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Uma obra de

2019
Informações
Esta é uma obra de ficção que não deve ser reproduzida sem
autorização. Nenhuma parte desta publicação pode ser transmitida ou
fotocopiada, gravada ou repassada por qualquer meio eletrônico e mecânicos
sem autorização por escrito da autora. Salvo em casos de citações, resenhas e
alguns outros usos não comerciais permitidos na lei de direitos autorais.
Esse é um trabalho de ficção. Todos os nomes, personagens, alguns
lugares, casos envolvidos, eventos e incidentes são frutos da imaginação da
autora. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas, ou eventos reais é
apenas espelho da realidade ou mera coincidência.

Capa: M.C Design


Diagramação: M.C Design
Título da obra: Bem Me Quer

Copyright © 2019 por Mariana Cardoso


Dedicatória

Para todas as minhas leitoras que me acompanham e apoiam minha intensa


jornada de escrita. Cada livro publicado é para vocês e por vocês

Mãe, obrigada pelo seu apoio incondicional.


Sem você, nada seria possível.
Eu te amo.
Prólogo

Seus passos ecoavam no quarto devido aos saltos stilettos que usava.
Da minha posição do chão, subi meu olhar dos seus pés perfeitos, para as
suas lindas coxas torneadas, passando pelo quadril largo, a barriga perfeita e
seus seios de amamentação incríveis.
Usava apenas um conjunto preto, de renda, me dando a perfeita
visão da sua buceta depilada e seus mamilos pequenos.
Seus cabelos estavam embolados no alto, no coque mal feito que ela
adorava usar pelas manhãs. Sua boca carnuda estava pintada de vermelho, a
minha verdadeira perdição. Ela sabia como me deixar maluco.
Desfilando até a mim, com sua risada de menina, cantarolava e soltava uma
pétala de rosa.
— Bem me quer, mal me quer, bem me quer... — Soltou a última
pétala. — Ops! Mal me quer? — Sorrindo do seu jeito safada, engatinhou em
cima de mim, passando a boca bem perto da minha dura ereção, que mexeu
ansiosa pela boca dela. Beijou minha barriga, lambeu meus mamilos e parou
com a boca centímetros da minha. — Mal me quer, amor?
— Para sempre. — Agarrei sua bunda e tomei sua boca.
um
Romeo.

Bati a mão no despertador e saí da cama silenciosamente para não


acordar a minha companheira. Entrei no banheiro, lavei o rosto para acordar,
escovei os dentes e fiz a barba. Devido ao meu banho poucas horas antes, não
me atrevi entrar no chuveiro novamente e acordar minha dama.
Silenciosamente atravessei meu quarto para o closet, vestindo um terno de 3
peças, meias, sapatos. Relógio, perfume e uma passada de mão no cabelo.
— Papai? — A vozinha sonolenta da minha menina ecoou no quarto.
— Oi, Sammy. Bom dia, ursinha. — Voltei para o quarto e ela esticou
os bracinhos. Imediatamente peguei a fralda e a toalha, me prevenindo de
mais um banho de vômito. — Você está melhor, amor? — Coçando os olhos,
balançou o rosto positivamente, sacudindo seus cachos despenteados e tossiu
cheia de catarro.
Com minha menina de dois anos no colo, saí do meu quarto e entrei no
dela, deitando-a no trocador. Sua babá estava de licença por ter contraído um
resfriado junto com Sammy. Lydia normalmente era muito cuidadosa e
raramente ficava doente. As duas caíram doentes e isso significou noites
insones.
Sammy nunca foi um bebê de acordar de madrugada, muitas vezes a
acordava preocupado que estivesse dormindo demais. Ela mamava dormindo,
permitia que trocasse sua fralda e roupa dormindo. Minha garotinha era
muito boa em comer e dormir. Era por isso que a chamava de ursinha.
Terminei de trocar sua fralda e desci com ela no colo em direção a
cozinha.
— Bom dia, Sr. Blackburn. — Kira, minha segunda mãe, me recebeu
polidamente e havia uma mulher ruiva totalmente vestida de branco com ela.
— Essa é Gina. Ela é a babá enviada para ficar com Samantha durante o dia.
— Apresentou a mulher e apertei a sua mão.
Gina seria uma temporária. Por ser enfermeira e babá de um casal de
amigos que estavam viajando com os filhos, foi enviada depois de um pedido
de socorro. Imaginava que seria mais jovem devido às muito animadas
recomendações. Aparentava ter mais de quarenta anos.
— Seja bem-vinda, Gina. Obrigado por aceitar vir nas suas férias...
Lydia estará de volta em breve.
— Imagina, Sr. Blackburn. Conheço a Lydia e a Samantha. Levamos as
crianças ao parque no mesmo horário para que possam brincar.
Sabia daquela informação porque cuidava dos filhos dos meus
melhores amigos e foi um dos motivos por aceitá-la em minha casa no
período que Lydia estivesse se recuperando.
— Ela precisa fazer a nebulização conforme a receita médica e o
xarope no almoço. Vomitou bastante essa noite e está muito cansada. —
Sammy aceitou ir no colo dela, sorrindo, provavelmente porque já conhecia.
Não que minha filha tenha dificuldade de ir com estranhos. Samantha puxou
a simpatia da minha mãe.
— Barbs? — Minha filha perguntou muito interessada.
— Bárbara está viajando com seus papais, enquanto isso, nós duas
iremos ficar juntas. — Gina a balançou suave. — Vamos tomar café da
manhã agora?
Enjoada devido a gripe, Sammy aceitou apenas a mamadeira e quis
tomar no meu colo. Assim que terminou, sonolenta, Gina a pegou para levar
ao seu quarto, dar um banho e colocá-la para dormir um pouco mais.
— Kira...
— Vai ficar tudo bem, Romeo. Lydia ficou muito aliviada que Gina
cuidará da pequena e você pode ir trabalhar tranquilo. Sei que hoje é um dia
muito importante.
— Me mantenha informado, por favor. Amo você.
Kira apenas revirou os olhos e saiu de perto. Essa mulher me criou e
era por isso que ela tinha esse comportamento. Lembrava o dia que minha
mãe a apresentou, era uma jovem mulher negra que não falava muito bem a
nossa língua. Primeiro veio apenas morar conosco temporariamente, depois
começou a trabalhar em casa, fazendo alguns serviços, ajudando na cozinha
ou acompanhando minha mãe onde ela fosse. Com o tempo, ficou comigo,
principalmente depois que deixei o colégio interno.
Kira chegou aqui nos EUA fugindo da guerra do seu país e pediu
refúgio. Viveu em centros comunitários até que fez amizade com minha mãe,
que estava sempre pelos abrigos levando comida ou ajudando no trabalho
pesado. As duas eram bastante próximas. Kira nunca quis estudar, fazer uma
faculdade ou algo profissionalizante, queria apenas viver. Cuidava da minha
casa porque queria, na verdade, chegou no meu apartamento e me informou
que seria minha governanta porque não podia imaginar me virando sozinho.
Acho que isso era coisa da minha mãe para que as duas fofoquem sobre
o que estava fazendo. Obviamente, tenho outras funcionárias que limpam a
casa e cuidam da cozinha, porém, era Kira que supervisionava tudo.
Terminei meu café da manhã e me despedi das funcionárias.
Acenei para meu motorista, inicialmente ele foi contratado para que
eu não precisasse perder tempo no trânsito e Henri era muito bom em driblar
engarrafamentos. Mas desde que a Sammy nasceu ele era dela. Para levá-la
onde Lydia precisasse e essa semana no qual minha menininha estava doente,
estava de prontidão caso seja necessário levá-la a emergência como duas
noites atrás. Costumava andar sozinho ou com Dan, meu guarda-costas.
No trânsito, ouvi as notícias pelo rádio e xinguei o presidente, ele era
um idiota. Gostava de morar em Nova Iorque mesmo com a agitação, nasci
aqui, sempre vivi nos arredores de Manhattan e sou um garoto que aprendeu
a andar no Central Park. Comecei a minha empresa em uma apertada sala no
mesmo lugar que hoje ela é sediada. A diferença era que na época me
preocupava em pagar o aluguel muito caro do cubículo e agora o prédio
inteiramente meu, assim como todas as empresas que funcionavam ali.
Fundei a Blackburn Holding aos vinte anos, na ideia maluca de pegar a
herança que minha avó me deixou e me tornar o mais jovem investidor do
mercado. Deu muito certo e estávamos expandidos ao título de conglomerado
industrial. E já não era o mais jovem investidor do mercado. Aos trinta e sete
anos tinha alguns prêmios como empresário, alguns muitos luxos que
conquistei... Assim como uma ex-mulher e uma maravilhosa filha.
Estacionei meu carro na garagem e entrei no elevador privado.
Antigamente achava uma palhaçada o modo que o prédio foi construído,
separando o alto escalão dos demais, porém, aprendi às duras penas que era
extremamente necessário não ser tão acessível ao público. Muito menos ao
público feminino.
— Bom dia, Sr. Blackburn. — Meu assistente me recebeu próximo ao
elevador. G segurava uma bandeja com café. — Seu pai está aqui.
— Bom dia, George. Como foi a viagem? E a sua avó?
— Foi ótima, obrigado. Ela mandou cookies para o senhor. — Sorriu e
entramos na minha sala.
— Oi pai! Não sabia que já estavam em casa. — Abracei meu velho
homem. George serviu café e os cookies incríveis da sua avó. — Obrigado,
G.
Assim que meu assistente saiu, fechando a porta atrás dele, sentei com
meu pai.
— Kira ligou e disse que Sammy está doente... É claro que sua mãe
quis voltar para casa. Espero que não se importe conosco por uns dias. —
Mordeu um cookie e arregalou os olhos ao perceber que era muito bom.
— Não me importo, serei grato com a ajuda. Sammy e eu não
dormimos há uma semana, sinto que estou esgotado. Estava preocupado em
chegar tarde hoje, estou com a agenda embolada com a viagem do G e a gripe
da Sammy. Como está a família?
— Seus primos parecem bem-intencionados em povoar a terra, nunca
vi tanta criança em uma única casa. Foi divertido. Minha irmã está melhor,
então, foi bom comemorar. — Deu tapinhas na minha mão. — Vou te deixar
trabalhar, menino. Nos vemos a noite.
Meu pai foi até a empresa primeiro para me dar a cortesia de não me
surpreender com eles na minha casa. Uma coisa que sempre amei neles,
mesmo com toda preocupação e zelo que poderiam ter por ser filho único,
nunca foram invasivos. São os melhores pais e os melhores avós, também são
as melhores pessoas que conhecia. Meu pai deixou Londres para estudar
medicina, apaixonou-se pela cidade e amou minha mãe.
Fui concebido fora do casamento, minha mãe ainda era uma interna e
ele um residente. Casaram quando estava quase nascendo e não se
desgrudaram mais. Meu pai vem de uma rica e tradicional família da
Inglaterra e minha mãe de uma família nenhum pouco rica de Nova Iorque.
Toda minha família era bem conservadora e eu era a ovelha negra.
Divorciado, não casei novamente e tive uma filha fora do casamento. Minha
vida era alvo das conversas e não me importava.
Antes de ligar meu computador, dei uma lida nas notas do G. O garoto
era tudo sobre organização e planilhas. Costumava deixar o sistema da
empresa em ordem e tinha crises se alguém fazia algo errado. E tudo que
precisava fazer era metodicamente organizado com notas e cores.
Trabalhamos juntos há seis anos e tem dado muito certo.
— Atrapalho? — Minha ex-mulher e advogada da empresa bateu na
porta.
— Pode entrar, Sophia. — Apontei para cadeira à minha frente e ela
segurava uma série de pastas. — Processos?
— Contratos. — Sorriu e me entregou. — G já deu uma olhada, revisei
o que ele solicitou, falta a sua revisada e assinatura. Como está Samantha?
— Ainda gripada. Minha mãe voltou e sei que logo ficará melhor. —
Abri a primeira pasta dando uma olhada por alto.
— Tenho uma reunião agora, falamos depois. Melhoras para Samantha.
— Arrumou sua roupa e saiu da minha sala.
Sophia Boyce entrou na minha há vida muitos anos, quando ainda
éramos jovens e nossos pais brincavam que um dia iríamos casar. Quando se
formou em direito, passou a trabalhar comigo. Nós confundimos as coisas, a
pressão dos nossos pais com o casamento e com a sociedade começando a
cobrar que um homem de quase trinta estava pronto para começar uma
família.
Nós namoramos, noivamos e casamos em um espaço de um ano. Só
que nem eu e muito menos ela, compreendíamos a dimensão de um
casamento e nos vimos totalmente incompatíveis em uma infinidade de
coisas. Pequenas coisas no dia-a-dia como o café da manhã, o jantar, manter
uma conversa interessante era um imenso abismo. E ela sentia perfeitamente
bem em não fazer sexo. Sexo era algo muito importante para mim em um
relacionamento e tinha que ser frequente. Era a única conexão que conseguia
ter com minha esposa, porque fora isso, não havia nada entre nós.
Fomos nos distanciando em tão pouco tempo de casamento que um dia
brigamos feio. Cobrei a ela ser minha esposa e ela me cobrou ser um marido
que a compreendesse. Nossa convivência era insuportável e não dormíamos
no mesmo quarto. Ela era linda, alta, morena, com um sorriso maravilhoso e
um corpo delicado. A partir de um ponto, não era mais sobre fazer sexo com
a minha esposa, era só sobre fazer sexo.
Sophia pediu um tempo, queria pensar e eu fiquei magoado que ela só
conseguia pensar longe de mim, viajei a trabalho. Foi onde conheci a Eliza. A
mulher era determinada, fatal e não precisou de muitos avanços para
passarmos o final de semana na cama. Eliza não queria nada comigo,
trabalhava viajando e não tinha tempo para relacionamentos, queria sexo
tanto quanto eu.
Minha esposa ainda estava viajando por aí, se conhecendo e quatro
meses depois Eliza entrou em contato. Estava grávida, sabia, não iria me
contar... Até que se tornou extremamente necessário. Assumi e amei o bebê
no segundo que ouvi as batidas do seu coração. Fiquei louco ao descobrir que
era uma menina e trouxe Eliza para viver em Nova Iorque.
Primeiro contei aos meus pais que eles seriam avós, depois contei que
não era da Sophia e precisei contar a minha esposa que engravidei uma
mulher fora do nosso casamento.
Foi um inferno.
Sophia sofreu muito porque no tempo que esteve fora, descobriu que
tinha problemas hormonais e era por isso que passou a não ter desejo sexual.
E por mais que tínhamos muitos problemas, faltei com o respeito,
consideração e traí sua confiança. Ela ainda quis tentar... Fazer um tratamento
e tentarmos ter uma conexão, mas, o que me surpreendeu no período que
Sophia estava fora era que não senti sua falta e principalmente não a amava.
O divórcio foi finalizado dois dias depois que Sammy nasceu.
Seguimos trabalhando juntos e mantemos uma relação de amigos, mas
não somos próximos. Ela ainda carregava um monte de ressentimento até
conhecer seu atual namorado e era nítido o quanto estava feliz. E eu seguia
sozinho. Desejava muito estar com alguém, quero cuidar de outra pessoa, ter
uma conexão e principalmente queria o sexo. E de bônus, um amor.
Tinha meus casos, tentei dois relacionamentos que não deram certo e
encontrava com mulheres exclusivamente para foder, voltava para minha casa
e dormia sozinho. Não era uma questão de encontrar uma mãe para Sammy,
sim de encontrar uma mulher para ser minha, que ficasse ao meu lado e em
troca, faria absolutamente tudo que ela quisesse.
Movi o mouse e a tela acendeu em uma página do Instagram. Uma
sequência de fotos sensuais de uma jovem mulher estavam bem ali. Minha
boca imediatamente encheu de água. Que criatura gostosa, linda e muito
sexy! Seu rostinho era de menina, cabelos claros, lábios cheios e olhos que
pareciam ser castanhos em umas fotos e em outras verde. A maioria das
fotografias eram de biquíni, roupas curtas, coladas, exibindo as pernas
bonitas, os seios redondos e a cinturinha fina.
— Qual é o seu nome, belezinha? — Movi o cursor procurando seu
user.
Dixbabysugar.
Baby Sugar? Não sou velho o suficiente para ser um sugar daddy, mas
seria o que essa garota quisesse. Era linda. Fazia muito tempo que não ficava
hipnotizado com uma mulher assim... Muito menos com o pau duro só de
olhar fotografias. Tive o prazer de ter mulheres lindas, modelos, atrizes e
desconhecidas donas de belezas exuberantes. Mas ela? Estava babando.
— Quem é dixsugarbaby, G? — Chamei no interfone.
Em dois segundos ele estava na minha sala com os olhos arregalados.
— Mil desculpas, esqueci o navegador aberto e não saí da conta.
— Não respondeu a minha pergunta. — Arqueei minha sobrancelha.
— Já deve ter ouvido falar de Sugar Baby, certo? — Concordei e ele
engoliu seco. — Minha amiga está procurando por um sugar daddy... Ela é
jovem, bonita e por milhares de razões dei a ideia de se tornar uma. Quem
sabe tendo um relacionamento com um homem mais velho poderia 1ata1-la
de mil formas necessárias agora. — Limpou a garganta. — Como ela não tem
como atualizar suas redes sociais, faço isso antes do expediente ou em casa a
noite. Peço desculpas por usar seu computador, só quis otimizar o tempo
enquanto atualizava sua agenda e marcava o médico da Sammy.
— Quantos anos ela tem?
G ficou me encarando.
— Sabe que só tem trinta e sete e normalmente os daddys são mais
velhos?
— Mais velhos o quanto? — Conferi e G deu os ombros. — Sabe
alguma coisa sobre esse meio? — Ele negou mordendo o lábio. — E ainda
assim colocou sua amiga. E se fosse uma furada? E se ela encontrar um
maluco velho que decide 1ata-la?
— Nós temos um esquema, mas é tudo recente. Até agora ela só
encontrou com dois homens para conversar e não rolou nada. Estamos
aprimorando...
Duas crianças irresponsáveis.
— Quantos anos ela tem?
— Tem vinte anos... Se formou em uma faculdade comunitária nesse
verão. Fez o técnico em administração. É muito inteligente, divertida e
carinhosa... A garota mais incrível que conheci na vida. — Disse com muito
carinho.
— Ela é o que sua?
— Amiga... Conheço desde que nasceu, era um rapaz quando a mãe
dela apresentou a minha avó. E eu, hum, sou...
— Gay? É óbvio que eu sei, inclusive, pare de namorar os estagiários.
— Ri da sua expressão de pânico. — E qual o nome dela? Verdadeiro.
— Mentir para você é dar um tiro no pé. — G riu, ciente do meu poder
de descobrir coisas online. Uma das minhas empresas era sobre tecnologia e
segurança. — Seu nome é Juliet. Ela se chama Juliet Gale.
Voltei a olhar a mulher de sorriso atrevido e virei para meu assistente.
— Quero o telefone dela.
dois
Juliet.
Saí do táxi frustrada comigo mesma e pronta para ligar ao G. A
história de ser Sugar Baby ia acabar me matando. Era o terceiro velho tarado
que pensava que era prostituta. Atravessei o quintal e entrei em casa, quase
vomitando com o cheiro de mofo e bebida. Rick, o infeliz marido da minha
mãe, estava jogado no sofá velho e verde musgo, roncando alto.
Passei por ele devagar, não queria que me visse com o curto vestido
preto que usava e entrei no meu quarto, trancando a porta.
Vesti minhas roupas de trabalho e bati a porta forte para acordá-lo.
Ele pulou assustado, engasgando e me olhou bravo. Bebi água com minha
bolsa pronta e saí para trabalhar. Passei no trabalho da minha mãe só para
certificar que estava lá e sóbria. Margareth acenou de uma mesa que servia,
acenei de volta torcendo que não fosse demitida dali também.
As opções dela estão acabando na cidade.
Caminhei por vinte minutos antes de chegar ao meu trabalho. O bar
era na beira da estrada, ponto de encontro de qualquer desconhecido de
passagem para uma bebida ou uma refeição. Tinha todo tipo de criatura
irritante do outro lado do balcão, mas, meu salário como professora auxiliar
de ballet não pagava as contas e nem as sustentava o Theo.
Guardei minha bolsa debaixo do balcão e peguei meu pano limpo,
começando a borrifar álcool e limpando ao máximo para desinfetar onde iria
tocar. A noite estava movimentada, meu bolso cheio de gorjetas e bebidas
saindo assim como refeições. Cristina, a velha e amargurada dona do bar me
deu um sorriso azedo ao dizer que poderia fazer uma pausa. Com os pés
doendo, me refugiei nos fundos e conectei a internet no meu velho celular.
Não havia nada demais online e G sequer deu notícias, um dia longe
e já estava com saudades do meu maluco amigo. Era tão sonhador quanto eu,
a diferença era que ele teve alguém encaminhando-o na vida, um pai amoroso
e uma boa estrutura financeira para alcançar um excelente emprego. Não foi
mais de uma vez que me convidou para morar com ele e tentar a vida em
Nova Iorque, mas... Não podia ir embora e deixar Theo para trás. Quando
sair, preciso levar ele e minha mãe.
Meu telefone tocou e me assustou, era um número e privado.
— Alô?
— Juliet Gale? — Uma voz profunda soou na linha.
— Hum, oi. Com quem falo?
— Sou Romeo Blackburn. — Puta merda! Conheço esse nome! Meu
cérebro não trabalhou rápido o suficiente. — George me entregou seu
número de telefone.
— Entendo... E em que posso te ajudar, Sr. Blackburn?
— Encontrei seu usuário e estou interessado em uma entrevista.
Acho que podemos chegar a um ponto em comum, Juliet.
Meu coração estava pulsando forte e respirei fundo. Não conseguia
lembrar como era o chefe do G, não que o conhecesse pessoalmente, mas de
comentários do meu amigo. Nós não falamos muito do seu trabalho...
— Acredito que podemos marcar um encontro. — Deliberei
calmamente.
— Existe a possibilidade de estar na cidade neste fim de semana?
Não existia, mas daria um jeito.
— Sim, é claro.
— Encontre-me no Hotel Hilton, às 19h. Enviarei o endereço e os
detalhes por mensagem, se precisar de alguma coisa ou acontecer algum
imprevisto, me informe através do número que irei enviar.
Uau... Direto ao ponto e realmente tomando conta de tudo.
— Perfeitamente, obrigada. — Suspirei.
— Até amanhã, Juliet. — E encerrou a chamada.
Cacete! Era sexta-feira!
Aproveitei meus últimos minutos de intervalo para ligar ao G. A
bicha maldita gritou por uns minutos e só depois confessou que deu meu
número ao Sr. Blackburn duas semanas atrás. Não me contou para não gerar
expectativas e depois desistiu ao pensar que o seu chefe não ligaria mais.
Quase caí de bunda no chão ao receber as fotos do homem. Puta
merda, como era gostoso! Sexy! E hum, temos a diferença de 17 anos, acho
que isso se enquadra no que estava procurando.
Nervosa, terminei meu turno e fui andando pelas ruas mais
movimentadas até minha casa. Rick não estava provavelmente bebendo até
cair e minha mãe jogada no sofá, dormindo. Entrei no quartinho do Theo e
ele estava dormindo na sua velha cama de carros. Comprei em um brechó
apenas porque ama carros.
— Eu te amo, bebê. — Esfreguei meu nariz na sua bochecha.
Fechei a porta do seu quarto e voltei para sala.
— Margareth. — Agitei o corpo da minha mãe. Ela abriu os olhos
sonolenta. — Como foi o dia do Theo?
— Aquela menina da escola disse que foi tudo bem. — Tossiu um
pouco e se enrolou na manta.
— Sairei amanhã e volto no domingo. Vou deixar dinheiro para
comprar leite e pão para o Theo. Não deixa de comprar, me ouviu? E durante
o dia a Sra. Blunt vai ficar com ele, dar o almoço e o jantar, aí você o pega
para dormir quando chegar do trabalho. Não quero que o deixe sozinho com
o Rick, fui clara?
— Tudo bem, Juliet. Não vou discutir isso com você, vá em
segurança e volte, ok? Manda mensagem.
Margareth não gostava quando falava do seu precioso marido, mas
que não ousasse deixar Theo sozinho com aquele maluco bêbado. Já
aprendeu sobre isso no passado. Nossa relação só não era pior porque ainda
lembrava da mulher que era antes do meu pai morrer. Aquele maldito
acidente levou a melhor pessoa que conheci na vida e destruiu minha família.
Arrumei uma pequena bolsa no meu quarto. G depositou um
dinheiro para ajudar na passagem de ônibus até Nova Iorque e irei encontrá-
lo na estação do metrô próximo ao seu apartamento. Precisava dar um jeito
na minha aparência e comprar uma roupa com os míseros dólares que tinha.
Quando bateu o sono, deitei-me com Theo. Desde que ele nasceu, dormia do
seu lado. Ele era meu anjo protetor.
Meu pai comprou essa casa quando nasci e agora estava
praticamente caindo aos pedaços.
Morava em Milford, uma linda cidade em Connecticut e o bairro que
cresci não era um dos piores. Na verdade, havia boas famílias lá, não ricas,
mas definitivamente boas. A minha casa era a única que manchava a imagem
do bonito bairro arborizado.
Não havia muitas oportunidades de emprego na cidade e desde que a
minha avó morreu, também não houve muitas chances para mim. Minha mãe
casou com um bêbado viciado em jogos, que não conseguia manter um
emprego e ela também acabou se viciando nele, na bebida e criando uma
dependência que nunca compreendi.
Consegui continuar fazendo ballet porque minha avó foi professora
da mesma escola de dança por anos e eles me deixaram permanecer por
consideração. Me tornei professora auxiliar e ganhava cinco dólares a hora de
trabalho. Não tive aplicação para ir a uma universidade. Não que soubesse o
que fazer. Minha vida ficou consumida em desespero. Me matriculei para
fazer o técnico em administração na universidade comunitária e terminei no
começo do verão.
E o grandíssimo emprego que consegui além do ballet foi no bar.
Meu padrasto não era um homem bom e a cidade já estava cansada
de ajudar minha mãe, então, eles encolheram suas mãos para mim também.
Se não fosse a Sra. Blunt e G que é seu neto, estaria perdida. E foi ele que
veio com essa ideia de Sugar Baby. Precisava de dinheiro e ao mesmo tempo
de alguém para finalmente cuidar de mim.
Nós fizemos um ensaio fotográfico com as roupas que tinha, através
do celular dele, na área mais bonita da cidade e editamos. Uma Sugar Baby
não era uma prostituta. Era uma jovem garota a procura de alguém para
cuidar dela financeiramente, emocionalmente e orientar nos passos da vida.
Esse alguém precisa ser maduro. Tem que existir uma conexão. E era o que
mais queria na vida.
Quatro da manhã, saí de fininho, sentei na varanda e chamei o táxi.
Enviei meu trajeto para G, que já estava acordado e tão ansioso quanto eu.
Assim que cheguei no terminal, comprei a passagem e só precisei esperar
quinze minutos para o ônibus partir. O ar condicionado estava no mínimo, me
enrolei no casaco e tentei dormir.
Cheguei no caos e confusão de Nova Iorque, era meio de junho e
podia sentir que seria um dia quente. Tirei o casaco que coloquei no ônibus e
andei até a estação de metrô, comprei um passe e esperei o próximo carro.
Não levei vinte minutos para descer em uma das estações do Brooklyn.
— Maravilhosa! — G gritou no meio da estação e corri até ele,
abraçando-o.
— Você é um péssimo amigo, George! Como deu o meu número
para seu chefe e não me falou nada?
— Nunca achei que ele fosse ligar, não me leve a mal, mas o homem
definitivamente não precisa de uma sugar. Pode ter a mulher que bem
entender...
— Ainda assim ele me ligou! Ontem mesmo ia te ligar para apagar o
perfil. Não ia dar certo, não temos experiência e só maluco apareceu!
— Agora apareceu um bom cara... — Sorriu balançando as
sobrancelhas. — Cobrei uns favores. Você tem uma hora no salão para fazer
todas as coisas importantes e usei meu cartão de crédito para comprar um
maravilhoso vestido e um par de sapatos. E claro, as calcinhas mais lindas.
Mulher... Se eu tivesse a sua bunda ia viver com o rabo de fora. — Soltei-o e
gargalhei no meio da estação. — Não podemos perder tempo.
G é mais velho que eu uns dez anos. A Sra. Blunt e ele são as
pessoas mais amáveis que tive a oportunidade de conhecer. Sempre foi como
um protetor quando era mais nova, um irmão mais velho e era o melhor
amigo que uma garota poderia ter.
Seu coração de ouro e sua alegria deixavam qualquer um feliz. Nós
dois somos uma bola de energia sem controle e o dia foi uma loucura
divertida. Um amigo dele, ex-ficante, fez meu cabelo e a irmã minha
depilação e sobrancelhas.
Passamos o dia inteiro na rua e ao chegar no apartamento dele, um
lugar pequeno, porém, muito agradável e bonito me deparei com meu
vestido. Era cinza escuro, com detalhes em cetim preto. Era mais fechado em
cima, curto o suficiente para mostrar minhas pernas, mas não vulgar.
— É perfeito, G. — Coloquei o vestido no corpo depois de tomar
banho e fazer minha maquiagem.
— Qualquer coisa fica perfeita em você. Vou avisar ao motorista
que está pronta, ok?
Meu estômago torceu de ansiedade. O Sr. Blackburn avisou que seu
motorista viria me buscar e levar até ele no hotel, onde me esperava para
compartilharmos uma refeição. Inexperientes no assunto, G e eu fizemos uma
lista de perguntas e propostas a fazer, para conhecê-lo e ter a certeza se dará
certo ou não.
Não era uma mulher alta, meu rosto dedurava minha jovem idade e
ao mesmo tempo mostrava sinais que sai da adolescência. Quando criança,
era ruivinha, um bebê de revista. Conforme crescia, meu cabelo ficou
castanho, minhas sardas ruivas e minha sobrancelha mais clara que meu
cabelo. Meus olhos também escureceram. Puxei em casa umas mechas loiras
que ficaram uma mistura de dourado com ruivo, deu uma clareada no meu
rosto.
Meu corpo era torneado e bonito, mas não era magra o suficiente
para ser uma bailarina profissional, muito menos uma modelo. Minhas coxas
eram grossas, meu quadril era bonito e devido a insistência da minha avó,
sempre usei cintas, portanto, minha cintura era fina. E amava dançar. Meu
corpo ganha vida quando estou dançando e sou extremamente habilidosa com
desenhos realistas. Precisei deixar de lado porque o material é muito caro.
— Você consegue, garota. — Limpei o excesso de batom da minha
boca. Ela é muito carnuda, qualquer coisa nela fica exagerado.
— Ele está aqui, lindinha! Vá lá e arrase. — G colocou camisinhas
na minha bolsa. — Prevenção nunca é demais. — Piscou e sorri muito grata
pelo seu cuidado.
O motorista era um jovem homem muito simpático, me tratou com
extrema educação e conduziu em silêncio. Acompanhei o trajeto pelo maps
do meu telefone, cada metro mais perto, mais meu estômago torcia. Estava
nervosa com o aspecto geral, não só sexual. Sabia que se tudo desse certo
faria sexo com o homem e não era do tipo puritana. Já fiz sexo por fazer
algumas vezes, isso não me incomodava. Ficava irritada por não ter sentido
nada, nenhum prazer e não por falta de amor.
Estava ansiosa para ter um homem que cuidasse de mim no aspecto
sexual também. Todas as minhas experiências foram frustrantes.
Henri parou em frente ao hotel e não só abriu a porta, como me
conduziu ao elevador sinalizando para um homem de terno no canto. Sabia o
andar e o quarto, me despedi dele com um sincero agradecimento e um
sorriso. Quanto mais o elevador subia, mais meu coração batia rápido e
minhas mãos suavam.
Andei pelo corredor com as pernas bambas, respirando fundo,
repetindo um mantra e de frente a porta, toquei a campainha. Aprumei meus
ombros e esperei. A porta foi aberta e mordi a minha língua para não xingar...
Porra! Que homem! Fiquei estagnada, sem fala e consumida. Na minha
frente estava parado uma espécie de macho muito rara. Alto, bem alto,
definido ao ponto de ver o contorno dos seus músculos pela sua roupa.
Dei um passo para trás, sem acreditar que aquele homem era real,
mesmo as fotos não faziam jus a sua presença. A foto mostrava que era um
homem bonito que obviamente teve acesso a dinheiro e boa educação...
Pessoalmente era uma avalanche de emoções que não sabia descrever. Seu
cheiro era inebriante, seu olhar bastante avaliador e a boca? Carnuda e
maravilhosa.
Usando uma camisa social azul dobrada até os cotovelos, um colete
preto e calças do mesmo tom, seu braço tinha tatuagens e ostentava um
relógio caro. Nos pés, sapatos italianos – amo sapatos e por isso podia
reconhecer os modelos e marcas a distância.
Senti um arrepio percorrer meu corpo ao reparar seu sorriso. Ele só
ficou parado esperando que bebesse toda sua imagem como uma louca. Devo
ter ficado vermelha, me senti quente e meus mamilos endureceram.
Lambi os lábios para falar, ciente que ele também me comia com os
olhos e pelo olhar malandro, sua mente também estava me comendo de
outras formas.
— Olá, Juliet. Seja bem-vinda.
— Olá... Sr. Blackburn. — Minha voz era apenas um sussurro
excitado.
— Romeo. Me chame de Romeo. — Esticou a mão grande, me
convidando e aceitei, sendo conduzida para dentro da opulenta suíte. —
Estou feliz que esteja aqui.
Olhei-o sobre os ombros e flagrei seu olhar na minha bunda. Sorri
maldosa.
— Eu também.
Romeo passou por mim e me levou para um sofá bonito de frente a
parede de vidro que dava uma bela visão da cidade. Sentei e cruzei as pernas,
lembrando de ser uma mocinha educada enquanto aceitava a taça de vinho
branco. Quis fazer uma piadinha que não tinha autorização para beber, já que
só tinha vinte anos, mas, ele poderia ficar desconfortável e bebia desde os
dezesseis anos.
Ocupando o lugar ao meu lado, próximo o suficiente para sentir seu
cheiro maravilhoso, mas, não ao ponto de nos tocar. Sua coxa era bem grossa,
ele era todo grande, proporcional e malhado. Suas orelhas mostravam que
lutava algo como Jiu Jitsu ou Judô.
Estava perdida em começar o assunto e ele foi muito agradável em
perguntar como foi meu dia, passando pela minha amizade com G, minha
formação e rapidamente mergulhamos em coisas em comum. Nossos gostos
musicais não batiam muito, também não entravam em choque. Ele gostava de
rock clássico e eu de música moderna, ambos nos encontramos nas músicas
clássicas, cantores de jazz e blues e as baladas mais antigas.
— Conheço tudo isso porque faço ballet, jazz e dança
contemporânea desde menina. — Apoiei minha taça na mesinha a nossa
frente, virando um pouco de lado. — Conhecer as músicas que danço é uma
obrigação.
— E quanto a literatura?
— Não espere respostas que amo os clássicos porque será mentira. A
leitura deles me cansa muito. Consegui ler algumas adaptações e conheço as
histórias através dos filmes. Detesto a linguagem da literatura inglesa mais
antiga, sabe? — Brinquei com meu anel e reparei que sorria. — Adoro
mesmo os romances de péssimo gosto, eróticos, daqueles bem cheios de
dramas e confusões.
Romeo soltou uma risada bonita, parecendo muito interessado no
movimento dos meus lábios. Ele disse que lia apenas sobre mercado
financeiro, tecnologia e alguns de suspense. Fiz uma ligeira careta, porém,
gosto não se discute.
— O que você quer disso? — Sua pergunta era oportuna e mesmo
assim ruborizei. — Preciso que seja honesta, Juliet. Tenho que entender que
isso tudo é mais que uma conexão com nossos nomes.
— Ah, eu odeio a história de Romeu e Julieta. É depressiva, violenta
e sem noção. — Rebati rápido e arranquei uma risada dele.
— Também não sou fã das tragédias de Shakespeare.
— Espero... Ser cuidada. Quero ser mimada, adorada e ao mesmo
tempo, quero cuidar, estar lá para alguém que vai me dar segurança,
estabilidade e não posso negar, a oportunidade de uma vida melhor. Quero
não ter que me preocupar com o amanhã e em troca, darei a minha devoção,
meu carinho, meu respeito, compreensão e ter essa conexão benéfica para
ambos os lados. — Olhei em seus olhos e havia um brilho interessante lá.
— Gosta de crianças?
Sua pergunta me deixou confusa, mas dei de ombros.
— Gosto mais de crianças do que de adultos, para ser honesta. —
Mordi meu lábio.
— Estaria disposta a mudar sua vida para essa cidade?
— Por que não? Aqui é o lugar que sonhos acontecem. — Romeo
segurou meu rosto, seu toque me aqueceu e me perdi na profundidade dos
seus olhos castanhos.
Nenhum homem me tocou e me fez sentir pelo corpo todo. Nenhum
homem me olhou com tanto desejo, mesmo aqueles que só estavam
interessados em sexo. Ele chegou mais perto, colocando meu cabelo atrás da
orelha e arrastou seu nariz pela minha bochecha, dizendo baixinho que meu
cheiro era viciante.
— Você é tímida?
— Não muito, por quê?
— Gosta de sexo?
Me afastei para olhar em seus olhos... Seria uma decepção se ele
fosse apenas mais um confundindo a porra toda.
— É só o que você quer? — Franzi meu cenho.
— Não... Quero e posso te dar tudo que precisa, assim como sei que
você pode me dar tudo que preciso. Sou um homem sexualmente ativo e por
experiência, preciso perguntar se é o que gosta, se sente-se bem e se me dá
seu consentimento de forma consciente... — Entendi o que ele quis dizer e
encerrei o assunto beijando sua boca.
Romeo pareceu surpreso por um total de dois segundos e
correspondeu meu beijo com sua boca gostosa e língua com gosto de vinho.
Inebriada e totalmente entregue, sem soltar sua boca, montei no seu
colo. Afastando-se um pouco, sorriu e atacou meu pescoço com as mãos
firmes na minha bunda. Minha mãe sempre me disse para nunca me entregar
a um homem no primeiro encontro... Nunca fui boa em ouvir minha mãe.
três

Romeo.
Olhei para mulher nua na minha cama e sorri, incapaz de acreditar no
furacão que era. Juliet era disposta, safada e ficou muito empolgada quando
percebeu que podia dar muito prazer ao seu corpo perfeito. Cada vez
que gozava era como estar no paraíso.
Seu sorriso safado, o corpo todo vermelho, pegajosa de suor e
ensopada... Sua buceta engoliu meu pau, apertada e com um movimento no
quadril que me fez gozar tão rápido que fiquei surpreso. Sabia como rebolar,
tímida, confessou que nunca fez aquilo, pediu desculpas, achando que tinha
me machucado e que foi sem querer.
Pensei que fosse morrer ali mesmo.
Nós fodemos tanto que estava realmente cansado, relaxado e muito
satisfeito. Não marquei esse encontro com a pretensão de transar, vim
preparado, mas não ficaria chateado se não acontecesse. A conexão foi
imediata. Quando abri a porta fui tomado. Era mais bonita, mais baixa, com
mais corpo e definitivamente meu pau disse olá para seus peitos.
Apesar de jovem e uma geração totalmente diferente da minha, era
muito inteligente. Aparentava ter certa insegurança, como se fosse repreendê-
la por falar alguma besteira e realmente a vontade, podia falar bastante, era
nítido que amava dançar e compartilhava uma paixão por arte. Entre nossas
rodadas, mostrou seus artistas favoritos e abriu uma série de aplicativos
mostrando artistas contemporâneos, seus desenhos favoritos e era um novo
mundo aos meus olhos e ouvidos.
Perguntei sobre sua família, desviando o olhar disse que seu pai morreu
e sua mãe vivia com o novo marido. Era vizinha da avó do meu assistente
desde que nasceu. Conversamos tanto quanto transamos. Quase
amanhecendo, sapeca do jeito que era, me levou para o chuveiro e fez
brincadeiras com a espuma do xampu no meu cabelo. Voltamos para cama e
ela finalmente dormiu.
Demorei quase três semanas para considerar ligar para Juliet. Primeiro
que dei uma olhada nos seus registros principais, estava limpa, nunca foi
presa, fazia exames regulares na clínica do centro comunitário. Se formou
poucas semanas antes. Não havia nenhum registro de seguro de vida, saúde
ou qualquer coisa do tipo desde os seus dez anos. Seu pai morreu nesse
período.
Não encontrei absolutamente nada errado na vida da sua mãe, eram
pessoas pobres demais para estarem nos registros comuns.
Antes de decidir se ligaria pesquisei sobre esse tipo de
relacionamento. Quanto mais lia, mais me identificava e mais queria tentar
algo com Juliet. Organizei toda minha agenda, esperei que Sammy
melhorasse da gripe e meus pais finalmente fossem embora para fazer a
ligação.
E ali estávamos naquele encontro inesperado.
Juliet mexeu na cama, gemendo e se espreguiçou. O lençol escorregou
para baixo e seus mamilos arrepiados me deram olá. Sonolenta, virou na
cama e deitou a cabeça no meu peito. Acariciei suas costas nuas, penteando o
cabelo com meus dedos até que realmente acordou, debruçou sobre mim, me
deu um beijo e foi para o banheiro.
Juliet era muito bonita de forma natural, seios bonitos, redondos,
com caimento normal e jovem, mamilos rosados e pequenos. Sua bunda era a
porra de um sonho. O tipo de mulher que em vinte anos ainda vai devastar
homens.
Ouvi seus barulhos no banheiro e pedi nosso café da manhã. Voltou
enrolada no roupão e imediatamente senti falta do seu corpo nu ao dispor dos
meus olhos.
— Vem aqui, linda. O café da manhã estará aqui em breve. —
Engatinhou pela cama e sentou na minha frente. — Quando você pode mudar
para cá permanente?
— Para esse hotel? — Olhou ao redor com cenho franzido. Ela
ficava linda confusa.
— Inicialmente planejei hospedá-la em um flat não muito longe da
minha residência. Será o nosso período de experiência e após a isso, você
estará comigo integralmente. — Assentiu em compreensão. — Ontem
perguntei se gosta de crianças é porque tenho uma filha. Ela tem dois anos e é
a luz da minha vida. — Juliet sorriu. — Não espero e nem irei cobrar um
relacionamento maternal, minha menina tem a mim, avós corujas e uma babá
em tempo integral.
— Entendo...
— Só que irá viver com ela e preciso saber se é capaz de conviver
muito bem com minha filha. — Olhei dentro dos seus olhos e não vi
absolutamente nada além de empolgação. Juliet realmente adorava crianças.
Ela dava aulas para crianças, então, talvez sua afinidade venha daí.
— Claro que sim, como disse, gosto de crianças e não me importarei
de cuidar dela também. — Sorriu brilhante e senti uma pontada no coração.
— Nós teremos um contrato formal, estabelecendo nossos interesses,
afirmando nosso compromisso e um acordo de não divulgação para proteger
nossa privacidade. Darei a você uma mesada mensal, um cartão de crédito e
cobrirei outros gastos do seu interesse com a devida aprovação do bom senso.
Quando poderá estar aqui para ser totalmente minha? — Puxei-a pelo nó do
roupão. — Você quer ser só minha, Juliet?
Montando no meu colo, beijou minha boca e sorriu.
— Depois dessa noite, Romeo... Já sou sua. — Porra! Desfiz o nó do
seu roupão e tirei o lençol que me cobria de entre nós. — Por que você me
deixa assim? Tão faminta?
Puta que pariu!
Meu pau já estava duro, muito duro e movimentando-se, segurei-o
para que pudesse descer lentamente. Nós dois gememos. Juliet apoiou os
antebraços nos meus ombros e começou a rebolar gostoso, beijei sua boca,
consumindo seus gemidos.
O quarto era só cheiro de sexo e gemidos, bati na sua bunda,
sentindo seu calor, molhada, apertado e gozou, me mordendo, tremendo toda
com os peitos durinhos esfregando no peitoral. Sem perder o movimento,
assumiu um brilho maldoso no olhar rebolando exatamente do jeito que quase
me matou do coração.
Como já estava perto de gozar, não consegui segurar e jorrei tudo
dentro dela.
Caralho!
— Ai meu Deus, a camisinha! — Juliet gritou, saindo de cima de
mim tão rápido como se aquilo fosse impedir qualquer coisa. Já estava
dentro... — Estou segura com a pílula e totalmente livre de qualquer coisa,
mas...
Foda-se, era uma merda, mas... Aconteceu. Além da Sophia e uma
namorada, nunca me permiti fazer sexo sem camisinha. Até a mãe da Sammy
usei camisinha e a menina é totalmente minha. Aprendi que métodos
contraceptivos são falhos quando precisam acontecer.
Fiquei um pouco tenso porque falhei na minha responsabilidade de
ser a pessoa madura entre nós. Como resistir a ela?
— Está tudo bem, baby. Também não lembrei e isso é outro ponto
importante. Irei agendar uma consulta médica. Será necessário mediante
nosso acordo de relacionamento e posso te provar que estou livre de doenças.
— Acariciei seu rosto. — Gostaria de continuar usando camisinha?
— Se está tudo bem com você, não me importo em não usar... Não
sou irresponsável com minha pílula. Mas se você, por algum acaso, mantiver
relações sexuais com outras pessoas seria o ideal... Para não correr riscos.
— Nada de outras pessoas... Nem para você e nem para mim.
— Tudo bem. — Me deu um sorriso meio aliviado. — Acho que
está escorrendo, preciso ir ao banheiro. — E foi correndo, rindo, levantei
atrás dela e puxei para o chuveiro. Como um bom cavalheiro limpei a minha
própria bagunça dando a minha menina mais um merecido orgasmo.
Durante o café da manhã combinamos que estaria de volta na quarta-
feira e eu mal via a hora de ter essa garota. Levei-a ao apartamento do meu
assistente, pedi que esperasse pela manhã para voltar a sua casa porque
precisaria entregar a ela algumas coisas. Era necessário assegurar seu retorno
de forma segura e porque não queria perdê-la de vista. Estava tão obcecado e
não iria negar.
Assim que a entreguei em segurança, nos despedimos com um
delicioso beijo e digitei uma longa mensagem com algumas atribuições ao
meu assistente enquanto Juliet ainda estivesse na cidade. Transferi para sua
conta uma boa quantia para resolver as pendências que envolviam dinheiro e
fui para casa, precisava liberar Lydia para seu domingo de folga e ficar com
Sammy.
— Oi papaiô! — Sammy correu para mim assim que apareci na sala.
— Toma! — Me deu um pedaço de banana babado. — Fruta da Sammy.
Peguei-a no colo, beijei seu rosto todo sujo de banana e fingi mordê-
la, arrancando suas risadas lindas. Dispensei Lydia, troquei de roupa e me
joguei no chão para brincar com minha filha. Ela tinha muita energia, minha
coluna não conseguia acompanhar seu ritmo e ao mesmo tempo, monitorava
as ações do G. Liguei para um amigo corretor e pedi que arrumasse o flat que
de vez em quando alugava para receber meus primos quando ainda eram
solteiros.
Não era muito longe do meu apartamento e seria ideal para Juliet se
acomodar enquanto passamos pelo período de teste.
— Toma, papai! — Sammy me deu uma boneca e senti o cheiro
incrível da sua fralda cheia.
— Papai vai dar um banho nessa sapeca! — Fiz cosquinhas nela,
peguei-a no colo e cuidei dela em seu quarto.
Domingo costumava ficar sozinho em casa. Era o meu dia favorito da
semana porque podia ficar mais à vontade. Com uma menina de fralda,
camisa e meia em meus braços, esquentei nosso almoço e ao terminarmos de
comer a criaturinha ficou imunda e me deixou sujo de arroz, abóbora e
frango.
Limpei-a e deitei na cama de solteiro do seu quarto, para seu cochilo
da tarde e minha ursinha nunca me decepcionava. Quando segurei Sammy
após sua alta do hospital, me dei conta que estava sozinho para cuidar dela e
foi a primeira vez que senti medo.
Sempre fui um homem ousado, gostava mesmo de desafiar o
impossível e me jogar de cabeça nos meus projetos. Minha obstinação e
dedicação me fez chegar aonde estava e não tinha arrependimentos. Dizem
por aí que era feroz, um leão faminto quando se tratava de negócios e meus
interesses. Me jogava sem medo de morder... Mas quando olhei para Sammy,
toda enroladinha em uma manta branca, usando uma roupinha rosa,
sacudindo as pernas e soltando estalos com a boca fiquei apavorado.
Claro que naquela idade queria ter filhos, hipoteticamente, aquela coisa
“um dia, quem sabe?”. Imaginei que acabaria tendo filhos com a mulher que
casei e não do jeito que foi. Tive a companhia da minha mãe nos primeiros
meses de vida da Sammy e contratei alguém para me ajudar, porque além de
morrer de medo de fazer alguma besteira com minha filha, precisava
trabalhar.
Não podia viver sem minha ursinha.
Deixei-a dormindo no seu quarto e no meu escritório, liguei para
meu advogado pessoal para preparar meu contrato com Juliet. G enviou uma
atualização das demandas, no final do dia, recebi o novo número de telefone
dela.
“Obrigada por esse dia, foi divertido. Agora vou assistir um filme
com G”.
Enviou uma foto que dava para que sua boca maravilhosa estava livre
de batom e seus cabelos presos em um rabo de cavalo. Enviei uma mensagem
de volta e não pude parar para conversar porque quando Samantha acordava
irritada era um inferno. Além de agitada seu mal humor atacava sua teimosia.
Fez todo tipo de birra e só parou quando minha mãe ligou para conversar
com ela em vídeo.
Desci para que pudesse brincar no play com outras crianças. Ela ficava
menos ranzinza e cansava mais rápido. Enquanto corria, ignorei as outras
mães e babás como sempre. Era conhecido como vizinho antipático porque
não dava conversa. Samantha ficou nojenta, suada, suja e elétrica, mas eu
sabia que era seu corpinho lutando contra o sono. Deixei que comesse
sozinha porque assim se divertia. Ela pegava com a mão, com a colher, me
dava uns pedaços e pegava do meu prato.
Filmei sua gracinha com a comida para enviar aos meus pais, estava
com purê de ervilha até nos cabelos. Ao terminarmos, limpei a cozinha com
Samantha retirando todos as revistas da sala do lugar e rasgando algumas
partes. Quando se tem criança, escolhemos algumas batalhas para brigar e
contanto que ela não comesse papel, dava tempo de terminar de lavar a louça.
— Quack! — Apertei o patinho na sua banheira distraindo-a para lavar
seu cabelo. Tinha muito purê para deixar seco. Sammy bateu com as mãos na
água e estava acostumado a praticamente tomar banho junto com ela. —
Muito bem, ursinha!
Sequei-a, coloquei a fralda, o pijama, deitei do seu lado na cama com
uma historinha da princesa Merida.
— Papai ama você, Sammy. — Beijei sua cabeça e a coloquei no berço.
Moído, terminei de limpar a bagunça dela, desligando as luzes e
acionando alarmes. Verifiquei todos os cômodos e entrei no meu quarto,
tomei banho, vesti uma calça de pijama e me joguei na cama esgotado. Juliet
respondeu minha última mensagem, avisando que estava na casa do G e iria
dormir porque estava cansada. Sabendo que estava de volta do shopping,
fechei meus olhos e apaguei.
— Papaiô! — Ouvi o gritinho da Sammy explodir no meu ouvido e em
seguida o despertador. Ela nunca passava do seu horário.
— Olá, Samantha, bom dia! — Ouvi Lydia falar com ela. Desliguei a
babá eletrônica, levantei para colocar minha roupa de e fui até a minha
academia no terceiro andar do meu apartamento.
Depois que Sammy nasceu, malhar em outro lugar era difícil, então,
montei uma na minha casa e adorei a privacidade para malhar. Continuei
malhando em casa, duas vezes na semana sozinho, três com um profissional e
quando o trabalho alivia consigo frequentar a academia para lutar Jiu Jitsu.
Minha rotina matinal era muito corrida e no horário certo estava no
meu escritório. Estevan, meu advogado e amigo de longa data, mandou o
contrato por mensageiro na primeira hora do expediente. Esperei G terminar a
reunião com a equipe administrativa e ao retornar, passamos pela minha
agenda.
Antes dele sair, olhei-o atentamente.
— Ela foi embora em segurança?
— Sim. Alugamos o carro ontem e foi dirigindo logo cedo, acredito que
estará aqui antes da quarta-feira. — G ficou de pé e fechou o botão do seu
terno. — Irei acompanhar a Srta. Green em algumas audiências hoje, imagino
estar de volta depois do almoço. Erin estará a sua disposição, mas não deixa
que bagunce meu sistema. Qualquer coisa me liga.
— Alguém já te disse que você tem TOC? — Soltei uma risada com
suas manias.
— Todos os dias. — Sorriu e saiu da minha sala, ajeitando um dos
quadros na parede.
Trabalhei os dias seguintes com uma ansiedade crescendo na boca
do estômago. Juliet e eu trocamos mensagens sempre que possível, assim que
recebi as chaves do flat, enviei o endereço que ela deveria estar na quarta-
feira pela manhã. Enviou algumas pouquíssimas coisas em caixas
organizadoras na terça-feira à tarde. As novas roupas que comprou no
domingo e todas as outras que meu lado descontrolado mandou comprar já
estavam lavadas e arrumadas no closet.
G adorou uma tarde no shopping, voltou uma pilha falando sobre
sapatos e fingi que ouvi apenas para que parasse de falar mais rápido. Desde
quando entendia de sapatos?
Mal dormi na noite de terça-feira para quarta, saindo de casa
praticamente ao amanhecer, deixei meu carro no estacionamento do flat e
entrei no lugar que estava pronto para ser um lar provisório.
Durante os últimos dias refleti muito sobre o passo desconhecido
que estava dando... Um homem da minha idade, na posição que tinha na
sociedade e na segurança do meu caráter e personalidade não precisava mais
ter medo do tempo. Rápido demais, talvez? Mas essa era a intenção desse
relacionamento.
Queria estar em um relacionamento que pudesse ser quem sou e com
honestidade em ambos os lados, sem jogos, sem palhaçada, apenas duas
pessoas que se desejavam muito e que sentimentos nascessem de forma
saudável.
Cometi muitos erros ao longo da minha vida, fiz negócios ruins, casei
sem realmente amar minha esposa, cedi a pressão, traí meu casamento, tive
uma filha com uma mulher que conheci no bar de um hotel. Aprendi com
meus erros, reconheci cada um deles, pedi perdão e tentei ser perdoado. E
agora era a minha vez de arriscar novamente.
Ouvi o barulho da porta abrindo e olhei para garota aparecendo.
Ela estava com uma camisa branca, calça jeans e tênis branco. Seu
cabelo estava preso em um rabo de cavalo, seu rosto limpo de maquiagem e
aquela aparência a fazia parecer mais jovem. Deixando uma mala no canto,
jogou um conjunto de chaves no balcão e deu passos apressados na minha
direção, percebi sua intenção e me preparei para o impacto. Juliet pulou em
mim, me abraçando com suas pernas e braços, com um sorriso maroto nos
lábios.
Estava feliz em tê-la em meus braços.
— Oi, baby.
— Olá, DILF*. — Soltei uma risada com seu apelido. — Como é
possível ter sentido sua falta se ficamos juntos apenas um dia?
*Dad I’d Like to Fuck
— Nós trocamos mensagens todos os dias. — Beijei seu queixo.
— Mas senti sua falta... — Olhou bem dentro dos meus olhos com um
sorriso safado enfeitando sua boca perfeita. — De outro jeito. Sua baby te
quer...
— E minha baby vai ter. — Carreguei-a até o quarto.
quatro

Juliet.
— Baby, acorde. — Senti a mão do Romeo tirar meu cabelo do rosto.
Virei na cama, tapando minha boca com o bocejo e me espreguicei. — Tenho
que sair agora. Você tem consulta médica às 15h e eu volto a noite. —
Inclinou-se e beijou minha boca suavemente.
— Prometi dar uma olhada em uns apartamentos para avó do G. Agora
que estou aqui quer vir para cidade também.
— O carro que veio hoje já foi entregue, tem uma chave na cozinha de
outro carro que está na garagem. Os documentos estão no porta luvas. —
Abracei seu pescoço e beijei-o cheia de vontade. — Comporte-se.
— Tentarei.
Continuei jogada na cama, pelada, com as coxas tremendo... O homem
era um Deus do Sexo.
Refleti sobre a minha vida nos últimos dias e não podia conter o
sorriso, o arrepio e a vontade de dançar como uma louca. Sábado a química
entre nós simplesmente explodiu, tive a noite de sexo mais incrível da minha
curta vida. Adeus aos meninos de foda rápida, que pareciam coelhos de tanta
pressa e a frustração de terminar com meus próprios dedos.
A maneira como ele me segurou depois foi doce. Nós fodemos de todo
jeito e pensei que assumi uma nova personalidade, porque apesar do meu
fogo ser intenso, aquilo era demais até para mim. Esse homem queria ficar
comigo, então é claro que iria ficar com ele.
A apartamento lugar provisório era como um palácio. Ele dizia que era
apenas um flat... Do tamanho da minha casa inteira. E a visão da cidade daqui
de cima? Apaixonante! Nunca pensei que rebolaria no pau de um homem
gostoso com o amanhecer iluminando o Central Park. Simplesmente incrível.
Rolei na cama, já era tarde e precisava correr. Tomei um banho rápido,
busquei uma roupa agradável e confortável, deixando a maquiagem de lado
para ir até o Brooklyn. No domingo, Romeo pediu que G me levasse para
comprar algumas novas roupas e um telefone celular. Ao julgar pelas roupas
arrumadas no closet deve ter mandado comprar mais coisas.
Tranquei o apartamento e desci até a garagem, não sabia qual era o
carro, apertei o alarme e uma Mercedes Cinza muito chique piscou o farol
soltando um barulho. Romeo não brincava em serviço. Estava com medo de
sair com aquele carro, não podia me responsabilizar se arranhasse ou batesse.
Com muito cuidado, desci as rampas do prédio e entrei no trânsito um pouco
devagar, ganhando umas buzinadas no processo.
Estava buscando um apartamento para a avó do G, era apenas meia
verdade, ela realmente se mudaria para cidade agora que estava morando
próximo ao G. E o outro motivo era que minha mãe estava temporariamente
em um hotel com Theo. Precisava colocá-los em um lugar seguro com
urgência.
Theo tinha autismo e toda mudança repentina era extremamente
prejudicial a ele. Não era assim que imaginei trazê-los, pensei que teria tempo
para procurar um lugar, mobiliar e aí assim, buscar os dois. Rick surtou
quando me viu arrumando minhas coisas para sair de casa, começou a gritar
sobre quem pagaria as contas e minha mãe se meteu, Theo começou a chorar
descontrolado e eu empurrei o Rick para não bater na minha mãe.
Meu padrasto caiu e bateu com a cabeça. Chamei um vizinho para saber
se estava vivo, no ápice do meu desespero com medo de ter acabado com
minha vida ao matar aquele merda e ele nos tranquilizou que estava vivo.
Minha mãe arrumou as poucas coisas do Theo às pressas e eu catei as roupas
velhas dela. Coloquei os dois no carro alugado e os trouxe para mais longe
possível.
Retornei no dia seguinte, terminei de recolher o que era meu, alguns
brinquedos que o Theo poderia sentir falta, troquei todas as fechaduras e
joguei as roupas do Rick na calçada.
A Sra. Blunt estava com suas coisas prontas, alugaria sua casa com a
mobília e nós decidimos procurar apartamentos próximos ao G. Não
pretendia inserir minha confusa mãe, apática, viciada em remédios para
dormir e o Theo no meu relacionamento com Romeo imediatamente. Não
pelo Theo, ele era a pessoa mais incrível e importante da minha vida. Tudo
que fazia era pensando no seu melhor.
G me emprestou dinheiro para o depósito do apartamento que
acomodaria minha mãe. Peguei o dinheiro que sobrou de domingo e a outra
quantia que Romeo enviou para minha mudança, fui até uma loja de
departamento para comprar itens básicos para casa e roupas para os dois.
Fiz tudo correndo, apenas para dar um conforto rápido enquanto
ajeitava as coisas.
O apartamento era mobiliado e eles poderiam entrar em dois dias. G
respondeu minha mensagem confirmando que levaria minha mãe e sua avó
ao novo local. Felizmente serão vizinhas. Gail me ajudará olhando Theo e ao
mesmo tempo vigiando minha mãe. Margareth não era confiável e não podia
deixá-la na rua. Sempre será minha mãe. Um dia espero que lembre da
mulher e mãe maravilhosa que foi.
Tenho lembranças realmente gostosas com minha mãe e meu coração
dói ao vê-la nesse estado.
O dia estava na metade e me senti cansada. Desde sábado à noite que
não dormia direito, correndo por todo lado feito uma louca, preocupada com
Theo, com Rick e me despedindo das pessoas que me ajudaram na cidade.
Não podia sair da escola sem nem avisar, todo mundo me desejou sorte e
esperavam notícias em breve.
Cheguei ao local da consulta médica quinze minutos para o horário
agendado. Era uma clínica de luxo, fui mimada com um tipo de café raro e
biscoitos de nomes complicados.
A Dra. Walker era uma mulher muito simpática, direta ao ponto, me
deixou bastante tranquila e respondeu minhas dúvidas sobre as cólicas que
sentia desde novinha. Passou alguns exames de imagens e fizemos alguns
presenciais possíveis. Aceitei seu conselho em trocar o método contraceptivo
agora que minha vida sexual estaria mais ativa, aliviaria minha menstruação e
a dor. No próximo ciclo poderia trocar, bateria certinho com o retorno com os
exames.
Dirigir em Nova Iorque era muito estranho, estava de olho no GPS,
sem ele estaria perdida. Muitos sinais, muita gente atravessando e muitos
carros. Os táxis eram os mais loucos, andavam muito rápido e entravam na
faixa sem aviso. O carro era bom, silencioso, confortável e muito cheiroso.
Não entendia muito de carros, tirei a minha habilitação porque G me deu de
presente aos dezesseis anos, mas nunca tive um carro.
Voltei para o apartamento morrendo de fome. G me ligou dizendo
que precisava me entregar uns documentos e pedi que trouxesse um lanche.
Enviei uma mensagem ao Romeo, perguntando se gostaria que lhe preparasse
o jantar ou viria após jantar com sua filha. Respondeu que a colocaria para
dormir e viria jantar comigo.
Espiei a geladeira cheia e encontrei pacotes de postas de salmão.
Pensaria no que fazer... Dei uma olhada no youtube, procurando uma receita
e pedi para G trazer algumas coisas.
— Oi, criatura. — G chegou cheio de sacolas. — Não sou escravo, sua
ditadora.
Colocou as sacolas do mercado no balcão e trocamos um abraço
apertado.
— O que vai fazer? Tive que encontrar uma vaga no estacionamento do
mercado a essa hora do dia, tem noção que foi uma missão? — Botou uma
mão na cintura. — Comprei o vinho favorito do meu chefe, me agradeça com
um presente bem caro depois. — Soprou um beijinho e começamos a tirar
tudo, espalhando no balcão. Comi o sanduíche que trouxe bem rápido e
engoli o suco em poucas goladas famintas. — Nunca deixe o homem te ver
assim, gulosa.
— Estava com fome, me deixa em paz.
— Vai fazer o que para o jantar?
— Salmão com teriyaki. Achei uma receita e parece possível fazer... —
Mostrei a receita no meu novo telefone.
— Hum, parece bom. Vou adiantar enquanto lê o contrato, rubrique a
primeira página de ambas as cópias e assine acima do seu nome na última. —
Orientou e foi até a pia lavar as mãos e sentei no banquinho, tirando as folhas
do envelope preto com a logomarca da Blackburn em dourado.
Li com bastante calma, estava tudo que acordamos além de um
acordo de preservarmos a nossa privacidade que me deixou bem tranquila.
Queria que as pessoas pensassem que nós nos conhecemos e simplesmente
aconteceu de estarmos juntos. Assinei cuidadosamente e botei de volta a
cópia do Romeo no envelope, guardei a minha cópia junto com meus
documentos.
— O segundo envelope é o formulário do seu seguro saúde,
preencha tudo e coloque Romeo Blackburn como seu contato de emergência
e responsável financeiro. Seu boy não tem um nome do meio. — Instruiu
começando a cozinhar no meu lugar. — Quando sair daqui, irei no hotel ver
nossas senhoras e o Theo. Vou colocá-lo para dormir.
— Dê muitos beijos nele, diga que o amo muito. — Comecei a
responder as perguntas do formulário. — Se colocar o Theo como meu
dependente o Romeo terá acesso a essa informação?
— Com toda certeza! Não sei como não descobriu sobre o Theo
ainda e tem que contar, Juliet. Tenho total confiança que Romeo é homem o
suficiente para entender...
— Contar sobre o Theo significa abrir minha caixa de pandora para
o Romeo e não quero espantar o homem com minha família louca e minha
história fodida. Talvez quando tiver mais segura no relacionamento, com
mais confiança... Agora é muito cedo.
— Não vou passar por cima da sua decisão. Não me coloque em
problemas. Vou ver se consigo colocar o Theo como meu dependente ou da
minha avó, ou podemos fazer um só para ele. — Lavou as folhas verdes da
salada que iria acompanhar o peixe.
— Não vou te colocar em problemas, confie em mim. Na hora certa
irei contar, até porque não vai ter como esconder ele e minha mãe para
sempre. Estou contando os dias da próxima merda que irá fazer! — Terminei
o formulário e coloquei no envelope que veio. — Tudo feito, G. Obrigada por
vir!
— Tudo por você, tenho que ir, além de passar no hotel, conheci um
cara gostoso no mercado e ele me deu o número do telefone. — Tirou o
cartão do bolso e gritei, rindo da sua safadeza.
— Ainda fez um drama!
Soprando um beijo saiu do flat. Romeo enviou três mensagens que
não vi, pedi desculpas e disse que estava preparando o jantar. Me concentrei
na comida, quando ficou pronto, provei um pedacinho e aprovei tanto que
queria comer logo. A Sra. Blunt me ensinou a cozinhar, desde nova gostava
de observá-la na cozinha e como minha mãe não cozinhava mais, foi um
aprendizado que me fez muito bem. Gostava mais de preparar doces do que
salgados, porém, me virava bem com os dois.
Tomei um longo banho, amando o chuveiro gostoso, a água boa
caindo forte contra minha pele muito diferente do chuveiro de água pingando
da minha casa. Sabonetes e xampus caros faziam uma diferença. Tudo tão
cheiroso! Sequei meu cabelo, prendi no alto e procurei uma lingerie nova,
estavam com cheirinho de lavadas. Alguém deve ter lavado tudo que foi
comprado. Escolhi um conjunto vermelho, rendado, a calcinha era bem
pequena e só me cobri um longo roupão de cetim que me fazia sentir uma
musa.
Sai apagando as luzes e depois me dei conta que não precisava me
estressar com a conta da energia. Decidi criar um clima aconchegante, quase
apanhei do painel das luzes e no final, me entendi com o tom da luz.
Caramba... Podia escolher se ficariam mais amareladas ou mais claras.
Romeo avisou que sua filha já estava quase dormindo e achava tão
fofo que ele participava ativamente da vida da menina. Me deu uma saudade
do meu pai... Desejando expulsar a melancolia, me servi com um pouquinho
de vinho e conectei o som da sala no meu celular, deixando tocar Funky Jazz
com uma batida mais sensual que amava dançar.
Me deixei levar pela música, dançando sozinha, bebendo o delicioso
vinho e aos poucos fui relaxando da correria louca do dia, da saudade do meu
pai e da ansiedade em estar com Romeo. Ele era como uma nova droga no
meu sistema. Estava viciada, queria sentir seu cheiro, seu toque e ter sua boca
todo tempo. Quando fui embora, só pensava nele, era uma obsessão, algo
muito maior que um dia pude imaginar. E muito mais forte que qualquer tipo
de controle, pensamentos contrários ou mantra.
Perdida na música e nos meus pensamentos, girei e me deparei com
ele encostado no balcão da cozinha e me olhando divertido. Sorri sem
nenhuma vergonha, dancei até onde estava e coloquei minha taça no balcão.
Sem parar de dançar, empurrei seu terno e joguei no encosto da poltrona.
Abri as abotoaduras dos punhos, enrolei a gravata na minha mão e o puxei
para baixo, beijando sua boca.
Meu vício estava bem ali.
Antes que se empolgasse com o beijo, virei de costas, rebolando
contra ele e começou a tocar a batida instrumental de Ain’t No Sunshine com
saxofone. Romeo segurou minha cintura, estabelecendo-se no meu ritmo e
beijou meu pescoço, virando-me exatamente no segundo que a voz incrível
da Nina Simone soou nos altos falantes. Trocamos um beijo quente dançando
Feeling Good.
— Oi, baby. — Disse contra minha boca.
— Como foi seu dia? — Abaixei o som no controle e me voltei para
ele. — O jantar já está pronto. Estava só me distraindo com a música te
esperando chegar.
— Foi uma bela distração. — Me agarrou, empurrando seu volume
contra mim e soltei uma risadinha boba. — Foi um ótimo dia, bastante
produtivo e fiz bons negócios. Conseguiu encontrar o apartamento para a Sra.
Blunt?
Romeo era muito observador, característica de pessoas
controladoras, com o dinheiro que tem e seu trabalho, os avisos do G sobre
mentir para ele dançaram na minha mente.
— Sim... Em um condomínio muito próximo ao G. Tem elevadores,
lavanderia e um bom comércio por perto. Quer vinho?
Romeo olhou para garrafa, arqueou a sobrancelha na minha direção
e não falei nada. Tomei seu sorriso sacana como resposta, enchi a taça até o
socialmente aceitável e o entreguei. Debruçado sobre o balcão, me observou
andar pela cozinha ainda precisando aprender onde ficava tudo.
O salmão estava aquecido, ainda no ponto certo, selado e espalhei o
molho em cima alinhando na travessa. A salada já estava arrumada, ao invés
de usar a mesa, organizei os aparadores no balcão mesmo afinal ele foi feito
para refeições também.
Seu olhar me acompanhava em tudo, o silêncio não era ruim, Nina
Simone cantava I Put Spell On You e olhei-o, sorrindo, deixando-o sentir as
palavras e algumas partes que queria dizer a ele cantava baixinho.
Com a comida apenas aguardando ser servida, tirei sua gravata e abri
os primeiros botões da sua camisa. Acariciei seu pescoço, ficando na ponta
dos pés para alcançar sua boca e o beijei lentamente, saboreando sua língua,
seu gosto e fazendo promessas para mais tarde.
Puxei-o para o balcão e sentamos nos banquinhos.
— Está muito cheiroso. — Romeo disse ao me observar servir seu
prato.
— Gosto de cozinhar. — Encolhi os ombros e ele provou o salmão,
sua expressão me disse muito. Ele amou.
Compartilhamos a refeição conversando sobre minhas habilidades na
cozinha e depois contei sobre minha experiência no trânsito da cidade. Ele
disse que aquele carro era apenas provisório, depois encomendaria algo mais
apropriado para meu tamanho e que se eu quisesse, poderia dispor de um
motorista. Afirmei que era desnecessário, gostava de dirigir e nunca teria
maturidade e postura no trânsito se não praticar.
Ainda ficamos conversando após terminarmos de comer, bebendo
vinho e cansei de ficar longe dele. Fiquei de pé entre suas pernas, estava
cheiroso mesmo depois de um dia inteiro. Romeo segurou minha cintura
enquanto beijava seu pescoço, suas grandes mãos desceram para minha
bunda e me colocou em seu colo. Afastei um pouco meu roupão para que
visse meu sutiã bonito, sorrindo agarrou meus peitos provocando meus
mamilos com maestria.
Erguendo-me no seu colo, atravessou a sala e passou pela divisória
do quarto, sentou na cama e o ataquei com beijos. Tirei sua camisa e o
empurrei deitado. Seu olhar excitado me fazia sentir muito poderosa, sexy e
dona do meu próprio corpo e do poder de me entregar a ele. Tirei seus
sapatos, as meias, subi minhas mãos lentamente pelas suas pernas apreciando
o quão firme eram suas coxas. Tirei seu cinto, jogando longe, puxando a
calça para baixo.
Romeo estava me observando com desejo e estava me deixando
despi-lo com paciência. Minha boca estava salivando por ele, queria deixar o
homem doido e implorando, cedo me fez gozar feito louca e agora era a sua
vez. Me senti como uma cadela no cio e foi apenas um encontro matinal.
Com cuidado, puxei sua cueca para baixo, deixando sua ereção saltar
livre, sem tocá-lo com as mãos, arrastei a pontinha da minha língua ouvindo-
o puxar o ar. Olhei para seu rosto dando uma boa lambida na cabeça que
vazava pré-gozo. Chupei sentindo o gosto salgado, meio grudando na minha
língua e lentamente o enfiei quase por completo na boca. Era impossível
levar tudo.
Um homem grande, pau grande e grosso. De toda população
masculina, somente os atores pornô possuem algo assim e agora... Tinha meu
brinquedinho particular. Chupei-o firme, empolgada com seus gemidos, a
baba até escorria pelo meu pescoço e Romeo estava ficando cada vez mais
descontrolado.
— Baby, chega! Vem aqui! Quero gozar dentro de você. — Puxou-
me e soltei o pau dele com uma risadinha com meu pensamento bobo. —
Rindo de quê?
— Quero fazer uma cópia do seu pau. Tipo uma estátua de adoração!
Romeo riu alto, tirando meu roupão e me deitou na cama.
— Você vai ter meu pau sempre que quiser. — Tirou a minha
calcinha e ele não parecia mais paciente. Afastando meus joelhos, lambeu os
lábios e esfregou o dedo nas minhas dobras sensíveis. Estava tão molhada
que fez um barulhinho... — Você me deixa doido, garota. — Descendo o
rosto entre minhas pernas, me lambeu por completo e meu quadril quase saiu
da cama. Romeo me manteve firme no lugar, com seus braços tatuados e
fortes segurando cada uma das minhas coxas.
Aquele homem sabia chupar tão bem quanto sabia beijar.
— ROMEO! — Gritei puxando seu cabelo, tremendo e sem controle
das sensações que explodiam por todo lado.
Sorrindo por me ver doida, esticou a mão para a gaveta que ele
mesmo deve ter enchido de camisinhas. Pegou uma e pediu que colocasse
nele. Minhas mãos tremiam ao deslizar no seu pau. Por mensagem decidimos
que iremos continuar no uso da camisinha nesse período e após o efeito do
meu novo método contraceptivo iremos retirá-la de uso. Não que fosse algo
escrito na pedra, de manhã ele me comeu sem camisinha e gozou entre meus
peitos...
Me beijando, metia fundo, firme, dando cada estocada gostosa que
erguia meu quadril para ir de encontro a ele.
— Vira e empina essa bunda para mim! — Virei na cama, apoiando
nos cotovelos e exibindo minha bunda em plena glória. Afastando minhas
nádegas, meteu fundo, soltei um grito e gemi com seu dedo provocando meu
ânus. — Ah eu quero te foder bem aqui. — Um arrepio desceu na espinha. —
Você vai gostar e vai implorar...
— É um desafio? — Minha voz saiu falha devido a intensidade das
suas estocadas.
— É sim, baby. E vai perder. — Me deu dois tapas duros na bunda e
gozei, perdendo o equilíbrio um pouco. Romeo saiu bruscamente e jogou a
camisinha do meu lado, voltando para dentro, gemendo alto, se perdendo e
mais uma tirou, gozando na minha bunda toda. — Toda marcadinha como
minha.
Ainda meio desorientada, aceitei ser puxada para um abraço doce.
Nós dois estávamos ofegantes e suados. Queria aquilo todo dia para sempre.
cinco

