na cadeira e dela caí. (certo)

* São estes os principais verbos que, quando TI, não aceitam LHE/LHES como complemento, estando em seu lugar
preposição e pronome ele (a/s) - aspirar, visar, assistir (ver), aludir, referir-se, anuir , gostar, confiar (creditar) e preferir.

* Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, lembrar, noticiar, notificar, prevenir são TD e I, admitindo duas
construções: Quem informa, informa algo a alguém ou Quem informa, informa alguém de algo.

* Segundo Pasquale Cipro-Neto e Ulysses Infante, seguem verbos que podem ser usados como TD ou TI, sem alteração de
sentido: abdicar (de), acreditar (em), almejar (por), ansiar (por), anteceder (a), atender (a), atentar (em, para), cogitar (de,
em), consentir (em), deparar (com), desdenhar (de), gozar (de), necessitar (de), preceder (a), precisar (de), presidir (a),
renunciar (a), satisfazer (a), versar (sobre).

101
EXERCÍCIOS

01. (2017 - EEAR) E lá estão elas novamente, as quatro cachorrinhas amáveis. Rose, a mais serelepe, sempre chama as outras
para brincar. Ruth, latindo desaforos, prefere uma boa corrida pelo gramado ao marasmo de um sono tranquilo. Ciça, no
aconchego próprio da idade que avança, obedece o chamado de sua caminha e lá se vai deitar com o olhar lânguido da
indiferença. Já Vilma é mais pacata e aspira ao sossego das tardes quentes com que o verão nos presenteia.
Está com a regência verbal incorreta o verbo referente a
(A) Rose.
(B) Ruth.
(C) Ciça.
(D) Vilma.

02. (2017 - EEAR) Conforme a norma culta, coloque C para as frases corretas e E para as erradas quanto à regência nominal
e verbal dos termos destacados. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) O professor residia à Rua dos Ipês.
( ) A lírica pós-moderna não é acessível de todos.
( ) O projeto de que éramos favoráveis não foi discutido durante a reunião.
( ) Aquele colega de trabalho ansiava-lhe. Já não aguentava mais tanta angústia.
(A) C - E - C - E
(B) C - C - E - C
(C) E - E - E - E
(D) E - E - C - C

03. (2016 - EEAR) Este é um lugar .......


(A) de que muito ouvi elogiar.
(B) cuja beleza me encanta.
(C) cuja natureza eu sou fascinado.
(D) por que sempre nos referimos em nossas conversas.

04. (2015 - FAB) A regência verbal não está de acordo com a norma culta em qual alternativa?
(A) O lugar ao qual ela mais apreciava era a praia.
(B) Gerência e supervisão são funções a que eu não aspiro.
(C) Preferi suas sinceras críticas àquele falso elogio do chefe.
(D) O professor assistiu, com entusiasmo, à videoconferência.

05. (2014 - EEAR) Assinale a alternativa em que a regência verbal não está de acordo com a norma culta.
(A) Esqueci-me completamente do nome de sua esposa.
(B) Lembrei-me de você na semana passada.
(C) Lembrei que tudo na vida é passageiro.
(D) Esqueci do dia da sua formatura.

06. (2014 - EEAR) Em relação à regência das palavras destacadas, assinale a alternativa incorreta.
(A) O prejuízo causado pelos incêndios desse ano foi análogo ao do ano passado.
(B) Estávamos ansiosos a emoções novas que fizessem estremecer o coração.
(C) O médico foi atencioso para com o paciente.
(D) O professor era solidário com os alunos.

07. (2013 - EEAR) Em sua carreira profissional, o sargento da FAB deve aspirar ___ um padrão de qualidade em tudo que
faz. Trabalhos malfeitos podem implicar ___ consequências graves. Por isso, sempre que chegar ___ seu setor de trabalho,
proceda ___ ofícios de forma idônea.
(A) a – Ø – a – aos
(B) Ø – em – a – os
(C) a – em – em – os
(D) Ø – Ø – em – aos

102
08. (2013 - EEAR) Observe:
I. Os alunos obedeceram o professor sem contestações.
II. O bairro em que chegamos fica afastado.
III. Ele me lembrou de minhas obrigações.

De acordo com a norma culta, a regência verbal está correta em


(A) III apenas.
(B) II apenas.
(C) I apenas.
(D) I, II e III.

09. (2012-EEAR) Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta vigente.
(A) Nunca aspirei o seu cargo público.
(B) Nunca me simpatizei com pessoas falantes.
(C) Com olhar curioso, a menina assistia aos filmes antigos que herdara da avó.
(D) Preferimos a tranquilidade das cidades do interior do que a agitação dos grandes centros.

10. (2012 - EEAR) “Hoje, segues de novo... Na partida Nem o pranto os teus olhos umedece Nem te comove a dor da
despedida .” De acordo com a transitividade verbal, nos versos acima, há
(A) somente um verbo transitivo direto.
(B) dois verbos transitivos diretos.
(C) um verbo transitivo indireto.
(D) dois verbos intransitivos.

11. (2012 - EEAR) Assinale a alternativa em que há erro quanto à regência nominal, de acordo com a norma culta.
(A) Procure ser atencioso para com os idosos.
(B) Aquela artista era hábil de trabalhos manuais.
(C) Estava ansioso de ver seus pais depois de tanto tempo.
(D) Muitas pessoas possuem verdadeira aversão por política.

12. (2011 - EEAR) Aquela atitude não representava a vontade da maioria. Que alternativa substitui o verbo sublinhado, de
maneira que, no a do período, seja obrigatório o uso de acento grave?
(A) expressava
(B) correspondia
(C) traduzia
(D) refletia

13. (2010 - EEAR) Assinale a alternativa que apresenta, de acordo com a norma culta formal, um erro de regência verbal.
(A) Infelizmente, os jovens preferem aos jogos de computador do que a leitura de um bom livro.
(B) As crianças obedeciam ao pai sem nenhuma contestação.
(C) Aspirei muita poeira quando limpei o velho tapete.
(D) Preciso visar meu passaporte ainda hoje.

14. (2013 - EsFCEx) Analise as alternativas e assinale a opção em que o verbo precisa de complemento mesmo não sendo
transitivo.
(A) Maria trabalha em Teresina.
(B) Joana fuma muito.
(C) Nós estudamos na UFCG.
(D) José mora em Aracaju.
(E) Elvis morreu há muito tempo.

103
15. (2016 - EN) Considerando a regência, assinale a opção em que a troca da preposição NÃO altera a relação de sentido
estabelecida entre os termos.
(A) "[. . . ] capacidade de conduzir homens e armas [...]" - capacidade para conduzir homens e armas.
(B) "[...] momento crucial para a sobrevivência [...] " - momento crucial da sobrevivência.
(C) "[...] envolvimento pela força naval [...]" - envolvimento da força naval.
(D) "[...] respeito ao cenário das batalhas [...]" - respeito perante o cenário das batalhas.
(E) "[...] podem se valer das características [...] - podem se valer com as características.

XXII. CRASE
1. Conceito

Antes de qualquer coisa, é importante frisar que a crase não é acento, e sim a representação gráfica da superposição de
duas vogais – no caso da língua portuguesa, possível somente na junção de dois "as" - o primeiro é uma preposição; o
segundo, pode ser um artigo definido, um pronome demonstrativo a(as) ou aquele(a/s),e aquilo. O acento gráfico que marca
este fenômeno é o grave (`).
O domínio da crase depende de o aluno conhecer a regência de alguns verbos e nomes.

2. Condições para Ocorrência da Crase


Para que a crase aconteça, o termo regente deve exigir a preposição e o termo regido tem de ser uma palavra feminina
que admita artigo – tendo, assim, dois “a” que a justifiquem.
Uma dica que quase sempre funciona é trocar a palavra feminina por uma masculina equivalente, se aparecer ao (s) usa-
se crase, caso apareça a ou o (s) não haverá crase.
a) Todos iriam (a+a) à reunião.
b) Todos iriam (a+o) ao encontro.

Isso quer dizer que, para que a crase ocorra, ela obrigatoriamente deverá vir antes de palavra no feminino.

Nota do professor: Sabe aqueles exemplos que você aprendia como crase por estar subentendida a expressão “à moda
de”?
Comi um bife à (moda de) Oswaldo Aranha.
Ela usava um salto à (moda de) Luís XV.
Marta fez um gol à (moda de) Pelé.

Tome cuidado com os casos em que a expressão “moda” não está subentendida e, consequentemente, não haverá crase.
Comi um frango a (moda de) passarinho.
Marta dedicou seu gol a (moda de) Pelé.

Repare que são sempre os mesmos exemplos e raramente vêm em provas de concurso militar.
Assim, pense na crase majoritariamente vindo sempre antes de uma palavra no feminino ou com sentido feminino
(marcas famosas de produtos femininos, por exemplo), nunca antes de uma palavra masculina.

3. Quando Há Crase?
Em locuções prepositivas, adverbiais ou conjuntivas femininas.
à queima-roupa, às cegas, às vezes, à beça, à medida que, à proporção que, à procura de, à vontade.

Atenção 1: Em palavras que designam adjunto adverbial de instrumento, a crase é opcional.


Escrevi esse documento a máquina (à máquina).

Atenção 2: Em alguns casos, a crase evita ambigüidades entre adjunto adverbial de instrumento e objeto direto.
Sou péssimo para desenhar à mão. (a lápis)

104
Quando as palavras "rua", "loja", "rádio" ou “emissora” estiverem subentendidas e, no uso comum, sejam utilizados
os devidos artigos.
Maria dirigiu-se à Globo (Eu vejo a Globo [TV]).

Na expressão devido à (s) + palavra feminina ocorre a crase.


Devido às circunstâncias, desisti das aulas. (aos casos)

4. Quando Não Há Crase


Antes de palavra masculina e verbos.
a) Vende-se a prazo.
b) O texto foi redigido a lápis.
c) Ele começou a fazer dietas.

Antes de pronomes demonstrativos esta(s) e essa(s).


a) Refiro-me a estas flores.
b) Não deram valor a esta idéia.

Antes de pronomes indefinidos, com exceção de outra (por ser o único pronome indefinido que aceite artigo).
a) Direi a todas as pessoas.
b) Fiz alusão a esta moça e à outra. (ao outro)

Antes da preposição a tiver outra preposição.


Compareceu perante a juíza no dia da audiência.
Atenção: Com a preposição até o uso é facultativo.
Foi até ao (o) salão de beleza.
Ele viajou até à (a) pousada que estava em promoção.

No meio de expressões com palavras repetitivas.


Ficamos cara a cara.

Após o a singular seguido de palavra no plural.


Pediu apoio a pessoas estranhas.
Atenção: nesses casos, só teremos a preposição. Se vier o artigo, o as vai para o plural e teremos a crase.
Pediu apoio às pessoas estranhas.

Antes de artigo indefinido e numeral cardinal (exceto em horas).


a) Refiro-me a uma blusa mais fina.
b) O vilarejo fica a duas léguas daqui.

Atenção 1: quando vier acompanhado ou subentendido da palavra “horas”, sempre haverá crase.
a) Buscarei vocês à uma hora.
b) Às duas, virei aqui te ver.

Atenção 2: quando a expressão “uma hora” se referir a “qualquer hora”, não haverá crase.
a) Esse edifício cairia a uma hora qualquer.

6. Casos em que o Uso da Crase é Variante

Antes de topônimos que exijam artigo definido ou, caso não exijam artigo, estejam determinados.
a) Iremos à França.
b) Iremos à Bahia.
c) Iremos a Curitiba.
d) Iremos à bela Curitiba.
e) Iremos à Curitiba dos meus pais.
105
Atenção: Quando o topônimo não estiver determinado, usa-se o teste da troca do verbo para chegar. Se nesta troca
aparecer chego da, há crase; se for chego de, não há crase.
a) Iremos a Curitiba. Chegamos de Curitiba.
b) Iremos a Salvador. Chegamos de Salvador.
c) Iremos à Bahia. Chegamos da Bahia

- Com os demonstrativos aquele (s), aquela (s) e aquilo, basta verificar se, por regência, alguma palavra pede a
preposição que irá se fundir com o "a" inicial do próprio pronome. Uma dica é trocar aquele (a/s) por este (a/s) e aquilo
por isto, se antes aparecer a, há crase.
a) Enviei presentes àquela menina. (a esta)
b) A matéria não relaciona aqueles problemas.(este)
c) Não se de ênfase àquilo. (a isto)

- O pronome demonstrativo a(s) aparece antes de que ou de e pode ser trocado por aquela(s). Deve-se fazer o teste
da troca por um masculino similar e verificar se aparece ao(s).
a) Esta estrada é paralela à que corta a cidade (o caminho é paralelo ao que corta a cidade).
b) Conheço a moça de azul, não a de branco.

