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Benedita Francisco Gabriel

NOÇÕES DE DIREITO AMBIENTAL: CARACTERÍSTICAS E LEIS DO DIREITO


AMBIENTAL
(Licenciatura em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Comunitário)

Universidade Rovuma

Campus de Nacala-Porto
1

Julho, 2021

Benedita Francisco Gabriel

NOÇÕES DE DIREITO AMBIENTAL: CARACTERÍSTICAS E LEIS DO DIREITO


AMBIENTAL

Trabalho de carácter avaliativo na cadeira de


Noções de Direito Ambiental, curso de
Licenciatura em Gestão Ambiental e
Desenvolvimento Comunitário, 3º ano.
Orientador: MA. Gil Xavier Júnior

Universidade Rovuma
2

Campus de Nacala-Porto
Julho, 2021

ÍNDICE

1. Introdução.................................................................................................................................3

2. Direito Ambiental: Natureza Jurídica.....................................................................................4

2.1. Conceito do direito ambiental.................................................................................................4

2.2. Leis de direito ambiental em moçambique...........................................................................5

2.2.1. Lei 20/97 de 1 de Outubro..................................................................................................6

2.2.2. A Lei de Terras (1997) e o seu Regulamento (1998)..........................................................8

2.2.3. Lei de Águas (1991)...........................................................................................................9

2.2.4. Lei do Ordenamento Territorial (2008)..............................................................................9

2.2.5. Regulamento para a Prevenção da Poluição e Protecção do Ambiente Marinho e


Costeiro (2006)..............................................................................................................................10

2.2.6. Lei e Regulamento de Florestas........................................................................................10

2.2.7. Lei dos Municípios............................................................................................................11

2.3. Princípios do direito ambiental...........................................................................................11

2.4. Características do direito ambiental....................................................................................13

2.4.1. Aspecto Vertical e Horizontal............................................................................................13

2.4.2. Visão holística e sistematizada do meio ambiente............................................................13

2.4.3. Multidisciplinar..................................................................................................................14

2.4.4. Visa Proteger Direitos Difusos..........................................................................................14

2.4.5. Ramo do direito público (consequência: interpretação restritiva da norma).....................14

Conclusão......................................................................................................................................15

referências bibliográficas...............................................................................................................16
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1. Introdução

O trabalho apresentado tem o intuito de abordar sobre o direito ambiental considerando


os posicionamentos existentes sobre referida temática. A relevância do assunto tem seu
fundamento nas relações do homem com a natureza. O direito ambiental é um direito que
atravessa fronteiras, direito de todos, em razão de que as consequências oriundas dos danos
ambientais representam problemas que refletirão em toda e qualquer comunidade local, regional,
inclusive global. Inicialmente, são tecidas algumas considerações acerca do direito ambiental,
sendo que, num segundo momento, alude-se sobre a conceituação do meio ambiente e a sua
classificação.
Posteriormente, não seria possível deixar de lado arguir sobre os fundamentos do
relacionamento existente entre o homem e a natureza. Finaliza-se, então, trazendo-se a lume a
razão da tutela do meio ambiente. Neste aspecto, consignam-se serem os benefícios da legislação
ambiental evidentes, eis que promovem a preservação do meio ambiente com vistas a harmonizar
o desenvolvimento econômico e a proteção da vida com qualidade.
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2. DIREITO AMBIENTAL: NATUREZA JURÍDICA

2.1. Conceito do direito ambiental

Direito ambiental é um ramo do Direito que estuda as relações jurídicas ambientais,


observando a natureza constitucional, difusa e transindividual dos direitos e interesses
ambientais, buscando a sua proteção e efetividade (MILARÉ, 2001).

