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GUSTAVO PRATES MEZZOMO

VERIFICAÇÃO TEÓRICA E EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO DE


TELHAS TRAPEZOIDAIS DE AÇO FORMADAS A FRIO

Monografia apresentada ao Departa-


mento de Engenharia Mecânica da Es-
cola de Engenharia da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, como
parte dos requisitos para obtenção do
diploma de Engenheiro Mecânico.

Orientadores: Prof. Dr. Ignacio Iturrioz


Gladimir Grigoletti (Prof. ULBRA, Doutorando - UFRGS)

Porto Alegre
2004
2

Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Escola de Engenharia
Departamento de Engenharia Mecânica

VERIFICAÇÃO TEÓRICA E EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO DE TELHAS


TRAPEZOIDAIS DE AÇO FORMADAS A FRIO

GUSTAVO PRATES MEZZOMO

ESTA MONOGRAFIA FOI JULGADA ADEQUADA COMO PARTE DOS RE-


QUISITOS PARA A OBTENÇÃO DO DIPLOMA DE
ENGENHEIRO MECÂNICO
APROVADA EM SUA FORMA FINAL PELA BANCA EXAMINADORA DO
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

Prof. Flávio José Lorini


Coordenador do Curso de Engenharia Mecânica

BANCA EXAMINADORA:

Prof. Dr. Alberto Tamagna


UFRGS / DEMEC

Prof. Dr. Inácio Benvegnu Morsch


UFRGS / DECIV

Prof. Dr. Wilson Toresan Junior


UFRGS / DEMEC

Porto Alegre
2004
3

AGRADECIMENTOS

Agradeço...

aos meus orientadores, Prof. Dr. Ignacio Iturrioz, por toda a atenção, pelos ensinamentos e
pelo constante incentivo, e Gladimir Grigoletti (Prof. ULBRA, Doutorando - UFRGS), pela
enorme ajuda e por ter acompanhado de perto o desenvolvimento deste trabalho.

aos meus pais Angela e Elio, pelo apoio, carinho e, acima de tudo, compreensão.

à Zamprogna S.A., pelo fornecimento do material utilizado na parte experimental deste traba-
lho, e a todos os colegas de empresa, por toda a ajuda e amizade.

a todos meus amigos, pelos momentos de descontração, fundamentais para o êxito neste se-
mestre.
4

Este trabalho contou com apoio da seguintes entidade:


- Zamprogna S/A – Indústria e Comércio
5

MEZZOMO, G. P. Verificação Teórica e Experimental do Comportamento de Telhas


Trapezoidais de Aço Formadas a Frio. 2004. 29f. Monografia (Trabalho de Conclusão do
Curso de Engenharia Mecânica) – Departamento de Engenharia Mecânica, Universidade Fe-
deral do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

RESUMO

Os perfis de aço formados a frio têm sido cada vez mais aplicados na Engenharia. A grande
relação largura/espessura destes perfis estruturais os torna bastante suscetíveis ao fenômeno
da flambagem local. Não se encontram muitos registros do estudo sobre o comportamento da
flambagem de perfis pouco convencionais, como telhas. Neste trabalho, se faz uma verifica-
ção experimental do comportamento à flexão de telhas de aço trapezoidais formadas a frio
com diferentes tipos de vinculação nas bordas longitudinais, tendo em vista a obtenção da
carga crítica de flambagem elástica e da carga de colapso. O modo crítico de flambagem evi-
denciado é o local, que também é previsto pelas análises numéricas através dos métodos dos
Elementos Finitos e das Faixas Finitas. Quando o carregamento é linearmente distribuído nos
terços do vão, observa-se que não há influência considerável da vinculação das bordas longi-
tudinais no comportamento das telhas quanto à flambagem, mas o mesmo não se pode afirmar
quanto à carga de colapso. É feita uma comparação qualitativa e quantitativa do comporta-
mento real das telhas com o previsto pelos modelos numéricos e pelos métodos teóricos de
cálculo, ou seja, o procedimento de dimensionamento da NBR 14762 e o Método da Resis-
tência Direta.

PALAVRAS-CHAVE: Perfis Formados a Frio, Telhas Trapezoidais, Flambagem Local


6

MEZZOMO, G. P. Theoretician and Experimental Verification of the Behavior of Cold-


formed Steel Trapezoidal Sheets. 2004. 29f. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso
de Engenharia Mecânica) – Departamento de Engenharia Mecânica, Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

ABSTRACT

Cold-formed steel members have been largely used in Engineering. The elevated
width/thickness ratio of these members makes them susceptible to the local buckling phe-
nomenon. There are no many registers of the study of the unconventional members, such as
cold-formed sheets, buckling behavior. In this work, an experimental verification of cold-
formed steel trapezoidal sheets bending behavior, with different restraints at the longitudinal
edges, in view of the attainment of the critical elastic buckling load and the ultimate load, is
done. The evidenced critical buckling mode is the local one, which is also predicted by the
numerical analysis with Finite Elements and Finite Strips. When the loading is linearly dis-
tributed on the third parts of the opening between the supports, it can be shown that there is no
considerable influence of the longitudinal edges restraints over the sheet buckling behavior,
what cannot be said about the ultimate load. A qualitative and quantitative comparison be-
tween the real sheet behavior and the one predicted by the numerical models and the theoreti-
cian calculation methods, that is, the NBR 14762 specification and the Direct Strength
Method, is done.

KEYWORDS: Cold-Formed Members, Trapezoidal Sheets, Local Buckling


7

SUMÁRIO

RESUMO 5

ABSTRACT 6

1. INTRODUÇÃO 9

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 9

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 10

3.1 Modos de Flambagem a Considerar 10

3.2 Resistência Pós-Crítica e Cargas de Colapso 10

3.3 Método das Larguras Efetivas e Procedimento Normativo 11

3.4 Método da Resistência Direta 12

3.5 Método das Faixas Finitas (MFF) e Método dos Elementis Finitos (MEF) 13

4. APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA 13

5. METODOLOGIA 14

5.1 Procedimento Experimental 14

5.2 Modelagem pelo Método dos Elementos Finitos 16

6. ANÁLISES E RESULTADOS 16

6.1 Procedimento Experimental 16

6.1.1 Ensaio 1: telha com bordas longitudinais livres 16

6.1.2 Ensaio 2: telha com bordas longitudinais trespassadas 17

6.1.3 Ensaio 3: telha com bordas longitudinais vinculadas 18

6.1.4 Comparação entre os Resultados Experimentais 18

6.2 Análise pelo Método dos Elementos Finitos 18

6.3 Cálculo Segundo a Norma NBR 14762 20

6.4 Cálculo pelo Método da Resistência Direta 21


8

6.5 Análise Comparativa 22

7. CONCLUSÕES 23

8. REFERÊNCIAS 24

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 24

APÊNDICE A - TELHAS DE AÇO FORMADAS A FRIO 25

APÊNDICE B - REGISTROS DO ENSAIO DE TRAÇÃO 26

APÊNDICE C - INSTRUMENTAÇÃO UTILIZADA 27

APÊNDICE D - VERIFICAÇÃO DA RESISTÊNCIA DAS HASTES GALVANIZADAS E


DAS TELHAS QUANTO AOS ESFORÇOS CONCENTRADOS 27

APÊNDICE E - RESULTADOS EXPERIMENTAIS DOS ENSAIOS 2 E 3 28

APÊNDICE F - ALÍVIO DE TENSÕES VERIFICADO NA ANLG PARA TELHA COM


BORDAS LIVRES E CARGA INTEIRA E TELHA COM BORDAS VINCULADAS E
CARGA INTEIRA E CENTRAL 29
9

1. INTRODUÇÃO
As estruturas metálicas compostas por perfis de aço formados a frio (de chapa do-
brada) têm sido cada vez mais empregadas na Engenharia no Brasil, tanto na construção civil
como na Engenharia Mecânica, através de chassis de veículos e longarinas de aviões, por e-
xemplo. Fabricados com aços de alta resistência mecânica, os perfis de chapa dobrada podem
ter paredes esbeltas, constituindo uma alternativa econômica. Também podem ser usados para
fechamento em coberturas e fachadas sob forma de telhas. A Figura 1.1 mostra algumas apli-
cações de telhas trapezoidais de aço formadas frio.

