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FACULDADE PITÁGORAS

ARQUITETURA E URBANISMO

DENISE FONSÊCA PINHEIRO

CASA DE ACOLHIMENTO PARA CRIANÇAS E


ADOLESCENTES EM SÃO LUÍS

São Luís
2018
DENISE FONSÊCA PINHEIRO

CASA DE ACOLHIMENTO PARA CRIANÇAS E


ADOLESCENTES EM SÃO LUÍS

Monografia apresentada ao curso


de Arquitetura e Urbanismo da
Faculdade Pitágoras – Turú como
requisito à obtenção do título de
Bacharel em Arquitetura e
Urbanismo.

Prof.: PATRÍCIA VIEIRA TRINTA


Orientador

São Luís
2018
DENISE FONSÊCA PINHEIRO

CASA DE ACOLHIMENTO PARA CRIANÇAS E


ADOLESCENTES EM SÃO LUÍS

Monografia apresentada ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade


Pitágoras como requisito à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e
Urbanismo.

COMISSÃO JULGADORA:

NOME:
Arquiteto e Urbanista
Faculdade Pitágoras - Turú - São Luís - MA
Professor Examinador

Patrícia Vieira Trinta


Arquiteta e Urbanista
Faculdade Pitágoras - Turú - São Luís - MA
Professora Orientadora - Presidente da Banca Examinadora

NOME:
Arquiteto e Urbanista
Professor Convidado
São Luís (MA), ____ de _________________ de 2018.

“Dedico este trabalho a Deus, por


ser essencial na minha vida,
autor do meu destino,
meu guia, socorro
presente na hora
de angustia”
AGRADECIMENTOS

A realização desse trabalho só foi possível graças:

A Deus por sua longânime misericórdia na minha vida, me concedendo a


liberdade para aprender novos passos enriquecendo a minha mente de sabedoria.

A Faculdade Pitágoras por ter aberto suas portas nos concedendo a


liberdade e boas-vindas para que nós buscássemos conhecimento dia após dia.

Ao meu orientador pela paciência e suas palavras de encorajamento e


força que foram motivadoras durante a elaboração deste trabalho.

Aos meus professores que ao longo de cinco anos demonstraram muita


paciência enquanto repassavam novos conhecimentos que me instigaram novas
curiosidades e o desejo de querer saber mais.

Aos meus colegas que tive o privilégio de conhece-los durante esses


cinco anos de aprendizado, e por ter proporcionado a troca de conhecimentos.
Instrua a criança segundo os objetivos
que você tem para ela, e mesmo com o
passar dos anos não se desviará deles.

Provérbios 22:6
RESUMO

CASA DE ACOLHIMENTO PARA CRIANÇAS E


ADOLESCENTES EM SÃO LUÍS

Em 1927, o Brasil estabelece o primeiro documento direcionado à crianças e


adolescentes, o Código do Menor, no decorrer dos anos sofreu transformações, pois
não atende a todas às necessidades destes, em 1979, foi instalado o “Novo Código
do Menor”, este, já estabelecia parâmetros de proteção e assegurava mais direitos
aos ditos em “situação irregular” , termo esse, muito criticado pelos estudiosos,
nessa atualização, estipulava a maioridade penal com 18 anos de idade. Por fim, em
1990, foi promulgado o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), Lei nº 8.069, que
assegurava os direitos de todas as crianças e adolescentes. Desde então, tornou-se
constante os avanços para garantir que as crianças e adolescentes em situação de
risco, maus tratos e abandono, condições de vida digna, assim, como qualquer outro
cidadão.

Este trabalho tem como objetivo geral explanar referências significantes ao


que diz respeito à crianças e adolescentes, em busca de empreender uma proposta
de casa de acolhimento institucional, com enfoque na eficiência energética na
arquitetura para acolhe-los, no bairro da Cohab Anil I, na cidade de São Luís/MA.

Palavras chaves: Crianças e Adolescentes. Arquitetura. Acolhimento Institucional


ABSTRACT

WELCOME HOUSE FOR CHILDREN AND ADOLESCENTS


IN SÃO LUÍS

In 1927, Brazil established the first document aimed at children and


adolescents, the Minors Code, during the years underwent transformations, because
it does not meet all of their needs, in 1979, the "New Code of Minors" was installed,
already established parameters of protection and ensured more rights to the said
ones in "irregular situation", term that, much criticized by the scholars, in that update,
stipulated the criminal majority with 18 years of age. Finally, in 1990, the Child and
Adolescent Statute (ECA) was enacted, Law No. 8,069, which ensured the rights of
all children and adolescents. Since then, progress has been made steady to ensure
that children and adolescents at risk, maltreatment and abandonment, dignified living
conditions, just like any other citizen.

This work aims to explain significant references to children and adolescents,


in order to undertake a proposal of institutional shelter, focusing on energy efficiency
in the architecture to accommodate them, in the district of Cohab Anil I, in the city of
São Luís / MA.

Keywords: Children and Adolescents. Architecture. Institutional Hosting.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Roda dos exposto...................................................................................24


Figura 2 – Asilo de orfãos, associação protetora da infância desvalida –
Santos, 1902.............................................................................................25
Figura 3 – Mudanças já implantadas .....................................................................38
Figura 4 – Próximas mudanças a serem implantadas..........................................39
Figura 5 – Hierarquia da LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social...............44
Figura 6 – Hieraquia CONANDA – Conselgo Nacional dos Direitos da Criança e
do Adolescente.........................................................................................44
Figura 7 – Hierarquia CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social.........45
Figura 8 – Carta Solar da Cidade de São Luís, Maranhão..................................55
Figura 9 – Carta Bioclimática Olgyay.....................................................................56
Figura 10 – Carta Psicométrica...............................................................................57
Figura 11 – Zoneamento Bioclimático Brasileiro...................................................58
Figura 12 – Fachada Casa De Acolhimento Para Menores – Dinamarca..........70
Figura 13 – Estudo de formas.................................................................................71
Figura 14 – Orfanato em Amsterdam.....................................................................72
Figura 15 – Fazenda Canuanã................................................................................73
Figura 16 – Esquematização Brasil – Maranhão – São Luís...............................77
Figura 17 – Bairro da Cohab Anil I – São Luís, Maranhão..................................78
Figura 18 – Parcelamento, uso e ocupação do solo da cidade de São Luís, com
identificação do terreno...........................................................................79
Figura 19 – Acessos ao lote da presente proposta..............................................80
Figura 20 – Lote escolhido localizado na Cohab Anil I........................................81
Figura 21 – Localização...........................................................................................81
Figura 22 – Mapa de uso solo.................................................................................82
Figura 23 – Pontos de Interesse.............................................................................83
Figura 24 – Rotas e pontos de ônibus....................................................................83
Figura 25 – Estacionamento....................................................................................85
Figura 26 – Rua com deformação...........................................................................85
Figura 27 – Lava-Jato...............................................................................................85
Figura 28 – Praça próxima do terreno....................................................................85
Figura 29 – Estudo Bioclimático..............................................................................86
Figura 30 – Jogo Tetris............................................................................................86
Figura 31 – Estudo de manchas e setorização.....................................................89
Figura 32 – Implantação...........................................................................................90
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Quantidade mínima de profissionais para o abrigo institucional....29


Quadro 2 - Dimensionamento mimo para ambientes do abrigo instituicional. .29
Quadro 3 - Quantidade mínima de profissionais para casa lar..........................30
Quadro 4 - Dimensionamento mimo para ambientes da casa lar.......................31
Quadro 5 - Quantidade mínima de profissionais para famílias acolhedoras....32
Quadro 6 - Quantidade mínima de profissionais para republica.........................33
Quadro 7 - Dimensionamento mimo para ambientes da república....................33
Quadro 8 - Recomendações para dimensionar os espaços na instituição de
acolhimento............................................................................................49
Quadro 9 - Parâmetro de uso e ocupação do solo..............................................81
Quadro 10 - Pré-dimensionamento.........................................................................88
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 16

2 POLITÍCA DE ASSISTÊNCIA A CRIANÇA E ADOLESCENTES NO BRASIL...............21


2.1 HISTÓRICO CÓDIGO DO MENOR 1927 - 1979......................................................21
2.2 ESTATUTO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE - ECA - 1990...................................24
2.3 ACOLHIMENTO NO BRASIL...................................................................................28
2.3.1 ACOLHIMENTO E SUAS MODALIDADES.................................................................31
2.3.2 PROCESSO DE ACOLHIMENTO E SUA LEGISLAÇÃO................................................36
2.3.3 SITUAÇÃO ATUAL NA CIDADE DE SÃO LUÍS.......................................................39
2.3.4 PRINCIPAIS ÓRGÃOS VOLTADAS PARA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES...................43
2.4 O FUNCIONAMENTO E O ESPAÇO DAS INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO....45

3 CONCEITO BIOCLIMÁTICO E ARQUITETURA ............................................................50


3.1 CONFORTO TÉRMICO...........................................................................................53
3.2 ZONA BIOCLIMÁTICA.............................................................................................58
3.2 PSICOLOGIA AMBIENTAL......................................................................................67

4 REFERENCIAL EMPÍRICO .............................................................................................70


4.1 CASA DE ACOLHIMENTO PARA MENORES / CEBRA – DINAMARCA.................70
4.2 ORFANATO EM AMSTERDAM...............................................................................72
4.3 FAZENDA CANUANÃ..............................................................................................73

5 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO .........................................................................75


5.1 LEVANTAMENTO DE DADOS E VIABILIDADE ARQUITETÔNICA........................75
5.1.1 METODOLOGIA..................................................................................................75
5.1.2 PERFIL DOS ACOLHIDOS...................................................................................75
5.1.3 COHAB ANIL I....................................................................................................77
5.1.4 CONDICIONANTES LEGAIS..................................................................................78
5.1.5 CONDIÇÕES AMBIENTAIS...................................................................................80
5.2 LOCALIZAÇÃO, ACESSO E ENTORNO DO TERRENO.........................................80
5.3 CARACTERIZAÇÃO DO LOTE ESCOLHIDO..........................................................81
5.4 USO DO SOLO........................................................................................................ 82
5.5 O PROJETO ARQUITETÔNICO..............................................................................85
5.6 ESTUDO BIOCLIMÁTICO........................................................................................85
5.7 PARTIDO ARQUITETÔNICO...................................................................................86
5.8 PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO..........................87
5.9 PROPOSTA ANTEPROJETO..................................................................................89
6 CONCLUSÃO......................................................................................................................
REFERÊNCIAS
APÊNDICES
ANEXOS
14

1 INTRODUÇÃO

Neste trabalho abordaremos o tema sobre a proposta arquitetura com


enfoque na eficiência energética de uma Casa de Acolhimento para a cidade de São
Luís, MA. Em meados de 1990, as instituições que assumiam a responsabilidade
sobre crianças e adolescentes (que estava impossibilitada por algum motivo de
conviver com suas famílias), eram chamadas de: educandários, internatos, orfanatos
e reformatórios. Neste mesmo ano foi promulgada o Estatuto da Criança e
Adolescente (ECA), criando um olhar diferenciado à estas crianças e adolescentes
em circunstância vulnerável, pautada em cuidados. Entende-se também que esses
precisam se desenvolver de forma adequada e tendo seus direitos assegurados.

Na cidade de São Luís, existem poucas instituições de acolhimento, diante


da demanda existente, dessa maneira tem-se como objetivo elaborar projeto
arquitetônico de casa acolhimento que atenderá mais crianças e adolescentes que
necessitam de cuidados. Sendo assim, esses cidadãos terão seus direitos
assegurados e cuidados dignos. Muitas dessas crianças por vez, não residem mais
em casas de familiares e acabam por viverem nas ruas, às vezes, chegam a entrar
no mundo do crime e assim aniquilando o direito de segurança da sociedade ao qual
faz parte.

Foram identificados 23.973 crianças e adolescentes em situação de rua.


Pesquisa realizada pela CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e
do Adolescente), com amostra de 75 cidades com mais de 300 mil habitantes,
verificou-se que deste 71,8% crianças e adolescentes do sexo masculino e 45,13%
na faixa etária de 12 a 15 anos. Nessa pesquisa foi indicado a pobreza, como um
dos principais fatores que contribuem para a situação de rua. O estudo evidencia a
necessidade de aprimorar as políticas públicas existentes e criar novas estratégias
que proporcionem melhores condições de vida, assegurando assim, seus direitos
(Art. 227, da Constituição Brasileira, que diz respeito ao Estatuto da criança e
adolescente).

Crianças e adolescentes em situações de abandono, maus tratos, estão


vulneráveis a gerar mais sofrimento como forma de defesa e criando assim sua
própria justiça. De acordo com Catherine Taylor, líder do grupo da Universidade de
15

Duke, ao sofrer danos psicológicos ou físicos (fortemente) na infância, em pelo


menos 2 vezes ao mês, a probabilidade que ela se torne agressiva é de 50%.
Infelizmente, existem inúmeras formas de maus tratos e abandono em que uma
criança e adolescentes, estão propícios sofrer em uma família disfuncionais (com
comportamentos inadequados).

Com a promulgação do ECA, crianças e adolescentes têm seus direitos


reconhecidos em perculiar condições de desenvolvimento e que o encaminhamento
para serviço de acolhimento passou a ser concebido como medida protetiva, de
caráter excepcional e provisório (Art. 101). Assegurou ainda que a busca pela família
substituta, é excepcional, prioritariamente à família de origem, e ressaltou que a
pobreza não constitui motivo para afastamento da criança e adolescente, da família
de origem (Art. 23).

O procurador da Justiça da Infância e Juventude, Sávio Bittencourt ressalta


que a lentidão judicial coloca as crianças em “adoção tardia”. Lembra ainda que na
busca pela adoção há um perfil específico, do qual preferenciam crianças brancas,
de até 3 anos e sem doenças congênitas, e apenas 50% aceitam adotar negros e
6,3% a filhos com 8 anos ou mais. Conforme o ECA, a criança e adolescente só
entra para o CNCA (Cadastro Nacional de Criança e adolescentes), quando forem
esgotados todos os parâmetros para o retorno à família de origem e então será feito
a destituição familiar.

A abordagem de eficiência energética arquitetônica, visa estabelecer


parâmetros que venham a valorizar a climática local, adequando às edificações de
acordo com sua necessidade de conforto térmico, acústico e luminico, dessa forma
contribuindo também para a redução dos danos ambientais e enaltecendo o
consumo consciente de energia. A partir deste princípio, será proposto o anteprojeto
para uma casa de acolhimento em São Luís - MA.

De acordo com os estudos elaborados para o desenvolvimento do atual


projeto, para a casa de acolhimento para crianças e adolescentes desabrigados,
vítimas de maus tratos e abandono, tendo como propósito determinar parâmetros e
diretrizes na concepção de uma instituição que visa oferecer assistência psicológica,
16

abrigo, prevenção dos vínculos afetivos e com o entorno, fornecendo um ambiente


familiar à crianças e adolescentes em situação de rua.

O abrigo institucional para crianças e adolescente é uma das diversas


tipologias de medidas protetivas determinada pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente, onde os acolhidos em sua maioria são vítimas de maus tratos e
abandono, que se encontram impossibilitados que permanecer no ambiente familiar.
Dessa forma, passa a ser responsabilidade do governo assegurar os seus direitos
de moradia, saúde, alimentação, educação, segurança e lazer.

A presente proposta tem a intenção de transmitir aos acolhidos a sensação


de conforto, segurança e pertencimento, buscando superar os traumas sofrido por
estes, ao chegarem na instituição. O Estatuto da Criança e Adolescente rege que a
instituição não privatize ao acolhido o vínculo com a comunidade, dessa maneira,
tornar-se imprescindível que o projeto seja implantado em uma zona residencial,
proporcionando uma maior integração com a comunidade local.
17

2 HISTÓRICO CÓDIGO DO MENOR

2.1 CÓDIGO DO MENOR - 1927

Em meados da década de 20, o Brasil estava enfrentando uma crise


econômica, e o questionamento sobre a política da República Liberal, em relação ao
papel do Estado nas questões sociais. Assim, tornava-se preocupante a presença
juvenil na criminalidade, acreditava que dá perversidade de pequenos atos
inflacionários se ocultaria as malfeitorias no futuro. A princípio, o código foi
estabelecido como uma forma de manter a ordem social, tirando de circulação os
menores infratores o que lhes atrapalhavam. O país estava em uma época de
autoritarismo, todavia, não tinham como objetivo compreendê-lo e/ou ajuda-lo, mas
sim, tomar soluções paliativas, sendo assim, o problema não era resolvido e
prevenido, apenas mascarado perante a sociedade.

Antes do código do menor, o que se tinha em relação à menores envolvidos


em conflitos com a lei, era a teoria do discernimento (1890); dizia que crianças e
adolescentes, na faixa etária de 9 a 14 anos, que tivessem discernimento dos delitos
cometidos, deveriam ser punidos. Anos depois, em 1923, estipula-se que crianças
de até 14 anos não poderiam ser punidas pelos crimes e seria de responsabilidade
do responsável pelo menor, registrar o estado psicológico, físico, e a situação social,
moral e econômica dos pais.

