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Paula Larissa D.

Lima

ANÁLISE DE CIRCUITOS
PARA INICIANTES
Vol. 1
SUMÁRIO
03 CIRCUITO ELÉTRICO E CORRENTE ELÉTRICA

04 TENSÃO E RESISTÊNCIA

05 LEI DE OHM

06 CIRCUITO SÉRIE

07 CIRCUITO PARALELO

08 CIRCUITO MISTO

09 SOBRE A AUTORA
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CIRCUITO ELÉTRICO E CORRENTE
ELÉTRICA
A análise de circuitos elétricos constitui uma tarefa importante para profissionais
da área elétrica, desde a graduação até o mercado de trabalho. Entretanto, para
realizar esta análise, é importante aprender conceitos básicos como: circuito
elétrico, corrente elétrica, tensão elétrica, resistência, resistividade, indutância,
capacitância, impedância, entre outros.

Este e-Book mostra inicialmente os conceitos de: circuito elétrico, corrente elétrica, tensão elétrica, e
resistência. Os demais conceitos básicos serão abordados em volumes posteriores.

De um modo geral, podemos definir estes elementos da seguinte forma:


Circuito elétrico: é um caminho fechado percorrido pelos elétrons.
Corrente elétrica: é o fluxo ordenado de elétrons em um condutor.
Tensão elétrica: é a diferença de potencial aplicada a um condutor.
Resistência elétrica: é a oposição à passagem da corrente elétrica.
Primeiro, vamos entender melhor o que é circuito elétrico e o que é corrente
elétrica. Para melhor compreensão, veja a ilustração a seguir.

Figura 1. Exemplo para compreensão


A pilha armazena cargas elétricas. Quando colocamos a pilha no compartimento do
controle remoto, nós fechamos um circuito elétrico e haverá um fluxo ordenado de
elétrons que garantirá o funcionamento correto do controle remoto. Este fluxo
ordenado das cargas é o que chamamos de corrente elétrica.
É possível haver elétrons e não haver corrente? Sim! Todos os materiais condutores possuem elétrons
livres em sua estrutura, mas estes elétrons não estão ordenados e por isso não há corrente elétrica.

Resumindo: corrente elétrica é o movimento ordenado dos elétrons livres em um


condutor. Esse fluxo ordenado de elétrons ocorre em um caminho fechado que
denominamos de circuito elétrico.
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TENSÃO E RESISTÊNCIA
Afinal, o que é uma tensão elétrica?
O conceito de tensão elétrica gera dúvidas em estudantes da engenharia elétrica.
Basicamente, a tensão elétrica pode ser compreendida como uma diferença de
potencial elétrico entre dois pontos de um circuito. É a quantidade de energia
necessária para estabelecer a corrente elétrica. Para compreender melhor, vamos
usar um exemplo básico.
Lembra da nossa pilha do capítulo anterior? Pois bem, ela também será útil para
entendermos o que é uma tensão elétrica. A pilha armazena energia elétrica.
Normalmente, as pilhas comuns do tipo AA possuem 1,5 volts ou 1.5V. Essa energia é
liberada quando as pilhas são inseridas corretamente no controle remoto.

E como isso acontece?

Quando fechamos o circuito do controle remoto com a pilha, estamos aplicando


1,5V nos terminais do controle remoto e assim geramos uma diferença de potencial
(que podemos chamar de d.d.p.) no valor de 1,5V. Essa d.d.p. é suficiente para
movimentar os elétrons e gerar a corrente elétrica que garante o funcionamento do
circuito.
À medida que a pilha vai sendo usada no controle remoto, o valor da d.d.p. vai
diminuindo tornando-se insuficiente para sustentar a corrente elétrica, e é por isso
que a pilha para de funcionar.

O que se entende por resistência elétrica?