É um ramo do Direito Público, mas os interesses defendidos pelo Direito Ambiental não
diz respeito à categoria dos direitos públicos, nem tampouco dos direitos privados, por se tratar
uma disciplina que cuida dos direitos que pairam entre a zona do público e do privado; a
categoria dos direitos difusos.
Vale dizer que Direito difuso ou transindividual é todo aquele que protege
interesses que vão além dos individuais e atingem um número indeterminado ou
indeterminável de indivíduos. Tais interesses tocam os indivíduos sem,
necessariamente, exigir que os mesmos pertençam a grupos ou categoria
determinada. Trata-se, por isso mesmo, de um direito difuso, espalhado pela
sociedade, do qual todos são titulares.

“O direito do meio ambiente é um direito a que correspondem obrigações, mas, sendo direito de
terceira geração e não um direito social, diferencia-se deste no momento em que as obrigações
que lhe são correspondentes não são apenas deveres públicos de fazer (ou deveres do Estado),
mas também deveres dos próprios particulares, titulares do direito”.

“Esse direito-dever, da categoria direito difuso, difere ainda dos direitos de gerações anteriores,
na medida em que não nasce de uma relação contratual nem de um status, como o de ser cidadão
de determinado Estado. Nasce da valorização do ser humano neste final de século XX, através da
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evolução dos direitos diante da ampliação da proteção de âmbitos de vivência da pessoa,


anteriormente não protegidos ou não privilegiados pelo direito”.

O direito ambiental visa o estudo das relações do homem com a natureza. Assevera Toshio
Mukai (1994) ser o acenado direito um conjunto de normas jurídicas integrantes de vários ramos
jurídicos reunidos por sua função instrumental para disciplinar o comportamento do homem em
relação ao seu meio ambiente.

Na opinião de Fiorillo (2000, p.22), o “direito ambiental é uma ciência nova, porém autônoma”.
Essa independência é decorrente em razão de aquele possuir seus próprios princípios, inseridos
na Carta Magna.

Para alguns autores, o Direito Ambiental pertence ao novo grande ramo do direito que não é
público nem privado, mas sim o ramo dos direitos difusos. É da natureza do interesse difuso não
ser a sua titularidade atribuída a ninguém em particular. Da mesma forma, também é de sua
natureza não pertencer a nenhuma pessoa jurídica, pública ou privada e nem mesmo a um Estado
em particular, já que faz referências a bens pertencentes a toda a humanidade.

O conceito apresentado por Gina Copola (2003, p.29) é mais abrangente, afirmando ser o
“conjunto de normas jurídicas, técnicas, regras e princípios tendentes a assegurar o equilíbrio
ecológico, o desenvolvimento sustentável, e a sadia qualidade de vida de toda a coletividade, e
de todo o ecossistema”

2.2. Leis de direito ambiental em moçambique

O Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental (MICOA), no âmbito do seu mandato


geral de protecção ambiental, assume a responsabilidade sobre os recursos globais e a
sustentabilidade do desenvolvimento. É também a principal autoridade ambiental e reguladora
por parte do Governo. De modo a implementar as suas políticas ambientais, os principais
instrumentos usados pelo Governo de Moçambique (GdM) são:
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1. O Programa Nacional de Gestão Ambiental (PNGA);


2. A Lei do Ambiente nº20/1997 de 1 de Outubro;
3. O Regulamento de AIA: o Decreto nº45/2004 de 29 de Setembro relacionadas com o
processo de AIA;
4. Outros regulamentos e directrizes recentes aplicáveis ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA),
nomeadamente:

 Decreto nº32/2003 de 12 de Agosto sobre Auditoria Ambiental (monitoria de


cumprimento);
 Decreto nº18/2004 de 2 de Junho sobre Padrões de Qualidade Ambiental;
 Decreto nº129/2006 de 19 de Julho sobre a participação pública;
 Manual de procedimentos sobre o licenciamento ambiental ou autorização (Outubro de
2006);
 Plano Estratégico do MICOA para o sector ambiental (2005 - 2015).