Antes dos pronomes relativos "que" e "quem" não ocorre crase. Já o pronome qual(is) admite crase. Uma dica é trocar
o substantivo feminino anterior ao pronome por um masculino, se aparecer ao(s) há crase.
a) A menina a que me refiro não estudou.
b) A professora a quem me refiro é bonita.
b) A fama à qual almejo não é difícil.

Antes da palavra casa.


Quando a palavra casa significa lar, domicílio e não vem acompanhada de adjetivo, ou locução adjetiva, não se usa a
crase. Ex.: Iremos a casa assim que chegarmos (iremos ao lar assim que chegarmos).

Quando a palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução adjetiva.


Iremos à casa de minha mãe.

Antes da palavra terra.


Oposto de mar, ar e bordo - não há crase: Ex.; O Marinheiro forma a terra.

Quando significa solo, planeta ou lugar - pode haver crase.

a) Voltei à terra natal. b) A espaçonave voltará à Terra em um mês.

Antes da palavra distância. Não se usa crase, salvo se vier determinada.


a) Via-se o barco à distância de quinhentos metros (determinado).
b) Olhava-nos a distância.

106
7. Quadro Bizurado Sobre a Crase

Caso Uso obrigatório Uso proibido Uso facultativo

Antes de Quando estiver implícito “à moda Viajar a convite, traje a rigor,


palavras masculinas de”: móveis à Luís 15; Quando passeio a pé, sal a gosto, TV a
(o uso obrigatório não subentendido termo feminino: Vou cabo, barco a remo, carro a
costuma cair em concursos) à [praça]João Mendes álcool etc.

Estou disposto a colaborar.


Antes de verbos
Ele a convidou para sair.

Antes de pronomes Pronomes substantivos Pronomes adjetivos


Antes da maior parte deles:
possessivos: Referiu-se a (à) sua possessivos:
Disse a ela que não virá; nunca
família e à minha. Vou a (à) sua casa Referiu-se a (à) sua família.
se refere a você.
e à nossa. Vou a (à) minha casa.
Quando "a" vem antes de A pesquisa não se refere a
plural mulheres casadas.
Quando não se trata de uma
Expressões formadas Cara a cara; ponta a ponta frente
expressão fechada: “declare guerra
por palavras repetidas a frente; gota a gota.
à guerra de egos”.
Depois de "para", "até",
O jogo está marcado para as Preposição até:
"perante", "com",contra"
16h; lutou contra as americanas. Foi até a (à) esquina.
outras preposições

Antes de cidades, Foi à Itália (voltou da Itália). Foi a Roma (voltou de Roma).
estados, países Chegou à Paris dos poetas (voltou Foi a Paris (voltou de Paris).
da Paris dos poetas).
Todas elas podem vir com crase: Meio ou Instrumento:
Às vezes, às pressas, à primeira À vela/a vela; à bala/a bala; à
Locuções adverbiais,
vista, à medida que, à noite, à custa vista/a vista; à mão/a mão.
conjuntivas ou prepositivas de
de, à procura de, à beira de, à (Prefira crase quando for
base feminina
tarde, à vontade, às cegas, às preciso evitar ambiguidade:
escuras, às claras. Receber à bala).
Referiu-se àquilo;
Aquele, aqueles, aquilo,
Foi àquele restaurante;
aquela, aquelas
Dedicou-se àquela tarefa.

A capitania de Minas Gerais estava


Com demonstrativo
ligada à de São Paulo;
“a”
Falarei às que quiserem me ouvir.

Especificado: Sem especificação:


Com as palavras casa, terra, Voltei à casa dos meus pais. Voltei a casa.
distância O navio chegou à terra nova. O navio chegou a terra.
Estou à distância de 300 metros. Eu estudo a distância
Qualquer outro uso:
Hora exata:
Antes de “uma” Ele virá a uma hora qualquer.
Ele chegou à uma hora.
Refiro-me a uma aluna.
Especificados: Pessoas públicas: Sem especificação:
Antes de nomes próprios
Refiro-me à Maria do açougue. Refiro-me a Dilma Rousseff Refiro-me a (à) Maria
Quando vem artigo: Quando não vem artigo:
de... a... Seus sentimentos variam Seus sentimentos variam
da raiva à saudade. de raiva a saudade.
Bateram à porta, vou atender. Bateram a porta com raiva.
Bater, sentar
Sentou-se à mesa, na cadeira. Sentou na mesa.

107
EXERCÍCIOS

01. (2010 - EsFCEx) Assinale a alternativa em que a sentença está de acordo com as regras normativas:
(A) Os estudantes conversaram à cerca da nova direção.
(B) É necessário estar atento as novas demandas.
(C) O pelotão foi a cidade capturar os insurgentes.
(D) As crianças não conseguiram andar à cavalo ontem.
(E) Os documentos serão enviados em domicílio.

02. (2009 - EsFCEx) Assinale a única alternativa correta quanto ao emprego da crase.
(A) Iríamos à Madri para ficar três dias, mas não iríamos à Porto Alegre por nem dois dias.
(B) A carreira à qual aspiro é almejada por muitos.
(C) Ele sairia às treze horas, mas só pegaria o trem daqui à duas horas.
(D) Esta religião é semelhante a dos hindus.
(E) A rua em que moro é paralela a do mercado municipal.

03. (2016 - EEAR/EAGS) A opção em que o emprego do acento grave, indicador de crase, está correto é
(A) Peça desculpas à seu mestre. (C) Quando a festa acabou, voltamos à casa felizes.
(B) Atribuiu o insucesso à má sorte. (D) Daqui à quatro meses muita coisa terá mudado.

04. (2017 - EEAR) Coloque C para as alternativas em que o acento indicador de crase está correto e E para as alternativas
em que ele está errado.
( ) Aquela é a recepcionista à qual pedimos informações.
( ) Centenas de pessoas assistiram àquela peça teatral.
( ) Você se refere àquele professor de Filosofia?
( ) Estava disposta à dormir cedo no domingo.
(A) E – E – E – E (C) C – C – C – C
(B) C – C – C – E (D) E – C – E – C

05. (2017 - CIAAR)

Em qual alternativa a explicação justifica o seu emprego na locução “à minha”, presente no último quadrinho da charge
abaixo?
(A) O uso da crase ocorre diante de qualquer pronome possessivo.
(B) A utilização da crase é obrigatória em expressões como “à minha”.
(C) O emprego da crase diante de pronome possessivo com feminino claro é facultativo
(D) A locução adverbial exige, especificamente, o uso da crase diante do vocábulo feminino “minha”.

108
06. (2016 - CIAAR) Com relação ao uso da crase em “dirijo-me à luz”, assinale a alternativa correta.
(A) Seu uso é estilístico, uma vez que o autor optou por usá-la para marcar tonicamente o artigo “a” e atribuir
sonoridade ao trecho.
(B) Em sua aplicação houve incorreção gramatical já que o termo “dirijo” não exige complemento, pois quem dirige,
dirige alguma coisa.
(C) Esse acento grave é utilizado para denotar o sujeito determinado no pronome demonstrativo “a”, como em
“àqueles”.
(D) Ela ocorre em virtude da junção da preposição solicitada pelo verbo “dirigir” com o artigo feminino admitido por
“luz”.

07. (2016 - EEAR/EAGS) Assinale a alternativa em que a frase está incorreta no que diz respeito ao uso ou não da crase.
(A) Às vezes eu entendo por que ele age assim.
(B) Refiro-me às vezes em que você esteve aqui.
(C) Contamos às vezes em que ele nos procurou.
(D) Durante o jantar, ele teve que fazer as vezes de garçom.

08. (2015 - EEAR/EAGS) Marque a alternativa correta em relação aos casos de crase apresentados.
(A) Realizou uma saída à francesa, após pedir um bife a cavalo. Ele já sabia não ter nenhum centavo quando decidiu ir à
cantina.
(B) A francesa que havia conhecido na última viagem quando fui à Paris tornou-se minha amiga a distância.
(C) Vou a cidade, às compras, satisfazer às vontades de minha amada.
(D) Daqui à umas horas sairei à sua procura.

09. (2015 - EEAR/EAGS) Com relação ao acento grave indicador de crase, assinale a alternativa correta.
(A) A carta foi escrita à lápis.
(B) Permaneceram frente à frente durante a reunião.
(C) A maioria dos atores prefere cinema à televisão.
(D) O professor estava disposto à ajudar seus alunos .

10. (2015 - EEAR/EAGS) Em qual alternativa a ausência do acento indicador de crase altera o sentido do período?
(A) Não iremos àquela festa para a qual vocês nos convidaram.
(B) Àquelas pessoas só puderam enviar os avisos por meio de telegramas.
(C) Refiro-me àquelas mulheres que não estão neste recinto.
(D) Esta calça é idêntica àquela que ganhei de minha filha.

11. (2015 - FAB) Em relação ao emprego do acento grave indicador de crase, assinale a alternativa incorreta.
(A) Ele fez referência àquele candidato que foi o mais votado em 2014.
(B) Solicitaram a devolução dos documentos enviados à empresa.
(C) Operações fraudulentas foram realizadas às ocultas durante o pleito.
(D) Quando viram a fumaça, os alunos e os professores começaram à correr.

12. (2016 - EEAR/EAGS) Marque a opção correta em relação às ocorrências de crase.


(A) Exige-se a assistência às palestras.
(B) Obra antiga cede lugar à condomínio.
(C) Não dê atenção à pessoas suspeitas no local.
(D) A fome abre caminho à fomentar doenças graves no organismo.

109
XXIII. PONTUAÇÃO
1. O uso da pontuação

Há certos recursos da linguagem - pausa, melodia, entonação e até mesmo, silêncio - que só estão presentes na
oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos, usamos os sinais de pontuação.
Estes são também usados para destacar palavras, expressões ou orações e esclarecer o sentido de frases, a fim de dissipar
qualquer tipo de ambiguidade.

2. Quando usar a Vírgula

Nas frases fora da ordem direta. Uso mais comum.


Ontem, eu estive aqui.
A floresta, o homem a tudo destrói.
Com uma caneta, desenhei todo o mapa brasileiro.

Para separar os elementos mencionados numa relação:


A nossa empresa está contratando engenheiros, economistas, analistas de sistemas e secretárias.
O apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala de jantar, área de serviço e dois banheiros.

Mesmo que o e venha repetido antes de cada um dos elementos da enumeração, a vírgula deve ser empregada: Rodrigo
estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e falava em voz alta, e ria, e roía as unhas.

Para isolar o aposto e o vocativo:


Cristina, desligue já esse telefone!
Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.
Rafael, o gênio da pintura italiana, nasceu em Urbino.

Atenção 1: as vírgulas não podem isolar o aposto especificativo.


O pintor italiano Rafael nasceu em Urbino.

Atenção 2: as vírgulas não podem isolar o sujeito do verbo. Veja os dois exemplos abaixo.
O pintor Rafael, italiano, nasceu em Urbino.
O pintor Rafael italiano, nasceu em Urbino. (errado)
O pintor Rafael, italiano nasceu em Urbino. (errado)

Para isolar palavras e expressões explicativas (a saber, por exemplo, isto é, ou melhor, aliás, além disso etc.):
Gastamos R$ 5.000,00 na reforma do apartamento, isto é, tudo o que tínhamos economizado durante anos.
Eles viajaram para a América do Norte, aliás, para o Canadá.

Para isolar o adjunto adverbial antecipado:


Lá no sertão, as noites são escuras e perigosas.
Ontem à noite, fomos todos jantar fora.

Para isolar elementos repetidos:


O palácio, o palácio está destruído.
Estão todos cansados, cansados de dar dó!

Para isolar, nas datas, o nome do lugar:


São Paulo, 22 de maio de 1995.
Roma, 13 de dezembro de 1995.

110
Para isolar os adjuntos adverbiais:
A multidão foi, aos poucos, avançando para o palácio.
Os candidatos serão atendidos, das sete às onze, pelo próprio gerente.

Para isolar as orações coordenadas, exceto as introduzidas pela conjunção e:


Ele já enganou várias pessoas, logo não é digno de confiança.
Você pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado ao dirigir.
Não compareci ao trabalho ontem, pois estava doente.

Para indicar a elipse de um elemento da oração (vírgula vicária):


Foi um grande escândalo. Às vezes gritava; outras, estrebuchava como um animal.
Não se sabe ao certo. Paulo diz que ela se suicidou, a irmã, que foi um acidente.

