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Aluno: Gabriel Vasconcelos Corrêa Gondim

Professor: Paulo Valfredo

RPG, ou Role-Playing Game se baseia em um grupo de pessoas


interpretando personagens que inventaram, saindo em uma aventura de todos
os tipos. O jogo pode acontecer virtualmente, como seria um MMORPG
(geralmente sem a presença de um mestre) ou pode ser um RPG de mesa
(onde a presença do mestre é inevitável)
O mestre pode ser definido por: Aquele que decide o rumo da história
com base nas ações dos jogadores, usando diversos sistemas criados por fãs
e empresas. Ele, literalmente, mestra o que acontece no âmbito, seja vetando
um acontecimento que um jogador sugeriu, narrando grandes acontecimentos,
matando os personagens existentes na campanha e etc... Para simplificar as
coisas, costumamos dizer que ele seria o "deus" no universo da história
O RPG de mesa, o qual eu vou expor nesta pesquisa, pode acontecer
de duas maneiras, seja por Chatting/Voicechatting (como WhatsApp e
Skype/Discord) ou presencialmente (num restaurante, na casa de alguém, ou
onde acharem mais confortável). O que eu vou trabalhar aqui é o presencial,
onde existem mais coisas envolvidas do que o "simples" jogo.
Cenário à primeira vista: como jogador, eu posso dizer que chega a ser
engraçado como as pessoas nos vêem. Já ouvi ser um grupo de vadios,
sermos infantis por gostarmos de "contos de fadas", e o melhor de todos que já
me falaram foi, grupo satânico. Quando você vê um grupo de pessoas (não
necessariamente com faixa etária definida), com muitos, mas muitos mesmo,
dados de todos os tipos, espalhados por todo canto, com vários papéis
estranho com números aleatórios, e que se juntam praticamente toda semana
em algum canto aleatório, e possivelmente gritando em algum momento, seja
de euforia ou por efeito de interpretação... muitas pessoas não vêem como
normal, e eu entendo. O mais perto que chegaria disso e que fosse
"socialmente aceito", seria um grupo de adolescentes/adultos se reunindo pra
uma partida de futebol...
Mas agora, deixe-me dizer como nós nos vemos: Frequentemente,
dentro do jogo, nós não mais nos enxergamos como nós mesmos (ou pelo
menos deveria ser desse jeito, já que é um jogo de interpretação) e sim como
nossos personagens, nos comunicamos por nosso nomes de personagens,
falamos com um dialeto diferente a depender do contexto da época em que o
jogo acontece e até mesmo, quando necessário, temos que falar em uma
língua que não exista, para representar as línguas do jogo, como por exemplo
infernal/abissal, onde a pronuncia pode muito bem ser confundida com um
culto satânico. Cena comum de se escutar de seus avós. Geralmente é um
ambiente onde a criatividade rola solta, tudo em prol do bem do seu
personagem. E enfim, nós, jogadores, vemos nós mesmos como "nada de
especial", para nós, fazer sessões semanais de RPG não é diferente de ir ao
cinema ou à um restaurante com os amigos, como eu disse, "nada de
especial", e como todos esses exemplos, não deixa de ser muito divertido e
algumas vezes frustrante, como um filme ruim ou uma briga em um churrasco.