O Código do menor, também conhecido como Código Mello Mattos, foi


estabelecido após a brutal assédio ao menino Bernardino, em 1926, que após ser
preso com apenas 10 anos de idade, foi abruptamente violentado por 20 homens
adultos. Foi assinado em 12 de outubro de 1927. A partir daí, determinou a maior
idade penal com apenas 18 anos, do qual o jovem já poderia ser responsabilizado e
encarcerado, se preciso.

A partir de 1927, as crianças de até 11 anos não poderiam mais trabalhar,


somente adolescentes de 12 a 17 anos, no entanto, com algumas restrições. Tais
como trabalho noturno, ou trabalhar em lugares perigosos. Um outro artigo
importante do código, foi a proibição da chamada “roda dos expostos”, diz a respeito
18

de crianças que eram deixadas ainda recém-nascidas, em círculos feitos nos muros
das casas de misericórdia, com a proibição, as mães teriam que registrar a criança e
somente depois entrega-las ao orfanato. Antes dessa determinação, o índice de
abandono ultrapassava a faixa de 70%, eram inúmeros os motivos para o abandono,
miséria, crianças concebidas fora do matrimonio, doentes e até crianças negras.

Desta forma, mesmo o código do menor tendo sido criado para defesa da
criança e adolescente, perante sua criação ainda havia conhecimentos muito
prematuros a respeito do abandono, maus tratos e infrações, acreditando que o
afastamento da sociedade seria a solução mais cabível, assim, não levando em
consideração a origem do problema, deixando várias frestas que deixavam os
menores de 18 anos ainda vulneráveis.

CÓDIGO DO MENOR – 1979

O novo Código diz que os menores de 18 anos sob responsabilidade do


Estado eram chamados os em “situação irregular” — o que incluía jovens vítimas de
maus-tratos, “em perigo moral” por viver em “ambiente contrário aos bons
costumes”, autores de “infrações penais”, jovens com “desvio de conduta”, entre
outras situações. Não tratava de prevenção nem de garantia de direitos específicos
para essa população, e sim de como lidar com um conflito já instalado. (JANDOLI.
R, PIMENTEL. M, 2018)

O termo “menor em situação irregular” foi bastante criticado, ao que diz


respeito à distinção do menor infrator daquele que é vítima de uma família
disfuncional, que sofreu maus tratos, abandono, entre outros fatores que por si só,
justificavam medidas diferentes, conforme o Código do Menor, esses e aqueles,
seriam tratados da mesma maneira: isolados da sociedade. Segundo Wilson Liberati
(2003, p. 113), o pior disso é que esses menores não eram considerados sujeitos
de direitos, mas objeto de atividades policiais e das políticas sociais. Depois de
muitas críticas à doutrina da situação irregular, como exposto acima, o  Código de
Menores, embora recente, provou ser deficiente ao tratar dos desvios infanto-
juvenis.
19

Antes do Estatuto, as medidas aplicadas aos menores infratores visavam,


sobretudo, sua proteção, tratamento e cura, como se eles fossem portadores de
uma patologia social que tornava insustentável sua presença no convívio social.

Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, foram aspectos importantes


para estabelecer a nova Constituição (1988), havendo participação da popular,
dessa forma, o que foi um grande avanço para o Brasil, onde foi um país que os
direitos básicos não eram assegurados a todos. Na elaboração da constituição, ao
tratar das crianças e adolescentes tem-se o artigo 227, que tem como referência a
Carta Magna, onde reconheceu a família como responsável na formação de uma
sociedade saudável, vez que, o papel da família é fundamental na estruturação do
caráter e orientação dos indivíduos.

Faz-se importante ressaltar uma grande diferença entre o Código do menor


(1979) e o Estatuto da Criança e do Adolescentes (1990). O primeiro, tratava
particularmente dos menores em situação irregular, e o segundo, abrange todos os
menores de 18 anos, independentemente de sua condição perante a sociedade.
Para Saraiva (2010, p.16)” tem-se uma só condição de criança e adolescente
enquanto destinatário da norma, titular de diretos e de certas obrigações,
estabelecendo uma nova referência paradigmática”.

O sucessor da lei de 1927 foi o Código de Menores de 1979, criado pela


ditadura militar. Depois, em 1990, veio o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Nos primeiros documentos, o objetivo é a punição, na busca pelo bom


comportamento, perante a sociedade. No entanto, agora o foco são os direitos
desses cidadãos. Atualmente, as crianças e adolescentes possuem direito à defesa,
conta-se com defensoria pública, quando não tiver condições para um defensor
particular. Explica o historiador Vinicius Bandera (2015), autor de um estudo sobre a
construção do primeiro código:

— “Menor” é um termo pejorativo, estigmatizante, que indica anormalidade e


marginalidade. “Criança ou adolescente” é condizente com os novos tempos.
Remete à ideia de um cidadão que está em desenvolvimento e merece cuidados
especiais.
20

A expressão “menor”, hoje é totalmente execrável pelo poder jurídico. O


Estatuto da Criança e Adolescente, em seus 267 artigos não o utiliza nenhuma vez.
Sempre substituindo o termo por “criança ou adolescente”.

2.2 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - ECA - 1990

Foi instruído no dia 13 de julho de 1990, pela Lei 8.069, ele regulamenta os
direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como base as diretrizes da
Constituição Federal de 1988 e uma series de normativas internacionais, tais como:
Diretrizes das Nações Unidas para prevenção da Delinquência Juvenil, Regras de
Beijing – Regras mínimas das Nações Unidas para administração da Justiça e da
Juventude e a Declaração dos direitos da criança.

A partir do ECA, uma nova doutrina foi estabelecida, “sendo seu paradigma
a erradicação das violações de direitos da criança e do adolescente através da
proteção integral dos interesses dos mesmos” (MARTINS, 2005, p.52). Todavia, a
orientação ao acolhimento, deve ser posto em última opção, quando forem
esgotadas todas as possibilidades de permanência à família de origem.

A mudança na referência nominal contém uma diferença de paradigma. A


expressão “menor” é substituída por “criança ou adolescente” para negar o conceito
de incapacidade na infância. O conceito de infância ligado à expressão “menoridade”
contém em si a ideia de não ter. Ser “menor” significa não ter dezoito anos e,
portanto, não ter capacidades, não ter atingido um estágio de plenitude e não ter,
inclusive, direitos (VOLPI, 2000).

Uma segunda mudança que merece destaque é o caráter universal dos


direitos conferidos. Reside no reconhecimento legal do direito de todas as crianças e
adolescentes à cidadania independentemente da classe social (PINO, 1990). De
acordo com o ECA, todas as crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, em
quanto o antigo Código do Menor, era direcionado apenas àqueles em “situação
irregular”.

No Código, existia a ideia de que a “delinquência” ou os delitos cometidos


estavam associados à pobreza, mascarando as dificuldades vivenciadas por esta
21

população. Dessa forma, enfrentavam isso como se a população pobre tivesse uma
predestinação a não saber conviver em sociedade, devido ao comportamento
desalinhado, assim, seriam condenados à segregação. Quando na realidade esses
eram desprovidos de proteção.

Conforme o documento de orientações técnicas (2009): Serviços de


acolhimento para crianças e adolescentes, foi implementado pelo Conselho Nacional
dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Nacional de Assistência
Social, estabelece princípios a serem seguidos, tais como:

Princípio de Excepcionalidade do Afastamento do Convívio Familiar

O afastamento do convívio familiar, deve ser uma estratégia excepcional,


quando for posto em risco a vida da criança ou adolescente. Esta conduta deve ser
evitada ao máximo, devido aos problemas que estes afastamentos podem trazer à
vida do mesmo, levando em consideração que a convivência com a família de
origem fortalece o desenvolvimento da criança e do adolescente.

Segundo o Art. 23 do ECA, a falta de recursos materiais por si só não


constitui motivos suficientes para afastar a criança ou adolescente do convívio
familiar. Se esta for a razão pelo afastamento, a família deve ser incluída em
programas oficiais ou comunitários de apoio e demais medidas previstas no artigo
101 do ECA.

Princípio de Provisoriedade do Afastamento do Convívio Familiar

Quando o afastamento da criança e adolescente, for a melhor maneira para


assegurar a proteção momentaneamente, este deve ser entendido como uma
medida provisória, viabilizando a melhoria das dificuldades e problemas em questão,
para que possa haver o retorno ao convívio familiar, no menor tempo possível. Caso
esse retorno não seja viável, quando o acolhimento ultrapassar o período de dois
anos, deverá ser encaminhado à justiça da Infância e da Juventude, para que possa
ser avaliado qual o destino da criança e do adolescente, seja a prorrogação de
retorno à família de origem ou realizar o encaminhado à família substituta.
22

Princípio de Preservação e Fortalecimento dos Vínculos Familiares e


Comunitários

É de extrema importância que sejam mantidos os vínculos familiares e


comunitários, durante a permanência na instituição de acolhimento, uma vez que,
esses vínculos são essenciais para o desenvolvimento humano. Sendo assim, é
permaneça o convívio com pessoas próximas, que faziam parte do seu cotidiano.
Desde que não haja nenhum tipo de danos à criança e ao adolescente.

É válido salientar, que não devem haver desvinculação de crianças e/ou


adolescentes que tenham vínculos de parentesco. E torna-se importante a
permanência na mesma comunidade de origem e escola, que já frequentava, assim,
valoriza os vínculos afetivos já existentes.

Princípio de Garantia de Acesso e Respeito à Diversidade e Não Discriminação

Os acolhimentos não devem ter distinção de crianças e adolescentes a


serem acolhidos, deverá ser descartado qualquer tipo de discriminação,
possibilitando o atendimento incluso de qualquer abrigado, de acordo com sua
necessidade, é inviável o desrespeito à diversidade, seja ela econômica, étnica,
orientação sexual, religião, portadora de HIV/AIDS, pessoas com necessidades
especiais entre outros.

Princípio de Oferta de Atendimento Personalizado e Individualizado

É importante que mesmo que haja um convívio coletivo, a criança e o


adolescente, tenha seu espaço, no sentido de não se sentir descolado. Deve ser
transmitido um ambiente de conforto, proteção e apoio, preservando sua intimidade
e sua privacidade, inclusive a segregação do que é uso pessoal e o que é de uso
coletivo.
23
24

Princípio de Garantia de Liberdade de Crença e Religião

Conforme o Art. 16 do ECA, é livre o direito à crença e ao culto religioso,


sendo assim, não deve haver persuasão ou incentivo à mudar sua orientação
religiosa. Deve ser respeitado sua escolha religiosa, e da mesma forma, é direito da
criança e do adolescente a não vinculação com atos religiosos.

Princípio de Respeito à Autonomia da criança, do Adolescente e do Jovem

Toda instituição deve assegurar o direito da criança e do adolescente ser


ouvido, conforme o seu grau de desenvolvimento, sendo assim, este e aquele
podem opinar ao que diz respeito ao seu presente e futuro. A autonomia em questão
não deve ser confundida com ausência de limites, a liberdade de expressão deve
ser considerada como forma de amadurecimento e ter princípio de responsabilidade.

Na hierarquia jurídica brasileira, o estatuto é diretamente subordinado à


Constituição Federal 1988, ou seja, não é válido qualquer que seja o artigo do ECA,
que contradiga a documentação de 1988.

Nesse contexto, fez-se necessário assegurar através do ECA, todos os


direitos para que crianças e adolescentes, sendo assim, pode-se destacar:

 Proteção Integral: Devem ser concedidos aos menores de 18 anos,


oportunidade, facilidades, dignidade, liberdade de expressão e condições
para o desenvolvimento, seja ele, pessoal, físico e religioso entre outros;

 Direitos fundamentais: Com o ECA, as crianças e adolescentes, passaram a


ter os seus direitos assegurados pela constituição, igual a todos os
brasileiros;

 Registro Civil: A certidão de nascimento, é crucial para o acesso aos


serviços públicos. A emissão é gratuita e sem represálias aos responsáveis,
caso, haja atraso na sua efetivação;
25

 Punições diferentes de adultos: O ato infracional partindo de crianças e


adolescentes têm como punição medidas socio educativas, não estão
sujeitos ao direito penal comum;

 Proteção Sexual: Assegura que crianças e adolescentes, não podem serem


expostos em cenas pornográficas e/ou sexo explícito, tendo como pena de
prisão o responsável pelo conteúdo exibição;

Educação: É obrigação dos pais ou responsáveis, matricular e presar pela


assiduidade da criança e/ou adolescente. Estes possuem direito à educação à rede
pública gratuita. É de grande importância a qualificação do aluno, para ingressar ao
mercado de trabalho.

2.3 ACOLHIMENTO NO BRASIL

Figura 1 – Roda dos expostos

Fonte: http://rc24h.com.br/noticia/ver/3306/secretaria-
de-cultura-inaugura-replica-da--roda-dos-expostos--
nesta-sexta-feira--dia-27-de-julho
26

No período colonial, no Brasil, iniciou-se uma nova modalidade de


acolhimento à criança e adolescentes, o sistema das Rodas de Expostos que
existiam nas Casas de Misericórdias, esse sistema evitava que os recém-nascidos
foram postos em ruas, geralmente, as crianças ali inseridas eram filhos bastados,
doentes ou de famílias que não tinham condições de cria-los. Essa forma de
entregar às crianças Às Casas de Misericórdias era repudiada pelos higienistas e
reformadores europeus, pois acreditavam que o sistema facilitava o abandono, e por
vez havia alta taxa de mortalidade, pela superlotação.

Em meados do século XVII, surgiram instituições voltadas para a educação


dos órfãos, acompanhavam o padrão de clausura e da vida religiosa (iniciativas
pessoais de membros da igreja). As principais características eram a as práticas
religiosas e o contato limitado com o mundo externo aos muros.

Os ideários da Revolução Francesa (progresso e civilização), no século XIX,


impulsionaram o questionamento sobre o controle do ensino religioso, cooperou
para que os programas educacionais voltados às crianças passassem por
alterações, aspirando o ensino “útil a si a à Pátria” (Rizzini&Rizzini, 2004, p. 24),
porém, as perspectivas de ordem e hierarquia não foram eliminadas das instituições.

Figura 2 - Asilo de órfãos, associação protetora da infância desvalida - Santos


27

Fonte: www.novomilenio.inf.br/

As determinações primárias, no reinado de D. Pedro II, foram intituladas


como responsabilidade das províncias brasileiras (o Brasil independente de Portugal
e o ato adicional de 1834 – Lei n.16/1834), assim, o país encaminha para a evolução
à educação de crianças e adolescentes, com a instalação de escolas primárias
públicas e internatos para a qualificação profissional das crianças e adolescentes
das classes populares, foram instaladas Casas de Educandos Artífices, “onde
meninos pobres recebiam instruções primária, musical e religiosa, além do
aprendizado de ofícios mecânicos, tais como o de sapateiro, alfaiate, marceneiro,
carpinteiro, entre outros.” (RIZZIN & RIZZINI, 2004, P.25).

Nos séculos XVIII e XIX, as meninas órfãs tinham proteção religiosa nos
acolhimentos femininos, estes são tão anciãos quanto as Casas de Expostos, essas
instituições tinham como objetivo proteção e educação de órfãos pobres, o
atendimento de acolhimento iria garantir no futuro a valorização da mulher: com um
casamento, educação e do dote. O pai não teria mais a tutela, no entanto, era
oferecido condições para que essas meninas desenvolvesse um lugar na sociedade,
tais como: cuidados com o lar, enxoval de casamento e o dote.O moço interessado
em casar-se podia escolher a órfã e devia ser aceito pela direção da instituição ou
pelo presidente da província quando o dote era pago pelo governo, como ocorria no
Recolhimento dos Remédios, no Maranhão (Dias: 1989 [1852], p.256).

No Império brasileiro não existia uma política social de assistência e


educação, as crianças indígenas, filhos de escravos ou aos ingênuos (aqueles
nascidos livres com a Lei do Ventre livre, de 1871). o que havia era algumas escolas
criadas pela iniciativa pessoal de instituidores, destinada aos indígenas, mas era
inexistente ao que se refere a crianças filhas de escravos ou ingênuos, pois estavam
subordinados aos Senhores.

Com a proclamação de República no Brasil, surgiu políticas sociais e


legislação especificas, com os questionamentos quanto à assistência de crianças
abandonadas. Sendo assim, o período republicano almejou melhorar e tornar capaz
28

de salvar a infância brasileira do século XX, foi uma época de forte presença do
Estado quanto ao planejamento e a implantação de políticas de acolhimento.
Criando o Código de Menores em 1927. Foi nesse período que foi instaurado a
escola de reforma, com a finalidade de recuperar o chamado menor delinquente. Na
década de 80, houve uma mudança quanto o rumo da institucionalização de
crianças e adolescentes:

Foi uma década de calorosas debates e articulações em todo em país, cujos


frutos se materializariam em importantes avanços, tais como a discussão do
tema da Constituinte e a inclusão do artigo 227, sobre os direitos da criança,
na Constituição Federal de 1988. Mas o maior destaque da época foi, sem
dúvida, o amplo processo de discussão e de redação da lei que viria
substituir o Código de Menores (1927): o Estatuto da Criança e do
Adolescente (1990). (RIZZINI & RIZZINI, 2004, P.46)

Com a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, houve


mudanças significativas quanto a preocupação com a defesa da criança, deu inicio à
abertura das instituições para a comunidade, resultando em alterações no
acolhimento e atendimento prestado às crianças e adolescentes. Tendo como
sustentação o ECA, os orfanatos, seriam desativados, dando espaço aos Abrigos,
Casas de Acolhida e Casas Lar.