Figura 1.1 - Aplicações de telhas trapezoidais: (a) fachada industrial; (b) silo.

O objetivo deste trabalho é estudar o comportamento estrutural de telhas trapezoidais de


aço formadas a frio, comparando resultados teóricos e experimentais, considerando diferentes
tipos de vinculação.
A Figura 1.2 ilustra o desenho esquemático do perfil utilizado no trabalho, e o Apêndice
A traz uma breve descrição das características das telhas de aço formadas a frio.

Figura 1.2 - Desenho esquemático do tipo de telha utilizada no trabalho, com dimensões do perfil em mm.

2. REVISAO BIBLIOGRÁFICA
No levantamento bibliográfico referente à avaliação do comportamento de telhas metá-
licas, depara-se com grande dificuldade de se encontrar trabalhos que tratem do tema. Os tra-
balhos nacionais são ainda mais escassos, podendo-se citar a dissertação de Mestrado de Fon-
seca (2000). Os trabalhos que abordam a análise de instabilidade de perfis de aço formados a
frio, tanto analíticos e numéricos quanto experimentais, limitam-se a estudar perfis padrões,
como C e Z.
Fonseca fez um estudo sobre o comportamento de telhas metálicas autoportantes, com o
objetivo de avaliar diferentes tipos de ligação entre as telhas. Foram realizados ensaios de
flexão de telhas com prensa hidráulica até o colapso, com registro da carga aplicada e dos
deslocamentos medidos em diversos pontos com relógios comparadores. Foi feita uma com-
paração dos resultados com os valores teóricos obtidos pelo procedimento normativo da AISI
e por um modelo de elementos finitos baseado no comportamento linear elástico.
Outras dissertações que abordam o comportamento de perfis de chapa dobrada tratam de
fazer comparações entre os procedimentos normativos e os métodos numéricos utilizados na
análise. Chodraui (2003) avalia a flambagem por distorção em barras submetidas à compres-
são centrada e à flexão, comparando-se os resultados obtidos pelo procedimento da norma
10

brasileira, pela análise elástica via Método das Faixas Finitas e pela análise via Método dos
Elementos Finitos, onde são consideradas a análise elástica de autovalores e a análise não-
linear geométrica.
3. FUNDAMENTAÇAO TEÓRICA
3.1 MODOS DE FLAMBAGEM A CONSIDERAR
Os perfis de aço formados a frio, diferentemente dos perfis laminados, que seguem pa-
drões que os tornam compactos, possuem várias formas e elementos esbeltos (com grande
relação largura/espessura, ou índice de esbeltez de placa). Elementos esbeltos, quando subme-
tidos à compressão ou à flexão, estão sujeitos aos fenômenos da flambagem local e da flam-
bagem distorcional (flambagens de placa). Além disso, o perfil, como elemento estrutural,
está sujeito à flambagem global (de barra), que depende do índice de esbeltez de barra.
A flambagem global corresponde à deformação da barra sem deformação da seção, e é
chamada de lateral com torção para vigas fletidas; ocorre para barras muito compridas. Na
flambagem local, os elementos (placas) flambam transversalmente, sem que ocorra translação
dos cantos ou dobras dos elementos; na flambagem distorcional, ocorre a flambagem de placa
juntamente com translação dos cantos, associada a um movimento de corpo rígido de algum
elemento com enrijecedor de borda ou a uma translação de um enrijecedor intermediário. A
diferença principal entre estes dois tipos de flambagem de placa é que a local ocorre para ín-
dices de esbeltez de barra menores. A Figura 3.1 ilustra alguns modos de flambagem.

Figura 3.1 - Exemplos de modos de flambagem para uma seção painel submetida a dois tipos de flexão.

3.2 RESISTÊNCIA PÓS-CRÍTICA E CARGAS DE COLAPSO


Quando um perfil sofre flambagem local, este não entra diretamente em colapso, possu-
indo uma resistência pós-flambagem ou pós-crítica. O colapso de um perfil é definido pelas
curvas de resistência à flambagem (Figura 3.2), que representam a carga de colapso (adimen-
sionalizada em relação à tensão de escoamento do material) em função do índice de esbeltez
reduzido da barra, que é dado pela equação (1):

My
λ= (1)
M CR

onde My é o momento que produz escoamento na fibra mais externa e MCR é o momento críti-
co de flambagem elástica. Existe um índice de esbeltez reduzido para a flambagem local e
outro para flambagem distorcional.
A Figura 3.2 ilustra as curvas de resistência associadas à flambagem local e distorcional
comparadas com a curva de flambagem elástica de Euler. Para barras suficientemente esbel-
tas, nota-se uma reserva pós-crítica para estes dois tipos de colapso, sendo mais acentuada
para a flambagem local. Num perfil que flambe localmente, o colapso vai ocorrer por flamba-
gem global ou pelo escoamento de sua seção flambada; num perfil que sofra flambagem dis-
torcional, o colapso será sempre por escoamento (Carvalho, 2004).
11

Figura 3.2 - Curvas de Resistência de Flambagem Local e Distorcional comparadas com a curva de flambagem
elástica (o carregamento é um momento fletor) (Fonte: Schafer, 2002).

3.3 MÉTODO DAS LARGURAS EFETIVAS E PROCEDIMENTO NORMATIVO


Uma placa de largura b, submetida a um carregamento uniforme q, que flambe local-
mente, é submetida a uma redistribuição de tensões com concentrações nas bordas. Assim,
Von Karman propôs que se assumissem tensões uniformes de valor σmax em regiões próximas
às bordas da placa (regiões efetivas), desconsiderando o trecho central no cálculo da rigidez
da placa flambada (Figura 3.3(a) e (b)). A placa de largura efetiva bef entra em colapso quan-
do σmax atingir a tensão de escoamento σe (ou fy). Von Karman propôs uma formulação para
uma chapa perfeita, o que fez com que outros pesquisadores incorporassem os efeitos das im-
perfeições mecânicas e geométricas no procedimento de cálculo, através da calibração expe-
rimental.

Figura 3.3 - (a) Redistribuição de tensões numa placa que sofreu flambagem local; (b) placa efetiva; (c) variação
do valor do fator de redução de flambagem local.

Na formulação proposta por Winter (Yu, 2000), a largura efetiva pode ser escrita como:
bef = ρb (2)

onde ρ é o fator de redução, cujo valor varia em função do índice de esbeltez reduzido da bar-
ra (Equação 3). A variação de seu valor segue o comportamento da curva de flambagem local
(Figura 3.3(c)). Para índices inferiores a 0,673, a placa é inteiramente efetiva.
bt
λp = (3)
KE
0,95
σ
12

onde K é o coeficiente de flambagem de placa, E é o módulo de elasticidade do aço e σ é a


máxima tensão de compressão (igual à tensão de escoamento fy se a tensão máxima for de
compressão). O valor de K depende das vinculações das bordas da placa e do carregamento
(Tabelas 4 e 5 da NBR 14762, 2001).
Para o dimensionamento de perfis de aço formados a frio existem diversas normas de
projeto, entre elas a norma brasileira NBR 14762 (ABNT, 2001). Esta norma está limitada ao
dimensionamento de seções de chapa dobrada apenas de estruturas que se comportem como
vigas, já que todo o formulário referente à flambagem global está baseado nesta modelagem;
além disso, os esforços considerados pela norma são axial, flexão e cortante.
A norma utiliza o conceito de Larguras Efetivas para considerar o efeito da flambagem
local dos elementos que compõem a seção. Para isso, usa a formulação proposta por Winter.
O valor do coeficiente de flambagem, segundo simplificação da norma, vai depender se o
elemento tem as duas bordas vinculadas ou apenas uma e do tipo de carregamento, que pode
ser compressão uniforme ou uma distribuição linear de tensões (seguindo o modelo de viga).
Utilizando a formulação de Winter e usando o valor de K para uma chapa isolada (sem consi-
derar interação entre os elementos), o método proposto pela norma é conservativo.
Este trabalho será aplicado a barras submetidas à flexão verificadas quanto ao Critério
da Resistência, que se refere ao estado último de serviço. O momento resistente nominal vale:
M n = ρ FLTWc , ef f y (4)