Romeo.
Juliet estava com um sorriso bobo no rosto, de olhos fechados,
recostada na banheira com o corpo todo molhado. Com minhas mãos cheias
de espuma estava massageando diferentes partes do seu corpo e chupei seu
mamilo, só o biquinho, provocando e passei o dedo pela pequena tatuagem
abaixo do seu peito.
Era um minúsculo foguete azul com vermelho.
— Por que um foguete?
— Apenas um lembrete que posso ir a qualquer lugar na força de um
foguete. — Continuou de olhos fechados adorando meu toque e estava pronto
para outra rodada.
Minha garota quis ficar na banheira, trouxe o que sobrou do vinho e
ficou sentada no meu colo, com as costas apoiadas na banheira. Para meter,
só precisava ajeitar seu quadril e entrar. Estava surpreso o quão fácil e rápido
essa garota me tinha enfeitiçado.
Foi um dia cheio, trabalhei muito, tive duas reuniões difíceis e
participei de uma palestra para os estagiários. Cheguei em casa e minha
pequena Sammy estava no modo furacão.
Brinquei com ela por um tempo, não gostava de atrasar seu horário de
dormir, não porque precisava sair e sim porque mudar a rotina de uma
criança pequena alterava o dia de uma casa. Aprendi às duras penas. Achava
que “a filha é minha, ela dorme na hora que bem entender”, foi a maior
merda que fiz e demorou um tempão para Samantha entender seus horários.
Dei seu jantar, um banho calmo, água morna e sem brincadeiras para
dormir logo e deitei com ela.
Samantha não demorou a dormir. Me despedi da Lydia e saí, chegando
ao apartamento ouvindo a música do lado de fora. Ao entrar, fiquei extasiado.
Juliet estava dançando. Seus cabelos estavam presos em um coque frouxo,
usava um roupão de cetim vermelho e mexia o quadril sensualmente.
Minha doce baby preparou um jantar delicioso, com meu vinho
favorito e nós fomos para cama. E isso nos levava a aquele banho e pensando
no quanto ainda a queria, ergui seu quadril e isso a fez abrir os olhos.
Posicionei meu pau na sua entrada e nós não desviamos o olhar do outro
enquanto empurrava lentamente para dentro.
Aquela posição a deixava ainda mais apertada, era como viver
eternamente dentro de um sonho molhado. A água tirava um pouco da
lubrificação e por isso estava ainda mais gostoso.
Não senti necessidade de aumentar o ritmo. Juliet estava com o olhar
nublado de tesão e seus peitos sacudiam eroticamente conforme metia.
Esfreguei seus mamilos, puxando entre meus dedos, amando seu gritinho
seguido por um gemido. Estimulei seu botãozinho gostoso, apertando um
pouco para sentir dor e prazer. Rebolando lentamente, senti que suas coxas
retesaram e sua buceta apertar cada vez mais o meu pau.
Foi impossível assistir ela gozar daquele jeito sem me deixar ir.
Sentando e me abraçando, beijou minha boca, passando a língua nos
meus lábios e me mantendo dentro dela. Mal gozei e ainda estava cheio de
tesão, mas ela parecia cansada. Seus olhos estavam pesados e imaginei que os
últimos dias deveriam ter sido cansativos, precisando sair do seu emprego,
arrumar suas coisas, mudar e andou batendo perna olhando apartamentos.
Encerrei nosso banho e peguei uma calça de pijama, deitando-me ao
lado da minha baby já adormecida. Respondi alguns e-mails antes de
finalmente sucumbir ao sono. Enquanto não podia ter Samantha e Juliet no
mesmo ambiente precisaria acordar muito cedo para estar em casa com minha
filha de manhã.
Acordei Juliet quando estava pronto para ir embora e ela fez um
adorável beicinho, ainda muito sonolenta e pedi que me ligasse quando
acordasse.
Não demorei muito tempo para entrar na minha casa, malhei com meu
instrutor, tomei banho, me vesti e peguei minha filha fazendo birra com a
babá. Ela não queria deixar que Lydia a vestisse... Correndo da Lydia, topou
comigo no meio do corredor. A baixinha projetou o beicinho e ergueu os
bracinhos, querendo colo e fazer dengo comigo.
— Vá colocar sua roupa, mocinha.
— Não quero! — Cruzou os braços. — Roupa feia, papaiô!
— Não pode ficar sem roupa, Samantha.
Sem me responder, simplesmente sentou no chão e ficou olhando para
o nada. Ajoelhei na sua frente, ergui seu queixinho e nessas horas pedia ao
santo dos pais solos que me orientasse no que fazer.
Peguei-a no colo e levei de volta para seu quarto, abrindo seu vasto
closet e pedi que escolhesse sua roupa. Com os cachos balançando e
boquinha soltando muitas palavras que só ela entendia, escolheu usar sua
fantasia da Boo, a que no filme ela precisava se disfarçar de monstro. Era
quente, de pelúcia e isso só provou o quanto Samantha tinha uma
personalidade terrível.
Lydia estava fazendo de tudo para não rir.
— Assim você me mata, garota.
— Amor, papaiô. — Me deu um beijo molhado.
Dez minutos mais tarde Sammy estava correndo pelo apartamento,
comendo uma maçã (e esfregando nos móveis também) com a roupa mais
quente do seu armário. Enquanto tomava café, recebi o convite da minha mãe
de passar o final de semana com eles para comemorar o aniversário de
casamento. Eles irão fazer uma grande festa em algumas semanas, toda nossa
família virá, mas, a data real era no final de semana seguinte.
Era o meu primeiro final de semana com Juliet e não queria me
ausentar, ao mesmo tempo não podia deixar meus pais sem o único filho e a
neta em uma data que eles amavam comemorar.
— Samantha! — Chamei sua atenção antes de arremessar minha
pequena estátua de cerâmica contra parede. — Não pode mexer, sabe muito
disso.
Disfarçando, colocou de volta no lugar e saiu correndo. Lydia
apareceu com meu grito e Kira parou do meu lado, observando a pestinha
falar descontroladamente e jogar seus brinquedos para o alto. Ela amava
falar.
Informei a minha mãe que chegaria no sábado para o almoço e
voltaria domingo após o café da manhã para não pegar muito trânsito e ainda
conseguir descansar.
Deixei minha filha em casa e ao chegar no trabalho, meu telefone
estava cheio de mensagens e e-mails precisando ser respondidos. G já estava
me aguardando com a agenda do dia, nós realizamos algumas reuniões e
havia uma entrevista com uma revista sobre negócios. Pedi que as perguntas
fossem enviadas antes para analisar o real intento da matéria.
Evitava a mídia e ainda assim ela gostava de manter interesse sobre
minha vida e de vez em quando paparazzis me encontravam, reconheciam por
relacionamentos e por ir a festas acompanhados de pessoas famosas. Um
grande amigo era jogador de futebol e amava atenção, sempre que saíamos
juntos, tinha milhares de pessoas ao nosso redor.
Meu telefone tocou no meio de uma análise de contrato com a
Sophia e sorri. Era Juliet.
— Pode me dar licença um instante? — Pedi a Sophia e me
encarando sem acreditar, levantou e saiu da minha sala. — Oi baby.
— Bom dia! Acabei de acordar e tomei café da manhã...
— Gostaria de continuar fazendo aulas de dança? — Girei minha
cadeira para a janela e olhei a cidade.
— Sim e manter minha rotina de exercícios, acho que vou
enlouquecer se ficar o dia inteiro sem fazer nada.
— Daqui a duas horas chegará uma consultora de estilo. Ela vai te
ajudar a organizar seu armário para criar boas combinações e o algumas dicas
para quando precisar me acompanhar em algum evento. — Informei e ela fez
um barulhinho feliz. — Pesquise uma academia que possa malhar e fazer
aulas de dança. Me informe o local e os seus horários, está bem?
— Está bem, baby. Estou empolgadíssima! E depois irei ver a avó
do G.
— É claro, ajude-a a se estabelecer e não quero que se afaste de
pessoas queridas. Chegarei no mesmo horário que ontem.
— Mal posso esperar para te ver!
Juliet não sossegou o dia inteiro e assim seguiu pelos próximos dias.
Cada dia ela me surpreendia de muitas formas e cada noite, conseguimos
descobrir posições e lugares diferentes no apartamento para transar. Vi nos
seus olhos que não ficou muito feliz com meu final de semana longe, mas não
falou nada, avisou que ficaria com G ou com a Sra. Blunt para não ficar
sozinha e não vi problema.
A noite de sexta-feira, pedi a Kira para ficar com Lydia e assim fazer
a rotina da Samantha. Sai do trabalho direto para o flat, mais cedo que o usual
e encontrei Juliet fazendo ioga com um short verde curto e enfiado na bunda
e um top amarelo. Rindo da posição que a encontrei, disse que estava
seguindo um vídeo aula e tentando aprender. Como bailarina tinha uma
elasticidade incrível e algumas posições ficaram realmente maravilhosas.
Foi uma das melhores sextas-feiras da minha vida.
— Linda da vovó! — Minha mãe agarrou Sammy assim que a tirei
da cadeirinha.
Vir dirigindo com Samantha no banco de trás foi divertido.
Conversamos bastante porque ela via qualquer coisa e fazia milhares de
perguntas. Pensei que fosse dormir, mas estava muito empolgada e fazendo
planos de brincar na praia. Ela adorava brincar na praia.
Sammy tinha seu próprio vocabulário ainda, muitas palavras não
entendia, outras deduzia e a ensinava corretamente. A maioria das vezes
traduzia o que realmente estava dizendo para as outras pessoas.
— Praia! — Samantha não queria a sua avó.
— E eu vou te levar lá, garota estressada! — Minha mãe a pegou
mesmo assim, enchendo de beijos. — Te amo tanto, garota.
— Oi, mãe. — Acenei porque ela não parecia me ver ali.
— Oi, menino. — Me deu um beijo e foi embora com a minha filha.
Já deveria estar acostumado.
Meu pai estava no mercado comprando algumas coisas para o nosso
almoço, descarreguei minhas coisas e me instalei no quarto que minha
designou como meu na casa deles. Não moro com meus pais desde os meus
dezessete anos e essa casa não era a mesma que cresci. Sempre moramos em
um espaçoso apartamento em Upper East Side, depois eles foram para uma
cobertura que comprei e quando aposentaram, decidiram morar em um lugar
tranquilo e perto da praia.
Aproveitei que estava sozinho para trocar de roupa e ligar para
Juliet. Chamou quatro vezes até cair e ela simplesmente não atendia. Na
quinta vez, a ligação foi atendida, ouvi um grito como um “não!” e a
chamada foi encerrada. Não consegui ligar de volta por dois minutos até que
ela ligou.
— Oi! Desculpa! O telefone ia cair dentro da banheira! — Não
havia eco ao seu redor e sim barulho de vento
— Aonde está?
— No banheiro da Sra. Blunt! Tem uma janela muito legal aqui e aí,
cacete! É muito alto! — Gritou e ouvi coisas sendo derrubadas, um estrondo
alto e seu grito com um monte de palavrão.
— Juliet!
— Ai minha bunda! — Reclamou e ouvi uma voz feminina ao
fundo. — Soltei a janela quando me pendurei para olhar, gente, isso é muito
alto! Me assustei, escorreguei e caí. Quebrei a pia! — Falou com quem
imaginava ser a avó do meu assistente.
— Juliet? Você se machucou?
— Oi, baby. Acho que não... Estou bem, foi só um susto. Acho que
preciso limpar as coisas aqui e tentar acertar o que derrubei.
— Cuidado com essa janela e me liga assim que terminar, ainda
preciso falar com você.
Alguns minutos depois me enviou a foto da janela e era nítido que o
basculante estava posicionado incorretamente, por isso ela conseguiu se
debruçar para olhar. Era necessário vedar ou alguém sofreria um acidente.
Senti um arrepio ao pensar que poderia ter despencado lá de cima e acabei
dando-lhe um esporro por ser irresponsável. Devido ao seu peso, ao cair, a
pia saiu do lugar.
Juliet acabou com o banheiro da senhora. Pelo visto tinha mais uma
menina arteira na minha vida.
Levei Samantha para a praia em guerra. Ela não queria passar
protetor solar e muito menos ficar de chapéu. Levamos quarenta minutos em
uma inútil discussão e ameacei que iria voltar para casa se não me
obedecesse. Irritada, ficou sentada como uma pedra, com as mãozinhas
unidas e permitiu que a lambuzasse com o protetor. Com um chapéu, maiô,
milhares de brinquedos e uma piscina de encher, me estabeleci na areia com
minha pimentinha.
Minha mãe sentou do meu lado, brincamos com Samantha e meu
telefone tocou. Juliet estava me ligando em chamada de vídeo, pedi licença a
minha mãe e atendi.
— Oi!
— Já consertou sua besteira?
— Sim e estou deitada um pouco... — Afastou o celular e vi sua
blusinha transparente e a calcinha de renda.
— Você quer me matar, garota?
— Só te deixar com saudades de mim. — Sorriu maldosa.
— Já estou saudades. — Juliet me agraciou com sorriso lindo. —
George está aí? — Foda-se que ele é gay, mas ele não vai ver a minha mulher
de calcinha.
— Não. Ele saiu ontem com um cara e ainda está... Fazendo coisas.
— Soltou uma risada. Maldosa, virou a câmera e foi exibindo seu corpo... A
calcinha era bonita e bem pequena.
— Baby, estou na praia c com a Sammy, não posso ficar de pau
duro. Amanhã virei te buscar para sairmos e na volta iremos matar a saudade.
— Mal vejo a hora, se cuida.
— Se cuida. Não vá embora tarde ou dorme aí. Não quero que fique
andando sozinha tarde da noite.
— Sim, senhor.
— Me chame assim amanhã e verá o resultado. — Encerrei a
chamada sorrindo.
Respirei fundo algumas vezes antes de voltar ao meu lugar porque
Juliet mexia comigo ao ponto de não conseguir disfarçar. Voltei a sentar ao
lado da minha mãe e ela estava me olhando estranho, parecia que nunca tinha
me visto na vida ou tinha algo no meu rosto.
— Tem algo no meu rosto?
— Sim. Um sorriso que nunca vi. — Me empurrou de leve batendo
seu ombro no meu. — Conte para sua velha mãe... Não te vejo sorrindo
assim. Não é o mesmo sorriso que dá para nossa ursinha e estou curiosa...
Está apaixonado? Merece ser feliz, meu amado filho.
— Hum... Não sei do que está falando. — Desviei e minha filha
estava enfiando uma boa quantidade de areia na boca. — Gostou, criatura?
Quer sal? — Limpei sua boca e a fiz bochechar, cuspir e botar a língua para
fora para conferir se ainda tinha areia. — Samantha! Quantas vezes o papai
vai pedir para não comer areia?
— Diculpa, papaiô. Estava fazendo comidinha. — Me deu um
beijinho.
Estava para nascer criança mais linda que Samantha.
— Vamos almoçar? Seu pai já deve ter as carnes prontas e depois
vovó brinca mais com minha ursinha linda! — Minha mãe a pegou no colo e
recolhi a bagunça, seguindo atrás das duas até o quintal dos meus pais e
peguei uma cerveja, compartilhando com meu pai.
Almoçamos um delicioso churrasco muito bem feito e Samantha
ficou brincando de correr atrás dos pequenos cachorros da raça Corgi que
meu pai adorava e colecionava. Perdi as contas de quantos teve ao longo da
vida. As criaturas eram bonitinhas, alguns irritantes e sentia falta do King, um
dos primeiros da minha vida e que basicamente cresceu comigo.
Atualmente todos tinham medo da minha filha. Enquanto
conversávamos sobre as artes da Sammy, meu telefone vibrou e era uma foto
da Juliet usando um collant branco, meias rosas, polainas pretas e uma
sapatilha branca.
Estava suada, parada em frente ao espelho da academia, com o
cabelo todo bagunçado e mesmo assim estava sexy. Ela estava na aula extra
oferecida pela academia que se matriculou.
— Está vendo aí? O sorriso.
Meus pais riram esperando uma resposta e apenas revirei os
olhos chamando atenção da Samantha que puxava o rabo do Dodi, o corgi
mais velho da atual trupe.
seis

Juliet.
— Corre, Juliet! Corre mais! — Theo gritou na minha frente e
sinceramente todo meu condicionamento físico não era páreo para aquele
garoto. — Molenga!
— Seu pestinha! — Apressei meus passos e o peguei, jogando para o
alto, amando suas risadas. — Eu te amo, Theo. — Vi Gail acenar e apontar
para o relógio em seu pulso. Era hora de acabar com o nosso encontro. — Se
cuida, obedeça a Margareth e a Vovó Gail.
— Por que você não mora com a gente? — Me abraçou muito apertado.
— Porque tenho outra casa agora e prometo que irei dormir com você
qualquer dia desses, tá bom?
Theo abaixou o olhar e ficou sem nenhuma expressão. Meu coração
doeu por ser responsável por aquilo.
Coloquei Gail e Theo em um táxi, acenando para os dois e esperei o
carro se misturar entre os demais para voltar correndo por todo o parque.
Estava morrendo de saudades do Theo e pedi que minha amável avó do
coração o trouxesse para que pudesse vê-lo um pouquinho, brincar no parque
e depois voltaria correndo para o flat que estava morando esse mês.
Exatamente um mês que estava com Romeo.
Tinha muitas oportunidades de encontrar com o Theo. Romeo passava
o domingo com sua filha e eu o dia na casa da Margareth com meu bebê.
Voltava a noite ou dormia por lá, voltando segunda de manhã. Romeo ainda
não sabia que minha mãe era vizinha de porta da Sra. Blunt, onde pensava
que ficava, o que não era totalmente mentira... G estava me pressionando para
contar a verdade, toda vez que pensava nisso, tomava coragem, Margareth
esquecia de alimentar Theo ou tomava muitos remédios para dormir,
deixando-o com a Gail.
Precisava contratar alguém para ficar com ele imediatamente e estava
pesquisando uma agência. A mesada que o Romeo me dava era muito
generosa, conseguia pagar o aluguel, comprar mantimentos, pagar o plano de
saúde do Theo e comprar alguns brinquedinhos. Aos poucos iria acertar tudo.
Tomava cuidado em não comprar nada para eles no cartão de crédito, ou no
débito, somente em dinheiro.
Ao chegar do outro lado do parque, minhas coxas estavam ardendo e
toda suada. Parei em um sinal para atravessar a rua e o telefone preso no meu
braço vibrou. Era uma mensagem do Romeo querendo saber da minha
corrida, deixei para responder quando chegasse.
Andando entre as pessoas reparei que um homem familiar estava
poucos metros. Ele deve morar no mesmo prédio ou na região porque sempre
o encontrava. Isso era bem incomum, não impossível porque já havia
encontrado uma vizinha de porta do flat no mercado da outra rua.
Acenei para o porteiro, usando o elevador social e um cara do terceiro
andar puxou assunto, querendo saber se era moradora nova e basicamente
estava jogando uma cantada. Fui simpática e evasiva, saindo de perto logo
que as portas abriram no sétimo.
Entrei em casa suada, abri a geladeira atrás de uma garrafa de água,
amando o ar geladinho no meu rosto. Tirei a blusa que usava, o tênis, meia
e...
— Vai deixar tudo espalhado, mocinha? — Ouvi Romeo perguntar do
canto que dava para lavanderia e gritei, jogando a garrafa de água para o alto
e fiquei toda molhada.
— Você quer me matar!
— Fez uma boa corrida? — Chegou mais perto e respirei fundo
tentando me acalmar.
— Sim... Acabei fazendo um pouco de exercício no parque também. —
A mentira escorreu da minha boca com facilidade. Romeo estava me
olhando, indecifrável e por um segundo cheguei a pensar que ele sabia que
estava mentindo.
— Só com esse short curto?
— É verão. — Dei de ombros.
— Passei aqui para te ver, te dar um beijo e mais tarde venho te buscar
para jantarmos juntos. Ganhei um vale night da minha mãe, ela está na cidade
para visitar uma amiga e está na minha casa. — Segurou meu rosto e me
beijou firme, bem possessivo
— Nosso passeio de domingo ainda está confirmado? — Ajeitei sua
gravata.
— Está sim. — Me deu outro beijo, seu telefone tocou e ele saiu.
Tirei a minha roupa e entrei no chuveiro, ficando debaixo do jato de
água sentindo a tensão nos meus ombros. Minha vida mudou completamente
em poucas semanas. Romeo e eu passamos por dias realmente incríveis,
noites quentes, idas ao cinema, jantares em restaurantes maravilhosos e
passeios românticos de fim da tarde. Era impressionante o quanto nos
dávamos bem e até agora era como viver dentro de um sonho.
Ainda não conheci a Samantha e irei vê-la pela primeira vez no
domingo. Romeo irá nos levar para almoçar fora, passear e me dar a chance
de me conectar com sua filha.
Estava empolgada para vê-la pessoalmente. Romeo me enviava vídeos
e fotos dela quase o tempo todo e a criança era linda. Ainda não conversamos
sobre sua mãe, se ela tem alguma participação e esperava poder abordar esse
assunto essa noite. Apenas curiosidade, se ele quiser me contar, tudo bem.
Não vou forçar a barra.
Após meu banho refrescante, arrumei a bagunça, lavei as roupas e me
perguntei no que Romeo mexeu enquanto estava fora. Obviamente não havia
absolutamente nada revelador nas minhas coisas. Separei um vestido preto,
bonito e comportado... Não era porque ele gostava de mim no estilo novinha
e gostosa que tinha que me comportar como uma ninfeta em público.
Os saltos sociais eram lindos e a realização do meu sonho ter um belo
par de Manolo Blahnik. Coloquei o lindo colar que Romeo me deu, era uma
correntinha fina, longa, com um coração e a letra R desenhada no meio.
Anéis, pulseiras e o relógio da Michael Kors que sempre quis ter. Romeo
sabe muito bem como me mimar, me enchia de presentes, elogios e nós
conversamos o dia inteiro.
Achava muito legal que tínhamos muito assunto.
Escovei meus cabelos, me maquiei, dei uma retocada na depilação das
minhas pernas e axilas, usando uma calcinha pequena para meu homem tirar
mais tarde e o vestido não precisava usar sutiã. Era firme nos seios, com um
corte nas costas como um decote quadrado. Meu cabelo iria esconder, porém,
se colocasse para o lado não era bom aparecer um sutiã.
Arrumei minha bolsa da Dior e me encarei no espelho gostando muito
do resultado. Tirei umas fotos minhas, postei no meu instagram. O antigo e
com o propósito do sugar baby foi deletado. O próprio Romeo deletou, foi o
primeiro traço ciumento que notei e houve alguns outros. Ele não se
incomodava que usasse roupas curtas ao seu lado, algumas fotos dava uma
breve reclamada e minhas roupas do ballet, das aulas de dança com stiletto e
Jazz são sempre comentadas.
— Juliet? — Chamou logo que entrou no flat. Saí do quarto pronta e
ele estava com seu telefone na mão e a chave do carro. — Você está linda.
— Você também. Fico louca quando te vejo usando aqueles seus
conjuntos de três peças, mas assim... — Lambi meus lábios. — Tenho
vontade de te atacar.
— Safada. — Sorriu e aceitei a verdade. Romeo estava usando jeans
muito bonito, escuro, bem alinhado ao corpo e com aparência de muito caro.
Sua camisa era social cinza escura e sapatos italianos bem lustrosos. —
Vamos comer e ter uma noite agradável. — Esticou a mão e peguei, saímos
do apartamento e no elevador, tirei uma foto nossa no espelho que ficou
muito bonita.
O passeio em seu luxuoso carro foi curto e tranquilo. Parou em frente
ao Eleven Madison Park e era simplesmente lindo por fora. Romeo saiu e
falou com o manobrista, abriu a minha porta e me ajudou a sair. De mãos
dadas, entramos no opulento e muito bonito lugar.
A recepcionista bonita abriu um sorriso imenso ao ouvir o nome da
reserva.
Nos acomodamos no meio do salão e um garçom nos trouxe água,
perguntou nossa escolha de vinho – que obviamente Romeo escolheu – e
decidimos por testar ao menu indicado pelo chef. Seria uma surpresa ao
paladar e eu não teria o trabalho de fingir que entendia qualquer coisa que
estava escrito ali.
Uma pessoa no local imediatamente me chamou atenção. Era
coincidência demais.
— Engraçado, aquele homem... Ele está sempre nos lugares que
estamos. — Apontei discretamente com o queixo para o homem grande
sentado no bar.
Romeo bebeu sua água e olhou quem era pelo reflexo da sua taça.
— É o Dan. Meu guarda-costas. Ele está em alguns lugares que
achamos necessário estar. — Senti um frio na espinha. Puta merda! — Não
sou o tipo que atrai a ira de muitas pessoas, nem ando por aí me exibindo,
mas as vezes é bom garantir a segurança. Dan fica mais próximo com a
Sammy e a Lydia. Comigo ele não fica tão perto. — Assenti e bebi minha
água, precisando urgente lubrificar minha garganta. Romeo segurou minha
mão e apertou. — Você é observadora.
— Só o reconheci, apenas isso.
— Irei designar um segurança a você assim que for necessário. Seu
rosto ainda não foi associado ao meu, então, não há urgência.
Simplesmente fodeu tudo.
— Sou grandinha e não preciso de babá.
— Sou um homem rico, Juliet. Sei me defender, mas você é pequena e
muito delicada. Também muito preciosa para mim e por isso que esse tema
não está em discussão. — Beijou minha mão e só balancei a cabeça. E se esse
Dan me seguiu e me viu com Theo?
Tinha que contar ao Romeo assim que chegarmos em casa.
Nosso vinho foi servido, cruzei minhas pernas e Romeo começou a
falar sobre a festa de lançamento de um aplicativo que a empresa dele criou.
Amanhã fará uma coletiva de imprensa, sugeri que cortasse mais o cabelo e
usasse azul, porque ficava lindo e suas bochechas milagrosamente coraram.
Achei tão fofo. Precisei me controlar para não me debruçar na mesa e o beijar
muito.
O primeiro prato servido foi aspargos assados com um tipo de molho
riscado no prato, acompanhado de um vinho espanhol, safra de 2013. Estava
muito gostoso. Mal terminamos o primeiro quando o segundo foi servido.
Foie Gras e eu detestava qualquer tipo de fígado, custando dois ou dois mil
dólares. Comi alguns pedaços, enrolando na boca e graças a Deus o terceiro
foi servido. Um robalo marinado em alguma fruta vermelha, com toque de
limão e alho. Aquilo era estranhamente gostoso.
— Acho que gosto de vinhos franceses. É o terceiro que provo e fico
apaixonada. — Comentei bebendo mais um pouco e Romeo ia dizer algo,
mas sua atenção foi desviada. Não virei para olhar, não era educado, só fiquei
curiosa.
Uma sombra pairou sobre a nossa mesa e olhei para mulher bonita, de
pele clara, cabelos escuros e um olhar curioso. Atrás dela estava um casal de
senhores, pela semelhança, seus pais.
— Olá, Romeo. Como vai?
— Vou bem, Sophia. — Romeo foi bastante polido. Achei diferente
porque já encontramos outros conhecidos e ele foi mais simpático. — Sr. e
Sra. Boyce. — Deu m aceno muito contido e então todos os pares de olhos
estavam em mim. — Essa é a minha namorada, Juliet Gale. Baby... Sophia é
uma parceira de trabalho e minha ex-mulher. — Foi como uma bomba que
felizmente consegui manter um sorriso no rosto.
E como não estava interessada em ser simpática, sentindo um ciúme
ferver inesperadamente, sorri, inclinei minha cabeça e respondi o
cumprimento educada, não muito. Romeo me encarou por um momento, sem
deixar transparecer o que estava pensando e a família se despediu sendo
acompanhados até a mesa reservada. A mulher era linda. Do tipo que nasceu
rica, sempre soube que teria um lugar no mundo, sofisticada e segura.
E eles trabalhavam juntos.
Não ia dar o gosto ao Romeo que estava com a mente fervendo com
inseguranças que brotavam nos meus poros. Voltei a falar do vinho francês
como se nada tivesse acontecido, sorri para o garçom que nos trouxe um
meio pedaço de beef macio, com batatas salteadas e anéis de cebola, com
mais vinho francês, de outra safra e com outro sabor.
— Esse foi o meu favorito. — Terminei o prato muito satisfeita. Romeo
estava rodando sua taça na mesa, me olhando como se quisesse me decifrar.
— Não gostou?
— Você sabia que já fui casado.
— E o que isso tem a ver? — Rebati imediatamente.
— Não seja petulante, Juliet. Por incrível que pareça, já conheço seus
olhares e suas posturas. Por que está com ciúme?
Aí fiquei com raiva.
— Não me conhece. — Levou tudo de mim para manter a expressão
neutra.
— Ah, eu conheço. Até aquilo que você não quer eu saiba. — Era isso,
ele sabia.
— Se é o que você pensa. — Coloquei todo meu cabelo para o lado,
expondo meu pescoço e Romeo encarou o homem na mesa bem ao lado da
nossa que praticamente me comia com os olhos. Seu punho fechou e botei
minha mão em cima, acariciando, enquanto a outra beijava o coração que
meu deu com sua letra.
O homem se mancou e voltou a conversar. O garçom chegou com
nossa sobremesa, um creme que parecia pudim e sorvete ao mesmo tempo
com avelã e chocolate amargo. Os fios de caramelo por cima era o toque final
perfeito. Uma completa delícia. Precisava saber fazer aquilo em casa.
— Acho que provaria isso aqui em você. — Falei baixinho.
Romeo me olhou com muitas promessas.
— A sua noite vai ser muito longa, Juliet. — Havia algo além ali.
— Nós precisamos conversar antes. — Foi tudo que ofereci e ele
informou que ia pedir a conta. Enquanto Romeo agradecia ao Chef pelo
excelente jantar e em seguida pagava a conta, reparei o olhar atento de sua
ex-sogra sobre mim, sendo uma pirralha petulante, sorri para mulher que
ficou corada.
O caminho de volta para casa foi cheio de tensão, havia algo ruim no ar
assim como havia muito tesão não dito. No elevador, me abraçou e distribuiu
muitos beijos no meu pescoço, alguns carinhosos, alguns com mordidas e
outros como um chupão.
Assim que a porta foi fechada engoli seco. Tirei o sapato, indo até a
geladeira pegar algo e ao fechar a porta, Romeo deslizou uma foto que me
deixou fria. Era de hoje à tarde. Theo no meu colo e eu o abraçava como se
minha vida dependesse daquele toque.
— Esse menino é seu filho?
— Não tenho filhos. — Olhei em seus olhos.
— Então quem é essa criança que você tirado dinheiro e comprado
coisas como se isso fosse me impedir de descobrir seus gastos?
— É pelo dinheiro ou...
— É pela mentira, Juliet. — Suas palavras doeram e encostei na
geladeira. — Que tipo de relacionamento pensou em construir comigo?
Mentindo?
— Não sou uma mentirosa.
Romeo arqueou a sobrancelha.
— Eu estava disposto a te apresentar a minha filha!
— Não tem nada a ver! Eu...
— Quem é ele, Juliet? — Sua voz alterou um pouco, mas não estava
gritando. — Diga agora ou eu vou embora e isso acaba.
Doeu mais ainda e odiei que o choro chegou antes que pudesse
controlar. Sequei a lágrima e mantive a cabeça erguida. Não queria que
acabasse. Não imaginar acordar no dia seguinte e nunca mais vê-lo.
— Sinto muito por omitir. — Falei baixo e ouvi sua risada seca. —
Esse menino se chama Theo, ele tem quatro anos, tem autismo moderado e é
meu irmão.
Romeo respirou fundo.
— Seu irmão? Como se não há registros dele?
— Claro que tem! Ele foi registrado, temos sua certidão de
nascimento... Mas nunca tivemos um seguro para ele. — Desencostei da
geladeira.
— Por que não me falou dele? Por que ele é autista? — Romeo estava
claramente ofendido. — Juliet! Isso não faz diferença nenhuma para mim.
Que tipo de pessoa acha que sou? Tenho uma filha e sei que isso...
— Não é isso, Romeo. A história é muito mais complicada que isso...
— Sequei meu rosto e me encolhi ainda mais. A caixinha que escondi toda
minha dor do passado abriu e estava se alastrando pelo meu coração. — Meu
padrasto é muito violento e assim que começamos o nosso relacionamento,
trouxe minha mãe e meu irmão para viverem aqui. Dar ao Theo uma vida boa
uma chance de ele ter um tratamento adequado.
— Sigo sem entender por que esconder.
— Minha mãe é uma viciada, Romeo. E não queria te envolver nesses
problemas que ela me causa. Não agora. Queria ter a oportunidade de cuidar
dela, que ficasse sóbria mais tempo antes de inserir os dois nisso... Não é pelo
Theo, ele é maravilhoso e a pessoa que mais amo no mundo. É pela minha
mãe, ela consegue afastar pessoas e destruir tudo que construo. Não queria
esse peso entre nós logo no começo.
Dei as costas, não queria que me visse chorando ainda mais e iria me
esconder no banheiro até que fosse embora para me acalmar e botar minha
cabeça no lugar.
sete

Romeo.
Juliet tentou passar por mim e a segurei a tempo de se esconder. Seu
rosto estava vermelho e os lindos olhos castanhos claros borrados de
maquiagem. Puxei-a para meus braços, acalentando seu choro e assim
ficamos abraçados por muito tempo. Mesmo muito puto com sua mentira,
prometi que cuidaria dela e era isso que estava fazendo.
E quem queria enganar? Não podia ficar longe.
Minhas desconfianças começaram lentamente. Juliet desaparecia por
horas e algumas vezes era evasiva nas suas ligações. Sempre que conferia sua
localização estava na casa da Sra. Blunt. Quando não estava na academia ou
fazendo algo que lhe pedi, estava pela cidade, fazendo compras em
supermercados quando os mantimentos do flat mandava entregar
semanalmente, indo a lojas de departamentos e sutilmente fazendo saques da
sua conta.
Havia algo errado.
George ganhava muito bem para manter sua avó, ele tinha um
apartamento próprio, um carro acima da média e morava em um excelente
lugar do seu bairro. E a sua avó tinha renda deixada pelo marido, ou seja, a
Sra. Blunt não era alguém que precisava de auxílio financeiro para Juliet estar
o tempo todo lhe dando coisas. Então para quem era? Mais uma vez pesquisei
sobre sua família. Seu padrasto não era registrado em um emprego por vinte
anos e a vida dela e de sua mãe parecia ter deixado de existir quando o pai
morreu.
Mandei Daniel, meu guarda-costas, ir até Milford fazer uma pesquisa
pessoalmente. A cidade não ofereceu muitas informações, as pessoas não
falaram nada além de que Ricardo Alvarez era um imenso problema,
Margareth uma mulher que gerava pena coletiva e Juliet uma menina que
todos abriam um sorriso para dizer que era amável, batalhadora e corajosa.
Exceto o dono de um mercado, que disse que a menina era uma
piranha. Fora isso, até o xerife tinha coisas boas a dizer sobre Juliet. Não
sobre seu padrasto ou sua mãe. Deduzi que o problema estava neles. Talvez a
mãe estivesse doente? Talvez o padrasto a obrigasse dar dinheiro? Ou
estivesse sustentando-os? Se fosse o caso, não era um problema para mim. Se
Juliet estava cuidando da sua mãe não era motivo para esconder.
Pensei que tivesse vergonha. Dan descobriu que a mãe trabalhou em
quase todos os estabelecimentos da cidade e ele conseguiu rastrear um bar
sujo de beira de estrada que Juliet era atendente nos últimos anos. E a dona
do bar finalmente foi a pessoa que abriu a boca.
A velha disse que Juliet era boa menina, honesta, não reclamava de
absolutamente nada e trabalhava em dois empregos para sustentar o padrasto
bêbado, a mãe viciada e o menino. Havia uma criança no meio e isso me
deixou tenso. Juliet tinha um filho? Ela tinha vergonha de me dizer que tinha
um bebê? De todas as pessoas, não julgaria, principalmente pelo modo que
Samantha chegou a minha vida...
Meu segurança conseguiu buscar os registros da criança na prefeitura
através do nome informado pela dona do bar. Theodore Alvarez, quatro anos
de idade e irmão da Juliet. Me perguntei se ela o teve jovem demais e a mãe
registrou. Ou se era realmente seu irmão e havia algo mais ali.
Bastou pressionar um pouco para Juliet revelar que o menino era
autista. Me senti ofendido que pudesse pensar que isso era um problema para
mim. A forma como ela falava dele era muito apaixonada e protetora. E o
desprezo pelo padrasto era evidente, assim como o rancor pela mãe. Ela tinha
vergonha do conjunto geral da sua família.
— Não precisa ter vergonha da sua mãe, Juliet. Nós podemos colocá-la
em um lugar para ser tratada... — Falei contra seu cabelo.
— Acho melhor você sentar. — Se afastou um pouco e sentamos na
beirada da cama. — Não vou mais esconder a história de você... Espero que
tenha estômago.
Engoli seco mediante seu olhar.
— Como sabe, meu pai morreu na volta de um turno do trabalho. Ele
era residente no hospital da cidade vizinha. Nossa vida começou a
desmoronar bem ali. Minha mãe me teve adolescente e eles precisaram fazer
muito sacrifício para me criar e meu pai continuar estudando, demorou mais
tempo que seus amigos, mas ele estava conseguindo. A nossa vida em família
e em casa eram incríveis. — Segurei suas mãos que tremiam. — Quando
papai morreu, a minha mãe morreu junto e se não fosse pela minha avó e a
Sra. Blunt, eu não sei o que teria acontecido conosco. Dois anos após a morte
do meu pai, minha avó morreu. O câncer a tomou muito rápido, sem chance
de tratamento e não era como se a gente tivesse dinheiro também. Nesse
momento a minha mãe se perdeu de vez e começou a abusar do uso de
medicamentos. A Sra. Blunt que cuidava de mim, me dava comida e foi a
pessoa que me ensinou usar um absorvente.
— Eu sinto muito, baby.
— Como todos sabiam que minha mãe estava mal, pararam de lhe
vender qualquer tipo de medicação. Ela não trabalhava, então não tínhamos
comida, a luz era cortada e ficamos sem gás para cozinhar e tomar banho
quente por meses. A Sra. Blunt estava sempre nos salvando, o filho dela, o
pai do G, quando ia a cidade, levava caixas e caixas de roupas para mim,
comida e coisas que meninas precisam, sabe? Ele foi um homem incrível. —
Puxei sua cabeça para deitar no meu ombro. O pai do George morreu em uma
missão pela Marinha há alguns anos. — Minha mãe começou a buscar
alternativas para seu vício. Ela passou a beber muito e ir para o lado ruim da
cidade para ter coisas. Foi aí que ela conheceu o Rick e o levou para morar
conosco.
Fechei meus olhos morrendo de medo do que viria a seguir.
— Eu o odiei de primeira, ficava fora do seu caminho e uma vez ele
achou que podia me dar uma surra. Minha mãe disse para não encostar em
mim e fingir que eu não existia. Como eu dançava, meu corpo desenvolveu
rápido e logo estava com formas femininas que chamavam atenção... Uma
noite, Rick entrou no meu quarto.
— Juliet... — Rosnei incapaz de controlar meu ódio.
— Acordei assustada com a mão dele no meu peito. Bati com o abajur
nele e corri... Contei a minha mãe e ela só disse para o Rick me respeitar e
não encostar em mim. Pensei que fosse mandá-lo embora, expulsar da nossa
casa e ela só me disse que o amava e não queria ficar sozinha, ele errou
porque estava bêbado, confundiu os quartos e um monte de desculpas. —
Fungou e a coloquei em meu colo. — Rick tentou na noite seguinte, mas eu
prendi a porta com a cadeira, na outra noite, ele conseguiu entrar e eu fugi
pela janela. Toda noite fingia que ia dormir no meu quarto, mas eu pulava a
janela e dormia no sofá dos fundos da Sra. Blunt. Estava com muita vergonha
de contar a ela, já me sentia um peso, uma responsabilidade que não era dela
e ainda assim a mulher nunca cansava de me ajudar. Uma noite o G me
encontrou dormindo do lado de fora e me levou para dentro, arrumou o
quarto de hóspedes e disse que podia dormir ali todos os dias.
Juliet ficou em silêncio por um momento.
— George me ofereceu vir morar com ele, tentar terminar meus estudos
e conseguir uma bolsa em uma universidade. Ele já trabalhava como
estagiário na sua empresa, até estava disposto a pedir uma bolsa de estudos
através da Blackburn. Fiz tantos planos e quando tentei contar para minha
mãe, encontrei-a caída no chão sangrando muito... Nós não tínhamos dinheiro
para o hospital, levei-a para clínica comunitária da universidade. Foram feitos
exames e descobriu que a minha mãe estava grávida de quatro meses...
Milagrosamente os bebês estavam bem.
— Eram gêmeos? Onde está a segunda criança?
— Decidi ficar para cuidar da minha mãe, mesmo com todas aquelas
coisas, não conseguia pensar em abandoná-la. E aquelas crianças... O que
seria delas? Tentei convencer minha mãe a dar para adoção. Ela não quis
porque queria ter uma ligação eterna com o Rick. — Tirei seu cabelo do
rosto, ouvindo atentamente. — Durante a gravidez da minha mãe fiz coisas
que me envergonho muito. Li nos livros da escola que grávidas precisam de
vitaminas extras, ácido fólico e eu pedi ao dono da farmácia para me dar que
faria qualquer coisa que pedisse. Ele me disse para limpar seu escritório no
turno da tarde que me daria as vitaminas. Tinha que varrer, jogar o lixo fora e
deixar os móveis sem poeira. Só tinha um móvel. — Sorriu brevemente
ciente que o homem lhe deu qualquer coisa para fazer só para “pagar” a
medicação. — A esposa do dono do mercado não aceitou minha proposta em
troca de legumes frescos, então, eu passei a roubar. Uma laranja aqui, uma
maçã ali... Qualquer coisa saudável para minha mãe comer. Rick não
trabalhava e ela muito menos. Eu comia em qualquer lugar que me
oferecessem comida. Meus colegas da escola estavam sempre me convidando
para jantar nas suas casas e às vezes eu dividia meu prato no meio para levar
o restante para minha mãe.
— Juliet, chega. Me desculpa meu amor. Eu entendo... Sinto muito. —
Beijei seu rosto repetidas vezes. — Me perdoa por te fazer reviver isso, por
favor, me desculpe.
— Você precisa entender que não quis mentir por ser má. Preciso que
você entenda mesmo que seja muito ruim, mas não quero que sempre
desconfie da minha palavra.
— Não precisa, meu amor.
Juliet me ignorou.
— O dono do mercado me pegou roubando. Ele me levou a força para
uma pequena sala, gritou comigo e me fez sentir medo. Me obrigou a ficar de
joelhos na sua frente e disse que se o chupasse todos os dias depois da escola
me daria os alimentos. — Fechei minhas mãos em punhos. Esse desgraçado
iria pagar por aquilo. — Concordei com ele, pedi para abrir sua calça que iria
fazer o que pediu. — Um arrepio de ódio desceu a minha espinha. — Assim
que ele colocou o pau para fora, peguei e o torci com toda força que eu tinha.
Olhei-a completamente surpreso.
— Ninguém toca no meu corpo sem a minha autorização e ninguém me
força a fazer o que eu não quero. Algumas pessoas diziam que me tornaria
prostituta quando crescesse e eu sabia, no fundo do meu coração, que jamais
seria uma. Nada contra, sabe? O meu corpo é meu. Nunca quis vendê-lo.
Sempre quis entregá-lo pelo meu prazer com a minha decisão. — Beijei sua
boca macia muito orgulhoso da sua atitude. — A nossa relação é diferente,
tem sexo e dinheiro envolvidos sim, mas é porque você cuida de mim além
disso. E eu sempre quis alguém que cuidasse de mim, que se importasse com
meu sono, com a minha fome e me desse a chance de ser alguém. Nunca quis
vários homens e ganhar dinheiro de todos eles. Sempre quis achar um único
alguém que me fizesse sentir preciosa. Foi por isso que a ideia de virar uma
baby foi tão atraente.
— Eu entendo e você sempre será minha baby.
— O dono do mercado chamou o Xerife, contei a verdade e o Xerife
disse que o prenderia por chantagem e tentativa de estupro, o babaca retirou a
queixa e disse para ficar longe da sua loja. O Xerife me deu um emprego...
Todos os dias ia para delegacia fazer o café, tirar xerox e grampear folhas.
Ganhava uns dólares na semana e a esposa dele me dava mantimentos
orgânicos que produzia em casa. Consegui uma turminha de ballet, foi
iniciativa de alguns pais, para me ajudar e a escola ofereceu cinco dólares a
hora e já era uma boa coisa. Foi assim que comecei a trabalhar para sustentar
a casa. — Suspirou e deitou a cabeça no meu peito. — As crianças nasceram
na clínica comunitária, nas mãos de estudantes de medicina e uma enfermeira
parteira. Nasceram prematuros, mal tiveram os cuidados necessários e ainda
assim sobreviveram. Eles lutaram tanto.
— Puxaram a irmã deles que é muito forte e corajosa.
— Trouxemos os bebês para casa e eu basicamente assumi os cuidados
deles, obrigando minha mãe a comer, mantendo drogas e bebidas longe. Rick
ficou calmo por uns tempos, até parecia gostar das crianças, mas bebês
choram muito e dão trabalho. E eu não podia abandonar meu trabalho para
cuidar deles. Quem compraria o suplemento e fraldas?
Juliet saiu do meu colo e tirou o vestido, ficando só de calcinha na
minha frente.
— Você me perguntou da minha tatuagem e aquela resposta é
parcialmente verdadeira. A parte é porque Timothy, meu irmãozinho tão
lindo, morreu por minha culpa aos dois meses de idade. Eu saí para trabalhar
na delegacia, ele estava com cólica e eu não sabia mais o que fazer... Tinha
que sair e tentar pegar um adiantamento para comprar algum remédio. O
Xerife me deu o dinheiro para comprar e eu fui correndo na farmácia, fui em
casa e ao chegar... Theo dormia no berço improvisado deles e o Tim... —
Peguei-a de novo porque parecia que ia cair. — Minha mãe não aguentava
mais o bebê chorando, ela deitou no sofá para amamentar e tomou remédio
para dormir e a maldita vodka que Rick levou para casa na noite anterior. O
bebê sufocou no peito... Ela dormiu e não viu que o sufocou. Quando o
peguei, tão frio e tão mole eu soube, comecei a gritar e os vizinhos entraram,
foi uma confusão. A paramédica disse que não era incomum mães entrarem
em depressão pós-parto e recorrem a medidas extremas para dormir. A cidade
fingiu que minha mãe não era uma viciada, eles escolheram a versão que ela
estava cansada. Se ela estava cansada... Como eu estava?
— Baby você passou por muito em pouco tempo de vida. Não foi sua
culpa, você fez o melhor e que achava certo.
— E se eu não tivesse ido trabalhar?
— Como compraria o remédio para ele? Existem muitos caminhos que
poderiam ser tomados naquele dia, mas o destino por algum motivo quis
aquele e foi uma tragédia, mas não sua culpa.
— Tim fazia barulhinhos com a boca, tipo um ronquinho e eu o
chamava de meu pequeno foguetinho. Tatuei aqui para que ele pudesse estar
sempre perto do meu coração. — Segurei seu rosto para beijar suas lágrimas.
Essa menina tinha a incrível capacidade de amar e fazer qualquer coisa por
amor. Era feroz e protetora. Ela era forte e corajosa... Preciosa da cabeça aos
pés. — Quando você surgiu, eu pensei... A tormenta acabou. Era por isso que
não queria te contar, Romeo. Não queria que conhecesse a parte feia da
minha vida.
Deitei-a na cama, bem no meio e peguei sua mão, beijando cada um
dos seus dedos. Segui beijando cada pedacinho do seu corpo perfeito até que
seu tremor de choro fosse substituído por tremor de excitação.
— Eu preciso de você.
— Eu sei... Sempre vou te dar tudo que precisa. — Tirei a minha roupa,
deitando sobre ela e nos unindo da melhor forma possível. — Você é
preciosa, perfeita e incrível. — Disse em seu ouvido ao mesmo tempo que
ouvia seus gemidos suaves. — Não existe uma única parte do seu corpo e da
sua história que seja feia. — Beijei sua boca e Juliet arranhou meus braços,
sentindo prazer intenso mesmo na deliciosa lentidão que metia. — Sua
coragem e força serão recompensadas com todo meu carinho e mimo. Você é
minha agora e vou cuidar de você todos os dias.
Lambi as duas lágrimas que escorreram dos seus olhos me perdendo
dentro do furacão que ela era. Fiz uma promessa silenciosa que a faria feliz
todos os dias da minha vida. Juliet nunca mais sentirá dor e irá esquecer a
sensação da tormenta sobre a sua cabeça, darei paz ao seu coração e luz aos
seus dias.
oito

Juliet.
Acordei com o sol no meu rosto e rolei na cama sentindo o lado do
Romeo quentinho devido ao sol, mas estava tudo desalinhado. Me
espreguicei pensando na noite emocionalmente exaustiva de ontem... Me
abrir com ele doeu muito e ao mesmo tempo foi bom, porque foi a primeira
vez que contei a alguém toda a minha vida. Percebi que ainda dói muito e
esperava não ter que retirar tudo da caixinha de novo tão cedo.
Romeo foi tão compreensivo, sentiu tanta culpa e me pediu muitas
desculpas. Tudo poderia ser mais simples se tivesse contado a verdade desde
o começo. Sabia que não ia demorar muito para minha mãe fazer algo terrível
ao ponto que sentisse vergonha dessa parte da minha vida. A verdade era que
estava cansada de viver assim, por isso que esperava controlar os danos antes
de envolver Romeo em tudo.
Fizemos amor lentamente, chorei por sentir tanto carinho, por ouvir
suas doces palavras e depois conversamos sobre o Rick. Ele queria
saber aonde estava meu padrasto e contei sobre a noite da mudança. G já foi a
Milford várias vezes resolver questões da casa da sua avó e parece que
ninguém viu o Rick na cidade, apenas na área fedorenta que vivia antes de
conhecer minha mãe. Esperava que esquecesse da nossa existência.
Levantei da cama sentindo o cheiro de bacon frito. Era sete da manhã e
fui ao banheiro. Quase gritei ao me deparar com minha aparência. Minha
maquiagem estava toda borrada e meu cabelo uma bagunça embolada. Como
Romeo conseguiu ficar do meu lado e ainda fazer amor duas vezes era uma
boa pergunta. Depois da conversa, subi em cima dele, incapaz de resistir e ele
me deixou montá-lo do jeito que realmente gostava.
Tomei banho, lavando meu cabelo para desembolar e tirando a
maquiagem com sabonete específico, tônico e depois hidratei meu rosto.
Permaneci com meu cabelo molhado, prendi em um coque e vesti apenas o
roupão de cetim azul escuro. Enrolei as mangas, saindo do banheiro para o
quarto e parei na divisória do quarto para sala contemplando o homem forte,
tatuado, de cueca preta, fazendo o café da manhã com o cabelo todo
bagunçado.
Esse homem irá completar trinta e sete anos de vida na próxima
segunda-feira e precisava comprar um presente. Não resisti ficar longe e fui
me aproximando lentamente.
— Bom dia, bebê. — Falou rouco e me aninhei nos seus braços,
amando seus beijos carinhosos e o aperto safado na minha bunda.
— Está cheiroso. Não sabia que cozinhava... — Olhei para as
panquecas lindas empilhadas em um prato.
— Morei sozinho por um bom tempo e nunca gostei muito de
funcionários em casa, passei a ter depois de uns anos e depois da Sammy foi
necessário ter mais. — Beijou minha boca. — Está sentindo-se melhor?
— Estou perfeita, obrigada por cuidar de mim ontem e não me peça
mais desculpas, se você me perdoar, vamos deixar isso de lado e seguir em
frente.
— Combinado... Saiba que você é livre para ver o Theo, trazê-lo
aqui e quero muito conhecê-lo. Quando estivermos juntos na minha casa seu
irmão será muito bem-vindo.
— Obrigada. — Fiquei na ponta dos pés e beijei sua boca gostosa.
Nós sentamos para comer e minha nossa! As panquecas tinham
pedaços de chocolate. Romeo teve o trabalho de picar a barra que estava na
geladeira e misturar na massa. Simplesmente deliciosas. O bacon estava no
ponto certo, crocante, salgadinho e os ovos com queijo. Aquele homem era
perfeito.
— Você acabou de ganhar meu estômago. — Lambi meus dedos
cheios de chocolate. Romeo pegou minha mão, lambendo cada um e no
mindinho, mordeu e um raio de excitação percorreu meu corpo. — Um
homem completo, me come maravilhosamente bem e me faz comer bem.
Romeo riu e mordeu mais forte.
— Eu vou te comer agora mesmo.
Apoiada contra o balcão, Romeo me comeu forte por trás, segurando
meu cabelo, batendo na minha bunda e me fazendo gritar, gozar e perder as
forças nas pernas. Sem parar, soltou meu cabelo e pressionou o dedo no outro
buraco, provocando, me deixando desejosa e acabei empinando ainda mais a
minha bunda.
— Você ainda vai implorar para comer sua bunda. — Me deu um
tapa de mão cheia e revirei os olhos, o toque era gostoso, mas o seu pau não
ia caber ali. Seria um desafio a alguma lei da física. Só para provocar, rebolei
minha bunda e ele gozou. — Ainda vou criar resistência para essa rebolada e
você vai se foder. — Grunhiu me dando um tapinha no quadril. Beijou minha
nuca, ainda respirando fundo, se acalmando. Estava gosmenta de suor. —
Vem tomar um banho comigo, baby.
Depois da chuveirada gostosa e muito divertida, Romeo me
surpreendeu ao dizer que gostaria que o acompanhasse na coletiva de
imprensa e depois fosse almoçar com ele, alguns parceiros de negócios e
funcionários. Fiquei tão empolgada que fui imediatamente me arrumar, disse
que iria em casa trocar de roupa, ver a Sammy e voltaria para me buscar.
Olhando as combinações da personal, uma mulher muito chique e
simpática que me ajudou a arrumar o closet, escolhi uma calça jeans skynni
de cintura alta. Ela modelava muito bem meu corpo, deixava minha bunda
bem bonita e o blusão branco, enfiado para dentro da calça na frente e um
pouquinho puxado atrás para não cobrir completamente a minha bunda. Ficou
muito bonito, porém, escolhi usar uma blusinha preta de alça fina por baixo
para deixar alguns botões abertos.
Para meus pés, o sapato mais lindo do mundo: o Louboutin Pigalle
Follies... O famosinho degrade preto para vermelho.
Escovei meu cabelo, modelei do jeito que aprendi em um tutorial no
YouTube. Limpei uns pelos da minha sobrancelha me maquiando sem muita
elaboração por não ter experiência nesses eventos. Apenas corretivo, base,
pó, blush e um pouco de iluminador na pele. Nos olhos caprichei no rímel e
nos lábios um batom rosa claro. Corzinha de boca saudável.
Usei a mesma bolsa Dior, conferi meus documentos, dinheiro, cartão
e as mensagens no meu telefone eram muitas. Deixei carregando enquanto
esperava Romeo voltar. Segui usando as mesmas joias delicadas do dia
anterior, mudei só o brinco e troquei o anel de pedra grande por um menor e
mais sutil.
Enviei uma longa mensagem ao G sobre a noite anterior e disse que
iria encontrá-lo no evento, gritou empolgado e comentou que Romeo era
muito compreensível e não deveria ter escondido dele por muito tempo.
Romeo ligou pedindo para descer e passei perfume, trancando o flat e
logo chamando o elevador. O vizinho chato entrou no terceiro andar e ficou
puxando assunto. Caramba, ele não se mancava! Dei um aceno para sua
conversa fiada sobre o tempo, mas ele logo reparou bem nas minhas roupas,
no meu corpo e sabia que era alguém que conhecia roupas de marcas.
Acenei para o porteiro e saí do prédio, com o insuportável do lado.
Romeo estava fora de uma SUV escura digitando em seu telefone e reparou
no homem do meu lado, revirou os olhos discretamente e fiz uma expressão
de nojo.
— E então, o que você mais gosta do verão de Nova Iorque? — O
idiota teve a audácia de tocar meu cotovelo.
— Não encoste em mim. — Virei na hora, muito puta. Simplesmente
odiava homens que tocavam em uma mulher sem o consentimento.
— Entra no carro, baby. — Romeo chegou perto, ele parecia tão calmo,
porém, seu olhar dizia outra coisa.
Dan, o segurança que descobriu minha vida – Romeo confessou que
já sabia por alto algumas coisas -, abriu a porta para mim com um sorriso
muito educado e ofereceu a mão para me dar apoio. Aceitei a ajuda porque o
carro era alto. Ele fechou a porta assim que entrei e não pude ouvir o que
Romeo disse ao vizinho chato, o homem só ficou vermelho e saiu andando.
Henri estava no banco do motorista, foi ele que me levou até o
Romeo no nosso primeiro encontro... Dan entrou no carro, ocupando o banco
do carona, ao mesmo tempo que Romeo entrou atrás sentando-se ao meu
lado.
— Oi, linda.
— Olha quem fala. — Ajeitei seu colarinho.
— Baby... Henri é o meu motorista e segurança quando necessário e
Daniel é o chefe da minha segurança. — Apresentou aos homens. — Juliet
Gale é a minha namorada.
— Olá, Srta. Gale. — Eles disseram juntos e acabaram rindo do
outro.
— Olá, senhores. — Sorri de volta.
Henri nos conduziu tranquilamente e como estávamos
acompanhados, Romeo brincou com meus dedos, beijou minha mão enquanto
recebia infinita ligações e ditava ordens. O homem era mandão, puta merda.
Estava controlando cada detalhe do cronograma.
O carro parou em frente a empresa, nunca estive ali, apesar de saber
onde era e passei na frente algumas vezes. Dan saiu do carro e abriu a porta
para Romeo sair, me arrastei no banco e aceitei a mão do Romeo.
Havia alguns fotógrafos claramente esperando a chegada do Romeo
e começaram a fotografar, acompanhando nosso trajeto até a entrada do
prédio. Como era sábado o saguão estava meio vazio. Havia uma fila de
pessoas sendo identificadas em um balcão e pelas roupas, materiais e o
interesse no Romeo imaginei serem os jornalistas convidados. Todos nos
olharam, tiraram fotos em seus telefones ou anotaram coisas. Romeo não deu
confiança e evitei olhar muito, segurando a mão dele e andando ao seu lado.
Entramos os quatro no elevador e limpei o suor das minhas mãos,
nervosa, me preparando e saímos no último andar do enorme arranha-céu. O
saguão que saímos estava cheio... Havia garçons passando com canapés,
bebidas bonitas, vários homens vestidos socialmente como Romeo e
mulheres arrumadas como eu, outras executivas e Romeo foi falando com um
por um, me apresentando como sua namorada e nunca apertei tantas mãos,
dei dois beijos nos mais empolgados e registrei olhares muito surpresos.
Sabia que conforme passávamos, mais nos olhavam, mais me
encaravam e muita gente não disfarçou a curiosidade. Romeo parou ao lado
do G, cochichou algo em seu ouvido, os dois riram e meu amigo me abraçou,
dando um beijo afetuoso na minha testa.
Romeo estava trabalhando, portanto, me mantive quieta. Observá-lo
no modo CEO era excitante e eu tive milhares de fantasias por segundo.
Quanto mais falava daquele jeito, frio, arrogante, meio ditador, mais excitada
ficava. Por que nesse mundo não vim de vestido? Ao olhar em seus olhos, ele
simplesmente sabia o que estava pensando.
Um casal de senhores chegou e vi o sorriso do meu homem crescer.
E imediatamente soube que eram os seus pais. Romeo compartilhava a altura
e o porte físico do pai, o olhar da mãe e o sorriso contido. Ele não me avisou
que conhecia seus pais e comecei a tremer.
— Mãe. — Ele deu um beijo na mulher alta, de cabelos loiros presos
em um coque muito bonito e tranças nas laterais que usava um vestido social
verde claro, colar de pérolas e sapatos baixos. — Pai. — Repetiu o beijo no
homem alto e muito bonito como o filho. — Quero apresentar a vocês minha
namorada, Juliet Gale.
O sorriso da mãe dele foi fofo.
— E você me disse que estava sorrindo sem motivo? — Ela lhe deu
tapinhas no peito. — Esse é um motivo e tanto, seu bobo. — E me olhou com
simpatia. — Olá, querida. Sou Janet Blackburn, por favor, me chame de Jane.
Se me chamar de senhora, irei fingir que não estou ouvindo. — E me deu um
abraço gostoso. Ela era tão cheirosa! — Você é linda, mas meu Deus,
quantos anos tem?
— Mãe!
Fiquei ruborizada.
— Juliet tem vinte anos, mamãe.
— Ah, faz sentido. Saudades dos meus vinte anos... Ai que fase
maravilhosa. Lembra, amor? — Virou para o marido.
— Eu vou poder falar com a menina ou vai monopolizar? Não ficou
quieta um segundo.
— Romeo puxou o drama do pai. — Jane cochichou me fazendo rir.
— Sou Guy Blackburn. É um prazer conhecer a mulher que está
deixando o idiota do meu filho um bobão. Ele vive sorrindo para esse
telefone agora. — Olhei com carinho para o Romeo e ele me deu um beijo
doce. — Ah, o amor. Verdade, querida. Saudades dessa fase.
G sinalizou que era hora da coletiva e chamou todos os convidados
para o salão de conferências no final do corredor. Observamos a grande
massa seguir por um caminho e nós fomos por outro. Romeo me indicou um
lugar ao lado dos seus pais, bem em evidência na lateral da sala de
conferências, ou seja... Todos possuíam uma bela visão de onde estávamos
sentados assistindo-o discursar.
Foi tão inspirador.
Na minha inocência pensei que era um aplicativo de celular, na
verdade, era um aplicativo que aceleraria o processo dos hospitais na busca
de doadores de medula óssea. O próprio aplicativo ajudaria na
compatibilidade entre paciente e doadores. Após seu discurso e as palmas, foi
a hora da equipe técnica, criadores, médicos e desenvolvedores respondessem
as milhares de perguntas da imprensa. Foi tão educativo que até fiz
anotações, fotografei Romeo e filmei algumas falas dele.
Sua mãe estava muito emocionada.
— Estou muito orgulhosa de você, Romeo. — Chorando, aceitou o
lenço que Romeo lhe ofereceu e os dois se abraçaram.
— Eu também, meu filho. Obrigada por abrir espaço para essa
inovação. — Seu pai entrou no abraço. Fotografei os três juntos porque
formavam uma família linda.
— Parabéns, meu amor. Foi inspirador. — Segurei seu rosto e beijei
sua boca.
Romeo tinha o compromisso de almoço para comemoração desse
evento em outro lugar, então, descemos juntos para garagem. Me aproximei
bem dele para poder falar baixinho no seu ouvido.
— Você vai me levar no flat depois que acabarmos?
— Sim, baby. Por quê?
— Vai subir? — Quis esclarecer por que sabia do seu compromisso
com a Sammy.
— O que quer?
Segurei seu rosto com minha mão esquerda e colei minha boca no seu
ouvido. Disfarçadamente, levei minha mão direita para seu pênis, acariciando
devagar.
— Digamos que se estivesse de vestido, teria te arrastado para alguma
sala vazia, porque te ver no modo CEO poderoso me deixou muito excitada.
— Finalizei com um beijinho na sua bochecha. Romeo estremeceu e fechou
os olhos, mordendo o lábio.
Voltei para o meu lugar, sorrindo inocente e observei de canto de olho
que o volume da sua calça cresceu bastante.
nove

Romeo.
Juliet estava no meio do corredor do MET e parecia a verdadeira obra
de arte bem ao centro com seu cabelo brilhando com a luz solar difusa do
vitral. Estava fascinada com o quadro a sua frente, não sabia qual era, mas
desde que entramos neste corredor para aguardar os convidados se instalarem
no salão, está vibrada com os quadros e fotografias.
Senti minha mãe enfiando a mão no meu braço e segurando. Tirei uma
foto da Juliet do jeito que estava e guardei meu celular no bolso.
— Eu poderia te repreender por não me avisar que me apresentaria
sua namorada hoje, mas sei que desde que nasceu faz o que bem entende.
Também poderia brigar com você por namorar uma menina que sequer tem a
maior idade e mais uma vez sei que você é um homem determinado demais
para desistir de alguém por isso. — Fez um carinho no meu braço. — Ela
deve ser especial e ao julgar como olham para o outro, sei que não haverá
nada impedindo-os de ficar juntos.
— Não a olho diferente, mãe.
— Nunca te vi olhar assim para uma mulher, Romeo. Ela é jovem e
linda. Faz o tipo mulherão com esse corpo, rostinho de menina, muito
simpática e educada. Quero conhecê-la melhor, prometo não assustar a moça.
Soltei uma risada irônica. Juliet conhece monstros reais e a minha mãe
não fazia o tipo de uma.
— Ela não merece ser tratada mal... Espero que seja sempre gentil,
não estou e nem irei pedir sua aprovação. Juliet está comigo e assim vai ser.
Merece muito carinho ou no mínimo respeito por ser quem é. — Beijei sua
mão com carinho e minha mãe acariciou meu rosto. Reparei que o salão já
estava com bastante convidados e era a hora de entrar.
Minha mãe foi até onde meu pai estava conversando com um grupo
de conhecidos. Sem pressa, andei até Juliet, que estava ainda mais distante e
com as mãos no coração. Sua atenção estava em uma fotografia de uma
gaivota bem no centro do sol se pondo.
— Estou apaixonada e é apenas o corredor. — Virou-se e segurei
suas mãos entrelaçando nossos dedos. — Temos que entrar?
— O almoço já será servido e após a isso farei apenas uma
socialização.
— Tudo bem, baby. Estou feliz em estar aqui do seu lado.
Não podia resistir a seu olhar inocente, qualquer novidade para Juliet
era como descobrisse o mundo. Ela estava muito bem vestida, dentro do
dress code do evento. Não era nada de gala, exigia certa arrumação sem
muita formalidade. Estava perfeita devido ao clima quente e aos convidados.
Era a mais bonita de todas as mulheres, foi simpática, alegre e não
exatamente como uma esposa de um CEO recebe convidados. Era essa
energia que me encantava.
Entramos no salão de mãos dadas, falei com algumas pessoas e eu vi G
fazendo sinal para aguardar. Olhei em direção onde estava atribuído meu
lugar e meus pais conversavam com os pais da Sophia. Minha ex-mulher
estava em outro grupo. Talvez eles pensassem que iriamos sentar todos
juntos, não que fique junto da Sophia em eventos. Nós mal nos falamos e não
cultivo assunto com ela, porém, nossos pais são amigos e os Boyce sempre
insistem em ficar próximos.
A esposa de Julian Awake parou Juliet e disse que estava apaixonada
pelo seu sapato. Juliet sorriu e respondeu com animação, logo mergulharam
em um falatório sobre sapatos. Julian aproveitou para me parabenizar pelo
lançamento e foi o tempo da organizadora pedir que a família Boyce se
sentassem no lugar destinado do outro lado do salão. Sei que meus pais ainda
Pedi licença ao casal e levei Juliet até a mesa, nós sentamos e G ocupou
um lugar à mesa também, relatando algumas reuniões agendadas e pessoas
que gostariam de falar comigo.
— Você é daqui de Nova Iorque, Juliet? — Minha mãe estava
interessada em saber mais sobre ela.
— Não, sou de Milford em Connectcut.
— Não é a sua cidade, George? — Jane virou para meu assistente.
— Juliet era vizinha da minha avó, Sra. Blackburn. Conheço-a desde
bebê. — George respondeu e piscou para Juliet.
Segurei a mão dela que parecia não saber onde colocar, um pouco
nervosa em estar no centro da atenção dos meus pais. Minha mãe ficou
encantada em saber que Juliet era bailarina e G, muito orgulhoso, mostrou
um vídeo no qual Juliet dançava ballet clássico ao som de Clair de Lune.
Parecia uma princesa de tão bonita e talentosa.
— Não pensa em ser bailarina profissional?
— Meu corpo não é o ideal. Seria muito difícil ter uma colocação e
teria que perder muita massa muscular para me adequar ao padrão exigido
pelas grandes companhias. — Bebeu um pouco da sua água. — E apesar de
amar o ballet, não é o meu estilo de dança favorito.
Imediatamente lembrei do seu tipo favorito e sorri. Juliet ficou
vermelha, me deu um tapa na coxa e ri. Todos nos olharam sem entender
nada. Exceto G, a mente suja dele nunca ficava atrás.
Podia sentir que minha mãe estava gostando da Juliet, perguntando
sobre seus sonhos e as duas entraram em uma conversa apaixonada sobre
arte. Juliet realmente amava arte moderna e minha mãe era mais para os
clássicos, porém, as duas entendiam muito sobre sentimentos. Meu pai
ergueu uma sobrancelha para mim, dizendo silenciosamente que
elas poderiam ser boas amigas.
— Você estará no jantar de aniversário do Romeo, imagino?
— É claro, mamãe. Juliet queria fazer um bolo para mim quando
não sabia que a senhora estava na cidade para comemorar meu aniversário.
— O bolo da Juliet é melhor que o da minha avó. — George sorriu e
minha menina bateu nele.
— Então irei cancelar o que encomendei.
— Será um prazer levar o bolo.
— Levar? Querida... Apenas chegue mais cedo e faça na casa do
Romeo, não há nenhuma necessidade em se preocupar em carregar um bolo.
Nós somos uma família que ama doces.
Juliet olhou para mim e a tranquilizei, porque já tinha a intenção de
levá-la ao meu jantar de aniversário. Tivemos aquele pequeno probleminha
antes, mas no fundo, sabia que tudo seria resolvido. Se Theo fosse seu filho,
tinha a certeza que não mudaria absolutamente nada para mim e sabendo de
toda verdade... Esses ombros jovens já carregaram peso demais.
Após o delicioso almoço, Juliet ficou apaixonada pela sobremesa, pedi
mais para que pudesse repetir e ficou vermelha de vergonha dos meus pais.
Levantei para me despedir dos convidados e quando estava me despedindo de
um casal de médicos que me ajudaram muito no processo criativo do
aplicativo, Sophia chegou perto de mim. Juliet estava com minha mãe,
algumas senhoras e pelas risadas bem altas, estavam se divertindo.
— Oi, Romeo. Quero apenas te parabenizar pelo lançamento do
aplicativo, foi inspirador e emocionante. — Segurou minha mão e abri o
mesmo sorriso de gratidão que distribui para todos. — E aí, vai ter alguma
comemoração no seu aniversário?
— Não farei uma festa esse ano, apenas uma comemoração em
família.
Sophia ficou vermelha, sentindo a sutil alfinetada que nós não
éramos mais da mesma família.
— É claro... Então segunda-feira te desejo um feliz aniversário. —
Sorriu e se afastou.
Me despedi de mais algumas pessoas e busquei Juliet avisando aos
meus pais que os encontraria em casa em breve. George sinalizou que estava
tudo certo e Dan nos conduziu para o carro sem interrupções. Era comum
muita gente querer conversar comigo, agendar alguma reunião, mas chegava
um momento que minha cabeça começava a doer.
— Não precisa me esperar, irei embora com o carro que está aqui.
— Informei aos meus funcionários antes de sair do carro em frente ao prédio
do flat. Juliet foi andando na frente, chamando o elevador e deu um docinho
que ganhou do evento para o porteiro. — Aquele vizinho já te incomodou
antes?
— Nunca tocou em mim, só era chato. Conversava sozinho e não se
mancava... Uma vez até pisei no pé dele para ser desagradável meio sem
querer. Ele riu e disse que me desculpava, um idiota. — Revirou os olhos.
Entramos no apartamento, ela tirou a blusa branca e os sapatos.
— Você é uma pirralha quando quer.
Juliet me parou antes de chegar nela.
— Essa pirralha precisa fazer xixi! — E saiu correndo para o
banheiro.
Rindo do seu jeito espevitado, peguei uma garrafa de água, bebendo
toda e guardei a louça do café da manhã que ela lavou na pia, deixou
escorrendo porque não deve ter dado tempo ao precisar se arrumar. Ela era
muito organizada e mantinha tudo exageradamente limpo. Quando cozinha,
não tem bagunça, simplesmente vai lavando e organizando. E Juliet nunca
usava a máquina de lavar louças.
— Por que não usa a máquina de lavar louças? — Gritei da cozinha.
— Não sei usar! — Gritou de volta e ri, maluca. Era só apertar o
botão lavar! — Romeo? Pode vir aqui me ajudar?
Sempre me considerei um homem que percebia uma maldade a
distância, principalmente quando se tratava de mulheres. Ao me deparar com
Juliet nua, de joelhos no meio da cama, me esperando com um sorriso
malicioso, percebi que estava enganado. Me puxando pela gravata, aquela
garota safada disse que estava doida para foder com o CEO mandão e foi
assim que passamos a tarde na cama.
Deixe-a dormindo tranquila, tranquei o apartamento por fora e cheguei
na minha casa quinze minutos mais tarde. Meus pais estavam na sala
assistindo Samantha enfiar massinha no meu aparelho de vídeo game.
— Oh garota! — Chamei e a pestinha escondeu a massinha. —
Vocês simplesmente estão deixando que empurre massinha em todos os
eletrônicos da casa?
— Ela pegou a massinha agora e depois só tirar. — Minha mãe agia
como se não fosse um problema.
— Papai já te disse que não pode enfiar massinha nas coisas. —
Abaixei na sua frente.
— Diculpa, papaiô. — Fez um beicinho e se jogou em mim. Como
estava morrendo de saudades, não consegui ficar bravo por muito tempo.
Meus pais já tinham dispensado Lydia, então, troquei de roupa, fiquei
com eles na sala bebendo vinho e brincando com Samantha. Pedimos pizza,
Sammy ficou suja de molho de tomate e queijo, comendo pizza sentada em
cima da minha barriga porque estava recostado no sofá, sentado no chão.
Quando se tem filhos, você se transforma em uma poltrona ou um
tapete.
Gostava muito de conversar com meus pais, eles apareciam de vez em
quando, mas não me incomodavam muito. Mimavam excessivamente minha
filha e minha mãe ainda tinha a cara de pau em pedir mais um para distribuir
o mimo igualmente. Ela sempre teve o sonho de ter uma família grande e
nunca conseguiu engravidar novamente, embora tenha tentado.
Samantha acabou dormindo no meu peito, com um pedaço de pizza na
mão e simplesmente tirei uma foto. Enviei para Juliet, mas ela não
visualizava seu aplicativo desde o almoço e em seguida compartilhei com os
padrinhos da minha filha.
Danika enviou arrulhos e avisou que chegaram ao país na noite
anterior. Acabou causando um alvoroço no grupo que temos em comum e me
distraí com meus amigos, deixando Samantha toda suja por mais tempo.
Levei minha filha para cama, limpei com lenços umedecidos, tirei sua
roupa e como estava dormindo pesado não reclamou da troca da fralda e a
colocação do pijama. Minha mãe entrou no quarto no momento que estava
colocando minha menina no berço. Ainda tenho medo que durma em uma
cama infantil e saia sozinha do quarto, talvez em alguns meses consiga
prepará-la para mudança.
— Você é um pai incrível.
— Ela que é incrível, mãe.
— Não posso discordar. — Olhou para minha filha mais uma vez e
saímos do quarto, encostei a porta atrás de mim. Minha mãe tomou a babá
eletrônica da minha mão. — O que é isso?
— Vá ficar com sua linda namorada. Aproveita que sua mãe está te
dando várias noites de folga, não estou na cidade sempre e amo cuidar da
minha neta. Juliet disse que você irá apresentar Samantha a ela amanhã, se
não se importar, todos nós podemos aproveitar um lindo dia na praia. O que
acha?
— Se não for incomodo, mãe. Juliet entende que meu compromisso
sempre será com a Samantha em primeiro lugar e eu não queria ocupar o
tempo de vocês amanhã, sei que gostam de reencontrar seus amigos.
— Bobagem, menino. É isso que avós fazem, cuidam dos netos para
os pais e fazem passeios de família. Além do mais, você pode ficar com sua
namorada no final de semana quando não estou aqui?
Era verdade. Podia ficar com Juliet durante a semana, dormir e voltar
para casa muito cedo, bem antes da minha filha acordar. Nos finais de
semana, nos vemos apenas no sábado à tarde e depois somente na segunda-
feira à noite. Sorri para minha mãe e fui até meu quarto, trocando minha
blusa suja e saindo em seguida.
Entrei no apartamento e estava tudo escuro e silencioso. Juliet ainda
estava dormindo, tão pelada quando deixei e sorri para sua imagem
totalmente mergulhada no sono. Tirei minha roupa, deitando do seu lado e
puxei seu corpo quente contra o meu. Ela acordou assustada e acalmei
imediatamente, suspirou e relaxou, se aconchegando em mim.
— Você voltou... Fiquei com preguiça de levantar.
— Não tem problema, baby.
Juliet ainda ficou dormindo e acordando por um tempo e eu soube o
momento que acordou ao afastar as pernas para minha mão encaixar bem no
meio. Estava apenas com o braço jogado na sua cintura enquanto cochilava.
Sem pressa, movi meu dedo, lentamente, provocando, sentindo sua excitação
crescer, sua umidade espalhar e seus gemidinhos que começaram suaves
transformar-se em algo mais forte.
Afastei-me o suficiente para tirar minha cueca do caminho e empurrar
meu pau entre suas dobras, escorregando para dentro devagar. O edredom
ainda estava em cima de nós como um ninho de foda muito gostoso.
— Posso filmar? Quero ver depois ele entrando e saindo.
A idéia era boa e preocupante, deveria ser racional e dizer que não
para gravação de um vídeo íntimo.
— Não mostre seu rosto de jeito nenhum. — Me transformei em
uma massinha de modelar na sua mão.
Esticou a mão para pegar seu telefone, tirei o edredom de cima de nós e
ela posicionou o celular em uma almofada da cama com o flash ligado. Nós
podíamos ver exatamente o que filmava, agarrei seus peitos e comecei a
meter com força. Ah, foda-se, meu juízo parecia ter tirado férias de forma
permanente. Beijei sua boca, empurrando fundo, esfregando seu clitóris, tirei
meu pau e empurrei meu dedo dentro, curvando e fazendo Juliet gozar.
A boceta dela estava muito apertada, sensível, com isso se contorcia me
gritando. Minhas bolas começaram a doer, minha menina enfiou a mão entre
nós e massageou, me fazendo gozar... Puxei fora só para deixar um rastro
com minha porra.
Estiquei minha mão e peguei seu telefone, encerrando o vídeo sem
mostrar nossos rostos ou qualquer coisa reveladora. Juliet virou na cama,
compartilhamos um beijo gostoso e enquanto se acalmava do orgasmo,
chupei seus peitos. Meu pau estava meio dolorido, mas quem disse que
queríamos parar?
— Isso foi uma delícia... Mas acho que hoje a gente bateu o recorde
de foda. — Soltou uma risada.
— Você quer me deixar sem porra, está drenando meu pau todo. —
Mordi seu bico de leve e mesmo assim ganhei um tapa na cabeça.
— Quero assistir o vídeo. — Entreguei seu telefone e logo o som
dos seus gemidos ecoavam no aparelho. — Ai que horror, meus gemidos são
piores que de uma atriz pornô.
— Não são não, são gostosos. — Rebati olhando meu pau entrando e
saindo do seu lugar favorito do mundo. — Nós somos muito bons juntos.
— Ainda estou muito apavorada com meus gemidos.
Nós rimos na cama e apagamos o vídeo, não era uma boa ideia
manter aquilo em nossos aparelhos. Tomamos banho e deitamos para dormir,
ambos muito cansados para pensar em fazer qualquer coisa em um noite de
sábado em pleno verão de Nova Iorque.
dez