Assim, conclui-se que é necessário assegurar às crianças e adolescentes


como cidadãos brasileiros dignos de direitos, e este são garantidos pelas diretrizes
estabelecidas no ECA, que tem o objetivo que todos os parágrafos sejam cumpridos
em sua completude.

2.3.1 ACOLHIMENTO E SUAS MODALIDADES

Os parâmetros aqui contidos têm como função estabelecer a organização


necessária para o funcionamento de instituições de acolhimento. Esses paradigmas
devem ser adequados aos locais instalados sem permitir que percam sua qualidade.

É de grande valia, salientar que o acolhimento é uma medida provisória, que


visa assegurar a crianças e adolescentes que estiverem impossibilitadas que
conviverem com a sua família de origem, sendo assim, elas são encaminhadas às
instituições de acolhimento, conforme sua necessidade, até que seja viável e seguro
a sua reintegração familiar, excepcionalmente, direcionada à adoção.
29

A propensão aos diferentes tipos de acolhimento tem como objetivo


suprir a necessidade de acordo com a demanda do acolhido. É realizada uma
análise, do perfil do acolhido, situação familiar e seu processo de desenvolvimento.
Todas as informações sobre a criança e dos adolescentes são importantes, na
busca para traçar a real exiguidade deste. São levados em consideração, os
seguintes dados: Idade, aspectos sócio-cultural, histórico de vida, condições
emocionais e físicas e seu desenvolvimento, previsão de acolhimento, entre outros.

ABRIGO INSTITUCIONAL

Definição

Serviço que oferece acolhimento provisório para crianças e adolescentes


afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva de abrigo (ECA, Art.
101). Este acolhimento é assegurado até que seja possível a reintegração familiar,
quando for possível, o encaminhamento para família substituta.

Público Alvo

Crianças e adolescentes de 0 a 18 anos sob medida protetiva de abrigo. As


especificações e atendimentos exclusivos devem ser evitadas, tais como: limitar o
abrigo para apenas um determinado sexo, faixa etária reduzida, ou até mesmo
crianças e adolescentes com deficiência ou que convivam com HIV/AIDS.

Número máximo de Usuários por Equipamento


Até 20 crianças de adolescentes
Aspectos Físicos

Os abrigos institucionais devem ser localizados em áreas residenciais, não


distantes das comunidades de origens dos acolhidos, e sem dispersas da realidade
econômica das crianças e adolescentes. A instituição deverá manter um padrão de
residenciais ao seu entorno, e não devem ser instaladas placas que direcionem a
30

natureza da instituição, evitando que os acolhidos sejam estigmatizados por


terceiros.
31

Quadro 1 – Quantidade mínima de profissionais para o abrigo institucional

Equipe de Profissional mínima


Coordenador 1 profissional para cada serviço;
2 profissionais para atendimento a até 20 crianças e
Equipe Técnica
adolescentes;
1 profissional para até 10 usuários, por turno;
1 cuidador para cada 8 usuários, quando houver 1
Educador/cuidador usuário com demandas específicas;
1 cuidador para cada 6 usuários, quando houver 2
usuário com demandas específicas;
Auxiliar de
1 profissional para até 10 usuários, por turno;
educador/cuidador
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e adolescentes, 2009.

Quadro 2 – Dimensionamento mimo para ambientes do abrigo institucional

*Infraestrutura e espaços mínimos sugeridos


N° de crianças/ adolescentes por quarto: até 4 usuários por quarto,
na sua impossibilidade, até 6 usuários;
Quartos Metragem sugerida: 2,25m² para cada ocupante, se estiver com
ambiente de estudo integrado, aumenta para 3,25m² para cada
ocupante.
Sala de
Metragem sugerida: 1,00 m² para cada ocupante
Estar
Sala de
jantar/cop Metragem sugerida: 1,00 m² para cada ocupante
a
Deve conter 1 lavatório, 1 vaso sanitário e 1 chuveiro para a cada
6 acolhidos;
Banheiro 1 lavatório, 1 vaso sanitário e 1 chuveiros para funcionários;
Deverá conter pelo menos 1 banheiro para portadores de
necessidades especiais.
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.

CASA LAR
Definição

Oferecido em residências, nas quais pelo menos uma pessoa ou casal


trabalha como educador/cuidador residente.

Público Alvo

Crianças e adolescentes de 0 a 18 anos sob medida protetiva de abrigo. As


especificações e atendimentos exclusivos devem ser evitadas, tais como: limitar o
32

abrigo para apenas um determinado sexo, faixa etária reduzida, ou até mesmo
crianças e adolescentes com deficiência ou que convivam com HIV/AIDS.
Essa modalidade de acolhimento é adequada para grupos de irmãos, que
tenham uma perspectiva de acolhimento média a longo prazo.

Número máximo de Usuários por Equipamento


Até 10 crianças de adolescentes
Aspectos Físicos

Devem ser localizados em áreas residenciais, não distantes das comunidades


de origens dos acolhidos, e sem dispersas da realidade econômica das crianças e
adolescentes. A instituição deverá manter um padrão de residenciais ao seu entorno
e devem ser evitadas que agreguem várias casas-lares em um terreno comum,
placas que indiquem a natureza institucional.

Equipe de Profissional mínima


1 profissional para atendimento a até 20 crianças e
Coordenador
adolescentes em até 3 casas-lares;
2 profissionais para atendimento a até 20 crianças e
Equipe Técnica
adolescentes acolhidos em até 3 casas-lares;
1 profissional para até 10 usuários;
1 cuidador para cada 8 usuários, quando houver 1 usuário
Educador/
com demandas específicas;
cuidador
1 cuidador para cada 6 usuários, quando houver 2 usuários
com demandas específicas;
Auxiliar de
1 profissional para até 10 usuários, por turno;
educador/cuidador
Quadro 3 - Quantidade mínima de profissionais para casa lar
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.
33

Quadro 4 - Dimensionamento mimo para ambientes para casa lar

Infra-estrutura e espaços mínimos sugeridos


N° de crianças/ adolescentes por quarto: até 4 usuários por
quarto; Metragem sugerida: 2,25m² para cada ocupante, se
Quartos
estiver com ambiente de estudo integrado, aumenta para
3,25m² para cada ocupante.
Sala de Estar ou
Metragem sugerida: 1,00 m² para cada ocupante
similiar
Sala de
Metragem sugerida: 1,00 m² para cada ocupante
jantar/copa
Deve conter 1 lavatório, 1 vaso sanitário e 1 chuveiro para a
cada 6 acolhidos;
Banheiro 1 lavatório, 1 vaso sanitario e 1 chuveiros para funcionários;
Deverá conter pelo menos 1 banheiro para portadores de
necessidades especiais.
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.

SERVIÇO DE ACOLHIMENTO EM FAMÍLIAS ACOLHEDORAS

Definição

Proporciona à criança e ao adolescente atendimento é um recinto familiar,


assegurando atenção individualizada e convivência entre a comunidade.

Público Alvo

Crianças e adolescentes de 0 a 18 anos sob medida protetiva. Essa


tipologia de acolhimento é adequada à criança e adolescente que após análise da
equipe técnica, indique possibilidade de reintegração familiar.

Número máximo de Usuários por Equipamento

1 criança ou adolescente por vez, exceto, quando for um grupo de irmãos (este
caso será realizado uma avaliação técnica, para seja explanado se é a melhor
alternativa), e se a família terá disponibilidade ao acolhimento.
34

Aspectos Jurídico-Administrativo

Esse tipo de acolhia é feito sob um termo de guarda provisória, solicitado pelo
serviço de acolhimento. A guarda deve ser expedida imediatamente após a
aplicação da medida protetiva estabelecida.

Quadro 5 - Quantidade mínima de profissionais em famílias acolhedoras

Equipe de Profissional mínima


Coordenador 1 profissional por serviço;
2 profissionais para o acompanhamento de até 15 famílias
Equipe Técnica
de origem de 15 famílias acolhedoras;
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.

REPÚBLICA

Definição

Jovens de 18 a 21 anos que estejam em situações de vulnerabilidade e sem


meios para auto sustentação. Este serviço é indicado aos jovens que estão em
processo de desligamento dos serviços de acolhimento, por terem completado 18
anos e não possuem condições de autonomia.

Número máximo de Usuários por Equipamento

Até 6 jovens por equipamento.

Aspectos Físicos

Devem ser localizados em áreas residenciais, não distantes das comunidades


de origens, e sem dispersar da realidade econômica desses jovens. A instituição
deverá manter um padrão de residenciais ao seu entorno e devem ter sua
organização em unidades femininas e masculinas.
35

Equipe de Profissional mínima

Coordenador 1 profissional para até quarto unidades;

2 profissionais para atendimento a até 24 jovens (em até


Equipe Técnica
quatro diferentes unidades);
Quadro 6 - Quantidade mínima de profissionais para república
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.

Quadro 7 - Dimensionamento mínimo para ambientes para república

Infra-estrutura e espaços mínimos sugeridos

Quartos N° recomendado de jovens por quarto: até 4 por quarto;

Sala de Estar ou
similiar/Sala de Espaço suficiente para acomodar o número de usuários;
jantar/copa
Deve conter 1 lavatório, 1 vaso sanitário e 1 chuveiro para a
Banheiro
cada 6 usuários;
Fonte: Orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, 2009.

2.3.2 PROCESSO DE ACOLHIMENTO E SUA LEGISLAÇÃO

Serviço que oferece acolhimento provisório para crianças e adolescentes


afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva de abrigo (ECA, Art.
101).

Art. 93.  As entidades que mantenham programa de acolhimento


institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher
crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade
competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas
ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade.

Assistência integral à criança e/ou ao adolescente é posta ao dispor, quando se


entende que o cidadão está em situações de violência, maus-tratos, abuso
psicológico, sexual e físico. Dessa maneira, o Conselho Tutelar age disponibilizando
estadia em uma instituição de acolhimento, do qual pode ser passageira ou
permanente (até aos 18 anos), isso dependerá das condições e realidade da criança
ou adolescente. Logo, essa intermediação do Conselho Tutelar é realizada quando
os direitos dos jovens não estão assegurados. (BRITO, 2010)
36

Não obstante, separar as crianças das famílias denuncia uma ruptura


brusca de vínculos afetivos determinada pelo viés do mundo adulto, sendo
que uma vez rompidos os laços afetivos familiares e comunitários, a
trajetória de vida da criança tende a passar por maiores transtornos.
BENTO (2010)

Em vista disto, discute-se sobre a importância do acolhimento institucional


se constituir em uma fonte de apoio social mais próxima e organizada para
os acolhidos, desempenhando um papel fundamental para o
desenvolvimento psicossocial destes, uma vez que a rede social de apoio
exerce uma profunda influência na saúde e no bem-estar do indivíduo. A
relação estabelecida com as pessoas que trabalham na instituição
desempenha papel central na vida das crianças e dos adolescentes
abrigados, na medida em que esses adultos assumem o papel de orientá-
los e protegê-los, constituindo-se nos seus modelos de identificação
(SIQUEIRA, 2006).

A singularidade, é um fato muito relevante para os jovens que residem em


uma casa de acolhimento, pois estão sendo afastados de seus familiares, pessoas
do qual há um laço afetivo, mesmo com toda problematização envolvida neste
convívio. Isso torna a ressocialização mais difícil, tendo uma referência à vida que
tinha antes, que modificaram seus comportamentos, tornando-se agressivos ou mais
reservados e tristes.

Quando há o encaminhamento ao abrigo, institucional ou de outra tipologia, é


importante manter os vínculos familiares e permanecer com a rotina já inserida à
criança e do adolescente, visitas e encontros com famílias também devem ser
mantidas, são fundamentais para um desenvolvimento saudável. A preservação dos
vínculos familiares e comunitários, é inviável quando houver riscos aos acolhidos.

Perante o acolhimento a criança e o adolescente, possuem direitos a terem


suas opiniões consideradas, devido há um fortalecimento gradativo da autonomia,
levando em consideração o processo de desenvolvimento, esta não pode ser
confundido pela ausência de limitação.

Sendo assim, tem-se o acolhimento como parâmetro para assegurar os


direitos de crianças e adolescentes que estejam em situação de vulnerabilidade.
Durante o processo, é feito fortalecido a reintegração familiar, a partir de avaliação
realizadas pelo motivo em que levou à criança e/ou adolescente ao abrigo,
identificando e solucionando-o. O Art. 23 do ECA, destaca que a ausência de
recursos materiais por si só não constitui motivo suficiente para afastar a criança ou
37

o adolescente do convívio familiar. Quando forem esgotadas as possibilidades o


retorno à família de origem, a equipe técnica deverá elaborar um relatório que será
encaminhado a autoridade jurídica, relatando as situação da criança e da família, e
todas as estratégias feitas almejando a reintegração familiar e apresentar também,
os resultados, e sugerindo então a Desintegração Familiar e a inclusão da criança
e/ou adolescente no cadastro de adoção.

LEGISLAÇÃO

Foi sancionado com vetos a Lei 13.509/2017, pelo presidente Michel Temer,
que estabelece novas medidas para impulsionar o processo de adoção no país,
dando prioridade aos grupos de irmãos e crianças, além de adolescentes com
problemas de saúde. A nova lei tem origem no Projeto de Lei da Câmara (PLC)
101/2017, aprovado no Senado por unanimidade me 25 de outubro. O projeto altera
o ECA, Lei n°8.069, de julho de 1990 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT),
aprovada pelo Decreto-Lei n°5.452, de 1° de maio de 1943, e a Lei n° 10.406, de 10
de janeiro de 202, Código Civil. O texto já entrou em vigor.

A mudança na CLT, está por conta de dá o direito ao adotante as mesmas


garantias trabalhistas de pais sanguíneos, tais como: licença-maternidade,
estabilidade provisória após a adoção e direito de amamentação. O documento também reduz
para 3 meses o período máximo para a Justiça reavaliar a situação da criança que
estiver acolhida.

O projeto foi relatado no Senado pela senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que
lamentou o excesso de burocracia para a adoção.

Essas crianças que estão nos abrigos gostariam de ter um lar, mas é tanta
burocracia que elas não conseguem ser adotadas. Demora tanto tempo
para chegar ao cadastro nacional que aí elas crescem e muitas famílias se
desinteressam desse processo. Esse projeto foca nesse gargalo para
agilizar os procedimentos relacionados à destituição do poder familiar e à
adoção de crianças e adolescentes.

Art. 1º Esta Lei altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da


Criança e do Adolescente), para dispor sobre entrega voluntária, destituição do
poder familiar, acolhimento, apadrinhamento, guarda e adoção de crianças e
adolescentes, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-
Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, para estender garantias trabalhistas aos
38

adotantes, e a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), para


acrescentar nova possibilidade de destituição do poder familiar.* 

Art. 2º o ECA, passa a vigorar com as seguintes alterações: 

§ 2º A permanência da criança e do adolescente em programa de


acolhimento institucional não se prolongará por mais de 18 (dezoito meses),
salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse,
devidamente fundamentada pela autoridade judiciária. 

Art. 19-B. A criança e o adolescente em programa de acolhimento


institucional ou familiar poderão participar de programa de apadrinhamento. 

§ 1º O apadrinhamento consiste em estabelecer e proporcionar à criança e


ao adolescente vínculos externos à instituição para fins de convivência
familiar e comunitária e colaboração com o seu desenvolvimento nos
aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e financeiro. 

Art.47. § 10. O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de


120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma única vez por igual período,
mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária." (NR)

Art.50. § 15. Será assegurada prioridade no cadastro a pessoas


interessadas em adotar criança ou adolescente com deficiência, com
doença crônica ou com necessidades específicas de saúde, além de grupo
de irmãos." (NR)

Art. 101 § 10. Recebido o relatório, o Ministério Público terá o prazo de 15


(quinze) dias para o ingresso com a ação de destituição do poder familiar,
salvo se entender necessária a realização de estudos complementares ou
de outras providências indispensáveis ao ajuizamento da demanda. 

O apadrinhamento, foi mantido. Segundo o presidente Michel Temer esse


procedimento “consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente
vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e
colaboração com o seu desenvolvimento”. Sendo ele, a proibição “implicaria prejuízo
a crianças e adolescentes com remotas chances de adoção”, pois esses padrinhos e
madrinhas são potenciais adotantes.

