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Mineralogia Sistemática

Predominância de Silicatos na Crosta


da Terra

• A crosta é composta sobretudo por Si e O


• 27% de todos os minerais são silicatos
• 40% dos minerais comuns são silicatos
• >90% dos minerais na crosta são silicatos
Mineralogia Sistemática
Os Silicatos são classificados com base na polimerização
das unidades Si-O
A unidade: o tetraedro [SiO4]4-
Tetraedro de sílica – a unidade
básica na estrutura dos silicatos

• A ligação Si-O é – 50% covalente, 50% ionica


• Só uma unidade de valência do oxigénio está justificada a
ligação Si-O
Os Silicatos são classificados com base na
polimerização das unidades Si-O

[SiO4]4- Tetraedros Independentes Nesossilicatos

Exemplos: olivina granada

[Si2O7]6- Tetraedros Duplos Sorossilicatos

Exemplos: lawsonite

n[SiO3]2- n = 3, 4, 6 Ciclossilicates

Exemplos: benitoite BaTi[Si3O9]


axinite Ca3Al2BO3[Si4O12]OH
berilo Be3Al2[Si6O18]
Os Silicatos são classificados com base na polimerização
das unidades Si-O

[SiO3]2- cadeias simples Inossilicatos [Si4O11]4- cadeias duplas


piroxenas piroxenóides anfíbolas
Os Silicatos são classificados com base na polimerização
das unidades Si-O

[Si2O5]2- camadas de tetraedros Filossilicatos


micas talco argilas serpentina
Os Silicatos são classificados com base na
polimerização das unidades Si-O

low-quartz

[SiO2] Estruturas 3-D de tetraedros: totalmente polimerizada


Tectossilicatos
quartzo feldspatos feldspatóides zeólitos
Nesossilicatos
Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes
Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes

projecção

Olivina projecção de (100) azul = M1 amarelo = M2


Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes
b

perspectiva

Olivina projecção de (100) azul = M1 amarelo = M2


Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes
b

M1 em linhas
partilhando
arestas

M2 camadas
no plano a-c
que partilham
a vértices

alguns M2 e
M1 partilham
arestas

Olivina projecção de (100) azul = M1 amarelo = M2


Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes

M1 e M2 como poliedros

Olivina projecção de (100) azul = M1 amarelo = M2


Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes

Composição das Olivinas


Olivina: comportamento da solução sólida durante
a cristalização

(Plagioclase – 1553 to 1118º C)


Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes

Ocorrências de Olivina:
 Principalmente em rochas ígneas máficas e ultra-
máficas ou nas rochas metamórficas resultantes
 Faialite em algumas rochas félsicas com deficit de sílica
 Forsterite em algumas mármores dolomíticas siliciosas

 Monticelite CaMgSiO4
Ca  M2 (Catião maior, maior posição estrutural)
Metamorfismo de alto grau, carbonatos siliciosos
Olivinas
Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes
Granada: A2+3 B3+2 [SiO4]3

“Piralspites” - B = Al
Piropo: Mg3 Al2 [SiO4]3
Almandina: Fe3 Al2 [SiO4]3
Espessartite: Mn3 Al2 [SiO4]3
“Ugrandites” - A = Ca
Uvarovite: Ca3 Cr2 [SiO4]3
Grossulária: Ca3 Al2 [SiO4]3
Andradite: Ca3 Fe2 [SiO4]3

Ocorrência:
Sobretudo metamórfica
Alguma rochas ígneas ricas em Al
Rochas mantélicas ou
metamórficas e alta pressão
Granada projecção de (001) azul = Si Roxo = B Azul claro=A
(eclogitos)
Piralspites

Ugrandites
Nesossilicatos: tetraedros SiO4 independentes
Granada: A2+3 B3+2 [SiO4]3

“Piralspites” - B = Al
a2 Piropo: Mg3 Al2 [SiO4]3
a1 Almandina: Fe3 Al2 [SiO4]3
Espessartite: Mn3 Al2 [SiO4]3
a3
“Ugrandites” - A = Ca
Uvarovite: Ca3 Cr2 [SiO4]3
Grossulária: Ca3 Al2 [SiO4]3
Andradite: Ca3 Fe2 [SiO4]3

Ocorrência:
Sobretudo metamórfica
Alguma rochas ígneas ricas em Al
Rochas mantélicas ou
metamórficas e alta pressão
(eclogitos)
Granada projecção de (111) azul = Si Roxo = B Azul claro=A
Granadas
Zircão - ZrSiO4


Zr em coordenação 8
 Vulgar em rochas
sedimentares,
metamórficas e ígneas
Zircão - ZrSiO4
Alumino-silicatos

Vulgares em rochas metamórficas pelíticas:
Andaluzite, Silimanite e Distena
 Formula: Al2SiO5 ou AlAlOSiO4
 A segunda formula mostra que há duas
posições distintas para Al
 Andaluzite: AlVAlOIVSiO4
 Silimanite: AlIVAlOIVSiO4
 Distena: AlVIAlOIVSiO4
Cadeias octaédricas
Coordenação 5

Coordenação 4 Coordenação 6
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

Diópsido: CaMg [Si2O6]

a sin
Onde estão as cadeias Si-O-Si-O ??