Juliet.
Romeo e eu acordamos um pouco mais tarde que o normal, tomamos
café da manhã e ele me perguntou como foi meu primeiro beijo e minha
primeira vez no sexo. Contei que meu primeiro beijo foi com uma menina,
ela era minha amiga e confessou que gostava de mim, acabei decidindo beijá-
la para experimentar e foi só um beijo. Depois não tive vontade e muito
menos atração para ficar com uma mulher.
Romeo me olhou de um jeito que soube imediatamente o que sua mente
pervertida estava pensando.
— Nem fodendo, só se a gente fizer com mais um homem também. —
E foi com uma careta que nem seguiu assunto.
Após essa conversa espertinha, fui me arrumar para passar o dia na
praia com seus pais e conhecer a Samantha. Estava tão ansiosa que mal me
continha! Sammy era uma menina linda e muito amada pelo pai. Espero que
gostasse de mim.
Conheci os pais do Romeo no almoço do dia anterior e a mãe dele
era incrível, divertida e superado o choque com a minha idade, me tratou
muito bem. O pai dele não foi nada além de gentil, conversador e me contou
que Romeo usou fralda até os três anos entre outras traquinagens. Romeo era
tão sério e responsável que nem parecia que foi uma criança arteira. Depois
diz que não sabia quem Samantha puxou. Nunca ri tanto.
Como era um passeio de família, coloquei um maiô bonito, porém,
muito comportado. Era tão grande atrás quanto uma calçola de vovó. Escolhi
um short jeans e uma regata branca por cima, cabelos presos e arrumei uma
bolsa com uns itens de praia. Ainda bem que comprei umas coisas de praia
aleatoriamente apenas porque Romeo disse que podíamos ir a Hampton antes
do verão acabar.
No carro a caminho da sua casa, contei minha experiência de perder a
virgindade com um colega da escola. Ele não era o mais bonito e muito
menos o popular, mas nós dois não queríamos romper o colegial virgens. Foi
terrível e fingimos que nada aconteceu até ele sair da cidade para faculdade.
Depois disso, tive encontros, algumas tentativas de relacionamento que
chegavam ao sexo, mas...
— Toda minha safadeza é exclusivamente absorvida nos vídeos
pornôs.
Romeo sorriu e beijou minha mão.
— Convenhamos que a sua safadeza é infinita.
— Olha quem fala, seu tarado. — Bati na sua coxa.
Romeo contou que deu seu primeiro beijo aos doze anos em uma
vizinha do apartamento que vivia com os pais e sua virgindade foi uma
namorada que teve por todo ensino médio. Eles terminaram porque ela foi
estudar em outro estado.
— Você disse que a Sophia não é mãe da Samantha, mas a Sammy tem
a mesma idade que seu divórcio...
— Sammy é fruto de um relacionamento de uma noite que tive quando
ainda era casado. Não me orgulho disso e com calma te conto em detalhes...
— E onde está a mãe da Sammy?
— Eliza faleceu quatro horas depois que a Samantha nasceu. Ela teve
uma gravidez de muito risco, passei cinco meses dividido entre amar minha
filha e odiar o que a mãe dela estava fazendo. Só que nós não éramos casados
e eu não podia impedir a Eliza de fazer aquilo. Ela amava a nossa filha tanto
que optou por sofrer injeções diárias, medicações, um repouso absoluto e
mesmo assim... A cesariana foi muito delicada. Samantha nasceu saudável e a
mãe dela teve complicações. — Apertei sua coxa sentindo muita tristeza pela
história. — Nós nos aproximamos apenas no período que ela me contou que
estava grávida e que existia a possibilidade de não sobreviver para cuidar da
Sammy. Quis me dar a oportunidade de ficar com a minha filha ou ela
passaria a guarda para sua irmã.
— Eu sinto muito.
— Sammy tem muito da mãe, embora pareça comigo, ela é vivaz e
muito teimosa como Eliza era. Lamento muito o fato que minha filha nunca
pode conhecê-la e Eliza nunca pode segurar a filha que tanto sonhou.
— O importante é que ela tem a você e muito amor. Eliza está olhando
por Samantha, pode apostar. A mãe dela é seu anjo da guarda.
Romeo morava em um dos prédios de tijolos vermelhos mais bonitos
de Manhattan, sua rua era tranquila e aparentava ser completamente
residencial. Apesar do serviço de manobrista na porta e o porteiro muito
simpático, ele passou direto com um aceno e parou o carro na garagem.
Seu apartamento não era decorado como uma casa de um homem
solteiro e sim como uma casa de família. Havia brinquedos, fotografias e
algumas bagunças básicas de que havia gente real morando naquele lugar.
Claro que era sofisticado e muito bonito. Todo decorado em uma paleta de
cores que lembrava ao outono.
Ouvi o som de pezinhos batendo contra o piso e Romeo fez sinal
para ficar em silêncio, aí vi uma garotinha de pijama rosa correndo com uma
caneta na mão, parou próximo a uma parede branca e quando ia tocar a ponta
na parede...
— Samantha! — A voz de pai do Romeo fez a garotinha saltar e rir. Ao
invés de virar, simplesmente saiu correndo com a caneta riscando a parede de
ponta à ponta.
Tapei a minha boca surpresa e para não rir. Romeo correu atrás dela e a
pegou no colo, tirando a caneta da sua mão e a menina fez uma birra enorme.
Seu rosto estava todo pintado e os cantos da boca como se tivesse comido a
tinta
— Oie! — Samantha gritou assim que me viu e para minha grande
surpresa, se jogou em meu colo. Segurei a criatura que era a cara do Romeo
com grandes olhos e cílios espessos. — Papaiô vai bigar comigo!
— Ela corre para o colo de qualquer um que possa protegê-la de mim.
— Apontou para parede e agachei no chão com ela. Samantha virou de costas
para sua arte, deitando a cabeça no meu ombro. — O papai vai te colocar
para limpar assim você vai aprender que não pode riscar a parede. Olha para
mim, Samantha.
— Diculpa, papaiô. É a varinha do rary pote! — Apontou para caneta.
Precisei morder a minha língua para não rir.
Romeo estava lutando muito para não soltar uma gargalhada.
— A varinha do Harry Potter não risca a parede!
— Faz mágica! — Samantha deu os ombros.
— Vamos tomar banho agora. E a senhorita vai sozinha, passa na
frente, anda! — Não gostando do tom do pai, foi pisando duro. Romeo bateu
na bundinha dela com fralda e a menina soltou risadinhas. Muito insolente.
— Avisei que ela era terrível.
Romeo me levou para o quarto da Samantha, descobrimos que pegou a
caneta com o avô no escritório do pai porque pediu para desenhar. A avó
estava tomando banho e pediu ao marido para olhar a menina por uns
instantes.
O quarto da Samantha era enorme, com um closet grande e todo
decorado em tons de azul claro e era surpreendentemente feminino. Havia
ursos e bonecas espalhados, um canto exclusivo para brinquedos e uma
mesinha com quatro cadeiras. Uma gigante barraca de acampar montada e
uma casinha de bonecas. Os quadros na parede eram infantis, mas também
havia muitas fotos dela em diversos momentos desde o seu nascimento até o
aniversário de dois anos.
Havia fotografias com o pai assim como um quadro lindo da Eliza
grávida. Era preto e branco, transmitia todo amor da Eliza por Samantha.
Fiquei impressionada com o quanto Romeo era habilidoso com ela. O
banho foi com maestria, esfregou cada canto, lavou os cabelos e onde estava
manchado de tinta. Ele era ágil com a toalha e em não permitir que ela
fugisse porque não parava quieta. No trocador, colocou nela uma fralda
comum e um maiô roxo.
— Você agiu como uma selvagem que não pude te apresentar a Juliet.
— Romeo pegou a toalha para secar seu cabelo com cachos lindos.
Samantha olhou na minha direção, franziu o narizinho lindo e exibiu os
dentinhos pequenos, redondos e fez “raaaaw”. Assim meu coração não
aguentaria e estava com vontade de apertá-la até não poder mais. Ele fechou a
porta do quarto depois que liberou a criança, para que não fugisse e a menina
quis me mostrar seus brinquedos.
Romeo estava nos observando sem falar nada e ao mesmo tempo,
arrumando a bolsa de viagem dela. Quando anunciou que estava pronto, disse
que ela podia escolher brinquedos para levar.
Segurando uma boneca quase maior que ela e com a mãozinha livre
agarrou a minha, descendo a escada comigo. Romeo me avisou que ela era
muito simpática, embora geniosa. E tinha todos os adultos daquela família
enrolados no dedo mindinho.
Ajudei Jane a fazer sanduíches e algumas saladas para levarmos,
separamos um potinho de comida para Samantha almoçar. Romeo lavou uma
infinidade de frutas para que ela pudesse comer. Ele não permitia que sua
ursinha comesse comidas processadas industrialmente, com corantes
artificiais, açúcar em excesso e refrigerantes. Seus sucos eram todos naturais
e orgânicos.
Com tudo pronto e muitas coisas a serem carregadas, seus pais foram
em um carro e nós em outro.
— Esse é seu carro de papai? — Provoquei Romeo ao vê-lo parar em
uma SUV toda adaptada para Samantha, com cadeirinha, uma pequena
televisão atrás do banco, uma bolsa de brinquedos, papel e lápis de cor.
— Entra no carro, baby. — Deu um tapinha na minha bunda e prendeu
Samantha no seu lugar.
O trânsito para Long Island em um domingo ensolarado estava um
pouco complicado. Samantha era do tipo faladeira, conversava muito com
seu pai e estava apaixonada no quanto aquele homem era paciente e divertido
com sua filha.
— Julilet! — Samantha me chamou e virei surpresa. Ela me chamou!
— A Boo! — Apontou para sua televisão. Olhei para o player no painel do
carro e ela assistia Monstros & SA. — Amo a Boo.
Virei no banco e fiz uma imitação muito tosca do Michael Wazowski
que a fez gritar de tanto rir. Fiz cosquinhas nos seus pés ganhando o sorriso
mais lindo de volta. Quando chegamos, Samantha não queria esperar para
sair e vi que a menina realmente amava a praia. Romeo pediu que não a
soltasse enquanto descarregava as coisas e criava uma sombra agradável para
ficarmos.
Aproveitei que estava sozinha com Samantha e passei o tão importante
protetor solar. Foi difícil, mas a convenci dizendo que ficaria muito linda com
meus óculos escuros no seu rosto. É claro que a pimentinha queria meus
óculos. Botei seu chapéu e o meus óculos Dior muito caro no seu rostinho
pequeno e saí do carro com ela no colo.
— Ela já te convenceu a dar os óculos? — Romeo fincou a barraca na
areia.
— Foi um acordo de garotas. — Coloquei-a na areia e o pai instruiu a
ficar na sombra brincando.
Nós nos estabelecemos e conversamos com seus pais, eles fizeram mais
perguntas sobre mim e minha família, ocultando a existência do Rick e que
minha mãe era uma viciada, falei que tinha um irmão incrível e era muito
próxima da avó do G. Gail era como uma avó para mim também. E eu vi com
dor no coração meus óculos rolando na areia grossa. Olhei para Romeo e
simplesmente pedi um novo.
— Julilet? — Samantha se jogou em mim toda molhada. Ela estava
piscina que o pai dela montou, entrando e saindo, jogando areia para o alto e
dentro da água. — Ir lá. — Apontou para o mar.
— Tudo bem, mas nós não iremos entrar. Vamos olhar de pertinho e
molhar os pés, está bem?
Tirei meu short e a camisa, segurando a mão dela e fomos andando pela
extensa faixa de areia até a beira da água. Samantha sentou no chão para
esperar a espuma do mar vir até nós e foi uma onda considerável. Sentei na
areia muito gelada e a coloquei entre minhas pernas. A água estava
congelando e o calor até amenizava, mesmo assim, Samantha estava amando,
batendo as perninhas e gritando.
— Nemo!
— O Nemo não pode vir, ele não vive fora do mar.
— Ariel?
— Seu pai faz você assistir todos os filmes da Disney?
— Lydia.
Quem era Lydia?
Romeo sentou atrás de mim, sem camisa, só de bermuda e usando um
óculos aviador que o deixava ainda mais bonito. Recostei no seu peito, beijei
seu pescoço e ele beijou minha boca. Samantha ficou em pé em cima de mim,
falando sem parar e seus dedinhos gordinhos dedilhavam minhas sardas e até
meus dentes a garotinha sapeca quis ver.
— Estamos muito tempo no sol... Quer uma banana, Sammy?
— E suco!
Foi um dia tão maravilhoso na praia que estava sorrindo sem motivos.
Sammy dormiu no carro na volta e com sono, chorou no banho, queria ficar
no colo do pai e fez um monte de dengo que Romeo sabia lidar com
paciência e muito carinho.
— Romeo sempre foi determinado. Ele era centrado e nunca desviava
do seu foco, viveu anos dedicando-se integralmente a Blackburn até Sammy
nascer. Vi nascer um novo homem, um pai e ele nunca renunciou ao seu
papel. — Jane disse do meu lado, admirando Romeo ninar sua filha. — Se
vai fazer parte da vida dele, a Sammy tem que fazer parte da sua. Os dois são
um pacote só.
— Eu sei e isso não me assusta, só me faz querer ficar com ele...
— Então isso acalma meu coração. — Jane me deu um beijo na
bochecha. — Guy e eu iremos sair com uns amigos, beber até lembrar que
nossas colunas não aguentam mais. Divirtam-se.
— Vocês também. — Acenei para o pai do Romeo. Eles se arrumaram
bem rápido., deviam estar ansiosos para sair. Não quis comentar com Romeo,
mas os pais dele não disfarçavam o afeto, pareciam aqueles casais mais
velhos bem ativos que adoravam se divertir. Esperava ser assim também!
Sammy finalmente sucumbiu ao sono que seria apenas um cochilo pós-
praia.
— Fica aqui comigo essa noite?
— Não trouxe roupa.
— Amanhã te levo em casa para buscar umas coisas... Acho que já
deveria deixar umas roupas aqui, não vou aguentar muito tempo ficando em
lugares separados e quero você todo dia. — Me puxou pelo decote do maiô.
Olhamos para pimentinha dormindo. — Parece um anjo, não é? Nem parece
que jogou sabão nos olhos de pura birra.
— Ela é adorável, agitada, tagarela, fofa, linda... Perfeita. Eu amei
conhecê-la.
— Julilet! — Nós sorrimos. — Vou te levar para o banho e depois
cama, ok?
— E o que nós vamos fazer na cama, meu amado DILF?
— Eu não sei exatamente por onde começar, mas, eu acho que vou te
chupar de quatro bem no meio da minha cama e depois te foder.
O apartamento do Romeo ficou praticamente silencioso o restante do
dia, nós ficamos comportados e como ainda estava traumatizada com meus
gemidos, mantive minha boca fechada para consternação dele. Usei uma
calça de pijama dele que ficou enorme e uma camisa que praticamente me
engoliu, deitamos e entre beijos e cochilos, ouvimos Samantha chamar.
Romeo foi buscar e colocou um desenho. A espertinha fez a minha
barriga de cavalinho até quase me fazer vomitar de tanto que pulava.
Convenci que o papai estava com ciúmes e queria também, Romeo gemeu ,
mas a sua barriga musculosa aguentava a agitação dela muito mais do que a
minha de gelatina.
A fome para jantar bateu nos três ao mesmo tempo. Cozinhei
macarrão e fiz almôndegas enquanto os dois brincavam. Antes de comer, a
levamos por meia hora no play e ela era uma criança muito querida,
totalmente sociável e que não parava de correr.
Romeo conversou com um pai que estava com três crianças e uma
mãe me mostrou os brinquedos fazendo perguntas sutis que mal respondia,
sendo evasiva.
— Para de fazer isso, estou sem sutiã e não quero que as outras mães
percebam. — Bati nas mãos do Romeo. Ele queria que descruzasse os braços.
— Papaiô! Fome!
Samantha não se fazia de rogada. Se ela queria, dizia na hora. Já estava
começando a avisar o xixi e o cocô, avisei ao Romeo que ela mesma estava
indicando seu desfralde. Vi em seu olhar o quanto ele ainda sentia
insegurança com esse passo.
— É assim mesmo... As crianças possuem seu próprio tempo. Já tem
algum penico e um assento de vaso? Com o Theo usei os dois, porque ele
tinha muito medo do sanitário, não entendia e foi muito bom fazer a transição
de um para o outro. — Toquei no assunto durante o jantar.
— Não tenho ainda. Vou ter que sair para comprar... E começar a fazer
nos finais de semana. Não quero que a Samantha desfralde com uma babá...
Lydia trabalha comigo desde que ela nasceu, mas, mesmo assim...
— É um processo longo, não vai ser da noite para o dia e tenho certeza
que vai conseguir acompanhar.
— Obrigado pelo conselho, querida. Você é uma irmãe exemplar para
o Theo.
— Uma irmãe?
— Tenho certeza que ele te vê muito mais que uma irmã.
— Daria a minha vida pelo Theo. — Suspirei com o peito apertado de
saudades.
— É isso que mães fazem. — Me deu um beijo e recolheu nossos
pratos, indo para cozinha. Limpei a boca da Samantha e prendi seu cabelinho
porque estava toda suada. — Quando você estiver pronta quero conhecê-lo,
está bem? — Pegou Sammy da sua caldeira alta. — Hora de dormir, ursinha.
Amanhã papai faz aniversário.
— Eu quero bolo!
— E vai ter. Sabe o que mais vai ter?
As vozes dele foram diminuindo conforme subiam a escada. Terminei
meu vinho olhando para o meu reflexo na janela. Durante muito tempo quis
ser mãe do Theo apenas para que ele não sofresse a decepção de ter uma mãe
como a nossa... Que nunca foi capaz de dar a sua sobriedade por nós, dirá a
sua vida.
onze

Romeo.
Nunca fui um homem de ficar refletindo sobre a minha idade, sobre
planos e projetos futuros. Sempre fui o que vivia o presente intensamente e
talvez seja por isso que colhi bons frutos na minha vida. E pensando nesse
meu jeito de ser intenso, entregue, que olhei com carinho para as duas
pessoas importantes na minha cama. Samantha acordou de madrugada,
chorando, teve um sonho ruim e pediu colo. Nesses casos, costumava trazê-la
para deitar comigo e assim sentia protegida do seu sonho ruim.
Juliet usava apenas uma camisa minha que ia pouco acima dos
joelhos. Coloquei a pequenininha entre nós e minha linda mulher está virada
na cama de forma protetora, com a mão na barriga da Samantha que parecia
uma estrela, toda aberta e roncando baixinho. Aquela cena me invadiu como
uma avalanche e mal conseguia respirar. A garota espevitada que conheci no
hotel para ser minha baby era tão surpreende que a cada segundo diferente do
outro.
Minha vida mudou quando Samantha nasceu e estava
transformando-se novamente com Juliet.
Pela primeira vez em muitos anos, decidi que não iria trabalhar no
meu aniversário e dei folga para todos os funcionários da casa e para o meu
assistente que merecia mais um dia de descanso por ter trabalhado tão bem no
sábado. George merecia o título de braço direito, porque o homem apesar de
louco, cheio de TOC, nunca deixava a nossa peteca cair.
Ainda foi o responsável por me apresentar Juliet. Sabia que o G
usava meu computador, inclusive para marcar encontros nos sites de
relacionamentos malucos que participa, não era absolutamente incomum.
Tinha amigos galinhas e o G superava todos eles.
Juliet se mexeu, acordando, se espreguiçou e me deu um sorriso
sonolento. Inclinando sobre a criança que dormia entre nós, me deu um beijo
e foi para o banheiro. Levantei devagar, cobri Samantha e fiz um muro de
travesseiros para que não rolasse na cama. Entrei no banheiro no momento
que minha garota estava tirando a camisa para tomar uma chuveirada matinal
e entrei com ela.
Nós não falamos nada, apenas compartilhamos o espaço e antes de
sairmos, abracei-a ainda cheia de sono.
— Decidi ficar em casa hoje.
— É mesmo, aniversariante?
— Sim... Dispensei as meninas da cozinha, a faxineira que vinha
hoje e será apenas nós... E a Kira, que é alguém importante para mim,
conheço desde pequeno. Ela trabalha comigo tomando conta da casa quando
não estou. — Juliet me abraçou e beijou meu peito. — Nós damos conta do
jantar e um bolo, não damos?
— É claro que sim, vai ser divertido... Só vou dar uma olhada na sua
dispensa para ver se tenho tudo que preciso para fazer o bolo.
Juliet vestiu a mesma roupa de ontem, sem sutiã e usando uma
cueca minha por baixo do short. Belisquei seu mamilo de brincadeira e
ganhei um tapa de volta. Acordei Samantha devagar e minha garotinha
espreguiçou, fez um beicinho fofo e a primeira coisa que saiu da boca foi
“papaiô, tô com fome”.
Meus pais já estavam acordados e arrumando a mesa do café da
manhã, Kira estava na cozinha e Juliet ficou bem tímida ao conhecê-la, mas,
Kira era a pessoa mais acolhedora do mundo, abraçou e beijou minha
namorada com carinho. Tomamos café da manhã juntos, mesa cheia de
comida, muito falatório animado e Samantha fazendo gracinha para todo
mundo.
Depois de muita discussão entre as duas mulheres que me criaram,
foi decidido um cardápio com algumas das coisas que mais gostava de comer.
E como era meu aniversário elas queriam me agradar. Uma rápida olhada na
dispensa deixou claro a ausência de uns ingredientes importantes para o
jantar e principalmente para o bolo.
Arrumei Sammy para ir comigo buscar roupas para Juliet e depois
para o mercado. Como estava calor, minha ursinha ficou linda com uma
jardineira jeans, uma blusa rosa, calcinha de babados da mesma cor e tênis
all-star preto. Paramos no flat primeiro e ao contrário da minha casa, ali não
era um lugar a prova de crianças. Enquanto Juliet se trocava e arrumava uma
bolsa para ficar comigo a noite, minha filha estava querendo derrubar o lugar.
No momento em que puxei-a pela blusa para não subir no balcão,
Juliet saiu do quarto usando um vestido justo, que moldava todo seu corpo,
tênis, o cabelo preso e seu rosto livre de maquiagem. E ela parecia nervosa.
— Você se incomoda... — Limpou a garganta. — Gostaria de
conhecer o Theo hoje? É que é dia de semana e normalmente esse horário
você está no trabalho, quando saio da academia costumo ficar com ele para
dar uma folga na Gail... Hoje ela tem um compromisso e evitamos deixá-lo
sozinho com a Margareth...
— Juliet. — Interrompi seu falatório. — Já deixei claro que gostaria
de conhecê-lo, seu irmão não é um incômodo e será maravilhoso tê-lo
conosco hoje. Então, avise para Gail preparar uma bolsa para passar o dia e
para dormir, amanhã você ainda poderá passar o dia com ele. Quando se
mudar para minha casa, podemos organizar e decorar um dos quartos para
recebê-lo com frequência.
Emocionada, pulou em mim e deu um beijo daqueles. Abracei-a
apertado, agarrando sua bunda de brincadeira e olhei para baixo.
— Uma criança não me incomoda. — Apontei para Samantha
praticamente presa entre minhas pernas para não fazer merda. — Tenho uma
que precisa ser amarrada!
— Ah vem aqui, garotinha! — Juliet a pegou, jogou um pouquinho
para o alto e as duas riram. — Então vamos ao mercado, pegar o Theo e
depois para sua casa.
Dei um tapinha na sua bunda para ir na frente. Tranquei o
apartamento e o vizinho inconveniente não entrou no elevador quando nos
viu dentro.
Paramos em um grande mercado e o local estava movimentado,
porém, sem filas longas. Peguei um carrinho, botei Samantha dentro e Juliet
pegou a lista feita pela Kira. Encontramos basicamente tudo para o jantar e o
que faltou seria no bom e velho improviso. Acabei pegando algumas frutas
orgânicas para Samantha e mais garrafas de suco que ela adorava. Distraído
com a escolha das frutas, não vi o momento que Samantha arrancou umas
blueberry’s e enfiou na boca.
— O que você está na boca e não está mastigando, Sammy? — Juliet
se debruçou pelo carrinho. Minha filha estava com as bochechas estufadas.
Com agilidade, Juliet apertou a boquinha dela e Samantha cuspiu as
frutinhas. — Não pode colocar mais de uma na boca, ouviu? Vai engasgar e
fazer dodói a sua garganta. — Sem se abalar com a fruta babada, rasgou um
pedaço nos dentes e deu a ela, que aceitou, chupando um pouco para sentir o
gosto e depois comeu.
Peguei algumas caixas para inserir na alimentação dela. Samantha
nunca se negava experimentar coisas novas.
Escolhi que meu bolo fosse todo de chocolate porque era o meu
favorito e as crianças iriam amar. Juliet ficou encantada com os produtos
disponíveis, de mais qualidade que estava acostumada, cada um que pegava,
conferia com a receita e pesquisava na internet. Samantha estava no seu
quadril, mexendo nas barras de chocolate e filmei minha filha dando uma boa
mordida com plástico e tudo.
— Garota, você é terrível. — Tirei o pacote dela e joguei no
carrinho.
No caixa reparei que estava sendo fotografado, não era incomum,
mas não constante. Normalmente fingia que não via e saía o mais rápido que
podia. Sem alardear as meninas carreguei o peso para mala do carro, as duas
conversavam e dividiam um saquinho de biscoito de aveia. A boquinha
nervosa da minha filha não negava comida mesmo que fosse tão ruim quanto
esse biscoito que Juliet adorava.
Segui para o endereço do apartamento onde a mãe da Juliet estava
morando com o irmão. Pedi ao G para colocar o contrato de aluguel em meu
nome e descontar diretamente como todos os pagamentos que fazia. Na
conversa que tivemos no telefone no momento que fui em casa sábado, ele
confirmou a história da Juliet e ainda deu uns detalhes que deixou ela de fora.
Agradeci a ele por sempre estar com ela e ter feito o que estava no alcance
para ajudar.
Uma amizade como a deles era simplesmente única. Juliet era muito
apaixonada por G e com toda razão.
Estacionei na frente da portaria e ela desceu do carro. Saí do carro
para esperar, sem tirar Samantha do lugar e Juliet não demorou muito para
sair com um menininho de cabelos castanhos, pele tão clara que poderia ser
um fantasminha camarada, usava uma bermuda cargo e camisa gola polo
branca, um par de tênis branco.
Theo segurava a mão da irmã e falava animado. O jeito que Juliet
sorria e falava com ele foi a segunda avalanche do dia. Não havia dúvidas
que ela o amava tanto que sua expressão chegava a mudar.
— Theo, quero que conheça meu namorado... O nome dele é
Romeo. — Juliet parou na minha frente e o menino cobriu os olhos com a
mãozinha para me olhar. — Baby, esse menino é a luz da minha vida.
— Oi, Theo. — Abaixei na sua frente para olhar em seus olhos. —
Juliet fala muito sobre você. Estava muito empolgado para te conhecer.
— É com você que ela mora agora? — Me deu um olhar avaliador.
Ele não seria facilmente conquistável.
— Podemos dizer que sim. — Optei por ser honesto.
— Então é por isso que ela não me coloca para dormir?
Aí!
— Theodore! O que nós conversamos sobre nosso arranjo de
moradia? Já respondi essa pergunta. — Juliet foi firme com ele.
— Juliet falou que é seu aniversário. — Theo mudou de assunto e
me deu um abraço. Surpreso, abracei de volta. — Parabéns. Vou dormir na
sua casa hoje?
— Sim e espero que goste, porque quero que volte muitas vezes.
Sorrindo timidamente, me deu um aceno e voltou a agarrar a mão da
irmã. Theo já tinha altura e peso para ficar no banco alto, acomodei o banco
na altura certa e o ajudei a subir. Juliet deu a volta para apresentar Samantha
ao Theo. Minha filha sorriu para o garoto, soprando um beijo. Ela amava
conhecer novas pessoas, principalmente crianças que podiam brincar com ela.
Prendi Theo no cinto, conferindo se estava tudo firme e ele me deu
um aceno que não estava machucando, agradecendo a ajuda. Juliet botou a
mochila dele nos pés, atrás do banco do carona. Fechei a porta ouvindo
minha filha perguntar qual filme ele queria assistir e se queria o biscoito de
aveia.
Theo entendeu a linguagem da Samantha, aceitou o biscoito e disse
que gostava do Nemo.
Juliet e eu olhamos a interação das crianças e sorrimos. Ela estava
tão preocupada em inserir seu irmão em nosso relacionamento que até aquele
momento parecia tudo bem. Dei um beijo no seu nariz e na sua boca para
garantir que estava bem. Abri a porta para entrar e antes de dar a volta para o
meu lugar, reparei na mulher encostada na parede do prédio. Ela usava um
casaco longo, enrolada como se tivéssemos no inverno, seus cabelos ruivos
estavam desgrenhados e sua aparência envelhecida era um tanto assustadora.
Muito magra e com um olhar vazio, soube pelas poucas semelhanças que
aquela mulher era a mãe da Juliet.
O olhar triste da minha menina respondeu a pergunta.
Uma mãe negligente, egoísta e no fundo, maldosa. E ao olhar para
Theo alegre com Samantha e a mulher incrível que Juliet era, aquela pessoa
não merecia os filhos que teve. Aquela mulher era digna de pena.
Abri a porta para Juliet, esperei que se acomodasse e dei a volta para
entrar no carro, ajustei meu retrovisor e olhei para crianças.
— Continue a nadar? — Provoquei as crianças.
— CONTINUE A NADAR! — Os dois gritaram e Juliet deu play no
filme para assistirem enquanto íamos para casa.
Segurei a mão da Juliet enquanto dirigia e pensei que ela e seu irmão
não podiam ficar afastados. Tinha que agir de alguma forma para que Juliet
tivesse direitos sobre seu irmão, se assim fosse seu desejo, porque tudo que
faz era pensando no bem-estar dele e buscando a sua própria felicidade.
Ao retornar para minha casa, apresentei o Theo aos meus pais com
bastante calma. As expressões dele eram de susto, porque não avisei que o
levaria, logo se recuperaram, abraçaram o menino. Samantha o agarrou pela
mão e levou para sua sala de brinquedos. Juliet foi até lá, conversou bem
firme com os dois, deixou a porta aberta e foi para cozinha. Como era meu
aniversário, decidi que poderia beber algumas cervejas e comer besteira.
Ajudei um pouco na cozinha só para dizer que fiz alguma coisa,
ouvindo minha mãe e Kira conversar sobre amigas em comum, temperei a
carne e espiei Juliet fazendo algum doce muito cheiroso no fogão. Dividiu o
conteúdo em dois pratos, colocou para esfriar em outro balcão longe de mim
e era chocolate. Ao tentar roubar uma colherzinha, ganhei um tapa na mão e
um pedido para descascar quase um quilo de batatas.
— O que está fazendo agora? — Minha mãe espiou Juliet no fogão.
— A cobertura e o recheio.
— Está muito cheiroso. — Elogiei ganhando um sorriso das duas.
Terminada as batatas, fui olhar as crianças e meu pai estava
brincando com eles no chão do quarto de brinquedos. Samantha disse que
estava com fome e como não havia muito para o almoço, esquentei o arroz
com brócolis, almôndegas e batatas. Montei o pratinho de comida os dois.
Sammy ficou na cadeira alta e para o Theo coloquei a almofada do encosto
do sofá para ficar em uma boa altura.
O menino ficou olhando para comida um tempo e sua irmã
apresentou o que estava no prato. Juliet explicou que ele tem um grupo
alimentar preferido e estranha quando vê algo diferente, depois de entender
que o arroz estava verdinho por causa dos brócolis, balançou a cabeça
concordando que iria comer. Nos afastamos e ele seguiu quieto, encarando a
comida.
— Você precisa de ajuda para comer, Theo? — Juliet perguntou da
cozinha. Theo acenou timidamente e reparei que ele não parava de rodar a
colher. Suas bochechas estavam vermelhas de vergonha. Era um ambiente
estranho e pessoas desconhecidas, completamente compreensível a sua
reação.
— Posso ajudar você, amigo? — Sentei ao seu lado, seu olhar
encontrou o meu e um tímido sorriso enfeitou seus lábios. Samantha estava
conseguindo levar a colher à boca sem incentivo e sem derrubar muito.
Normalmente ela era uma bagunceira. Claro que estava carregando pouca
comida, desistiu da colher e começou a comer com a mão.
Cortei a almôndega em pequenos pedaços e misturei com seu arroz
do jeito que pediu, entreguei sua colher e rapidamente começou a comer.
Não entendia muito sobre autismo e Juliet me explicou algumas coisas,
como o fato de ele se retrair, ser tímido, não esboçar muita emoção
inicialmente e repelir alguns contatos. Ela desconfiou que havia algo errado
porque todas as crianças avançavam e ele demorou a andar e falar, assim
como desfraldar.
Perdia atenção muito rápido e sempre tinha um apego excessivo de
um determinado brinquedo.
— Sinta-se feliz. — Juliet me abraçou quando parei ao seu lado. —
Ele te olhou nos olhos e só faz isso com quem confia.
Theo claramente possuía dificuldade com a fala, era praticamente
robótica sem nenhuma emoção. Queria muito conversar com Juliet para levá-
lo aos especialistas adequados. Ele não era agressivo, estava interagindo com
Samantha, mas não respondia quando meus pais falavam com ele,
simplesmente fixava o olhar para frente e isso fazia Juliet pedir milhões de
desculpas preocupada com que meus pais podiam pensar.
— Está tudo bem, querida. Em pouco tempo começará a sentir
confortável conosco. — Minha mãe tranquilizou minha namorada nervosa.
Juliet levou Theo para dormir no horário exato que tirava um cochilo
todos os dias com ela ou com a Sra. Blunt. Limpei a boca da Samantha e a
levei para seu quarto. Quando as crianças dormiram, peguei mais uma cerveja
e fiz uma série de petiscos, levando para sala e sequestrei minha garota que
queria enrolar docinhos ao invés de ficar comigo.
Com algumas coisas do jantar adiantadas, meus pais saíram com a
Kira. Eles iriam ao shopping – e sabia que comprariam presentes para as
crianças.
Joguei a carta que era meu aniversário e consegui convencer a minha
namorada a ficar comigo. Juliet montou no meu colo, bebendo minha cerveja,
me beijando e sua língua gelada no meu pescoço quente me fez arrepiar.
— Não vai dar para irmos para o quarto. — Segurou minha mão que
puxava a alça do seu vestido.
— As crianças não vão acordar agora e nós podemos ouvir antes que
possam nos ver. — Finalmente tirei suas alças e puxei seu decote para baixo
expondo seus peitos maravilhosos. — Vai ser a rapidinha de aniversário.
Agarrei seus peitos, provocando seus mamilos e chupei cada um
com muito tesão.
— Nunca é rapidinho com você, baby. — Beijou meu pescoço cheia
de tesão. — Na verdade, vai ser um boquete de aniversário e depois vou
rebolar no seu pau de feliz aniversário.
Caindo de joelhos na minha frente, abriu minha bermuda e tirou
minha cueca do caminho levando meu pau na boca com satisfação. Apoiei
minha cerveja no braço do sofá, levando minha mão ao seu cabelo e fodi sua
boca esperta. Juliet era a porra de um tesão me olhando do seu jeitinho
safado, com meu pau na boca e chupando gostoso. Puxei-a para cima,
desesperado e Juliet tirou a calcinha me dando um showzinho rebolando,
sentou no meu colo e lentamente desceu sobre meu pau, com sua boceta
incrível o engolindo.
— Tão gostosa, porra! — Agarrei sua bunda intensificando sua
cavalgada. — Isso aí, minha safada. Rebola pra mim, me fode! — Juliet
escondeu o rosto no meu pescoço para abafar seus gemidos e usei sua
umidade para lubrificar seu buraquinho apertado e brincar ali. — Você adora
quando te provoco aqui, não é?
— SIM! Mas não vou dar para você. — Sorriu maliciosa e enfiei só
a pontinha do meu dedo. — Porra, Romeo! Que gostoso! — Juliet gozou e
foi um espetáculo a ser visto, me deixei ir. Estava sempre pronto para gozar
quando estava rebolando em mim.
— Você é perfeita. — Beijei sua boca, tirando alguns fios do cabelo
que grudaram na sua testa. — Da cabeça aos pés tortos de bailarina. — Rindo
e meio ofegante, bateu em mim.
Levantamos para ir ao banheiro nos limpar e ao voltar para o sofá,
terminei minha cerveja quente e pedi que ela voltasse a ficar no meu colo do
mesmo jeito que antes. Comendo um pedaço de queijo, montou em mim e
olhou em meus olhos.
— Você quer isso, Romeo? Uma vida assim... Crianças, jantares em
família, sexo muito gostoso a cada momento possível e essa coisa do pacote
completo?
— Nunca me importei em não ter, mas agora é o que mais quero.
Você é a minha baby, quero cuidar de você e agora quero cuidar do Theo
também. Quero vocês dois na minha vida... Se isso é o pacote completo, ah,
baby... Eu quero.
— Então você tem. — Sorriu brilhante e nos beijamos bem devagar,
encostou a testa na minha e olhou em meus olhos. — Feliz aniversário.
Espero que seja muito feliz todos os dias da sua vida.
— Você é um presente e tanto.
Juliet deitou a cabeça no meu ombro, com o narizinho encostado no
meu pescoço, peguei meu telefone e li algumas mensagens de aniversário dos
meus amigos. Além de me parabenizar, perguntaram o que estava fazendo.
Tirei uma foto, com a garrafa de cerveja na boca e Juliet deitada em mim.
Minha cara era de um homem que tinha acabado de foder, com uma garota
gostosa no colo e uma cerveja boa.
Gostei tanto da foto que postei no meu instagram privado. Era uma
conta só com amigos e minha família. Costumo postar fotos aleatórias,
paisagens, o trânsito, meus carros e algumas fotos da Samantha para que
meus parentes possam vê-la.
E agora... Uma foto com minha baby.
Depois de cochilar em mim, Juliet foi para cozinha fazer o bolo e
enrolar os docinhos. Coloquei meu DVD do AC/DC, aproveitando a folga
para curtir minhas músicas e não ouvir Dora ou qualquer CD infantil. Theo
acordou e chamou por Juliet na escada, apareci e ele desceu, com a cabecinha
balançando e correu para frente da televisão cantando Highwall To Hell.
— O que é isso? — Gritei minha namorada porque ele sabia toda a
letra. Juliet apareceu sorrindo.
— Ele ama essas bandas aí.
— Como?
— Theo é apaixonado por Homem de Ferro e essas músicas fazem
parte da trilha sonora. Me pediu para baixar umas músicas e o George deu a
ele um velho telefone, abriu uma conta no Spotify e ouve o dia inteiro se
deixar
— Eu quero ele para mim... Samantha só gosta da Frozen.
Juliet me bateu com o pano de prato e voltou para cozinha. Me
diverti com o Theo porque era apaixonado nas minhas bandas favoritas.
Acordei Samantha um pouco mais tarde para aguentar ficar acordada até a
hora dos parabéns. Minha mãe mandou uma mensagem dizendo que algumas
pessoas ligaram para ela perguntando se faria algo para comemorar e eu sabia
que queria autorização para convidar algumas pessoas.
Minha resposta foi não. Esse ano será apenas sobre meus desejos.
Com Juliet ocupada na cozinha fiquei com as crianças na sala. Theo
amou quando coloquei a trilha sonora do filme Homem de Ferro para ouvir
com imagens do filme. Samantha fez pouco caso, queria ver Moana e eu
disse que era o dia do papai escolher. Chateada, chamou minhas músicas de
feia e foi embora brincar de bonecas, depois ficou na cozinha entre as pernas
da Juliet ou se pendurando nos balcões para ver o que fazia.
— O bolo está perfeito! — Foi a primeira coisa que minha mãe
gritou assim que entrou em casa. Meu pai carregava um monte de caixas e
bolsas de lojas. — As caixas rosas são da Sammy, as amarelas do Theo, as
bolsas marrons são suas e as brancas da Prada são da Juliet.
— Mãe... É meu aniversário e não o natal. — Provoquei e fui
ignorado.
Samantha estava acostumada a ganhar presentes dos meus pais, mas
o Theo ficou de pé ao lado das suas caixas até Juliet sentar com ele, abrir os
embrulhos com cuidado porque ele não queria que rasgasse. A primeira caixa
era um jogo da memória, Juliet explicou o que era antes de partir para a
próxima. Foi assim em cada uma. Meus pais deram a ele jogos estimuladores,
educativos e que iriam ajudar no seu desenvolvimento.
E claro, uma infinidade de brinquedos comuns, como carrinhos e
bonecos dos heróis. Sem saber que ele amava o Homem de Ferro e os
Vingadores, meu pai deu a ele a coleção dos bonecos grandes. Theo agarrou
o Homem de Ferro e o Hulk, olhando para sua irmã em uma conversa de
olhares. Juliet o beijou diversas vezes e cochichou algo.
Theo foi até meu pai e abraçou as pernas.
— Obrigado, papai do Romeo. — E correu para abraçar minha mãe.
— Obrigada, mamãe do Romeo.
Meus pais fizeram festa com ele enquanto Samantha pulava ao redor
gritando com sua boneca nova. Kira me olhou indicando algo e procurei por
Juliet. Ela não estava mais na sala... Indo atrás dela, encontrei-a no lavado,
com as mãos no rosto, escondendo que estava chorando.
— Ei baby, está tudo bem.
— É só que ele nunca...
— Eu sei... Vai se acostumando, meus pais são terríveis e vão
estragar o Theo tanto quanto Samantha.
— Não estou triste. Estou grata... Obrigada.
Subimos para nos arrumar, deixei meu quarto a disposição para
Juliet ficar a vontade e preparei a mesa com a decoração escolhida pela
minha mãe.
Juliet estava linda usando um vestido vermelho. Samantha usava um
vestido lilás e me permitiu colocar presilhas em seu cabelo, o que era um
verdadeiro milagre. Theo usava uma camisa social e jeans, parecia um mini
adulto e não soltou seus novos heróis.
Toda minha família estava muito bonita, arrumada, nós ficamos na
mesa da sala de jantar, bebendo, jantamos e cantamos parabéns. Soprei as
trinta e sete velas que Juliet espalhou em cima do bolo de chocolate mais
bonito que já vi. Fiz um pedido especial e em seguida dei a ela o primeiro
pedaço pelo empenho em transformar meu aniversário em uma data
memorável...
O bolo não só estava bonito como estava muito gostoso. Samantha
gostou tanto que a fotografei toda suja de chocolate, com um sorrisão enorme
e as covinhas aparecendo. Theo quis comer o bolo duas vezes e aceitou tirar
uma foto comigo. Podia seguramente dizer que foi um dos melhores
aniversários da minha vida.
doze

Juliet.
— Ai, isso! Que gostoso! — Segurei o cabelo do Romeo. — Ah,
baby... Não para! — Choraminguei sentindo falta da sua boca no segundo
que se afastou. Romeo estava com a boca brilhando, lambeu o lábio olhando
bem dentro dos meus olhos e gemi. Ele pegou dois travesseiros e colocou
embaixo da minha bunda.
Com quadril erguido, dobrei meus joelhos. Romeo apoiou minhas
pernas no seu peito, posicionando a cabeça do seu pau na minha entrada,
provocando e meteu fundo, sem aviso, sem entrar devagar como
normalmente faz. Soltei um grito, segurando na cabeceira da cama para ter
apoio com a força que Romeo metia. Pensei por um mísero segundo que não
iria gozar daquela forma... Mas ele conhecia meu corpo melhor que eu.
Gozei forte, gritando tanto que minha garganta doeu e fechei meus
olhos muito sonhadora.
Sorrindo de um jeito maldoso, me ajudou a sentar e ao invés de me
beijar naquela posição, me ergueu, praticamente possuindo minha boca e me
levou para mais perto da cabeceira.
— Vamos tentar uma posição diferente hoje. Apoie as mãos na parede
ou onde conseguir segurar. — Me virou na cama e era como estar sentada no
seu colo e ao mesmo tempo de joelhos. Suas coxas sustentavam as minhas e o
peito do meu pé ficava apoiado na sua panturrilha. — Empina mais a bunda.
Isso, baby. — Meteu devagar e como já estava inchada, senti um arrepio
descer na minha espinha, prazer e dor correndo pelas minhas veias e
acariciando meu clitóris, tombei minha testa na parede.
O que estava acontecendo com ele? Estava implacável.
— Não vou aguentar gozar de novo. — Gemi sentindo a familiar
sensação crescer.
— Aguenta sim e você vai, já estou sentindo. — E porra, ele estava
certo. — Vem pra mim, baby. — Me desfaleci arranhando a parede cinza do
seu quarto. Romeo gozou em seguida e apaguei, exausta e ao abrir os olhos
de novo, estava deitada e ele divertido me olhando. — Desmaio pós
orgasmo?
— Desmaio após cinco rodadas em seguida, baby.
— As vantagens de morar junto. — Deu de ombros e o olhei, havia
algo mais e não estava sabendo. Já que quis foder meus miolos pedi que me
levasse no colo para o banheiro e me desse um banho sem sacanagem.
Romeo obedeceu com maior carinho, fez uma massagem gostosa nos meus
ombros e me encheu de beijinhos suaves.
Devido a Sammy vir de madrugada para cama, evitava dormir pelada,
vesti um pijama e deitei na cama. Romeo saiu do banheiro ainda nu e era
bom que ele deitasse para dormir porque não aguentava mais. Com a cabeça
na minha barriga, fiquei mexendo no seu cabelo molhado, sentindo-o grudar
em mim a noite inteira e não era algo comum. Nós ficamos perto do outro na
sua enorme cama, mas, não tão perto.
Samantha chamou o papaiô dela às quatro da manhã e como estava
vestida, disse que ia vê-la. O quarto dela era algumas portas antes do dele,
bem, nosso. Me mudei para o apartamento três semanas após o aniversário do
Romeo.
Foram as três semanas mais doces e românticas da minha vida. Nós
fizemos uma viagem ao Canadá. Ele precisava trabalhar e eu fui passear. Foi
muito divertido e pude ter diversos momentos divertidos com Samantha.
Nós saímos para dançar e tivemos noites de sexo incrível no flat.
Também passeamos sozinhos com Theo e levamos as crianças à praia.
Graças a iniciativa do Romeo, consegui que minha mãe frequentasse
grupos de apoio. Ela não ia por conta própria, todos os dias a buscava de
tarde e levava, quando não conseguia estar presente, ela até ia sozinha com
uns dos seguranças do Romeo. Para ser honesta, ela não apresentou nenhum
pingo de melhora, mas eu estava esperançosa.
Em uma semana morando juntos conseguimos criar uma rotina.
Samantha vai para creche todas as manhãs e o Theo estudava na mesma
escola, com uma auxiliar, porém, a escola pediu laudos atualizados e estava
correndo atrás disso.
Minha rotina com Romeo não poderia ser melhor, nós nos divertimos
muito, o sexo era incrível e ele literalmente me dava tudo o que precisava – e
até o que não precisava. Era por isso que sabia que havia algo errado com ele.
Costumamos fazer um monte de putaria a noite, desde que me mudei,
estamos empolgados com a história de colegas de quarto.
— Julilet! Xixi!
— Você acordou para fazer xixi, meu amor? — Comemorei e
imediatamente a levei para o banheiro, tirando a fralda e usando seu novo
acento colorido. Samantha ainda estava com sono, ficou abraçadinha comigo,
fez seu xixi e a limpei, como não podíamos arriscar, coloquei a fralda de
novo.
Dei apenas duas voltas no quarto e a coloquei no berço
completamente adormecida.
Romeo ainda não quer compraria uma cama de criança para o seu
quarto porque ainda tinha medo dela cair ou sair do quarto sem nos falar
nada. Ele mandou fazer uma grade para as escadas, mesmo que ela saiba
subir e descer, era melhor não arriscar. Voltei para o quarto e ele ainda estava
acordado me esperando e deitei em cima dele.
— O que houve, baby?
— Tive apenas um dia estressante.
— Tem certeza? Sabe que pode contar comigo, está bem?
— Eu sei, obrigado. Agora durma, exigi demais de você hoje. — Pediu
amuado e fiquei encucada.
Acordei antes dele, me arrumei para o dia e logo ele estava no closet
comigo, se arrumando e ficando gostoso no modo CEO. Achei estranho que
não fosse malhar como todos os dias.
Romeo me deu um olhar irritado.
— Não terei mais treinos em casa. — Disse bruscamente e saiu.
Eu sabia!
Arremessei minha escova nas costas dele.
— Romeo Blackburn! Você demitiu seu personal por que fiz um treino
com ele?
O cara de pau me deu um sorriso frio.
— Sim!
— Ai meu Deus! Eu não acredito! — Coloquei minhas mãos na
cintura. — Como você pode ficar com ciúme dele?
— Vocês estavam com risinhos, conversando, eu não gostei e fiquei
puto pra caralho! Ele ficou tocando sua panturrilha!
— Isso é sério? — Deu de ombros, ainda agindo como uma criança
maldosa e petulante. — Não falamos nada demais e ele não deu em cima de
mim assim como eu não dei em cima dele! E você poderia ter falado comigo
que não gostou, como iria saber? E além do mais, gênio, o George fica com
ele!
Romeo ia falar alguma merda de volta quando parou e me olhou
confuso.
— O quê?
— Seu personal é gay! Inclusive o George me contou que ele adora ser
amarrado na cama e faz algumas coisas que eu gostaria nunca ter ouvido na
vida.
— Como não percebi? — Seu cenho franziu.
— Porque ele não é o G que não pode ver uma bunda fica doido! Ele te
respeita e é o chefe dele. Ou melhor, era. Você me comeu feito um louco
ontem gozando em todo buraco disponível por causa disso?
Com um ligeiro beicinho, deu de ombros mais uma vez soube de onde
Samantha herdou aquele gesto.
— Bem... Aquela posição na parede foi incrível e definitivamente
faremos de novo... Seu cabeçudo, estou com você! E eu sei que você é
ciumento, jamais agiria daquela forma com um homem hetero. Não percebeu
que só deixo gays tocarem em mim? Eu odeio que toquem em mim, sabe
disso.
— Sinto muito, baby. — Romeo me abraçou apertado. — Essa coisa de
sentir ciúmes é muito novo para mim. Sempre namorei pessoas que me
faziam sentir seguro... Mas você é jovem, muito gostosa, linda e qualquer
homem...
Tapei sua boca com meu dedo.
— Escolhi ser sua baby. Nosso acordo é muito sério, quero ser cuidada,
mimada, adorada e idolatrada por um único homem e sempre será você. Fui
clara, Romeo Blackburn? Desculpa por jogar a escova. Você mereceu porque
minha boceta está dolorida e hoje você vai ficar chupando dedo.
Romeo sorriu e agarrou minhas nádegas bem firme.
— Sempre tem a sua bunda. — Dei um soco forte nele. — Estou
brincando, calma.
— Seja bonzinho e a noite eu posso chupar seu pau. — Falei na maior
naturalidade.
— Chupa agora?
— Não.
Nós ficamos rindo do outro feito dois idiotas e pedimos desculpas
mutuamente.
Saímos do quarto para acordar Samantha. Romeo decidiu dispensar a
babá para dormir todas as noites. Ele achou melhor nos dar privacidade sem
ter uma pessoa por perto, podendo atrapalhar um pouco nossas atividades
como casal. Lydia chegava depois que Sammy voltava da creche e
permanecia até o horário que Romeo voltava do trabalho ou até as 17h00 se
eu ou Kira estivermos em casa.
Kira não morava aqui, tinha um apartamento no prédio e ficava indo e
vindo até umas seis horas da noite. Jantamos juntas uma noite que Romeo
chegou tarde e fizemos companhia a outra. Adorei a mulher, refugiada, nunca
quis casar e ter filhos, achava que era um compromisso para vida que não a
satisfazia. E pela história pesada no qual fugiu era totalmente compreensível.
Ela me tratava como uma princesa, sem julgamentos, na verdade até os pais
do Romeo me mimavam muito.
Jane me deu infinitos presentes, cada um mais caro e mais lindo que o
outro. Era uma pena que moravam relativamente longe, desde o aniversário
do Romeo que não aparecem mais e estamos combinando de passarmos um
final de semana juntos quando a agenda do meu bonitão der uma pausa.
Romeo arrumou Samantha para creche e preparei nosso café da manhã.
As meninas que preparavam as refeições – adiantavam muita coisa,
principalmente a comida da Samantha, chegaram, deram bom dia e foram
mexer no cardápio da semana. Romeo não costumava comer fora, ele gostava
da comida de casa e levava seu almoço todos os dias. Não era fofo? Adorava
demais esse homem.
Após o café da manhã, levamos Samantha à creche e esperei Henri
chegar com Theo. Meu bebê saiu do carro na sua usual timidez e abriu um
sorrisão quando me viu na porta da sua escola, uma das mais caras do país.
Beijei-o e abracei, ele deixou que Romeo fizesse o mesmo, acenando
timidamente ao segurar a mão da sua auxiliar e entrar. Samantha nem dava
confiança depois que passava dos portões, corria direto para o parquinho para
começar a brincar.
Ela ficava linda no uniforme da creche, era um vestido vinho, meias
brancas, sapatinhos pretos e uma blusinha branca por baixo do vestido. Claro
que ficava imundo e as tias trocavam a roupinha dela antes de ir embora e a
fralda. O desfralde ainda estava em processo, em casa ela pede e avisa, na
escola ainda não fala nada.
Não foi preciso fazer semana da adaptação com a Samantha. Bastou
apresentar o parquinho que ela deu tchau ao pai e foi embora com a
professora da sua turminha. Romeo e eu ficamos parados no lugar sem
acreditar que não houve uma mínima resistência da sua parte. Theo demorou
uns três dias para aceitar ficar sozinho, mas sem choro. Ele raramente
chorava.
Romeo me deixou na academia de dança e foi para o trabalho. Fiz
minhas duas aulas de dança e uma hora na esteira, saí da academia e topei
com Dan me esperando. Romeo controlava cada segundo do meu tempo,
estranhamente não me incomodava, não me estressava em fazer
absolutamente nada. Era um alívio para vida que tinha... Ele não me fazia
sentir sufocada, nem era do tipo mandão, perguntava muito meus desejos,
sonhos, se queria comer algo diferente e me enchia de mensagens românticas
o dia inteiro.
Ele era infinitamente mais romântico que eu, embora gostasse muito de
ler minhas declarações e compartilhava muitos nossos pensamentos ao longo
do dia. Era tão gostoso ter alguém para dividir a vida que me sentia até mais
leve.
Pedi ao Dan que me levasse até o condomínio onde Margareth
morava.
— Ligo quando estiver saindo. — Avisei sem saber se me esperaria ou
se tinha algo mais para fazer.
Primeiro entrei no apartamento da Gail. Theo estava oficialmente
dormindo com ela todas as noites e me sentia muito mal por isso, mas não
queria abusar do Romeo dessa forma. Nosso relacionamento era muito
recente e já tinha muitas coisas envolvidas, pelo menos estava conseguindo
dar ao Theo uma boa alimentação, excelentes roupas, acesso a um estudo sem
igual e muitos momentos de lazer.
Talvez com pouco mais de tempo possa levar o Theo para morar
conosco. E antes de tudo, precisava preparar meu bebê para mais uma
mudança. Ele ainda estava estranhando o novo apartamento e a minha
ausência.
— E como ela está?
— Ah, menina. Não abre aquele apartamento faz dias... Teve umas
visitas.
— Visitas? Theo tem ido lá?
— Um homem que disse ser amigo do grupo de apoio e o Theo voltou
a fingir que ela não existe. — Gail segurou minha mão.
— Romeo deu a ideia de interná-la em uma clínica de reabilitação,
conversei com ela e não quis. Acredita nisso? Eu não posso arrastá-la pelos
cabelos e ela não quis ir. — Olhei para meu copo de água.
— Se ela não quer, você não pode forçar.
Talvez judicialmente, pensei. Suspirando, atravessei o corredor e abri o
apartamento. Estava silencioso e escuro. Comecei a abrir as cortinas e
janelas, olhando se havia louça na pia ou comida estragada, mas parecia que
não comia há dias. E isso só significava uma única coisa: ela conseguiu novas
drogas. Empurrei a porta do quarto e vi as seringas no chão foi como um soco
no estômago.
O vício da Margareth não era o Rick. Era ela mesma. E ela estava
muito parada, parecia não respiração e comecei a chorar antes de me mover.
Agitei seu corpo na cama, necessitando saber se estava viva, com o
coração gelado, morrendo de medo e triste por encontrar minha mãe daquele
jeito. Gritei seu nome repetidas vezes, entre lágrimas, tentei ouvir sua
respiração e bati forte no seu braço. Gemendo abriu os olhos e ao deparar
comigo, sentou rapidamente dizendo que podia explicar.
Seu rosto estava desconfigurado, lábios secos e olhos fundos. E se o
Theo estivesse com ela? E se Gail precisasse sair, não pudesse levá-lo e
deixasse com ela sem perceber que sua apatia era o retorno as drogas. O que
mais poderia fazer por ela? Quando seria o suficiente? Minha vida? Ou pior,
a vida do Theo?
Não podia suportar. Não mais.
— Não, Margareth. Você não pode explicar. — Sai de lá pronta para ir
embora, com a decisão de levar o Theo para morar comigo. Era o empurrão
que precisava e iria implorar ao Romeo se fosse necessário.
— Me chame de mãe. Sou sua mãe! — Andou atrás de mim, toda tonta,
se apoiando nas paredes e móveis.
— Minha mãe? Desde quando? — Virei bruscamente e Margareth
tomou um susto. — A minha mãe morreu junto com meu pai. Eu não sei
quem você é. Só é um corpo. Não importa o que faça para cuidar de você,
nada é suficiente! Tento ser o mais compreensiva possível mediante a tudo
que passei na vida, que você é doente, que não é possível que uma mulher
como você era escolha ficar assim por ser normal. Tem que haver algo
errado!
— Não tem nada de errado comigo, é você que precisa entender...
— Eu não preciso entender mais nada, Margareth. Para mim, já deu. Eu
não posso mais lidar com isso, não tenho estrutura e muito menos vou deixar
o Theo aqui.
Minha mãe me olhou com raiva.
— Nada disso, mocinha. Ele é meu filho, você não vai levá-lo.
Engoli seco, mas não me abati.
— Engraçado... Você não o vê há quantos dias?
— Não importa, ele é meu filho e você não tem direitos sobre ele. Leve
o Theo e eu chamo a polícia. Digo que você o sequestrou!
Senti o familiar medo de perdê-lo e lembrei das palavras do Romeo
sobre essas ameaças da Margareth.
— E vai dizer o que para polícia quando eles descobrirem que é uma
viciada incapaz de lidar com uma criança? De cuidar dele? Sabe o que vai
acontecer? Vai entregar a criança de bandeja para o conselho tutelar e eu vou
lutar por ele. — Apontei o dedo para seu rosto abatido. — Quantos dias não
toma um banho e escova os dentes? Olha para você!
— E você? Acha que o juiz vai dar a guarda de uma criança doente para
uma prostituta? — Seu rosto virou com o tapa que dei.
— Eu não sou prostituta! — Berrei e ela recuou contra parede. — Sou a
maldita filha que você matou a infância, a adolescência, que precisou crescer
muito rápido para cuidar de você. Trabalhava em dois lugares para sustentar a
miséria de vida que tínhamos, que quase sofreu abusos por homens diferentes
e um deles foi o bastardo que você enfiou dentro da nossa casa! Eu sou a
garota de dezesseis anos que segurou o bebê que você matou por ser
negligente! Pode me chamar de muitas coisas, Margareth... Mas eu não sou
uma prostituta.
Saí do seu apartamento batendo a porta e Gail estava aflita no corredor.
Respirei fundo, tremendo e disse que estava bem. Avisei que Theo ficaria
comigo, não importando o que Margareth fizesse. Gail me apoiou, ajudou a
arrumar as coisinhas dele em duas malas e algumas caixas de brinquedos.
Liguei para Dan, que avisou que estava no mesmo lugar, desci com as coisas
e ele me ajudou a guardar no carro.
— Você é a mulher mais incrível que conheço, Gail. Eu nunca teria
palavras ou gestos o suficiente para agradecer... É a minha verdadeira família.
— Você e o Theo são meus netos. Vá ser feliz, minha filha. Está na
hora de viver, tá bom? Eu te amo. E não se preocupe comigo, vou ficar bem e
nos vemos assim que possível.
— G vai vir te buscar para jantar lá em casa. Romeo quer muito te
reencontrar, não para de falar disso e elogia sua comida o tempo todo.
— Vou fazer os cookies que ele adora. — Sorriu amorosa e acariciou
meu rosto.
— Eu te amo. — Abracei-a bem apertado. — Obrigada por tudo.
Dan me levou para casa e fiquei muda, tentando não chorar. Meu
coração estava esmigalhado, dolorido e preocupado com minha mãe. Dan me
ajudou a descarregar as malas e caixas, levei para o quarto que Romeo disse
que seria ideal para o Theo quando ficasse conosco e eu pensei que meu bebê
fica de um lado ao outro como uma bolinha de ping-pong. Estava com tanto
medo que Margareth fizesse algum escândalo, que realmente chamasse a
polícia e todo mundo soubesse que a nova namorada do Romeo Blackburn
pegou o irmão a força da sua mãe viciada.
Não aguentava mais passar por humilhações.
Sentei na cama do quarto e me permiti chorar. Soluçando escondida,
com rosto molhado e não consegui atender as ligações da mãe do Romeo.
Quando me acalmei, tomei um banho, escolhi um vestido confortável, deixei
os cabelos soltos e enquanto estava em casa, fiquei descalça. O closet do
Romeo era imenso, um sonho de menina ter minhas roupas e uma penteadeira
ali dentro.
Me maquiei para esconder meu choro e vi que no meu telefone tinha
muitas ligações perdidas do G e do Romeo também.
Liguei para o G primeiro.
— Vovó me ligou para contar, você está bem?
— Ainda estou processando meus sentimentos para falar sobre isso,
mas sim, estou bem. Ela ameaçou chamar a polícia se levasse o Theo.
— Foda-se, Juliet. Ela é uma viciada e o pai um estúpido...
— Eu não tenho renda, não tenho faculdade e se eles decidirem dar o
Theo para outra família? Eles não vão me considerar capaz e o meu
relacionamento com Romeo é muito recente, vão achar que não tenho
estabilidade, o que é parcialmente verdade.
— Merda! Ela não vai fazer isso, olha, quando sair daqui eu vou até lá
dar um senso nela. Não se preocupe, tá bom?
— Bati nela.
— Fala sério, eu perdi isso?
— É sério, G. Dei um tapa no rosto dela por me chamar de prostituta.
Depois de tudo que fiz, tudo que passei e ela virar e dizer que sou uma
prostituta? Sério? Fiquei magoada! E se fosse? Ela estava comendo com esse
dinheiro!
— Sinto muito por isso, Juliet. — G suspirou pesaroso e ouvi um
barulho ao fundo. — Hum, sim. Estou falando com ela...
— Vou desligar para falar com ele.
Romeo atendeu no segundo toque.
— Está me dando o gelo por causa do Afonso? Já o contratei
novamente.
— Pediu desculpas?
— Claro que não. — Revirei os olhos. — O que está acontecendo?
Contei ao Romeo com muitos detalhes e ele só ficou em silêncio
ouvindo.
— Sinto muito que tenha passado por mais essa, mas eu te disse que a
decisão do Theo vir morar conosco era sua e que não me importo. Nós
cuidaremos dele e se sua mãe ousar fazer algo, dessa vez ela vai se ver
comigo.
Suas palavras trouxeram segurança e paz ao meu coração.
— Obrigada, baby. Acho que vou aceitar a sugestão do seu advogado
em colocá-la em um clínica.
— Irei ligar para Estevan e ter mais informações. Meu prazer é te
fazer feliz.
— Sendo doce assim pode até ser perdoado por ontem...
— Ah, meu amor. Você gostou!
— Bem, sim. E ao mesmo tempo não... — Soltei uma risadinha.
— De noite vou cuidar bem dela. Uma dose de lambidas bem gostosas
e só.
— Vou pensar no seu caso. — Murmurei e olhei a hora. — Vou buscar
as criaturinhas na escola.
— Estarei em casa às 16h30. Não façam muita bagunça sem mim.
Encerrei a chamada sorrindo, liguei para Jane que queria minha
numeração de roupas e em seguida desci para buscar as crianças com Henri.
Lydia já estava no apartamento esperando por Samantha e ela não gostava
muito de mim, sempre ficava em cima quando ficava com a Sammy e não me
dava muito assunto. Respeitava sua distância, afinal, ainda era uma pessoa
estranha.
Samantha saiu correndo, pulando no lugar e a peguei no colo para ouvir
sobre seu dia na escola. Ela falava o nome dos amiguinhos e contava tudo em
detalhes que alguns não eram compreensíveis. Theo saiu mais devagar e o
abracei apertado, mesmo com Samantha agarrada no meu pescoço. Coloquei
os dois em seus devidos lugares no carro.
Theo logo pegou seu boneco e Samantha quis sua barbie, ele tirou
da bolsinha dela e entregou. Era muito bonitinho vê-los juntos, interagindo
com carinho.
Samantha normalmente perguntava e respondia, já que Theo era mais
de acenos e sorrisos. As vezes ele gritava e se empolgava com ela. Era raro
vê-lo correndo como ela corria, mas os dois conseguiam brincar juntos.
Sammy fez dois anos em junho, ela ainda era muito bebezinha comparada ao
Theo. E muito pimentinha também.
Podia muito bem imaginar os dois crescendo juntos e brigando como
irmãos.
Será que estava sonhando muito alto?
treze

Romeo.
— O papai chegou! — Chamei da entrada e ouvi os passinhos rápidos
da minha filha e para minha grande surpresa, ela estava molhada e pelada. —
O que é isso, pequenininha? — Peguei-a no colo e beijei sua bochecha.
— Oi papaiô! Fugi do banho. — Me deu um risinho muito fofo.
Lydia apareceu atrás dela, meio molhada e descabelada.
— Muita energia?
— Chegou da creche, dormiu umas duas horas com a Srta. Gale e
acordou com a energia de uma usina nuclear. — Lydia estava ofegante.
— Obrigado, Lydia. Pode ir, eu termino com essa coisinha aqui.
— Tudo bem, tenham uma boa noite. Tchau, Samantha. — Lydia foi
para sala dos funcionários após a cozinha.
— Tchau, tchau! — Minha filha acenou sobre meus ombros.
Joguei minha pasta no sofá do escritório tentando ouvir os sons da casa,
parecia silenciosa. As meninas da cozinha não estavam mais e Kira deveria
estar em seu apartamento. Subi a escada com Samantha brincando com meu
botão do colarinho e entrei no seu quarto, tirei meu terno e o colete,
enrolando as mangas da minha camisa para terminar o banho da minha
pimentinha.
Sammy brincou um pouco e quis sair da água, lavei seu cabelinho e
as outras partes com cuidado. Uma vez ela teve assaduras e doeu em mim.
Tinha o verdadeiro pavor de não ser cuidadoso com a higiene da minha filha
e causar-lhe problemas.
Ultimamente Juliet quem tem verificado excesso de pomadas nas
suas partes íntimas e limpar o com cuidado. Deitei Samantha no trocador,
reparando que estava com marquinhas nas perninhas como se tivesse
empolada.
— Lydia, sabe onde... Ah, oi lindo! — Juliet entrou no quarto da
Samantha usando um vestido colorido, longo e os pés descalços, seu cabelo
estava enrolado no coque desleixado que a deixava ainda mais bonita. Me
inclinei sobre ela e dei um beijo na sua boca maravilhosa.
— Essa selvagem fugiu do banho e já dispensei a Lydia.
Samantha olhou para Juliet e fez “raw”. Sequei o cabelo da minha
tampinha enquanto Juliet soprava framboesa na barriga dela, a risada da
Samantha atraiu o Theo para o quarto. Me dando um sorrisinho tímido,
sentou no canto com seu boneco do Homem de Ferro.
— Acho que essas marcas são do carpete da sala de brinquedos. —
Inspecionou de perto comigo.
— Pode ser, vou mandar tirar.
Juliet riu.
— É só colocar uma calça nela, é bom que seus joelhos não ficam
escurecidos por rolar no chão e protege se machucar.
Às vezes me perguntava se Juliet tinha mesmo vinte anos. Ela era
tão madura e experiente com crianças, ao mesmo tempo, era inocente e
imatura para um milhão de outras coisas.
— O que estava procurando que ia perguntar a Lydia?
— Toalhas e roupas de cama. Ainda estou perdida onde ficam algumas
coisas e foi a Kira que me deu quando arrumei seu quarto no outro dia. —
Prendeu o cabelo que soltou na brincadeira com Samantha.
— Vou te mostrar onde fica tudo. — Terminei de vestir minha ursinha.
Com Sammy no meu colo, Juliet ao meu lado e Theo andando pouco
atrás, descemos a escada, passei pela porta do escritório e mostrei a porta de
correr após o lavabo no fundo do corredor. Juliet abriu a boca chocada que
havia mais cômodos ali.
— Pensei que fosse o fim. É como uma...
— A ideia era fingir uma parede falsa. — Pisquei e mostrei uma sala
vazia que não encontrei uma utilidade. Empurrei a porta de outra sala que a
ideia era fazer uma pequena biblioteca com um cantinho de leitura para
Samantha e não segui com o projeto. Estava com as estantes vazias e os
papéis da decoradora ali dentro
— Por que não continuou?
Porque transei com a decoradora, ela ficou com raiva quando
descobriu que não daria em nada. A mulher deu em cima e atentou de todas
as formas, ela era bonita, solteira e eu também. Depois não quis mais
terminar e não procurei outra pessoa.
— Problemas. — Dei de ombros e o olhar dela ficou bem desconfiado.
— Podemos procurar alguém para continuar, criar um espaço para ser um
escritório para você e quem sabe possa fazer aulas online e outras coisas. Que
tal fazer aquele curso de fotografia que me enviou outro dia? Aqui tem uma
excelente iluminação.
— É uma boa ideia.
Abri a porta da sala que era um armário de roupas de cama, toalhas,
roupas de inverno que ficavam fora dos armários nas estações mais quentes e
outras coisas de casa. Mostrei onde ficavam os lençóis dos quartos de
hóspedes, do quarto da Samantha e os do nosso quarto. Juliet pegou roupas
de cama limpas e toalhas para o quarto que o Theo ficaria.
— Aquilo é uma varanda?
— É a maior do apartamento. — Poderia dizer que a da sala era apenas
uma sacada.
— Por que não usa?
— Eu nunca reformei ou decorei esse apartamento. Quero mudar
alguns tons de papel de parede e clarear os móveis... Gosto de ambientes
claros, iluminados e que a noite possa fechar todas cortinas com um tom de
luz mais aconchegante. Nunca tive tempo para gerenciar isso. Comprei esse
apartamento exclusivamente pela jacuzzi que nunca usei e por essa varanda.
Quero colocar umas plantas ali no canto, uma mesa para almoços em dias
quentes e abrir essa sala aqui com paredes de vidro para varanda...
Aumentando o espaço. — Apontei para os pontos que queria reformar.
— Vamos fazer? Eu vou ficar em casa mesmo!
Não era má ideia, Juliet poderia estar envolvida no que o arquiteto e
decorador precisassem. Concordei e voltamos para área habitada da casa.
Tomei banho, troquei de roupa e encontrei os três no novo quarto do Theo.
Samantha estava “ajudando” a arrumar as roupas do Theo no closet. Juliet
colocava em um lugar e ela tirava peça por peça.
Sentei com o Theo para arrumar os brinquedos dele.
— Como você quer a decoração do seu quarto?
Theo encolheu os ombros, olhando para Juliet e inseguro de mostrar
seus desejos. Ele a tinha como sua segurança.
— Que tal fazermos um projeto com as cores dos heróis? — Mudei de
posição para que ele não a procurasse, só tivesse a alternativa de me olhar.
— Gosto disso. — Agarrou seu Hulk, mexendo nos braços e tentou roer
a unha que não deixei, segurando sua mãozinha com cuidado. — Juliet me
deu uma cama de carros uma vez. Estava desbotada e saia uns pedaços que
entrou no meu dedo. Eu chorei, ela tirou e deu um beijo, dizendo que ia sarar
e sarou. — Theo ficou de joelhos na minha frente. — Nós pintamos a cama
todinha de vermelho e branco, as rodas ficaram marrons, eu disse a ela que
rodas são pretas, mas ela falou que não tínhamos o preto. Fiquei chateado e a
Juliet me disse que a roda era nossa e podíamos pintar da cor que
quiséssemos.
Precisava controlar muito a minha emoção diante sua conversa. Era
primeira vez que ele trocava mais de curtas palavras e a primeira vez que
havia emoção na sua voz. Pela descrição, era uma cama velha e mesmo
assim, sabe lá o sacrifício que Juliet fez para conseguir comprar.
— E ficou bom?
— Ficou muito legal. Ela costurou fronhas bonitas… E uma colcha
grandona!
— Você quer outra cama de carros?
— Pode ser. — Sorriu e voltou para seu lugar no chão.
Juliet saiu do closet sem ter ouvido nossa conversa, porque estava
sorridente e falando com Samantha na maior paciência. Minha filha virou
todas as cuecas do Theo no chão e ficou passando por cima. Era Juliet fechar
uma gaveta que ela abria outra, filmei porque estava muito engraçado e para
minha grande surpresa, Samantha subiu na Juliet para alcançar uma gaveta
maior.
— Oh garotinha! — Juliet fez cosquinhas nela. — Sorte a sua que
acabei.
— O papa tá pronto? — O estômago da Samantha era um reloginho.
Juliet disse que sim e minha filha independente disse que desceria a escada
"Xozinha".
Jantamos às 18h40 com as duas crianças. Juliet preparou macarrão de
letrinhas para os dois, com a carne assada desfiada, brócolis, cenoura e
ervilhas. E nós dois comemos a deliciosa carne assada que as cozinheiras
fizeram, salada de batatas e legumes diversos. Coloquei um filme para as
crianças assistirem enquanto ajudava Juliet arrumar a cozinha, ela lavou a
louça e eu sequei, guardando e deixando a cozinha limpa. Separei um vinho
para beber com ela quando as crianças dormirem.
Juliet foi deitar com Theo, fazê-lo dormir e eu fiquei com Samantha.
Felizmente às 20h15 os dois já estavam dormindo. Deixamos o segundo
andar com as luzes do corredor acesas e a porta dos dois entreabertas.
Descemos com as babás eletrônicas, encostei a porta do corredor, liguei o
som e Juliet escolheu The Weekend.
Abri o vinho, servi nas taças e as deixei na mesinha de centro aceitando
o convite da minha espevitada para dançar. As luzes principais estavam
apagadas, só com as de apoio do painel da televisão ligadas e nós dançamos
juntos até que me empurrou, caí sentado no sofá, observando-a dançar,
fingindo que tiraria o vestido ou me deixaria ver seus peitos.
Puxei-a para meu colo beijando sua boca com toda minha paixão, mas
sem avançar devido meu comportamento ruim na noite anterior. Perdi a
cabeça de tanto ciúme. Vê-la malhando glúteo com Afonso tocando suas
panturrilhas me deixou maluco, pensei em arremessar um peso nele. O ciúme
era tanto que congelei e deixei que meus pensamentos bobos dominassem.
No trabalho, fiquei remoendo a manhã, ainda tive Sophia
comentando sobre a idade da Juliet, que era muito jovem e muito bonita...
Não dei confiança, ela até saiu de perto porque não respondi nada perdido no
ciúme.
Foi bem idiota da minha parte ficar o dia inteiro emburrado e quando
cheguei em casa, fizemos a nossa rotina com as crianças e no segundo que
fechamos a porta, avancei nela feito um louco. Todas às vezes que gemia
meu nome, me sentia bem. Ela era minha, estava gozando comigo, por minha
causa, para mim e o nosso relacionamento era a coisa mais incrível das
nossas vidas.
Fui um idiota e estava envergonhado com minha atitude. Juliet nunca
me deu motivos e não queria cultivar comportamentos não saudáveis entre
nós. Foi um erro.
— Me desculpa por ontem, baby.
Juliet bebeu seu vinho me olhando e me beijou demorando com os
lábios nos meus.
— Gostei. Não vou me importar com sexo muito bruto de vez em
quando. Só não gostei que fez aquilo por ciúme, não faça novamente e
ficaremos bem.
— Foi tolo da minha parte.
— Está perdoado. — Sorriu e me entregou uma taça. — Sinto muito
por trazer o Theo sem conversar com você.
— Nós já falamos sobre isso, Juliet. Assim como Samantha é uma parte
minha, o Theo é uma parte sua. Jamais pediria que aceitasse minha filha sem
aceitar o seu irmão... Seu filho. Ele é seu, Juliet. Só nasceu na sua mãe... —
Ela desviou o olhar emocionada. Juliet amava sua mãe. Mesmo com todo
histórico ruim, ela ainda tinha esperanças. — Ela sempre foi agressiva assim?
Com essas ameaças?
— Sóbria ela é apática, obediente, não abre a boca e não reclama.
Quando está alta ela é outra. Essa história de ameaçar usando o Theo não é
nova. Era um dos motivos que nunca fui embora com ele... E outro motivo é
que ela foi minha mãe um dia. — Brincou com sua taça, não me encarando e
não entendia porque sentia tanta vergonha se nada do que aconteceu foi sua
culpa. Juliet era uma criança. Foi obrigada a crescer antes de ficar
menstruada.
Juliet escorregou no sofá e deitou com a cabeça apoiada no braço
fino e as pernas em mim.
— Acho que precisa concentrar sua atenção em você. Está na hora de
se cuidar, baby. Escolher o que quer fazer do seu futuro, em cuidar do Theo e
viver a sua vida. Ele precisa de você e você precisa de si mesma. Infelizmente
a sua mãe não quer ser cuidada e isso não é mais sua responsabilidade. — Me
inclinei e beijei sua boca.
Nós ficamos na sala conversando e trocando beijos até tarde. E na
manhã seguinte, Samantha que era nosso reloginho, dormiu demais e o Theo
era muito bom de cama. Nós não ouvimos o celular despertar e acordamos
com Kira nos chamando suavemente e perguntando se as crianças iam para
escola. Foi uma correria louca e felizmente consegui entregar os pequenos e
ainda cheguei a tempo da minha primeira reunião do dia.
— Preciso que encontre um arquiteto e um decorador, agende uma
reunião e avise a Juliet para vir. Vou finalmente começar a reforma do
apartamento. Não é nada na estrutura, apenas uma parede, o resto é mais
troca de móveis e decoração. — Falei com G assim que saí da primeira longa
reunião do dia. — Não consegui tomar café da manhã e já vou almoçar.
Segura as ligações externas por uma hora.
— Contrato a antiga?
— Nem fodendo. Não contei a Juliet a merda que foi, ela vai jogar algo
maior que uma escova em mim se contratar alguém que já tive um caso.
G soltou uma risada e disse que ia procurar alguém. Desembalei meu
almoço, um sanduíche com a carne assada do jantar de ontem e um pote de
salada com queijo, presunto com folhas verdes. Estava distraído na mesa
próximo a estante de livros que quando ouvi uma batida na porta cheguei a
pular.
— Oi, posso entrar? — Sophia enfiou a cabeça pela porta. — George
não está aqui e disse a Erin que seria rápida.
— Estou no meu almoço.
— Ah, sim. — Sophia sentou sem entender a dica. — Gostaria de saber
se você pode emprestar o apartamento de Miami por uns dias. Amava aquele
apartamento...
Comprei o apartamento pouco antes do nosso casamento, é por isso que
não ficou com ela como o apartamento que moramos depois do casamento.
— Seu namorado não se importa em ir para um lugar que esteve
quando casada? Porque eu me importaria.
— Nós não estamos mais juntos, é por isso que quero viajar um pouco.
Estava acontecendo alguma coisa que não estava enxergando. Sophia e
eu mal nos falamos e agora está sempre dando um jeito de passar pela minha
sala, puxar conversa e trazer lembranças aleatórias do período que fomos
casados. Se eu fosse ela, não faria isso, apesar de respeitá-la, não tinha nosso
casamento como um bom período da minha vida. Na verdade, sentia que só
encontrei a felicidade quando Samantha nasceu. Foi a primeira vez que me
senti completo.
— Não é uma boa ideia, Sophia. Nossa relação hoje é mais profissional
do que pessoal, além do mais, Juliet não ficaria confortável em emprestar um
bem meu a minha ex-mulher. — Sophia moveu-se desconfortável. Não
esperava uma negativa. Por culpa, sempre a tratei muito bem apesar de não
dar assunto. — E aprendi a minha lição sobre passar por cima dos
sentimentos de outra pessoa.
— Entendo e fico feliz que pense dessa forma. Não vim aqui em
segundas intenções... Romeo, eu te perdoei. Sei que errei como mulher e me
coloquei na disposição de assumir sua filha. A menina não tinha culpa dos
nossos atos...
— Samantha tem uma mãe. — Sophia ficou pálida e provavelmente
deduziu que estava falando de Juliet. — Eliza morreu amando a filha que
tanto quis. E naquele momento percebi que o nosso casamento já não tinha
conserto. Agradeço por ter me perdoado sem merecer e agora esse assunto é
passado. Não precisamos ficar revivendo e não quero mais falar sobre isso.
Aqui é o meu ambiente de trabalho e estou em um novo relacionamento.
— É claro, sinto muito. Vou te deixar sozinho para almoçar.
Assim que saiu, olhei para meu almoço praticamente intocado e não
estava mais fome. Meu telefone vibrou com uma mensagem da Juliet e abri,
baixei a foto e meu humor imediatamente mudou para melhor... Estava nua
na frente do espelho, não dava para ver seu rosto, segundo ela, só queria
mostrar que suas coxas estavam inchadas da academia.
— Já terminou de comer? Quer uma sobremesa? A copa trouxe torta de
maçã e mousse de chocolate. — G entrou na minha sala com um monte de
pastas. — Todos os novos contratos revisados. O passaporte da Juliet e do
Theo chegam essa semana e eu fiz a Margareth assinar um documento que
autoriza a Juliet viajar com o irmão, assim como resolver questões escolares e
de saúde. O próximo passo é fazê-la renunciar à guarda em favor da Juliet.
Conversei com George sobre as ameaças da Margareth e o quanto isso
afetava Juliet, que tinha muito medo para enxergar a razão ou uma solução.
Decidimos buscar as alternativas legais viáveis por um tempo e consultar um
advogado para saber o que podíamos fazer. G era um homem de negócios, ele
trabalhava para minha empresa desde os vinte anos de idade. Foi um
estagiário que foi promovido até chegar ser meu assistente temporário e
desde então nunca quis trocar.
Ele era feroz e protetor. Sabia muito bem o que queria. Quem o via
brincalhão e dando em cima de meio mundo não imaginava que era um bicho
em uma reunião de negócios.
— Obrigado, G. Consultou o advogado?
— Sim. Disse que é um caso bastante peculiar e que seria ideal que
Juliet esperasse até seus vinte e um anos para entrar com o pedido. Até lá
teriam mais tempo de relacionamento e seriam a primeira escolha do
conselho tutelar para receber a guarda do menino.
— Foi o que imaginei. Esse documento vai nos ajudar por um tempo. E
como Margareth reagiu? Como aceitou assinar?
— Precisaria te matar se contasse... Mas eu faço o que tenho que fazer
para proteger Juliet e Theo. — Brincou e revirei os olhos. — Disse que ia
denunciar o Rick por tráfico de drogas e ela por maus tratos infantis. Ela
estava de ressaca, mas entendeu o recado. É só colocar o Rick no meio que
fica apreensiva...
Não era o caminho certo e muito menos a atitude mais honesta, mas
entendia o sentimento dele em querer tirar o Theo da Margareth o mais
rápido possível. E se ela o pegasse e desaparecesse? Esse era um medo da
Juliet que era totalmente possível e não permitiria que acontecesse. Os dois
estavam sob meus cuidados e ninguém iria separá-los.
Juliet achava que era bobeira quando dizia que era a referência maternal
dele. Minha própria mãe percebeu isso sem saber da história toda, ficou
encantada o quanto eles possuíam uma conexão forte e graças ao
conhecimento médico da minha mãe, conseguimos agendamento em uma das
melhores clínicas psiquiátricas da cidade. Era tão concorrida que nem minha
posição como empresário faria diferença. Theo será atendido na próxima
semana e estamos ansiosos.
Saí do trabalho um pouco mais tarde, peguei o engarrafamento do fim
do dia e ao entrar, a televisão estava ligada e havia um cheiro delicioso de
algo assando. Kira me deu um beijo antes de sair, disse que Juliet preparou o
jantar porque ela tinha um encontro.
— É um bom homem? — Segurei seus ombros bancando o ciumento.
— É só um encontro, querido. Sabe como sou: nada de um porco
inteiro por causa da linguiça. — Me deu um tapinha afetuoso e foi embora.
Kira não tinha relacionamentos. Ela vai a vários encontros, até repete os
pretendentes, mas não namora.
Deixei minha pasta no escritório e fui tirando a parte de cima da minha
roupa, terno, colete e abrindo os botões da minha camisa. No topo da escada,
ouvi Samantha chorar e a voz suave da Juliet. Virei no corredor e minha filha
estava chorando copiosamente com alguns brinquedos espalhados.
— Está tudo bem, Sammy. Deixe-me ver... — Juliet se afastou e
inspecionou o rosto da minha filha. — Você tropeçou nos brinquedos?
Vamos chupar um picolé para sarar o dodói.
Queria assistir um pouco mais das duas, desci a escada e me escondi na
sala. Juliet passou com Samantha ainda chorando e não parecia se abalar com
os gritos da minha filha, com a boca inchada e cortada pela queda. Abriu o
freezer, tirou uma forma com várias coisas coloridas enfiadas e puxou um,
revelando ser picolés. Samantha aceitou um. O gelado deve ter aliviado a dor
porque parou de chorar.
Me aproximei devagar.
— Olha só, o papai chegou. — Juliet comemorou suavemente. Beijei
minha menininha na bochecha e ela mostrou o dodói, mas logo voltou a
chupar seu picolé rosa.
— Você fez picolés?
— Costumava fazer picolés de frutas para o Theo quando os dentes
estavam nascendo e era bom quando se machucava. Hoje foi um dia quente,
fiz alguns para eles de sobremesa... Usei umas frutas, suco e creme de leite
natural. Ficou uma delícia.
— Deixa o papai provar? — Samantha me deixou chupar bem
relutante. — É muito gostoso!
— É meu. — Foi tudo que disse antes de enfiar na boca de novo.
Juliet ficou toda babada de picolé e depois de limpar Samantha, passou
uma pomadinha na boca dela, soltou a menina que foi para os brinquedos na
sala debaixo.
— Acho que preciso provar isso aqui... — Apontei para as gotas no seu
peito graças ao decote da sua blusinha. Lambi com gosto, aproveitando que
estávamos sozinhos na cozinha e chupei seu mamilo. Meu layout da cozinha
não era aberto, o que nos dava privacidade. — Amo quando não sente a
necessidade de usar sutiã.
— Já está limpo, comporte-se. — Puxou a blusa de volta, com um
sorriso, segurei sua cintura e a beijei, chupando sua língua só para atiçar seu
fogo. — Vamos jantar e colocar as pestinhas para dormir. Os dois estavam
com energia de sobra hoje.
Theo e Samantha amaram tanto a lasanha que repetiram. Não podia
falar muito porque repeti três vezes. A receita era da Sra. Blunt e Juliet era
louca para fazer em seu próprio lugar. Ela poderia repetir todos os dias que
não me importaria. Nós arrumamos a cozinha com Samantha correndo de um
lado ao outro, passando por entre nossas pernas e subindo no balcão pelas
gavetas. Theo ficou sentado no balcão chupando seu picolé, olhando-nos
lavar e secar.
— Por que não trocamos essa noite? Quero me aproximar do Theo e
colocá-lo para dormir pode ser uma boa forma.
— Acho uma boa ideia. Ele ainda tem que tomar banho porque brincou
muito e está todo suado. — Juliet pegou Samantha. — Hoje é a noite das
meninas!
— Então é a noite dos meninos? — Theo virou para mim e estiquei a
mão, ele aceitou e fomos para seu quarto. Auxiliei no seu banho, lavando o
cabelo esfregando do jeito que avisou que Juliet fazia. Vesti seu pijama e
deitamos juntos na cama, eles estavam lendo o primeiro livro do Harry
Potter. — Juliet disse que você já leu para Samantha.
— Eu li, só não acho que entendeu. Está gostando da história?
Theo se aconchegou em mim e me olhou com expectativa, querendo
que começasse a ler. Levou três capítulos para pegar no sono pesado, cobri-o,
olhei Samantha já toda zoada no berço e desci, mas não encontrei Juliet.
Acionei os alarmes e voltei para o segundo andar, entrando no quarto e senti
um cheiro agradável saindo do banheiro.
Velas, vinho, lavanda na água e Juliet nua dentro da banheira.
Quando foi que ganhei na loteria?
quatorze

