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DESENHO

ASSISTIDO POR
COMPUTADOR
(CAD)

Kassio Cabral
Pereira dos Santos
Giuliano Cesar
Breda de Souza
Conceitos gerais sobre
o Modelamento 3D
(Feature Based)
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

 Compreender os conceitos do modelo.


 Reconhecer os conceitos sobre associatividade.
 Identificar os conceitos Feature Based (removendo ou acrescentando
material sobre um sólido bruto).

Introdução
Em um software paramétrico, como é o caso do CREO, as características
da modelagem são transferidas para todas as demais partes ou conjuntos
criados a partir do modelamento 3D, pois se tratam de correlações de
atributos de um recurso com outros, usando fórmulas numéricas.
Isso se torna fundamental, visto que qualquer alteração tem impacto
direto nos desenhos 2D, características em dimensões ou características
geométricas das partes que devem, por exemplo, ser utilizadas em uma
montagem ou usinadas com uma máquina de comando numérico com-
putadorizada (CNC).
Neste texto, você verá como se dá a modelagem por meio do Feature
Based, os conceitos de associatividade, as características de um modelo
3D e sua base para utilização por softwares CAM (Computer Aided Ma-
nufacturing) e CAE (Computer Aided Engineering).
2 Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based)

Conceitos do modelo
Qualquer software paramétrico, seja qual for seu desenvolvedor, trabalha com
relações matemáticas que associam os atributos de um recurso ao outro. Isso
faz com que as todas as alterações realizadas no modelo base – ou no modelo
3D – passem para os demais arquivos, como por exemplo, os desenhos de
componentes, os desenhos de montagem ou de simulação CAM (Computer
Aided Manufacturing).
A modelagem sólida apresenta todas as propriedades do modelo – ou as
chamadas features – que o objeto sólido 3D real teria. Isso, invariavelmente,
inclui as dimensões, a inércia, e tudo o que se relaciona às características do
objeto real, já que são inseridas informações específicas sobre as propriedades
do modelo. Para exemplificar de maneira simples, imagine que um prisma
sólido com dimensões 100mm x 100mm x 50mm (comprimento x altura x
profundidade) deverá ser construído conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1. Prisma modelado 3D.

Bem, até aqui, só há como propriedades do modelo, as dimensões (em mi-


límetros) e a geometria da peça. Mas se for considerado que na sua construção
será utilizado um aço com peso específico de 7830 kg/m3, logo, a partir dessa
definição, algumas propriedades são atribuídas ao modelo, como por exemplo,
a massa e o centro de gravidade, como pode ser observado na Figura 2. Nela é
possível verificar, por exemplo, que a massa final será de 3,91 kg e que a área
da superfície tem 40.000 mm2, além de outras informações relevantes para
cálculos de engenharia e simulações CAE (Computer Aided Engineering).
Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based) 3

Figura 2. Propriedades do modelo 3D no CREO 2.0.

Dessa forma, todas as alterações realizadas no modelo 3D, sejam elas quais
forem, são automaticamente repassadas aos demais recursos, como arquivos de
montagem e de simulação. Assim, fica claro que todas as alterações no projeto
de um objeto, conjunto ou equipamento serão muito mais rápidas e eficientes.
Considere que as informações sobre as características dos objetos mode-
lados são transferidas para os demais recursos de simulações, não somente as
dimensões, mas todas essas informações são utilizadas para que se tenha um
produto robusto. Por exemplo, uma simulação CAE pode mostrar um ponto
de tensão que provavelmente levará o componente ao colapso quando em uso.
A partir do modelo 3D são construídos os modelos 2D, quando então são
geradas as vistas ortogonais, as cotas, as referências geométricas entre outras
informações. Da mesma maneira, uma montagem é composta de diversos
modelos 3D que foram concebidos separadamente, e que unidos constituem
um conjunto. Uma simulação de usinagem com um software CAM também
utiliza um modelo 3D como referência, partindo de uma usinagem bruta até
atingir a forma do modelo. Da mesma maneira, um protótipo construído com a
4 Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based)

tecnologia de manufatura aditiva, mais conhecida como impressão 3D, utiliza


um sólido criado pelos softwares CAD (Computer Aided Design).
A Figura 3 apresenta, de maneira sucinta, a correlação entre o modelo 3D
– que carrega as informações sobre as características do objeto – e os demais
recursos que podem ser utilizados para o projeto de um produto.

Figura 3. Correlação entre o modelo 3D e demais recursos de simulação e fabricação.

