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Fenómenos Transitórios

Definição de fenómenos transitórios

São fenómenos que ocorrem em circuitos eléctricos entre dois estados de


regime permanente.
Normalmente, os fenómenos transitórios ocorrem em circuitos eléctricos
durante as manobras de abertura e fecho de interruptores. Podem também
acontecer devido a outras causas, tais como ligações defeituosas.
Normalmente estes fenómenos duram alguns décimos, centésimos ou
milésimos de segundo.

Fig. 1 – Fecho e abertura de um interruptor


TEORIA DE CIRCUITOS 2021 1
Fenómenos Transitórios
Os fenómenos transitorios duram usualmente alguns décimos, centésimos
ou milésimos de segundo, contudo o seu estudo é importante, pois mostra
com antecedência qual o aumento perigoso de tensão ou intensidade da
corrente que pode ocorrer em várias secções de um circuito eléctrico.

A análise dos fenómenos transitórios permite também prever as


distorções nas formas de onda ou amplitude dos sinais quando passam
através de amplificadores, filtros ou outros elementos.

TEORIA DE CIRCUITOS 2021 2


Fenómenos Transitórios
Leis da comutação

Sob quaisquer condições transitórias ou estacionárias há dois aspectos


básicos a considerar: a corrente através de uma indutância e a tensão
através de uma capacidade não podem variar bruscamente.

1ª Lei da comutação
A corrente através de uma indutância imediatamente antes da comutação é
igual à corrente através da mesma indutância imediatamente depois da
comutação.
1 2 1
iL (0 )  iL (0 )  iL (0) WL  L i WC  C u 2
2 2
TEORIA DE CIRCUITOS 2021 3
Fenómenos Transitórios
2ª Lei da comutação

A tensão através de uma capacidade imediatamente antes da comutação é


igual à tensão através da mesma capacidade imediatamente depois da
comutação.

uc (0  )  uc (0  )  uc (0)
Condições iniciais
Indicam a condição em que o circuito eléctrico se encontrava antes da
comutação. As condições iniciais são utilizadas para a determinação das
constantes de integração nas soluções das equações diferencias. Para a
determinação destas constantes recorre-se às leis da comutação.

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Métodos de cálculo de processos
transitórios
Para o cálculo de circuitos em regimes transitórios devem ser resolvidas
equações diferenciais lineares. A resolução das equações pode ser feita
por três métodos:
1. Clássico;
2. Operacional;
3. Integral de Duhamel
No nosso estudo aplicaremos o método clássico, que consiste em:
1. Constituir as equações diferenciais para o circuito eléctrico, depois
da comutação;
2. Determinar a solução geral como a soma de duas componentes:
a. Componente estacionária (ou forçada) – que corresponde à
solução particular da equação diferencial não homogénea,
quando t  .
TEORIA DE CIRCUITOS 2021 5
Métodos de cálculo de processos
transitórios
b. Componente livre – que corresponde à solução geral da
equação diferencial homogénea.

A Solução completa é constituida por duas componentes:


i (t )  i est  i liv
3. Determinar as raizes das equações características.
4. Determinar as constantes de integração usando as condições
iniciais. Neste caso o circuito é analisado antes da comutação.

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Fenómenos Transitórios
Processos transitórios no circuito RL com fonte contínua
Escrevamos uma equação da 2ª lei de Kirchoff para o circuito da figura
dada, com o interruptor fechado:

di
R L L  Ri  E
dt
E

Trata-se de uma equação diferencial linear


com coeficientes constantes, pois R e L são
constantes.

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Fenómenos Transitórios
Resposta forçada e natural
Da matemática sabe-se que a solução geral de uma equação diferencial
linear é a soma da solução particular de uma equação não homogénea
com a solução geral de uma equação homogénea. A solução particular
(forçada) é:
i R L
E
i forçada  E
R

A equação homogénea obtém-se igualando o segundo membro da


equação diferencial a zero:
di
L  Ri  0
dt
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Fenómenos Transitórios
Resposta forçada e natural

