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Fichamento “O Suicídio” de Émile Durkheim

O sociólogo francês Émile Durkheim, em seu livro “O suicídio”, retoma os

problemas da integração do indivíduo na sociedade moderna por meio da

discussão sobre o tema do suicídio. No entanto, ao invés de explicar

tradicionalmente esse fenômeno por meio de suas causas psicológicas ou

psicopatológicas, o autor busca mostrar que o comportamento suicida possui

também causas sociais.

Para tanto, o sociólogo inicia sua reflexão definindo objetiva e

cientificamente o que é suicídio, sendo ele todo caso de morte provocado direta

ou indiretamente por um ato positivo ou negativo realizado pela própria vítima e

que ela sabia que devia provocar esse resultado 1. Dessa forma, Émile procura

distanciar-se da acepção de suicídio feita pelo senso comum, evitando, assim,

confusões na hora de categorizar um fato.

A partir dessa definição, é possível verificar que os números de suicídios

cometidos em uma sociedade se distinguem uma da outra, ou seja, cada

sociedade tem uma particular pré-disposição para intensificar essa atitude.

Sendo assim, em vista dessa singularidade de cada sociedade, os suicídios

não são apenas casos particulares, mas sim um conjunto de casos que

constituem um fato social, o que torna ele um tema de estudo pertencente ao

domínio da sociologia.

Para comprovar tal causalidade social, o autor inicia um estudo das taxas

de suicídios de diferentes países da Europa. Esse estudo se baseia na

comparação desses dados estatísticos, sendo eles indicadores fundamentais

que expressam a tendência social ao suicídio que cada sociedade é atingida. A

1
DURKHEIM, É. O suicídio: estudo de sociologia. 1. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. Introdução, pp. 14.
partir disso, embora possuírem similar nível de progresso civilizacional, ao

observar a particularidade numérica de cada país, fica claro que uma das

forças que ocasionam o suicídio é o social, pois essa prática depende das

condições históricas, das normas e dos valores de um determinado meio

social.

Diante disso, com base nesses dados, Durkheim busca determinar a

natureza das causas sociais, a maneira pela qual produzem seus efeitos e

suas relações com as situações individuais que acompanham os diferentes

tipos de suicídios2. Logo, para uma melhor compreensão do suicídio e de sua

premissa social, esse fenômeno é distinguido em três tipos, os quais tematizam

os problemas da coesão do indivíduo à sociedade e apontam tal causalidade

social.

Para o sociólogo, há, então, três tipos de suicídio: egoísta, altruísta e

anômico. Este é derivado de um estado de desregramento social, no qual as

normas sociais estão ausentes ou perderam o sentido; esse, quando o

indivíduo se identifica tanto com o meio social, que é capaz de tirar sua vida

por ele; por fim, aquele é resultado da não integração do ser às instituições e

grupos sociais.

Enfim, fica claro que a visão durkheimiana sobre o suicídio parte de um

viés científico e categórico, que expressam a clara posição positivista do autor

e sua ilusão na onipotência curativa da ciência para os males sociais. Contudo,

algo muito interessante da análise do sociólogo é seu afastamento do olhar

moralista do suicídio, a qual a faz através de dados estatísticos, propondo uma

nova abordagem para o estudo do suicídio e suas causas.

2
DURKHEIM, É. O suicídio: estudo de sociologia. 1. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2000. Introdução, pp. 25.

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