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

a sin

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

a sin

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

a sin

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

a sin

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
b

a sin

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

Perspectiva

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
SiO4 como poliédros
Camada IV

Camada VI

Camada IV
a sin

Camada VI

Camada IV

Camada VI

Camada IV

Diópsido, projecção (001) Azul = Si azul = M1 (Mg) amarelo = M2 (Ca)


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

Octaedro M1
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

Octaedro M1
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

(+) Octaedro M1

tipo (+) por convenção


Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

M1 octahedron
(-)
tipo (-) por convenção
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

T
M1
T
Cria um “I-beam”
como unidade
estrutural
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

T
M1
(+) T
Cria um “I-beam”
como unidade
estrutural
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

A estrutura da
piroxena pode então
(+) (+) ser descrita como
uma alternância de I-
beams
As Clinopiroxenas
têm todos os I-beams
(+) Orientados da mesma
maneira: todos (+)
nesta imagem

Repare que as posições


(+) (+) estruturais M1 são mais
pequenas que as posições
M2, pois o seu tamanho está
condicionado pelo dos
tetraedros.
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

A estrutura da
piroxena pode então
(+) (+) ser descrita como
uma alternância de I-
beams
As Clinopiroxenas
têm todos os I-beams
(+) Orientados da mesma
maneira: todos (+)
nesta imagem

(+) (+)
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

Tetraedros e as
posições M1
partilham vértices
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas

Desta forma, a cadeia


(+) M2 M1 superior não se
c sobrepõe à inferior.

a As camadas M2 têm
um comportamento
(+) M1 semelhante

Resulta numa célula


(+) M2 unitária monoclínica,
ou seja a uma
clinopiroxena
Inossilicatos: cadeias simples- piroxenas
Por outro lado, as
c
Ortopiroxenas alteram
(-) M1 I-beams (+) e (-)

Resultando numa
(+) M2 sobreposição dos I-
Beams e numa célula
a unitária ortorrômbica
(+) M1
Implicando também a
duplicação da célula
unitária segundo a
(-) M2
Composição química das Piroxenas

A formula química das piroxenas pode


ser:
W1-P (X,Y)1+P Z2O6

onde
 W = Ca Na
 X = Mg Fe2+ Mn Ni Li
 Y = Al Fe3+ Cr Ti
 Z = Si Al

Anidras
Composição química das Piroxenas
O quadrilato das piroxenas e o solvus
opx-cpx Coexistem em muitas rochas (pigeonite é frequente apenas nas rochas
vulcânicas)

Wollastonite

pigeonite cli
no 1200oC
orthopiroxenas py
ro
xe
ne
s

1000oC
Diopsido Hedenbergite
clinopyroxenes
Solvus

800oC

pigeonite (Mg,Fe)2Si2O6 Ca(Mg,Fe)Si2O6


orthopyroxenes
Enstatite Ferrosilite
Exsolução nas Piroxenas
Composição química das Piroxenas
Na-piroxenas
Jadeite Aegirine
NaAlSi2O6 NaFe3+Si2O6

0.8
Omphacite
aegirine-
augite espodumene:
Ca / (Ca + Na) LiAlSi2O6

molécula
0.2 Ca-Tschermack’s
CaAl2SiO6
Augite
Diopsid-Hedenbergite Ca(Mg,Fe)Si2O6
Numa piroxena “Ideal” as
Piroxenóides
cadeias com 5.2 A (2-
tetredros) repetem-se para se
adaptar às posições M1

17.4 A

12.5 A
7.1 A
5.2 A

Piroxena Wollastonite Rodonite Piroxmangite


2-tetetredros (Ca  M1) MnSiO3 (Mn, Fe)SiO3
 3-tetreadros  5-tetreadros  7-tetraedros
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas
b

Tremolite:
Ca2Mg5 [Si8O22] (OH)2
a sin

Tremolite: projecção (001) azul = Si roxo = M1 rosa = M2 azulado = M3 (todos Mg)


Amarelo = M4 (Ca)
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas
b

Hornblenda:
(Ca, Na)2-3 (Mg, Fe, Al)5
[(Si,Al)8O22] (OH)2
a sin

Hornblenda: projecção (001) Azul escuro = Si, Al roxo (não visível) = M1 rosa = M2

Azul claro= M3 (Mg, Fe) Esfera amarela= M4 (Ca) Esfera roxa= A (Na)
Pequena esfera azul clara = H
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas

