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O Universo das Radiofrequências

nas Aplicações Médicas.

Trabalho Realizado por “Os


Tecnicistas”:

António Bacelar de Sousa

Eurico A. P. Boal

Francisco Furtado de Mendonça

José de Campos Portela

Professor Orientador:

Sílvia Sepúlveda

Maio de 2011
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Agradecimentos

O grupo vem por este meio agradecer a ajuda prestada por um vasto leque de pessoas, que
ajudaram à concretização do projecto, sendo que este não seria possível sem o seu apoio.
Primeiramente, o grupo gratifica a equipa organizadora do concurso prémio monIT, no qual se
integra a realização do projecto, e sem a qual o grupo não iria proceder à execução do trabalho.
Seguidamente, o grupo agradece à Professora Sílvia Sepúlveda que, para além de ter sugerido a
inscrição no concurso prémio monIT, foi uma importante ajuda para a concretização do trabalho
através da sua participação como professora orientadora do trabalho.
De seguida agradece-se ao Eng.º João Correia e à Dra. Isabel Távora pela sua disponibilidade em
ajudar o grupo através do fornecimento de informações deveras importantes para a realização do
projecto. Foram dois dos grandes pilares da informação mencionada no trabalho.
Reconhecemos também a importância dos professores Pedro Wanzeller Rebordão e Maria de
Jesus Cruz, que fizeram uma avaliação constante do desempenho do grupo durante as aulas,
permitindo a progressão do projecto.
Desta forma, em nome de todo o grupo, agradece-se a disponibilidade demonstrada e por terem
tornado este projecto concretizável.

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Resumo

O projecto “O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas” tem o objectivo de


investigar a utilidade das radiofrequências no diagnóstico e tratamento médico. Numa primeira
fase, pesquisou-se sobre as radiofrequências em geral, quanto à definição, às características e
aos efeitos que a sua exposição provoca no ser humano, tanto a nível físico, como fisiológico e
biológico. De seguida, investigou-se acerca das aplicações das radiofrequências na Medicina.
Verificou-se a existência de um conjunto de técnicas de diagnóstico e tratamento que utilizam este
tipo de radiação, como a ablação por radiofrequência, a biotelemetria, o bisturi eléctrico, a
desnervação por radiofrequência, a diatermia e a ressonância magnética. Recolheu-se, ainda,
informação acerca das doenças que podem ser tratadas com estas radiações, nomeadamente, a
apneia do sono, deficiências oculares, incontinência e varizes. Posteriormente reuniu-se
informação relativa ao funcionamento dos tratamentos já disponibilizados, bem como as suas
vantagens, os riscos e a eficácia de cada um. Este documento contém, ainda, a contextualização
e a relevância do tema e uma breve referência à metodologia de trabalho seguida pelo grupo.

Palavras-chave: Radiofrequências, radiação electromagnética, radiação não-ionizante, efeitos


das radiofrequências, imagiologia, oncologia, oftalmologia.

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Índice geral

AGRADECIMENTOS ......................................................................................................................... 1
RESUMO ............................................................................................................................................ 2
ÍNDICE GERAL .................................................................................................................................. 3
ÍNDICE DE APÊNDICES E ANEXOS ............................................................................................... 4
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 5
CONCEITOS BÁSICOS ..................................................................................................................... 6
EFEITOS GERAIS DAS RADIOFREQUÊNCIAS ......................................................................................... 6
Efeitos Térmicos....................................................................................................................... 7
Efeitos Não Térmicos ............................................................................................................... 7
METODOLOGIA ................................................................................................................................ 9
PESQUISA ........................................................................................................................................ 9
INTERPRETAÇÃO DE DADOS .............................................................................................................. 9
APRESENTAÇÃO E TRATAMENTO DOS RESULTADOS DA PESQUISA ................................. 10
APNEIA DO SONO ............................................................................................................................ 10
DEFICIÊNCIAS OCULARES ................................................................................................................ 10
INCONTINÊNCIA .............................................................................................................................. 11
VARIZES......................................................................................................................................... 11
ABLAÇÃO POR RADIOFREQUÊNCIA ................................................................................................... 12
Arritmias ................................................................................................................................... 14
Cancro dos rins ...................................................................................................................... 14
Cancro do fígado .................................................................................................................... 15
Hipertrofia da Próstata ........................................................................................................... 15
BIOTELEMETRIA ............................................................................................................................. 15
BISTURI ELÉCTRICO ........................................................................................................................ 16
DESNERVAÇÃO POR RADIOFREQUÊNCIA .......................................................................................... 16
DIATERMIA ..................................................................................................................................... 17
RESSONÂNCIA M AGNÉTICA ............................................................................................................. 17
TRATAMENTO ESTÉTICO .................................................................................................................. 18
CONCLUSÃO .................................................................................................................................. 19
BIBLIOGRAFIA................................................................................................................................ 20

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Índice de Apêndices e Anexos

Apêndice I – Características das Ondas Electromagnéticas I

Apêndice II – Efeitos Físicos e Fisiológicos das Radiofrequências II

Apêndice III – Ficha de entrevista ao Eng. João Correia IV

Apêndice IV – Ficha de entrevista à Dra. Isabel Távora V

Apêndice V –Apneia do Sono VIII

Apêndice VI – Funcionamento da Máquina Emissora de Radiofrequência X

Apêndice VII – Arritmia Cardíacas XI

Apêndice VIII – Tumores XII

Apêndice IX – Hipertrofia Benigna da Próstata XIII

Apêndice X – Dor Crónica XIV

Apêndice XI – Vantagens e Desvantagens da Ressonância Magnética XV

Anexo A – Objectivos do Projecto XVI

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Introdução

Com a escolha do tema “Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas”, o grupo “Os
Tecnicistas” propôs-se investigar e divulgar a importância que este tipo de ondas
electromagnéticas assume actualmente no diagnóstico e tratamento médico. Pretendeu-se, de
igual modo, explicar o funcionamento dessa tecnologia e a forma como pode ser aproveitada para
a cura de diversas doenças. Este trabalho apresenta, assim, alguns aspectos inovadores, dado
que este é um dos poucos trabalhos que aborda os potenciais e o impacto das radiofrequências
na saúde, para além este ser um documento que engloba variadas aplicações destas ondas
electromagnéticas.
Desta forma, o grupo tem como objectivos conhecer a tecnologia subjacente ao recurso às
radiofrequências para o diagnóstico e tratamento médicos, descobrir as suas aplicações na
actualidade, conhecer e divulgar os efeitos e o impacto que este tipo de radiação electromagnética
tem na sociedade, ao nível dos efeitos das radiofrequências no organismo humano e como podem
ser utilizadas em seu benefício.
Para a concretização do projecto foi necessário elaborar uma pergunta de partida, com o objectivo
de traçar o fio condutor para o trabalho, que consistiu em “Como funcionam e quais as possíveis
utilizações das Radiofrequências na Medicina?”.
Tendo em conta a questão efectuada, teceu-se a hipótese de que as Radiofrequências podem ser
utilizadas no diagnóstico e no tratamento médico, como por exemplo na imagiologia, na oncologia
e no tratamento estético.
Para a realização deste projecto impôs-se, assim, um melhor conhecimento da temática
seleccionada. Para que se cumprisse este objectivo, foi realizada uma pesquisa intensiva de
informações tidas como necessárias, tendo-se recorrido a livros, artigos e outras fontes de dados,
como a internet. Por outro lado, foram entrevistados profissionais familiarizados com as
radiofrequências e/ou com a utilização desta tecnologia na Medicina. Não foi possível visitar
locais/instituições onde se aplicassem as radiofrequências com a finalidade pretendida, pois não
se obteve resposta aos pedidos efectuados.
Os resultados da pesquisa dividem-se, neste documento, em dois principais temas:
 A definição e explicação científica do que são as ondas electromagnéticas, em geral, e as
radiofrequências em particular;
 O estudo das potencialidades das radiofrequências e da forma como estas podem ser
aplicadas no diagnóstico e tratamento médicos.
O grupo conseguiu cumprir os objectivos mais importantes para a concretização do projecto.
Assim, executou a pesquisa proposta, recorrendo a livros e artigos científicos, para além de
motores de busca, que providenciaram um conjunto de websites com informação e dados muito
importantes e relevantes para a realização do projecto. A etapa das entrevistas também foi
cumprida, realizando-se duas, uma sobre as radiofrequências de forma geral e a outra sobre as
radiofrequências na Medicina. O grupo entrevistou o Eng. João Correia, especialista em
radiofrequências e na sua aplicação nas telecomunicações, e a Dra. Isabel Távora, directora do
departamento de Imagiologia do Hospital de Santa Maria, que expôs algumas das aplicações
desta radiação na Medicina, em particular a sua utilização no tratamento de tumores.

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Conceitos básicos
Fisicamente, uma onda define-se como sendo uma perturbação oscilante no espaço. Há que
considerar vários tipos de ondas, desde as mecânicas (ondas do mar, ondas sonoras, entre
outros) às electromagnéticas (raios-X, radiofrequências, microondas, radiação infravermelha).
Para o nosso trabalho importa estabelecer esta distinção, pois este foca-se somente em ondas
electromagnéticas específicas, as radiofrequências.
As ondas de rádio são radiações electromagnéticas que se caracterizam por terem frequências
mais baixas em relação às radiações infravermelhas, embora estas também possam ser
apelidadas de radiofrequências. Estas radiações têm frequências compreendidas entre os 3 kHz e
os 300 GHz. As telecomunicações, hoje em dia, dependem muito das radiofrequências, sendo
estas utilizadas na rádio, televisão, telemóveis, entre outras aplicações. São também importantes
noutras áreas, servindo como fonte de aquecimento, como por exemplo nos fornos de microondas,
para além de servirem também como ferramentas essenciais no diagnóstico e tratamento médico.
As ondas de rádio são parte integrante do chamado espectro electromagnético das radiações,
onde também se incluem os raios gama, raios X, radiação infravermelha, ultravioleta, entre
outras. No Apêndice I apresentam-se as características das ondas electromagnéticas em geral.