A solução da equação homogénea é uma função exponencial da forma:


i livre  Ae p t
d
Fazendo: p 
dt

E resolvendo a equação homegenea em ordem a p,


obtemos: R
Lpi  Ri  0  i  Lp  R   0 p
L
Consideramos que para todos os fenómenos transitórios o tempo t = 0
corresponde ao instante em que o interruptor é levado de uma posição a
outra. A e p são constantes independentes do tempo.
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Fenómenos Transitórios
Resposta forçada e natural
Assim a solução completa da equação diferencial será:
R
E  t
i  i for  iliv   Ae L
R
Determinação da constante de integração:
t  0  i (0)  0 ; E
R
E E i (t )
i (0)  0   A  A  
R R
R
E  t 
i (1  e L ) t, s

R
L
Constante de tempo:   [s ] t trans  (3  5) 
R
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Fenómenos Transitórios
Processos transitórios no circuito RL com fonte alternada sinusoidal
Escrevamos uma equação da 2ª lei de Kirchoff para o circuito da figura
dada, com o interruptor fechado:

L di
R
L  R i  e ; e  E m sen ( t   E )
AC e dt

Trata-se de uma equação diferencial linear


com coeficientes constantes, pois R e L são
constantes.

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Fenómenos Transitórios
Resposta forçada e natural

Neste caso a resposta forçada para a obtenção desta solução, devemos


analisar um circuito de corrente alternada sinusoidal monofásica:
E E
I forçada    I for  I
Z R  j XL
Em
i for  I m sen ( t   I ) ; I m  ; Z  R 2  X L2
Z
A equação homogénea obtém-se igualando o segundo membro a zero é:
di
L  Ri  0
dt
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Fenómenos Transitórios
Resposta forçada e natural

A solução da equação homogénea é uma função exponencial da forma:

i livre  Ae p t

A solução completa, será:

R
 t
i  i for  iliv  I m sen ( t   I )  A e L

TEORIA DE CIRCUITOS 2021 13


Fenómenos Transitórios
Determinação da constante de integração:

t  0  i (0)  0 ; i (0)  0  I m sen  I  A  A   I m sen  I


Termo exponencial Termo sinusoidal
10
R
 t
i  I m sen ( t   I )  I m sen  I e
8
L
6

Corrente, A
L
Constante de tempo:   [s ] 0

R -2

-4

-6

-8

-10
0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 0.2
Tempo, s
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Fenómenos Transitórios
10

0
Corrente, A

-5

-10

-15

-20
0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 0.2
Tempo, s

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Fenómenos Transitórios
Desligação de um circuito RL da fonte contínua
Escrevamos uma equação da 2ª lei de Kirchoff para o circuito da figura
dada, com o interruptor fechado:

di
R L L  ( R  R1 ) i  0
R1 dt
E

A solução desta equação homogénea é uma função exponencial da forma:

i  Ae pt

TEORIA DE CIRCUITOS 2021 16


Fenómenos Transitórios
R1  R
onde: p
L
Determinação da constante de integração:

E E
t  0  i ( 0)  ; i ( 0)  A
R R
E
R
R1  R
E  t
i e L
i (t )
R
U0

 t, s
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Processos transitórios nos circuitos R-C
R

E c

d uC d uC
uC  R i  E ; i  C RC  uC  E ; uC  uC est  uC liv
dt dt

uC est  E ; uC liv  A e p t ; uC  E  A e p t
Determinação da constante de integração:

t  0  u C (0)  U 0 ; U 0  E  A  A  U 0  E
TEORIA DE CIRCUITOS 2021 18
Processos transitórios nos circuitos R-C
Determinação da raíz da equação característica:
1 1
R C p uC  uC  0  p     ;  R C
RC 
d u E  U 0  t
1 1
 t
u C  E  (E  U0 ) e 
;i C  e
dt R

E  U0
R uC (t )
t trans  (3  5) 
U0 i (t )

t trans t, s
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Processos transitórios nos circuitos R-C
Descarga de um consensador através de uma resistência:

R

c

E R1

d uC duC
i ( R1  R )  u C  0 ; i  C ;  C ( R1  R )  u C 0
dt dt
duC
C ( R1  R )  u C  0 ; u C  u C est  u C liv  u C liv
dt
u C liv  A e p t
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Processos transitórios nos circuitos R-C
1
 t
t  0 ; u C (0)  E  E  A  u C  E e 
;   ( R1  R ) C
1
d uC E  t
i  C  e
dt R1  R
E

E
R  R1
uC (t )

i (t )

t, s

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
di
R
uR  uL  uC  E ; uL  L ;
dt
E c
di d uC
L
iRL  uC  E ;i  C
dt dt

d uc di d2 uC d uc
RC L  u C  E  L C 2  RC uC  E
dt dt d t dt
u C  u C est  u C liv ; u C est  E ; u C liv  ?