onde Mn é o momento fletor resistente nominal, ρFLT é o fator de redução associado à flamba-
gem lateral com torção, Wc,ef é o módulo de resistência elástico da seção efetiva em relação à
fibra mais comprimida, fy é a tensão de escoamento do aço (Carvalho, 2004).
Se ρFLT vale 1, não ocorre flambagem global (colapso por escoamento da seção efetiva);
se Wc,ef é igual a Wc, todos os elementos são inteiramente efetivos e não há flambagem local
(colapso por flambagem global). Se ambas as igualdades ocorrerem, o colapso será por esco-
amento da seção bruta, e, se nenhuma delas ocorre, há interação entre os modos de colapso.
O momento crítico de flambagem lateral com torção é especificado somente para seções
com pelo menos um eixo de simetria. Seu valor depende da inércia da seção em relação ao
eixo perpendicular ao de flexão e da inércia à torção.
Quando o perfil estudado resulta numa geometria complexa, não se pode recorrer à
Norma para o cálculo da flambagem distorcional, pois não se encontrarão soluções analíticas
prontas.
3.4 MÉTODO DA RESISTÊNCIA DIRETA
Schafer e Peköz propuseram um método alternativo de cálculo, a dizer o Método da
Resistência Direta (MRD) (Carvalho, 2004). A idéia do método consiste em escrever a equa-
ção de Winter para larguras efetivas em função das cargas envolvidas na análise e aplicá-la ao
perfil como um todo, alterando os coeficientes (Equação 5).
a a
Mn M CR M CR
= 1− b (5)
M LIM M LIM M LIM

onde Mn é o momento fletor resistente nominal, MLIM é a momento de colapso do perfil bruto
e MCR é o momento crítico de flambagem elástica. MLIM pode assumir o valor do momento de
escoamento da seção bruta (My) ou o momento crítico de flambagem global; a e b são coefici-
entes, que dependem do modo de flambagem analisado - local ou distorcional. Assim, pode-se
dizer que Mn é o momento de colapso da seção efetiva (considera interação com MLIM).
13

A Equação 5 foi calibrada experimentalmente para os modos local e distorcional consi-


derando diversos tipos de perfis, o que resulta nas curvas de resistência mostradas na Figura
3.2. O método consiste em determinar as cargas críticas de flambagem elástica para os modos
local e distorcional e entrar nas curvas de resistência, que fornecerão os valores dos momentos
nominais por flambagem local e distorcional (Mnl e Mnd). O colapso será governado pelo me-
nor valor entre MLIM, Mnl e Mnd.
Como o método trata o perfil como um todo, capta a interação entre os elementos. Adi-
cionalmente, dispensa o cálculo trabalhoso de propriedades efetivas e trata do modo distor-
cional de flambagem. Outra grande vantagem do MRD é sua aplicabilidade a qualquer geo-
metria (Schafer, 2002). Assim, o MRD apresenta diversas vantagens em ralação aos procedi-
mentos normativos, mas este não dispensa o uso das normas quando a análise não correspon-
der a uma coluna (compressão pura) ou uma viga (flexão pura).
3.5 MÉTODO DAS FAIXAS FINITAS (MFF) E MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS
(MEF)
O MEF (Zienkiewicz,1982) e o MFF (Schafer, 2001) são métodos que analisam o com-
portamento de estruturas discretizadas com o uso de funções de interpolação. A principal dife-
rença entre os dois métodos é justamente a discretização: o MFF faz apenas a discretização
transversal de uma barra (de sua seção), com os elementos se estendendo ao longo de todo o
comprimento da mesma, enquanto o MEF faz também uma discretização longitudinal.
O MFF faz exclusivamente uma Análise de Estabilidade Elástica, ou seja, resolve um
problema de autovalores dado pela Equação (6):
(K − αG ){δ } = 0 (6)

sendo K a matriz constitutiva do perfil, G a matriz geométrica (de estabilidade), α o fator de


carga (autovalor) e δ o vetor das formas modais da estrutura (autovetor). O método utiliza
funções polinomiais de interpolação nas direções transversais (seção) e funções harmônicas
(senoidais) ao longo das faixas finitas. A análise de autovalores é feita para cada comprimento
de flambagem (de meia-onda) e os resultados são dispostos num gráfico do Fator de Carga
(Tensão de Flambagem Elástica Adimensionalisada, com relação à tensão de escoamento do
material) x Comprimento de Meia-Onda. À medida que varia o comprimento de flambagem, o
modo de flambagem característico muda. Os valores mínimos correspondentes aos modos
local e distorcional devem ser retirados da curva correspondente a comprimentos de meia-
onda menores do que o comprimento da barra analisada, os quais devem ser aplicados na e-
quações (curvas) do MRD (ver item 6.4).
O MFF apresenta diversas limitações. A geometria da seção, bem como o carregamento
aplicado e as restrições nodais da seção não variam ao longo das faixas finitas; além disso, a
barra é suposta biapoiada para ser compatível com a função de interpolação senoidal na dire-
ção longitudinal. Com isso, só podem ser aplicados carregamentos de compressão e flexão
uniformes. Adicionalmente, a única configuração possível de condições de contorno (extre-
mos da barra) induz ao cálculo da flambagem global segundo expressões analíticas.
O uso do MEF contornou as desvantagens do MFF. A análise promovida pode ser não
só por autovalores, mas também com considerações de não-linearidade geométrica (compor-
tamento pós-flambagem).
4. APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
O comportamento quanto à instabilidade de telhas de aço trapezoidais formadas a frio
será analisado experimentalmente e teoricamente. O perfil da telha analisada foi mostrado na
Figura 1.2. O material correspondente é aço zincado, cuja tensão de escoamento é de funda-
mental importância para os cálculos teóricos de instabilidade. Para a determinação desta pro-
14

priedade mecânica, foram realizados ensaios de tração no Laboratório de Ensaios Mecânicos


da Zamprogna S/A, obtendo-se um valor de 350MPa (o registro está no Apêndice B).
As telhas serão ensaiadas à flexão, buscando-se analisar o momento fletor crítico de
flambagem elástica e o momento resistente. Na prática, em uma cobertura ou em uma facha-
da, as telhas sofrem o efeito da sucção vento, que tende a levantá-las de suas terças de fixa-
ção. Este tipo de solicitação comprime as ondas baixas (Figura 1.2), constituindo uma situa-
ção crítica quanto à flambagem local, uma vez que as ondas baixas são os elementos mais
esbeltos do perfil. Este trabalho abordará apenas a solicitação de flexão estática. Supõe-se que
as telhas, apoiadas em suas terças, vão se comportar como uma viga biapoiada, com compres-
são na onda baixa e tração na onda alta.
Como o objetivo é a obtenção dos momentos fletores que causam instabilidade e colap-
so, trabalhar-se-á com uma situação onde haja momento constante e esforço cortante nulo. Ou
seja, baseando-se na hipótese de que a telha trabalha como uma viga, serão aplicadas cargas
linearmente distribuídas nos terços do vão, como mostra a Figura 4.1. Fonseca (2000) utilizou
esta forma de carregamento baseado em trabalhos de outros autores.

Figura 4.1 - (a) Modelo de carregamento utilizado, (b) distribuição de esforços cortantes Q, (c) distribuição de
momentos fletores M (previstos pela teoria de vigas).