Efeitos gerais das radiofrequências


As radiofrequências podem ter certos efeitos no organismo do indivíduo, sendo prejudiciais ou
benéficas, podendo ser utilizadas na Medicina consoante os efeitos pretendidos. Dizem-se nocivas
quando prejudicam o bem-estar ou integridade física do indivíduo, através de uma alteração
maliciosa ao nível dos tecidos. Isto normalmente deve-se ao sobreaquecimento desses tecidos,
excedendo a capacidade de termorregulação do organismo.
Neste âmbito foram estabelecidos, por organizações internacionais e pelos governos, limites de
segurança para que não se ponha em causa a saúde pública. Estes limites foram determinados
segundo um parâmetro de medida adequado que se designa por taxa de absorção específica.
Esta representa a taxa de energia da radiofrequência absorvida por unidade de massa do tecido
1
(esta é medida em W/Kg) . Os limites estipulados podem se observar através destes gráficos, que
demonstram os limites máximos de exposição a uma determinada frequência.

Ilustração1: Limites de Exposição Fonte: http://monit.it.pt/index.php?id=20&c=8#12

As radiofrequências, apesar de possuírem uma frequência relativamente baixa, são capazes de


exercer efeitos ao incidir sobre o organismo de um indivíduo. Estes podem ser térmicos ou não
térmicos.

1
In http://monit.it.pt/index.php?id=20&c=8#12

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Efeitos Térmicos

Os efeitos térmicos traduzem-se num aumento da temperatura dos tecidos biológicos, produzida
pela energia das radiofrequências. Este efeito permite a aplicação das radiofrequências na
Medicina, em que o aquecimento de células ou mesmo tecidos permite o tratamento ou cura de
uma dada doença ou anomalia.
Contudo, este calor libertado tem de ser regulado e controlado, pois o sobreaquecimento pode
originar a destruição total e a desnaturação das proteínas, elementos essenciais para o
funcionamento do organismo. Para as aplicações médicas, a temperatura tem de se encontrar
entre os 50ºC e os 100ºC, para as radiofrequências serem eficazes e não serem prejudiciais para
o indivíduo. Acima dos 50ºC, o calor provoca danos irreversíveis nos tecidos, necrose térmica
(morte celular induzida pelo calor), e a temperatura superior a 100 graus origina vaporização e
carbonização dos tecidos.

Efeitos Não Térmicos

Há ainda que considerar os outros efeitos das radiofrequências, que são os efeitos biológicos não
térmicos. Estes efeitos ainda são pouco conhecidos, não havendo muitos dados em relação a
estes. Um dos efeitos não térmicos conhecidos relaciona-se com a produção de um campo
eléctrico. Teoricamente, este campo pode ser prejudicial para o organismo, porque podem ocorrer
interferências nas actividades do corpo, havendo portanto possibilidade de afectar o organismo
humano.
Existem vários efeitos físicos e fisiológicos associados às radiofrequências, como é possível
verificar no Apêndice II.
Ao estudar os efeitos das radiofrequências surgem algumas complicações, já que este é muito
subjectivo e pouco rigoroso, com resultados por vezes contraditórios. Assim sendo, há certos
factores que tornam a investigação sobre os efeitos das radiofrequências mais difícil,
nomeadamente:
 O facto de se realizarem testes em animais e não em seres humanos;
 O facto de se utilizarem radiações com maior intensidade do que na realidade;
 A contradição nos resultados obtidos, que apontam para conclusões diferentes
relativamente aos efeitos da radiação no organismo humano, em que uns afirmam que
não há efeitos adversos, enquanto outros afirmam o contrário;
 A exposição constante da população à radiação afecta a obtenção de resultado.

Contudo, mesmo com estas dificuldades, a comunidade científica chegou a algumas conclusões,
entre elas:
 A exposição a radiofrequências não estabelece qualquer relação com algumas doenças
atribuídas a esta, como por exemplo náuseas e enxaquecas;
 A exposição de grávidas à radiação parece não trazer complicações para o feto, não
surgindo certos problemas, como aborto espontâneo ou malformações congénitas;
 Não há provas de que a exposição, a níveis de radiação normal (isto é os níveis a que a
população está normalmente exposta) afecte a visão. Só existem alguns casos em que a
exposição originou cataratas, mas foram com níveis mais elevados;
 Falando especificamente do cancro, não foi estabelecida qualquer correlação entre o
desenvolvimento deste e a exposição a radiofrequências;

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

 Observou-se a existência de certos efeitos de curta duração, nomeadamente


hipersensibilidade (que se manifesta em reacções alérgicas, por exemplo).
Assim, pode-se verificar que as radiofrequências são essencialmente benéficas para o indivíduo,
não incutindo graves problemas na saúde humana, podendo ser usadas no tratamento e na cura
de anomalias ou doenças. Os efeitos induzidos pelas radiofrequências são então favoráveis para o
indivíduo (excepto quando os níveis de radiação ultrapassam certos limites de segurança), o que
se deve ao facto de as ondas rádio terem baixa frequência (razão pela qual não são prejudiciais) e
ao facto de serem capazes de produzir calor, sendo este o efeito mais importante para a Medicina,
como se irá ver de seguida.
2
Como os efeitos do campo eléctrico e os efeitos não térmicos ainda não estão bem quantificados
pela comunidade científica, constituem um assunto a desenvolver por esta. A própria exposição a
longo prazo ainda é uma questão não desenvolvida, contudo, a sua clarificação está a ser
3
merecedora de um grande esforço por parte da comunidade científica.

2
Campo de força provocado por cargas eléctricas (electrões, protões ou iões) ou associado a um campo magnético de
uma onda electromagnética.

3
In http://monit.it.pt/index.php?id=20&c=2#1

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Metodologia

Pesquisa
Um dos factores mais importantes para a realização deste projecto foi a pesquisa efectuada, pois
a recolha de informações e de dados, através desta ferramenta, foi a base que permitiu a
concretização deste trabalho.
A pesquisa engloba duas vertentes, a directa e a indirecta. A pesquisa indirecta define-se como
sendo aquela que resulta da recolha de dados directamente do local de origem, com a observação
do fenómeno em estudo, por meio de métodos e instrumentos, que cientificamente comprovados
permitem uma colheita de informações mais eficaz. Por outro lado, a pesquisa indirecta é
caracterizada por informações, conhecimentos e dados, previamente recolhidos por outras
pessoas, estando demonstrados em documentos, leis, projectos, desenhos, livros, artigos,
revistas, jornais, entre outros, podendo ser dividida em documental e bibliográfica.
Em termos de pesquisa directa, esta subdivide-se em pesquisa de campo e pesquisa de
laboratório. O grupo escolheu efectuar uma pesquisa de campo, em detrimento da outra vertente,
pois esta observa os factos in loco, ou seja, da forma como estes se encontram na realidade
actual. Como tal, foi estipulada a realização de visitas ao Instituto Superior Técnico, parâmetro
que, infelizmente, não foi cumprido, e a realização de entrevistas, do tipo semi-estruturado (na
qual existe um guião pré-definido, embora as questões não possuam uma ordem rígida, o que
confere a entrevista um conteúdo mais rico e uma maior flexibilidade no diálogo), que foram bem
sucedidas. Esta metodologia foi aplicada, desta forma, nas entrevistas efectuadas:
 Eng. João Correia – Obtenção de informações relativas às propriedades das
radiofrequências, como se poderá ver no Apêndice III;
 Dra. Isabel Távora – Esclarecimento de dúvidas e recolha de dados acerca das
potencialidades das radiofrequências, donde advêm o seu uso na medicina. O relatório
poderá ser consultado no Apêndice IV.
Em termos de pesquisa indirecta, o grupo procedeu a uma pesquisa bibliográfica pois esta é
baseada em contribuições de diversos autores sob um determinado assunto, sendo mais rigorosa
em termos científicos que a pesquisa documental.
Em resumo de forma a proceder a uma pesquisa minuciosa e bem fundamentada, foi efectuada
uma pesquisa de campo na qual, infelizmente, não foram realizadas visitas de estudo ao Instituto
Superior Técnico e a clínicas/hospitais, embora tenham sido cumpridas com sucesso as
entrevistas estipuladas a profissionais que estão, de certa forma, familiarizados com as
radiofrequências e/ou com as suas aplicações na medicina.
A pesquisa, como se viu, foi uma ferramenta essencial para a realização deste projecto, sem a
qual este nunca se concretizaria nem seria possível.

Interpretação de Dados
Tendo em conta os dados recolhidos, o grupo procedeu ao uso do método dedutivo (em que a
partir de premissas gerais cientificamente comprovadas se consegue chegar a uma conclusão em
particular), pois a partir das informações obtidas relativamente às radiofrequências, estas foram
particularizadas para as aplicações na medicina de forma a concretizar o tema do projecto.
Em resumo optou-se pelo método dedutivo pois é aquele que mais se adapta às necessidades
que este trabalho impõe.

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Apresentação e tratamento dos resultados da pesquisa

Apneia do sono
As radiofrequências são utilizadas no tratamento da apneia do sono através de uma técnica
designada uvulofaringoplastia. Para saber mais sobre a apneia do sono consultar o Apêndice V.

Neste tratamento as radiofrequências actuam através de um eléctrodo, sob a forma de uma


agulha. A partir desta são libertadas as radiofrequências, que incidem debaixo da superfície dos
tecidos provocando calor, o que estimula a redução do seu volume e o dos músculos que
compõem a via respiratória, como por exemplo os da garganta e da boca. Assim, com a
diminuição do volume destes músculos e tecidos, é possível remover a obstrução, permitindo que
4
o fluxo de ar e respiração sejam normalizados.

Esta técnica tem como vantagens o facto de ser um método pouco invasivo, indolor e que permite
ao paciente um retorno imediato às suas actividades diárias normais.
Contudo podem surgir algumas complicações, já que apareceram, em alguns pacientes, úlceras
nos locais onde se aplicou este tratamento, além do surgimento de edemas. Também se verificou
que as radiofrequências podem causar necrose nas células da mucosa onde se aplicou esta onda.
Apesar destas contra-indicações, a eficácia, o conjunto de vantagens e a reduzida probabilidade
de surgirem riscos, fazem da uvulofaringoplastia uma técnica bastante eficaz e segura.