Outra legislação relevante aplicável ao projecto inclui:

5. A Lei de Terras n°19/97 de 1 de Outubro e o seu regulamento (em particular o Decreto


66/98 de 8 de Dezembro)
6. Decreto Nº 15/2004 de 15 de Julho sobre o Regulamento do Sistema de Abastecimento
de Água e Drenagem de Águas Residuais;
7. Decreto Nº 23/2008 de 1 de Julho sobre a Lei do Ordenamento Territorial
8. Decreto Nº 45/2006 de 30 de Novembro – o Regulamento para a Prevenção da Poluição e
Protecção do Ambiente Marinho e Costeiro
6. A Lei de Florestas (e Fauna Bravia) Lei n°10/99 de 7 de Julho.

2.2.1. Lei 20/97 de 1 de Outubro

O principal objectivo da Lei do Ambiente, aprovada pela Assembleia da República em 01 de


Outubro de 1997 é de alcançar um desenvolvimento e gestão ambiental sustentável no país.
Entre as suas principais provisões, a Lei requer a preparação de um Estudo de Impacto
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Ambiental (EIA) para os projectos e programas que possuem o potencial de provocar impacto
ambiental significativo. O regulamento de EIA foi, subsequentemente, sujeito a alguns ajustes.
Foram recentemente colocados em vigor novos padrões e directivas de desempenho por via de
vários decretos que definem as funções e as responsabilidades das instituições do sector público
envolvidas na gestão ambiental. A Lei do Ambiente é aplicável a todas actividades públicas e
privadas que poderão influenciar o ambiente, directa ou indirectamente. Aspectos marcantes da
Lei incluem:
 Aqueles que poluam, ou de alguma forma degradem o ambiente, serão responsabilizados
e terão a obrigação de o reabilitar ou de compensar pelos danos causados.
 A Lei proíbe a poluição do solo, do subsolo, da água ou atmosfera por quaisquer
substâncias poluentes, ou qualquer forma de degradação do ambiente, que esteja fora dos
limites estipulados por Lei.
 Os projectos e operações que possuam a probabilidade de exercer um impacto negativo
sobre o ambiente estão sujeitos à avaliação de impacto ambiental por avaliadores
independentes.
 São proibidas todas as actividades que possam ameaçar a conservação, a reprodução, a
qualidade e a quantidade dos recursos biológicos, especialmente aqueles em perigo de
extinção.
 De modo a proteger as componentes ambientais que possuem um valor ecológico e
socioeconómico reconhecido podem ser criadas zonas de protecção.
 É obrigatório o licenciamento das actividades passíveis de provocar impactos ambientais
significativos. A emissão da licença ambiental depende da realização (finalização e
aceitação) do nível apropriado de avaliação ambiental.

Em Outubro de 2000 foi criada, por via de uma provisão da Lei do Ambiente, uma
Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável (CNDS), que responde ao Conselho de
Ministros. A criação da referida comissão justifica-se pela necessidade de assegurar uma
coordenação efectiva e a integração das políticas e planos sectoriais relacionados com a gestão
ambiental, ao mais alto nível. Em termos da presente Lei, as actividades passíveis de provocar
impactos ambientais significativos requerem a obtenção de uma Licença Ambiental. A emissão
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de uma licença ambiental depende da finalização e aceitação de um nível apropriado de


avaliação do impacto ambiental.

A Lei do Ambiente responsabiliza quem provoque danos materiais ao meio ambiente. O


Estado exerce o seu direito a avaliar os danos, a definir o montante da compensação, e a adoptar
as contra-medidas à custa da pessoa que tiver provocado o dano.

2.2.2. A Lei de Terras (1997) e o seu Regulamento (1998)

A Lei de Terras é relevante para a gestão de áreas urbanas e rurais vulneráveis, e, por
isso, importante para a Actividade 4. Gestão de Risco Baseada na Comunidade em Inhambane e
Maxixe, e para o processo com base no qual a Actividade 3, Estudo Reconhecimento sobre a
Gestão de Cheias no Zambeze, será conduzida. É também relevante para a colocação dos
disdrómetros e das estações hidro-climatológicas no âmbito das Actividades 1 e 2.