5. METODOLOGIA
5.1 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
Foram ensaiadas à flexão três configurações de telhas de 2200mm de comprimento,
com 2000mm de vão livre. Primeiramente, ensaiou-se uma telha isolada com suas bordas li-
vres (Ensaio 1), seguida do ensaio com uma telha com suas bordas trespassadas com ondas de
outras duas telhas (Ensaio 2). Finalmente, ensaiou-se uma telha com bordas vinculadas (En-
saio 3), a qual teve suas bordas fixadas em um estrado fabricado com tubos de aço quadrados
de 70 x 70 x 3mm. Esta telha precisou ter sua onda incompleta cortada para possibilitar a fi-
xação no plano. A Figura 5.1mostra as três configurações de ensaio.

Figura 5.1 - Configurações dos três ensaios realizados (dimensões em mm).

Para o ensaio de flexão das telhas de aço, foi montado um pórtico suficientemente rígi-
do para que sua deformação pudesse ser desprezada frente à deformação da telha ensaiada, o
qual se apresenta na Figura 5.2(a).
15

Figura 5.2 - (a) Pórtico de ensaio (ensaio 2 sendo realizado); (b) detalhe das hastes de fixação.

As telhas foram fixadas por baixo das terças com o uso de hastes galvanizadas com por-
ca, arruela e anel de borracha em cada onda alta (Figura 5.2(b)). Para o ensaio da telha com
bordas vinculadas, apoiou-se o estrado sobre o pórtico, diminuindo-se a distância entre as
vigas. A fixação da telha ao estrado se deu pelo mesmo método, com o acréscimo de seis rebi-
tes em cada borda longitudinal, conforme indicado na Figura 5.1.
O carregamento aplicado nos terços do vão foi centralizado em faixas de 500mm, para
que não implicasse em deformação excessiva nas bordas no ensaio com a telha isolada e devi-
do à impossibilidade de aplicar uma carga inteira na telha fixa ao estrado. Foram usados dois
tubos quadrados de 40 x 40 x 3mm com 1,86kg cada que foram apoiados uniformemente so-
bre as telhas com o auxílio de calços de isopor. Sobre os tubos, a carga pôde ser posicionada.
Buscaram-se dois resultados principais: a carga crítica de flambagem elástica e a carga
de colapso da telha. Para encontrar a carga crítica, foram utilizados cinco strain gauges, para
medição de deformações, e dois relógios comparadores, para medição dos deslocamentos ver-
ticais (ver Apêndice C), nas três amostras ensaiadas, conforme Figura 5.3, que mostra um
layout do sistema de aquisição de dados. Para a determinação da carga crítica, colocou-se uma
tábua de 1,30kg sobre os tubos e um recipiente centralizado com capacidade para 20 litros,
que foi cheio com água. Uma vez cheio o recipiente, e verificado o comportamento, substitu-
iu-se a tábua por um reservatório de fibra de vidro com capacidade para 500 litros (pesando
15kg), que foi igualmente carregado com água para a obtenção da carga de colapso.

Figura 5.3 - Layout dos pontos de medição com strain gauges e relógios comparadores.

Um cuidado que se tomou antes da realização dos ensaios foi à verificação da resistên-
cia das hastes galvanizadas e da telha quanto ao esforço concentrado nos furos por onde pas-
sam os ganchos; as hastes e o furo das telhas suportam pelo menos 491,5N. O procedimento
desta verificação está descrito no Apêndice D.
16

5.2 MODELAGEM PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS


Foi utilizado o software ANSYS 8.0, com o qual discretizou-se a telha com elementos
de casca do tipo SHELL181 (ANSYS, Inc, 2003). Este é um elemento estrutural com rigidez
de membrana e de flexão, possuindo quatro nós com seis graus de liberdade em cada. Suporta
grandes deformações e rotações, características de análises não-lineares.
Modelaram-se quatro configurações de telhas: telha com bordas livres e vinculadas com
carregamento centralizado ou através de toda a largura da telha. O modelo construído está
exemplificado para as telhas com bordas livres e vinculadas com carga central na Figura 5.4;
o carregamento foi aplicado com cargas nodais em linhas correspondentes aos terços do vão.
As vinculações das hastes foram modeladas como restrições translacionais nos três eixos em
todos os nós na altura do centróide nos extremos da telha.

Figura 5.4 - Modelo via MEF para carga central: (a) telha com bordas livres; (b) telha com bordas vinculadas.

A análise foi dividida em três etapas. Na primeira, fez-se uma Análise Linear Elástica
(ALE) para verificar se a telha se comporta como viga. Na segunda, promoveu-se uma Análi-
se de Buckling (de autovalores), para se evidenciar os modos de flambagem e obter as cargas
críticas; foram obtidos os valores de α da Equação 6. Na etapa final, realizou-se uma Análise
Não-Linear Geométrica (ANLG) para captar o comportamento pós-crítico.
6. RESULTADOS E ANÁLISES
6.1 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
6.1.1 Ensaio 1: telha com bordas longitudinais livres
Carregou-se a telha com a tábua e a garrafa de 20 litros e com incrementos de um litro
de água até se atingir um carregamento de 127,7N, e de dois litros até 245,4N. Visualmente, a
telha não indicou a ocorrência de flambagem local e as deformações medidas pelos extensô-
metros não apresentaram mudança visível no comportamento. Assim, substituíram-se a tábua
e a garrafa pelo reservatório, voltando-se ao estágio de 183,6N e carregando-o com incremen-
tos de 2 litros até 379,8N e de cinco litros até o colapso. Foram observados os seguintes itens:
- A flambagem local ocorreu visualmente quando se atingiu o carregamento de 379,8N.
- O colapso ocorreu por escoamento quando se carregou a telha com 1262,7N.
- A flambagem local se iniciou na onda baixa 2, prosseguindo na onda 3, nas ondas 1 e
4 simultaneamente e, por fim, nas partes comprimidas dos elementos inclinados na
medida em que o carregamento foi aplicado.
- Quando se trocou a tábua com garrafa pelo reservatório, a leitura dos relógios compa-
radores foi menor do que a registrada anteriormente para a mesma carga.
A Figura 6.1 mostra as variações das deformações e dos deslocamentos medidos. A de-
formação de SG5 está multiplicada por –1.
17

14

900
SG1 Ensaio 1 R1 Ensaio 1
SG2 R2
SG3 12 Reta1
SG4 Reta2
700 SG5 [x(-1)] ""
Deformação de Compressão (E-6)

10

Deslocamento (mm)
500
8

300 6

4
100
379,8N
49,2462 249,2462 449,2462 649,2462 849,2462 1049,246 1249,246 2
-100
Carga Aplicada (N)
0
Carga Aplicada (N)
-300 49,2462 249,2462 449,2462 649,2462 849,2462

Figura 6.1 - Comportamento dos strain gauges e dos relógios comparadores para o ensaio 1.

A partir dos gráficos, pode-se afirmar que:


-
SG2 e SG3 registraram um ponto de inflexão em suas curvas próximo da carga de
470N, mas devido às oscilações das leituras, não é possível determiná-lo com preci-
são. Perto do carregamento de 1050N, a deformação de compressão muda para de tra-
ção. Estes sensores estão localizados em alguma zona de alívio de tensões (onda de
flambagem).
- SG 1 apresenta deformação de compressão até o fim do ensaio e um ponto de inflexão
perto do carregamento de 1050N. Este sensor está localizado numa região onde se ini-
cia uma onda de flambagem.
- SG 4 apresenta deformação de compressão menor do que SG 1, e seu ponto de infle-
xão se dá próximo à carga de colapso. O sensor está localizado num elemento com
distribuição linear de tensões, e a flambagem acontece para uma carga maior.
- SG 5 apresenta deformação de tração até o colapso. Não ocorre flambagem em seu e-
lemento, mas sua deformação sai do regime linear à medida que a estrutura flamba.
- R1 e R2 saem do regime linear para o carregamento de 379,8N, ponto em que ocorreu
a flambagem local observada visualmente. As retas comparativas 1 e 2 indicam este
comportamento no gráfico.
A Figura 6.2 ilustra a formação das ondas de flambagem local e a ruptura por escoamento
da seção efetiva (precipitada pela flambagem local).