Deficiências oculares
Uma das aplicações das radiofrequências no tratamento da visão é a técnica designada por
ceratoplastia condutiva.
Tem como objectivo tratar a presbiopia, usualmente designada por “vista cansada”. Esta anomalia
na visão é mais vulgar em indivíduos com mais de 40 anos de idade, que sofrem de diabetes e/ou
de hipermetropia.
Esta técnica utiliza a energia das radiofrequências para alterar a forma da córnea. Esta última,
após a aplicação da anestesia no doente, faz com que a córnea apresente uma forma mais curva,
que permite uma melhor captação da luz, o que resulta numa visão mais apurada.
Esta terapia não requer um longo período de recuperação, podendo o paciente retornar ao seu
dia-a-dia vinte e quatro horas após o procedimento.
Este tratamento pode também ajudar pacientes com hipermetropia, na qual a curvatura da córnea
não é suficiente para uma focalização de imagens eficiente.
Este tratamento, apesar de não envolver nenhum tipo de cirurgia, tem alguns riscos. Dentro destes
contam-se:
 Visão temporariamente prejudicada
 Desconforto e/ou sensação de um corpo estranho
 Hipersensibilidade à luz
 Hipercorrecção, o que resulta numa curvatura excessiva da córnea que pode provocar
miopia
5
 Rasgar a córnea.

4
in http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-72992002000100017&script=sci_arttext
5
in http://www.myclearvision.com/410.asp?nav=400

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Incontinência
Existem dois tipos de incontinência, a incontinência urinária e a incontinência fecal.
A incontinência urinária caracteriza-se pela perda do controlo da bexiga. Existem cerca de seis
tipos de incontinência urinária, consoante a causa para o seu aparecimento. Contudo, este tipo de
incontinência não pode ser tratada através da utilização de radiofrequências.
A incontinência fecal define-se como sendo a perda do controlo do esfíncter, ou como a
impossibilidade de defecar. Isto resulta numa perda involuntária de gases e de fezes (quer em
estado líquido, quer em estado sólido), que ocorre em pessoas com mais de 4 anos, sendo um
fenómeno muito vulgar em indivíduos mais velhos e em mulheres submetidas a tratamentos
obstétricos, que faz com que existam alterações na bacia.
Existem diversas causas que provocam a ocorrência de incontinência fecal:
 Tumores
 Dilatação do canal anal
 Síndrome do descenso perineal – descida do períneo em repouso ou como consequência
da manobra de Valsava (provocar saída do ar através dos ouvidos), de um parto vaginal,
ou de uma constipação crónica, que pode levar à lesão do nervo pudendo (neuropatia
pudenda – outra causa da incontinência fecal)
 Esclerodermia (alterações na pele que levam a modificações nas articulações,
dificuldades respiratórias, azia ou a um aumento da pressão arterial)
 Uso sistemático de laxantes

As radiofrequências surgem como uma maneira de curar esta doença, através da criação de uma
fibrose no canal anal, uma espécie de cicatriz, que decorre da aplicação desta tecnologia sob
anestesia, sendo apenas utilizada em doentes com incontinência leve ou moderada. As
radiofrequências promovem a deposição do colagénio e a cicatrização que daí advém, que
possibilita uma melhor retenção das fezes, sendo que este processo é feito em ambulatório.

Varizes
As varizes não são só um problema estético, mas também um grave perigo de saúde.
As varizes são veias dilatadas do organismo, normalmente localizadas nos membros inferiores e
associadas a certos factores como a obesidade e o envelhecimento. As veias tornam-se
varicosas, devido à perda de elasticidade e firmeza ao longo dos anos, começando a apresentar
dilatação e a incapacidade de as válvulas se fecharem de forma eficiente. A partir daí, o sangue
passa a refluir e a ficar parado dentro das veias. Isto provoca uma maior dilatação e,
consequentemente, maior refluxo. Esta dilatação anormal das veias leva à formação das varizes.
As varizes também têm implicações na saúde, pois impedem uma boa circulação do sangue, e
consequentemente uma má oxigenação e nutrição dos tecidos. Quando não são tratadas de forma
correcta, as varizes podem progredir e desenvolver severas complicações, nomeadamente
hemorragias (rompimento das veias devido à perda de elasticidade e firmeza) e embolia pulmonar
(devido à formação de um coágulo nas veias varicosas, que depois de se desprender, dirige-se
6
para os vasos sanguíneos pulmonares, originando a embolia pulmonar).
Para tratar as varizes, as radiofrequências funcionam como alternativa para a cirurgia normal, em
que se retira a veia. Esta terapia oferece um tratamento menos invasivo, agressivo e doloroso
para o paciente, apesar de ter algumas implicações como por exemplo, a queimadura da pele e o
rompimento de vasos.

6
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?448

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Permite também um menor tempo de recuperação em ambulatório. É também um procedimento


mais rápido, durando aproximadamente 30 minutos. Este tratamento consiste na introdução de um
cateter, por onde atravessam as radiofrequências, provocando calor e causando alterações na
parede da veia, que contrai e fecha. Assim, é possível tratar as varizes, desde que não estejam
7
em estado muito avançado e que os doentes não possuam tromboses venosas.

Ablação por radiofrequência


A ablação por radiofrequência é um método de lesão por corrente eléctrica alternada de alta-
frequência (cerca de 500.000 Hz). Esta técnica recorre a um aparelho com dois eléctrodos, um
sob a forma de uma agulha, que se introduz no local onde se faz a ablação, e outro noutro local da
pele do doente sobre a forma de placas com gel de modo a evitar queimaduras e a criar uma
corrente eléctrica entre os dois eléctrodos, formando um circuito eléctrico. A parte metálica
exposta, não isolada, é chamada de ponta activa, e o seu comprimento pode variar de 2 a 15 mm.
A corrente eléctrica é produzida por um gerador especializado através de seus terminais. Assim, o
corpo do paciente funciona como um dos elementos do circuito eléctrico. O calor é formado pela
passagem da corrente de radiofrequências através dos tecidos que agem como uma resistência,
assim ao passar pelo corpo, a radiofrequência gera calor. O tecido aquecerá e transmitirá
secundariamente calor ao eléctrodo, e não o inverso.
Este tratamento permite a necrose de certos tumores nas zonas onde foi introduzido o eléctrodo,
criando uma zona circular onde o calor actua e onde se encontram as células tumorais,
especialmente no fígado e no pulmão.
A ablação tem de estar associada a técnicas de monitorização como a ecografia e a tomografia
computorizada, de forma a conhecer o local específico onde se insere o eléctrodo. O uso de cada
uma dessas técnicas depende da região onde se pretende realizar a ablação. Por exemplo, no
tratamento de tumores no pulmão tem de se recorrer à tomografia, já que este é um órgão cheio
de ar e por isso os ultra-sons reflectem de forma irregular e dispersa, impedindo que se forme uma
imagem esclarecedora e nítida. Além disso, é fundamental que o paciente seja sedado, não se
utilizando uma anestesia geral, o que quer dizer que, o doente não sente dor, embora esteja
consciente.
A ablação por radiofrequência é um dos mais importantes tratamentos que recorre a este tipo de
radiações. Esta tem muitas vantagens, como por exemplo:
 É muito eficaz, tendo uma taxa de sucesso muito elevada
 É uma forma de tratamento não invasiva, permitindo que não haja riscos normalmente
associados às cirurgias convencionais, como por exemplo, hemorragias e infecções.
 Não é muito dispendioso, e é um tratamento que não necessita de um elevado período de
recobro, podendo o paciente ter alta nas 24 horas seguintes.

7
http://www.rtp.pt/noticias/?t=Tratamento-de-varizes-porradiofrequencia.rtp&headline=20&visual=9&article=395372&tm=2

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

O gráfico apresentado representa a taxa de sobrevivência verificada após o tratamento de ablação


por radiofrequência. É possível observar que, comparativamente aos valores tabelados, os
resultados obtidos através deste tratamento, apresentados pelo Hospital Santa Maria (HSM),
apresentam um decrescimento exponencial menor. Isto, entre outras razões, deve-se
principalmente à melhoria da técnica da ablação por radiofrequência e à diminuição da taxa de

Figura 2: Taxa de Sucesso

Fonte: Hospital Santa Maria (HSM)

mortalidade (causada pelos avanços da ciência na medicina). Assim, podemos concluir que,
seguindo a tendência ao longo dos anos, a razão exponencial diminui de uma forma menos
acentuada, traduzida por uma melhoria da técnica, logo por uma menor mortalidade após o
tratamento por radiofrequências ao longo dos anos.
Contudo, como procedimento médico que é, tem um conjunto de desvantagens, nas quais se
contam:
 O risco de queimadura nas zonas onde estão as placas, quando o gel aplicado não é
suficiente, existindo assim um contacto directo com a pele;
 O risco de afectar outros tecidos para além da zona alvo, perturbando o bom
funcionamento do organismo.
 O risco de pneumotórax quando um cateter é inserido perto do pulmão, pois pode entrar ar
entre as pleuras.
 O facto de só poder ser utilizada em lesões tumorais de pequenas dimensões (máximo de
3 centímetros de diâmetro), e num pequeno número destas mesmas lesões.
 O facto de só poder ser aplicada em certos órgãos ou tecidos, que têm de ser acessíveis,
moles e não ser compostos por camadas finas (como é o caso do tubo digestivo, com
camadas de células demasiado finas para se poder realizar a ablação).
Para melhor se compreender esta técnica de tratamento, apresenta-se no Apêndice VI o
funcionamento da máquina emissora de Radiofrequências.