Note que o modelo 3D não é copiado, mas sim, usado pelos demais recursos.
Assim, diz-se que o desenho 2D, a montagem ou a simulação CAM ou CAE
são chamados de arquivos ponteiros, ou seja, eles apontam para determinados
modelos sólidos.
Dessa forma, se o modelo 3D for apagado ou mesmo tiver seu nome al-
terado, os arquivos ponteiros ficam inconsistentes, gerando problemas na
leitura, não abrindo corretamente. Por isso, se uma modificação é realizada
no modelo 3D, ela migra automaticamente para todos os arquivos ponteiros
que utilizam este modelo. Então, uma montagem não tem a soma dos bytes
de todos os arquivos utilizados, porque se tratam de arquivos ponteiros. A
Figura 4 apresenta essa relação.
Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based) 5

Figura 4. Correlação (em bytes) entre os modelos 3D utilizados no arquivo ponteiro


“Montagem”.

Todas as características do material utilizado na concepção do sólido 3D devem


estar presentes no modelo, para evitar erros nas simulações. Essas informações são
fundamentais para que as ferramentas de simulação sejam eficientes no processo de
desenvolvimento de produto.

Conceito de associatividade
Como você já sabe, todas as alterações que são realizadas em um modelo 3D
migram para os arquivos ponteiros, ou seja, para os arquivos que utilizam o
modelo 3D original como base. Mas é possível que o contrário também ocorra.
Com base no conceito de associatividade, pode-se dizer que se houver uma
alteração em um desenho 2D ou em uma peça utilizada em uma montagem, essa
alteração também flui para o modelo original. Lembre-se de que se trata de um
software paramétrico, há a relação de um atributo de um recurso com outro,
utilizando fórmulas numéricas. Então, os recursos paramétricos determinam
condições geométricas e dimensionais entre diferentes recursos controlando,
por exemplo, distâncias, ângulos e raios entre os objetos envolvidos.
6 Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based)

Isso faz com que se evite erros de posicionamento entre elementos, como
concentricidade, perpendicularidade, paralelismo, entre outros.

Conceito de Feature Based


Neste conceito, o modelo 3D é construído aos poucos, acrescentando-se ou
retirando-se “material”. Basicamente, a construção de um sólido 3D passa
pela construção de geometrias simples que associadas darão o formato final
ao modelo.
Assim, é possível construir um objeto com a adição de geometrias – que
gerarão os sólidos – ou a extração de geometrias – que gerarão vazios – em um
determinado modelo. A sequência apresentada na Figura 5 ilustra o processo
de construção de um modelo a partir de geometrias simples.

Figura 5. Feature based no processo de modelagem de um produto no CREO 2.0.

Quando o usuário do software CAD já conhece a forma final do modelo


ou tem em mente como ele se apresentará no seu formato final, dá-se início
a um processo de simplificação – realizado mentalmente – de obtenção da
peça. Nesse processo de desconstrução do modelo 3D, o usuário faz o caminho
inverso ao da construção, simplificando seu modelo até chegar às formas
básicas e simples que o permitirão chegar ao resultado final. Dessa forma, o
usuário entende melhor a evolução da modelagem de seu produto final. Essa
ideia é apresentada na Figura 6.
Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based) 7

Figura 6. Etapas de simplificação de um modelo 3D.

Note que existe uma evolução na construção do modelo 3D e que dife-


rentes caminhos podem levá-lo ao mesmo lugar. Isso, é claro, pode deixar
seu arquivo maior ou menor, dependendo da quantidade de comandos que
foram utilizados para que seu modelo pudesse ser concluído. Com o passar
do tempo, a habilidade construtiva e o aprendizado sobre novas formas de
fazer o feature based proporcionam mais economia de tempo e soluções mais
criativas no processo de modelagem. Veja o exemplo apresentado na Figura
7 para o mesmo modelo apresentado anteriormente.

Figura 7. Construção de um modelo 3D com menos etapas.


8 Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based)

É uma forma de se chegar ao mesmo resultado, porém, por outro cami-


nho. Você pode perceber que há um passo a menos na modelagem, porém, o
resultado se mantém igual. Isso só é possível exercitando a simplificação de
modelos já existentes ou imaginando quantos comandos podem ser reduzidos
no processo de construção.