Figura 6.2 - (a) Detalhe da flambagem local na onda baixa 3 e nos elementos inclinados adjacentes; (b) ruptura
por escoamento da seção efetiva.

6.1.2 Ensaio 2: telha com bordas longitudinais trespassadas


Baseando-se nos resultados do primeiro ensaio, optou-se pela aplicação da carga dire-
tamente com o reservatório (carga inicial de 183,6N). Observaram-se os seguintes itens:
- A flambagem local ocorreu visualmente quando se atingiu o carregamento de 262,1N.
- O colapso ocorreu por escoamento quando se carregou a telha com 1409,9N.
18

- A flambagem local se deu do mesmo modo do Ensaio 1.


O comportamento dos strain gauges e dos relógios comparadores foi muito semelhante ao
do Ensaio 1; os gráficos obtidos estão dispostos no Apêndice E.
6.1.3 Ensaio 3: telha com bordas longitudinais vinculadas
A simetria adquirida pela nova configuração fez com que a aplicação da carga se con-
centrasse na onda baixa central (onda baixa 2), conforme Figura 5.1. Foram feitas as seguintes
observações quanto ao ensaio:
- A flambagem local ocorreu visualmente quando se atingiu o carregamento de 360,2N.
- O colapso ocorreu por escoamento quando se carregou a telha com 1459N, e não se
deu de forma tão abrupta como no ocorrido nos ensaios 1 e 2.
- A flambagem local se iniciou na onda baixa central (2), prosseguindo nas ondas baixas
adjacentes (1 e 3) simultaneamente e, por fim, nas partes comprimidas dos elementos
inclinados na medida em que o carregamento foi aplicado.
- R1 e R2 mediram deslocamentos muito semelhantes, devido à simetria.
O comportamento dos strain gauges e dos relógios comparadores mantiveram o padrão
dos ensaios anteriores; os gráficos estão dispostos no Apêndice E.
6.1.4 Comparação entre os resultados experimentais
A Tabela 6.1 compara quantitativamente os três ensaios realizados.
Tabela 6.1 - Comparação entre os resultados experimentais
Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3
Carga Crítica (N) 379,8 262,1 360,2
Carga de Colapso (N) 1262,7 1409,9 1458,9
Medição de R1(1) (mm) 13,992 12,496 11,142
Medição de R2(1) (mm) 10,876 11,096 12,146
(1) Para uma carga de 1017,5N, ponto em que foram retirados os relógios.

A Figura 6.3 ilustra os pontos de escoamento ocorridos no colapso dos três ensaios. No
ensaio 3, a ruptura só ocorreu na linha de aplicação de carga.

Figura 6.3 - Pontos de ruptura: (a) ensaio 1 (na linha de carga e a 140mm da linha de carga); (b) ensaio 2 (na
linha de carga e a 105mm da linha de carga); (c) ensaio 3 (somente na linha de carga). A linha de carga está
indicada em vermelho.

6.2 ANÁLISE PELO MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS


Na ALE, pôde-se verificar uma distribuição linear de tensões na direção do comprimen-
to da telha. Para isso, analisou-se o corte 1 da Figura 5.4 (Figura 6.4).

Figura 6.4 - Distribuição de tensões na direção do comprimento: (a) telha com bordas livres e carga inteira, (b)
telha com bordas vinculadas e carga inteira.
19

Através da Análise de Buckling, foram obtidos os cinco primeiros autovalores e seus


correspondentes modos de flambagem. Verificou-se flambagem local, sendo esta mais acen-
tuada na onda baixa 2, exceto para o caso da telha com bordas livres e carga inteira (acentua-
da na onda baixa 4). Como os modos de flambagem dos primeiros autovalores são todos se-
melhantes, mesmo que estes forneçam cargas críticas de valores próximos, pode-se limitar a
análise ao primeiro autovalor obtido, que fornece a menor carga crítica. A Figura 6.5 mostra o
primeiro modo de flambagem obtido para dois dos casos estudados.

Figura 6.5 - Modos de flambagem obtidos pela Análise de Buckling: (a) para telha com bordas livres e carga
inteira; (b) para telha com bordas livres e carga central.

Na ANLG, o carregamento foi aplicado pelo programa em 14 incrementos automáticos.


A Figura 6.6 mostra a distribuição de tensões na direção do comprimento da telha (SX) cor-
respondente ao último incremento de carga para a telha com bordas livres e carga central, de
onde se pode observar a concentração de tensões próxima às dobras das ondas baixas 2 e 3.

Figura 6.6 - Distribuição de tensões na direção do comprimento da telha (SX) para o caso de bordas livres e
carga central em um incremento de carga que superou a carga crítica de flambagem elástica.

Analisando cada incremento de carga, observou-se que a flambagem local se precipita


na onda baixa 2, exceto para o caso da telha com bordas livres e carga inteira, para a qual se
inicia na onda 1 (o que difere da análise de autovalores). Para se descobrir a carga crítica de
flambagem elástica, analisaram-se os cortes 2 (telha livre e carga inteira), 3 (telha livre e car-
ga central) ou 4 (telha vinculada), para os estados de deformação correspondentes a cada in-
cremento de carga utilizados pelo programa, com o objetivo de verificar a distribuição de ten-
sões no meio do vão. No incremento de carga em que se atinge a tensão crítica de flambagem
elástica, pôde-se notar que ocorreu um alívio de tensões em determinadas regiões. Isto ocorre
20

porque certas regiões no centro da onda analisada deixam de ser efetivas e as tensões concen-
tram-se nas bordas próximas às dobras. Deve-se destacar que foi ignorado este comportamen-
to próximo às linhas de aplicação de cargas, pois existe um grande efeito de concentração de
tensões.
Para cada um dos quatro casos estudados, traçaram-se simultaneamente os gráficos das
distribuições de SX para diversos incrementos de carga. O gráfico para o caso da telha com
bordas livres e carga central está exemplificado na Figura 6.7, permitindo uma visualização
clara do alívio de tensões associado à flambagem local. O valor de P no gráfico corresponde
ao valor da carga total aplicada sobre a estrutura, e o valor de P crítico de flambagem elástica
está compreendido entre os valores de 159,2N e 192,2N. Os gráficos correspondentes às ou-
tras configurações estão mostrados no Apêndice F.

SX - Telha com Bordas Livres e Carga Central


8,00E+06

3,00E+06

-2,00E+06 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2


SX (Pa)

-7,00E+06

-1,20E+07

-1,70E+07 P=60,2N
P=93,2N
P=126,2N
-2,20E+07 P=159,2N
P=192,2N
Comprimento P=225,2N
-2,70E+07

Figura 6.7 - Distribuição de tensões SX no corte 3 para diferentes incrementos de carga, aplicado ao caso de
telha com bordas livres e carga central (P crítico entre 159,2N e 192,2N).