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O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Arritmias
A descrição pormenorizada desta condição encontra-se disponível para consulta no apêndice VII.
O tratamento associado à cura das arritmias trata-se de uma micro coagulação originada pela
energia das radiofrequências aplicada com cateteres especiais nos focos das arritmias,
previamente mapeados através de um estudo fisiológico. Um computador faz o ajuste permanente
da quantidade de energia que o aparelho aplica no coração, para que a temperatura sentida pela
ponta do cateter seja constante e para que não ultrapasse os limites de segurança. A ablação
termo controlada é o método mais seguro de tratar as arritmias cardíacas de forma definitiva.
Neste tratamento, o paciente é conectado a vários monitores (polígrafo computadorizado,
aparelhos automáticos de medida de oxigénio, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória),
aplicando-se de seguida medicamentos e anestesia. Através de punções nas veias e
eventualmente nas artérias, são introduzidos eléctrodos que chegam às cavidades cardíacas
guiados por Raios X.
Após a preparação do paciente para o tratamento, utiliza-se um cateter especial por onde se
aplica a radiofrequência nos locais seleccionados. A duração da ablação é variável, dependendo
de cada caso. No término dos procedimentos, é feita compressão no local da punção e aplicado
um curativo compressivo sem a necessidade de pontos.
Apesar da sua eficácia e segurança, a ablação por radiofrequências nas arritmias acarreta alguns
riscos. Por exemplo:
 Hematomas: Podem aparecer no local onde foram feitas as punções. Normalmente são
facilmente resolvidos. Para diminuir a possibilidades de hematomas, o paciente deverá
ficar em repouso algumas horas após a ablação.
 Trombose (coágulo de sangue): Na veia ou artéria onde foram feitas as punções, diante
de situações especiais, poderá ocorrer a formação de coágulos no interior desses vasos.
 Bloqueios: Em casos raros, o foco responsável pela arritmia pode estar muito próximo do
sistema normal de condução do coração. A eliminação deste foco poderá gerar certo risco
de lesão no normal funcionamento do sistema, podendo provocar bloqueios transitórios ou
permanentes. Dependendo do tipo de bloqueio, poderá vir a ser necessário o implante de
um pacemaker.
A arritmia pode ser curada através da ablação por radiofrequência, sendo a taxa de sucesso de
95% e havendo somente cerca de 2 a 5% de probabilidade de a arritmia voltar a surgir (mas pode-
se recorrer de novo à ablação). Esta forma de tratamento traz então muito mais vantagens,
quando comparada com uma cirurgia convencional, com uma eficácia semelhante ou até superior.
Assim, devido ao facto de ser um tratamento não invasivo, a ablação representa um tratamento
mais seguro, em que não há necessidade de abrir o tórax, como numa cirurgia. Isto permite que
haja menor probabilidade de ocorrer hemorragias e infecções. Por fim, este tratamento não implica
um grande período de recobro, em que o paciente pode ter alta cerca de 24 a 48 horas depois (se
8
não surgirem quaisquer complicações).

Cancro dos rins


Segundo um estudo feito pelo investigador americano, Dr. Jeffrey Cadeddu, professor de urologia
e radiologia na “UT Southwestern Medical Center”, a ablação por radiofrequência possui a mesma
eficácia que uma cirurgia normal no tratamento de tumores nos rins. Para mais informações sobra
os tumores, consultar o apêndice VIII. Este tratamento é futurista e muito mais seguro, pois não é
invasivo, não havendo perigo de hemorragias ou problemas nos tecidos e órgãos mais próximos

8
in http://portaldocoracao.uol.com.br/tratamentos/ablac%C3%A3o-por-radiofrequ%C3%AAncia-tratamento-das-arritmias-
cardiacas

14
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

do tratado. Além disso, evita o aparecimento de efeitos secundários normalmente associados a


uma cirurgia, e permite que indivíduos que não poderiam suportar o procedimento cirúrgico
(idosos) possam receber tratamento contra tumores que tenham nos rins. Neste tratamento é
inserido no tumor uma sonda com uma forma semelhante a uma agulha. Por esta atravessam as
ondas de radiofrequência, o que causa o sobreaquecimento do tumor e a sua destruição, sendo
que as células sãs não são destruídas pelas radiações. Este tratamento requer que os médicos,
que realizam esta técnica, estejam constantemente a vigiar através de imagens tiradas com uma
9
tomografia computorizada.

Cancro do fígado
Este tratamento é muito importante na cura de tumores no fígado, pois é neste órgão que surgem
na maior parte dos casos de metástases, isto devido ao facto de este ser um local por onde
normalmente passam as células tumorais por actuar como um filtro à passagem da corrente
sanguínea. Por esta razão as células tumorais acabam por se fixar no fígado formando as
metástases.
Além disso, como é um órgão muito importante e delicado, a ablação por radiofrequência permite
uma maior precisão sem afectar estruturas fundamentais no funcionamento do fígado, como por
exemplo a vesícula biliar.
Quando aplicado em conjunto com outros procedimentos, tem mais possibilidades de ser um
tratamento bem-sucedido do cancro do fígado.
Devido à sua menor agressividade em relação a outros tratamentos, a ablação por
radiofrequência, além de incrementar o bem-estar do paciente, é uma forma de conter o tumor,
evitando que este se espalhe para outras áreas através do sistema sanguíneo.
No fígado os tumores são facilmente detectáveis devido ao facto de apresentarem uma cor mais
clara do que o resto das células, pois são hipervascularizados. Após a realização da ablação,
estes tumores apresentam uma cor mais escura, pois a ablação remove os vasos sanguíneos.
Contudo, este procedimento pode acarretar algumas complicações:
 Queimaduras nos locais onde se colocam as placas, nomeadamente se o gel está mal
posto
 Pode-se causar um pneumotórax se, ao inserir o cateter no fígado e ao passá-lo pelo
pulmão, se provocar a entrada de ar nas superfícies pleurais. Pode ainda haver a necrose
de estruturas da vesícula biliar.

Hipertrofia da Próstata
A hipertrofia encontra-se explicada no apêndice IX. Existem várias formas de tratar esta doença,
mas só uma utiliza as radiofrequências: a ablação transuretral, em que agulha, introduzida através
do canal da uretra emite radiofrequências, provocando calor, responsável pela necrose/destruição
do tecido prostático e desobstrução da uretra. Contudo, podem surgir alguns sintomas
secundários, tais como irritação, sendo que os sintomas relacionados com a obstrução melhoram
10
significativamente após algumas semanas.

Biotelemetria
Esta é uma prática que não aplica as radiofrequências directamente no corpo humano, servindo-
se delas principalmente para a obtenção e transmissão de informações acerca dos pacientes.

9
in http://www.sciencedaily.com/releases/2010/06/100602121212.htm

10
in http://uro.com.br/hpb.htm

15
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

É, desta forma, uma técnica que emprega as radiofrequências como ferramentas de monitorização
e diagnóstico.
Apresenta diversas aplicações no corpo humano, como por exemplo no coração, em que esta é
aplicável em doentes em risco de apresentarem uma actividade anormal deste órgão. Neste caso,
o coração do paciente é monitorizado através de um implante previamente inserido no mesmo,
que regista e transmite dados importantes acerca do estado do sistema circulatório. Desta
maneira, consegue-se prevenir algum tipo de ocorrência fatal para o indivíduo.
Outra aplicação prática da biotelemetria é um sistema sem fios, que a NASA está a desenvolver,
para acompanhar os parâmetros fisiológicos dos fetos e para identificar se existe necessidade de
cirurgia pré-natal, ou mesmo logo após o nascimento. Um implante no feto monitoriza, entre outras
coisas, a frequência cardíaca, a temperatura, o pH e a pressão no útero.
A biotelemetria, que recorre às radiofrequências, funciona principalmente como forma de
monitorizar o funcionamento do organismo humano, de forma a diagnosticar certas anomalias ou
11
patologias que possam existir.

Bisturi eléctrico
O bisturi eléctrico é uma ferramenta muito importante, usada em cirurgias, que faz uso das
radiofrequências. Este é constituído essencialmente por uma peça de mão, em que o circuito de
controlo, alojado no interior da peça de mão, é colocado dentro de uma vedação de silicone
perfeitamente isolada. A peça de mão compreende duas concavidades assimétricas, numa dos
quais é possível inserir uma fonte de luz, um tubo de um aspirador de líquidos ou de um sugador
de fumos.
Nas cirurgias que recorrem a este instrumento, um bisturi eléctrico consegue cortar, cauterizar,
aspirar e retirar os excessos de líquido, tudo ao mesmo tempo. O calor libertado pelo bisturi deve-
se á utilização de radiofrequências. São estas que permitem o aumento da temperatura no local
em que o bisturi actua, provocando a coagulação e promovendo o fecho dos vasos sanguíneos
afectados durante a operação, prevenindo assim, a ocorrência de hemorragias.
Este equipamento médico é especialmente utilizado em cirurgias onde pode ocorrer o rompimento
de vasos sanguíneos, nomeadamente em cirurgias hepáticas e cirurgias vasculares.
O bisturi eléctrico representa um instrumento importantíssimo e bastante útil durante uma
operação. Para além de ser um bisturi relativamente normal, com a mesma função de cortar e
talhar tecidos, possui outras funcionalidades. A mais importante é a capacidade de selar os vasos
sanguíneos que foram operados, através do calor libertado, impedindo que ocorra hemorragias e
12
sangramento.

Desnervação por radiofrequência


A radiofrequência pode ser usada com a finalidade de tratar a dor, podendo aliviar a dor na coluna
e outras dores relacionadas com os nervos, pela aplicação da energia da radiofrequência sobre o
tecido nervoso. A este tratamento chama-se Desnervação por Radiofrequência. A dor crónica
encontra-se explicada no apêndice X.
Neste tratamento, as radiofrequências são transmitidas de um aparelho até um eléctrodo (sob a
forma de uma agulha), que se coloca em contacto com o nervo (após o doente ter sido

11
in Meindl, James D., “Implantable telemetry in Biomedical Research”, 1997 in Christiansen Donald, Electronics’s
Engineer’s Handbook, McGraw-Hill, Capítulo 30, artigo 49

12
in http://www.patentesonline.com.br/bisturi-eletrico-monopolar-para-cirurgias-vasculares-hepaticas-e-similares-
178592.html

16
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

anestesiado). As radiofrequências originam calor controlado, que conduz ao bloqueio da


passagem dos estímulos dolorosos de uma área específica do corpo humano. Este procedimento
permite que todas as funções sensitivas e motoras do nervo, onde actua a radiofrequência, fiquem
intactas não trazendo grandes desvantagens com a aplicação deste tratamento.
Em relação à coluna, as radiofrequências actuam ao nível do nervo medial posterior, aquecendo-o
(de forma controlada) e bloqueando a passagem dos estímulos que induzem a dor. Assim, as
radiofrequências curam só a dor, e não os problemas associados a esta. Não cura a hérnia discal
13
ou a distensão lombar, só impede que o doente sinta dor na coluna.