A Lei de Terras enfatiza que a terra pertence ao Estado. Existem dois tipos de direito
sobre a terra: a primeira é a atribuição da terra pelo Estado sob a forma de concessão. A segunda
tem como base a ocupação tradicional e as normas e práticas costumeiras, caso não sejam
inconstitucionais. As comunidades locais que ocupem a terra de boa-fé de acordo com as práticas
costumeiras há, pelo menos, 10 anos, adquirem o direito de uso e aproveitamento da terra,
excepto quando essa terra esteja localizada dentro dos limites de uma área de protecção total ou
parcial.
Outras provisões relevantes da Lei e Regulamento incluem:

 Nas áreas declaradas como sendo de protecção total ou parcial não podem ser concedidos
direitos de uso e aproveitamento.
 As áreas de protecção parcial incluem aquelas que localizam-se:
 A 100 metros de uma fonte de água
 A 100 metros da costa (em maré alta) ou de estuários
 A 250 metros de uma barragem
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 Os indivíduos não podem adquirir direitos sobre a terra sob protecção parcial, e qualquer
construção nas áreas de protecção parcial deverá encontrar-se registada junto das
entidades responsáveis pelas Águas Marinhas e Interiores
 O Artigo 17 do Regulamento da Lei de Terras estipula que quando existe a necessidade
de se utilizar a terra para o uso público tais como a instalação de condutores de
electricidade, telecomunicações, gás, água ou outros, a entidade pública ou privada
deverá compensar o titular do direito de uso e aproveitamento.

2.2.3. Lei de Águas (1991)

A Lei de Águas estabelece os princípios gerais da gestão de águas e as regras de


utilização de água, as prioridades, os direitos e as obrigações dos utilizadores de água. A Lei de
Águas define as águas de domínio público, incluindo:
 Águas internas, tanto superficiais como subterrâneas, que pertençam ao Estado;
 Todas as barragens, equipamento hidráulico e outra infra-estrutura construída ou fundada
pelo Estado para o bem público também pertencem ao Estado;
 Todos os cursos de água de domínio público constituem propriedade do Estado e não
podem ser alienados; e
 O domínio público hídrico do Estado e a sua política de gestão.

O Decreto Nº 15/2004 de 15 de Julho, o Regulamento do Sistema de Distribuição de


Água e Drenagem de Águas Residuais, em particular, estipula padrões técnicos rígidos para os
canais de drenagem, e a potencial compensação pela expropriação da terra para a construção de
sistemas de distribuição de água ou de drenagem que requeiram a criação de uma área de
protecção parcial.

2.2.4. Lei do Ordenamento Territorial (2008)

Esta Lei estabelece o regime jurídico de planeamento espacial a nível nacional,


provincial, distrital e municipal. A nível Municipal, permite, por iniciativa do Presidente do
Município, a concepção de um Plano de Estrutura Urbana, Planos de Urbanização Parcial, Planos
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Gerais de Urbanização e Planos de Pormenor. O Capítulo X aborda a potencial expropriação da


terra em casos onde a salvaguarda da comunidade e o interesse comum estejam em causa, para a
aquisição de infra-estruturas económicas ou sociais de grande impacto positivo, tais como a
preservação do solo, a preservação da água, a biodiversidade ou infra-estrutura de interesse
público. Também aborda a expropriação em casos onde a Administração Pública deve responder
a situações de emergência que ocorram como resultado ou como uma possibilidade da ocorrência
de calamidades naturais ou situações similares. Em tais casos, a Lei estabelece a necessidade de
se proceder a uma declaração pública e à justa compensação às pessoas afectadas.

2.2.5. Regulamento para a Prevenção da Poluição e Protecção do Ambiente Marinho e


Costeiro (2006)

Este regulamento compreende todos os impactos ambientais que afectam os frágeis


ecossistemas costeiros e marinhos, incluindo os mangais, os estuários e terras húmidas. Nestas
zonas são proibidas a deposição de resíduos sólidos e humanos e a realização de aterros
sanitários.