Juliet.
Você sabe que vai ter um dia louco quando abre os olhos a primeira vez
no dia. Poderia dizer melhor se tivesse dormido.
Romeo e eu seguimos a rotina noturna de colocar as crianças para
dormir e namorar, como estive me sentindo indisposta por uma gripe na
semana anterior, nós apenas conversamos e namoramos sem sexo. Ontem a
noite nós dois parecíamos ter enfrentado um tempo de seca.
Nós ficamos acordados até às três da manhã. Romeo não estava se
importando que teria que trabalhar logo cedo e eu não neguei fogo. Afinal de
contas, para nós dois, uma semana foi como sete meses. Quando pensamos
que íamos dormir, Samantha acordou chorando alto e pulamos da cama tão
rápido que não sabia como não caímos ou batemos no outro.
Sammy não soube explicar o que estava sentindo, apenas chorava e
queria colo. No meio dessa comoção, Theo acordou e demonstrou
preocupação com ela. Trouxemos as crianças para cama. Samantha resolveu
que dormir era superestimado. Ficou falando, me acordando sempre que
cochilava ou enfiando o dedo no olho do pai. Não adiantava brigar, ela
simplesmente parecia ter energia para começar o dia de madrugada.
Romeo precisou descer para fazer uma mamadeira de leite para
Samantha e eu a obriguei ficar deitada. Cantarolei baixinho, beijando seus
dedinhos, ela mamou toda mamadeira morna, com os olhinhos pesando e não
parei meu cafuné até sentir que adormeceu. Theo era um chutador e grudento,
minhas pernas doíam e estava com calor.
Troquei um olhar com Romeo e sorri, ele estava me olhando fixamente
e me deu um beijo por cima da sua filha pimentinha. Nos aconchegamos e
não demorou trinta minutos para o despertador tocar... Theo chorou,
Samantha não queria acordar e Lydia ligou avisando que a avó caiu da escada
na noite anterior e o pé amanheceu roxo. Romeo enviou Henri para ajudar a
levar a senhora para o hospital.
Nós levamos as crianças para escola na correria, fui ao mercado fazer
compras para Margareth e ao chegar lá, parecia de ressaca. Botei as sacolas
no balcão, guardei o que era de geladeira sem falar nada.
Não havia mais o que falar.
Pensei em entrar na justiça e conseguir uma internação, até
conversei com um pastor pelo chat do Instagram e dei o nome dela para
oração. Mesmo depois da nossa briga, conversei com ela e foi como falar
com as paredes. Cheguei em casa tão devastada e me sentindo tão inútil.
Como poderia ajudar minha mãe? Como fazê-la enxergar que estava se
destruindo dia após dia?
Romeo ofereceu trazê-la para morar conosco, pesquisamos por uma
enfermeira e minha mãe arremessou um prato na minha direção ao falar sobre
essas opções. Mesmo assim, conseguimos uma enfermeira que ficava com ela
e nós mudamos o grupo de apoio, desconfiados que conseguiu as drogas com
algum dos participantes.
Nunca fui religiosa, mas já estava apelando por ajuda divina.
— Juliet? — Ouvi minha mãe chamar e a olhei esperançosa. —
Deixou o dinheiro para o cigarro?
Fechei meus olhos sentindo dor no coração e sai sem responder.
Levei a Sra. Blunt ao médico e voltei a tempo de buscar as crianças
na escola junto com Dan e fomos para a empresa ter uma reunião com o
arquiteto responsável pela reforma da cobertura. Parece ser a última, Romeo
era muito detalhista e o projeto foi refeito quatro vezes.
E por causa dessa reunião estava com Samantha pendurada no meu
quadril, Theo segurando minha mão e Dan com as mochilas deles e minha
bolsa. Era meio de outubro e apesar de ser uma sexta-feira, ainda havia muito
o que fazer. Nós iríamos a Hampton passar o final de semana com os pais e
quase toda família do Romeo – os americanos e britânicos -, para a
comemoração do aniversário de casamento deles. Será uma enorme festa e sai
essa semana para comprar vestidos com Kira e Jane.
Assim que a porta do elevador abriu, sorri para Erin que era
recepcionista e assistente do G. O andar estava movimentado, havia algumas
pessoas esperando, inclusive o arquiteto e o decorador. Parei para falar com
eles brevemente que tentaram fazer gracinha para as crianças. Theo sorriu e
escondeu o rosto na minha perna. Samantha virou o rosto, mal humorada por
não ter dormido direito.
Esses dois me matavam de vergonha.
Pedi desculpas e licença, passando pelas portas de vidro com a
autorização do Dan e logo vi G e alguns funcionários. Ali ficava o alto
escalão da empresa, diretores, advogados e seus assistentes.
— Oi crianças! — G fez uma festa ao nos ver.
— Oi Tio G! — Theo foi até ele e deu um high-five animado.
— Ei pequena, o que você tem? — G brincou com Sammy que só
bocejou em resposta. — Agora está com sono?
— Não comentarei sobre isso. — Ajeitei-a no colo porque não queria
descer de jeito nenhum e nem soltar meu pescoço. — Cadê o Romeo?
— Está terminando uma reunião e logo vem, por que não se acomoda
na sala dele? Quer alguma coisa para comer?
— Sim. Eu não consegui comer absolutamente nada ainda. Ah! Já
agendei os exames da Gail. Depois nós vemos como iremos levá-la.
G respondeu que a levaria no que fosse marcado quinta-feira, era
sempre o dia mais tranquilo da agenda do Romeo e era o dia que ele ia a
Milford para ver a avó.
Theo grudou na minha mão novamente quando ouvimos vozes. Um
grupo de homens e mulheres usando roupas executivas saíram de uma sala,
dispersando em diferentes corredores e reconheci a figura da ex-mulher do
Romeo entre eles.
Ela caminhou sorridente na minha direção, muito bem arrumada em um
vestido verde, estilo executivo, porém justo e com um decote. Sophia era
muito bonita. Ainda bem que eu estava bem vestida, usando uma blusa rosa
de seda, calça de alfaiataria preta modelo skinny, com bolsos e sapatos nudes.
— Oi, Samantha! — Sophia chegou toda alegre, esticando as mãos para
pegá-la. Sammy fez uma cara de entediada, bocejou e escondeu o rosto no
meu pescoço. Para não perder o rebolado diante do escândalo que fez,
acariciou as costas da menina ainda tentando puxar assunto. — E você?
Quem é? Qual seu nome?
Theo olhou para mim e depois para ela, deu os ombros e não
respondeu.
— Eles não estão muito bem-humorados hoje. — Falei e ela fingiu me
notar pela primeira.
— Ah, oi. Juliana, certo? Como vai, lindinha?
Sophia falou comigo como se eu fosse uma das crianças, talvez fosse
para ela, considerando a diferença de idade que temos. Mas era a garota que
fodia até os miolos do seu ex-marido e tinha a sensação que não gostava
muito disso.
Não dei o gostinho de corrigir meu nome porque ela sabia muito bem
qual era. Sorri de um jeito debochado, não deixei de ser uma pirralha irritante
só porque estava em um relacionamento com um homem mais velho. Sophia
me deu um olhar maldoso, ajeitando a postura como uma mulher mais velha,
superior e eu vi seu olhar mudar conforme Romeo se aproximava, abaixava o
rosto na minha direção e me dava um beijo.
— Oi baby! — Sorriu e pegou Samantha. — Oi ursinha linda do papai!
— Beijou Samantha e Theo correu para ele. Segurando a mãozinha do
menino, pediu licença a Sophia e me conduziu para sua sala pedindo que G
providenciar algo para comermos. Fechou a porta, soltou as crianças e
Samantha imediatamente chorou. — Ainda assim, Sammy? — Suspirou e
para ficar quieta, deu a ela umas folhas e tirei seus lápis da mochila. Theo
quis seus bonecos, logo criando um mundo imaginário e brincando sozinho.
— Vem aqui, preciso te dar um beijo decente.
G abriu a porta no meio do nosso beijo e nos afastamos, sorrindo.
— Sanduíches, saladas e batatinhas. Encontrei chá, refrigerante,
chocolate e balas de goma.
— Está maravilhoso, G. Obrigada. — Dei um beijo na sua bochecha e
ele saiu porque seu telefone tocou.
Samantha quis comer e meu sanduíche foi quase todo com ela. Romeo
deu suas batatas para Theo comer enquanto brincava, eles almoçavam na
escola, por isso não estava preocupada com a alimentação deles.
Após comer, Romeo finalmente aprovou o projeto da reforma. A
cobertura ficaria tão linda! Quase caí na cadeira quando vi o valor final. Não
tinha a mínima noção do quanto Romeo era rico, sabia que era muito rico
pelo seu estilo de vida, mas aquilo? Surreal.
Comentei no carro, na hora que estávamos indo em casa apenas pegar
as malas para o final de semana e ele disse que a cobertura custava onze
milhões e a reforma estava dentro do orçamento. Ok. Fiquei até muda.
Preparar crianças para viajar era algo relativamente novo para mim
porque nunca viajei com Theo, a não ser quando o trouxe para Nova Iorque
(uma hora no carro). Hampton seria uma viagem mais longa, ainda mais
sexta-feira, poderia haver um grande fluxo de carros indo até o balneário.
Nós demoramos mais arrumando os dois para viagem do que
guardando as malas.
— Nós vamos chegar em cima da hora do jantar. — Romeo conferiu o
relógio, inclinou-se sobre o painel para conferir os dois no banco de trás e me
deu um beijo gostoso.
— Já te disse que amo a sua boca?
— Não hoje. — Sorriu contra meus lábios.
— Amo a sua boca.
— Só a minha boca?
Arqueei a sobrancelha rindo, não podia listar ali tudo que amava nele.
Sorrindo cheio de vaidade, tirou o carro da garagem e começamos nossa
viagem de final de semana. Estava um pouco ansiosa para conhecer a família
toda, todos eles sabiam que Romeo estava em um relacionamento com uma
mulher muito mais nova e não sabia se todos iriam me receber tão bem
quanto os pais dele.
Não era exatamente uma preocupação de me fazer perder o sono, tanto
que passei a viagem inteira rindo da descrição dele dos seus parentes... Como
Romeo era cruel. Na metade da viagem as crianças estavam dormindo, o
carro escuro, a música tocando baixinho e eu estava muito ociosa. Sem
querer dormir, decidi deixar meu homem de pau duro. Minha mãozinha
começou no joelho, foi para coxa e depois para sua virilha.
Romeo suspirou e me deu uma olhada, ajeitando minha mão bem onde
queria e o acariciei de leve sentindo-o crescer na minha palma. Se
estivéssemos sozinhos, minha boca já estaria ocupada há tempos...
— Estamos quase chegando, me deixa pensar numa avó pelada para
diminuir isso aqui. — Sorriu e beijou minha mão.
Assim que saímos da estrada, entramos em uma pequena estrada
arborizada que ele anunciou que já era a propriedade dos seus pais e então,
tivemos a bela visão da residência. A casa dos pais do Romeo não podia ser
chamada de casa. Aquilo era uma mansão enorme, muito linda e parecia coisa
que só víamos em filme. O jardim da frente era muito bonito, tão
ornamentado e romântico!
Romeo seguiu até uma garagem e estava cheia de carros.
Paramos em uma vaga no canto e desci depois de colocar meu sapato,
me estiquei e abri a porta de trás para acordar as crianças. Até que daquela
vez acordaram de bom humor. Theo estava ainda mais tímido, não ranzinza e
Samantha me deu um sorriso e esticou os bracinhos para ser carregada.
Romeo pegou a bolsa deles com coisas mais urgentes e minha bolsa.
— Vocês chegaram! — Jane gritou com os braços abertos! — Ai que
felicidade! — Trocamos abraços. — Toda família está aqui e amanhã teremos
uma incrível festa com nossos amigos. Estou tão empolgada! Tem muita
bebida, muita coisa para comer e por favor, se divirtam.
— Acalme-se, mãe. Nós iremos nos divertir. — Romeo deu um beijo
nela.
Guy veio nos abraçar, pegou Samantha e levou Theo junto.
Romeo me apresentou a toda sua família, recebi sorrisos, olhares tortos,
expressões surpresas e alguns foram educados e indiferentes. Theo aceitou
brincar em uma sala com as crianças mais velhas, estava mais silenciosa que
o salão principal com adultos e crianças pequenas correndo.
Samantha estava de colo em colo, comendo absolutamente tudo que
passava na sua frente.
— Vinho ou espumante? — Romeo ofereceu e aceitei o vinho branco.
Ele pegou um prato com salgados variados, sentamos em um sofá e Sammy
veio com a boquinha cheia de massa. Peguei um guardanapo e a fiz cuspir,
reparei que umas primas do Romeo me olhavam e ignorei, limpando a boca
da Samantha. — Não dê muito queijo a ela, Romeo. Pode atacar o fígado...
Ela não está acostumada a comer.
— Eu não dei isso a ela, foi alguém e só vi quando tirou da boca. Ela
aceita tudo que oferecem, é um perigo faminto.
— As pessoas podiam ter a noção de não oferecer para uma criança de
dois anos essa quantidade de queijo, absurdo. — Reclamei baixinho e dei a
ela o copo de bico com suco de laranja, estava fresco por estar na bolsa
térmica.
Um primo do Romeo por parte de pai, chamado John Blackburn, sentou
conosco junto com a esposa e o filho de dois anos e meio. Samantha chamou
o menino para brincar. Espoleta, abraçou o garoto e deu um beijo na
bochecha.
— Essa aí vai dar trabalho. — O primo dele brincou. Romeo odiava
que falassem que Samantha seria namoradeira. Ele apenas deu um gole do
seu vinho e já conhecendo suas expressões, sabia que foi para não responder
grosseiramente.
— Que nada, ela só é simpática e muito carinhosa. — Sorri para o
menino. — Ele é lindo!
Espalhei uns brinquedos dela entre os dois e Theo voltou para sala,
dei a ele um copo de suco, manhoso, pediu colo e Romeo o aconchegou com
todo carinho. Quando o jantar foi servido, Romeo e eu fomos atribuídos a
mesa dos seus pais. Parecia uma festa, para pessoas ricas era só um
aquecimento. Tudo porque a festa mesmo seria apenas no dia seguinte.
Theo gostava do Guy por conta dos bonecos e das histórias dos
Vingadores que conta a ele. Assim que sentamos, deu ao Guy a miniatura
funko do boneco do Hulk que me pediu para comprar. Ele entendeu que era
uma festa de aniversário dos pais do Romeo e não quis confundir sua
cabecinha. Para Jane me pediu para comprar um batom rosa. Ele lembrou que
ela estava de batom rosa no jantar que os conheceu.
Romeo e eu ficamos muitos surpresos com suas observações e o
quanto lembrava de tudo nos mínimos detalhes. Romeo quis fazer todas as
suas vontades, mesmo com presentes não convencionais.
— Vou colocar no meu escritório, obrigado amigo. — Guy deu um
beijo na testa do Theo.
— Uma mulher ama ganhar um MAC, Theodore. Está no caminho
certo. — Jane piscou e as bochechas dele ficaram vermelhas. Amava muito
esse menino!
O jantar estava uma delícia e encontramos algo que Samantha não
aprovou. Assim que ela colocou um pedaço da carne de porco na boca cuspiu
imediatamente. Fui rápida em colocar o guardanapo embaixo ou Romeo
ficaria manchado como quase todas as refeições que tivemos em público.
— Vamos levá-los para o banho e cama. Foi um dia muito agitado. —
Romeo olhou a hora e era basicamente duas horas mais tarde que o horário
que estavam acostumados dormir.
O quarto do Romeo na verdade era dois em um. Enquanto Samantha
era pequena, ela dormia em um quarto ligado ao dele, todo decorado no tema
de fundo do oceano. Jane mandou colocar uma cama em formato de navio
para o Theo e é claro que ele amou.
Felizmente eles não demoraram a dormir. Fiz dancinhas de alegria
porque já não tinha mais braços para dar colo. Subimos com as malas,
deixamos no quarto e voltamos para a sala de estar onde os familiares que
estavam hospedados na casa ainda estavam.
Romeo ficou conversando com eles e eu me senti mais à vontade
ajudando Kira na cozinha. Jane ficava indo e vindo catando as taças, os
garçons terminaram de recolher as louças e duas senhoras lavavam.
— Romeo está chamando por você. Deixa isso aí, menina! Vá
conversar!
Ai que merda.
Ensaiei um sorriso amarelo e apareci na sala. As primas dele
estavam falando sobre as pérolas deles da infância. Quando eles eram
crianças eu não existia, falavam de brincadeiras que já não eram muito
populares na minha época. Romeo tinha dezessete anos quando nasci, não era
virgem e estava se preparando para faculdade.
Decidi ficar quieta e sorrir de tempos em tempos. Romeo passou o
braço nos meus ombros, me trazendo para perto e beijou meu cabelo.
— Como vocês se conheceram? — A tia dele perguntou... O nome dela
era alguma com R ou C? Droga. Não lembrava.
— Romeo deve ter ido ao berçário buscar Samantha e a encontrou lá.
— Alguém disse com a voz arrastada e fiquei meio tensa. A sala ficou em
silêncio.
— Não, Billy. Não foi no berçário, também não foi onde você
encontrou sua ex-mulher, aquela que te traiu com o Harry, seu melhor amigo.
— Romeo deu um sorrisinho debochado. — Meu assistente nos apresentou.
Eles são amigos e olha só para essa mulher, ela é linda. É claro que peguei
para mim. — Me deu um beijo doce.
— Aquele menino é seu filho? Ele é tão educado! Um pequeno
príncipe! Ofereci água, ele corou e disse “obrigado, senhora”. Quase derreti
ali mesmo!
Eu ia dizer que Theo era meu irmão, mas, não queria perguntassem
sobre nossos pais ou onde estava minha mãe. Eram perguntas que não
gostava de responder.
— Ele é meu filho e é o menino mais lindo e adorável do mundo
inteiro. — Sorri muito orgulhosa e várias pessoas fizeram um couro fofo.
Romeo sorriu e disse que eu tinha o dom com crianças. — E com o papai
também. — Falei no seu ouvido.
Romeo enrolou na conversinha por mais uns cinco minutos e nos
despedimos. A maioria aproveitou para subir também. Os convidados
estavam de um lado da casa, em frente ao quarto dele havia um corredor que
dava para o quarto dos pais dele. E do outro lado, no final, era o quarto da
Kira. Eram bem distantes do outro.
Tomei banho primeiro, passando para a minha rotina noturna de
cuidados com a pele enquanto Romeo tomava o banho dele. Nós deitamos na
cama na promessa de ficarmos comportados. As crianças estavam dormindo
no quarto ao lado, com a porta fechada, babá eletrônica ligada e pela câmera
desligada não levantaram em momento nenhum.
Virei de lado, procurando uma posição para dormir e Romeo me
abraçou de conchinha. Sabia que não ia durar cinco minutos daquele jeito, as
mãos dele não conseguiam ficar quietas. Subiu minha camisola, começou a
acariciar minha bunda e soltei um gemidinho satisfeito.
— Não precisa ficar quieta, mas tem que gemer baixinho.
— Nós dissemos que não íamos fazer sexo na casa dos seus pais.
— Eu não disse, você que sim. — Desceu a mão lentamente pela minha
barriga e afastou minha calcinha, me acariciando e mordi seu braço. — Quer
que eu pare?
— Agora termina e direito.
— Seu desejo é uma ordem. — Empurrou um dedo dentro de mim e foi
me provocando até que estava implorando por mais. Fizemos amor debaixo
das cobertas e depois de gozar, tive a minha merecida noite de sono.
quinze

Romeo.
Juliet estava rodando na pista de dança com Sammy em seu colo, com
os braços erguidos para o alto e um sorrisão de alegria. Simplesmente amava
a interação das duas, do quanto se gostavam, se divertiam e o quanto Juliet
era capaz de amar minha pimentinha de forma natural.
Era o mesmo que sentia por Theo. Aquele garotinho me tinha por
completo. Me sentia lisonjeado quando me procurava para ter um colo, para
comer ou pedir qualquer mínima coisa. Ele ainda tinha a óbvia preferência
pela Juliet, não me ofendia, ela era o centro da nossa casa.
As cozinheiras a adoravam de coração, os seguranças, faxineiros e
até o porteiro. Os vizinhos enviavam tortas, era um tal de trocar receita por
interfone e levar as crianças para brincar. Por onde Juliet passava, arrastava
multidões com seu sorriso e simpatia. E por todo histórico, entendia muito
bem porque Theo achava Juliet pendurada a lua todas as noites.
Ele era um menino tão quieto que era preocupante.
Enquanto Samantha correu a festa inteira, passou por baixo das
mesas e subiu em cima de uma enquanto discursava sobre o relacionamento
dos meus pais como filho – metade da festa riu do pai desesperado agarrando
a filha pelo vestido, a outra metade achou fofo -, Theo brincou sozinho. Ficou
quieto e chegava ser estranho ver uma criança tão quieta.
Uma das crianças da idade dele o chamou para brincar no gramado ao
lado, correndo e o Theo definitivamente não era uma criança de correr. Ele
aceitou e estava sentado na grama, com todos os bonecos que desci e de vez
em quando um sentava e brincava, ia embora e voltava. Fiquei de pé, olhando
minhas meninas se divertindo e dando uma olhadinha nele.
Bebi mais um pouco do uísque, estava levando as doses bem devagar e
passei meu olho para festa. Como sempre, minha mãe mandou muito bem na
decoração, na comida e a cerimônia foi linda. Juliet, Theo, Samantha e eu
fomos atribuídos a primeira fileira. Entrei com minha mãe e entreguei ao meu
pai enquanto Kira segurava Sammy para entrar com as alianças.
Nós sabíamos que não seria preciso ensaio quando se tratava da
minha filha. Ela parou no fim do corredor, olhou para todo mundo, riu e
entrou andando praticamente correndo com a cesta das novas alianças dos
meus pais.
Ao chegar perto do meu pai não quis entregar a cesta. Fechou as mãos e
disse “Não, Vovô! É meu!”. Todo mundo riu. Agachei do seu lado e
cochichei que era só dar os anéis ao vovô e a cesta era dela. Foi o que a
convenceu sair de perto. Depois ficou a inteira pulando do meu colo para
Juliet batendo com a cesta nos outros. Se alguém sabia como controlar uma
criança de dois anos com instinto rebelde, por favor, me ligue.
Meus pais selecionaram uma série de fotografias para reproduzir no
telão do começo do casamento deles, várias fases da vida profissional,
pessoal e fases da minha vida. Incluindo o dia que fomos da praia com Juliet
e Samantha. Não sabia que minha mãe tirou fotografias lindas de nós dois
com a pequena e fotos do meu último aniversário. Uma delas estava com
Theo em uma perna, Samantha em outra, Juliet ao meu lado e o bolo com as
velas a nossa frente.
Foi atencioso incluir os novos membros da minha família. O meu
pacotinho completo que não me arrependia ter escolhido. Era o meu
verdadeiro presente.
Meu relacionamento com a Juliet era maravilhoso. Nós tivemos alguns
desentendimentos ao longo desses meses juntos, normalmente sobre suas
birras e teimosias, mas ela era fofa até nessas questões. Sua personalidade
alegre e exuberante podia dar nos nervos, às vezes estava com a mente cheia
de trabalho, ideias novas, projetos e Juliet estava explodindo energia pelos
ouvidos ao meu redor.
Nunca tive uma boa comunicação em meus relacionamentos. Mulheres
em geral não falam o que estão incomodando, fazem joguinhos e manipulam
para conseguir o que querem – essa era a minha experiência. Juliet era muito
nova para entender o poder dos jogos e não os faz. Simplesmente jogava o
que está incomodando, por ser muito observadora sentia que já conhecia
algumas das minhas expressões e sabia quando não estava bem.
Nós conversamos sobre tudo, sem inibições e pudores. Nossa
intimidade como casal tem crescido além do sexo. Era essa conexão que
sempre quis e tinha com a minha baby.
— Você precisa de um babador, Romeo? — Soltei uma risada com a
pergunta em tom de deboche do meu pai.
— Não preciso, pai. Estou usando a gravata para isso. — Bati meu
ombro de leve no seu e meu velho riu. — A festa está linda, parabéns.
— Isso é coisa da sua mãe com a Kira. Fui o motorista e você o cara
que passou o cartão. — Sorriu e revirei os olhos.
Meus pais trabalharam muito, acumularam algum dinheiro, porém,
fazia questão de cuidar deles financeiramente como sempre cuidaram de
mim, seguraram a peteca quando no fim da minha primeira faculdade quis
fundar a Blackburn. Eles sempre acreditam em mim, nunca me colocaram
para baixo e estavam ao meu lado em cada passo.
— Sua menina está muito bonita. Ela é animada, viu? Oh coisinha com
energia. Está aguentando Samantha no colo ou deixando a pentelha aprontar.
Já dançou milhares de músicas e agora está fazendo o milagre de levar a sua
mãe para pista de dança.
— Ela ama dançar e tem mais energia que a Samantha.
— Você está feliz, meu filho?
— Estou sim, pai. Muito feliz.
— Então eu também estou. — Sorriu do seu jeitinho especial que até
seus olhos sorriam também. Um amigo de longa data acenou e meu pai me
deixou sozinho.
Passei meus olhos pela festa e parei onde os pais da Sophia
conversavam com uma tia minha que era extremamente desagradável. Eles
estavam olhando para Juliet e ao julgar pelas suas expressões, não falavam
bem. Deixei meu copo na mesa, espiei Theo brincando com dois meninos e
fui até minhas garotas.
— O papai finalmente veio dançar! — Juliet comemorou toda linda em
seu vestido vermelho escuro decotado o suficiente para mostrar que seus
peitos são incríveis sem silicone, justo o suficiente para exibir sua cinturinha
fina, a bunda redonda e mais aberto nas pernas, com saltos altos que tanto
amava.
Abracei as duas ao mesmo tempo, dançando no ritmo maluco da
música que Samantha amava. Minha filha estava parecendo uma bonequinha.
Usava um vestido branco com dourado com as saias estufadas como de uma
princesa.
Ao vesti-la, parou na frente do espelho, se olhando e sorriu para si
mesma. Minha filha se amou e eu fiquei tão maravilhado com seu olhar.
Juliet e eu ficamos parados observando-a admirar o vestido e pular no lugar
de alegria.
Tentei colocar presilhas em seu cabelo, sem sucesso, arrancou nove
vezes antes de começar a chorar. Juliet fez um penteado com tranças em si
mesma e a convenceu ter uma trancinha na lateral. Foi um verdadeiro milagre
que o cabelo fino da minha filha permitiu ser trançado – com um pouco de
gel e fixador – e aí ela aceitou a presilha dourada.
Samantha tirava as coisas do seu cabelo desde que teve forças para
fechar os dedos em algo.
— Agora estou com sede. — Juliet saiu da pista com Samantha.
Theo foi até a mesa, querendo água e aproveitamos para hidratar a
todos de uma só vez. Quando Samantha pegou o bico do seu copo e deitou
sobre Juliet, sabia que a energia da tampinha estava no fim. Theo sentou no
meu colo, quieto, olhando a festa e ficou animado com o bolo sendo servido.
Samantha dormiu e de brincadeira, passei meu dedo com o recheio do
bolo na sua boca. Ela mastigou dormindo! Ainda fez um biquinho pedindo
mais.
Juliet limpou a boquinha dela.
— Samantha comilona! — Theo nos surpreendeu e nós rimos.
O bolo estava realmente delicioso e o pequeno acabou caindo no sono
antes de terminar seu pedaço. Levamos os dois para o quarto, fazendo um
trabalho silencioso em tirar suas roupas sem acordá-los. Conectei a babá
eletrônica no meu celular para tocar caso algum deles acordasse e tranquei a
porta do meu quarto para ninguém entrar ali.
— Agora quero dançar só com você! — Juliet me puxou pela gravata
para pista de dança. Meus pais estavam dançando no meio e sorriram ao me
ver ali, porque eu raramente dançava. Desde que conheci Juliet, ela me
obrigava a dançar e me ensinou alguns passinhos.
Sua alegria e desenvoltura na pista atraiu um monte de gente para
dançar. Ela incitava o DJ e gritava quando suas músicas favoritas tocavam. E
não estava bêbada. Juliet bebe muito pouco. Sua energia era simplesmente
pura. Segurei seu rosto suado e beijei sua boca, agarrando a cintura enquanto
queria mesmo apertar sua bunda.
Dançar com ela foi um dos melhores momentos da noite.
Fomos dormir às quatro da manhã, uma loucura considerando que
Samantha acordaria em poucas horas. Esperava que minha filha dormisse até
tarde.
Tomamos banho separadamente e Juliet reclamou que seus pés
doíam e suas coxas estavam queimando. Ela nunca dormiu tão rápido, mal
terminou de falar e já estava apagada. Sorrindo, fechei meus olhos e me
entreguei ao sono.
Fui acordado com um peso nas minhas pernas e um movimento na
minha calça do pijama. Lutei para abrir os olhos, sonolento e me deparei com
Juliet puxando meu pau da cueca com um sorrisinho safado. O quarto estava
escuro, a porta do quarto das crianças aberta e era dez horas da manhã.
Hum….
— Bom dia, baby. — Sorriu marota, manipulando meu pau com
maestria e jogou os longos cabelos para o lado. Sem falar mais nada, me
levou a boca e fechei os olhos, porra! Que delícia. Fiquei duro tão rápido que
sabia que não ia durar muito tempo.
— Tira esse vestido e senta aqui no meu rosto. — Ordenei e muito
obediente, tirou o vestidinho que usava, sutiã, calcinha e rapidamente tive a
deliciosa visão da sua bunda e depois da sua boceta. Lambi sua carne macia,
sentindo seu corpo tremer e me responder da melhor forma... Era o melhor
jeito de começar um dia. Deixei minha língua trabalhar no único propósito de
fazê-la gozar. — Ei, volta aqui! — Os gemidos dela vibrando no meu pau
estava me levando a loucura.
Juliet virou na cama, beijou minha boca com a mistura dos nossos
gostos e cheiros.
— Enquanto amo a sua boca e a incrível habilidade da sua língua,
preciso dele. — Montou em mim, segurei seus peitos e chupei cada um dos
mamilos, sentindo sua boceta me engolindo. Parada por um momento, me
acomodando, agarrei sua bunda e com um sorriso mútuo, começamos a foder.
Sempre que Juliet estava por cima, não durava muito, meu corpo ficava
inteiramente à mercê do seu controle e fazê-la gozar naquela posição era uma
missão e tanto, principalmente que ela era mais sobre toques do que
penetração.
Não ia aguentar por mais tempo, sentei na cama, inclinando seu corpo
para trás e sustentei seu peso, dando equilíbrio para continuar rebolando em
mim e ao mesmo sabia que aquela posição a fazia sentir cada milímetro do
meu pau. Eu amava assistir seu orgasmo crescendo e explodindo, todo seu
corpo respondia, seus mamilos endureceram ainda mais, sua pele arrepiava, o
pescoço ficava vermelho e a boca carnuda criava um formato lindo para
soltar os melhores gemidos.
Passou os braços nos meus ombros, encostou sua testa suada na minha,
ofegante e apertando meu pau com seus espasmos.
— Você é meu?
— Porra, baby. Todo seu.
— Então goza pra mim, amor. Bota sua porra toda dentro de mim... —
Gemeu e foda-se, me deixei ir e tombamos na cama juntos. Juliet saiu de
cima e assisti meu esperma escorrer dela, brincando, empurrei de volta.
— Puta merda, me acorde assim todos os dias. — Suspirei de olhos
fechados, ainda tremendo e com o coração a mil. — Sei que deveria ter
perguntado isso antes, mas... Cadê as crianças?
— Eles acordaram só um pouco mais tarde que o normal, desci com
eles, dei o café da manhã e Kira disse que olharia os dois. Aí eu vim te
acordar, a intenção era só um boquete, mas...
— Me acorde assim todos os dias. — Ainda estava sonhando.
— Vou tomar banho, preciso soltar as tranças e lavar meu cabelo.
E eu fui atrás para ajudar e economizar água.
Nada tiraria o sorriso do meu rosto.
Era um bonito domingo de sol e quando descemos, boa parte da
minha família estava espalhada no quintal dos fundos com os cachorros
soltos, crianças na piscina e o buffet do café da manhã bem vasto. Minha mãe
não brincava em serviço. Convidados do brunch estavam chegando,
cumprimentei algumas pessoas no caminho até a mesa onde Kira estava com
meus pais, Theo e Samantha.
Juliet usava um vestido floral bonito, que a deixava ainda mais jovem e
sandálias rasteiras. Seu cabelo estava escovado, brilhando e muito cheiroso.
Entrelacei meus dedos nos seus, dei bom dia aos meus pais e a Kira.
Samantha estava segurando e mordendo uma maçã maior que seu rosto e
Theo comia ovos com bacon.
— Bum dia, papaiô! — Ganhei um beijo melado.
— Bom dia, ursinha. Bom dia, Theo. — Beijei seus cabelos e ganhei
um beijo cheio de gordura. Juliet limpou meu rosto e a boca das crianças.
Samantha não quis mais a maçã, pediu suco, levantei para pegar e
fazer um prato com um pouco de tudo que estava disponível. O garçom levou
as bebidas pra mim, peguei dois garfos e sentei.
Samantha bebeu o suco e dei uma torrada para roer.
— Sinto que aconteceu, querida. Kira acabou de me contar, quero que
saiba que não apoio esse comportamento e eles foram convidados porque
somos amigos de longa data. Terei uma conversa séria com ela, não permito
que isso aconteça e você agora é parte da família do meu filho, ou seja, minha
família também. — Minha mãe apertou a mão da Juliet e fiquei confuso. —
Ah, não contou a ele? — Juliet apenas deu os ombros, comendo sem me
olhar, mas olhava para minha mãe. Antes que ficasse puto, minha mãe
adiantou. — Sophia e sua mãe foram desagradáveis com Juliet na frente da
Kira, ela me contou e eu não gostei.
— Por que não me falou nada? — Virei para Juliet.
— Não me importei. — Juliet agiu como se fosse nada demais. —
Além do mais, entendo o lado dela. Deve ser difícil te ver seguindo em frente
e eu não vou dar aos lobos o que comer. Havia parentes seu ao redor, não
quis causar uma cena, esse final de semana é dos seus pais.
— O que ela falou? — Insisti porque não gostava nenhum pouco
daquilo.
— Amor, deixa isso para lá. — Juliet frisou a palavra amor com
carinho e seu olhar de malícia encontrou o meu. — Já resolvi isso ignorando.
— Piscou e rapidamente entendi o ataque matinal no quarto.
Não consegui segurar o sorriso. Ela brigou comigo por usar o sexo para
aliviar o ciúme e fez o mesmo? Me fez assistir minha porra saindo de dentro
dela, que é algo muito primitivo que me deixa louco de tesão só para
reafirmar seu território? Com um ligeiro encolher de ombros, como se não
entendesse meu sorriso, beijou minha bochecha.
— Julilet! Beijo! — Toda vez que nos beijávamos, Samantha queria
beijar também.
As duas trocaram um beijinho de esquimó e minha filha empurrou a
torrada toda babada na boca da Juliet.
— Delicioso, amor. Torrada mole de baba é tudo que adoro no café da
manhã. O papai quer também. — Samantha esticou a mãozinha me
oferecendo. Dei um olhar maldoso para Juliet e relutante comi a torrada. —
Bom, não é papai?
Engoli com dificuldade, mas já acostumado com iguarias babadas e
mastigadas. Meus pais estavam assistindo a cena com um sorriso enorme e
até trocaram um beijo afetuoso.
Ajudei Theo com seu prato de comida e subiu em mim para ficar
mais perto da Juliet e da Samantha. Ele pediu para ver os cachorros e soltei
os dois, que andaram de mãos dadas até onde o mais velho de todos estava
deitado na sombra. Era o único que Samantha acariciava e não puxava os
pelos. Theo sentou ao lado, olhando por um momento e depois se rendeu ao
carinho.
— Não aguento esses dois juntos, tenho vontade de apertar e enfiar em
um potinho. — Juliet tirou uma foto deles. Um dos Corgi’s mais jovens, veio
correndo, pegou o restante da torrada da mão da Samantha e saiu disparado.
A expressão da minha filha foi impagável.
Nós rimos tanto que chamou atenção das outras mesas e Juliet tirou
mais fotos. Peguei seu telefone e tirei uma foto nossa, ela estava muito bonita
para não registrar.
— Vocês dois são muito bonitos juntos. — Kira cruzou os braços, nos
admirando.
— Imagina as crianças que eles terão? Serão de capa de revista. —
Minha mãe só podia pensar que filho dava no pé da árvore e era fácil de criar.
— A senhora percebeu que já tem dois no pacote? — Juliet soltou uma
risada nervosa e minha mãe fingiu que não estava ouvindo. — Deus me livre.
— Falou baixinho e ri alto. — Não é engraçado. É por isso que nunca perco a
data da injeção. — Completou e me fez rir mais ainda. Ela sorriu e olhou nos
meus olhos, daquele jeito suspirante dela. — Quer ter mais filhos?
Não precisava pensar sobre isso, sempre quis ter mais um filho,
considerava muito a possibilidade de adotar caso não entrasse em um
relacionamento estável. Ou barriga de aluguel, mas adotar sempre foi um
desejo. Minha mãe sempre quis, meu pai não e depois ele se arrependeu
muito.
— Quero sim, mas não agora. Daqui uns anos. Se acontecer pela ordem
divina, irei amar. — Rocei meus lábios nos seus. — Quer carregar meu bebê?
Podemos treinar todos os dias até lá.
— Sou uma bailarina que adora treinos.
— Adoro a flexibilidade da minha baby. — Falei bem baixinho.
Kira tirou uma foto nossa em seu telefone e mostrou. A foto ficou
muito bonita, porém, deu zoom na pessoa sentada do outro lado do gramado
nos olhando intensamente. Fiquei realmente pasmo com o que encontrei no
olhar e imediatamente preocupado. Um sentimento de proteção cresceu no
meu peito e olhei para Kira, entendendo o que quis me alertar.
Samantha veio correndo dar uma flor a minha mãe, pediu água e Juliet
inclinou-se para pegá-la e limpar o joelho dela cheio de grama. Theo também
pediu água, por isso que Juliet não viu o que Kira quis me mostrar.
— Da próxima vez que a Barbie sonsa fingir errar seu nome, diga que
você é a Julieta do Romeu. — Kira brincou com Juliet, que apenas ficou
vermelha e riu, sem responder.
Disfarçadamente, olhei ao redor e Sophia imediatamente fingiu que
estava conversando com sua mãe. Seu pai não estava com elas.
Os pais dela ficaram transtornados comigo, não diminuía o que fiz,
minha traição doeu na Sophia e todo afastamento sexual dela era por um
problema de saúde. Ainda assim, nós não tínhamos absolutamente nada em
comum. Nossas conversas eram vazias, não tinha sentimento e conexão. Me
castiguei muito por ter seguido em frente com o casamento.
Cansei de me punir pelo meu erro.
Queria com Juliet coisas que nunca quis com Sophia e nenhuma outra.
Pensar em filhos no mesmo ano ou depois me dava arrepios. Falar putaria?
Chamar de safada? Ela me olhava mortificada. Levar o almoço de casa?
Coisa de pobre. Amava a comida da minha casa, qual era o maldito
problema? Esquentar sobras no dia seguinte (o que adorava) era ridículo.
Errei sim, com ela e comigo, mas não iria desistir de ser feliz por
culpa.
O meu erro resultou Samantha e não me arrependia. Faria milhares de
vezes se isso significasse ganhar o presente divino que a minha filha era. E
todo caminho que trilhei me levou diretamente a Juliet.
Sophia não iria ficar no meu caminho.
dezesseis
Juliet.
Ser baby do Romeo era como viver em um sonho eterno. Me sentia
extremamente sortuda por ter encontrado esse homem. Nossa vida com
pacote completo era meio cansativa... Duas crianças com muita energia em
casa cansavam muito. Nós conseguimos driblar os dois maestria e toda noite
tínhamos um ao outro.
— Srta. Gale? — Ouvi Lydia me chamar do seu jeito relutante de
sempre. — Há uma entrega subindo.
— Obrigada. — Sorri simpática porque ainda queria ganhar a amizade
dela. Guardei os tecidos das novas toalhas de mesa dentro da pasta que a
decoradora entregou mais cedo.
Estava muito empolgada com a reforma. A equipe era prática e
rápida, os móveis seriam os últimos a ser trocados. Pelas crianças foi usado o
mínimo de tinta e optamos por papeis de paredes clareando os ambientes. A
sala que dava para varanda, nós apelidamos de “sala do verão,” já teve sua
parede derrubada e as portas de vidro instaladas.
A biblioteca já tinha novos móveis, o cantinho de leitura das
crianças praticamente pronto e a sala que Romeo não tinha ideia que fazer
teve a parede derrubada para sala de jantar. Samantha perdeu sua pequena
área de brinquedos e o espaço ficou ainda mais amplo. Romeo aprovou o
projeto de fazer ali um bar, como uma segunda sala no estilo lounge, para
receber seus amigos, ter bebidas e uma excelente visão para cidade.
O apartamento parecia duas vezes maior, mais claro, com as janelas
criando uma entrada de luz muito gostosa. Estava amando sentar pela manhã
com Samantha e Theo para pegar um solzinho matinal enquanto tomamos
café da manhã ou esperamos Romeo terminar de malhar para tomarmos café
juntos.
O quarto do Theo estava totalmente pronto e ele amava tanto que
quase não sai de lá. Era o seu universo. Amava assistir Romeo brincando com
ele, meu coração parecia que ia explodir no peito e a dedicação que meu
lindo namorado tinha com meu bebê me fazia muito feliz. Romeo fazia tudo
pela minha felicidade e merecia toda recompensa do mundo por isso.
Nesse pensamento feliz e acreditando estar recebendo um dos itens
de decoração que comprei pela internet, desci a escada toda serelepe, abri a
porta esperando o elevador chegar e tapei minha boca com o enorme buquê
de rosas que o entregador carregava. Era perfeito. Pulei no lugar de tanta
felicidade e pedi que colocasse o vaso pesado em cima da mesa. Dei uma
gorjeta ao rapaz e corri para o cartão.
“Para minha baby que ilumina meus dias”.
— Esse menino está muito romântico! — Kira saiu da cozinha junto
com as meninas, Debra e Tanny, que agora conversam comigo me
reconhecendo como uma habitante dessa casa.
— É muito lindo, Srta. Gale. — Tanny suspirou e bem, elas não me
chamam pelo nome por mais que implore.
Tirei uma foto com o jarro, não deu para pegar tudo e depois tirei
outra só dele, enviando uma mensagem de agradecimento e informando que
ele também tinha um presentinho essa noite.
— Julilet? — Ouvi a voz chorosa da Sammy. Lydia descia com ela
no colo e peguei minha menininha, beijando sua bochecha em seguida. Ela
fez um charme, cheia de dengo e mostrei a ela as rosas que papai enviou. —
Tô com fome.
— Deixa que dou o lanche dela, Srta. Gale. — Lydia demonstrava
insegurança com a minha presença, como se fosse roubar o trabalho dela,
porém, não percebeu ainda que não estava ali para ser a babá. Deveria ter
algum preconceito com a minha idade, por ser jovem e morando com um
homem mais velho.
Realmente não me importava. Meu relacionamento com Romeo
começou por um contrato, nossa intenção sempre foi ter tão bom e real.
Éramos felizes juntos.
Samantha foi comer e subi para acordar Theo. Ele não podia passar
de mais de uma hora de cochilo ou a noite teríamos duas crianças rolando
pela casa.
— Oi bebê! Hora de acordar, amor.
Theo sorriu e me abraçou apertado. Beijei sua bochecha e seu cheirinho
era tão gostoso. Ele desabrochou tanto nas últimas semanas, estava mais
falante e mais aberto com quem estava convivendo. Ele amava quando os
pais do Romeo apareciam, respondia às perguntas das funcionárias e abria
sorrisinhos tímidos para quem o cumprimenta no elevador.
Ainda era um grude comigo, quando precisava ir ao banheiro, os dois
me seguiam. Quando Lydia ia embora, trancava os dois no quarto comigo se
precisasse tomar um banho. Se desse um passo para trás pisaria em um.
Samantha estava sempre correndo, aprontando muito e Theo abraçado nas
minhas pernas.
Theo fez diversas sessões de terapias e a psicóloga agendou uma
conversa sobre o laudo. Estava uma pilha de nervos, pareceu tão séria que até
Romeo ficou com um olhar apavorado. Tentamos adiantar e não conseguimos
horário. Pesquisava e lia muito sobre educação infantil, participava de
fóruns, comprei diversos livros infantis e até saímos em família para comprar
brinquedos estimulantes.
Adquiri o costume de brincar com as crianças ensinando a contar, falar
corretamente, mostrando cartões de figuras e outras coisas bem lúdicas.
Samantha não chamava mais o Romeo de Papaiô, ela aprendeu o bom e
muito perfeito papai.
Romeo estava sofrendo um pouco porque amava o Papaiô.
“Chegarei tarde em casa, estou preso em uma reunião com os
advogados e depois levarei G em casa”.
Romeo enviou uma mensagem no meio da minha brincadeira com as
crianças, olhei a hora e Lydia ainda estava sentada no sofá me olhando.
Não sabia qual o problema dela. Será que pensava que não tinha
responsabilidade com Samantha?
— Pode ir, Lydia. Já passou do seu horário, se precisar, peça ao
Henri para te levar em casa. — Disse enquanto sorria para Samantha dando
ao Theo um cartão dos Vingadores. Até ela sabia que ele amava os
Vingadores. Lydia olhou seu relógio e suspirei. — Romeo não vai chegar
agora, estou em casa e não preciso que fique comigo. Por favor, você pode ir.
— Lydia? Acredito que a Srta. Gale tenha te liberado. — Kira falou
mais firme e com um sorriso sem graça a babá saiu, esperei que tivesse ido
embora para virar meu rosto.
— Por que ela não quer que fique sozinha com a Samantha?
— Lydia possui um apego a Samantha que já alertei ao Romeo que
não é saudável. Babás mudam. Ao longo da vida do Romeo ele teve muitas,
era ruim quando elas partiam ou precisavam ser dispensadas. Cuidado e
carinho são importantes, apego em demasia é perigoso. — Kira sentou no
sofá perto de mim.
— Acha que isso é mais que Samantha? Aquela fantasia de
conquistar o pai pela criança? Romeo é muito bonito, ela dormia aqui todas
as noites, certamente já o viu sem as roupas de chefe e pode ter fantasiado
algo...
— É provável. Nunca reparei nada, mas, pode ser. — Deu de
ombros e me deu um olhar apreensivo.
— E o que foi, Kira?
— Quero me aposentar. — Olhei-a surpresa e sentei direito. —
Ainda não falei com Romeo e agora que a casa tem mais movimento, energia
e cuidados, acho que posso curtir meus dias conhecendo outros lugares e
aproveitando a vida. Para isso preciso saber se você tem algum problema com
as meninas, se gostaria que trocasse...
— Não tenho nenhum, elas são simpáticas e cozinham muito bem. E
as meninas da limpeza são muito legais. Por que?
— Você é a mulher dessa casa, Juliet. As decisões de compras,
cardápios e vinhos todo restante será sua responsabilidade. A nova
governanta precisará se adequar aos seus gostos, seus horários e ao seu
padrão. Caramba! Era muita responsabilidade. Precisava conversar com
Romeo e rapidamente mudei de ideia. Iria encarar com coragem. Sabia que
Romeo amava meu jeito meio maluquinho, mas, às vezes me tratava como
uma criança pirracenta – o que me transformava quando não me dava
espaço.
— Você ainda vai ficar pertinho da gente, não vai?
— É claro que sim, menina. Não largo Romeo por nada no mundo,
ele é o filho que a vida me deu.
— Vai me ajudar a escolher a nova governanta?
— Vou te ensinar todos os segredos do funcionamento dessa casa e
depois partiremos para escolha da nova governanta. — Piscou e trocamos um
aperto de mão cúmplice.
Jantei sozinha com as crianças, além de sentir falta do Romeo, era
uma loucura difícil de administrar. Theo comeu bem sem meu auxílio, já
Samantha comia a minha comida e a dela. Sua colher estava por todo lado e
algumas coisas pegava com a mão e enfiava na boca. Me contentava com a
ideia que estava comendo bem.
Dei um banho morninho nos dois ao mesmo tempo e os deitei na
minha cama. Era mais fácil contar a historinha de uma vez só. Adormecidos,
levei um de cada vez para seus devidos quartos e fui me preparar para receber
Romeo.
Tomei um banho muito caprichado e vesti um sexy conjunto de
espartilho preto com detalhes em vermelho, calcinha vermelha de cetim
muito pequena, meias e a liga. Calcei um sapato scarpin preto alto e me olhei
no espelho. Enrolada no meu roupão de cetim preto, fui até a cozinha escolhi
uma garrafa de vinho merlot levando para o quarto com duas taças, mix de
frios e arrumei na mesinha do canto. Coloquei uma cadeira posicionada bem
próximo à cama,
Deixei um bilhete com as instruções na cama junto com uma rosa e
me escondi quando ouvi seus passos no corredor.
— Só irei obedecer porque estou curioso, mas é melhor você estar
aqui quando sair do banheiro. — Tapei minha boca quando ri para não
denunciar onde estava.
Ouvi o barulho do chuveiro e como Romeo não fechou a porta, andei
silenciosamente para não ser vista. Fechei a porta do nosso quarto, deixei a
babá eletrônica ligada no canto, servi o vinho nas taças e diminui as luzes.
Sentei na cadeira, cruzando as pernas na posição mais sexy que já imitei a
Beyoncé.
Apenas enrolado na toalha cinza escura, Romeo saiu do banheiro
ainda meio molhado e apontei para cama.
— Sente-se. — Arqueou a sobrancelha e obedeceu meu comando.
Lambi meus lábios. — Abra sua toalha. — Romeo não conseguia esconder o
sorriso safado enquanto desfazia da toalha. Amava aquele homem nu. Ele
deveria viver sem roupas.
Inclinei-me para frente e apertei o sinal do play no meu telefone,
colocando o mashup de músicas para pole dance que meu professor de dança
me enviou. Os primeiros acordes apenas meus quadris se moviam sob o
atento olhar do meu homem. Virei de costas, inclinando-me sobre a cadeira,
empinando minha bunda na sua direção, seguindo os passos da coreografia.

Enquanto dançava, Romeo ficava cada vez mais excitado, chegando


a se tocar ou segurar o pau bem firme. Rebolei contra ele bem devagar, com
seu pau entre minhas nádegas e suas mãos exploravam meu corpo com tesão.
Tentou tirar meus seios do decote do espartilho. Bati nas suas mãos, sentando
na cadeira na sua frente e simulando sexo ali.
— Porra, Juliet! Estou bem aqui, baby. — Gemeu tentando me pegar.
Rindo, mudei de posição, dançando e ao mesmo tempo enfiando a
mão dentro da minha calcinha, me masturbando bem diante dos seus olhos.
Com a música já no fim Romeo perdeu a batalha para seu desejo, me
pegando bruscamente e montei no seu colo, beijando sua boca.
Chegando minha calcinha para o lado, posicionou seu pau e agarrou
minha bunda, me fazendo cavalgar nele como uma legítima amazona. Sem
paciência por não ter acesso aos meus seios, rasgou meu espartilho de renda
maravilhoso.
— Tão gostosa, baby. Tão minha. Rebola, minha safada. É isso que
você gosta, não é?
— Porra, sim!
Romeo resolveu me quebrar no meio.
Penetrou seu dedo no meu outro buraco, movimentando no mesmo
ritmo que me encontrava com seu pau e merda, não havia a mínima chance
de me segurar contra aquilo. Caí sobre ele, suada, amando cada espasmo e
arrepio de prazer que me percorria. Meu coração parecia que ia explodir no
meio daquele orgasmo tão intenso.
— Eu sei que você gosta. — Beijou meu ouvido. — Fica de quatro,
empina bem esse rabo pra mim.
— Gosto sim... Mas seu pau não é do tamanho do seu dedo. —
Resmunguei saindo de cima dele e empinando minha bunda. O bastardo
sequer tirou minha calcinha e caiu de boca. — Ah, Romeo! — Pressionou a
palma nas minhas costas para me obrigar a ficar com os ombros na cama. —
Oh, Deus. Por favor...
— Um homem chega do trabalho e encontra sua baby cheia de
planos para matá-lo do coração. — Empurrou seu pau lentamente dentro de
mim. — Amo suas calcinhas, até aquelas grandes de babados... Mas essa aqui
é perfeita. — Puxou o fio e estalou na minha nádega. — Sua bunda cresceu.
— O filho da puta estava dizendo que engordei? — Minhas mãos já não
cobrem tudo. — Deu um tapa forte em contraste com suas estocadas lentas.
— Esse rabo grande é todo meu. — Empurrou tudo dentro e me pressionou,
encostando o peito brevemente nas minhas costas e vi estrelas. Romeo pegou
o lubrificante na gaveta. — Quero pegar pesado, topa?
— Sempre. — Suspirei sentindo o geladinho do lubrificante.
— Vai ser para sempre minha? — Então ele começou a meter forte,
passando o braço pela minha cintura, girei meu quadril e gememos alto,
aquilo me fazia ir ao céu. Estava sem ar para responder, sem conseguir
formar uma frase coerente e ganhei um tapa na coxa.
— Sim... Sim! Aí, meu Deus. Para sempre!
E me perdi completamente.
Sexo hard era muito bom. Não sabia como não acordamos as
crianças.
Deitada, nua, Romeo brincava com a rosa em mim, me deixando
arrepiada e bebendo vinho.
— Amei as rosas. Gosto de todos os presentes que me dá, mas as
rosas foram emocionantes. — Brinquei com as pétalas e uma caiu no meu
mamilo. Romeo empurrou a pétala de lado e chupou só o biquinho do meu
peito. Pingou umas gotas do vinho só para lamber.
— Sei que adora ganhar flores.
— Você já me deu vários buquês... Mas a rosa é especial. Ela é o
símbolo da paixão. — Acariciei seu rosto e o movimento dele com a flor
deixou cair mais pétalas.
— É isso que você é, minha paixão. — Apoiou a taça no criado
mudo e me beijou, deitando do meu lado.
Senti a textura macia da pétala, brinquei com ela entre meus dedos e
sorri apaixonada. Romeo continuava passeando com o que restou no caule
em mim. Afastei um pouco minhas pernas, ele brincou com meu clitóris e
respirei fundo. Era só um toque leve, como um sussurro do vento na pele e o
suficiente para me atiçar.
— Quando era mais nova... Acho que tinha uns quatorze anos,
costumava pegar umas rosas que a floricultura jogava fora e brincava de bem
me quer, mal me quer... Sempre que dava bem me quer, deseja que um dia
um homem cuidasse de mim e me fizesse feliz. Que me mandasse rosas com
bilhetes românticos iguais via nos filmes. Quando dava mal me quer... Me
perguntava o quão mal a minha vida podia piorar. — Romeo ergueu meu
queixo e olhei em seus olhos. — Você é meu bem me quer.
Romeo largou a rosa, puxou meu joelho e se encaixou entre minhas
pernas. Me preparei para recebê-lo, lentamente, entrou em mim. Fechei meus
olhos, tomada pela doçura da sua forma de fazer amor. Abracei seus ombros,
segurando seu cabelo e recebendo toda sua paixão através do seu beijo, dos
seus toques e do seu olhar.
— Você é o meu bem querer, meu encanto... Você é sagrada, Juliet.
E eu te prometo, meu amor... Vou te idolatrar, cuidar, mimar, respeitar por
todos os dias. Será sempre minha, porra. — As lágrimas desceram dos meus
olhos sem aviso ao mesmo tempo que um orgasmo lento explodiu ao ponto
de me fazer curvar os dedos dos pés. — Sempre serei seu.
Me entreguei de corpo e alma para ele.
dezessete

Romeo.
Não lembrava quando tirei folga no dia do Halloween, mas era o
primeiro das crianças brincando no feriado e era obrigatório como pai estar
em casa para vê-los. Juliet passou um tempo se empenhando na data, a casa
estava decorada e tínhamos doces para entregar aos vizinhos.
— Doces ou travessuras? — Quase caí da cadeira ao me deparar
com as três criaturas na minha frente.
Samantha era o gato de Alice no País das Maravilhas. Usava um maiô
roxo, meias que eram exatamente o rabo do gato, um rabinho preso na roupa
e uma tiara com orelha de gatinhos. Juliet passou uma sombra roxa nos olhos
dela, um brilho nas bochechas e meu bebê segurava uma máscara de um
sorrisão.
Juliet era a Alice mais gata e sexy de todas. Seu vestido azul era até o
meio das coxas, meias brancas até os joelhos, sapatos brancos com uns
detalhes em preto e seu cabelo estava loiro. Se não tivesse acordado com ela
com seu cabelo castanho claro, pensaria que pintou.
Sua maquiagem estava exatamente igual da personagem.
Theo estava incrivelmente fofo e divertido como o chapeleiro maluco.
Juliet fez o chapéu, foi dormir tarde na noite anterior colocando os acessórios
e costurou o pequeno terno com algumas coisas engraçadas.
— Doces para as crianças e travessuras para você.
Peguei minha câmera para fotografá-los na decoração e fiz algumas
no celular, enviando para o grupo da família. Meus pais ficaram
enlouquecidos com as crianças, querendo pegar o carro e vê-los
pessoalmente.
Samantha experimentou pela primeira vez um pirulito saudável que
Juliet conseguiu encontrar na cidade. Minha regra de doces para crianças
seguia proibida. Eles não bebiam refrigerantes e não comiam conservados.
Sendo assim, pesquisou alternativas e encontrou uma loja que vendia doces
saudáveis, feito com frutas, sem açúcar e era bem interessante.
Juliet abaixou para ajeitar a roupa da Samantha e a veia da minha
testa quase explodiu ao ver o quanto seu vestido era tão curto que sua bunda
inteira apareceu. Sua calcinha era incrível e em toda parte traseira estava
escrito Romeo.
— É melhor você não agachar, amor. — Levei minha garrafa de
cerveja a boca e Juliet virou, sorrindo. — Você pode ficar assim na minha
frente quantas vezes quiser. Bonito o nome que está aí, cara de sorte.
Minha menina sorriu daquele jeito que meu pau reconhecia, até se
mexia em saudação e piscou.
— Vamos para festa agora? — Theo correu até Juliet, animado e eu
amava o quanto esse menino aparentava felicidade. Adorava brincar com ele,
finalmente tenho alguém para brincar de lutinha e ensinar vídeo game. Além
do futebol que Juliet nos proibiu de praticar em casa.
Até levei-o para academia treinar Jiu Jitsu comigo e ele adorou.
— Sim, nós iremos. — Terminei a minha cerveja e enfiei uma bala
de hortelã na boca. Pegamos os casacos das crianças e o cachecol. Samantha
odeia usar cachecol e era engraçado vê-la brigar com por isso. Juliet parece
ser ainda mais paranoica que eu em relação a eles. Percebia que seu medo de
uma doença vinha muito do fato que eles não tinham condições de ter um
tratamento de saúde adequado.
Encontramos alguns vizinhos no elevador, trocando elogios e os que
não estavam fantasiados, fizeram arrulhos para as crianças. Samantha amava
atenção e o Theo ainda reagia timidamente. Com os braços no meu pescoço,
procurando apego e proteção, beijei sua testa sabendo exatamente o quanto
tinha receio de alguém encostar nele... Já estava vindo ao meu colo por livre
vontade, até erguia os braços quando chegava em casa e queria me abraçar.
Sabia que tinha quatro anos, mas até o momento que conseguisse carregá-lo,
faria com maior prazer.
A festa do condomínio estava incrível, parecia outro mundo meio
macabro e meio infantil. Tinha diversas atividades com instrutores, pula-pula,
piscina de bolinhas e muita comida. A maioria dos vizinhos estavam lá e
reparei que Juliet conhecia quase todas as mães mais jovens e não falava
muito com as mais velhas, que a olhavam torto.
Por ser jovem chamava muita atenção. Não será sempre tão jovem,
mas sempre será mais nova que eu. E infinitamente linda.
Participar de uma festa infantil era cansativo. Samantha queria
brincar em tudo, Theo se recusava sair do pula-pula e os dois juntos era um
pesadelo. Juliet tinha mais habilidade em enrolar ambos e só obedeceram
quando informamos que era hora de pegar mais doces.
Enfrentamos mais uma guerra para os casacos, subimos para Theo ir
ao banheiro fazer o número 2 e ele gostava que segurasse sua mãozinha.
Sentei no chão do banheiro no meu papel de segurador de mãos e Juliet
trocou Samantha.
Sair com eles era uma maratona sem pausa.
Samantha não queria andar de mãos dadas na rua e filmei a mini-
criança vestida de Gato Cheshire, com as pernas gordinhas e os braços cheios
de dobrinhas perguntando a qualquer um que passasse “doces ou
tabessuras?”. Filmei suas pérolas na rua e boca cheia de balas de goma (a
base de algas e maçã), apontando para as fantasias assustadoras com diversão
e acenando aleatoriamente para os passantes.
Passamos no parque para ver as abóboras decoradas, tiramos fotos e
os pequenos brincaram um pouco com outras crianças que não conhecíamos.
Jantamos um delicioso ravióli que preparei com molho de tomate especial e
carne bem desfiada como as crianças amavam...
Theo e Samantha dormiram na mesma cama, mal ouviram a história
de tão cansados. Brinquei com Juliet que devíamos nos acostumar com a
ideia de mais um bebê, ela saiu de perto rindo. Seria estranho ter outra
criança depois de passar por tudo isso. Fazia mais sentido passar de uma
única vez.
Juliet riu e disse "Theo não está conosco legalmente, Samantha não
desfraldou e nós não somos casados". E saiu de perto rebolando.
— Baby, pode pegar as bebidas?
Iríamos receber meus amigos para bebidas de Halloween. Eram dois
casais e um solteiro. Apenas um dos casais tem filhos, ainda estavam
desocupando e o restante estava apenas aguardando a hora combinada para
chegar.
Juliet começou a assar os petiscos, preparar os frios e eu abasteci o
meu novo bar. A reforma do apartamento ficou maravilhosa, toda parte
interior estava pronta, nós ainda estamos esperando alguns vasos de plantas
do jardim, os móveis da varanda e o acerto da jacuzzi.
Foi uma loucura fazer tudo em pouco tempo, como não era uma
grande obra, deu trabalho na troca dos móveis, em tirar tudo de uns para
colocar em outros. Paguei uma equipe de mudança e organização para fazer o
serviço. Chegamos a ter onze pessoas na casa, trabalhando em mudar tudo de
lugar, com todos os novos mobiliários do primeiro andar e do quarto do
Theo.
Dei meus móveis para as funcionárias da cozinha. Juliet que deu
para falar a verdade, o mérito era todo dela. Me pediu sem graça, meio
receosa que ficasse chateado, querendo presentear as meninas porque era
muito bons e novos. Sei que Debra e Tanny ficaram muito felizes.
A mesa da nova sala lounge estava repleta de petiscos e bebidas,
com teias, pequenas aranhas e luminárias de abóbora. Juliet colocou música
ambiente, fechamos todas as portas que davam para o andar de cima para as
crianças não acordarem e conferimos pela última vez se estava tudo certo.
Parei atrás da Juliet ajeitando os copos no bar e subi minhas mãos pelas suas
coxas, enfiando por baixo da saia e beijei seu pescoço.
— Quero você com essa peruca e depois sem essa peruca.
— Não é uma boa ideia me deixar excitada com seus amigos prestes
a chegar, quero estar bem. — Virou de frente, ajeitando meu cabelo. — Fala
deles com tanto carinho que quero que gostem de mim.
— É impossível não gostar de você.
O porteiro informou a chegada de todos, eles devem ter se
encontrado na portaria e foram autorizados a subir juntos. Abri a porta para
Adam e Gisele que estava fantasiados de família Adams, o trocadilho não foi
perdido. Joe e Danika estavam combinando de rei e rainha copas e o solteiro
do grupo, Chris, estava de Coringa.
— Por que você não está fantasiado? — Danika me deu um abraço.
— O combinado era todos fantasiados.
Peguei o chapéu da fantasia do Theo e coloquei na minha cabeça.
— Sejam bem-vindos, pessoal. Estou feliz que finalmente
conseguimos nos reunir sem ser uma festa infantil ou evento de trabalho.
— Seu apartamento é perfeito, Romeo. — Gisele olhou ao redor
admirada e estiquei a mão para Juliet se aproximar. — Oi, é um prazer te
conhecer! Caramba, que Alice gostosa! — Gisele era a pessoa sem filtro do
grupo.
— Deixa apresentar minha namorada direito, criatura! Pessoal, essa
é a minha linda namorada, Juliet Gale.
— Awn! Julieta e Romeu! — Gisele pulou no lugar e nós rimos.
Dani também abraçou a Juliet, foi afetuosa e simpática. Ela era
próxima da Sophia no período que fomos casados e ficou meio chateada
comigo quando a merda toda explodiu no ventilador. Não sei se ela e Sophia
ainda são amigas. Dani me perdoou e nossa amizade voltou ao normal, afinal,
nos conhecemos desde o jardim de infância e apresentei o seu marido, que foi
meu colega de apartamento na faculdade.
E eles apadrinharam Samantha.
Adam, Joe e Chris estavam me provocado impiedosamente desde
que descobriram a idade da Juliet. Eles me chamavam de Sugar Daddy sem
ter a mínima ideia da verdade.
E ficaram aparentemente mudos e respeitosos ao vê-la
pessoalmente. As mulheres se afastaram falando da decoração e Juliet
ofereceu Martini, foram começar a beber.
— Ela tem uma irmã? — Chris perguntou e bati nele. — Realmente
meu amigo, você está bem servido com todo meu respeito pela sua senhora.
— Piscou.
— Quando vi vocês na capa da revista eu pensei “Romeo se amarrou
mesmo”. — Adam me cutucou e bati nas mãos dele.
— Vamos beber, palhaços.
— Não liga para eles. Chris está com inveja. — Joe empurrou os
dois para frente e nos juntamos as mulheres que já falavam pelos cotovelos
como se conhecessem há anos.
O jeito esfuziante da Juliet dominava o ambiente, ela era o tipo que
atraia atenção sem esforço, por saber conversar sobre tudo, ser simpática e o
que não sabia prestava atenção para entender. Sua criatividade em entrar nos
mais diversos assuntos casou muito bem com meus amigos. Joe era o mais
calmo, eu o mais sério e o restante não possuíam todos os parafusos
apertados.
Ouvi um choro suave e a tela da babá eletrônica acendeu.
— Julilet? — Samantha choramingou sentando no berço.
— Acho que sou eu. — Sorriu, pediu licença e abriu a porta dupla
para escada.
Fiquei em silêncio olhando para tela, observando a maneira suave
que Juliet entrou no quartinho sem acender a luz e Samantha chorou,
esticando os braços. Minha baby pegou minha filha, perguntando o que ela
queria e Samantha apenas chorou, tossindo um pouco. Juliet lhe deu água,
colocando a mão na testa e embaixo dos bracinhos. Não me mexi, ela sabia
muito bem que fazer.
Juliet tinha mais experiências com crianças do que eu.
Abrindo a primeira gaveta, pegou o termômetro digital, ligou e
enfiou debaixo do braço da Samantha. Andou de um lado ao outro,
oferecendo mais água, Samantha ficou com a mamadeira na boca por um
tempo e depois soltou. Juliet conferiu o termômetro, deixou em cima do
aparador e voltou a ninar minha filha.
Eu não tinha coração para lidar com aquilo. Nunca pensei que veria
minha filha no colo de alguém que a adorasse tanto. A mesma conexão que
Juliet tinha comigo, ela tinha com Samantha e sentia o mesmo com o Theo.
Nós conseguimos formar uma família tão rápido quanto piscar de olhos. E
nunca estive mais feliz e completo em toda minha vida.
Percebi que meus amigos estavam em silêncio, observando a tela e
me observando. Sorri muito sem graça com as bochechas coradas e eles
começaram a rir.
— Não falem sobre isso. — Bebi minha cerveja.
Juliet desceu, fechou a porta e sentou do meu lado falando que
Samantha estava com 37º e daria a medicação se passasse de 37,5º.
Concordei e agradeci, voltando a conversar com meus amigos e tivemos uma
noite muito divertida.
Samantha por fim teve febre, Juliet deu a medicação e nós a levamos
para o quarto conosco. Não íamos conseguir dormir com ela em outro quarto.
Arrumei Samantha totalmente adormecida no meio da cama e arrastei minha
Alice safada para o banheiro para compartilharmos um banho saudável antes
de dormirmos.
Chris era um jogador de futebol americano famoso e postou
algumas fotografias da nossa reunião, logo estava circulando na mídia. Juliet
privou sua conta no instagram quando saímos em uma revista com o título
“Romeo Blackburn apresenta sua nova família. Sua amada é quase vinte
anos mais jovem”. A foto era uma das muitas tiradas dançando na festa dos
meus pais, na matéria, havia diversas fotos da Juliet com as crianças,
nenhuma delas aparecia o rosto deles ou eu teria um ataque cardíaco.
Juliet estava proibida sair sem Dan ou Henri, com ou sem as
crianças. Já processei muitos veículos de mídia por fotografar Samantha e
publicar as fotos com o rosto dela sem minha autorização. Definitivamente
não queria que o rosto das crianças fosse de conhecimento público.
Theo veio para nosso quarto assim que acordou, com preguiça, não
saímos da cama. Verifiquei a temperatura da Samantha e ela não teve febre
novamente, dormiu muito bem, não tossiu ou chorou.
— Olha isso aqui. — Juliet me cutucou, deixando seu telefone de
lado e ergueu sua blusa, mostrando que minha filha estava com a mãozinha
no seio dela por dentro do top cinza que usava. Samantha nunca mamou em
um seio, ela nunca teve um contato feminino além da minha mãe e a babá.
Não imaginei o quanto meu bebê precisaria de um carinho exclusivamente
maternal até ver aquela cena.
Não sei quanto tempo observei Juliet olhar minha filha e acariciar as
bochechas gordinhas dela. Deitei do lado das duas, abraçando ao mesmo
tempo e beijei minha filha. Rezei para que a nossa conexão nunca fosse
rompida.
— Vamos brincar? — Theo subiu em cima de mim.
— O que quer brincar?
— De vingadores. Posso ter um pirulito?
— Você pode ter seu café da manhã, malandrinho. — Fiz
cosquinhas nele. Suas risadas acordaram Samantha que chorou, enjoada com
o estado febril.
Desci com Theo para tomar café da manhã. Samantha e Juliet
ficaram na cama quase o dia inteiro enquanto brinquei com Theo ao ponto de
quebramos um dos lustres da sala. Juliet brigou conosco e nos mandou tomar
banho para acalmar a gritaria.
— É hora da soneca! — Juliet me deu um olhar bravo e em seguida
para os pedaços de cristal no chão. Revirando os olhos, foi embora de volta
ao quarto.
Kira riu da minha careta por ter levado um belo esporro da minha
baby e ao subir para dar banho no Theo, sabia que gostaria muitas e muitas
noites como aquela.
— Eu te amo, Romeo.
Theo murmurou baixinho antes de adormecer em meus braços e
respirei fundo, mantendo minha emoção contida e beijei sua testa.
— Eu também te amo, Theodore.
dezoito