Diatermia
A diatermia define-se como sendo a irradiação de ondas cujas frequências variam entre os 13 e os
98 MHz. Através desta aplicação, a temperatura dos tecidos corporais aumenta para 40 a 45ºC.
Este calor é gerado devido à resistência formada nos tecidos, relativa à passagem de corrente
eléctrica.
Os aparelhos usados nesta técnica apresentam três componentes principais: Um fornecedor de
energia, um circuito oscilador e outro circuito, que é o paciente.
Esta aplicação tem como efeitos fisiológicos o aumento do fluxo sanguíneo local e do
metabolismo, o aumento da velocidade de condução nervosa, o aumento da captação de oxigénio,
e a diminuição da força muscular e a resistência à fadiga por cerca de 2 horas após a sua
aplicação.
Estes efeitos fazem com que seja uma aplicação bastante utilizada na fisioterapia pois alivia dores
14
e espasmos, acelera a cicatrização de feridas e a regeneração de tecidos moles.

Ressonância Magnética
Uma das técnicas mais utilizadas no diagnóstico médico é a Ressonância Magnética Nuclear
(RMN). Esta técnica permite a visualização de órgãos, e utiliza as radiofrequências. È um exame
que apresenta uma duração média entre vinte a quarenta minutos. Este tratamento faz-se através
de um aparelho constituído essencialmente por um tubo comprido, aberto nos extremos, capaz de
produzir um campo magnético dez mil vezes maior do que o campo magnético terrestre. As
células são então bombardeadas por radiofrequências, sendo reflectidas de diferentes formas,
obtendo-se assim uma imagem clara dos diferentes tecidos que constituem o corpo humano. Esta
reflexão baseia-se na absorção da energia pelos protões dos átomos de hidrogénio na zona que
se quer analisar. De seguida, o átomo emite a energia absorvida pela incidência de
radiofrequências, sendo esta recebida por uma bobina e depois enviada para um computador, que
o converte em imagens de alta definição, através da chamada transformada de Fourier.
As vantagens desta técnica estão relacionadas com a precisão e o nível de detalhe que se obtém,
com maior contraste e definição.
Uma das vantagens é a detecção e visualização que normalmente seriam de difícil rastreio.
Existem muitas vantagens e desvantagens associadas à ressonância magnética, que poderão ser
consultadas no apêndice XI.
Devido ao facto de os aparelhos de ressonância magnética usarem radiação não ionizante, mais
especificamente radiofrequências, este procedimento permite que existam menos efeitos
secundários (e não tão prejudiciais) comparativamente a uma tomografia computorizada.
Outra grande vantagem da ressonância magnética é sua capacidade de gerar imagens em vários
planos, ao contrário da tomografia que se encontra limitada somente a um plano.

13
http://ctidor.com.br/radiofrequencia.html

14
http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/eletro/eletroterapia.htm

17
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Por último, o facto de o paciente não necessitar de se mexer para se obterem imagens diferentes
constitui outro benefício desta técnica. Os indutores de corrente eléctrica permitem que o aparelho
de ressonância escolha a parte exacta do corpo da qual se quer gerar uma imagem.

Tratamento estético
As radiofrequências também podem ser usadas em tratamentos estéticos, que recorrem às
mesmas bases que no tratamento médico, ou seja, a produção de calor. Neste caso, o calor não
provoca a necrose, mas sim o aumento da produção de colagénio e a diminuição da viscosidade
dos líquidos presentes. Além disso, tem um efeito analgésico devido à estimulação dos nervos
aferentes, e reduz os edemas da pele. Na estética, as radiofrequências têm diversas aplicações,
ao nível:
 Dos glúteos
o Permitem a subida dos glúteos e a remodelação da figura
 Dos seios
o Recuperam a firmeza dos seios
 Da celulite e flacidez da pele
o Eliminam o aspecto de “casca de laranja”, e a reduzem o volume das células,
causando a tonificação e a reafirmação da pele
 Da gordura
o Através das radiofrequências há a redução dos tecidos e células adiposas,
responsáveis pela acumulação da gordura
 Drenagem linfática
o Libertam as toxinas e a estimulam a circulação linfática. Além disso, as
15
radiofrequências permitem a redução de edemas (acúmulo anormal de líquido).

15
in http://www.essenciaestetica.com/index.php?page=tratamento-radiofrequencia

18
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Conclusão
Com base no trabalho realizado pelos “Tecnicistas”, o grupo verifica que as aplicações médicas
das radiofrequências vão para além do tratamento estético, como inicialmente previsto. Este tipo
de radiações entra em tratamentos realmente úteis e eficazes na luta contra doenças que estão a
afectar cada vez mais as populações, como os cancros e as doenças cardíacas (arritmias).
Os tratamentos que recorrem a radiofrequências representam uma verdadeira alternativa aos
procedimentos médicos convencionais, nomeadamente a cirurgia. Para além de apresentarem
uma eficácia elevada, com taxas de sucesso bastante favoráveis, estes tratamentos possuem
inúmeras vantagens, como por exemplo, o facto de serem minimamente invasivos, o que impede o
surgimento de riscos associados às cirurgias, nomeadamente as hemorragias, entre outros.
Contudo, como qualquer procedimento médico, o uso destas radiações apresenta um conjunto de
desvantagens, como por exemplo a ocorrência de queimaduras, dado que o principal efeito gerado
no nosso corpo pelas radiofrequências é a produção de calor. Um dos grandes problemas da
aplicação desta tecnologia, é o facto de se saber pouco acerca dos efeitos da exposição a médio e
a longo prazo. Poucos estudos foram feitos sobre este assunto, mas a maior parte deles não
conseguiu obter respostas esclarecedoras.
Mesmo assim, estas desvantagens não constituem factores para que não se prefira o recurso a
este tipo de tecnologia. Isto acontece devido ao facto de as ocorrências negativas serem raras, e a
eficácia, as taxas de sucesso e todo o conjunto de vantagens, suplantarem os riscos associados
ao uso desta radiação nos tratamentos médicos.
Podemos então concluir que as radiofrequências são um tipo de radiação que pode ser utilizada
de forma vantajosa no diagnóstico e tratamento de um variado leque de doenças, representando
uma tecnologia futurista e bastante eficaz.

19
O Universo das Radiofrequências nas Aplicações Médicas

Bibliografia

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Meindl, James D., “Implantable telemetry in Biomedical Research”, 1997 in Christiansen Donald,
Electronics’s Engineer’s Handbook, McGraw-Hill, Capítulo 30, artigo 49

20
Apêndice I – Características das Ondas Electromagnéticas

In http://monit.it.pt/index.php?id=20&c=6#3

Características das Ondas Electromagnéticas

As radiações electromagnéticas são o resultado da interacção de um campo magnético e de


um campo eléctrico, ambos variáveis e invisíveis.
Existem características particulares das ondas electromagnéticas que determinam as suas
propriedades e aplicações. As características essenciais são:

 Comprimento de onda (λ)

 Frequência (ƒ)

 Amplitude

 Direcção

 Velocidade de propagação

 Polarização

O comprimento de onda, λ, é a distância


compreendida entre dois pontos
consecutivos em fase, isto é, para duas
ondas completas seguidas, é a distancia
entre dois pontos que ocupem a mesma
posição em dois ciclos sucessivos. Esta é
medida em metros, apresentando uma
relação inversa com a frequência:
A frequência, ƒ, define-se como o número
de variações completas que ocorrem num

segundo, sendo medida em Hz. Esta é Figura 1: Radiação Electromagnética.


inversa do período (tempo de um ciclo
completo) e, portanto, quanto menor for o Fonte: http://files.elektronpower-
período, maior será a frequência. O medea.webnode.pt/200000020
721ef7318d/Campo%20electrico%20Vs%20magnetico.jpg
mesmo se passa com o comprimento de
onda dado que, quanto menor for este, menor é a frequência.
A Amplitude, por sua vez é distância compreendida entre a crista de uma onda (ponto mais
alto) e a posição de equilíbrio. Desta depende a intensidade da onda, e a sua unidade de
medida depende do tipo de campo a considerar. Se este for um campo eléctrico esta é
-1
medida por volt por metro (V.m ); no caso de este ser um campo magnético a unidade de
-1
medida é o Ampère por metro (A.m ). Considerando um meio sem obstáculos a velocidade
-1
das ondas electromagnéticas alcança os 300.000 quilómetros por segundo (km.s ). Esta
pode depois ser alterada quando encontram no seu caminho montanhas ou edifícios, que
provocam nestas ondas reflexão ou difracção (fenómenos ondulatórios).
A última propriedade é a polarização da onda. Não é fundamental que esta propriedade seja
conhecida, pois não ajuda a perceber o estudo em causa, para além de ser uma propriedade
complexa. A polarização traduz a variação do vector campo eléctrico em função do intervalo
de tempo. Traduz então a componente eléctrica da radiação electromagnética.

I
Apêndice II – Efeitos físicos e fisiológicos das Radiofrequências

In http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/eletro/eletroterapia.htm

Efeitos físicos e fisiológicos das Radiofrequências

Efeitos Físicos:

1
 Efeito Joule :
Uma das bases físicas fundamentais para entender como funcionam e se aplicam as
radiofrequências é o Efeito de Joule.
Com base neste efeito pode-se afirmar que quando passa energia através de um
condutor, parte dessa energia eléctrica converte-se em calor. Nas aplicações médicas, o
condutor é o próprio tecido do indivíduo.
Graças a este efeito, a radiofrequência produz calor ao entrar em contacto com o tecido
permitindo o seu uso na Medicina, no tratamento e cura de determinadas patologias e
doenças.

 Produção de Calor:
Ao absorver a energia das radiofrequências as moléculas aquecem, segundo o efeito de
Joule. Este aumento da temperatura origina uma maior agitação dessas moléculas, e
estes movimentos extremamente rápidos aumentam o atrito e consequentemente
produzem calor de forma orgânica.

