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ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS NÁUTICAS

DIVISÃO PEDAGÓGICA

DEPARTAMENTO DE RADIO

Tecnologia de Construção dos Materiais Electrónicos

FICHA 4 (Teórica)

TRANSDUTORES ELÉCTRICOS DE POSIÇÃO CAPACITIVOS

1º Ano de Engenharia Electrónica e de Telecomunicações – 2018

1 Elaborado pelo Engº Luís C. Massango


1. Introdução
Como foi referido anteriorimente, no transdutor capacitivo uma certa fonte de tensão deve ser
utilizada para a obtenção do sinal de saída, com exceção dos que tem electrecto como dielétricos
ou apresentam propriedades piezoelétricas..

Os sensores do tipo capacitivo podem ser aplicados na medição directa de deslocamentos


(lineares ou angulares), proximidade e nível de líquidos. Estas aplicações são graças ao facto de
que a capacitância dos capacitores pode variar com três variáveis:

 Dieléctrico;
 Distância entre as placas “d”; e
 Superfície entre as placas “S”.

2. Transdutores Capacitivos
São usados para a detecção sem contacto de qualquer objecto. Em contraste com os transdutores
indutivos, que detectam apenas objectos metálicos, os transdutores capacitivos podem detectar
também a aproximação de materiais orgânicos, plásticos, pós, líquidos, madeiras, papéis, metais,
etc, através da variação de seu campo eletrostático.

Um número expressivo de arranjos pode ser utilizado na construção de transdutores capacitivos.


Alguns exemplos podem ser vistos abaixo.

Figura 2.1 – Arranjos do transdutor capacitivo.

Qualquer condensador é constituído por, conforme sustenta a figura 2.1:

 Duas placas condutoras separadas a uma distância “d”; e


 Um meio isolante que se designa por dieléctrico.

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A capacidade do dispositivo é directamente proporcional à área da secção transversal de
sobreposição das placas e inversamente proporcional à distância existente entre as placas. A
expressão geral representativa deste transdutor é a seguinte:

Figura 2.2 - Condensador de placas paralelas.

em que K é a constante dieléctrica, ε0 é a permissividade do meio (ε0=8,85⋅10−12 tratando-se do


ar), A é a área comum ou de sobreposição das placas e d é a distância entre as placas

Exemplo:
A membrana de um medidor de pr essão capacitivo tem a área de 5×10-3 m2 e uma distância
entre placas de 1×10-3m. Calcule o valor da sua capacidade se este se encontra a medir a pressão
do ar (ε=1).

Assim, e atendendo aos três graus de liberdade da função capacidade, podem ser definidas três
classes de sensores capacitivos:

 Sensores capacitivos de superfície variável:


 Sensores capacitivos de distância variável; e
 Sensores capacitivos de constante dieléctrica variável.

2.1 Condensadores de Superfície Variável


Os transdutores capacitivos podem ser do tipo placas variáveis (utilizados nos rádios).

Figura 2.3 - Variação da capacitância com a área.

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Trata-se de condensadores (planos ou cilindros) em que uma das armaduras é móvel e sofre um
deslocamento linear ou angular relativamente a uma outra fixa. Neste processo, a área efectiva
das placas do condensador é modificada traduzindo-se, em última análise, numa alteração da
capacidade do dispositivo.

Se um condensador de superfície variável com capacidade C, sofre uma variação infinitesimal na


sua área efectiva provocada por um deslocamento dx da sua placa móvel, a variação da
capacidade resultante é:

Para o caso particular de um deslocamento angular entre as placas como mostra a figura 2.4, a
área efectiva entre as armaduras é função do ângulo α, sendo dada por:

A(α) = α.r2 / 2

Onde α é o ângulo (em radianos), formado pela parte comum entre as placas.

Figura 2.4 – Transdutor capacitivo de deslocamento angular.

Devido a relação linear entre o deslocamento angular e a área, a capacidade também ela será uma
função linear desse deslocamento. Assim,

Note-se que sistemas de medida baseados não na capacidade mas sim na impedância do
condensador (domínio da frequência), a relação entre deslocamento e impedância num
condensador de placas móveis não é linear.

A característica:

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Figura 2.5 – Impedância de um condensador variável.
Uma forma de compensar este efeito é utilizando um segundo condensador em montagem
diferencial como se mostra na figura 2.6.

Figura 2.6 – Montagem diferencial de um condensador de área variável.

Para este caso, a placa móvel P1 é deslocada entre as duas armaduras fixas P2 e P3 constituindo
assim dois condensadores independentes C1 e C2, cujas capacidades variam em sentidos
contrários ao deslocamento, i.e. se a armadura P1 se deslocar no sentido horário a partir da
posição de equilibrio, a capacidade diminui para o condensador C1 e aumenta para C2.

Considera-se como posição de equilíbrio aquela que é tomada como origem dos deslocamentos.
Normalmente nessa posição a armadura móvel está colocada simetricamente relativamente às
duas armaduras fixas, i.e. α0 = αT / 2

Assim, para um deslocamento de α radianos no sentido horário relativamente ao ponto de


equilíbrio, a capacidade dos dois condensadores variam de acordo com a seguinte lei:

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Se ambos os condensadores forem associados na forma de divisor de tensão como se mostra na
figura 2.7 subsequente,

Figura 2.7 - Condensador em montagem diferencial.