Para separar o paralelismo de provérbios:


Ladrão de tostão, ladrão de milhão.
Ouvir cantar o galo, sem saber onde.

Após a saudação em correspondência social e comercial:


Com muito amor,
Respeitosamente,
Para isolar as orações adjetivas explicativas:
Marina, que é uma criatura maldosa, "puxou o tapete" de Juliana lá no trabalho.
Vidas Secas, que é um romance contemporâneo, foi escrito por Graciliano Ramos.

Para isolar orações intercaladas:


Não lhe posso garantir nada, respondi secamente.
O filme, disse ele, é fantástico.

3. Quando usar o Ponto

Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de um frase declarativa de um período simples ou composto.
Desejo-lhe uma feliz viagem.
A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada, no entanto tudo no seu interior era conservado com primor.
O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas: fev. = fevereiro, hab. = habitante, rod. = rodovia. Não são
usados após siglas: UERJ, IBAMA, FMI, CRVG.
Os pontos feitos ao longo de um texto são chamados simplesmente de “ponto” ou, também, “ponto continuativo”. Os
pontos que encerram uma das ideias de um texto e finalizam um parágrafo são chamados “ponto parágrafo”. O ponto que
é empregado para encerrar um texto escrito recebe o nome de ponto final.

4. Quando usar o Ponto-E-Vírgula?

Separar orações coordenadas que tenham um certo sentido ou aquelas que já apresentam separação por vírgula:
Criança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente e alegre; agora, mulher madura, tornou-se uma doidivanas.
É muito utilizado em orações coordenadas assindéticas com sentido de acréscimo de ideias.
Eu fui à festa; ele, à igreja; ela, à escola.

Separar vários itens de uma enumeração:


Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais.

Em perguntas de múltipla escolha, quando a pergunta termina com dois pontos.


111
1) A alternativa que responde melhor ao enunciado é:
a)duas; b)três; c)quatro; d)cinco; e)seis.
Quando a questão termina com interrogação, utiliza-se o ponto-e-vírgula ou o ponto.
1) Que alternativa responde melhor ao enunciado?
a)Duas;(.) b)Três;(.) c)Quatro;(.) d)Cinco;(.) e)Seis.

5. Quando usar Dois-Pontos?

Em um esclarecimento:
Joana conseguira enfim realizar seu desejo maior: seduzir Pedro. Não porque o amasse, mas para magoar Lucila.
Observe que os dois-pontos são também usados na introdução de exemplos, notas, apostos ou observações.

Em perguntas de múltipla escolha que não sejam perguntas:


1) A alternativa que responde melhor ao enunciado é:
a)duas; b)três; c)quatro; d)cinco; e)seis.

Uma citação de discurso direto:


Visto que ela nada declarasse, o marido indagou:
- Afinal, o que houve?

NOTA: A invocação em correspondências, sejam elas sociais ou comerciais é seguida de dois-pontos ou de vírgula, tanto
faz.
Querida amiga:
Prezados senhores,

6. Quando usar o Ponto De Interrogação?

O ponto de interrogação é empregado para indicar uma pergunta direta, ainda que esta não exija resposta:
O criado pediu licença para entrar:
- O senhor não precisa de mim?
- Não obrigado. A que horas janta-se?
- Às cinco, se o senhor não der outra ordem.
- O senhor sai a passeio depois do jantar?
- Não.
(José de Alencar)

7. Quando usar o Ponto De Exclamação?

O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer enunciado com entonação exclamativa, que
normalmente exprime admiração, surpresa, assombro, indignação etc.
- Viva o meu príncipe! Sim, senhor... Eis aqui um comedouro muito compreensível e muito repousante, Jacinto!
- Então janta, homem!
(Eça de Queiroz)

O ponto de exclamação é também usado com interjeições e locuções interjetivas:


Oh! Valha-me Deus!

8. Quando usar as Reticências?

Indicar que a frase foi interrompida com a finalidade de provocar dúvida, hesitação, surpresa ou um entrave à escrita
ou fala do autor.
Quanto à Joana, ela... você sabe...
Inconstuit... Inconstitiu... Como se fala, mesmo?
“Sou de Angra, mas...” Mal terminei essa frase, interromperam meu discurso com um enorme grito.
112
Indicar uma enumeração de fatos, ações ou artigos, normalmente utilizado no lugar da expressão “etc”.
Peguei as roupas, os objetos, as camisas...
Ande, fale, pense, viva, deseje...

9. Quando usar os Parênteses?

Intercalam, num texto, qualquer indicação acessória (explicação, circunstância, nota, ironia...) e, ao final dele, indica autoria,
ano ou outra informação sobre o texto.
Deus (ou talvez o Diabo?) me deu esse amor maduro. (Drummond).
Maria (a vilã da novela) era assustadora. (também podendo utilizar vírgulas ou travessões)
Ganhara muito dinheiro na loteria (grande coisa!).
Não digo nada, espero o vendaval passar. (1989).

10. Quando usar os Travessões

Indicam uma fala num discurso direto.


- Bom dia, nhá Benta!
- Bom dia, meu filho.

Isola palavras ou frases (travessão duplo) ou isola a parte final de um enunciado, dando-lhe ênfase.
Ninguém – ninguém mesmo! – via aquelas formas.
Todos juntos tem grande força – a força de uma vida.

Também serve para enumerar itens quando estes são colocados em forma de listagem.
Precisaremos também de:

- cozinheiros; - açougueiros;
- paneleiros; - padeiros.

11. Quando usar as Aspas?

Isolar do contexto frases ou palavras de outros autores/personagens ou, então, evidenciar determinados
termos, tais como gírias, neologismos, arcaísmos, estrangeirismo, dentre outros.
Deus disse: “faça-se a luz”. E a luz se fez.
Utilize a função “deletar” do seu celular.
Vou “internetear” bastante nesse final de semana.
Estou “out” para vocês.

EXERCÍCIOS DAS BANCAS MILITARES

01. (2018 - EsFCEx) Analise as afirmativas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa na qual as vírgulas foram empregadas
adequadamente.
I. Vinte e dois mil, quatrocentos e setenta e um.
II. Casado, ou divorciado não irei assinar qualquer documento.
III. Eu vou submeter o projeto hoje, ou não serei promovida.

(A) Somente em I.
(B) Somente em II.
(C) Somente em III.
(D) Somente em I e II.
(E) Somente em II e III.

113
02. (2018 - COLÉGIO NAVAL) No trecho "Como bem ensinou Saussure, fundador da linguística moderna, tudo na língua é
convenção” (§3°) , o emprego das vírgulas se justifica por
(A) separar uma oração coordenada assindética.
(B) isolar uma expressão apositiva.
(C) separar termos com a mesma função sintática.
(D) isolar um advérbio deslocado.
(E) separar uma oração subordinada adjetiva explicativa.

03. (2018 - EAM) Em “Esse aumento do uso de veículos como carros e motos deve-se à má qualidade do transporte público
no Brasil, ao aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos, à redução de impostos por parte do Governo Federal
sobre produtos industrializados[...].” (4°§) , o emprego das vírgulas justifica-se por:
(A) isolar adjuntos adverbiais.
(B) separar vocativo.
(C) introduzir oração adverbial concessiva.
(D) separar aposto enumerativo.
(E) separar termos de mesma função sintática.

04. (2018 - EAGS) Observe os períodos abaixo, diferentes à pontuação:


Adormeci logo, repousei em seus braços. Adormeci, logo repousei em seus braços.

A observação atenta desses períodos permite dizer que:


(A) No primeiro, as orações estão coordenadas sem a presença de conjunção; na segunda, com a presença de conjunção
conclusiva.
(B) No primeiro, as orações estão coordenadas com a presença de conjunção; na segunda, com conjunção explicativa.
(C) No primeiro, logo é advérbio de tempo; no segundo, uma conjunção causal.
(D) No primeiro, logo indica alternância; no segundo, consequência.

05. (2017 - EsPCEx) Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula é opcional.


(A) "Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar."
(B) "O detento é obrigado a mostrar progressos, para provar que pode ser reincluído na sociedade."
(C) "Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência, o Reino Unido, 50%."
(D) " Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades de educação é a estratégia."
(E) "Cada bloco contém uma cozinha, comida fornecida pela prisão e preparada pelos presos."

06. (2017 - EAM) Assinale a opção na qual a vírgula foi empregada corretamente.
(A) Trabalhar, é sempre muito bom se houver lazer associado.
(B) Senhores, silêncio e atenção para a leitura da ordem do dia.
(C) Encontraram o velho marinheiro consertando, aquele barco.
(D) Já, sabemos quem foi o grande vencedor do concurso de redação.
(E) O lazer, e o trabalho devem caminhar lado a lado para todos nós.

07. (2017 - 4º DN) “Língua, religião e alta cultura são os únicos componentes de uma nação que podem sobreviver quando
ela chega ao término da sua duração histórica. São os valores universais, que, por servirem a toda a humanidade e não
somente ao povo em que se originaram, justificam que ele seja lembrado e admirado por outros povos. A economia e as
instituições são apenas o suporte, local e temporário, de que a nacão se utiliza para seguir vivendo enquanto gera os
símbolos nos quais sua imagem permanecerá guando ela própria iá não existir.” (Olavo de Carvalho) Com relação ao
emprego da vírgula no período destacado, assinale a opção em que o comentário está correto.
(A) As vírgulas separam o vocativo do termo fundamental.
(B) As vírgulas podem ser retiradas sem prejuízo do sentido.
(C) Seria possível substituir as vírgulas por pontos e vírgulas.
(D) O uso das vírgulas se deve ao deslocamento de termos.
(E) As vírgulas estão isolando termos de natureza adverbial.

114
08. (2016 - EAGS) Em relação ao emprego da vírgula, assinale a alternativa incorreta.
(A) Olha, aluno, você vai entregar a prova daqui a dez minutos.
(B) Uns diziam que estudou para o concurso, outros, que brincou o tempo todo.
(C) Atletas de várias nacionalidades, participarão das Olimpíadas, no Rio de Janeiro em 2016.
(D) Da janela eu vi, sem ser visto, o garoto pular o muro da vizinha.
09. (2016 - 1º DN) Em que opção o emprego da virgula na frase "Professora, ainda não terminei o exercício." está
corretamente explicado?
(A) Destaca o aposto.
(B) Separa o vocativo.
(C) Indica a elipse do verbo.
(D) Marca orações intercaladas.
(E) Isola adjunto adverbial antecipado.
10. (2016 - EEAR) Marque a alternativa que apresenta uso adequado dos dois-pontos, de acordo com a gramática normativa.
(A) Das duas participantes, ficamos atordoados com a súplica de uma: mas não fizemos nada por ela.
(B) A verdade é somente uma: todos são culpados pela sua rebeldia.
(C) Ainda que a tristeza dure uma noite: a alegria virá pela manhã.
(D) Estude bem uma: forma de solução adequada.
11. (2016 - 5º DN) Tendo em vista a norma padrão, com relação ao emprego pontuação, assinale a opção correta.
(A) O aluno confessou, que, gostava daquela música.
(B) O futuro aguarda a todos vocês, jovens.
(C) Daqui a Portugal a distância, é grande.
(D) Resumiu, tudo, numa palavra incompetência.
(E) Cabe-lhes, o pleno direito, de reclamar.
12. (2016 - 5º DN) Em que opção o emprego da vírgula na frase "Meu pai mora em São Paulo; minha mãe, na Bahia „" está
corretamente explicado?
(A) Destaca o vocativo.
(B) Marca orações intercaladas.
(C) Separa o aposto explicativo.
(D) Assinala a supressão do verbo.
(E) Isola adjunto adverbial antecipado.
13. (2015 - EEAR) Assinale a opção correta em relação à pontuação.
(A) Tu, minha amiga, diz a lei, estás condenada.
(B) Tu minha amiga, diz a lei, estás condenada.
(C) Tu, minha amiga diz a lei estás condenada.
(D) Tu minha amiga diz a lei, estás condenada.
14. (2014 - COLÉGIO NAVAL) Em "Não basta mandarmos que elas prestem atenção: isso de nada as ajuda.", os dois-pontos
podem ser substituídos, sem que haja alteração de sentido, por
(A) não obstante.
(B) conquanto.
(C) quando.
(D) porque.
(E) todavia.
15. (2014 - EsFCEx) “Mais um índice negativo foi divulgado esta semana para constatar as defici¬ências do ensino brasileiro:
apenas 32,8% dos professores que trabalham nas séries finais do ensino fundamental (5° ao 9° anos) têm licenciatura na
área em que atuam”.Os dois pontos foram utilizados:
(A) numa explicação.
(B) numa enumeração.
(C) numa expressão que sugere consequência.
(D) numa expressão que encerra declaração textual.
(E) numa expressão que apresenta uma quebra da sequência de ideia.
115
16. (2014 - EsPCEx) Marque a opção que justifica a colocação do ponto e vírgula e da vírgula utilizados por José de Alencar
no período. “Depois Iracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.”
(A) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula indica locução.
(B) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a vírgula separa oração reduzida.
(C) O ponto e vírgula indica citação e a vírgula separa termos da oração.
(D) O ponto e vírgula separa oração coordenada e a vírgula marca mudança de sujeito.
(E) O ponto e vírgula indica enumeração e a vírgula separa termos da oração.