 Campo Electromagnético:
Segundo um estudo realizado por Faraday e Maxwell, descobriu-se que um campo
eléctrico gera um campo magnético e vice-versa. Esta base científica está na base de um
efeito não térmico, que é a produção de um campo magnético, que pode ser prejudicial
para o organismo.

Efeitos Fisiológicos:

 Vasodilatação:
Ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos devido à aplicação de calor sobre estes, o que
origina a dilatação e expansão dos corpos. Isto deve-se ao aumento da temperatura nas
moléculas, que induz o afastamento das moléculas e consequentemente a expansão.

 Aumento do metabolismo:
É uma consequência da vasodilatação. Este fenómeno permite uma maior circulação
2
sanguínea, logo um maior fornecimento de nutrientes, oxigénio e leucócitos .

1
Cientista inglês, conhecido pelos trabalhos publicados em relação ao calor e ao trabalho mecânico.

2
Células pertencentes ao sistema imunitário, que eliminam ou neutralizam agentes invasores.

II
Apêndice II – Efeitos físicos e fisiológicos das Radiofrequências

In http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/eletro/eletroterapia.htm

 Efeitos sobre o Sistema Nervoso:


Também é uma consequência da vasodilatação, em que o aumento do fluxo de sangue
3
promove a actividade das glândulas endócrinas no sistema nervoso central. No sistema
4
periférico , o aumento da temperatura induz, nos nervos periféricos, o aumento da
velocidade e condução dos estímulos nervosos.

 Diminuição da Dor:
Com a incidência de calor nos nervos, as terminações sensitivas ficam inibidas,
impedindo a passagem de estímulos nervosos e consequentemente o alívio da sensação
de dor.

 Efeitos fisiológicos nos músculos:


A acção das radiofrequências provoca o relaxamento da musculatura, facilita a
transmissão nervosa e a captação de nutrientes para a actividade muscular
(consequência da vasodilatação).

 Destruição de Tecidos:
O calor excessivo (sem ultrapassar os limites) libertado pelas radiofrequências provoca
danos irreversíveis nos tecidos, através da desnaturação de proteínas, e necrose por
5
coagulação.

3
Glândulas que segregam hormonas fundamentais para o funcionamento do organismo.

4
Responsável pela recepção e envio de informação para o Sistema Nervoso Central, através principalmente de
nervos.
6
Formação de um coágulo devido à acção de um conjunto de processos químicos realizados por várias células
(plaquetas) e proteínas, evitando hemorragias aquando da ocorrência de uma lesão.

III
Apêndice III – Ficha de entrevista ao Eng. João Correia

Ficha de entrevista ao Eng. João Correia

Entrevistado: Professor João Correia

Entrevistador: Francisco Furtado Mendonça, José Portela, António Sousa e Eurico Boal

Local: Sala de conferências

Data: 25/02/2011

Hora: 11:30

Modo de transporte: Inexistente

Material e recursos: Gravador, ficha de entrevista

Tema: Ondas de rádio

Objectivos: -aprofundar o conhecimento sobre as ondas de rádio.

-abordar o funcionamento das ondas de rádio nas aplicações médicas.

Perguntas:

As ondas são caracterizadas por terem uma determinada frequência, comprimento


de onda, Quais as propriedades que fazem com que as radiofrequências sejam
utilizadas nas mais variadas aplicações? Porquê não outras?

Quais os principais efeitos das ondas de rádio quando aplicadas no corpo humano? E
como podem ser usadas em seu benefício?

Sabemos que a banda das radiofrequências vai desde os 3 kHz aos 300 quais são as
frequências mais utilizadas? Porquê? As ondas utilizadas variam de aplicação em
aplicação ou não?

As ondas interagem com a matéria, podendo esta ser perigosa para a vida humana.
Existem alguns perigos relativos à exposição a este tipo de ondas? Quais?

Já com todas estas aplacações, que vão desde a telecomunicação à Medicina, qual é
o futuro das radiofrequências?

Sabendo que pretendemos realizar uma pesquisa científica sobre as utilizações das
Radiofrequências na Medicina, que tipo de contactos sugere para que este grupo
possa inteirar uma pesquisa minuciosa sobre o assunto?

IV
Apêndice IV – Relatório de entrevista à Dra. Isabel Távora

Relatório de entrevista à Dra. Isabel Távora

A entrevista à Dra. Isabel Távora, directora de Imagiologia, foi realizada no dia 3 de Março de
2011, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do grupo sobre a temática das
aplicações médicas.

No início da entrevista, a entrevistada começou por explicar os efeitos das radiofrequências


no corpo humano, que se traduzem na produção de calor. É este que está na base da
aplicação das radiofrequências na Medicina, pois o aumento da temperatura nos tecidos
origina a necrose dos mesmos, podendo assim ser utilizada em benefício do ser humano.
Este método de utilizar calor no tratamento de certas doenças ou anomalias designa-se por
cauterização, usada desde 1700 para travar as hemorragias, passando a ser considerada
como procedimento médico em 1900.

Um dos tratamentos, que envolvem o uso das radiofrequências, mais utilizados é a destruição
de tumores através da chamada ablação por radiofrequência. Esta técnica recorre a um
aparelho que recorre, por sua vez, a dois eléctrodos, um sob a forma de uma agulha, que se
introduz no local onde se faz a ablação, e outro no local da pele do doente, sobre a forma de
placas com gel, de modo a que evitar queimaduras e a criar uma corrente eléctrica entre os
dois eléctrodos, formando um circuito eléctrico. Este tratamento permite, através da emissão
de calor pela ponta do eléctrodo, a necrose de certos tumores nas zonas onde este foi
introduzido, criando uma zona circular onde o calor actua e onde se encontram as células
tumorais, especialmente no fígado e no pulmão.

TRATAMENTOS:

Este tratamento é muito importante na cura de tumores no fígado, pois é neste órgão que
surgem, na maior parte dos casos, metástases. Além disso, como é um órgão muito
importante e delicado, a ablação por radiofrequência permite uma maior precisão sem afectar
estruturas fundamentais no funcionamento do fígado, como por exemplo a vesícula biliar.

É também utilizado em tumores do pulmão e do rim, sendo que o tratamento a este último
tumor é realizado essencialmente no estrangeiro. O cancro da mama, lesões ósseas e da
tiróide estão mais relacionados com a cirurgia. Para que seja possível a realização deste
tratamento, primeiramente deve ser diagnosticado o tumor e este deve ser obrigatoriamente
acessível. No tratamento da dor, é possível usar radiofrequências, apenas quando existe um
tumor a exercer pressão sobre os plexos nervosos.

FUNCIONAMENTO:

MAQUINA EMISSORA DE RF:

Uma das zonas da ponta do eléctrodo é aquela que vai provocar a necrose dos tecidos
expostos em seu redor; para um tratamento eficaz, esta ponta colorida deve-se situar no
centro do tumor. Os eléctrodos estão equipados com um circuito integrado de arrefecimento
para evitar o sobreaquecimento na ponta do eléctrodo, sendo que é utilizando soro gelado. As
pontas dos eléctrodos variam entre os 3 e 5 cm, em função do tamanho do tumor. É

V
Apêndice IV – Relatório de entrevista à Dra. Isabel Távora

necessário escolher a ponta do eléctrodo de modo a que, aquando do tratamento, haja uma
área de segurança à volta das células rumorais de modo a que não restem quaisquer células,
de forma a que não se multipliquem de novo. Além disso, esta zona de segurança possibilita
que o organismo reconstrua as células afectadas pelo tratamento. A esta área de segurança
é adicionada 1 a 2 cm da agulha ao tamanho do tumor. O número de placas varia entre os
dois e os quatro, sendo que são apensas utilizadas quatro placas quando o eléctrodo possui
três pontas, devido a maior intensidade de corrente necessária para efectuar o tratamento.

Num tratamento por radiofrequências existe um campo eléctrico que oscila consoante a
frequência da onda. Os iões do tecido adjacente são deslocados por este campo eléctrico
oscilatório, onde a velocidade é proporcional à intensidade do campo eléctrico. Este
movimento origina calor, devido à fricção causada, formando fontes de calor na zona contígua
ao eléctrodo.

TRATAMENTO:

Este tratamento tem de estar associado a técnicas de monitorização de forma a conhecer as


zonas afectadas pelo tumor (benigno) ou por metástases, de modo a também não afectar as
estruturas e células circundantes. Desta forma, a introdução da agulha (eléctrodo) na zona
afectada pelo tumor, é auxiliada pela ecografia ou tomografia axialmente computorizada
(TAC), de modo a se saber a localização efectiva do tumor. A escolha entre estes dois
depende do local onde vão actuar as radiofrequências. Assim, por exemplo, no tratamento ao
fígado recorre-se a ecografia mas no pulmão tem de ser tomografia pois o pulmão possui ar o
que impede a leitura dos resultados obtidos.

Na ecografia, é utilizada uma sonda na qual se inclui o cristal piezoeléctrico que gera ultra-
sons (dos 2 aos 14 MHz) que, quando encontram varias substâncias com densidades
diferentes, são reflectidos sobre a forma de eco. A imagem gerada será então baseada nos
diferentes ecos recebidos correspondentes aos diferentes tecidos atravessados. Numa
ecografia, o tumor é identificado como uma cor mais clara dado que este é
hipervascularizado, sendo que, depois do tratamento por radiofrequências, este é
representado por uma cor escura, pois este tratamento permite cortar a vascularização do
tumor, levando á sua necrose.

As temperaturas maiores que 47ºC provocam lesões irreversíveis nos tecidos, e só depois do
sistema estar parado é que se pode ver qual a temperatura máxima atingida. O tratamento é
considerado eficaz quando chegam a temperaturas entre os 50ºCe os 60ºC. Quando
expostas a temperaturas elevadas, os tecidos entram em vaporização e consequente
carbonização. Assim, deve haver um controlo da temperatura, para que as células sejam
reabsorvidas pelo organismo. O calor gerado diminui rapidamente quanto maior a distância
ao eléctrodo, portanto será mais elevado quando menor a distância.