O sinal de saída é uma função linear do deslocamento:

Note-se que um transdutor capacitivo de área variável, pode também utilizar placas paralelas
com distância “d” constante e variar sua capacitância pela área A, conforme figura 2.8:

Figura 2.8 - Transdutor capacitivo de área variável de placas paralelas.

2.2 Condensador de Distância Variável


Como a capacidade de um condensador de duas placas paralelas varia inversamente com a
distancia entre placas, qualquer variação em “d” provoca uma variação em C.

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Figura 2.9 - Variação da capacitância com a distância entre as placas.

Nesta estratégia, o transdutor é baseado numa variação da distância entre placas, sendo uma fixa
e a outra solidária com o processo de medir como mostra a figura 2.10:

Figura 2.10 – Transdutor capacitivo de distância entre placas variável.

Se considerarmos que no processos de movimentação da placa P1 da posição “d” para uma


posição “d+x”, relativamente à placa P2, a área efectiva e a permiabilidade se mantém constante,
no entanto, a variação infinitesimal do deslocamento reflete-se numa variação da capacidade do
condensador da forma seguinte:

Para este caso, a relação entre a variação da capacidade e a variação do deslocamento entre as
placas do condensador é uma relação não-linear. No entanto, ao contrário do anterior, a
impedância é agora uma função linear do deslocamento “x” como se mostra através da
expressão:

A não lineariedade da variação da capacidade relativamente à variação do deslocamento, pode ser


contornada, tal como aconteceu para a estratégia de sensorização por variação de área,
recorrendo a uma montagem diferencial como mostra a figura 2.11:

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Figura 2.11 - Montagem diferencial de um transdutor capacitivo de distância variável.

Este transdutor possui três placas formando com o par de armaduras “P1 e P2” um condensador
e com “P1 e P3” outro condensador. O deslocamento move a placa central entre as duas placas.
Quando P1 está a meio da distÂncia entre P2 e P3 (posição de equilíbrio) as capacidades C1 e C2
respectivas a cada par de placas, é igual. Numa situação de equilíbrio, por exemplo de P1 é
deslocamento de “x” na direção de P3, as capacidades C1 e C2 passam a ser:

Quando a tensão “V” é aplicada entre P2 e P3 como se mostra na figura 2.12, a tensão
diferencial nas placas é:

Figura 2.12 – Estratégia de combinação do condensador diferencial.

Contudo, a variação da distância apenas pode ser aplicada para medir deslocamentos muito
pequenos (na ordem de mm) enquanto que recorrendo a variação da àrea consegue-se quantificar
deslocamentos da ordem dos centímetros.

2.3 Condensador de Dieléctrico Variável


Outros transdutores capacitivos funcionam por remoção do material dieléctrico existente entre
duas placas fixas.

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Figura 2.13 - Variação da capacitância com o dieléctrico.

Importa referir que existem, capacitores cujo o dielétricos é de eletreto, geralmente Teflon ou
Lexan (policarboneto especial), eles possuem a propriedade de que quando uma polarização é
induzida por bombardeamento de electrões ou por um campo elétrico intenso, tal polarização é
retida após a remoção do efeito externo; de tal modo que uma tensão permanente ve (análogo ao
magnetismo residual de um imã permanente) permanecerá armazenada no dielétrico. Veja a
figura 2.14

Figura 2.14 - Indução da polarização.

Normalmente ve=500V, mas só pode ser medido com um eletrômetro (uma espécie de
Voltímetro cuja impedância de entrada é muito elevada, alguns TΩ, o que minimiza a circulação
de corrente a alguns fA). Tal valor de ve pode durar por 20 anos.

Metódos de medida baseados na verificação de permitividade ( ε ) possuem a vantagem de não


exigir, determinadas circunstâncias, qualquer contacto físico entre o processo a medir e o
transdutor (por exemplo a detenção de falhas em fios têxteis).

Variações desta grandeza podem ser usadas directamente na monitorização de diversos


processos físicos como por exemplo a medida da humidade (onde o dieléctrico é constituído por
óxido de alumínio ou poliamida) ou da medida do nível em líquidos.

Um sensor capacitivo típico para medição contínua de nível é do tipo dieléctrico variável, na
realidade, consiste em uma haste isolada, ou algum eletrodo similar. O sensor é instalado em
paralelo a uma parede vertical de um tanque feito de material condutor. À medida que o espaço
entre a parede e o eletrodo é preenchido pelo material retido pelotanque, a capacitância cresce na
proporção do nível do material. Para instalações em tanques não-condutores, um segundo e
letrodo é necessário. A capacitância pode ser lida por uma ponte ou por um circuito que
converta linearmente capacitância em saída analógica ou digi tal.

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Figura 2.14 – Medição de nível baseado num transdutor capacitivo.

Dois projetos básicos são muito usados: um que usa a parede-tanque como uma placa do
capacitor e outro que contém internamente ambas as placas. Em ambos os casos, funcionam
através da detecção de mudança na capacitância quando cobertos pelo material armazenado.

Em acréscimo a estas aplicações, interruptores de nível são geralmente instalados através das
paredes de tanque para detectar a presença ou a ausência do material armazenado em uma dada
altura.

FIM

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