17. (2013 - CIAAR) No trecho “Muitos combatem a superficialidade nas relações digitais pelos motivos errados,
questionando a validade dos 'amigos' no Facebook ou 'seguidores' no Twitter ao compará-los com seus equivalentes
analógicos.” (6º§) , o uso de aspas nos termos destacados serve para
(A) marcar uma citação direta.
(B) assinalar que as palavras são gírias.
(C) apontar que as palavras são estrangeirismos.
(D) indicar um sentido particular para as palavras.

XXIV. COLOCAÇÃO PRONOMINAL


(Ou Emprego e Uso dos Pronomes Oblíquos Átonos)
É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (próclise), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo
(ênclise).
Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronúncia.

1. Próclise
Usamos a próclise nos seguintes casos:

(1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum.

- Nada me perturba. - De modo algum me afastarei daqui.


- Ninguém se mexeu. - Ela nem se importou com meus problemas.

(2) Advérbios
- Aqui se tem paz.
- Sempre me dediquei aos estudos.
- Talvez o veja na escola.

(3) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que.
- Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
- É necessário que a deixe na escola.
- Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos.

(4) Com conjunções alternativas: ou...ou, ora...ora, quer...quer


- Ou ele se corrige ou lhe voltarão as costas.
- O rio, ora se estreita, ora se alarga caprichosamente.
- Quer nos atacasse, quer se escondesse, a onça era sempre um perigo.

(5) Pronomes relativos


- A pessoa que me ligou era minha amiga.
- Não conheço a cidade onde me registraram.
- Este é o rapaz por quem se apaixonaste.

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(6) Pronomes indefinidos.
- Alguém me ligou? (indefinido)
- Nada lhe agradava ali.

(7) Em frases com palavras ou expressões interrogativas.


- Quanto me cobrará pela tradução?
- Eu preciso saber quanto me cobrará pela tradução.

(8) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo) em que o sujeito aparece antes do verbo.
- Deus o abençoe! - Deus te abençoe, meu filho!
- Macacos me mordam! - Como ela se ilude!

(9) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.


- Em se plantando tudo dá.
- Em se tratando de beleza, ele é campeão.

(10) Com formas verbais proparoxítonas


- Nós o censurávamos.

1.1 Quando não usar a Próclise


(1) Início de frase ou após pontuação (mais precisamente vírgula).
- Me entregaram as camisas.
- Nos faça esse favor urgentemente.
- Aqui, se trabalha.
- Quando chegamos, se percebeu um estranhamento no ar.

(2) Com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito sem nenhuma atrativa.
- Eu te darei o céu, meu bem.
- Joana me entregaria os livros essa semana.

(3) Com o verbo iniciando oração reduzida de gerúndio.


- Saiu nos deixando por instantes.

Atenção: quando se tratar de locução verbal com verbo no gerúndio, verificar as regras específicas para esse caso.

2. Mesóclise
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer – amarei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia
acontecer mas não aconteceu – amaria, amarias, …)

- Convidar-me-ão para a festa.


- Convidar-me-iam para a festa.

2.1 Quando não usar a Mesóclise


Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.

3. Ênclise
Usamos a ênclise nos seguintes casos:

(1) Com o verbo no início da frase


- Entregaram-me as camisas.
- Faça-nos esse favor urgentemente.

117
(2) Após vírgula, mesmo depois do advérbio.
- Aqui, trabalha-se.
- Nos dias atuais, percebe-se um forte avanço da tecnologia.
- Quando chegamos, entreguei-lhe logo a documentação.

(3) Com o verbo no imperativo afirmativo


- Alunos, comportem-se.
- Procure suas colegas e convide-as.

(4) Com o verbo iniciando oração reduzida de gerúndio.


- Saiu deixando-nos por instantes.

(5) Junto ao infinitivo não flexionado, precedido da preposição a, em se tratando dos pronomes o, a, os, as:

- Todos corriam a ouvi-lo.


- Começou a maltratá-la.
- Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

1 Quando não usar a Ênclise


(1) Ênclise de verbo no futuro ou no particípio estará sempre errada.
- Tornarei-me……. (errada)
- Tinha entregado-nos……….(errada)

(2) Assim como frases em que haja uma palavra denominada atrativa.
- Ninguém mexeu-se....... (errada)

4. Próclise ou Ênclise, indiferentemente


(1) Em casos em que não haja impedimento de um ou de outro.
- Ela mostrou-se feliz com o resultado. / - Ela se mostrou feliz com o resultado.
- Isso me deixa muito feliz. / Isso deixa-me muito feliz.
- Mariana deu-me motivos para ir. / Mariana me deu motivos para ir.
- Soldados brasileiros se preparam para a guerra. / Soldados brasileiros se preparam para a guerra.

(2) Com verbo conjugado no infinitivo, independente de palavra atrativa.


- Corri para defendê-lo / Corri para o defender.
- Calei-me para não contrariá-lo. / Calei-me para não o contrariar

5. Colocação Pronominal Nas Locuções Verbais

Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, gerúndio ou particípio.

5.1 Auxiliar + Particípio (Tempos Compostos)


O pronome deve ficar antes (caso não seja início de frase) ou depois do verbo auxiliar, ligado a ele por hífen. Se houver
palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar.
- João havia-lhe contado a verdade. - Havia-lhe contado a verdade.
- João lhe havia contado a verdade. - Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade.

Quaisquer outras formas de colocação serão consideradas inadequadas.

5.2 Auxiliar + Gerúndio ou Infinitivo


Infinitivo no início de frase
- Quero-lhe dizer o que aconteceu. - Quero dizer-lhe o que aconteceu.
- Quero lhe dizer o que aconteceu. - Lhe quero dizer o que aconteceu. (errada)

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Infinitivo no meio de frase
- Eu lhe quero dizer o que aconteceu. - Eu quero lhe dizer o que aconteceu.
- Eu quero-lhe dizer o que aconteceu. - Eu quero dizer-lhe o que aconteceu.

Infinitivo com palavra atrativa


- Não lhe quero dizer o que aconteceu. - Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
- Não quero lhe dizer o que aconteceu. - Não quero-lhe dizer o que aconteceu. (errada)

Infinitivo preposicionado em início de frase


Há de acostumar-se
Há de se acostumar.
Se há de acostumar. (errada)

Infinitivo preposicionado em meio de frase


João o deixou de visitar.
João deixou de visitá-lo
João deixou de o visitar.

Infinitivo preposicionado em início de frase com atrativa


Não o deixou de visitar.
Não deixou de visitá-lo.
Não deixou de o visitar.

Gerúndio no início de frase


- Lhe ia dizendo o que aconteceu. (errada) - Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Ia lhe dizendo o que aconteceu. - Ia dizendo-lhe o que aconteceu.

Gerúndio no meio de frase


- As sombras foram-se dissipando. - As sombras foram se dissipando.
- As sombras se foram dissipando. - As sombras foram dissipando-se.

EXERCÍCIOS

01. (2018 - CIAAR) “Reencontro num jantar um velho amigo e ficamos relembrando nossos tempos de colégio e faculdade,
os professores malucos de então. Ele me fala num que lecionava português e que era categórico em matéria de colocação
de pronomes:
– Pode-se dizer “eu lhe dou uma laranja”. Pode-se dizer “eu dou-lhe uma laranja”. O que não se pode dizer jamais é “eu dou
uma laranja-lhe”. (Fernando Sabino)
A explicação para a última frase não ser dita jamais é que o pronome oblíquo
(A) deve estar depois de um pronome pessoal.
(B) deve estar antes de um verbo no indicativo.
(C) não pode ser colocado no fim de uma frase.
(D) não pode ser colocado enclítico ao substantivo.

02. (2018 - CIAAR) Dentre as sentenças abaixo, aquela em que ambas as formas de colocação do pronome oblíquo estão de
acordo com o registro culto e formal da língua é
(A) Me enfeitei de folhas e flores que as crianças colheram para comemorar a chegada da primavera na aldeia. (Enfeitei-
me)
(B) Aqueles que ocupam cargos nos Três Poderes precisam ser capazes de ler a Constituição e interpretá-la bem. (e a
interpretar)
(C) Jamais falaram-lhe sobre sua infância, a história de sua família e a antiga herança deixada por seu finado avô. (Jamais
lhe falaram)
(D) Em tratando-se de brigas familiares, o melhor é deixar que as coisas se resolvam entre as partes, para não haver mal-
entendidos. (Em se tratando)

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03. (2018 - EAGS) Assinale a alternativa que apresenta a colocação pronominal de acordo com a norma padrão.
(A) Nunca encontraremo-nos novamente.
(B) Nos falaram que tudo era uma questão de escolha.
(C) Parece-nos que o mais acertado era retomar os estudos.
(D) Gostaria de entender por que fizeram-nos vir neste local.

04. (2017 - Escola Naval) Assinale a opção em que ocorre essa dupla possibilidade - próclise e ênclise - na colocação do
pronome destacado.
(A) Ana me emprestou este livro.
(B) Não lhe emprestarei o livro de novo.
(C) Prefiro que me traga as publicações depois.
(D) Sempre o vê sozinho na frente da biblioteca.
(E) Em lhe chegando a vez, termino de contar a história de ontem.

05. (2017 - CFN) Embora construções como esta sejam comuns na linguagem coloquial, a posição do pronome oblíquo átono
“me” na frase: “- Me larga.” - linha 56 - não está correta, segundo a norma culta da língua. Dessa forma, assinale abaixo a
frase que também está INCORRETA quanto a colocação pronominal.
(A) Nunca mais encontrei a pessoa que me emprestou o caderno.
(B) Amar-te-ei eternamente.
(C) Não quero magoar-te; porém não posso deixar de te dizer a verdade.
(D) Felipe apresentou-se hoje na escola.
(E) Faça boa viagem! Deus proteja-te!

06. (2017 - CIAAR) Observe o termo quanto à colocação pronominal.


• “Dar-lhe-ei todo meu amor, desde que me prometa nunca mais me enganar.”
• “Você jamais o exaltará diante daqueles que, um dia, possam menosprezá-lo.”
• “De repente, fez-se o pranto diante de tanta comoção social naquele lugarejo.”
• “Confesso que tudo aquilo me pareceu contundente e nefasto naquele dia.”

Qual das alternativas apresenta a sequência correta?


(A) Mesóclise / Próclise / Ênclise / Próclise.
(B) Mesóclise / Ênclise / Mesóclise / Ênclise.
(C) Ênclise / Próclise / Mesóclise / Mesóclise.
(D) Mesóclise / Mesóclise / Ênclise / Próclise.

07. (2017 - EAGS) “Eram aves gigantescas, palmípedes monstruosos, que mal se sustinham nas asas grosseiras, e que traziam
ainda, na fragilidade dos ossos, a umidade do barro modelado da véspera. ” Substituindo-se por pronome pessoal oblíquo
o complemento de traziam, obtém-se
(A) a traziam.
(B) traziam-na.
(C) traziam-lhe.
(D) lhe traziam.

08. (2017 - 7º DN) Assinale a opção em que o emprego do pronome átono está de acordo com a norma padrão.
(A) Faz bastante tempo que não lhe vejo.
(B) Quando encontrei-lhe, estava em paz.
(C) Teria enganado-me facilmente sem sua ajuda.
(D) Em se tratando de futebol, abstenho-me.
(E) O tenho em grande conta, meu amigo.

120
09. (2017 - 1º DN) No que se refere à colocação pronominal, de acordo com a norma culta, assinale a opção correta.
(A) Se arrumaram e logo partiram
(B) Nada compara-se ao amor de mãe.
(C) Ao dirigir-me a palavra, ficou constrangida.
(D) Não sabemos como prepara-se uma peça de teatro.
(E) Os candidatos se recusariam a participar do evento.