O regulamento também reconfirma os limites do anterior Regulamento de Terra (1998)


sobre as fronteiras de protecção parcial (vide acima), adicionando uma zona de protecção parcial
de 50 metros próximas de rios e de corpos de água internos.

2.2.6. Lei e Regulamento de Florestas

Apesar da Lei de Florestas apenas ser relevante para a Fase II do programa de


Moçambique, incluímo-la para cobrir situações que possam ocorrer nas zonas rurais e remotas.

De acordo com a Lei de Florestas (Lei n°10 de 7 Julho de 1999), todos os recursos de
floresta e fauna bravia em Moçambique pertencem ao Estado. Os principais objectivos desta lei
são de proteger, conservar, desenvolver e utilizar os recursos de florestas e fauna bravia do país
de um modo racional e sustentável para alcançar benefícios económicos, sociais e ecológicos
para as gerações actuais e futuras.
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A Lei e o seu Regulamento também enfatizam que o Estado poderá delegar às


comunidades locais, a associações e ao sector privado, o poder de gestão de recursos florestais,
incluindo os objectivos de replantio de florestas e de reposição de vida selvagem. O
Regulamento de Florestas fornece uma lista de espécies protegidas de animais e plantas, e
determina multas por caça, abate ou outro tipo de exploração.

2.2.7. Lei dos Municípios

Esta lei visa a descentralização de autoridade para o nível dos distritos. A Lei dos
Municípios estipula que os mecanismos deverão ser desenvolvidos para envolver as autoridades
tradicionais e, bem assim, quaisquer instituições comunitárias futuras na administração local.

Adicionalmente, também são relevantes para o Projecto um número de políticas e


programas governamentais inter-relacionados.

Moçambique adoptou em 2006 um Plano Director Nacional para a Prevenção e


Mitigação de Calamidades Naturais. O Plano Director seguiu-se à Política de Gestão de
Calamidades de 1999 e tornou-se a estratégia operacional nacional para a gestão de riscos de
calamidades. O mesmo enfatiza especificamente as relações entre as políticas de
desenvolvimento e de prontidão, de prevenção, de mitigação de redução da vulnerabilidade.

2.3. Princípios do direito ambiental

Ensina-nos MILARÉ (2001), que "A palavra princípio, em sua raiz latina última,
significa "aquilo que se torna primeiro (primum capere) designando início, começo, ponto-
departida. Princípios de uma ciência, segundo José Cretella Júnior, "são as proposições básicas,
fundamentais, típicas que condicionam todas as estruturas subseqüentes". Correspondem, mutatis
mutandi, aos axiomas, teoremas e leis em outras determinadas ciências."

1) Princípio da responsabilidade ou do poluidor-pagador – todo aquele que lesar o meio


ambiente é obrigado a reparar o dano e a cessar. A responsabilidade pelos danos causados
ao meio ambiente é de natureza objetiva, derivada do risco da atividade, sendo
desnecessário a comprovação de dolo ou culpa. A responsabilidade é solidária. Sujeita-se
à responsabilidade civil, penal e administrativa.
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2) O princípio da utilização e gestão racional dos componentes ambientais, foi


preconizado na al-a) do art.4 da lei no20/97 de 1 de outubro segundo o qual a utilização
dos recursos tem deve ter em vista a promoção da melhoria da qualidade de vida dos
cidadãos e a manutenção da biodiversidade dos ecossistemas.

3) O princípio da democratização e inclusão social que divide-se em duas vertentes:


a) Através do reconhecimento e da valorização das tradições e do saber das
comunidades locais que contribuem para a conservação e preservação dos recursos
naturais e do ambiente. vide al-b) do art4 da lei 20/97 de 1 de Outubro.
b) O da ampla participação dos cidadãos, como aspecto crucial da execução do
programa nacional de gestão ambiental. E a participação pública na gestão do
ambiente. vide al-e) do art4 e art.8 todos da lei no20/97 de 1 de Outubro conjugado.