Todos os resultados das cargas críticas de flambagem elástica, para cada uma das confi-
gurações estudadas, obtidos pela Análise de Buckling e pela ANLG estão dispostos na Tabela
6.2. Convém observar que os valores das cargas para a ANLG foram obtidos por uma média
dos valores correspondentes aos incrementos de carga entre os quais ocorreu alívio de ten-
sões. Em comparação com a Análise de Buckling, este procedimento mostrou-se eficiente
para determinar as cargas críticas. Observa-se a pequena influência da vinculação longitudinal
e a grande influência do tipo de carregamento nas cargas críticas de flambagem.
Tabela 6.2 - Resumo das cargas críticas de flambagem elástica obtidas pelo MEF
Buckling ANLG
Bordas Carga
Carga Crítica (N) Carga Crítica (N)
Livres Inteira 313,1 294,1
Livres Central 217,5 175,7
Vinculadas Inteira 326,7 298,2
Vinculadas Central 192,6 170,4

6.3 CÁLCULO SEGUNDO A NORMA NBR 14762


Para o desenvolvimento do cálculo normativo, foi considerado apenas o caso da telha
com bordas livres e carga inteira, uma vez que a norma NBR 14762 considera variação linear
de tensões por toda a seção. Para o carregamento ao longo da telha, utilizou-se o modelo apre-
sentado na Figura 4.1, analisando-se apenas o trecho de momento fletor constante e de esforço
cortante nulo. Assim, foi utilizada apenas a formulação aplicável a vigas fletidas, sem intera-
ção com esforço cortante.
Ao propriedades geométricas da área bruta do perfil da telha foram retirados do pro-
grama CUFSM e estão apresentadas na Tabela 6.3. Os elementos uniformemente comprimi-
21

dos – as ondas baixas e o enrijecedor – e a porção comprimida dos elementos inclinados não
são totalmente efetivos (necessita-se retirar porções de áreas virtuais para efeito de cálculo da
resistência). Isso faz com que o eixo baricêntrico desloque-se em direção às ondas altas para
cada porção retirada (Figura 6.8), realocando a distribuição de tensões (processo iterativo); ao
final, a área efetiva vai entrar em colapso por escoamento atingido antes nas ondas baixas e
enrijecedor. As áreas virtuais retiradas implicam numa redução do momento de inércia da
seção, o que se traduz em um momento de inércia efetivo e em um módulo elástico efetivo.
Todos os valores obtidos estão mostrados na Tabela 6.3. Os cálculos foram realizados despre-
zando-se as dobras e a espessura, ou seja, com base nas linhas médias dos elementos.
Tabela 6.3 - Propriedades geométricas da seção bruta e da seção efetiva
Propriedade Seção Bruta Seção Efetiva (ef)
Área - A (mm2) 523 296,1
Posição do centro de gravidade(1) - zCG (mm) 14,87 25,94
Momento de Inércia - I (mm4) 139400(2) 60320(3)
Módulo Elástico - W (mm3) 9377(2) 2325(3)
(1) Em relação à linha média da onda baixa (comprimida).
(2) Em relação ao eixo x-x da Figura 6.8.
(3) Em relação ao eixo G-G da Figura 6.8.

Figura 6.8 - Área efetiva dos elementos da seção e deslocamento do eixo baricêntrico de x-x para G-G. As áreas
virtuais retiradas estão em preto.

Com as propriedades efetivas da seção, pode-se calcular o momento fletor resistente


nominal (Equação 4). O fator de redução de flambagem lateral com torção foi tomado como
1, já que não se espera que ocorra flambagem global para o comprimento analisado, pois o
momento de inércia em relação ao eixo ortogonal ao de flexão é muito alto (48531009mm4
segundo o CUFSM). Finalmente obteve-se um valor para o momento fletor nominal relacio-
nado à flambagem local Mnl de 813,9N.m.
6.4 CÁLCULO PELO MÉTODO DA RESISTÊNCIA DIRETA
Para se obter o momento fletor nominal através do Método da Resistência Direta, são
necessários os valores dos momentos críticos de flambagem elástica. Como o uso do software
CUFSM, foram obtidas as curvas de flambagem elástica para as configurações de telha com
bordas livres e vinculadas, mas ambas com carga inteira, já uma das limitações do método é a
aplicação do momento fletor através do perfil todo.
Os perfis das telhas com bordas e livres e vinculadas foram modelados desprezando-se
as dobras (considerando somente a linha média acrescida da espessura da chapa). Utilizaram-
se, como entrada para a análise, as propriedades mecânicas do aço zincado (tensão de escoa-
mento de 350MPa e módulo de elasticidade longitudinal de 205000MPa). O momento fletor
aplicado é o que provoca escoamento na fibra mais externa. Assim, são traçadas as curvas de
flambagem elástica para as duas configurações utilizadas (Figura 6.9).
Para o comprimento de meia-onda de 670mm (trecho de momento fletor constante),
depara-se com um mínimo comum nas curvas das duas configurações. Este mínimo corres-
ponde ao modo de flambagem local, já que o comprimento é menor do que a maior dimensão
dos elementos da telha (127mm para a onda baixa). Para a telha com bordas livres, existe um
segundo mínimo para um comprimento de 850mm, que corresponde à flambagem distorcional
do enrijecedor comprimido; mesmo para telhas com trecho de momento constante maior do
22

que 850mm, este modo não é crítico frente ao mínimo local. Também, a partir do gráfico,
constata-se que foi correto desconsiderar a flambagem global para o cálculo normativo.
As formas de flambagem para as duas configurações, correspondentes ao primeiro mí-
nimo (flambagem local), estão ilustradas na Figura 6.10. Estas formas são semelhantes às
obtidas pela Análise de Buckling (MEF).

670mm

Figura 6.9 - Curvas de flambagem elástica obtidas no CUFSM para telhas com bordas livres e vinculadas.

Figura 6.10 - Formas de flambagem correspondentes ao primeiro mínimo: (a) telha com bordas livres; (b) telha
com bordas vinculadas.

Não havendo interação com a flambagem global, o valor de MLIM será igual a My, ou
seja, 1898,7N.m. MCRl será 0,06 vezes o valor de MLIM: 113,9N.m. Com estes valores, aplica-
se a Equação 5, com a=0,4 e b =0,15, e obtém-se um valor de 586,2N.m para o momento fle-
tor nominal. Este valor é conservativo em relação ao obtido pelo procedimento normativo.
6.5 ANÁLISE COMPARATIVA
A Tabela 6.4 compara os resultados obtidos na análise experimental com os dos méto-
dos numéricos e normativo de cálculo. Observa-se que a ANLG realizada não foi desenvolvi-
da até o momento do colapso e que o procedimento da NBR só fornece a carga de colapso. Os
momentos fletores correspondentes aos ensaios e à ANLG e as cargas correspondentes ao
procedimento da NBR e do MRD foram obtidos supondo a distribuição de momentos da Fi-
gura 4.1.
Tabela 6.4 - Comparação entre resultados experimentais, numéricos e normativos.
Ensaios ANLG ANLG NBR MRD
TLCC TTCC TVCC TLCC TVCC TLCI TVCI TLCI TLCI TVCI
PCR (N) 379,8 262,1 360,2 175,7 170,4 PCR (N) 294,1 298,2 - 341,7 341,7
PCOL (N) 1252,9 1409,9 1458,9 - - PCOL (N) - - 2441,7 1758,6 1758,6
MCRl (N.m) 126,6 87,4 120,1 58,58 56,8 MCRl (N.m) 98,0 99,4 - 113,9 113,9
Mnl (N.m) 420,9 479,0 486,3 - - Mnl (N.m) - - 813,9 586,2 586,2
TLCI - Telha Livre com Carga Inteira
PCR - Carga crítica de flambagem elástica
TLCC - Telha Livre com Carga Central
PCOL - Carga de colapso
TVCI - Telha Vinculada com Carga Inteira
MCRl - Momento fletor crítico
TVCC - Telha Vinculada com Carga Central
Mnl - Momento fletor resistente nominal
TTCC - Telha Trespassada com Carga Central
23