10. (2016 - CMRJ) Na passagem “Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem
fazer”, a substituição das expressões sublinhadas pelos pronomes pessoais correspondentes respeita a norma padrão em
(A) dar-lhes e ensiná-lo.
(B) dá-los e ensiná-lo.
(C) dar-lhe e ensinar-lhe.
(D) dá-lo e ensina-o.
(E) dão-no e ensinam-lhe.

11. (2016 - 1º DN) Em que opção o emprego do pronome oblíquo está correto, de acordo com a norma padrão?
(A) Viram-a chegando atrasada novamente.
(B) Lhe deram um lindo presente de aniversário,
(C) Devolva-nos os livros na próxima semana.
(D) Ele não explicou-me o motivo da discussão.
(E) Disse que tornaria-se um grande atleta.

12. (2015 - EAGS) Assinale a alternativa em que a próclise não é obrigatória conforme estabelece a gramática.
(A) Pedi-lhe efusivamente que me escrevesse.
(B) Desviei o olhar para não a importunar com minha tristeza.
(C) Quando ouço a melodia e a sinto na alma, penso em paraíso.
(D) A alma de Joaquina ainda se embalava naquele pranto que queria tocar o coração de Deus.

121
PARTE III - COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

TEXTO
 São as construções que envolvem as frases, orações, períodos, parágrafos...
 Pode vir em forma tradicional ou charges, cartuns, sinais
 É uma unidade básica de organização e transmissão de ideias, conceitos e informações de modo geral.
 Um (a) escultura, quadro, símbolo, sinal de trânsito, foto, filme ou uma novela são formas textuais.

TEXTO – É um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz de produzir
interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). O texto designa uma manifestação linguística expressa por
meio das ideias ou argumentos de um autor. Essas ideias serão interpretadas pelo leitor de acordo com seus conhecimentos
linguísticos, culturais, sociais, históricos.

CONTEXTO – Um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se
com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa
interligação dá-se o nome de CONTEXTO. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que, se uma frase for
retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.
O contexto é uma circunstância essencial na produção de textos. Ele corresponde ao conjunto de conjunturas (materiais
ou abstratas) que rodeiam um acontecimento ou fato.

Para compreendermos a mensagem de um texto, precisamos estar a par do contexto ao qual pertence. Isso para que a
mensagem transmitida pelo locutor (autor, emissor) seja inteligível para o interlocutor (leitor, receptor).
Nesse sentido, uma piada pode não fazer sentido, quando por exemplo está contextualizada numa determinada cultura, a
qual não faz parte do seu repertório interpretativo.
Com efeito, o texto somente existe quando estabelece uma relação de identificação com seu leitor.

Compreensão de Textos: Significa entendimento. Os testes de compreensão exigem do candidato uma postura muito
voltada para o que está escrito, para o que está explícito. De forma geral, significa coletar dados do texto.
Pode também receber o nome de INTELECÇÃO.

Comandos para Questão de Compreensão:


 O narrador diz que ...
 O texto informa que ...
 Segundo o texto, é correto ou errado dizer que...
 De acordo com o texto, é certo...
 Na opinião do autor do texto...
 As considerações do autor se voltam para...
 Tendo em vista o texto, é incorreto...
 O autor sugere ainda...
 O autor afirma que...

Interpretação: Interpretação significa dedução, inferência, conclusão. As questões de interpretação não pretender cobrar
o que está escrito, mas o que se pode entender daquilo que está escrito.

Comandos para Questão de Interpretação:


 O texto permite deduzir que ...
 Depreende-se do texto que ...
 Qual a intenção do narrador quando afirma que ...
 Subentende-se das ideias e informações do texto que
 Conclui-se do texto que...
 O texto encaminha o leitor para...
 Pretende o texto mostrar que o leitor...
 O texto possibilita o entendimento de que...
 Com apoio no texto, infere-se que...
122
Três erros capitais na análise de textos
1 – Extrapolação: É o fato de se fugir do texto. Ocorre quando se interpreta o que não está escrito. Muitas vezes são fatos
reais, mas que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao que está relatado.
2 – Redução: É o fato de se valorizar uma parte do contexto, deixando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o
texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
3 – Contradição: É o fato de se entender justamente o contrário do que está escrito. É bom que se tome cuidado com
algumas palavras, como: “pode”, “deve”, “não”, verbo “ser”, etc.

 Normalmente o candidato é convidado a:


 identificar: Reconhecer elementos fundamentais apresentados no texto.
 comparar: Descobrir as relações de semelhanças ou de diferenças entre situações apresentadas no texto.
 comentar: Relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito.
 resumir: Concentrar as ideias centrais em um só parágrafo.
 parafrasear: Reescrever o texto com outras palavras.
 continuar: Dar continuidade ao texto apresentado, mantendo a mesma linha temática.

INTERTEXTO – Comumente, os textos apresentam referências diretas ou indiretas a outros autores através de citações. A
esse tipo de recurso denominamos “intertexto”

 INTERTEXTUALIDADE
=> Entende-se a criação de um texto a partir de outro pré-existente. Suas fu Suas funções dependem muito dos
textos/contextos em que ela é inserida, ou seja, dependendo da situação.

123
 INTENCIONALIDADE

=> Todo autor de um texto tem, necessariamente, determinados objetivos ou propósitos, que vão desde a simples
intenção de estabelecer ou manter o contato com o receptor até a de levá-lo a partilhar de opiniões ou a agir ou
comportar-se de determinada maneira.

=> Assim, a intencionalidade refere-se ao modo como os emissores usam textos para realizar suas intenções. É por esta
razão que o emissor procura, de modo geral, construir seu texto de modo coerente e dar pistas ao receptor que lhe
permitam constituir o sentido desejado. [...]

=> A intencionalidade tem relação estrita com o que se tem chamado de argumentatividade. Se aceitarmos como verdade
que não existem textos neutros, que há sempre alguma intenção ou objetivo da parte de quem produz um texto, e que
este não é jamais uma “cópia” do mundo real, pois o mundo é recriado no texto através da mediação de nossas crenças,
convicções, perspectivas e propósitos, então somos obrigados a admitir que existe sempre uma argumentativiade
subjacente ao uso da linguagem.

 COMUNICABILIDADE

=> Comunicabilidade acontece quando uma mensagem é transferida de forma integral, correta, rápida e economicamente.
Essa transmissão integral significa que não há ruídos supressivos, deformantes ou concorrentes.

=> Na transmissão correta há coerência entre a mensagem mandada pelo emissor e pelo receptor. A rapidez supõe que a
mensagem seja transmitida de maneira curta sem prolongação e a economia quer dizer transmitir a mensagem da forma
mais objetiva possível sem retornos e sem esforços para compreender o que foi dito.

=> Pode-se falar numa comunicabilidade de código e de discurso.

124
 ACEITABILIDADE

=> A aceitabilidade acontece quando duas pessoas estão conversando, ou seja, há um emissor e um receptor, eles procuram
compreender um ao outro por meio da ativação dos seus conhecimentos e relacionando com o que lhe foi passado, para
entender o sentindo do texto.
=> Outra definição: Na aceitabilidade há uma relação entre a pessoa que escreve e a que lê, acontecendo entre eles uma
cooperação de sentidos, pois o autor explora todos os elementos possíveis para dar coerência ao texto, fazendo com o que
o leitor, através deles, ative os seus conhecimentos de mundo e estabeleça uma interpretação.
=> Dessa forma a aceitabilidade constitui a parte oposta da intencionalidade, pois enquanto a primeira é a ação do emissor
em passar para o receptor um texto de acordo com a sua intenção e objetivos. A aceitabilidade é a ação do receptor em
associar ao que está sendo lindas alguma coerência e interpretá-lo da forma que achar adequada.

 SITUACIONALIDADE

=> Tem função de adequar um texto a uma situação, ao contexto. Recebe-se que uma situação define e conduz o sentido
do discurso, na produção quanto na sua interpretação, por isso que as vezes mesmo um texto com baixa coesão, e pouco
claro pode funcionar melhor em uma situação do que outro que seja mas completo.

=> Uma característica da situacionalidade é que o texto vai ser diretamente interferido na situação, da mesma forma este
terá reflexo sobre toda situação, pois o texto não é um simples reflexo do mundo real. o homem deve ser apenas um
mediador, com suas próprias ideais e crenças recriando a situação,dessa forma uma situação nunca será descrita da mesma
forma por duas pessoas, sempre terá diferença.

=> Considerado como outro fator responsável pela coerência textual a situacionalidade, pode ser encontrado em duas
situações:

A) da situação para o texto


=> No primeiro caso ao construir um texto é importante observar o que é adequado para aquela situação, a exemplo:
formalidade, variedade dialetal, ou seja, o dialeto ou linguagem daquela localidade ou região, então trata-se de determinar
em que medida a situação comunicativa interfere na produção e recepção do texto. Deve ser então restrita a comunicação
para que haja o melhor entendimento do interlocutor.

B) do texto para a situação


=> Já no segundo caso o texto também apresenta reflexos importantes sobre a situação comunicativa; sendo que dessa vez
será do texto para a situação. Jamais o mundo real será idêntico ao mundo textual, o produtor cria o mundo de acordo com
seus pontos de vistas, seus objetivos, propósitos, etc., portanto o texto não é um cópia fiel do mundo real, mas sim o mundo
tal como ele é visto pelo produtor. Por isso que quando pessoas descrevem o mesmo fato nunca sai com depoimentos
iguais.

125
 INFORMATIVIDADE

=> A informatividade se caracteriza como a capacidade de acrescentar informações novas ao texto. Seria fugir ao “lugar
comum” ou “senso comum”. Assim, ao passo que o senso comum em nada contribui para o conhecimento do leitor, haja
vista que são informações extraídas do consenso geral, a informatividade, como literalmente se afirma, acrescenta ao
interlocutor algo novo e inesperado. É preciso, acima de tudo, interpretar o que está sendo
lido, procedimento esse que somente se tornará viável se houver um pouco de conhecimento prévio que, aos poucos, vai
se incorporando ao que é conquistado.

=> Torna-se importante ressaltar que o nível de informatividade de um texto pode variar de acordo com o público a que
ele se destina, público e o grau de informações demarcado em um texto têm de estar em consonância entre si. Dessa forma,
importante é frisar que um texto pode se constituir de um médio grau de informatividade, tal como ocorre com a maioria
dos textos que circula na esfera jornalística, destinada a um público mediano, em termos de informação. Já um texto dotado
de alto rigor científico traz consigo um grau maior de informatividade, podendo ser veiculado numa revista científica e ser
destinado ao público que faz parte desse universo.

 PARÁFRASE

* A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas.


a) substituição de locuções por palavras;
b) uso de sinônimos;
c) mudança de discurso direto por indireto e vice-versa;
d) converter a voz ativa para a passiva;
e) emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano = portugueses).

Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases.


a) Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.
Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.
b) Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.
Determinados alunos pediram ajuda aos professores.

Explicações:
a) Certos alunos = qualquer aluno Alunos certos = aluno correto
b) Alunos determinados = alunos decididos Determinados alunos = qualquer

E o que é analisar ?
O que se pretende com a análise textual?

• identificar o gênero e a tipologia;


• verificar o significado das palavras;
• contextualizar a obra no espaço e tempo;
• esclarecer fatos históricos do texto;
• conhecer dados biográficos do autor;
• relacionar o título ao texto;
• levantar o problema abordado;
126
• apreender a ideia central do texto;
• aprender as ideias secundárias do texto;
• buscar a intenção do texto;
• verificar a coesão e coerência textual;
• reconhecer se há intertextualidade.
• levantar elementos para a compreensão e, posteriormente, fazer julgamento crítico.

Verbos utilizados em provas:

Afirmar: certificar, comprovar, declarar.