PROCESSO DE ADOÇÃO

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção – CNA, será destacado uma


cronologia quanto ao processo de adoção.

 Pré-requisitos/ perfil do adotante: Idade mínima para esta habita a adotar é


de 18 anos, independente do estado civil, porém, deve ser respeitada a
distinção de 16 anos entre o adotante e a criança e do adolescente a ser
39

acolhido. A solicitação ao Cadastro de adoção é feita junto à Vara da Criança


e da Juventude, por meio de uma petição, preparada por defensor público ou
advogado particular. E aprovado o nome será inserido ao cadastro local e
nacional de pretendentes à adoção.
Pessoas solteiras, viúvas e casal que convivem em união estável também
podem adotar; a adoção por casais homoafetivos, ainda não é lei, porém,
alguns juízes já deram decisões favoráveis.
 Curso e Avaliação: A preparação à adoção é feito através de curso de
preparação psicossocial e jurídica, e tem caráter obrigatório. Quando
comprovada a assiduidade o adotante é submetido à avaliação psicossocial e
visita domiciliar, o resultado é direcionado ao Ministério Público e ao juiz da
Vara de Infância. Durante a entrevista é traçado o perfil da criança almejada.
 Certificado de Habilitação: De acordo com o resultado enviado ao Ministério
Público, o juiz dará a sentença. Sendo aceito a solicitação, o nome do
adotante será inserido nos cadastros. Em casos em que não haja a
aprovação, é válido a indagação quanto ao motivo. A incompatibilidade de
estilo de vida à criança de uma criança, ou até mesmo razões equivocadas,
como a perda de ente querido ou superar crise conjugal, podem impedir o
processo de adoção.
 Perfil compatível: Assim que for identificado uma criança e/ou adolescente,
com o perfil que foi informado na entrevista, o adotante será identificado, se
houver interesse ambos eram apresentados, ambos serão entrevistados após
o encontro, para que seja filtrado o interesse ou não da continuação do
processo. Caso a resposta seja positiva, a adotante é liberada para realizar
visitas ao abrigo e fazer pequenos passeios com a criança e/ou adolescente,
para que haja aproximação. Se o relacionamento for agradável a ambos, a
criança é liberada e o pretendente ajuizará a ação de adoção, a criança inicia
o convício com a nova família, recebendo visitas periódicas da equipe técnica,
após a avaliação o juiz profere a sentença e determina a lavratura do novo
registro de nascimento.

Novo sistema de adoção e acolhimento

O Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas, é integrante do novo sistema


de adoção, no qual 47 mil crianças e adolescentes acolhidos estão cadastrados. “O
40

cadastro é o projeto mais importante da corregedoria, são almas que estão à espera
de acolhimento, de um lar, almas muitas vezes abandonadas nos abrigos. Com o
novo cadastro, teremos informações públicas claras, impedindo falcatruas na ordem
do cadastro”, diz o ministro João Otávio de Noronha, na ocasião do lançamento do
sistema.
Com o novo CNA, a criança é colocar como sujeito principal do processo,
para que seja permitido a busca de uma família para ela. Nesse aspecto, entrará em
vigor a emissão de alertas em caso de atraso no cumprimento de prazos
processuais e a busca de perfil aproximado ao escolhido pelos adotantes, almejando
assim, ampliar as possibilidades de adoção. Até então, a procura pelo perfil
escolhido no período de entrevista dependia de uma busca manual, dificultando o
processo de adoção. Com o cadastro, a comunicação entre as varas de infância se
torna mais viável, e também a agilidade de adoções interestaduais.

Figura 3 – Mudanças já implantadas

Fonte: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/87469-corregedoria-lanca-novo-sistema-de-adocao-e-
acolhimento

“O cadastro acelera o processo daquelas crianças e adolescentes que já


estão aptos para adoção, inclusive com a sensibilização dos pretendentes por meio
de imagens e documentos”, diz juíza Sandra.
41

Figura 4 – Próximas mudanças a serem implantadas

Fonte: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/87469-corregedoria-lanca-novo-sistema-de-adocao-e-
acolhimento

2.3.3 SITUAÇÃO ATUAL NA CIDADE DE SÃO LUÍS

Conforme Constituição Federal/1988, Art. 6º “São direitos sociais a


educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a
previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.”

Independentemente do tamanho de uma cidade, a moradia própria


representa uma maior estabilidade, não só material, mas também social.
Tendo em vista que assegura o lugar fundamental do indivíduo, de
produção reprodução da sociedade em que ele vive. Não importa o tamanho
da cidade, é preciso morar. (RODRIGUES, 2001, p.12)

O acolhimento institucional visa também estabelecer uma relação de


segurança, conforto e confiança com os jovens que nela habitam, de forma a
oferecer cuidados pessoais, médicos e educacionais, no entanto, esta proposta irá
42

um pouco além, ela visa oferecer cursos profissionalizantes, para que dessa forma
os jovens, quando completarem a idade de 18 anos e ter que deixar a instituição,
consiga seguir em frente, estudando e caminhando para o estabelecer melhorias de
vida.

Quando não são adotados muitos concluem seus 18 anos e saem da


instituição, no entanto, pode-se afirmar que muito dos jovens que saem das casas
de acolhimento, acabam entrando na vida do crime, por não conseguirem se manter,
e assim, apostando na facilidade da criminalidade para sobreviver.

O ECA estabelece que o abrigo, em qualquer modalidade, o acolhimento


deve ser uma instituição temporária. No entanto, é distinta da realidade dos abrigos
de São Luís, a maioria dos acolhidos permanecem por mais tempo que o esperado
nos abrigos. A extensa problemática que os leva à essa consequência é o perfil
“inadotável”, segundo especialistas, este perfil contem meninos e meninas entre 5 a
17 anos de idade, negros, grupo de irmãos e possuir alguma deficiência.

A Casa Família, no Turu, atualmente atende à 20 crianças, no entanto,


segundo a psicóloga Célia Queiroz (2015)*, 75% estes devem completar a
maioridade (18 anos), ainda no abrigo. Destes possuem mais de 5 anos e já estão
no abrigo a mais de seis a anos, afirma ainda que nenhuma dessas crianças estão
em processo de adoção. “O que faz uma criança não ser adotada não é o tempo que
ela fica no abrigo, mas a idade cronológica. Como temos muitas crianças com idade
tardia para o processo de adoção, elas ficam conosco por muitos anos”, explicou
Célia Queiroz.

“Entre os casos mais difíceis de adoção na Casa Família, temos o J.P.S


(nome fictício, para preservar a privacidade do mesmo), de 11 anos, negro, que tem
mais três irmãos. Ele está há bastante tempo na casa, e deve ficar aqui até alcançar
a maioridade”, disse Célia. Ao concluírem a maioridade nos abrigos, são vistos pelo
Estado aptos a viver por conta própria, toda via, o jovem não é obrigado a deixar a
instituição imediatamente.

Outra instituição estabelecida em São Luís, é o Lar Dom Calábria, que está
implantado na Cidade Operária, este é assistido pela Secretaria Municipal da
Criança e Assistência Social (SEMCAS), onde todas as crianças que estão ali
43

abrigadas encontram-se em fase de “adoção tardia”. Segundo a assistente social do


Lar Dom Calábria, Florene Corrêa Lindoso, as casas lares são as que mais se
aproximam de um ambiente familiar.

“Oito crianças é o número máximo de acolhidas nesse tipo de instituição. Isso


porque elas são cuidadas por cônjuges, que representam o papel de pai e de mãe
na instituição. Eles não adotam as crianças, mas cuidam delas, e por isso, também
passam pelos mesmos cursos preparatórios e consultas psicológicas exigidas no
processo de adoção, nos quais os adotantes são submetidos”, disse a assistente
social.

De acordo com o diretor da Instituição Acolhedora Casa de Passagem, Glécio


Santos Silva, localizada no bairro do Cohatrac, das 19 crianças, 14 possuem mais
de 5 anos de idade, neste abrigo elas só podem permanecer até os 12 anos, não
havendo o retorno à família, são direcionadas a outro abrigo. Das 19 crianças
abrigadas, nenhum possui mais de 2 anos na instituição, pois na maior parte destes
acolhimentos, estes são advindos de abrigos que foram desagregados ou possuem
responsáveis usuários de álcool e/ou drogas, moradores de rua ou meretriz.

“As crianças vêm para o abrigo por medida de proteção. O tempo de dois anos é o
que a Justiça credita à reabilitação dos pais, quando ainda há interesse de retorno
da criança ou adolescentes à família. É um tempo marcado por sofrimento, angustia
e solidão”, disse Glecio Santos.

São sentimentos estão presentes também nas crianças da Casa da Criança,


no Apeadouro. “Você vai trazer meus pais? Quando meus pais vão vir me buscar?”,
são perguntas corriqueiras feitas pelos abrigados, segundo a coordenadora Especial
da Infância e Juventude e diretora da Casa da Criança, Lucileide Ribeiro Dias
Ribeiro Gonçalves. “O sentimento de felicidade para elas é ter um pai e uma mãe”,
disse Lucileide. A coordenadora relata que, mesmo com todo a qualidade de
excelentes profissionais disponibilizados, não é substitui o ambiente familiar, e
convívio com pai e mãe.
44

A Casa da Criança é mantida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA),


teve seu início em dezembro de 1997. Em 18 anos de atuação, já houveram 322
acolhimentos, com 184 crianças adotadas e 93 retornando ao convívio familiar.

Em 2015 no Maranhão, conforme os dados fornecidos pela 1º Vara


da Infância e Juventude, havia 61 crianças e adolescentes, e 281 adotantes estão
cadastradas na Central. No entanto, há uma incompatibilidade quanto ao perfil
“procurado” e a criança à disposição da adoção, em São Luís, 32 crianças e
adolescentes estão cadastrados e 124 adultos à busca pela adoção. A maior
divergência está a respeito à idade: o percentual de cadastrados de 7 a 17 anos de
idade é de 87%, quando somente 6% dos cadastros à adoção aceitam crianças
nessa faixa etária.

Lei municipal n°4.853/2007, a Secretaria Municipal da Criança de


Assistência Social (SEMCAS), tem como objetivo coordenar o Sistema Único de
Assistência Social/SUAS, do qual organiza a Política Pública de Assistência Social
nos municípios. Visa também, garantir proteção social em questão de
vulnerabilidade, sendo este uma família ou um indivíduo.

Em conjunto com o SUAS, a secretaria oferta uma série de serviços,


programas, projetos e benefícios dispostos de maneira hierarquizada e em níveis de
complexidade (Proteção Social Básica e Proteção Social Especial de Média e Alta
Complexidade), buscando assegurar os direitos àqueles que se encontrarem em
situação de vulnerabilidade, circunstância de exclusão, desvantagem pessoal e
social, entre outros.

A secretaria possui serviços de abrigo, oferecendo acolhimento, atendendo à


indivíduos que por motivos maiores, encontram-se afastados do ambiente familiar,
objetivando: dispor ao cidadão acolhimento temporário, assegurando cuidados, físicos e/ou
psicossocial até a situação do qual o colocou nesta situação esteja estabilizada e haja o
retorno ao convívio familiar, em casos excepcionais, há o encaminhamento à adoção, ou até
quando possuírem autonomia e estiver seguro.

Atualmente a SEMCAS assistência: Abrigo para população adulta de rua


(homens); Casa de Acolhida Temporária (Famílias e Adultos); Residência Inclusiva
(pessoa adulta com deficiência);Abrigo Luz e Vida (adolescentes) e a Casa de
45

Passagem (crianças). E também possui convênio com o Grupo Solidariedade é Vida


e Servos da Divina Providência\Lar Calábria, esta última executando o Acolhimento
em quatro Casas Lares, essas instituições atendem à crianças, adolescentes e
adultos.

A SEMCAS possui ainda outras três instituições de acolhimento, tais como:


Residência Inclusiva (pessoas com deficiência), Casa da Acolhida Temporária
(adultos e famílias) e o Abrigo para População de Rua (destinado à pessoas em
situação de rua).

Em relação à gestão atual da SEMCAS, já foram alcançados alguns


objetivos, como dobrar a quantidade de vagas ofertada para o acolhimento
institucional e familiar. Assim, existem 160 vagas e as casas lares atendem à 40
crianças, cada uma com 10 integrantes.

2.3.4 PRINCIPAIS ÓRGÃOS VOLTADOS PARA A CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Pode-se dizer que nos primórdios da preocupação com a prestação de


assistência à criança e ao adolescente, a Igreja e o Estado faziam o papel de
entidade de apoio com a intenção de reparar disfunção sociais, que eram
desenvolvidas por essas crianças e adolescentes desabrigados. Um exemplo
significativo, que se expandiu por anos foram as Santas Casas de Misericórdia, do
qual, tinha como objetivo dar apoio que esses precisavam, no entanto, não foi o
suficiente para a demanda existente e alcançou condições inadequadas para sua
permanência.

A Constituição Federal/ 1988, buscou amenizar tais situações de descasos,


sendo em 1990, complementada com o ECA, que trouxe diretrizes assegurando
todos os direitos igualitários a crianças e adultos, o que anteriormente não condizia
com a realidade das crianças e adolescentes.

No ano de 2006, foi criado o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e


do Adolescente (SGDCA) – se consolidou, a partir da Resolução 113 do CONANDA
- , com o propósito de garantir e consolidar a implementação do ECA, marco legal
46

que assegurou os direitos das crianças e adolescentes. O SGDCA, é constituído por


um conjunto de pessoas e instituições, direcionadas à estabilizar os direitos infanto-
juvenis, este grupo é constituído pelo: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e
do Adolescente (com os gestores responsáveis pelas políticas públicas de
educação, saúde, assistência social, cultura, esporte, lazer etc.), Conselho Tutelar,
Juiz da Infância e da Juventude, Promotor da Infância e da Juventude, professores e
diretores de escolas, responsáveis pelas entidades não governamentais de
atendimento a crianças, adolescentes e famílias entre outros.

Figura 5 – Hierarquia da LOAS – Lei Orgânica de Assistência Social

BPC
Benifício de Prestação Continuada
LOAS
Lei Orgânica de
Assistência Social
PNAS
Política Nacional de Assistência Social
Fonte: do Autor

A Lei Orgânica de Assistência Social, Lei de n° 8.742 de 7 de dezembro de


1993, esta visa garantir os diminutos de atendimento às necessidades básicas dos
cidadãos e também almeja proteger à garantia de vida, à redução de danos e á
redução de danos[...]. O BPC, por sua vez consiste no oferecimento de 1 salário
mínimo à portadores de deficiência ou ao idoso, sendo esses impossibilitados de se
manter ou de ser mantido por seus familiares. Já a PNAS, trabalha garantindo os
mínimos sociais, de promover condições para recepcionar à sociedade e à
universalização dos direitos sociais.

Figura 6 - Hierarquia da CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança


e do Adolescente
FNCA
Fundo Nacional de Criança e Adolescente
CONANDA
Conselho Nacional dos PNCFC
Direitos da Criança e do
Adolescente  Plano Nacional de Promoção, Proteção e
Defesa do Direito de Crianças e
Adolescentes a Convivência Familiar e
Comunitária
47

Fonte: do Autor

O CONANDA estabelecido pela Lei de n° 8.242, pelo ECA, é o principal


órgão do sistema de garantia de direitos, ele fiscaliza ações do poder público quanto
ao atendimento infanto-juvenil. O FNCA, regulamenta a respeito da criação e
utilização dos recursos, garantindo que sejam direcionados às ações de promoção e
defesa dos direitos de crianças e adolescentes. E o PNCFC, visam formular e
implementar políticas públicas que assegurem os direitos das crianças e
adolescentes.

Figura 7 - Hierarquia da CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social

NOB-RH/SUAS
CNAS Norma Operacional Básica De Recursos
Conselho Nacional de Humanos Do Sistema Único De Assistência
Assistência Social Social
Fonte: do Autor

O CNAS, trabalha com normatizações das ações e regulamentar a


prestação de serviço públicos e privada do setor da Assistência Social, o
NOB-RH/SUAS, visa garantir aos usuários do SUAS, serviços de qualidade.

É importante ressaltar que as políticas sociais vêm se amadurecendo a cada


instante, trazendo às resoluções, conselhos, estatuto e entre outros, atualizações do
qual busquem se fortalecer e evitem falhas na contextualização do planejamento.

2.4 O FUNCIONAMENTO E O ESPAÇO DAS INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO

O Projeto Político-Pedagógico (PPP), deve ser elaborado para assegurar um


atendimento adequado às crianças e adolescentes. Este tende a aperfeiçoar o
funcionamento dos serviços prestados internamente, para com a rede local, às
48

famílias e à comunidade. O desenvolvimento do PPP é uma atividade que convém


envolver toda a equipe técnica, crianças, adolescentes e suas famílias.

