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“O Livro da Selva” em 3 leituras

1. O Autor
2. A Obra
3. FAQs

Seguem-se 3 breves textos que relançam questões e, quiçá, um novo olhar sobre esta obra que é o
imaginário de base do Lobitismo. Analisá-la, perceber a intenção do autor, compreender a sua
riqueza… tudo confluirá numa melhor aplicação/vivência nas Alcateias.

1. Rudyard Kipling entre a vida e a morte dos bichos

"O Livro da Selva" está de regresso, recuperado em livro e em filme.

O autor, Rudyard Kipling, o mais novo prémio Nobel da literatura de sempre, é sobejamente
conhecido por esta obra mas também pelo seu poema “Se.”

As críticas ao seu estilo variam, claro: uns exalçam o seu poder evocativo, outros mofam-no como
banal aventureiro com arremedos românticos; uns tomam-no por pó resistente, grudado à
passadeira das glórias, que o tempo se tem esquecido de aspirar; outros aspiram ao seu estilo ativo,
de narrativa empolgante e experimentado exotismo.

Kipling tem uma certa frieza que impressiona. Mesmo no Livro da Selva, destinado a bisonhas
criancinhas, não se furta a encarar a morte, e em lente aproximada. Os heróis esfolam tigres,
espezinham crias indefesas e estão prontos para renhir com quem precisar. O mundo do Livro da
Selva não tem nada de sentimental: Máugli é expulso da alcateia e do convívio humano, acaba
entalado entre os dois mundos, em busca de prodígios cinéticos numa solidão que aflige o leitor mas
não parece afligi-lo a ele.

É este, em parte, um dos mistérios de Kipling. O escritor tem grande propriedade narrativa, empolga,
envolve o leitor nas aventuras, nas folhagens da selva ou nas cambraias coloniais, mas não nos poupa
à sua dureza. A literatura que se aparta das cidades, num caso como o indiano, dificilmente se dedica
à serena contemplação da alma ou ao bucolismo de avena descansada; longe das cidades, significa
perto da selva, de ação e de morte.

O Livro da Selva é um livro de perigo iminente e por isso várias vezes assustador. É certo que só os
maus morrem; o que assusta neste livro não é a morte arbitrária ou a falta de moral, mas sim a
clareza delas. Não só os maus morrem, como os bons matam. Kipling tem uma moral quase militar,
recta, sem ambages filosóficos nem grandes problemas morais. Aquilo que as pessoas – ou os
animais – merecem, têm-no. Sejam látegos dolorosos, como Máugli quando se mete com os
macacos, seja a glória doméstica – como é o caso de Rikki-Tikki-Tavi depois de matar três cobras e
umas quantas crias com descrição pormenorizada de cada golpe.

O adulto menino

O Livro da Selva é um livro de grandeza; quer os contos que giram a volta de Máugli — o “cachorro
de humano” sem lugar nem entre os que o criaram, nem entre os que o conceberam — quer os
contos seguintes, são de feitos gloriosos: uma foca messiânica que arrasta uma população inteira
para um mar virgem, um rapazote que presencia a “dança dos elefantes” nunca antes vista pelo
Homem, um manguço verdugo de serpentes e uma ordenada submissão das individualidades ao
todo militar; tudo histórias dignas de um cronista ambicioso, que o autor embeleza sempre com um
toque final de poesia.

O autor já foi acusado de falta de Humanidade nas suas personagens. Kipling tem uma humanidade
muito própria, uma mistura entre uma moral cândida e desbragada e uma atração timorata pela
aventura, ao mesmo tempo inconsciente e descomplexada. E o mais interessante nisto está na forma
como Kipling o apanha: as crianças, fascinadas pelas caçadas heróicas e a liberdade adulta, cruzando
as suas ambições com a visível ternura do narrador pela infância. De tal modo que, apesar de toda a
construção da história estar centrada noutros pontos – as tradições indianas, as vaporações da pele
britânica em clima hostil, os perigos da selva, o entono dos chefes, a bravura e a intrepidez – recende
ainda assim uma estranha melancolia de aspirações trocadas: a criança que anseia ser adulta, e o
adulto que só queria voltar à infância.