Explicar: expor, justificar, expressar, significar.
Caracterizar: distinguir e destacar as particularidades.
Consistir: ser, equivaler, traduzir-se por (determinada coisa), ser feito, formado ou composto de.
Associar: estabelecer uma correspondência entre duas coisas, unir-se, agregar.
Comparar: relacionar (coisas animadas ou inanimadas, concretas ou abstratas, da mesma natureza ou que apresentem
similitudes), ver relações de semelhança ou de disparidade;
Justificar: provar, demonstrar, argumentar, explicar.
Relacionar: fazer conexão, ligação, adquirir relações.
Definir: revelar, estabelecer limites, indicar a significação precisa de, retratar, conceituar, explicar o significado.
Diferenciar: fazer ou estabelecer distinção entre, reconhecer as diferenças.
Classificar: distribuir em classes e nos respectivos grupos, de acordo com um sistema ou método de classificação;
determinar a classe, ordem, família, gênero e espécie; pôr em determinada ordem, arrumar (coleções, documentos);
Identificar: distinguir os traços característicos de; reconhecer; permitir a identificação, tornar conhecido.
Referir-se: fazer menção, reportar-se, aludir-se.
Determinar: precisar, indicar (algo) a partir de uma análise, de uma medida, de uma avaliação; definir.
Citar: transcrever, referir ou mencionar como autoridade ou exemplo ou em apoio do que se afirma.
Indicar: fazer com que, por meio de gestos ou sinais, algo ou alguém seja visto; assinalar, designar, mostrar.
Deduzir: concluir (algo) pelo raciocínio; inferir.
Inferir-se: concluir, deduzir.
Equivaler: ser idêntico no peso, na força, no valor etc.
Propor: submeter (algo) à apreciação (de alguém); oferecer como opção; apresentar, sugerir.
Depreender: alcançar clareza intelectual a respeito de; entender, perceber, compreender; tirar por conclusão, chegar à
conclusão de; inferir, deduzir.
Aludir: fazer rápida menção a; referir-se.

TIPOS DE DISCURSO
=> Os personagens que participam da história evidentemente falam. É o que se conhece como discurso, que pode ser:

1) Direto
=> O narrador apresenta a fala do personagem, integral, palavra por palavra. Geralmente se usam dois pontos e travessão.
Ex.: O funcionário disse ao patrão:
- Espero voltar no final do expediente.
Rui perguntou ao amigo:
- Posso chegar mais tarde?

2) Indireto
=> O narrador incorpora à sua fala a fala do personagem. O sentido é o mesmo do discurso direto, porém é utilizada uma
conjunção integrante (que ou se) para fazer a ligação.
Ex.: O funcionário disse ao patrão que esperava voltar no final do expediente.
Rui perguntou ao amigo se poderia chegar mais tarde.

127
Obs.: O conhecimento desse assunto é muito importante para as questões que envolvem as paráfrases. Cuidado, pois, com
o sentido. Procure ver se está sendo respeitada a correlação entre os tempos verbais e entre determinados pronomes.
Abaixo, outro exemplo, bem elucidativo.
Minha colega me afirmou:
- Estarei aqui, se você precisar de mim.
Minha colega me afirmou que estaria lá se eu precisasse dela.
O sentido é, rigorosamente, o mesmo. Foi necessário fazer inúmeras adaptações.

3) Indireto livre
=> É praticamente uma fusão dos dois anteriores. Percebe-se a fala do personagem, porém sem os recursos do discurso
direto (dois pontos e travessão) nem do discurso indireto (conjunções que ou se).
Ex.: Ele caminhava preocupado pela avenida deserta. Será que vai chover, logo hoje, com todos esses compromissos!?

IMPORTANTE: Em um texto pode haver mais de uma tipologia, sabendo-se que apenas uma prevalecerá.

 TIPOLOGIA TEXTUAL

A - Descritivo: Ressalta características, podendo ser físicas e/ou psicológicas, seja de um objeto, de uma pessoa, de um
ambiente, de um animal. Predomina o uso de adjetivos, qualificando o elemento descrito.

Ex.: Nas proximidades deste pequeno vilarejo, existe uma chácara de beleza incalculável. Ao centro avista-se um lago de
águas cristalinas. Através delas, vemos dança rodopiante dos pequenos peixes. Em volta desse lago pairam, imponentes,
árvores seculares que parecem testemunhas vivas de tantas histórias que se sucederam pelas gerações.

B - Narrativo: É o contar de uma situação verídica ou não. Pode ser fábula, conto, relato, crônica, depoimento, piada, novela
ou romance.

Ex.1: O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, perguntou a um
funcionário onde ficava a cidade mais próxima. Ele respondeu que havia um vilarejo a dez quilômetros dali.

b. ( )Ex.2: O rapaz, depois de estacionar seu automóvel em um pequeno posto de gasolina daquela rodovia, perguntou:
 Onde fica a cidade mais próxima?
 Há um vilarejo a dez quilômetros daqui  respondeu o funcionário.

 O objetivo aqui foi mostrar que, mesmo em um exercício de tipologia textual, pode ser solicitada a distinção ente
discurso direto e indireto.

C – Descritivo-Narrativo: Junção de características com predominância dos elementos descritivos.

Ex.: Joaquim trabalhava em um escritório que ficava no 12º andar de um edifício da Avenida Paulista. De lá avistava todos
os dias a movimentação incessante dos transeuntes, os frequentes congestionamentos dos automóveis e a beleza das
arrojadas construções que se sucediam do outro lado da avenida. Estes prédios moderníssimos alternavam-se com
majestosas mansões antigas. O presente e o passado ali se combinavam e, contemplando aquelas mansões, podia-se, por
alto, imaginar o que fora, nos tempos de outrora, a paisagem desta mesma avenida, hoje tão modificada pela ação do
progresso.

D – Narrativo-Descritivo: Junção de características com predominância dos elementos narrativos.

Ex.1: As crianças sabiam que a presença daquele cachorro vira-lata em seu apartamento seria alvo da mais rigorosa censura
de sua mãe. Não tinha qualquer cabimento: um apartamento tão pequeno que mal acolhia Álvaro, Alberto e Anita, além de
seus pais, ainda tinha de dar abrigo a um cãozinho! Os meninos esconderam o animal em um armário próximo ao corredor
e ficaram sentados na sala à espera dos acontecimentos. No fim da tarde a mãe chegou do trabalho. Não tardou em
descobrir o intruso e a expulsá-lo, sob os olhares aflitos de seus filhos.

128
Ex.2: O candidato à vaga de administrador entrou no escritório onde iria ser entrevistado. Ele se sentia inseguro, apesar de
ter um bom currículo, mas sempre ficava assim quando estava por ser testado. O dono da firma entrou, sentou-se com ar
de extrema seriedade e começou a lhe fazer perguntas variadas. O interrogatório parecia sem fim. Porém, aquela
sensação desagradável acabou quando ele foi informado de que o lugar era seu.

E – Dissertativo-Argumentativo – Tem o objetivo de convencer o leitor, persuadi-lo a concordar com a ideia ou ponto de
vista exposto, isso se faz por intermédio de argumentação, utilizando-se de dados, estatísticas, provas, opiniões relevantes
etc.

Ex.1: Acredita-se firmemente que só o esforço conjunto de toda a nação brasileira conseguirá vencer os gravíssimos
problemas econômicos, por todos há muito conhecidos. Quaisquer medidas econômicas, por si só, não são capazes de
alterar a realidade, se as autoridades que as elaboram não contarem com o apoio da opinião pública, em meio a uma
comunidade de cidadãos conscientes.

Ex.2: A televisão aliena o homem por requisita-lo inteiramente para si, uma vez que as informações que traz são
bombardeadas em frações de segundos, não permitindo o menor desvio de sua atenção e nem uma reflexão mais
aprofundada devido à rapidez e à quantidade de informações.

F – Dissertativo-Expositiva – Texto em que se expõem as ideias, conceitos ou definições já pré-concebidos, sem se


argumentar ou defender teses com argumentação de um determinado ponto de vista.

Ex.: Dizem as pessoas ligadas ao estudo da Ecologia que são incalculáveis os danos que o homem vem causando ao meio
ambiente. O desmatamento de grandes extensões de terra, transformando-as em verdadeiras regiões desérticas, os efeitos
nocivos da poluição e a matança indiscriminada de muitas espécies são apenas alguns dos aspectos a serem mencionados.
Os que se preocupam com a sobrevivência e o bem-estar das futuras gerações temem que a ambição desmedida do homem
acabe por tornar esta terra inabitável.

G – Injunção (Prescrição): Usa-se para pedir, recomendar ou ordenar. Ex.: manual de instruções.
- Instrucional: O texto apresenta apenas um conselho, uma indicação e não uma ordem.
- Prescrição: O texto apresenta uma ordem, a orientação dada no texto é uma imposição.

H – Preditivo: Texto que cita previsões: Exemplos: horóscopos

Breve Resumo Para Fixação

Narração: Personagens, Enredo, Espaço...


Descrição: Enumeração, Comparação, Retrato Verbal...
Dissertação: Expositiva, Argumentativa, Debater...
Injunção: Instrucional (Manuais, Receitas, Bulas...)
Exposição: Fatos, Impessoal (Notícias Jornalísticas)

COESÃO E COERÊNCIA

COESÃO – é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em
outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblíquo
átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito.

=> Três princípios básicos são necessários para compreendermos melhor o que é coerência textual:

1) Princípio da Não-contradição: Um texto deve apresentar situações ou ideias lógicas que não se contradigam;

2) Princípio da Não-tautologia: A tautologia nada mais é do que um vício de linguagem que repete ideias com palavras
diferentes ao longo do texto, o que compromete a transmissão da informação;
129
3) Princípio da Relevância: Informações fragmentadas, incompletas, tornam as ideias do texto incoerentes, ainda que cada
fragmento apresente certa coerência individual. Se as ideias não dialogam entre si, então elas são irrelevantes. É importante
ressaltar que o uso adequado dos conectivos também colabora na construção de um texto coerente, pois a coesão textual
é um importante mecanismo de estruturação do texto.

 Coesão textual

=> Para que um texto apresente coesão, devemos escrever de maneira que as ideias se liguem umas às outras, formando
um fluxo lógico e contínuo.

1. Coesão referencial: Ocorre quando se utilizam expressões que retomam ou antecipam nossas ideias:

=> onde: indica a noção de "lugar" e pode substituir outras palavras. Ex.: São Paulo é uma cidade onde a poluição atinge
níveis muito altos. [No caso, "onde" retoma a palavra "cidade".]

=> cujo: pode estabelecer uma relação de posse entre dois substantivos. Lavei a escada cujos degraus estavam sujos..

=> que: pode substituir (e evitar a repetição de) palavras ou de uma oração inteira. Ex.: Pedro Álvares Cabral descobriu o
Brasil, o que permitiu aos portugueses ampliarem seu império marítimo.

=> esse (a), isso: podem conectar duas frases, apontando para uma ideia que já foi mencionada no texto. Ex.: O presidente
de uma ONG tem inúmeras funções a cumprir. Essas responsabilidades, no entanto, podem ser divididas com outros
membros .

=> este(a), isto: podem conectar duas frases, apontando para uma ideia que será mencionada no texto.
Ex.: O que me fascina em Machado de Assis é isto: sua ironia.

* Cuidado com o uso da palavra através, que só deve ser usado em caso de se atravessar algum espaço determinado ou o
tempo

2. Coesão lexical: Permite evitar a repetição de palavras e, também, unir partes de um texto. Pode ser alcançada utilizando-
se:

=> Sinônimos: Ex.: O presidente do Palmeiras, Silvano Eustáquio, afirmou que o time tem todas as condições de ser
campeão. Segundo o dirigente, com Miudinho, o gol palmeirense será impenetrável. Na opinião do cartola, a torcida só
terá alegrias.

=> Hiperônimos: Comprou frutas e deu as maças para a mulher.

=> Hipônimo: Vinha um ônibus, mas o pedestre não viu o veículo.

=> Perífrases: Ex.: O Rio de janeiro continua lindo. A cidade maravilhosa atrai turistas nos estádios de futebol é sempre
necessária, pois as torcidas às vezes agem com violência. Na verdade, não é mais possível a realização de qualquer
campeonato sem a presença de elementos treinados para garantir não só a ordem, mas também proteger a segurança
dos cidadãos que desejam acompanhar o jogo em tranquilidade.

=> Nomes genéricos: Trouxe cadernos, livros e outras coisas

=> Termos simbólicos: Inácio tinha dúvidas se iria para a Igreja, mas o apelo da cruz foi forte.
3. Coesão sequencial: Estabelece relações lógicas entre as ideias do texto. Para tanto, utilizamos os chamados
conectivos. Vamos explorar este assunto com riqueza de detalhes quando estudarmos “CONJUNÇÕES”.

Cuidado com conectivos que podem apresentar diferentes sentidos de acordo com o contexto em que estejam inseridos.
130
Observem os exemplos a seguir:
I) Como combinamos, não haverá aula amanhã. (CONFORMIDADE)
II) Os manifestantes correram como loucos após os primeiros disparos. (COMPARAÇÃO)
III) Como houve muitas reclamações, o professor anulou a prova. (CAUSA)

Notem que, apesar de o conectivo ser o mesmo nas três sentenças (“como”), as relações de sentido estabelecidas são
completamente diferentes. Nunca deixem de levar o contexto em consideração!