A resistência é uma característica dos materiais, sendo definida como a capacidade
que um material tem de se opor à passagem da corrente elétrica. Vamos entender
melhor com um exemplo básico.
Por que você não sofre uma descarga elétrica quando segura o cabo da TV mesmo
com o plug conectado à tomada? Afinal, na parte interna existem fios condutores que
estão em contato com a parte externa.
A resposta é simples: porque a parte externa do cabo é feita de material isolante.
Os materiais isolantes se destacam por apresentarem alta resistência elétrica. Assim,
por mais que seja aplicada uma tensão sobre este tipo de material, não haverá um
fluxo de corrente pois a disposição dos átomos em sua rede cristalina não permite
que isso ocorra. O máximo que acontecerá é o aquecimento do material.

Figura 2. Tipos de estruturas cristalinas


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A LEI DE OHM
A lei de ohm relaciona matematicamente tensão, corrente e resistência. Para
entender como esses termos se correlacionam, vamos pensar com exemplos
práticos.

Imagine uma torneira de água. À medida que abrimos a torneira, o fluxo de água
aumenta, mas se fechamos o fluxo diminui. Isso acontece porque quanto mais
abrimos o registro, mais espaço haverá para a água fluir. Já em caso contrário, quanto
mais fechamos o registro, menos espaço terá para a água fluir e com isso uma
quantidade menor de água será liberada.

A quantidade de vezes que giramos o registro é como se fosse a tensão aplicada ao


circuito. À medida que o registro é aberto a água flui, assim como à medida que
aplicamos tensão, surge o fluxo de elétrons.

Se abrirmos 1/2 da torneira, parte do registro impedirá o fluxo de água. Essa parte
do registro representa a resistência do material e ela diz quanto de água irá passar.
Assim, a quantidade de água depende do quanto o registro está aberto, ou seja, do
espaço dentro da torneira.

Com isso, concluímos que, quando abrimos o registro uma quantidade de água será
liberada de acordo com o espaço disponível (o registro pode estar 1/2 aberto, ou
completamente aberto). Assim podemos correlacionar os termos da seguinte forma:

Abertura do registro = Fluxo de água x Espaço disponível

O mesmo vale para o circuito elétrico. A água representa a corrente elétrica, a


abertura do registro representa a tensão, e o espaço livre dentro da torneira por
onde a água passa é a resistência. Assim, matematicamente:

Tensão (V) = Corrente (A) x Resistência (ohm)


portanto, Corrente(A) = Tensão (V) / Resistência (ohm)

Uma forma ainda mais simples de relacionar estes elementos é através do triângulo
REI:

E
Aqui, o E equivale à tensão,
assim E = R x I
R I
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CIRCUITO SÉRIE
O que entendemos por série?
Quando ouvimos a palavra série, automaticamente nossa cabeça já faz referência a
um filme com várias episódios subsequentes. Em circuitos elétricos podemos usar a
mesma ideia.
Em um circuito série os elementos são dispostos em série, ou seja, cada elemento
é subsequente a outro. Para entender ainda mais claramente vamos ver o circuito a
seguir.
Note que cada resistor possui conexão
com outro adjacente, e que não há nenhum
elemento conectado entre dois resistores.
Este tipo de conexão é caracterizada como
ligação série.
Figura 3. Circuito série

Características do circuito série


Note que na figura anterior há uma fonte de tensão (V1) conectada à série de
resistores. Quando essa fonte começa a fornecer tensão, um fluxo de corrente
começa a fluir pelo circuito. Sabemos que a corrente é o fluxo de elétrons, ou seja,
cargas negativas. Então, o sentido real dessa corrente é do pólo negativo para o pólo
positivo, já que as cargas negativas é que se movimentam. Entretanto, para facilitar a
análise vamos imaginar que a corrente sai do pólo positivo e percorre todo o circuito
até o pólo negativo, retornando para a fonte. Chamaremos esta corrente de corrente
convencional. Vamos visualizar essa situação na figura a seguir.