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
d2 uCd uc
L C 2  RC  u C  0  u C ( L C p 2  R C p  1)  0
d t dt
R 1 R R2 1
p 
2
p  0 ; p 1, 2    2

L LC 2L 4L LC
R2 1 L L 1
a) 2
  R 2
 4  R  2 ;  res 
4L LC C C CL
L
 res L   R  2 Duas raízes reais e diferentes
C
Reactância característica: 
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Processos transitórios nos circuitos
RLC
b) R  2  Duas raízes reais e iguais

c) R  2  Raízes complexas conjugadas

p1    j  p ; p 2    j  p ;
R
   Coeficiente de amortecimento
2L
1 R2
p   2
 Frequência angular das oacilações próprias
LC 4L
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Processos transitórios nos circuitos
RLC
a)
E
uC (t ) c)
i (t)
E
t, s i (t) uC (t )
b)
E t, s
uC (t )
i (t)

t, s
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Processos transitórios nos circuitos
RLC
Caso a)
u C liv  A1 e p1 t
 A2 e p2 t
; u C  E  A1 e p1 t
 A2 e p2 t

d uC
iC  C p1 A1 e p1 t
 C p2 A2 e p2 t

dt
t  0 ; u C ( 0)  0 ; i ( 0 )  0
0  E  A1  A2 ; 0  C p1 A1  C p2 A2
 A1  A2   E (1)

 p1 A1  p2 A2  0 ( 2)

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
Caso a)
p1 E
( 2)  p 1 (1)  A 2 ( p2  p1 )  E  A 2  ;
( p2  p1 )
p1 E  p2 E
A1   E  A2   E  
( p2  p1 ) ( p2  p1 )

p2 E p1 E
u C E  e p1 t
 e p2 t

( p2  p1 ) ( p2  p1 )
E
u C E  ( p2 e p1 t
 p1 e p2 t
)
p1  p2
TEORIA DE CIRCUITOS 2021
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Processos transitórios nos circuitos
RLC
C p1 p2 E
i (e p1 t
e p2 t
)
p1  p2
Caso b)
R
R  2   p1  p2   ; u C f E ;u C liv  ( A1  A2 t ) e
pt

2L
d uC
uC  E  ( A1  A2 t ) e pt
; iC  C A2 e pt
 C p ( A1  A2 t ) e pt

dt
 uC  E  ( A1  A2 t ) e p t

i  C [ A2  p ( A1  A2 t )] e
pt

TEORIA DE CIRCUITOS 2021

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
Caso b)


 uC (0)  0  E  A1  A1   E
t 0 
i (0)  0  C A1 p  C A2
  A2  p E

 uC  E  ( E  p E t ) e p t  E [1  ( p t  1) e p t ]