Coesão recorrencial: Esse tipo de coesão se caracteriza pela repetição de algum tipo de elemento anterior. Essa repetição
não funciona como na coesão referencial, quando fazemos alusão a um mesmo referente, mas sim como uma “lembrança”
de um mesmo padrão. Ela pode aparecer de várias formas:

 Através da recorrência de termos:


Exemplo: Marta falava, falava, falava...

=> A recorrência nesse caso dá uma ideia de continuidade. Não é uma repetição vocabular vista como desnecessária, mas
sim enfática.

 Através de recursos fonológicos, ou sons, caso da rima, ou da ênfase:


Exemplo 1: Ela estava calada, quieta, quietinha...
 A repetição “quieta”, “quietinha” intensifica a ideia.

 Através de uma paráfrase, que se refere à recorrência de conteúdos semânticos.


Ex.: isto é, ou seja, ou melhor, quer dizer...
 COERÊNCIA X COESÃO

Coerência: É a organização de ideias que mantém a lógica no raciocínio do início ao fim. Faz com que o texto não seja uma
sucessão de frases apenas e não apresente contradições, encadeando harmonicamente o que é escrito.

Ex falta de coerência: “Sou totalmente a pena de morte, exceto em casos de estupro.

Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do décimo andar e não sofreu nenhum arranhão."
é coerente, na medida que a frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalidade do fato
narrado.

Resumindo, podemos dizer que a coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; Coerência é o sentido lógico, o
nexo.

 REESCRITURA

=> As conjunções causais ou explicativas são trocadas pelas consecutivas ou conclusivas quando há a inversão da frase. E
vice-versa.
Ex.: Estudei muito, por isso fui aprovado. (conclusão) / Fui aprovado, pois estudei muito (explicação)

=> As conjunções adversativas são substituídas pelas concessivas em situações idênticas ao caso anterior.
Nos demais casos, só o contexto pode nos direcionar para o uso correto do conectivo.
Estudou muito, mas não foi aprovado. (adversativa)
Não foi aprovado, embora tenha estudado muito.

Elementos conectores - Eis os mais importantes:

131
1) Pronomes pessoais, retos ou oblíquos
Ex.: Meu filho está na escola. Ele tem uma prova hoje. Ele = meu filho (referente)
Carlos trouxe o memorando e o entregou ao chefe. O = memorando (referente)

2) Pronomes possessivos
Ex.: Pedro, chegou a sua maior oportunidade. Sua = Pedro (de Pedro)

3) Pronomes demonstrativos
Os demonstrativos estão entre os mais importantes conectores da língua portuguesa. Frequentemente se criam
questões de interpretação ou compreensão com base em seu emprego. Veja os casos seguintes.

a) O filho está demorando, e isso preocupa a mãe. Isso = O filho está demorando.
b) Isto preocupa a mãe: o filho está demorando. Isto = o filho está demorando.

Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência a coisas ou
fatos passados no texto. Isto (este, estes, esta, estas) refere-se a coisas ou fatos que ainda aparecerão. Embora se faça uma
certa confusão hoje em dia, o seu emprego adequado é exatamente o que acabamos de expor.

c) O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente.
Aquele = homem esta = mulher
4) Pronomes indefinidos
Ex.: Naquela época, os homens, as mulheres, as crianças, todos acreditavam na vitória.
todos = homens, mulheres, crianças
5) Pronomes relativos
Ex.: Havia ali pessoas que me ajudavam. que = pessoas

6) Pronomes interrogativos
Ex.: Quem será responsabilizado? O rapaz do almoxarifado, por não ter conferido os materiais.
Quem = rapaz do almoxarifado
7) Substantivos
Ex.: José e Helena chegaram de férias. Crianças ainda, não entendem o que aconteceu com o professor.
Crianças = José e Helena
8) Advérbios
Ex.: A faculdade ensinou-o a viver. Lá se tornou um homem. Lá = faculdade

9) Preposições
As preposições ligam palavras dentro de uma mesma oração. Em casos excepcionais, ligam duas orações. Elas não possuem
referentes no texto, simplesmente estabelecem vínculos.Ex.: Preciso de ajuda.Morreu de frio

SISTEMA LINGUÍSTICO, FALA E NORMA


=> As noções de certo e errado, bem e mal mudaram. Assim como tudo, a língua também mudou. Muitos de nós já
escutamos alguma conversa, em lugar público e formamos alguma impressão sobre o que as pessoas estão falando e sobre
o modo como falam. Essa impressão nos faz identificar socialmente a pessoa que está falando, descobrindo a origem
geográfica e talvez até a classe social do falante.

=> Imagine alguém dizer “Farta muito pra “chegá ?” Percebemos, ao ouvir esse enunciado, uma diferença entre a palavra
“falta”, e a forma como a pessoa falou, Em razão desses traços da fala, muitas pessoas poderiam concluir que o falante vem
do meio rural e/ou que possui baixa escolaridade. É possível fazer essas suposições visto que toda língua varia, não existe
lugar ou comunidade em que todas as pessoas falem da mesma maneira. E, também, porque essas variações são reflexos
de diferenças sociais, tais como origem geográfica e classe social.

=> No consenso popular, não existe a noção de que não há falar “certo” ou falar “errado”. A maioria das pessoas não
consegue conceber que existem variações linguísticas ou, se percebem que existem, pensam que devem ser evitadas. Essas
132
variações podem ser geográficas, de sotaques, de classes e ainda históricas, a variação temporal da língua;

=> Dessa forma, ocorre a discriminação das pessoas que falam de forma diferente da norma utilizada por uma elite
linguística. Essa elite é formada por pessoas em situação econômica mais favorável que outras e, por conseguinte, com
maior escolaridade. As pessoas se prendem, então, a conceitos de que a língua é imutável. De que só existe uma variedade
aceitável. E, muitas vezes, praticam preconceitos linguísticos e geram exclusões.

1- Linguagem; Toda forma de comunicação. É a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias,
opiniões e sentimentos. Num sentido mais genérico, a Linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de sinais que
se valem os indivíduos para comunicar-se.

Tipos de Linguagem: A linguagem pode ser:


Verbal: Faz uso das palavras para comunicar algo.

Não Verbal: Utiliza outros métodos de comunicação: a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, corporal, uma
figura, a expressão facial, um gesto...

2 - Língua: Conjunto de signos que o homem utiliza para transmitir sentido. É composta por regras gramaticais que
possibilitam que determinado grupo de falantes consiga comunicar-se e compreender-se.
Quando se cria uma língua particular em relação a determinados grupos apenas, temos um dialeto.

Língua portuguesa no Brasil

 Língua comum: É a língua-padrão do país, aceita pelo povo e imposta pelo uso.

 Língua regional: É a língua comum, porém com tonalidade regionais na fonética e no vocabulário, sem, no entanto
quebrar a estrutura comum. Quando se quebrar essa estrutura aparecerão os dialetos.

 Língua popular: É a fala espontânea do povo, eivada de plebeísmo, isto é, de palavras vulgares, grosseiras e gírias;
é tanto mais incorreta quanto mais inculta a camada social que a usa.

Língua culta: É usada pelas pessoas instruídas, orienta-se pelos preceitos da gramática normativa e caracteriza-se pela
correção e riqueza vocabular.

 Língua literária: É a língua culta em sua forma mais artificial, usada pelos poetas e escritores brasileiros em suas
obras.

 Língua falada: Utiliza apenas signos vocais, a expressão oral; é a mais comunicativa e insinuante, porque as palavras
são subsidiadas pela sonoridade e inflexões da voz, pelo jogo fisionômico, gesticulação e mímica; é prolixa e
evanescente.

 Língua escrita: É o registro formal da língua, a representação da expressão oral, utiliza-se de signos gráficos e de
normas expressas; não é tão insinuante quanto a falada, mas é sóbria, exata e duradoura.

 Fatores regionais: Há diferença no português falado por um habitante da região Nordeste e outro da região Sudeste
do Brasil, ou até na mesma região. No RS, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que
vive na capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.

 Fatores culturais: A escolarização e a formação cultural colaboram para os diferentes usos da língua.
Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.

133
 Fatores contextuais: Nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos: quando
conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos discursando em uma
solenidade de formatura.

 Fatores profissionais: O exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua
chamadas línguas técnicas. Essas formas têm uso restrito numa conversa de engenheiros, químicos, profissionais
da área de direito e da informática, biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas.

 Fatores naturais: Influência da idade e do sexo. Uma criança não utiliza a língua igual a um adulto, daí falar-se em
linguagem infantil e linguagem adulta.

 Fala: É a forma espontânea de usar a Língua. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a manifestação da fala,
pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua necessidade.

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA - Lista de formas gráficas variantes:


abdome e abdômen; engambelar e engabelar percentagem e porcentagem
açoitar, açoite ; entoação e entonação pitoresco, pinturesco e pintoresco
afeminado e efeminado; enumerar e numerar plancha e prancha
afoito ou afouto; espuma e escuma presépio e presepe
aluguel ou aluguer; estalar e estralar quadrênio e quatriênio
aritmética e arimética este e leste quatrilhão e quatrilião
arrebitar e rebitar exorcizar e exorcismar radioatividade e radiatividade
arremedar e remedar fação e facção rastro e rasto
assoalho e soalho flauta e frauta registro e registo
assobiar e assoviar flecha e frecha relampear, relampejar, relampaguear
assoprar e soprar geringonça e gerigonça remoinho e redemoinho
bêbado e bêbedo gorila e gorilha réptil ou reptil
bilhão e bilião gueixa e guexa retorquir e retorquir
bílis e bile heem? e hein? salsicha e salchicha
biscoito e biscouto hemorróidas e hemorróides salobra e salobre
bravo e brabo homogeneizar e homogenizar seção e secção
caatinga e catinga impingem e impigem selvageria e selvajaria
cãibra e câimbra imundícia, imundície e imundice sobressalente e sobresselente
cálice e cálix lantejoula e lentejoula súbdito e súdito
carroçaria e carroceria lisonjear e lisonjar surripiar e surrupiar
catorze e quatorze louça e loiça susceptível e suscetível
catucar e cutucar louro e loiro taberna e taverna
chipanzé e chimpanzé macaxeira e macaxera taramela e tramela
cobarde e covarde maçom e mação televisar e televisionar
cociente e quociente maltrapilho e maltrapido tesoura e tesoira
coisa e cousa maquiagem e maquilagem tesouro e tesoiro
cota e quota limpar e alimpar toicinho e toucinho
cotidiano e quotidiano marimbondo e maribondo transvestir e travestir
cotizar e quotizar melancólico e merencório trilhão e trilião
cuspe e cuspo menosprezo e menospreço vasculhar e basculhar
degelar e desgelar mobiliar, mobilhar e mobilar várzea, várgea
demonstrar e demostrar neblina e nebrina vargem e varge
dependurar e pendurar nenê, neném e nenen volibol e voleibol
enfarte, infarto, enfarte parênteses e parêntesis

134
LINGUAGEM - CÓDIGO

É o conjunto de símbolos e sinais de que se vale o homem para, intencionalmente, comunicar-se.

A Linguagem pode ser:

1. Verbal: Utilizando a palavra, falada ou escrita (signo lingüístico)


2. Não-verbal: Qualquer outro signo que não seja a palavra falada ou escrita. Esses signos são criados com sons, gestos,
desenhos e cores.

LINGUAGEM: É TODO SISTEMA ORGANIZADO DE SIGNOS QUE SERVE COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO ENTRE OS
INDIVÍDUOS.

Conclui-se ser possível falar em linguagem do trânsito, linguagem matemática, linguagem dos gestos, sinais, da música e
outras.

LÍNGUA: Refere-se ao idioma. É a linguagem verbal usada por um grupo de indivíduos que constituem uma comunidade.

FALA: É a maneira particular de usar a língua em uma determinada região. Possui níveis que são o comum ou o literário;
coloquial ou formal e popular ou erudito.

FUNÇÕES DA LINGUAGEM: São seis os elementos da comunicação:

1. Emissor ou emitente (remetente)


2. Receptor (destinatário)
3. Mensagem – é o que se escreve ou se diz
4. Referente – são os fatos e as evidências, vivências ou juízos.
5. Código – é a linguagem em si.
6. Canal – É o fio condutor da mensagem.

Existem diferentes estratégias de persuasão, que põem estes elementos em destaque. A esse destaque, damos o nome
de funções da linguagem.