Adaptado de: http://observador.pt/2016/04/16/rudyard-kipling-vida-morte-dos-bichos/

2. A Obra

“O Livro da Selva” é um dos mais afamados livros de Rudyard Kipling, na mesma linha de “Alice no
País das Maravilhas”, onde, aparentemente para crianças, se satiriza o mundo dos adultos. Uma obra
apreciada por ambos os mundos, com uma mensagem(s) nem sempre óbvia.
Os relacionamentos e situações descritos em “O Livro da Selva” são relevantes para qualquer ser
humano, homem ou mulher, adulto ou criança, com ou em família. Em diferentes momentos da vida,
eis a particularidade destes livros: as histórias contadas às crianças, devem ser relidas pelos próprios
na adolescência e mais tarde ainda, na idade adulta. Em qualquer uma das fases da vida, esta leitura
será sempre agradável e destacar-se-ão os pormenores relevantes para a idade. Avançando no
tempo e na idade, outras e mais profundas serão as análises e as aprendizagens retiradas.

As histórias de Kipling oferecem uma perspetiva interessante sobre as origens da humanidade e


também dos animais. Tal como referem os nativos americanos: “vivemos todos sob o mesmo céu.”

O autor de “Se”, um poema famoso de Kipling, tem também em “O Livro da Selva” uma obra de
profundo conteúdo humano: as relações intra-familiares, as relações entre pares, a relação com a
Natureza. A obra aborda também importantes valores universais, tais como: lealdade, honra,
coragem, tradição, integridade e persistência. Questões intemporais que tornam as histórias também
intemporais.

Veja-se o exemplo de “Tigre! Tigre!”

Depois de deixar a Alcateia, Máugli visitou a Aldeia dos Homens e foi adotado por Messua e pelo seu
marido, que acreditavam ser o menino o seu filho roubado há muitos anos por um tigre. Ensinam-lhe
tradições humanas e ajudam-no a ajustar-se à sua nova vida. Contudo, o menino-lobo recebe uma
mensagem do Lobo Cinzento que o avisa sobre problemas futuros. De fato, Máugli não tem sucesso
entre os Homens, nomeadamente por tentar desfazer os preconceitos humanos sobre os animais e a
vida na selva, que ele conhecia bem.

Xer-Cane entra na Aldeia, enquanto Máugli e os lobos seus irmãos conseguem pôr o gado a salvo das
garras do tigre. Depois, o menino-lobo provoca o tigre e atrai-o para a ravina, onde os búfalos o
espezinham e matam. Mais tarde, um caçador invejoso acusou Máugli de feitiçaria, provocando a sua
saída da Aldeia. Este episódio reflete bem o lado mais obscuro dos Homens, realçando a nobreza dos
animais.

Em “O Segundo Livro da Selva”, encontramos uma outra história, que não se passa na selva e que
apresenta também ensinamentos éticos fundamentais: “A Foca Branca”.

Nesta história passada no estreito de Bering, uma foca salva um milhar de outras focas de serem
mortas pela sua pele.

De forma global, as histórias são uma observação das realidades humanas à luz da sabedoria animal.
Uma linguagem que as crianças conhecem bem.

Adaptado de: http://classiclit.about.com/od/junglebookkipling/fr/bl_junglebook.htm


3. FAQs sobre o Livro da Selva

O Livro da Selva é uma coleção de diversas histórias escritas há mais de 100 anos por Rudyard
Kipling. Se pudéssemos listar FAQs alusivas ao livro, que perguntas faríamos?… no intuito de
promover uma reflexão sobre o valor pedagógico da obra.

● Quais os conflitos presentes em “O Livro da Selva”?

● Que tipo de conflitos encontramos nas histórias (físicos, morais, intelectuais ou emocionais)?

● De que forma Kipling trabalha o caráter nas histórias?

● Quais os temas principais de enredo?

● Como se comportam os animais nas diversas situações?

● São os animais consistentes nas suas ações ao longo da obra?

● Em que personagens encontramos evolução?

● Como e Porquê acontece essa evolução?

● Com que personagens empatizamos mais?

● Gostarias de conhecer alguma das personagens?

● Quais? Porquê?

● Que símbolos encontramos em “O Livro da Selva”?

● Qual o principal objetivo desta coleção de histórias?

● Qual a importância do local? Poderia esta história ter acontecido num outro contexto

qualquer?

● Qual a importância da amizade e da camaradagem em “O Livro da Selva”?

● Recomendaria “O Livro da Selva” a um amigo?

Adaptado de: http://classiclit.about.com/od/junglebookkipling/a/aa_junglequestions.htm

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