Limitações

No tratamento pelas radiofrequências, os tumores e metástases devem ser lesões pequenas


que não ultrapassem os 3 cm de diâmetro, sendo limitado também pelo número de lesões
que existem no órgão. O tratamento tem uma duração aproximada de 15 a 20 minutos. É feita
uma sedação consciente, de modo a tirar a dor ao doente. São utilizados ansiolíticos,
derivados da morfina, entre outros medicamentos, para que o doente, estando consciente,

VI
Apêndice IV – Relatório de entrevista à Dra. Isabel Távora

não sinta dores no tratamento, sendo também utilizada uma anestesia local, na zona onde o
tumor se situa.

COMPLICAÇÕES:

 Queimadura nas zonas onde estão as placas, quando o gele aplicado não é
suficiente, existindo portanto um contacto directo com a pele;
 Quando um cateter é inserido perto do pulmão, pode entrar ar entre as pleuras,
podendo fazer um pneumotórax;
 Necrose de estruturas por onde é necessário introduzir a agulha, onde não era
pretendida a necrose.

OUTROS TIPOS DE TRATAMENTOS RELACIONADOS COM A RF:

Outros tipos de equipamentos também fazem necrose por calor (tratamentos a microondas e
a laser - tratamentos muito menos desenvolvidos ao nível mundial do que o tratamento por
radiofrequências). A ressonância magnética também é uma alternativa, não sendo uma opção
para pacientes com objectos metálicos (válvulas cardíacas, pacemakers, próteses), pois esta
tecnologia pode fazer parar os pacemakers e aumentar de tal modo a temperatura de
materiais magnéticos, podendo provocar queimaduras internas. Este tratamento não é
aconselhável a grávidas até determinado tempo de gestação, não se sabendo quais os
efeitos que podem causar (não houve tempo suficiente nem aplicação para se obterem tal
resultados), podendo originar malformações no feto. Na radioterapia são utilizadas radiações
ionizantes para fazer tratamentos/terapêuticas em situações oncológicas isoladamente ou em
conjunção com a quimioterapia.

COMPARAÇÕES COM OUTROS TRATAMENTOS QUE USAM RF:

Comparativamente à cirurgia, a eficácia do tratamento por radiofrequências tem uma taxa de


sucesso semelhante.

Um exame de ressonância magnética custa entre o 300 e os 400€, enquanto um exame de


TAC custa cerca de 150€. A ressonância magnética permite um contraste muito maior, devido
às substâncias paramagnéticas (derivados do gadolínio) que se alinham segundo um campo
eléctrico gerado pela máquina de ressonância magnética, enquanto numa TAC, o contraste é
um contraste iodado, que pode resultar em reacções alérgicas graves. Um tratamento por
radiofrequências custa por volta dos 1000 euros.

Divulgação

O tratamento por radiofrequências é pouco divulgado, apesar de ser uma tecnologia muito
utilizada em todos os hospitais centrais. Esta tecnologia também pode ser utilizada numa
operação, enquanto o paciente se encontra a meio de cirurgia, quando o tumor se encontra
acessível apenas através de uma cirurgia. As radiofrequências acarretam malefícios,
podendo até ser utilizado em doentes com pacemakers (mas não podem entrar num campo
de ressonância magnética).

A taxa de sucesso do tratamento por radiofrequências baseia-se numa tabela padrão para
averiguar a taxa de sucesso dos tratamentos efectuados.

VII
Apêndice V – Apneia do Sono

In http://www.manualmerck.net/?id=90&cn=860

Apneia do Sono

A apneia do sono caracteriza-se pela interrupção da respiração, quando se está a dormir, por
um tempo superior a 10 segundos. Se estes episódios forem demasiado frequentes e
prolongados, considera-se que este tem a patologia designada de Síndrome de Apneia
Obstrutiva do Sono, que interfere gravemente no sono do indivíduo. A apneia pode ser de três
tipos:
1. Central - não ocorre entrada ou saída de ar nos pulmões, devido ao facto do doente
não realizar qualquer esforço para respirar.
2. Obstrutiva – o doente não respira por causa da obstrução de uma região na garganta.
3. Mista – conjugação dos dois factores enunciados anteriormente, isto é, o individuo
afectado não faz esforço para respirar não conseguindo respirar por existir uma
obstrução.
As causas desta patologia atribuem-se a um encerramento ineficaz da via por onde passa o
ar (via respiratória), durante o sono do individuo, em que os músculos da garganta relaxam de
forma inadequada ou a garganta é simplesmente demasiado estreita, originando a redução
do fluxo do ar e o ressonar. Se ocorrer uma redução total da via respiratória, passa-se a
considerar a apneia como apneia obstrutiva. O grande volume da língua pode também induzir
a apneia, sendo uma das principais causas de obstrução da via respiratória.
A obesidade pode ser um factor de risco, que aumenta a probabilidade de se desenvolver
esta patologia, já que o peso da gordura provoca o relaxamento do músculo, originando
episódios de apneia obstrutiva. Também o álcool e o consumo de certas substâncias podem
ser responsáveis pela apneia.
Estas interrupções afectam a quantidade de oxigénio no organismo e originam maior esforço
por parte do doente para respirar. O cérebro detecta estes problemas e faz com que a pessoa
acorde, para que esta volte a respirar normalmente, pois ao acordar, os músculos contraem-
se, levando à abertura da garganta e a um fluxo de ar normal. Este episódio passa
despercebido ao doente, pois é como se este nunca tivesse acordado. O problema é que
estas interrupções continuam a acontecer sucessivamente, repetindo-se várias vezes por
noite. Isto origina um sono de má qualidade.
Esta doença está associada a um conjunto de sintomas que demonstram que um dado
indivíduo pode possuir esta patologia. Dentro destes destacam-se:
 O ronco e a sonolência diurna, sendo que este último é causado pelo facto de o sono
não conseguir atingir as fases mais profundas, nas quais o descanso é maior e mais
revigorante, fazendo com que o indivíduo sinta muito sono durante o dia;
 Acordar com sensação de sufocamento, e com a respiração ofegante;
 Acordar com dor no peito ou desconforto;
 Acordar pela manhã com a boca seca ou dor de garganta;
 Acordar confuso;
 Dor de cabeça ao acordar;
 Alterações da personalidade;
 Dificuldade de concentração;

VIII
Apêndice V – Apneia do Sono

In http://www.manualmerck.net/?id=90&cn=860

 Problemas de memória;
 Impotência sexual;
 Acordar frequentemente durante a noite para urinar;
 Suar muito durante a noite;
 Problemas emocionais (devido à má qualidade de sono);
 Depressão;
 Enxaquecas matinais.

Para além da cura destes sintomas, a apneia deve ser tratada de forma rápida, porque esta
patologia aumenta o risco de problemas cardíacos, como arritmias cardíacas e o enfarte do
miocárdio. Além disso, devido à sonolência que origina, a apneia de sono aumenta a
probabilidade de ocorrerem acidentes de viação. A apneia obstrutiva já foi também associada,
em alguns estudos, a doenças do fígado, pois a apneia provoca resistência à insulina e falta
de oxigénio no fígado.

IX
Apêndice VI – Funcionamento da Máquina Emissora de Radiofrequência

In entrevista a Isabel Távora

Funcionamento da Máquina Emissora de Radiofrequência

A zona colorida na ponta do eléctrodo é aquela que provoca a necrose dos tecidos expostos
em seu redor, designando-se de ponta activa, e deve-se situar no centro do tumor para a
realização de um tratamento eficaz. Os eléctrodos estão equipados com um circuito integrado
de arrefecimento, através de soro gelado, de modo a evitar o sobreaquecimento na ponta dos
mesmos.
As pontas dos eléctrodos variam entre os 3 e 5 cm, em função do tamanho do tumor. É
necessário escolher o tamanho da ponta do eléctrodo de modo a que haja uma área de
segurança à volta das células tumorais, para que não restem quaisquer células que se
possam multiplicar de novo. Além disso, esta zona de segurança possibilita que o organismo
reconstrua as células afectadas pelo tratamento.
Num tratamento por radiofrequências existe um campo eléctrico que oscila consoante a
frequência da onda. Os iões do tecido adjacente são deslocados por este campo eléctrico
oscilatório, onde a velocidade é proporcional à intensidade do campo eléctrico. Este
movimento origina calor, devido à fricção causada, formando fontes de calor, na zona
adjacente ao eléctrodo.

X
Apêndice VII – Arritmias Cardíacas

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Arritmia_card%C3%ADaca

Arritmias Cardíacas

A arritmia cardíaca define-se como sendo uma doença que afecta os batimentos do coração,
promovendo batimentos anormalmente rápidos (taquicardia) ou bastante lentos (bradicardia).
Contudo, na maior parte dos casos esta doença não é perigosa, mas, se não for devidamente
tratada e acompanhada, pode levar à morte. As arritmias surgem pelo funcionamento
incorrecto do nódulo sinusal, localizado na aurícula direita do coração. Este estimula a
contracção do miocárdio através de impulsos eléctricos, e, no caso de estar a funcionar
incorrectamente, os impulsos eléctricos enviados influenciarão as contracções do coração.
De entre os factores de risco que normalmente originam esta doença cardíaca contam-se o
stress, o fumo, o álcool, o exercício, o consumo de certas drogas, como a cocaína, o uso de
alguns medicamentos, e o excesso de cafeína.
Um ataque cardíaco, ou outras condições que danificam o sistema eléctrico do coração,
também podem causar arritmia. Nestas condições incluem-se a pressão alta, doença da
artéria coronária, insuficiência cardíaca e doença reumática do coração. Para algumas
causas de arritmia, como a síndrome Wolff-Parkinson-White, o defeito cardíaco que a causa
está presente no nascimento (ou seja, é congénito).
A arritmia cardíaca manifesta-se através de alguns sintomas que denunciam que o doente
padece desta patologia, nomeadamente:
 Dor no peito
 Falta de ar
 Desmaio
 Fraqueza, tonturas e enxaquecas
 Ansiedade
 Palpitações cardíacas, em que o doente sente que o ritmo cardíaco está demasiado
elevado
 Batimento cardíaco lento e irregular
 Sensação de pausa entre os batimentos cardíacos

XI
Apêndice VIII – Tumores

In Carrajola, Cristina; Castro, Maria José; Hilário, Teresa. "Planeta com Vida", Santilana
Constância (editora), pgs 165-166, 2009