1. EMOTIVA OU EXPRESSIVA: Põe o emissor e seus sentimentos em destaque. O emissor deixa no texto a sua marca
manifestada por emoções, opiniões. Ex.: As cartas pessoais, as canções sentimentais.
Ex.: “Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou.” (Legião Urbana)

“Eu sei que vou te amar,


Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida, eu vou te amar

FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA: Põe em destaque o receptor , cujo comportamento se quer influenciar ou alterar. Isto
acontece quando se emite uma ordem,ou se faz um pedido, uma apelo, uma súplica, uma sugestão. É função nas mensagens
publicitárias. Pode ser imperativa.
“Vem pra caixa você também, vem”

FUNÇÃO POÉTICA OU CONOTATIVA: Realça fundamentalmente a mensagem. Apresenta uma maneira especial de elaborar
o código, a fim de obter um efeito estético, através até de desvios de normas e de neologismos (novos vocábulos) . Existe
preocupação com a escolha de vocábulos cuja sonoridade está a serviço da significação pretendida na mensagem. Esta
preocupação é artística ou literária e pode ser em prosa ou em verso.
“Uma tigresa de unhas negras ... E íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza ... Que me aconteceu” (Caetano Veloso)

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FUNÇÃO REFERENCIAL (ou DENOTATIVA): Também é chamada de cognitiva ou informativa. Está centralizada
principalmente no referente, procurando fornecer informações, transmitir a mensagem com clareza e objetividade, com as
palavras sendo empregadas em seu sentido real.
Ex.: “Com a utilização de computadores e da técnica do DNA, O FBI descobriu que o Imperador foi vítima de um crime
cuidadosamente planejado. Os pesquisadores americanos chegaram a essa conclusão após analisarem uma mecha de
cabelo pertencente a um colecionador francês.

FUNÇÃO METALINGUÍSTICA: Enfatiza o próprio código da linguagem. Ela se volta para si mesma, visando a tradução do
código. É o que acontece nos dicionários, textos que estudam outros textos, nos poemas que cuidam da rima, nos filmes
que tratam de cinema etc.
“Esta canção é mais que uma canção... Quem dera fosse uma declaração de amor... “

FUNÇÃO FÁTICA: Destaca o canal de comunicação. Por ela, verifica-se se o contato emissor / receptor continua efetivo.
Inicia ou fecha um diálogo.
Alô, está me ouvindo? E aí, cara!?

EXERCÍCIOS

1 “ Anda em mim, soturnamente,


Uma tristeza ociosa,
Sem objetivo latente,
Vaga, indecisa, medrosa”
Temos aqui duas funções, que são:
(A) emotiva e poética
(B) fática e poética
(C) emotiva e apelativa
(D) conotativa e denotativa

2. Gosto de sentir a minha língua roçar E furtem cores como camaleões


A língua de Luis de Camões Gosto do Pessoa na pessoa
Gosto de ser e de estar Da rosa no Rosa
E quero me dedicar E sei que a poesia está para a prosa
E quero criar confusões de prosódia Assim como o amor está para a amizade.”
Que encurtem dores ( Língua - Caetano Veloso )

(A) emotiva, poética e fática


(B) poética, fática e conativa
(C) emotiva, poética e metalinguística
(D) emotiva, apelativa e poética”

3. “Morena , faças-me um favor


Não há necessidade de que seja tão bela...
A mim, me basta que, ao passar
Por mim, lance-me um olhar de desprezo
Saberei então que mereci teu olhar... “

No texto acima, temos, respectivamente as funções:


(A) emotiva e poética
(B) conativa e emotiva
(C) conativa e fática
(D) metalinguística e emotiva
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Historinha I

Historinha II

5. Qual a função da linguagem comum às duas historinhas?

6. A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades menores chamadas
ecossistemas, que podem ser uma floresta, um deserto e até um lago. Um ecossistema tem múltiplos mecanismos que
regulam o número de organismos dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e migrações.

Predomina no texto a função da linguagem


(A) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento em relação à ecologia.
(B) fática, porque o texto testa o funcionamento do canal de comunicação.
(C) conativa, porque o texto procura orientar comportamentos do leitor.
(D) referencial, porque o texto trata de noções e informações conceituais.

7. No segundo quadrinho, aponte que função da linguagem se apresenta na historinha:

137
8. Nesta tira, a figura do boneco de madeira põe em evidência a
(A) coesão.
(B) realidade.
(C) intertextualidade.
(D) variedade linguística.

9. Na tira acima, o elemento que não está permitindo a comunicação é:


(A) canal fechado.
(B) Ausência de emissor.
(C) ausência de receptor.
(D) código desconhecido.

FIGURAS DE LINGUAGEM
São empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva.
As figuras de linguagem classificam-se em:
(A) figuras de palavras;
(B) figuras de som;
(C) figuras de pensamento;
(D) figuras de sintaxe.

FIGURAS DE PALAVRA: As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele
convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.

Comparação: Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por
conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos -
parecer, assemelhar-se e outros. Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua mulher como se
fosse lógico." (Chico Buarque);

Metáfora: Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da
subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o
conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo: "Minha vida é um livro.” “O mundo é uma bola.”

Metonímia: Quando há substituição de uma palavra por outra, o continente pelo conteúdo e -versa: Antes de sair,
tomamos um cálice (o conteúdo de um cálice) de licor.
- a causa pelo efeito e vice-versa: "E assim o operário ia / Com suor e com cimento (com trabalho) / Erguendo uma casa
aqui / Adiante um apartamento." (Vinicius de Moraes).
- o lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho da cidade do Porto).
- o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a obra de Jorge Amado).
- o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o seu coração (sentimento, sensibilidade).
- o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o poder) foi disputada pelos revolucionários.
- a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício da Prefeitura).
- o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo (guloso, glutão).

Catacrese: É um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum
vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguístico, já fora do âmbito estilístico."
(Othon M. Garcia).
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de alho / montar em burro / céu da boca / cabeça de
prego / mão de direção / ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no banco.

Sinestesia: Consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação,
audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no
reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia (sensações táteis], quase
irreal." (Augusto Meyer)

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Antonomásia: Quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue. Na linguagem
coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo
etc.) do nome próprio.
Exemplos: "Pelé (= Edson Arantes do Nascimento) / O poeta dos escravos (= Castro Alves)

FIGURAS DE SOM
Chamam-se figuras de som os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura
"imitar" sons produzidos por coisas ou seres.

Aliteração: Quando há repetição da mesma consoante Exemplo: "Toda gente homenageia Januária na janela." "Pedro
pedreiro penseiro esperando o trem. " (Chico Buarque).

Assonância: Quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.

Exemplo: "Sou Ana, da cama / da cana, fulana, bacana / Sou Ana de Amsterdam." (Chico Buarque).

Paronomásia: Quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.


Exemplo: "Berro pelo aterro pelo desterro / berro por seu berro pelo seu erro / quero que você ganhe que você me
apanhe / sou o seu bezerro gritando mamãe." (Caetano Veloso).

Onomatopeia: Quando uma palavra imita um ruído ou som.


Exemplo: "O silêncio fresco despenca das árvores. / Veio de longe, das planícies altas, / Dos cerrados onde o guaxe passe
rápido... / Vvvvvvvv... passou." (Mário de Andrade).

FIGURAS DE PENSAMENTO
Referem-se ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

Antítese: Palavras ou expressões de sentidos opostos.


Exemplo: "Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos
almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa).

Paradoxo: ideias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira.
Oxímoro é outra designação para paradoxo.
Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento descontente;

Eufemismo: expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante. Exemplo:
Descansa nos braços do Senhor.

Gradação: Quando há uma sequência de palavras que intensificam uma mesma ideia

Hipérbole: Quando há exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Exemplo: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!"

Ironia: Quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou
orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: "Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra como uma porta: / um amor." (Mário de Andrade).

FIGURAS DE SINTAXE
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua
ordem, possíveis repetições ou omissões. Elas podem ser construídas por:
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse.
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Assíndeto: Quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou
separadas por vírgulas.
Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se,
fundindo-se." (Machado de Assis).

Elipse: Quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode
ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve,
sandálias coloridas." (elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...).

Zeugma: Quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
Exemplo: "O bem representa a luz; o mal, as trevas"

Anáfora: Quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.


Exemplo: "Depois o areal extenso... / Depois o oceano de pó... / Depois no horizonte imenso / Desertos... desertos
só..."(C. Alves).

Pleonasmo: Quando há repetição da mesma ideia, isto é, redundância de significado.


a) Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do ponto de vista semântico quanto
do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.
Ex:"Morrerás morte vil na mão de um forte." (G.Dias)
"Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa).

b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas.
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do descobrimento
do sentido real das palavras.
Exs: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio
exclusivo / principal protagonista.

Polissíndeto: Quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical
(geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.
Exemplo: "E onde houver dúvidas, que eu leve a fé; e onde houver erro, que eu leve a verdade”. (Oração de São Francisco).

Anástrofe: Quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante/determinado).


Exemplo: "Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho." (Mário Quintana).

Hipérbato: Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.


Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " (As belas passeiam na Avenida à tarde.) (Drummond).

Sínquise: Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado. Ex: "A
grita se alevanta ao Céu, da gente. " (A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões).

Hipálage: Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída
a outro, na mesma frase.
Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." (as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros).

Anacoluto: Quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A
construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida -desprendidos dos demais,
geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado).
Silepse: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a ideia a elas associada.

a) Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa).
b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Ex: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve
se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis).
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01. No enunciado: “Virgílio, traga-me uma coca cola bem gelada!”, registra-se uma figura de linguagem denominada:
(A) anáfora (D) metonímia
(B) catacrese (E) antítese
(C) personificação

02. Quando você afirma que enterrou “no dedo um alfinete”, que embarcou “no trem” e que serrou “os pés da mesa”,
recorre a um tipo de figura de linguagem denominada:
(A) metonímia (D) catacrese
(B) alegoria (E) paródia
(C) antítese

03. Em: “Uma palavra branca e fria”, encontramos a figura:


(A) sinestesia (D) catacrese
(B) antonomásia (E) onomatopeia
(C) eufemismo

04. A alternativa em que o autor NÃO utiliza prosopopeia.


(A) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um suspiro do mundo.”
(B) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem…”
(C) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu.”
(D) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)
(E) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”.

05. A catacrese, figura que se observa na frase “Apoia-se o material no braço da cadeira”, ocorre em:
(A) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.
(B) Apressadamente, todos embarcaram no trem.
(C) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
(D) Amanheceu, a luz tem cheiro.

06. Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..."
enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:
(A) metáfora e polissíndeto;
(B) metonímia e aliteração;
(C) anáfora e metáfora.
(D) comparação e repetição;
(E) hipérbole e metáfora;

07. Em: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial
é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" há
(A) prosopopeia e hipérbole;
(B) perífrase e hipérbole;
(C) metonímia e prosopopeia.
(D) hipérbole e metonímia;
(E) metonímia e eufemismo;

08. Em qual das opções há erro de identificação das figuras?


(A) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
(B) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopeia)
(C) Já não são tão frequentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
(D) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
(E) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)

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09. "Muito bom aquele encanador. Colocou em nossa casa vários canos furados.". Esta frase trata-se de que figura de
linguagem?
(A) metonímia
(B) ironia
(C) antítese
(D) catacrese

10. A figura que ocorre no trecho "A voz áspera daquele cantor nos fazia ter vontade de morrer" ocorre em qual outro
destes?
(A) Aquela melodia era música nos meus ouvidos.
(B) Sentia o cheiro bom das flores.
(C) Quando ela chegava perto, sentia o cheiro doce do perfume.
(D) Todos podiam ver como ela era parecida com sua vizinha.

11. Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica cada uma.
1. “Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
2. “E todos assim nos distraímos nesses preparativos”.
3. “A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”.
(A) silepse de gênero, silepse de número, silepse de número.
(B) silepse de pessoa, silepse de número, silepse de pessoa.
(C) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de pessoa.
(D) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de número.
(E) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero.

12. Na expressão: “Faz dois anos que ele entregou a alma a Deus.” a figura de linguagem presente é:
(A) pleonasmo
(B) comparação
(C) eufemismo
(D) hipérbole
(E) anáfora

13. Assinale a que não está classificada corretamente:


(A) O céu vai se tornando roxo e a cidade aos poucos agoniza. (prosopopeia)
(B) "E ele riu frouxamente um riso sem alegria". (pleonasmo)
(C) Peço-lhe mil desculpas pelo que aconteceu. (metáfora)
(D) "Toda vida se tece de mil mortes." (antítese)
(E) Ele entregou hoje a alma a Deus. (eufemismo).

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