Juliet.
Fui acordada com beijos bem molhados e babados. E só podiam
pertencer a única pessoinha cheia de dobrinhas e vontades da casa.
— Bom dia, Sammy. — Abri meus olhos e ela estava parada em
cima de mim, com o bafo de leite e banana.
Desde a sua forte dor de garganta na semana anterior, ela regrediu
totalmente a mamadeira e rejeitava o copo de bico. Romeo ficou rindo que
surtei muito preocupada com ela doente e enchendo o pediatra de perguntas,
mas era o único fazendo todas as vontades dela. Essas crianças serão adultos
terríveis se continuarmos assim.
— Julilet, amor! — Me abraçou e sorri com sua fofura.
— Você também é meu amor. — Acariciei suas costinhas. — Cadê
o Theo?
— Mimindo. Papai falou não. — O pai dela deve ter impedido que
acordasse Theo e olhei a hora. Eram seis horas ainda. Dormiu muito cedo,
antes do jantar, sabia que isso iria acontecer.
— Pessoas normais estão dormindo a essa hora, por que não
tentamos dormir mais um pouco? — Ofereci cheia de carinho. Sabia que se
deitasse com ela, ninasse com dengo, ia acabar dormindo novamente.
— Papai vai bigar. — Disse bem séria e não entendi.
Na dica, Romeu entrou no quarto com a mamadeira ainda pela metade
na mão.
— Samantha! O que disse sobre acordar as pessoas?
— Ah, é sobre isso que o papai vai brigar? — Beijei sua bochecha
gordinha e estiquei a mão para mamadeira. — Vamos ficar quietas, não
vamos?
Sem olhar para o pai, aceitou o bico e fechou os olhos para fingir que o
pai dela não estava olhando-a com as mãos na cintura. Romeo deitou atrás de
mim, no seu lugar na cama e esperamos a tampinha dormir. Não me
incomodava que os pentelhos ficassem conosco embora fosse um pesadelo
dividir a cama com uma que é espaçosa e com o outro que chuta.
Assim que dormiu, Romeo a pegou e levou para seu quarto. Estava
quase fechando os olhos quando senti o edredom sendo puxado e a expressão
dele era tão sapeca quanto da filha. Deitou em cima de mim e nos cobriu.
— Ela acordou e pediu a mamadeira. Desci para bater as frutas com
ela, dei a mamadeira e Samantha derrubou todas as frutas no chão. Coloquei
sentadinha e disse que não podia acordar ninguém. Fui abaixar para catar que
ela sumiu... — Abracei-o com minhas pernas. A cada dia que o conhecia
mais intensamente, aprendia que tenacidade e o jeito espoleta de ser era
todinho dele. Romeo era sério a maior parte do tempo, mas adorava aprontar
quando tinha a oportunidade. — Já que ela te acordou…
— E o que papai quer fazer?
— Te deixar pelada, molhada e gemendo já que é sábado e aquelas
criaturinhas vão acordar com energia de sobra.
— Só tirar minha camisola, estou sem calcinha e sutiã. — Cochichei
sorrindo.
— Sendo assim... — Romeo só escorregou para baixo do edredom.
Foi a melhor maneira de começar um final de semana, que graças a
nossa zero vontade de socializar com o mundo externo, tivemos um sábado
muito tranquilo apenas em casa e no domingo levamos os dois para
extravasar a energia no parque.
A noite fizemos um programa a dois, a sala de verão era o nosso
novo lugar favorito para namorar e eu muito inocente não sabia que o sofá de
formato estranho que Romeo resolveu enfiar ali do nada, era uma cadeira
tântrica. Todas as posições possíveis ali eram incríveis.
Acordei no meio da madrugada de domingo com um susto. Tive um
sonho ruim com a Margareth e cheguei a sentar na cama. Apesar de não estar
falando com ela, ainda ia vê-la, garantia que tinha comida e produtos de
higiene. Lavava suas roupas, as roupas de cama e ainda limpava o
apartamento. Tinha dias que ela estava agressiva querendo briga, dias que
fingia que não estava lá e dias que me esperava ir embora no pátio do prédio.
Não sabia até quando iríamos ficar assim, não me importava de fazer
nenhuma daquelas coisas. Nunca seria capaz de abandoná-la mesmo que
fosse o que maioria me aconselhava. Ela ignorava a presença da enfermeira e
não participava do grupo de apoio, tivemos uma tentativa de levá-la ao
psiquiatra e foi em vão. Margareth não perguntava por mim ou pelo Theo,
apenas se poderia dar-lhe dinheiro e se sabia sobre o Rick. Estava ignorando
suas perguntas porque Theo estava comigo e queria manter assim.
Estava fazendo terapia junto com ele e queria muito que minha mãe
participasse. Não sabia que seria necessário participar de sessões de
aconselhamento também, me incomodava um pouco, mas fazia pelo Theo e
para ele ter um tratamento adequado.
O Theo mudou muito desde que ficou comigo de vez e começou as
sessões. Para ele foram muitas, fiz apenas seis e chorei em cada uma delas. A
reunião ainda me causava aflições na boca do estômago. A psicóloga pediu
que levássemos o Theo ao neurologista, Romeo foi comigo, foram feitos
exames e entregues diretamente na clínica. Estava muito preocupada que
Theo tivesse algo além, por mais que Romeo dissesse para não ter medo, que
o resultado de um exame era bom para cuidarmos dele adequadamente, sentia
pavor de ver meu menino sofrendo.
Levantei sem sono, me enrolei no roupão e saí do quarto para não
atrapalhar o sono do Romeo. Olhei a pimentinha da Samantha toda torta na
cama. Ela deu trabalho por uma semana e sem a babá que estava gripada foi
bem intenso. Estava acostumada, porque sempre trabalhei fora e cuidei do
Theo, mas Romeo e Kira não estavam.
Romeo não queria ver Lydia pintada de ouro. Descobrimos que ela
compartilhava a colher com Samantha, comendo do mesmo prato. Achei que
Romeo fosse explodir.
Não sabia que decisão tomou em relação a Lydia. De fato era muito
apegada a Samantha e essa atitude só mostrava que não sabia mais separar
que cuidar da Samantha era seu trabalho e não a sua vida pessoal. Dividir a
colher com seu próprio filho era normal. Estava cansada de dividir os
mesmos utensílios com Theo e ele nunca ficou doente. Romeo fazia o mesmo
com a Samantha.
Olhei Theo dormindo tão pacífico e meu coração encheu de acalento.
Sua cama estava cheia de bonecos. Romeo e ele fizeram tanta bagunça que
quase acordaram Samantha e tive que sair do quarto dela para brigar com
eles.
Minha vida parecia um sonho bom e não queria acordar. Estava tão
feliz, tão completa e vivendo algo que no passado parecia impossível.
Desci a escada silenciosamente, bebi água e resolvi fazer um chá. Os
pais do Romeo trouxeram uma seleção de legítimos chás ingleses e era um
mais gostoso que o outro. O meu favorito era o Flavored. Preparei uma
caneca e sentei na sala de verão, enrolada em uma manta para me aquecer.
Romeo deixava os quartos mais quentes que o restante da casa a
noite, algo sobre o uso do gás e seu medo de ter um vazamento enquanto
todos dormem. Ele também não deixava as janelas completamente fechadas,
para ter circulação de ar puro.
Me encolhi no sofá, com muito frio e acabei cochilando.
Caminhando pelo corredor do prédio da minha mãe, as paredes
estavam com gelos, me abracei para me aquecer e empurrei a porta do
apartamento da Margareth. Ela estava deitada no sofá, coberta e puxei o
lençol, me deparando com seu corpo assustadoramente congelado e morto.
Soltei um grito e sentei no sofá. Imediatamente lembrei de segurar o
Tim sem vida em meus braços, esperando a ambulância chegar, achando que
se pudesse aquecer e soprar ar aos seus pulmões ele poderia voltar a vida. Eu
tinha dezesseis anos e nunca estive tão assustada, com tanto medo e me
sentindo tão sozinha.
Fechei meus olhos e me permiti chorar por um tempo, devo ter
adormecido novamente porque acordei com um toque leve na minha perna.
— O que aconteceu? — Romeo me cobriu com a colcha. — Está tão
gelada.
— Perdi o sono e não quis te acordar. — Abracei-o ao ser erguida
em seu colo. Romeo subiu as escadas comigo no colo e brinquei que
academia fazia efeito.
— Tomei um susto ao virar na cama e não te encontrar, ainda bem
que não sou cardíaco. Sabe que pode me acordar, baby. Sempre que precisar.
— Beijou minha testa. — Você está gelada pra cacete, Juliet.
— Estava coberta…
— Na sala que ainda tem ligação com o aquecedor. — Me depositou
na cama e segurou minhas mãos frias. — Como conseguiu ficar lá?
Encolhi os ombros sem saber como responder. Talvez tivesse a ver com
minhas lembranças de segurar o Theo tão frio e de sonhar com minha mãe
tão azul quanto. Romeo pegou meias e colocou nos meus pés, me envolveu
no edredom e deitou atrás de mim.
— Você teve esse trabalho todo e a única coisa que quero é que você
me aqueça. — Me desvencilhei das cobertas. Sentei em cima dele, tirando
minha camisola e em seguida beijando sua boca. Romeo ficou arrepiado com
a minha pele gelada contra a sua bem quente.
— Peitos gelados. — Lambeu meus mamilos.
— Não vai sair sorvete.
— Ainda não. — Chupou meu bico, raspando os dentes e suspirei.
— Um dia vai sair leite mesmo.
— Isso é alguma fantasia com mulher grávida, palhaço? Esses dias
você falou que a minha bunda cresceu!
— Será a minha primeira vez com minha mulher gravida, tenho
planos e algumas fantasias. Além do mais, meu comentário sobre sua bunda
foi um elogio a sua dedicação na academia. — Sorriu perversamente e
apertou minha bunda com força. — Deita aqui, de lado, vou te deixar
aquecida e pronta para dormir ou vou começar a te foder de novo sem querer
parar como lá embaixo.
Romeo sabia muito bem como me colocar para dormir. Ficamos
agarradinho depois de namorar e acabei adormecendo.
De manhã na mesa, Samantha ficou tirando onda com a minha cara ao
zoar seu café da manhã. Como ela só melhorou sexta-feira, depois de uma
semana inteira com as madrugadas intensas com sua garganta inflamada,
ainda achava cedo enviar para creche. Theo estava quase pronto, nunca
arrumava as crianças antes de comer, seria estupidez sem tamanho.
— Samantha... — Avisei severamente se ela batesse aquela colher
de novo no prato. A segunda vez voou banana até na gravata do Romeo.
— Beijo, Julilet.
— Beijo agora não, come tudo e depois beijos.
— Mamadedeira. — Pediu com o biquinho mais lindo do mundo.
— Come só mais um pouquinho, cadê a minha boquinha nervosa?
— Choraminguei e ela riu da minha cara, tentando enfiar a colher da sua
banana amassada com aveia bem na minha boca. — É para você comer.
Peguei a colher da sua mão, fazendo aviãozinho e mais o que fosse para
ela abrir a boca. Estava tentando reduzir a mamadeira. Romeo a manteve por
perto porque Samantha só conheceu a mamadeira como acalento, ela foi
rápida em pegar o copo de bico e nós já demos copos sem bico para beber.
Essa semana ela estava se recusando comer para ficar grudada em um de nós
apenas mamando.
— Tive que trocar a gravata. — Romeo voltou para sala. — Vamos
escovar os dentes, Theo?
Educar duas crianças era um processo muito difícil. Eu nem fui
educada e terminei de me formar como pessoa, eu acho. Mas agarrei a
educação do Theo como se fosse a menina que engravidou aos dezesseis
anos. Era a única responsável da casa. Dividir a responsabilidade e a
educação com outra pessoa era simplesmente incrível. Ver o Theo com uma
referência masculina positiva me deixava muito tranquila.
Tinha tanto medo do Rick fazer algo com Theo ou acabar sendo uma
influência muito negativa na vida do meu bebê.
G era um amigo muito dedicado, feroz e nunca nos abandonou. Mas ele
não tinha um osso paterno naquele corpinho. Toda vez que o Theo chorava
praticamente corria para longe. Romeo era do tipo de tirar o próprio coração
para dar às crianças. Theo e eu tínhamos muita sorte.
Isso me fazia pensar no Tim. Como teria sido a minha vida criando
duas crianças sendo uma criança e praticamente sozinha? O que Margareth e
Rick poderiam ter feito?
— Julilet? — Samantha me chamou tirando do transe e sequei
minha lágrima. — Sammy tá aqui. — Sorriu me dando tapinhas e beijei seu
narizinho arrebitado. Romeo estava me olhando, fiquei tão imersa que não o
ouvi voltar com Theo já vestido com seu uniforme.
Antes que pudesse falar, ouvi a porta da frente abrir e Theo sorriu
identificando a pessoa que estava entrando.
— A Vovó chegou! — Jane gritou e as crianças ficaram
imediatamente felizes. Samantha desceu do caldeirão alto sozinha e como
nunca a vi fazendo aquilo, fiquei surpresa. Nem ali a garota ficaria presa! —
E trouxemos presentes!
— Eba!
— Mãe! O que pedi sobre trazer presentes todas as vezes que vir
aqui? — Romeo olhou severamente para sua mãe. Guy entrou em casa com
várias caixas embrulhadas.
— Romeo, meu filho. Você tem netos? — Jane sorriu na maior cara
de pau.
— Claro que não, mãe!
— Então quando você tiver netos, controle-se em dar presentes a
eles porque eu não vou parar! — Piscou e soltei uma risada. Guy e ela
ajoelharam com as crianças, tirando as caixas dos sacos e distribuindo os
mimos. — Vovó vai tomar conta da Samantha para o papai e Juliet saírem,
depois de buscar o Theo na escola, nós vamos ao cinema!
— Não é uma boa ideia levar a Samantha ao cinema, ela acabou de
se recuperar de uma gripe para ficar em um ambiente fechado com outras
pessoas. — Romeo estava jogando água na festa da mãe dele.
— Meu filho, sou uma médica pediatra, avó e mãe. Sei bem o que
faço.
Romeo só ergueu as mãos e voltou para mesa para terminar seu café da
manhã. Sem fome, olhei para o meu prato praticamente intocado e avisei que
iria terminar de me arrumar. Subi a escada sentindo os olhos do Romeo em
mim.
Vesti minha ankle boot de salto quadrado, estava de calça preta, uma
blusa cinza de manga longa e um sobretudo caramelo. Adoro usar cores
fortes com tons mais sombrios. Me olhei no espelho, pálida, com olheiras e
decidi abusar da maquiagem.
Desci pronta, pegando minha bolsa e a mochila do Theo.
— Há algo errado com você. — Jane me abraçou e me olhou
carinhosa. — Te conheço há tão pouco, mas já sinto você bem aqui no meu
coração de mãe.
— Tive um sonho ruim. — Encolhi os ombros e meus olhos
encheram-se de lágrimas.
— Ah, querida. Vem aqui. — Jane me abraçou apertado. — Sonhos
ruins não são a nossa realidade. Vai ficar tudo bem, mais tarde vamos
compartilhar uma garrafa de vinho e conversar sobre isso. Se for sobre o
Romeo, pode contar para mim, adoro brigar com ele.
— Seu filho é um sonho muito bom.
— Ei amor, vamos nos atrasar. — Romeo apareceu na sala e franziu
o cenho ao me ver abraçada com sua mãe. — Está tudo bem?
— Está sim, baby. — Sorri e peguei sua mão.
Theo foi falando no banco de trás sobre seu novo carro igual ao do
homem de ferro. Era tão bom vê-lo feliz. Fiquei ouvindo suas pérolas,
olhando a cidade meio cinza devido a garoa e o tempo frio. Assim que
chegamos na escola, ele foi dar a mão para uma das auxiliares da sua turma
acenando a distância.
Romeo tocou minhas costas, acenamos juntos e devido a hora,
voltamos para o carro.
— O que está acontecendo? Você saiu da cama de madrugada, não
comeu agora de manhã e estava quase chorando com a minha mãe. O que
houve, amor?
— Eu tive um sonho ruim, com um acontecimento do passado, que
remete a morte e frio. Isso me deixou meio abalada, não sei. Só estou assim...
— Romeo segurou minha mão e segui olhando para janela enquanto ele
dirigia. — Tenho vivido dias tão felizes. Minha vida parece um sonho
agora... Não quero acordar.
Romeo beliscou minha coxa do nada e doeu, soltei um gritinho e bati
na mão dele.
— Pareceu bem real agora? — Sorriu torto e não aguentei, rindo do
seu jeito meio bruto de me consolar. — Foi só um sonho ruim, já passou.
Tudo que está vivendo agora é real e não sinta medo, estou aqui com você.
Beijei sua mão, deixando as palavras dele entrarem meu coração e
relaxei.
Chegamos a clínica exatamente na hora, pedi desculpas por não chegar
com antecedência e a recepcionista disse que não tinha problema, que já
podíamos entrar. A Dra. Maxwell era a psiquiatra responsável pelo
atendimento do Theo e a Dra. Rowell, psicóloga e doutoranda em TEA
(Síndrome de Espectro Autista).
Começamos pelas primeiras sessões do Theo, elas nunca falavam o que
era feito com ele, apenas o relatório geral e passamos para surpreendente
evolução dele. Ao abrir o laudo do neurologista, ela usou termos que não fez
nenhum sentido para mim, mas Romeo respirou pesado ao meu lado e
inclinou-se para frente.
— Desculpa... Mas o que ele tem?
Romeo segurou minha mão e apertou.
— Theo não é autista, Juliet. — Dra. Maxwell disse com muita
calma e um sorriso tranquilo. — Ele não precisa de cuidados especiais em
relação a isso porque não participa do quadro de TEA. Foi erroneamente
diagnosticado devido a grande introspecção dele.
— Ai meu Deus! — Levei minha mão ao coração.
— Theo não precisa de cuidados relacionados ao autismo, ele tem
fortes traumas, como receio ao toque exatamente como você tem e é muito
apegado a você. É o seu ponto de segurança. E devido ao ambiente que vocês
viviam, certamente ouviu muitas coisas, a criança absorve muito a emoção da
casa e isso fez com que ele fosse se fechando, retardando seu crescimento...
— Engoli seco, voltando a tremer e lembrar do passado. — Já vimos uma
gigante mudança nele e em você somente em poucas sessões. Essa reunião é
para garantir que o Theo está livre do diagnóstico do autismo, mas vocês dois
ainda precisam continuar o acompanhamento. É para o bem dele. Agora que
saíram do ambiente emocionalmente pesado que viviam é muito importante
focar nos cuidados da saúde emocional de vocês.
Desabei a chorar. Foi um misto de culpa e alívio. Culpa por não ter tido
a coragem de sair com o Theo antes, alívio por não ter autismo, apenas por
causa do quadro clínico. Nunca foi um problema ou um preconceito, apenas
uma preocupação enorme de acabar desenvolvendo fobias, tornar-se
agressivo ou depressivo ao ponto de ser medicado.
— Está tudo bem ficar aliviada, Juliet. Você faz um trabalho incrível
criando aquele menino e sua presença na vida dele é como um sopro de ar
puro. — A Dra. Rowell segurou minha mão e apertou.
Terminada a reunião depois de pegar o novo laudo do Theo, saímos da
sala e abracei ao Romeo bem apertado. Não havia palavras o suficiente para
descrever o que estava sentindo. Precisava contar a Margareth mesmo ela não
merecendo.
No carro, a caminho de uma reunião que iria esperar o Romeo para
depois irmos a uma consulta médica dele, apenas um check-up.
Resolvi ligar para o G. Só consegui falar com ele no momento que
Romeo entrou na reunião com seu gerente do banco e fiquei do lado de fora.
— Você precisa se perdoar, Juliet. — G falou suavemente. — Não
foi sua culpa... Foi assim que Deus quis. A vida do Tim teve um propósito
apenas no tempo que Deus quis. Sei que é difícil aceitar que não falhou...
Você foi a única a fazer algo por ele naquele dia, tenho certeza que sentiu
todo seu amor e dedicação.
— Obrigada, G. Tem razão. Devo pensar positivamente nele. —
Encerrei a chamada ao ver Romeo acenando da sala de vidro. — Oi, amor.
— Preciso que assine, baby. Isso é um contrato da sua nova conta, o
fundo universitário do Theo e nosso acordo de bens. Leia com atenção. —
Me entregou a caneta e sentei do seu lado, achando estranho. Já não tinha
assinado isso antes? Fundo universitário? Theo tinha quatro anos!
Dei uma lida por alto e alguns itens me chamaram atenção. Não era
possível.
— Romeo Blackburn! Nós tínhamos que ter conversado sobre isso...
Não sabia que podíamos fazer isso em um banco.
— Aqui é o escritório do meu advogado. Conheça o assistente dele...
James. — Dei um aceno ao homem sentado a nossa frente.
— E a sua família? Seus pais? Isso é sério? Só assinar?
— Apenas assine, Juliet. — Inclinou-se e tirou meu cabelo da frente
do meu ouvido. — Eu cuido da minha baby, lembra?
Meu coração parecia que ia explodir no peito.
— É muito... — Virei e calou minha boca com um beijo. — Isso
significa para sempre, Romeo.
— Eu sei. — Sorri emocionada. Só ele podia fazer aquilo, na
grandeza que era, algo tão simples como assinar. Corei com o advogado
tentando fingir que não estava na mesma sala que nós dois. Peguei a caneta e
assinei as linhas pontilhadas. — Agora você é minha.
Mais lágrimas caíram do meu rosto e eu não podia me conter, me
joguei nele. Romeo sorriu e ouvi a porta abrir, um gritinho de beijo muito
conhecido e risadas. Olhei para trás e vi os pais do Romeo, George, Gail,
Kira e as crianças vestidas formalmente. Guy e G seguravam flores.
— Estou toda bagunçada! — Abanei meu rosto quando vi um
fotógrafo entre eles. — O que é isso, amor?
Uma porta de mogno foi aberta e uma homem usando uma espécie de
beca entrou na sala, carregando um grande livro.
— Podemos começar? — Perguntou com uma voz potente. — As
testemunhas podem se aproximar?
George e Kira aproximaram-se. Romeo segurou minhas mãos e apertei,
chorando.
— Preparei essa surpresa para você logo após a reunião sobre o
Theo porque independente do resultado, sempre estarei do seu lado e quero
criá-lo com você. Quero lutar na justiça por ele, dividir a criação da
Samantha e a cada dia construir nossa família que já é perfeita. E acima de
tudo, quero te fazer minha de todas as formas porque te amo muito. Você
aceita? — Sem conseguir parar de chorar, sorri e balancei a cabeça.
— Eu já assinei, é claro que sim.
— Aquele foi só nosso acordo... Agora é para valer. — Inclinou a
cabeça ao homem que entendi ser um juiz de paz. Seu nome no crachá era R.
Thompson.
— Como a noiva já disse sim... — Ele abriu o livro no meio, havia
mais folhas com ele e não conseguia enxergar nada com a visão borrada de
lágrimas. — Romeo Blackburn, aceita a Srta. Juliet Elizabeth Gale como sua
legítima esposa?
— Sim. Repetidamente sim. — Romeo respondeu me olhando.
— As alianças. — Juiz Thompson pediu ao George, que tirou uma
caixinha do bolso e entregou ao juiz. — Repita comigo, Juliet. — Entregou a
aliança do Romeo. Era de ouro branco, aro grosso, pesada e tremendo,
segurei a mão dele, deslizando a aliança em seu dedo. Na vez do Romeo,
soltei um suspiro ao ver a minha aliança... Era tão linda. Um diamante oval
maior e outros pequenos ao redor. — Pelo poder declarado a mim através do
Estado de Nova Iorque e em todos os Estados Unidos da América, vos
declaro marido e mulher.
— Eu te amo tanto! — Me joguei nele.
Romeo me ergueu do chão e beijei sua boca com as palmas da nossa
família. Chorando, ergui minha mão com aliança para eles e soltei um
gritinho. Theo comemorou sem entender, perguntando o que era meu anel no
dedo e Samantha estava querendo meu colo, começando a chorar.
— Seu nome agora é Juliet Elizabeth Blackburn. — Juiz Thompson
me informou.
Ganhei um casamento surpresa, que dia louco e maravilhoso!
dezenove

Romeo.
Não aconselhava preparar um casamento surpresa quando não se tinha
a certeza dos sentimentos da pessoa ao seu lado. Muito menos se duvidava o
quanto seria capaz de amar alguém pelo resto da sua vida. Quando casei a
primeira vez, não senti nada. Não estava nervoso, nem preocupado, muito
menos empolgado. Foi como uma transação de negócios simples, meu corpo
estava lá e minha mente não.
Sentindo o que sentia por Juliet, reforçava ainda mais o quanto errei
comigo mesmo e com Sophia. Porque os sentimentos avassaladores por Juliet
eram como um trator, esmagando qualquer relacionamento que tive na vida.
Então, um dia na semana anterior, acordei e percebi que queria aquilo
oficialmente para sempre.
Samantha dormia em cima da Juliet e Theo estava com o pé na minha
costela. Eu queria mais crianças na cama no futuro, queria fazê-la feliz, estar
ao seu lado em cada maldito momento e apoiar seus passos. Se ela caísse,
estaria lá para levantar, se ela sonhasse, iria mover mundos para realizar.
Tudo que Juliet quisesse daria a minha dedicação. Era muito além de ser a
minha baby. Só aconteceu de a mulher da minha vida ter nascido quase vinte
anos depois.
Liguei para minha mãe e contei o que queria fazer. Ela perguntou se a
amava mesmo odiando-a, se estava disponível para passar por tempestades,
por entender seus sentimentos e respeitá-la. Eu disse sim efusivamente para
todas as perguntas. Minha mãe não questionou se era rápido demais ou que
ela era muito jovem. Apenas me pediu o número do sapato, roupa e o dedo
porque iria mandar o anel da minha avó.
Kira e minha mãe mergulharam nos preparativos de uma pequena
reunião com amigos mais próximos. Não convidei nenhum parente, apenas
meus melhores amigos e a nossa família. Escolhi o cardápio, o local, os
vinhos e pedi que meus pais ficassem com as crianças por dois dias enquanto
me refugiava com minha nova esposa para uma prévia da nossa lua-de-mel.
Juliet não percebeu nada, imersa em Samantha com a garganta
inflamada, envolvida no que faltou da reforma da casa, cuidando do Theo e
de mim. Toda vez que as crianças dormiam, era a minha vez de cuidar dela
do jeito que merecia. Cada noite afirmei sem palavras o quanto a amava e
senti o mesmo. Não havia a mínima necessidade de dizer, apenas sentíamos.
E de manhã, mesmo com o dia nublado, sua tristeza em lembrar do
passado, decidi seguir em frente. Era prova de que estaria com ela em
qualquer momento da vida porque ela não corria quando chegava puto do
trabalho, não se abatia com as crianças doentes e nem pestanejou quando
qualquer um ao redor precisou dela. Juliet se doava intensamente e iria passar
a minha vida me doando a ela.
Depois de chorar um rio em nosso casamento civil, informei que ela
precisava ir para o salão se arrumar para o nosso jantar de casamento.
Empolgada, com os olhos brilhando, foi embora com as mulheres para o
salão. Todas teriam um dia de princesa, inclusive a pequenininha.
Infelizmente, sua mãe não quis vir e sabia que Juliet ficaria triste ao
saber depois.
— Já que de assistente fui promovido a padrinho, vamos fazer a sua
despedida de solteiro arrumando essa aparência de pai que não dorme há uma
semana para ser um noivo muito bonito para sua baby. — George me agarrou
pelo terno junto com meu pai.
Enquanto cortava o cabelo ouvindo meu pai ficar extremamente
chocado com George e suas aventuras, recebi uma foto da minha mãe que me
fez sorrir ainda mais.
Juliet estava na cadeira do salão, inclinada, com um homem enrolando
bobs em seus cabelos e Samantha estava em seu colo, com um bob também.
Era a foto mais bonita de todas. Peguei a foto que meu pai tirou antes de
começarmos nosso atendimento, estava agachado, apontando para o alto e
Theo estava entre minhas pernas com os bracinhos ao redor do meu pescoço.
Como as duas fotos não dava para ver o rosto das crianças, postei no
meu instagram corporativo. Raramente postava algo pessoal ali, exceto em
datas comemorativas. Essa era uma data comemorativa e importante de ser
anunciada. A primeira foto seria das minhas meninas e a segunda dos
meninos da casa. A legenda dizia “Meninas e meninos em seus preparativos
#WeddingBlackburn”.
— Gostou do seu corte de cabelo? — Virei minha cadeira para o Theo.
— Estou um gato. — Ele ergueu o polegar, me fazendo rir e derreter no
lugar.
Me arrumei no hotel com Theo. Juliet já estava se arrumando, na
suíte que passaremos a noite. Não teremos uma lua-de-mel imediatamente
devido a minha agenda e em breve faríamos uma à um local de praia, que
sempre era a escolha da Juliet para nossa primeira viagem a dois. Com as
crianças, queria ir a Disney.
Theo usava uma miniatura de terno de três peças igual ao meu. O
fotógrafo tirou algumas fotos minhas sozinho, outras com meu pai e Theo.
Desci para o salão cumprimentando os convidados que já estavam lá. Meus
amigos Adam, Joe e Chris ficaram me importunando sobre o rápido
casamento. Dani e Gisele estavam empolgadas, choraram com o vídeo que
George gravou com a reação da Juliet e disseram que mesmo inesperado, foi
muito emocionante.
Quando minha mãe desceu com Kira, Sra. Blunt e Samantha, soube
que Juliet estava pronta. Nós não iríamos fazer nenhuma cerimônia, seria
apenas uma comemoração com aquele seleto grupo de quinze pessoas que
faziam parte da nossa vida.
Uma versão animada de Can’t Take My Eyes Off You começou a tocar e
as portas duplas do salão foram abertas por funcionários, revelando uma linda
Juliet com seu vestido de noiva. Era obviamente branco, mas não comum, era
simples, minimalista, moldava seu corpo, com uma cintura de pedrarias, justo
até os pés com um pouco mais de tecido seguindo-a. Seu cabelo estava preso
no alto, a franja de lado e alguns fios soltos.
Usava a correntinha que dei a ela, sua nova aliança e uma pulseira.
Era a noiva mais linda do mundo inteiro.
Sorrindo do seu jeito malandro, andou até a mim com os ombros
balançando no ritmo da música. Encurtei nossa distância, agarrando sua
cintura e beijei sua boca maravilhosa. Nós dançamos a música sem desviar o
olhar do outro e com uma séria dificuldade de manter nossas bocas afastadas
do outro.
Nossos convidados levantaram e nos aplaudiram, cada um vindo dar
um beijo e um abraço. Os garçons começaram a servir as bebidas e as
entradas. Fomos levados a outro canto do hotel para fazer as fotografias que
minha mãe tanto insistia. Fizemos milhares sozinhos e gostava dos momentos
que o fotógrafo pedia para beijar diferentes partes da minha mulher.
— Não posso acreditar que sou a sua esposa! — Juliet pulou no lugar.
— Você é. — Beijei sua boca e meus pais interromperam chegando
para fotografar conosco. Primeiro com meus pais, depois com Kira, depois
com eles e Kira novamente... Por fim, tiramos tantas fotos que ao voltar ao
salão ainda tinha com nossos convidados. Quando finalmente acabou a parte
chata, peguei uma bebida para nós dois e brindamos nosso casamento.
Juliet foi para o meio do salão dançar com Samantha. Minha filha
pulava no mesmo lugar, rodopiando em seu vestidinho bufante e rosa na
maior alegria. Theo olhava de longe, deixei minha taça em cima da mesa e o
peguei no colo, dançando de um jeito bem maluco só para arrancar suas
risadas. E eram as mais bonitas de todas!
Nosso jantar de casamento foi mais divertido que muitas festas que
frequentei. Nós bebemos, comemos, ficamos na mesa grande conversando e
rindo por horas. Também dançamos juntos, empolgados com as músicas e já
disse que bebemos? Desde que a Samantha nasceu que não me dou a
oportunidade de beber até pirar.
Juliet e eu subimos para nosso quarto aos beijos e tropeços, nós quase
caímos duas vezes e erramos a porta. Ao chegar na suíte que era muito
especial para nós dois, virou de costas e pediu que tirasse seu vestido. O zíper
era fino e longo, aos pouquinhos foi me revelando que Juliet não usava sutiã
e só uma micro-calcinha branca sem costuras.
— Tudo para não marcar. — Virou de frente e seus mamilos estavam
cobertos por adesivos brancos em formato de coração.
— Isso é sexy, baby.
Sem paciência e me empurrando na cama, disse que estava muito
excitada para enrolação e tivemos o primeiro sexo meio bêbado do nosso
casamento. E depois apreciamos o tempo com mais calma. Nós dormimos
pouco e esquecemos de fechar as cortinas do quarto, fomos acordados com a
luz do dia no rosto.
Juliet rolou para cima de mim exatamente como a primeira vez que
dividimos essa cama.
— Senti um arrepio quando entrei nesse quarto ontem, lembrei do
quanto me senti atraída, tomada pela sua presença e o quanto nós nos
conectamos com facilidade. — Sua mãozinha acariciou meu pau e inclinou o
rosto, beijando por cima da coberta. Fiquei arrepiado ao sentir sua língua
através da aspereza do tecido. Engatinhou para cima de mim com seu sorriso
safado. — Estava exatamente assim, com roupão e você apenas coberto. Nós
não aguentamos e você meteu sem camisinha. — Esfregou-se no meu pau
que já estava pronto para brincadeira.
— Foi a porra de uma delícia e farei exatamente o mesmo agora. —
Tirei seu roupão, puxei o lençol do meio e Juliet agarrou meu pau, esfregando
a cabeça no clitóris, pressionando na sua entrada, espalhando umidade e
chupei seus peitos. — Você não fez isso da primeira vez.
— Era uma menina tímida. Agora sou sua esposa. — E sentou
lentamente.
— Porra! — Joguei minha cabeça para trás com suas reboladas. Ela
estava me apertando propositalmente, fazendo sucessivamente os
movimentos com o quadril que já tinha aprendido a ter um pouco de
resistência.
Segurando sua coxa, tombei-a na cama e mantive seus joelhos
dobrados colocando um travesseiro embaixo da sua bunda. Juliet soltou um
assobio ao me acomodar novamente e empurrei fundo, minha pélvis batendo
contra sua bunda misturado com seus gemidos eram música para meus
ouvidos. Gozando, se contorceu e a mantive firme no lugar, mesmo que suas
coxas tremiam contra mim.
Estava quase lá, minhas bolas contraírem a vontade insana de meter
ainda mais forte até perder meus sentidos.
— Vai, amor. Bem fundo. — Gemeu mordendo o lábio. — Isso,
amor. Fode sua baby... — Arranhando meus braços, abriu a porra do sorriso
mais lindo. — Vem pra mim, meu marido. Eu te amo!
Foda-se. Gozei com tudo e caí por em cima dela, sendo abraçado
enquanto minha respiração acalmava.
Continuamos deitados na cama por um bom tempo, relaxando e
namorando até que a campainha do quarto tocou. Me enrolei no roupão para
receber nossa comida programada. Comemos assistindo o mal tempo revirar
a cidade, telefonamos para as crianças, conversando com o Theo que não
faltava muito para nos vermos. Samantha ainda não tinha noção do tempo e
distância, já o Theo conseguia sentir nossa ausência em um longo tempo.
Como estava chovendo muito e a temperatura praticamente
despencou, decidimos não sair e aproveitar o máximo de tempo para ficarmos
sozinhos. Juliet dançou, comeu frutas com chocolate, me provocou
impiedosamente, tomamos muitos banhos juntos e transamos a maior parte
do tempo. Nunca era entediante ficar sozinho com ela.
Saímos do hotel no final do dia seguinte, com as poucas malas que
ficaram conosco e Dan nos conduziu até um restaurante para encerrar a
comemoração do nosso casamento. Juliet escolheu o Manhatta, um
restaurante que ficava no sexagésimo andar e se o tempo não estivesse tão
ruim, seria uma visão linda, mas a minha esposa estava interessada no
cardápio.
Juliet me fez pedir frango porque queria comer lagosta – e provar o
meu prato. Minha entrada também foi pitaco dela. Ela queria comer tudo,
pedi seu vinho favorito e dividimos a sobremesa que era um delicioso parfait
de blueberry. Ir a restaurantes com ela era sempre uma experiência divertida.
Seu telefone vibrou no momento que pedi a conta e leu a mensagem
com um semblante sério.
— G está dizendo que a minha mãe ainda não apareceu. — Colocou
seu telefone de volta a mesa e se abraçou como se sentisse frio. — Ele disse
que foi até lá falar com a minha mãe do casamento, se ela queria ir jantar
comigo e não estava. Agora parece que não voltou, está tudo do mesmo jeito.
A enfermeira não a viu sair...
— Amanhã iremos lá cedo e se não aparecer, colocaremos alguém
atrás dela.
— Sei que desaparecer é comum entre viciados, mas ela nunca
sumiu antes. Não consigo não me preocupar.
— Não sinta culpa por preocupar-se com sua mãe, isso prova o seu
bom coração e não o contrário. — Queria segurar a sua mão e ela ainda
abraçava a si mesma, sentindo frio que não havia no ambiente. Juliet
associava a sua mãe ao frio. Talvez pelo fato que foi assim que encontrou seu
pequeno irmão.
Paguei a conta e saímos do restaurante abraçados.
— Romeo Blackburn? — Um velho conhecido do meu pai me
abordou no saguão do prédio que ficava o restaurante. — Você se tornou um
homem bonito, garoto. — Sorriu e apresentei Juliet como minha esposa,
tentei ser sucinto, mas ele queria conversar.
Juliet se afastou pedindo licença para atender seu telefone e ficou
próxima a um lago artificial que iniciava o jardim de inverno, atendendo
sorridente e enquanto ouvia o que o velho chato falava, dividia minha atenção
nela, andando com seus saltos fazendo um barulhinho no piso.
Um homem entrou no saguão fugindo da chuva, não viu a Juliet logo
atrás dele e antes que pudesse gritar, ele esbarrou nela, derrubando seu
telefone no chão e como se estivesse em câmera lenta, a vi perder o
equilíbrio, indo cada vez mais para trás, desesperada e tentando segurar em
algo e não corri rápido o suficiente para impedir sua queda no lago
praticamente congelando.
Corri sem parar e pulei em seguida, puxando-a desacordada e gritei por
ajuda. Dois homens me ajudaram a tirá-la da água, deitei-a no chão não
entendendo porque estava apagada, era um lago relativamente raso. Vi um
filete vermelho escorrer entre a água do seu cabelo, procurei por um
machucado e não encontrei-o imediatamente. Tirei meu casaco e outras
pessoas entregaram os seus, para aquecê-la. Estava tão fria.
— Por favor, amor. Acorda.
— Eu sinto muito, não a vi... Está desabando o céu lá fora. — O
homem que a derrubou pulou na água comigo e estava tremendo.
— Baby, acorda. Juliet, acorda! — Balancei seu corpo gelado.
Agitando os olhos, agarrou minha camisa molhada e reclamou que
estava sentindo muito frio e sua cabeça doía. Abriu e fechou os olhos
diversas vezes, choramingando de dor.
A ambulância só chegou rápido porque a estação de bombeiro era
exatamente na rua de trás. O paramédico pediu para me afastar e recolhi o
telefone dela no chão. Estava intacto mesmo com a queda. Eles a colocaram
em um cobertor térmico, um colar cervical e me permitiram ir junto,
entregando um cobertor para me aquecer.
A ambulância correu pela cidade, segurei sua mão fria e não
demoramos a chegar no hospital.
— O senhor está ferido? — Uma enfermeira me impediu de seguir a
maca da Juliet até uma área fechada. — Deixe que os médicos cuidem dela,
vem, vamos aquecer o senhor o também.
— Preciso ficar com ela!
— Os médicos precisam ficar com ela, está bem? Vem comigo. —
Me puxou pela manga, levando até outra área, entregando uma roupa
hospitalar seca para tirar minha roupa molhada e não congelar. Estava tão
agitado que não sentia frio, apenas medo.
Liguei para meus pais para avisar o que aconteceu, nervoso, mal
conseguia preencher a documentação de entrada.
Juliet estava sentindo frio. Como isso poderia ter acontecido?
Principalmente depois de saber que sua mãe estava desaparecida. Isso não
podia ser a porra de um sinal. Andei de um lado ao outro, ansioso, sem
notícias e quando meus pais chegaram não conseguia falar direito. Minha
mãe ficou comigo, tentando me acalmar e meu pai usou seu conhecimento
para entrar na área restrita e buscar informações.
— Romeo? — Meu pai apareceu novamente. — Pode vir comigo...
Ela já foi para um quarto.
Levantei tão rápido que quase derrubei minha mãe, seguindo meu pai
pelo corredor hospitalar até um elevador. Saímos no quarto andar e meu pai
abriu a porta do quarto 403, onde algumas enfermeiras ajudavam Juliet a se
acomodar na cama e envolviam um cobertor em seus ombros.
— Ela precisou ser aquecida, por isso na demora em te dar alguma
notícia. Foi feito uma tomografia e o corte na cabeça foi bem pequeno. — A
enfermeira sorriu para meu estado de pânico. — Ainda está com frio, porém,
sua temperatura está normal.
— Oi amor, vem aqui. — Juliet esticou a mão e só a abracei. —
Aquela água estava muito gelada. Foi como cair em uma parede de gelo,
desculpa te assustar.
— Está tudo bem, foi um susto. Aquele idiota tinha que prestar
atenção por onde anda. — Beijei seus cabelos e estavam secos, alguém deve
ter secado para ajudar a aquecê-la. — Está sentindo dor? Está bem?
— Estou só com um pouco de frio. Queria beber algo quentinho
para passar essa sensação. O médico disse que volta daqui a pouco com o
resultado da tomografia, se estiver tudo bem, irei para casa hoje. Só me
cuidar para não pegar uma gripe.
— Há uma máquina de chá e café no fim do corredor a direita, pode
tomar um pouquinho chá. — A enfermeira terminou e saiu com a prancheta.
Meu pai saiu para comprar o chá e minha mãe ficou toda hora tocando
Juliet para sentir sua temperatura. Meu pai trouxe chá e minha menina bebeu
calmamente encostada em mim. A enfermeira trouxe o saquinho com as joias
dela e nossas roupas molhadas, assim como os sapatos. Liguei para Dan e
pedi que buscasse meu carro no estacionamento lateral do restaurante e
trouxesse a mala de roupas que estava no porta malas.
— As crianças já estavam dormindo quando saíram? — Juliet
perguntou e pulou com o barulho que seguiu do clarão no céu.
— Estavam sim. Kira está com eles. Estávamos bebendo um vinho e
conversando na sala quando Romeo ligou. — Minha mãe segurou as mãos
dela provavelmente querendo sentir se estavam geladas. — Temos que tomar
uns cuidados nos próximos dias, nada de sair, vai ficar em casa. Sem pegar
ventos fortes…
— O médico disse que estou bem.
— Mesmo assim! Pode ter febre, uma gripe forte ou alguma crise
respiratória. Parece que foi rápido, porém, se usaram o cobertor térmico é
porque sua temperatura estava baixa, não o suficiente para seu coração parar.
Mais um pouco o coração dela poderia ter parado? Fiquei arrepiado
de medo.
Dan chegou com a mala, troquei de roupa no banheiro e assim que saí
do banheiro o médico chegou com a boa notícia que estava tudo bem com
Juliet. Passou uma série de recomendações e medicações apenas em casos de
reações, aconselhou retornar caso sentisse fortes dores e febres altas. Assinei
sua alta, feliz por não ter que passar a noite no hospital e precisei dirigir meu
carro para que Dan levasse meus pais de volta.
— Que agitado começo de casamento, meu marido. — Juliet deu um
tapinha na minha perna. As ruas estavam um pouco alagadas e não dava para
ver muito as avenidas, por isso não desviei o olhar até pararmos no sinal.
— Significa que a vida nunca será entediante com você. Por alguns
minutos você me assustou, baby.
— Também fiquei assustada e o mais importante foi quando abri os
olhos e você estava ali.
— Sempre estarei.
Finalmente levei para casa minha esposa com um lindo sorriso
apaixonado enfeitando seu rosto perfeito.
vinte
Juliet.
Sentada no meio da minha cama em posição de borboleta, estava
aguardando meu marido encerrar a chamada e me contar as notícias.
Enfiando o telefone no bolso da sua calça de moletom e me olhou com pesar.
— Sinto muito, amor. Ainda não encontramos nada sobre onde sua mãe
possa estar. — Me olhou preocupado e deixei meus ombros caírem.
— E o que acontece agora?
— Vamos fazer o que o advogado aconselhou, daremos queixa dentro
de algumas horas e em seguida vamos começar a nos preparar para pedir a
guarda do Theo se ela não aparecer. — Sentou na cama e me inclinei,
abraçando-o. — Também mandei procurarem pelo Rick. Talvez tenha ido
atrás dele.
— Foi o que pensei. Ninguém da cidade vê o Rick desde que saímos da
casa. Nunca me importei se ele tinha parentes.
— Ela vai aparecer, baby. — Confortou e pensei positivamente, ela
estava bem, só chateada comigo e logo voltaria.
— Ela está bem, se disso. Deve estar com raiva por estar sem dinheiro e
a enfermeira marcando em cima, logo vai voltar. Sonhei que ela voltava,
então, vai acontecer. — Beijei seu pescoço. Romeo ficou arrepiado e sorri,
me apoiando em seus ombros e lambi o lóbulo molinho da sua orelha antes
de morder, suspirou e me puxou bruscamente para seu colo. — Não aguenta
nenhum pouquinho de provocação?
— Você me provoca o dia inteiro.
— Eu? Claro que não. — Me fingi de ofendida.
— Ontem você me levou para dispensa e chupou meu pau enquanto
fazíamos o jantar, baby. — Apertou meu nariz e sorri.
— Porque você estava apertando minha bunda, depois me pressionou
contra o balcão e enfiou a mão na minha calcinha, me tocando até me fazer
gozar enquanto a carne estava refogando. O jantar das nossas crianças, seu
pervertido! E eu sou a pessoa que provoca o dia inteiro? — Comecei a rir da
sua cara de pau. — E não reclamou, na verdade, ficou assim “ai baby, vai
mais fundo, assim... Que gostoso!” — Gemi fazendo a minha voz grossa
como a dele.
Romeo me deu um olhar maldoso e enfiou a mão dentro da minha calça
de moletom, sorrindo como um tarado ao descobrir que estava sem calcinha e
começou a esfregar meu clitóris lentamente, empurrando um dedo dentro e
me fodendo. Estava tão gostoso. Ele parou segundos antes que gritasse, já
gozando e tapou minha boca.
Meu marido me colocou deitada de bruços, apenas puxou minha calça
baixo o suficiente para expor minha bunda e ouvi o barulho da sua roupa.
Empinei minha bunda, senti seu pau deslizando entre minhas dobras e gemi.
Romeo estava apoiado na base das minhas costas, mantendo minhas pernas
juntas e estocando gostoso daquele jeito que ele parecia ainda maior e me
fazia sentir cada milímetro movendo dentro de mim. Sensível e muito
excitada não demorei muito para me desfalecer.
Mesmo meio sem ar, meus gemidos estavam abafados contra o
travesseiro e ele gozou, mas não parou.
— Você me deixa com tanto tesão que não consigo parar. — Gemeu
e apenas sorri. Amava o quanto ele era louco por mim. Saindo de cima, tirou
a camisa e a calça. Tirei minha blusa, chutando a calça para fora, prendendo
meu cabelo e enquanto me assistia, Romeo tocava a si mesmo como se meus
movimentos fossem extremamente excitantes. — Fica daquele jeito na parede
e bem quieta, a casa está cheia. — Bateu na minha bunda.
Esperava que um dia ninguém me perguntasse que marcas eram aquelas
na parede.
Saímos do quarto apenas na hora que as crianças acordaram. Seus
pais estavam na “sala de verão”, ouvindo música e conversando. Ainda
parecia incrivelmente surreal que Romeo me pediu em casamento e casamos
no mesmo dia. Meu sobrenome mudou assim como toda minha vida.
Cair no lago praticamente congelado foi um susto e tanto, ao mesmo
tempo, senti uma profunda conexão com meu sonho, o desaparecimento da
minha mãe e a constante lembrança do bebê Tim. George tinha razão,
precisava me perdoar, deixar essa história ir e viver minha vida de baby
casada.
Já disse que amava meu marido por fazer aquela surpresa incrível?
Meu telefone vibrou repetidas vezes e me estiquei ao máximo para
pegá-lo na mesinha com Theo deitado em cima de mim. Ele ainda estava
muito sonolento. Samantha já estava dando trabalho, se pendurando no
encosto do sofá e seu avô a segurava pela calça.
Romeo voltou para sala carregando alguns petiscos como amendoim,
queijos, salame e presunto parma. Serviu o vinho que seus pais bebiam e me
entregou uma taça.
— Ah, olha que lindo! — Virei a tela do meu telefone. — O fotógrafo
enviou as fotos do casamento! Estão lindas! E caramba, compartilhou uma
pasta no drive e tem muita foto. Ele perguntou quando podemos reunir para
escolher as do álbum.
— Acredito que quinta-feira, baby. Marque lá na empresa e avise ao G.
Sentando atrás de mim no sofá – realmente sentia uma vergonha do
caramba que seus pais viam bem ali uma cadeira tântrica -, começamos a
olhar as fotos. Era uma mais bonita que a outra. As espontâneas estavam
perfeitas. Muitos sorrisos, olhos marejados, muitas fotos em que a maioria
está gargalhando, se divertindo. Compartilhei a pasta com minha sogra e
Romeo, já selecionando algumas para postar no meu instagram.
Romeo disse que se não postasse coisas estritamente pessoais, minha
localização e fotos das crianças aparecendo seus rostos, uniforme e qualquer
coisa que pudesse prejudicar nossa segurança, não tinha problema deixar meu
perfil público. Decidi que não precisava me expor ao mundo e mantive
bloqueado.
Os amigos e a família dele começaram a me seguir, comentavam em
quase todas as fotos e apesar adorar as redes sociais, entendia totalmente a
orientação dele e evitava muito nos expor. Claro que os parentes dele ficaram
revoltados com o casamento porque não foram convidados. Romeo explicou
que foi apenas uma reunião e que ainda não decidimos fazer uma festa. Por
mim, aquela foi mais que o suficiente e bem do nosso jeitinho.
Selecionei dez fotos favoritas, criando um pequeno álbum e postei.
Romeo escolheu uma foto que estávamos dançando, testas unidas, narizes
tocando, trocando de sorrisos, minhas mãos estão em seus ombros e as dele
na minha cintura. Postou no seu instagram corporativo com a legenda
“Prazer em anunciar Sr. e Sra. Blackburn”.
— Você é tão fofo. — Beijei seu queixo.
— Quero amendoim! — Theo acordou e falou do nada, erguendo a
cabeça. Soltei uma risada, pegando alguns do pote e entreguei a ele.
Samantha estava chupando um pedaço de queijo que o avô deu a ela, nem
adiantava brigar com eles, faziam o que bem entendiam com a neta.
Gostava muito de conversar com os pais do Romeo. Eles eram calmos,
muito sábios e dedicaram toda a vida em salvar a vida de outras pessoas, seja
no hospital ou nos trabalhos comunitários. Conhecem muita gente, bem
relacionados e são muito compreensíveis. Os dias em que fiquei bastante
tempo sozinha com eles, acabei respondendo algumas das curiosidades
comuns sobre minha vida e contei minha história.
Não contei detalhes do que me levou a encontrar Romeo no hotel,
apenas disse que foi um encontro armado por G porque Romeo viu minhas
fotos e ficou muito interessado. Jane foi tão incrível comigo em minha crise
de choro sobre minha mãe, o bebê Tim e minha relação com o Theo. Pela
primeira vez senti que tinha uma mãe para conversar. Ela reafirmou que
nunca foi minha culpa.
Tivemos dias tranquilos em casa foi muito gostoso a sensação de ter
pais.
Romeo não me deixou colocar o pé fora do apartamento. Ele levava
as crianças na escola, Henri buscava e Jane me ajudava com eles durante o
dia até meu marido voltar. Como não trabalhou na empresa, estava muito
ocupado tendo reuniões em diversos lugares da cidade, até foi umas duas
vezes a D.C e chegando tarde da noite.
Por conta desses compromissos que não pudemos viajar em lua-de-mel,
não que me importava, dois dias sozinha com ele era perfeito em qualquer
lugar.
Os pais dele se despediram pouco antes do jantar, precisavam voltar
porque os cachorros estavam muito tempo sem eles. Agradeci a ajuda, o
carinho e já queria que voltassem logo. Samantha chorou não querendo que a
vovó que fazia todas as suas vontades fosse embora e Theo abraçou o seu
“vovô Guy” por um longo tempo.
— Pronto para começar tudo de novo? — Abracei Romeo ainda na
entrada do apartamento e ouvimos o som de algo caindo no chão.
Theo e Samantha estavam ao lado da escultura que Romeo ganhou dos
seus pais em uma das muitas viagens deles.
— Foi a Samantha. — Theo apontou e Samantha só enfiou o dedo na
boca, chupando, sinal clássico que fez besteira.
Romeo só respirou fundo, abaixou, segurou a mãozinha dos dois e
brigou sobre mexer nas coisas dele. Toda a casa era a prova de crianças,
quase não tinha eletrônicos no alcance das mãos, porém, Samantha aprendeu
a subir em qualquer lugar com uma facilidade impressionante. Estávamos
chamando-a de bebê macaco.
Samantha ensaiou um choro e acabei com o drama anunciando que
comeríamos pizza no jantar. Romeo comia pizza sem glúten, sem
conservantes, sem nada realmente gostoso. Até que aquela pizza era bem
gostosa porque as cozinheiras caprichavam nos recheios. Mas eu estava
sentindo falta de comer pizza cheia de molho de tomate e gordura.
Minha alimentação mudou muito, meu corpo também em consequência
disso. O número do meu jeans aumentou, estou com mais facilidade para
malhar, em dançar e meu corpo está mais definido. Como estava de castigo
imposto por Romeo, Afonso só passou exercícios leves e não fui para as
aulas de dança enquanto me recuperava do susto.
Finalizamos o domingo com muita tranquilidade, mas sabe o que
dizem sobre a calmaria... Em seguida vem a tempestade.
Romeo e eu malhamos com Afonso, arrumamos as crianças,
deixamos juntos na escola e antes de ir trabalhar, me deixou na porta do
estúdio de dança. Nos despedimos com um beijo e minha primeira aula era de
ballet clássico, foi divertida porque o professor me deu um arco de noiva e
ganhei felicitações das meninas.
Ainda empolgada por estar de volta, entrei na sala de dança moderna e
me entreguei ao som de vários ritmos do pop. Adorava o casal que dava aula,
eles eram muito animados e sensualizam bastante nas coreografias. Aprendia
muito para seduzir Romeo com minhas dancinhas.
— Estava com tudo hoje, Juliet! Assim que gosto! — A professora
maluca deu um tapinha na minha bunda, ri, me enrolei no cachecol, vestindo
o casaco e avistei Dan estacionado bem na porta do estúdio. Me despedi dos
colegas da turma, descendo a escada, assim que Dan me viu, abriu a porta do
carona porque raramente sentava atrás.
Tomei um susto na minha visão periférica vários homens correram na
minha direção com câmeras e flashes me cegaram por um momento que
quase errei a porta. Dan me protegeu com o corpo e tapei meu rosto com as
mãos, assustada com a brutalidade que eles estavam em cima do carro. Dan
empurrou seu caminho para passar, entrou no carro e saiu cantando pneus
mesmo com os paparazzis na frente.
— Que diabos foi isso?
— A mídia está dissecando o casamento secreto do Sr. Blackburn.
— Dan me deu uma olhada e pediu para colocar o cinto. Nervosa, minhas
mãos tremiam, fiz o que pediu e imediatamente peguei meu telefone
conferindo o que estavam falando sobre nós.
Algumas fotos vazaram, podia ser qualquer um no instagram de
vingança pelo não convite.
A mídia estava tentando descobrir o máximo de detalhes possíveis e
pareciam entrar em contato com a assessoria que não disse absolutamente
nada. Eles também fizeram um resumo do casamento com a Sophia, que
terminou devido a traição do Romeo e o nascimento da Samantha. A revista
afirmava que tentou um comentário da Sophia porque as famílias
permaneciam próximas.
Como se a opinião dela importasse…
— Eles estão nos seguindo. — Dan informou e olhei a hora, faltava
pouco tempo para buscar as crianças. Confusa sobre ir buscar as crianças ou
não, Dan pegou seu telefone, ligou para escola, perguntou se já havia
fotógrafos na frente da escola e alguém lhe disse que sim.
Conseguimos autorização para entrarmos pelos fundos, no
estacionamento dos professores e as crianças estavam ali com a diretora da
escola. Os fotógrafos se penduraram no muro mesmo com os seguranças do
colégio tentando tirá-los a todo custo.
— Sinto muito por isso, Sra. Blackburn. Assim que percebemos os
fotógrafos, entramos com as crianças e fizemos as atividades recreativas na
sala. — A diretora informou e peguei Samantha, ela me deu um beijo, mas
estava com os olhinhos arregalados. Cobri seu rosto com meu cachecol,
colocando na cadeirinha e fiz o mesmo com o Theo.
— O que está acontecendo? — Theo me perguntou quando entrei no
carro.
— Nós vamos brincar de pique-esconde. Quando falar já, vocês vão
tapar o rosto com o cachecol!
As crianças rapidamente ficaram animadas em cobrir o rosto. Dan se
preparou para sair e assim que dei o sinal, eles gritaram e taparam o rosto
tempo o suficiente para sairmos da escola. Entendia o medo do Romeo mais
do que nunca. Expor as crianças a mídia significava colocá-los em perigos
desnecessários.
Sem saber onde minha mãe estava e qual o acesso Rick tinha sobre
informações da minha vida, não queria que Theo fosse de conhecimento
público. Tudo que nós não precisávamos era mais alguém lutando pela
guarda dele, tentando tirá-lo de mim.
— Foi muito legal brincar de pique-esconde no carro! — Theo saiu
do carro animado. — Preciso fazer xixi! — Apertou o pinto e sorri, com
Samantha aninhada no meu quadril, corri com eles para o elevador. Eles
fizeram uma bagunça com o corre-corre.
Entrei em casa correndo para o banheiro mais próximo, levando Theo e
finalmente parei para respirar na correria. Por terem saído mais cedo, não
estavam limpos e nem almoçados. Troquei a fralda da Samantha, coloquei
pijama em ambos, dei o almoço com a ajuda da Tanny e em seguida deitei
com eles na minha cama.
Quando finalmente consegui levantar para tomar meu banho, havia
trinta e sete ligações perdidas do Romeo. Com uma imensa vontade de
aprontar, liguei de volta em chamada de vídeo apoiando o telefone no
espelho, ele atendeu sério e virei de costas, tirando minha roupa lentamente.
Romeo ficou em silêncio, observando, seu olhar estava afiado e mordia
a pontinha no lábio, exibindo um sorriso perigoso.
— Pelo visto você está muito bem.
— Ainda não. — Sentei na banheira, afastando minhas pernas e
Romeo assobiou, me toquei um pouquinho só para provocar e quando a
expressão dele estava muito excitada, soprei um beijo e encerrei a chamada.
Ele ligou de volta durante todo meu banho, que não foi rápido, afinal, além
de lavar o cabelo precisava relaxar um pouco.
Fiz uma massagem em mim mesma com óleos e cremes hidratantes,
escovei meu cabelo com muita calma, limpei toda minha sobrancelha
precisando marcar um horário no salão com urgência e meu telefone seguia
pulando no balcão de tanto que vibrava. Romeo bobinho, achava mesmo que
iria atender?
Quase caí dentro da banheira vazia ao ver a foto do pau dele, bem duro,
com as veias salientes e a cabeça brilhando. Mordi meu lábio e cliquei no
vídeo dele tocando a si mesmo, gemendo do jeito que me deixava maluca e
gozando na pia do banheiro do seu escritório.
“Olha como me deixou, sua safada!”
“Esposas provocadoras e mal comportadas apanham quando o
marido chega em casa. Terá uma surra de algo que gosta muito e é melhor
se preparar”
Romeo não sabia brincar enviando aquela mensagem, me deixou
excitada e cheia de expectativas. O feitiço virou contra o feiticeiro. Respondi
que mal via hora dele chegar em casa e deitei para dormir com as crianças,
para aguentar ficar a noite inteira acordada com meu marido.
vinte e um
Romeo.
Os dedos da Juliet apertavam os meus e não entendia porque sempre
ficava nervosa quando precisava me acompanhar na empresa. Nós marcamos
uma reunião com o fotógrafo, estamos aproveitando que Lydia retornou de
férias - tivemos uma conversa séria sobre o que nos incomodava e ela
pareceu compreender, mesmo desconfortável com a presença da Juliet -, para
sairmos sozinhos.
Contratamos mais uma babá para que pudesse auxiliar. Sabíamos que
os dois para uma pessoa era realmente complicado. A nova babá foi muito
bem recomendada por Danika, era mais velha, muito calma, era mãe de dois
adolescentes e soube muito bem como conquistar o Theo. Seu nome era
Laura e parecia ser muito calma.
Juliet fez o teste de uma semana com as duas babás juntas. Lydia estava
meio ressabiada, mas Juliet decidiu que não queria demiti-la para Samantha
não sofrer com uma mudança. Respeitei sua decisão porque era minha esposa
e a figura materna das crianças. Por mim, teria demitido Lydia no episódio da
colher, mas Samantha perguntou muito por sua babá no período das férias.
Chegamos ao meu andar, Juliet conversou brevemente com a Erin e
depois foi até G, dando-lhe um abraço apertado. O fotógrafo já estava nos
aguardando, ansioso, com o vídeo pronto e as fotografias para escolher.
— Vou chorar tudo de novo. — Juliet suspirou ao começar assistir o
vídeo. O fotógrafo usou o vídeo que G gravou em seu telefone durante o
casamento civil, colocou efeitos lindos e uma música instrumental
emocionante ao fundo. Ele tinha imagens dela se arrumando com Samantha e
minha mãe e misturou com imagens minhas com meu pai e o Theo. Também
tinha alguns vídeos dos nossos convidados chegando e colocou Marry You do
Bruno Mars para entrada dela, vários takes da festa e ficou muito bonito. —
Eu amei tanto!
— Também gostei muito. — Beijei a bochecha dela, que estava
molhada com suas lágrimas. — Chorona!
Escolhemos fotos o suficiente para montar dois álbuns e algumas
mandamos imprimir em tamanho maior e quadros. Uma delas queria colocar
na parede do meu escritório e outra Juliet queria colocar na sala de casa. O
fotógrafo foi embora depois que acertamos o pagamento final e estávamos
satisfeitos.
— Adoraria ficar mais um pouco, mas eu tenho que ir para o médico.
— Juliet levantou e ajeitou sua roupa, enrolando-se novamente com o casaco
e o cachecol. — Depois vou ao shopping comprar o meu vestido para festa de
ação de graças e buscar sua roupa no alfaiate. Acho que vou comprar um
sapato novo para você também, não estou certa se aquele que escolheu vai
combinar.
Recostei no sofá olhando-a falar disparadamente, prender o cabelo e
percebendo que só a observava, sorriu e sentou no meu colo, minhas mãos
automaticamente foram para sua bunda e beijei sua boca perfeita. Nós
ficamos namorando no sofá do meu escritório como se ela não precisasse ir
para renovação do seu contraceptivo e eu trabalhar para sustentar nossa
família.
Ouvimos uma batida na porta e ignoramos, se não respondesse, não
seria incomodado. Mas a pessoa abriu a porta e pensando ser G, desgrudei
minha boca da Juliet e olhei para porta. Sophia estava ali, com uma mão na
maçaneta e o outro braço cheio de pastas. Ela estava parada, surpresa, como
se fosse um absurdo estar com minha esposa na minha sala. Percebendo meu
olhar, que era um misto de incredulidade e raiva, ajeitou a postura limpando a
garganta.
— Eu sinto muito, volto depois. — Fechou a porta e foi embora.
— Então a sua ex-mulher pode entrar na sua sala sem aviso? — Juliet
saiu do meu colo e suspirei, percebendo que a sua expressão era muito
irritada. Raramente a via muito irritada e nas poucas vezes foi como tentar
acalmar um animal selvagem. — Quanta intimidade ainda mantém com ela,
Romeo?
— Amor... Não é bem assim. Sophia anda confundindo algumas coisas
e por isso abriu a porta sem avisar, mas irei conversar com ela.
— Ela ainda se acha no direito de ficar surpresa. — Debochou e seu
olhar estava insinuando muitas coisas.
— Não vá por esse caminho... — Mantive minha calma, me alterar com
ela seria alegação da culpa que não tinha. Juliet era muito criativa com raiva,
com ciúmes era como um tornado. E ela tinha muitos ciúmes da minha ex-
mulher. Difícil entender a mente feminina.
— O único caminho que estou indo agora é o da minha consulta
médica. — Sorriu friamente, pegou sua bolsa e foi saindo.
— Não ganho um beijo? — Chamei-a levantando do sofá e olhando por
cima dos ombros, me deu um olhar indiferente.
— Não. Até mais tarde. — E foi embora.
George não estava em sua mesa e Erin estava ocupada atendendo um
homem que não conhecia do outro lado das portas de vidro. Juliet chamou o
elevador, enviei uma mensagem avisando ao Dan que ela estava descendo.
Até receber a confirmação do Dan que Juliet estava com ele, pensei que
minha esposa levaria sua pirraça ao nível de sair sozinha.
A perseguição dos paparazzis diminuiu um pouco. Foram dias de
completo pesadelo, mas Juliet não reclamou apesar de odiar cada segundo.
Eles conseguiram filmá-la em suas aulas de dança, persegui-la dentro do
shopping e acamparam na porta da escola das crianças. Consegui uma ordem
judicial para expulsá-los de perto dos meus filhos e outra celebridade fez algo
mais interessante do que casar escondido.
Descobri que meu primo Billy foi a pessoa que vazou algumas fotos do
meu casamento e por isso meus pais decidiram não ir a Londres no final do
ano. Nós mudamos nossa viagem de família para um mês mais quente, assim
poderemos aproveitar mais para fazer turismo e faremos nosso natal em casa.
Juliet e eu iremos a festa que o Chris está organizando para o ano novo.
George entrou na minha sala, cheio de documentos, sem ter noção do
que aconteceu. Não era culpa dele que Sophia não tinha senso, por isso não
falei nada.
— Chama a Sophia aqui, por gentileza. — Pedi ao G, aceitando seus
arquivos e ele saiu da minha sala.
Alguns minutos mais tarde ela bateu na porta e esperou que mandasse
entrar. Entrou com as pastas, sentou na cadeira do outro lado da mesa,
falando dos processos como se nada tivesse acontecido e evitando me olhar
nos olhos. Esperei que terminasse recostado na minha cadeira, olhando-a
estar visivelmente a beira de perder o controle que tanto gosta de segurar.
Sophia foi criada para ser a mulher perfeita, sua mãe sempre cobrou muito
dela, pressionando para ser a melhor em coisas estúpidas.
— Agora que terminou, preciso falar sobre outra coisa. — Sophia me
encarou com os lábios apertados. — Nenhuma pessoa nessa empresa possui a
autorização de entrar na minha sala sem ser anunciado ou convidado.
Gostaria que não repetisse o ato.
— Eu sinto muito, não sabia que estava acompanhado.
— Acompanhado ou não, sendo a minha mulher ou qualquer outra
pessoa, não quero que isso torne-se um hábito. Aqui é o nosso ambiente de
trabalho, permanecemos em uma relação profissional porque você concordou
que não havia necessidade de misturar as coisas e aqui dentro é uma
funcionária.
Sophia ficou parada só me olhando.
— Por que não me avisou que ia casar novamente? Eu não merecia essa
cortesia? Fiquei sabendo através dos rumores e a confirmação veio em um
post do instagram. Fui informada junto com o mundo inteiro e a imprensa
ficou me ligando como se tivesse algo a dizer sobre isso. — Seus olhos
ficaram marejados.
— Não tenho que te avisar sobre nada em minha vida. Somos
divorciados há anos, não temos contato além de eventos sociais e o trabalho.
Não preciso te dar satisfação que segui a minha vida. — Perdi todo meu
controle. — Você precisa parar com isso, eu não quero mais falar sobre esse
assunto... Não gosto nem de lembrar que fomos casados um dia. Eu não era
feliz! Deixa isso para lá! Eu já me puni por ter errado com você, já te perdi
perdão... Até quando? Simplesmente não aguento mais.
Sophia começou a chorar copiosamente e assumiu um olhar de raiva.
— Sabe como é carregar o peso de ter deixado escapar o Romeo
Blackburn? De ser a ex-mulher, a que foi traída, que resultou uma criança
que ele ovaciona e em seguida casa com uma mulher vinte malditos anos
mais jovem! O que tinha de errado em mim que você não foi feliz? Por causa
do sexo? — Gritou e ficou de pé, ficando vermelha e furiosa.
— O sexo foi só o que me fez enxergar que nós não tínhamos nada em
comum. Sophia você foi criada para ser uma pessoa fria, você não gostava de
música, de sair para jantar a não ser que fosse um evento no qual saíssemos
no jornal como um casal perfeito. Nós nunca conversávamos. Nunca. Você
lembra de alguma conversa relevante e pessoal? Você sabia qual era a minha
comida favorita? E não, não era lagosta a thermidor! Você que cismou com
essa merda! — Fiquei de pé, batendo a mão na minha mesa. — E sabe qual a
parte mais importante? Nosso casamento acabou! E eu não sou mais obrigado
a discutir isso. Foi você que me colocou para fora e não foi pela falta de sexo,
nós tínhamos dois meses de casados quando me surpreendeu que
dormiríamos em quartos separados.
— Meus pais sempre dormiram em quartos separados e estão juntos até
hoje.
— Seu pai tem uma amante há mais de quinze anos e foda-se que para
eles deu certo. Isso não é normal! Coloque-se no seu lugar! Aqui é a minha
empresa e você é a minha funcionária. Se não sabe lidar com isso, o
problema não é meu. Não ouse trazer a tona qualquer discussão sobre o
passado, porque o que acontece na minha vida não é da sua conta. Fui claro?
Respirando fundo, empinou o queixo e abriu um sorriso comedido.
— Perfeitamente.
— Agora me dê licença. — Apontei para porta e ela saiu, batendo
minha porta ao ponto de os quadros sacudirem.
Me joguei na minha cadeira, frustrado e tão irritado que queria apenas
sair batendo em tudo. Não havia nenhuma chance de continuar trabalhando
com Sophia. G entrou na minha sala e pela sua expressão o andar inteiro
ouviu. Fechando a porta atrás dele, sentou lentamente na minha frente e
então, começou a rir.
Puta que pariu! Não consegui resistir e acabei rindo também.
— Ela teve coragem de te colocar em outro quarto depois de dois
meses de casamento? — Bateu na coxa e joguei uma caneta nele. —
Enquanto isso, Juliet dorme em cima de você sem dar espaço.
— Sou oito ou oito milhões. — Parei de rir, controlando minha
respiração. — Rir disso é muito feio.
— Eu sei, mas eu tenho um humor ruim. Qual a sua desculpa?
— Desespero, não sei. Olha preciso que pegue o contrato dela, ofereça
uma bonificação, rescisão e empurre aqueles clássicos acordos para não falar
porra nenhuma sobre meu nome, minha empresa e minha família. Se não
assinar, informe gentilmente que a empresa do pai dela e todo dinheiro que
possuem podem vir parar nas minhas mãos como sócio.
— Você quer fazer isso ou eu faço?
— Vou tratar a Sophia como qualquer outra funcionária, ela já
confundiu demais e não quero problemas.
— Ah, isso é seu.
Li o documento e sorri.
— Muito bem, George. Mande tirar todo mundo das minhas
propriedades e passe com o trator em cima do mercado. Em breve mandarei
construir outra coisa no lugar. E se ele não sair, passe o trator em cima dele
porque vai aprender a lição de tentar assustar jovens garotas em troca de
favor sexual. — Joguei o documento na mesa.
— Com todo meu prazer. — George saiu alegre da minha sala,
praticamente dançando.
Depois que Juliet me contou sobre seu passado e a cada dia que
conversávamos um pouco sobre suas lembranças, passei a dar uma olhada
nos habitantes que ela mencionava. O dono do mercado estava devendo
muito ao banco, que ofereceu a ele um acordo. Olhando bem para o banco,
ele fazia parte de uma rede de investimento que dependia da Blackburn.
Significava que aquele banco era meu e retirei o acordo, comprei as duas
propriedades em nome de uma das minhas empresas...
E mandei destruir tudo.
Contratei uma empresa para rastrear o paradeiro do padrasto e mãe da
Juliet. Era basicamente impossível encontrar pessoas que não possuem
telefones, contas, não acessavam a internet e não queriam ser encontrados.
Queria encontrar a mãe dela porque Juliet ainda se importava e o padrasto
porque ele precisava sentir o que era ser abusado.
E pensando na minha esposa, ela estava deliberadamente me ignorando
a maior parte do tempo e sendo bem sucinta quando respondia minhas
perguntas sobre as crianças e onde estava. Trabalhei o restante da tarde
bastante concentrado quando George informou que faria a demissão da
Sophia.
— Ele não pode me tirar daqui como um cachorro! — Ouvi o grito da
Sophia. Minha cabeça estava doendo, foi um erro mantê-la contratada...
George deve ter dito algo que a fez calar a boca. O silêncio reinou no andar e
alguns minutos mais tarde, ele entrou na minha sala e fez o sinal que estava
tudo feito.
— Assinou tudo. Parece que perder a estabilidade financeira é mais
importante que os sentimentos dela por você.
— Que bom... Já vou encerrar por aqui. Nosso jantar está confirmado
para amanhã? Precisa que busque sua avó?
— Nós iremos juntos. Minha avó vai fazer a famosa salada de batatas e
Juliet disse que vai assar sua torta de framboesa que é maravilhosa. Não vou
comer o dia inteiro. — Balançou as sobrancelhas me fazendo rir.
Quarenta minutos mais tarde consegui terminar meu trabalho do dia.
Reuni minhas coisas, com o terno dobrado no braço e minha pasta, cheguei à
garagem para sair com meu carro. E foi assim que reparei que estava
arranhado de ponta a ponta e todos os pneus estavam furados.
Ouvi o barulho do elevador e G saiu, digitando em seu telefone,
parando do meu lado e olhou para meu carro.
— Acho que isso encerra a discussão de que ao terminar o
relacionamento é melhor cortar relações. — Comentou do meu lado e senti
vontade de bater nele. — Estou pedindo a cabeça do segurança que deveria
estar vigiando a garagem pela câmera, as imagens para provarmos que foi
realmente ela e vou mandar alguém resolver isso. Vamos embora, vou te
deixar em casa antes que infarte aqui na empresa, mas já aviso que é melhor
que ninguém ataque meu carro.
Segui George até sua BMW no automático, sem acreditar que meu
carro com apenas um mês de uso estava todo fodido. Antes de chegar em
casa, já estava com o vídeo da Sophia muito transtornada arranhando meu
carro com uma chave de fenda e assassinando meus pneus com algo que não
consegui identificar.
Estava escuro quando George parou em frente ao meu prédio segurando
a sua vontade de rir. Antes de sair do carro, incrédulo sobre o como o dia
encerrou, dei-lhe o dedo do meio. Explodindo em gargalhadas, ameacei
demiti-lo como fazia pelo menos uma vez por dia e saí sorrindo.
Entrei no apartamento e estava silencioso. Havia um cheirinho bom de
comida na cozinha, um bolo que aparentava bem fresco na mesa da sala de
jantar e ninguém no primeiro andar. Fechei a porta, trancando, guardei
minhas coisas no escritório e procurei pela minha família. O quarto do Theo
estava vazio, da Samantha também e empurrando a porta do meu quarto,
encontrei os três na cama.
Samantha estava pulando em cima da Juliet e Theo estava sentado,
concentrado no filme e só pelo diálogo sabia que era Homem de Ferro I.
— Oi papai! — Samantha levantou rápido e correu para ponta da cama
com os braços levantados. Theo basicamente atropelou Juliet e abracei os
dois ao mesmo tempo, erguendo no meu colo, retribuindo seus beijos.
— Estamos vendo filme! — Theo falou animado.
— É mesmo? O papai vai tomar banho para deitar com vocês, está
bem? — Devolvi os dois para cama e olhei para Juliet que fingia prestar
atenção no filme. Tomei banho, vesti o pijama, deitei com eles e como as
crianças estavam entre nós, não puxei assunto.
Descemos com os dois para o jantar e fizemos a rotina noturna deles
sem trocar uma palavra como um casal. Assim que eles dormiram,
arrumamos a cozinha lado a lado em silêncio, sem falar comigo, subiu a
escada e voltou para cama. Terminei a minha parte, fui apagando as luzes e
entrei no quarto fechando a porta.
Juliet estava debaixo da coberta, com seu lado do abajur desligado e
tirei o edredom dela bruscamente, agarrei seu pé e puxei para o pé da cama.
Deitei em cima dela, fazendo com que suas pernas fechassem na minha
cintura. Má do jeito que era, abaixou o decote da sua camisetinha de alça
mostrando seus mamilos arrepiados.
Quando ia colocar na boca, ela cobriu e riu.
— Chega de ignorar o seu marido. — Ela fez um beicinho irresistível.
— Minha baby é tão ciumenta.
— Humpf.
— Sou seu. — Puxei sua blusa para baixo.
Mordendo o lábio, me olhou e arqueou a sobrancelha.
— Me chupa e eu te perdoo.
Juliet precisava aprender uma preciosa lição sobre me ignorar. Mais
tarde, ela estava jogada na cama, pelada e eu ainda não estava satisfeito em
me vingar, mas demos uma pausa para descansar. Contei a ela exatamente o
que aconteceu com Sophia, boa como era, ficou preocupada como a outra iria
se sustentar sem emprego. Juliet vinha de um mundo que pessoas
desempregadas passavam fome e garanti que não era o caso da Sophia.
— Não sei lidar com o ciúme que sinto, sei que não é saudável e
demonstra muito a minha insegurança. Não é sobre não confiar em você, é
sobre minhas inseguranças bobas mesmo e sei que são infundadas. Além de
acreditar no seu amor por mim, sei que a nossa conexão emocional e sexual é
única... Só que na hora... Me sinto como um touro. — Confessou baixinho e
sorri, beijando seu queixo.
— Eu te amo, Juliet Blackburn. Mesmo com seu ciúme infundado.
— Olha quem fala, você demitiu o Afonso porque tocou em mim e deu
uma reprimenda no Dan por permitir que me sentasse no banco da frente.
— Foi pela sua segurança!
— Aham. — Revirou os olhos. — Romeo você é tão hipócrita, além de
ciumento, tenta me controlador. Eu não reclamo porque nunca fez nada que
me machucasse ou me fizesse sentir sufocada. Mas não vem falar de como
reagi porque você fica emburrado dando foras em todo mundo! Eu só te
ignorei!
Não tinha argumentos contra, apenas sorri e dei de ombros. Controlar
Juliet era como controlar um tsunami, totalmente impossível e estava
aprendendo que minhas atitudes não eram bonitas. Ela me fazia enxergar
comportamentos que não eram saudáveis e podiam ser prejudiciais ao nosso
relacionamento.
— Você está certa. Podemos fazer amor mais uma vez?
— O que nós acabamos de fazer pode ser considerado como dois
animais no cio copulando, mas sim, vem aqui. — Me abraçou e beijei a
pontinha do seu nariz. — Eu te amo.
— Eu também te amo, Sra. Ciumenta.
— Ah, cala boca! — E nos beijamos.
vinte e dois