Por ser o procedimento interno, não existe um padrão a ser seguido, no


entanto, é essencial destacar alguns parâmetros para a sua elaboração:

 Apresentação: Contexto histórico, principais evoluções sofridas,


principalmente se estiver sido implantado antes do ECA;

 Valores do serviço: Valores pertinentes a todos os envolvidos no serviço de


acolhimento, seja eles acolhidos ou acolhedores;

 Justificativa: Objetivo do serviço a ser prestado perante a contextualização


social;

 Organização: Composição do espaço, atividades e responsabilidades;

 Organograma e quadro de pessoal: Funcionamento de quadro de


funcionários, competências, modo de contratação e estratégias para
capacitação e supervisão;

 Atividades psicossociais: Realizada com os acolhidos, visando desenvolver


questões pedagógicas complementares.

 Fortalecimento da autonomia: Preparo para o desligamento do serviço;

 Monitoramento e avaliação: Metodologia de monitorar, avaliar e analisar os


serviços prestados que incluam toda a equipe operacional.

 Regras de convivência: Direitos, deveres e sanções.

Ainda, almejando o bom desempenho ao ser elaborado o PPP, segue abaixo


algumas sugestões:

Recepção inicial aos acolhidos


É bastante comum crianças e adolescentes quando são acolhidos não
compreenderem a sua atual situação, ou os motivos que lhe colocaram nessa
49

situação, o que pode leva-los a entender o serviço de acolhimento como forma de


punição e desenvolver sentimentos de rejeição, abandono, agressividade e revolta.
Perante isso, é indispensável que sua acolhia seja envolvida por respeito, atenção e
afeto. E deixando para um segundo momento a apresentação das regras de
convivência.

Não-desmembramento de grupos familiares


A destituição de membros que possuam algum grau de parentesco não é
recomendável, salvo se o convívio entre os membros não satisfazer o interesse de
ambos ou quando for risco de abuso. * É importante ressaltar que preservar e
fortalecer os vínculos familiares, tendem a contribuir para formação pessoal do
acolhido. O PPP dos serviços de acolhimento deve também prever estratégias para
atendimento a estas situações.

Registro e desenvolvimento do acolhido


Deverá ser organizado registros sistemáticos que contenham histórico de
vida, razão do acolhimento, entrada e desligamento, documentos pessoais e
informações sobre o desenvolvimento físico e psicológico. A respeito da rotina, é
necessário ser observados o desenvolvimento, vida escolar, socialização, mudanças
entre outros.

Definição do papel e valorização dos acolhedores


Os educadores/cuidadores das instituições devem possuir postura e
qualidade ao prestar atendimento às crianças e adolescentes, pois sua conduta
adequada auxilia a fortalecer o desenvolvimento do acolhido. Esses profissionais
têm a função de manter uma relação afetiva com as crianças e adolescentes,
contribuindo para criação de um ambiente familiar, evitando, no entanto, desenvolver
sentimento de posse em relação à criança e competir ou desvalorizar a família de
origem.
50

Relacionamento do serviço com a família de origem


É indispensável que as famílias de origem de crianças e adolescentes
acolhidos, essas devem receber condições superar as questões que levaram a esta
situação, por vezes bastante complexas. É importante identificar a maneira o qual as
famílias estão vivenciando a situação de distanciamento dos seus filhos e
potencializá-las ao retorno do convívio familiar.

Preservação e fortalecimento da convivência comunitária


As áreas de implantação de instituições de acolhimento, independente da
modalidade, devem esta postadas em zonas residenciais, sem haver distanciamento
do ponto de vista geográfico e socioeconômico. Quando necessário o processo de
acolhimento, este deve ser o mais próximo possível da sua localização de origem,
tendo como objetivo preservar os vínculos comunitários e a reintegração familiar.

Fortalecimento da autonomia
A criança e o adolescente devem possuir direitos e terem suas opiniões
consideradas, podendo opinar em decisões que possam repercutir no seu
desenvolvimento e trajetória de vida, no entanto, essa autonomia não deve ser
confundida com a falta de limites.

Desligamento gradativo
Em casos de reintegração familiar ou encaminhamento à família substituta, o
serviço de acolhimento deve oferecer parâmetros de desligamento gradativo,
preparando a criança e o adolescente para a despedida do abrigo, e das pessoas do
qual criou um vínculo afetivo. Deve haver a oportunidade de a criança ser ouvida,
sobre os medos, inseguranças, perspectivas e planos.

O espaço das instituições de acolhimento


51

Conforme as orientações técnicas: os serviços de acolhimento para crianças


e adolescentes, a baixo será apresentado alguns dimensionamentos e
características do cômodo constituinte do abrigo institucional:

Quadro 8 – Recomendações para dimensionar os espaços na instituição de


acolhimento
Ambiente Características
Ambiente para Poderá ser posto em ambiente específico ou, ainda, ser
estudo inserido em outros ambientes (quarto ou copa).

Espaço adequado para atender ao dimensionamento de


Cozinha utensílios e mobiliário para preparo de alimentos para o
número de residentes (incluindo funcionários).
Espaço suficiente para acomodar equipamentos, produtos
Área de
de limpeza, abrigo para roupas de cama, mesa e banho para
Serviço
o número de residentes (incluindo funcionários).
Espaços que possibilitem o convívio e lazer, evitando, no
entanto, a incorporação de equipamentos que estejam fora
Área Externa do padrão socioeconômico de origem. Deve ser prioritário o
(Varanda, uso de equipamentos públicos, proporcionando o convívio
quintal, comunitário. Caso o abrigo possua quadra, praças e
jardim, etc) playground, deve-se gradativamente disponibilizar ao acesso
da comunidade local, tendo atenção quanto à preservação
da privacidade e à segurança da instituição do acolhimento.
Espaço que possibilite o desenvolvimento de atividades de
Sala para
natureza técnica (elaboração de relatórios, atendimento,
equipe técnica
reuniões etc.)
Sala de
Espaço adequado para atender ao desenvolvimento de
coordenação /
atividades administrativas, com área exclusiva para arquivar
atividades
os prontuários dos acolhidos. E ainda, aconselha-se que
administrativa
este setor seja segregado da área de moradia das crianças.
s
Sala / espaço Espaço suficiente para a realização de reuniões e atividades
para reuniões em grupo com os familiares
Fonte: Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes 2009
52
53

3 ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA

A partir da crise do petróleo, na década de 1970, o homem começou a se


preocupar mais com os impactos ao meio ambiente e percebeu o crescimento
econômico era esgotável pela disponibilidade dos recursos naturais.

O bioclimatismo se tornou parte integrante do movimento ecológico mundial


da década de 70, por realçar e contribuir para a eficiência energética, estratégias
que consegue se inter-relacionar:

 As necessidades associadas ao conforto ambiental;

 Considera dados climáticos da região (ventilação predominante, umidade


relativa, radiação solar, movimento do ar, dentre outros). Entre estes
condicionantes acrescenta-se variáveis como aspectos topográficos, tipologia
do solo, vegetação predominante, e o entorno;

 Promover uma urbanização sendo integrada com a natureza;

 Avaliar possibilidades de técnicas construtivas pertinentes ao clima,


considerando fatores como: orientação, fatores de sombreamento, ventilação
predominante, valorização da iluminação natural e a disposição da
implantação.

Nas últimas décadas a eficiência energética obteve grande importância,


devido fatores como a crise do petróleo, as preocupações com o clima global e o
crescimento das ações, direcionadas à sustentabilidade fizeram com que o tema
adentrasse à agenda mundial. Após a crise energética, em 2001, no Brasil estimulou
metas ao país, em busca de reduzir os danos ambientais causados pelas
construções sobre o consumo de energia. (LAMBERTS et al, 1997).

Apesar dos artifícios que contribuem para o desenvolvimento da arquitetura


bioclimática, é perceptível que conceitos básicos como iluminação e ventilação
natural, acústica, conforto térmico, são encaradas como valores facultativos, mesmo
54

quando a região possui uma abundante demanda de recursos naturais, como é o


caso de várias regiões do Brasil. Sendo assim, ignoram a problematização ambiental
que vem se enfrentando nos últimos anos, onde a cada dia, passa a ser um preço
caro a ser pago. Mesmo com os avanços da quantidade de edifícios sustentáveis
pelo mundo, percebe-se, a distância entre a arquitetura e o meio ambiente, essa
proliferação incoerente é classificada como “inteligente e eficiente”, fazendo uso de
materiais inadequados para o clima local, respeitando apenas o valor estético.

A grande diversidade quanto ao uso de estratégias de certificações,


equipamentos renomados e utilização de novos materiais, sem uma análise
aprofundada da sua aplicabilidade ao clima local, muitos acreditam que o estarem
sendo contribuindo para a preservação do meio ambiente, pelo fato de estar
reduzindo o consumo de energia elétrica, nem sempre sua aplicabilidade condiz com
a necessidade e melhor estratégia para a localidade. Dessa forma, encontramos
uma abundante discussão quanto aos conceitos de sustentabilidade e ecologia, são
eles:

Sendo assim, devemos alternar o uso de sistemas construído mecânicos de


conforto, mesmo quando estes são ditos como “sustentáveis e certificados”, por
sistemas passivos tendo como base o clima local que não consomem energia. Para
isso, faz-se necessário o aprofundamento por parte dos arquitetos e engenheiros,
quanto ao ambiente de implantação do projeto, trazendo ao mesmos noções válidas
de conforto e de gestão ambiental, que intensificam a boa funcionalidade da
edificação, e consequentemente, fatores indispensáveis.

Esse uso desordenado de parâmetros sustentáveis, trazem grandes


prejuízos ao clima local. Faz-se necessário um panorama que reverta esta situação,
tornando-o necessário o conhecimento do clima brasileiro, suas subdivisões,
peculiaridades e potencialidades existentes, artifícios essenciais para receber a
conceituação de “sustentável”. Isso já é uma discussão atual à norma de
desempenho, pois visa aprimorar aspectos importantes para seu pleno uso em todo
o país.

“Um edifício de escritórios em Belo Horizonte, por exemplo, deve ter


características diferentes de um edifício em Florianópolis, mesmo estando
55

localizados em uma mesma zona bioclimática. Ou seja, apesar das características


típicas semelhantes, o arquiteto deve aprofundar-se no levantamento histórico de
dados e características locais para projetar uma edificação confortável
termicamente”, explica a arquiteta Ana Carolina Veloso.

A concepção de redução do consumo de energia das cidades, deve ser


reorganizada para que haja avanço na procura pela “ecoeficiência”, visando o
conforto e preservação ambiental. Logo, deve ser dado o realce ao planejamento
urbano sustentável, tendo como prioridade as edificações existentes, pois são as
atuais responsáveis pela poluição e desperdício energético.

A utilização de preceitos uso das estratégias de captação de energias


passivas e renováveis para as edificações. Essas possibilidades devem ter como
fundamentação a potencialização climática, cultural e ecológico local. Isso, colabora
para a consolidação da identidade cultural de tipologias arquitetônica regional, que
se adapte ao meio ambiente natural, sendo satisfatória aos usuários. Essas técnicas
são realizáveis em países como o Brasil que dispõem de climas tropicais à
implementação destas soluções.

Ao contrário, está grande potencialidade pouco explorada, se observa,


mesmo em exígua proporção, a expansão de edificações cada vez mais
consumidores de recursos energéticos para assegurar o funcionalidade e condições
de conforto. Todavia, o que se observa é a falta de análise das variáveis climáticas,
e de soluções personalizadas sendo alteradas por soluções que não são cabíveis a
todas edificações. E assim retrocedendo em erros do passado, onde se torna mais
viável copiar soluções, do que buscar aprimorar e pesquisar qual a melhor
possibilidade a ser aplicada ao projeto.

Outro tópico preocupante é a terceirização de técnicas básicas de projeto e


conforto para escritórios especializados, como se a bioclimática e a sustentabilidade
fosse aspectos aparte da arquitetura, quando na integra são atributos fundamentais
para o seu desenvolvimento. A arquitetura chegou a um nivelamento exacerbado de
consumo energético e carência de conforto em decorrência da falta de aplicação e
fundamentos básicos do meio ambiente aplicado aos projetos. Noções simples de
ventilação, sombreamento e iluminação natural se tornam uma especialidade à
parte.
56

De uma certa forma é significante a cooperação desta especialidade,


alcançando certificações e novas estratégicas de arquitetura bioclimática. Contudo,
não se deve ignorar que o conforto ambiental é um processo regional, que consiste
em considerar o clima, passivo e acessível a qualquer classe social. A arquitetura
não deve se limitar ao modismo, o ato de projetar. O arquiteto e urbanista tem que
promover a responsabilidade ambiental, tendo o pleno conhecimento das vantagens
e desvantagens do clima.

Diante da atual crise ambiental, se faz necessário a preocupação com o


desenvolver do projeto, tendo uma visão futura ao que diz respeito a aspectos
sustentáveis.Esses aspectos, não devem ser encarados como diferencial de
mercado ou posição política, mas sim, acrescentada de forma à valorização do ser
humano, implementado nas ações do cotidiano. Ser sustentável é responsabilidade
primordial para o arquiteto do século XXI, e isso independe de um selo. Considera-
se o arquiteto Lelé, o João Filgueras Lima, o grande percursor de arquitetura
bioclimática, este, reconheceu e aprimorou os conhecimentos da bioclimática local.

CONFORTO TÉRMICO

Para que possa ser compreendido o conceito de conforto térmico, faz-se


necessário apresentar alguns conceitos, sobre conforto e neutralidade térmica.

Segundo a ASHRAE (2005), Conforto Térmico é um estado de espirito que


reflete a satisfação com o ambiente térmico que envolve a pessoa. Se o balanço de
todas as trocas de calor a que está sendo submetido o corpo for nulo e a
temperatura da pele e suor estiverem dentro de certos limites, pode-se dizer que o
homem sente Conforto Térmico.

Já o pesquisador dinamarquês OleFanger (1970), diz que neutralidade


térmica é “A condição na qual uma pessoa não prefira nem mais calor nem mais frio
no ambiente a seu redor”.
57

Para que possa ser possível assegurar o conforto térmico no ambiente


interno e externo, o projetista desse levar em consideração a temperatura do ar,
temperatura radiante, umidade relativa, velocidade do ar e aspectos como
vestimenta e atividade física também influenciam o conforto térmico.

O conforto térmico é influenciado pela atividade física, pois a movimentação


do corpo gera calor por metabolismo, na Norma ISSO 7730(2005), são
determinados alguns valores deste, de acordo com a atividade física a ser
executada. Visto isso, o arquiteto deve ter conhecimento quanto à finalidade do
projeto, para que possa desenvolver o projeto condizente com usa utilização. A
respeito da vestimenta, quanto maior a resistência térmica da roupa, menor será as
trocas de calor com o ambiente.

Logo, poderia-se dizer que o conforto térmico é quando o individuo se senti


bem em um determinado ambiente, no entanto, como se viu nos nas definições
acima os vários aspectos que influenciam a sensação de bem-estar térmico no
ambiente. Baseado esses conceitos subjetivos diversos estudiosos tentaram definir
um padrão, para que pudesse compreender quando o conforto e desconforto
poderia ocorrer em um ambiente. Destes estudos, será destacado o estudo, que se
tem como um dos principais os índices de conforto térmico.

O estudioso Fagner (1972), desenvolveu uma equação de conforto que


relevou as condições ambientais, incluindo também atividade física e vestimenta. O
experimento contou com a colaboração de pessoas de idades, nacionalidades e
sexos distintos, gerando o Voto Médio Predito (PMV do inglês predicted mean vote),
trata-se de um valor numérico que transmite a sensibilidade humana à temperaturas
altas e baixas. Com o desenvolver deste estudo, surgiu o Porcentagem de Pessoas
Insatisfeitas (PPD do inglês predicted percentage of dissatisfied), que foi adotado
pela Norma ISSO 7730 (2005), que determina que o PPD deve ser inferior à 10%
dos ocupantes do ambiente.

CARTA SOLAR
58

A Carta solar trata-se de uma interpretação gráfica dos trajetos aparentes do


solar na abóbada celeste durante o dia. São identificados através do deslocamento
do azimute e da altitude solar sobre o plano. É uma artificio bastante significativo
para determinações precisas para que seja possível analisar a penetração solar,
sombras projetadas ao entorno, definir a melhor orientação da edificação e os
parâmetros para proteger às aberturas.

Figura 8 – Carta Solar da cidade de São Luís, Maranhão.

Fonte: Programa Analysis SOL-AR

Para o desenvolver do uso da carta solar necessita-se primeiramente definir


a fachada o alvo do estudo, pode-se ser utilizado três tipologias de ângulo, do qual,
cada qual tem sua finalidade, são elas: â Beta (ß), ângulo horizontal, identificado em
planta baixa, este â será formado entre a projeção do raio e o plano perpendicular à
fachada; o â alfa (α), ângulo vertical frontal, visualizado em corte e é a projeção do
raio solar e o â gama (γ), ângulo vertical lateral, que será a projeção do raio de
incidência solar, sendo relevante a hora e período do ano, sob a fachada.