4) O princípio da precaução: segundo o qual a gestão do ambiente deve priorizar o


estabelecimento do sistema de prevenção de actos lesivos ao ambiente, de modo a evitar
a ocorrência de impactos ambientais negativos significativos ou irreversíveis,
independentemente da ocorrência de tais impactos, al-c) n4 da lei do ambiente
supracitado.

5) O princípio da igualdade: este princípio sacrossanto e não é privativo do direito de


ambienta. A constituição como a norma suprema estadual também reconhece esse
princípio como essencial para garantir estabilidade e justiça social. No âmbito do
ambiente é justo que não se privilegie uma pessoa (física ou colectiva) em detrimento da
outra. A história reza que no âmbito internacional a exploração dos espaços marinhos por
exemplo ficavam a mercê das potências mundiais, cabendo a estas exercer a hegemonia
sobre aquele espaço. Face a estes episódios o nosso ordenamento tratou de consagrar o
direito a igualdade de oportunidades iguais no acesso e uso dos recursos minerais aos
homens e mulheres.

6) Da cooperação internacional: este princípio preconiza a necessidade cooperação


internacional para obtenção de soluções harmoniosas dos problemas ambientais,
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reconhecidas que são duas dimensões transfronteiriças globais. Vide al-h) do art.4 da lei
20/97 de 1 de Outubro.

7) Princípio poluidor pagador é o princípio segundo o qual deve haver responsabilização


de quem polui ou de qualquer outra forma degrade o ambiente. Exige perante o a quem
degrada o ambiente a reparação ou compensações pelos danos dai decorrente. Vide al-g)
do art4 da lei do ambiente (lei no20/97 de 1 de Outubro).

2.4. Características do direito ambiental

Os doutrinadores nacionais têm apontado as seguintes características que marcam o direito


ambiental.

2.4.1. Aspecto Vertical e Horizontal

O chamado aspecto Vertical do Direito Ambiental, refere-se à matéria em virtude deste


direito abranger aspecto do direito público, do interesse da coletividade e também do particular,
funcionaria como uma ligação ou um intermédio entre o direito público e particular. Na realidade
é uma pretensão inicial da doutrina, ambientalista que tem-se desfeito. Hoje em dia, a doutrina
tende a considerá-lo um ramo do direito público, (SAMPAIO, 2003, Pg. 134).
O aspecto Horizontal, é a interação, a recorrência com que o direito do ambiente faz dentro dos
diversos ramos do direito, lançando mão e espargindo seus institutos nos mesmos e sendo
influenciado pelos mesmos. Assim é que se pode extrair e associar aspectos do direito ambiental
no direito penal, civil, processual civil, direito administrativo, etc.

2.4.2. Visão holística e sistematizada do meio ambiente

Neste âmbito, ainda que não seja dispensado o tratamento por bem ambiental específico,
deve-se sempre trabalhar com a visão totalizante, ou seja, o meio ambiente, na realidade, é
constituído por um complexo de relações que não podem ser vistas de forma seccionada, isolada,
inconsequente. Por ser um sistema complexo, intervir pontualmente não significa
necessariamente consequências apenas pontuais. Quase sempre, tal proceder afeta toda uma
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cadeia de relações (há uma interdependência dos elementos do meio ambiente, ou seja, uma “teia
da vida” ) e, em casos extremos, interrompe-se um ciclo vital por abordar de forma inadequada a
proteção do ambiente. É a visão do meio ambiental de forma global, completa, conjunta.

2.4.3. Multidisciplinar
O direito do ambiente, sabe-se, lida com o meio ambiente. Assim, seus conceitos, normas
e doutrina, necessariamente recorrem às ciências que estudam o meio ambiente para serem
construídos. Neste aspecto, o direito ambiental necessita grandemente de recorrer à Biologia, à
Geografia, à Agronomia, Engenharia Florestal, Biotecnologia, Ecologia, etc. Alguns denominam
também como transversalidade. É impossível estudar e aplicar o Direito Ambiental, sem recorrer
a conhecimentos de outros ramos da ciência.