Juliet.
Passei o batom vermelho e limpei os cantos, admirando minha
maquiagem ao todo. Escolhi colocar cílios postiços porque não fui abençoada
com muitos para o efeito que gostaria de causar, sem sombras, uma make
caprichando na pele de porcelana que ser um baby me deu. Podia fazer todos
os tratamentos disponíveis e usar os melhores produtos, meu rosto era tão
perfeito quanto um bumbum de bebê.
Meu vestido era preto de mangas, todo fechado na frente e com um
decote generoso nas costas. Era um Armani justo e longo, com uma fenda do
joelho aos pés, onde dava para ver meu incrível sapato Manolo Blahnik igual
ao da Carrie Bradshaw que Romeo arrematou em um leilão para mim.
O reflexo no espelho era de uma mulher muito linda. Clareei meus
cabelos puxando algumas luzes estava um pouco mais ruiva. Ainda mais
parecida com minha mãe e parei por um momento, enviando bons
pensamentos. Estava certa que Margareth estava com Rick. Ele também
desapareceu, portanto, deveriam estar juntos. Em algum momento ela irá
voltar precisando de dinheiro.
Meu cabelo estava preso em um coque volumoso e dividido ao meio
na frente, bem puxado com gel e fixador.
— As crianças dormiram. — Romeo anunciou quando voltou para o
quarto. — Uau, baby. Você está linda. — Beijou minha nuca, me abraçando e
beijou meu pescoço me deixando toda arrepiada. — Queria ter visto o que
tem por baixo.
— Adesivos nos mamilos, uma calcinha pequena e meias para me
aquecer. — Romeo apertou meus peitos e me pressionou contra o balcão. —
Já estamos muito atrasados.
— Eu sei. Não imaginava que as crianças fossem sofrer tanto com a
nossa saída.
Samantha grudou no meu pescoço e Theo nas minhas pernas. Foi
simplesmente um pesadelo até Romeo chegar e me ajudar. Eles ficarão com a
Kira, que não gostava dos eventos sociais que não podia beber e se divertir
como uma mulher saudável. Não tinha experiências nesses eventos, me
preparei a semana inteira com uma professora de etiqueta. Ela me garantiu
que estava nervosa sem nenhuma necessidade.
Era o meu primeiro evento como a Sra. Blackburn. Não podia mesmo
decepcionar meu marido que literalmente colocava o mundo aos meus pés.
— Tenho um presente para você. — Romeo tirou uma caixinha do
bolso e revelou um par de brincos maravilhosos. — Águas marinhas com
diamantes para minha esposa preciosa. Ficarão perfeitos nas suas orelhas...
— Soltou as peças das almofadas, delicadamente colocando em mim e
admiramos a joia. — Mais tarde quero fazer amor com você usando apenas
eles.
Fiquei toda arrepiada e sorri, ansiosa para voltar logo. Respirei fundo,
acalmando minha respiração e saímos de casa.
A festa de Ação da Graças da Blackburn atraía toda elite de Nova
Iorque. De políticos a famílias muito ricas e tradicionais. Estava muito
nervosa em enfrentar o tapete vermelho, a perseguição dos paparazzis
diminuiu muito, mas um evento como esse atraía a mídia em massa.
Daniel e Henri estavam formalmente vestidos e pararam o carro no
final do longo tapete. Estava muito frio, saí de casaco e Romeo tirou,
entregou ao Dan e aguentei firme com um sorriso educado no rosto parando
de tempos em tempos para tirar fotos. Uma mulher pediu que virasse de
costas e olhasse para as câmeras, Romeo me incentivou quando neguei e se
afastou. Com um pouco de vergonha, virei com um sorriso tímido e olhei
para as câmeras.
Entramos no grande salão com muitas pessoas querendo cumprimentar
Romeo e até a mim. Alguns ainda não me conheciam e fui apresentada com
muito carinho, seja por Romeo ou por George.
Como o CEO, meu marido fez diversos discursos, apresentações e
prêmios. Teve um show de um cantor meio famoso e músicas para dançar a
dois. As mais animadinhas não me diziam muita coisa e me contive porque
tinha que me comportar na festa da empresa. Dividi a mesa com Chris e sua
acompanhante da noite junto com Danika e Joe. Eles eram muito divertidos,
amei o quanto a conversa parecia fluir na mesa sem esforço e o cardápio da
noite estava espetacular.
O único momento que meu sorriso esfriou um pouco foi quando a
Sophia se aproximou da mesa para cumprimentar Danika. Romeo ficou
possesso, porque depois de tudo, ela tinha muita coragem. George disse que
os convites da família foram revogados, porém, Sophia foi de acompanhante
de um colega advogado que estava na mira do Romeo.
Nós fingimos que ela não existia e até Danika ficou sem entender a cara
de pau já que elas não se falavam há anos.
Não era muito de beber, mas aproveitei que estava me divertindo e
misturei vinho do jantar com o espumante que passava toda hora.
— Vem dançar comigo. — Romeo me pegou e levou para a pista de
dança, fazendo suas dancinhas estranhas para me fazer gargalhar. — Já disse
que é a mulher mais bonita da noite? — Me rodopiou e parei de costas contra
seu peito. — Na verdade, sempre é a mais bonita. E ainda é toda minha.
— Quando podemos ir embora? — Virei de frente e mordi seu lábio.
— Em pouquíssimo tempo. — Me beijou deliciosamente.
— Está liberado transar na pista de dança? Eu também quero! — Chris
passou dançando com outra mulher que não era a sua acompanhante e ela
parecia muito empolgada.
— Simplesmente saia de perto. — Romeo empurrou ele de brincadeira.
Quarenta minutos mais tarde estávamos em casa, a mídia já estava
falando sobre o evento, postando fotos minhas e fazendo elogios ao meu
estilo. Também havia comentários da nossa participação picante e engraçada
na pista de dança. Kira não estava dormindo quando chegamos e foi embora
para seu apartamento. Olhamos as crianças e ao fechar a porta do quarto, nos
atracamos até que literalmente desmaiei de tão bêbada.
Acordei com uma dor de cabeça e muita ressaca, meu estômago estava
até embrulhado. Era meio dia, me arrastei da cama para o banheiro toda
arrepiada. Nunca mais beberia espumante em toda minha vida! Arranquei
meus cílios, tirei a maquiagem, lavando meu rosto com meu sabonete
específico. Entrei no chuveiro, lavei meu cabelo, sentindo minha cabeça
latejar e escovei os dentes duas vezes para tirar o gosto de madeira da minha
língua.
A porta do banheiro foi aberta bruscamente e o meu pequeno ser
apimentado me deu um sorriso traquina.
— Banho, Julilet! — Samantha entrou correndo no box e até
escorregou, ficando toda molhada. Abaixei, tirando sua blusinha, as meias
antiderrapantes e ao abrir sua fralda, uma grande surpresa.
— Maravilha, Samantha! Por que não avisou?
— Totô ao papai! — Cantarolou e ri, jogando a fralda fora, sentei
com ela na bancada da banheira e lavei seu bumbum primeiro, depois lavei
seu corpinho e os cabelos. Sempre tínhamos um vidro do xampu e
condicionador das crianças nos banheiros, facilitava muito a nossa vida.
— Caramba, Samantha! — Romeo entrou no banheiro pálido. —
Ela estava riscando a parede em um segundo, no outro estava dizendo que fez
cocô e aí o Theo caiu, ajudei e vi se estava machucado, peguei a fralda e
adivinha? Ela tinha sumido.
— Papai tá Xustado. — Samantha comentou comigo na maior
naturalidade e me fez rir. Terminei nosso banho, desligando o chuveiro e
Romeo primeiro me enrolou na toalha, prendeu meu cabelo em uma e depois
enrolou Samantha em outra.
Deitei minha pimentinha na cama, arrancando suas melhores risadas
enquanto beijava sua barriguinha. Seus gritos ecoavam na minha cabeça
como um estrondo, mas não parei. Romeo voltou com Theo, roupas e fraldas
limpas para Samantha. Enquanto passava pomada para assadura na
Samantha, Theo fazia perguntas ao Romeo.
— O pipi da Sammy é igual da Juliet. — Theo comentou no colo do
Romeo.
— Isso mesmo, meninas tem o pipi igual e meninos tem o pipi igual.
Seu pipi é igual do papai. — Romeo explicou calmamente.
— Seu pipi é maior. — A inocência do Theo fez o ego do Romeo
subir.
— Nem tanto, amor. O papai já é muito convencido. — Murmurei
fechando a fralda da Samantha.
— Romeo pode ser meu papai? — Theo perguntou olhando para
Romeo com expectativa.
Theo já tinha o chamado duas vezes de pai, a própria psicóloga nos
alertou que ele estava começando a identificar as figuras em casa. Se a Jane
era Vovó, mãe do Romeo, então, Romeu era o seu papai? Ele nunca chamou
Margareth ou Rick com esses nomes... Fizemos duas sessões em conjunto
para nos preparar.
O próprio advogado nos garantiu que se Theo demonstrasse vínculos
afetivos seria muito bom no processo de adoção. Disfarcei meu sorriso ao
perceber que Romeo ficou emocionado.
— Pensei que já fosse. — Brincou com Theo, que sorriu encantado.
— Você pode me chamar de papai ao invés de Romeo se é o que você quer.
Eu vou te amar de todo jeito.
— Tudo bem. — Theo deu um beijo nele e cochichou algo em seu
ouvido, me olhando de esguelha.
— Sim, você pode também. — Trocaram um sorriso e terminei com
Samantha. — Está na hora de almoçar, os dois já para baixo! — Brincou com
eles que saíram correndo rindo sem parar. — Meu pau não é tão grande
assim? — Provocou e olhou para minha boca. — Por que está pálida? —
Antes que pudesse responder ouvimos o som de algo quebrando e Jane
gritando. — Eu vou descer, meus pais chegaram cedo e já coloquei aquele
peru enorme que você comprou no forno. — Saiu falando e andei devagar até
o closet ainda murmurando que nunca mais iria beber espumante.
Procurei uma roupa confortável para vestir e sem querer, derrubei
algumas bolsas no chão ao esbarrar em uma arara. Abaixei para pegar, minha
cabeça rodou, levantei rápido para me apoiar na penteadeira, errei a mão e
acabei caindo no chão.
— Ei! O que aconteceu com você? — Romeo entrou no closet
rápido e me levantou do chão.
— Nunca mais vou beber espumante.
— Pobre bebê, sua primeira ressaca. — Riu e bati nele, deitando
minha cabeça no seu peito. — Vamos lá, vou te ensinar como se cura uma
ressaca.
Romeo me ajudou a vestir, fazendo um pedido no seu aplicativo de
comida e desceu me apoiando. Cumprimentei seus pais com beijos e abraços.
Os dois riram da minha primeira ressaca. Jane me deu dois remédios, um era
específico para dor de cabeça e outro para enjoo. O pedido do Romeo era um
hambúrguer enorme do Mc Donald, batatas fritas e um corpo de refrigerante.
— Eu quero batata! — Samantha subiu em mim e sem o pai dela
ver, tirei a maior parte do sal e dei a ela. Obviamente Theo também queria.
— Vão almoçar! — Romeo pegou cada um pelo braço e levou para
mesa da sala de jantar.
Estava morrendo de saudade de comer algo bem gorduroso, ainda
ganhei uma barra de chocolate do meu sogro, me sentindo melhor, voltei ao
meu usual bom humor. Me enfiei na cozinha para preparar nosso jantar de
Ação de Graças. Convidei George e a Gail para jantar conosco, seria uma
noite apenas para a família.
— Você está inspirada, baby. — Romeo estava me ajudando e ao
mesmo tempo olhando as crianças. Eles pareciam dispostos a quebrar a sala.
— Vou fazê-los dormir antes que consigam derrubar as paredes.
— Está tudo tão lindo e cheiroso, mas acho que tem muita comida.
— Jane entrou na cozinha, foi lavar as mãos e perguntou se queria ajuda.
— Acredite em mim, não tem muita comida. Você viu Romeo comer
em algum momento durante o dia? Ele e o George comem muito! Parece
disputa! Aprendi a minha lição no primeiro jantar que os dois estavam
juntos...
— Esses meninos são muitos bobos! — Jane bateu os alhos no
processador para refogar os legumes em conserva.
Terminada toda comida e só faltava o peru que ainda levaria
algumas horas para terminar de assar, lavei toda louça deixando a cozinha
limpa e procurei meu marido. Jane e Guy estavam descansando, as crianças
ainda dormindo e Romeo estava no escritório trabalhando em pleno dia de
Ação de Graças.
— E então, papai? — Provoquei sentando em seu colo.
— Ele me perguntou se seria estranho te chamar de mamãe. —
Romeo me abraçou porque quase caí da cadeira. — Ele é seu, amor. Sempre
foi.
— Acho que vai ter que me segurar se ele ou Samantha me
chamarem assim. Amo a nossa vida e as crianças, Romeo. Amo você.
— Eu também te amo, mamãe! — Me provocou de volta e beijou
meu pescoço. — Quem diria que a minha sugar baby seria minha esposa e
mãe dos meus filhos?
— Sou impossível de não apaixonar, Romeo.
— Isso não posso discutir.
A noite de Ação de Graças começou mágica, Gail trouxe mais
comida e George trouxe vinho, seu estômago vazio e sua animação.
Samantha estava linda em seu macacão azul marinho e sapatilhas brancas, até
me deixou colocar algumas presilhas em seus lindos cachos. Theo estava
incrível com uma bermuda azul clara, suspensório e uma camisa azul
marinho.
— Eles não são bonecos vivos, baby. — Romeo me provocou sobre
as crianças estarem usando o mesmo tom de cores e roupas em conjunto.
— Estão tão lindos!
— Nós parecemos uma família brega usando o mesmo tom de azul.
— Resmungou fingindo estar mal humorado e simplesmente dei de ombros.
Quem se importava? Estávamos muito bonitos. Pedi ao G para fazer uma
fotografia de família, era o nosso primeiro dia de Ação de Graças e merecia
estar registrado.
Tivemos um jantar delicioso e mostrei a Jane que toda aquela
comida foi apenas a conta de sobrar um pouco. Romeo, Guy, George e o
próprio Theo não pararam de comer. Não bebi nem vinho, ainda sentindo um
leve enjoo de toda bebedeira, fiquei só no suco de uva como as crianças.
— Estou muito orgulhosa da sua família, minha filha. — Gail me
abraçou antes de ir embora.
— Estou muito feliz.
— E merece! — Me deu um beijo e saiu com George. Era tarde e
queria que ficassem para dormir, mas George programou o táxi para vir
buscá-los.
Kira foi embora para seu apartamento e os pais do Romeo se
despediram, cansados e foram dormir. Nós deixamos as crianças dormirem
praticamente a tarde toda, estava frio, eles não acordaram por conta própria e
aquilo significava que era duas da manhã e eu tinha os dois de pijama ainda
correndo pela sala. Samantha ainda comia bolinhos de queijo com presunto e
Theo dançava assistindo vídeos no meu telefone.
— Alguma sugestão?
— Primeiro fazer aquela garota parar de comer ou vai explodir. —
Romeo riu e tomou o bolinho babado da Samantha. — O jeito é levá-los para
cama conosco, trancar as portas e seja o que Deus quiser.
Escovamos os dentes junto com eles. Samantha mordia meu dedo
sempre que ia escovar os dentes dela e passei a dar mordida de leve no seu
braço só para entender que não era legal. Romeo passou fio dental nos
dentinhos do Theo e deitamos na cama, os dois não paravam de falar, ficamos
em silêncio para não dar corda até que comecei a rir.
— Se um dia alguém descobrir que o CEO da Blackburn não
consegue controlar os filhos e fazê-los dormir, minha carreira estará acabada.
Continuei rindo sem parar, de puro nervoso mesmo e os dois riam
cada vez mais, não havia realmente uma graça. Romeo filmou a loucura
coletiva, porque aquilo precisava ser registrado e aos pouquinhos, Samantha
tombou em cima de mim e Theo apagou com a cabeça deitada na barriga do
seu papai e as pernas em cima de mim.
Na escuridão do quarto, trocamos um olhar e me estiquei para beijar
a boca do homem que mudou toda a minha vida. Estar com ele era necessário
agradecer todos os dias de ação de graças pelos próximos cem anos.
Acordei embolada de um lado só na cama. Romeo e eu fomos
empurrados pelos dois, que ocupavam a maior parte, abertos como estrelas do
mar.
— Inacreditável que duas crianças com menos de meio metro
conseguem ocupar tanto espaço. — Romeo gemeu todo dolorido. — Eles
nunca mais vão dormir com a gente. — Reclamou saindo da cama com a mão
nas costas, gemendo de dor e revirei os olhos ciente que ele era o primeiro a
colocá-los na nossa cama.
Entrei no banheiro com ele, fazendo nossa rotina matinal e meu
telefone apitou no quarto. Voltei correndo para não acordá-los ainda, peguei e
eram ligações perdidas da Gail. Em seguida, George ligou para o telefone do
Romeo e ao atender, sua expressão ficou muito séria.
— Baby... O zelador do prédio encontrou a porta do apartamento da
sua mãe aberta, ao chamar, entrou e encontrou um homem no sofá. — Romeo
chegou perto de mim e encostei na pia. — Ele chamou a polícia, paramédicos
e a Gail. Ela reconheceu ser o Rick... E está morto. Sofreu uma overdose.
— E a minha mãe?
— Ela não estava lá, amor. Deve ter saído ao perceber o que
aconteceu. Se o Rick entrou no apartamento é porque sua mãe estava junto.
— E se ela caiu em algum lugar morta e for enterrada como
indigente? E se ele entrou lá porque pegou a chave dela depois que aconteceu
algo? — Tapei meu rosto, desesperada e chorando tanto que estava sem ar.
— Não foi assim que imaginei que acabaria. Pensei que no fim iria salvá-la!
— Sinto muito, baby.
— Minha mãe não pode ter morrido, Romeo! Não assim!
Eram tantas emoções controversas explodindo no meu peito e
batendo diretamente com meus pensamentos que me senti sufocada. Tentava
respirar e não conseguia, Romeo me implorava para ficar calma e cada vez
que pensava no fim trágico que minha mãe poderia ter, senti meu coração
partir e tudo ficou escuro, mas não em paz.
vinte e três

Romeo.
Juliet caiu em cima de mim, mole e a peguei no colo levando para
cama. Chamei-a suavemente, acariciando seu rosto e lentamente voltou aos
sentidos com os olhos debulhados em grossas lágrimas. Falei bem baixinho
que o fato de o Rick estar morto não significava que a mãe dela estava morta,
havia muitas possibilidades e ela precisava ficar calma.
Deixei-a deitada na cama, agarrada no meu travesseiro e as crianças
permaneciam dormindo.
Acordei minha mãe, contando o que aconteceu e obviamente precisava
ir até o local porque o apartamento estava em meu nome. Vestindo seu robe,
sonolenta e assustada com a minha agitação, atravessou o corredor e deitou
ao lado da Juliet. Troquei de roupa, beijei a testa da minha esposa
prometendo que em breve retornaria com notícias. Juliet só balançou a cabeça
amuada e saí.
Daniel me acompanhou até o local, a polícia estava lá e me
perguntaram se sabia quem era o homem. Informei que nunca o vi, não o
conhecia, mas que era padrasto da minha esposa. Contei toda história, eles
anotaram e me pediram para assistir um vídeo com eles.
Segui os policiais para a fria sala do zelador e um policial deu play.
— Essa mulher é a mãe da sua esposa?
— É ela sim, Margareth Gale. Nós demos queixa do desaparecimento
dela depois de não a encontrarmos em lugar nenhum. Ela simplesmente
sumiu por uns dias, esperamos voltar e quando não voltou, fomos a delegacia
e prestamos queixa.
— Sabe o distrito?
— 21. Próximo ao meu endereço.
Continuei observando o vídeo da Margareth e o Rick entrando no
prédio, pareciam discutir, ele a puxava com muita violência e até a jogou
contra parede algumas vezes. Juliet nunca poderia assistir aquele vídeo.
Esfreguei meu rosto ao vê-los entrar no apartamento... Meia hora depois Gail
chegou com George, entrou no seu apartamento algumas portas antes e meu
assistente foi embora sem nem perceber que Margareth estava de volta.
Adiantando o vídeo por horas, próximo ao amanhecer, Margareth saiu
do apartamento se escorando na parede. Estava visivelmente ferida, foi
embora pelos corredores e se apoiando no elevador com o rosto inteiramente
desconfigurado. Antes de sair, vomitou sangue e desapareceu na rua.
— Nós conseguimos rastreá-la até alguns quarteirões abaixo e
desapareceu completamente. Nenhum sinal. Emitimos um alerta. Ela está
claramente ferida e foi de fato uma agressão, há sinais nele de luta e como
não está machucado sabemos quem bateu e quem apanhou. — O Investigador
Spencer me deu um olhar pesaroso. — A autópsia oficial sairá em 48 horas,
mas o legista determinou o horário da morte pouco antes da Margareth sair
do apartamento. E foi overdose, está bem claro nos sinais.
— Os dois são viciados. Minha esposa queria internar a mãe e o
relacionamento das duas não era muito bom. Eu me coloco a disposição sobre
o que precisarem para encontrá-la. Cheguei a contratar uma equipe em busca
dela e vou chamá-los novamente...
— Não quero ser indelicado, Sr. Blackburn. — Investigador Spencer
me interrompeu. — Do jeito que a sua sogra saiu daqui, precisa preparar a
sua esposa para o fato que talvez... Se não a encontrarmos em um hospital ou
em alguns quilômetros, ela pode cair em qualquer beco, ser levada e
enterrada como desconhecida sem dar tempo de o sistema reconhecê-la.
Realmente sinto muito.
— Entendo, obrigado por sua honestidade e aqui está meu cartão se
precisar falar comigo diretamente. — Entreguei a ele, que leu e guardou no
bolso.
Encontrei G e a Gail do lado de fora, nós conversamos com pesar por
um tempo e como a Gail estava muito abalada, George a levou embora para
seu apartamento. Voltei para casa pensando em como contar a Juliet que
talvez a mãe dela realmente não estivesse viva.
Juliet sabia que isso poderia acontecer mais cedo ou mais tarde, mesmo
com toda intenção de cuidar do Theo e termos a guarda dele, Margareth era
sua mãe. Não podia imaginar passar por tudo que ela passou e ainda ter
coração para amar uma mulher que permitiu que um homem que tentava
abusar da sua filha permanecesse vivo. Que nunca permitiu que Theo a
chamasse de mãe, nunca deu amor ou tentou ficar sóbria pelos filhos.
Não conseguia descrever o que era realmente capaz de fazer pelos meus
filhos. Não só pela Samantha como pelo Theo. Iria do céu ao inferno em
questão de segundos por eles. Claro que não podia dimensionar o que era ser
dependente químico. Margareth precisava de ajuda mesmo com suas escolhas
ruins. Ela foi uma vítima da vida e todo peso das suas más decisões caiu nas
costas da minha esposa.
Entrei em casa, joguei as chaves no aparador. Theo estava na mesa da
sala de jantar almoçando com o auxílio da minha mãe. Meu pai estava na
cozinha mexendo nas panelas no fogo. Juliet estava deitada com Samantha
mamando ao invés de estar almoçando.
— Ela acordou, me viu chorando e começou a chorar... Agora está aqui
assim e não consegui fazê-la comer.
— Tudo bem. — Beijei a testa de ambas. — Ursinha, você precisa
almoçar com a vovó e Theo.
— Não. Julilet. — Virou de costas para mim, enfiando o rosto no
pescoço da Juliet.
— Está tudo bem, amor. Depois ela come, tá? — Juliet segurou minha
mão e beijou. — Foi tudo bem lá? — Mordeu o lábio com os olhos cheio de
lágrimas.
— Vamos conversar lá no escritório. — Peguei Samantha e entreguei a
minha mãe, segurei a mão da Juliet e a sentei no sofá do meu escritório
contando exatamente tudo, nos mínimos detalhes mesmo com seu olhar
repleto de sofrimento.
— Ela pode estar viva?
— Se não encontrarem ela ficará no status de desaparecida. Eu sinto
muito...
— Isso é melhor que a encontrar morta, não é? Conheço a minha mãe,
ela é do tipo vaso ruim que não quebra. É muito capaz que tenha fugido
achando que matou o Rick... Conheço a mente perturbada dela, Romeo.
— Rick morreu de overdose. Sua mãe não o obrigou a usar. A teoria é
que ele a agrediu, o motivo nós não sabemos e ele consumiu tudo que
levaram para o apartamento.
— Isso é trágico demais. — Suspirou e me olhou nos olhos. — Está
doendo tanto.
— Porque você a ama.
— Claro que amo. Vou fazer a minha parte como filha, vou rezar que
ela esteja viva, vou continuar procurando por ela... Deveria tê-la internado a
força, isso é minha culpa. Se ela tivesse internada...
Tapei sua boca.
— Não foi sua culpa... Por favor, não pense assim. Sei que está
sofrendo, mas você o que pode para cuidar da sua mãe. — Beijei a pontinha
do seu nariz.
— Obrigada por ter ido lá cuidar de tudo.
— Maridos fazem isso. — Brinquei e a abracei bem apertado.
— Você é um marido incrível. — Sorriu provocante me fazendo rir. —
Meu herói!
Dois dias depois do jantar de ação de graças entramos em um sério
desacordo sobre a decoração de natal. Estávamos em um impasse muito
grande. Juliet queria uma decoração que fazia parecer que o Papai Noel ia se
mudar para nossa casa e eu queria algo mais minimalista, já que seria apenas
nós e meus pais.
Kira estaria viajando com suas amigas e G iria viajar com sua avó para
ver o tio dele, que morava na Califórnia e fazia anos que a Sra. Blunt não
conseguia ver os netos e o filho caçula. Acabei contando ao George o motivo
da minha briga, ele riu e percebi que não foi um sorriso divertido como
normalmente dava com minhas brigas com Juliet.
— É seu dever como meu padrinho me contar.
— Juliet pode ser muito teimosa e orgulhosa. O resumo é que...
Quando ela era criança, os pais dela se dedicavam para dar a ela um natal
adequado, ambos não ganhavam muito e ainda assim faziam a data bem
mágica. Juliet amava, lembro que ela se fantasiava de elfo e se pendurava na
janela me gritando “George, o Papai Noel vai chegar”. Ela era uma criança
muito fofa e muita linda. — Sorriu com melancolia. — Depois que o pai e a
avó faleceram, a mãe dela não estava viva para lembrar o que era natal.
Minha avó a convidava para jantar conosco e comprava presentes para ela,
mas a minha mãe tinha muito ciúme da Margareth porque meu pai era
apaixonado por ela na adolescência e por consequência, tratava mal a Juliet.
Minha avó não permitia, mas a gente sempre sente quando não é bem-vindo e
a forma que a Juliet sempre foi sensível e preocupada, sentia-se
desconfortável. O primeiro Natal do Theo... — George riu sem humor. —
Aquela garota teimosa disse que só ficaria conosco se pudesse contribuir e
não era só ajudando na cozinha. Ela limpou a neve do telhado de uma vizinha
para ganhar um extra, caiu e quebrou o braço.
— Puta merda.
— Mesmo assim, deu o dinheiro para minha avó e ainda comprou
uns brinquedos de bebê para Theo. No segundo ano, ela passou a economizar
durante o ano todo para contribuir e comprar presentes, o terceiro a mãe dela
descobriu onde estava o dinheiro e gastou tudo. — George me deu um olhar
marejado. — Juliet ficou sentada no meio do quintal, com a neve caindo
pesada, chorando sem parar. Foi umas das cenas mais desesperadoras e tristes
da minha vida. Era ridículo que ela quisesse contribuir com aquilo, eu não
precisava do dinheiro dela, mas a garota era tão teimosa! — Passou a mão no
cabelo e riu. — Foi o último natal que passei com a minha mãe também...
Juliet enviou Theo arrumado, deixou com a minha avó e sumiu. Fiquei
rodando pela cidade por horas, voltei e explodi com minha mãe, contei que
sou gay, que ela era mesquinha, egoísta e foi terrível. Se ela não fosse tão
ruim, Juliet não acharia que precisava contribuir, só que tudo que minha mãe
ouviu era que seu filho tão idolatrado era gay. Foi a última vez que a vi.
George ficou em silêncio.
— Natal passado a Juliet sumiu de novo, entregou Theo arrumado e
desapareceu. Fiquei tão puto que ela pensasse que precisava contribuir ainda.
Minha mãe já não estava mais, por que ela insistia? Aí eu cismei de passar no
cemitério... Juliet estava sozinha no bar que trabalhava, fazendo um extra
para comprar roupas de inverno para o Theo. Nós dois temos memórias bem
agridoces com o Natal, sabe? Eu sinto falta da minha mãe. Meu pai morreu
servindo o país, sofro e tenho orgulho. E ela está viva, mas não pode me
aceitar como sou.
Coloquei a mão no seu ombro.
— Além de meu assistente, você é o meu braço direito, esquerdo e
às vezes as duas pernas. É um profissional incrível, um homem honrado, um
melhor amigo sem igual e uma das melhores pessoas que conheço. Se a sua
mãe não consegue ver o homem incrível que criou apenas pela sua
sexualidade, o azar é dela e a sorte é toda nossa.
— Obrigado, Romeo. — George me deu um abraço e abriu um
sorriso perverso. — Agora que contei a minha história triste, vai me dar um
aumento?
— Sinceramente? Vai se foder. — Nós rimos na minha sala atraindo
atenção de quem passava no corredor.
Saí mais cedo do trabalho, cheguei em casa sem aviso e encontrei Juliet
entre a sala de estar e jantar, mexendo em seu telefone, usando uma camiseta
azul, um short tão curto que parecia uma cueca, meias pretas nos pés e o
cabelo preso em um rabo de cavalo. Estava com as pernas abertas para
Samantha passar engatinhando. Theo estava comendo biscoitos e assistindo
Vingadores pela milésima vez.
Joguei minhas chaves no aparador, larguei minha pasta no chão e a
beijei tanto que nossos lábios ficaram doloridos. Sem entender nada, me deu
um sorriso tímido e anunciei que iríamos para loja comprar nossa árvore de
natal e as decorações.
Me arrependi imediatamente de ter levado as crianças, porque
Samantha quase derrubou duas árvores, mas foi Theo desviando da
pimentinha da Samantha que derrubou uma prateleira inteira de bolas de natal
de vidro. Não sobrou uma maldita bola para contar a história. Os dois
choraram de susto, com meu grito e meu pavor que tivessem se machucados.
Obviamente paguei pelos produtos quebrados e tentei encontrar minha
mulher que estava alucinada dentro da loja.
Nós montamos a árvore em casa, felizmente não parecia que o Papai
Noel vomitou dentro do apartamento e a minha parte favorita era o visco.
Estava sempre atraindo minha baby para debaixo dele.
E isso nos levou ao primeiro dia da pausa de inverno. Os noticiários
informavam o mal tempo, ventos fortes, tempestades de neve e muito frio. O
tempo realmente mudou na noite anterior, Juliet e eu até comentamos que era
bom não precisar sair com as crianças.
Virei na cama e senti a ausência dela, abri os olhos e logo a vi, de pé
em frente a janela olhando a neve cair com força. Era possível ouvir o
barulho do vento e era meio assustador. Juliet estava enrolada em um lençol e
a luz branca que vinha de fora mostrava o contorno do seu corpo nu. Levantei
devagar e parei atrás, olhando o dia nos seus primeiros sinais de nevasca.
Subi minhas mãos pelo seu quadril, por baixo do lençol, acariciei sua
barriga, agarrando seus peitos e provocando os mamilos. Jogou a cabeça para
trás, suspirando, entregando o pescoço de bandeja a minha boca faminta.
— Bom dia, meu amor. — Agarrou meu cabelo e procurou minha
boca.
— Fugiu da cama tão cedo…
— Fui olhar as crianças, fiquei com medo que sentissem frio ou
estivessem descobertas. Também fui olhar se as janelas do quarto deles
estavam bem fechadas, acordei com o barulho do vento.
— E elas estão bem?
— Estão muito bem. — Beijei sua nuca e ajoelhei atrás dela. Juliet
já sabia o que ia fazer, inclinou-se para frente apoiando as mãos na janela.
Dei uma boa mordida na sua bunda, era irresistível e beijei logo acima,
lambendo e bati porque sua pele clara logo ficava vermelha. Empinando-se,
afastei suas nádegas e lambi toda sua extensão, estimulando seu botãozinho,
chupando e pressionando minha língua sentindo sua umidade crescer tanto ao
ponto que podia beber.
Seus gemidos estavam ecoando no quarto misturando-se ao som do
vento, levantei, tirei a minha cueca posicionando a cabeça do meu pau na sua
entrada e pelo reflexo podia ver a minha menina me olhar com admiração,
paixão e um belo sorriso safado nos lábios. Empurrei devagar, saboreando a
incrível sensação que era estar dentro dela... Juliet apoiou o joelho no
parapeito, ficando na ponta dos pés e ah, foda-se.
— Me fode, amor. Com força. — Pediu arranhando meu braço e
levou a mão entre suas pernas para tocar a si mesma.
A tempestade lá fora não era páreo para tempestade que essa mulher
causava em mim. Bati contra sua bunda repetidas vezes, estocando firme,
sendo alimentado com seus gemidos mais intensos, cada vez mais apertado
com a aproximação do seu orgasmo... Tremendo, bateu a testa contra o vidro
e me gozei sem aguentar segurar. Odiava com todas as forças quando não
conseguia fazê-la gozar antes de mim.
Às vezes acontecia. Juliet riu da minha careta e me beijou,
devagarzinho, estimulei seu clitóris, sem pressa, ela adorava daquele jeito,
que a beijasse muito e a fizesse gozar com carinho. Não demorou muito para
estar buscando apoio nos meus ombros e pedindo para parar, mas não parei
até que gritasse de verdade.
— Caramba, fiquei até tonta. — Riu contra minha boca.
Peguei-a no colo e ficamos na cama, conversando nossas usuais
besteiras, rindo baixo para não acordar a casa e namorando mais um pouco,
estava dentro dela de novo, quase gozando quando ouvimos Theo chamar.
— Estava quase lá... — Gemi rolando na cama, ela riu, foi ao
banheiro, se enrolou no roupão e saiu do quarto sem esconder a risada.
Ouvi o ruído da babá eletrônica, mas eles não falaram nada, desliguei e
olhei para meu pau muito duro. Toquei-o lentamente, estremecendo e olhei
para porta, minha esposa estava divertida me encarando tocar uma punheta.
Tirando o roupão, engatinhou em cima de mim, primeiro me deu uma boa
chupada que me fez ver estrelas e depois sentou em mim.
— Queria te avisar que se continuar sentando assim... — Perdi
minha fala e o raciocínio para grande diversão dela. — Não vou durar muito
tempo... Já estava quase lá quando saiu... Porra, Juliet. — Jogando a cabeça
para trás, simplesmente dando um belo foda-se ao meu apelo, cavalgando
como uma boa amazona e gozei forte, quente e fiquei até surpreso com a
quantidade que saiu.
— Uau... Estava acumulado aí dentro? — Caiu em cima de mim. —
Estou sentindo escorrer um rio, Romeo.
— Você drenou a porra toda.
— Adoro te deixar assim... — Mordeu minha orelha e fiquei todo
arrepiado, me sentindo o homem mais feliz do mundo.
E o mais cansado.
Acordei sozinho na cama e era tarde. Ainda estava um tempo pesado lá
fora, me espreguicei, vesti uma cueca e calça, saindo a procura da minha
família. Devido ao mal tempo, dispensamos todas as funcionárias e deixei o
alerta na empresa que apenas os setores de plantão iriam funcionar, ou seja,
funcionários que já estavam no trabalho não podiam sair. Não queria
ninguém correndo risco nas ruas.
As autoridades estavam pedindo que os cidadãos evitassem sair de
casa.
Era muito bom ter a casa vazia, podia ficar realmente a vontade com
minha família sem ter outras pessoas nos observando mesmo que sem querer.
As cortinas do primeiro andar estavam todas fechadas, a sala que dava para
varanda escurecida e as portas de vidro vedadas. Encontrei as crianças no
sofá da sala, assistindo televisão e ainda de pijama. Theo estava deitado com
um boneco e Samantha tão encolhidinha que parecia uma bolinha de pelúcia.
— Oi papai. — Minha ursinha me deu um sorriso sapeca.
— Oi bebê. — Beijei sua testa e Theo sorriu para mim. — Cadê a
mamãe?
— Na cozinha.
— Vocês já comeram? — Os dois balançaram a cabeça
positivamente e voltaram a assistir o desenho.
Juliet estava na cozinha, cabelo preso no coque desleixado que me
dava acesso ao seu pescoço, uma blusinha justa que podia ver o contorno dos
seus mamilos arrepiados, um short curto e meias até os joelhos. Era o tesão
em forma de mulher. Lia algum livro de receita, no balcão vários ingredientes
espalhados e de tão concentrada, mordia o lábio.
— Acordou, dorminhoco? Ficou sem forças? — Me deu um
olharzinho maldoso.
— Papai por que você acordou tarde? — Theo apareceu atrás de
mim.
— A mamãe me deixou cansado porque ela fala muito dormindo.
Juliet soltou uma risada, prometendo que essa noite ela ficaria
quietinha e eu ri, dizendo nas entrelinhas que não iria aguentar tanto. Mesmo
com o dia feliz, no final, ela estava olhando para janela novamente e eu
entendi que estava preocupada com sua mãe.
As semanas seguintes me fez aprender muito sobre a compreensão em
um casamento. Juliet perdeu o brilho no seu olhar e seus sorrisos nunca eram
os mesmos. Ela ainda estava ali, dedicando-se a mim, as crianças, aos meus
pais e a quem mais precisasse dela. Comparecia aos seus compromissos, me
acompanhava nos meus, levava as crianças ao médico, segurava a mão da
Gail em um exame e até preparou uma festa surpresa para George.
Danika e Gisele perceberam que minha flor mais bonita do jardim
estava murcha. Elas passaram a aparecer sem avisar, levando-a para fazer
compras e no spa. Aprendi pela primeira vez o que era ser um suporte tão
firme quanto uma rocha. Nossa vida sexual deu uma boa esfriada. Sabendo
que ela estava triste, só oferecia meus abraços, mas às vezes ela me procurava
na urgência de me sentir, em uma carência e medo de partir o coração.
Foram noites chorando antes de dormir ou escondida no banheiro.
Dias e dias colocando cartazes pela cidade, perguntando aos investigadores se
encontraram algo e ligando para hospitais. Quanto mais o tempo passava,
mais tínhamos a certeza que Margareth havia falecido. Juliet se recusava
aceitar e preferia acreditar que ela apenas desapareceu.
As pistas foram esfriando até que desapareceram completamente.
Nenhum hospital da cidade recebeu uma mulher parecida com ela. Paguei
mergulhadores para procurar no Rio Hudson apenas por precaução.
Encontramos os donos de todos os carros que passaram no trajeto dela...
A mulher desapareceu como fumaça.
Aos pouquinhos a minha Juliet feliz foi ressurgindo. Assim como a
assisti murchar, a vi florescer. Foi um processo lento. Seus sorrisos estavam
maiores, suas risadas leves transformaram-se nas suas lindas gargalhadas e
voltei a ouvir sons de brincadeiras pela casa. Suas músicas estavam de volta,
seus beijos mais intensos.
Ainda assim, eu sabia que demoraria para que ela deixasse de sofrer
pela sua mãe.
vinte e quatro

Juliet.
A manhã da véspera de Natal amanheceu mágica. Romeo me acordou
com uma bandeja de café da manhã com suas panquecas com gotas de
chocolate, bacon bem fritinho, torradas, iogurte com mel, frutas e chocolate
quente. Nós comemos juntos, agradeci de um jeitinho especial que meu
marido meio rabugento não reclamou quando lhe dei seu pijama para passar o
dia.
Era um conjunto verde escuro de mangas e calça de linho com um
gorrinho vermelho. Theo usava um exatamente igual ao dele e Samantha
usava um pijama verde claro igual ao meu, com o gorro. Nós estávamos
combinando como uma linda família.
Após colocarmos os pijamas, deixei a árvore acesa e minhas pessoas
favoritas assistindo filmes natalinos na sala enquanto fiquei na cozinha.
Estava quase começando a massa dos cookies quando ouvi um barulho na
porta de acesso dos funcionários.
Apareci no corredor e vi Lydia tirar seu casaco e pendurar.
— Bom dia, Lydia. O que está fazendo aqui?
Ela virou e me encarou como se não fosse da minha conta.
— Eu vim ficar com a Samantha.
— Fui bem clara na minha mensagem que todos funcionários
estavam dispensados nas festas de fim de ano.
— Pensei que fosse apenas por causa da tempestade, avisei que
tentei vir e não consegui.
— Sim e respondi que não era um problema. — Insisti e não deixei
que passasse por mim. — Ainda estou falando com você. Não precisamos do
seu serviço hoje, portanto, pode voltar para sua casa. É véspera de Natal e nós
vamos ficar em família.
Lydia me encarou incrédula.
— Posso ver a Samantha? — A sua pergunta me fez sentir um
aperto no coração e um alerta.
Todas às vezes em que segurou a Samantha longe de mim, que
colocava em dúvida meu cuidado e agia como se eu fosse fazer algo errado.
Encarava como um preconceito a minha idade e claramente era algo mais.
Lydia não segurava Samantha como as outras babás. Ela a segurava como
fosse sua.
Romeo quis demiti-la e eu não deixei com medo que Samantha
sofresse, mas Lydia estava fora do normal.
Kira nos alertou sobre isso e ignoramos. Fazia todo sentido. Ainda
mais que durante as férias, Debra me contou que Lydia ligava todos os dias
para saber sobre a Samantha e dar recomendações. Ignorei porque estava
muito focada em cuidar da minha menina e sem paciência para lidar com
Lydia.
— Lydia... As coisas estão indo longe demais. Você é a babá e não a
mãe. Eu sinto sua ansiedade quando fica longe da Samantha e essa sua
preocupação exagerada está passando por cima de mim.
Recuando um pouco, me olhou com uma risada irônica.
— Você também não é a mãe dela.
— Eu sou a mãe dela. Romeo e eu compartilhamos a criação dessas
crianças. Ela é tão minha responsabilidade quanto do pai. Não sua. Sei que
está aqui desde o momento que Samantha nasceu, mas ela não é sua filha. O
seu comportamento me assusta e gostaria que saísse da minha casa agora. O
RH vai entrar em contato sobre todos os detalhes necessários e agradeço seu
tempo de serviço. — Fui bem firme e a expressão dela se transformou em
pura raiva. A doce Lydia não era tão doce assim.
— Você não vai me afastar dela. — Disse entredentes. — Não tem
esse direito!
— Já afastei, por favor, retire-se da minha casa.
— Não! Eu quero ver a Samantha! Ela é minha responsabilidade,
quando não estou, o pai dela é quem cuida. Você é só a namorada que chegou
agora!
O quê?
— Não sou a namorada que chegou agora, sou a mulher dele! Fora
da minha casa antes que chame a segurança! — Apontei para porta e ao
mesmo tempo bloqueando a sua passagem para não entrar no apartamento.
— O que está acontecendo aqui? — Romeo parou atrás de mim.
— Lydia está se descontrolando... Pensando que tem algum direito
sobre a Samantha só porque cuidou dela desde o nascimento, que você é o pai
e eu só a namorada que chegou agora.
Lydia estava olhando para as próprias mãos e sussurrando “ela é
minha” repetidas vezes e me olhou chorando, cheia de raiva. Romeo passou
para minha frente, como se fosse me proteger de um iminente ataque.
— Samantha é minha, Lydia. Você é a pessoa que contratei para me
auxiliar nos cuidados. Mais uma vez mostra claramente que está confundindo
o seu lugar. — Romeo deu um passo bastante ameaçador a frente. — Nunca
mais ouse chegar perto da minha filha. Ela não é sua. Sai da minha casa
agora! — Falou lentamente, pegando o casaco dela e jogando em seus braços.
Abriu a porta bruscamente e Lydia ainda muito atordoada saiu devagar.
Romeo bloqueou a fechadura eletrônica, ligou para portaria informando
que Lydia não tinha mais autorização para entrar no prédio e ligou para Dan
cancelar os códigos de acesso dela imediatamente.
— Que louca, caramba! Kira vai tripudiar da minha cara dizendo
que tinha razão. — Fiz um beicinho e cruzei os braços. — Por um momento o
comportamento dela me assustou. Acho que ela precisa de ajuda profissional.
— Deveríamos tê-la demitido quando discutiu com você sobre a
mamadeira da Samantha. — Romeo ainda arrumou espaço para brigar
comigo.
— Não queria que a ursinha sofresse, amor. Ela gostava dessa vaca.
Queria roubar minha filha. — Me aninhei nele e beijei seu pescoço cheiroso.
— Você estava tão sexy defendendo sua família. Selvagem!
De brincadeira, Romeo fez um sexy som rouco como se rosnasse e
aquele barulho foi direto para meu ventre. Rindo, perguntei se queria me
ajudar nos preparativos da ceia e ele enrolou as mangas começando a
descascar os legumes. Revezamos em olhar as crianças na sala. Samantha não
podia ficar muito tempo sem supervisão ou aprontava alguma coisa épica e
Theo estava começando a botar suas asinhas de fora.
Ao invés de Peru como no dia de Ação de Graças, decidimos assar
apenas frango e bolo de carne para o nosso jantar. De acompanhamento,
salada de feijões verdes que o Romeo amava, caçarola de bacon com milho,
presunto assado com abacaxi, purê de batata e um mix de salada de cenoura,
aipo e vagem. Para os doces, me concentrei no pudim, uma torta de maçã
caramelizada e biscoitos de chocolate branco.
Era o primeiro natal na minha casa, decorada de um jeito lindo, com
meu marido e eu estava explodindo alegria pelos ouvidos. Romeo me pediu
calma umas trinta vezes, porque enquanto cozinhava, cantava músicas
natalinas, dançava com as crianças e fazia muita bagunça.
Os pais do Romeo entraram no apartamento no momento que os
altofalantes do rádio explodiam com o CD natalino da Mariah Carey e eu
cantava a plenos pulmões All I Want For Christmas Is You de um jeito bem
agudo com Samantha no meu colo. Ela segurava o controle como microfone
contra sua boquinha, cantando qualquer coisa menos a música.
Theo estava sentado no encosto do sofá, me olhando como se fosse
uma pessoa louca dançando na sua frente. Romeo estava encostado na
parede, com as mãos no bolso, com a mesma expressão do pequeno.
— Vocês estão lindos com pijamas combinados! — Jane gritou
depois que a música acabou e Romeo abaixou um pouco o som.
— Tem para vocês também! — Comemorei e Guy gemeu ao lado do
Romeo. — Está em cima da cama do quarto de vocês!
— É claro que nós iremos usar! — Jane agarrou a mão do marido e
eles subiram a escada. Romeo arrumou os presentes que trouxeram junto com
os muitos outros debaixo da árvore. As crianças estavam em cólicas para
abrir.
— Mamãe? Podemos cantar ota música? — Samantha ainda estava
babando o controle remoto e me olhando com expectativa. Olhei para o
Romeo quase sem respirar e tudo que me deu foi um enorme sorriso,
aumentando o som novamente para cantar Santa Tell Me com a minha filha.
Theo capotou no sofá sem ajuda e quando Samantha começou a
chorar sem nenhum motivo, lembramos de sermos responsáveis porque ela
ainda era um bebezinho de dois anos e meio com a necessidade de uma
soneca da tarde. Desligamos o som e levamos nossos tesouros para o mesmo
quarto. Theo ficou na cama de solteiro do quarto da Sammy e ela em seu
berço.
Romeo abriu uma garrafa de vinho e sentou com os pais na sala de
verão que parecia mais um iglu com a visão perfeita da neve acumulando na
varanda e caindo do céu. Parei diante a janela, olhando o tempo tão frio lá
fora, me perguntando aonde minha mãe foi parar... Se estava segura naquele
frio, se iria sucumbir ao gelo ou que diabos aconteceu. Uma pessoa não podia
simplesmente desaparecer.
Se estava viva, não se importava nenhum pouco ao ponto de dar um
sinal?
— Ei, baby! Dá para ouvir o forno apitando bem aqui no meu colo!
— Romeo ergueu sua taça de vinho e sorri. Ele sabia que não iria beber, odiei
ter ressaca.
Enviei orações a minha mãe e me juntei a minha nova família, que
estava me acolhendo incondicionalmente com minhas falhas, sendo
compreensíveis nos meus momentos de tristeza, me amando mesmo quando
estava com energia de sobra e me mimando como uma princesa.
Mais tarde arrumei Theo e Samantha como dois pequenos elfos. Era
uma lembrança muito gostosa que tinha do natal com meu pai e queria muito
que eles crescessem tendo essa data como um momento de harmonia em
família. Romeo escolheu sua própria roupa, usava jeans escuro e justo, uma
camisa de linho vermelha de manga três quartos que marcava bem seus
músculos torneados e ainda tinha a gola em V. Ele estava incrivelmente
gostoso.
Era difícil acreditar que aquele homem me quis desde a primeira vez
que me viu. Aquela espécie de homem gostoso era difícil de achar. Era tipo o
Henry Cavill. Existia alguém como ele a cada esquina? Não. Era assim com o
Romeo. Ele era único. Sua dedicação a cuidar do corpo e da mente lhe fazia
muito bem. Todos os pais do mundo podiam ser médicos que ensinam seus
filhos a se cuidarem, certo?
Seria uma maravilha.
Escolhi um vestido vermelho que não sabia de onde era. A personal
vivia trazendo umas peças novas, me ajudando a montar um armário para
acompanhar Romeo. Algumas peças precisam de ajustes, outras realmente
não passam do meu quadril e a maioria ficavam perfeitas. Aquele vestido foi
um desses achados dela e uma paixão à primeira vista. Deixei meu cabelo
solto, bem escovado, uma maquiagem simples e prendi um gorro na minha
cabeça.
Antes de sair do quarto, peguei o lubrificante e o presentinho do
Romeo, me preparando para usar conforme a instrução e o que li na internet.
Comprei o menorzinho porque não era idiota. Queria apenas provocar,
porque ele sabia que não iria dar minha bunda. Seu pau era enorme. Seu dedo
era outra história divertida.
Fiquei descalço porque estávamos em casa e não iria aparecer qualquer
estranho. Quando desci pronta, Samantha já estava comendo um pedaço de
presunto assado e o pai dela com uma expressão muito frustrada. Certamente
um dos avós deu a ela. Romeo cozinhou uma série de legumes para as
crianças, mas avisei que obviamente elas iriam querer o que estava na mesa.
— Você está linda! — Theo me abraçou e ajoelhei para ficar na sua
altura, observando seus olhos brilhantes e o sorriso que nunca deixava seus
lábios.
Tudo valia a pena por ele.
— Obrigada, amor. Seu elogio me deixa muito feliz! — Esfreguei
meu nariz no seu e beijei sua testa.
Sorridente, foi até Samantha e ela ofereceu a ele uma mordida do
seu presunto. Amava assistir os dois compartilhando comida, brincando e
quando eles dormiam juntinhos meu coração parecia sempre que ia explodir!
— A Mamãe Noel está tão gostosa! — Parei entre as pernas do
Romeo, que estava sentado no encosto do sofá, algo que não gostava que ele
fazia e que não adiantava reclamar. Ele dizia que era implicante com as
manias dele e passei a ignorar. Quando estragasse, que não reclamasse que
seria preciso trocar o sofá.
Nós brigamos muito sobre a conservação dos bens materiais. Ele diz
que preciso esquecer a minha vida pobre e acho errado pensar que só porque
tem dinheiro, tudo se tornava descartável. Chegamos ao meio termo em não
brigar mais sobre isso e tentar tolerar o limite do outro.
— O papai está incrivelmente sexy... — Beijei seu pescoço, lambi
sua pele, saboreando seu gostinho e Romeo agarrou minha bunda, disfarçou e
colocou as mãos na minha cintura.
— Há crianças e idosos na sala, baby. Não me atenta!
— Podemos usar a desculpa que somos recém-casados! — Mordi
seu lábio, chupando um pouco e soltei devagar.
— Eu vou te comer no banheiro se continuar nesse ritmo.
Me afastei rindo, aceitei uma taça de vinho e aproveitei minha noite.
Nós compartilhamos a comida natalina preparada com muito carinho. Foi
divertido ouvir as histórias da infância do Romeo... Como seus pais eram
médicos, ele teve muito tempo sozinho e aprontava muito.
— Amanhã de manhã nós vamos abrir os presentes porque o Papai
Noel vai vir e colocar o presente que pediram nas cartinhas de vocês. —
Expliquei para as crianças em frente a árvore e os levei para dormir. Os dois
lutavam arduamente contra o sono para abrir os presentes.
Theo dormiu primeiro e Samantha ainda me fez conversar por quase
uma hora até finalmente cair no sono. Os pais do Romeo já estavam
dormindo, andei silenciosamente pelo corredor porque os três quartos eram
próximos. Felizmente meu quarto era bem distante ou não poderia organizar
minha festinha de natal com meu marido.
Tirei do escritório o presente que o Theo pediu. Ele quis uma bicicleta
dos vingadores e é claro que fui correndo comprar. Samantha pediu tanta
coisa que escolhemos uma só. Entre seus muitos pedidos aleatórios – ela
tinha dois anos, podíamos relevar sua lista que incluía cookies, cachorros,
gatos e bonecas. Excluímos os animais de estimação, a comida e então,
compramos uma boneca que falava e vinha com um monte de acessórios para
trocar fralda e dar mamadeira.
Reparei novos embrulhos debaixo da árvore e li os cartões “De Romeo
para Juliet”. Nós dois descumprimos o acordo que não compraríamos
presentes ao outro.
Entrei no nosso quarto, fechando a porta e ele já estava na cama.
— Oi. Cansado?
— Para você? Nunca. — Sentou na cama e tirei meu vestido,
revelando os adesivos vermelhos nos meus mamilos porque esse homem
adora me ver sem sutiã e a pequena calcinha vermelha.
— Preciso que você tire a minha calcinha.
Romeo saiu da cama e estava só com sua cueca cinza, o quarto estava
quentinho e antes que chegasse até a mim, me inclinei na cama ficando de
quatro. Meu marido puxou a calcinha para baixo e assobiou... Deu um tapa na
minha bunda.
— Puta que pariu... Cacete. — Afastou minhas nádegas e olhei por
cima do ombro. — É uma bela joia, baby. Quero ficar olhando para ela a
noite toda.
— Feliz Natal, amor.
Romeo sorriu como o gato que comeria o canário e simplesmente soube
que meu natal seria deliciosamente quente.
vinte e cinco

Romeo.
Soltei uma risada alta no carro e Henri, no banco do motorista, chegou
a me olhar pelo retrovisor, sem entender porque no meio de um
engarrafamento causado pela tempestade, estava rindo. A risada era boa
depois de um dia horrível. Não conseguia enumerar a quantidade de
problemas que foram surgindo desde o começo do novo ano e estava
seriamente pensando que alguém da minha equipe estava me traindo ou
estava sofrendo uma série de sabotagens por espiões corporativos.
Um dos meus galpões de carros antigos sofreu uma tentativa de furto.
Em pleno auge do inverno novaiorquino, meus carros quase foram roubados.
Me causaria a porra de um prejuízo milionário. É claro que tinha um seguro e
o sistema de segurança foi tão eficaz que os merdinhas desistiram. Mas tive
transtorno de avisar aos compradores que os carros iriam demorar a ser
entregues.
Faria uma auditoria obrigatória em cada um dos carros para garantir a
qualidade para os compradores. O negócio com carros de luxo começou
aleatoriamente, não era minha fonte principal de renda. Investir dinheiro em
carros era muito melhor do que investir em cavalos, na minha humilde
opinião. Talvez por não gostar de cavalos, não os ache atraentes para gastar
meu dinheiro...
Não sei quantas pessoas demiti em apenas dez dias do novo ano.
Estava indo embora para casa mais cedo que o usual porque a tia da
Samantha avisou que estaria na cidade por esses dias e que gostaria de ver a
sobrinha. Ela era irmã caçula da Eliza. Minha cabeça estava explodindo e só
de pensar em ter que ser educado durante um jantar até que recebi um vídeo
do Chris. Ele gravou Juliet e eu dançando na sua festa de ano novo e não
podia ser algo mais engraçado. Nossos amigos nos apelidaram de o “casal
animado”, não muito por mim, mas por Juliet ser uma pilha e me obrigar a
acompanhá-la.
Minha esposa dançava alegremente e muito bem, com gingado e ritmo
como uma bailarina incrível que era. E eu, dançando de um jeito bem
diferente. Em algum momento do vídeo, Juliet vira e me dá a língua. Rio de
jogar a cabeça para trás, a ergui pela cintura e balançando de um lado ao
outro como uma boneca de pano.
Era simplesmente engraçado ver no ponto de vista de outra pessoa o
quanto ficava bobo ao seu lado. Juliet era luz na minha vida.
Cheguei em casa e antes que pudesse jogar a chave no aparador,
Samantha apareceu correndo fazendo queixa do Theo. No pouco que
consegui entender, ele não queria dar um boneco dele para ela. Enfezada,
cruzou os braços esperando alguma atitude minha que nem tinha entendido o
que estava acontecendo.
— Samantha! — Juliet apareceu na porta da cozinha com uma colher
de silicone na mão. — Eu disse que não. Ele já te emprestou todos e ficou
com um só.
— Mas mamãe! — Samantha se jogou no chão. O “terrible two” era
um inferno.
Theo estava com os olhos arregalados e moveu os braços para dar o
boneco a Samantha e sinalizei que não. Ela não podia ter tudo e fazer ainda
pirraça para conseguir.
— Não quero que a Sammy chore. — Theo estava aflito e como era
muito sensível, começou a chorar também
— Vem com o papai. — Peguei-o no colo e saí de perto. — A mamãe
vai resolver com a Sammy. — Ouvi Juliet repreender Samantha que veio para
sala pedindo desculpas ao Theo e deu um beijo, fazendo as pazes com seu
“ximão”. Para promover a paz, os dois foram brincar juntos ou tentar. Theo
era muito calmo e a Samantha era o avesso.
Terminei de tirar meu casaco, terno e pendurando minhas roupas no
armário de casacos. Guardei minha pasta no escritório e entrei na cozinha.
Juliet estava colocando o purê de abóbora em uma travessa longa. Reparei
que usava um macacão preto longo, descalça e com o cabelo preso em um
rabo de cavalo.
— Será que agora vou ganhar meu beijo agora? — Fez um ligeiro
beicinho dramático.
— É claro que sim. — Segurei sua cintura e beijei sua boca, pescoço,
agarrei sua bunda e voltei a beijá-la novamente. — Estou morrendo de
saudade de você.
— Só estamos sem nos ver há algumas horas.
— Foi como cem dias.
— Obrigada pelas flores, baby. Amei demais.
— Você merece a floricultura inteira. — Beijei seu queixo e mordi,
ganhando um tapinha na cabeça. — Gostou do outro presente também?
— Ficou incrível.
— Não tirou uma foto?
— Vai ver mais tarde, quando nossos convidados forem embora e
nossas pimentinhas estiverem na cama.
— Vou ganhar um showzinho particular em plena quarta-feira? Quando
me tornei tão sortudo?
— Quando me pediu para ser sua baby. — Sorriu toda marota e apertei
seus peitos fazendo som de buzina. — Depois eu que sou a pessoa mais nova
entre nós.
— É mais forte que eu.
Ajudei-a a finalizar o jantar, arrumar a mesa e o aparador para deixar a
comida aquecida. Troquei de roupa e arrumei as crianças para recebermos
nossos convidados. Sentei-me no sofá tentando relaxar meu corpo e mente,
pelo menos por algumas horas, mas a ansiedade por ter novas notícias me
fazia olhar o celular o tempo todo.
— Alguma notícia sobre o quase roubo? — Juliet se sentou na mesinha
de café na minha frente.
— Estou preocupado que seja mais que um roubo...
— No meu inocente ponto de vista é alguma vingança para manchar
seu nome. Desviar seu foco de algo que você está trabalhando e outra
pessoa pode estar querendo. Vejo isso nos romances que leio o tempo todo.
— Me deu um tapinha na coxa e a campainha tocou. — Vai atender. Vou
chamar as crianças. — Me deu um beijo doce e perdi meu olhar no seu
decote por um tempo antes de sair do sofá.
Abri a porta e Tatiana estava sorridente como todas as vezes que a
encontrei. Ela era muito parecida com sua irmã e logo me deu um abraço
apertado. Empolgada, apresentou seu noivo, um jovem médico chamado
Nicholas. Convidei-os para entrar e ajudei com os casacos.
— Tatiana, quero que conheça minha esposa... Juliet. — Segurei a mão
da minha esposa que estava muito ansiosa em conhecer a tia da nossa
pimentinha. — E nosso menino mais velho, Theodore. Nós o chamamos de
Theo.
— Ah que família linda, Romeo! — Tatiana abraçou Juliet. — Prazer
em conhecer a mamãe da minha pituca!
Juliet relaxou imediatamente ao perceber que Tatiana era muito alegre e
tranquila. Introduzindo seu noivo a conversa, Samantha não quis ir ao colo da
tia inicialmente e ao nos sentarmos na sala, já estava cheia de gracinha,
conversando também.
— Ela cresceu muito e está tão linda! Você tem feito um trabalho
incrível, Romeo. Vi as fotos do casamento na imprensa, estavam lindos!
Mamãe mandou dizer que espera vir da Espanha ver a Samantha um
pouquinho. — Tatiana apertou o nariz da Sammy de brincadeira. —
Mamazita está muito feliz com seu casamento porque ela se preocupava
como Samantha seria criada sem uma influência feminina.
— Estava muito nervosa em conhecê-la. Não queria que ninguém
pensasse que nós passamos por cima da memória da Eliza. Nós mantemos
fotos dela grávida no quarto da Samantha e ela sabe que é a mamãe e ela na
barriga. — Juliet esfregou as mãos ainda muito nervosa e servi vinho para os
adultos, entregando os copos de suco para as crianças.
— Ah, nós sabemos! Quer dizer, eu imaginava que sim. Minha irmã
mais velha, a Natasha, é a única ciumenta sobre isso porque ainda é a que tem
mais dificuldade em aceitar a decisão da Eliza. Nenhum de nós concordou, é
claro. Foi um período muito doloroso e mais ainda depois do seu falecimento.
Aprendi a aceitar que o ato dela nos deu Samantha e essa menina era seu
maior sonho, então, como tia só me cabe mimar. — Tatiana brincou com
Sammy e olhou para Juliet. — Não sei se Romeo te contou, moro em Seattle
e por isso não consigo vê-la muito. Toda família mora na Espanha e eles não
vêm muito aqui.
— É uma pena e espero que tenham recebido nosso agradecimento
pelos presentes. Samantha amou a boneca de pano que sua mãe mandou. Fica
com ela no berço. — Juliet sorriu e ao ouvir a mãe, Samantha quis o colo
dela, abraçando pelo pescoço.
— Um dos motivos que quis marcar esse encontro é que estarei mais na
cidade. Nicholas recebeu uma incrível proposta de emprego aqui e eu virei
com ele. Nós até decidimos fazer a nossa festa de casamento aqui na cidade e
adoraria que Samantha fosse nossa menina-flor. — Tatiana olhou para o
noivo com carinho.
— Meus sinceros parabéns pelo matrimônio. Foi a melhor escolha da
minha vida. — Ergui minha taça e brindamos.
— Você vai ser a menina-flor mais linda do mundo! — Juliet
comemorou com Samantha.
Foi muito bom ver o quanto Tatiana e Juliet se entrosaram. Tatiana
tinha apenas vinte dois, era alegre e engraçada. Eliza sempre falou da sua
irmã com muito carinho. Tatiana entendia que eu e sua irmã tivemos um caso
de uma noite, resultando na Samantha, portanto não havia nenhuma razão
para colocar Juliet como antagonista na história.
Seu noivo era um rapaz muito tímido, um contraste enorme da
tagarela da Tatiana.
O jantar foi delicioso, divertido, conversamos muito e amei ver a minha
menina fazendo uma nova amizade. Elas até combinaram de sair a procura de
apartamentos juntas. Queria muito que Samantha crescesse próximo a família
da sua mãe.
— Ela é muito engraçada! — Juliet sorriu assim que eles foram
embora. — Você tinha razão, estava nervosa à toa. — Me deu um beijo e foi
recolher a louça. Meu telefone tocou e só podia ser problema, ainda mais
àquela hora da noite. — Pode deixar que me viro aqui, vai resolver.
— Prometo não demorar.
Me refugiei no escritório atendendo a chamada do Daniel e ele
conseguiu rastrear o paradeiro dos homens que tentaram arrombar o galpão.
Segundo a polícia, eles eram uma equipe especializada em assaltos de
grandes níveis e foram pegos tentando roubar outro galpão em D.C. Estavam
sendo procurados por roubos há dois anos e eles agiram por conta própria,
sem exatamente um mandante.
Não engoli bem a história. O grupo confessou a tentativa do assalto em
troca de redução de pena. O que não iria facilitar nenhum pouco. Podiam não
ter roubado nada, mas tentaram e isso já era uma ofensa para mim. Me
despedi do Dan e liguei para o meu advogado porque queria um
acompanhamento de perto. Ainda não estava satisfeito. Algo me dizia que
não era tão simples assim.
Girei minha cadeira para janela, olhando a escuridão lá fora, apertando
a minha bolinha azul antiestresse e pensando que não cheguei até ali
acreditando em contos de fadas. Seja quem fosse, iria descobrir apenas pelo
prazer de passar por cima. Enviei uma mensagem ao Dan informando que
gostaria de aumentar a segurança da Juliet com as crianças, ele respondeu que
concordava e os pontos que o deixava desconfortável.
Fizemos um rápido trabalho mudando as rotas e minha esposa
precisaria ter alguém com ela nas aulas de danças, as crianças mudariam o
parquinho que costumam frequentar e toda rotina deles seria alterada. Fui até
a cozinha contar as não tão boas novas e como sempre, ela me surpreendia
em ser compreensiva.
— Isso vai embolar com o horário da soneca, mas não tem problema,
eles podem brincar na sala do play enquanto ainda está frio. Depois que o
tempo aquecer decidimos onde iremos levá-los para brincar. — Secou as
mãos em um pano de prato. — Theo tem pedido para descer com a bicicleta.
Quando não posso ir, a babá leva e fico com a Samantha. Seria ideal você
levá-lo ao pátio do prédio mesmo só para dar uma volta. Ele quer te mostrar
as manobras radicais que aprendeu. — Revirou os olhos e sorri. — Eles já
estão na cama, vamos subir.
Theo já estava dormindo e segurando um boneco. Juliet lamentou não
ter deitado com ele. Estávamos percebemos que já estava ficando grandinho,
podia acontecer de pegar sono sem incentivo. Beijei sua testa e o cobri
direito. Enquanto ele era um anjo em forma de menino, Samantha estava no
nosso quarto tirando todos os sapatos do closet que suas mãozinhas
conseguiam.
Era nove da noite e ela estava usando saltos altos da Juliet pelo meu
quarto.
— Você não vai arranhar meus sapatos. Eu te amo, mas vou te vender
em troca deles. — Juliet a pegou no colo e beijou sua bochecha. — Vá com o
papai dormir porque está na hora. Mamãe vai tomar um merecido banho sem
vocês gritando no banheiro.
Samantha estava agitada demais para dormir e sem querer sair do
quarto dela, deitei na cama que ficava ali para as babás. Acabei dormindo
junto ou antes dela, não fazia a mínima noção. Levei-a para seu berço às três
da manhã e silenciosamente caminhei até meu quarto, encontrando minha
cama ainda feita e vazia.
Desci a escada e suspirei, me sentindo muito mal ao ver as velas,
vinho e a sobremesa perfeitamente alinhada na mesinha de centro da sala.
Juliet estava dormindo, enrolada na colcha e ao pegá-la no colo, usava o
conjunto de lingerie que comprei mais cedo e mandei entregar junto com as
flores. Ela adormeceu me esperando... Iria passar o dia inteiro compensando
seus preparativos.
Deitei-a na cama, cobri com o edredom e apaguei do seu lado e saí bem
cedo de casa. Parte porque realmente havia muito que fazer na empresa e a
outra parte que precisava de tempo para preparar uma surpresa épica e
compensar a noite anterior. Liguei para Kira pedindo que dormisse com as
crianças a noite e reservei a nossa suíte especial, encomendei que fosse
espalhado milhares de pétalas de rosas pelo quarto, o jantar favorito dela e
vinho branco.
— Romeo! — George empurrou a porta da minha sala bruscamente
todo sujo de café. — Há um incêndio no prédio ao lado!
— Que prédio?
— Da sua casa!
Ainda demorei um tempo para processar que diabos George falou, corri
atrás dele e dirigiu feito um louco. Nós não pudemos passar na contenção dos
bombeiros e gritei que minha família estava em casa, na cobertura C do
prédio germinado ao lado.
— Nós pedimos que todos os moradores dos prédios saíssem dos
apartamentos. Sua família deve estar aqui embaixo em algum lugar. — O
bombeiro tentou me acalmar mediante a negra fumaça que saia do prédio
bem colado ao meu. Minha cobertura era bem ao lado. A inalação de fumaça
podia ser fatal. E se eles ainda estivessem dormindo e não ouviram o aviso
dos bombeiros?
Liguei repetidas vezes para Juliet e seu telefone chamava até cair. Fiz o
mesmo com a Kira, andando pela multidão de moradores, reconheci diversos
vizinhos e até perguntei se viram minha esposa e filhos.
— Kira! — Encontrei-a entre um grupo de moradores e a abracei
apertado. — Jesus! Você não atende o telefone!
— Abandonei o telefone quando vi o bombeiro. Acalme-se, homem.
Estamos bem. — Abri minha boca para falar e ela tapou. — Ouça bem o que
irei te dizer. Juliet está com os bombeiros junto com as crianças. Todos
perfeitamente bem... A primeira explosão invadiu a área livre acima do
quarto de vocês então toda fumaça entrou pelo banheiro e ela inalou bastante
ao sair do banho. Sem pensar direito, correu até as crianças, envolveu as duas
em cobertores e nós estávamos saindo do apartamento quando os bombeiros
abriram a porta. Parece que já estava pegando fogo, nós não vimos e nem
sentimos o cheiro. O prédio estava sendo evacuado na hora que teve essa
explosão causada por algo que não sabemos.
— E você quer que fique calmo? Cadê minha família? — Perdi
totalmente as minhas estribeiras.
— Está ali. Vá com calma, Romeo.
Empurrei algumas pessoas da minha frente e encontrei minha esposa
deitada em uma maca com nossas duas crianças em cima dela, enrolados no
mesmo cobertor. Ela usava um fio de oxigênio no nariz e sorria
amorosamente para as para Theo que falava algo e Samantha chupava o dedo,
olhando a multidão de pessoas com curiosidade.
— Deus, amor. — Abracei os três ao mesmo tempo. — Fiquei com
tanto medo!
— Estamos bem. Acabei de explicar para os dois o que aconteceu. Eles
não entenderam porque estavam dormindo ainda. — Juliet me deu um sorriso
e um beijo. — Pediram para ficar com isso aqui e devemos ir ao hospital para
ver o quanto inalamos de fumaça. As crianças não chegaram a ter tanto
contato.
— Eu não posso acreditar que isso aconteceu... — Olhei ao redor e
havia milhares de pessoas assustadas, com roupas de dormir e um prédio
inteiro basicamente em chamas.
George nos encontrou e abraçou minha família, igualmente aliviado em
ver Juliet e as crianças bem. Nós tentamos deduzir segundo conversa dos
vizinhos que diabos aconteceu em um apartamento vazio.
— Dizem que foi vazamento de gás.
— A porra do meu maior medo. — Reclamei ainda apertando minha
família. — Nós vamos nos mudar. Vamos para uma casa e sem vizinhos.
— Nós amamos o apartamento. — Juliet me contrariou.
— Eu amo vocês muito mais e não vou viver no risco de outro incêndio
como esse. — Beijei sua testa.
A paramédica chegou informando que nos levaria para o hospital e
Theo amou o passeio na ambulância enquanto Samantha apenas queria tirar o
oxigênio do nariz da Juliet. Assim que chegamos pude acompanhar os três.
Liguei para meus pais contando o que aconteceu e eles estavam vindo
imediatamente para a cidade.
George informou que o fogo foi finalmente contido e que o meu prédio
ficaria fechado para inspeção. Ele foi liberado para subir e buscar itens
pessoas. Ele e Kira recolheram o máximo de roupas, fotos, documentos,
aparelhos eletrônicos pessoais, brinquedos das crianças e coisas realmente
importantes. Enviei Henri para ajudá-los e levar mais malas do maior
tamanho que encontrasse.
Theo estava totalmente liberado e com pulmões limpos. Samantha foi a
segunda a ser liberada, reclamou de fome e deixei os dois com uma
enfermeira, encontrando uma lanchonete ao lado do hospital para comprar
um café da manhã. Voltei para o quarto, alimentando os dois e a enfermeira
sorriu amigável.
— Sua esposa já está vindo, senhor. — Me deu um aceno e saiu.
— Por que a mamãe está lá dentro? — Theo não parava de olhar na
direção que Juliet foi levada. — Não quero ficar sem Juliet.
— Por favor, amor. Não chore, papai está aqui. — Coloquei-o sentado
em meu colo e expliquei exatamente o que Juliet estava fazendo na sala de
exames.
E para minha sorte, ela saiu da porta rindo com uma enfermeira,
andando com seu par de chinelo, a calça de pijama que era minha e enrolada
no meu roupão preto. As crianças também estavam de pijama. O médico
conversou conosco que todos estavam bem, que era para voltar se sentissem
enjoo, tontura, muita dor de cabeça e falta de ar. Como não havia casa para ir,
George reservou um hotel com um bom espaço para nos acomodar enquanto
pensava para onde iríamos.
— Eles mandaram retirar tudo. — Kira explicou ao nos receber na
suíte. — Todas as coisas pessoais, como fotos, roupas, documentos... Não
sabem quanto tempo vai demorar. Precisam avaliar o dano do fogo na
estrutura do prédio.
— Estão certos em não arriscar. — Concordei colocando Theo no chão
e mesmo assim ele grudou na minha perna, estranhando o ambiente.
Samantha saiu correndo, empurrando as portas, olhando tudo e mexendo.
— O problema não é exatamente o nosso prédio... É o ao lado, onde o
fogo alastrou tudo. Ainda bem que tinha muitos imóveis vazios, mas muita
gente perdeu tudo. — Kira lamentou.
— Isso é tão triste. — Juliet me abraçou. — Podemos fazer algo para
ajudar, amor?
— Vou fazer o que der, baby. Agora vá descansar, está bem? — Beijei
sua testa e observei ir para o quarto onde as crianças pulavam na cama com
G.
Demorou praticamente um dia inteiro para ter todas as nossas coisas
retiradas do local, até o que tinha na dispensa e geladeira. Meus pais
chegaram e foram paparicar as crianças e Juliet. O quarto do hotel estava uma
completa zona de caixas, malas e trouxas de roupas de cama que foram feitas
para guardar as coisas. Os bombeiros sequer deram uma previsão de quando
iriam liberar os dois prédios para moradia. Muitos andares do prédio ao lado
foram afetados com o fogo e como eram germinados, precisavam de muito
cuidado com a inspeção da estrutura.
Só de pensar que o fogo poderia invadir meu apartamento com minha
família lá dentro me sentia apavorado.
— Eu tenho um amigo que acabou de colocar sua casa de família a
venda. — Meu pai sentou-se do meu lado no final da noite. Estava tão
cansado que meu corpo estava doendo. — É uma casa bonita, harmoniosa...
Uma mansão em Long Island.
— Por que está vendendo?
— Vamos dizer que ele fez negócios ruins, perdeu a empresa e decidiu
morar em algo menor com a esposa agora que os filhos estão na faculdade. Já
desocupou a casa e os móveis são de luxo. Foi reformada um ano atrás e é
próximo da praia. — Imediatamente olhei para Juliet que estava prestando
atenção na conversa.
— Não podem ficar em um hotel por tanto tempo, Romeo. Serão muito
bem-vindos lá em casa, mas a distância é longa para o seu trabalho. — Minha
mãe apertou meus ombros.
Juliet me deu um olhar que dizia que a decisão era minha.
— Nós realmente não temos estrutura com as crianças em um quarto de
hotel, por mais que ele tenha duas suítes e seja enorme e luxuoso, não é uma
casa. Não é um lar. Daqui a um tempo eles vão perder totalmente a rotina e o
aconchego de uma casa. — Juliet ofereceu e mordeu o lábio, aflita.
— Tudo bem. Liga para seu amigo e pergunte se nós podemos fazer
uma visita... Vamos olhar outras casas também. A que gostarmos, farei a
oferta.
Meus pais foram para pequena sala de jantar ajudar Juliet e dar comida
para as crianças. Kira estava tentando encontrar suas roupas no meio da
confusão de coisas. Ainda estava usando o mesmo conjunto de hoje cedo e se
George não fosse a pessoa mais engenhosa do mundo, teria esquecido todas
as joias, documentos importantes e itens valiosos no cofre no fundo do closet.
Ele reuniu tudo em uma caixa, conferiu junto comigo e guardamos no
cofre do hotel. Meu assistente estava sentado no chão com uma garrafa de
vinho, organizando as coisas do meu escritório que foram retirados às
pressas.
A campainha do hotel tocou e ao abrir, me deparei com dois policiais.
Eles queriam conversar em um local privado e o hotel forneceu uma sala.
George e meu pai me acompanharam, sentamos todos e perguntei que diabos
precisavam falar comigo.
— O laudo inicial da perícia aponta que o incêndio foi criminoso. Nós
recuperamos imagens e vimos que o possível autor do crime tentou entrar no
prédio que senhor mora e não conseguiu, tendo passagem no prédio ao lado
assinando como visitante em um dos apartamentos a venda. — Investigador
Johnson empurrou uma série de imagens na minha direção. — Conhece esse
homem?
A fotografia mostrava um homem todo de preto, agasalhado e careca.
— Nunca vi na vida. E o que isso tem a ver comigo?
— Nós encontramos esse papel antichamas dentro do forno do
apartamento que causou todo caos. — Empurrou mais uma folha e era a foto
de um bilhete “Romeo Blackburn, esse é só o começo. Você vai perder tudo
que tem”.
— Está me dizendo que o incêndio foi causado para pegar no meu
apartamento?
— Acreditamos que ele iria tentar incendiar seu apartamento ao não
conseguir, foi para o prédio ao lado que tem a parede geminada com a sua
cobertura.
Recostei na cadeira sentindo o ar fugindo dos meus pulmões.
— Recebeu alguma ameaça? Tem algum inimigo que posso provocar
tal ato?
— Não assim... Claro que tem pessoas que definitivamente não gostam
de mim, mas não consigo pensar em ninguém que chegaria a tal ponto. Isso é
loucura das grandes. — Puxei meu cabelo sem acreditar no que estava
ouvindo. — Minha esposa e meus filhos estavam dormindo lá dentro. —
Minhas mãos e lábios tremiam ao ponto do meu pai achar que iria desmaiar.
— Acalme-se, meu filho. Eles estão seguros...
— Nós continuaremos a investigação. Esperamos poder entrar em
contato com o senhor em breve e que colabore conosco. Não houve vítimas
fatais nesse incêndio, porém, muitos moradores perderam tudo.
— Eu vou ligar para o meu advogado e ele vai dar tudo que precisam,
no momento, só preciso um lugar seguro para colocar minha família.
Nada mais importava a não ser a segurança das pessoas que mais
amava na vida.
vinte e seis
Juliet.
Já deveria estar acostumada com as mudanças loucas da vida.
Nunca imaginei que uma fumaça negra sairia do exaustor do meu banheiro e
imediatamente soube que não era bom. Corri molhada pelo quarto, vesti a
calça do pijama do Romeo que estava no chão e uma camisa dele. Agarrei um
roupão e corri até o quarto da Samantha, enrolando-a em um cobertor e em
seguida acordei Theo, pedindo que se protegesse com seu cobertorzinho do
Homem de Ferro.
Kira estava subindo a escada quando envolvia as crianças nos meus
braços. Ela disse que havia bombeiros pedindo que saíssemos do
apartamento. Já estava sentindo dificuldade em respirar pelo tempo que
aleatoriamente respirei fumaça lavando os cabelos e pelo esforço de carregar
os dois ao mesmo tempo.
Não lembrei de pegar celular ou documentos, apenas quis sair correndo
com as crianças para o mais longe possível. Sorte que as funcionárias da
cozinha ainda não estavam. Por estar muito frio não estava enviando as
crianças para a escola. Assim que descemos, uma paramédica me viu
tossindo e pediu para acompanhá-la até uma ambulância.
Romeo estava enlouquecido e até entendia. Fomos retirados às pressas
da nossa casa, nosso aconchego e o incêndio foi horrível. Devastou muitos
apartamentos e quase invadiu o nosso. Tivemos que passar uns dias em um
quarto do hotel e senti que meu marido estava carregando o peso do mundo
nos ombros. Evitei dar-lhe trabalho e mais preocupações. Segui o conselho da
minha sogra, procurei casas para mostrar a ele e mantive as crianças
tranquilas.
Nós visitamos umas cinco casas, sempre com a sensação ruim que
nosso lar era o apartamento que ainda estava interditado e as crianças
precisavam de um lugar que não fosse um hotel para chamar de casa. Eles se
recusaram dormir nas outras camas, estando entre nós todas as noites e
chorando por qualquer coisa.
Romeo estava uma pilha de nervos. Não comigo ou com as crianças, na
verdade, ele estava sufocante. Não me deixava sair sem sossego. Se soltasse
uma tosse por qualquer motivo, dizia que estava com fumaça nos pulmões.
Como via nos olhos dele que algo estava acontecendo, reuni toda minha
pouquíssima paciência e deixei passar.
Nós brigamos muito feio em uma das casas que fomos visitar. O lugar
parecia um museu ou um monastério frio e impessoal. Romeo amou a porra
da casa porque ela tinha muros enormes e eu odiei cada metro quadrado ali
dentro. Então, mesmo brigados e com Jane tentando promover a paz entre
nós, fomos visitar a casa dos amigos dos meus sogros com muita insistência.
E caramba... Assim que pisei lá, esqueci a existência de qualquer lugar no
mundo.
Era a casa perfeita para criar os filhos... Havia harmonia em cada
cômodo. Parecia que muitas histórias foram feitas ali, mesmo bem reformada
e com todos os móveis novos e claros como Romeo gostava. Era muito
grande, os quartos eram aconchegantes e o quarto principal um sonho de
princesa. E o que mais me encantou foi ver Samantha e Theo correndo pelo
quintal dos fundos que dava para piscina, uma quadra de tênis e uma trilha
que levava diretamente a praia.
Romeo queria saber se podia colocar sensor de movimentos na
passagem da praia e o dono disse que podia colocar até um portão. Até a
última pedra da trilha para areia pertencia a propriedade. Percebendo que eu
gostei e as crianças também, meu marido chamou Daniel e uma equipe de
segurança para ver o que poderia ser feito ali já que era uma propriedade
enorme. A quantidade de grama rivalizava com os pais dele e imediatamente
me vi cuidando um jardim na frente.
Satisfeito com que Daniel lhe prometeu, fez a oferta e o nós fomos
autorizados a nos mudar uma semana depois. Se não fosse Jane e Kira, iria
enlouquecer com a mudança. Nós não pudemos retirar os móveis do
apartamento, só os quadros, itens de decoração e alguns sofás leves. A
maioria dos armários eram embutidos. Romeo comprou uma cozinha nova,
nós estávamos sem nada, precisando comprar tudo novo.
Depois de uns dias, houve um estalo no prédio e aí mesmo que foi
proibida a entrada. Ainda bem que estava vazio dos nossos itens, o que ficou
lá... Ficou para trás. Era triste e ao mesmo tempo estava muito grata por ter
para onde ir. Grata pelo Romeo ser rico o suficiente para nos proteger em
meio a tanto caos na época mais fria do ano.
Samantha ganhou um novo quarto totalmente rosa, dourado e cinza. A
decoradora criou um projeto lindo e foi entregue em tempo recorde, assim
como o quarto dos vingadores que o Theo estava apaixonado. O meu closet
enorme, maior que do apartamento e levei duas semanas para arrumar todas
as minhas roupas e as do Romeo. Um mês e meio depois não faltava nada
para arrumar, guardar, comprar, decorar ou reformar.
Ainda assim, Romeo estava uma pilha.
Nessa confusão toda, nós mal tivemos tempo juntos, sexo era uma
lembrança dos primeiros dias na casa. Com as crianças ainda estavam se
ajustando a nova casa além da presença constante dos pais dele, nós não
tivemos privacidade. Foi bom porque esqueci de renovar meu método por
mais de uma semana e o que fizemos ainda deveria estar coberto pelo prazo.
Kira aproveitou toda mudança para treinar a nova governanta, uma
mulher que já trabalhou para os Blackburn quando Romeo era criança. Lisa
era um amor de pessoa. Tanny seguia como nossa cozinheira favorita e Debra
não pôde nos acompanhar porque a distância seria muito longa. Laura ainda
era babá das crianças.
Ela foi contratada quando Lydia voltou das suas férias e ficou sozinha
depois que a louca foi demitida. Como nos mudamos, Lydia parou de encher
o saco, mas, quando soube do incêndio ainda tentou ver Samantha. Dei
graças a Deus que ela não conseguiria nos encontrar no novo endereço.
A casa tinha uma guarita, sensores de movimento nas extremidades
e Romeo cismou que queria comprar e treinar dois cachorros que pudessem
ser amigáveis com a família e atacar estranhos.
É claro que eu não queria.
Mesmo toda essa loucura, estava aprendendo a amar a nova casa, a
nova rotina e pedindo no meu coração que seja lá o que estivesse perturbando
meu marido que fosse embora e nos deixasse em paz.
Ficar sentada na varanda do segundo andar, olhando o mar e apreciando
o clima de março era o meu novo momento favorito. Em alguns dias
completaria vinte e um. Muita coisa mudou na minha vida. Era uma baby,
casada e mãe.
Queria tanto que minha mãe estivesse comigo. Não saber dela era
muito pior que ter me despedido para sempre.
— Oi amor. — Romeo se inclinou sobre o sofá que estava deitada e me
deu um beijo na testa. — Não sei o que é mais bonito nesse cenário.
— Certamente sou eu. — Beijei sua boca e o puxei para baixo pela
gravata. — Como foi seu dia?
— Exaustivo. Feliz por estar em casa e com você. — Dei espaço para
sentar atrás de mim e nos abraçamos, olhando o sol brilhar no mar naquela
temperatura gostosa de fim de tarde. — Esse é o meu presente para o dia dos
namorados que não comemoramos. — Tirou do bolso uma caixinha e abri,
encantada com uma pulseira cheia de pedrinhas coloridas.
— Uma pedrinha para cada momento especial que vivemos. Mandei
gravar as datas... O dia que nos conhecemos, quando fomos morar juntos,
nosso casamento, a casa nova... Quero colocar cada data importante que
vivermos.
— Você é tão atencioso. — Virei no sofá e subi nele. — Meu presente
está guardado no fundo do closet, vou te entregar quando formos para nosso
quarto mais tarde. — Beijei sua boca e suspirei cheia de tesão. Ultimamente
andava meio incontrolável. — Estou com tanta saudade de você, amor. Te
quero tanto que não consigo pensar.
— Foram semanas loucas, não foram? — Romeo sorriu e tirou meu
cabelo do rosto, afagando minhas bochechas.
— Nunca mais vamos nos mudar, por tudo que é mais sagrado.
Nenhuma dança e academia te prepara para aguentar o ritmo de uma
mudança. — Deitei minha cabeça no seu peito. — Sua baby te quer tanto...
Ontem me masturbei bem do seu lado, sabia disso?
— Filha da mãe... — Romeo me colocou sentada bem em cima do seu
pau. — Você gozou com esses dedinhos do meu lado?
— Não te acordei porque está tão estressado... Conversa comigo, amor.
Não é só a mudança repentina, o que está acontecendo?
Romeo suspirou, acariciando meus braços e vi seu olhar preocupado
viajar para longe de mim. Beijei seu queixo, sua boca e seu pescoço. Puxei
seu rosto pelo cabelo, tomando sua boca com muito desejo. Agarrou minha
bunda, me pegou firme para frente e me esfreguei nele, sentindo seu pau
crescer entre minhas pernas.
— Romeo, por favor, fale comigo. O que está acontecendo, baby?
Nossa casa é mais segura que a Casa Branca e você estão paranoicos. Foi um
incêndio...
— Não foi um incêndio acidental, amor. — Romeo falou baixo e me
afastei para olhar bem para seu rosto. — A polícia e os bombeiros concluíram
que foi um incêndio criminoso. Eles concluíram que era para atingir o nosso
apartamento. Há imagens de vídeos de um homem tentando entrar no nosso
prédio, não conseguiu, entrou no prédio ao lado e foi até o apartamento da
cobertura que estava aberto a visitação. Deixou um bilhete endereçado a
mim... — Suspirou e fechei meus olhos, sentindo um friozinho na barriga. —
Há algumas semanas meu carro foi seguido e quase bati com o carro. Alguém
enviou ao meu escritório a mesma mensagem que deixou no incêndio... Que
ia tirar tudo que tenho.
— Meu Deus!
Tapei minha boca, querendo gritar e ao mesmo tempo sentindo tanto
pânico que fiquei sem ar. Romeo quase bateu com o carro? Um incêndio
criminoso? Meu coração batia tão forte no peito que poderia estar infartando.
— Estou apavorado, amor. Tudo que tenho de valor é vocês. —
Confessou baixinho e sequei a lágrima de medo que escorreu no meu rosto.
— Alguma noção de quem possa ter feito isso?
— Não consigo pensar em ninguém tão baixo a esse ponto. Só quero
que fiquem seguros, entende? Minha vida agora é proteger a vocês. — Beijou
meu queixo e o abracei apertado, prometendo que iria colaborar com a
segurança.
— Estou aqui, amor. Nós sempre estaremos aqui, baby. — Beijei sua
testa repetidas vezes. — Ninguém faz um trabalho melhor cuidando de nós
do que você.
— A polícia já chegou a milhares de suspeitos... Estou monitorando
todas as pessoas que irritei ao longo dos anos, todos os meus sócios e dei uma
boa freada nos meus projetos apenas para observar melhor quem está ao meu
redor. Até reduzi o número de funcionários com acesso ao meu andar, mudei
tudo... — Fechou os olhos parecendo cansado e fiz uma breve massagem seu
couro cabeludo, tentando relaxá-lo.
— Nós vamos ficar bem.
— Mamãe? — Ouvi Samantha chamar sonolenta e sorri.
Era o melhor som do mundo.
Qualquer garota com vinte anos teria pavor de ouvir essas palavras.
Reconhecia que se não fosse o Theo, talvez fosse uma dessas garotas. Sentia
uma energia, uma vontade louca de me divertir e aproveitar a vida, mas o
destino me deu o Theo aos dezesseis anos. Não era meu filho biológico, mas
se tornou minha responsabilidade integralmente e fui obrigada a crescer para
criá-lo da melhor forma.
Samantha era filha do homem que amava e a pequena roubou meu
coração tanto quanto seu pai. Ela era tão minha quanto Theo. Não me
arrependia de ser chamada de mãe e todas as responsabilidades que a
maternidade pesava no dia-a-dia.
— Nossas coisinhas acordaram. Vamos matar o tempo com eles, jantar
e depois o papai será só meu. Espero que tire toda preocupação da sua
cabecinha porque eu vou atacar você.
— Minha baby vai ser fodida até os miolos hoje. — Prometeu e
viramos para ver Samantha aparecer na porta usando meia nos pés, fralda
(que pela forma que estava baixa significava muito cheia), uma camisetinha
de mangas e uma boneca de pano no braço. — Oi ursinha, acordou da sua
soneca!
— Quero colo do papai também. — Disse sonolenta e levantei do colo
do Romeo.
— Não aqui fora, está muito frio. — Romeo levantou do sofá da
varanda e pegou Samantha. — Papai vai trocar sua fralda.
Todos os dias pela manhã estava praticando o uso do penico ou assento
com a Samantha. Ela já conseguia ficar um bom tempo sem fralda, menos
para dormir. Às vezes acordava pedindo para ir ao banheiro, às vezes não.
Preferimos não arriscar.
Acordei meu pequeno homem aos beijos e avisei que iríamos para a
cozinha preparar o jantar. O quarto das crianças era bem em frente ao outro,
imaginava quando ficarem adolescentes que isso será um problema.
Era a nossa primeira noite realmente sozinhos na casa nova. Os pais
do Romeo foram embora na noite anterior e Kira tirou um tempo para si
mesma, para descansar da loucura que passamos. Essa casa era muito maior
que o apartamento, mais silenciosa porque não ouvimos sinais da cidade, de
vizinhos, absolutamente nada além do vento da praia e das ondas quando o
mar está agitado.
Era uma casa enorme que nunca me vi morando, nem nos meus
sonhos mais ousados – até porque, mesmo com toda ajuda, cuidar dela dava
um trabalho infernal. Limpar as janelas era um pesadelo que usei meu cartão
de dondoca para pedir ao Romeo contratar uma empresa para lavar todos os
vidros.
Descemos a escada de mãos dadas e Theo correu para meu telefone na
bancada, pedindo para escolher a nossa playlist da noite. Sorri para sua
empolgação e dedos ágeis na tela, me pedindo para ler o nome das playlists e
então, escolheu a mais animada que Romeo criou. Ele selecionou músicas
que tocou na nossa festa de casamento e que temos boas memórias.
Theo era uma pequena pessoa velha com seu gosto musical porque ele
escolheu Ain’t No Mountain High Enough do Marvin Gaye.
Dei-lhe um pouco de massa que sobrou da torta que preparei mais cedo
para brincar e enfiei a travessa com a massa no forno. Dancei enquanto mexia
o molho na panela. Meu filho estava em cima da cadeira esticando a massa
do seu jeito bem infantil, espalhando farinha pela cozinha e não me
importava.
Romeo apareceu com Sammy no colo ainda vestido como um CEO
sexy sem o terno. Soltou Samantha no chão, ela correu e subiu na mesma
cadeira que o irmão, enfiando as mãos no pedaço de massa.
— Espero que aquilo não seja nosso jantar. Samantha não lavou as
mãos. — Romeo pareceu preocupado com as mãozinhas sujas das crianças.
Fiz uma expressão de Ops! Que merda! O jantar seria cheio de
bactérias infantis. Rindo da sua careta preocupada, disse que era um pedaço
de massa que sobrou da torta. Nosso jantar já estava praticamente pronto e a
sobremesa assando.
— Estou fazendo o molho para as almôndegas e a playlist foi escolhida
pelo Theo.
— Imaginei que você não ouviria algo tão velho. — Me provocou e ao
invés de me ajudar com o jantar, foi brincar de criar bonecos com a massa.
Minha criança grande.
A nova sala de jantar era muito grande e enquanto as crianças eram
pequenas, optamos por fazer as refeições na ilha da cozinha porque eles
podiam sentar em cadeiras altas e comer sem tanta bagunça.
Quando era mais nova me perguntava se um dia teria uma comida
farta a mesa e uma rotina cheia de amor. Senti muita falta de ser amada
quando meu pai morreu que parecia impossível viver algo assim novamente.
Sentia muita gratidão pelas coisas impossíveis da vida.
Romeo subiu para dar banho e colocar os dois na cama, fiquei de
terminar minha torta e arrumar a cozinha. Com Theo fora da cozinha, mudei
a playlist para a que nomeei como “bedroom” e a primeira música era A3 do
Trey. A maioria era R&B bem sensual. Estava com saudades de dançar e de
me sentir sexy... Soterrada com problemas e mudanças, esqueci um pouco de
mim.
Abri um vinho suave, fiz a cobertura da torta, fechei meus olhos e no
embalo de All The Time – Jeremiah lambi a colher de chocolate. Me senti
sendo observada, virei de costas, ergui meu vestido até tirá-lo completamente
e fiquei só de calcinha no meio da cozinha. Mantive meus olhos fechados,
meus quadris bem treinados no rebolado sensual e ao abrir meus olhos, olhei
bem dentro dos olhos do homem que amava, cantando “I could fuck you all
the time” repetidas vezes.
Romeo soltou sua gravata, parou atrás de mim e jogou a colher no
balcão. Minha boca ficou suja e o queixo também. Segurou meu rosto,
lambeu todo lugar sujo e prendeu meus pulsos com sua gravata. Abaixou,
pegou meu vestido e esticou me olhando. Sorrindo de um jeito tão maldoso
que meus mamilos ficaram imediatamente duros, amarrou o vestido no meu
rosto cobrindo totalmente meus olhos.
Senti a pontinha da sua língua deslizar bem de leve por entre meus
seios e tremi da cabeça aos pés. Engatando os dedos na minha calcinha,
deslizou pelas minhas pernas e ficou de pé, senti seu corpo porque meus
mamilos roçaram no seu peitoral. Beijou meu pescoço, virando-me de costas
para ele, senti passar a calcinha pelo meu rosto...
— Você vai me amordaçar com a minha calcinha?
— Cala a boca. — Sua voz era um simples comando.
Romeo nunca falou comigo daquele jeito que fiquei muda e muito
excitada. Prendendo as tiras nos meus lábios deu um nó atrás. Inclinando-me
para frente, me fez apoiar em uma superfície fria da ilha, com meios seios
pressionados no tampo gelado e senti sua mão passear preguiçosamente
contra meu corpo. Apertou uma nádega e deu um tapa para deixar marca.
Filho da puta!
Ouvi o barulho da colher raspar na panela, quis matá-lo por arranhar o
fundo da minha panela nova e senti a gota de chocolate quente no meio das
minhas costas.
Caralho!
Segurando meu quadril, senti seu pau duro contra minha bunda e a
língua refrescando o local que escorria chocolate. Romeo não parou de a
pingar gotas quentes nas minhas costas, me lambuzando com sua própria
boca e me fodendo com um dedo. O entre e sai era lento, gostoso, torturante,
do mesmo jeito que estava me sentindo torturada ao estar amarrada,
amordaçada e vendada na cozinha.
Um mês sem sexo e era assim que ele resolveu quebrar o jejum.
Quando nós poderíamos fazer de novo?
Atordoada demais para reconhecer todos os sons ao meu redor, não
ouvi o momento que abriu sua calça, mas senti a cabeça do seu pau nas
minhas dobras e fiquei na ponta dos pés para equiparar nossa altura. Romeo
acariciou minha cintura e beijou minha nuca, sussurrando que me amava e
tentou entrar lentamente, mas não conseguiu com tanta facilidade.
Era como estivesse perdendo a virgindade novamente, sem tanta dor só
com o incômodo.
— Caralho você está muito apertada, puta que pariu! — Nunca o ouvi
xingar e gemer tanto, normalmente era a escandalosa. Quando meteu tudo,
esqueci o que estava pensando, meu nome... Estava tão cheia, tão bem
preenchida e com tanta saudade. — Porra baby, nunca mais vamos ficar tanto
tempo. Cacete! Que saudade... Gostosa! — Mordeu meu ombro, a dor
explodiu e gemi e ele fez só para começar a estocar como um homem
sedento, saudoso e estava tão molhada que podia ouvir o barulho entre nós
dois. Ergueu minha perna, apoiou em algo que não fazia ideia e começou a
estimular meu clitóris. Fui me perdendo, aquecendo, sem forças e com a
panturrilha queimando, gozei e mudei de posição, movendo meu quadril com
ele todo dentro. — Ah, porra. — Romeo gozou e quase caímos.
Sentou no chão e me levou junto, respirando pesado. Soltou minhas
mãos, tirou a venda e arranquei a calcinha fora da minha boca. Não conseguia
falar, só o ataquei, beijando-o com todo amor e saudade dessa parte íntima da
nossa vida. Nós até namoramos um pouco, sempre muito cansados ou com as
crianças entre nós. Romeo estava muito estressado para pensar em sexo como
antes e eu muito focada na mudança. Sentimos tanta falta que parecíamos
incompletos.
— Eu te amo tanto... — Beijou meu rosto em diversos lugares. —
Ainda te quero. Eu te machuquei?
— Não. Você nunca foi assim... Sei lá, já tivemos sexo hard antes,
dessa vez foi diferente e gostei muito.
— Perdi a cabeça quando te vi dançando e lambendo a porra do
chocolate... Me senti um animal. — Suas bochechas coraram e rimos ainda
no chão. — Dança aquela música de novo? Repete que quer foder comigo o
tempo todo...
Fiquei toda arrepiada, levantei e peguei meu telefone. Estiquei a mão
levando-o para uma das salas. Pedi que sentasse no sofá, entrei no banheiro
rapidinho, me ajeitando e lavando a bagunça de chocolate das minhas costas.
Coloquei a música e abri a porta, reconectando com marido.
vinte e sete