O uso da carta solar, deve ser indispensável à elaboração de um projeto,


pretendo alcançar o bom desempenho da edificação atribuindo a essa os
parâmetros condizentes com a sua necessidade.
59

“Assegurar que a insolação e a iluminação natural estejam


presentes nas fachadas das edificações e entre elas,
proporcionando boas condições, tanto internas quanto
externas; assegurar insolação e luz natural onde elas são
desejáveis, em partes dos edifícios ou em determinadas áreas
do seu entorno, são objetivos a serem cumpridos no
planejamento para insolação e iluminação natural” (ASSIS,
2000 apud ROBBINS, 1986).

A aplicabilidade da Carta Solar, traz consigo estratégias que almejam


superar a incidência solar internamente nos ambientes, em períodos que não sejam
viáveis ou desejáveis, tendo em contrapartida a utilização do cômodo. Para obstruir
a penetração solar, tem-se o uso dos brises (brise-soleil do francês que significa
quebra-sol), de modo geral estes são usados como anteparos a estes ambientes. Os
cobogós e persianas podem ser considerados tipos de brises.

Sua finalidade é assegurar a permeabilidade visual do interior para o exterior


e também proteção contra a entrada direta da radiação solar. A respeito da variação
de posição do sol, diariamente e anualmente, a elaboração dos brises devem
considerar a orientação da fachada para ser realmente efetiva.

CARTA PSICOMÉTRICA

Em meados da decada de sessenta os irmãos Olgyay criaram o Projeto


Bioclimático (1968), tendo como base o conformo térmico humano. A arquitetura
busca através de seus elementos, condições favoraveis do meio ambiente para
satisafazer as necessidades de conforto térmico do ser humano. Na busca por
atender essas necessidades, foi desenvolvida Carta Bioclimática Olgyay, que adapta
arquitetura ao meio ambiente.

Figura 9 – Carta Bioclimática Olgyay


60

Fonte: Eficiência Energética na Arquitetura, 2007

Após algumas correções à Carta de Olgyay, em 1969 Givoni desenvolveu a


Carta Bioclimática para Edifícios, esta é adaptada sobre o diagrama psicométrico. A
sua proposta trouxe elementos construtivos para adequar a arquitetura ao clima,
uma vez que os estudos de Olgyay, eram unicamente destinados ao exterior dos
ambientes. “Trabalhar com e não contra as forças da natureza e fazer uso do seu
potencial para criar melhores condições de moradia.” OLGYAY (1963).

No Brasil, na década de 90, foi realizada a ECO 92, a Conferência das


Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, já havia o interesse em
buscar melhorias ambientais. Em 1992 Givoni explicou em edifícios não
condicionados o conforto térmico depende muito da diversificação do clima externo.
Ele desenvolveu então a carta bioclimática que atenderia aos países em
desenvolvimento, tais como o Brasil. Antes de ser adotado os estudos de Givoni
para o Brasil, foram analisadas metodologias de diversos estudiosos, entre eles,
Olgyay (1968), Szokolay (1987) e Watson e Labs (1983), após análises o trabalho
de Givoni foi determinado como mais adequado às condições do Brasil.

Figura 10 – Carta Psicométrica


61

Fonte: Eficiência Energética na Arquitetura, 2007

O termo psychro, vem do grego, que significa esfriar ou resfriar. Dessa


maneira, tem-se que a Carta Bioclimática busca compreender o clima,
principalmente o condicionamento de ar para possibilitar estratégias que propiciem o
conforto térmico, condessar as superfícies mais frias e também do resfriamento
evaporativo.

Zona Brasileiras

A cidade de São Luís do Maranhão, está situada na zona 8 (de cor cinza do
mapa), região equatorial do Brasil, do qual consiste em temperaturas entre 24°C a
26°C e baixa amplitude anual 3°C, com chuvas abundantes e bem distribuídas,
níveis de chuvas superiores a 2.000 mm. A floresta Amazônica sofre influência
desse clima. A zona equatorial, está presente na Amazônia, norte de Mato Grosso e
a oeste do Maranhão, padece ação direta das massas de ar equatorial continental e
atlântico, de ar quente e úmido.

A região de clima equatorial, está situada na faixa de 5° de latitude à linha


do Equador, está localização consiste na assiduidade da Zona de Convergência
Intertropical e pela predominância de ocorrências de natureza convectivo, propicia
precipitação constante em geral relacionada a trovoadas durante o período mais
quente do dia (início da tarde). As altas temperaturas garantem uma significativa
evapotranspiração.
62

Figura 11 – Zoneamento Bioclimático Brasileiro

Fonte: Eficiência Energética na Arquitetura, 2007

ESTRATÉGIAS BIOCLIMÁTICAS

Ventilação Natural
A ventilação pode obter funções distintas, em relação ao edifício construído:
 Renovação do ar;
 Resfriamento psicofisiológico;
 Resfriamento convectivo.
63

O sistema de ventilação esta interligado às diferenças de pressão para


adentrar o ar fresco nas edificações. Essas distintas pressões podem ser
ocasionadas pelo vento ou desigualdade de temperatura, determina dois tipos de
ventilação passiva:

Ventilação cruzada: Estabelece a retirar do calor por intensificar as trocas por


convecção, e eleva os níveis de evaporação. Para o seu bom desempenho é preciso
posicionar adequadamente as aberturas em zonas de pressão oposta.

Ventilação por efeito chaminé: o ar mais frio e denso, desempenhando pressão


positiva, enquanto o ar quente e menos denso, tende a subir gerando correntes de
convecção.

A taxa de ar quente que é removido de um ambiente, é encargo da


região de entrada e saída de ar, da velocidade e direção do vento. A quantidade
dessa taxa é subordinada à distinção entre a temperatura interna e externa. A
aplicação do sistema passivo de ventilação deve considerar desde a primeira
instancia o uso do empreendimento e o clima local, cogitando a diversidade das
condições do vento em função da topografia e obstruções adjacentes. A boa
performance do uso da ventilação natural está intimamente ligada ao projeto dos
espaços internos e da dimensão e posição das aberturas.

Tipologia de ventilação natural


Sitio e orientação

A topografia local, vegetação e edifícios adjacente, são obstruções que


podem interferir nas condições do microclima local, podem induzir as direções e
velocidade dos ventos. No entanto, ruas exíguas e prédios altos provocam
consequências de afunilamento duplicando a velocidades dos ventos.

A disposição do projeto deve estar posicionada onde as oclusões seja


mínima ou nula, no entanto, as edificações postas no alto em morros/montanhas
possuem exposição máxima à ventilação, o que no inverno estaria em situação de
vulnerabilidade, em contrapartida, tem-se as laterais que contém uma localização
favorável, pois há a predominância do ar fresco.
64

Ventilação cruzada

A ventilação cruzada ocorre com a distinta pressão que é impulsionada pelo


vento ao empreendimento, as abertas do ambiente são postas em paredes contiguo
ou opostas, sendo assim, contribui para entrada e saída do ar. O sistema permite
alterações continua do ar interno da edificação, o renovando e reduzindo as
temperaturas.

Efeito chaminé

“Qualquer ambiente que apresente carga térmica interna – com a presença


de pessoas, equipamentos e/ou iluminação artificial – tende a ter a temperatura do
ar interno maior que a do externo. Quando existem aberturas, o ar externo mais frio
entra e, naturalmente, o interno mais aquecido sobe, criando uma ventilação no
ambiente”, explica a arquiteta Monica Dolce, professora de conforto ambiental e
sócia do escritório Dolce Arquitetura e Urbanismo.

Sombreamento

O sombreamento é uma estratégia primordial para a definição do projeto. O


seu uso condiz com os princípios da arquitetura bioclimática, e quando aplicado
adequadamente permite os ganhos solares em períodos mais quentes.

É indispensável que o profissional tenha conhecimento ao que se refere à


geometria solar de inverno e verão, levando em consideração a disposição da
implantação do projeto, porque dependo da localização do edifício pode-se priorizar
certas fachadas e minimizando o sombreamento em outras. É valido ressaltar que o
estudo de insolação deve cogitar o entorno da área do empreendimento, por
conseguinte planejar e determinar as devidas proteções cabíveis.

Vegetação
65

A aplicação da vegetação como estratégia de sombreamento é considerada


um eficiente componente externo. Para a sua utilização, é preciso da prioridade
árvores que possuam: copa larga, dimensões, áreas de sombras provocadas ao
longo do ano, folhagem do tipo perene e cautela quanto à localização, devido ao tipo
de raiz.

Proteções

As projeções horizontais apresentam-se mais eficientes, quando o sol


se encontra mais alto, nas fachadas Norte e Sul, e quando o sol tá mais baixo, é
indicado uma combinação de projeções horizontais e verticais. As projeções
verticais, também são bastante eficazes nas fachadas Nordeste, Sudoeste e
Sudeste, quando o sol está mais baixo.

Cobogó

O cobogó, de grande aplicação no nordeste do país, é um exemplo de


sistema misto em escala reduzida (BITTENCOURT, 1988), além de propiciar
sombras, ventilação e iluminação, e manter a segurança e privacidade de cada
ambiente.

Prateleira de luz

O recente interesse nestes componentes é devido à sua habilidade nestas


duas funções e também no direcionamento de luz direta no ambiente, quando
desejado (BAKER et al, 1993). Esse parâmetro permite proteger as zonas internas
da incidência solar direta e redireciona a luz que é incidida à superfície superior para
o teto.
66

Proteção interna

Os materiais utilizados devem obter baixa capacidade térmica, para


assegurar que irão resfriar rapidamente com o pôr do sol. Quanto à refletância das
cores, é necessário ser criteriosa ao escolhê-las, pois podem ofuscar o campo visual
dos ocupantes. KOENIGSBERGER (1980) afirma que a redução do fator de ganho
solar é de 17% em janelas de vidro com veneziana interna (cortina).

Brises

Determina-se como brise qualquer elemento que sirva como obstrução para
a incidência solar direta. Na aplicação de brise de vidro, deve-se considerar a que
ocorrerá a elevação da absortância, assim, é recomendado o afastamento de 1
metro de distância em frentes aos vãos, evitando a radiação solar direta e o restante
que for absorvido se resfria pela ventilação externa.

Inércia térmica para resfriamento

A quantidade de massa é que confere a uma edificação maior inércia


térmica, ou seja, paredes de maior espessura, de concreto ou alvenaria
convencional – providências que coincidem com as exigências do isolamento
acústico, alerta a física Maria Akutsu, mestre em engenharia e doutora em
arquitetura, responsável técnica pelo Laboratório de Conforto Ambiental e
Sustentabilidade dos Edifícios – Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT.

No decorrer do inverno, quando aplicado devidamente, armazena calor e o


libera à noite, auxiliando no aquecimento da edificação e no verão absorve o calor,
mantendo a edificação confortável. Característica de regiões onde o clima é mais
seco.

O envelope da edificação* deve ser mais denso, de elevada capacidade


térmica. A admitância térmica do material influencia no absorção e armazenamento
67

de calor. Os materiais que absorvem e liberam calor rapidamente possuem alta


admitância.

A aplicação de alta inércia no envelope só possui efeito se for limitada a


ventilação natural durante o dia, porque a temperatura interna aumenta de acordo
com o meio externo. É necessário cuidado ao tratar de componentes de cobertura e
de paredes à oeste, pois a extensa exposição à radiação solar pode transformar-se
em armazenadores de calor e causar desconforto térmico. Essa estratégia deve ser
aplicada buscando reduzir os ganhos solares com o uso de isolamento térmico
externo ou sombreamento.

Teto verde

Essa tipologia de sistema é eficaz durante todo o ano, seja inverno ou verão.
A vegetação retém parte significativa da radiação recebida pela camada de terra da
cobertura e recebe pouca quantidade de calor, se comparada a uma cobertura
convencional.

Parede verde

As paredes verdes são significativas quanto ao seu uso como isolante


natural, reduz os ganhos solares e as temperaturas. Geralmente, a vegetação mais
indicada é a trepadeira. “As cidades estão cada vez mais verticais, daí a ideia de
criar jardins anti gravitacionais”, diz Blanc. Patrick Blanc esse é o nome do botânico
francês responsável por modernizar e popularizar o jardim vertical, criado pelo seu
professor Stanley White Hart em 1938.

Materiais sustentáveis

A partir do século I a.C. Vitrúvio afirma que traçado das cidades deveria
protegê-las dos ventos dominantes, determinando à sua volta um perímetro murado
e poligonal, no interior da qual as ruas constituíam-se um traçado ortogonal e
regular.
68

Segundo MONTANER (2001), “o desafio atual consiste em demonstrar que


arquitetura ecológica além de ser necessária globalmente e correta socialmente
pode ser muito atraente do ponto de vista estético, conceitual e cultural.”

Percebeu-se que o serviço principal de um edifício não pode ser prejudicado


pelo objetivo de apenas reduzir consumo. A eficiência de uma edificação não está
em fazer gestão apenas de uma vertente, a energética. Mas de todo um contexto.
Para FERNANDEZ, “se a construção consome algo como metade dos recursos não
renováveis do mundo – em combustíveis, metais, etc – se deve analisar ou discutir o
modo como a arquitetura se acomoda a essa situação”.

As fontes renováveis no Brasil, tem magnetizado um avanço significativo de


investimentos. Segundo o Correio Brasiliense, ao final do ano passado, o BNDES,
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou a
captação de US$ 141,7 milhões junto ao banco de fomento alemão. Este valor será
investido em projetos que englobem eficiência energética eenergias renováveis
(solar, eólica, pequenas centrais hidrelétricas e bioenergia, entre outras.)

O interesse pelo desenvolvimento sustentável tem evoluído, uma vez, que


um dos principais momentos responsáveis pela degradação do meio ambiente, é a
industrialização acelerada, onde o consumismo exacerbado induz ao consumidor a
compra, e a compra exigida da indústria maiores produtos, e neste contexto, o meio
ambiente padece às consequências, e conseguintes aos seres humanos. No
entanto, acredita-se que esta realidade vem sofrendo transformações, onde o uso
consciente vem ocupando espaço no modo de vida dos consumidores, e a produção
agregando valores sustentáveis, dessa forma, ambos está contribuindo para a
preservação dos recursos naturais e garantindo condições de vida viáveis para
gerações futuras.

Os conceitos de preservação se atrelaram no cotidiano de parte da


sociedade, àqueles que se tornaram consciente dos malefícios que suas ações
trariam ao meio ambiente. As atitudes sustentáveis buscam transformar o espaço
urbano, trazendo qualidade de vida, reduzindo a poluição e desperdícios, enquanto
isso, a tecnologia estimula o uso de energia limpa e materiais energeticamente mais
eficiente, incentivando assim, descobertas de novas fontes de energias renováveis.
69

MATERIAIS
Bambu
O material é bastante multifuncional, o seu uso vai desde a produção de
alimento e de artesanato, até aplicação na construção civil. Ghavami (1992) afirma
que o bambu é um material vantajoso para ser usado no Brasil, pois é bem adaptado
ao clima tropical úmido, podendo ser encontrado em abundância na natureza.O
engenheiro civil Vitor Hugo Silva Marçal, secretário Executivo da Associação
Brasileira de Produtores de Bambu (ABPB):

 “O bambu possui características muito parecidas com o aço. Sua


resistência às forças de compressão e tração é muito alta, podendo ser
usado – se devidamente calculado – simultaneamente, para esses dois
esforços. Quando comparados os valores médios de resistência à tração do
material sobre o peso próprio, percebemos que o bambu é capaz de
suportar o equivalente e, em alguns casos, até uma carga maior que o aço”

O bambu recebeu o nome de “aço verde”, pois sua utilização é 3 vezes mais
resistente que ao uso do aço, outra vantagem é a taxa de rebrota anual, promove a
colheita constância sem avariar a plantação, quanto mais é cortado, mais tende a se
propagar. Além das vantagens já apresentadas, constam a economia e a
durabilidade, quando utilizada de forma correta, a duração pode ser de até 25 anos,
quanto ao custo, pode-se reduzir em mais de 25% o valor total da obra. A sua
aplicação no edifício dá-se desde a decoração quanto à estrutura (pilares, vigas e
telhados), todavia, este desta aplicabilidade é necessário um tratamento específico
(mergulhar as toras em uma mistura de CCB - cromo, cobre e boro - por quatro a
cinco dias), a esterilização contra pragas, garantindo durabilidade e facilidade de
manutenção.

Marçal ressalva que deve haver cautela quanto ao número de pavimentos


na construção. “O bambu possui resistência para ser utilizado em estrutura de mais
de dois pavimentos sem maiores problemas. Porém, os sistemas conectivos e os
sistemas construtivos utilizados devem ser muito bem projetados. Em edifícios de
múltiplos pavimentos, o indicado é que o bambu seja empregado em conjunto com
outros materiais como o aço e o concreto. Mas nada impede que possa ser
desenvolvida uma estrutura de vários pisos somente em bambu, desde que todas as
70

normas de projeto e garantia da qualidade do produto e mão de obra de execução


sejam seguidas”, explica.