Figura 4. Comportamento da corrente no circuito série

Note que a corrente i se desloca por todo o circuito como se estivesse em um


mesmo caminho, ou seja, ela não muda. A mesma corrente que sai da fonte, retorna à
fonte. Isso nos leva à primeira característica de um circuito série: a corrente sempre
será a mesma para todos os elementos do circuito.
Mas, e quanto à tensão? Para que haja corrente sobre os resistores, sabemos que
deve haver uma diferença de potencial. Assim, a fonte V1 vai fornecer uma tensão
para o circuito. Sabemos também que o valor da tensão muda de acordo com o valor
da resistência, então, cada resistor terá uma queda de tensão diferente. Isso nos leva
à segunda característica do circuito série: cada elemento terá uma queda de tensão
que varia de acordo com a sua resistência, assim, a tensão total da fonte é dividida
entre os elementos do circuito série.
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CIRCUITO PARALELO
Lembra das linhas paralelas estudadas na disciplina de trigonometria? Aqui, vamos
usar a mesma ideia. Em um circuito paralelo os elementos estão paralelos entre si, ou
seja, são formados por elementos em um mesmo plano e que não se cruzam entre si.

Os resistores R1 e R2 estão com seus


terminais (A e B) comumente ligados aos i i
terminais da fonte de tensão (V1). Note
que o segundo terminal já não é ligado i i
diretamente ao outro resistor, mas à
fonte.

Percebemos que como os terminais da Figura 5. Circuito paralelo i


fonte e dos resistores estão ligados nos
mesmos pontos (A e B). Assim, a tensão dos pontos A e B da fonte são os mesmos
para os resistores, independente do valor das resistências.

Atenção: isso significa que o valor de tensão que chega nos resistores é o mesmo que sai da fonte,
ou seja, a tensão não se divide e é a mesma para todos os elementos do circuito. Porém, cada
resistor terá uma resistência diferente que determinará o valor da queda de tensão sobre cada
resistor, assim, mesmo que cheguem 5V nos terminais dos resistores, a queda de tensão sobre
ambos será diferente devido o valor da resistência.

Note que para a corrente (i) percorrer todo o circuito ela se divide em vários
pontos. Assim concluímos que as características do circuito paralelo são:

Corrente dividida entre os elementos do circuito, e a mesma tensão para todos os elementos.

Resumindo: No circuito série a tensão é dividida, mas a corrente é a mesma para


todos os elementos. Já no circuito paralelo ocorre o contrário: a corrente é dividida
mas a tensão permanece a mesma para todos os elementos.
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CIRCUITO MISTO
(SÉRIE-PARALELO)
Como o próprio nome sugere, o circuito misto tem elementos dispostos em série e
em paralelo ao mesmo tempo.

Figura 6. Circuito misto ou série-paralelo

Os resistores R1 e R2 estão em série entre si e com ao fonte. Já os resistores R3 e


R4 estão em paralelo entre si e com a fonte. Se unirmos R3 e R4 como um único
resistor, perceberemos que o conjunto R1 +R2 está em série com o conjunto R3 + R4.
Os cálculos de corrente e tensão sobre os elementos deste circuito, e análise da
disposição dos elementos do circuito envolvem metodologias como: método da
redução e retorno, e método do diagrama de blocos. As metodologias de análise para
cada circuito aqui apresentado (série, paralelo e misto) serão estudadas no volume 2
deste e-book.
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SOBRE A AUTORA
Paula Larissa Dias Lima é natural de Juazeiro do
Norte, Ceará. Graduada no Curso de Tecnologia em
Automação Industrial pelo Instituto Federal do Ceará
de Juazeiro do Norte - e Mestra em Engenharia
Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas.
Já atuou como técnica em manutenção elétrica,
atualmente é professora de robótica e trabalha com
pesquisa e mentoria acadêmica para estudantes da
área de engenharia elétrica. Gosta de transmitir o
conhecimento que adquire e quer ajudar mais pessoas
a conhecerem o universo da eletricidade.

Mais informações profissionais disponíveis em:

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