Veja como funciona na prática com o seguinte exemplo:


Modele os desenhos apresentados abaixo no CREO. Assim, será possível entender
melhor como funciona um software paramétrico e descobrir diferentes formas de se
chegar ao mesmo resultado final.
Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based) 9

1. Em uma simulação utilizando uma estratégia prévia de


um software CAE, levando-se construção se faz necessária.
em consideração as informações c) Só há um caminho a se seguir,
técnicas utilizadas na sendo que se houver qualquer
concepção de um modelo 3D, mudança na estratégia
pode-se afirmar que: de construção, não será
a) Bastam apenas as dimensões do possível finalizar o modelo.
modelo para que o CAE possa d) A simplificação mental de um
realizar as análises dos esforços. modelo existente (para facilitar
b) Independentemente do sua construção) é impossível
material utilizado, a análise de se realizar, visto que não há
no CAE fará com que as como saber quais estratégias
respostas sejam iguais. Assim, utilizar na modelagem.
o material se torna irrelevante. e) O tamanho do arquivo não
c) O tipo de material que compõe será afetado pelo número
o modelo é fundamental, de comandos necessários
pois há diferentes tipos de para se modelar um sólido,
respostas às solicitações visto que o resultado será
de carga dependendo o mesmo para diferentes
do material utilizado. quantidades de comandos.
d) Independentemente do 3. Para se construir um modelo
material utilizado, o modelo 3D como apresentado na
3D não pode ser utilizado figura abaixo, quais passos
para simulação, pois o CAE seriam os mais adequados?
usa diferentes especificações a) 1º – Fazer o furo menor; 2º –
das utilizadas no CAD. Fazer do furo maior; 3º – Fazer
e) As simulações realizadas no o cubo menor; 4º – Fazer o
CAE não são 100% confiáveis, cubo maior; 5º – Fazer um
o que torna a inserção do prisma retangular para subtrair
tipo de material no CAD material da parte superior
irrelevante para as análises. e 6º – Fazer os filetes.
2. Se considerar a feature based na b) 1º – Fazer o cubo menor; 2º –
concepção de um modelo 3D, é Fazer do furo menor;
possível afirmar que: 3º – Fazer o furo maior; 4º –
a) A modelagem não requer uma Fazer o cubo maior; 5º – Fazer
ordem construtiva, visto que os filetes e 6º – Fazer um
qualquer caminho que se seguir prisma retangular para subtrair
resultará em um modelo 3D. material da parte superior.
b) Como se tratam de adições c) 1º – Fazer um prisma retangular
e subtrações de material, para subtrair material da parte
10 Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based)

superior; 2º – Fazer os filetes; 3º calculadas para que um


– Fazer o furo menor; 4º – Fazer modelo possa ser construído.
o cubo maior; 5º – Fazer o furo b) Distinguir cada modelo
maior; 6º – Fazer o cubo menor. dependendo do material de
d) 1º – Fazer o cubo maior; 2º – construção. Por exemplo, um
Fazer o furo maior; 3º – Fazer modelo de peça em aço tem que
o cubo menor; 4º – Fazer o ser diferentemente modelado
furo menor 5º – Fazer um de uma peça em isopor.
prisma retangular para subtrair c) Carregar todas as informações
material da parte superior sobre as dimensões,
e 6º – Fazer os filetes. materiais e geometrias que
e) 1º – Fazer o cubo menor; 2º – constituem o modelo.
Fazer os filetes; 3º – Fazer o cubo d) Não levar em consideração
maior; 4º – Fazer o furo menor; os materiais utilizados, pois se
5º – Fazer um prisma retangular trata apenas da modelagem
para subtrair material da parte de um sólido geométrico.
superior e 6º – Fazer o Furo maior e) Não possibilitar que as
4. Um software paramétrico tem como montagens entre modelos
principal característica: sejam realizadas, visto que
a) Possuir uma série de variáveis há uma grande limitação
que devem ser previamente com relação às equações
que formam os modelos.

5. Sobre a correlação entre os modelos 3D e os demais recursos de


simulação apresentados na figura abaixo, é verdadeiro afirmar que:
Conceitos gerais sobre o Modelamento 3D (Feature Based) 11

a) Os modelos podem ser utilizados irreversíveis, sendo que


por quaisquer softwares de ele passa a ser exclusivo
simulação, porém, informações deste tipo de software.
geométricas devem ser d) A peça modelada em 3D,
inseridas manualmente. depois de utilizada uma vez
b) É possível utilizar o mesmo em uma montagem, pode ser
modelo tanto para um renomeada, pois o caminho para
software CAE quanto para encontrá-lo já está definido.
uma impressão 3D. e) Arquivos ponteiros são aqueles
c) Uma vez utilizado por um para os quais o modelo 3D
software CAM, o modelo 3D está apontando, assim como
original passa por alterações apresentado na figura.

Leitura recomendada

KANIFE, P.O. Computer Aided Virtual Manufacturing Using Creo Parametric. Switzerland:
Springer, 2016.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:

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