7. CONCLUSÕES
A comparação do comportamento experimental à flexão de três configurações de telhas
trapezoidais formadas a frio com o comportamento previsto por análises numéricas e norma-
tivas levou às seguintes conclusões:
- O modo de flambagem observado nos ensaios é o local, ocorrido nas ondas baixas
centrais. Os modelos numéricos via MEF e MFF confirmam este modo.
- Os valores de cargas críticas obtidas nos ensaios 1 e 3 foram em média 114% maiores
do que os obtidos pelo MEF, enquanto que o do ensaio 2 foi 51% maior. As diferenças
podem ter sido causadas pela simplificação adotada na modelagem das condições de
contorno correspondentes às hastes de fixação.
- As análises pelo MEF e pelo MFF mostram que a vinculação das bordas não afeta a
carga crítica de flambagem elástica. Isso foi comprovado na comparação da carga crí-
tica obtida no ensaio 3 com a do ensaio 1 (apenas 5% menor). Esperava-se que o en-
saio 2 apresentasse comportamento semelhante, mas o valor obtido foi 31% menor do
que o do ensaio 1. Possivelmente, o resultado foi afetado por imperfeições iniciais do
material.
- O comportamento dos strain gauges foi semelhante nos três ensaios, indicando que a
formação de ondas de flambagem aproximou-se de um padrão para os três ensaios.
- A carga de colapso do ensaio 2 foi 12,5% maior do que a do ensaio 1 e a do ensaio 3
foi 16,4% maior (e a ruptura foi menos abrupta). Constata-se que quanto maior o grau
de vinculação das bordas longitudinais, maior será a carga necessária para colapsar a
telha. Além disso, o deslocamento medido por R1 no ensaio 3 chegou a ser 20% me-
nor do que no ensaio 1.
- Quando a flambagem local se iniciou, a telha perdeu rigidez, ocasionando uma passa-
gem do regime linear elástico para o regime não-linear, o que pôde ser visualizado pe-
lo gráfico de deslocamentos medidos pelos relógios comparadores (Figura 6.2).
- Os pontos de plastificação observados nos ensaio 1 e 2 coincidem com pontos de con-
centração de tensões nas bordas das ondas baixas verificados na análise pelo MEF. No
ensaio 3, a ruptura ocorreu somente na linha de carga, mas isto não afetou o compor-
tamento da telha quanto à flambagem.
- Através da análise pelo MEF, verificou-se que a aplicação de uma carga inteira cor-
responde a uma maior carga crítica de flambagem, já que haverá compressão dividida
entre as ondas baixas. A vinculação continua não afetando seu valor.
- As cargas de colapso obtidas nos ensaios 1 e 3 foram em média 23% menores do que a
prevista pelo MRD e a do ensaio 1 foi 49%menor do que o valor calculado pela NBR;
porém, estes dois métodos só consideram cargas inteiras. Mesmo assim, conclui-se
que a NBR prevê uma carga de colapso maior do que a dita pelo MRD, o que faz esta
opção de cálculo inadequada para este tipo de geometria de perfil, possivelmente pela
não inclusão de geometrias complexas na calibração das fórmulas de área efetiva.
Finaliza-se este trabalho com as seguintes considerações:
- O modelo de ANLG reproduz bem o comportamento real de flambagem das telhas.
Mas os resultados experimentais mostraram que ele precisa ser aprimorado (por e-
xemplo, refinando as condições de contorno) para fornecer respostas precisas.
- A incorporação de plasticidade num modelo de Análise Não-Linear Físico Geométrica
poderia se traduzir numa ferramenta para comparação da carga de colapso obtida ex-
perimentalmente com a obtida pelo MEF.
- A medição com mais strain gauges na onda baixa poderia indicar com mais precisão
quais os pontos que estão em regiões de alívio de tensões. Diminuindo-se o incremen-
to de carga utilizado no ensaio, se poderia determinar com mais certeza o ponto de in-
flexão das curvas correspondentes aos sensores localizados nas zonas de alívio.
24

8. REFERÊNCIAS

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14762: Dimensio-


namento de estruturas de aço constituídas por perfis formados a frio - Procedimento. Rio de
Janeiro, 2001.

ANSYS, Inc. ANSYS 8.0 Documentation. 2003.

CARVALHO, P. R. M. de.; GRIGOLETTI, G.; TAMAGNA, A.; ITURRIOZ, I. Curso bási-


co de perfis de aço formados a frio. Porto Alegre, 2004.

CHODRAUI, G. M. de B. Flambagem por distorção da seção transversal em perfis de aço


formados a frio submetidos à compressão centrada e à flexão. Dissertação de Mestrado.
E.E.S.C./USP, São Carlos, 2003.

FONSECA, N. D. R. da. Avaliação do comportamento teórico e experimental em espéci-


mes de telhas metálicas autoportantes submetidas à flexão. Dissertação de Mestrado.
E.E./UFRGS, Porto Alegre, 2000.

SCHAFER, B. W. AISI - American Iron and Steel Institute - Direct strength method of
cold-formed steel design. January 7, 2002.

SCHAFER, B. W. CUFSM 2.5 - Users manual and tutorials. Disponível em


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ZIENKIEWICZ, O. C. El Método de Los Elementos Finitos. Editorial Reverté, S.A., Barce-


lona-Bogotá-Buenos Aires-Caracas-México-Rio de Janeiro, 1982.

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9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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sections by using the finite strip method. Research Report. Johns Hopkins University, 2004.

BUDGELL, P.C. Finite element analysis with ANSYS: information and tips. Disponível
em www3.sympatico.ca/peter_budgell, 1998. Acessado em 23 de Outubro de 2004, às 21:30.

REQUENA, J. A. V.; SOUZA, J. L. A. de O e. Estudo e automação do dimensionamento


de elementos estruturais constituídos de perfis formados a frio. UNICAMP, Campinas,
2000.

RODRIGUES, F. C. Perfis estruturais formados: a frio comportamento e dimensiona-


mento. E.E./UFMG.

UNIVERSITY OF ALBERTA. ANSYS tutorials. Disponível em


www.mece.ualberta.ca/tutorials/ansys, 2001. Acessado no dia 23 de Outubro de 2004, às
19:30.
25

APÊNDICE A - TELHAS DE AÇO FORMADAS A FRIO


As telhas de aço do tipo trapezoidal, senoidal ou autoportante são casos particulares de
perfis de aço formados a frio, que, devido à grande relação inércia/peso e à alta resistência
mecânica, podem vencer grandes vãos. São empregadas tanto em coberturas quanto em fa-
chadas, com aplicação em obras industriais, galpões, ginásios esportivos, aeroportos, hanga-
res, silos, estações rodoviárias, postos de gasolina, etc.
A grande vida útil das telhas de aço formadas a frio é garantida graças ao recobrimento
de zinco (recobrimento contínuo de imersão a quente ou galvanização), que garante proteção
do aço base à corrosão atmosférica, além de oferecer proteção catódica no caso de riscos e
furos. O recobrimento ainda pode ser de liga de zinco e alumínio (Galvalume), que garante
uma proteção ainda maior, propicia uma melhor superfície para pintura e reflete um mais alto
percentual de calor incidente. As telhas de aço formadas a frio também podem ser fabricadas
a partir de aço pré-pintado.
As telhas de aço formadas a frio são econômicas e de fácil manuseio, pois normalmente
dispensam sobreposição longitudinal, já que podem ser fornecidas com comprimento de 12m
ou mais. As telhas trapezoidais, foco do trabalho, podem ser fixadas às terças com parafusos
autoperfurantes nas ondas baixas (fachadas) ou com ganchos (hastes) nas ondas altas (cober-
turas), sempre com a presença de arruelas de neoprene para vedação. O recobrimento (tres-
passe) das telhas trapezoidais é feito com uma onda, sempre contrário aos ventos predominan-
tes na região. As telhas de aço Zamprogna S/A possuem um perfil assimétrico, com uma aba
incompleta, para facilitar este recobrimento (Figura 1.2). A fixação longitudinal entre telhas
não é obrigatória, mas é recomendada por alguns fabricantes; a sobreposição é suficiente para
evitar a entrada de umidade.
O processo de fabricação das telhas trapezoidais de aço é o processo de formação a frio,
ou corrugação, para o caso específico de telhas de aço. A formação a frio é um processo de
conformação de um laminado plano de aço (em bobina) gradual através de vários estágios
(passes de matrizes), chegando ao perfil desejado sem que ocorra mudança na espessura da
chapa. As formadoras são máquinas capazes de produzir variações dimensionais de um mes-
mo perfil com um mesmo jogo de matrizes e produzem perfis contínuos, que poderão ser for-
necidos em diversos comprimentos graças à integração da máquina a um sistema de corte. As
formadoras são econômicas em relação às “dobradeiras” de perfis quando a produção é gran-
de; quando produzem telhas, são chamadas de corrugadeiras. Uma corrugadeira completa
consiste dos seguintes itens básicos: desenrolador de bobinas hidráulico, jogo de matrizes
(corrugadeira propriamente dita), sistema hidráulico de corte e mesa de embalagem com estei-
ra (o sistema de embalagem pode ser automatizado ou não). A corrugadeira utilizada na fabri-
cação das telhas utilizadas neste trabalho está mostrada na Figura A.1.