2.4.4. Visa Proteger Direitos Difusos

Os direitos difusos caracterizam-se por serem disseminados e não individuados os seus


beneficiários. De modo específico, pode-se definir Direitos Difusos como: "são os direitos trans-
individuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por
circunstâncias de fato." Também chamados de meta individuais e referentes ao macro bem.

2.4.5. Ramo do direito público (consequência: interpretação restritiva da norma)

Neste sentido, as colocações de MORAES (2001) "Outro aspecto de extrema importância


está em considerar o Direito Ambiental como um dos ramos integrantes do Direito Público,
assim considerado como toda disciplina jurídica que crie e/ou regulamente obrigações entre o
Estado e o particular, enquanto aquele esteja envolvido em face de disposição legal e com
natureza normalizadora.
Estando um ente estatal envolvido na relação, considera-se a relação como de Direito Público, à
exceção das relações onde o Estado não se envolva normalizando ou regulando (ex.: contratos de
empresas pública ou de economia mista, na consecução de seus objetivos econômicos).
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CONCLUSÃO

A necessidade de regulamentação sobre o meio ambiente está marcada pela busca da


compatibilidade entre o desenvolvimento econômico e proteção da natureza, em todas as suas
formas. A visão de que o progresso somente seria alcançado com a destruição da natureza
ocasionou a degradação ambiental em florestas, rios, qualidade do ar, dentre outras.
Modernamente, ainda não foi possível encontrar métodos adequados capazes de solucionar os
fenômenos naturais ou humanos responsáveis pela alteração do equilíbrio dinâmico do planeta.
A proteção ao meio ambiente, que abrange a preservação da natureza em todos os seus elementos
essenciais à vida do ser humano e à manutenção do equilíbrio ecológico, objetiva, de forma
precípua, tutelar a higidez do meio ambiente, baseada na qualidade de vida, como uma forma de
direito fundamental da pessoa humana.

O desenvolvimento sustentável consiste em crescimento econômico sem afetar o meio


ambiente de modo drástico e irreversível, mantendo-o ecologicamente equilibrado para uma
sadia qualidade de vida para a geração presente e para as vindouras. Os padrões dominantes de
produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva
extinção de espécies. Neste diapasão, as normas de Direito Ambiental tentam encontrar, de modo
forçado, o equilíbrio entre a atividade econômica e a preservação do meio ambiente, para
sobrevivência da própria vida, em todas as suas formas.

Somente com a consciência ambiental será possível que ocorra o desenvolvimento sem
causar prejuízos irreparáveis ao meio ambiente
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 ANTUNES, P.B.; Direito Ambiental. Rio de Janeiro; Lumen Juris, 1998.


 FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 6 ed. São
Paulo: Saraiva, 2005.
 LEITE, J.R.M.(Org.). Inovações em direito ambiental. Florianópolis: Fundação José
Arthur Boiteux, 2000.
 MUKAI, Toshio. Direito Ambiental sistematizado. São Paulo, Editora Forense
Universitária Ltda, 1992
 SILVA, José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. São Paulo, Malheiros Editores,
Ltda, 1994
 BENJAMIN, Antônio Herman. Estudo Prévio de Impacto Ambiental. Teoria, prática e
legislação.Vol.1. São Paulo. Editora Revistas dos Tribunais 1993;
 MILARÉ, E.; Direito do Ambiente. São Paulo; Revista dos Tribunais, 2001
 MACHADO, P.A.L.; Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo; Ed. Malheiros; 2001
 NARDY, A; SAMPAIO, J.A.L.; WOLD, C.; Princípios de direito ambiental. Belo
Horizonte: Editora Del Rey, 2003.
 RODRIGUES, Marcelo Abelha. Elementos de direito ambiental: Parte Geral. 2. ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005. p. 203.
 MORAES, Luís Carlos Silva de. Código Florestal Comentado. 2ª ed. São Paulo:
Atlas, 2001.
 Plano de Maneio Ambiental e Social (ESMP) -Apoio Programático à Gestão do Risco de
Calamidades- Moçambique

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