i  C [ p E  p (  E  p E t )] e pt
 C p 2
E t e pt

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
Caso c) R2

uC est  E ; u C liv  A1 e p1 t
 A2 e p2 t
; u C  E  A1 e p1 t
 A2 e p2 t

d uC
iC  C p1 A1 e p1 t
 C p2 A2 e p2 t

dt
Fazendo os mesmos
raciocínios que nos  E e t
 uC  E  ( P cos  p t   sen  p t )
casos anteriores, pode-  P
se determinar as  E
constantes de integração  i  e t
sen  p t
 p L
recorrendo a fórmula de
Euler e transformações TEORIA DE CIRCUITOS 2021
trigonométricas. 30
Processos transitórios nos
circuitos RLC
Demostração da expressão da tensão:
E
u C E  ( p2 e p1 t
 p1 e p2 t
); p 1    j  p ; p 2    j  p ;
p1  p2
E (  j  (  j 
u C E  [(  j  p ) e  (  j  p ) e
p )t p )t
]
2 j p
E j p t  j p t
E [(  j  p ) e  t e  (  j  p ) e  t e ]
2 j p
E e t
E [(  j  p ) (cos  p t  j sen  p t )  (  j  p ) (cos  p t  j sen  p t ) ]
2 j p
E e t
E [ cos  p t  j  sen  p t  j  p cos  p t   p sen  p t 
2 j p
 ( cos  p t  j  sen  p t  j  p cos  p t   p sen  p t ) ] 
E e t E e t
E ( j  2 sen  p t  j  p 2cos  p t )  E  (  p cos  p t   sen  p t )
2 j p p

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Processos transitórios nos
circuitos RLC
Demostração da expressão da corrente:

C p1 p2 E
i (e p1 t
e p2 t
); p 1    j  p ; p 2    j  p ; p1  p2  j 2 p ;
p1  p2
R2 1 R2 1
p1 p2      2
  2
p 
4 L2 L C 4 L2 L C
)  e t  cos  pt  j sen  p t  cos  p t  j sen  p t   e t j 2sen  p t
j  pt  j  pt
e p1 t
e p2 t
 e t ( e e
CE E t
i e t j 2sen  p t  e sen  p t
j 2 p LC  pL

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Processos transitórios nos circuitos
RLC
Obtenção da equação característica usando o método de
impedância de entrada (impedância de Thevenine) :

Passos a seguir:
1. Escrever a expressão para a impedância de entrada na forma
complexa, para qualquer ramo do circuito obtido depois da
comutação (com expecção de ramos com fontes de correntes).
2. Substituir na expressão todos os produtos j  por p.
3. Igualar a expressão obtida a zero e bter a equação
característica .

TEORIA DE CIRCUITOS 2021

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Fenómenos Transitórios
Exemplo: R   Z ent  Zin

R1 R2
E
L1

R ( R1  j  L1 ) R ( R1  p L1 )
Z ent  R2   Z ent ( p )  R2  0
R  R1  j  L1 R  R1  p L1
R2 R  R2 R1  R2 p L1  R R1  R p L1
 0 ; R  R1  p L1  0
R  R1  p L1
R2 R  R2 R1  R R1  p ( R2 L1  R L1 )  0
R2 R  R2 R1  R R1
p
R2 L1  R L1
TEORIA DE CIRCUITOS 2021 34
Fenómenos Transitórios
Processos transitórios nos circuitos R-L-C, com ligação mista
Considerando o circuito dado, calcular as leis de variação da corrente e
tensão no capacitor C2 R1 R3

Dados:
i1 i
C2  20  F ; R1  5  ; R3  5 ; E1  50V ;
3

i2 C2
E1

  
i i i  0  i1  i2  i3
 1 2 3 
 1  R1 1
 i1 R1 
C  i 2 dt  E1 i 2 R1 
C R  i 2 dt 
C  i2 dt  E1 ( a ) 
 2  2 3 2
i R  1 i dt  0  1
3 3 C  2 
i  i2 dt ( b)
 3
 2  C2 R3
R 1 d i2 R1  R3 di R  R3
( a )  i2 R1  ( 1  )  i2 dt  E1  R1  i2  0  2  1 i2  0
C 2 R3 C2 dt C 2 R3 d t C2 R1 R3

TEORIA DE CIRCUITOS 2021 35


Fenómenos Transitórios
R1  R3 R  R3
i2  i2 liv  i2 for  i2 liv  A e p t ; p i2  i2  0  p   1  20000 1s
C 2 R1 R3 C 2 R1 R3
i2  A e  20000 t ; i2  10 e  20000 t , A

u C 2 ( 0) E
i1 (0)  i2 (0)  i3 (0); uC 2 (0)  0  i3 (0)   0  i1 (0)  i2 (0)  1  10 A
R3 R1
1 A 20000 t A
uC 2 
C2  i2 dt  p C2 e  B  t  0 ; u C 2 ( 0)  0  0 
p C2
B

A
B  25  uC 2  25 e 20000 t  25, V
p C2

TEORIA DE CIRCUITOS 2021 36

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