Tijolo Ecológico

Material também chamado como tijolo solo-cimento, pois na sua composição


contem terra, cimento, areia e aditivos. É dito como ecológico por no seu processo
de confecção, não envolve a queima e conseguinte liberação de CO2, é constituído
um sistema autoportante, assim, evita desperdício de material. Além de ser um
relevante isolante térmico e acústico, após a estrutura pronta, pode receber verniz
para proteção ou pintura (sendo dispensável o uso de massa), permitindo que a
textura esteja aparente, possibilitando um sistema mais econômico. Segundo Paiva
e Ribeiro (2011):
“Para se ter um desenvolvimento sustentável, as empresas têm que adotar
em seus meios de produção medidas de eficiência e de melhor
aproveitamento de todos os recursos usados em sua produção. Dentro de
uma obra da construção civil, há muito desperdício, como sobra e quebra de
materiais, que podem ter um melhor reaproveitamento com a adoção de
novas tecnologias para reutilização das sobras como a reciclagem destes
materiais.”

Outras vantagens para a utilização da aplicabilidade do tijolo ecológicos, dá-


se pelo: redução do tempo de construção, estrutura mais segura, diminui uso de
madeira, minoração de 70% de concreto e argamassa e de 50% de ferro gastos,
durabilidade de até seis vezes maior que os tijolos convencionais, fácil acabamento
e facilidade para instalações hidráulicas e elétricas, devido aos orifícios existentes
em seu interior.

No momento, procura-se com vigor, materiais e técnicas construtivas que


minimizem os impactos ambientais ocasionados pela construção. É indiscutível o
estudode arquiteturas mais sustentáveis, pois os recursos do planeta são finitos, e o
crescimento da população e suas atividades têm gerado, há séculos, grande
violência contra o meio ambiente. Não existe construção que não gere impacto, a
busca é por intervenções que o ocasionem em menor escala (PISANI, 2005).
71

Telhado Verde
O telhado verde por definição é todo o telhado que agrega em sua
composição, uma camada de solo ou substrato de vegetação. Um telhado verde é
uma alternativa viável e sustentável perante os telhados e lajes tradicionais, pois
facilita o gerenciamento de grandes cargas de águas pluviais, desencadeando em
melhorias térmica, serviços ambientais e novas áreas de lazer. (NASCIMENTO,
2010).

Essa estratégia vai muito além de aspecto estético, torna-se um significativo


parâmetro para auxiliar a drenagem pluvial, conforto acústico, isolante térmico, e
também ponderador pela apreensão de carbono e outros gases oriundos do efeito
estufa decorrentes da poluição. A sua aplicabilidade aumenta a qualidade de vida
em áreas urbanas e propicia estética agradável.

Os telhados verdes possuem características positivas no que diz respeito ao


conforto e bem-estar dos seus usuários, tanto internamente quanto
externamente. Várias pesquisas em ambiência mostram os resultados
positivos ao se utilizarem coberturas verdes, refletindo no estado
psicoemocional dos seus usuários. Proporciona também atividade
terapêutica, como a jardinagem em si, envolvida na manutenção dos
telhados verdes, e a sensação de bem-estar por amenizar o ambiente
urbano com a utilização de vegetação (LAAR, 2001).

A vegetação também contribui para estabilizar o clima ao seu entorno,


reduzindo a amplitude térmica, absorvendo energia e favorecendo a manutenção do
ciclo oxigênio-gás carbônico que é essencial para a renovação do ar atmosférico
(DIMOUDI & NIKOLOPOULOU, 2003).

3.3 PSICOLOGIA AMBIENTAL

É uma das muitas subdivisões da Psicologia, e tem como objetivo principal


entender como acontecem as relações entre indivíduo e ambiente, e também como
ocorrem as interações entre indivíduos dentro de um mesmo ambiente. Assim,
enquanto a arquitetura preocupa-se em projetar e construir espaços para o convívio,
proporcionando bem-estar para os indivíduos, a Psicologia Ambiental, preocupa-se
com os fatores psicológicos ligados a determinado ambiente (ORNSTEIN, 2005).

O paisagismo, como já se sabe, serve para integrar o homem à natureza,


trazendo conforto e bem estar, além de contribuir para melhoras ambientais. Tanto
72

em áreas internas ou externas há esse propósito. O conforto acústico também é um


atrativo ao uso de vegetação, como barreira sonoras, usados nas vias públicas e
parques para diminuir os níveis sonoros causados pelo entorno, principalmente, o
trânsito.

Tais estudos integrados podem ser usados em benefício de um ambiente


pautado em conceitos arquitetônicos, que levam em conta as necessidades e
demais aspectos do ser humano, visto que o indivíduo usuário é o centro do
ambiente, e assim deve ser um dos focos do programa, enquanto necessidades e
níveis de satisfação a serem atendidas (MOSER,2005).

As sensações ocasionadas pelo ambiente ao ser é estão constantemente


concentrados em seu inconsciente. Desta característica torna-se um obstáculo para
compreender o quanto é significativo as repercussões positivas e negativas que o
ambiente, transparece ao ser humano.

A qualidade de vida urbana está diretamente atrelada a vários fatores que


estão reunidos na infraestrutura, no desenvolvimento econômico-social e
àqueles ligados a questão ambiental. No caso do ambiente, constitui-se
elemento imprescindível para o bem-estar da população, pois a influencia
diretamente na saúde física e mental da população. (LOBODA, 2005 p.20)

Na contextualização da presente proposta de casa de acolhimento para


crianças e adolescentes, o uso de “áreas verdes” busca a quebra das problemáticas
que o levaram à situação de acolhimento, alguns estudiosos afirmam que há muitos
casos do qual o acolhido ao iniciar a convivência na instituição, não possui o
discernimento do que está ocorrendo, às vezes, se julga culpado pelo afastamento
do convívio familiar. O convívio no abrigo, trás a estes um momento de
vulnerabilidade psicológica, pois há vários direcionamentos a seguir daquele
momento, no entanto, entre os princípios do acolhimento está na priorização de
demonstrar ao acolhido apoio emocional, atenção e carinho, assim, trazendo
referências do convívio familiar, o que é um fator importante no fortalecimento da
construção do desenvolvimento psicossocial.

Em meados da década de 50, com as problemáticas ambientais que


surgiram, iniciou-se a buscam para compreender como o comportamento do ser
73

humano era afeta por estas variáveis ambientais, quanto à sua qualidade de vida.
Segundo estudos sobre a Psicologia Ambiental, percebeu-se que o meio ambiente
tem constante influência sobre o bem-estar e a produtividade.

A missão social do paisagista compreende aspecto pedagógico, de


fazer compreender e amar o que a natureza representa procurando
conservá-la, pois é dela que depende a sobrevivência dos seres vivos,
tendo o máximo de consideração com o destinatário de suas criações
(LEENHARDT, 2006).

A adoção à uso de áreas verdes cabe aos profissionais, desenvolver


parâmetros para a implantação aos projetos, buscando propiciar melhores condições
de vida. Como resultado, tem-se excelentes conjuntura ambientais, redução de
temperatura, diminuição de problemas respiratórios, conforto térmico e acústico,
além de conceituação estética positiva.

Ao elaborar projetos arquitetônicos e/ou paisagísticos, tem-se como


prioridades a: funcionalidade, satisfação dos futuros usuários, harmonia, estética e o
primordial, avanços na qualidade de vida. Ao se identificar com o ambiente as
pessoas tendem a se envolver afetivamente com o espaço, atrelando a estes laços
onde o usuário correlaciona no íntimo da memória o conjunto de relação e
experiências. Assim, o homem compreende que é parte constituinte do ambiente e
que depende deste, para um desenvolvimento saudável.

Um termo bastante significante para a Psicologia Ambiental é a


sustentabilidade, pois a precaução com o entorno concede a compreensão às
necessidades este no presente, sem reduzir a qualidade de vida das gerações
futuras. Ao elaborar projetos que tenham essa base de utilização, de áreas verdes,
atribui ao mesmo um grande desafio, do qual é capaz de propiciar condições
extremamente satisfatórias aos usuários. Decerto, o uso de espaço amplos e com
iluminação abundante e natural, se sobressaem a lugares fechados e obscuros.
74

4 REFERENCIAL EMPÍRICO
4.1 CASA DE ACOLHIMENTO PARA MENORES / CEBRA – DINAMARCA

Ficha Técnica

Arquitetos/Escritório:CEBRA
Paisagista: PK3
Engenheiro: Søren Jensen
Localização: StrandgårdsAlle, 5300 Kerteminde, Dinamarca
Área: 1500.0 m²
Ano do Projeto: 2014
Fabricante:Troldtekt

A Dinamarca, mais precisamente, em Kerteminde, recebeu a implantação de


um projeto pioneiro, ao que diz respeito à Centro de atenção 24 horas para crianças
e adolescentes, o escritório CEBRE foi o mentor de todo o desenvolver do projeto. O
edifício, descontrai com sua forma e elementos familiares, o mesmo é revestido de
azulejos e madeira, com a dinâmica abordada criou-se um ambiente acolher, um dos
aspectos princípios para o bom desenvolvimento do acolhido, durante sua
permanência no abrigo, trouxe também um conceito moderno quanto à referência de
“casa”, utilizando ideias pedagógicas inovadoras e concepções que correspondem
às necessidades das crianças e adolescentes.

Figura 12 – Fachada Casa De Acolhimento Para Menores - Dinamarca

Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/760562/casa-de-acolhimento-para-menores-cebra
75

Este centro de atendimento fomenta as relações sociais e o sentido de


integração à comunidade, mas também, em conformidade com as
indispensabilidades individuais da criança, trazendo a esta sensação de
pertencimento e inclusão.

Figura 13 – Estudo de formas

Fonte:https://www.archdaily.com.br/br/760562/casa-
de-acolhimento-para-menores-cebra/
5470e2d3e58ece205e00009b-diagram

A forma adotada para o projeto, buscou transparecer o sentido de casa,


trazendo traços de uma residência normalmente encontrada nos bairros
residenciais; de duas águas e retangulares, formas básicas da casa dinamarquesa
como ponto de partida natural.

O conceito dos diferentes perfis do sótão brinca os volumes do edifício, que


insere variação espacial e flexibilidade funcional à organização interior, permite
também aplicar distintas atividades aos locais, tais como: leitura, espaços para
filmes, sala para fazer tarefas, áreas de pinturas, artesanatos, entre outros. A
distribuição geral dá-se em quatro volumes conectadas. Os espaços alongados da
instituição se separaram e foram comprimidas para implementar um edifício
compacto com volumes de compensação. Cada grupo, de uma certa idade, tem seu
espaço de uso flexível, tal medida tem um foco propiciar aos acolhidos um
sentimento de pertencimento.

Os módulos destinados às crianças se retraem desde a rua e são


direcionadas para o jardim com acesso direto para a área de lazer/descontração. O
76

módulo central possui a entrada principal, interligada ao estacionamento, onde


desenvolve uma visão ampla de quem entra ou sai do edifício, sem interfere nos
módulos habitacionais. A unidade destinada aos adolescentes esta orienta para a
rua, esses são incentivados a utilizar a cidade e cooperar nas atividades sociais.

4.2 Orfanato em Amsterdam

Arquiteto: Aldo van Eyck


Localização: Amsterdã, Holanda
Ano do projeto: 1960

Figura 14 – Orfanato em Amsterdam

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-108938/classicos-da-arquitetura-
amsterdam-orphanage-slash-aldo-van-eyck

Em busca de um espaço que atendesse à 100 crianças abandonadas o


arquiteto Aldo Van Eyck, aposto em ambientes amplos para atender às
necessidades de acordo com a faixa etária de cada acolhido. O arquiteto optou pela
linguagem de dentro e de fora e vice-versa.

A estrutura da instituição cria formas geométricas simples organizada em


estrutura complexas. O intuito é transmitir a mesma solidez com tamanhos distintos
e reduzindo o contraste entre ambientes internos e externos. Aldo, busca ainda fazer
77

ambientes de transição, estes, não são absolutamente interiores, nem tão pouco,
exteriores, mas intermediários. A composição da planta também é composta por
pátios abertos internos.

Esta obra fortalecer novas relações na utilização do espaço, de forma que se


expressa a ruptura da arquitetura como “elefante branco”, ou seja, ser instalado em
um mundo independente e externo a ele.

4.3 FAZENDA CANUANÃ

A fazenda Canuanã, está localizada na Zona Rural de Formoso do Araguaia,


no Tocantis. A escola foi inaugurada a 44 anos e em 2018 recebeu os prêmios de
Melhor Edificio de Arquitetura Educacional do mundo, da Building Of The Year e o
Prêmio Internacional RIBA 2018. O projeto propôs um complexo escolar e moradia,
com capacidade para 800 alunos, entre 7 e 17 anos, às margens da floresta tropical
no norte do Brasil. O projeto foi elaborado pelo Instituto A Gente Transforma, do
Designer Marcelo Rosenbaum e o Escritório Aleph Zero, a instituição é mantida pela
fundação Bradesco.

Figura 15 - Fazenda Canuanã

Fonte: https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2017/08/marcelo-rosenbaum-
projeta-escola-em-tocantins-com-ajuda-de-alunos.html
78

O projeto como um todo possui aspectos significantes para atual proposta,


pela sua concepção de materiais leves, inclusão de tijolo solo-cimento e pátios
centrais com vasta áreas verdes. A utilização da simplicidade dos materiais deu-se
pela contextualização local, ou seja, técnicas vernaculares, do qual buscou
direcionar o olhar para o resgate cultural, da beleza indígena e sua sabedoria, toda
essa delicadeza transpôs à construção a noção de pertencimento, que foi
transpassa aos seus usuários.

A disposição dos ambientes permite privilegiar a cria a sensação de


singularidade e reconquista da origem de cada um, e também sustentar a intimidade
com o local, enaltecendo a ideia de pertencimento dos alunos.
79

5. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO

5.1 LEVANTAMENTO DE DADOS E VIABILIDADE ARQUITETÔNICA

5.1.1 METODOLOGIA

Para o aperfeiçoamento e a finalização da presente proposta, foram


priorizados primordialmente pesquisa bibliográfica, artigos científicos e entrevistas
de feitio que as pesquisas e obras explanadas, serão uteis ao referencial teórico,
fortalecendo assim, o tema proposto.

A metodologia deve ajudar a explicar não apenas os produtos da


investigação científica, mas principalmente seu próprio processo, pois suas
exigências não são de submissão estrita a procedimentos rígidos, mas antes da
fecundidade na produção dos resultados. (BRUYNE, 1991 p. 29).

Entrevista: a princípio foi solicitado visita na SEMCAS, localizado no bairro


da Centro, São Luís, com o intuito de desenvolver entrevista com assistente social e
acesso aos dados estatísticos da atual situação das crianças e adolescentes,
abrigadas ou não, para aprimorar o conhecimento de como funciona os abrigos, e
quais partidos são adotados em todo o processo de acolhia, tais como as tipologias
de serviços da assistência social, qual os maiores problemas enfrentados, faixa
etária e motivos que a levam ao abrigo institucional. Porém, não foi possível o
acesso direto aos dados estatísticos.

5.1.2 PERFIL DOS ACOLHIDOS


Segundo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), no Brasil, mais
de 30 mil crianças e adolescente vivem em abrigos, longe do convívio familiar,
dados apurados em 2010. Na figura **, pode-se verificar a estimativa de acolhidos
de acordo com a faixa etária.
80

Gráfico 1 – Faixa Etária

Fonte: do Autor
FAIXA ETÁRIA
Até 5 anos 6 a 11 anos 12 a 15 anos 16 a 17 anos Não informado

10%0%
25%

29%

35%

Gráfico 2 – Serviços de acolhimento institucional

Fonte: do Autor
Serviços de acolhimento institucional
Instituição Privada Instituição Pública
O gráfico condizente com a faixa etária, no item em azul escuro mostra
acolhidos até 5 anos de idade, do
15%qual, totaliza a segunda maior porcentagem do

gráfico, 25,4% da população, adiante o item laranja totaliza 35,4% da população, a


maior porcentagem do gráfico. Esses dados estão relacionados à região do
Nordeste. Nota-se que necessário a implantação de novos abrigos para atender à
demanda das crianças e adolescentes em situação de maus tratos e abandono.
85%
Logo, eles se tornam o público alvo da proposta deste projeto.

5.1.3 COHAB ANIL I

A cidade de São Luís, município brasileiro e capital do estado do Maranhão.


Foi fundada por franceses em 8 de setembro de 1612, em seguida invadida pelos
holandeses e por fim, colonizada pelos portugueses. Está localizada na ilha do
Upaon-Açu. A ilha é constituída por 4 municípios, são eles: São Luís, São José de
Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.

Figura 16 – Esquematização Brasil – Maranhão – São Luís.


81

Fonte: do Autor

O bairro escolhido para a implantação da proposta do projeto, foi a Cohab


Anil I, que significa Cooperativa Habitacional Brasileira I, este fazia parte de um
projeto de conjunto urbano, do qual havia sido desenvolvida pela extinta Companhia
de Habitação Popular do Maranhão, e em seguida, financiado pelo antigo Banco
Nacional de Habitação (BNH). Essas habitações eram voltadas para atender aos
moradores das palafitas dos bairros do Caratatiua e Alemanha, que padeciam por
constantes incêndios criminosos. Logo após veio a se tornar Cohab-Anil e com seus
respectivos conjuntos I, II, III e IV.

