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Verificação de leitura: “Contribuições de B.F.

Skinner para o Estudo do


Desenvolvimento Humano” (pp. 95-108)

Quando se analisa a Psicologia, observa-se que tanto ela quanto suas subáreas
consistem em uma vasta diversidade teórico-metodológica. Dentre essas subáreas, é
possível destacar a Psicologia do Desenvolvimento, uma área que, em sua conformação
atual, contempla diferentes vertentes teóricas, as quais buscam, em geral, compreender
o desenvolvimento dos sujeitos durante todo o ciclo vital. Contudo, embora possuir essa
atual configuração, no inicio de sua institucionalização, essa Psicologia não focou seus
estudos em todo ciclo vital, nem buscou contemplar todas as vertentes que contribuíam
à área; a infância era o tema de maior proeminência e as contribuições da Análise do
Comportamento não eram consideras1 pelos manuais de Psicologia da época. Sendo
assim, o texto Contribuições de B.F. Skinner para o Estudo do Desenvolvimento
Humano (2016) é um importante escrito que explora como as teorizações feitas por
Skinner, a exemplo do comportamento operante, permitiram pensar e formular em
teorias e métodos acerca do desenvolvimento humano.

O behaviorista Skinner, embora tenha contribuições importantes para essa


subárea do conhecimento científico, não produziu obras que tratassem particularmente
do tema do desenvolvimento humano. Diante disso, Bettio e Laurenti (2016), para
produzir um escrito sobre as contribuições do psicólogo e qual seria sua visão sobre o
tema, procuraram por palavras chaves, como: desenvolvimento, desenvolver,
desenvolvimentismo, idade, evolução, crescimento, maturação e estágio (BETTIO &
LAURENTI, 2016, p.98), nos índices remissivos dos vinte livros do behaviorista. Dessa
forma, ao filtrar e analisar os resultados, buscando, assim, ver quais obras se relacionava
com a pesquisa das autoras, pode-se alegar que Skinner via o desenvolvimento humano
como um processo composto por mudanças sistemáticas que ocorriam ao da vida do
indivíduo. Essas mudanças seriam motivadas pelas influências condicionadas pela
filogênese, ontogênese e sociogênese, as quais se tornam as modificações de
comportamento sofridas durante o desenvolvimento do indivíduo como contingências.
1
Embora o texto da verificação de leitura não abordar claramente o assunto, vale ressaltar que a Análise
do Comportamento e suas teorias são, até hoje, alvos de preconceitos e julgamentos. É possível notar que,
até nos cursos de Psicologia, cursos nos quais, naturalmente, espera-se um maior exercício da empatia e
do respeito, muitos alunos vão construindo seus vieses bastante taxativos e que repudiam o Behaviorismo
em um tom de aversão. Decerto, existem teorias dentro dessa vertente que são reducionismos extremados,
mas isso não torna justificável um comportamento de aversão e preconceito.
Além disso, observou-se que Skinner escreveu uma série de críticas ao
desenvolvimentismo, a algumas interpretações maturacionista e a visão teleológica de
evolução, as quais fugiam desse ideal de desenvolvimento humano construído a partir
das contribuições do psicólogo. Esta visão consistiria em encarar o processo evolutivo
detentor de uma finalidade, um propósito definido a priori; essa, em ver as mudanças
comportamentais como representantes de um ciclo, em que a compreensão de sua
regularidade capacitaria à previsão das transformações dos indivíduos; enquanto aquela,
para o psicólogo, como o “... estruturalismo para o qual tempo ou idade foi adicionado
como uma variável independente” (SKINNER, 1987, p. 59).

Tomando como base essas noções, a rejeição de Skinner ao desenvolvimentismo


reside na tentativa das psicologias que se apoiam nessa visão dessa visão explicar a
mudança de comportamento, algo que impossibilitaria o aspecto da intervenção
proposta na Psicologia no Desenvolvimento. Além disso, apresentando o mesmo
problema da intervenção que o desenvolvimentismo, a negação do behaviorista a
respeito do maturacionismo como um ciclo, isto é, num tom de exatidão e capacidade de
previsão do desenvolvimento, perpassa pelo fato de os indivíduos não serem exatos e,
assim, impossíveis de prever quando se baseia no fator da idade. Por fim, a crítica do
behaviorista ao evolucionismo teleológico dá-se por ele não ver a evolução como um
processo de tentativa e erro e que possua uma finalidade. Assim, quando essa ideia é
transposta para a questão do desenvolvimento humano, pode-se supor que o também
não encararia esse desenvolvimento como algo que possui um propósito, mas, como
contingente e probabilístico.

Ademais dessas contribuições, em seus escritos, Skinner afirma que


desenvolvimento é uma metáfora, a qual se vale do maturacionismo das alterações do
comportamento. Segundo o psicólogo, essa metáfora consiste explicar o
desenvolvimento dos indivíduos a partir do desenvolvimento dos determinantes internos
do comportamento e não ele em si, o que, assim, privilegia a topografia dos
comportamentos e não contempla plenamente o interacionismo sujeito-ambiente
presente neles. Dessa forma, essa analogia faz crer que existem estágios fixos de
desenvolvimento, ou seja, uma padronização do processo que cada indivíduo perpassa,
produzindo uma “... rotulação do indivíduo como retido ou fixado quando ele não
apresenta mudanças condizentes com a sua idade” (BETTIO & LAURENTI, 2016,
p.105).
Posto isso, em contrapartida a essa analogia, tendo em vista as limitações dessa
visão, Skinner afirma que a relação sujeito-ambiente presente nos comportamento deve
ser contemplada plenamente. Isso se daria por meio da explicação dessa relação através
das contingências de reforçamento, as quais possuem a potência de especificar a ocasião
de expressão de um comportamento, as suas características, suas consequências e a
probabilidade futura de ocorrência de ações de mesma classe. Ademais, “[a]o discutir o
desenvolvimento em termos de contingências” (BETTIO & LAURENTI, 2016, p.102),
Skinner reforça o papel das contingências sociais, as quais, por estarem ligadas ao
condicionamento feito pelo contexto cultural, responsável por modelar os
comportamentos dos indivíduos, são capaz de produzir mudanças no comportamento.

Então, tendo em vista as contribuições feitas por Skinner, verifica-se a


capacidade que a Análise do Comportamento possui para produzir teorias e métodos a
respeito do desenvolvimento humano, os quais são condizentes com a análise das
mudanças comportamentais em termos de contingências da filogênese, da ontogênese e
da sociogênese. Dessa forma, é essencial que sejam valorizadas essas contribuições para
que haja um contraponto a visão desenvolvimentista que se tem em umas vertentes da
Psicologia e, assim, contrapor a ideia de que as mudanças no comportamento são exatas,
fixas em estágios e, ou possuem finalidade.

Referências

BETTIO, C.D.B.; LAURENTI, C. Contribuições de B.F. Skinner para o estudo do


desenvolvimento humano. Acta Comportamentalia, v. 24, n. 1, p. 95-108, 2016.

Skinner, B. F. (1987). Upon further reflection. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall

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