Hornblenda:
(Ca, Na)2-3 (Mg, Fe, Al)5
[(Si,Al)8O22] (OH)2

A mesma estrutura
I-beam, mas agora
os I-beams são
dublos

Hornblenda: projecção (001) Azul escuro = Si, Al roxo = M1 rosa = M2


Azul claro= M3 (Mg, Fe)
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas
b

Hornblenda:
(Ca, Na)2-3 (Mg, Fe, Al)5
(+) (+) [(Si,Al)8O22] (OH)2

A mesma estrutura
a sin

(+) I-beam, mas agora


os I-beams são
dublos
(+) (+)
Todos (+) nas
clinoanfibolas e
alternados nas
ortoanfibolas

Hornblenda: projecção (001) Azul escuro = Si, Al roxo (não visível) = M1 rosa = M2

Azul claro= M3 (Mg, Fe) Esfera amarela= M4 (Ca) Esfera roxa= A (Na)
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas

Hornblenda:
(Ca, Na)2-3 (Mg, Fe, Al)5
[(Si,Al)8O22] (OH)2

M1-M3 são posições


pequenas

M4 é maior (Ca)

A é uma posição muito


grande (Na, K)

Muitas posições 
grande variabilidade
química

Hornblenda: projecção (001) Azul escuro = Si, Al roxo (não visível) = M1 rosa = M2

Azul claro= M3 (Mg, Fe) Esfera amarela= M4 (Ca) Esfera roxa= A (Na)
Inossilicatos: cadeias duplas- anfíbolas

Hornblenda:
(Ca, Na)2-3 (Mg, Fe, Al)5
[(Si,Al)8O22] (OH)2

Os grupos (OH) estão no


centro de um anel de
tetraedros com O a ser
parte de dos octaedros M1
ou M3

(OH)
Hornblende (001) view dark blue = Si, Al purple = M1 rose = M2
light blue = M3 (all Mg, Fe) yellow ball = M4 (Ca) purple ball = A (Na)
little turquoise ball = H
Composição química das anfíbolas
Formula genérica:

W0-1 X2 Y5 [Z8O22] (OH, F, Cl)2

W = Na K
X = Ca Na Mg Fe2+ (Mn Li)
Y = Mg Fe2+ Mn Al Fe3+ Ti
Z = Si Al

Muitas posições com diferentes tamanhos  grande variabilidade química

Hidratadas
Composição química das anfíbolas
Anfibolas Ca-Mg-Fe “quadrilato” (boa analogia com piroxenas)

Tremolite Ferroactinolite
Ca2Mg5Si8O22(OH)2 Actinolite Ca2Fe5Si8O22(OH)2

Clino-anfíbolas
Cummingtonite-grunerite
Antofillite
Mg7Si8O22(OH)2 Fe7Si8O22(OH)2
Orto-anfíbolas

O Al e o Na tendem a estabilizar a forma ortorrômbica se o Ca é pouco abundante, então a


série ortorrômbica antofillite  gedrite estende-se para zonas mais ricas em Fe. Nas séries
ricas em Na-Al.
Composição química das anfíbolas
A Hornblenda tem Al na posição tetrédrica

Os mineralogistas normalmente usam o termo “hornblenda” para todas as anfíbolas


pretas (em amostra de mão) que não conhecem a composição. Ou então é usado
como um especieme génerico afastado de qualquer extremo composicional.

Anfíbolas sódicas

Glaucofano: Na2 Mg3 Al2 [Si8O22] (OH)2


Riebeckite: Na2 Fe2+3 Fe3+2 [Si8O22] (OH)2

Muitas vezes tomam tons azulados


Ocorrências de Anfíbolas
A Tremolite (Ca-Mg) ocorre em rochas metamórficas carbonatadas
a Actinolite ocorre em rochas ígneas básicas metamorfizadas em regime d
baixo grau
A série cummingtonite-grunerite (anfíbolas sem Ca e ricas em Mg-Fe)
ocoorem em ambientes metamórficos.
A solução sólida horneblenda ocorre em inúmeras rochas ígneas e
metamorficas
As anfíbolas sódicas são geralmente metamorficas e indicadoras de pressões
elevadas
a Riebeckite também ocorre em granitóides ricos em Na
Inossilicatos
+ +
+ + + +
a + +
+ + + +
+ +
+ + + +
- -
Clino-piroxena - - Clino-anfibola - -
+ +
a + + + +
- -
- - - -
Orto-piroxena Orto-anfibola

Piroxenas e anfíbolas são muito semelhantes:


 Tem cadeias de tetraedros SiO4
 As cadeias estão ligadas por octaedros M
 As series ricas em Ca são monoclínicas
 As series pobres em Ca são ortorrômbicas
Inossilicatos
piroxenas anfíbolas

A clivagem pode ser interpretada em termos de ligações fracas nas


posições M2 sites (mantendo os I-beams estáveis)
I-beams estreitos  90o como na piroxena, I-beams duplos  60-120o como nas
anfíbolas

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