Figura 17 – Bairro da Cohab Anil I – São Luís, Maranhão.


82

Fonte: do Autor

De acordo com o IBGE, em levantamento dos dados socioeconômico, em


2010, em sobre o bairro Cohab Anil I, pode-se destacar as seguintes informações:
domicílios permanentes 606, sendo 2 unidades em domicílios coletivos; pessoas
residentes no total de 2.272 (dois mil duzentos e sessenta e dois); abastecimento de
água à domicílios permanentes 602; domicílios com esgotamento sanitários no total
de 600 rede geral e 2 valas; a coleta de lixo é coletado de todas as residências e à
energias também fornecida a todos os residentes; quanto à alfabetização, no
período da coleta de dados havia 418 alfabetizados e 15 não alfabetizados.

5.1.4 CONDICIONANTES LEGAIS

Sobre a legislação que trata do uso do solo e ocupação no setor território de


São Luís, o lote designado para instauração do projeto proposto, está localizado em
solo urbano, mais precisamente na ZR5 – Zona Residencial 5, conforme a lei dispõe
sobre o zoneamento, parcelamento, uso e ocupação do solo urbano e dá outras
providências. Art. 1º. I:

“A presente Lei dispõe sobre a divisão do Município em zonas, define


normas de parcelamento e uso do solo do Município, bem como estabelece
as intensidades de ocupação, utilização e as atividades adequadas,
toleradas e proibidas.”

Figura 18 – Parcelamento, uso e ocupação do solo da cidade de São Luís,


83

com identificação do terreno.

Fonte: google maps

Os índices urbanísticos considerados para este lote, inserido na ZR5- Zona


Residencial 5, serão dispostos na tabela abaixo, de acordo com a Lei nº 3.253 de 29
de dezembro de 1992, identifica os parâmetros de ocupação.

Quadro 9 – Parâmetros de ocupação da ZR5.

ZONA RESIDENCIAL 05 - ZR5


Área RECUOS (m)
Livre Área Total Área Total
Gabarit Testad
Mínim Máxima Máxima
Front o a Later Fund
a do Edificada do Lote
al Máxim mínim al o
Lote ATME ATML
o a
ALML
200m² 150% 40% 3 3 10 1,5 1,5
ÁREA TORAL DO LOTE: 14.962,47 m²
Fonte: Lei de zoneamento de São Luís - MA
Ainda sobre a Lei de zoneamento n° 3.253, de acordo com o Anexo II –
Tabelas de Uso das Zonas, que estimula qual tipo de construção/instituição pode ser
parte constituinte de cada zona, tem-se com item E. institucional e o item E. 1.4
Assistência Social que trata-se de asilo, creche, dispensário e orfanato, que condiz
com a proposta do presente documento, já o Anexo III – consta a Listagem de
Categorias de Usos, identificando o que pode ser implantado em cada zona da
cidade de São Luís, conforme este anexo a ZR5, é apta a receber a implantação do
Abrigo Institucional.
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5.1.5 CONDIÇÕES AMBIENTAIS

5.2 LOCALIZAÇÃO, ACESSO E ENTORNO DO TERRENO


Figura 19 – Acessos ao lote da presente proposta.

Fonte: google maps

A presente proposta trata-se de um projeto direcionado para crianças e


adolescente em situação de abandono e maus tratos, que estejam impossibilitadas
temporariamente de manter a convivência com a família de origem. O entorno foi
uma condição, crucial para o bom desempenho do projeto, desse modo o bairro foi
escolhido, por ser um local onde atende às necessidades dos acolhidos perante os
serviços públicos oferecidos.

Conforme o ECA, dentre os seus princípios dos serviços de acolhimentos


para criança e adolescentes, tem-se a preservação e fortalecimento dos vínculos
familiares e comunitários e que quanto a sua localização, determina-se que sejam
implantadas em áreas residenciais, sem distanciar excessivamente de realidade de
origem das crianças e adolescentes, diante do ponto geográfico e socioeconômico.

O lote está localizado na Avenida Quatro do bairro da Cohab Anil 1, próximo


do Mercado de todos e do Terminal de Integração Cohab/Cohatrac, estes
implantados na Avenida Jerônimo de Albuquerque.

Em relação entorno do terreno: a fachada lateral direita (face A) está a Rua


03; a fachada posterior (face B), está a Rua Nove; a fachada lateral esquerda (face
C), está a Av. Dois; a fachada frontal (face D), Av. Quatro. Os pontos de referências
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adjacentes a cada face, são: face A - Rio Anil Shopping/Faculdade Pitagóras; face B
– Fundação Antônio Brunno; face C – Terminal de Integração Cohab/Cohatrac e
Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão e face D – Mercado Municipal da
Cohab.

Figura 20 – Lote escolhido localizado na Cohab Anil I

Fonte: google maps

5.3 CARACTERIZAÇÃO DO LOTE ESCOLHIDO

Em relação às características do lote, identifica-se que o mesmo está


localizado na Zona Residencial – ZR5, segundo o Mapa de Zoneamento Municipal
de São Luís – 1992.

Figura 21 - Localização

Fonte: google maps


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Sobre as condições físicas do lote, pode-se verificar que este apresenta o


formato de um retângulo irregular, e dispõe de uma área de 14.962,47 m². O terreno
está com sua testada frontal direcionada para o lado Oeste, com extensão de
142,55m; face lateral esquerda para o Norte, com extensão de 102,61m; face
posterior para o Leste, com extensão de 146,68m e face lateral direita para o Sul,
com extensão 101,29m.

5.4 USO DO SOLO

A ZR5, é área constituinte do território do município de São Luís, que está


direcionada à habitação, seja ela, unifamiliar, residências multifamiliares ou
residências móveis.

Figura 22 - Mapa de uso do solo

Fonte: google maps

Conforme o mapa de ocupação do solo, a área ao entorno do terreno


estudado no bairro da Cohab Anil I, possui setor predominante uso residencial, em
seguida, por vazios urbanos.
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MAPEAMENTO DE PONTOS DE INTERESSE

Figura 23 – Pontos de Interesse

Fonte: google maps

Figura 24 – Rotas e pontos de ônibus.

Fonte: google maps

À proporção que foi efetuado os estudos aprofundados sobre o serviço de


acolhimento à crianças e adolescentes, pesquisas de dados sócio econômico pelo
IBGE, aspectos físicos do bairro e o levantamento fotográfico, pode-se concluir que
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o lote escolhido atende às exigências e necessidades para a implantação deste


projeto.

As orientações técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e


Adolescentes, elaborado conforme as diretrizes do ECA, diz que a criança deve
preservar e manter os vínculos familiares e comunitários, para que este possa obter
desenvolver saudável, criando sua identidade como sujeito e cidadão. Ressalta
ainda que o abrigo deve estar inserido em áreas residenciais, que não exceda o
ponto de vista sócio econômico, de origem da criança, o abrigo deve manter os
aspectos de casa e não devem ser instaladas placas indicando a natureza da
instituição.

O bairro atende aos seguintes itens: zona residencial, praças para convívio
comunitário, próximos a pontos de ônibus, escolas públicas, bancos, igrejas, pronto-
socorro, delegacia, supermercados e serviços afins.

O terreno atualmente é um vazio urbano, que funciona como campo de


futebol para os moradores do bairro e adjacentes, estacionamento para os veículos
das residências daquelas proximidades, lava-jato. Há iluminação pública adequada,
calçamento irregular e com vegetação invadindo-a, não há sinalização de faixa de
pedestre, semáforo e tão pouco, placas de orientação para o fluxo do trânsito, a rua
nove e a rua 03 (posterior e lateral esquerda do lote), respectivamente, estão
deterioradas, com buracos e pedras no trajeto. Quanto à vegetação, possui
aproximadamente 18 plantas frutíferas (mangueiras, cajueiros etc.)

Todos as problemáticas encontradas no terreno e seu entorno, são possíveis


de serem adequadas na implantação do projeto, sendo que este irá valorizar o local.
Outro ponto positivo quanto à localidade é que o bairro da Cohab e seus adjacentes
possuem uma vasta quantidade de praças públicas, o que influencia o convívio
comunitário e desenvolve a interação da criança e adolescente externamente ao
abrigo institucional, próximo ao terreno possui várias praças, que, no entanto,
precisam ser revitalizadas, mas possuem potencial para melhorias.
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LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO

Figura 25 - Estacionamento Figura 26 - Rua com deformação

Fonte: do Autor Fonte: do Autor

Figura 27 - Lava-Jato Figura 28 - Praça próxima ao terreno

Fonte: do Autor Fonte: do Autor

5.5 O PROJETO ARQUITETÔNICO


5.6 ESTUDO BIOCLIMÁTICO
A cidade de São Luís está contida na zona equatorial, que possui o clima
e constante radiação solar durante o ano. Em busca de ambientes mais confortáveis
o ideal é que haja grandes aberturas nos ambientes construídos, que possuem
estratégias de sombreamento, conforme recomenda a NBR 15.220.

Para análise bioclimática, foram consideradas as estratégias de valorização da


ventilação e iluminação natural. Assim, implantando parâmetros bioclimáticos para
melhor adequação do projeto ao meio ambiente.
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Figura 29 – Estudo Bioclimático

Fonte: do Autor, 2018.

O terreno escolhido contém sua fachada frontal, voltada para o Sudoeste, e a


fachada posterior para o Nordeste, e onde recebe a maior incidência solar no turno
da manhã.

5.7 PARTIDO ARQUITETÔNICO

Figura 30 – Jogo Tetris


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Fonte: http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-109608/
O forma do projeto terá como base o jogo infanto-juvenil Tetris, uma espécie de
quebra-cabeça, que tem como objetivo encaixar peças para não perder o jogo, este
seria uma metáfora ao cotidiano de todo ser humano, no entanto, trazendo como
referência às crianças e adolescentes, do qual após passarem por momentos
conflituosos em suas vidas precisam seguir, montar as peças do seu futuro
almejando alcançar grandes objetivos, seja o retorno ao convívio familiar, iniciar a
vida com uma família substituta ou até a transformação de vida, mesmo que
permaneça na instituição até completar a maioridade. Dessa forma cada peça do
"jogo" é vista como uma circunstância que ocorreu na vida deste para que
momentos positivos e negativos, possam ser motivações à criação de um
desenvolvimento saudável.

De acordo com o ECA, estes acolhidos devem habitar ambientes semelhantes


a uma residência, sem ultrapassar a realidade socioeconômico destes. Em busca de
alcançar este pré-requisito, será adotado estratégias semelhantes às residências
locais, com bastante vegetação, o estilo provençal no design interior da edificação,
com o telhado tradicional e uso de materiais sustentáveis. De maneira que não
venha a estratificar qual a natureza da instituição.

Para garantir a qualificação profissional destes acolhidos será disponibilizado


cursos profissionalizantes, que também serão abertos à comunidade. Uma vez que
os acolhidos precisam preservar e conservar seu convívio com a sociedade. Está
será uma edificação a parte, que contará com salas, ambiente para exposição e
coordenação.

5.8 PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTO

A casa de acolhimento, terá em seu programa de necessidade cômodos que


possam suprir as demandas essenciais da tipificação da instituição, almejando
transpor o conforto e assistência que os acolhidos necessitam. O mesmo foi
formulado conforme as leis vigentes.
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Dentre a demanda existente para o fornecimento dos serviços, destacam-se:


Setor de apoio/administrativo: recepção, lobby, guarda volumes, recursos humanos,
financeiro, coordenação, sala de reunião, em seguida sala de apoio psicológico,
ambulatório, banheiros. Setor de apoio: vestiário, dormitórios, sala de descanso,
almoxarifado, depósito de doações, banheiros, depósito de mantimentos, doca,
nutricionista, cozinha e refeitório.

Setor de acolhimento: cômodo segregados por gêneros (feminino e masculino),


esses ambientes terão área de vivência, lobby, sala de estar e TV, áreas verdes,
banheiros, vestiários, lavanderia e dormitórios coletivos. Esses cômodos foram
desenvolvidos com a intenção de atribuir ao local interação, conforto e bem-estar. A
instituição terá também setor religioso, campo de futebol e play ground.
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5.9 PROPOSTA ANTEPROJETO

Partindo da situação atual das casas de acolhimento, está proposta visa


resgatar crianças e adolescentes, em situação de maus tratos e abandono. Onde o
conceito projeto alguma busca transparecer assistência, conforto e aspectos
semelhantes à uma residência familiar. Quanto à sua permanência é esperado que
os

acolhidos tenham convívio no seio familiar, seja com a família de origem, extensa ou
adotiva, na impossibilidade, o jovem permanecerá no abrigo.

Figura 31 – Estudo de manchas e setorização

Fonte: do Autor, 2018.

Foi desenvolvido com o intuito de promover uma infância e adolescência digna


a esses que em alguns momentos por situações conflituosas e de risco à sua
integridade física e emocional, sendo assim, o objetivo geral é que o espaço
proporcione em sua essência a sensação de acolhimento, transmitindo respeito
apoio e atenção e carinho.

Por se referiu a um abrigo institucional, a principal íntegra é desenvolver uma


arquitetura simples que se assemelha às demais residências do entorno, para evitar
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aos acolhidos que se sintam ser parte de uma instituição. O projeto também
priorizou por não agredir à realidade vividas pelos acolhidos, ou seja, a estrutura do
abrigo buscou manter a padrão socioeconômico.

Dessa forma, acreditou-se que seria viável a segregação dos ambientes,


quanto as suas atividades, setor administrativo e os dormitórios, de maneira que
fossem interligados por áreas verdes de convívio social.

O estudo de manchas foi desenvolvido, com o objetivo de maior

compreensão da setorização do local e os serviços oferecidos. A casa de


acolhimento, é composta por 1 bloco, subdivide em 4 ambientes, da seguinte
maneira:

Figura 32 - Implantação

Fonte: do Autor, 2018

A subdivisão em vermelho, está contido como módulo principal, disponibilidade


para a administração da instituição, recepção com banheiros, coordenação,
financeiro, recursos humanos, sala de reunião, sala de apoio psicológico e sala de
visita familiar. A área em laranja, tem-se o setor de apoio, contendo: docas, nutrição,
depósitos para mantimentos e doações, banheiros/vestiários, almoxarifado, sala de
descanso, dormitórios, refeitório (capacidade para os 40 acolhidos), cozinha e área
para atividades gastronômicas para os acolhidos.
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 A área verde encontra-se a área de estudos, que contará com salas de


informática, grupo de estudo, acervo e área de leitura, com capacidade para 36
estudantes. Já o setor em roxo, consta a locação da área dos dormitórios,
separados por gêneros, separados por corredores e jardim interno, os cômodos são
iguais, dispondo assim, de dormitórios duplos e banheiros, e áreas para
entretenimento em área coberta tem-se a sala de TV e brinquedoteca. A área em
azul claro, tem-se os ambientes para práticas religiosas, tendo a inclusão de
banheiros.

A área interna é voltada para a recreação e aplicação de atividades


complementares, sua composição é disposta através da horta comunitária, play
ground e vasta áreas verdes e de vivência.

Com a disposição da implantação, procurou-se integrar o os cômodos internos


e externos e com a comunidade em seu entorno, desta forma, foi atribuído ao
projeto, muros intercalados com o uso de tijolos e grades, integrando a visualização
da vizinhança adjacentes. Ao que se diz respeito aos materiais a intenção foi
transmitir simplicidade, aconchego e integração, com a utilização de materiais como
o bambu, tijolos ecológicos e telhado verde, e quanto ao paisagismo, foi posto
perfilados, flores de cores diversas, árvores frutíferas, arbustos e vegetação rasteira,
todos os materiais estão disponíveis na região de São Luís.

6. CONCLUSÃO

Em virtudes dos aspectos observados, ainda nos dias atuais crianças e


adolescentes vivem em situações de destrubilidade social. Essas necessitam de
uma visão de prioridade, perante suas condições de vida, do qual dificulta o
desenvolvimento dessas crianças e adolescentes, quando se encontram em
circunstâncias de vulnerabilidade.

Como já foi dito no decorrer deste trabalho, a presente proposta buscou


atender aos acolhidos, de maneira que esses fossem parti integrante do ambiente,
almejando a sensação de pertencimento, inclusão e desenvolvimento pessoal,
fatores esses que contribuem para a convivência no dia a dia nos abrigos
institucionais.
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É válido ressaltar que o abrigo, é deve ser provisório e excepcional. O incentivo


de abrigo deve ser visto como a concepção de lar, lugar de acolhia. Com base
nesses princípios, foi proposto o projeto de uma casa de acolhimento para crianças
e adolescentes. Todos os ambientes foram elaborados com o intuito de reter à
residências familiares, de modo a atrelar a esses princípios funcionalidade e estética
semelhantes à casas, comumente encontradas no entorno do abrigo
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REFERÊNCIAS

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APÊNDICES
100

ANEXOS

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