Aspectos do Jogo
Cenário: o Número de pessoas varia muito de mesa à mesa, mas com
um elemento comum, todos olhando fixamente para uma pessoa, o Mestre,
seja por raiva/indignação/entusiasmo. Muitas vezes, para não interromper a
campanha/Aventura, é normal que os integrantes peçam comida ou pelo
menos deixem algo pronto para todos comerem durante o jogo. Teoricamente
deveria ser um lugar quieto, onde todos prestam atenção ao mestre, mas,
como todo lugar onde existem pessoas, o teórico nem sempre é o que
acontece, é muito normal que as pessoas comecem a conversar e não levar à
sério, o que incomoda, e muito, os que levam, gerando intrigas entre o grupo e
deixando o ambiente meio pesado e estranho para o que seria um jogo, onde
geralmente o intuito é a diversão. Tem aqueles também que levam MUITO à
sério, e não admitem nenhuma piadinha ou tentativa de conversa paralela, o
que também é chato, e então, as pessoas procuram achar um ponto médio
entre levar o jogo ao extremo e praticamente nem jogar de tão desfocado.
Ambiente: No início, as pessoas começam o jogo achando que vai ser
incrível e tudo mais, mas não é bem assim, pelo menos não nos meses
seguintes, e sim, eu disse meses, e também pode levar a anos (dependendo
do sistema utilizado). Essa fadiga de se encontrar todo dia e de certa forma, se
frustrar com as decisões do grupo e/ou do mestre, acumula e gera desconforto
entre os participantes, muitas vezes é bem resolvido, mas outras, são mais
complexas, pois envolvem não só o modo como o jogo é jogado, como também
o modo como as pessoas se relacionam ali, onde pode ser meio
tóxico/invasivo/irritante.
Personagens: Um pouco difícil de falar sobre os personagens nesta
situação, já que é um pouco difícil de distinguir até onde vai a interpretação do
outro. Porém, podemos analisar por partes, como se comportam os jogadores,
geralmente nos organizamos, conversamos um pouco (afinal, este grupo de
RPG que estou levando como base principal, também não deixa de ser um
grupo de amigos da época de escola), e quando consideramos ter gente
suficiente (a ter chegado), começamos o jogo, todos focados e livres de
qualquer estimulo que não seja proveniente do jogo. Lá pro meio da tarde,
geralmente começam a perder o foco, mas do contrário do que disse
anteriormente, não é tão comum ter intrigas pessoais; essa perda do foco se dá
pela fome ou simplesmente pelo cansaço de prestar atenção ininterruptamente
no mestre, mesmo que isso desperte interesse, ainda é desgastante. Quando
chega o que seria o horário de jantar de uma família comum, começamos a
pensar no que vamos pedir pra comer, se vamos e quem vai dividir a comida
com quem, e nisso, assim como no início do processo, nos desligamos um
pouco o jogo, quase como se fosse um intervalo; mesmo que ninguém nunca
tivesse proposto isso (como se fosse inconsciente, essa vontade comum de
parar por um momento).
Estímulos: Os estímulos são majoritariamente auditivos, e em segundo
plano, mas também não menos importantes, vem os estímulos que envolvem a
estratégia e memória. Estar sempre alerta e um pensamento rápido também é
essencial. É normal ver os jogadores perdidos em seus pensamentos por tentar
fazer conexões entre o que está acontecendo e a história principal, cujo temos
que descobrir. Estratégia é essencial para os combates, onde um
posicionamento ruim pode levar o seu personagem à um estado de
inconsciência ou morte.
Considerações Finais
O ambiente de RPG é complexo e difícil de entender caso você não
tenha conhecimento prévio de como funciona. Diversas vezes por exemplo,
namoradas de amigos meus entravam no jogo e tentavam se encaixar, mas
acabava fazendo uma “burrice” no jogo por algo ter acontecido ao “namorado”
dela. Nada havia acontecido ao namorado dela, e sim com o personagem dele,
nada é pessoal (ou pelo menos deveria ser assim), só que isso soa como uma
ofensa/ataque para quem não entende, assim como falar em outra língua (que
geralmente criávamos na hora) era suficiente para chamar as sessões de culto
satânico e por se tratarem de crianças/adolescentes/adultos (depende de quem
vê) pode variar entra uma coisa infantil e inocente para um grupo de vadios
desocupados. Existem muito modos de perceber um jogo de RPG, tanto
sabendo como funciona quanto não. Todos temos uma maneira de interpretar
as coisas, então como eu esperaria que um amigo meu até desconhecido,
visse este novo mundo que é a própria aventura, da mesma maneira que eu
vejo? Tem gente que não vê nem o meu quintal da maneira que eu vejo,
quanto mais um mundo inteiro e sua narrativa guiada.

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