Romeo.
Terminei minha série de abdominais e sequei o suor com a toalha,
peguei a garrafa de água, abrindo e olhando para o quintal dos fundos. Após
as árvores podia ver a imensidão azul do mar. Estava começando a gostar da
nova casa. Foi difícil aceitar que teria que mudar, mas era algo que tinha que
ser feito e eu nunca mais iria morar em um apartamento.
A casa nova tinha muitas vantagens, começando pela academia que era
infinitamente mais espaçosa, tinha mais aparelhos e ainda um espaço para
Juliet dançar. Havia espaço de sobra para as crianças brincarem e crescerem
em um ambiente saudável, propício para boas memórias. Sentimos falta do
play onde havia outras crianças para socializarem, mas Juliet foi bem rápida
em fazer amizade com as mães da vizinhança e elas combinavam um horário
para brincadeiras na praia ou na rua.
Havia quartos em abundância na casa para receber meus amigos para o
final de semana e como era um homem casado com uma garota gostosa,
temos o nosso quarto de casal e pegamos um dos quartos do primeiro piso,
ele era meio pequeno, mas útil. Mandei instalar umas coisas divertidas para
nós. Ainda não pudemos estrear porque Juliet encomendou uma série de
utensílios e móveis. Não era um quarto de sadomasoquismo, só um quarto
para quebrar a rotina e foder.
Outra vantagem da casa nova era que podia o fazer churrasco nos
fundos, fazer uma bagunça sem limites, treinar tênis que era algo que amava
e ainda ensinar aos meus filhos. Iria ensiná-los a andar de bicicleta e poderia
ter cachorros – apesar de ser algo que a Juliet não queria, mas iria convencê-
la com jeitinho.
Embora minha criação tenha sido maravilhosa e meus pais sejam
incríveis, bem ao contrário da história da Juliet, eles eram ausentes.
Trabalhavam muito e eu ficava longas horas com Kira ou com babás. Juliet
queria ser mãe em tempo integral e eu apoiava totalmente. Se ela quisesse
trabalhar fora também apoiaria, mas ter um de nós em casa com as crianças
me agradava muito. Ainda vou manter a babá, porque sabia que ser minha
esposa era um trabalho em tempo integral.
Juliet me acompanhava em tudo, fazia questão de estar lá para me
aplaudir ou consolar. Ela ia a reuniões que não entendia absolutamente nada,
ficava quieta e me dava sorrisos encorajadores – quando não estava
desenhando em blocos. Conversamos sobre praticar mais ou até buscar um
professor. Ela desenhava muito bem. Suas fotografias também eram lindas.
Desde que nos mudamos tem tirado fotografias incríveis.
Era imensamente sortudo por ter uma esposa talentosa. Queria que ela
acreditasse em mim que suas fotos eram muito boas. Selecionei algumas e
enviei a um curador de uma galeria de arte, estava aguardando a resposta do
e-mail dele. Tinha a certeza que iria amar e poderia esfregar na cara da Juliet
que não era minha opinião tendenciosa.
Ainda olhando para janela, vi a figura da Juliet caminhar abraçada
consigo mesma e ficar em uma parte alta do gramado, olhando para o céu e
ali ficou por um tempo. Sabia que quando ela estava parada e pensativa, sua
mente estava na sua mãe.
Mesmo com a ameaça pairando sobre nossas cabeças, não desisti de
encontrar sua mãe. Tinha a sensação de que ela não queria ser encontrada e
sabia muito bem se manter fora do radar.
Não conseguia dormir pensando em quem podia estar querendo ferir
minha família. Fora o incêndio e a perseguição, que quase me fez bater com o
carro, não observamos mais nenhum risco. Na casa nova estávamos cercados
de segurança, as crianças mudaram de escola e eu estava sempre
acompanhado, assim como a minha família. Seja quem for, levasse o tempo
que fosse preciso, iria descobrir.
O seguro cobriu a despesa do apartamento, obviamente o prédio após a
reforma será desvalorizado e iria perder alguns milhões no valor da cobertura,
mas eram ossos do ofício e me colocava no lugar de ser grato por todos
estarem bem.
Vi a figurinha muito pequena da minha filha atravessar o gramado e
correr desengonçada até Juliet. Minha mulher a pegou no colo e passeou,
apontando coisas aleatórias e conversando. Em seguida Theo surgiu correndo
e agarrou a mão livre da Juliet. Era sempre assim, onde ela estava, eles
também estão.
Samantha costumava ficar abraçada entre as duas pernas da Juliet e
Theo brincando atrás, com algum boneco “voando” ou um carrinho rolando.
Observei os três no quintal por um tempo, ela sentou na grama com
Samantha no seu colo e Theo ao lado, até que Sammy começou a correr, com
os bracinhos erguidos e amava assistir a minha filha feliz.
De repente Samantha começou a apontar para entre as árvores e correu
até o Theo. Juliet se embrenhou na mata de gatinho e saiu carregando algum
bicho peludo que as crianças começaram a gritar e querer ver. Abri a porta da
academia e usei a escada externa, descendo rápido e atravessei o quintal em
passadas largas.
— É um gatinho! — Theo pulou no lugar.
— Ai fofinho. — Samantha queria agarrar.
— Ele está todo sujo e com frio, vamos entrar. — Juliet silenciou os
dois.
— O que é isso?
— Um filhote de cachorro. — Entregou-me a coisinha peluda e não
fazia ideia que raça era. — Vamos limpar e ver se alguém perdeu.
— Ninguém perdeu, é nosso. — Theo corrigiu.
Troquei um olhar divertido com Juliet e entramos em casa. Limpamos o
pequeno cachorro que só choramingava provavelmente com frio e fome.
Fomos todos até a casa de hóspedes que na verdade ficavam os seguranças.
Dan morava na casa, porque era solteiro e sua família de outro estado. Henri
e Archie passavam o dia e iam embora no final dos seus turnos.
Juliet bateu na porta e entrou, sorridente.
— Oi, Dan. Pode descobrir se alguém perdeu um cachorrinho?
— É um pequeno labrador. — Dan pegou o cachorro e sorriu. —
Minha mãe tem seis atualmente e cresci com vários, são os melhores para
crianças. Na verdade, são verdadeiras crianças.
— Ai que fofo. Você pode ter um quando encontrar a pessoa certa.
George adora labradores. — Juliet falou, fiquei confuso, Henri tossiu para
esconder a risada e Archie simplesmente fingiu que não estava na sala. Dan
ficou vermelho.
— Estou perdido. — Ofereci aleatoriamente e então a ficha caiu. —
Ah, não. Como você descobre essas coisas? — Acusei Juliet que riu mais
ainda.
— George me contou.
— Você e o George? — Perguntei ao Dan.
— Não! Quer dizer, não. — Dan limpou a garganta.
— Por que não sabia disso?
— Não sabia que Daniel é gay como o George e o Afonso? — Juliet
estava rindo.
— É!
— Porque o George contratou os dois, oras! E eles são profissionais,
baby. — Deu tapinhas no meu peito e ainda não estava conformado.
— Vocês também? — Perguntei para Archie e Henri.
— Ah não. A namorada do Archie está grávida, mas ela não sabe se o
filho é dele ou do amigo deles que fizeram um ménage uma vez e ela
continuou tendo encontros secretos. — Juliet falou naturalmente e eu estava
chocado. — E o Henri escolheu uma aliança linda para pedir a namorada dele
em casamento!
— E como diabos você sabe disso tudo? São detalhes íntimos... — Ia
dizer que não nos interessava porque verificava os antecedentes, não qual
sexo meus funcionários gostavam. Aquilo não era da minha conta.
— Porque sou intrometida e faço perguntas. — Juliet deu de ombros e
os três concordaram resignados.
— Amor você não pode ficar atormentando nossos funcionários com
perguntas. — Falei o mais tranquilamente possível para não ficar chateada.
— Eles não se importam! — Juliet rebateu e impediu Samantha de
puxar os fios dos computadores.
— É claro que eles se importam, só não falam nada porque você é
minha esposa e eu pago o salário deles.
Juliet franziu o olhar na direção deles e colocou as mãos na cintura.
— Mas não se importam quando mando lanches e o jantar, não é?
Henri caiu na risada e Dan garantiu que estava tudo bem, que iria
procurar quem poderia ter perdido o cachorro. As crianças não queriam
deixar o cachorro com Dan e o levamos de volta para casa. Juliet ficou na
sala com eles, acariciando o cachorro e eu simplesmente sabia que se não
tivesse dono ou fosse um filhote de uma ninhada, nós ficaríamos.
Tomei banho, troquei de roupa e verifiquei meu telefone. Era o
primeiro final de semana que estava em casa desde o começo do ano, ainda
não tinha conseguido me desligar totalmente do trabalho por ser sexta-feira.
Juliet estava completando vinte e um no dia seguinte e queria estar com ela o
tempo todo. Ao voltar para sala, o cachorrinho estava dormindo,
Samantha comia biscoito e Theo estava deitado de barriga para cima
comendo pipoca. Juliet estava apenas sentada no sofá, me deu um sorriso e
me joguei do seu lado.
— Nós não vamos ficar com o cachorro, eu não tenho como cuidar de
um...
— Nós queremos um cachorro.
— Você quer.
— Juro que vou cuidar. — Fiz um beicinho e ela riu, me dando um
beijo tão gostoso que imediatamente senti vontade de arrancar sua roupa.
Nosso jejum foi quebrado e caramba, como amo sexo com a minha menina.
— Afaste-se de mim, mulher. — Brinquei e ganhei um tapa na cabeça e mais
um beijo.
Ficamos deitados no sofá enquanto as crianças comiam biscoito,
pipoca, bebiam tanto quanto entornava o suco no chão.
Dan encontrou o dono do cachorrinho.
Sem alardear as crianças, saímos de casa e fomos conhecer o vizinho
que disse que tinha um casal. Eles tiveram muitos filhotes e esse deveria ter
fugido quando deixou a garagem aberta. Perguntei se estava vendendo ou
doando, disse que estava doando. Imediatamente olhei para Juliet, ela
suspirou, olhou para o cachorro e então vimos as crianças com os rostinhos
ansiosos colados na janela.
— Puta merda, estou muito ferrada com vocês! Nós vamos ficar! —
Reclamou e saiu andando com o cachorro no colo.
O vizinho agradeceu bastante e disse que ia voltar com a cartela do
pedigree dos pais. As crianças estavam em êxtase com o cachorro. Theo
surtou que não havia ração, cama e brinquedos para cães. E assim, plena
sexta-feira, estava no carro para um veterinário. Era meu dia de folga e
aparentemente era isso que pais faziam em seus dias de folga.
Juliet e Samantha ficaram em casa, não dava para sair com os dois ao
sozinho e minha esposa me deu um olhar que não se moveria do sofá e eu
resolvi não discutir sobre ir ao veterinário. O pequeno cãozinho apenas
dormia e soltava leves ganidos, parecia calmo, seria mole cuidar dele.
Comprei comida, dei-lhe vacinas, remédio para verme, comprei uma cacetada
de brinquedos, cama e petiscos para ajudar no seu crescimento.
Theo estava tão feliz que parecia a coisa certa. Me senti o melhor pai do
mundo porque as crianças estavam empolgadas, apaixonadas e escolheram
nome Loki (por causa do irmão do Thor). Samantha estava chamando de
Dodi, era um dos cachorros do meu pai, então, todos eram Dodi para ela. Em
algum momento vai aprender chamar de Loki.
Parecia um dia perfeito, tivemos um jantar delicioso, conseguimos
colocar as crianças para dormir cedo e fui namorar minha mulher como toda
noite. Eu estava muito bem dentro dela, na porra do sexo mais gostoso da
noite quando o pequeno cão resolveu gritar no meio do corredor. Parecia que
alguém estava matando-o. Tive que deixar minha mulher nua, molhada, cheia
de tesão no meio da nossa cama para socorrer o cachorro.
Meu pau estava tão duro que não conseguia pensar, ainda mais com os
ganidos bem agudos. Se ele acordasse as crianças, ia devolver para o antigo
dono. A criatura não queria água, comida ou leite. Aceitou os petiscos.
Gritava cada vez que o colocava na cama. Não era possível que ele ia chorar
justamente a noite.
— Amor? — Juliet encostou na soleira da porta e cruzou os braços com
um ar presunçoso. Olhei-a e fiz um beicinho por ter vestido uma camisola. —
Lembra quando a Samantha nasceu, ela dormia o dia inteiro e chorava a
noite?
— A Sammy nunca fez isso. Ela dormia o tempo todo...
— Bem... Bebês de modo geral choram muito a noite. Esse cãozinho é
um bebê e ele vai chorar a noite inteira, então, você vai ter que ficar com ele.
Mas essa criatura não vai dormir na minha cama. — Sorriu e voltou para o
quarto.
Levei o pequeno Loki para o quarto, botando sua cama bem ao meu
lado e mesmo assim, ele chorou, arranhando a cama. Tive que dormir com
um braço para fora da cama e olhar a bunda da minha mulher até pegar no
sono.
Loki chegou para me foder mesmo.
No dia seguinte, a pestinha encontrou o sono dentro do meu armário e
claro que Juliet deu uma crise sobre pelos nas roupas. Mas ela era a primeira
a ficar falando com voz de bebê com o cão. Meu ombro estava doendo muito
da noite mal dormida.
— Feliz aniversário, amor. — Beijei o pescoço da Juliet durante o
preparo do nosso café da manhã.
— Foi um excelente modo de começar meu aniversário. Dormir sem
gozar e com um pentelho arranhando a cama, ganindo e querendo subir nela.
— Resmungou e ri.
— Desculpe, baby. Ele é só um bebê.
Bufando, preparou o café das crianças e acordamos nossas pestinhas.
Meus pais chegaram fazendo festa sobre o aniversário da Juliet e eu contratei
um buffet para preparar um bom jantar e petiscos. Comprei muita bebida,
selecionei uma playlist animada e convidamos algumas pessoas. É claro que
a minha mãe não faria algo simples, quando dei por mim, havia mesas
espalhadas no quintal, uma decoração sendo montada, pista de dança e flores
não paravam de chegar.
Parecia uma grande festa apenas para trinta pessoas. Além do mesmo
grupo do nosso casamento, convidamos Tatiana, seu noivo, alguns amigos
meus que Juliet conheceu e se deu bem. Nossos funcionários também foram
convidados, portanto, antes de Juliet descer pronta, estava com as crianças no
quintal, já bebendo na companhia do Dan. George chegou com um grupo
animado e avisou ao DJ que a aniversariante amava dançar.
E quando ela desceu, minha boca caiu aberta.
Juliet usava um curtíssimo vestido preto, exibindo suas pernas
torneadas, uma sandália alta de tiras, um rabo de cavalo alto e uma
maquiagem que a deixou mais velha, sexy, muito gostosa. Sorridente, deu
uma voltinha e pensei que minha cabeça fosse explodir. Tatiana e Danika
gritaram, incentivando minha garota a se exibir e estava babando. George
tirou milhares de fotos dela.
Em pouco tempo, meu quintal estava relativamente cheio, com muita
gente animada, bebendo e eram só pessoas de confiança, amigos realmente
muito próximos. Queria dar a ela uma festa enorme, porque Juliet merecia
uma comemoração de parar a cidade, mas em um momento que havia alguém
querendo tirar o que era mais importante para mim, achamos por bem uma
festa bem reduzida. Felizmente, ela não precisava de ninguém para animar a
noite.
Ela era a alegria de qualquer lugar.
Dançou e bebeu a noite inteira. Deixei meus pais de babá, porque
queria aproveitar a festa. E como limites era algo que desconhecemos, a festa
encerrou ao amanhecer com todos na praia, estourando champanhe e
comemorando.
— Foi a melhor noite da minha vida! — Juliet pulou no meu colo e
segurei sua bunda. — Melhor aniversário! Estou tão feliz!
— Você merece mais, amor!
— Estou bêbada. — Soluçou e comecei a rir.
Consegui colocar minha esposa muito bêbada no chuveiro, deitei-a na
cama pelada mesmo e quando comecei a cochilar, me dei conta que o
cachorro não estava gritando. Levantei assustado, pensando que fugiu na
confusão da festa e ao andar pela casa encontrei-o dormindo com Theo.
Feliz por arrumar uma solução para gritaria do cachorro enquanto
pequeno, pensei que ia dormir, mas Samantha acordou chamando mamãe e
Juliet sequer se mexeu na cama. Foi assim que eu descobri que
definitivamente não tinha mais idade para uma noite de balada e aguentar
meus filhos no dia seguinte enquanto a mãe deles mal conseguia levantar a
cabeça do travesseiro de tanta ressaca.
— Ai, amor. Ainda bem que só se faz vinte e um uma vez na vida
porque estou morta. — Juliet gemeu a noite. Fechei meus olhos, exausto e
tombei minha cabeça ao seu lado. — Te larguei sozinho com as crianças,
desculpa.
— Conseguimos sobreviver. — Murmurei cansado.
— E o cão?
— Está dormindo com Theo.
Juliet ergueu a cabeça e tentou me olhar bem brava.
— Porra, Romeo. O que falei do cachorro na cama? — E virou para o
lado, vomitando terrivelmente.
— E o que te disse sobre não vomitar no balde? — Gemi e começamos
a rir.
— Nós não vamos fazer uma festa tão cedo, caramba. — Grunhiu e
respirou fundo. — Estou morrendo. Nunca mais eu vou beber.
— E eu nunca mais vou dormir.
Juliet ficou mal a noite inteira, fiz todos os meus truques de melhorar a
ressaca e ela continuou doente por dias. Sempre que começava a melhorar,
caía doente de novo. Liguei para sua médica pedindo orientação porque era
voltar do trabalho e encontrá-la basicamente verde e sem conseguir segurar
nada no estômago.
Duas semanas depois, depois do jantar, ela ainda estava pálida e
visivelmente mais magra. Meus pais chegaram tarde da noite, porque pedi
ajuda. Precisava estar fora de cidade para o final de semana, viajando a
trabalho com George e coincidiu com a folga da babá, que foi um anjo no
período que Juliet estava doente.
Com as crianças dormindo, fiz um chá para Juliet conseguir ter alguma
coisa no estômago e sentei no chão, brincando com o cachorro que estava
cada dia mais esperto e mais divertido. Exceto que os dentes dele estavam
crescendo e queria roer tudo.
— Querida, você ainda está assim? — Minha mãe colocou a mão na
sua testa. — Meu amor, você fez algum teste de gravidez?
O silêncio caiu na cozinha. Até o cachorro parou de morder meu dedo.
— Estou regular no meu método, é impossível estar grávida.
— Nada é impossível. — Meu pai contrapôs. — Estou achando que
está com grávida sim.
Juliet grunhiu quase chorando.
— É impossível. Não estou sentindo nada além de enjoo e dores de
cabeça, meus seios, corpo, tudo normal.
— E isso não quer dizer nada. — Minha mãe sorriu.
Juliet me olhou desesperada e eu estava rindo à toa.
— Tira esse sorriso do rosto porque você não me arrumou um filho e
um cachorro ao mesmo tempo eu vou te matar! — Brigou comigo e ri mais
ainda. Decidi sair para procurar uma farmácia vinte e quatro horas e comprar
um teste de gravidez. — Meu Deus, Romeo. Não posso acreditar!
Nós falamos sobre filhos, ambos queríamos, sempre concordamos em
esperar Samantha estar na pré-escola para engravidarmos. Mesmo jovem,
sabia que aceitaria a gravidez com a mesma felicidade que eu estava sentindo
só com a possibilidade de ser pai mais uma vez.
vinte e oito

Juliet.
Levantei minha cabeça do travesseiro e soltei um gemido, merda, de
novo não. Corri para o banheiro e só tive espasmos e contrações no estômago
por um tempo e passou. Nauseada, até escovar os dentes era uma miséria e
voltei para cama com os olhos ardendo de sono. Agarrei o travesseiro do
Romeo e abracei com saudades e ao mesmo tempo satisfeita por ter um
tempo sozinha. Ele estava em Seattle para uma conferência e uma série de
reuniões, iria retornar no domingo à noite.
Por ser sábado, as crianças iriam acordar mais tarde e meus sogros
estavam aqui para salvar a minha pátria. Estava um bagaço cuspido desde a
minha épica festa de aniversário. Inicialmente pensei em só um bolinho,
curtir a noite, mas Romeo queria comemorar e de um jantar entre amigos
virou uma festa exclusiva com os convidados mais animados da face da
terra.
Só faltou a Gail que estava visitando o filho. Acho que ela não ia muito
vê-lo porque tomava conta do Theo, por isso cada vez que precisava viajar,
fazia questão que o jatinho do Romeo a levasse, tivesse um motorista e mais
todo luxo necessário. Gail era a avó que a vida me deu. Só de pensar que
podia estar grávida a queria aqui, mas não irei falar nada porque sei que
voltaria correndo. Pedi ao G para não contar que estava passando mal, ou ela
viria fazer a sua sopa de galinha milagrosa.
Argh. Galinha não.
Pensando nisso, levantei correndo de novo, abraçando o sanitário e me
joguei no chão de pura birra ao sentir que estava melhor do meu ciclo náusea,
espasmos, às vezes vômito e às vezes não. O geladinho do chão me deu um
alívio. Tinha que fazer o ofensivo teste de farmácia que me recusei na noite
anterior e Romeo me fez prometer que faria pela manhã.
Não queria enfrentar o resultado sozinha. Para falar a verdade, não
queria saber o resultado. Era hipocrisia da minha parte estar tão rabugenta
sobre estar grávida porque eu tinha uma vida sexual muito ativa e um suporte
financeiro para ter vinte crianças, mas, na minha cabeça queria estar um
pouco mais velha para engravidar e que a Samantha não usasse mais fraldas.
Não podia discutir com o destino e com meu descuido (foi apenas meu,
porque Romeo lembrou e eu não agendei minha médica por ter esquecido de
novo) com o contraceptivo. Se era o que Deus queria, iria amar e aceitar de
braços abertos. Não me sentia no direito de reclamar quando a minha vida era
maravilhosa.
Irritada, peguei a embalagem, li com cuidado, urinei no potinho e
enfiei o bastão dentro pelo tempo necessário e depois botei a tampinha no
lugar.
Lavei meu rosto e escovei os dentes de novo, para tirar o gosto ruim da
boca e pensei que sim, Romeo e eu falamos mais de um milhão de vezes
sobre filhos. Ele sempre deixou claro que queria mais e sempre concordei que
queria engravidar. Só vai ter mais uma. Uma barriga enorme. O parto.
Ai meu Deus... Amava ser mãe, mas eu nunca passei pelo parto!
Comecei a suar só de pensar. Larguei o teste no banheiro e me escondi
na cama para esperar o tempo passar. Romeo ainda deveria estar no avião
para não estar me enviando mensagens ansioso com o resultado. Aproveitei
meu tempo sozinha, um luxo e algo bem raro, tentando cochilar de novo.
Ouvi o cachorro soltar latidos finos e aquilo só significava que Theo
acordou, estava brincando com Loki e não demoraria muito para meu quarto
ser invadido.
Foi terminar de pensar que a porta abriu.
— Bom dia! — Sorridente mesmo sonolento, subiu na minha cama,
engatinhou para cima de mim e o abracei bem apertado.
— Bom dia meu amor. Você dormiu bem? — Beijei sua testa e afaguei
suas costas. Theo estava crescendo tão rápido, suas pernas simplesmente
espicharam e deixou as bochechas gordinhas, assumindo uma carinha de
menino travesso.
— Dormi sim. Você está melhor? Posso dormir aqui hoje? O papai
volta quando?
— O papai volta amanhã e sim, você e sua irmã podem dormir comigo
hoje, mas o cachorro dorme no chão. Em falar nisso, é melhor ir atrás dele.
Eu fico furiosa quando faz xixi no meu closet. — Olhei-o severamente. Theo
riu e saiu correndo atrás do cão que estava mordendo uma bola maior que a
cabeça dele no corredor, rosnando como se tivesse tamanho. Ele era
bonitinho, com pelos negros, olhinhos fofos e dentinhos finos que doíam.
Samantha e Theo estavam apaixonados e só por isso não estava
implicando muito. E Romeo tem cuidado do cachorro tão empolgado quanto
as crianças, isso me fazia pensar que ele sempre quis ter um. Não da raça que
os pais dele gostam...
Voltei para o banheiro, olhei o teste e sorri.
— Estou com fome! — Theo voltou correndo para o quarto.
Tirei uma foto do teste, guardei na gaveta, segurei a mão do meu
menino e desci para cozinha. Comecei o preparo do café da manhã, com a
ajuda do meu homenzinho – ele era responsável por tirar alguns itens da
geladeira e colocar na mesa. Romeo o ensinava que ele deveria sempre ajudar
a mamãe e a sua irmã. Theo levava a sério o seu trabalho.
Romeo era o tipo de companheiro que dividia as tarefas de casa
igualmente. Mesmo que ele era a pessoa que trabalhava fora e pagasse por
funcionários, assumia o jantar e a louça se fosse necessário. Não se
intimidava com fraldas, choros ou se deixava relaxar no sofá porque era o
homem e eu a mulher que ficava em casa com as crianças. Ele entendia que
mesmo com babá, eu tinha coisas a fazer - como estudar, cuidar da casa (era
enorme, entrava na faxina com as funcionárias) e por estar em casa, as
crianças viviam grudadas em mim.
Não conseguia viver sem fazer nada, não conseguia olhar para as
meninas limpando a minha casa sem meter a mão na massa também. E
gostava bastante de cuidar de cada cantinho, de criar os arranjos conforme
seguia os tutoriais na internet, de organizar cardápios chiques e ensinar as
crianças jogos que estimulavam seus desenvolvimentos. A professora do
Theo vivia elogiando o quanto era avançado na turma e me orgulhava muito
de ajudá-lo em casa.
Ainda estou decidindo que fazer da minha vida profissionalmente.
Queria muito voltar a estudar, dessa vez algo relacionado ao que gosto.
Estava pensando em seguir pela arte, me especializando em desenhos
realistas e fotojornalismo. Romeo achava incrível e parecia mais ansioso que
eu, mas ainda estava com medo de não ser tão boa quanto meus sogros e ele
diziam. Estava com vergonha de tentar e falhar.
Ouvi Samantha chorar e subi a escada novamente, peguei-a
rabugenta no colo e voltei para cozinha fazendo a comida com ela
empoleirada em mim e como estava pesada! Já acostumada com nossa rotina
matinal, servi os dois com frutas, waffles – que eles cismaram de comer todos
os dias, suco e ambos estavam começando a apreciar omeletes, dividi um
pedaço entre eles porque nunca comiam um inteiro.
Não fiz café, só o cheiro me dava vontade correr para o banheiro.
Bebi suco para acalmar meu estômago, belisquei alguns biscoitos e senti que
eles ficariam.
— Bom dia querida! — Jane entrou na cozinha animada, arrulhou os
netos e me deu um olhar. — Ainda muito pálida. Quer comer algo em
especial? Precisamos pensar em algo que irá acalmar sua ânsia.
— Por favor, não fale em comida. — Brinquei e apoiei meu queixo na
minha mão, olhando-a andar de um lado ao outro, servindo-se e sentou para
comer com os netos.
Guy apareceu sonolento, me deu um beijo nos cabelos, preparou
meu chá favorito e até aceitei uma caneca, serviu-se com toda comida e
puxou uma cadeira do meu lado. Samantha segurava seu waffle, mastigando
os pequenos pedaços que sua boquinha conseguia morder e me oferecia.
Theo estava contando a sua Vovó Jane sobre dormir com Loki, que estava
mordendo a ponta do meu chinelo não importando quantas vezes o empurrei
para o lado. Pentelho.
— Vocês estão preparados para mais um? — Soltei do nada.
Jane parou de comer e me olhou por um tempo antes de saltar da
cadeira com um grito, me abraçar apertado e meu sogro, coitado, demorou
uma vida para compreender. Ri da sua expressão muito confusa
transformando-se no entendimento, me abraçando também.
— Eu não acredito que agora terei três netos! — Jane estava
explodindo.
— O que é mais um? — Theo queria entender a alegria.
— A mamãe está grávida, amor. Você vai ter um irmão ou irmã. —
Jane explicou e ele ficou meio inquieto processando a informação e apenas
sorriu. Não sabia se entendido.
— Outro igual a Samantha?
— Só que esse vai ser bebezinho... Como você foi um dia.
— Acho que isso vai ser legal. O meu amigo Alan tem uma irmã
bebê. A mãe dele vai buscar ele com o bebê no carrinho e ela é tão pequena
quanto as bonecas da Samantha. — Theo mostrou que compreendeu em
parte. — Quando vai chegar? Vai vir com o papai?
— Não. Está aqui dentro da barriga da Juliet, ele vai crescer aqui
primeiro e depois vai nascer. — Guy explicou e Theo me deu um olhar que
imediatamente soube que algo estava errado e confuso na sua mente.
— Não nasci da barriga da mamãe. Nasci da barriga da Margareth.
— Comentou com pesar. Sentei ao seu lado e o botei em meu colo.
— Eu também nasci da barriga da Margareth e foi só isso. Alguns
bebês nascem de outras barrigas e tem outras mães. Nós chamamos de mães
adotivas, mães do coração ou simplesmente mães. Porque é o cuidado é o
amor que nos faz mães, não somente a gravidez. Esse bebê irá nascer da
minha barriga e terá o mesmo amor que tenho por você e Samantha.
Theo mordeu o lábio, me abraçou apertadinho e suspirei tão
apaixonada quanto o primeiro dia que o segurei.
— Então você sempre foi a minha mamãe? — Falou baixinho.
Não consegui frear o choro. Jane me abraçou apertado e Samantha
quis fazer parte do que ela chamava “festa dos abraços”. Minha menina veio
com a boca cheia de ovo e waffles. Me acalmei do choro e Theo me deu um
sorriso. Ainda cheio de perguntas, me olhou nos olhos.
— Como o bebê ficou aí dentro?
— Hum... O papai colocou aqui.
— Como?
— Com carinho. — Foi tudo que consegui dizer. — Quando crescer,
vai entender.
— Só adultos fazem bebês com carinho? — Ele insistiu e caramba...
Quanta curiosidade!
— Sim, só adultos. — Beijei a pontinha do seu nariz. — Agora vá
escovar os dentes, tirar seu pijama, colocar uma roupinha de brincar porque é
sábado e vamos curtir o dia no quintal. Quer andar de bicicleta?
Animado saiu do meu colo e subiu a escada correndo, soltei o ar
aliviada. Samantha terminou de comer e subi com ela, para tirar sua fralda,
fazer nossa rotina no penico, troquei sua roupa e prendi seu cabelinho em um
rabo de cavalo. Achava que ela teria o cabelo liso e grosso como da sua mãe.
Conhecendo Tatiana sentia que Eliza era uma mulher empoderada, dona do
próprio nariz, muito sensual e apaixonada pela vida. Era do tipo intensa que
fazia o que dava na telha.
Pelas fotos dela grávida imaginava que era muito bonita de corpo.
Deveria ser de parar o trânsito para Romeo cair na dela em uma única noite.
Esperava que Samantha puxasse bastante sua mãe biológica, que se tornasse
uma mulher linda, independente e ao mesmo tempo, que tenha um coração
enorme, seja grata, caridosa e iria me esforçar para ensiná-la a ser uma boa
pessoa.
Tatiana falava tanto da sua família e eles realmente eram calorosos e
gentis. Conheci a avó da Sammy por chamada de vídeo. Romeo disse que não
se importava que ligasse para que ela pudesse ver a neta e ligava quase todos
os dias. A senhora falava um inglês meio complicado e decidi colocar
Samantha aprender a falar espanhol para conversar com sua avó e avô que
vivem na Espanha. Enviava fotos regularmente também.
Já Natasha, a outra irmã da Eliza, ficou meio receosas nas primeiras
ligações. Após o estranhamento inicial, passamos conversar sobre coisas
além da Samantha. Ela me mandava mensagens diariamente e me enviou uma
blusa linda de presente. Natasha morava com o marido em Londres e tinha
dois filhos lindos.
Após terminar com a Samantha, ainda estava enjoada e com a
cabeça doendo. Estava me sentindo fraca e era desagradável não entender o
que estava realmente acontecendo com meu corpo.
— Acho que devemos levá-la a emergência só para saber que tipo de
medicação deve tomar. Mesmo sabendo do seu diagnóstico, não quero passar
por cima da sua médica. — Guy era um médico cardiologista e estava
preocupado comigo.
— Uma consulta para aliviar o enjoo e voltamos para casa. — Jane
me convenceu porque não aguentava mais.
Enquanto trocava de roupa, Dan tirou o carro da garagem e Jane me
acompanhou até a clínica para Guy ficar com as crianças junto com Archie.
Chegamos à clínica da Dra. Walker e infelizmente ela não estava lá.
Consegui um encaixe com o marido dela, que era o obstetra da clínica e até
foi um encaixe divino, porque no final, seria encaminhada para ele mesmo.
Ao me ver praticamente verde uma amável enfermeira me levou para
um quarto com uma maca muito confortável. Antes de deitar, fiz mais um
exame de urina, confirmando a gravidez para a enfermeira e precisei fazer de
sangue para definir as semanas. O médico entrou para me atender, ele foi
simpático, conhecia minha sogra e passou uma medicação e soro ali mesmo,
para ajudar no enjoo e quando acabasse iria me atender em uma consulta
regular.
Jane ficou comigo me distraindo por um tempo e acabei sentindo
sono, tirei um cochilo e quando acordei meu telefone parecia um
pandemônio. Jane não estava na sala e como tem costume de tirar fotos de
tudo, enviou uma foto minha deitada com soro no braço para o Romeo sem
saber que não contei sobre o bebê.
Meu marido estava surtando. A facilidade que ele ficava histérico
sempre me surpreendia. Liguei para o G primeiro, porque se Romeo estivesse
ocupado em uma reunião, meu amigo tinha mais facilidade para atender.
— Só diz que está bem. — Foi a primeira coisa que o G disse. —
Romeo está achando que está com câncer em fase terminal. A mãe dele só
pode querer me foder enviando uma foto daquela sem falar nada e não
atender as ligações. E o pai foi extremamente evasivo.
— Parece muito estressado. — Comentei enrolando para dar a
notícia.
— Ao pousar descobrimos que o cronograma foi alterado, sabe
como fico quando bagunçam meus horários e depois a mãe dele enviou a
foto. Romeo está no palco agora. É o momento dele na conferência e toda
hora me sinaliza para saber sobre você. O que aconteceu, garota?
— Sabe como é, G. Preciso saber se está preparado... — Suspirei no
maior ato dramático e ele já estava xingando do outro lado. Dan abriu a porta
e coloquei a ligação no viva-voz, meu segurança riu e sentou do meu lado
para ouvir melhor.
— Então você está doente? Ai meu Deus! Eu vou tentar voltar hoje,
vou ver o que podemos cancelar... Romeo vai querer estar aí. Eu quero estar
aí... Ai Jesus.
— G. Acalme-se, não estou doente. Só estou em uma condição que
dura nove meses.
George ficou em silêncio, processando a informação e então soltou
um gritinho muito agudo que me fez gargalhar. Dan sacudiu a cabeça, rindo.
— Puta que pariu, garota! Serei tio! Ai que emoção! Gente, vocês
querem povoar a terra?
— Cala a boca. — Grunhi entre risadas. — Deixa que conto ao
Romeo, apenas diga que estou bem e vou falar com ele assim que terminar.
Amo vocês.
— Também te amo, se cuida. Diga ao Dan que ele estava sexy hoje
cedo.
Daniel ficou vermelho e o George nem sabia que estava no viva-voz.
Encerrei a chamada, rindo e meu segurança limpou a garganta, bebeu sua
água e perguntou se precisava de algo. Para dar-lhe alguma atividade, pedi
para chamar minha sogra e saiu bem rápido. Descobri que o Dan era gay sem
querer. Intrometida como sempre, pedi ao George para parar de implicar com
Daniel e dar em cima dele.
O que eu não sabia era que Daniel era segurança de uma boate que G
frequentava, rolou um flerte entre os dois e mais nada porque Daniel é muito
reservado e G explode purpurina pelos ouvidos. Além de ser muito galinha.
Saber que Dan era homossexual me deixou ainda mais relaxada ao seu lado.
Romeo era tão desinteressado e sem preconceitos que nunca se deu conta. Ele
gostava que seus funcionários fossem profissionais, a opção sexual não lhe
dizia respeito.
Era curiosa e assumia. Daniel e eu passamos a nos divertir horrores
juntos. Ele era todo tímido, muito focado e muito eficaz. Foi da Marinha
durante muitos anos e depois passou a trabalhar com segurança privada para
um dono de uma boate, aí aconteceu de o Romeo precisar de um guarda-
costas para trabalhar junto com Henri. Eles formam uma equipe muito boa.
— Não briga comigo! Eu não sabia que não tinha contado para ele.
— Jane entrou na sala sorridente. — Estou tão feliz que serei vovó
novamente! Só não conte para muita gente até a décima segunda semana, está
bem?
— Só para a família mesmo. Estou me sentindo muito melhor, peça
ao Dr. Walker um caminhão desse remédio.
Minha consulta foi divertida, o Dr. Walker era mais brincalhão que
sua esposa e falamos muito sobre a gravidez inesperada. Aparentemente a
data de concepção foi antes da renovação do meu método. Ainda não fazia
nenhum sentido na minha cabeça, de modo geral estava feliz e minha sogra
disse que o medo do parto era normal, que conforme a gestação fosse
avançando, o amor pelo bebê iria diminuir a ansiedade do parto
gradativamente.
Mesmo contra a decisão do Dan, enchi o saco para dar uma
passadinha em um shopping; Entrei em uma loja de roupas infantis, entre
blusinhas para Samantha, shorts para o Theo, comprei um sapatinho branco
para fazer uma surpresinha para o Romeo assim que voltasse para casa.
Meu marido merecia receber a notícia de forma romântica. Samantha
foi um choque e Theo caiu de paraquedas nos seus braços. Esse bebezinho
será muito amado por mim e por seu pai. Desconhecia homem com a
capacidade de amar tão intensamente quanto Romeo.
Era muito legal a maneira que Guy me tratava como a filha que ele
não teve. Não disfarçava o quanto gostava de me mimar. Ao retornar para
casa, não movi um dedo porque estava sempre pegando o que precisava e me
colocando para descansar. Precisava estar muito hidratada e tomar a
medicação receitada, só a que tomei no consultório me fez sentir muito
melhor. Percebi o quão mal estava até melhorar. Foi receitada uma série de
vitaminas e o tão importante ácido fólico.
Romeo conseguiu me ligar no final do dia e estava mais calmo.
— Oi, baby. Como você está?
— Estou bem, amor. Estava desidratada e tomei uma medicação. Estou
com tantas saudades do meu marido...
— Eu também. Nunca dormi longe de você e estou mal.
— Vou te enviar algo para ajudar a dormir mais tarde... — Sugeri
maldosa e as crianças entraram correndo para falar com o papai. Foi a
distração perfeita porque não precisaria responder suas muitas perguntas
sobre meu estado.
Assim que as crianças dormiram, me despedi dos meus sogros e entrei
no quartinho da safadeza. Apoiei meu celular no parapeito da janela, deitei na
cadeira tântrica com o quadril para o alto. Me masturbei para câmera
caprichando nos gemidos e nas putarias que escorriam da minha boca. Não
dava para ver meu rosto ou meu corpo, apenas minha buceta e meus dedos.
Romeo iria surtar.
Sem me conter, enviei o vídeo, desejei uma boa noite e disse que o
amava muito. Subi de fininho para meu quarto, coloquei o telefone no modo
silencioso e deitei para dormir entre as crianças. Já estava ansiosa para meu
homem voltar para casa com a disposição que tanto amava.
vinte e nove

Romeo.
Cheguei em casa no final da tarde, Juliet estava dormindo e assim
deixei. Meus pais disseram que as crianças dormiram com ela e eu sabia que
aquilo significava que não dormiu nenhum pouco. Matei a saudade dos meus
filhos, brinquei e distraí o Loki. Jantei com meus pais, agradeci imensamente
o carinho e eles foram embora para casa.
Coloquei minhas crianças na cama às nove em ponto e estava pronto
para minha mulher. Entrei no meu quarto ansioso para acordar minha baby.
Juliet estava deitada com a bunda para o alto totalmente descoberta. Depois
do vídeo insolente que me fez tocar uma punheta e gozar como um tarado, ela
merecia uns bons tapas naquela bunda gostosa.
Queria saber se estava melhor. Estava muito curioso sobre o teste,
tinha certeza que a medrosa não fez com medo do resultado. Apertei sua
bunda e mordi, ela saltou assustada e logo riu.
— Ai, Romeo! Isso é amor?
— É saudade. Você está melhor?
— Sim, pode tirar meu short? — Ordenou e não tardei a obedecer.
Puxei seu short e logo sua bunda redonda estava bem no meu rosto. Dei mais
uma mordida, dessa vez não foi para doer e ela gemeu baixinho. — Nunca
mais viaje. Um dia sem você é como cem.
— Sei bem e você foi tão maldosa. Faz pra mim ao vivo?
— Por que se tenho você para me chupar? — Virou de barriga para
cima e afastou os joelhos, tirou o top cinza que usava e seus peitos estavam
arrepiados.
— Está melhor mesmo, amor?
— Tão boa que quero você daquele nosso jeitinho.
Se toda vez que viajasse, Juliet me recebesse tão cheia de tesão e
saudade faria uma viagem por final de semana. E não havia nenhuma dúvida
de que estava melhor considerando nossos exercícios. Caí deitado, suado,
ofegante e ela só deitou, delicada como a perfeita bailarina que era com um
sorriso no rosto. Beijou meu peito, disse que estava muito feliz que voltei e
levantou da nossa cama.
Observei-a andar pelada pelo quarto, foi ao banheiro, saiu ainda muito
nua e foi até o closet. Voltou para o quarto com uma caixa branca, com uma
fita de cetim vermelha nas mãos.
— Presente? Não briga comigo, mas trouxe presentes para as crianças.
— Nós combinamos de não exagerar em mimar as crianças ao pensar que
toda vez que viajar elas automaticamente iriam ganhar algo.
— É claro que vou brigar com você. — Engatinhou na cama e me deu a
caixa. — Depois que abrir o seu presente. Não quero estragar o momento.
Sentei ansioso para abrir meu presente, puxei a fita abrindo a tampa e
me deparei com um envelope, uma foto dela nua e um bastão. Olhei para o
indicativo positivo no bastão e já comecei a sorrir, meus olhos lacrimejaram e
minhas mãos tremiam. O envelope era o exame de sangue confirmando o que
o de farmácia dizia. A foto dela pelada tinha uma dizer atrás “Papai estou
bem dentro da mamãe, como ela ainda não tinha uma foto minha, está
mostrando que estou na barriguinha dela. Nós amamos você”.
Odiei que comecei a chorar sem controle. Abracei-a apertado, tão feliz
e foi um misto de sensações que explodiu no meu peito. Quando soube que
seria pai pela primeira vez foi um choque. Fiquei descrente passando pelo
estresse do teste de DNA e toda pressão da condição de saúde delicada da
Eliza. Amei Samantha no primeiro segundo que ouvi seu coração e foram
cinco meses tensos sobre a sobrevivência dela ou da sua mãe.
A segunda vez foi um amor instantâneo. Theo foi um amor que não
sabia explicar. Foi como se ele tivesse nascido em outra família para ser meu
filho. Assumi a responsabilidade paterna dele de todo coração e agora a
minha baby carregava o nosso terceiro bebê.
— Estou tão feliz, amor. Obrigado por isso. — Beijei sua boca
repetidas vezes. — Eu te amo. Amo vocês e a nossa família. Vai ter a melhor
gestação do mundo e esse bebê vai nascer muito amado por mim, seus irmãos
e avós.
— Seus pais estão descontrolados. — Sorriu emocionada e segurei seu
rosto. — Estou com medo. Não pari nossos dois filhos e essa parte da
gravidez me assusta muito. Cuidei do Theo a partir do segundo que nasceu,
mas não estive grávida dele. Inclusive conversei com as crianças sobre mães
que os bebês não nascem de suas barrigas. Apesar de saber que temos o
direito de curtir muito o bebê, não quero que Theo ou Samantha fiquem
pensando que são menos filhos porque não saíram de mim.
Sua preocupação era tão fofa e tão razoável que sorri, acariciando seu
rosto.
— Nós vamos lidar com isso, está bem? — Puxei-a para meu colo. —
E vamos aproveitar cada segundo dessa barriga crescendo gerando nosso
bebê. Não fica com medo, vou cuidar de você e o parto será apenas o
momento mágico que nosso bebê virá ao mundo.
— Nossa vida mudou tanto em um ano, Romeo. — Comentou
pensativamente.
— Não trocaria nenhum segundo dessa intensidade. Esperei muito
tempo por ter você. — Abracei-a bem apertado e mais uma vez olhei para o
teste. — Mais um filho! Cheguei ao número três em tempo recorde.
— Quantos nós queremos? — Deitou a cabeça no meu ombro.
— Pelo menos mais um...
— Sempre quis ter uma família grande e sabe qual a grande vantagem
disso tudo? Em dez anos estarei no auge. Nós ainda vamos curtir muito.
— Em dez anos terei quarenta e sete. — Refleti e ela riu.
— Acha mesmo que um homem de quarenta e sete que teve uma vida
inteira de alimentação saudável e exercícios físicos não estará no ápice da sua
vida sexual? Baby! Sou muito boa em matemática! — Soltei uma risada com
seu pensamento e ela tinha razão. — Matemática para sexo. — Piscou
engraçadinha e bocejou. — Desculpa. Estou com sono e com fome. Sobrou
alguma coisa do jantar?
Me ofereci para montar um prato de comida enquanto tomava um
banho. Coloquei o que encontrei na geladeira, peixe, camarão, purê de
abóbora, um final de salada verde e torradas. Com parte da comida aquecida
e apenas a salada gelada, voltei para o quarto encontrando-a de pijama e fez
um som meio engraçado ao sentir cheiro da comida.
— É bom comer depois de tanto tempo só bebendo suco ou chá. —
Encheu o garfo de comida e enfiou na boca, faminta.
Dei uma olhada na prescrição médica, lendo as bulas e percebi que
Juliet precisaria de cuidados na sua alimentação e na hidratação. Ela não era
muito atenta a beber água, estava sempre no seu pé sobre isso e teria que ficar
em cima. Observei-a dormir tão feliz, não consegui tirar minha mão da sua
barriga e a acordei aos beijos no local, ganhando um lindo sorriso sonolento
de bom dia.
Sentindo uma felicidade enorme no peito, acordei Theo primeiro e o
enchi de beijos. Queria que ele crescesse sabendo que mesmo sendo um
homem, ele era livre para ter afeto, dar amor e demonstrar sentimentos.
Quem ele vai gostar no futuro não me interessava, só queria que se tornasse
um bom homem.
— Bom dia, papai.
Definitivamente amava a criança que o Theo se tornou. Ainda tratamos
sua introspecção, seu medo, tomamos muito cuidado com seus sentimentos e
levamos questões comuns do seu dia-a-dia a serem analisadas. Ainda temos
um longo caminho para superar todos os traumas que absorveu em sua curta
vida, que o levou a ter comportamentos repetitivos e preocupantes, engolindo
seus sentimentos por ver o quanto Juliet sofria para protegê-lo na casa em que
viviam.
Com Theo ao meu lado, entramos no quartinho da Samantha e ela
estava dormindo no tapete próximo a cama e não na coisa montessoriana que
Juliet achava que era bom para a independência da Sammy. Tirei uma foto e
acordei minha ursinha, cheio de beijos carinhosos e incentivei o Theo a fazer
o mesmo.
Desci com os dois e encontrei Tanny e Ana na cozinha, com a mesa do
café da manhã pronta. Optei por deixar Juliet dormindo um pouco mais, comi
com as crianças, arrumei ambos para escola e deixei os dois com suas
devidas turminhas e professoras.
Ao retornar para casa, me preparei para o trabalho em silêncio. Juliet
estava apagada, imaginava que as manhãs seriam tenebrosas com o enjoo e o
sono excessivo. Dei-lhe um beijo de despedida, ela reclamou um pouco
achando que ficaria em casa por ter viajado no final de semana e fez um
beicinho adorável. Foi difícil deixá-la em casa.
Saí propositalmente mais tarde para evitar o trânsito massivo dos
primeiros horários. Demorava mais de uma hora para chegar ao trabalho e
conversando com Henri o tempo até passava mais rápido.
Chegando na empresa, George já estava agitado, Erin meio irritada com
um homem que queria muito marcar um horário comigo e passei direto,
fingindo que não estava vendo. Entrei na minha sala ciente que o
Investigador Johnson estava me aguardando para falar sobre o incendiário, o
possível homem que me seguiu e tentou bater no meu carro. Acreditávamos
ser a mesma pessoa.
— Acabou de chegar sem remetente. — George entrou na minha sala
com um envelope. — O entregador disse que foi deixado no balcão da
agência.
— Chama o Johnson. — Não toquei no envelope e G saiu apressado.
— Parece que atrai um contato. — Johnson entrou na minha sala. —
Vim com péssimas notícias. Não conseguimos reconstruir o rosto do homem
com as poucas imagens que temos e não há nenhum sinal de digital válida em
qualquer lugar. Soube que não teve nenhuma atividade de contato até agora.
— Minha esposa não saiu de casa, nenhuma atividade suspeita na
escola das crianças ou na minha nova vizinhança.
— A única coisa que encontramos foi a loja onde comprou o material
para o incêndio. Conseguimos rastreá-lo, mas não ver seu rosto. Ele tem um
comportamento profissional, sabe onde ficam as câmeras, os pontos cegos da
cidade e das lojas. Comprou tudo no dinheiro…
— Isso é frustrante. — Suspirei encostando-me na cadeira. Meu
telefone vibrou e Juliet enviou uma foto do desenho que fez da fruteira,
colorindo com os dedos e ficou tão bonito que realmente que queria
emoldurar. Ela era muito talentosa, precisávamos explorar seu talento para
descobrir até onde era capaz de ir.
— Romeo? — Johnson me chamou atenção rindo. — Vamos abrir?
— Apontou para o envelope.
Tirou luvas do bolso e pegou o envelope, tirando uma folha de dentro
com várias colagens. Uma era uma carta com a seguinte frase “Ela não vai
durar”. A outra folha era uma colagem de diversas fotografias da Juliet.
Muitas. Em todo lugar. A maioria por paparazzis, redes sociais e revistas. Foi
a primeira vez que não senti desespero. Simplesmente olhei aquela folha
ciente que não importasse o tempo, iria encontrar esse desgraçado e matá-lo
por ameaçar a vida da minha mulher.
— Não gosto de sair fazendo acusações, porque é contra a minha ética
de trabalho, as isso aqui é coisa de mulher. — Johnson sentou na minha
frente. — Um homem não se daria o trabalho de sentar por horas para fazer
uma colagem minuciosa. Na minha experiência, homens são cabeças quentes
e mulheres passionais. O incendiário pode ter sido contratado por uma
mulher. Alguma que irritou recentemente?
— Acredito em você, nunca vou duvidar da sua experiência, mas não
temos como relacionar minha ex-mulher a isso ou a minha ex-babá. Vou
olhar tudo por outro ângulo... — Voltei a analisar todas as fotografias com
calma. Uma por uma, lembrando de cada dia e momento que Juliet foi
fotografada e uma delas me chamou atenção. Era bem pequena, mal dava
para ver pela baixa qualidade e me inclinei sobre a folha. — Puta que pariu.
— O que foi?
— Essa foto aqui, a menorzinha e bem ruim. Foi no aniversário de
casamento dos meus pais... E a Sophia estava sentada exatamente nesse
ângulo com sua mãe. Sei disso porque a Kira fotografou da mesma posição,
do lado inverso e é exatamente onde Sophia estava. — Apontei com toda
certeza.
— Agora nós temos um caminho a seguir. Eu vou na delegacia, puxar
algumas coisas sobre sua ex-mulher e a família. Nós nos falamos por
telefone.
— Obrigado, Johnson. — Me despedi distraído e ele levou a folha
como evidência. George me encarou ciente que não ia esperar a polícia
buscar porra nenhuma. — Quero um levantamento da BH Empreendimentos.
Tudo. Faremos aquela especial auditoria silenciosa. E não aqui, tem muitos
olhos e ouvidos, vamos fazer na minha casa. Erin vai ficar no seu lugar, vai
para sua casa e pegue roupas, porque nós não vamos parar até achar um furo.
Sei que tem e eu vou pegar a família Boyce por isso.
Erin não entendeu muito quando informei que trabalharia do meu
escritório de casa e não discutiu. Integrei os sistemas com meu computador
portátil, bloqueei todas as senhas de acesso e guardei as minhas coisas. Não
avisei a Juliet que estava indo para casa, muito menos o que estava
acontecendo, ela não precisava se estressar com isso. Não com nosso
bebezinho precisando de toda sua saúde.
George saiu para sua casa e durante o trajeto para a minha, contei ao
Henri ao que aconteceu.
— E como vamos ligar Sophia a isso? Só a foto da Kira não comprova
que foi a Sophia que fez a colagem.
— Sou sócio da empresa do pai dela, não me intrometo muito apesar de
ter a metade e justamente por isso que Sophia saiu da empresa de bico calado.
Boyce é um empresário antigo, tem seus meios, porém, não é barato sustentar
duas famílias. — Batuquei meus dedos na minha pasta. — Boyce tem outra
renda, nunca me interessei, agora ela pode ser a saída dele de uma sociedade
comigo. Se ele abrir falência na BH lucrando em outra empresa com um
laranja como CEO, eles não precisarão mais me engolir. Sophia ficou muito
transtornada com outra mulher na minha vida, ela nunca lidou bem com
nosso divórcio, só disfarçou. Se for ela, tenho meios de jogar iscas... Ou se
for seus pais, mais ainda.
— Para ter outra empresa, ele precisa lentamente retirar dinheiro de
uma para injetar em outra. Só temos que fazer o caminho do dinheiro até
chegar no incendiário.
— Tecnicamente teríamos que saber quem é o incendiário para refazer
o caminho do dinheiro, mas, eu decidi que vou fazer um caminho estreito.
Seja como for, vamos chegar a verdade. — Sorri friamente e recebi uma
mensagem da Juliet pedindo que alguém entregasse um Pumpkin Spice do
Starbucks. Pedi ao Henri para fazer um desvio porque iria entregar o desejo
da minha baby pessoalmente.
— E senhor, parabéns pelo bebê.
— Obrigado, Henri. Estou muito feliz.
— Nós vamos cuidar deles... A senhora é tagarela e muito intrometida,
mas todos nós gostamos muito dela. A sua esposa é peça rara, minha
namorada diz que alguém como ela a gente não encontra todo dia e concordo.
A Sra. Blackburn pode ser meio avoada e maluquinha, mas tem um coração
de ouro e gosta de cuidar de todo mundo.
Era muito engraçado vê-los chamando a Juliet, a minha baby, de
senhora, mas nunca iria corrigir e apenas sorri muito grato que meus
funcionários tinham muito respeito e ao mesmo tempo muito carinho pela
minha esposa.
Ao chegar em casa, as crianças ainda não estavam e as funcionárias na
cozinha estavam bem silenciosas. Imaginei que Juliet estivesse dormindo
novamente, na verdade, ela estava na academia usando um short curto,
sapatilhas de meia ponta, polainas e um top cinza escuro dançando muito
sensualmente I Put Spell On You.
E como dançava bem... Distraída não me notou por um bom tempo,
conseguindo erguer e perna tão alto que memorizei o movimento. Não sei
como ela não fica tonta rodopiando daquele jeito e consegue se equilibrar só
com um simples movimento no pé. Juliet é um mistério.
— Você chegou mais cedo!
— Por que está dançando assim e o enjoo?
— Foi bem melhor hoje, demorei a conseguir sair da cama e não
vomitei, só fiquei nauseada até o efeito do remédio me deixar tão plena
quanto todos os dias. Ele é maravilhoso e Tanny já me obrigou a beber tanto
líquido hoje... Ela disse que a irmã dela sofreu com o mesmo enjoo forte nas
primeiras semanas e tem certos alimentos que é bom evitar, fizemos uma
breve pesquisa e demos uma alterada nos cardápios.
Era bom vê-la pulando no lugar e falando até perder o fôlego
novamente.
— Sem problema nenhum, amor. O importante é que não fique
passando mal. — Estiquei o copo e sorridente, veio até a mim pulando.
— É o que mais sinto falta de morar na cidade. — Deu um gole e
soltou um gemido que foi direto para meu pau. — Por que isso é tão bom?
Será que dá tempo de a Tanny preparar uma torta de abóbora?
Juliet saiu da academia e a segui, foi para cozinha toda empolgada pedir
para fazer torta. Estavam todos cientes que as vontades dela era prioridade.
Em seguida, levei-a para o quarto enquanto George não chegava.
— Vai trabalhar em casa esses dias? — Tirou a roupa bem na minha
frente e suspirei. Sem perceber meu interesse, foi para o banheiro e comecei a
tirar minha roupa. George podia esperar um pouco. — O que está fazendo?
Tem que ir lá buscar o sustento da nossa família e não tomar banho com sua
mulher, que vai levar a sexo e acabar se atrasando.
— Vou me atrasar por que vamos transar?
— Se você tirar a sua roupa, sim. — Deu de ombros me fazendo rir
e fiquei nu. — Gosto tanto que seja um homem apaixonado pela academia,
porque sou louca pela sua barriga. Olha isso aqui... — Passou a mãozinha
molhada no meu abdômen. — Nem gosto de lavar roupa, mas lavaria aqui.
— Tão engraçadinha. — Agarrei sua bunda com vontade.
— É assim que você me ama.
Juliet estava aproveitando muito seu novo status para ser mimada e
ficar de preguiça. Antes de sair para buscar as crianças, ficou deitada no
quarto e eu decidi que precisava ficar longe dela ou nunca faria o que
realmente precisava. George chegou com suas coisas, se instalou em um dos
quartos de hóspedes e depois me ajudou a arrumar meu escritório ainda não
usado para o trabalho.
— Antes de vir aqui, passei em um amigo e ele invadiu as contas de
e-mail da Sophia e de quase toda família. Ainda não encontrei nada, mas
temos tempo para ler um a um. — George jogou uma pasta na minha mesa.
— Por isso que demorou uma eternidade.
— Eu tive que pagar o serviço. — Me deu uma piscada e apontou
para meu cabelo molhado. — Qual a sua desculpa?
— Minha mulher está grávida? — Ofereci sem nenhuma vergonha.
— Vocês são piores que coelhos. — G fingiu repulsa e então seus
olhos brilharam. — Ei, Dan está em casa?
— Aqui é uma casa de família, meus filhos vivem correndo por
esses corredores então, comporte-se.
— Diz a pessoa que arrastou a mulher para a dispensa enquanto
fazia o jantar dos filhos. Pobres crianças inocentes. — G assoprou as unhas e
fiquei vermelho.
— Juliet te contou isso? Não acredito!
Soltando uma gargalhada alta, bateu palmas e bati na mesa para
encerrar sua gracinha. George riu mais ainda. Juliet apareceu no meu
escritório com suco e sanduíches, sem entender nada porque o idiota do meu
assistente ria mais ainda.
— Por que você contou a ele sobre o episódio da dispensa? —
Reclamei sem me conter.
— Porque foi épico, baby. G tinha que saber as coisas que você
consegue fazer em um espaço pequeno. — Deu de ombros toda inocente e
quis bater e beijá-la. — E ele estava jogando na minha cara que fez…
— Não quero saber! — Gritei e os dois riram abertamente da minha
cara. — Vou te demitir. — Apontei para George.
— Não vai nada. E se comportem. — Juliet saiu e George pegou
dois sanduíches de uma vez só murmurando que sexo rápido dava fome. No
exato segundo, Daniel entrou no escritório. Um ficou muito sem graça e o
outro com risinhos.
Ignorando os dois na minha frente, olhei para foto da Juliet no meio da
pista de dança da festa de casamento dos meus pais e pensei que o melhor dia
da minha vida foi quando me deparei com o instagram sugar baby dela. Acho
que foi assim que meu assistente extremamente profissional se tornou um dos
meus melhores amigos e meu guarda-costas que mal abria a boca passou a
fazer parte da minha família.
Minha vida tediosa e certinha transformou-se em um circo e não
trocaria por nada.
trinta
Juliet.
Minha nova condição me deu muitas vantagens. Além do enjoo
matinal, não estava sentindo absolutamente nada. O sono era pura preguiça
para fazer dengo e todas as minhas “vontades” era a simples necessidade de
ser mimada o tempo inteiro. Romeo estava fazendo tudo que eu queria, muito
mais do que antes. Não havia limites e ele sabia que era besteira minha.
Romeo estava muito feliz, parecia que toda questão das ameaças, os
bilhetes, perseguições e incêndios era coisa do passado. Andava assobiando
pela casa como se soubesse algo extraordinário. G passou uma semana em
casa, eles viravam as noites no escritório, estouraram champanhe no final e o
Investigador apareceu mais de uma vez. Era como se meu marido tivesse um
tesouro que não queria compartilhar.
Estava me roendo de curiosidade e ele disse que não queria me deixar
estressada ou ansiosa, que estava tudo bem, que quando isso acabasse nós
iríamos entrar com o pedido da guarda do Theo. Uma conselheira tutelar nos
visitou três vezes devido ao desaparecimento da minha mãe e o advogado
conseguiu um papel que nos dava a custódia temporária.
A conselheira, seu nome era Sandra, nos acompanhou em passeios, me
fez muitas perguntas e teve uma reunião com a psicóloga do Theo. Ambas
afirmaram que eram procedimentos normais, que o Juiz não tinha interesse
em tirar a criança do seio familiar e sim assegurar que era o melhor lugar para
ele. Só de pensar em perder o Theo sentia que ia morrer. Romeo foi rápido
em me explicar tudo e me acalmar.
— Está ansiosa? — Romeo sentou do meu lado e me entregou uma
garrafa de água. Bebi só um pouquinho para tirar o gosto ruim do suco de
couve que minha sogra me fez experimentar a caminho da consulta.
— Li que já podemos ouvir o coração... Estou muito ansiosa. — Deitei
minha cabeça no seu braço. Era a minha consulta de dez semana. Em
seguida, iremos aproveitar para resolver um monte de pendências em
Manhattan para festa de aniversário do Theo.
Meu bebê completou cinco anos na terça-feira anterior e estávamos
preparando uma grande festa em nossa casa. Convidamos os vizinhos que
conhecemos, seus amiguinhos da escola, filhos dos amigos do Romeo e
alguns primos por parte da família Blackburn.
Gail estava hospedada na minha casa porque compramos doces para
as lembrancinhas e eu mesma fiz o design dos convites, das caixas, dos
adesivos e mandei imprimir. Romeo achou incrível minhas habilidades com o
photoshop. Mal sabia ele que aprendi tudo no youtube.
Meu nome foi chamado e a recepcionista achou engraçado que
minha sogra e Romeo estavam uma pilha. A Dra. Walker me deu os parabéns
pela gestação, puxou minha orelha sobre minha alimentação e em seguida fui
consultada pelo seu marido. Pesada e aferida, finalmente chegou a parte da
ultrassonografia. Troquei de roupa, deitei na maca e assobiei com o líquido
gelado na minha barriga.
— As medidas do bebê estão ótimas, confirmo a previsão das
semanas e ele está bem aqui. — Apontou para um ponto no meio da tela que
não soube identificar, depois explicando com calma entendi que era meu
bebê, onde estava seu coraçãozinho e o som era inexplicavelmente lindo que
preencheu a sala. Não desgrudei os olhos da tela, sentindo as lágrimas
escorrer pelo meu rosto em reflexo do sentimento pleno de estar gerando uma
vida.
— Está ouvindo isso, Romeo? — Virei meu rosto e ele estava
exibindo um sorrisão, me deu um beijo na testa. — É o nosso bebê. Agora
sim parece tão real.
— Ele é real, amor. Quando poderemos saber o sexo?
— Em algumas semanas ou podem fazer a sexagem fetal... — Dr.
Walker respondeu e explicou o exame. Mais agulhas? Não.
— Ah... Vamos saber do modo tradicional, sem pressa. Não vou me
furar além do necessário. — Cortei na hora a ideia e minha sogra fez um
beicinho porque queria fazer um tal chá de revelação. — Tudo bem... É
melhor não doer.
Com algumas imagens do exame seguramente guardadas na minha
bolsa, ansiosa para retornar na próxima semana para fazer a sexagem fetal,
Romeo me levou a uma enorme loja de produtos infantis e pude comprar
alguns detalhes que faltava para festa de aniversário do meu bebê mais velho.
Samantha estava tão ansiosa que parecia que o aniversário era dela, como
uma boa mãe, já tinha o tema separado.
Ao chegarmos em casa, o quintal já estava transformado em um
imenso parque de diversões com tema dos heróis. Romeo teve o cuidado de
verificar cada pessoa que teve acesso a nossa casa, a segurança estava
apertada, apenas funcionários de confiança na parte de dentro e muitas portas
trancadas.
As câmeras de segurança em pleno funcionamento.
— Mamãe! Olha o Hulk! — Samantha veio correndo e pediu colo,
querendo me mostrar tudo que estava sendo montado. — Eu quero o
Homem-Aranha.
— Eu também! O Tom Holland é tão fofo! — Retruquei e meu
marido limpou a garganta atrás de mim, olhei-o e sua sobrancelha arqueada
era o sinal que não gostou muito do meu comentário.
Inocente, Samantha continuou.
— Eu quero o Tom Holland. — Soltei uma risada alta e sai de perto
do Romeo antes que apanhasse.
— Isso é incrível! — Theo estava eufórico e corria dentre os
bonecos gigantes dos heróis.
Contratamos um teatro dos vingadores que era muito bom e eles
tinham “efeitos especiais” que deixariam as crianças malucas. Além dos
clássicos brinquedos como pula-pula, piscina de bolinhas e armas de água,
alugamos uma montanha russa e uma roda gigante infantil. Era um parque de
diversões dos vingadores, com carrinhos de pipoca, cachorro quente e os
garçons iriam servir bebidas e comida.
Terminei de arrumar a mesa da festa com os itens que trouxe da rua,
ajustei os últimos detalhes com a organizadora, a chefe do buffet e com a
decoradora. Estava tudo pronto e faltava esperar alguns convidados chegar.
George já estava pronto com a Gail, então, subi para dar banho na Samantha
primeiro.
Fantasiei minha menina estava como a Feiticeira Escarlate.
— Realmente não acredito que tenho uma pequena vingadora! —
Romeo fez arrulhos com a Sammy toda gordinha em uma roupinha de couro
preto com vermelho escarlate e uma capa.
Theo estava tão animado que não queria tomar banho e negociei que
sem banho ele jamais poderia ser o Capitão América. Banhado e penteado,
meu coração não podia aguentar a beleza do meu bebê fantasiado para seu
aniversário de cinco anos.
Mandei os dois para o andar debaixo com seus avós e puxei Romeo
para nos arrumarmos. Ele disse um não bem grande quando viu a sua
fantasia.
— Nós não conversamos sobre isso, Juliet!
— É o seu papel de pai entrar no personagem favorito do seu filho!
— Bati os pés no chão e a muito custo meu marido vestiu a fantasia do
Homem de Ferro. Não era a armadura em si, dava a entender e havia um
colar que simulava o reator arc. — Está ainda mais gostoso que o Stark.
Agora preciso da sua ajuda.
Me transformar na Viúva Negra não foi fácil, principalmente que meus
peitos pareciam não caber na roupa como antes. Fiquei com um belo decote
para o completo desgosto do meu marido, que tentou a todo custo puxar o
zíper para cima. Prendi todo meu cabelo e coloquei a peruca lace bem ruiva,
me maquiando e Romeo estava sentado na cama parecendo meio frustrado
com minha aparência.
— Definitivamente muito mais gostosa que a Viúva Negra original.
— Me olhei no espelho e dei uma voltinha.
Seu beicinho era tão adorável.
— Baby. — Grunhiu olhando para meus peitos. — Você vai ficar
com os peitos enormes se continuarem crescendo assim... Mal vejo a hora.
Terminei minha maquiagem e como era uma festa infantil, estava de
tênis totalmente pretos. Não havia nenhuma chance de aguentar as crianças e
brincar com elas usando salto. Ao descermos, quem estava ficou encantado
com nossas fantasias e o fotógrafo quis tirar fotos de família. Os olhos do
Theo brilhavam de emoção.
— Você não pode exagerar, controle-se. — Romeo sussurrou
preocupado com minha euforia tão igual a das crianças.
— Quero aproveitar a festa também!
— Com moderação. — Falou bem sério, revirei os olhos, peguei
Samantha no colo e fui brincar. Afinal de contas, eu também nunca tive uma
festa de aniversário infantil.
Theo, Samantha e eu aproveitamos a festa inteira, comemos,
brincamos, participei do teatro, tirei fotos, fui em cada um dos brinquedos
duas vezes com cada e depois mais vezes com os dois ao mesmo tempo.
Havia muitas crianças e todas as pessoas que convidamos compareceram,
inclusive a família esnobe do Romeo por parte de pai e a família legal por
parte da mãe.
Tatiana, Natasha e os priminhos da Samantha entraram na minha pilha
de brincar e o teatro foi tão bom que até os adultos sentaram para assistir.
Valeu a pena porque foi tão caro quanto o cachê dos atores originais e meu
menino estava muito feliz. Nunca em milhão de anos imaginei que um dia o
veria tão como uma criança normal, pulando de alegria, brincando com
amiguinhos e segurando a mão da Sammy para andar pela festa.
Não teve uma única pessoa que não arrulhou sobre minhas crianças e
era muito difícil não sair gritando que em breve teríamos mais um.
— Sossega! — Romeo me agarrou antes de ir mais uma vez na roda
gigante. — Por favor, amor. Senta um pouco e come algo além de cachorros
quentes. Você vai passar mal!
— Tudo bem. — Cedi e sorridente, o segui até a mesa que estava
com seus amigos. Meu marido até estava aproveitando a festa apesar de ter
ficado com seus amigos bebendo, me ajudou com que era necessário e
brincou com as crianças. Na mesa onde estava Joe, Adam, Danika, Gisele e
Chris. — Oi gente! Foram na roda gigante?
— Sim! Isso ficou irado, cara! Quero que organize minha próxima
festa! — Chris sorriu e Romeo mandou arrumar uma mulher, largar a dele.
Revirei os olhos e sentei. — Tão ciumento, homem. A mulher já tem três
filhos com você.
— Três? — Ergui minha cabeça pronta para brigar com Romeo
sobre contar aos seus amigos.
— Romeo está quase infartando cada vez que você faz qualquer
coisa que possa se machucar. Ele praticamente teve um AVC bem aqui na
nossa frente quando foi na Montanha Russa. — Danika sorriu e olhei para
meu exagerado marido.
— Relaxa, amor.
— E vocês não estão negando. — Gisele bateu palmas. — Não
vamos contar, sabemos o quão importante é manter o sigilo das primeiras
semanas.
— Só contei com cinco meses, primeiro estava tentando sobreviver
ao enjoo. — Danika apertou minha mãe. — Parabéns!
— Isso não passa nunca? — Era muito chato a rotina de quase
morrer de manhã e ter azia realmente forte a noite.
— Demora um pouquinho. Passa quando nasce. — Danika me deu
um olhar pesaroso.
— Podemos fazer um brinde discreto? — Chris cochichou me
fazendo sorrir e olhei para Romeo, que relutante, concordou com um sorriso.
— Ao Romeo e Juliet! Que o projeto de superlotar o mundo seja um sucesso!
Estou ansioso para ser tio de mais uma criança fofa!
Brindamos e a organizadora sinalizou que era o momento de cantar
parabéns. Consegui encontrar meus filhos na bagunça da piscina de bolinhas,
limpei um pouco seus rostos e como estava dominada por hormônios, chorei
durante os parabéns. Romeo estava segurando Theo e o inclinou para o bolo,
Samantha batia palmas descontroladamente no meu colo e por um segundo,
tudo que vivi passou em câmera lenta na minha mente.
Quando me tornei uma mulher de tanta sorte?
Fui transportada aos dias difíceis que brincava de “bem me quer” e
sempre que a última pétala era favorável, um momento como esse parecia
impossível. Theo tinha tudo que merecia, era muito amado, bem assistido,
vestido, alimentado, ganhou uma irmãzinha apaixonada e um pai. Nós somos
tão sortudos!
Olhei para George e Gail e eles me deram olhares igualmente
compreensivos, ciente de tudo que estava sentindo. Romeo nos deu um
abraço em grupo, nossa pequena família entre seus braços e nos beijamos.
Tentei passar todo meu amor em único beijo. Era tão apaixonada por ele que
nem sabia descrever.
— Obrigada, meu amor. Você é tudo para nós quatro. — Sussurrei
contra seus lábios. Romeo só me deu um olhar igualmente
emocionado e cortamos o bolo.
No final da festa, já não havia mais um convidado além da nossa
família e meus pés doíam muito. Os pais do Romeo estavam sentados no
chão com Theo fazendo uma bagunça sem tamanho ao abrir os presentes.
Gail cortou mais um pedaço de bolo pra mim, me entregou e sentou ao lado
do G, que lhe serviu mais vinho. Romeo estava do meu lado, com a mão na
minha barriga como se houvesse qualquer coisa ali para acariciar.
— Esse é meu e esse é seu, tá Sammy? — Theo estava dividindo
seus presentes com sua irmã. Samantha simplesmente lhe deu um beijo e
correu até a mim, querendo um pedaço do meu bolo.
— Você vai explodir junto com a mamãe, Samantha. — Romeo
limpou a boca dela.
Deixamos que as crianças dormissem tarde, mas eles não resistiram ao
banho e ao pijama, adormecendo sem nenhuma ajuda. Ambos estavam
exaustos e sabia que iriam dormir até a hora do almoço no dia seguinte.
George foi perturbar Daniel na casa de hóspedes e não queria nem saber o
que os dois iriam acabar fazendo. Gail me deu um beijo e um abraço, dizendo
que me amava e foi dormir.
— Você é a melhor avó do mundo. — Beijei sua bochecha,
ajudando-a na escada. Ela já estava com quase oitenta anos, morria de medo
que escorregasse na escada ou acabar caindo na curva do corredor. Eram
setenta e oito anos de pura generosidade e vida.
Me despedi dos meus sogros que ainda estavam no clima para
continuar bebendo na sala e entrei no meu quarto, precisando sair daquela
roupa que couro que parecia me sufocar a cada segundo.
— Preciso de ajuda para sair dessa roupa, Sr. Homem de Ferro.
Romeo parou atrás de mim e puxou o zíper para baixo, me libertando e
soltei uma longa respiração.
— Essa roupa deixou meu pau duro como ferro a maior parte da
noite. Sabe como é constrangedor ficar excitado na festa de cinco anos do seu
filho?
— E a culpa é minha?
— Sim! Porque sabe que é gostosa, que me deixa maluco e ainda
usa uma roupa de couro com uma peruca ruiva. Baby... Você já ficou loira no
halloween e agora ruiva no aniversário do Theo. Qual será o próximo?
— Estarei com o cabelo diferente no aniversário da Samantha
também. — Sorri e olhei para as marcas da roupa nos meus seios. Estava bem
vermelho e muito dolorido. Encostei e soltei um gemido de dor. Meus
mamilos pareciam que iam cair.
— Isso está feio. — Romeo tentou encostar e me encolhi só com a
aproximação. — Seus seios vão crescer bastante, amor.
— Eles já cresceram em poucas semanas…
— Que maravilha! — Seu sorriso me fez bufar. — Vou cuidar bem
deles agora.
— E do restante? — Fiz um charminho porque sabia que ele amava
quando ficava toda melosa.
Romeo me pegou no colo e me fez sentir muito bem cuidada,
infelizmente, comecei a sentir enjoo por tudo que comi na festa e meu bom
marido era um enfermeiro irritante. Tomei a medicação para acalmar minha
ânsia, fechei meus olhos e tentei dormir exatamente como estava, pelada por
tomar um banho pós sexo.
— A mamãe tá bem? — Ouvi a vozinha da Samantha, puxei o
edredom só para garantir que não me vissem nua.
— Xiiu! O papai falou para não acordar ela. — Theo sussurrou tão
alto que senti vontade de rir. Me escondi ainda fingindo dormir. — Papai
disse que o bebê deixa a mamãe enjoada.
— O que é enjoada? — Samantha se debruçou na minha barriga e
quase vomitei, ai jesus, virei de lado tentando escapar dela.
— Eu não sei. — Theo riu.
— Acorda aê! — Samantha me deu uns bons tapas no ombro. — Já
é dia, mamãe. O sol tá no alto! O papai disse que podemos brincar na picina!
— Bom dia, Sammy. — Resmunguei e não tentei levantar, sabia que
a náusea ainda iria me deixar derrubada. — Seu pai disse para não me
acordar?
— Disse sim, mas eu acordei.
— E não obedece mais ao papai? — Provoquei e ela só deu os
ombros como se não fosse nada demais.
— Eu tô acordada! Theo também!
Ou seja, a mamãe não precisa dormir mais? Pestinha!
Fiz cosquinhas nela até ouvir seus gritos bem estridentes. Romeo
brigou com ela por me acordar e perguntou se autorizava as crianças
passearam com os pais dele já que o quintal estava sendo desmontado.
George estava aproveitando a praia com Gail e depois sairiam para almoçar,
se estivesse melhor até iria com eles.
Meus sogros deveriam saber que estava um bagaço, ajudando a distrair
as crianças enquanto havia muita gente trabalhando no desmonte da festa.
— Algum segurança foi com seus pais? — Perguntei apenas para
aliviar minha consciência e a preocupação. Romeo não me dizia
absolutamente mais nada sobre o caso.
— Henri foi com eles e está tudo bem, amor.
— O incendiário já foi preso? Descobriu quem tentou...
— O incendiário foi preso semana passada ao tentar incendiar a área
de fumantes do prédio da Blackburn. — Contou calmamente e respirei fundo,
imediatamente nervosa. — Os seguranças perceberam a ação a tempo e um
dos meus homens mais antigos reconheceu o maxilar do cara das fotografias.
— Por que não me falou isso? Ele ia começar outro incêndio? Você
estava lá? Alguém tentou te machucar?
— Não te falei porque você está grávida e não quero que fique
nervosa exatamente como está agora. Ia contar quando solucionasse tudo...
Ainda falta uma parte. Uma bem importante.
— Não estou gostando disso, Romeo. Você parece maluco. Acho
que quero as crianças em casa agora mesmo!
Romeo sorriu e mandou ficar calma. Impossível.
— Viu só, histérica. Foi por isso que não te falei nada, está
praticamente verde e suando por algo que já aconteceu. — Deitou do meu
lado e colocou a mão na minha barriga. — Meu dever é proteger você, já que
seu corpo está protegendo o nosso bebê e por isso tomei a decisão de só te
contar quando tudo estivesse resolvido. Confia em mim, sei o que estou
fazendo e eu te amo.
Suspirei e olhei dentro dos seus olhos, confiando.
— Eu também te amo.
— As crianças estão seguras com meus pais, prometo. E eles vão se
divertir e depois voltar para casa. E você vai ficar quieta até seu enjoo passar.
Estou vendo na sua expressão que deve estar bem ruim, não é?
— Minha esperança é que eu seja como a maior parte das mulheres
e aguente isso apenas no primeiro trimestre.
— Quer a medicação agora?
— Eu quero, baby. Obrigado, enfermeiro.
— Quer que me vista de enfermeiro sexy para curar seu enjoo mais
rápido?
— Será que pode ficar andando nu? Acho que conseguirei ficar boa
mais rápido se ficar te admirando sem roupa. Se quiser tocar a si mesmo bem
na minha frente também não me oponho. — Dei de ombros e coloquei as
mãos atrás da minha cabeça.
Romeo pegou meu remédio, uma garrafinha de água, entregou ambos e
bebi. Sem nenhuma cerimônia, parou no meio do quarto, bem de frente a
cama e começou a se despir em uma versão muito desengonçada de strip-
tease. Mesmo assim, a criatura era tão gostosa que conseguiu me deixar
animada. Divertido, me jogou a cueca, ri, agarrando no ar e mordi o lábio
encarando-o.
E para meu completo show, agarrou seu pau e começou a manipular.
— Ai meu Deus, Romeo! — Gritei tapando meu rosto e espiei entre
meus dedos.
— Não nego pedidos de esposas grávidas! Ainda mais da minha
sugar baby manhosa. — Piscou e fiquei realmente chocada o quão rápido seu
pau ficou duro.
— Acho que meu enjoo passou, vem aqui!
trinta e um