Figura A.1 - Corrugadeira de telhas de aço trapezoidais.


26

APÊNDICE B - REGISTROS DO ENSAIO DE TRAÇÃO


Neste apêndice estão ilustrados (Figuras B.1, B.2 e B.3) os resultados dos ensaios das
propriedades mecânicas à tração do aço zincado utilizado na parte experimental deste traba-
lho, a máquina universal de ensaios utilizada (do Laboratório de Ensaios Mecânicos da Zam-
progna S/A) e o modelo dos corpos de prova ensaiados.

Figura B.1 - Relatório de ensaios do software TESC com os resultados das propriedades mecânicas à tração do
aço zincado correspondente às telhas ensaiadas na parte experimental deste trabalho.

Figura B.2 - Máquina universal de ensaios EMIC usada nos ensaios de tração.
27

Figura B.3 - Amostra dos corpos de prova ensaiados segundo NBR 6673/1981.

APÊNDICE C - INTRUMENTAÇÃO UTILIZADA


A seguinte instrumentação foi utilizada para a medição das deformações e dos desloca-
mentos na parte experimental deste trabalho:
- Quinze extensômetros coláveis de resistência elétrica (strain gauges) Excel, codifica-
ção PA-06-125BA-120L, modelo unidirecional simples, forma tradicional, fator de
sensibilidade (gauge factor) 2,06;
- Uma ponte extensométrica Sodmex IDE-01, resolução ±1µm/m, aceita extensômetros
com configuração em ponte completa, ½ponte e ¼ponte, arranjo a três fios com com-
plementação interna em 120Ω e 350Ω, alimentação de 5V c.c. estabilizada, precisão
de 0,25% da leitura ±1 dígito;
- Dois relógios comparadores Digico 18, com resolução de 0,001mm.
APÊNDICE D - VERIFICAÇÃO DA RESISTÊNCIA DAS HASTES GALVANIZADAS
E DAS TELHAS QUANTO AOS ESFORÇOS CONCENTRADOS
Para a estimativa da carga de colapso das telhas, utilizou-se a configuração de telha com
bordas livres e carga inteiramente distribuída através da largura; esta configuração pode ser
adequadamente modelada com uma viga com a distribuição de esforços da Figura 4.1. Assu-
mindo o valor de momento fletor no meio do vão (região de momento constante) de 586,2N.m
- momento fletor nominal obtido pelo MRD - pôde-se prever uma carga P de colapso de
1756N a ser usada no ensaio. Sabendo que dez hastes fixam a telha às terças, porém despre-
zando as quatro hastes localizadas nas bordas, o peso será distribuído nas seis hastes centrais,
atribuindo uma carga de 292,7N a cada uma. Esta análise, dentro do regime elástico, é con-
servativa, já que a telha perde rigidez quando flamba localmente. Assim, se cada haste e cada
região da telha próxima à fixação da haste resistirem a um carregamento de 292,7N, a deter-
minação da carga de colapso da telha pode ser feita sem que a ruptura se precipite nas regiões
das hastes.
Foi ensaiada uma chapa de mesmo material e espessura das telhas utilizadas neste traba-
lho, presa a uma haste com porca, arruela e borracha, para verificar a resistência do conjunto.
A chapa tem 40 x 80mm, com dois elementos de 20mm dobrados a 90º, conforme ilustra a
Figura D.1(a); os pontos considerados críticos estão circulados em vermelho. Uma base de
madeira envolta por arames foi amarrada junto à chapa (Figura D.1(b)). Carregou-se a plata-
forma suspensa com 491,5N, sem que ocorresse qualquer indício de ruptura, o que atendeu
aos requisitos desta verificação.
28

Figura D.1 - (a) Conjunto de haste de fixação e chapa a ser ensaiado; (b) carregamento do ensaio.

APÊNDICE E - RESULTADOS EXPERIMENTAIS DOS ENSAIOS 2 E 3


As Figuras E.1 e E.2 mostram o comportamento das medições realizadas com strain
gauges e relógios comparadores para os ensaios 2 e 3. Convém observar que o relógio R1, no
ensaio 2 não apresentou nenhum trecho de comportamento linear.

900 SG1 12 R1
SG2 Ensaio 2 R2
800 SG3 Reta2 Ensaio 2
SG4 10 ""
Deformação de Compressão (E-6)

700 SG5 [x(-1)]


Deslocamento (mm)

600 8

500
6
400

300 4

200
2 262,1N
100
Carga Aplicada (N) Carga Aplicada (N)
0 0
36,4932 236,493 436,493 636,493 836,493 1036,49 1236,49 36,4932 236,4932 436,4932 636,4932 836,4932
2 2 2 2 3 3
Figura E.1 - Comportamento dos strain gauges e dos relógios comparadores para o ensaio 2.

1000 SG1 12 R1
SG2 R2
SG3 Ensaio 3 Reta1
Ensaio 3
SG4 10 Reta2
800
SG5 [x(-1)] ""
Deformação de Compressão (E-6)

Deslocamento (mm)

8
600

400
4

360,2N
200
2

Carga Aplicada (N) Carga Aplicada (N)


0
0
36,4932 236,4932 436,4932 636,4932 836,4932 1036,4932 1236,4932 1436,4932 36,4932 236,4932 436,4932 636,4932 836,4932 1036,4932

Figura E.2 - Comportamento dos strain gauges e dos relógios comparadores para o ensaio 3.
29

APÊNDICE F - ALÍVIO DE TENSÕES VERIFICADO NA ANLG PARA TELHA


COM BORDAS LIVRES E CARGA INTEIRA E TELHA COM BORDAS VINCULA-
DAS E CARGA INTEIRA E CENTRAL
As Figuras F.1, F.2 e F.3 mostram a distribuição de tensões na direção do comprimento
da telha ao longo do corte 2 (Figura 5.4) para a telha com bordas livres e carga inteira, e ao
longo do corte 4 para a telha vinculada (carga inteira e carga central).
1,00E+07
SX - Telha com Bordas Livres e Carga Inteira
5,00E+06

0,00E+00
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 2,00

-5,00E+06
SX (Pa)

-1,00E+07

-1,50E+07

-2,00E+07 P=124,1N
P=192,1N
-2,50E+07
P=260,1N
P=328,1N
Comprimento P=396,1N
-3,00E+07

Figura F.1 - Distribuição de tensões no corte 2 para diferentes incrementos de carga aplicado ao caso de telha
com bordas livres e carga inteira (P crítico entre 260,1N e 328,1N).

1,50E+07
SX - Telha com Bordas Vinculadas e Carga Inteira
1,00E+07

5,00E+06

0,00E+00
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2
-5,00E+06
SX (Pa)

-1,00E+07

-1,50E+07

P=102,2N
-2,00E+07
P=158,2N
P=214,2N
-2,50E+07
P=270,2N
P=326,2N
-3,00E+07 P=382,2N
Comprimento
-3,50E+07

Figura F.2 - Distribuição de tensões no corte 4 para diferentes incrementos de carga aplicado ao caso de telha
com bordas vinculadas e carga inteira (P crítico entre 270,2N e 326,2N).

1,50E+07
SX - Telha com Bordas Vinculadas e Carga Central
1,00E+07

5,00E+06

0,00E+00
0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8 2
-5,00E+06
SX (Pa)

-1,00E+07

-1,50E+07

-2,00E+07 P=58,4N
P=90,4N
-2,50E+07 P=122,4N
P=154,4N
-3,00E+07 P=186,4N
P=218,4N
-3,50E+07 Comprimento

Figura F.3 - Distribuição de tensões no corte 4 para diferentes incrementos de carga aplicado ao caso de telha
com bordas vinculadas e carga central (P crítico entre 154,4N e 186,4N).