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A avaliação da aorta por imagem vem evoluindo

continuamente na radiologia, sobretudo por métodos

de imagem seccional como a tomografia computadorizada

(TC) e a ressonância magnética (RM), e o

primeiro método vem sendo um dos mais utilizados

atualmente. O advento de aparelhos de TC com múltiplas

fileiras de detectores possibilitou uma avaliação

muito mais rápida do tórax e das estruturas vasculares,

com maior resolução espacial (sobretudo no eixo longitudinal)

e promoveu a sincronização com o ciclo cardíaco,

possibilitando uma melhor avaliação anatômica

da raiz da aorta e de estruturas adjacentes (como as

artérias coronárias). Essa mesma sincronização permite

ainda uma avaliação do ciclo cardíaco, permitindo

muitas vezes uma análise funcional das estruturas cardíacas

(Figura 1).

Figura 1 Avaliação da valva aórtica por tomografia. Exame tomográfico sincronizado com o
ciclo cardíaco mostrando a valva aórtica

na diástole máxima em A, onde se pode identificar o fechamento incompleto da valva


(indicando insuficiência) e na sístole máxima

em B, quando mostra aspecto preservado.

304 TRATADO DE RADIOLOGIA PULMÕES, CORAÇÃO E VASOS

Neste capítulo abordamos as principais doenças adquiridas

da aorta torácica, particularmente aneurismas e

síndromes aórticas agudas como dissecção clássica, hematoma

intramural e úlcera penetrante, todos tratados

em itens distintos.

Aneurisma da aorta torácica

Anatomia

A aorta torácica é o segmento mais proximal da aorta,

consistindo em uma estrutura tubular responsável pela

distribuição de sangue oxigenado oriundo do ventrículo


esquerdo a todos os segmentos do corpo. Ela se estende

desde a via de saída do ventrículo esquerdo até a transição

com a aorta abdominal, sendo este limite inferior

pouco preciso, situado junto ao diafragma.

A aorta torácica consiste em quatro segmentos principais,

a raiz da aorta que inclui o ânulo aórtico, as cúspides

da valva aórtica e o seio de Valsalva, a porção ascendente

que se estende desde a junção sinotubular (estreitamento

discreto na transição entre o seio de Valsalva e as demais

porções deste segmento) até a emergência do tronco braquicefálico.

O segmento transverso (ou arco) progride

desde a emergência do tronco braquicefálico até o istmo

(situado entre a emergência da artéria subclávia esquerda e

o dueto arterioso) e o segmento descendente, que é a maior

porção, estendendo-se até a aorta abdominal (Figura 2).

A parede da aorta é dividida em três camadas principais,

sendo a íntima a mais interna, constituída de apenas

uma camada de células endoteliais. A íntima é separada da

camada média pela lâmina elástica interna e esta última

consiste em células musculares e tecido conjuntivo, sendo

a mais espessa das três. A adventícia é a camada mais

externa e contém tecido conjuntivo e nervos perivasculares.

A parede da aorta recebe sua irrigação por difusão

interna do sangue na luz, que envolve os segmentos mais

proximais, notadamente a íntima e a região mais interna

da média. Os segmentos mais externos recebem sangue

oxigenado do vasa vasorum, pequenos vasos compostos

de tecido conjunto e células musculares que penetram externamente

da aorta e se originam de diversos segmentos

arteriais, dependendo da altura da aorta (Figura 3).

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