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PROGRAMA DE DISCIPLINA 2021 1

Código Nome da Disciplina: CH CR


30 2
IPG714 Estudos Avançados em Processos Cognitivos II
IPG814 Subtítulo: Atenção conjunta: entre o cuidado e o controle
Professores:Virginia Kastrup (UFRJ) e Luciana Caliman (UFES) quintas-feiras de
16 às 18h
Início: 25/03/2021

O curso será online, pelas plataformas AVA UFRJ e Google meeting.


O link será divulgado posteriormente.

Ementa:
A disciplina dá continuidade ao estudo da atenção conjunta sob a perspectiva da ecologia
da atenção proposta por Yves Citton (2014/2016). Afastando-se uma abordagem
individualista da atenção, busca discutir as trocas e partilhas atencionais envolvendo
pessoas e coisas. O estudo da atenção como cuidado (em inglês care e em francês souci
e soin) permite explorar a dimensão ética e política da atenção, destacadas por Isabelle
Stengers, Vinciane Despret e Maria Puig de la Bellacasa. As práticas de cuidado possuem
um limite, por vezes tênue, com as práticas da sociedade do controle, descrita por Gilles
Deleuze. O tema do auto-controle, presente nos estudos clássicos por meio das noções
de atenção voluntária e esforço individual (Jean-Pierre Lachaux, 2013), ganha novos
contornos na contemporaneidade. Frente à avalanche de dados aos quais somos
permanentemente submetidos e à atitude de alerta permanente em que vivemos, o
controle parece, numa formulação paradoxal, fugir de nosso próprio controle quando é
exercido por instâncias de vigilância cada vez mais sofisticadas (Fernanda Bruno, 2009).
Na sociedade da vigilância o controle sobre nosso comportamento e a disputa pela
atenção da subjetividade-consumidor exige a discussão dos limites entre práticas de
cuidado e práticas de controle. Com Tim Ingold e Jan Masschlein, a questão da atenção
conjunta se desdobra em propostas no campo educacional, por meio da formulação de
uma educação da atenção. A discussão sobre as trocas atencionais envolvendo pessoas
e coisas tomará como referência as ideias de Etienne Souriau, desenvolvidas por David
Lapoujade, acerca da relação entre o artista e a obra de arte. O texto de Erin Manning
sobre alguns problemas das pessoas com deficiência em tempos de pandemia de Covid-
19 traz atualidade à discussão sobre arte e cuidado.

Programa:

I - Apresentação e introdução do problema do curso


O que entendemos por atenção conjunta
A aborgadem ecológica de Yves Citton
O individualismo e o mentalismo em questão
A atenção como co-presença: reciprocidade, sintonia afetiva e prática de imporvisação
Práticas de cuidado e suas ressonâncias na arte e na educação
Vissicitures da atenção conjunta: cuidado e controle

II- Atenção conjunta e cuidado


Atenção e cuidado
O conceito de cuidado (em inglês care e em francês souci e soin)
A dimensão ética e política da atenção

III - Atenção conjunta e controle


A colocação do problema no séc XIX: os conceitos de atenção voluntária e esforço
Gilles Deleuze e as sociedades de controle
A sociedade da vigilância
Subjetividade-consumidor e a atenção em alerta
Limites entre práticas de cuidado e práticas de controle

IV – Cuidado e controle na Educação


Estratégias de controle na escola disciplinar
Atenção conjunta da sala de aula
Práticas de cuidado na escola
Tim Ingold e a educação da atenção

V- Atenção, arte e modos de existência


Trocas atencionais envolvendo pessoas e coisas
Etienne Souriau e os modos de existência
O artista e a obra de arte: um problema de atenção conjunta?
Arte e cuidado na pandemia de Covid-19: o caso das pessoas com deficiência

Bibliografia:

Bellacasa, M. P. de la. Nada vem sem seu mundo: pensando com cuidado. Tradução
Ronald Arendt. (mimeo)

Bruno, F. Estéticas da Vigilância e da Atenção: notas preliminares. Intercom- Sociedade


Brasileiras de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Trabalho apresentado no XXXII
Congresso Brasileiro de Comunicação – Curitiba, 2009.
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-2696-1.pdf

Caliman, L. V., César, J. M., & Kastrup, V. (2020). Práticas de cuidado e cultivo da atenção
com crianças. Revista Educação, Artes e Inclusão, 16(4), 166-195.