Tumores

Todas as células dos seres vivos possuem a


capacidade de se dividirem, por mitose
(excepto as células sexuais). Por sua vez, as
células também podem sofrer apoptose, termo
que designa a morte celular programada
quando as células começam a tornar-se
defeituosas, ou simplesmente devido ao facto
de já terem envelhecido em demasia.
Os problemas surgem quando algumas células
do organismo não realizam a apoptose,
tornando-se virtualmente “imortais”, dividindo- Figura 2 – Tumores.
se indefinidamente, mas podendo ser
destruídas. Formam-se assim as primeiras Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/banco-de-
células tumorais, ou seja os tumores. Os imagens/lg/web/images/ch-on-
line/colunas/celulas/4228b.jpg
tumores podem-se originar em qualquer órgão
ou tecido. Existem por isso vários tipos de tumores que podem localizar em variados locais,
como no cérebro, pulmões, fígado, garganta, entre outros.
Os tumores podem, de seguida, invadir os vasos sanguíneos, entrando no sistema
circulatório do indivíduo. As células tumorais podem, assim, invadir outros tecidos. Formam-
se desta maneira as metástases.
Os tumores podem ser classificados em benignos e malignos, tendo em conta a sua
capacidade de proliferação pelo organismo. Os tumores benignos são aqueles que cuja
proliferação foi impedida e que se localizam somente no local onde se originaram. Os
malignos são assim, por seu lado, aqueles que invadiram, através da corrente sanguínea, os
outros tecidos, ou seja, são os tumores invasivos.
Os tumores surgem por diversas causas. Entre elas há que destacar o papel dos factores de
risco. Os factores de risco são um conjunto de factores que fazem aumentar a probabilidade
de aparecimento de certas doenças. Para o cancro, temos por exemplo um factor muito
conhecido que é o tabagismo, que representa uma das principais causas para o
aparecimento de cancro. Também o álcool e a alimentação (consumo em excesso de
gorduras e aditivos) representam factores de risco que fazem aumentar a possibilidade do
indivíduo vir a ter doenças cancerígenas.
Contudo, nem sempre o cancro surge de factores externos ao organismo. Os tumores podem
resultar de alterações genéticas, as chamadas mutações. Estas mutações são causadas por
agentes mutagénicos, ou neste caso por agentes cancerígenos que provocam as mutações
dos genes. Estas alterações de genes causam então um crescimento e divisão celular
indefinida e descontrolada, além de poderem impedir a ocorrência da apoptose. Por exemplo,
existe um conjunto de genes denominados proto-oncogenes que regulam a divisão celular e
controlam a apoptose. Mas, por acção das mutações, estes genes podem ser activados
erradamente, transformando-se em oncogenes, que originam um descontrolo da divisão
celular. Por outro lado Por outro lado os oncogenes interferem ainda na apoptose, impedindo-
a de ocorrer. Assim estas mutações, neste caso nos proto-oncogenes, levam à formação dos
tumores.

XII
Apêndice VIX – Hipertrofia Benigna de Próstata

In http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertrofia_prost%C3%A1tica_benigna

Hipertrofia Benigna da Próstata

A hipertrofia da próstata é uma doença


que afecta os homens com mais de 40
anos, que se define como sendo um
crescimento benigno deste órgão que
provoca um estreitamento do canal da
uretra, que resulta numa dificuldade
acrescida da micção (acto de urinar).
O aumento do tamanho deste órgão
justifica-se com o descontrolo que
ocorre no crescimento celular no
epitélio dos tecidos, o que origina a
formação de nódulos na região Figura 3 – Hipertrofia da Próstata
periuretral da próstata. O crescimento Fonte:
em demasia destes nódulos resulta, http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/Benign_
assim, no bloqueio parcial, ou mesmo Prostatic_Hyperplasia_nci-vol-7137-300.jp
total, do canal uretral, interferindo no
fluxo normal da urina. Por esta razão, surgem os sintomas normalmente associados a esta
patologia, nomeadamente, a polaquiúria (necessidade de urinar frequentemente e em
pequenas quantidades), o aumento do risco de infecção do trato urinário e a retenção
urinária.

XIII
Apêndice X – Dor Crónica

In http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/cuidados+paliativos/
dor.htm

Dor Crónica

A dor crónica, como o nome sugere, é uma patologia que provoca intensa dor durante um
longo período de tempo, e não de forma temporária. Pode ser intermitente ou contínua, isto é,
sente-se constantemente ou de forma intermitente. Uma das dores mais graves é a dor da
coluna (lombalgia). É uma patologia crónica, muito dolorosa e pode ser incapacitante,
diminuindo a qualidade de vida do indivíduo. Manifesta-se ao nível do pescoço, coluna
superior ou zona lombar, podendo ainda passar para os braços e pernas do individuo.
Esta patologia pode ser originada devido a certos comportamentos de risco, normalmente
associados ao trabalho. Neste caso, designa-se por lombalgias ocupacionais, em que a
actividade e a postura durante a realização desta, são os factores determinantes para o
surgimento das lombalgias, como por exemplo erguer demasiado peso e sentar-se de forma
errada.
Outros factores de risco que podem levar à dor coluna são a obesidade, sedentarismo, stress
(causa tensão na musculatura, levando a dores e até a alterações na coluna). Daqui resultam
os problemas que causam a dor da coluna, que são: a hérnia discal, distensão lombar e
degeneração discal.

XIV
Apêndice XI – Vantagens e Desvantagens da Ressonância Magnética

In http://saude.hsw.uol.com.br/ressonancia-magnetica.htm

Vantagens e Desvantagens da Ressonância Magnética

Entre as patologias que se podem diagnosticar com esta técnica, há que destacar:

 Esclerose múltipla
 Tumores na glândula pituitária e no cérebro
 Infecções no cérebro, medula espinal ou articulações
 Ligamentos rompidos no pulso, joelho e tornozelo
 Lesões no ombro
 Tendinite
 Massas nos tecidos macios do corpo
 Tumores ósseos, cistos e hérnias de disco na coluna
 Derrames no estágio inicial
 Estudo da medula óssea

Contudo, apesar do grande número de vantagens, a ressonância magnética não deixa de


possuir certas desvantagens, como por exemplo:
 O facto de existirem muitas pessoas que não podem fazer este exame por questões
de segurança, como por exemplo indivíduos com pacemakers ou válvulas (a
ressonância recorre a potentes campos magnéticos que perturbam o seu
funcionamento);
 O facto de existirem pessoas com dimensões incompatíveis com o tamanho da
máquina;
 A existência de pessoas com claustrofobia, que ao entrar no espaço limitado e
apertado do tubo, podem ter uma ocorrência claustrofóbica. Esta é uma das grandes
desvantagens que impedem muitos indivíduos de realizarem estes exames, devido à
fobia de entrar em espaços confinados;
 Durante o exame, a máquina faz muito barulho. São sons de batidas contínuas e
rápidas. Por isso, os pacientes recebem protectores ou headphones para abafar o
barulho. O barulho é criado pelo aumento da corrente eléctrica nos fios indutores de
corrente eléctrica;
 Os pacientes devem ficar completamente imóveis durante longos períodos de tempo.
Estes exames podem durar entre 20 a 40 minutos;
 Equipamentos ortopédicos (pinos, placas, articulações artificiais) na área do exame
podem causar graves distorções nas imagens;
 Os equipamentos de ressonância magnética são extremamente caros, o que faz com
que os exames sejam igualmente caros.

XV
Anexo A: Objectivos do Projecto

In http://monit.it.pt/index.php?id=14

Objectivos do Projecto

O Projecto monIT está em curso no Instituto de Telecomunicações/Instituto Superior Técnico,


tendo como objectivo disponibilizar publicamente informação relevante sobre radiação
electromagnética em comunicações móveis:

1. Conceitos relacionados com ondas electromagnéticas, limites de exposição conhecidos,


bibliografia, referências pertinentes, etc.
2. Resultados de medidas efectuadas pela equipa do projecto junto de antenas de Estação
Base em locais públicos escolhidos ao longo do País.

O conteúdo deste portal inclui as várias actividades desenvolvidas pela equipa do Projecto
monIT, um centro de informação com material acessível ao público em geral e à comunidade
técnica interessada, bem como o portal do Prémio monIT.

Neste portal, a abordagem do problema da exposição à radiação electromagnética centra-se


na perspectiva de engenharia, que é complementar de uma perspectiva médica do mesmo
problema, mas que excede o objectivo do portal. Os estudos sobre a radiação
electromagnética estão centrados na vertente das Comunicações Móveis, abrangendo tanto
os telefones móveis, como as antenas de estação base dos sistemas GSM e UMTS.

Motivação

O desenvolvimento das Comunicações Móveis nos últimos anos tem sido excepcional, tendo
a taxa de penetração de telefones móveis atingindo 150 % da população portuguesa (3º
trimestre 2010, ANACOM). A necessidade de responder a esta procura crescente com um
aumento da capacidade dos sistemas de comunicações móveis tem levado a uma
proliferação de antenas de Estação Base, especialmente nas zonas de maior densidade
populacional.

Decorre do atrás exposto, que surgiu no público a preocupação legítima e natural sobre os
possíveis efeitos nocivos para a saúde, em consequência, quer da radiação das antenas que
estão colocadas nos edifícios onde habitam ou trabalham, quer da que é emitida pelos
telefones que elas próprias utilizam. A consciencialização pública para este problema tem
sido fomentada pelos órgãos de comunicação social, que têm dado muita atenção a este
assunto.

Mas não é possível fazer uma avaliação objectiva dos riscos sem quantificar os níveis de
radiação electromagnética a que a população é exposta, para poder compara-los com limites
de segurança estabelecidos por organismos internacionais de saúde, e por outras
organizações acreditadas. O portal do Projecto monIT fornece esta informação,
disponibilizando resultados de medidas efectuadas em locais públicos ao longo do País.

Por outro lado, havendo no Instituto de Telecomunicações investigação científica activa sobre
este tema, este está em posição para produzir informação em linguagem acessível que possa
contribuir para esclarecer a opinião pública sobre os aspectos relevantes da radiação
electromagnética em comunicações móveis, na perspectiva da engenharia.

XVI