Romeo.
Olhei para meu relógio no pulso e pensei que faltava apenas trinta
minutos para encerrar uma fase muito importante da minha vida. Em quase
trinta e oito anos de vida, foi a primeira vez que fui ameaçado de forma
grave. Eram dezoito anos de empresa, ela cresceu gradualmente em anos e
explodiu em outros. Fui sagaz e feroz em diversos negócios, mas nunca
coloquei a família dos meus concorrentes em perigo.
E jamais aceitaria que fizessem o mesmo comigo.
Uma mísera foto granulada me levou a esse momento.
George e eu mergulhamos no faturamento da BH, nos repasses, nos
pagamentos de funcionários e em vários mínimos detalhes financeiros por
vários dias. Encontramos diversos erros bobos, nada relevante, até que um
conjunto de e-mails aparentemente inocentes entre Sophia e seu ex-namorado
me fizeram questionar as datas no mês. Coincidia muito com pagamentos a
uma determinada empresa intitulada Cleanup LTDA.
Não precisou muito para descobrir que a nova empresa era do pai da
Sophia, com o nome do ex-namorado como CEO. E eles estavam fazendo
repasses. Me roubando lentamente e obviamente iriam abrir falência, me
fazendo assumir a dívida para não ter uma empresa afundando e os bolsos
cheios do outro lado.
Quando conseguimos provar o repasses, enviei ao Johnson e em
seguida, arquitetei uma auditoria oficial sigilosa. Meu advogado preparou a
equipe e os documentos para que o Boyce não precisasse saber e tentar
encobrir seus rastros. Foram muito sutis, eram repasses relativamente
pequenos, porém, constantes.
Mais uma carta com fotos da Juliet foi entregue, em todas a minha
esposa estava incendiada, em uma montagem feita em programas de edição.
No dia seguinte o incendiário foi pego na área de fumantes no sétimo andar.
O homem era profissional, ex-bombeiro, expulso da corporação por ser
instável e violento. Sabia muito bem o que estava fazendo, abriu a boca sobre
seus pagamentos e alegando não saber quem estava mandando.
Assumiu com orgulho a autoria dos incêndios e que seguiu meu carro
porque gostou de me assustar. Ele estava presente na comoção entre vizinhos
no dia do incêndio e me viu desesperado procurando minha família. Quis
tanto enchê-lo de tanta porrada que fui segurado por quatro homens. Queria
mesmo quebrar a porra da delegacia, prendê-lo em um lugar fechado e
incendiar por se divertir em tentar matar minha família.
Johnson conseguiu rastrear os pagamentos através da Cleanup. Eles
fizeram o dinheiro rodar bastante até cair nas mãos do incendiário. Com isso
a polícia finalmente tinha causa provável para montar um caso e indicar a
família Boyce.
George e seu nerd amiguinho colorido conseguiram troca de mensagens
da minha ex-sogra com o incendiário e com o grupo de assaltantes. Sophia
queria vingança, mãe certamente alimentou seus planos e foi além. E o pai
queria me roubar um pouco mais.
Era hora de dar um fim nisso.
Sai do carro e entrei no restaurante de luxo que costumava vir jantar
com Juliet quase toda semana. Parei após a recepção, sendo impedido por um
homem grande que abria o caminho para outro homem muito conhecido.
Trocamos um olhar e ele abriu um sorriso frio, do seu jeito misterioso e
perigoso de agir.
— Oi, Enzo.
— Romeo! — Me deu um aceno e havia uma linda mulher do seu lado.
— Minha esposa, Juliana.
— É um prazer conhecê-la, senhora. — Apertei sua mão delicada com
cuidado. Ela sorriu de forma encantadora e seu marido lhe disse algo em
italiano. — Ah, eu sinto muito pelo incêndio. Vi tudo da minha janela, fiquei
tão aflita. Sua esposa e filhos estão bem? Sei que faz tempo. Enzo me contou
que é casado e tem filhos pequenos devido a minha histeria com toda aquela
fumaça.
— Minha esposa e filhos estão bem, agradeço a sua preocupação e
carinho.
— Ela é linda. Fiquei apaixonada pelo seu vestido de casamento. —
Juliana era uma mulher muito doce para ser casada com alguém como Enzo
Raffaelli.
— Obrigado, senhora.
— Amor, eu preciso ir à toalete. — Falou com seu marido e me deu um
sorriso pedindo licença, entregando sua bolsa e casaco ao Enzo, indo até o
corredor dos banheiros.
Deixei meu olhar esquadrinhar o ambiente, procurando meus alvos e os
encontrei no segundo salão ainda sendo servidos. Era um ótimo momento.
— É por sua causa que tem policiais disfarçados no salão e a carros da
polícia dando voltas no quarteirão? — Enzo parou do meu lado e sorri.
— Tentaram matar a minha família.
— Entendo. Quis resolver isso da boa forma? — Abriu um sorrisinho
maldoso. — Pena que não posso ficar para assistir o circo pegar fogo, sabe
onde me encontrar se quiser dar um encerramento de outro jeito.
Sua esposa retornou, eles saíram abraçados e foram embora com seus
seguranças. Enzo entrou na minha vida alguns anos atrás, ele tinha negócios
legais e ilegais. Fizemos algumas parcerias nos seus negócios legais ao longo
dos anos, não era idiota, sabia que Enzo tinha poder e influência nessa cidade
desde que saiu das fraldas. E meus sistemas de computação pertencem a B-
Tech.
Não era preciso muito para ligar os pontos. Como um empresário,
tentava andar na linha da legalidade o máximo que posso, mas nem tudo
nesse país era sobre ser honesto. Um bom CEO era justo, nem sempre
honesto.
Nesse pensamento, atravessei o salão e sentei na cadeira que sobrava da
mesa de quatro cadeiras. Os pais da Sophia estavam sentados em frente ao
outro e sentei de frente a minha ex-mulher. Não podia acreditar que um dia
dormi com ela, compartilhei intimidade e a apresentei como minha esposa.
Ela era alguém que conhecia desde pequeno e ao mesmo tempo uma
completa desconhecida.
— Olá, ex-família. — O garçom trouxe um conjunto de louças para
mim.
— O que você está fazendo aqui? — Sophia não escondeu o pânico.
— Olá, Romeo. — Sua mãe usou a simpatia.
— Por favor, calem a boca. — Soltei me servindo com o filé que estava
no meio da mesa. Boyce ia abrir a boca para defendê-las. — Também cale a
boca. Como vai a Marisa e as crianças? — Perguntei cortando o bife, levei a
boca e mastiguei. — Eu sei como ela vai. Marisa é ilegal no país, nesse
momento deve estar sendo levada a imigração e seus dois filhos ao conselho
tutelar. — Blefei.
De fato, Marisa não estava mais em casa. Ao descobrir que a amante
dele era ilegal, mantida no país sob ameaças do seu “marido”, que se
recusava dar-lhe a cidadania para fazê-la obedecer e ser submissa. Jamais iria
separar filhos de sua mãe, a mulher pediu ajuda para fugir e eu ajudei junto
com a polícia.
Sophia me deu um olhar irado.
— Não sabia sobre seus irmãos? Poxa!
Boyce tentou pegar o celular.
— Ligue depois que conversamos, está bem? — Bebi um pouco do
vinho. — Tenho uma história a contar, Boyce. Vou começar com você. Já sei
sobre a nova empresa, sobre os repasses que sua filha fez ao ex-namorado e
caramba... Como sou dono da metade da BH, estou liquidando toda a minha
parte... Soube que suas residências, carros, joias... Tudo registrado na
empresa. Isso significa que metade é meu e eu quero cada centavo. E a nova
empresa, que você colocou o ex-namoradinho da Sophia como CEO
Laranja... Ele me vendeu tudo essa manhã. E amanhã mesmo vender cada
pedacinho dela. Sabe por que isso? — Olhei para Sophia que estava tão
pálida quanto a parede atrás dela. — Eu te avisei para deixar a porra do nosso
falido casamento pra lá. Mas o que você fez? Convenceu seu pai a me roubar
e a sua mãe que tirar a minha esposa do caminho abriria espaço para você
novamente. Eu li a troca de mensagens, sinceramente? Tenha um pouco mais
de amor próprio. Não voltaria para você nem que fosse a última mulher viva
no planeta.
Os três estavam em silêncio, em choque e a Sra. Boyce tentou abrir a
boca.
— Por favor, me poupe da sua voz. Sei que pagou um lunático para
incendiar meu apartamento, a minha empresa e pior ainda... Fez colagens
com fotos da minha esposa com terríveis ameaças. Imagina só quando tudo
isso explodir na mídia amanhã? A tão tradicional família Boyce. O pai é um
promíscuo, babaca e ladrão. A filha uma mimada e a mãe uma psicopata. —
Larguei meus talheres. — Foi um prazer ter esse jantar com vocês.
Fiquei de pé e meus amigos da polícia aproximaram-se para dar voz de
prisão ao três por N motivos. O restaurante inteiro estava prestando atenção e
fiquei do lado de fora, próximo ao meu carro com Henri e Dan para ter o
prazer de vê-los sair do local mais badalado da cidade algemados. Acenei em
despedida e ganhei um olhar odioso do Sr. Boyce.
Sophia apenas chorava e sua mãe tentava esconder o rosto.
Entrei no carro pronto para ir embora, para minha casa, para os braços
da minha esposa que estava muito ansiosa em casa. Juliet estava com doze
semanas de gestação, as crianças estavam quase de férias de verão e nossa
família finalmente se instalou e acostumou com a casa nova.
Assim que entrei em casa, Loki veio correndo, me lambendo e soltando
ganidos para brincar. A casa estava silenciosa e ele sempre me esperava
chegar. Brinquei com ele por um tempo, amando sua alegria. Estava
crescendo muito rápido e aprontando muito. Juliet já desistiu de brigar e
apenas ria das gracinhas. Estava tentando adestrá-lo para não destruir os
móveis dentro de casa.
Abri a porta do quarto do Theo para Loki entrar e ir deitar na sua cama.
Deixava a porta aberta para que ele pudesse sair e fazer suas necessidades se
sentisse vontade. Samantha estava dormindo na sua cama, apagada e cheia de
bonecas. Juliet deve tê-la deixado brincar até cair no sono. Sammy nem
sempre quer ouvir histórias, ou ela dormia com sua mãe ou dormia sozinha.
Sentia saudades de fazê-la dormir e ter seu chamego.
Ela estava em uma fase muito independente. Queria fazer tudo sozinha,
mal aceitava ser segurada, queria trocar de roupa e estava indo ao banheiro
sozinha. Temos que ficar vigiando para ir ao banheiro certo. Colocamos
bancos e assentos em todos os banheiros da casa apenas no caso dela precisar
usar e não nos chamar.
Juliet não estava no nosso quarto, imaginando estar no outro, tomei
banho, vesti o pijama e desci em busca da minha esposa. A gestação
aumentou muito a nossa libido. Eu amava seu corpo grávido e ela estava
dominada pelos hormônios. Dr. Walker nos avisou para aproveitar porque
nem sempre Juliet se sentirá bem para o sexo. Sua barriga ainda era muito
pequena, mas era linda. Seus peitos e bunda já aumentaram ao ponto de fazê-
la chorar.
Procurei Juliet por todo primeiro andar e até nos quartos de hóspedes.
Ela não estava em lugar nenhum. Por alguns minutos o meu coração começou
a explodir no peito e o pânico me dominou. Apareci no quintal dos fundos,
chegando perto da piscina, prestes a descer a elevação para a quadra de tênis
quando vi seu pequeno corpo pendurado no portão que dava para praia.
Que diabos ela estava fazendo?
— Juliet? — Gritei e ela virou, estava segurando a câmera profissional
que lhe dei de presente algumas semanas atrás. — O que você está fazendo?
Caminhando até a mim sem nenhuma pressa, estava usando uma
blusinha preta de alças, leggings e sua favorita bota Ugg. Segurando-a em
meus braços, aliviado, sentindo a porra do meu coração disparar adrenalina
no corpo.
— Acalme-se, Romeo. Estava fotografando a lua refletindo no mar,
estou bem. Não sabia que chegaria agora, pensei que fosse demorar mais.
Seu rosto estava gelado do vento da praia e preocupado que ficasse
resfriada, levei-a para dentro. Juliet ficou quieta, sabendo que estava muito
puto e ao mesmo tempo aliviado em vê-la bem. Por pouco tempo pensei tanta
merda que precisava de mais um pouco para ficar calmo. Coloquei-a sentada
na mesa da cozinha, tirei suas botas, coloquei a câmera no balcão e esfreguei
seus braços para aquecê-la.
Juliet me deu um sorriso... O sorriso doce todo sedutor. Aquele sorriso
que me deu a primeira vez que nos beijamos. Ela me olhava intensamente,
mordia a pontinha dos lábios e a boca fazia uma curva sensual. Esse sorriso
me pegou da primeira vez e me pegava todas as vezes que me dava. Juliet era
dona de muitas facetas, muitas expressões, mas aquela me deixava duro sem
esforço. Me fazia lembrar que era o único que ela dava esse sorriso, que era a
minha baby, minha esposa e mãe dos meus filhos.
Em um rápido movimento, me prendeu pela cintura, pressionando suas
coxas nos meus quadris e lambeu meu pescoço. Fiquei todo arrepiado, fechei
os olhos, agarrando sua bunda e puxando-a para frente. Segurei seu cabelo e
literalmente devorei sua boca como um maldito homem faminto que não
conseguia ter o suficiente da sua mulher. Me afastei um pouco para tirar sua
blusa e seus peitos cheios estavam bem livres diante meu rosto.
Beijei cada um, lambendo, chupando o bico com delicadeza ciente que
ela estava ainda mais sensível. Provoquei-a para começar a se contorcer na
mesa. Tirei sua calça junto com a calcinha, minha mulher já estava molhada,
suas dobras estavam brilhando e seu clitóris querendo muito a minha boca.
Inclinando-se para trás, ficou bem aberta na minha frente aguardando e lambi
bem devagar, saboreando, ouvindo seus suspiros transformarem-se em doces
gemidos conforme a fodia com minha boca.
Gozando caiu para trás e foi meu limite. Abaixei a calça do meu
pijama, empurrando meu pau nas dobras apertadas e fui engolido pelo seu
calor. Segurando-se na mesa, meti fundo, batendo contra sua bunda e ela
gozou de novo. A gravidez a faz gozar mil vezes, sua excitação era quase
sem freio e a disposição literalmente sem freio.
Gozei forte, arrepiado e tremendo, tirei meu pau só para ver minha
porra escorrendo. Era um tarado fodido que gostava. Não me importava, era
um homem casado com um fetiche de ver minha porra marcando minha
esposa.
— Nunca mais me assuste desse jeito. — Suspirei e rindo, sentou-se na
mesa.
— Você é um desesperado. — Deu uns tapinhas no meu peito e foi
para o banheiro.
Limpei a mesa com a nossa bagunça, passando álcool porque ali não
era o melhor lugar, mas nem pensei nisso quando vi seu sorriso. Usando só a
camisetinha fina e calcinha, Juliet ainda não queria ir para o quarto. Apenas
ficamos jogados na sala de televisão assistindo um filme até que começamos
a namorar novamente, sem nenhuma pressa de irmos para cama até o meio da
madrugada.
Contei a Juliet como foi a noite e ela ainda estava preocupada com
possíveis retaliações. Não iria afrouxar a segurança, aprendi a minha lição,
mas não viveria com o medo da minha sombra. Não havia com que nos
preocupar.
Lydia estava trabalhando em uma nova família e pareceu superar
minha filha, não lhe dei nenhuma carta de recomendação, ela não era má
babá, só apegou-se demais a Samantha.
— O papai ama você, sabia? — Deitei minha cabeça ao lado da barriga
da minha mulher. — Agitei demais a sua casa hoje, não é? É que a mamãe é
muito linda e papai não resiste. Você precisa acostumar a nos ver sempre
juntos, porque nunca vou soltar sua mamãe. Seus irmãos também não a
soltam, imagino que você fará o mesmo. Eu te amo.
— Estou ansiosa com esse chá de revelação. Sua mãe não me deixa
saber nada, não tenho ideia da decoração, só tive acesso a lista de convidados
e ela exagerou, parece que a cidade inteira está ali.
— Minha mãe sente a imensa necessidade de esfregar na cara do
mundo que terá mais um neto e que estamos felizes. A família da Sammy
confirmou a vinda?
— Tatiana, Nicholas, Natasha com o marido e filhos.
— E quem mais?
— Todas as pessoas que conhecemos e algumas que ainda não
conheço.
— Será emocionante.
— Vou chorar com o resultado, não importa qual.
— Eu sei. — Deitei do seu lado e nos cobri. — Eu também vou.
— Estou ainda mais ansiosa para essa bendita reunião no conselho
tutelar, Romeo. Será que é algo preocupante?
— Claro que não. Meu advogado vai nos contar se for, não se
preocupe. Theo já é nosso, amor. Vamos ganhar a guarda definitiva com
facilidade.
— Tudo bem. — Suspirou confiando em mim. Era verdade. Meu
advogado me falaria se houvesse motivos para me preocupar, o que não era o
caso. — Eu te amo, tá? Estou com sono agora... — E fechou os olhos, logo
adormecendo. Beijei sua boca e me permiti descansar também, segurando-a
em meus braços como um casulo debaixo das cobertas.
trinta e dois

Juliet.
Romeo me garantiu para não me preocupar e me tranquilizei. Ele estava
confiante que não teríamos problemas na adoção definitiva do Theo até que
seu advogado nos fez uma visita e informou que o juiz queria uma reunião
pessoalmente conosco. Era uma audiência sobre a guarda do Theo e assim ele
iria deliberar.
Seja lá o que isso significasse, senti no meu coração que havia algo
errado e parei de ouvir o que os dois discutiam. Assenti conforme falavam e
sai da sala sem pedir licença.
Subi a escada em direção ao quarto do Theo. Ele estava dormindo
ainda, era muito cedo e no dia anterior brincou até muito tarde com Loki e
Romeo. Samantha estava dormindo na cama do Theo porque não quisemos
separá-los. Deitei apertadinha entre eles, rezando que nunca ficasse sem os
dois porque a minha vida não teria mais sentido.
Não podia perder o Theo. Não depois de tudo que passamos e com a
família que construímos. Estava disposta a fazer o que esse juiz pedisse para
não perdê-lo. Fechei meus olhos, lembrando das palavras do Rick e da
Margareth que jamais conseguiria ficar com o Theo. Diziam que se algo
acontecesse com eles, tirariam o menino de mim. Meu coração estava doendo
de medo.
— Bom dia, mamãe. — Theo colocou a mãozinha na minha
bochecha. — Dormiu comigo e com a Sammy?
— Só um pouquinho. Lembra quando dormíamos juntos?
— Era legal, mas essa cama é melhor. Não precisa de tijolos
embaixo para não quebrar, não é?
Sua memória era impressionante.
— Não precisamos mais... Nunca mais. Eu te amo, Theo.
— Eu sei. — Sorriu e bocejou. — Também te amo. Estou com
fome, podemos acordar a Samantha para comer?
— Acorde sua irmã com carinho.
Me apoiei pelo cotovelo para vê-lo tocar no nariz da Samantha e
sussurrar que tinha que acordar para comer. As palavrinhas mágicas fizeram
minha pimentinha abrir os olhos, bocejar e pedir panquecas de banana.
Ouvindo as crianças na cama, Loki se espreguiçou e subiu em cima
de nós, abanando o rabo, com seu bafo de ração na minha cara e suas
lambidas de beijos. Acariciei seu pelo, olhando o carinho dos irmãos e o
amor canino. Essa era a minha vida, não queria que acabasse e não iria
permitir que tirassem a minha felicidade.
Por mais que Romeo conversasse comigo todos os dias sobre essa
bendita audiência, não conseguia relaxar. Mal dormia. Meu enjoo matinal
voltou de tão nervosa e isso reduziu todos os meus apetites. Queria apenas
carinhos, abraços e dormir com as crianças. Não ficava bem quando Theo
saía para escola e estava contando os dias para a colônia de férias terminar e
começar definitivamente as férias de verão.
O aniversário da Samantha seria em algumas semanas e antes nós
teríamos o chá de revelação. Só precisava passar pela audiência para relaxar e
aproveitar minhas festas.
Quando chegou o dia, não dormi muito e sai do quarto cedo para
descobrir que outra pessoa também estava acordada e com canetas coloridas
desenhando nos rodapés do corredor. Samantha deu um salto quando me viu.
Ela riu e saiu correndo, riscando a parede de ponta a ponta.
Conforme ia atrás dela vi que a veia artística da minha filha estava a
toda potência, porque não via uma parede do segundo andar que não recebeu
seu autógrafo.
— Quem te deu esse conjunto de canetas coloridas, Samantha? —
Peguei o pacote.
— Vovó. Ela disse para desenhar bem bonito. É meu, mamãe.
Devolve. — Colocou as mãos na cintura.
Abaixei na sua direção e olhei bem dentro dos seus olhos.
— Não devolvo porque você riscou as paredes, sabe que não pode e
por isso está de castigo. Pode sentando na cadeira do pensamento agora
mesmo.
Se fosse Romeo, Samantha ia discutir, chorar e se jogar no chão.
Comigo ela sabia bem que não funcionava. Batendo os pés firme no chão,
entrou no seu quarto e se jogou na cadeira de braços cruzados com um
enorme bico decorando seu rosto. Ia deixá-la fervendo no mesmo lugar por
alguns minutos e depois conversaria.
Romeo estava muito divertido olhando as artes da garota. Desenhou
tanta coisa que tive que fotografar.
— A sua mãe vai limpar isso. — Reclamei sobre as canetas.
— Sabe que ela não vai parar, amor. Ainda bem que dá para lavar e
eu vou colocar Samantha para esfregar uma parte só para aprender a nunca
mais fazer. — Me deu um beijo. — Vá se cuidar, tome um banho na banheira
e se arrume com calma. Eu cuido das crianças até a babá chegar.
— Nós temos que buscar Kira no aeroporto.
— Eu sei e faremos isso após a audiência. Sei que teremos um bom
dia. — Beijou minha boca e entrou no quarto da Samantha.
Rezei que ele tivesse razão.
Para a audiência, escolhi um vestido preto até os joelhos, sapatos nudes
e uma bolsa da cartier caramelo que amava. Cabia um monte de coisas
também. As crianças não iriam a escola, ficariam com a babá e os pais do
Romeo nos acompanharia ao juizado de menores em forma de apoio. O
advogado estaria presente e a psicóloga do Theo foi ouvida poucos dias antes.
Estava tão nervosa que minhas mãos suavam. No trajeto, acariciei
minha barriga pensativa, reunindo todos os medos e paranoias em uma
caixinha e pronta para enfrentar o que fosse necessário com toda minha
coragem.
Ao chegar aguardamos com tranquilidade, para ser bem honesta, até
fiquei surpresa com a simpatia. Não sabia porque a minha mente estava
criando monstros. Tivemos uma longa e detalhada conversa com a
conselheira tutelar que nos acompanhou, na presença dos pais do Romeo,
nosso advogado, o juiz, sua assistente e mais um homem que só digitava tudo
que falávamos.
Foi um pouco desconfortável voltar a eventos do passado e ao mesmo
tempo senti que estava ficando cada dia mais curada em contar minha história
sem desabar. O Juiz ouviu tudo e disse que meu medo de perder o Theo era
totalmente infundado, que poderia ter denunciado minha mãe e padrasto por
maus tratos. Suas palavras ficaram gravadas no meu coração “você foi uma
criança profundamente negligenciada e machucada, fico feliz que proteja seu
irmão desse futuro”.
— Qualquer outra jovem da sua idade estaria fugindo dessa
responsabilidade ou teria buscado infinitos caminhos que poderiam machucar
ainda mais vocês dois.
Segurei a mão do Romeo e apertei, absorvendo tudo aquilo com calma.
Nosso advogado entrou em ação, falando sem parar sobre nossa
família, estrutura e o quanto Theo era uma criança muito feliz e saudável. Me
perdi totalmente nos termos, sem entender a maneira formal que estava
lidando tudo e olhei para Romeo para capturar suas expressões e quando ele
sorriu, com os olhos marejados, simplesmente soube.
Theo era oficialmente nosso.
No processo pedimos a mudança do nome, em novo registro, seu nome
perdeu o Alvarez e mudou para Theodore Guy Blackburn. Filiação materna
Juliet Elizabeth Blackburn e filiação paterna Romeo Blackburn. Ter aquele
papel na minha mão me fez chorar tanto que o próprio juiz me ofereceu uma
caixa de lenços.
— Ele é nosso. Ninguém pode tirar Theo de mim... Ah, obrigada por
isso, amor. — Abracei e beijei Romeo assim que saímos da pomposa sala de
audiências.
— Sou grato e muito honrado por ser escolhido para ser pai dele.
No mesmo clima de alegria e emoção, recebemos Kira no aeroporto.
A bonita parecia que tinha rodinha no pé desde que deixou a nossa casa para
aproveitar sua vida viajando com suas amigas igualmente solteiras e malucas.
Senti sua falta imensamente, mas Romeo foi o único a ficar quase dez
minutos abraçado com ela no meio do aeroporto lotado.
Ao chegar em casa, as crianças estavam brincando na piscina com a
babá e Daniel. Loki também estava nadando, nós temos que manter o portão
fechado muito mais por causa dele do que pelas crianças.
— Mamãe! Papai! — Theo saiu da piscina correndo na nossa
direção. — Aprendi a mergulhar! — E se jogou em mim. Abracei-o apertado,
mesmo todo molhado.
— Está chorando de novo? — Samantha parou do meu lado e beijei
sua bochecha.
— É o bebê! — Theo disse todo sábio.
— Eu amo vocês, crianças. Só tive uma boa notícia hoje e Kira está
em casa. Essas lágrimas aqui são de pura felicidade! — Beijei cada um. — E
o quanto vocês me amam?
Samantha abriu os braços para exemplificar um tamanho enorme.
— Ao infinito e além. — Theo sorriu abertamente.
Me afastei para olhar o rosto do meu menino.
— De onde tirou isso?
— Papai me explicou que o infinito é algo que nós não podemos
calcular e é assim que ele nos ama. E é assim que amo você. — Explicou e
senti meu coração explodir no peito.
— Ao infinito e além, Theodore. Desde o primeiro dia que o segurei
em meus braços.
Deixei os dois voltarem para piscina e troquei de roupa, colocando um
biquíni, chapéu e minha sogra me deu um suco de laranja bem fresco. Romeo
se animou para fazer um churrasco, usando sunga ao invés de uma bermuda
para meu bel prazer. Estava distraída, olhando para as crianças na piscina
com Guy e Dan, fazendo uma bagunça infernal com o cachorro, no misto de
admirar e ao mesmo tempo ficar preocupada em se machucarem.
— Posso anunciar ao mundo que serei pai novamente? — Romeo
me abraçou e colocou as duas mãos na minha barriguinha.
— Já estou no segundo trimestre, amor. Não vejo problema, até
porque, muita gente irá receber o convite do chá revelação em alguns dias. —
Me inclinei sobre seu peito, feliz por estar em seus braços.
Romeo postou uma fotografia que estou usando um vestido verde claro,
sentada na areia da praia, Theo e Samantha brincavam com seus brinquedos e
estavam de costas para as fotos. Uma das minhas mãos estava na minha
barriga e sorria ternamente para Samantha, que certamente deveria estar
falando muitas das suas pérolas.
Romeo escreveu “Feliz em anunciar que agora somos cinco”. E com
isso, todas as pessoas que se interessavam saberiam que nossa família estava
aumentando.
Mais tarde, minha família ainda estava espalhada pelo quintal dos
fundos, George e Gail chegaram após o almoço. Minha sogra estava fazendo
bolo, as crianças brincavam com Loki após o banho e soneca da tarde. Dan
bebia uma cerveja com Romeo, como ele vivia conosco era seu dia de folga
também. Kira conversava com Guy e Gail, as duas pareciam sempre ter muito
assunto divertido.
— Está nascendo as rosas do seu jardim, olha que lindas! — George
abaixou para olhar os brotos.
— Theo que plantou essas mudas, acredita? Ele ama as plantas. Fica
seguindo o jardineiro o tempo inteiro. — Acariciei a pequena pétala. — Um
dia imaginou que chegaríamos até aqui?
— Com você bilionária e grávida? Não. Grávida sim, tão rica? Não.
— Me cutucou e bati nas suas mãos. — Apenas viva a sua vida e seja grata.
— E você, quando vai sossegar?
— Quando? Sossegar? Pra quê?
— Daniel é o tipo de homem para casar.
— E eu não, baby. — Piscou me fazendo rir. Um dia ele iria
encontrar alguém que amasse tanto que a palavra sossegar será música aos
seus ouvidos.
Romeo soltou uma risada alta e era tão raro vê-lo rir assim que
imediatamente virei, sorrindo e acenei ao vê-lo me fitando com alegria.
Samantha corria de um lado ao outro incitando Theo a segui-lo e Loki latia
animado atrás deles.
Aquela era a minha vida e amava cada segundo dela.
trinta e três
Romeo.
Alguns meses depois…
— Eu sei que você sabe que são três horas da manhã. — Ouvi a voz
suave da Juliet no quarto do nosso bebê. Os sons de sucção eram altos e isso
significava que ele estava mamando pela milésima vez no dia. O garoto
parecia que nunca teria o suficiente de leite.
Encostei na soleira da porta e olhei para minha esposa em sua camisola
negra, na poltrona, amamentando nosso menino de apenas dois meses de
idade. Eric veio ao mundo de parto normal e foi uma experiência alucinante.
Juliet que tanto tinha medo do parto se recusou ter uma cesárea, nós
tivemos aulas de parto e assistimos uma gama de exercícios para o momento.
Esqueci todos eles quando ela me acordou dizendo que estava sentindo dores
na barriga que não pareciam as contrações de treinamento. Ao levantar para ir
ao banheiro, sentiu sua bolsa romper e as dores passaram a vir em intervalos
longos. Nós nos arrumamos, acordamos meus pais e avisamos que estávamos
indo para o hospital.
Cada vez que Juliet gemia de dor, Loki me atacava e não me deixava
chegar perto dela. Era preciso que ela o acalmasse para permitir que a
ajudasse andar até o carro. Ele me mordeu diversas vezes e latiu, tentando
proteger a sua dona e Juliet precisou sentar com ele por cinco minutos antes
de sairmos.
Seu trabalho de parto durou horas, foi uma tortura vê-la sofrendo,
suando e chorando. Quando chegou a hora de empurrar, ela ainda tinha
forças, ânimo e estava tão ansiosa para ver o nosso menininho que renovou
suas energias.
Eric nasceu enorme, chorando e com um grito que mostrava que seus
pulmões estavam perfeitos. Foi uma emoção totalmente diferente do
nascimento tenso da Samantha.
Juliet já estava andando pelo quarto apenas algumas horas depois do
parto, sentindo-se bem, apenas incomodada com a barriga e com os seios
doloridos.
Nós dois sabíamos bem como cuidar de um recém-nascido e tivemos as
primeiras semanas do Eric com extrema tranquilidade. Ele era um bebê que
acordava a noite inteira, mamava todo tempo e exigia bastante a atenção da
sua mãe. Eric era o garotinho da mamãe. Mas ele me dava os melhores
sorrisos sempre que ficava em meu peito ou ouvindo a minha voz.
Observei-a colocar com cuidado no seu berço e esticou o corpo,
dolorida, com os seios de fora e pingando leite. Seu olhar era puramente
rabugento, seus peitos produziam muito leite e tivemos a terrível da febre por
mastite. Apesar de mamar bastante, sempre precisava retirar o leite.
Retornando para nosso quarto, sentou na cama e encostou na
cabeceira, coloquei a bombinha com cuidado e começamos a última parte da
nossa rotina da madrugada.
— Alguém já te disse que é um marido incrível que fica acordado
tirando meu leite enquanto cochilo? — Acariciou meu rosto e beijei seu outro
peito.
— Você faz todo trabalho pesado.
— Samantha estava ligado no 220w hoje e o Theo quebrou o vaso
da sala, jogando bola aqui dentro, porque estava frio demais e o papai disse
que podia.
— Foi sem querer, amor. Apenas disse que não podia jogar lá fora
porque estava frio e era para arrumar um espaço quente para jogar e aí ele
entendeu que era a sala. — Fiz a minha melhor expressão doce. Juliet
suspirou e fechou os olhos, dormindo. Já estava acostumado que ela apagava
do nada desde que Eric nasceu.
Terminei com seu leite e fechei sua roupa, deitando ao seu lado,
dormindo por algumas horas até começar a gritaria no corredor. Samantha era
a primeira a acordar, saia do quarto, chamava Theo, que atiçava o Loki e
assim eles faziam o bebê chorar. Juliet levantava no automático e nunca
perdia a alegria de cuidar deles.
Meus filhos eram uma combinação explosiva.
Nossas manhãs eram loucas, barulhentas e muito engraçadas. Arrumar
os dois mais velhos para escola era uma surpresa a cada dia e o bebê só
somava com gritos, porque era um menino que amava muito a atenção que
recebia dos seus irmãos.
— Bom trabalho, amor. — Juliet se despediu de mim na porta de
casa.
Eric estava no banho de sol matinal com a babá e minha esposa tirava
um tempo para si mesma, cuidar de algumas coisas e vender suas fotografias
online. Desde que o curador respondeu o e-mail enviando um preço de
compra as suas fotos, ela ficou animada e tirava apenas fotografias de
paisagens enquanto se especializa em fotojornalismo. Ainda estava se
arriscando em algumas ilustrações bem realistas e tem feito sucesso.
Juliet explodiu na internet devido seu sobrenome, mas todos ficavam
surpresos com seu talento e criatividade. Ela foi convidada para ser editora de
uma edição da revista Vogue e estava uma pilha de nervos, preparando um
ensaio fotográfico específico para falar sobre a maternidade. Ao longo da sua
gestação, estudou muito sobre equipamentos, lentes e fez alguns cursos.
Estava tão orgulhoso que o mundo podia ver o quanto ela era sensível através
do seu trabalho.
— Se precisar de inspiração, sempre posso te enviar uma fotografia
ou outra... — Mordi seu lábio e rindo, me empurrou para o carro.
O hábito de trocar fotos durante o dia ganhou força depois que Eric
nasceu já que nossa vida sexual ainda estava meio confusa. Juliet foi liberada,
quebramos o jejum e tentamos manter o ritmo, mas descobrimos que com
duas crianças e um recém-nascido tempo era artigo de luxo. Mesmo com toda
ajuda que temos, normalmente ao deitarmos, estamos cansados demais para
fazer qualquer coisa.
— Bom dia, Erin! — Cumprimentei minha assistente, deixei meu
casaco e pasta na minha sala e fui até a copa para pegar um pouco de café.
George estava lá dentro, xingando que o café estava quente e fiz mais um
pouco para mim. — Por que está tão mal humorado?
— Eu odeio me mudar. Não sabia que acumulei tanta coisa e a
minha avó simplesmente joga tudo que acha que é inútil fora. São as minhas
coisas. — Reclamou e sorri. G comprou um apartamento maior viver com
sua avó. Queria que eles morassem perto para que Gail pudesse ver Eric o
tempo todo, mas George se recusava deixar a vida badalada de Manhattan.
Sua avó estava cada dia mais idosa, ela iria viver conosco porque Juliet
não conseguia deixar de se preocupar com Gail vivendo sozinha e aí George
decidiu que era hora de mudar para um lugar maior já que foi promovido a
diretor executivo da Blackburn. Ele era meu braço direito e esquerdo, me
substituía quando não estava e merecia um cargo a altura. E só assim pude
tirar uma licença paternidade.
— Quer ajuda mais tarde?
— Não. Vovó vai dormir na sua casa, ela quer passar o final de
semana com as crianças e eu vou sair para foder o primeiro que aparecer na
minha frente. — Retrucou e gemi, sua vida sexual era uma loucura que não
queria saber.
— Foda-se essa informação, G. — Resmunguei e resolvi começar a
trabalhar já que a minha última reunião terminaria tão tarde que não
conseguiria jantar com as crianças e muito menos colocá-las para dormir.
Meu dia foi um completo pesadelo, estava muito agitado e ao mesmo
tempo estressado quando estacionei o carro na garagem tarde da noite. Loki
me recebeu na cozinha, pedindo carinho, soltando seus ganidos e ele era tão
bruto que derrubava as crianças. Brinquei com ele por vinte minutos para
acalmar seu fogo e depois mandei ir dormir, porque estava tarde, com a
minha voz de comando ele subia rapidinho para sua cama no quarto do Theo.
Olhei meus filhos dormindo, até o bebê estava quieto, Gail dormia na
cama do quarto dele e entrei no meu. Juliet não estava lá, imaginei que
estivesse no escritório me esperando chegar até que vi um bilhete e uma rosa
na cama. Aquela cena era muito familiar e sorri, lendo a sua ordem de tomar
banho e descer usando o mínimo de roupa possível para o nosso quarto da
bagunça.
Tomei um banho rápido, mal me sequei, ignorei a cueca vestindo
apenas uma calça de pijama. Silenciosamente atravessei o corredor, desci a
escada e abri a porta do quarto dos fundos. Ficava do outro lado da casa, do
lado oposto aos quartos e atrás da sala de televisão. Era um depósito para os
antigos donos e fizemos ali o nosso cantinho muito particular.
O chão estava coberto de pétalas de rosas, velas estavam acesas, o
nosso vinho favorito no aparador, uma pequena mesa com frios e petiscos
diversos. Uau. Minha baby estava muito inspirada.
— Não tinha espaço para uma cadeira... Senta no chão ou senta na
cadeira tântrica, mas prefiro que sente no chão. — Apenas ouvi sua voz, ela
estava do lado mais escuro do quarto e devagar sentei no meio do quarto.
As batidas de I Put Spell On You soaram no começo e em seguida
misturou-se com Drunk In Love da Beyoncé. Juliet dançou um mix de
músicas sensuais, seu quadril tinha um molejo delicioso e a sua bunda estava
bem ao alcance das minhas mãos e mal conseguia me mexer, hipnotizado,
muito excitado e ela tinha a porra de uma rosa tocando seus mamilos, a
barriga e quando muito delicadamente esfregou na sua boceta, quase gozei.
Era sexy demais para aguentar.
Seus passos ecoavam no quarto devido aos saltos stilettos que usava.
Da minha posição do chão, subi meu olhar dos seus pés perfeitos, para as
suas lindas coxas torneadas, passando pelo quadril largo, a barriga perfeita e
seus seios de amamentação incríveis.
Usava apenas um conjunto preto, de renda, me dando a perfeita
visão da sua buceta depilada e seus mamilos pequenos.
Seus cabelos estavam embolados no alto, no coque mal feito que ela
adorava usar pelas manhãs. Sua boca carnuda estava pintada de vermelho, a
minha verdadeira perdição. Ela sabia como me deixar maluco.
Desfilando até a mim, com sua risada de menina, cantarolava e
soltava uma pétala de rosa.
— Bem me quer, mal me quer, bem me quer... — Soltou a última
pétala. — Ops. Mal me quer? — Sorrindo do seu jeito safada, engatinhou em
cima de mim, passando a boca bem perto da minha dura ereção, que mexeu
ansiosa pela boca dela. Beijou minha barriga, lambeu meus mamilos e parou
com a boca centímetros da minha. — Mal me quer, amor?
— Para sempre. — Agarrei sua bunda e tomei sua boca.

FIM
Epílogo
Juliet
Dez anos depois...
— Josephine! — Ouvi o gritinho da Samantha para sua melhor amiga e
desviei do Eric correndo com Thor, nosso labrador mais novo. Com uma
bandeja de copos na mão, quase escorreguei na poça de água e finalmente
cheguei à churrasqueira onde meu gostoso marido virava algumas carnes.
— Oi, baby. — Romeo me deu um sorriso. — Theodore! Copos!
Theo apareceu todo molhado e pegou os copos, indo até seus amigos
reunidos no gramado. Olhei para o meu menino mais velho e sorri. Theo
cresceu muito no último ano, me passou na altura e estava fortinho como um
adolescente. Completou quinze anos e era um menino lindo. Seu cabelo
castanho meio ruivo agora era cortado bem curto, seus olhos são atraentes
com os cílios que toda garota tinha inveja e tinha sardas ruivas como eu.
Samantha chora com os cílios que ele tem e ela não.
— Mãe! — Eric apareceu correndo e derrapou, sendo derrubado pelo
Thor. Loki ergueu a cabeça do seu lugar deitado e bocejou. — Tem carne?
— Você vai almoçar! — Romeo respondeu antes que abrisse a boca.
Ele sabia que vivia dando pequenos lanches para as crianças, ainda incapaz
de dizer não. — Está quase pronto. Quer milho?
— Sim! E queijo, papai. Tem presunto? — Eric subiu em uma cadeira
para ver o que tinha na churrasqueira. — Gostoso!
Era um quente sábado de verão que Theo pediu para fazer um
churrasco com seus amigos, concordamos e deixamos que Samantha também
chamasse suas amigas. Aos treze anos, ela se tornou uma linda menina com
longos cabelos lisos, viciada em maquiagem e em moda. Era a minha melhor
companhia para compras, minha companheira de todos os dias e minha
melhor amiga. Nós continuamos tão grudadas quanto antes, um pouco mais
agora que conseguimos equilibrar o time feminino da casa.
Há um ano, dei à luz a menininha mais mimada de todo universo.
Foi uma surpresa, inesperada e definitivamente não planejada. Eric era
uma criança que valia por dez e pensamos que três estava ótimo com aquele
garoto terremoto. Nove anos se passaram no qual a ideia de ter outro filho
passava longe da minha cabeça, não com a minha carreira em plena ascensão,
Romeo expandindo a Blackburn para outros países e as crianças crescendo
com saúde.
Até que uma noite de bebedeira no Chris me fez passar tão mal quanto
a gravidez do Eric. Romeo comprou um teste, fizemos juntos e o positivo
brilhou na nossa frente. Ele decidiu fazer vasectomia após o nascimento da
nossa pequena. Ele tinha quarenta e sete, prestes a completar quarenta e oito
no final do verão.
— A comida está pronta! — Anunciei quando as carnes, frangos e
salsichas ficaram prontas. — Tem toalha para todo mundo no banco! —
Apontei e as amigas da Samantha foram as primeiras a pegar, secar os
cabelos, falando e gesticulando como era bem típico da idade. Samantha aos
treze tinha um corpo de menina adolescente para terrível consternação do
Romeo e do Theo. Ele detestava que seus amigos estivessem no mesmo
ambiente que sua irmã.
— Obrigada, Sra. Blackburn. — James, um dos amigos do Theo desde
a primeira escola, me deu um sorriso apaixonado quando lhe entreguei um
prato. Eric revirou os olhos da mesa e Romeo bufou atrás de mim,
concentrado na distribuição das carnes. James tinha uma óbvia paixonite por
mim desde pequeno e não parecia ter passado, afinal de contas, era a mãe
mais jovem de todos os amigos do Theo.
Já Samuel, outro amigo do Theo, era a paixonite da Samantha. Eric
percebeu que eles iam sentar juntos e imediatamente mudou de lugar, abrindo
um sorrisinho para Samuel. Revirei os olhos e bati no Romeo, porque ele
incentivava o comportamento ciumento dos irmãos com ela.
A grande mesa da varanda estava lotada de adolescentes comendo,
passando comida por todo lado, falando, implicando e comi no balcão
próximo a churrasqueira, dividindo uma cerveja com meu marido. Romeo
passou o braço na minha cintura, me deu um beijo no pescoço e trocamos um
sorriso.
— Está dolorida? — Disfarçou sua pergunta falando baixo e fingindo
ajeitar a alça do meu maiô “de mamãe”. Era um modelo todo grande e
conservado para não aguçar o ciúme do Romeo e a criatividade dos
adolescentes. Além do mais, depois dos trinta, meu corpo estava demorando
a voltar ao normal. De tudo que engordei na gravidez, faltava uns três quilos
e as malditas celulites no culote.
Mesmo assim, meu corpo ainda era bem bonito porque nunca parei de
malhar e dançar. Só relaxei um pouco na gravidez da minha princesinha.
— Estou pronta para mais tarde. — Beijei sua bochecha de forma bem
inocente. Nossos filhos estavam mais que acostumados em nos ver trocando
beijos, abraços e sabiam que precisavam bater na porta do quarto do papai e
da mamãe, principalmente no meio da madrugada. Demoramos eras para Eric
deixar nossa cama e largar de vez meu peito.
Ele mamou até os três anos sem pausa e foi muito difícil o processo
para nós três. Romeo queria que amamentasse até o momento que Eric
quisesse porque Theo e Samantha não tiveram essa experiência com suas
respectivas mães biológicas. E por conta disso, me apeguei muito a ideia de
amamentar, só não contamos que Eric tivesse dificuldade de soltar o
chameguinho que era ficar pendurado em mim quase o dia inteiro.
Após a amamentação veio o pesadelo dos seios caídos. Fiquei
realmente chateada com a quantidade de pele que fiquei e ponderei em fazer
um procedimento estético. Não era pensando no Romeo e sim na imagem que
tinha no espelho quando tirava o sutiã, me deixou mal comigo mesma e lutei
contra a ideia que era uma futilidade. Fui ao médico e ao invés de colocar
uma prótese, fiz a retirada do excesso de pele que até o médico entendeu que
estava excedente.
Meus peitos voltaram a ser como de uma mulher de vinte e cinco anos e
foi caindo naturalmente ao longo dos anos. Depois do nascimento da pequena
Ava, meus peitos estavam novamente enormes e com uma produção de leite
de dar inveja em muitas vacas.
As crianças fizeram muita bagunça após o almoço. Meninos jogaram
bolas, meninas atrapalharam, até que algumas jogavam muito melhor que
alguns dos meninos. No final da tarde, pouco a pouco minha casa foi ficando
vazia e meus dois mais velhos me ajudaram a limpar o quintal.
— Olá só quem acordou. — Romeo saiu de casa com Ava no colo. Ela
usava só fralda, com o cabelo todo em pé e a chupeta na boca. De todos os
três, ela foi a única a usar a chupeta. Não era algo que gostava e me
preocupava sobre o momento que teria que tirar, mas, Ava chorava muito ao
ponto de deixar qualquer um louco quando estou longe e a mamãe também
precisava trabalhar fora em alguns dias.
— Oi princesa. — Beijei sua bochecha e imediatamente se jogou em
mim, faminta, mas queria o peito. — Mamãe vai te dar. — Puxou meu maiô
choramingando. Romeo assumiu minha tarefa na limpeza e sentei no sofá,
amamentando minha menina.
Eric sentou do meu lado, com sono e me deu um sorriso doce. Beijou a
cabecinha da irmã que sorriu com peito na boca e um monte de leite
escorrendo. Voltou a sugar e erguer a perna, brincar com os dedos dos pés e
fazer gracinha. Ela dormiu muito, sabia que daria um trabalho para dormir a
noite, mas cheguei ao ponto na maternidade que escolhia minhas batalhas
para lutar.
Era ela acordava com um monte de adolescentes para gerenciar ou
acordada mais tarde.
Terminada a limpeza do quintal, Theo subiu para tomar banho e
Samantha pediu ajuda para lavar o cabelo e fazer hidratação. Mandei Eric
tomar banho e tirar um cochilo de meia horinha ou ele ficaria com dor de
cabeça. Romeo ficou com Ava no nosso quarto e demorei quarenta minutos
com Samantha e seu precioso cabelo, ainda pediu para fazer a sobrancelha e
só tirava uns pelinhos porque ainda não tinha idade.
— Samuel disse que estava muito bonita com meu maiô rosa. —
Comentou me olhando através do espelho e suas bochechas ficaram
vermelhas. — Acho que é o máximo que vou conseguir dele... Theo fez todos
os seus amigos prometerem que nunca olhariam para mim como mais que
irmã dele. — Fez uma careta.
— Isso não vai durar para sempre, Sammy. Quando for o momento
certo, na idade certa, você vai encontrar um garoto que não vai se importar
com o ciúme do seu irmão. É cedo demais para qualquer coisa, vocês são
muito jovens e imaturos.
— Você tem razão, mãe. Obrigada. — Me deu um beijo e entrou no seu
closet, escolhendo uma roupa para vestir.
Deixei-a em seu quarto, olhei Eric dormindo e programei seu
despertador para mais vinte minutinhos. Theo estava ouvindo música um
pouco alto demais, bati, mandei abaixar o volume e finalmente entrei no meu
quarto. Ava estava roendo um brinquedo, rindo para o pai e ainda
descabelada. Sinalizei para Romeo aguentar mais um pouquinho, tirei meu
maiô, usei o sanitário e quando finalmente tomei banho, soltei um ufa! O
banho era o meu momento.
Minha vida mudou completamente em dez anos.
Era reconhecida como fotógrafa profissional e trabalhava integralmente
com muita paixão. Estudei e me especializei em fotojornalismo, trabalhei
para algumas revistas como freelance não dependia do Romeo
financeiramente. Ele não precisava mais me dar mesadas ou pagar minhas
contas do cartão de crédito. Tínhamos contas em conjunto e ganhava tão bem
quanto, porque vendia minhas fotografias em galerias de luxo, na internet e
vendia meus quadros realistas a preços altíssimos.
Conseguia trabalhar de casa a maior parte do tempo e quando precisava
viajar, Ava ia comigo junto com Jessica, a babá que substituiu a Laura
quando se aposentou. Kira me acompanhava quando o trabalho era longo,
mas normalmente ela e Jane ficavam com Romeo para ajudar com Eric que
era o único que ainda precisava de uma atenção quando precisava estar
ausente.
Ao longo desses anos, nossa família sofreu uma grande perda. Ava não
conheceria o sabor de ser amada pela Gail. Ela nos deixou dois anos antes de
engravidar da minha princesa e sentia sua falta todos os dias. George e eu
ficamos abalados, mas aceitamos porque ela estava doente e sofrendo. A
morte dela fez meu melhor amigo acordar para vida, deixou a bagunça e se
estabeleceu em um relacionamento estável com Daniel. Nossos filhos amam
seus tios enlouquecidamente e os criamos para aceitar todas as formas de
amor.
Daniel ainda morava conosco, na casa da frente e além de guarda-
costas, também era chefe de toda logística e segurança da Blackburn. George
morava em Manhattan e passava os finais de semana na propriedade.
A noite de sábado foi tranquila, apenas a minha família barulhenta,
pedimos pizza e assistimos filmes até tarde. Quando Eric e Ava finalmente
dormiram, mandei os dois mais velhos largarem seus telefones e que fossem
dormir. Romeo já estava na cama quando cheguei no quarto e apenas me
joguei em cima dele. Ficamos abraçados por um tempo, sem falar nada e
acabei adormecendo.
Acordei cedo e resolvi que era um bom momento para acordar meu
marido de um jeitinho especial. Nós namoramos pela manhã, acordamos as
crianças e arrumei todos eles para passarmos o dia na casa dos meus sogros.
Eles amavam a casa dos avós, porque lá definitivamente não tinha limites e
os pais do Romeo caprichavam no mimo.
A viagem era de apenas uma hora e tivemos um delicioso domingo. Os
três mais velhos aceitaram o convite dos avós de passar a semana e voltei no
fim do dia com Romeo e Ava adormecida no banco de trás. Ainda faltava um
pouco para o pôr-do-sol, deixei meu marido com Ava em casa e soltei os
cachorros na praia. Loki e Thor adoravam correr na areia. Joguei as bolas,
ambos eram treinados para obedecer a comandos sem coleira e nunca
atacaram banhistas.
Enquanto eles corriam, observei a figura de uma mulher caminhando na
areia. Ela andava devagar, porém, diretamente na minha direção. E conforme
chegava perto, meu coração batia mais forte no peito. Lentamente fui
reconhecendo os crespos cabelos ruivos e o olhar tão parecido com o meu e
do Theo.
Minha mãe estava bem ali na minha frente, quase onze anos depois.
— Oi, Juliet. — Parou alguns metros na minha frente.
— Margareth.
Thor voltou correndo e quase me derrubou por não ter jogado a bolinha
como ele esperava. Coloquei-o para dentro e assobiei para Loki voltar e ele
imediatamente entrou sem esforço. Archie estava dando uma volta pelo
quintal e me olhou preocupado, ou viu a aproximação da minha mãe pelas
câmeras de segurança. Na porta dos fundos, Romeo apareceu junto com
Daniel e George.
— Não entendo. — Minha mente estava em pane.
— Podemos conversar?
Margareth estava muito diferente. Aparentava estar mais jovem que a
última vez que a vi, seus cabelos tinham brilhos, seu rosto era como da minha
infância, bonito e iluminado. Estava chocada demais para reagir.
— Você desapareceu... Por muitos anos. — Sussurrei congelada no
lugar.
— Eu sei e estou aqui para explicar, minha filha. Demorei bastante
tempo reunindo coragem para aparecer, mas estou totalmente sóbria há sete
anos e agora curada o suficiente para te reencontrar.
— Por que nunca mandou uma mísera mensagem dizendo que estava
viva? Sabe quantas noites chorei acreditando que estava morta? Quantas
noites frias orei para que tivesse segura e aquecida?
— Eu sinto muito, Juliet. Posso te contar tudo, com calma e explicar se
possível porque fiquei tanto tempo longe.
Olhei para minha casa, com a plateia em expectativa e decidi que não a
queria no meu lar, onde havia uma infinidade de fotografias com as crianças.
— Não na minha casa. — Sentenciei ciente que ela descobriu meu
endereço, significava que estava rondando a vizinhança por semanas. Não era
exatamente um segredo que morávamos em Long Island, até porque já
fizemos uma matéria familiar que falamos a nossa localização, não
necessariamente nosso endereço. — Há uma confeitaria algumas quadras
daqui e podemos nos encontrar lá amanhã após o almoço.
— É claro, esperarei.
Entrei em casa em passos automáticos até a varanda e me joguei em
Romeo, que sempre era meu porto seguro. Nós não entendemos como
Margareth pode aparecer após anos de buscas intensas até que realmente
aceitei no meu coração que minha mãe tinha morrido e foi enterrada como
indigente em algum lugar.
Daniel pesquisou e definitivamente não havia nenhuma atividade no
nome da minha mãe. Por onde andou nos últimos anos? Não consegui dormir
a noite inteira, ansiosa e nervosa com o encontro que Romeo não queria que
fosse sozinha, ele não foi trabalhar para estar perto e em casa quando
retornasse.
Amamentei Ava e tirei leite o suficiente caso chorasse na minha
ausência embora ela comesse bem outras coisas e não ficava de birra com o
pai, apenas com a babá. Verifiquei as crianças com os avós e fui dirigindo
sozinha, de calça jeans, sapatilhas e uma blusa de alça cinza. Não senti que
precisaria estar arrumada para aquele encontro.
Estacionei bem em frente e do carro vi que ela já estava em uma das
mesas mais reservadas da parte de dentro. Respirei fundo algumas vezes e saí
do carro, acenando para uma vizinha e entrei no estabelecimento que
costumava levar as crianças para comer uma torta aos sábados. Atravessei o
salão e sentei na cadeira vazia, bem de frente e ela estava com uma caneca de
café a sua frente.
— Oi, Margareth.
— Olá, Juliet. Estou feliz que veio...
— Não sei o que perguntar além de perguntar... Por quê?
Margareth brincou com sua caneca, sem me encarar e suspirou.
— Eu não lembro. Meu nível de vício quando fui encontrada estava
muito além da minha compreensão. — Ergueu o olhar para o meu. — Fui
encontrada poucas quadras do apartamento que você alugou, banhada em
sangue e gravemente ferida. Fiquei meses em tratamento, sendo curada e eu
só lembrava de ter uma briga séria com Rick e termos usado tudo que ele
trouxe quando me achou. Sei que ele morreu, hoje eu sei, mas na época não
conseguia lembrar.
— E quando ficou boa não achou que seria interessante entrar em
contato?
— Fiquei me perguntando se eu deveria aparecer, tão amarga e vazia
quanto estava.
Sinalizei para garçonete, pedi água e um café.
— Sigo sem entender. Onde esteve esse tempo todo?
— Fui encontrada por um grupo que faz parte de uma comunidade
cristã. Eles eram da California e me levaram para casa de conhecidos aqui em
Nova Iorque, cuidando de mim e dos meus ferimentos, em seguida, me
levaram para pequena cidade que vivem. Fiz um tratamento contra meu vício,
bem intensivo, me desintoxicando e me convertendo a religião. — Deu um
gole do seu café. — Quando a sobriedade chegou, a vergonha veio junto e eu
não conseguia me perdoar por tudo que te fiz passar. Não conseguia entender
porque Deus escolheu levar seu pai... E tudo que me transformei por tê-lo
perdido. Fiquei anos me sentindo amargurada, culpada e uma mãe tão terrível
para todos os meus filhos. A sobriedade trouxe o luto e a dor do Tim...
Respirei fundo, ainda com um sentimento de tristeza pelo o Tim, já não
sofria mais como antes. Depois de anos fazendo terapia, finalmente aprendi a
lidar com minha infância, minha adolescência e encontrei espaço no meu
coração para perdoar a minha mãe onde ela estivesse. Talvez fosse por isso
que não estava sentindo raiva em vê-la depois de tantos anos.
— Você conquistou tudo que eu queria te dar, Margareth. Um
tratamento adequado, trazer a sobriedade e uma chance de uma nova vida.
— Eu sei, minha filha. Você é boa demais para esse mundo, até para
mim e por sentir que não te merecia como filha, não voltei. Até que vi a sua
matéria na revista... Você, seu marido e mencionava as crianças... Tem
quatro? Caramba. — Não consegui esconder meu sorriso orgulhoso da minha
prole. — Fiquei tão feliz em te ver bem-sucedida, com uma carreira e
agradeci a Deus que mesmo com as minhas atitudes ruins, você nunca se
perdeu. Sempre manteve a cabeça erguida, decidida, encontrou um homem
que te honrou e assumiu. Talvez possa ter feito besteira... Achei que era hora
de vir aqui e te pedir perdão. Me perdoe por ter sido o pior tipo de mãe que
esse mundo já ouviu falar. Tudo que aconteceu na sua vida foi minha culpa e
eu não sei quantas vezes será preciso te pedir perdão...
Segurei sua mão e apertei.
— Eu já te perdoei há muito tempo. Não sou religiosa embora agora
levamos as crianças na igreja aos domingos... Durante muitos anos não
entendi, sentia mágoa, raiva e não conseguia superar suas escolhas ruins, mas
eu nunca deixei de te amar, de querer cuidar de você e lutar pela sua
sobriedade. — Margareth me olhou e começou a chorar. — Você foi uma
péssima mãe, sim. Fui obrigada a crescer e assumir responsabilidades que
não cabiam a mim, mas hoje eu não trocaria absolutamente nada. Tudo que
passei me fez ser a mulher que sou hoje.
— Obrigada, Juliet.
— Sou fotógrafa profissional, casada há dez anos e tenho quatro filhos.
— Comecei falando suavemente. — Theodore tem quinze anos e é um
menino lindo, ele é o mais velho, muito inteligente, carinhoso, ainda meio
tímido, porém é sempre feliz. Adora ouvir músicas e quer ser botânico. Ele é
apaixonado por plantas e nosso jardim é um dos mais admirados da
vizinhança por causa dele. Romeo apoia todas as ideias que estamos
construindo uma estufa para que Theo possa cultivar outros plantios.
Margareth simplesmente começou a chorar.
— Sinto tanto por esse menino... Que lembrança terrível ele tem mim,
que mãe...
— Theodore entende quem você é e o que estava passando. Não sei se
lembra, mas ele foi erroneamente diagnosticado com autismo e na verdade,
era apenas uma criança muito traumatizada com o meio que vivia. Hoje ele
sabe de toda a verdade, fizemos terapia por muitos anos e você é a sua avó.
Margareth secou o rosto.
— Romeo e eu somos legalmente pais do Theo há dez anos. Seu nome
é Theodore Guy Blackburn e assim como todos os meus filhos, ele te chama
de Vovó Margareth, a mãe da mamãe que sumiu. — Expliquei deixando bem
claro que ela não poderia voltar acreditando que seria mãe do Theo.
— Aquele menino nasceu para ser seu.
— Samantha é a minha filha mais velha, ela tem treze anos e é a
criaturinha mais incrível e criativa que conheço na vida. Ela é linda da cabeça
aos pés, geniosa desde pequena e faz o que bem entende. Tem o pai e os
irmãos na palma da mão... E tem o Eric, hoje em dia ele é um príncipe, mas
nasceu ligado no 220w e foi acalmando conforme crescia... E agradeço a
Deus, porque ele me deu cabelos brancos bem precoces. — Nós trocamos um
sorriso. — E por último tem a Ava, ela tem um ano e é a princesinha da casa.
— Tenho certeza que é uma mãe maravilhosa.
— Acho que sim, faço meu melhor. Como conseguiu viver sem nada?
— Vivo com uma amiga, nós trabalhamos na igreja e eu recebo o
suficiente para viver. Não tenho telefone celular e nem muitos luxos,
simplesmente não preciso. No meu tempo livre, faço trabalhos voluntários ou
fico na praia.
— Sem conta no banco, nada?
— Sim. Recebo o pagamento na mão e minha amiga faz as contas, paga
tudo.
— Isso tem algum motivo? Não queria ser encontrada?
Margareth sorriu sem graça.
— Na verdade... Por muito tempo de uso e vícios, tenho alguns
comprometimentos neurais e não consigo mais fazer coisas simples. —
Enfiou a mão no bolso e tirou um papel. — Tudo que tenho que fazer é
escrito.
Li o papel e ali estava o número de telefone da sua amiga, seu nome era
Regina e todas as informações úteis, as ruas que teria que passar para voltar
ao hotel, um mapa impresso e quanto ela precisaria gastar se pegasse um
ônibus ou um táxi. Ergui o olhar para ela e sorri, disfarçando a tristeza que
senti ao saber que ela estava tão comprometida ao ponto que não tinha
independência.
— Vai ficar na cidade por quanto tempo?
— Até amanhã a noite. Nosso ônibus é o da madrugada.
Pedi uma caneta a garçonete e atrás da folha, anotei meu número de
telefone celular, do Romeo e da nossa residência. Escrevi meu endereço
completo. Pedi que me ditasse seu endereço, ela não sabia e disse o endereço
da igreja que trabalhava e convivia, anotei em um guardanapo, guardando na
minha bolsa.
— Vou enviar passagens para que você e sua amiga voltem no
aniversário do meu marido. Quero que conheça minha família. Esse é meu
número de telefone, você pode me ligar a cobrar sempre que precisar, está
bem? Se precisar ir ao médico, comprar mantimentos ou qualquer coisa do
tipo, me avisa que farei acontecer. — Ela ia negar e segurei sua mão. —
Sempre serei sua filha e sempre vou cuidar de você, mãe. Eu senti sua falta
todos os dias... Senti falta de ter minha mãe ao meu lado cada vez que entrei
em uma sala de parto, cada vez que meus seios doíam e quando precisava de
um conselho feminino. Estou confusa, magoada e ao mesmo tempo grata que
você está viva e bem.
Margareth levantou e nos abraçamos apertado, as duas chorando e
chamando atenção das outras mesas. Ignorei e apertei minha mãe em seus
braços. O abraço que eu não tinha desde que meu pai morreu. Ela beijou
minha testa e meus cabelos. Perdoar a minha mãe foi necessário para seguir
em frente e naquele momento eu só queria continuar seguindo em frente.
Nós voltamos a sentar e sentia meus ombros mais leves. Pedi uma torta
de maçã e compartilhamos, ainda preenchendo lacunas sobre o tempo que
ficamos afastadas. Ela contou sobre sua experiência na igreja, com o vício e
que não bebia nada além de água e suco, que conseguia ficar perto de bebidas
sem ter vontade de beber. Contei sobre Gail, o câncer que nos pegou
desprevenidos e a rapidez que a doença a levou. Nós choramos lembrando de
todas as vezes que Gail foi mais que um anjo em nossas vidas.
Encerramos nosso encontro já estava escuro e senti o medo de nunca
mais ver a minha mãe. Ela admirou meu carro, disse que era muito grande e
bonito, onde ela vivia tinha poucos carros porque as pessoas andavam mais
de bicicleta. Conhecia o pequeno hotel que estava hospedada e a levei até lá.
Conheci sua amiga Regina, uma senhora muito simpática que ficou muito
feliz que nosso encontro teve um final feliz.
— Não some de novo. — Pedi em nosso último abraço. Meus seios
estavam vazando leite e estava toda molhada.
— Eu não vou. Vá amamentar sua filha, ficarei bem e obrigada por
tudo, Juliet. Principalmente obrigada por nunca ter deixado de lutar pela vida
do Theodore. Você é a mãe que ele merece e eu te amo por isso.
Voltei para o carro chorando e segui pelas ruas do meu bairro em crise.
Entrei em casa, sai do carro ainda cheia de soluços. Romeo saiu de casa,
podia ouvir Ava gritar de tanto chorar e meu marido me abraçou apertado.
— Foi tudo bem, só estou emocionada. — Fui rápida em acalmá-lo ou
ele pensaria besteira. — Minha mãe está bem, viva e...
— Tudo bem, nós conversamos depois. Vamos entrar. — Beijou minha
boca e secou meu rosto.
George e Daniel estavam com Ava berrando em seus ouvidos. Peguei
minha filha no colo e o choro cessou, Romeo me deu uma toalha, tirei minha
blusa molhada, protegida pela toalha e por Ava já sugando meu seio com
tanta força que doía. Parecia até que a deixei morrendo de fome a tarde
inteira.
— Estou morrendo aqui, pode falar? — George estava alterado e Dan
pediu baixinho que ficasse calmo. — Estou calmo! Você já me viu irritado?
Romeo e eu rimos, aquela briga era muito comum.
Contei aos três nos mínimos detalhes como foi o encontro com minha
mãe e no final, eles ficaram em silêncio absorvendo o impacto das minhas
palavras. Romeo me deu um olhar compreensivo, sabendo que estava triste,
aliviada e ao mesmo tempo feliz por saber que ela estava viva. O alívio e a
resposta diminuíam qualquer outro sentimento.
— No final, o importante é que eu estou bem, Theodore também e ela
se encontrou. Posso dizer que é o final feliz adequado para a história... Hoje
tenho a minha mãe e sei que sou uma boa mãe, mulher e boa pessoa. —
Suspirei olhando para Ava brincar no chão. Ela mordia o pé de uma boneca,
sorrindo para o pai que também a olhava. Totalmente uma garotinha do
papai.
— Se existir outra pessoa com seu coração no mundo será um milagre.
— George me soprou um beijo. Ficamos em silêncio por um momento,
contemplando a reviravolta louca do final de semana. — Estou muito a fim
de beber. Quem me acompanha?
— Você vai trabalhar amanhã, vice. — Romeo cruzou os braços.
— E você também. Que história é essa de ficar tirando folga o tempo
todo? Vou pedir um aumento.
— Mais? Daqui a pouco vai ganhar mais do que eu! — Romeo
resmungou e George colocou as mãos na cintura.
— Só vou parar de pedir aumento quando conseguir comprar uma casa
como essa, fora isso, me aguente!
— Há dezesseis longos anos, George. Você é o relacionamento mais
longo e mais irritante da minha vida. E vá buscar a bebida, porque para te
aguentar pedindo um aumento só bêbado. — Romeo apontou para cozinha e
sorri para bobeira dos dois. Daniel disse que ia buscar as pizzas que tinha
congeladas no seu freezer e saiu.
Fiquei sozinha com meu marido e engatinhei no sofá até seu colo. Ele
agarrou minha cintura e me colocou montada, apertando minha bunda em
seguida. Beijei sua boca cheia de vontade, encontrar com minha mãe me fez
lembrar de como nos conhecemos e nem parecia que já havia passado onze
anos do primeiro beijo. Continuei atacando-o do jeito que sabia que teria uma
reação bem dura em pouco tempo.
— Que beijo foi esse, baby? — Movimentou-se e senti sua ereção entre
minhas pernas. — Ava está bem acordada, caso contrário, nós iriamos para
nosso quartinho da bagunça.
— Os padrinhos dela estão aqui para isso. — Sorri e ele tentou
levantar. — Estou brincando. Ela vai chorar e não vamos conseguir fazer
nada.
— Eu sei disso. — Bufou e rimos. Só conseguimos namorar com Ava
dormindo. De vez em quando Jane nos dava um vale casal para namorarmos
como todo casal merecia. — Está realmente bem?
— Como posso não estar? Eu tenho você, nossos filhos e uma vida
incrível.
— Você é o motivo pelo qual todos nós temos uma vida incrível, Juliet.
Você nos une, nos ama e nos sustenta. Seu jeito destemido, decidido e cheio
de força é o nosso horizonte. Eu te amo por mudar minha vida...
— Mal me quer, bem me quer... — Sussurrei contra seus lábios.
— Bem me quer. — E me beijou bem gostoso.
— Ah puta merda, eles estão bancando os coelhos de novo e na frente
da nossa afilhada, Daniel! — George gritou e me fez rir, me separei do
Romeo e o olhei revoltado, mas estava brincando. — Ainda bem que
sabemos que Romeo cortou parte do pau fora ou teríamos mais dez crianças
para tomar conta.
Daniel riu e ficou vermelho. Romeo revirou os olhos e decidi entrar na
brincadeira.
— Não cortou o pau fora nada, continua enorme, bem gro... — Romeo
tapou minha boca, brigando comigo e começamos a rir sem parar.
— Pelo amor de Deus, vocês dois! Me dá esse uísque aqui!
— Ele nunca vai se acostumar conosco, não é? — George e eu batemos
as mãos rindo. — Bobinhos. Sabia que já trocamos fotos? Juliet já te viu nu,
amor. — Falou com Dan e era mentira, nunca fizemos tal coisa.
Romeo e Daniel estavam vermelhos, incrédulos, Ava chupava o dedo
sem entender nada e caí sentada no sofá, sem parar de rir ao ponto de ter
lágrimas nos olhos.
Não trocaria absolutamente nada minha vida.
Agradecimentos

Agradeço a você por ter lido até aqui.


Sem a sua leitura essa história não teria vida.
Com todo amor,
Mari.

Um agradecimento mais que especial a minha beta que surta a cada


descoberta, fotografias, trechos e lê minhas besteiras com prazer!
Paula Guizi,
Obrigada!
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