Citton, Y. Da economia à ecologia da atenção. Ayvu, v.5, n.1, p.13-41, 2018.

Deleuze, G. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações. Rio de


Janeiro: Ed. 34, 1992, 219-226.

Despret, V. Figures de la re-composition. Traduzido do inglês por Thierry Piélat, Paris:


Flammarion, 2012.
https://orbi.uliege.be/handle/2268/207927

Ingold, T. O dédalo e o labirinto. Caminhar, imaginar e educar a atenção. Horizontes


Antropológicos. Porto Alegre, ano 21, n. 44, p.21-36, jul/dez 2015.

Lachaux, J-P. Le cerveau attentif. Paris: Odile Jacob, 2013. Avant propos, caps. 1 e 12 (La
maîtrise de l’attention: tout um art. p.319-356)
Lapoujade, D. As existências mínimas. São Paulo: N-1 edições, 2017. Cap. Modos de
existência (p.17-41) e Cap. Distentio Animi (p.61-78).

Manning, E. Distanciamento.
https://www.glacedicoes.com/post/a-palavra-e-virus-distanciamento-erin-manning

Masschelein, J. (2010). E-ducating the gaze: the idea of a poor pedagogy. Ethics and
education, 5(1), 43-53.
https://www.tandfonline.com/doi/pdf/10.1080/17449641003590621

Souriau, E. Diferentes modos de existência. São Paulo: N-1, 2021.

Stengers, I. No tempo das catástrofes. São Paulo: Cosac Naify, 2015. Caps. 6 (p.55-61) e
10 (p.91-99).

Bibliografia complementar:

Boullier, D. Pour une conception cosmopolitique du care.


https://blogs.mediapart.fr/dominique-g-boullier/blog/310810/pour-une-conception-
cosmopolitique-du-care, 2010.

Citton, Y. Pour une échologie de l’attention. Paris: Seuil, 2014.

Citton, Y. The ecology of attention. Cambridge: Polity, 2016.

Citton, Y. Da economia à ecologia da atenção. Ayvu, v.5, n.1, p.13-41, 2018.

Despret, V. From secret agentes to interagency. History and Theory, Theme Issue 52
(Decembre, 2013), 29-44.

Hennion, A. e Vidal-Naquet, P. La contrainte est-elle compatible avec le care? Le cas de


l’aide et du soin à domicilie. Alter, European Journal of Disability Reserach, 9 (2015) 207-
221.

Ingold, T. Antropologia e/como educação. Petrópolis-Rio de Janeiro: Vozes, 2020.

Jacques, R. O trabalho de instauração sob a esfinge da obra a-ser-feita na floresta dos


virtuais. GIZ, Revista de Antropologia USP, v.4, n.1, 337-353, out. 2009.

Lafuente, A. Elogio à potência cognitiva dos cuidados. Outras Palavras (15/05/2020)

Lucas, Rob. Origem e limites do capitalismo de vigilância. Sobre o livro de Shoshana


Zuboff A era do capitalismo de vigilância. Outras Palavras. (03/02/2021)

Masschelein, J., & Simons, M. (2002). An adequate education in a globalised world? A


note on immunisation against being–together. Journal of philosophy of education, 36(4),
589-608.

Masschelein, J. (2010). The idea of critical e-ducational research—e-ducating the gaze


and inviting to go walking. In The possibility/impossibility of a new critical language in
education (pp. 275-291). Brill Sense.
Mozère, L. Le “souci de soi” chez Foucault et le souci dans une étique du care. Quelques
pistes de travail. Le Portique, Revue de philosophie et de sciences humaines, 13-14/
2004.

Pelbart, P. Por uma arte de instaurar modos de existência que “não existem”.

Savransky, M. e Stengers, I. Relearning the art of paying attention. SubStance, 47, 1,


2018 (Issue 145).

Ano Semestre
PROGRAMA DE DISCIPLINA 2021 1

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